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Os hologramas que revolucionaram ciência das imagens e renderam Nobel ao inventor

Publicado em: 15/10/2025 06:53

Físico brasileiro é citado em Nobel de Física e celebra reconhecimento da ciência nacional Natalie Logan Os detalhes do rosto de Martin Scorsese o encantaram. Cada poro da pele. Cada fio de cabelo minúsculo. O criador de hologramas Martin Richardson havia feito seis imagens em 3D do renomado diretor de cinema. E uma delas, com seu detalhamento aparentemente infinito, o surpreendeu. À medida que Richardson observava a profundidade dos traços de Scorsese, sua impressão era que o diretor estava de volta na sala com ele. Depois de passar horas estudando o holograma, Richardson observou que ele havia capturado até mesmo uma minúscula nuvem de poeira que flutuava no ar entre Scorsese e o observador. Era uma ilusão perfeita, composta de luz — um segundo capturado para a eternidade. "É um meio viciante", declarou Richardson. Ele produz hologramas há décadas, aperfeiçoando gradualmente diversos métodos. Periodicamente, ele retira um dos seus favoritos dos arquivos para observá-lo mais uma vez. "Eles me dão arrepios na espinha", ele conta. Os hologramas são especiais. Mas, para compreendê-los, é importante reconhecer o que eles não são. A fantástica projeção da princesa Leia em Guerra nas Estrelas (1977), na famosa cena em que ela pede ajuda, não é um holograma. Nem o truque de palco conhecido como fantasma de Pepper (Pepper's ghost, em inglês), que permite, por exemplo, que imagens translúcidas de astros do pop se apresentem ao público. Ondas em colisão Os hologramas são imagens em 3D produzidas pela gravação de algo conhecido como padrão de interferência, a confusa complexidade que surge quando duas frentes de ondas se encontram. Você mesmo pode criar interferências batendo na superfície da água em uma bandeja em dois pontos opostos e observando a colisão das minúsculas ondas. Mas os padrões de interferência gerados pela reflexão da luz de um objeto 3D são muito mais complexos. É necessário ter luz coerente para criar um padrão de interferências BBC Surpreendentemente, quando capturamos um padrão de interferência de luz em uma placa ou filme fotográfico, por exemplo, e lançamos uma nova luz sobre ele, podemos recriar a frente de onda de luz original refletida pelo objeto (ou pelo diretor cinematográfico), capturada quando gravamos seu holograma. É como uma fotografia que reflete a luz em 3D. As pessoas usam a holografia para criar obras de arte fantásticas, estudar minúsculas falhas em materiais de construção e até para produzir óculos de realidade aumentada. A história dos hologramas é de extraordinária criatividade — mas também, segundo alguns, de promessas não cumpridas. Luz coerente de lasers Nos anos 1940, o físico húngaro-britânico Dennis Gabor (1900-1979) procurava uma forma de criar imagens detalhadas de objetos muito pequenos. Ele ficou fascinado, por exemplo, pela microscopia eletrônica, uma técnica vencedora do Prêmio Nobel que usava feixes de elétrons em vez da luz. Com eles, os cientistas produziram imagens, por exemplo, de pelos microscópicos do corpo dos insetos. Gabor queria desenvolver a tecnologia e o método que ele criou é baseado no princípio essencial da holografia: é possível reconstruir uma frente de ondas (ou seja, a total complexidade das ondas de elétrons ou luz refletidas por um objeto). Gabor comprovou, na época, que isso era possível, mas o desenvolvimento foi limitado pela necessidade de fontes de ondas coerentes, que viajem com todos os seus altos e baixos alinhados. Os feixes de elétrons, nos anos 1940, eram coerentes, mas os emissores de luzes coerentes — os lasers — só surgiriam na década de 1960. Dois pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram o conceito de holografia de Gabor a largas passadas, utilizando lasers para produzir os primeiros hologramas que eu e você podemos reconhecer como tais, incluindo uma famosa imagem em 3D de um trem de brinquedo. Eles foram o engenheiro elétrico Emmett Leith e o físico e inventor Juris Upatnieks. Emmett Leith e Juris Upatnieks criaram este holograma 3D após a invenção do laser Museu Nacional de História Americana do Instituto Smithsoniano Outros pesquisadores também contribuíram para a holografia naquela mesma época, mas Gabor ganhou sozinho o Prêmio Nobel de Física de 1971 pelo seu trabalho neste campo. E os hologramas continuaram surpreendendo e admirando as pessoas. A artista canadense Natalie Logan relembra uma das suas primeiras aulas de holografia na universidade. O professor tinha alguns hologramas, elaborados usando diversas técnicas, todas decorrentes da ideia original de Gabor. Eles variavam em profundidade e detalhamento. Um deles apresentava um soldado de brinquedo. Era tão encantador que Logan pensou que o professor estivesse fazendo uma brincadeira, mostrando à classe um objeto 3D real para ver se eles identificariam a diferença. "Quando percebi que era uma chapa de vidro plana, fiquei realmente surpresa", relembra Logan. Ela viria a produzir seus próprios hologramas posteriormente. Sua série de trabalhos Trapped Light ("Luz capturada", em tradução livre) apresenta hologramas coloridos com formas estranhas e etéreas. "Vejo um holograma como um recipiente", explica ela. "Você está repetindo o que a luz fez naquele momento." Ordem no caos Fazer um holograma não é fácil. "Oh, meu Deus, quantas horas invisto neles", exclama Claudette Abrams, outra artista holográfica canadense. Existem diversos métodos, mas, para produzir um holograma a laser, digamos, de um dinossauro de brinquedo, o criador pode usar filme holográfico, laser, um aparelho para ampliar e outro para dividir os feixes. Com dois feixes expandidos, o criador do holograma faz um deles brilhar sobre o dinossauro, enquanto o outro ultrapassa o brinquedo e permanece puro. Mas os feixes se encontram novamente no filme de gravação, criando interferência. O padrão de interferência resultante, capturado pelo filme, é como uma gravação perfeita dos altos e baixos de luz que vêm do objeto. Mas, para o olho humano, aquilo pareceria puro caos. Se você lançar uma luz laser nova sobre uma reprodução do padrão adequadamente produzido, seus detalhes ou ondulações gerarão a difração da luz, fazendo com que ela se desvie em muitas direções. Com isso, ela irá reproduzir fielmente a frente de ondas que veio do dinossauro durante a gravação. Por quê? Porque você gravou não só a intensidade da luz, mas também a sua fase, ou como o dinossauro afetou a coerência da luz — especificamente, como essas ondas de luz permaneceram ou saíram de sincronia quando atingiram o brinquedo em diversas direções. Este é o segredo da holografia. Abrams ficou interessada em hologramas, como forma de lidar com noções de realidade e observar "como existem muitas realidades virtuais", explica ela. Ela se divertia produzindo hologramas de animais, congelando suas expressões no tempo, para uma série que explorava como os seres humanos marginalizam ou monetizam os animais. "Tínhamos aves voando por toda parte", relembra ela. "Elas faziam cocô em alguns instrumentos ópticos. Ficava bagunçado." Solução para armazenagem de dados? No século 20, engenheiros aproveitaram a tecnologia para produzir gravações holográficas de materiais. Se você quisesse descobrir se uma viga de metal em uma construção havia se deformado ou vergado ao longo do tempo, por exemplo, poderia fazer um holograma dela, esperar um pouco e fazer, em seguida, um novo holograma. Bastaria sobrepor as duas imagens para revelar a menor alteração de formato que houvesse, ou o surgimento de rachaduras ou defeitos. É possível aplicar a mesma técnica a tudo, desde facetas dentárias até as pás de turbinas de motores a jato. Mas, agora, existem muitas alternativas "mais simples", segundo o professor emérito da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, Sean Johnston. Ele é o autor do livro Holographic Visions: A History of New Science ("Visões holográficas: uma história da nova ciência", em tradução livre). Ou seja, a chamada interferometria holográfica, em grande parte, está ultrapassada. Outra aplicação da holografia também enfrentou os seus tropeços. Como os hologramas registram muito mais informações que a fotografia, pesquisadores vêm testando a técnica há muito tempo para armazenagem avançada de dados. Mas Masud Mansuripur, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, conta a história da InPhase, uma empresa que pretendia comercializar a armazenagem de dados holográficos em discos sofisticados, mas faliu em 2010. "A tecnologia era fantástica, mas não havia forma de competir no mercado", relembra Mansuripur. Ele explica que, mais ou menos na mesma época, surgiram os grandes drives em estado sólido, que eram muito mais baratos. A armazenagem de dados holográficos talvez ainda encontre uso na substituição da armazenagem em fitas magnéticas, que ainda são empregadas para aplicações que envolvem arquivos de dados muito grandes. O físico húngaro-britânico Dennis Gabor recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1971 Getty Images/BBC Imagem perfeita As questões sobre a utilidade da holografia datam ainda da época de Gabor. "Ela foi superestimada e supervalorizada desde o início", afirma Johnston. Os primeiros e impressionantes hologramas a laser, como os produzidos por Leith e Upatnieks, foram seguidos pela transmissão de arco-íris ou hologramas estampados. Estes são o tipo de holograma que você encontra no seu cartão de crédito. Eles permanecem úteis como elementos de segurança, pois é difícil copiar um holograma e os incríveis detalhes que ele contém. Mas é claro que este não é um uso particularmente espetacular da tecnologia. Johnston escreveu que, com o passar do tempo, os hologramas foram "relegados a livros de adesivos infantis". Ainda assim, as pesquisas voltadas aos princípios da holografia continuam. Os óculos de realidade aumentada, por exemplo, usam elementos ópticos holográficos (HOEs, na sigla em inglês). Estes elementos criam imagens vívidas em 3D no campo de visão de uma pessoa, por meio da difração de luz, similar a um holograma. Esta tecnologia vem ajudando a tornar os aparelhos de realidade aumentada menores e mais surpreendentes. "Você pode sobrepor uma imagem ao mundo real", destaca Mansuripur. Pode ser questão de opinião definir se a holografia conseguiu ou não atender às expectativas. Martin Richardson, por exemplo, contesta o conceito de Johnston. Mas, de qualquer forma, sempre haverá hologramas surpreendentemente detalhados que as pessoas que tiveram a sorte de observá-los nunca irão esquecer. Johnston, por exemplo, tem um favorito: Lucy com Chapéu de Lata, um retrato holográfico de uma mulher usando grandes brincos brilhantes e um estranho chapéu pontiagudo. Hologramas como este são janelas que nos permitem observar o objeto real, segundo Johnston. E, quando são muito bons, são "o que há de mais próximo da imagem mais perfeita já produzida". Esta reportagem foi criada em coprodução entre a instituição Nobel Prize Outreach e a BBC.

Palavras-chave: tecnologia

Padilha admite insatisfação com longas filas no SUS e promete 'maior mobilização para resolver esse problema'

Publicado em: 15/10/2025 06:37

Ministério da Saúde muda regras pra mulheres fazerem mamografia no SUS O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), aposta as fichas no recém-criado programa Agora Tem Especialistas para acabar com uma das maiores queixas dos brasileiros em relação à saúde pública: a longa fila para fazer consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). Estatísticas oficiais e estudos independentes demonstram que o tempo de espera para realizar esses procedimentos e avaliações especializadas bateu o recorde em 2024. Em entrevista exclusiva à BBC News Brasil durante uma visita a Londres, no Reino Unido, Padilha reconheceu a dimensão do problema. "Nossas pesquisas de opinião apontam que a principal reclamação da população hoje é sobre o tempo que ela espera para uma consulta especializada, para um exame, para uma cirurgia", diz ele. "Então essa é, sem dúvida alguma, o nosso principal desafio a ser enfrentado. E esse programa, o Agora Tem Especialistas, do governo federal, do presidente Lula, que foi aprovado pelo Congresso, está aí exatamente para isso", promete o ministro. Padilha é médico infectologista de formação, quadro antigo do PT e já chefiou a Saúde no governo de Dilma Rousseff (PT). Está de novo à frente da pasta desde março, quando deixou o Ministério das Relações Institucionais para o assumir o lugar de Nísia Trindade. No governo Dilma, esteve à frente do lançamento do programa Mais Médicos, motivo alegado pelo governo de Donald Trump para revogar o visto de entrada nos Estados Unidos da sua mulher e de sua filha. Padilha não foi afetado diretamente porque seu visto americano venceu em 2024. Ele, porém, ficou impedido de obter um novo visto. À BBC News Brasil, Padilha comentou sobre as sanções contra sua família. "Se os Estados Unidos não querem que eu vá lá, eles podem até restringir a minha circulação dentro dos Estados Unidos, mas não conseguem restringir as ideias e o papel que o Brasil e o ministro da Saúde têm", aponta ele. "Fiquei indignado. Primeiro porque tem um ataque à minha família. Tenho uma filha de 10 anos de idade. Quero saber qual é o risco que minha filha gera para o governo dos Estados Unidos." Padilha projeta que ações do governo vão diminuir fila de espera no SUS José Cruz/Agência Brasil Confira os principais trechos da entrevista a seguir. BBC News Brasil – O senhor está no Reino Unido, o berço do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), que foi a inspiração para a criação do SUS. Existe algo que o Brasil ainda pode aprender com o sistema de saúde britânico? Alexandre Padilha – Muita coisa. Tenho dito aqui que estamos visitando nosso irmão mais velho. O SUS vindo visitar o NHS. Renovamos a parceria com o Ministério da Saúde aqui do Reino Unido, e isso é um passo muito importante para enfrentarmos desafios comuns. Algumas coisas, a gente ensina a eles. Estamos fazendo essa entrevista direto de um lugar onde o NHS está aprendendo com o SUS, por meio da implementação dos agentes comunitários de saúde e junto das equipes de atenção primária. Mas tem muita coisa que a gente tem a aprender com eles. A parte de saúde digital, por exemplo, queremos aprender a experiência dos hospitais digitais que existem no Reino Unido, onde as pessoas podem ter consultas diretamente através da telessaúde. Já estamos fazendo isso no Brasil, mas podemos ampliar e fazer normatizações, trazer o conceito e as experiências. Temos uma grande prioridade nessa visita, que são as parcerias de produção de medicamentos e acesso do povo brasileiro a esses medicamentos. Temos muita coisa para fazer juntos. O presidente Lula acabou de regulamentar um novo marco legal para a pesquisa clínica, para que os estudos de avaliação de uma medicação, de uma vacina, aconteçam mais rapidamente no Brasil. Isso vai ampliar as parcerias, e a gente tem grandes experiências de pesquisa clínica aqui na Inglaterra, da relação do sistema público de saúde com a pesquisa clínica, com o desenvolvimento de medicamentos, o surgimento de novos medicamentos. Então, temos muita coisa para aprender juntos. Essa parceria entre Brasil e Inglaterra, SUS e NHS, também tem uma força internacional de defesa da vacina, de defesa da ciência, da defesa da saúde como um direito universal. Isso acontece no momento em que essas ideias são atacadas, infelizmente, por uma extrema direita que existe no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, que tenta desmontar esses direitos, tenta negar a ciência, o direito à vacina e desmontar os sistemas universais de saúde. BBC News Brasil – E o que o SUS pode ensinar ao Reino Unido e ao resto do mundo? Padilha – Em primeiro lugar, esse projeto [de trazer agentes comunitários de saúde para o Reino Unido] é incrível, porque ele começa a partir de um médico inglês que por algum motivo esteve no Brasil, no Nordeste, vivia lá e atuou como profissional da saúde numa cidade do interior de Pernambuco. Ali, ele teve contato com os agentes comunitários de saúde e, ao voltar para cá, conseguiu desenvolver com o Imperial College, com a nossa Fundação Oswaldo Cruz, com apoio do Ministério da Saúde, essa experiência no Reino Unido que está sendo incrível, muito interessante. Sistema Único de Saúde tem uma série de iniciativas que podem ser replicadas em outras partes do mundo, entende Padilha Fernando Frazão/Agência Brasil Nesse momento, nós temos uma proposta de já começarmos, por exemplo, a reorganizar os cuidados das pessoas com o chamado transtorno do espectro do autismo. Já começou a ser implementado um teste diagnóstico a partir dos 16 meses de vida em toda a atenção primária em saúde. Não tenho dúvidas que o mundo inteiro tem muito a aprender com isso. O Brasil tem uma característica de sua população, que é a diversidade. Somos um país de mais de 200 milhões de habitantes com muita diversidade étnica, racial, regional. Isso faz com que o Brasil combine doenças que são chamadas de doenças do mundo tropical, com as doenças aqui do Hemisfério Norte. Então, como lidar com as pessoas, com os pacientes, como tratar, nessa mistura de condições de saúde, é uma coisa muito própria do Brasil e que outros países do mundo podem aprender. Tudo aquilo que envolve as doenças tropicais, como malária, dengue, enfrentamento à tuberculose, hanseníase, temos muito a fazer pelo Brasil, mas também a ensinar ao mundo. Inclusive trazendo pesquisadores estrangeiros para o Brasil, junto com as indústrias e as empresas, para enfrentar esses problemas. O Brasil tem um papel muito importante também de liderança na saúde, que pode fortalecer experiências internacionais. Estamos organizando a COP 30, e um dos debates que pela primeira vez acontecerá em uma COP é ter um dia só da saúde, onde vai se aprovar um plano, que estamos chamando de Plano Belém, de adaptação dos sistemas de saúde para as mudanças climáticas. Então, temos uma agenda de liderança em função do tamanho do SUS, que pode influenciar muito outros sistemas de saúde do mundo. BBC News Brasil – Quando o senhor viaja para o exterior, o que costuma ouvir dos estrangeiros sobre o SUS? Padilha – As pessoas ficam muito impressionadas, o que só aumenta nosso orgulho do que é o SUS. Porque nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes assumiu esse desafio de ter um sistema universal público de saúde. Ouço muitos estrangeiros que não moram no Brasil, mas que, ao visitar, trabalhar e estudar nosso país, têm a experiência de ser atendidos no SUS por algum motivo. E eles falam isso com uma grande surpresa, porque não é a realidade de outros países, em que um estrangeiro pode ser atendido e ter seu problema resolvido no sistema nacional público. Também ouço muito sobre os programas que são simbólicos do SUS. Por exemplo, nosso programa de HIV e Aids, e a combinação que fazemos desse programa com a saúde de família. Isso fez com que o Brasil alcançasse, agora neste ano, a eliminação da transmissão vertical do HIV, da gestante para o bebê. Acabamos de entregar o relatório sobre isso para a Organização Panamericana de Saúde (Opas). A expectativa é, até o final do ano, com a análise desse relatório pela Opas, o Brasil seja reconhecido por ter eliminado a transmissão vertical do HIV. Com isso, vai ser o maior país do mundo a ter alcançado isso, enquanto sistema nacional público de saúde. Então, a gente ouve até mais elogios, mas sabemos que o SUS tem muitos defeitos ainda, muita coisa para melhorar, muitos desafios. Mas é defendendo o SUS que você dá conta dos desafios. E não falando mal do SUS, destruindo o SUS, como infelizmente outros governos fizeram. BBC News Brasil – Sobre o metanol, houve alguma falha de fiscalização ou algum ponto que o governo deveria ter agido, e não agiu, para evitar que essa crise estourasse? Padilha – O que aconteceu foi um crime, que que colocou em risco a saúde da população brasileira e está sendo desvendado pelas forças de segurança locais. Porque esse é um tema de um crime local, então, dos governos estaduais. O governo federal e a Polícia Federal entraram no caso, porque desconfiamos desde o começo que esse crime poderia ter uma expansão para mais de um Estado. E os dados estão comprovando isso. Nesse momento, nós temos uma situação de casos confirmados concentrada em dois Estados, São Paulo e Paraná. Mas, até pelo trabalho que o Ministério da Saúde fez, de chamar atenção dos profissionais da saúde, dos serviços locais de vigilância, temos outros três Estados que haviam notificado casos suspeitos, embora eles não foram confirmados. Reforçamos com os profissionais da saúde que, a qualquer mínimo sinal, isso fosse sinalizado para que o tratamento adequado pudesse acontecer. A resposta rápida do SUS permitiu identificar o surgimento dos casos de intoxicação. E a ação rápida do Ministério da Saúde, seguindo a ciência, ouvindo os especialistas, garantiu o abastecimento de antídotos, a informação correta, para os profissionais de saúde cuidarem desse problema. Estou aqui na Inglaterra, mas monitorando e garantindo a chegada do antídoto, que a gente não tinha em comercialização no mundo inteiro. Em uma semana, fomos atrás, em parceria com a Opas, dos poucos produtores internacionais que têm esse antídoto, que é o fomepizol. Ele já chegou ao Brasil e está sendo distribuído para o centro de referência. Ele se soma ao outro antídoto que já tínhamos garantido o abastecimento, que é o etanol farmacêutico. Isso também vai chamar a atenção para uma situação no Brasil. Cabe inclusive uma mobilização por parte da indústria produtora dessas bebidas alcoólicas sobre orientar os comerciantes de como eles podem desconfiar que aquela bebida que ele comprou foi adulterada de alguma forma. Isso vai reforçar, inclusive, esse papel ativo da própria indústria, de fazer campanhas e esclarecimentos sobre isso, dos comerciantes saberem identificar e também dos mecanismos de vigilância. BBC News Brasil – Mas o Brasil não deveria ter esse antídoto à disposição? Padilha – O mundo inteiro não tem. Primeiro, o Brasil tem um antídoto à disposição, que é o etanol farmacêutico, que também é efetivo. Adquirimos uma quantidade, fomos atrás de produtores internacionais, que nem produziam, mas passaram a produzir ou tinham um estoque em algum lugar, para termos uma segunda opção. Garantimos duas opções com esse antídoto. No Brasil, o guia de vigilância saúde que já existia, que tem toda a orientação, o protocolo, coloca que a primeira opção é o etanol farmacêutico. E tivemos que comprar mais, para colocar à disposição dos centros de referência, porque de fato nós estamos numa situação que é anormal. Só para você ter ideia, ao longo de todo o histórico, nós temos cerca de 20 casos de intoxicação por metanol por ano em todo o Brasil. E são casos ou de populações extremamente vulneráveis, que muitas vezes tentam utilizar esse produto ao se confundir, em locais de venda de combustível, ou de pessoas que fazem uma autoagressão, até uma tentativa de suicídio. O que vimos é que em dois meses, num Estado específico, em São Paulo, tivemos uma concentração de casos no mesmo volume que acontece o ano todo em todos os Estados do Brasil. Essa situação anormal exigiu uma resposta rápida por parte do Ministério da Saúde que, ao perceber a situação, garantiu o antídoto, o etanol farmacêutico, em toda a rede de centros especializados, orientou o cuidado dos pacientes, e também adquiriu esse outro antídoto, para ser uma alternativa para alguns pacientes, para que o manejo possa ser o melhor para o cuidado com a vida, que é o mais importante nesse momento. Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, liderou criação do programa Mais Médicos em 2013 Marcelo Camargo/Agência Brasil BBC News Brasil – E o que o governo está fazendo para que crises parecidas com essa não aconteçam daqui para a frente? Quando as pessoas vão poder voltar aos bares e restaurantes com mais tranquilidade? Padilha – Acredito que, pelo trabalho das forças de segurança, saberemos exatamente o que aconteceu, quem foram os responsáveis e puní-los, além de ter uma noção mais clara da extensão dessa realidade. Essa situação vai chamar a atenção para as forças de segurança dos Estados, que têm a responsabilidade de coibir esse crime. Não só nesse caso, que foi uma adulteração que envolveu metanol, mas você tem também outras falsificações e adulterações de bebidas que precisam ser combatidas e coibidas. Os profissionais de saúde e as equipes de vigilância também chamam a atenção para esse tema. A vigilância em saúde faz seu papel de visita aos estabelecimentos comerciais. O problema não foi no funcionamento dos estabelecimentos, mas das bebidas que foram adulteradas. Isso vai também aumentar a sensibilidade dos profissionais de saúde, para aprender melhor como seguir a recomendação de tratamento, de acordo com o Ministério da Saúde, por especialistas. Vamos garantir o estoque estratégico dos dois antídotos, para que a gente esteja ainda mais preparado para enfrentar situações como esta. BBC News Brasil - Nos últimos tempos, vários políticos brasileiros sofreram sanções e perderam visto americano ou tiveram o visto restrito, como foi o caso do senhor e de sua família. Qual o impacto que isso teve na sua vida? Padilha – Se os Estados Unidos não querem que eu vá lá, eles podem até restringir a minha circulação dentro dos Estados Unidos, mas não conseguem restringir as ideias e o papel que o Brasil e o ministro da Saúde do Brasil têm. Eles impediram que eu pudesse estar presente na Assembleia Geral da Opas. O que foi feito? Os países-membros da Opas solicitaram e abriram a participação do Brasil à distância, por vídeo. O que fez, inclusive, que nossa fala tivesse ainda mais repercussão do que se ela acontecesse ali no momento presencial. Eles impediram que eu pudesse fazer várias reuniões bilaterais com outros países durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, o que exigia que eu pudesse circular de uma embaixada para outra. Mas vamos fazer essas reuniões em outros lugares. Estou fazendo agora uma missão para Reino Unido, China e Índia. Em novembro, temos a reunião do G20 na área da Saúde na África do Sul. Entre as várias reuniões bilaterais que aconteceriam em Nova York, agora os ministros desses países estão pedindo encontros lá no G20. Estou fazendo essa visita a três grandes potências de produção de medicamentos. Então, o Brasil está aproveitando essa situação para ampliar as parcerias estratégicas de produção, aquisição de produtos, desenvolvimento de tecnologias, acesso a medicamentos, vacinas e tecnologias para nossa população. Com isso, vamos reduzir cada vez mais a dependência em relação a qualquer país. Os Estados Unidos já não são o maior país do qual a gente importa produtos de saúde, isso cada vez mais se diversifica. Hoje em dia, a indústria de saúde da qual mais importamos é a da Alemanha. Claro que tem um papel importante dos Estados Unidos, muitas empresas com sede por lá fornecem medicamentos de alto custo. Mas estamos fazendo parcerias dessas empresas com matriz nos Estados Unidos com instituições brasileiras, com empresas brasileiras, para que o acesso, a transferência de tecnologia aconteça no Brasil, gerando emprego e renda. O Brasil lidera nesse momento três plataformas de cooperação internacional. Estamos na presidência do G20, na coalizão do G20 para a área de saúde. Tratei desse tema aqui no Reino Unido, com o governo, com as empresas produtoras de medicamento e tecnologia. Agente comunitária de saúde e enfermeira caminham na Rocinha, no Rio, durante a pandemia de covid-19 Getty Images/BBC O Brasil preside a área de parcerias estratégicas dos Brics. Vamos tratar disso tanto na China, quanto na Índia e na África do Sul. E o Brasil preside o Mercosul, com um acordo com a União Europeia na área de saúde em negociação. Então, teremos na última semana de novembro no Brasil um grande encontro para avançar nesse acordo, acelerar as parcerias com a União Europeia para a produção de medicamentos. Então, vemos tudo isso como oportunidades para expandir nossa liderança, nosso compartilhamento e a cooperação com o mundo. BBC News Brasil – E qual foi a sua reação ao receber a notícia de que teria o visto restrito ou negado pelos Estados Unidos? Como o senhor vê o uso dessas ferramentas, seja restringir vistos ou a própria lei Magnistiky, contra autoridades brasileiras? Padilha – Fiquei indignado. Primeiro porque tem um ataque à minha família. Tenho uma filha de 10 anos de idade. Quero saber qual é o risco que minha filha gera para o governo dos Estados Unidos. Segundo, para mim, foi uma sensação estranha, porque meu pai foi exilado durante a ditadura do Brasil. Depois de ter sido torturado, ele saiu do Brasil e foi levado para os Estados Unidos por lideranças da Igreja Metodista, da qual ele participava, para fugir, para não correr risco de perder a vida. É muito estranho você pensar que um país que acolheu uma vítima da ditadura hoje tenha tantas restrições à liberdade. Tenho dois irmãos que nasceram nos Estados Unidos. Um deles vive no Brasil, outro vive nos Estados Unidos. Então, a primeira reação da minha filha foi: "Poxa, não vou conseguir visitar minha prima". Falei para ela: "Minha filha, eu fiquei oito anos sem poder ver o teu avô, que estava no exílio. Estava aqui no Brasil, ele não podia vir para cá, eu não podia ir para os EUA vê-lo". A prima pode vir para o Brasil, ou se encontrar no resto do mundo. Então, é uma sensação de indignação, mas também de superação, de dizer que somos maiores, que o mundo é maior do que apenas uma administração do governo dos Estados Unidos. BBC News Brasil – Vimos, durante as últimas semanas, inclusive na Assembleia Geral da ONU, alguns sinais de reaproximação. Existe alguma expectativa, da parte do senhor, de que essas sanções sejam revertidas? Padilha – Nosso maior foco nesse momento é que os Estados Unidos tirem essas tarifas abusivas. A maior preocupação está relacionada com isso. De certa forma, o próprio governo americano está compreendendo que aquilo tudo foi construído com base em uma mentira sobre a postura do Judiciário brasileiro, sobre a possibilidade de intervenção do presidente Lula em um outro poder. Temos também a postura firme do Brasil de não admitir qualquer ataque. O tempo todo foi reforçada pelo presidente Lula a postura de querer negociar. Não houve qualquer tipo de represália, só tentativas de negociações. Essa combinação de defesa da soberania e negociação abre essas portas. E também, de certa forma, o impacto negativo de tudo isso para a economia dos Estados Unidos, ao estabelecer barreiras. Se tem um país que pode ganhar, reduzir a inflação, gerar empregos e renda, são os EUA. Pelo tamanho do mercado, eles têm muito a ganhar com o livre comércio. As barreiras fazem com que, para quem exporta do Brasil, deixe de procurar os Estados Unidos e privilegie outros países. Muitas vezes, o produto que é exportado, como o café, pode ir para outros mercados, como a Europa. BBC News Brasil – A justificativa usada pelo governo americano para cancelar ou restringir os vistos do senhor e de sua família foi a sua relação com a criação do Programa Mais Médicos, ainda durante o governo Dilma Rousseff. Como o senhor vê essa justificativa e que avaliação o senhor faz do Mais Médicos, mais de dez anos depois da sua implementação? Padilha – Essa justificativa não faz nenhum sentido. Até porque foram feitas muitas parcerias similares, para trazer médicos cubanos, em dezenas de países do mundo, de várias matizes ideológicas. Inclusive países que são dirigidos por políticos de extrema direita, alinhados à administração Trump. E nenhum deles sofreu esse tipo de sanção. Então, foi um ataque específico a uma política do Brasil, uma tentativa de influenciar a política brasileira. Assim como aconteceram outros ataques dos Estados Unidos em relação à saúde, como a saída da Organização Mundial da Saúde, o ataque a Opas, uma redução do programa de vacinação nos EUA, que faz com que hoje a gente tenha um surto de sarampo na América do Norte, que se espalha pelo continente americano. Só não chegou ao Brasil com força porque felizmente recuperamos nosso programa de vacinação. Tivemos 25 casos importados, que foram bloqueados pela nossa ação do SUS, pela parceria entre União, Estados e municípios. Sou ministro da Saúde, mas também deputado federal licenciado. Fico imaginando o quanto que eles tentaram usar esse ataque a mim para tentar influenciar votações de outros deputados, de outros parlamentares. Eles quiseram dizer: podemos sancionar outros membros do Congresso. Essa foi a chantagem desde o começo. Vou continuar defendendo o Mais Médicos, porque ele foi muito importante para a população brasileira desde o começo. Hoje, felizmente, a gente não precisa mais trazer médicos de outros países. Porque, quando lançamos o Mais Médicos em 2013, além de trazer profissionais de outros países, abrimos oportunidades para que jovens brasileiros pudessem se formar. A gente conseguiu dobrar o número de participantes do Mais Médicos agora, duas vezes mais do que tínhamos no começo do governo do presidente Lula, sem precisar atrair profissionais de outros países, quase integralmente constituído por jovens brasileiros, formados no Brasil. BBC News Brasil – O senhor citou o Mais Médicos e a abertura de novas faculdades de Medicina. Esses dois pontos sempre foram alvos de críticas de instituições que representam os médicos, como o Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde aquela época, esses órgãos adotaram uma postura crítica aos governos do PT, enquanto se aproximaram bastante do governo Bolsonaro. O senhor diria que a Medicina brasileira é mais vinculada à direita ou chega a ser bolsonarista? Padilha – De forma alguma. Temos milhares, centenas de milhares de médicos no Brasil que, durante a pandemia, majoritariamente, tiveram posturas de defesa da vida, da vacina, que cuidaram das pessoas com muito compromisso. À época, eu era deputado federal de oposição e fiz parte da Comissão de Fiscalização das Ações contra a covid-19. Mas eu continuava a ser professor universitário. Toda semana estava junto com meus alunos nos atendimentos, na linha de frente, em várias situações da pandemia, junto de outros colegas médicos, que foram heróis no enfrentamento daquela situação. Não acho que aquilo que algumas lideranças falam, ou o alinhamento político de algumas lideranças, represente a opinião de todos os médicos e médicas do Brasil. Temos um diálogo muito positivo com as associações médicas brasileiras, inclusive no enfrentamento a essa multiplicação de cursos de Medicina. Inclusive, muitos deles abriram pelo caminho da judicialização, durante os governos Temer e Bolsonaro. Quando eles retiraram o regramento sobre a abertura de novos cursos, houve um vácuo normativo que fez com que várias faculdades buscassem a Justiça para ampliar o número de vagas e concentrar ainda mais a formação. Por isso, nosso governo está tomando medidas para criar um exame nacional de avaliação dos estudantes de Medicina, que vai passar a acontecer durante o quarto e o sexto ano do curso. Ou seja, na metade e no final do curso. Acabamos também de aprovar novas diretrizes clínicas para a formação dos médicos no Brasil, porque a qualidade da formação é uma grande preocupação nossa. BBC News Brasil – Alguns indicadores têm mostrado que, no ano passado, o tempo de espera na fila do SUS bateu recordes. O que explica isso? Padilha – Primeiro, com esse programa que lançamos, o Agora Tem Especialistas, vamos conseguir ter o dado real sobre isso. Porque os dados que temos, que foram mostrados até hoje, não são dados nacionais consolidados. São apenas informações de algumas gestões, de Estados e municípios que informam ou não. Agora, é obrigatório que Estados e municípios subam essa informação para o Ministério da Saúde. Então, vamos passar a ter um dado real sobre o tempo de espera para as cirurgias e exames a partir da virada desse ano. As informações de Estados, de municípios, de estudos específicos, que temos hoje mostram que esse tempo de espera para cirurgias, consultas e exames é um grande problema de saúde pública. Por isso, inclusive, lançamos o Agora Tem Especialistas. Nossas pesquisas de opinião apontam que a principal reclamação da população hoje é sobre o tempo que ela espera para uma consulta especializada, para um exame especializado, para uma cirurgia. Isso tem a ver com um problema que é histórico, mas que se agravou muito durante a pandemia de covid-19, que durou no Brasil muito mais tempo do que precisava durar, por conta da irresponsabilidade criminosa do governo anterior. Teve um período muito mais longo em que os hospitais, os centros de diagnóstico, as consultas especializadas, tudo ficou represado, porque tudo estava ocupado por pacientes com covid-19. Equipes de atenção básica vinculadas ao SUS atendem quase 80% da população brasileira Divulgação/Ministério da Saúde Todo mundo conhece alguém que teve uma cirurgia cancelada durante a pandemia, um exame de tomografia, de ressonância, uma avaliação que precisou ser cancelada. Tudo isso virou um represamento que, mesmo com o SUS batendo o recorde de cirurgias eletivas em 2024, foram mais de 14 milhões de procedimentos do tipo, não foi suficiente para garantir um tempo adequado para a população que espera. Esse é, sem dúvida alguma, nosso principal desafio. BBC News Brasil – Mas o que o senhor tem a dizer para a pessoa que tem um familiar na fila, que precisa de uma resolução urgente para o problema dela? Como resolver esse problema na prática? Padilha – Que o Ministério da Saúde está fazendo a maior mobilização da saúde pública e privada para resolver esse problema. O Agora Tem Especialistas mobiliza tudo o que a gente tem na saúde pública. Colocando, inclusive, um terceiro turno de atendimento, trabalhos aos sábados e domingos, para fazer as cirurgias eletivas, fazer exames especializados, não apenas para os serviços de urgência. A medida provisória [que criou o programa] permitiu, por exemplo, que o Governo Federal pudesse contratar médicos e especialistas e distribuir para os municípios e Estados, para dar apoio a esses serviços. Isso permite que a gente coloque unidades móveis em funcionamento. Agora em outubro, começam a operar as unidades móveis para exames especializados na saúde da mulher. São carretas que circulam nas áreas remotas. Também vamos fazer uma nova parceria público-privada, para permitir que hospitais privados e planos de saúde que têm dívidas com a União troquem essas dívidas por mais cirurgias, mais exames, mais consultas. Isso permite que esses hospitais privados de um plano de saúde possa chamar um paciente que está esperando na fila do SUS do município ou do Estado para ser atendido lá. BBC News Brasil – O senhor tem alguma expectativa de quando essa fila deve começar a cair e a situação se normalizar? Padilha – Ela já está caindo em várias situações. Temos municípios que mostram uma redução de 50% a 80% no tempo de espera. Alguns dos hospitais federais já tiveram uma redução de 85% no tempo de espera. Mas essa é uma batalha permanente. O Agora Tem Especialistas, inclusive, estabelece a ideia de implementar no ano que vem uma situação de urgência em saúde pública para ter mais velocidade. Vamos trabalhar permanentemente para esse tempo de espera reduzir. BBC News Brasil – Em 2025, completamos cinco anos do início da pandemia de covid-19. O senhor acredita que o Brasil hoje está mais preparado para lidar com uma pandemia do que esteve em 2020? Padilha – Tenho certeza absoluta, até por conta da experiência que tivemos. Mas temos muitas feridas que ainda não se cicatrizaram. Por exemplo, a ferida do negacionismo. É uma luta permanente. Quando o presidente Lula me convidou para ser ministro de novo, disse a ele que tinha uma missão, que era implementar o Agora Tem Especialistas e reduzir o tempo de espera de quem aguarda atendimento. E uma batalha, que é derrotar o negacionismo na saúde. Então, a ferida do negacionismo está muito presente ainda. Estamos superando, voltamos a ampliar a cobertura vacinal. Esse ano já ampliamos a cobertura das vacinas infantis. BBC News Brasil – Na sua visão, qual foi o impacto do governo Bolsonaro, que lidou com a pandemia de covid-19, na saúde brasileira e em questões como a vacinação? Padilha – Foi destruidor. O ex-governo Bolsonaro tinha uma ideologia da morte, que desprezava a vida. A pandemia trouxe algo muito importante, que foi o reconhecimento da população brasileira sobre a importância do SUS e um certo orgulho do SUS. As pessoas falam e defendem o SUS hoje de uma forma que não defendiam antes da pandemia. Mas também trouxe um outro compromisso que a gente precisa fazer para se preparar para as próximas pandemias, que é criar no Brasil um novo marco legal e uma nova estrutura institucional que ultrapasse governos, que seja resiliente a aventuras da morte como foi, por exemplo, o governo Bolsonaro. Nesse momento, o Ministério da Saúde está concluindo essa proposta. Nossa expectativa é poder enviar o mais rápido possível para o Congresso, para que a gente tenha uma lei que cria essa estrutura de preparação para pandemias, de planejamento, de definição de normas técnicas, de agir sobre situações de emergências de saúde pública geradas, inclusive, pelas mudanças climáticas. BBC News Brasil – Em relação aos medicamentos, vivemos hoje um cenário em que os remédios ficam cada vez mais caros — alguns deles chegam a custar R$ 10 milhões a dose. Como lidar com isso? Padilha – Esse é um desafio comum e muito importante. Temos situações de uma medicação que uma dose custa R$ 17 milhões, sem ter eficácia comprovada. E muitas vezes, por judicialização, o SUS é obrigado a bancar esse produto. Quando tem eficácia, não tem problema nenhum em fazer essa incorporação. Vou citar um exemplo: incorporamos no SUS um medicamento que custava entre R$ 11 e 12 milhões a dose. Garantimos esse tratamento ao grupo que poderia se beneficiar, ao criar um novo mecanismo de compra, que é chamado de compartilhamento de risco, em que o Ministério da Saúde garante a medicação, compra da indústria farmacêutica, mas paga ao longo dos anos de acordo com a evolução daquele paciente. Então, você vai enfrentar através de novos mecanismos de compra, com parcerias, como essa que estamos fazendo com o sistema nacional público inglês. Porque eles também enfrentam esse problema de negociação de preço e têm mecanismos de compra que trazem ganhos para os serviços de saúde. Queremos essas parcerias no Brasil também, para produzir cada vez mais no nosso país, estimular a concorrência na produção desses medicamentos. E sempre seguindo, de forma absoluta e correta, as evidências científicas, a comprovação de eficácia para garantir à população o medicamento de forma acessível.

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Bailão da OPPO: Reno 14 ganha música-tema com DJ Mulú e MC Luanna

Publicado em: 15/10/2025 06:32 Fonte: Tudocelular

A OPPO anunciou uma colaboração inédita com o DJ Mulú e a rapper MC Luanna para transformar o jingle do smartphone Reno 14 em uma faixa completa. Intitulada “OPPO Reno no Bailão”, a música já está disponível nas principais plataformas de streaming e acaba de ganhar um videoclipe oficial divulgado nos canais da marca no Instagram e TikTok.A ação faz parte da estratégia da OPPO para se aproximar da geração Z, unindo tecnologia e cultura brasileira contemporânea. Segundo Mariana Passos, Gerente Sênior de Comunicação da OPPO no Brasil, a ideia foi “ir além do convencional”, levando o conceito de campanha para o universo musical.Clique aqui para ler mais

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Startups maranhenses conquistam mercados globais e colocam o estado no radar das soluções tecnológicas

Publicado em: 15/10/2025 06:01

O g1 destaca três startups: a Autoclipper, que usa inteligência artificial para criadores de conteúdo; a DAAS – Drone as a Service, que desenvolve tecnologia de drones para o setor portuário; e a QTM HealthTech Arquivo Pessoal O Maranhão vem ganhando espaço no mapa da inovação brasileira. De acordo com o Observatório Sebrae Startups (2025), o estado abriga 422 startups em 45 municípios, das quais 82,7% são microempresas. O levantamento também mostra que o Nordeste é a segunda região com mais startups do país, à frente do Sul, concentrando 24,7% das empresas inovadoras brasileiras. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Maranhão no WhatsApp 🤔 Mas, afinal, o que é uma startup? São empresas inovadoras com potencial de crescimento rápido, que testam soluções, conquistam clientes e buscam expandir seus negócios mesmo em cenários de incerteza. No Maranhão, 34,6% das startups estão na fase de validação — quando o produto mínimo viável (MVP) é testado no mercado. Outras 34,3% permanecem na etapa de ideação, em que a ideia é estruturada. Já 22,5% alcançaram a fase de tração, momento em que conquistam os primeiros clientes e começam a gerar receita, que é um sinal de amadurecimento e potencial de crescimento. Entre os modelos de negócio mais comuns, o destaque é o B2B (Business to Business), no qual a startup vende para outras empresas. Em seguida vem o B2B2C (Business to Business to Consumer), em que o produto é comercializado para uma empresa que o repassa ao consumidor final. Leia abaixo sobre três startups que simbolizam essa virada de chave no estado (clique para navegar): Autoclipper, que usa inteligência artificial para criadores de conteúdo; DAAS – Drone as a Service, que desenvolve tecnologia de drones para o setor portuário; QTM HealthTech, voltada à saúde integrativa e bem-estar. Autoclipper: a IA que transforma vídeos longos em cortes prontos para viralizar A Autoclipper é uma IA que transforma podcasts, lives e entrevistas em cortes curtos prontos para redes sociais Arte g1 MA Criada em 2023 dentro da Aduela Ventures, braço de inovação aberta do Grupo Mirante, a Autoclipper começou como um produto interno, mas, por decisão estratégica, se tornou um produto comercial. A startup é resultado da fusão de projetos liderados por Gerson Diniz (CEO) e Lucas Cleopas (CPO), em parceria com o desenvolvedor Nihey Itakizawa (CTO). A plataforma transforma podcasts, lives e entrevistas em vídeos curtos, prontos para serem compartilhados nas redes sociais. Segundo Gerson Diniz, a ideia surgiu a partir da observação do mercado de infoprodução, especialmente do tempo que os profissionais gastavam para identificar os melhores trechos e reaproveitar conteúdos brutos. “Na prática, a ferramenta da Autoclipper funciona como um assistente de IA. Ela auxilia o social media, o editor de vídeo, o criador de conteúdo na criação de cortes: você coloca um vídeo longo, a inteligência artificial entende os melhores momentos e depois você consegue emtrar em toda jornada de edição para criar o seu corte de conteúdo e depois postar nas redes sociais”, diz Gerson. A Autoclipper é resultado da fusão de projetos liderados por Gerson Diniz (CEO) e Lucas Cleopas (CPO) Arquivo Pessoal O processo é simples: o usuário envia o vídeo, a IA identifica os trechos de maior impacto, aplica cortes, legendas e enquadramentos, e exporta o conteúdo no formato ideal para cada plataforma. O objetivo é reduzir tarefas repetitivas sem substituir a criatividade humana, funcionando como um "braço direito". “Hoje o principal ponto que diferencia a Autoclipper das ferramentas internacionais é o posicionamento para o mercado brasileiro e principalmente esse olhar de combater conteúdos robotizados e criados 100% por IA. A gente acredita que o futuro da comunicação é o mercado de criação de conteúdo", afirma Gerson. Gerson afirma que a Autoclipper deve expandir para novos mercados, com a inclusão de outros idiomas, acompanhando o movimento orgânico de internacionalização da marca. Para ele, o que impulsiona o surgimento de ideias inovadoras no estado é justamente o cenário de escassez. As limitações históricas do Maranhão, segundo o empreendedor, acabam estimulando a criatividade e o pensamento disruptivo. "A gente tem uma tese dentro de startups de inovação de que o cenário escasso aflora a criatividade. Existem negócios atípicos, muito específicos que nascem no Nordeste -- e que não apareciam em lugares com fartura de capital", conta. No estado, esse avanço é impulsionado por programas como o Startup Nordeste, da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), além de hubs e aceleradoras locais, como a Aduela Ventures. 'Aduela Day' atrai criadores de startups, em São Luís DAAS: drones que medem navios sem expor trabalhadores aos riscos A inovação tecnológica também chegou aos portos. Criada no Maranhão, a DAAS – Drones as a Service desenvolveu uma solução que usa drones para medir o nível de carga dos navios, processo conhecido como arqueação ou draft survey. Testada no Complexo Portuário do Itaqui, 4º maior porto público do Brasil, a tecnologia promete mais segurança, agilidade e sustentabilidade nas operações. “A DAAS oferece um serviço de arqueação de navios graneleiros por meio de drones equipados com câmeras de alta precisão e sistemas de visão computacional”, explica Daniel Pereira, oceanógrafo e cofundador da startup. Método tradicional de arqueação: leitura de calado usando lancha (à esquerda) / Algoritmo de leitura automática do calado do navio (à direita) Initial plugin text Tradicionalmente, a leitura do calado – que indica quanto o navio está submerso e, portanto, o peso da carga – exige que um profissional se desloque de lancha até o costado do navio para fazer a medição manual. Segundo Daniel Pereira, que também é presidente do Sindicato dos Operadores Portuários do Maranhão (SINDOMAR) e especialista em inovação e logística há mais de dez anos, esse processo é demorado, sujeito a falhas e expõe trabalhadores a riscos físicos. Com a tecnologia criada pela startup, essa medição é feita de forma remota, por meio de drones que captam as imagens e enviam os dados com alta precisão. “Nos primeiros testes, tivemos erro inferior a 1 centímetro. Mesmo sem a aplicação do algoritmo de deep learning, já conseguimos uma medição mais segura, rápida e sustentável, reduzindo custos operacionais e tempo de espera nas operações portuárias.”, destaca Daniel. Criada no Maranhão, a DAAS – Drones as a Service desenvolveu uma solução que usa drones para medir o nível de carga dos navios Arquivo Pessoal O drone da DAAS foi adaptado especialmente para operações marítimas. Ele é equipado com câmeras de alta precisão e um sistema de estabilização que garante imagens nítidas, mesmo com o movimento das ondas. O software consegue identificar automaticamente as marcas de calado, ou seja, as indicações do quanto o navio está submerso, mesmo em condições difíceis, como águas agitadas ou pouca visibilidade. De acordo com Daniel, os ganhos são diretos e mensuráveis: Redução do risco ocupacional, ao eliminar o deslocamento de profissionais em embarcações de apoio; Menor tempo de operação, otimizando o uso do berço e reduzindo o consumo energético dos navios em espera; Redução da pegada de carbono, já que as lanchas utilizam diesel S10, com fator de emissão entre 3,3 e 3,6 kg de CO₂ por litro; Maior rastreabilidade. Ainda segundo ele, o uso dos drones reduziu o tempo de medição de carga de 60 para 20 minutos e diminuiu pela metade o risco de acidentes nas operações portuárias. O projeto conta com apoio da Empresa Maranhense de Administração Portuária (Emap), do Instituto Federal do Maranhão (IFMA) — que colabora no desenvolvimento dos modelos de IA — e da Fapema/SECTI, por meio do Inova Maranhão. A DAAS também negocia projetos-piloto com empresas da China e de Moçambique. Segundo Daniel, criar a startup no Maranhão tem um peso simbólico, pois o estado reúne uma das maiores infraestruturas portuárias do país, mas ainda busca se consolidar como polo tecnológico. “Temos muitos problemas no quesito socioeconômico, porém ao criar uma tecnologia de ponta aqui, mostramos que o Maranhão não é apenas um ponto de escoamento, mas também um laboratório de inovação portuária, capaz de exportar conhecimento e tecnologia para o mundo, exportando talentos, não apenas comodities", afirma. Startups maranhenses investem em Inteligência Artificial para criar soluções tecnológicas QTM HealthTech: tecnologia que leva terapias ao alcance de todos Criada durante a pandemia, a QTM HealthTech nasceu com o objetivo de unir tecnologia e bem-estar, aproximando pessoas de terapias naturais e acessíveis. A startup maranhense desenvolveu uma plataforma que conecta terapeutas, pacientes e centros de terapia integrativa, já que na época da pandemia o setor era muito fragmentado, com profissionais sem estrutura para atender, pacientes com dificuldade para agendar consultas e centros de terapia com pouca visibilidade. “A QTM nasce em 2020, quando o sistema de saúde estava sobrecarregado e as pessoas buscavam soluções naturais, acessíveis e menos invasivas”, explica Juliana de Santos Nogueira, cofundadora da empresa. Fundada em 2020, durante a pandemia, a QTM HealthTech conecta terapeutas, pacientes e centros de terapia por meio da tecnologia Arquivo Pessoal Juliana é formada em Ciências Sociais, mestre em Preservação do Patrimônio Cultural pelo IPHAN, mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e doutoranda no mesmo programa. Além de pesquisadora, ela também atua como terapeuta de práticas integrativas e empreendedora, sendo fundadora da Gamezônia. A QTM tem foco nas Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), reconhecidas pelo SUS, e busca ampliar acesso, integração e cuidado preventivo. Segundo o Ministério da Saúde, as PICS são terapias que ajudam a prevenir doenças e promover o bem-estar. Elas valorizam a escuta acolhedora, o vínculo entre paciente e terapeuta e a conexão com o meio ambiente e a comunidade. Segundo Juliana, quem empreende no Maranhão precisa olhar além das fronteiras do estado. Ela defende que é essencial pensar grande e buscar conexões que permitam às ideias locais crescer e alcançar novos mercados. "Meu conselho para quem empreende no Maranhão é: pense global desde o início. Internacionalizar não é sair do Brasil, é ampliar as possibilidades de impacto. Em muitos países, o ecossistema de inovação está mais maduro, há mercados mais estruturados, moedas mais fortes e regulamentações favoráveis às startups. Isso abre espaço para parcerias, validações e investimentos que podem acelerar o crescimento do negócio", diz a empreendedora. Media for Equity: quando a mídia impulsiona startups rumo ao mercado Ideias inovadoras ganham o apoio da Aduela Ventures A Aduela Ventures, empresa de tecnologia que integra o hall de negócios do Grupo Mirante, aposta em um modelo ainda pouco comum no Brasil, mas em expansão no ecossistema de inovação: o Media for Equity. Nesse formato, em vez de investir dinheiro, a empresa oferece mídia e visibilidade em troca de participação, com campanhas em TV, rádio, portais de notícia e redes sociais. De acordo com Bruno Nogueira, diretor de Operações da Aduela Ventures, esse modelo é especialmente útil para startups em fase de tração. Nessa etapa, a visibilidade pode ser mais valiosa do que o investimento financeiro. “As startups, assim que lançam o produto no mercado, precisam validar o público-alvo e a solução. Para isso, é preciso expandir a base de clientes para ir ajustando a plataforma e a necessidade do mercado. Nesse momento, o investimento e o acesso a canais de divulgação são mais importantes do que o aporte financeiro, pois possibilitam à startup obter essa validação e posterior expansão do número de clientes”, diz o diretor. Além de explicar o funcionamento do modelo, Bruno deixa um conselho para quem inicia no empreendedorismo. Para ele, mais importante do que criar uma solução é identificar um problema real, com relevância e potencial de escala. “Para iniciar uma startup, você precisa, antes de pensar em uma solução, achar um problema que valha a pena ser resolvido, ou seja, que o público-alvo tenha uma dor ou necessidade forte o suficiente para pagar por uma solução e que o mercado em que for ser inserido seja grande nacionalmente e internacionalmente, para que seu produto possa ter escala”, diz Bruno. Como formatar um novo negócio - startup. g1

Volkswagen revela OTTO como primeira IA generativa para o setor automotivo no Brasil

Publicado em: 15/10/2025 05:50 Fonte: Tudocelular

O OTTO foi oficialmente anunciado pela Volkswagen no Brasil. Trata-se da primeira inteligência artificial generativa criada por uma montadora no país, que está disponível para todos os clientes que possuem um Novo Tera com sistema Android e plano de carro conectado ativo. Segundo a empresa, essa tecnologia inaugura uma era inédita de interação entre motorista e veículo, enquanto a companhia visa alcançar o protagonismo em transformação digital no setor automotivo. A marca diz que a criação da novidade considerou o conceito de Companionship, que visa aumentar a conexão entre carro e condutor.Para ativar a IA, o usuário deve realizar o comando “Fala, OTTO!”. A partir disso, é possível obter informações sobre o veículo conectado, indicar manutenções, explicar itens do manual generativo e ter acesso a respostas de perguntas abertas sobre temas variados, como:Clique aqui para ler mais

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Universidade das Quebradas: projeto da UFRJ que já formou 500 escritores faz parceria com ABL e celebra legado de Heloísa Teixeira

Publicado em: 15/10/2025 05:01

Universidade das Quebradas: projeto da UFRJ que já formou 500 escritores faz parceria com ABL e celebra legado de Heloísa Teixeira A Universidade das Quebradas, projeto de extensão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), celebrou nesta terça-feira (14) a formatura de mais uma turma e oficializou uma parceria inédita com a Academia Brasileira de Letras (ABL). Criada em 2009, a iniciativa já formou mais de 500 escritores e tem como missão promover o encontro entre saberes acadêmicos e populares, com foco na diversidade e na valorização das vozes das periferias. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A cerimônia, realizada na sede da ABL, no Centro do Rio, também marcou o lançamento do livro Suassuna Quebradeiro, que reúne 46 textos produzidos pelos alunos ao longo dos seis meses de curso. A obra propõe uma conversa entre o universo do escritor Ariano Suassuna e histórias que poderiam se passar nas quebradas do Rio de Janeiro. São contos, poesias e até uma peça de teatro, escritos individualmente e em grupo. "A proposta é trocar saberes e não ensinar alguma coisa. A gente ensina muito pouco e aprende muito mais com esses quebradeiros e quebradeiras”, afirmou Drica Madeira, coordenadora pedagógica do projeto. Heloísa Teixeira presente A formatura foi a primeira realizada após a morte da escritora Heloísa Teixeira, em março. Imortal da ABL, ela foi uma das fundadoras da Universidade das Quebradas, ao lado da artista e escritora Numa Ciro. Universidade das Quebradas: projeto da UFRJ que já formou 500 escritores faz parceria com ABL e celebra legado de Heloísa Teixeira Reprodução TV Globo Heloísa foi lembrada diversas vezes durante a cerimônia. “Heloísa, presente!”, ecoou entre os participantes. Entre os formandos estão jovens que descobriram a literatura ainda na infância e autores com trajetória acadêmica consolidada, como Wagner Bezerra, mestre e doutor em comunicação. "Muitas vezes nós nos afastamos dessa essência de quebrada, que usa a tecnologia mais poderosa de todas, que é saber ouvir”, disse ele. Durante o curso, os alunos têm aulas com grandes nomes da literatura e da cultura brasileira. Esta turma, por exemplo, participou de encontros com Gilberto Gil. A escritora Ana Maria Gonçalves, primeira mulher negra eleita para a ABL, também esteve presente e celebrou a parceria. "As vozes da periferia vêm para agregar, vêm para constituir exatamente o que a gente acha que deve ser uma literatura nacional, que é formada por todas as vozes e experiências", afirmou. A cerimônia não representou o encerramento de um ciclo, mas o início de novas trajetórias literárias. "Escritores eles já eram né. Acho que eles saem daqui com muito mais repertório pra negociar o que eles sabem e o que eles são com a autoridade da ABL e com a autoridade da UFRJ. Essa talves seja a importância pra eles”, concluiu Drica Madeira.

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Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater estatização da Avibras nesta quarta (15)

Publicado em: 15/10/2025 04:01

Avibras, em Jacareí Divulgação A Câmara dos Deputados realiza nesta quarta-feira (15) uma audiência pública para debater a estatização da Avibras, indústria bélica com sede em Jacareí, no interior de São Paulo. A reunião será realizada pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, a partir das 11h, em Brasília. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, um grupo de trabalhadores da empresa deve acompanhar a sessão. A audiência deve debater o projeto de lei dos deputados Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP). O objetivo é avaliar os impactos econômicos, fiscais e estratégicos da proposta. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp No projeto, os deputados apontam que a empresa é uma das poucas do país com capacidade tecnológica e industrial voltada ao setor de defesa, sendo responsável pela produção de sistemas de mísseis, foguetes e soluções aeroespaciais. Na proposta, os políticos afirmam ainda que a crise financeira da companhia ameaça milhares de empregos e o domínio nacional sobre tecnologias sensíveis, fundamentais para a autonomia do Brasil em sua política de defesa. De acordo com o Sindicato, os funcionários da Avibras estão em greve há pelo menos três anos e acumulam 31 meses sem receber salário - leia mais abaixo. Funcionários da Avibras completam mil dias em greve Mais de mil dias de greve A greve dos funcionários da Avibras completou 1 mil dias no início de junho. A empresa vive uma grave crise financeira. A paralisação começou em setembro de 2022, quando os funcionários decidiram protestar contra dois meses de atraso nos salários. Atualmente, eles estão com mais de 30 meses de salários atrasados. Sediada em Jacareí, a Avibras é uma das maiores indústrias do setor de defesa militar do país, mas enfrenta uma crise financeira há quase três anos e solicitou recuperação judicial, alegando dívidas de cerca de R$ 600 milhões. Cronograma da crise março de 2022: a Avibras pediu recuperação judicial alegando uma dívida de R$ 600 milhões setembro de 2022: os trabalhadores entraram em greve por causa dos atrasos nos salários julho de 2023: o plano de recuperação judicial foi aprovado abril de 2024: a Avibras anunciou que negociava a venda para a empresa australiana Defendtex junho de 2024: a Defendtex desistiu da compra junho de 2024: o Ministério da Defesa informou que a Avibras havia recebido nova proposta, desta vez de um possível investidor chinês, mas o negócio também não foi para frente outubro de 2024: a Avibras afirmou que negociava com um investidor brasileiro dezembro de 2024: o investidor brasileiro desistiu do negócio janeiro de 2025: novas negociações, dessa vez com uma empresa saudita maio de 2025: credora da Avibras, Brasil Crédito anuncia intenção de comprar a empresa A Avibras A Avibras Aeroespacial é a maior indústria bélica do país e foi fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos. Ela é uma das primeiras empresas nacionais a atender o setor aeroespacial. A empresa desenvolve tecnologia para as áreas de Defesa e Civil. A organização foi uma das primeiras no Brasil a construir aeronaves, desenvolver e fabricar veículos espaciais para fins civis e militares. Presente no mercado nacional e internacional, a empresa tem sede em Jacareí, no interior de São Paulo, e desenvolve motores de foguetes para as forças armadas, entre outras coisas. Avibras Reprodução/ TV Vanguarda Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

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Vacina, agrotóxico ou erro em dados? Veja respostas para dúvidas dos leitores sobre a 'explosão' de casos de câncer entre jovens

Publicado em: 15/10/2025 03:01

Com terapias modernas, câncer caminha para se tornar doença crônica controlável Diagnósticos de câncer em jovens adultos cresceram quase quatro vezes em cerca de 10 anos, segundo dados do DataSUS apresentados em levantamento realizado pelo g1. Mas o que a causa essa "explosão de casos"? 🗨️SUA DÚVIDA 📲: Este texto responde as principais perguntas dos leitores nos comentários da reportagem "Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024". Você também pode mandar sugestões pelo VC no g1. Na reportagem sobre o tema, leitores enviaram perguntas sobre as possíveis causas, questionando desde um suposto papel de vacinas, dos agrotóxicos e dos adoçantes até os efeitos do estresse, da alimentação e do uso de tecnologias. O g1 reuniu as respostas com base em evidências científicas e dados oficiais. Veja abaixo: 💉 1. As vacinas podem causar câncer? Não. Nenhuma vacina — nem contra a Covid-19, nem outras do calendário nacional — tem relação causal com câncer. “Vacina não causa câncer”, enfatiza Stephen Stefani, oncologista do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation. “As pessoas podem ficar tranquilas — não há nenhum dado que relacione imunizantes à doença. Pelo contrário: a tecnologia desenvolvida para as vacinas da Covid-19 ajudou a impulsionar novas plataformas de terapias oncológicas.” As vacinas contra o HPV, por exemplo, previnem um tipo de câncer, o de colo do útero. Além disso, o aumento recente de tumores em adultos jovens começou anos antes da pandemia, e estudos internacionais, como o publicado na revista Nature Medicine (2022), não encontraram qualquer vínculo entre vacinas e aumento de risco oncológico. ☠️ 2. O uso de agrotóxicos está relacionado ao aumento de casos? Há evidências de risco aumentado em exposições prolongadas, mas isso não explica sozinho o crescimento dos casos. “Sim, há dados que mostram que o consumo de alimentos com quantidade acima da recomendada de agrotóxicos aumenta o risco. Não é um aumento explosivo, mas ele está relacionado, estatisticamente, ao aumento de tumores”, explica Stephen Stefani. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) também reconhecem que a exposição a pesticidas pode elevar o risco de alguns tumores, sobretudo em trabalhadores rurais e populações vulneráveis. No entanto, especialistas alertam que dieta, obesidade e sedentarismo têm peso muito maior na origem do câncer do que a contaminação química isolada. Vale a pena substituir o açúcar pelo adoçante? Veja 5 benefícios dessa troca Shutterstock 🧁 3. O aspartame causa câncer? Em julho de 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou os resultados da avaliação de perigo e risco do aspartame. O adoçante foi classificado como “possivelmente cancerígeno”, mas a própria OMS e a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) afirmaram que o limite atual de ingestão é considerado seguro. “O aspartame é classificado como possível risco, mas não está bem estabelecido que vá aumentar o risco de câncer”, explica Stefani. “É preciso calibrar esse debate para não gerar alarme e levar as pessoas a trocar o adoçante pelo açúcar — e o açúcar, sim, contribui para o ganho de peso, que é um fator de risco bem documentado.” 🌐 4. O 5G, o Wi-Fi ou o micro-ondas causam câncer? Não. “Não, 5G e Wi-Fi não têm como causar câncer. O conteúdo biológico é absolutamente inverossímil — essas ondas não têm energia suficiente para danificar o DNA, que é o que precisaria acontecer para gerar uma doença oncológica”, afirma Stefani. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há qualquer evidência de aumento de risco de câncer associado à exposição a redes sem fio, celulares, antenas ou aparelhos domésticos. 😣 5. O estresse pode causar câncer? Não diretamente. O estresse não causa mutações genéticas nem danos celulares suficientes para iniciar um tumor. “O estresse não é o causador, mas pode diminuir a imunidade em algumas situações e isso está relacionado ao crescimento de doenças existentes”, explica Stefani. Eu gosto de colocar de forma prática: o estresse não é a semente; ele é o ambiente — a terra, a luz e a água para essa semente crescer.” Ou seja, o estresse não cria o câncer, mas pode favorecer a progressão de uma doença já instalada, dificultar o tratamento e interferir no sistema imunológico. Aditivos alimentares e ultraprocessados Freepik 🍔 6. A alimentação tem influência? Sim, e muita. A alimentação é hoje um dos principais fatores modificáveis de risco. Estudos do INCA e da IARC mostram que dietas ricas em ultraprocessados, bebidas açucaradas e carnes processadas estão relacionadas à maior incidência de tumores colorretais, de mama e de fígado. “É uma doença de estilo de vida. Só 5% dos casos são hereditários; 90% têm relação com alimentação, sedentarismo e obesidade”, explica Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center e diretor do programa de residência médica da instituição. Segundo a médica nuclear Sumara Abdo, do INCA, a obesidade é um fator central, porque “a gordura abdominal é um tecido biologicamente ativo que produz substâncias inflamatórias capazes de estimular o crescimento celular e favorecer mutações”. “O corpo é forçado a se regenerar o tempo todo num ambiente hostil. É um processo inflamatório silencioso, difícil de reverter”, conclui Stefani. 🧪 7. Os dados do SUS estão errados ou inflados? Não. O Painel Oncologia BR – DataSUS usa a mesma metodologia de notificação desde 2013, com dados informados por hospitais e serviços de oncologia da rede pública de todo o país. O crescimento de 284% reflete um aumento real na incidência. “Toda política de saúde depende de dados, e hoje eles são frágeis”, disse Stefani. “Na saúde suplementar, a notificação não é compulsória. Então o país subestima a real dimensão do problema.” A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) informou que não é possível medir a incidência de câncer na rede privada porque, desde 2010, uma decisão judicial impede o uso da Classificação Internacional de Doenças (CID) nas bases das operadoras. O Ministério da Saúde também afirmou não possuir dados completos que integrem todo o sistema de saúde. 🩺 8. O que realmente causa câncer? Segundo especialistas ouvidos pelo g1, o risco está mais ligado a comportamentos e exposições acumuladas ao longo da vida, como: consumo excessivo de álcool; tabagismo; alimentação ultraprocessada e obesidade; radiação solar sem proteção; poluição e exposição química crônica. “Temos coisas que realmente agridem o DNA e o danificam ao longo da vida: álcool, cigarro, sol em excesso e poluição”, resume Stephen Stefani. “A bebida alcoólica, por exemplo, não tem dose segura — assim como o sol. Já o cigarro, com 7 mil substâncias e 300 delas cancerígenas, é o maior vilão conhecido.” 📊 Fontes: Painel Oncologia BR – DataSUS; entrevistas com Stephen Stefani (Oncoclínicas e Americas Health Foundation), Sumara Abdo Lacerda Matedi (INCA), Samuel Aguiar (A.C.Camargo Cancer Center); OMS; INCA; Anvisa; Nature Medicine (2022); IARC (2023). Leia também: Casos de câncer em jovens adultos de até 50 anos aumentam 284% no SUS entre 2013 e 2024

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'Agroterrorismo': veja como a IA pode transformar a biotecnologia em arma

Publicado em: 15/10/2025 02:01

Veja os vídeos que estão em alta no g1 Exemplos de bioterrorismo ou sabotagem agrícola são bastante raros e muito difíceis de comprovar, já que são frequentemente marcados por operações secretas, acusações políticas e indícios. O caso "Fusarium graminearum" é o exemplo mais bem documentado até o momento de suspeita de terrorismo agrícola chinês contra uma democracia ocidental. Em julho de 2024, Zunyong Liu, 34, biólogo da Universidade de Zhejiang, em Guangzhou, no sudeste da China, foi revistado por funcionários da alfândega após aterrissar no Aeroporto Metropolitano de Detroit, nos EUA. Na bagagem: um emaranhado de lenços de papel, papel-filtro com círculos enigmáticos e quatro sacos plásticos com material vegetal marrom-avermelhado. Não se tratavam de ervas inofensivas, mas de Fusarium graminearum, um fungo que as autoridades americanas classificam como "potencial arma de terrorismo agrícola", capaz de destruir colheitas inteiras e intoxicar tanto animais quanto seres humanos. Liu inicialmente afirmou que iria visitar a namorada, Yunqing Jian, pós-doutoranda no laboratório da Universidade de Michigan. Mas, após pressão dos investigadores, ele admitiu ter escondido as amostras intencionalmente para cloná-las em laboratório e usá-las em outros experimentos. No celular de Liu, os investigadores do FBI encontraram literatura especializada sobre "guerra com patógenos vegetais" e transcrições de conversas com Jian que indicam planos coordenados de contrabando e tentativas anteriores de importar amostras proibidas. LEIA MAIS: Ataque no WhatsApp com foco no Brasil pode roubar senhas de usuários O que faz o café do Brasil ser tão cobiçado nos EUA Produção de soja em Indiana, nos Estados Unidos AP Photo/Michael Conroy Pesquisadores sob suspeita A namorada de Liu logo entrou na mira dos investigadores: segundo o FBI, ela é patrocinada pelo governo chinês e uma fiel apoiadora do Partido Comunista, além de pesquisar os mesmos patógenos em Michigan. Os investigadores acusam o casal de conspiração, contrabando, falso testemunho e fraudes consulares. Enquanto Liu foi deportada imediatamente para a China e permanece fora do alcance da justiça americana, Jian segue detido, aguardando audiência para possível pagamento de fiança. 'Flor-cadáver' floresce e atrai multidão para o Jardim Botânico de Varsóvia Guerra secreta por sementes e esporos Já em 2020, vários estados americanos alertaram sobre pacotes inesperados vindos da China que foram recebidos por moradores. As autoridades agrícolas levantaram a suspeita de que se tratava de sementes desconhecidas de espécies invasoras de plantas. "As espécies invasoras causam danos devastadores ao meio ambiente, suplantam ou destroem plantas e insetos nativos e causam graves danos às colheitas", declarou à época o Ministério da Agricultura e do Consumidor do estado da Virgínia. Agora, cresce nos EUA a preocupação de que o que começou como um intercâmbio científico possa ter sido parte de uma estratégia secreta para enfraquecer a agricultura americana, suscitando "sérias preocupações com a segurança nacional" por parte de especialistas e políticos. O caso dos pesquisadores chineses é um bom exemplo dessa nova ameaça de agroterrorismo na era da guerra híbrida: ataques direcionados à produção de alimentos por meio da introdução ou alteração seletiva de agentes patogênicos perigosos. É verdade que o Fusarium graminearum já é nativo dos EUA. O fungo faz com que os grãos de trigo e cevada fiquem murchos e pequenos. No milho, causa a podridão da espiga. Mas o verdadeiro perigo seria uma variante geneticamente modificada, contra a qual nenhum tratamento seria eficaz. Até o momento, não há provas de que as amostras contrabandeadas tenham sido realmente manipuladas. O perigo, no entanto, é real e alarmante. Bioterrorismo e IA: o novo front Além dos métodos clássicos de contrabando, a possibilidade de otimizar organismos nocivos com a ajuda da biologia sintética ou a partir da concepção de proteínas baseada em IA está ganhando importância. Cientistas alertam há muito tempo que as ferramentas para alterar fungos, esporos, vírus e proteínas tóxicas podem não ter apenas objetivos pacíficos, mas também fins potencialmente bélicos. "A engenharia de proteínas é uma pesquisa de mão dupla. Ela pode ter efeitos extremamente positivos, por exemplo, no desenvolvimento de vacinas, em terapias baseadas em genes, em conceitos de diagnóstico e terapia individualizados e em doenças para as quais até agora há poucos ou nenhum tratamento disponível", afirma Birte Platow, professora da Universidade Técnica de Dresden e "Ao mesmo tempo, essa pesquisa é de alto risco, pois a mesma tecnologia pode ter efeitos potencialmente prejudiciais. Um exemplo é a síntese acidental ou intencional de genes que codificam proteínas perigosas, como o desenvolvimento de armas biológicas", pondera Platow, que também é membro do Centro de Competência em IA ScaDS.AI da mesma universidade. O Escritório de Avaliação de Impactos Tecnológicos do Parlamento alemão também diz que as tecnologias de dupla utilização e a concepção de proteínas baseada em IA tornam os ataques a infraestruturas críticas, à agricultura e às cadeias de abastecimento tecnicamente mais fáceis e acessíveis. Dirk Lanzerath, diretor do Centro Alemão de Referência para Ética nas Ciências Biológicas, tem opinião semelhante: "As tecnologias de dupla utilização caracterizam-se pelo fato de que, além de terem uma utilidade civil, também podem ser utilizadas indevidamente para fins militares ou criminosos". Por isso, os pesquisadores sempre enfrentam um dilema. "Por um lado, a concepção de proteínas baseada em IA abre oportunidades para o desenvolvimento aprimorado de vacinas e a produção acelerada de medicamentos, mas, por outro, traz o risco de facilitar a produção de armas biológicas", afirma Lanzerath. Na avaliação da IA e da pesquisa de dupla utilização, também são incluídos especialistas em ética, como Lanzerath, e teólogos, como Platow. A expertise de outras áreas deve ajudar a situar a pesquisa no contexto social, questionar normas e incluir sistematicamente o senso de responsabilidade. LEIA MAIS: Projeto Stargate: como serão novos data centers bilionários nos EUA 'Shutdown' no governo Trump piora cenário já difícil para agricultores dos EUA Risco biológico, lixo tóxico ArtPhoto_studio/Freepik Lacunas de segurança Para complicar ainda mais a avaliação de riscos, os atuais mecanismos de segurança não são satisfatórios: um estudo recente mostra que os modelos modernos de IA podem gerar variantes proteicas perigosas que escapam aos sistemas de controle convencionais. "As proteínas geradas por IA podem ter propriedades comparáveis às proteínas naturais, mas diferem na sequência de DNA. Se for uma proteína potencialmente perigosa, os sistemas de controle 'ignoram' o perigo", explica Platow. Pesquisa global na zona cinzenta É justamente o sigilo em torno de pesquisas altamente sensíveis que dificulta um controle eficaz: a maioria dos avanços tecnológicos em IA e biotecnologia ocorre em laboratórios privados ou públicos que restrigem acesso por motivos estratégicos ou devido a patentes. Até o momento, não existem órgãos de controle internacionais independentes, e não há monitoramento global. Também não existem regulamentações internacionais vinculativas e efetivamente aplicáveis para o controle da biotecnologia e da IA. Os acordos internacionais mais importantes são a Convenção para a Proibição de Armas Biológicas e Toxínicas (CPAB) e o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. A CPAB proíbe o desenvolvimento e o uso de armas biológicas, mas não possui um sistema próprio de controle ou verificação – por isso, as violações são difíceis de detectar e faltam órgãos de monitoramento. Iniciativas regionais, como a Lei de IA da União Europeia (UE), regulamentam o uso de sistemas de IA de alto risco e exigem transparência, mas são válidas apenas dentro do bloco. Assim, a comunidade científica e as empresas apostam em códigos de ética e compromissos voluntários, cuja eficácia é muito limitada, tendo em vista o rápido desenvolvimento tecnológico e a possibilidade de projetos de pesquisa secretos.

Palavras-chave: tecnologia

IA na educação: desafios e oportunidades - O Assunto #1577

Publicado em: 15/10/2025 00:31

Mais da metade dos professores brasileiros diz ter incorporado a inteligência artificial à rotina de trabalho. É o que mostra uma pesquisa divulgada pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) no início de outubro: 56% dos docentes no país usam a tecnologia para preparar aulas e buscar novas formas de ensino — um índice 20 pontos percentuais acima da média dos países desenvolvidos. O dado reforça como, mesmo em um cenário de desigualdade tecnológica, a IA foi rapidamente absorvida em práticas educacionais. Um avanço que vem acompanhado de obstáculos. A mesma pesquisa aponta que 64% dos professores afirmam não ter o conhecimento nem as habilidades necessárias para usar ferramentas de IA, e seis em cada dez dizem que as escolas onde trabalham carecem de infraestrutura adequada para lidar com esse tipo de ferramenta. Neste episódio, Victor Boyadjian conversa com Nara Fernandes de Oliveira, professa que explica como a inteligência artificial já mudou a maneira como ela prepara aulas. Nara, que leciona no Colégio Estadual Barão de Tefé, em Seropédica (RJ), dá exemplos de como a inteligência artificial está sendo usada, na prática, em sala e na relação com os alunos. E quais são os desafios com os quais ela se depara. Neste dia dos professores, Nara responde se ela teme pelo futuro da profissão a partir do uso desse tipo de tecnologia. Para explicar como a IA pode apoiar o processo de aprendizado sem substituir o esforço cognitivo dos estudantes, Victor recebe Paulo Blikstein, professor livre-docente da Escola de Educação e diretor do Centro Lemann de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia. Ele detalha de que forma a inteligência artificial pode ser usada para desenvolver habilidades essenciais no ensino. Convidados: Nara Fernandes de Oliveira, professora da rede pública do RJ, e Paulo Blikstein, professor livre-docente da Escola de Educação e Diretor do Centro Lemann de Estudos Brasileiros da Universidade de Columbia (EUA) O que você precisa saber: ENSINO MÉDIO: 7 em cada 10 alunos usam inteligência artificial em pesquisas; alunos relatam falta de orientação sobre como usar OPORTUNIDADES E RISCOS: Ensino começa a integrar inteligência artificial no Brasil TESTE: Em 'modo educação', ChatGPT imita filósofo e só faz perguntas ao aluno, sem dar respostas diretas O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Hoje na apresentação: Victor Boyadjian. O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Imagem ilsutrativa de uma sala de aula Divulgação

Como funciona e como ativar a nova ferramenta do WhatsApp para resumir conversas com IA

Publicado em: 15/10/2025 00:01

Veja os vídeos que estão em alta no g1 O WhatsApp liberou no Brasil na segunda-feira (13/10) uma nova ferramenta de inteligência artificial que promete poupar tempo e facilitar a leitura de conversas longas. O recurso, chamado de "resumo de mensagens", é capaz de sintetizar automaticamente o conteúdo de grupos ou chats individuais, destacando apenas os pontos mais relevantes. A novidade chega primeiro aos usuários brasileiros, em português, antes de ser implementada em outros países e idiomas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Até o momento, nenhum outro país recebeu a função de forma pública e estável. Antes disso, havia apenas testes internos e versões experimentais limitadas em inglês, mas sem liberação ampla. A Meta confirmou que a ferramenta chegará "em breve" a outros idiomas e regiões, e a liberação, segundo a empresa, será gradual ao longo dos próximos dias. WhatsApp BBC/Getty Images Veja mais: Por que cada vez mais analistas falam em 'bolha' da inteligência artificial prestes a estourar Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Mensagens seguem criptografadas, segundo a Meta A função utiliza uma tecnologia chamada processamento privado, que permite à Meta AI — o sistema de inteligência artificial da empresa — gerar os resumos sem que o WhatsApp ou a própria Meta tenham acesso às mensagens. A empresa garante que o conteúdo das conversas continua protegido pela criptografia de ponta a ponta, o mesmo sistema que impede qualquer outra pessoa, fora dos participantes, de ler o que foi trocado. O resumo produzido também permanece criptografado e visível apenas para o usuário que o solicitou. A novidade chega primeiro aos usuários brasileiros, em português, antes de ser implementada em outros países e idiomas BBC/Getty Images Segundo a Meta, nenhuma mensagem é armazenada durante o processo, e a tecnologia foi construída de maneira aberta e verificada por especialistas independentes. Além disso, o recurso é discreto: ninguém mais na conversa verá que o resumo foi gerado, preservando totalmente a privacidade do usuário. A proposta é ajudar quem se depara com dezenas ou centenas de mensagens acumuladas a se atualizar de forma rápida, sem precisar percorrer cada linha da conversa. Como ativar Por padrão, o uso da inteligência artificial vem desativado. Para ativá-lo, o usuário deve acessar as configurações de bate-papo e habilitar o processamento privado. Também é possível limitar o uso da IA nas próprias conversas, ativando a opção "privacidade avançada de conversas" em cada chat, o que impede que a ferramenta seja aplicada àquelas mensagens específicas. A Meta afirma que os recursos de inteligência artificial no WhatsApp seguirão três princípios: livre escolha, para garantir que o uso da IA seja sempre opcional; transparência, com informações claras sobre quando a tecnologia está em ação; e controle do usuário, permitindo ajustes adicionais de segurança em conversas consideradas mais sensíveis. A empresa pretende expandir gradualmente as funções baseadas em IA no aplicativo, mantendo o foco em privacidade e controle individual. Veja mais: Chefões das big techs se preparam para 'fim dos tempos': devemos nos preocupar também? Como a inteligência artificial é usada para criar deepfakes com síndrome de Down em conteúdo sexual lucrativo Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade

ChatGPT com 'modo adulto': por que OpenAI vai permitir conteúdo erótico no assistente de IA

Publicado em: 15/10/2025 00:01

Veja os vídeos que estão em alta no g1 O CEO da OpenAI, Sam Altman, afirmou na terça-feira (14) que o ChatGPT vai ser capaz de gerar conteúdo erótico para adultos verificados a partir de dezembro. O executivo afirmou que a mudança faz parte do princípio da OpenAI de "tratar usuários adultos como adultos" e será feita à medida que recursos de restrição de idade forem implementados de forma mais abrangente no assistente de inteligência artificial. A OpenAI não deu detalhes sobre os métodos de verificação de idade ou controles adicionais de segurança para limitar esse conteúdo apenas para adultos. Em setembro, a empresa anunciou que estava desenvolvendo uma tecnologia de prognóstico baseado na idade, que estima se um usuário é maior ou menor de 18 anos e como interage com o ChatGPT. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ainda segundo Altman, a decisão foi tomada após a OpenAI tornar o ChatGPT mais restrito para haver mais cuidado em relação a questões de saúde mental. "Sabemos que isso acabou tornando a experiência menos útil ou agradável para muitos usuários que não enfrentavam esses problemas, mas, diante da seriedade do tema, queríamos fazer tudo da maneira certa", explicou. Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Celular roubado ou furtado? Veja como proteger acesso a apps de bancos Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Torres com câmeras se espalham por cidades e preocupam especialistas Nos últimos meses, a OpenAI foi processada por pais que a acusam de prejudicar a saúde mental e até incentivar o suicídio de filhos adolescentes. Um desses casos é do adolescente Adam Raine, da Califórnia, que se suicidou no começo deste ano. Em uma ação judicial, seus pais asseguraram que o ChatGPT o aconselhou especificamente em como tirar a própria vida. A empresa reagiu com novos recursos que prometem controlar o uso por menores e avisa pais sobre conversas sensíveis – veja como ativar. A Comissão Federal de Comércio (FTC) dos Estados Unidos também iniciou uma investigação contra várias empresas de tecnologia, inclusive a OpenAI, sobre como os chatbots afetam potencialmente de forma negativa as crianças e os adolescentes. "Dada a seriedade deste assunto, queremos fazer isto bem", disse Altman na terça. Ele assegurou que as novas ferramentas de segurança da OpenAI permitirão à empresa diminuir as restrições enquanto continuam abordando riscos graves de saúde mental. Os planos da OpenAI incluem o lançamento de uma versão atualizada do ChatGPT, que permitirá aos usuários adaptarem a personalidade de seu assistente de IA, incluindo opções para respostas mais humanas, uso intensivo de emojis ou comportamento amistoso. DeepSeek, ChatGPT e Gemini: qual é a melhor inteligência artificial? Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

Debate com presidenciáveis em 2026 será exibido, pela 1ª vez, depois do JN; veja outras novidades da Globo

Publicado em: 14/10/2025 21:34

A Globo apresenta as novidades da programação para 2026 A Globo apresentou, nesta segunda-feira (13) à noite, as novidades da programação de 2026 em um evento para o mercado publicitário, em São Paulo. Quando a gente acha que já viu de tudo na tela da Globo, vem a Ana Maria Braga no melhor estilo Madonna para anunciar uma das novidades da programação de 2026: a segunda temporada do “Chef de Alto Nível”. O Upfront 2026 trouxe muitos spoilers do que vem aí. São 100 anos de Globo e 60 da TV. O Globoplay também está de parabéns. “O Globoplay completa dez anos crescendo sem parar, apresentando cada vez mais conteúdo, conteúdo original para a população brasileira. Já são 30 milhões de brasileiros consumindo mensalmente o Globoplay, algo que nos dá muito orgulho, que fala com a história da Globo de produzir sempre com muita qualidade, com excelência, de inovar e apresentar isso tudo sempre para o público brasileiro”, diz Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo. E se tem algo que o público gosta é de ter uma vilã para odiar. Na trama que está mexendo com o país, ainda não se sabe quem matou Odete Roitman. E a Grazi Massafera já está pronta para viver a primeira vilã da carreira: Arminda, de “Três Graças”, a nova novela das nove, que estreia na segunda (20). “É debochada, é cheia de humor, mas também é bastante perigosa, como as vilãs que o Aguinaldo escreve, né?”, afirma a atriz Grazi Massafera. A faixa das sete vai mergulhar no universo sertanejo com uma história de amor e de força da mulher. “Coração Acelerado” começa em janeiro de 2026 com participação especial de Ana Castela. Estrela de um número musical que celebrou a ligação do Brasil com a África, Duda Santos foi confirmada como protagonista da próxima novela das seis: “A Nobreza do Amor”. A Globo também vai investir em um novo formato de dramaturgia. Jade Picon estará no primeiro microdrama: “Tudo por uma Segunda Chance”. Uma tendência mundial, com episódios bem curtinhos, mas cheios de emoção - e na vertical, para o público assistir pelo celular. E dá para inovar também no que já deu muito certo. No BBB 26, além dos já tradicionais pipocas e camarotes, ex-participantes formarão um terceiro grupo: o dos veteranos. “Personagens que marcaram suas edições agora vão voltar para tentar outra vez o grande prêmio”, conta o apresentador Tadeu Schmidt. Upfront 2026 Jornal Nacional/ Reprodução O Brasil se vê na tela da Globo há 60 anos. Em 2026, muitas das nossas versões estarão representadas na programação. Mas uma delas é a que mais nos une: em 2026 tem Copa do Mundo, e seremos mais de 200 milhões de torcedores em busca do hexacampeonato. Ronaldinho Gaúcho vai levar seus rolês aleatórios para a Copa na Globo. “Vai ser legal. Participar, mostrar um outro lado, aquela coisa extracampo e uns rolês diferentes”, diz Ronaldinho Gaúcho, pentacampeão mundial. Denílson, craque de outras Copas, será comentarista do torneio em 2026. E para a transmissão do evento, a Globo vai ter uma estrutura multiplataforma completa, que em 2025 já ganhou o reforço da GE TV. A Fórmula 1 está de volta com uma cobertura mais tecnológica e interativa. O futebol feminino passa a ter horário fixo aos sábados. Já as tardes de domingo vão ganhar um programa novo: Em Família com Eliana. “Vamos reunir mais ainda a família em torno da música, de matérias, vamos falar da nossa cultura, vai ser muito especial”, conta a apresentadora Eliana. Debate com presidenciáveis em 2026 será exibido, pela 1ª vez, depois do JN; veja outras novidades da Globo Jornal Nacional/ Reprodução O jornalismo da Globo também esteve no Upfront. No palco, William Bonner falou das mudanças no Jornal Nacional: “Eu vou passar o bastão do Jornal Nacional para aquele rapaz ali, o Cesar Tralli, e a dupla dele com Renata Vasconcellos, sob o comando editorial da Cristiana Sousa Cruz, é que vai levar adiante o produto jornalístico de maior audiência do Brasil. E acreditem, é disso que eu vivo: credibilidade. O programa jornalístico de maior audiência em qualquer democracia do mundo”. Renata Vasconcellos e César Tralli apareceram juntos para trazer outra novidade: “Em 2026, o Jornal Nacional vai ficar coladinho no debate para que todo mundo possa assistir”, conta a jornalista e apresentadora Renata Vasconcellos. “Pela primeira vez na história, o debate com os candidatos à Presidência da República vai ser exibido na hora da novela das nove, logo depois do Jornal Nacional”, diz o jornalista e apresentador César Tralli. “A gente pode esperar aquele trabalho nosso do cotidiano com toda a dedicação do mundo, sempre pensando na sociedade, procurando esclarecer os fatos, combatendo fake news, informando com o máximo de isenção, credibilidade, informação correta, aquele nosso rigor com a apuração, aquela nossa vontade de fazer bem feito o tempo todo”, afirma Tralli. O Fantástico ganhou novos quadros. Um deles, com o influenciador Felca - que mobilizou o país ao denunciar a exploração de crianças e adolescentes na internet. “Eu ia falar que eu estou ansioso, mas eu não estou ansioso, eu estou empolgado”, diz. E no horizonte da Globo está a TV 3.0, ou DTV+. A nova tecnologia permite que os anunciantes façam publicidade interativa e segmentada na TV aberta. A tela se transforma em uma vitrine, onde o conteúdo se conecta diretamente a produtos e serviços. Tudo isso com mais qualidade e interatividade para o telespectador. “A gente quer oferecer a melhor experiência tanto no consumo do nosso conteúdo de entretenimento, esportes e jornalismo, como também a melhor experiência consumindo anúncios, propaganda, publicidade, que seja bom para quem está assistindo. Então é muito importante, a gente continua nessa jornada e ano que vem tem outros formatos, mais oportunidades para todo mundo”, afirma Manzar Feres, diretora-geral de Negócios da Globo. LEIA TAMBÉM Upfront 2026: Globo volta a transmitir Fórmula 1 e escala Ronaldinho Gaúcho para a Copa do Mundo Upfront 2026: Felca irá comandar novo quadro no Fantástico Upfront Globo 2026 mostra a força das histórias que mobilizam o Brasil

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'Não sei como vou continuar vivendo com isso', diz tio de criança achada morta em rio após ficar desaparecida por seis dias, no PR

Publicado em: 14/10/2025 19:09

Bombeiros indicam ponto do rio onde corpo de menino de 2 anos foi encontrado, em Tibagi, Na manhã desta terça-feira (14), a família de Arthur da Rosa Carneiro, de 2 anos, ainda buscava por ele na beira do Rio Tibagi, na cidade de mesmo nome dos Campos Gerais do Paraná. No início da tarde, eles receberam a notícia de que havia sido encontrada morta. Em entrevista à RPC. afiliada da TV Globo no Paraná, Lucas Henrique da Silva Carneiro, que é tio de Arthur, conta que tem sido um momento difícil para a família. "Foi uma coisa horrível, a pior coisa do mundo. Não sei como vou continuar vivendo com isso. Estávamos procurando por ele na beira de rio, mas a gente não encontrava em lugar nenhum. [...] Agora é tentar se conformar de alguma forma", disse o tio, emocionado. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ponta Grossa no WhatsApp O corpo de Arthur foi encontrado por um pescador na margem do rio. Ele estava desaparecido desde quinta-feira (9), quando sumiu de dentro de casa durante a manhã. De tarde, uma mamadeira dele foi encontrada no rio, a cerca de 500 metros da casa da família, e desde então buscas foram feitas por toda a região, em terra e água. Corpo da criança foi encontrado a aproximadamente 80 metros do ponto onde havia sido localizada a mamadeira dela PMPR Segundo a PM, corpo foi encontrado na margem de um trecho do rio que fica a aproximadamente 80 metros do ponto onde havia sido localizada a mamadeira da criança. "No momento da localização, foi constatado que as condições do corpo não permitiam uma avaliação detalhada, ficando a cargo da Polícia Civil e da Polícia Científica a continuidade dos trabalhos de perícia e investigação para apurar as circunstâncias do ocorrido", informa a PM. Corpo da crianca passará por exame de necropsia Thaís Ludescher/RPC O corpo de Arthur da Rosa Carneiro foi encaminhado à unidade de execução técnico-científica (antigo IML) da Polícia Científica de Ponta Grossa, onde passará por exame de necropsia. Até a publicação desta reportagem, não havia sido informado se o corpo do menino tinha, ou não, marcas de violência. Investigação Arthur da Rosa Carneiro tem 2 anos de idade Cedida pela família A Polícia Civil está investigando o caso e não informou quais são as suspeitas em relação ao que aconteceu com o menino. Nesta segunda (13), o delegado Guilherme Barbosa de Lima havia dito que não descartava nenhuma hipótese. A principal dúvida levantada acerca do caso é se o menino foi vítima de algum crime, ou se saiu sozinho da residência e se afogou no Rio Tibagi. LEIA TAMBÉM: Crime: Professor é agredido por engano com barra de ferro em escola do PR a mando de aluna que o confundiu, diz delegado Entenda: Fósseis que provocaram paralisação de obras de asfalto no PR são de animais pré-históricos que comprovam teoria de 'supercontinente' único Veja vídeo do acidente: Motorista bêbado tomba caminhão ao pegar celular para responder esposa enquanto dirigia no Paraná, diz polícia Desaparecimento Initial plugin text À RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, familiares contaram que começaram a procurar pelo menino logo após perceberem que ele não estava em nenhum local da casa, na manhã de quinta-feira (9). "O desaparecimento foi notado pela responsável após a criança não ser mais vista dentro da residência. Imediatamente, familiares e vizinhos iniciaram as buscas nas proximidades, enquanto o Corpo de Bombeiros acionou as forças de segurança e apoio do município", relata a Polícia Militar (PM). Na tarde do mesmo dia, a mamadeira de Arthur foi encontrada em um rio que fica a cerca de 500 metros da residência. Ao lado da casa há uma área de mata. Mamadeira da criança foi encontrada em rio próximo à casa Adriano Santos/Rádio Itay Tibagi Investigações Em nota divulgada nesta segunda-feira (13), o delegado Guilherme Barbosa de Lima, responsável pelo caso, informou que a polícia ouviu familiares, vizinhos e outras testemunhas, e que alguns "vestígios biológicos" tinha sido encontrados e enviados para análise, para confirmar se são, ou não, do pequeno Arthur. A equipe de investigação também busca analisar imagens de câmeras de segurança da região, e conta com o apoio de um setor especializado em casos do gênero – o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). Buscas Equipes fazem buscas em rio e área de mata próximos à casa de criança desaparecida no PR As buscas – que duraram 6 dias – foram realizadas pela Polícia Militar (PM-PR), Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Polícia Civil (PC-PR), Polícia Científica, Conselho Tutelar, Serviço de Atendimento Médico de Urgência (Samu) e voluntários. Além disso, também foi emitido um Amber Alert – sistema de alerta em redes sociais, estabelecido nos Estados Unidos, que notifica usuários. O sistema auxilia na divulgação de informações sobre crianças desaparecidas e é fruto de uma parceria entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública e a empresa de tecnologia Meta – dona do Facebook, Instagram e WhatsApp. Amber Alert sobre o desaparecimento de Arthur. Reprodução Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná

Palavras-chave: tecnologia

Alesp aprova mudança na carreira de pesquisadores científicos do estado

Publicado em: 14/10/2025 18:48

Prédio do Instituto Butantan na Zona Oeste de São Paulo. Divulgação Os deputados estaduais aprovaram nesta terça-feira (14) o projeto de lei complementar que altera a carreira de pesquisador científico em São Paulo. O texto do governo foi aprovado com o número mínimo de 48 votos a favor, depois que dois deputados da base do governo alteraram seus votos de não para sim --Thiago Auricchio (PL) e Sebastião Santos (Republicanos). Atualmente, 914 cientistas atuam em 16 institutos públicos de pesquisa em São Paulo, como o Instituto Butantan, o Instituto Adolfo Lutz e o Instituto Biológico. O projeto sofreu resistência da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC), que afirma que o texto acaba com o regime de tempo integral, com a comissão de avaliação da produção científica e com a criação de novos níveis de carreira, transformando os atuais 6 em 18. “A retirada do RTI (regime de tempo integral), substituído por uma jornada ordinária de 40 horas semanais, em RDE-Regime de Dedicação Exclusiva, representa, além de um retrocesso, um grave comprometimento da qualidade, da continuidade e da sustentabilidade das atividades científicas”, afirma a Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp), por meio de ofício —mais de 30 entidades da sociedade civil e associações ambientais do país se manifestaram contrárias ao projeto. O placar foi de 48 a 1, porque os deputados de partidos de oposição ao governo, como o PT e o PSOL, não registraram seus votos. Como as votações necessitam de um quórum mínimo para serem válidas, os parlamentares contrários ao governo adotam como estratégia só registrarem voto após o projeto ser aprovado, sob o risco de a votação cair. Já o aditivo enviado pelo próprio governo com alterações ao projeto inicial foi aprovado por 49 a 17. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp Na última semana, a Assembleia Legislativa promoveu uma audiência pública sobre o tema. "Esses institutos contam com uma carreira específica para pesquisador científico que permite o desenvolvimento de uma pesquisa pública voltada para o interesse social, para a elaboração de pesquisa de políticas públicas que atendam as necessidades da sociedade, como a criação de uma vacina, segurança alimentar, criação de unidade de conservação, mapeamento de áreas de risco. Tudo isso é feito pelos institutos", disse na terça-feira (7) Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Por outro lado, cientistas a favor do projeto também estiveram nas galerias da Alesp, demonstrando apoio ao texto aprovado. Para Maria Izabel Medeiros, pesquisadora da Apta (Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios), o texto valoriza o pesquisador científico. "Principalmente os que estão iniciando. Os que estão no final da carreira ou aposentados não serão prejudicados. Mas eu sou nível 6, estou na ativa e o meu aumento será mais ou menos em torno de 30%, para mim é ótimo. Num período de anos ficamos sem nenhum reajuste. São muitas pessoas que vão se beneficiar e ser mais valorizadas." Em relação à progressão de carreira, a pesquisadora afirma que "pode até demorar mais um pouquinho mais de tempo", mas que "o pesquisador que trabalha consegue, e agora também tem um tempo menor para você alcançar o nível A, B e C para passar para o outro nível". "Agora ele está mais dividido, só que o tempo melhora, porque você vai passando menos tempo e com um salário que vai aumentando mais rapidamente (à medida que progride de nível)", disse Maria Izabel. Para a presidente da APqC, o novo regime pode levar a um desmonte da pesquisa pública no estado. "Quem vai perder com isso é a sociedade. Fragiliza (a carreira), porque você tem uma mudança no regime remuneratório e uma mudança no regime de trabalho que vai propiciar um esvaziamento de quadros", afirmou Helena Lutgens. Fachada Alesp Assembléia Legislativa do Estado de São paulo Reprodução/ Rede Globo Principais mudanças Para os pesquisadores, a principal mudança é o fim do Regime de Tempo Integral, que prevê: Dedicação plena — o servidor dedica-se inteiramente às atividades de investigação científica, vedando-se outras atividades remuneradas ou não, salvo algumas exceções específicas; Remuneração adicional — recebem acréscimo salarial por tempo de serviço no regime; Não define uma carga horária para a jornada de trabalho. Já o novo projeto de lei mantém a dedicação exclusiva, mas institui uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, o que para os pesquisadores engessaria o trabalho. O texto também retira da Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI) a atribuição de avaliar o desempenho dos pesquisadores, o que segundo a APqC abre espaço para interferência política. Atualmente, a Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI) é composta por 12 membros escolhidos pelos próprios cientistas e um de escolha do governo. O substitutivo enviado por Tarcísio à Alesp e que foi aprovado nesta terça mantém o arranjo, mas defende a integração da comissão aos órgãos setoriais de gestão de pessoas. O novo texto também prevê ampliar para 18 etapas profissionais para chegar ao topo da carreira, atualmente são apenas seis. Segundo a APqC, essa ampliação proposta pelo texto do governo pode inviabilizar a progressão de carreira dentro da pesquisa científica em São Paulo e a atratividade para entrada de novos pesquisadores na carreira. O que disse a gestão Tarcísio Em junho, quando do envio do novo texto do projeto, o governo de São Paulo disse que “as críticas apresentadas pela APqC não se sustentam tecnicamente, e parecem motivadas apenas por oposição genérica, sem respaldo jurídico ou funcional”. “A alegação de extinção do Regime de Tempo Integral (RTI) desconsidera que ele foi tecnicamente substituído pelo Regime de Dedicação Exclusiva (DE), que preserva integralmente sua função: garantir dedicação exclusiva, ética e imparcialidade na atuação dos pesquisadores”, afirmou a gestão Tarcísio. “O novo regime, inclusive, é o mesmo adotado por carreiras de Estado como Procuradores do Estado, Delegados de Polícia, Fiscais da Receita Estadual e Pesquisadores da Embrapa, demonstrando sua adequação funcional e jurídica." "Além disso, a proposta permite controle da jornada com base em entregas, metas, planos e produtos científicos, respeitando a autonomia técnica da atividade de pesquisa”, afirmou, em nota. Dos 914 cientistas que o estado de São Paulo tem atualmente, 434 são ligados atualmente à área da Agricultura, 319 da Saúde, 121 da área do Meio Ambiente e outros 40 do Hospital das Clínicas de São Paulo. Os pesquisadores representados pela APqC atuam nos institutos: Agricultura (434 pesquisadores): APTA Regional, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia (Integram a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento); Saúde (319 pesquisadores): Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan, Instituto Dante Pazzaneze de Cardiologia, Instituto Lauro de Souza Lima, Instituto Pasteur, Instituto da Saúde, SUCEN, Laboratório de Investigação Médica-LIM HC-USP (Integram a Secretaria de Estado da Saúde); Meio Ambiente (121 pesquisadores): Instituto Florestal, Instituto de Botânica, Instituto Geológico (Integram a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, infraestrutura e logística).

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