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Coletor de lixo que percorre mais de 40 km por dia no trabalho vira destaque em provas de corrida de rua: 'Resistência'

Publicado em: 17/01/2026 08:00

Corredor de Rio Preto vira exemplo de superação no esporte Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP) e encontrou na corrida de rua uma forma de mudar de vida. Em pouco mais de um ano no esporte, já venceu provas com milhares de participantes e se tornou inspiração pela dedicação e superação. Há sete anos, ele enfrenta uma rotina puxada: corre, recolhe o lixo, joga no caminhão e recomeça. De segunda a sábado, percorre mais de 40 quilômetros por dia no trabalho. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp "É resistência. Todo dia nessa correria. Faço dois treinos: um aqui e outro em Rio Preto. De um lado são 42 km, do outro 52 km. É como correr uma maratona por dia", conta. Atleta em Rio Preto (SP), Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP) Reprodução/TV TEM O motorista do caminhão, Rodrigo Oliveira, admite que não teria fôlego para acompanhar o colega. "Melhor ficar na boleia. Hoje não dá mais, a idade pesa. Quem sabe se eu fosse mais novo, mas agora não tem como", disse. LEIA TAMBÉM: Estudante do interior de SP é tricampeão em maratona de tecnologia Caio é o primeiro bebê de 2026 a nascer no HCM de Rio Preto Casal apaixonado por automobilismo coloca bastão de fumaça colorida em carro para chá revelação do 1º filho Jeovany começou a competir há pouco mais de um ano. Aos 29 anos, já corre 5 km em 15 minutos, superando atletas experientes e vencendo provas com mais de 2 mil inscritos. "Começou em Granada. Um amigo me via correndo atrás do caminhão e sempre me chamava para participar das provas. Um dia aceitei, ele fez a inscrição e terminei em 16min40s. Gostei e continuei. Depois conheci a equipe APA, em Rio Preto, e o Xavier, que me levou para o grupo. Desde então, sigo competindo", contou. Potencial Jeovany Pyettro, de 29 anos, é corredor em Rio Preto (SP) Reprodução/TV TEM O responsável por preparar Jeovany para as corridas é o treinador Peter Camargo, que também mantém um projeto social. Ele passou a acompanhar o atleta logo após a decisão de competir. "Conheci o Jeovany em novembro do ano passado, em uma corrida em Bálsamo. Ele pediu uma chance para treinar com o grupo de elite e aceitei. Em menos de um ano, já se destacava não só na região, mas também em provas nacionais. Hoje sonha em chegar à seleção brasileira", disse Peter. Com resultados expressivos em pouco tempo, Jeovany já sonha com voos maiores. "Se Deus quiser, vou correr junto aos profissionais. Depende de mim e da vontade de Deus", afirma. O treinador acredita que o futuro do atleta é promissor. "Em 19 anos no atletismo, vi que atletas que alcançam 15 minutos nos 5 km em apenas um ano chegam à seleção brasileira. Jeovany tem uma grande chance de conquistar esse espaço", avaliou. Jeovany Pyettro e o treinador, Peter Camargo Reprodução/TV TEM Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

'Conheci a sensação de paz pela primeira vez': o debate sobre a prescrição de cogumelos alucinógenos no 'SUS britânico'

Publicado em: 17/01/2026 07:22

Estudos científicos vêm mostrando nos últimos anos o potencial de tratamento de diversos transtornos de saúde mental com drogas psicodélicas Getty Images/BBC Larissa Hope acredita que a psilocibina — o ingrediente ativo presente nos cogumelos mágicos — a tenha ajudado a enfrentar uma difícil condição de saúde mental. Quando começou sua carreira de atriz, aos 17 anos, ela foi escalada para a série de TV Skins: Juventude à Flor da Pele (2007-2013). Mas a fama recém-descoberta trouxe à tona um trauma até então enterrado. Os antidepressivos não fizeram efeito para ela, mas uma pequena dose de psilocibina, administrada sob supervisão clínica, trouxe uma reviravolta. "Quando experimentei, desatei a chorar", relembra ela. "Tive pela primeira vez na vida uma sensação de pertencimento e segurança no meu corpo e fiquei repetindo 'estou em casa, estou em casa'." Agora, quase 20 anos depois, Hope defende que foi a substância que, ao lado da terapia, a ajudou a enfrentar seus pensamentos suicidas. Nem todas as pessoas sentem o mesmo efeito. O pesquisador universitário Jules Evans teve uma experiência muito diferente quando experimentou LSD pela primeira vez, com fins recreativos, quando tinha 18 anos. Sua viagem o levou para o que ele descreve como estado "ilusório". "Eu achava que todos estavam falando de mim, me criticando, me julgando", ele conta. "Pensei que tivesse sofrido uma avaria permanente, perdido o juízo de vez. Foi a experiência mais apavorante da minha vida." Atualmente, Evans é diretor do Projeto de Experiências Psicodélicas Desafiadoras, que ajuda as pessoas que enfrentam dificuldades depois de tomar psicodélicos. Ele conta que se sentia socialmente ansioso e sofreu ataques de pânico anos depois da sua experiência. Ele foi diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Mas estas duas experiências totalmente diferentes são centrais para um dilema enfrentado atualmente pelos médicos, políticos e pelos órgãos reguladores. Afinal, os médicos devem ou não ser autorizados a prescrever tratamentos que envolvam o uso de cogumelos mágicos e outras drogas psicodélicas potencialmente úteis? Os cogumelos mágicos e a depressão Esta questão veio à tona em meio a uma série de novos estudos que indicam que as drogas psicodélicas podem ajudar a tratar a depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, TEPT, trauma e dependência, por exemplo, de álcool e jogos. Atualmente, a medicina psicodélica é ilegal, exceto para pesquisas ou testes clínicos autorizados. Mas, desde 2022, mais de 20 estudos analisaram diferentes medicações psicodélicas para o tratamento de condições como depressão, TEPT e dependência. Os resultados de muitos desses estudos indicam que os tratamentos podem ajudar, enquanto vários outros tiveram resultados mistos ou incertos. Poucos estudos, até o momento, deixaram de encontrar claramente benefícios nas suas principais avaliações. O professor Oliver Howes, presidente do Comitê de Psicofarmacologia do Colégio Real de Psiquiatras do Reino Unido, considera os psicodélicos como um possível e promissor tratamento de transtornos psiquiátricos, incluindo para pacientes do serviço britânico de saúde pública, o NHS Getty Images A empresa britânica de biotecnologia Compass Pathways deve publicar ainda este ano os resultados de um dos maiores testes clínicos já realizados sobre o uso de psilocibina. O órgão regulador dos medicamentos do Reino Unido aguarda estes dados para analisar se deve reduzir as fortes restrições atuais e permitir o uso da medicina psicodélica fora do campo dos testes e pesquisas. O professor Oliver Howes, presidente do Comitê de Psicofarmacologia do Colégio Real de Psiquiatras do Reino Unido, está otimista. Ele considera os psicodélicos um possível e promissor tratamento para transtornos psiquiátricos, incluindo para pacientes do NHS, o sistema britânico de saúde pública. "Um dos principais alertas é que se trata de algo de que precisamos desesperadamente — mais e melhores tratamentos para transtornos de saúde mental", explica Howes. "Estes tratamentos são muito interessantes, pois demonstraram ser promissores nos estudos em pequena escala e têm potencial de funcionar com mais rapidez." Mas ele também é cauteloso e enfatiza a necessidade de observar os resultados dos testes. Para Howes, "é muito importante conseguir evidências e não supervalorizar os potenciais benefícios". O professor não é o único a aconselhar cautela. Um relatório do Colégio Real de Psiquiatras, publicado em setembro de 2025, alertou sobre os possíveis riscos dos psicodélicos e os médicos também destacam que tomar drogas psicodélicas não é apenas contra a lei, mas também pode ser prejudicial. Ação mais rápida e menos efeitos colaterais? O uso de drogas é tão antigo quanto a própria civilização humana. Cogumelos mágicos, ópio e cannabis são consumidos há muito tempo para fins recreativos e em rituais. Nos anos 1960 e 1970, o LSD foi adotado pelo movimento da contracultura. Na época, o psicólogo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e guru da contracultura, Timothy Leary (1920-1996), incentivava os jovens a "se ligar, se sintonizar e cair fora". Em outras palavras, se ligar e despertar seu potencial interno; se sintonizar no estado da sociedade à sua volta; e cair fora, abandonando as normas sociais da época. Mas essas drogas logo foram associadas a distúrbios sociais e ao declínio moral. Nos anos 1960, o psicólogo americano Timothy Leary (1920-1996) incentivava as pessoas a 'se ligar, se sintonizar e cair fora' Getty Images Quando as drogas psicodélicas foram proibidas, no final dos anos 1960 e início da década de 1970, foram também aplicadas restrições mais fortes às pesquisas científicas sobre o assunto. Mas uma série de desenvolvimentos científicos inovadores nos anos 2010, pelo professor David Nutt e sua equipe do Imperial College de Londres, deu início a um processo que pode muito bem alterar este panorama. Em testes clínicos subsequentes com pacientes com depressão, a psilocibina se mostrou, pelo menos, tão eficaz quanto os antidepressivos convencionais, com menos efeitos colaterais. E ainda houve uma outra grande vantagem, segundo Nutt: a rapidez de ação. "Achamos que, em vez de esperar oito semanas para que os antidepressivos desliguem a parte do cérebro associada à depressão, talvez a psilocibina possa fazer o desligamento em questão de poucos minutos", explica o professor. Esta visão é cientificamente promissora, mas não é universalmente aceita. Uma série de novos estudos indica que as drogas psicodélicas podem tratar a depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e TEPT Getty Images Nutt é um cientista respeitado. Mas suas avaliações despertaram controvérsias. Em 2009, ele foi demitido do cargo de presidente do órgão consultor de drogas do governo britânico, o Comitê Consultor sobre Abuso de Drogas, pelo então secretário de Assuntos Domésticos trabalhista Alan Johnson. A demissão se seguiu a certos comentários públicos, como defender que "não havia muita diferença" entre os danos causados por montar cavalos e o ecstasy. As declarações foram consideradas incompatíveis com seu cargo como consultor do governo. Nos últimos anos, os estudos do professor Nutt despertaram muitas outras investigações em todo o mundo, sobre os possíveis benefícios terapêuticos de outras drogas psicodélicas. O serviço público de saúde deveria oferecer psicodélicos? No University College de Londres, o neurocientista Ravi Das vem tentando compreender por que alguns hábitos se consolidam criando dependência, enquanto outros desaparecem. Ele acredita que os psicodélicos podem ajudar a encontrar a resposta. O estudo liderado por ele recruta dependentes de álcool para verificar se dimetiltriptamina (DMT), um psicodélico de curta duração também usado como droga recreativa, pode ser usado para tratar os sistemas de memória e aprendizado do cérebro. Seu estudo acumula evidências que sugerem que a psilocibina pode interromper os comportamentos relacionados à dependência. "Sempre que alguém bebe, meio que como o cão de Pavlov, você aprende a associar coisas no ambiente ao efeito recompensador do álcool", afirma ele. "Nós nos concentramos em descobrir se certas drogas, como os psicodélicos, podem romper essas associações." Este é um estudo em estágio muito inicial, mas se os resultados forem positivos, ao lado de testes futuros, o objetivo é oferecer os psicodélicos como tratamento no NHS britânico, mediante aprovação do órgão regulador do país. "Se ficar comprovado que as terapias psicodélicas são seguras e mais eficazes que os tratamentos atuais, eu esperaria que elas fossem oferecidas por meio do NHS, não apenas para os poucos privilegiados que podem pagar por eles na medicina particular", explica ele. A cetamina foi objeto de um estudo anterior de Ravi Das. Ela é enquadrada em outra categoria legal e pode ser usada como parte de tratamentos médicos no Reino Unido. Já outros psicodélicos, como DMT, LSD, psilocibina e MDMA, atualmente não têm uso medicinal legítimo. Por isso, só podem ser usados para pesquisas — e, mesmo assim, com licenças médicas muito rigorosas e dificilmente obtidas. Das acredita que resultados positivos dos estudos possam alterar as opiniões, à medida que crescem as evidências científicas a respeito. Ravi Das examina se o psicodélico de curta duração dimetiltriptamina (DMT) pode ser usado para tratar os sistemas de memória e aprendizado do cérebro de dependentes do álcool Getty Images "Espero que, se houver evidências suficientes, o governo fique aberto à revisão da classificação dessas drogas", afirma ele. Mas uma análise publicada pelo British Medical Journal em novembro de 2024, pelo estudante de PhD Cédric Lemarchand e seus colegas, questionou a facilidade da determinação do efeito preciso das drogas psicodélicas. "Como os alucinógenos são frequentemente combinados com um componente psicoterápico, fica difícil separar os efeitos da droga do contexto terapêutico, o que complica avaliações abrangentes e a elaboração dos rótulos dos produtos." O estudo também sugeriu que testes de curto prazo podem não detectar o potencial de danos e efeitos prejudiciais sérios do uso de alucinógenos a longo prazo, e o potencial de abuso ou mau uso também deve ser considerado. 'Falha moral' Mesmo com os benefícios terapêuticos dos medicamentos psicodélicos sugeridos pelas pesquisas, os médicos permanecem cautelosos. Howes acredita que os tratamentos com psicodélicos não devem ser prática médica de rotina no Reino Unido fora dos ambientes de pesquisa, enquanto estudos maiores e mais rigorosos não fornecerem evidências mais robustas da sua segurança e eficácia. A exceção seria a cetamina, que já foi avaliada pelo órgão regulador. "No ambiente de um teste clínico, os psicodélicos são avaliados com muito cuidado", explica o professor. "Se as pessoas tomarem essas substâncias de forma independente ou em uma clínica irregular, não há garantias e as questões de segurança passam a ser uma preocupação importante." Seus alertas são apoiados pelos números de diversos estudos, reunidos pelo Projeto de Experiências Psicodélicas Desafiadoras. Eles indicam que 52% dos participantes que usam drogas psicodélicas regularmente afirmam terem passado por uma viagem psicodélica intensa e desafiadora, considerada por 39% deles como "uma das cinco experiências mais difíceis" das suas vidas. Além disso, 6,7% declaram terem pensado em se ferir, a si próprios ou a outras pessoas, após uma experiência desafiadora e 8,9% relataram terem ficado "debilitados" por mais de um dia, após uma viagem difícil. Algumas pessoas necessitaram de assistência médica ou psiquiátrica e continuaram se sentindo pior por semanas, meses ou, em alguns casos, anos após a sua experiência, segundo Evans. "Idealmente, eu adoraria que os médicos e órgãos reguladores soubessem mais sobre esses efeitos adversos e como as pessoas podem se recuperar deles, antes de afirmar que alguma dessas terapias é segura", defende ele. Sessão da empresa britânica Compass Pathways mostra uma paciente recebendo terapia psicodélica orientada Compass Pathways Mas David Nutt, Oliver Howes e Ravi Das acreditam que o progresso rumo ao tratamento médico é mais lento devido à dificuldade de obter permissão para conduzir testes clínicos supervisionados por médicos. "Existem muitas pessoas sofrendo desnecessariamente", declarou Nutt. "E algumas delas estão morrendo devido a barreiras injustificadas às pesquisas e tratamento que encontramos no Reino Unido. Na minha opinião, esta é uma falha moral." "Quando se comprovar que esses medicamentos são seguros e eficazes, acho fundamental que eles sejam disponibilizados pelo NHS para todos os que deles necessitem, sem limitá-los ao setor privado, como aconteceu com a cannabis medicinal." O professor Howes aconselha cautela, mas é da mesma opinião. "Existem grandes barreiras para estes estudos", explica ele. "Por isso, pedimos ao governo que analise as regulamentações dessas substâncias para pesquisas, pois elas realmente geram longos atrasos e precisamos urgentemente de novos tratamentos." A análise de Lemarchand pede maior escrutínio dos testes. "Para garantir que os alucinógenos sejam avaliados rigorosamente antes de serem aprovados como tratamentos seguros e eficazes, as publicações médicas devem avaliar as evidências de forma mais crítica, considerar todas as limitações, evitar suposições e afirmações sem fundamento e corrigir os registros quando necessário." O Conselho Consultor sobre o Mau Uso de Drogas também afirma abertamente que o Anexo 1 "contém substâncias sem valor medicinal" e, por isso, deve receber os controles mais rígidos. Os ministros também relacionam diretamente o regime de licenciamento do Escritório de Assuntos Domésticos à proteção do público. Ravi Das defende que, quando ficar comprovado que as terapias psicodélicas são seguras e eficazes, elas sejam disponibilizadas pelo serviço de saúde pública do Reino Unido Getty Images O governo britânico apoia os planos de reduzir as exigências de licenciamento para alguns testes clínicos aprovados pela Agência Regulatória de Medicamentos e Produtos de Assistência Médica e pela Autoridade de Pesquisas de Saúde. E existem trabalhos em andamento para implementar isenções para certas universidades e instalações do NHS. Um grupo de trabalho multidisciplinar do governo coordena cuidadosamente os desdobramentos, aguardando os resultados de projetos piloto. Mas alguns médicos, incluindo Howes, afirmam que as mudanças estão ocorrendo de forma terrivelmente lenta. "Existem muitos sinais vermelhos atrasando o processo", segundo ele. Os apoiadores dos medicamentos psicodélicos esperam que os chamados estudos de três fases da empresa Compass Pathways tragam maior flexibilização, pelo menos em relação às pesquisas. Paralelamente, Larissa Hope acredita que estes testes são importantes. Ela afirma que sua experiência com a psilocibina a ajudou a entender melhor suas experiências sobre traumas e pensamentos suicidas. "Eu tinha um plano concreto para pôr fim à minha vida", ela conta. "Então, de repente, a morte não era o único caminho." "Com a psilocibina, meu sistema nervoso começou, pela primeira vez, a reconhecer a sensação de paz." Caso você seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda: O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento em todo o Brasil; Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar; Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190); Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192; Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h; Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil. Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.

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Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?

Publicado em: 17/01/2026 07:01

Acordo UE-Mercosul vai beneficiar a economia brasileira A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve acontecer neste sábado (17), após mais de 25 anos de negociações, deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. Entenda o acordo. No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Entre as mudanças mais perceptíveis, uma deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro. Além de uma possível redução nos preços de vinhos, azeites, queijos e lácteos, por exemplo, a expectativa é que marcas premium de chocolates e outros itens de supermercados também cheguem pela primeira vez em terras tupiniquins. 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. No caso dos vinhos, a Europa concentra os maiores produtores globais da bebida, como Itália, França e Espanha — o que faz com que vinhos muito bons sejam encontrados na região por preços baixos. E com a redução gradual da taxa proposta pelo acordo, a estimativa é que o consumidor brasileiro passe a ter mais acesso a esse mercado, com preços mais competitivos. INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1 O mesmo deve acontecer com outros produtos vindos da Europa. Carros importados de lá, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos. Medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário —, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir os efeitos do acordo. Vale destacar, no entanto, que a queda de preços tende a ser gradual, especialmente em itens complexos como automóveis, por conta da dependência de uma cadeia global de componentes — incluindo insumos vindos da China. Ganhos na produção interna e na exportação Os efeitos do acordo se estendem, ainda, para os insumos importados utilizados pela indústria e também abre portas para que mais produtos brasileiros cheguem à Europa. Por aqui, o acesso a tecnologias europeias mais baratas pode reduzir custos para empresas nacionais e estimular investimentos em modernização — incluindo para o campo, que deve gastar menos com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas, por exemplo. Já entre as exportações, o tratado permite a ampliação das vendas brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas para a UE. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais. Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos. Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor. No ano passado, essas vendas já vinham crescendo: as exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões). Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil. INFOGRÁFICO – Próximos passos do acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1 Entenda o acordo 🤝 O objetivo do tratado é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, reduzindo tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa. 📊 O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do PIB global. 💰 Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul. Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul. Arte/g1 Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai Imagem: TV Globo

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Taos com visual renovado e mais tecnologia: veja as mudanças do novo SUV médio da Volkswagen

Publicado em: 17/01/2026 07:00 Fonte: Tudocelular

O Novo Volkswagen Taos foi oficialmente anunciado para o Brasil nesta sexta-feira (16). Nesse sentido, trata-se de um movimento estratégico de marketing da empresa que tem como objetivo reposicionar o seu SUV médio em um cenário mais competitivo. O modelo chega às lojas em breve. Design e tecnologia No quesito design, os pontos que se destacam neste automóvel incluem logo iluminado na traseira, Light strip conectando as lanternas e Faróis IQ.Light com novo visual em “X”. Além disso, o modelo está com interior mais sofisticado, incluindo novos revestimentos premium e ambient light com suporte a 10 cores.Vale destacar também o painel redesenhado e multimídia VW Play Connect com trela de 10,1 semiflutuante, ar digital dual zone carregador por indução. No mais, ele tem volante com botões físicos e conectividade ampliada com Meu VW 2.0, que tem mais de 15 funcionalidades pelo aplicativo.Clique aqui para ler mais

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Inspirado nos 'profetas da chuva', jovem é premiado com sistema de IA de previsão do tempo

Publicado em: 17/01/2026 05:02

Vencedor do Prêmio Jovem Cientista explica como funciona projeto que une IA a tradição Inspirado nas histórias que seu avô contava sobre os "profetas da chuva" - sertanejos que utilizam a observação da natureza para fazer previsões climáticas no Ceará - o estudante de 16 anos Raul Victor Magalhães Souza venceu o Prêmio Jovem Cientista de 2025 com um projeto que une tecnologia a saberes tradicionais. A plataforma criada por Raul combina as análises dos agricultores sobre a natureza com informações meteorológicas oficiais e ajuda o trabalhador a se planejar melhor diante das mudanças climáticas. O projeto ficou em 1° lugar na Categoria Estudante do Ensino Médio. O desafio da 31ª edição era criar projetos que ajudam no combate à mudança do clima. Os vencedores vão receber bolsas de estudo, notebooks e prêmios em dinheiro de R$ 12 mil a R$ 40 mil. LEIA TAMBÉM: Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima; conheça Agricultores leem sinais da natureza para definir o momento certo do plantio ➡️ Este não foi, no entanto, o único cearense a se destacar no prêmio: Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, ficou em 2° lugar na Categoria Estudante do Ensino Superior ao criar um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. O g1 conversou com os estudantes para entender como surgiram as ideias de seus projetos. Empolgados, eles falaram sobre a importância da ciência para o Ceará, relataram os desafios enfrentados durante o desenvolvimento das criações e explicaram como os jovens podem ajudar a combater a crise climática e a desinformação. Confira! História oral transformada em dados Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima. Arquivo pessoal Raul Victor lembra com carinho as histórias contadas pelo seu avô, Luiz Maia, sobre os "profetas da chuva". No sertão cearense, esses agricultores desenvolveram uma relação tão próxima com a natureza que passaram a analisar o céu, a terra, as plantas, os animais e os astros para saber se a quadra chuvosa será boa ou não. Anualmente, eles se reúnem na cidade de Quixadá, a 160 quilômetros de Fortaleza, para compartilhar suas previsões. Os "profetas" ou "profetizas da chuva" já fazem parte da sabedoria popular cearense e ganharam no projeto científico de Raul um papel essencial de fortalecimento da cultura nordestina. "Em 2009 teve uma enchente que um profeta local conseguiu prever que haveria aqui em Iracema, onde eu moro, só que ninguém deu credibilidade a ele. (Algumas pessoas) não têm tanta confiança nesse conhecimento tradicional, que é passado de geração para geração. É um conhecimento muito marcante para a nossa região", conta Raul. A partir desse incômodo, Raul, que mora na cidade de Iracema, criou um sistema de IA chamado Inteligência Artificial dos Profetas das Chuvas, construído com tecnologia de aprendizado de máquina (machine learning). 📱Funciona assim: O sistema foi abastecido com informações fornecidas por seis profetas de cinco municípios do Vale do Jaguaribe e os dados foram organizados em categorias: 1) fenômenos atmosféricos (halo lunar, barra de nuvem no início do ano, alto brilho do Sete-Estrelo) 2) fatores botânicos (florescer do mandacaru, observação da embiratanha, florescer do juazeiro) 3) comportamento animal (borboleta preta, aranha-caranguejeira, rã, formigueiros) Depois, a IA foi treinada com registros coletados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As variáveis incluíram as seguintes informações: pressão atmosférica; temperatura máxima, mínima e média; ponto de orvalho; umidade relativa do ar; velocidade e direção do vento; volume de chuva e data de observação. Como a plataforma é de certa maneira “colaborativa”, o usuário vai preencher no sistema o que ele estiver observando em campo, e isso ajuda a alimentar a ferramenta. Por exemplo: um agricultor observou um halo lunar onde ele mora. Ao abrir o sistema, ele vai marcar o que avistou e a IA vai combinar essa informação com os dados da Funceme e do Inmet. Em poucos segundos, o agricultor vê a previsão local e uma explicação simples de como o halo lunar (ou outra observação) pode influenciar o tempo e o clima naquele momento em sua região. Na foto, Raul apresenta o projeto na maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, a Mostratec. Arquivo pessoal Raul explica que a plataforma facilita e amplia o acesso desses sertanejos a ferramentas pluviométricas e meteorológicas. “Ela basicamente fornece os dados meteorológicos automaticamente e você precisa somente selecionar o campo da observação que você vai fazer e, assim, você consegue gerar a sua previsão”. “O meu projeto surge justamente com a intenção de auxiliar os agricultores locais quanto à sua produtividade agrícola, basicamente prepará-los com antecedência para terem uma boa safra. Surge também com a intenção de monitorar o abastecimento hídrico, pois você tendo relatórios de como será aquele determinado período chuvoso, consegue se planejar e organizar melhor a distribuição hídrica naquela região”, explica o pesquisador. Raul começou a pesquisa em 2024 sob a orientação do professor Helyson Lucas. Ele vai começar agora o 3° ano do Ensino Médio na Escola de Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia e sonha em ser médico. De férias, Raul estuda cerca de cinco horas por dia, vai para a academia, joga beach tennis, sai com os amigos e, claro, divide as tarefas de casa com sua mãe, Maria Lusinaria. Os planos para 2026 incluem ampliar o “Profetas da Chuva”, fazer novas pesquisas e participar de competições. Mesmo jovem, ele sabe da importância de pesquisas como a sua no combate à crise climática que afeta o mundo. No Ceará, por exemplo, ao longo de 63 anos (de 1961 a 2023), a temperatura aumentou em 1,8°C. O uso eficiente da água, o desenvolvimento de cultivos mais resistentes à seca e políticas públicas voltadas para a saúde e infraestrutura se tornam fundamentais, especialmente na região onde o estudante mora. Para Raul, a ciência é a sua grande aliada nesse sonho de ver o mundo transformado e o Nordeste fortalecido: Acredito que a ciência é um legado que nunca deve parar de crescer. Acredito que é possível transformar o nosso mundo em um mundo equilibrado e sustentável (...) Hoje, meu avô sabe bastante do meu projeto e realmente se orgulha por eu sempre ter escutado as histórias dele e conseguir repassar essas histórias, fortalecendo a nossa cultura nordestina que muitas vezes é invisibilizada. Nós podemos ir para qualquer lugar do mundo, mas nunca podemos esquecer de onde viemos". Projeto monitora consumo de água Isac Diógenes criou um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. Arquivo pessoal Em outra cidade do Sertão Cearense, mas com a mesma preocupação sobre os recursos hídricos, o estudante Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, celebra o 2° lugar no Prêmio Jovem Cientista na Categoria Estudante do Ensino Superior. Ele criou um sistema com Internet das Coisas para monitorar o consumo de água na cidade de Jaguaribe, cidade que fica a cerca de 290 quilômetros de Fortaleza. Isac pensou no projeto após um crime ambiental que atingiu sua cidade em 2024, quando uma ação ilegal realizada no Rio Jaguaribe desviou o curso de água e deixou a cidade completamente desabastecida. "O meu projeto nada mais é do que um sensor hidráulico inteligente e digital. Nós temos as válvulas nas nossas casas que fazem a leitura do consumo de água, mas é preciso um técnico fazer a medição. Meu projeto se resume a transformar essa solução em um dispositivo inteligente, conectado ao Wi-Fi de casa", explica. Veja protótipo do projeto sobre consumo de água. Projeto tem baixo custo de aproximadamente R$ 100. Arquivo pessoal O jovem está quase terminando a graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O sistema que desenvolveu, chamado de “Water Flow”, foi testado até o momento em laboratório e apresenta custo aproximado de R$ 100. A ideia é ampliar a invenção, que poderá ser utilizada por todos os públicos. "A tese do meu projeto é praticamente eu digitalizar o que é totalmente mecânico. Eu já trabalhava com pesquisa em desenvolvimento de software e já tinha visto tecnologias em IoT. Então pensei em criar um sensor inteligente para resolver esse problema. Por exemplo: já que houve o desvio do rio, dava para um sensor inteligente identificar quando o nível do rio diminuísse abruptamente e, com isso, gerar alertas”, diz. 🚰 Veja abaixo como funciona o app “Water Flow”: Como funciona sistema de monitoramento de consumo de água Dentro de uma pequena caixa branca há um microcontrolador, um componente de hardware que funciona como um “mini computador”. Esse microcontrolador possui um módulo Wi-Fi integrado, que permite a conexão direta com a rede Wi-Fi da residência. O sistema recebe informações de um sensor acoplado ao equipamento, responsável por medir os dados, como o consumo de água. Após coletar os dados, o microcontrolador os transmite via Wi-Fi para um servidor online. O servidor recebe essas informações em tempo real, faz o processamento dos dados e os organiza por meio de um software web. Os dados processados são enviados para um aplicativo de celular, onde o usuário pode acompanhar as informações de forma prática. O equipamento é acoplado à instalação hidráulica da residência, geralmente próxima ao hidrômetro. A recomendação é que ele fique dentro de casa, por se tratar de um dispositivo sensível, evitando riscos de danos ou depredação. O sistema pode funcionar como uma “segunda via” ou segunda opinião sobre o consumo de água. “A intenção do meu projeto foi mais essa parte de gestão inteligente dos recursos, não propriamente as relações climáticas. Mas obviamente tem grande sinergia entre os dois pontos, pois para você conseguir mitigar muito os problemas das mudanças climáticas, você precisa ter um meio de gestão inteligente dos recursos naturais”, pontua o desenvolvedor. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Cinco anos depois da 1ª dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil: como a pandemia impulsionou a revolução do mRNA na ciência

Publicado em: 17/01/2026 05:01

Vacina para prevenir câncer de pulmão inicia estudos em humanos Em 17 de janeiro de 2021, uma enfermeira foi vacinada em São Paulo e entrou para a história como a primeira pessoa a receber uma dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil --à época, um imunizante de tecnologia tradicional. Cinco anos depois, aquele gesto simbólico marcaria também o início de uma mudança profunda na forma como a ciência pensa, desenvolve e testa vacinas —impulsionada sobretudo pela consolidação das tecnologias de RNA mensageiro. Até então, as vacinas usadas em larga escala seguiam princípios clássicos: vírus inativados, microrganismos vivos atenuados ou fragmentos proteicos produzidos em laboratório. As vacinas de mRNA romperam essa lógica. Em vez de apresentar o “inimigo” pronto ao sistema imunológico, passaram a entregar apenas a instrução genética para que o próprio organismo produzisse, por um curto período, uma proteína semelhante à do vírus —suficiente para treinar as defesas do corpo. “É uma mudança de paradigma”, resume o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. “As vacinas tradicionais levam ao organismo o vírus inteiro, morto ou enfraquecido, ou partes dele. O RNA mensageiro leva apenas a mensagem. O corpo produz a proteína, reconhece aquilo como estranho e monta a resposta imunológica.” A enfermeira Monica Calazans, que foi a primeira pessoa vacinada no país, recebe recebe a vacina de reforço nesta quarta-feira (6). ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Uma mensagem temporária (e segura) Uma das dúvidas que cercaram as vacinas de mRNA desde o início foi o temor de que esse material genético pudesse alterar o DNA humano. A ciência mostrou que isso não acontece. “O RNA não entra no núcleo da célula, onde fica o DNA”, explica Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Ele atua no citoplasma, como um recado temporário. A célula lê a instrução, executa a tarefa e o RNA é rapidamente destruído.” Essa característica, longe de ser um problema, é vista como uma vantagem de segurança. “O organismo trata o RNA como um bilhete de uso único”, compara o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation. “Se ele fosse estável demais, a célula ficaria presa a ordens antigas. O que fica não é o RNA, mas a memória imunológica.” A vacina vira plataforma A pandemia funcionou como um teste em escala inédita. Milhões de pessoas vacinadas, monitoramento contínuo e dados robustos permitiram responder, em tempo real, a questões de eficácia e segurança. Um estudo francês publicado em 2025 no JAMA Network Open, que acompanhou cerca de 28 milhões de pessoas por quatro anos, mostrou que indivíduos vacinados com imunizantes de RNA tiveram menor risco de morte por Covid-19 grave e nenhum aumento da mortalidade geral no longo prazo. Os dados reforçaram a segurança da tecnologia em nível populacional. Mais do que confirmar a eficácia contra a Covid-19, a experiência transformou o RNA mensageiro em algo maior: uma plataforma reutilizável. “Antes, cada vacina era quase um projeto artesanal”, diz Stefani. “Com o RNA, o processo é o mesmo; o que muda é o ‘texto da receita’. Isso encurtou drasticamente o caminho científico. O gargalo deixou de ser a biologia e passou a ser regulação, escala e distribuição.” Essa flexibilidade permitiu, por exemplo, que vacinas fossem ajustadas rapidamente diante do surgimento de variantes do coronavírus —um aprendizado que agora orienta o desenvolvimento de imunizantes para outros vírus. Gestantes e puérperas podem receber vacina bivalente Pfizer sem agendamento em Piracicaba (SP). Felipe Poleti Novas vacinas no horizonte Cinco anos depois, a plataforma de RNA já não se restringe à Covid-19. Há vacinas aprovadas ou em fases avançadas de estudo contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por quadros graves de bronquiolite em idosos, além de candidatas contra gripe, influenza sazonal e outros agentes infecciosos. “A grande vantagem é a velocidade”, explica Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações. “Em duas a quatro semanas, é possível adaptar a composição da vacina. Isso muda completamente a resposta a surtos e epidemias futuras.” Há também pesquisas em andamento para doenças que há décadas desafiam a ciência, como tuberculose, malária, dengue e chikungunya. “Não significa que todas essas vacinas chegarão ao mercado rapidamente”, pondera Kfouri. “Mas a plataforma abriu portas que antes simplesmente não existiam.” Vacina contra câncer de pele é desenvolvida na Inglaterra. TV Globo/Reprodução Vacina que trata Talvez a fronteira mais inovadora do RNA mensageiro esteja fora das doenças infecciosas. No câncer, ele vem sendo estudado como vacina terapêutica, não preventiva. “Nesse caso, não se trata de evitar que o câncer surja, mas de ensinar o sistema imunológico a reconhecer células tumorais que já estão no corpo”, explica Stefani. “É menos um escudo e mais um míssil guiado.” Essas vacinas são, em muitos casos, personalizadas. A partir do sequenciamento genético do tumor de um paciente, pesquisadores identificam mutações específicas —os chamados neoantígenos— e produzem uma vacina sob medida, com instruções para que o organismo ataque aquele alvo. Os estudos mais avançados estão em câncer de melanoma, pulmão e mama. Os resultados iniciais indicam redução do risco de recidiva e maior tempo livre da doença, embora os impactos em sobrevida global ainda estejam sendo avaliados em estudos de fase 3. Um legado que vai além da pandemia A consolidação das vacinas de RNA também deixou lições fora do laboratório. A integração entre universidades, indústria, agências regulatórias e sistemas de saúde nunca foi tão intensa. Ao mesmo tempo, a tecnologia passou a enfrentar desafios que não são científicos, mas sociais. “As vacinas de RNA talvez tenham sido as mais afetadas pela desinformação”, alerta Juarez Cunha. “Isso impacta a confiança da população e, indiretamente, o financiamento de pesquisas.” Ainda assim, cinco anos após a primeira dose aplicada no Brasil, o saldo científico é real: “A pandemia não inventou o RNA mensageiro”, diz Naime. “Mas mostrou que ele estava pronto. E, a partir dali, a ciência das vacinas nunca mais voltou ao ponto de partida.”

Palavras-chave: tecnologia

Corpos enfileirados, tiros para matar e perseguição: como o Irã usou a violência para reprimir protestos

Publicado em: 17/01/2026 05:00

Irã: confira a linha do tempo dos protestos Após mais de 20 dias, os protestos no Irã dão sinais de perda de força depois do uso de violência pelo governo para conter os manifestantes. Até sexta-feira (16), ONGs de direitos humanos afirmavam que o número de mortos passa de 3 mil, além de milhares de civis detidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os atos começaram em 28 de dezembro, quando milhares de pessoas marcharam nas principais cidades iranianas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. As manifestações tiveram início em meio à insatisfação popular com a situação econômica do país. O governo chegou a prometer a abertura de um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir as demandas da população. No entanto, enquanto afirmava que os protestos eram legítimos, o regime apostou na violência para reprimir os manifestantes. Com o acesso à internet bloqueado, a comunicação com iranianos se tornou extremamente limitada. As poucas imagens que chegaram ao exterior mostravam ruas cheias, prédios em chamas e relatos de perseguição. Vídeos que circularam nas redes sociais no início de janeiro mostravam corpos com marcas de balas, que aparentavam ser de manifestantes na região de Teerã. Dias depois, a agência alemã Deutsche Welle obteve imagens que mostravam dezenas de corpos enfileirados em frente a um necrotério da capital. Testemunhas ouvidas pela BBC afirmaram que integrantes da Guarda Revolucionária atacaram repentinamente manifestantes em parques e vielas de Fardis, a cerca de 40 quilômetros de Teerã, entre os dias 8 e 9 de janeiro. “Entraram nas vielas em veículos particulares e atiraram de dentro dos carros contra as pessoas. Eram dois ou três mortos em cada beco”, disse uma testemunha. Outras pessoas que presenciaram protestos em Teerã e Karaj disseram à BBC que forças de segurança disparavam contra civis a partir de pontes e terraços de prédios. “Se você corresse, não era perseguido, mas, se parasse e gritasse palavras de ordem, abriam fogo”, afirmou uma delas. Na sexta-feira (16), uma moradora de Teerã contou à Reuters que a filha foi morta há uma semana, depois de participar de uma manifestação perto da casa da família. “Ela tinha 15 anos. Não era terrorista, nem manifestante violenta. As forças Basij a seguiram quando ela tentava voltar para casa”, disse, em referência a um braço das forças de segurança frequentemente usado para reprimir os manifestantes. Em entrevista ao podcast O Assunto, o cientista político Demétrio Magnoli disse que onda de protestos é diferente de ciclos anteriores de mobilização no Irã. Segundo ele, as manifestações expõem um regime muito isolado, disposto a recorrer a uma violência sem precedentes para se manter no poder. “Quando essa história for contada até o fim, nós vamos estar diante de um dos maiores e mais cruéis massacres da história contemporânea. Isso revela que o regime sentiu claramente que lutava pela sua sobrevivência.” Atos e repressão Protesto no Irã UGC via AP Os protestos no Irã começaram após comerciantes iniciarem uma greve e fecharem lojas em reação à situação econômica. As manifestações ganharam força na capital, Teerã, e se espalharam para outras cidades no dia seguinte, com apoio principalmente de jovens e estudantes. A população enfrenta inflação elevada, acima de 40% ao ano. Somente em 2025, a moeda local perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo. Além das questões econômicas, os manifestantes também passaram a exigir a queda do governo do aiatolá Ali Khamenei. “Todos querem ganhar dinheiro. Mas isso não é mais possível com esses preços. Dá vergonha dizer aos clientes quais são os novos valores”, escreveu um vendedor em uma rede social logo após o início das manifestações. Iranianos entrevistados pela Associated Press disseram que vários bancos e repartições públicas foram incendiados à medida que os protestos ganhavam força. Para conter a população, forças de segurança usaram armas de fogo, bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes. Mehmet Önder estava em Teerã a trabalho quando os protestos começaram. Cidadão turco, disse que permaneceu escondido no hotel até o local ser fechado por razões de segurança. Depois, ficou na casa de um cliente até conseguir retornar à Turquia. “Eu entendo de armas, porque servi no Exército no sudeste da Turquia. As armas que estavam sendo disparadas não eram simples. Eram metralhadoras”, disse à AP. LEIA TAMBÉM Repressão brutal, 1ª execução e ameaças de Trump: entenda a escalada dos protestos no Irã Autoridade aérea dos EUA alerta sobre 'atividade militar' no espaço aéreo do México e da América Central Policiais de Lisboa são acusados de torturar imigrantes e pessoas em situação de rua: 'Bem-vindo a Portugal' Narrativa do governo Carros são incendiados durante protesto em Teerã, capital do Irã, no dia 8 de janeiro de 2026 West Asia News Agency/Reuters Manifestantes ouvidos pelo jornal The New York Times relataram que as manifestações ganharam força principalmente pelo sentimento de cansaço da população. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo. Saeed, empresário do setor de tecnologia em Teerã, disse ao jornal que as pessoas têm a sensação de que o país está em queda livre. Segundo ele, a situação piorou após a guerra entre Irã e Israel, em junho de 2024. “Estou cansado e exausto dos tolos e idiotas que nos governam. Cansado de roubo, corrupção e injustiça”, afirmou. “Eu vi um jovem levar tiros na cabeça.” Outro manifestante ouvido pelo NYT disse que ou as pessoas morreriam ou sairiam das “condições terríveis” em que estão vivendo. Enquanto isso, o governo começou a adotar um tom agressivo nos meios de comunicação, fortemente controlados pelo regime. Civis que participavam dos protestos passaram a ser rotulados de “terroristas”. Em comunicado transmitido pela TV estatal, a Guarda Revolucionária do Irã acusou “terroristas” de atacar bases militares. O procurador de Teerã afirmou que “terroristas” envolvidos nos protestos poderiam ser condenados à morte. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu “não demonstrar qualquer leniência com sabotadores”. Ao mesmo tempo, o Irã passou a acusar Israel e os Estados Unidos de jogarem a população — sobretudo os mais jovens — contra o regime. O objetivo, segundo o governo, seria provocar uma intervenção militar estrangeira. Em discurso no rádio, Ahmad Khatami, membro do alto escalão do regime descreveu os manifestantes como “mordomos” do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e “soldados” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele disse ainda que os dois líderes deveriam aguardar uma “vingança dura”. Dias antes, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, também adotou um tom de ameaça: “Diante daqueles que promovem destruição, a República Islâmica não recuará”. VÍDEOS: mais assistidos do g1

Palavras-chave: tecnologia

Por que sistema de defesa antiaérea que Venezuela comprou da Rússia e China não adiantou contra os EUA

Publicado em: 17/01/2026 05:00

Diretor da CIA vai até a Venezuela e se reúne com a nova presidente do país "Nossa pátria é inexpugnável [inconquistável], ninguém poderá tocar nem um centímetro da pátria, que é sagrada". Com essas palavras pronunciadas em 2013, o então presidente Nicolás Maduro assegurava que seu governo havia instalado na Venezuela "o sistema antiaéreo mais poderoso do mundo" para que "jamais algum avião estrangeiro pudesse entrar e pisar no sagrado céu da pátria". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp No entanto, no último dia 3 de janeiro, quase 13 anos após o anúncio de Maduro, não um, mas mais de 150 aviões e helicópteros dos Estados Unidos atravessaram o espaço aéreo venezuelano e chegaram até Caracas em uma inédita operação militar que terminou com a captura do governante e de sua esposa, Cilia Flores. Os vídeos e as gravações dos acontecimentos que circularam nas redes sociais mostram pouca resistência por parte das custosas defesas antiaéreas venezuelanas, o que reforçou a tese de que houve algum tipo de colaboração interna, versão rejeitada pelas autoridades. "Aqui ninguém se entregou, aqui houve combate e houve combate por esta pátria e houve combate pelos libertadores", declarou a agora presidente Delcy Rodríguez durante um ato em homenagem às vítimas militares realizado cinco dias após os acontecimentos. O que aconteceu então? O que falhou? A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, consultou especialistas militares para tentar responder a essas e outras perguntas. O melhor dos melhores, em tese Investimento milionário que Maduro e Chávez fizeram se mostrou insuficiente AFP "A ineficácia da defesa aérea venezuelana é um mistério, já que, ao menos em teoria, ela era formidável", diz Mark Cancian, coronel reformado da infantaria de marinha dos Estados Unidos e pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, em Washington (CSIS, na sigla em inglês). Mas, antes de se aprofundar nas possíveis razões da ineficiência do sistema de defesa aérea do país sul-americano, vale explicar o que ele inclui. Desde 2009, Caracas passou a adquirir sistemas como o S-300 e o Buk-M2, de fabricação russa, no âmbito dos numerosos acordos firmados — ainda nos tempos do falecido Hugo Chávez — com o Kremlin. O S-300 é composto por lançadores móveis de foguetes, cujos projéteis, com 1.480 quilos e 7 metros de comprimento, podem atingir aviões, helicópteros ou mísseis de cruzeiro a uma distância de até 150 quilômetros, segundo dados do CSIS. Ele é considerado o rival do sistema americano Patriot. Já o Buk-M2 é um sistema semelhante, de médio alcance, capaz de destruir alvos aéreos que estejam a até 40 quilômetros de distância. Por fim, há os mísseis Pechora e Igla-S, ambos de curto alcance. Os Igla-S são portáteis, podem ser disparados por um único soldado e, por serem guiados por infravermelho, são capazes de derrubar aviões, helicópteros e drones em baixa altitude. "Qualquer força militar do mundo conhece o poder do Igla-S, e a Venezuela tem, nada mais, nada menos, que 5 mil", disse Maduro há algumas semanas. A tudo isso somam-se os radares de fabricação chinesa e os drones iranianos. "Para alguns adversários esse sistema é letal, mas para um oponente altamente sofisticado como os Estados Unidos não passa de sucata", afirmou à BBC Mundo Thomas Withington, especialista em guerra eletrônica e radares do Royal United Services Institute, em Londres (Rusi, na sigla em inglês). Essa avaliação foi compartilhada por Cancian. "Os sistemas russos parecem funcionar razoavelmente bem na Ucrânia, mas falharam contra adversários de primeiro nível, como Israel e agora os Estados Unidos", disse. O sistema de defesa aérea do Irã, assim como o da Venezuela, baseia-se em equipamentos russos e não conseguiu conter os bombardeios realizados primeiro pela aviação israelense e depois pela americana contra suas instalações nucleares, em meados de 2025. As hipóteses Forte Tiuna, a principal base militar de Caracas, foi atacada pelos Estados Unidos sem que as defesas aéreas venezuelanas reagissem AFP Até agora, as autoridades militares venezuelanas não explicaram por que suas defesas aéreas não reagiram. No entanto, os especialistas consultados consideram que houve uma combinação de fatores. "Nos últimos seis meses, os Estados Unidos começaram a formar uma frota no Caribe, e essa frota lhes deu a oportunidade de mapear as defesas aéreas da Venezuela e estudar seus pontos fortes e fracos", afirmou Withington, do Rusi. E, observando como os acontecimentos se desenrolaram, as forças americanas teriam identificado os pontos vulneráveis. "É provável que tenham ocorrido ataques cibernéticos aos computadores do sistema, ao mesmo tempo em que foram lançadas interferências que inutilizaram os radares e as comunicações", afirmou o especialista britânico. Essa avaliação foi confirmada por um major reformado do Exército venezuelano. "A tecnologia de guerra eletrônica dos Estados Unidos é muito avançada. Eles dispõem de equipamentos que anulam os radares e fazem com que seus aviões se tornem invisíveis", explicou o militar à BBC Mundo. "Ao neutralizar os radares, o restante foi muito fácil, porque eles tinham o fator surpresa", acrescentou o ex-comandante de uma unidade de tanques. Apenas alguns soldados venezuelanos foram capazes de tentar usar os Igla-S, mísseis capazes de derrubar aviões e helicópteres a uma curta distância AFP Já Cancian, do CSIS, afirmou que, além da superioridade tecnológica dos Estados Unidos, as forças venezuelanas cometeram erros graves durante a preparação para um eventual confronto com Washington. "Muitos sistemas estavam posicionados a céu aberto, sem camuflagem, o que facilitou sua destruição", afirmou. "Em retrospectiva, parece óbvio que essas unidades deveriam ter estado bem camufladas e deveriam ter utilizado iscas", acrescentou o coronel reformado da Infantaria de Marinha. Imagens divulgadas após os ataques mostraram uma bateria do Buk-M2 destruída ao lado da pista de pouso da base aérea de La Carlota, visível a partir da rodovia adjacente. "O treinamento e a preparação dos militares venezuelanos provavelmente foram poucos, como demonstra o mau posicionamento dos sistemas", acrescentou. Apesar de, nos últimos meses, as autoridades venezuelanas terem anunciado numerosos exercícios militares, o que ocorreu em 3 de janeiro mostra que eles não foram suficientes. "Não houve tempo para contra-atacar. Eles foram muito rápidos", declarou, ao jornal caraquenho Tal Cual, um militar que sobreviveu aos bombardeios. Algo semelhante disse à emissora Telesur o terceiro sargento Ricardo Salazar, que ficou ferido durante o bombardeio a La Carlota, a base aérea localizada no leste de Caracas. "Peguei meus dois Igla e coloquei o mecanismo de lançamento, mas quando os coloquei no ombro, caiu uma bomba ao meu lado e saí voando (…) e fiquei inconsciente", relatou. Mais que um Exército, uma polícia Algumas das baterias antiaéreas venezuelanas estavam posicionadas a céu aberto, o que facilitou às forças dos Estados Unidos localizá-las e destruí-las AFP Cancian também atribui os desdobramentos dos acontecimentos de 3 de janeiro às mudanças doutrinárias sofridas pelas Forças Armadas venezuelanas sob o chavismo. "Durante anos, o Exército concentrou-se mais na segurança interna do que nas ameaças externas", afirmou. Essa tese foi respaldada pelo general venezuelano Hebert García Plaza. "[Nos Estados Unidos] perceberam que a Força Armada Nacional Bolivariana estava preparada apenas para um esquema de guerra de resistência, e não para uma guerra convencional", declarou ao portal Infobae o ex-ministro dos Transportes e da Alimentação do governo Maduro. O oficial responsabilizou pelo ocorrido o atual ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e o general Domingo Hernández Lárez . "Padrino e Hernández Lárez foram os responsáveis por levar adiante essa doutrina da suposta guerra de resistência, que na realidade era uma guerra para conter a oposição política na Venezuela e garantir a governabilidade da revolução bolivariana", acrescentou. Por sua vez, veículos de imprensa internacionais como The New York Times também afirmaram que parte dos equipamentos de defesa aérea não estava ativa no momento da operação ordenada por Trump. O motivo? As dificuldades econômicas enfrentadas pelo país nos últimos anos e também a má gestão administrativa. "A corrupção nunca ajuda, sobretudo quando se trata de defesa e segurança nacional", observou Withington. Há algumas semanas, Andrei Serbin Pont, analista internacional especializado em política externa e defesa e presidente da Coordenadora Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais (CRIES), já havia colocado em dúvida a eficácia do sistema venezuelano. "Há uma grande discrepância entre o que a Venezuela tem na teoria e o material que de fato está operacional", disse Pont à BBC News Mundo. Golpeado, mas não derrotado Os aviões F-22 conseguiram entrar no espaço aéreo venezuelano depois que os radares do país foram neutralizados por recursos de guerra eletrônica Força Aérea Americana via Getty Images e BBC Embora os ataques e bombardeios dos Estados Unidos tenham atingido seriamente as defesas aéreas venezuelanas, o sistema não foi liquidado. "Os Estados Unidos quiseram destruir todo o sistema. Criaram um corredor para que os helicópteros pudessem entrar e retirar Maduro", afirmou Withington. A Venezuela ainda dispõe de vários lançadores de foguetes. Além disso, seu arsenal de drones parece permanecer intacto, assim como sua frota de caças Sukhoi Su-30MK2. Ainda assim, o especialista afirmou que o ocorrido obriga a liderança militar venezuelana a passar por uma revisão. "Não sabemos o que está acontecendo internamente, se cabeças rolaram, mas, para voltar a ter capacidade de combate, será necessária uma revisão", disse. Até o momento, apenas a destituição do general Javier Marcano Tábata veio a público. Ele era chefe da Casa Militar e do Regimento da Guarda de Honra Presidencial. Também circulam rumores sobre a demissão do major-general José Luis Tremont Jiménez, chefe do Comando de Defesa Aeroespacial Integrada (Codai). Não se sabe se haverá mudanças na estrutura militar após uma operação que expôs vulnerabilidades que, até pouco tempo atrás, pareciam impensáveis. VÍDEOS: mais assistidos do g1

Palavras-chave: cibernéticotecnologia

Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, recebe o primeiro 'sistema antiapagão' do país

Publicado em: 17/01/2026 04:00

Serra da Saudade inaugura sistema antiapagão com energia solar e baterias Dono de uma mercearia em Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Aloísio Aparecido Alves recebeu a notícia de que os prejuízos causados pela perda de mercadorias devido a falhas no fornecimento de energia podem estar chegando ao fim. “Já perdi muito picolé, sorvete e muitos pães. E não foi uma vez, não. Foram muitas vezes. Teve um dia que ficou quase 24 horas sem energia aqui. Se a energia firmar, melhora né?!” ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A esperança do comerciante é a instalação da microrrede da Cemig, em funcionamento no município desde quinta-feira (15). A cidade é a primeira do Brasil a receber o sistema antiapagão, que promete reduzir quase a zero as ocorrências de falta de energia para os 856 serrano-saudalenses, como são chamados os moradores da cidade. À base de energia captada por placas solares e armazenada em baterias, a microrrede de Serra da Saudade será utilizada como alternativa quando a energia convencional apresentar algum problema na distribuição. “A Cemig estudou esse projeto junto com a Universidade Federal de Minas Gerais. Não é um projeto-piloto, é um projeto definitivo que vai servir a população de Serra da Saudade com energia limpa e sustentável”, explicou o gerente de engenharia da companhia. A experiência em Serra da Saudade operou por 15 dias de forma experimental e, a partir de agora, servirá de referência para a expansão da tecnologia em Minas Gerais. A Cemig já mapeou pelo menos dez localidades que poderão receber sistemas capazes de operar de forma independente da rede principal. A prioridade são regiões que enfrentam maior vulnerabilidade no fornecimento e onde a construção de infraestrutura convencional se mostra inviável ou onerosa. Aloízio relata perdas de mercadoria devido a problemas no fornecimento de energias TV Integração/reprodução Como funciona a microrrede instalada em Serra da Saudade De acordo com a Cemig, foram instaladas 800 placas fotovoltaicas que transformam a luz do sol em eletricidade. O diferencial do sistema é que essa energia alimenta um banco de baterias que, segundo Henrique Parreiras Couto, engenheiro de gestão de ativos da Cemig, são utilizadas quando há falhas no fornecimento convencional, podendo manter o abastecimento de energia da cidade por até 48 horas. “No dia a dia, a rede que atende a Serra da Saudade continua sendo a rede convencional, com os cabos de distribuição, as redes e postes. Se houver qualquer problema na rede da Cemig, a gente consegue desconectar a Serra da Saudade da rede tradicional e utilizar as baterias para manter a cidade atendida enquanto a gente faz os reparos ou a manutenção necessária”, detalhou. As baterias são recarregadas pelas placas solares em cerca de 24 horas. O uso desse sistema é fundamental também para garantir um fornecimento mais consistente à população. “Apenas a usina solar não seria capaz de atender a cidade porque a geração solar é muito intermitente. A gente precisa das baterias para firmar essa rede e mantê-la estável”, completou Henrique. De acordo com a Cemig, o investimento para a instalação do sistema foi de R$ 7 milhões. Países como Estados Unidos e China já utilizam tecnologias semelhantes. No Brasil, existem outras soluções que usam baterias, mas que ainda operam integradas à rede convencional. 800 placas solares abastecem baterias para serem usadas em caso de necessidade Dirceu Aurélio/Imprensa MG LEIA TAMBÉM: Cidade menos populosa do país foi vítima de fake news envolvendo guerra na Ucrânia; entenda Na cidade menos populosa do país, jovens migram em busca de emprego Medidores inteligentes e redução de custos públicos Os moradores de Serra da Saudade também receberam novos aparelhos de medição de energia, conhecidos como “medidores inteligentes”. Eles permitem que o morador acompanhe, em tempo real, o consumo e a qualidade da energia fornecida por meio de um aplicativo no celular. Segundo Darlan Júnior Gonçalves, coordenador de engenharia de medição da Cemig, a tecnologia pretende agilizar a resolução de problemas enfrentados pela população. “Ele tem um alarme de falta de energia. Cada medidor que perceber que a rede está desenergizada envia, automaticamente, um aviso de que ali está faltando energia.” A Cemig também anunciou a instalação de placas solares na prefeitura, em um centro municipal de educação infantil e no único posto de saúde da cidade. A iniciativa gerou uma economia de 70% na conta de energia dessas três unidades. Para além do impacto financeiro da energia limpa, Guilherme Neves de Azevedo, médico do posto de saúde, afirma que o fornecimento ininterrupto de energia, garantido pela microrrede, trouxe reflexos ainda mais significativos. “Já teve vezes da gente perder várias vacinas e não atingir algumas metas de cobertura vacinal. Hoje mudou, a gente tem experienciado uma segurança maior. E acho que nunca mais depois que aconteceu a instalação”, contou. A microrrede usa baterias carregadas como alternativa para fornecimento de energia Dirceu Aurélio/Imprensa MG VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

Palavras-chave: tecnologia

Wikipédia completa 25 anos e fecha acordo com big techs para frear ameaça de IAs

Publicado em: 17/01/2026 03:00

Logo da Wikipédia na sede da Wikimedia Foundation, em San Francisco AP Photo/Jeff Chiu A Wikipédia anunciou nesta quinta-feira (15), dia em que completou 25 anos, a assinatura de acordos com empresas de inteligência artificial, incluindo grandes empresas de tecnologia, em meio à crescente concorrência de chatbots e plataformas de IA. A enciclopédia digital fechou parcerias com Amazon, Meta, Perplexity, Microsoft e a empresa francesa Mistral AI. Segundo a organização, os acordos devem gerar recursos a partir do tráfego vindo de plataformas de inteligência artificial. Segundo a Fundação Wikimedia, organização sem fins lucrativos que administra a Wikipédia, as empresas vão pagar para acessar o conteúdo do site “em um volume e velocidade projetados especificamente para suas necessidades”. A fundação não divulgou valores nem outros detalhes dos acordos. Veja os vídeos que estão em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA MAIS 'Muskpédia': rival da Wikipédia, novo site ignora controvérsias em artigo sobre o bilionário Grok anuncia medidas que bloqueiam edição de imagens que removam roupas Concorrência com chatbots de IA Lançada em janeiro de 2001, a Wikipédia é hoje o nono site mais acessado do mundo. A plataforma reúne mais de 65 milhões de artigos em cerca de 300 idiomas, editados por aproximadamente 250 mil voluntários. Parte da popularidade do site está ligada ao fato de ele ser gratuito e aberto à participação de qualquer pessoa, em um modelo colaborativo. Considerada um dos últimos bastiões dos primórdios da internet, a Wikipédia viu seu conceito original de espaço online livre ser ofuscado pelo domínio das grandes plataformas de tecnologia e pela ascensão de chatbots de IA generativa, treinados com conteúdos extraídos da web. Os métodos agressivos de coleta de dados usados por desenvolvedores de IA — inclusive a partir do vasto repositório gratuito da Wikipédia — levantam questionamentos sobre quem, afinal, paga os custos do avanço da inteligência artificial. Queda de audiência e ‘assédio’ de robôs No ano passado, a Fundação Wikimedia passou a cobrar de desenvolvedores de IA pelo acesso ao conteúdo, por meio de sua plataforma corporativa, e informou que o tráfego de usuários humanos na Wikipédia caiu 8%. Ao mesmo tempo, robôs, às vezes disfarçados para escapar da detecção, passaram a extrair grandes volumes de conteúdo para alimentar modelos de linguagem, o que sobrecarrega os servidores. Os dados mostram mudanças recentes no comportamento online, à medida que resumos gerados por IA em buscadores e chatbots passaram a apresentar informações diretamente, sem direcionar usuários para sites por meio de links. “Nossa infraestrutura não é gratuita, certo?”, disse a diretora-executiva da Fundação Wikimedia, Maryana Iskander, em entrevista à Associated Press. Manter servidores e outras estruturas que permitem que tanto indivíduos quanto empresas de tecnologia “extraiam dados da Wikipédia” gera custos, acrescentou Iskander. Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, em foto de janeiro de 2026 AP Photo/Frank Augstein Treinamento de IA e disputas sobre direitos autorais Apesar de o treinamento de sistemas de IA com conteúdo disponível na internet ter provocado disputas judiciais sobre direitos autorais e outros temas, o fundador da Wikipédia, Jimmy Wales, disse ver a prática com bons olhos. “Fico pessoalmente muito feliz que modelos de IA estejam sendo treinados com dados da Wikipédia, porque eles são curados por humanos”, disse Wales em entrevista à Associated Press. “Eu realmente não gostaria de usar uma IA treinada apenas no X, sabe, uma IA muito raivosa”, afirmou, referindo-se à rede social do bilionário Elon Musk. Wales afirmou que a Wikipédia quer trabalhar em parceria com empresas de IA, e não bloqueá-las. Mas acrescentou que elas “provavelmente deveriam contribuir e pagar a parte justa dos custos que estão nos impondo”. Financiamento e ganhos com a IA A maior parte do financiamento da Wikipédia vem de cerca de 8 milhões de doadores, a maioria pessoas físicas. “Eles não estão doando para subsidiar essas enormes empresas de IA”, disse Wales. “Eles estão dizendo: ‘vocês não podem simplesmente atropelar o nosso site. É preciso fazer isso da forma correta’.” Segundo o fundador, a inteligência artificial também poderia melhorar a experiência de busca na Wikipédia, ao evoluir do método tradicional baseado em palavras-chave para algo mais próximo de um chatbot. “Dá para imaginar um mundo em que você faça uma pergunta na caixa de busca da Wikipédia e ela responda citando a própria Wikipédia”, disse Wales. “Ela poderia dizer: ‘aqui está a resposta para a sua pergunta neste artigo, e aqui está o parágrafo exato’. Isso me parece muito útil, então acho que vamos caminhar nessa direção.” Ferramenta gratuita da rede social X tem sido usada para criar imagens íntimas falsas Rivalidade com Musk e a Grokipedia Nos últimos tempos, a Wikipédia tem sido alvo de críticas de figuras da direita política, que apelidaram o site de “Wokepedia” e o acusam de favorecer visões de esquerda. Um desses críticos é Elon Musk, que lançou no ano passado seu próprio rival movido a IA, a Grokipedia. Ele acusou a Wikipédia de estar repleta de “propaganda” e incentivou as pessoas a pararem de doar para o site. Wales disse que não considera a Grokipedia uma “ameaça real” à Wikipédia. “Modelos de linguagem não são bons o suficiente para escrever material de referência de alta qualidade. Então, muito do conteúdo é apenas Wikipédia regurgitada”, afirmou. “Frequentemente é prolixo e meio sem sentido. E quanto mais obscuro o tema, pior fica.” Ele destacou que não as críticas não eram apenas à Grokipedia. “É simplesmente a forma como os grandes modelos de linguagem funcionam.” Wales disse que conhece Musk há anos, mas afirmou que eles não conversam desde o lançamento da Grokipedia. “Eu provavelmente deveria mandar uma mensagem para ele”, contou. Questionado sobre o que diria, respondeu: “‘Como vai a sua família?’ Eu sou uma pessoa legal, não quero brigar com ninguém.”

Europa contrata menos e acende alerta sobre o futuro do trabalho

Publicado em: 17/01/2026 02:00

Ameaça da inteligência artificial de substituir o trabalho humano gera insegurança Noah Berger/AP Images/picture alliance Por um breve período durante e após a pandemia de covid-19, os trabalhadores europeus desfrutaram de uma rara vantagem sobre seus empregadores. Programas generosos que ofereciam licenças remuneradas e reduções da jornada de trabalho ajudaram as empresas a compensar seus custos com pessoal. Os escritórios se tornaram opcionais graças ao trabalho remoto. Após a pandemia, as manchetes sobre a chamada onda da "Grande Demissão", na qual muitos estavam voluntariamente deixando seus empregos, refletiram uma escassez global de mão de obra que aumentou drasticamente a demanda por talentos. O esgotamento profissional também deu origem à expressão "demissão silenciosa", à medida em que funcionários rejeitavam ambientes de pressão excessiva em favor de um equilíbrio mais saudável entre vida profissional e pessoal. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma pesquisa de 2022 da empresa de consultoria McKinsey revelou que um terço dos trabalhadores europeus considerava deixar o emprego no período de três a seis meses. Angelika Reich, consultora de liderança da empresa de recrutamento executivo Spencer Stuart, afirma à DW que esse era um "número impressionante para uma região com uma rotatividade [de pessoal] tradicionalmente baixa". Mercado de trabalho europeu perde fôlego ⚠️ Mas essa tendência se reverteu rapidamente com o setor industrial europeu sob pressão, a alta salarial em desaceleração e a ameaça da inteligência artificial (IA) substituindo o trabalho humano. Reich observa como o mercado de trabalho europeu "esfriou" e como "menos vagas de emprego e um clima econômico mais difícil naturalmente tornam os funcionários mais cautelosos em relação a mudar de emprego". Apesar de permanecer resiliente, o mercado de trabalho da zona do euro, composta por 21 países, deve crescer mais lentamente este ano, a 0,6%, em comparação com 0,7% em 2025, segundo o Banco Central Europeu (BCE). Mercado de trabalho europeu perde fôlego DW Embora essa queda possa parecer pequena, cada diferença de 0,1 ponto percentual representa em torno de 163 mil novos empregos a menos criados. Há apenas três anos, a zona do euro criou cerca de 2,76 milhões de novos empregos, enquanto crescia a uma taxa robusta de 1,7%. A migração também desempenhou um papel importante na oferta de mão de obra na Europa, ajudando a aliviar uma grave escassez de trabalhadores e a apoiar o crescimento do emprego em muitos países. A migração líquida, porém, está atualmente se estabilizando ou diminuindo. Problemas alemães ditam o tom Na Alemanha, mais de uma em cada três empresas planeja cortar empregos este ano, de acordo com o think tank econômico IW, com sede em Colônia. O Banco da França espera que o desemprego no país aumente para 7,8%, enquanto no Reino Unido dois terços dos economistas entrevistados pelo jornal The Times acreditam que o desemprego pode subir para até 5,5%, ante os atuais 5,1%. O desemprego na Polônia – a crescente potência econômica da União Europeia (UE) – também está aumentando, atingindo 5,6% em novembro, em comparação com 5% um ano antes. A Romênia e a República Tcheca também estão vendo aumentos semelhantes. O enfraquecimento do mercado de trabalho deu origem a novos termos, como a "Grande Hesitação", que se refere ao fato de as empresas pensarem duas vezes antes de contratar e à cautela dos trabalhadores em relação a pedir demissão de empregos estressantes, assim como o chamado career cushioning – o preparo discreto de um plano B contra instabilidades no mercado de trabalho e no caso de demissões. Crescimento do emprego na zona do euro deverá desacelerar nos próximos dois anos Jens Kalaene/dpa/picture alliance Algumas economias têm melhor desempenho Em toda a Europa, porém, o panorama geral está longe de ser sombrio. A Espanha, que se beneficia de um boom turístico pós-pandemia, deverá ter mais um ano de crescimento do emprego, assim como Luxemburgo, Irlanda, Croácia, Portugal e Grécia, de acordo com o Centro Europeu para o Desenvolvimento da Formação Profissional, uma agência oficial da União Europeia. Mesmo em países com crescimento mais fraco, ainda existem focos de forte demanda por trabalhadores. "O que parecia uma escassez generalizada de trabalhadores durante a Grande Demissão virou algo mais específico a determinados setores", disse Julian Stahl, especialista em mercado de trabalho da empresa de recrutamento online Xing, à DW. "Ainda há sérias carências no varejo, saúde, logística, engenharia e outras funções altamente especializadas." A base industrial da Alemanha foi a mais afetada pelas perdas de empregos nos últimos meses, particularmente nos setores automotivo, de máquinas, metalúrgico e têxtil. Os altos custos de energia, a fraca demanda por exportações e a forte concorrência da China eliminaram mais de 120 mil postos de trabalho, segundo dados do governo. Essas mesmas pressões afetam também fabricantes na França, Itália e Polônia, levando o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) da indústria da zona do euro a cair para 48,8 em dezembro, o mais baixo em nove meses. Leituras acima de 50,0 indicam crescimento na atividade, enquanto as abaixo desse patamar apontam para contração. "A maioria das empresas tenta manter o nível ou encolher ligeiramente em vez de crescer", disse Stahl, acrescentando que as contratações não pararam completamente. Manchetes negativas sobre cortes de empregos na indústria parecem estar causando danos à reputação dos setores mais valorizados da Europa, afirmou Bettina Schaller Bossert, presidente da World Employment Confederation, uma organização global sem fins lucrativos sediada em Bruxelas que representa o setor privado de serviços de emprego. "Muitos jovens recém-formados acreditam que não há futuro no setor automotivo. Eles não estão interessados em seguir carreira [nas montadoras europeias], mesmo que existam novas e fantásticas oportunidades", disse Bossert à DW. Setor automotivo europeu atrai cada vez menos jovens recém-formados JENS SCHLUETER/AFP/Getty Images Impacto da IA deve remodelar o trabalho A Europa vem implementando IA muito mais lentamente do que os Estados Unidos e a China, devido a investimentos menores, regulamentações mais rigorosas e adoção tardia. Mas isso não diminuiu os temores dos funcionários de que a automação poderá substituir rapidamente os humanos, especialmente após previsões negativas de milhões de demissões no futuro Um estudo da gigante de consultoria EY, publicado em julho, constatou que um quarto dos trabalhadores europeus teme que a IA possa colocar seus empregos em risco, enquanto 74% acreditam que as empresas precisarão de um quadro de funcionários menor como resultado da tecnologia. Em novembro, o Instituto de Pesquisa de Emprego (IAB), com sede em Nuremberg, projetou que 1,6 milhão de empregos somente na Alemanha poderiam ser remodelados ou perdidos para a IA até 2040. A Agência Federal do Trabalho prevê que os cargos altamente qualificados serão desproporcionalmente afetados, embora o setor de tecnologia possa criar cerca de 110 mil novos empregos. Enzo Webe, chefe do departamento de previsões do IAB, afirmou no relatório que a IA levaria a uma "transformação" do mercado de trabalho, mas não a uma oferta menor. Outras previsões variam desde o surgimento de um chamado precariado da IA – populações inteiras que não estão apenas desempregadas ou subempregadas, mas que perderam seu propósito, identidade e pertencimento social – até visões mais otimistas que argumentam que a inteligência artificial redistribuirá o trabalho, ao invés de eliminar profissões inteiras. "Muitas tarefas árduas podem ser transferidas para a IA para liberar mão de obra humana", disse John Springford, especialista em mercado de trabalho do Centro para a Reforma Europeia, à DW. "Mas há um bom motivo para acreditar que o trabalho profissional e intelectual não diminuirá." Anthony Klotz, professor do University College London que cunhou o termo "A Grande Demissão", argumenta em seu livro Jolted ("Abalado", em tradução livre), que será lançado em breve, que pedir demissão tem menos a ver com insatisfação a longo prazo e mais com momentos repentinos de clareza. Para muitos trabalhadores europeus, o rápido avanço da IA pode se tornar exatamente esse tipo de abalo; um catalisador que os incentive a agir preventivamente, antes que a automação transforme seus papéis. Os empregos que mais devem crescer em 2026, segundo o ranking do LinkedIn

'Revolta do Roblox' se divide em protestos a favor e contra Felca; g1 cobriu manifestações

Publicado em: 17/01/2026 02:00

Roblox ampliará verificação de idade em meio a críticas sobre proteção a crianças A plataforma de jogos Roblox alterou as regras na última quarta-feira (7), restringindo o uso do chat. A partir de agora, jogadores terão que verificar a idade e só poderão conversar com usuários de faixas etárias parecidas. A medida não agradou parte do público, que começou uma série de protestos virtuais na plataforma. Até esta quinta (15), muitos dos protestos virtuais tinham cartazes pedindo justiça pelo chat, o fim das restrições, etc. Mas agora o grande tópico é outro: o influenciador Felca. Eu entrei na plataforma nesta sexta (16) para entender como é a nova verificação de idade e como estão os protestos. Veja como foi: Como é o cadastro e a verificação de idade Na hora de se cadastrar, você tem que inserir seus dados, incluindo a data de nascimento. O jogo não te impede de jogar caso você tenha menos de 18 anos, que tende a ser grande parte do público. Mas logo ao se cadastrar, a primeira recomendação é de não usar seu nome verdadeiro como nome de usuário — pra garantir um user original, fui de "stellanskarsgard2". Com as novas mudanças, a plataforma pede uma comprovação da sua idade (no meu caso, 27 anos). Então, o Roblox faz uma verificação facial, similar à de aplicativos de banco. Caso a idade esteja errada, é possível contestar mostrando seu documento de identidade. Apesar de dizer que tenho 27 anos, a verificação facial estimou que eu tinha entre 18 e 20 anos. Verificação facial identificou que eu teria entre 18 e 20 anos Captura de tela/Roblox Fez bem para a minha autoestima, mas é um deslize: oficialmente, eu só poderia conversar com pessoas acima de 20 anos. Mas já que o Roblox achou que eu tinha 19, me permitiu conversar com pessoas de 16 anos ou mais. "Estamos continuamente aprimorando nossa tecnologia de estimativa de idade facial para torná-la o mais precisa e resistente a fraudes possível", afirmou a plataforma, sobre o erro na verificação (leia o comunicado completo ao final desta reportagem). "Para isso, garantimos que nossa parceira, Persona, tenha todos os recursos relevantes de prevenção de fraudes ativados e ajustados especificamente para a Roblox - incluindo detecção de deepfake, verificações de similaridade com figuras públicas e outras salvaguardas avançadas." Onde acontecem os protestos? Não é tão simples encontrar essas manifestações. A maior parte delas acontece em "Brookhaven", um jogo dentro da plataforma que é uma cidade virtual. Dá pra passear, andar de carro, nadar na piscina e visitar as casas de outros jogadores. Mas existem várias "Brookhaven". Ao entrar, você é colocado aleatoriamente em um servidor e pode não encontrar jogadores brasileiros protestando. Para encontrá-los, é preciso reiniciar a cidade algumas vezes e contar com a sorte. Agora é sobre o Felca Se nos primeiros dias a "revolta do Roblox" reivindicava a liberação do chat, agora o grande ponto de discussão é... o Felca. O criador de conteúdo, que viralizou em 2025 por abordar a exposição infantil de crianças na internet, passou a ser associado às novas regras do Roblox — mesmo não tendo relação alguma com as mudanças. Por isso, no Roblox não existe esquerda ou direita, conservador ou liberal; existe pró-Felca e contra Felca. Nesta sexta (16), todos os protestos encontrados pelo g1 falavam sobre o influenciador. Protestos 'pró e contra o Felca' dominam Roblox Captura de tela/Roblox O primeiro que eu vi, na verdade, era em defesa dele. "Não foi o Felca, foi 'os dono do Roblox'", dizia um cartaz. O dono do Roblox, por sua vez, não escapou da raiva dos usuários e ganhou um "eu te odeio", ainda que os usuários não saibam o nome dele. Mais tarde, encontrei um protesto à moda francesa, com carros pegando fogo na rua (virtual). Esse falava diretamente contra o Felca: tinha cartazes como "Odiamos você", "Felca seu feio" e o vago "Você vai ver". Em comunicado, a empresa se posicionou contra ameaças feitas ao influenciador (leia o comunicado completo ao final desta reportagem). "Condenamos as ameaças feitas contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito, tanto dentro quanto fora da Roblox. Conforme consta em nossas Regras da Comunidade, não permitimos conteúdo que ameace outros com danos no mundo real ou online, incluindo incitação à violência." Festas ainda estão rolando... No meio de algumas manifestações, algumas placas chamavam para "festinhas" em casas virtuais, churrascos e até um "rolê com carreta furacão". "Vamos na festa da casa 13, fingir que odiamos o Felca", brincou um usuário. Como o chat não está liberado entre os jogadores, a principal forma de se comunicar é através de placas, cartazes e até caminhões com escritos. Então, tentei conversar com os manifestantes segurando uma placa com os dizeres: "por que vocês odeiam o Felca?". "Porque ele tirou o chat do Roblox. Pelo menos é o que eu acho", me respondeu um jogador, também com uma plaquinha. 'Ele tirou o chat do Roblox', disse jogadora Captura de tela/Roblox O que diz o Felca? O próprio Felca relatou nas redes sociais que passou a receber ameaças após mudanças anunciadas pela plataforma de jogos Roblox. Segundo o influenciador, as mensagens têm chegado por meio de sua conta no Instagram e teriam sido enviadas por usuários que se identificam como crianças. Em uma das mensagens compartilhadas por Felca, o autor escreve: “Olá, Felca. Todo mundo do Roblox está ficando doido, dizendo que você deixou a gente sem chat" e "Felca, eu vou te matar”. Os comunicados do Roblox (na íntegra) Sobre o Felca: "Estamos cientes das recentes manifestações na plataforma sobre nosso processo de verificação de idade para acessar o chat na Roblox. Essas mudanças foram projetadas para ajudar a proteger nossos usuários, especialmente os mais jovens. Estamos exigindo que todos passem por uma verificação de idade para usar nossos recursos de chat, a fim de ajudar a manter a Roblox a mais segura possível para a imaginação, diversão e criatividade. Condenamos as ameaças feitas contra qualquer pessoa online e incentivamos nossa comunidade a tratar todos com respeito, tanto dentro quanto fora da Roblox. Conforme consta em nossas Regras da Comunidade, não permitimos conteúdo que ameace outros com danos no mundo real ou online, incluindo incitação à violência. Entendemos que a comunicação é uma parte fundamental da experiência na Roblox e acreditamos que essas medidas são importantes para a segurança de nossa comunidade a longo prazo. Continuamos comprometidos com um diálogo contínuo com especialistas e pais, enquanto trabalhamos para continuar a liderar a inovação em segurança online." Sobre os problemas na verificação: "Estamos continuamente aprimorando nossa tecnologia de estimativa de idade facial para torná-la o mais precisa e resistente a fraudes possível. Para isso, garantimos que nossa parceira, Persona, tenha todos os recursos relevantes de prevenção de fraudes ativados e ajustados especificamente para a Roblox - incluindo detecção de deepfake, verificações de similaridade com figuras públicas e outras salvaguardas avançadas. Além disso, conduzimos regularmente nossos próprios exercícios de ‘red-team’ (equipe de ataque) para identificar possíveis vulnerabilidades e trabalhamos em estreita colaboração com a Persona para fechar quaisquer brechas que encontramos. Para um mergulho mais profundo na engenharia e nas políticas por trás desses sistemas, você pode ouvir este episódio do Tech Talks. O Fundador e CEO da Roblox, Dave Baszucki, está acompanhado por Rajiv Bhatia (Diretor de Produto), Naren Koneru (Líder de Engenharia, Segurança) e Eliza Jacobs (Diretora de Políticas de Segurança) para discutir como funciona a Estimativa de Idade Facial, o design focado em privacidade por trás dela e como estamos resolvendo o desafio de permitir uma comunicação autêntica enquanto mantemos os usuários seguros. Para lidar com pessoas que usam disfarces, IA, bonecos ou outras tentativas de falsificação ('spoofing'), nosso fluxo de Estimativa de Idade Facial usa uma abordagem em camadas. Além de verificar a existência de um rosto, o sistema procura por sinais de 'liveness' (prova de vida), evidências de artefatos comuns em conteúdo sintético ou gerado por IA, e sinais que detectam hardware comprometido ou virtual (frequentemente usado para ataques). Também temos proteções contra abuso em escala e envios repetidos. Embora nenhuma verificação única seja perfeita, a combinação de sinais visuais e não visuais ajuda a reduzir a eficácia de disfarces ou rostos sintéticos, e continuamos a ajustar essas detecções à medida que novos métodos de evasão surgem."

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'Estou toda machucada', diz jovem que precisou se agarrar a árvore ao ser surpreendida por tornado no Paraná

Publicado em: 17/01/2026 00:10

Mulher é surpreendida por tornado enquanto voltava do trabalho, no Paraná Stefany Nascimento Cordeiro, de 19 anos, relata que ficou com ferimentos depois que foi surpreendida por ventos fortes provocados por um tornado que atingiu São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. "Estou toda machucada, toda roxa. [...] Fui atingida nas costas por um pedaço do portão de uma empresa que tinha ali. O portão subiu e, quando desceu, quebrou. Um dos pedaços bateu nas minhas costas", explica. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O tornado foi no último sábado (10). Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), a intensidade dele foi classificada como F2 na Escala Fujita, que vai até cinco. Conforme o órgão, os ventos chegaram a 180 km/h e o percurso do fenômeno foi de cerca de 1 quilômetro, começando em Piraquara, e não tocando o tempo todo no chão. Câmeras de segurança registraram o momento. É possível ver quando a jovem caminha no sentido contrário, atravessa a rua e se agarra a uma árvore para tentar se proteger. Em seguida, com a queda de galhos, ela corre e acaba caindo no chão. O vídeo é interrompido na sequência por causa da queda do sinal da câmera, provocada pelo fenômeno. Assista ao vídeo acima. A jovem voltava do trabalho quando percebeu a força da ventania, no bairro Guatupê, e precisou se agarrar a uma árvore para não ser levada pelo vento. "Eu tinha saído 17h20 do meu trabalho e indo pro ponto de ônibus. Quando eu notei as telhas voando, pensei em voltar correndo. No que eu voltei correndo, eu me abracei numa árvore [...] Eu achei que ia morrer, eu pedia pela misericórdia de Jesus [...] Eu achei que não ia sair dessa", conta. Mulher é surpreendida por tornado enquanto voltava do trabalho, no Paraná Reprodução Tornado causou estragos no município O tornado que atingiu São José dos Pinhais provocou diversos estragos no município, principalmente no bairro Guatupê. De acordo com a Defesa Civil Estadual, o tornado atingiu 350 residências e impactou 1,2 mil pessoas. Duas pessoas ficaram levemente feridas. O bairro Guatupê foi um dos mais atingidos pelo fenômeno. Na região e em outros bairros próximos, as equipes registraram quedas de árvores, danos à rede elétrica, desabamento de muros e a queda de telhado e pilares de uma empresa. Veja abaixo. Destelhamentos, queda de árvores e muros: tornado em São José dos Pinhais causa estragos De acordo com o Simepar, os ventos chegaram a 180 km/h. "Essa escala [F2] vai de 180 km/h até 220 km/h. Então, a gente classifica o tornado como F2 na escala mais baixa, de aproximadamente 180 km/h", disse o meteorologista Leonardo Furlan. A classificação feita pela Escala Fujita é usada no Brasil para medir a gravidade dos tornados com base nos danos provocados. Quanto maior for a destruição, maior é a categoria atribuída ao fenômeno. A escala vai de F0 a F5. Tornado em São Jose dos Pinhais Reprodução VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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Como funcionam tecnologias que extraem dados de celulares e que a PF tem usado no Brasil

Publicado em: 17/01/2026 00:00

Como funciona a perícia em celulares feita pela Polícia Federal A Polícia Federal tem equipamentos que acessam dados de celulares mesmo sem a senha e com os aparelhos desligados. E usa técnicas para evitar que as informações sejam apagadas remotamente. A informação foi divulgada na última sexta-feira (16) pelo blog da Julia Duailibi. Mas como funcionam essas ferramentas? Programas como o israelense Cellebrite e o americano Greykey, ambos de uso restrito, conseguem acessar dados como arquivos e mensagens em dispositivos com os sistemas operacionais iOS (iPhone) e Android até mesmo quando eles estão bloqueados. O primeiro passo para a investigação é preservar o dispositivo em um recipiente que funcione como uma Gaiola de Faraday, um conceito da física usado para tratar de espaços em que não há entrada nem saída de ondas eletromagnéticas. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Esse recipiente, que pode ser uma bolsa ou uma caixa, por exemplo, tem no interior um revestimento metálico que bloqueia sinais externos, como o de internet. O objetivo é evitar que o dono do aparelho consiga apagar dados remotamente. "O equipamento fica ligado, mas não consegue se comunicar com o Wi-Fi, com a antena da rede de celular. Não há contato com o mundo exterior, o que é o ideal", explicou ao g1 Wanderson Castilho, perito em segurança digital. Segundo Castilho, a técnica usada para extrair os dados varia de acordo com a condição do dispositivo: se estiver com a tela bloqueada, é possível usar programas como Greykey e Cellebrite, que tentam descobrir a senha de bloqueio e baixar informações ao se conectarem com o aparelho por um cabo USB; se estiver desligado ou danificado, pode-se adotar a técnica conhecida como chip off, em que componentes como o chip de memória são desmontados do aparelho e as informações contidas nele são transferidas para outro dispositivo. A licença de programas como Greykey e Cellebrite pode custar cerca de US$ 50 mil por ano (R$ 270 mil), revelou Castilho. Cellebrite UFED é o dispositivo que se conecta ao celular para extrair informações como arquivos e mensagens Divulgação/Cellebrite Perícia precisa ser rápida Apesar de arquivos e mensagens não serem apagados da memória com o passar do tempo, o ideal é que a extração por meio desses programas seja feita o quanto antes. Peritos têm essa pressa porque alguns registros que ajudam a acessar o material ficam em uma espécie de memória temporária do aparelho, disse Castilho. É o caso da senha de bloqueio da tela, que é salva. "Com algumas ferramentas, é possível achar essa senha e quebrá-la de um jeito muito mais fácil. Se desligar e ligar, fica mais difícil de quebrar". Alguns celulares são reiniciados automaticamente para evitar a extração da senha. A empresa que criou o Greykey disse em 2024 que uma atualização no iPhone faz o aparelho se desligar e ligar por conta própria se estiver bloqueado por mais de três dias. Acesso ao celular mesmo desligado Uma alternativa é usar o chip off, técnica de força bruta em que o aparelho pode ser desmontado para retirar componentes importantes para a investigação ou transferir dados para outros dispositivos. "O celular está desligado daquela forma como vemos a tela, mas você precisa mandar pulsos elétricos para fazer a extração", diz Castilho. "Desmonta, tira a tela, pega os componentes, principalmente a memória, e faz uma espécie de remontagem para fazer a extração". LEIA TAMBÉM: Apple fecha parceria com Google para levar o Gemini aos iPhones por meio da Siri 'Sentimento horrível', diz brasileira vítima de foto editada de biquíni pelo Grok, IA de Musk FAFO: Entenda o que significa gíria usada por Trump em post após captura de Maduro

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UE negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente da Comissão Europeia

Publicado em: 16/01/2026 19:19

Lula e chefe da Comissão Europeia se reúnem na véspera da assinatura do acordo A União Europeia também entrou na disputa global pelos minerais críticos do Brasil. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que o bloco negocia um acordo com o país para investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras — insumos considerados estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e a segurança geopolítica. A declaração foi feita durante a cerimônia que celebrou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo dos últimos 25 anos (o acordo comercial é amplo, envolve diversos itens, e é distinto da negociação sobre terras raras). Segundo von der Leyen, a cooperação em matérias-primas críticas será um dos pilares da relação entre os dois lados. “Isso vai moldar nossa cooperação em projetos de investimento conjunto em lítio, níquel e terras raras. É a chave para a nossa transição digital e limpa, e também para a independência estratégica, num mundo em que os minerais tendem a ser instrumento de coerção”, afirmou. Interesse também dos EUA O aceno europeu ocorre no mesmo momento em que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, passaram a demonstrar interesse direto nos minerais estratégicos brasileiros. O Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, mas ainda exporta grande parte desses minerais sem processamento, o que reduz o valor agregado capturado pelo país. No discurso, von der Leyen classificou o acordo Mercosul–UE como um arranjo de “ganha-ganha” e encerrou a fala em português. “Todo mundo beneficiado é realmente um ganha-ganha. Esse é o jeito europeu de fazer negócio. E quero dizer, do fundo do meu coração: obrigada, amigo. O melhor está por vir”, disse, antes de se despedir. As terras raras — um grupo de 17 elementos químicos essenciais para turbinas eólicas, carros elétricos, chips, equipamentos médicos e tecnologias militares — estão no centro de uma corrida geopolítica. Enquanto a China domina o refino e o processamento, EUA e União Europeia buscam diversificar fornecedores para reduzir dependências estratégicas. Nesse cenário, o subsolo brasileiro passou a ocupar posição central no tabuleiro internacional.

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