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Dublador de Superman e Mickey Mouse é destaque na Comic Nerd 2026 no AC; confira

Publicado em: 30/05/2026 08:01

Dublador Guilherme Briggs (foto) foi voz de vários personagens marcantes como Buzz Lightyear e Super-Homem Reprodução/Twitter Superman, Optimus Prime, Buzz Lightyear e Mickey Mouse são apenas alguns dos diversos personagens que o dublador Guilherme Briggs vai relembrar em uma conversa durante a programação da Comic Nerd 2026, que vai reunir diversas pessoas neste fim de semana em Rio Branco. O evento, organizado pela Associação de Nerds do Acre (Anac Nerd) com apoio de outras instituições, ocorre neste sábado (30) e domingo (31), e tem como tema “Gerações”. O objetivo, segundo a organização, é reunir aproximadamente 15 mil pessoas durante os dois dias de evento. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Para participar, basta doar 1 kg de alimento não perecível, com exceção de sal. Os produtos arrecadados serão destinados a instituições filantrópicas. Além de Briggs, também tem destaque a presença do streamer Willian Moreira Lemos Rodrigues, conhecido como Gordox, que é conhecido pela capacidade de narrar diferentes jogos e gêneros, como Counter-Strike, League Of Legends e Crossfire. Comic Nerd 2026: Estão abertas as inscrições para expositores e competidores LEIA TAMBÉM: Dubladores de ‘Dragon Ball Z’ e cosplayer nacional serão atrações da Comic Nerd 2025 no AC Sesc Geek Comic Nerd estima receber até 15 mil pessoas em três dias de evento em Rio Branco No AC, 1ª Comic Nerd vai homenagear Jaspion e quer reunir 2 mil pessoas O evento conta ainda, além de Briggs e Gordox, com a participação da dubladora Úrsula Bezerra, conhecida por interpretar Naruto e Goku criança, e dos cosplayers nacionais Tati Keplmair, Robson Kumode, Lipe Volpato e Vyni Takahashi. A edição deste ano busca também reunir o público através da nostalgia dos desenhos animados, videogames e animes que marcaram a década de 1980 e 1990. Ao mesmo tempo, o evento quer apresentar as novas tendências ligadas ao universo digital como jogos, tecnologia e a produção de conteúdo no cenário atual. Comic Nerd 2026 ocorrerá neste sábado (30) e domingo (31) em Rio Branco Raylanderson Frota/Secom A Comic Nerd 2026 também terá ainda concursos cosplay, campeonatos de e-sports, apresentações de K-Pop, arena gamer, videogames retrô, workshops, painéis temáticos e espaços voltados ao empreendedorismo criativo. Além disso, o espaço conhecido como Beco dos Artistas, local onde reúne ilustradores, quadrinistas, escritores independentes e criadores de conteúdo acreanos, também retorna ao evento este ano. Serviço Comic Nerd – Gerações 2026 Onde: Hotel Gran Reserva, em Rio Branco. Quando: sábado (30) e domingo (31), de 10h às 21h. Ingresso: 1 kg de alimento. Organização: Anac Nerd e Secretaria de Indústria Ciência e Tecnologia (Seict). VÍDEOS: g1

Palavras-chave: tecnologia

SpaceX assina contrato estratégico para o desenvolvimento da rede de satélites do Golden Dome

Publicado em: 30/05/2026 08:00 Fonte: Tudocelular

A SpaceX garantiu nesta semana um novo contrato estratégico para o desenvolvimento da infraestrutura de satélites do projeto Golden Dome. A parceria foi firmada com o objetivo de expandir as capacidades de operação e monitoramento orbital, com uso da tecnologia avançada de lançamentos da companhia para posicionar rapidamente uma rede tecnológica vital no espaço. SpaceX conquista contrato bilionário para o Golden Dome A Força Espacial dos Estados Unidos concedeu à SpaceX um contrato de US$ 4,16 bilhões para o programa SB-AMTI (Space-Based Advanced Moving Target Indicator). O sistema será composto por satélites equipados com sensores avançados capazes de: Detectar ameaças aéreas; Rastrear mísseis; Monitorar alvos em tempo real a partir da órbita terrestre. Sistema será usado para detectar mísseis a partir do espaço O projeto integra o ambicioso escudo antimísseis Golden Dome, iniciativa inspirada no Iron Dome israelense. A expectativa, então, é que parte das capacidades operacionais esteja disponível até 2028.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Do fole ao sustento: entenda como a sanfona movimenta empregos, tradição e renda na Paraíba

Publicado em: 30/05/2026 06:01

Sanfonas TV Clube Aos 98 anos, o compositor, músico e poeta pernambucano, Onildo Almeida, relembra e ainda canta com carinho a música Hora do Adeus, eternizada por Luiz Gonzaga e escrita por Onildo, em parceria com Luiz Queiroga. O Rei do Baião, amigo próximo de Onildo, pediu para que ele escrevesse uma música que representasse o fim da carreira. “Ele [Luiz Gonzaga] sentia que o tempo dele na música tinha chegado ao fim”, conta. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp O resto dessa história a gente já sabe. O "adeus" nunca aconteceu, de fato. A música foi gravada em 1967 e, naquela época, Gonzagão se viu perdendo espaço na indústria musical, sendo "ofuscado" pela Jovem Guarda, Bossa Nova e MPB. O artista só veio a falecer em 1989 e as músicas por ele gravadas entraram para a história e desenharam muito do que viria a ser o forró e a força desse ritmo como identidade cultural nordestina. Onildo Almeida e Luiz Gonzaga Reprodução/Instagram E junto das voz rasgada e das letras que narram o sertão, havia outro personagem impossível de ignorar: a sanfona de Gonzagão. Não se tratava apenas de um instrumento pesado "pendurado" no peito; era quase uma extensão do corpo. Quando Luiz Gonzaga entrava no palco, a sanfona parecia respirar com ele. O fole abria e fechava como quem puxava os ventos quentes do Nordeste para dentro da música. Do instrumento, saíam sons que lembravam o aboio distante do vaqueiro, o ranger da seca, a festa da feira… tudo, em notas musicais. Para seu Onildo, a sanfona, entrelaçada à personalidade sonora do Rei do Baião, fez com que Hora do Adeus nunca conseguisse cumprir a promessa do título. Pelo contrário: toda uma cadeia produtiva foi criada entorno da sanfona. A partir dela, nasceram fábricas, oficinas, afinadores, luthiers, artesãos, vendedores, e, claro, músicos. O instrumento passou a ser, além de identidade, herança e sustento. “Foi Gonzagão quem levou essa musicalidade para o sul do país. Quem transformou a sanfona nordestina em disco, mercado e identidade popular. E quando o Nordeste se ouviu tocando nas vitrolas do Brasil, algo incrível aconteceu. Outros músicos surgiram, novos sanfoneiros apareceram", disse Onildo Almeida. Agora no g1 Quem bebe dessa fonte é Francismar de Souza, o professor Caju, como é conhecido pelos alunos o sanfoneiro pessoense. Em um ateliê próprio, localizado em João Pessoa, Caju também faz manutenção de sanfonas. Um luthier, como é chamado quem se dedica a construir e restaurar instrumentos musicais. A influência familiar em Monteiro, no Cariri paraibano e o período em que viveu no Paraná, ainda na adolescência, despertaram a paixão pela sanfona Nordestina. Primeiro, pela proximidade com o forró autêntico; depois, pela distância. “Quando fui morar no Paraná com a minha família, fiquei com saudades do Nordeste e o gosto pela sanfona me reaproximou das minhas raízes”, relembra. De volta à Paraíba, aprendeu a tocar. Desenvolveu o talento e, hoje, tem o instrumento como principal fonte de renda. Atualmente, gerencia uma escola de música com cerca de 50 alunos. Na pandemia da Covid-19, superou os desafios das aulas online e, até hoje, ensina alunos de diversos lugares do Brasil. Gente que quer aprender a tocar sanfona do zero ou aperfeiçoar as habilidades que já tem. Formalizou o negócio como microempresa. Com muita luta, fez da sanfona um sustento, mas ainda sente que falta formação técnica e incentivos para a manutenção e aperfeiçoamento do instrumento no país. “A gente não tem, por exemplo, formação. Não existe um curso aqui no Brasil pra formar profissionais que fazem manutenção de sanfonas. É muito específico, é um artesão, praticamente", comentou Francismar de Souza, o “Caju”. Professor Caju afina sanfonas no ateliê próprio, em João Pessoa Mayara Medeiros/CBN Paraíba Em Campina Grande, o músico, poeta e sanfoneiro Amazan, também percebeu essa lacuna. Há mais de vinte anos, quando já estava na estrada levando forró para muita gente com uma sanfona que ele mesmo descreve como “velhinha”, precisou de ajuda para manter o instrumento funcional e afinado, mas não encontrou ninguém que fizesse o serviço. Foi aí que ele resolveu se aventurar: abriu o instrumento, mexeu para lá, desmontou para cá… e aprendeu, sozinho, a deixar o fole potente para o próximo show. “Aí meus amigos sanfoneiros passaram a pedir a minha ajuda, até que um deles disse: rapaz, tu deveria abrir uma fábrica de sanfona, é difícil demais achar quem faça o que tu faz”, conta Amazan. Depois do conselho, não teve outra: poucos dias depois, o músico, mesmo com poucos recursos, resolveu colocar a ideia para a frente. Se organizou financeiramente e foi parar na Itália, referência mundial na fabricação de sanfonas. A intenção era aprender, de perto, o processo de produção e montagem do instrumento, peça por peça para, assim, trazer o conhecimento técnico para a Paraíba. Um projeto que, por ser pioneiro, passou a conquistar a atenção da mídia, no início dos anos 2000. Época que coincidiu com a explosão comercial de um novo ‘modelo’ de forró: o eletrônico ou “forró estilizado.” “Comecei em 2003, num cantinho mais acanhado. Depois, fui fazendo uma ampliação em um galpão que eu tinha e, de repente, cresceu tanto a demanda, que implantei a fábrica", contou Amazan. Amazan: do conserto de sanfonas em um galpão à uma fábrica de instrumentos Arquivo Pessoal Com mais experiência, Amazan resolveu inovar. Ele explica que implementou uma afinação diferenciada na sanfona, mais “anasalada” e com um som mais “aveludado”, pois esse, segundo ele, é o padrão de sonoridade preferido do público nordestino. Além disso, Amazan criou um sistema de caixinha externa para a bateria da sanfona; antes, ela ficava dentro do instrumento, o que exigia do músico desparafusar e abrir a tampa (como um capô de carro) para trocá-la durante um show. Com a inovação técnica na eletrificação, a troca passou a ser feita em apenas 15 segundos, através de uma gaveta externa no lado esquerdo, facilitando a manutenção rápida durante as performances. Mas, para tocar esses novos projetos, o empreendimento busca, até hoje, profissionalizar a produção, gerar empregos e manter viva a essência artesanal do instrumento. Movimento que não aconteceu por acaso e contou, ainda nos primeiros passos, com o apoio de iniciativas voltadas ao fortalecimento do pequeno empreendedor, à capacitação em gestão e ao desenvolvimento de negócios ligados à economia criativa do Nordeste. Diretor de operações da fábrica de sanfonas, Marckezan Azevedo lembra bem que buscou consultorias do SEBRAE Paraíba para estruturar o funcionamento do negócio: planejamento financeiro, processos produtivos e, principalmente, formalização. Suporte que ajudou toda a equipe a expandir o negócio e se tornar referência no país. “Em quase 25 anos de história, impactamos diretamente na renda familiar de dezenas de famílias. Esses profissionais, em maioria, nunca tinham tido contato algum com a sanfonas, ou seja, não sabiam nada sobre técnicas ou sobre o ofício de construir o instrumento”, relata Marckezan. Sarayva Azevedo tem 54 anos e é afinador na fábrica de Amazan desde 2012. Não era experiente. Hoje, é um especialista. Ouvido apurado para identificar os mínimos desalinhamentos no som, ajustar palhetas e devolver equilíbrio ao fole de cada instrumento. Um trabalho artesanal, feito nota por nota. “É a minha fonte de renda, é assim que sustento a minha família”, conta. O professor, o afinador, o luthier, o fabricante. Atividades diferentes, mas conectadas por uma mesma lógica produtiva ligada à música e à cultura nordestina. Um setor da chamada ‘Economia Criativa”, que transforma conhecimento, tradição e identidade cultural em geração de empregos. Negócios que se desenvolvem com criatividade, inovação, tecnologia e tecnologia, para agregar valor a produtos e serviços. Segundo um mapeamento da Indústria Criativa da Firjan, que reúne dados da Relação Anual de Informações Sociais e do Ministério do Trabalho, a economia criativa brasileira movimentou mais de 393 bilhões de reais em 2023, o equivalente a 3,59% de tudo o que o país produziu naquele ano. Números que aparecem em um estudo divulgado em 2025, baseados em dados consolidados de 2023. Realidade que só tende a crescer com o passar dos anos. Mais de um milhão de empregos formais nasceram dessa cadeia movida por produção intelectual. Dentro da pesquisa, no Nordeste, a cultura popular e a música aparecem entre os segmentos mais fortes desse mercado criativo. Um cenário que, para a Gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae Paraíba, Regina Amorim, fortalece, ainda, um turismo mais autêntico, conectado com a identidade cultural do nosso estado. “Inclusive, João Pessoa é a cidade criativa da UNESCO no segmento de artesanato e arte popular, assim como Campina Grande é cidade criativa no segmento de artes midiáticas. Isso é muito bom para a Paraíba, porque é uma forma de interação com outros países”, disse. Promissor, mas ainda repleto de desafios: “Profissionais de áreas como música, moda e literatura, muitas vezes, tratam a arte como uma atividade secundária, e não como uma profissão”, analisa Regina. Realidade contraditória à força da economia criativa, que é considerada por especialistas, a da abundância. Em Campina Grande, Giulliano Santos, 56 anos, comerciante, luthier e revendedor de acordeons, faz parte de toda essa cadeia produtiva gerada a partir do conhecimento. Um trabalho que ainda não recebe dedicação exclusiva por parte dele e que representa 30% da renda mensal. Mas, antes mesmo da sanfona, veio a guitarra. A experiência como músico profissional abriu caminhos para um trabalho minucioso, que exige precisão quase cirúrgica, já que dentro de uma sanfona, cada peça interfere diretamente no som: “Eu não me dediquei como músico profissional do acordeon, me dediquei mais a mexer no instrumento e trabalhar com ele, a consertar. Aí os próprios músicos não tem interesse em consertar e nos procuram", relata. No período junino, essa procura cresce. Situação que pode refletir um faturamento sazonal para quem vive do instrumento. “Sim, não é um serviço que aparece todos os dias, né? Quando chega mais perto do São João a procura aumenta… mas eu não penso muito no comercial, é mais pelo amor ao instrumento”, explica Giulliano. Porém, nos últimos anos, Giulliano tem notado que essa busca deixou de vir apenas de músicos veteranos ou artistas que já vivem da estrada. Muita gente tem buscado transformar o instrumento em profissão ainda cedo. Antônio Marques se apaixonou pela sanfona aos dez anos de idade Reprodução/Instagram Antônio Marques, de 14 anos, que é aluno do professor Caju, já desponta em uma rotina de apresentações remuneradas em eventos públicos e privados, dando os primeiros passos na profissionalização do instrumento. Inclusive, uma das sanfonas usadas pelo jovem nos shows, foi presente do músico potiguar Dorgival Dantas. Momentos únicos, já presentes no acervo de memórias de um adolescente que já entendeu que a sanfona pode abrir caminhos: “Eu quero ser um grande sanfoneiro e procurar só crescer, além de levar a música do meu Nordeste para todos os cantos”, se entusiasma Antônio, que já soma mais de cem mil seguidores nas redes sociais. “Ele começou a tocar sanfona depois que ele voltou do programa The Voice, da Rede Globo. A gente foi passear no São João de Campina, e aí quem tocava no palco era Fabiano Guimarães, que o chamou no palco pra cantar. Quando ele desceu, já foi logo nos pedindo pra comprar uma sanfona pra ele. Ele se apaixonou e, desde então, não solta mais o instrumento”, conta emocionada e orgulhosa Kamila Soares, mãe de Antônio. Para o jovem, enquanto houver alguém disposto a abrir o fole e transformar paixões em música, a sanfona deve continuar encontrando maneiras de sobreviver ao tempo, “bem longe de desafinar, apenas se reinventando e ecoando como força cultural e econômica no Nordeste.” Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Palavras-chave: tecnologia

Figurinhas da Copa geram resíduo que pode permanecer por até 100 anos no ambiente; entenda o que fazer

Publicado em: 30/05/2026 05:01

Álbum de figurinhas da Copa gera toneladas de lixo e a maioria não é reciclada E se eu te disser que preencher um álbum da Copa do Mundo pode gerar um lixo que vai durar mais de 100 anos na Terra? O fato é que o material onde a parte colante da figurinha vem protegida é o liner, um tipo de papel siliconado. Para que ele seja reciclado, é preciso um processo longo e caro, e há poucas iniciativas no país. Ou seja, ele acaba virando lixo. Colecionar álbuns de figurinhas da Copa é uma tradição que existe há décadas. A cada Mundial, são bilhões de figurinhas vendidas pelo país. ♻️ A maioria das pessoas pode achar que, por ser papel, tudo é sustentável. Basta colocar no lixo reciclável e o material volta para o mercado, transformando-se em um novo papel. O que acontece com esse papel explica, na prática, a diferença entre uma embalagem ser reciclável e ter reciclabilidade. E isso muda tudo no jogo do impacto ambiental. Um material reciclável é aquele que pode ser transformado em um novo produto por meio da reciclagem. Por exemplo, uma garrafa PET pode ser reciclada inúmeras vezes. Isso ajuda a diminuir a produção de plástico no mundo, usando o que já está disponível. Isso é diferente da reciclabilidade. Esse termo é usado para definir o potencial que os materiais têm de passar pelo processo de reciclagem. Alguns exigem processos caros, que acabam dificultando que o material seja reaproveitado e continue circulando. Na prática, o processo é difícil, custoso e com poucas opções na cadeia. Imagine que são vendidas figurinhas em todo o país e não há, em todos os estados, um local que consiga reciclar esse material. O fim dele, infelizmente, é poluir o meio ambiente. 🔴 ATENÇÃO: ainda que haja pouca reciclabilidade, é importante que o liner seja descartado no lixo reciclável. Na triagem, alguns centros podem conseguir encaminhá-lo para empresas que fazem esse tratamento. Criança de Manaus se emociona ao tirar figurinha rara de Cristiano Ronaldo no álbum da Copa. Reprodução/Redes Sociais E de quanto de poluição estamos falando? A Panini não divulgou quantas figurinhas tem produzido por dia nem qual é a estimativa de impacto da produção. ➡️ Para entender a dimensão do problema, o g1 usou como base o número de pacotes de figurinhas vendidos nos primeiros dias de uma ação de uma plataforma de entrega com a editora do álbum e contextualizou esses dados com uma ação de coleta de liners realizada na última Copa do Mundo, em 2022. Segundo a plataforma, foram vendidos 6,7 milhões de pacotes. Eles vêm com sete figurinhas cada um. Ou seja, estamos falando de quase 47 milhões de adesivos. Em 2022, na Copa do Mundo do Catar, a Dow Brasil, que faz a parte siliconada usada pela Panini, recolheu o equivalente a 168 mil liners em uma iniciativa de reciclagem — o que representa apenas uma fração do que foi produzido. De acordo com a empresa, esse volume correspondeu a 42 quilos de papel liner encaminhados para reciclagem. Álbum da Copa do Mundo 2026 da Panini. Reprodução/Panini Com base nesses números, os quase 47 milhões de adesivos vendidos nos primeiros dias corresponderiam a aproximadamente 11,7 toneladas de papel liner. Até o fim da Copa do Mundo, esse número vai ser ainda maior. Quando o liner vai para o aterro — que é o destino mais provável —, ele não desaparece antes de muitas outras Copas. O revestimento de silicone retarda a decomposição e, segundo especialistas, ele pode levar até 100 anos para se decompor. Nesse processo, misturado a outros resíduos, contribui para a emissão de gases de efeito estufa. E quem é o responsável? O especialista em ESG explica que a cultura do álbum existe há décadas, mas ela não foi acompanhada por uma nova cultura sobre o lixo gerado. Apesar de o Brasil ter uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê que fabricantes sejam responsáveis pelo destino de suas embalagens, a legislação ainda deixa dúvidas sobre o que exatamente precisa ser recolhido. A Panini vende as figurinhas, que vêm nos pacotes. A figurinha acaba não virando lixo porque é colecionável. A lei não é clara sobre tudo o que compõe o produto nem sobre de quem é a responsabilidade, já que há uma empresa que fornece o liner. Hoje, há algumas iniciativas, como a da Polpel, em Guarulhos. A empresa está com uma campanha para receber liners de consumidores. No entanto, para participar, é preciso enviar o material até a fábrica. Acaba que a responsabilidade fica no consumidor final. Claro que cabe a todos nós uma conscientização sobre o lixo que produzimos, mas, nesse caso, é dever de quem produz pensar na solução e dar destino ao resíduo. O quanto a gente ainda precisa avançar para ter uma figurinha que já seja reciclável desde a origem, sem exigir um investimento tão alto na reciclabilidade? A Dow, que desenvolve a tecnologia em silicone, disse que tem ciência do problema sobre reciclabilidade e circularidade do material. Em nota, informou que tua em parceria com outros atores da cadeia para aumentar a reciclabilidade. O g1 procurou a Panini, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Palavras-chave: tecnologia

Após início de ano forte, agro pode sofrer com El Niño e alta dos fertilizantes

Publicado em: 30/05/2026 05:00

PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.

Palavras-chave: tecnologia

Paciente com leucemia morre sem receber remédio já incorporado ao SUS e garantido pela Justiça

Publicado em: 30/05/2026 04:01

Pacientes morrem esperando remédios contra o câncer que o SUS já aprovou Quando Larissa Amorim morreu, aos 33 anos, o remédio que seus médicos consideravam essencial contra a leucemia já existia, já havia passado pela avaliação técnica do governo federal e já integrava as políticas públicas de assistência oncológica. A família também tinha em mãos uma decisão judicial determinando que a União o fornecesse de imediato. Ainda assim, o medicamento nunca chegou. Entre a ordem da Justiça e a morte, passaram-se 59 dias. Larissa deixou dois filhos. O caso não é isolado. A Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a investigação do que classifica como descumprimento estrutural da política de assistência farmacêutica oncológica: terapias oficialmente incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) seguem fora do alcance de parte dos pacientes meses —e, às vezes, anos— depois de aprovadas. O g1 procurou o Ministério da Saúde. O governo afirma que há um plano de ampliação da oferta de remédios, mas não comenta diretamente o prazo legal nem a representação na Procuradoria (veja mais abaixo). Larissa Amorim morreu aos 33 anos; deixou dois filhos Arquivo Pessoal A aprovação não é o fim da fila A incorporação de um medicamento ao SUS costuma ser lida como o ponto final de um processo. É, no entanto, apenas o encerramento da avaliação científica. Antes de chegar à rede pública, uma terapia passa por análises de eficácia, segurança, custo-benefício e impacto orçamentário conduzidas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Só então o Ministério da Saúde decide incluí-la nas políticas de saúde. A lei dá ao poder público até 180 dias, depois da decisão de incorporação, para organizar compras, definir protocolos, estruturar a distribuição e preparar a rede. Quando se trata de câncer, o prazo deveria correr em regime prioritário, conforme alteração introduzida na Lei Orgânica da Saúde em 2023. Para as entidades de pacientes, é justamente nesse intervalo que muitos tratamentos ficam parados. A gerente de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale, Luana Ferreira Lima, diz que os atrasos se concentram na definição de quem compra, de como se financia e de como se distribui —se a aquisição é centralizada pelo Ministério da Saúde ou feita pelos estados. É nesse trecho que o prazo costuma se perder. "O paciente teria, teoricamente, que ter acesso ao medicamento dentro do prazo de 180 dias. Mas esse prazo se esgota, e ele não recebe o remédio, por questões burocráticas, de operacionalização, de coordenação e de recursos", diz. O resultado é que pacientes aguardam medicamentos cujo benefício o próprio Estado já reconheceu. "Há pacientes morrendo antes de receber medicamentos aos quais já têm direito", afirma. Os números da entidade dão a dimensão do gargalo. A Abrale acompanha hoje 185 pacientes com dificuldade para acessar tratamentos já incorporados. Em 2025, quase metade dos atendimentos de seu serviço sociojurídico —46,49%— envolveu problemas de acesso ao tratamento; desses, 85% eram usuários do SUS. Em mais de um quarto dos casos, a saída foi a Justiça. A associação monitora pelo menos 64 processos relacionados a entraves de acesso. Alguns ultrapassam de longe o prazo legal. Pacientes ainda relatam dificuldade para obter o imunoterápico brentuximabe, incorporado ao SUS em 2019. No câncer, o relógio é parte do tratamento Para quem trata doenças oncológicas de evolução rápida, a espera não é uma questão burocrática. Ela muda o curso da doença. O blinatumomabe, o medicamento que Larissa esperava, é uma imunoterapia que estimula o sistema imunológico a atacar as células leucêmicas que carregam a proteína CD19. Segundo o onco-hematologista e vice-diretor da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Breno Gusmão, ele representou um avanço no tratamento da leucemia linfoblástica aguda —sobretudo quando a doença volta depois de controlada ou não responde à quimioterapia inicial. São esses os quadros mais difíceis, em que as terapias convencionais já falharam. A hematologista Indianara Brandão, da Faculdade de Medicina do ABC, explica que medicamentos como o blinatumomabe funcionam então como uma terapia de resgate e como ponte para o transplante de medula óssea. Mais do que uma alternativa a mais, são uma estratégia desenhada para um momento exato da doença. Quando esse momento passa, a chance pode desaparecer. "Não enxergamos apenas o medicamento. Enxergamos uma oportunidade terapêutica dentro de um momento clínico que está sendo vivido", diz. O atraso, segundo a médica, abre espaço para a progressão da doença, para infecções graves, sangramentos e a perda das condições clínicas necessárias para avançar às etapas seguintes do tratamento. Nem a liminar bastou Larissa Amorim tratava leucemia desde a infância Arquivo Pessoal Larissa foi diagnosticada com leucemia mieloide crônica (LMC) ainda criança, em 2002. Natural da Bahia, passou a se tratar em São Paulo, e manteve a doença sob controle por mais de duas décadas —com um inibidor que, durante anos, chegou às mãos dela por meio de programas de apoio a pacientes. Foi nesse intervalo que se casou e teve dois filhos, Benjamin, hoje com 8 anos, e Sofia, com 7. "Ela era muito sonhadora, queria viver, tinha o sonho de se casar e ser mãe", conta o marido, Murilo Barbosa, promotor de vendas, de 38 anos. A estabilidade terminou em julho de 2025, quando a doença se agudizou e evoluiu para uma forma agressiva, a crise blástica linfoide B. As opções disponíveis no SUS —entre elas imatinibe, nilotinibe e a quimioterapia hyperCVAD associada ao dasatinibe— não contiveram a progressão. Os médicos indicaram então o blinatumomabe, uma imunoterapia já incorporada ao SUS que serviria de ponte para o transplante de medula óssea, em combinação com o ponatinibe. O medicamento, no entanto, não estava disponível. A família foi à Justiça. Teve o primeiro pedido negado e a ação julgada improcedente, mas conseguiu, em segunda instância, uma decisão de urgência determinando o fornecimento imediato. A União foi intimada em 16 de março de 2026. O remédio nunca chegou. Para não deixar Larissa sem tratamento durante a espera, os médicos decidiram repetir um protocolo de quimioterapia pesado, com risco de infecções graves —um ciclo que, segundo médicos ouvidos pelo g1, não precisaria ter sido refeito se a imunoterapia tivesse sido entregue. Ela contraiu uma infecção, precisou ser intubada e morreu em 14 de maio, 59 dias após a intimação. "A oncologia não espera. O câncer não espera", diz Murilo. "Cinquenta e nove dias, para quem tem câncer, é muito." Larissa Amorim tratava leucemia desde a infância Arquivo Pessoal Quatro ordens, nenhum remédio O caso de Larissa não é isolado. Na representação à PGR, a Abrale reúne situações em que decisões judiciais foram descumpridas mesmo diante de risco de morte reconhecido pela própria Justiça. "Mesmo com uma decisão favorável, mesmo com uma tutela antecipada, não há cumprimento por parte da União e dos estados", afirma Luana Ferreira Lima. Em Sergipe, a entidade acompanha [TM1.1]ao menos quatro processos na Justiça Federal. Em um deles, uma paciente com leucemia linfoblástica aguda obteve liminar para receber blinatumomabe em 15 dias; a ordem não foi cumprida e a União informou nos autos que a compra dependeria de uma licitação estimada em cerca de 120 dias —prazo incompatível com a urgência clínica. Em outro, um paciente com linfoma de Hodgkin refratário teve a entrega do brentuximabe determinada em março, sob pena de multa diária[TM2.1], sem comprovação de que o remédio chegou. Há ainda uma paciente com leucemia mieloide crônica e mutação resistente que, mesmo com tutela concedida em 2025 e sentença favorável em fevereiro de 2026, seguia esperando o ponatinibe. Para a Abrale, o padrão se repete em outros estados e revela uma falha que ultrapassa o caso a caso: a judicialização deixou de ser exceção e virou etapa informal do acesso ao tratamento. Um problema que o próprio governo tentou organizar Em 2025, o Ministério da Saúde criou o Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), por meio de portaria, para reorganizar o financiamento, a compra e a distribuição de medicamentos contra o câncer. A medida mirava exatamente os problemas que vinham se acumulando: fragmentação da assistência, desigualdade regional, desabastecimento e o avanço da judicialização. A reorganização concentrou na União boa parte da coordenação. Ainda assim, segundo a representação, persistem demora na entrega, falta de estoque, negativas administrativas e descontinuidade de tratamento. O remédio existe no papel das políticas públicas; falta na ponta. Mais recentemente, o Ministério da Saúde apresentou a um conselho consultivo da política nacional de prevenção e controle do câncer as diretrizes para operacionalizar essa assistência. Luana considera o passo importante, embora tardio e ainda sem prazos firmes de entrega. "Não podemos esperar até que tudo isso se resolva, uma vez que já é um direito do paciente", diz. O problema já chegou aos órgãos de fiscalização. Em auditoria recente, o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou o processo de incorporação de tecnologias no SUS e incluiu entre seus objetivos verificar se as terapias aprovadas estão de fato chegando à população nos prazos previstos. A demora também passou a ter um nome no ordenamento jurídico. O Estatuto dos Direitos do Paciente, sancionado em 2026, assegura o acesso a cuidados de saúde "no tempo oportuno" e estabelece que a violação dos direitos ali previstos configura situação contrária aos direitos humanos. É nesse enquadramento que a Abrale sustenta sua representação: a omissão em entregar o que já foi incorporado deixaria de ser falha administrativa para se tornar lesão a um direito fundamental. O que diz o Ministério da Saúde Procurado, o Ministério da Saúde foi questionado sobre os relatos de falta de acesso a medicamentos já incorporados, sobre o cumprimento do prazo de 180 dias e sobre as denúncias da Abrale à PGR. Em nota, a Pasta detalha um plano de ampliação da oferta de remédios, mas não comenta diretamente o prazo legal nem a representação na Procuradoria. Segundo o ministério, serão disponibilizados outros 23 medicamentos oncológicos de alto custo na rede pública —entre eles a lenalidomida, o asciminibe e o ponatinibe—, de forma gradual a partir de outubro, conforme pactuação com estados e municípios. A Pasta afirma que o investimento é de R$ 2,2 bilhões e que se trata da maior entrega já feita pelo SUS para ampliar o acesso a tratamentos contra o câncer, com aumento de 35% na oferta desses fármacos. De acordo com o órgão, a medida deve resolver pendências que, em alguns casos, chegavam a 12 anos, e beneficiar mais de 112 mil pacientes. Sobre o blinatumomabe, a imunoterapia que Larissa esperava, o ministério afirma que o medicamento já é ofertado pelo SUS por meio das Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e dos Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), responsáveis pela compra. A Pasta não esclareceu, porém, por que o remédio não chegou a Larissa, que tinha em mãos uma decisão judicial determinando o fornecimento imediato. O Ministério citou ainda o Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), criado no ano passado, que, segundo o ministério, unifica os protocolos clínicos, torna a compra mais eficiente e busca reduzir a burocracia e a judicialização no acesso aos remédios.

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Entre o passado nuclear e as terras raras: cidade do Sul de Minas vive novo ciclo mineral 40 anos depois

Publicado em: 30/05/2026 04:00

Cidade mineira que abriga rejeitos radioativos de mineração terá mina de terras raras A exploração de terras raras ao lado de um passivo nuclear deixa o município de Caldas, no Sul de Minas Gerais, dividido entre a promessa de um futuro de desenvolvimento e o temor de repetir os impactos do passado. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Está previsto para entrar em operação no município em 2028 um projeto da empresa australiana Meteoric Resources para explorar uma área de 425 hectares. Batizado de “Projeto Caldeira”, o empreendimento deve processar anualmente 5 milhões de toneladas e gerar 15 mil toneladas anuais de carbonato de terras raras. 🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. O empreendimento deve se tornar um dos mais importantes na corrida por minerais críticos, com capacidade para abastecer 8% da demanda mundial por terras raras. Porém, está nascendo em um território sensível. De um lado, fica a Área de Proteção Ambiental (APA) Pedra Branca e, do outro, a antiga mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (UDC/INB). Inaugurada na década de 1980, a INB produziu 1,5 mil toneladas de concentrado de urânio que abasteceram a usina de Angra I e ajudaram a alavancar o programa nuclear brasileiro. Mina de terras raras será montada ao lado de antiga mina de urânio, em Caldas (MG) Arte/g1 A unidade está desativada desde meados da década de 1990 e em processo de descomissionamento, mas abriga 12 mil toneladas de rejeitos radioativos que vieram da extração de terras raras de areia monazítica da antiga Usina Santo Amaro (USAM), também desativada. O material está distribuído em tambores — armazenados em galpões e no subsolo — e em uma barragem. É uma herança indigesta deixada pela mineração que permanece na memória dos moradores de Caldas e alimenta a desconfiança de que novos empreendimentos possam repetir um ciclo de desenvolvimento temporário seguido de impactos permanentes. “Eu espero só que as autoridades que tenham competência para isso vejam certinho para não prejudicar famílias que vivem da agricultura e não aconteça a mesma coisa que foi com a INB, para a gente ficar só com o lixo depois”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Caldas, Messias Sebastião Guimarães. A agricultura é a maior atividade econômica do município, que tem mais de 900 produtores rurais, a maioria de agricultura familiar. Mais de 100 deles estão estabelecidos na região próxima à mina, com plantio de uva, rosas e hortaliças, além da produção de leite. De acordo com Guimarães, os agricultores estão na expectativa para saber como será feita a exploração e quais serão suas consequências. “Ninguém é contra o desenvolvimento. Se não contaminar a água, não prejudicar a agricultura, ninguém tem nada contra, desde que seja feito dentro das normas e deixe todo mundo trabalhar, continuar sua vida”, diz. Estudos apresentados até agora pela empresa e analisados por órgãos reguladores não apontaram risco relevante de radiação relacionado ao empreendimento. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) dispensou, em caráter preliminar, exigências adicionais de controle radiológico para a instalação da mina (leia mais abaixo). Segundo a Meteoric, o projeto foi respaldado por inúmeros estudos que embasaram medidas para minimizar os impactos ambientais. A mineração será feita em superfície, com retirada de argila rasa, sem uso de explosivos e sem barragens de rejeitos. Após a extração, as cavas abertas serão preenchidas com a própria argila tratada. (Leia mais abaixo). Área rural de Caldas (MG) irá receber uma mina de exploração de terras raras Fabiana Assis/g1 O medo de ter a tranquilidade ameaçada Os moradores de Caldas e do distrito de Pocinhos do Rio Verde têm receio dos possíveis impactos cotidianos, como o aumento do tráfego de caminhões, que podem causar riscos à segurança, contaminação das culturas agrícolas com poeira e emissão de partículas. A funcionária pública aposentada Vanda Maria de Carvalho Reis teme que o sonho de vida que começou quando, há 25 anos, comprou propriedade rural em Caldas, esteja ameaçado. A área de 7 hectares, que era sem água, luz ou construções, aos poucos foi se transformando com o cuidado da família. Hoje, além da casa principal, há um espaço alugado para hóspedes, um restaurante e uma mata nativa que quase triplicou de tamanho nas últimas décadas. Vanda Maria de Carvalho Reis teme que área rural que tem há 25 anos e montou um restaurante sofra impactos da mineração de terras raras Fabiana Assis/g1 Há 16 anos, ela se mudou definitivamente para o lugar que chama de “paraíso”, esperando sossego, respirando ar puro e cercada pela natureza após a vida corrida em Campinas (SP). Mas, nos últimos dois anos, a possibilidade da instalação da mina a apenas dois quilômetros da propriedade passou a ser uma apreensão. Quando soube dos projetos de mineração, Vanda passou a participar de reuniões e audiências públicas para entender o que poderia acontecer. No início, acreditava que o projeto poderia ser barrado, mas com o avanço dos processos, a expectativa deu lugar ao desânimo e à sensação de impotência. Ela teme impactos relacionados a trânsito de caminhões, poeira e mudanças nas nascentes, além de perdas econômicas. “Ninguém vai querer vir daqui a uns tempos se isso ficar assim mesmo. Quem vai querer enfrentar poeira e trânsito? Tudo que a gente investiu, tudo que construímos, tudo que plantamos... perde valor, vira sucata.” A percepção de perda veio antes mesmo de qualquer mudança acontecer. “Paralisa a gente. Você pensa em fazer alguma coisa na propriedade, mas se pergunta se vale a pena. A sensação que eu tenho hoje é vontade de ir embora daqui.” Igreja do distrito de Pocinhos do Rio Verde, em Caldas (MG) Fabiana Assis/g1 Preocupação com a radiação De acordo com o presidente da Aliança em Prol da APA Pedra Branca, Daniel Tygel, entre as principais preocupações está a proximidade entre as futuras áreas de escavação e as estruturas ligadas ao antigo complexo nuclear. Segundo o ambientalista, algumas áreas previstas para exploração estariam a aproximadamente dois quilômetros do armazenamento dos rejeitos radioativos, e vibrações, escavações e alterações no terreno poderiam representar riscos às estruturas da antiga mina. "Durante décadas houve uma discussão sobre o descomissionamento daquela área. Agora se fala em movimentação intensa de maquinário pesado e grandes alterações do solo nas proximidades." Outro ponto levantado é a presença natural de elementos radioativos, como urânio e tório, associados às argilas que contêm terras raras. A preocupação é entender como eles poderiam se comportar durante o beneficiamento químico em um processo fechado e repetitivo de extração. "Nosso questionamento nunca foi impedir o aproveitamento dessa riqueza. O que defendemos é racionalidade no processo, planejamento e princípio da precaução", afirma. Ele ainda argumenta que a região possui características geológicas delicadas, com sistemas subterrâneos de circulação de água, além de preocupações relacionadas à drenagem ácida — fenômeno em que a água reage com minerais presentes em rejeitos e pode transportar substâncias químicas e metais para cursos d'água. INB coloca à venda mais de 15 mil toneladas de 'Torta 2' armazenadas em unidade desativada em MG Reprodução EPTV Regras para evitar "nova INB" A própria administração municipal admite que a proposta foi recebida inicialmente com desconfiança. Segundo o prefeito Airton Pereira Goulart (MDB), o histórico da mineração de urânio levantou preocupações. "Pensei: 'mais uma empresa que chega com uma promessa de transformar tudo'. Nós somos ressentidos com a INB e estamos aqui com esse passivo ambiental há 50 anos, e a questão da radiação era a que mais me preocupava. Não é o dinheiro que vem em primeiro lugar, mas o nosso bem-estar." Segundo o prefeito, foram adotadas medidas para evitar problemas futuros e impedir que o município fique desprotegido diante do empreendimento. Mesmo com os pareceres técnicos apontando que os níveis de radiação previstos estariam dentro dos parâmetros aceitos, a prefeitura contratou assessoria especializada em mineração e direito ambiental e investiu cerca de R$ 120 mil em suporte técnico. Também foi firmado um termo de compromisso com a empresa, contendo 46 condicionantes para a implantação da atividade. Entre elas: proibição de atividades dentro da APA, limitação de até três cavas abertas simultaneamente, recuperação progressiva das áreas exploradas, monitoramento de águas superficiais e subterrâneas, controle da qualidade do ar, monitoramento de ruídos e aquisição de bens e serviços de fornecedores locais. "Nós construímos junto com a empresa uma boa relação. A segurança que a gente queria era não ser mais uma INB nas nossas vidas", afirma o prefeito. O município de Caldas (MG), de 14,2 mil habitantes tem uma rotina tranquila no Sul de MG Fabiana Assis/g1 O município de 14,2 mil habitantes espera desenvolvimento. A prefeitura estima arrecadação de aproximadamente R$ 50 milhões em ISS durante a construção da planta industrial. Após o início das operações, a expectativa é de arrecadar cerca de R$ 1,5 milhão por mês em compensações da mineração. Esse valor pode representar aproximadamente 30% do orçamento atual do município. A prefeitura pretende utilizar parte desses recursos para reavivar o turismo na região, que tem várias cachoeiras e fontes de águas termais, na melhoria das estradas rurais, na proteção das nascentes e do meio ambiente, além da própria fiscalização da mineração. Tem planos também de criar um fundo em benefício das três comunidades indígenas do município. É esperado que, quando estiver em atividade, a mina empregue 520 pessoas. Para se ter uma ideia, a prefeitura, maior empregadora do município, tem atualmente 600 servidores. O empresário Alexandre Rocha já foi beneficiado com o aumento no movimento do restaurante que mantém há 20 anos. “Já aumentou bastante com funcionários que trabalham com a empresa. Quando tiver a todo vapor, posso não ter o fornecimento para o funcionalismo, mas poderei ter participação dos familiares deles”, afirma. Ele acredita que a cidade irá se adaptar à nova realidade que promete mudar a rotina do município. “É um mineral que vai ser explorado mundialmente, Caldas vai ter que ceder a essa pressão, não tem como evitar. Vai ter o lado bom e o positivo e o lado negativo. O lado bom é que vai gerar empregos, e o negativo é que também vai ter um pouquinho da destruição ambiental", afirma Rocha. Cidade de Caldas (MG) fica entre montanhas, no Sul de Minas. Município tem 14,2 mil habitantes Prefeitura de Caldas Como vai funcionar a mineração De acordo com o Projeto Caldeira, a extração de terras raras será feita a partir de argila iônica, em uma mina a céu aberto, de mineração rasa e sem uso de explosivos, o que diminui consideravelmente os impactos ambientais e o custo do processo. O sistema de escavação utilizado é o backfill (preenchimento), que consiste em um ciclo contínuo de extração e recuperação ambiental do local minerado. Enquanto uma nova cava é aberta para a extração do minério, cavas abertas anteriormente são preenchidas com argila de onde houve a extração de terras raras. A dinâmica evita a criação de grandes crateras permanentes e elimina a necessidade de barragens de rejeitos, pois o material escavado volta para o próprio terreno. Pelo acordo feito entre a Meteoric e a prefeitura, será permitida a abertura de até três cavas simultaneamente. Já o processo de extração dos elementos terras raras será feito por meio de lixiviação, uma espécie de lavagem da argila. INFOGRÁFICO - Como será a mineração de terras raras no Sul de Minas Arte/g1 O processo técnico de extração, separação dos minerais da argila e recuperação das áreas liberadas segue seis etapas principais: ⛰️ Remoção do solo: retira-se uma camada de 30 a 40 metros de profundidade usando apenas retroescavadeiras, sem necessidade de explosivos. 🪨 Lixiviação (separação terras raras): a argila extraída é lavada com uma solução diluída de sulfato de amônia. Essa solução "libera" os íons de terras raras que estão presos à argila. ⚗️ Separação e precipitação: o líquido contendo os íons de terras raras entra em um circuito fechado para ser transformado em carbonato de terras raras, que concentra os 17 elementos de terras raras. ♻️ Lavagem e reutilização da argila: após a retirada dos minerais, a argila passa por uma nova lavagem em quatro etapas, feita com água limpa, para remover impurezas, e é armazenada temporariamente. 🌳 Recuperação ambiental: a argila limpa é devolvida às cavas pelo sistema backfill (preenchimento), e o terreno é reconstituído com vegetação semelhante à original. Segundo o diretor ambiental da Meteoric, Éder Santo, estudos feitos pela empresa definiram uma metodologia para o fechamento das cavas. “É uma operação de aterro e a gente fez uma série de testes geotécnicos para garantir que esse material fique estável para não desmoronar. Desenvolvemos um conceito de deposição em camadas finas de 30 centímetros, compactando esse material antes de vir com outra camada. Assim, esse backfill não vai gerar nenhum tipo de impacto ambiental ou para a segurança das pessoas”, explicou. De acordo com a mineradora, o sistema é sustentável, consome pouca energia, não utiliza ácidos fortes no estágio de extração e permite que, após cerca de um ano, a área minerada já não apresente "cicatrizes" visíveis no relevo. A professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Anna Luiza Marques Ayres da Silva, explica que o backfill é uma técnica conhecida e já bastante utilizada em diferentes contextos da mineração, mas sua segurança depende de bom projeto, execução adequada, controle de qualidade e monitoramento. “Sua aplicação deve ser analisada caso a caso, considerando o tipo de minério, o método de lavra, as condições locais e as exigências do licenciamento ambiental. No caso de terras raras, essa análise deve considerar também as características do processamento mineral e do material a ser utilizado no preenchimento, para verificar sua adequação física, química, geotécnica e ambiental.” Amostras de argila e solo com terras raras retiradas em Minas Anova Mineração RCO Mineração Empresa diz que estudos mostram segurança Segundo a Meteoric, estudos técnicos e pareceres de órgãos reguladores apontam que o Projeto Caldeira não apresenta riscos relacionados à radioatividade nem interferência nas atividades da unidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). De acordo com Santo, análises de concentrações de urânio e tório feitas com 22.450 amostras demonstraram que a radioatividade do material que será minerado está abaixo de 10 bequeréis por grama, que é o limite exigido pela norma de controles de radioproteção. O empreendimento não terá relação com a antiga mina de urânio. Para acalmar a pressão popular, a proposta original, que previa o transporte de minério por uma área pertencente à INB, foi alterada, resultando em um aumento de 30 km no trajeto. “Isso gerava muita discussão. Então decidimos retirar essa parte do projeto e utilizar estradas já existentes”, diz Santo. O gerente também descarta risco de drenagem ácida para os rios porque o processo, segundo ele, está relacionado à rocha e não ocorre na argila iônica. Equipamentos da mineradora Meteoric em posto de combustíveis do distrito de Pocinhos do Rio Verde, em Caldas (MG) Fabiana Assis/g1 Parecer de órgãos reguladores A INB garantiu que a mineração de terras raras não afetará a área da antiga mina e não causará vazamento radioativo, visto que não há previsão de uso do terreno. Informou também que o novo empreendimento não altera o planejamento atualmente previsto para o descomissionamento da UDC, que recebeu a licença ambiental do Ibama para a sua realização em janeiro de 2025. Com base nos estudos e relatórios apresentados pela empresa, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) considerou a instalação da mina isenta de requisitos adicionais de segurança e proteção radiológica, em 2024. Em 2025, a responsabilidade por este tipo de fiscalização foi transferida para a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) que declarou que não vislumbra a possibilidade de interferência do projeto Caldeira nas propriedades da UDC/INB e o isentou de controle regulatório por parte do órgão. A ANSN esclareceu que a avaliação do empreendimento foi conduzida com base no marco normativo brasileiro de proteção radiológica, bem como nas recomendações internacionais. Foram analisados os dados do Relatório de Informações Preliminares (RIP), fornecido pela empresa, relativos às concentrações de atividade total dos radionuclídeos do urânio e do tório nas matérias-primas, nos produtos e nos resíduos gerados pelo empreendimento. A partir dessa análise, concluiu-se que o projeto enquadra-se nos critérios de isenção. Todos os laudos, porém, ressaltam que a isenção tem caráter preliminar e poderá ser revista no início da operação de instalação, que deverá ser acompanhada pelo órgão que irá fazer coletas de amostras para análise. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), responsável pelo licenciamento ambiental da mina, disse que a proximidade do Projeto Caldeira com a UDC/INB foi considerada a partir das informações apresentadas nas manifestações ANSN, da CNEN, do Ibama e da INB e que a classificação radiológica de instalações e práticas, a definição de níveis de isenção e a eventual submissão a controle regulatório são matérias de competência da União. "Essas manifestações não indicaram interferência do projeto sobre a UDC/INB, sobre o programa de monitoramento radiológico ambiental executado naquela unidade ou sobre os trabalhos de descomissionamento em andamento", afirmou a Feam em nota. Para além da interação com a INB, a Meteoric afirma que foram investidos mais de R$ 10 milhões em estudos para avaliar o impacto do projeto no meio ambiente, que incluíram monitoramento das águas superficial e subterrânea, avaliação de ruído, levantamentos de fauna e flora, análises de qualidade do ar, estudos de tráfego e avaliação de impactos sobre as águas termais de Pocinhos do Rio Verde, distrito de Caldas. Os estudos resultaram em mais de 6 mil páginas de documentos que foram entregues aos órgãos reguladores. O Ministério Público Federal acompanha o desenrolar do projeto. Em 21 de maio, representantes do MPF estiveram em Caldas. De acordo com o órgão, a visita técnica realizada às instalações da Meteoric e da INB teve caráter apenas informativo. Na visita à Meteoric, o objetivo foi conhecer o local onde será instalada a planta industrial do empreendimento e onde se situará a cava principal de extração, além de entender os processos que a empresa pretende empregar para a obtenção de minerais de terras raras. Já na visita às instalações da INB, o objetivo foi tratar do processo de descomissionamento da unidade. Projeto Caldeira da Meteoric recebe autorização do Conselho Gestor da Área de Preservação Ambiental Santuário Ecológico da Pedra Branca (Congeapa) de Caldas Meteoric/Divulgação Mineração precisa ser fiscalizada, dizem especialistas Na opinião do geólogo Roberto Kozuki, o principal ponto de atenção do Projeto Caldeira não é a proximidade com a INB, mas a forma como a mineração será executada e fiscalizada. O profissional, que por muitos anos foi responsável pela avaliação do impacto da mineração de urânio no lençol freático em Caldas, afirma que a presença de minerais radioativos na região não significa automaticamente risco elevado nas áreas previstas para exploração das argilas iônicas. A real preocupação do geólogo é com o processo de beneficiamento mineral, que, segundo ele, utiliza substâncias químicas de potencial poluidor. Ele ressalta, no entanto, que o risco depende diretamente da condução operacional. “Beneficiamento de minério é de um grau muito alto de risco ambiental, mas, bem conduzido, não há problema. Agora, se não fizer direito, vai contaminar lençóis freáticos, rios. Vai haver prejuízo ambiental.” A professora do Instituto de Física da USP Elisabeth Yoshimura compartilha dessa opinião e alerta que a preocupação não deve se ater somente à INB, mas ao cuidado de não haver vazamento radioativo no processo que será instalado para a retirada de terras raras. "Independentemente da INB, o processamento de terras raras vai gerar um rejeito que é radioativo porque o tório está ali misturado. Onde tem terras raras, tem átomos radioativos. Devolver a terra que sobrou para a cava parece uma boa solução, porque você não cria depósitos e não vai despejar nos rios", diz. Na visão de Kozuki, a preocupação central deveria ser garantir que existam mecanismos claros de cobrança e que envolvam fiscalização, compensações ambientais e sociais e desenvolvimento regional. “Não se barra um empreendimento desse porte. É um material estratégico. O momento é agora, tem que ser explorado, mas tem que ter reversão para a comunidade e não pode deixar impacto ambiental para a região.” Além de todo o debate, a mineração de terras raras já começou a transformar Caldas, antes mesmo do início das escavações, e deixa os moradores na expectativa do que será o futuro. Quarta geração da família que mantém a mais tradicional padaria da cidade há quase 80 anos, Juliano César da Fonseca Barbosa acredita que a mineração de terras raras trará vantagens para a população. “A meu ver, tudo que traz geração de emprego, progresso e renda para a cidade, eu sou super favor. Desde que não agrida o meio ambiente e não seja como a INB que não trouxe nenhum benefício para a cidade.” O geólogo Roberto Kozuki diz que projetos minerais de terras raras têm bons projetos, mas precisam ser fiscalizados Fabiana Assis/g1 Terras raras: tipos e usos Arte/g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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Uiramutã: como vive a população do município apontado como pior do Brasil em qualidade de vida

Publicado em: 30/05/2026 04:00

Uiramutã: como vive população do município mais ao Norte do Brasil "Deixe nada além de pegadas, tire nada além de fotos, leve nada além de saudades", diz a placa na entrada de Uiramutã, em Roraima, sobre as riquezas naturais do município. É o mesmo lugar que, segundo o Índice de Progresso Social (IPS), do instituto Imazon, tem a pior qualidade de vida do país. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 📊 Entenda: O IPS mede a qualidade de vida nos municípios com base em 57 indicadores sociais e ambientais reunidos em três áreas: Necessidades Básicas, Bem-Estar e Oportunidades. A nota vai de 0 a 100 e mostra como a população vive, e não somente o quanto a cidade produz ou recebe em investimentos. O Uiramutã tirou 42,44 e ficou no último lugar do país pelo terceiro ano seguido. O título incomoda moradores, que destacam o patrimônio cultural e ambiental do território, marcado por um abandono estrutural histórico. 🏡 Para entender a realidade por trás dos números e o que significa qualidade de vida em Uiramutã, onde 96,6% dos habitantes se autodeclaram indígenas, o g1 foi até a sede do município — principal ponto de acesso a serviços públicos da região, onde ficam a prefeitura, a Câmara Municipal, postos de saúde, comércios, pousadas e um posto da Polícia Militar. "Na minha opinião, essa declaração está errada. Você pode andar meia-noite pela rua e ninguém mexe com você. Diferente de outros lugares", diz Valdinar dos Santos, de 62 anos, um dos moradores ouvidos pela reportagem. Há quase três décadas ele saiu do Piauí e vive na região: "É tanto que eu nem pretendo voltar". "Aqui é sossegado, tem paz, tranquilidade, só precisa de pessoas para tomar conta do município", complementa a comerciante Cristiane Lima, de 47 anos. Ela acredita que embora o Uiramutã seja pacato, é necessário melhorar a gestão pública para progredir nos indicadores. INFOGRÁFICO: raio-x de Uiramutã, município mais ao Norte do Brasil Arte/g1 🗺️ Isolamento geográfico O desafio de viver no Uiramutã começa no trajeto. O município fica na tríplice fronteira do Brasil com a Guiana e a Venezuela, distante mais de 300 km de Boa Vista. Até a sede, a viagem dura mais de seis horas - cinco delas por estradas de terra precárias. Caminhonetes e veículos altos são recomendados para o percurso. O acesso ao Uiramutã parte da BR-174, único trecho asfaltado, e segue pela BR-433. No período de chuvas em Roraima, a estrada de terra fica tomada por lama, buracos e atoleiros. O trajeto piora na RR-171, rodovia estadual que corta a região de serras, onde fica a sede do município. Esse isolamento cobra um preço alto de quem vive na sede do município. No dia da visita, em 22 de maio, o litro da gasolina custava R$ 9,40 e o do diesel, R$ 9,50. É o combustível mais caro do estado. O comerciante Eduardo Lima, de 24 anos, avalia que a estrada é o grande gargalo da economia local. "A estrada nunca mudou", afirma. “Já aconteceu de ficarmos sem mercadoria por conta de alguma ponte que caiu ou quebrou alguma coisa. Os representantes públicos podem fazer alguma coisa, mas não fazem", diz Eduardo. 🚨 A vulnerabilidade descrita por ele reflete a atual crise do município. Nesta quinta-feira (28), a prefeitura de Uiramutã decretou estado de emergência após o transbordamento de rios e igarapés deixar mais de 8,7 mil pessoas (cerca de 56% da população local) isoladas e sem qualquer acesso terrestre. Agora, pelo menos 16 comunidades indígenas do município enfrentam escassez de água potável, perdas agrícolas e paralisação de serviços essenciais. O temporal afetou 10 dos 15 municípios de Roraima e mobilizou uma força-tarefa do governo estadual. Acesso ao Uiramutã passa por duas estradas precárias de terra, a BR-433 e a RR-171, que pioram com as chuvas. João Gabriel Leitão/g1 RR 'Melhor lugar de se viver' Embora o IPS tenha avaliado serviços essenciais, como saúde, saneamento e segurança, a régua de qualidade de vida parece não fazer sentido para quem vive a tranquilidade do Uiramutã, apesar das dificuldades. Nas ruas da vila, o sentimento de pertencimento é forte. Valdinar reforça que as falhas apontadas pelo estudo não anulam o apego de quem escolheu a região como casa. "Não tem como dizer que o Uiramutã é o pior lugar de se viver. Na minha opinião, é o melhor", contesta. Valdinar dos Santos, de 62 anos, mora em Uiramutã há quase três décadas. João Gabriel Leitão/g1 RR A comerciante Cristiane destaca o abandono do poder público em certas áreas, mas exalta a segurança. "Acho que é o único lugar em Roraima em que o seu filho brinca até duas horas da manhã numa praça sem ter assalto". No entanto, ela lamenta que o difícil acesso afasta os visitantes do potencial turístico rico em cachoeiras, corredeiras e áreas preservadas da região que concentra algumas das paisagens mais exuberantes do Norte do país. "As cachoeiras são lindas, mas quem em Boa Vista quer vir passear, não consegue, porque o acesso pela estrada não permite", diz Cristiane. A sensação de tranquilidade descrita pelos moradores da sede do município, no entanto, esconde uma vulnerabilidade que reflete nos indicadores. O município lidera os registros de violência sexual contra crianças e adolescentes indígenas na Amazônia Legal. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta uma taxa de 443,5 casos por 100 mil habitantes, número muito acima da média regional, de 141,3. O levantamento foi divulgado em 2025, com dados coletados entre 2021 e 2023. O Conselho Tutelar aponta que a violência no município ocorre, em grande parte, no ambiente intrafamiliar e em comunidades de difícil acesso. As estradas precárias atrasam o resgate das vítimas e o trabalho de acompanhamento feito pelos únicos cinco conselheiros da cidade e órgãos especializados (entenda mais abaixo). 💧❌ Falta de água e torneiras secas Moradores de alguns bairros da sede do Uiramutã (RR) sofrem diariamente com má distribuição de água na vila. João Gabriel Leitão Ao caminhar pela sede do município, é possível ver obras em andamento, novas calçadas, casas e comércios em construção. A sede possui sinal de telefonia e internet móvel. No entanto, o crescimento esbarra, por exemplo, na falta de saneamento básico e água tratada. A vila possui oito bairros, com casas de alvenaria e de barro, além de ruas com e sem asfalto. No bairro Baixada, um dos mais novos, a falta de energia elétrica e a escassez de água viraram rotina. Moradores relatam passar até cinco dias sem uma gota nas torneiras e improvisam caixas d’água no chão. O vendedor Wilisson Cubilian, de 34 anos, que vive na Baixada com a esposa e dois filhos, estava sem água havia três dias durante a visita. Ao g1, ele contou que a população aguarda há oito anos pela perfuração de um novo poço artesiano. "A gente não tem mais nada a fazer, só esperar a solução deles e do governo. A gente está na serra e tem água nos arredores todinhos, mas aqui é difícil. A gente não paga água, mas precisa", pontua o pai de família. O professor Robson Nascimento, de 46 anos, precisou pagar R$ 50 a caminhões particulares, que extraem água de poços artesianos e vendem em galões de mil litros, para encher um reservatório improvisado em casa. "A gente liga para o responsável da Caer, e ele fala que a gente não paga água, então é por isso que sofre com isso. Eu, pelo menos, ainda posso comprar uma caixa d'água. Mas imagina as famílias mais humildes?", questiona. O vereador Rômulo Lima (PDT), que também mora na região da Baixada, afirma que as demandas foram repassadas ao governo do estado e à prefeitura. "É bastante complicada a situação. Principalmente no período de verão a gente tem muita dificuldade com a água nas comunidades indígenas, e mesmo no período de chuva falta água. Principalmente tratada", explica. O acesso à água foi avaliado no IPS, no quesito de Necessidades Humanas Básicas, que mede se a cidade atende às necessidades essenciais de sobrevivência da população. O Uiramutã ficou com a menor nota do país no quesito. Responsável pelo fornecimento de água, a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) informou que ampliou o sistema de abastecimento do município nos últimos anos com a construção de cinco poços artesianos, um reservatório e quatro mil metros de rede de distribuição. Para atender aos bairros Baixada e São Francisco, a companhia concluiu a licitação para perfurar mais dois poços e prevê a construção de um novo reservatório de 50 mil litros. 🏛️ Serviços públicos sobrecarregados Sede do Conselho Tutelar do Uiramutã (RR), que opera com apenas cinco conselheiros tutelares. João Gabriel Leitão/g1 RR O tamanho do território e o isolamento logístico sufocam os servidores, que se desdobram para atender as centenas de comunidades isoladas e para entregar serviços essenciais como saúde e proteção social. Em uma das unidades básicas de saúde, a José Júlio, a farmácia estava abastecida e visitas domiciliares eram realizadas por equipes multiprofissionais, segundo a diretora Luana de Carvalho. Contudo, atendimentos mais complexos exigem viagens exaustivas até Boa Vista. "O desafio mesmo é enfrentar a estrada", resume a diretora. Na área de assistência social e proteção às crianças, o cenário revela ainda mais sobrecarga. O município conta com cinco conselheiros tutelares para cobrir todo o território. Um deles é Fábio de Souza. Ele conta que as dificuldades logísticas para alcançar comunidades isoladas atrasam resgates e acompanhamentos. "Às vezes, na comunidade indígena, não é só uma criança dentro do grupo familiar, às vezes são várias. Tanto ela como essas outras crianças têm que ser acompanhadas", lamenta. A rede de apoio a vítimas praticamente não existe. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) funciona com apenas uma assistente social e não conta com psicólogo, assim como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). A assistente social do Cras, Karlleide Pinho, de 38 anos, conta que a falta de profissionais afeta campanhas preventivas. "As maiores dificuldades que temos são por conta da parte geográfica, e também em relação a profissionais virem para cá", relata. Segundo ela, dois psicólogos e dois assistentes sociais aprovados em um processo seletivo realizado no ano passado desistiram de atuar no município. O que diz a prefeitura Serviços público tem dificuldade em acessar todas as 200 comunidades indígenas do Uiramutã (RR). João Gabriel Leitão/g1 RR Uiramutã não é um município com características comuns. Grande parte dos 13.751 habitantes vive nas 222 comunidades espalhadas pelo território, de mais de 8 mil km², inserido na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A prefeitura, no entanto, pondera que medir o progresso social de comunidades indígenas com os mesmos critérios de áreas urbanizadas pode gerar distorções. A chefe de gabinete do prefeito Tuxaua Benísio (Rede), Eliane Cavalcante, de 40 anos, reconhece os problemas de saneamento e infraestrutura, mas defende que o modo de vida tradicional das comunidades indígenas tem formas próprias de compreender bem-estar e qualidade de vida. "Se a gente for a uma comunidade indígena, não necessariamente não ter sinal de internet ou não ter água encanada significa que seja um lugar ruim de se viver. É um modo cultural”, explica. “Não é só porque não tem sinal de internet nas comunidades [que a qualidade de vida é ruim], as pessoas foram criadas assim. É um município longe, com suas diversidades, suas especificidades. Mas não é um lugar ruim de se viver. Discordo dessa ideia totalmente", defende Eliane. Segundo a chefe de gabinete, no dia da visita, o prefeito estava ausente. Ela informou que a prefeitura busca parcerias para melhorar o cenário do município, mas a gestão lida com a falta de recursos e barreiras ambientais. A prefeitura de Uiramutã também defende que a oferta de serviços às comunidades indígenas também depende das decisões tomadas pelos próprios povos em cada localidade. Segundo o município, a implementação de serviços passa por assembleias comunitárias em que os moradores decidem coletivamente quais estruturas e atendimentos desejam receber. Além disso, a logística da região dificulta a oferta dos serviços. Eliane afirmou que o abastecimento de água é responsabilidade do governo estadual, por meio da Caer, enquanto o município atua na abertura de poços artesianos e busca recursos. Sobre as estradas, destacou que obras em áreas indígenas dependem de aprovações ambientais e das comunidades. "Há uma burocracia muito grande", resume. 🛣️ A responsabilidade pelas rodovias federais, como a BR-433, é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), enquanto as estaduais, são de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura (Seinf). Em nota, o Dnit informou que realiza obras de melhoria na pista da BR-433 para facilitar o tráfego, mas ressaltou que não há contrato vigente para asfaltamento do trecho. Já a Seinf comunicou que a manutenção da RR-171 começa após o período chuvoso e que abriu processo para estudo de viabilidade de pavimentação da rodovia. Cultura não pode justificar abandono, alerta antropóloga A antropóloga Lêda Leitão Martins pondera que indicadores nacionais de qualidade de vida podem, em algum aspecto, não refletir completamente o que significa "viver bem" para povos indígenas, já que comunidades tradicionais possuem outras formas de compreender bem-estar, desenvolvimento e qualidade de vida. "Acho que agentes públicos, políticos usam um discurso cultural pra mascarar violências por parte do Estado brasileiro, ou de agentes do Estado ou de parte de políticas públicas que não são implementadas ou são implementadas de uma forma que traz mais prejuízos do que benefícios", diz. Ela alerta ainda que diferenças culturais não podem ser usadas para justificar ausência de políticas públicas e abandono estrutural dos responsáveis, como é o caso de Uiramutã. "Autonomia e respeito pela questão cultural não significam dizer: 'Os indígenas têm direito à sua cultura, então têm que ficar como sempre viveram e nada pode ser mudado'. Os povos indígenas têm uma capacidade enorme de absorver novas tecnologias, de criar uma inteligência e uma sensibilidade para lidar com conhecimentos novos sem perder quem são." Sede do Uiramutã, município mais ao Norte do Brasil, em Roraima Ronny Alcântara/Rede Amazônica Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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CEOs do setor de IA tentam conter temor sobre desemprego em massa causado pela tecnologia

Publicado em: 30/05/2026 03:00

Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026 Reuters/Carlos Barria Os empresários mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) começaram a moderar o tom de previsões alarmistas sobre um suposto desemprego em massa causado pela tecnologia, em meio ao aumento da resistência pública às transformações prometidas para o mercado de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da OpenAI, Sam Altman — cujas declarações anteriores ajudaram a alimentar preocupações sobre os impactos da IA na sociedade — agora afirmam que parte dos alertas apocalípticos foi exagerada ou até oportunista. Em entrevista à Channel News Asia na segunda-feira (25), Huang criticou diretamente executivos que associam demissões recentes ao avanço da IA. “A narrativa que vincula a IA à perda de empregos, para muitos CEOs, é simplesmente conveniente demais”, afirmou. Agora no g1 “A IA acabou de chegar. Como é possível que já estejam perdendo empregos por causa dela?”, questionou Huang, que há anos defende que a tecnologia criará tantos postos de trabalho quanto eliminará. O executivo também rebateu previsões mais catastróficas do setor e disse que a recente onda de demissões em grandes empresas não foi provocada pela inteligência artificial. “Como é possível que a IA tenha se tornado realmente útil há apenas seis meses e, ainda assim, empresas digam que demitem pessoas por causa dela há dois anos? Isso não faz sentido”, declarou. “Era apenas uma forma de parecerem espertos, e eu detesto isso profundamente. Estamos assustando as pessoas de forma irresponsável”, acrescentou. Mea-culpa de Altman Na semana passada, o banco britânico Standard Chartered anunciou planos para cortar milhares de empregos até 2030, alegando que a inteligência artificial substituirá funcionários em diversas funções administrativas. Já a empresa responsável pelo Snapchat eliminou mil vagas no mês passado, afirmando que a IA aumentou a eficiência operacional enquanto a companhia busca rentabilidade. Sam Altman, CEO da OpenAI, também recuou parcialmente de previsões anteriores. Durante a conferência Accelerate AI, promovida pelo Commonwealth Bank of Australia em Sydney, ele afirmou que o avanço da IA não provocará o “apocalipse do emprego” previsto por parte da indústria — incluindo a própria OpenAI. “Eu achei que já teríamos visto um impacto maior sobre cargos executivos de nível inicial do que realmente ocorreu”, disse Altman, segundo o jornal The Australian. “Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu — felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, completou. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também suavizou o discurso. Recentemente, ele afirmou que, mesmo em um cenário em que 90% dos empregos sejam automatizados, os 10% restantes continuariam nas mãos de trabalhadores humanos, que seriam muito mais produtivos com o apoio da IA. Amodei há anos é alvo de críticas de rivais do setor, que o consideram excessivamente pessimista em relação aos riscos da tecnologia, apesar do sucesso comercial da Anthropic. No ano passado, Huang chegou a afirmar que discorda “de quase tudo o que ele diz”, em referência ao executivo. As mudanças de discurso de Altman e Amodei ocorrem em um momento em que OpenAI e Anthropic se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa, operações que dependem de forte apoio de investidores. Enquanto isso, o tom alarmista adotado anteriormente por parte da indústria começa a gerar reação negativa. Pesquisas de opinião indicam crescente desconforto do público — especialmente nos Estados Unidos — com a possibilidade de uma transformação profunda do mercado de trabalho impulsionada pela IA. Nesta quarta-feira (27), a governadora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Lisa Cook, alertou que os efeitos mais profundos da inteligência artificial sobre o emprego ainda podem estar por vir. “Podemos estar nos aproximando da reorganização do trabalho mais importante em gerações”, afirmou durante discurso na Universidade Stanford. Segundo Cook, as perdas de empregos relacionadas à IA podem ocorrer antes que os ganhos prometidos pela tecnologia se concretizem, embora a perspectiva de longo prazo continue sendo considerada positiva. Até o momento, porém, a maioria das instituições econômicas — entre elas o Banco Central Europeu — avalia que os impactos da inteligência artificial sobre o emprego seguem limitados. LEIA TAMBÉM: Inteligência Artificial já reduz emprego entre jovens no Brasil e ameaça formação profissional

Entenda como foi feita análise que confirmou petróleo cru em sítio no interior do Ceará

Publicado em: 30/05/2026 02:00

Vídeo mostra momento em que agricultor encontra possível poço de petróleo ao perfurar solo A Agência Nacional do Petróleo (ANP) divulgou o relatório oficial que mostra como foi realizada a análise que confirmou a presença de petróleo cru em um sítio de Tabuleiro do Norte, no Ceará. 👩🏽‍🔬 O documento apresenta os procedimentos realizados durante o processo e as características da amostra colhida no dia 11 de março deste ano na cidade de Tabuleiro do Norte. O achado do petróleo foi feito pelo agricultor Sidrônio Moreira, que perfurava o solo em busca de água, em 2024, no município cearense que fica a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza. LEIA TAMBÉM: Líquido achado em sítio no Ceará é petróleo cru, conclui ANP ANP abre processo para avaliar se é possível extrair petróleo no Ceará Com a confirmação do petróleo, a agência abriu um processo administrativo para avaliar a área e o seu contexto geológico, de modo a estudar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. ➡️ A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente. A família havia comunicado à ANP sobre o possível achado em julho de 2025, e a equipe da agência visitou o sítio 7 meses depois, no dia 12 março de 2026, após o caso ser revelado pelo g1. Como a análise foi realizada? Equipe da ANP levou amostra colhida pelo IFCE para analisar. Divulgação/IFCE A amostra foi coletada pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Estado do Ceará (IFCE), em 11 de março de 2026 e cedida à equipe da ANP durante visita técnica em 12 de março de 2026. O g1 acompanhou todo o processo: O conteúdo estava acondicionado em dois frascos de um litro, com aproximadamente 80% e 40% de volume ocupado. De acordo com o relatório oficial, a amostra coletada no sítio apresentava "aspecto geral compatível com amostras de petróleo bruto, de cor preta, viscosidade elevada e odor característico". Na ANP, a amostra in natura foi submetida a procedimentos que mostraram a densidade relativa do material, a análise molecular via infravermelho e a concentração de enxofre e outros elementos químicos. Adriano Lima, engenheiro químico e professor do Instituto Federal do Ceará (IFCE), comenta os principais pontos do relatório. O especialista acompanha o caso desde o início, e realizou testes em um laboratório do IFCE em Tabuleiro do Norte. Os primeiros laudos já mostravam que o material poderia ser mesmo petróleo: "O laudo, de forma inequívoca e precisa, confirma que essa amostra é petróleo cru. Esse laudo foi importante porque eles conseguiram confirmar que aquele material que a gente enviou não tem possibilidade de ter contaminação com outros materiais. Muitas vezes, o órgão, quando recebe amostras, tem uma certa dúvida se aquele material é um material de origem fóssil ou ele é um material que, de repente, pode ter sido contaminado, como, por exemplo, um óleo lubrificante", explica o engenheiro. IFCE mediou contato com a ANP. Na foto, o engenheiro químico Adriano, do Campus de Tabuleiro do Norte, faz experiência com líquido colhido no sítio de Sidrônio Moreira. Gabriela Feitosa/g1 Outro ponto importante trazido no relatório da ANP é que a amostra colhida no sítio de Sidrônio tinha "indícios de degradação". Adriano explica que isso ocorre porque o material no subsolo acaba sofrendo modificações a partir do ambiente em que está inserido, como o contato com calor e umidade. ➡️ Vale lembrar que o líquido preto jorrou do chão depois que a família cearense decidiu perfurar um poço artesiano em busca de água, pois enfrentam dificuldade para acessar água encanada no sítio onde moram. Atualmente, a família está recebendo água de uma adutora nova da região, mas os animais e a plantação continuam sem abastecimento suficiente. "O petróleo tem várias substâncias dentro dele. Basicamente, ele é uma mistura de hidrocarbonetos, componentes químicos que têm na sua base carbono e hidrogênio. Por que está em um processo de degradação? Possivelmente, quando você faz a retirada desse material, há contato com calor e umidade. O poço que tem no seu Sidrônio é suscetível às questões ambientais, pode ter infiltração de água quando chove ou, eventualmente quando abre, entra oxigênio com luminosidade", detalha Adriano. Por fim, o laudo da ANP diz o seguinte: "Os resultados obtidos apontam para uma amostra de petróleo cru com indícios de degradação. O resultado de FTIR indicam uma mistura majoritária de hidrocarbonetos alifáticos. Os resultados de teor de elementos mostram a presença majoritária de Níquel e Vanádio, característicos de amostras de petróleo, e a ausência de metais de desgaste, excluindo a hipótese de óleo lubrificante usado". Quais são os próximos passos? A Agência Nacional do Petróleo (ANP) deve iniciar uma fase de estudos para avaliar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A ANP, porém, destacou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica" e, uma vez concluída, não há garantia de que a área será explorada comercialmente, já que os interessados na exploração ainda vão analisar se a operação compensa financeiramente. Antes da fase de exploração propriamente dita, a ANP divide a região da jazida em blocos de exploração, isto é, em diferentes áreas que serão leiloadas para as empresas realizarem a exploração de petróleo. O processo como um todo, desde a descoberta até a conclusão das pesquisas, o leilão da área, a instalação da operação e a obtenção de licenças ambientais, pode levar anos. "A partir do resultado da análise, a ANP abriu um processo administrativo com a finalidade de promover a avaliação técnica da área e de seu contexto geológico, inclusive quanto à eventual inclusão de bloco exploratório na Oferta Permanente de Concessão (principal modalidade atual de licitações de áreas para exploração e produção de petróleo e gás)", disse a agência por meio de nota. "A inclusão de blocos no edital da Oferta Permanente necessita de diversas etapas, não só internas da ANP como também de outros órgãos, como órgãos ambientais e ministérios". O agricultor poderá 'lucrar' com o petróleo? Agricultor Sidrônio Moreira furou poço em busca de água, mas encontrou óleo que pode ser petróleo Marcelo Andrade/IFCE Mesmo com a confirmação de que o líquido é petróleo, Sidrônio não será dono do material, pois a Constituição Federal determina que o subsolo e suas riquezas, incluindo o petróleo e o gás, são de propriedade e monopólio da União. No entanto, Sidrônio poderá ter um retorno financeiro caso a área passe por um processo de exploração e produção comercial no futuro. Dessa maneira, o proprietário da terra tem direito a receber um percentual. ➡️Mas, atenção: primeiro a agência precisa analisar se vale a pena explorar a bacia. Outros achados parecidos foram descartados por serem acúmulos pequenos. Esse repasse financeiro, garantido por lei, pode chegar a até 1%, dependendo de vários fatores que precisarão ser avaliados. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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Decisão EUA: veja os possíveis impactos econômicos da classificação do PCC e do CV como grupos terroristas

Publicado em: 30/05/2026 00:00

PCC e CV são organizações mafiosas, e não terroristas, diz o promotor Lincoln Gakiya Os impactos da classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas, pelos Estados Unidos, ainda não são completamente conhecidos, mas o Brasil pode ser prejudicado economicamente pela medida. O motivo, segundo pesquisadores e investigadores ouvidos pelo g1, é que as facções têm utilizado o sistema financeiro nacional para lavar dinheiro — assim como também vem sendo observado em outros países com suas organizações criminosas. A Carbono Oculto, uma operação da Polícia Federal deflagrada em 2025 e com desdobramentos recentes em 2026, por exemplo, investiga a infiltração do PCC no mercado financeiro e na economia formal (veja detalhes abaixo). "Como se sabe pelas operações policiais já feitas, a penetração de dinheiro ilegal é muito grande na economia legal. Imagina, por exemplo, um operador de agronegócio que faça negócios com uma transportadora de soja que seja usada para lavar dinheiro do PCC. Esse agroempresário pode ser julgado nos EUA", diz Thiago Rodrigues, professor de Relações Internacionais na Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Facções criminosas do Brasil no foco dos EUA Os EUA anunciaram a inclusão do PCC e do CV em duas listas: a de Terroristas Globais Especialmente Designados (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e a de Organizações Terroristas Estrangeiras (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs). Rodrigues explica que, no caso da inclusão das facções na primeira lista, que já está em vigor, o foco de eventuais ações do governo americano está no combate a operações financeiras realizadas dentro dos EUA. Já a inclusão das facções na segunda lista traz consequências muito mais amplas, segundo Rodrigues, porque ela "projeta a capacidade de os Estados Unidos processarem pessoas de países terceiros que tenham relações com grupos que são listados como terroristas". Em outras palavras, "a atividade financeira de um grupo no Brasil pode ser processada nos EUA", tanto na esfera cível quanto na criminal. "Isso impacta diretamente na economia de um país. Qualquer pessoa, cidadã de outro país, pode ser processada no sistema jurídico-penal dos EUA: um político, uma personalidade pública, um empresário, um banqueiro — mesmo que não esteja fazendo negócio nos EUA, mas esteja fazendo negócio no seu próprio país", afirma Rodrigues. O exemplo da Carbono Oculto - A Polí­cia Federal realiza Operação Carbono Oculto, no prédio localizado no número 3732 da Avenida Faria Lima, principal centro financeiro do País, na zona oeste de São Paulo, na manhã desta quinta-feira, 28 de agosto de 2025. WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO O promotor Lincoln Gakiya, que atua no combate ao PCC há 21 anos e é um dos investigadores da Operação Carbono Oculto, também aponta que a nova medida dos EUA pode fazer o país sofrer "sanções econômicas de natureza gravíssima". A operação da PF identificou que fintechs, que prestam serviços digitais semelhantes aos de bancos, misturavam dinheiro limpo e dinheiro proveniente do crime em "contas-bolsões" abertas em grandes instituições financeiras. As investigações revelaram também que o esquema também utilizava o setor de combustíveis para a prática de lavagem de dinheiro, dificultando o rastreamento dos recursos ilícitos. "Veja este exemplo: postos de combustíveis pertencentes a pessoas ligadas ao PCC praticaram transações com outros grupos, como Copape [empresa que mistura gasolina], e por sua vez o dinheiro auferido dessas transações foi parar no mercado financeiro, num fundo da gestora Reag [investigada pela PF]", disse Gakiya em entrevista à jornalista Natuza Nery no podcast O Assunto desta sexta-feira (29). "A Reag aplica uma parte de seus recursos, por exemplo, no Banco Master, que por seu turno faz transações de títulos com vários bancos grandes do país e que têm também operações financeiras com bancos americanos. Se a gente for levar ao pé da letra a interpretação que se dá a essa classificação de terrorismo, você poderia sancionar esses bancos brasileiros — que não tiveram diretamente nenhum contato com nenhum integrante do PCC", explicou o promotor. As sanções, de acordo com Gakiya, podem incluir o congelamento de ativos e a proibição de transacionar com qualquer instituição americana — o que seria especialmente problemático para bancos, que estão interligados ao sistema financeiro dos EUA. "[A nova classificação] Pode afetar desde o sistema bancário até o turismo no Rio de Janeiro, passando pelo agro, pelas empresas de tecnologia, pela Bolsa de Valores. O Brasil não é uma economia pouco integrada na economia global, é a sétima economia do mundo. Não é a Venezuela, que é um país exportador de petróleo cru. O Brasil é um sistema econômico complexo e muito integrado", diz Thiago Rodrigues. Um representante de um grande banco brasileiro ouvido pela reportagem minimizou, no entanto, os possíveis impactos da medida anunciada pelos Estados Unidos. Para o profissional, as instituições financeiras brasileiras já atuam com programas robustos de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro. "As fintechs que não seguem tais medidas é que devem ser impactadas", disse reservadamente. De olho nos tentáculos do crime organizado no sistema financeiro, o Banco Central tem adotado regras para aprimorar os mecanismos de identificação da origem e de rastreio de recursos. Histórico nos EUA Segundo o professor de Relações Internacionais Thiago Rodrigues, já havia grupos similares ao CV e ao PCC nas listas de terroristas dos EUA desde o ano passado. Assim que assumiu o atual mandato, em 2025, o presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva para que o Departamento de Estado americano incluísse o crime organizado nessas listas. Na ocasião, Trump citou nominalmente o cartel de Sinaloa, do México, o Trem de Arágua, da Venezuela, e o Mara Salvatrucha, de El Salvador. Ainda de acordo com Rodrigues, desde 2021 a facção PCC já estava em uma terceira lista do governo americano, classificada pelo Departamento do Tesouro como organização criminosa internacional. Essa lista prevê especificamente confiscos de bens e prisão de pessoas envolvidas em negócios com o PCC dentro dos EUA. Essa classificação, no entanto, teve poucos resultados nos últimos cinco anos, segundo Rodrigues. "O que a gente acredita é que a presença [de pessoas] do PCC nos Estados Unidos é irrisória, não é substancial. Não há uma iniciativa, até onde os pesquisadores saibam, de o PCC entrar nos Estados Unidos", explica. "Agora, essa nova lista [de grupos terroristas] é muito mais política do que técnica, porque coloca esses grupos em uma outra narrativa — da guerra contra o terrorismo, de um inimigo muito perigoso que justifica interferências nos sistemas políticos de outros países", afirma.

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No cálculo do PIB, construção civil é um dos destaques do primeiro trimestre de 2026

Publicado em: 29/05/2026 21:43

Construção Civil é um dos destaques do PIB do 1º trimestre No cálculo do PIB, a construção civil é considerada uma das atividades industriais da economia – e foi um dos destaques do primeiro trimestre. Tapumes, andaimes, tijolos à vista. É em uma quadra e também na outra. E do alto, mais prédios subindo. Reflexo de um setor que cresceu no primeiro trimestre de 2026 e que ajudou no desempenho geral da indústria. A construção civil cresceu 2,9% entre janeiro e março. É uma recuperação depois de uma queda registrada no último trimestre de 2025. Desde o início de 2026, o volume de obras nas cidades aumentou, segundo os construtores. “O que que contribuiu para o crescimento foram as obras públicas, PPPs e concessões, principalmente das obras do governo e dos governos de estado. Toda capital que fez um plano diretor adequado para poder diminuir o déficit habitacional está com uma construção civil muito pujante”, afirma Yorki Estefan, presidente do Sinduscon São Paulo. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia No cálculo do PIB, construção civil é um dos destaques do primeiro trimestre de 2026 Jornal Nacional/ Reprodução Já a indústria de transformação - que é a que faz um produto a partir de uma matéria-prima - teve praticamente o mesmo desempenho do trimestre anterior. Um dos setores que enfrentam desafios é o automotivo. Embora as vendas tenham aumentado no primeiro trimestre no mercado interno, as exportações caíram na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a associação dos fabricantes. “O que nós tivemos foi um desaquecimento das economias latino-americanas e, portanto, reduziu os embarques do Brasil para esses países. E um processo de muita competição também fora do Brasil. O que acontece no Brasil da competição, sobretudo asiática, acontece também nos países da América Latina”, diz Igor Calvet, presidente da Anfavea. Os economistas avaliam que os juros altos - necessários para segurar a inflação - ainda impactam os investimentos das empresas em maquinário e tecnologia. A taxa de investimento cresceu mais de 3% e ficou em 16,5% do PIB. Apesar de ter subido na comparação com o trimestre anterior, ainda ficou mais de um ponto percentual abaixo do mesmo período de 2025. E isso pode comprometer o crescimento no futuro. O pesquisador da FGV Samuel Pessoa afirma que a queda de juros só virá de forma sustentável com mais organização dos gastos públicos: “Um plano de ajuste fiscal, uma política mais consistente de redução de endividamento que permitirá que o Banco Central retome o ciclo de queda de taxa de juros. É reduzindo o crescimento do gasto, pressionando menos a demanda agregada e permitindo que os juros caiam. O juro cai, o investimento privado sobe e ocupa o espaço que era ocupado pelo setor público”. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM PIB do Brasil cresce 1,1% no 1º trimestre de 2026, diz IBGE Fazenda vê desaceleração, mas mantém em 2,3% estimativa de alta do PIB em 2026 Contas públicas têm superávit de R$ 24,6 bilhões em abril; dívida sobe para 80,4% do PIB

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Nova fábrica da Toyota em Sorocaba vai produzir o Corolla a partir de novembro

Publicado em: 29/05/2026 19:20

Planta de Sorocaba da Toyota com a linha do Corolla Cross divulgação/Toyota A Toyota anunciou nesta sexta-feira (29) que a fábrica de Sorocaba (SP) será inaugurada em novembro deste ano. A unidade será a segunda da montadora na cidade e ficará responsável pela produção de novos carros e de modelos com tecnologia híbrida. A inauguração faz parte do plano de investimentos de R$ 11 bilhões da Toyota no Brasil, previsto para ser executado até 2030. De acordo com a empresa, o início das atividades da nova fábrica deve gerar cerca de 2.000 empregos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Na nova planta será produzido o Toyota Corolla sedã, atualmente fabricado em Indaiatuba (SP). A montadora opera nessa cidade desde 1998, com foco no modelo, tanto nas versões tradicionais quanto nas opções híbridas, que começaram a ser produzidas em 2019. No Brasil, a Toyota fabrica apenas os modelos Corolla sedã, Corolla Cross e Yaris Cross. Os demais veículos vendidos pela marca no país, como a picape Hilux e o SUV SW4, são importados. No comunicado, a Toyota prometeu lançar novos carros, mas não informou quais serão os modelos nem em que categorias eles se enquadram. Hoje, a marca oferece esportivos como o GR Yaris e o GR Corolla, o sedã Corolla, SUVs como RAV4, SW4 e Yaris Cross, além da picape Hilux e dos veículos comerciais Hiace. Inauguração ocorrerá um ano após desastre na região Temporal destelha fábrica de motores e carro capotado durante temporal em Porto Feliz A inauguração da fábrica de Sorocaba ocorrerá 14 meses após um forte temporal atingir a fábrica de motores da Toyota em Porto Feliz (SP), a cerca de 35 km de Sorocaba. Segundo a Defesa Civil, a cidade registrou rajadas de vento de até 90 km/h em 22 de setembro de 2025, o que provocou o arrancamento do telhado da fábrica. Ainda de acordo com a Defesa Civil, Porto Feliz foi atingida por uma microexplosão — fenômeno em que ventos muito fortes descem rapidamente da nuvem de chuva em direção ao solo. Ao todo, 30 funcionários ficaram feridos, e a operação da fábrica foi totalmente interrompida. As unidades de Sorocaba e Indaiatuba também foram afetadas, o que acabou atrasando o lançamento do Yaris Cross.

Palavras-chave: tecnologia

Alunos da UFMT fazem novo ato pedindo a expulsão de responsáveis por lista de 'estupráveis'

Publicado em: 29/05/2026 19:14

Alunos fazem manifestação na UFMT Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso realizaram um novo ato, nesta sexta-feira (29), pedindo a expulsão de dois alunos investigados por fazerem uma lista que classificava colegas do campo como “estupráveis”. A manifestação foi organizada pelo movimento estudantil Movimento Correnteza, com apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário, e percorreu as ruas ao entorno da universidade. Ao g1, a representante do coletivo Olgá Benário, Rayssa Piovani, disse que o ato teve como principal objetivo pressionar a universidade pela expulsão dos estudantes envolvidos na criação de uma lista com nomes de alunas consideradas “estupráveis”. Ela afirmou que a mobilização também busca reforçar que casos de misoginia, assédio e violência contra as mulheres não podem ser tratados como “brincadeira” ou relativizados dentro da universidade. "Isso não é uma coisa tolerável. A violência contra as mulheres está tão naturalizada na sociedade que, para muitas pessoas, isso foi só uma brincadeira de mau gosto, é só um comentário infeliz. E não é só isso", afirmou a representante. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Estudantes da UFMT fazem manifestação na universidade Tamires Ferreira Coelho Para o coletivo, o caso reflete um problema estrutural da sociedade e está ligado à naturalização da violência contra as mulheres. Rayssa destacou que Mato Grosso lidera índices de feminicídio no país e que esse cenário também impacta o ambiente universitário. Ela relembra ainda o caso de Solange Aparecida Sobrinho, uma mulher de 52 anos que foi estuprada e morta dentro do campus da UFMT em 2025. "Quando a gente vai perdoando, relativizando, naturalizando essas violências simbólicas, a gente abre um caminho cada vez mais largo para que isso se aprofunde e escale em níveis imensuráveis. A gente viu um exemplo disso ano passado na UFMT quando uma mulher foi encontrada morta no nosso campus. Isso diz muito sobre a estrutura da universidade, a segurança do campus e também a forma como a sociedade encara o corpo das mulheres", relembrou a representante do coletivo. Segundo ela, o movimento quer promover o debate sobre violência de gênero e cobrar medidas concretas da universidade para garantir segurança às estudantes. A representante também afirmou que a mobilização tem recebido apoio dos alunos e da própria reitoria da UFMT. "A gente precisa dar uma resposta séria para as vítimas, para essas estudantes que foram mencionadas nessa lista, para o colega que foi ameaçado pelo pai de um dos alunos. [...] A universidade precisa ter uma resposta mais consequente. [...] A gente está muito cansado da resposta burocrática da instituição de abrir processo, que fica parado no sistema e que nunca tem encaminhamento, de denunciar e no outro dia vir para a universidade e conviver com a pessoa que cometeu a violência", disse Rayssa. Mobilizações anteriores Alunos da UFMT fazem protesto pedindo a expulsão dos estudantes lista de 'estupráveis' Desde o início do mês, quando o caso ganhou repercussão, a universidade informou que abriu uma investigação interna para apurar as informações, afastou dois alunos e suspendeu as aulas presenciais do curso de engenharia civil, após o pai de um investigado ameaçar estudantes no campus. Segundo os organizadores, o protesto reuniu estudantes de diferentes cursos e teve como principal objetivo cobrar medidas da universidade para combater a misoginia dentro do campus e acelerar os processos relacionados ao caso. O ato cobrou ainda uma resposta mais rápida da reitoria. Os estudantes afirmam que a universidade não estaria tratando o episódio com a urgência necessária. Na última quinta-feira (21), os manifestantes se reuniram com o vice-reitor da universidade. Conforme os estudantes, a reitoria se comprometeu a discutir melhorias na infraestrutura do campus, como reforço na iluminação e ampliação do monitoramento, além da criação de uma comissão de debate sobre segurança e enfrentamento à violência contra mulheres na universidade. LEIA MAIS: Pai de aluno intimidade alunos dentro do campus da universidade UFMT mantém aulas remotas para evitar novas intimidações Universidade afasta aluno do curso de direito investigado por lista Aluno do curso de Engenharia Civil investigado por lista também é afastado Entenda o caso UFMT suspende aulas presenciais após denúncias de incitação à violência contra mulheres no campus No inicio de maio, um aluno do curso de Direito da universidade foi afastado das aulas após ser apontado como envolvido na criação da lista. Em mensagens divulgadas nas redes sociais, estudantes comentavam sobre um “ranking de alunas mais estupráveis” dos cursos da universidade. O caso provocou protestos de estudantes e gerou repercussão dentro da universidade. Áudios que circulam em grupos de mensagens também reforçariam a conduta investigada. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu um prazo de cinco dias para a UFMT informar quais medidas internas estão sendo adotadas em relação ao caso. A medida foi adotada após o MPMT instaurar um procedimento administrativo para apurar possíveis crimes após o vazamento de uma troca de mensagem entre os alunos citando, de forma clara, a intenção de abusar sexualmente de colegas da turma. Segundo a universidade, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), Roberto Barbosa Silva, acompanhou os estudantes até a delegacia após as ameaças. A situação deixou estudantes e familiares preocupados com a segurança dentro do campus. O suspeito já foi identificado pela Polícia Civil e deverá prestar depoimento. A manifestação foi organizada pelo movimento estudantil Movimento Correnteza, com apoio do Movimento de Mulheres Olga Benário. Reprodução

Palavras-chave: tecnologia

Tela Brasil: governo lança streaming gratuito desenvolvido pela Ufal com mais de 500 filmes nacionais

Publicado em: 29/05/2026 18:49

Governo lança Tela Brasil, streaming gratuito de filmes nacionais O Governo Federal lança neste sábado (30) a Tela Brasil, plataforma pública de streaming desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que reunirá 561 produções audiovisuais brasileiras para acesso gratuito. O serviço funcionará sem anúncios, sem mensalidade e poderá ser acessado por qualquer cidadão com conta Gov.br. O catálogo inicial terá longas-metragens, curtas, médias e telefilmes brasileiros, incluindo 19 produções indicadas pelo Brasil ao Oscar. As obras são financiadas pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e também fazem parte dos acervos da Cinemateca Brasileira, Centro Técnico Audiovisual (CTAv), Funarte e Fundação Palmares. A plataforma será lançada durante o Rio2C, evento de criatividade e inovação realizado no Rio de Janeiro, com presença prevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste primeiro momento, a Tela Brasil estará disponível apenas na versão web, no endereço telabrasil.cultura.gov.br. Segundo o Ministério da Cultura (MinC), versões para celular, Smart TV e recursos offline devem ser lançados futuramente. Segundo o governo federal, a Tela Brasil funcionará como uma política pública cultural para ampliar o acesso às produções audiovisuais nacionais. LEIA TAMBÉM: Como abrir uma conta gov.br Rio2C: Brasil sedia um dos maiores encontros de criatividade da América Latina Desenvolvimento nacional A plataforma foi desenvolvida pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), por meio do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES), sem participação de empresas privadas. O projeto mobilizou cerca de 80 integrantes, entre pesquisadores, desenvolvedores, técnicos, estudantes e bolsistas de instituições públicas de várias regiões do país. “A plataforma democratiza o acesso a estados e cidades sem cinemas e fora dos eixos Sul e Sudeste. Filmes que dificilmente chegariam aos streamings comerciais, como curtas e documentários, poderão ser consumidos pela sociedade”, afirmou ao g1 a vice-coordenadora do projeto Tela Brasil e professora da Ufal, Luciana Santa Rita. Segundo Luciana Santa Rita, o desenvolvimento da plataforma também demonstra a capacidade tecnológica das universidades públicas brasileiras. Cena de "O que é isso, companheiro?", de Bruno Barreto Divulgação “O desenvolvimento da Tela Brasil pela Ufal e pelo NEES é um exemplo prático de como a universidade pública brasileira pode atuar na vanguarda tecnológica. O projeto reafirma o protagonismo acadêmico das instituições federais de ensino superior, provando que elas são capazes de entregar produtos de alta complexidade e escaláveis para milhões de usuários”, disse. A professora também destacou que o desenvolvimento próprio da plataforma evita dependência tecnológica de empresas privadas estrangeiras. “Ao assumir o desenvolvimento integral da plataforma, o Estado brasileiro promove uma significativa economia de recursos, mantendo a propriedade do código-fonte e da inteligência do projeto”, afirmou. “A Tela Brasil nasce como uma política pública voltada à difusão gratuita do audiovisual brasileiro, reunindo produções nacionais financiadas com recursos públicos e acervos de instituições culturais federais”, afirmou o coordenador do projeto no NEES e professor da Ufal, Thiago Cordeiro. Perfis de acesso No lançamento deste sábado, estará disponível apenas o Perfil Cidadão, voltado para o acesso individual de qualquer pessoa com conta Gov.br. A plataforma também terá, futuramente, o Perfil Direcionado, voltado para escolas, cineclubes e espaços de exibição não comercial, como centros culturais, unidades socioeducativas, unidades prisionais, bibliotecas públicas, Pontos de Cultura e outros pontos de difusão. Esse perfil terá funcionalidades específicas, como curadoria pedagógica, criação de playlists e agendamento de sessões coletivas. Segundo o projeto, a proposta também é atender à Lei 13.006/2014, que prevê a exibição de filmes nacionais nas escolas de educação básica. Acessibilidade e proteção de dados A Tela Brasil será lançada com recursos de acessibilidade audiovisual. Das 561 obras previstas no catálogo inicial, mais de 300 já contam com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução para a Língua Brasileira de Sinais (Libras). “A Ufal também é responsável pela legendagem, Libras e audiodescrição das obras dos parceiros, como Cinemateca, Fundação Palmares e Funarte”, afirmou Luciana Santa Rita. A interface da plataforma também foi desenvolvida com base nas diretrizes internacionais de acessibilidade digital WCAG 2.2 AA. Segundo o projeto, a Tela Brasil não terá publicidade, cobrança de assinatura nem rastreamento comportamental de dados para fins comerciais. O tratamento de dados seguirá as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), usando apenas as informações necessárias para a operação do serviço público. Cenas de 'A hora da estrela', 'Deus e o diabo na terra do sol' e 'O que é isso, companheiro?'. Reprodução

Palavras-chave: lgpdtecnologia