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Projeto da UnB usa 'armadilhas' que transformam o Aedes aegypti em vetor do próprio veneno

Publicado em: 09/12/2025 02:00

Projeto da UnB usa 'armadilhas' que transformam o Aedes aegypti em vetor do próprio veneno Um projeto da Universidade de Brasília (UnB) tem obtido resultados promissores ao usar uma nova "arma" no combate ao Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Em parceria com estudantes, o professor Rodrigo Gurgel, da Faculdade de Medicina, implementou no campus as chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDLs) – que transformam o próprio mosquito em um agente de combate à sua espécie. A técnica, desenvolvida por pesquisadores de Manaus (AM), usa o comportamento natural do inseto para espalhar um larvicida em pó por diferentes criadouros. Projeto da UnB usa 'armadilhas' que transformam o Aedes aegypti em vetor do próprio veneno TV Globo/Reprodução Como funciona a 'armadilha'? A EDL é um dispositivo simples e engenhoso: um pote preto, com água no fundo e as paredes internas impregnadas com um larvicida em pó (DBF). O mecanismo funciona em etapas: A fêmea do Aedes aegypti, que busca locais com água parada para depositar seus ovos, é atraída pela cor escura e pela água dentro do pote. Ao pousar na parede interna da estação, o mosquito tem suas patas e corpo impregnados com o pó do larvicida. Quando levanta voo para procurar outros criadouros, o mosquito carrega o veneno consigo, 'contaminando' outros locais com água parada. O larvicida impede que as larvas se desenvolvam e cheguem à fase adulta, interrompendo o ciclo de vida do vetor e, consequentemente, a transmissão da dengue. Resultados positivos O professor Rodrigo Gurgel acompanha os estudos da técnica desde o seu desenvolvimento no Amazonas. Em 2016, decidiu aplicá-la em um projeto piloto em 150 casas na região de São Sebastião, no DF. "Acompanhamos durante um ano e percebemos que, lá, reduziu em 66% a densidade de mosquitos usando as EDLs", afirma Gurgel. No ano passado, a iniciativa foi expandida para o campus Darcy Ribeiro da UnB, na Asa Norte. Ao todo, mais de 600 estações foram espalhadas por 12 prédios. Os resultados foram expressivos: segundo o professor, nos prédios que não contavam com as EDLs, foram aspirados, em média, 300 mosquitos. Já nos locais onde as "armadilhas" foram instaladas, a média caiu para 75 mosquitos – uma redução de 75%. DF reduz em 95% os casos de dengue 'Não existe bala de prata' Apesar do sucesso da técnica, Gurgel ressalta que as EDLs são mais uma ferramenta em um "cardápio de tecnologias" e que nenhuma solução isolada é capaz de erradicar o mosquito. "Nós temos um cardápio de novas tecnologias de controle. Temos as EDLs, temos a soltura dos mosquitos com a bactéria Wolbachia, tem a borrifação residual, tem o agente de saúde indo nas casas, tem também o famoso fumacê. Não existe uma bala de prata", explica o professor. Ele reforça que os governos têm à disposição diversas tecnologias desenvolvidas pela academia que podem ser incorporadas aos serviços de vigilância, de acordo com a necessidade de cada local. Cuidados devem continuar Mesmo com a queda nos números de dengue em comparação com o ano anterior, o alerta continua. Dados da Secretaria de Saúde do DF mostram que, até 27 de novembro deste ano, foram registrados 11.417 casos prováveis da doença e um óbito. No mesmo período do ano passado, os números eram alarmantes: 278.430 casos prováveis e 440 mortes. O professor Rodrigo Gurgel e o Ministério da Saúde reforçam que a participação da população é fundamental já que, a cada quatro focos do Aedes aegypti, três estão dentro das casas ou nos arredores. Veja o que fazer para evitar a proliferação do mosquito: Eliminar água parada em vasos de planta, garrafas, pneus e outros recipientes; Manter calhas e ralos sempre limpos; Manter a água da piscina tratada e cobri-la quando não estiver em uso; Receber os agentes de combate a endemias e permitir a vistoria do imóvel; Acionar a Vigilância Sanitária ao identificar um possível foco do mosquito em áreas públicas ou imóveis abandonados. Vacinação no DF A Secretaria de Saúde do DF lembra que a vacina contra a dengue está disponível na rede pública para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. O esquema vacinal completo exige duas doses, com um intervalo de 90 dias entre a primeira e a segunda aplicação. É crucial tomar as duas doses para garantir a proteção adequada contra a doença. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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MediaTek lidera mercado de chips no Brasil e LATAM; parceria com a Xiaomi seguirá em 2026

Publicado em: 09/12/2025 01:34 Fonte: Tudocelular

A MediaTek encerra 2025 com números expressivos e planos ambiciosos para o próximo ano. Durante seu encontro anual com a imprensa, a gigante dos semicondutores revelou um crescimento sólido e destacou as tecnologias que devem impulsionar o mercado mobile com IA em 2026. Com presença em mais de 2 bilhões de dispositivos conectados no mundo, incluindo dispositivos Amazon com Alexa, a marca reforça seu papel como líder global em plataformas móveis. No mercado latino-americano, a empresa alcançou 52,7% de participação, superando os 47,3% registrados no ano anterior, um marco que confirma a confiança de fabricantes e consumidores na performance de seus chips. O Xiaomi 15T Pro está disponível na Mercadolivre por R$ 4.971. O custo-benefício é médio mas esse é o melhor modelo nessa faixa de preço. O Xiaomi 15T está disponível na Mercadolivre por R$ 3.973. O custo-benefício é médio mas esse é o melhor modelo nessa faixa de preço. (atualizado em 08 de December de 2025, às 22:22)Clique aqui para ler mais

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Xiaomi lança lava e seca Mijia Washer Dryer Set Pro com integração ao HyperOS e controle por IA

Publicado em: 09/12/2025 01:15 Fonte: Tudocelular

A Xiaomi anunciou oficialmente a Mijia Washer Dryer Set Pro, a tower inteligente que combina lavadora e secadora de 12 kg cada, trazendo recursos avançados de automação e higienização profunda. A lavadora se destaca pela tecnologia Ultra Electrolysis, capaz de remover até 20 tipos de manchas difíceis, como molho de soja e sucos, e restaurar roupas brancas amareladas em um único ciclo. Combinando vapor de alta temperatura e eletrólise de água fria, o sistema elimina 99,999% das bactérias e vírus, além de oferecer proteção antimicrobiana em todo o circuito de lavagem. Clique aqui para ler mais

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Genéricos do Ozempic vão atrasar? STJ adia julgamento do pedido que pode mudar mercado no país

Publicado em: 09/12/2025 00:02

Patente da semaglutida: STJ decide se exclusividade do Ozempic termina em 2026 ou 2044 O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deveria analisar nesta terça-feira (9) um pedido da Novo Nordisk para estender a patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como Ozempic e Rybelsus. Entretanto, o julgamento foi adiado e uma previsão não foi divulgada pela Justiça. A Novo Nordisk afirma que a nova data será 16 de dezembro. A decisão sobre o tema é considerada decisiva porque vai determinar quando será a entrada de genéricos do medicamento no país: a patente atual expira em março de 2026 e versões concorrentes já estão sob análise na Anvisa. Em nota ao g1, o Ministério da Saúde afirma que pediu ao órgão que "priorize o registro de medicamentos compostos pelos princípios ativos semaglutida e liraglutida". Pela regra brasileira, as empresas têm direito há 20 anos de exclusividade com suas tecnologias a partir do pedido de patente. A empresa alega que houve atraso na avaliação no Brasil e pede que a Justiça “devolva” esse período. Se o pedido for aceito, a exclusividade do Ozempic, por exemplo, que terminaria em 2026, poderia ser estendida até 2044. Essa não é a primeira disputa da Novo Nordisk: no caso da liraglutida, outra substância usada no tratamento da diabetes e obesidade, a farmacêutica também recorreu à Justiça, mas a EMS — que já tinha sua versão pronta — conseguiu reverter a decisão. A caneta nacional chegou ao mercado em agosto. Segundo especialistas, a decisão do STJ pode influenciar diretamente o acesso ao tratamento no país: Apesar de ser uma doença multifatorial e não defenderem a caneta como única opção, especialistas apontam que esses medicamentos podem ser ativos importantes no tratamento na rede pública, que não tem, hoje, nenhum medicamento disponível. A única opção é a bariátrica, mas que também não chega a todo mundo – apenas 10% de todas as cirurgias são feitas pelo SUS. Controle sobre venda de Ozempic e similares no Brasil Adobe Stock A queda das patentes abriria espaço para genéricos com preços mais acessíveis, o que pode permitir a inclusão na rede pública. Em agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) chegou a debater a inclusão das canetas, mas deu parecer contrário por causa do alto custo. Segundo o Ministério da Saúde, no cenário de hoje, seriam gastos R$ 8 bilhões por ano para atender os pacientes. "Esse valor representa quase o dobro do orçamento do Farmácia Popular em 2025. Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa - em média, estudos apontam que os genéricos induzem queda de 30% nos preços. Esse é um fator determinante para a análise de sua possível incorporação ao SUS", afirma o Ministério da Saúde. A médica endocrinologista Maria Edna, que também é coordenadora de advocacy na Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica, comenta que, quem tem obesidade, trata só a comorbidade que a doença causa, como diabetes, hipertensão, gordura no fígado. "Não há nada que ajude a tratar a raiz do problema, que é o excesso de peso. Para a saúde pública, quanto maior a concorrência menor o custo”, explica Maria Edna. Por outro lado, representantes da indústria afirmam que restringir as possibilidades de extensão reduz o tempo efetivo de proteção — que pode cair para poucos anos devido à demora do INPI — e desestimula investimentos e inovação no país. Neste texto, você vai ler: O que está sendo discutido no STJ? Como isso pode afetar quem trata obesidade? Por que a indústria defende a expansão de patentes? O que está sendo discutido no STJ? ☑️ Primeiro, para você entender: a semaglutida é um análogo (substância muito parecida) ao hormônio GLP-1. Nosso corpo produz esse hormônio e ele é secretado principalmente pelas células do intestino. Ele vai até o cérebro, no hipotálamo, e estimula algumas células, diminuindo o apetite. Com isso, vem sendo usada no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade. O medicamento vem revolucionando – segundo especialistas – o tratamento para as doenças. Recentemente, foi incluído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na lista de medicamentos essenciais para para casos diabetes tipo 2 com comorbidades associadas. A substância está aprovada no Brasil pela Anvisa desde 2018, com a chegada do Ozempic, produzido pela Novo Nordisk. Depois, a empresa anunciou a chegada do Rybelsus, uma versão da semaglutida não em caneta, mas em comprimido. 🔴 Muito antes de ser aprovado pela Anvisa, a Novo Nordisk havia acionado o INPI, que é responsável pelas patentes no país, para registrar o medicamento e a tecnologia. Patentes são mecanismos legais que garantem exclusividade de exploração de um produto ou tecnologia por um período determinado — no caso brasileiro, 20 anos. Esse também é um prazo padrão na Europa, por exemplo. A lógica é permitir que empresas recuperem investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, havia um adicional na lei que permitia que a patente fosse extendida se a empresa pedisse, mas isso foi mudado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na pandemia com as discussões sobre a vacina contra a Covid-19. Com a mudança, empresas deixaram de ter esse “tempo extra” e passaram a acionar a Justiça para tentar recompor o prazo. O que a Novo Nordisk alega é que o instituto demorou para dar o registro e isso fez com que ela fosse prejudicada no tempo de exploração da tecnologia que desenvolveu. No caso do Ozempic, ela alega que o atraso chegou a 12 anos. “A decisão do STF colocou o Brasil no mesmo patamar regulatório que a Europa. Então, não é nenhum absurdo que seja assim. São 20 anos a partir da publicação preliminar porque isso dá à empresa o direito de processar alguém que copiar a ideia. Então, em tese a empresa poderia começar a explorar e teve o tempo que é de direito mantido”, explica o doutor em direito e especialista em bioética, Henderson Furst. O recurso vai ser analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) nesta terça-feira (9). E vem sendo acompanhada por outras farmacêuticas porque a decisão pode mudar não só o rumo do acesso à semaglutida no país, mas a discussão sobre patentes de medicamentos no Brasil, com reflexo à empresas que já vem investindo em suas plantas, por exemplo, para a produção de medicamentos. Uma pesquisa de 2021 mostrou que a extensão de patentes de medicamentos pode representar um custo de até R$ 1,1 bilhão ao SUS. Isso acontece por dois fatores: Com menos concorrência, os medicamentos patenteados ficam mais caros. Alguns desses remédios, acabam sendo comprados pelo SUS. Processo seletivo da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) está com inscrições aberta Arquivo/Agência Brasil E porque mesmo aqueles que por alto custo acabam não sendo incorporados, como o caso da semaglutida, terminam sendo comprados por determinação judicial por pedidos de pacientes. O levantamento analisou 445 ações judiciais envolvendo pedidos de Ozempic e semaglutida registradas entre 2023 e maio de 2025. A maioria das ações foi contra o SUS e em mais da metade o sistema público teve de pagar. Como isso pode afetar quem trata obesidade? A decisão do STJ ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta o crescimento da obesidade. Hoje, 7 em cada 10 adultos estão acima do peso, e 31% já são obesos. A doença cresce mais rapidamente entre as populações que dependem do SUS, o que aprofunda desigualdades. Para especialistas, o país já vive um cenário crítico que exige políticas preventivas e ampliação do acesso a tratamentos eficazes. Apesar da dimensão do problema, o tratamento disponível na rede pública é limitado. O SUS não oferece nenhum medicamento específico para obesidade. O cuidado se concentra nas consequências — diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares — e não na doença em si. A única alternativa terapêutica disponível é a cirurgia bariátrica, mas o acesso é restrito: apenas 10% de todos os procedimentos feitos no país, são feitos no sistema de saúde público. É nesse contexto que a chegada de versões genéricas das canetas de semaglutida e liraglutida é vista como estratégica pelos especialistas. Apesar de reforçarem que não pode ser vista como única medida, já que a obesidade é uma doença multifatorial e que exige tratamento multidisciplinar e melhoria no acesso à alimentação de qualidade para a população. O g1 conversou com pesquisadores e especialistas de mercado que explicam que com a queda de patente, os preços das canetas devem cair. Assim como aconteceu com a liraglutida, que a EMS passou a produzir a versão brasileira por R$ 300 cada caneta. Os especialistas dizem que isso não devem acontecer tão rapidamente por causa dos processos regulatórios. Após a queda da patente, ainda que já haja a substância aprovada por outra marca, toda farmacêutica que for produzir, precisa submeter à Anvisa. ➡️ E já há um movimento: em agosto, a Fiocruz, que é ligada ao Ministério da Saúde, anunciou uma parceria com a farmacêutica EMS para a produção de canetas de liraglutida (que a empresa já tem uma versão no mercado) e de semaglutida, na expectativa da queda da patente. "A Fiocruz firmou uma parceria com a empresa EMS, para incorporar uma plataforma e produção de medicamentos a partir de peptídeos – uma nova fronteira do setor que pode servir de base para produção de tratamentos oncológicos e vacinas mais modernas – que não se resume, portanto, a canetas emagrecedoras", afirma o ministério. A pesquisadora Lia Hasenclever, que estuda o impacto de patentes no sistema público de saúde, afirma que, normalmente, quando o medicamento perde a patente, a queda de preço depende da concorrência. "Com o fato de a EMS ter pedido a licença, já temos sinais de que esse valor começa a cair e essa queda pode ser drástica”, aponta Lia. Hoje, uma caneta custa cerca de R$ 1 mil, o que torna o tratamento inviável para a maioria da população, até mesmo para o SUS. 🔴 Em agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) chegou a debater a inclusão das canetas, mas deu parecer contrário por causa do alto custo. Segundo o Ministério da Saúde, no cenário de hoje, seriam gastos R$ 8 bilhões por ano para atender os pacientes. Enquanto isso, na contramão de quem espera pelo remédio na rede pública, há uma exploração estética do medicamento, que revela uma desigualdade no acesso à saúde no país. “Estamos vendo pessoas fazendo o uso estético desses medicamentos. Enquanto isso, pacientes que precisam não têm acesso. Isso cria uma desigualdade no tratamento, só quem tem dinheiro tem direito de tratar a obesidade? Não pode ser assim”, explica Eduardo Nilson, pesquisador sobre obesidade da Fiocruz. A médica endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora de advocacy na Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), explica que a realidade no SUS de quem tem obesidade é de não ter acesso a um tratamento efetivo. “Existe um ciclo vicioso em que só se controla as doenças causadas pela obesidade, não ela em si. E aí a vida do paciente é tomar dois ou três medicamentos para a hipertensão, um medicamento para o colesterol, medicamentos para as dores. Uma vez que essas medicações ficam disponíveis no SUS, a gente vai conseguir tratar melhor dos pacientes. Seria uma revolução para o sistema”, explica. A médica reforça que espera que se houver uma incorporação, isso deve acompanhar o rigor de outras medicações para a prescrição, que seja analisado caso a caso a necessidade e que o paciente tenha suporte de nutricionista e outras especialidades para tratar de forma ampla a doença. “Isso pode abrir portas para um tratamento mais estruturado no sistema público e revolucionar a longo prazo a saúde. Hoje, as doenças que mais custam ao país são consequências da obesidade. Reduzir esses índices é custar menos ao sistema”, explica Melo. Por que a indústria defende a expansão de patentes? Representantes da indústria farmacêutica afirmam que a extensão das patentes é necessária para compensar a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) na análise dos pedidos. Embora a proteção formal seja de 20 anos, o setor alega que, na prática, o tempo de exploração exclusiva pode ser bem menor. Outro argumento é que casos como o da semaglutida não seriam exceção. Desde a mudança na lei, várias empresas têm buscado na Justiça a recomposição do tempo que consideram perdido, em vez de uma extensão "extra". Para o setor, negar esse mecanismo criaria um desequilíbrio. Apesar de especialistas apontarem que a legislação brasileira se assemelha com a Europa, por exemplo, a Interfarma afirma que o movimento recente do Brasil pode impactar na decisão das empresas sobre o investimento em tecnologia no país. “O que as empresas estão pedindo é uma resposta a uma lacuna que ficou. Isso é importante para como elas vão olhar para o Brasil. Precisa ser como um país que dá a proteção legal para a inovação”, explica Renato Porto, presidente-executivo da Interfarma. O g1 procurou a Novo Nordisk, mas não recebeu o retorno até a publicação. Em sua página, a empresa publicou uma nota quando venceu um dos pedidos na Justiça sobre patentes, mas que depois foi revogado, disse: “O que buscamos é segurança jurídica para continuar investindo e trazendo ao Brasil os tratamentos mais modernos à população como um todo. Um ambiente de previsibilidade é fundamental não apenas para a indústria farmacêutica, mas para todo o ecossistema de inovação do país. Sem a garantia de que o direito à patente será respeitado e o exame ocorrerá em um prazo razoável, o Brasil corre o risco de ficar para trás no acesso a novas tecnologias em saúde”.

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Os psicólogos que usam IA como ferramenta de trabalho — e os riscos dessa prática na terapia

Publicado em: 09/12/2025 00:01

Empresas oferecem serviços que oferecem até sugestão de abordagem com pacientes, a partir de transcrição das sessões e anotações BBC/Getty Images Fazer terapia com um chatbot pode não ser uma boa ideia por uma série de motivos, como muitos especialistas têm alertado. Mas e quando os próprios terapeutas passam a usar inteligência artificial generativa, como ChatGPT e Gemini, para auxiliar em suas tarefas, seja para transcrição de sessões ou até discutir casos? Empresas já estão oferecendo esse serviço aos profissionais. Há ferramentas para transcrição de sessões, sugestões de análise técnica, evolução do paciente, supervisão e sugestões de abordagens. "Você ainda perde tempo escrevendo resumo de sessão?", diz o anúncio de uma dessas ferramentas, no Instagram, a PsicoAI. Outra plataforma, a PsiDigital, promete automatização de relatórios e laudos, criação de página de divulgação personalizada e até "sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica." 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 As empresas dizem que essas tecnologias não devem substituir os profissionais, mas apoiá-los. A adesão profissional é uma realidade. A BBC News Brasil procurou 50 psicólogos nas redes sociais e questionou se eles fazem uso de algum tipo de IA no trabalho. Dos que responderam, dez confirmaram que fazem uso da tecnologia para tarefas como transcrições de sessões de terapia e resumos. O uso de IA entre estes profissionais não é proibido. Em julho, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu que o uso "já vem sendo incorporado ao cotidiano em múltiplos contextos de atuação" e ressaltou a necessidade da supervisão crítica e discernimento ético, mas sem restrições específicas. E diz que cabe a cada profissional a avaliação de limites e riscos dessas ferramentas. A psicóloga Maísa Brum diz que passou a fazer transcrições com um gravador que utiliza IA; pacientes são avisados e assinam termo de autorização antes da gravação BBC/Arquivo pessoal Veja mais: 'Eu queria que o ChatGPT me ajudasse. Por que ele me aconselhou sobre como me matar?' Inteligência artificial como terapeuta: quais os riscos dessa prática? Psicólogos testam usos com consentimento de paciente Maísa Brum é psicóloga especializada em avaliação neuropsicológica. Seu trabalho envolve realizar longas entrevistas com pacientes, coletar dados e depois produzir laudos técnicos com essas informações. Por algum tempo, ela terceirizou essa tarefa de transformar anotações em um documento técnico para um estagiário. Mas logo percebeu que os textos chegavam sempre com um mesmo padrão, "pouco humanizados" e, ao questioná-lo, descobriu que ele estava usando o ChatGPT para a tarefa. "O laudo tem sempre uma sequência, com descrição dos dados, objetivo da avaliação, testes que foram aplicados. É um esqueleto técnico", explica. Foi aí que ela decidiu aprender mais sobre a tecnologia. Fez alguns cursos e então incorporou algumas dessas ferramentas em parte de suas tarefas. Hoje ela usa um gravador com IA embutida, que transcreve as entrevistas com os pacientes e devolve já com uma linha do tempo dos fatos e informações no formato necessário para escrever o laudo, que depois é revisado manualmente. Um formulário de consentimento é dado a cada paciente para que saibam que estão sendo gravados com a tecnologia. "Tem sido muito útil e facilitado bastante a minha vida de escrita", afirmou, destacando que apaga os arquivos após uso para evitar armazenamento externo. Maísa diz que o recurso serve apenas como apoio, não como ferramenta diagnóstica. "Minha grande preocupação é no uso inadequado da IA para terceirizar o pensamento crítico e o raciocínio clínico". Eduardo Araújo, psicólogo e professor universitário, diz que tem usado IA para análise e organização de dados, mas não diretamente com pacientes e sim em pesquisas, como fez em seu mestrado na área. Ele fez um experimento com o ChatGPT, quando analisava dados em uma tabela com centenas de pacientes. O objetivo do estudo era identificar a influência de experiências traumáticas em crianças e adolescentes, a partir de uma lista com dados de mais de 500 pacientes, de forma anonimizada. "Para esse tipo de tarefa, de análise de dados, acaba sendo muito útil." Araújo avalia que é preciso ter cautela com ferramentas que prometem ajudar com diagnóstico. Ele diz que a tecnologia acelera tarefas burocráticas, mas nunca deve formular hipóteses diagnósticas no lugar do profissional. "Quando você pesquisa algum sintoma na internet, se levar a sério o que vem de resultado, você acha que vai morrer. Com a IA não é diferente: se você coloca algum sintoma, a resposta me dá uma gravidade diferente daquilo que se perceberia na clínica, em contato com a pessoa." Veja mais: O ChatGPT está nos deixando burros? 'Não foi programada para isso': especialistas alertam para risco de uso de IA como terapeuta 'A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar' A psicóloga Patrícia Mourão De Biase disse à BBC News Brasil que entrou em contato com IA por curiosidade, principalmente com o boom de informação sobre o tema que recebeu neste ano. "Temos a opção de sermos atropelados ou entender o que está acontecendo e caminhar junto", diz ela. De Biase diz que, desde a pandemia, tem havido mais flexibilização entre psicólogos no uso de tecnologias, principalmente em relação ao atendimento remoto de pacientes. "Ficamos mais flexíveis para entender esses movimentos da tecnologia. A categoria sempre foi mais quadradinha nesse sentido, mas precisou se adaptar. Vejo ainda muitos colegas se esquivando da IA." De Biase, que presta serviço para empresas e também atende em consultório, diz que tem utilizado a ferramenta para automatizar tarefas burocráticas e também para criar novos conteúdos para suas sessões. "Crio enquetes e passo tarefas de casa para os pacientes. Isso refresca a conexão entre uma sessão e outra." Ela diz que a IA também tem sido usar para "pensar junto" com os psicólogos. "Quando acaba a sessão, colocamos conteúdo e a própria IA diz: poderia abordar por aqui, por ali. Não tenho preconceito com isso, embora eu não use no dia a dia." Outra tarefa que se tornou comum é a de transcrição e transformação das sessões em prontuário, que depois são revisados de forma manual. "É importante que os pacientes estejam de acordo, que assinem um documento. Mas até hoje ninguém recusou", diz. A psicóloga avalia que a tecnologia não vai substituir a profissão. "Tem gente que não sabe nem o que perguntar ao ChatGPT. Ele é bom? Sim, pode ajudar em algo pontual, em um momento de ansiedade, de angústia. Mas se não aprendemos direito a perguntar, provavelmente ele não vai entregar. Nada precisa jogar fora. Pegue o que o chat disse e depois leve para a sessão, converse com o terapeuta sobe isso." "Gerenciar o tempo é padrão ouro para todos. e a IA otimiza bastante isso. Me instiga a buscar mais fontes. Se eu puder deixar um recado, é para que as pessoas não fiquem com medo. Que mergulhem. A psicologia não vai ser substituída, mas pode mudar." 'A IA quer oferecer respostas rápidas. Mas terapias são cenários de incerteza', diz especialista Segundo Rodrigo Martins Leite, psiquiatra e psicoterapeuta do Centro de Saúde da Comunidade da Unicamp (CECOM), o uso de inteligência artificial entre psicólogos é uma realidade presente, porém ainda pouco debatida pela classe. "É algo que está emergindo no mercado e a gente, enquanto terapeuta, precisa começar a discutir com o devido cuidado." Embora reconheça a utilidade prática, Leite alerta para os riscos de confundir a ferramenta com o profissional. "Ferramentas de transcrição poupam tempo de trabalho administrativo. A grande questão é quando a IA começa a se confundir com o terapeuta. É algo que levanta uma série de questões éticas, do próprio papel do profissional." O especialista observa que a pandemia consolidou uma "realidade irreversível", na qual "a IA só vem somar nesse contexto de mudança tecnológica." Contudo, ele aponta o que considera lacunas quanto à confidencialidade. "Não existe nenhum recurso de anomização das informações, por exemplo, o que pode ferir a Lei Geral de Proteção de Dados. Há uma série de lacunas legislativas e éticas que não foram suficientemente discutidas. Um terapeuta que relata casos para uma IA, conta a história de vida de uma pessoa e ainda pede ajuda para pensar no caso. Como regular isso?" Leite defende a necessidade de desmistificar a tecnologia, separando a ferramenta da fantasia de um saber superior. "A IA não é um oráculo. Isso é uma fantasia, um desejo humano de que exista algo superior. Mas a IA utiliza banco de dados e a própria internet para gerar conteúdo. Do mesmo jeito que ha informações valiosas, há outras de péssima qualidade e até de conteúdo fraudulento." Entre os aspectos positivos, ele destaca o potencial da IA para ampliar a capacidade reflexiva, organizar o raciocínio clínico e auxiliar no preparo de sessões. "Podemos ser mais criativos, criar materiais didáticos, imagens. É um estímulo ao pensamento do terapeuta." No entanto, o psiquiatra é enfático ao afirmar que a tecnologia não substitui a formação profissional, baseada essencialmente na troca humana. "Existem etapas fundamentais. Nossa formação é baseada na supervisão humana. Nos formamos a partir da experiência de outro profissional, que vai nos orientando, discutindo como estamos vendo os casos. A IA não pode substituir isso." Além disso, a ferramenta carece de profundidade para compreender diferentes linhas teóricas e conceitos complexos. "Se não estudarmos as teorias, a IA não vai fazer isso pelas pessoas. Vai, no máximo, oferecer um compilado superficial de teorias." Outro ponto crítico é a velocidade das respostas geradas pela IA, que pode criar uma falsa sensação de clareza em cenários terapêuticos marcados pela incerteza. "Isso gera uma ilusão de que a situação está muito clara. Terapias são cenários de incerteza, ambiguidade, de não saber o que está acontecendo. Já a IA sabe tudo. Vai na contramão de um princípio básico das psicoterapias, de que existe um tempo para elaborar certas questões e problemas. Que o paciente precisa de um tempo para entender. Que respostas não são tão fáceis. Em um mundo imediatista, isso é extremamente perigoso." Para Leite, o psicólogo não deve tentar competir com a velocidade da máquina, sob o risco de comprometer o processo de elaboração. "A ferramenta acaba por reduzir a tolerância do terapeuta sobre não saber. Muitas vezes não sabemos como intervir, e isso não é necessariamente ruim. É a janela para refletir melhor os casos, buscar supervisão. Terapia exige tempo, mergulho." Por fim, ele reforça que o uso de IA exige o consentimento explícito do paciente para evitar violações éticas e legais. "Há dados sensíveis, o paciente tem o plano direito de saber e, depois, concordar ou não, inclusive com uso de termo de consentimento. Não há uma regra sobre isso hoje, mas é uma questão de proteção ética e legal." Empresa promete, em seu site, apoio de IA em sessões de terapia BBC/Reprodução Veja mais: A brasileira que viraliza traduzindo o caos da IA: 'As pessoas estão perdidas' 'Nossa plataforma não substitui o profissional' A plataforma Psidigital oferece aos clientes o que chama de um "assistente virtual" nas sessões, "capturando os principais pontos enquanto você [o psicólogo] se concentra no paciente". A ferramenta promete gerar automaticamente um "relatório completo ou laudo psicológico de forma detalhada e estruturada, com sugestões e insights para as próximas etapas do tratamento ou seleção de candidatos." Promete também "sugestões de intervenção baseadas nos principais autores de cada abordagem terapêutica, como Freud, Jung, Winnicott", dentre outros. O engenheiro mecânico Gustavo Landgraf, criador da Psidigital, teve a ideia de criar um programa que ajudasse psicólogos junto com sua esposa, Leilane, que é psicanalista. "Ela fazia anotações durante e depois das sessões e tinha um monte de papeis", lembrou. O projeto começou com a criação de um sistema que ajudaria com agenda, prontuário eletrônico e cadastro de pacientes, por exemplo. "Em um mês e pouco ficou pronto. Ajustamos e passamos para alguns profissionais", disse. Em 2024, veio a ideia de incorporar inteligência artificial. "Tive um insight: e se houvesse um assistente dentro da terapia, da sua sessão, que anotasse tudo que você falou e tudo que o paciente falou, e depois entregasse um relatório detalhado do que aconteceu. Será que ajudaria?" Gustavo lembra que a esposa adorou a ideia. Uma das dificuldades dos terapeutas, disse, é justamente dividir a atenção entre o paciente e o bloco de notas. "Quando procurei na internet só achei sistemas de gestão, como o que eu tinha criado. Mas não tinha nada parecido com esse assistente, que acabei criando. Fomos os primeiros a fazer", afirmou. Landgraf disse que houve resistência inicial, especialmente pelo receio de ter uma gravação com as falas dos pacientes. Então decidiu que a plataforma não guardaria nenhuma gravação nem transcrição, que são descartadas ao fim de cada sessão. O que fica armazenado, explica, é um resumo, que segue a abordagem definida por cada psicólogo. Ele diz que há proteção dos dados por criptografia e também por um sistema com duas senhas, uma para entrar na plataforma e outra abrir os prontuários dos pacientes. "Também incentivamos que, ao cadastrar o paciente, que sejam usados nomes genéricos, não o nome real da pessoa." Outra vantagem, destaca ele, é que a tecnologia não perde nenhum momento da sessão. "Muitas vezes o terapeuta está ali escutando e passa algo pela cabeça, seja pagar uma conta ou buscar filho na escola. Nesses lapsos o profissional pode acabar perdendo algo importante do que foi falado. A inteligência artificial não tem distração." Ele destaca que alguns clientes da plataforma atendem até nove pacientes por dia, o que fazia com que muitos deixassem o trabalho de organizar as anotações das sessões para o fim de semana. "As pessoas dizem: seu sistema me fez ganhar o fim de semana. Hoje conseguem, antes da sessão, pegar o que já foi falado, o resumo. Além disso, a inteligência artificial consegue criar questões para abrir a sessão seguinte." Ele destaca que é "desejável" buscar o consentimento dos pacientes antes de fazer uso da tecnologia. "Como plataforma não tenho como garantir que os profissionais vão fazer isso. A pessoa pode falar que fez e não fazer. Mas sugerimos que peça esse consentimento." Afirma, no entanto, que o modelo manual não garante necessariamente mais privacidade. "Muitos profissionais fazem anotação em papel e deixam isso numa pasta. E se essa pasta for roubada? Quando uma pessoa está tomando notas, ela não pede permissão. Ainda assim, de forma geral, incentivamos a comentar com o paciente que a ferramenta está sendo usada." Ele destaca que o uso da plataforma é mais vantajoso em relação a usar uma IA genérica, como o ChatGPT, por uma série de motivos: a agilidade em receber os resumos, a segurança de não deixar nenhuma gravação guardada e também a segurança de que os dados não serão usados para treinar algoritmos. "Muita gente usa a versão gratuita dessas IAs. Depois isso pode ser usado (pelas plataformas) para treinar a própria IA." O engenheiro diz que a plataforma não foi criada para substituir os profissionais. "Ela é uma ferramenta para potencializar o tratamento, dar dicas, resumir o que foi falado e deixar tudo organizado dentro do prontuário daquele paciente. Mas não substitui terapeuta. A IA é muito amiga, não questiona se alguém está errado. Além disso, a IA só pega o que foi falado, mas não as expressões humanas, do rosto, do corpo. " 'Profissionais devem assumir responsabilidade', diz conselho de psicologia Carolina Roseiro, conselheira do Conselho Federal de Psicologia (CFP), diz que as discussões sobre IA começaram há três anos, mas que o ritmo das mudanças obrigou o conselho a produzir orientações "com elasticidade". Ela diz que o cenário atual já deixou claro que "a IA não é tão inteligente assim", tem limitações técnicas e éticas e não é neutra, pois "depende de uma programação, que vai reproduzir discriminações". Ela afirma que a orientação central do CFP é que cada profissional assuma integralmente a responsabilidade pelo uso dessas ferramentas. "Qualquer resposta que essa tecnologia der é responsabilidade da pessoa que deu o comando." Roseiro explica que a mediação humana é indispensável porque a IA não estabelece sozinha limites éticos nem compreende contexto clínico. A conselheira reforça que o uso de IA para fins de saúde mental pelo público em geral não é recomendado, a não ser em ferramentas criadas especificamente para isso e com um responsável técnico. O CFP está preparando duas cartilhas sobre o tema, que serão lançadas em breve. Uma será voltada aos profissionais e outra, para a população em geral. Outro ponto que ela considera fundamental é o consentimento do paciente, por escrito, que não deve se limitar à autorização para gravar de sessões, mas também a qualquer uso da IA em qualquer etapa do atendimento. Carolina alerta ainda que, se a ferramenta não garantir sigilo, o psicólogo pode ser responsabilizado por quebra de confidencialidade.

Imagens de hospital mostram pai de Benício ajoelhado até o último momento com o filho: 'Falava com ele e rezava'

Publicado em: 09/12/2025 00:01

Imagens exclusivas revelam como foi o atendimento ao menino Benício, vítima de um erro médico Imagens obtidas com exclusividade pelo Fantástico mostram o pai de Benício, de 6 anos, ajoelhado ao lado do filho até os últimos momentos de vida. O menino morreu após receber uma dose de adrenalina intravenosa aplicada por engano no Hospital Santa Júlia, em Manaus. O pai do menino, Bruno Mello de Freitas, disse ter acompanhado o filho o tempo todo: "Nenhum pai, nenhuma mãe, leva seu filho para um hospital para morrer. Ainda mais da forma que o Benício morreu. Dessa sucessão de erros, dessa negligência que a gente verificou". O garoto chegou ao hospital com tosse seca e febre, suspeita de laringite, e passou quase 14 horas sob os cuidados da equipe médica. Benício já havia sido atendido no mesmo hospital um mês antes com o mesmo quadro, sendo tratado apenas com inalação de adrenalina, procedimento considerado seguro para casos leves. Pai de Benício ficou ao lado do filho durante seus últimos momentos. Reprodução/TV Globo/Fantástico Neste dia, depois de uma prescrição errada de adrenalina intravenosa, assumida pela médica Juliana Brasil Santos, administrada pela técnica de enfermagem Raíssa Bentes, o garoto apresentou palidez, dores no coração e dificuldade para respirar. Ele foi transferido à sala vermelha, que recebe casos mais graves, e, posteriormente, para a UTI, onde permaneceu consciente, mas onde sofreu seis paradas cardíacas até não resistir. Na UTI, Benício passou um período com o pai, fez uma refeição e, horas depois, foi intubado. Em entrevista, o pai de Benício relatou que ficou ajoelhado ao lado do filho, conversando e rezando, enquanto tentava que ele recebesse oxigenação adequada. "Eu falava com ele internamente: 'bora, filho. Bora. Melhora essa oxigenação'. Eu rezava muito", afirma Bruno. "É uma dor muito grande que vou levar para a minha vida toda", continua o pai. "Pelo que a gente está analisando, verificando, observando, é uma sucessão de erros." O que aconteceu com os envolvidos O caso gerou investigações sobre falhas na prescrição e na administração da medicação, incluindo a ausência de conferência por um farmacêutico e protocolos inadequados de checagem. A técnica de enfermagem foi afastada e responde em liberdade, e a médica obteve habeas corpus preventivo, alegando que o sistema eletrônico trocou a forma da medicação sem que ela percebesse. O hospital afirmou que revisa protocolos internos e busca prevenir que erros semelhantes ocorram. Um mês antes, o menino tinha sido atendido no mesmo hospital, com o mesmo quadro. A mãe diz que Benício foi tratado com adrenalina por inalação. Segundo o pediatra Márcio Moreira, do Hospital Israelita Albert Einstein, "sendo um caso de laringite, a gente usa adrenalina inalatória regularmente. A gente faz a inalação com a adrenalina e espera uma melhora rápida, mesmo que fugaz". A adrenalina, produzida pelo corpo e também sintetizada como medicamento, é indicada para inalação em quadros leves. A versão injetável, na veia, é usada em situações graves, como paradas cardiorrespiratórias, e administrada em doses muito pequenas, lentamente, geralmente na terapia intensiva. "Para mim estava tudo certo que seria inalação. Então, eu não questionei ela. Eu só falei ok", lembra Joice. A médica que atendeu Benício era Juliana Brasil Santos. A prescrição de Juliana indicava adrenalina pura, não diluída, aplicada na veia, em três doses que somavam 9 miligramas. A família seguiu com a prescrição para a ala da enfermaria. Imagem da prescrição de adrenalina para Benício Reprodução/Fantástico Joice questionou ao ver o soro injetável: "Cadê a inalação para adrenalina? Sempre foi por inalação". Segundo ela, a técnica de enfermagem Raíza Bentes respondeu que também nunca fez na veia, mas que estaria indicado na prescrição médica. Os pais afirmam que, logo após receber a adrenalina na veia, Benício ficou pálido e reclamou de dor no coração. Joice lembra: "Aí eu começo a entrar em desespero. Meu marido fala: 'corre e chama o médico'". Raíza foi atrás da médica. "Eu informei que tinha administrado a medicação e que a criança tinha tido reação. (…) Falei que foi adrenalina. E aí ela pegou e falou ‘tá bom'", conta a técnica de enfermagem. Em mensagens de WhatsApp para outro médico, Juliana escreveu: "Eu que errei na prescrição". Depois, em relatório ao hospital, reafirmou que "prescreveu erroneamente". Benício foi levado às pressas para a sala vermelha, de emergências. Os pais dizem que ele estava consciente, mas tinha dificuldade para respirar. Benício teve seis paradas cardíacas e não resistiu. Investigação A polícia investiga falhas na intubação e a ausência de checagem do farmacêutico da unidade. O presidente do Conselho Regional de Farmácia do Amazonas, Reginaldo Silva Costa, afirma: “Certamente, o profissional farmacêutico teria identificado a superdose e solicitado ao profissional prescritor que pudesse rever a sua prescrição". "Percebe-se um erro estrutural, sequencial de protocolos, de cuidados", diz o delegado Marcelo Martins. "E aí você vê que o Benício não teve chance." Questionado se o menino foi vítima de um crime, ele responde: "Com certeza, um homicídio. A médica simplesmente emitiu uma prescrição médica e não revisou, que seria uma conduta básica de dupla checagem. A técnica de enfermagem poderia também ter realizado a dupla checagem. E teria evitado esse resultado". A técnica de enfermagem se defende: "Eu administrei a medicação conforme a prescrição médica. Não tive auxílio, estava sozinha". Raíza Bentes trabalha como técnica há sete meses. Ela foi suspensa pelo Conselho Regional de Enfermagem e responde em liberdade. Em nota, sua defesa afirma que só irá se manifestar após o término das investigações e que ela seguiu a prescrição conforme orientação da enfermagem do hospital. Juliana Santos Brasil foi afastada do hospital. À Justiça, apresentou um vídeo alegando que o sistema de prescrição eletrônica teria trocado, sem que ela percebesse, adrenalina por inalação por adrenalina na veia. O superintendente de tecnologia da informação (TI) do hospital, João Alexandre de Araújo, afirma: “Sem ação do médico, o sistema não faz nada de forma automatizada.” Perguntado se houve erro do sistema, ele diz: "Do sistema, a gente pode garantir que não foi", diz. A médica conseguiu um habeas corpus preventivo para não ser presa durante as investigações. Seu advogado, Felipe Braga, reafirmou que houve falha no sistema de nos procedimentos seguintes. "Foi uma multiplicidade de fatores, desde o momento que há uma quebra da dupla ou tripla checagem, a ausência de um farmacêutico", diz o advogado. "Eu não considero que ela errou". O diretor médico do hospital, Guilherme Macedo, afirma que "toda a gestão está envolvida em elaborar planos de ações para que o hospital evite situações semelhantes e com desfecho trágico como foi esse". Benício era filho único e faria 7 anos no dia de Natal. "A gente sempre vai lembrar dele. Da criança que ele era. Uma criança pura. Meiga. Não era desobediente. O ser vivo mais puro que eu já encontrei, que eu conheci na humanidade", diz o pai. Infográfico - Caso Benício Arte g1 Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.

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Com trabalho contra dengue, brasileiro entra para lista dos cientistas mais importantes do mundo em 2025

Publicado em: 08/12/2025 21:43

O trabalho de um pesquisador brasileiro contra a dengue ganhou destaque mundial. Luciano Moreira entrou na lista da revista “Nature” dos cientistas mais importantes em 2025. Ele transformou o inimigo em solução. O pesquisador Luciano Moreira ficou conhecido por criar mosquitos Aedes aegypti com menor chance de transmitir dengue, zika ou chikungunya. São os chamados mosquitos do bem. A manchete da revista “Nature”, a publicação científica mais influente do mundo, diz: "Este cientista está reproduzindo bilhões de mosquitos para combater uma doença no Brasil”. Luciano Moreira está na lista das dez pessoas que moldaram a ciência em 2025. "Eu fiquei muito lisonjeado pela notícia, por esse reconhecimento", diz o pesquisador e CEO da Wolbito do Brasil. Com trabalho contra dengue, brasileiro entra para lista dos cientistas mais importantes do mundo em 2025 Jornal Nacional/ Reprodução A pesquisa coordenada por Luciano Moreira foi feita em parceria com a Fiocruz e levou 17 anos. A tecnologia introduziu no Aedes aegypti a bactéria Wolbachia, que impede a proliferação do vírus dentro do mosquito e reduz, assim, a chance de transmissão para as pessoas. Pesquisas recentes revelam que essa iniciativa reduziu os casos de dengue em até 89%. É a situação de Niterói, município da Região Metropolitana do Rio, onde os primeiros mosquitos com a bactéria foram soltos. Hoje, Luciano Moreira trabalha em uma das maiores fábricas de mosquitos do mundo, em Curitiba. Os 100 milhões de ovos produzidos semanalmente já são distribuídos em 16 cidades do Brasil e devem chegar a mais 13 em 2026. Com trabalho contra dengue, brasileiro entra para lista dos cientistas mais importantes do mundo em 2025 Jornal Nacional/ Reprodução O Ministério da Saúde disse que a pesquisa ajudou a criar uma importante ferramenta de saúde pública e elogiou o reconhecimento. Para o engenheiro agrônomo, o nome na revista “Nature” é um incentivo. Mas o desejo dele é o fim das doenças transmitidas por um bichinho tão pequeno. "A gente tem muita gente que está no dia a dia trabalhando, batalhando para que a gente consiga proteger mais vidas. Um método que está já como política pública do Ministério da Saúde para ser utilizado em larga escala e, juntamente com outros métodos, outras formas de controle, reduzir a incidência de arboviroses, das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti", diz Luciano Moreira. LEIA TAMBÉM Brasileiro que criou mosquito Aedes que não transmite dengue entra na lista dos cientistas que mudaram a ciência em 2025

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Aumenta número de jovens brasileiros que tratam sequelas de AVC; médicos alertam para fatores de risco relacionados ao estilo de vida

Publicado em: 08/12/2025 21:17

Aumenta número de jovens tratando efeitos de AVC E os jovens estão em uma lista que tem preocupado muito os médicos. De uma hora para outra, movimentos simples ficam complexos: caminhar, preparar a própria comida. Karina Pires não está em casa, mas na cozinha de um centro de reabilitação depois de sofrer um AVC, há dois anos. "Eu não falava nada. Agora eu estou falando e me expressando. É muito gratificante também eu estar fazendo as pequenas coisas”, diz Karina. O AVC, acidente vascular cerebral, também conhecido como "derrame", acontece quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, interrompendo a circulação sanguínea em uma parte do órgão. Em alguns casos, pode ser fatal. Em 2024, foram mais de 62 mil mortes no Brasil por AVC. No caso da Karina, a doença, quase sempre silenciosa, deu um sinal: uma convulsão. "Meu pai me levou para o hospital e veio o diagnóstico da má formação. Quando eu fui para tratar não dava mais tempo”, conta Karina. Karina tinha 27 anos. Os médicos têm notado um aumento de pessoas mais jovens entre as vítimas de AVC. Os atendimentos nas sete unidades da entidade no Brasil aumentaram 63% na faixa dos 18 aos 59 anos nos primeiros nove meses de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024. O médico César Jardim diz que, quando não é uma má formação no cérebro, como no caso da Karina, a explicação pode estar no estilo de vida. "Uso de hormônios em excesso, uso de drogas ilícitas que são estimulantes em excesso, algumas drogas que não são ilícitas mas que são estimulantes. Então, derivados de cafeína em excesso”, diz César Jardim, cardiologista e responsável pelo Clinique Check-up do HCor. Em qualquer idade, o AVC tem outros fatores de risco, que podem ser controlados: pressão alta; diabetes; colesterol alto; tabagismo; obesidade; sedentarismo. O tempo de recuperação varia muito. Depende da gravidade da lesão e de quais funções do cérebro foram comprometidas. O que é importante para qualquer pessoa é que o atendimento seja rápido nos primeiros sintomas do AVC. Isso faz toda diferença na reabilitação. Antônio Carlos Fonseca teve um desmaio. "Começou a ter dor de cabeça, subiu a pressão... Pode saber que alguma coisa errada tem”, afirma o paciente. Tontura, fraqueza, dormência no corpo também podem ser sinais de um AVC. Antônio ficou dois meses na UTI e está há um ano na reabilitação. "Eu sinto a diferença no meu corpo”, conta Antônio. O médico fisiatra Marcelo Ares diz que a tecnologia tem ajudado na recuperação e na melhora da qualidade de vida dos pacientes: "Em uma terapia robótica, por exemplo, a gente pode trabalhar motor, atenção, coordenação, tempo de resposta. A gente pode trabalhar várias atividades em uma só terapia. Claro que isso não elimina as terapias convencionais, que são muito importantes também”. Aumenta número de jovens tratando efeitos de AVC Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM AVC tira a vida de um brasileiro a cada seis minutos; 80% dos casos poderiam ser evitados Como as células-tronco podem ajudar na recuperação do cérebro após um derrame AVC, Alzheimer e enxaqueca: por que OMS emitiu alerta sobre essas doenças e condições neurológicas?

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Projeto que regulamenta motos por aplicativo na cidade de SP é aprovado em segunda votação; veja regras

Publicado em: 08/12/2025 21:00

Placar da votação na Câmara, em segundo turno, o projeto que regulamenta o serviço de moto por app na capital paulista Giba Bergamim/TV Globo A Câmara Municipal de São Paulo aprovou, em segunda votação, nesta segunda-feira (8), o projeto de lei que regulamenta o serviço de moto por aplicativo na capital paulista. O placar foi de 32 votos a favor e 16 contrários. O vereador Paulo Frange (MDB) apresentou um novo projeto, que substituiu o aprovado na semana passada, com base num pré-acordo entre líderes de partidos. Entre as mudanças, um seguro funerário e a proibição de bônus por viagem, o que estimularia uma competição por passageiros. A presidente da subcomissão que analisava o tema, Renata Falzoni (PSB), que tinha votado a favor no primeiro turno, mudou e votou contra desta vez. Janaína Pascoal se absteve. O projeto substitutivo foi uma estratégia para evitar a inclusão de emendas, o que atrasaria a votação. Vereadores querem mandar a carta de lei ainda nesta noite para, se o prefeito Ricardo Nunes (MDB) quiser, sancionar ainda nesta segunda. A aprovação ocorreu em sessão extraordinária, dois dias antes do vencimento do prazo da Justiça de SP para que o prefeito Ricardo Nunes (MDB) faça a regulamentação do projeto. O projeto prevê uma série de obrigações para os motociclistas e empresas como 99 e Uber. Entre as principais regras para os motociclistas estão: Idade mínima de 21 anos; Proibição de circular na área do minianel viário, que corresponde à área do rodízio de veículos e abrange todo o centro expandido da cidade; Também não podem atuar em dias de chuva forte, vendaval e nas vias de trânsito rápido, como as Marginais Pinheiros e Tietê e o corredor Norte-Sul; Devem ficar fora das faixas e corredores de ônibus; Cadastro prévio na prefeitura; Possibilidade de os motociclistas se juntarem em cooperativa e terem o próprio aplicativo; Carteira de habilitação categoria “A” ou “B” há no mínimo 2 anos; Curso especializado para transporte de passageiros em motocicletas de 30 horas pagos pelas empresas de aplicativo ; Não ter recebido infração de trânsito gravíssima nos 12 meses anteriores; Eles também deverão fazer exame toxicológico, válido por 3 meses, além de oferecer capacete certificado para o passageiro. As empresas terão que: Manter cadastros dos mototaxistas, que só poderão usar uma moto; Contratar seguro para passageiros; Deixar claro que serão por conta das empresas os equipamentos de proteção individual e o custo com cadastro; Instalar pontos de descanso e estacionamento; Manter dispositivo limitador de velocidade no aplicativo, informando condutor e passageiro; Seguro funerário (os apps já têm seguro de vida, mas não funerário). Caso não cumpram as regras, as empresas poderão receber multas diárias que vão de R$ 4 mil a R$ 1,5 milhão. As plataformas estão proibidas de oferecer bônus para viagens. Já as motos deverão ter: No máximo 8 anos de uso; Registro na categoria aluguel, com placa vermelha paga; Alças metálicas traseira e lateral para apoio do passageiro; Proteção para pernas e motor, para casos de tombamento; Dispositivo aparador de linha, para evitar acidentes com pipas. Moto por app: serviço oferecido pela 99 e Uber é alvo de impasse jurídico em SP Reprodução Primeira votação O plenário da Câmara Municipal de São Paulo aprovou na noite de quinta-feira (4), em primeiro turno de discussão, o projeto de lei que regulamenta a atividade de mototáxi e motos por aplicativo na cidade de São Paulo. O PL 1487/2025, de autoria da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica da Câmara, recebeu 29 votos a favor e 9 votos contrários, somando 38 votos dos 55 vereadores. Ao menos 17 vereadores não votaram nem sim, nem não. Eles não tiveram nem seus nomes registrados no painel. Entre eles o vereador Rubinho Nunes (União Brasil), que é candidato à Presidência da Câmara contra o vereador Ricardo Teixeira, do mesmo partido. Quase 1/3 dos vereadores eleitos não se manifestaram sobre o projeto que é tão importante para a cidade e foi exaustivamente debatido publicamente ao longo de 2025. A sessão se estendeu até perto da meia-noite. Motos por app em SP: vereadores aprovam projeto em 1ª votação Painel da Câmara Municipal aponta apenas 38 vereadores entre os 55 que registraram voto no projeto de regulamentação dos mototaxistas em São Paulo. Divulgação/Câmara Municipal de SP O texto aprovado em primeiro turno foi o mesmo apresentado pelo vereador Paulo Frange (MDB), resultado de meses de debates promovidos pela subcomissão criada na Câmara para tratar do assunto, sob a presidência da vereadora Renata Falzoni (PSB). As penalidades previstas incluem advertência, multa, suspensão e cassação de cadastro ou credenciamento (veja regras abaixo). O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), pretende publicar decreto de regulamentação das motos por aplicativo até 8 de dezembro. Montagem/g1/Bruno Peres/Agência Brasil e Secom/PMSP Em conversa com a imprensa na semana passada, o prefeito adiantou que estava preparando o texto com regras mais restritivas do que o esperado pelas empresas do setor. Ele havia pedido a suspensão do prazo (que termina em 10 de dezembro) para a atividade ser regulamentada, mas o presidente do Tribunal de Justiça negou a solicitação. As empresas diretamente interessadas no assunto - 99 e Uber - anunciaram que devem retomar os serviços de moto por aplicativo na cidade em 11 de dezembro. Veja os principais pontos aprovados no projeto em primeira votação: Credenciamento obrigatório das empresas O texto determina que o uso intensivo das motos para prestação de serviço dependerá de credenciamento prévio da empresa, com validade de um ano; A empresa deverá contratar seguro de Acidentes Pessoais de Passageiros (APP); Também será necessário apresentar um plano inicial para a instalação de pontos de descanso e estacionamento; O Poder Executivo terá 60 dias para analisar o pedido e poderá solicitar documentos adicionais. Cadastro dos condutores Para trabalhar no transporte de passageiros, o motociclista precisará ter idade mínima de 21 anos; CNH A ou AB há pelo menos 2 anos, com anotação de Exercício de Atividade Remunerada (EAR); Deverá disponibilizar capacete em bom estado e touca descartável ao passageiro; Obrigatoriedade de se manter como contribuinte do INSS; Conclusão de curso especializado, inexistência de infração gravíssima nos últimos 12 meses; Ausência de condenação por crimes contra a mulher, contra a dignidade sexual e outros; Exame toxicológico com janela mínima de 90 dias; O cadastro será gratuito e deverá ser concluído antes do registro do condutor na plataforma. Como devem ser as motos Toda motocicleta usada no serviço deverá ter Certificado de Segurança Veicular (CSV); Ano de fabricação não superior a 8 anos; Registro na categoria “aluguel”, o que obriga o uso de placa vermelha; Alças na traseira e na lateral para apoio do passageiro; Dispositivo de proteção para pernas e motor e antena "corta-pipa". Deveres das plataformas As empresas deverão oferecer viagens somente com motociclistas cadastrados e veículos certificados; Disponibilizar à prefeitura os dados necessários para fiscalização; Exibir no aplicativo a identificação do condutor e o certificado da moto; Permitir vinculação de apenas um veículo por condutor; Manter limitador de velocidade no aplicativo; Manter vigente o seguro APP. Elas também terão de compartilhar dados detalhados das viagens com a Prefeitura de São Paulo, como origem, destino, trajeto, tempo de espera, avaliação, identificação do veículo, registros de sinistros e dados de telemetria sobre comportamentos de risco. Áreas com circulação proibida O projeto proíbe a circulação de motos usadas para transporte de passageiros em: Corredores e faixas exclusivas de ônibus; Durante eventos adversos, como chuva intensa, vendaval, enchentes e baixa visibilidade; Em vias de trânsito rápido; No minianel viário (região do Centro expandido); E na Zona de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC) de caminhões. O Executivo poderá ainda definir perímetros específicos para operação e delimitar pontos de embarque e desembarque em terminais e estações de transporte público. Multas de até R$ 1,5 milhão As penalidades previstas incluem advertência, multa, suspensão e cassação de cadastro ou credenciamento. Para as empresas, as multas variam de R$ 4 mil a R$ 1,5 milhão, podendo ser cobradas por dia caso a infração persista. Os valores serão reajustados anualmente com base no IPCA. O que dizem as empresas de app A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa as empresas de aplicativo de moto, disse que esse projeto votado na Câmara Municipal, na prática, "inviabiliza a operação do serviço de mototáxi na cidade". Segundo a Amobitec, ele é “inconstitucional, pois cria um conjunto de restrições que, na prática, inviabiliza a operação do serviço na cidade de São Paulo ao impor limitações ao condutor, à moto e aos locais de uso”. “O texto apresentado reúne exigências que extrapolam o que a legislação que regula a categoria permite. Por exemplo, ao exigir placa vermelha (categoria aluguel) para as motocicletas que venham a atuar na modalidade, o projeto equipara indevidamente o motoapp ao mototáxi, ignorando a legislação federal específica para transporte via aplicativos”, afirmou. A Amobitec também afirmou que “o projeto estabelece credenciamento prévio obrigatório para empresas e motoristas, com prazo de até 60 dias para análise por parte do Executivo”. “Na prática, trata-se de um ato de liberação sujeito à total discricionariedade da Prefeitura – o que significa que o município poderia, em última instância, não autorizar nenhuma empresa ou condutor, configurando uma nova forma de proibição, já vedada pela Justiça”, argumenta. “Municípios não podem criar barreiras desproporcionais, nem criar regras não previstas na legislação nacional, principalmente se não tiverem estritamente a ver com a regulação do trânsito”, completa a entidade. Anúncio de retomada em 11 de dezembro 99 e Uber anunciam retomada do serviço de moto por aplicativo na cidade de SP a partir de 11 de dezembro Rodrigo Rodrigues/g1 No final do mês passado, as plataformas 99 e Uber anunciaram que vão retomar o serviço de moto por aplicativo na cidade de São Paulo a partir do próximo dia 11 de dezembro. Na véspera, dia 10, vence o prazo dado pela Justiça de São Paulo para que Nunes regulamente as regras do serviço na capital paulista. Procurada, a Prefeitura de SP disse que é "rigorosamente contrária ao serviço de mototáxis na cidade. Trata-se de um transporte não regulamentado, perigoso e que tem registrado acidentes e mortes de inúmeros passageiros" e que "as áreas jurídicas e técnicas da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) avaliam o assunto". O anúncio da retomada dos serviços foi feito em conjunto pelas duas empresas e acontece após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou inconstitucional a lei estadual que dava aos municípios poder para autorizar ou proibir o serviço. Segundo as empresas, o modelo já é aplicado no Rio de Janeiro em parceria com o poder público e pode subsidiar a futura regulamentação municipal.

Palavras-chave: câmara municipaltecnologia

Falta água em alguns bairros de João Pessoa nesta terça-feira (9); saiba onde

Publicado em: 08/12/2025 19:45

Falta água nesta quinta-feira (6) em alguns bairros de Santa Rita, PB Aurélio Sal/EPTV Alguns bairros de João Pessoa vão ficar sem água nesta terça-feira (9). De acordo com a Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa), a suspensão acontece para dar andamento ao projeto "Água na Medida", com a implantação de novas tecnologias e materiais que visam melhorar o abastecimento na capital. O serviço vai ficar suspenso a partir das 8h e será retomado, após a conclusão do serviço, de forma gradual, a partir das 20h. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Bairros de João Pessoa que vão ficar sem água na terça-feira (9) Tambaú; Manaíra; Jardim Oceania; Aeroclube; São José. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

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TCU abre fiscalização de estatais com riscos fiscais e vai tratar caso dos Correios de forma separada

Publicado em: 08/12/2025 19:18

Tesouro vê juros altos e rejeita proposta de bancos para empréstimo aos Correios O presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo, afirmou ao g1 que o tribunal abriu processos de fiscalizaçaõ e demandou informações para as nove empresas estatais classificadas com riscos fiscais que passarão por fisacilização do TCU. No caso específico dos Correios, que passa por uma crise financeira e estuda opções para se reestruturar, o processo será conduzido de forma separa das demais empresas. "Os Correios têm três processos, três solicitações do Congresso Nacional e tem o próprio processo dos Correios", explicou o presidente. 🔎 O Tribunal de Contas da União é responsável por controlar gastos, pela fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial dos órgãos e entidades públicas do país. O TCU anunciou em novembro que criaria uma força-tarefa para fiscalizar nove estatais federais que apresentam riscos fiscais. Entre elas estão os Correios e a Casa da Moeda. Segundo Vital do Rêgo, os processos já têm relatores definidos. correios, crise, entregas, encomendas Reprodução/TV Globo A iniciativa foi motivada por um relatório do Tesouro Nacional que identificou fragilidades financeiras e possíveis riscos às contas públicas em nove das 27 empresas estatais analisadas. Além dos Correios e da Casa da Moeda, também são citadas as Companhias Docas (CDC, CDP, Codeba, CDRJ e Codern), a Empresa Gestora de Ativos (Emgea), a Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar) e a Infraero. “O objetivo é ampliar o escopo da fiscalização para além do aspecto financeiro, incorporando dimensões de governança, eficiência operacional e qualidade da gestão”, afirmou o presidente do TCU. Segundo Vital do Rêgo, a ação da força-tarefa será estruturada em cinco: gestão e inovação; desempenho financeiro; gestão de pessoal; contratações; e tecnologia da informação. “Esses são fatores que frequentemente estão na raiz das dificuldades fiscais enfrentadas por essas entidades”, completou.

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Tema da redação da Unesp 2026 é 'Vivemos uma epidemia de solidão?'

Publicado em: 08/12/2025 19:08

Solidão na velhice aumenta o risco de morte precoce em 26%; o de quedas em 30%; e o de desenvolver demência em 50% Mariza Tavares O segundo dia da segunda fase da Unesp, realizado nesta segunda-feira (8), trouxe o seguinte tema da redação: 'Vivemos uma epidemia de solidão?'. Além de um texto dissertativo-argumentativo em prosa sobre o tema, os estudantes responderam 12 questões sobre Linguagens e suas tecnologias. A prova teve duração de 5 horas. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram No domingo (7), os estudantes responderam 24 questões de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Ciências da Natureza e suas tecnologias, além de Matemática e suas tecnologias. Chico Mendes, Platão e conflito na Caxemira estavam entre os temas abordados. Veja aqui a reportagem. No total, 32.835 candidatos disputam 5.867 vagas em 136 cursos de graduação, distribuídos em 24 cidades do estado de São Paulo. (veja abaixo calendário de datas). Unesp 2026: veja como foi o 1º dia da segunda fase do vestibular LEIA TAMBÉM: 1º DIA: Temas da Unesp 2026: 2ª fase aborda Chico Mendes, Platão e conflito na Caxemira; veja opiniões NOTA DA UNESP: professor ensina a calcular a nota final do vestibular EXEMPLO: Com 4 faculdades, idoso de 66 anos tenta vaga em Letras na Unesp: 'estudar faz bem pra cabeça' Quais são os critérios de avaliação da redação? O texto deve atributos como coerência e coesão e deve estar de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, segundo o Manual do candidato. O texto deve ser elaborado a partir da leitura e compreensão dos textos auxiliares que servem de referencial para o candidato. Tema - A inadequação ao tema proposto pode zerar a nota. Estrutura – Avalia o respeito à estrutura do texto dissertativo (introdução, desenvolvimento e conclusão). Observa a sustentação da tese, a progressão lógica (sem contradições), o encadeamento articulado e a coerência das ideias. Espera-se o posicionamento pessoal do autor e a defesa clara do seu ponto de vista. A conclusão deve retomar a tese principal e, no caso da Vunesp, sem proposta de intervenção no problema proposto. Língua – Cobra a modalidade escrita e o registro formal da língua. Avalia os conhecimentos de gramática como concordância, regência, ortografia, pontuação e acentuação. O vocabulário dever ser claro e preciso (não necessariamente rebuscado). Evite seguidas repetições de palavras, uso de clichês e frases feitas. Evite usar a primeira pessoa do singular (eu) e a segunda pessoa do singular ou plural (tu, vós). Coesão - A redação também avalia os recursos coesivos como conjunções, conectivos e pronomes, e seu uso correto entre frases e parágrafos. Autonomia – O texto deve ser original, autônomo e completo, sem depender da referência direta à proposta de redação. Original – Seja autêntico, evite transcrever ou copiar trechos de outras obras ainda que da própria prova. Nota – A redação pode ser zerada se: Fugir ao tema e gênero proposto Apresentar nome ou qualquer sinal que possa identificar o candidato Estiver em branco Estiver predominantemente ilegível For idêntica ou muito semelhante a outras redações de vestibulares ou modelos de internet Apresentar menos de 8 linhas autorais (trechos não copiados) Veja aqui como calcular a nota final da Unesp: Professor explica como calcular a nota da 2ª fase da Unesp Confira os últimos temas de redação da Vunesp 2026 - Vivemos uma epidemia de solidão? 2025 – MEIO ANO – “Justiça climática” é uma utopia? 2025 - Medicalização da vida: a quem interessa? 2024 – É possível um futuro off-line? 2024 – MEIO ANO - Faz-se necessária a proibição do uso de celular nas escolas? 2023 - A “lógica do condomínio”: o espaço público está em declínio? 2022 - “Tudo bem não estar bem”?: A tristeza em tempos de felicidade compulsória 2021 - Tempo é dinheiro? 2020 - O carro será o novo cigarro? 2019 - Compro, logo existo? 2018 MEIO ANO - Liberar o porte de armas de fogo a todos os cidadãos diminuirá a violência no Brasil? 2018 - O voto deveria ser facultativo no Brasil? 2017 - A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira? 2016 - Banalização do sofrimento ou forma de sensibilização? 2015 - O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil Calendário da Unesp 2026: Resultado 1ª fase e lista de convocados para a 2ª fase: 28/11/25 Prova 2ª Fase: 7 e 8/12/25 Lista Geral de Classificação: 30/1/26 VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

Palavras-chave: tecnologia

Dezembro Vermelho reforça prevenção e combate ao preconceito sobre HIV em Sorocaba

Publicado em: 08/12/2025 19:05

Sorocaba oferece testagem rápida para HIV, sífilis e hepatites durante todo o ano Dezembro Vermelho é o mês dedicado à conscientização sobre o HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. A campanha reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao preconceito. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 68 mil pessoas vivem com HIV ou aids no Brasil. O país já eliminou a transmissão do vírus de mãe para filho durante o parto, mas ainda é necessário falar sobre outras formas de contaminação e, principalmente, sobre a importância do tratamento. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O HIV é o vírus da imunodeficiência humana, que ataca o sistema imunológico e torna o organismo mais vulnerável a infecções e doenças. Quando não tratado, pode evoluir para a aids, estágio em que as defesas do corpo estão comprometidas. O preconceito ainda é uma das maiores barreiras enfrentadas por quem convive com o vírus. Muitas pessoas deixam de buscar diagnóstico ou tratamento por medo de discriminação. O ator e palestrante Rafael Bolacha é uma das vozes que defendem os direitos dessas pessoas. "Estamos em 2025 e a gente ainda é negado no seguro de vida de uma empresa. Nos deparamos com todas qualificações, graduações, pós-graduações, idiomas e não somos chamados para uma entrevista de emprego. É 2025, a ciência evoluiu tanto, tomamos comprimidos, temos informações de indetectável, mas as pessoas ainda preferem se ausentar do tema, se silenciar em relação a isso ao invés de evoluir da mesma maneira que a ciência tem feito", desabafa. Há algumas décadas, jornais e revistas tratavam o tema de forma equivocada, associando a aids a uma “doença de homossexuais”, o que a ciência já comprovou ser falso. A desinformação ainda impacta o acesso à prevenção e ao tratamento. Há algumas décadas, os jornais e revistas tratavam o assunto de forma equivocada Reprodução/TV TEM "Era uma década um pouco mais silenciosa, estamos vivendo em um silêncio novamente com poucas oportunidades de falar sobre, mas naquela época vínhamos de um silêncio de histórias, era uma referência muito atrasada", conta Rafael. "Era um período que estava ligado ao sofrimento, a uma outra realidade. Essa era a referência que eu tinha, então vinha com um pouco de medo, com muita insegurança do que ia ser, como ia viver com HIV. Mas através do conhecimento, a gente descobre o básico, se cuidando e tendo informação, a minha vida é completamente plena e realizada", completa. Para aproximar os jovens do conhecimento, palestras são realizadas em todo o estado, em uma ação do projeto “saúde, informação e cidadania”, parceria entre o Senac e a Agência de Notícias da Aids. A jornalista e idealizadora do projeto, Roseli Tardelli, estampa o livro que os jovens receberam. Ela começou a trabalhar com o assunto depois de perder um irmão "para o HIV", na década de 1990. Roseli Tardelli estampando livro sobre o tema Reprodução/TV TEM "Hoje nós temos novas tecnologias de prevenção. Temos a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e A Profilaxia Pós-Exposição (PEP), e o importante é que a informação chegue antes que a HIV entre no role dessa moçada, porque o HIV está no mundo e não falamos de prevenção. Não temos que falar apenas no Dia Mundial da Aids ou no Carnaval, temos que falar sempre de prevenção", explica a jornalista. O infectologista Jaime Saudajá acompanhou muitas histórias de pessoas com HIV e, segundo o médico, a transmissão é, em muitos casos, sexual, mas também pode acontecer de outras formas, como por exemplo pelo compartilhamento de seringas e agulhas contaminadas. HIV e Aids, qual a diferença? Reprodução: Tem Notícias 1 HIV e aids não são a mesma coisa. O primeiro é o vírus, que ataca o sistema imunológico do paciente. Já a aids é a condição de saúde causada pela infecção do HIV, quando chega a um estágio avançado. Uma pessoa pode estar infectada pelo HIV mas, não necessariamente, apresentar sintomas ou desenvolver aids. "O HIV é um vírus que, se não controlado, pode levar a aids é uma síndrome grave que pode matar muita gente, e já matou muita gente desde que o vírus foi descoberto, no final da década de 1980. Hoje em dia, quando fazemos o diagnóstico, pedimos alguns exames para ver se o paciente tem alguma disfunção renal, hepática, para ver se podemos entrar com o esquema habitual. O esquema habitual é composto por duas medicações, mas com o passar do tempo conseguimos reduzir para um comprimido", conta o doutor. Com o avanço da ciência, da medicina e de um trabalho de conscientização da sociedade, o cenário para uma pessoa com HIV hoje em dia é bem diferente de anos atrás. A mortalidade por aids tem diminuído, segundo o Ministério da Saúde, mas ainda é muito importante se cuidar. O primeiro passo para um acompanhamento adequado e para a melhora na qualidade de vida é o diagnóstico. Em Sorocaba (SP), segundo informações da Secretaria de Saúde, de janeiro até o início de deste mês, mais de 200 pessoas testaram positivo e passaram a fazer o tratamento. O tratamento é oferecido de graça pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e os moradores de Sorocaba podem realizar os testes rápidos o ano todo. A testagem é para HIV, Sífilis, Hepatites B e C. O Centro de Testagem (CTA) fica na R. Manoel Lopes, número 220 e funciona de segunda a sexta, das 7h às 15h30, mas nas quartas funciona até as 19h. Informação e prevenção salvam vidas Foto: Banco de Imagens Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

Alexandria usa tecnologia para facilitar o acesso à energia limpa no Brasil

Publicado em: 08/12/2025 18:15

A Alexandria vem se destacando no setor energético brasileiro ao combinar Inteligência Artificial proprietária, automação e um modelo totalmente digital. A proposta da empresa é tornar o acesso à energia limpa mais simples, ágil e democrático, ampliando as possibilidades para consumidores e organizações. A iniciativa nasce de uma missão clara: Facilitar o modo como pessoas e empresas lidam com energia, oferecendo meios digitais para consumir e participar desse mercado. Tecnologia que simplifica experiências No centro da operação está a Lex, plataforma digital criada pela Alexandria para reduzir etapas e tornar o processo de contratação de energia mais direto. A tecnologia integra IA, automação e análise de dados, permitindo que usuários realizem o processo em poucos minutos, sem formulários complexos ou exigência de conhecimento técnico. Com a Lex, a experiência é: Rápida: fechamento de vendas em poucos minutos. Digital: sem papelada, deslocamentos ou etapas presenciais. Automatizada: validações acontecem em tempo real. Escalável: preparada para atender grandes volumes de consumidores e vendedores simultaneamente. O que antes dependia de um longo trâmite com distribuidoras pode acontecer com a fluidez de um aplicativo moderno. Consumir energia ficou mais simples. Participar do mercado, também. A proposta da Alexandria não está apenas em facilitar o acesso à energia com desconto, mas também em oferecer ferramentas para que usuários possam participar do modelo energético de maneira prática. Na plataforma: consumidores podem economizar de forma automática, sem instalação ou investimento; pessoas interessadas podem participar do modelo por meio da indicação de novos clientes; empresas têm acesso a soluções digitais que agilizam a migração para energia eficiente. A tecnologia amplia o entendimento de que energia não é um serviço distante: é um recurso que pode ser otimizado por meio de escolhas mais conscientes. Modelos que unem simplicidade e eficiência A Alexandria atua em dois formatos, ambos conduzidos pela plataforma Lex: Geração Distribuída (GD): residências e pequenos negócios Energia renovável com desconto, sem obras, sem manutenção e com acompanhamento digital. Mercado Livre (ACL/Varejista): empresas Possibilidade de reduzir custos por meio da contratação inteligente de energia, com a gestão feita de forma centralizada pela plataforma. Impacto em escala: tecnologia que apoia novos hábitos Com a digitalização do processo energético, a Alexandria contribui para três avanços simultâneos: Econômico: mais brasileiros têm acesso a energia com possibilidade de economia mensal. Tecnológico: o país dá passos importantes rumo a modelos energéticos apoiados por automação e IA. Cultural: cresce a percepção de que energia é um serviço que pode ser escolhido, otimizado e acompanhado de perto pelo próprio usuário. Essa mudança de comportamento também é impulsionada pela comunidade ativa que utiliza a plataforma Lex. Depoimento do CEO “Criamos tecnologia para devolver o protagonismo às pessoas. Nossa missão é facilitar o modo como a sociedade utiliza e contrata energia, colocando ao alcance de todos um modelo mais simples e acessível”, afirma Alexandre Brandão, CEO da Alexandria. “Com a Lex, energia deixa de ser algo distante e passa a ser uma experiência mais rápida, clara e digital.” Sobre a Alexandria A Alexandria é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve soluções para ampliar o acesso à energia limpa por meio da plataforma digital Lex. A combinação de Inteligência Artificial, automação e processos 100% digitais simplifica a contratação de energia, cria novas formas de participação no mercado e apoia a transição energética no país. A missão da empresa é promover um uso mais eficiente e consciente de energia por parte de pessoas e organizações. Saiba mais sobre os serviços e modelos disponíveis no site da Alexandria.

Trump diz que não é amigo da Netflix nem da Paramount em meio a disputa pela Warner

Publicado em: 08/12/2025 17:59

Paramount faz oferta hostil de US$ 108,4 bilhões pela Warner O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (8) que nem a Netflix nem a Paramount Skydance são suas “grandes amigas”, após as duas empresas apresentarem propostas para adquirir a Warner Bros. Discovery. (entenda abaixo) “Eu conheço muito bem as empresas. Sei o que estão fazendo, mas preciso analisar, preciso ver qual porcentagem de mercado elas têm. Nenhuma delas é, particularmente, uma grande amiga minha”, disse Trump durante uma mesa-redonda na Casa Branca. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A declaração do republicano veio após a disputa pelo controle da Warner ganhar um novo capítulo nesta segunda-feira. A Paramount fez uma oferta hostil de US$ 108,4 bilhões para assumir a empresa, elevando a pressão sobre um cenário já agitado desde a semana passada, quando a Netflix anunciou um acordo de mais de US$ 70 bilhões para comprá-la. 🔎 Uma oferta hostil é uma tentativa de aquisição em que uma empresa tenta comprar outra sem o apoio da diretoria ou do conselho da empresa que está sendo alvo. Em vez de negociar "amigavelmente" com os executivos, quem faz a oferta vai direto aos acionistas, normalmente oferecendo um valor atrativo pelas ações para tentar assumir o controle. A investida amplia a disputa e reacende a pressão sobre as negociações, que já movimentavam Hollywood, reguladores e até o presidente dos Estados Unidos desde o anúncio do acordo da Netflix. Além disso, a ofensiva também marca a escalada de uma série de tentativas frustradas da Paramount para assumir o controle da Warner nos últimos meses. Desde setembro, o estúdio apresentou várias propostas para formar um novo conglomerado de mídia capaz de competir com gigantes como a própria Netflix e empresas de tecnologia como Apple, que já avançam no setor de entretenimento. Todas essas ofertas foram rejeitadas. 💰 Na proposta de hoje, a Paramount colocou sobre a mesa US$ 30 por ação, acima do valor de quase US$ 28 por ação oferecido pela Netflix na semana passada. O pacote total, incluindo o valor da compra e da dívida para ser assumida, chega a US$ 108,4 bilhões. Mesmo que a proposta atraia os acionistas, o caminho não será fácil. A oferta deve ser analisada de perto pelos órgãos antitruste, que avaliam se fusões desse porte podem comprometer a concorrência no mercado. Netflix anuncia acordo de compra A reação da Paramount acontece apenas três dias depois do anúncio que movimentou o setor. Na sexta-feira (5), a Netflix saiu vitoriosa de uma guerra de lances que envolveu, além da Paramount, a Comcast. O acordo — avaliado em US$ 72 bilhões apenas pelos ativos de TV, cinema e streaming da Warner — foi recebido com choque por executivos de Hollywood, sindicatos, cineastas e reguladores nos EUA e na Europa. A aquisição daria à Netflix um catálogo imenso, incluindo marcas globais como HBO e Warner Bros. Pictures. Para críticos, a união representaria um nível de concentração sem precedentes no entretenimento. Sindicatos alertaram para risco de demissões em massa e redução de salários. Concorrentes falaram em ameaça ao equilíbrio competitivo no streaming. Já cineastas temeram queda na produção de filmes para cinema, já que a Netflix privilegia lançamentos diretos na plataforma. A Netflix, por sua vez, demonstrou convicção: aceitou incluir no acordo uma multa de rescisão de US$ 5,8 bilhões, caso a fusão não seja aprovada por reguladores. Trump afirma que vai participar de decisão sobre Netflix e Warner A disputa ganhou um peso político inesperado. A compra da Warner Bros. Discovery pela Netflix foi comentada publicamente pelo presidente Donald Trump, que afirmou que a participação de mercado do novo grupo “poderia ser um problema”. Trump também disse que pretende acompanhar de perto o processo conduzido pelo Departamento de Justiça, órgão responsável por avaliar se a fusão viola regras de concorrência e prejudica consumidores ou rivais. Nesta segunda-feira, o conselheiro econômico da Casa Branca, Kevin Hassett, afirmou que a análise do Departamento de Justiça deve durar “um bom tempo”, indicando que a fusão não será aprovada rapidamente. Além das pressões políticas e regulatórias, a Warner também enfrenta críticas da própria indústria. Sindicatos, como os que representam roteiristas e atores, expressaram preocupação com uma possível redução da produção cinematográfica e aumento de custos para consumidores. Analistas de mercado também estão divididos: parte vê risco de “destruição de valor” na fusão; outros avaliam que a Netflix pode dar um salto estratégico ao incorporar uma das bibliotecas mais valiosas do mundo. Movimento “hostil” da Paramount Antes mesmo da proposta hostil, a Paramount já vinha contestando a forma como o processo de venda foi conduzido pela Warner. Em carta enviada à empresa na semana passada, o estúdio afirmou que a negociação com a Netflix foi “tendenciosa” e que o processo teria “predefinido” a plataforma como vencedora. A Paramount argumenta ainda que a fusão criaria um grupo com 43% do mercado global de streaming, o que, segundo seus advogados, violaria leis antitruste americanas. Com a oferta desta segunda-feira, a Paramount tenta reverter o resultado da disputa. A empresa, que permanece entre os principais estúdios de Hollywood, vive um momento de desempenho irregular nas bilheterias e tenta usar a aquisição para recuperar protagonismo. Na perspectiva da Paramount, a Netflix não deve ser o destino da Warner porque isso aprofundaria a concentração de mercado em um setor já dominado por poucos jogadores. Ao apresentar uma oferta hostil, a Paramount tenta pressionar não só os acionistas da Warner, mas também reguladores, que já estão preocupados com o impacto do acordo com a Netflix. O objetivo é mostrar que existe um comprador alternativo — um argumento que pode pesar nas avaliações antitruste. *Com informações da agência de notícias Reuters Ilustração mostra um modelo em miniatura em 3D impresso de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, diante do logo da Warner Bros. Reuters

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