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Príncipe William posta vídeo e agradece: ‘Obrigado, Brasil’

Publicado em: 08/11/2025 09:26

Príncipe William posta vídeo e agradece: ‘Obrigado, Brasil’ O príncipe William publicou nas redes sociais, na manhã deste sábado (8), um vídeo reunindo os principais momentos de sua passagem pelo Rio de Janeiro. Nas imagens, o herdeiro do trono britânico aparece em diferentes pontos da cidade — do Pão de Açúcar à Ilha de Paquetá, passando por Copacabana e o Cristo Redentor — e encerra a mensagem com um simples e afetuoso “Obrigado, Brasil”. Finalistas do Earthshot Prize no palco do Museu do Amanhã Thais Espírito Santo/g1 A visita fez parte da agenda do príncipe no país, que culminou com a cerimônia do Earthshot Prize, considerado o “Oscar da sustentabilidade”. Criado em 2020, o prêmio reconhece projetos ambientais de impacto global e oferece £1 milhão (cerca de R$ 7,3 milhões) a cada um dos cinco vencedores anuais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O evento reuniu inovadores, investidores, filantropos e lideranças ambientais de diversos países, além de apresentadores brasileiros e internacionais, como Rebeca Andrade, Cafu, Luciano Huck e a ativista indígena Txai Suruí. Príncipe William recebe as chaves do Rio das mãos do prefeito Eduardo Paes Stephanie Rodrigues/g1 William chegou ao Rio de Janeiro na manhã de segunda-feira (3) e foi recebido pelo prefeito Eduardo Paes no Pão de Açúcar, onde ganhou as chaves da cidade em uma cerimônia com forte esquema de segurança. No mesmo dia, o príncipe participou de atividades na Praia de Copacabana, onde jogou vôlei com adolescentes e acompanhou uma simulação de resgate de afogamento realizada pelo Corpo de Bombeiros. Durante a visita, conversou com militares sobre as tecnologias usadas em salvamentos e interagiu com jovens do Projeto Botinho, que oferece treinamento e atividades físicas para crianças durante o verão. Príncipe William jogou vôlei em Copacabana Dilson Silva/AgNews Na terça-feira (4), William visitou a Ilha de Paquetá, onde foi recebido com entusiasmo por moradores. Ele desembarcou de uma lancha da Marinha por volta das 10h10, tirou fotos, recebeu presentes e conversou com os residentes com a ajuda de uma intérprete. Encerrando a agenda, o príncipe esteve na manhã de quarta-feira (5) no Santuário do Cristo Redentor, onde foi recebido pelo cardeal Dom Orani Tempesta, pelo reitor padre Omar Raposo e pelo prefeito Eduardo Paes. Príncipe William no Cristo Redentor Stephanie Rodrigues/g1 A passagem do príncipe pelo Rio reforça o engajamento da coroa britânica com a pauta ambiental e deixou uma mensagem de gratidão ao país — agora eternizada no vídeo de despedida publicado nas redes sociais. O príncipe William e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer cumprimentam o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30, a conferência climática da ONU, em Belém, estado do Pará, Brasil, em 6 de novembro de 2025. Mauro Pimentel/Pool via REUTERS A medica Luana pontes, de Fortaleza, estava visitando o Pão de Açúcar quando se deparou com o príncipe William Cristina Boeckel / g1

Palavras-chave: tecnologia

'Minha presença é um gesto político': a trajetória da brasileira negra que largou a carreira como modelo para liderar uma startup de games em NY

Publicado em: 08/11/2025 08:01

Brasileira larga carreira como modelo para liderar startup de games em NY A brasileira Raissa Leme tinha apenas 16 anos quando decidiu deixar tudo para trás e embarcar em um avião rumo à China com o objetivo de encontrar o seu espaço no mundo da moda. O que ela sequer imaginava na época era que, alguns anos mais tarde, se tornaria uma das poucas mulheres negras a liderar uma startup de games em Nova York, nos Estados Unidos. Modelo, influenciadora e co-fundadora da MOTHER, um estúdio no Brooklyn voltado para games, arte e tecnologia, Raissa nasceu e foi criada em Sorocaba, no interior de São Paulo. Na cidade, morou no Bairro dos Morros e no Júlio de Mesquita. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Sorocaba é um lugar que guardo com muito carinho, porque foi onde vivi minha infância e formei minhas primeiras referências antes de começar a viajar pelo mundo", relembra a criadora da startup, em entrevista ao g1. A infância de Raissa, hoje com 29 anos, foi cercada de afeto. "Eu sou cria de mãe solteira e filha única por parte de mãe. Meus pais sempre foram muito parceiros, mas nunca moramos nós três juntos", conta. Raissa Leme largou a carreira como modelo para liderar uma startup de games em NY Arquivo pessoal Oportunidade do outro lado do mundo A influenciadora fez os ensinos fundamental e médio em escolas públicas de Sorocaba, mas, por conta da viagem de seis meses à China na adolescência, precisou concluir os estudos por meio do supletivo. "Fui para a China muito jovem, aos 16 anos, para trabalhar como modelo. A escolha veio pela oportunidade concreta que apareceu na época, mas também pelo meu desejo de viver algo totalmente diferente do que conhecia, e vi a oportunidade do começo das realizações dos meus sonhos, já que as portas não estavam abertas para mim no Brasil." Foi a primeira vez que Raissa entrou em um avião. Ela não falava inglês e, de cara, precisou enfrentar uma viagem de 25 horas de duração. "Lembro que foi uma decisão muito difícil no momento, porque realmente foi a minha primeira experiência. Nenhum dos meus pais tinha pego avião até então e tampouco viajado para fora do Brasil", continua. Apesar do choque cultural de ter trocado o ocidente pelo oriente, a experiência profissional com a moda ensinou Raissa a ter mais disciplina e deu a ela acesso a espaços que antes pareciam impossíveis. "Culturalmente, foi um choque e, ao mesmo tempo, uma grande escola: eu estava sozinha, em um país com uma língua e costumes completamente diferentes, então precisei aprender a me adaptar rápido, a respeitar e entender outras formas de viver. Essa vivência me abriu muito a cabeça. A moda sempre foi uma parte muito importante da minha vida, abriu portas e me levou a lugares que jamais imaginei", reforça. Durante a carreira como modelo, a brasileira teve a oportunidade de participar de grandes projetos. Entre eles, campanhas para grifes como Louis Vuitton e outras marcas grandes, como Revlon, Adidas e Nordstrom. Aos 16 anos, Raissa se mudou para a China para investir na carreira de modelo Arquivo pessoal Recalculando a rota Mesmo assim, chegou um momento em que Raissa começou a sentir que precisava criar algo que fosse além da imagem e que pudesse transformar a forma como as pessoas se relacionam com elas mesmas. Foi então que surgiu a possibilidade de recalcular a rota e passar a trabalhar com tecnologia e games. A sorocabana havia se mudado para os Estados Unidos em 2020, duas semanas antes de o lockdown ter sido decretado no país por conta da pandemia de Covid-19. "A tecnologia é uma ferramenta muito poderosa. Os games são hoje uma das linguagens mais potentes da nossa era. E eu queria estar justamente nesse lugar, construindo algo que fosse além da diversão, mas que também pudesse expandir consciências", explica. Desta inquietação, nasceu a startup, em meados de 2023. Junto da sócia americana Kelsey Falter, que compartilha de um ponto de vista e vivências muito parecidos com os dela, Raissa começou a criar aplicações que ajudam as pessoas a refletirem sobre si mesmas e a resgatarem a sua memória digital. "Estamos construindo experiências que, na superfície, parecem brincadeiras, mas que, em profundidade, carregam um poder real de transformação." Embora não tenha uma formação técnica em games, a influenciadora mergulhou no universo e foi se especializando na prática: estudando, conversando com profissionais da área e somando suas referências e experiências de vida em diferentes culturas. Na opinião dela, para quem gosta de games, o próprio processo de criação é a melhor escola. Hoje, a startup conta com cerca de 30 pessoas, entre artistas, programadores e criativos, distribuídas entre Nova York, São Paulo, Viena e outras cidades do mundo. "Mas não penso na MOTHER como 'quantas pessoas' e, sim, como 'quantas visões'. Cada membro do time traz uma bagagem cultural, técnica e pessoal diferente, e essa soma é o que torna o estúdio tão singular. Nossa força está na diversidade", reforça. Le Zoo funciona como um espaço coletivo no qual cada jogador cria a sua criatura Reprodução Mundo aberto O primeiro game da startup, chamado de Le Zoo, funciona como um espaço coletivo no qual cada jogador cria a sua criatura e pode explorar diferentes mundos, participar de experiências e interagir com outras pessoas. "É um mundo aberto dividido em três reinos e cinco casas, cada um representando aspectos da identidade humana. Na superfície, parece um jogo divertido e cheio de fantasia, mas, em profundidade, mostra ao jogador que a tecnologia pode ser usada para despertar agência e autoconhecimento, em vez de reforçar prisões algorítmicas", detalha. No momento, o acesso ao jogo está sendo liberado em fases de playtest, para grupos selecionados de jogadores, que ajudam a empresa a construir e evoluir a experiência junto à comunidade. A ideia, segundo Raissa, é que o game vá se expandindo a partir desses testes, até se tornar aberto a todos. O Le Zoo estará disponível gratuitamente, apenas para celulares. Raissa Leme é mãe do Rio, de um ano e cinco meses Arquivo pessoal Exercício diário Mãe do Rio, de um ano e cinco meses, a sorocabana diz que conciliar a criação da startup com a rotina em casa é um exercício diário de presença, paciência e equilíbrio. "A maternidade me ensinou sobre confiar no tempo das coisas, mas também sobre acolher o inesperado", comenta. "Pessoalmente, meu futuro está muito ligado à maternidade. Criar o Rio e criar a MOTHER acontecem em paralelo, e eu sinto que essas duas jornadas se alimentam mutuamente. Meu desejo é continuar crescendo junto com o meu filho, aprendendo a equilibrar expansão e cuidado, presença e movimento, e curtir muito essa oportunidade de ver a vida crescendo e expandindo aos meus olhos." Além disso, para Raissa, ser uma mulher negra liderando uma startup de games no EUA significa ocupar um espaço historicamente negado a ela. "Então, a minha presença já é um gesto político. Liderar um projeto de games, para mim, é também disputar narrativas. E mostrar que pessoas negras não estão só construindo cultura, mas também criando tecnologias, inventando mundos, expandindo o imaginário. Isso é fundamental para que novas gerações vejam que também pertencem a esses lugares", completa. Sorocabana concilia a maternidade com a criação da startup de games nos EUA Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

Tornado que atingiu Paraná é classificado como EF3, com ventos que chegaram a 250 km/h, confirma Simepar

Publicado em: 08/11/2025 07:54

Tornado causa destruição e deixa feridos em Rio Bonito do Iguaçu, no PR. Imagens cedida O tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, na tarde de sexta-feira (7) atingiu o índice EF3, com ventos de 250 km/h, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Na cidade, ao menos quatro pessoas morreram e mais de 130 ficaram feridas. segundo a Defesa Civil. O órgão também informou que uma pessoa morreu em Guarapuava, na região central do estado. Conforme o Simepar, o nível atingido pelo tornado é medido pela "escala Fujita", que avalia a intensidade dos ventos. O meteorologista Samuel Braun explicou que foi possível confirmar a classificação do tornado, a partir de análises dos radares meteorológicos, imagens aéreas e de estragos na cidade. Imagens registradas por moradores em Rio Bonito do Iguaçu mostram casas destelhadas, imóveis danificados e postes de energia no chão. Nos vídeos também é possível ver escombros de edificações e casas destelhadas. Assista ao vídeo acima. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O Simepar explicou que a cidade foi atingida por uma tempestade do tipo supercélula, que é caracterizada pela presença de um mesociclone - uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem. Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Globonews O especialista explica que a principal diferença do tornado para uma tempestade comum é a rotação do vento. Outros fatores também colaboraram para a formação do tornado: "O ambiente atmosférico estava muito úmido, aquecido. Há também outros fatores, por exemplo, como a diferença dos ventos entre a superfície e os níveis mais elevados da atmosfera. Nós chamamos na meteorologia de cisalhamento. Então esse cisalhamento estava extremamente elevado. São vários fatores que contribuíram para a formação dessas tempestades [...] e no caso o tornado, nessa cidade", explicou o meteorologista. Braun afirma que em 23 anos como meteorologista, esse foi o evento mais forte que ele presenciou. "Esse foi bastante devastador. Até mesmo por categorias. Não me recordo de chegarmos ao EF3", completou. Mobilização Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Redes sociais O Governo do Paraná informou que 30 bombeiros foram enviados de várias cidades para a cidade de Rio Bonito do Iguaçu e 20 bombeiros do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost), tropa de elite da corporação, também vão se deslocar junto com cães de busca. O estado também colocou todas as equipes de salvamento à disposição para os atendimentos emergenciais na cidade e nas proximidades, como Laranjeiras do Sul, Cantagalo, Porto Barreiro, Candói e outros distritos. No início da noite, o Corpo de Bombeiros da cidade havia informado a morte de cinco pessoas. Durante a madrugada, o número foi corrigido para quatro, após a corporação constatar que uma das vítimas havia sido contabilizada duas vezes — em Rio Bonito do Iguaçu e também em Laranjeiras do Sul. Já na manhã deste sábado (08), uma nova morte foi confirmada em Guarapuava e o número voltou a ser cinco. Ambulâncias de Cascavel e Guarapuava estão auxiliando no atendimento aos feridos. Os hospitais da região estão sobrecarregados e a Secretaria da Saúde já disponibilizou leitos em outras localidades se a demanda aumentar nas próximas horas. O governador Ratinho Junior (PSD) informou que o governo vai montar uma base de comando e coordenação do atendimento no Quartel Central do Corpo de Bombeiros de Guarapuava, com uma estrutura avançada de apoio mais próxima da região mais atingida em Rio Bonito do Iguaçu. Diversas viaturas de outros locais, como Cascavel, Dois Vizinhos e Maringá, também vão dar suporte para as operações. Conforme o governo, aeronaves de resgate aguardam condições meteorológicas ideias para deslocamento. Também serão enviadas motoserras e outros equipamentos pesados para desobstruir estradas interditadas e auxiliar nas buscas. Policiais, bombeiros, funcionários da prefeitura e voluntários estão atuando na cidade e nos municípios vizinhos em busca de vítimas. O governo estadual informou que carregou caminhões da Defesa Civil para levar cestas básicas, kits de higiene e dormitório para a região Centro-Sul. Eles devem começar a sair de Curitiba já nesta madrugada. Waldez Góes, Ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, informou na madrugada deste sábado (8) que está planejando o envio de ajuda humanitária para o Paraná. Góes informou que articula, sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o envio de equipes e do apoio às ações de reconstrução. LEIA MAIS: Tornado em Rio Bonito do Iguaçu destruiu cerca de 80% da cidade, diz governo: 'Cenário de guerra' Vídeos mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Destruição em Rio Bonito do Iguaçu foi causada por tempestade classificada como 'supercélula', diz governo; ventos podem ter chegado a 250 km/h Aumento de atendimentos de saúde Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Eduardo Andrade/RPC Segundo o governo estadual, hospitais da região já registraram centenas de atendimentos, realizados de forma contínua pelas equipes locais. Os serviços de saúde de Laranjeiras do Sul prestam suporte direto aos feridos, e a Central Estadual de Regulação de Leitos atua na viabilização das transferências dos casos mais graves, quando necessário, conforme a disponibilidade de vagas e o estado clínico de cada paciente. A Sesa também solicitou apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) das Regionais de Guarapuava e Cascavel, para o envio de ambulâncias e reforço nas remoções. Além disso, a secretaria disponibilizou materiais como soro, medicamentos e insumos para envio imediato aos hospitais, caso necessário. O Hemocentro de Guarapuava enviou bolsas de sangue para Laranjeiras do Sul, e o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) permanece em alerta, monitorando a situação e preparado para novos envios conforme a demanda. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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MC Olavo Bilac e os Parna Rappers: clipes feitos com IA 'rejuvenescem' poesias parnasianas e podem até ajudar nos estudos para o Enem

Publicado em: 08/11/2025 06:00

Parna Rappers: poemas do século XIX viram rap em clipes feitos por IA Sonetos do século 19, como os de Olavo Bilac, com batidas de rap e clipes gerados por inteligência artificial. O resultado, além de fazer sucesso nas redes sociais, pode ser útil a estudantes que farão o Enem, segundo professores ouvidos pelo g1. No primeiro dia de provas, neste domingo (9), os candidatos vão encarar questões de Linguagens em que o Parnasianismo costuma marcar presença. Se cair, por exemplo, a poesia "Música Brasileira", a versão cantada do "MC Olavo Bilac" no Parna Rappers (veja no vídeo acima), pode já estar na cabeça do estudante seguidor do perfil. "É bem mais atrativo para o aluno porque modifica a abordagem temática. E, quando se mantém uma estrutura parnasiana, com o discurso atual, cria um diálogo objetivo, onde o aluno se enxerga naquele contexto", analisa Daniel Oliveira, professor de português e literatura do colégio Matriz Educação. "Os poemas parnasianos são considerados mais difíceis porque fogem da normatividade da narração. Os textos são melhor entendidos quando contam histórias, mas o parnasiano é um texto descritivo e menos atrativo", explica Daniel. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O professor Literatura do Colégio Qi, Hugo Sant’Anna, concorda e vê as novas tecnologias como aliadas na formação dos alunos. "A ajuda de um perfil como o Parna Rappers é enorme e evidente para os estudantes que buscam fazer o Enem e, talvez, até necessária (...) a poesia vem da música e o retorno a ela, por meio de poemas que são ricos em rimas, é algo incrível e significativo. Belchior, por exemplo, fez isso, no passado, ao citar Bilac, um grande parnasiano, em "Divina comédia humana"", avaliou. "Um perfil como o Parna nos mostra como a internet chegou pra ficar e pode ser absurdamente positiva e convidativa, sem falar do seu caráter democrático, de levar poemas para boa parte de estudantes", completou. Em quase todas as edições do exame nacional, poemas costumam aparecer para analisar linguagem, estilo, figuras retóricas e também para discutir o contexto histórico e cultural dos movimentos literários. O padrão da prova não é cobrar datas ou classificações, mas, sim, interpretação, o que abre espaço para novas maneiras de aproximar o estudante da poesia. "Ter literatura nas redes sociais, é um suspiro poético, em meio a uma enormidade de informações", comentou o professor Hugo Sant’Anna. Nos últimos anos, questões do Enem usaram poemas de diferentes épocas. Em 2019, o exame cobrou a identificação de imagens e do eu lírico em poemas do caderno de Linguagens. Em 2020, a prova voltou a apresentar textos poéticos como base para perguntas sobre construção de sentidos. Em 2023, um trecho de Bilac, autor central do Parnasianismo, reapareceu na prova, mostrando que poemas do fim do século 19 seguem no repertório do exame. Os poetas MCs e a IA Parna Rappers: Poemas do século XIX viram rap e somam 800 mil visualizações em clipes feitos por IA Reprodução redes sociais É justamente nessa intersecção entre tradição e novas linguagens que surgiu o Parna Rappers, projeto criado pelo publicitário carioca Gabriel Gil que transforma sonetos parnasianos em clipes de rap com imagens geradas por inteligência artificial. O resultado do projeto virou material de estudo em salas de aula, segundo o próprio autor. "A ideia era conectar os poemas antigos com os ritmos e as tecnologias de hoje. É legal ver como as pessoas gostam e mandam mensagens. Tem professores que me procuram para comentar”, conta Gabriel. Poesia no Enem Embora o Enem priorize movimentos como Modernismo e Romantismo, o Parnasianismo segue como conteúdo possível nas questões de Linguagens, especialmente quando a prova coloca poemas em contraste ou discute a evolução da poesia brasileira. Além de Bilac, obras de autores como Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Vicente de Carvalho também já apareceram em edições do exame. A abordagem costuma ser interpretativa, quando o candidato precisa identificar efeitos de sentido, reconhecer o papel da forma rígida, da métrica perfeita, da rima ou da objetividade do poema. Nesse contexto, o Parna Rappers acaba funcionando como uma espécie de “tradução estética” do repertório, segundo professores. Sonetos parnasianos ganham ritmo de rap e visual contemporâneo, fazendo uma ponte que aproxima os versos de estudantes. “Os poemas vão se encaixar super bem com o rap, principalmente com o Parnasianismo, porque a galera (autores da época) primava muito pelo rigor, com a métrica, as sílabas bem encaixadas (...) Eles tinham esse rigor pela métrica e isso garante que cada poema vai funcionar”, explica Gabriel. Parna Rappers: Poemas do século XIX viram rap e viralizam em clipes de IA Reprodução redes sociais IA, música e novas linguagens O Parna Rappers começou a ganhar forma em abril deste ano, quando Gabriel decidiu testar ferramentas de criação musical e geração de imagens. Os beats são feitos na plataforma Suno, e os clipes são montados a partir de sequências criadas por IA. “Não é só apertar um botão (...) A IA às vezes dá uma alucinada, algum verso quebra o ritmo da poesia, mas eu arrumo, não mexo em nada no poema original. Todo vídeo tem a letra ou o poema original”, contou Gabriel. A métrica regular dos parnasianos, com os famosos sonetos de 14 versos, tornou o trabalho naturalmente compatível com vídeos curtos, o formato favorito das redes sociais. O criador foi mapeando poetas do século 19 e início do 20, consultando sites especializados e o acervo da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ao todo, ele planejou 50 vídeos. Atualmente, 33 clipes já foram publicados no Instagram, Tiktok, Youtube e Spotify. Vilaça, Bilac, Alberto de Oliveira, Vicente de Carvalho, Francisca Júlia, Teófilo Dias, Augusto dos Anjos e outros autores entraram na lista. “O projeto mostra como está a tecnologia. Coloca a poesia onde ninguém imaginava encontrar”, resume o idealizador. Impacto em sala de aula O fenômeno ultrapassou as redes. Com mais de 800 mil visualizações em todas as plataformas, professores passaram a usar as músicas nas aulas de literatura, especialmente para aproximar os estudantes de poemas que normalmente parecem distantes da realidade jovem. “Os professores estão proibindo celulares nas escolas, todo mundo distraído, e de repente tem esse poema que, só de ler, não gera reflexão, mas como música pode ser mais interessante e pode levar a outros versos”, diz o autor. “Se um vídeo impactar uma única pessoa ao ponto dela pesquisar mais sobre o poeta ou sobre poesia, já valeu a pena”, comenta Gabriel. Francisca Júlia da Silva foi considerada a maior poetisa parnasiana do Brasil e também está no Parna Rappers Reprodução redes sociais Na opinião do professor Daniel, o rap e a tecnologia desperta a atenção do aluno e leva ele para temas que ele talvez não tivesse interesse. "O rap, de uma maneira bem objetiva, transpõe uma expressão cultural jovem. Não que o rap seja jovem, mas a linguagem do rap hoje é uma linguagem muito acessível ao jovem, muito atrativa, por conta da rima, por conta da maneira que o rap se dá. Então isso já torna o rap algo bastante atrativo para o aluno". No perfil do Parna Rappers no Instagram, é comum encontrar comentários de seguidores reforçando a função didática do projeto. Até quem não parece ser fã do Parnasianismo tem contato com as poesias e autores. "É uma excelente maneira de trabalhar esse e tantos outros escritores que, no geral, soam como 'chatos' de se ler", escreveu uma seguidora. "Muito bom. Queria ter assistido a uma aula de literatura no ensino médio com essa trilha sonora", comentou uma professora. “Esse canal deve ser visto por todos os brasileiros. Vocês deveriam receber um prêmio da Academia Brasileira de Letras. Trabalho incrível", escreveu outro seguidor. "Muito obrigado pelo maravilhoso serviço à Literatura", comentou um escritor. "Altamente recomendado para professores de língua e literatura brasileira", disse outro seguidor. Técnicas de memorização no Enem: o que realmente funciona Alimentação e sono antes do Enem: saiba o que ajuda e o que atrapalha Alfabetização midiática na redação Além de ajudar no desenvolvimento do aluno, o uso de IA e de formatos diferentes de produção também dialoga com a Competência 5 da redação do Enem. A Competência 5 mede se o candidato sabe propor soluções para o problema do tema da redação e se demonstra uso crítico da tecnologia, das mídias e da informação, algo que se torna cada vez mais relevante em temas ligados ao digital. O professor Daniel Oliveira acredita que os alunos que conseguem ter um repertório mais variado de conhecimento vão ter mais facilidade na construção da redação. "Repertório é efetivamente todo e qualquer conhecimento de mundo que o aluno tem, que dialogue de maneira objetiva com a temática da redação e que o permita associar esse repertório ao desenvolvimento que ele está apresentando. O aluno que entende que repertório é conhecimento de mundo, ele vai olhar para o rap, ele vai olhar para o Djonga, para o Emicida, para esses autores parnasianos e vai encontrar nesses autores inspiração e sustentação para o argumento que ele está desenvolvendo ao longo do texto", diz.

Fake news por carta, IA na cidadania: como ética digital pode inspirar questões dos vestibulares 2026

Publicado em: 08/11/2025 05:55

Em 2025, as discussões sobre o uso das inteligências artificiais e o fenômeno das fake news se tornaram ainda mais recorrentes. A expectativa é de que esses temas tenham um espaço importante nos vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Uma amostra ocorreu na 1ª fase do Vestibular da Unicamp 2026, quando uma das questões pediu que o candidato analisasse a criação de imagens com o uso da IA no “estilo Ghibli”, estúdio de animação japonês, contrapondo arte humana com imitação feita artificialmente de forma eletrônica. 🤖 Segundo professores ouvidos pelo g1, as bancas devem usar o assunto como um "pretexto" para cobrar dos alunos reflexões críticas que devem ir além do campo tecnológico. "Acho que a gente deve esperar pelo menos alguma dificuldade, colocando essa discussão num contexto histórico ou num contexto de sociologia, pensando na modernidade, nos meios de comunicação, no comportamento da massa," afirma o professor de história Victor Rysovas, do Colégio Oficina do Estudante. “É um debate que a gente não precisa necessariamente saber definir o que são IAs, mas entender como as contradições na produção de conhecimento tem gerado a desinformação e a dificuldade da gente identificar o que é verdade ou não”, complementa Isabela Bordignon doutoranda em geografia na Unicamp e professora no cursinho popular Trio. 📚 Esta reportagem compõe o projeto Vestibulou, uma parceria do g1 Campinas com a EPTV para divulgar informações relacionadas aos principais vestibulares e ajudar na preparação dos estudantes. Disciplinas que podem abordar IA e fake news De acordo com Rysovas, IA e fake news são temas que não se limitam a questões de atualidades. Eles podem ser cobrados de formas muito variadas e em diversas disciplinas, o que inclui, por exemplo: 📜 História - por meio de comparação de algum evento atual, a IA e as Fake News podem servir de argumento para resgatar momentos históricos de manipulação de informação, como: As cartas falsas de Arthur Bernardes (1921): uma série de cartas publicadas em jornais brasileiros cuja autoria foi atribuída ao presidente da época, Arthur Bernardes. Elas atacavam ex-presidentes e os militares, inflamando conflitos que quase o tiraram da disputa, além de contribuírem para o cenário que levou à Revolução de 1930. Plano Cohen (1937): um documento forjado que apresentava um suposto plano comunista e que foi utilizado por Getúlio Vargas para justificar a implementação da ditadura do Estado Novo. 👥 Sociologia e filosofia - debate em relação à crise ética e social, podendo abordar comportamento das massas, a formação de bolhas informacionais e o papel da ética diante do uso de ferramentas: O caso da Fabiane Maria de Jesus (assassinada no Guarujá em 2014) ajuda a ilustrar como a desinformação pode levar à brutalidade e discutir o conceito de indústria cultural e senso comum. A ética e a moral na atuação da IA, citando a filosofia de Maquiavel, e questionando se a máquina pode reproduzir preconceitos e vieses sociais. 📰 Linguagens e ética - discussão que se concentra na autoria e subjetividade: A IA pode ser cobrada quanto aos seus padrões estéticos literários ou "impressão digital" nos textos. O debate sobre direitos autorais e a substituição de profissionais da escrita (copywriters, redatores) pela máquina é pertinente. Redação IA e fake news também podem aparecer nas propostas de redação. Segundo, Rysova é nesta parte da prova, presente no Enem e na segunda fase dos principais vestibulares paulistas, que o estudante terá maior espaço para desenvolver discussões mais profundas e significativas. “Eu vejo que um pedido de redação, de reflexão a partir de uma coletânea para esse comportamento dentro das redes sociais da IA é absolutamente pertinente e necessário”, afirma. O professor aponta que há a possibilidade das provas explorarem a conexão entre os assuntos da IA e fake news, e estes podem acontecer principalmente a partir de dois aspectos: o potencial da IA generativa na produção de conteúdo falso e a vigilância e análise de dados. IA generativa: o aluno deve ter em mente que o uso destas ferramentas, como o ChatGPT ou Gemini, abre a possibilidade de gerar um volume “impressionante” de conteúdo por dia com base em simples comandos que podem ser direcionados para a produção de notícias falsas com alta velocidade, lembra o professor. Análise de dados: um caminho menos evidente, mas que também pode car pode cair nas provas, é a capacidade da IA analisar uma imensa quantidade de dados sobre o comportamento dos usuários nas redes sociais. A tecnologia pode escanear fotos, identificar tendências, avaliar a interação do usuário e, assim, alimentá-lo com conteúdo alinhado às crenças próprias, formando as "bolhas" sociais. “Todo mundo que tem um perfil aberto nas diferentes redes sociais pode estar sendo observado por elementos de inteligência artificial [...] acredito que a prova possa trazer uma discussão da vigilância das redes, do uso que as redes sociais tem em relação aos seus dados”, explica. Deste último, surge um assunto derivado, mas de ampla discussão neste ano (e por consequência um grande potencial para aparecer nas provas) que é a regulamentação das redes e a liberdade de expressão. Uma redação que explore a reflexão sobre esse comportamento nas redes sociais seria "absolutamente pertinente e necessário." Preconceitos e soluções IAs como o ChatGPT, Google Gemini e Claude Opus surgiram a partir do conjunto de tudo o que as pessoas escreveram, postaram e deixaram para trás nos últimos 30 anos Getty Images Outro aspecto crítico levantado por Victor é a reprodução de preconceitos por parte das IAs. Como a ferramenta aprende com a linguagem e a cultura, ela pode internalizar e replicar desigualdades e estereótipos como o racismo, machismo, e outros preconceitos. "Se eu estou falando de um grande modelo de linguagem, a linguagem serve para traduzir uma cultura. Então, se ela vai traduzir uma cultura repleta de desigualdades, repleta de preconceitos," questiona o professor. No entanto, um tema de redação possível de ser abordado é o de ir além da crítica e pensar a Inteligência Artificial como solucionadora de problemas, e até arma para combater a disseminação de notícias falsas. 💡 Entenda: na visão dele, a IA pode ser desenvolvida para combater a disseminação de fake news e melhorar a relação do homem com a tecnologia, atuando como uma ferramenta para o bem-estar social. “A gente precisa falar muito da possibilidade da IA como aquilo que combate esses problemas. Numa proposta de intervenção, por exemplo, quais ferramentas a gente poderia desenvolver com a IA para dificultar a atuação da própria IA. [...] Como você usa a tecnologia para melhorar a relação do homem com a tecnologia e ela funcionar não mais como essa sombra que paira sobre a sociedade do século XXI”, questiona. Geopolítica, meio ambiente e cidadania digital Isabela Bordignon destaca que a relação entre tecnologia e cidadania é outro eixo comum das provas da Unicamp e do Enem. Para ela, os vestibulares podem explorar as IAs a partir da produção e geolocalização de dados, analisando contradições entre o avanço tecnológico e o aumento da desinformação. “As provas sempre discutem como as tecnologias impactam a sociedade e as relações humanas e a IA e as fake news estão diretamente ligadas a isso [...] porém, vivemos uma contradição. Nunca produzimos tantos dados e, ao mesmo tempo, enfrentamos tanta dificuldade em distinguir o que é verdade”, explica. Isabela também lembra que a questão pode aparecer em diferentes escalas geográficas, das relações de trabalho ao alto consumo de água nos data centers que estão sendo transferidos para o Sul Global. “Podemos pensar desde os impactos locais, como as relações de trabalho mediadas por aplicativos, até os efeitos globais, como a influência das big techs na geopolítica internacional [...] É uma nova forma de colonialismo tecnológico”, observa. A professora comenta sobre a dependência dos famosos “chats”, no qual se substitui atividades sociais antes feitas coletivamente por uma mediada pelo algoritmo. É algo que gera reflexões intelectuais e têm pautado e até influenciado a geopolítica internacional. “A própria questão dos algoritmos vai indicar como determinadas informações sobre a guerra em Gaza, por exemplo, chega em determinados lugares ou não”, comenta. Sugestões para estudar sem estresse Para aprofundar o repertório, o professor Rysovas sugere livros e filmes que podem ser lidos ou assistidos nos dias que antecedem as provas: O Dilema das Redes (Documentário, 2020): aborda o uso ético da tecnologia e vigilância de dados. O filme entrevista pessoas da indústria de informática e redes sociais, trazendo uma série de alertas, dados e estatísticas. Pessoas de dentro do Google e do Twitter, por exemplo, falam sobre a discussão ética do uso da tecnologia. Matrix (Filme, 1999): o filme discute a capacidade de estar imerso em uma realidade em que já não se sabe mais o que é real e o que não é real, além de abordar a interação homem-máquina. Além de ter uma conexão com Alice no País das Maravilhas. Fahrenheit 451 (Livro, Ray Bradbury, 1953): discute a questão da informação, da base da informação, a origem e como se constrói uma verdade, e por que as pessoas pararam de ler livros e se afastaram da ciência, discutindo inclusive um sistema de crenças e controle. Além destes, comenta sobre três livros da lista obrigatória da Unicamp que podem servir como inspiração: Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll, 1865): linha tênue entre o realizável e o irrealizável, a aproximação com o mundo fantástico. A vida não é útil (Ailton Krenak, 2020): o olhar diferente sobre a existência e o progresso, que pode ser contrastado com o desenvolvimento tecnológico. No seu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie, 2009): ela traz uma discussão muito importante sobre memória, produção de conhecimento, construção de narrativa. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Aos 77 anos, aposentado fará Enem pela 1ª vez com sonho de cursar Psicologia, no Paraná: 'Envelhecer com saúde mental'

Publicado em: 08/11/2025 04:02

Paranaense fará Enem pela primeira vez com sonho de cursar Psicologia Após ficar mais de 46 anos afastado da sala de aula, Elifas Levi Rodrigues, de 77 anos, decidiu retomar os estudos. Em 2025, ele concluiu o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e agora se prepara para realizar, pela primeira vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com o objetivo de cursar Psicologia. “Com a psicologia eu posso ajudar muita gente. E aí eu me torno uma pessoa que eu vou envelhecer com saúde mental e trabalho…. Não vou ficar uma pessoa ociosa”, afirma Elifas. Neste domingo (9), Elifas será um dos 17.192 mil brasileiros com mais de 60 anos inscritos no Enem. O número representa um aumento significativo em relação à edição anterior, que contou com 9.950 participantes nessa faixa etária. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Elifas, morador de Curitiba desde 1979, explica que precisou interromper os estudos na 8ª série por questões familiares. O longo período de afastamento da sala de aula, entretanto, não diminuiu em nada o potencial e força de vontade de Elifas, que ao concluir o EJA, foi reconhecido como aluno destaque. Atualmente, ele é aposentado, mas trabalha como taxista para complementar renda. O gosto pela leitura, cultivado em sala de aula quando era jovem, nunca abandonou Elifas, que revela que seu interesse pela Psicologia também vem de longa data. "Já venho lendo sobre esse tema há muitos anos, mas agora que foi a decisão", conta. Idoso de 77 anos faz Enem pela primeira vez, após ficar 46 anos sem estudar Arquivo pessoal Mais histórias inspiradoras no Paraná: 'Surpresa grande': Mãe e filho passam no vestibular para mesmo curso Volta por cima: Após 18 anos em situação de rua, mulher passa em Serviço Social Preparação para a prova Mesmo com a rotina de trabalho, ele afirma que conseguirá conciliar bem os estudos, caso seja aprovado. Elifas está confiante para a prova. "Muita coisa dá para estudar no táxi. Tenho um acervo grande de audiobooks no celular, que ouço enquanto trabalho [...] Vou chegar lá [na prova] para mostrar o que eu sei e o que conheço." Segundo o especialista em educação Renato Casagrande, o formato da prova mudou ao longo dos anos, o que pode beneficiar os candidatos mais velhos. “Hoje o Enem está mais adaptado a diferentes perfis de alunos. Não é mais uma prova de ‘decoreba’, e sim muito mais voltada à interpretação de textos e conteúdos contextualizados, o que facilita para alunos mais velhos também”, explica o especialista. Apoio para seguir sonhando Quando concluiu o EJA, além de ser aluno destaque, Elifas foi orador da turma Arquivo pessoal Elifas reforça a importância que o CEEBJA Francisco Macedo teve no processo de retomada dos estudos. A modalidade permite que pessoas que pararam de estudar concluam, em menos tempo, o ensino fundamental ou o ensino médio. “A escola recebe a gente muito bem. Um pessoal, uma equipe muito bem preparada, sabe? E os professores fantásticos. Tem um professor que hoje é meu amigo. É muito interessante, né? Porque o EJA muda a vida de muitas pessoas", destaca. A trajetória de Elifas é marcada também pelo apoio da família. “Minha esposa, filhos e netas me apoiam muito. As netas são as mais entusiasmadas com essa jornada [...] É uma experiência fantástica. Não existe dificuldade. É só interagir, e que as pessoas venham para a escola e não desista... Porque é tudo um início. Iniciou, o restante vai acontecer normalmente, sabe?", ressalta Elifas. Aumento da terceira idade no Ensino Superior De acordo com o Ministério da Educação, 4.811.338 milhões de pessoas se inscreveram nesta edição do Enem. Dentre elas, 17.192 têm mais de 60 anos. O dado representa um aumento em relação aos anos anteriores. Em 2024, por exemplo, foram registrados 9.950 inscritos nessa faixa etária, o que corresponde a um crescimento de mais de 72% em comparação ao ano anterior. Esse também é um dos maiores números de participantes idosos desde 2015. Além disso, de acordo com dados da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (SETI), houve um crescimento também no número de alunos matriculados com mais de 60 nos cursos de graduação em universidades públicas estaduais. Veja o gráfico abaixo. Número de estudantes com mais de 60 anos matriculados em Universidades Estaduais no Paraná De acordo com a SETI, a Unioeste não passou os números dos anos anteriores, apenas deste ano. De acordo com a direção de Acompanhamento Acadêmico (DAA) da UENP foi considerado o total de matrículas de alunos com 50 anos ou mais. Veja cronograma do Enem 2025 ⬇️🕒 9 de novembro O candidato deverá fazer: 45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol); 45 questões de ciências humanas; redação. 16 de novembro A prova trará: 45 questões de matemática; 45 questões de ciências da natureza. Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília): Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Término das provas no 1º dia: 19h Término das provas no 2º dia: 18h30 *Com colaboração de Maria Pohler, assistente de produtos digitais do g1 Paraná, e supervisão de Caio Budel. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná.

Palavras-chave: tecnologia

Câmara discute proposta para acabar com 'taxa das blusinhas' cerca de um ano após aprovação; entenda

Publicado em: 08/11/2025 04:01

A Câmara dos Deputados discute um projeto de lei que zera o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 feitas por meio de comércio eletrônico, ou seja, impõe um fim à chamada "taxa das blusinhas". Em uma audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, na última quarta-feira (29), representantes de setores da economia e de consumidores se dividiram em relação à tarifa. Desde primeiro de agosto do ano passado, o governo cobra 20% de imposto sobre esse tipo de compra em plataformas online, como Shein, Shoppee e AliExpress. 🔎A taxação foi uma resposta do governo a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. 'Taxa das blusinhas' começa a valer neste sábado; veja o que muda nos preços Um estudo da LCA Consultoria Econômica – empresa especializada em análises econômicas –, mostra que a taxação, criada para proteger o varejo a e indústria nacionais, não surtiu o efeito esperado. "A taxa não teve impacto mensurável na geração de empregos e acabou penalizando principalmente os consumidores de baixa renda, que passaram a pagar mais caro nos produtos e a consumir menos", conclui o levantamento. 🔎O relatório foi feito feito a pedido da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia – Amobitec, que representa empresas de comércio internacional e delivery, como Shein e Amazon, e que participou do debate na Câmara. Lei aprovada no Congresso A incidência do imposto sobre pequenas importações foi instituída em lei aprovada pelo Congresso Nacional, após o Confaz permitir que os estados cobrassem ICMS sobre essas compras. Em agosto de 2024, mês em a medida foi implementada, houve uma queda de 43% nas importações de bens de consumo por remessa conforme, segundo o levantamento da LCA. Em julho de 2024, as compras em e-commerces internacionais totalizaram 285,6 milhões de dólares. No mês seguinte, somaram 162,6 milhões de dólares. Um ano após o início da cobrança da tarifa, em julho de 2025, o brasileiro importou 246 milhões de dólares em produtos, metade do que o projetado pela consultoria para o período. O estudo também mostra que o imposto atinge a população mais pobres. As classes C, D e E são as que mais consomem nas plataformas de compra internacionais. Os dados revelam que as compras feitas por este perfil de consumidor somam 70% de toda a arrecadação do governo. Entre agosto de 2024 e abril de 2025, a parcela dos que desistiram da compra online após verificarem o preço final — com o imposto — subiu de 35% para 45%. Efeitos sobre os empregos A LCA também analisou dados do Ministério do Trabalho. Segundo o levantamento, nos 12 meses seguintes à introdução da taxa das blusinhas, o crescimento do emprego em setores do varejo e da indústria beneficiados com a tarifa de importação pra produtos de baixo valor se manteve no patamar verificado nos doze meses anteriores. "Além disso, o crescimento do emprego nesses mesmos setores nos 12 meses posteriores está abaixo do crescimento do emprego geral no Brasil: 0,97% no comércio varejista beneficiado e 0,97% nas indústrias beneficiadas, contra 3,04% na média nacional", afirma o levantamento da consultoria. O que diz o governo O Ministério da Fazenda não quis comentar sobre a proposta de extinguir a taxa. Afirmou que é o único tributo de importação criado por lei e que é "resultado de uma decisão unânime dos governos estaduais sobre o ICMS no âmbito do Confaz - Conselho Nacional de Secretários de Fazenda - e dos partidos políticos que votaram pela criação do imposto no Congresso". À época da implementação do imposto, a Fazenda defendeu uma medida como uma forma de aumentar a arrecadação e diminuir o rombo das contas públicas. Dados da Receita Federal divulgados em janeiro deste ano apontam que, somente com a taxação das encomendas abaixo de US$ 50, foram arrecadados R$ 670 milhões entre agosto de 2024 – mês em que passou a ser cobrada – e dezembro do ano passado. "O aumento da arrecadação vai ao encontro da criação do Programa Remessa Conforme e o estabelecimento, pelo Congresso Nacional, da tributação sobre todas as remessas, independentemente do valor da importação", informou a Receita Federal.

Palavras-chave: tecnologia

Segurança pública: oposição fez 48 projetos para anular medidas do governo; veja as divergências

Publicado em: 08/11/2025 04:01

Projeto antifacção chega à Câmara dos Deputados As divergências entre o governo e a oposição quanto ao combate à criminalidade não se restringem às discussões recentes sobre a PEC da Segurança e o projeto de lei que classifica facções como terroristas. 📅 Desde 2023, deputados apresentaram 48 propostas para anular medidas da gestão Lula na área da segurança pública, por discordarem delas. Saiba mais: veja principais pontos da PEC da Segurança Saiba mais: o que prevê o projeto que torna facções terroristas As propostas da oposição — projetos de decreto legislativo (PDL), que são capazes de sustar normas do governo se forem aprovados — envolvem medidas contra: lavagem de dinheiro; acesso a armas de fogo; câmeras nos uniformes de policiais; propagação de crimes em redes sociais; e crime organizado. Foto de drone mostra fila de corpos estendidos em praça no Complexo da Penha, no Rio. Reuters/Ricardo Moraes 👉🏽 A segurança pública deve ser um dos temas em destaque no debate político nas Eleições de 2026, com repercussão nacional e local. O assunto voltou à tona após a operação da polícia do Rio nas comunidades da Penha e do Alemão, em 28 de outubro, e a Operação Carbono Oculto, que mirou a lavagem de dinheiro da facção paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), em 28 de agosto. Debate no Congresso Na esteira desses eventos, o governo Lula acelerou o envio ao Congresso Nacional do projeto de pei Antifacção, que aumenta as penas para organizações criminosas, e voltou a defender a sua PEC da Segurança, enviada à Câmara em abril deste ano. O projeto Antifacção, que eleva penas para até 30 anos de prisão, tem muitas semelhanças com propostas que já tramitavam no Congresso, inclusive de autoria de parlamentares da oposição, como mostrou o g1 em setembro. Já a PEC da Segurança, que aumenta a responsabilidade da União na segurança pública, enfrenta críticas da oposição e de governadores, que argumentam que o combate ao crime é atribuição dos estados. Mesmo assim, a proposta ganhou impulso no Congresso depois da operação que deixou 121 mortos no Rio. Ao mesmo tempo, a oposição tem promovido um projeto de lei que classifica as organizações criminosas como grupos terroristas, igualando o PCC e o Comando Vermelho (CV) ao Hezbollah e ao Estado Islâmico, por exemplo. A ideia é controversa porque, segundo integrantes do governo e alguns pesquisadores, pode abrir brecha para intervenções estrangeiras no Brasil. A análise desse tema foi adiada pela Câmara nesta quarta-feira (5). Veja abaixo outras divergências entre oposição e governo na área da segurança pública: Lavagem de dinheiro O PDL 663/2025 busca sustar duas resoluções do Banco Central do Brasil publicadas em setembro deste ano com o objetivo de reforçar a segurança do sistema financeiro. 🔎 O BC editou as normas depois que ataques hackers desviaram centenas de milhões de reais de instituições financeiras. Além disso, investigações como as da Carbono Oculto revelaram suspeitas de que fintechs — empresas de tecnologia que oferecem serviços financeiros — estão sendo usadas por facções criminosas para lavar dinheiro. Uma das resoluções do BC limitou a R$ 15 mil as transferências via Pix e TED para instituições de pagamento não autorizadas e para aquelas que se conectam ao sistema financeiro utilizando Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs). Autor do PDL contra essa medida, o deputado Rodrigo Valadares (União-SE) afirmou que ela fere a livre iniciativa. "Em vez de atacar os reais mecanismos utilizados pelo crime organizado — operações estruturadas e de grande porte, conduzidas em grandes corporações bancárias —, o Banco Central preferiu impor restrições generalizadas a cidadãos e pequenos empreendedores, que não guardam relação com ilícitos", justificou. Para o advogado Sérgio Rosenthal, que acompanha a tramitação de projetos sobre segurança pública no Congresso, a restrição recém-criada pelo Banco Central é bem-vinda no contexto atual. "É uma tentativa de se minimizar novos ataques. É preciso que se encontrem caminhos de defender o sistema a fim de que esse limite [de R$ 15 mil] possa ser revisto no futuro. Mas, diante da aparente vulnerabilidade existente hoje, é uma medida prudente", diz. O PDL 113/2025, da deputada Daniela Reinehr (PL-SC), visa cancelar uma outra resolução do BC, de março, que determinou a exclusão de chaves Pix de pessoas (CPFs) e de empresas (CNPJs) que estejam irregulares na Receita — por exemplo, de pessoas mortas. Uma das justificativas para a medida é dificultar golpes financeiros que usam contas falsas para movimentar dinheiro ilícito. A deputada afirma que a resolução pode atingir quem pode estar em situação irregular na Receita por questões burocráticas e sem gravidade. "[A medida] impõe severas restrições ao acesso ao sistema financeiro sem o devido debate legislativo e sem considerar os impactos negativos dessa medida sobre cidadãos e empresas", diz. Não há data para esses PDLs serem votados. Armas de fogo A oposição fez 38 projetos para reverter normas do governo que restringiram o acesso a armas e munição. Desses, nove PDLs foram contra um decreto assinado por Lula no primeiro dia do mandato para suspender o registro de armas de uso restrito para colecionadores, atiradores e caçadores, chamados de CACs. Outros 14 PDLs buscam derrubar um segundo decreto de Lula, de julho de 2023, que, entre outros pontos, tirou do Exército e passou para a Polícia Federal a função de registrar e fiscalizar armas de civis. Os projetos contra os decretos presidenciais de 2023 aguardam análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados estão sob relatoria do deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP). 📊 As medidas anti-armamentistas do governo, que estão na mira da oposição, geraram resultado imediato: em 2023, primeiro ano de Lula, o registro de novas armas para civis caiu 82% em relação a 2022, último ano de Jair Bolsonaro (PL). Segundo dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm), foram cadastradas 20.822 novas armas de fogo para civis em 2023, contra 111.044 no ano anterior. "É um equívoco [flexibilizar o acesso a armas]. Armar a população não é solução para a criminalidade. Você vai ter gente despreparada, o que é temerário. O combate à criminalidade deve ser restrito às forças de segurança e a população não deve ser armada, até porque uma parte dessas armas vai parar na mão dos criminosos", avalia Rosenthal. Câmeras corporais Seis projetos de decreto legislativo visam sustar normas do Ministério da Justiça e da Segurança Pública sobre o uso de câmeras corporais nos uniformes dos policiais. Cinco deles querem derrubar a portaria 648/2024, que listou as situações que obrigatoriamente devem ser gravadas pelas câmeras dos policiais nas ruas. O ministério condicionou o repasse de recursos federais para os estados ao cumprimento das normas federais. 🔎 Para especialistas em segurança pública, o uso de câmeras pela polícia preserva direitos tanto da população, porque inibe abusos, como do próprio policial, porque pode gerar provas de que ele atuou dentro da lei nos casos em que uma operação resultar em morte. O PDL 295/2024, dos deputados Alberto Fraga (PL-DF) e Delegado Palumbo (MDB-SP), um dos projetos que são contra as normas do ministério sobre câmeras, sustenta que houve "extrapolação do poder regulamentador do Poder Executivo" ao abordar o tema por meio de portaria, sem um amplo debate legislativo. Os PDLs sobre esse assunto estão em tramitação e também não têm data para serem votados. PM inicia fase de testes para uso de câmeras corporais no Piauí Divulgação/SSP-PI Outras medidas O PDL 9/2025, do deputado Marcos Pollon (PL-MS), prevê derrubar uma portaria do Ministério da Justiça que criou o Núcleo Estratégico de Combate ao Crime Organizado, em janeiro deste ano. 🔎 Esse núcleo tem o objetivo de integrar os órgãos internos do Ministério da Justiça para traçar estratégias conjuntas de enfrentamento ao crime organizado, desde o mapeamento das facções do país até a criação de critérios para alocação de verbas da pasta. Para Pollon, a iniciativa "falha ao excluir dessas discussões órgãos centrais e fundamentais no Sistema de Segurança Pública, como a Polícia Militar, as Polícias Civis Estaduais, as Polícias Penais e as Forças Armadas", resultando em um "modelo incompleto, que não reflete a complexidade da questão". Outro texto que ataca uma norma do Ministério da Justiça é o PDL 122/2023, de deputados do Novo, do PL e do União Brasil. O objetivo é sustar uma portaria, de abril de 2023, que criou a possibilidade de se adotarem medidas administrativas contra redes sociais que disseminarem "conteúdos flagrantemente ilícitos, prejudiciais ou danosos". O ministério afirmou que a iniciativa, que pode levar a multa ou suspensão das plataformas, era para evitar novos casos de ataques a escolas. Na ocasião, um ataque tinha deixado quatro crianças mortas em uma creche em Blumenau (SC). Para os parlamentares, por outro lado, a medida parece bem intencionada, mas abriu espaço para o governo "cercear a liberdade de expressão e o pensamento contrário ao do poder dominante". Não há data para o PDL ser votado na Câmara.

Bluetooth 6.2 é apresentado com responsividade turbinada e outras 3 melhorias

Publicado em: 08/11/2025 04:01 Fonte: Tudocelular

O Bluetooth SIG, consórcio responsável por gerenciar as especificações da popular conexão sem fio, lançou na última terça-feira (4) o Bluetooth Core 6.2, atualização pontual que incorpora pequenas melhorias sobre os updates liberados com o Bluetooth 6.1. Os destaques vão para um aumento significativo na responsividade da tecnologia, além de aprimoramentos de segurança, entre outros avanços.A nova versão da tecnologia estreia como uma revisão do Bluetooth 6.0, embarcando pequenas mudanças que prometem turbinar a responsividade de comunicação entre dispositivos, aumentar a segurança e facilitar o trabalho de companhias que adotarão o protocolo. Quatro principais mudanças compõem o Bluetooth 6.2, começando pelo Bluetooth Shorter Connection Intervals, recurso relacionado ao Bluetooth LE que reduziria o intervalo mínimo de conexão de 7,5 milissegundos (ms) para apenas 375 microssegundos (ou 0,375 ms), uma diminuição drástica de 20 vezes.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

'Máquina do tempo' na Amazônia: g1 entrou em megaestrutura criada por cientistas para simular clima de 2060

Publicado em: 08/11/2025 04:00

O g1 entrou na 'máquina do tempo' criada por cientistas na Amazônia O g1 entrou no AmazonFACE, a “máquina do tempo” construída por cientistas brasileiros no coração da Amazônia. O experimento busca prever como a floresta irá reagir ao clima de 2060. A cerca de 100 km de Manaus, a megaestrutura conta com 96 torres — maiores que a copa das árvores — para lançar gás carbônico (CO₂) com concentração 50% maior que a atual na vegetação, simulando o previsto para as próximas décadas. Nossa reportagem foi uma das primeiras do Brasil a entrar no experimento pronto. Dentro de uma gaiola, fomos içados a 35 metros de altura até o topo de uma das estruturas metálicas para mostrar como funcionará o sistema de aceleração de emissão de CO₂ naquela área e a interação entre a megaestrutura e a maior floresta tropical do mundo. 🔎 O AmazonFACE: FACE é acrônimo para free air CO₂ enrichment, em inglês, ou enriquecimento de CO₂ ao ar livre CO₂ é liberado por 96 torres que formam seis anéis de 30 metros de diâmetro Cada torre tem 35 metros de altura Seis tanques de armazenamento de gás carbônico de 25 toneladas O sistema de tubulação lança CO₂ em cerca de 300 árvores através de sensores Tudo isso para simular, em uma área de 4,2 mil m² de floresta (ou 16 quadras de tênis), a reação da Amazônia ao clima do futuro Previsto para começar a operar em 2026 📺 O conteúdo também será exibido na série “Amazônia - mãe da ciência”, que estreia dia 10 de novembro na EPTV, mesmo dia em que começa a COP30. Com cinco episódios, a série conta com uma entrevista da ministra Marina Silva e quem dá voz à floresta é a cantora Fafá de Belém. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Nesta reportagem, você vai ver: A expedição Objetivos do experimento a céu aberto Como as torres estão dispostas na floresta Como o CO₂ é transportado até o experimento O que a pesquisa deve descobrir sobre o futuro do clima Como os resultados alimentam os algoritmos Por que o experimento é destaque na COP30 ✈️A expedição Repórter Heitor Moreira e cinegrafista Jefferson Souza entrevistaram mais de 10 especialistas Reprodução/EPTV Voamos de Campinas à capital do Amazonas e, por mais de duas horas, percorremos sinuosas estradas de terra, em meio a árvores gigantes e inúmeros cantos de pássaros, até avistarmos torres de 35 metros de altura. Ao todo, são 96 torres. Por três dias e duas noites, estivemos ao lado de pesquisadores da Unicamp e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que conduzem o experimento a céu aberto, dormindo sob a noite estrelada da floresta e acordando com uma névoa úmida. As perguntas que desejávamos responder eram muitas: o experimento pode impactar o restante da floresta? Não valeria mais gastar R$ 120 milhões com reflorestamento? Vale a pena afetar uma pequena área da Amazônia para ter respostas pelo futuro? "Vale", a resposta é unânime entre todos os pesquisadores, que desde 2011 fazem estudos que atestam a importância da implementação do projeto. O motivo é nobre: o experimento também pode ajudar a entender, no presente, como a floresta irá reagir no futuro, podendo descobrir como preservar as florestas tropicais contra os efeitos negativos das mudanças climáticas e até nortear a formulação de políticas públicas. ➡️Para saber mais sobre os impactos do aumento do gás carbônico, leia: O que o aumento de gás carbônico na Amazônia significa para populações da região e do mundo Infográfico: 'Máquina do tempo' mede efeito do CO₂ na Amazônia Arte/g1 🎯Objetivos do experimento a céu aberto Imagem áerea do experimento AmazonFACE em meio à Amazônia Jefferson Souza Um dos maiores experimentos de mudanças climáticos a céu aberto do mundo é conduzido por pesquisadores da Unicamp, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e do governo britânico. “A gente quer tentar entender como esse aumento de CO₂ na atmosfera afeta o funcionamento da floresta amazônica. Aqui é o lugar de testar experimentalmente o que vai acontecer no futuro”, explica Carlos Alberto Quesada, um dos coordenadores científicos do AmazonFACE. 🎯O objetivo é avaliar como a floresta vai reagir ao aumento de 50% na concentração de dióxido de carbono (CO₂) na atmosfera esperado para os próximos 35 anos. Para isso, durante uma década, os pesquisadores vão aumentar artificialmente a concentração de CO₂ em uma área delimitada. Uma das perguntas feitas pelos pesquisadores é: como o aumento de CO₂ atmosférico afetará a resiliência da floresta Amazônica, da biodiversidade que ela abriga e dos serviços do ecossistema que ela provê? ➡️ Para tentar responder, uma equipe multidisciplinar definiu que seis componentes serão analisados: os fluxos e armazenamento de carbono; a ciclagem dos nutrientes; o fluxo de umidade da floresta para a atmosfera; a resposta de animais e plantas; os impactos para as populações da região Amazônica e do mundo; e modelos computacionais para formulação de hipóteses e projeções. Para saber mais sobre as seis linhas de pesquisa avaliadas pelos pesquisadores, leia: Entenda as 6 linhas de investigação do estudo que usa 'máquina do tempo' para desvendar futuro da Amazônia 🗼Como as torres foram dispostas na floresta Torre de alumínio de 35 metros e altura integra projeto AmazonFACE na Amazônia Jefferson Souza Ao pé das torres, é preciso inclinar bastante a cabeça para tentar enxergar o fim da estrutura de alumínio. Com capacete e outros equipamentos de segurança fica ainda mais difícil. Mas para ficar perto do experimento, é assim que tem que ser. As 96 torres de alumínio foram instaladas na floresta com "o mínimo impacto possível", explica David Lapola, coordenador científico do AmazonFACE pela Unicamp. Divididas em 6 círculos de 30 metros de diâmetro, com 16 torres cada, as estruturas metálicas possuem tubulações que lançam gás cabônico nas cerca de 50 árvores que ficam dentro de cada anel — veja o infográfico abaixo. Em três dos aneis, o gás carbônico liberado é enriquecido; Nos outros três aneis, o gás é lançado sem enriquecimento, apenas para controle. A vista de cima, no entanto, é outra história: a imensidão verde da copa das árvores contrasta com os pontos brancos das outras torres do projeto. ⬆️De dentro da gaiola Carlos Alberto Quesada, coordenador científico do AmazonFACE pelo Inpa, acompanha a reportagem em uma gaiola iaçada a 35 metros de altura Jefferson Souza Para subir até lá, é preciso deixar o nervosismo de lado e entrar em uma gaiola metálica içada por um imenso guindaste, controlado pelo gerente operacional Bruno Takeshi com um controle de mão que lembra um joystick. — Atenção, Bruno! Girar mais 30 metros — pediu Quesada pelo rádio. Dito e feito. Quesada já acostumado às subidas pelo guindaste, acompanhou nossa equipe até o topo de um dos aneis. — Balança muito? — perguntou o repórter. — Um pouco. Isso aqui é como um parque de diversões. A diferença é que é o único que existe na Amazônia — respondeu Quesada, empolgado. Um dos criadores da “máquina do tempo”, Quesada informa que o experimento é um dos maiores do mundo em termo de medir as mudanças climáticas a céu aberto. Ele também tranquiliza o repórter que questiona se a dispersão do gás carbônico irá prejudicar a floresta. Segundo os pesquisadores, uma área muito pequena da floresta Amazônica é usada no experimento, dentro de um ambiente controlado e sem prejuízos potenciais para fauna e flora. São cerca de 300 árvores, em uma área correspondente a 4,2 mil m², o mesmo que 16 quadras de tênis. Já as respostas que o estudo pode gerar são muito recompensadoras e podem influenciar como o mundo lida com as mudanças climáticas no presente. AmazonFACE, experimento, gás carbônico, Amazônia, Manaus Maria Clara Ferreira Guimarães/AmazonFACE 🚛Como o CO₂ é transportado até o experimento O gás carbônico que abastece as torres não chega gasoso na floresta, mas, sim, na forma líquida, por meio de caminhões. E para isso existe uma operação logística e tecnológica complexa, coordenada por Bruno Takeshi, gerente operacional. Na base do experimento, a 200 metros das torres, ficam seis tanques com capacidade para 25 toneladas cada, que armazenam um total de 150 toneladas de dióxido de carbono. “Esse gás passa por um vaporizador atmosférico, se transforma em gás e é liberado nas áreas de pesquisa por meio de tubulações controladas por sensores. O coração do sistema é o container de controle, que coordena tudo”, conta Takeshi. Dentro do container que fica ao lado das torres, em meio à floresta, a engenheira Maria Juliana Monte, do Inpa, monitora os dados. Tanque armazena até 25 toneladas gás carbônico líquido Jefferson Souza 🌿O que a pesquisa deve descobrir sobre o futuro do clima Previsto para começar em 2026, o estudo deve durar pelo menos dez anos. Mas já nos primeiros dias os cientistas terão resultados sobre a taxa de fotossíntese de algumas espécies, por exemplo. Já o processo de crescimento do tronco de uma árvore é mais lento e precisa de mais tempo para ser compreendido no novo cenário. Como o aumento do CO₂ não afeta todas as árvores da mesma forma, a pesquisadora Izabela Aleixo, do Inpa, estuda como as espécies vão responder ao novo cenário. “A minha parte é entender a resposta de diferentes espécies — quais crescem mais, armazenam mais carbono ou produzem mais frutos”, explica Aleixo. 🔎Vale lembrar que a Amazônia impacta muito além da região Norte. Segundo Quesada, entre 30% e 50% das chuvas que atingem o sul do Brasil têm origem ali na floresta. São as árvores que produzem essa umidade, liberando vapor d’água que sobe para a atmosfera e forma nuvens. As massas de ar úmido percorrem longas distâncias pelo continente, em um fenômeno conhecido como rios voadores. É essa água que mantém o equilíbrio do clima, abastece a agricultura, garante a produção de alimentos e sustenta a geração de energia em todo o país. Pesquisadora mete fotossíntese de plantas na Amazônia INPA/Unicamp Leia também: Cientistas constroem 'máquina do tempo' para entender efeitos de mudanças climáticas na Amazônia O que o aumento de gás carbônico na Amazônia significa para populações da região e do mundo 📊Resultados que alimentam algoritmos A partir do aumento de gás carbônico na atmosfera, os modelos atuais tendem a projetar um efeito de estimulação de produtividade de plantas, que neutralizaria os efeitos das temperaturas mais quentes e condições mais secas na floresta. No entanto, observações a longo prazo identificaram que o sumidouro de carbono da Amazônia está se enfraquecendo. A resposta das florestas tropicais às mudanças climáticas de longo prazo segue incerta. Se variamos os cenários modelados, é possível prever até mesmo um "ponto de não-retorno da floresta amazônica", em que áreas substanciais de floresta tropicais poderiam ser substituídas por florestas sazonais ou savanas. Um artigo publicado pela equipe AmazonFACE em 2018 estimou que, caso a floresta entre em colapso ou atinja o ponto de inflexão, o dano socioambiental ao longo de um período de 30 anos após esse momento crítico pode ficar entre U$ 957 bilhões e U$ 3,5 trilhões. Será mesmo possível que uma floresta maior que a União Europeira e capaz de abrigar 16 Franças dentro de si um dia deixará de existir? O diagnótisco atual de Quesada não é muito acalentador: "A floresta está na UTI". Reduzir essa incerteza é um ponto essencial crítico para conduzir o desenvolvimento futuro de políticas para a região Amazônica, bem como para as análises globais de vulnerabilidade do ecossistema às mudanças climáticas. E para tentar prever os impactos das mudanças climáticas no globo e ampliar os resultados do experimento, os cientistas trabalham com modelagem climática. “O estudo é localizado e vai durar dez anos. Para um ecossistema, isso é muito pouco. Por isso usamos modelos para extrapolar os resultados para toda a bacia amazônica e outras florestas tropicais”, explica David Lapola, coordenador científico do projeto pela Unicamp. Esses modelos ecossistêmicos, como são chamados os algoritmos que preveem a interação entre os organismos e o meio ambiente, ajudam a definir o que medir em campo e a aumentar a precisão das projeções. Pequisadora Maria Juliana Monte monitora os dados na cabine de controle Jefferson Souza 🌟Por que experimento é destaque na COP30 O AmazonFACE já chama atenção internacional e será um dos destaques da COP30, que acontece a partir de 10 de novembro, em Belém (PA). Em 2014, o AmazonFACE se tornou um programa oficial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), sob a execução do Inpa. Foram investidos até agora R$ 122 milhões, sendo R$ 68 milhões do Reino Unido e R$ 54 milhões do Brasil. O experimento reúne aproximadamente 130 pessoas, incluindo pesquisadores, estudantes e cientistas sociais de cerca de 40 instituições. Os primeiros testes começaram neste ano, e o funcionamento completo está previsto para o início de 2026. Segundo o coordenador da delegação da Unicamp na COP30, Roberto Donato, trata-se de um projeto estratégico “que mostra a capacidade do Brasil de contribuir significativamente para as discussões do núcleo da discussão climática”. Para os cientistas, entender como a Amazônia reage ao clima do futuro é também uma forma de proteger o presente — e garantir que os “rios voadores” continuem levando chuva, vida e equilíbrio para todo o país. Série "Amazônia - Mãe da Ciência" mostra como a floresta inspira descobertas científicas VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

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Brasil sem tilápia? Entenda o que significa a inclusão do peixe em lista de espécies invasoras

Publicado em: 08/11/2025 03:00

Brasil sem tilápia? O que significa a inclusão do peixe em lista de espécies invasoras Já imaginou o Brasil sem tilápia? A inclusão dela na Lista Nacional Oficial de Espécies Exóticas Invasoras da Comissão Nacional de Biodiversidade (Conabio) gerou preocupação entre os produtores, que temem novas restrições à criação, que é o peixe do Brasil. Uma espécie é considerada invasora quando ela começa a aparecer em lugares em que não é nativa. Nesse caso a tilápia, ela tem aparecido em rios fora das áreas de produção, o que causa desequilíbrios ambientais, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Já a característica "exótica" é porque a tilápia não é nativa do Brasil, mas do continente africano, da bacia do Rio Nilo. Por isso ela é chamada de “Tilápia-do-Nilo” e o nome científico é Oreochromis niloticus. ❗A medida, porém, não implica em banimento do uso ou cultivo da tilápia, informou o Ministério do Meio Ambiente. Ou seja, ainda vai dar para comer tilápia no Brasil. A instituição ressalta que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é responsável por autorizar o cultivo de espécies exóticas e que ele permite a criação da tilápia. “Não há, portanto, qualquer proposta ou planejamento para interromper essa atividade”, disse o ministério em nota ao g1. ❓ Mas o que muda, na prática, com a inclusão do peixe na lista? Segundo o ministério, ela serve como uma referência técnica para políticas públicas e ações de prevenção e controle ambiental. Mesmo assim, o setor teme novas exigências do Ibama, que podem atrasar o início da criação e dificultar o acesso ao mercado externo, disse Jairo Gund, diretor executivo da Associação Brasileira das indústrias de pescado (Abipesca). O tema também gerou divergência dentro do governo. Os ministérios da Agricultura e da Pesca e Aquicultura discordam do Meio Ambiente. O da Pesca avalia que a medida pode dificultar ou encarecer a produção. Por isso, o ministério prepara um parecer técnico para pedir à Conabio que retire a tilápia da lista, informou a diretora do Departamento de Aquicultura em Águas da União da Secretaria Nacional de Aquicultura, Juliana Lopes da Silva. “Estarem na lista a tilápia e o javali é desproporcional”, afirma Silva. Tilápia invasora? Apesar de as características do peixe serem avaliadas apenas no momento em que se definem as estratégias de controle, pesquisas demonstram que a tilápia possui características que a fazem ser consideradas uma ameaça para ambientes em que não é nativa. O professor de Ecologia do Departamento de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e especialista no assunto, Jean Vitule, lista algumas. Confira abaixo. 🐟 Territorialista: o peixe pode competir com outras espécies nativas. 🐟 Predadora: ela é onívora, ou seja, come plantas e carne, por exemplo, outros peixes. 🐟 Mudanças no ecossistema: a tilápia pode afetar a quantidade de nutrientes e produtividade nos lagos. 🐟Escapes das áreas de produção: as tilápias que escapam dos criadouros já foram encontradas em áreas de preservação, como as do Rio Guaraguaçu, no Paraná, onde Vitule trabalha há 30 anos. O biólogo da UFPR também publicou um estudo que identificou a tilápia, que é um peixe de água doce, no mar. O peixe é muito resistente, inclusive em ambientes poluídos, e conseguiu se adaptar à água salgada. As tilápias que escapam também podem levar parasitas que contaminam os peixes nativos. As fugas aumentam em períodos de eventos climáticos extremos, explica o pesquisador. “Mesmo que eu faça um tanque 100% seguro, vai acontecer o que aconteceu, por exemplo, no Rio Grande do Sul, na cheia do ano passado. Escaparam milhares de tilápias de cultivos muito bem-feitos”, afirma. Saiba mais: de água doce, tilápias encontradas no mar podem causar doenças e mortalidade de peixes; entenda riscos Quais cuidados o setor toma? O Ministério da Pesca afirma que o licenciamento ambiental já prevê medidas para evitar fugas, como a reversão sexual dos peixes em machos. Segundo a diretora Juliana Lopes da Silva, quanto menos fêmeas escapam, menor é o risco de reprodução na natureza. Mas ela reconhece que nem todos os peixes passam pela reversão. O pesquisador Jean Vitule, porém, diz que já encontrou várias fêmeas com ovos. Segundo ele, isso ocorre porque elas são menores que os machos e conseguem escapar com mais facilidade. Silva aponta que os produtores tentam evitar escapes da seguinte maneira: criação em tanque-rede: o método usa gaiolas dentro de reservatórios, lagos ou rios. Elas precisam ficar fechados o tempo inteiro; criação em viveiro escavado: a técnica usa tanques cavados no solo, usando a água acumulada a partir de nascentes, poços, córregos, rios ou da chuva. Para evitar escapes são implementadas lagoas de decantação e barreiras físicas. Mesmo assim, esses métodos não são totalmente seguros. “O escape de alguma forma vai acontecer, mas o que eu posso te garantir é que não é isso que o produtor quer. Porque cada tilápia que escapa é o dinheiro do produtor indo embora”, diz a diretora. Vitule acrescenta que é possível criar tecnologias, como barreiras elétricas, para reduzir as fugas, mas isso exige grandes investimentos. Entenda no vídeo abaixo como é a produção de tilápias no Brasil: De onde vem o que eu como: tilápia Como a lista foi montada? O Ministério do Meio Ambiente aponta que a lista foi montada a partir de um extenso trabalho de pesquisa científica. “Com um total de 247 artigos, livros e publicações científicas avaliados, todos com referências na identificação ao nível de espécie. Outra fonte utilizada é a Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras (Instituto Hórus 2021)”, explica em nota ao g1. O órgão também disse que considerou as relações comerciais do Brasil com países que têm espécies capazes de se adaptar aos biomas brasileiros. Segundo o ministério, foram feitas duas consultas públicas com participação de especialistas e instituições da sociedade civil. Nessas consultas, houve sugestões para incluir ou retirar espécies da lista. “Estes foram só alguns dos processos de coleta e checagem de dados de forma criteriosa e técnica para todas as espécies, incluindo a tilápia”, diz a nota. Já Jairo Gund, diretor executivo da Abipesca, afirma que a associação não teve acesso às informações e não foi consultado. A lista inclui 60 espécies de peixes, além de dezenas de outras categorias, como a abelha africanizada, a manga, a goiabeira e os javalis selvagens. Leia também: Tilápia vai ficar mais barata no Brasil por causa do tarifaço? A Comissão de Agricultura aprovou na segunda-feira (30) um convite à ministra Marina Silva para esclarecer a entrada da tilápia na lista. O que diz quem é contra Ainda no governo Bolsonaro, em maio de 2022, o Ministério da Agricultura publicou uma lista de espécies domesticadas, que inclui a tilápia. Para a diretora do Ministério da Pesca, uma mesma espécie não pode estar nos dois grupos. Contudo, o pesquisador da UFPR discorda da lista da Agricultura: “Quase todas as espécies de peixe não são domesticadas como galinha, por exemplo. A tilápia nunca será galinha”, afirma. A diretora, por sua vez, lembra que muitas espécies produzidas no Brasil são exóticas, ou seja, vieram de outros países. “Não é porque a gente escolheu a tilápia em detrimento de outro peixe nativo do Brasil. É que ela tem viabilidade econômica, social e tem viabilidade de cultivo”, afirma. Veja abaixo algumas das consequências que os produtores e o Ministério da Pesca acreditam que a medida pode causar. ➡️Aumento de custos: segundo Silva, o licenciamento ambiental pode ficar mais caro. ➡️Atrasar a abertura de novos mercados: para a diretora, a medida fere a imagem do Brasil na hora de negociar a exportação. ➡️Insegurança jurídica: Silva se preocupa por não existir uma legislação que trate de produção comercial de espécies invasoras. “Então, existe uma lacuna aí no meio que pode gerar uma insegurança jurídica”, diz. Gund, da Abipesca, concorda: "Essas listas vão inviabilizando as exportações, vão criando amarras e burocracias. Isso causa um desestímulo e uma insegurança jurídica muito grande no setor”. Ele defende que o governo publique no Diário Oficial da União uma garantia de que a produção não será proibida. “Embora o Ministério do Meio Ambiente tenha publicado que não será erradicada [...], o setor não confia mais nessas conversas, porque o que vale é o que é publicado no Diário Oficial da União”, afirma. “Todos os regramentos sanitários e ambientais estão sendo cumpridos, então não justifica flertar com esse tipo de situação”, completa. ➡️Demora para iniciar a criação: para o diretor executivo da Abipesca, a nova lista deve atrasar ainda mais a liberação das licenças de criação. “Hoje, em questão de dois, três anos, o que já é um absurdo, você consegue ter o licenciamento para começar a produzir”, afirma. Segundo ele, o produtor precisa de várias autorizações, como da Agência Nacional de Águas (ANA), da Secretaria de Patrimônio da União (SPU), do órgão ambiental estadual, da outorga de uso da água da União e do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Leia também: Sorvete de tilápia pode ajudar pacientes com câncer; saiba se receita tem gosto de peixe Tilápia-do-Nilo é a espécie mais cultivada no Brasil Luiz Franco/ g1 Sem técnicos, aplicativos servem de conselheiros para produtores rurais

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Agentes de IA são aposta de empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20 mil; veja como entrar

Publicado em: 08/11/2025 01:00

Agentes de IA viram aposta das empresas, e quem domina a tecnologia pode ganhar até R$ 20 "Quem sabe criar e colocar agentes de IA em funcionamento hoje é muito valorizado. Digo isso por experiência própria", diz João Gama, de 19 anos, técnico em análise júnior em uma empresa de aluguel de veículos. 🔎 Agentes de inteligência artificial são programas que executam tarefas automaticamente, como realizar compras ou reservar restaurantes sozinhos. Nas empresas, eles tornam processos mais ágeis, eficientes e produtivos (saiba mais abaixo). O mercado de agentes ainda é novo — tanto que nem existem cargos definidos para essa função —, mas vem evoluindo com os investimentos crescentes das empresas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça "O setor já pensa em criar funções especializadas para a área, como especialistas em agentes autônomos (criação) e auditores de agentes, responsáveis por ética e segurança", explica Evellyn Cid, professora de novas tecnologias da Faculdade de Informática e Administração Paulista (FIAP). Para Raphael Bozza, diretor de RH do iFood, "nos próximos três meses, veremos surgir muitos cargos voltados ao trabalho com agentes de IA. Essas pessoas já existem e atuam na prática, mas a função ainda não tem um título formal". Especialistas afirmam que trabalhar com IA, no geral, continua sendo um bom negócio e que os salários seguem em alta. No Brasil, a remuneração média na área começa em R$ 3,5 mil e pode chegar a R$ 20 mil em regime CLT, segundo levantamento da Catho feito a pedido do g1. Já o Guia Salarial 2026 da consultoria Robert Half mostra que um especialista em IA e "machine learning" (quando as máquinas aprendem analisando grandes quantidades de dados) ganha de R$ 17,9 mil a R$ 23,5 mil. E um engenheiro de IA pode receber entre R$ 19,5 mil e R$ 27,1 mil (CLT). 🔎 E onde eu posso trabalhar com IA? Em empresas de qualquer setor que estejam investindo na tecnologia: varejo, finanças, alimentos, bebidas, educação, finanças, comunicação, entre outras. Apesar dos salários altos, a área ainda enfrenta um grande desafio: a falta de profissionais qualificados. "A demanda por especialistas em IA só cresce há mais de cinco anos, com média anual acima de 20%. No cenário global, pode passar de 30%", diz Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e estudioso de IA. Ainda segundo ele, muitas pessoas que implementam IA ainda não têm formação de base suficiente, reforçando a necessidade de profissionais capacitados. "Mesmo que a IA esteja automatizando algumas tarefas, ela também cria novos desafios complexos, que exigem pessoas especializadas para resolver", completa Zanchettin. 🔎O que são agentes de IA Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais Agentes são sistemas de IA generativa, baseados em grandes modelos de linguagem (LLMs), capazes de criar respostas e executar tarefas de forma autônoma, tomando decisões de acordo com as metas definidas por quem os criou. 🔎 O que é Inteligência artificial generativa (ou GenAI): é a tecnologia que deu origem ao ChatGPT. Além de conversar com o usuário, podendo tirar dúvidas gerais, essa IA cria conteúdos, imagens, vídeos e músicas. Os agentes podem, por exemplo, automatizar consultas de clientes com chatbots, analisar comentários e dados de vendas para identificar padrões em uma loja ou, em obras, avaliar clima, equipe e materiais para ajustar cronogramas da construção. No iFood, um agente auxilia o time de RH na gestão de indicações de candidatos. O sistema analisa currículos, compara habilidades e cruza dados com as vagas abertas para sugerir as mais compatíveis, explica Raphael Bozza, diretor de RH da empresa. No fim, para as empresas, eles aumentam a produtividade, reduzem custos e melhoram a experiência do cliente. Eles podem ser usados tanto em processos internos quanto como produtos para o consumidor final. Amazon, Google, Microsoft, OpenAI e IBM, que lideram o mercado de IA, já oferecem tecnologias para criar agentes personalizados. "Os humanos estabelecem metas, mas um agente de IA escolhe de forma independente as melhores ações para atingi-las", resume a Amazon. Eles também já estão disponíveis para usuários comuns. Neste ano, a OpenAI liberou para todos os assinantes do ChatGPT seu agente, capaz de reservar restaurantes, fazer compras e executar outras tarefas sozinho. 🤖 O que faz um profissional de agente de IA João Gama, de 19 anos, trabalha com agentes de IA em uma empresa de aluguel de veículos. Arquivo pessoal O g1 conversou com dois profissionais que atuam com agentes de IA: João Gama, de 19 anos, e Evellyn Nicole, de 22. João, citado no início desta reportagem, é técnico em análise júnior com foco em automação e diz ganhar R$ 3.600 por mês. Evellyn atua como engenheira de IA pleno em uma empresa do setor elétrico e preferiu não revelar quanto ganha. O trabalho dos dois consiste em usar agentes de IA para tornar os processos internos mais eficientes. João foi um dos responsáveis por desenvolver um agente que analisa automaticamente as fichas de inspeção dos veículos e identifica problemas na frota, como vazamentos de óleo, na locadora onde trabalha. A ferramenta envia alertas à equipe, eliminando a necessidade de uma análise manual. "O sistema ajuda a detectar falhas rapidamente e torna as decisões mais ágeis", explica o jovem. Formada em inteligência artificial pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Evellyn Nicole desenvolve agentes que automatizam tarefas repetitivas, ajudando analistas e gestores a economizar tempo e focar nas atividades mais importantes. Ela se dedica a criar robôs que entendem perguntas simples e buscam as respostas no banco de dados da empresa. Assim, qualquer pessoa pode digitar, por exemplo, "quanto vendi hoje?" e receber a resposta na hora, sem precisar programar. Esses agentes funcionam como tradutores: interpretam a pergunta e apresentam o resultado de forma clara. Evellyn Nicole, de 22 anos, é engenheira de IA. Arquivo pessoal Os dois profissionais veem a área como promissora e em rápida expansão. Evellyn destaca as chances de crescimento no mercado como um dos pontos que mais a atraem. Já João, que ainda cursa sistemas de informação, diz acompanhar de perto as tendências da área e vê na IA uma possibilidade de construir uma carreira sólida. "Quem domina a criação desses sistemas tende a se destacar profissionalmente, já que ainda tem poucas pessoas preparadas na área", diz João. Segundo ele, trabalhar com agentes é uma hard skill, ou seja, uma habilidade técnica, cada vez mais valorizada no mercado. Os dois, contratados em regime CLT, dizem estar satisfeitos com a carreira em IA e destacam o modelo de trabalho. João atua em formato híbrido, indo ao escritório três vezes por semana, o que, segundo ele, "equilibra a vida profissional e pessoal". Já Evellyn trabalha 100% em home office. "Já recebi propostas para trabalhar no modelo híbrido com salário melhor, mas preferi o conforto do home office", afirma Evellyn. Entre os desafios, eles citam que a área muda em ritmo acelerado, com novidades surgindo quase todos os dias. Por ser um campo ainda novo e com poucos especialistas, muitos profissionais se sentem sozinhos nesse universo. Eles também apontam a falta de livros e materiais publicados no Brasil sobre o tema. E um dos principais desafios técnicos está nas chamadas "alucinações" da IA, quando o sistema gera respostas incorretas ou inconsistentes. Como explica Evellyn, "um dia funciona, outro dia, não". Isso acontece porque a tecnologia trabalha com probabilidades, o que ainda exige supervisão humana e ajustes constantes. O que devo estudar e quais habilidades devo ter? Profissionais explicam que, pra criar bons agentes de IA, é preciso combinar duas habilidades: a tecnológica, que envolve programar e entender IA, e a de negócio, que exige compreender os processos e desafios da empresa. Equilibrar essas duas áreas é essencial para desenvolver bons agentes. A professora Evellyn Cid, da FIAP, destaca que mesmo quem atua em áreas não técnicas, como a financeira, pode criar agentes, já que possui um conhecimento aprofundado sobre os processos de negócio, por exemplo. Para começar a trabalhar com agentes, o primeiro passo é estudar a linguagem de programação Python, base da inteligência artificial atualmente, especialmente no desenvolvimento de agentes. Também é recomendável explorar as principais ferramentas de criação de agentes usadas pelo mercado, como Lindy, OpenAI Operator, LangChain, CrewAI, AutogenAI e Langflow. Em 2024, o g1 conversou com professores, executivos e profissionais para identificar os temas mais importantes para quem quer começar a trabalhar com inteligência artificial. Eles citaram fundamentos de inteligência artificial, conceitos básicos de machine learning e linguagem natural, IA generativa, habilidades em programação (especialmente Python e R) e conhecimento em dados e análises, incluindo visualização. ➡️ Para quem quer trabalhar com agentes de IA, é importante considerar: 🧑‍🎓 Graduação: hoje as empresas costumam valorizar profissionais com formação superior. Ao pesquisar vagas no LinkedIn, é comum ver exigências como "graduação" ou até "pós-graduação/mestrado" em IA. 🔎 Perfil analítico e crítico: é importante ter um olhar humano, crítico e analítico para compreender o fluxo e o processo que será automatizado — não basta apenas o conhecimento técnico em inteligência artificial. 🏬 Domine processos e conheça o negócio: o profissional deve entender as regras e objetivos da empresa para programar o agente de forma precisa e eficiente. 📖 Estude constantemente: acompanhar a evolução da IA é um desafio, já que a área muda rápido e sempre traz novidades. É essencial manter o estudo e a dedicação contínuos. 👩‍💻 Participe de eventos: hackathons e encontros voltados à IA, mesmo os que não exigem conhecimentos técnicos, são ótimas oportunidades para trocar ideias e desenvolver soluções na prática. Emprego em tecnologia: IA ganha espaço, mas segurança da informação domina contratações Brasileiros treinam inteligência artificial para abordar temas como racismo e nazismo Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas

Em 10 pontos, entenda o que a Cúpula de Líderes mostra sobre o rumo da COP30 e seus desafios

Publicado em: 08/11/2025 00:00

COP30: Retrato de um mundo em transformação geopolítica A Cúpula de Líderes do Clima, realizada entre quinta-feira (6) e sexta-feira (7), deixou recados políticos claros antes do início da COP30: é preciso acelerar a transição energética, fortalecer o financiamento climático e proteger as florestas tropicais. Os primeiros compromissos assumidos por alguns dos líderes globais presentes em Belém mostram o tamanho dos desafios que os negociadores enfrentarão ao longo das duas semanas da Conferência do Clima, que começa na segunda (10). Os primeiros compromissos assinados sobre uso de combustíveis sustentáveis, o lançamento do Fundo Florestas Tropicais (TFFF) e uma nova coalizão para mercados de carbono são considerados passos iniciais, mas eles ainda não mobilizaram a maioria dos países e, em alguns casos, seus termos são considerados frágeis diante da aceleração das mudanças climáticas. Abaixo, em 10 tópicos, os debates e os acordo da Cúpula de Líderes e o que esperar da COP30. Belém 4X: o que é o compromisso dos combustíveis sustentáveis? Mercados de carbono: o que muda com a nova coalizão internacional? Fundo Florestas Tropicais (TFFF): quem financia e qual o objetivo? Fim dos fósseis: os sinais políticos e as lacunas do debate Metas climáticas (NDCs): o déficit global e o desafio da COP30 ‘Mapa do caminho’: como a COP30 quer transformar discurso em plano real? Adaptação climática: o que é o GGA e por que as negociações emperraram? Financiamento climático: o impasse que pode travar a COP30 Racismo ambiental: como entrou e o que muda no debate global? Próximos passos: o que esperar da abertura oficial da COP30? a COP 30 e nosso futuro 1) Belém 4X: o que é o compromisso dos combustíveis sustentáveis? Dezenove países assinaram o “Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis”, batizado de Belém 4X. O plano busca quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035, com acompanhamento anual da Agência Internacional de Energia (AIE). A proposta aponta que a eletrificação sozinha não é suficiente para descarbonizar setores intensivos em energia, como transporte pesado e indústria, e aposta em alternativas como hidrogênio e seus derivados, biogases, biocombustíveis e combustíveis sintéticos, todos produzidos em escala e a preços competitivos, em complemento às fontes renováveis tradicionais. ⚡ENTENDA: A transição energética é um dos grandes temas da COP30. Ela sintetiza um dos maiores desafios das próximas décadas: transformar a forma como o mundo produz e consome energia, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e ampliando o uso de fontes renováveis. Vista da entrada principal do prédio da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), à noite, em Belém (PA), em 7 de novembro de 2025. Mauro Pimentel/AFP Mas o plano também dividiu opiniões. Organizações da sociedade civil alertam que os combustíveis sustentáveis não podem substituir o esforço de reduzir a produção e o consumo de petróleo, sob o risco de se tornarem um “atalho” para adiar a transição energética. O Instituto Talanoa analisou que o discurso do presidente Lula na sessão temática sobre transição energética deu ênfase a acelerar o uso de combustíveis sustentáveis em vez de buscar um compromisso com um prazo para o mundo parar de queimar combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás). Como funcionam as discussões da COP, a conferência do clima da ONU Um indígena participa de uma manifestação em defesa da Amazônia durante a Cúpula do Clima da ONU (COP30), em Belém (PA), na quinta-feira, 6 de novembro de 2025. AP Photo/Eraldo Peres 2) Mercados de carbono: o que muda com a nova coalizão internacional? A chamada Coalizão Aberta de Mercados Regulados de Carbono busca aproximar países que já operam, ou pretendem criar, seus próprios sistemas de mercado de carbono, mecanismos usados por países e empresas para colocar um preço nas emissões de gases que aquecem o planeta. O grupo reúne Brasil, China, União Europeia, Reino Unido, Canadá, Chile, Alemanha, México, Armênia, Zâmbia e França, e pretende facilitar a troca de experiências sobre como monitorar e verificar emissões, além de definir critérios para o uso de créditos de alta integridade, que representem de fato cortes reais de poluição. Na avaliação de diplomatas, a iniciativa busca trazer previsibilidade e transparência a um sistema que ainda é fragmentado no mundo. 💰💰💰Com regras mais alinhadas, os países esperam reduzir custos, atrair investimentos e acelerar a descarbonização de setores intensivos, como energia e transporte. Mas a proposta também gerou cautela entre ambientalistas. Eles alertam para o risco de créditos sem lastro ambiental e para possíveis casos de dupla contagem, quando uma mesma redução de emissões é registrada por mais de um país. Há ainda o desafio de garantir compatibilidade com o Artigo 6 do Acordo de Paris, que regula as trocas internacionais de créditos. LEIA TAMBÉM: 'Empresas como a Petrobras têm que deixar de ser apenas de exploração de petróleo', diz Marina Silva FOTOS: Navios luxuosos com altura de prédio de 24 andares viram hotéis flutuantes na COP 30; veja como são por dentro 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' 3) Fundo Florestas Tropicais (TFFF): quem financia e qual o objetivo? O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) foi um dos anúncios mais aguardados da Cúpula de Líderes da COP30, em Belém. A proposta é criar uma fonte permanente de recursos para países que mantêm suas florestas preservadas, tornando a conservação mais vantajosa do que o desmatamento. 🌳 💵 O QUE É O TFFF: O fundo é um mecanismo financeiro proposto pelo Brasil que usa um modelo de investimento de renda fixa para gerar recursos destinados à conservação de florestas tropicais. Não se tratam de doações. O lucro das aplicações será usado para remunerar países que mantêm suas florestas em pé, com prioridade para nações como Brasil, Indonésia e Congo. Os compromissos iniciais somam mais de US$ 5,5 bilhões. A Noruega prometeu US$ 3 bilhões ao longo de dez anos; Brasil e Indonésia, US$ 1 bilhão cada; e a França, US$ 500 milhões. A Alemanha confirmou que vai participar, mas ainda não detalhou valores. Já o empresário australiano Andrew Forrest se tornou o primeiro investidor privado, com US$ 10 milhões, e a Comissão Europeia indicou que deve anunciar um aporte nas próximas semanas. A iniciativa também foi vista por ambientalistas como uma forma de colocar valor econômico na floresta em pé e garantir financiamento estável para a proteção ambiental. Mas o fundo também levanta dúvidas. Grupos da sociedade civil afirmam que o valor ainda é baixo diante da escala do problema e cobram transparência na gestão, métricas de resultados e prioridade para povos indígenas e comunidades locais. Esses temas devem ganhar força nas negociações da COP30, especialmente nas discussões sobre desmatamento zero até 2030. "O apoio ao TFFF merece destaque: as dotações anunciadas certamente motivarão outros países a contribuírem em prazo adequado para que este instrumento inovador se torne operacional em breve", diz Maurício Bianco, vice-presidente da Conservação Internacional Brasil. "Em suma, a Conservação Internacional faz uma avaliação positiva destes dois dias de Cúpula do Clima e, com base neles, acredita que a COP30 poderá entregar resultados robustos para o enfrentamento da crise climática". Vista aérea da floresta tropical do Gabão, no Arboreto Raponda Walker, Gabão, em 11 de outubro de 2021. Imagem capturada por drone. REUTERS/Christophe Van Der Perre 4) Fim dos fósseis: os sinais políticos e as lacunas do debate Um dos principais gestos da Cúpula de Líderes foi trazer o fim dos combustíveis fósseis para o centro da conversa. O Brasil, como país-anfitrião, deu um sinal político ao defender que a transição energética precisa ser justa e incluir todos os países, sem deixar ninguém para trás. Mas, na prática, o debate ainda ficou no campo das intenções. Não houve detalhamento sobre como transformar esse impulso em medidas concretas, como prazos, fontes de financiamento e garantias de equidade. Especialistas lembram que as nações ricas continuam evitando discutir como vão cumprir suas responsabilidades históricas ou apoiar o Sul Global na substituição de petróleo, gás e carvão. A expectativa é que a COP30 seja o momento de converter discurso em ação, com compromissos claros para reduzir a dependência dos fósseis e acelerar investimentos em energia limpa. Ainda assim, as contradições ficaram à mostra. O Brasil foi criticado por autorizar a exploração de petróleo na margem equatorial poucos dias antes do encontro e outros países também anunciaram metas sem apresentar o caminho financeiro ou tecnológico para cumpri-las. 5) Metas climáticas (NDCs): o déficit global e o desafio da COP30 Até agora, pouco mais de 100 países enviaram suas novas metas para 2035. Mas a maioria ainda está longe do necessário para conter o aquecimento global. Apenas dois têm planos compatíveis com o limite de 1,5°C, e quase 90 países sequer apresentaram novos compromissos. Na prática, as metas atuais cobrem só 30% das emissões do planeta e levariam a uma redução de apenas 4% até 2035 — quando a ciência aponta que seria preciso cortar cerca de 60% para manter o clima sob controle. Para especialistas e organizações brasileiras, Belém não pode ser mais uma COP protocolar. A conferência precisa restaurar a confiança no Acordo de Paris e entregar respostas políticas de alto nível, com metas mais ambiciosas e planos reais para esta década. Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, diz que o tema ficou em segundo plano no primeiro dia de debates. “É algo muito importante que, no dia de hoje, foi pouco ou quase nada falado. Os países não entregaram suas promessas de clima, e corremos o risco de ter uma COP que começa e termina sem sabermos o que eles vão fazer. Os discursos são bem-vindos, mas precisamos que isso vire compromisso formal: que os países que ainda não entregaram, entreguem, e que os que entregaram pouco, revejam e melhorem suas metas”, afirmou. LEIA TAMBÉM: Quem decide o que entra (e o que sai) do texto final da COP? Cientistas usam esperma fluorescente e revelam que as fêmeas controlam o ato sexual entre os mosquitos O mistério dos cães azuis de Chernobyl Delegados ouvem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o discurso de abertura da Cúpula do Clima da ONU (COP30), em Belém (PA), na quinta-feira, 6 de novembro de 2025. AP Photo/Eraldo Peres 6) ‘Mapa do caminho’: como a COP30 quer transformar discurso em plano real? Quando o Brasil fala em um “mapa do caminho”, a ideia é tirar do papel a decisão tomada na COP28, em Dubai, de promover uma transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis. 🗺️ 🛣️ ENTENDA O TERMO: “Mapa do caminho” ou roadmap (em inglês) é o termo usado em negociações internacionais para designar planos de ação que estabelecem etapas, prazos e metas concretas rumo a um objetivo comum. Na prática, trata-se de um roteiro político e técnico que define “quem faz o quê, até quando e com quais recursos”. Na prática, isso significa construir critérios comuns entre os países e definir um calendário realista, levando em conta as diferentes capacidades e responsabilidades de cada nação, para substituir óleo, gás e carvão por fontes renováveis e eficiência energética. A presidência brasileira da COP30 defende que esse roteiro precisa ganhar forma em Belém, não apenas como um compromisso político, mas como um plano com metas e mecanismos concretos. "É fundamental que a ambição não se limite às ações de mitigação — ela também deve envolver a entrega efetiva de recursos", avalia Vaibhav Chaturvedi, pesquisador sênior do Council On Energy, Environment and Water (CEEW). 7) Adaptação climática: o que é o GGA e por que as negociações emperraram? A COP30 precisa concluir o chamado Marco UAE–Belém para Resiliência Climática Global, que vai definir os indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA), um instrumento criado para medir como os países estão se preparando para enfrentar os impactos do clima. A proposta em debate prevê cerca de cem indicadores, que vão desde o acesso a financiamento, tecnologia e capacitação até a inclusão de dados desagregados sobre grupos mais vulneráveis, como comunidades tradicionais e populações de baixa renda. Esses indicadores devem se conectar a planos nacionais de adaptação, comunicações de adaptação e relatórios de transparência, permitindo comparar o avanço entre países. Na prática, o objetivo é dar clareza sobre quem está se adaptando, e quem ainda está ficando para trás. Mas as conversas estão travadas. Países pedem metas mais ambiciosas, enquanto alertam que sem recursos estáveis e previsíveis, o sistema de monitoramento corre o risco de virar apenas um ritual simbólico. Por isso, a adaptação está diretamente ligada à discussão sobre financiamento climático, que deve dominar a próxima etapa das negociações em Belém. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ouve o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a Cúpula do Clima da ONU (COP30), em Belém (PA), na quinta-feira, 6 de novembro de 2025. AP Photo/Fernando Llano 8) Financiamento climático: o impasse que pode travar a COP30 Se Belém foi o momento de anunciar visões e coalizões, a COP30 será o teste de caixa: quem paga, quanto, como e quando. Países em desenvolvimento insistem que transição energética, proteção às florestas e adaptação não acontecem só com boa vontade. É preciso financiamento em escala, com juros baixos, mais doações e menos endividamento, especialmente diante do custo do crédito elevado no Sul Global. A discussão ganhou força com o lançamento de novas iniciativas, como o TFFF e e as coalizões de combustíveis sustentáveis e mercados de carbono. Mas diplomatas e pesquisadores lembram que a arquitetura financeira internacional ainda opera como se a crise climática fosse um capítulo à parte da economia, e não o eixo central da política pública e do investimento global. “Estamos à beira de pontos de inflexão climáticos e da potencial perda da Amazônia, então, esta COP precisa, simplesmente, promover a mudança urgente necessária. Não há segunda chance e tudo começa com os líderes, que devem dar à COP30 um mandato claro para fechar a lacuna da ambição de 1,5°C", avalia Carolina Pasquali, diretora executiva do Greenpeace Brasil. 9) Racismo ambiental: como entrou e o que muda no debate global? Na Cúpula de Líderes também foi aprovada a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental, considerada um marco por unir, pela primeira vez, justiça racial e ação climática em um mesmo acordo internacional. O texto reconhece que os impactos da crise climática e da poluição não são distribuídos de forma igual, eles recaem com mais força sobre comunidades afrodescendentes, indígenas e locais. A declaração coloca justiça racial e ambiental como pilares inseparáveis do desenvolvimento sustentável e abre caminho para uma resolução futura da ONU sobre o tema. A iniciativa é vista como um avanço político inédito, que deve influenciar as conversas sobre transição justa e adaptação ao longo da COP30. 10) Próximos passos: o que esperar da abertura oficial da COP30? A partir de segunda, mais de 50 mil pessoas de quase 200 países devem circular por Belém em duas semanas de negociações, exposições e debates. A programação começa com a abertura oficial, a adoção da pauta e a divisão dos temas entre os grupos de trabalho. Na frente da transição energética, o Brasil tentará firmar o “mapa do caminho” com critérios e sinais financeiros. Em adaptação, as discussões giram em torno de indicadores do GGA e de metas confiáveis para triplicar recursos até 2030. No tema de finanças, o desafio é tirar o Roteiro de Baku a Belém do papel e transformá-lo em compromissos verificáveis. Qual é o papel da China na crise climática?

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Vídeos mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná

Publicado em: 07/11/2025 23:44

Tornado causa destruição e deixa feridos em Rio Bonito do Iguaçu, no PR. Imagens cedida Imagens registradas por moradores de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, mostram a destruição causada pela passagem de uma tempestade na tarde de sexta-feira (7). Nos registros, é possível ver escombros de edificações e casas destelhadas. Além dos estragos materiais, o evento climático deixou ao menos cinco mortos e mais de 130 feridos, sendo 30 com ferimentos graves, de acordo com a Defesa Civil. Contudo, o número de vítimas pode ser maior. Ainda segundo a Defesa Civil, mais da metade do município foi afetada, com destelhamentos e colapso estrutural de algumas construções. Bombeiros, equipes municipais e órgãos de apoio trabalham nos atendimentos. Tempestade gera destruição em Rio Bonito do Iguaçu. Imagem cedida: Gilmar Zánotto Nas redes sociais, diversos usuários compartilharam vídeos que mostram a dimensão da devastação em diferentes pontos do município. Nas gravações, moradores de Rio Bonito do Iguaçu relatam as mudanças na paisagem após a passagem da tempestade. De acordo com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), várias cidades do estado registraram rajadas de vento acima de 70 km/h. A Defesa Civil emitiu alertas vermelhos para seis municípios do Paraná por causa dos altos acumulados de chuva. Vídeos mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Imagens: redes sociais

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Destruição em Rio Bonito do Iguaçu foi causada por tempestade classificada como 'supercélula', diz governo; ventos podem ter chegado a 250 km/h

Publicado em: 07/11/2025 23:36

Tornado derruba imóveis no oeste do Paraná A ocorrência que deixou cinco mortos e mais de 100 feridos em Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná, foi causada por um tornado que integrou uma tempestade do tipo supercélula, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Centenas de casas da cidade foram destelhadas, imóveis foram danificados e postes de energia foram ao chão após a passagem da tempestade, no início da noite desta sexta-feira (7). O município foi um dos mais atingidos no estado durante o deslocamento de uma frente fria, que passou por todas as regiões paranaenses com vários núcleos de tempestade. ➡️ Supercélula é um tipo de tempestade caracterizada pela presença de um mesociclone (uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem). Conforme o Simepar, a intensidade de um tornado é medida dentro da chamada "escala Fujita". Nela, o tornado foi classificado preliminarmente com o índice F2 - o que equivale a ventos entre 180 km/h e 250 km/h. O Simepar avalia, porém, se alguns pontos da cidade podem ter sido atingidos pode ventos que superaram os 250 quilômetros por hora, o que mudaria a classificação para F3. “Vamos continuar monitorando, analisando as imagens das fotos, imagens aéreas, em conjunto com a Defesa Civil, e se for o caso poderemos reclassificar a intensidade do fenômeno, pois foi extremamente severo”, explica o meteorologista Reinaldo Kneib. *Reportagem em atualização. Tempestade em Rio Bonito do Iguaçu Imagem cedida: Gilmar Zánotto VÍDEOS: mais assistidos do g1

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