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Mercedes-AMG GT 63 S: como é dirigir um superesportivo com DNA de Fórmula 1

Publicado em: 18/01/2026 06:00

Pilotar um carro de Fórmula 1 é privilégio de poucos, mas alguns modelos de rua inspirados nas pistas dão esse gostinho aos endinheirados. A Mercedes-Benz oferece aos milionários brasileiros a chance de comprar o superesportivo AMG GT 63 S E Performance. O modelo exclusivíssimo tem um motor V8 biturbo combinado a um sistema híbrido semelhante ao da própria Fórmula 1. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Ele está disponível em duas versões de carroceria: sedã de quatro e cupê de duas portas. As duas são idênticas em quase tudo, mas a própria Mercedes confirmou que há diferença de alguns cavalos na potência entre as versões. O motivo é compensar o peso extra da variante de quatro portas. Assim, o esportivo mantém o vigor mesmo oferecendo mais espaço para os passageiros entrarem e saírem com conforto. Os preços variam entre R$ 1,6 milhão e R$ 2,3 milhões, conforme a configuração escolhida. Motor de um Mercedes-AMG GT 63 S E Performance, com assinatura de quem montou divulgação/Mercedes O g1 testou a versão cupê do AMG GT 63 S E Performance no Circuito Panamericano, pista de testes da Pirelli. Com o asfalto livre de obstáculos, foi possível explorar toda a força e a tecnologia do carro híbrido mais potente avaliado pela reportagem nos últimos anos, e o mais forte que a Mercedes tem para vender no Brasil. Na maioria dos carros híbridos, a bateria tem dois objetivos principais: reduzir o consumo de combustível e diminuir as emissões. No AMG GT 63 S E Performance, isso também acontece, mas como consequência secundária do foco principal: entregar velocidade máxima ao pisar fundo no acelerador. Para aumentar a velocidade e a potência do conjunto híbrido, a bateria de 6,1 kWh do AMG utiliza um sistema de refrigeração avançado: um líquido circula entre cada uma das 560 células que compõem o pacote. A ideia é liberar o máximo de energia possível durante a aceleração, o que naturalmente aquece a bateria da mesma forma como seu celular esquenta quando você está jogando — que é quando exige o máximo de todo o aparelho. Mercedes-AMG GT 63 S E Performance Mercedes-AMG GT 63 S E PerformancePerformancePerformancePerformance No entanto, o sistema de resfriamento mantém a temperatura estável em torno de 45 °C — considerada ideal para o alto desempenho. A arquitetura elétrica também foge do padrão de outros híbridos: opera em 400 volts — o que permite que mais energia seja direcionada às rodas. O resultado? O velocímetro ultrapassou os 250 km/h com facilidade em uma reta de cerca de 740 metros. Para quem ainda tem resistência aos esportivos eletrificados, o ronco do V8 biturbo — audível dentro da cabine mesmo quando o motor elétrico de 204 cv, em silêncio absoluto, movimenta sozinho as mais de 2,1 toneladas do AMG — é convincente e aquece o coração do mais apaixonado pela velocidade. O ronco é tão apaixonante que é muito fácil esquecer que existe motorização elétrica para ajudar a empurrar mais o carro. Mas é só lembrar que o motor elétrico, sozinho, gera toda a potência que um BMW X1 de R$ 319.950 pode oferecer. A única pista de que se trata de um híbrido é o segundo bocal, usado para recarregar as baterias. O motor a combustão entrega mais 612 cv. Com o sistema elétrico, o conjunto alcança 816 cv de potência e 144,7 kgfm de torque. Mercedes-AMG GT 63 S E Performance divulgação/Mercedes Como o teste foi realizado exclusivamente na pista, o AMG permaneceu o tempo todo no modo esportivo. Nele ainda estão ativados sistemas de proteção do carro, mas alguns limitadores do acelerador são liberados e, assim, a alma do motor fica mais "solta". O modelo oferece três modos esportivos. O selecionado para o teste é voltado especificamente para esse tipo de ambiente. Ao ser ativado, faz a central multimídia exibir um alerta que orienta o motorista a não utilizar esse modo em vias públicas. Outro recurso inspirado na Fórmula 1 é a asa móvel em formato de aerofólio traseiro, que se ajusta conforme a velocidade do AMG. A função é semelhante à dos carros dos pilotos da marca George Russell e Kimi Antonelli: aumentar a aderência ao solo. E o sistema funciona perfeitamente: todas as curvas, mesmo em alta velocidade, foram feitas com total controle. A tração integral também reforça a sensação de domínio sobre o carro. Por fim, os difusores instalados na parte inferior e nas laterais do carro são ativos e ajustam-se de acordo com a velocidade. E podemos dizer que eles permitiram que o velocímetro se aproximasse dos 300 km/h na maior reta da pista. E fez isso sem que o carro demonstrasse que estava próximo do limite. A sensação foi clara: havia segurança o suficiente para que o teste que fizemos pudesse acontecer — não existiu volante tremendo, carroceria dando sinais de que perderia o controle, nada. Inclusive, o isolamento acústico e o desenho aerodinâmico desta Mercedes permitiram que apenas o ronco do V8 pudesse ser ouvido. Nenhum som do vento entrava, mesmo com o ar-condicionado ligado para compensar os mais de 30 °C daquele dia. Mercedes-AMG GT 63 S E Performance divulgação/Mercedes Foi a força do sistema híbrido da Fórmula 1 que trouxe esse DNA da competição mais famosa do automobilismo. Para conter toda essa força do conjunto, os freios utilizam discos de cerâmica e carbono. A combinação resiste a altas temperaturas em uso intenso. Nós testamos e fizemos o carro reduzir de mais de 250 km/h para cerca de 80 km/h em uma curva, em questão de poucos segundos. Após algumas voltas na pista, ainda era possível sentir no ar o característico cheiro de borracha e ele, junto do ronco do V8, é uma das sensações que mais encantam os apaixonados por velocidade. Em suma: é a força do sistema híbrido e aerofólios móveis mais próximos possíveis com o que existe de melhor na Fórmula 1. Tudo, no conforto de um carro que pode sair direto da pista para o shopping. Na rua o AMG é contido, mas sempre pronto Mesmo no modo esportivo — com suspensão mais rígida, pedais mais sensíveis e direção mais agressiva — o AMG GT 63 S E Performance surpreendeu pelo conforto e chega a superar um Honda Civic Type R, graças aos bancos de couro e acabamentos aveludados em partes da cabine. Fora da pista, os bancos dianteiros contam com função de massagem e permitem ajustar o nível de encaixe tipo concha — e podem abraçar o motorista e o passageiro da frente conforme a preferência. Fora do modo esportivo, em poucos minutos de rodagem, foi possível notar que nem todos os cilindros do V8 estavam ativos, o que reduziu significativamente o ruído interno e até diminuiu o consumo — não que quem compre este carro esteja realmente preocupado com eficiência para gastar menos gasolina. Embora não seja tão silencioso quanto um carro “comum”, chega perto disso. Esse aspecto é importante para quem pretende usar o AMG GT 63 S E Performance em viagens longas, nas quais o ronco constante pode se tornar incômodo. Mercedes-AMG GT 63 S E Performance por dentro Mercedes-AMG GT 63 S E Performance por dentroPerformance por dentro Mesmo no modo de condução mais suave do AMG GT 63 S E Performance, ao pisar fundo tudo volta ao estado bruto. Há, no entanto, um pequeno atraso entre o acionamento do acelerador e a resposta total do motor — medida necessária para garantir segurança ao lidar com mais de 800 cv em ambientes urbanos. Além da velocidade, o AMG GT 63 S E Performance oferece outros atrativos: a central multimídia vertical tem 11,9 polegadas, e o painel de instrumentos digital mede 12,2 polegadas. O modelo também inclui câmeras com visão 360 graus, assistente de estacionamento e piloto automático adaptativo — capaz de manter o carro centralizado na faixa. Como o teste que fizemos foi em uma pista e com foco em velocidade, vimos que o piloto automático existe, que funciona e logo desligamos para que um robô não tomasse conta do volante de um carro com a alma de Fórmula 1 que essa AMG tem. O porta-malas é compacto: apenas 203 litros. A limitação ocorre por conta das baterias, posicionadas logo acima do eixo traseiro. Quais os concorrentes do AMG GT 63? Já em termos de concorrência, o AMG GT 63 S E Performance praticamente reina sozinho. Seu principal rival é o Porsche Panamera Turbo S E-Hybrid que custa a partir de R$ 1.720.000 no Brasil. Ele compete diretamente com a versão de quatro portas do AMG, mas não com o cupê testado. No segmento de dois lugares, o concorrente mais próximo é o Porsche 911 GT3, com 510 cv — bem abaixo dos 816 cv do AMG — movido exclusivamente por motor a combustão. O 911 acelera de 0 a 100 km/h em 3,4 segundos, enquanto o AMG faz em 2,8 segundos. O preço parte de R$ 1.620.000 no Brasil.

Palavras-chave: tecnologia

Redes sociais, algoritmos e riscos: como as plataformas digitais estão reconfigurando o debate público

Publicado em: 18/01/2026 05:00

Celular Unsplash/camilo jimenez Em duas décadas, as redes sociais se infiltraram na vida da maioria da população e se tornaram indispensáveis. Essa dependência está ligada à nossa necessidade de socializar, característica intrínseca do ser humano. À medida que digitalizamos atividades como trabalho, finanças e consumo, a vida social acompanha esse movimento. Muitos de nós sentimos a necessidade de obter aprovação de outras pessoas em aspectos do cotidiano, como roupas, aparência ou opiniões, para sustentar uma autoimagem consistente. A dependência das redes sociais entre crianças e adolescentes é especialmente preocupante. Nessa fase da vida, emoções intensas e a busca por recompensas coexistem com uma capacidade ainda limitada de controlar impulsos e avaliar riscos. Do ponto de vista da neurociência, o sistema límbico amadurece no início da puberdade, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo autocontrole, desenvolve-se mais tarde. Esses fatores precisam ser considerados na formulação de políticas públicas e na definição da idade mínima para o uso das redes sociais, como ocorre em países como Austrália, França e Itália. 'Não sabia o quanto minha filha era viciada': brasileiros contam como foi a proibição de redes sociais na Austrália 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 Imersos nas redes, estamos à mercê dos algoritmos? Em grande parte, os algoritmos decidem a quais informações teremos acesso com base em critérios que conhecemos: mostram conteúdos semelhantes aos que já vimos ou curtimos, ou aqueles acessados por pessoas com gostos próximos aos nossos. Há outros parâmetros, como priorizar conteúdos virais ou aumentar a probabilidade de engajamento. Embora os algoritmos operem a partir de lógicas internas complexas, não podemos dizer que somos conduzidos por eles. Os algoritmos mostram caminhos, mas a escolha da direção é nossa. Não podemos cair na armadilha de culpá-los por todos os males da sociedade e pelas nossas decisões. Somos influenciados por fatores econômicos, ideológicos e morais e, muitas vezes, não temos interesse em sair das nossas bolhas. Muitos consideram que os algoritmos das plataformas digitais polarizam a sociedade. Porém, estudos quantitativos mostram que, mesmo quando os algoritmos oferecem informações não enviesadas, o usuário escolhe informações similares. As escolhas individuais desempenham um papel mais importante na limitação da exposição a conteúdos diversos do que as decisões algorítmicas. Os algoritmos simplesmente nos dão mais opções. Sabemos que mais interações e mais tempo em redes sociais levam a maiores graus de polarização. Essa é uma das principais razões para as recentes mudanças na sociedade, que são consequência do uso cada vez mais generalizado das redes sociais. Por que redes sociais têm tantos casos de exposição de crianças mesmo com sistemas de detecção O viés ideológico Em artigo que escrevi sobre as eleições brasileiras de 2022, Group polarization, influence, and domination in online interaction networks, observei que comunidades de direita apresentavam maior capacidade de comunicação coordenada e níveis elevados de isolamento. Esse achado ajuda a compreender dinâmicas recentes, mas não deve ser interpretado como evidência de um viés ideológico automático das plataformas. As redes tendem a favorecer aqueles que sabem utilizá-las melhor. Em geral, quem melhor explora suas capacidades é o ator político contestatário, que se coloca contra a visão dominante. Comparando o Brasil e os Estados Unidos, identificamos um padrão semelhante de crescimento de grupos conservadores, com forte presença nas plataformas digitais. Porém, temos base empírica para afirmar que, em países como Colômbia e México, os movimentos digitais mais influentes nas redes foram protagonizados por movimentos progressistas. Esses exemplos indicam que não há um viés ideológico único associado às redes. O que se repete é a capacidade das plataformas de facilitar a entrada de novos atores no discurso público. Estes novos atores geralmente vêm para desafiar o status quo, mas também para canalizar a insatisfação com instituições e partidos políticos tradicionais. O impacto das plataformas não decorre de um determinismo algorítmico ou de um viés ideológico único. O crescente protagonismo da inteligência artificial Aplicativos de inteligência artificial Reprodução A inteligência artificial (IA) está trazendo mudanças disruptivas. Ela já alterou a forma como fazemos buscas na internet, ameaçando a existência de sites e plataformas menores. A IA generativa permite criar textos, imagens, vídeos e perfis de forma barata e em massa. A produção automatizada de conteúdo amplia a possibilidade de manipulação política e ideológica. Apesar dos riscos, há diversas alternativas para lidar com esses problemas. A regulação do uso da IA em plataformas digitais é um tema muito relevante. Na nossa Constituição, “é livre a expressão do pensamento, sendo vedado o anonimato”. A transparência é a chave. A identificação clara de contas automatizadas e daquelas geridas por humanos deve se tornar regra, e as violações devem ser punidas, seja pelas próprias plataformas, seja por meio de medidas externas. E não há como avançar sem educação midiática e digital, que desenvolva consciência sobre o funcionamento e os limites das novas tecnologias. Controle das plataformas digitais A concentração da propriedade das grandes plataformas digitais levanta questões para o funcionamento das democracias. As Big Techs acumulam poder econômico e capacidade de influenciar a forma como consumimos informação e interagimos socialmente. Os incentivos econômicos dessas empresas vão apenas na direção de aumentar o tempo de permanência dos usuários. Além disso, a tecnologia tornou-se um campo de disputa geopolítica. A interpenetração entre governos e empresas reacende as preocupações sobre o controle dos meios de comunicação. A participação direta de governos ou de representantes eleitos nessas empresas representa uma grande ameaça. Exemplos concretos ilustram esse risco. Sistemas estatais de controle da informação, como o Grande Firewall chinês, mostram como a infraestrutura digital pode restringir o debate público. Plataformas associadas a lideranças políticas, como a Truth Social, controlada indiretamente por Donald Trump, são mais um exemplo de um perigoso conflito de interesses entre o público e o privado, capaz de distorcer o sistema de pesos e contrapesos presente nas sociedades democráticas. Na ausência de melhores incentivos, as plataformas tendem a priorizar conteúdos sensacionalistas e polarizadores. No projeto Redes de Interação em Plataformas Digitais, que coordeno com apoio da FAPESP, a polarização e radicalização são investigadas como processos relacionais, resultantes da interação entre indivíduos, grupos e algoritmos implementados nas redes sociais digitais. A pesquisa analisa como essas relações se organizam estruturalmente, produzindo padrões de isolamento, os seus mecanismos de coordenação interna e o surgimento de conflitos. O objetivo é compreender em que condições essas configurações se estabilizam ou evoluem, e quando elas podem se transformar em formas de radicalização. A regulação das plataformas e redes sociais O modelo de negócios das plataformas baseia-se no tempo de permanência e na captura de atenção, criando incentivos para a amplificação de conteúdos extremos ou polarizadores. Esse desenho tem efeitos sensíveis em crianças e adolescentes, pois ainda não desenvolveram mecanismos de autorregulação diante da exposição contínua. A regulação é uma alternativa necessária que precisa ser concebida com muito cuidado. A liberdade de expressão é um princípio central das democracias. Porém, comportamentos inaceitáveis no mundo físico não podem ser tolerados no ambiente digital. Precisamos de limites claros, sem transformar o controle do discurso em política de Estado. É fundamental tratar as plataformas como atividades econômicas. U Um bom exemplo é o conteúdo impulsionado ou monetizado, quando há pagamento para ampliar o alcance de uma mensagem, e existe ganho financeiro. Podemos regulamentar o que pode ou não ser impulsionado, assim como regulamos a publicidade em outros meios, quando a sociedade considera algo como nocivo. Essa abordagem não limita o discurso. É uma regulação econômica, não ideológica. Por outro lado, o elevado grau de polarização na sociedade não desaparecerá da noite para o dia. Nós, como indivíduos, precisamos nos abrir para ouvir principalmente pessoas com quem discordamos. Para isso, é necessário adotar políticas públicas que garantam que toda opinião, até mesmo aquela em que discordamos profundamente, será respeitada, e que nenhum tipo de violência será tolerado. Devemos criar fóruns, inclusive nas universidades, onde pessoas com opiniões completamente contrárias possam conversar livremente. Muitos querem o bem do país, mas às vezes por caminhos diferentes. O pior que podemos fazer é nos isolar em bolhas de pessoas que pensam como nós. *Em parceria com a revista FCW Cultura Científica, da Fundação Conrado Wessel, o The Conversation Brasil publica uma série dedicada a discutir os impactos políticos, sociais e institucionais das redes digitais. A edição atual reúne reflexões de pesquisadores sobre o papel dos algoritmos, da concentração de poder tecnológico e das escolhas humanas na reorganização do espaço público, da polarização política e dos riscos de formas contemporâneas de autoritarismo mediadas por tecnologia. **O estudo que subsidia este artigo foi apoiado pelo Instituto Kunumi e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP (Processo nº 2024/12936-5). As opiniões, hipóteses e conclusões ou recomendações expressas neste material são de responsabilidade do(s) autor(es) e não necessariamente refletem a visão da FAPESP. *** Este texto foi publicado originalmente no site The Conversation Brasil. Veja mais: IA ajuda a resolver mistério de alpinista desaparecido e vira esperança para equipes de resgate em montanhas Ferramenta gratuita da rede social X tem sido usada para criar imagens íntimas falsas

A combinação rara que deu à Venezuela as reservas de petróleo consideradas as maiores do mundo

Publicado em: 18/01/2026 05:00

Venezuela vista do espaço. Getty Images via BBC O petróleo venezuelano ocupou as manchetes da imprensa internacional nos primeiros dias de 2026, após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por tropas dos Estados Unidos e as declarações de Donald Trump sobre a riqueza petrolífera do país sul-americano. Os 300 bilhões de barris de petróleo de reservas "comprovadas" da Venezuela representam quase um quinto do total mundial. No entanto, esse número autodeclarado é alvo de questionamento de especialistas, que argumentam que ele possa estar inflado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O país realmente possui vastas reservas de petróleo bruto, em grande parte graças à Faixa Petrolífera do Orinoco. Mas existe uma diferença entre a produção potencial e a real na Venezuela. Além disso, o conceito de "reserva comprovada" envolve não apenas a existência física do petróleo, mas também a probabilidade de 90% de recuperação econômica e técnica com a tecnologia disponível. Grande parte do petróleo venezuelano, especialmente na Faixa do Orinoco, é pesado e caro de extrair. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Apesar disso, não há dúvida que a Venezuela seja uma potência do petróleo. Sua posição geográfica, a história tectônica, a grande extensão de suas bacias sedimentares e a interação entre clima, relevo e tempo geológico criaram condições únicas para a geração e a preservação de hidrocarbonetos em escala mundial. Do ponto de vista geológico, o território venezuelano está dividido em duas grandes metades, separadas pela cordilheira dos Andes, que se estende pelo oeste e sudoeste do país, atravessando os estados de Táchira, Mérida e Trujillo. Nessa cadeia montanhosa, destacam-se o Pico Bolívar, com mais de 5 mil metros de altitude, e a Sierra de Mérida. A presença de grandes cadeias montanhosas em combinação com extensas bacias planas está diretamente relacionada à formação dos campos petrolíferos e à forma como o petróleo bruto se acumulou ao longo de milhões de anos. E embora as condições do subsolo venezuelano sejam semelhantes às de outras potências petrolíferas— incluindo a vizinha Colômbia —, alguns fatores geológicos extremamente raros foram decisivos para a formação da Faixa Petrolífera do Orinoco, considerada a maior acumulação de hidrocarbonetos do mundo, além dos campos do Lago de Maracaibo. Essas mesmas características geológicas fizeram com que, ao longo do tempo, o petróleo venezuelano se tornasse extrapesado e ácido, com alto teor de enxofre e difícil de refinar. "O petróleo pesado — como o da Venezuela — é especialmente importante para a produção de diesel e de combustível de aviação", explica Mauro Ratto, cofundador e diretor de investimentos da Plenisfer Investments, que integra o grupo Generali Investments. "Não é bom nem ruim; simplesmente tem usos diferentes dos do petróleo leve. É assim que isso deve ser colocado. Trata-se de um produto distinto", afirma à BBC News Mundo o geólogo e professor da Universidade Virginia Tech, Philip Prince. Os Estados Unidos apreenderam dois petroleiros ligados ao petróleo bruto venezuelano no início de janeiro. Getty Images via BBC Por que a Venezuela tem tanto petróleo? "Isso se deve à forma como o território está configurado. Além de contar com uma rocha geradora de excelente qualidade e uma rocha reservatório excepcional, tudo se encaixa perfeitamente para a existência desses enormes recursos petrolíferos em terra firme, em volumes extraordinários", explica Philip Prince. Choque de placas tectônicas A Venezuela está situada no extremo norte da América do Sul, em uma área de interação complexa entre a placa tectônica Sul-Americana, a placa do Caribe e a placa de Nazca. Esse contexto geológico deu origem a bacias sedimentares profundas, sistemas de falhas, dobras e armadilhas estruturais capazes de reter o petróleo até que ele seja descoberto. São condições geográficas ideais para a sua acumulação. "As placas tectônicas se empurram umas contra as outras. A borda da placa sul-americana está sendo engolida sob a placa do Caribe, como se fosse uma máquina limpa-neve empilhando rocha com literalmente quilômetros de espessura. É assim que se formam bacias que acabam sendo preenchidas por sedimentos", descreve Prince. "Esse choque tectônico enterra a rocha geradora, possibilita a formação do petróleo e, depois, o petróleo migra para essas novas camadas de sedimentos, abrindo caminho em direção às áreas mais externas", acrescenta. O que o professor descreve é que esses choques tectônicos também criam cadeias montanhosas elevadas, que permitem que os sedimentos contendo petróleo se desloquem como se inclinássemos um prato para um dos lados. O ponto em que tudo se acumula acaba sendo, por exemplo, a Faixa Petrolífera do Orinoco ou os campos do Lago de Maracaibo. Mapa de oleodutos e campos petrolíferos na Venezuela. PDVSA via BBC "As vastas reservas do país talvez sejam melhor explicadas quando se reconhece que as bacias atuais são remanescentes de áreas sedimentares muito mais extensas, que provavelmente alimentaram as armadilhas geológicas. Essa história envolveu migração e remigração de petróleo a longas distâncias", escreveu o geólogo K. H. James em um artigo publicado no Journal of Petroleum Geology. Em termos mais simples, a Faixa Petrolífera do Orinoco funciona quase como o destino final de todo o petróleo gerado nas profundezas da bacia — o ponto para onde ele acabou convergindo ao longo de milhões de anos. Ingredientes iniciais do petróleo Desde o início de sua exploração, na década de 1910, até 1975, a indústria petrolífera venezuelana esteve sob o controle de empresas privadas, lideradas por gigantes do setor à época, como Shell, Exxon, Chevron, Mobil, Texaco, Gulf Oil, Sinclair e Phillips, entre outras. A primeira grande descoberta de petróleo ocorreu em 1914, com o campo de Mene Grande, na Bacia Ocidental do Lago de Maracaibo. Nos anos seguintes, até 1917, vieram à tona diversos outros campos relevantes, incluindo o lendário e gigantesco Campo Costero Bolívar — todos localizados no oeste do país. Já na Bacia Oriental, a produção comercial de petróleo teve início em 1937, com a descoberta do campo de Oficina. Ao final daquela década, a Venezuela produzia cerca de 560 mil barris por dia e havia se tornado o terceiro maior produtor mundial de petróleo, atrás apenas dos Estados Unidos e da União Soviética. Ao longo de mais de um século de exploração petrolífera convencional, foram descobertos na Venezuela cerca de 75 bilhões de barris de reservas recuperáveis, distribuídos em aproximadamente 320 campos petrolíferos — entre eles, 28 considerados gigantes. Essas enormes reservas, no entanto, começaram a se formar centenas de milhões de anos antes, muito antes de qualquer atividade humana. A tectônica de placas desempenhou um papel crucial na formação de petróleo na Venezuela, criando bacias sedimentares. Getty Images via BBC "No subsolo venezuelano existe uma espessa sequência de rochas sedimentares de grão fino, depositadas em ambiente aquático e ricas em matéria orgânica. Essa é a origem do petróleo. Elas contêm pequenos organismos — um pouco de plâncton e algas, seres microscópicos que utilizam a fotossíntese na água do oceano para sobreviver. Na prática, esses são os ingredientes iniciais do petróleo", explica Philip Prince. Em outras palavras, milhões de anos atrás, havia pântanos pré-históricos com grande abundância de algas e fitoplâncton. Esse material orgânico se acumulou, foi soterrado ao longo do tempo e, sob altas pressões e por meio de reações químicas de longa duração, acabou se transformando em petróleo. Outro elemento indispensável para a formação dos gigantescos campos petrolíferos é a rocha geradora do período Cretáceo, presente em praticamente todo o território venezuelano. Trata-se de uma rocha de altíssima qualidade, com enorme potencial para a geração de petróleo. "Na Venezuela, a rocha reservatório é um bom arenito. Ela é extremamente eficiente para reter o petróleo no subsolo. Além disso, observamos a presença de inúmeras falhas geológicas, que funcionam como excelentes vias de migração do petróleo até pequenas estruturas geológicas que chamamos de armadilhas — posicionadas justamente para acumulá-lo no subsolo, permitindo que seja perfurado e extraído", conclui o geólogo.

Palavras-chave: tecnologia

Coreia do Sul negociará com os EUA por termos favoráveis em tarifas sobre chips, diz autoridade

Publicado em: 18/01/2026 04:30

Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30). Reuters/Evelyn Hockstein A Coreia do Sul buscará termos favoráveis para as tarifas dos Estados Unidos sobre importações de chips de memória, afirmou neste domingo (18) um porta-voz do gabinete presidencial, em uma coletiva televisionada. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça No ano passado, o país divulgou uma ficha técnica conjunta sobre seu acordo comercial com os EUA que incluía termos garantindo que a Coreia do Sul não receberia tratamento desfavorável em relação a tarifas americanas sobre chips importados, em comparação com concorrentes-chave, disse o porta-voz ao ser questionado sobre a proclamação do governo Trump que impõe tarifas sobre chips de inteligência artificial. No sábado (17), o ministro do Comércio da Coreia do Sul afirmou que as tarifas dos EUA sobre alguns chips avançados de computação teriam impacto limitado sobre as empresas sul-coreanas. A Samsung Electronics e a SK Hynix estão entre os maiores produtores de chips de memória do mundo. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Acordo comercial fechado Em outubro de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Washington e Seul haviam fechado um acordo comercial. A declaração impulsionou a valorização do won frente ao dólar, ao sinalizar a redução das incertezas que pesavam sobre a economia sul-coreana, altamente dependente do comércio exterior. “Nós conseguimos, conseguimos. Chegamos a um acordo”, afirmou Trump ao ser questionado sobre o desfecho das negociações, antes de participar de um jantar oferecido pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung. Mais tarde, reforçou que o pacto estava “praticamente concluído”. Segundo Kim Yong-beom, assessor do presidente sul-coreano, o acordo define tarifas sobre automóveis e detalha compromissos de investimento da Coreia do Sul nos Estados Unidos. Pelo acerto, as tarifas aplicadas por ambos os países aos automóveis seriam reduzidas para 15%. O pacote inclui ainda um plano de investimentos sul-coreanos de US$ 350 bilhões nos EUA, sendo US$ 200 bilhões em aportes diretos e US$ 150 bilhões destinados à cooperação no setor de construção naval. Sem o acordo, montadoras e siderúrgicas sul-coreanas estariam sujeitas a tarifas de 25%, o que as colocaria em desvantagem em relação a concorrentes japoneses, que passaram a pagar 15% após o acordo firmado entre Tóquio e Washington. A cúpula entre Trump e Lee ocorreu durante a viagem do presidente norte-americano por três países da Ásia, iniciada na Malásia, onde participou de uma reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). Apesar do anúncio, autoridades sul-coreanas afirmaram que os dois países ainda mantêm divergências significativas sobre a parte financeira do pacote de investimentos de US$ 350 bilhões, já que Seul tenta reduzir o montante ao ampliar a participação de empréstimos e garantias. Trump e Xi Jinping se encontram na Coreia do Sul

Palavras-chave: inteligência artificial

Como o RN se tornou referência nacional em energia limpa; 98% da produção do estado vem de fontes renováveis

Publicado em: 18/01/2026 04:01

Como o RN se tornou referência nacional em energia limpa O Rio Grande do Norte se consolidou como referência nacional na produção de energia limpa. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), 98% da energia gerada no estado vem de fontes renováveis. A matriz elétrica potiguar é liderada pela energia eólica, com 85,34% da produção, seguida pela solar (12,27%). As termelétricas somam 2,36% — entre fontes fósseis (1,86%) e biomassa (0,49%) —, enquanto as pequenas hidrelétricas representam 0,04%. Sozinho, o Rio Grande do Norte responde por 30% de toda a produção de energia eólica do país, segundo dados de janeiro da Aneel. O estado fica atrás apenas da Bahia, que produz 34% e tem território cerca de dez vezes maior. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp Pelas estradas do estado, é possível ver torres eólicas em empreendimentos espalhados pelo interior e pelo litoral. O Rio Grande do Norte também se prepara para gerar energia eólica no mar (veja mais abaixo). Os primeiros parques eólicos do Rio Grande do Norte começaram a operar há 20 anos. Qualidade dos ventos Segundo especialistas, um dos principais motivos para o sucesso do estado nesse tipo de empreendimento é a qualidade dos ventos. Para Rodrigo Mello, diretor do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial no Rio Grande do Norte (Senai-RN) e do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), o estado tem “os melhores ventos do Brasil”. "O grande destaque do Rio Grande do Norte na produção de energia eólica é por conta da qualidade dos ventos que nós temos. Por isso, mesmo sendo um território muito pequeno, houve uma concentração importante de geração aqui", reforçou. Parque Eólico no Rio Grande do Norte Sandro Menezes O professor Pedro Mutti, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), doutor em Ciências Climáticas e Geografia, explicou que os ventos chegam ao estado sem barreiras, o que favorece a produção de energia eólica. "O RN encontra-se na trajetória dos chamados ventos alísios, que sopram constantemente nas regiões tropicais em direção ao Equador e penetram sobre o continente sem praticamente nenhuma barreira geográfica marcante", explicou. Segundo o professor, a produção de energia renovável beneficia não só o estado, mas todo o país, já que o sistema elétrico nacional é interligado. Energia solar: 2ª maior fonte, mas com limite territorial A energia solar é a segunda maior fonte da matriz elétrica potiguar e tem perspectiva de crescimento nos próximos anos. Segundo Pedro Mutti, o estado se beneficia da alta incidência solar e da baixa nebulosidade. "Estamos em uma região próxima ao Equador, que recebe uma quantidade generosa de radiação solar durante todo o ano, com baixa nebulosidade e baixa persistência de nuvens por conta da baixa umidade", explicou. A localização do estado, no Nordeste brasileiro e próxima à Linha do Equador, também permite que haja uma incidência considerável de raios solares ao longo do ano. Apesar do potencial, o tamanho reduzido do território limita a expansão da energia solar em números absolutos. Com 52 mil km², o Rio Grande do Norte é o sexto menor estado do Brasil, considerando o Distrito Federal. INFOGRÁFICO: RN é referência em energia renovável Arte g1 Energia de sobra, dificuldade de escoamento e desperdício Dados do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) apontam que o Rio Grande do Norte tem capacidade para gerar mais de 10 gigawatts de energia eólica por mês -- quantidade suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de residências ou 20 milhões de pessoas -- quase seis vezes mais que população potiguar, que é de 3,4 milhões, segundo o IBGE. Esse volume pode ser até dez vezes maior que o consumo do estado, segundo a Neoenergia Cosern, distribuidora local. RN consome em média cerca de 1 GW ao mês. Em setembro do ano passado o Rio Grande do Norte bateu recorde no "desperdício" de energia eólica em todo o país. Linhas de transmissão RN (Arquivo) Igor Jácome/G1 Um levantamento do Operador Nacional do Sistema (ONS) apontou que o estado foi responsável por 36% dos cortes de geração entre todas as unidades da federação naquele mês. 🔎 Contexto: o corte de energia, fenômeno conhecido como curtailment, ocorre quando usinas eólicas e solares são obrigadas a reduzir ou interromper a geração de energia devido à falta de capacidade de escoamento na rede de transmissão. Para o diretor do Senai e do ISI-ER, Rodrigo Mello, esse é um problema que pode dificultar o avanço da produção de energia eólica no estado. "Necessitam de algumas atividades governamentais para, por exemplo, reforçar ainda mais esse escoamento, reforçar essa subestação, a velocidade, a questão do armazenamento de energia", disse. Mais de 400 parques de energia Segundo a Aneel, o Rio Grande do Norte possui: 19 parques eólicos em construção (35 parques eólicos que tiveram licença aprovada); e 12 parques de energia solar (181 solares com licença aprovada). Segundo a Sedec, em 2024, último ano com dados fechados até este mês de janeiro de 2026, os investimentos em novos projetos de energia solar e eólica somaram R$ 10,1 bilhões, sendo R$ 7,8 bilhões destinados à geração eólica e R$ 2,3 bilhões à fotovoltaica. Segundo o titular da Sedec, Alan Silveira, a estimativa é de que o Rio Grande do Norte tenha um aporte de R$ 55,3 bilhões no setor elétrico até 2030. Parque energia eólica Rio Grande do Norte eólicas torres imagem aérea cima RN Sandro Menezes/governo do RN Placas solares se tornam opção para casas Além das grandes usinas espalhadas pelo estado, outra cena tem se tornado cada vez mais comum no Rio Grande do Norte: placas solares instaladas em telhados de residências. Mais do que aderir a uma fonte de energia sustentável, investir em placas solares pode gerar uma grande economia mensal. Foi o que motivou o servidor público Roberto Nascimento, de 61 anos, morador de Natal, a instalar placas solares em casa em maio do ano passado. "A gente estava observando as tarifas aumentando, a conta de luz estava aumentando, e fui fazer alguns orçamentos de usina. A gente percebeu que, pelos parâmetros do projeto, daria uma economia razoável, perto de 80%", explicou. Energia solar é produzida em usinas de grande porte e em instalações residenciais no RN Carlos Costa/Assecom RN Energia eólica no mar Em 2025, o Rio Grande do Norte teve registrada a primeira licença para um projeto de energia eólica offshore - tipo de energia gerada por meio da instalação de parques eólicos em alto-mar - do Brasil. O parque será instalado na costa da cidade de Areia Branca, na Região Oeste do estado, e tem previsão de funcionar como ponto de testes para novas tecnologias que podem ajudar o setor. "Além de ampliar significativamente a capacidade instalada, a geração no mar apresenta ventos mais constantes e intensos, o que garante maior fator de capacidade e previsibilidade de produção", acredita o secretário de Desenvolvimento do RN, Alan Silveira. Torres eólicas no pôr do sol na Praia de Tourinhos, em São Miguel do Gostoso, RN. Estado deverá ter torres instaladas no mar (Arquivo) Augusto César Gomes A Petrobras anunciou, em 2024, a construção, em Alto do Rodrigues, no Rio Grande do Norte, da primeira planta de hidrogênio renovável da companhia, com previsão de conclusão neste ano de 2026 e investimento de R$ 90 milhões. Segundo o secretário, o estado concentra cerca de 14 projetos de parques eólicos offshore em processo de licenciamento ambiental, o que, para ele, demonstra o interesse do mercado e o potencial de médio e longo prazo. Setor gerou mais de 13 mil empregos em um ano De acordo com a Sedec, o Rio Grande do Norte gerou mais de 13 mil empregos apenas na área de energias renováveis no ano de 2024, o último com o balanço fechado pela pasta até este mês de janeiro. Do total de vagas, 10.462 foram no setor eólico e 3.109 no solar. A maior parte das vagas foi para empregos indiretos ou induzidos, enquanto a menor parte foi para empregos diretos, distribuídos em fases de construção civil, instalações elétricas, testes e comissionamento. Para o professor Pedro Mutti, apesar do protagonismo no setor e dos investimentos atraídos pelo estado diante da força na produção de energia renovável, "isso gera também um desafio de gestão, que é garantir que os recursos atraídos para o Estado possam ser adequadamente alocados para o benefício dos municípios e da população de uma forma geral". Trabalhador sentado sobre uma torre de energia eólica (Arquivo) Arquivo pessoa/cedida Vídeos mais assistidos do g1 RN

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Cantora pop criada por inteligência artificial ganha espaço no streaming e chama atenção fora do país

Publicado em: 18/01/2026 04:01

Cantora italiana Marani Maru foi criada por IA, por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação Uma artista pop italiana que nunca existiu fisicamente, mas já tem músicas tocando no Brasil, na Europa e até nos Estados Unidos. Essa é Marani Maru, cantora virtual criada integralmente com o uso de Inteligência Artificial (IA) pelo compositor, designer e diretor de arte Rodrigo Ribeiro, conhecido artisticamente como Dingo, natural de Divinópolis. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp O projeto nasceu do zero. Identidade visual, voz, repertório, clipes e narrativa artística foram concebidos a partir de ferramentas de IA, sempre sob a direção do artista divinopolitano. Em menos de um mês de lançamento, as músicas de Marani Maru passaram a circular em plataformas como Spotify, Apple Music, YouTube Music e TikTok, com execução em diferentes países e entrada em playlists algorítmicas das plataformas de streaming. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Uma italiana criada a partir da memória afetiva A escolha de fazer de Marani Maru, uma artista italiana, não foi aleatória. Segundo Rodrigo, a origem do projeto está profundamente ligada à memória afetiva e à relação pessoal com a linguagem. “Uma das minhas lembranças favoritas da infância é assistir à novela Terra Nostra com a minha avó. Eu imitava o sotaque, achava aquilo teatral, bonito. Anos depois, morando no Rio Grande do Sul, ouvi o talian, aquele dialeto misturado com português, e aquilo voltou a me provocar”, contou. O interesse se aprofundou com o cinema italiano. Após assistir a uma mostra dedicada ao diretor Federico Fellini, no Palácio das Artes, Rodrigo decidiu estudar italiano de forma autodidata, um processo que acabou sendo incorporado diretamente ao projeto musical. Hoje, ele escreve as letras em português, traduz para o italiano, revisa gramática e fluidez e só então parte para a criação musical e visual. “A linguagem é central nesse trabalho. Eu estudo italiano todos os dias, entro em lives com italianos, divulgo o álbum em italiano. Isso acelera meu aprendizado real da língua”, explicou. Marani Maru ao lado de Rodrigo - imagem criada por Inteligência Artificial Rodrigo Ribeiro/Divulgação Música, imagem e técnica Apesar de ser um projeto feito com inteligência artificial, Rodrigo reforçou que o processo está longe de ser automático ou simples. A criação das imagens e dos clipes de Marani Maru envolve conhecimento técnico de fotografia, enquadramento, iluminação, figurino e direção de arte. “Não é digitar qualquer coisa e esperar que a IA entregue algo bom. Se você não tiver repertório, não souber pedir, a ferramenta não entrega. Eu escolho lente, câmera, luz, composição. A IA é uma ferramenta, não o cérebro do projeto”, afirmou. A provocação, segundo ele, é justamente questionar a ideia de que a arte feita com IA é fácil ou descartável. “Isso vem como resposta à desvalorização de vários tipos de arte e também ao cansaço de ouvir músicas recicladas, que parecem todas iguais”, disse. LEIA TAMBÉM: Cantora faz 'festa do divórcio' e comemora separação com carreata em MG; VÍDEO Em música autoral, artista de MG usa cantos de pássaros em extinção como forma de manifesto Números que chamam atenção Marani Maru é cantora pop italiana criada por IA por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação Mesmo sendo um projeto independente e recém-lançado, Marani Maru já aparece em playlists algorítmicas de plataformas musicais — um processo que costuma levar meses para novos nomes. Em menos de 30 dias, faixas do álbum passaram a ser recomendadas automaticamente pelas plataformas, segundo o criador. “Há registros de ouvintes no Brasil, Itália, Estados Unidos e Hungria, país onde uma das faixas chegou a ser executada sem que eu tivesse qualquer contato local. O algoritmo simplesmente levou”, resumiu. Entre as músicas já divulgadas estão “Motel Astrale”, faixa de abertura do álbum, e “Dare”, que tem se destacado em número de replays. O projeto também enfrenta desafios comuns a artistas independentes, como entraves com distribuidoras para liberação das músicas em redes sociais como o Instagram. IA na música O surgimento de artistas virtuais e músicas criadas com inteligência artificial não é um caso isolado. O debate ganhou força recentemente com “A Sina de Ofélia”, canção criada integralmente por IA que viralizou nas redes ao simular as vozes de Luísa Sonza e Dilsinho. A faixa chegou a circular no Spotify antes de ser removida e reacendeu discussões sobre direitos autorais, autoria e os limites do uso da tecnologia. Especialistas apontam que o setor vive um momento de transição. Ao mesmo tempo em que a IA amplia possibilidades criativas e reduz barreiras de entrada, também desafia modelos tradicionais da indústria fonográfica. Para Rodrigo, o caminho não é substituir o humano, mas expandir o que é possível. “Enquanto muitos artistas reais são pressionados a repetir fórmulas, eu prefiro arriscar o novo. A IA, para mim, é uma ferramenta de libertação criativa”, concluiu. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas O

O cientista que trocou a USP pela Amazônia para criar fazendas de gado que ajudam a reduzir desmatamento

Publicado em: 18/01/2026 03:00

Diante de estimativas que preveem aumento no consumo de carne, Luís Fernando Laranja Fonseca defende que métodos inovadores de criação do gado são solução para minimizar impacto ambiental Arquivo pessoal via BBC A estabilidade de um trabalho concursado e o prestígio de uma carreira acadêmica consolidada e internacional não foram suficientes para manter o veterinário Luís Fernando Laranja Fonseca no cargo de professor e pesquisador na Universidade de São Paulo (USP). A distância entre a teoria científica e a realidade do desmatamento da Amazônia era tão incômoda que ele decidiu, em 2002, pedir demissão do cargo. Fonseca tinha 35 anos quando se mudou com a esposa e um filho de apenas seis meses para Alta Floresta, uma pequena cidade no interior do Mato Grosso, na linha de frente do desmatamento. Hoje com 58 anos e de volta a São Paulo (SP), Fonseca lembra daquele momento como uma "guinada radical" em sua vida. Veja os vídeos que estão em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Minha leitura era de que precisaríamos desenvolver negócios que estivessem associados à conservação florestal. Se não conseguíssemos gerar bons negócios que valorizassem a floresta em pé, seria difícil reduzir drasticamente o desmatamento", lembra Fonseca. A imersão na Amazônia durou seis anos, período em que seu segundo filho nasceu e em que ele trabalhou diretamente com comunidades na extração da castanha-do-pará na sua primeira empresa na região, a Ouro Verde. Embora o negócio da castanha tenha dado certo, Fonseca percebeu que o efeito, em escala macro, ainda era pequeno diante da magnitude da destruição florestal. Então, ele fundou a Kaeté Investimentos, uma gestora focada em mobilizar fundos para negócios de impacto na região amazônica. Em 2019, criou a Caaporã, uma holding (empresa que controla a participação em várias companhias) que hoje administra 20 mil hectares em seis fazendas no Mato Grosso, Tocantins e Bahia. LEIA MAIS: Pecuária que preserva, cacau que refloresta: como o dinheiro do clima chega ao campo O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global? Com o projeto Ouro Verde, veterinário trabalhou com comunidades da terra indígena Rikbaktsa Arquivo pessoal via BBC Fonseca retornou à capital paulista para ser coordenador do Programa de Agricultura e Meio Ambiente da ONG WWF-Brasil e hoje trabalha viajando entre o escritório da sua holding em Piracicaba (SP) e as fazendas que administra. Nascido em São Borja (RS), o veterinário tem doutorado em Reprodução Animal e pós-doutorado pela University of Kentucky (EUA) Com a Caaporã, ele tem experimentado formas de tornar a produção de carne bovina mais sustentável. Por que tem tanto boi na Amazônia? Desafiando a pecuária extensiva Seu método começa com a recuperação de pastagens degradadas, áreas que já foram desmatadas e perderam sua fertilidade. Nessas pastagens, o capim é pobre em nutrientes. Assim, o gado demora mais para engordar, permanecendo no pasto por cerca de quatro anos antes do abate. Com a recuperação do solo preconizada por Fonseca, árvores são plantadas e o capim é misturado com leguminosas, como o amendoim forrageiro. Essas plantas têm a capacidade natural de fixar nitrogênio da atmosfera na terra. Isso reduz a dependência de fertilizantes químicos nitrogenados (como a ureia), cuja produção e aplicação também emitem gases de efeito estufa. LEIA MAIS: Quanto custa conter o aquecimento global e quem banca sustentabilidade Empréstimo ajuda indígenas a recuperar Mata Atlântica Uma das fazendas de Fonseca antes e durante o trabalho de recuperação Divulgação via BBC Além de reduzir a dependência do Brasil de ureia da Rússia, o pasto adubado é uma alternativa mais saudável e sustenta mais gado por metro quadrado. Com o plantio de árvores, a sombra destas reduz o estresse térmico do gado no calor tropical, o que também contribui para que o animal ganhe peso mais rápido — diferente do gado exposto ao sol escaldante. O grupo utiliza espécies de árvores exóticas, como o eucalipto; e nativas, como o paricá, madeira amazônica destinada à indústria de móveis. Com as melhoras no solo e na alimentação, o gado atinge o peso de abate em cerca de dois anos — a metade do tempo convencional. Menos tempo de vida significa, matematicamente, menos tempo emitindo metano na atmosfera. Na produção de gado, esse gás poluente é gerado com a chamada fermentação entérica — o processo digestivo dos bois que transforma capim em gás. "Se você tem um boi que engorda com quatro anos, ele fica quatro anos literalmente arrotando metano", resume Fonseca. Como a pecuária pode reduzir a emissão de gases poluentes O Brasil é o quinto maior emissor de metano (CH4) do mundo, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), e o agronegócio respondeu por 75,6% dessas emissões em 2023 — sendo que 98% delas vieram da pecuária. O país tem o segundo maior rebanho bovino do mundo e lidera as exportações, mas essa liderança tem um custo territorial. Dados do MapBiomas indicam que a área dedicada à pastagem foi o uso da terra que mais se expandiu na Amazônia entre 1985 e 2023: um aumento de mais de 363%, saltando de 12,7 milhões de hectares para 59 milhões, equivalente ao território da Espanha. O cenário encontrado por Fonseca na Amazônia é dominado pelo que se chama de pecuária extensiva. Neste modelo tradicional, o gado é criado solto em grandes áreas de pasto, com baixo investimento em tecnologia ou manejo do solo. Esse é um dos motivos pelos quais a produtividade da pecuária na Amazônia é baixa (0,73 animal por hectare) e pressiona pelo desmatamento, para manter ou aumentar a produção. Já a pecuária intensiva, abordagem adotada por Fonseca e sua empresa, ocupa áreas menores, busca alto rendimento produtivo e maiores investimentos em tecnologia e conhecimento técnico — um custo do qual os produtores tradicionais querem fugir. Nesse modelo, os animais são confinados e alimentados com dietas controladas para acompanhar sua saúde e crescimento, que é mais rápido. "Se replico em larga escala, esse modelo intensivo permitiria liberar milhões de hectares de pastagens de baixa produtividade", defende o veterinário. Essas áreas ociosas poderiam ser destinadas ao restauro florestal, ajudando o Brasil a cumprir sua meta de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa, um compromisso assumido no Acordo de Paris que, segundo dados atuais do SEEG, está longe de ser atingido. Segundo ele, a abordagem reduz significativamente a pegada de carbono: enquanto cada quilo da carcaça no método tradicional emite cerca de 35 kg de CO2, no método da Caaporã, a emissão é de cerca de 20 kg — uma redução superior a 40%. O trabalho de Fonseca é acompanhado há duas décadas por acadêmicos como André Pereira de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces/FGV). 'Se você tem um boi que engorda com quatro anos, ele fica quatro anos literalmente arrotando metano', diz Fonseca, referindo-se a gás poluente Arquivo pessoal via BBC "O negócio do Luiz trabalha dentro de um campo da agricultura regenerativa: produz um alimento que contribui para a segurança alimentar e, ao mesmo tempo, tem uma contribuição com serviços ambientais", diz Carvalho, apontando para os impactos positivos do método na biodiversidade e na preservação da água, além da redução da emissão de poluentes. Silvia Ferraz Nogueira De Tommaso, professora no doutorado profissional em Gestão de Negócios da faculdade FIA Business School, destaca a visão sistêmica do projeto. "De um lado, temos a pecuária como vilã do desmatamento; do outro, como um setor que traz riqueza. Se quisermos resolver o problema pensando unicamente em eliminar a pecuária, criaremos um problema social e econômico", avalia a professora. Como será o futuro? Para Fonseca, não é realista esperar que o mundo pare de comer carne. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projetam um aumento de 10% no consumo mundial de carne bovina até 2033. "O mundo irá consumir muito mais carne na próxima década. Isso é um fato. Alguém vai ter que suprir essa carne", afirma o empresário, para quem essa demanda, nos moldes atuais de produção, pode ser um desastre para a Amazônia. Ao mesmo tempo, o cientista é cético com alternativas como a criação de carne de laboratório, cultivada a partir de células. "No curto prazo, nos próximos 10 anos, não temos sinalização de que essas carnes vão ocupar espaço significativo", avalia, citando o alto custo desses experimentos e o tempo demandado para que o consumidor se adapte a esse novo tipo de produto. Para Fonseca, se a demanda por carne bovina existe e a tecnologia celular ainda é distante, a única saída imediata é transformar o modo como o boi é criado hoje. Mas o veterinário reconhece que há muitos obstáculos estruturais para isso. Um deles é o acesso ao conhecimento: o método que ele propõe exige uma gestão técnica apurada, muito diferente de apenas "soltar o boi no pasto". Além disso, recuperar o solo degradado custa caro. Para isso, linhas de crédito voltadas para a agricultura mais sustentável poderiam ser úteis, mas Fonseca diz que o acesso a elas no Brasil é burocrático e limitado. Outro obstáculo, talvez o mais difícil, é o cultural. "O produtor fala: 'Eu sei fazer? Sei. Dinheiro eu tenho? Tenho. Mas não quero fazer'", diz Fonseca sobre a resistência em abandonar o modelo extensivo. O empresário aposta no incentivo econômico. Fonseca reconhece que recuperar o solo degradado, como nesta fazenda, custa caro Divulgação via BBC Como o mercado de carne ainda paga praticamente o mesmo valor por um boi "verde" ou um convencional, Fonseca tem estudado fechar a conta através da venda de créditos de carbono. Sua empresa está desenvolvendo uma metodologia própria junto à Verra, maior certificadora global deste tipo de mercado. Enquanto isso, a Minerva Foods, uma das maiores exportadoras de carne do país, já compra parte da produção da Caaporã e informa que tem buscado promover essas práticas de pecuária regenerativa entre seus fornecedores. "Esse tipo de manejo está totalmente alinhado à estratégia da empresa para uma pecuária de baixa emissão de carbono", afirma Marta Giannichi, diretora global de Sustentabilidade da Minerva, ressaltando que o modelo prova ser economicamente viável e replicável. "Esses modelos ajudam a restaurar o solo, conservar a biodiversidade e aumentar a eficiência produtiva", comenta a executiva sobre a tendência que, segundo ela, vem crescendo não só na Amazônia, mas em outros biomas. Durante a COP30, cúpula ambiental realizada no ano passado em Belém do Pará, as tensões e incógnitas em torno da pecuária ficaram evidentes. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) organizaram a Agrizone, um pavilhão a menos de 2 km da Blue Zone (onde aconteciam as negociações sobre o clima) patrocinado por grandes empresas e entidades de classe, como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nestlé e Bayer. O pavilhão foi alvo de protestos de ativistas que não têm simpatia por um setor apontado por dados como um dos principais responsáveis pelo avanço do desmatamento na Amazônia. Na Agrizone, a Embrapa e algumas das maiores produtoras de carne do Brasil apresentaram propostas de baixo carbono — sinalizando um movimento crescente, mas ainda incipiente, em busca de alternativas inovadoras, mais sustentáveis e produtivas. Mas a falta de controle dos supermercados sobre dados de desmatamento na cadeia de produção é um dos elos frágeis dessa indústria que alimenta a desconfiança dos consumidores. O aplicativo Do Pasto ao Prato, iniciativa de organizações internacionais e financiada pelo governo da Noruega, mostra que cerca 40% do rebanho bovino brasileiro é criado na Amazônia. Três quartos (76%) dessa carne é destinada ao mercado interno. Segundo o portal, apesar dos compromissos públicos de sustentabilidade dos principais frigoríficos, só 54% da carne bovina proveniente da Amazônia e vendida no Brasil tem em sua produção um desempenho de sustentabilidade adequado — o resto viria de práticas de produção ilegais. No caso das exportações, 80% do volume cumpre adequadamente protocolos contra o desmatamento, em função da maior cobrança disso por compradores estrangeiros, especialmente da União Europeia.

Palavras-chave: tecnologia

Legislação reduz poder da UnB para usar dinheiro de eventual venda de imóveis; entenda

Publicado em: 18/01/2026 02:00

Universidade de Brasília, campus Darcy Ribeiro Isa Lima/Secom UnB Prestes a começar mais um ano letivo, a Universidade de Brasília (UnB) entra em 2026 com uma pendência antiga na pauta de discussões: a busca de mais dinheiro para fazer investimentos e ampliar a capacidade de ensino e pesquisa. A intenção da Universidade de Brasília (UnB) de avançar os estudos e vender parte de seu patrimônio imobiliário para ampliar investimentos enfrenta limites legais que podem, na prática, inviabilizar o uso desses recursos. A legislação federal permite a alienação de bens considerados desnecessários às atividades acadêmicas – mas impõe regras rígidas sobre como o dinheiro pode ser usado. Essa verba não pode ser gasta, por exemplo, com o custeio de despesas rotineiras da universidade – compra de insumos de laboratório e material de limpeza ou pagamento de salários, por exemplo. ➡️Alienação de bens é a transferência de um bem móvel ou imóvel a terceiros por meio de venda, doação, transferência ou cessão de bens. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Veja abaixo quais são as regras para a venda desses imóveis – e por que o dinheiro pode acabar não ajudando diretamente a UnB. Imóvel da Universidade de Brasília (UnB), na SQN 212, na Asa Norte. UnB/Reprodução O que diz a lei? A Lei nº 6.120/1974 é a principal referência que regula a alienação de bens imóveis da instituições federais de ensino. Os imóveis podem ser objeto de: permuta sob condições especiais; hipoteca para garantia de empréstimos junto a estabelecimentos de crédito oficiais; e locação. A venda só pode ser realizada mediante autorização do presidente da República, decreto e aprovação em colegiado superior com quórum de pelo menos dois terços. A lei também proíbe doações ou cessões gratuitas de imóveis. O dinheiro arrecadado deve ser utilizado na própria universidade, em despesas relativas a edificações, serviços de infraestrutura, instalações, equipamentos e urbanização. O valor pode ser destinado a despesas de custeio apenas se os campi forem "considerados completos", ou seja: quando já tiver toda a infraestrutura necessária, possuir condições adequadas para pleno funcionamento e não houver mais demandas relevantes de obras ou equipamentos. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Nova Lei de Licitações e Contratos também exercem influência direta no patrimônio da universidade por condicionarem controles orçamentários, regras de governança e prestação de contas. UnB pretende leiloar lotes na última quadra vazia da Asa Norte Para onde vai o dinheiro? Como a UnB faz parte do orçamento da União, qualquer recurso obtido — inclusive com a venda de imóveis — entra diretamente no caixa do governo federal. Ou seja: não há possibilidade de criar um fundo para uso livre da instituição, ou de o dinheiro ser recebido diretamente pela reitoria da UnB. Daí em diante, a verba passa pelo trâmite comum da execução orçamentária. Precisa ser autorizado pelo Congresso, passa pelo controle do Tesouro Nacional e pode ser até bloqueado para ajudar o governo a equilibrar as contas públicas. Outro problema é a Desvinculação de Receitas da União (DRU). Desde 2024, ela permite que até 30% das receitas patrimoniais arrecadadas pelas universidades sejam recolhidas pelo governo federal. Na prática, isso significa que nem todo o valor obtido com a venda de imóveis fica disponível para a UnB. Orçamento e fonte de recursos A Universidade de Brasília (UnB) conta com diferentes fontes de recursos: Recursos previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) Receitas arrecadadas por recursos próprios Acordos, contratos, convênios, entre outros Emendas parlamentares individuais e de bancadas A principal delas é o orçamento previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), que define os valores autorizados para execução ao longo de cada exercício financeiro, incluindo despesas obrigatórias e discricionárias. No Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2026, o governo havia previsto R$ 6,89 bilhões para as 69 universidades federais. A base desse valor engloba recursos discricionários, voltados a despesas não obrigatórias como manutenção, bolsas, energia e insumos. Durante a votação no Congresso, esse montante foi reduzido em R$ 488 milhões — queda de 7,05% —, caindo para R$ 6,43 bilhões. O professor da Faculdade de Educação, Remi Castioni, explica que o orçamento das universidades públicas foi reduzido em R$ 400 milhões em relação ao apresentado pelo Executivo ao Congresso Nacional. "Juntos, CAPES e CNPq, tiveram uma redução similar no findar do ano legislativo com a aprovação da LOA de 2026. Ou seja, se juntar tudo dá quase R$ 1 bilhão. É quase a metade do orçamento da UnB. Esta é uma realidade que se repete no sistema de ciência, tecnologia e inovação, que se esperava superado depois que retiramos o FNDCT da alçada do contingenciamento", explica Remi. Além do orçamento federal, a universidade arrecada recursos próprios. Essas receitas têm origem, principalmente, no aluguel de imóveis comerciais e residenciais pertencentes à UnB. Há também os valores vindos de projetos de pesquisa, inovação e extensão desenvolvidos pela instituição, muitas vezes em parceria com órgãos públicos ou entidades privadas. Outra fonte de recursos envolve acordos, contratos e convênios firmados para a realização de pesquisas, consultorias, cursos e a execução de projetos diversos, com ou sem repasse financeiro. Quando há transferência de recursos para a universidade, os valores são operacionalizados por meio de instrumentos como o Termo de Execução Descentralizada (TED) ou por destaques orçamentários, mecanismos utilizados pela administração pública para viabilizar a execução de políticas e projetos. A UnB também recebe recursos por meio de emendas parlamentares, tanto individuais quanto de bancada. Na LOA de 2024, a Universidade de Brasília recebeu sete emendas individuais que somaram cerca de R$ 1,8 milhão. As emendas de bancada somaram outros R$ 52,1 milhões, sendo R$ 24,6 milhões para custeio e R$ 27,4 milhões para investimentos. Ainda não há dados disponíveis de 2025. O que diz a UnB? Em nota ao g1, a UnB informou: que a Desvinculação das Receitas da União (DRU) incide sobre toda a receita patrimonial da UnB, incluindo aluguéis, por exemplo; que o valor total do patrimônio imobiliário não pode ser informado no momento, por depender de avaliação contábil especializada que as receitas próprias vêm contribuindo para preservar o funcionamento da instituição. "Em um contexto de restrição orçamentária que incide sobre os recursos discricionários das universidades federais – fundamentais para contratos essenciais, manutenção da infraestrutura e políticas acadêmicas e de permanência estudantil – essas receitas próprias contribuem para preservar a capacidade operacional da UnB, a previsibilidade administrativa e a continuidade de suas atividades acadêmicas e científicas.", respaldou a instituição ao g1. LEIA TAMBÉM: EDUCAÇÃO: Congresso aprova corte de quase R$ 500 milhões em orçamento das universidades federais para 2026; entidade fala em 'quadro crítico' CRISE NO BURITI: Após falar em 'cinto apertado', Ibaneis diz não haver 'perspectiva de melhora da economia' do DF Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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Paes sanciona novas regras para o Minha Casa Minha Vida no Rio; veja o que muda em cada região

Publicado em: 18/01/2026 02:00

Imóveis do Minha Casa, Minha Vida em Cosmos Marcos de Paula/ Prefeitura do Rio de Janeiro O prefeito Eduardo Paes (PSD) sancionou na última segunda-feira (12) a lei que flexibiliza as regras para a construção de moradias populares na cidade. A nova legislação atualiza normas municipais que estavam em vigor há 16 anos, adequa o município aos parâmetros do programa federal Minha Casa, Minha Vida e amplia o alcance de incentivos urbanísticos e fiscais para empreendimentos de habitação de interesse social. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça A sanção destrava a aplicação imediata das regras aprovadas pela Câmara Municipal e estabelece critérios diferentes para cada região da cidade, com o objetivo de estimular a construção de moradias onde já há infraestrutura urbana e conter o adensamento em áreas consideradas mais sensíveis. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao todo, a lei incorpora diretrizes do Plano Diretor de 2023, redefine contrapartidas financeiras, flexibiliza gabaritos e simplifica processos de licenciamento para projetos voltados às faixas de renda mais baixas do programa habitacional. Elaborado pelo vereador Pedro Duarte (sem partido), em conjunto com outros 15 parlamentares e a Prefeitura do Rio, o texto foi aprovado pela Câmara Municipal em dezembro. Para Duarte, a nova lei corrige entraves que dificultavam a expansão da habitação de interesse social no município. “Os projetos de habitação de interesse social precisam ser os mais beneficiados pela lógica do Plano Diretor, que trouxe formas mais modernas de pensar o planejamento urbano. A gente não pode esquecer que há uma alta demanda por moradia da população de baixa renda". "Não faz sentido que projetos dessa natureza continuem travados por um conflito normativo ou por uma legislação ultrapassada. Nosso objetivo é destravar e fomentar esses empreendimentos”, comentou Pedro Duarte. Centro e Zona Norte concentram incentivos Nas Áreas de Planejamento 1 (Centro) e 3 (Zona Norte), a nova lei amplia os incentivos para a construção de moradias populares. Nessas regiões, os empreendimentos passam a contar com redução ou isenção de contrapartidas financeiras e regras mais flexíveis de licenciamento. Central do Brasil e o Centro do Rio Alexandre Macieira | Riotur O objetivo, segundo o autor da proposta, é estimular o adensamento em áreas que já dispõem de transporte público, serviços e equipamentos urbanos. A legislação também inclui, nessas áreas, a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, que atende famílias com renda mensal de até R$ 12 mil. A mudança amplia o público beneficiado e alinha o programa municipal aos critérios adotados pelo governo federal. Barra da Tijuca e Recreio sem estímulos Na Barra da Tijuca e no Recreio, a nova lei exclui os empreendimentos de habitação de interesse social do acesso aos incentivos urbanísticos e fiscais municipais. A medida busca conter o crescimento acelerado dessas regiões e adequar novos projetos à capacidade da infraestrutura existente. Segundo o texto sancionado, os empreendimentos nessas áreas continuam sujeitos às regras gerais do planejamento urbano, mas não poderão se beneficiar dos estímulos criados para outras partes da cidade. Regras mais restritivas na Zona Oeste As mudanças mais rígidas ficam concentradas na Área de Planejamento 5 (Zona Oeste). A lei proíbe a construção de grandes edifícios multifamiliares destinados à habitação de interesse social e passa a priorizar modelos como casas, vilas e loteamentos unifamiliares ou bifamiliares, com limite de até dois pavimentos. A legislação também estabelece critérios de localização, exigindo que os empreendimentos fiquem próximos a eixos de transporte público, e cria mecanismos para coibir obras e ocupações irregulares. As contrapartidas financeiras nessa região deverão ser aplicadas em melhorias dentro dos próprios empreendimentos, como drenagem, pavimentação e iluminação pública. Contrapartidas, licenciamento e gabarito A nova lei cria uma lógica progressiva de contrapartidas financeiras. Empreendimentos voltados às faixas de renda mais baixas do Minha Casa, Minha Vida ficam isentos de cobrança. Paes sanciona lei que proíbe prédios que façam sombra nas praias do Rio Para faixas intermediárias, a contrapartida varia entre 0,25% e 0,5% do custo do projeto, enquanto os percentuais atuais são mantidos para as faixas mais altas. O texto também flexibiliza o gabarito, permitindo construções de até cinco pavimentos para moradias populares em grande parte da cidade, com exceção da Zona Oeste. Para garantir o cumprimento das contrapartidas, o Habite-se parcial ficará limitado a 50% das unidades até a conclusão das obras ou o pagamento integral do valor devido. Além disso, a lei incorpora mecanismos do Licenciamento Integrado (Licin), permitindo aprovações mais rápidas por autodeclaração para terrenos de até 40 mil metros quadrados, e autoriza soluções simplificadas de esgotamento sanitário em áreas sem rede pública disponível.

Palavras-chave: câmara municipal

Buscas por crianças desaparecidas no Maranhão completam 15 dias com reforço da Marinha e uso de tecnologia avançada

Publicado em: 18/01/2026 01:00

Operação com side scan sonar começa para localizar crianças desaparecidas em Bacabal As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos em Bacabal (MA), completam 15 dias neste domingo (18). A operação foi reforçada com a chegada de 11 militares da Marinha, que chegaram à cidade no sábado (17) e começaram a realizar uma vistoria na área. Eles usam tecnologia avançada, como o side scan sonar, para localizar possíveis objetos submersos na água. Com o apoio de lancha voadeira e motoaquática, as buscas continuarão no Rio Mearim e no lago. Segundo o Capitão Simões da Capitania dos Portos do Maranhão, a operação com o uso de tecnologia avançada começará na manhã deste domingo (18). “O objetivo é otimizar as buscas realizadas pelos mergulhadores e bombeiros. O side scan sonar gera imagens detalhadas do fundo do rio, ajudando a identificar qualquer anomalia”, afirmou ele. De acordo com a Marinha, o side scan sonar funciona como um "raio-X" do fundo do rio, destacando sua eficácia mesmo em águas turvas, independentemente da visibilidade. A tecnologia foi utilizada com sucesso em operações de resgate anteriores, como no caso do desabamento da Ponte Juscelino Kubitschek (Ponte JK), entre Aguiarnópolis (TO) e Estreito (MA), e agora será empregada para localizar as crianças desaparecidas. No sábado (17), a equipe da Marinha fez um reconhecimento da área para avaliar o local e planejar a operação de busca. O capitão da capitania, explicou ainda que, embora não haja uma metragem específica para a área, as buscas começarão no ponto de interesse identificado. “A partir do ponto que verificamos, começaremos a varredura e a otimização das buscas no leito e na superfície do rio”, disse o capitão. Buscas por crianças desaparecidas completam 15 dias com reforço da Marinha e uso de tecnologia avançada Divulgação/ SSP Na última quarta-feira (15), as buscas no lago da região foram intensificadas, e o Rio Mearim também passou a ser incluído nas operações. Imagens mostram a operação subaquática no rio, próximo à casa onde as crianças teriam passado. A operação recebeu reforço de outros estados na quarta-feira (14) com a chegada de sete bombeiros do Pará, com dois cães farejadores, e outros cinco bombeiros do Ceará também desembarcaram com mais quatro cães. Marinha envia mergulhadores para reforçar as buscas Crianças desaparecidas no Maranhão estiveram em casa abandonada Mergulhadores da Marinha vão reforçar, a partir deste sábado (17), as buscas pelos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos em Bacabal, do interior Maranhão. A informação foi divulgada pelo governador Carlos Brandão. Segundo ele, 11 militares participarão da operação, que contará com um side scan sonar, equipamento capaz de localizar objetos submersos em águas turvas ou profundas por meio de ondas sonoras. A operação também terá apoio de lancha voadeira e motoaquática. O governador afirmou ainda que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem ampliado as ações em campo e nas rodovias para ajudar na localização dos irmãos. Segundo o Corpo de Bombeiros, as buscas terrestres já fizeram uma varredura em uma área de mata superior a 3,2 km². Na última quarta-feira (15), as buscas no lago da região foram intensificadas, e o Rio Mearim também passou a ser incluído nas operações. Imagens mostram a operação subaquática no rio, próximo à casa onde as crianças teriam passado. A operação recebeu reforço de outros estados na quarta-feira (14) com a chegada de sete bombeiros do Pará, com dois cães farejadores; outros cinco bombeiros do Ceará também desembarcaram com mais quatro cães. LEIA TAMBÉM: Após relato de menino de 8 anos, cães farejadores indicam que crianças desaparecidas estiveram em casa abandonada no MA 'CASA CAÍDA': como é a casa onde crianças desaparecidas estiveram no MA CRONOLOGIA DO CASO: Crianças desaparecidas no Maranhão VÍDEO: Veja como estão as buscas pelas crianças desaparecidas após 14 dias em Bacabal, no MA Cães indicaram que crianças estiveram em casa abandonada Veja como é a 'casa caída' onde crianças desaparecidas há 13 dias estiveram no MA Cães farejadores que integram a força-tarefa de busca indicam que as crianças estiveram em uma casa abandonada à margem do rio Mearim durante as buscas realizadas na quinta-feira (15). A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP). Os cães farejadores identificaram que os irmãos e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos - resgatado no dia 7 de janeiro - estiveram na residência, chamada pelos policiais de "casa caída", localizada no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal. Trata-se de um abrigo simples, feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha. A estrutura fica no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão. De acordo com o Corpo de Bombeiros do Maranhão, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. No entanto, considerando os obstáculos naturais, como trilhas, lagoas e áreas de mata, a distância percorrida até o local pode chegar a aproximadamente 12 km. O local, que pode servir como ponto de parada para pescadores, fica à margem do rio Mearim. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco. Segundo o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, não havia sinais da presença de outra pessoa e os cães identificaram exclusivamente o cheiro deixado pelas crianças. Ainda segundo ele, as casas da região são usadas para plantio e pesca, e os donos das casas possuem residência fixa em Bacabal. No entanto, a investigação não detalhou se essas pessoas irão prestar depoimento e se serão investigadas. O ponto foi descrito por Anderson Kauã, de 8 anos, após ser encontrado no dia 7 de janeiro. Ele relatou à equipe multiprofissional do Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), que o acompanha, que chegou ao local com os primos e que deixou os dois na casa enquanto saiu em busca de ajuda. O secretário explicou ainda que os cães desceram uma ribanceira e circularam perto do rio Mearim durante as buscas. As equipes não encontraram novos vestígios, e o trabalho agora avança para um perímetro maior. Varredura por quadrantes Equipes traçam área de buscas por crianças desaparecidas em Bacabal Segundo o major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, as equipes passaram a trabalhar por quadrantes para garantir uma varredura minuciosa na área delimitada. “Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza que as crianças não estão ali”, explicou o major. Cada quadrante tem cerca de 90 mil metros quadrados. Ao todo, são 45 quadrantes, dos quais 25 já foram totalmente vistoriados. A estratégia foi definida com base em um triângulo formado pelo ponto onde as crianças saíram, o local onde roupas foram encontradas e onde um dos meninos foi visto pela última vez. Para monitorar as rotas percorridas, os bombeiros e voluntários usam um aplicativo de geolocalização para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo. Um aplicativo de geolocalização é usado para mapear as rotas percorridas pelas equipes e localizar agentes ou voluntários caso alguém se afaste do grupo. Reprodução/TV Mirante Como são as buscas na região Cerca de 500 pessoas participam das buscas, entre profissionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, Exército Brasileiro e voluntários. Paralelamente às buscas, a Polícia Civil segue com as investigações para reunir informações que possam ajudar na localização de Ágatha e Allan. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA), ligado à Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, está em Bacabal desde domingo (11). A equipe multidisciplinar do IPCA conta com psicólogo e assistente social, responsáveis por perícias psicológicas e sociais e por ouvir familiares das crianças. Veja cronologia do caso Infográfico - Crianças desaparecidas no Maranhão Arte/g1 Ágatha Isabelle, de 6 anos e o Allan Michael, de 4 anos estão desaparecidos no Maranhão Reprodução/TV Mirante

Palavras-chave: tecnologia

Casa Branca ameaçou processar CBS se entrevista de Trump não fosse exibida na íntegra

Publicado em: 18/01/2026 00:02

Trump durante entrevista nesta sexta-feira (16) Nathan Howard/Reuters A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou a jornalistas da CBS News que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iria processar a emissora caso uma entrevista concedida por ele não fosse exibida na íntegra. A informação foi revelada neste sábado (17) pelo jornal The New York Times. Segundo o jornal, a ameaça foi feita logo após Trump gravar uma entrevista de 13 minutos com o âncora Tony Dokoupil, do “CBS Evening News”, em Michigan, na terça-feira (14). Em um comentário captado por uma gravação obtida pelo Times, Leavitt disse que o presidente havia exigido que a entrevista fosse ao ar sem cortes. “Ele disse: ‘Se não for exibida na íntegra, vamos processar vocês’”, afirmou Leavitt, de acordo com o áudio. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A CBS News exibiu a entrevista completa naquela mesma noite e afirmou que essa já era a decisão editorial desde o momento em que o conteúdo foi acertado com a Casa Branca. Em nota, a emissora disse que optou de forma independente por levar ao ar a conversa sem edição. Procurada pelo Times, Leavitt afirmou que “o povo americano merece assistir às entrevistas completas do presidente, sem cortes”, e destacou que a entrevista acabou sendo exibida integralmente. De acordo com o jornal, alguns profissionais da CBS que presenciaram o comentário interpretaram a fala de Leavitt como uma brincadeira. Ainda assim, o episódio ocorre em um contexto de tensão crescente entre o governo Trump e a imprensa. Em 2024, Trump processou a CBS por causa da edição de uma entrevista do programa “60 Minutes”. O processo foi encerrado após a empresa controladora da emissora pagar US$ 16 milhões em acordo, apesar de avaliações de especialistas de que a ação tinha poucas chances de prosperar. O New York Times destaca que Trump tem recorrido com frequência a processos judiciais e a pressões regulatórias contra veículos de comunicação. O presidente também já moveu ações contra outros grupos de mídia e empresas de tecnologia e tem feito críticas públicas recorrentes à cobertura jornalística que considera desfavorável. Segundo o jornal, esse cenário tem levado grandes empresas de mídia a atuar com cautela, diante do risco de disputas judiciais e de decisões do governo que afetam diretamente seus negócios. A entrevista exibida pela CBS incluiu perguntas sobre economia, política externa e imigração. No encerramento, Trump ironizou o âncora Tony Dokoupil e afirmou que ele não teria o emprego atual caso Kamala Harris tivesse vencido a eleição presidencial de 2024.

Palavras-chave: tecnologia

Espetáculo de luzes transforma a Catedral da Sé em São Paulo

Publicado em: 17/01/2026 21:14

Espetáculo de luz transforma a Catedral da Sé, em São Paulo As mãos pro alto, por um instante, não significam um gesto de fé. Os celulares são como testemunhas do que parece um milagre: um patrimônio inaugurado há mais de setenta anos de repente é coberto pela modernidade… "A Catedral serve tanto para o serviço religioso, para as celebrações e missas, mas ela também é um espaço de cultura", diz o padre Luiz Eduardo Baronto, cura da Catedral da Sé. Projeto Luminescence na catedral da Sé, em São Paulo Reprodução/TV Globo O projeto “Luminescence” propõe o encontro entre arte, história e tecnologia. Antes de abrir as portas ao público, o trabalho de criação e mapeamento do espaço durou quase um ano. Quase quatrocentos profissionais envolvidos. "A gente faz um roteiro, um estudo de história sobre tudo que a gente tem de história tanto aqui como na cidade. A gente cria todas as artes, todas as músicas são integradas com a arte e aí chega a parte de tecnologia que faz o mapping de tudo isso. Tudo integrado. Você tem assim um impacto visual muito grande. Você tem essas projeções em toda igreja", explica a diretora de entretenimento da Endemol, Fernanda Abreu. A experiência combina projeções de luz e trilha sonora com coro e orquestra sinfônica ao vivo. "É um repertório muito profundo, mas também acessível ao grande público, porque esse espetáculo quer emocionar e trazer também a oportunidade do paulistano, do brasileiro, do nosso turista também vivenciar cada momento da nossa história", afirma o maestro Delphim Porto. O espetáculo já percorreu basílicas e catedrais nos Estados Unidos e em cinco países europeus. Essa é a primeira vez que a atração ocupa um monumento histórico na América Latina. E a Catedral da Sé, claro, não foi escolhida à toa… A gente falou… Marco Zero de São Paulo, né? Vamos começar o Marco Zero lá no nosso projeto também pra depois expandir pro Brasil todo. Que tipo de emoção vocês querem provocar no público com esse espetáculo? A gente quer que todo mundo fique arrepiado. Que toque. E vai ficar, você vai ver! Todo mundo que chega aqui sai impactado! "Emocionante! Acho que é a história em luz, em magia, é tudo: as imagens, a música, a própria história da Catedral", afirma o autônomo Rogério Pacheco. Para quem se acostumou com a ideia de que se trata de uma cidade cinza, a história de São Paulo agora é contada de um jeito diferente: as cores são protagonistas e, vamos combinar, elas dispensam palavras.

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Calor e chuva aceleram ciclo do mosquito da dengue, e janeiro é mês-chave de prevenção

Publicado em: 17/01/2026 21:01

Janeiro é o mês de começar a intensificar o combate ao mosquito da dengue É a estação favorita do mosquito mais conhecido pelos brasileiros. Tem quem use repelente e fique de olho no terreno do vizinho. "A minha mãe faleceu em 2013 em decorrência de dengue hemorrágica. Então a gente fica já preocupado", diz o motorista Josué Batista Camargo. Pai e filha tiveram dengue há pouco tempo. A bebê chegou a ser internada. "É obrigação de todo mundo se preocupar com isso e não deixar juntar esses focos em nenhum lugar", afirma Douglas Henrique de Oliveira, coordenador de tecnologia. Na rua onde eles vivem, em São Paulo, tem caixa d’água destampada, acumulando larvas que podem ser do mosquito Aedes aegypti. Cena captada pelo drone usado pela prefeitura pra espalhar larvicida em grandes criadouros, comuns em imóveis desocupados. A gente tá antecedendo uma ação, né, impedindo que aquela larva vire mosquito. Mosquito Aedes aegypti Reprodução/TV Globo Cidades gaúchas também têm espalhado armadilhas em lugares com muitos vasos, como cemitérios, e feito mutirões de limpeza pra tentar diminuir a população de mosquitos. Além da dengue, o Aedes aegypti transmite chikungunya e zika. É em janeiro que a curva de casos começa a disparar, chegando ao pico em março e abril, como visto nos últimos três anos. Os poucos primeiros dias de 2026 já registraram, só de dengue, milhares de casos. Vanderson Sampaio, doutor em medicina tropical, diz que a população e a rede de saúde precisam estar preparadas para evitar casos graves que podem levar à morte. "Eu chamaria atenção das regiões Sudeste e Sul especialmente. A gente vive um tempo de mudanças climáticas, onde as temperaturas médias são altas e essas temperaturas são muito compatíveis com o ciclo mais rápido de desenvolvimento do mosquito e do vírus dentro do mosquito". Nunca é demais lembrar que 80% dos criadouros do mosquito da dengue estão dentro de casa. E você sabia que separar só 10 minutinhos por semana para dar uma olhada em tudo é uma ação efetiva nesse combate. Às vezes, a gente deixa passar coisas como o prato do vasinho de planta cheio de água. A orientação é: se não puder se desfazer dele, sempre lave o pratinho com bucha ou então encha de areia. E por que eliminar criadouros uma vez por semana é o suficiente? Porque, assim, se interrompe o ciclo do mosquito, que leva de 7 a 10 dias pra se transformar em adulto, momento em que começa a picar. "Tem uma pocinha aqui, não sei se presta ou não, vai embora", diz a aposentada Alzira Soares dos Reis. "Nada de dengue aqui?" "Nada! Só eu de dengosa" "Só a senhora de dengosa?" "Só eu de dengosa".

Palavras-chave: tecnologia

Golpe usa falso aplicativo de ressarcimento do FGC para atingir investidores do Master

Publicado em: 17/01/2026 20:49

Golpistas divulgam aplicativo falso de ressarcimento de clientes do Banco Master Reprodução/TV Globo A mensagem no telefone indica um aplicativo chamado de “Ressarcimento Master”, disponível para aparelhos do sistema Android. Ele promete acompanhar em tempo real a devolução do dinheiro aplicado no banco através do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Mas tudo isso não passa de um golpe. O aplicativo é fraudulento - uma forma de invadir celulares, roubar dados pessoais e financeiros e permitir que os bandidos consigam acessar o aparelho à distância... "O usuário recebe uma mensagem ou um e-mail no telefone, essa mensagem vai falar a respeito do ressarcimento do dinheiro e vai oferecer um link onde a pessoa pode verificar como está isso. Esse link entra dentro de um aplicativo que parece a loja oficial de aplicativos do telefone e ali ele oferece um aplicativo, fazendo com que a pessoa tente baixar e instalar esse aplicativo", explica Roberto Rebouças, gerente geral da Kaspersky no Brasil e especialista em segurança digital. "É um aplicativo espião. Ele, literalmente, monitora tudo o que acontece no telefone dali pra frente". Em uma rede social, o FGC afirmou que: É importante ter atenção com a circulação de comunicações fraudulentas, como e-mails, mensagens, aplicativos, links e até páginas falsas que simulam contato do Fundo Garantidor FGC. E diz que essas práticas configuram golpe e têm sido cada vez mais sofisticadas. Segundo a empresa de cibersegurança que identificou o novo golpe digital, a mesma fraude foi usada no ressarcimento de vítimas do esquema do INSS. Os especialistas alertam que é importante desconfiar de ofertas que prometem agilizar o processo, sempre verificar os canais oficiais e não instalar aplicativos de fontes desconhecidas. "Bom, primeiro, não instala nada fora da loja efetivamente oficial. Se você precisa de alguma coisa, entre você numa loja oficial, procure um aplicativo e você baixa da loja oficial. Segundo, você pode ter um bom aplicativo de segurança. O aplicativo de segurança tem capacidade de bloquear a entrada no site falso, ou mesmo depois para você não executar o aplicativo falso", orienta Roberto.

Palavras-chave: golpe digital

Nuvem funil é registrada pela terceira vez em menos de um mês no Paraná; entenda

Publicado em: 17/01/2026 20:15

Nuvem de funil é registrada em área rural de Arapongas Uma nuvem funil foi registrada neste sábado (17) na área rural de Arapongas, no norte do Paraná. Veja as imagens acima. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), este é o terceiro registro no estado em menos de um mês. Outros foram vistos em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, em Paulo Frontin, no sul do Paraná. ✅Siga o g1 PR e região no WhatsApp O meteorologista Samuel Braun explica que a nuvem funil recebe este nome por ter a aparência afunilada a partir da base de uma nuvem pesada, do tipo Cumulonimbus ou Cumulus, formada por uma coluna de ar que gira. Nuvem funil foi registrada na área rural de Arapongas. Defesa Civil de Arapongas Segundo Braun, este é o estágio inicial da formação de um tornado, que só se transforma no fenômeno caso alcance o solo e provoque ventos fortes. "Elas tendem a ocorrer quando a atmosfera se encontra muito instável, e são formações mais comuns em células de tempestade. Contudo, elas ocorrem com certa frequência no estado, principalmente nesta época de primavera e verão", explica o meteorologista. A Defesa Civil de Arapongas informou que não houve o registro de danos. Leia também: Acordo com o MP: Médico do PR pagará R$ 120 mil após confessar que delegou cirurgias do SUS a residentes para atender em consultório particular Jaguariaíva: Preso por matar açougueiro a pauladas por vingança já agrediu outra pessoa da mesma maneira, diz polícia Melhor amigo: Cachorro se recusa a abandonar tutor ferido, entra na ambulância e espera na porta de hospital até ele ser liberado Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Norte e Noroeste.

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