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Frentistas de cropped e legging: por que a Justiça proibiu e o que diz a lei sobre uniformes

Publicado em: 14/11/2025 04:00

Justiça proíbe posto de combustíveis de exigir uniforme inapropriado para frentistas A discussão sobre até onde as empresas podem interferir na forma como seus funcionários se vestem ganhou um novo capítulo após uma decisão da Justiça do Trabalho em Recife. A sentença proibiu um posto de combustíveis de exigir que frentistas usassem cropped e calça legging durante o expediente. Na decisão, a juíza determinou que o Posto Power suspenda imediatamente a obrigatoriedade, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. O texto destaca que a exigência expunha o corpo das trabalhadoras, aumentando situações de vulnerabilidade e risco de assédio. O caso, porém, deixou de ser um tema regional e reacendeu um debate que atravessa diferentes setores: quais são os limites das regras de vestimenta no ambiente profissional? A questão envolve temas como poder diretivo das empresas, direitos dos trabalhadores, normas de segurança e situações que podem gerar uma exposição indevida do corpo. Para quem lida com uniformes e códigos de vestimenta no dia a dia, muitas dessas regras ainda são pouco claras. Vale ressaltar que a legislação brasileira concede ao empregador o chamado poder diretivo, que inclui definir padrões de vestimenta. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), no artigo 456-A, autoriza a exigência de uniformes e permite atribuir ao empregado a responsabilidade pela higienização. ⚠️ Esse poder, porém, tem limites: a regra precisa ter finalidade prática, não pode ser discriminatória e deve respeitar a dignidade do trabalhador. Quando essas condições não são observadas, a exigência pode ser questionada e gerar consequências jurídicas para a empresa. Outro ponto que gera dúvidas é a recusa ao uso do uniforme. Em situações gerais, negar-se a cumprir uma regra válida pode ser interpretado como insubordinação e levar à demissão por justa causa. No entanto, há exceções. Quando a vestimenta viola normas de segurança, expõe indevidamente o corpo ou contraria princípios básicos de respeito no trabalho, o empregado pode recusar o uso. Nesses casos, também é possível pedir rescisão indireta, alegando descumprimento de obrigações por parte do empregador. Ou seja: definir um código de vestimenta envolve fatores como segurança, ergonomia, igualdade entre gêneros e respeito às condições de trabalho. Para esclarecer os limites legais, os riscos para os empregadores e as garantias previstas para os funcionários, o g1 conversou com três advogados trabalhistas, que respondem às principais dúvidas sobre o tema. Abaixo, eles respondem: 🔍 As empresas podem estabelecer código de vestimenta? 🚫 E se o uniforme tiver apelo sexual? ⚠️Em que momento um código de vestimenta passa a ser abusivo? 🙋‍♂️Os funcionários podem se recusar a usar uniforme 📣O que fazer se se sentir constrangido? 🏢 Que cuidados as empresas devem ter? Imagens mostram mulheres trabalhando de legging e cropped em posto de combustíveis do Recife Sinpospetro-PE/Divulgação 1. As empresas podem estabelecer código de vestimenta? Sim. A legislação brasileira permite que o empregador defina padrões de vestimenta, conforme previsto no artigo 456-A da CLT, incluído pela Reforma Trabalhista. A advogada trabalhista Fernanda Mattos Oliveira explica que o empregador pode criar um código de vestimenta desde que a regra seja razoável, não discriminatória e respeite a dignidade do trabalhador. A advogada também destaca que, caso o empregador exija uniforme, "ele é responsável por fornecer o item, com exceção de danos intencionais ou por mau uso". "Em casos em que o vestuário é exigido para segurança, é obrigação do empregador fornecer o EPI adequado”, diz Oliveira. No caso envolvendo o posto de combustível, a Convenção Coletiva dos frentistas reforça esse direito ao prever o fornecimento gratuito do uniforme. 2. E se o uniforme tiver apelo sexual? Nesse cenário, a situação muda completamente. A imposição de roupas curtas, justas ou com conotação sexual não tem finalidade profissional e configura abuso do poder diretivo, explica o advogado Marcel Zangiácomo. "O uniforme é permitido e até esperado em muitas funções e deve ser funcional, voltado à segurança, higiene ou identidade visual. Já a imposição de peças curtas, justas ou com conotação sexual não tem qualquer finalidade profissional", ressalta o advogado. Esse tipo de exigência viola direitos fundamentais do trabalhador, como dignidade, igualdade e integridade física e moral. Além disso, pode configurar assédio moral ou assédio sexual, dependendo do contexto. "A Justiça tem sido firme em reconhecer que sexualizar o corpo do trabalhador é absolutamente ilícito", completa o advogado. 3. Em que momento um código de vestimenta passa a ser abusivo? O limite é ultrapassado quando a regra deixa de ter justificativa técnica e passa a interferir na intimidade do trabalhador. "Se a regra gera desconforto, expõe partes do corpo, cria padrões discriminatórios entre homens e mulheres ou produz vergonha e humilhação, ela ultrapassa o limite da legalidade", diz Zangiácomo. 4. Os funcionários podem se recusar a usar uniforme? Depende. Em geral, o empregador tem o direito de exigir uniforme, já que isso faz parte do chamado poder diretivo previsto na CLT. Quando a empresa estabelece um padrão funcional, seja por segurança, higiene ou identidade visual, o trabalhador deve cumprir a regra. O advogado Aloísio Costa Jr explica que a recusa injustificada pode ser considerada ato de insubordinação, o que pode levar à dispensa por justa causa. Mesmo assim, existem exceções. "Se a exigência violar a lei, contrariar os bons costumes ou ferir a dignidade do trabalhador, o empregado pode se recusar", pontua Costa. Ou seja: usar uniforme é obrigatório quando a regra é legal e razoável. Mas, se a exigência for abusiva, quem incorre em risco jurídico é a empresa. 5. O que fazer se se sentir constrangido? O orientação é reunir provas e denunciar. Zangiácomo recomenda guardar mensagens, fotos e ordens por escrito, já que isso é essencial para demonstrar a conduta abusiva. Depois, o trabalhador deve reportar o caso ao setor de RH, procurar o sindicato da categoria, denunciar ao Ministério Público do Trabalho e buscar orientação jurídica. "O registro documental é fundamental para comprovar a conduta abusiva", diz o advogado. 6. Que cuidados as empresas devem ter? Aloísio Costa Jr afirma que o primeiro cuidado é garantir que qualquer regra tenha uma finalidade funcional, como segurança, higiene, padronização ou identidade visual. Exigências meramente estéticas não se sustentam juridicamente. O código também precisa respeitar a dignidade do trabalhador. Ou seja, roupas que exponham o corpo de forma indevida ou que tenham conotação sexual são indevidas, e é necessário evitar critérios diferentes para homens e mulheres, o que poderia gerar discriminação. Outro ponto importante é o conforto e a segurança. As roupas devem ser adequadas ao clima, ao tipo de atividade e às normas que regulamentam a atividade, especialmente quando há riscos específicos, como manuseio de inflamáveis. Nessas situações, o uniforme pode ser classificado como EPI, o que obriga a empresa a fornecê-lo gratuitamente. Esse dever vale também para qualquer uniforme obrigatório, conforme a CLT e as convenções coletivas, lembra Fernanda Mattos. Antes de adotar uma política de vestimenta, a recomendação é consultar o departamento jurídico e ouvir os trabalhadores. “Em resumo: o uniforme deve servir ao trabalho, não ao corpo”, conclui o advogado Zangiácomo.

Palavras-chave: vulnerabilidade

'Belas de corpo e rosto': frentistas comentam exigência de trabalhar de legging e cropped em postos de combustíveis

Publicado em: 14/11/2025 03:00

Justiça proíbe posto de combustíveis de exigir uniforme inapropriado para frentistas O Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região (TRT6) proibiu um posto de combustíveis de exigir que frentistas mulheres trabalhem usando calça legging e camiseta cropped como uniforme (saiba mais abaixo). O estabelecimento foi o Posto Power, que usa a bandeira da distribuidora Petrobahia e que fica em Afogados, na Zona Oeste do Recife. Com a decisão, algumas internautas, que disseram trabalhar na mesma rede de postos, comentaram nas redes sociais defendendo o uso das roupas, que, segundo elas, traz conforto. Elas disseram, ainda, que seria uma estratégia inteligente botar "apenas as belas de corpo e rosto para trabalhar". ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp O posto, que também é registrado com o nome FFP Comércio de Combustíveis LTDA, foi denunciado pelo sindicato da categoria após uma funcionária relatar irregularidades no recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Em conversas com os advogados, ela contou que teve a saúde mental abalada por ser obrigada a usar roupas justas e inapropriadas. A Justiça do Trabalho acolheu a ação do sindicato por considerar que a exigência expõe as frentistas a "constrangimento, vulnerabilidade e potencial assédio". No Instagram, diversas mulheres, que também são frentistas, se manifestaram contra a decisão judicial. Um dos comentários é de uma mulher que diz ser funcionária de outro posto de combustíveis da mesma bandeira. Ela diz que não é obrigada a usar nenhum tipo específico de vestimenta. "Não somos obrigadas a nada, isso é apenas inveja e despeito de alguma mulher. Não é porque estamos de legging e fazendo a farda de cropped que somos pessoas de baixo caráter. E o dono não tem nada a ver com isso, ele é muito é inteligente em botar apenas as belas de corpo e rosto para trabalhar na empresa dele", diz. Outra internauta relatou que a filha trabalha em outro posto da mesma bandeira e afirmou que a jovem prefere usar legging por considerá-la mais confortável. "Minha filha trabalha em um desses postos e não é obrigada a nada. Sente-se até melhor, pois a legging é mais confortável", afirma a mulher. Imagens mostram mulheres trabalhando de legging e cropped em posto de combustíveis do Recife Sinpospetro-PE/Divulgação Legislação Ao g1, a procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) Melícia Carvalho Mesel explicou que o uso adequado do uniforme e do Equipamento de Proteção Individual (EPI) é fundamental para a segurança das trabalhadoras. Ela lembrou que o sindicato da categoria já possui convenção coletiva que trata sobre o fardamento e que as roupas para a função de frentista devem ser confeccionadas com tecidos que não facilitem a combustão, como algodão ou materiais com proteção antichamas. Para a procuradora Melícia Carvalho Mesel, a exigência é ilegal em pelo menos duas frentes, sendo a primeira a segurança das trabalhadoras, já que existem normas específicas para quem trabalha em locais com aumentado risco de incêndio, como são os postos de combustíveis. Além da segurança, a exigência viola a dignidade das trabalhadoras e promove exposição ao risco de violência e de assédio. "Expõe o que a gente chama de violência de gênero, porque expõe as trabalhadoras a violências, assédios, à sexualização dos seus corpos, ferindo o princípio norteador de todas as relações do trabalho, que é o da dignidade da pessoa humana", explicou a procuradora. O que diz o posto Procurada pelo g1, a FFP Comércio de Combustíveis afirmou que a decisão "não reflete a realidade dos fatos e será objeto de impugnação pelos meios legais cabíveis". Afirmou, ainda, que as fotografias apresentadas "não dizem respeito a funcionárias da empresa, tratando-se de imagens de pessoas completamente estranhas ao quadro de empregados do posto". "[...] As mulheres exibidas nas referidas fotos não utilizam o fardamento oficial da empresa, o que demonstra, de forma clara e incontestável, a impropriedade do material utilizado para sustentar as alegações formuladas", informou a nota. A empresa também reafirmou "comprometimento com o respeito, a dignidade e a valorização de todos os seus trabalhadores, em especial de suas colaboradoras mulheres, que desempenham suas funções com zelo, ética e dedicação exemplar". Já a distribuidora Petrobahia, bandeira do Posto Power, enviou uma nota de esclarecimento em que disse que a imagem "trata-se de um registro antigo e não reflete as práticas atuais da empresa nem de seus parceiros". Disse, também, que desde outubro o Posto Power está sob gestão de novos administradores, e que "cumpre rigorosamente todas as normas e exigências de segurança e saúde no trabalho, mantendo um padrão de fardamento adequado e incentivando seu uso em todas as unidades da rede, inclusive naquelas que não operam sob a bandeira Petrobahia". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: vulnerabilidade

Diabetes altera coração, rins e vasos anos antes do diagnóstico: por que a doença silenciosa segue matando tanto

Publicado em: 14/11/2025 03:00

Diabetes não tem cura: prevenção e cuidados são essenciais para controlar a doença A diabetes danifica corações, rins e vasos sanguíneos de milhões de brasileiros antes mesmo de dar qualquer sinal ao corpo. Embora seja vista como uma doença ligada apenas ao açúcar, o problema é muito mais amplo: trata-se de uma condição metabólica crônica que altera a forma como o organismo utiliza a glicose --combustível essencial para as células. Quando a glicose permanece alta por muito tempo, ela se comporta como um agente tóxico, capaz de desencadear inflamação, desgastar artérias e comprometer órgãos vitais. Esse processo começa de maneira lenta e silenciosa, mas tem consequências graves. Estudos mostram que a doença dobra ou até quadruplica o risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC) e já atinge 1 em cada 13 pessoas no país –muitas delas sem diagnóstico. Segundo o Atlas Global da Federação Internacional de Diabetes, o mundo soma hoje 589 milhões de adultos com a condição. O Brasil ocupa a 6ª posição mundial, com mais de 16 milhões de pessoas afetadas. Só em 2024, 111 mil brasileiros morreram em decorrência da doença. Feira de Santana realiza ação gratuita em alusão ao Dia Mundial do Diabetes Danielly Freitas- PMFS Como a doença age no corpo O perigo da diabetes tem a ver com o que a doença faz dentro das artérias —e não apenas com o aumento da glicose no exame de sangue. O excesso crônico de açúcar causa microfissuras, inflamação e acúmulo de gordura nas paredes dos vasos, alterando sua estrutura ao longo dos anos. O cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, detalha: “A glicose muito elevada desencadeia inflamação e estresse oxidativo. Essa agressão machuca o endotélio, a camada interna do vaso, e facilita a formação de placas de gordura –a chamada aterosclerose. Por isso a diabetes pode dobrar ou até quadruplicar o risco de infarto e AVC.” Essas placas se desenvolvem de forma silenciosa. “O paciente pode estar caminhando, trabalhando, vivendo normalmente e, ainda assim, já ter uma obstrução importante se formando”, diz Katayose. O mesmo mecanismo atinge outros sistemas: rins, levando à insuficiência renal; olhos, com risco de retinopatia e perda de visão; e nervos periféricos, o que favorece feridas que não cicatrizam e até amputações. Aumento da obesidade infantil é apontado como um importante fator para o avanço da diabetes Freepik Um país que envelhece, engorda e adoece mais cedo Na sexta posição entre os países com mais casos de diabetes no mundo, o Brasil está à frente de nações muito mais populosas. Endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês, Cláudia Cozer Kalil resume o principal motor desse índice: a mudança no estilo de vida nas últimas décadas –mais ultraprocessados, refeições rápidas, sedentarismo e noites mal dormidas– está empurrando a doença para faixas etárias cada vez mais jovens. Já há adolescentes chegando aos consultórios com diagnóstico de pré-diabetes. “Cerca de 80% dos casos de diabetes tipo 2 estão ligados ao acúmulo de gordura abdominal. É essa gordura na região central do corpo que atrapalha o funcionamento da insulina.” Tipo 1 x tipo 2: trajetórias diferentes, riscos semelhantes Embora esse fenômeno esteja por trás da maior parte dos casos no país, nem toda diabetes tem a mesma origem. O endocrinologista Augusto Santomauro Junior, da Beneficência Portuguesa e da Faculdade de Medicina do ABC, explica que as duas formas mais comuns — tipo 1 e tipo 2 — seguem caminhos muito diferentes, mas podem chegar às mesmas complicações. Ele descreve o mecanismo de forma didática: “A insulina é a chave que coloca a glicose dentro das células. No tipo 1, essa chave simplesmente desaparece --o corpo para de produzir insulina. No tipo 2, a chave até existe, mas a fechadura emperra: o corpo não responde à insulina como deveria.” Antes da década de 1920, quando a insulina foi usada pela primeira vez em humanos, o tipo 1 era praticamente uma sentença de morte para crianças e adolescentes. “A insulina transformou uma sentença de morte em uma condição crônica tratável”, relembra Santomauro. Hoje, porém, é o tipo 2 --o mais influenciado pelo estilo de vida-- que domina as estatísticas de internações, complicações cardiovasculares e mortes. AdobeStock A nova virada: medicamentos mudam o metabolismo A última década trouxe uma mudança profunda no tratamento da diabetes tipo 2 com a chegada dos análogos de GLP-1 e dos inibidores de SGLT-2 —as chamadas canetas emagrecedoras, remédios inicialmente conhecidos pela perda de peso, mas que têm efeitos muito mais amplos. O cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose relata o que observa na prática: “O que venho vendo no consultório é que as pessoas chegam para um exame de rotina com a parte metabólica muito mais controlada. A glicemia cai, a hemoglobina glicada melhora, a pressão fica mais fácil de manejar. Isso aparece claramente no dia a dia.” Além da prática, explica a endocrinologista e fundadora da Clínica Viver Bem Mais, Lyz Helena Lopes, há comprovação científica: “Essas medicações diminuem de forma consistente infarto, AVC e morte cardíaca. Isso já está muito bem demonstrado em estudos de desfechos maiores.” A grande dúvida, agora, é a proteção a longo prazo –especialmente em pacientes que, com o tempo, tendem a desenvolver perda de função renal e cardíaca. “Precisamos entender melhor o impacto daqui a 10, 15 anos. A pergunta é: essas drogas conseguem tirar o paciente da curva de declínio típico da diabetes? Esse é o próximo passo da ciência”, diz Katayose. Para o endocrinologista Clayton Luiz Dornelles Macedo, do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Cohen, essas terapias têm potencial revolucionário: “Esses medicamentos imitam hormônios intestinais que aumentam a liberação de insulina, reduzem fome, diminuem glucagon e retardam o esvaziamento gástrico. Não são remédios ‘para emagrecer’, são terapias metabólicas completas, com impacto em coração, rins e longevidade.” Segundo ele, é a inovação mais importante desde a descoberta da insulina. Comprimido para insulina terá menor custo e apresenta resultados semelhantes à injeção de insulina de ação rápida. Pexels Se a ciência avançou tanto, por que ainda morre tanta gente? Apesar dos avanços expressivos no tratamento, a diabetes continua entre as principais causas de morte e complicações graves no país. A razão, segundo os especialistas, está menos na falta de conhecimento científico e mais em desafios estruturais, sociais e comportamentais. Endocrinologista do Einstein Hospital Israelita, Claudia Schimidt explica que a doença carrega um conjunto de barreiras que se somam: “A diabetes é extremamente prevalente e muito associada à obesidade, que também não para de crescer. O tratamento é crônico, exige mudanças sustentadas de alimentação, exercício, rotina e monitorização. Isso gera sobrecarga e impacto na qualidade de vida, e muitas pessoas acabam relaxando ou ignorando parte do tratamento.” Além disso, Claudia aponta que o acesso à terapia moderna ainda é profundamente desigual: “Na prática, temos uma distância enorme entre o que existe de melhor na tecnologia e o que está disponível para a maioria da população. Os agonistas de GLP-1, por exemplo, têm benefícios comprovados, mas são caros e não fazem parte da cobertura ampla do SUS. O mesmo vale para inibidores de SGLT2 e para insulinas mais modernas. Mesmo quando existe indicação, muitos pacientes não conseguem manter o tratamento.” Essa desigualdade se soma a um sistema que nem sempre consegue responder no tempo adequado. Entre os fatores mapeados pelos especialistas estão: diagnóstico tardio, falta de acesso a medicamentos modernos, dificuldade de consulta com especialistas, alimentação inadequada, baixa adesão a mudanças de estilo de vida, e inércia terapêutica — quando o ajuste da medicação demora mais do que deveria. Endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Cohen, Clayton Luiz Dornelles Macedo resume: “A ciência já sabe o que fazer. O desafio é garantir acesso, educação em saúde e acompanhamento adequado para que isso chegue à vida real do paciente.” RPC Curitiba Como reduzir o risco e quando buscar ajuda A boa notícia é que parte significativa do risco é modificável. Cláudia Kalil explica que perder de 5% a 10% do peso corporal, praticar caminhadas de 30 a 40 minutos e reduzir o consumo de açúcares simples e ultraprocessados já ajudam a controlar glicemia e pressão. Sinais como muita sede, urinar diversas vezes, cansaço, infecções repetidas e perda de peso involuntária exigem investigação imediata. Fontes: Ricardo Katayose, cirurgião cardiovascular da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo; Cláudia Cozer Kalil, endocrinologista do Hospital Sírio-Libanês; Claudia Schimidt, endocrinologista do Einstein Hospital Israelita; Clayton Macedo, endocrinologista do Einstein Hospital Israelita e do Instituto Cohen; Augusto Santomauro Junior, endocrinologista da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Lyz Helena Lopes, endocrinologista e fundadora da Clínica Viver Bem Mais;

Palavras-chave: tecnologia

Pix de R$ 480 mil a laranja e R$ 10 milhões em espécie: PF detalha ciclo da propina em fraudes de licitação

Publicado em: 14/11/2025 02:00

Dinheiro apreendido durante cumprimento de mandado em São Paulo Polícia Federal/Divulgação A Polícia Federal apurou que a propina obtida pelo esquema de fraudes em licitações na educação, alvo da operação Coffee Break nesta quarta-feira (12), passava por um ciclo de lavagem de dinheiro que incluía a conversão de transferências bancárias em até R$ 10 milhões em espécie, PIX de R$ 485 mil para um "laranja" e pagamento de boletos. Segundo as investigações, André Gonçalves Mariano, proprietário Life Tecnologia Educacional, era parte ativa na ocultação dos valores. A empresa é investigada por gerar lucro ilícito por meio de licitações superfaturadas, enquanto ele coordenava o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos e intermediadores políticos (entenda o esquema abaixo). Mariano foi preso preventivamente nesta quarta. Além dele, outros seis mandados de prisão e 50 de busca e apreensão foram cumpridos. Os envolvidos podem responder por crimes como corrupção, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação irregular e organização criminosa. A seguir, veja como funcionava algumas dessas estratégias que, de acordo com a PF, transformavam dinheiro público em propina. LEIA TAMBÉM: Apartamento de R$ 10 milhões, BMWs e R$ 115 mil em vinhos: investigado por fraudes em licitações na educação ostentava vida de luxo, diz PF Lobistas, doleiros e políticos: quem é quem no esquema de fraude em licitações de materiais escolares no interior de SP Transferências via TED viraram R$ 10,3 milhões em espécie Identificado pela PF como doleiro, Abdalla Ahmad Fares é apontado como o responsável por converter recursos da Life em dinheiro em espécie a pedido de André Mariano. Era com esses valores que os lobistas e outros integrantes do esquema eram pagos. Entenda, ponto a ponto, como funciona a operação entre os dois: Mariano usava a conta da Life para transferir valores a Abdalla. O dinheiro era proveniente de recursos públicos desviados por meio de licitações direcionadas, contratos fraudulentos e superfaturamentos. As transferências eram feitas via TED para Abifares e a Fares empreendimentos, empresas de Abdalla. Segundo as investigações, elas figuram como as maiores beneficiárias dos recursos da Life, tendo recebido, pelo menos, R$ 27 milhões de janeiro de 2021 a julho de 2024. Para dar uma aparência de legalidade às transferências, ele enviava a Mariano um modelo de contrato de prestação de serviço, embasando falsamente as remessas como se fossem pagamentos por algum trabalho realizado. Ainda de acordo com a apuração, Abdalla convertia o valor em dinheiro em espécie e cobrava 3% como taxa pelo serviço. Isso significa que para receber R$ 500 mil em cédulas, Mariano transferiu R$ 515 mil em uma das situações. Mariano ia pessoalmente retirar o dinheiro em endereços de Abdalla, incluindo um prédio comercial e a residência. As cédulas eram acondicionadas em sacos plásticos lacrados, o que, para a PF, demonstra a atuação profissional do suposto doleiro. Entre janeiro de 2022 e junho de 2023, Mariano teria retirado pessoalmente, pelo menos, R$ 10,3 milhões em espécie com Abdalla. Esse dinheiro virava o “café”, como era chamada a propina distribuída entre os servidores e lobistas envolvidos no esquema. PF prende vice-prefeito de Hortolândia em operação contra fraudes em licitações públicas PIX de R$ 485 mil para laranja e parcela de apartamento Outras transações são apontadas como “provas ainda mais contundentes de corrupção”. Uma delas, detectada após a análise de conversas de WhatsApp, indica que Mariano enviou R$ 485 mil via pix, no dia 24 de dezembro de 2024, para a conta de um “laranja” indicado José Aparecido Ribeiro Marin. Ex-secretário de educação de Sumaré (SP), ele seria o principal parceiro do dono da Life na cidade. O “laranja” em é um homem com perfil de baixa-renda. A apuração identificou que ele não tem bens registrados em seu nome, apresenta divergências nos endereços vinculados e não possui qualquer vínculo efetivo com o município de Sumaré. Além dele, outras pessoas físicas e jurídicas são citadas como recebedoras de valores, provavelmente, para ocultar a origem e destinação dos valores. Em outro indício de corrupção, Mariano, a pedido de Marin, usou a conta da Life para pagar, em outubro de 2024, uma parcela de R$ 549.287,78 de um apartamento de luxo em Campinas (SP). O imóvel fica em um empreendimento de alto padrão e é avaliado em R$ 2,6 milhões. ‘Batom na cueca’ e boletos que somaram R$ 783,9 mil Áudios trocados entre André Mariano e Eduardo Maculan, também apontado como “doleiro”, mostram a preocupação de que as transferências via PIX fossem detectadas. No diálogo, em dezembro de 2023, Maculan o orienta a fazer os pagamentos aos poucos, evitando valores altos. O receio é evidenciado pela preferência dos pagamentos em boleto. Veja a transcrição da troca de mensagens: MACULAN - 07/12/2023 - 09:53 - "Mano, deixa eu te falar aqui, é bem complicado isso, hein? Você fazer tudo, todo esse valor de uma porrada num único dia e pior em PIX, então, nem se fala. Isso aí é batom na cueca. Isso dá um rolo no caramba. Eu sugiro a você que faça isso aos poucos, tá? Porque a situação, os caras estão olhando para tudo quanto é lado, entendeu? Então, se você puder pagar um pouco na segunda, um pouco na terça, um pouco na quarta. Isso ajuda o fluxo e minimiza aí qualquer tipo de risco, tá?". MARIANO - 07/12/2023 - 09:54 - "Ah, entendi, brother, eu entendi. Vamos fazer assim, então, como você falou. Mas tenta me ajudar para sexta-feira tomar um café com você. Essa é... Esse final que me interessa. Que eu tomar sexta-feira esse café com você em São Paulo, tá? Mas eu faço segunda, terça e quarta. E não faço o PIX, faço o normal". Quatro dias depois, Maculan enviou um áudio a Mariano dizendo "irmão, desses boletos que eu te mandei, tem alguns que tem PIX. Você consegue pagar uns dois boletos que totalizem aí uns R$ 40 mil?". No dia seguinte, a Life pagou 34 boletos totalizando R$ 783.951,35. Patrimônio luxuoso André Gonçalves Mariano ostentava um patrimônio luxuoso, incluindo um apartamento de R$ 10 milhões na capital paulista, uma frota de BMWs e gastos de até R$ 115 mil em vinhos. Com R$ 300 mil no cartão de crédito, ele acumulava gastos como: um apartamento na planta no Jardim Guedala, em São Paulo (SP), por R$ 10,6 milhões; um apartamento em Piracicaba (SP), atual residência de Mariano, por R$ 4,2 milhões; viagens a Londres, Miami, Suíça e outros destinos internacionais; R$ 115 mil em garrafas de vinho, incluindo duas garrafas de vinho francês no valor de R$ 2,2 mil cada. Um levantamento feito pela polícia apontou que Mariano também tinha entre os bens uma BMW X4 e uma BMW X3 (usada pela ex-esposa dele), e chegou a encomendar uma Mercedes AMG GT 63s E Performance por R$ 1.635.000,00. André Gonçalves Mariano ostentava vida de luxo, comprando vinhos e carros caros, diz PF Reprodução O esquema De acordo com a investigação, a organização criminosa usava lobistas para intermediar contatos entre a Life Tecnologia Educacional, empresa usada no esquema, e o poder público. O dinheiro arrecadado era lavado por meio da ação de doleiros que geravam o montante em espécie para repassar propinas aos envolvidos nas etapas anteriores. Segundo a PF, a maioria dos créditos recebidos pela Life entre 2021 e 2024 vem de recursos públicos. Os valores recebidos de Sumaré, Hortolândia e Morungaba totalizam R$ 99.399.812,87. A investigação também aponta um valor de R$ 11.757.440,96, possivelmente referente à cidade de Limeira. Com isso, o total proveniente de entes públicos é de R$ 111.157.253,83. Em termos de faturamento por notas fiscais, as vendas da Life para esses municípios somaram pouco mais de R$ 86 milhões. 50 mandados de busca e seis de prisão Durante a operação da PF deflagrada na quinta-feira, foram executados 50 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva em São Paulo, no Distrito Federal e no Paraná. Todos foram expedidos pela 1ª Vara Federal de Campinas (SP). Ao todo, foram cumpridos 19 mandados de busca e três de prisão na região de Campinas (SP). Além da metrópole, as ações também ocorreram em Hortolândia, Sumaré, Limeira e Piracicaba, segundo apuração da EPTV, afiliada da TV Globo. Os envolvidos podem responder por crimes como corrupção, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação irregular e organização criminosa. O que dizem os investigados A prefeitura de Hortolândia disse que aguarda o acesso às informações da denúncia para avaliar quais medidas serão adotadas. A defesa do vice-prefeito de Hortolândia, Cafu Cesar, informou que assim que finalizar a análise do inquérito irá ingressar com as medidas para a reversão da prisão preventiva. Mario Botion, que era prefeito na época das irregularidades, informou que, durante sua gestão, a licitação junto à empresa Life Educacional foi regular e transparente e que está à disposição para esclarecimento. Já a atual administração da prefeitura disse que não renovou o contrato com a empresa, nem fez qualquer pagamento à Life neste ano. A empresa Life Educacional, principal alvo da investigação, apenas informou que não vai se pronunciar. A defesa de Abdalla Ahmad Fares disse que ainda não teve acesso aos autos e que a investigação vai provar a inocência do empresário. O g1 pediu posicionamento a todos os envolvidos e, até a publicação desta reportagem, não teve retorno dos demais. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Palavras-chave: tecnologia

Foragida após mortes em cirurgias com silicone industrial no RS é presa no Pará; mulher estava em liberdade provisória após 1º caso

Publicado em: 14/11/2025 00:01

Bruna Belém da Silva Souza é ré por causar as mortes de duas pessoas com aplicação de silicone industrial no RS Divulgação Uma mulher ré por causar a morte de duas pessoas no Rio Grande do Sul após aplicar silicone industrial nelas para fins estéticos foi presa no Pará durante ação do Ministério Público (MP). Conforme a Justiça, os crimes aconteceram em 2018 e em 2025. As vítimas são Carlos Henrique Lacerda e Karoline Vinhas Velasques. O nome da ré é Bruna Belém da Silva Souza. 🔎 Segundo a polícia, o silicone usado é um produto industrial que é vendido em casas de material de construção e usado para vedação e limpeza de veículos, por exemplo. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A prisão preventiva ocorreu em Belém no dia 1º deste mês, mas detalhes só foram divulgados na manhã desta quinta-feira (13). Bruna foi presa após cerca de um ano foragida da Justiça. Em janeiro deste ano, após decisão judicial, ela foi mantida em liberdade provisória em processo que responde pela morte de Lacerda em Porto Alegre. Em março, três meses depois, teria causado a morte de Karoline em Capão da Canoa (saiba mais abaixo). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o MP, ela fugiu após se tornar ré pelos homicídios dolosos das vítimas e foi localizada no Pará. O g1 tenta contato com os advogados responsáveis pela defesa dela. Morte em Capão da Canoa Karoline Vinhas Velasques morreu após aplicação de silicone industrial Imagens cedidas/ Polícia Civil Segundo o MP, o crime mais recente aconteceu em Capão da Canoa, no Litoral do RS. Em 23 de março deste ano, a vítima, Karoline Vinhas Velasques, que era uma mulher trans, buscou Bruna em Porto Alegre e a levou até um apartamento na cidade, onde seria feito o procedimento. De acordo com a investigação policial, Karine passou mal, Bruna teria tentado tratá-la com água e leite com sal e, como não houve melhora, fugiu após recolher o material usado para a aplicação do silicone. A morte de Karine foi constatada pouco tempo depois pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Morte em Porto Alegre Bruna já respondia por crime parecido cometido seis anos antes, em 22 de novembro de 2018, na Capital. De acordo com o MP, ela aplicou silicone industrial em Lacerda, que morreu após quadro de septicemia. "Aplicou silicone industrial nos glúteos da vítima, sem possuir qualquer habilitação para tanto e sem utilizar procedimento tampouco local minimamente adequados. Após o procedimento, a vítima passou a sentir fortes dores e foi levada por terceiro ao hospital, sem contar com nenhum tipo de assistência por parte da denunciada", disse o MP. Investigação policial indicou que Lacerda viajou de Florianópolis, em Santa Catarina, a Porto Alegre para fazer o procedimento. Bruna alegou que ele mesmo teria feito a aplicação do silicone, mas provas reunidas pela polícia indicam que Lacerda "estava na residência de Bruna, há alguns dias, na expectativa de refazer um procedimento estético que já havia feito anteriormente com ela, tendo, inclusive, efetuado pagamentos para tanto". O valor pago foi de R$ 2,2 mil. O inquérito indicou que o produto usado era industrial, vendido em casas de material de construção "para vedação, limpeza de veículos, etc". Carlos Henrique Lacerda morreu após aplicação de silicone industrial no RS Divulgação Liberdade por decisão da Justiça Por decisão da Justiça, em janeiro de 2025, a juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva decidiu revogar as medidas cautelares que Bruna enfrentava em razão do processo que responde pela morte de Lacerda, "permanecendo a acusada em liberdade provisória". A magistrada justificou a decisão ao dizer que "não é possível afirmar, em sede de pronúncia, a presença de dolo nem mesmo eventual, ou seja, de que a ré tenha assumido o risco do resultado ao realizar injeções de silicone industrial na vítima". "Depreende-se dos autos que as partes estavam inseridas em um contexto de cultura de autoadministração de silicone para fins estéticos, haja vista as parcas condições socioeconômicas e vulnerabilidade social, oriunda da prostituição", disse. Três meses depois, nova aplicação de silicone industrial feita por ela resultaria em outra vítima. O coordenador do Centro de Apoio Operacional do Júri (CAOJÚRI) do MPRS, promotor de Justiça Marcelo Tubino, explica que a importância da prisão "reside na prevenção da reiteração criminosa da ré. A atuação integrada impediu a continuidade dos crimes e permitirá que ela responda judicialmente pelas duas mortes. Agora, o próximo passo é trazer a presa ao Rio Grande do Sul para que responda por essas duas acusações de homicídio doloso". Uma data para o julgamento da ré não foi divulgada. VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 5: porongas na cabeça, ONU cobra plano de segurança e o Fóssil do Dia

Publicado em: 14/11/2025 00:00

Olá, aqui quem escreve é Roberto Peixoto, repórter de Meio Ambiente no g1. Este é o Termômetro da COP30, edição #DIA 5, um boletim com o essencial que você precisa saber sobre a 30ª Conferência do Clima da ONU. Eu vou explicar para você, em 7 tópicos, como foi a quinta-feira em Belém. Entre os destaques, eu conto que a união entre os países amazônicos ganhou força e colocou a cooperação no centro das conversas. Vou falar também por que a segurança da COP entrou de vez no radar da ONU depois da confusão na Blue Zone. E ainda explico como a marcha das porongas tomou as ruas de Belém, iluminou a noite e virou uma das imagens mais marcantes do dia. 1 - Em alta X em baixa EM ALTA: 🌿 A ideia de união (o tal do multilateralismo) entre países ganhou força na COP30. No encontro dos ministros do Meio Ambiente dos países amazônicos, ficou claro que todo mundo quer trabalhar junto para proteger a região e colocar em prática o que foi prometido nos últimos anos. Ao mesmo tempo, há uma cobrança cada vez maior por ações mais rápidas diante da crise climática. "É natural que esta conferência seja diferente das anteriores, porque estamos fazendo a transição para a fase de implementação. O essencial aqui é, de um lado, uma mensagem de apoio ao multilateralismo e, de outro, uma resposta à urgência, acelerando a cooperação internacional", afirmou Tulio Andrade, diretor de estratégia e alinhamento da COP30. EM BAIXA: 🚨 A segurança e a infraestrutura da COP30 entraram no radar da ONU. Depois da confusão de terça na Blue Zone, a organização cobrou do governo ações rápidas para corrigir falhas como portas sem vigilância, pouco efetivo e problemas de temperatura nos pavilhões (cenas de delegados se abanando com leques até viralizaram nas redes). A Casa Civil diz que já reforçou barreiras, policiamento e a climatização do local. 2 - Brisa de esperança: a COP da verdade ganha força No meio de tanta tensão, tem um sinal positivo surgindo na COP30. Pela primeira vez, a conferência colocou de forma clara o combate à desinformação no centro das discussões. E isso importa muito mais do que parece. Nos últimos meses, como lembrou o enviado especial Frederico Assis em entrevista ao g1, as fake news sobre a COP cresceram mês a mês. Esse tipo de conteúdo confunde, atrasa decisões e cria um clima de dúvida bem na hora em que o mundo precisa de clareza. Agora, mais de dez países, entre eles Brasil, França, Alemanha e Canadá, decidiram assumir um compromisso formal para proteger a integridade da informação sobre clima. A ideia é simples: garantir que as pessoas tenham acesso a dados confiáveis e que o debate público não seja dominado por mentiras. Ainda é cedo para saber até onde isso vai. Mas, num momento em que a desinformação virou arma, ver a COP30 tratar o tema como prioridade já é uma brisa de esperança. Esta é a primeira COP que traz a integridade da informação como tópico da agenda de ação. Pela primeira vez temos dois dias [de programação] dedicados à integridade da informação. E isso também vai para o processo de negociação. O mundo pode abandonar os combustíveis fósseis? Entenda os argumentos nesse VÍDEO Delegados ouvem o discurso de abertura de Lula na Cúpula de Líderes da COP 30, em Belém, na quinta-feira, 6 de novembro de 2025. AP Photo/Eraldo Peres 3 - Traduz aí, g1 O QUE SÃO AS NDCS? Se você está acompanhando a COP30, está trombando com essa sigla o tempo todo. E ela é mais simples do que parece. As NDCs são o plano climático oficial que cada país entrega para a ONU dizendo, basicamente, o que pretende fazer até 2035 para cortar emissões e se preparar para os impactos do clima. 📝ENTENDA: As NDCs são as metas dos países, o o principal instrumento do Acordo de Paris para enfrentar a crise climática. A rodada atual - chamada de NDCs 3.0 - pode ser a última chance real de manter vivo o objetivo de limitar o aumento da temperatura global a 1,5 °C. É como se fosse o “dever de casa” do Acordo de Paris: cada país escreve o que promete fazer, e precisa atualizar essa promessa a cada cinco anos, sempre aumentando a ambição. Em Belém isso virou um ponto central porque 2025 é justamente o ano da nova rodada de NDCs. E os números até agora estão assim: 114 países já enviaram uma nova NDC 83 ainda não mostraram nada Juntos, os países que já atualizaram representam 72% das emissões globais Ou seja: muita gente já mostrou a que veio, mas alguns dos grandes emissores seguem devendo (como a Índia). E isso importa porque, no fim das contas, é esse conjunto de metas que diz se o mundo ainda tem chance de ficar dentro do limite de 1,5°C. Por que limitar o aquecimento a 1,5°C é a meta perseguida? 4 - Pergunta do dia: e quando termina a COP? No 5º dia de COP, já dá para sentir uma pergunta pairando no ar. Aquela que ninguém faz no microfone, mas todo mundo cochicha no corredor: será que essa COP vai mesmo terminar no prazo? A presidência brasileira garante que sim e diz que tudo deve fechar na sexta-feira, 21 de novembro. O clima é de otimismo: a ideia é mostrar que dá para entregar resultados sem virar a madrugada na Blue Zone. Seria quase histórico. E é aí que entra o porém. Desde 1995, só três COPs conseguiram cumprir o horário. A última foi em 2003, quando ninguém tinha smartphone e o Orkut nem existia ainda. As COPs quase nunca acabam no prazo. Arte/g1 - Gui Sousa De lá para cá, praticamente todas estouraram em mais de um dia. No ano passado, no Azerbaijão, o atraso foi de 36 horas. Então, respondendo à pergunta: existe sim uma chance de encerrar no prazo. Mas, como você já sabe, a COP tem vida própria. E sempre cabe um plot twist climático no final. Quer mandar uma pergunta pro TERMÔMETRO? Envie pelo VC no g1 ou nos comentários desta reportagem 5 - Fóssil do Dia O Fóssil do Dia desta quinta foi para o Japão, acusado por organizações da sociedade civil de “financiar destruição, bloquear justiça e vender falsas soluções” durante a COP. Segundo as organizações da Climate Action Network, o Japão levou o “prêmio” por três razões. A primeira é que, no pavilhão do país, o governo está apostando em tecnologias apresentadas como soluções climáticas, mas que, segundo ativistas, acabam funcionando como atalhos para manter a indústria de combustíveis fósseis ativa por mais tempo. O segundo motivo é o apoio do Japão a grandes projetos de gás na Austrália, criticados por afetar territórios e culturas indígenas e avançar sem o consentimento adequado das comunidades. Desde 2008, Japão e Coreia já investiram mais de US$ 20,5 bilhões nesses empreendimentos. Um ativista fantasiado de Pikachu participa da entrega do “Fóssil do Dia” ao Japão durante a COP30, em Belém, em um ato satírico que critica a postura do país nas negociações climáticas. Climate Action Network Por fim, o Japão também foi acusado de travar o debate sobre transição justa na ONU, ao resistir a incluir justiça, equidade e participação social em um acordo mais robusto e apoiar a opção de adiar decisões até 2026. 📝ENTENDA: A transição justa é um tema central da COP30, apelidada de “COP da Verdade” pela presidência brasileira. Nada mais é do que garantir que a mudança para uma economia limpa seja feita de forma inclusiva, protegendo trabalhadores e comunidades que podem ser afetados pelo processo. 🦖 O "Fóssil do dia" é um "prêmio" é simbólico e irônico, concedido uma vez por dia durante as conferências climáticas da ONU. Relembre o conceito de transição justa no TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 1 6 - Você precisa assistir É hora de arregaçar as mangas e agir, alerta diretora da ONU No vídeo acima, a diretora do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Inger Andersen, faz um dos recados mais claros desta COP30: não agir contra a crise climática sai caro, e principalmente para quem menos tem. Ela cita tempestades, secas, enchentes e perdas na agricultura como impactos que já atingem populações inteiras e lembra que pequenos países insulares, como os do Pacífico, estão na linha de frente da crise. Andersen lembra ainda que cada país tem sua realidade, mas todos fazem parte do mesmo esforço. Ninguém resolve a crise sozinho. Dê o play para assistir. É curto, direto e importante. 7 - Além da imagem Manifestantes usam porongas durante marcha em defesa da floresta viva e dos territórios na COP30, em Belém, em 13 de novembro de 2025. REUTERS/Adriano Machado MAIS DO QUE UMA FOTO: Na imagem, extrativistas marcham pelas ruas de Belém com pequenas lamparinas presas na cabeça. São as porongas, usadas por seringueiros para iluminar a mata à noite. Na COP30, elas ganham outro sentido: cada luz acesa lembra que a defesa da floresta continua e começa por quem vive dela. O “Porongaço dos Povos da Floresta” reuniu mais de mil lideranças de vários biomas em defesa da floresta viva e dos territórios. A marcha também marcou os 40 anos do Conselho Nacional das Populações Extrativistas e terminou com a entrega de uma carta com propostas para autoridades brasileiras e internacionais. Amanhã, acompanhe mais um TERMÔMETRO DA COP30. Até lá! LEIA TAMBÉM: Preços de hospedagem caem quase 50% em Belém às vésperas da COP 30, aponta Airbnb Cúpula de Belém surpreende ao trazer de volta o petróleo para o foco das negociações da COP Tornado, ciclone, furacão: entenda as diferenças entre os fenômenos meteorológicos

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Disputa entre facções rivais no Recôncavo Baiano e confronto com a polícia: confira cronologia da operação que deixou 9 mortos

Publicado em: 14/11/2025 00:00

Vídeos mostram suspeitos de integrarem facções criminosas fugindo por área de vegetação Nove homens morreram e cinco foram presos após uma operação policial na região da barragem de "Pedra do Cavalo", em São Félix, no Recôncavo da Bahia. Segundo as polícias Civil e Militar, a ação começou na terça-feira (11) para intervir na disputa entre organizações criminosas na região que abrange as cidades vizinhas de São Félix, Cachoeira e Muritiba. Na ocasião, uma facção local havia trocado tiros com um grupo rival, ligado a uma facção do Rio de Janeiro. Por meio de nota, a SSP-BA confirmou que todos os alvos, entre mortos e presos, pertencem ao mesmo grupo criminoso. Investigações apontam que se tratam de integrantes do Bonde do Maluco, facção local conhecida pela sigla BDM. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Até a publicação desta reportagem, as identidades dos mortos não foram divulgadas. Confira abaixo a cronologia do caso Desde o momento em que o confronto entre as facções rivais começou até a desarticulação de acampamentos utilizados pelos suspeitos em uma área de mata Vídeos mostram suspeitos fugindo por área de vegetação no Recôncavo Baiano Redes sociais 11 de novembro - dia em que os confrontos tiveram início ➡️ Moradores denunciaram que havia homens armados na região da "Pedra do Cavalo", localidade na região que abrange os três municípios. Diversas trocas de tiros foram ouvidas. ➡️ As polícias Civil e Militar foram reforçar as ações de combate ao crime organizado na região. Em meio a isso, houve confronto com suspeitos, na madrugada, e um homem morreu.️ Outros cinco homens foram presos durante a ação. ➡️Ao longo do dia, a Prefeitura de Muritiba chegou a orientar que seus cidadãos não saíssem de casa por conta dos tiroteios. No comunicado, publicado no Instagram, a gestão municipal afirmou que tudo "estava sob controle", mas orientou que as pessoas ficassem em casa até a normalização completa da situação. A prefeitura também suspendeu as atividades nas unidades de saúde, escolas e repartições públicas do município. No dia seguinte, os serviços foram retomados. ➡️ Conforme informações apuradas pela TV Bahia, nas cidades de Cachoeira e São Félix, os campi da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) suspenderam as aulas. Porém, nenhum outro serviço foi afetado. 12 de novembro ➡️ Mais dois homens morreram em um novo confronto com a polícia, em uma área de mata fechada, às margens da BR-101. Segundo a Polícia Militar, os suspeitos foram baleados e levados para um hospital de Muritiba, mas não resistiram aos ferimentos. ➡️ Forças policiais também montaram um cerco contra os suspeitos e outras cinco mortes foram confirmadas. ➡️ Segundo a SSP-BA, as equipes das Polícias Militar e Civil foram atacadas pelos suspeitos. Houve revide e cinco homens foram encontrados feridos após a troca de tiros. Eles foram encaminhados a uma unidade de saúde em Muritiba, mas não resistiram. ➡️ Ainda segundo a SSP-BA, a ação levou à apreensão de mais armas, carregadores e munições. O patrulhamento segue reforçado na região por tempo indeterminado. Além disso, os policiais estão realizando revistas nos carros que chegam às cidades. 13 de novembro Sobe para 9 o n° de mortos durante operação policial contra facções na Bahia ➡️ Utilizando tecnologia para encontrar um grupo de cerca de 30 integrantes de uma facção armados, os policiais localizaram mais um criminoso em uma área de mata próximo à barragem de Pedra do Cavalo. ➡️ Conforme a SSP, na tentativa de prisão, houve confronto e um homem acabou ferido. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Com o suspeito, foram apreendidas uma pistola, carregador e munições. Com isso, subiu para nove o número de mortos. ➡️ Um vídeo divulgado pela SSP-BA mostra suspeitos armados se escondendo em São Félix. As imagens foram feitas por drones e mostram que eles entraram em uma área de mata. Nos registros, é possível ver pelo menos sete suspeitos no local, que fica próximo ao Rio Paraguaçu e a uma rodovia. ➡️ De acordo com a SSP, cerca de 30 homens foram vistos se escondendo na área. ➡️ Equipes de segurança localizaram e desarticularam acampamentos utilizados pelos suspeitos. As estruturas foram encontradas em uma área de mata fechada entre São Félix, Cachoeira e Muritiba. ➡️ Ainda segundo a pasta, o cerco continua fechado na região, visando a prisão dos criminosos envolvidos com tráficos de drogas e armas, homicídios, lavagem de dinheiro, extorsão e corrupção de menores. LEIA TAMBÉM: Prefeitura na Bahia suspende serviços públicos e recomenda que cidadãos não saiam de casa após tiroteio entre facções criminosas Três suspeitos morrem e cinco são presos após confronto de facções rivais e operação da polícia na BA Sobe para 8 o número de mortos em operação policial contra integrantes de facções criminosas no Recôncavo da Bahia Acampamento de criminosos foi desmontado no Recôncavo Baiano Polícia Civil Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

Morador que fotografou 'nuvem cogumelo' em explosão na Zona Leste relata momentos de pânico ao ver cena: 'Parecia atentado'

Publicado em: 14/11/2025 00:00

Explosão na Zona Leste de São Paulo. Arquivo Pessoal “Foi do nada. O pessoal se assustou e tremeu tudo em casa. As coisas saíram do lugar e até o pó de gesso caiu. Parecia um atentado. Minha sogra ligou na hora para minha esposa e chorou imaginando que tinham vítimas”. O relato é do empresário Fabio Rubemar, que mora no bairro Tatuapé e registrou do 18º andar de um prédio vizinho a explosão seguida de incêndio na esquina da Avenida Celso Garcia com a Avenida Salim Farah Maluf, na noite desta quinta-feira (13). Pelo menos duas pessoas se feriram. A imagem feita por Fabio captou bem o momento em que a explosão formou uma espécie de "nuvem cogumelo" (veja acima). Ao g1, ele contou que estava em casa, quando ouviu o forte barulho. Como trabalhou como fotógrafo por oito anos, conseguiu fazer o registro, que deixou até alguns internautas na dúvida, achando que a foto poderia ter sido criada por inteligência artificial. "Falaram que foi IA, mas não, garanto que foi real. Trabalhei como fotógrafo por alguns anos. Foi uma loucura. Ficou por uns cinco minutos explodindo e logo já vieram sirenes junto, graças a Deus tem uma base do bombeiro do lado". "A gente não sabia muito o que fazer. Se corria, se tentava ver se todos da família estavam bem. Voavam coisas sem parar", ressaltou. Explosão provoca destruição na Zona Leste de SP O Corpo de Bombeiros foi acionado para a ocorrência às 19h45. A corporação constatou que a explosão veio de um galpão com fogos de artifício. A causa ainda será investigada. "Estamos trabalhando com cautela para poder verificar se tem outra evidência clara quanto aos explosivos e, possivelmente, vamos passar para a Polícia Civil para ver se tem evidência maior sobre essa casa. Ainda não podemos dizer que é clandestina, porque não localizamos o dono, mas sabemos que é um depósito de fogos de artifício", afirmou um oficial do Corpo de Bombeiro. E ressaltou: "Evidências mostram, e que passamos para a Polícia Civil, que seriam fogos que seriam usados em balões. Ainda não sabemos a causa da explosão, mas vítimas sabemos que tem, mas leves". Leia também 'Parecia noite de ano novo', diz moradora que presenciou explosão na Zona Leste de SP VÍDEO: câmera de monitoramento flagra momento exato da explosão na Zona Leste de SP Explosão com incêndio provoca destruição e deixa feridos na Zona Leste de SP Em imagens obtidas pela TV Globo, é possível observar uma enorme nuvem de fumaça e moradores de prédios próximos ao local assustados com a explosão (veja vídeo acima). Também é possível ver fogos de artifício estourando próximos a um edifício. Segundo moradores, o impacto quebrou vidros de vários apartamentos num prédio que fica próximo ao local da explosão. Carros estacionados nas ruas do entorno do local que explodiu também foram danificados. "Eu estava na cama vendo novela. Só ouvi um barulho terrível e a janela voou, a cortina caiu, caiu tudo, e um pó terrível entrou no meu quarto", afirmou uma moradora à TV Globo. Bombeiro fala sobre possíveis causas da explosão na Zona Norte Leste de SP O Corpo de Bombeiros foi acionado para a ocorrência às 19h45. Reprodução Segundo informações preliminares dos bombeiros, o fogo é em um galpão de fogos de artifício. Reprodução/TV Globo Segundo moradores, o impacto quebrou vidros de vários apartamentos num prédio que fica próximo ao local da explosão. Reprodução Explosão na Zona Leste de SP Arte/g1

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ONU critica governo brasileiro por falhas na estrutura e na segurança da COP30

Publicado em: 13/11/2025 21:12

ONU aponta falhas de segurança na COP30 e cobra plano do Brasil O chefe da Convenção do Clima da ONU mandou uma carta com cobranças ao governo brasileiro. Pediu um plano para corrigir falhas de segurança e problemas de infraestrutura na COP30. Na terça-feira (11) à noite, um grupo de indígenas, integrantes de movimentos sociais e estudantes invadiu o pavilhão mais importante da conferência, na Zona Azul - que é reservada para as negociações. Na quarta-feira (12), a maior autoridade da ONU para o clima, Simon Stiell, enviou uma carta para o presidente da COP30, o embaixador brasileiro André Corrêa do Lago, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o governo federal. No documento, destaca o que chama de “preocupações urgentes”. Explica que, em volta do pavilhão principal, as manifestações são proibidas para garantir a segurança das delegações e afirma: “Apesar dessas regras, os manifestantes entraram nessa área e seguiram, sem qualquer impedimento, para a Zona Azul, enquanto eram observados pelas autoridades brasileiras, que falharam em agir ou executar o plano de segurança”. A carta aponta que essa foi uma séria falha do esquema de segurança e que ela levanta preocupações sobre o cumprimento das obrigações do Brasil. Afirma ainda que, depois da invasão, pequenas manifestações voltaram a ocorrer na quarta-feira (12) em volta do pavilhão; que a ONU pediu à Polícia Federal para dispersar os atos, mas a PF respondeu que tinha recebido instruções da Casa Civil para não interferir. O documento também destaca outras vulnerabilidades, entre elas, a fragilidade do perímetro de segurança, com portas e portões precários, e falhas das autoridades brasileiras em enviar o número de agentes que tinha sido acertado. Simon Stiell também aponta que houve alagamentos significativos durante as chuvas e que isso coloca as instalações em risco por causa da exposição da rede elétrica. Stiell disse que recebeu relatos de pessoas passando o que chamou de “temperaturas extremamente altas”. A autoridade da ONU disse que há aparelhos de ar-condicionado quebrados e alguns não foram sequer instalados. Além disso, a carta aponta problemas nos banheiros, como portas e vasos sanitários sem funcionar. ONU critica governo brasileiro por falhas na estrutura e na segurança da COP30 Jornal Nacional/ Reprodução A Casa Civil respondeu em nota que já ampliou o perímetro e o efetivo de segurança para proteger o entorno da COP, que a Força Nacional está atuando com a Polícia Federal, e que instalou mais gradis e barreiras; que não houve alagamentos no interior do pavilhão, mas goteiras pontuais e vazamentos por causa de problemas nas calhas - que já foram consertadas. A pasta disse também que instalou novos aparelhos de ar-condicionado. A Casa Civil também declarou que está em diálogo com a ONU, que faz os ajustes diariamente, normais em um evento tão grande, e que atende a todos os pedidos das Nações Unidas. Enquanto isso, as negociações climáticas continuam. Um dos principais temas na COP nesta quinta-feira (13) foi a saúde. Quando o tornado passou pelo Paraná, destruiu quatro dos cinco postos de saúde da região. A França sofre com casos de chikungunya, um vírus tropical. Da mesma forma como o Brasil vê a dengue chegar a lugares cada vez mais frios. Quando o clima muda, o atendimento tem que mudar. "A crise climática é, antes de mais nada, para humanidade, uma crise de saúde pública”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Com o lançamento do Plano Belém de Ação, com apoio de mais de 80 países e instituições, a ideia é aumentar o monitoramento de novos problemas de saúde que podem aparecer em qualquer lugar do mundo. A partir daí, preparar os hospitais e equipes para lidar com as mudanças. Falando para imprensa do mundo todo, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Ilan Goldfajn, disse que saúde e clima têm conexão profunda e podem gerar empregos e oportunidade. Ele defendeu aumentar o financiamento de ações para combater as mudanças climáticas. Na COP, o BID quer mobilizar cerca de R$ 30 bilhões. Nesta quinta-feira (13), a União Europeia anunciou a doação de R$ 124 milhões para o Fundo Amazônia - criado em 2008 para preservar a floresta. Na noite desta quinta-feira (13), o presidente da COP30, o embaixador André Corrêa do Lago, declarou à imprensa que as questões de segurança já foram resolvidas, segundo a própria ONU. O embaixador reconheceu problemas técnicos com o ar-condicionado e afirmou que eles também estão sendo solucionados. LEIA TAMBÉM VÍDEOS: a COP 30 e o nosso futuro TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 4: capivara gigante, 'reunião estranha' e o significado de adaptação

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Funcionários da Caixa participam de fraude milionária que desviou FGTS de treinadores e jogadores de futebol

Publicado em: 13/11/2025 20:57

Bancários na mira da Polícia Federal A Polícia Federal fez uma operação no Rio de Janeiro. E os alvos foram bancários suspeitos de desviar R$ 7 milhões do FGTS de treinadores e jogadores de futebol. A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira (13) quatro mandados de busca e apreensão em uma agência da Caixa Econômica Federal, no Centro do Rio, e em endereços ligados a Gladys McLaughlin, Sérgio Felix da Silva e Silvana da Silva Gomes. Todos funcionários da Caixa. Os agentes apreenderam celulares, computadores e documentos. Imagens de circuito interno de uma agência mostram o momento de uma das transferências fraudulentas, em março de 2024. A mulher de saia vermelha, segundo a Polícia Federal, é Joana Costa de Oliveira, uma advogada atuante no mundo do futebol. Ela trabalhou no Botafogo por 12 anos e chegou a ser diretora jurídica do clube. Joana é atendida pela gerente da agência, Gladys McLaughlin – uma mulher de blusa florida. Ainda de acordo com a PF, nesse dia, foram transferidos R$ 440 mil do FGTS do jogador Christian Tarouco, o Titi, para a conta da advogada. Tudo sem que o atleta soubesse. As investigações apontam que Joana teria usado documentação falsa para fazer essa transação. A Caixa Econômica Federal fez uma apuração interna após denúncia do jogador e concluiu que essa movimentação bancária não poderia ter acontecido. A advogada foi obrigada a devolver o valor para o atleta. O grupo investigado é suspeito de ter desviado cerca de R$ 7 milhões de jogadores, ex-jogadores e treinadores. A advogada seria o elo no Rio de uma quadrilha que aplica o mesmo golpe em São Paulo. Entre as vítimas, está o treinador Oswaldo de Oliveira. Ele contratou a advogada para representá-lo em ações trabalhistas contra clubes onde trabalhou. Mas ela teria usado os documentos dele indevidamente para fazer os saques no FGTS. No intervalo de um ano, foram dez saques que totalizaram quase R$ 600 mil. Repórter: Não tem nenhum valor na sua conta, de toda sua carreira do futebol? Oswaldo de Oliveira, técnico: De fundo de garantia não tem mais. Minha sobrevivência depende do que eu plantei, do que eu trabalhei em 50 anos de carreira. Não poder usar o dinheiro que eu ganhei honestamente com meu suor, isso é muito decepcionante. Além de Oswaldo de Oliveira e Titi, a polícia investiga o golpe praticado na conta dos jogadores Guerrero, Ramires, Raniel, João Rojas e Cueva. Mas pode haver outras vítimas. Os investigados podem responder por falsificação de documento público, estelionato e associação criminosa. A Caixa Econômica informou que os valores movimentados indevidamente vão ser devolvidos aos clientes e que o banco mantém uma equipe técnica de segurança dedicada à identificação e mitigação de vulnerabilidades. A defesa de Joana Prado de Oliveira disse que ela tem colaborado com as autoridades, fornecendo documentos que demonstram sua condição de boa-fé. O Jornal Nacional não conseguiu contato com a defesa de Sérgio Félix da Silva, Gladys Mclaughin e Silvana da Silva Gomes. Funcionários da Caixa participam de fraude milionária que desviou FGTS de treinadores e jogadores de futebol Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM PF mira bancários em nova fase de operação contra desvio de FGTS de treinadores e jogadores de futebol Quem é a advogada acusada por jogadores e técnico de futebol de golpe milionário investigado pela operação Fake Agents

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Operação Fake Agents: advogada investigada pela PF por fraudes no FGTS teve encontro com gerente em agência da Caixa

Publicado em: 13/11/2025 20:21

advogada investigada pela PF por fraudes no FGTS teve encontro com gerente em agência da Caixa Investigada por saques irregulares no FGTS de jogadores e técnicos de futebol, a advogada Joana Prado de Oliveira foi flagrada, por imagens feitas pelo circuito interno de TV, de uma agência da Caixa, na Zona Sul do Rio, se reunindo com a então gerente Gladys Mclaughlin. Na ocasião, Joana foi sacar R$ 440 mil referentes ao benefício destinado ao zagueiro Titi, sem a autorização do jogador. Gladys aparece no vídeo com uma camisa florida em imagens de março de 2024. Ela era gerente da agência da Caixa Econômica Federal, da Praia de Botafogo. Joana Prado está com uma saia vermelha. Segundo a investigação da PF, nesse dia, Gladys autorizou a transferência do Fundo de Garantia do jogador Titi para a conta de Joana Prado. A funcionária da Caixa Gladys Mclaughlin (à esquerda) e a advogada Joana Prado, de saia, em uma agência na Zona Sul do Rio Reprodução De acordo com as investigações, a advogada Joana, que atua no futebol, contava com a ajuda desses bancários de dentro da Caixa para fazer saques fraudulentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de jogadores, ex-jogadores e técnicos. A Polícia Federal afirma que o grupo desviou cerca de R$ 7 milhões. Os suspeitos podem, se condenados, responder por falsificação de documento público, estelionato e associação criminosa. Além de Gladys, os outros funcionários alvos de busca nesta quinta são Sérgio Félix da Silva e Silvana da Silva Gomes. A Caixa não se pronunciou sobre a situação dos três funcionários, alvos da operação desta quinta. A reportagem apurou que Sérgio Félix e Gladys Mclaughlin estão afastados da empresa e Silvana Gomes está em outra função no banco. O advogado de Gladys não respondeu aos contatos. A reportagem ainda tenta contato com as defesas dos outros funcionários. Gladys Maclaughlin, funcionária da Caixa Reprodução A nota completa da Caixa está no fim dessa reportagem. A advogada Joana nega as suspeitas. A investigação da Polícia Federal apura saques indevidos do FGTS de treinadores e jogadores de futebol. Nessa nova fase da operação Fake Agents, a 3ª, deflagrada nesta quinta-feira (13), o foco foi funcionários da Caixa Econômica Federal. A operação foi realizada pela Unidade de Investigações Sensíveis da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários da PF no Rio de Janeiro, com apoio da Área de Inteligência e Segurança da CAIXA. Três funcionários da Caixa e também uma agência do banco no Centro do Rio foram alvos de mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. No caso de Titi, a Caixa fez uma apuração interna após denúncia do jogador e concluiu que a transação não poderia ter acontecido. A advogada foi acionada pelo banco e devolveu o valor para o FGTS do atleta, três meses depois, acrescido de juros. Advogada é acusada de golpe por treinador e jogadores Em agosto, o g1 e o RJ2 mostraram denúncias contra Joana Prado. Ela trabalhou no Botafogo por 12 anos e chegou a ser diretora jurídica do clube. A advogada foi alvo de buscas da Polícia Federal em janeiro. E em setembro, ela teve a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspensa. Além de Titi, a polícia investiga o golpe praticado na conta de outros atletas e técnicos: Paolo Guerrero - atacante peruano que jogou no Corinthians, Flamengo e Internacional; Ramires - meio campo que jogou no Cruzeiro, Chelsea e seleção brasileira; João Rojas - Equatoriano que jogou no São Paulo; Cueva - Meio-campo peruano que jogou no São Paulo e no Santos; Raniel - Meio-campo que jogou no Santa Cruz, Cruzeiro, Vasco e Santos; Oswaldo de Oliveira - Ex-treinador de Botafogo, Flamengo, Vasco, Corinthians Jogadores e técnico que tiveram os benefícios sacados irregularmente, segundo investigação Reprodução Além de Oswaldo de Oliveira, jogadores também acusam advogada de golpe O que dizem os envolvidos A Caixa liberou uma nota sobre a operação: "A Caixa reforça que atua em parceria com a Polícia Federal e demais órgãos de controle, sempre colaborando nas investigações e na repressão a fraudes financeiras. Todos os casos identificados são tratados com atenção e rigor, sendo que os valores movimentados indevidamente são restituídos aos clientes. O banco mantém uma equipe técnica de segurança, que altamente qualificada, dedicada à identificação e mitigação de vulnerabilidades, além de promover melhorias contínuas em seus mecanismos de segurança, com foco na prevenção de fraudes e na proteção dos dados dos clientes. A instituição mantém canais oficiais de denúncia e orientação, como o portal" A defesa de Joana Prado de Oliveira afirmou, em nota, que ela "não está sendo investigada pela Polícia Federal neste desdobramento específico, que agora mira bancários suspeitos". Veja a nota completa: "Importante esclarecer que, ao contrário do que possa ser inferido pela associação da matéria ao seu nome, Joana Costa Prado de Oliveira não está sendo investigada pela Polícia Federal neste desdobramento específico, que agora mira bancários suspeitos de envolvimento direto em operações irregulares. Informa que desde o início, tem colaborado integralmente com as autoridades, fornecendo documentos e esclarecimentos que demonstram sua condição de boa-fé e, ainda, de vítima de fatos noticiados. Devendo ser ressaltado que foi a própria advogada a denunciante de suposto esquema, a partir de notícia de crime que apresentou no ano de 2022 junto a Polícia Federal do Rio de Janeiro. Esclarece, ainda, que na denúncia apresentada informou às autoridades que foi contactada pelo empresário paulista do ramo de futebol Fernando Costa de Almeida, através da indicação do advogado Paulo Sérgio Feuz. Reafirma que confia que as investigações e a Justiça demonstrarão de forma cabal a verdade".

Palavras-chave: vulnerabilidade

Alive Orbe leva festa eletrônica imersiva à cúpula subterrânea da 'Bola da Suframa' em Manaus

Publicado em: 13/11/2025 20:09

Festa será realizada na cúpula subterrânea da Bola da Suframa e promete experiência imersiva. Divulgação Manaus recebe no dia 20 de dezembro, a partir das 22h, a Alive Orbe, edição do projeto que já se consolidou como referência da cena eletrônica na região Norte. Os ingressos já estão à venda pela internet. O evento acontece na cúpula subterrânea do Centro Cultural Povos da Amazônia, a “Bola da Suframa”, que será totalmente transformada com projeções mapeadas em alta definição, luzes e efeitos visuais imersivos. Inspirada em experiências internacionais como a Sphere, de Las Vegas, a estrutura promete unir música, arte e tecnologia em um espetáculo sensorial 3D, com conteúdos visuais sincronizados à música e à arquitetura do espaço. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Line-up principal: ZAC – Um dos maiores nomes do progressive house e melodic techno no Brasil; residente do Warung Beach Club e presença em festivais como Tomorrowland Brasil. PACS – Destaque global da cena eletrônica, com colaborações de Anyma e Solomun; autor do remix de Innerbloom, sucesso no Tomorrowland 2024. AYÊ – Novo projeto do DJ Phantom, que combina afro house e progressive em uma sonoridade profunda e envolvente. Além da música, a ALIVE ORBE reforça seu compromisso com sustentabilidade, adotando: Uso de copos ecológicos; Geradores a biodiesel; Produção consciente e conectada ao futuro. O evento representa mais do que uma festa: é uma experiência cultural imersiva, que une música eletrônica, tecnologia, arte e consciência ambiental em um único espetáculo. Evento ocupará a estrutura subterrânea da Bola da Suframa com música eletrônica e projeções. Divulgação

Palavras-chave: tecnologia

Plano de ação em saúde é lançado na COP 30 em Belém para enfrentar adaptação climática

Publicado em: 13/11/2025 19:50

Ministério da Saúde integra barcos-hospitais ao programa 'Agora Tem Especialistas' no PA Nesta quinta-feira (13), durante a reunião ministerial de Clima e Saúde na COP 30, foi lançado o Plano de Ação em Saúde de Belém, o primeiro plano internacional dedicado exclusivamente à adaptação climática no setor de saúde. O texto propõe ações para os países lidarem com os efeitos já sentidos da mudança do clima, que põe em risco, principalmente, as populações mais vulneráveis. O evento ocorreu na Plenária Amazonas (Zona Azul) e reuniu representantes do Brasil e do exterior para consolidar ações globais contra os efeitos das mudanças climáticas na saúde pública. ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Objetivos centrais O principal objetivo do plano é fortalecer a adaptação e a resiliência do setor de saúde às mudanças climáticas, por meio de: - Sistemas integrados de vigilância e monitoramento; - Aceleração do fortalecimento das capacidades técnicas e institucionais; - Promoção de políticas públicas baseadas em evidências; - Inovação e produção sustentável no setor de saúde. Plano de ação em saúde de Belém. Rafael Medelima / COP30 Linhas de ação essenciais para a adaptação Vigilância e monitoramento: Desenvolvimento e fortalecimento de sistemas para identificação precoce de riscos ligados ao clima e saúde. Políticas baseadas em evidências e capacitação: Formulação e implementação de estratégias informadas por dados científicos, com investimento na formação de profissionais da saúde. Inovação, produção e saúde digital: Incentivo a tecnologias digitais, inovação científica e produção sustentável para melhorar a resposta do sistema de saúde. Outras ações em saúde O plano representa um marco da COP 30 e foi apresentado pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, junto da CEO da COP 30, Ana Toni, além de Ilan Goldfajn, presidente do BID, e Alan Dangour, da Wellcome Trust. Junto com o lançamento, foi anunciada uma coalizão de financiadores que disponibiliza um investimento imediato de US$ 300 milhões para projetos que envolvem saúde e clima. Paralelamente, o Brasil apresentou o AdaptaSUS, seu Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, desenvolvido com participação social e no diálogo federativo. O documento visa fortalecer os sistemas de saúde no país para os desafios atuais e futuros das mudanças climáticas. Saúde na COP O sistema público de saúde atingiu, nesta quarta-feira (12), mil atendimentos de público da COP 30 e de moradores de Belém em sete dias durante a Cúpula do Clima e a conferência da ONU. O dado é do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde, divulgado pelo ministro Alexandre Padilha. Entre os hospitais destacados para cuidados médicos na COP, o que mais registrou atendimentos foi o Hospital de Campanha da Força Nacional do SUS (HCamp), instalado na Usina da Paz Jurunas/Condor. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA

Palavras-chave: tecnologia

EUA e Argentina firmam acordo de cooperação em comércio e investimentos

Publicado em: 13/11/2025 19:37

Os Estados Unidos e a Argentina concordaram com uma estrutura de cooperação bilateral de comércio e investimento, declararam os dois países em uma declaração conjunta divulgada pela Casa Branca nesta quinta-feira (13). Segundo comunicado, a Argentina se comprometeu a facilitar o comércio digital com os EUA, reconhecendo que o país tem uma jurisdição adequada para transferência transfronteiriça de dados. Além disso, o governo argentino também permitirá a entrada de produtos norte-americanos que estejam em conformidade com as normas internacionais aplicáveis, e concordou em abrir o mercado para o gado vivo norte-americano e se comprometeu a permitir o acesso ao mercado de aves dentro de um ano. O comunicado divulgado pelo governo dos EUA também indica que a Argentina se comprometeu a eliminar gradualmente o imposto estatístico sobre produtos norte-americanos e a não exigir formalidades consulares para as exportações norte-americanas que chegam ao país. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com a Casa Branca, a Argentina retirou muitas das barreiras não tarifárias que restringiam o acesso aos seus mercados, incluindo o licenciamento de importação, reforçando que o país sul-americano deverá fornecer acesso preferencial para os bens dos EUA — incluindo medicamentos, produtos químicos, máquinas, produtos de tecnologia da informação e veículos automotores. Outros acordos Os EUA também anunciaram novos acordos com a Guatemala, com o Equador e com El Salvador. Segundo um alto funcionário do governo norte-americano informou à Reuters, os tratados permitem um maior acesso dos produtos agrícolas e industriais dos Estados Unidos a esses países. Além disso, os três países também se comprometeram a não impor impostos sobre produtos digitais. O funcionário do governo norte-americano também indicou que as tarifas alfandegárias devem ficar inalteradas para essas três nações, mas que o acordo prevê alívio em certas áreas. A expectativa é que os acordos completos com a maioria desses países sejam finalizados nas próximas duas semanas, disse o funcionário do governo norte-americano à Reuters. *Esta reportagem está em atualização

Palavras-chave: tecnologia

Doméstica é resgatada após passar 36 anos em situação análoga à escravidão no Recife

Publicado em: 13/11/2025 19:23

Doméstica é resgatada após passar 36 anos em situação análoga à escravidão Uma trabalhadora doméstica de 54 anos foi resgatada após passar 36 anos em situação análoga à escravidão, no Recife. A vítima, que não recebia salário, estava com ferimentos nos pés e era submetida a restrições de liberdade, isolamento social e constantes intimidações. O caso foi divulgado nesta quinta-feira (13) pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A mulher era submetida às situações degradantes desde 1989, quando tinha 17 anos, e foi resgatada na sexta-feira (7). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Segundo o MTE, a doméstica, além de não receber qualquer remuneração ao longo de 36 anos, era submetida a jornadas exaustivas, controle rígido da rotina diária e fortes restrições à liberdade de circulação. O nome da mulher não foi divulgado. Ainda segundo o MTE, os auditores fiscais identificaram situação de "extrema vulnerabilidade" e vítima submetida a dependência forçada e intimidações "para impedir o rompimento do vínculo e dificultar qualquer tentativa de denúncia". A mulher, depois de ser retirada do local de trabalho, foi acolhida por parentes e está sendo acompanhada pela Assistência Social municipal. Os empregadores não pagaram verbas rescisórias, mas firmaram acordo com o Ministério Público do Trabalho reconhecendo o vínculo empregatício desde 1989 e assumindo o pagamento de indenizações por danos morais e materiais. Eles também poderão ser responsabilizados civil e criminalmente, após a conclusão das investigações do caso. Local onde doméstica foi resgatada após 36 anos em situação análoga à escravidão MPT/Divulgação Como denunciar Segundo o MTE, casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados por qualquer pessoa, de forma anônima e segura, por meio do Sistema Ipê, disponível na internet. A plataforma foi lançada em 2020 pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Além disso, as denúncias podem ser feitas pelo Disque 100, por meio de ligação gratuita e anônima. O canal, que funciona 24 horas em todos os dias da semana também recebe relatos de violações de direitos humanos no Brasil. O serviço também oferece canais de atendimento via WhatsApp, Telegram e videochamada em Libras.

Palavras-chave: vulnerabilidade