Tarcísio descarta participação do PCC em casos de intoxicação por metanol e investiga hipótese de adulteração para aumentar volume das bebidas
Publicado em: 06/10/2025 14:11
Brasil tem mais de 200 casos de intoxicação por metanol em investigação O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) descartou nesta segunda-feira (6) o envolvimento de organizações criminosas na produção e venda de bebidas adulteradas com metanol que causaram mortes e internações no estado. Durante entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio afirmou que outra hipótese investigada é o uso do metanol para aumentar o volume de bebidas falsificadas. Há ainda a possibilidade, segundo o governador, de que quem estava adulterando a bebida pode ter achado que o etanol era puro e, na verdade, estava contaminando com metanol. 🔎 Até a manhã desta segunda-feira, o estado de São Paulo registrou 192 casos de contaminação por metano, segundo os dados do governo estadual. São 14 casos confirmados (incluindo 2 mortes) e 178 em investigação (incluindo 7 mortes). Na última sexta (3), a TV Globo já havia revelado que a principal linha de investigação da polícia é a higienização de garrafas reaproveitadas que não foram encaminhadas para a reciclagem de forma devida. Existem regras de logística reversa que, infelizmente, não estão sendo cumpridas. Um grande insumo para o falsificador é a garrafa que foi consumida e que deveria ir para a reciclagem, o que não está acontecendo. Ela é comprada no mercado clandestino e facilita esse objeto de falsificação, porque essa garrafa não vai para o reenvase. O governador disse também que vai solicitar à Justiça a destruição de garrafas, rótulos, lacres, tampas e selos apreendidos durante as ações de fiscalização. Só na última semana, mais de 7 mil garrafas suspeitas de falsificação ou adulteração foram recolhidas. O secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, também afastou a hipótese de participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) ou de outras facções criminosas, argumentando que o negócio é pouco lucrativo em comparação com o tráfico de drogas. “Até porque o crime organizado no Brasil, em São Paulo, tem por objetivo principal o lucro, e esse lucro é exponencial no tráfico de drogas. Na questão da bebida, é infinitamente inferior. Porque uma organização criminosa que lucra exponencialmente com tráfico de pasta base de cocaína, inclusive com o tráfico internacional, iria migrar para um negócio muito menos rentável?”, questionou Derrite. Na semana passada, 20 pessoas foram presas, entre elas o principal fornecedor de insumos para falsificação de bebidas do estado. Contudo, o secretário destacou que até agora não há relação entre os investigados ou com facções criminosas. “São locais distintos. Nenhum dos presos são faccionados, pertencem ou pertenceram a qualquer organização criminosa. A gente poderia classificar, sim, como uma associação criminosa, mas muito diferente de uma organização criminosa que possui uma estrutura hierarquizada, com funções pré-definidas. Então, até agora, não há nenhum indício em nenhuma das prisões, nenhuma das fiscalizações, da participação do crime organizado", afirmou Derrite. Bebidas destiladas são a maioria dos produtos contaminados com metanol, segundo as autoridades sanitárias Reprodução/TV Globo Quais bebidas estão sendo 'batizadas' com metanol? Os casos de intoxicação por metanol identificados até agora envolvem bebidas destiladas, como vodca e gin. No entanto, especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado. Como identificar metanol na bebida? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor, e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: Desconfiar de preços muito baixos; Comprar apenas em locais conhecidos; Verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação.