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Entenda por que espécie de árvore considerada tóxica para abelhas pode ser proibida em Piracicaba

Publicado em: 23/05/2026 08:25

Espatódea em Piracicaba Yasmin Moscoski/g1 A Câmara Municipal de Piracicaba (SP) aprovou um Projeto de Lei (PL), em primeira discussão, que proíbe o plantio e a produção da árvore exótica espatódea (Spathodea campanulata) e permite o corte das que já estão em pé, desde que haja a reposição por outra nativa. Na justificativa do projeto, o vereador Zezinho Pereira (União Brasil) focou nos impactos ambientais negativos causados pela espécie à fauna local, como abelhas e beija-flores, intoxicados pelos compostos presentes nas flores da árvore. No entanto, o projeto recebeu argumentos contrários, como o de Silvia Morales (PV), que afirmou falta de evidências científicas definitivas sobre os impactos negativos e focou nos benefícios ambientais presentes nas árvores que já existem, como sombra, abrigo para animais, regulação da temperatura local e proteção do solo. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp Para virar lei, o PL ainda precisa ser aprovado em segunda discussão e sancionado pelo prefeito Helinho Zanatta (PSD). Para entender se existe risco para as abelhas e quais as formas de manejo, o g1 ouviu uma professora do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), e um engenheiro floresta. A espatódea faz mal para as abelhas? Espatódea Ananda Porto/TG Segundo a professora doutora do Departamento de Entomologia e Acarologia da Esalq/USP, Denise Alves, sim. O efeito é comparável ao de inseticidas domésticos. “Tem um número considerável de estudos mostrando que o néctar da espatódea é sim tóxico para as abelhas e não só para as abelhas, mas para outros insetos”, diz a especialista. Isso ocorre porque a espatódea é uma espécie do continente africano e a fauna brasileira não evoluiu com a espécie a ponto de não ser afetada. A especialista destacou que existem 2 mil espécies de abelhas nativas, sendo que a maioria é do tipo solitária, grupo considerado mais vulnerável. “Essas abelhas solitárias não formam colmeias, colônias populosas. Elas vivem sozinhas. Se ela morre na flor [da espatódea], isso compromete a população dessas espécies”, explica. Denise defendeu a substituição gradativa das espatódeas por árvores nativas, considerada mais segura para os polinizadores, e afirmou que a cidade tem que pensar soluções que deixem o ambiente urbano mais amigável para as abelhas, dado que as pequenas são os principais agentes polinizadores da Terra e responsáveis pela reprodução de plantas, produção de alimentos e o equilíbrio ecológico. Outros riscos Calçada com flores da espatódea em Piracicaba Yasmin Moscoski/g1 A substituição gradativa, como deixar de plantar espécies do tipo, também é defendida pelo engenheiro florestal Germano Chagas, coordenador técnico do projeto de reflorestamento Corredor Caipira. Ele reconhece os riscos biológicos da espatódea, mas pondera que, em escala macro, o impacto da árvore sobre as populações de polinizadores é pequeno diante do uso intensivo de agrotóxicos nas culturas agrícolas vizinhas (como a cana-de-açúcar, predominante em Piracicaba). Ele alerta para os prejuízos ambientais da remoção de árvores adultas, como a perda de sombra, aumento do calor urbano e redução da fixação de carbono, e sugere que o foco das políticas públicas deveria ser também o reflorestamento e o controle de agrotóxicos. “Outro aspecto muito relevante, especialmente no município de Piracicaba, são os remanescentes de vegetação nativa, onde esses polinizadores poderiam se abrigar, se multiplicar e viver. A gente está questionando a situação dos polinizadores no centro urbano, mas muitas vezes não olha para os polinizadores no meio rural", afirma o engenheiro florestal. "Um estudo do corredor Caipira mostra que Piracicaba tem apenas 9% de vegetação nativa no município. Seria importante termos, no mínimo, 20% para garantir a conectividade entre os fragmentos florestais, permitindo que o fluxo gênico aconteça e que esses polinizadores possam ir de um fragmento para outro, porque muitas vezes eles não conseguem atravessar um canavial”, completa. Além dos agrotóxicos, Denise afirma que até a pulverização contra a dengue no próprio meio urbano pode contaminar e matar as abelhas. Discussão em outras cidades Indústria da cana-de-açúcar Reprodução/TV Globo A discussão em torno da espatódea não é exclusiva de Piracicaba. Diversos municípios e estados brasileiros já aprovaram leis semelhantes, como Santa Catarina, Espírito Santo e Paraná, com o intuito de preservar o ambiente para a fauna local. Árvore tóxica e letal para abelhas faz SC determinar multa de R$ 1 mil e remoção de espécie exótica Agora no g1 VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

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STF anula eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande (MT)

Publicado em: 23/05/2026 08:22

Câmara Municipal de Várzea Grande Câmara Municipal de Várzea Grande O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu anular a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande (MT) para o biênio 2027/2028, realizada de forma antecipada neste mês. A decisão foi assinada nesta quarta-feira (21) pelo ministro Dias Toffoli, após reclamação apresentada pelo vereador Bruno Rios. A presidência da Câmara não se manifestou sobre o caso até a última atualização desta reportagem. A escolha da nova composição da Mesa ocorreu durante sessão extraordinária no dia 14 de maio. Antes da votação, a Justiça de primeira instância havia determinado a suspensão do pleito por meio de liminar. Posteriormente, porém, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) autorizou a continuidade da eleição. Com a liberação, os vereadores realizaram a votação e elegeram a chapa encabeçada pelo presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp Agora no g1 Bruno Rios, no entanto, acionou o STF alegando que a antecipação da eleição contrariava entendimento já firmado pela Suprema Corte sobre a escolha de mesas diretoras em casas legislativas. Segundo o parlamentar, o tribunal estabelece que esse tipo de eleição deve respeitar critérios de contemporaneidade e razoabilidade. Ao analisar o caso, Toffoli apontou que o entendimento do STF prevê que a definição das mesas diretoras ocorra, preferencialmente, em outubro do ano anterior ao início do mandato. Para o ministro, permitir a eleição em maio de 2026 para um mandato que só começará em 2027 afronta a jurisprudência da Corte. Na decisão, o ministro também afirmou que a antecipação excessiva enfraquece a relação entre a escolha dos dirigentes e o exercício efetivo do cargo, além de contrariar princípios democráticos e republicanos que devem ser seguidos por câmaras municipais. Com isso, o STF invalidou oficialmente a eleição realizada pela Câmara de Várzea Grande e determinou que o TJMT faça uma nova análise do caso, desta vez observando o entendimento estabelecido pela Suprema Corte.

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Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular: ‘Só quero ouvir música em paz’

Publicado em: 23/05/2026 05:01

Jovens voltam a usar iPods para fugir das distrações do celular 🎵 O ritual parece ter saído de 2006: conectar um fone com fio, girar a roda do aparelho e escolher um álbum baixado manualmente. Mas a cena acontece em 2026, com jovens que estão trocando o celular por... iPods. O MP3 player lançado pela Apple há mais de duas décadas voltou à rotina da Geração Z — não só pela nostalgia, mas justamente pelo que ele não tem: notificações, algoritmos e feeds infinitos. 🔕 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O g1 conversou com jovens que voltaram a usar o iPod no dia a dia para ouvir música durante treinos, estudos e deslocamentos. Segundo eles, o celular passou a atrapalhar demais por causa das notificações e das redes sociais. "Até hoje existe uma comunidade enorme de pessoas que restauram iPods antigos com bateria nova e mais armazenamento, seja para manter o produto vivo como lembrança ou até mesmo para usá-lo no dia a dia", conta o especialista em Apple Filipe Esposito, que acompanha a empresa há 17 anos. E a procura pelo dispositivo vem aumentando, segundo empresas consultadas pelo g1. O site de vendas Enjoei informou que o valor total de iPods vendidos na plataforma no primeiro trimestre deste ano (janeiro, fevereiro e março) foi 47% maior do que no mesmo período de 2025. Já a OLX informou que as buscas por iPods cresceram 18,9% em abril de 2026 na comparação com abril de 2025. De janeiro a abril deste ano, o aumento foi de 22% em relação ao mesmo período do ano passado. 'Só quero ouvir música em paz' Lisandra Reis, Cláudio Wollace e Emanuelle Assunção. Arquivos pessoais. Emanuelle Assunção, de 27 anos, Lisandra Reis, de 29, e Cláudio Wollace, de 26, não se conhecem, mas têm algo em comum: estão cansados de perder tempo nas redes sociais. Por isso, voltaram a usar o iPod, que, além do gostinho de nostalgia, ajuda os três a evitar distrações. "Eu sentia que o celular acabava me atrapalhando um pouco. Às vezes, eu saía para correr na rua e acabava parando porque chegava alguma notificação e eu ficava curiosa para ver. Óbvio que eu também adoro a vibe nostálgica que ele passa, mas é muito mais para ouvir música em paz", conta Lisandra. Ela tem um iPod Touch, aquele modelo parecido com um iPhone, e comprou o dispositivo em 2019. Lisandra diz não se lembrar quanto pagou pelo aparelho na época. Quem também tem um iPod Touch é Emanuelle (todo decorado com adesivos na capinha 💅). Ela conta que comprou o MP3 da Apple em 2024, de segunda mão, por R$ 230. "Hoje eu uso ele durante os treinos de musculação, às vezes quando estou lendo e também nos deslocamentos de carro por aplicativo", diz Emanuelle. Segundo ela, em 2024 ainda conseguia usar o Spotify no iPod Touch — modelo que permitia baixar aplicativos. Mas, quando voltou a usar o aparelho em 2026, o aplicativo já não funcionava mais. Por causa disso, voltou a baixar músicas manualmente no computador para depois transferi-las para o iPod. O g1 verificou que, na App Store, loja de aplicativos da Apple, o Spotify não aparece mais como compatível com nenhum modelo de iPod. iPods de Emanuelle e de Lisandra. Arquivos pessoais. Cláudio diz que muita gente considera ruim o processo de baixar músicas no computador e transferi-las para o iPod, mas que, para ele, isso é "revigorante". Segundo ele, o fato de o aparelho não ter algoritmos também faz diferença, porque permite ouvir apenas as músicas que decidiu colocar ali. "Mesmo assinando serviços de streaming, como o Spotify, eu ainda prefiro o iPod. Sinto que a qualidade sonora é até melhor", conta. Ele usa um iPod Nano de segunda mão, comprado em 2025 por R$ 130. O aparelho costuma acompanhá-lo na academia e nos estudos da faculdade. "Eu gosto porque é um aparelho feito só para música, sem notificações ou outras coisas que tirem minha atenção". Cláudio também diz ter uma relação afetiva com o iPod. "Quando eu era mais novo, sempre quis ter um, principalmente o iPod Touch de 4ª geração, mas não tinha condições na época. Hoje, minha vontade mesmo é ter um iPod Classic (um dos primeiros lançados). Para mim, ele é o top dos tops, mas está muito caro". Músicas custavam certa de R$ 1,80 cada iPod Shuffle, iPod Nano e iPod Touch. Apple Inc/Internet Archive Biblioteca Para o especialista em Apple Filipe Esposito, a combinação entre iTunes e iPod não só ajudou a combater a pirataria, como também consolidou o aparelho no mercado. "Existiam outros tocadores de MP3, mas nenhum tinha a conveniência de uma loja própria de músicas ou um gerenciador de playlists como o iTunes", diz. O primeiro iPod funcionava apenas com computadores Mac, o que limitou as vendas no início. Segundo Esposito, o cenário mudou quando a Apple lançou uma versão do iTunes para PC e tornou o iPod compatível com o sistema da Microsoft. Pouco tempo depois do lançamento do iPod, a Apple também criou a iTunes Store, sua loja online de músicas. "Pela primeira vez, os usuários podiam comprar músicas separadamente por US$ 0,99 (cerca de R$ 1,80 na época). Todo o processo era extremamente rápido e fácil, e as músicas podiam ser transferidas em segundos para o iPod", afirma. Por que estamos resgatando dispositivos dos anos 2000? Jovens também estão resgatando fones de ouvido com fio. Unsplash/Anh Tuan Thomas A sensação é de que estamos cada vez mais resgatando produtos que pareciam ter ficado no passado: foi assim com os fones de ouvido com fio, com as câmeras Cyber-shot e, agora, com os iPods. Para Angelica Mari, especialista em cyberpsicologia, área que estuda os impactos da tecnologia no comportamento humano, a tendência reflete uma busca por um período em que a tecnologia tinha limites mais definidos e interferia menos na atenção das pessoas. Segundo ela, o movimento representa uma recusa simbólica da hiperconectividade e também uma tentativa de diferenciação social. "No caso dos iPods, baixar as músicas e atualizar manualmente as playlists vão na contramão da conveniência a que fomos acostumados, mas também devolvem um certo nível de autonomia. Hoje, quando uma playlist termina, as plataformas logo sugerem uma sequência parecida para manter o usuário em um ciclo infinito", diz. Segundo a especialista, o retorno dos fones com fio tem um efeito parecido. "A pessoa sente o cabo, que literalmente conecta o usuário ao dispositivo. Existe uma materialidade que foi eliminada com o Bluetooth", afirma. Ela também avalia que essa busca por simplicidade acabou ficando cara, o que pode ser percebido nos preços de dispositivos antigos, como iPods, walkmans e câmeras Cyber-shot, em sites de revenda. Um iPod Classic usado — modelo que Cláudio diz sonhar em ter — pode custar mais de R$ 1 mil na internet. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo 'Mil vezes melhor que celular': por que as câmeras Cyber-shot estão saindo da gaveta

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Entrada da SpaceX na bolsa pode consolidar Musk como um dos homens mais poderosos do planeta

Publicado em: 23/05/2026 05:01

Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, acompanhou lançamento da Starship junto com o bilionário Elon Musk, na base aérea da SpaceX Brandon Bell/Pool via AP A SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk, caminha para entrar na bolsa de valores dos Estados Unidos. O pedido de IPO foi protocolado na quarta-feira (20), com expectativa de estreia em meados de junho. 🔎 Um IPO é a primeira oferta pública de uma empresa, quando vende parte de suas ações e passa a ser negociada na bolsa de valores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A SpaceX estima que seu valor de mercado seja de US$ 1,25 trilhão (cerca de R$ 6 trilhões). As ações da empresa devem ser negociadas na Nasdaq (bolsa de tecnologia norte-americana) sob o código SPCX. A abertura de capital da SpaceX, antes considerada improvável pelo bilionário, agora é vista como um desejo de Musk, e pode ampliar ainda mais sua influência nos setores de tecnologia e espacial, além da geopolítica. Caso a operação se concretize, o empresário, que já é o homem mais rico do mundo, poderá se aproximar do posto de primeiro trilionário da história do planeta Terra. Além disso, a SpaceX deixaria de ser vista apenas como uma empresa de lançamentos espaciais para atuar como um conglomerado com diferentes serviços e fontes de receita, o que pode ampliar ainda mais seu faturamento. É o que dizem especialistas consultados pelo g1. Em fevereiro, Musk anunciou a compra da sua empresa de inteligência artificial, xAI, pela SpaceX. O negócio também envolveu a Starlink, operação de internet via satélite ligada à SpaceX. Com isso, a companhia passou a controlar também o X, rede social que já fazia parte do grupo xAI. "O que Musk busca com o IPO é organizar melhor todos esses negócios ele que criou, além de ganhar acesso a mais capital (dinheiro) e ao mercado de varejo. Estamos falando, provavelmente, do maior IPO da história", afirma Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures. Segundo Alvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em IA, projetos como a Starship — considerada a maior nave espacial do mundo —, além dos planos da SpaceX de levar data centers para o espaço e avançar na industrialização lunar, exigem um volume de investimento que só o mercado público consegue oferecer. Com o IPO, enquanto os investidores comuns terão acesso a ações com direito a um voto, haverá uma classe especial de ações destinada a Musk com 10 votos por cada papel. "Essa estrutura permitirá que ele controle cerca de 85% dos votos da companhia, mantendo o domínio total sobre os rumos do negócio", explica Diogo Cortiz, professor especializado em tecnologia e inovação da PUC-SP. Mas... um negócio ainda em prejuízo Starship posicionada em base de lançamento da SpaceX, em foto divulgada em 27 de maio de 2025 Divulgação/SpaceX Em 2025, a SpaceX gerou US$ 18,67 bilhões em receita, sendo boa parte desse valor vinda da Starlink, que já tem presença global mais consolidada do que a SpaceX. Ao mesmo tempo, a empresa registrou um prejuízo de US$ 4,94 bilhões no ano passado, impulsionado pelos altos custos com pesquisa e desenvolvimento, de acordo com o jornal "The Wall Street Journal". ➡️ Segundo o próprio documento enviado ao regulador dos EUA para abrir capital, a SpaceX afirmou ter faturado, em 2025: Conectividade (Starlink): US$ 11,39 bilhões Espaço (SpaceX): US$ 4,09 bilhões IA (xAI/X): US$ 3,20 bilhões Enquanto a Starlink responde por quase toda a receita, o restante das operações da empresa consome dinheiro em um ritmo tão acelerado que as rodadas de investimento privado já não conseguem sustentar o negócio com a mesma facilidade, analisa Alvaro Machado Dias. Influência global Um possível "super IPO", como é esperado, pode ampliar ainda mais a influência de Elon Musk e facilitar o avanço de pautas de interesse dos seus negócios, avalia Diogo Cortiz. O professor destaca que o movimento acontece em um momento estratégico da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, em que a SpaceX ocupa um papel central em áreas consideradas críticas, como exploração espacial e inteligência artificial. "Talvez ele se torne o primeiro trilionário da história da humanidade, controlando uma empresa poderosa e com diferentes frentes de atuação", afirma o especialista. Álvaro Machado Dias avalia que o IPO também coloca uma estrutura considerada estratégica para a defesa dos EUA sob a lógica do mercado financeiro, sem que o governo reduza sua dependência da empresa. Segundo ele, isso cria uma espécie de "tecnoabsolutismo", em que o poder passa a ser dividido de forma híbrida entre Musk e o Estado americano. O império de Elon Musk. Arte g1 Instants:como funciona o novo recurso do Instagram O que se sabe sobre o pacote do governo para reduzir o endividamento

Inteligência artificial recria voz de Santos Dumont em programa especial da Globo em Minas

Publicado em: 23/05/2026 05:01

Equipe revela como tecnologia e sensibilidade se unem em especial sobre Santos Dumont Alberto Santos Dumont narra, com a própria voz, trechos de cartas e textos que escreveu ao longo da vida. É essa experiência que um especial inédito da TV Globo propõe ao público, ao usar inteligência artificial para recriar a voz do pai da aviação a partir de registros históricos. O programa "O voo de Santos Dumont" vai ao ar neste sábado (23), após o Jornal Hoje, às 14h10. A produção marca os 120 anos do voo do 14-Bis, realizado em 23 de outubro de 1906, em Paris. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O especial é descrito pela equipe como uma imersão na vida e no legado do inventor nascido na Fazenda Cabangu, no município que ganhou o nome de Santos Dumont, no interior de Minas Gerais. "É um programa que conta a trajetória dessa figura inacreditavelmente criativa, que mudou os rumos da humanidade. E se inspira na sensibilidade e inovação próprias do personagem para ditar a forma da história”, definiu Fred Bottrel, supervisor de projetos especiais da produção. IA que dá voz e movimento ao passado Além da recriação da voz, a inteligência artificial foi usada para colorizar fotografias em preto e branco e dar movimento a imagens que, por mais de um século, ficaram estáticas nos arquivos históricos. O desafio, segundo a designer do projeto, Sarah Aimê, foi manter a fidelidade dos documentos originais. "A ideia não era manipular esses documentos de forma que eles perdessem a veracidade. Era só trazer um frescor para esses materiais”, explicou. Para a editora Fernanda Penna, um dos maiores desafios foi justamente lidar com a riqueza desse acervo. "Santos Dumont era uma pessoa muito midiática. Ele sempre tinha um fotógrafo junto dele. Então, selecionar esse acervo para ver de que forma colocar aquilo ao longo do programa foi um desafio muito grande”, contou. O voo recriado em computação gráfica O momento mais aguardado da história — a decolagem do 14-Bis diante de centenas de testemunhas em Paris — ganhou nova vida com computação gráfica. "A gente recria esse voo usando computação gráfica para poder dar exatamente a dimensão de como foi", explicou Bottrel. Mas, nessa etapa, a equipe fez uma escolha deliberada: abriu mão da inteligência artificial. "A gente optou por não usar inteligência artificial nessa vinheta, porque tem muito a ver com o processo do Santos Dumont. Ele passou muito tempo da vida dele se dedicando manualmente à atividade criativa, entre erros e acertos, para progredir e fazer as invenções", disse o designer Daniel Campos. Segundo ele, cada detalhe do 14-Bis foi reconstruído com rigor histórico. "A gente fez o rosto dele como nas fotos, pegou uma área específica do avião, conseguiu colocar minuciosamente como eram os detalhezinhos", descreveu. De Júlio Verne às invenções do cotidiano O especial também investiga as raízes da imaginação de Santos Dumont. Uma das descobertas mais curiosas é a influência dos livros de Júlio Verne na formação intelectual do aviador. De acordo com a designer Sarah Aimê, as ilustrações das obras do escritor francês — feitas em técnica de gravura e repletas de máquinas surreais voadoras — serviram de base para uma das sequências do programa, com as imagens sendo reimaginadas e animadas com IA. Além das conquistas aeronáuticas, o especial explora outras facetas do inventor: a influência dele na moda, no design e até em soluções do cotidiano, como o conceito do relógio de pulso e ideias precursoras do que hoje conhecemos como delivery. "A ideia era trazer um Santos Dumont que, além de inventor conhecido como o pai da aviação, também criou tantas outras coisas", disse o repórter Lucas Franco. A trilha que embala o voo A produção conta ainda com trilha sonora original. A produtora musical Marion Lemmonier explicou que a composição foi pensada para acompanhar a tensão do momento histórico: começa em suspense para só então explodir em celebração. "A ideia era retratar na música o voo do 14-Bis, começando com a dúvida, sem saber se o voo realmente iria conseguir decolar. E aí, uma vez que decolou, a música cita um pouco da tradição por meio das marchas e também dos instrumentos clássicos — toda a nobreza, todo o legado que Santos Dumont deixou", explicou a compositora. O homem por trás do mito O programa não se limita às glórias. Aborda também os momentos mais sombrios da vida de Dumont, como o impacto emocional que sentiu ao ver os aviões sendo usados em conflitos armados. Para o repórter Lucas Franco, a figura de Santos Dumont ressoa com especial força nos dias de hoje. "É uma figura muito curiosa, inventiva, muito criativa, e que eu acho que serve como uma inspiração para um mundo tão transformado como o mundo de hoje em dia", afirmou. Imagem do programa 'O voo de Santos Dumont' TV Globo Vídeos mais vistos no g1 Minas:

'Se a morte vier me buscar, vai me encontrar vivendo': inglês com ELA foi diagnosticado por brasileira após sistema britânico rejeitar hipótese

Publicado em: 23/05/2026 05:01

Inglês com ELA foi diagnosticado por brasileira após sistema britânico rejeitar hipótese Johnny Butcher, 29, segurava um copo vazio quando o objeto escorregou da mão esquerda e caiu no chão. Ele estranhou. "Esse copo estava muito pesado", disse. Tinha 28 anos. Jogava futebol toda semana, praticava esportes, trabalhava normalmente. Era um mês depois da lua de mel. Nos meses seguintes, enquanto o sistema público de saúde britânico insistia que ele era jovem demais para ter esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma neurologista brasileira identificaria, por videochamada, o que os médicos na Inglaterra não quiseram enxergar. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal Tudo que ele tinha Johnny e Ana Clara Butcher se conheceram em 2023 por um aplicativo de namoro cristão. Ele é inglês, ela é brasileira. Ele foi ao Brasil conhecê-la, se apaixonou pelo país e pela família dela. Quando viajou à Inglaterra para namorar, noivaram. Para pagar o casamento, vendeu a casa e o carro. O dinheiro custeou o visto dela, as passagens dos familiares brasileiros e a cerimônia. Se casaram em setembro de 2024. A lua de mel aconteceu numa cidade do interior do Reino Unido. Na primeira noite, Johnny reclamou de uma dor persistente no ombro esquerdo que não o deixava dormir. O casal imaginou que fosse do futebol. Com o passar das semanas, outros sintomas se acumularam. A mão esquerda perdia força. Tremores surgiram. A perna esquerda passou a falhar. Johnny parou de jogar futebol. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal Doença avançava enquanto os exames não achavam nada Em fevereiro de 2025, o casal procurou atendimento pelo National Health Service (NHS), o sistema público de saúde britânico. Um fisioterapeuta examinou Johnny e pediu uma ressonância magnética da coluna. Normal. O NHS encaminhou para uma ressonância do cérebro. Normal também. Enquanto os exames não mostravam alterações, a fraqueza se espalhava. A mão esquerda tremia. A perna esquerda perdia força. Johnny parou de jogar futebol. Começou fisioterapia intensiva três vezes por semana —levantamento de peso, alongamento— e continuou piorando. Meses depois, um diagnóstico: transtorno neurológico funcional, condição que costuma alternar períodos de melhora e piora. Johnny não melhorava. Só piorava. Foi então que o casal levantou a hipótese de ELA. A família dele carregava um histórico grave da doença: o bisavô havia tido, o avô também, e um tio materno estava vivo quando Johnny começou a apresentar os primeiros sintomas —e foi esse tio quem sugeriu ao sobrinho que investigasse. A mãe havia sido diagnosticada com Alzheimer, condição que, em alguns casos, compartilha mutações genéticas associadas à ELA. Segundo Ana, o médico inglês riu. "Ele disse que era impossível. Que só seria possível se a mãe do Johnny tivesse a doença —não o avô, não o bisavô; só se fosse a mãe", conta ao g1. "E que ele era jovem demais." O NHS orientou o casal a retornar oito meses depois para reavaliação. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal Médica brasileira viu o que os outros não viram Com o pouco que restava das economias, o casal passou a buscar neurologistas brasileiros por teleconsulta. Dois descartaram a hipótese. A terceira não. Maiara Silva Tramonte é neurologista e paliativista. Atende em Curitiba e leciona na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e na Faculdade Pequeno Príncipe. Chegou ao caso por indicação de uma aluna. Na videochamada, pediu que Johnny se levantasse, observou alguns movimentos e ouviu o histórico familiar. "O que chamou a atenção foi a combinação dos sintomas, a forma como ele estava evoluindo e a história familiar, que era bastante relevante. A teleconsulta tem limitações, mas com o que eu tinha de história clínica e o que consegui examinar, já levantei a suspeita", explica a médica. Tramonte solicitou uma eletroneuromiografia —exame capaz de detectar alterações compatíveis com ELA. O NHS recusou o encaminhamento: ela era médica estrangeira. Foi então que Ana levou a história para as redes sociais. Até aquele momento, quase ninguém fora da família sabia. Entre as mensagens que recebeu, encontrou a indicação de uma clínica de médicos brasileiros em Londres. Em duas semanas, o exame estava marcado. O diagnóstico A técnica que realizou a eletroneuromiografia disse que não era autorizada a explicar o que o resultado do exame significava. Ana sentiu que algo havia dado errado. Recebeu o laudo por e-mail e o encaminhou direto para Tramonte, sem abrir. A videochamada de retorno aconteceu numa segunda-feira, ao meio-dia. "A doutora disse que sentia muito. Que já tinha analisado o exame e que, infelizmente, o Johnny tinha esclerose lateral amiotrófica —e de progressão rápida", diz Ana à reportagem "A gente desabou." Johnny ligou para o pai. O homem mora a 25 minutos de carro. Chegou em dez. Abraçou o filho. Choraram juntos. A mãe de Johnny, que tem Alzheimer, não soube da notícia naquele dia. À noite, os três irmãos chegaram. Johnny deu a notícia para cada um. Segundo Ana, foi a única vez que o viu chorar daquela forma. A partir do dia seguinte, Johnny não chorou mais. "Ele falou: 'se a morte vier me buscar, vai me encontrar vivendo'", conta Ana. Fez uma lista de tudo que quer fazer antes de partir. Parte dela é só para o Brasil —país pelo qual se apaixonou quando conheceu a esposa. Um dos planos é levar o pai para conhecer o país. O casal Johnny e Ana Arquivo Pessoal O que é a ELA A esclerose lateral amiotrófica é uma doença neurodegenerativa que destrói progressivamente os neurônios motores —as células responsáveis por transmitir ao músculo os comandos do cérebro. À medida que essas células morrem, funções como andar, falar, engolir e respirar passam a ser comprometidas. Segundo Marco Aurélio Troccoli Chieia, coordenador do Departamento de Doenças do Neurônio Motor da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e presidente da Associação Brasileira de Esclerose Lateral Amiotrófica (AbrELA), o corpo humano tem cerca de um bilhão de neurônios motores —as maiores células do organismo. Os sintomas só aparecem quando aproximadamente 25% a 30% dessas células já foram comprometidas, o que significa que a doença avançou bastante antes de qualquer sinal se manifestar. "Quando o neurônio motor começa a falhar, o organismo perde, progressivamente, a capacidade de executar funções básicas", explica Chieia. A ELA é a terceira doença neurodegenerativa mais frequente, atrás apenas do Alzheimer e do Parkinson. Não tem cura. Os tratamentos buscam retardar a progressão e preservar funções vitais pelo maior tempo possível. "Nem sempre conseguimos mudar o curso da doença, mas sempre conseguimos cuidar da pessoa", diz Tramonte. Estágio 3, progressão acelerada A doença de Johnny está no estágio 3 de 5. Dois meses atrás, ele ainda se levantava do sofá sozinho, tomava banho sem ajuda, andava sem apoio. Hoje, Ana faz tudo. Ele dorme entre 12 e 14 horas por dia. Os espasmos musculares já aparecem nos braços e nas pernas. A respiração começa a ser afetada —o sintoma que, nos casos de ELA, costuma ser determinante para a sobrevida. A fala, por enquanto, permanece. Mais lenta. Às vezes interrompida por um gole d'água antes de continuar. "Acho que, se eu não pudesse mais conversar com ele, seria muito difícil", diz Ana. O casal já estuda o uso de um equipamento de rastreamento ocular —tecnologia que permite ao paciente se comunicar por meio do olhar—, para quando a voz não vier mais. O NHS fornece riluzol, medicamento aprovado para retardar a progressão da ELA, com efeito limitado sobre a sobrevida. Recentemente, Johnny conseguiu autorização para usar edaravona —medicamento aprovado em outros países e em processo de incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS). A medicação foi doada por uma paciente brasileira com ELA que, quando diagnosticada, tinha expectativa de vida de três anos. Já completa nove. O custo de tratar uma doença rara O tratamento adequado para ELA exige acompanhamento de equipe multidisciplinar especializada: neurologista, fisioterapeuta respiratório e motor, fonoaudiólogo, nutricionista, psicólogo. No sistema privado brasileiro, arcar com essa estrutura completa custa, segundo Chieia, ao menos R$ 50 mil a R$ 60 mil por mês. No caso de Johnny, a fisioterapeuta indicada pelo NHS não está autorizada a tocar no paciente. Pode apenas demonstrar os exercícios para que Ana os reproduza em casa. Quando Ana foi ao Brasil e consultou fisioterapeutas especializados em doenças neurológicas, ouviu que o protocolo britânico era insuficiente. 'Estou destruída. Vivo um dia de cada vez' Ana tem 27 anos. Vive a mais de 9 mil quilômetros da família. É a única provedora da casa desde que Johnny deu entrada na aposentadoria por invalidez. Trabalha meio período e em regime remoto —o que lhe permite estar presente para cuidar do marido em tempo integral. "O Johnny é tudo para mim. É a minha base, o meu mundo. Vê-lo definhando aos poucos, perceber que estou perdendo ele, é devastador", afirma. "Estou destruída. Tento viver um dia de cada vez." Quem a sustenta emocionalmente, diz ela, é o próprio Johnny. "Ele é uma pessoa extremamente positiva. Nunca reclama." Hoje, Johnny fala mais devagar. Às vezes precisa parar no meio da frase. Mas continua falando. E Ana diz que ainda se agarra à voz dele —à espera do dia em que a tecnologia vai precisar assumir o lugar das palavras. Com ELA, mulher passa 150 dias em UTI enquanto plano de saúde nega home care

Palavras-chave: tecnologia

Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño

Publicado em: 23/05/2026 05:00

Boias, robôs submersos e satélites: como cientistas medem o oceano para detectar o El Niño Quando o Centro de Previsão Climática (CPC) dos Estados Unidos anunciou, no dia 14 de maio, que a chance de o El Niño se formar nos próximos meses subiu para 82%, esse número não veio de uma estimativa de qualquer. Veio de uma rede de equipamentos espalhada pelo Oceano Pacífico e pelo resto dos mares do planeta: boias ancoradas a milhares de metros de profundidade, robôs submersos do tamanho de um extintor de incêndio e até mesmo satélites que, do alto da órbita da Terra, conseguem perceber variações de poucos centímetros no nível do mar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Sozinhos, cada um desses equipamentos veria apenas uma parte do oceano. Combinados, formam o que a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) dos EUA chama de "joia da coroa" do sistema global de observação do clima. Mas a história dessa rede começa em uma das grandes derrotas científicas do século passado: o El Niño de 1982-83, o primeiro evento muito forte da era moderna, não foi previsto nem detectado até estar quase no pico. E ele provocou uma seca devastadora na Indonésia e na Austrália, chuvas torrenciais no Peru e no Equador. Ao todo, prejuízos calculados em US$ 13 bilhões e milhares de mortes. Rede internacional de boias é usada para monitorar o Oceano Pacífico e detectar sinais do El Niño. NOAA Em outras palavras, o fenômeno passou pela frente dos modelos climáticos como um trem sem maquinista. Assim, essa constatação de que o mundo não tinha como enxergar em tempo real o que acontecia no Pacífico Equatorial deu origem, dentro da NOAA, a um projeto para ancorar boias permanentes ao longo da linha do equador. Em janeiro de 1983, os pesquisadores instalaram então um primeiro protótipo de baixo custo, com termostato. Ele era um equipamento rudimentar, que media apenas vento, temperatura do ar e temperatura da superfície do oceano. A partir daí, o modelo foi sendo gradualmente incrementado com novos sensores. A oceanógrafa paulista Regina Rodrigues, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e integrante do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), fez pós-doutorado entre 2005 e 2008 nos Estados Unidos, no Pacific Marine Environmental Laboratory (PMEL) da NOAA, em Seattle, onde trabalhou com Michael McPhaden, considerado o "pai" dessa rede de boias. "De lá para cá, gradualmente, essa boia foi ficando cada vez mais incrementada", explica Regina ao g1. Lançamento de uma boia da rede TAO, sistema mantido pela NOAA no Oceano Pacífico equatorial. As boias monitoram temperaturas e condições do oceano fundamentais para entender fenômenos como o El Niño e a La Niña. NOAA "Incrementada com sensores, tanto na parte aérea — que coleta várias variáveis da atmosfera — quanto na parte submersa, o que chamamos de mooring: uma linha que vai até o fundo do oceano com diversos sensores de temperatura e salinidade distribuídos ao longo da coluna d’água [ou seja, em diferentes profundidades do mar]". "Outra característica fundamental dessas boias, segundo a pesquisadora, é que elas transmitiam dados via satélite em tempo real — algo que para os padrões da época era um avanço considerável. Os protótipos foram testados em 1984, em resposta direta ao fiasco da previsão do El Niño anterior, e a rede foi sendo expandida até ficar completa em 1994. Antes disso, equipamentos oceanográficos costumavam gravar as medidas internamente, e os pesquisadores precisavam recuperar o aparelho meses ou anos depois para acessar os dados. Mas para a previsão do El Niño, esperar tanto tempo seria inútil. Comparação do aquecimento anormal do Oceano Pacífico durante os fortes eventos de El Niño de 1982-1983 (acima) e 1997 (abaixo), dois dos mais intensos já registrados. NOAA AVHRR LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Uma rede espalhada pelo oceano inteiro Hoje, a principal rede de monitoramento do Pacífico conta com 55 boias distribuídas ao longo da linha do equador, entre a costa da América do Sul e a região próxima ao Japão. Cada uma delas funciona como uma pequena estação meteorológica flutuante. Acima da água, medem velocidade e direção do vento, temperatura do ar e umidade. Abaixo da superfície, sensores acompanham o aquecimento da água em diferentes profundidades, chegando a centenas de metros oceano abaixo. Os dados sobem por uma antena instalada no topo da boia e são enviados por satélite em tempo real para centros de previsão do mundo inteiro. A operação é dividida entre diferentes países. Os Estados Unidos, por exemplo, monitoram a parte leste do Pacífico, mais próxima da América do Sul, enquanto o Japão opera o setor oeste, perto da Ásia. Manter essa estrutura funcionando até hoje exige grandes operações em alto-mar. Navios oceanográficos percorrem o Pacífico periodicamente para trocar baterias, substituir sensores corroídos pela água salgada e reparar danos causados por tempestades e pelo desgaste natural do oceano. Mas as boias são apenas uma parte dessa vigilância climática. Imagens do satélite mostram variações no nível do mar em abril de 2026; áreas em vermelho indicam águas mais elevadas no Pacífico equatorial, sinal típico associado ao desenvolvimento do El Niño. Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA Hoje em dia, outro braço importante desse sistema são os chamados flutuadores Argo, uma frota internacional de quase 4 mil robôs submarinos espalhados por todos os oceanos do planeta. Diferentemente das boias fixas, eles se movem livremente com as correntes marítimas. O funcionamento é quase automático: o robô afunda até cerca de mil metros de profundidade, permanece dias submerso e depois sobe lentamente até a superfície coletando informações sobre temperatura, salinidade e pressão da água. Ao emergir, envia tudo por satélite antes de mergulhar novamente. Segundo Regina Rodrigues, esses equipamentos revolucionaram o estudo do oceano profundo. “Esses flutuadores são equipamentos autônomos que são colocados no mar. Eles afundam, se deslocam por cerca de 10 dias e depois sobem, fazendo um perfil de temperatura, salinidade e outras variáveis ao longo da coluna d’água, ou seja, em diferentes profundidades do oceano, até a superfície.” Os satélites completam essa rede de observação vistos do espaço. Eles conseguem monitorar a temperatura da superfície do mar quase diariamente e também detectar pequenas mudanças na altura do oceano, de poucos centímetros. Pode parecer detalhe, mas esse dado é essencial porque água quente ocupa mais espaço. Assim, quando uma grande massa de água aquecida atravessa o Pacífico, o nível do mar sobe ligeiramente antes mesmo de o aquecimento aparecer claramente nos termômetros. Essas ondas de água quente, chamadas ondas Kelvin, são consideradas um dos principais sinais de que um El Niño pode estar se formando. Flutuador Argo sendo lançado ao mar. Argo Program LEIA TAMBÉM: Onde está a Timmy? Libertação de baleia gera nova polêmica na Alemanha Por que Amsterdã proibiu qualquer propaganda de carne nas ruas ANTES e DEPOIS: imagem da Nasa mostra geleira na Antártida que recuou 25 km em tempo recorde O Atlântico também influencia o Brasil Um detalhe curioso de toda essa empreitada é que o olhar dos cientistas sobre o El Niño não fica restrito ao Pacífico. Desde os anos 1990, Brasil, França e Estados Unidos mantêm uma rede semelhante de boias no Atlântico Tropical, carinhosamente apelidada de "Pirata". Desde os anos 1990, Brasil, França e Estados Unidos mantêm uma rede semelhante no Atlântico Tropical, chamada carinhosamente de "Pirata". O sistema acompanha mudanças no oceano que influenciam diretamente o clima brasileiro, especialmente no Norte e no Nordeste. "O El Niño impacta o Atlântico Tropical", explica Regina. "As secas na Amazônia e no Nordeste, por exemplo, dependem também de como o Atlântico se comporta." Segundo a pesquisadora, o comportamento do Atlântico ajuda a determinar, por exemplo, a posição da famosa Zona de Convergência Intertropical, faixa de nuvens responsável por boa parte das chuvas que chegam ao Norte e ao Nordeste do país. Quando essa circulação muda, aumentam os riscos de seca em diferentes regiões brasileiras. ➡️ ENTENDA: A Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) é um encontro de ventos na região do Equador. É um dos principais sistemas meteorológicos causadores de chuva em parte das regiões Norte e Nordeste do Brasil, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O Brasil participa diretamente da manutenção dessa rede no Atlântico. Parte das boias é operada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), com apoio da Marinha, que realiza expedições em alto-mar para manutenção dos equipamentos. Boia oceanográfica de deriva do INPE lançada em 1991 é recuperada na Antártica. INPE Mas mesmo com toda essa estrutura, Regina alerta que os cientistas ainda observam apenas uma pequena parte do oceano. "A gente tem muito pouca informação do oceano profundo, para começo de conversa", afirma. E agora, segundo ela, a própria rede responsável por observar os oceanos do planeta começou a dar sinais de desgaste. As boias espalhadas pelo Pacífico e pelo Atlântico, os robôs submarinos e toda a infraestrutura que alimenta previsões climáticas no mundo inteiro enfrentam hoje dois problemas cada vez mais visíveis: vandalismo em alto-mar e cortes de financiamento. O primeiro deles acontece literalmente no meio do oceano. As boias fixas acabaram se transformando em pequenos “oásis” de vida marinha. Peixes se concentram ao redor das estruturas, e pescadores passaram a usar esses pontos como apoio para embarcações durante o trabalho. O problema é que os equipamentos acabam sendo danificados no processo. "Antigamente, até a pandemia, a gente tinha um bom retorno, às vezes chegava 90% dos dados voltarem", conta a pesquisadora. "Agora isso reduziu bastante." Mapa mostra a expansão das medições de temperatura da superfície do mar entre 1860 e 1999. Quanto mais escura a cor, maior a frequência de observações nos oceanos. Climate.gov E o impacto disso tudo vai muito além do monitoramento do El Niño. Os dados coletados por essas redes abastecem praticamente todos os grandes modelos meteorológicos usados hoje no planeta. A previsão da chuva no Sudeste na próxima semana, os alertas de ciclones no Sul do Brasil, ondas de calor na Europa e até projeções agrícolas dependem, em algum nível, das informações medidas por essas boias, robôs e satélites. Além do vandalismo, outro problema preocupa os pesquisadores atualmente: o custo para manter toda essa estrutura funcionando. As campanhas de manutenção exigem navios, equipes especializadas e viagens que podem durar semanas em alto-mar. Ao mesmo tempo, parte das redes internacionais já enfrenta cortes de orçamento. Para Regina, existe uma contradição nesse cenário. Empresas privadas desenvolvem cada vez mais sistemas de previsão baseados em inteligência artificial, mas dependem justamente dos dados produzidos por uma infraestrutura pública global que agora começa a perder recursos. "Em vez de a gente avançar, a gente vai voltar para trás, porque IA não faz milagre", resume a pesquisadora. "Você tem que alimentar e treinar a inteligência artificial com bons dados." Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

Palavras-chave: inteligência artificial

Câmara de SP aprova em 1ª votação projeto que proíbe crianças na Parada LGBT; para especialistas, é inconstitucional

Publicado em: 23/05/2026 05:00

Leques coloridos na 29ª Parada LGBT de SP. Luiz Gabriel Franco/g1 A Câmara Municipal de São Paulo aprovou em primeira votação na quarta-feira (20) um projeto de lei que proíbe a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos ou privados que “façam alusão ou fomentem práticas LGBTQIA+”, incluindo a Parada do Orgulho LGBT+ da capital paulista, mesmo quando acompanhados pelos pais ou responsáveis. O texto também impede a ocupação e interdição de vias públicas para a realização desses eventos e determina que ocorram apenas em espaços fechados. Para especialistas ouvidos pelo g1, a proposta é inconstitucional e discriminatória. O Projeto de Lei nº 50/2025, de autoria do vereador Rubinho Nunes (União Brasil), também determina que eventos com temática LGBTQIA+ sejam realizados apenas em espaços fechados e com controle de entrada, proibindo a ocupação de vias públicas. O texto prevê ainda classificação indicativa para maiores de 18 anos e multas que podem chegar a R$ 1 milhão em caso de descumprimento. Segundo o vereador, a proposta busca “proteger crianças e adolescentes de conteúdos impróprios para sua idade” e reduzir impactos urbanos causados por grandes eventos. “Há anos a Parada Gay deixou de ser uma manifestação de orgulho e respeito e passou a ser um evento libertino, totalmente sexualizado, expondo crianças e transeuntes a nudez e obscenidades. Limitar o acesso é medida urgente para garantir o bem-estar e a inocência de nossas crianças”, afirmou Rubinho. Na justificativa do projeto, o vereador também cita a possibilidade de transferência do evento para locais fechados, como o Anhembi. O texto ainda precisa passar por uma segunda votação em plenário antes de seguir para uma eventual sanção do prefeito. A Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo deste ano está em sua 30ª edição e está prevista para 7 de junho, na Avenida Paulista. Para o advogado Flávio Crocce Caetano, presidente da Comissão de Direito Constitucional da OAB São Paulo e professor da PUC-SP, o projeto “é absolutamente inconstitucional”. Segundo ele, a proposta cria restrições direcionadas exclusivamente à população LGBTQIA+, o que configuraria discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero. “Não se pode proibir que crianças e adolescentes, cuja responsabilidade é dos pais, participem de eventos como esse. Quem decide o que é bom para os filhos são os seus pais”, afirmou. O especialista também argumenta que a proposta viola princípios constitucionais como liberdade de expressão, manifestação cultural e direito de reunião. “A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo é reconhecida pelo seu caráter cultural, político e social. Qualquer vedação com base no tema é discriminatória e pode configurar censura simbólica”, disse. Ainda segundo Caetano, caso o projeto seja aprovado e sancionado, deverá ser alvo de ação direta de inconstitucionalidade no Judiciário. O advogado Renan Quintanilha também avalia que o texto é inconstitucional. Segundo ele, o projeto viola a liberdade de associação e reunião, além de configurar censura prévia e discriminação indireta contra a população LGBTQIA+. “Não cabe a um município editar uma legislação como essa. Configura uma maneira de censura prévia e uma discriminação indireta à população LGBTQIA+”, afirmou. Quintanilha também citou ações semelhantes em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, já há cinco votos favoráveis à inconstitucionalidade de uma lei do Amazonas que proíbe a presença de crianças e adolescentes em paradas do orgulho LGBTQIA+. Para o advogado Pedro Henrique Mazzaro Lopes, especialista em direito administrativo pela FGV-SP e mestrando em direito pela USP, o projeto apresenta vícios “formais e materiais” que comprometem sua validade. “A gente já tem uma sinalização de cinco ministros do Supremo Tribunal Federal de que esse tipo de legislação tem causas formais e materiais de inconstitucionalidade”, disse. Segundo ele, o município não tem competência para legislar sobre temas ligados ao poder familiar e à classificação indicativa. Mazzaro também argumenta que o texto viola direitos fundamentais, como liberdade de expressão, liberdade de reunião e igualdade material. “Ao singularizar eventos LGBTQIA+ — e somente eles — para imposição de restrição etária obrigatória, o projeto incorre em discriminação direta vedada pela Constituição”, disse. O advogado também criticou o trecho que impede a realização desses eventos em vias públicas. “Confinar a Parada LGBT+ a um espaço fechado equivale, na prática, a inviabilizá-la. Isso configura censura prévia indireta”, afirmou. E emendou: "Não há amparo constitucional possível para esse dispositivo. O art. 5º, XVI, da Constituição é taxativo ao dizer que todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, exigindo-se apenas comunicação prévia à autoridade competente. A norma constitucional não admite restrição material baseada no conteúdo da manifestação. Ou seja, o poder público não pode permitir manifestações de um grupo e proibir as de outro com base na mensagem que se pretende veicular". A vereadora Amanda Paschoal, do PSOL, também criticou o texto. Para ela, crianças e adolescentes “não são sujeitos de segunda categoria” e têm direito ao desenvolvimento político, cultural e social garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pela Constituição. “Vedar a possibilidade de que crianças e adolescentes se integrem a manifestações políticas de pessoas LGBTQIA+ é uma afronta direta ao ECA e à Constituição”, afirmou. A parlamentar também relacionou o projeto a um movimento de redução de apoio institucional e financeiro à Parada LGBT de São Paulo. “O objetivo da Parada é exatamente mostrar que nossas identidades e afetos não são motivo de vergonha, de segredo e sim de celebração da nossa existência”, disse. Internação compulsória para usuários de drogas Também na quarta (20), os vereadores aprovaram, em primeira votação, um projeto de lei de autoria de Amanda Vetorazzo (União Brasil) que propõe alterar a Política Municipal sobre Álcool e outras Drogas para permitir a internação involuntária e compulsória de usuários e dependentes químicos. O texto prevê que o tratamento seja realizado prioritariamente em rede de atenção à saúde e hospitais gerais, com possibilidade de internação voluntária, involuntária ou compulsória, mediante protocolos técnicos e atendimento individualizado. Pela proposta, a internação involuntária poderá ocorrer sem consentimento do dependente, a pedido de familiares, responsáveis legais ou até de servidores públicos da saúde e assistência social. Já a internação compulsória seria aplicada a usuários em “cena de uso aberto”, mediante laudo médico que constate ausência de domínio sobre a própria condição psicológica e física. Em junho de 2019, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) sancionou a nova Lei de Drogas, que autoriza a internação sem consentimento de dependentes químicos. Há três tipos de internação, previstas pela legislação brasileira: Voluntária – com o consentimento e autorização do dependente químico; Involuntária – em que um médico determina a necessidade da internação como última alternativa, com o conhecimento de algum familiar ou responsável da pessoa; Compulsória – que ocorre por determinação judicial. A Lei da Reforma Psiquiátrica estabelece, no entanto, que a internação involuntária: só pode ocorrer mediante laudo médico circunstanciado; deve ser comunicada ao Ministério Público em até 72 horas; deve ser usada quando os recursos extra-hospitalares forem insuficientes; precisa ter caráter terapêutico e temporário.

Palavras-chave: câmara municipal

Entenda como microscópio de baixo custo criado por brasileiro ajuda no diagnóstico da malária na Nigéria

Publicado em: 23/05/2026 05:00

Microscópio barato criado por brasileiro ajuda no diagnóstico da malária na Nigéria Um microscópio de baixo custo tem ajudado a ampliar o diagnóstico da malária em uma região vulnerável da Nigéria. Criado pelo brasileiro André Maia Chagas, o equipamento utiliza peças compradas em plataformas de comércio eletrônico e funciona conectado a um celular. Segundo o pesquisador da Universidade de Sussex e especialista de Projetos Estratégicos do Manacás da PUC-Campinas, a proposta surgiu a partir de uma demanda do estado de Yobe, no nordeste da Nigéria, região marcada pela alta incidência de malária e pela falta de infraestrutura em saúde. Ao todo, 30 equipamentos já foram construídos localmente e distribuídos entre hospitais e unidades de atenção primária. "Os aparelhos não foram enviados prontos do Brasil. As próprias equipes locais compraram os componentes pela internet e realizaram a montagem durante os treinamentos, reduzindo os custos de importação, facilitando a manutenção e gerando independência tecnológica nas regiões atendidas", explica Chagas. Estudo revela que a malária moldou a distribuição dos primeiros humanos na África Microscópios sendo construídos localmente na Nigéria para serem distribuídos entre hospitais e unidades de atenção primária André Maia Chagas O microscópio custa cerca de US$ 85 (aproximadamente R$ 430) e pode ser montado em até uma hora após a impressão das peças estruturais em 3D. Ele foi desenvolvido a partir do conceito de hardware aberto, que disponibiliza gratuitamente os projetos, instruções de montagem e a lista de materiais para que qualquer pessoa reproduza o aparelho. "O objetivo era criar um equipamento funcional para uma necessidade específica, com o menor custo possível. Pesquisa pública, financiada com dinheiro público, deveria virar bem público", afirma o especialista. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Estrutura simples e funcional Segundo André, que iniciou o trabalho na Universidade de Sussex, no Reino Unido, em parceria com a Universidade de Yobe, o aparelho possui componentes de fácil aquisição. O microscópio conta com uma câmera USB de 12 megapixels, lentes disponíveis em plataformas online, parafusos comuns e uma estrutura produzida em impressora 3D. Como a câmera é conectada ao smartphone, é o próprio celular que fornece energia ao sistema, além de servir como visor para análise das imagens. Amostras de sangue em lâminas são acopladas ao equipamento e, com a resolução disponível, é possível identificar o parasita causador da malária dentro das células. ⚠️ Ter o equipamento, no entanto, não é suficiente por si só. O diagnóstico é feito por profissionais de saúde treinados, capazes de identificar e interpretar corretamente a presença do parasita nas imagens. Microscópio de baixo custo pode ajudar a ampliar o diagnóstico da malária em regiões vulneráveis na Nigéria. Estevão Mamédio A iniciativa busca não apenas ampliar o acesso ao diagnóstico, mas também acelerar o início do tratamento da doença. As unidades de saúde da região atendem a população de forma descentralizada e contam, em muitos casos, com testes rápidos, como os usados para Covid-19, que nem sempre apresentam alta precisão. Segundo Chagas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a análise microscópica de amostras de sangue o método padrão para o diagnóstico da malária. Outras aplicações Além da malária, André Chagas explica que o microscópio pode ser usado para outros exames que utilizam microscopia. "Microscopia ainda é usada para muitas coisas. O exame de Papanicolau, por exemplo, depende desse tipo de análise. Então a detecção de câncer de colo de útero e de outras doenças também podem ser feitas por um sistema como esse", diz. Por ser digital, o equipamento também abre caminho para a criação de bancos de dados e sistemas de análise automatizada. A ideia é que, no futuro, ferramentas tecnológicas ajudem a acelerar a triagem de exames e o monitoramento epidemiológico. "Com essas imagens, a gente consegue acompanhar a evolução da doença em tempo real, e no futuro, treinar sistemas de detecção automática para ajudar na triagem e monitoramento epidemiológicos", afirma. Processo de validação O microscópio já está em uso na Nigéria e passa atualmente por um processo de validação científica, com comparações em relação a equipamentos tradicionais. “O microscópio ainda está em fase de validação, mas ele já consegue gerar imagens das células vermelhas e visualizar o parasita da malária. Como o projeto foi baseado no OpenFlexure, uma tecnologia de microscópio aberto que já passou por validação científica, a expectativa é validar esse equipamento da mesma forma", completa. O microscópio conta com uma câmera USB de 12 megapixels, lentes, parafusos comuns e uma estrutura produzida em impressora 3D. Estevão Mamédio *Estagiária sob supervisão de Fernando Evans Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Palavras-chave: tecnologia

Por que o lançamento de um relógio gerou confrontos e fechou lojas ao redor do mundo

Publicado em: 23/05/2026 04:02

As vendas começaram no sábado com grandes multidões em lojas em todo o mundo Getty Images O lançamento de um relógio de bolso exclusivo provocou um frenesi que forçou lojas em todo o mundo a fecharem e, em alguns casos, levou policiais e seguranças a ter que lidar com grandes multidões desordeiras. A coleção de relógios Royal Pop, uma colaboração muito aguardada entre a Swatch e a marca de luxo Audemars Piguet (AP), começou a ser vendida no sábado (16) em lojas selecionadas ao redor do mundo. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Semelhante a vendas anteriores desse tipo, algumas pessoas fizeram fila por dias para conseguir um dos oito modelos. Mas a intensidade do interesse pelo produto, tanto online quanto nas ruas de comércio, dividiu opiniões sobre marketing responsável e sobre se os relógios realmente valem a pena. Mais conhecida por seus relógios coloridos da década de 1980, a AP Swatch descreveu a coleção Royal Pop como "uma colaboração disruptiva entre dois ícones da relojoaria suíça". Embora as vendas originais da coleção tenham ocorrido exclusivamente em lojas selecionadas — com as pessoas só conseguindo comprar um relógio de US$ 448 (R$ 2,2 mil) por pessoa — elas foram impulsionadas por uma campanha online que durou meses. A especialista em varejo Catherine Shuttleworth disse que a Swatch fez um trabalho fantástico ao divulgar o produto, aproveitando o gosto dos consumidores mais jovens por colaborações, exclusividade e novidade. "O hype funcionou", disse ela à BBC, acrescentando que os consumidores conseguiriam pagar uma fração do custo normal por um produto da AP. A crítica e podcaster Britt Pearce concorda — e diz que esses tipos de colaboração são "um fenômeno passageiro, mas um fenômeno passageiro muito empolgante". Pessoas ficaram na fila por dias para comprar um Audemars Piguet x Swatch Royal Pop AFP via Getty Images No Reino Unido, a Swatch fechou suas lojas em várias cidades depois que centenas de pessoas fizeram fila do lado de fora e a polícia foi chamada. Houve relatos de comportamento ameaçador e pelo menos uma prisão. Também houve relatos de brigas em Amsterdã e Milão, bem como em cidades da Ásia e do Oriente Médio. De acordo com a agência de notícias Reuters, policiais dispararam gás lacrimogêneo para controlar 300 pessoas do lado de fora de uma loja da Swatch perto de Paris, e quatro pessoas relataram ter sido agredidas na multidão do lado de fora de uma loja em Lille, norte da França. Alguns em Nova York acamparam por uma semana e houve relatos de que pessoas passaram mal durante a espera. Em uma postagem nas redes sociais depois que multidões se reuniram em filiais em todo o mundo, a Swatch pediu às pessoas que "não corressem para nossas lojas em grande número" e fechou suas lojas por motivos de segurança quando a multidão se tornou muito grande. A empresa foi criticada por algumas pessoas, que dizem que os relógios deveriam estar disponíveis em seu site e que recursos policiais foram desviados desnecessariamente. Pearce disse que a Swatch parece "estar criando situações perigosas para as pessoas colecionarem um relógio". "Acho que eles sabem exatamente o que estão fazendo", acrescentou. No entanto, Shuttleworth sugeriu que a Swatch não poderia ter previsto o surgimento da violência. Shuttleworth disse que as vendas online também registraram problemas, com pessoas usando bots e outras tecnologias para tentar enganar o sistema. Os relógios estão sendo revendidos online por várias vezes seu valor no varejo Getty Images Na segunda-feira (18), a Swatch divulgou um comunicado afirmando que a resposta à coleção de relógios Royal Pop foi "fenomenal em todo o mundo", acrescentando que houve problemas em apenas 20 das 220 lojas da Swatch onde os relógios foram colocados à venda. Ele comparou a venda com a do MoonsWatch — uma colaboração de 2022 com a fabricante de relógios de luxo Omega — quando a polícia foi chamada e lojas foram fechadas. "Assim como com o MoonSwatch, a situação agora se normalizou um pouco após o dia do lançamento, especialmente depois de termos comunicado mais uma vez que a coleção Royal Pop estará disponível por vários meses", acrescentou a Swatch. Britt disse que visitou uma das lojas da Swatch em Londres na noite de sexta-feira e viu os seguranças "perderem um pouco o controle" à medida que a multidão aumentava de tamanho antes do lançamento do relógio. Ela também afirmou que viu pessoas saindo da loja após comprar um relógio sendo abordadas por indivíduos oferecendo pagar o dobro do valor. O relógio de bolso é baseado no relógio Royal Oak da AP de 1972 Getty Images Enquanto algumas pessoas na fila para comprar os relógios são entusiastas, outras os compram para vendê-los online. Jaylen disse à BBC que comprou um dos relógios de 335 libras (R$ 2,2 mil) no domingo e o vendeu por pouco mais de mil libras (R$ 6,7 mil). "Vou voltar para comprar mais. É um por pessoa, mas tenho amigos a quem paguei para consegui-los em outras lojas", disse. Embora haja relatos de relógios Royal Pop sendo revendidos por grandes quantias online, a revista britânica especializada em relógios WatchPro alertou que alguns desses anúncios são falsos. A BBC também viu alguns relógios Royal Pop listados no eBay por entre 3 mil e 5 mil libras (R$ 20 mil e R$ 33 mil). Ahmed, que também comprou um dos relógios, disse à BBC que estava pensando no longo prazo e que manteria o seu por agora, prevendo que ele deve aumentar significativamente de valor quando a venda limitada terminar. "Eles já estão passando de mil libras (R$ 6,7 mil) no mercado, então quando pararem completamente de produzi-los e não houver mais sendo lançados... é uma decisão óbvia", disse. A Swatch afirma que a reação ao Royal Pop foi 'fenomenal em todo o mundo' EPA/Shutterstock Houve avaliações mistas sobre o próprio relógio entre as pessoas com quem a BBC conversou. "Sinto que é algo que pode ser guardado e passado adiante. Pode ser memorável, valioso e aumentar de valor ao longo do tempo se for de estoque limitado", disse Corzo, que está na fila há dias e afirmou ter observado uma melhora na comunicação e cooperação entre as pessoas na multidão. "A Swatch colaborou com uma marca muito boa, que é a AP. E é muito bom ter isso na minha coleção de relógios", disse outro homem, que ficou na fila por dois dias e dormiu em uma barraca. Outros não se entusiasmaram. "Não acho que valha o dinheiro nem o tempo de ficar na fila", disse Tabassum, de 18 anos, em Birmingham. "Por que todo esse barulho?", disse sua amiga, Meredith. Britt Pearce disse que havia ficado empolgada com a colaboração entre duas renomadas marcas de relógios e achou que isso poderia incentivar as pessoas a se interessarem mais por relógios. No entanto, sua experiência na loja de Londres diminuiu esse entusiasmo. "Eu diria que ir lá e fazer parte disso acabou prejudicando a minha percepção", disse. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo

Palavras-chave: tecnologia

'Olimpíadas dos Esteroides': competição que libera uso de anabolizantes e outras substâncias proibidas acontece neste domingo

Publicado em: 23/05/2026 04:01

Atleta australiano que participará do Enhanced Games, que permitirá o uso de anabolizantes. Reprodução/Instagram Atletas olímpicos já são conhecidos por terem capacidades físicas muito além das pessoas comuns, quebrando recordes e levando o corpo humano ao limite. Neste domingo (24), porém, uma nova competição promete ir ainda mais longe: começam as 'Olimpíadas dos Esteroides', evento que permitirá o uso de anabolizantes e outras substâncias proibidas nos jogos tradicionais. Os Enhanced Games (Jogos Aprimorados, na tradução livre) serão realizados em Las Vegas, nos Estados Unidos, e têm uma proposta que desafia diretamente uma das principais bases do esporte moderno: o combate ao doping. Diferente das Olimpíadas e de competições organizadas por federações internacionais, os atletas poderão competir utilizando testosterona, hormônio do crescimento (HGH), esteroides anabolizantes e outras substâncias banidas pela Agência Mundial Antidoping (WADA). Os organizadores afirmam que o objetivo é “abraçar a ciência” e permitir que os atletas ultrapassem os limites naturais do corpo humano de maneira supervisionada. Segundo eles, os competidores passarão por exames médicos constantes e terão acompanhamento clínico durante o evento. A competição terá provas de: natação; atletismo; levantamento de peso; e strongman. 🏋️‍♂️ Strongman é uma modalidade de força extrema que inclui tarefas como puxar caminhões, carregar pedras gigantes, levantar troncos e transportar pesos enormes por longas distâncias. A promessa dos organizadores é quebrar recordes mundiais e transformar os Enhanced Games em uma espécie de “futuro do esporte”. Agora no g1 Competição é criticada O projeto, no entanto, vem sendo alvo de críticas de entidades esportivas e especialistas em saúde. A Agência Mundial Antidoping classificou a ideia como “perigosa e irresponsável”, enquanto médicos alertam para os riscos do uso contínuo de substâncias como anabolizantes e HGH, que podem causar problemas cardíacos, hormonais e psicológicos. Além da polêmica esportiva, as 'Olimpíadas dos Esteroides' também chamam atenção pelas premiações milionárias — algo comum quando se trata de eventos em Las Vegas. Para além do show da banda 'The Killers', os organizadores prometem bônus para atletas que quebrarem marcas históricas, incluindo recompensas em dinheiro que podem chegar à casa de milhões de dólares. Entre os apoiadores do projeto estão empresários do setor de tecnologia e investidores ligados ao Vale do Silício, que defendem a ideia de que o esporte de alto rendimento já convive, nos bastidores, com o uso de substâncias para melhora de performance — e que os Enhanced Games apenas tornam isso explícito. Quem vai participar? Ao todo, são 50 atletas confirmados de 25 nações diferentes. Entre eles, está o nadador australiano James Magnussen, ganhador de três medalhas olímpicas. O atleta abandonou a aposentadoria para competir nos Enhanced Games. Em entrevista à BBC, o nadador afirmou não ter preocupações, apesar de seu físico visivelmente mais musculoso após o uso de substâncias para melhora de desempenho no ano passado ter viralizado na internet. "Aredito que, se houvesse implicações de longo prazo para minha saúde, certamente haveria alguns indicadores de curto a médio prazo que apontariam 'ei, isso não vai bem, você está tendo efeitos colaterais'. Até o momento, não vimos nada disso", disse Magnussen ao jornal britânico. "Como atletas profissionais, já assumimos riscos com nossa saúde naturalmente pelo que fazemos. Não há nada saudável em treinar no limite máximo da capacidade física por 30 horas por semana." Initial plugin text Para além do australiano, também haverá um brasileiro no páreo. Felipe Lima, de 41 anos, estava aposentado das piscinas desde dezembro de 2021, mas retornará às raias neste final de semana. Ele é o recordista sul-americano dos 50m peito em piscina longa, com 26s33, e detém o quarto melhor tempo da história do Brasil nos 100m peito, com 59s17. Felipe Lima, atleta brasileiro que participará do Enhanced Games. Reprodução/Instagram 'Olímpiadas dos Esteroídes': competição que libera uso de anabolizantes e outras substâncias proibidas começa nesse domingo Reprodução/Instagram

Palavras-chave: tecnologia

Intel inicia produção dos chips Xeon 6 Plus Clearwater Forest com até 288 núcleos e foco no 6G

Publicado em: 23/05/2026 04:01 Fonte: Tudocelular

Após anos de teasers e anúncios parciais, a Intel confirmou nesta quinta-feira (21) que a linha Xeon 6 Plus, codinome Clearwater Forest, entrou na fase de produção em massa e chega ao mercado ainda neste ano. Fabricados no avançado processo Intel 18A, visto nas CPUs Core Ultra 300 Panther Lake e Core 300 Wildcat Lake para notebooks, os chips prometem revolucionar data centers com foco em telecomunicações e IA na borda (Edge AI).A linha Xeon 6 Plus Clearwater Forest traz especificações extremas, mirando em entregar processamento multi-core potente com maior eficiência, atendendo a mercados como servidores de borda e telecomunicações, já pensando na era das redes 6G. Os processadores são fabricados com a litografia Intel 18A e combinam tecnologias de ponta como RibbonFET, PowerVia e empacotamento avançado (Foveros Direct3D e EMIB 2.5D).Em termos de especificações, temos apenas E-Cores de alta eficiência por aqui, baseados na microarquitetura Darkmont, mesma da família Panther Lake. Os modelos chegam a até 288 núcleos, distribuídos em 12 chiplets de computação. Para sustentar esse volume de processamento, também estão inclusos:Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Salão de Pequim: g1 testa Leapmotor A10, elétrico mais barato da marca e que pode vir ao Brasil

Publicado em: 23/05/2026 03:00

Leapmotor A10: conheça os detalhes do carro que deve vir ao Brasil A Leapmotor aproveitou o espaço do estande no Salão do Automóvel de Pequim para apresentar o A10. O modelo é um SUV compacto criado para ser o carro elétrico mais barato da marca. Se chegar ao mercado brasileiro, o modelo disputará espaço com BYD Dolphin e Yuan Pro, Chevrolet Spark EUV, GWM Ora 03 e GAC Aion Y — carros que custam entre R$ 144.990 e R$ 182.990. Pela faixa de preço, também tentará atrair consumidores que ainda preferem modelos a combustão, como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Jeep Renegade. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp O g1 testou o carro por alguns minutos em uma pista dentro da fábrica da Leapmotor, na China. No local, foi possível dirigir o veículo sem a necessidade de fazer curso ou obter a habilitação especial exigida para estrangeiros circularem por ruas e estradas do país. O nome B03x não começa com a mesma letra do Leapmotor B10 por acaso. Os dois modelos usam a mesma plataforma e, ao observar apenas a silhueta, têm visual bastante semelhante. (O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.) Leapmotor A10, B03x fora da China divulgação/Leapmotor Ambos têm linhas retas e proporções compactas, mas o B03x é o menor dos dois. Ele é 24 centímetros mais curto, sete centímetros mais estreito e tem distância entre-eixos 13 centímetros menor. Para efeito de comparação, os 4,27 metros de comprimento do A10 são iguais aos do Renegade e sete centímetros maiores que os do T-Cross. No entanto, como o modelo foi projetado desde o início para ser elétrico, a distância entre os eixos é maior que a do Jeep: 2,60 metros, contra 2,56 metros do Renegade. Esses centímetros extras no entre-eixos se refletem em um porta-malas maior, oficialmente anunciado com 602 litros de capacidade. Durante o teste, porém, o espaço pareceu bem menor que os 518 litros do Fiat Fastback, embora claramente superior aos 320 litros do Renegade. Initial plugin text O A10 conta ainda com um compartimento inferior, localizado abaixo de uma tampa. No teste, foi possível acomodar duas mochilas nesse espaço, com folga para outras quatro sem que ficassem apertadas. No visual externo, o Leapmotor A10 segue a fórmula adotada por muitos carros chineses: linhas arredondadas em toda a carroceria, frente com grade fechada e formato pontiagudo, além de maçanetas embutidas, que ajudam na aerodinâmica. Na traseira, há um respiro em relação à falta de criatividade do conjunto. As lanternas parecem ter LEDs “flutuando” sobre um fundo preto, o que reforça o visual futurista. Juntas, elas formam algo parecido com um rosto sorridente. Lanterna traseira do Leapmotor A10, chamado de B03x fora da China divulgação/Leapmotor No interior, o acabamento traz mais superfícies macias ao toque do que plástico rígido. Já o minimalismo, que foi alvo de críticas no B10, também aparece aqui: A chave é um cartão plástico, semelhante a um cartão bancário; Não há controles físicos para o ar-condicionado; Os ajustes dos retrovisores laterais são feitos apenas pela central multimídia; Alguns botões do volante acumulam mais de uma função, alterada pela central multimídia. Minimalismo é regra no Leapmotor A10, chamado de B03x fora da China divulgação/Leapmotor A10 faz só o básico na pista O teste foi feito com uma versão do A10 destinada ao mercado chinês, o que ficou evidente na boa dirigibilidade combinada com uma suspensão mais macia, típica do gosto local. Esse acerto contrasta com a preferência do consumidor brasileiro, que costuma optar por suspensões mais firmes. Isso já levou alguns modelos a mudar, como o BYD Dolphin, que teve a suspensão reforçada nas atualizações da versão vendida no Brasil. O trajeto não incluía curvas fechadas nem permitia ultrapassar os 80 km/h, com exceção de uma reta mais longa. Ainda assim, o carro enfrentou uma sequência de buracos e, nesse cenário, a suspensão mais macia absorveu bem os impactos. Foi nessa mesma reta que apareceu um dos fatores que ajudam a explicar o preço mais baixo do A10: a aceleração é bem mais contida do que a do Leapmotor B10, testado em São Paulo. Leapmotor A10, B03x fora da China, é feito para quatro ocupantes divulgação/Leapmotor A resposta ao acelerador não foi tão lenta quanto a de alguns motores 1.0 ou 1.3 turbo, mas ficou abaixo do que se espera de um conjunto com 204 cv de potência — quase o dobro dos 116 cv do motor 1.0 turbo do Volkswagen Tera, por exemplo. Essa aceleração mais gradual não deve incomodar no uso urbano, mas exige atenção redobrada em ultrapassagens na estrada, com um cálculo mais cuidadoso do “vai dar?” antes de avançar sobre outro veículo. Outra curiosidade: o Leapmotor A10 tem tração traseira, característica que deve ser mantida caso o modelo seja lançado no Brasil, já que outros carros da marca seguem essa configuração. Esse detalhe confere ao carro um comportamento mais esportivo, mas, nos testes realizados em pista fechada, não foi necessário mudar a forma de acelerar nas curvas por causa desse tipo de tração. O carro mostrou controle suficiente para que até alguém sem experiência com veículos de tração traseira pudesse conduzir o A10 com facilidade, sem perceber que o motor não movimenta as rodas dianteiras. Além da experiência ao volante, o Leapmotor A10 apresenta números interessantes. No ciclo chinês, conhecido por ser mais otimista, a autonomia declarada é de 505 km com uma única carga. Em um carregador rápido, é possível ir de 30% a 80% da bateria em 16 minutos. No interior, a central multimídia tem tela de 14,6 polegadas e, junto com outros sistemas do veículo, é comandada pelo mesmo chip Snapdragon usado no Leapmotor B10. O resultado é uma navegação fluida, com animações tão suaves quanto as de smartphones modernos de alto padrão, como o iPhone. Mesmo sendo o modelo mais acessível da marca, o carro conta com 12 alto-falantes distribuídos pela cabine, bancos dianteiros com ventilação e aquecimento, além de um sistema de comandos de voz com inteligência artificial. Leapmotor A10, ou B03x, pode chegar ao Brasil A Leapmotor ainda não tomou a decisão final sobre o lançamento do A10 no Brasil. No entanto, durante o teste na China, a marca informou ao g1 que, caso o modelo chegue ao país, seguirá o padrão adotado em outros mercados e será rebatizado como B03x. Esse sinal indica uma possível previsão de lançamento e reforça a chance de o carro chegar ao mercado nacional, percepção reforçada pela lista de modelos apresentados aos jornalistas. O A10 recebeu mais tempo de destaque do que os demais modelos. Ainda assim, dividiu a atenção dos presentes com outros cinco carros da marca: B05, C16 (já confirmado e exibido no Salão do Automóvel de 2025), B01, C11 e D19.

Palavras-chave: inteligência artificial

Pixel Show: 21ª edição do festival traz criatividade e inovação para Brasília

Publicado em: 23/05/2026 01:00

Em 2024, o evento traz palestras sobre tecnologia e games. Divulgação/Pixel Show Brasília recebe a 21ª edição do Pixel Show, o maior festival de criatividade e inovação da América Latina, neste sábado (23), na Arena Mané Garrincha. O evento tem entrada gratuita e oferece palestra, workshops, experiências imersivas, exposições, feira criativa gratuita, tattoo space e diversas atividades interativas. Pensando nas famílias, o Pixel Show também conta com uma grade direcionada ao público infantil, incluindo workshops criativos e um espaço kids, que estimula imaginação, experimentação e aprendizado de forma lúdica. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Atrações Entre os nomes confirmados estão a jornalista e comunicadora Mari Palma, que aborda criatividade, comunicação e autenticidade na era digital, e Nina Talks, referência em posicionamento estratégico e presença digital. Outro destaque confirmado é Cauê Maia, artista e educador que apresenta uma exposição sobre tecnologia e criatividade. O evento também conta com sharp talks e imersões criativas em áreas como design urbano, visual thinking, novas linguagens artísticas e aplicações tecnológicas. Os participantes também podem conferir a Creative Market, espaço que reúne expositores e atrações, como experiências visuais, instalações interativas, galerias, artes impressas, quadrinhos, moda, tatuagem, live art, games e atividades em XR. Pixel Show Brasília 2026 🗓️ Quando: sábado (23) ⏰ Horário: a partir das 9h, confira programação pelo site 📍 Local: Arena Mané Garrincha — Brasília 🎫 Entrada gratuita, mediante inscrição pelo site Veja o que fazer em Brasília no g1 DF.

Palavras-chave: tecnologia

Virada Cultural de SP terá esquema especial com metrô e CPTM 24 horas, ônibus extras e mais de 9 mil agentes de segurança

Publicado em: 23/05/2026 01:00

Virada Cultural terá atrações em todas as regiões da capital paulista A Virada Cultural 2026 contará com uma operação especial de transporte, segurança e serviços públicos em toda a capital paulista neste sábado (23) e neste domingo (24). Com o tema “O Festival dos Festivais”, o evento terá mais de 1,2 mil atrações distribuídas em 21 palcos e mais de 100 espaços culturais da cidade (confira toda a programação mais abaixo). O esquema prevê reforço nos ônibus municipais, funcionamento ininterrupto do metrô e da CPTM, além de aumento do efetivo de segurança. Na região central, a linha circular 2002/10 terá reforço com 10 ônibus elétricos para facilitar o deslocamento entre os palcos. Também haverá uma linha especial entre a Estação Itaquera e o Parque do Carmo, na Zona Leste, onde ocorre um dos principais shows do evento. No domingo (24), os ônibus municipais funcionarão gratuitamente durante todo o dia pelo programa Domingão Tarifa Zero, da 0h às 23h59. Público no Vale do Anhangabaú, Centro de SP, na Virada Cultural 2025 João de Mari/g1 O metrô e a CPTM vão operar 24 horas durante toda a Virada Cultural. No metrô, estarão abertas para embarque e desembarque as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. Já a CPTM manterá todas as linhas funcionando durante a madrugada, com desembarque e transferência entre 0h e 4h. As estações Sé, São Bento, Anhangabaú e República terão reforço operacional e estratégias para organizar o fluxo de passageiros nos horários de maior movimento. Trens reserva ficarão posicionados em pontos estratégicos para atender possíveis aumentos de demanda. A operação de segurança contará com mais de 9 mil agentes nas ruas, entre policiais militares, guardas civis metropolitanos e seguranças privados. O monitoramento será feito com apoio do programa Smart Sampa, que utiliza mais de 50 mil câmeras espalhadas pela cidade. Segundo a organização, também haverá 900 viaturas da Polícia Militar distribuídas pela capital, além da atuação do Comando de Choque, Corpo de Bombeiros, policiamento de trânsito, drones e torres de observação nos principais pontos do festival. A Polícia Civil também reforçará o atendimento nas delegacias da cidade durante os dois dias do evento. Durante a Virada, a unidade móvel do programa SP Por Todas ficará instalada na Praça Pedro Lessa, no centro da capital, oferecendo orientação jurídica, apoio psicossocial e acolhimento para mulheres em situação de violência. O atendimento ocorrerá no sábado (23), das 17h à meia-noite, e no domingo (24), das 12h às 18h. Confira a programação da Virada Cultural 2026 de SP As informações foram divulgadas pela Prefeitura de São Paulo e estão sujeitas a alterações. CENTRO Palco Vale do Anhangabaú (Avenida São João) Sábado (23/05) 17h — João Carlos Martins 18h — Mocidade Alegre 19h30 — Péricles 22h — Luísa Sonza Domingo (24/05) 0h30 — Manu Chao 3h — Orchestre Poly-Rythmo de Cotonou 5h30 — Western Standard Time 11h — Funmilayo Afrobeat Orquestra 14h — Marina Sena 16h30 — Seu Jorge 18h30 — Alexandre Pires Palco Arouche (Largo do Arouche) Sábado (23/05) 19h — Jadsa 21h — Catto 23h — Brisa Flow e DJ Lys Ventura Domingo (24/05) 1h — Ebony 3h — MC Luanna 5h — Urias 10h — Bruna Mendez 12h — Núbia 14h — Tulipa Ruiz 16h — Ajulliacosta 18h — Céu — show “20 anos” Palco São João (Av. São João, 1.101) Sábado (23/05) 19h30 — Sidney Magal 22h — Odair José Domingo (24/05) 0h30 — Banda Fruto Sensual 3h — Gaby Amarantos 5h30 — Johnny Hooker 8h — Rom Santana 10h30 — Gretchen 13h — Juliana Linhares 15h30 — Otto — show “Otto canta Reginaldo Rossi” 18h — Joelma ZONA SUL Palco 7 Campos - Cidade Ademar (R. do Campo, 118) Sábado (23/05) 17h — Trio Amizade Forró e Cangaço 18h — DJ Izac Soares 19h30 — Ju Marques 21h30 — Michele Andrade Domingo (24/05) 0h — DJ Izac Soares 10h — Jean Carlo e Banda 12h — Os caras do Arrocha 14h30 — Bruninho e Davi 16h30 — Péricles Palco Campo Limpo (R. Dr. Joviano Pacheco de Aguirre, 30) Sábado (23/05) 17h — Reginaldo Samma 18h — DJ Zero Macgaren 19h30 — Kyan 21h30 — Hariel Domingo (24/05) 0h — DJ Zero Macgaren 10h — Jotinha do Forró 14h30 — Kaique e Felipe 16h30 — Guilherme e Santiago Palco Grajaú (R. Prof. Oscar Barreto Filho, 252) Sábado (23/05) 0h — DJ Andrezinho 17h — Crespos Retratos 21h30 — Pagode da 27 Domingo (24/05) 10h — Mana Bela 12h — Fênix — “Funk das Antigas” 14h30 — Fleezus 16h30 — Tasha e Tracie 18h — DJ Andrezinho Palco Heliópolis/Ipiranga (Av. Almirante Delamare, 1.337) Sábado (23/05) 17h — Nego Zé 18h — DJ Seth 011 19h30 — Filho do Piseiro 21h30 — Cristiano Pipow Domingo (24/05) 0h — DJ Seth 011 10h — Grupo Mania 12h — Moa Bina 14h30 — Dy Primeira 16h30 — Vitor Fernandes Palco Jardim Myrna (Av. Antonio Carlos Benjamin dos Santos, 2.945) Sábado (23/05) 17h — Bia Soceck 18h — DJ Liside 19h30 — Cintura de Mola 21h30 — Paula Mattos Domingo (24/05) 0h — DJ Liside 12h — Felipe e Rodrigo 14h30 — Jeito Moleque 16h30 — Pixote Palco M'Boi Mirim (Av. Luiz Gushiken, 2.140) Sábado (23/05) 17h — Tirambaço 18h — DJ Bulgarelli 19h30 — Dexter + Edi Rock 21h30 — Israel e Rodolfo Domingo (24/05) 0h — DJ Bulgarelli 10h — Darlan 12h — Pagode dos Ex 14h30 — Duquesa 16h30 — Gustavo Mioto Palco Parelheiros (Rua Terezinha do Prado Oliveira, 100) Sábado (23/05) 16h — Desejo.com 17h — Phelipe Soares 18h — DJ Poiano Stella 19h — Arlindinho 21h30 — Munhoz e Mariano Domingo (24/05) 0h — DJ Poiano Stella 10h — Neto Trindade 12h — Bruno Rosa 14h30 — Beto Barbosa 16h30 — Clayton e Romário ZONA LESTE Palco Belém (Largo São José do Belém, 108) Domingo (24/05) 9h40 — Coral AD Belém 12h30 — Marcados 14h — Cassiane 15h20 — Eyshila 16h40 — Sarah Farias 17h50 — Ton Carfi Palco Cidade Tiradentes (Rua Inácio Monteiro, 6.900) Sábado (23/05) 17h — Cris Estilo Negona 18h — DJ WJay Domingo (24/05) 0h — DJ WJay 10h — Nego Max 14h30 — Junior Marques 16h30 — Sambô Palco Guaianases (Av. Ribeirão Itaquera, 67) Sábado (23/05) 17h — Poder Bélico da Favela 18h — Dj Rogerião 19h30 — Vitor Kley 21h30 — Beto Barbosa Domingo (24/05) 0h — Dj Rogerião 10h — Quelinah 12h — Doce Encontro 14h30 — Sofia Br 16h30 — Michel Teló Palco São Miguel Paulista (Av. Dep. Dr. José A. Pinotti, 80) Sábado (23/05) 16h — Expressão 17h — Quinta Rasta 18h — DJ Amanda Lig 19h30 — Western 21h30 — Djavu Domingo (24/05) 0h — DJ Amanda Lig 10h — Arthur Freestyle 12h — Léo Maia 14h30 — Latino 16h30 — Luísa Sonza Palco Sapopemba (Av. Arquiteto Vilanova Artigas, 3.547) Sábado (23/05) 17h — Barra da Saia 18h — DJ Cranmary 19h30 — MV Bill 21h30 — Turma do Pagode Domingo (24/05) 0h — DJ Cranmary 10h — Edu Letti 12h — Mato Seco 14h30 — Onze:20 16h30 — Marcelo Falcão Parque do Carmo (Av. Afonso de Sampaio e Sousa, 951) Sábado (23/05) 18h — Dj Carol Selecta Domingo (24/05) 0h — Dj Carol Selecta 10h — Filafro 12h — Pagode da 27 14h — Samba Lado Leste 16h — Thiaguinho ZONA OESTE Palco Butantã (Av. Pirajussara, 3.866) Sábado (23/05) 17h30 — Black Pantera Domingo (24/05) 17h — Biquíni Cavadão ZONA NORTE Palco Freguesia do Ó/Brasilândia (Av. Miguel Conejo, 1.718) Sábado (23/05) 17h — Morro da Casa Verde 17h30 — Banda 51 18h — DJ Afro Tati 19h30 — Léo e Jr 21h30 — Titãs Domingo (24/05) 0h — DJ Afro Tati 9h30 — Coral Degraus e convidado 11h — Polenta Rock Show 12h — Arlindinho 14h30 — Demônios da Garoa 16h30 — Sidney Magal Palco Parada Inglesa (Av. Luiz Dumont Villares, 1.556) Sábado (23/05) 17h — Acadêmicos do Tucuruvi 17h30 — Ana Cañas 18h — DJ Seed Selector 19h30 — Bicho de Pé 21h30 — Wanessa Domingo (24/05) 0h — DJ Seed Selector 10h — Davi Cartaxo 10h — Neto Trindade 12h — Simoninha 14h30 — BenzaDeus 16h30 — Mumuzinho Thiaguinho, Luiza Sonza, Alexandre Pires, Marina Sena e Gustavo Mioto são algumas das atrações da Virada Cultural de 2026 em São Paulo. Reprodução/Redes Sociais Organização Uma novidade da Virada Cultutal é que pela primeira vez o Masp vai funcionar de graça para o evento, inclusive durante a madrugada. Equipamentos como o Theatro Municipal e a Biblioteca Mário de Andrade também ficarão abertos ininterruptamente até as 18h de domingo. Já no Theatro Municipal, que volta a participar da Virada, artistas consagrados devem apresentar álbuns marcantes de suas carreiras na íntegra – caso de Evinha, com o disco "Cartão Postal" (1971), Claudya, com o álbum "Deixa eu Dizer" (1973) e Di Melo com seu álbum homônimo de estreia (1975). Ao término das apresentações no sábado, às 23h, haverá ônibus e metrô para transportar o público desses palcos até o Centro, onde a programação continua durante a madrugada. Apesar da ampliação do circuito e da programação, o custo do evento será menor do que no ano passado. A prefeitura prevê investimento de R$ 40 milhões, contra cerca de R$ 60 milhões em 2025. A redução, segundo o secretário Totó Parente, foi possível graças a parcerias institucionais com entidades que bancam parte das atrações. Ao todo, são cerca de 200 parceiros envolvidos, entre eles o Sesc, museus, centros culturais estrangeiros, consulados e governos estaduais. Ainda de acordo com o secretário, 80% dos artistas contratados são independentes, e 20% consagrados, com investimento aproximado de R$ 15 milhões apenas em curadoria. A Virada terá estrutura similar à do ano passado, mas, segundo a prefeitura, houve um incremento de 33% no número de banheiros químicos. Em relação ao transporte, o metrô terá funcionamento 24 horas e 50 linhas noturnas de ônibus terão as frotas reforçadas. A prefeitura anunciou um aumento de 47% no efetivo da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que terá 2,8 mil agentes nas ruas. Ainda haverá 4,8 mil policiais militares e 2 mil seguranças privados em atuação. O esquema também envolve drones e câmeras com tecnologia de reconhecimento facial nos 21 palcos principais.

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