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Criança do AC com mutação genética rara faz cirurgia após doação de Gusttavo Lima: 'Vibrações positivas'

Publicado em: 19/10/2025 07:01

Criança do AC com mutação genética passa por cirurgia após doação do cantor Gusttavo Lima A família de Bruno Vinícius Troiani Teixeira, carinhosamente chamado por 'Bruninho', de 11 anos, tem mais um motivo pra comemorar. É que a criança, que nasceu com uma mutação no gene KCNQ5, localizado no cromossomo 6, já está em casa após uma cirurgia complexa chamada estimulação cerebral profunda (DBS). O caso repercutiu após o cantor Gusttavo Lima se sensibilizar com a história da família. Ao saber que ainda faltavam R$ 260 mil para o custeio da cirurgia, o artista prometeu arcar com o valor restante durante um show na ExpoJuruá, no dia 2 de julho. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A mutação genética provoca atraso global no desenvolvimento e enquadra Bruninho no espectro autista, além de outras comorbidades. A mais grave era a epilepsia farmacorresistente, que causava crises severas e frequentes no menino. Com o dinheiro arrecadado, a família viajou para Porto Alegre (RS), onde o procedimento foi feito no Hospital Moinhos de Vento, o único da América Latina com a tecnologia necessária, segundo o pai. “Controlando as crises, o Bruno pode ter ganhos em várias áreas. Há casos em que o controle chega a 70% e, em alguns, até à cura total. Tenho muita fé em Deus de que o Bruninho vai alcançar isso”, disse Marcus Vinícius. LEIA MAIS: Síndrome rara faz acreana de 2 anos ter fome insaciável: 'Precisa ser acompanhada pro resto da vida' Família de acreana com síndrome rara intensifica terapias para estimular desenvolvimento: 'Fome não é 5% das dificuldades' Antes da cirurgia, Bruninho passou por um exame de imagem detalhado (PET Scan) e por avaliações de risco cirúrgico. A cirurgia durou cerca de cinco horas e envolveu uma equipe de 12 profissionais, entre cirurgiões, anestesistas, enfermeiros e técnicos, com o auxílio de um braço robótico. Foram implantados dois eletrodos no núcleo do tálamo e um marca-passo cerebral. Bruno Vinícius Troiani Teixeira, de 11 anos, nasceu com uma mutação no gene KCNQ5, localizado no cromossomo 6 Reprodução/Rede Amazônica Mutação no gene KCNQ5 A família, que mora em Cruzeiro do Sul, interior do Acre, obteve o diagnóstico quando o garoto tinha quatro anos e dez meses, por meio do exame genético chamado sequenciamento do exoma. Ao longo dos anos, os pais testaram oito medicamentos diferentes e também o canabidiol, mas sem sucesso. Diante do sofrimento do filho, o pai, Marcus Vinícius Teixeira, iniciou uma vaquinha virtual para custear a cirurgia. O tratamento é indicado em casos graves de epilepsia e consiste na implantação de eletrodos em regiões específicas do cérebro para reduzir as crises. Bruno Vinícius Troiani Teixeira, de 11 anos, nasceu com uma mutação no gene KCNQ5, localizado no cromossomo 6 Reprodução/Rede Amazônica Após o procedimento cirúrgico, segundo o pai do garoto, a expectativa é de melhora significativa nas crises, no sono e na parte cognitiva. De volta a Cruzeiro do Sul desde o dia 8 de outubro, Bruninho retomou o convívio com familiares e amigos. “Graças às orações de pessoas que nem conhecíamos, recebemos mensagens, vibrações positivas e isso nos deu força no momento da cirurgia, e com certeza também tranquilizou o Bruninho”, completou o pai. VÍDEO: g1

Palavras-chave: tecnologia

Observatório Antares promove Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em Feira de Santana; veja programação

Publicado em: 19/10/2025 07:01

Observatório Antares, em Feira de Santana Divulgação/Uefs O Observatório Astronômico Antares (OAA) promove a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) em Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. O evento será realizado de terça (21) a quinta-feira (23), das 9h às 12h e das 14h às 17h, na sede do observatório, localizada no bairro Jardim Cruzeiro. Com o tema “A origem da vida e o ambiente marinho”, a programação é voltada para estudantes e professores de escolas públicas e privadas, mas também estará aberta ao público, que poderá participar das atividades sem necessidade de agendamento prévio. Para grupos com mais de 10 pessoas, o agendamento deve ser feito por meio do site do observatório. As atividades incluem exposições, mostras e oficinas. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região Durante os três dias, o público poderá participar de um circuito expositivo e interativo. O percurso começa com o painel em grafite sobre a origem da vida, instalado no muro do observatório, e segue com mostra de fósseis, sessões de planetário e exposições temáticas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entre as atrações, estão: Exposição da Embasa, sobre o tratamento da água; Mostra “Entre rochas e águas: o tesouro negro”, que aborda o petróleo, sua origem, extração, impactos ambientais e ações mitigadoras — resultado de parceria entre o Museu Geológico da Bahia (MGB), o programa PopGeo da UEFS e o Museu Antares; Oficina “Oceano em Mudança: Refletir e Agir”, que discutirá a poluição marítima e possíveis ações de limpeza dos oceanos. Ao longo da semana, serão debatidos temas como a origem da vida nos oceanos, a preservação marinha e os desafios ambientais diante das mudanças climáticas, em uma proposta educativa e interativa que busca aproximar a ciência da comunidade. O evento é organizado pelo Museu Antares de Ciência e Tecnologia (MACT) e conta com o apoio de instituições parceiras como a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), o Museu Geológico da Bahia, a Organização Socioambientalista Pró-Mar e o Projeto Tamar. LEIA MAIS: Planetário da Ufba inicia programação gratuita; ação permite público observar eclipse lunar e equinócio de primavera Programa oferece capacitação em tecnologia exclusiva para mulheres em Feira de Santana; saiba como participar 'BioFemme': projeto incentiva estudantes a se tornarem cientistas em cidades da Bahia Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻

Palavras-chave: tecnologia

Quer viver mais? Conheça conceito aplicado aos empreendimentos M Vituzzo

Publicado em: 19/10/2025 06:01

O conceito de wellness vem transformando o modo de pensar os espaços de moradia, e na M Vituzzo ele se tornou parte da própria essência construtiva. Há 15 anos, a empresa adota a inovação e a saúde como fundamentos do que produz. Cada empreendimento é projetado e executado com o objetivo de oferecer qualidade de vida para todas as pessoas que habitam os espaços: crianças, jovens, adultos e idosos. Bosque Encantado do Next Home M Vituzzo Mais do que erguer edifícios, a M Vituzzo entende a construção como um processo que deve gerar impacto positivo no cotidiano. Desde a escolha dos terrenos e localizações premium até a entrega das unidades, cada decisão considera como a estrutura e o uso dos ambientes podem contribuir para o conforto e a vitalidade dos moradores. Inovação aplicada à longevidade Nos empreendimentos da marca, o wellness se traduz em soluções que unem tecnologia, mobilidade e convivência. O Next Home, por exemplo, integra natureza e cidade, com áreas voltadas à socialização e ao lazer, promovendo equilíbrio e conexão com o entorno. Já o Le Monde introduz o conceito Longlife, que incorpora tecnologias e flexibilidade de layout para acompanhar diferentes etapas da vida, permitindo que a moradia evolua junto com o morador. Fitness by CIA Athletica no Kingdom Towers M Vituzzo O Kingdom Towers leva o wellness à escala da experiência física, com infraestrutura completa para saúde e lazer e parceria com a Cia. Athletica, reforçando o compromisso da M Vituzzo com a longevidade e o movimento. No Art Paisage, o conceito se expande para o coletivo: o diálogo com a arte e com o Parque da Cidade transforma o entorno em extensão da casa, promovendo equilíbrio entre urbanidade e natureza. Construir para o tempo e para as pessoas Serena, o novo empreendimento no bairro Vila Adyana M Vituzzo O Serena, breve lançamento no terreno do antigo ginásio do Tênis Clube, é a continuidade dessa visão. Com o conceito “o futuro do bem-estar”, o empreendimento será o primeiro de São José dos Campos com a certificação internacional Fitwel, acreditada para projetos que promovem a saúde e qualidade de vida. Tal iniciativa, reforça o compromisso da M Vituzzo com o desenvolvimento urbano de São José dos Campos, ao mesmo tempo em que oferece espaços que acompanham o ritmo da vida em todas as idades. Clique aqui para saber mais sobre o Serena e antecipar-se ao lançamento! Na M Vituzzo, o wellness é mais do que uma tendência. É a compreensão de que construir é cuidar do tempo, do espaço e das pessoas. Cada projeto nasce com o propósito de garantir que a vida dentro dos empreendimentos seja plena, saudável e sustentável, hoje e nas próximas gerações. Conheça nossos empreendimentos aqui ou fale diretamente com nossos executivos.

Palavras-chave: tecnologia

Câmara de BH tem semana tensa sob acusações de boicote e retaliação política

Publicado em: 19/10/2025 06:01

Painel de votação para os vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte. Cláudio Rabelo/CMBH A última semana foi marcada por tensões e acusações de boicote por motivações políticas na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Vereadores de vários partidos afirmam que disputas político-ideológicas têm interferido no andamento dos projetos na Câmara, atingindo tanto a presidência da Casa quanto a Comissão de Legislação e Justiça (CLJ). Segundo parte dos parlamentares, o presidente Juliano Lopes (Podemos) tem deixado de incluir em pauta propostas já prontas para votação, em retaliação a colegas que se afastaram do grupo da chamada família Aro. Lopes nega a denúncia. (entenda mais abaixo) Outra denúncia vem sendo promovida por integrantes da bancada formada por PT e Psol, que acusam a CLJ de aplicar critérios diferentes conforme o autor e o tema das proposições, barrando projetos de caráter social e de esquerda. O presidente da Comissão diz que segue critérios técnicos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Impasse no plenário Parte dos vereadores afirma que projetos já aprovados em comissões e prontos para votação não estão sendo incluídos na pauta do Plenário. O principal exemplo citado por interlocutores ouvidos pelo g1 é o do vereador Lucas Ganem (Podemos), que diz ter diversas proposições paradas há meses, mesmo após reiterados pedidos para votação. Ganem e aliados atribuem a situação a retaliações políticas. No início do ano, ele contrariou os interesses do grupo ligado à família Aro, ao votar em Bruno Miranda (PDT) na eleição da mesa diretora, em vez de apoiar o correligionário de partido, que acabou eleito. Segundo o parlamentar, o grupo, que reúne cerca de 11 vereadores e tem proximidade com o Executivo municipal, tenta enfraquecê-lo politicamente. "Tenho dificuldade em acreditar que o presidente Juliano Lopes, um homem tão experiente, tão conhecedor das dores de ter bons projetos engavetados, reproduziria a mesma prática que tanto criticou no passado. Seria, no mínimo, um curioso exercício de memória seletiva", afirmou Ganem. Atualmente, 130 projetos de lei aguardam apreciação em Plenário, sendo 114 deles protocolados em 2025. Entre as propostas paradas estão textos voltados à causa animal e às pessoas com deficiência. Os parlamentares que fazem as denúncias são, em sua maioria, aliados do ex-presidente da Casa, Gabriel Azevedo (MDB), que já foi adversário político do grupo Aro, mas as reclamações também se estendem a vereadores de outras correntes, que preferiram não se identificar. Eles defendem que o andamento das proposições deve ser definido por critérios técnicos, e não por disputas internas. 🔎 O grupo político que dá sustentação à atual mesa diretora é liderado por Professor Juliano Lopes e tem como principal articulador o secretário de Estado da Casa Civil, Marcelo Aro (PP). 🔎 Desde que Álvaro Damião (União Brasil) assumiu a Prefeitura, aliados da família Aro passaram a ocupar cargos estratégicos na administração municipal, e projetos de interesse do Executivo têm avançado com mais facilidade, como foi o caso da redução da distância mínima para construções às margens de rodovias e o uso de áreas públicas para a construção de um complexo hospitalar estadual. Em nota, o presidente da Câmara afirmou que a definição da pauta de votações é uma atribuição da presidência, conforme o Regimento Interno, e ocorre após consulta ao Colégio de Líderes. Disse que a prerrogativa serve para organizar os trabalhos legislativos de acordo com critérios como urgência, impacto, viabilidade técnica e necessidade de articulação política. "É natural que projetos de diferentes autores tenham tempos distintos de tramitação. Alguns demandam maior debate, enquanto outros aguardam análise de impacto orçamentário ou jurídico ou mesmo a coleta de subsídios para a produção de emenda hábil a sanar eventuais vícios, e há ainda aqueles que demandam consenso político para avançar - o que faz parte do processo democrático", disse Lopes. Afirmou ainda que todas as proposições que concluíram as etapas técnicas estão aptas a votação e serão pautadas conforme a prioridade definida em diálogo com as lideranças, ressaltando o compromisso da Mesa Diretora em garantir celeridade às matérias de interesse da cidade. Nesta semana, Lopes se afastou da presidência para assumir interinamente a Prefeitura, durante viagem oficial de Damião. A cadeira foi ocupada por Fernanda Altoé (Novo), que, segundo interlocutores ligados ao grupo que fez a denúncia, também não pautou os projetos, mesmo aqueles acordados para entrarem em pauta. Vereadores Professor Juliano Lopes (Podemos), à esquerda da foto, e Lucas Ganem (Podemos), à direita da foto. Karoline Barreto + Cristina Medeiros/CMBH Disputa na CLJ Parlamentares da bancada de esquerda, formada por PT e Psol, também denunciam o que chamam de uso político da Comissão de Legislação e Justiça (CLJ). Segundo eles, o colegiado adotou critérios desiguais na análise de projetos, aprovando propostas alinhadas a determinados grupos e barrando outras por motivações ideológicas. Em plenário, a vereadora Juhlia Santos (Psol) cita dois exemplos recentes: o projeto que instituía o Dia Municipal das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé e o que criava a Política Municipal de Saúde Integral da População LGBTI+, ambos rejeitados pela comissão. "Outros projetos com a mesma estrutura, aprovados recentemente pela própria comissão, foram considerados válidos, inclusive propostas que criam novas políticas de saúde e assistência social. Quando o tema é proposto por mim e envolve a população LGBTI+, de repente, o rigor técnico aumenta e os critérios mudam", alegou Juhlia. O presidente da comissão, Uner Augusto (PL), reagiu às críticas e defendeu o trabalho do colegiado, que é composto por cinco membros. “Das 419 proposições apreciadas até o momento, 88 foram de autoria de parlamentares identificados com o campo político da esquerda, e apenas 11 delas (12,5%) receberam parecer pela inconstitucionalidade. Esses números demonstram, de forma objetiva, que não há qualquer tipo de perseguição política ou seletividade nas análises da CLJ”, defendeu Uner. O parlamentar reforçou, ainda, que as decisões são técnicas e que mantém diálogo com todos os vereadores da casa, sem distinção, e reafirma o compromisso da Comissão com a “segurança jurídica, a qualidade legislativa e o respeito à pluralidade política”. Vereadora Juhlia Santos (Psol), à esquerda da foto, e vereador Uner Augusto (PL), à direita da foto. Cláudio Rabelo/CMBH Vídeos mais assistidos do g1 MG

Palavras-chave: câmara municipal

Empresas do agro se preparam para Exposição-feira Agropecuária de Roraima

Publicado em: 19/10/2025 06:01

Tratores que serão expotos na Expoferr 2025 em Roraima Reprodução/Amazônia Agro Empresas que comercializam produtos do ramo do agronegócio se preparam para Exposição-feira Agropecuária de Roraima (Expoferr), que ocorre entre os dias 4 e 8 de novembro de 2025, no Parque de Exposições Dandãezinho, localizado no Monte Cristo. O assunto foi destaque no Amazônia Agro deste domingo (18). O evento reúne produtores, empresas e investidores de Roraima e de outras regiões do país. Tudo é planejado com antecedência para reforçar os estoques, atender à demanda e garantir boas oportunidades de negócio. Ao menos meio milhão pessoas devem passar pela feira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Com experiência no setor, a empresa do engenheiro agrônomo Acássio Brito vai participar do evento. Ele enxerga no evento uma oportunidade de ampliar os negócios e fortalecer parcerias. "A gente já participou nos anos de 2023, 2024 e 2025 agora. Vamos lá com força total para representar o melhor de tecnologia agrícola, falando em drone no estado de Roraima", afirmou Acássio. LEIA TAMBÉM: Agronegócio, produção rural: tudo sobre o Amazônia Agro Expoferr 2025 será de 4 a 8 de novembro e deve reunir meio milhão de pessoas João Gomes, Zé Felipe, Murilo Huff e mais quatro são atrações da Expoferr O público pode esperar novidades para o campo, com foco em estratégias e tecnologias voltadas a quem deseja investir em grandes máquinas e inovação agrícola. O assistente de marketing Caio Lopes destacou que a feira é uma oportunidade de apresentar as novidades do setor a um público diversificado. "A gente aproveita que a Expoferr tem uma participação absurdamente grande de agricultores, de gestores de outros estados para abraçar e oferecer nossos serviços e nossos produtos. Nós temos a tecnologia muito grande na nossa linha de tratores, nós temos plantadeiras, colheitadeiras, pulverizadores e todas essas máquinas têm um altíssimo grau de tecnologia”, disse Caio. 🌱 Em 2025, a Expoferr tem com tema "Colhendo o progresso, semeando o futuro!". O evento, que é organizado pela Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi), teve investimento de R$ 15 milhões. A feira terá sete atrações nacionais: Taty Girl, Murilo Huff, Natanzinho Lima, Manu Bahtidao, Forró Anjo Azul, João Gomes e Zé Felipe. Além disso, programação inclui espaço infantil, praça de alimentação, vendas de produtos da agricultura familiar, além dos tradicionais rodeios e leilões de animais. Expoferr Show 2025 ocorrerá entre os dias 4 e 8 de novembro Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Palavras-chave: tecnologia

Veja o que está proibido e o que pode levar para a prova do Exato

Publicado em: 19/10/2025 06:01

Estudantes durante a aplicação do Exato, na UFT Anne Karoline/Sucom-UFT Neste domingo (19) mais de 12 mil candidatos vão fazer as provas da 2ª edição do Exame de Acesso ao Ensino Superior do Tocantins (Exato), em 2025. É preciso estar atento às exigências do edital para não correr o risco de desclassificação antes e durante a aplicação das provas. Conforme o edital, as provas vão ocorrer nas cidades de Araguaína, Araguatins, Arraias, Colinas, Dianópolis, Formoso do Araguaia, Gurupi, Lagoa da Confusão, Miracema, Palmas, Paraíso do Tocantins, Pedro Afonso, Porto Nacional e Tocantinópolis. Pela manhã, os portões dos locais de prova fecham às 8h, e os cadernos começam a ser entregues a partir das 8h10. À tarde, o limite para realizar a prova será menor, sendo apenas três horas. A entrar nas unidades será permitido até as 14h30. Os candidatos devem chegar com uma hora de antecedência, para que não percam o horário de fechamento dos portões. Será permitido o uso de caneta somente na cor preta, de material transparente. O uso de lápis, lapiseira, marca-texto, corretivo ou borracha está proibido. O candidato que for surpreendido dando ou recebendo auxílio para a execução das provas, usando equipamentos eletrônicos como celulares, tablets, calculadoras ou similares, será desclassificado. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Confira aqui os locais das provas O que é o Exato O exame é realizado pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) para servir como meio para ingresso em cursos de graduação. Além da UFT, os candidatos também podem disputar vagas na Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT) e no Instituto Federal de Educação (IFTO). Com a nota do Exato, os participantes poderão concorrer aos processos seletivos que serão anunciados por cada instituição durante o primeiro semestre letivo de 2026. Provas e gabarito As provas serão compostas por 80 questões de múltipla escolha, divididas em quatro áreas do conhecimento, além da redação. Durante a manhã, os candidatos vão ter quatro horas para responder 20 questões de linguagens, códigos e suas tecnologias, 20 de ciências humanas e suas tecnologias, além de fazer uma redação. A partir das 14h40, os candidatos deverão responder 20 questões sobre matemática e suas tecnologias e outras vinte sobre ciências da natureza e suas tecnologias. A publicação das provas e dos gabaritos provisórios deve sair na segunda-feira (20), pelo site da universidade. LEIA MAIS: Prefeitura de Palmas envia LDO à Câmara com previsão de orçamento de R$ 2,7 bilhões Delegacia no Tocantins tem casos de violência doméstica sem investigação, inquéritos parados e prescritos, diz MP Quais documentos levar De acordo com o edital, os participantes vão ter que apresentar um documento de identificação original com foto. Veja quais serão aceitos no edital. Caso o participante esteja impossibilitado de apresentar documento de identidade original, por motivo de perda, roubo ou furto, ele deverá apresentar documento impresso (original e cópia) que ateste o registro da ocorrência em órgão policial (B.O.), expedido há no máximo 60 dias. Não serão aceitos documentos como certidões de nascimento, CPF, títulos eleitorais, carteiras de motorista (modelo sem foto), carteiras de estudante, carteiras funcionais sem valor de identidade, nem documentos ilegíveis, não identificáveis e/ou danificados. Também não serão aceitas cópias do documento de identidade, ainda que autenticada, nem protocolo do documento. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins. VEJA TAMBÉM: Estudantes se preparam para as provas da segunda edição do Exato 2025 Estudantes se preparam para as provas da segunda edição do Exato 2025

Palavras-chave: tecnologia

PowerToys 0.95.0 é liberado com mudança automática de tema e mais

Publicado em: 19/10/2025 05:18 Fonte: Tudocelular

Ferramenta conhecida de longa data para desbloquear novas funcionalidades no Windows, o Microsoft PowerToys vem constantemente ganhando atualizações que tornam o projeto cada vez mais robusto e relevante para quem gosta de personalizar e turbinar o sistema operacional. Depois de ter seu novo visual revelado e alinhado com o Windows 11 e de ter recebido uma grande atualização recente, o PowerToys chegou oficialmente à versão 0.95.0 com a inclusão de uma nova forma de gestão de temas que promete agradar especialmente quem não gosta de ficar preso ao modo claro ou escuro.Segundo o changelog oficial, o destaque fica com a chegada do utilitário Light Switch que permite que temas claros e escuros sejam alternados automaticamente no Windows com base na hora do dia, favorecendo assim o maior conforto visual durante o uso em longos períodos, usando o relógio como base para a alteração.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

Como a IA generativa pode mudar a forma como pensamos e falamos

Publicado em: 19/10/2025 05:01

Uso de IA na saúde. Freepik Não há dúvida de que a inteligência artificial (IA) terá um impacto profundo em nossas economias, trabalho e estilo de vida. Mas será que essa tecnologia também poderá moldar a maneira como pensamos e falamos? A IA pode ser usada para redigir redações e resolver problemas em meros segundos que, de outra forma, levariam minutos ou horas. Quando passamos a confiar excessivamente nessas ferramentas, é provável que deixemos de exercitar habilidades essenciais, como o pensamento crítico e nossa capacidade de usar a linguagem de forma criativa. Os precedentes das pesquisas em psicologia e neurociência sugerem que devemos levar essa possibilidade a sério. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O ChatGPT está nos deixando burros? Há vários precedentes para a tecnologia reconfigurar nossas mentes, em vez de apenas auxiliá-las. Pesquisas mostram que as pessoas que dependem de GPS tendem a perder parte de sua capacidade de formar mapas mentais. Antes do advento da navegação por satélite, os motoristas de táxi de Londres memorizavam centenas de ruas. Como resultado, esses motoristas desenvolveram hipocampos aumentados. O hipocampo é a região do cérebro associada à memória espacial. Em um de seus estudos mais marcantes, o psicólogo russo Lev Vygotsky examinou pacientes que sofriam de afasia, um distúrbio que prejudica a capacidade de entender ou produzir a fala. Quando solicitados a dizer que “a neve é preta” ou a dizer o nome errado de uma cor, eles não conseguiam. Suas mentes resistiam a qualquer separação entre palavras e coisas. Vygotsky via isso como a perda de uma habilidade fundamental: usar a linguagem como um instrumento para pensar de forma criativa e ir além do que nos é dado. Será que o excesso de confiança na IA pode gerar problemas semelhantes? Quando a linguagem vem pré-embalada em telas, feeds ou sistemas de IA, o vínculo entre o pensamento e a fala pode começar a enfraquecer. Na educação, os alunos estão usando IA generativa para escrever redações, resumir livros e resolver problemas em segundos. Em uma cultura acadêmica já moldada pela competição, métricas de desempenho e resultados rápidos, essas ferramentas prometem eficiência ao custo da reflexão. Muitos professores reconhecem aqueles alunos que produzem textos eloquentes e gramaticalmente impecáveis, mas revelam pouca compreensão do que escreveram. Isso representa a erosão silenciosa do pensamento como uma atividade criativa. As pessoas que se recusam a usar IA Soluções rápidas Uma revisão sistemática, publicada em 2024, constatou que o excesso de confiança na IA afetou as habilidades cognitivas das pessoas, pois cada vez mais os indivíduos privilegiam soluções rápidas em detrimento das lentas. Um estudo que pesquisou 285 alunos de universidades no Paquistão e na China descobriu que o uso da IA afetava negativamente a tomada de decisões humanas e tornava as pessoas preguiçosas. Os pesquisadores disseram: “A IA executa tarefas repetitivas de forma automatizada e não permite que os humanos memorizem, usem habilidades mentais analíticas ou usem a cognição.” Há também um extenso trabalho sobre o desgaste do idioma. Trata-se da perda de proficiência em um idioma que pode ser observada em cenários do mundo real. Por exemplo, as pessoas tendem a perder a proficiência em seu primeiro idioma quando se mudam para um ambiente onde se fala um idioma diferente. O neurolinguista Michel Paradis diz que “o desgaste é o resultado da falta de estímulo a longo prazo”. O psicólogo Lev Vygotsky acreditava que o pensamento e a linguagem co-evoluíram. Eles não nasceram juntos, mas, por meio do desenvolvimento humano, fundiram-se no que ele chamou de pensamento verbal. De acordo com esse cenário, a linguagem não é um mero recipiente para ideias, mas é o próprio meio pelo qual as ideias tomam forma. A criança começa com um mundo cheio de sensações, mas pobre em palavras. Por meio da linguagem, esse campo caótico torna-se inteligível. À medida que crescemos, nossa relação com a linguagem se aprofunda. A brincadeira se torna imaginação e a imaginação se torna pensamento abstrato. O adolescente aprende a traduzir emoções em conceitos, a refletir em vez de reagir. Essa capacidade de abstração nos libera do imediatismo da experiência. Ela nos permite nos projetar no futuro, remodelar o mundo, lembrar e ter esperança. Mas esse relacionamento frágil pode se deteriorar quando a linguagem é ditada em vez de descoberta. O resultado é uma cultura de imediatismo, dominada pela emoção sem compreensão, pela expressão sem reflexão. Os alunos, e cada vez mais todos nós, corremos o risco de nos tornarmos editores do que já foi dito, onde o futuro é construído apenas a partir de fragmentos reciclados dos dados de ontem. As implicações vão além da educação. Quem controla a infraestrutura digital da linguagem também controla os limites da imaginação e do debate. Entregar a linguagem aos algoritmos é terceirizar não apenas a comunicação, mas também a soberania - o poder de definir o mundo que compartilhamos. As democracias dependem do trabalho lento de pensar por meio de palavras. Quando esse trabalho é substituído pela fluência automatizada, a vida política corre o risco de se dissolver em slogans gerados por ninguém em particular. Isso não significa que a IA deva ser rejeitada. Para aqueles que já formaram uma relação profunda e reflexiva com a linguagem, essas ferramentas podem ser aliadas úteis - extensões do pensamento em vez de substitutas. O que precisa ser defendido é a beleza conceitual da linguagem: a liberdade de construir significado por meio da própria busca por palavras. No entanto, defender essa liberdade exige mais do que conscientização — exige prática. Para resistir ao colapso do significado, devemos restaurar a linguagem à sua dimensão viva e corporal, o trabalho difícil e prazeroso de encontrar palavras para nossos pensamentos. Somente assim poderemos recuperar a liberdade de imaginar, deliberar e reinventar o futuro. *Antonio Cerella é professor sênior de Estudos Sociais e Políticos na Notthingham Tren University. **Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation Brasil.

Entenda como tecnologia brasileira dobrou tempo de conservação de órgãos para reduzir filas de transplantes

Publicado em: 19/10/2025 05:01

Tecnologia dobra tempo de conservação de órgãos para reduzir filas de transplantes Uma tecnologia desenvolvida no Brasil está transformando o transporte de órgãos para transplante. A caixa Taura, criada por uma empresa de Santa Rosa, na Região Noroeste do RS, monitora temperatura, permite rastreamento em tempo real e já foi usada com sucesso em procedimentos complexos. À primeira vista, parece uma maleta comum. Mas por dentro, reúne tecnologia de ponta. O equipamento conta com um compressor que trabalha em 12 volts e controladores homologados para manter a temperatura ideal. "Esse equipamento atende a todos os requisitos para transporte de órgãos. Ele mantém a temperatura dentro do range esperado e com uma homogeneidade incomparável", explica Nerci Link, diretor da empresa fabricante. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A caixa é equipada com baterias internas, sensores e um sistema de monitoramento remoto. Isso permite acompanhar a temperatura e a localização do órgão em tempo real, garantindo segurança durante todo o trajeto. Diferente das tecnologias usadas em outros países, que são descartáveis e caras, o modelo brasileiro é reutilizável e tem custo reduzido. A Taura substitui o método tradicional com gelo, ainda usado na maioria dos casos, e elimina riscos de congelamento. Além disso, dobra o tempo em que o órgão pode ficar fora do corpo: de quatro para oito horas. Segundo o médico Juglans Alvarez, do Instituto de Cardiologia do RS, o ajuste ideal de temperatura evita complicações. "Quando o órgão fica muito tempo perto do gelo, ele congela. Depois do descongelamento, o coração pode ficar fraco e não recuperar", afirma. Essa tecnologia já foi usada no transporte de três corações entre estados. Em um dos casos, o trajeto foi mais longo que o convencional, e o órgão manteve plena funcionalidade após o transplante. "É uma revolução que tem acontecido fora do Brasil e agora estamos fazendo acontecer aqui também", completa Juglans. Caixa tem tecnologia permite transporte de órgãos em longas distâncias Reprodução/RBS TV Histórias de quem ganhou uma nova vida O impacto é visível. Só no Instituto de Cardiologia, em Porto Alegre, foram realizados sete transplantes de coração em um mês e meio, quase o dobro da média anual, que era quatro. Entre os pacientes beneficiados está Rodrigo Martínez Moura, comerciante de Uruguaiana. "Acordo todo dia com mais ânimo, não tenho mais falta de ar. É outra vida", diz. Márcio Balen, motorista de aplicativo, também comemora. "Antes eu dormia sentado, faltava ar. Agora posso respirar direito. Vida nova", relata. Para as famílias, o sentimento é de gratidão. "Presente de Deus no dia do meu aniversário, a vida do meu filho", disse Rosa Martínez Moura, mãe de Rodrigo. De acordo com o Ministério da Saúde, o estado realizou 961 transplantes de órgãos e tecidos no primeiro semestre de 2025, sendo oito de coração, 65 de fígado, 20 de pulmão, 262 de rim, 511 de córnea e 95 de medula óssea. O resultado acompanha o avanço nacional, que atingiu 14,9 mil transplantes no período, um crescimento de 21% em relação a 2022. Apesar do bom desempenho, o Ministério alerta que o número poderia ser ainda maior, já que 45% das famílias brasileiras ainda recusam a doação. O Rio Grande do Sul realizou 961 transplantes de órgãos e tecidos no primeiro semestre de 2025 Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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De revolução arquitetônica a fracasso imobiliário: 1º 'prédio giratório' do mundo tem futuro incerto após duas décadas

Publicado em: 19/10/2025 04:01

Conheça o prédio giratório de Curitiba Concebido para permitir ao morador mudar de ambiente e também a vista da janela com apenas um comando de voz, o Edifício Suite Vollard, em Curitiba (PR), representou uma revolução para a arquitetura e tecnologia imobiliária no final dos anos 1990. Em 2004, quando foi lançado, ele foi anunciado como o primeiro prédio giratório do mundo. Apesar da proposta inovadora, o edifício não teve sucesso comercial e está abandonado há anos. 🏗️🧱O edifício de 11 andares em formato cilíndrico fica no bairro Mossunguê e começou a ser idealizado em 1994. As obras duraram de 1998 a 2004. Mas qual foi a inovação arquitetônica? Cada andar tem um único apartamento e pode girar 360 graus de forma independente em relação aos demais. O projeto permite, inclusive, que dois andares girem ao mesmo tempo em sentidos opostos. Esse movimento é impulsionado por um pequeno motor. Prédio giratório de Curitiba Divulgação/Arquivo RPC ✅ Siga o canal do g1 Paraná no WhatsApp O projeto foi pensado como um edifício de alto padrão e a novidade atraiu atenção nacional e internacional. No entanto, os apartamentos "encalharam". O edifício acabou sendo penhorado para pagar dívidas da construtora e leilões fracassados marcam os mais de 20 anos de abandono da estrutura. Para o arquiteto Bruno Franco, que projetou o Suite Vollard, o problema foi ter erguido um 'prédio redondo em uma cidade quadrada'. (leia abaixo) 🏢'Edifício conceito' No fim dos anos 90, a Moro Construções Civis Ltda., construtora que lançou o projeto do Suite Vollard, era movida por projetos conceituais, afirma Sérgio Luiz Silka. Ele foi gerente da empresa e trabalhou ao lado de Bruno na concepção do projeto do prédio giratório. "A Moro não fazia o feijão com arroz, ela fazia trabalhos bem elaborados, sempre com propostas diferenciadas. Se a gente pegar o histórico da Moro você vai perceber que existem trabalhos icônicos dentro daquilo que foi proposto para a época", afirma. O Suite Vollard nasceu com o objetivo de virar ponto de referência para quem visse de fora e proporcionar aos moradores experiências que pareciam de ficção. Em um artigo de 2012, Bruno de Franco escreveu: "Viver em um apartamento giratório é o máximo que o minimalismo pode oferecer. [...] A rotação permite levar a cama, o bar ou o estar, até uma aconchegante lareira junto ao volume do cilindro central; ou levar você de onde estiver para assistir o próximo filme. Estacionar sua mesa onde você quiser, jantar à luz de velas e contemplar as luzes da cidade; ir dormir com a lua se escondendo e acordar com o sol nascendo. [...] É um edifício conceito." Apesar das ambições grandiosas da construtora, Sérgio Silka detalha que a criação de cada projeto considerava fatores como o número de possíveis compradores e o interesse do público pelos projetos. "Sempre era uma preocupação nossa. Era um balizador para a gente entender até onde se podia ir com uma proposta. 'Existem 11 pessoas que comprariam apartamentos nesse prédio? Existem em Curitiba 11 pessoas para isso?'", conta. O lançamento, porém, frustrou as expectativas: desde a inauguração, o Suite Vollard nunca foi habitado. Submetido ao abandono e ao vandalismo, o empreendimento acabou penhorado por dívidas judiciais da construtora. 💰Em 2004, as unidades – cada uma com 164,75 m² – eram vendidas por cerca de R$ 835 mil (cerca de R$ 2,5 milhões em valores atuais). Em 2022, dois leilões foram feitos para tentar vender os apartamentos. O lance inicial era de R$ 1,4 milhão, mas nenhum comprador apareceu. Outro leilão foi feito, desta vez com lances a partir de R$ 849 mil. Apenas uma unidade foi arrematada. No mesmo ano, os imóveis foram para venda direta, com 50% de desconto, novamente sem sucesso. A Construtora Moro entrou em recuperação judicial em 2023. A reportagem entrou em contato com o escritório de advocacia que representa a empresa no processo, mas os pedidos para agendar uma entrevista não foram respondidos. A Coordenadoria de Segurança de Edificações e Imóveis (Cosedi), órgão da Prefeitura de Curitiba responsável por fiscalizar edificações no município, informou que não fez nenhuma vistoria recente no prédio. "É necessário que haja uma solicitação ou denúncia via [central de atendimento] 156 para que os fiscais verifiquem se há algum risco estrutural", informou a Cosedi. A prefeitura afirma também que o Suite Vollard não tem hoje as documentações e autorizações necessárias para ser habitado. Infográfico - Saiba detalhes de como é o edifício Suite Vollard Arte/g1 'Mercado mudou' Sérgio avalia que hoje a arquitetura é mais imediatista e que a lógica do mercado mudou. Com isso, segundo ele, não há mais espaço para a proposta e conceito nos projetos. "A Moro teve em uma época um centro tecnológico. Era uma preocupação em se estudar novas tecnologias e tal. Sempre esteve arraigado dentro do nosso processo buscar coisas novas, propostas novas, materiais novos, novas soluções", afirma. LEIA MAIS: Conheça: 7 perguntas e respostas sobre o prédio giratório Vídeo: Veja como funciona o prédio giratório Destino: Apartamentos foram a leilão em 2022 'Prédio redondo em uma cidade quadrada' Conhecido como "prédio giratório", edifício fica no bairro Mossunguê, começou a ser idealizado em 1994 e foi lançado em 2004. Divulgação Se referindo a Curitiba, Bruno define o Suite Vollard como um "prédio redondo em uma cidade quadrada". Ele e Sérgio atribuem o fracasso imobiliário a uma série de fatores. Segundo Bruno, no lançamento do projeto foram vendidas quatro unidades, porém, três delas foram renegociadas e voltaram para a empresa. Depois, com a crise do mercado imobiliário, o Suite Vollard entrou no ostracismo. Conforme o arquiteto, se o prédio fosse lançado hoje, em Curitiba, nada mudaria. "Eu acho que em São Paulo, por exemplo, caberia alguma coisa. Curitiba, não. Curitiba ainda é muito conservadora", afirma. Sérgio avalia que um novo prédio giratório não faz sentido, porque o alto custo do empreendimento não se justificaria. Ambos concordam que o Suite Vollard está superado. Apesar das perspectivas, nenhum dos dois se arrepende do projeto. "Foi ótimo, foi um sonho possível, foi uma ideia genial", descreve Sérgio. Bruno de Franco ao lado de Sérgio Luiz Silka, idealizadores do prédio giratório de Curitiba Rodrigo Matana/g1 Leia também: Entenda: Fósseis que paralisaram obras comprovaram, no passado, teoria de 'supercontinente' Saúde: Mãe que perdeu filha após falhas de atendimento luta por segurança de pacientes Curiosidade: Hotel que hospedou reis e princesas no Paraná conquista três chaves Michelin Desde a inauguração, as estruturas do prédio têm se deteriorado diante da falta de manutenção. Um vigia, contratado pela empresa dona de um dos apartamentos, faz a segurança do local. Bruno acredita que transformar o prédio em hotel seria um caminho possível para o renascimento do edifício. "Aí o cliente vai usufruir. Gostou, girou, viu, dormiu e foi embora. Depois vem outro. Dois, três dias, uma semana, pronto, acabou", sugere. Olhares internacionais A existência de um prédio giratório chamou a atenção de pessoas do mundo todo. O Suite Vollard chegou a estampar reportagens no jornal "The New York Times", no site da emissora norte-americana NBC e na revista inglesa "The Economist". Publicação do New York Times sobre o Suite Vollard em 2005. Reprodução/New York Times Bruno lembra que a Construtora Moro recebeu propostas de empresários de outros países para reproduzirem a ideia. Nenhuma delas, porém, foi para frente. A ideia de um prédio giratório atraiu curiosos e lendas – por muito tempo circulou o boato de que a apresentadora Xuxa teria comprado um dos apartamentos. Também atraiu pessoas que o arquiteto classifica como "caçadores de ideias". De acordo com Sérgio, outras pessoas venderam a ideia de edifícios giratórios, mas que, ao contrário do Suite Vollard, esses projetos nunca saíram do papel. "Houve sempre essa preocupação de você entregar algo real. Era a proposta giratória, mas que ele realmente girasse. O resto do mundo vendia fantasia", afirma. Bruno lembra que, em certo momento, recebeu uma ligação de um russo pedindo para que fosse até o endereço do prédio. "Cheguei no giratório. Estava lá um taxista e o russo dentro do táxi. Ele se apresentou e disse que estava chegando da Rússia naquele momento e queria ver o prédio. Mostrei o prédio para ele. [Perguntei] 'onde é que o senhor vai?'. Ele disse: 'Vou voltar para a Rússia. Só vim ver se é verdade que tem o prédio que gira aqui'", lembra. Prédio giratório de Curitiba Divulgação/RPC Além do prédio giratório Além do Suite Vollard, o arquiteto Bruno de Franco assina a autoria de outros prédios icônicos na capital do Paraná. Entre eles, o Antoni Gaudí, no bairro Bigorrilho; o Brasil 500, no Batel; e o Business Tower, na Avenida Sete de Setembro, no Centro. Em todos, conforme Bruno, houve uma preocupação com a inovação. O trabalho com as cores é uma marca do profissional. Pipeline, em Matinhos; Brasil 500, em Curitiba; e Gaudí, também na capital paranaense Topo Leilões/Mariah Colombo g1/Google Street View Exemplo disso é o Flat Batel, construído no final dos anos 1990 em Curitiba. O edifício ganhou destaque pela cor vermelha, novidade à época. "Um edifício vermelho em uma cidade bege e cinza. Não existia prédio colorido em Curitiba", afirma Sérgio. Outro exemplo de uso das cores é o Pipeline, entregue em 1989 na cidade de Matinhos, no litoral paranaense. "Eu cheguei na frente do prédio, olhei para a direita, só tinha prédio cinza. Olhei para a esquerda, só tinha marrom. Vi o mar azul, então: prédio azul", conta Bruno. *Com colaboração de Rodrigo Matana, estagiário do g1 Paraná, com supervisão de Mariah Colombo e Douglas Maia. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

Palavras-chave: tecnologia

Torres de vigilância em prédios monitoram todos, mas levantam dúvidas sobre uso dos dados e eficácia contra o crime

Publicado em: 19/10/2025 03:01

Torres com câmeras se espalham e levantam alerta sobre privacidade Quem anda por São Paulo e pelo Rio de Janeiro já está acostumado a ver torres com câmeras de vigilância em frente a prédios residenciais. A maioria desses equipamentos está instalada em condomínios, mas eles também começam a aparecer em edifícios comerciais. Apesar de serem apresentadas como reforço à segurança, essas torres levantam dúvidas entre pesquisadores em segurança pública, que apontam falta de transparência sobre o uso das imagens e incertezas quanto ao impacto real na diminuição do crime. "Além da ausência de regras, há preocupação com o uso indevido dos dados, que podem servir à segurança corporativa ou à produção de informações privadas sem qualquer controle do cidadão", diz Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Esse tipo de vigilância começou a ganhar espaço a partir de 2019, principalmente após o uso de câmeras com reconhecimento facial nos carnavais de Salvador e do Rio de Janeiro, explica Pablo Nunes, coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC). E a expansão desse tipo de tecnologia acontece em um momento em que a população se sente cada vez mais insegura. A violência é a principal preocupação para 28% dos brasileiros, segundo pesquisa da Quaest encomendada pela Genial Investimentos no mês passado. Como essas torres funcionam Torre de vigilância da empresa CoSecurity Darlan Helder/g1 Essas torres coloridas, com luzes de LED e câmeras voltadas para calçadas e carros, são oferecidas por empresas como CoSecurity (do Grupo Haganá), Gabriel e White Segurança. Elas concentram a oferta do serviço nas principais cidades do país e prometem monitorar o movimento no entorno dos prédios. Os moradores costumam ter acesso às imagens por aplicativo — em uma das empresas, o histórico fica disponível por até 14 dias. Alguns modelos têm ainda um botão de pânico que aciona a central responsável por contatar a polícia ou o Corpo de Bombeiros em caso de emergência. O custo do serviço varia conforme o número de torres contratadas. Uma empresa cobra cerca de R$ 1,5 mil por unidade ao mês, enquanto outra afirma que o valor mensal fica entre R$ 389 e R$ 749, dependendo do modelo e dos recursos oferecidos. Parceria com programas de segurança pública Central de monitoramento do Smart Sampa Reprodução/Prefeitura de São Paulo As câmeras não fazem reconhecimento facial, e as gravações podem ser compartilhadas com a polícia mediante solicitação formal. Em São Paulo, as empresas destacam como diferencial a integração dos equipamentos a programas públicos, como o Smart Sampa (prefeitura) e o Muralha Paulista (governo estadual), que ajudam a identificar rostos de procurados e placas de veículos roubados. Condomínios e empresas podem, sem custo, aderir voluntariamente e conectar suas câmeras às centrais de monitoramento, onde agentes policiais acompanham as imagens em tempo real. Segundo a prefeitura, o Smart Sampa reúne 40 mil câmeras, sendo pelo menos 20 mil de condomínios e empresas parceiras. A CoSecurity afirma ser hoje a maior participante privada do programa, com cerca de 8 mil câmeras — o equivalente a 25% da rede. No Rio, a Gabriel diz fornecer imagens ao vivo ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e afirma repassar registros à polícia sempre que há solicitação formal. As duas principais empresas afirmam ter colaborado na solução de crimes nas cidades onde atuam. A Gabriel, criada em 2019, diz ter ajudado na recuperação de mais de 100 veículos e no indiciamento de 566 suspeitos. Já a CoSecurity relata 2 mil foragidos capturados e 3.245 prisões em flagrante após integrar o Smart Sampa. O g1 procurou a Prefeitura de São Paulo para confirmar quantas câmeras privadas integradas ao Smart Sampa ajudaram a solucionar crimes, mas foi informado que "o sistema não distingue se a prisão foi feita por meio de câmera privada ou pública; os dados englobam ambas". Preocupação com dados e eficácia Totem de câmera de vigilância da Gabriel instalado na região do Brooklin, na Zona Sul de São Paulo Darlan Helder/g1 O g1 ouviu quatro pesquisadores em segurança pública que questionam a eficácia dessas torres, citando falta de transparência no uso dos dados e ausência de regras claras. Segundo eles, ainda não há estudos que comprovem resultados no combate ao crime. "Como não há regulamentação, também não existe transparência nem responsabilização sobre os sistemas privados de segurança", explica Daniel Edler, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP). Ele questiona de que forma as empresas garantem que os dados não estão sendo usados para outros fins, como produção de informação privada ou segurança corporativa. "É preciso ter um controle mais rigoroso sobre o acesso a essas informações, porque estamos falando de empresas privadas que lidam com imagens de muitas pessoas", completa Rafael Rocha, coordenador de projetos do Instituto Sou da Paz. "Um lojista do outro lado da rua pode ter sua rotina registrada diariamente por essas torres: a hora em que ele chega, sai e fecha o caixa. E se esses dados vazarem?", questiona. Apesar das promessas de eficiência, há casos de frustração. Recentemente, o Profissão Repórter mostrou que, em um condomínio de São Paulo, moradores recorreram a vasos de planta para tentar evitar roubos de celular de quem ficava na portaria, após as torres deixarem de coibir os assaltos (veja no vídeo abaixo). Moradores de prédio em SP se frustram com totens de câmera e recorrem a vasos de planta para evitar assalto Rafael Rocha afirma que a polícia não tem estrutura suficiente para investigar todos os crimes patrimoniais, mesmo com o apoio das imagens de alta resolução fornecidas por empresas. "Um delegado já tem milhares de casos de roubo acumulados. Ele não tem efetivo nem estrutura para agir rapidamente quando ocorre um assalto em frente ao totem", diz. Os especialistas citam ainda roubos cometidos por criminosos de moto com capacete, o que dificulta a identificação pelas câmeras integradas ao programa Smart Sampa. "Não há uma padronização técnica", ressalta Thallita Lima, coordenadora do projeto O Panóptico, que monitora o uso de tecnologias de vigilância no Brasil. Ela também aponta para a falta de uma reflexão sobre os impactos do uso do espaço urbano, "já que há totens bem na calçada". O g1 encontrou torres de vigilância instaladas em calçadas de São Paulo, o que só é permitido com autorização das prefeituras. Na capital paulista, foram identificados totens das empresas Defender, MasterCam e Gabriel em vias públicas. Nenhuma delas informou se obteve autorização. Thallita ainda aponta que as imagens captadas muitas vezes circulam informalmente, como fotos de pessoas consideradas suspeitas que são compartilhadas em grupos de WhatsApp. "Isso pode gerar problemas sérios, porque estamos falando do risco de se fazer justiça com as próprias mãos por meio da tecnologia". Rafael Rocha sugere que uma das medidas essenciais de regulamentação deveria ser impedir que moradores façam prints (capturas de tela) das imagens, para evitar sua circulação indevida em grupos de WhatsApp, como acontece atualmente. Procurada pelo g1 para comentar esse tipo de monitoramento, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) afirmou que o tema é prioridade e está na agenda de discussões para o biênio 2025-2026, com ênfase nas questões envolvendo biometria facial. Reconhecimento facial: veja dilemas na implantação da tecnologia em condomínios Criminosos podem usar suas fotos nas redes para aplicar golpes financeiros? Implante cerebral é usado para controlar assistente virtual Alexa

Palavras-chave: tecnologia

O que leva alguém a confessar um crime que não cometeu? Entenda como o método de investigação pode ser a resposta

Publicado em: 19/10/2025 02:01

Vídeo mostra interrogatórios de Mairlon, Paulo e Leonardo O que leva uma pessoa a confessar um crime que não cometeu? Essa pergunta esteve no centro da defesa de Francisco Mairlon Barros Aguiar, inocentado nesta semana após passar quase 15 anos preso pelo triplo homicídio da 113 Sul. Em 2010, a condenação do então jovem de 22 anos teve como principal base a confissão feita na delegacia, durante interrogatórios conduzidos sob pressão (veja vídeo acima). Nas entrevistas de Francisco Mairlon, há: mudanças constantes de interrogadores; menções sobre possíveis consequências da prisão; afirmações sobre a família dos acusados; discussões sobre as penas que poderiam receber. “Incluindo a afirmação de que a pena por homicídio seria maior do que a de ‘matar e roubar’. Expressões como ‘você sabe sim por que está aqui’ reforçam o tom de autoridade e o contexto de pressão”, completa a advogada Lívia Moscatelli, mestre em direito penal pela Universidade de Coimbra. Francisco Mairlon durante coletiva de imprensa Reprodução/TV Globo Abordagens coercitivas podem levar o interrogado a ceder e admitir um crime que não cometeu, gerando falsas confissões, segundo Dora Cavalcanti, advogada de Mairlon e fundadora do Innocence Project Brasil. “Muitas pessoas podem ser quebradas sob pressão policial: abatidas, exaustas, desorientadas, privadas do sono, de boa alimentação. Depois de seis horas, a chance de alguém assumir a responsabilidade de um crime que não cometeu, sob a falsa promessa de que vai ser liberado para casa, aumenta exponencialmente”, afirma Dora. O g1 ouviu especialistas para entender como a condução de interrogatórios pode influenciar o curso de investigações policiais e resultar na produção de falsas confissões. Entenda abaixo. Homem preso por 15 anos sai da cadeia depois de STJ anular condenação Interrogatório acusatório Quando um crime é cometido e denunciado, a Polícia Civil dá início a uma investigação. No processo, são coletados depoimentos, provas e informações para identificar o autor. Há diversas formas de coletar cada tipo de prova – e diferentes métodos, por exemplo, para ouvir uma testemunha ou um acusado. Um modelo que ficou bastante famoso, eternizado em séries e filmes hollywoodianos, é o interrogatório acusatório, baseado no Método Reid. Ele surgiu nos Estados Unidos, por volta de 1940. A técnica utiliza manipulação de fatos, persuasão e coerção – e substituiu a tortura física por pressão psicológica, segundo as advogadas Luiza Ferreira e Lívia Moscatelli. Esta abordagem pode levar a erros graves, como falsas confissões, especialmente entre jovens, pessoas com transtornos mentais ou sob efeito de substâncias. "A principal crítica é que o método não busca reconstruir o que realmente aconteceu, mas sim obter uma confissão a qualquer custo, o que compromete a qualidade da investigação e viola direitos fundamentais”, aponta Lívia Moscatelli. E como funciona o método? Entenda abaixo: Entenda como funciona um interrogatório acusatório. Arte/g1 Confronto direto e impositivo: perguntas afirmativas, sugestivas, diretas e rápidas, além de blefes para observar reação do interrogado Sem defesa: o advogado não pode acompanhar a sessão Minimização das consequências da confissão: o interrogador oferece a possibilidade de redução de pena, ou de ser liberado para ver a família Apresentação de alternativas: o agente oferece duas versões do crime (uma mais leve e outra mais grave), e o suspeito tende a escolher a menos condenável Negações interrompidas: o investigador impede negativas e tenta fazer suspeito refletir Retenção da atenção: o interrogador busca manter a atenção ininterrupta do suspeito, se aproxima fisicamente e faz perguntas retóricas Suspeito "de castigo": pessoa é mantida na sala sozinha, privada de sono, alimentação e hidratação e manutenção da entrevista por longos períodos Confissão escrita: uma vez obtida, a confissão é registrada por escrito o quanto antes para evitar retratação No julgamento do caso de Francisco Mairlon no STJ, na última semana, os próprios ministros criticaram a prática de interrogatórios "incisivos" no país. “É um método que permite e incentiva o policial a usar de todo tipo de subterfúgio, estratagemas, incentivos, chantagens e ameaças para obter confissões. [...] E o resultado é um incremento enorme do risco de condenações injustas”, apontou o ministro Rogério Schietti durante o julgamento de Francisco Mairlon. As consequências psicológicas para quem passa por um interrogatório deste tipo, segundo a psicóloga forense Elisa Krüger, podem incluir quadros depressivos e ansiosos. "Depende da estrutura psíquica da pessoa, do motivo pelo qual foi feita a falsa confissão, da natureza do crime, da reação social e da penalidade", aponta a psicóloga. "[A confissão] Envolve percepção de alternativa (continuar negando ou confessar), avaliação de custos/benefícios, influência de estresse, fadiga, sugestões do interrogador, estados afetivos (medo, vergonha, culpa) e capacidades individuais (idade, nível intelectual, saúde mental). Não é apenas 'verdade ou mentira': é produto de interação situacional entre vulnerabilidades do interrogado e táticas do investigador", afirma a psicóloga Elisa Krüger. STJ manda soltar Francisco Mairlon condenado pelo "Crime da 113 Sul" em Brasília Ao g1, o Ministério da Justiça afirmou que não adota e nem recomenda qualquer método específico de interrogatório, inclusive o Método Reid. Segundo a pasta, a formação para policiais na área de entrevistas investigativas é definida por cada estado. No DF, a Polícia Civil destaca que há um curso de "Entrevista e Interrogatório" que tem como bases psicologia, comunicação, neurociência, criminologia, direito processual penal e direitos humanos. Em relação à entrevista acusatória, a polícia afirmou que as técnicas ensinadas na corporação buscam a eliminação de qualquer forma de coerção. Confissão como a “rainha das provas” no Brasil Casos como o de Francisco Mairlon Barros Aguiar, em que pessoas são condenadas por falsas confissões, não são uma exceção no sistema criminal brasileiro. 📌 Em 80% das investigações policiais em Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte, a confissão foi o mecanismo que direcionou a descoberta da autoria dos fatos. O dado é da pesquisa “O inquérito policial no Brasil: uma pesquisa empírica”, de 2010, de Michel Misse, referência no campo da sociologia criminal. Ou seja, no Brasil, a confissão continua sendo tratada como uma prova de peso desproporcional e é considerada a “rainha das provas”, tanto na fase investigativa como na judicial. O termo é usado pela advogada Luiza Ferreira, do Innocence Project. “A rainha das provas, a confissão, estimula a autoridade policial a adotar um caminho mais fácil que é a conclusão da investigação ao apontar o autor de um crime. [...] Como pode privilegiar um depoimento testemunhal a uma prova técnica? [...] A prova técnica é imbatível”, diz a advogada. O sistema criminal brasileiro tem tratado os depoimentos orais como suficientes para realizar condenações, aponta o ministro do STJ Rogério Schietti. Ele afirma que a justiça criminal brasileira vem usando de meios viciados de obtenção de provas, posicionando a confissão como a mais importante. "Há uma verdadeira obsessão pelas confissões. E em nome da confissão, muitas vezes, se usam de expedientes que fogem de qualquer conceito de civilidade de um devido processo legal", aponta o ministro. Ao usar apenas a confissão feita em investigação policial como base para a condenação, são violados: Artigo 155 do Código do Processo Penal: o juiz não pode basear sua decisão apenas nos elementos colhidos durante a investigação policial, como depoimentos. Artigo 197 do Código do Processo Penal: a confissão não é prova absoluta, ou seja, ela não pode ser usada isoladamente para condenar o réu. O juiz precisa verificar se ela faz sentido e se há compatibilidade com outras provas do processo. Artigo 5º da Constituição Federal: um dos pontos do texto é o direito ao contraditório e à ampla defesa. Ou seja, em qualquer processo judicial ou administrativo, os envolvidos têm o direito de conhecer as acusações contra si, apresentar sua versão dos fatos, produzir provas e utilizar todos os meios legais para se defender. Já para o Ministério Público do DF, que avalia recorrer da decisão do STJ sobre o caso de Francisco Mairlon, os depoimentos são válidos e respeitaram a legislação brasileira. Segundo o MP, a confissão de Francisco Mairlon foi integralmente registrada em áudio e vídeo, com acompanhamento de profissional regularmente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), garantindo o pleno exercício do direito à ampla defesa. "Não foi constatada qualquer violação à integridade física ou psicológica do investigado pelos agentes públicos responsáveis pela condução do procedimento", diz o órgão. Questionados sobre dados de reversão de condenações baseadas em falsas confissões, tanto o Ministério da Justiça como o Conselho Nacional de Justiça e a Defensoria Pública do DF afirmaram não ter dados sobre o assunto. Nos Estados Unidos, o National Registry of Exonerations (Registro Nacional de Exonerações) é o responsável por esse levantamento. Segundo banco de dados, em 2024, foram 147 reversões de condenações nos EUA, com uma média de 13 anos de detenção. Destas, 22 envolveram confissões falsas. Como evitar erros policiais e jurídicos? Tipos de interrogatório. Arte/g1 Os especialistas entrevistados apontam alternativas para evitar interrogatórios acusatórios, falsas confissões e condenações apenas com base em depoimentos. O primeiro passo é a regulamentação de um método de interrogatório, ou seja, de como tomar depoimentos éticos e eficazes. O foco é obter dados confiáveis de forma ética e não repressiva. Ao g1, especialistas explicaram que há três diretrizes internacionais de entrevista focadas em substituir métodos coercitivos por técnicas que respeitam os direitos humanos e a ética: Peace: criado no Reino Unido, define seis etapas de estruturas para entrevistas investigativas, inclui planejamento cuidadoso, construção de confiança, relato livre, esclarecimento de informações, encerramento respeitoso e avaliação crítica. Princípios Méndez: publicados em 2021 pela Organização das Nações Unidas, abrangem fundamentos teóricos, práticas não violentas, proteção de grupos vulneráveis, treinamento especializado, responsabilização institucional e implementação estatal. Rapport: método consiste em estabelecer uma relação de confiança e respeito com o suspeito para facilitar a obtenção de informações. É um relacionamento positivo, de atenção mútua e livre de julgamento entre o entrevistado e o entrevistador. Veja abaixo como deve ser um interrogatório segundo diretrizes internacionais da ONU: Entenda como são feitos interrogatórios eficazes para coleta de informações. Arte/g1 A advogada Luiza Ferreira defende que é preciso entender a realidade brasileira e desenvolver, junto ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um método para o país. Para que casos como o de Francisco Mairlon não se repitam, a advogada aponta um princípio jurídico fundamental que deve ser respeitado desde o início da investigação policial até o fim do julgamento: a presunção de inocência. “Por mais grave que seja o crime, e mesmo que a pessoa seja culpada, é preciso tratá-la como inocente. A gente trata todo mundo como se fosse culpado e é preciso inverter esse método”, afirma Luiza. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Bolívia mais à direita: como será relação do país com Lula e Trump após 20 anos de governo de esquerda

Publicado em: 19/10/2025 00:01

Rodrigo Paz Pereira e Jorge "Tuto" Quiroga vão disputar o segundo turno na Bolívia neste domingo Alzar Raldes/AFP Que a Bolívia terá uma guinada à direita com as eleições neste domingo (19), não há dúvidas. Mas isto não quer dizer que os dois candidatos que concorrem neste segundo turno governarão de forma similar. Longe disso. ➡️ A Bolívia irá às urnas no segundo turno das eleições presidenciais, e, pela primeira vez em 20 anos, não haverá um governo da esquerda, que "ruiu" após um racha interno entre Evo Morales e Luis Arce, atual presidente. A implosão da esquerda empurrou então dois candidatos de oposição para o segundo turno: 👉 O senador Rodrígo Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão — que surpreendeu e venceu o primeiro turno das eleições —, que quer conquistar os eleitores frustrados com a esquerda por meio de propostas mais moderadas para neutralizar a polarização no país. Filho de um ex-presidente, Jaime Paz Zamora, ele indicou diálogo com Lula. No primeiro turno, Paz surpreendeu nas urnas e terminou em primeiro lugar, e, agora, lidera ligeiramente nas pesquisas de intenção de voto (leia mais abaixo). 👉 E seu rival, Jorge “Tuto” Quiroga, da Aliança Liberdade e Democracia, que já foi ministro no governo do pai de Rodrígo Paz, e, depois, foi presidente interino em 2001, no último governo antes da ascensão da esquerda. Um dos maiores opositores de Evo Morales — contra quem já perdeu eleições —, Quiroga vem propondo medidas polêmicas e neoliberais, além de acenar para líderes latino-americanos como os presidentes de El Salvador, Nayib Bukele, e do Equador, Daniel Noboa. Ao g1, a cientista política boliviana Moira Zuazo disse que, em comum, ambos têm discurso de fortalecer as instituições democráticas (leia mais abaixo). O g1 lista a seguir o que pensam os dois candidatos sobre: Segurança pública Economia Relação com Lula Relação com Trump Veja abaixo: Segurança pública Policiais monitoram centro logístico eleitoral antes das eleições no país, em 17 de outubro de 2025. Adriano Machado/ Reuters ➡️ Contexto: Com índices de criminalidade relativamente altos em grandes cidades há décadas, a Bolívia vive um momento de escalada na expansão do narcotráfico. Isso porque o país é uma das rotas atuais de traficantes de drogas da América Latina — inclusive o Primeiro Comando da Capital (PCC), que internacionalizou suas operações para a Bolívia. Ainda assim, a taxa de homicídio encolheu em 2024 cerca de 17%, para 3 a cada 100 mil habitantes, segundo o centro de dados de crimes na América Latina InSight Crime — no Brasil, essa taxa foi de 18,2 mortes por 100 mil habitantes no mesmo ano. Rodrigo Paz: Com um discurso mais ameno e menos combativo que seu rival político, diz frequentemente que pretende "fortalecer as instituições", especialmente o sistema judicial, para combater o crime organizado. “A justiça é a base para o progresso de qualquer país, e precisamos de instituições fortes e independentes que assegurem a lei para todos", disse Paz durante a campanha. Entre as medidas previstos no plano de governo de Paz estão a modernização e profissionalização das Forças Armadas e a "implantação de tecnologias digitais avançadas", sem detalhar como seriam. Tuto Quiroga: aposta em um combate firme ao narcotráfico e à criminalidade organizada, com cooperação intensa com forças policiais dos vizinhos Brasil e Argentina --- e reformas institucionais para fortalecer a justiça e "garantir a ordem". Durante a campanha, Quiroga mostrou interesse pelas polêmicas políticas de segurança do salvadorenho Bukele e do equatoriano Noboa, centradas na construção de megaprisões e do aumento de detenções. “Não podemos mais aceitar que a Bolívia seja vista como um país exportador de cocaína", disse o candidato. Mas, embora Quiroga levante propostas mais polêmicas e ideológicas, seu maior desafio será como governar em um Congresso fragmentado e no qual terá minoria, segundo a cientista política boliviana Moira Zuazo. "O grande desafio será conseguir articulação política. Deve ser mais difícil para Quiroga, que tem pouca força no Parlamento", disse Zuazo ao g1. Ela também acha que a crise institucional do país fará com que nenhum dos dois candidatos se arrisquem em propostas mais autoritárias. "Mesmo Quiroga, que tem uma posição clara de direita, fala de direita democrática", afirmou. "Há um discurso de fortalecer as instituições" em ambos os lados. Voltar ao índice Economia Bolívia elege novo presidente entre centro e direita radical neste domingo ➡️Contexto: Há mais de dez anos, a Bolívia vive mergulhada em um período de estagnação econômica, acompanhada da alta da inflação, que hoje está na casa dos 25% e é a maior dos últimos 30 anos, além de uma crise nas reservas cambiais que fez os dólares se tornarem raros no país. Os índices ruins foram inclusive um dos pilares que fizeram a esquerda ruir, após os anos de "boom econômico" na gestão de Evo Morales, propiciados pela exportação de gás em peso para China, Brasil e Argentina. Rodrigo Paz: sua proposta central para fazer a economia engatar novamente foi batizada de "capitalismo para todos". Na prática, significa promover crescimento por meio de incentivos ao setor privado e, ao mesmo tempo, manter programas sociais para camadas mais pobres. Também prometeu incentivos à formalização da economia informal, corte de gastos supérfluos e descentralização do Estado. Nas propostas para a economia, é onde mais o senador acena para a grande camada de eleitores da esquerda, iludidos com o governo socialista: "A Bolívia não é socialista", disse Paz durante um evento de campanha no mês passado. "A Bolívia trabalha com capital, trabalha com dinheiro... porque 85% da economia é informal. Não queremos austeridade severa, mas uma economia forte, justa e voltada para gerar oportunidades a todos os bolivianos." Mas críticos das propostas dizem que as promessas são irreais. "O rombo fiscal é imenso", disse o pesquisador do Instituto de Finanças Internacionais, Jonathan Fortun, à agência de notícias Reuters. "A questão não é se um ajuste virá, mas quão rápido e quão disruptivo ele será." Tuto Quiroga: promete "mudanças dramáticas e radicais" na economia de seu país, por meio de cortes profundos de gastos públicos, privatizações e eliminação de ministérios. Quiroga defende a liberalização econômica, com redução do déficit fiscal, privatização de estatais, estímulo ao investimento por meio de menos impostos e criação de empregos, além de romper radicalmente com as políticas do governo anterior, do esquerdista Luis Arce. E também disse que buscará financiamento no Fundo Monetário Internacional (FMI). "O país está falido", disse ele em agosto. “É hora de cortar privilégios, abrir o mercado e investir na produção nacional para criar empregos e distribuir renda", disse. Uma pesquisa dos institutos Ipsos e Ceismori feita em setembro revelou que 59% dos entrevistados consideram Quiroga o candidato mais capaz de melhorar a economia. Voltar ao índice Veja os vídeos que estão em alta no g1 Relação com o Brasil Presidente da Bolívia, Luis Arce (à esquerda), e presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (à direita) Mateus Santos/g1 ➡️Contexto: Mesmo em anos com governos ideologicamente rivais, as relações entre Brasil e Bolivia sempre mantiveram-se fortes e estáveis —o então presidente Evo Morales esteve na posse de Jair Bolsonaro em 2019, por exemplo. Grandes parceiros comerciais e de infraestrutura — como a construção de pontes nas fronteiras —, os dois países também estreitaram os laços diplomáticos depois que a Bolívia ingressou no Mercosul, graças ao apoio e à articulação de Brasília. O país andino também passou a fazer parte do Brics sob a presidência temporária do Brasil, no início do ano. Rodrigo Paz: mesmo discordando do governo Lula, afirmou em campanha que "o Brasil é nosso principal parceiro estratégico" e, por isso, quer fortalecer a parceria da Bolívia com o Brasil, mantendo a participação do país andino no Mercosul e no Brics. Durante a campanha, também propôs mais cooperação econômica e projetos de infraestrutura conjuntos. Tuto Quiroga: acena para uma relação mais dura com o governo Lula. É contrário à integração da Bolívia no Mercosul, e aposta por manter relações bilaterais independentes e seletivas. “Precisamos redefinir nossa cooperação com o Brasil, sem vínculos institucionais que limitem nossa soberania", disse Quiroga. Mas o ex-presidente boliviano disse, também ao longo da campanha, que pretende manter uma "cooperação tradicional" entre os dois países. Voltar para o índice Relação com governo Trump ➡️Contexto: As relações entre Bolívia e EUA foram esfriando ao longo dos 20 anos de poder do partido Movimento Ao Socialismo (MAS), alinhado à China, ao Irã e à Rússia. Mas nunca se romperam, mesmo com grandes tensões durante os governos de Evo Morales. O atual presidente, Luis Arce, também criticou diversas vezes, de forma genérica, o que chama de interferências de Washington na América Latina, mas manteve relações pragmáticas com o governo de Donald Trump. Rodrigo Paz: embora tenha fugido de fazer declarações sobre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou de "aproximação pragmática" com os EUA e garantiu que não se pautará por alinhamentos ideológicos na diplomacia internacional. É visto como um moderado nas relações com outros países. "Ideologias não colocam comida na mesa", disse ele. Tuto Quiroga: promete "descongelar" as relações com os EUA e se aproximar do governo de Donald Trump. Já mostrou várias vezes admiração por Trump, e se apresenta como um "liberal pró-EUA". Elogiou recentemente as mediações feitas pelo norte-americano de conflitos como os de Gaza e Ucrânia. Afirmou em campanha pretende reconstruir uma "relação forte e pragmática" com os Estados Unidos, buscando apoio econômico e político para enfrentar a crise boliviana. Voltar para o índice Disputa será acirrada Pesquisas de opinião da Bolívia sugerem uma disputa acirrada entre os dois candidatos. Quiroga lidera as intenções de voto com 44,9%, à frente de Paz com 36,5%, segundo pesquisa de outubro da Ipsos Ciesmori. Outra pesquisa indicou uma guinada tardia em direção a Paz, com 10% dos eleitores indecisos se movendo em sua direção.

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De vandalismo à excelência: escola estadual de Cubatão ganha reconhecimento mundial

Publicado em: 18/10/2025 21:28

Escola de Cubatão supera adversidades e vai a Cúpula Mundial Representantes de uma escola pública de Cubatão, em São Paulo, vão participar de uma cúpula mundial em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. É o resultado de um prêmio que mudou radicalmente a vida e alunos e professores. A escuridão de anos atrás rendeu um apelido para a escola estadual Parque dos Sonhos. "O nome era Parque dos Pesadelos, meus pais não queriam me deixar aqui, mas o Régis foi e falou que aqui seria a melhor escola e ele realmente conseguiu cumprir isso", revela a estudante Evelyn Gomes. Régis Marques é o diretor da escola que fica numa região de vulnerabilidade social de Cubatão (SP), no litoral paulista. "Tinham entrado na escola e roubado os ventiladores. Outro dia a gente chegou, isso antes de eu ser diretor, entraram na escola e roubaram todos os computadores que tinha na escola. Uma vez eu lembro que a gente olhou na câmera e tinham roubado é a porta da caixa d’água. Os professores tinham autoestima baixa, mas quando cheguei eu disse: essa vai ser a melhor escola do estado em 5 anos", diz Régis Marques. "Conseguimos! Ser a melhor escola do mundo em 9 anos", aponta. A confirmação veio numa cerimônia transmitida ao vivo. Quadra lotada para acompanhar a transmissão dos prêmios de melhores escolas do mundo da T4 Education — responsável por identificar práticas inspiradoras com impacto nas comunidades. A organização internacional avaliou 10 mil escolas inscritas de vários cantos do mundo. E quando anunciou a categoria 'Superação das Adversidades': Brazil! A premiação veio a partir de iniciativas de acolhimento que resgataram a autoestima dos alunos, professores e dos moradores do entorno da escola. Os episódios de violência foram sendo superados com foco em 21 projetos extracurriculares mantidos na escola, um deles é a patinação artística. Foi no Parque dos Sonhos que Rafael, de 12 anos, começou a deslizar sobre rodinhas. De 2023 pra cá, ele ganhou 37 medalhas, entre elas, a do título mundial. "Antes de eu entrar, eu tirava notas que eu não gostava. Só que ai ,quando eu comecei a entrar na patinação, eu pervebi que se eu não me esforçasse nos estudos, eu não conseguiria avançar na patinação. Aí, nisso, eu comecei a estudar, estudar e eu comecei a evoluir também na patinação", comenta Rafael. Por vontade própria, depois das aulas, os alunos continuam na escola praticando esportes. E discutindo temas que vão estampar o jornal feito por eles. "No primeiro ano eu vinha para a escola com muito medo e aqui eu me sinto muito mais feliz, porque aqui eu tenho os meus amigos, aqui eu tenho os meus professores, aqui eu tenho um diretor que é incrível", comenta a estudante Raphaella Vitória da Silva. Após o prêmio, a escola de Cubatão recebeu o convite e vai representar o Brasil, em novembro, na Cúpula Mundial de Escolas, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. "Aqui a gente faz com que o aluno realmente acredite no seu potencial, no seu projeto de vida. Independente de onde ele vem, a gente vai mostrar que o sonho é possível ser realizado. É só mostrar hoje né, uma escola aqui fundo do bairro, na periferia, numa área de vulnerabilidade, ser a melhor escola do mundo", diz o diretor Régis.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Ecobarreiras brasileiras ganham destaque na COP30 como solução barata e sustentável para rios

Publicado em: 18/10/2025 21:09

Tecnologia ajuda a salvar rios ameaçados por toneladas de lixo Uma tecnologia sustentável já testada em várias cidades brasileiras está ajudando a salvar rios ameaçados por toneladas de lixo. O projeto sustentável será apresentado na COP30, em Belém (PA). Quando criança, o Diego tomava banho no rio Atuba, que passa pelos fundos da casa dele, em Colombo, na Grande Curitiba. A sujeira impediu que os filhos tivessem a mesma experiência. Para tentar mudar isso, Diego contruiu uma ecobarreira. A estrutura é feita com galões flutuantes e uma rede submersa, que segura o lixo jogado irregularmente nos rios. Toda semana, ele mesmo retira os resíduos acumulados nela. "Nada mais é, Ana, que uma estrutura flutuante, que ela fica no rio para segurar o que não deveria estar na natureza: garrafa pet, isopor, sacola, plástico. Ela não tem interferência nenhuma na vida aquática, né, o peixe passa tranquilamente, porque ela só flutua, né?," diz o ativista ambiental Diego Saldanha. Há três anos, o Jornal Nacional mostrou o projeto idealizado pelo vendedor de frutas que queria ensinar aos filhos sobre consciência ambiental. Já são quase dez anos de dedicação pela limpeza do rio Atuba com o uso da ecobarreira. O material retirado daqui vai para cooperativas de reciclagem e ganham a destinação correta. A ideia deu tão certo que o Diego foi convidado a instalar a primeira ecobarreira fora do Paraná. No Pará, o projeto ajuda a conservar o rio Benfica, em Benevides (PA), e o canal Tamandaré, em Belém (PA). Em novembro, a capital paraense vai ser sede da COP30, a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas. O Diego vai participar do evento. Quer atrair mais atenção para o projeto e mostrar que há soluções para limpar os rios do país. "A ideia é mostrar a nossa iniciativa aqui desde que ela começou e como a gente conseguiu ampliar ela para o país, chegando em Belém, né? E a gente tem muitas outras novidades, outros estados, né, inclusive o Paraná que está bem interessado na tecnologia e eu tenho fé que logo os rios urbanos do país vão estar repletos de ecobarreiras", explica Diego.

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