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Aplicativo que alerta sobre vacinação infantil e combate notícias falsas é testado no Piauí; estudante desenvolveu ferramenta

Publicado em: 25/09/2025 06:00

Aplicativo que alerta para prazo de e vacinação infantil e desmente fakenews é desenvolvido por aluno da UFPI Arquivo Pessoal/Eugênio Barbosa Um aplicativo para combater notícias falsas e alertar pais sobre vacinação infantil está em fase de testes em oito salas de vacinação da rede pública de saúde de Teresina. A ferramenta foi criada pelo professor de enfermagem e estudante da Universidade Federal do Piauí (UFPI) Eugênio Barbosa. Ao g1, Eugênio contou que a ideia do VacinAção surgiu durante a própria atuação em salas de vacinação, ao observar a queda da cobertura vacinal no país. Na pós-graduação, ele encontrou uma oportunidade para desenvolver a ferramenta. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp O aplicativo conta com alertas automáticos que notificam pais e responsáveis de crianças de até 5 anos sobre datas de vacinação e também informa equipes de enfermagem da Atenção Básica sobre crianças com doses em atraso. "Percebi de perto os desafios enfrentados por pais e equipes de enfermagem no controle da cobertura vacinal das crianças. Ao mesmo tempo, acompanhei o avanço das fake news. Isso despertou em mim o desejo de contribuir com uma tecnologia que apoiasse os profissionais e empoderasse as famílias no cuidado com a imunização dos filhos", contou. LEIA TAMBÉM: Cobertura vacinal de crianças brasileiras registra queda em 10 anos, mostra relatório Mais de 36 mil crianças de 10 a 14 anos ainda não se vacinaram contra dengue em Teresina O aplicativo começou a ser desenvolvido em 2020 e passou por validação de profissionais das áreas de enfermagem, medicina, ciências da computação, sistemas de informação e design. Em fase de testes há mais de um ano, o estudo foi premiado no 27º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem, realizado entre os dias 8 e 11 de setembro, em Salvador (BA). "Em 2024, a proposta para realização dos testes de eficácia foi submetida ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), concorrendo com projetos de todo o país, e também foi contemplada com uma bolsa de pós-doutorado", afirmou. Pós-doutorando Eugênio Barbosa de Melo Júnior foi premiado no 27º Congresso Brasileiro dos Conselhos de Enfermagem Ascom Cofen/Coren-PI Lançamento oficial previsto para 2026 Durante a fase de testes, o aplicativo pode ser instalado nos celulares dos pais e responsáveis que passam pelas oito salas de vacinação selecionadas em Teresina. O cadastro é realizado pela equipe. Após a fase de testes, prevista para finalizar em junho de 2026, os resultados serão encaminhados ao Ministério da Saúde, junto com a proposta de incorporação do aplicativo ao sistema de controle da cobertura vacinal já disponibilizado pelo órgão. "Já temos relatos de pais e mães que, ao chegarem nas Unidades Básicas de Saúde para vacinar os filhos, disseram que só foram porque o aplicativo enviou um lembrete. Se não fosse por isso, teriam esquecido", finalizou o professor. Relatório mostra que vacinação infantil ainda é desafio no Brasil *Vitória Bacelar, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

Palavras-chave: tecnologia

Recife oferece 220 vagas em cursos profissionalizantes gratuitos; saiba como se inscrever

Publicado em: 25/09/2025 06:00

Escola Profissionalizante de Areias, na Zona Oeste do Recife Reprodução/Google Street View A Secretaria de Trabalho e Qualificação Profissional do Recife abriu inscrições para cursos profissionalizantes gratuitos. São oferecidas, ao todo, 220 vagas para 12 formações em sete áreas: indústria, alimentação, saúde, vestuário, administração, tecnologia e beleza. Os interessados em participar podem se inscrever pela internet. Os prazos de inscrição variam conforme o curso desejado. As aulas começam em datas alternadas entre 1º e 20 de outubro. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE De acordo com a secretaria, os cursos disponíveis são realizados nas escolas profissionalizantes de Areias e Bongi, na Zona Oeste da cidade; Dom Bosco, em Casa Amarela, e Zuleide Gomes, em Beberibe, na Zona Norte; e São José e Tecelões, no bairro dos Coelhos, no Centro. Há turmas nos turnos da manhã, tarde e noite, com carga horária entre 40 e 160 horas. A iniciativa oferece 12 opções de cursos. São elas: Estamparia Artesanal com Carimbo Estêncil; Serigrafia Básica; Comandos Elétricos; Norma Regulamentadora 10; Agente Comunitário de Saúde; Confecção de Bolsas e Acessórios; Administração de Pequenos Negócios; Doces Tradicionais e Sobremesas para o Natal; Informática Intermediária; Progressiva e Botox com Corte de Cabelo; Mecânico de Instalação; Manutenção de Condicionadores Tipo Split System. Segundo a prefeitura, após fazer a inscrição online, o estudante deve confirmar a matrícula presencialmente em uma das unidades que oferecem os cursos, apresentando documento com foto e comprovante de residência. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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Lula usa tática de aproximação com Trump, mas não vai de 'peito aberto' para reunião, diz especialista

Publicado em: 25/09/2025 05:35

Após meses de acirramento político, Trump sinalizou aproximação com governo brasileiro Jeenah Moon/Reuters/BBC Um sinal de afago após meses de acirramento político. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu com um gesto amistoso para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Assembleia Geral da ONU. Trump chamou Lula de "um cara legal" e sinalizou, em seu discurso na terça-feira (23/9), um encontro com o presidente brasileiro na próxima semana, após os mandatários conversarem por menos de 40 segundos no evento das Nações Unidas. Na quarta-feira (24/9), Lula afirmou que está otimista com possibilidade de os governantes fazerem uma reunião o mais rápido possível e acabarem com mal-estar que existe hoje na relação Brasil e EUA. Lula se diz 'otimista' sobre possível encontro com Donald Trump "Tive outra satisfação de ter um encontro com o presidente Trump. Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu. Fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós." Lula também disse que espera que a conversa seja entre "dois seres humanos civilizados", quando perguntado se temia constrangimentos como o que ocorreu no tenso encontro em Washington de Trump com o presidente da Ucrânia Volodymyr Zelensky, em fevereiro. "Não há por que ter brincadeira em uma relação entre dois homens de 80 anos de idade. Eu vou tratá-lo com o respeito que merece o presidente dos Estados Unidos, e ele certamente vai me tratar com o respeito que merece o presidente da República Federativa do Brasil", afirmou. Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional e Comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), afirma que a fala do presidente americano na ONU desfez o mito sobre a direita ter monopólio de acesso ao governo Trump. "Foi um golpe duro na oposição, sobretudo na (ala) bolsonarista, que sentiu o baque e terá de se reorganizar, criar narrativas alternativas", avalia o especialista. Para Lopes, Lula deve manter o tom defensivo que adotou até o momento, sem espaço para abrir mão da agenda política, o que seria negociar anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado e outros crimes pelo Supremo Tribunal Federal (STF). "O Brasil suportou bem a pressão e o fato de estar sob fogo cerrado. Essa solidez defensiva acabou levando a uma revisão de rota, de curso de ação. Se Trump estivesse obtendo os resultados pretendidos pela sua política agressiva, imperial, é óbvio que ele não faria o recuo público que fez hoje. Na mesa de negociações, o Brasil tem pautas importantes como a regulação das grandes empresas de tecnologia no país e o acesso dos Estados Unidos às terras raras. Na entrevista a jornalistas nesta quarta, Lula sinalizou estar abertos a discussão dos minerais estratégicos. "Discutimos com o mundo inteiro nossas terras raras", afirmou o presidente. Mas o professor da UFMG alerta: "Não se trata de buscar concessões a todo custo", diz. Confira a entrevista. Lula disse que está otimista com possibilidade de reunião com os EUA Angela Weiss/AFP/BBC O que significou o recuo de Trump na Assembleia Geral da ONU? O Brasil esteve sob fogo cerrado por oito meses e, sobretudo nos últimos três, a pressão de Washington aumentou. Se, no primeiro momento, o Brasil conseguiu ficar fora do radar, nos últimos três meses, com o tarifaço e as pressões exercidas sobre o Judiciário brasileiro, o país definitivamente entrou em rota de colisão com os Estados Unidos. O que aconteceu hoje nas Nações Unidas é bem importante, porque pode simbolizar um ponto de inflexão e o início de outra trajetória — diferente, mais construtiva. Mas não nos enganemos: o que foi acumulado durante os primeiros meses do governo Trump não vai se desfazer tão facilmente. Existe hoje uma coleção de mercadorias e produtos brasileiros que estão, na prática, embargados pelos Estados Unidos. Uma sobretaxação de 50% significa, na prática, embargo. O Brasil também tem sofrido com as tentativas de desestabilização do poder Judiciário, inclusive com sanções unilaterais impostas a membros da mais alta corte jurisdicional brasileira, o STF. Isso tudo não vai se desfazer da noite para o dia, magicamente. E muito disso nem é passível de negociação, não vai para a mesa de negociação. O que entendo é que o Brasil suportou bem a pressão e o fato de estar sob fogo cerrado. Essa solidez defensiva acabou levando a uma revisão de rota, de curso de ação. Se Trump estivesse obtendo os resultados pretendidos pela sua política agressiva, imperial, é óbvio que ele não faria o recuo público que fez (na ONU). Existe a possibilidade de Lula sair desse encontro com boas negociações, se, ao menos publicamente, a imposição das sanções e tarifas são políticas? Não vejo, para o Brasil, tantos incentivos que permitam uma reversão completa de postura. Há margem para incrementos, acho que há margem para diálogo e pode até haver, de parte a parte, concessões para melhoramento dos termos do comércio. Acho que isso é possível, sim. Nesse âmbito, pequenas vitórias de parte a parte podem acontecer. Mas, politicamente, não. Politicamente, o que pode acontecer é uma mudança mais ou menos radical do Trump, que não hesita em ser incoerente, em quebrar trajetórias e passar a fazer coisas que não fazia no minuto anterior. Isso ele faz historicamente. Ele não "troca de roupa" para mudar o relacionamento com líderes globais. E pode, ao se dar conta de que Bolsonaro é carta fora do baralho, que não vai haver anistia e que o STF no Brasil tem sido sólido e não vai ceder, começar a negociar com quem de fato tem as alavancas de poder na mão, que é o presidente Lula. Mas não vejo, do ponto de vista internacional e doméstico, motivos para Lula sequer trazer à pauta o tema político. Afinal, a retórica que condiz com a verdade factual é a de que há independência dos poderes constituídos na República Brasileira. Se o Judiciário determina um curso de ação e o segue, não cabe ao Executivo sequer palpitar a esse respeito. Isso não está na mesa de negociações. A pauta comercial pode, sim, acomodar aqui e ali algum avanço. É onde se pode conversar. Qual deve ser a postura de Lula diante desse encontro? O presidente foi inequívoco e claro ao dizer, naquele artigo publicado no The New York Times, que soberania e democracia não são negociáveis. O funcionamento do Judiciário e das instituições brasileiras de modo geral não é um assunto passível de discussão bilateral. Isso é uma pedra de toque, não está em questão. Então, a postura deve continuar a ser defensiva, priorizando o interesse nacional do Brasil e não buscar concessões a todo custo. Francamente, nesse caso, o presidente da República, que vive de negociação há décadas e faz disso seu ganha-pão, tem alguma expertise no assunto. Certamente não é ingênuo, não se deixou encantar pelo canto da sereia. A postura permanecerá defensiva, imagino. Presidente Lula discursa na ONU Jeenah Moon/Reuters/BBC O que o Brasil tem na mesa como contrapartida? O Brasil tem um mercado de 210 milhões de consumidores, atraente para as empresas americanas. Acho que o que mais interessa hoje aos Estados Unidos é a possibilidade de atuação das big techs [grandes empresas de tecnologia], de capital estadunidense. As maiores do mundo são dos Estados Unidos, querem atuar no Brasil e com o mínimo de regulação possível. Esse é um dos temas que interessam ao empresariado. Outro tema é o das terras raras, minerais estratégicos. O acesso a um suprimento confiável interessa muitíssimo aos Estados Unidos. O Brasil, que é um dos principais reservatórios do mundo, tem nisso um trunfo importante. Mas não apenas. Os Estados Unidos também têm interesse em assegurar a provisão de café, por exemplo, a preços melhores do que os praticados atualmente, que estão inflacionando o café da manhã do americano médio. Agora, um ponto importante: não se trata de buscar concessões a todo custo. As conversas precisam acontecer e o Brasil não precisa necessariamente entregar mais. Não acho que seja o caso. É uma negociação entre pares, entre homólogos, entre chefes de Estado. O pressuposto de que o Brasil deve conceder de toda maneira me incomoda. A relação deve continuar se pautando pela igualdade soberana entre as nações. A direita repercutiu a possibilidade de encontro com Lula como uma estratégia de Trump, "um bom negociador", que teria deixado "o presidente brasileiro numa situação impossível". Você concorda? Trump tem realmente sido um "bom negociador" nesses acordos bilaterais? O afago, ainda que circunstancial e improvisado, não atribuo a nenhuma racionalidade complexa de Donald Trump, nem a uma sofisticada tática para atrair Lula à mesa de negociação. Isso é bobagem. Trump é um animal do improviso e fez um discurso muito improvisado: por não ter conseguido ler o teleprompter, improvisou praticamente o tempo todo, começou num registro informal e terminou no mesmo tom. Mas acabou jogando água no moinho do presidente brasileiro de maneira inesperada. Até hoje, argumentava-se que apenas a oposição de direita conseguia se conectar com Trump, que ele só reconhecia como interlocutor alguém da família Bolsonaro ou eventualmente Tarcísio de Freitas. O que se mostrou hoje em Nova York não foi isso. A abertura dos trabalhos da Assembleia Geral escancarou outra realidade. Foi um golpe duro na oposição, sobretudo na bolsonarista, que sentiu o baque e terá de se reorganizar, criar narrativas alternativas. A ideia rocambolesca de que Trump tenta atrair Lula para uma armadilha é bobagem. É evidente que a guarda deve ser mantida alta por parte do governo brasileiro. Mas isso é óbvio. O impacto político, porém, foi interessante, porque desfaz alguns mitos que vinham se arrastando. O deputado federal Eduardo Bolsonaro afirmou que possibilidade de encontro com Lula como uma estratégia de Trump Jessica Koscielniak/Reuters/BBC Lula poderia cair numa emboscada, como Zelensky, que foi praticamente linchado ao vivo no Salão Oval, ou Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, que foi alvo de acusações infundadas ao aceitar a reunião com Trump? Naturalmente, o presidente dos Estados Unidos explora muito bem a política como espetáculo. Ele se elegeu e se reelegeu praticando uma modalidade de política de conexão com o eleitorado que se vale muito das imagens e impressões que consegue construir. Ele é um comunicador de grande talento. É óbvio que os representantes do Estado brasileiro, os diplomatas, estão cientes disso e não permitirão que o Brasil e seu chefe de Estado sejam expostos ao mesmo espetáculo degradante a que estiveram submetidos o presidente da África do Sul, o da Ucrânia, entre outros. O Brasil tomará cautelas. Trump se nutre desse tipo de exposição, usa e abusa da política externa até o momento em que ela deixa de lhe render recompensas eleitorais. Depois, abandona. Cabe, portanto, ter todo o tipo de precaução em relação a essas táticas próprias do populismo de ultradireita. Na quarta, Lula se pronunciou e se mostrou bastante aberto e sem condicionantes para a conversa, inclusive sobre a possibilidade de se encontrarem presencialmente, o que seria, segundo ele, uma conversa civilizada entre dois homens de 80 anos. Como avalia a resposta do presidente? O tom é amigável, é um tom suave e que, na verdade, serve ao propósito duplo de lubrificar as relações bilaterais com os Estados Unidos, subir de nível e melhorar o que antes estava envenenado. Por um lado, há isso. Por outro, vejo também uma resposta à oposição, a um certo argumento veiculado nas redes sociais e na própria imprensa de que Lula teria medo de se encontrar face a face com Donald Trump e receio de ser humilhado na Casa Branca, como aconteceu, aliás, com outros presidentes, chefes de Estado e de governo. Agora, é evidente que essa mensagem não pode ser tomada pelo valor de face. É importante entender, nas entrelinhas, que o presidente vai considerar o interesse brasileiro em primeiro lugar. Principalmente, essa evocação da senioridade — "dois homens de 80 anos" — já é uma tentativa de dar paridade à conversa, de mostrar de onde se está falando. Há aí uma tática de discurso, que é justamente a equiparação entre dois homens tarimbados, experientes. Lula tenta identificar um ponto de apoio e uma possível área de convergência, que é a senioridade, sob uma luz positiva. Essa é uma tacada muito interessante, aliás, porque, afinal, como você sabe, há questionamentos sobre a idade provecta do presidente do Brasil e também do presidente dos Estados Unidos — ainda que em menor grau. O que Lula convida a pensar é justamente na equiparação dos dois quando se trata da faixa etária. Eles pertencem ao mesmo mundo, viveram coisas parecidas, viram o mesmo mundo ao longo de 80 anos. Isso é muito interessante, uma jogada importante, uma tática discursiva feliz do presidente do Brasil. Mas não pode ser tomada pelo valor de face. A cautela vai prevalecer, e o Brasil não vai de peito aberto para uma reunião assim. Lula pode falar nesses termos e evocar uma certa espontaneidade, mas é a tranquilidade de quem sabe que tem uma equipe técnica, diplomática, do mais alto nível. Tirando o aceno ao Brasil, Trump fez um discurso duro em relação à América Latina. Como você avalia essa postura? O tom geral para a América Latina foi duro, desencoraja qualquer prognóstico de aproximação hemisférica. Não é algo que tenha nascido agora com Trump. A região costuma aparecer nos discursos de chefes de Estado ou do Departamento de Estado sob ótica negativa: narcotráfico, crime organizado, imigração ilegal. É mais do mesmo. No caso do Brasil, porém, há uma diferença. O país consegue se descolar da regra geral para a América Latina, talvez pela escala: sozinho, corresponde a um terço da população da região, ocupa metade do território da América do Sul e concentra cerca de metade da economia do subcontinente. É um país distinto. As conversas com o Brasil seguem outra toada.

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Hospital público especializado em câncer infantil propõe atendimento humanizado em Goiás: 'Acolhimento e até comida personalizada'

Publicado em: 25/09/2025 05:03

Hospital Cora garante tratamento especializado para o câncer, em Goiás O Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) tem oferecido tratamento a crianças diagnosticadas com câncer em Goiás. O hospital é o primeiro da rede pública destinado ao tratamento de câncer infantil no estado. Inaugurado oficialmente nesta quinta-feira (25), a unidade opera desde junho de 2025 e já fez a diferença na vida de famílias que precisariam se mudar ou viajar para outros estados para realizar o tratamento de crianças. O Cora está localizado Residencial Barravento, em Goiânia, e foi construído em 2 anos. A família de Henry Gabriel, de 5 anos, está entre as que foram acolhidas no hospital. De acordo com a mãe dele, Emanuela, de 24 anos, o menino faz tratamento para leucemia linfoide aguda (LLA). Ele estava internado no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad) e ficou 11 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Com a suspeita de câncer, ele foi encaminhado ao Cora, recebeu o diagnóstico e iniciou o tratamento, há dois meses. Toda semana, a família, que é de Trindade, vai até o hospital realizar exame de sangue e quimioterapias. “É muito difícil receber um diagnóstico desses, mas aqui a gente sempre foi bem recebido. A estrutura é muito boa. Quando fica internado na enfermaria, eles fazem comida personalizada, do jeito que a criança quer”, relatou. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Emanuela conta que a abertura do hospital permitiu que ela e a família continuassem em casa. “Eu sou muito grata a Deus pelo hospital ter ficado pronto a tempo, porque quando ele veio aqui, não fazia nem um mês que tinha começado as atividades no hospital. Se não tivesse ficado pronto, provavelmente a gente tinha que ir para outro estado e ficar longe do meu outro filho”, disse . Pais da pequena Ayla e mãe de Henry, em Goiânia Yanca Cristina/g1 Goiás A família da pequena Ayla, de 6 meses, também está entre as que iriam realizar tratamento em Brasília, mas passou a receber atendimento na capital. A família é de Trindade. Francilene Ferreira dos Santos, de 45 anos, contou que recebeu o diagnóstico da filha logo após o seu nascimento. A pequena possui síndrome de down com leucemia transitória, um caso raro. De acordo com a mãe, quando o hospital começou a funcionar, Ayla ainda estava internada em uma UTI em outra unidade antes de ser encaminhada ao Cora. "No parto, foi tudo um susto. A gente espera ganhar neném e vir para casa, não ficar no hospital. Ela ficou lá por três meses, a Ayla ficou muito pálida, pegou sepse três vezes, para mim ela foi um milagre vivo. Até os médicos falam que nunca houve um diagnóstico como o dela, no estado em que ela chegou, aqui em Goiás", relatou. Ao chegar no Cora, a família foi encaminhada para um oncologista, mas também recebeu atendimento de vários especialistas, como nutricionista, psicólogo e fisioterapeuta. Segundo Franciele, o hospital é importante para a recuperação dos pacientes, mas também para a união da família que enfrenta o diagnóstico. "A gente sofre de ter que ir para longe, quem trabalha e depende do trabalho, como vai se deslocar? Por exemplo, eu tenho outro bebê de dois anos. Se eu tivesse que fazer esse acompanhamento com ela lá em Brasília, ia ser muito puxado. Meu marido ia ter que pedir conta no trabalho e começar uma vida por lá", disse. Demanda infantil foi priorizada Devido à complexidade do projeto do Cora, a entrega da unidade está prevista para ser realizada em três fases, sendo que a primeira é a prestação de serviços ao público infanto-juvenil com 60 leitos, por conta da alta demanda. "Percebemos que os pacientes de Goiás necessitavam muito de outros serviços de outros estados, principalmente o pediátrico. A gente tinha uma capacidade instalada aqui em Goiás, pelo Hospital AraújoJorge, de mais ou menos 50% dos atendimentos necessários para o Estado inteiro. Então, muito paciente ia para Brasília e São Paulo", relatou diretor técnico do Cora, Mário José Aguiar de Paula, ao g1. Com o objetivo de ser uma referência nacional, o hospital conta com uma estrutura moderna e equipamentos de alta tecnologia. A unidade recebeu os seus primeiros pacientes em junho deste ano, em fase de pré-operação, e já realizou mais de 2 mil atendimentos, de acordo com o médico. Colorido e decorado com animais do cerrado, o ambiente lúdico do hospital foi pensado para acolher o público infantil. Com o intuito de ser menos assustador para as crianças, o complexo conta com setores coloridos, uma brinquedoteca e salas de jogos. Para Mário, esse ambiente é crucial para a adesão do paciente ao tratamento. Além disso, o complexo conta com um setor de transplante de medula óssea, centro cirúrgico, robôs para reabilitação de movimentos e um avançado sistema de filtragem do ar, que é o único no estado, de acordo com a administração. Financiamento e apoio Segundo Mário, o hospital irá contar com o apoio de artistas e do setor privado para a construção de duas casas de apoio para oferecer hospedagem e suporte aos pacientes e suas famílias. Uma das apoiadores do projeto é a cantora sertaneja Ana Castela. Segundo Mário, a ideia da criação do compelxo surgiu há cerca de três anos, a partir do governador Ronaldo Caiado (UB) e do presidente da Fundação Pio XII. Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) Yanca Cristina/g1 Goiás LEIA TAMBÉM: Hospital Cora inicia atendimento pela ala pediátrica para tratamento de câncer em Goiás; saiba como funciona Nanopartícula desenvolvida por pesquisadores goianos pode vir a combater o câncer de forma não invasiva com terapia térmica Exames genéticos gratuitos para prevenção do câncer de mama e ovário são oferecidos pelo SUS, em Goiás; saiba como fazer Profissionais dedicados a fazer a diferença Cora conta com alta tecnologia e ambientes lúdicos, em Goiânia Yanca Cristina/g1 Goiás Em entrevista ao g1, a médica goiana Giovanna Patriarcha Borges dos Santos, de 37 anos, contou que, desde o início do seu funcionamento, o hospital tem recebido muitos casos de leucemia, linfoma, e de tumores do sistema nervoso central (SNC). Além disso, já foram atendidos tumores ósseos, abdominais, renais e de fígado. "Os pacientes têm recebido tratamento cirúrgico com a melhor estrutura possível. A gente tem UTI pediátrica, os pacientes mais graves ou até em fase de diagnóstico vão para lá. E a enfermaria que está com 18 leitos funcionando e, muitas vezes, com todos ocupados. A gente utiliza tudo", relatou. A médica destacou que iniciar a prestação de um serviço do zero é desafiador. "É um desafio bom, que a gente compra com muita alegria, força de vontade para fazer dar certo. Acho que essa é a intenção de todo mundo aqui", disse Giovanna. Em três meses de funcionamento, o Cora superou as expectativas. Desde junho, o hospital realizou mais de 2 mil consultas, mais de 300 sessões de quimioterapia, e 192 cirurgias, incluindo 18 em tumores do SNC. A equipe multidisciplinar é composta por cerca de 70 médicos, seis oncologistas, além de assistentes sociais, fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos. Funcionamento do hospital Fachada do Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) Yanca Cristina/g1 Goiás O funcionamento do Cora será de 24h por dia, todos os dias da semana. Já o atendimento ambulatorial deverá funcionar das 7h às 19h, de segunda a sexta-feira. Neste início de atendimento ao público, o Cora dispõe do atendimento em oncologia pediátrica, ortopedia pediátrica, cirurgia pediátrica e neuro-oncologia pediátrica. O atendimento é por encaminhamento do Sistema Único de Saúde. A unidade vai atender a pacientes de 0 a 17 anos, 11 meses e 29 dias em casos de suspeita de neoplasia infanto-juvenil, neoplasia maligna de origem hematológica ou tumores sólidos. Já os pacientes da faixa etária de 18 anos a 23 anos, 11 meses e 29 dias serão atendidos nos casos de diagnóstico de neoplasia maligna de osso. Investimento e inovações Estrutura do Hopistal Cora, em Goiânia Yanca Cristina/g1 Goiás Inspirado no Hospital do Amor, em Barretos (SP), o Hospital Cora tem mais de 44 mil metros quadrados de área construída, conforme divulgado pelo Governo de Goiás. Nesta primeira etapa, foram mais de R$ 255 milhões de investimento. O valor total estimado do projeto é de pouco mais de R$ 724 milhões. Entre as inovações tecnológicas do Cora, o sistema de filtragem de ar é considerado um dos mais importantes porque busca garantir a segurança dos pacientes que passarão por transplantes de medula óssea. O diretor técnico explicou que o ambiente é 100% estéreo e previne infecções, informou o técnico do Cora, Mário José Aguiar de Paula. Outro avanço é a reabilitação com robótica, uma tecnologia que, segundo o diretor, não existia no estado. Os robôs auxiliam na reabilitação de membros inferiores e superiores de pacientes com sequelas motoras. O hospital também conta com uma ressonância magnética ligada diretamente ao centro cirúrgico. Isso permite que, em caso de remoção de tumor cerebral, a criança consiga fazer a ressonância antes de fechar a cirurgia para verificar se restou algum resíduo, pontuou o médico. Apesar da ampla tecnologia, Mário não considera esse o ponto mais importante do tratamento. "A tecnologia não trata o paciente", disse. O especialista mencionou que as tecnologias servem como apoio, mas o que realmente importa é a humanização e o acolhimento. Diretor técnico do Cora, Mário José Aguiar de Paula, em Goiás Yanca Cristina/g1 Goiás Capacidade de atendimento O Cora conta com 10 leitos de enfermaria cirúrgica pediátrica, 8 leitos de enfermaria pediátrica transplante de medula óssea (TMO), 19 leitos de enfermaria pediátrica clínica, 12 leitos de pronto-socorro observação pediátrica, 6 leitos de UTI pediátrica e 5 leitos de UTI TMO Pediátrica. Nesta primeira etapa, o Complexo poderá realizar cerca de 31 cirurgias eletivas e internas por mês, além de 50 atendimentos no pronto-socorro, 32 pequenos procedimentos, 280 consultas médicas, 560 consultas multiprofissionais e 264 sessões de quimioterapia. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

Palavras-chave: tecnologia

Acima da média nacional: PIB de SC aumenta 4,2% no 1° semestre de 2025, projeta FGV

Publicado em: 25/09/2025 05:03

Vista aérea de Joinville, cidade mais populosa de Santa Catarina Prefeitura de Joinville O Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina cresceu 4,2% no primeiro semestre de 2025, valor acima da média nacional, de 2,5%. A estimativa faz parte de um estudo que será publicado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), no qual o g1 teve acesso. Segundo Juliana Trece, economista do instituto e uma das autoras da pesquisa, o mapeamento mostrou que o estado segue tendência de crescimento desde 2017 e reforça a expectativa de continuidade desse movimento nos próximos anos. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp O trabalho analisou a evolução do PIB dos três estados da região Sul e nos primeiros seis meses do ano, comparando também os resultados com o 2º semestre de 2024. Os dados apontam o PIB da região Sul cresceu 3,5% no 1º semestre de 2025, um ponto percentual acima do PIB brasileiro. Essa superioridade se deve, segundo a análise, aos desempenhos do PIB no Paraná (5,3%) e em Santa Catarina (4,2%). A atuação do Rio Grande do Sul foi mais modesta, embora tenha aumentado 1% (veja tabela abaixo). PIB e valor adicionado setorial - Taxa de variação interanual 1º semestre de 2025 - % 🔎 O PIB é um indicador que mede a atividade econômica de um país. Ele mostra quanto se produz, consome ou investe no país – ou seja, é uma medida do valor dos bens e serviços que o país produz num período de tempo: na agropecuária, indústria e serviços. Crescimento exponencial A economista avalia que Santa Catarina começou a despontar na economia há cerca de oito anos, com crescimento acima da região e do Brasil. "Inclusive, ele já passou Bahia como a sexta maior economia do país, antes era a sétima. A gente consegue perceber principalmente pela indústria e pelo setor de serviços. A gente vê diversos segmentos que Santa Catarina tem um crescimento. Isso estruturalmente falando". Metodologia O estudo, segundo ela, busca preencher uma lacuna sobre a situação atual das regiões brasileiras. Ela explica que o IBGE divulga trimestralmente o PIB do Brasil com pouca defasagem, mas que, no caso dos estados, não há dados oficiais recentes - os últimos são de 2022. Isso ocorre porque exigem a consolidação de várias informações estruturais. ➡️ Para chegar às projeções, os pesquisadores interpretaram diversos indicadores conjunturais, em especial, do próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), como a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), por exemplo. ➡️ Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), DataSUS e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) também foram usados para estimar a dinâmica econômica estadual. "Foram usados diversos indicadores conjunturais, a maioria do próprio IBGE, para completar essa metodologia e conseguir chegar nessa estimativa do que está acontecendo na economia", afirma. Leia também: PIB de SC deve ser o 2° do país mais afetado pelo tarifaço dos EUA, prevê Fiesc Tarifaço de Trump: PIB de SC pode ter recuo bilionário com tarifa dos EUA, aponta estudo Empresa de SC demite funcionários em massa para 'reestruturação' após tarifaço dos EUA 📊Os pesquisadores estimam que, no 1º semestre de 2025, o PIB da Região Sul (3,5%) tenha crescido mais que o do Brasil (2,5%). Os melhores desempenhos na indústria e nos serviços da região, em comparação ao nacional, foram os responsáveis por esse destaque (veja no gráfico abaixo). Taxa de variação interaual do PIB- primeiro semestre de 2025 Reprodução Dados em SC Na análise trimestral, Paraná e Santa Catarina mantiveram seu ritmo de crescimento do PIB elevado no período entre abril a junho, embora com taxas menores, explicadas pelo menor resultado industrial. Houve uma perda de força industrial dos dois estados no 2º trimestre. Contudo, o setor seguiu sendo positivo para essas economias, que cresceram acima da média regional, justificando o bom desempenho regional frente ao nacional no início de 2025. "É simplesmente uma menor taxa de crescimento, mas não significa que está contribuindo negativamente ou que está retraindo, só que está crescendo menos. O que não causa nenhuma surpresa dado o contexto que a gente tem no país", comenta Trece. A economista completa que a indústria de Santa Catarina é diversificada e conta com vários setores relevantes, como fabricação de produtos alimentícios, têxteis, vestuário, móveis e produtos de madeira, celulose, borracha e metalurgia. "Normalmente, um estado X é destaque 'nisso' ou 'naquilo'. A gente vê que tem bastante segmentos importantes na economia de Santa Catarina, o que também reduz um pouco essa vulnerabilidade", explica. Na agropecuária, Santa Catarina teve aumento estimado em 15,5%, entre abril e junho, com cerca de 75% do crescimento associado às lavouras de milho, soja e fumo. O aumento, segundo Trece, é esperado para essa época do ano. "A soja é a nossa principal lavoura tanto no país quanto em Santa Catarina. Então, quando ela vai bem, a gente vê que a agropecuária normalmente desponta. E a soja é uma colheita muito concentrada no primeiro semestre". No setor de serviços, a região Sul teve crescimento de 2,6% de janeiro a junho. Segundo o texto, todas as atividades contribuíram positivamente para o resultado, com destaque para o comércio, responsável por cerca de 45% desse crescimento. Paraná e em Santa Catarina cresceram acima da média regional (3,3% e 3%, respectivamente). Tarifaço dos EUA pode reduzir PIB de SC em R$ 1,2 bilhão VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Palavras-chave: vulnerabilidade

Ciee tem 200 vagas abertas para estágio na região; veja número por cidade e como se inscrever

Publicado em: 25/09/2025 05:02

Ciee disponibiliza vagas de estágio para a região Bruna Bonfim/g1 O Centro de Integração Empresa Escola (Ciee) está com 200 vagas abertas para estágio nas cidades do Vale do Paraíba e região. Os dados foram atualizados pela instituição nesta semana. Há vagas em diversas áreas. São José dos Campos, Atibaia, Taubaté e Jacareí são as cidades com mais oportunidades disponíveis - veja o número por cidade abaixo. Os interessados devem fazer o cadastro no site e acompanhar as vagas disponíveis. Administração, pedagogia, direito, marketing, engenharia, contabilidade, comunicação, saúde e tecnologia são alguns dos ramos com vagas abertas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Não há limite de idade para as vagas de estágio, porém, o interessado deve ter no mínimo 16 anos e estar matriculado em uma instituição de ensino para participar do processo seletivo. Para as vagas de jovem aprendiz, os estudantes devem ter entre 14 e 24 anos incompletos e precisam estar cursando o ensino médio ou já ter concluído os estudos. A remuneração é por hora trabalhada, em regime CLT. Os valores de bolsa-auxílio, vale-refeição e outros benefícios variam conforme a vaga e a carga horária escolhida. Veja o número de vagas por cidade da região: Atibaia - 44 vagas Bom Jesus dos Perdões - 1 vaga Bragança Paulista - 3 vagas Caçapava - 10 vagas Campos do Jordão - 1 vaga Caraguatatuba - 12 vagas Cruzeiro - 2 vagas Guaratinguetá - 3 vagas Ilhabela - 1 vaga Jacareí - 26 vagas Joanópolis - 1 vaga Lorena - 2 vagas Pindamonhangaba - 1 vaga Piracaia - 2 vagas Potim - 1 vaga Santo Antônio do Pinhal - 1 vaga São José dos Campos - 67 vagas São Sebastião - 2 vagas Taubaté - 20 vagas Tremembé - 1 vaga Ubatuba - 2 vagas Para participar dos processos seletivos é necessário realizar o cadastro no Portal CIEE. Na plataforma, o usuário ainda contará com cursos e poderá enriquecer o perfil para o processo seletivo por meio de vídeo apresentação e redação online. Todas as ferramentas são disponibilizadas gratuitamente. Os interessados podem tirar dúvidas por meio do WhatsApp no número (11) 3003-2433 do Ciee. CIEE/SC ensina a elaborar currículo e se preparar para entrevistas de emprego Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: tecnologia

Óculos criados por alunos de escola pública do ES detectam sono e podem evitar acidentes

Publicado em: 25/09/2025 04:02

Óculos criados por alunos de escola pública do ES detectam sono e podem evitar acidentes Um trio de estudantes de uma escola pública de Guarapari, no Espírito Santo, desenvolveu um par de óculos capaz de detectar sinais de sonolência em motoristas e evitar acidentes em estradas. O projeto, que começou quando eles ainda estavam no ensino fundamental, já conquistou prêmios em feiras científicas e chegou a ser finalista da Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), considerada a maior do segmento no país. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp A ideia nasceu em 2023, durante um projeto de iniciação científica na Escola Municipal João Lima da Conceição. O colégio fica às margens da BR-101, uma das rodovias mais movimentadas e perigosas do estado. A coordenadora pedagógica, Naiara dos Santos Nobre, responsável por iniciar o projeto, contou que os alunos Caleb Gomes da Silva Fabris, Henrique Velten da Silva e Natalia Dantas Sá chegaram até a criação dos óculos a partir de uma investigação dos problemas da comunidade. Estudantes do Espírito Santo criaram óculos antissono para evitar acidentes em rodovias Arquivo Pessoal LEIA TAMBÉM: INTERIOR: Projeto de reflorestamento mobiliza escola, vizinhos e transforma área degradada PESQUISA: Laboratório do Ifes identifica sabor, aroma, categorias do café e propõe a produtores melhorias no cultivo ACESSIBILIDADE: Professores lecionam para crianças doentes e transformam quarto de hospital em sala de aula "Eles chegaram à problemática que foi os acidentes de trânsito e descobriram uma informação, que ficaram um pouco chocados na época, de que o sono era um dos maiores causadores de acidente. Rascunharam, encontraram soluções em caminhões mais modernos, que tinham essas tecnologias. Mas os caminhões das pessoas que eles conheciam eram mais antigos", explicou a coordenadora. A partir daí, os estudantes começaram a pesquisar alternativas acessíveis para prevenir o sono ao volante. "Eles pensaram em como trazer uma solução de forma menos custosa, mais barata, que pudesse atingir caminhoneiros que não têm essas tecnologias. Eles chegaram ao primeiro protótipo deles, que seriam óculos para acordar os motoristas", completou Naiara. Como funcionam os óculos Estudantes do Espírito Santo criaram óculos antissono para evitar acidentes em rodovias Arquivo Pessoal Batizado de Óculos Antissono em Rodovias (ASR), o dispositivo utiliza um sensor infravermelho que identifica se o olho do motorista está aberto ou fechado. Os dados são processados por uma placa, que aciona dois alertas quando o condutor está prestes a adormecer: um buzzer, que emite um som próximo ao ouvido; e um mini motor de vibração, instalado na lateral do óculos. Com esses estímulos, o objetivo é acordar o motorista antes que ele realmente adormeça e perca o controle do veículo. Até agora, os testes foram realizados em ambiente controlado e, mais recentemente, em baixa velocidade no pátio do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) em Guarapari, parceiro do projeto. Projeto foi destaque em feiras Estudantes do Espírito Santo foram destaque em feiras de ciências com projeto de óculos antissono para motoristas Arquivo Pessoal A trajetória do grupo começou com a vitória na Feira de Ciências Sul Capixaba (Fecisc), em Piúma. Depois, vieram novas conquistas, como o 2º lugar na Feira de Ciências e Inovação Capixaba (Fecinc), em Vila Velha, que credenciou os alunos para a Mostratec Júnior, no Rio Grande do Sul. O reconhecimento levou os jovens até a Febrace, considerada a maior feira de ciências e engenharia do Brasil. Lá, eles ficaram entre os quatro melhores projetos da área de engenharia. Hoje, mesmo em escolas diferentes, os estudantes continuam se reunindo no contraturno para aprimorar o protótipo. “Eles não estão mais nessa escola, porque só tem até o nono ano. Uma foi para Ifes, inclusive. A gente continua fazendo o projeto. Agora, em parceria com o Ifes de Guarapari, porque chegou um determinado momento que a gente precisava de alguns outros instrumentos, recursos e também potencial técnico. A gente perdeu essa capacidade de continuar evoluindo com eles”, explicou Naiara. Estudantes do Espírito Santo criaram óculos antissono para evitar acidentes em rodovias Arquivo Pessoal Desafios continuam Ainda segundo a coordenadora, que continua orientando o projeto, o protótipo segue passando por testes e melhorias. A próxima etapa será ajustar o posicionamento dos sensores para aumentar a precisão. Apesar das dificuldades, os alunos sonham em transformar o protótipo em um produto viável comercialmente. "Eles já se veem como futuros empresários. Nosso papel é apoiar e orientar esse caminho", finalizou Naiara. Mais que um projeto de ciências A coordenadora pedagógica acredita que o projeto, além de ter ensinado sobre conceitos de robótica, física e engenharia, permitiu que os estudantes ampliassem seus horizontes. "Aqueles meninos que a gente conheceu são outros hoje. Em todos os sentidos. São mais empoderados, sabem do que podem, ampliaram a perspectiva de vida. Na escola, isso não vale um ponto, mas na vida valem habilidades que eles não vão conseguir em outros", comemorou a coordenadora. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Palavras-chave: tecnologia

Linguagens no Enem: veja os temas que mais caem na prova e dicas para uma melhor interpretação

Publicado em: 25/09/2025 04:01

Enem 2025: No primeiro dia de prova, candidatos resolvem 90 questões, divididas entre Ciências Humanas e Linguagens, além da redação. Freepik Em 9 de novembro, quem prestar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 terá 5 horas e 30 minutos para responder a 90 questões de múltipla escolha, divididas entre Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas, além da redação. 📲 Siga o canal do g1 Enem no WhatsApp O bloco de Linguagens reúne conteúdos de português, literatura, línguas estrangeiras, artes, educação física e tecnologias da informação e comunicação (TIC). Professores adiantam ao g1 que a prova é interdisciplinar, contextualizada e privilegia a interpretação de textos. 🔠 Temas de Português mais cobrados no Enem Levantamentos do Curso Anglo (2019-2024) e do SAS Educação (2009-2024) mostram que os temas de português que mais apareceram em edições anteriores da prova são: Interpretação de texto (competência leitora, apreensão de sentido, análise do discurso) Gêneros textuais (estrutura, finalidade e contexto de produção) Literatura brasileira (Machado de Assis, Drummond, Clarice Lispector e modernismo) Uso e funcionamento da língua (gramática, coesão e coerência, variação linguística, semântica e estilística) Impacto e função das TIC; mundo digital "O Enem valoriza a leitura crítica e cobra o uso prático da língua", tranquiliza Heric José Palos, coordenador de Português do Curso Etapa. Enquanto mais de 70% da prova corresponde às competências de interpretação, o repertório teórico ajuda a identificar o que determinado exercício está cobrando. "Além da interpretação, é importante reforçar pontuação, concordância, regência, uso de pronomes, funções da linguagem, coesão e coerência textual, além de noções de variação linguística", recomenda Palos. Outro ponto bastante explorado pela prova é a relação entre linguagem verbal e não verbal – como gráficos, tabelas, tirinhas e charges. Para interpretá-los bem, preste atenção em todas as informações disponíveis: título, legendas, escalas, elementos visuais e demais dados. Ao relacionar texto e imagem, é preciso estar pronto para "captar ironias, críticas e sentidos implícitos", destaca Vanessa Botasso, coordenadora de Redação do Poliedro Curso Campinas. LEIA TAMBÉM: Ciências da Natureza no Enem Ciências Humanas no Enem Matemática no Enem A interdisciplinaridade, característica forte do Enem, não fica de fora aqui. Os itens trazem assuntos atuais ligados a tecnologia e sociedade, uso das redes sociais, diversidade cultural, problemas ambientais, direitos humanos, inclusão e respeito às diferenças, diz a professora. O aluno "deve acompanhar debates e suas representações na mídia", buscando construir repertório amplo. A indicação também vale para as outras áreas do conhecimento cobradas pelo exame, principalmente redação. Enem 2025: Como usar a IA para estudar na reta final (e o que evitar) ➡️ A estratégia de estudo indicada é a mesma de outras disciplinas: resolver questões de provas anteriores, cronometrando o tempo. É uma maneira eficiente de "treinar leitura rápida e interpretação crítica, além de manter contato com diferentes gêneros textuais", diz o professor. Para a redação, além da escrita propriamente dita, a dica é que o candidato faça a leitura e análise de redações nota mil. No dia da prova, o "plano de ataque" pode ser "fazer uma leitura rápida para localizar questões familiares e mais curtas, que devem ser prioridade", reforça Vanessa. Gráficos e textos longos podem ficar para mais tarde, e questões difíceis devem ser puladas, sempre marcando dúvidas para revisar antes de preencher o gabarito. ⏰ Lembre-se que o tempo de prova será "disputado" com mais 45 exercícios de Ciências Humanas e a redação: a professora recomenda que o aluno reserve pelo menos 1h20 para a produção do texto, preferencialmente no início da prova. 📖 Literatura no Enem Diferente de outros vestibulares, o Enem não é uma prova com lista de leituras obrigatórias – mas tem, sim, alguns favoritos. A disciplina aparece "integrada à cultura e à história, cobrando reconhecimento de estilos de época, características de gêneros e temas sociais", observa Palos. Alguns autores recorrentes no exame são Machado de Assis, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Cecília Meireles, Guimarães Rosa e autores contemporâneos. Os professores também recomendam estudar modernismo, romantismo e realismo, e estar atento a manifestações culturais populares, como cordel e música popular brasileira. Redação do Enem 2025: a menos de 100 dias da prova, professores dão 9 palpites para o tema 🗣️ Línguas estrangeiras no Enem: qual escolher? O exame conta com apenas cinco questões de língua estrangeira – as duas opções aparecem no caderno de prova, e o candidato deve escolher somente uma para responder: Inglês ou Espanhol. ➡️ Opte por Inglês se for o idioma "com o qual teve mais contato ao longo de seus anos escolares e eventuais cursos preparatórios", orienta Mariana Billia, coordenadora de Inglês do Etapa. "Se você se sente mais seguro com o vocabulário e as estruturas do inglês, essa é a escolha mais sensata. Os falsos cognatos, que são poucos, não devem ser um impeditivo". ➡️ Opte por Espanhol se "tiver conhecimento do idioma, pelo menos no nível instrumental, ou não possuir familiaridade com o inglês", pondera Vivian Motta, coordenadora de Espanhol do Etapa. Para quem não domina nenhum dos dois, escolher o espanhol traz a chance de acertar algumas questões, "já que brasileiros escolarizados costumam ter capacidade mínima para ler e interpretar um texto no idioma". Inglês "A prova não exige fluência; o foco está na capacidade de compreender a mensagem central de diferentes gêneros textuais", ressalta Mariana. A interpretação exigida na prova é de nível prático. Assim, a maior preocupação não deve ser com gramática avançada: o segredo é adotar uma estratégia de leitura eficiente, focada na conexão precisa entre o enunciado, o texto e as alternativas, diz a professora. "Ler primeiro o comando, para entender se ele pede uma ideia geral ou um detalhe específico. Isso direciona sua atenção para a informação que realmente precisa ser encontrada no texto, economizando tempo e evitando distrações", explica. Espanhol A orientação para as questões de Espanhol segue a mesma linha: a compreensão de textos de diferentes gêneros é a essência. A gramática, ainda que seja um recurso importante, não aparece de maneira isolada, ressalta Vivian Motta. "Dedique tempo à leitura de materiais atuais, como artigos jornalísticos e literários que abordam questões contemporâneas e temas ligados à diversidade cultural", recomenda a professora. Vivian acrescenta que o aluno pode dedicar um tempo para adquirir conhecimento básico sobre autores e obras de destaque da literatura hispânica, como Eduardo Galeano, Mario Benedetti, Julio Cortázar, Miguel de Cervantes, Isabel Allende e Jorge Luis Borges. "Muitas séries e filmes em espanhol – disponíveis nas plataformas de streaming – são releituras de obras literárias relevantes ou tratam de temas muito presentes na sociedade. Explorar esses recursos é uma ótima estratégia para ampliar a compreensão da língua, enriquecer o repertório cultural e fortalecer a preparação para a prova", indica a professora. 🎨 Artes e educação física no Enem Artes e educação física aparecem na prova de Linguagens geralmente em questões interdisciplinares, abordando temas como movimentos artísticos – modernismo, barroco, impressionismo –, leitura de obras, esporte, corpo, saúde, lazer e cidadania, elenca Vanessa Botasso, do Poliedro. O levantamento do SAS Educação destaca itens relacionados à Idade Contemporânea, compreensão do papel social da arte, contextos históricos, resistência e identidade. Já as questões que englobam educação física trazem discussões como corpo, atividade física e promoção da saúde nas várias faixas etárias, além da conceituação de jogos, brincadeiras e esporte.

Palavras-chave: tecnologia

'Nunca quisemos ser milionários': a brasileira em lista dos 100 mais influentes de IA que oferece solução gratuita ao SUS

Publicado em: 25/09/2025 03:00

Irmãos Ana Helena Ulbrich e Henrique Dias criaram sistema de inteligência artificial que ajuda farmacêuticos em hospitais Divulgação No começo deste mês, a influente revista americana Time produziu sua primeira lista das cem pessoas mais influentes no mundo da inteligência artificial (IA). Muitos dos nomes na lista são bastante conhecidos no mundo da tecnologia: Elon Musk (da Tesla e da xAI), Sam Altman (da OpenAI, criadora do ChatGPT), Mark Zuckerberg (da Meta), Jenson Huang (da Nvidia) e Liang Wenfeng (do Deepseek), entre outros. Na lista também aparece o brasileiro Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, empresa americana fabricante de chips que vem se destacando também por pesquisa no campo da AI. A lista é repleta de empresários e executivos que estão moldando esse campo que é hoje visto como o futuro da indústria da tecnologia. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Europa lança supercomputador mais potente do continente A inteligência artificial é considerada uma ferramenta poderosa para ajudar a resolver diversos problemas crônicos da humanidade. E é vista também como uma tremenda oportunidade de negócios para aqueles visionários que conseguirem criar empresas pioneiras e disruptivas. A inteligência artificial catapultou a fabricante de chips Nvidia ao posto de empresa mais valiosa do mundo hoje, com valor de mercado superior a US$ 4 trilhões. Outro pioneiro no setor, o fundador da OpenAI, Sam Altman, tornou-se bilionário. Outro nome que aparece na lista é da farmacêutica brasileira Ana Helena Ulbrich, moradora de Capão da Canoa, município do litoral norte do Rio Grande do Sul, que foi reconhecida pela Time pela ferramenta que ela e seu irmão, o cientista de dados Henrique Dias, criaram para resolver um problema do sistema de saúde brasileiro: reduzir o número de erros em prescrições médicas. Mas ao contrário de alguns outros nomes da lista e no setor de AI, Ulbrich e Dias não se tornaram bilionários — ou sequer milionários. Ao invés de uma startup, eles criaram um instituto sem fins lucrativos, a NoHarm, que cobra uma pequena taxa de hospitais privados para poder oferecer sua ferramenta gratuitamente aos hospitais públicos do Brasil. Sua pequena operação de 20 pessoas funciona ainda hoje dentro da Tecnopuc Startup — a incubadora de negócios da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), em Porto Alegre. "O caminho comum é criar uma empresa para ficar milionário. Nós nunca quisemos ser milionários. Não tínhamos essa necessidade ou essa vontade", disse Ulbrich em entrevista à BBC News Brasil. LEIA TAMBÉM: Como funciona o monitor cerebral brasileiro reconhecido como tecnologia pioneira de 2025 Google Cloud promete treinar de graça 200 mil pessoas em IA generativa; veja como se inscrever Projeto Stargate: como serão os novos data centers da OpenAI nos EUA Trabalho exaustivo Em 2017, Ana Helena Ulbrich era farmacêutica do Grupo Hospitalar Conceição, a maior rede pública de hospitais da região Sul do país, com atendimento 100% pelo SUS. Sua função era fazer a avaliação da prescrição de remédios receitados aos pacientes. Quando um médico precisa administrar remédios a pacientes internados no hospital, ele envia a prescrição ao farmacêutico, que é um profissional especializado em analisar se os medicamentos são eficazes e seguros. Há inúmeros problemas que podem acontecer na administração de um remédio: por exemplo, a dose e a frequência podem estar erradas ou pode haver interações indesejadas do remédio indicado com outros medicamentos que o paciente já está tomando. Alguns pacientes são idosos, possuem comorbidades ou têm problemas específicos, como renais ou hepáticos — fatores que podem ser complicados com erros de prescrições. Em um mundo ideal, um farmacêutico precisaria olhar todo o prontuário do paciente — incluindo as anotações dos médicos e enfermeiros e os exames do paciente. Mas a prática do departamento de farmácia de um grande hospital brasileiro é muito diferente. "O trabalho de olhar prescrições era exaustivo. Eu tinha um minuto ou dois minutos para olhar a prescrição e já liberar o medicamento", conta Ulbrich. Na equipe em que ela trabalhava, com quatro pessoas, eles chegavam a avaliar 800 prescrições por dia. "Eu sempre me senti insegura se eu estava ou não olhando a prescrição de forma completa e com qualidade", conta. "A maior parte dos farmacêuticos não têm condições de olhar todas as informações no formato em que o trabalho está hoje." Farmacêuticos costumam ter poucos minutos para avaliar se prescrições médicas são seguras Divulgação Nos almoços familiares de domingo, ela discutiu o problema com seu irmão, Henrique Dias, que estava fazendo doutorado em informática na PUC-RS. As conversas resultaram em um projeto de pesquisa para detecção de eventos adversos em prontuários de hospitais. E desse projeto surgiu o algoritmo que serviu como embrião do trabalho que eles desenvolvem até hoje. O algoritmo detecta prescrições de medicamentos fora do padrão e alerta farmacêuticos para erros. O trabalho foi publicado em uma revista científica, mas Ulbrich e Dias tinham ambições maiores: eles queriam desenvolver uma solução que facilitasse a vida de farmacêuticos nos hospitais. Em 2019, eles montaram um instituto sem fins-lucrativos chamado NoHarm — nome em inglês que significa "sem danos", contando com um dinheiro que ganharam do prêmio Lara, da gigante de tecnologia do Google. O trabalho começou no Hospital Santa Casa de Porto Alegre e envolveu não só o desenvolvimento do algoritmo, como também um sistema integrado ao banco de dados. A primeira prescrição médica da NoHarm foi analisada em março de 2020. O programa da NoHarm oferece soluções para diversos problemas comuns aos farmacêuticos. O sistema tem acesso a todas as informações do prontuário do paciente, como exames e comorbidades. O programa consegue identificar problemas de dose e frequência de medicamentos, analisa as interações com outros remédios que o paciente esteja tomando e consegue até mesmo analisar as anotações feitas por profissionais como médicos, enfermeiros, nutricionistas e fisioterapeutas. A NoHarm sugere planos de ação aos farmacêuticos sobre como lidar com eventuais problemas que surgem com a prescrição. NoHarm ajuda farmacêuticos a tomarem decisões, mas não substitui o trabalho dos profissionais Divulgação Ulbrich ressalta que a NoHarm não substitui um farmacêutico. É sempre importante haver um olhar humano e treinado para tomada de decisões. Mas a ferramenta auxilia os profissionais a lidar com a quantidade enorme de informações que é necessária para analisar com qualidade uma prescrição médica. "A NoHarm é para suporte à decisão. Nós entendemos que a inteligência artificial, de forma ética, tem que ser assim. É uma forma de agilizar o processo de avaliação, e não de fazer o papel do profissional. Porque é muito arriscado botar no lugar do profissional uma ferramenta que faz tudo automaticamente." A realização do sonho de levar esse projeto adiante exigiu muito de ambos. Ulbrich e Dias seguiram com seus empregos — se dedicando apenas parcialmente ao projeto. A farmacêutica ainda precisou conciliar o desenvolvimento da NoHarm com o trabalho intenso no hospital nos meses da pandemia — e com sua rotina familiar, como mãe de dois filhos. 100% gratuito ao SUS A experiência na Santa Casa de Porto Alegre foi um sucesso. Ao usar a ferramenta da NoHarm, o hospital conseguiu — com a mesma equipe — aumentar em quatro vezes a quantidade de prescrições analisadas. Sem nenhuma verba para marketing, a ideia foi sendo difundida em conferências de hospitais da qual Ulbrich participou. A NoHarm hoje é usada por 200 hospitais no Brasil. Pelo seu sistema, passam mais de 5 milhões de prescrições por mês. A NoHarm afirma que mais de 2,5 milhões de pacientes foram beneficiados pelo sistema. O instituto segue aperfeiçoando o sistema com mais pesquisas. Em 2023, Ulbrich e Dias passaram a se dedicar integralmente à NoHarm. Tudo que a associação arrecada é usado para pagar salários e custos, e para reinvestir na sua tecnologia. A NoHarm segue captando recursos de editais de fundações privadas ou bancos como BNDES. Parte de sua receita vem de hospitais privados, que pagam para usar o sistema. Já hospitais do SUS têm acesso ao sistema de forma 100% gratuita. A gratuidade da ferramenta aos hospitais públicos brasileiros sempre foi um dos pontos fundamentais do projeto de Ulbrich e Dias. E é um dos motivos pelos quais eles montaram um instituto sem fins lucrativos, em vez de uma startup convencional. Os irmãos chegaram a conversar com investidores privados quando montaram a NoHarm — quando ainda estudavam como seria seu modelo de negócios. "Nós tivemos experiências ruins em relação a investidores. Antes de eles decidirem se investiriam, tivemos uma reunião e a conversa foi péssima. Nosso propósito era entregar a ferramenta gratuitamente ao SUS e isso não é interessante para nenhum investidor", conta Ulbrich. Outro ponto importante para os irmãos é que a ferramenta que eles desenvolverem é oferecida com código aberto — para que outras pessoas possam criar outras plataformas semelhantes. "O investidor está orientado para o lucro. E não tem nada de errado nisso. Mas nós não estamos orientados para o lucro. É preciso ter um 'fit' com o investidor. Se não tiver, não faz sentido. Nós não íamos sair do nosso emprego para criar um negócio que não nos faz bem." Ulbrich diz que a decisão de não receber aportes de investidores — que acabariam pressionando a startup para dar retornos financeiros — permitiu que a NoHarm crescesse organicamente no ritmo estabelecido pelos seus próprios criadores. O dinheiro obtido com prêmios e editais — que inclui fontes como o Google e a Amazon — deu a eles um grau de independência para seguirem seus próprios rumos — e eles não se arrependem dessa decisão. "Nós temos muito orgulho de ter decidido isso. Só se comprovou que a nossa decisão foi a melhor. Temos parceiros que apoiam e divulgam a NoHarm por causa dessa decisão. Eles veem que nós temos o propósito de melhorar o sistema de saúde, não o propósito do lucro." Um dos editais que a NoHarm venceu foi para receber recursos da Fundação Gates, dos bilionários Bill e Melinda Gates. Ulbrich acredita que essa distinção internacional contribuiu para que seu nome aparecesse na lista da Time de 100 pessoas mais influentes no mundo da inteligência artificial publicada neste mês. A inclusão da NoHarm na lista da Time trouxe ainda mais trabalho para Ulbrich. "Agitou bastante né?", ri a farmacêutica. Ela e o irmão vêm recebendo convites para palestras em países como EUA, Egito e Emirados Árabes. Ela conta que uma de suas maiores preocupações no uso da inteligência artificial é com ética. "A inteligência artificial precisa ser usada sempre para suporte a decisões [humanas] e ela precisa sempre ser explicando quais são as suas referências. Isso é o mais importante. "

IA pode detectar submarinos camuflados? Por que declaração da China é contestada por especialistas

Publicado em: 25/09/2025 02:00

Submarino dos EUA, da classe Ohio, em exercício em Okinawa, Japão, em 2021 Marinha dos EUA / Sgt. Audrey M. C. Rampton Desde sempre, parte do arsenal da guerra psicológica consiste em ressaltar a própria superioridade por meio de inovações tecnológicas e, ao mesmo tempo, sugerir que os adversários são incapazes de contê-las. A recente declaração chinesa, divulgada pelo jornal South China Morning Post, publicado em Hong Kong, também pode ser observada dentro desse contexto. Conforme o veículo, uma equipe liderada por Meng Hao, engenheiro-chefe do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento de Helicópteros da China, criou um sistema de inteligência artificial (IA) que reduz para apenas 5% a chance de submarinos modernos permanecerem camuflados. Um estudo publicado na revista especializada Electronics Optics & Control, indicou que dispositivos de IA podem, pela primeira vez, avaliar dados de medição a partir de diferentes fontes. Mas especialistas apontam que a implementação de um sistema como esse não seria simples. Entre elas, estão sonoboias, usadas para detectar sons de submarinos e transmiti-los via rádio; microfones subaquáticos; e dados de temperatura e salinidade da água. Tudo isso de maneira simultânea e em tempo real, criando um mapa dinâmico do ambiente no fundo do mar. A IA também pode reagir de forma flexível a contramedidas como manobras em zigue-zague, lançamentos de drones ou dispositivos de distração. Em simulações computacionais, o sistema conseguiu localizar o alvo com sucesso em cerca de 95% dos casos. Isso colocaria em xeque os métodos comprovados de camuflagem e defesa contra submarinos. Outro avanço importante é que a IA traduz todos esses dados complexos em recomendações simples e claras, o que auxilia militares a tomar decisões corretas rapidamente mesmo em situações de estresse. Europa lança supercomputador mais potente do continente Os desenvolvedores liderados por Meng Hao querem, em versões futuras, que o sistema de IA trabalhe em estreita colaboração com "enxames" de drones, navios de superfície e robôs subaquáticos autônomos. O objetivo é criar uma rede de caça tridimensional com aprendizagem autônoma que se adapte a estratégias de evasão cada vez mais sofisticadas e "escaneie" o oceano em tempo real. Projeto Stargate: como serão os novos data centers da OpenAI nos EUA O dilema das potências mundiais Se os desenvolvimentos citados acima se concretizarem, pilares centrais das atuais estratégias de defesa ficariam seriamente ameaçados. Os três pilares da dissuasão nuclear, também conhecidos como "tríade nuclear", consistem em mísseis balísticos intercontinentais, baseados em terra, bombardeiros estratégicos e mísseis balísticos lançados por submarinos. Esses três sistemas de lançamento são concebidos para dissuadir um potencial agressor de um ataque nuclear, pois garantem a capacidade de um contra-ataque confiável. Unidades navais inteiras, que até agora dependiam do jogo estratégico de esconde-esconde dos submarinos nucleares, enfrentariam tempos difíceis. Guerra psicológica As táticas militares, porém, não incluem apenas a dissuasão, mas também a guerra psicológica. Mensagens com esse tipo de conteúdo têm o objetivo de consolidar a superioridade estratégica na percepção pública. Não faz muito tempo, a China exibiu de maneira ostensiva sua presença em áreas marítimas estrategicamente importantes, como o Estreito de Taiwan e os mares da China Meridional e Oriental. Taiwan é particularmente importante para a frota chinesa. O motivo é que os submarinos chineses precisam partir principalmente das bases de Yulin e Yalong, no sul da ilha de Hainan, em águas rasas, onde podem ser facilmente localizados por sensores e sistemas de informação ou de reconhecimento inimigos. Se a China pudesse controlar o acesso ao Oceano Pacífico por meio de Taiwan e dos arquipélagos circundantes, os submarinos chineses teriam uma saída direta para águas profundas e poderiam ser utilizados de forma mais plausível como plataformas nucleares de contra-ataque. É por isso que, nos últimos anos, o país também reforçou suas forças navais, equipou áreas marítimas estrategicamente importantes com radares e cadeias de sonares e boias, tentando intimidar países vizinhos com grandes manobras navais. Para especialistas, implementação desse sistema é complexa e lenta Embora a China esteja fazendo progressos notáveis em inteligência artificial, especialistas militares ocidentais duvidam que o novo sistema de controle a submarinos via IA represente uma ameaça às estratégias globais de defesa em um futuro próximo. Em entrevista à DW, o americano Paul Schmitt, especialista em guerra naval estratégica e operacional, confirma que a inteligência artificial torna mais eficaz a caça a submarinos, pois analisa grandes quantidades de dados de diferentes sensores e auxilia os humanos a tomar decisões. Mas o ambiente subaquático é extremamente complexo, o que faz com que a implementação continue difícil. O conceito de uma solução totalmente conectada e integrada, controlada por IA, é um objetivo futuro interessante, mas parece um pouco otimista demais no momento. A dinâmica do armamento marítimo é sempre um "jogo de gato e rato" com resultado incerto, dizem especialistas alemães em segurança. O equilíbrio mundial de forças embaixo d'água A China aparece no topo do ranking com a maior frota militar marítima, com 105 submarinos, seguida pela Coreia do Norte (90), Estados Unidos (74) e Rússia (62). Mas são os submarinos modernos, movidos a energia nuclear e equipados com mísseis balísticos, que são decisivos para a competição estratégica. Nesse sentido, os EUA possuem a maior e mais avançada frota, com cerca de 14 submarinos de mísseis balísticos e mais de 50 submarinos de ataque modernos. A Rússia aparece na sequência com cerca de 16 submarinos estratégicos e vários outros submarinos nucleares de ataque e mísseis de cruzeiro. A China está expandindo rapidamente sua frota com pelo menos seis submarinos da classe Jin e um da classe Xia, além de vários outros tipos. O Reino Unido e a França garantem sua segurança estratégica com quatro submarinos de mísseis balísticos (classes Vanguard e Triomphant, respectivamente), além de submarinos de caça nucleares. A Alemanha aposta em modernos submarinos diesel-elétricos e desempenha um papel de liderança na área convencional em termos técnicos, mas não possui capacidade nuclear. Outras nações relevantes na área de submarinos que integram a Otan são Itália, Espanha, Noruega, Suécia, Países Baixos, Canadá e Turquia, que apostam em tecnologia convencional comprovada. Fora da Otan, a Índia, com a classe Arihant, e Israel, com os submarinos Dolphin, possuem capacidades submarinas mais avançadas.

Trump, paracetamol e autismo - O Assunto #1563

Publicado em: 25/09/2025 00:20

Nesta quarta-feira (24), a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que não há evidências científicas conclusivas que liguem o uso de paracetamol durante a gravidez ao autismo. A declaração foi feita após, no início da semana, Donald Trump relacionar o uso de Tylenol ao autismo. A associação foi feita pelo presidente dos EUA em um pronunciamento ao lado de Robert Kennedy Jr, secretário de Saúde conhecido por ser uma voz antivacina e por propagar teorias conspiratórias. Nome comercial do paracetamol, o Tylenol é um dos remédios mais usados do mundo para dor e febre. Reconhecido como seguro para mulheres grávidas, ele é alternativa para o ibuprofeno, medicamento não recomendado para uso durante a gravidez. Neste episódio, Natuza Nery conversa com a farmacêutica Laura Marise para responder o que os estudos dizem sobre o uso de paracetamol e sobre o transtorno do espectro autista. Doutora em biociências e biotecnologia pela Unesp, Laura é uma das criadoras do projeto de divulgação científica “Nunca vi 1 cientista”. Ela atenta para o perigo de espalhar informações sem comprovação científica e responde o que as pesquisas revelam sobre o aumento do diagnóstico de autismo no mundo. Depois, Natuza recebe o médico Romulo Negrini. Vice-presidente da comissão de parto da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia) e coordenador médico de Obstetrícia do Hospital Albert Einstein, ele alerta sobre a necessidade de cada mulher procurar orientação médica durante a gravidez. E reforça que o uso do paracetamol é reconhecido como seguro para gestantes, quando usado sob orientação médica. O que você precisa saber: REMÉDIO: OMS desmente Trump e afirma não haver evidências de que paracetamol na gravidez tenha ligação com autismo Tylenol na gravidez x epidemia de autismo: o que se sabe sobre as alegações de Trump O podcast O Assunto é produzido por: Mônica Mariotti, Amanda Polato, Sarah Resende, Luiz Felipe Silva, Thiago Kaczuroski e Carlos Catelan. Apresentação: Natuza Nery. O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações.

Palavras-chave: tecnologia

Na última sessão antes do fim do mandato, Barroso faz balanço da gestão no STF; veja perfil

Publicado em: 25/09/2025 00:00

Na última sessão do plenário antes do fim do mandato na presidência, o ministro Luís Roberto Barroso faz um balanço da gestão nesta quinta-feira (25). No comando da Corte desde setembro de 2023, ele será sucedido no cargo pelo ministro Edson Fachin, que toma posse no próximo dia 29. Barroso diz que 'não existe caça às bruxas' em julgamento de Bolsonaro 🔎No Supremo, o mandato na presidência dura dois anos. Os ministros se sucedem pela ordem de antiguidade. O ministro Alexandre de Moraes será o vice-presidente do tribunal. Fachin e Moraes foram eleitos para os cargos em agosto deste ano. Trajetória Natural de Vassouras (RJ), o ministro tem 67 anos. Cursou Direito na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mesma instituição em que obteve o título de doutor em Direito Público e onde é professor titular de Direito Constitucional. Barroso fez mestrado na Universidade de Yale (EUA) e pós-doutorado na Universidade de Harvard (EUA). Trabalhou, ainda, como professor visitante nas Universidades de Poitiers (França), de Breslávia (Polônia) e de Brasília (UnB). O presidente Lula e Luís Roberto Barroso durante cerimônia de posse de Luís Roberto Barroso como presidente do STF, na cidade de Brasília, DF, nesta quinta-feira, 28. FáTIMA MEIRA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO O ministro, que fez carreira na advocacia, também já foi procurador do Estado do Rio de Janeiro. Ainda como advogado, Barroso teve atuação em casos importantes no Supremo, como a liberação de pesquisas com células-tronco embrionárias, a proibição do nepotismo no Poder Judiciário, a defesa do reconhecimento das uniões homoafetivas e o direito de a gestante interromper a gravidez em caso de feto anencéfalo. Na área acadêmica, Barroso também é autor de diversos livros sobre Direito Constitucional e de inúmeros artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e no exterior. O ministro chegou ao Supremo em 2013, indicado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Luís Roberto Barroso toma posse como ministro do STF Nelson Jr./SCO/STF Casos marcantes no comando do STF O mandato de Barroso à frente do Supremo tem sido marcado por temas com impacto social, como o julgamento que ampliou a responsabilidade das redes sociais por conteúdos publicados por seus usuários. Nos dois últimos anos, a Corte também analisou a ação que reconheceu as violações de direitos humanos no sistema prisional e o recurso que discutiu o porte de maconha para uso pessoal. Sob a presidência do ministro, o tribunal também prosseguiu com a análise de processos penais relativos aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro – quando foram invadidas e depredadas as sedes dos Três Poderes. E, ainda no período, a Primeira Turma da Corte julgou a ação penal contra o núcleo crucial da trama golpista, que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus. Ministro Luís Roberto Barroso fala no final do julgamento da trama golpista Gestão na presidência do STF Na presidência do STF, o ministro foi o responsável por iniciativas como o Pacto Nacional pela Linguagem Simples, a adoção de medidas para evitar o uso de jargões jurídicos e facilitar a comunicação das decisões do tribunal ao público. Além disso, em casos polêmicos, Barroso permitiu a divisão dos julgamentos em dois momentos: na primeira sessão, advogados apresentam seus argumentos e tiram as dúvidas dos ministros; na segunda sessão, em outra data, os magistrados apresentam seus votos. Além disso, Barroso tomou medidas para garantir diversidade, sustentabilidade e acessibilidade em ações da Corte. Em sua gestão, o Supremo ampliou a contratação de profissionais com deficiência e adaptou as estruturas físicas e digitais do Tribunal. Ainda na gestão do ministro no comando do tribunal, o STF também expandiu o uso de ferramentas de inteligência artificial e fortaleceu a presença da Corte em redes sociais.

Palavras-chave: inteligência artificial

Câmara de Belém reconhece Parada LGBTQIA+ como patrimônio imaterial da cidade

Publicado em: 24/09/2025 23:15

Plenário da Câmara Municipal de Belém Ascom Câmara de Belém/Divulgação A Câmara Municipal de Belém aprovou nesta quarta-feira (24) o projeto de lei que reconhece a Parada do Orgulho LGBTQIA+ como patrimônio cultural imaterial de Belém. Neste domingo (28), será realizada a 23ª Parada do Orgulho LGBTQIA+, com a concentração dos participantes ocorrendo a partir das 12h na avenida Doca de Souza Franco A proposta foi apresentada pela vereadora Vivi Reis (PSOL) e reforça o papel da Parada como espaço de visibilidade, resistência e afirmação das identidades de gênero e diversidade sexual na região amazônica. ✅ Clique e siga o canal do g1 PA no WhatsApp Realizada há mais de duas décadas, a Parada LGBTQIA+ é considerada um dos maiores eventos de visibilidade da população LGBTQIA+ da Região Norte do Brasil. Este ano, o evento aborda o tema “Patrimônio Histórico e Imaterial da População LGBTI+ na Amazônia”, buscando destacar a importância cultural e social da manifestação. A proposição da vereadora Vivi Reis (PSOL) destaca que o reconhecimento como patrimônio imaterial da cidade é essencial para preservar a memória da Parada e valorizar a contribuição histórica dos ativistas que a protagonizam. “A parada é uma celebração, mas também um espaço de mobilização política e social, memória e resistência na Amazônia. Tem papel fundamental na luta contra a violência e o preconceito e para a promoção da inclusão e fortalecimento das políticas públicas de igualdade”, destacou Vivi Reis. VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA

Palavras-chave: câmara municipal

Amazonas vence 6 categorias no Prêmio Finep e garante vaga na etapa nacional

Publicado em: 24/09/2025 22:06

Prêmio Finep de Inovação volta após 10 anos e premia seis projetos do Amazonas na etapa Norte. Patrick Marques/g1 AM Após uma década sem ser realizado, o Prêmio Finep de Inovação voltou em 2025, promovido pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O evento, que reconhece iniciativas transformadoras em setores estratégicos da economia nacional, teve sua etapa regional Norte realizada na tarde de quarta-feira (24), na sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), em Manaus. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O diretor-presidente da Finep, Luiz Antônio Elias, destacou a importância da retomada. “Esse prêmio está sendo retomado dez anos depois. Ele não só traz a força da ciência brasileira, como também demonstra a capacidade das empresas de encontrarem soluções para nossos problemas. Mostramos à sociedade que somos bons no que fazemos e fomentamos projetos que estão trazendo inovação, especialmente na região Norte”, afirmou. Já o presidente da Fieam, Antonio Silva, ressaltou o papel da indústria na valorização da tecnologia e inovação no estado. “É muito importante a Casa da Indústria receber a Finep neste momento. Temos muitos amazonenses concorrendo e hoje é um dia especial para reconhecer esses trabalhos voltados à sustentação da nossa Amazônia”, disse. Categorias premiadas A edição regional contemplou nove categorias: Cadeias Agroindustriais Sustentáveis Complexo Econômico Industrial da Saúde Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis Transformação Digital da Indústria para Ampliar a Produtividade Bioeconomia, descarbonização, Transição e Seguranças Energéticas Deep Tech Ambiente de Inovação Infraestrutura de P&D em ICTs Empreendedorismo Feminino No total, 12 projetos do Amazonas chegaram à final e seis deles venceram em suas categorias, garantindo vaga na etapa nacional do prêmio, que será realizada em dezembro, em Brasília. Entre os destaques está a Getter, que desenvolveu um equipamento capaz de descontaminar castanhas com luz ultravioleta, garantindo qualidade para exportação. O CEO e fundador da empresa, Rufo Paganini, celebrou o reconhecimento. “É uma emoção enorme. Descobrimos um grande problema na cadeia da castanha, que comprometia a qualidade do consumo. Nosso equipamento resolve isso e abre portas para que ribeirinhos e indígenas possam exportar com segurança para o mundo inteiro”, explicou. Outro vencedor foi a Aeroriver, com o projeto do chamado “barco voador”. O diretor executivo, Lucas Guimarães, disse que a premiação fortalece a missão da empresa. “A logística na Amazônia é um desafio enorme. Desenvolvemos uma solução para tornar as viagens mais baratas e rápidas. Receber esse prêmio é uma confirmação de que estamos no caminho certo”, declarou. Além do troféu, os vencedores receberam o Selo Prêmio Finep de Inovação 2025, que reforça a credibilidade dos projetos premiados.

Palavras-chave: tecnologia

'Aquilo que parecia impossível deixou de ser', diz Lula sobre encontro com Trump

Publicado em: 24/09/2025 20:41

O presidente Lula se manifestou, nesta quarta-feira (24), publicamente, sobre o encontro que teve com o americano Donald Trump na Assembleia Geral das Nações Unidas. A foto publicada pela ONU mostra Donald Trump atento ao discurso do presidente Lula na Assembleia Geral na terça-feira (23). Lula não citou diretamente o presidente americano ou o tarifaço, mas criticou ataques às instituições e à economia do Brasil. Trump discursou logo depois. De improviso, disse que tinha acabado de encontrar o presidente brasileiro na saída do plenário, que os dois tiveram uma química excelente e que concordaram em se encontrar semana que vem. Nesta quarta-feira (24), em uma entrevista coletiva, Lula comentou o encontro antes mesmo de ser questionado pelos jornalistas: "Eu tive uma outra satisfação de ter um encontro com o presidente Trump. Aquilo que parecia impossível deixou de ser impossível e aconteceu. E eu fiquei feliz quando ele disse que pintou uma química boa entre nós. Eu torço para que dê certo, porque Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias do continente. Temos muitos interesses empresariais. Nós temos muitos interesses industriais. Nós temos muitos interesses tecnológicos e científicos. Nós temos muito interesse no debate sobre a questão digital e Inteligência Artificial. Nós temos muito interesse na questão comercial”. 'Aquilo que parecia impossível deixou de ser', diz Lula sobre encontro com Trump Jornal Nacional/ Reprodução O presidente também afirmou que Trump tem recebido informações erradas sobre o Brasil: "Acho que ele está mal informado com relação ao Brasil e, possivelmente, isso tenha levado ele a tomar algumas decisões que não são aceitáveis na relação de dois países que têm relação diplomática há mais de 200 anos. Então, na hora que a gente tiver um encontro, acho que tudo isso ficará resolvido, e Brasil e Estados Unidos voltarão a viver em harmonia e quimicamente estáveis”. Lula voltou a defender a soberania e a democracia brasileiras: "O que não é discutível é a soberania brasileira e a nossa democracia. Isso não é discutível nem com o presidente Trump nem com nenhum presidente do mundo. Quando tiver eleições nos Estados Unidos, eu não me meto. E quando tiver eleições no Brasil, ele não se mete. É assim que a gente faz. A gente acata o resultado da soberania do povo nas urnas de cada país". O governo brasileiro viu como positivo o gesto de Donald Trump. É que o viés político por trás do tarifaço americano de 50% contra parte das exportações do Brasil vinha impedindo o avanço do diálogo. Mas a diplomacia brasileira está tratando um eventual encontro com cautela. 'Aquilo que parecia impossível deixou de ser', diz Lula sobre encontro com Trump Jornal Nacional/ Reprodução A grande preocupação é evitar que Lula fique exposto a situações vividas por outros presidentes, como o sul-africano Cyril Ramaphosa e o ucraniano Volodymyr Zelensky. Os dois foram humilhados por Trump no Salão Oval da Casa Branca. Questionado se teme algum constrangimento, Lula disse que tem certeza de que os dois vão se tratar com respeito e que está otimista: "Somos dois homens de 80 anos e não há porque ter brincadeira em uma relação entre dois homens de 80 anos de idade. Eu vou tratá-lo com respeito que merece o presidente dos Estados Unidos e ele, certamente, vai me tratar com o respeito que merece o presidente da República Federativa do Brasil”. Lula disse ainda que pode fazer uma reunião presencial e pública, porque não vai discutir segredos de Estado. O correspondente Nilson Klava perguntou ao presidente sobre a pauta que será discutida no encontro. Nilson Klava, correspondente: O senhor disse que o Brasil não está disposto a negociar soberania e democracia. A minha pergunta é: o que o Brasil estaria disposto a negociar? Lula, presidente do Brasil: O que está em jogo? Discutimos com o mundo inteiro nossas terras raras, queremos discutir com o mundo inteiro nossos minerais críticos. Disse ao Trump o seguinte: não tem limite à nossa conversa. Vamos colocar na mesa tudo que acha que tem que conversar. Questionado sobre se planeja voltar aos Estados Unidos semana que vem, Lula não confirmou: "Então, eu prefiro, regressando ao Brasil, colocar meu pessoal para trabalhar com o pessoal do Trump e ver quando a gente marca isso. Não tem pressa. Não precisa ser amanhã ou depois de amanhã. Vai ser quando ele achar que devemos conversar, nós vamos conversar. É como eu disse: eu estou disposto a conversar”. LEIA TAMBÉM Em NY, Lula questiona crescimento da extrema direita: 'É virtude deles ou incompetência nossa?' Lula se encontra com Zelensky em NY, diz que não vê saída militar para a guerra e defende 'Clube da Paz'

Palavras-chave: inteligência artificial