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Conheça o 'ChocoMed', chocolate para pessoas com diabetes desenvolvido por estudantes baianos

Publicado em: 12/04/2026 06:00

Conheça o 'ChocoMed', chocolate para pessoas com diabetes feito por estudantes baianos Estudantes desenvolvem chocolate voltado para pessoas com diabetes tipo 2 na Bahia Arquivo Pessoal O chocolate é um alimento cujo consumo exige atenção e cuidado, especialmente para portadores da diabetes, doença crônica caracterizada pela produção insuficiente ou má absorção de insulina, que resulta em altos níveis de açúcar no sangue. Pensando nisso, estudantes baianos desenvolveram um chocolate voltado para pessoas com diabetes tipo 2. Lívia Bispo, de 17 anos, Elias Costa, de 18, e Adígena Neta, também de 17, sob orientação do professor Lucas da Conceição, batizam o produto de "ChocoMed". Eles fazem parte da comunidade escolar do Centro Territorial de Educação Profissional Médio Rio das Contas (Cetep/MRC), em Ipiaú, no interior da Bahia. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia O produto desenvolvido pelos estudantes do curso técnico em Biotecnologia utiliza ingredientes com baixo valor glicêmico, por isso, é considerado ideal para pacientes com a condição, em que o corpo desenvolve resistência à insulina ou não a produz o suficiente, causando hiperglicemia. 📊 De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, existem atualmente, no Brasil, mais de 13 milhões de pessoas vivendo com a doença, o que representa 6,9% da população nacional. O projeto surgiu há um ano, entre estudos e elaboração do produto. A ideia partiu da preocupação com as pessoas que vivem com a doença. “Mergulhamos em pesquisas para entender melhor quais ingredientes seriam mais adequados, quais processos deveríamos utilizar e como desenvolver o produto da melhor forma possível”, contou Lívia Bispo. Até chegar à fórmula atual, foram necessários meses de pesquisa e testes Redes Sociais A fórmula do chocolate utiliza cacau 70%, manteiga de cacau, uma combinação de farinha de semente de abóbora com a polpa do melão-de-são-caetano e leite em pó zero lactose e não conta com adição de açúcar. Processo de desenvolvimento O produto, batizado de ChocoMed, foi criado por alunos do do Cetep Arquivo Pessoal O produto ainda está em fase de desenvolvimento e ampliação. Até chegar à fórmula atual, foram necessários meses de pesquisa e testes. “Foi um longo processo que envolveu diversas pesquisas, testes e mudanças contínuas. Com isso, chegamos a um resultado mais completo e alinhado com a nossa proposta”, explicou Lívia Bispo durante bate-papo com o g1. Já foram realizadas as degustações iniciais com o produto. Atualmente os estudantes acompanham um grupo de controle para analisar os efeitos do consumo do chocolate. Adígena Neta destaca como uma das maiores dificuldades enfrentadas pela equipe a necessidade de equilibrar sabor e propriedades nutricionais. "Juntar todos os ingredientes para que o resultado final fosse saboroso, mas sem perder o foco na saúde. E estudar cada ingrediente separadamente para juntá-los”, completou a estudante. O produto ainda está em fase de desenvolvimento e ampliação Arquivo Pessoal Para o professor Lucas da Conceição, o diferencial do produto está nas propriedades bioativas. "Esses componentes apresentam compostos que, segundo estudos científicos, podem contribuir para a regulação metabólica e auxiliar no controle dos níveis de glicose no sangue". A equipe aponta que o principal objetivo do ChocoMed é oferecer uma alternativa mais saudável, sem abrir mão do sabor. “O projeto também busca conscientizar sobre a importância de uma alimentação equilibrada, mostrando que é possível criar alternativas que cuidem da saúde e ainda sejam acessíveis”, informou a estudante Adigena Neta. O projeto foi desenvolvido por três estudantes, sob orientação do professor Redes Sociais Sobre o futuro do projeto Apesar de ainda não estar pronto para comercialização, os alunos pretendem ampliar a pesquisa e transformar o ChocoMed em uma linha de produtos. Os planos ainda incluem mostrar a importância do cacau na economia, na história e na saúde. A comercialização ainda depende de novos estudos, além da obtenção de patente, investidores e patrocinadores, ponderou Elias Costa . Os alunos pretendem ampliar a pesquisa e transformar o ChocoMed em uma linha de produtos Redes Sociais Entenda o que é a diabetes tipo 2 Segundo a médica endocrinologista Ana Mayra, a Diabetes Tipo 2 é uma doença crônica caracterizada pelo aumento da taxa de açúcar no sangue. De acordo com a especialista, isso acontece por dois fatores principais: a redução na produção de insulina pelo pâncreas. a chamada resistência à insulina, quando o organismo produz o hormônio, mas ele não consegue agir adequadamente. “É como se no corpo existisse um obstáculo à ação dessa insulina, mesmo ela estando presente”, explicou. Conforme a médica, Ana Mayra informou que um dos principais fatores de risco para desenvolver a doença é o excesso de peso. “A obesidade funciona como uma obstaculação da insulina, gerando dificuldade na ação dela e, consequentemente, o aumento da taxa de açúcar no sangue”. A endocrinologista explicou ainda que a Diabetes Tipo 2 costuma ser mais frequente em adultos, principalmente em pessoas com sobrepeso e histórico familiar da doença. Consumo de doces exige controle Segundo a médica, pessoas com diabetes tipo 2 precisam ter atenção especial à alimentação, pois a doença é marcada pelo aumento da taxa de açúcar no sangue. Chocolates com maior teor de cacau, como o desenvolvido pelos estudantes, costumam ter menor impacto sobre a glicemia. “Quanto maior o teor de cacau, menor impacto terá sobre a glicemia, mas ele não pode ser consumido de forma absolutamente liberada”, alertou a especialista. Isso não significa cortar completamente os doces, mas que o consumo precisa ser controlado e acompanhado por profissionais. Sobre o ChocoMed, a médica considera positiva a escolha de um chocolate com 70% de cacau e ingredientes ricos em fibras, como a semente de abóbora. “As fibras são muito bem-vindas para qualquer indivíduo e também para a população com diabetes, porque acabam lentificando a absorção de determinados alimentos e gerando uma sensação de saciedade muito boa”, avaliou. Ela ressaltou, no entanto, que ainda são necessários estudos mais aprofundados para comprovar os benefícios específicos do produto. “Tudo isso precisa ser muito estudado para que a gente possa lançar um determinado produto como sendo benéfico a uma ou outra doença”. Atendimento de tratamento na Bahia A Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) orienta que o primeiro passo para o tratamento de diabetes é buscar as Unidades Básicas de Saúde (UBS) de cada município, que é responsável por cadastrar, acompanhar e fornecer insumos. Os casos de maior complexidade são regulados para o Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia (Cedeba). O centro oferece uma rede integrada na atenção ao paciente com diabetes e endocrinopatias no Estado, com atenção multidisciplinar em áreas nas quais ocorrem complicações na evolução da doença, com serviços de Angiologia, Nefrologia, Ginecologia, Cardiologia, Oftalmologia, Urologia, Psiquiatria, Exames laboratoriais, Eletrocardiograma (ECG), Ultrassonografia, Doppler e Citologia de tireoide. LEIA MAIS: Estudantes desenvolvem mapa tátil sonoro para ampliar acessibilidade em universidade no interior da Bahia Estudantes baianas desenvolvem luvas biodegradáveis à base de sisal e conquistam reconhecimento nacional; conheça projeto Estudantes baianas desenvolvem canudo ecológico a partir da casca do ovo Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻 Conheça o 'ChocoMed', chocolate para pessoas com diabetes feito por estudantes baianos

Palavras-chave: tecnologia

Quem são os pré-candidatos ao governo de Minas Gerais em 2026

Publicado em: 12/04/2026 05:00

A disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 tem agora 6 nomes anunciados como pré-candidatos. São eles: Alexandre Kalil (PDT) Ben Mendes (Missão) Cleitinho (Republicanos) Gabriel Azevedo (MDB) Mateus Simões (PSD) Túlio Lopes (PCB) As articulações para a corrida eleitoral no estado seguem ocorrendo, e o cenário político ainda não está completamente definido. A oficialização das candidaturas deve ocorrer apenas durante as convenções partidárias, previstas para agosto, e após o registro na Justiça Eleitoral. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro, e o segundo deve acontecer em 25 de outubro. Veja abaixo mais detalhes sobre os pré-candidatos. Alexandre Kalil (PDT) Alexandre Kalil durante a campanha de 2022 Reprodução/TV Globo O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) anunciou sua pré-candidatura em outubro de 2025. Com trajetória que começou no setor empresarial, Kalil ganhou projeção ao presidir o Clube Atlético Mineiro a partir de 2008. Em 2016, foi eleito prefeito da capital mineira e, quatro anos depois, reeleito em primeiro turno. Em 2022, deixou o cargo para disputar o governo do estado, ficando em segundo lugar. Em 2024, chegou a se aproximar de outros partidos, mas, no final de 2025 se filiou ao PDT para concorrer ao Palácio Tiradentes. Ben Mendes (Missão) Ben Mendes (Missão), pré-candidato ao governo de MG. Reprodução/Instagram A pré-candidatura de Ben Mendes (Missão) foi anunciada em fevereiro de 2026. Advogado e influenciador digital, ele ganhou visibilidade nas redes sociais com conteúdos voltados a direitos do consumidor, nos quais acompanha denúncias e intermedia conflitos. Nas plataformas digitais, também aborda temas políticos e religiosos e se apresenta como conservador. Filiado ao partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), o pré-candidato declara defender valores associados à família tradicional e mantém forte presença online. Cleitinho (Republicanos) Senador Cleitinho Cleitinho (Republicanos-MG) O senador Cleitinho chegou a anunciar oficialmente a pré-candidatura em março de 2026. Em abril, entretanto, divulgou um vídeo nas redes sociais afirmando que "decidirá em junho, junto ao povo" se seguirá na disputa. Cleitinho nasceu em Divinópolis, na Região Centro-Oeste do estado. Em 2016, foi eleito para seu primeiro mandato como vereador na cidade. Já em 2019 teve início o seu primeiro mandato como deputado estadual. Em 2022, foi eleito senador. Gabriel Azevedo (MDB) Gabriel Azevedo (MDB) Cristiane Mattos/Divulgação O ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo oficializou sua pré-candidatura em novembro de 2025. Aos 39 anos, ele presidiu a Câmara Municipal entre 2023 e 2024 e acumula duas eleições consecutivas para o Legislativo da capital mineira. Em 2024, disputou a prefeitura e obteve mais de 130 mil votos. Professor universitário desde 2014, atua nas áreas de Direito Constitucional e Teoria do Estado. Também é advogado, jornalista e publicitário, com formação acadêmica no Brasil e no exterior, incluindo mestrado e pós-graduação internacional. Mateus Simões (PSD) Mateus Simões, vice-governador de Minas Gerais, em cerimônia de filiação ao PSD Mônica Costa/Divulgação Pré-candidato a reeleição desde outubro de 2024, Mateus Simões (PSD) assumiu o governo de Minas em março de 2026, após a saída do então governador Romeu Zema (Novo), de quem era vice. Atuou como secretário-geral de governo, com participação em agendas estratégicas e articulação institucional. Formado e mestre em direito, também é professor universitário. Na trajetória pública, foi procurador concursado da Assembleia Legislativa e foi eleito vereador da Câmara de Belo Horizonte. No setor privado, atua como empresário e produtor rural, com experiência no agronegócio. Túlio Lopes (PCB) Professor Túlio Lopes (PCB), pré-candidato ao Governo de Minas. Reprodução/Facebook A pré-candidatura de Túlio Lopes (PCB) foi lançada em 2025. Professor e historiador, ele tem trajetória ligada ao movimento estudantil e sindical em Minas Gerais. Atua como secretário político do Partido Comunista Brasileiro no estado e integra organizações ligadas à militância de trabalhadores. É doutor em educação e leciona na rede pública e no ensino superior. Já disputou eleições anteriores, incluindo governo estadual e Senado. Mantém atuação política voltada a pautas como educação pública e organização popular. Vídeos mais assistidos do g1 MG

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300 anos de Fortaleza: conheça 10 prédios do Centro que contam a história da capital cearense

Publicado em: 12/04/2026 05:00

Não é exagero dizer que Fortaleza nasceu a partir do Centro. É verdade que a Barra do Ceará foi o local onde os colonizadores primeiro se estabeleceram no território, mas a ocupação da Barra foi rápida e passageira. O local escolhido pelos holandeses para a construção do Forte Schoonenborch, em 1649, foi o morro de Marajaitiba, no que hoje é o bairro Centro. Ao redor dele, floresceu a cidade. Fortaleza foi elevada a vila em 1726 e passou a ter órgãos públicos como a Casa da Câmara, espécie de ancestral da Câmara Municipal. Fora isso, a vila, com menos de mil habitantes e sem atividade econômica relevante, era considerada pouco significante. O cenário só iria mudar a partir do século seguinte, com o aumento das exportações e urbanização do Centro. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp “Ela [Fortaleza] não tinha função econômica, todas as riquezas vinham do campo, e o campo ficava mais distante, enquanto os interesses portugueses estavam na Zona da Mata, onde tinha a riqueza da cana-de-açúcar”, explica. “O Ceará era uma área mais árida e ela [Fortaleza] acabava sendo muito isolada, então não tinha função econômica. Era mais de defesa, e também para abastecer os navios que vinham de Recife, Pernambuco, em direção ao Maranhão”. Falar da história do Centro é falar da história de Fortaleza. E essa história pode ser contada de diversas formas, inclusive a partir dos edifícios considerados históricos, que resistiram aos séculos para fazer parte dos 300 anos de Fortaleza. Atualmente, Fortaleza reúne mais de 100 patrimônios culturais reconhecidos, alguns tombados definitivamente e outros tombados provisoriamente. Cerca de 60% destes patrimônios estão concentrados no bairro Centro. Mapa da então Vila de Fortaleza, que viria a se tornar a capital do Ceará. Área retratada corresponde ao que hoje é o bairro Centro Terto de Amorim/Arquivo Histórico Ultramarino de Portugal Os prédios públicos, as praças e casas estavam, em sua maioria, concentrados nos arredores do que hoje é a Praça da Sé, de frente para a Catedral, ao lado da fortaleza. O primeiro hospital e o primeiro cemitério público do Ceará foram construídos no Centro, bem como a primeira sede do Governo do Estado e da Assembleia Legislativa. No Centro do século XIX foram instalados os primeiros bondes, que permitiriam assim que a população pudesse morar em bairros mais “distantes” para os padrões da época, como o Benfica, e até mesmo chegar à longínqua vila da Parangaba. A cidade, assim, começava a se expandir. 📍 O Centro está na regional 12, a menor de Fortaleza. Ela é composta por apenas três bairros: o Centro, o Moura Brasil e a Praia de Iracema. A regional tem a menor população da capital: são menos de 31 mil habitantes divididos nos três bairros, dos quais 24 mil estão no Centro, conforme o Censo 2022 do IBGE. O IDH mais alto da região é da Praia de Iracema, de 0,720, considerado alto. Vista aérea da Praça do Ferreira, no Centro de Fortaleza, em 1937 Escola de Aviação Militar No aniversário de 300 anos de Fortaleza, o g1 escolheu alguns dos prédios históricos do Centro para contar um pedaço da história da capital cearense. Confira: Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção O ponto escolhido pelos holandeses para construir o forte Schoonenborch tinha boas justificativas: a partir do morro se podia ver toda a baía, e ali ao lado corria o riacho Pajeú, que por décadas foi a principal fonte de água potável da cidade. Com a expulsão dos holandeses em 1654, os portugueses aproveitaram a estrutura do Schoonenborch e construíram ali a Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, que indiretamente viria a emprestar nome para a capital cearense. Foi o início do bairro Centro e, também, de Fortaleza. Fortalezza de Nossa Senhora de Assunção, hoje sede do 10º Comando Militar do Exército, é peça-chave na fundação da cidade de Fortaleza Natinho Rodrigues/SVM Em 1799, quando o Ceará ficou independente de Pernambuco e a vila virou capital, com nome de Fortaleza de Nova Bragança - com o tempo, só Fortaleza. Quando o primeiro presidente da capitania, Bernardo Manuel de Vasconcelos, chegou a Fortaleza, ele se espantou com a pobreza da vila e afirmou que havia “uma falta absoluta de todas as cousas de primeira necessidade”. Em comparação com outros núcleos urbanos, como Aquiraz e Aracati, a vila de Fortaleza era pequena e pouco relevante. Historiadores apontam, porém, que a presença da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção foi decisiva para que a vila fosse escolhida como capital da nova capitania, uma vez que ela proporcionava segurança contra possíveis invasões estrangeiras ou revoltas indígenas. Os prédios públicos, as praças e casas estavam, em sua maioria, concentrados ao lado da fortaleza, que representava então uma ‘apólice de seguro’ para possíveis ataques. Ali estavam a Câmara, o pelourinho (uma espécie de cadeia) e as residências oficiais. Por volta de 1813, nos primeiros anos da “independência” do Ceará, o governo provincial decidiu reordenar fortaleza. Para isso, chamou o engenheiro português Silva Paulet, que traçou um desenho para Fortaleza em xadrez, com as ruas paralelas – exatamente como são as ruas e quarteirões do Centro ainda hoje. No coração do traçado de Paulet estava a Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, a partir da qual a capital cearense “irradiou”. O prédio que existe lá, porém, não é o considerado o mais antigo da capital. Ele foi totalmente reconstruído a partir de 1812, depois que a fortaleza original colapsou. Hoje, o local é sede do Comando da 10ª Região Militar do Exército Brasileiro. Imagem aérea mostra a Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção, no bairro Centro, em 1937. Atrás do forte, o Passeio Público Escola de Aviação Militar Igreja de Nossa Senhora do Rosário: testemunha de tudo Conta o historiador Antônio Bezerra de Meneses que, pela tradição oral, por volta de 1730 – isto é, 4 anos após Fortaleza ser elevada a vila - um negro africano construiu uma capela de taipa com telhado de palha e dedicou o espaço a Nossa Senhora do Rosário, que passou então a ser um local de devoção. Na década de 1750, a capelinha foi reconstruída, desta vez com pedra e cal, se consolidando como um dos primeiros espaços religiosos da cidade, diretamente ligado à Irmandade do Rosário dos Homens Pretos. Na época em que foi construída, Fortaleza tinha menos de mil habitantes e poucas casas. O Brasil ainda era colônia de Portugal e o Ceará era subordinado à capitania de Recife. Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no Centro de Fortaleza, é a mais antiga da cidade. Prédio amarelo ao fundo, o Palácio da Luz, foi primeira sede do governo estadual Natinho Rodrigues/SVM O “centro” da vila ficava em torno do que hoje é a Praça da Sé, ao lado da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção e de frente para o que hoje é a Catedral Metropolitana de Fortaleza. A estradas eram de areia e disputavam espaço com o mato. Por isso, quando foi construída, a igreja era considerada como um pouco “afastada”. Ao longo das décadas seguintes, o lugar acabou por se tornar o principal templo da pequena vila de Fortaleza e um dos principais pontos onde eram enterrados os mortos – no passado, os mortos eram enterrados nas igrejas. A situação, inclusive, deu origem a um dos causos mais curiosos do lugar: em 1841, o político Major Facundo de Castro Menezes, opositor do então Presidente da Província (governador), foi morto dentro de casa, dizem que a mando da esposa do seu rival. Major Facundo foi enterrado Igreja do Rosário, mas sua família quis que fosse enterrado de pé, para simbolizar que ele não se curvaria aos inimigos. Fotografia de 1908 mostra, ao fundo, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Fortaleza Arquivo Nirez Até 1854, Fortaleza fazia parte da Diocese de Olinda, em Pernambuco. Naquele ano, o Vaticano criou a Diocese de Fortaleza, responsável por todo o Ceará, mas a diocese só foi oficializada em 1860. Ainda em 1854, foi inaugurada a então igreja matriz de Fortaleza, dedicada a São José. O prédio foi demolido por problemas estruturais em 1938. No mesmo lugar dele, foi erguido a atual Catedral. Palácio da Luz e Palacete Senador Alencar: movimento do poder Ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Rosário está aquele que é o edifício governamental mais antigo de Fortaleza, o Palácio da Luz. Por vezes, ele é apontado como o edifício mais antigo de Fortaleza, uma vez que a Igreja do Rosário que se vê hoje é resultado de uma série de reformas e reconstruções ao longo dos séculos. O hoje chamado Palácio da Luz foi sede da Câmara Municipal da Vila de Fortaleza de 1802 e 1809, quando então foi comprado pelo Governo Imperial para servir de sede do governo estadual, que havia se tornado independente de Pernambuco em 1799. Em 1810, durante visita ao Ceará, o viajante inglês Henry Koster destacou que o palácio era única edificação de Fortaleza com piso de assoalho. Em 1856, teve início a construção de um palacete para abrigar a Assembleia Provincial, hoje Assembleia Legislativa. Assim, estavam um ao lado do outro o Palácio da Luz, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário e a Assembleia, na atual Praça General Tibúrcio, conhecida por Praça dos Leões. O prédio da Assembleia ficou pronto em 1871, em estilo neoclássico, e passou a receber os deputados. Mais tarde, foi renomeado Palacete Senador Alencar. Ele foi sede do Poder Legislativo estadual por um século. Foi lá onde a Assembleia elaborou a primeira Constituição do Estado do Ceará, em 1891. A Assembleia deixou o palacete e se mudou também para a atual localização, no bairro Dionísio Torres, em 1977. Na década de 1990, o prédio se tornou a sede oficial do Museu do Ceará, que está fechado para obras desde 2019. Fachado do Palacete Senador Alencar, antiga sede da Assembleia Legislativa e atual sede do Museu do Ceará Natinho Rodrigues/SVM O Palácio da Luz foi sede do governo estadual até a década de 1960, quando então o Poder Executivo foi transferido para a Aldeota, no Palácio da Abolição. Hoje, o prédio abriga a Academia Cearense de Letras, a mais antiga do país, fundada em 1894. Santa Casa de Misericórdia e Passeio Público: vila ganha ares de cidade Inaugurada em 1857 como Hospital da Caridade, a Santa Casa de Misericórdia é o hospital mais antigo do Ceará. À época, foi construído no coração de Fortaleza - próximo à Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção e não mais que algumas quadras distante da Praça General Tibúrcio, a Praça dos Leões, onde estava concentrado o governo provincial. O hospital foi construído de frente para o chamado Campo da Pólvora, que iria se tornar a Praça dos Mártires, hoje mais conhecida por Passeio Público. Na praça foram enforcados os revolucionários da Confederação do Equador, como Pessoa Anta e Padre Mororó, que se opunham ao governo do imperador Pedro I. Inaugurada em 1857 como Hospital da Caridade, a Santa Casa de Misericórdia é o hospital mais antigo do Ceará Santa Casa A unidade de saúde começou a ser construída em 1847 com doações vindas da Corte imperial, no Rio de Janeiro, que acompanhou os problemas sociais e sanitários causados pela seca de 1845 no Ceará. O prédio ficou pronto em 1857 e só tinha o piso térreo. Inicialmente, abriu as portas como Hospital da Caridade. "A história de Fortaleza, a história do Ceará, é a história das secas. Em cada seca dessa, vinha dinheiro para as obras, para as frentes de trabalho. Muitas dessas construções foram feitas nesse período", aponta a professora Clélia Lustosa, citando a Santa Casa e a Cadeia Pública, construída vizinho ao hospital, no mesmo período. O Hospital da Caridade não durou muito e fechou por volta de 1860 por problemas financeiros. Entre 1860 e 1861, foi instalada em Fortaleza a associação religiosa Irmandade da Misericórdia, que acabou por assumir o local. Assim, o hospital abriu as portas em setembro de 1861 como a Santa Casa de Misericórdia. A instituição administrou o Cemitério São Casemiro, o primeiro cemitério público de Fortaleza; e depois assumiu o Cemitério São João Batista, quando este substituiu o São Casemiro em 1866. Na década seguinte, a Santa Casa patrocinou a construção do Asilo dos Alienados no que era então a Vila de Porangaba, primeiro hospital psiquiátrico do Ceará. Já o Passeio Público começou a ser construído em 1864. O local foi instalado em etapas e só ficou totalmente pronto em 1880. Quando terminado, era um espaço amplamente arborizado, com diversas estátuas de mármore, à moda europeia, e um coreto de música. A arborização atual, inclusive, é quase toda de replantio - uma exceção é o famoso baobá, plantado em 1910, hoje com mais de 115 anos. A praça se tornou o ponto de encontro da cidade, onde as famílias iam passear e ver o mar. Por lá se promoviam apresentações musicais, competições de patinação e até mesmo algumas das primeiras partidas de futebol que se tem notícia em Fortaleza. Imagem do Passeio Público no início do século XX, do livro "Álbum de vistas do Ceará", publicado em 1908 na França Álbum de vistas do Ceará Estação João Felipe e Cemitério São João Batista: expansão da cidade No espaço do que hoje é o Complexo Cultural da Estação das Artes, no bairro Centro, havia, até 1860, um cemitério. A partir da década de 1870, o cemitério deu lugar a uma estrada de ferro que ligava o Centro de Fortaleza ao interior do Ceará. Entre 1844 e 1849, foi construído o Cemitério São Casemiro, o primeiro cemitério público de Fortaleza, mais ou menos onde hoje está a praça da Estação das Artes. O São Casemiro foi fechado em 1865 após alertas sanitaristas de que estava muito próximo do centro populacional, além de ser invadido pelas areias que até então dominavam a paisagem. Imagem da estação ferroviária João Felipe no início do século XX Acervo pessoal/Hamilton Pereira Em 1866 foi inaugurado o cemitério São João Batista em uma área considerada mais distante e isolada, mas ainda dentro do que hoje é o bairro Centro. Os mortos enterrados no São Casemiro foram trasladados para este, que hoje é o cemitério mais antigo da capital cearense, onde repousam nomes que marcaram a história do Ceará. Poucos anos depois, entre 1872 e 1880, no espaço onde estava o cemitério São Casemiro, foi erguida a Estação Ferroviária João Felipe, conectando a capital aos centros de produção agrícola no interior do Ceará. Os trilhos chegaram primeiro que a estação: a primeira viagem de trem ocorreu em 1873, e o prédio da estação foi inaugurado em 1880. A ferrovia foi o meio mais importante de escoar a produção de algodão do Ceará para o exterior, até então o principal produto de exportação do estado. No meio do caminho, fazia uma série de paradas, entre elas na Vila da Porangaba, que mais tarde iria se tornar uma bairro de Fortaleza, a Parangaba. Estação João Felipe foi reformada e reaberta como centro cultural, a Estação das Artes em Fortaleza Felipe Petrovsky/ Projeto Atelier Carvalho Araújo Na mesma época, em 1880, foram instalados os primeiros bondes, puxados a burros, que partiam da Praça do Ferreira. Com a nova forma de transporte, as elites começaram se instalar em casas maiores, como bangalôs e mansões construídas nos atuais bairros Benfica e Jacarecanga. "Fortaleza passa a ser importante com o algodão”, resume a professora Clélia Lustosa. “Ao exportar o algodão, aumentam os impostos cobrados no porto, aumenta a circulação de mercadoria, e os representantes das elites acabam migrando para a capital. Então, fazendeiros tinham casas em Fortaleza, e aí se permite a acumulação de riquezas, e essas riquezas se materializam em construções, em edificações", disse. Excelsior e Cine São Luiz: a modernização do Centro Com sete andares, o Excelsior Hotel, erguido na Praça do Ferreira, é considerado o primeiro ‘arranha-céu’ da capital cearense. Sua construção iniciou em 1927 por ordem do empresário Plácido de Carvalho, à época um dos homens mais ricos do Ceará. O hotel Excelsior fechou em 1964, mas o prédio continua sendo utilizado até hoje para outras atividades Kid Júnior/SVM O empreendimento do Excelsior arrematava um movimento de transformação de Fortaleza: entre 1900 e 1920, a elite cearense enriquecia com a venda de algodão para o exterior, e a capital cearense viveu uma espécie de “Belle Époque” tardia. Em 1910, foi inaugurado o Theatro José de Alencar, um dos mais importantes do Brasil. Em 1917, foi inaugurado o Majestic, o primeiro cineteatro da capital cearense. Este último, inclusive, construído também por Plácido. O Excelsior foi projetado no estilo eclético - uma mescla de referências arquitetônicas, sobretudo europeias, com influências barrocas, renascentistas e clássicas. Quando foi inaugurado, em 1931, o tinha 123 apartamentos e treze suítes. Possuía barbearia, salões para dança e até área de exposições. O hotel ocupava uma esquina da praça mais importante do Ceará, de frente ao Palacete Ceará, onde ficava o exclusivo Clube Iracema, e a uma quadra de onde, em 1958, seria inaugurado o Cineteatro São Luiz, após 20 anos de obras. Quando abriu, o São Luiz chamava atenção como um dos mais luxuosos cinemas do Brasil, com um hall de entrada em mármore, lustres de cristal, escadarias e carpetes. Cineteatro São Luiz, inaugurado em 1958, é um dos mais luxuosos cinemas de rua do Brasil Arquivo Nirez Nas décadas seguintes, com o deslocamento residencial e comercial para outros bairros, muitos destes empreendimentos fecharam as portas. O hotel Excelsior fechou em1964. O Palacete Ceará fechou ainda na década de 1940 e virou agência bancária. A sede do Governo do Estado, que ficava no Palácio da Luz, a uma quadra da Praça do Ferreira, foi transferida na década de 1960. O Centro, que era o coração político, econômico e social de Fortaleza, começava então a perder sua força centro da cidade. Apesar disso, a professora Clélia Lustosa avalia que o deslocamento de certas atividades para outros bairros não representa a morte do Centro, mas sim nascimento de outras “centralidades” na cidade, como os bairros Messejana, Aldeota e Conjunto Ceará, que funcionam como uma espécie de “Centro” para moradores de bairros vizinhos. “[O bairro Centro de Fortaleza] Perdeu o papel de centro das elites, perdeu o papel de parte das atividades administrativas, mas hoje tem muitos outros serviços. A Prefeitura voltou para lá. A Câmara dos Vereadores também está pensando em voltar”, aponta. “O Centro não está morto. O que aconteceu foi que a cidade cresceu.” Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

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Quantas vezes o homem pisou na Lua?

Publicado em: 12/04/2026 04:01

5 provas irrefutáveis de que o homem pisou na Lua A retomada das missões tripuladas rumo à Lua, mais de cinco décadas após o fim do programa Apollo, traz de volta uma curiosidade histórica: quantas vezes o homem já pisou no solo lunar? Desde 1969, quando a Apollo 11 realizou o primeiro pouso, até a última missão em 1972, um total de seis expedições levaram 12 astronautas à superfície da Lua. Todos homens norte-americanos. Apollo 11 (1969) — Neil Armstrong, Buzz Aldrin Apollo 12 (1969) — Pete Conrad, Alan Bean Apollo 14 (1971) — Alan Shepard, Edgar Mitchell Apollo 15 (1971) — David Scott, James Irwin Apollo 16 (1972) — John Young, Charles Duke Apollo 17 (1972) — Eugene Cernan, Harrison Schmitt Mas por que a Artemis II teve 'só' um sobrevoo pela Lua se os Estados Unidos já pousaram lá? Depois do sucesso das missões, a corrida espacial dos EUA contra a União Soviética foi considerada vencida. O interesse político e público pela exploração lunar caiu rapidamente, e o programa Apollo foi encerrado em 1972. Nas décadas seguintes, a Nasa concentrou seus recursos em órbita baixa da Terra, com os ônibus espaciais e a Estação Espacial Internacional (ISS). Recolocar humanos na Lua exige, portanto, reconstruir praticamente do zero uma infraestrutura que foi desativada há mais de meio século — e fazer isso com tecnologias, exigências de segurança e estruturas de custo completamente diferentes das da era Apollo. Foto oficial da tripulação da Apollo 11, da direita para a esquerda: Neil A. Armstrong, Michael Collins e Edwin E. "Buzz" Aldrin Divulgação/Nasa LEIA TAMBÉM O que aconteceu com as bandeiras dos EUA deixadas na Lua? Por que o interesse pela Lua voltou? Mais de 400 mil km: Artemis II daria 10 voltas na Terra ou atravessaria o Brasil 90 vezes As provas de que o homem foi à Lua Uma pesquisa do Datafolha revela um cenário de ceticismo científico no Brasil: 33% dos brasileiros afirmam ser mentira que o ser humano já viajou para a Lua. As evidências mais importantes da chegada do homem à Lua foram listadas pela própria agência espacial norte-americana: São 382 quilos de rochas trazidas pelos pioneiros que são estudadas por cientistas há décadas; É possível refletir raios laser lançados da Terra nos espelhos retro-refletores colocados na superfície lunar pelos astronautas da Apollo; Há imagens do Orbitador de Reconhecimento Lunar da Nasa que registram os locais de pouso desde 2011. Módulo Lunar Apollo, parte da nave usada no Projeto Apollo. Com seu formato de aranha, era usado para a descida no solo lunar Divulgação/Nasa Informação confirmada pelos adversários E se não for o bastante, a agência ainda convida os que têm dúvidas a procurar as mais de 400 mil pessoas envolvidas nas missões, ou até mesmo buscar os adversários da corrida espacial. As missões da Apollo foram acompanhadas de maneira independente pela União Soviética, que reconheceu a aterrissagem dos norte-americanos. O astrofísico teórico norte-americano Ethan Siegel explica que "existe um grande número de evidências irrefutáveis" de que tenhamos ido à Lua. "Milhares de fotos e vídeos foram feitos décadas antes de as tecnologias de falsificação de imagem sequer existirem. Os equipamentos que foram levados à Lua não apenas funcionaram, como nos enviaram dados relevantes. Mesmo as pegadas e a trilha dos veículos deixadas pelos astronautas são ainda visíveis até hoje", explica Siegel. São 382 quilos de rochas coletadas pelos astronautas em mais de uma missão estudadas até hoje pelos cientistas Divulgação/Nasa

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Em meio a debate sobre o fim da escala 6x1, Banco Central vê 'crescimento modesto' da produtividade nos últimos anos

Publicado em: 12/04/2026 04:01

O crescimento da produtividade do trabalho na economia brasileira nos últimos seis anos foi "modesto" e decorreu, sobretudo, de elementos como desempenho favorável da produtividade na agropecuária e realocação do emprego para atividades mais produtivas. Manifestantes protestam pelo fim da escala 6x1 com faixas e cartazes. Cláudio Pinheiro / O Liberal A conclusão é do Banco Central (BC) e foi divulgada no relatório de política monetária no fim do mês passado, em meio ao debate sobre o fim da escala 6x1. "Quando se exclui a agropecuária, o desempenho da produtividade mostra-se ainda mais limitado: cresceu apenas 1,1% desde 2019 (média de 0,2% ao ano)", avaliou o Banco Central, ressaltando o impacto negativo de outros setores da economia. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em tese, sem ganhos de produtividade, a redução das horas trabalhadas pode elevar o custo de produção, pressionando margens das empresas e, em alguns casos, os preços — mas isso depende de outros fatores como concorrência, demanda e eficiência. Para o BC, a contribuição da produtividade para a redução dos custos do trabalho tem sido limitada. "A eventual persistência do avanço modesto da produtividade do trabalho, combinada às restrições ao crescimento da população ocupada – decorrentes da taxa de desocupação em patamar reduzido, da relativa estagnação da participação na força de trabalho e da desaceleração do crescimento da população em idade de trabalhar – poderia restringir o potencial de crescimento da economia. Nesse contexto, acelerações da demanda podem se traduzir em pressões inflacionárias", acrescentou o BC. Frentes parlamentares debatem escala 6X1 Fim da escala 6x1 Uma das principais bandeiras de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na economia em sua busca pela reeleição no fim deste ano, a proposta de reduzir a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais sofre resistência do setor produtivo. O principal argumento é que haverá aumento de custos, o que tende a ser repassado ao consumidor. (entenda mais abaixo) De acordo com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, o debate sobre a redução da jornada de trabalho é uma necessidade cobrada pela sociedade brasileira. Ele afirmou, porém, que já há empresas que vem antecipando esse debate, reduzindo voluntariamente a jornada de seus trabalhadores. Segundo Marinho, há necessidade de enquadramento das empresas que não desejam. "Aí é lei, não haverá um acordo coletivo que leve à redução da jornada máxima. A partir da jornada máxima, empresas podem fazer adequações para menos, mas não podem para mais", explicou. Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu o fim da escala 6x1 durante evento em Vitória, Espírito Santo, em março Alice Souza O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que põe fim à escala 6x1, deverá ser votada na próxima semana na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e até o fim de maio em plenário. O ministros Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse que o governo segue disposto a enviar uma proposta sobre o tema para análise dos parlamentares. O governo deve se reunir nos próximos dias para fechar o texto do projeto. Segundo Boulos, o governo defende as seguintes mudanças nas regras trabalhistas – sem redução de salário: fim da escala 6x1 e implementação da 5x2, com dois dias de descanso semanais; e jornada de trabalho seja de 40 horas por semana, no máximo. Ministro Guilherme Boulos defende envio de projeto que preveja jornada máxima de 40 horas, sem redução salarial Divulgação Evolução nos últimos anos De acordo com o Banco Central, a alta relativamente modesta da produtividade do trabalho entre 2019 e 2025 (média de 0,6% ao ano) refletiu dinâmicas distintas ao longo do período. Segundo o Banco Central: Em 2020, observou-se forte elevação da produtividade, associada à pandemia, quando a redução da população ocupada superou a queda Valor Adicionado Bruto (VAB). Este é um indicador econômico que mede a riqueza gerada por uma empresa, setor ou região. A alta da produtividade foi gradualmente revertida até 2022, quando a variação acumulada da produtividade desde 2019 ficou praticamente nula. Em 2023, a produtividade apresentou alta expressiva, influenciada pelo aumento da produtividade da agropecuária em ano de safra recorde, passando a avançar em ritmo moderado nos dois anos seguintes. "Setorialmente, a agropecuária foi o principal destaque em termos de elevação da produtividade, resultado da combinação de expansão da produção e redução da população ocupada. O segmento de outros serviços também apresentou desempenho positivo desde 2019, possivelmente associado à maior incorporação de tecnologia e mudanças organizacionais, embora essa hipótese exija investigação adicional", diz o BC De acordo com a instituição, os demais segmentos registraram contribuições mais modestas ou mesmo negativas para a evolução da produtividade do trabalho agregada. Segundo o BC, agropecuária foi setor de destaque no aumento da produtividade desde 2019 Jornal Nacional/ Reprodução O que dizem analistas e o setor produtivo Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade, avaliou que o debate sobre qualidade de vida é legítimo e necessário, mas pontuou que a economia brasileira passa por um momento de desemprego historicamente baixo, com dificuldade de contratação. "Mudar a jornada sem avaliar os impactos estruturais pode gerar efeitos econômicos e fiscais relevantes. Se a jornada diminui e o salário é mantido, o custo aumenta. Em um mercado já pressionado por escassez de profissionais, isso pode gerar inflação na mão de obra e parte desse aumento tende a ser repassado aos preços de produtos e serviços", afirma Domingos. Benito Pedro Vieira Santos, CEO da Avante Assessoria Empresarial, observou que alterações no regime de trabalho atingem operações que dependem de cobertura contínua, como indústria, logística, varejo e serviços, e, com isso, 'reverberam ao longo de cadeias de fornecedores e clientes". Na prática, segundo ele, as empresas podem enfrentar três movimentos simultâneos: recomposição de horas produtivas via contratação ou pagamento adicional; elevação do custo fixo; e pressão sobre preços e margens, especialmente em mercados com pouca capacidade de repasse dos custos. Mudança da escala 6x1 teve grande adesão nas redes sociais e impulsionou projetos no Congresso Tânia Rêgo/Agência Brasil CNI estima queda de 0,7% no PIB Segundo nota técnica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a proposta de redução do limite semanal das horas trabalhadas de 44 para 40 horas de trabalho – com 8 horas diárias em 5 dias por semana e manutenção do salário mensal pago – tem como resultado imediato o aumento do valor da hora trabalhada regular para os empregados cujo contrato de trabalho atual exceda 40 horas semanais. "O exercício mostra que, como consequência da elevação do custo do trabalho, tem-se, ao fim do processo de ajuste da economia, aumento generalizado dos preços da economia. Tanto de bens e serviços para os consumidores finais, como também de insumos e matérias-primas para as empresas, o que gera perda de competitividade. A menor competitividade implicará em perda de participação nos mercados exterior e doméstico, resultando em queda das exportações e alta das importações", avaliou a CNI. Com a perda de participação, a entidade avalia que também haverá menor produção. "Assim, as horas trabalhadas perdidas com a redução do limite semanal não são integralmente recompostas e, como resultado, tem-se queda da atividade econômica como um todo. Estimamos que isso geraria uma queda de 0,7% do PIB brasileiro, o equivalente a uma perda de R$ 76,9 bilhões", concluiu.

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'A Terra é um bote salva-vidas', afirma astronauta da Artemis II em primeira declaração após pouso

Publicado em: 11/04/2026 21:11

Astronautas da Artemis II falam após retorno à Terra Os astronautas da missão Artemis II deram neste sábado (11) as primeiras declarações depois de retornarem da viagem histórica ao redor da Lua. Com o pouso considerado perfeito da nave Orion no Oceano Pacífico, a agência espacial americana agora já pensa nas missões futuras. Foi com um auditório inteiro aplaudindo em pé que os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christine Koch e Jeremy Hansen foram recebidos na sede da Nasa, em Houston. Foi a primeira aparição deles desde a volta da missão Artemis II, nesta sexta (10). O diretor da Nasa lembrou que eles quebraram o recorde de seres humanos que foram até o ponto mais distante da Terra na história. E missões como essa vêm com risco, que os astronautas aceitaram em nome do coletivo. Depois, o comandante da missão, Reid Wiseman, riu: "Eu não tenho ideia do que dizer. 24 horas atrás, a Terra estava desse tamanhinho na janela, e agora estamos de volta à nossa casa." Para os companheiros, disse: "Estamos ligados para sempre. Ninguém aqui embaixo vai saber o que passamos. Foi a coisa mais especial da minha vida." O piloto Victor Glover agradeceu às famílias e disse que a gratidão pelo que passou é grande demais para um corpo só. Christine Koch, astronauta na missão, contou que ela só sentiu o fim da missão quando passou pelo exame médico da volta, depois do pouso, e a enfermeira perguntou: "Posso te dar um abraço?". Christine disse que aprendeu lá em cima o significado de tripulação: é um grupo que está disposto a se sacrificar uns pelos outros, que demonstra benevolência e que exige responsabilidade mútua. Uma tripulação compartilha as mesmas preocupações e as mesmas necessidades. Se mantém de modo bonito e inabalável unida pelo senso de dever. Pensou nisso quando viu a Terra cercada por toda a escuridão do espaço. "A Terra é um bote salva-vidas pairando no universo." E concluiu: "Foi isso que aprendi: Terra, nós somos uma tripulação." Por último, Jeremy Hansen, astronauta canadense, abriu com uma piada: "Esse é o mais longe que eu estive do Reid em um bom tempo". Não seja por isso. O capitão então se aproximou dele, provocando risadas. Ele falou sobre a importância de a Nasa, a Agência Espacial Canadense e tantos departamentos se juntarem para tornar essa missão real. E disse que aprendeu sobre amor. "O que vocês viram foi um grupo de pessoas que amam contribuir e tiram alegria disso. Eu sugiro que, quando olharem para cima, vocês não vejam só nós, mas um espelho refletindo vocês." Foi a celebração de uma missão que entra para os livros de História e que teve o último capítulo na noite de sexta. Pouco antes das 21h, pelo horário de Brasília, a nave Orion se separou do módulo de serviço. Era hora de voltar à Terra, que ficava cada vez maior e mais nítida na janela. No contato com a atmosfera, a Orion virou uma bola de fogo, chegando a quase 3.000°C e a uma velocidade de 40.000 km/h. A comunicação foi perdida com o centro da Nasa na Terra. Foram seis minutos de tensão, até que as equipes de resgate na costa de San Diego enxergaram o pontinho cruzando o céu. A nave estava inteira, no caminho planejado para o Oceano Pacífico, na costa da Califórnia. Onze paraquedas abriram em sequência e amorteceram o pouso. Um desfecho que a Nasa resumiu em uma palavra: perfeito. As equipes de resgate se aproximaram com botes e helicópteros. E quando a porta enfim se abriu, a transmissão da Nasa se encheu de aplausos. Os astronautas foram içados por um helicóptero e levados a um porta-aviões, onde passaram por exames. Nas fotos, eles eram só sorrisos. Mais tarde, o diretor de voo da Artemis disse que a equipe estava saudável e que tudo deu cirurgicamente certo. O pouso foi a cerca de um quilômetro do alvo inicial. O gerente do programa Orion afirmou que a missão é histórica pelo que representa para o futuro das missões e completou: "Temos muito mais a fazer". Já em 2027 tem Artemis III. A missão vai ficar na órbita da Terra e vai testar outros módulos de pouso — que depois serão usados também na Lua. A Artemis IV vem com grande expectativa. Prevista para o início de 2028, é a missão em que se espera mandar astronautas de volta à Lua, com o primeiro pouso na superfície desde 1972. E ainda tem a Artemis V, no fim de 2028. Os astronautas vão voltar à Lua para missões mais complexas, como construir uma base lunar. A ideia é que os astronautas possam viver e trabalhar lá e, assim, explorar ainda mais a Lua e também o espaço mais profundo. O plano da Nasa é que, na próxima década, consiga enviar astronautas para Marte. Além dos avanços para a exploração espacial, a Artemis II também deixa um legado de novas tecnologias que nós devemos usar no dia a dia. Uma dessas tecnologias é a que permitiu mostrar fotos e vídeos da nave em alta qualidade e em tempo real. Tudo isso graças ao sistema de comunicação ótico, que a Nasa desenvolve há mais de duas décadas. Com ele, os dados foram enviados à sede da Nasa em Houston em uma velocidade muito mais rápida do que as ondas de rádio usadas até agora. O novo sistema vai permitir uma troca de dados cada vez mais eficiente entre as equipes na Terra e no espaço, e pode revolucionar a infraestrutura da internet no planeta Terra. LEIA TAMBÉM Governo firma acordo com agência dos EUA para combate ao tráfico de armas e drogas

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Alunos da Ufam protestam em Coari contra falta de professores

Publicado em: 11/04/2026 20:02

Alunos realizam manifestação por falta de professores em Coari, no Amazonas Foto: Reprodução/Rede Amazônica Estudantes do curso de Enfermagem da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) protestaram nesta sexta-feira (10), em Coari, no interior do Amazonas, contra a falta de professores no curso de Enfermagem. O problema persiste há mais de um ano e atrasa a formação de várias turmas. De acordo com os alunos, eles aguardam a solução há mais de um ano. Cássio Cavalcante, estudante de Enfermagem, deveria se formar neste ano. Mas a falta de professores deve adiar a conclusão do curso. "O estágio que era para ser ofertado para a minha turma não está sendo ofertado. Consequentemente, vamos acabar nos atrasando. A formação era para ser no final do ano", disse o universitário. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp No momento, os alunos participam de uma reunião virtual com gestores da Ufam. No ano passado, estudantes também protestaram pela contratação de professores. Em 2026, a gestão da universidade mudou, mas os alunos afirmam que o problema continua. "Nós estamos com o nosso tripé universitário ameaçado: ensino, pesquisa e extensão. É frustrante ser atrapalhado, principalmente a minha turma, que está no último ano. Os estágios e práticas estão parados", explicou o estudante Alan Maciel. Na reunião, a gestão da Ufam disse não ter condições de contratar professores imediatamente. "Infelizmente, por afastamentos de saúde e situações particulares, temos carga horária descoberta que a instituição ainda não conseguiu cobrir. Hoje, os alunos estão sem professores para cumprir os estágios, o que dificulta a continuidade do semestre", disse o professor Iago Orleans. Em nota, a direção da Ufam informou que já marcou uma reunião para a próxima segunda-feira (13) com o Instituto de Biotecnologia e Saúde (ISB), em Coari. Segundo a universidade, serão discutidas medidas de curto e médio prazo, como a contratação de professores substitutos.

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Estudo encontra 12 antibióticos no Rio Piracicaba e indica planta que pode reduzir impacto para saúde de peixes

Publicado em: 11/04/2026 18:22

Pesquisa da USP identifica 12 tipos de antibiótico no Rio Piracicaba Um estudo do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP) identificou 12 tipos de antibióticos em níveis elevados na água do Rio Piracicaba e apontou que uma planta aquática tem potencial para auxiliar na retirada de parte dessas substâncias. 🐟 O cloranfenicol, um dos principais antibióticos identificados, pode causar danos ao DNA dos peixes. Além disso, é um medicamento proibido no país para produção animal e sua presença pode causar riscos à saúde humana, segundo a pesquisa. A presença da planta aquática, chamada Salvinia auriculata, reduziu drasticamente esses danos genéticos nos peixes expostos, trazendo-os a níveis próximos aos de um ambiente limpo. Apesar de ser considerada praga em outros contextos, a planta apresentou resultados promissores no estudo. As conclusões foram publicadas pela revista Environmental Sciences Europe. "A presença de antibióticos na água do Rio Piracicaba, ou em outros rios, pode desencadear o surgimento de superbactérias que, com o tempo, ficam resistentes aos antibióticos e, quando a pessoa adoece, não consegue se curar de uma doença que, teoricamente, seria simples", explicou o professor Valdemar Tornisielo, um dos autores do estudo. 👀 O que você vai ver nessa reportagem? Antibióticos encontrados Uso de energia nuclear 'rastreável' Como a planta 'limpa' a água? Impacto para saúde dos peixes Viabilidade Antiobióticos encontrados Estudo encontra 12 antibióticos no Rio Piracicaba e indica planta que pode reduzir impacto para saúde de peixes Reprodução/EPTV O monitoramento feito pelos pesquisadores buscou responder três perguntas principais: como e quanto o peixe absorve dessas substâncias na alimentação. Para isso, foi usada uma ração contaminada propositalmente para o teste; qual o nível de dano que esses antibióticos causam ao DNA dos peixes; até que ponto a presença da planta consegue reduzir a concentração dos medicamentos na água e proteger os peixes. As coletas ocorreram na barragem de Santa Maria da Serra (SP), região que recebe esgoto urbano, efluentes domésticos, atividades de aquicultura, criação de suínos e escoamento da agricultura. A equipe primeiro coletou material diretamente no rio para análise via cromatografia (técnica usada para quantificar os antibióticos) e, com base nesses resultados reais, montou os experimentos controlados com produtos radiomarcados no laboratório. 💊 Ao todo, foram identificados 12 antibióticos: tetraciclina (TTC), oxitetraciclina (OTC), clortetraciclina (CTC), enrofloxacina (EFX), ciprofloxacina (CFX), sarafloxacina (SAR), norfloxacina (NFX), cloranfenicol (CAP), florfenicol (FF), sulfadimetoxina (SDM), sulfatiazol (STZ) e sulfametazina (SMZ). Os pesquisadores selecionaram duas substâncias como alvos centrais devido à relevância ambiental e sanitária: Enrofloxacina: medicamento amplamente utilizado tanto na medicina humana quanto na veterinária (incluindo a criação de peixes) Cloranfenicol: embora seu uso seja proibido em animais de produção no Brasil devido aos riscos de toxicidade, ele ainda é usado em humanos e serve como um marcador histórico de contaminação persistente Os pesquisadores notaram que, no período chuvoso, a maioria dos antibióticos estava abaixo do limite de detecção. Já na estiagem, os contaminantes ficaram mais concentrados por conta do menor volume de água. Uso de energia nuclear 'rastreável' Um dos pontos centrais do experimento foi o uso de moléculas radiomarcadas com carbono-14. Essa técnica permitiu aos pesquisadores rastrear o destino do antibiótico — se permanecia na água, se era absorvido pela raiz da planta ou pelo tecido dos peixes. A pesquisa recebe financiamento da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA), que incentiva o uso de produtos radioativos para benefícios ao meio ambiente e à população. 🔍O carbono-14 é um isótopo radioativo natural do carbono essencial para a datação de materiais arqueológicos. Ele é gerado em reatores nucleares e usado em baterias de longa duração e datação arqueológica. Com esse uso, os pesquisadores conseguiram criar imagens chamadas autorradiografias. Essas imagens funcionam como um mapa visual que mostra, por meio de cores, onde a substância está mais concentrada, como nas raízes das plantas ou em tecidos específicos dos peixes. "Nós utilizamos o carbono-14, que é um produto já bastante conhecido. As moléculas são produzidas com esse carbono-14, de maneira que dá para a gente acompanhar todo o processo do antibiótico dentro do peixe, dentro da planta, dá para a gente quantificar cada um. O carbono-14 é um material de baixa energia, então a gente pode manipular sem problemas nenhum de saúde, não tem problema nenhum", explicou Tornisielo. Só tem antibiótico? Estudo encontra 12 antibióticos no Rio Piracicaba e indica planta que pode reduzir impacto para saúde de peixes Reprodução/EPTV O professor Valdemar Tornisielo destacou que o rio não contém apenas antibióticos, mas diversos pesticidas, o que motivou a busca por produtos naturais para retirar esses poluentes da água. "Nós não temos somente antibióticos na água. Nós fizemos análise da água do rio Piracicaba e encontramos vários pesticidas presentes na água do rio. Isso é ruim para as pessoas e para os animais, e pode prejudicar uma série de atividades. Então, a nossa preocupação é tentar ajudar a resolver esses problemas", explicou o pesquisador. Como a planta 'limpa' a água? A Salvinia auriculata é amplamente usada em aquários e lagos ornamentais por filtrar nutrientes e abrigar peixes, mas pode se tornar uma espécie invasora, segundo o pesquisador. "Essa planta é muito comum na América do Sul. Ela aparece principalmente em lagos. Então ela gosta de local de água parada, ela tem um sistema radicular muito eficiente que acaba puxando não só os antibióticos, mas também metais pesados que é muito comum na água do rio Piracicaba, então ela é uma planta muito propícia para ser usada para remediação", explicou Tornisielo. A Salvinia auriculata demonstrou níveis de eficiência muito distintos dependendo do antibiótico analisado: Enrofloxacina: a remoção foi extremamente eficaz, com a retirada de mais de 95% do composto da água em poucos dias. Sua meia-vida no ambiente caiu para cerca de dois a três dias na presença da planta. Cloranfenicol: mostrou-se muito mais persistente. A planta conseguiu remover entre 30% e 45% da substância, com uma meia-vida bem mais longa, entre 16 e 20 dias. Itálo Vieira, um dos pesquisadores de Piracicaba envolvidos no estudo, destacou que a enrofloxacina foi mais facilmente remediada pela planta do que o cloranfenicol, possivelmente devido às propriedades físico-químicas da cloranfenicol e sua interação com a água. "A enrofloxacina conseguiu ser mais remediada e ser mais absorvida pela planta em comparação com clorofenicol, que é uma molécula que, teoricamente, tentamos justificar pelas propriedades físico-químicas dela, justamente a interação dela com a água, talvez possa ser um dos fatores que impediu que a planta acumulasse tanto quanto a enrofloxacina", explicou. Tanto os dados quantitativos quanto as imagens de autorradiografia confirmaram aos pesquisadores que os antibióticos se concentram majoritariamente nas raízes da planta. Esse contato direto com sistema de raízes é o principal mecanismo de limpeza de antibióticos. "A partir dos experimentos, a gente conseguiu ter uma conclusão de que a parte que mais absorve a molécula é a parte da raiz, que é justamente quem está em maior contato com a água. Claro que a planta pode sofrer algum tipo de translocação", explicou Itálo. Embora a planta seja uma solução de baixo custo e natural, não é uma solução definitiva. O manejo da biomassa é essencial, pois, se a planta contaminada não for removida, ela pode reintroduzir os poluentes no ambiente. Além disso, por ser uma espécie invasora, seu crescimento excessivo pode bloquear a luz solar e prejudicar o ecossistema aquático. Impacto para saúde dos peixes O impacto da poluição por antibióticos nos peixes do Rio Piracicaba — especificamente o lambari, espécie principal nas atividades de pesca do rio — foi um dos pilares centrais da pesquisa. ⚠️ Um dos achados mais críticos dos pesquisadores foi a presença de cloranfenicol em lambaris consumidos localmente. Este antibiótico é proibido para animais de produção no Brasil devido à sua alta toxicidade e sua detecção indica uma via de exposição humana indireta pela alimentação. Além disso, o cloranfenicol demonstrou ser altamente genotóxico, causando um aumento significativo de danos ao DNA dos peixes, com a presença de micronúcleos e anomalias nucleares. Para compreender a dinâmica da bioacumulação, os peixes foram expostos aos fármacos por sete dias, inclusive pela ração contaminada, para entender como eles absorviam e excretavam essas substâncias. "A gente faz a introdução dessa molécula via alimentação, justamente pelo processo de bioacumulação, e aí a gente contamina a ração e expõe esses peixes durante a alimentação, durante esses dias de exposição", explicou Itálo Vieira, que participou do estudo. Os experimentos mostraram que como o peixe lida com o antibiótico depende do tipo de substância que ele é exposto: Cloranfenicol: apresentou um alto fator de bioconcentração, o que significa que o peixe retém muito mais a substância em seus tecidos. Sua eliminação é extremamente lenta, com uma meia-vida superior a 90 dias. Isso é preocupante, pois a substância foi detectada em peixes coletados com pescadores locais, indicando risco para o consumo humano. Enrofloxacina: Teve um comportamento oposto, com baixo fator de bioconcentração e eliminação mais rápida, apresentando uma meia-vida de cerca de 21 dias De acordo com Ítalo Vieira, a presença das plantas reduziu a bioacumulação nos peixes, pois a planta conseguia absorver o fármaco de forma muito mais eficiente, deixando menos poluente disponível na água para o animal. "Quando a gente expõe justamente as plantas, a gente percebeu que reduzia a absorção. A gente diz que as plantas conseguiam absorver bem mais o fármaco do que o peixe, então, ficava menos disponível na água para o peixe conseguir se bioacumular", explicou. A presença da planta no sistema reduziu significativamente os danos ao DNA dos peixes causados pelo cloranfenicol. No entanto, essa proteção não foi observada para a enrofloxacina, sugerindo que os subprodutos desse antibiótico podem continuar sendo tóxicos mesmo após a ação da planta. 🧽 Entretanto, os pesquisadores concluíram que usar plantas como "esponjas" não é uma tarefa simples, pois a macrófita pode alterar a forma química do poluente, tornando-o, em alguns casos, mais fácil de ser absorvido pelo peixe. Viabilidade Apesar dos desafios, os resultados foram considerados promissores pelos pesquisadores para a criação de sistemas de tratamento de baixo custo baseados na natureza — especialmente úteis onde tecnologias avançadas são inviáveis financeiramente. Para o professor, os resultados indicam que é possível pensar na construção de sistemas de tratamento que utilizem plantas aquáticas para retirar poluentes da água. Ele conclui que a pesquisa trouxe um resultado positivo ao oferecer soluções ambientais de baixo custo, permitindo um melhor entendimento do funcionamento integrado dos ecossistemas aquáticos para mitigar impactos humanos "Os riscos existem, como qualquer outra substância utilizada pelo homem, riscos existem. O que nós temos que fazer é tentar acessar esses riscos e remediar. Os resultados que obtivemos são bastante promissores e indicam que a gente pode pensar, talvez, em construir sistemas que utilizem plantas aquáticas para retirar esses poluentes da água", explicou. Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba

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Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas é tombado como patrimônio cultural

Publicado em: 11/04/2026 18:17

Parque José Affonso Junqueira, Poços de Caldas (MG) Marcos Corrêa O Conjunto Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas foi tombado como patrimônio cultural. O Governo de Minas aprovou, na sexta-feira (10), o tombamento durante a primeira reunião ordinária de 2026 do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram O complexo de praças e prédios, como o Palace Hotel, Palace Cassino e Thermas Presidente Antônio Carlos, já havia sido tombado como Patrimônio Histórico em 1989 pela Constituição do Estado de Minas Gerais. A deliberação ocorreu durante a programação do Governo Presente em Poços de Caldas, cidade que sedia simbolicamente a capital mineira nesta semana. De acordo com o governo do estado, o reconhecimento reforça a importância histórica, urbana, paisagística e turística do município, cuja formação está diretamente ligada às águas termais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O tombamento tem como base dossiê técnico elaborado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), que destaca a relevância do termalismo para a origem e o desenvolvimento urbano de Poços de Caldas. A história da cidade está associada às águas termais desde o século XVIII. Com a abertura dos primeiros poços, em 1826, o município consolidou-se como estância de saúde, lazer e turismo, dando origem a um modelo urbano planejado, marcado pela integração entre edificações monumentais, praças, parques, fontes e equipamentos públicos. Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, o reconhecimento evidencia a característica singular de Poços de Caldas. “A cidade que se estruturou e se desenvolveu a partir de um complexo hidrotermal e hoteleiro, onde arquitetura, paisagem e vocação turística nasceram de forma integrada. O tombamento reconhece essa identidade construída em torno das águas termais e dos equipamentos que deram origem à vida urbana local. Ao proteger esse conjunto, preservamos não apenas edificações, mas uma forma de organização do território que faz de Poços de Caldas uma referência histórica de turismo, saúde e cultura em Minas Gerais”, afirma. Bens protegidos Thermas Antônio Carlos em Poços de Caldas Lara Cristina/G1 O conjunto tombado reúne bens representativos de diferentes períodos históricos, com destaque para a fase de maior expansão urbana entre as décadas de 1930 e 1940. Entre os principais marcos estão o Palace Hotel, o Palace Cassino, as Thermas Antônio Carlos, o Parque José Affonso Junqueira e a Praça Pedro Sanches. A proteção também abrange praças, parques, monumentos, fontes, coretos, elementos artísticos integrados, trechos de ribeirões urbanos e áreas de entorno, com diretrizes voltadas à preservação da ambiência urbana e da paisagem cultural. Segundo o presidente do Iepha-MG, Paulo Roberto do Nascimento Meireles, a medida fortalece o patrimônio como vetor de desenvolvimento sustentável. Praça foi alvo de polêmica por quebra de cocho por prefeito Iepha-MG diz que prefeito de Poços de Caldas não cometeu irregularidade ao quebrar cocho O Complexo Hidrotermal e Hoteleiro de Poços de Caldas já era tombado pelo Patrimônio Histórico de Minas Gerais desde 1989, quando entrou em vigor a última constituição mineira. Em março, a destruição parcial de um cocho de uma das praças do complexo pelo prefeito Paulo Ney (PSD) foi alvo de polêmica. A quebra do artefato, feita com uma marreta (veja vídeo acima), aconteceu durante um ato para marcar a proibição do uso de charretes de tração animal, serviço que foi utilizado por décadas como um dos atrativos turísticos da cidade. VEJA TAMBÉM: VÍDEO: Prefeito usa marreta para demolir cocho em praça tombada após charretes serem proibidas em MG; Câmara questiona Iepha-MG aponta que prefeito de Poços de Caldas não cometeu irregularidade ao quebrar cocho construído em praça tombada A estrutura foi reconstruída dias depois e transformada em uma floreira. A ação motivou um requerimento da Câmara Municipal cobrando explicações e questionando a legalidade da intervenção em um local tombado pelo patrimônio histórico. Após uma avaliação, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) concluiu que o prefeito não cometeu irregularidade e que o cocho, embora estivesse inserido no perímetro do Complexo Hidrotermal e Hoteleiro foi inserido, junto com outros elementos, na praça após o tombamento sem autorização do órgão. “Sob o ponto de vista da análise, o ato de demolição não configuraria qualquer infração, já que o elemento não está inserido nos itens inventariados abrangidos pelo tombamento e que, em verdade, a sua inserção, como elemento exótico, depois do tombamento e sem o rito administrativo é que foi ato irregular”, diz o Iepha em ofício. O Iepha ressaltou, porém, que qualquer intervenção deve observar os princípios da preservação e a necessidade de anuência prévia da entidade, o que não foi o caso do cocho. “Verifica-se que os bebedouros, assim como outras intervenções implantadas após o tombamento (1989), não possuem registro de aprovação prévia junto ao Iepha-MG, configurando, portanto, intervenção irregular no conjunto protegido”, diz a entidade. Charretes também são elementos históricos, diz Iepha Prefeitura de Poços de Caldas envia projeto para acabar com as charretes na cidade Prefeitura de Poços de Caldas/Divulgação O Iepha destacou que o uso associado das charretes de tração animal em Poços de Caldas consolidou-se como prática cultural e turística relevante para a memória social do município e está incorporado na identidade local, por isso, merece ter a memória preservada. De acordo com o Iepha, a Prefeitura de Poços de Caldas deverá tomar medidas para regularizar a situação, entre elas: fazer a regulamentação patrimonial com a atualização do inventário da Praça Getúlio Vargas, contemplando todas as intervenções realizadas após o tombamento; salvaguardar a memória cultural com o registro e a valorização da prática das charretes de tração animal como patrimônio cultural de natureza imaterial. Para isso, deverá fazer painéis informativos, sinalização interpretativa e conteúdos educativos junto aos novos equipamentos turísticos. O Iepha também sugeriu que a prefeitura avaliasse a possibilidade de manutenção dos bebedouros, desde que adequadamente requalificados, como, por exemplo, sendo transformados em floreiras ou marcos memoriais, compatibilizados com o conjunto tombado. A intervenção deve ser usada como medida corretiva no âmbito da proteção do patrimônio material e como oportunidade de valorização da memória cultural associada às práticas históricas do turismo local. “Deve haver a compatibilização entre preservação e transformação: reconhecer a substituição da tração animal por motorizada como avanço nas dinâmicas urbanas contemporâneas, garantindo, contudo, a preservação da memória associada”, afirmou o Iepha. O que diz a prefeitura A Prefeitura de Poços de Caldas informou que vai avaliar as sugestões feitas pelo Iepha e reforçou que nunca houve reconhecimento da estrutura como bem tombado ou de relevância para preservação, não integrando os instrumentos de proteção do patrimônio cultural. A administração também afirmou que o Iepha reconhece que a demolição não configura infração, mas recomenda medidas de registro, valorização da memória e organização do patrimônio, sem impor a obrigatoriedade de manutenção da estrutura. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

Palavras-chave: câmara municipal

Taxi aéreo vira alternativa às filas na Agrishow e aeródromo se prepara para receber empresários do Brasil e do exterior

Publicado em: 11/04/2026 18:15

Agrishow 2026: aeródromo vai receber aviões e helicópteros na feira Um aeródromo em Ribeirão Preto (SP) localizado a cerca de cinco quilômetros da Agrishow deve registrar aumento na movimentação de aeronaves com a chegada de empresários e visitantes do Brasil e do exterior. A maior feira de tecnologia agrícola do país acontece entre os dias 27 de abril e 1º de maio e, segundo a administração do aeródromo, já há agendamentos confirmados, inclusive, com empresários do Chile e da Colômbia. À EPTV, afiliada da TV Globo, o piloto José Paulo Garcia disse que a estrutura passou por melhorias neste ano para atender a demanda e tudo foi planejado para oferecer mais conforto a tripulantes e passageiros. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "Está tudo montado pensando em dar toda a assistência a esse pessoal que vem do Brasil e do exterior para ficar mais confortável para eles entrarem na feira, chegar e ir para a feira". Para pousar no aeródromo, o valor é de aproximadamente R$ 200 durante o dia e R$ 400 no período noturno. A pernoite custa em torno de R$ 350. Durante a Agrishow, pacotes podem chegar a cerca de R$ 1 mil, dependendo do tempo de permanência e do tamanho da aeronave. LEIA TAMBÉM Agrishow 2026: visitantes terão app com inteligência artificial para não se perder na feira Do adubo ao diesel: por que guerra no Oriente Médio preocupa setor de máquinas agrícolas Juros, câmbio: que fatores desafiam setor de máquinas agrícolas em 2026 Com uma pista de 1.100 metros, o aeródromo tem capacidade para atender até 60 aviões e helicópteros por dia, sendo que 40 deles podem pernoitar no pátio. Aeródromo em Ribeirão Preto (SP) tem cerca de 1100 metros e recebe aviões do Brasil e exterior Reprodução/EPTV Segundo Garcia, o local ainda possui luzes de balizamento distribuídas por toda a pista, o que permite pousos e decolagens além do horário da feira, que termina às 18h. "Tem essa flexibilidade de horário, porque quando você não tem balizamento, aí tem de sair antes do pôr do sol. Isso aí, muitas vezes, pode antecipar negócios lá na feira. Dá uma flexibilidade grande para os empresários discutirem mais". Pátio de aeródromo em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Maior feira da América Latina Além de movimentar o setor da aviação executiva, a Agrishow também impulsiona a economia da região, com reflexos em áreas como hotelaria, transporte, alimentação e serviços. A feira, que chega à 31ª edição em 2026, acontece entre os dias 27 de abril e 1º de maio, em Ribeirão Preto. A expectativa para este ano é receber cerca de 197 mil visitantes de mais de 50 países. Considerada a principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, a Agrishow reúne mais de 800 marcas expositoras em uma área de 520 mil metros quadrados. Público na chegada à Agrishow 2025, nesta quinta-feira (1º), em Ribeirão Preto (SP). Rogener Pavinski/g1 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

Secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre é exonerado após 3 anos; empresário assume

Publicado em: 11/04/2026 18:08

Assurbanípal Mesquita saiu da Seict após mais de 3 anos Arquivo/Alice Leão Após mais de três anos à frente da Secretaria Estadual de Indústria, Ciência e Tecnologia do Acre (Seict), Assurbanípal Mesquista foi exonerado do cargo pela governadora Mailza Assis. A exoneração foi publicada em edição extra no Diário Oficial do Estado (DOE) neste sábado (11). No lugar dele, a governadora nomeou o empresário Márcio Valter Agiolfi, 1º secretário da Federação das Indústrias do Acre (Fieac) e presidente do Sindicado das Indústrias de Cerâmicas do Estado do Acre (Sindicer/AC). ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Márcio Agiolfi assume a Seict após a saída de Assurbanípal Mesquita Arquivo/Secom A saída de Assurbanípal tem efeito retroativo ao dia 3 de abril. Ele foi nomeado em dezembro de 2022 no segundo mandato de Gladson Camelí. O ex-secretário é funcionário de carreira da antiga Eletroacre e graduado em engenharia elétrica pela Universidade Federal de Itajubá, com especialização em engenharia de segurança do trabalho pela Universidade Federal de Juiz de Fora e ex-gestor da Fieac. Segundo o governo, Márcio tem mais de 20 anos de experiência em gestão e planejamento estratégico e atuação no setor empresarial e institucional. A experiência dele inclui articulação com o poder público e defesa do setor produtivo. Márcio Agiolfi também participa de ações voltadas ao desenvolvimento econômico e ao fortalecimento da indústria no estado. Ainda segundo a gestão estadual, o novo secretário tem experiência em liderança, negociação e gestão de equipes, habilidades que devem orientar o trabalho à frente da pasta. Mudanças no alto escalão: secretários do AC deixam cargos para concorrer às Eleições 2026 Mudanças Desde a última quarta-feira (8), a governadora mudou alguns cargos do alto escalão da administração pública. Entre essas mudanças está a nomeação da defensora pública Simone Santiago, esposa do ex-chefe do gabinete de Mailza, Jonathan Santiago, para a Secretaria da Mulher do Acre (Semulher) após a confirmação da saída da delegada Márdhia El-Shawwa. (Veja lista completa mais abaixo) Além disso, conforme apurado pelo g1, Gabriel Acioly Assis Vaglieri, sobrinho de Mailza, foi escolhido para secretário adjunto de Obras. Na quinta (9), em edição extra no DOE, a governadora voltou atrás na nomeação do advogado Jonathan Santiago como chefe do gabinete pessoal e decidiu colocar o próprio marido, Madson Cameli, para comandar a pasta. LEIA MAIS: Conheça Mailza Assis, segunda mulher a governar o Acre após 40 anos Mailza nomeia defensora pública esposa de chefe de gabinete e sobrinho para secretarias no Acre Governo anuncia saída de delegado-geral e presidente do Iapen no Acre; VEJA quem assume os cargos Estudante de medicina da Ufac e filha de secretário gera revolta após publicações ofensivas contra acreanos: 'Arrependida' Justiça aceita denúncia de xenofobia contra estudante de medicina que fez publicações ofensivas contra acreanos Outras mudanças no alto escalão incluem o nome de José Bestene, que deixa a direção do Serviço de Água e Esgoto do Estado do Acre (Saneacre) e assume a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), e o vereador João Paulo Silva (Podemos) para a Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh). A governadora também definiu o delegado Pedro Paulo Buzolin para a direção da Polícia Civil, substituindo José Henrique Maciel, e o policial penal Leandro Rocha para a presidência do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen-AC) no lugar do delegado Marcos Frank. Veja abaixo as nomeações: Madson de Castro Cameli - chefe do gabinete pessoal de Mailza Assis Simone Jaques de Azambuja Santiago - Secretaria de Estado da Mulher do Acre (Semulher) Jonathan Santiago - sub-chefe do gabinete pessoal de Mailza Assis João Paulo Silva - Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (Seasdh) José Bestene - Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) Patrício Albuquerque - secretário adjunto de Saúde José Rosemar Andrade de Messias - secretário adjunto de Justiça e Segurança Pública Coronel Evandro Bezerra - chefe da Casa Militar Gabriel Acioly Assis Vaglieri - secretário adjunto de Obras Pedro Paulo Buzolin - Delegado-geral da Polícia Civil Leandro Rocha - diretor presidente do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen-AC) Reveja os telejornais do Acre

Palavras-chave: tecnologia

Corpo de Bombeiros usa drones e cães farejadores para encontrar jovem desaparecido há 4 dias

Publicado em: 11/04/2026 17:54

Bombeiros usam cães e drones para buscar jovem desaparecido em MS Um trabalhador rural de 20 anos identificado como Tiago, está desaparecido desde terça-feira (7) em uma área de mata na zona rural de Porto Murtinho (MS). Equipes do Corpo de Bombeiros realizam buscas com apoio de drone com câmera térmica e também por terra, com auxílio de cães farejadores. Veja o vídeo acima. Segundo familiares, Tiago teria ficado emocionalmente abalado após receber a notícia de que a mãe precisou implantar um marcapasso. Ele chegou a pedir autorização para deixar o trabalho e ir até o município de Caracol (MS), mas não teve liberação. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp De acordo com o tenente Nascimento, o jovem, desapareceu após entrar sozinho na mata. Antes disso, segundo relatos, ele teria apresentado um episódio de desorientação e chegou a ser contido por colegas de trabalho, que o acalmaram e o levaram de volta. Horas depois, no entanto, ele retornou à área de vegetação e não foi mais visto. Funcionários da fazenda iniciaram as buscas por conta própria e passaram dois dias procurando pelo trabalhador, mas não o encontraram. Diante da situação, o Corpo de Bombeiros foi acionado e enviou equipes à propriedade na quinta-feira (8), quando começaram as buscas. No primeiro dia, os militares fizeram o reconhecimento da área com uso de drone. Em seguida, as equipes passaram a contar também com cães farejadores. Durante a noite, os trabalhos continuam com o uso de tecnologia térmica para tentar localizar o jovem. Segundo o comandante, a área de buscas tem cerca de 700 hectares e é composta por mata fechada, em uma região de reserva. Além dos bombeiros, 14 funcionários da fazenda auxiliam nas buscas. Desde o início da operação, as equipes estão alojadas na sede da propriedade. Tiago está desaparecido desde terça-feira (7) Arquivo pessoal Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

Palavras-chave: tecnologia

Professor de Campos propõe rota até Marte até três vezes mais curta usando órbitas de asteroides

Publicado em: 11/04/2026 17:23

Professor de Campos desenvolve rota mais curta para Marte Um professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense propôs um novo caminho para missões espaciais rumo a Marte, capaz de reduzir o tempo de viagem em até três vezes em comparação aos trajetos atualmente utilizados. A ideia, baseada no uso de órbitas de asteroides como referência, foi desenvolvida ao longo de quase uma década e resultou em um artigo aceito por uma revista científica internacional. A proposta é do doutor em Física Marcelo de Oliveira Souza, que começou a desenvolver o estudo em 2015, enquanto acompanhava asteroides que transitam por órbitas próximas às da Terra e de Marte. 📱 Siga o canal do g1 Norte Fluminense no WhatsApp. Durante essas análises, ele identificou trajetórias naturais que poderiam funcionar como atalhos no espaço. Marcelo de Oliveira Souza, professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Reprodução Inter TV “Eu estava acompanhando asteroides que iam passar próximos da Terra para analisar a possibilidade de colisão. Fui estudando essas órbitas e encontrei um asteroide que, naquele momento, passava próximo da Terra e de Marte. Era uma viagem rapidíssima, que levava cerca de 30 dias. Então imaginei se não seria possível adaptar essa órbita para uma nave”, afirmou o pesquisador. Segundo o professor, apesar da ideia inicial parecer simples, as altas velocidades envolvidas tornavam o projeto inviável nas condições tecnológicas da época. Além disso, era necessário considerar diversos fatores físicos e operacionais para transformar a hipótese em uma proposta científica consistente. Há dez anos, o estudo esbarrava nas limitações de softwares e ferramentas disponíveis para simulações seguras de viagens futuras. Esse cenário começou a mudar recentemente, com o avanço tecnológico e o uso de recursos mais sofisticados. “Na época, o meu conhecimento e o acesso às ferramentas não permitiam fazer uma previsão segura de uma viagem futura usando a órbita desses asteroides como referência. Agora, com ferramentas mais poderosas e com o auxílio da inteligência artificial, foi possível avançar nas simulações”, explicou. Atualmente, missões ao planeta vermelho podem durar entre dois e três anos, considerando ida, permanência e retorno. Pela nova proposta apresentada pelo pesquisador, o trajeto poderia ser reduzido para cerca de sete meses, incluindo uma estadia aproximada de 15 dias em Marte. Um dos cenários mais promissores identificados nas simulações indica uma janela favorável para esse tipo de missão em 2031. O trabalho foi submetido à avaliação científica e aceito para publicação na revista Acta Astronautica, ligada à Academia Internacional de Astronáutica, sob o título “Utilizando dados orbitais iniciais de asteroides para missões rápidas a Marte”. “Não basta dizer que está certo. É preciso que outras pessoas analisem, avaliem se a metodologia está correta e se o que foi proposto faz sentido. Para minha satisfação, o trabalho foi aceito por uma revista de referência na área”, disse o professor. A publicação completa, com todos os dados técnicos, deverá ser divulgada em breve. Além da pesquisa, Marcelo de Oliveira Souza também destacou o potencial do interior do estado do Rio de Janeiro para a astronomia. Ele coordena um clube de astronomia que completa 30 anos em 2026 e anunciou a realização de eventos internacionais ainda neste mês, em Campos dos Goytacazes. “São 30 anos de uma jornada longa. Teremos eventos internacionais nos dias 23 e 25 de abril, com palestrantes dos Estados Unidos e de outros locais. É gratuito, e todos estão convidados a participar do nosso encontro”, afirmou.

Palavras-chave: inteligência artificial

Quarto suspeito de participação em assalto a agência do Banco do Brasil é preso em Juiz de Fora

Publicado em: 11/04/2026 16:44

Veja movimentação de criminosos antes de explodir agência bancária em MG O quarto suspeito de participação no ataque a uma agência do Banco do Brasil em Guidoval foi preso em flagrante no bairro São Benedito, em Juiz de Fora. Imagens de câmeras de monitoramento mostram que toda a ação dos criminosos, que chegaram a explodir a agência, durou cerca de 15 minutos. Segundo a Polícia Civil, o homem de 47 anos exercia a função de “batedor”, sendo responsável pela coordenação do trajeto de um dos veículos usados no crime. Além dele, dois homens de 21 e 35 anos foram presos e um menor, de 17, apreendido. Os nomes dos suspeitos presos, apreendidos e procurados não foram divulgados pela polícia. As buscas continuam nos próximos dias. 🔎No meio policial, o batedor funciona como os "olhos" da quadrilha na estrada. A função consiste em monitorar rotas e alertar sobre possíveis cercos com o objetivo de garantir aa fuga dos criminosos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp De acordo com o Núcleo de Inteligência da Delegacia Regional de Juiz de Fora, o homem foi levado para a delegacia de plantão e autuado pelos crimes de organização criminosa e embaraço à investigação. Após os procedimentos de polícia judiciária, ele foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça. Ação dos criminosos durou menos de 15 minutos Os registros mostram desde a chegada dos homens armados até a detonação do caixa eletrônico. Segundo a Polícia Militar (PM), oito pessoas são apontadas como envolvidas no assalto. 02h19: Um carro branco é visto circulando em frente à agência bancária; 02h26: Dois homens encapuzados e armados aparecem e começam a rondar o local; 02h29: Outros suspeitos surgem e o grupo passa a transitar entre a agência e o veículo. Um dos criminosos faz um sinal de "pare" para os comparsas aguardarem a preparação da carga; 02h31: A EXPLOSÃO: Uma forte fumaça toma conta da rua após a detonação dos caixas; 02h32: Integrantes do grupo entram na agência carregando sacos pretos 02h33: A FUGA: O grupo deixa o banco correndo e entra no carro para fugir. Para dificultar a chegada da polícia e a perseguição, o grupo bloqueou ruas da cidade com barricadas feitas de pneus e veículos incendiados. Além disso, espalharam objetos de metal pontiagudos, conhecidos como "miguelitos", pelas vias para furar os pneus das viaturas policiais. ‘Cena de guerra’: tiros e explosões marcam assalto ao Banco do Brasil em cidade de 7 mil habitantes em Minas Gerais VÍDEO mostra destruição de agência do Banco do Brasil após explosão por criminosos em MG Prisões e buscas Carro usado na fuga após ataque a banco em MG é encontrado em chamas Logo após o crime, a polícia iniciou as buscas pelos criminosos. O carro branco usado no assalto foi encontrado incendiado em uma área rural de Rodeiro, cidade a cerca de 25 km do local do crime. A partir dessa localização, os suspeitos foram identificados e passaram a ser procurados. Um dos envolvidos, que já era conhecido pelas forças de segurança, foi encontrado em um imóvel. Ele estava ferido no ombro, foi preso em flagrante e confessou participação no crime. Ainda no mesmo local, o irmão dele, que estava escondido em outro imóvel próximo, se entregou e também foi preso. O terceiro suspeito preso foi apontado como líder do grupo. Os nomes dos suspeitos presos, apreendidos e procurados não foram divulgados pela polícia. As buscas continuam nos próximos dias. Um helicóptero da PM de Juiz de Fora atuou em apoio às buscas por outros suspeitos que teriam fugido por matagais na região. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Ubá. Impacto na cidade Pelo menos um caixa eletrônico foi totalmente destruído. O Banco do Brasil não confirmou se valores foram levados, mas informou que a agência passará por perícia e reforma. Devido aos danos estruturais, o comércio vizinho foi orientado a permanecer fechado durante a vistoria do Bope e da Polícia Civil. Nota Banco do Brasil O Banco do Brasil ressalta que o investimento em tecnologia de monitoramento e inteligência, em dispositivos para tingir e dilacerar papel-moeda em caso de ataques e ainda o uso de cofres mais modernos, resistentes à desintegração, explicam a diminuição de casos deste tipo ao longo dos últimos anos e o sucesso da instituição contra ações criminosas. No caso de Guidoval (MG), o BB explica que acionou a polícia exatamente um minuto após identificar a movimentação dos suspeitos ao redor da agência e ressalta que os criminosos não levaram qualquer cédula da unidade. O Banco indica que a agência está fechada para perícia e atua para restabelecer o atendimento no menor tempo possível. Os clientes que necessitarem de serviços presenciais podem procurar as agências nas cidades mais próximas, em Rodeiro e Guiricema. Os clientes contam ainda com atendimento via aplicativo, Internet Banking, Central de Relacionamento e pelo telefone 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 729 0001 (demais localidades). Grupo armado explode agência do Banco do Brasil em Guidoval Defesa Civil/Divulgação Infográfico - Grupo Armado explode agência em MG Arte/g1 VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campo das Vertentes

Palavras-chave: tecnologia

Unabomber: como matemático superdotado que aterrorizou EUA com cartas-bomba foi preso há 30 anos

Publicado em: 11/04/2026 16:32

Há 30 anos, o FBI capturou um criminoso procurado há quase duas décadas, de quem quase não havia pistas Michael Macor/The San Francisco Chronicle via Getty Images No dia 3 de abril de 1996, agentes federais americanos cercaram uma remota cabana de madeira nos bosques do Estado de Montana, nos EUA. Dali, eles retiraram Theodore "Ted" Kaczynski (1942-2023), uma figura despenteada que, até então, só existia na mente do público como um homem encapuzado com óculos escuros, em um cartaz de "procura-se". Por quase 18 anos, o Unabomber foi um dos criminosos mais procurados dos Estados Unidos — um sujeito misterioso que enviou bombas caseiras pelo correio, sem motivo claro nem padrão regular. Seus próprios escritos foram responsáveis pela sua captura. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Dois importantes jornais americanos, Washington Post e New York Times, concordaram em publicar seu manifesto anti-tecnológico, se ele prometesse não voltar a cometer homicídios. Suas palavras singulares foram identificadas, pela primeira vez, pela esposa do seu irmão, que nem mesmo o conhecia. Como destacou o jornalista Krishnan Guru-Murthy, do programa de TV Newsnight, da BBC, "o acadêmico que abandonou tudo para viver em uma cabana rústica deixou um rastro até sua própria porta". O início da caçada A busca pelo Unabomber começou em maio de 1978, quando ele enviou pelo correio uma bomba caseira rudimentar para a Universidade Northwestern, no Estado americano de Illinois. O artefato foi seguido por um segundo ataque, quase um ano depois. Em novembro de 1979, uma bomba detonada pela altitude, enviada pelo correio, explodiu a bordo de um voo da American Airlines. O artefato não funcionou conforme o esperado, mas 12 pessoas precisaram receber tratamento por inalação de fumaça. Como seus objetivos aparentemente eram universidades e linhas aéreas, o FBI americano atribuiu a ele o nome codificado UNABOM. O artigo publicado por Kaczynski em dois dos jornais mais importantes dos Estados Unidos trouxe pistas que permitiram sua prisão Evan Agostini via Getty Images Nos anos seguintes, ele utilizou bombas cada vez mais sofisticadas para atacar em outras 13 ocasiões, matando três pessoas: Hugh Scrutton, proprietário de uma loja de aluguel de computadores; Thomas Mosser, executivo do ramo da publicidade; e Gilbert Murray, lobista da indústria madeireira. Como seus alvos eram basicamente aleatórios e suas bombas eram fabricadas com objetos do dia a dia, como pedaços de madeira e fios de lâmpadas, os pesquisadores contavam com muito poucas pistas para encontrá-lo. O chefe de investigação balística do FBI, Chris Ronay (1944-2024), o apelidou de "bombardeiro dos reciclados". "Ele buscava em latas de lixo e materiais usados, onde encontrava coisas que poderia usar para fabricar algo, como um neandertal", contou Ronay à BBC, em 1996. Para justificar sua violência, em abril de 1995, o Unabomber enviou para os jornais americanos The New York Times e The Washington Post uma dissertação acadêmica de 35 mil palavras, intitulada The Industrial Society and its Future ("A sociedade industrial e seu futuro", em tradução livre). No ensaio, ele defendia que a vida moderna prejudicava a liberdade e a dignidade humana. E afirmava que, somente desmantelando os sistemas tecnológicos, seria possível evitar maiores danos sociais e psicológicos. O Unabomber se ofereceu a deixar de matar pessoas se o panfleto fosse publicado pelos dois jornais de maior prestígio do país. "A ansiedade inicial era evidente", contou à BBC, em 2016, o então diretor do The Washington Post, Donald Graham. "Se cedêssemos à exigência e aceitássemos publicar este documento, poderíamos abrir espaço para outras exigências de publicação de documentos similares? O agente especial do FBI Terry Turchie declarou à BBC que os investigadores pensaram inicialmente que a publicação do manifesto seria uma má ideia "por ser insensato demais". Mas, depois, eles reconsideraram sua posição. Eles defenderam que, se o manifesto fosse publicado, alguém quase certamente reconheceria a voz por trás dele, "pois essas palavras são muito apaixonadas". Após três meses de deliberações, seguindo o conselho do FBI, os diretores dos dois jornais decidiram publicar o ensaio do Unabomber. Muitos americanos se perguntaram por que um fugitivo, cuja imagem encapuzada aparecia em tantos cartazes do FBI, teria recebido o que eles consideravam um presente para qualquer terrorista: uma plataforma pública para difundir suas ideias. 200 suspeitos sérios O FBI ofereceu uma recompensa de um milhão de dólares por informações que levassem à identificação e à condenação do Unabomber. Sua linha telefônica gratuita criada em 1993 (1-800-701-BOMB) recebeu mais de 50 mil alertas. E, com todas as novas pistas contidas no manifesto, a imagem do misterioso terrorista começava a ganhar clareza. "O ego do Unabomber pode ter sido sua perdição", afirmou Guru-Murthy à BBC. "Além das ideias do tratado, descobriu-se mais sobre sua formação acadêmica, a partir das suas cartas enviadas a cientistas importantes." O grupo de trabalho do FBI dedicado ao Unabomber elaborou uma lista com os 200 principais suspeitos. Cinco deles foram colocados sob vigilância constante, todos no norte do Estado americano da Califórnia, onde os detetives acreditavam que ele estaria se escondendo. O grande avanço no caso veio de uma fonte inesperada: uma cidadã americana que estava de férias na França com seu marido, David Kaczynski. A professora de Filosofia Linda Patrik havia lido uma série de artigos sobre o Unabomber no jornal em inglês International Herald Tribune, publicado em Paris. "Eu lia aqueles artigos quase diariamente e meio que coçava a cabeça, pensando 'como isso se parece com o irmão de Dave'", contou ela à BBC em 2016. Em uma reportagem, eram mencionadas as habilidades de carpintaria do suspeito. Outra descrevia sua aversão à tecnologia. Outros indicavam cidades onde haviam explodido bomba - as mesmas onde seu cunhado havia morado ou trabalhado. Somando tudo, ficou impossível ignorar o padrão, segundo ela. E Patrik precisou fazer a incômoda pergunta ao seu marido: "É possível que o seu irmão seja o Unabomber?" David Kaczynski não acreditava que pudesse ser verdade, segundo ela. Mas, quando leu o manifesto, ele ficou atônito. "Dave ficou sentado, olhando para a tela do computador", ela conta. "Eu o vi ler a primeira página e sua expressão mudou radicalmente." "Aquela situação foi um pesadelo", contou David Kaczynski à BBC. "Literalmente, considerei a possibilidade de que meu irmão fosse um assassino em série, a pessoa mais procurada dos Estados Unidos, talvez do mundo inteiro." O dilema da família era brutal. Se eles permanecessem em silêncio, sua omissão poderia resultar em novas mortes. Mas, se Ted fosse o Unabomber, ele poderia enfrentar a pena de morte. "Como eu poderia passar o resto da vida com o sangue do meu irmão nas mãos?", questionou David Kaczynski. A busca pelo Unabomber durou 17 anos e Theodore Kaczynski foi o suspeito n° 2416. A agente especial do FBI Kathleen Puckett fez a seguinte declaração em 2025, ao programa de rádio Witness History, do Serviço Mundial da BBC: "Havia um baú que sua mãe guardava em Chicago, na casa da família. Nele, encontramos a versão original manuscrita do manifesto." Era um ensaio escrito por Kaczynski em 1971, contendo muitas daquelas ideias. Os investigadores reuniram provas suficientes para obter um mandado de busca na cabana de madeira de Kaczynski, localizada em uma zona rural, onde ele vivia sem água corrente nem eletricidade. "A cabana estava repleta de provas", relembra Puckett. "Era uma mina de ouro." Entre as descobertas, havia componentes de bombas, 40 mil páginas de diários manuscritos detalhando experimentos com bombas e relatos dos crimes do Unabomber, além de uma bomba pronta para ser enviada pelo correio. [bbc] Kaczynski foi um prodígio da matemática, e as pessoas que o conheceram quando jovem acreditavam que ele seria um cientista renomado. Mas ele acabou atacando a própria ciência. Sygma via Getty Images De prodígio da matemática a desertor O irmão de Kaczynski, David, ficou atônito ao ver a prisão no noticiário. Em 2006, ele contou ao Serviço Mundial da BBC que "ele foi retirado da sua cabana entre dois agentes federais e seu aspecto era horrível." "Estava totalmente desalinhado. Sua roupa era pouco mais que farrapos e ele não tomava banho há meses." "E ainda ouvi-lo sendo descrito como um assassino em série, um terrorista?", relembra ele. "As informações que as pessoas tinham não correspondiam com as lembranças que eu tinha de Ted, sabe, o bom menino que foi meu irmão mais velho." A vida e os antecedentes de Kaczynski logo ficaram conhecidos. Prodígio da matemática com QI de 167, ele pulou dois anos para entrar na Universidade Harvard com apenas 16 anos. Depois de se formar, aos 20 anos de idade, ele continuou seus estudos na Universidade de Michigan, também nos Estados Unidos. Segundo seu antigo professor Peter Duren, "ele tinha muitas boas ideias, era um matemático muito original e, graças à sua tese, conseguiu emprego em Berkeley", na Universidade da Califórnia. "Parecia que ele se encaminhava rumo a uma brilhante carreira em matemática." Mas algo mudou a visão do mundo de Kaczynski, segundo Guru-Murthy. "Ele se rebelou contra a disciplina na qual se sobressaía e, em dois anos, abandonou a vida acadêmica", ele conta. "Depois de passar um tempo em Utah, ele se mudou para Montana, onde começou uma vida rural e isolada em uma pequena comunidade com cerca de 1 mil habitantes." "Era evidente que ele tinha uma mente excepcional", prossegue Guru-Murthy. "Mas, se os investigadores tiverem razão, tudo aquilo só serviu para alimentar a ira de um homem que desprezava o que representava seu trabalho." Kaczynski foi condenado à prisão perpétua em 1996, sem possibilidade de liberdade condicional. Ele passou as três décadas seguintes em prisões de todo o país, principalmente na prisão federal de segurança máxima de Florence, no Estado americano do Colorado. Um psiquiatra que o entrevistou na prisão diagnosticou Kaczynski com esquizofrenia paranoide, mas ele afirmava sempre saber exatamente o que estava fazendo. "Tenho certeza de que estou são", declarou ele em entrevista à revista Time, em 1999. Com a saúde deteriorada, Kaczynski se suicidou em 2023, aos 81 anos.

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