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Granizo faz cidade parecer coberta de neve no PR: entenda fenômeno que manteve pedras de gelo sem derreter por 16 horas

Publicado em: 25/11/2025 09:51

Tempestade de granizo muda paisagem e causa prejuízos em Ponta Grossa, PR No final da tarde desta segunda-feira (24) um temporal de granizo deixou Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, parecendo coberta de neve. Na manhã desta terça (25), 16 horas depois, ainda havia pedras de gelo inteiras e amontoadas em alguns locais da cidade. Historicamente, a formação de granizo é mais comum em dias quentes e úmidos; no entanto, nesta segunda-feira (24), os termômetros chegaram apenas até 22,1ºC na cidade, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Por isso, o g1 procurou o órgão para entender o que provocou o fenômeno nestas condições. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ponta Grossa e região no WhatsApp A meteorologista Julia Munhoz explicou que, à medida que a altitude aumenta, a temperatura cai - e um dos fatores para o temporal desta segunda-feira foi a queda abrupta de temperatura e a energia contida na camada que fica entre 3 km e 6 km da superfície. Por isso, apesar de não estar tão calor na superfície, estava muito frio nessa camada - o que favoreceu a formação das pedras de gelo. Outro fator foi o cisalhamento do vento, uma variação da velocidade do vento conforme a altura. Segundo a meteorologista, o fenômeno fez com que a nuvem de tempestade se mantivesse por mais tempo, amadurecendo progressivamente. 16 horas depois do temporal de granizo, pedras de gelo permanecem sem derreter em Ponta Grossa Raphael Costa/RPC Leia também: Veja: Temporal com granizo deixa ruas, telhados e plantações de cidade do PR parecendo cobertas por neve Acidente: Estrutura de supermercado afetada por tornado despenca e 6 trabalhadores ficam feridos Falso uniforme da ONU e distintivo de bombeiro: Como suspeito de se aproveitar de tragédias tentou desviar auxílio de vítimas de tornado, no PR No final de agosto uma tempestade parecida aconteceu em Castro, cidade que fica a pouco mais de 30 km de Ponta Grossa. Naquele caso, as pedras de gelo também conseguiram se conservar por mais tempo no solo devido à temperatura estar baixa nas superfícies. RELEMBRE: Vídeo mostra avanço de chuva de granizo deixando rodovia coberta de gelo em menos de três minutos Como o granizo se forma? Tempestade de granizo mudou paisagem em Ponta Grossa Reprodução/RPC O granizo é um evento meteorológico comum na primavera, e o tamanho das pedras de gelo e a intensidade da queda são muito variáveis. O Instituto Nacional de Meteorologia classifica o granizo como "a precipitação que se origina de nuvens convectivas, como Cumulonimbus, e que cai em forma de bolas ou pedaços irregulares de gelo, com formatos e tamanhos diferentes". O Simepar destaca que quase toda nuvem de tempestade tem granizo em seu interior, mas nem sempre ele cai porque às vezes as pedras de gelo ficam pequenas o suficiente para serem sustentadas dentro das nuvens. A queda acontece quando o ar mais quente da superfície terrestre encontra nuvens densas e muito frias em pontos mais altos da atmosfera. Devido ao contraste brusco de temperatura, as gotas de água se solidificam e caem em formato de granizo. Segundo o Simepar, a meteorologia pode confirmar as condições favoráveis para precipitação de granizo, mas não há equipamentos no Brasil que constatem que a precipitação efetivamente ocorreu. Por este motivo, o registro visual, ou seja, fotos e vídeos são importantes para registrar as ocorrências. No domingo (23), pedras de granizo do tamanho de ovos de galinha atingiram Guarapuava, na região central do Paraná. Assim como em Ponta Grossa, a chuva causou estragos em diversas casas e mobilizou equipes da Defesa Civil. RELEMBRE: Granizo com pedras do tamanho de ovos atinge o Paraná e faz furos em telhados Estragos Segundo o Corpo de Bombeiros, pelo menos 5 mil pessoas de 1,5 mil famílias de Ponta Grossa foram afetadas e tiveram as próprias casas danificadas pelo temporal de granizo desta segunda-feira (24). A tempestade foi mais forte nas regiões dos bairros Uvaranas, Neves, Jardim Carvalho e Boa Vista. "Pedras de gelo com aproximadamente 3 cm causaram graves danos às residências e estabelecimentos em toda a região, com relatos de destelhamentos e locais pontuais de alagamentos de ruas. Não houve relato de vítimas", aponta a corporação. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: S Leia mais notícias no g1 Paraná

Palavras-chave: tecnologia

Philips lança monitor QD-OLED acessível com taxa de 240 Hz e função Ambiglow

Publicado em: 25/11/2025 09:26 Fonte: Tudocelular

A Philips anunciou nesta semana o Evnia 6000 27M2N6501L, monitor gamer da marca orientado ao custo-benefício. A novidade se destaca por oferecer em um pacote relativamente acessível especificações bastante encorpadas, que incluem display QD-OLED com taxa de atualização de 240 Hz, boa variedade de conexões e o sistema de iluminação Ambiglow herdado das TVs da companhia.O novo Philips Evnia 6000 chega com um design básico, mas diferente ao contar com construção em plástico branco e uma base grande, cujos pés são projetados para frente. Há suporte para ajustes de altura, inclinação, rotação e orientação, além do Ambiglow, a retroiluminação RGB da gigante que usa IA para replicar no ambiente as principais cores exibidas na tela. Por falar no display, o painel é outro ponto forte ao apostar em um display QD-OLED de 26,5 polegadas, com resolução Quad HD de 2560 x 1440 pixels e taxa de atualização de 240 Hz. A tecnologia parece ser semelhante à usada em alguns dos monitores de menor custo da AOC, marca irmã da Philips Áudio e Vídeo.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Huawei FreeBuds Pro 5 chega ao mercado com melhorias no ANC, recurso NearLink e mais

Publicado em: 25/11/2025 09:11 Fonte: Tudocelular

O fone de ouvido FreeBuds Pro 5 foi oficialmente anunciado pela Huawei nesta terça-feira (25). A princípio, a ideia da companhia com o lançamento é rivalizar com o AirPods Pro 3, da Apple e, para isso, ele traz novidades como drivers de áudio mais avançados, melhorias no cancelamento de ruído e mais. Huawei FreeBuds Pro 5 chega para o segmento premium A nova solução da marca chinesa para o segmento premium visa proporcionar uma experiência sofisticada em todos os aspectos. Por exemplo, ele traz dois drivers de áudio em cada fone para entregar um som de melhor qualidade. Além disso, há um chipset Kirin A3 equipado aos fones.Esse componente, somado aos novos microfones do dispositivo, entregam um cancelamento de ruído 3x superior em comparação com o seu antecessor. Além disso, outro, destaque do produto é a tecnologia NearLink, que entrega reprodução de áudio lossless em 4,6 Mbps.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Prefeito de Campinas oficializa criação de polo de inovação em Barão Geraldo; saiba o que muda

Publicado em: 25/11/2025 08:44

Oficina regional sobre o PIDS realizada em 2023 Eduardo Lopes/Prefeitura de Campinas O prefeito de Campinas (SP), Dário Saadi (Republicanos), sancionou a lei que cria o Polo de Inovação para o Desenvolvimento Sustentável (PIDS) no distrito de Barão Geraldo. A decisão foi publicada no Diário Oficial desta terça-feira (25). O projeto foi aprovado pela Câmara há cerca de um mês com 24 votos favoráveis, cinco contrários e uma abstenção. A proposta prevê transformar uma área de aproximadamente 17 milhões de m² em um “espaço de desenvolvimento tecnológico, de pesquisa, inovação e sustentabilidade”. O plano também modifica trechos atualmente classificados como Zona de Atividade Econômica (ZAE) para Zona Mista (ZM), permitindo a presença de atividades comerciais ao lado de residências “a partir de um modelo de desenvolvimento sustentável”, segundo a Prefeitura. Confira, abaixo, os principais pontos para entender o PIDS: Onde fica a área incluída no projeto Quais usos do solo serão permitidos Qual é o limite de altura dos prédios Qual é a densidade máxima de moradias Planos de habitação social Quais são as exigências ambientais e de drenagem Como será organizada a mobilidade e a infraestrutura Que incentivos são oferecidos a projetos inovadores Quem fará a gestão e o controle Veja os vídeos que estão em alta no g1 Onde fica a área incluída no projeto O projeto abrange duas áreas: a área prioritária, que recebe maior densidade urbana e centralidade; e a área de ampliação, voltada a “projetos inovadores” e expansão de atividades econômicas. O novo zoneamento inclui o polo de alta tecnologia, a zona de expansão e os campi da Unicamp e da PUC-Campinas. Também engloba o HUB Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (HIDS) da Unicamp, com mais de 11 milhões de m², incluindo a Fazenda Argentina. Perímetro do Polo de Inovação e Desenvolvimento Sustentável (PIDS) de Barão Geraldo Prefeitura de Campinas Quais usos do solo serão permitidos Zona de Centralidade (ZC-PADS): uso misto, com habitação multifamiliar vertical, comércio, serviços, atividades institucionais e indústrias de baixa a média incomodidade. Zona de Atividade Econômica (ZAE-PADS): atividades estratégicas de inovação, pesquisa, tecnologia, desenvolvimento econômico e serviços de apoio, sem uso residencial. Qual é o limite de altura dos prédios Área prioritária: até 23 metros. Área de ampliação: até 14 metros, salvo torres de testes e equipamentos tecnológicos. Há ainda restrições para terrenos próximos à vegetação nativa, para proteger microclima e sombra. Qual é a densidade máxima de moradias Área prioritária: até 500 unidades habitacionais por hectare. Área de ampliação: normalmente 220 unidades/hectare, mas projetos considerados inovadores podem chegar a 500 unidades/hectare se incluírem habitação de interesse social. Planos de habitação social O projeto da Prefeitura incentiva moradia vertical de interesse social (HIS) e prevê a criação de um Programa de Locação Social, para facilitar acesso à habitação dentro da zona de centralidade. Esse programa terá como público-alvo estudantes e trabalhadores de baixa renda da região, e deverá ser criado por lei específica no prazo de 360 dias. Apesar de incentivar a habitação popular, o projeto impede alguns tipos de moradias de baixa renda, como o Empreendimento Habitacional de Interesse Social (EHIS-COHAB) e o Empreendimento Habitacional de Mercado Popular (EHMP-COHAB). Quais são as exigências ambientais e de drenagem Áreas verdes: preservação e renaturalização do Ribeirão Anhumas e recomposição de fragmentos de vegetação nativa. Permeabilidade: no mínimo 20% da área do lote deve permitir infiltração da água. Drenagem sustentável: uso de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) para reduzir impermeabilização e armazenar excesso de água naturalmente. Espaço público: no mínimo 20% do lote deve ser destinado a áreas acessíveis ao público. Como será organizada a mobilidade e a infraestrutura Pedestres e ciclistas têm prioridade. Quadras maiores que 130 m devem ter passagens internas a cada 130 m. Vias arteriais e coletoras: calçadas de 5 m e 4 m, respectivamente; vias locais com 14 m de largura. Infraestrutura subterrânea: toda a rede de água, esgoto, energia e telecomunicações deve ser subterrânea e compartilhada. Que incentivos são oferecidos a projetos inovadores Empreendimentos que adotem soluções ecológicas - como energia limpa e drenagem natural - terão descontos na outorga onerosa, ou seja, na taxa paga para construir mais do que o permitido originalmente. Loteamentos inovadores devem destinar 30% da área a espaços público e garantir conectividade com a internet. Quem fará a gestão e o controle Um Comitê de Análise formado por representantes das secretarias municipais. Ele define critérios para projetos inovadores, aprova novas construções, acompanha indicadores de desempenho e supervisiona a aplicação da lei. Além disso, obras maiores ou que impactem o entorno exigem Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Para obra nova e regularização no raio de 1 km do CNPEM deverá ser obrigatoriamente apresentado EIV/RIV, independentemente da área construída. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Palavras-chave: tecnologia

Bug no Windows 11 trava Menu Iniciar, Barra de Tarefas e mais; veja como resolver

Publicado em: 25/11/2025 08:44 Fonte: Tudocelular

A Microsoft reconheceu mais um problema grave que está afetando várias áreas importantes do Windows 11. O bug crítico surgiu após a instalação das atualizações cumulativas lançadas em julho e causa o travamento de elementos cruciais para o sistema, como a Barra de Tarefas, Menu Iniciar e o Explorador de Arquivos.Dentre os relatos dos problemas, os maiores afetados estão empresas que utilizam infraestruturas de desktop virtual para o provisionamento de aplicativos, pois o bug impede que os usuários destes recursos usem o sistema logo após o login. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

'Todos vamos pagar um pouco do prejuízo do caso Master', diz economista

Publicado em: 25/11/2025 07:48

A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada pelo Banco Central na semana passada, é um exemplo de privatização dos lucros e socialização dos prejuízos, avalia Roberto Luis Troster, sócio da consultoria Troster & Associados, que atuou como economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e da Associação Brasileira de Bancos (ABBC). "Não foram só os mais de R$ 40 bilhões que o FGC [Fundo Garantidor de Crédito] perdeu, há uma série de outros investidores que também perderam recursos", observa Tobler. "Todos nós vamos pagar um pouco disso." O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso preventivamente em 17 de novembro, sob acusação de fraude de R$ 12,2 bilhões contra o sistema bancário. Três dias depois, a Justiça decidiu pela manutenção da prisão, negando pedido de habeas corpus feito pela defesa de Vorcaro. A quebra do Master é a maior da história do país em termos de impacto para o FGC — instituição privada, sem fins lucrativos, que atua como uma espécie de seguradora para investimentos, garantindo cobertura de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira. Segundo o FGC, 1,6 milhão de investidores do Master, que detém R$ 41 bilhões em depósitos bancários (CDBs), poderão ser ressarcidos. O montante representa um terço do caixa do FGC, que soma R$ 122 bilhões em recursos líquidos. Antes do Master, o maior resgate do FGC havia sido o do Banco Bamerindus, que somou R$ 3,7 bilhões em 1997, o equivalente a R$ 19,6 bilhões em valores corrigidos pela inflação. Diante do maior resgate de seus 30 anos de história, o FGC precisará de novos aportes por parte das instituições financeiras associadas ao fundo, que pressionam por mudanças que tornem o acesso a esse sistema de seguro mais restrito — o que é visto com cautela pelo Banco Central, pois tornaria menos atrativo o investimento em títulos de bancos pequenos e médios. Atualmente, os cinco maiores bancos do Brasil — e também os principais contribuintes do FGC — são Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander. "Os cinco principais bancos estão reclamando por serem contribuintes para o Fundo Garantidor, mas os verdadeiros contribuintes são os investidores", diz Alexandre Jorge Chaia, professor nas disciplinas de gestão de riscos financeiros e produtos bancários no Insper. "O que o banco faz: ele poderia pagar mais para o investidor. Mas ele reduz um pouquinho o retorno que o investidor tem, porque um percentual dos depósitos que você aplica é separado [para a contribuição ao FGC]", explica Chaia. Atualmente, essa taxa é de cerca de 0,01% sobre os depósitos cobertos pelo FGC, como poupança, CDBs e letras de crédito (LCIs e LCAs). "Para cada CDB emitido, [esse valor] é pago para o seguro. Obviamente, que os bancos não ficam com esse prejuízo. Eles repassam esse prejuízo para o investidor que recebe menos retorno e tem uma rentabilidade menor", diz o especialista, que foi executivo nos bancos Interunion e ABN AMRO Bank e atualmente é sócio da Carmel Gestora de Recursos. "Então, esse é um ponto importante: o dinheiro não é dos bancos. O dinheiro é dos investidores que criam um colchão de recursos para proteger o próprio sistema." Onde a regulação do sistema financeiro falhou no caso Master? Para Troster e Chaia, está claro que os mecanismos de regulação do sistema financeiro falharam ao permitir que o Banco Master chegasse à situação em que chegou — embora ambos considerem que as instituições eventualmente funcionaram, ainda que tardiamente. A estratégia do Master foi marcada por um crescimento vertiginoso baseado na emissão de CDBs com retornos muito atípicos, como 120%, 140% e até 160% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário, taxa de juros que serve como referência nos investimentos de renda fixa). E, na outra ponta, pelo investimento em ativos pouco líquidos e arriscados, como participações em empresas em dificuldades e precatórios — dívidas que o poder público reconhece, por decisão judicial definitiva, e que são pagas conforme cronograma orçamentário, o que pode levar anos. "Já em maio [deste ano], teve um empréstimo emergencial do FGC de R$ 4 bilhões [ao Master], mostrando que o banco não estava gerando caixa", observa Troster. "O balanço de dezembro de 2024 também já mostrava problemas evidentes: a carteira de crédito era 20% do total do balanço e havia um crescimento absurdo [do total de ativos] de R$ 36 bilhões em dezembro de 2023, para R$ 63 bilhões em dezembro de 2024. Não é comum um crescimento nessa velocidade", diz o economista, sobre os sinais de alerta que o Master apresentava antes de quebrar. Para Chaia, do Insper, as falhas de regulação do sistema financeiro são anteriores ao caso Master, e ficaram evidentes desde abril, no problema dos débitos automáticos do INSS; no ataque hacker que desviou cerca de R$ 1 bilhão de instituições de pagamento em julho de 2025; e no envolvimento de fundos de investimento em operações de lavagem de dinheiro do crime organizado, reveladas pela operação Carbono Oculto. "O Banco Central, desde a época do governo Bolsonaro, sob a gestão do Roberto Campos Neto, fez um trabalho muito bom de democratizar o mercado [financeiro]", pondera Chaia. Ele cita iniciativas como o open banking (sistema que permite o compartilhamento de dados e serviços bancários entre diferentes instituições financeiras), a multiplicação das fintechs e bancos digitais e o próprio Pix, como fatores que ajudaram a popularizar o acesso das pessoas aos bancos, nos últimos anos, ampliando ao mesmo tempo a competição no setor bancário. "Mas acredito que, ao mesmo tempo, o Banco Central foi leniente, não especificamente com o Master, mas com a expansão do mercado financeiro como um todo", diz o especialista, que acredita que agora o BC deve fazer nos próximos anos um "freio de arrumação", endurecendo regras para fechar brechas regulatórias que foram exploradas pelas instituições financeiras. Para Troster, no caso Master, está claro que o BC demorou a intervir. "Mas o importante é que resolveu e não permitiu a fusão com o BRB [Banco de Brasília]", destaca o economista, citando operação barrada pelo Banco Central em setembro e investigada pela Polícia Federal. À época, deputados chegaram a aprovar a urgência de um projeto de lei que permitiria a demissão de diretores do BC, numa tentativa de pressionar pela aprovação da compra. O episódio revelou alguns dos muitos laços do Master e do banqueiro Daniel Vorcaro com o mundo político. Vorcaro já teve em sua folha de pagamentos, como advogados ou consultores, nomes como Ricardo Lewandowski (ex-ministro do STF e hoje ministro da Justiça), Henrique Meirelles e Gustavo Loyola (ex-presidentes do Banco Central), Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda), além de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, e o ex-presidente da República Michel Temer. "O mais importante é que, apesar da dimensão [do caso Master] não tivemos uma crise sistêmica e essa é a função principal [da intervenção do BC ao liquidar o banco]", considera Troster. O FGC deveria mudar? Após a liquidação do Master, vem sendo discutida a possibilidade de mudanças no FGC, como a redução do valor segurado (atualmente em R$ 250 mil) ou a cobertura apenas do valor principal investido, sem os rendimentos. A ideia com isso seria estimular investidores a analisarem melhor os riscos de seus investimentos e a saúde financeira dos emissores de títulos bancários. Isso porque, na prática, com a garantia do FGC, o investimento em CDBs e letras de crédito até R$ 250 mil por instituição financeira não tem nenhum risco para o investidor. A garantia do FGC é inclusive usada como propaganda pelas plataformas de investimento para estimular aportes em títulos muitas vezes arriscados, mas de alto retorno — como os CDBs do Banco Master. Isso possibilitou uma forte desconcentração bancária no Brasil nos últimos anos, com o surgimento de diversas instituições financeiras de pequeno e médio porte, que conseguem captar recursos, mesmo sem ter uma rede própria de distribuição, tendo seus títulos vendidos por marketplaces de investimento. No caso do Master, por exemplo, dos R$ 41 bilhões dos CDBs emitidos com garantia do FGC, cerca de R$ 36 bilhões foram emitidos pelas três maiores plataformas digitais de investimentos: XP, BTG Pactual e Nubank, segundo o jornal Valor Econômico. As três instituições não responderam a pedido de comentário do jornal. Tanto Troster como Chaia minimizam o papel das plataformas na crise do banco Master. Na opinião de ambos, elas são apenas intermediárias na negociação de papéis que, até a eclosão da crise e das suspeitas de fraude na gestão do banco, operavam dentro da legalidade do sistema financeiro. Eles também veem com reservas a possibilidade de mudança nas regras do FGC, já que isso pode desestimular o investimento em títulos de bancos pequenos e médios, reduzindo a competitividade do sistema e aumentando o custo de captação para essas instituições financeiras menores. Troster defende a redução do valor segurado, mas é contrário à restrição da cobertura ao principal, sem os juros. No mercado, avalia-se que esta segunda medida poderia inviabilizar o seguro como um instrumento para evitar corridas bancárias — quando um grande número de clientes de um banco saca seus depósitos ao mesmo tempo, temendo que o banco possa falir, o que pode, em si, levar a instituição à falência. Já Chaia é contrário a ambas as medidas cogitadas hoje no mercado, que avalia como punitivas aos investidores. E defende que a atuação do BC deve se centrar no balanço dos bancos. "A melhor solução é o Banco Central regular a competição entre os bancos, proibir que um banco pequeno faça uma oferta de captação irreal pelo risco da operação e evite que ele pegue esse dinheiro e compre ativos de alto risco para poder pagar essa conta", defende. Ele observa que o BC já vem atuando nesse sentido. Desde agosto, e já devido ao caso do Banco Master, o Conselho Monetário Nacional (CMN) endureceu algumas regras para as instituições financeiras associadas ao FGC. A principal mudança diz respeito ao grau de alavancagem das instituições financeiras participantes do fundo. Por meio da alavancagem, uma instituição pega dinheiro emprestado para investir, multiplicando o valor aplicado, porém expondo-se a riscos. A partir de junho do próximo ano, a instituição associada ao FGC que estiver excessivamente alavancada, com valor de referência superior a 10 vezes seu patrimônio líquido ajustado, deverá aplicar o excedente de recursos em títulos públicos federais, considerados investimentos seguros. A mudança pretende reduzir brechas que permitiam às instituições associadas ao FGC arriscarem-se excessivamente no mercado financeiro. Funcionários do Banco Central deixam a sede do Banco Master em São Paulo, na terça-feira (18/11), após a prisão de Daniel Vorcaro, presidente-executivo do banco Getty Images via BBC

Palavras-chave: hacker

Governador em exercício nomeia Carlos Amastha para a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços

Publicado em: 25/11/2025 07:21

Vereador Carlos Enrique Franco Amastha vai assumir a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços Fernando Lucas/Câmara Municipal de Palmas O Diário Oficial do Estado trouxe mais uma nomeação para o primeiro escalão do governo do Estado. O vereador Carlos Amastha (PSB) vai assumir a gestão da Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços. Com a assinatura do governador em exercício Laurez Moreira (PSD), o ato foi publicado na noite desta segunda-feira (24). 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Amastha se tornou vereador nas eleições municipais de 2024, assumindo a cadeira na Câmara Municipal de Palmas no início do ano. Em julho, o vice-prefeito Carlos Velozo (Agir), que esteve à frente da prefeitura durante a prisão e afastamento de Eduardo Siqueira Campos (Podemos), nomeou o vereador para assumir a Zeladoria Urbana de Palmas. A Secretaria de Indústria e Comércio era gerida por Carlos Humberto Duarte de Lima e Silva, exonerado no dia 13 de novembro. Ele foi citado na decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que autorizou buscas durante a Operação Nêmeses, que investiga a suposta ação de agentes públicos para embaraçar as investigações da Fames-19. Carlos Humberto informou na época que ficou no cargo por mais de quatro anos e que retornou às suas atividades na iniciativa privada. LEIA TAMBÉM: Três novos secretários são nomeados pelo governador em exercício Laurez Moreira; veja quem são Governador exonera secretário de Agricultura e Pecuária e diretor assume interinamente As últimas nomeações para compor o secretariado do governo de Laurez ocorreram no dia 18 de novembro. Fabiano Roberto Matos do Vale assumiu como secretário de Parcerias e Investimentos; Leandro Coutinho Noleto como secretário extraordinário de Políticas de Governo e Descentralizadas; e Regina Chaves dos Reis como secretária de Cultura do Estado. No dia 20 de novembro, o então secretário de Agricultura e Pecuária do Estado, César Halum, pediu exoneração do cargo. José Américo Rocha Vasconcelos, diretor de Agricultura, Agronegócio e Pecuária, foi designado para assumir a função interinamente. VEJA TAMBÉM: Governador do Tocantins em exercício nomeia novos secretários; veja quem são Governador do Tocantins em exercício nomeia novos secretários; veja quem são Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Palavras-chave: câmara municipal

Influenciadores que estimulam soltura ilegal de balões em SP são alvos de operação da PM e Ministério Público

Publicado em: 25/11/2025 06:41

Vídeo de outubro mostra queda de balão em cima do telhado de casas e pega fogo na Vila Mariana A Polícia Militar Ambiental e o Ministério Público do Estado de São Paulo realizam na manhã desta terça-feira (25) a Operação Bancada, que tem como objetivo combater crimes cibernéticos e a atuação de influenciadores que promovem a fabricação e a soltura ilegal de balões no estado de São Paulo. A ação é resultado de uma investigação conduzida ao longo dos últimos seis meses, que permitiu identificar os principais responsáveis pela confecção, soltura e recuperação de balões de grande porte, além de pessoas envolvidas na produção e divulgação de conteúdo digital que incentiva e normaliza a prática nas redes sociais. Segundo as autoridades, a ideia é desarticular completamente a cadeia logística da atividade ilegal, impedindo a produção e soltura de balões, além da atuação da rede de influenciadores e páginas que lucram com a divulgação e monetização da prática criminosa. Além de mandados de busca e apreensão, a Justiça de São Paulo determinou a suspensão e o congelamento das contas e páginas utilizadas pelos investigados. 👉 Contexto: A fabricação, armazenagem, transporte ou soltura de balões é crime previsto na Lei de Crimes Ambientais. A prática pode provocar incêndios urbanos e florestais, causar acidentes aéreos, gerar danos ambientais significativos e colocar em risco a vida de pessoas em áreas urbanas e rurais. Balão cai na Vila Mariana Reprodução/TV Globo Queda de balão atinge imóveis e rede elétrica na Zona Leste de São Paulo

Palavras-chave: cibernético

Crise da memória RAM: preços disparam e CEO da Epic Games não vê melhora rápida

Publicado em: 25/11/2025 06:16 Fonte: Tudocelular

A escalada nos preços da memória RAM está se transformando em um problema estrutural para o setor de tecnologia. O que antes era apenas um incômodo pontual nas lojas agora ameaça impactar desde montagens de PCs gamers até a produção de eletrônicos de consumo em massa. Tudo isso enquanto o mercado corre atrás de uma demanda crescente por chips de alto desempenho, impulsionada pela corrida da inteligência artificial. Não é por acaso que Open AI tem fechado parceria com grandes empresas, como Samsung e Foxconn, para garantir o suporte total para o desenvolvimento de servidores focados em IA. No entanto, o problema de alta demanda pelo hardware está se propagando para diferentes regiões, tornando-se o novo epicentro de uma crise global de componentes.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Notebook Lenovo IdeaPad Slim 3 com Intel Core i5 aparece em oferta com cupom

Publicado em: 25/11/2025 06:13 Fonte: Tudocelular

Lançado no mercado brasileiro ainda no último mês de outubro, o Lenovo IdeaPad Slim 3 pode ser uma ótima opção para quem está procurando um notebook com bom custo-benefício, mas não quer esvaziar a carteira, já que é munido de um conjunto competente de especificações. Agora, ele acaba de chegar a um excelente preço no Mercado Livre! Com auxílio do cupom especial AINDATEMPROMO, o notebook pode chegar na sua casa (ou escritório) por apenas R$ 2.249 no pagamento via Pix. Para quem prefere parcelar, o valor é um pouco mais alto – mas ainda interessante: R$ 2.499 em até 18x no cartão Mercado Pago ou 12x nas demais bandeiras. Não perca: Notebook Lenovo Ideapad Slim 3 15irh10 Intel Core i5-13420h 8gb 256gb Ssd Windows 11 15.3 - 83ns0003br Luna Grey Mercadolivre R$2.249 Ver Oferta Veja tambémClique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

O menino de 3 anos que surpreendeu médicos ao superar condição rara grave com terapia genética pioneira

Publicado em: 25/11/2025 06:12

Família de MS luta para conseguir remédio para criança com síndrome de hunter O garoto Oliver Chu, de três anos, surpreendeu médicos com sua recuperação após se tornar o primeiro paciente no mundo com síndrome de Hunter, uma doença devastadora, a receber uma terapia genética inovadora. A síndrome de Hunter (ou MPS II) é uma condição rara e hereditária que causa danos progressivos ao cérebro e outras partes do corpo. Nos casos mais graves, pacientes não costumam sobreviver além dos 20 anos, e os efeitos da síndrome são comparados a uma forma de demência infantil. Oliver Chu é o primeiro de cinco meninos no mundo a receber o tratamento Arquivo Pessoal Antes do tratamento, Chu não produzia uma enzima essencial para a saúde das células devido a um gene defeituoso. Mas equipes médicas em Manchester (Reino Unido) tentaram interromper o avanço da doença alterando as células de Chu por meio da terapia genética. O professor Simon Jones, que co-lidera o estudo, disse à BBC: "Esperei 20 anos para ver um menino como Chu progredindo tão bem, e é simplesmente emocionante." No centro desta história está Chu, o primeiro de cinco meninos no mundo a receber o tratamento, e a família dele, da Califórnia, que depositou sua confiança na equipe médica do Royal Manchester Children's Hospital. Um ano após o início da terapia, Chu aparenta se desenvolver normalmente. "Toda vez que falamos sobre isso eu quero chorar, porque é simplesmente incrível", diz a mãe, Jingru. A BBC acompanha a trajetória de Oliver Chu há mais de um ano, incluindo o desenvolvimento da terapia genética pioneira por cientistas no Reino Unido e os desafios financeiros que quase impediram o início do ensaio clínico. Remoção de células-tronco – Dezembro de 2024 A síndrome de Hunter ocorre quase sempre em meninos. É extremamente rara: atinge 1 em cada 100 mil nascimentos masculinos no mundo BBC Conhecemos Oliver Chu e seu pai, Ricky, em dezembro de 2024, no centro de pesquisas clínicas do Royal Manchester Children's Hospital. Era um dia importante. Desde o diagnóstico de síndrome de Hunter, em abril daquele ano, a rotina de Chu — e também a do irmão mais velho, Skyler, que tem a mesma condição — se resume a idas frequentes ao hospital. Skyler tinha apresentado atraso na fala e na coordenação, inicialmente associado ao fato de ter nascido durante a pandemia de covid. Ricky diz que o diagnóstico dos filhos foi um choque. "Quando você descobre a síndrome de Hunter, o médico logo avisa: 'Não procure na internet, porque você vai encontrar os piores casos e vai ficar muito desanimado'." "Mas, como qualquer pessoa, você procura e pensa: 'Meu Deus, é isso que vai acontecer com meus dois filhos?'" As crianças nasceram aparentemente saudáveis, mas começam a mostrar sinais da doença por volta dos dois anos. Os sintomas variam e podem incluir mudanças nos traços físicos, rigidez nos membros e baixa estatura. A síndrome de Hunter pode afetar o corpo inteiro, incluindo o coração, fígado, ossos e articulações e, nos casos mais graves, provoca comprometimento mental severo e declínio neurológico progressivo. A síndrome de Hunter ocorre quase sempre em meninos. É extremamente rara: atinge 1 em cada 100 mil nascimentos masculinos no mundo. Até agora, o único medicamento disponível era o Elaprase, que custa cerca de £300 mil (cerca de R$ 2,1 milhões) por paciente ao ano e ajuda a desacelerar os efeitos físicos da doença. O remédio não atravessa a barreira hematoencefálica e, por isso, não age sobre os sintomas cognitivos. Mas naquele dia, porém, Chu foi ligado a uma máquina para retirar algumas de suas células — o primeiro passo para tentar interromper seu distúrbio genético nesse tratamento único. "O sangue dele passa por uma máquina avançada que coleta um tipo específico de célula, a célula-tronco, que será enviada a um laboratório para ser modificada e depois devolvida a ele", explica a hematologista pediátrica Claire Horgan. As células de Oliver Chu são modificadas Como a terapia genética trata a síndrome de Hunter (MPS II) BBC As células de Chu são embaladas com cuidado e enviadas a um laboratório do Great Ormond Street Hospital, em Londres. Na síndrome de Hunter, uma falha genética faz com que as células não tenham as instruções para produzir a enzima iduronato-2-sulfatase (IDS), essencial para quebrar grandes moléculas de açúcar que, com o tempo, se acumulam em tecidos e órgãos. Cientistas inserem o gene IDS ausente em um vírus que teve seu material genético removido para não causar doença. Um método semelhante já foi usado em outras terapias genéticas, como no tratamento de outra condição hereditária rara, a leucodistrofia metacromática (MLD). Karen Buckland, do Serviço de Terapia Celular e Genética do Great Ormond Street Hospital, explica: "Usamos a estrutura do vírus para inserir uma cópia funcional do gene defeituoso em cada uma das células-tronco. "Quando elas voltarem para Chu, devem repovoar a medula óssea e começar a produzir novos glóbulos brancos, e cada um deles deverá, esperamos, produzir a proteína [enzima] que falta no organismo dele." Ainda resta o desafio de fazer a enzima chegar ao cérebro em quantidade suficiente. Para resolver isso, o gene inserido é modificado para que a enzima produzida atravesse a barreira hematoencefálica com mais eficiência. Dia da infusão – Fevereiro de 2025 Voltamos a encontrar Chu no centro de pesquisas clínicas do Hospital Infantil Royal Manchester. Desta vez ele está com a mãe, Jingru; Ricky ficou na Califórnia para cuidar de Skyler. Há um clima de expectativa quando um integrante da equipe de pesquisa abre um grande tanque metálico de criopreservação onde estão congeladas as células-tronco de Chu, modificadas geneticamente e trazidas de volta do Great Ormond Street Hospital. Uma pequena bolsa transparente de infusão é retirada e aquecida lentamente, até chegar à temperatura corporal, em uma bandeja com líquido. Depois de várias checagens, uma enfermeira transfere o fluido, que contém cerca de 125 milhões de células-tronco modificadas, para uma seringa. Oliver Chu está acostumado a hospitais, mas se agita enquanto a enfermeira injeta o tratamento, equivalente a um copo cheio, no cateter instalado em seu peito. Jingru o segura firme nos braços. Após dez minutos, a infusão termina. Uma hora depois, uma segunda infusão, idêntica, é aplicada. Chu segue vendo desenhos em uma tela portátil, alheio ao possível impacto do que acaba de acontecer. E é isso. A terapia genética está concluída. O procedimento parece rápido, mas a ambição é enorme: deter o avanço da doença progressiva de Chu com um tratamento único. Depois de alguns dias, Chu e Jingru voam de volta à Califórnia. Agora, a família e a equipe médica precisam esperar para saber se a terapia funcionou. Sinais iniciais de progresso – Maio de 2025 Os pais, Jingru e Ricky, esperam que a terapia inovadora esteja disponível no futuro para o irmão mais velho de Oliver, Skyler BBC Em maio, Chu retorna a Manchester para exames decisivos que vão indicar se a terapia genética está funcionando. Desta vez, a família inteira o acompanha. Nos encontramos em um parque no centro da cidade, e fica claro de imediato que há motivos para otimismo. Chu está mais ativo e curioso do que eu o havia visto antes. É verdade que agora ele tem liberdade para brincar e está fora do hospital, mas parece mais disposto e saudável. Ricky não esconde a alegria: "Ele está indo muito bem. Vimos avanços na fala e na mobilidade. Em apenas três meses ele amadureceu." A grande novidade é que Chu pôde suspender as infusões semanais da enzima que lhe faltava. "Quero me beliscar toda vez que digo às pessoas que o Chu está produzindo a própria enzima", diz Jingru. "Sempre que falamos sobre isso, dá vontade de chorar, porque é simplesmente maravilhoso." Ela conta que ele está "muito diferente" de antes do tratamento, fala "um montão" e interage mais com outras crianças. Também é um prazer conhecer Skyler, de cinco anos, carinhoso e protetor com o irmão mais novo. "Meu pedido à estrela é para que o Skyler possa receber o mesmo tratamento", diz Ricky. "Parece que o Chu ganhou um recomeço na vida, e eu quero isso também para o Skyler, mesmo ele sendo um pouco mais velho." Inicialmente se pensava que Chu já estivesse fora da faixa etária do ensaio clínico, porque o tratamento não reverte danos já instalados. Mas exames mostraram que ele ainda estava pouco afetado. Skyler demonstra encanto com o mundo à sua volta e logo quer segurar minha mão e conversar enquanto caminhamos até o parque. Ricky explica que o filho tem atraso no desenvolvimento da fala e das habilidades motoras, mas passa por terapia de infusão, que leva o tratamento ao corpo, mas não ao cérebro. 'Eternamente gratos' Oliver Chu retorna a Manchester a cada três meses para alguns dias de exames de acompanhamento. No fim de agosto, novas análises confirmam que a terapia genética está funcionando. Chu demonstra vitalidade e, até agora, já completou nove meses desde o tratamento. O professor Jones, chamado de Papai Noel por Chu por causa da barba branca, está radiante. "Antes do transplante, Ollie [Chu] não produzia nenhuma enzima. Agora, ele produz centenas de vezes a quantidade normal. Mais importante: vemos que ele está melhorando, aprendendo, adquirindo novas palavras e habilidades, e se movimenta com muito mais facilidade." Ainda assim, Jones adota cautela. "Precisamos ter cuidado e não nos deixar levar pela empolgação, mas as coisas estão tão boas quanto poderiam estar neste momento." No jardim do terraço do hospital, Chu brinca com o pai. "Ele parece uma criança completamente diferente. Corre para todos os lados, não para de falar", diz Ricky. "O futuro do Chu parece muito promissor, e esperamos que isso permita que mais crianças recebam o tratamento." Ao todo, cinco meninos participam do ensaio clínico, vindos dos EUA, Europa e Austrália. Nenhum é do Reino Unido, porque os pacientes britânicos foram diagnosticados tarde demais para se qualificar. Todos os participantes serão monitorados por pelo menos dois anos. Se o ensaio tiver sucesso, o hospital e a universidade pretendem firmar parceria com outra empresa de biotecnologia para obter a licença de tratamento. Jones afirma que a mesma abordagem está sendo aplicada a outros distúrbios genéticos. Há tratamentos semelhantes em teste, em Manchester, para MPS tipo 1, ou síndrome de Hurler, e MPS tipo 3, ou síndrome de Sanfilippo. Ricky e Jingru dizem ser "eternamente gratos" à equipe de Manchester por permitir que Chu participasse do ensaio. Eles afirmam estar impressionados com o avanço do filho nos últimos meses. Oliver agora produz a enzima que faltava, e seu corpo e cérebro estão saudáveis. "Não quero comemorar antes da hora, mas sinto que deu muito, muito certo", diz Ricky. "A vida dele já não é dominada por agulhas e visitas ao hospital. A fala, a agilidade e o desenvolvimento cognitivo melhoraram de forma drástica. "Não é apenas uma curva lenta e gradual conforme ele cresce, é uma curva que disparou de forma exponencial desde o transplante." O ensaio que quase não aconteceu "Eu andaria até o fim do mundo, de costas, de frente, de cabeça para baixo, descalço, para garantir que meus filhos tenham um futuro melhor", diz Ricky BBC Pesquisadores da Universidade de Manchester, liderados pelo professor Brian Bigger, passaram mais de 15 anos desenvolvendo a terapia genética para a síndrome de Hunter. Em 2020, a universidade anunciou uma parceria com a pequena empresa de biotecnologia americana Avrobio para conduzir um ensaio clínico. Mas, três anos depois, a empresa devolveu a licença à universidade, após resultados insatisfatórios de outro estudo de terapia genética e falta de recursos. O ensaio pioneiro em humanos, que em breve ajudaria Oliver Chu, ficou em risco antes mesmo de começar. Jones conta: "Tivemos que agir rapidamente para tentar salvar a ideia, encontrar outro patrocinador e outra fonte de financiamento." Foi então que a instituição britânica de pesquisa médica LifeArc entrou em cena, fornecendo £2,5 milhões (cerca de R$ 17,5 milhões). A CEO Sam Barrell disse: "Um grande desafio para os mais de 3,5 milhões de pessoas no Reino Unido que vivem com doenças raras é ter acesso a tratamentos eficazes. Atualmente, 95% das condições não têm nenhum." A família Chu se sente aliviada pelo ensaio não ter sido interrompido e agora espera que Skyler, irmão de Chu, também possa se beneficiar da mesma terapia genética no futuro. "Eu andaria até o fim do mundo, de costas, de frente, de cabeça para baixo, descalço, para garantir que meus filhos tenham um futuro melhor", diz Ricky. Reportagem adicional de Nat Wright e Brijesh Patel

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Casa conectada: primeiro chip Matter com NFC promete simplificar conexão entre dispositivos

Publicado em: 25/11/2025 05:40 Fonte: Tudocelular

A STMicroelectronics, desenvolvedora de semicondutores variados, apresentou nesta terça-feira (25) o ST25DA-C, primeiro chip de NFC seguro projetado para operar com dispositivos inteligentes que trabalham no protocolo Matter. Baseado na recém-lançada versão 1.5 do padrão, a novidade promete facilitar a integração de aparelhos às redes de casas conectadas, e deve chegar aos consumidores em 2026.O ST25DA-C é basicamente uma tag NFC dinâmica, que pode ter os dados reprogramados, cujo diferencial é a compatibilidade com comissionamento — a conexão de um aparelho a uma rede de casa conectada — em dispositivos que operam no protocolo Matter 1.5. A novidade promete facilitar esse comissionamento ao permitir que os usuários possam usar o celular para integrar às redes das próprias casas inteligentes aparelhos como lâmpadas, eletrodomésticos, sensores e tomadas através de aproximação usando a tecnologia do NFC.Clique aqui para ler mais

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Hisense traz destaques em TVs, geladeiras e mais para a Black Friday 2025

Publicado em: 25/11/2025 05:10 Fonte: Tudocelular

Comprometida em expandir seu faturamento em território brasileiro, a Hisense iniciou sua campanha de Black Friday 2025 apresentando os principais produtos que estarão em destaque no varejo durante o período. A marca, conhecida por investir em eletrônicos e eletrodomésticos de alta performance, concentra suas apostas em TVs com tecnologias avançadas, uma lava e seca multifuncional e refrigeradores voltados para eficiência e capacidade interna. As ofertas envolvem modelos pensados para consumidores que buscam atualizar a casa com economia, mantendo foco em qualidade de imagem, recursos inteligentes e design contemporâneo. A empresa reforça que o portfólio atende desde quem deseja uma TV compacta até quem procura equipamentos mais robustos para o dia a dia.TVs HisenseA categoria de televisores reúne opções com diferentes tamanhos e tecnologias, todas com foco em contraste aprimorado, cores mais precisas e integração com sistemas inteligentes para streaming.Clique aqui para ler mais

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A tecnologia está a serviço da vida no Hospital GACC

Publicado em: 25/11/2025 05:04

São José dos Campos é conhecida por ser um polo de tecnologia, sede da Embraer, do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e do PIT (Parque de Inovação Tecnológica). Mas você sabia que o Hospital GACC também tem o seu Parque Tecnológico? Único complexo de tratamento multiprofissional especializado em oncologia infantojuvenil do Vale do Paraíba e Litoral Norte, o Hospital GACC tem os mais modernos equipamentos para diagnóstico, tratamento e cirurgias, e se tornou referência no país. Estrutura do Hospital GACC GACC “O hospital está um passo à frente das outras instituições, com os melhores equipamentos disponíveis no mercado, de marcas reconhecidas, para procedimentos de alta complexidade, oferecendo mais precisão, eficiência e segurança”, destaca Thiago da Silva Chaves, engenheiro clínico que atende hospitais de toda a região. O Centro Cirúrgico é equipado com aparelho de anestesia, aspirador ultrassônico, microscópio e foco cirúrgicos que contam com alta tecnologia embarcada e câmera, que permite, por exemplo, conferências em tempo real com médicos de todo o mundo. No Centro de Diagnóstico e Imagem, equipamentos de última geração para ultrassonografia, tomografia e ressonância magnética garantem diagnósticos precisos com agilidade. “O tomógrafo de 128 canais oferece imagens com resolução dez vezes melhor do que os convencionais”, destaca Chaves. Estrutura do Hospital GACC GACC Cuidados que vão do detector de metais nas portas e do sistema de armazenamento e tratamento de medicamentos, até o potente equipamento para ressonância – o mais moderno da região, que custou R$ 6,3 milhões e está em operação há poucos meses –, tornam o local diferenciado, inclusive com inovações como o sistema de som e projeção de imagens, capaz de criar um ambiente mágico na sala de ressonância magnética com tecnologia de imersão virtual, transformando o exame em uma experiência lúdica, com cenários como uma floresta, o mar ou o espaço, e as músicas preferidos das crianças e jovens. A estrutura agiliza o diagnóstico e tratamento dos pacientes oncológicos e de outras especialidades atendidos pela instituição, utilizando recursos audiovisuais para proporcionar uma experiência mais confortável aos pacientes durante os exames. A tecnologia é especialmente importante para o público infantil, reduzindo a necessidade de sedação e tornando o processo mais acolhedor. O Hospital GACC também realiza exames de alta complexidade, como os de NGS (sequenciamento de nova geração), imunohistoquímica, biomolecular, citogenética e perfil de metilação, além de oferecer medicamentos de última geração, alguns deles indisponíveis no mercado nacional, que precisam ser importados. Por dentro da UTI Os cinco leitos de UTI seguem a máxima do Hospital GACC, de oferecer o melhor para seus pacientes. A excelência é comprovada em indicadores como os 15 meses sem registro de casos de infecção de corrente sanguínea, ultrapassando o número de 1.250 pacientes/dia sem esse tipo de intercorrência. O local conta com a tecnologia prisma para diálise e hemodiálise, sala de isolamento com sistema de fluxo de ar, ventiladores pulmonares, equipamentos de alto fluxo para tratamentos respiratórios e sistema de monitoramento, com uma central com acompanhamento 24 horas. Estrutura do Hospital GACC GACC “Para aproveitar todas as funcionalidades, temos uma equipe que passa por treinamentos constantes. Também acompanhamos congressos e eventos, no Brasil e exterior, para conhecer novidades e avaliar tecnologias que possam ser usadas no Hospital GACC”, afirma Chaves. Para manter essa estrutura e equipamentos de ponta, o desafio é garantir recursos o ano todo. “É uma estrutura única, que tem uma manutenção cara, por isso a necessidade de intensificarmos os esforços para obter apoio financeiro com campanhas e doações”, destaca Rosemary Sanz, fundadora e representante institucional do Hospital GACC. Estrutura do Hospital GACC GACC Campanha Árvore da Esperança Com a proximidade do Natal, o espírito de solidariedade ganha força, e a tradição das campanhas de fim de ano consegue beneficiar projetos, instituições e pessoas em situação de vulnerabilidade em toda a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale. No Hospital GACC, a campanha Árvore da Esperança é um exemplo. Em sua terceira edição, ela tem como objetivo arrecadar recursos para garantir o diagnóstico e tratamento de crianças e jovens com câncer de todas as cidades do Vale do Paraíba. Hospital GACC Divulgação Quem doar, além de ajudar centenas de crianças e jovens com câncer de todas as cidades do Vale do Paraíba, Litoral Norte e Serra da Mantiqueira, vai ter uma bolinha personalizada que será pendurada na árvore de Natal do hospital. As doações são feitas diretamente ao hospital, por meio do PIX (e-mail): arvoredaesperanca@hospitalgaccvale.com.br Ao doar o valor, basta enviar o comprovante ao WhatsApp (12) 99798-1698 e escolher os nomes para personalizar as bolinhas. O número de doações por pessoa é ilimitado. É possível obter mais informações no WhatsApp e no Instagram do Hospital GACC. Sobre o Hospital GACC Referência em oncologia infantojuvenil, o Hospital GACC é o único complexo hospitalar infantojuvenil de alta complexidade da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte, a RMVale, para pacientes com câncer entre 0 e 23 anos. Oferece uma estrutura de excelência, com os equipamentos mais modernos para diagnóstico com equipe multidisciplinar especializada, realizando todos os atendimentos de forma gratuita, desde o diagnóstico, passando por todas as fases do tratamento integral, incluindo suporte sociofamiliar, educacional, emocional, recreativo e espiritual. O Hospital GACC participa do St. jude Global, do St. Jude Children's Research Hospital, a maior referência em tratamento e pesquisa em câncer infantojuvenil do mundo. Em 2024, realizou mais de 70 mil exames, 60 mil atendimentos multidisciplinares, 4.700 internações paciente/dia e 1.127 internações paciente/dia na UTI, entre outros. A média de sobrevida de pacientes infantojuvenis com câncer no Hospital GACC é de 71%, enquanto a média nacional é de 64% (fonte: Inca). Diretor Técnico: Dr. Marcelo Milone - CRM 57542

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Rios secos, calor extremo e aulas remotas: mudanças climáticas afetam mais de 436 mil estudantes na Amazônia, diz Unicef

Publicado em: 25/11/2025 05:03

Secas e calor extremo afetam educação na Amazônia Um vídeo mostra dois professores em uma pequena embarcação, conhecida popularmente como "catraia", quebrando ao passar por um braço do rio Jutaí, em Porto de Moz, no oeste do Pará - (assista acima). Os dois tentavam chegar em uma escola, mas o rio, abaixo do nível, enfrentava a seca severa que atingiu a região em outubro deste ano. Este é o mesmo cenário que fez com que 436 mil estudantes ficassem sem aulas por causa de eventos climáticos na Amazônia em 2024, principalmente secas, segundo dados levantados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Professores e especialistas, ouvidos pelo g1, relatam como as mudanças climáticas são sentidas no cotidiano escolar; cheio de obstáculos, com rios secos e calor extremo afetando diretamente o aprendizado e comprometendo o acesso à educação na região. A cidade de Porto de Moz, na mesorregião conhecida como "Baixo Xingu", tem 40,5 mil habitantes e distante quase 1.000 km de Belém. A seca vai além da sala de aula: prejudica a locomoção de estudantes, danifica motores de embarcações que fazem o transporte escolar pelos rios, interrompe aulas e deixa comunidades isoladas, segundo os moradores. O problema também afeta os fornecimentos de água e serviços essenciais. Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp No caso do Pará, as queimadas, alteração nas chuvas e a elevação da temperatura criaram um cenário que especialistas consideram já irreversível no curto prazo. O Unicef também aponta que, somente na região amazônica "mais de 1.700 escolas e mais de 760 centros de saúde foram fechados ou ficaram inacessíveis devido aos baixos níveis de água em 2024". A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), que terminou em Belém no último sábado (22), teve programações paralelas que discutiram como o clima afeta as crianças e adolescentes, principalmente no Brasil. Além disso, crianças e adolescentes atuaram em ações simbólicas pedindo mais proteção ambiental e políticas climáticas voltadas para a infância. "A educação ainda apareceu de forma tímida na COP, mas tem ganhado espaço nas agendas. A expectativa é que haja um avanço mais sólido que traga o tema para o centro da mesa", afirmou Danillo Moura, especialista em clima e meio ambiente do Unicef Brasil. VEJA TAMBÉM: COP30 chega ao fim, aprova acordos e fica sem definição para o 'mapa do caminho' Nesta reportagem você vai ler: Secas de rio afetam Porto de Moz Educação sob calor extremo Impactos não afetam só a Amazônia Tema da educação na COP 🚣🏻‍♀️ Secas de rio afetam Porto de Moz Caminho até escola no município de Porto de Moz Arquivo pessoal Em Porto de Moz, professores relatam que a seca impacta a rotina escolar. As crianças dependem de pequenas embarcações para chegar às aulas, mas a falta de água nos rios torna trechos intrafegáveis durante o verão amazônico, geralmente entre julho e novembro. Jeremias Lobato, professor e coordenador da Escola Municipal Seguidores de Cristo, estava no vídeo sobre o barco que teve o motor quebrado ao passar por um rio seco. Ele explica que é comum os motores sofrerem danos: “As peças são danificadas devido à seca. É consequência direta desse problema climático que estamos vivendo”, afirma. A escola fica em um território quilombola formado por 12 comunidades, onde vivem cerca de 600 famílias. Segundo Jeremias, a comunidade também monitora e combate desmatamento e queimadas, temas discutidos com os estudantes: “queremos formar cidadãos conscientes, responsáveis e que cuidem da nossa casa comum”, diz. Os problemas da seca também afetam outras áreas. Em 2024, a seca provocou falta de água potável, prejudicou a agricultura e dificultou a navegação, um dos principais meios de transporte e escoamento de produtos. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), no dia 15 de outubro de 2024, o Rio Xingu atingiu o menor nível já registrado para o período: 237 centímetros. A professora Leiliane Gonçalves, da Escola São João Batista, do Rio Maruá, também em Porto de Moz contou que devido à seca do rio Xingu, foi necessária uma mudança no calendário escolar dos alunos. "Nós precisamos lidar com a situação para manter a educação". "Optamos por aulas remotas, porque as dificuldades enfrentadas pelos alunos e pelos professores que moram às margens do rio Xingu são muito grandes até chegar à escola. Primeiro, caminhamos por até 20 minutos para alcançar a primeira embarcação. Depois, remamos até o barco, que é o transporte escolar, e só então seguimos o trajeto rumo à escola", conta Leiliane. Professora Leiliane com os alunos no percurso da margem até o transporte escolar. Arquivo pessoal Ainda segundo a professora, as maiores dificuldades enfrentadas por eles são no período do verão amazônico, em que as ondas de calor são muito fortes. As escolas, segundo ela, não têm ventilação suficiente, nem climatização, o que "dificulta o ensino e o aprendizado dos alunos". "Muitas vezes nós, professores, precisamos retirar os alunos de sala e levá-los para debaixo das árvores para respirar um ar mais fresco, porque dentro da escola é muito quente. Às vezes, a gente chega a passar mal, inclusive os alunos, com muitas dores de cabeça, nós professores também. Isso acaba atrapalhando o ensino e a aprendizagem", relata a professora. Gleicieni Lima, técnica da Secretaria de Educação de Porto Moz, Conselheira e Articuladora do Selo Unicef no município, explica que o território é dividido em cinco grandes regiões: Jaurucu, Guajará, Alto Xingu, Baixo Xingu e Acarai. Segundo ela, quando há pouca chuva, todas sofrem bastante com os impactos. Ela explica também que igarapés e o rio do Guajará ficam tomados por "tapumes", no Alto Xingu, onde há aumento dos blocos de areia e as praias ficam cobertas de lama. Já o Jaurucu, região de terra firme, assim como o Acarai, enfrentam uma seca tão intensa que o acesso às casas se torna bastante difícil. O Baixo Xingu, por sua vez, sofre com a entrada das águas do rio Amazonas, uma situação que, segundo ela, piorou muito após a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A Prefeitura de Porto de Moz informou que "tem adotado ações para reduzir os impactos da seca e do calor intenso nas comunidades ribeirinhas e no acesso à educação". Entre as medidas informadas pela prefeitura estão: Instalação de 32 sistemas de tratamento de água e a perfuração de poços em áreas de terra firme; Construção de mais de 1 km de pontes e abertura de canais para melhorar a navegação, inclusive de barcos escolares; Previsão de 49 unidades do programa "Salta-Z", da Fundação Nacional da Saúde (Funasa) que faz tratamento de água em pequenas comunidades, para 2026. Na educação, a prefeitura disse que o município possui 90 escolas rurais e que mais de 50 unidades foram entregues ou revitalizadas na gestão anterior, algumas com energia 24h e climatização. Outras seis já foram inauguradas pela gestão atual, com mais três previstas até 2026, incluindo um Centro de Educação Técnica. A prefeitura também informou que reforçou ações de assistência social, como distribuição de cestas básicas para famílias afetadas pela estiagem, e capacitação de brigadistas para prevenção de queimadas. 🌡️ Educação sob calor extremo Crianças de escola de educação infantil em Porto de Moz, no Pará Arquivo pessoal Para Danillo Moura, especialista do Unicef Brasil e que também atuou como membro do comitê de negociação do Unicef na COP 30, o "impacto das mudanças climáticas sobre as crianças, de forma geral, e sobre a educação, de forma específica, é ainda maior em comunidades mais vulneráveis". Ele explica que, ao observar os efeitos da seca histórica registrada em 2024, "fica claro que as populações mais afetadas são comunidades isoladas, como as ribeirinhas, indígenas, quilombolas e tradicionais, que já têm acesso mais difícil e tiveram o direito à educação especialmente prejudicado". “Nessas comunidades, muitas vezes é do rio que depende a ida e a volta da escola, ou até mesmo a chegada do professor para dar aula. Quando o rio não oferece condições de navegação por causa da seca, não é só a educação que fica comprometida, mas uma série de outros direitos fundamentais”, afirma Moura. Ainda de acordo com o especialista, os danos à educação na Amazônia "resultam da destruição da floresta associada às mudanças climáticas". “As queimadas intensas, mudanças nos padrões de chuva, secas duradouras e o aumento da temperatura média criam um ciclo vicioso que afeta diretamente a vida de crianças e adolescentes”, explica. O impacto, segundo ele, é ainda mais forte nas crianças porque: são fisiologicamente mais vulneráveis ao calor extremo, regulam menos a temperatura corporal, e respiram, comem e bebem mais por unidade de massa corporal, ficando mais expostas à contaminação de ar, água e alimentos. Além das doenças que tendem a aumentar, como infecções respiratórias e diarreias, o calor intenso dentro das escolas prejudica a capacidade de concentração. Moura afirma que estudos mostram queda significativa no raciocínio e na memorização quando a temperatura ultrapassa 32 ºC a 35 ºC. “Não é que a aula simplesmente deixa de ocorrer. Muitas vezes ela acontece, mas o aprendizado é limitado pelo desconforto térmico e pela infraestrutura inadequada”, diz. 🌎 Impactos não afetam só a Amazônia A situação no Pará reflete um cenário global. Segundo o estudo "Aprendizagem Interrompida: Panorama Global das Interrupções Escolares Relacionadas ao Clima em 2024", do Unicef, mais de 242 milhões de crianças e adolescentes tiveram aulas interrompidas por emergências climáticas em 2024 no mundo. Outros dados apontados: 1,17 milhão de estudantes ficaram sem aulas por causa de eventos climáticos em 2024 no Brasil; a média nacional de dias letivos perdidos passou de 5 em 2023 para 10 em 2024; 77% delas não tinham plano de emergência; 90% nunca realizaram simulações de risco; 57,6% dos alunos do ensino médio estudam em áreas com baixa resiliência a enchentes; 8 milhões frequentam escolas vulneráveis à seca no Brasil. Como os dados foram levantados? De acordo com o UNICEF, os eventos climáticos pelo mundo foram identificados a partir do Banco de Dados de Eventos de Emergência (EMDAT) e ao arquivo do Projeto de Capacidades de Avaliação (ACAPS). Foram 181 eventos climáticos registrados entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2024. Parte desses eventos causaram interrupções nas aulas, apontadas em relatórios do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), do ReliefWeb e de outros veículos de comunicação. A pesquisa identificou 85 países e 119 eventos climáticos extremos que levaram a interrupções nas aulas. 📗 Tema da educação na COP Cúpula das Infâncias reúne cerca de 400 crianças na COP A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 30) realizada em Belém em novembro deste ano, foi marcada pela forte participação popular e por uma série de programações paralelas que mobilizaram movimentos sociais, coletivos e moradores da cidade. Entre os momentos que ganharam destaque esteve a atuação de crianças e adolescentes, que organizaram ações simbólicas e fizeram pedidos por mais proteção ambiental e políticas climáticas voltadas para a infância. Durante a Cúpula das Infâncias, na Universidade Federal do Pará (UFPA), como programação paralela à COP, cerca de 400 crianças e adolescentes de diversas regiões apresentaram uma carta em que relatam como vivem os efeitos da crise climática no cotidiano. Vindos de bairros quentes, ilhas, comunidades ribeirinhas, territórios indígenas e quilombolas, eles descreveram salas de aula sem ventilação, ruas empoeiradas, falta de sombra e dias tão quentes que provocam dor de cabeça, tontura e até sensação de desmaio. No documento, afirmaram que decidiram escrever a carta para que “o mundo escutasse” o que sentem no corpo e enfrentam todos os dias, em um cenário onde brincar, estudar e até circular pelas comunidades se torna cada vez mais difícil diante do calor extremo. Moura explica que sobre as COPs, a educação não é um dos temas centrais, já que as conferências têm como foco principal a redução de emissões, a transferência de tecnologia e o financiamento climático. Ainda assim, ele destaca que o tema aparece de diferentes maneiras, sobretudo por meio da agenda conhecida como ACE, a Action for Community Empowerment, que reúne iniciativas voltadas à educação ambiental e climática dentro do processo de negociação. Segundo ele, há um esforço recente para fortalecer essa pauta. Um dos resultados esperados da COP 30 foi o avanço no Global Goal on Adaptation (DGA), para definir indicadores globais a fim de monitorar a adaptação nos próximos anos. "Na COP do ano passado, já houve uma tentativa de garantir que a educação estivesse entre esses indicadores, considerando tanto a adaptação do setor educacional quanto a necessidade de preparar sistemas de ensino para impactos climáticos", relata o especialista. O que diz o governo Questionada sobre estudantes que ficaram sem aulas em escolas afetadas por eventos de secas e enchentes, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que "o Sistema de Organização Modular de Ensino (Some) e o Sistema de Organização Modular de Ensino Indígena (Somei) são modalidades desenvolvidas para garantir atendimento escolar em áreas remotas e em comunidades indígenas do Pará" e que ambos "estão presentes em 22 Diretorias Regionais de Educação (DREs), alcançando 81 escolas, sendo 69 unidades do Some e 12 do Somei, atendendo aproximadamente 24.421 mil estudantes". "A Secretaria oferta educação mediada por tecnologia por meio do Centro de Mídias da Educação Paraense (CEMEP), que leva o ensino médio a regiões rurais, ribeirinhas e de difícil acesso. O CEMEP abrange 54 municípios, atendendo 354 localidades, com 775 turmas de ensino médio distribuídas entre os turnos da manhã, tarde e noite, beneficiando mais de 13 mil estudantes em todo o estado", afirma a nota. Ainda na nota, a Seduc disse que também "atua no apoio ao transporte escolar, disponibilizando ônibus escolares em diversos municípios, assegurando o acesso dos estudantes às unidades de ensino". Vídeos com as principais notícias do Pará

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