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6 conselhos de especialistas sobre como falar com a IA para obter as melhores respostas

Publicado em: 22/03/2026 05:01

Alguns estudos sugerem que ser educado com a IA gera respostas melhores; outros apontam o contrário Getty Images via BBC Quando um grupo de pesquisadores decidiu testar se o "pensamento positivo" tornava os chatbots de inteligência artificial (IA) mais precisos, os resultados foram surpreendentes. Ao fazer perguntas a vários chatbots, eles tentaram chamar as IAs de "inteligentes", incentivá-las a pensar com cuidado e até terminar as perguntas com "isso vai ser divertido!". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Nada disso fez diferença de forma consistente, mas uma técnica se destacou. Quando pediram que a inteligência artificial fingisse estar em Star Trek – Jornada nas Estrelas, ela passou a se sair melhor em matemática básica. As pessoas usam todo tipo de estratégia curiosa para tentar obter respostas melhores de grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês), a tecnologia de IA por trás de ferramentas como o ChatGPT. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' Alguns juram que a IA responde melhor se for ameaçada; outros acreditam que os chatbots são mais cooperativos quando os tratamos com educação; e há quem peça aos robôs que interpretem o papel de especialistas no tema sobre o qual estão trabalhando. A lista é interminável. Isso faz parte da mitologia em torno da "engenharia de prompts" ou "engenharia de contexto", diferentes maneiras de estruturar instruções para que a IA produza resultados melhores. O problema é que especialistas dizem que muito do que se acredita sobre como formular prompts simplesmente não funciona. Em alguns casos, pode até ser perigoso. Ainda assim, a forma como você fala com uma IA importa, e algumas técnicas realmente fazem diferença. "Muitas pessoas acreditam que há uma combinação mágica de palavras capaz de fazer os LLMs resolverem um problema", afirma Jules White, professor de ciência da computação que pesquisa IA generativa na Universidade Vanderbilt (EUA). "Mas a questão não é a escolha das palavras, e sim a maneira como você formula o que está tentando fazer." Cuidado com as maneiras? Em 2025, um usuário do X (ex-Twitter) escreveu: "Fico imaginando quanto dinheiro a OpenAI já perdeu em custos de eletricidade por causa de pessoas dizendo 'por favor' e 'obrigado' aos modelos". Sam Altman, diretor-executivo da OpenAI, criadora do ChatGPT, respondeu: "Dezenas de milhões de dólares muito bem gastos. Nunca se sabe". A maioria das pessoas interpretou essa resposta como uma referência bem-humorada à possibilidade de um eventual apocalipse da IA, embora seja difícil saber até que ponto esse número de "dezenas de milhões de dólares" deve ser levado ao pé da letra. Mas a educação também é uma questão prática. Os grandes modelos de linguagem (LLMs) funcionam dividindo suas palavras em pequenos blocos chamados "tokens", antes de analisá-los com base em estatísticas para gerar uma resposta adequada. Isso significa que cada detalhe do que você escreve, da escolha das palavras a uma vírgula extra, pode influenciar a forma como a IA responde. O problema é que isso é extremamente difícil de prever. DeepSeek, ChatGPT e Gemini: qual é a melhor inteligência artificial? Diversos estudos já tentaram identificar padrões em pequenas mudanças nos prompts usados com IA, mas muitas das evidências são contraditórias ou inconclusivas. Por exemplo, um estudo de 2024 constatou que LLMs deram respostas melhores e mais precisas quando as perguntas eram feitas de forma educada, em vez de apenas como comandos. De forma ainda mais curiosa, houve diferenças culturais. Em comparação com o chinês e o inglês, chatbots que se comunicavam em japonês tiveram um desempenho ligeiramente pior quando o usuário era excessivamente educado. Mas não saia correndo para agradecer à IA. Um pequeno teste mostrou que uma versão anterior do ChatGPT era, na verdade, mais precisa quando recebia insultos. E, no geral, ainda não há pesquisas suficientes sobre o tema para conclusões definitivas. Além disso, empresas de tecnologia atualizam constantemente seus chatbots, o que faz com que os resultados de estudos fiquem rapidamente desatualizados. Especialistas afirmam que os modelos de IA evoluíram drasticamente em poucos anos, tornando estratégias como bajular, ser educado, insultar ou ameaçar praticamente uma perda de tempo se o objetivo for obter respostas mais precisas. Ferramentas de IA são imitadoras, não seres vivos. Elas apenas simulam o comportamento humano Getty Images via BBC "Era 100% um tiro no escuro naquela época", diz Rick Battle, engenheiro de aprendizado de máquina aplicado da Broadcom e coautor do estudo sobre Star Trek. Embora o estudo tenha sido realizado em 2024, as coisas já mudaram. Hoje, Battle e outros especialistas afirmam que os modelos de IA mais recentes encontrados em produtos populares como ChatGPT, Gemini ou Claude conseguem identificar melhor as partes mais importantes do prompt. Provavelmente não serão influenciados por pequenas mudanças na linguagem, pelo menos não de forma consistente que possa ser explorada. A conclusão é inquietante à sua maneira. Empresas projetam IAs como o ChatGPT ou o Gemini, do Google, para se comportarem como pessoas, por isso às vezes parecem ter humores que podem ser administrados ou personalidades que podem ser direcionadas. Mas não se engane. Ferramentas de IA são imitadoras, não seres vivos. Elas apenas simulam o comportamento humano. Se você quer respostas melhores, pare de tratar a IA como uma pessoa e comece a tratá-la como uma ferramenta. Como falar com seu chatbot Existem problemas reais relacionados à inteligência artificial, desde preocupações éticas até o impacto ambiental que ela pode causar. Algumas pessoas preferem não usar essa tecnologia. Mas, se você vai utilizar modelos de LLMs, aprender a conseguir o que quer de forma mais rápida e eficiente pode ser melhor para você, e também para o consumo de energia. Estas 6 dicas podem ajudar. Se você quer respostas melhores, pare de tratar a IA como uma pessoa e comece a tratá-la como uma ferramenta Getty Images via BBC 1. Peça várias opções "A primeira coisa que digo às pessoas é: não peça apenas uma resposta, peça três ou cinco", afirma White. Se você quer ajuda com um texto, por exemplo, peça que a IA apresente várias opções que variem em algum aspecto importante. "Isso faz com que a pessoa volte a se envolver e pense sobre o que gosta e por quê." 2. Dê exemplos Sempre que possível, forneça um exemplo para a IA. "Por exemplo, vejo pessoas pedirem a um LLM para escrever um email e depois ficarem frustradas porque dizem: 'isso não soa nada como eu'", diz White. O impulso natural é responder com uma lista de instruções de "faça isso" ou "não faça aquilo". White afirma que é muito mais eficaz dizer: "aqui estão 10 emails que enviei no passado, use meu estilo de escrita". 3. Peça uma entrevista "Digamos que você queira criar uma descrição de vaga de emprego. Diga à IA: 'Quero que você me faça perguntas, uma de cada vez, até reunir informações suficientes para escrever um anúncio de emprego convincente'", diz White. "Fazendo isso pergunta por pergunta, ela pode se adaptar às suas respostas." O impulso natural é dar à IA uma lista de instruções ("faça isso" e "não faça aquilo"), mas é melhor fornecer exemplos Getty Images via BBC 4. Tenha cuidado com encenações de papel "Antes havia a ideia de que, se você dissesse à IA que ela é, por exemplo, um professor de matemática, ela teria mais precisão ao responder perguntas de matemática", afirma Sander Schulhoff, empreendedor e pesquisador que ajudou a popularizar o conceito de engenharia de prompts. Mas se você está buscando uma informação ou quer fazer uma pergunta com uma única resposta correta, Schulhoff e outros especialistas dizem que esse tipo de encenação pode tornar os modelos de IA menos precisos. "Isso pode até ser perigoso", afirma Battle. "Você está incentivando a chamada alucinação, porque diz ao sistema que ele é um especialista e deve confiar em seu conhecimento interno parametrizado." Em essência, isso pode fazer a IA parecer excessivamente confiante. Por outro lado, para tarefas abertas, sem uma única resposta correta, a encenação pode ser eficaz, como em pedidos de conselho, sessões de brainstorming ou na resolução criativa de problemas. Se você está nervoso com entrevistas de emprego, pedir a um chatbot que imite um recrutador pode ser um bom treino, embora seja importante consultar outras fontes também. Se você está nervoso com uma entrevista de emprego, pedir a um chatbot que imite um gerente de contratação pode ser um bom treino Getty Images via BBC 5. Mantenha a neutralidade "Não conduza a resposta", diz Battle. Se você está tentando decidir entre dois carros, por exemplo, não diga que está inclinado a escolher um Toyota. "Caso contrário, essa provavelmente será a resposta que você vai receber." 6. 'Por favor' e 'obrigado' Segundo uma pesquisa do Pew Research Center, de 2019, mais da metade dos americanos diz "por favor" ao falar com seus assistentes de voz. Essa tendência parece ter continuado. Um levantamento de 2025 da editora Future mostrou que 70% das pessoas são educadas com a IA quando a utilizam. A maioria afirma que age assim simplesmente porque é o correto a fazer, embora 12% digam que fazem isso para se proteger no caso de uma revolta de robôs. A educação talvez não proteja ninguém de robôs furiosos nem torne os LLMs mais precisos, mas há outros motivos para continuar agindo assim. "Para mim, o principal é que dizer 'por favor' e 'obrigado' pode fazer com que você se sinta mais confortável ao interagir com a IA", diz Schulhoff. "Isso não melhora o desempenho do modelo, mas, se ajuda você a usar o sistema com mais frequência porque se sente mais à vontade, então é útil." Também é preciso considerar a própria natureza humana. O filósofo Immanuel Kant argumentava que uma das razões para não sermos cruéis com os animais é que isso também nos prejudica. Em essência, agir de forma hostil com qualquer coisa pode tornar a pessoa mais dura. Você não pode ferir os sentimentos de uma IA, porque ela não tem sentimentos. Ainda assim, talvez valha a pena ser educado. É um hábito que pode trazer benefícios para outras áreas da sua vida. *Você pode ler a versão original deste artigo, em inglês, na BBC Future.

Por dentro do mundo dos 'preppers', as pessoas que se preparam para o colapso da civilização

Publicado em: 22/03/2026 05:01

Leigh Price diz que viver em uma sociedade em que é possível receber compras de supermercado na porta de casa tornou as pessoas menos preparadas para desastres BBC Quando eu comecei a explorar o mundo do prepping (preparação para emergências, em tradução livre), não sabia o que esperar. Parte de mim imaginava algo teatral, como kits para apocalipse zumbi ou bunkers nucleares. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Mas, ao me aventurar pelo interior da região central do País de Gales, ficou claro que eu havia caído em estereótipos. Leigh Price, 51, de Builth Wells, disse que não estava se preparando para hordas de zumbis vagando pelos arredores, como muitos poderiam supor, mas para ameaças muito mais reais. "Todo mundo acha que um prepper [indivíduo que se prepara para grandes catástrofes] é algum tipo de maluco de chapéu de alumínio. Não me entenda mal, há alguns por aí. Mas muitos dos estereótipos sobre preppers vêm dos Estados Unidos; no Reino Unido, é totalmente diferente." Vim descobrir do que eu precisaria exatamente para sobreviver se a civilização colapsasse BBC Prepping é um movimento global de pessoas que se preparam para a eventualidade de que a sociedade venha a colapsar parcial ou totalmente. Isso geralmente envolve manter um estoque de alimentos e aprender habilidades necessárias para se virar por conta própria. Price, pai de três filhos, serviu no Exército, mas hoje administra uma loja especializada para preppers e oferece cursos de sobrevivência. Veja os vídeos em alta do g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Cercado por árvores na zona rural de Powys, no País de Gales, o local é um ambiente tranquilo para uma loja que tinha todo o equipamento que se pode imaginar para sobreviver ao fim da civilização, incluindo balestras (arma antiga semelhante a um arco, por vezes conhecida como besta) e paredes cobertas de facas. LEIA TAMBÉM: 'Estado 51, alguém?': após mirar Canadá, Groenlândia e Cuba, Trump sugere dar à Venezuela status de estado dos EUA "Algumas pessoas estão se preparando para o fim do mundo, um ataque nuclear ou seja lá o que for, e eu sempre digo: 'olha, quando se trata de um ataque nuclear, não é impossível, mas é altamente improvável'", diz Price. "É melhor você se preparar para as coisas que têm mais probabilidade de acontecer." A loja de preppers de Price é cercada por árvores por todos os lados, com cabanas de glamping (camping com conforto, em tradução livre) escondidas na floresta BBC Price disse: "O mundo está ficando um pouco mais perigoso. A instabilidade social está no limite. Há algumas coisas acontecendo no mundo, nações contra nações." A lista de possíveis ameaças dele inclui ataques cibernéticos que "podem derrubar a rede elétrica nacional", interrompendo todos os aspectos da vida moderna. "Se isso derrubar as redes elétricas, voltamos à Idade da Pedra. Pelo menos por alguns dias", disse Price. "Você pode imaginar então que, quando as pessoas entram em pânico, tendem a fazer coisas desesperadas. "O pior cenário que pode acontecer é as pessoas começarem a saquear as casas dos outros, haverá brigas, incêndios... Então, como você se prepararia para isso?" A água é outro item básico ao qual todos deveriam ter acesso em uma emergência, diz Price BBC Eu havia presumido que poderia simplesmente pegar meu kit de primeiros socorros e minha barraca e correr para as colinas em um cenário assim, até Price me dizer que esse é o maior erro que as pessoas cometem. "Elas acham que poderiam sobreviver como Rambo na natureza, mas, depois de alguns dias de vento, chuva e frio, vão pensar duas vezes", disse. A chave é defender o seu local ou se deslocar para um mais seguro, como a casa de um amigo, afirmou Price. Ele disse ainda que muitas pessoas acreditam que os preppers têm bunkers cheios de armas e munição, mas, na realidade, são "pessoas comuns do dia a dia, de todas as origens e de todos os espectros políticos", que têm o suficiente do básico para sobreviver por semanas sem precisar de supermercados ou do governo. Para avaliar em que nível eu estava em termos de preparação, Price me submeteu a um teste. Depois de fazer várias perguntas sobre o meu estoque de alimentos, água e kits de primeiros socorros, ele disse que eu havia tirado 7/10. Aparentemente, estar acostumado a fazer compras grandes por ter crescido na zona rural da Cornualha e ter equipamentos de acampamento faz com que você esteja razoavelmente preparado. Mas, para aumentar a minha pontuação, precisaria comprar um kit de primeiros socorros melhor, um filtro de água e mais comida, muito mais comida. Leigh Price diz que alguns preppers acumulam equipamentos que nunca usarão e que é melhor se ater ao básico BBC Influência da pandemia Price disse que sempre esteve preparado para emergências, mas considera isso apenas bom senso. Ele abriu parcialmente a loja após a pandemia de covid-19, para poder se preparar caso algo semelhante voltasse a acontecer, depois de ter de fechar seu negócio anterior. "Pensei: 'bem, vou fazer algo em outro lugar, mesmo que isso aconteça de novo', [assim] eu ainda poderia manter um negócio e sustentar a minha família." Administrar a loja permite que ele compre seu próprio equipamento de prepping a preços de atacado. Ele disse que não poderia "nem arriscar um palpite" sobre quanto já gastou se preparando, mas acha que pode ter sido "algumas milhares de libras". Ele acrescentou que não é obcecado por prepping e passa apenas cerca de uma hora por semana verificando se seu equipamento está em boas condições. Uma das principais coisas a se armazenar é comida, diz Price BBC As lojas de Price são úteis para todos os tipos de emergência, ele disse, e por viver em uma área rural, ele obtém água de um poço artesiano, o que significa que um eventual apagão não apenas apaga as luzes, mas também impede o acesso à água potável, a menos que seja possível purificá-la. O que, é claro, ele consegue fazer, já que possui uma bomba com filtro de água para acessar essa reserva subterrânea por meio do poço. "Eu não me preparo para uma coisa específica, por assim dizer. Sempre penso que, se você está devidamente preparado e tem tudo organizado em casa, não importa o que aconteça, você consegue lidar com isso." Isso significa uma abordagem diferente dependendo de onde você está. Por exemplo, em uma viagem a Londres, na Inglaterra, Price disse: "Eu sempre teria um kit de primeiros socorros, não importa para onde eu vá. Provavelmente teria algum tipo de lenço, se houver, por exemplo, um incêndio, você pode cobrir a boca com ele. Uma lanterna, caderno e caneta, um bom casaco impermeável." Price disse que uma das coisas que recomenda é encontrar uma comunidade: "Prosperamos como espécie humana vivendo juntos; ninguém vai sobreviver sozinho fugindo para a natureza. Em uma situação extrema, é melhor trabalharmos juntos." Há três anos, havia apenas um encontro de preppers no País de Gales, mas agora eles acontecem regularmente em todo o país, disse Price. Donna Lloyd disse que recomenda às pessoas com orçamento limitado que comecem simplesmente comprando uma lata de comida extra ao fazer compras de alimentos Donna Llyod via BBC Donna Lloyd, 60, também acredita na criação de uma comunidade. Ela administra uma página no Facebook sobre prepping e começou a reunir suprimentos depois que a sua eletricidade caiu durante o lockdown da pandemia. Ela e sua esposa, que vivem em Powys, no País de Gales, não conseguiram fazer uma xícara de chá, então um amigo foi até a casa delas com um fogareiro de acampamento para ferver água. "Foi como aquele momento de estalo, eu me senti meio vulnerável e um pouco boba", disse. "Pensei: 'bem, eu posso comprar um fogareiro de acampamento. Eu posso fazer isso'." Lloyd, que já trabalhou nas Forças Armadas, mas hoje atua na área de educação, armazena água, alimentos enlatados, comida liofilizada, chá, café, leite em pó e um kit de primeiros socorros. Assim como Price, Lloyd não está se preparando para algo específico, apenas tem consciência de que alguma coisa pode acontecer. Lloyd disse que saber fazer fogo provavelmente não será necessário, mas pode aumentar a confiança de uma pessoa Donna Llyod via BBC Ela acredita que há um estereótipo sobre como é um prepper, mas, na prática, existe um espectro. Desde aqueles que têm seus próprios abrigos antinucleares até os que apenas carregam lanternas na bolsa, ela disse: "Eu fico em algum ponto no meio." O universo do prepping pode ser bastante reservado, afirmou, variando de "armazenar suprimentos de forma discreta a um isolamento completo de 'lobo solitário', muitas vezes para evitar estigma e rotulações", enquanto outros se concentram na construção de comunidade. Mas Lloyd disse que essa mentalidade não a impede de levar uma vida normal, e ela ainda tira férias. "Há maneiras de se preparar, de modo que, mesmo estando longe do que você normalmente carrega, ainda seja possível utilizar ou improvisar com o que tiver", disse Lloyd. "Algo que levo comigo o tempo todo é uma pequena ferramenta de sobrevivência no formato de cartão, com diferentes funções, como chave de fenda e abridor de garrafas." Ela disse que outra forma de se sentir mais confiante é aprender a fazer fogo. Lloyd continua: "Não se trata necessariamente de fazer fogo, mas da habilidade de identificar os elementos que ajudam você a acendê-lo. "Ajudar você, como pessoa, a ter confiança, a se sentir mais no controle, mais capaz de lidar com situações e mais consciente do seu ambiente." Ela afirmou que não faz isso por diversão, o prepping a ajuda a se sentir mais confiante e segura. Esse sentimento é compartilhado por Price: "Tendo esses suprimentos iniciais, você vai se sentir um pouco melhor do que alguém que não tem absolutamente nada. Um bom ditado no prepping é: 'é melhor ter e não precisar do que precisar e não ter.'"

Palavras-chave: cibernético

Secretário municipal assassinado recebia ameaças de facção por atuação da polícia na cidade, diz família

Publicado em: 22/03/2026 05:00

Vídeo mostra momento em que secretário municipal é morto a tiros no interior do Ceará A família do secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, morto a tiros na manhã da última quinta-feira (19), contou à Polícia Civil que já vinha sendo ameaçada por uma liderança do Comando Vermelho. O chefe da facção exigia que a família usasse sua influência política para reduzir a atuação da Polícia Militar na cidade. A investigação aponta que o assassinato do secretário foi ordenado por Wesley Pereira Balbino, conhecido como "Guaxinim", responsável pelo tráfico de drogas na cidade. Ele é considerado uma liderança do Comando Vermelho e está foragido no Rio de Janeiro, de onde arquitetou a trama e recrutou os criminosos envolvidos na execução. ➡️Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Entre 2024 e 2025, vários criminosos subordinados a Wesley foram presos no município. Ele e o irmão, Uesclei Pereira Balbino, conhecido como "Gringo", deixaram a cidade por causa da atuação da Polícia Militar, em especial do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio). Além de Secretário de Administração do município, Ricardo Abreu é pai do vereador Júnior Abreu, atual presidente da Câmara de São Luís do Curu, e tio do atual prefeito do município, Tiago Abreu. Ele também foi vereador da cidade por dois mandatos. O criminoso acreditava que a influência política do secretário tivesse contribuído para ações do Raio, prejudicando a facção criminosa na cidade. Em depoimento que consta no inquérito policial, ao qual o g1 teve acesso, um dos filhos de Ricardo Abreu relata que Wesley "Guaxinim" passou a mandar mensagens para a família, exigindo que eles usassem sua influência na gestão municipal para impedir que os policiais do Raio continuassem atuando no município. Vídeo mostra chegada e fuga de suspeitos após execução de secretário no interior do Ceará. LEIA MAIS: Assassinato de secretário municipal no Ceará foi ordenado por chefe de facção foragido no Rio de Janeiro Mulheres presas por envolvimento em assassinato de secretário municipal estavam monitorando vítima há 2 dias Ameaças e morte de irmão Conforme o depoimento ao qual o g1 teve acesso, o secretário e a família vinham recebendo ameaças, pelo menos, desde a campanha eleitoral de 2024. Na ocasião, o carro de Ricardo chegou a ser alvejado por tiros de arma de fogo, mas ele teria optado por não fazer boletim de ocorrência por temer uma represália. Em agosto de 2025, a fachada da casa do vereador Júnior Abreu, filho de Ricardo, foi atacada a tiros. Pouco depois, o político teria recebido uma mensagem alertando que se o Raio não saísse de São Luís do Curu, os tiros em breve seriam no próprio vereador. À autoridade policial, o depoente disse que à época foi orientado a registrar um boletim de ocorrência, mas temia que, caso se envolvessem em um processo contra Wesley Guaxinim, acabariam mais expostos. Ainda conforme o depoimento da família, no fim de dezembro de 2025, Guaxinim teria dito que se o RAIO continuasse prendendo o pessoal dele na cidade, ele iria matar Ricardo Abreu. Esta última ameaça levou a família a registrar um boletim de ocorrência na primeira semana de janeiro de 2026. A família acredita que um ponto de virada no comportamento de Wesley foi a morte do irmão dele, o Uesclei "Gringo", durante uma intervenção policial no dia 12 de março, em Fortaleza. Cinco dias após o irmão ser morto, Wesley entrou em contato com as duas mulheres que ficaram responsáveis por monitorar Ricardo e, posteriormente, repassar aos atiradores o paradeiro dele. Além da morte de Uesclei, a polícia prendeu José Igor Sousa Meneses, o "Keka", apontado como braço direito de Guaxinim em São Luís do Curu. Os últimos acontecimentos teriam sido o estopim para que Guaxinim ordenasse a morte do secretário municipal. Contato antes do crime Entre os suspeitos recrutados por Wesley, estão Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos e Gleiciane Barbosa Diniz, de 24 anos, que monitoraram Ricardo Abreu por dois dias e avisaram aos comparsas sobre o momento em que o secretário estava no comércio. Câmeras de segurança registraram as duas mulheres passando de moto pelo depósito de construção da vítima antes e durante o crime. Elas foram presas nesta sexta-feira (20), em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. Elas passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões em flagrante convertidas em prisões preventivas. Câmeras de segurança registraram Gleiciane Barbosa Diniz, de 24 anos (condutora) e Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos (passageira) seguindo o secretário municipal antes de ele ser executado. Reprodução Dois dias antes do assassinato de Ricardo Abreu, Wesley Guaxinim entrou em contato com Laila pelo WhatsApp. A jovem já havia namorado um dos integrantes da mesma facção criminosa, que atualmente está preso. Nessas mensagens, Wesley mandou Laila "ficar de olho em Ricardo Abreu e avisar quando ele estivesse pelo depósito". Um vídeo registrado por câmeras de segurança na parte externa do imóvel mostra quando um carro prata para em uma rua na lateral do estabelecimento, antes do crime. Em seguida, os dois criminosos descem do veículo, enquanto o motorista permanece no carro. Imagens das câmeras de segurança mostram o secretário dentro do comércio conversando com dois homens - um dos filhos e de conhecido - quando os suspeitos encapuzados entram no local e efetuam diversos disparos. Tão logo os suspeitos desceram do carro, Laila e Gleiciane subiram na moto e fugiram do local do crime. Após os disparos, os atiradores correm de volta em direção ao automóvel. O motorista então arranca, e os dois entram no carro já em movimento antes da fuga. Após a conversa, Laila destruiu o chip que usou para falar com Wesley e seguiu para a casa da mãe de Gleiciane, onde as duas tomaram café da manhã. Ao ver a movimentação da polícia na cidade, elas fugiram para Caucaia, onde acabaram presas. Sítio invadido e família feita refém Dois criminosos mataram o secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso. Reprodução Horas antes de matar o secretário, um grupo, formado por cerca de cinco indivíduos, invadiu um sítio e rendeu os moradores, passando a aguardar as informações sobre o paradeiro da vítima, que foram colhidas por Laila e Gleiciane. Depois de receberem informações sobre a exata localização da vítima, quatro suspeitos pegaram o carro de um dos reféns para ir até o depósito. Enquanto isso, um criminoso permaneceu no sítio, para garantir que os reféns não pudessem pedir ajuda. Depois do crime, os suspeitos fugiram e o veículo roubado foi abandonado. Quem era a vítima Ricardo Abreu foi vereador, presidente da Câmara Municipal e presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Luís do Curu. Ele é pai do vereador Júnior Abreu, atual presidente da Câmara Municipal. O atual prefeito e sobrinho de Ricardo, Tiago Abreu, publicou uma nota de pesar e destacou a dedicação do tio ao serviço público e o compromisso com a população. Segundo ele, Ricardo era reconhecido pelo respeito e senso de responsabilidade no exercício das funções. Secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, foi morto a tiros no depósito de construção de sua propriedade. Reprodução “Que sua trajetória seja lembrada com carinho, respeito e gratidão. Seu legado permanecerá vivo entre nós”, diz trecho da nota. O velório e enterro de Ricardo ocorreram na tarde desta sexta-feira (20). Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

Palavras-chave: câmara municipal

PlayStation terá tecnologia de IA para melhorar desempenho de jogos

Publicado em: 22/03/2026 04:28 Fonte: Tudocelular

A Sony iniciou o desenvolvimento de uma tecnologia de geração de quadros baseada em inteligência artificial para a plataforma PlayStation. O anúncio ocorreu durante entrevista do arquiteto-chefe de sistemas da divisão, Mark Cerny. O executivo confirmou o funcionamento da novidade em uma colaboração direta com a fabricante de hardware AMD, para implementar o recurso em futuras atualizações de software do console.O objetivo central da iniciativa consiste no aumento da taxa de quadros por segundo sem a necessidade de componentes físicos mais potentes. A tecnologia utiliza aprendizado de máquina para criar imagens intermediárias entre os quadros renderizados, o que resulta em uma fluidez visual superior com menor consumo de processamento bruto.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Preconceito: pesquisa mostra que muitos acham que quem passou dos 50 não combina com as últimas tendências da moda

Publicado em: 22/03/2026 04:02

Quem passou dos 50 anos não fica bem usando os últimos lançamentos da moda – é o que aponta uma nova pesquisa da organização britânica Centre for Ageing Better (Centro para Envelhecer Melhor). A instituição acaba de lançar a terceira edição de Age Without Limits (Idade Sem Limites), sua campanha anual contra o etarismo. Preconceito: muitos acham que quem passou dos 50 não combina com as últimas tendências da moda Age without limits Para dois terços dos 4 mil entrevistados, as pessoas deveriam abrir mão de seguir as tendências da moda por volta dos 56 anos. Pior: para um em cada dez participantes do levantamento, o “limite” de idade seria aos 40! No campo profissional, as notícias também não são positivas: aos 55 anos, um candidato a emprego deixaria de ser considerado “desejável”. A pesquisa destaca atitudes idadistas em relação às habilidades tecnológicas e à qualidade da função cerebral à medida que as pessoas envelhecem, revelando que: Tecnologia: a idade média em que os entrevistados imaginam que alguém tem dificuldade em se adaptar a novas tecnologias é aos 61 anos, embora os dados mostrem que quem passou dos 70 fica mais tempo on-line do que qualquer outra geração, exceto a Z (os nascidos entre 1995 e 2010). Declínio cognitivo: há uma crença de que ele começa aos 63 anos. Isso é três anos antes da ocorrência do chamado “envelhecimento precoce” do cérebro e mais de 20 anos antes do envelhecimento tardio. O levantamento apresenta ainda diferenças interessantes na probabilidade de atitudes etaristas dependendo das faixas etárias: A faixa etária com maior probabilidade de pensar que alguém deixa de ser um candidato desejável na faixa dos 50 anos foi a compreendida entre os 45 e 54 anos (41%) – possivelmente, um reflexo do idadismo que esse próprio grupo vivencia no mercado de trabalho. No grupo entre 45 a 54 anos, 23% acreditam que o declínio cognitivo começa aos 50 anos. Já na faixa de 55 a 64 anos, o índice cai para 13%: novamente, um possível indicador de que tais receios não se confirmam quando se chega à idade mais avançada. “Esse é um preconceito contra o nosso eu futuro, pois todos esperamos envelhecer um dia. O idadismo restringe o trabalho, a saúde, os relacionamentos, a ambição e a confiança. Em última análise, determina quais vidas são consideradas dignas de atenção”, afirmou Carole Easton, diretora executiva do Centre for Ageing Better. Moda pode fazer com que idosos tenham uma qualidade de vida melhor

Palavras-chave: tecnologia

Vídeos de leitura labial de famosos viralizam e irritam até realeza britânica; especialistas alertam sobre riscos

Publicado em: 22/03/2026 04:01

Vídeos virais fazem a leitura labial de famosos Reprodução/TikTok Imagina poder saber o que o ator Timothée Chalamet disse à namorada minutos antes de perder o Oscar, o que Ivete Sangalo susurrou com o cantor Shawn Mendes durante o Carnaval, ou até entender o que Donald Trump comentou com o magnata Jeffrey Epstein em um vídeo antigo. Todas essas "conversas de bastidores" (ou pelo menos versões delas) estão disponíveis em vídeos de leitura labial virais na internet. "É um vislumbre de momentos não roteirizados, os intervalos entre o que é oficialmente transmitido. Essa combinação de visibilidade sem som cria uma lacuna, e o público é naturalmente atraído", diz ao g1 a britânica Nicola Hickling, especialista em leitura labial forense (aplicada a investigações e processos judiciais). O uso da técnica como entretenimento não é exatamente uma novidade — o Fantástico, por exemplo, estreou em 2006 o quadro "Retrato Falado" durante a final da Copa do Mundo para saber o que aconteceu antes da famosa cabeçada do Zidane—, mas vem ganhando cada vez mais espaço graças às redes sociais. Perfis no Tiktok e Youtube que "decifram" conversas em clipes curtos de celebridades ou jogadores de futebol conquistaram milhares de seguidores, mas especialistas ouvidos pelo g1 alertam para os riscos de se fazer isso de forma amadora (entenda abaixo). O que eles falaram? Dublador faz leitura labial de jogadores Por trás dos virais Com mais de 1,5 milhão de seguidores no TikTok, a norte-americana Nina Celeste, 29, produz vídeos curtos em que interpreta o que atores, políticos e atletas dizem fora dos microfones. Em conteúdos de cerca de 1 a 3 minutos, ela aparece sobreposta às imagens, dublando de forma sincronizada o que acredita que as celebridades estão dizendo. 🎬 Em um vídeo recente, com mais de 4,7 milhões de visualizações, ela faz a leitura labial de Leonardo DiCaprio durante o Oscar de 2026. Na cena, o ator aponta para alguém. A influencer interpreta: “Eu estava te olhando na hora do K-pop. Você ficou tipo ‘quem é esse K-pop?’”, seguido de risadas. Ao final, pede que os usuários comentem com quem ele estava falando, já que ela não tinha essa informação. Ao g1, Nina contou que começou a produzir os vídeos em 2020, durante a pandemia, e rapidamente atraiu seguidores curiosos sobre o universo das celebridades. “Hoje, o TikTok virou uma espécie de reality show, talvez até mais intenso. As pessoas assistem porque é divertido e gostam de tentar adivinhar se o que eu digo está certo ou não”, afirmou. Ao longo de mais de cinco anos produzindo esse tipo de conteúdo, ela afirma que apenas uma celebridade entrou em contato para questionar um vídeo, e que nunca enfrentou problemas judiciais. “Era um tema sensível, então preferi apagar por respeito”, disse, sem entregar o nome da pessoa. O mesmo aconteceu com o influenciador brasileiro Gabriel Velloso, de 33 anos, que começou a produzir vídeos com falas de jogadores de futebol em 2024. “Só tive um problema com uma pessoa anônima. Era uma torcedora do Corinthians criticando o Neymar e ela passou a receber muito ‘hate’. Percebi que os comentários estavam pesados e retirei o vídeo”, contou. Com quase 2 milhões de seguidores, Velloso vai além da leitura labial e cria uma dublagem interpretativa, modulando a voz conforme os personagens. “A ideia é deixar a cena mais viva, não só traduzir, mas interpretar”, disse. Ele afirma que pode passar até seis horas analisando diferentes ângulos de câmera para produzir um único vídeo. Leitura amadora x profissional Ao g1, Renata Christina Vieira, fonoaudióloga forense, membro do departamento de perícia fonoaudiológica da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, explicou que cerca de 50% do que é dito por alguém pode ser identificado por meio da leitura labial. Isso acontece porque muitos sons são produzidos no fundo da boca ou têm articulações muito parecidas, tornando várias palavras visualmente indistinguíveis. Além disso, fatores técnicos influenciam diretamente no resultado, como: qualidade da imagem, iluminação, ângulo do rosto, contexto cultural e sotaque das pessoas, velocidade da fala, e possíveis interferências no vídeo. Segundo a especialista, embora a leitura labial seja uma técnica que pode ser aprendida, vídeos virais que “traduzem” falas completas de forma rápida e sem contexto devem ser vistos com cautela. Isso porque uma análise profissional exige, entre outros critérios, validação e revisão por pares para garantir a compreensão adequada do que foi dito. “A impressão que dá é que a pessoa está vendo o vídeo pela primeira vez e já sai ‘traduzindo’ com naturalidade, o que não é possível”, afirma. “Isso que eles fazem é entretenimento. Não pode ser levado em consideração como conteúdo real.” A avaliação é compartilhada por Nicola Hickling, que atua como consultora para empresas de jornalismo e produtoras audiovisuais. "Da minha perspectiva, há uma distinção clara entre leitura labial profissional e conteúdo criado para entretenimento. No meu trabalho, precisão e responsabilidade são centrais, especialmente quando os indivíduos envolvidos são figuras públicas e o conteúdo pode influenciar narrativas mais amplas", afirmou ao g1. Riscos e responsabilidades Renata Vieira alerta que a leitura labial sem contexto pode atribuir falas incorretas, distorcer declarações e causar danos à reputação, além de esbarrar em direitos como privacidade e imagem. "O principal responsável é quem está produzindo esse conteúdo. Os 'tiktokers' deveriam colocar uma mensagem dizendo que não têm confirmação do que foi dito, que é um entretenimento, para poder tirar um pouco o peso dessas palavras", diz. A influenciadora Nina Celeste contou ao g1 que passou a incluir um aviso de que seus vídeos "não devem ser consideradas como verdade ou fato" após passar a ser mencionada em reportagens e na internet como especialista em leitura labial. "Não tenho formação e nem tenho nenhuma perda auditiva. Sempre quis deixar claro que é entretenimento. Então comecei a reforçar o aviso para evitar confusão, principalmente com pessoas mais jovens. É um palpite, não uma verdade absoluta", disse. Outros criadores, como Jackie G, que é surda e soma mais de 3 milhões de seguidores, também adotam esse tipo de alerta. Apesar disso, a prática ainda não é comum. No Brasil, por exemplo, dois perfis conhecidos principalmente pelas dublagens esportivas na plataforma, o Gabriel Velloso e Gustavo Machado (3,7 milhões de seguidores), não incluem avisos em seus vídeos. Questionado pelo g1, Velloso afirmou que já publicou alguns conteúdos explicando que suas interpretações não devem ser tomadas com 100% de certeza e disse que passará a incluir esse tipo de aviso. “Realmente, acho que é um erro meu não ter este alerta", disse. Influencers que fazem leitura labial colocam alertas para avisar que não se trata de uma dublagem 100% verdadeira Reprodução/TikTok Segundo as especialistas, outro risco é o recente uso da inteligência artificial para manipular vídeos, o que pode levar a "traduções" erradas. "Sem o treinamento necessário ou a compreensão de contexto, as interpretações podem facilmente ser deturpadas ou tiradas de contexto, especialmente quando são amplamente compartilhadas nas redes sociais", afirma Nicola. O documentário que irritou a família real Na última semana, uma reportagem do jornal inglês "The Guardian" revelou que representantes da família real britânica passaram a ser alertados por assessores sobre conversas em público após a repercussão do documentário do Channel 5, "Lip-Reading the Royals" (“Leitura Labial da Realeza”, em tradução livre). "Os membros da família real estão cientes da infeliz e crescente tendência de usar leitores labiais, com diferentes graus de imprecisão, para espionar conversas que qualquer pessoa teria o direito de considerar privadas", disse uma fonte próxima à realeza ao jornal britânico. Nicola Hickling, que atuou como consultora na produção, destacou ao g1 que o trabalho foi conduzido em um ambiente controlado e com responsabilidade editorial. "Meu papel é fornecer uma interpretação profissional, que os jornalistas podem então contextualizar em suas reportagens, afirmou. Ela avalia, ainda, que famosos estão mais cuidadosos para não serem flagrados por leituras labiais. "Ainda assim, muitas interações continuam acontecendo de forma natural e em tempo real, especialmente em ambientes informais ou de alta pressão. É nesses momentos que a leitura labial ganha relevância", afirma. Série britânica expôs conversas da realeza por meio da leitura labial Divulgação

Palavras-chave: inteligência artificial

Os homens serão extintos? A verdade sobre o cromossomo Y

Publicado em: 22/03/2026 04:01

Cromossomo Y vem se degenerando ao longo da história evolutiva Adobe Stock Diminuto em comparação ao cromossomo X e com apenas cerca de cinquenta genes funcionais, o cromossomo Y vem há décadas ganhando manchetes, muitas vezes em tom apocalíptico. Muito se especula até sobre um eventual "fim dos homens". Por trás da discussão, está o amplo consenso de que o cromossomo Y sofreu uma degradação histórica considerável, colocando em debate o seu destino a longuíssimo prazo. Ao mesmo tempo, acumulam-se evidências que vinculam a sua perda em algumas células a implicações para a saúde masculina. Mas, na comunidade científica, não é consenso que o cromossomo Y poderia desaparecer, muito menos os homens. Os pesquisadores ainda desvendam os mistérios da genética, com um longo caminho adiante e uma história que já se prolonga há dezenas de milhões de anos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A origem evolutiva do cromossomo Y Há aproximadamente 180 milhões de anos, os cromossomos sexuais dos mamíferos formavam um par praticamente idêntico. Com o tempo, esse par ancestral se diferenciou até dar origem aos cromossomos X e Y atuais. Nos seres humanos e outros mamíferos, o sexo é determinado cromossomicamente: as mulheres normalmente têm dois cromossomos X, e os homens, um X e um Y. Embora esse par represente apenas cerca de 4% do DNA total, seu papel biológico vai muito além de determinar o desenvolvimento de testículos ou ovários. O cromossomo Y, em particular, se destaca pelo reduzido conteúdo genético. Enquanto o cromossomo X contém entre 900 e 1,4 mil genes, segundo diferentes estimativas, o Y conserva entre 45 e 51 genes codificadores de proteínas, dependendo do critério utilizado para contá-los. Um deles, o gene SRY, atua como desencadeador do desenvolvimento masculino. Alguns outros participam da produção de esperma. As funções dos restantes seguem sendo objeto de estudo e debate, o que contribui para a percepção do Y como um cromossomo atípico do ponto de vista evolutivo. A bióloga evolutiva australiana Jenny Graves estuda esse processo de degradação há décadas. Em um artigo publicado no The Conversation em 2014, ela estimou que, se a perda de genes continuasse no ritmo observado – quase dez genes a cada um milhão de anos desde há 166 milhões de anos –, o cromossomo Y poderia desaparecer em cerca de 4,5 milhões de anos. A afirmação, incluída quase de passagem em um artigo técnico de 2004, provocou uma reação desproporcional. "Surpreende-me muito que alguém se preocupe com a extinção dos homens dentro de cinco ou seis milhões de anos", declarou Graves ao Science Alert, lembrando que a espécie humana sequer existe há 100 mil anos. Pela 1ª vez, cientistas sequenciam completamente o cromossomo Y humano Por que o cromossomo Y se degrada? De acordo com Graves, há duas razões principais. Como ela explicou à BBC Science Focus em 2024, a primeira é o contexto biológico. O cromossomo Y é transmitido exclusivamente pela linhagem masculina e, a cada geração, passa pelos testículos, que constituem um ambiente geneticamente exigente. A produção de esperma requer numerosas divisões celulares, e cada uma delas implica uma nova oportunidade para que mutações se acumulem. A segunda, e talvez mais determinante, é seu isolamento. Ao contrário dos demais cromossomos, o Y não dispõe de um homólogo com o qual possa trocar segmentos de DNA para corrigir erros. Na maioria dos casos, os cromossomos "se apoiam" em seu par durante a recombinação para compensar danos. O Y carece desse respaldo estrutural, de modo que as alterações acumuladas se tornam muito mais difíceis de eliminar. O cromossomo Y está condenado? Nem toda a comunidade científica compartilha do diagnóstico. Como publicou a Vice no final do ano passado, a bióloga evolutiva Jenn Hughes, do Instituto Whitehead do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), sustenta há anos a visão contrária: os genes essenciais do cromossomo Y humano têm se mantido estáveis por 25 milhões de anos. A conclusão seria reforçada por estudos posteriores em primatas. Seu argumento é que os genes remanescentes cumprem funções cruciais em todo o organismo, o que gera forte pressão evolutiva para preservá-los. Dessa perspectiva, o cromossomo Y não estaria desaparecendo, mas se estabilizando. Jenny Graves não nega a estabilidade, mas introduz uma nuance: o fato de algo permanecer estável hoje não significa que vá perdurar indefinidamente. O cromossomo Y contém abundantes sequências repetidas, suscetíveis a degradação geração após geração. Os genes que hoje parecem firmes poderiam ser substituídos, se as condições evolutivas mudassem. Ela resume, segundo a Vice, o horizonte temporal do Y como "qualquer coisa entre agora e nunca". Quando ambas as cientistas debateram publicamente em 2011, o público ficou dividido em partes iguais. A discussão permanece aberta. LEIA TAMBÉM: Possível 'gene egoísta' pode ter feito família ter o dobro de homens por mais de 200 anos nos EUA Perda do cromossomo masculino pode levar a problemas do coração e a morte prematura de homens, aponta pesquisa na 'Science' O que se sabe com certeza é que, em outros animais, surgiram sistemas alternativos de determinação sexual. Segundo a BBC Science Focus, algumas ratas-toupeira da Europa Oriental e ratos-espinhosos do Japão perderam completamente o cromossomo Y e redistribuíram ou substituíram suas funções em outros cromossomos – e continuam sendo populações viáveis. As moscas-da-fruta, por sua vez, perderam quase todos os genes do cromossomo Y. Graves sustenta que, se surgisse um gene determinante do sexo mais eficiente em uma população humana pequena e isolada, onde acidentes genéticos são mais prováveis, ele poderia se espalhar sem eliminar características masculinas visíveis. "Talvez isso já tenha acontecido em alguma população humana em algum lugar", afirmou ao Science Alert. Doenças em homens mais velhos O debate evolutivo em escala de milhões de anos convive com uma preocupação muito mais imediata: a perda do cromossomo Y em células do corpo à medida que os homens envelhecem. Em artigo recente no The Conversation, Graves explica que as novas técnicas de detecção genômica mostram que esse fenômeno é frequente em tecidos de homens idosos. Com o passar do tempo, o cromossomo Y desaparece de algumas células, e suas descendentes já não o recuperam. O tecido acaba se tornando uma mistura heterogênea: coexistem células que mantêm o Y e outras que o perderam. Segundo dados compilados pela pesquisadora, 40% dos homens de 60 anos já apresentam essa perda, proporção que sobe para 57% aos 90 anos. Fatores ambientais como tabagismo ou exposição a cancerígenos também influenciam. Durante anos, presumiu-se que essa perda fosse irrelevante. Se o cromossomo Y contém poucos genes e as células podem sobreviver sem ele, parecia lógico pensar que sua ausência não teria grandes consequências. Contudo, segundo Graves, dados recentes apontam para outra direção. Diversos estudos encontraram associações entre a perda do Y e doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e diferentes tipos de câncer. Um estudo alemão em larga escala observou que homens acima de 60 anos com alta frequência de perda do Y tinham maior risco de sofrer ataques cardíacos. Também foi detectada uma frequência dez vezes maior dessa perda em pacientes com Alzheimer, além de uma associação com maior mortalidade por covid-19. O desafio da causalidade Estabelecer uma relação causal é complexo: as doenças poderiam provocar a perda do Y, ou um terceiro fator poderia estar por trás de ambos os fenômenos. No entanto, um experimento com camundongos sugere um possível efeito direto. Ao transplantar células sanguíneas sem cromossomo Y em camundongos irradiados, os animais desenvolveram mais patologias associadas ao envelhecimento, incluindo alterações na função cardíaca e casos de insuficiência cardíaca. Como um cromossomo com tão poucos genes pode ter impacto tão amplo? Parte da resposta está no fato de que vários desses genes se expressam em todo o organismo, não apenas nos testículos, e alguns atuam como supressores de tumores. Além disso, o cromossomo Y abriga genes não codificantes que parecem regular a atividade de outros genes em cromossomos distintos. Sua perda pode, portanto, alterar mecanismos que vão muito além da determinação sexual. Então, os homens vão desaparecer? Não da noite para o dia. Humanos não podem se reproduzir por partenogênese, ou seja, sem a contribuição genética masculina, e existem pelo menos 30 genes com impressão genômica que devem vir do esperma. Se o cromossomo Y desaparecesse, a alternativa não seria a extinção imediata, mas a evolução de um novo sistema de determinação sexual. Em teoria, esse processo poderia inclusive levar, a muito longo prazo, a uma diferenciação entre espécies, como sugere Graves. Por ora, não há evidências de uma emergência evolutiva iminente. O cromossomo Y pode se manter por milhões de anos ou transformar-se em outra coisa. Sua trajetória futura segue incerta, mas está longe de um desfecho imediato. Além disso, o sequenciamento completo do DNA do cromossomo Y humano foi alcançado há apenas alguns anos, de modo que nosso conhecimento detalhado sobre seu funcionamento ainda é relativamente recente. Mais do que o obituário de um cromossomo em decadência, essa nova etapa pode permitir uma compreensão mais aprofundada de seu papel na biologia e na evolução humanas.

Palavras-chave: tecnologia

Cearense de 16 anos é a única mulher entre brasileiros classificados para olimpíadas internacionais de Física

Publicado em: 22/03/2026 04:01

Cearense de 16 anos é a única brasileira que vai disputar olimpíada de Física no exterior Entre os estudantes brasileiros selecionados para representar o país nas principais competições internacionais de Física em 2026, só há uma mulher: a cearense Maria Beatriz Mesquita Ximenes, de 16 anos. Conhecida como Mabe, a aluna conquistou uma das quatro vagas da delegação que disputará a Olimpíada Ibero-Americana de Física (OIbF) neste ano. Aluna do 3º ano do ensino médio no Colégio Farias Brito, em Fortaleza, Mabe mantém uma rotina intensa de estudos. A conquista é resultado de uma trajetória iniciada há mais de dois anos, quando deixou Sobral, a cerca de 244 quilômetros da capital cearense. Clique e siga o canal do g1 Ceará no WhatsApp A mudança aconteceu quando Mabe tinha 14 anos. Em Fortaleza, passou a morar com a tia. Segundo a estudante, a decisão foi motivada pela busca por mais oportunidades acadêmicas e por um suporte maior da escola ao longo da trajetória em olimpíadas e seletivas internacionais. Com o destaque nas competições, Mabe chegou a ganhar bolsa integral no colégio. Para alcançar resultados surpreendentes, a estudante chega a passar quase 14 horas por dia na escola. Em alguns dias, a rotina inclui até 11 aulas. Grande parte da carga horária é dedicada ao treinamento para olimpíadas de Física, com resolução de questões semelhantes às cobradas nas provas. Mabe também participa de atividades práticas em laboratórios de Física e Robótica. Além da carga intensa de estudos, Mabe também enfrenta um desafio comum para mulheres em áreas das ciências exatas: a falta de representatividade. “É uma tristeza muito grande não ver outras meninas junto comigo. Por causa disso, acaba se tornando um processo muito solitário”, afirma. Apesar do sentimento de solidão, a estudante diz que nunca sofreu preconceito direto por parte dos colegas e que recebe incentivo constante dos professores. O desafio, segundo ela, é mais psicológico. 🏅 Da olimpíada escolar à seleção internacional Aos 16 anos, Mabe é a única menina entre os 19 selecionados para representar o Brasil em olimpíadas internacionais de física. Divulgação A jornada de Mabe até as competições internacionais foi construída ao longo de três anos consecutivos. Em 2024, ela iniciou o percurso com a participação na Olimpíada Brasileira de Física (OBF), onde conquistou uma medalha de bronze. No ano seguinte, a estudante avançou para o Torneio Brasileiro de Física (TBF), etapa que define os representantes do Brasil nas olimpíadas internacionais e reúne estudantes do ensino médio. Neste ano, entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro, Mabe representará o Brasil na OIbF, que será realizada em João Pessoa, na Paraíba. Faz dois anos que eu estudo para estar onde estou agora. É um estudo muito cansativo, mas é sobre você se sentir desafiado todos os dias e entender que isso significa que está no caminho certo. Infográfio: Cearense é única mulher na equipe brasileira que disputará Olimpíada de Física Arte/g1 Cadu Farias, professor e coordenador da equipe de física do Colégio Farias Brito, onde Mabe estuda, destaca que existe uma regra que garante uma vaga feminina entre os 19 selecionados do TBF caso nenhuma mulher esteja entre os classificados. Mabe não precisou desse critério, tendo garantido sua vaga pelo próprio desempenho. "A Mabe estava esperançosa com a cota feminina, mas ela brigou lá em cima e não precisou de cota. Ela passou por mérito dela", reforça o professor. Segundo César Soares, vice-coordenador geral da Olimpíada Brasileira de Física (OBF), delegações de 19 países devem participar da OIbF 2026. A competição é composta por uma prova teórica e uma experimental, e os estudantes com melhor desempenho recebem certificados e medalhas. Para ele, porém, o alcance da olimpíada vai além da premiação: as competições internacionais funcionam como vitrine para jovens talentos e podem abrir caminho para oportunidades acadêmicas no exterior. Em edições anteriores, por exemplo, medalhistas da OIbF conseguiram bolsas em universidades estrangeiras. São olimpíadas que podem abrir portas para universidades fora do país. Única mulher entre os selecionados Durante boa parte da sua preparação, Mabe foi a única mulher da turma. Ela relembra que a ausência de outras colegas tornou a jornada mais solitária. “Mesmo tendo amigos homens, não é a mesma coisa, né?”, pontua. Para a estudante, a baixa presença feminina nas olimpíadas científicas não está relacionada à capacidade intelectual, mas à falta de representatividade nesses espaços. Eu acho que as barreiras que afastam as meninas não são intelectuais, são psicológicas. É muito difícil estar em um lugar onde você não vê ninguém parecido com você. Você olha ao redor e só tem meninos. Parece que você não cabe ali. Mesmo com a rotina intensa de estudos, a jovem afirma que um de seus principais objetivos é abrir caminho para que outras mulheres se sintam encorajadas a permanecer na área de exatas. O ambiente ainda é majoritariamente masculino, mas começa a dar sinais de mudança. Neste ano, outras quatro alunas passaram a integrar a turma de treinamento para olimpíadas da escola onde Mabe estuda. Para Cadu, o exemplo de Mabe tem potencial para influenciar novas estudantes a se dedicarem à área. Segundo ele, a presença de referências femininas é fundamental para mostrar que a Física é um espaço possível para todos. "A Mabe vai ser o grande espelho delas. Ela é tipo um 'popstar' agora para as novas alunas", pontua. Desigualdade que começa antes da universidade A sensação de isolamento relatada por Mabe permanece no ensino superior no Brasil. As carreiras em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês) ainda são amplamente dominadas por homens. Segundo um levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgados em 2025, os homens representavam 74% dos ingressantes nos cursos de STEM em 2023. As mulheres, por sua vez, ocupavam apenas um quarto (26%) dessas vagas. Embora a porcentagem feminina ainda seja minoritária, houve um avanço na última década. O levantamento aponta que, entre 2013 e 2023, o número absoluto de mulheres que entraram em graduações de ciências exatas e biológicas subiu de 176.547 para 227.317 — uma alta de 29%. O problema, no entanto, reside na proporção desse avanço. No mesmo período, o crescimento dos calouros homens foi o dobro do registrado entre as mulheres, atingindo 56%. Para Cadu, o baixo número de mulheres na área está ligada a um processo social e cultural que começa ainda na infância. Segundo ele, meninos costumam ser mais incentivados ao raciocínio lógico e a jogos de estratégia, enquanto meninas são direcionadas para outros caminhos. "As ferramentas para quebrar esse tabu são essas guerreiras. Eu acho que elas vão mostrar a diferença. Vai ser importante a Mabe conseguir um bom resultado [na OIbF], servir como referência, e essas cinco se transformaram em 10, depois em 15...", destaca. Para mudar esse cenário, o coordenador afirma que a escola tem investido em iniciativas como torneios femininos, apoio psicológico e a presença de mulheres em posições de orientação. Ainda assim, ele ressalta que a transformação precisa ir além das instituições educacionais e começar dentro de casa, com incentivo e oportunidades iguais desde a infância. Planos para o futuro Mabe tem interesse em estudar Computação Quântica no Ensino Superior. Divulgação Mabe pretende seguir uma carreira que conecte a Física à tecnologia, com interesse especial na área de computação quântica. A escolha, segundo ela, está ligada ao potencial transformador do campo, que considera estar no centro da próxima revolução tecnológica. A estudante também pondera os desafios de seguir a carreira de física no Brasil, citando a desvalorização da carreira e as dificuldades para manter uma boa qualidade de vida. Embora ainda não tenha definido em qual universidade pretende ingressar, Mabe mantém aberta a possibilidade de continuar os estudos tanto no Brasil quanto no exterior. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Palavras-chave: tecnologia

Até R$ 3,1 mil por mês: como americanos transformam o próprio sangue em renda extra

Publicado em: 22/03/2026 04:00

Prática comum nos EUA permite pagamento por plasma Freepik Uma renda extra que vem do próprio corpo: vender plasma sanguíneo tem se tornado uma alternativa cada vez mais comum entre americanos — inclusive na classe média. A prática, que mistura necessidade financeira com demanda médica global, movimenta bilhões de dólares e já virou rotina para muitas pessoas nos Estados Unidos. 💉 O plasma é a parte líquida do sangue, de coloração amarelada, e é essencial para a produção de medicamentos usados em tratamentos de doenças graves. Entre eles estão terapias para imunodeficiências, doenças hepáticas e distúrbios de coagulação. Segundo reportagem do jornal "The New York Times", cerca de 215 mil pessoas vendem plasma todos os dias no país. Embora o termo mais usado seja "doação", na prática, os participantes recebem pagamento — em média, entre US$ 60 (R$ 314) e US$ 70 (R$ 366) por sessão. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Como é permitido doar até duas vezes por semana, muitos chegam a faturar até US$ 600 (R$ 3,1 mil) por mês. Em alguns casos, há bônus para novos doadores ou incentivos para quem mantém frequência. Para muita gente, esse dinheiro tem destino certo: gasolina, supermercado, contas médicas ou até a prestação da casa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Alta demanda De acordo com o New York Times, os Estados Unidos respondem por cerca de 70% de todo o plasma coletado no mundo. Um dos principais motivos é que o país permite o pagamento aos doadores, prática desencorajada pela Organização Mundial da Saúde. O resultado é um setor altamente lucrativo: só em 2024, os EUA exportaram US$ 6,2 bilhões em plasma. Para grandes empresas farmacêuticas, o material é matéria-prima essencial. Em 2025, os doadores americanos produziram 62,5 milhões de litros de plasma — o maior volume já registrado, segundo dados citados pelo jornal. Quem são as pessoas que estão vendendo plasma A imagem de que apenas pessoas em situação extrema recorrem a esse tipo de renda já não reflete a realidade. A reportagem do New York Times encontrou filas com perfis diversos: profissionais de tecnologia tentando economizar para comprar uma casa professores buscando cobrir custos de saúde enfermeiros lidando com despesas de creche aposentados complementando a renda Muitos se consideram classe média — e afirmam que, até pouco tempo atrás, não imaginavam fazer isso. Um dos casos citados é o de Joseph Briseño, de 59 anos. Ele trabalha como supervisor em uma empresa de resíduos e ganha cerca de US$ 50 mil por ano. Ainda assim, passou a vender plasma duas vezes por semana para reforçar o orçamento. Ele descreve a atividade como um "segundo trabalho". "Isso pode ser dinheiro para gasolina, supermercado ou para guardar para emergências", disse ao New York Times. Em outro momento, admitiu: "Seria ótimo não precisar fazer isso por dinheiro extra". Outro sinal de mudança aparece na localização desses centros. Historicamente, as unidades de coleta se concentravam em áreas mais pobres — e frequentemente eram alvo de críticas por possível exploração econômica. Mas isso vem mudando. Um estudo citado pelo New York Times, conduzido por pesquisadores da Washington University e da Universidade do Colorado, mostra que novos centros estão sendo abertos cada vez mais em bairros de classe média e até em regiões mais ricas. Desde 2021, mais de 100 unidades foram inauguradas nesses locais, inclusive em subúrbios. Em Webster, no Texas, por exemplo, centros abriram perto de academias, lagos artificiais e escritórios financeiros — um cenário distante da imagem tradicional associada à prática. Como funciona e quanto se ganha O processo segue etapas padronizadas: Questionário de triagem (com histórico de saúde e hábitos) Checagem rápida de sinais vitais Pequena coleta de sangue para teste Sessão de cerca de uma hora para retirada do plasma Durante o procedimento, cerca de um litro pode ser coletado. Ao final, o pagamento costuma ser feito por meio de cartões pré-pagos. Também há programas com bônus por fidelidade ou indicação de novos doadores. Embora seja considerada uma prática segura, o New York Times destaca que ainda existem poucos estudos sobre efeitos de longo prazo. Mesmo com a expansão, o tema ainda carrega estigma. Segundo o New York Times, muitos doadores evitam contar que vendem plasma, por vergonha ou desconforto. Alguns falaram com o jornal apenas de forma anônima. Outros veem a prática de forma positiva — especialmente por contribuir com tratamentos médicos. Ainda assim, especialistas são categóricos: a principal motivação é financeira. Um estudo citado pelo New York Times aponta que, quando um centro de plasma se instala em uma região, a procura por empréstimos de curto prazo e juros altos (como os payday loans) cai quase 20% entre jovens nos primeiros três anos. Isso sugere que a venda de plasma funciona, na prática, como uma alternativa emergencial de renda. Para alguns especialistas, esses centros acabam atuando como uma espécie de "rede de segurança paralela" — ao lado de bicos, aplicativos e trabalhos informais. O que explica o fenômeno O avanço da venda de plasma não pode ser analisado isoladamente. Segundo o New York Times, ele está diretamente ligado a um problema maior: o descompasso entre o custo de vida e o crescimento dos salários. Mesmo pessoas empregadas, com renda estável, estão sentindo a pressão. Despesas como moradia, alimentação e saúde aumentaram — enquanto salários permaneceram estagnados. É o caso de muitos entrevistados, que relataram recorrer ao plasma para evitar dívidas, cobrir emergências ou simplesmente manter o padrão de vida. Em alguns casos, até aposentadorias e benefícios sociais se mostram insuficientes. E há demanda para essa quantidade de oferta. O New York Times aponta que algumas companhias já fecharam centros menos produtivos e estudam diminuir gradualmente os pagamentos aos doadores. Ao mesmo tempo, investem em tecnologia para coletar mais plasma por sessão.

Palavras-chave: tecnologia

A empresa de IA que enfrentou o Pentágono nos EUA — e por que isso afeta o mundo todo

Publicado em: 22/03/2026 03:01

A disputa entre a Anthropic e o Pentágono gira em torno do acesso ético à inteligência artificial de ponta Getty Images Enquanto o mundo observava a operação dos EUA na Venezuela e como a guerra com o Irã se tornava inevitável, uma batalha se desenhava em Washington — um alerta de que o futuro profetizado por anos, sobre o papel da inteligência artificial nas guerras, já havia chegado. Uma empresa de inteligência artificial do Vale do Silício se recusou a seguir ordens do Pentágono (o departamento de Defesa dos EUA). E o Pentágono a tratou como se fosse inimiga do Estado. Mesmo assim, sua tecnologia de IA continuou sendo usada porque as Forças Armadas dos EUA não podiam se dar ao luxo de ficar sem ela. Foi o que aconteceu entre a Anthropic e o departamento de Defesa nas últimas semanas. E embora tudo pareça uma mera disputa corporativa, é muito mais do que isso. É a primeira vez que uma empresa de IA confronta um aparato militar, recusando-se a eliminar limites éticos de sua tecnologia. O confronto deixou no ar questões que preocupam a todos: até que ponto os humanos já estão delegando decisões irreversíveis e letais a máquinas? Quem decide como a IA é usada? Essas não são perguntas retóricas. Especialistas da Universidade de Oxford alertam que este episódio "revela lacunas de governança antigas na integração da IA ​​em operações militares. Essas lacunas são anteriores neste governo (dos EUA) e persistirão após a controvérsia atual". Por que — se a humanidade teme chegar a este ponto há tanto tempo — ainda existe um vácuo tão grande na governança da IA? É um vácuo que Logan Graham, líder da Equipe Vermelha da Anthropic, que analisa cenários negativos envolvendo tecnologia — de ataques cibernéticos a ameaças à biossegurança — conhece muito bem. "A intuição de algumas pessoas, por terem crescido em um mundo pacífico, é de que em algum lugar existe uma sala cheia de adultos que sabem como resolver tudo", disse ele à revista Time. "Não existem esses grupos de adultos. Não existe nem mesmo uma sala. A responsabilidade é sua." Pergunta difícil Em algum momento durante a operação que culminou em 3 de janeiro com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro, a ferramenta Claude, da Anthropic, foi usada para processar dados e auxiliar na tomada de decisões. Essa informação foi divulgada independentemente pelo Wall Street Journal e pelo site Axios, citando fontes com conhecimento direto dos eventos, e posteriormente confirmada pela revista Time, que publicou um extenso perfil da Anthropic, a empresa sediada em San Francisco que criou o Claude. Nem o departamento de Defesa nem a Anthropic confirmaram oficialmente essa informação. Mas o que aconteceu em seguida está documentado e é muito mais revelador do que o próprio evento. A operação para capturar Nicolás Maduro foi o estopim da disputa envolvendo a Antrhopic Getty Images Após a captura de Maduro, um executivo da Anthropic contatou a Palantir — a empresa de análise de dados que atua como intermediária tecnológica entre o Vale do Silício e o governo dos EUA — e perguntou: nosso software foi usado nessa operação? A pergunta fez soar um alarme em Washington. Emil Michael, Subsecretário de Defesa e Diretor de Tecnologia do Pentágono, disse que isso gerou profunda preocupação: será que a Anthropic, em um conflito futuro, poderia "desligar seu modelo no meio de uma operação" — ativar algum mecanismo de rejeição — "e colocar vidas em risco"? A Anthropic contesta essa interpretação: a empresa afirma que nunca tentou limitar o uso do Pentágono em nenhum caso específico e que a pergunta era rotineira. Mas em seguida, houve uma rápida escalada de tensões. O Pentágono exigiu que a Anthropic concedesse acesso irrestrito à sua tecnologia para "todos os usos legais". A Anthropic recusou. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um "risco para a cadeia de suprimentos", um rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky, e não para empresas americanas que simplesmente discordam do governo. A Anthropic processou o Pentágono por exceder sua autoridade e salvaguardas éticas, violando direitos fundamentais. Vários especialistas jurídicos acreditam que a empresa tem grandes chances de vencer a dispta jurídica. O presidente Donald Trump, por sua vez, ordenou que todas as agências federais parassem de usar a tecnologia da Anthropic. E coroou a controvérsia com uma mensagem na plataforma Truth Social, escrita inteiramente em letras maiúsculas: "Os EUA jamais permitirão que uma empresa progressista ('woke') e radical de esquerda dite como nossas grandes forças armadas lutam e vencem guerras." Em seu vocabulário e no de seus seguidores, "woke" é o maior dos insultos, um rótulo depreciativo para descrever ideias ou políticas progressistas relacionadas à identidade de gênero, desigualdade ou justiça social. Linhas vermelhas A Anthropic tem uma história singular. Foi fundada em 2021 por ex-pesquisadores da OpenAI com a premissa explícita de que a inteligência artificial representa um dos maiores riscos existenciais para a humanidade e que, precisamente por essa razão, é fundamental que aqueles que a desenvolvem sejam pessoas comprometidas em fazê-lo com segurança. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI Getty Images Em julho de 2025, a Anthropic assinou um contrato de US$ 200 milhões com o Departamento de Defesa, o primeiro desse tipo: um laboratório de IA que integra seus modelos em fluxos de trabalho de missão em redes classificadas. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, justificou isso em um texto publicado em janeiro deste ano. Ele escreveu que a Anthropic apoiava as forças militares e de inteligência dos EUA porque "a única maneira de responder a ameaças autocráticas é igualá-las e superá-las militarmente". Ele acrescentou: "A formulação a que cheguei é que devemos usar IA para a defesa nacional em todas as suas formas, exceto aquelas que nos tornariam mais parecidos com nossos adversários autocráticos". Consequentemente, o contrato com o Pentágono estabeleceu duas "linhas vermelhas": o Claude não poderia ser usado para vigilância doméstica em massa ou para armas totalmente autônomas. Esses limites invioláveis ​​não são arbitrários; eles se baseiam em um documento da empresa que serve como sua "alma". Seu objetivo declarado é "prevenir catástrofes em larga escala", incluindo a possibilidade de a IA ser usada por um grupo humano para "tomar o poder de forma ilegítima e não colaborativa". Amodei também argumentou perante o Pentágono que "os sistemas de IA de última geração simplesmente não são confiáveis ​​o suficiente para alimentar armas totalmente autônomas". Neste contexto, não se trata de armas que decidem por conta própria a quem matar. "Autonomia" significa que um sistema pode atingir certos objetivos sozinho — ou com supervisão humana mínima — em ambientes complexos. Mas existem sistemas automatizados que ajudam a tomar decisões sobre ataques. Especialistas em inteligência artificial alertam para um problema conhecido como "viés de automação": quando as regras de uso são vagas, os humanos tendem a confiar nas recomendações da máquina mais do que deveriam. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A IA não substitui o julgamento humano de uma vez: ela o corrói aos poucos, até que o operador pare de questioná-lo. Em uma situação tensa, se o sistema — que você sabe que analisou uma imensa quantidade de informações — aponta para alguns pixels na tela como um alvo urgente, é fácil aceitar sua recomendação sem muita hesitação. Ou se um sistema de reconhecimento facial identifica alguém em uma multidão, um agente de segurança provavelmente confiará no resultado e procederá com a prisão. Existem precedentes concretos: em diversas ocasiões documentadas, vários departamentos de polícia nos EUA acabaram prendendo pessoas erradas. Isso coincide com a outra linha vermelha que enfureceu o governo Trump: a vigilância em massa, que afeta o cotidiano de pessoas que não estão em nenhuma zona de guerra. Cabe ressaltar que a Anthropic se opôs especificamente à vigilância em massa de cidadãos americanos. Sua posição não é universalista. Mas o princípio por trás dela tem um alcance mais amplo. E ganha urgência porque, paralelamente a esse conflito, o governo dos EUA anunciou planos para usar IA por meio da Palantir para apoiar as operações do ICE — a agência de imigração — rastreando a localização em tempo real e o histórico financeiro de pessoas sem documentos. Dario Amodei, cofundador e CEO da Anthropic, foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI Getty Images A vigilância em massa, em diferentes graus e em diversas populações, já existe. A questão não é mais se ela ocorre, mas sim quantos controles ainda existem sobre como ela é usada. Nesse contexto, as "linhas vermelhas" da Anthropic não são apenas filosofia corporativa: são, por ora, um dos poucos mecanismos concretos de controle e equilíbrio existentes. O problema é que as restrições são tão fortes quanto o mecanismo que as impõe. E quando o Pentágono rejeitou esses limites e exigiu acesso irrestrito, a Anthropic se viu sozinha para manter sua posição, sem um arcabouço legal para apoiá-la e sem regulamentação internacional para protegê-la, tendo apenas suas cláusulas contratuais como escudo. O que é considerado legal? A relutância do departamento de Defesa em permitir que uma empresa privada imponha limites é, para muitos, justificada. Embora as recentes operações militares em cidades dos EUA, na Venezuela e no Irã tenham sido conduzidas com mínima consulta ao Congresso, o uso de IA é tão crucial que deveria ser regulamentado por leis aprovadas por representantes democraticamente eleitos, argumentam alguns. Mas o Legislativo ainda não aprovou leis sobre o assunto. Assim, a exigência do Pentágono pela liberdade de usar o Claude para "todos os usos lícitos" parece razoável até que se questione o que, exatamente, é lícito nesse contexto. Não há uma definição consensual no direito internacional sobre o que constitui uma arma autônoma letal. O direito internacional humanitário — as normas que regem os conflitos armados desde as Convenções de Genebra — foi construído em torno de decisões humanas: um soldado apertando o gatilho e um comandante dando uma ordem. Esses marcos não contemplam sistemas que detectam, selecionam e eliminam alvos com mínima ou nenhuma intervenção humana direta. É o que os especialistas chamam de "vácuo de responsabilidade": uma deficiência crítica em que as estruturas legais existentes não conseguem determinar quem é o responsável quando um sistema autônomo comete uma violação. Se um drone com inteligência artificial matar civis, quem será responsabilizado? O programador? O comandante? A empresa que fabricou o sistema? O direito internacional não oferece uma resposta clara. E, na ausência de resposta, "uso lícito" significa, na prática, o que cada Estado decidir que significa. Pete Hegseth, Secretário de Defesa de Trump, classificou a Anthropic como um 'risco para a cadeia de suprimentos', rótulo historicamente reservado para empresas ligadas a rivais estrangeiros como a Huawei ou a Kaspersky Getty Images Nesse contexto, surge uma questão delicada: essa discussão está sendo a feita no tempo certo? A resposta talvez seja: não oportuna o suficiente para ser preventiva; mas ainda assim, sim, oportuna o suficiente para ser útil. O debate formal sobre armas autônomas começou em 2013. Onze anos depois, o resultado são diretrizes voluntárias. Em 2024, durante uma conferência internacional em Viena, o Ministro das Relações Exteriores da Áustria incentivou o progresso com uma declaração inquietante: "Este é o momento Oppenheimer da nossa geração". Ele se referia ao momento em que a humanidade tomou consciência do poder destrutivo da bomba atômica: como naquela ocasião, a tecnologia já existe, e agora é preciso decidir como controlá-la. Só que, diferentemente das armas nucleares — caras, escassas e com uma marca inconfundível —, os sistemas autônomos são baratos, produzidos em massa e difíceis de rastrear. Portanto, são estruturalmente mais difíceis de controlar por meio de tratados. Naquele mesmo ano de 2024, a Assembleia Geral da ONU adotou uma resolução criando um fórum, sob supervisão das Nações Unidas, para discutir os desafios e preocupações com o uso de armas autônomas e o que fazer sobre isso, com 166 votos a favor. Apenas três países votaram contra: Rússia, Coreia do Norte e Belarus. O voto mostra que a preocupação é quase universal. O que falta é um tratado vinculativo e mecanismos de aplicação, algo que o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, vem defendendo há alguns anos. Alguns especialistas, no entanto, temem que, como aconteceu com outras armas, tal tratado só seja firmado após uma catástrofe. A lógica da velocidade Enquanto advogados e diplomatas debatem, engenheiros constroem. E o que eles constroem já está sendo usado. O general americano Stanley McChrystal, ex-comandante das forças americanas e da Otan no Afeganistão, certa vez resumiu isso de forma contundente: nunca antes na história alguém foi capaz de ver, decidir e matar uma pessoa do outro lado do mundo em questão de minutos. Essa afirmação agora precisa ser atualizada. A questão não é mais apenas ver, decidir e matar, mas até que ponto estamos dispostos a delegar a decisão a uma máquina. Essa transição já está sendo testada no campo de batalha. Na Ucrânia, em dezembro de 2024, as forças do país realizaram a primeira operação totalmente não tripulada perto de Kharkiv: dezenas de veículos terrestres autônomos e drones atacaram posições russas sem nenhum soldado em terra. A lógica tática é esclarecedora. Os operadores lançam os drones e veículos autônomos sabendo que a comunicação com eles será bloqueada em poucos minutos. O sucesso depende de quão bem eles são programados para agir autonomamente quando isso acontecer. Eles navegam de forma independente, evitam interferências eletrônicas e continuam a missão mesmo sem supervisão humana. Isso não é um detalhe insignificante: os drones já causam entre 70% e 80% das vítimas nessa guerra, de acordo com estimativas da inteligência europeia. Assim que a Anthropic perdeu o contrato, sua rival OpenAI surgiu como alternativa Getty Images Na região do Golfo, a tendência aponta na mesma direção. O almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, reconheceu que a inteligência artificial é uma ferramenta fundamental para a identificação de alvos, permitindo que os EUA "analisem vastas quantidades de dados em segundos, para que nossos líderes possam tomar decisões mais inteligentes e mais rápidas do que o inimigo". Acordo com o OpenAI A história tem um final paradoxal. Dario Amodei declarou, referindo-se às exigências do Pentágono: "Não podemos, em sã consciência, atender ao pedido deles." A Anthropic perdeu o contrato. Horas depois do anúncio, a OpenAI chegou a um acordo com o Departamento de Defesa. E então algo inesperado aconteceu. No dia seguinte ao anúncio do novo acordo pelo Pentágono, o aplicativo Claude ultrapassou o ChatGPT da OpenAI na App Store da Apple pela primeira vez na história. Naquela semana, mais de um milhão de pessoas se cadastraram no Claude todos os dias, impulsionando-o ao primeiro lugar em mais de 20 países. As vendas da empresa dispararam entre o público em geral. E tem mais. Duas coalizões de trabalhadores da Amazon, Google, Microsoft e OpenAI pediram publicamente que suas empresas seguissem o exemplo da Anthropic. Dezenas de cientistas e pesquisadores de empresas concorrentes assinaram um parecer jurídico em apoio à Anthropic. Um general aposentado da Força Aérea, que liderou o Projeto Maven — o controverso programa de drones com IA que provocou protestos massivos de funcionários do Google em 2018 até a empresa abandonar o contrato — escreveu nas redes sociais que, embora se esperasse que ele apoiasse o Pentágono, simpatizava mais com a posição da Anthropic. E talvez igualmente importante: a Anthropic consolidou o apoio de seus próprios engenheiros, alguns dos profissionais mais requisitados do Vale do Silício, em um dos mercados de talentos mais competitivos do planeta, onde contratos para atrair ou reter esses indivíduos podem valer dezenas de milhões de dólares. LEIA TAMBÉM: FATO OU FAKE: O que sabemos sobre acusações de uso de inteligência artificial no vídeo de Benjamin Netanyahu em cafeteria Família encontra canadense no Brasil com ajuda de IA e descobre que ele morreu O anticristo na porta do Vaticano: palestra de bilionário de IA em Roma causa mal-estar na Igreja

Sistema simples com potes de barro ajuda agricultores a driblar seca no Pará; veja como funciona

Publicado em: 22/03/2026 03:00

Irrigação com pote de barro é solução para seca no Pará No sudeste do Pará, uma solução simples e eficiente está mudando a realidade de agricultores familiares que, por anos, viram suas colheitas se perderem por causa da estiagem. Batizado de Irrigapote, o sistema usa potes de argila enterrados para garantir água às plantas ao longo de todo o ano — sem depender de energia elétrica nem de altos investimentos (veja vídeo acima). O renascimento de uma propriedade A produtora Renata, de Tucuruí, é um dos exemplos dessa transformação. Depois de deixar a rotina estressante à frente de supermercados, ela encarou um grande desafio no campo: perdeu mais de mil plantas logo no início da produção por falta de água. A solução veio a partir de uma parceria entre a pesquisadora Lutieta Martorano, da Embrapa Amazônia Oriental, e uma universidade da Etiópia, onde a técnica foi desenvolvida. Como funciona o sistema O funcionamento do Irrigapote combina princípios simples da física e da biologia: Captação: a água da chuva é coletada por calhas nos telhados e armazenada em reservatórios; Distribuição: por meio de mangueiras e um sistema de boias, que evita desperdícios, a água chega até potes de argila enterrados próximos às plantas; Irrigação inteligente: as paredes porosas dos potes liberam a umidade de forma gradual. As raízes percebem essa umidade, crescem em direção ao pote e chegam a se fixar na argila para absorver a água diretamente. O sistema é eficiente: um único pote pode abastecer várias plantas, e há casos em que as raízes percorrem até 7 metros para alcançar a água. Alternativa mais barata para o produtor Para o pequeno produtor, o Irrigapote resolve dois dos principais desafios no campo: custo e acesso à energia. Enquanto sistemas tradicionais de irrigação exigem investimento alto e uso de eletricidade, a tecnologia com potes de argila é mais acessível. Uma área com 100 potes custa, em média, R$ 8 mil — sendo o principal gasto a compra do material. Em Capitão Poço, produtores de limão Taiti já começam a ver o retorno financeiro. Segundo o produtor João, o sistema permite produzir na entressafra, quando a caixa da fruta pode chegar a até R$ 100, o dobro do preço em períodos de maior oferta. Sistema de irrigação permite produzir alimentos o ano todo Interesse de novas comunidades O sucesso da técnica também tem chamado a atenção de comunidades indígenas, como a Aldeia Trocará, e de comunidades quilombolas. Nesses locais, o Irrigapote surge como uma alternativa prática e acessível para garantir segurança alimentar e viabilizar o cultivo de culturas perenes, como cacau e açaí.

Palavras-chave: tecnologia

Moraes manda prender contador suspeito de quebra de sigilo fiscal de parentes de autoridades

Publicado em: 21/03/2026 21:52

Alexandre de Moraes durante julgamento da Primeira Turma do STF sobre os acusados de mandar matar Marielle Franco Mateus Bonomi/Reuters O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Washington Travassos de Azevedo, contador suspeito de obter ilegalmente dados de magistrados e outras autoridades. Segundo investigação da Polícia Federal, o contador é suspeito de ser "um dos mandantes" da organização criminosa que obteve ilegalmente e vendeu dados sigilosos de autoridades brasileiras e seus familiares. A prisão ocorreu na sexta-feira (13), pela Polícia Federal. No dia seguinte, Azevedo passou por uma audiência de custódia, que manteve a prisão. 🔎 A audiência de custódia é um rito previsto na lei penal. Serve para analisar as circunstâncias da prisão: se a ordem de prisão foi realizada dentro do que prevê as normas penais; e se houve respeito à integridade física e psicológica do preso. Além disso, é na audiência que a Justiça decidir ainda se a prisão será mantida ou não. Em fevereiro, a Polícia Federal realizou a primeira fase da operação de busca e apreensão contra servidores públicos em três estados. A ação da PF ocorreu em meio à investigação que apura possíveis vazamentos de dados da Receita Federal envolvendo autoridades. Os servidores foram ouvidos pelos policiais. De acordo com a decisão de Moraes, a quadrilha teria roubado dados da Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física (DIRPF) de 1.819 pessoas. PF faz buscas para apurar vazamento de dados da Receita "Teria acessado dados constantes das DIRPF, entre os quais pessoas vinculadas a Ministros do STF, Ministros do TCU, Deputados Federais, ex-Senadores da República, ex-Governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública", afirmou Moraes. O que diz a Receita A Receita Federal informou que antes da operação realizada nesta terça, abriu auditoria prévia para apurar as suspeitas. O procedimento, segundo a instituição, ainda está em andamento. "Em 12 de janeiro desde ano, o STF solicitou à Receita Federal auditoria em seus sistemas para identificar desvios no acesso a dados de ministros da Corte, parentes e outros nos últimos 3 anos. O trabalho foi incluído em procedimento que já havia sido aberto no dia anterior pela Corregedoria da Receita Federal com base em notícias veiculadas pela imprensa", diz nota da Receita. A instituição reforçou "não tolerar" qualquer tipo de desvio, especialmente relacionados ao sigilo fiscal. Acrescentou que, desde 2023, foram ampliados os controles de acessos a dados e concluídos sete processos disciplinares, que resultaram em três demissões. "A auditoria, que envolve dezenas de sistemas e contribuintes, está em andamento, sendo que desvios já detectados foram preliminarmente informados ao relator no STF. Os sistemas da Receita Federal são totalmente rastreáveis, de modo que qualquer desvio é detectável, auditável e punível, inclusive na esfera criminal", prossegue a nota.

Palavras-chave: vazamento de dados

Ministro Paulo Teixeira finaliza visita ao Vale do Ribeira com encontro em comunidades quilombolas

Publicado em: 21/03/2026 20:26

Ministro Paulo Teixeira (PT) participa encontro na Câmara Municipal de Miracatu com autoridades locais. Dione Aguiar/TV Tribuna O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira (PT), deu continuidade à agenda no Vale do Ribeira neste sábado (21). Ele cumpriu uma programação voltada à agricultura familiar, cooperativismo e políticas públicas para comunidades quilombolas, iniciada na sexta-feira (20). A agenda deste sábado teve início em Miracatu, com uma visita à Associação dos Bananicultores de Miracatu (ABAM), onde Teixeira acompanhou o trabalho de agricultores familiares na produção de banana. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. O ministro também participou de um encontro na Câmara Municipal com autoridades locais, prefeitos do Consórcio de Desenvolvimento Intermunicipal do Vale do Ribeira e Litoral Sul (Codivar) e representantes da sociedade civil, com anúncios de programas e investimentos para o setor. Teixeira destacou o fortalecimento da agricultura familiar, assinou a liberação de recursos para uma cooperativa em Miracatu e também comentou sobre a ampliação da conectividade em assentamentos rurais. “Estamos entregando R$ 3 milhões para a construção de uma fábrica de processamento de banana, voltada à produção de doces, banana chips e outros derivados”, afirmou ele. Além disso, o ministro informou que R$ 2 milhões foram destinados ao programa Terra Mesa, para ações de mecanização, uso de bioinsumos e distribuição de mudas de banana a produtores da região. O último compromisso na região foi em Eldorado, em um encontro com comunidades quilombolas no Patrimônio Integrado do Quilombo André Lopes (PIQUAL), onde foram entregues portarias de reconhecimento de territórios. Ministro Paulo Teixeira cumpre agenda em Iguape para assinatura de acordo com a Cooperpesca. Dione Teixeira/TV Tribuna Agenda de sexta-feira O primeiro compromisso ocorreu em Iguape (SP). Teixeira esteve na sede da Cooperpesca Artesanal, onde foi assinado um acordo de R$ 1,9 milhão com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para fortalecer a pesca artesanal. Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, o ministro destacou a importância das cooperativas no setor pesqueiro. “Os pescadores organizados na Coperpesca receberam recursos do Banco do Brasil para compra de refrigeradores, além de outros contratos. Eles que hoje vendem 28 toneladas de peixe passarão a vender 330 toneladas de peixe”, disse Teixeira. O ministro seguiu para Registro (SP), onde participou de uma aula magna no Instituto Federal (Campus Registro) e visitou salas dos cursos da unidade. Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar visita Vale do Ribeira VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

Palavras-chave: câmara municipal

Praia Grande adquire óculos de realidade virtual para rede municipal de ensino

Publicado em: 21/03/2026 19:16

Equipamento será usado para atividades de educação ambiental. Fred Casagrande/Prefeitura de Praia Grande A Prefeitura de Praia Grande, no litoral de São Paulo, adquiriu 12 unidades de óculos de realidade virtual, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), para a rede municipal de ensino. Os alunos poderão usar o equipamento para desenvolverem projetos do Departamento de Educação Ambiental (DEA). A tecnologia é voltada para que os estudantes tenham um aprendizado mais lúdico e experiências de lugares diferentes dentro da sala de aula. Três vídeos no formato 360º foram produzidos para atividades ambientais. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. Ao colocar os óculos, os alunos serão transportados para diferentes lugares graças à realidade virtual. Em um dos filmes, o estudante terá a oportunidade de visitar a cachoeira do Guariúma, situada no Parque Estadual Serra do Mar - Núcleo Itutinga Pilões. Boa parte da água consumida pelos moradores de Praia Grande é captada deste local e encaminhada para o processo de tratamento, antes de chegar às residências. Por meio dos óculos, os alunos também poderão conhecer a Fortaleza de Itaipu e ver detalhes do local, como a vegetação característica da Mata Atlântica, o costão rochoso e o mar. Em outro vídeo, os alunos poderão aprender sobre as características da vegetação e mais curiosidades do local onde ocorre o encontro do Rio Itinga com o mar, na praia do Bairro Solemar. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A Secretária de Educação, Patrícia Almeida, apresentou a novidade ao prefeito, Alberto Mourão, durante uma reunião. Ele teve a oportunidade de utilizar os óculos de realidade virtual e conferir o conteúdo produzido pela pasta municipal. "Parabenizo a equipe da Secretaria de Educação por mais uma vez sair à frente e ir em busca de novas estratégias para atrair a atenção dos alunos. A partir do momento em que vivencia algo novo e diferente, o estudante assimila e absorve melhor o conteúdo", ressaltou o prefeito, por meio de nota divulgada pela prefeitura.

Palavras-chave: tecnologia

Vereador é acusado de agredir funcionário de supermercado em Santa Rita de Caldas, MG

Publicado em: 21/03/2026 18:26

Um vereador foi acusado de agredir um funcionário de um supermercado no Centro de Santa Rita de Caldas (MG), na tarde desta sexta-feira (20). Segundo o boletim de ocorrência, João Paulo Borges de Melo (UNIÃO), de 39 anos, teria ido até o local de trabalho da vítima, de 46 anos, para confrontá-la sobre supostos comentários feitos a seu respeito. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Ainda segundo o registro policial, a agressão ocorreu enquanto o funcionário exercia suas atividades e foi presenciada por pessoas no local. A vítima relatou que, após questionamentos, o vereador teria desferido um soco em sua boca e feito ameaças de morte. Em seguida, ele deixou o estabelecimento. Conforme a PM, o supermercado possui imagens de segurança que registraram toda a ação. Vereador é acusado de agredir funcionário de supermercado em Santa Rita de Caldas (MG) Câmara Municipal de Santa Rita de Caldas/Divulgação A vítima também informou aos policiais que trabalhou para o vereador até fevereiro deste ano, período em que teriam começado os desentendimentos entre ambos. A produção da EPTV entrou em contato com um dos proprietários do supermercado, que afirmou que o ocorrido não possui relação com as atividades do estabelecimento. Segundo a Polícia Civil, os fatos já estão sendo apurados e outras informações serão divulgadas em momento oportuno. O que diz a defesa do vereador Por meio de nota enviada à produção da EPTV, a defesa do vereador João Paulo Borges de Melo informou que ele recebeu com tranquilidade as alegações e que os fatos serão esclarecidos pelos meios adequados. A defesa acrescentou que o parlamentar nunca pautou sua conduta por violência ou intimidação e que o caso envolve antecedentes e circunstâncias relevantes, que não podem ser reduzidos a uma narrativa unilateral. Por fim, afirmou confiar que uma apuração séria e imparcial esclarecerá integralmente o ocorrido. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Presidente da Câmara repudia conduta O presdiente da Câmara Municipal de Santa Rita de Caldas, Paulo Henrique Fonseca Dias de Carvalho (PRD), também se manifestou em nota e informou que repudia qualquer conduta que viole a integridade física ou moral de cidadãos. Ele destacou que irá aguardar a apuração completa pelas autoridades competentes e que deve se reunir com a Mesa Diretora para analisar a situação e avaliar possíveis providências no âmbito parlamentar. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

Palavras-chave: câmara municipal