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O fim dos apps? Carl Pei afirma que o futuro está nos agentes de IA

Publicado em: 19/03/2026 05:50 Fonte: Tudocelular

Cofundador e CEO da Nothing – companhia de smartphones e acessórios – Carl Pei é visto por muitos como uma mente inovadora. Em uma entrevista recente no SXSW, festival de tecnologia, cultura e negócios, Pei imaginou um futuro além do iPhone, com dispositivos alimentados por agentes de inteligência artificial (IA), e não por aplicativos. O executivo acredita que os aplicativos, como os conhecemos hoje, deverão sumir e que um dispositivo futuro baseado em IA preverá o que queremos antes mesmo que saibamos. “Você não precisa ter ideias manualmente”, afirma.Essa não é a primeira vez que Pei fala sobre um dispositivo baseado em inteligência artificial, já que essa mesma visão o ajudou a fechar uma rodada de financiamento Série C de US$ 200 milhões no ano passado. À época, a Nothing apresentou a ideia de um smartphone que utilizava IA com precisão suficiente para que os usuários não precisassem conferir o resultado do processamento manualmente.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Família encontra canadense no Brasil com ajuda de IA e descobre que ele morreu

Publicado em: 19/03/2026 05:18

Família canadense reencontra parente desaparecido no litoral de SP Uma família canadense usou inteligência artificial para procurar um parente desaparecido desde 2022 e o encontrou sendo citado em uma reportagem sobre um estrangeiro que vivia em situação de rua em Santos, no litoral de São Paulo. A esperança de um reencontro durou pouco, já que os familiares descobriram que Karl Van Roon havia morrido um dia depois da publicação da matéria, em 2024. "Agora, podemos começar a viver o luto de verdade. Agora, sabemos que não está aqui", afirmou o pai do canadense, Terry Van Roon, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. A irmã dele, Deanna Bistriceanu, contou que o homem costumava viajar pelo mundo e que a comunicação com ele normalmente ocorria por e-mail, por ligação ou por meio de aparições surpresa. Em 2022, foi diferente do habitual. Karl saiu de Vancouver, no Canadá, e nunca mais entrou em contato. Família usou IA para encontrar canadense Karl Van Roon Reprodução/TV Tribuna Os pais, Heidi e Terry Van Roon, viveram quase quatro anos de angústia e tentaram diferentes meios para descobrir onde o filho estava. Foi apenas em 2025 que eles usaram inteligência artificial e chegaram a uma reportagem de A Tribuna publicada em 8 de junho de 2024. 📰A notícia era sobre um homem que vivia há meses nas ruas de Santos. A reportagem foi publicada a pedido de um morador da cidade que tentava encontrar os familiares do então desconhecido, que se comunicava apenas por linguagem de sinais, mas conseguia entender inglês e italiano. "Ele sempre foi atraído por lugares espirituais, por pessoas amorosas, abertas, que vivem com o coração exposto. Ele amava a praia, amava o estilo de vida, amava a natureza. Então, imaginamos que Santos tivesse tudo isso", destacou o pai de Karl. Reconhecimento Canadense Karl Van Roon foi reconhecido em reportagem sobre estar em situação de rua em Santos, SP Arquivo Pessoal e Reprodução/A Tribuna Os familiares conseguiram contato com a Polícia Civil de Santos, mas a resposta não foi a esperada. Karl foi encontrado morto no dia 9 de junho de 2024, após sofrer uma embolia pulmonar aos 39 anos. O delegado Thiago Nemi Bonametti, da 3ª Delegacia de Polícia de Investigação sobre Homicídios de Santos, contou ao g1 que a família reconheceu o canadense por meio de fotografias do corpo no Instituto Médico Legal (IML). Ele acrescentou que a ficha de identificação do cadáver foi enviada à polícia de Vancouver, onde as impressões digitais de Karl foram confirmadas. Apesar da perda, a sensação da mãe do canadense também foi de alívio pelo fim das buscas. "É o tipo de imagem que nenhum pai quer ver, mas também é uma verdade. Karl viveu segundo suas convicções e segundo aquilo que acreditava. Isso é profundamente admirável, mas também parte o coração [...] Estará para sempre em nossos corações", lamentou Heidi. Translado Agora, os pais desejam realizar o translado do corpo de Santos até o Canadá, levando o filho de volta para casa. Em nota enviada ao g1, a Secretaria de Desenvolvimento Social de Santos informou que a morte de Karl foi registrada como de pessoa não identificada. Por este motivo, o sepultamento foi realizado gratuitamente no Cemitério da Areia Branca, em 18 de junho de 2024. Canadense Karl Van Roon com os pais e a irmã Arquivo Pessoal Em relação ao translado, a secretaria explicou que não houve, até o momento, qualquer notificação oficial por parte de familiares ou autoridades competentes solicitando apoio da Prefeitura de Santos para o procedimento. A pasta ressaltou que os trâmites de translado de restos mortais seguem normas legais específicas, envolvendo legislações municipais, estaduais e federais, além de protocolos sanitários regulados por órgãos como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Após eventual formalização oficial da demanda, os órgãos competentes poderão orientar quanto aos procedimentos necessários, dentro dos limites legais, permanecendo a secretaria à disposição para prestar esclarecimentos institucionais, conforme os registros disponíveis", finalizou a pasta. O g1 entrou em contato com a Embaixada do Canadá no Brasil, que informou estar apurando as informações até a última atualização desta reportagem. Canadense Karl Van Roon estava desaparecido há quase quatro anos Arquivo Pessoal VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

Palavras-chave: inteligência artificial

Homem que divulgou nudes da ex-esposa por vingança é condenado em MG

Publicado em: 19/03/2026 05:04

Foto ilustrativa Freepik Um homem foi condenado por divulgar imagens íntimas da ex-esposa sem o consentimento dela. A decisão é do Tribunal de Justiça de Minas Gerais e foi divulgada nesta semana. O crime ocorreu na Zona da Mata, mas a cidade não foi informada porque o processo tramita em segredo de Justiça. Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, em fevereiro de 2023, o réu publicou fotos da mulher nua e mensagens ofensivas no status de uma rede social, como forma de 'vingança' pelo fim do relacionamento. Ele também chegou a ameaçar tomar a guarda da filha do casal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp A irmã da vítima viu as imagens e as mensagens e a alertou sobre a publicação. Um boletim de ocorrência foi registrado na Polícia Militar, apresentando capturas de tela como prova. Após ser condenado em primeira instância, o réu recorreu e pediu a anulação do processo. A defesa alegou que os prints não seriam provas válidas, por não seguirem regras de preservação digital, o que configuraria quebra da cadeia de custódia. Também argumentou que não houve crime, já que apenas a irmã da vítima teria visto o conteúdo. Decisão O relator do caso, juiz convocado Haroldo Toscano, rejeitou os argumentos da defesa. Segundo ele, o réu não comprovou que as imagens foram adulteradas, e a condenação se baseou não apenas nos registros, mas também nos depoimentos da vítima e da testemunha. O magistrado destacou que não importa quantas pessoas tiveram acesso ao conteúdo. “O simples ato de expor, sem consentimento, conteúdo íntimo de natureza sexual é suficiente para configurar o crime, sobretudo quando motivado por retaliação emocional.” Ele também ressaltou que, em casos de violência doméstica, a palavra da vítima tem especial relevância quando está em harmonia com outras provas. A pena fixada foi de 1 ano e 4 meses de reclusão, mas foi substituída pelo pagamento de dois salários mínimos e prestação de serviços à comunidade. Os desembargadores Beatriz Pinheiro Caires e Franklin Higino acompanharam o voto do relator. O processo tramita em segredo de Justiça, e por isso, outras informações não foram divulgadas. Teve um nude vazado? Saiba o que fazer No Brasil, a divulgação de imagens íntimas sem autorização já é crime previsto em lei. Veja abaixo como agir caso você seja vítima. Veja como denunciar exposição de nudes Gabriel Wesley Marques Santos / arte g1 Como o agressor é encontrado? Após registrar a ocorrência, as seguintes etapas são seguidas: A vítima é ouvida e pode ter seu celular ou outro dispositivo apreendido para que possa ser feita uma perícia específica com o objetivo de encontrar pistas sobre o suspeito; É necessário fazer a materialização das evidências - como prints de postagens - pois, por se tratar do ambiente o-nline, as provas podem desaparecer, aponta o delegado de crimes cibernéticos Higor Jorge; São analisados os rastros que foram deixados pelo agressor, como em quais redes sociais ou ambientes virtuais foram realizadas as ações, se houve ou não manipulação da foto ou do vídeo, entre uma série de outras coisas. Caso tenha a necessidade, a polícia solicita a quebra de sigilo de acesso às redes e contas de e-mail, por exemplo, consegue quebrar o 'IP', que é o número identificador do computador. Caso o material tenha sido postado em uma rede social, a polícia se encarregará de suspender a conta do agressor e tentar meios para interromper a viralização dos conteúdos. Compartilhar é crime? Sim, aqueles que recebem, por exemplo, um conteúdo de nudez por meio das redes sociais e o compartilha - mesmo sem ter sido o autor ou o primeiro a expor a imagem - também é considerado infrator e pode ser punido da mesma forma, explica Iolanda. A polícia, hoje, já consegue usar os métodos descritos no tópico anterior para rastrear os compartilhamentos e descobrir os autores. LEIA TAMBÉM: Adolescente é vítima de divulgação de fotos íntimas em Lima Duarte Homem é suspeito de ameaçar ex-companheira e divulgar vídeos íntimos dela na internet em MG VÍDEO: Teve um nude vazado? Prática é crime; saiba como denunciar Teve um nude vazado? Prática é crime; saiba como denunciar  VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: cibernético

Radares já conseguem medir seus batimentos cardíacos à distância, e a ciência debate como usar isso sem invadir sua privacidade

Publicado em: 19/03/2026 05:04

Radar usado em laboratório para captar sinais vitais à distância, como batimentos cardíacos. Pesquisadores desenvolveram o sistema MetaHeart, que consegue enganar o sensor ao refletir um padrão de batimento cardíaco fabricado. Rice University Por décadas, medir os batimentos cardíacos de alguém exigiu contato físico: um eletrodo, um oxímetro, uma pulseira colada ao pulso. Hoje, sensores de rádio já conseguem fazer isso à distância, sem fio, sem que a pessoa precise vestir qualquer aparelho. Nos últimos anos, esse tipo de tecnologia vem avançando num ritmo acelerado e já mostra resultados clínicos expressivos, desde detectar apneia do sono e acompanhar pacientes cardíacos em casa até monitorar bebês prematuros sem eletrodos na pele e identificar sinais precoces de sofrimento psicológico em trabalhadores. Mas à medida que esses sensores ficam menores, mais baratos e mais precisos (e passam a ser embutidos em laptops, roteadores e dispositivos domésticos), uma pergunta vem se tornando inevitável para especialistas: quem controla os dados que eles captam? Essa questão tem mobilizado pesquisadores de várias áreas. Enquanto alguns desenvolvem formas cada vez mais sofisticadas de monitorar sinais do corpo à distância, outros tentam criar mecanismos para impedir que essas informações sejam capturadas sem o conhecimento ou o consentimento Mas como essa tecnologia funciona — e por que ela preocupa especialistas em privacidade? Enteda mais abaixo: O que um radar consegue ver no seu corpo Os sensores no centro desse debate funcionam como um morcego: emitem ondas de rádio e analisam como elas retornam após bater em superfícies e objetos. A grande diferença aqui, contudo, é que eles são muito mais precisos que os mamíferos voadores. O coração faz o tórax vibrar a cada batimento, e essa vibração microscópica fica registrada no sinal que volta ao sensor. Grosso modo, computadores conseguem extrair esse padrão do ruído de fundo e estimar a frequência cardíaca de uma pessoa, mesmo que ela esteja sentada normalmente, com roupas comuns, a vários metros de distância. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo E os resultados já alcançados com isso são expressivos. Estudos recentes mostram que sensores de radar comerciais conseguem estimar a frequência cardíaca com erro médio de cerca de 5 a 6 batimentos por minuto em relação a faixas de referência, inclusive dentro de carros em movimento, com leituras de apenas cinco segundos. É uma precisão inferior à de equipamentos médicos de contato, mas suficiente para monitoramento contínuo em situações do dia a dia. Para o sono, revisões recentes indicam que wearables e sensores com inteligência artificial conseguem detectar episódios de apneia com acurácia entre 80% e 90%, em janelas de análise de pelo menos alguns segundos. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Além de contar batimentos, esses sensores conseguem captar algo mais revelador: a variação no intervalo entre um batimento e outro, um índice chamado de HRV, sigla em inglês para variabilidade da frequência cardíaca. Esse dado é um espelho do sistema nervoso autônomo, a parte do sistema nervoso que regula funções involuntárias como ritmo cardíaco e resposta ao estresse. Quando uma pessoa está sob pressão intensa ou com fadiga acumulada, o coração perde parte da sua capacidade natural de variar esse intervalo, e essa queda é mensurável. Em outras palavras: o coração revela, mesmo sem permissão, muito sobre o estado interno de quem o carrega. Paralelamente, outra tecnologia já avança bastante pelo mesmo caminho usando câmeras comuns. O princípio é simples: a cada batimento cardíaco, a pele muda sutilmente de cor porque o sangue pulsa pelos vasos próximos à superfície. Câmeras convencionais conseguem captar essa variação e, a partir daí, extrair a frequência cardíaca, respiração e outros sinais, apenas analisando o vídeo do rosto de uma pessoa, sem nenhum contato físico. A técnica já tem aplicações em consultas médicas remotas, mas levanta um problema imediato: qualquer câmera, em princípio, pode virar um sensor cardíaco sem que o alvo perceba. Sensores de rádio e até câmeras comuns já conseguem medir batimentos cardíacos à distância, sem contato físico. Mas quem controla esses dados biométricos? Pexels As promessas médicas O fato é que a maior parte da pesquisa nessa área tem motivação claramente médica, e os resultados são genuinamente promissores. Uma revisão publicada em 2022 reuniu as aplicações clínicas já demonstradas: acompanhamento de pacientes cardíacos e respiratórios em casa, diagnóstico de apneia do sono, prevenção de morte súbita em berços de prematuros, monitoramento de queimados sem encostar na pele lesionada, e até detecção de sinais vitais sob escombros em resgates após desastres. O instituto alemão Fraunhofer IDMT tem um projeto voltado especificamente a isso: começou com detecção de respiração durante o sono e foi expandido para outros sinais vitais, com foco em apneia, doenças pulmonares crônicas e quedas de idosos. A lógica é direta, um sensor no quarto pode acompanhar a saúde de um idoso continuamente, sem que ele precise vestir nada ou lembrar de carregar um aparelho. Na saúde mental, a conexão entre esses sensores e o sofrimento psicológico também começa a ganhar evidências. Um estudo de 2024 testou esse tipo de sensor em cadeiras de escritório com 30 voluntários, medindo a variação dos batimentos em sessões de cinco minutos duas vezes ao dia. Os resultados se alinharam bem aos de um eletrocardiograma convencional, e o sistema conseguiu identificar pessoas com alto sofrimento psicológico com boa precisão, sugerindo uso como ferramenta de triagem precoce. Um trabalho anterior, de 2019, mostrou que sensores semelhantes conseguem classificar estados mentais, incluindo fadiga cognitiva, com cerca de 82% de acurácia. E se os sensores à distância conseguem medir a variação dos batimentos com boa fidelidade (o que as pesquisas recentes indicam), eles se tornam candidatos naturais para detectar precocemente sinais de estresse crônico e fadiga acumulada, antes mesmo que a pessoa perceba o que está acontecendo com seu próprio corpo. O mesmo sensor, dois usos É exatamente aí que o debate se complica. A tecnologia que permite acompanhar a respiração de um idoso durante a noite é a mesma que poderia permitir a um empregador monitorar os batimentos cardíacos de funcionários durante o expediente, inferindo níveis de estresse e fadiga sem que eles soubessem ou concordassem. Pesquisadores da Universidade Rice, nos Estados Unidos, publicaram em fevereiro um estudo que torna essa ameaça concreta. O grupo demonstrou que sensores do tipo já presente em laptops e smartphones modernos conseguem medir batimentos cardíacos à distância com precisão suficiente para inferir presença, fadiga e estados fisiológicos de uma pessoa sentada em frente ao computador. "A razão principal pela qual esse tipo de sensoriamento tende a se tornar um método de vigilância prevalente no futuro é exatamente a falta de regulamentação governamental sobre ele", disse ao g1 a pesquisadora Dora Zivanovic, responsável pelo estudo. "Isso decorre precisamente do fato de as pessoas não associarem esses sensores ao monitoramento biométrico [a coleta de dados do corpo]". Zhambyl Shaikhanov, professor da Universidade de Maryland especializado em sistemas sem fio de próxima geração, aponta uma outra vantagem desses sensores que os torna especialmente difíceis de detectar ou evitar. "Radares de ondas milimétricas podem penetrar certos tipos de obstruções, como tecido ou roupa, e capturar sinais fisiológicos sutis sem exigir contato visual direto", explicou Shaikhanov ao g1, que não teve relação com o estudo da Universidade Rice. "Isso torna o radar uma tecnologia complementar poderosa para sensoriamento em ambientes onde câmeras podem ser ineficazes." A pesquisadora Dora Zivanovic, da Rice University, testa em laboratório o sistema MetaHeart. Rice University LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Diferente de câmeras, que já geram um debate público razoavelmente maduro sobre vigilância, esses sensores são completamente invisíveis na prática cotidiana. Não há como saber, por exemplo, ao entrar num ambiente, se há um deles capturando sinais do seu corpo. E, ao contrário de senhas ou outros dados digitais, informações cardíacas não podem ser trocadas se vazadas ou mal utilizadas. No mundo corporativo, empresas já coletam dados biométricos de funcionários por meio de smartwatches em programas de bem-estar. Especialistas em regulação alertam que esse dado, uma vez coletado, pode ser reutilizado para decisões sobre desempenho ou demissões, muitas vezes em zonas cinzentas da legislação, onde não há proibição expressa, mas também não há transparência sobre o que está sendo medido. Como proteger o que o sensor não deveria ver Diante desse cenário, uma linha de pesquisa emergente vem buscando criar formas de proteger os sinais do corpo antes que sejam capturados. O sistema desenvolvido pela equipe da Rice, chamado de MetaHeart, é uma das primeiras propostas nessa direção. O dispositivo usa um painel especial — uma metassuperfície capaz de manipular ondas eletromagnéticas de formas que materiais comuns não conseguem — posicionado entre a pessoa e o sensor. Assim, em vez de bloquear o sinal, o que poderia ser detectado, ele o substitui: troca o eco real dos batimentos por um padrão cardíaco fabricado na hora. "Enganamos o radar no nível do próprio sinal eletromagnético", disse Zivanovic. "Você pode programar o dispositivo com qualquer padrão de batimento cardíaco que quiser." Em laboratório, o sistema conseguiu falsificar as leituras com precisão acima de 98%. Para que esse tipo de proteção se torne viável fora do laboratório, porém, há obstáculos consideráveis a superar. Shaikhanov, que pesquisa justamente sistemas baseados em metassuperfícies, aponta dois desafios centrais. O primeiro é que a pessoa precisaria saber a frequência exata do radar que está tentando enganar, informação que raramente está disponível. O segundo é de escala: "O dispositivo precisaria cobrir uma porção suficientemente grande da área do corpo de onde os sinais biométricos se originam. As demonstrações atuais são protótipos pequenos, de escala laboratorial. Para implantação prática e ampla, a tecnologia precisaria ser dimensionada significativamente em tamanho e capacidade de fabricação, permanecendo leve, de baixo custo e vestível." Por décadas, medir os batimentos cardíacos exigia contato direto com o corpo, com sensores e eletrodos colados à pele. Pexels O que diz o direito brasileiro No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados — a LGPD — classifica dados biométricos como dados pessoais sensíveis, categoria que exige um tipo de proteção reforçada. Mas quando o sensor não coleta uma impressão digital ou uma imagem do rosto, e sim uma frequência cardíaca ou um padrão de respiração, o enquadramento jurídico fica menos evidente. "A LGPD não categoriza de forma exaustiva o que sejam sinais fisiológicos, razão pela qual o enquadramento depende do contexto técnico e do uso que se fará dessas informações", explica Eduardo Telles, sócio do Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown. Segundo ele, a análise parte de dois eixos: a possibilidade de vincular os dados a uma pessoa identificável e as inferências que o tratamento possibilita. "Quando medições como frequência cardíaca ou microexpressões faciais permitem inferências sobre saúde, como inferir obesidade ou risco cardíaco do usuário, tende a justificar-se proteção mais rigorosa", diz. A coleta silenciosa, característica central dos sensores discutidos nessa área, é o ponto de maior risco jurídico imediato. "A falta de transparência pode gerar riscos jurídicos relevantes e sanções regulatórias", alerta Ana Letícia Allevato, associada do mesmo escritório. Ela explica que, antes de qualquer implantação desse tipo de tecnologia, organizações deveriam elaborar um Relatório de Impacto à Proteção de Dados, documento que mapeia riscos, avalia alternativas menos invasivas e documenta a necessidade e a proporcionalidade do que está sendo coletado. Allevato também chama atenção para o chamado desvio silencioso de finalidade: quando dados coletados para um propósito — saúde ou segurança, por exemplo — migram para usos comerciais não autorizados. Aliado a isso, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados — a ANPD — tem sinalizado que quer endurecer as regras nessa área. Em 2025, chegou a suspender um programa que oferecia recompensas financeiras a quem cedesse a leitura da íris para empresas de tecnologia. E já anunciou que a biometria será uma das prioridades regulatórias nos próximos anos. Na Europa, o caminho já está mais avançado: uma lei de inteligência artificial aprovada pela União Europeia passou a proibir, em 2025, o uso de qualquer tecnologia que tente inferir o estado emocional de trabalhadores a partir de dados do corpo, seja por câmera, smartwatch ou radar. Para Shaikhanov, o desafio maior dos próximos anos será garantir que a evolução dessas tecnologias venha acompanhada de proteções equivalentes. "Sistemas avançados de sensoriamento são cada vez mais capazes de extrair informações sensíveis sem o conhecimento ou o consentimento de uma pessoa", diz. "Isso levanta questões importantes sobre como essas tecnologias devem ser projetadas, regulamentadas e implantadas." Em busca de vida alienígena, Nasa dá passo decisivo para mergulhar no oceano congelado da lua de Júpiter Nova espécie de dinossauro gigante é descoberta no Brasil e tem ligação com fóssil da Espanha Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'

Armas nucleares: o cálculo de sobrevivência de Kim Jong-un diante da guerra no Irã

Publicado em: 19/03/2026 05:00

Coreia do Norte quer expandir produção de mísseis A guerra no Irã vêm sendo vista por analistas como um sinal de que o presidente dos EUA, Donald Trump, não está disposto a abandonar o intervencionismo. A morte do aiatolá Ali Khamenei, precedida pela captura do ditador Nicolás Maduro, acendeu o alerta sobre até onde pode ir esse movimento, e se o interesse americano poderia se estender também à Coreia do Norte de Kim Jong-un. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Embora haja paralelos entre Irã e Coreia do Norte, ambos isolados e fortemente sancionados pelo Ocidente, uma diferença na relação dos dois países com os EUA é crucial: Pyongyang tem armas nucleares. Impedir o desenvolvimento de artefatos do tipo foi justamente a justificativa da Casa Branca para bombardear o Irã. Mas isso é o suficiente para que Kim Jong-un se mantenha a salvo da pressão americana? Para Jeongmin Kim, diretora da consultoria Korea Risk Group, a Coreia do Norte tenta manter um perfil discreto neste momento, longe do frenesi do discurso por desnuclearização que antes pressionava sua política externa e colocava o país na lista de prioridades dos EUA. "Há várias razões para a Coreia do Norte ser muito cuidadosa sobre como abordar isso. O arsenal nuclear norte-coreano é supostamente muito mais desenvolvido [que o do Irã]", afirmou. "Mas, ainda assim, o que aconteceu no Irã foi que, durante o que eles acreditavam ser uma negociação com o governo Trump, o ataque ocorreu. Da perspectiva da Coreia do Norte, esse é um cenário que eles realmente não querem ver acontecer com eles mesmos." Um dos ensinamentos mais valiosos dos acontecimentos recentes é que manter armas nucleares é fundamental para a sobrevivência do regime liderado por Kim Jong-un. Pyongyang pode usar a ameaça de seu arsenal nuclear, combinada com avanços na tecnologia de mísseis balísticos, tanto como instrumento de pressão em negociações quanto para garantir que os EUA teriam de arriscar uma guerra nuclear para derrubar o regime. Desnuclearização sai da lista de prioridades O líder norte-coreano Kim Jong-un e o presidente dos EUA, Donald Trump, durante encontro em Panmunjom, na Coreia do Sul, em junho de 2019 Kevin Lamarque/Reuters/Arquivo Durante o governo do ex-presidente americano Barack Obama, os EUA mantiveram o que chamavam de "paciência estratégica" em relação ao programa nuclear norte-coreano. O primeiro governo Trump tentou atuar na pauta de forma mais incisiva. Os dois líderes se encontraram em Singapura em junho de 2018 para uma cúpula inédita, após meses de uma retórica hostil – o americano chegou a chamar Kim de um "homem-foguete em uma missão suicida". A reunião rendeu uma declaração não vinculativa de Pyongyang com o compromisso de "desnuclearização completa" da Península Coreana. Um ano depois, porém, o andamento da proposta já havia fracassado. No governo de Joe Biden, a Coreia do Norte ficou oficialmente em segundo plano na política externa de Washington. "Ironicamente, embora o dossiê da Coreia do Norte tenha perdido prioridade tanto para os EUA quanto para a Coreia do Sul, seu arsenal foi muito fortalecido, quase exponencialmente, porque agora eles têm combustível sólido, combustível líquido e mísseis balísticos que podem atacar o Japão", afirma a pesquisadora Jeongmin Kim. A própria Coreia do Norte diz ser capaz de atingir até o território continental dos EUA. Analistas concordam, porém, que caso Trump decida recorrer a táticas mais robustas pela desnuclearização da Coreia do Norte, Kim buscará ajuda de seus dois aliados mais poderosos: Rússia e China. Contudo, os dois países se abstiveram de entrar no conflito iraniano e fizeram pouca pressão contra a derrocada de Maduro na Venezuela. "É algo que os líderes norte-coreanos observam: embora tenhamos uma cláusula e um tratado de defesa mútua com Rússia e China, eles não serão capazes de nos defender completamente quando algo assim acontecer", avalia a especialista. Sem a certeza de apoio de seus únicos aliados, a desnuclearização parece uma alternativa distante para a Coreia do Norte. Em setembro, o país afirmou que sua posição como um Estado com armas nucleares é irreversível e que comentários americanos sobre o tema são "anacrônicos". "Pode-se dar adeus a qualquer esperança que ainda restasse de que Pyongyang abriria mão de suas armas nucleares, já que a Coreia do Norte simplesmente não vai participar de nenhuma negociação sobre nada", avalia Andrei Lankov, professor de história e relações internacionais na Universidade Kookmin, em Seul. "Os ataques ao Irã são o último prego nesse caixão." Coreia do Sul também é pressionada Caças sul-coreanos F-15K disparam sinalizadores durante exercícios militar conjunto com os EUA em Puncheon, na Coreia do Sul, em 6 de março de 2025. Yonhap via AP Além disso, o fato de a Coreia do Norte possivelmente depender agora mais do que nunca de seu programa nuclear para garantir a sobrevivência do regime pode ter enormes implicações para seu vizinho do Sul. Esse é um problema para Seul porque eles também não sabem o quão confiáveis seus melhores aliados são neste momento. "O único aliado de sangue que a Coreia do Sul tem, que são os Estados Unidos, tornou‑se pouco confiável ou, basicamente, não tradicional", lembra Jeongmin Kim. Na Estratégia de Defesa Nacional mais recente dos EUA, a Coreia do Sul foi tomada como capaz de se defender com seus próprios meios, o que limita o apoio militar americano ao país a casos críticos. "Da perspectiva da Coreia do Sul, o risco e a ameaça aumentaram, mas também aumentou a pressão sobre suas próprias defesas quando se trata de capacidades convencionais." Um relatório da 38 North, um think tank especializado em assuntos norte-coreanos administrado pelo Stimson Center, sediado em Washington, publicado nesta segunda-feira (16), pontua que Coreia do Norte conseguiu desenvolver seu programa nuclear ao dissuadir os Estados Unidos, em 1994, de atacar suas instalações de pesquisa nuclear graças à sua capacidade de infligir danos massivos a Seul. Dessa maneira, a ameaça de retaliação iraniana diante de ataques ao seu programa nuclear nunca foi tão extrema quanto a ameaça de Pyongyang contra a Coreia do Sul. Derrubar Kim Jong-un nos planos de Trump? O líder norte-coreano Kim Jong Un visita uma fábrica de munições em Pyongyang, Coreia do Norte, nesta foto divulgada em 12 de março de 2026 pela Agência Central de Notícias da Coreia (KCNA), órgão oficial da Coreia do Norte. KCNA via REUTERS Apesar do estado de alerta com a incerta atuação americana, uma tentativa de derrubar Kim Jong-un por meios militares parece mais distante. A analista do Korea Crisis Group argumenta que a ação no Irã foi justificada pelos EUA como um apoio a Israel. Se a mesma lógica fosse usada por Washington, seria necessária uma ofensiva de Seul para legitimar a presença americana em uma eventual intervenção contra Kim. "Mas não há nenhuma possibilidade da Coreia do Sul, pelo menos o governo atual, realizar um ataque inicial contra a Coreia do Norte, a menos que haja um sinal confiável e iminente de um ataque em massa do lado norte-coreano contra o lado sul-coreano", afirma. O relatório do 38 North afirmou ainda que outra lição para o regime de Kim é que a liderança precisa ser protegida e posições de contingência devem estar prontas caso o governante seja eliminado. Ainda assim, a Coreia do Norte certamente ficou encorajada pela forma como o Irã conseguiu resistir até agora a uma força militar muito superior, avalia Kim Sang-woo, ex-político sul-coreano e atualmente membro do conselho da Fundação para a Paz Kim Dae-jung. "Creio que Pyongyang está observando como a situação está evoluindo e eles devem estar bastante satisfeitos com os resultados até agora", opina. "O Irã conseguiu colocar os EUA em uma posição difícil. Eles achavam que terminariam o trabalho rapidamente, como fizeram na Venezuela, mas agora parecem estar presos e sofrendo pressão interna e internacional." VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: tecnologia

Nunes cria regras de transparência para emendas parlamentares em SP cinco meses após determinação do STF; MP investiga atraso

Publicado em: 19/03/2026 05:00

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o ministro do STF, Flávio Dino. Montagem/g1/Divulgação/GESP e Valter Campanato/Agência Brasil O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), publicou na terça-feira (17) um decreto determinando transparência e rastreabilidade nas emendas parlamentares de vereadores e deputados estaduais e federais para o município de São Paulo (leia os detalhes mais abaixo). O decreto do prefeito paulistano foi publicado cinco meses depois de uma determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). E, também, depois que o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) determinou a abertura de inquérito policial para apurar as razões para o presidente e oo vice da Câmara Municipal de São Paulo, Ricardo Teixeira (União Brasil) e João Jorge (MDB), respectivamente, além do próprio Executivo municipal, não cumprirem as determinações do STF. A decisão do ministro Flávio Dino aconteceu em outubro de 2025. Na época, ele determinou que todos os estados, o Distrito Federal e os municípios sigam o modelo federal de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares consolidado a partir de determinações da Corte, a fim de garantir a fiscalização dos recursos públicos aplicados por políticos e facilitar investigações de corrupção. “Caberá aos tribunais de contas e aos Ministérios Públicos estaduais a adoção de providências para assegurar que a execução das emendas, no âmbito dos entes federativos, siga esse parâmetro a partir do orçamento de 2026”, disse o ministro na época. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As regras deveriam ter sido adotadas já na execução das emendas deste ano, o que não aconteceu. Em nota, a prefeitura informou que "já possui regras próprias, claras e em pleno funcionamento, antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal, para dar transparência e orientar a execução das emendas parlamentares na cidade" (leia a íntegra mais abaixo). Já a Câmara disse que "tem há anos um sistema público de transparência que identifica, incluindo o nome do autor, todas as emendas apresentadas" (leia mais abaixo). Ao abrir um inquérito para investigar o descumprimento da determinação na cidade de São Paulo, a promotora Karyna Mori, da 6ª Promotora de Justiça do Patrimônio Público e Social, observou que os membros da Câmara e do Poder Executivo estavam atrasados no cumprimento da determinação judicial. A promotora determinou que os vereadores Ricardo Teixeira e João Jorge compareçam ao MP em 30 de março para prestar esclarecimentos sobre o atraso e a não adoção dos critérios de transparência na indicação das emendas de 2026. Na portaria de instauração de inquérito, Karyna Mori também determinou que a Polícia Civil investigue o atraso da Câmara em se adequar às normas judiciais. Embora o município tenha já disponibilizado a relação de emendas no site da Casa Civil municipal, a promotora destacou que a gestão Nunes e a Mesa Diretora da Câmara Municipal precisam adotar protocolos para atender corretamente à determinação do STF. Ela observou que a Prefeitura de São Paulo precisa “disponibilizar a relação de Notas de Liquidação emitidas desde 2025 em transferências federais e estaduais” para a cidade, com a obrigatoriedade de disponibilizar a conta bancária específica que recebeu os recursos, com disponibilização no sistema de transparência pública. “A aplicação das emendas na área da saúde pública está sujeita a regras de governança do SUS, visando fortalecer a transparência. Todas as indicações de emendas deve ser previamente submetidas às áreas técnicas quanto à prioridade, viabilidade e exequibilidade e as contratações decorrentes de emendas têm sido, em regra, precedidas de licitação”, lembrou a promotora. O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Ricardo Teixeira (União Brasil), e o vice-presidente João Jorge (MDB). Montagem/g1/Douglas Ferreira/Rede Câmara LEIA MAIS: Deputado do MDB destina R$ 2,2 milhões em emenda pix para recapear ruas de condomínio de luxo onde mora em SP CGU e MPF apuram envio de R$ 2,2 milhões em emenda por deputado federal do MDB para condomínio de luxo onde mora em SP Beverly Hills Paulista: Prefeitura de Barueri recapeou 30 vezes mais o condomínio de luxo de deputado do MDB do que bairros pobres vizinhos, diz relatório Entenda como a briga por um cão fujão de Simone Mendes revelou emenda parlamentar para condomínio de luxo em SP O que dizem os envolvidos Em nota, a prefeitura informou que "já possui regras próprias, claras e em pleno funcionamento, antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal, para dar transparência e orientar a execução das emendas parlamentares na cidade. Desde 2020, o Decreto municipal nº 59.210 estabelece procedimentos e prazos para viabilizar as ações previstas por essas emendas". "Em 2023, outro decreto (nº 63.097) regulamentou o recebimento e a execução de recursos vindos de emendas da União e outros entes federativos. Portanto, o Município atua com total lisura e transparência nessa questão. Além disso, por recomendação do Tribunal de Contas do Município (TCM), feita após a decisão do STF, a Prefeitura providenciou uma atualização desses regramentos neste ano e publicou na segunda-feira (16) o Decreto nº 65.022, que aprimora a transparência e atualiza procedimentos. A Prefeitura não foi notificada, até o momento, pelo MPSP", disse. Também por meio de um comunicado, a Câmara Municipal afirmou que "a decisão do ministro Flávio Dino tem validade a partir de 1º de janeiro de 2026, ou seja, não estava em vigor durante a tramitação do Projeto da Lei Orçamentária no ano passado". "Independentemente disso, a Câmara Municipal de São Paulo já tem há anos um sistema público de transparência que identifica, incluindo o nome do autor, todas as emendas apresentadas pelos vereadores durante a tramitação da Lei Orçamentária Anual. O sistema está disponível no Portal da Transparência da Câmara, em "Dados Abertos", "Orçamento do Município de São Paulo", no link: https://saeoconsulta.saopaulo.sp.leg.br/", afirmou o comunicado. Já em relação à execução orçamentária (gasto efetivo dos recursos), a Câmara diz que a responsabilidade pela aplicação das emendas e controle "é de responsabilidade discricionária do Poder Executivo" e da equipe do prefeito Ricardo Nunes (MDB). "Cabe lembrar que no município de São Paulo não existem emendas parlamentares impositivas, ou seja, a liberação e a execução das emendas ocorrem a critério do Executivo. Em dezembro do ano passado, o Tribunal de Contas do Município (TCM) publicou a Resolução 28/2025, que trata do controle e transparência das emendas por meio de sistemas e procedimentos a serem adotados pelo Poder Executivo, que também publicou decreto recente com as regras para o mesmo fim", afirmou o órgão. Novas regras municipais Verba de emenda pix de deputado é usada para recapear ruas de condomínio do parlamentar As regras de transparência impostas pelo STF nas emendas parlamentares aconteceram em razão de uma série de escândalos envolvendo desvios de verbas, corrupção e mau uso dos recursos públicos dessas chamadas 'emendas pix' ao redor do país. Em São Paulo, o g1 revelou em julho do ano passado que o deputado federal Fábio Teruel (MDB) destinou R$ 2,2 milhões em emenda parlamentar para o recapeamento do condomínio de luxo onde mora, em Barueri, na Grande São Paulo (veja mais aqui). De acordo com o novo decreto publicado no Diário Oficial pelo prefeito de São Paulo, “a prestação de contas das emendas parlamentares é obrigatória” para qualquer parlamentar e pasta para onde o recurso é destino. O decreto também diz que a administração municipal manterá página específica na internet denominada "Emendas Parlamentares" no Portal da Transparência do Município de São Paulo, com publicação de todas as informações relativas ao repasse e à execução das emendas municipais, estaduais e federais. “Em caso de irregularidades na prestação de contas, será concedido prazo para regularização; não sendo sanadas, será instaurado procedimento para apuração de responsabilidades e devolução dos recursos, assegurados o contraditório e a ampla defesa”, diz o decreto. “Os documentos relativos à execução e à prestação de contas das emendas parlamentares serão mantidos pelo prazo mínimo de 5 (cinco) anos, contados da aprovação das contas, para fins de fiscalização pelo Tribunal de Contas do Município de São Paulo e demais órgãos de controle interno e externo”, afirma.

Palavras-chave: câmara municipal

O momento de comprar chegou: TV Hisense 4K de 65" com desconto imperdível no Mercado Livre

Publicado em: 19/03/2026 04:56 Fonte: Tudocelular

Com bordas finas e qualidade de imagem 4K, a Smart TV Hisense 65A6NV chegou ao mercado para intensificar ainda mais a disputa no segmento de televisores intermediários premium, já que reúne tecnologias avançadas a um valor mais acessível! E, para quem pretende renovar a televisão da sala, surgiu uma ótima oportunidade, já que o modelo de 65 polegadas entrou em promoção no Mercado Livre e, por período limitado, pode ser adquirido por R$ 2.882 à vista, ou por R$ 3.099 em 10 parcelas de R$ 309,90 sem juros! Hisense Smart TV 4K 65 Polegadas 65A6NV com Dolby Vision, HDR10, HLG, Dolby Gaming, Film Maker, DTS Virtual X, Compatibilidade Alexa e Google Home Mercadolivre R$2.882 Ver Oferta Sobre a Hisense 65A6NVCom opções de 50 a 75 polegadas, a linha A6NV surge como uma excelente alternativa para quem deseja tecnologia avançada de imagem sem precisar desembolsar uma fortuna.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Samu, denúncias na polícia e demandas nas prefeituras: veja como acionar serviços públicos por aplicativo ou WhatsApp no ES

Publicado em: 19/03/2026 04:01

Do Samu ao Disque-Denúncia: veja serviços que já podem ser acessados sem ligação no ES Carlos Dias/G1 Pedir socorro ou uma ambulância com urgência, fazer uma denúncia ou até resolver demandas do dia a dia com a prefeitura já não depende mais de uma ligação telefônica no Espírito Santo. Vários serviços públicos já podem ser acionados por aplicativos ou pelo WhatsApp. O objetivo é agilizar atendimentos e ampliar o acesso da população. A novidade mais recente é o 192 Fácil, aplicativo lançado no início deste mês para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) no estado. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo a Secretaria de Saúde, um dos principais avanços da ferramenta é o envio automático da localização do usuário. Com isso, as equipes conseguem chegar mais rápido ao local da ocorrência, sem depender apenas da descrição de quem pede ajuda. A tecnologia também ajuda a reduzir um problema antigo: as chamadas “zonas de sombra”, áreas rurais ou de difícil acesso onde o sinal de telefonia é instável. Nesses casos, o aplicativo pode facilitar o acionamento do serviço. O app 192 Fácil está disponível gratuitamente nas lojas de aplicativos. LEIA TAMBÉM: CNH SOCIAL: ES oferece 9 mil vagas para habilitação gratuita; veja como participar CONFIRA AS ALTERAÇÕES: Começa a valer sistema binário em Vila Velha Samu tem aplicativo para usuário no ES Denúncias também pelo WhatsApp Outro serviço que passou por modernização foi o Disque-Denúncia 181. Desde o fim de 2025, denúncias anônimas também podem ser feitas pelo WhatsApp, no número (27) 99253-8181. Ao iniciar a conversa, o cidadão é atendido por uma assistente virtual, que conduz o envio das informações em um passo a passo semelhante ao do site oficial. Todo o processo é automatizado e sem contato humano. Segundo o serviço, a tecnologia garante o anonimato, com uso de criptografia e sistemas que impedem a identificação do denunciante. Atualmente, o Disque-Denúncia pode ser acionado por três canais: Telefone (181) Site (disponível desde 2018) WhatsApp - (27) 99253-818 Outros serviços disponíveis no celular Um levantamento feito pelo g1 mostra que outros serviços públicos também já podem ser acessados sem ligação telefônica. Confira: Sistema prisional O Conecta Sejus, da Secretaria de Estado da Justiça do Espírito Santo, funciona pelo WhatsApp e reúne informações sobre o sistema prisional. Pelo canal, é possível consultar dados como cadastro de visitantes, localização de presos, regras de visita, atendimentos de saúde e contatos das unidades. Atualmente, o sistema prisional capixaba possui mais de 25 mil presos e mais de 60 mil familiares cadastrados. De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça, a demanda de informação é grande, por isso a ferramenta foi desenvolvida. O Conecta Sejus pode ser acessado por meio do WhatsApp, no número (27) 99291-5689, ou pelo site. Prefeituras da Grande Vitória Vitória Vitória Online: É um App gratuito que disponibiliza aos moradores e visitantes da cidade, acesso a diversos serviços públicos, que vão desde a visualização de boletins escolares dos alunos, agendamentos de saúde, acionamento de serviços, até a ferramenta "Vitória 360º" para identificação de pontos turísticos via câmera. A ferramenta está disponível para download gratuito nas lojas de aplicativo. VitórIA: Canal para facilitar o acesso dos munícipes aos agendamentos, confirmação e desmarcação de consultas serviços de saúde. A população pode interagir com a VitórIA, uma assistente virtual baseada em Inteligência Artificial integrada ao sistema de gestão em saúde do município, a Rede Bem-Estar. O contato pode ser feito por meio do número (27) 98107-0240. Projeto Visitar: O Projeto Visitar Centro Histórico oferece monitoria gratuita em monumentos históricos de quarta a domingo, 13h às 17h (com variações). O roteiro inclui a Catedral Metropolitana, Convento São Francisco e Igreja do Carmo, focando na revitalização e turismo cultural no Centro. O agendamento de visitas para grupos com mais de 10 pessoas pode ser feito pelo WhatsApp, no número (27) 99634-0234. Vila Velha O Vila Velha On é um aplicativo gratuito desenvolvido pela Prefeitura de Vila Velha, ES, para conectar cidadãos aos serviços públicos municipais via smartphone. Ele permite agendar consultas e vacinas, consultar a disponibilidade de medicamentos nas unidades de saúde (UBS), solicitar reparos urbanos, atualizar o CadÚnico e acessar notícias, facilitando o acesso sem sair de casa. A ferramenta está disponível para download gratuito nas lojas de aplicativo. Serra Na Serra, a plataforma Colab reúne mais de 100 serviços, como denúncias de irregularidades e pedidos de manutenção urbana. Entre os serviços mais utilizados pelos moradores estão as denúncias de ocupação irregular de via pública e de obras em desacordo com as normas legais, além de solicitações relacionadas à infraestrutura urbana e fiscalização. O Colab pode ser baixado gratuitamente em qualquer loja de aplicativos ou acessado por meio do site. Viana Em Viana, o Disque-Silêncio pode ser acionado por meio do WhatsApp no número (27) 99967-9873 ou pelo site. A Guarda Municipal de Viana também atende pelo aplicativo de conversa, no número (27) 99738-8787, e a Defesa Civil, no número (27) 99860-4360. Já serviços de saúde, podem ser acionados no aplicativo CONSUS, disponível nas plataformas para ANDROID e lOS. Cariacica Já a prefeitura de Cariacica informou que mantém os canais disponíveis no site oficial do município. Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

'Primeiro emprego' aos 27 anos: jovem explica viral e abre debate: existe idade para começar a trabalhar?

Publicado em: 19/03/2026 04:01

O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. X/ Reprodução "Hoje é um dia especial. Pela primeira vez, nos meus 27 anos, consegui meu primeiro emprego". O texto, publicado por Matheus Tavares na rede X (antigo Twitter), ultrapassou 2 milhões de visualizações em poucas horas. A mensagem emocionada, escrita no primeiro dia de trabalho, rapidamente viralizou. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Mas, entre elogios e mensagens de apoio, também surgiram críticas: "Me pergunto como tu chegou nessa idade sem se sentir um completo inútil", escreveu um usuário. Diante da repercussão, Matheus voltou às redes para explicar o que não havia dito no primeiro post. Não se tratava de nunca ter trabalhado. Ao contrário: ele construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Já foi office-boy, fotógrafo, garçom, vendedor, corretor, motoboy, motorista de aplicativo, mecânico, camelô, trabalhou com manutenção de celulares e chegou a abrir pequenos negócios. Ao g1, ele detalhou: o 'primeiro emprego" a que se referia era, na verdade, o primeiro vínculo com uma empresa — ainda que não seja no regime de Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). “Aos 27 anos, nunca fui CLT. Mas agora tenho meu primeiro emprego formal, meu primeiro cargo, meu primeiro vínculo com uma empresa. Antes eu tinha trabalhos. Agora tenho um emprego”, resume. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo Matheus, a oportunidade como engenheiro de software surgiu por meio de um contrato como pessoa jurídica (PJ) em uma empresa de São Paulo (SP). CLT: profissional contratado com carteira assinada, possui vínculo empregatício e tem acesso a direitos como férias, 13º salário e FGTS. PJ: contratado como pessoa jurídica, atua como prestador de serviços, emite nota fiscal e não tem vínculo empregatício nem benefícios previstos na CLT. Mas, apesar da explicação de Matheus, a repercussão já havia tomado grandes proporções. O tweet — acompanhado da foto no primeiro dia de trabalho — viralizou e extrapolou a história individual. A discussão ganhou novos contornos: existe idade certa para começar a trabalhar? Profissionais sem vínculo formal são mal vistos? É possível construir carreira fora da CLT? Mudar de área depois dos 25 anos é arriscado? Em um Brasil em que 38,5 milhões de pessoas ainda vivem na informalidade, segundo dados recentes do IBGE, e com o envelhecimento da população em andamento, histórias como a de Matheus ajudam a iluminar uma transformação mais profunda no mercado de trabalho. Trajetória fora do mercado formal Antes de chegar à tecnologia, Matheus percorreu um caminho irregular. Começou cedo: aos 14 e 15 anos, conciliava escola, cursinho e trabalho como office-boy no centro de São Paulo. Na época, queria seguir carreira militar, mas não conseguiu aprovação antes de atingir o limite de idade. Depois disso, vieram mudanças de cidade, trabalhos diversos e dificuldade para acessar o mercado formal. Em Canoas (RS), atuou como motoboy, teve os primeiros contatos com tecnologia e chegou a abrir uma loja de manutenção. Mais tarde, voltou a dirigir por aplicativo. Com problemas no carro e sem dinheiro para consertos, aprendeu mecânica por conta própria, o que acabou virando profissão por um período. Ao longo desses anos, Matheus afirma que nunca deixou de trabalhar. Mas também nunca teve um vínculo formal. O momento atual do mercado também influencia esse movimento, explica o economista Bruno Imaizumi. O desemprego atingiu o menor nível da série histórica do IBGE ano passado, indicando maior abertura de vagas. "No momento em que o Brasil se encontra (mercado de trabalho aquecido), todos os tipos de ocupação vem ganhando força, especialmente com carteira assinada e conta própria. Nos últimos anos, vimos o avanço da formalização do mercado de trabalho, mas ainda há muito para melhorar". Entre elogios e mensagens de apoio, post de Matheus Tavares também surgiram críticas X/ Reprodução Há uma idade certa para começar? O cenário exposto por Imaizumi ajuda a explicar por que trajetórias como a de Matheus são mais comuns do que parecem — e abre espaço para um debate que foi além do caso individual: afinal, ainda faz sentido falar em uma idade “certa” para começar uma carreira? Para o economista, a resposta passa por mudanças estruturais que vêm redesenhando o mercado de trabalho. O envelhecimento da população, o maior tempo dedicado aos estudos e a transformação do próprio conceito de carreira ajudam a explicar por que entradas mais tardias no mercado formal deixaram de ser exceção. "Hoje, buscamos pessoas com maior qualificação por meio do estudo. Há também diferenças no que significa sucesso profissional para um jovem de hoje em comparação com duas gerações atrás. Antes, sucesso estava ligado a fazer carreira em uma única empresa. Hoje, isso não é mais verdade". A avaliação é compartilhada pelo professor Edgard Rodrigues. Segundo ele, a ideia de um “timing ideal” perdeu força diante de trajetórias cada vez mais diversas. “As carreiras estão menos lineares, e o momento de entrada não define o potencial do profissional”, afirma. Na prática, isso significa que começar mais tarde não é, necessariamente, um problema — desde que haja preparo. Para Daniel Consani, CEO do Top RH, o mercado já começou a absorver essa mudança. “As pessoas entram, saem, mudam de área, empreendem. O que conta hoje não é quando você começou, mas o quanto está preparado agora", afirma. Matheus Tavares construiu uma trajetória longa, marcada por diferentes ocupações informais. Matheus Tavares Desafios para validar a experiência profissional A história de Matheus também expõe uma distinção importante — e muitas vezes invisível: a diferença entre trabalhar e ter um emprego formal. Durante anos, ele acumulou experiências, responsabilidades e aprendizados. Ainda assim, enfrentou barreiras ao tentar acessar o mercado formal, especialmente em processos seletivos. “Eu era barrado no RH antes de falar com o gestor técnico”, relata. A dificuldade revela um desafio comum a quem vem da informalidade: transformar experiência prática em algo reconhecido pelas empresas. Segundo Rodrigues, esse filtro ainda existe, mas vem mudando. “Empresas mais modernas estão migrando para modelos de recrutamento que focam mais em competências reais do que no histórico formal”, explica. Consani reforça que essa mudança já é perceptível no dia a dia do recrutamento. “A ausência de carteira assinada pode gerar questionamentos, mas não é mais um impeditivo. O que pesa é a consistência e a capacidade de gerar resultado.” Como apresentar experiências fora da CLT Se antes a informalidade era vista como fragilidade, hoje ela pode se transformar em vantagem competitiva — dependendo de como o profissional apresenta sua trajetória. “Quem trabalhou como PJ, freelancer ou em aplicativos desenvolveu habilidades como autonomia, gestão do tempo e relação com o cliente”, afirma Consani. Rodrigues complementa que até experiências consideradas simples podem gerar repertório relevante. O ponto central está na capacidade de traduzir essas vivências para a linguagem do mercado. Ou seja, mais do que listar atividades, é preciso mostrar impacto: o que foi feito, como foi feito e quais resultados foram alcançados. A repercussão do caso também evidenciou um julgamento ainda presente: a ideia de que quem não seguiu uma trajetória tradicional está "atrasado". Para os especialistas, esse tipo de visão persiste, sobretudo em ambientes mais conservadores. Mas vem perdendo espaço. “Empresas mais competitivas já perceberam que trajetórias diferentes contribuem para inovação”, diz Consani. Rodrigues acrescenta que novas gerações tendem a reduzir esse tipo de preconceito, inclusive em relação à idade e ao tempo de carreira. “Não adianta ter experiência se você não consegue organizá-la e comunicá-la”, ressalta Rodrigues. Consani concorda que o problema, muitas vezes, não está na trajetória, mas na forma como ela é apresentada. “Não é sobre quanto tempo você levou, mas sobre o que construiu nesse tempo.” Para ele, assumir a própria história, estruturar uma linha de evolução e destacar aprendizados e resultados pode mudar completamente a percepção do recrutador.

Palavras-chave: tecnologia

Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos?

Publicado em: 19/03/2026 04:01

Quais países poderão lucrar com a guerra no Irã — e quais serão os mais atingidos? BBC Guerras raramente têm vencedores claros. E as populações civis costumam pagar o preço mais alto. Com os mercados globais de energia e as cadeias de abastecimento desordenadas, alguns países estão se preparando para enfrentar severas consequências econômicas. Mas outros conseguiram encontrar novas oportunidades estratégicas em meio ao caos. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã trazem consequências dramáticas para a região e para o mundo. Ela desestabilizou os países do Golfo e levou centenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas em todo o Oriente Médio. Além da zona de guerra, o pico dos preços do petróleo e a interrupção do tráfego marítimo no Golfo, especialmente nas proximidades do Estreito de Ormuz, elevam os custos para empresas e consumidores. Mas quais países podem sair ganhando ou perdendo em meio à crise? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Rússia O Irã é um importante aliado e parceiro militar da Rússia. A morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei (1939-2026), marca mais um revés para Moscou no campo externo, após a deposição de Bashar al-Assad, na Síria, e a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela, pelos Estados Unidos. Ainda assim, o conflito no Oriente Médio poderá oferecer à Rússia uma vantagem na sua própria guerra, afastando os recursos militares americanos da Ucrânia. "O esgotamento dos interceptadores e mísseis Patriot é benéfico para a Rússia, pois ele limita o que a Ucrânia pode conseguir no mercado", explica à BBC News Rússia a professora Nicole Grajewski, do Centro de Estudos Internacionais do Instituto de Estudos Políticos de Paris, na França. A morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, marca mais um revés diplomático para o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Anadolu via Getty Images via BBC Mas a maior demanda de drones iranianos Shahed por Teerã, provavelmente, não trará impactos significativos às capacidades de Moscou na Ucrânia, segundo especialistas. "A Rússia dependeu do Irã para cooperação no setor de defesa durante um período muito específico, no início da guerra na Ucrânia, quando o Irã forneceu drones Shahed e, o mais importante, a tecnologia de produção e licenças desses drones, em 2022-2023", explica à BBC News Hanna Notte, diretora para a Eurásia do Centro de Estudos sobre Não Proliferação, nos Estados Unidos. "Estamos, agora, em um estágio em que a Rússia não precisa do Irã para prosseguir com a guerra na Ucrânia", prossegue ela. "A Rússia pode produzir drones Shahed sozinha." Shahed-136, drone 'kamikaze' BBC Paralelamente, o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã tem asfixiado o transporte de petróleo e gás, fazendo os preços dos combustíveis dispararem. Isso pode dar um certo alívio financeiro para a Rússia, que sofre pressões significativas devido à guerra na Ucrânia. O orçamento federal da Rússia considera a exportação do petróleo do país a US$ 59 por barril. Mas, agora, o preço do petróleo bruto aumentou significativamente e chegou a atingir quase US$ 120 por barril. E, com a maior parte dos países do Golfo reduzindo sua produção, a Rússia pode conseguir exportar mais petróleo para mercados importantes, como a China e a Índia. Na última semana, o governo americano anunciou uma flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo da Rússia. A medida prevê uma isenção temporária de cerca de 30 dias para permitir que países comprem petróleo e produtos petrolíferos russos sancionados que já estavam em navios no mar, numa tentativa de conter a alta global dos preços da energia. Embora limitada, a medida pode facilitar temporariamente as exportações russas e gerar receitas adicionais para Moscou. China A China ainda não sofreu efeitos graves da guerra no Irã. Mas ainda irá sentir as pressões. Apenas cerca de 12% do petróleo bruto importado pela China vem do Irã, segundo o Centro de Política Energética Global. Além disso, Pequim detém estoques de petróleo suficientes para vários meses e poderá facilmente pedir ajuda à Rússia em seguida. Mas o "setor industrial orientado à exportação" da China também será atingido, segundo Fyfe. As exportações representam cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês — o valor total das mercadorias produzidas e dos serviços fornecidos pelo país. Por isso, elas se tornaram um importante motor da sua economia, prejudicada pela queda dos preços dos imóveis e pelo fraco consumo doméstico. A interrupção do tráfego marítimo na região do Estreito de Ormuz não é um grande problema para a China, mas chegar ao Oceano Atlântico é fundamental para os produtos chineses que se dirigem ao Ocidente. E, no outro lado da Península Arábica, o Estreito de Bab el-Mandeb, que conecta a Ásia, a Europa e a África, sofreu ataques dos houthis do Iêmen, uma milícia armada apoiada pelo Irã. "É muito provável que o tráfego no mar Vermelho seja novamente muito prejudicado, com navios cargueiros de longo curso da Ásia que desejam chegar à bacia do Atlântico sendo desviados para contornar o sul da África e o Cabo da Boa Esperança", explica Fyfe. "Existe um alto custo a pagar por isso", afirma o especialista em Oriente Médio Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres. O trajeto "aumenta a viagem em 10 a 14 dias. E, dependendo da mercadoria, para um navio médio, o custo adicional é de cerca de US$ 2 milhões. Mas a guerra no Irã pode oferecer oportunidades diplomáticas para a China, que tenta se posicionar como um parceiro responsável em comparação com os Estados Unidos, segundo Philip Shetler-Jones, do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês). O presidente chinês, Xi Jinping, continuará projetando sua imagem como líder global estável e previsível, em oposição ao líder americano, Donald Trump. E o conflito poderá também ser uma chance para Pequim "procurar indicações" sobre como Trump pode reagir sobre outros temas polêmicos, como Taiwan, a ilha autogovernada reivindicada pela China. Economias emergentes Imensamente dependentes do petróleo e gás do Oriente Médio, os países do sudeste asiático devem ser fortemente atingidos pela guerra. Alguns deles já tomaram medidas drásticas de austeridade, na esperança de reduzir seus impactos econômicos o mais cedo possível. No Vietnã, o preço do óleo diesel já aumentou em 60% desde o início da guerra. E o governo pediu a todos que trabalhem de casa, quando possível. As Filipinas importam cerca de 95% do seu petróleo bruto do Oriente Médio. Os funcionários do setor público do país, agora, trabalham quatro dias por semana, exceto pelos serviços de emergência. Restrições similares foram impostas no Paquistão, com exceção dos bancos. Sempre que possível, foram emitidas ordens para que os funcionários trabalhassem de casa e as aulas das universidades ocorrem via internet. Em pronunciamento pela televisão, o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif declarou que é fundamental conservar e racionar cuidadosamente as reservas de combustível do país. Em Bangladesh, o governo enfrenta o pânico dos consumidores. Longas filas nos postos de gasolina levaram ao racionamento. É permitida a compra de 10 litros por dia para os carros e apenas dois litros para as motocicletas. Mas as consequências da guerra podem ir muito além da falta de energia. Agricultores de todo o mundo dependem de fertilizantes para abastecer o solo com nutrientes necessários para o cultivo de alimentos e aumentar a resistência das safras. Qualquer interrupção pode gerar insegurança alimentar global. "30% da ureia do mundo, matéria-prima para a fabricação de fertilizantes, passa pelo Estreito de Ormuz", explica Quilliam. "A ureia vem de produtos petroquímicos, derivados do processo de refração de petróleo bruto." "Por isso, se você retirar 30% da ureia dos mercados globais, haverá impactos concretos sobre a segurança alimentar mundial." Após os ataques às suas instalações, a QatarEnergy — um dos maiores exportadores de gás do mundo e produtor de ureia para a fabricação de fertilizantes — precisou declarar força maior, uma medida de emergência que permite às empresas suspender temporariamente a produção e fornecimento. "Você poderá muito bem observar impactos em termos de segurança alimentar e inflação daqui a seis a nove meses", segundo Quilliam. "Pode ainda não se materializar, mas, à medida que a produção for prejudicada ou os agricultores enfrentarem dificuldades para conseguir fertilizantes, veremos um impacto de longo prazo." Com colaboração da BBC News Hindi e de Elizaveta Fokht, da BBC News Rússia.

Palavras-chave: tecnologia

O anticristo na porta do Vaticano: palestra de bilionário de IA em Roma causa mal-estar na Igreja

Publicado em: 19/03/2026 03:01

Peter Thiel na Conferência Bitcoin, em 7 de abril de 2022, em Miami Beach, Flórida. AP Photo/Rebecca Blackwell, Arquivo O bilionário de tecnologia Peter Thiel iniciou, neste domingo (15), uma série de palestras em Roma que geraram mal-estar na Igreja Católica. Os encontros, que duraram até esta quarta-feira (18), discutiram o conceito de anticristo. Segundo o jornal "The New York Times", nesta segunda-feira (16), o crachá dos convidados indicava que a conferência se chamava "O Anticristo Bíblico". O jornal afirmou ainda que ao menos um padre participou do evento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos em alta do g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 De acordo com o jornal, embora Thiel já tenha realizado encontros semelhantes em outras cidades, a Igreja só começou a se manifestar por causa da proximidade do evento com o Vaticano. Na véspera da chegada de Thiel a Roma, o padre Paolo Benanti, que aconselha o papa sobre inteligência artificial, publicou um ensaio com o título: "Heresia americana: Peter Thiel deveria ser queimado na fogueira?". No texto, ele afirma que o bilionário atua como um "teólogo político" no Vale do Silício. "Toda a ação de Thiel pode ser vista como um ato prolongado de heresia contra o consenso liberal: um desafio aos próprios fundamentos da convivência civil, que ele agora considera ultrapassados", escreveu Benanti. Em outra frente, um jornal da Conferência Episcopal Italiana — que reúne bispos do país — também publicou textos com críticas a Thiel. Um artigo alertava que líderes de tecnologia não deveriam definir seus próprios limites éticos e defendia que governos garantam a supervisão democrática das plataformas digitais e combatam a disseminação de desinformação. Interesses de Thiel Conhecido por ter fundado a PayPal e a Palantir Technologies, Thiel vem ampliando o interesse por temas religiosos e filosóficos. Thiel já realizou encontros semelhantes em São Francisco e Paris. Nas palestras, o empresário discutiu cenários em que uma figura com características do anticristo poderia surgir no mundo. O empresário afirma se basear em profecias bíblicas para alertar que um anticristo poderia surgir ao tentar criar um governo mundial único, prometendo evitar desastres como guerras nucleares, avanços da inteligência artificial e mudanças climáticas. Os encontros desta semana foram fechados ao público e à imprensa, com participação restrita a convidados. O endereço não foi divulgado e, segundo os organizadores, o grupo reuniu participantes dos setores acadêmico, tecnológico e religioso.

Dois sistemas operacionais anunciam saída do Brasil e 'culpam' ECA Digital; entenda o que está em jogo

Publicado em: 19/03/2026 03:00

ECA Digital: estão em vigor as novas regras para menores em redes sociais, jogos e sites Com a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) na terça-feira (17), ao menos dois sistemas operacionais independentes anunciaram que não prestarão mais serviços no Brasil. Os comunicados foram feitos pelos projetos MidnightBSD e Arch Linux 32, ambos de software livre e código aberto. Eles alegam que não têm condições de cumprir as exigências do ECA Digital. (saiba mais abaixo) 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A lei determina, por exemplo, que sistemas operacionais e lojas de aplicativos devem aferir a idade ou a faixa etária dos usuários. Depois, a informação precisa ser enviada para plataformas como redes sociais, que devem oferecer experiência adequada. As decisões dos dois sistemas levaram tanto a críticas ao ECA Digital, conhecido como Lei Felca, quanto a avaliações de que a saída deles foi uma decisão precoce. LEIA MAIS ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária Google, Meta e TikTok explicam como verificam idade de usuários no Brasil Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes MidnightBSD, sistema operacional de código aberto que funciona como alternativa ao Windows Lucas Holt/Wikimedia Commons Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, disse que, como os sistemas têm código aberto, cada pessoa poderia modificar a programação e derrubar verificações exigidas pelo ECA Digital. "Qualquer um dos recursos exigidos pela Lei Felca, se implantados no sistema [de código aberto], podem ser modificados, adulterados, desligados ou até removidos pelo próprio usuário", afirmou. "A lei não dá garantias explícitas e não arbitrárias de que [os projetos] possam continuar desenvolvendo essa tecnologia com segurança jurídica e financeira no país". Paulo Rená, pesquisador do Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS), afirmou que o ECA Digital estabelece sistemas operacionais como parceiros, e não como alvos, na fiscalização para proteger crianças e adolescentes. "Os sistemas operacionais não são nem mesmo apontados como a causa dos problemas das violações de direitos de crianças e adolescentes como a gente verifica, por exemplo, na dinâmica das redes sociais", disse. "O foco da lei não é derrubar o sistema operacional, é trazê-los como parceiros para auxiliar especificamente na questão da aferição de idade, sem nenhuma caça às bruxas". ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária O que dizem os sistemas O MidnightBSD classificou a verificação prevista no ECA Digital como uma "bobagem" e incentivou usuários a pedirem uma mudança da lei. "Jamais conseguiremos cumprir as exigências do Brasil". "Não somos uma empresa e não temos receita para pagar por serviços de verificação. Também não acreditamos nessas leis. Elas foram criadas para proteger grandes empresas, não crianças", disse o projeto. "Revisamos nossa licença para incluir jurisdições adicionais que implementem leis de verificação de idade. Residentes do Brasil não estão mais autorizados a usar o MidnightBSD". Apesar da declaração, até terça-feira (17), ainda era possível baixar o sistema operacional por meio do site oficial do projeto. Já os administradores do Arch Linux 32 suspenderam o site no Brasil e disseram que "não é possível prestar serviços na sua jurisdição". Eles citaram ainda uma restrição na Califórnia por conta de uma lei parecida com o ECA Digital. "Não possuímos a infraestrutura legal ou os recursos financeiros para implementar os mecanismos de 'garantia de idade auditável' e 'verificação de identidade' exigidos por essas leis", diz o comunicado. "Para evitar multas catastróficas que forçariam o encerramento permanente deste projeto globalmente, fomos obrigados a implementar este bloqueio regional". O bloqueio será mantido até as leis serem esclarecidas, revogadas ou alteradas para isentar projetos de software livre e de código aberto, segundo o Arch Linux 32. Arch Linux 32, sistema operacional de código aberto que funciona como alternativa ao Windows Reprodução ECA Digital exige representante no Brasil O ECA Digital também determina que os serviços tenham representante legal no Brasil para responder a eventuais intimações e questionamentos de autoridades. Isso não exige a criação de uma empresa no país. "Basta um representante que, nesse momento, pode ser uma pessoa física com CPF, um advogado. É só um ponto de contato que pode servir até para as comunidades descentralizadas", explicou Rená, do IRIS. Na avaliação de Ayub, da Sage Networks, a lei força as plataformas de código aberto a tomarem uma decisão: bloquear o acesso no Brasil para não descumprir as regras ou ignorar as exigências e torcer para escaparem de uma punição. "A maioria desses sistemas são desenvolvidos por programadores voluntários, sem financiamento ou receita. Ter um escritório ou advogado os representando no Brasil antes de terem desrespeitado qualquer outra lei além do ECA Digital é um custo proibitivo", avaliou. Pessoa digitando computador FreePik Ele apontou ainda para uma "insegurança jurídica" e disse que a exigência de aferição de idade em todos os sistemas e lojas de aplicativos pode afetar serviços como redes sociais e assistentes de inteligência artificial, por exemplo. Plataformas que não demonstrarem estar agindo para proteger crianças e adolescentes poderão ser punidas com advertência, multa de até 10% do faturamento ou R$ 50 milhões por infração, suspensão ou proibição no Brasil. "Qualquer inovação via internet, novo site, app, inteligência artificial ou serviço que surja de alguma garagem ou quarto universitário no mundo será, desde o seu nascimento, ilegal no Brasil e sujeita às sanções de multa e bloqueio de forma discricionária da ANPD". Rená, por outro lado, disse que sistemas podem terceirizar a aferição para parceiros, o que facilitaria a adequação à lei. E destacou que eventuais sanções seguem um rito, considerando a gravidade da violação e o direito à defesa. "Esse descumprimento vai ser analisado com o devido processo legal, com proporcionalidade e razoabilidade. Isso quer dizer que não é qualquer pequena violação que vai gerar um bloqueio", afirmou. ECA Digital começa a valer e impõe novas regras para crianças e jovens

Justiça condena vereador do Recife por incitar 'linchamento virtual' e expor internauta que comentou morte de Charlie Kirk

Publicado em: 19/03/2026 00:00

Vereador Gilson Machado Guimarães Filho (PL) Reprodução/Instagram O vereador do Recife Gilson Machado Filho (PL), filho do ex-ministro do Turismo Gilson Machado Neto, foi condenado pela Justiça a pagar R$ 10 mil por danos morais após expor um internauta nas redes sociais e incitar o que a decisão classificou como “linchamento virtual”. O caso teve início após o internauta comentar, em uma publicação do parlamentar no Instagram, sobre a morte do ativista estadunidense Charlie Kirk, assassinado em setembro de 2025. Na mensagem, ele escreveu: “Bolsonaro condenado e o outro indo encontrar Deus. Sorriam!”. Cabe recurso da decisão. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Em resposta, o vereador publicou a foto do autor do comentário com a frase “vamos deixar ele famoso” em seus perfis no Instagram e no X. Segundo a ação, a exposição fez com que o internauta passasse a receber ameaças de morte, ataques homofóbicos e ofensas racistas. "Em decorrência dessa exposição massiva e direcionada por agente político com expressivo alcance digital, passou a sofrer linchamento virtual, recebendo ameaças de morte, ataques homofóbicos e ofensas de caráter racial, tais como 'macaco negro de merda' e 'beiço de chimpanzé'", diz o texto da sentença. LEIA TAMBÉM: Gilson Filho joga Constituição no chão e chama Moraes de 'ditador' na Câmara Piada capacitista, gesto obsceno, castração química: veja polêmicas do vereador Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na decisão, o juiz Antônio Sobreira Lopes, do 2º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo de Olinda, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), afirmou que, embora a conduta do autor da ação seja “reprovável”, a reação do parlamentar ultrapassou os limites. "É de se reconhecer, desde logo, que a conduta do autor foi lastimável. Ao publicar comentário, (...) deu a entender, de forma inequívoca, que comemorava a morte de uma pessoa – postura eticamente reprovável, que ofende a sensibilidade mínima esperada no convívio social e no debate público", diz a sentença. Apesar disso, o magistrado destacou que houve excesso na conduta do parlamentar ao expor o internauta nas redes sociais. "O que não se admite é que um agente político, investido de mandato eletivo e dotado de expressivo alcance comunicacional, convoque seus milhares de seguidores para 'deixar famoso' um cidadão comum, transformando a reação legítima a um comentário reprovável em verdadeira campanha de perseguição virtual", diz o texto. Na sentença, a defesa do vereador afirmou que ele agiu dentro do direito de crítica política e em resposta a uma manifestação pública considerada ofensiva do autor. Ainda de acordo com a defesa, o conteúdo original não foi alterado e os comentários com teor racista e ameaçador foram feitos por terceiros, o que afastaria a responsabilidade direta. A defesa também destacou que a Comissão de Ética da Câmara Municipal arquivou denúncia sobre o caso, por não identificar quebra de decoro parlamentar. Na decisão, o juiz determinou: pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10 mil; manutenção da exclusão de postagens com a imagem e o nome do autor em perfis no Instagram e no X; aplicação de multa de R$ 500 por cada nova publicação, limitada a R$ 15 mil; Por outro lado, a Justiça negou alguns pedidos: rejeitou a solicitação de retratação pública, por considerar que a indenização é suficiente; negou o envio do caso ao Ministério Público. O que diz o vereador Procurado pelo g1, o vereador afirmou que recebeu a notícia da sentença com surpresa. Segundo ele, a decisão “beneficia alguém que celebrou a morte de um pai de família por divergências ideológicas”. Em nota, o parlamentar declarou que: acredita que o respeito e a compaixão devem estar acima de qualquer posição política; jamais considerou aceitável que a morte trágica de uma pessoa seja comemorada; a equipe jurídica já está adotando as medidas cabíveis. Ele afirmou também que não ultrapassou os limites da liberdade de expressão nem da defesa da dignidade humana, e reforçou a confiança na Justiça. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: câmara municipal

Governo dos EUA registra domínio 'alien.gov' após Trump ordenar divulgação de arquivos sobre ETs

Publicado em: 19/03/2026 00:00

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos em foto de 17 de março de 2025 Reuters/Kylie Cooper O governo dos Estados Unidos registrou na quarta-feira (18) os domínios "alien.gov" e "aliens.gov", que terminam com uma extensão exclusiva para órgãos públicos do país. Os endereços surgiram um mês após o presidente Donald Trump ordenar a publicação de arquivos americanos sobre "vida alienígena". 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Eles foram identificados por um perfil na rede social Bluesky que monitora endereços virtuais de órgãos federais dos EUA. E podem ser confirmados por meio do site who.is, que reúne dados sobre registros de domínios. Apesar do registro, ainda não é possível acessar nenhum site nos dois endereços. À imprensa dos EUA, a Casa Branca não deu detalhes além da expressão "fiquem atentos", seguida de um emoji de alienígena 👽. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como prints do bloco de notas criaram mais rastros de conversa entre Vorcaro e Moraes Vídeos no TikTok simulam agressões a mulheres em meio a recorde de feminicídios Youtuber diz não ter R$ 70 mil para pagar condenação por ridicularizar bebê e pede a juiz: 'Por favor, reconsidere' Veículos de imprensa dos EUA têm ligado o endereço à ordem de Trump para abrir arquivos confidenciais sobre a suposta existência de extraterrestres. "Devido ao grande interesse demonstrado, instruirei o Secretário da Guerra e outros Departamentos e Agências relevantes a iniciarem o processo de identificação e divulgação de arquivos governamentais relacionados à vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAPs) e objetos voadores não identificados (OVNIs)", disse Trump em fevereiro. A declaração foi feita dias após o ex-presidente Barack Obama comentar a possibilidade da existência de vida extraterrestre no podcast do apresentador Brian Tyler Cohen. "Eles são reais, mas eu não os vi, e não estão sendo mantidos na... 'Área 51'. Não há nenhuma instalação subterrânea, a menos que haja essa enorme conspiração e eles tenham escondido isso do presidente dos Estados Unidos", disse Obama. A "Área 51" é uma instalação confidencial da Força Aérea dos EUA em Nevada que é tema de teorias da conspiração sobre a suposta presença de corpos de alienígenas e uma nave espacial. Arquivos da CIA divulgados em 2013 indicaram que o local servia para testes de aviões espiões ultrassecretos. Arquivos de E.T.s: Trump rebate Obama e manda revelar documentos sobre alienígenas Trump reclamou da declaração e acusou Obama de revelar informações sigilosas. "Ele cometeu um grande erro", disse o atual presidente. Críticos afirmaram que Trump está usando a discussão sobre existência de vida alienígena como estratégia para mudar o foco. "Eles lançaram mão da arma definitiva de distração em massa, mas os arquivos de Epstein não vão desaparecer, nem mesmo para alienígenas", disse o deputado republicano Thomas Massie, em fevereiro. O parlamentar acusou o governo de ser pouco transparente na divulgação de informações sobre o caso de Jeffrey Epstein, bilionário acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores. O Pentágono, nos últimos anos, iniciou um esforço para investigar relatos de objetos voadores não identificados (OVNIs), e líderes militares de alto escalão disseram em 2022 que não encontraram evidências que sugerissem que alienígenas visitaram a Terra. Um relatório do Pentágono de 2024 disse que as investigações do governo dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial não encontraram evidências de tecnologia extraterrestre e que a maioria dos avistamentos era de objetos e fenômenos comuns identificados erroneamente. ECA Digital: sites pornôs seguem sem checar idade, e redes tentam adivinhar faixa etária

Palavras-chave: tecnologia

'Chegou a hora de agir': serviço de inteligência de Israel cria grupos no Telegram para recrutar iranianos em meio à guerra

Publicado em: 19/03/2026 00:00

Mossad: entenda como funciona a agência secreta de Israel O serviço de inteligência de Israel, o Mossad, abriu canais em persa no Telegram para se comunicar diretamente com iranianos em meio à guerra contra a República Islâmica. As contas divulgam instruções de contato seguro e incentivam o envio de informações de dentro do Irã. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Um dos canais foi criado em 24 de dezembro, poucos dias antes do início de uma onda de manifestações contra o regime dos aiatolás. A mensagem de boas-vindas diz: “Se você chegou até aqui, provavelmente deseja entrar em contato conosco. Ficamos felizes”. O perfil, verificado pelo próprio portal da agência, orienta como falar com o Mossad por meio de um agente conversacional ou pelo site oficial. Em 6 de março, após o início da guerra, o canal publicou um apelo: “Continuem enviando informações do terreno. Vocês são testemunhas da verdade”. Cerca de 48 mil usuários estão inscritos. Outra conta, chamada “Mossad Oficial”, surgiu no início do mês. O perfil publica mensagens semelhantes e vídeos gerados por inteligência artificial. Em um deles, membros da milícia Basij aparecem assustados com um possível ataque. Em outro, um homem tira uma foto discretamente com o celular. LEIA TAMBÉM Trump avalia enviar mais tropas ao Oriente Médio e considera operação terrestre no Irã, diz agência Irã anuncia nova fase da guerra e diz que vai atacar instalações de energia ligadas aos EUA Incêndio e banheiros entupidos obrigam EUA a retirar maior porta-aviões do mundo de operação contra o Irã Recrutamento Aplicativo Telegram Carlos Henrique Dias/g1 Em meio à guerra, o Mossad intensificou os esforços nas redes sociais para recrutar iranianos. Enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convoca iranianos a “assumirem o controle do próprio destino”, uma campanha mais discreta ocorre online há meses. “Chegou a hora de agir. Uma breve conversa pode iniciar um novo capítulo para você. Entre em contato conosco por meio de uma linha segura”, diz uma das mensagens. A presença do Mossad nas redes não é nova, mas ganhou força com a guerra. Antes dos canais no Telegram, a agência já havia ampliado a comunicação com iranianos em outras plataformas. O Mossad “realiza esse tipo de operação há décadas, utilizando as ferramentas e tecnologias disponíveis”, afirma Yossi Melman, jornalista israelense especializado em defesa e inteligência. “Assim como outros serviços de inteligência estrangeiros, a agência financiou publicações e estações de rádio em países inimigos”, disse o especialista à AFP. “O Mossad não inventou nada de novo. A CIA faz isso há anos”, acrescentou. ‘Make Iran Great Again’ Carros passam por outdoor que mostra porta-aviões americano bombardeado no centro de Teerã, capital do Irã ATTA KENARE / AFP Seis meses antes da abertura do canal no Telegram, outra conta, chamada “Mossad Farsi”, surgiu na rede social X. A primeira mensagem foi publicada em 25 de junho, logo após a guerra de doze dias entre Israel e Irã. Hoje, o perfil tem mais de 60 mil seguidores. As primeiras publicações incluíram vídeos de Menashe Amir, radialista israelense nascido em Teerã, que passou mais de seis décadas transmitindo em persa para iranianos. Amir confirmou à AFP que a conta era administrada pela agência, embora não conste na lista oficial divulgada pelo Mossad. “A primeira mensagem (vídeo) que postaram comigo teve 2.200.000 visualizações”, disse, orgulhoso. A conta não foi autenticada oficialmente, mas é considerada ligada ao Mossad pela imprensa israelense. O perfil publicou críticas sarcásticas a líderes iranianos e outros conteúdos, como oferta de consultas de telemedicina, uma sequência enigmática de números e uma enquete sobre quem deveria liderar o país para enfrentar a crise hídrica. Também divulgou um vídeo com a frase “Make Iran Great Again” (Tornar o Irã grande novamente), adaptação do slogan de Donald Trump, “Make America Great Again”. O tom das mensagens se intensificou após protestos em massa no Irã no fim de dezembro de 2025, que foram reprimidos com violência. “Saiam às ruas juntos. Chegou a hora. Estamos com vocês. Não apenas à distância ou com palavras, estamos com vocês no terreno”, dizia uma das publicações. Na terça-feira, poucas horas depois de Israel matar Ali Larijani, um dos principais líderes iranianos, e um comandante da Basij, a conta comentou: “Pessoas cruéis acabam morrendo”. VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1