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Enem 2025: veja o que pode e o que não pode levar nos dias de prova

Publicado em: 08/11/2025 11:27

Enem 2025: saiba o que levar no dia das provas Mais de 120 mil piauienses devem participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 nos dias 9 e 16 de novembro. O número é o maior registrado nos últimos cinco anos, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). No primeiro dia, os participantes respondem questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Redação e Ciências Humanas e suas Tecnologias. No segundo dia, as provas são de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. O g1 separou uma lista com o que o candidato pode e não pode levar nos dias de prova. Confira: ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp O que levar para o Enem Documento oficial com foto (físico ou digital, como e-Título, CNH Digital ou RG Digital); Caneta preta de corpo transparente; Cartão de confirmação da inscrição (opcional, mas recomendado). Também é permitido: Água, lanche e bebidas não alcoólicas, de preferência em embalagens transparentes e sem rótulo; Artigos religiosos (quipá, véu etc.) ; Materiais de acessibilidade, se puderem ser vistoriados; Máscara facial, caso o participante deseje usar; Bolsa ou mochila, que deve permanecer debaixo da cadeira, sem ser manuseada durante a prova. O que não pode levar Óculos escuros, boné, chapéu, viseira, gorro e similares; Canetas não transparentes, lápis, borrachas, réguas e corretivos; Livros, anotações e impressos; Relógios e protetor auricular; Aparelhos eletrônicos, como celulares, fones, smartwatches, calculadoras e pen drives. Celulares e eletrônicos devem estar desligados e lacrados no envelope fornecido pelos aplicadores. Se emitirem som, mesmo dentro do envelope, o candidato será eliminado. Horários das provas (horário de Brasília) Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início da prova: 13h30 Término do 1º dia: 19h Término do 2º dia: 18h30 As provas do Enem serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro de 2025 Paulo Pinto/Agência Brasil *Gabriely Corrêa, estagiária sob supervisão de Ilanna Serena. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

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Bares e tabacarias são alvos de operação policial em Campo Grande

Publicado em: 08/11/2025 11:25

Polícia Militar de Mato Grosso do Sul PMMS/Reprodução A Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semades) e a Polícia Militar realizaram uma operação na madrugada deste sábado (8) para reforçar a fiscalização em bares, conveniências e tabacarias. A ação teve como objetivo verificar se os estabelecimentos estavam com as licenças de funcionamento. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Ao todo, dez estabelecimentos foram fiscalizados. Alguns deles já tinham sido autuados antes por falta de documentação. Nestes casos, novas multas foram aplicadas, e os responsáveis receberam orientações sobre as exigências legais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As equipes da Polícia Militar abordaram 35 pessoas, mas nenhuma irregularidade foi encontrada e ninguém foi levado para a delegacia. Em nota, a Polícia Militar e a Semades afirmaram que seguem comprometidas com a ordem pública e a segurança da comunidade. *Estagiário sob supervisão Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

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Bombeiros usam câmera térmica para controlar fogo em fábrica no Ceará; entenda a tecnologia

Publicado em: 08/11/2025 11:19

Fábrica de etiquetas é atingida por incêndio em Maracanaú. Créditos: Corpo de Bombeiros do Ceará Um incêndio de grandes proporções atingiu uma fábrica de etiquetas no Bairro Jenipapeiro, em Maracanaú, na Região Metropolitana de Fortaleza, na manhã deste sábado (8), por volta das 4h. Não há feridos. Conforme o Corpo de Bombeiros, os agentes foram acionados por uma pessoa que passava pela Avenida Manoel Moreira Lima e percebeu as chamas no interior da fábrica. ✅ Clique e siga o canal do g1 no WhatsApp Durante a ocorrência, a corporação utilizou uma câmera térmica, tecnologia que permite maior eficiência no combate ao fogo, além de maior segurança para os militares e as vítimas. (veja mais detalhes abaixo). Bombeiros usaram uma escada articulada para despejar água por cima da fábrica. Corpo de Bombeiros/ Divulgação Equipes dos bombeiros de Maracanaú e Fortaleza foram ao endereço e quando chegaram no local encontraram o prédio da fábrica encoberto por fumaça preta. Durante o combate ao fogo, parte dos agentes entrou na fábrica, enquanto outro grupo usou a escada articulada, que permitiu jogar a água por cima do prédio. No início da manhã, a guarnição de Maracanaú permaneceu no local para fazer o rescaldo e evitar novos focos de incêndio. Entenda como funciona a câmera térmica Câmeras térmicas auxiliaram os agentes no combate ao incêndio na fábrica de etiquetas, em Maracanaú. Corpo de Bombeiros/ Divulgação A câmera térmica usada pelos bombeiros é infravermelha, regulada inclusive pelo Exército Brasileiro e projetada para funcionar em condições extremamente severas. Ela permite a fácil visualização de pontos de focos, ajudando no reconhecimento do local, ao mesmo tempo, em que proporciona maior segurança ao agente e agilidade na busca por vítimas. O equipamento também contribui no rescaldo e aumenta a eficácia na utilização da menor quantidade de água para debelar o incêndio. Além desses usos em ocorrência, quando utilizada em instrução, ela se torna uma ferramenta técnica de precisão capaz de indicar com antecedência o momento exato que o cômodo entrará em “flashover”, ou seja, quando ocorre a generalização do incêndio na sua temperatura máxima e todo o ambiente fica em chamas. Fábrica de etiquetas foi atingida por incêndio em Maracanaú. Corpo de Bombeiros/ Divulgação Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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O que é a escala Fujita Aprimorada, usada para medir a intensidade de tornados

Publicado em: 08/11/2025 11:02

Tornado mata 5 pessoas e deixa mais de 400 feridos no interior do Paraná Cidades do interior do Paraná foram devastadas pela passagem de um tornado tornado com ventos de mais de 250 km/h na sexta-feira (7). Ao menos seis pessoas morreram e 432 receberam algum tipo de atendimento médico, segundo dados do governo do estado. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) informou que o tornado atingiu a categoria EF3, numa escala que vai até cinco. "EF3" é a abreviação de "Enhanced Fujita 3", ou seja, o tornado chegou à classificação 3 na escala Fujita Aprimorada. ▶️ A escala Fujita Aprimorada (EF) é um índice usado para avaliar a intensidade dos tornados com base na destrução causada pelo fenômeno. Ela é utilizada de forma oficial nos EUA, entre outros países, desde 2007, quando substituiu a escala Fujita original, também chamada de Fujita-Pearson (F). Assim como esta, a EF classifica os tornados em uma escala que vai de 0 (menos intenso) a 5 (mais intenso). Segundo o Serviço Meteorológico Nacional dos EUA, conhecido como NWS (National Weather Service), profissionais avaliam os estragos causados por um tornado com base em uma lista de indicadores de danos, que ajuda a estimar as velocidades do vento que o tornado provavelmente produziu. Feita a avaliação de danos, os estudiosos estimam as velocidades de rajadas de vento de pelo menos 3 segundos de duração que atuaram sobre o local. Com esse número, o índice EF é atribuído a cada fenômeno, conforme a tabela abaixo: EF0: rajadas de ventos de 3 segundos entre 104 km/h a 137 km/h (65 a 85 milhas por hora); danos leves EF1: rajadas de ventos de 3 segundos entre 138 km/h e 177 km/h (86 e 110 milhas por hora); danos moderados EF2: rajadas de ventos de 3 segundos entre 178 km/h e 217 km/h (111 e 135 milhas por hora); danos consideráveis EF3: rajadas de ventos de 3 segundos entre 218 km/h e 266 km/h (136 e 165 milhas por hora); danos severos EF4: rajadas de ventos de 3 segundos entre 267 km/h e 321 km/h (166 e 200 milhas por hora); danos devastadores EF5: rajadas de ventos de 3 segundos com mais de 321 km/h (mais de 200 milhas por hora); danos incomensuráveis A NWS esclarece que a escala Fujita Aprimorada é feita com base em estimativas, não em medições de ventos. "A rajada de 3 segundos não corresponde ao mesmo vento observado em medições de superfície padrão. As medições padrão são feitas por estações meteorológicas em locais abertos, utilizando uma velocidade medida diretamente, como, por exemplo 'uma milha em um minuto'", explica o site oficial da agência. Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Globonews A destruição é medida a partir de uma lista de 28 "indicadores", que se referem a um objeto ou estrutura danificada — celeiros, residências pequenas, árvores resistentes e não resistentes, postes, torres, edifícios de até 3 andares, edifícios de 5 a 20 andares etc. Cada um desses indicadores é classificado em uma escala de dano que vai de 1 a 8. A reunião de todos esses dados produz o índice final. Por ter sido desenvolvido nos EUA, a escala leva em conta as práticas construtivas americanas, que não refletem necessariamente as utilizadas no Brasil: ao contrário daqui, casas não costumam ser feitas de alvenaria, por exemplo. Os profissionais precisam adaptar os parâmetros para estimar a velocidade dos ventos fora dos EUA. No Brasil, a escala Fujita Aprimorada não é utilizada de forma oficial. O meteorologista Samuel Braun, do Simepar, disse ao g1 PR que a classificação do tornado desta sexta foi estimada com base nas imagens da destruição e em informações de radares meteorológicos. Ciclone extratropical O tornado se formou devido a um ciclone extratropical que atinge o sul do país e também provocou chuva forte e estragos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No Sudeste, os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro estão em alerta. Os ventos fortíssimos arrancaram árvores e postes devastaram casas. Mais de mil pessoas estão desabrigadas. Bombeiros e agentes da Defesa Civil ainda buscam sobreiventes na manhã deste sábado. Imagens registradas por moradores na cidade de Rio Bonito do Iguaçu mostram um cenário de extema destruição. Segundo relatos, houve também queda de granizo. A Defesa Civil diz que 80% da cidade ficou destruída. Rio Bonito do Iguaçu tem cerca de 14 mil habitantes e fica a 400 km de Curitiba. O Simepar explicou que a cidade foi atingida por uma tempestade do tipo supercélula, que é caracterizada pela presença de um mesociclone, uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem. Segundo o meteorologista Samuel Braun, a principal diferença do tornado em relação a uma tempestade comum é a rotação do vento. Outros fatores também colaboraram para a formação do tornado, diz ele. "O ambiente atmosférico estava muito úmido, aquecido. Há também outros fatores, por exemplo, como a diferença dos ventos entre a superfície e os níveis mais elevados da atmosfera. Nós chamamos na meteorologia de cisalhamento. Então, esse cisalhamento estava extremamente elevado. São vários fatores que contribuíram para a formação dessas tempestades e do tornado nessa cidade." Braun afirma que, em 23 anos como meteorologista, esse foi o evento mais forte que presenciou. "Foi bastante devastador. Até mesmo por categorias. Não me recordo de chegarmos ao EF3." Com informações de g1 PR e RPC.

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Enem 2025: confira dicas de professores para o primeiro dia de prova

Publicado em: 08/11/2025 10:35

Enem Vanguarda estreia neste sábado (8) O primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025 é neste domingo (9). Nesta etapa, os candidatos encaram 45 questões de Linguagens, 45 de Ciências Humanas e uma redação — o tempo máximo para a realização da prova é de 5h30. 📅 O segundo dia será no domingo seguinte (16), com 45 questões de Matemática e 45 de Ciências da Natureza. Neste caso, o tempo máximo é de cinco horas. Na região do Vale do Paraíba e Bragantina, o exame reúne 50.670 inscritos confirmados nesta edição. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp As provas do Enem serão aplicadas nos dias 9 e 16 de novembro de 2025 Paulo Pinto/Agência Brasil Chegou a hora de respirar fundo e revisar o que foi aprendido ao longo do ano. Para ajudar na reta final, o g1 conversou com professores do Vale do Paraíba e preparou um resumão prático com dicas sobre as três áreas que caem neste primeiro domingo. Veja abaixo: 🗣️ Linguagens, Códigos e suas Tecnologias O bloco de Linguagens reúne conteúdos de português, língua estrangeira, literatura, artes e educação física. De forma geral, professores ouvidos pelo g1 destacam que a prova é interdisciplinar, contextualizada e exige bastante interpretação de textos. Confira abaixo um resumo com os principais pontos de cada matéria: Inglês ou Espanhol São apenas cinco questões em outra língua, mas elas vêm logo no início do exame. O candidato escolhe, no momento da inscrição, entre inglês ou espanhol. Os textos estão na língua estrangeira selecionada, mas as perguntas são sempre em português. Independentemente da escolha, o foco é o mesmo: interpretação de texto. Segundo a teacher Shirley Truyts, de São José dos Campos (SP), “quanto mais amplo o vocabulário do candidato, melhor o desempenho”. Ela recomenda treinar duas estratégias de leitura: Skimming: leitura rápida para entender a ideia geral do texto; Scanning: leitura focada em buscar informações específicas. Também é importante revisar pontos de gramática e vocabulário que costumam cair no Enem: Tempos verbais: ajudam a identificar quando a ação ocorre — exemplos: I study (eu estudo), I studied (eu estudei), I am studying (estou estudando), I will study (eu vou estudar); Palavras cognatas: palavras parecidas ou idênticas em português e inglês — exemplos: family (família), minute (minuto), hospital (hospital), important (importante); Falsos cognatos (false friends): parecem iguais, mas significam outra coisa — exemplos: to pretend (fingir), não “pretender” + to push (empurrar), não "puxar". Conectivos: ligam ideias e ajudam na coesão — exemplos: however (no entanto), therefore (portanto), although (embora); Phrasal verbs: expressões com verbo + preposição — to give up (desistir), to look for (procurar). Prova do Enem Agência Brasil Em espanhol, o raciocínio é semelhante. A professora de espanhol Hilari Mejías, venezuelana que mora em Taubaté (SP), explica: “a prova não mede apenas se o candidato consegue compreender o que as palavras significam, mas a capacidade de absorver o sentido global do texto e identificar a intenção do autor”. Alguns pontos merecem atenção especial: Palavras-chave: ajudam a identificar o tema central — exemplos: educación, derechos, juventud; Elementos culturais: a prova costuma citar manifestações, músicas e obras do mundo hispânico; Falsos cognatos e expressões idiomáticas: embarazada (grávida), e não “envergonhada” + apellido (sobrenome), e não "apelido". 💡 Dica extra: o Enem gosta de textos culturais — músicas, poemas, tirinhas, citações literárias. Para treinar o ouvido e o olhar, vale ler notícias, assistir filmes e séries no áudio original e, se possível, usar legendas na própria língua estrangeira. Língua Portuguesa Quem domina o básico sai na frente, segundo a professora Priscila Souza, de Santa Branca (SP). "Mais do que se prender às regras de gramática, que caem menos, o foco é entender o que se lê — compreender a mensagem", explica a docente. Entre os pontos que mais aparecem na prova estão: Leitura de diferentes gêneros textuais: tirinhas, crônicas, notícias, poemas e propagandas. Identificação da tese e dos argumentos: reconhecer a ideia principal e os pontos que a sustentam. Relação entre texto verbal e não verbal: interpretar imagens, gráficos e charges junto ao texto. Leitura nas entrelinhas: compreender o que está implícito. Ponto de vista e intenção do autor: entender a perspectiva e o propósito da escrita. Coesão e coerência: observar como as ideias se conectam dentro do texto. Outros temas que costumam aparecer envolvem figuras de linguagem (como metáfora, ironia e antítese), funções da linguagem e o contraste entre norma-padrão e linguagem coloquial — algo comum em textos publicitários e canções. 📚 Literatura e 🎨 Artes O exame costuma misturar referências clássicas com autores e movimentos contemporâneos — ou seja, vale olhar tanto para o passado quanto para o presente. O professor Moisés Martins, de Caraguatatuba (SP), explica que o Enem pode acompanhar uma tendência adotada por outros vestibulares de valorizar produções mais modernas e diversas. “Principalmente obras marginalizadas, como Conceição Evaristo, Itamar Vieira Júnior, Emicida, Racionais MC’s, Djamila Ribeiro, além da literatura indianista, quilombola e africana”, aponta. Outros pontos que valem revisão: Leitura e interpretação de diferentes gêneros: poemas, canções, crônicas, manifestos e textos de opinião. Características das escolas literárias: realismo, modernismo, romantismo, entre outras. Estrutura de poesia: verso (cada linha do poema), estrofe (conjunto de versos), rima (repetição de sons no fim dos versos) e métrica (ritmo e contagem de sílabas poéticas). História da arte: Barroco, Renascimento, vanguardas europeias, Semana de Arte Moderna, etc. 💡 Redobre a atenção quanto a temas sociais e culturais, como representatividade, identidade e crítica social. Eles podem aparecer tanto nas questões quanto na proposta de redação. Aprovados: Confira dicas de como se alimentar bem e relaxar antes da prova do Enem ⚽ Educação Física Você acha que isso não cai no Enem? "Cai, sim! Mas de forma teórica e interdisciplinar", explica o professor Marcos Rubens, de Lorena (SP). Segundo o docente, a disciplina aparece conectada a outras áreas do conhecimento, com foco na análise de contextos sociais, ao invés da prática esportiva em si. Temas mais recorrentes: Exercício físico, saúde e qualidade de vida: relação entre atividade física, bem-estar e prevenção de doenças. Corpo, performance e padrões estéticos: influência da mídia e da sociedade na imagem corporal. Dança, lutas, jogos e esportes: análise sob aspectos sociais e culturais. Inclusão, diversidade e gênero no esporte: debate sobre igualdade de oportunidades e representatividade. 💡 Eventos como Jogos Olímpicos e Copa do Mundo também podem inspirar questões sobre esporte como fenômeno social. 🗣️ Ciências Humanas e suas Tecnologias O bloco de Ciências Humanas abrange história, geografia, filosofia e sociologia. De modo geral, professores consultados pelo g1 ressaltam que a prova cobra a compreensão de diferentes contextos, tanto históricos quanto contemporâneos. Confira abaixo um resumo com os principais pontos de cada matéria: 🏛️ História Interpretar é o segredo — e o professor João Ernesto (Jota), que dá aula em Caçapava (SP) e outras cidades da região, inventou um método prático para resolver questões com mais facilidade: o que ele nomeou CTA. “C significa Comando — o que a questão está pedindo? T é o Texto — qual é minha base de trabalho e o que ele quer dizer? E A são as Alternativas — elimine as absurdas e vá pelo caminho mais lógico.” (OLHO) O Enem cobra muito mais contexto do que decoreba, e os assuntos dialogam diretamente com discussões atuais. Mesmo assim, há pontos que quase sempre aparecem: Brasil Colônia: chegada dos europeus, resistência indígena, escravidão, ciclos do açúcar e da mineração. Brasil Império: Independência, economia cafeeira, Constituição de 1824 e abolição. República Velha e Era Vargas: coronelismo, revoltas, industrialização e Estado Novo. Ditadura e Redemocratização: golpe de 1964, AI-5, resistência cultural e Constituição de 1988. História Global: Guerras Mundiais, Guerra Fria, globalização e geopolítica atual. Temas sociais: movimentos populares, diversidade, cultura afro e indígena, racismo estrutural e meio ambiente. 🌎 Geografia O professor Gilson dos Anjos, de Jacareí (SP), lembra que o segredo é entender o mundo como ele é hoje. “Os temas clássicos continuam firmes, mas é a forma de relacioná-los à atualidade que faz diferença.” Tópicos que mais caem: Urbanização e desigualdade: gentrificação, violência, expansão urbana. Questões ambientais: clima, desmatamento, energia e sustentabilidade. População: envelhecimento, migrações e demografia. Geologia: relevo, placas tectônicas e desastres naturais. Geopolítica: conflitos globais, blocos econômicos (como União Européia e Mercosul), guerra na Ucrânia, disputa entre China e EUA e crises no Oriente Médio. Enem: Aulão aberto faz revisão com alunos de Jacareí 🧠 Filosofia e 👥 Sociologia Para o professor Carlos Eduardo de Siqueira, de São José dos Campos (SP), o essencial é não tentar adivinhar o que vai cair, mas estudar com base na matriz de referência e nas tendências das últimas provas. “O candidato precisa dominar os conceitos e perceber como eles se conectam à realidade. Esses temas ajudam até na redação, servindo como argumento de autoridade”, explica Siqueira. Em Filosofia, o teste vem se tornando mais conteudista e direto, exigindo domínio dos principais pensadores e correntes filosóficas. Veja abaixo tópicos importantes: Antiguidade: Pré-socráticos (origem da natureza); Platão e Aristóteles (virtude, ética, política e conhecimento). Idade Média: Santo Agostinho e Tomás de Aquino (relação entre fé e razão). Renascimento: Maquiavel (poder, política e ética). Modernidade: Bacon, Descartes e Hume (ciência e método); Hobbes, Locke, Rousseau e Montesquieu (contrato social e poder); Kant (razão e moral). Contemporaneidade: Nietzsche, Sartre, Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e Marcuse) e Foucault (crítica à sociedade moderna). Já em Sociologia, o Enem apresenta uma abordagem majoritariamente temática e interpretativa, com foco na compreensão das transformações sociais. Confira assuntos relevantes: Cultura e diversidade cultural: análise de identidades e diferenças entre grupos sociais. Mundo do trabalho: impactos da industrialização e da precarização das relações trabalhistas. Movimentos sociais: lutas históricas por direitos e reconhecimento. Estado, poder e cidadania: papel das instituições e da participação política. Globalização e desigualdade social: efeitos econômicos e culturais da integração mundial. Democracia, tensões e consensos: desafios da convivência e do debate público. 💡 Um ponto importante é que esses conceitos, além de ajudar na prova objetiva, também servem de base para a redação — funcionando como argumento de autoridade. “Não é substituir a própria voz pela de outra pessoa, mas se apoiar nesses grandes teóricos para fundamentar o que se pensa”, explica Siqueira. 🗣️ Redação A redação do Enem deve ser um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, e é avaliada em cinco competências, que somam 1.000 pontos (200 cada uma): Domínio da escrita formal da língua portuguesa; Compreensão e desenvolvimento do tema proposto; Seleção e organização de argumentos de forma coerente; Uso adequado de coesão e coerência entre as ideias; Respeito aos direitos humanos. De modo geral, professores indicam uma estrutura de quatro parágrafos. O texto deve começar com uma introdução, em que o candidato apresenta o tema e contextualiza o assunto. Em seguida, vem o desenvolvimento, onde deve expor sua opinião e organizar os principais argumentos. Depois, é importante incluir exemplos que reforcem a tese e tornem o texto mais consistente. Por fim, a conclusão deve trazer uma proposta de intervenção, ou seja, uma solução possível e viável para o problema abordado — sempre com respeito aos direitos humanos. Segundo Fabíula Neubern, coordenadora de redação em um cursinho de São José dos Campos (SP), a chave é praticar bastante ao longo do ano, mas há também dicas úteis para a hora da prova: Ler atentamente a coletânea e identificar causas, consequências e dados que possam embasar os argumentos; Revisar o texto antes de entregar, observando gramática e conectivos; Garantir que a proposta de intervenção tenha todos os elementos: agente, ação, modo, finalidade e detalhamento; Escolher um repertório legítimo e pertinente, sem recorrer a “repertórios prontos”; E, claro, caprichar na letra! — o avaliador pode não ter paciente para decifrar garranchos. Confira dicas para ir bem e não zerar na nota da redação do Enem 🤔 E o tema da redação? Não dá para prever com certeza o que vai cair, mas o Enem costuma abordar questões sociais — como direitos humanos, cidadania, cultura e inclusão. Para 2025, alguns temas prováveis incluem: Violência de gênero, violência escolar e acessibilidade; Tecnologia e sociedade, com foco em inteligência artificial, privacidade e uso excessivo de telas; Mudanças climáticas e sustentabilidade, especialmente com a COP30 prevista para o Brasil. Veja mais sobre o Vale do Paraíba e região bragantina

Governo envia ministros para acompanhar ações e apoiar vítimas de tornado no Paraná

Publicado em: 08/11/2025 10:32

Veja os estragos provocados pelo ciclone extratropical em Santa Catarina A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o ministro interino da Saúde, Adriano Massuda, embarcam neste sábado (8) para a região de Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Cidades na região Centro-Sul do Paraná amanheceram neste sábado (8) sob escombros após a passagem de um tornado com ventos que chegaram a 250 km/h na sexta-feira (7). "A missão é levar apoio do governo federal às vítimas do tornado que atingiu cidades região, além de iniciar os procedimentos para a reconstrução, em coordenação das prefeituras com a SRI e o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. O presidente Lula determinou que todo apoio seja levado à população atingida", informou a Secretaria de Relações Institucionais. Também estará presente no comboio do governo o diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Desastres – Cenad, do Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional, Armin Braun. No mesmo voo, seguem equipes da Defesa Civil especializadas em Socorro e Ajuda Humanitária e em Reconstrução. Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Globonews Ao menos seis pessoas morreram e 432 receberam atendimento médico. Cinco mortes ocorreram em Rio Bonito do Iguaçu , a cidade mais atingida, e uma foi em Guarapuava. Em Rio Bonito do Iguaçu as vítimas são três homens com idades de 49, 57 e 83 anos, e duas mulheres, com idades de 47 e 14 anos. A vítima de Guarapuava é um homem de 53 anos. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) informou que o tornado atingiu o índice EF3, numa escala que vai até cinco. O tornado se formou devido a um ciclone extratropical que atinge o sul do país e também provocou chuva forte e estragos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No Sudeste, os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro estão em alerta. Os ventos fortíssimos arrancaram árvores e postes devastaram casas. Mais de mil pessoas estão desabrigadas. Bombeiros e agentes da Defesa Civil buscam sobreviventes sob escombros. Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu Reprodução/Globonews

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Cidade do PR amanhece destruída após passagem de tornado; VEJA IMAGENS

Publicado em: 08/11/2025 09:47

Rio Branco do Iguaçu amanhece destruída após passagem de tornado Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, amanheceu destruída após ser atingida por uma tornado na tarde de sexta-feira (7). A Defesa Civil diz que 90% da cidade ficou destruída. Na cidade, seis pessoas morreram e mais de 600 ficaram feridas. segundo a Defesa Civil. Uma morte também foi registrada em Guarapuava, na região central do estado. Equipes da RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, estiveram na cidade na manhã deste sábado (8) e registraram a destruição pelas ruas de Rio Bonito do Iguaçu. Nas imagens registradas é possível ver construções destelhadas, estruturas retorcidas, escombros e árvores, placas e postes caídos. Assista ao vídeo acima. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O tornado se formou devido a um ciclone extratropical que atinge o sul do país e também provocou chuva forte e estragos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. No Sudeste, os estados de São Paulo e do Rio de Janeiro estão em alerta. Segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o tornado atingiu o índice EF3, com ventos de 250 km/h. O nível é medido pela Escala Fujita Aprimorada (EF), que avalia a intensidade dos ventos. Os ventos fortíssimos arrancaram árvores e postes devastaram casas. Mais de mil pessoas estão desabrigadas. Bombeiros e agentes da Defesa Civil buscam sobreviventes sob escombros. Em Rio Bonito do Iguaçu as vítimas são três homens com idades de 49, 57 e 83 anos, e duas mulheres, com idades de 47 e 14 anos. A vítima de Guarapuava é um homem de 53 anos. Imagens registradas por moradores em Rio Bonito do Iguaçu mostram um cenário de extrema destruição. Segundo relatos, houve também queda de granizo. Veja imagens de como a cidade ficou: Cidade do PR amanhece destruída após passagem de tornado; Imagem aérea de Rio Bonito do Iguaçu mostra destruição após passagem de tornado Reprodução/Globonews Rio Bonito do Iguaçu amanhece destruída após passagem de tornado. Eduardo Andrade/RPC Imagens mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná. Divulgação/Governo do Estado Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Globonews Rio Bonito do Iguaçu está em estado de calamidade pública. RPC Imagens mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná. Divulgação/Governo do Estado Imagens mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná. Divulgação/Governo do Estado Imagens mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná. Divulgação/Governo do Estado Tempestade do tipo 'supercélula' favoreceu formação do tornado O meteorologista Samuel Braun explicou o nível de destruição registrado na cidade contribuiu para a classificação da intensidade do tornado. Também foram realizadas análises em radares meteorológicos e imagens aéreas. O Simepar explicou que a cidade foi atingida por uma tempestade do tipo supercélula, que é caracterizada pela presença de um mesociclone - uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem. O especialista explica que a principal diferença do tornado para uma tempestade comum é a rotação do vento. Outros fatores também colaboraram para a formação do tornado: "O ambiente atmosférico estava muito úmido, aquecido. Há também outros fatores, por exemplo, como a diferença dos ventos entre a superfície e os níveis mais elevados da atmosfera. Nós chamamos na meteorologia de cisalhamento. Então esse cisalhamento estava extremamente elevado. São vários fatores que contribuíram para a formação dessas tempestades [...] e no caso o tornado, nessa cidade", explicou o meteorologista. Braun afirma que em 23 anos como meteorologista, esse foi o evento mais forte que ele presenciou. "Esse foi bastante devastador. Até mesmo por categorias. Não me recordo de chegarmos ao EF3", completou. Leia mais: Tornado em Rio Bonito do Iguaçu destruiu cerca de 80% da cidade, diz governo: 'Cenário de guerra' Vídeos mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Destruição em Rio Bonito do Iguaçu foi causada por tempestade classificada como 'supercélula', diz governo; ventos podem ter chegado a 250 km/h Relatos de moradores Uma moradora da região falou à TV Globo e descreveu o cenário de devastação que encontrou na cidade. "Na entrada da cidade já havia sinais muito claros de que algo muito horrível aconteceu. Conforme a gente foi entrando, foi ficando mais caótico. Cenário de guerra mesmo. Carro capotado, árvore no meio da rua." O professor de judô Marcelo Gomes dava aulas de judô para crianças num ginásio de um centro cultural quando tudo aconteceu. "O pai de um aluno foi fechar a porta e já veio correndo. E percebi que uma porta de segurança começou a balançar demais, reuni as crianças e levei para um espaço mais seguro. Quando fechei a porta, veio aquele bafo de poeira, terra, lama. Nos abraçamos dentro do banheiro e começamos a rezar. Quando eu abri a porta, o centro cultural todo tinha vindo abaixo. Um espaço gigante, estava tudo no chão." Mobilização O Governo do Paraná informou que bombeiros foram enviados de várias cidades para a cidade de Rio Bonito do Iguaçu. Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost), tropa de elite da corporação, também se deslocou com cães de busca. O estado também colocou todas as equipes de salvamento à disposição para os atendimentos emergenciais na cidade e nas proximidades, como Laranjeiras do Sul, Cantagalo, Porto Barreiro, Candói e outros distritos. Ambulâncias de Cascavel e Guarapuava estão auxiliando no atendimento aos feridos. Os hospitais da região estão sobrecarregados e a Secretaria da Saúde já disponibilizou leitos em outras localidades se a demanda aumentar nas próximas horas. Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Redes sociais VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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Príncipe William posta vídeo e agradece: ‘Obrigado, Brasil’

Publicado em: 08/11/2025 09:26

Príncipe William posta vídeo e agradece: ‘Obrigado, Brasil’ O príncipe William publicou nas redes sociais, na manhã deste sábado (8), um vídeo reunindo os principais momentos de sua passagem pelo Rio de Janeiro. Nas imagens, o herdeiro do trono britânico aparece em diferentes pontos da cidade — do Pão de Açúcar à Ilha de Paquetá, passando por Copacabana e o Cristo Redentor — e encerra a mensagem com um simples e afetuoso “Obrigado, Brasil”. Finalistas do Earthshot Prize no palco do Museu do Amanhã Thais Espírito Santo/g1 A visita fez parte da agenda do príncipe no país, que culminou com a cerimônia do Earthshot Prize, considerado o “Oscar da sustentabilidade”. Criado em 2020, o prêmio reconhece projetos ambientais de impacto global e oferece £1 milhão (cerca de R$ 7,3 milhões) a cada um dos cinco vencedores anuais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O evento reuniu inovadores, investidores, filantropos e lideranças ambientais de diversos países, além de apresentadores brasileiros e internacionais, como Rebeca Andrade, Cafu, Luciano Huck e a ativista indígena Txai Suruí. Príncipe William recebe as chaves do Rio das mãos do prefeito Eduardo Paes Stephanie Rodrigues/g1 William chegou ao Rio de Janeiro na manhã de segunda-feira (3) e foi recebido pelo prefeito Eduardo Paes no Pão de Açúcar, onde ganhou as chaves da cidade em uma cerimônia com forte esquema de segurança. No mesmo dia, o príncipe participou de atividades na Praia de Copacabana, onde jogou vôlei com adolescentes e acompanhou uma simulação de resgate de afogamento realizada pelo Corpo de Bombeiros. Durante a visita, conversou com militares sobre as tecnologias usadas em salvamentos e interagiu com jovens do Projeto Botinho, que oferece treinamento e atividades físicas para crianças durante o verão. Príncipe William jogou vôlei em Copacabana Dilson Silva/AgNews Na terça-feira (4), William visitou a Ilha de Paquetá, onde foi recebido com entusiasmo por moradores. Ele desembarcou de uma lancha da Marinha por volta das 10h10, tirou fotos, recebeu presentes e conversou com os residentes com a ajuda de uma intérprete. Encerrando a agenda, o príncipe esteve na manhã de quarta-feira (5) no Santuário do Cristo Redentor, onde foi recebido pelo cardeal Dom Orani Tempesta, pelo reitor padre Omar Raposo e pelo prefeito Eduardo Paes. Príncipe William no Cristo Redentor Stephanie Rodrigues/g1 A passagem do príncipe pelo Rio reforça o engajamento da coroa britânica com a pauta ambiental e deixou uma mensagem de gratidão ao país — agora eternizada no vídeo de despedida publicado nas redes sociais. O príncipe William e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer cumprimentam o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP30, a conferência climática da ONU, em Belém, estado do Pará, Brasil, em 6 de novembro de 2025. Mauro Pimentel/Pool via REUTERS A medica Luana pontes, de Fortaleza, estava visitando o Pão de Açúcar quando se deparou com o príncipe William Cristina Boeckel / g1

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'Minha presença é um gesto político': a trajetória da brasileira negra que largou a carreira como modelo para liderar uma startup de games em NY

Publicado em: 08/11/2025 08:01

Brasileira larga carreira como modelo para liderar startup de games em NY A brasileira Raissa Leme tinha apenas 16 anos quando decidiu deixar tudo para trás e embarcar em um avião rumo à China com o objetivo de encontrar o seu espaço no mundo da moda. O que ela sequer imaginava na época era que, alguns anos mais tarde, se tornaria uma das poucas mulheres negras a liderar uma startup de games em Nova York, nos Estados Unidos. Modelo, influenciadora e co-fundadora da MOTHER, um estúdio no Brooklyn voltado para games, arte e tecnologia, Raissa nasceu e foi criada em Sorocaba, no interior de São Paulo. Na cidade, morou no Bairro dos Morros e no Júlio de Mesquita. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "Sorocaba é um lugar que guardo com muito carinho, porque foi onde vivi minha infância e formei minhas primeiras referências antes de começar a viajar pelo mundo", relembra a criadora da startup, em entrevista ao g1. A infância de Raissa, hoje com 29 anos, foi cercada de afeto. "Eu sou cria de mãe solteira e filha única por parte de mãe. Meus pais sempre foram muito parceiros, mas nunca moramos nós três juntos", conta. Raissa Leme largou a carreira como modelo para liderar uma startup de games em NY Arquivo pessoal Oportunidade do outro lado do mundo A influenciadora fez os ensinos fundamental e médio em escolas públicas de Sorocaba, mas, por conta da viagem de seis meses à China na adolescência, precisou concluir os estudos por meio do supletivo. "Fui para a China muito jovem, aos 16 anos, para trabalhar como modelo. A escolha veio pela oportunidade concreta que apareceu na época, mas também pelo meu desejo de viver algo totalmente diferente do que conhecia, e vi a oportunidade do começo das realizações dos meus sonhos, já que as portas não estavam abertas para mim no Brasil." Foi a primeira vez que Raissa entrou em um avião. Ela não falava inglês e, de cara, precisou enfrentar uma viagem de 25 horas de duração. "Lembro que foi uma decisão muito difícil no momento, porque realmente foi a minha primeira experiência. Nenhum dos meus pais tinha pego avião até então e tampouco viajado para fora do Brasil", continua. Apesar do choque cultural de ter trocado o ocidente pelo oriente, a experiência profissional com a moda ensinou Raissa a ter mais disciplina e deu a ela acesso a espaços que antes pareciam impossíveis. "Culturalmente, foi um choque e, ao mesmo tempo, uma grande escola: eu estava sozinha, em um país com uma língua e costumes completamente diferentes, então precisei aprender a me adaptar rápido, a respeitar e entender outras formas de viver. Essa vivência me abriu muito a cabeça. A moda sempre foi uma parte muito importante da minha vida, abriu portas e me levou a lugares que jamais imaginei", reforça. Durante a carreira como modelo, a brasileira teve a oportunidade de participar de grandes projetos. Entre eles, campanhas para grifes como Louis Vuitton e outras marcas grandes, como Revlon, Adidas e Nordstrom. Aos 16 anos, Raissa se mudou para a China para investir na carreira de modelo Arquivo pessoal Recalculando a rota Mesmo assim, chegou um momento em que Raissa começou a sentir que precisava criar algo que fosse além da imagem e que pudesse transformar a forma como as pessoas se relacionam com elas mesmas. Foi então que surgiu a possibilidade de recalcular a rota e passar a trabalhar com tecnologia e games. A sorocabana havia se mudado para os Estados Unidos em 2020, duas semanas antes de o lockdown ter sido decretado no país por conta da pandemia de Covid-19. "A tecnologia é uma ferramenta muito poderosa. Os games são hoje uma das linguagens mais potentes da nossa era. E eu queria estar justamente nesse lugar, construindo algo que fosse além da diversão, mas que também pudesse expandir consciências", explica. Desta inquietação, nasceu a startup, em meados de 2023. Junto da sócia americana Kelsey Falter, que compartilha de um ponto de vista e vivências muito parecidos com os dela, Raissa começou a criar aplicações que ajudam as pessoas a refletirem sobre si mesmas e a resgatarem a sua memória digital. "Estamos construindo experiências que, na superfície, parecem brincadeiras, mas que, em profundidade, carregam um poder real de transformação." Embora não tenha uma formação técnica em games, a influenciadora mergulhou no universo e foi se especializando na prática: estudando, conversando com profissionais da área e somando suas referências e experiências de vida em diferentes culturas. Na opinião dela, para quem gosta de games, o próprio processo de criação é a melhor escola. Hoje, a startup conta com cerca de 30 pessoas, entre artistas, programadores e criativos, distribuídas entre Nova York, São Paulo, Viena e outras cidades do mundo. "Mas não penso na MOTHER como 'quantas pessoas' e, sim, como 'quantas visões'. Cada membro do time traz uma bagagem cultural, técnica e pessoal diferente, e essa soma é o que torna o estúdio tão singular. Nossa força está na diversidade", reforça. Le Zoo funciona como um espaço coletivo no qual cada jogador cria a sua criatura Reprodução Mundo aberto O primeiro game da startup, chamado de Le Zoo, funciona como um espaço coletivo no qual cada jogador cria a sua criatura e pode explorar diferentes mundos, participar de experiências e interagir com outras pessoas. "É um mundo aberto dividido em três reinos e cinco casas, cada um representando aspectos da identidade humana. Na superfície, parece um jogo divertido e cheio de fantasia, mas, em profundidade, mostra ao jogador que a tecnologia pode ser usada para despertar agência e autoconhecimento, em vez de reforçar prisões algorítmicas", detalha. No momento, o acesso ao jogo está sendo liberado em fases de playtest, para grupos selecionados de jogadores, que ajudam a empresa a construir e evoluir a experiência junto à comunidade. A ideia, segundo Raissa, é que o game vá se expandindo a partir desses testes, até se tornar aberto a todos. O Le Zoo estará disponível gratuitamente, apenas para celulares. Raissa Leme é mãe do Rio, de um ano e cinco meses Arquivo pessoal Exercício diário Mãe do Rio, de um ano e cinco meses, a sorocabana diz que conciliar a criação da startup com a rotina em casa é um exercício diário de presença, paciência e equilíbrio. "A maternidade me ensinou sobre confiar no tempo das coisas, mas também sobre acolher o inesperado", comenta. "Pessoalmente, meu futuro está muito ligado à maternidade. Criar o Rio e criar a MOTHER acontecem em paralelo, e eu sinto que essas duas jornadas se alimentam mutuamente. Meu desejo é continuar crescendo junto com o meu filho, aprendendo a equilibrar expansão e cuidado, presença e movimento, e curtir muito essa oportunidade de ver a vida crescendo e expandindo aos meus olhos." Além disso, para Raissa, ser uma mulher negra liderando uma startup de games no EUA significa ocupar um espaço historicamente negado a ela. "Então, a minha presença já é um gesto político. Liderar um projeto de games, para mim, é também disputar narrativas. E mostrar que pessoas negras não estão só construindo cultura, mas também criando tecnologias, inventando mundos, expandindo o imaginário. Isso é fundamental para que novas gerações vejam que também pertencem a esses lugares", completa. Sorocabana concilia a maternidade com a criação da startup de games nos EUA Arquivo pessoal Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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Tornado que atingiu Paraná é classificado como EF3, com ventos que chegaram a 250 km/h, confirma Simepar

Publicado em: 08/11/2025 07:54

Tornado causa destruição e deixa feridos em Rio Bonito do Iguaçu, no PR. Imagens cedida O tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, na tarde de sexta-feira (7) atingiu o índice EF3, com ventos de 250 km/h, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Na cidade, ao menos quatro pessoas morreram e mais de 130 ficaram feridas. segundo a Defesa Civil. O órgão também informou que uma pessoa morreu em Guarapuava, na região central do estado. Conforme o Simepar, o nível atingido pelo tornado é medido pela "escala Fujita", que avalia a intensidade dos ventos. O meteorologista Samuel Braun explicou que foi possível confirmar a classificação do tornado, a partir de análises dos radares meteorológicos, imagens aéreas e de estragos na cidade. Imagens registradas por moradores em Rio Bonito do Iguaçu mostram casas destelhadas, imóveis danificados e postes de energia no chão. Nos vídeos também é possível ver escombros de edificações e casas destelhadas. Assista ao vídeo acima. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O Simepar explicou que a cidade foi atingida por uma tempestade do tipo supercélula, que é caracterizada pela presença de um mesociclone - uma corrente de ar ascendente girando no interior da nuvem. Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Globonews O especialista explica que a principal diferença do tornado para uma tempestade comum é a rotação do vento. Outros fatores também colaboraram para a formação do tornado: "O ambiente atmosférico estava muito úmido, aquecido. Há também outros fatores, por exemplo, como a diferença dos ventos entre a superfície e os níveis mais elevados da atmosfera. Nós chamamos na meteorologia de cisalhamento. Então esse cisalhamento estava extremamente elevado. São vários fatores que contribuíram para a formação dessas tempestades [...] e no caso o tornado, nessa cidade", explicou o meteorologista. Braun afirma que em 23 anos como meteorologista, esse foi o evento mais forte que ele presenciou. "Esse foi bastante devastador. Até mesmo por categorias. Não me recordo de chegarmos ao EF3", completou. Mobilização Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Reprodução/Redes sociais O Governo do Paraná informou que 30 bombeiros foram enviados de várias cidades para a cidade de Rio Bonito do Iguaçu e 20 bombeiros do Grupo de Operações de Socorro Tático (Gost), tropa de elite da corporação, também vão se deslocar junto com cães de busca. O estado também colocou todas as equipes de salvamento à disposição para os atendimentos emergenciais na cidade e nas proximidades, como Laranjeiras do Sul, Cantagalo, Porto Barreiro, Candói e outros distritos. No início da noite, o Corpo de Bombeiros da cidade havia informado a morte de cinco pessoas. Durante a madrugada, o número foi corrigido para quatro, após a corporação constatar que uma das vítimas havia sido contabilizada duas vezes — em Rio Bonito do Iguaçu e também em Laranjeiras do Sul. Já na manhã deste sábado (08), uma nova morte foi confirmada em Guarapuava e o número voltou a ser cinco. Ambulâncias de Cascavel e Guarapuava estão auxiliando no atendimento aos feridos. Os hospitais da região estão sobrecarregados e a Secretaria da Saúde já disponibilizou leitos em outras localidades se a demanda aumentar nas próximas horas. O governador Ratinho Junior (PSD) informou que o governo vai montar uma base de comando e coordenação do atendimento no Quartel Central do Corpo de Bombeiros de Guarapuava, com uma estrutura avançada de apoio mais próxima da região mais atingida em Rio Bonito do Iguaçu. Diversas viaturas de outros locais, como Cascavel, Dois Vizinhos e Maringá, também vão dar suporte para as operações. Conforme o governo, aeronaves de resgate aguardam condições meteorológicas ideias para deslocamento. Também serão enviadas motoserras e outros equipamentos pesados para desobstruir estradas interditadas e auxiliar nas buscas. Policiais, bombeiros, funcionários da prefeitura e voluntários estão atuando na cidade e nos municípios vizinhos em busca de vítimas. O governo estadual informou que carregou caminhões da Defesa Civil para levar cestas básicas, kits de higiene e dormitório para a região Centro-Sul. Eles devem começar a sair de Curitiba já nesta madrugada. Waldez Góes, Ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, informou na madrugada deste sábado (8) que está planejando o envio de ajuda humanitária para o Paraná. Góes informou que articula, sob a orientação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o envio de equipes e do apoio às ações de reconstrução. LEIA MAIS: Tornado em Rio Bonito do Iguaçu destruiu cerca de 80% da cidade, diz governo: 'Cenário de guerra' Vídeos mostram destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Destruição em Rio Bonito do Iguaçu foi causada por tempestade classificada como 'supercélula', diz governo; ventos podem ter chegado a 250 km/h Aumento de atendimentos de saúde Tornado causa destruição em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná Eduardo Andrade/RPC Segundo o governo estadual, hospitais da região já registraram centenas de atendimentos, realizados de forma contínua pelas equipes locais. Os serviços de saúde de Laranjeiras do Sul prestam suporte direto aos feridos, e a Central Estadual de Regulação de Leitos atua na viabilização das transferências dos casos mais graves, quando necessário, conforme a disponibilidade de vagas e o estado clínico de cada paciente. A Sesa também solicitou apoio ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) das Regionais de Guarapuava e Cascavel, para o envio de ambulâncias e reforço nas remoções. Além disso, a secretaria disponibilizou materiais como soro, medicamentos e insumos para envio imediato aos hospitais, caso necessário. O Hemocentro de Guarapuava enviou bolsas de sangue para Laranjeiras do Sul, e o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) permanece em alerta, monitorando a situação e preparado para novos envios conforme a demanda. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

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MC Olavo Bilac e os Parna Rappers: clipes feitos com IA 'rejuvenescem' poesias parnasianas e podem até ajudar nos estudos para o Enem

Publicado em: 08/11/2025 06:00

Parna Rappers: poemas do século XIX viram rap em clipes feitos por IA Sonetos do século 19, como os de Olavo Bilac, com batidas de rap e clipes gerados por inteligência artificial. O resultado, além de fazer sucesso nas redes sociais, pode ser útil a estudantes que farão o Enem, segundo professores ouvidos pelo g1. No primeiro dia de provas, neste domingo (9), os candidatos vão encarar questões de Linguagens em que o Parnasianismo costuma marcar presença. Se cair, por exemplo, a poesia "Música Brasileira", a versão cantada do "MC Olavo Bilac" no Parna Rappers (veja no vídeo acima), pode já estar na cabeça do estudante seguidor do perfil. "É bem mais atrativo para o aluno porque modifica a abordagem temática. E, quando se mantém uma estrutura parnasiana, com o discurso atual, cria um diálogo objetivo, onde o aluno se enxerga naquele contexto", analisa Daniel Oliveira, professor de português e literatura do colégio Matriz Educação. "Os poemas parnasianos são considerados mais difíceis porque fogem da normatividade da narração. Os textos são melhor entendidos quando contam histórias, mas o parnasiano é um texto descritivo e menos atrativo", explica Daniel. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O professor Literatura do Colégio Qi, Hugo Sant’Anna, concorda e vê as novas tecnologias como aliadas na formação dos alunos. "A ajuda de um perfil como o Parna Rappers é enorme e evidente para os estudantes que buscam fazer o Enem e, talvez, até necessária (...) a poesia vem da música e o retorno a ela, por meio de poemas que são ricos em rimas, é algo incrível e significativo. Belchior, por exemplo, fez isso, no passado, ao citar Bilac, um grande parnasiano, em "Divina comédia humana"", avaliou. "Um perfil como o Parna nos mostra como a internet chegou pra ficar e pode ser absurdamente positiva e convidativa, sem falar do seu caráter democrático, de levar poemas para boa parte de estudantes", completou. Em quase todas as edições do exame nacional, poemas costumam aparecer para analisar linguagem, estilo, figuras retóricas e também para discutir o contexto histórico e cultural dos movimentos literários. O padrão da prova não é cobrar datas ou classificações, mas, sim, interpretação, o que abre espaço para novas maneiras de aproximar o estudante da poesia. "Ter literatura nas redes sociais, é um suspiro poético, em meio a uma enormidade de informações", comentou o professor Hugo Sant’Anna. Nos últimos anos, questões do Enem usaram poemas de diferentes épocas. Em 2019, o exame cobrou a identificação de imagens e do eu lírico em poemas do caderno de Linguagens. Em 2020, a prova voltou a apresentar textos poéticos como base para perguntas sobre construção de sentidos. Em 2023, um trecho de Bilac, autor central do Parnasianismo, reapareceu na prova, mostrando que poemas do fim do século 19 seguem no repertório do exame. Os poetas MCs e a IA Parna Rappers: Poemas do século XIX viram rap e somam 800 mil visualizações em clipes feitos por IA Reprodução redes sociais É justamente nessa intersecção entre tradição e novas linguagens que surgiu o Parna Rappers, projeto criado pelo publicitário carioca Gabriel Gil que transforma sonetos parnasianos em clipes de rap com imagens geradas por inteligência artificial. O resultado do projeto virou material de estudo em salas de aula, segundo o próprio autor. "A ideia era conectar os poemas antigos com os ritmos e as tecnologias de hoje. É legal ver como as pessoas gostam e mandam mensagens. Tem professores que me procuram para comentar”, conta Gabriel. Poesia no Enem Embora o Enem priorize movimentos como Modernismo e Romantismo, o Parnasianismo segue como conteúdo possível nas questões de Linguagens, especialmente quando a prova coloca poemas em contraste ou discute a evolução da poesia brasileira. Além de Bilac, obras de autores como Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Vicente de Carvalho também já apareceram em edições do exame. A abordagem costuma ser interpretativa, quando o candidato precisa identificar efeitos de sentido, reconhecer o papel da forma rígida, da métrica perfeita, da rima ou da objetividade do poema. Nesse contexto, o Parna Rappers acaba funcionando como uma espécie de “tradução estética” do repertório, segundo professores. Sonetos parnasianos ganham ritmo de rap e visual contemporâneo, fazendo uma ponte que aproxima os versos de estudantes. “Os poemas vão se encaixar super bem com o rap, principalmente com o Parnasianismo, porque a galera (autores da época) primava muito pelo rigor, com a métrica, as sílabas bem encaixadas (...) Eles tinham esse rigor pela métrica e isso garante que cada poema vai funcionar”, explica Gabriel. Parna Rappers: Poemas do século XIX viram rap e viralizam em clipes de IA Reprodução redes sociais IA, música e novas linguagens O Parna Rappers começou a ganhar forma em abril deste ano, quando Gabriel decidiu testar ferramentas de criação musical e geração de imagens. Os beats são feitos na plataforma Suno, e os clipes são montados a partir de sequências criadas por IA. “Não é só apertar um botão (...) A IA às vezes dá uma alucinada, algum verso quebra o ritmo da poesia, mas eu arrumo, não mexo em nada no poema original. Todo vídeo tem a letra ou o poema original”, contou Gabriel. A métrica regular dos parnasianos, com os famosos sonetos de 14 versos, tornou o trabalho naturalmente compatível com vídeos curtos, o formato favorito das redes sociais. O criador foi mapeando poetas do século 19 e início do 20, consultando sites especializados e o acervo da Academia Brasileira de Letras (ABL). Ao todo, ele planejou 50 vídeos. Atualmente, 33 clipes já foram publicados no Instagram, Tiktok, Youtube e Spotify. Vilaça, Bilac, Alberto de Oliveira, Vicente de Carvalho, Francisca Júlia, Teófilo Dias, Augusto dos Anjos e outros autores entraram na lista. “O projeto mostra como está a tecnologia. Coloca a poesia onde ninguém imaginava encontrar”, resume o idealizador. Impacto em sala de aula O fenômeno ultrapassou as redes. Com mais de 800 mil visualizações em todas as plataformas, professores passaram a usar as músicas nas aulas de literatura, especialmente para aproximar os estudantes de poemas que normalmente parecem distantes da realidade jovem. “Os professores estão proibindo celulares nas escolas, todo mundo distraído, e de repente tem esse poema que, só de ler, não gera reflexão, mas como música pode ser mais interessante e pode levar a outros versos”, diz o autor. “Se um vídeo impactar uma única pessoa ao ponto dela pesquisar mais sobre o poeta ou sobre poesia, já valeu a pena”, comenta Gabriel. Francisca Júlia da Silva foi considerada a maior poetisa parnasiana do Brasil e também está no Parna Rappers Reprodução redes sociais Na opinião do professor Daniel, o rap e a tecnologia desperta a atenção do aluno e leva ele para temas que ele talvez não tivesse interesse. "O rap, de uma maneira bem objetiva, transpõe uma expressão cultural jovem. Não que o rap seja jovem, mas a linguagem do rap hoje é uma linguagem muito acessível ao jovem, muito atrativa, por conta da rima, por conta da maneira que o rap se dá. Então isso já torna o rap algo bastante atrativo para o aluno". No perfil do Parna Rappers no Instagram, é comum encontrar comentários de seguidores reforçando a função didática do projeto. Até quem não parece ser fã do Parnasianismo tem contato com as poesias e autores. "É uma excelente maneira de trabalhar esse e tantos outros escritores que, no geral, soam como 'chatos' de se ler", escreveu uma seguidora. "Muito bom. Queria ter assistido a uma aula de literatura no ensino médio com essa trilha sonora", comentou uma professora. “Esse canal deve ser visto por todos os brasileiros. Vocês deveriam receber um prêmio da Academia Brasileira de Letras. Trabalho incrível", escreveu outro seguidor. "Muito obrigado pelo maravilhoso serviço à Literatura", comentou um escritor. "Altamente recomendado para professores de língua e literatura brasileira", disse outro seguidor. Técnicas de memorização no Enem: o que realmente funciona Alimentação e sono antes do Enem: saiba o que ajuda e o que atrapalha Alfabetização midiática na redação Além de ajudar no desenvolvimento do aluno, o uso de IA e de formatos diferentes de produção também dialoga com a Competência 5 da redação do Enem. A Competência 5 mede se o candidato sabe propor soluções para o problema do tema da redação e se demonstra uso crítico da tecnologia, das mídias e da informação, algo que se torna cada vez mais relevante em temas ligados ao digital. O professor Daniel Oliveira acredita que os alunos que conseguem ter um repertório mais variado de conhecimento vão ter mais facilidade na construção da redação. "Repertório é efetivamente todo e qualquer conhecimento de mundo que o aluno tem, que dialogue de maneira objetiva com a temática da redação e que o permita associar esse repertório ao desenvolvimento que ele está apresentando. O aluno que entende que repertório é conhecimento de mundo, ele vai olhar para o rap, ele vai olhar para o Djonga, para o Emicida, para esses autores parnasianos e vai encontrar nesses autores inspiração e sustentação para o argumento que ele está desenvolvendo ao longo do texto", diz.

Fake news por carta, IA na cidadania: como ética digital pode inspirar questões dos vestibulares 2026

Publicado em: 08/11/2025 05:55

Em 2025, as discussões sobre o uso das inteligências artificiais e o fenômeno das fake news se tornaram ainda mais recorrentes. A expectativa é de que esses temas tenham um espaço importante nos vestibulares e no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Uma amostra ocorreu na 1ª fase do Vestibular da Unicamp 2026, quando uma das questões pediu que o candidato analisasse a criação de imagens com o uso da IA no “estilo Ghibli”, estúdio de animação japonês, contrapondo arte humana com imitação feita artificialmente de forma eletrônica. 🤖 Segundo professores ouvidos pelo g1, as bancas devem usar o assunto como um "pretexto" para cobrar dos alunos reflexões críticas que devem ir além do campo tecnológico. "Acho que a gente deve esperar pelo menos alguma dificuldade, colocando essa discussão num contexto histórico ou num contexto de sociologia, pensando na modernidade, nos meios de comunicação, no comportamento da massa," afirma o professor de história Victor Rysovas, do Colégio Oficina do Estudante. “É um debate que a gente não precisa necessariamente saber definir o que são IAs, mas entender como as contradições na produção de conhecimento tem gerado a desinformação e a dificuldade da gente identificar o que é verdade ou não”, complementa Isabela Bordignon doutoranda em geografia na Unicamp e professora no cursinho popular Trio. 📚 Esta reportagem compõe o projeto Vestibulou, uma parceria do g1 Campinas com a EPTV para divulgar informações relacionadas aos principais vestibulares e ajudar na preparação dos estudantes. Disciplinas que podem abordar IA e fake news De acordo com Rysovas, IA e fake news são temas que não se limitam a questões de atualidades. Eles podem ser cobrados de formas muito variadas e em diversas disciplinas, o que inclui, por exemplo: 📜 História - por meio de comparação de algum evento atual, a IA e as Fake News podem servir de argumento para resgatar momentos históricos de manipulação de informação, como: As cartas falsas de Arthur Bernardes (1921): uma série de cartas publicadas em jornais brasileiros cuja autoria foi atribuída ao presidente da época, Arthur Bernardes. Elas atacavam ex-presidentes e os militares, inflamando conflitos que quase o tiraram da disputa, além de contribuírem para o cenário que levou à Revolução de 1930. Plano Cohen (1937): um documento forjado que apresentava um suposto plano comunista e que foi utilizado por Getúlio Vargas para justificar a implementação da ditadura do Estado Novo. 👥 Sociologia e filosofia - debate em relação à crise ética e social, podendo abordar comportamento das massas, a formação de bolhas informacionais e o papel da ética diante do uso de ferramentas: O caso da Fabiane Maria de Jesus (assassinada no Guarujá em 2014) ajuda a ilustrar como a desinformação pode levar à brutalidade e discutir o conceito de indústria cultural e senso comum. A ética e a moral na atuação da IA, citando a filosofia de Maquiavel, e questionando se a máquina pode reproduzir preconceitos e vieses sociais. 📰 Linguagens e ética - discussão que se concentra na autoria e subjetividade: A IA pode ser cobrada quanto aos seus padrões estéticos literários ou "impressão digital" nos textos. O debate sobre direitos autorais e a substituição de profissionais da escrita (copywriters, redatores) pela máquina é pertinente. Redação IA e fake news também podem aparecer nas propostas de redação. Segundo, Rysova é nesta parte da prova, presente no Enem e na segunda fase dos principais vestibulares paulistas, que o estudante terá maior espaço para desenvolver discussões mais profundas e significativas. “Eu vejo que um pedido de redação, de reflexão a partir de uma coletânea para esse comportamento dentro das redes sociais da IA é absolutamente pertinente e necessário”, afirma. O professor aponta que há a possibilidade das provas explorarem a conexão entre os assuntos da IA e fake news, e estes podem acontecer principalmente a partir de dois aspectos: o potencial da IA generativa na produção de conteúdo falso e a vigilância e análise de dados. IA generativa: o aluno deve ter em mente que o uso destas ferramentas, como o ChatGPT ou Gemini, abre a possibilidade de gerar um volume “impressionante” de conteúdo por dia com base em simples comandos que podem ser direcionados para a produção de notícias falsas com alta velocidade, lembra o professor. Análise de dados: um caminho menos evidente, mas que também pode car pode cair nas provas, é a capacidade da IA analisar uma imensa quantidade de dados sobre o comportamento dos usuários nas redes sociais. A tecnologia pode escanear fotos, identificar tendências, avaliar a interação do usuário e, assim, alimentá-lo com conteúdo alinhado às crenças próprias, formando as "bolhas" sociais. “Todo mundo que tem um perfil aberto nas diferentes redes sociais pode estar sendo observado por elementos de inteligência artificial [...] acredito que a prova possa trazer uma discussão da vigilância das redes, do uso que as redes sociais tem em relação aos seus dados”, explica. Deste último, surge um assunto derivado, mas de ampla discussão neste ano (e por consequência um grande potencial para aparecer nas provas) que é a regulamentação das redes e a liberdade de expressão. Uma redação que explore a reflexão sobre esse comportamento nas redes sociais seria "absolutamente pertinente e necessário." Preconceitos e soluções IAs como o ChatGPT, Google Gemini e Claude Opus surgiram a partir do conjunto de tudo o que as pessoas escreveram, postaram e deixaram para trás nos últimos 30 anos Getty Images Outro aspecto crítico levantado por Victor é a reprodução de preconceitos por parte das IAs. Como a ferramenta aprende com a linguagem e a cultura, ela pode internalizar e replicar desigualdades e estereótipos como o racismo, machismo, e outros preconceitos. "Se eu estou falando de um grande modelo de linguagem, a linguagem serve para traduzir uma cultura. Então, se ela vai traduzir uma cultura repleta de desigualdades, repleta de preconceitos," questiona o professor. No entanto, um tema de redação possível de ser abordado é o de ir além da crítica e pensar a Inteligência Artificial como solucionadora de problemas, e até arma para combater a disseminação de notícias falsas. 💡 Entenda: na visão dele, a IA pode ser desenvolvida para combater a disseminação de fake news e melhorar a relação do homem com a tecnologia, atuando como uma ferramenta para o bem-estar social. “A gente precisa falar muito da possibilidade da IA como aquilo que combate esses problemas. Numa proposta de intervenção, por exemplo, quais ferramentas a gente poderia desenvolver com a IA para dificultar a atuação da própria IA. [...] Como você usa a tecnologia para melhorar a relação do homem com a tecnologia e ela funcionar não mais como essa sombra que paira sobre a sociedade do século XXI”, questiona. Geopolítica, meio ambiente e cidadania digital Isabela Bordignon destaca que a relação entre tecnologia e cidadania é outro eixo comum das provas da Unicamp e do Enem. Para ela, os vestibulares podem explorar as IAs a partir da produção e geolocalização de dados, analisando contradições entre o avanço tecnológico e o aumento da desinformação. “As provas sempre discutem como as tecnologias impactam a sociedade e as relações humanas e a IA e as fake news estão diretamente ligadas a isso [...] porém, vivemos uma contradição. Nunca produzimos tantos dados e, ao mesmo tempo, enfrentamos tanta dificuldade em distinguir o que é verdade”, explica. Isabela também lembra que a questão pode aparecer em diferentes escalas geográficas, das relações de trabalho ao alto consumo de água nos data centers que estão sendo transferidos para o Sul Global. “Podemos pensar desde os impactos locais, como as relações de trabalho mediadas por aplicativos, até os efeitos globais, como a influência das big techs na geopolítica internacional [...] É uma nova forma de colonialismo tecnológico”, observa. A professora comenta sobre a dependência dos famosos “chats”, no qual se substitui atividades sociais antes feitas coletivamente por uma mediada pelo algoritmo. É algo que gera reflexões intelectuais e têm pautado e até influenciado a geopolítica internacional. “A própria questão dos algoritmos vai indicar como determinadas informações sobre a guerra em Gaza, por exemplo, chega em determinados lugares ou não”, comenta. Sugestões para estudar sem estresse Para aprofundar o repertório, o professor Rysovas sugere livros e filmes que podem ser lidos ou assistidos nos dias que antecedem as provas: O Dilema das Redes (Documentário, 2020): aborda o uso ético da tecnologia e vigilância de dados. O filme entrevista pessoas da indústria de informática e redes sociais, trazendo uma série de alertas, dados e estatísticas. Pessoas de dentro do Google e do Twitter, por exemplo, falam sobre a discussão ética do uso da tecnologia. Matrix (Filme, 1999): o filme discute a capacidade de estar imerso em uma realidade em que já não se sabe mais o que é real e o que não é real, além de abordar a interação homem-máquina. Além de ter uma conexão com Alice no País das Maravilhas. Fahrenheit 451 (Livro, Ray Bradbury, 1953): discute a questão da informação, da base da informação, a origem e como se constrói uma verdade, e por que as pessoas pararam de ler livros e se afastaram da ciência, discutindo inclusive um sistema de crenças e controle. Além destes, comenta sobre três livros da lista obrigatória da Unicamp que podem servir como inspiração: Alice no País das Maravilhas (Lewis Carroll, 1865): linha tênue entre o realizável e o irrealizável, a aproximação com o mundo fantástico. A vida não é útil (Ailton Krenak, 2020): o olhar diferente sobre a existência e o progresso, que pode ser contrastado com o desenvolvimento tecnológico. No seu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie, 2009): ela traz uma discussão muito importante sobre memória, produção de conhecimento, construção de narrativa. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Presa há 4 anos, ex-vereadora de Uberlândia, Pâmela Volp já soma mais de cinco décadas em penas por exploração sexual, tortura e lavagem de dinheiro

Publicado em: 08/11/2025 04:02

Pâmela Volp, ex-vereadora de Uberlândia CMU/Divulgação Por trás da imagem pública de ativismo em defesa dos direitos da população LGBT+, a ex-vereadora de Uberlândia, Pâmela Volp, escondia um dos esquemas criminosos mais complexos e duradouros já investigados na cidade, segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Condenada a mais de 50 anos de prisão em processos da Operação Libertas, Volp foi presa há exatamente 4 anos, em 8 de novembro de 2021, apontada como líder de uma rede de exploração sexual que atuou por mais de três décadas, atingindo principalmente travestis e mulheres trans em situação de vulnerabilidade. Segundo a Promotoria de Justiça de Uberlândia, Volp comandava o esquema mesmo após ser eleita vereadora em 2016 pelo Partido Progressista (PP), com 1.841 votos. Ela foi a primeira mulher transexual a se eleger em Uberlândia e também a primeira parlamentar de Minas Gerais a utilizar o nome social no diploma de eleita. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp O g1 entrou em contato com a defesa de Volp, representada pela advogada Fabiane Martins, para comentar as condenações e os detalhes dos processos citados na reportagem. Em nota, a defesa contestou a soma das penas informada pelo MPMG e esclareceu que a cliente só teve um dos processos concluído até o momento, justificando que não há pena definitiva a ser cumprida, tornando a ré uma "presa tecnicamente provisória". Saiba mais sobre a posição da defesa ao final da reportagem. Já o MP esclareceu que existem processos que a ré responde em liberdade, então as penas não foram unificadas, ou seja, no atestado de pena só constam os crimes com condenações em que há execução provisória da pena. Chefe de organização interestadual A Operação Libertas, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em agosto de 2021, revelou que Pâmela Volp comandava uma organização criminosa interestadual que mantinha controle sobre pontos de prostituição, impunha diárias abusivas, torturava as vítimas e promovia cirurgias clandestinas para colocação de próteses mamárias. Além disso, as denúncias apontam que a ex-parlamentar montou outro esquema paralelo, após ser presa pela força-tarefa, para cometer atos de violência, extorsões e fazer 'testes de orientação sexual' na ala LGBT+ da penitenciária, forçando presos a fazerem sexo entre si. Nesta reportagem especial, o g1 traz detalhes dos processos criminais que levaram à condenação da ex-vereadora Pâmela Volp. Ao longo das investigações, dezenas de vítimas foram ouvidas, revelando como o poder político e a influência social foram utilizados para perpetuar abusos e silenciar denúncias ao longo dos anos. Pâmela Volp foi eleita 1ª vereadora trans de Uberlândia em 2016 CMU/Divulgação Três décadas de crimes contra a população transexual O Ministério Público apontou que Pâmela chefiava a organização criminosa há mais de 30 anos. Em 2014, ela foi condenada pela Justiça Federal por tráfico internacional de pessoas e rufianismo. 🔎 Rufianismo é crime previsto no artigo 230 do Código Penal Brasileiro e ocorre quando alguém tira proveito financeiro da prostituição de outra pessoa, mesmo sem forçá-la a se prostituir. A lei prevê pena de 1 a 4 anos de reclusão, além de multa. Quatro anos depois ela foi absolvida em segunda instância pelo tráfico, mas condenada por favorecimento à prostituição. A Promotoria de Justiça de Uberlândia, através do Gaeco, começou a investigá-la e ouviu dezenas de vítimas a quem Pâmela chamava de 'filhas' e as acolhia em alojamentos em Uberlândia e Criciúma (SC). Conforme as denúncias, as vítimas exploradas sexualmente no esquema chefiado pela ex-vereadora relataram episódios de tortura, extorsão, ameaças e até procedimentos cirúrgicos clandestinos. O que dizem as denúncias As vítimas relataram que eram obrigadas a pagar diárias para atuar nos pontos de prostituição controlados por Pâmela Volp. Quem se recusava, era ameaçada, coagida e até torturada. Uma das mulheres contou que Pâmela a forçava a integrar uma espécie de gangue, com a missão de agredir e extorquir outras trabalhadoras que ocupavam os pontos sem pagar as taxas exigidas. Nos alojamentos, câmeras de monitoramento foram instaladas para vigiar as vítimas. Além disso, um caderno com registros detalhados de pagamentos e despesas de cada mulher foi apreendido. A denúncia ainda rendeu uma investigação nas esferas trabalhista e federal, por trabalho análogo à escravidão. Segundo o Ministério Público, também havia um esquema clandestino e superfaturado para a colocação de próteses de silicone. As vítimas eram induzidas a contribuir com uma espécie de poupança para realizar os procedimentos em clínicas ilegais. O caso revelou ainda a participação de médicos e práticas sem anestesia ou em pós-operatório inadequado. Conversas obtidas pela investigação mostram um dos médicos negociando um “pacote de próteses” com Pâmela, a quem ele chega a chamar de “sócia”. Os médicos envolvidos firmaram acordos de colaboração e não foram denunciados. Veja galeria de fotos durante as fases da operação Libertas. Operação Libertas; FOTOS Anos de medo, ameaças e poder Para lavar o dinheiro obtido com a exploração sexual e extorsões, Pâmela Volp investiu em carros de luxo, imóveis, joias e até na construção de um mausoléu de alto padrão para a família, no cemitério de Tupaciguara, cidade a 69 quilômetros de Uberlândia. As investigações indicam que Pâmela Volp movimentava mais de R$ 20 mil por mês em cartões e mantinha um padrão de vida elevado. Esse foi um dos argumentos usados pelo Gaeco para apontar que a maior parte da renda dela vinha de atividades criminosas. O valor do patrimônio de Pâmela Volp não consta no processo, mas o g1 apurou junto aos investigadores da Operação Libertas que é de aproximadamente R$ 4 milhões. O dinheiro também era usado para impor medo às vítimas. Nos depoimentos prestados ao MP e à Justiça, elas relataram o clima de medo constante que viviam sob o comando de Pâmela Volp. "No último julgamento dela do tráfico internacional, ela arrotou para todo mundo que tinha mandado uma maleta de dinheiro para Brasília, que nunca ia ser condenada, que nunca ia ser presa, que nunca ia acontecer nada [...] para gente tipo ter medo, que ela tinha o poder. Ela tinha esse poder do dinheiro, ela sempre usou esse poder do dinheiro para ameaçar a gente", contou uma das vítimas. A vítima ainda relatou que só teve coragem de colaborar com as investigações por acreditar que, desta vez, a ex-vereadora responderia pelos crimes dentro da cadeia. "A cidade é dela, ela é dona da cidade. Era né. Porque foram anos, tipo, não sei se de judiciário, se polícia, o que foi, mas foram anos de várias pessoas sabendo dos crimes, várias pessoas convivendo com os crimes e ninguém nunca fez absolutamente nada. A gente sabe que rolava um dinheirinho, mas não sabemos para quem", finalizou a vítima. Os supostos pagamentos de propina não foram alvo de investigação. Condenações na operação Libertas Durante as sete fases da Operação Libertas, Pâmela Volp foi denunciada em mais de dez processos. Até o momento, foi condenada em oito deles. As penas apuradas pela reportagem junto ao Ministério Público já somam 52 anos, 3 meses e 3 dias de prisão, além de multa e indenizações às vítimas. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), alguns processos estão em segredo de justiça ou aguardam julgamento. O TJMG informou que Pâmela Volp, até o dia 31 de outubro, já havia cumprido 4 anos, 1 mês e 24 dias da pena. Ela continua presa no sistema prisional de Uberlândia. Roubo qualificado e extorsões A denúncia apontou que a organização criminosa comandava diversos pontos de prostituição em Uberlândia. As mulheres eram obrigadas a pagar diárias como forma de permissão para atuar nos pontos de prostituição. Quem não obedecia era ameaçada ou agredida. Por esse motivo, em março de 2018, Volp e duas comparsas agrediram violentamente uma travesti em um ponto de prostituição no Bairro Marta Helena. A vítima foi golpeada com barra de ferro na nuca e agredida com socos e chutes e teve o celular roubado. De acordo com o Gaeco, as agressões deixaram a vítima gravemente ferida. Pâmela foi inicialmente condenada a 10 anos de prisão. Após recurso da defesa, a pena foi reduzida para 5 anos e 4 meses de reclusão, além de 3 meses de detenção. Em dois episódios ocorridos em 2020, Pâmela Volp ameaçou mais uma vítima, desta vez no Bairro Osvaldo Rezende. No primeiro caso, exigiu que a vítima deixasse o local sob ameaça de agressão. No segundo, jogou o carro em direção à vítima e reafirmou as ameaças. A vítima abandonou o trabalho por meses após as ameaças. Pâmela foi reconhecida como autora e condenada a 4 anos e 8 meses de reclusão. Em novembro de 2021, outra vítima foi abordada em ponto de prostituição no Bairro Dona Zulmira. Armadas com revólver, faca e barra de ferro, Pâmela e mais duas comparsas ameaçaram a vítima de morte caso não pagasse uma “diária” de R$ 50 para trabalhar na região. A ex-vereadora teria se autoproclamado “dona da cidade” e afirmou que ninguém trabalharia [nos pontos de prostituição] sem pagar em Uberlândia. A vítima fugiu e denunciou o caso. Por esse crime, Pâmela foi condenada a 7 anos de reclusão. Garotas de programa eram torturadas e agredidas pela 'dona da cidade' O Gaeco também apurou que, na madrugada de 7 de novembro de 2021, Pâmela Volp agrediu uma garota de programa com chinelo e mangueira por ter chegado tarde do trabalho na rua. As agressões duraram cerca de 15 minutos. Depois, a vítima foi impedida de dormir, o que causou sofrimento físico e psicológico A mulher trans vivia sob controle rígido de Pâmela, que a usava como exemplo de submissão para outras travestis em seus alojamentos. A vítima só conseguiu sair do local após a prisão da agressora. Pâmela foi denunciada pelo crime de tortura e condenada a 2 anos e 3 meses de reclusão. Em outro caso, a vítima relatou ter sido agredida com golpes de canivete nos seios recém-operados. A travesti ainda foi sequestrada duas vezes, ameaçada de morte e forçada a fugir da cidade. Por esse crime de tortura, Pâmela Volp foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão. Rufianismo, organização criminosa e lavagem de dinheiro Pâmela também foi condenada por chefiar a organização criminosa e pelos crimes de rufianismo (exploração sexual) e lavagem de dinheiro. A organização com atuação interestadual, segundo o MPMG, estendeu as atividades criminosas em Santa Catarina. Consta na denúncia, que a chefe contava com a parceria de outras mulheres trans, para o gerenciamento da operação no Sul do país com o mesmo modelo de operação: cobrança de diárias e controle dos pontos de prostituição. Mesmo presa, a chefe do esquema continuava exercendo influência sobre a rede. Ainda conforme o MP, a estrutura era altamente lucrativa e explorava a vulnerabilidade das vítimas. Por esses crimes, Pâmela foi condenada no último mês a 14 anos, 6 meses e 28 dias de reclusão. Além disso, as rés foram condenadas a indenizar cada uma das vítimas em R$ 20 mil por danos morais. Ela também foi condenada por dano material e perdeu todos os bens. Apreensão de joias Em outro processo envolvendo lavagem de dinheiro, a ré foi condenada por manter um depósito de diversas joias e pedras preciosas, avaliado em mais de R$ 300 mil. De acordo com o MPMG, esses bens foram adquiridos com recursos obtidos direta ou indiretamente por meio de crimes como organização criminosa, sendo posteriormente convertidos em ativos de aparência lícita. As joias foram localizadas e apreendidas em Tupaciguara. A sentença em primeira instância ocorreu em junho deste ano, condenando a ex-vereadora a 4 anos e 6 meses de reclusão pelo crime em regime inicial aberto. Esquema de extorsão e violência no sistema prisional Ser presa não impediu que a ex-vereadora continuasse a exercer sua liderança. A Operação Libertas também investigou um esquema de extorsão e outros crimes praticados por Volp no sistema prisional de Uberlândia. Pâmela Volp, se tornou líder da ala LGBT+ da Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga, ordenou que cinco detentos espancassem seu companheiro de cela, por supostamente ter furtado 17 cigarros dela. A vítima, sob efeito de remédios, foi brutalmente agredida com chutes, socos e pisões na cabeça e no peito. Na denúncia consta que a morte só não ocorreu por intervenção de uma testemunha. Após o crime, Pâmela deu cigarros a dois agressores para que assumissem a culpa. Por esse crime, ela foi condenada a 9 anos e 4 meses de prisão em regime fechado. 'Teste de orientação sexual' Por fim, Volp também foi denunciada pelo Gaeco por lesão corporal sofrida por outro preso na penitenciária. A detenta é acusada de criar 'teste de orientação sexual' dentro do pavilhão LGBT+. Segundo o MP, Pâmela Volp obrigava novos presos da ala a manterem relações sexuais com outros detentos. Um interno que se recusou teria sido espancado por outros dois presos a mando dela. A denúncia aponta que a vítima perdeu dentes e sofreu deformidade facial. Com a apuração dos crimes, ela foi transferida para o Presídio Professor Jacy de Assis, também em Uberlândia, onde permanece cumprindo pena. Segundo a Promotoria, o processo tramita no Fórum de Uberlândia e não houve julgamento. A ré também aguarda julgamento pelos crimes de associação criminosa e extorsão praticados no sistema prisional. O que diz a defesa Em nota enviada ao g1, a advogada Fabiane Martins informou que Pâmela Volp se mantém firme e dedicada na missão de reverter as acusações injustas que lhe foram atribuídas. Sobre a suposta 'compra de policiais' citada na reportagem, a defesa esclareceu que o Ministério Público se baseou em depoimentos de testemunhas do sistema prisional. No entanto, essas declarações carecem de provas e não sustentaram uma denúncia formal por corrupção ativa, demonstrando a inconsistência das acusações. Por fim, alegou que a cliente acredita ser alvo de perseguição transfóbica e que a atual defesa busca corrigir os equívocos da representação anterior e reverter a situação processual da cliente. Initial plugin text ASSISTA: 6ª fase da operação Libertas teve como alvo travestis e transexuais de Uberlândia Trabalho de travestis e transexuais é alvo da 6ª fase da Operação Libertas em Uberlândia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Palavras-chave: vulnerabilidade

Aos 77 anos, aposentado fará Enem pela 1ª vez com sonho de cursar Psicologia, no Paraná: 'Envelhecer com saúde mental'

Publicado em: 08/11/2025 04:02

Paranaense fará Enem pela primeira vez com sonho de cursar Psicologia Após ficar mais de 46 anos afastado da sala de aula, Elifas Levi Rodrigues, de 77 anos, decidiu retomar os estudos. Em 2025, ele concluiu o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e agora se prepara para realizar, pela primeira vez, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com o objetivo de cursar Psicologia. “Com a psicologia eu posso ajudar muita gente. E aí eu me torno uma pessoa que eu vou envelhecer com saúde mental e trabalho…. Não vou ficar uma pessoa ociosa”, afirma Elifas. Neste domingo (9), Elifas será um dos 17.192 mil brasileiros com mais de 60 anos inscritos no Enem. O número representa um aumento significativo em relação à edição anterior, que contou com 9.950 participantes nessa faixa etária. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Elifas, morador de Curitiba desde 1979, explica que precisou interromper os estudos na 8ª série por questões familiares. O longo período de afastamento da sala de aula, entretanto, não diminuiu em nada o potencial e força de vontade de Elifas, que ao concluir o EJA, foi reconhecido como aluno destaque. Atualmente, ele é aposentado, mas trabalha como taxista para complementar renda. O gosto pela leitura, cultivado em sala de aula quando era jovem, nunca abandonou Elifas, que revela que seu interesse pela Psicologia também vem de longa data. "Já venho lendo sobre esse tema há muitos anos, mas agora que foi a decisão", conta. Idoso de 77 anos faz Enem pela primeira vez, após ficar 46 anos sem estudar Arquivo pessoal Mais histórias inspiradoras no Paraná: 'Surpresa grande': Mãe e filho passam no vestibular para mesmo curso Volta por cima: Após 18 anos em situação de rua, mulher passa em Serviço Social Preparação para a prova Mesmo com a rotina de trabalho, ele afirma que conseguirá conciliar bem os estudos, caso seja aprovado. Elifas está confiante para a prova. "Muita coisa dá para estudar no táxi. Tenho um acervo grande de audiobooks no celular, que ouço enquanto trabalho [...] Vou chegar lá [na prova] para mostrar o que eu sei e o que conheço." Segundo o especialista em educação Renato Casagrande, o formato da prova mudou ao longo dos anos, o que pode beneficiar os candidatos mais velhos. “Hoje o Enem está mais adaptado a diferentes perfis de alunos. Não é mais uma prova de ‘decoreba’, e sim muito mais voltada à interpretação de textos e conteúdos contextualizados, o que facilita para alunos mais velhos também”, explica o especialista. Apoio para seguir sonhando Quando concluiu o EJA, além de ser aluno destaque, Elifas foi orador da turma Arquivo pessoal Elifas reforça a importância que o CEEBJA Francisco Macedo teve no processo de retomada dos estudos. A modalidade permite que pessoas que pararam de estudar concluam, em menos tempo, o ensino fundamental ou o ensino médio. “A escola recebe a gente muito bem. Um pessoal, uma equipe muito bem preparada, sabe? E os professores fantásticos. Tem um professor que hoje é meu amigo. É muito interessante, né? Porque o EJA muda a vida de muitas pessoas", destaca. A trajetória de Elifas é marcada também pelo apoio da família. “Minha esposa, filhos e netas me apoiam muito. As netas são as mais entusiasmadas com essa jornada [...] É uma experiência fantástica. Não existe dificuldade. É só interagir, e que as pessoas venham para a escola e não desista... Porque é tudo um início. Iniciou, o restante vai acontecer normalmente, sabe?", ressalta Elifas. Aumento da terceira idade no Ensino Superior De acordo com o Ministério da Educação, 4.811.338 milhões de pessoas se inscreveram nesta edição do Enem. Dentre elas, 17.192 têm mais de 60 anos. O dado representa um aumento em relação aos anos anteriores. Em 2024, por exemplo, foram registrados 9.950 inscritos nessa faixa etária, o que corresponde a um crescimento de mais de 72% em comparação ao ano anterior. Esse também é um dos maiores números de participantes idosos desde 2015. Além disso, de acordo com dados da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná (SETI), houve um crescimento também no número de alunos matriculados com mais de 60 nos cursos de graduação em universidades públicas estaduais. Veja o gráfico abaixo. Número de estudantes com mais de 60 anos matriculados em Universidades Estaduais no Paraná De acordo com a SETI, a Unioeste não passou os números dos anos anteriores, apenas deste ano. De acordo com a direção de Acompanhamento Acadêmico (DAA) da UENP foi considerado o total de matrículas de alunos com 50 anos ou mais. Veja cronograma do Enem 2025 ⬇️🕒 9 de novembro O candidato deverá fazer: 45 questões de linguagens (40 de língua portuguesa e 5 de inglês ou espanhol); 45 questões de ciências humanas; redação. 16 de novembro A prova trará: 45 questões de matemática; 45 questões de ciências da natureza. Veja os horários de aplicação (no fuso de Brasília): Abertura dos portões: 12h Fechamento dos portões: 13h Início das provas: 13h30 Término das provas no 1º dia: 19h Término das provas no 2º dia: 18h30 *Com colaboração de Maria Pohler, assistente de produtos digitais do g1 Paraná, e supervisão de Caio Budel. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná.

Palavras-chave: tecnologia

Câmara discute proposta para acabar com 'taxa das blusinhas' cerca de um ano após aprovação; entenda

Publicado em: 08/11/2025 04:01

A Câmara dos Deputados discute um projeto de lei que zera o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 feitas por meio de comércio eletrônico, ou seja, impõe um fim à chamada "taxa das blusinhas". Em uma audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, na última quarta-feira (29), representantes de setores da economia e de consumidores se dividiram em relação à tarifa. Desde primeiro de agosto do ano passado, o governo cobra 20% de imposto sobre esse tipo de compra em plataformas online, como Shein, Shoppee e AliExpress. 🔎A taxação foi uma resposta do governo a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online. 'Taxa das blusinhas' começa a valer neste sábado; veja o que muda nos preços Um estudo da LCA Consultoria Econômica – empresa especializada em análises econômicas –, mostra que a taxação, criada para proteger o varejo a e indústria nacionais, não surtiu o efeito esperado. "A taxa não teve impacto mensurável na geração de empregos e acabou penalizando principalmente os consumidores de baixa renda, que passaram a pagar mais caro nos produtos e a consumir menos", conclui o levantamento. 🔎O relatório foi feito feito a pedido da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia – Amobitec, que representa empresas de comércio internacional e delivery, como Shein e Amazon, e que participou do debate na Câmara. Lei aprovada no Congresso A incidência do imposto sobre pequenas importações foi instituída em lei aprovada pelo Congresso Nacional, após o Confaz permitir que os estados cobrassem ICMS sobre essas compras. Em agosto de 2024, mês em a medida foi implementada, houve uma queda de 43% nas importações de bens de consumo por remessa conforme, segundo o levantamento da LCA. Em julho de 2024, as compras em e-commerces internacionais totalizaram 285,6 milhões de dólares. No mês seguinte, somaram 162,6 milhões de dólares. Um ano após o início da cobrança da tarifa, em julho de 2025, o brasileiro importou 246 milhões de dólares em produtos, metade do que o projetado pela consultoria para o período. O estudo também mostra que o imposto atinge a população mais pobres. As classes C, D e E são as que mais consomem nas plataformas de compra internacionais. Os dados revelam que as compras feitas por este perfil de consumidor somam 70% de toda a arrecadação do governo. Entre agosto de 2024 e abril de 2025, a parcela dos que desistiram da compra online após verificarem o preço final — com o imposto — subiu de 35% para 45%. Efeitos sobre os empregos A LCA também analisou dados do Ministério do Trabalho. Segundo o levantamento, nos 12 meses seguintes à introdução da taxa das blusinhas, o crescimento do emprego em setores do varejo e da indústria beneficiados com a tarifa de importação pra produtos de baixo valor se manteve no patamar verificado nos doze meses anteriores. "Além disso, o crescimento do emprego nesses mesmos setores nos 12 meses posteriores está abaixo do crescimento do emprego geral no Brasil: 0,97% no comércio varejista beneficiado e 0,97% nas indústrias beneficiadas, contra 3,04% na média nacional", afirma o levantamento da consultoria. O que diz o governo O Ministério da Fazenda não quis comentar sobre a proposta de extinguir a taxa. Afirmou que é o único tributo de importação criado por lei e que é "resultado de uma decisão unânime dos governos estaduais sobre o ICMS no âmbito do Confaz - Conselho Nacional de Secretários de Fazenda - e dos partidos políticos que votaram pela criação do imposto no Congresso". À época da implementação do imposto, a Fazenda defendeu uma medida como uma forma de aumentar a arrecadação e diminuir o rombo das contas públicas. Dados da Receita Federal divulgados em janeiro deste ano apontam que, somente com a taxação das encomendas abaixo de US$ 50, foram arrecadados R$ 670 milhões entre agosto de 2024 – mês em que passou a ser cobrada – e dezembro do ano passado. "O aumento da arrecadação vai ao encontro da criação do Programa Remessa Conforme e o estabelecimento, pelo Congresso Nacional, da tributação sobre todas as remessas, independentemente do valor da importação", informou a Receita Federal.

Palavras-chave: tecnologia