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Mulher com condição rara que teve bebê gestado pela tia de 63 anos fala sobre relação familiar pós-parto: 'Estaremos sempre juntas'

Publicado em: 10/05/2026 08:00

Mulher de 63 anos gera bebê para realizar sonho de sobrinha em Itapetininga Para muitas mulheres, a maternidade é um dos maiores sonhos da vida. Mas gerar um filho biológico nem sempre é a única forma de se tornar mãe. No caso de Mary Ellen Marques, de 32 anos, que não possui útero devido a uma condição rara, a tecnologia e um gesto de extrema generosidade tornaram possível a realização desse sonho. O filho de Mary Ellen foi gestado pela tia, Maria Ambrosia Marques, de 63 anos, na forma de "barriga solidária". O pequeno Samuel nasceu às 18h33 do dia 27 de fevereiro, com 2,5 kg. A mãe e o pai, Danilo Marques, acompanharam o parto dentro do centro cirúrgico. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp No Dia das Mães, celebrado neste domingo (10), o g1 e a TV TEM mostram como está a vida da família de Itapetininga (SP) após a chegada do menino. Mary Ellen conta que para ela todo o processo aconteceu como se fosse dentro do próprio útero. "Nunca tive problema nenhum do Samuel ter sido gerado na barriga da Tia Maria. Ela é como se fosse uma mãe para mim. Senti ele mexer, eu sempre colocava a mão na barriga. A emoção que senti foi como se fosse dentro do meu útero. Nós temos uma conexão muito grande. Eu sempre tive o sonho de ser mãe e tudo isso é muito gratificante. Meu filho é uma bênção", diz. Maria Ambrosia gerou a criança pela sobrinha Reprodução/TV TEM A mãe faz questão que a tia acompanhe de perto a criação e o crescimento de Samuel. Muitas vezes, segundo ela, as pessoas entendem que a barriga solidária deve participar apenas da gestação e se afastar após o nascimento, o que não é necessariamente verdade. "As pessoas têm essa dúvida, mas pelo contrário. Ela, apesar de ter gerado, é considerada como a avó do Samuel. Ele vai crescer e ter muito contato com ela. Nossa família é muito reduzida, mas muito unida. Estamos sempre juntos e almoçando juntos. Quanto mais amor para o meu filho, melhor", destaca. Maria Ambrosia diz que vê Samuel como um "filho do coração" e que o amor que sente pela criança é reflexo do amor que já sentia pela sobrinha. "Eu sinto muito amor por ele, desde quando eu colocava a mão da Mary Ellen para sentir na barriga. Chorei de alegria quando o Samuel nasceu. Foi um presente de Deus que eu gerei para ela. Ele é um filho do coração e, para mim, um neto. É maravilhoso poder contribuir com a felicidade de outra pessoa", pontua. 🍼 Sonho da maternidade Nasce bebê gerado por tia de 63 anos para sobrinha com síndrome rara no interior de SP Mary Ellen é casada há quatro anos com Danilo, de 40 anos. Eles se conheceram pelas redes sociais, logo após ela se divorciar. "Desde o início eu contei para ele que tinha o sonho de ser mãe. Eu sempre falo que nasci com esse desejo, mas cresci sabendo que não poderia gerar filhos", conta. Ela explica que, em relacionamentos anteriores, o desejo de adotar uma criança não foi aceito pelos parceiros. "Hoje entendo que foi um livramento. Quando conheci o Danilo, perguntei se ele queria ter mais um filho, porque ele já tem uma menina de 16 anos. E ele respondeu que sim, que Deus havia prometido um filho da promessa chamado Samuel", lembra. LEIA TAMBÉM: Quase 80% das famílias em Itapetininga que utilizam benefícios sociais são chefiadas por mulheres; veja mapa Grávida aos 62 anos dá à luz sexta filha: 'Sentimento maravilhoso', diz pai Mais de 5,4 mil crianças foram registradas apenas com o nome da mãe no interior de SP desde 2020 O casal decidiu iniciar o processo de adoção, mas, no fim de 2024, a esperança de ter um filho biológico voltou a ganhar força. Uma amiga mostrou nas redes sociais o vídeo de uma mulher que gestou o bebê de uma amiga, e a história reacendeu em Mary Ellen o desejo de seguir pelo mesmo caminho. "Entrei em contato com a moça do vídeo e, por incrível que pareça, nós temos a mesma síndrome. Ela me indicou uma clínica em Goiânia (GO)", relata. Os pais do Samuel, com a tia que permitiu que eles realizassem o sonho de ter um filho Arquivo Pessoal/Mary Ellen Marques O casal viajou até Goiânia, onde fez a coleta dos óvulos de Mary Ellen e do material genético de Danilo. Dez embriões foram congelados. Depois de uma tentativa que não deu certo e sem outras opções entre familiares e amigas, Mary Ellen decidiu esperar. Oito meses depois, a mesma amiga lhe enviou outro vídeo, dessa vez de uma mulher de 62 anos que havia gerado o bebê da sobrinha. "Mostrei o vídeo para a minha prima Kelly, filha da tia Maria. Ela mostrou para a tia, que respondeu na hora: 'Fale para a fia que eu vou para ela'. Quando recebi a notícia, quase caí dura de felicidade", conta emocionada. Samuel nasceu na noite desta sexta-feira (27) em Itapetininga (SP) Arquivo Pessoal/Mary Ellen Marques A partir daí, começaram os exames médicos" Minha tia é muito saudável, teve três filhos de parto normal, nunca fez tratamento de saúde e está ótima. Passou por cardiologista, endocrinologista, mastologista, ginecologista e psicólogos, e todos atestaram a capacidade física e mental dela para gerar nosso bebê." A advogada da família, especializada em reprodução assistida, entrou com o pedido de autorização no Conselho Regional de Medicina (CRM). "Em junho, recebemos a liberação para a transferência do embrião. Fomos novamente a Goiânia e, nove dias depois, veio o tão sonhado positivo", celebra Mary Ellen. 💙 A dinda do Samuel Kelly, prima de Mary Ellen e técnica de enfermagem, foi escolhida para ser a madrinha do pequeno Samuel. Filha mais velha de Maria, Kelly conta que também chegou a se oferecer para gerar o bebê, mas precisou retirar o útero após um problema de saúde. Em agosto de 2025, Kelly foi a "guardiã" do segredo sobre o sexo do bebê e organizou o chá revelação. Ela conta que se emocionou ao descobrir que seria um menino, promessa, segundo ela, que Deus havia feito à família. O nome escolhido foi Samuel, que significa "nome de Deus". 🏥 O parto Mary Ellen possui uma síndrome que faz com que ela não tenha útero Reprodução/TV TEM Maria Ambrosia passou por uma cesariana no fim da tarde de 27 de fevereiro. O procedimento foi antecipado após pequenas alterações na pressão arterial. "Foi indescritível. Eu já sabia que seria um momento único, mas sentir aquilo foi como se o céu descesse ali. Muitos médicos achavam que ele precisaria de UTI por causa da prematuridade ou da idade da gestante, mas nem ele nem a tia precisaram. Ele nasceu saudável, e o centro cirúrgico inteiro chorou. Todo mundo pôde contemplar de perto a obra de Deus. É muita emoção", disse Mary Ellen. A tia também falou sobre a experiência após o parto. "Eu estou bem, graças a Deus. Já passei pela cesárea, agora estou aqui só me recuperando. Correu tudo bem. Estou me sentindo realizada e muito feliz pela minha sobrinha e pelo Samuelzinho. Agora é só vitória. Só ver ele crescer", disse. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

Ponte Estaiada e Biblioteca Mário de Andrade serão iluminadas de azul em campanha sobre doença que afeta 2 milhões de brasileiros

Publicado em: 10/05/2026 07:01

Fachada da Biblioteca Municipal Mário de Andrade, no Centro de São Paulo. Secom/PMSP/Divulgação A Ponte Estaiada Octavio Frias de Oliveira e a Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, receberão iluminação especial na cor azul entre os dias 10 e 12 de maio como parte da campanha #VidasInvisíveis, que busca ampliar a conscientização sobre a Encefalomielite Miálgica (EM), também conhecida como Síndrome da Fadiga Crônica (SFC). Já a Câmara Municipal de São Paulo ficará iluminada entre os dias 12 e 15 de maio. As ações fazem parte do Maio Azul, período internacional de conscientização sobre a doença, cujo dia central é celebrado em 12 de maio. Segundo os organizadores da campanha, a enfermidade multissistêmica afeta mais de 2 milhões de brasileiros. A mobilização é liderada pela psicóloga e ativista Ivana Andrade. Além da iluminação dos monumentos, a programação inclui uma audiência pública na Câmara Municipal de São Paulo, marcada para 12 de maio, às 18h. O encontro será promovido pela vereadora Renata Falzoni (PSB) e deve reunir especialistas, representantes da sociedade civil e gestores públicos para discutir diagnóstico, tratamento e assistência às pessoas que convivem com a doença. Entre os participantes confirmados para a audiência estão a médica e professora da Unifesp Eloara Campos; o médico e professor da Unifesp Rudolf Oliveira; a presidente da Associação Brasileira de Encefalomielite Miálgica e Disautonomia (ABEMDIS), Márcia Campos de Oliveira; e o professor de Bioética do Hospital Israelita Albert Einstein Henderson Fürst. A campanha também promove neste domingo (11), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), uma instalação simbólica com pares de sapatos usados para representar pacientes que deixaram de participar da vida social em razão da gravidade da doença. A exposição será montada no Espaço Heróis de 32, com abertura prevista para as 19h. Segundo a organização, cerca de 25% dos pacientes vivem em condição severa, muitas vezes confinados ao próprio leito. Após a ação, os sapatos arrecadados serão destinados a pessoas em situação de vulnerabilidade social. Vídeos em alta no g1

Palavras-chave: câmara municipal

Desmonte do Huawei Pura X Max expõe inovações e extrema dificuldade de reparo

Publicado em: 10/05/2026 05:48 Fonte: Tudocelular

O Huawei Pura X Max chegou recentemente ao mercado e mostrou grande interesse por parte do público, mas alguns segredos ainda precisavam ser descobertos. O canal iFixit publicou o primeiro vídeo de desmonte do topo de linha e mostrou que, por trás de um visual futurista, existem surpresas complexas na montagem interna. Os especialistas definiram a experiência com uma frase de impacto: "Este dobrável parece o futuro... até você consertá-lo".O celular tem um formato elogiado por facilitar a leitura natural ao imitar o estilo de um pequeno tablet. Além da estrutura externa atraente, o grande destaque positivo ficou para a câmera principal equipada com abertura variável. Essa tecnologia sumiu de muitos aparelhos caros e não aparece na linha rival Samsung Galaxy desde a época do lançamento do S9. No tópico da bateria, a capacidade energética também impressionou os técnicos com as duas baterias que somam 19,73 Wh, um total 14% superior à oferecida pelo Galaxy Z Fold 7. Além disso, a porta USB-C também ganhou pontos na bancada por ter um acesso bem simplificado.O Huawei Pura X Max ainda não está disponível nas lojas brasileiras. Para ser notificado quando ele chegar clique aqui.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Menor preço já visto: Moto G17 cai para menos de R$ 830 em oferta da Amazon

Publicado em: 10/05/2026 04:29 Fonte: Tudocelular

O Motorola Moto G17 é uma opção boa e barata entre os modelos disponíveis no mercado de entrada hoje no Brasil. Apesar da ausência de redes 5G, o dispositivo oferece desempenho suficiente para lidar com tarefas leves e possui boa capacidade de armazenamento para guardar seus arquivos. Pois o baratinho da Motorola está com seu menor preço já registrado no país em uma oferta da Amazon, onde o dispositivo sai por R$ 826. Para quem prefere parcelar, a varejista oferece divisão em até 12x, com valor total em R$ 918,23.Sobre o celularO Moto G17 se destaca pelo seu conjunto de câmeras com um sensor principal de 50 MP Sony LYTIA 600 com tecnologia Quad Pixel e Night Vision automático, que garante fotos nítidas mesmo em baixa luz. Ele também conta com lente ultrawide híbrida de 5 MP e câmera frontal de 32 MP, considerada a melhor da categoria para selfies e vlogs.O Motorola Moto G17 está disponível na Amazon por R$ 826. O custo-benefício é ótimo e esse é o melhor modelo nessa faixa de preço. Para ver as outras 15 ofertas clique aqui. (atualizado em 10 de May de 2026, às 11:18)Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Os Legos do Irã: quem está por trás dos vídeos de IA que levam propaganda de guerra ao TikTok?

Publicado em: 10/05/2026 04:02

Irã cria animação em estilo Lego para atacar EUA e Israel Bombas feitas de peças coloridas, líderes mundiais transformados em bonecos e trilhas sonoras para retratar ataques militares. Desde o início da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, vídeos inspirados na estética da marca Lego passaram a circular em massa nas redes sociais. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Do debate político ao palco do festival Coachella, essas produções passaram a integrar uma estratégia cada vez mais sofisticada de propaganda de guerra. 🎯Publicadas nas redes sociais, as animações mostram drones, explosões e confrontos militares em estilo de desenho. Em muitos dos vídeos, autoridades americanas como Donald Trump, soldados dos EUA e líderes aparecem como responsáveis por guerras e destruição, enquanto o Irã e grupos aliados são retratados como resistência. Especialistas ouvidos pelo g1 classificam as produções como uma nova forma de propaganda pensada para a internet, que usa linguagem simples, humor e uma estética mais leve para ampliar o alcance e ser facilmente compartilhada. Ao mesmo tempo, para quem consome, serve para simplificar temas complexos e pode acabar suavizando ou banalizando a violência retratada. Explosive Media Uma das principais organizações por trás dos vídeos de Lego é a Explosive Media. Em entrevista à BBC, um representante da organização — que se identifica como “Sr. Explosivo” — explicou que a escolha da estética inspirada em Lego foi estratégica. “Lego é uma linguagem universal", afirmou. Segundo ele, o formato também ajuda a suavizar a violência da guerra e evitar rejeição do público. Maurício Ramos, cientista político e professor da Pós-Graduação em Estratégia e Liderança Política, da FESPSP (Escola de Sociologia e Política de São Paulo), concorda com essa visão: "É uma comunicação voltada para o ocidente e é o único brinquedo que consegue atravessar todas as faixas etárias", explica. Ainda na entrevista da BBC, o grupo admitiu, após negar vínculos anteriormente, que o governo do Irã é um “cliente”. De acordo com o representante, a equipe responsável pelos vídeos é formada por cerca de dez pessoas, entre operadores de inteligência artificial, pesquisadores e animadores. Ele afirmou ainda que o projeto se sustenta com doações do público, além de contratos com diferentes clientes. Muitas vezes, as próprias empresas responsáveis pelas redes acabam excluindo as contas do grupo. Em março, o Youtube suspendeu o canal da organização por violações das políticas da plataforma sobre spam, práticas enganosas e golpes. Criado em 2025, o grupo que publica as animações produzidas com inteligência artificial acumula milhões de visualizações. Na época, eles também faziam vídeos curtos voltados a comentários políticos. Propaganda de guerra Perfis compartilham imagens de guerra transformadas em animações de Lego Reprodução Para Ramos, não há dúvidas que as animações são propaganda de guerra. “Talvez seja a primeira vez que a gente vê isso estruturado como uma política de comunicação pensada especificamente para as redes sociais", explica. “A grande diferença em relação à propaganda tradicional é que agora o foco não está no medo, mas no engajamento. E o engajamento vem de conteúdos leves, rápidos e fáceis de consumir", explica Ramos. Ramos afirma ainda que o objetivo é o compartilhamento. "Quando as pessoas compartilham, concordando ou não, elas ajudam a multiplicar o discurso", continua. Segundo o especialista, os clipes são vistos tantas vezes que passam a parecer comum, a fazer parte do senso coletivo. E o Irã aproveita essa viralização, já que perfis oficiais do governo compartilham os vídeos nas redes sociais. LEIA MAIS Bombardeios do Irã atingiram mais de 220 estruturas em bases militares dos EUA no Oriente Médio, diz jornal Abacatudo vai para a guerra? A psicanalista Fabíola Barbosa analisa que essa busca pela viralização também ajuda a banalizar o tema pesado da guerra. "Um dos aspectos mais preocupantes é a forma como temas problemáticos são diluídos em uma estética aparentemente inocente. [Isso] mascara conteúdos que reproduzem violência consumidos como entretenimento", afirma. "A estética serve para suavizar e normalizar imagens que seriam chocantes em filmagens reais e seriam bloqueadas pelas plataformas. Feitas com Lego, parecem 'inofensivas e engraçadas”", afirma. O potencial de viralizar e entrar na discussão pública usando vídeos de IA, segundo a psicanalista, se assemelha aos vídeos das "novelas de frutas" que ganharam repercussão nas redes nos últimos meses. "[Os vídeos] seguem a esteira do uso indiscriminado de inteligência artificial para fazer roteiros, histórias, sejam LEGO – ou frutas e animais que circulam em outras narrativas, não há autoria", afirma. "A novidade de vídeos, curtos, protagonizados por figuras que não são humanas, deixa sempre maior espaço para o horror ser apresentado de forma mais lúdica", continua. O mesmo ocorre com os vídeos de frutas, que mostram cenas carregadas de palavrões e discursos preconceituosos. Vídeos transformam figuras políticas em Lego Reprodução Dos memes ao Coachella Se o objetivo era viralizar e trazer a guerra para as discussões do dia a dia, os vídeos foram bem-sucedidos. A fama é tanta que o assunto chegou aos palcos de um dos festivais de música mais famosos do mundo. O vocalista da banda norte-americana The Strokes, Julian Casablancas, citou a propaganda na segunda apresentação do grupo no Coachella, em 18 de abril. “Fiquei tentado a sair esta noite com um laptop e mostrar para vocês alguns daqueles vídeos de Lego do Irã. Vocês viram? Muito bons! Mais bem feitos do que o noticiário local de vocês. Mas derrubaram. O YouTube ou o governo, sei lá. Tiraram do ar. Terra da liberdade, estou certo?”, disse o cantor.

Palavras-chave: inteligência artificial

Mercosul-UE: em visita ao Brasil, missão europeia busca acelerar efeitos econômicos do acordo

Publicado em: 10/05/2026 04:01

Poucos dias após a entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul, uma comitiva de deputados do Parlamento Europeu realiza visita ao Brasil em busca consolidar a implementação do tratado em reuniões com autoridades do governo, parlamentares, empresários e representantes da sociedade civil. Essas é a primeira visita da missão europeia desde que o acordo entrou em vigor de forma provisória no dia 1º de maio, após 25 anos de negociação. Enquanto a União Europeia aguarda o Parlamento Europeu aprovar o acordo com o Mercosul, os deputados europeus elogiam aprovação em tempo recorde da tramitação pelo Congresso brasileiro e afirmam que os avanços devem continuar mesmo diante de possíveis mudanças de governo. Acordo comercial Mercosul-UE começa a valer Segundo o chefe da delegação, deputado português Hélder Sousa, o objetivo é demonstrar, já nos primeiros meses, que o tratado pode gerar ganhos concretos e reduzir críticas políticas e econômicas dos dois lados. O presidente da delegação do Parlamento Europeu diz que há apoio transversal ao tratado entre parlamentares brasileiros de diferentes correntes políticas. “Falei com deputados e senadores da esquerda, do centro e da direita e todos eles me disseram: o acordo vai continuar independentemente da decisão do povo brasileiro”, disse Sousa em entrevista à GloboNews. “É um acordo que não depende do resultado eleitoral”, completou. A aposta da missão europeia é que os resultados práticos, nos próximos meses, ajudem a reduzir as críticas e consolidar o tratado como uma parceria estratégica de longo prazo entre Europa e Mercosul. Agenda com autoridades e empresários Em Brasília, os parlamentares europeus cumpriram uma série de encontros com autoridades brasileiras. A agenda incluiu reuniões com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicano-PB), e integrantes do Congresso Nacional, como os presidentes das comissões de Relações Exteriores da Câmara e do Senado. Os parlamentares também se encontros com membros do governo federal, como representantes dos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além do Itamaraty. Um dos pontos centrais da visita foi a reunião interparlamentar entre Brasil e União Europeia, que resultou na decisão de criar um grupo de trabalho conjunto para acompanhar a implementação do acordo e resolver eventuais dificuldades. “Nós queremos garantir que a execução do acordo nos primeiros meses seja positiva e mostrar que é um acordo ganha-ganha para ambos os lados”, afirmou Hélder Sousa. Segundo o deputado europeu, o tratado prevê a redução de tarifas em cerca de 91% dos produtos comercializados entre os blocos, o que deve baratear exportações e importações ao longo dos próximos anos. Etapas ainda pendentes Apesar da entrada em vigor provisória, o acordo ainda precisa passar por etapas formais na União Europeia. O Parlamento Europeu decidiu submeter o texto ao Tribunal de Justiça do bloco para análise jurídica. Sousa afirmou que o processo pode levar de um ano e meio a dois anos, mas não deve impedir o avanço da implementação. "Já temos outros acordos em vigor nesse regime transitório. Isso não nos preocupa", afirmou o chefe da delegação europeia. Segundo ele, os efeitos econômicos serão graduais, já que a redução de tarifas ocorrerá ao longo de um período de até 15 anos, dependendo do setor. Sousa também destacou que o atual cenário internacional — com disputas comerciais e revisões de políticas tarifárias por grandes economias — acelerou o interesse dos dois blocos na conclusão do acordo. Para ele, tanto a União Europeia quanto os países do Mercosul buscam diversificar parcerias e reduzir dependências externas. “Nós despertamos para uma oportunidade. Há uma necessidade de diversificar parceiros comerciais e isso nos aproximou”, disse Hélder Sousa. O acordo Com o acordo em vigência, o agronegócio brasileiro, alvo de forte resistência de produtores europeus, passa a se beneficiar nas exportações para o mercado europeu. ➡️ O acordo elimina as tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a UE compra do Mercosul. A redução será gradual, em prazos que vão variar de quatro a 10 anos, a depender do produto. 🍎Entre os itens que vão passar a ter taxa zero, estão frutas, sucos, peixes, crustáceos, óleos vegetais e café solúvel e moído — o café em grão já entra na Europa sem taxa. Outros produtos terão redução de imposto, mas condicionada a cotas de exportação. É o caso de carne bovina, frango e porco, que são considerados produtos “sensíveis” pelos europeus por competirem diretamente com a produção local.

Palavras-chave: tecnologia

Urna eletrônica faz 30 anos: ‘ninjas’ da tecnologia ajudaram a criar em São José máquina que transformou as eleições no Brasil; veja história

Publicado em: 10/05/2026 04:01

Conheça a história da urna eletrônica, que completa 30 anos em 2026 Um dos instrumentos mais importantes das eleições, a urna eletrônica completa 30 anos nesta semana. Foi em 13 de maio de 1996 que as primeiras urnas para o voto informatizado foram enviadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aos estados, representando um marco na democracia. 📍E foi em São José dos Campos, conhecida por ser polo tecnológico brasileiro, que o embrião dessas máquinas nasceu. Concebida no eixo Brasília (DF) - São Paulo (SP), o aparelho teve como base para seu desenvolvimento as mentes de engenheiros e pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), ambos no interior paulista. O grupo foi batizado de 'ninjas' 🥷. (leia mais abaixo) ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Além dos técnicos das instituições, também estiveram envolvidos na criação das urnas membros da diretoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), secretários de TREs de outros estados, professores, entre outros especialistas em tecnologia e processo eleitoral. Urna eletrônica está presente em todas as cidades do país nas eleições Reprodução/TRE-RN A ideia de informatizar o voto começou a ganhar força entre o fim dos anos 1980 e começo da década de 1990, mas foi exatamente em 1995 que a Justiça Eleitoral resolveu tirar do papel a ideia da urna como conhecemos hoje. (veja abaixo a cronologia da criação da urna eletrônica) Em entrevista ao g1, o ex-ministro Carlos Velloso, que assumiria a presidência do TSE à época, contou que a ideia surgiu em conversa com o então superintendente do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) do órgão, Paulo Camarão, durante uma partida de tênis, em Brasília, em dezembro de 1994. “Tudo começou com uma simples conversa, num intervalo de partidas de tênis, no Club Naval de Brasília, com o técnico em informática Paulo César Camarão. Empossado na presidência do TSE, pus a matéria à apreciação do Tribunal, que decidiu pela informatização do voto”, relembrou. Na presidência, Velloso contou que nomeou Camarão como secretário de informática do Tribunal. A partir daí, foi criada uma comissão dividida em cinco sub-relatorias: Código Eleitoral, Reforma Partidária, Sistemas Eleitorais, Financiamento de Campanhas e Informatização do Voto. 📅⏰ Da conversa na partida de tênis à instituição das comissões, foram cerca de quatro meses. De lá até a entrega da primeira urna eletrônica, segundo Camarão, foram mais 12 meses, totalizando 16 meses da ideia à execução do projeto. ITA é reconhecido pela formação de engenheiros de altíssimo nível Inpe é um dos dos principais centros científicos do Brasil; saiba mais Imagem de arquivo mostra a comissão técnica que ficou conhecida como os 'ninjas' Divulgação/TSE Os técnicos que desenvolveram a urna foram chamados de ‘ninjas’. Eram eles: Paulo Nakaya, Mauro Hashioka e Antônio Ésio Salgado, o ‘Toné’, todos do Inpe, além de Oswaldo Catsumi, do Instituto de Estudos Avançados (IEAv), ligado à Aeronáutica, além de Giuseppe Janino. Todos liderados por Paulo Camarão. (veja foto acima) "Coordenar uma equipe eclética como a do projeto da urna eletrônica não foi tarefa muito fácil, principalmente porque envolvia perfis diferenciados voltados à área de informática, como hardware, software, segurança, logística e outros. O desafio e objetivo de alcançarmos o sucesso e contribuir para a garantia de eleições seguras foi determinante para união do grupo", relembrou Camarão. Segundo Velloso, a ideia de chamar engenheiros e técnicos do INPE e do CTA surgiu pelo fato de ambos os órgãos serem referências e a intenção do TSE era utilizar, na época, o que tinha de melhor à disposição para a informatização do voto. “Os técnicos do Inpe e do Instituto Tecnológico da Aeronáutica [ITA] sempre foram respeitados e reconhecidos como da melhor qualidade. Buscamos apoio em outros centros de conhecimento tecnológico, como o Ministério de Ciência e Tecnologia, a Telebrás, órgãos técnicos estaduais”, contou. Conheça o 'Pilili', mascote das Eleições de 2026 lançada pelo TSE; veja vídeo Infográfico: Veja a cronologia da urna eletrônica no Brasil Arte/g1 Medos e desafios Também em entrevista ao g1, o engenheiro Antônio Ésio Salgado, o ‘Toné’, um dos “ninjas” que desenvolveram a urna, explicou que o maior desafio na época era criar um produto robusto e seguro. “A gente tinha que propor um equipamento que pudesse funcionar de maneira segura, sem ser frágil, tinha que ser robusto, [funcionando] durante o dia todo, em condições seguras e invioláveis, em locais até inóspitos”, explicou. O primeiro modelo da urna eletrônica foi a UE96, que contava com um teclado numérico similar ao de um telefone. O aparelho também tinha 2 megabites (MB) de memória, além de dois disquetes. Em 1996, ela foi utilizada por cerca de 30% do eleitorado. Antonio Esio Salgado, o 'Toné', um dos criadores da urna eletrônica em entrevista ao TSE celebra os 30 anos da urna O cientista político e professor da Universidade de Taubaté (Unitau), José Maurício Cardoso do Rego, lembrou que, antes de 1996, sem a urna eletrônica, o que se apresentava era um sistema que facilitava fraudes eleitorais por meio da contagem manual de votos e o uso de cédulas de papel. “É preciso lembrar que o Brasil [naquela época] tinha e tem uma tradição muito grande do mandonismo, do coronelismo, dessa prática do poder. Então era muito comum, antes, existirem notícias de fraudes, de manipulação, de condução ilegal e imoral do processo eleitoral. Com a implantação de urnas eletrônicas pelo Tribunal Superior Eleitoral, há uma inibição clara desse processo”, pontuou. Na Presidência do TSE, Nunes Marques vai defender robustez e credibilidade das urnas TSE divulga respostas aos questionamentos sobre urnas eletrônicas Imagem de arquivo - Primeira urna eletrônica desenvolvida, em 1996, a UE96 Divulgação/TSE Ele também avaliou que, com a informatização do voto, contribuiu para amadurecimento político da sociedade, pautado pela impessoalidade e objetividade do processo eleitoral. “"Houve um amadurecimento, no sentido de, primeiro, acreditar no voto que é individual e intransferível e, segundo, que é um sistema tecnicamente blindado em relação a qualquer tipo de intervenção exterior," definiu. O ex-ministro Velloso explicou que, tanto as comissões quanto os técnicos nunca duvidaram que o projeto daria certo. “Tudo foi planejado com o que tínhamos de melhor, em termos de material técnico e material humano – técnicos respeitáveis e respeitados da própria Justiça Eleitoral, TSE e TREs, de outros órgãos de governo, inclusive estaduais. Pedimos a colaboração dos ministérios militares, Exército, Marinha e Aeronáutica, que mandaram os seus técnicos. O da Aeronáutica mandou um integrante do corpo docente do Instituto Tecnológico da Aeronáutica”, contou Velloso. Imagem de arquivo - Ex-ministro do TSE, Carlos Velloso, vota em urna eletrônica em 1996 Divulgação/TRE-SP Quem são os pré-candidatos à Presidência da República em 2026 IA, influenciadores, posts nas redes: o que diz a lei sobre campanha eleitoral Por que não é possível se candidatar sem partido no Brasil Para Osvaldo Catsumi, que também foi um dos "ninjas" da operação que concebeu a urna eletrônica, o prazo dado para que os estudos pelos técnicos fossem feitos foi crucial na geração de um equipamento considerado seguro. "O fator mais impactante foi o tempo que nos foi disponibilizado para realizar todos os estudos, a identificação dos objetivos, a elaboração do projeto descritivo, a definição dos parâmetros e requisitos técnicos e a elaboração de um edital para a contratação de empresa para implementar os equipamentos e o software", pontuou ele. Imagem de arquivo - Protótipo da urna eletrônica utilizada no TRE do Rio Grande do Sul Divulgação/TSE Ataque às urnas De acordo com Toné, a preocupação, desde o princípio, foi criar um sistema que deixasse a urna sem chances de ser fraudada. "Isso tudo envolveu ações antifraude. Não dá para fraudar uma urna eletrônica. Se eu mexer na urna eletrônica, eu descaracterizo ela e ela acaba gerando dados que não são compatíveis, não consigo nem extrair esses dados", explicou. Ainda segundo ele, a urna ao longo dos anos, acompanharam o que há de mais moderno em tecnologia, passando de disquetes a processadores modernos. Os princípios de segurança, contudo, não mudaram. Segundo Carlos Velloso, a urna eletrônica e a informatização do voto chegaram para acabar com as fraudes. "A gente tem princípios de segurança que são bastante severos e que são aprimorados. À medida que a solução era pensada, a comunidade técnica testava possibilidades de ataque àquele tipo de componente ou àquele tipo de software, então providências eram automaticamente tomadas antes que aquilo viesse a ser uma ameaça para a urna eletrônica. É como se fosse uma corrida de gato e rato, sempre implementando requisitos de segurança mais aprimorados". O pioneiro do voto eletrônico no Brasil ainda fez uma crítica àqueles que pediam a volta do voto em cédula de papel. Tudo hoje é informatizado: bancos, comércio, cartões de crédito, repartições públicas, empresas aéreas e aeroportos. Então, qual a conclusão a que se chega diante de quem pleiteia o retorno à moda antiga, em que fraudes de todo tipo ocorriam, principalmente na apuração dos votos pela mão humana? O que deseja essa minoria que ataca as urnas eletrônicas? A volta ao sistema das fraudes?", disparou. Catsumi pontuou que qualquer vulnerabilidade de segurança na urna eletrônica sempre foi tratada com prioridade e que essa filosofia de prevenir qualquer tipo de insegurança foi adotada desde a concepção do aparelho. "As vulnerabilidades de segurança sempre foram avaliadas de forma prioritária nos sistemas eleitorais. Os riscos associados às escolhas de tecnologias e aos procedimentos manuais ou automatizados são identificados a cada eleição a ser realizada para criar os mecanismos de defesa", relembrou. Teste público de segurança dos Sistemas Eleitorais em 2025 Divulgação/TSE 🔒Segurança Um ano antes da disputa eleitoral, o TSE realiza o chamado Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais -- ou o 'Teste da Urna' --, onde são realizadas simulações de ataques reais para verificar a segurança dos sistemas de votação, apuração e totalização. O teste, que é aberto aos cidadãos maiores de 18 anos, foi criado ainda nos anos 2000. Nesta última edição, 15 grupos com 27 investigadores participaram do teste. Para as eleições de 2026, segundo o calendário eleitoral, a última etapa do teste será realizada entre os dias 13 e 15 de maio, chamada de Teste de Confirmação. Além disso, segundo o TSE, as urnas eletrônicas só funcionam com softwares oficiais desenvolvidos pela Justiça Eleitoral, assinados digitalmente e lacrados em cerimônia pública realizada um mês antes das eleições. Também são considerados diversos fatores de segurança que acompanham a urna, como Registro Digital do Voto (RDV), hardwares de segurança e criptografia, por exemplo. Fato ou Fake: como funciona a urna eletrônica e quais são as principais #FAKES sobre ela Infográfico traz o cronograma das próximas eleições, em outubro de 2026 Arte/g1 Orgulho e inspiração Resistindo a ataques há três décadas, as urnas eletrônicas serão utilizadas, em 2026, pela 16ª vez e são motivo de orgulho para os pioneiros do projeto no Brasil 🌏Além do Brasil, ao menos 33 países já usaram algum tipo de votação eletrônica, em modelos que variam do uso integral das urnas a sistemas híbridos com voto em papel, seguindo a legislação eleitoral de cada um deles. A Índia, que tem a maior eleição do mundo, é um deles. Imagens da eleição com urna eletrônica na Índia Arquivo Sendo um dos principais instrumentos da democracia brasileira, a urna eletrônica é também motivo de orgulho para seus desenvolvedores. "Sob a batuta amiga, porém severa do Ministro Carlos Velloso, maior merecedor de todas as honras, uma ideia se concretizou como projeto de sucesso até os dias de hoje e garantidamente por ainda muitos anos. Há de não se esquecer de toda a equipe da Justiça Eleitoral que, durante todos estes 30 anos, vem trabalhando diuturnamente para o aprimoramento do sonho sonhado numa quadra em 1994", celebrou Paulo Camarão Urna eletrônica terá um tempo a mais para o eleitor conferir o voto Já na visão de Catsumi, ainda há espaço para aprimorar e melhorar cada vez mais a urna eletrônica brasileira. "A continuidade é sempre um fator motivador para manter o espírito de avanço. Apesar de todas as evoluções e resultados obtidos nessas três décadas, acreditamos que ainda há espaço para melhorias. Nesse caminho haverá ainda grandes desafios e conquistas proporcionais. ", disse. Toné avalia que a urna é um projeto que ajudou na expertise de tecnologia da Justiça Eleitoral e, ver isso, o deixa feliz. "Naturalmente isso dá uma satisfação muito legal, porque é um sentimento de que realmente fiz alguma coisa útil", comemorou O ex-ministro Carlos Velloso disse que ver a urna regendo a democracia brasileira é uma satisfação. "Ter liderado um trabalho de gente do melhor nível intelectual, tecnológico e, sobretudo, moral, gente de respeito, brasileiros, paisanos e militares, que trabalharam de boa vontade. A urna eletrônica torna mais legítimas as eleições, assim torna mais legítima a democracia representativa que temos e que é possível ser praticada. Agradeço a Deus ter me dado tempo de ver tudo isso", finalizou. Fachada do prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Luiz Roberto/TSE

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Após 40 anos longe da escola, mãe volta a estudar incentivada pela filha e é aprovada na UFRB

Publicado em: 10/05/2026 04:01

Mãe entra em universidade mais de 40 anos após voltar a estudar por incentivo da filha Após mais de quatro décadas longe da sala de aula, a baiana Josélia Santos da Silva decidiu recomeçar e não parou mais. Como ela diz, isso é a concretização de um sonho. "Sessenta e cinco anos não são 65 dias, né?! Eu já vivi. Vivi no sentido de estar viva. Agora eu quero viver como pessoa, como integrante da sociedade", ressalta, em entrevista ao g1. "Viver o meu sonho e também realizar o desejo de minha filha, que ela tem o desejo de me ver com o nível superior, igual eu a vi quando ela recebeu o diploma dela". 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Moradora de Fazenda Grande 4, em Salvador, ela voltou a estudar por incentivo — e insistência — da filha, a professora Jovelina Santos da Silva Uzêda, de 40 anos. Concluiu o Ensino Médio pela Educação de Jovens e Adultos (EJA) no Colégio Estadual Luiz José de Oliveira, em 2025, e conquistou uma vaga no curso de Bacharelado Interdisciplinar (BI) em Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), neste ano. A agora universitária havia interrompido os estudos na sétima série do Ensino Fundamental, em 1979. "Casei aos 18 anos e meu marido não deixou que eu continuasse estudando", relembra. A partir dali, foram décadas dedicadas à família, ao trabalho de costura e à criação dos filhos, porém, a leitura e a vontade de aprender nunca foram embora. "Eu nunca deixei de ler, alfabetizei meus filhos em casa, coloquei-os na escola já sabendo ler, escrever, tudo direitinho. E com a evolução deles, eu fui seguindo", conta. Na esquerda, Josélia comemorando a formatura da filha e na direita, Jovelina comemorando a formatura da mãe Arquivo Pessoal O retorno à escola só aconteceu cerca de 40 anos depois, em 2023. À época, Josélia já era viúva e teve influência direta da família. Mais do que uma história de superação individual, a trajetória evidencia a força do vínculo entre mãe e filha. Foi Jovelina quem incentivou a retomada dos estudos, invertendo os papéis e mostrando como o apoio familiar pode transformar vidas. "Eu protelei e ela foi me convencendo. Minha filha insistiu muito para que eu voltasse a estudar, logo depois que fiquei viúva. Eu segurei um pouquinho, fiquei aguardando um pouco, mas em 2023 resolvi voltar", lembra. O incentivo não parou por aí. Os netos também acompanharam de perto o processo e ajudaram a manter o sonho vivo rumo ao Ensino Superior. "Minha filha insistiu bastante, porque ela sempre quis me ver concluir o Ensino Médio. Quando eu concluí, ela ainda não se deu por vencida. Aí ela e meu neto ficaram insistindo: 'Vamos fazer o Enem juntos'". Foi o pontapé que faltava. Jovelina acompanhou de perto e auxiliou todo o processo de inscrição da mãe no Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Depois, vibrou muito com a aprovação no vestibular. Josélia, no entanto, avalia que demorou para assimilar a conquista. "Minha filha estava toda eufórica, mas eu não não fiz muita festa. Demorei a acreditar. Precisei da minha família para 'cair a ficha' de que eu estava na universidade". Agora, aos 65 anos, ela encara novos desafios no ambiente acadêmico e uma rotina intensa de estudos — o campus do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (Cecult) fica em Santo Amaro, cidade no Recôncavo baiano a 73 km de Salvador. Assim, desde que as aulas começaram, Josélia se divide: de segunda a sexta, fica no interior, e em alguns fins de semana retorna para capital. Mesmo com as mudanças e dificuldades, ela segue determinada a realizar o sonho antigo e dar orgulho à filha e aos netos. Josélia se matriculou na Educação de Jovens e Adultos (EJA) e continuou estudando até chegar à universidade Reprodução/Edilson Araújo Neste Dia das Mães, a história ganha um significado ainda mais especial: uma mãe que sempre incentivou os filhos agora é incentivada por eles. Para Josélia, a mensagem é clara: nunca é tarde para recomeçar. "Os sonhos podem até ficar adormecidos, mas não morrem. Não existe idade para realizá-los. O que você aprende ninguém tira de você". "Agora quero viver como pessoa" diz Josélia, estudante de 65 anos da UFRB *Estagiária sob supervisão da editora Ailma Teixeira LEIA TAMBÉM: Idosa de 85 anos consegue título de bacharel em direito em Feira de Santana: 'Meu objetivo sempre foi ajudar alguém' Lavradora conclui 1ª faculdade aos 90 anos depois de ganhar bolsa e planeja pós na BA: 'Segredo é não desistir' Projeto abre vagas para alfabetização e letramento digital gratuito de pessoas acima de 60 anos em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e da TV Bahia 🖥️

Palavras-chave: tecnologia

A investigação que mostra a ação de mercenários latino-americanos na guerra do Sudão

Publicado em: 10/05/2026 04:01

O grupo paramilitar RSF luta contra o exército sudanês desde 2023. Reuters / BBC News Brasil Uma rede de mercenários colombianos, apoiada pelos Emirados Árabes Unidos, forneceu assistência fundamental aos rebeldes das Forças de Apoio Rápido do Sudão (RSF, na sigla em inglês). Sua participação permitiu ao grupo capturar, no ano passado, a cidade de El-Fasher, no oeste do país, segundo um estudo recentemente publicado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Realizada pela organização de análise de segurança Conflict Insights Group (CIG), a investigação empregou dados obtidos do rastreamento dos telefones celulares dos combatentes colombianos. Os EAU vêm negando reiteradamente dar apoio às RSF, que combatem o exército regular sudanês há três anos. A queda de El-Fasher, no Estado sudanês de Darfur do Norte, foi um dos episódios mais brutais do conflito e gerou a pior crise humanitária do mundo, com dezenas de milhares de mortes e milhões de pessoas deslocadas. A queda da cidade de El-Fasher causou dezenas de milhares de mortes e o deslocamento de milhões de pessoas. Getty Images / BBC News Brasil A CIG acompanha de perto as evidências da extensa assistência militar dos Emirados às RSF, mas "esta é a primeira investigação que consegue comprovar com segurança o envolvimento dos EAU", segundo o diretor da entidade, Justin Lynch. "Estamos divulgando aquilo que os governos sabem há tempos: que existe um vínculo direto entre Abu Dhabi e as RSF", afirma ele. Lynch destaca que o relatório "demonstra que os mercenários que utilizavam drones viajaram de uma base nos Emirados Árabes Unidos para o Sudão, antes da captura de El-Fasher pelas Forças de Apoio Rápido (RSF)". "Os mercenários que participaram das operações com drones chegaram a dar à sua rede de wi-fi o nome da sua unidade, vinculada a uma empresa que operava dos Emirados Árabes Unidos." O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou no ano passado que os mercenários são "espectros da morte" e que seu recrutamento constituía uma "forma de tráfico de pessoas". Vídeos em alta no g1 A BBC pediu posicionamento do governo dos Emirados sobre as informações divulgadas. Os Emirados Árabes Unidos já emitiram comunicados rejeitando as acusações de que apoia as RSF, qualificando-as de "falsas e infundadas". Também condenaram, "da forma mais enérgica", as atrocidades cometidas em El-Fasher. LEIA MAIS: Ataque contra hospital no Sudão deixa 64 mortos, entre eles 13 crianças; diz OMS Analistas concordam que o apoio estrangeiro aos dois grupos tem sido fundamental para a continuação e a expansão da guerra civil sudanesa. A CIG afirma que utilizou tecnologia comercial projetada para personalizar anúncios de publicidade na sua investigação. Com isso, a entidade conseguiu rastrear mais de 50 telefones celulares no Sudão, entre abril de 2025 e janeiro deste ano. Seus operadores eram mercenários colombianos. Alguns deles atuavam em zonas controladas pelas RSF de onde foram lançados drones. A organização também empregou dados de acompanhamento de voos, imagens de satélite, vídeos nas redes sociais, notícias e artigos acadêmicos para respaldar suas análises. Segundo o relatório, os dados detalham uma rede que demonstra a presença dos mercenários em diversos centros de operações regionais, principalmente em um centro de treinamento militar dos Emirados Árabes Unidos em Ghayathi (Abu Dhabi). Foi possível, por exemplo, rastrear um celular da Colômbia até o Aeroporto Internacional Zayad, em Abu Dhabi, e dali até o centro de treinamento, onde também havia outros quatro aparelhos configurados em espanhol, o idioma falado na Colômbia. Dois destes telefones foram transportados posteriormente para o Estado de Darfur do Sul, no Sudão, e outro para Nyala, a capital de facto das RSF. Ali, ele foi conectado às redes de wi-fi "ANTIAEREO" e "AirDefense" ("defesa aérea", em inglês). Nyala é um centro importante para os mercenários colombianos e para as operações com drones das RSF, segundo o relatório. A CIG documentou atividade significativa de drones na região e identificou mais de 40 aparelhos usando o idioma espanhol. Em outro estudo de caso, a CIG rastreou um celular da Colômbia até Nyala e, dali, até El-Fasher em outubro passado, quando as RSF tomaram a cidade, depois de um cerco de 18 meses. Enquanto estava em El-Fasher, o aparelho se conectou a uma rede de wi-fi chamada "ATACADOR", segundo o relatório. A CIG identificou outros aparelhos associados a mercenários colombianos, que também estiveram presentes durante a tomada da cidade por parte das RSF. Imagem de outubro do ano passado mostra sala de aula em El-Fasher que havia servido de refúgio a vítimas da guerra e foi destruída por bombardeios durante cerco das RSF. Reuters / BBC News Brasil A queda da cidade foi acompanhada por atrocidades em massa, qualificadas como crimes de guerra e crimes contra a humanidade pelo promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI) e descritas por pesquisadores da ONU como atos com "características de genocídio". "A CIG considera que a rede de mercenários dos EAU e da Colômbia tem responsabilidade conjunta por estes fatos", afirma o relatório. "A magnitude das atrocidades e o cerco a El-Fasher não teriam ocorrido sem as operações com drones proporcionadas pelos mercenários", destaca Lynch. Ele indica provas de que eles também colaboraram com o cerco das RSF. Segundo o relatório, os mercenários operavam como parte da brigada Lobos do Deserto, como pilotos de drones, instrutores e membros da artilharia. Um deles se conectou a redes de wi-fi denominadas "DRONES" e "LOBOS DEL DESIERTO", com o celular configurado em espanhol. A brigada é liderada pelo coronel aposentado do exército da Colômbia Álvaro Quijano, segundo o portal de notícias colombiano La Silla Vacía. Quijano reside nos Emirados Árabes Unidos e sofreu sanções dos governos dos EUA e do Reino Unido, por recrutar colombianos para combater no Sudão. 'A magnitude das atrocidades e o cerco a El-Fasher não teriam ocorrido sem as operações com drones proporcionadas pelos mercenários', destaca Justin Lynch. Getty Images / BBC News Brasil Os Lobos do Deserto foram empregados e pagos por uma empresa com sede nos Emirados Árabes Unidos. Ela tem vínculos documentados com altos funcionários do governo dos EAU, segundo La Silla Vacía e documentos obtidos pela CIG, indica o relatório. A CIG também afirma ter identificado aparelhos com configuração em espanhol em um porto da Somália com vínculos com os Emirados Árabes Unidos, bem como em uma cidade do sudeste da Líbia, considerada centro logístico do fluxo de armas para as RSF, supostamente viabilizado pelos Emirados. Estimava-se anteriormente que havia poucas centenas de combatentes colombianos no Sudão. Os Estados Unidos estabeleceram sanções a cidadãos colombianos e empresas associadas em duas ocasiões, por recrutar mercenários para lutar no Sudão. A primeira vez foi em dezembro do ano passado e novas sanções foram criadas em meados de abril. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos afirmou que combatentes colombianos apoiaram a captura de El-Fasher pelas RSF, mas evitou estabelecer conexão direta com os Emirados Árabes Unidos.

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Jovem que ficou 3 meses em coma na Alemanha agradece mãe após volta ao Brasil: 'Maior guerreira que conheço'

Publicado em: 10/05/2026 02:25

Dia das Mães: jovem que tinha 1% de chance de sobreviver celebra melhora ao lado da mãe "Minha mãe é a pessoa mais guerreira que eu conheço. A melhor pessoa do mundo". A descrição de Sophia Lorenz é também um agradecimento a quem nunca abandonou a esperança de que ela se recuperaria de uma grave situação de saúde. Por isso, o Dia das Mães deste ano tem significado especial para Elizabeth Deschauer e a filha, Sophia. A jovem, que morava na Alemanha, voltou para casa, em Paulínia (SP), para continuar o tratamento após se recuperar de um coma que durou três meses. Sophia chegou a ter apenas 1% de chance de sobreviver, de acordo o relato da família, depois de complicações em uma cirurgia para a remoção de amígdalas. O drama da família começou em novembro do ano passado. Após receber alta da cirurgia, Sophia voltou ao hospital com fortes dores. "Mandou mensagem para mim, mas disse, 'mãe, não se preocupe'. [...] Quando eu voltei, a minha irmã me ligou aos prantos, dizendo 'a Sophia está em coma e entubada'", relembra Elizabeth, que recebeu a notícia no dia de seu aniversário. Elizabeth (à esq.) e Sophia, mãe e filha moradoras de Paulínia (SP) Reprodução/EPTV Diante do diagnóstico de que a filha provavelmente ficaria em coma vegetativo, Elizabeth se apegou à mínima chance de recuperação. "Eu não pensei no 1% como algo pequeno, eu pensei como algo grande, porque quando a gente tem fé, esse 1% se torna 100%", afirma a mãe. A confiança superou o prognóstico. "Eu nunca acreditei no que os médicos disseram, porque eu confio muito em Deus. E eu confio muito no poder do amor", completa. O despertar e a volta Elizabeth (à esq.) e Sophia são mãe e filha e moram em Paulínia Reprodução/EPTV Elizabeth viajou à Alemanha acompanhar a filha. Em uma das visitas diárias dela ao hospital, desejou que Sophia a respondesse. "Eu cheguei e como todos os dias eu fazia, eu coloquei a mão na mão dela, assim. E olhei para ela, bem nos olhinhos, e falei, 'bom dia, Sophia'. E pensei dentro de mim, quem dera se hoje ela me respondesse", conta. A resposta veio, sem som, mas com movimento dos lábios. Para Sophia, a lembrança é clara. "Foi a primeira pessoa que eu vi", resume. "Não existe como a gente descrever a alegria que eu já estou sentindo. Porque o Dia das Mães tem sido para mim o Dia das Mães todos os dias. Desde que ela disse 'bom dia mamãe'", disse Elizabeth. Após cinco meses de internação na Alemanha, a família decidiu que a continuidade da recuperação seria no Brasil. A decisão foi motivada pela crença no poder do afeto familiar. "Nós temos tecnologia, temos medicina lá, mas não temos esse carinho, esse calor da família. E a gente acredita que isso é o fundamental", explica o padrasto de Sophia, Marcos Deschauer Ignácio. Ainda que o caminho da recuperação exija tempo e paciência, Sophia celebra o apoio que tem recebido. "Foi muito bom ter minha família perto de mim. Sim, minha mãe principalmente. Minha mãe é a mãe da minha vida", define a jovem. Médica teve filho entubada com Covid Rede de apoio transforma maternidade e garante autonomia para mães em Campinas A médica Cristiane Gotschall enfrentou uma das situações mais extremas da maternidade durante a pandemia. Com mais de 90% dos pulmões comprometidos pela Covid-19, ela foi internada e deu à luz seu segundo filho em coma, sem poder presenciar o nascimento. O primeiro encontro com o bebê só aconteceu 21 dias depois. Ao despertar, a primeira preocupação de Cristiane foi com o filho que carregava. "Quando eu acordei, eu acordei ainda entubada e o meu marido estava do meu lado. E ele falou que a primeira coisa foi que eu apontei para a minha barriga", relata a médica. Ela conta que precisou de um longo período de recuperação. "Eu fui conhecer meu filho com 21 dias de vida", completa. Os desafios na maternidade, no entanto, começaram para Cristiane já na primeira gestação. Dando muitos plantões para se preparar financeiramente para a chegada do bebê, ela teve a bolsa rompida durante um turno de trabalho na emergência de um hospital. "Foi muito turbulento. Quando eu fui descansar, no conforto médico, rompeu a bolsa", relembra. Para a médica, que hoje tem três filhos, a maternidade envolve também a quebra de padrões e da pressão por uma perfeição que não existe. "Não existe uma mãe perfeita, mas eu acho que todas as mães, elas merecem admiração e respeito, porque a gente vive num mundo que a mãe, hoje em dia, trabalha, tem que dar conta de casa, tem que dar conta de se cuidar, de se sentir bem, e é óbvio, cuidar dos filhos com o maior amor e atenção do mundo, não é fácil", afirma. Médica Cristiane Gotschall com seus filhos juntos uma foto. o registro foi reproduzido pelo jornal EPTV 1 Reprodução EPTV Carreira e maternidade Para a piloto de avião Audrey Pires, a decisão de ser mãe veio após a consolidação da carreira. Ela conta que primeiro se estabeleceu profissionalmente como comandante de grandes aeronaves para, então, realizar o desejo da maternidade. "Eu sempre tive o sonho da carreira, eu sempre amei a minha profissão, mesmo antes de tê-la. E chegou um momento da minha vida, ali perto dos 30 anos, em que eu comecei a querer muito ser mãe". Audrey destaca que a rotina com a filha pequena, Olívia, é de um "caos normalizado" e que é preciso abrir mão do controle para viver a maternidade real. "É difícil normalizar que a casa vai estar bagunçada de vez em quando, ou de vez em sempre". "Que a criança, às vezes, não vai tomar banho antes de dormir, porque dormiu e eu não vou acordar para tomar banho", completa. Ela ressalta ainda a importância de uma rede de apoio, que considera fundamental para sua vida funcionar. "A Raquel está com a gente já há bastante tempo, que é a babá da Olivia. Tem a minha mãe também, que me ajuda muito. O meu pai me ajuda muito. O meu marido não é ajuda, mas é o meu parceiro", explica a piloto, que agora está grávida do segundo filho, Davi. Pilota de avião Audrey Pirese e sua filha pequena Olívia, juntas em foto tirada em Campinas Reprodução EPTV Veja mais notícias da região no g1 Campinas

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Agronegócio bate recorde de empregos no Brasil com crescimento de vagas fora do campo

Publicado em: 09/05/2026 21:22

O agronegócio bateu recorde de empregos no Brasil e as oportunidades de trabalho vão muito além das fazendas do interior do país. É quase que automático: para muita gente, quando se fala em agronegócio, vem logo uma fazenda na cabeça. Mas o agro não está só dentro da porteira. A alta produtividade no campo também passa pelas estradas e pelos escritórios da maior cidade do país. Em uma empresa de tecnologia voltada para o agro, em São Paulo, os funcionários analisam dados como estoque e quantidade de insumos em fazendas do interior do estado e da região Centro-Oeste. A Giulia trabalha há seis meses no marketing e descobriu um mundo novo. "Agora eu trabalho com o agro e a tecnologia aplicada à indústria e ao agro. Você tem que desbravar, tem que aprender e tem que ter curiosidade, não tem como", diz Giulia Muraro A cadeia do agronegócio envolve pelo menos três etapas. Além do trabalho direto no campo, tem os processos que vêm antes do plantio e depois da colheita. E a maioria das oportunidades de trabalho vem surgindo bem neste segmento, fora das fazendas. "A nossa empresa contratou ano passado 30 novos funcionários, e esse ano tem o projeto de contratar mais 50", conta Carolina Ramos, gerente comercial. O aumento na oferta de vagas fez o agronegócio brasileiro bater recorde no ano passado, com mais de 28 milhões de pessoas empregadas, 26% do total do país. É o maior número desde 2012, quando o Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea) começou a fazer esse levantamento. Os chamados agroserviços puxaram o crescimento. "Desde transporte, armazenamento, comercialização, que são os serviços mais óbvios, logísticos, mas também trabalhadores de restaurantes, um advogado que presta serviços para o produtor rural, um consultor, um contador, isso tudo é contabilizado nesses agroserviços", diz Nicole Rennó Castro, professora da Esalq/USP e pesquisadora do Cepea. O agro só não contratou mais porque o número de trabalhadores dentro das porteiras caiu. Especialistas dizem que é um fenômeno que já ocorreu em outros países, por fatores como a mecanização do trabalho e a migração da mão de obra para centros urbanos. O levantamento mostrou ainda que cresceu o número de empregados no agro com carteira assinada e aumentaram as contratações de funcionários com ensino superior. Nesta empresa em Rancharia, interior de São Paulo, a soja passa por um processo de limpeza e seleção antes de ser exportada. No ano passado, o quadro de funcionários aumentou 40%, principalmente em áreas de maior qualificação. "Nós saímos de 160 colaboradores e hoje estamos com 230. A área comercial, administrativa, que nós estamos exportando para três continentes, né, Europa, Ásia e Oriente Médio, e na área de operação", diz Veronei Alves, diretor executivo. Agronegócio bate recorde de empregos no Brasil com crescimento de vagas fora do campo Jornal Nacional GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional

Palavras-chave: tecnologia

Criança cai de brinquedo de shopping e precisa ser encaminhada para hospital em Porto Alegre

Publicado em: 09/05/2026 20:26

Uma criança de 8 anos precisou ser hospitalizada após cair de um brinquedo em um shopping center de Porto Alegre na tarde deste sábado (9). Ela foi encaminhada ao Hospital de Pronto-Socorro (HPS) da cidade, e não há informações sobre seu estado de saúde. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp De acordo com o BarraShoppingSul, o acidente aconteceu em uma atração que simula uma escalada e que é operada por uma empresa terceirizada. O g1 busca a empresa responsável pelo brinquedo, mas não obteve contato até a última atualização desta reportagem. As circunstâncias do incidente estão sendo apuradas por uma investigação interna do estabelecimento. Ainda de acordo com uma nota do shopping center, "a criança foi encaminhada para avaliação especializada, acompanhada por seus responsáveis e por um representante do operador do brinquedo". Leia a nota completa abaixo. A Secretaria Municipal de Saúde, responsável pelo HPS, afirma que "em razão da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), não divulgamos informações sobre pacientes, nem confirmação de internação, a não ser com autorização expressa da família". A reportagem está em atualização. Vídeos em alta no g1 O que diz o shopping "O BarraShoppingSul informa que, ao ter ciência do incidente ocorrido na atração de escalada, operada por empresa terceira, acionou prontamente a equipe de brigada médica do shopping. A criança foi encaminhada para avaliação especializada, acompanhada por seus responsáveis e por um representante do operador do brinquedo. As circunstâncias do ocorrido estão sendo apuradas, para garantir a manutenção dos nossos rigorosos padrões de segurança." VÍDEOS: Tudo sobre o RS

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Como tecnologia criada no interior de SP ajuda a aumentar absorção de vitaminas pelo corpo

Publicado em: 09/05/2026 19:18

Tecnologia criada no interior de SP ajuda a aumentar absorção de vitaminas pelo corpo Uma empresa de Ribeirão Preto (SP) desenvolveu uma tecnologia baseada em pesquisas da Universidade de São Paulo (USP) que promete resolver um dos principais obstáculos da suplementação alimentar: o limite natural de absorção de nutrientes pelo corpo humano. O sistema cria "minicélulas" em formato líquido que envolvem as vitaminas e garantem o aproveitamento dos compostos pelo organismo. A inovação, que substitui os tradicionais pós e comprimidos por gotas diluídas em água, utiliza estruturas lipídicas que funcionam como embalagens protetoras para as vitaminas. Isso aumenta a "biodisponibilidade", que é a taxa efetiva de absorção do nutriente, e reduz efeitos colaterais comuns, como o desconforto estomacal. "São minicélulas que nós fazemos para um transporte seguro desses nutrientes. Na verdade, a gente imita o que o próprio corpo faz. Quando comemos, os alimentos são degradados e o corpo faz essas 'minicélulas' para os nutrientes serem absorvidos", explica Gustavo Cadurin, pesquisador e CEO da empresa responsável pela novidade. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Tecnologia desenvolvida a partir de pesquisas da USP em Ribeirão Preto (SP) transforma nutrientes em formato líquido para aumentar absorção pelo organismo Reprodução EPTV O estudo que detalha o desenvolvimento e o funcionamento das estruturas lipídicas foi validado e publicado em revista científica. Segundo os pesquisadores, a inovação já está disponível para comercialização no mercado de suplementos. Na prática, o formato líquido entrega a vitamina pronta para a ação biológica, o que reflete diretamente no desempenho físico. A jogadora de futebol profissional Eduarda Serrana, que mantém uma rotina intensa de treinos e jogos, relata as mudanças após adotar a tecnologia. "Sempre tive dificuldade de manter os níveis de ferro, sempre foi um ponto citado pelo departamento médico. Após começar a consumir o suplemento, nunca mais tive esse problema. Senti melhora na recuperação muscular entre os jogos e treinos, melhora na imunidade, como também o aumento da velocidade máxima e da distância dentro dos jogos", conta a atleta. Mercado de suplementos A tecnologia ganha força em um cenário de alta procura por saúde preventiva. Nos últimos 12 meses, o faturamento do setor de suplementos alimentares no Brasil saltou 42%, acompanhado de um aumento de 34% no volume total de vendas. Os dados, divulgados pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), indicam uma mudança no comportamento do consumidor, que busca cada vez mais alternativas para manter o bem-estar e evitar deficiências nutricionais. Dentro desse segmento, os multivitamínicos despontam como os principais responsáveis pelo avanço acelerado nas prateleiras e nas vendas online. Multivitamínicos puxam alta do setor de suplementação alimentar no Brasil, que registrou crescimento de 42% no faturamento nos últimos 12 meses. Reprodução EPTV Alerta médico e estilo de vida Apesar da evolução tecnológica facilitar o consumo, o uso de suplementos não deve ocorrer sem indicação médica. A nutróloga Ana Otake alerta contra o uso indiscriminado e ressalta que as formulações líquidas permitem maior precisão para personalizar as doses, desde que haja avaliação clínica. "Os suplementos não podem ser jogados aleatoriamente. O paciente tem que ser avaliado por exames de sangue e pela dieta para ver o que realmente precisa. Assim, é possível ter o suplemento que é essencial para tratar uma doença ou um sintoma na dose certa", explica a médica. A especialista adverte ainda que o resultado de qualquer vitamina depende da manutenção de hábitos saudáveis. "Se não dormir bem, não comer bem e não praticar exercício físico, o corpo não vai ficar bem. É possível suplementar 20 coisas que o corpo não vai ficar 100%. A dieta tem que estar acima de qualquer suplementação. Comer de forma saudável e diversificada, lembrando que as cores dos alimentos trazem os antioxidantes, as vitaminas e os minerais de que a gente precisa", conclui. Mulher consome suplemento em gotas diluído em água; inovação dispensa o uso de cápsulas e reduz efeitos colaterais no estômago Reprodução EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

Palavras-chave: tecnologia

Foragido é flagrado 'curtindo' festa pelo reconhecimento facial da PM e acaba preso em MG

Publicado em: 09/05/2026 19:12

Sistema de reconhecimento facial ajuda a identificar foragido durante festa em MG Um jovem de 24 anos foi preso após ser identificado pelo sistema de reconhecimento facial da Polícia Militar (PM) como foragido da Justiça. Segundo a corporação, ele estava 'curtindo' a Feira Mundial do Café (Femcafé), em Patrocínio, no Alto Paranaíba, na noite da última quarta-feira (6). O nome dele não foi divulgado pela polícia. De acordo com a PM, o sistema sinalizou a presença do homem e indicou que havia um mandado de prisão em aberto contra ele há pouco mais de um ano. As informações foram repassadas às equipes que atuavam na segurança do evento. Um vídeo divulgado pela polícia mostra como funciona a tecnologia de reconhecimento facial. Em tempo real, o sistema compara os rostos captados pelas câmeras com o banco de dados da polícia. Assista acima. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp No caso do jovem, a tela exibiu a mensagem “alvo detectado”, acompanhada do percentual de semelhança entre a foto registrada no sistema e a imagem captada pelas câmeras. Por volta das 23h30, o jovem foi localizado circulando pelo Parque de Exposições, no primeiro dia da Femcafé, evento que reúne moradores de Patrocínio e da região para shows, rodeio e negócios ligados ao agronegócio. Ele foi preso e levado para a Delegacia de Plantão da Polícia Civil. O foragido é natural de Grão Mogol, no Norte de Minas. Segundo a PM, ele possui uma extensa ficha criminal por crimes contra o patrimônio, principalmente furtos. O mandado de prisão em aberto havia sido expedido em 11 de abril de 2025. Em nota, a Polícia Civil informou que o mandado de prisão foi formalizado por meio do Plantão Digital. Após os procedimentos na unidade policial, o investigado foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça. Sistema de reconhecimento alia gestão e tecnologia A tecnologia de reconhecimento facial foi implantada pela Prefeitura de Patrocínio durante a Femcafé 2026. Ao g1, a administração municipal informou que o sistema identificou o suspeito em tempo real e emitiu um alerta automático às equipes de segurança que atuavam no evento. LEIA TAMBÉM: Vídeo mostra furto de placa usada em moto horas depois em homicídio em Araguari Motociclista morre após bater de frente com carro na estrada de acesso ao IFTM, em Uberlândia Motociclista morre após queda na BR‑050 em Uberlândia Após a identificação pelo sistema de videomonitoramento inteligente, os dados foram validados e encaminhados aos policiais militares, que localizaram e prenderam o homem ainda no local. A Prefeitura de Patrocínio destacou que a tecnologia faz parte do programa Smart City, desenvolvido pelo Gabinete de Segurança Integrada em parceria com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Defesa Social (Semdes). Por fim, ressaltou que a tecnologia representa um marco para a cidade, consolidando um novo modelo de gestão pública baseado em inteligência, tecnologia e prevenção. Foragido da Justiça em MG vai ‘curtir’ festa e acaba preso após ser identificado por reconhecimento facial da PM Polícia Militar/Divulgação * Estagiária sob supervisão de Juliana Leal. VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

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Bombeiros fazem campanha para trazer réplica de R$ 400 mil do 1° caminhão usado na corporação em MT

Publicado em: 09/05/2026 18:28

Bombeiros fazem campanha para trazer réplica de primeiro veículo usado na corporação em MT O Corpo de Bombeiro de Mato Grosso iniciou uma campanha para arrecadar R$ 400 mil para importar uma réplica do primeiro caminhão usado pela corporação, em 1965. Segundo os bombeiros, o veículo foi comprado em 2022 em um leilão dos Estados Unidos, mas até hoje não foi transportado para Mato Grosso devido aos custos logísticos. Segundo a Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros (Funabom), após cerca de 10 anos de buscas por um modelo com as mesmas características, a corporação encontrou a réplica, uma Ford BigJob 1954, que foi comprado também por R$ 400 mil após arrecadação entre os próprios militares. Origem histórica Imagem do primeiro modelo de caminhão do Corpo de Bombeiros em MT Corpo de Bombeiros Segundo o coronel Paulo Correia, representante da campanha, o caminhão original chegou a Cuiabá em 1964, após pedido do então prefeito Vicente Vuolo ao governador de São Paulo, Ademar de Barros. O veículo foi doado pelo Corpo de Bombeiros paulista e marcou o início das atividades de combate a incêndio em Mato Grosso. “Antes não existia serviço de bombeiros no estado. O primeiro atendimento foi implantado pelo tenente Hamilton Corrêa, junto com 41 militares, em 19 de agosto de 1965”, contou. Características do veículo Treinamento de combate a incêndio e salvamento de bombeiros militares em MT Corpo de Bombeiros O coronel contou que o Ford Big Job F-800 tinha capacidade para transportar 4 mil litros de água e contava com bomba acoplada ao motor para pressurizar o líquido a pelo menos 10 metros de distância. Apenas dois ou três bombeiros iam na frente, enquanto o restante seguia na carroceria, muitas vezes expostos ao sol e à chuva. "Hoje, os modelos seguem a mesma estrutura, mas com tecnologia avançada, podendo alcançar até 109 metros de altura com plataformas modernas. A principal diferença é o conforto. Hoje os bombeiros vão protegidos dentro da cabine", disse. Initial plugin text Resgate da memória Membros da primeira equipe do Corpo de Bombeiros em MT Corpo de Bombeiros De acordo com Paulo, o caminhão foi arrematado em apenas 48 horas em um leilão da prefeitura de Shawnee, no Kansas, com apoio de mais de 50 pessoas e empresas. Agora, a campanha busca recursos para pagar impostos, transporte do veículo do porto de Jacksonville (EUA) até Cuiabá e a construção de um espaço temporário de memória até que o Centro definitivo fique pronto. "Avisei os colegas da instituição e parceiros sobre o leilão, juntamos e enviaram o dinheiro para mim na época e arrematei p veículo pelo meu CPF. O passo agora é a importação e contrução de uma estrutura para ela", relatou. O grupo informou que não solicitou apoio a órgãos públicos, porque não consegue repassar despesas vinculadas ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para o estado. Já a Funabom não conseguiu captar recursos pelo banco de projetos do Ministério Público, uma vez que ainda não completou três anos de existência. Para o coronel, trazer o veículo representa preservar a história da corporação e materializar aquilo que deu origem ao Corpo de Bombeiros. "Um povo sem história é um povo sem memória. Queremos que as futuras gerações conheçam nossas raízes. A campanha tem objetivo permitir que toda a sociedade cuiabana faça parte do resgate da história”, afirmou. Bombeiros fazem campanha para trazer réplica de primeiro veículo usado na corporação em MT Corpo de Bombeiros *Sob supervisão de Kessillen Lopes

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