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Observação de aves atrai turistas e famílias para a região de Piedade

Publicado em: 15/03/2026 07:30

Observação de aves atrai turistas e famílias para a região de Piedade Reprodução/TV TEM Os primeiros raios de sol em Piedade (SP), no interior de São Paulo, trazem visitantes ilustres. Leves, pequenos e de cores vivas, os beija-flores pairam no ar, alheios ao movimento humano, mas sob o olhar atento de lentes potentes. O que para muitos é apenas um despertar no campo, para os praticantes do birdwatching (observação de aves) é o começo de uma caçada pacífica por registros raros. No sítio de Marcos Mello, a rotina mudou há três anos. Incentivado por um amigo biólogo, o proprietário passou a cuidar de quem sempre esteve por perto. A região é um ponto de biodiversidade. Somente de beija-flores, já foram identificadas 15 espécies, incluindo o Beija-flor-preto, Papo-branco, Rubi e o Front-violeta. Mas a diversidade vai além do jardim, perto dos lagos, famílias de Mergulhão-pequeno dividem o espaço com aves que exigem mais fôlego dos observadores. Para registrar o Surucuá-dourado, por exemplo, é preciso enfrentar trilhas mata adentro, munido de binóculos, botas confortáveis e, acima de tudo, paciência. Hobby em família A atividade tem conquistado diferentes gerações. De São Roque (SP), o casal Hernane e Amanda leva os filhos para colecionar experiências pelo Brasil. Daniel Moderno Teixeira, de apenas 13 anos, já é um veterano: ele comemora o flagrante do Macuco e do Juruva, aves difíceis de serem avistadas. A tecnologia e o talento natural também ajudam na "caça". Enquanto alguns usam o som do canto das aves gravado no celular para atrair os animais, a pequena Sophia, parte do grupo, impressiona ao imitar o som das aves com a própria voz, conseguindo atrair espécies como o próprio Surucuá. A reserva, localizada entre Piedade e Tapiraí (SP), faz parte de um ecossistema privilegiado. O estado de São Paulo concentra cerca de 40% das espécies de aves conhecidas no Brasil, que possui quase 2 mil tipos catalogados. Para o biólogo Alexandre Franchin, o papel dos observadores vai além do lazer. Ao registrar espécies como o Corocoxó, os entusiastas ajudam a monitorar aves raras ou ameaçadas de extinção, contribuindo diretamente para o catálogo da biodiversidade brasileira. Mais do que fotos bonitas, a observação de aves ensina sobre o tempo da natureza. Veja a reportagem exibida no programa em 15/03/2026: Observação de aves atrai turistas e famílias para a região de Piedade VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Palavras-chave: tecnologia

Produtores de ovos se preparam para demanda da Quaresma com preços mais acessíveis

Publicado em: 15/03/2026 07:30

Produção de ovos em granja do interior paulista ajuda a abastecer consumidores de diferentes estados TV TEM/Reprodução A procura por ovos costuma aumentar durante a Quaresma, período em que muitas pessoas reduzem o consumo de carne e buscam outras fontes de proteína. Em granjas do interior paulista, os produtores se preparam para atender a essa demanda maior. Em uma granja de Guarantã (SP), o avicultor Rômulo Tinoco explica que esse aumento no consumo acontece todos os anos por causa da tradição religiosa. Segundo ele, o setor se organiza para garantir o abastecimento durante o período. A produção da granja é destinada a consumidores de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O ano de 2025 foi histórico para as exportações de ovos do país. De acordo com dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Brasil exportou mais de 40 toneladas do alimento, um crescimento de 121% em relação a 2024. Na Quaresma do ano passado, o avanço das exportações reduziu a oferta no mercado interno e os preços subiram. O cenário neste ano é diferente. Em uma granja em Presidente Alves (SP), a caixa com 30 dúzias de ovos chegou a ser vendida por R$ 202,50 no atacado durante a Quaresma de 2025. No início da Quaresma deste ano, a mesma caixa foi comercializada por menos de R$ 160. Segundo o gerente administrativo da granja, Pedro Paulo Netto, o ano passado foi considerado atípico e não há expectativa de que os preços alcancem novamente aquele patamar, mesmo com o aumento no custo de produção, causado pela alta do milho e da soja. A granja tem 250 mil galinhas poedeiras e capacidade de produzir mais de 3 milhões de ovos por mês. Para atender a demanda, principalmente neste período do ano, o trabalho conta com o apoio da tecnologia. Os ovos são transportados por esteiras até a área de seleção, onde passam por triagem, lavagem e classificação por peso antes de serem direcionados para as caixas e enviados para comercialização. Ovos passam por seleção, lavagem e classificação antes de seguirem para comercialização TV TEM/Reprodução Veja a reportagem exibida no programa em 15/03/2026: Produtores de ovos se preparam para demanda da Quaresma com preços mais acessíveis VÍDEOS: veja as reportagens do Nosso Campo Acesse + TV TEM | Programação | Vídeos | Redes sociais

Palavras-chave: tecnologia

'O Agente Secreto' mostra que ditadura tinha 'difusão psicológica do terror como princípio fundamental', diz psicanalista

Publicado em: 15/03/2026 07:28

Equipe de 'O Agente Secreto' revela expectativa para cerimônia do Oscar Os filmes O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, e Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, fizeram história ao colocar o Brasil nas principais premiações internacionais, como o Festival de Cannes, o Globo de Ouro e o Oscar. No país de origem, os longas-metragens pautam conversas sobre a ditadura iniciada com o golpe militar de 1964. Os silenciamentos trágicos causados pela violência e pela impunidade daquele período puderam se tornar debate nacional, estimulado pelas interpretações de Fernanda Torres e Wagner Moura. Hoje o assunto pode circular, mas, naquele período, que se estendeu até 1985, o silêncio era a marca do sofrimento psicológico, destaca o psicanalista Rafael Alves Lima, professor de História e Filosofia da Psicologia na USP (Universidade de São Paulo). "Quando as circunstâncias políticas suspendem a liberdade da palavra, falar e escutar torna-se temerário", avalia o especialista, que participou de projetos dedicados ao testemunho de quem viveu o terror da ditadura e da violência policial contemporânea. Segundo Lima, que é doutor em Psicologia Clínica pela USP e autor de Psicanálise na Ditadura (1964-1985): História, Clínica e Política (Editora Perspectiva), quando o Estado "não se responsabiliza pelos crimes que comete, o trauma tende a se eternizar e a se repetir". Em entrevista à BBC News Brasil, o pesquisador destaca a importância das políticas de memória, verdade e justiça como forma de trazer à tona "a dimensão psicológica do trauma" e de impedir repetições. Em paralelo, na visão dele, a escuta do sofrimento "não pode se dar ao luxo de ignorar o contexto histórico e os conflitos sociais". Confira a seguir os principais trechos da entrevista. Anúncio do filme 'O Agente Secreto' como finalista do Oscar 2026 Getty Images/via BBC BBC Brasil News Brasil – Como era sofrer e ser escutado em um período de muita desconfiança, incerteza e violência? Rafael Alves Lima – Acho que o silêncio é o critério fundamental para pensar no sofrimento sob regimes autoritários. A extensão do silêncio leva a um retraimento subjetivo, a uma autocensura implacável e a uma angústia permanente, dissolvida no cotidiano. Quando as circunstâncias políticas suspendem a liberdade da palavra, falar e escutar torna-se temerário, uma vez que a chance de ser mal interpretado em qualquer ambiente e em qualquer relação era enorme. A música Na hora do almoço, do Belchior, retrata bem isso: é a palavra caindo fatalmente no desentendimento, é a mão suada e molhada de medo, uma tristeza no fundo do prato de comida que não combina com os desejos da juventude. Acho que aqui aparece mais um elemento do sofrimento, que é a desesperança. A desesperança prolongada obscurece o sentido das coisas — a morte do futuro se torna a antessala da depressão. Então, escutar é esse processo de reabilitar a dignidade da palavra, sustentando-a na relação com o outro — e, por meio dessa relação, renovar o sentido das coisas, dos prazeres, da vontade de viver coletivamente. Por isso que as práticas de escuta, nas mais diversas formas de psicoterapia, são políticas, diga-se de passagem, para o bem e para o mal. Ou seja, elas podem servir pra "ressilenciar" o sujeito, o que é catastrófico. Foi um tanto do que aconteceu de fato na ditadura, dentre aqueles que estavam de alguma maneira alinhados ideologicamente ao regime. Ou, ao contrário, as práticas de escuta podem recusar o silêncio socialmente imposto, comprometendo eticamente a palavra com a liberdade, o que também aconteceu na ditadura, mas, neste caso, entre os que estavam na resistência ao regime. BBC Brasil News Brasil – Quais as marcas psíquicas deixadas pela tortura, no caso de quem sobreviveu, e pelo desaparecimento forçado, no caso dos familiares? Lima – A tortura é avassaladora. É um nível traumático profundo, que desorganiza a orientação do sujeito no tempo e no espaço. As percepções e sensações se fragmentam, as ligações entre o eu e o corpo se desintegram, é o que poderíamos chamar de experiência de despersonalização. Lembro sempre de uma entrevista da ex-presidenta Dilma Rousseff a respeito da reação dela depois do golpe de 2016, e ela diz que a situação extrema da tortura não permite chorar, pois na dor física extrema você não tem consciência de nada, você luta por mais dez minutos de vida. É o que dá, é o que resta. Ficam as sequelas físicas, e também as psicológicas. Sándor Ferenczi, um psicanalista húngaro brilhante da primeira geração de discípulos do Freud, tinha uma analogia muito interessante para explicar isso, a "autotomia psíquica". Digamos que é como uma lagartixa que, para distrair um predador e assim fugir e sobreviver, faz uma automutilação do seu próprio rabo e corre. Sob um trauma dessa magnitude, é como se fizéssemos algo parecido com nós mesmos, essa dissociação é um mecanismo de sobrevivência psíquica. No caso da lagartixa, o rabo se regenera depois. No caso do trauma humano, por sua vez, não há como apostar em algo como uma "autorregeneração espontânea" individual: é preciso juntar os estilhaços depois, organizar e dar contorno à experiência, e isso exige, necessariamente, da relação com o outro, mediada pela palavra. Quando o Estado não se responsabiliza pelos crimes que comete, o trauma tende a se eternizar e a se repetir. O desaparecimento forçado leva a isso. Por exemplo, por mais que a família possa vir a ter a consciência de que a pessoa depois de tantos anos desaparecida muito provavelmente esteja morta, fica como que um vácuo, pois os rituais de despedida do velório e do enterro são fundamentais para dar um contorno à dor da perda e encaminhar o luto. Guardadas as devidas proporções, podemos arriscar uma aproximação com a pandemia de covid-19: não poder enterrar nossos mortos, não ter a chance de se despedir simbolicamente, é algo vivido como absolutamente trágico. Os rituais são confirmações públicas que dão materialidade à morte, é neles que temos a vivência coletiva, concreta e palpável, de que a pessoa morta não vai voltar. Por isso, o desaparecimento sistemático dos corpos é uma tecnologia muito sinistra, pois leva as famílias a esperar indefinidamente por um retorno que nunca acontecerá. É um luto infinito, que impede que as pessoas sigam suas vidas. Então quando falamos em justiça de transição, em políticas de memória, verdade e justiça, trazemos à tona essa dimensão psicológica do trauma; ou seja, fazer justiça acaba sendo uma forma de promoção de saúde. BBC Brasil News Brasil – É possível ter notícias do que sonhavam as pessoas no período da ditadura? Lima – Temos algumas notícias por meio de textos autobiográficos, da chamada literatura de testemunho, de relatos e entrevistas e das produções culturais — e, às vezes mais especificamente, em casos clínicos publicados em livros ou revistas de psicoterapia e psicanálise da época. Ainda há muita pesquisa para ser feita nesse campo, mas podemos afirmar com segurança que o sonho cumpre essa função de radar político, de "termômetro" dos acontecimentos sociais. Freud já dizia que há duas premissas do sonho: realizar desejos e proteger o sono. Sonhamos para satisfazer os prazeres, mas também para continuar dormindo, para suportar dormir. Na ditadura, os tipos de pesadelos envolvendo cenas de captura, interrogatórios, prisões e afins eram razoavelmente comuns, mas o que mais me parece interessante nisso é pensar que sonhar é uma forma de conciliar as dimensões do indivíduo e do social ao mesmo tempo. Em todo caso, as fronteiras entre sonhos e pesadelos são muito sutis. Há, por exemplo, os sonhos em que o sujeito reencontra o familiar desaparecido; por um lado, realiza-se um desejo (do reencontro), mas também há o sofrimento da perda, da despedida impossível, que é reconfirmada no despertar. O sonho é "termômetro político" porque ele é indomável, pois nem o sujeito nem a sociedade podem controlar o seu destino. Portanto, sonhar é uma forma de resistir, de reafirmar a vida em um cenário político de morte iminente. O Paulo Endo, professor do Instituto de Psicologia da USP, tem um artigo excelente sobre esse assunto. Lembraria também do último livro da psicanalista argentina Fabiana Rousseaux, que discute o uso legítimo dos sonhos em processos jurídicos de crimes de Estado na Argentina. Ou seja, o sonho dá materialidade ao testemunho, pois nas situações da violência do Estado a verdade dos acontecimentos não é estritamente factual, há também uma densidade experiencial que decorre dos fatos. O sonho é quem leva essa densidade em conta, tentando elaborar o impensável do trauma, dos medos sem contorno, daquilo que a nossa razão não dá conta de compreender. Ao mesmo tempo, e por isso, sonhar é resistir porque é também esperançar — como dizem os mineiros do Clube da Esquina, os sonhos não envelhecem. Se fosse possível fazer um grande "inventário dos sonhos na ditadura", eu arriscaria dizer que ele seria composto dessas duas expressões maiores: é nele que a violência se evidencia, ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, é nele que renovamos nossas apostas de reafirmação da vida. BBC Brasil News Brasil – No filme O Agente Secreto, o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é obrigado a lidar com as violações e abusos de uma pessoa bastante poderosa, e isso ocorre durante a ditadura no Brasil. Chama atenção que ele não era alguém com propósitos de confrontação ao regime, mas sofreu perseguição mesmo assim. A que formas de violência os cidadãos ficam expostos durante um regime não democrático? Lima – O filme é absolutamente brilhante no sentido de mostrar que havia uma camada espantosamente arbitrária de perseguições na ditadura. É fato que a ditadura assassinou, perseguiu e torturou militantes organizados, o que levou uma parte deles (os que sobreviveram) ao exílio forçado ou à clandestinidade, mas não podemos ser ingênuos de acreditar que a violência de Estado se esgotava aí. Havia um método, certamente, mas tratava-se de um método que tinha justamente a difusão psicológica do terror como um princípio fundamental. Era um modo inclusive de misturar as fronteiras entre o público e o privado, como que mantendo a densidade do ar sempre pesada, com essa sensação contínua de vigilância e perseguição. Há muitas trajetórias de professores na ditadura brasileira parecidas com a de Marcelo, e eu penso que o cenário acadêmico foi uma escolha totalmente acertada do filme. Há excelentes pesquisas em história da Psicologia, como os livros da Rosane Souza e do Juberto Massud de Souza; há inúmeras trajetórias interrompidas, seja dentro das universidades, seja nos grupos que constituíram os institutos e conselhos de regulamentação profissional. A USP mesmo, onde eu fui aluno e hoje sou professor, tem uma lista expressiva de professores que foram perseguidos e demitidos sumariamente sob um eufemismo insidioso: a chamada "aposentadoria compulsória". E isso aconteceu em todos os departamentos. Entre as professoras da Psicologia, há o caso bastante conhecido da Iara Iavelberg, relatado no documentário Em Busca de Iara. Também houve assassinatos e desaparecimentos de alunas e alunos, como o da Aurora Furtado, que recebeu uma diplomação honorífica em 2024. Concordo com o que você disse, em muitos desses casos não havia resistência ou confrontação direta. Havia crítica e discordância, evidentemente, mas nada que se pareça com uma ação organizada que viesse a ameaçar o regime ou algo do tipo. Muitos cidadãos eram contrários ao regime mas jamais chegariam a intimidar de fato os militares no poder — e, mesmo assim, mesmo sem representar uma ameaça real, esses cidadãos eram mortos, digamos, como que por capricho dos seus assassinos. É o tema da "pirraça" em O Agente Secreto. O algoz que persegue e ameaça o professor e sua então companheira não era um militar caricato, mas, sim, um civil, um empresário rico e prepotente ligado organicamente ao regime, o típico beneficiário de ocasião que instrumentaliza relações com o poder vigente para oprimir e mandar matar. Por isso se fala em ditadura "civil-militar"; é uma expressão que divide opiniões, mas tem o mérito de ressaltar a aliança entre os militares no poder e as elites civis, um casamento oportunista motivado pelo dinheiro e pelo autoritarismo, certamente, mas assentado em valores comuns retrógrados e coléricos. Não por acaso a ciência vira alvo em situações ditatoriais: os ditadores via de regra odeiam a ciência e, por conseguinte, o pensamento crítico. Qualquer semelhança com o que Trump vem fazendo com as universidades norte-americanas não é, infelizmente, mera coincidência. É por isso que qualquer desentendimento em torno de um motivo banal, como uma desavença em uma mesa de restaurante, ou uma negociação que não avança, acaba por ser a véspera da morte. Quando um agente do Estado, ou um miliciano, ou um grupo paramilitar, passa a agir junto a um Estado deliberadamente sanguinário como foi o Brasil sob o regime militar, com toda a partilha de tecnologias de morte e desaparecimento, a violência arbitrária escalona vertiginosamente, transborda de forma irreversível. BBC Brasil News Brasil – Há um certo pensamento de que a ditadura só tenha atingido pessoas que se opuseram ao regime ou que pertencessem à classe média branca, com acesso às universidades. Na sua avaliação, os brasileiros reconhecem os efeitos da ditadura sobre a população em geral? Lima – Eu tendo a achar que estamos caminhando na direção de uma maior abertura do reconhecimento da violência de Estado. Falamos de O Agente Secreto, mas eu lembraria também de Ainda Estou Aqui, ambos são plataformas fundamentais nessa direção. No caso do filme do Walter Salles, há o destaque para a família do desaparecido, o deputado Rubens Paiva: os familiares dos mortos e desaparecidos também são vítimas da violência de Estado. No caso do Kleber Mendonça Filho, há toda uma narrativa muito bem elaborada que vai sustentar que a universidade não é um bloco tão hegemônico quanto pode parecer quando vista de fora. Em se tratando de uma universidade pública, em um território como Pernambuco, há uma expressiva diversidade racial, de classe e mesmo de origem de seus docentes. A classe trabalhadora, negra e periférica, tende a dizer: "sempre houve violência", "sempre fomos tolhidos em nossos direitos", "nunca foi fácil" etc. Por isso é tão difícil trabalhar os efeitos da ditadura na população em geral. É por isso, justamente, que eu penso que o tema da violência de Estado é estratégico, porque, por um lado, ele traz visibilidade para todos aqueles crimes cometidos na calada da noite, quando não sob a luz do dia mesmo, sem qualquer pudor. Por outro lado, lançar luz sobre esse tema desnaturaliza isso que é transmitido como um destino inelutável, como esse "sempre foi assim". É muito forte a cena em que a Fátima, personagem da Alice Carvalho, reage (e veja: uma mulher, nordestina, sem os privilégios da branquitude e da riqueza) de dedo em riste, no restaurante, proferindo palavrões e esculhambando aquele que viria a ser seu algoz. Dá vontade de aplaudir, porque é uma cena que sintetiza muito do que ainda está para ser feito em termos de luta por reconhecimento. Quando a percepção da violência de Estado vier acompanhada de uma resposta, de uma recusa ao silenciamento, gerando uma reação popular de fato, nós vamos ganhar uma ampliação da consciência social sobre esse problema que nós ainda não tivemos a oportunidade de testemunhar. Se os brasileiros se contagiarem com a coragem política de uma Fátima, de um Marcelo, de uma família Paiva, talvez tenhamos a chance de não repetir os mesmos erros nos quais, infelizmente, ainda insistimos. Cena de O Agente Secreto com as atrizes Suzy Lopes, Fafá Dantas e Geane Albuquerque, além do ator Wagner Moura, ao centro Divulgação BBC Brasil News Brasil – A experiência da ditadura brasileira costuma ser contada por meio de lacunas, já que os projetos de investigação, documentação e reparação por parte do Estado não são contínuos e dependem do interesse dos governantes em exercício. A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, por exemplo, foi extinta durante o mandato do ex-presidente Jair Bolsonaro e retomada pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, em julho de 2024. No mesmo ano, porém, em março, a gestão Lula cancelou os eventos oficiais planejados para relembrar os 60 anos do golpe militar. De que maneira a falta de interesse e consistência na produção de memória sobre este período pode afetar os brasileiros? Lima – Esta pergunta é fundamental. Eu começaria lembrando que a memória é, sem dúvidas, um dos temas mais fascinantes da história da psicologia moderna. A memória compõe o conjunto dos chamados processos psicológicos básicos, ao lado da atenção, sensação, percepção, aprendizagem, etc. O estudo científico e experimental da memória passou pela mensuração do que é lembrado e do que é esquecido. Por quanto tempo algo fica na memória? Por quais razões certos conteúdos permanecem e outros não? São perguntas decisivas por exemplo para o campo da psicopatologia, é um instrumento para estabelecer diagnósticos diferenciais com doenças neurológicas, como quadros ligados à senilidade do tipo doença de Alzheimer e outras. Há outros interesses pela dimensão da memória na Psicologia Social, na Filosofia moderna, na Antropologia e na história oral. Então veja que há muitas razões, biológicas, psicológicas e sociais, que explicam por que construímos narrativas inteiras de vida baseadas em cenas inevitavelmente fragmentadas da memória. Freud desenvolveu uma teoria preciosa sobre a memória, o que ele chamou de "lembranças encobridoras". Ele estava intrigado com o fato paradoxal de que por vezes nós somos plenamente capazes de lembrar coisas aparentemente irrelevantes em detalhes muito ricos (a cor da roupa de uma boneca, o cheiro de uma flor, a textura e toda a sensação tátil de um toque com a ponta dos dedos) e, na mesma medida, não termos a mínima lembrança dos eventos mais traumáticos pelos quais passamos na vida. Para a psicanálise, as lembranças mais vívidas e nítidas encobrem as experiências traumáticas como uma forma de sobrevivência psíquica, por vezes física também. O Agente Secreto aborda isso brilhantemente. Um adulto é capaz de lembrar de detalhes de um filme de terror marcante da infância, mas é incapaz de lembrar do que sentiu no dia em que seu pai morreu. O mais interessante é que isso tende a ser um sinal de saúde psíquica, é fundamental conseguirmos suspender minimamente a lembrança direta de um trauma para apegarmo-nos aos vizinhos dele. No entanto, nada nesse campo é acidental. Por um lado, aquilo que se lembra é lembrado por algum motivo, e em geral é a melhor pista que temos para alcançar o trauma propriamente dito. Por outro, aquilo que se esquece é esquecido por algum motivo, em geral porque lembrar do trauma dia e noite, como uma percepção que não se atenua, seria absolutamente insuportável, um ciclo infinito de retraumatização. Aqui a psicologia encontra a política: é preciso lembrar para não repetir, é fato. Mas como elaborar a dor de lembrar dos nossos traumas mais agudos? Como lidar com essas memórias traumáticas que são sempre fragmentadas? E quando os traumas vividos ou sentidos como individuais são, também, ou sobretudo, coletivos? É um enorme desafio. O presidente Lula foi bastante criticado por este recuo em relação aos 60 anos do golpe. Sou da posição de que ele jamais poderia ter se dado "ao luxo" de ignorar essa data. A sanha golpista e autoritária no Brasil é persistente demais para baixarmos a guarda. Vide o fatídico 8 de janeiro. Do ponto de vista acadêmico, acho que há muito interesse na investigação científica da memória e nas suas consequências sociais e culturais. Espero que haja mais vontade política para dar mais solidez à memória social da ditadura, combinando ciência e compromisso social. O fascismo cresce no mundo todo e nós não podemos nos dar ao luxo de vacilar. BBC Brasil News Brasil – Na ditadura, o Estado, encarregado de assegurar os direitos dos cidadãos, foi o responsável por violações, mortes e retirada de direitos. O que significa, em termos psíquicos, ser violado pelo agente que deveria prover a proteção e a segurança? Lima – É um descompasso estrutural. Há a definição sociológica clássica de Max Weber de que o Estado detém o monopólio legítimo da violência. Entre várias interpretações possíveis dessa máxima, está justamente essa ideia de que todos estão sob o jugo da lei, mas, no autoritarismo, os agentes do Estado se confundem com a lei, acreditam ser algo como a versão encarnada da Lei. Isso equivaleria a dizer que bem, se eu sou a lei, posso exercê-la sem negociações ou concessões — portanto, sou a lei porque me coloco acima dela. Ora, a gravidade de nós nunca termos julgado adequadamente os crimes cometidos pelos ditadores é enorme. São os impasses da Lei da Anistia, cujo legado de impunidade se faz presente até hoje. Mas, voltando à pergunta, é comum que o agente do Estado se sinta "do lado certo da história" por ser esse representante legítimo da violência. O discurso geral dos militares era de "proteção da democracia", "contra as investidas do comunismo internacional" e afins. Ora, na verdade, a democracia esteve destruída por 21 anos sob um discurso que dizia defendê-la! Diante desse paradoxo, o cidadão médio experiencia uma ruptura profunda na confiança básica no mundo social. Pensando em termos de desamparo, como dizia Freud, podemos sugerir que há uma produção histórica e discursiva intencional desse estado psíquico de desproteção, como que remetendo ao bebê que depende inteiramente das figuras parentais para o cuidado e a sobrevivência. As consequências dessa perda de confiança são graves, psíquica e socialmente falando. BBC Brasil News Brasil – Para muitas pessoas, falar sobre a ditadura é mexer em feridas muito agudas, e às vezes isso é usado como argumento para que o assunto continue silenciado – um termo frequentemente evocado é "pacificação". Além disso, o julgamento de militares envolvidos nunca foi realizado. Qual a importância do reconhecimento das violações, da reparação delas e da punição dos agentes da ditadura para o processo do luto? Lima – O grande problema dessa ideia de "pacificação" é a invenção de uma falsa equivalência, que é um dos substratos nefastos da nossa famigerada Lei da Anistia. Esse álibi tendencioso de que "houve violência de ambas as partes" supõe uma horizontalidade de forças que nunca existiu. Não há proporcionalidade quando se compara a força da maquinaria do Estado contra grupos limitados na resistência, é evidente que há um desequilíbrio entre o opressor e o oprimido. Reconhecer as violações deveria ser, nesses contextos, o primeiro passo na direção de uma reparação. Tentou-se fazer isso por exemplo com as Comissões da Verdade. Se políticas dessa natureza serão capazes de pacificação não sabemos, pois mal conseguimos dar os primeiros passos. BBC Brasil News Brasil – Você fez parte do projeto Clínicas do Testemunho, inserido nas políticas de reparação do Estado por meio da Comissão de Anistia e que propõe a escuta do sofrimento psíquico de vítimas da ditadura brasileira. O que a censura externa, a ameaça vinda do próprio Estado e o clima de segredo silenciaram dentro das pessoas? Lima – O projeto Clínicas do Testemunho foi uma das experiências mais importantes na minha formação, posso falar por mim, mas é preciso lembrar que há livros e artigos publicados por todos os grupos que fizeram parte dele, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e aqui em São Paulo. O nosso projeto foi chamado de Clínica do Testemunho nas Margens, e dentre os vários resultados importantes eu destacaria essa ampliação da percepção da violência de Estado por parte do cidadão comum. Havia, por exemplo, quem tinha dificuldade de reconhecer que sofreu algum tipo de violência na ditadura, e que era justo que entrasse com um processo de reparação. Pessoas que não estavam organizadas em grupos ou partidos clandestinos, mas que perderam seus empregos sumariamente porque eram do sindicato. Escutamos familiares de vítimas e de pessoas desaparecidas em um luto emperrado, inconcluso. Quebrar o silêncio e o segredo é fundamental, pois quando a palavra circula, o sofrimento pode ser elaborado. As Clínicas do Testemunho sofreram um abalo enorme em 2016 em função da conjuntura política e pouco tempo depois o projeto acabou sendo descontinuado. Acho que ainda há um trabalho de recuperação dessa experiência a ser feito. BBC Brasil News Brasil – Em outro projeto, o coletivo Margens Clínicas, você e outros psicanalistas escutam as atuais vítimas do Estado brasileiro, sobretudo as populações negras e periféricas atingidas pela violência policial. Qual a relação entre esta violência atual, cometida em um período democrático, e o período ditatorial brasileiro? Lima – Estive com o Margens Clínicas por 12 anos, acabei me afastando no ano passado em função da docência na USP, mas o coletivo segue em plena atividade. Mantivemos ao longo desses anos todo um debate sobre a continuidade e a descontinuidade entre a violência de Estado do período ditatorial e a violência policial, que é a violência de Estado do tempo presente. Quando a gente olha para a violência policial nas suas quatro dimensões fundamentais (raça, classe, gênero e território), fica evidente que o alvo é repetidamente o mesmo: o corpo negro, jovem, periférico; no caso do homem é o corpo exterminado, "matável"; e no da mulher, o corpo violentado sexualmente. Foi um momento de problematizar essa continuidade. Tenho a impressão de que o debate avançou muito de lá para cá. Em termos de continuidade, penso que a violência policial faz uso dos mesmos instrumentos da tecnologia da violência da ditadura (mortes, desaparecimentos etc.). Foram todos "testados em laboratório" entre 1964 e 1985, as escolas brasileiras da tortura remontam necessariamente a esse momento da nossa história. Mas em termos de diferenças e descontinuidades, penso que há uma violência de Estado no Brasil historicamente mais profunda, que remete à escravidão e ao racismo estrutural que persiste até os dias de hoje. As populações negras, pobres e marginalizadas foram ininterruptamente violentadas ao longo dos séculos, e isso parece marcar um contraste importante. As ferramentas da violência se sofisticaram na ditadura, certamente, e isso tem um impacto enorme na violência atual. Mas não posso deixar de lembrar que o alvo por excelência do extermínio e do genocídio no Brasil, que é o corpo negro, tem alguns séculos a mais de história do que o regime militar. BBC Brasil News Brasil – Como reconhecer a violência do Estado se ela se tornou tão cotidiana e impune? Lima – É muito difícil. A banalidade da violência nos meios de comunicação, a velocidade das informações, a sensibilidade fica adormecida, e isso tudo é muito perigoso do ponto de vista social. Vivemos sob um bombardeio de imagens, quase sempre sem palavras: é a foto da criança sozinha no aeroporto depois de um bombardeio, é o corpo morto de um refugiado na beira da praia. Não tem nome, não tem história — tem um impacto, que deveria ser profundo, mas acaba se tornando fugidio. Sofrer à distância gera esse efeito de que nosso papel foi cumprido: eu me sensibilizo muito rapidamente, porque logo em seguida eu preciso voltar ao trabalho, correr para buscar as crianças na escola, enfim, volto bruscamente à minha vida cotidiana. Todo dia. No médio e longo prazo, a percepção adormece. Deve haver algo como uma disposição fisiológica nesse adormecimento das emoções, algo como um recurso adaptativo, que retira da consciência imediata essa exposição contínua à violência. Mas isso não significa que, em um nível mais subliminar da consciência, não estejamos o tempo todo em estado de alerta. Há uma carga de ansiedade imperceptível, mas que nos adoece, que se transforma em medo de sair de casa, em medo do outro, do estrangeiro e afins. Reconhecer a violência de Estado é ter consciência dela, consciência inclusive para agir, tomar medidas políticas em relação a ela. Mas há algo que se instala em nós para além da consciência, que se converte em um adoecimento cotidiano, insistente, que banalizamos mais do que deveríamos. Cena de O Agente Secreto com os atores Licínio Januário, Hermila Guedes, Wagner Moura, Lula Terra, João Vitor Silva e Isabél Zuaa Divulgação BBC Brasil News Brasil – No seu livro você levanta uma hipótese sobre a expansão da psicanálise brasileira durante a ditadura: com algumas exceções, ela teria predominantemente servido a uma espécie de adaptação da pessoa ao próprio sofrimento, sem considerar as condições de surgimento do que a fazia sofrer. Em regimes de exceção e de ausência de democracia, o que os profissionais da escuta devem garantir como compromisso ético? Lima – Essa é uma reflexão importantíssima, que fica como um saldo das experiências sinistras da ditadura. A escuta, na psicologia em geral, e na psicanálise especificamente, não pode se dar ao luxo de ignorar o contexto histórico, os conflitos sociais, sobretudo quando a democracia está suspensa, ou está "respirando por aparelhos", como foi um pouco o caso do que vivemos de 2016 até muito recentemente. O sofrimento psíquico é também social e político — ou melhor, o nosso sofrimento é psíquico porque ele é social e político. O modo pelo qual nós nomeamos o nosso sofrimento é codificado socialmente. Na ditadura, por exemplo, o vocabulário das psicopatologias passa a se esparramar pelas camadas médias dos grandes centros urbanos. Revistas da época traziam reportagens sobre depressão, uso de substâncias, ansiedade, conflitos de ordem sexual e por aí vai. Aos poucos, expressões que pertenciam em geral às classes profissionais especializadas (na Medicina e na Psicologia) passam a designar os sofrimentos populares: isso que eu sinto é tristeza ou é depressão? É um aperto no peito ou é uma crise de pânico? É uma "runheira" ou uma ansiedade? Acho que um dos grandes compromissos éticos é preservar alguma distância crítica em relação a essas categorias diagnósticas, estarmos permanentemente nos perguntando o que elas estão designando, o que elas querem dizer. E, sobretudo, que tipo de subjetividade elas produzem. Sujeitos psicopatologizados são mais domesticáveis? Ou obedientes? Refazendo a pergunta do ponto de vista daquele que escuta: minha prática profissional ajuda as pessoas em sofrimento a se libertarem ou as empurra ainda mais para o silenciamento e a opressão? O compromisso ético deveria se orientar para a emancipação do sujeito. Na ditadura houve quem trabalhasse contra ela, e justamente, por isso hoje devemos reiterar que o nosso compromisso fundamental com o outro deve visar garantir sempre esse caráter emancipatório. BBC Brasil News Brasil – O enfrentamento à pandemia de covid-19 no Brasil foi marcado por mais de 700 mil mortes, falta de testes, atraso na compra de vacinas, notícias falsas, desencorajamento do uso de máscaras, buzinaço em frente a hospitais, divulgação do uso de cloroquina e ausência de oxigênio para tratamento de pessoas internadas com falta de ar no Amazonas, dentre outros problemas. Pesquisadores apontaram que mais de 200 mil mortes poderiam ter sido evitadas. Apesar de o relatório final da CPI da pandemia apontar indícios de crimes cometidos por agentes públicos e propor o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, os responsáveis pela gestão não foram julgados. O que esta falta de resposta traz de efeitos psíquicos à população afetada? Lima – Isso é outro clássico do déficit democrático: a perda da autonomia das ciências. Quando um governo resolve decidir o que uma população deve tomar (cloroquina, ivermectina e afins) em uma pandemia a despeito da ciência, temos um sinal inequívoco de que a democracia não vai bem. O governo foi trocando a direção dos ministérios (da Saúde sobretudo), e trocando, e trocando... Até que não sobrasse nenhum quadro técnico-científico e o lugar fosse ocupado por um general do Exército! Ora, uma população que elege nas urnas um representante tende a se orientar por aquilo que ele determinar, ainda mais em um momento de catástrofe social como foi a pandemia. Se essa liderança política passa mensagens no mínimo ambíguas — e a gente sabe o quanto Bolsonaro zombou das mortes de forma macabra —, a população perde a base simbólica da confiança na palavra e na sustentação do laço social. Daí só restam duas posições: ou a adesão acrítica e alienada ao líder, que no fundo é uma posição de ruptura com o tecido social em favor de um "salve-se quem puder" sem precedentes; ou a posição crítica, de denúncia da violência, de reposicionamento da política em favor da sustentação democrática. A história provou que o desgoverno Bolsonaro arrebentou com o tecido social mais elementar. A tutela dos militares em relação à democracia é muito perniciosa, esse autodeclarado "poder moderador" é um embuste monstruoso. Acho que o julgamento do golpe de 8 de janeiro é um marco importante, indica uma transformação nesse cenário que vem sendo o nosso desde a reabertura democrática até aqui. Mas essa base simbólica de confiança, que sustentaria um projeto comum de sociedade, está devastada.

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Oscar 2026: animador vê bom momento para artistas brasileiros em Hollywood

Publicado em: 15/03/2026 07:01

O mineiro Romualdo Amaral nos bastidores de grandes estreias em Los Angles Arquivo Pessoal/Romualdo Amaral O Oscar 2026 pode marcar um momento histórico para o cinema brasileiro, e um artista de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, acompanha essa fase de perto, diretamente de Hollywood. O animador Romualdo Amaral está confiante porque, além do 'molho' do ator baiano Wagner Moura em “O Agente Secreto” conquistar cada vez mais o público e a crítica, essa vibração também reverbera no trabalho da comunidade artística brasileira presente no coração da indústria do cinema mundial. Mineiro de Uberlândia, indicado ao Oscar 2025 com 'Wicked', na categoria de efeitos visuais, neste ano, para surpresa de muitos, a Academia deixou 'Wicked 2' fora da premiação. "Acho que não fizeram uma boa campanha como no primeiro 'Wicked'. Mas ver o Brasil com cinco indicações no Oscar já me faz feliz. É um bom momento para artistas brasileiros em Hollywood", disse o animador, que passou as férias na cidade natal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp Além das quatro categorias de 'O Agente Secreto' (Melhor Filme, Melhor Elenco, Melhor Ator e Melhor Filme em Língua Não Inglesa) o Brasil chegou a cinco indicações, seu recorde, com a categoria Melhor Fotografia, com a indicação de Adolpho Veloso pelo filme "Sonhos de Trem" (EUA). Romualdo tem certeza de que as conquistas do Brasil com 'Ainda Estou Aqui' e 'O Agente Secreto' reverberam positivamente para os profissionais brasileiros em busca de um espaço principalmente na indústria cinematográfica de Hollywood. "É como se os olhos do mundo se voltassem para o Brasil. Esses dias um profissional de Los Angeles me procurou para pedir dicas de como fazer networking com empresas brasileiras". Reconhecimento Entre janeiro e fevereiro acontecem as premiações mais importantes do cinema mundial. Acompanhadas por milhões de pessoas pela TV ou pela internet, essas cerimônias têm no momento dos discursos dos premiados um dos pontos altos. "Qualquer pessoa que vê a ficha técnica de um filme sabe que é muita gente envolvida naquela obra. Algumas produções se arrastam por anos e, por aqui, já perceberam que nós, brasileiros, conhecemos os caminhos mais difíceis, principalmente no mundo da arte e somos esforçados, não temos medo do trabalho", disse Romualdo. Esse é um dos principais pontos ao qual ele atribui essa valorização essa valorização ao profissional brasileiro.Ainda neste ano, seu trabalho poderá ser visto na Netflix em '72 Horas'. E tem outras produções já acertadas, mas mantém guardados a sete chaves... coisas do show business. Resenha brasileira O diretor Walter Salles e o mineiro Romualdo Amaral em evento de "Ainda Estou Aqui', em 2025 Arquivo Pessoal/Romualdo Amaral Depois de algumas semanas de férias no Brasil, Romualdo Amaral voltou para os Estados Unidos, afinal, ele afirma que os eventos pré-Oscar são uma ótima oportunidade para criar novas conexões e consequentemente, atrair novos projetos. Mas o after, ele espera que seja de comemoração. "Os brasileiros que trabalham nessa área em Los Angeles são unidos. Estaremos juntos assistindo e torcendo por Kleber Mendonça Filho, pelo Wagner Moura e pelo filme 'O Agente Secreto'. Tenho muito orgulho de pertencer a esta comunidade e participar de mais um momento histórico para a sétima arte brasileira". Bastidores "Uma das coisas mais legais dos bastidores dessas produções é que a gente trabalha tanto tempo junto que acaba construindo uma família. O diretor, maquiadores, atores, os carregadores, animadores e designers, entre tantos outros. O recado que fica desses laços é que o trabalho de cada um, por mais simples que seja, importa", conta Romualdo Amaral. O brasileiro recorda o impacto na indústria do entretenimento com a greve dos roteiristas em 2023. Foram quase 5 meses até que retornaram ao trabalho e a roda voltasse a girar. "O fator humano ainda tem muito peso, por mais que a gente precise da Inteligência Artificial, sabemos que não podemos ser usados por ela. Por isso os estúdios estão preocupados com capacitação para lidar com essas ferramentas, ao mesmo tempo que temos diretores que juram que jamais usarão tal recurso", comentou Romualdo. Quem é Romualdo Amaral? Romualdo Amaral é mineiro, 36 anos, nascido em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Um sonhador? Sim, mas principalmente, um batalhador. O menino que cresceu no bairro Pacaembu, estava sempre com a família e os amigos, já demonstrava um interesse pelas artes, principalmente pelo cinema. Mas ele acabou cursando Ciências da Computação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e mesmo nesse meio, seus projetos já eram relacionados à sétima arte. Trabalhou na área de Tecnologia da Informação após concluir a faculdade, em 2012. Foram quatro anos até ele decidir dar o primeiro passo em direção ao sonho. Em 2016 Romualdo partiu com a cara, a coragem e o talento para um mestrado nos Estados Unidos. Escolheu a Academy Of Art University, em São Francisco, na Califórnia. E o caminho não foi fácil. "Economizei o que pude, tive um suporte dos meus pais porque nos Estados Unidos, ao contrário do Brasil, as melhores universidades são pagas. A gente precisa ter um planejamento financeiro até que seja possível começar a trabalhar, o que eu consegui a partir do segundo ano do mestrado. Estudava meio período e no outro trabalhava". O ambiente acadêmico é valioso para o ramo escolhido por Romualdo. "A universidade era do lado de Emeryville, onde fica a Pixar e muitos animadores egressos voltam pra lá como professores. Ou seja, é um ótimo lugar para se investir em novos artistas. As feiras que acontecem ao longo do ano também são ótimas oportunidades para ser recrutado por alguma empresa". Principais creditações 2026 72 Horas Pânico 7 2025 Wicked: One Wonderful Night Wicked: Parte II Tron: Ares Jogo Sujo Springsteen: Salve-me do Desconhecido Anônimo 2 A Última Missão Um Maluco no Golfe 2 Thunderbolts* Capitão América: Admirável Mundo Novo 2024 Wicked The Killer Borderlands: O Destino do Universo Está em Jogo Harold e o Lápis Mágico Foi marcante para o artista mineiro o convite da gigante Marvel para integrar a equipe de "Falcão e o Soldado Invernal" (2021) ainda morando em Uberlândia. Em 2022, participou de duas animações de destaque, 'Tico e Teco: Defensores da Lei' e 'Lilo Crocodilo'. Um trabalho chamava o outro e em 2024, Romualdo Amaral integrou o time de 'Harold e o Lápis Mágico' e foi um momento especial por trabalhar direto com uma grande referência para ele, o brasileiro Carlos Saldanha. "Carlos Saldanha é mais um nome que enche o Brasil de orgulho", comentou o animador. Se compararmos os grandes projetos nos quais marcou presença de 2024 para 2025, dobraram. A maior parte desses trabalhos é pela empresa Opsis, onde ingressou em 2021. Romualdo reconhece que a indicação ao Oscar 2025 na categoria de efeitos visuais por 'Wicked' foi um divisor de águas. "Reforçou ainda mais a relação de confiança que eu já tinha na Opsis e me permitiu abraçar mais projetos presenciais, ou remotamente. Afinal, a pandemia acelerou esse processo que permite que eu trabalhe de qualquer lugar do mundo", explicou Romualdo. Estreia na direção Morando em Los Angeles, a rotina de Romualdo Amaral é pulsante. Na profissão que escolheu é preciso estar atento ao que o mercado pede, às tecnologias, às inovações e é sempre bom ter um sonho a mais. E ele segue agora trabalhando para ser reconhecido também como diretor de cinema. O primeiro passo já foi dado, em 2024 ele finalizou o curso de Direção de Cinema na University of California (UCLA). Em breve, lançará seu primeiro live action. 'Small As A Pea', ainda sem título em português, é um filme para a família. Um pequeno explorador levará os espectadores para grandes aventuras, mas primeiro, estará no circuito de festivais. Veja o cartaz abaixo. 'Small As A Pea', primeiro live action de Romualdo Amaral, será lançado em breve Divulgação Romualdo, como um bom mineiro, não tem pressa. Segue interagindo nos grupos de grandes artistas e não se deixa deslumbrar. Apesar de trabalhar com grandes ídolos, entende sua posição e o lado fã dá lugar ao lado profissional. O artista visual agora quer conquistar seu espaço como diretor e parte dessa história será contada em um livro que será publicado pela editora Ffyve em junho. "Descobri como diretor, roteirista e contador de histórias o poder da escrita, e vou explorar mais isso." Assista também: Animador mineiro recebe indicação ao Oscar com 'Wicked' Animador mineiro recebe indicação ao Oscar com 'Wicked' VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas o

Windows 11: acesso ao disco C: está bloqueado em alguns notebooks da Samsung

Publicado em: 15/03/2026 06:32 Fonte: Tudocelular

A Microsoft confirmou um novo problema na longa lista de bugs do Windows 11. A bola da vez afeta parte dos notebooks da Samsung, bloqueando o acesso ao disco principal do sistema. Alguns usuários começaram a relatar o surgimento da mensagem “C:\ não é acessível – Acesso negado”, impedindo leitura ou gravação de arquivos essenciais no drive do sistema.Após a distribuição da atualização KB5077181, incluída no Patch Tuesday e presente na compilação 26100.7840 do Windows 11, alguns usuários de notebooks da Samsung começaram a relatar um impedimento no acesso ao disco C:. Apesar da coincidência temporal, investigações conjuntas entre Microsoft e Samsung indicam que a falha não está ligada diretamente às atualizações mensais do sistema.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

O que chamamos de evidência científica?

Publicado em: 15/03/2026 05:01

Polilaminina: por que o estudo não foi publicado por revistas científicas Em tempos de desinformação viral e certezas instantâneas, poucas expressões são usadas com tanta autoridade e, muitas vezes, com tão pouca precisão como “evidência científica”. Ela é invocada em debates políticos, campanhas de saúde pública, discussões familiares e até em propagandas comerciais, como se fosse um selo de verdade absoluta. Mas o que realmente significa esse conceito, que parece tão evidente e, ao mesmo tempo, tão evasivo? À primeira vista, poderíamos dizer que evidência científica é aquilo que “demonstra” algo com base na ciência. Mas basta examiná-la para descobrir que não é um objeto estável, mas um processo complexo, cheio de nuances, incertezas e revisões constantes. Longe de ser um bloco monolítico, a evidência científica é construída, questionada e, às vezes, se contradiz. Compreender sua natureza é fundamental para navegar em debates sobre temas tão diversos como vacinas, inteligência artificial, mudanças climáticas ou nutrição. Quem pode gerar evidências científicas? Existe a crença de que a ciência é um território exclusivo dos profissionais de laboratório. Mas, em essência, a ciência não é um título; é um método. Se uma pessoa formula uma pergunta clara, levanta uma hipótese, coleta dados com rigor, controla vieses e expõe suas conclusões ao escrutínio público, ela está usando o método científico e, portanto, está fazendo ciência. O que determina a validade de um resultado não é quem o produz, mas como os dados são gerados e avaliados. Mesmo assim, a ciência moderna tornou-se tão técnica que alguns experimentos requerem equipamentos, financiamento ou conhecimentos especializados. Essa barreira é prática, não filosófica. Freepik Quanta evidência é suficiente? Uma das ideias mais importantes e mais difíceis de comunicar é que nem toda evidência tem o mesmo peso. Nenhum estudo isolado, por mais sólido que seja, pode carregar sozinho o peso da verdade. A evidência é acumulada e avaliada como um gradiente. A hierarquia clássica da evidência científica — ensaios clínicos randomizados, estudos observacionais, séries e relatos de casos etc — é um guia útil, mas imperfeito. Na vida real, a “melhor evidência disponível” depende da pergunta, do contexto e da viabilidade dos estudos. Por exemplo, não seria ético randomizar pessoas para fumar ou não fumar para estudar a relação do tabagismo com o câncer de pulmão. Por isso, estudos observacionais cuidadosamente elaborados tornaram-se a forma mais robusta de evidência possível para esse tipo de problema. Além disso, a reprodutibilidade é fundamental. Um resultado isolado pode ser interessante; um resultado reproduzido por diferentes equipes, em diferentes locais e com diferentes métodos torna-se convincente. Quando as evidências se contradizem As contradições entre estudos podem parecer desconcertantes para o público, mas são uma parte essencial do avanço científico. Diferentes grupos podem estudar populações distintas, usar métodos com níveis variáveis de precisão ou analisar os dados com suposições estatísticas divergentes. Às vezes, o que parece contradição é simplesmente evidência incompleta. Se cinco pequenos estudos sugerem um efeito e um grande ensaio clínico o contradiz, o peso da evidência recai sobre o estudo mais rigoroso, não sobre a soma aritmética das publicações. Há um protocolo único para produzir evidências? Embora costumemos falar do “método científico” como se fosse uma receita única, a realidade é muito mais diversificada. A biologia, a física, a sociologia, a medicina ou a astronomia utilizam abordagens metodológicas distintas, adaptadas aos seus objetos de estudo. Em temas de medicina e saúde, os ensaios clínicos randomizados são a ferramenta mais robusta para avaliar intervenções. Em contrapartida, o estudo do clima depende de modelos matemáticos de enorme complexidade. Nas ciências sociais, os métodos qualitativos (entrevistas, etnografias, análise de discurso) geram evidências distintas, mas complementares às quantitativas. O que todas essas abordagens têm em comum é a transparência: descrever o que foi feito, como foi feito, com quais dados, sob quais premissas e com quais limitações. A evidência científica é legitimada, em grande medida, por sua capacidade de ser revisada, testada e replicada. Provisória por natureza Mas talvez a característica mais fascinante da evidência científica seja seu caráter provisório. Uma afirmação científica é forte não porque é eterna, mas porque está sujeita a revisão quando surgirem dados ou métodos melhores. Essa flexibilidade, às vezes percebida como fraqueza, é, na verdade, um dos pilares da ciência moderna. Aceitar a incerteza não significa renunciar à ação. Significa agir com as melhores evidências disponíveis, enquanto se continua investigando. Na saúde pública, durante pandemias ou diante de avanços tecnológicos disruptivos, as evidências são necessariamente imperfeitas e evoluem rapidamente. Compreender isso ajuda a evitar frustrações, teorias da conspiração e falsas dicotomias. A chave: as evidências como ponto de partida A evidência científica, portanto, não é um veredicto final, mas um processo contínuo, coletivo e aperfeiçoável. Sua força reside em sua capacidade de se autocorrigir, reconhecer suas limitações e melhorar com o tempo. Em um mundo saturado de dados, opiniões e pseudocertezas, compreender sua natureza dinâmica é essencial. A evidência científica não encerra debates: ela os abre. É, mais do que uma resposta, um convite permanente para continuar questionando. Luis Felipe Reyes não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

Palavras-chave: inteligência artificial

Entrega por aplicativo pode ficar mais cara com regulação? Entenda propostas do governo e das empresas

Publicado em: 15/03/2026 04:01

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), quer votar até o próximo mês no plenário da Casa o projeto que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por aplicativos. 🏍️ A proposta está rodeada de divergências entre o Legislativo, o Executivo e o setor empresarial. Na semana passada, uma reunião de ministros do governo com Motta e deputados envolvidos na elaboração do projeto terminou sem acordo. O relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), afirma que a falta de acordo está no valor mínimo a ser pago por entregas. A última versão do texto, de dezembro de 2025, previa o valor mínimo de R$ 8,50 por entrega. O governo, por sua vez, defende o valor mínimo de R$ 10 com R$ 2,50 por quilômetro adicional. 💰 Já representantes de empresas afirmam que as divergências vão além da discussão sobre o valor mínimo e que as mudanças propostas pelo governo e pelo Congresso vão inviabilizar o serviço, além de aumentar os custos da operação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), falou que está sendo feito um "terrorismo econômico que busca atacar qualquer ganho dos trabalhadores". Já o vice-presidente de relações institucionais da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), Marcelo Ramos, cita "realismo econômico". Após a reunião de Motta com ministros, começaram a circular nas redes sociais posts alegando que o governo Lula "quer taxar entregadores de aplicativo em R$ 10 por corrida". É #FAKE. Também pelas redes sociais, integrantes da oposição, como Nikolas Ferreira (PL-MG), publicaram vídeos em que ligam a aprovação do projeto ao aumento do valor pago por serviços de entrega de comidas, como o Ifood. Proposta do governo O Palácio do Planalto tem defendido que a regulamentação defina: a fixação de uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega ou corrida de até 4 kms, com R$ 2,50 por quilômetro adicional; fim das entregas agrupadas; transparência dos algoritmos que definem valores pagos aos trabalhadores; pontos de apoio pagos pelas empresas; e garantia de acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente patronal. Para o ministro Guilherme Boulos, as medidas não vão encarecer o serviço. "A maior parte do ganho das plataformas está com a taxa que eles cobram dos restaurantes, que é uma taxa mensal para estar nos cardápios eletrônicos e cerca de 28% de cada restaurante por pedido. Então, é aí que está o centro do ganho deles. Então, dizer que pagar uma remuneração digna para os trabalhadores vai aumentar o preço, não procede", disse. O ministro disse que a proposta do governo de defender uma remuneração mínima de R$ 10 é uma reivindicação dos entregadores e que atualmente já existe um valor mínimo pago pela empresas. 1º de julho de 2020 - Manifestação e paralisação de entregadores de aplicativo, em São Paulo Amanda Perobelli/Reuters O que dizem as empresas O vice-presidente de relações institucionais da Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), Marcelo Ramos, afirmou que as empresas são a favor da regulamentação do trabalho por aplicativos, mas que para se chegar a um acordo, o texto tem que pressupor viabilidade econômica das empresas, proteção social do trabalhador e acessibilidade do consumidor. Ramos afirmou que a proposta do governo de fixar uma remuneração mínima de R$ 10 vai gerar aumento de custo. "Se eu estou pagando R$ 5 por entrega e passo a pagar R$ 10, aumentei meu custo. Numa economia de livre mercado num país capitalista, aumento de custo é aumento de preço", argumentou. "Nossos estudos técnicos demonstram claramente que o trabalhador até vai ganhar mais por cada entrega, mas vai ter uma queda tão drástica na quantidade de entrega que no volume no fim do mês vai ganhar menos que hoje", declarou. O representante da Amobitec disse que o Estado tenta intervir no serviço privado ao estipular uma taxa mínima. Ele disse que o setor é favorável a discutir uma remuneração por hora trabalhada. Para a associação, uma proposta bem vista pelos empresários, deveria prever: clareza que as empresas são de tecnologia que intermediam oferta e demanda e não empresas de transporte; que o trabalhador é autônomo sem nenhuma relação trabalhista com as plataformas; empresas pagarem parcela de contribuição social; seguro acidente; remuneração mínima por hora trabalhada. As plataformas se queixam, entre outros pontos: o projeto classifica as empresas como empresas prestadoras de serviço. Isso provoca alteração tributária, o que aumenta o custo ao ponto de inviabilizar o negócio, segundo especialistas; as regras de previdência são consideradas “pesadas”; o setor reclama do detalhamento do texto ao definir regras básicas do funcionamento dos aplicativos. Produto mais caro? Ao contrário do governo, as plataformas argumentam que o produto final vai ficar mais caro para o consumidor, o que tende a inibir a compra pelos aplicativos. A lógica é a de que cada vez que se aumenta o custo da intermediação, se derruba o número de pedidos. Executivos envolvidos nas negociações afirmam ainda que o Ministério do Trabalho já havia aceitado um acordo em 2024, prevendo que o trabalhador não poderia receber, ao final do cômputo geral da jornada de trabalho, valor inferior a um salário mínimo, já descontado os gastos com manutenção. Segundo as plataformas, o governo voltou atrás no acordo e agora apoia a remuneração por entrega. O setor avalia que o cálculo feito pelo governo é eleitoral, mas que a proposta não é sustentável e que, por isso, não deve ser aprovada. Politicamente o texto também pode pesar para os parlamentares em ano eleitoral por, segundo um executivo do setor, “colocar um conjunto incerto de trabalhadores contra 60 milhões de consumidores”, que pagarão mais caro pelo produto na ponta.

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Recife no Oscar: como tecnologia transformou cidade em personagem no filme 'Agente Secreto'

Publicado em: 14/03/2026 22:38

Tecnologia transforma a cidade de Recife em personagem no filme O Agente Secreto Falta pouco para a festa do Oscar e expectativa é grande no Recife. Em "O Agente Secreto", a tecnologia transformou a cidade em personagem. No Recife, o tubarão saiu da vida real e foi parar na tela do cinema, em uma das cenas do filme "O Agente Secreto". Depois das gravações, a réplica do tubarão-tigre foi doada para uma universidade federal. Virou atração. "Quando ele foi liberado para ser exposto, aí todo mundo no laboratório queria ver, queria tirar foto, foi um 'auê' aqui, foi muito bacana", diz Mari Rêgo, pesquisadora e coordenadora do NEA / UFRPE "O Agente Secreto" é ambientado no Recife. Diversos pontos da cidade serviram de locação. O Parque Treze de Maio, o Ginásio Pernambucano e o Cinema São Luiz, onde a atriz Mariza Moreira gravou uma participação no filme. "Eu olhava o meu sapato, eu olhava aquele cigarro, as vitrines, os carros, e eu me lembrava, misturava memória com o que eu estava vendo ali agora, né", comenta Mariza Moreira, atriz. Para o diretor Kleber Mendonça Filho, a cidade onde nasceu é universal. "O Recife está no Oscar da mesma maneira que durante tantos anos, eu vi filmes franceses, americanos. Eu vi Paris, Nova York, Los Angeles, e, dessa vez, a gente tem um filme feito em Recife, Pernambuco, que está sendo visto no mundo inteiro", destaca Kleber Mendonça Filho, diretor de "O Agente Secreto". O Recife, mais que cenário, também é personagem de "O Agente Secreto". Boa parte das cenas do filme - indicado ao Oscar em quatro categorias - foi filmada lá. Mas, para contar uma história que se passa no final da década de 1970, vários pontos da cidade precisaram entrar no túnel do tempo com a ajuda da tecnologia. Os letreiros nos prédios, o chão da ponte, o ônibus... a equipe de VFX ou efeitos visuais reconstituiu tudo digitalmente. "Boa parte disso foi feito com pesquisas iconográficas, de foto e de vídeo. Eu organizava esse material e enviava diretamente para a casa de VFX, e lá eles tinham uma base suficiente para construir cenários virtuais, para acrescentar placas antigas", explica André Pinto, supervisor de efeitos visuais no set. Voltar ao passado abriu as janelas do mundo para o Recife. É o futuro do cinema que, por Recife, já chegou. "Que bacana 'O Agente Secreto' dar essa visibilidade a uma cidade e mostrar que o cinema não é preciso ser feito apenas nos grandes centros. As pessoas perguntam muito 'ah, você acha que vai ganhar o Oscar?'. Olha, para mim já ganhou! O prêmio já está aí, é esse reconhecimento que o filme tem", diz Alexandre Figueiroa, crítico e professor de cinema. Tecnologia transforma a cidade de Recife em personagem no filme O Agente Secreto Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM: ‘Tem sido bonito ver pessoas falarem do Brasil’: Wagner Moura destaca repercussão internacional de 'Agente Secreto'

Palavras-chave: tecnologia

Anúncios falsos com inteligência artificial se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes

Publicado em: 14/03/2026 21:26

Anúncios fraudulentos circulam nas redes sociais Anúncios falsos se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes. As empresas que controlam as plataformas afirmam que tentam conter as fraudes, mas os conteúdos enganosos continuam circulando. Os golpes on-line estão cada vez mais sofisticados. Bandidos usam a inteligência artificial para criar anúncios prometendo, por exemplo, facilidades inexistentes para acesso a serviços públicos; e para criar vídeos também falsos com imagem e voz de pessoas conhecidas, com credibilidade. O médico Drauzio Varella diz que tem a imagem usada em fraudes na internet há pelo menos dez anos e que, agora, o uso da IA tornou esses golpes ainda mais perigosos: “Mesmo pessoas que me conhecem falam: 'não, era você falando, eu vi você falando'. Eu digo: não era, é falsa a propaganda. E desde que isso começou, a gente tentou entrar em contato com eles, explicar que isso era propaganda falsa. Eles simplesmente ignoram. Por que eles ignoram? Eles ganham dinheiro para fazer isso”. Marie Santini, especialista em manipulação e desinformação em redes sociais, afirma que todos nós estamos cada vez mais vulneráveis: “A gente não pode transferir para o consumidor e para o usuário a responsabilidade de se proteger das fraudes e golpes. A gente não pode pedir para que as pessoas passem a ser especialistas em identificação de inteligência artificial, ou checadores de informação, ou até médicos. E, por isso, a gente precisa de uma solução coletiva que passa pela regulamentação, passa pela fiscalização e passa pelo desincentivo econômico e em última instância na punição”, afirma. A última edição do Anuário de Segurança Pública revela que houve uma forte migração do crime do ambiente real para o virtual. Em um período de seis anos, o índice de roubos de todo tipo teve queda de 51% no país, enquanto os crimes na internet aumentaram 408%. Para um anúncio ser impulsionado e atingir um grande número de usuários na rede social, e-mail ou aplicativo de bate-papo, o contratante paga à big tech - geralmente com cartão de crédito. Ele precisa fazer um cadastro com apresentação de CPF ou CNPJ, no caso de empresa. O anúncio é então direcionado para o usuário com base em seus interesses, faixa etária, sexo: informações que as empresas de tecnologia têm. “Essas empresas de tecnologia não têm feito o suficiente para evitar golpes e fraudes na rede, principalmente em relação aos anúncios, à publicidade, que é um serviço que elas vendem. Se uma empresa não tem condições de verificar o cadastro e os dados bancários de seus clientes, ela não pode nem operar, porque não garante segurança nem para o sistema financeiro nem para os próprios consumidores”, diz Marie Santini. Quem tem a responsabilidade de proteger o usuário nas redes? Especialistas afirmam que esses golpes se tornaram um problema não só de segurança, mas também de saúde pública. As big techs, as grandes empresas de tecnologia que controlam as redes sociais, dizem que têm criado e tomado medidas para evitar a publicação e derrubar os anúncios fraudulentos. Uma reportagem da agência de notícias Reuters, com base em documentos da Meta - dona do Facebook, do Instagram e do WhatsApp - diz que a companhia estima que 10% de sua receita em 2024 vieram de anúncios fraudulentos: US$ 16 bilhões. No Brasil, a Meta informa que o combate a fraudes e golpes on-line é uma prioridade; que está utilizando tecnologia de reconhecimento facial e detecção, aplicando políticas rigorosas e oferecendo ferramentas de segurança e alertas; que em 2025 removeu 159 milhões de anúncios fraudulentos, 92% deles antes de serem denunciados; e que está acionando a Justiça contra anunciantes que usam imagens de figuras públicas indevidamente. O Google diz que proíbe anúncios com representações fraudulentas e comércio de substâncias não aprovadas; que em 2024, 201 milhões de anúncios foram removidos e 1,3 milhão de contas de anunciantes suspensas; e que oferece uma ferramenta para que usuários denunciem possíveis violações. A assessoria do X nos Estados Unidos afirmou que proíbe globalmente a promoção de conteúdos fraudulentos, incluindo anúncios. Também por nota, o TikTok declarou que não permite anúncios ou conteúdos manipulados, incluindo os gerados por inteligência artificial; e que os conteúdos que violavam as diretrizes da empresa foram removidos. Só em 2025, a Advocacia-Geral da União abriu mais de 150 processos pedindo a retirada de anúncios fraudulentos da internet. Em quase 90% dos casos conseguiu, mas reconhece que isso ainda é muito pouco diante da gravidade do problema. “Hoje, a AGU tem uma equipe dedicada a isso. A gente poderia ter pessoas dedicadas a outras políticas públicas se não tivesse que ficar buscando informação errada na internet que leva a prejuízos financeiros aos contribuintes”, diz Flávio José Roman. “Elas são capazes de diariamente retirar da plataforma conteúdo de pornografia, de mutilação, conteúdos muito tóxicos e pesados, e elas retiram realmente. Então, se elas têm condições de retirar esse tipo de conteúdo, elas têm condições de tirar qualquer tipo de conteúdo que esteja prejudicando a sociedade, o consumidor e o usuário que está ali dentro”, afirma Marie Santini. Anúncios falsos se espalham pelas redes sociais e levam usuários a caírem em golpes Reprodução/TV Globo LEIA TAMBÉM Meta faturou US$ 16 bilhões com anúncios de golpes e produtos ilegais em 2024, diz agência Meta anuncia processos contra deepfakes no Brasil e na China

Câmara de Santos aprova criação de quatro novos cargos; veja quais são

Publicado em: 14/03/2026 20:15

Câmara Municipal de Santos, no litoral de São Paulo Arquivo/A Tribuna Jornal A Câmara Municipal de Santos, no litoral de São Paulo, aprovou um projeto que cria quatro novos cargos no quadro do Legislativo. A proposta também extingue outras quatro funções que estavam vagas, com o objetivo de adequar a estrutura administrativa às demandas atuais, segundo a própria Câmara. O projeto foi aprovado na quinta‑feira (12) e apresentado pela Mesa Diretora, formada pelo presidente Adilson Júnior (PP) e pelos secretários Adriano Piemonte (União) e Maurício Campos (Republicanos). ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Com a mudança, passam a integrar o quadro do Legislativo os cargos de controlador legislativo, engenheiro, arquiteto e analista de gestão documental. Em contrapartida, foram extintos os cargos de analista de recursos humanos, assistente legislativo, auxiliar administrativo e telefonista, todos sem ocupantes no momento da votação. Os vereadores afirmaram que a proposta busca modernizar a estrutura da Câmara, substituindo funções que exigiam ensino médio completo por cargos de nível superior, considerados mais compatíveis com as atuais necessidades administrativas. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Funções e ingresso De acordo com a Câmara Municipal, o ingresso nos novos cargos ocorrerá exclusivamente por meio de concursos públicos, que ainda serão publicados. Haverá uma vaga para cada função criada, todas destinadas a servidores efetivos. Segundo o Legislativo, os cargos de engenheiro e arquiteto são necessários para acompanhar obras, intervenções e manutenções nas dependências da Câmara. Já o controlador legislativo atende a apontamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE), com o objetivo de fortalecer o sistema de controle interno. O cargo de analista de gestão documental, por sua vez, busca aprimorar a organização e preservação do acervo institucional, em atendimento a recomendações do Ministério Público sobre a gestão de documentos públicos. Em nota, a Câmara informou que a reorganização administrativa pretende fortalecer áreas técnicas, além de garantir maior eficiência e transparência na gestão do Legislativo municipal. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

Palavras-chave: câmara municipal

'Corte uma cabeça e outras crescerão': por que regime iraniano segue difícil de derrubar

Publicado em: 14/03/2026 20:09

Especialistas afirmam que estrutura de poder do Irã garante longevidade do regime. Getty Images via BBC Mais de quarenta anos após a Revolução de 1979, a República Islâmica do Irã enfrenta a crise mais grave de sua história. Ataques aéreos conjuntos dos Estados Unidos e de Israel mataram o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, e outros altos comandantes militares, além de danificar infraestrutura essencial. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Washington e Tel Aviv deixaram claro que desejam uma mudança de regime, incentivando os iranianos a derrubar seu governo. Ainda assim, especialistas afirmam que o Irã construiu deliberadamente uma estrutura de poder robusta e duradoura, difícil de ser desmantelada. O que explica essa resiliência — e por que ela difere da de outros países do Oriente Médio? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 'Hidra iraniana' Quem detém o poder no Irã BBC Desde a derrubada da monarquia iraniana, a República Islâmica construiu gradualmente um sistema político projetado para resistir a crises, dizem especialistas. Esse sistema combina instituições rigidamente controladas, doutrinação ideológica, coesão das elites e uma oposição fragmentada. "É uma estrutura semelhante à Hidra (monstro mitólogico com corpo de dragão e várias cabeças de serpente, que renasciam quando cortadas): você corta uma cabeça e outras crescem", diz Sébastien Boussois, pesquisador de Oriente Médio no Instituto Geopolítico Europeu, na Bélgica. No domingo, Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei, foi escolhido como seu sucessor, menos de duas semanas após a morte do pai. Espera‑se que ele continue a linha dura do pai. Novo Líder Supremo, Mojtaba Khamenei, tende a manter linha dura adotada por seu pai. Getty Images via BBC 'Poliditadura' Especialistas afirmam que, ao contrário de países do Oriente Médio ou do Norte da África, como Tunísia, Egito e Síria — onde líderes foram derrubados — o Irã conseguiu resistir mais eficazmente a pressões externas graças a um aparato de segurança fortemente motivado por ideologia. Segundo Bernard Hourcade, ex‑diretor do Instituto Francês de Pesquisa no Irã, sediado em Teerã, o país não funciona como uma ditadura tradicional centrada em um único líder, mas como uma "poliditadura": uma aliança entre defensores do islamismo político e um intenso nacionalismo iraniano. O poder é distribuído entre diversas esferas — instituições clericais, forças armadas e setores estratégicos da economia — o que torna o sistema muito mais difícil de derrubar do que regimes baseados em um líder único. Entre os órgãos mais influentes está o Conselho dos Guardiões, responsável por vetar leis e filtrar candidatos para as eleições, reduzindo ainda mais as chances de qualquer facção desafiar seriamente o Estado. Embora o Irã seja amplamente classificado como uma autocracia, oferece aos cidadãos a possibilidade simbólica de votar em algumas eleições, incluindo a escolha do presidente. No entanto, o processo é rigidamente controlado, com candidatos avaliados pelo Conselho dos Guardiões segundo critérios como lealdade à República Islâmica. O papel central da Guarda Revolucionária Se as instituições formam o esqueleto do regime, as forças de segurança são amplamente vistas como o seu músculo. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI), que atua paralelamente ao exército regular, é frequentemente descrito como a "espinha dorsal do regime", afirma Hourcade. Além de sua função militar, a Guarda tornou‑se uma potência política e econômica, com vastos interesses empresariais e influência exercida por meio da milícia Basij, uma organização paramilitar voluntária. Um ponto crucial é que as forças de segurança permaneceram unificadas diante de sucessivas ondas de protestos. Para Boussois, essa coesão está profundamente ligada à ideologia: "Essa cultura de martírio presente entre os xiitas e em grupos como Hamas e Hezbollah é quase considerada parte do trabalho", afirma. O vice‑ministro da Defesa, Reza Talaeinik, declarou recentemente à TV que cada comandante da Guarda tem sucessores designados até três níveis abaixo, garantindo continuidade operacional. Kasra Aarabi, chefe de pesquisa sobre a Guarda na organização americana United Against Nuclear Iran, argumenta que a estrutura descentralizada do Irã foi moldada pelas lições do colapso das forças iraquianas em 2003, durante a invasão liderada pelos EUA. Se o regime continuar de pé, ele acredita que "a Guarda terá um papel ainda mais importante". Redes de patronagem e coesão das elites Grande parte da economia iraniana é controlada por organizações ligadas ao Estado, como as bonyads — fundações de caridade que, ao longo do tempo, passaram a comandar milhares de empresas em diversos setores. Essas redes distribuem empregos e contratos a grupos leais ao regime. O vasto império empresarial da Guarda Revolucionária, que inclui o conglomerado Khatam al‑Anbia, reforça esse sistema de patronagem. Embora as sanções ocidentais tenham causado danos profundos à economia iraniana, essas estruturas ajudam a proteger as elites e a preservar seu interesse na continuidade do sistema, afirmam especialistas. Segundo Boussois, o arranjo é "tão sólido que quase não vemos deserções". Ideologia e o legado da revolução A religião também desempenha um papel central na preservação do poder no Irã. A revolução estabeleceu uma rede duradoura de instituições religiosas, políticas e educacionais que continuam moldando a visão de mundo do Estado. "Essa estrutura muito antiga e muito poderosa — ideológica, burocrática, administrativa — torna o sistema forte", afirma Boussois. Para ele, a ideologia "funciona como uma verdadeira fonte de unidade, vocação e recrutamento". Uma oposição dividida Historicamente, a oposição iraniana tem sido marcada pela fragmentação. Ela reúne reformistas, monarquistas, grupos de esquerda, movimentos da diáspora — como o Conselho Nacional de Resistência do Irã — e diversas organizações étnicas. Essa divisão não é recente, observa Ellie Geranmayeh, pesquisadora sênior do Conselho Europeu de Relações Exteriores. Após a revolução, o debate sobre a criação de partidos políticos foi deixado de lado, em grande parte porque o país entrou em guerra com o Iraque em 1980, conflito que durou quase oito anos. Segundo Geranmayeh, ao longo do tempo, facções moderadas foram "marginalizadas, desacreditadas ou presas" tanto pelo regime quanto por grupos linha‑dura. Houve grandes ondas de protestos contra o governo — como o Movimento Verde de 2009 e as manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini em 2022 —, mas esses movimentos careciam de liderança centralizada e foram duramente reprimidos. A onda mais recente de protestos, neste e no último ano, foi impulsionada por apelos do filho exilado do último xá (rei). O Irã também mantém um dos sistemas de vigilância mais sofisticados da região, recorrendo a desligamentos frequentes da internet, monitoramento por Inteligência Artificial e unidades cibernéticas que visam ativistas no exterior. Cautela pública — e por que ela começa a se desgastar Por muitos anos, grande parte da população iraniana hesitou em pressionar por uma mudança de regime, influenciada pelo que viu nas intervenções lideradas pelos EUA no Afeganistão e no Iraque, afirma Geranmayeh. A Primavera Árabe reforçou ainda mais essa cautela. Segundo ela, porém, esse cálculo mudou. Muitos iranianos passaram a sentir que o Estado já não consegue garantir necessidades básicas — de empregos a água potável — ao mesmo tempo em que intensifica a repressão violenta. A brutal repressão de janeiro contra uma nova onda de protestos — na qual milhares foram mortos após algumas das maiores manifestações já vistas no país — acelerou essa mudança, acrescenta. Hourcade observa ainda a existência de um "fosso geracional" na forma como os iranianos enxergam o regime. Os mais jovens, muitos deles altamente educados, conectados ao mundo e influenciados pelas redes sociais, rejeitam o sistema, que consideram "corrupto, opressivo e irrelevante para suas aspirações", argumenta. 'Todo regime acaba um dia' Analistas afirmam que regimes autoritários tendem a cair quando três condições se alinham: Mobilização em massa Divisões entre as elites governantes Deserções das forças de segurança No passado, o Irã frequentemente experimentou a primeira, mas não as outras duas, dizem especialistas. Hourcade acredita que o fim da República Islâmica é inevitável, mas não iminente. "Todo regime acaba um dia. A verdadeira questão é o tempo — a cronologia." Ele argumenta que a morte de Khamenei foi um grande golpe para o regime. "Não haverá outro como ele. Seu substituto nunca terá a autoridade que Khamenei teve." Mas Boussois diz que a queda da República Islâmica está longe de ser certa. Se acontecer e for desencadeada por intervenção militar estrangeira, o que vier depois pode ser pior, afirma. Trump disse anteriormente ao jornal americano New York Times que a captura do ex‑presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA seria o "cenário perfeito" para o Irã. Mas Boussois afirma: "O oposto pode ocorrer — como na Coreia do Norte ou em Cuba — um fortalecimento do núcleo duro do regime."

Palavras-chave: inteligência artificial

Sistema de abastecimento de água encanada chega a famílias de comunidade em Aveiro

Publicado em: 14/03/2026 19:25

Rodrigo Sousa, gestor de núcleo/PSA, fala um pouco sobre a entrega das sisternas Famílias da aldeia e comunidade de Escrivão, no município de Aveiro, no oeste do Pará, passaram a contar com água encanada após a implantação de um microssistema de abastecimento que utiliza energia solar para garantir o funcionamento contínuo do sistema. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Na casa da moradora Mirela Tupinambá, a água já chega à caixa d’água, facilitando atividades do cotidiano, como lavar louça e manter a casa abastecida. A moradora relatou que o acesso à água era mais difícil, principalmente durante o período de seca. “Era um pouco difícil, principalmente na parte da seca, que a dificuldade era maior para nós. Agora, com esse novo abastecimento, vai melhorar bastante a nossa vida.” O sistema começou a transformar a realidade de 64 famílias da comunidade. A estrutura inclui quatro caixas d’água, um poço profundo de 152 metros e um sistema híbrido de bombeamento que combina energia solar e diesel para manter o fornecimento de forma contínua. serviço leva mais dignidade aos moradores e conta, agora, com energia solar para que o seu funcionamento aconteça de forma contínua Reprodução/TV Tapajós Segundo o gestor de núcleo do programa, Rodrigo Sousa, a entrega integra o Programa Cisternas, política pública vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. “Hoje estamos aqui na comunidade do Escrivão comemorando mais uma entrega do programa. São 64 tecnologias que representam mais qualidade de vida, mais dignidade e o direito de acesso à água potável.” O presidente do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA), Lucas Tupinambá, destacou que o projeto garante água potável diretamente às famílias que mais precisam. “É um projeto que traz dignidade a essas famílias, levando água potável diretamente para quem realmente necessita.” Para o presidente da comunidade Escrivão, Fábio Marques, a manutenção do sistema será uma responsabilidade coletiva dos moradores. “A gente vai cuidar desse microssistema de água para o resto da vida, porque sabemos que isso é muito importante para nós.” Antes da implantação da estrutura, os moradores precisavam percorrer longas distâncias para buscar água em fontes naturais, muitas vezes sem tratamento. O cacique Antônio Pereira lembrou das dificuldades enfrentadas diariamente. Ele contou que as famílias precisavam descer uma grande ladeira até um olho d’água para encher vasilhas e depois subir novamente com a água para casa. A liderança comunitária Maria José Caetano afirmou que a conquista é resultado de uma mobilização iniciada há décadas pelas comunidades da região.Ela explicou que a luta por melhorias começou ainda na década de 1990 e que projetos anteriores não atendiam todas as famílias. Com a ampliação do sistema, o acesso à água potável deve trazer benefícios diretos para a saúde e para a qualidade de vida da população. O técnico em organização comunitária do programa, João Carlos disse que a região enfrentava dificuldades devido ao relevo montanhoso, o que dificultava a chegada da água às residências. Abastecimento muda a realidade de famílias em uma aldeia de Aveiro VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região

Palavras-chave: tecnologia

Meu Pet Amazonas: aplicativo é lançado para agendar castração e denunciar maus-tratos

Publicado em: 14/03/2026 18:44

Aplicativo Meu Pet Amazonas permite solicitar castração e denunciar maus-tratos pelo celular no estado. Foto: Divulgação/Sepet-AM Moradores do Amazonas já podem acessar pelo celular serviços públicos voltados à causa animal. O aplicativo 'Meu Pet Amazonas', lançado neste sábado (14), Dia Nacional dos Animais, reúne agendamento de castração, cadastro digital de pets e orientações sobre cuidados veterinários. A ferramenta foi desenvolvida em parceria com o Sasi e marca o primeiro ano da Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet). Entre os serviços disponíveis estão o agendamento de castração pelo projeto Castramóvel, cadastro digital dos animais, confirmações de atendimento e orientações sobre cuidados antes e depois das cirurgias. O app também oferece canal para denúncias de maus-tratos e espaço para divulgação de animais disponíveis para adoção. A ideia é ampliar o acesso da população aos serviços da secretaria e fortalecer a comunicação com os cidadãos. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a secretária da Sepet, Joana Darc, a iniciativa moderniza as políticas públicas voltadas aos animais no estado. “A tecnologia tem um papel fundamental para aproximar a população dos serviços públicos. Com o Meu Pet Amazonas, as pessoas poderão acessar informações, solicitar atendimentos e contribuir com a proteção animal de forma rápida e prática, diretamente pelo celular”, disse. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como acessar Para usar o Meu Pet Amazonas, basta seguir os passos abaixo: baixar o aplicativo Sasi Pro, disponível para Android e iOS; criar uma conta e inserir o código MEUPET para liberar o acesso. No sistema, é possível cadastrar os animais, solicitar castração e acompanhar outras ações da secretaria. O aplicativo também ajuda a organizar os processos internos da Sepet. Além de facilitar o acesso da população, o app vai reunir dados sobre os atendimentos, o que deve ajudar no planejamento e no fortalecimento das políticas públicas de proteção animal.

Palavras-chave: tecnologia

Chuvas fortes causam alagamentos e transtornos em bairros de Rio das Ostras

Publicado em: 14/03/2026 18:02

Chuva intensa volta a causar alagamentos em Rio das Ostras As fortes chuvas que atingiram a cidade de Rio das Ostras, na Região dos Lagos do Rio, na tarde de sexta-feira (13) provocaram alagamentos e transtornos em diversos bairros do município. Moradores registraram ruas completamente tomadas pela água, o que dificultou a passagem de pedestres e veículos em diferentes pontos da cidade. Em alguns locais, a situação ficou ainda mais complicada. Segundo relatos de moradores, o grande volume de água fez com que o esgoto retornasse para as ruas, provocando mau cheiro e aumentando o risco de contaminação. Vídeos e imagens feitos pela própria população mostram vias alagadas, principalmente em áreas onde o sistema de drenagem costuma apresentar problemas durante períodos de chuva mais intensa. 📱 Siga o canal do g1 Região dos Lagos no WhatsApp. Ruas e praças alagadas em Rio das Ostras após chuvas Reprodução Inter TV Moradores afirmam que os alagamentos se repetem sempre que há temporais e cobram soluções para melhorar o escoamento da água e evitar novos transtornos. Em nota, a Prefeitura de Rio das Ostras informou que foram registradas pancadas fortes de chuva, com maior impacto nos bairros da região norte da cidade. De acordo com a Defesa Civil municipal, o volume chegou a 50 milímetros em um intervalo de três horas, o que provocou alguns pontos de alagamento em diferentes localidades. Apesar dos transtornos, segundo a prefeitura, não houve registro de desalojados, desabrigados ou qualquer tipo de impacto social relacionado a esse episódio. O município informou ainda que os alagamentos também são consequência das chuvas recentes, que mantêm o solo saturado e tornam o escoamento da água mais lento em algumas áreas. A administração municipal destacou que equipes e máquinas atuaram antes, durante e após as chuvas em várias localidades da cidade para minimizar os impactos e garantir uma resposta mais rápida à população. A prefeitura informou ainda que pretende encaminhar à Câmara Municipal um projeto de lei para conceder um auxílio emergencial no valor de R$ 1.600 a famílias em situação de vulnerabilidade atingidas pela maior chuva já registrada no município, no dia 26 de fevereiro, evento que levou a cidade a decretar estado de emergência. O benefício tem como objetivo ajudar na reposição de móveis, eletrodomésticos e outros itens essenciais perdidos. A concessionária responsável pelo saneamento no município, a Rio+Saneamento, informou que acompanha os impactos das chuvas na cidade. Segundo a empresa, em períodos de precipitação intensa podem ocorrer situações pontuais, como a entrada de objetos estranhos nas redes de esgoto. A concessionária orienta que, caso os moradores identifiquem algum problema, a ocorrência seja registrada pelos canais oficiais de atendimento, pelo telefone ou WhatsApp 0800 772 1027 ou pelo site da empresa, para que a situação possa ser avaliada e as providências necessárias sejam adotadas. A empresa também reforçou a importância de que os imóveis mantenham separadas as redes de drenagem da chuva e de esgoto, evitando sobrecarga no sistema.

Palavras-chave: câmara municipal

Lei oficializa nome de Zezé Garcia para a Passarela do Samba em Juiz de Fora

Publicado em: 14/03/2026 17:42

José Francisco Garcia, o Zezé Garcia, é considerado embaixador do samba na cidade TV Integração/Reprodução Foi sancionada nesta semana a Lei nº 15.348, que denomina Passarela do Samba José Francisco Garcia – Zezé Garcia os espaços públicos destinados aos desfiles das escolas de samba e às manifestações culturais do carnaval em Juiz de Fora. A lei homenageia o carnavalesco José Francisco Garcia, considerado embaixador do samba na cidade, e é fruto de um projeto de autoria da vereadora Kátia Franco (PSB), aprovado pela Câmara Municipal e sancionado pela prefeita Margarida Salomão (PT). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp De acordo com o texto, a homenagem não se limita a um endereço fixo. A denominação se aplica a qualquer espaço público designado pelo Poder Executivo para desfiles, seja em caráter permanente ou temporário. Também deverá receber a denominação qualquer local que venha a ser futuramente escolhido para sediar oficialmente as festividades carnavalescas da cidade. A lei estabelece ainda que o nome de Zezé Garcia constará em todos os documentos oficiais, programações e divulgações relacionadas ao carnaval de Juiz de Fora. Quem foi José Francisco Garcia Zezé Garcia, lenda do carnaval juiz-forano, morre aos 86 anos Nascido em 19 de março de 1935, Zezé Garcia foi uma das figuras mais emblemáticas do carnaval mineiro, com uma trajetória que une a tradição de Juiz de Fora ao brilho da Sapucaí, no Rio de Janeiro. Em 1966, marcou época ao desfilar como baiana pela Turunas do Riachuelo, no primeiro concurso oficial de escolas de samba de Juiz de Fora. Ao se mudar para o Rio de Janeiro, apaixonou-se pela Mangueira e, desde 1985, era presença cativa desfilando na Ala Moana. Zezé deixou marca na história da 'Verde e Rosa' e das agremiações de Juiz de Fora, sendo um dos guardiões da memória do samba na região. Ele morreu em 2024, aos 86 anos. LEIA TAMBÉM: Quem era Adenilde Petrina, professora, radialista e referência no movimento negro em Juiz de Fora Real Grandeza é campeã do Carnaval 2026 em Juiz de Fora VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: câmara municipal