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Jovem finge ser amigo de aposentado para aplicar golpes e obter R$ 72 mil fazendo dívidas no nome dele, no Paraná

Publicado em: 03/04/2026 09:37

Homem é indiciado por aplicar golpe de R$ 70 mil Um jovem de 26 anos se aproximou de um aposentado de 59 anos e fingiu ficar amigo dele para aplicar golpes e fazer dívidas de R$ 72 mil no nome da vítima, segundo a Polícia Civil, que divulgou a finalização do inquérito nesta quinta-feira (2). O caso aconteceu em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná O delegado Gabriel Munhoz afirma que o rapaz "utilizou-se de extrema manipulação para conquistar a confiança" do aposentado e utilizou o celular da vítima para contrair empréstimos e abrir contas bancárias de forma fraudulenta. Saiba mais abaixo. ✅ Clique aqui e siga o canal do g1 PR no WhatsApp De acordo com o policial, os golpes foram sendo aplicados ao longo do tempo, mas só foram descobertos no final de 2025, quando a vítima notou descontos sucessivos nos rendimentos de aposentadoria. "Ao ser descoberto e confrontado por mensagens pela família da vítima, o golpista demonstrou total frieza e cinismo. Inicialmente, tentou negar que havia se aproveitado da situação, mas logo em seguida mudou o tom, prometendo que 'daria um jeito de pagar' e que faria depósitos mensais, os quais nunca se concretizaram", conta Munhoz. O delegado também afirma que o suspeito tentou convencê-lo, durante interrogatório, de que o aposentado havia feito os empréstimos para pagá-lo, pois ele estava fazendo uma pequena reforma no banheiro da casa do pai da vítima - no entanto, os valores não condiziam com os preços dos materiais. "Ele tentou convencer a autoridade policial de que a vítima, de forma consciente, havia feito empréstimos de dezenas de milhares de reais, assumindo uma dívida astronômica de juros, apenas para pagar a mão de obra e comprar materiais básicos (como uma furadeira) para a reforma de um simples banheiro, versão que foi completamente afastada. A narrativa fantasiosa do investigado foi desconstruída pelas provas técnicas e extratos bancários anexados ao inquérito, que comprovaram que o dinheiro foi desviado para seu benefício próprio enquanto a vítima era mantida em erro". Comprovantes mostram empréstimos e transferências bancárias Cedidas pela Polícia Civil O jovem foi indiciado pela prática do crime de estelionato, e responde em liberdade. O inquérito foi encaminhado para o Ministério Público, que vai avaliar se formaliza, ou não, a denúncia criminal. O nome do jovem não foi divulgado e, por isso, o g1 não conseguiu identificar a defesa dele. Leia também: Vídeo: Chuva 'transforma' ruas em rios, alaga casas, mata cães e causa transtornos 'Piratas dos Shoppings': Polícia prende membro de gangue que passou a noite em loja, fez buracos no teto e rastejou até joalheria pelo forro para furtá-la Veja vídeo: Crianças precisam atravessar rio a pé todos os dias para ir à escola, no Paraná: 'Não tem ponte' Golpista se aproximou e forçou uma falsa amizade, segundo a polícia Na avaliação do delegado Gabriel Munhoz, as investigações revelaram que o golpista agiu "de forma premeditada e calculista". Ele explica que o jovem se aproveitou do fato de estar realizando uma pequena reforma no banheiro da casa do pai da vítima para estreitar os laços da falsa amizade. "Para criar um ambiente de falsa segurança, o investigado chegou a convidar a vítima de 59 anos para pescarias.Foi justamente em momentos de lazer e distração — como durante a pescaria ou sob o pretexto de 'pegar o celular emprestado para tirar fotos' — que o suspeito colocou o golpe em prática. Valendo-se da falta de familiaridade da vítima com a tecnologia, o golpista acessava o aparelho desbloqueado. Sorrateiramente, ele abriu uma conta em um banco digital em nome do homem mais velho e realizou diversas contratações de empréstimos, sendo um deles no valor de R$ 25 mil, que gerou uma dívida parcelada em 96 vezes de R$ 590. Todo o montante era rapidamente transferido para a conta do próprio golpista". Denúncias Saiba como denunciar crimes no Paraná Denúncias sobre quaisquer situações podem ser repassadas de forma anônima pelos telefones 197, da Polícia Civil, ou, 181, do Disque-Denúncia. Se o crime estiver acontecendo naquele momento e/ou houver alguém em situação de perigo, a Polícia Militar deve ser acionada pelo telefone 190. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias da região em g1 Campos Gerais e Sul

Palavras-chave: tecnologia

Filho de Malu Mader e Tony Bellotto deixa cargo na Prefeitura do Rio

Publicado em: 03/04/2026 08:22

Malu Mader e o filho caçula, Antônio Mader Bellotto Reprodução O advogado Antônio Mader Bellotto, de 28 anos, filho caçula da atriz Malu Mader e do músico Tony Bellotto, pediu exoneração do cargo de assessor na Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação da Prefeitura do Rio de Janeiro. A saída foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (1º). Formado em direito e habilitado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) desde 2022, Antônio acumulou passagens por diferentes funções no município desde 2023. Sua passagem mais recente data de janeiro de 2025, sob gestão da vereadora Tatiana Roque, que também deixou o cargo. Antônio começou como assistente em fevereiro de 2023 e depois assumiu como coordenador na área de Inovação. Em 2024, foi nomeado chefe de gabinete da pasta e, no ano seguinte, passou a atuar como assessor. Durante a trajetória, também integrou comissões ligadas à avaliação de contratos, monitoramento da Lei de Acesso à Informação (LAI) e parcerias estratégicas da secretaria. Não há informações sobre uma eventual candidatura de Bellotto nas eleições de outubro. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: tecnologia

JHC exonera trabalhadores de cargos comissionados de Maceió, com exceção de dois órgãos; confira

Publicado em: 03/04/2026 07:57

João Henrique Caldas, o JHC, prefeito de Maceió Secom Maceió O prefeito João Henrique Caldas (PSDB), o JHC, exonerou quase todos os trabalhadores que ocupavam cargos comissionados de natureza política na capital alagoana. O número de trabalhadores e o motivo das exonerações não foram informados. A determinação foi publicada no Diário Oficial do Município (DOM) de quinta-feira (2), quando entrou em vigor. Clique aqui para conferir o DOM Ficaram de fora das exonerações os ocupantes dos cargos de natureza política (CNP) da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminfra) e da Assessoria Militar da Prefeitura Municipal de Maceió (AMPMM). A publicação informou também a exoneração de todos os ocupantes dos cargos de provimento em comissão de Direção e Assessoramento Superior (DAS), de Natureza Especial (NES) e de Função Gratificada da Administração Pública Direta e Indireta. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Recentemente, em 31 de março, o prefeito JHC deixou o Partido Liberal (PL) para ocupar a presidência estadual do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). LEIA TAMBÉM: Secretários e diretores deixam governo de Alagoas para disputar eleições; veja nomes O g1 procurou a assessoria de comunicação do gestor para saber se ele será candidato nas eleições de 2026, mas não teve retorno. Ele segue no cargo e, caso deseje participar da corrida eleitoral, tem até sábado, 4 de abril, para realizar a desincompatibilização. 🔎 A desincompatibilização é o afastamento obrigatório, temporário ou definitivo, de autoridades que pretendem disputar cargos eletivos. Os prazos variam entre três e seis meses antes da eleição, dependendo da função ocupada. JHC foi reeleito prefeito de Maceió em 2024, com 379.544 votos, o equivalente a 83,25% dos votos válidos. Ele tem 38 anos, é casado e possui ensino superior completo, com bacharelado em Direito. Outras exonerações Câmara Municipal de Maceió Arquivo Pessoal Além dos cargos comissionados, também foram exonerados os secretários municipais de Esporte (SEMESP), José Eduardo Accioly Canuto, e de Cultura e Economia Criativa (SEMCE), Brivaldo Marques Silva Neto. De acordo com a publicação do DOM, eles pediram para deixar os cargos. Eduardo Canuto e Brivaldo Marques foram eleitos vereadores por Maceió nas eleições de 2024. Com a exoneração dos cargos de secretários municipais, eles voltam para a Câmara Municipal de Maceió (CMM) Ao g1, a assessoria de comunicação da Câmara informou que eles são pré-candidatos em 2026. Eduardo Canuto deve concorrer a uma vaga de deputado federal, enquanto Brivaldo Marques pleiteia o cargo de deputado estadual.

Palavras-chave: câmara municipal

Por que demorou tanto para a Humanidade voltar à Lua?

Publicado em: 03/04/2026 06:51

Astronautas postam primeiro vídeo na missão Artemis II Às 13h24m59s no horário padrão central dos EUA do dia 19 de dezembro de 1972, o módulo de comando da Apollo 17 amerissou no Oceano Pacífico, a cerca de 350 milhas náuticas a sudeste de Samoa, encerrando a última missão tripulada americana à Lua. Durante sua carreira, o comandante da Apollo 17, Eugene A. Cernan, registrou 566 horas e 15 minutos no espaço, das quais mais de 73 horas foram passadas na superfície da Lua. Cernan foi o segundo americano a caminhar no espaço e a última pessoa a deixar suas pegadas na superfície da Lua. A conclusão da jornada da Apollo 17 marcou não apenas o fim de uma missão, mas o fim de uma era. Entre 1969 e 1972, 12 astronautas caminharam na Lua em seis pousos distintos. Meio século depois, a Nasa está retornando à Lua, com seu programa Artemis. Para a missão Artemis II, que foi lançada no dia 1º de abril de 2026, quatro astronautas farão um sobrevoo do lado oculto da Lua dentro de uma cápsula tripulada - a Órion . Trajetória da missão Artemis II Nasa/ Reprodução X Mais de 50 anos é um longo intervalo, e é natural perguntar: se os americanos conseguiam chegar à Lua rotineiramente no início da década de 1970, por que demoraram tanto para tentar voltar? A resposta não é simples. Tem pouco a ver com tecnologia e muito mais com a forma como a política, o dinheiro e o apoio global funcionam. O ponto de partida é o próprio programa Apollo: seu modelo de exploração não foi construído para durar, e claramente não era sustentável. Em 25 de maio de 1961, perante uma sessão conjunta do Congresso americano, o presidente John F. Kennedy comprometeu os EUA com a meta de levar um homem à Lua e trazê-lo de volta em segurança à Terra antes do fim daquela década. Após o assassinato de Kennedy em 1963, o presidente Lyndon B. Johnson garantiu que essa meta de pouso na Lua fosse cumprida. Mas os custos crescentes da Guerra do Vietnã e das reformas internas reduziram o interesse em novos investimentos espaciais. Na verdade, o orçamento da Nasa atingiu seu pico em 1966 e começou a cair mesmo antes do sucesso do programa Apollo, prejudicando as perspectivas de uma exploração sustentável. O financiamento adicional foi rechaçado, missões planejadas foram canceladas e o programa Apollo chegou ao fim em 1972 – não porque tivesse fracassado, mas porque havia cumprido sua missão. A exploração sustentável (tanto no espaço quanto na Terra) requer um compromisso político estável, financiamento previsível e um objetivo claro de longo prazo. Após o Apollo, os EUA tiveram dificuldades para manter esses três aspectos simultaneamente. Os formuladores de políticas começaram a questionar qual direção a Nasa deveria tomar a seguir. Em 1972, o então presidente Richard Nixon instruiu a agência espacial a iniciar a construção do ônibus espacial. Isso levaria a Nasa a mudar seu foco da exploração do espaço profundo para operações na baixa órbita terrestre. Divulgado como um “caminhão espacial” reutilizável, o ônibus espacial tinha como objetivo tornar o acesso à órbita da Terra algo rotineiro e relativamente barato. Mas ele acabaria se revelando um veículo de incrível complexidade, marcado por falhas técnicas e tragédias humanas – os acidentes com o Challenger e o Colúmbia, nos quais 14 astronautas perderam a vida. Oito anos após o início do programa do ônibus espacial, alguns integrantes da comunidade aeroespacial acreditavam que era hora dos EUA voltarem a mirar a Lua – e a perspectiva tentadora de um pouso em Marte. Em 20 de julho de 1989, no 20º aniversário do primeiro pouso lunar da Apollo 11, o presidente George H.W. Bush anunciou a Iniciativa de Exploração Espacial (SEI). Foguete da missão Artemis II no ar após decolagem do Cabo Canaveral. REUTERS/Brendan McDermid O plano visava um compromisso de longo prazo para construir a Estação Espacial Freedom, levar astronautas de volta à Lua “para ficar” e, finalmente, enviar humanos ao planeta vermelho. Mas os altos custos estimados da SEI, que chegavam a centenas de bilhões de dólares, levaram ao seu fracasso. O fraco apoio no Congresso, juntamente com outros fatores, levou ao seu cancelamento durante o governo do presidente Bill Clinton. Durante a década de 1990, o projeto da Estação Espacial Internacional (ISS) consolidou a baixa órbita terrestre como prioridade para a exploração humana. O ônibus espacial foi o meio utilizado pelos EUA para construir a estação e transportar tripulações de e para o posto avançado em órbita. A ISS tornou-se um símbolo de cooperação científica internacional e de proeza técnica. As experiências realizadas na estação geraram insights valiosos em tudo, desde a pesquisa médica até a ciência de materiais. Mas também consumiram recursos que, de outra forma, poderiam ter apoiado a exploração do espaço profundo. O desastre do Colúmbia em 2003 – no qual o ônibus espacial se desintegrou sobre o Texas, causando a morte de toda a tripulação – levou a uma nova reflexão sobre a direção da exploração espacial nos Estados Unidos. Como resultado, o presidente George W. Bush anunciou a Visão para a Exploração Espacial. O objetivo dessa proposta, que daria origem ao que ficou conhecido como Programa Constellation, era reconstruir a capacidade da Nasa de chegar à Lua, tendo Marte como meta de longo prazo. Mas análises independentes alertaram que os custos e cronogramas eram irreais. O Congresso americano nunca deu apoio financeiro total ao Constellation, levando ao seu cancelamento em 2010, durante a Presidência de Barack Obama. Esse ciclo repetido de projetos espaciais cancelados expõe algumas limitações inerentes ao sistema de financiamento da exploração lunar. Um programa lunar sustentável precisa de um forte compromisso multissetorial e de mecanismos para garantir financiamento por várias décadas. Mas programas de tal magnitude precisam competir anualmente com gastos com defesa, saúde e assistência social. A rotatividade eleitoral e as mudanças na liderança das comissões nos EUA enfraquecem ainda mais a perspectiva de continuidade. A exploração lunar também tem sofrido com uma questão estratégica não resolvida: por que voltar, afinal? O objetivo do programa Apollo era em grande parte geopolítico e, após a Guerra Fria, nenhuma justificativa igualmente convincente realmente surgiu. Artemis II: cápsula Orion deixa órbita da Terra em direção à Lua NASA via AP Os retornos científicos das missões espaciais tripuladas são limitados em comparação com a exploração robótica. As perspectivas comerciais permanecem incertas, e o prestígio por si só raramente sustenta ou garante grandes orçamentos. Talvez uma pergunta mais adequada seja: por que o Artemis parece ter escapado desse padrão? Bem, a Nasa argumenta que enviar astronautas de volta à superfície lunar – e, em particular, estabelecer uma presença sustentada lá – ajudará os pesquisadores a aprender “como viver e trabalhar em outro mundo enquanto nos preparamos para missões tripuladas a Marte”. Isso é verdade, até certo ponto. A Nasa também enfatiza que o Artemis será construído por meio de parcerias comerciais e cooperação internacional, criando a primeira presença humana de longo prazo na Lua. O programa parece situar-se numa interseção cuidadosamente elaborada entre a liderança do governo dos EUA, as capacidades de lançamento comercial e uma ampla coalizão de parceiros internacionais reunidos sob os Acordos Artemis. Os acordos são um conjunto de princípios comuns relativos ao uso da Lua e de outros alvos no espaço sideral, acertados entre os EUA e outros países. A principal diferença em relação às promessas anteriores de retornar à Lua é que isso, pelo menos em teoria, distribui o risco e amplia a base de apoio político. Na prática, porém, o Artemis continua sendo caro e está exposto a mudanças nos orçamentos e nas prioridades. Há também uma dimensão cultural nessa questão. O programa Apollo criou um mito poderoso – embora frágil – de avanço tecnológico rápido e heroico. O Artemis está construindo sua ampla base tecnológica em sociedades e contextos democráticos onde investimentos e compromissos tendem a evoluir lentamente, moldados por negociações, acordos e interesses concorrentes. Se o Artemis for bem-sucedido, será porque todos os incentivos políticos, econômicos, sociais e científicos finalmente se alinharam de forma duradoura. Mas, até que esse alinhamento seja comprovado, o intervalo de 50 anos entre o Apollo e o Artemis é menos um quebra-cabeça de engenharia do que um lembrete de como a exploração espacial sustentada é difícil para as democracias modernas. Domenico Vicinanza não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

Palavras-chave: tecnologia

As doenças antes incuráveis que estão ganhando tratamentos graças à IA

Publicado em: 03/04/2026 06:45

A inteligência artificial está inventando novos remédios contra Parkinson, superbactérias resistentes a antibióticos e muitas doenças raras Getty Images/BBC Há cerca de um século, a humanidade vem perdendo lentamente a batalha contra as bactérias. Nossas armas mais poderosas nesta luta são os antibióticos. Mas a resistência vem se espalhando, fazendo com que eles se tornem cada vez menos eficazes. Atualmente, cerca de 1,1 milhão de pessoas morrem todos os anos de infecções que, até recentemente, eram facilmente tratadas. E este número deve aumentar para mais de oito milhões até 2050, a menos que sejam tomadas medidas urgentes. Mas o desenvolvimento de novos antibióticos é um processo lento, caro e frustrante. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Entre 2017 e 2022, apenas 12 novos antibióticos foram aprovados para uso. A maioria deles é similar a tipos já existentes, aos quais as bactérias já estão desenvolvendo resistência. A falta de financiamento e de interesse das companhias farmacêuticas fez com que este campo fosse cronicamente negligenciado. Mas, agora, os pesquisadores estão tentando solucionar este problema. E alguns deles apostam na inteligência artificial (IA) para ajudá-los. "Em questão de dias ou horas, podemos examinar imensas bibliotecas" de compostos químicos para identificar quais exibem atividade antibacteriana", afirma o professor de ciências e engenharia médica James Collins, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês) na cidade de Cambridge, nos Estados Unidos. Com a ajuda da IA, Collins e sua equipe já descobriram dois novos compostos que poderão se tornar armas vitais contra a gonorreia e a Staphylococcus aureus resistente à meticilina (SARM), duas infecções altamente resistentes aos medicamentos atuais. Este é apenas um exemplo de como a IA vem abrindo uma nova era de descoberta de medicamentos, que promete trazer progressos em relação a alguns dos problemas médicos de mais difícil tratamento dos tempos atuais. Os cientistas, agora, empregam a IA para examinar condições sem cura conhecida, como Parkinson, e milhares de doenças raras, na esperança de novas descobertas. Collins e sua equipe treinaram um modelo de IA generativa para reconhecer as estruturas químicas de antibióticos conhecidos. Isso permitiu que o algoritmo aprendesse o que causa a morte das bactérias. Em seguida, os pesquisadores usaram a IA para examinar mais de 45 milhões de estruturas químicas diferentes, determinando sua capacidade de combater as bactérias Neisseria gonorrhoeae, a causadora da gonorreia, e Staphylococcus aureus, uma fonte significativa de infecções na forma de SARM. A equipe de James Collins usa a IA para identificar novos compostos que possam matar diversas bactérias (acima) resistentes a outros medicamentos (embaixo) Getty Images/BBC Estas duas bactérias são altamente resistentes às drogas. A gonorreia, por exemplo, consegue escapar de quase todos os remédios usados para o seu tratamento. Com isso, o número de antibióticos disponíveis como último recurso contra cada uma delas é cada vez menor. E o método empregado por Collins usa a IA para criar compostos inteiramente novos para combatê-las. Em uma das técnicas, ele selecionou uma molécula como ponto de partida e empregou uma combinação de técnicas de IA generativa para desenvolvê-la, "acrescentando ligações, átomos e subestruturas", explica ele. A cada estágio crítico, o seu modelo de IA treinado avaliava o composto. "Este composto se parece com um antibiótico? Está chegando perto de um possível antibiótico?" Outra abordagem envolveu a eliminação do composto inicial, permitindo que a IA navegasse livremente desde o princípio. Desta forma, Collins e seus colegas projetaram 36 milhões de compostos com uso potencial contra as bactérias e selecionaram 24 deles para síntese em laboratório. Destes, sete apresentaram alguma atividade antimicrobiana e dois foram altamente eficazes para matar linhagens das duas bactérias resistentes a outros tipos de antibióticos. É importante destacar que os compostos aparentemente atacam as bactérias de formas diferentes dos antibióticos já existentes. Isso aumenta a esperança de que eles venham a formar uma nova classe de medicamentos, capaz de superar as defesas das bactérias resistentes a drogas. As duas substâncias se encontram atualmente em fase de testes. Collins e seu laboratório já haviam empregado a IA para descobrir outros compostos antibióticos poderosos e inovadores, que matam uma ampla variedade de bactérias resistentes aos tratamentos. Elas incluem Clostridium difficile, uma infecção intestinal comum, e Mycobacterium tuberculosis, causadora da tuberculose. Mas, para algumas doenças, os pesquisadores não têm a possibilidade de partir de remédios existentes para ajudá-los a descobrir novos tratamentos. Por isso, eles precisam se basear nos conhecimentos existentes sobre a doença. E, em alguns casos, estes conhecimentos oferecem poucos pontos de partida. Progresso sobre Parkinson A doença de Parkinson foi identificada pela primeira vez em 1871. E, mais de dois séculos depois, ainda não existe tratamento que reduza a sua progressão. Existem mais de 10 milhões de pacientes com Parkinson em todo o mundo e seu número vem aumentando em países que enfrentam o envelhecimento da população. No Reino Unido, cerca de uma a cada 37 pessoas será diagnosticada em algum momento da vida. Nos Estados Unidos, até um milhão de pessoas vivem atualmente com a doença. No Brasil, estima-se que 200 mil pessoas sofram da doença de Parkinson, segundo o Ministério da Saúde. As contínuas tentativas de tratamento de Parkinson foram marcadas pelo fracasso. Parte do motivo é que ainda não conhecemos as causas da doença. "Existem debates sem fim sobre a origem da doença", segundo o professor de biofísica Michele Vendruscolo, um dos diretores do Centro de Doenças Causadas pelo Desdobramento Incorreto de Proteínas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. "Se você for a uma conferência sobre Parkinson, ouvirá dezenas de hipóteses diferentes, todas elas sendo ativamente pesquisadas", explica ele. Isso dificulta incrivelmente o desenvolvimento de um medicamento para evitar a doença. Existe uma enorme quantidade de testes clínicos investigando diferentes hipóteses. Mas, até o momento, não houve sucesso, segundo Vendruscolo. "As pessoas realmente estão confusas sobre qual deve ser o objetivo", afirma ele. "E, mesmo se você souber qual é o alvo, costuma ser muito difícil tentar atingi-lo." Mas, em 2024, Vendruscolo e seus colegas publicaram um estudo empregando aprendizado de máquina (uma forma de inteligência artificial) para buscar possíveis medicamentos capazes de agir sobre os grupos de proteínas desdobradas incorretamente no cérebro, encontradas em pacientes com Parkinson. Acredita-se que esses conjuntos de proteínas, conhecidos como corpos de Lewy, participem dos estágios iniciais da neurodegeneração em pacientes com Parkinson, eventualmente gerando sintomas que incluem tremores, lentidão de movimentos e rigidez muscular. Atualmente, o tratamento mais eficaz contra o Parkinson é o medicamento levodopa, que ajuda a melhorar os sintomas da doença. Mas ele também pode causar efeitos colaterais, como movimentos involuntários. Vendruscolo trabalha para suspender a progressão da doença. Ele e sua equipe começaram com um conjunto de compostos que já havia sido identificado como potencialmente eficaz para o tratamento dos corpos de Lewy. O pesquisador alimentou esses compostos em um programa de aprendizado de máquina, que extrapolou suas estruturas químicas para propor novos compostos que também poderão ser eficazes. David Fajgenbaum tenta encontrar novas curas entre medicamentos já existentes, desde que descobriu um tratamento para sua própria doença rara entre remédios aprovados para outros usos Getty Images/BBC Para o tratamento de doenças neurodegenerativas, como Parkinson, os medicamentos precisam ser suficientemente pequenos para poderem atravessar a barreira hematoencefálica. Mas, mesmo se os cientistas restringirem sua caça às moléculas pequenas, "a quantidade de opções ainda será gigantesca", explica Vendruscolo. "O número de possíveis moléculas pequenas é muito maior que o número de átomos do Universo." O poder da IA pode reduzir esta busca com muita rapidez. "Podemos analisar estes dados e fazer previsões muito precisas sobre a forma em que as possíveis moléculas se unem ao alvo em escala impensável até alguns anos atrás", segundo Vendruscolo. Com os métodos mais tradicionais, os cientistas podem selecionar cerca de um milhão de moléculas em seis meses, ao custo de vários milhões de dólares. "Agora, você pode fazer o mesmo em poucos dias e selecionar bilhões de moléculas, ao custo de alguns milhares de dólares", explica ele. Os compostos de Vendruscolo, sugeridos por IA, foram testados em laboratório. "Nós avaliamos quais dos candidatos realmente se ligam [aos corpos de Lewy] e retroalimentamos esta informação para o programa de aprendizado de máquina, para que ele possa aprender com seus próprios erros." Por fim, eles identificaram cinco novos compostos promissores com mais rapidez e eficácia do que as técnicas convencionais. Os compostos identificados pela IA também foram muito mais inovadores que os encontrados usando métodos de desenvolvimento mais tradicionais, segundo Vendruscolo. Agora, os compostos estão passando por novos testes para determinar se, um dia, eles poderão ser oferecidos como produtos terapêuticos para pacientes com Parkinson. Vendruscolo espera que a IA possa ajudar a suspender a doença de Parkinson antes do seu início. Ele utiliza a tecnologia para encontrar moléculas pequenas que se liguem às proteínas individuais que formam os corpos de Lewy, ainda no seu estado normal. "Se pudermos estabilizar as proteínas nesta forma, evitaremos o Parkinson, o que é melhor que sua cura", afirma ele. Novos usos para medicamentos antigos O tratamento de doenças nem sempre significa criar novos medicamentos. O professor de medicina David Fajgenbaum, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, conseguiu salvar sua própria vida com um medicamento existente que os médicos nunca teriam receitado para ele. Aos 25 anos de idade, Fajgenbaum foi diagnosticado com um raro subtipo de um transtorno conhecido como doença de Castleman, que aciona uma reação imunológica, causando mau funcionamento do fígado, dos rins e da medula óssea. Ele não reagiu a nenhum dos tratamentos disponíveis e os médicos disseram que não sabiam o que fazer. Depois de semanas de testes com seu próprio sangue, pesquisando a literatura médica e tratando a si próprio como uma cobaia humana, ele acabou encontrando uma possível salvação: um modesto medicamento chamado sirolimo, normalmente administrado a pessoas que recebem doação de rins, para evitar a rejeição do novo órgão. Para surpresa dos seus médicos, ele usou o medicamento e fez retroceder sua doença de Castleman. Agora, ela está em remissão há mais de uma década. A experiência abriu seus olhos para o potencial existente nos milhares de medicamentos que já passaram pelos extensos testes de segurança necessários para sua comercialização. Adaptando essas drogas para outras condições, os pacientes obtêm tratamentos que não seriam disponíveis de outra forma. Em 2022, Fajgenbaum criou uma organização sem fins lucrativos chamada Every Cure. Usando aprendizado de máquina, ele compara milhares de medicamentos com milhares de doenças. E os mais promissores são testados em laboratório ou enviados para médicos dispostos a experimentar. Faigenbaum é o cientista mais conhecido a empregar a IA desta forma. Mas outros já estão fazendo descobertas. Na Faculdade de Medicina Harvard, nos Estados Unidos, um modelo de IA encontrou cerca de 8 mil substâncias aprovadas que poderão ser redirecionadas para tratar 17 mil doenças diferentes. A IA está se mostrando particularmente útil para encontrar tratamentos para doenças raras, frequentemente ignoradas pelas indústrias farmacêuticas, devido à falta de incentivo financeiro oferecido pela pequena quantidade de possíveis pacientes. O redirecionamento de medicamentos existentes também oferece outra oportunidade. Nos últimos anos, a IA identificou o potencial de redirecionamento de tratamentos existentes para condições raras, como o transtorno cromossômico conhecido como síndrome de Pitt–Hopkins, a doença inflamatória chamada sarcoidose e um raro tipo de câncer renal que aflige crianças jovens, o tumor de Wilms. Pesquisadores da Universidade McGill em Montreal, no Canadá, utilizaram IA recentemente para redirecionar medicamentos para o tratamento de fibrose pulmonar idiopática (FPI), uma rara e progressiva doença pulmonar, caracterizada por cicatrizes e espessamento do tecido pulmonar. Sua técnica envolveu a modelagem da progressão da doença com um modelo de IA. "As doenças complexas, em sua maioria, são dirigidas por uma mudança anormal do estado das células", segundo um dos pesquisadores, o professor assistente Jun Ding, do Departamento de Medicina da Universidade McGill. "Se pudermos descobrir como a célula passou de saudável para anormal, talvez possamos reverter ou retardar o processo", explica ele. Em primeiro lugar, os pesquisadores extraíram células pulmonares de participantes saudáveis e pacientes em diferentes estágios de progressão da doença. Eles empregaram sequenciamento de DNA de alta resolução para gerar grande quantidade de dados. Isso permitiu que eles observassem as mudanças das células ao longo do curso da doença. Em seguida, eles construíram um modelo de IA generativa que simulasse o processo, mapeando as transições de diversos estados e populações celulares, conforme o avanço da enfermidade. Durante o processo, a IA também destacaria eventuais biomarcadores que poderiam ser utilizados para diagnosticar a doença e possíveis objetivos terapêuticos. "Chamamos isso de sistema de doença virtual", segundo Ding. Tradicionalmente, os medicamentos são testados em animais ou em células humanas isoladas. Eles pretendem usar este mesmo paradigma com a IA, basicamente simulando os efeitos da FPI sobre as células virtuais. "Os pesquisadores podem então testar os impactos da aplicação de diferentes substâncias para o modelo, sem grandes custos", explica ele. No estudo de McGill, a IA sugeriu oito possíveis opções de tratamento para FPI. E um candidato promissor é um medicamento normalmente receitado para hipertensão, o que oferece uma opção de baixo custo e comprovadamente segura. Ding afirma que a IA desenvolvida por ele e seus colegas também poderá ser empregada para outras doenças, como tipos de câncer e condições pulmonares. Sua equipe continua a aprimorar o modelo e diversificá-lo sob diferentes condições. A FPI teve outra inovação recente graças à IA. A empresa de descoberta de drogas por IA Insilico Medicine produziu uma possível substância chamada rentosertib. E. Nos testes clínicos de fase 2, a substância se mostrou promissora contra a FPI. A empresa usou IA para identificar possíveis fraquezas da doença e projetar um medicamento que pudesse combatê-las. A esperança é que, se os testes forem bem sucedidos, o medicamento possa estar disponível até o final da década. A Insilico Medicine não é a única. Outras empresas também buscam fazer avanços médicos com IA, como a Terray, Isomorphic Labs, Recursion Pharmaceuticals e Schrödinger. "Acredito que, nos próximos cinco a 10 anos, a maior parte do desenvolvimento de novos medicamentos poderá ser orientada por IA ou até ser totalmente baseada em IA", segundo Ding. James Collins e sua equipe descobriram possíveis novos antibióticos em velocidade muito maior que o que era possível até então, graças às ferramentas de IA criadas por eles próprios M Scott Brauer/BBC Revolução limitada Mas, apesar dos avanços oferecidos pela IA, existem limitações. Muitos dos conjuntos de dados sobre medicamentos são de propriedade das empresas farmacêuticas e de biotecnologia. Isso significa que eles não são disponíveis ao público. "Você precisa obter os dados sobre as propriedades das substâncias, como absorção, distribuição, excreção e toxicidade", segundo Collins. "Não temos esses conjuntos de dados." Atualmente, a IA é mais útil no estágio de seleção inicial do processo de desenvolvimento de medicamentos: a identificação de objetivos e a busca de moléculas para atingir aquele propósito. Estas são apenas duas etapas do longo processo necessário para desenvolver novos medicamentos, o que indica que pode levar algum tempo até que algum desses possíveis tratamentos chegue aos pacientes, se é que isso irá acontecer. "A IA está revolucionando a descoberta de medicamentos", segundo Vendruscolo. "Mas apenas de formas muito específicas." Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Technology.

Exposição sobre Jung, festival de percussão, espetáculo com Maria Ribeiro no elenco e mais: confira agenda cultural no Grande Recife

Publicado em: 03/04/2026 06:01

Exposição sobre Jung, show de Cordel do Fogo Encantado e peça 'O filho' na agenda cultural do g1 Montagem/g1 Na primeira semana de abril a programação cultural no Grande Recife reserva atrações diversificadas. Para os apreciadores de eventos gastronômicos, o festival de hambúrguer BurguerLand chega em Jaboatão dos Guararapes. No Recife, tem abertura da exposição "A alma humana, você e o universo de Jung", sobre os ensinamentos do psiquiatra e psicoterapeuta suíço. Também fazem parte do roteiro o espetáculo "O filho", com os atores Gabriel Braga Nunes e Maria Ribeiro no elenco. Além disso, o Festival Ressonância traz os ritmos de percussão com uma programação de três dias, incluindo show de Cordel do Fogo Encantado. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Confira, abaixo, o roteirão cultural do g1 com as dicas de diversão no Grande Recife: Paixão de Cristo de Moreno Monólogo "Não me entrego, não!", com Othon Bastos Cine Apipucos Espetáculo "O filho" Festival Ressonância Festival gastronômico BurguerLand Exposição "A alma humana, você e o universo de Jung" Exposição "Sobre águas" Paixão de Cristo do Pina Exposição "Querência" Exposição "Terras raras: sagrado feminino" Exposição "Diálogos do Acervo" Exposição "Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar" Exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa” Exposição “Tereza Costa Rêgo - Sem Concessões” Veja os vídeos que estão em alta no g1 Paixão de Cristo de Moreno Paixão de Cristo na cidade de Moreno traz o tema "Pelos olhos das Marias" Fernando Marques/Divulgação A 14ª edição do espetáculo dá destaque às personagens femininas que influenciam a trajetória de Jesus. Com o tema “Pelos olhos das Marias”, personagens como Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, Maria Verônica e Maria Iscariotes ganham mais espaço ao longo da montagem. ✝️ Paixão de Cristo de Moreno ⏰ De quinta-feira (2) a sábado (4), às 20h 📍Praça da Paixão: Av. Dr. Sofrônio Portela, Centro - Moreno 🎟️ Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Monólogo "Não me entrego, não!", com Othon Bastos Othon Bastos durante monólogo 'Não me entrego, não!' Beti Niemeyer/Divulgação O ator Othon Bastos apresenta o monólogo “Não me entrego, não!”, em que revisita a própria trajetória e relembra momentos marcantes da vida pessoal e profissional, alternando passagens bem-humoradas e dramáticas. A peça aborda temas como superação e resiliência diante de desafios ao longo da vida. A montagem tem texto e direção de Flávio Marinho e já foi assistida por mais de 90 mil pessoas no Brasil. 🎤 Monólogo "Não me entrego, não!”, com Othon Bastos ⏰ De quarta (1º) a sábado (4), às 19h30 📍Caixa Cultural: Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife - Recife 🎟️ A partir de R$ 15, à venda na internet ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Cine Apipucos Oeste Outra Vez, faroeste brasileiro com Babu Santana, é exibido no Cine Apipucos Divulgação/O2 Play O Cine Apipucos promove sessões gratuitas de cinema ao ar livre no Parque Apipucos, com exibição de filmes brasileiros de diferentes gêneros. Funciona de quarta a domingo, oferecendo uma experiência cultural com almofadas, cadeiras e gastronomia local com a Cine Feira. Confira a programação desta semana: Quinta-feira (2), às 19h30: “Oeste Outra Vez” Sexta-feira (3), às 19h30: “Rio Doce” Sábado (4), às 16h30: “Nada Será como Antes: A Música do Clube da Esquina” Domingo (5), às 16h30: “Tromba Trem: O Filme” 🎥 Cine Apipucos 📍Parque Apipucos, S/N, Apipucos - Recife 🎟️Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Espetáculo "O filho" Peça 'O filho' tem Maria Ribeiro e Gabriel Braga Nunes Ronaldo Gutierrez/Divulgação A peça acompanha um adolescente de 16 anos, Nicolas, que enfrenta um quadro de depressão. Filho de pais separados, ele quer sair da casa da mãe para morar com o pai. A montagem propõe uma reflexão profunda sobre os vínculos familiares e saúde mental. No elenco estão Andreas Trotta, Gabriel Braga Nunes, Maria Ribeiro, Thais Lago, Marcio Marinello e Luciano Schwab. 🧑🏻 Espetáculo "O filho ⏰ Sábado (4), às 20h; domingo (5), às 18h 📍Teatro Luiz Mendonça: Parque Dona Lindu - Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem - Recife 🎟️ Ingressos a partir de R$ 75, à venda pela internet ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Festival Ressonância Lobo Nuñez é uma das atrações do festival Ressonância Jere Cardini/Divulgação Em sua primeira edição, o festival reúne artistas do Brasil e do exterior em uma programação dedicada à música percussiva. As apresentações vão desde o candombe uruguaio, passando pelas matrizes afro-brasileiras, e tabém pela construção estética do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado. 🪘 Festival Ressonância ⏰ Programação: 9 de abril (quinta) 📍 Casa Estação da Luz 9h - Oficina Batukeje - Ritmos do Candomblé, com Nêgo Henrique 18h - Masterclass Candombe: Folclore Afro-uruguaio, com Lobo Núñez 10 de abril (sexta) 📍 Casa Estação da Luz 9h - Oficina Percussão - Despertar Criativo, com Nino Alves 18h - Masterclass Naná por Vasconcelos, com Patrícia Vasconcelos 11 de abril (sábado), a partir das 16h 📍 Praça do Carmo - Olind Cordel do Fogo Encantado (PE) Repercuti (PE) Aguidavi do Jêje (BA) Alibombo y Los Sopladores (Colômbia) Lobo Nuñez (Uruguai) DJ Sidade (PE) 🎟️ Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Festival gastronômico BurguerLand Hamburguer da Império dos Defumados é vendido no festival BurguerLand Eduardo Bueno/Divulgação Com programação pensada para toda a família, o festival de hambúrguer BurguerLand chega pela primeira vez no Grande Recife. Na praça de alimentação são vendidos hambúrgueres criativos e versões inusitadas, como burgers de costelinha, shimeji e até hambúrguer agridoce. Além disso, uma programação com apresentações musicais está montada para os dias de evento. 🍔 Festival gastronômico BurguerLand 📍Shopping Guararapes: Av. Barreto de Menezes, 800, Piedade, Jaboatão dos Guararapes ⏰De 9 a 12 de abril, confira programação: 9 de abril 20h Cirlene Menezes - Forró 10 de abril 20h Especial Legião Urbana - Legião Urbana Cover Recife 11 de abril 14h - Rodrigo Morcego - Voz e Violão 17h - Pimentel Band - Rock Nacional e Internacional 20h - Cover Charlie Brown Jr - GQ Project 12 de abril 13h30 - Deco Morais - Voz e Violão 16h30 - Handmade Band - Rock Clássico 19h30 - Especial A-ha - Banda Retroback 🎟️ Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição "A alma humana, você e o universo de Jung" Exposição 'A alma humana, você e o universo de Jung' entra em cartaz no Recife Paulo Freitas/Divulgação A exposição foi inspirada nos estudos de Carl Gustav Jung, psiquiatra suíço fundador da Psicologia Analítica. O visitante percorre, de forma simbólica, a psique humana com auxílio de instalações artísticas. A mostra é dividida em três diferentes dimensões: a pedagógica, a sensorial e ainda a provocativa, já que sempre haverá uma pergunta convidando o público à introspecção. 🧐 Exposição “A alma humana, você e o universo de Jung" ⏰ Abertura da exposição no dia 9 de abril. Visitação todos os dias, das 9h às 19h 📍Instituto Marcos Hacker de Melo: Av. Domingos Ferreira, nº 258, Boa Viagem – Recife 🎟️R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia entrada), com entrada gratuita nas terças-feiras. Ingressos à venda pela internet. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição "Sobre águas" Exposição 'Sobre Águas' Kaline Araújo/Divulgação A exposição “Sobre águas”, da artista Vera Reichert, entra em cartaz no Museu do Estado de Pernambuco, reunindo mais de 100 obras que exploram a água como elemento central. A mostra reúne fotografia, vídeo, pintura e instalações em uma proposta sensorial sobre memória, natureza e meio ambiente. 🌊 Exposição “Sobre águas” ⏰ Visitação até 3 de maio, de terça a sexta-feira, das 9h às 17h, sábados e domingos das 14h às 17h. 📍Museu do Estado de Pernambuco (Mepe): Avenida Rui Barbosa, 960, Graças - Recife 🎟️Entrada gratuita ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Paixão de Cristo do Pina Paixão de Cristo do Pina reúne jovens e adultos da comunidade para contar a história de Jesus Lucas Marçal/Divulgação O Grupo Teatral Achylles Coqueijo (GTAC) celebra 40 anos da Paixão de Cristo do Pina com espetáculo que reúne mais de 80 pessoas da comunidade. A montagem, dividida em atos e cenas com teatro, dança e música, narra a vida, morte e ressurreição de Jesus, mantendo a tradição de apresentações abertas à população. ⛪ Paixão de Cristo do Pina ⏰ Segunda (30), às 19h30 📍 Teatro RioMar: Avenida República do Líbano, 251, Pina - Recife 🎟️ R$ 20, à venda na bilheteria do teatro ℹ️ No dia 3 de abril, haverá uma sessão gratuita para a comunidade em frente à Paróquia Nossa Senhora do Rosário do Pina. ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição "Querência" O pintor baiano Guilherme Almeida chega ao Recife para sua primeira exposição individual na cidade Acervo pessoal O artista Guilherme Almeida inaugura a mostra “Querência”, sua primeira exposição individual na cidade. A exposição reúne mais de 20 obras e propõe uma reflexão sobre a paisagem como território de memória e afeto, inspirada nas vivências do artista na Bahia. Com curadoria de Matteo Bergamini, a mostra também marca o primeiro ano da galeria Base Recife. 🎨 Exposição "Querência", de Guilherme Almeida ⏰ Visitação até 23 de maio, de segunda a sexta, das 10h às 18h 📍 Galeria Base: Rua Professor José Brandão, 163, Boa Viagem - Recife 🎟️ Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição "Terras raras: sagrado feminino" Obra "Carranca de peito" feita por Carina Lacerda Hermes Costa Neto/Divulgação A mostra reúne 200 obras de cinco artesãs de municípios diferentes de Pernambuco: Carina Lacerda, de Petrolina; Simone Souza, de Buíque; Mestra Neguinha, de Belo Jardim; Mestra Nicinha Otília, do Alto do Moura, em Caruaru; e Lenynha Tibúrcio, de Tracunhaém. As mestras utilizam barro e madeira na confecção de suas peças, que também estarão à venda com preços a partir de R$ 110. 🎭 Exposição "Terras raras: sagrado feminino" ⏰ Visitação até 19 de abril, no horário de funcionamento do shopping 📍Shopping Tacaruna: Av. Gov. Agamenon Magalhães, 153, Santo Amaro - Recife 🎟️Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição "Diálogos do Acervo" Escultura 'Aurora' do artista Abelardo da Hora Acervo pessoal A exposição coletiva “Diálogos do Acervo” reúne mais de 40 obras em pintura, desenho e escultura produzidas entre a década de 1960 e a atualidade. A mostra reúne artistas de diferentes gerações, como Abelardo da Hora, Montez Magno e Juliana Lapa, e propõe um diálogo entre produções históricas e contemporâneas, explorando conexões de linguagem, temas e técnicas. 🎭 Exposição "Diálogos do Acervo" ⏰ Visitação até 24 de abril, de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h 📍Galeria Marco Zero: Avenida Domingos Ferreira, 3393, Boa Viagem 🎟️Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição "Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar" Bozó é um dos artistas da exposição Reprodução/Bozó A exposição "Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar" reúne obras de 44 artistas que expressam o cenário das artes visuais em Pernambuco. Entre os nomes que assinam os trabalhos, estão Iza do Amparo, Elvira Freitas, Ianah, Paulo Bruscky e Bozó. 📷 Exposição "Toda vez que dou um passo o mundo sai do lugar" ⏰ Até 27 de abril, com visitação de terça a sexta-feira, das 12h às 20h. Sábados e domingos, das 14h às 20h 📍 Galeria Janete Costa: Av. Boa Viagem, s/n, Boa Viagem - Recife, no Parque Dona Lindu 🎟️ Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa” Exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa” fica em cartaz no Instituto Ricardo Brennand, na Várzea, até 31 de maio Bruna Araújo/Divulgação A exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa: um olhar indígena sobre a obra de Rugendas” valoriza a diversidade étnica e cultural do Brasil. A mostra, montada na "Sala da Rainha" do Instituto Ricardo Brenannd, traz obras do artista alemão Johann Moritz Rugendas (1802–1858) e a produção contemporânea do artista visual indígena Ziel Karapotó. 🖼️ Exposição “Todos falam de mim, ninguém me representa” ⏰ Visitação até dia 31 de maio. De terça a domingo, das 13h às 17h 📍 Instituto Ricardo Brennand: Alameda Antônio Brennand, s/n, Várzea - Recife 🎟️ A partir das R$ 30, pela internet ou na bilheteria do instituto ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. Exposição “Tereza Costa Rêgo - Sem Concessões” Reprodução da obra de Tereza Costa Rêgo Daniel Rozowykwiat/Divulgação A exposição “Tereza Costa Rêgo – Sem Concessões”, com curadoria de Denise Mattar, apresenta um panorama da obra da artista pernambucana por meio de cerca de 30 trabalhos que percorrem diferentes fases da carreira. Entre os destaques estão “Pecado Original”, “O Parto do Porto”, “Cobertor de Gatos” e “Apocalipse de Tereza”, que abordam temas como vida, morte, memória e história. 🖼️ Exposição “Tereza Costa Rêgo - Sem Concessões” ⏰ Até 21 de junho. De terça a sábado, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h às 18h 📍 Caixa Cultural Recife: Avenida Alfredo Lisboa, 505, Recife 🎟️ Gratuito ⬆️ Voltar ao início desta reportagem. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: hacker

O que é temperagem? Entenda a técnica que reorganiza moléculas do chocolate e deixa o ovo de Páscoa firme e brilhante

Publicado em: 03/04/2026 05:01

O que é temperagem? Entenda a ciência por trás do ovo de Páscoa firme e brilhante O brilho e a textura lisa que fazem o ovo de Páscoa parecer perfeito aos olhos, e irresistível ao paladar, não são obra do acaso. Por trás do acabamento impecável existe um processo científico que transforma o chocolate em um produto estável, firme e atraente: a temperagem. Essa etapa obrigatória, que consiste em derreter o chocolate, resfriá-lo de forma controlada e reaquecer levemente, reorganiza as moléculas de gordura da manteiga de cacau, garantindo uma textura brilhosa, firme e que não perde a forma com facilidade (entenda abaixo). Para entender esse processo, o g1 visitou o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo sediado em Campinas (SP), e conversou com a técnica de laboratório Maria Angélica Razzé de Carvalho. ✅ Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp A ciência por trás da temperagem O principal ingrediente responsável pela "mágica" da temperagem é a manteiga de cacau, uma gordura que pode se organizar em vários tipos de cristais. Esse processo é chamado de polimorfismo, que é quando uma mesma substância sólida pode formar diferentes estruturas cristalinas, dependendo de como esfria. ❄️ Entenda: a manteiga de cacau é composta principalmente por moléculas de gordura (lipídios). Quando o chocolate está derretido, essas moléculas ficam desorganizadas. Quando o chocolate começa a esfriar, elas se reorganizam, como se fossem peças se encaixando. Esse arranjo é o que chamamos de cristal. O polimorfismo da manteiga de cacau pode ocorrer de seis formas em uma escala de I a VI, (da menos instável à mais estável). As mais instáveis derretem fácil e ficam opacas, enquanto as mais estáveis dão brilho e firmeza. No caso do chocolate, a forma esperada é a V, que oferece o conjunto ideal de propriedades. "O cristal mais estável da manteiga de cacau, que resiste na temperatura ambiente, é o beta (Forma V) [...] A temperagem é muito importante, porque você forma esses cristais estáveis para que, no final, você tenha um chocolate que tenha brilho, tenha snap, que é a quebra do chocolate, e que não derreta com facilidade", explica Angélica. 🍫 Para alcançar esses cristais, é necessário ter um controle térmico preciso, que consiste em três passos: Aquecer o chocolate, derretendo todos os cristais existentes Resfriar controladamente, movimentando e iniciando a formação de cristais Reaquecer levemente, eliminando cristais instáveis 🔬 Cientificamente falando, esse processo envolve a nucleação, que é a formação dos primeiros núcleos de cristal, seguida pelo crescimento cristalino, que é a expansão dessas estruturas, e tudo isso é guiado pela busca da forma mais estável termodinamicamente. "Para você formar esse cristal, você tem todo esse processo de fazer a movimentação da massa na mesa, abaixar a temperatura, não muito rápido e também não muito lento. Tem que seguir todos esses parâmetros pra você ter o cristal correto, pra não derreter depois que tiver saído da forminha", completa a técnica do Ital. É essa organização ordenada dos cristais que reflete a luz de maneira uniforme, dando ao chocolate o brilho característico, por exemplo. Sem esse controle, o doce pode ganhar manchas esbranquiçadas, por causa da cristalização irregular, ou ficar opaco. Como fazer uma boa temperagem Técnica do Ital, em Campinas, fazendo temperagem de chocolate Estevão Mamédio/g1 A temperagem consiste em três etapas. São elas: Derreter: leve o chocolate ao banho-maria ou micro-ondas e mexa até ficar totalmente líquido. Isso vai destruir todos os cristais da manteiga de cacau. Resfriar: despeje o chocolate em uma superfície fria, como mármore ou inox, espalhe e mexa continuamente com uma espátula. Esse processo vai iniciar a formação de cristais estáveis. Ajustar: misture o chocolate resfriado de volta com o restante e mexa até atingir a temperatura de trabalho. Isso vai consolidar a Forma V e deixar a mistura pronta para uso. 🌡️ Atenção: as temperaturas de derretimento, resfriamento e uso variam de acordo com o tipo de chocolate. Por isso, para produzir um chocolate com qualidade que se assemelha aos padrões industriais, é recomendável ter um termômetro em mãos a cada passo. Amargo: Derreter: ~45–50°C Resfriar: ~29°C Reaquecer: ~31°C Ao leite: Derreter: ~45-50°C Resfriar: 28°C Reaquecer: ~31°C Branco: Derreter: ~42-45°C Resfriar: 27°C Reaquecer: ~31°C "A temperatura de derretimento do chocolate é bem parecida. A gente sempre pede para ser acima de 42ºC, porque, tecnicamente, todos os cristais da manteiga, do leite, vão estar totalmente derretidos acima disso. Aí você abaixa a temperatura e, dependendo do tipo de chocolate, abaixa um pouquinho mais e pode fazer esse reaquecimento", detalha Angélica. "Porque, durante o processo que você está usando o chocolate, ele começa a baixar mais a temperatura, ele vai ficando viscoso, então você pode reaquecer a massa, mas tem que tomar muito cuidado, porque não pode passar de 31 graus. Se passar, os cristais da manteiga que foram formados ali, vão se desfazer", completa. Por que fazer a temperagem correta é fundamental? Brilho na casca do ovo de chocolate é resultado de boa temperagem Reprodução/CAKES SAVARIS Mais do que uma técnica culinária, a temperagem é um controle preciso de transformações físicas e químicas que determinam a qualidade final do chocolate. ✔️ Quando o chocolate é temperado corretamente, ele fica: brilhante e liso; firme à temperatura ambiente; com boa contração (desgruda fácil da forma); com textura crocante ao morder. ❌ Sem temperagem correta, ele tende a ficar: opaco e manchado; mole ou pegajoso; quebradiço ou arenoso; além de derreter ou perder a forma com facilidade. LEIA TAMBÉM: SP entra na disputa do cacau e investe em pesquisa inédita por chocolates Técnica do Ital, em Campinas, fazendo temperagem de chocolate Estevão Mamédio/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Palavras-chave: tecnologia

Os mistérios de uma antiga civilização avançada ainda pouco conhecida

Publicado em: 03/04/2026 04:01

Acredita-se que a civilização do Vale do Indo era altamente sofisticada. DEA/A Dagli Orti via Getty Images Casas de tijolos de vários andares, ruas uniformes e um sistema de drenagem avançado, com vasos sanitários com descarga. Parece familiar? Isso pode parecer uma cidade moderna, mas a descrição é de centros urbanos da antiga civilização do Vale do Indo, que existiu há milhares de anos. Acredita-se que essa civilização era altamente sofisticada e existiu ao mesmo tempo que o antigo Egito e a Mesopotâmia, mas, ainda assim, sabemos relativamente pouco sobre ela. Esse mistério, segundo especialistas, se deve em parte à sua escrita ainda não decifrada, além do fato de que sua sociedade pode ter sido mais igualitária do que outras da época. VEJA TAMBÉM: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Quem eram eles? A fase mais desenvolvida da civilização do Vale do Indo existiu entre 2600 a.C. e 1900 a.C., embora o seu desenvolvimento tenha começado muito antes, por volta de 4000 a.C., segundo o pesquisador Sangaralingam Ramesh, da Universidade de Oxford e da University College London (UCL), no Reino Unido. Ela se concentrava ao longo do rio Indo, no que hoje corresponde ao Paquistão e à Índia. Era formada por comunidades agrícolas em vilarejos, além de mais de 1.400 cidades e povoados, sendo os maiores Harappa e Mohenjo-daro. O que sabemos a civilização do Vale do Indo? BBC/GETTY IMAGES Era maior do que o Antigo Egito e a Mesopotâmia, com cerca de 1 milhão de habitantes distribuídos em 80 mil assentamentos, segundo Ramesh. E são considerados extraordinárias por vários motivos. 1. Planejamento urbano avançado O Vale do Indo foi uma das primeiras civilizações a construir moradias de tijolo, inclusive com tamanhos padronizados, segundo Ramesh. "As cidades eram organizadas em ângulos retos, com ruas uniformes e perpendiculares", afirma. "Havia também poços, as casas tinham latrinas… um sistema de esgoto 2.000 anos antes dos romanos." Esse sistema de esgoto, combinado com a presença de áreas de banhos escavados, indica que a civilização tinha consciência sobre doenças e "valorizava a limpeza", diz Ramesh. As cidades da civilização do Vale do Indo tinham ruas uniformes com casas de tijolo. DEA/W Buss via Getty Images A densidade das áreas urbanas também permitia a organização de cadeias de abastecimento, o que, por sua vez, favorecia o comércio. "Eles comerciavam com a antiga Mesopotâmia, especialmente em matérias-primas como madeira, contas, cobre, ouro e também tecidos de algodão", explica Ramesh. 2. Governança coletiva Ramesh afirma que a organização das áreas urbanas também revela outro aspecto. "Isso é evidência de que havia uma autoridade cívica bem estruturada… responsável por manter a infraestrutura das cidades e dos assentamentos", diz o pesquisador. "Era uma forma de governança mais sofisticada, mais coletiva do que centralizada, sem evidências de palácios ou de uma nobreza." Segundo Ramesh, isso diferencia a civilização do Vale do Indo de outras sociedades comparáveis. Muito já foi escavado em sítios do Vale do Indo, incluindo esta estátua de terracota, mas ainda há muito que não sabemos. Leemage/Corbis via Getty Images "A evidência arqueológica aponta para uma forma de governança menos centrada em governantes ostentosos do que no Egito ou na Mesopotâmia, onde faraós e instituições palacianas e templárias são inconfundíveis", afirma. "Nessas regiões, a autoridade era centralizada e altamente visível por meio de construções monumentais, textos burocráticos e demonstrações de poder real." 3. Relativamente igualitária e pacífica Há evidências de que existia alguma hierarquia social no Vale do Indo, mas ela é menos evidente do que em outras sociedades da época. "A estratificação social é mais fácil de identificar no Egito e na Mesopotâmia… no Vale do Indo, há variações no tamanho das casas, mas, em geral, são mais sutis", diz Ramesh. E, embora arqueólogos tenham encontrado alguns esqueletos com sinais de trauma, alguns pesquisadores consideram que a sociedade era mais pacífica do que outras. "Há pouca iconografia inequívoca de guerra, relativamente poucos contextos de elite ricos em armas, e algumas amostras de esqueletos mostram taxas menores de trauma craniano do que em partes do antigo Oriente Próximo", afirma o pesquisador. Foram encontradas menos lesões cranianas nos sítios funerários do Vale do Indo do que em outras sociedades. AFP via Getty Images Mas ele ressalta que isso não significa que não houvesse violência; a falta de evidências pode ser resultado de viés de preservação — que se dá porque certos itens (como conchas duras ou ossos) têm maior probabilidade de serem preservados do que outros (como tecidos moles). "Se uma sociedade não registra a guerra em monumentos duráveis ou textos, ou se esses materiais não sobrevivem, observadores posteriores podem acabar com um 'sinal' mais silencioso de conflito, mesmo que a violência tenha existido", diz Ramesh. Mistérios restantes Mas ainda há muito que não sabemos sobre a civilização do Vale do Indo. Ramesh afirma que isso se deve, em parte, ao fato de grande parte dos sítios ainda não ter sido escavada. "Ainda estão sendo encontrados locais no oeste da Índia, e a civilização também se estendia até o Afeganistão, onde, devido à situação atual, pouca escavação pode ser realizada", diz o pesquisador. Isso também pode estar relacionado aos materiais e métodos de construção utilizados. "O Egito e a Mesopotâmia deixaram monumentos duráveis em pedra… o Vale do Indo construiu principalmente com tijolos de barro e tijolos cozidos", afirma Ramesh. "Sem grandes templos de pedra, palácios ou túmulos reais… o Estado do Vale do Indo é mais difícil de reconstruir." Mas há outro fator: ao contrário da escrita cuneiforme — um dos primeiros sistemas de escrita da antiga Mesopotâmia —, ainda não conseguimos decifrar a escrita do Vale do Indo. A escrita encontrada nos selos do Vale do Indo ainda não foi decifrada. DEA/G Nimatallah via Getty Images Ela foi encontrada em relevos de sinetes ou selos em sítios do Vale do Indo e é "a escrita mais decifrada que não foi decifrada", brinca a pesquisadora Nisha Yadav, do Tata Institute of Fundamental Research, em Mumbai, na Índia. "A cada 10 dias, mais ou menos, recebo um e-mail dizendo: 'Ok, eu decifrei a escrita do Indo'", afirmou. Mas, até agora, nenhuma interpretação obteve consenso científico. Yadav diz que decifrar a escrita é difícil porque ela é muito breve, geralmente com apenas cinco a 14 símbolos por selo, e, até hoje, não foi encontrado um equivalente à Pedra de Roseta. A Pedra de Roseta traz um decreto inscrito em três sistemas de escrita — hieróglifo egípcio, demótico egípcio e grego clássico —, o que foi crucial para decifrar os hieróglifos. Mas sua própria pesquisa, que utiliza modelagem computacional para identificar padrões nos símbolos, encontrou evidências de sintaxe — regras que organizam a estrutura das frases — e uma "lógica subjacente" na escrita. "Se conseguíssemos lê-la… seria como uma única chave abrindo portas", disse. "E, por trás de cada porta, viria uma avalanche de conhecimento, que nos revelaria aspectos muito importantes da civilização." Segundo Yadav, a escrita pode oferecer pistas sobre as crenças e a visão de mundo dessa sociedade, além de lançar mais luz sobre seu comércio e o papel dos selos. Decifrar essa escrita pode revelar como era a vida das pessoas na civilização do Vale do Indo. Angelo Hornak/Corbis via Getty Images O que aconteceu com eles? Uma das principais teorias para o declínio da civilização do Vale do Indo é a mudança ambiental. "Os sítios começaram a ser abandonados por volta de 1900 a.C., e arqueólogos e especialistas em clima atribuem isso a uma alteração nas monções", diz Ramesh. Ele afirma que escavações em Mohenjo-daro também encontraram evidências de que a população tentava mitigar o impacto de inundações. Ramesh acredita que compreender esse processo pode trazer implicações para as sociedades atuais, já que, se as geleiras do Himalaia derreterem mais rapidamente hoje, a história pode se repetir. Segundo ele, o estilo de governança da civilização do Vale do Indo — baseado em consenso e que permitia um pensamento mais voltado ao longo prazo — não foi suficiente para salvá-los, mas pode ser para as sociedades modernas. "Eles não tinham a tecnologia para entender exatamente o que estava acontecendo", afirmou. "Mas nós temos essa capacidade tecnológica — de usar a tecnologia de forma mais consciente — para garantir que nossa civilização se sustente."

Palavras-chave: tecnologia

Real ou IA? Vídeo viral mostra som 'pintando' formas geométricas

Publicado em: 03/04/2026 03:00

Vídeo viral mostra som 'pintando' formas geométricas Se você navegou pelas redes sociais nos últimos dias, provavelmente se deparou com um vídeo impressionante: uma pessoa passa um arco de violino na borda de uma placa de metal coberta com grãos de cuscuz e, instantaneamente, o alimento se organiza em formas geométricas perfeitas. O vídeo parece efeito especial ou inteligência artificial, mas é física pura. O fenômeno, conhecido como Figuras de Chladni, é o objeto de estudo da cimática, que analisa como vibrações e sons podem organizar a matéria. 〰️ Basicamente, é uma forma de visualizar a onda sonora. Imagem mostra grãos desorganizados e organizados depois de passar corda de violino na mesa Steve Mould Por que os grãos se organizam em formas? Para entender o que se vê na imagem, o primeiro passo é entender que o som não é algo invisível que apenas ouvimos; ele é uma onda mecânica que faz a placa de metal vibrar fisicamente Quando o arco do violino passa na borda, ele faz as partículas do metal "dançarem" em uma velocidade altíssima (a frequência). 〰️ Para entender melhor, imagine uma cama elástica com várias crianças pulando: Se você jogar areia nela, a areia vai saltar até cair nas bordas ou em algum lugar com menos movimento; Na placa de metal, existem pontos chamados antinós, que vibram freneticamente e "chutam" o cuscuz para longe; Os grãos acabam se acumulando nos nós, que são justamente os pontos onde a placa vibra menos do que na região de antinó. Imagem mostra ondas sonoras formando desenho sobre a mesa Steve Mould Esses pontos de repouso são chamados de nós, enquanto as áreas de vibração intensa são os antinós. O padrão geométrico que enxergamos é, basicamente, o desenho dos lugares onde a placa de metal não está se mexendo. "O grão foge da parte que vibra muito e é empurrada para os pontos onde o metal fica com menos movimento", explica a física e divulgadora científica Gabriela Bailas, física e divulgadora científica. 〰️ E você pode se perguntar: por que esses pontos parados formam desenhos geométricos? Isso acontece por causa da interferência. As ondas sonoras viajam pelo metal, batem na borda e voltam. Nesse "vai e vem", as ondas que estão indo se chocam com as que estão voltando. Onde elas se cancelam (interferência destrutiva), a placa não se mexe. Onde elas se somam (interferência construtiva), a vibração é máxima. O resultado final é uma onda estacionária, que é como um mapa invisível de áreas paradas e áreas agitadas. O cuscuz apenas "pinta" esse mapa para nós. Sons graves criam padrões mais simples e abertos e os sons agudos, que têm frequências alta, fazem a placa vibrar de forma muito mais rápida e detalhada, criando formas geométricas extremamente complexas e intrincadas. "Quanto maior a frequência da vibração das partículas do metal em si, maior e mais complexa é aquela forma geométrica, que fica todinha intrincada na placa. Sons mais agudos tendem a ser frequências maiores e aí nós temos formações de figuras geométricas mais complexas", explica o professor de física Emerson Bezerra. Cuidado com a desinformação O sucesso desses vídeos também atraiu teorias pseudocientíficas. Algumas postagens sugerem que, se o som organiza o cuscuz, ele poderia "reorganizar células" e curar doenças como o câncer. 🔴 ATENÇÃO: os especialistas alertam que isso é falso. O experimento da imagem é um experimento de física básica e só funciona porque os grãos são poucos, leves e finos. “Se você colocar mais grãos ali, já não iria se mexer da mesma forma. Isso não seria possível com o corpo humano e nossas células", afirma Gabiriela Bailas, PhD em física. A teoria seria o mesmo que dizer que ao parar em frente a caixas de som gigantes, nossas células teriam algum movimento – o que não é verdade.

Palavras-chave: inteligência artificial

Irã diz ter abatido segundo caça F-35 dos EUA e que sobrevivência do piloto é 'improvável'

Publicado em: 03/04/2026 02:07

Jato norte-americano F-35 taxiando na base de Al Udeid, no Catar, com outros jatos e aeronaves ao fundo, em imagem de 2023. Leon Redfern/Exército dos Estados Unidos O Irã afirma ter abatido o segundo caça F-35 dos Estados Unidos nesta sexta-feira (3). O ataque ocorreu enquanto a aeronave sobrevoava o centro do país. Segundo o Irã, a sobrevivência do piloto da aeronave é "improvável", segundo a agência de notícias iraniana Mehr. 📱Baixe o app do g1 para ver as notícias em tempo real e de graça O primeiro caça foi abatido no dia 19 de março. A declaração foi dada pouco após a imprensa internacional noticiar que um F-35 foi obrigado a realizar um pouso de emergência em uma base americana no Oriente Médio. (veja vídeo abaixo) Vídeo mostra momento em que Irã teria alvejado caça F-35 dos EUA Segundo duas fontes ouvidas pelo canal de TV CNN International, a aeronave teria sido atingida em um ataque do Irã. Um vídeo divulgado pela agência iraniana Mehr supostamente mostra o momento em que uma bateria antiaérea atinge o caça. A aeronave pousou em segurança e o piloto ficou em condição estável. O incidente está sendo investigado. Esta é a segunda vez que o Irã atinge uma aeronave dos EUA desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O F-35 é um jato fabricado pela Lockheed Martin para as Forças Armadas dos EUA, principalmente, em parceria com outros países. Ele faz parte do grupo de caças da chamada quinta geração, a mais avançada atualmente. Por ter maior tecnologia embarcada, sobretudo para se tornar "invisível" a radares, não havia relatos até esta quinta de que um F-35 havia sido derrubado em combate.

Palavras-chave: tecnologia

Trump ameaça atacar pontes e usinas de energia no Irã

Publicado em: 03/04/2026 01:19

EUA Israel e Irã usam propaganda e até fake news para vencer a guerra nas redes sociais O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou nesta quinta-feira (2) sobre atacar e destruir pontes e usinas de energia no Irã, em sua mais recente ameaça contra a infraestrutura do país. Os militares dos EUA “nem começaram a destruir o que resta no Irã. Pontes serão as próximas, depois usinas de energia”, escreveu Trump nas redes sociais. Em sua publicação, ele também afirmou que a liderança do Irã “sabe o que precisa ser feito — e precisa ser feito rápido”. Mais cedo, o presidente dos EUA publicou um vídeo de um ataque que o Exército norte-americano realizou no Irã. Na imagem, é possível ver fumaça preta em uma ponte, que o presidente diz ser a maior ponte no país do Oriente Médio. Trump posta ataque a ponte no Irã e faz nova ameaça: 'É hora de fazer um acordo antes que seja tarde' Reprodução/Truth Social Junto com as imagens, o presidente publicou a mensagem: "É hora de fazer um acordo antes que seja tarde", disse. Mais cedo, a mídia estatal do Irã informou que oito pessoas morreram e 95 ficaram feridas na ponte B1, que liga a cidade de Karaj à capital Terrã. Trump compartilha vídeo de ataque a ponte no Irã Reprodução/Truth Social Novo míssil foi usado em escola Os EUA fizeram uso de um novo tipo de míssil para um ataque ao Irã que atingiu uma escola e um centro esportivo, segundo uma reportagem do jornal norte-americano "The New York Times". Segundo o jornal, o novo armamento libera esferas do metal mais duro do mundo e explode antes de tocar o solo. O governo iraniano condenou nesta quinta-feira (2) o ataque. Segundo o The New York Times, o Exército norte-americano utilizou um míssil balístico de curto alcance chamado Míssil de Ataque de Precisão (PrSM, na sigla em inglês). O armamento é programado para ser detonado segundos antes de atingir seu alvo e liberar várias pedras de tungstênio, um dos metais mais duro do planeta. Investigação aponta que EUA foram responsáveis por ataque que matou 175 em escola no Irã Ainda de acordo com o Times, o ataque fez parte da primeira onda de ofensivas dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro deste ano. Os bombardeios marcaram o início da atual guerra no Oriente Médio. O ataque ocorreu no mesmo dia em que um bombardeio atingiu outra escola, na cidade de Minab. Nesse caso, o ataque matou 175 pessoas, e uma investigação também do The New York Times apontou que os EUA foram responsáveis pela ofensiva. O governo dos EUA não havia se manifestado sobre a investigação do jornal até a última atualização desta reportagem. Granada que mata com ondas de pressão Soldado do Exército dos EUA testa nova granada letal M111, que usa ondas de choque, em março de 2026. Christopher Arthur/Exército dos EUA O Exército dos Estados Unidos apresentou uma nova granada, a M111, que usa ondas de choque de pressão para matar inimigos. A nova granada letal é primeira incorporada ao arsenal do país desde a década de 1970. 👉 Contexto: as granadas são usadas pelos soldados americanos em incursões terrestres, algo que não aconteceu na guerra contra o Irã. A possibilidade de mandar tropas chegou a ser aventada, mas ainda não há uma decisão do presidente Donald Trump sobre operações em solo iraniano. Segundo o Exército dos EUA, a M111 gera uma onda de choque de pressão ao detonar material explosivo em um ambiente confinado. Essa tecnologia é chamada de "explosão de sobrepressão" ("Blast overpressure", ou BOP, em inglês). Leia mais sobre a tecnologia abaixo. LEIA MAIS: Exército dos EUA passa usar nova granada que mata com ondas de pressão

Palavras-chave: tecnologia

Gelo, rochas e combustível: por que o Polo Sul da Lua é um grande objetivo do programa Artemis

Publicado em: 03/04/2026 00:00

A maior estrutura de impacto da Lua, a bacia do Polo Sul–Aitken, recebe esse nome por se estender entre a cratera Aitken e o polo sul lunar. NASA / Goddard Space Flight Center / Arizona State University Quando os astronautas das missões Apollo pisaram na Lua entre 1969 e 1972, todos foram parar em praticamente a mesma vizinhança: uma faixa estreita próxima ao equador lunar, no lado que sempre fica voltado para a Terra. A escolha fazia sentido na época por causa da boa iluminação, da comunicação mais simples e do terreno relativamente previsível. Mas isso deixou a maior parte da Lua completamente inexplorada. E é exatamente para um desses lugares que o programa Artemis, da NASA, quer ir algum dia: o Polo Sul. Mas o caminho até lá é longo e cauteloso. A missão Artemis II, em andamento, está levando neste momento quatro astronautas ao redor da Lua e de volta à Terra, a primeira vez que seres humanos chegam à vizinhança do satélite em mais de 50 anos. E a tripulação não vai pousar. A Artemis III, prevista para 2027, também não pousará no Polo Sul: servirá como ensaio para testar o acoplamento da cápsula Orion com os módulos de pouso comerciais. O primeiro pouso humano no Polo Sul está planejado para a Artemis IV, em 2028. Mas por que todo esse esforço por um lugar tão remoto e inóspito? Entenda mais abaixo. Como a Índia se tornou o 4º país do mundo no 'clube de elite' das nações que pousaram na Lua Uma geladeira com bilhões de anos de idade O principal atrativo do Polo Sul da Lua são as crateras — não qualquer cratera, mas aquelas cujo interior nunca recebeu luz solar direta, talvez desde que se formaram há bilhões de anos. Como o eixo de rotação da Lua é quase vertical em relação à sua órbita, o Sol nunca se ergue muito acima do horizonte nas regiões polares. Assim, o interior das crateras mais profundas fica em sombra permanente, com temperaturas que podem chegar a –175 °C. Nessas condições extremas, a água trazida por cometas e asteroides ao longo de bilhões de anos não evaporou. Ficou presa, congelada, misturada ao solo lunar. Estimativas indicam que algumas dessas regiões permanentemente sombreadas podem ter até 20% de gelo no material superficial. Missão Artemis II, da Nasa, inaugura novo capítulo da corrida espacial do século XXI No total, essas áreas somam cerca de 40 mil km² e se concentram principalmente no hemisfério sul. E essa água importa por razões muito práticas. Astronautas em missões longas precisam de água potável e de oxigênio para respirar. Mas o gelo lunar também pode ser decomposto em hidrogênio e oxigênio, os componentes do combustível de foguete. Isso abre a possibilidade de produzir propelente diretamente na Lua, o que reduz drasticamente o custo e o peso das missões vindas da Terra e torna viável uma presença humana sustentada no espaço. Imagem mostra a distribuição do gelo na superfície do polo sul da Lua (à esquerda) e no polo norte (à direita) NASA Luz e sombra a poucos quilômetros de distância O Polo Sul oferece ainda outra vantagem operacional incomum: a coexistência, em distâncias de poucos quilômetros, de regiões em escuridão eterna e de picos que recebem luz solar por até 90% do tempo. Um desses pontos fica no topo da cratera Shackleton. Outro está em uma elevação chamada Malapert Massif, que se ergue cerca de 5 mil metros acima da paisagem ao redor e recebe luz solar em quase 98% do ciclo lunar. Esses picos são candidatos naturais para a instalação de painéis solares que alimentariam bases e equipamentos. Diferentemente das missões Apollo, que tinham pouco mais de duas semanas de luz antes de enfrentar uma noite igualmente longa, uma base polar poderia contar com energia de forma muito mais estável. Rochas que guardam a história do Sistema Solar Além dos recursos, o Polo Sul é também um arquivo geológico sem equivalente. As regiões que a NASA pretende explorar têm superfícies com mais de 3,85 bilhões de anos, mais antigas do que qualquer amostra coletada pelo Apollo. E ficam próximas das margens da Bacia Polo Sul-Aitken, a maior e mais antiga cicatriz de impacto conhecida em todo o Sistema Solar. Ninguém sabe exatamente quando essa bacia se formou. Descobrir isso é uma das prioridades científicas mais altas da exploração lunar, porque o impacto que a criou pode marcar uma fase crítica do Sistema Solar jovem, quando colisões de grandes proporções ainda eram frequentes e as condições para o surgimento da vida na Terra ainda estavam se estabelecendo. Amostras coletadas na região podem ajudar a datar esse evento com precisão inédita. As rochas antigas do Polo Sul funcionam ainda como um registro das interações da Lua com o Sol e com raios cósmicos galácticos ao longo de bilhões de anos, um tipo de história que a Terra perdeu quase inteiramente por causa da tectônica de placas, dos oceanos e da própria vida, que transformaram e apagaram o registro geológico do planeta. A Lua observada sobre a cidade de Ronda, na Espanha, após o lançamento da missão Artemis II, da Nasa, no dia 2 de abril de 2026 Jon Nazca/Reuters E depois do pouso? Após a Artemis IV, a NASA prevê uma nova missão tripulada à Lua ainda em 2028, dentro da estratégia de ampliar a permanência humana no satélite. O avanço ocorre em um cenário de maior competição internacional. Em 2023, a Indian Space Research Organisation (Organização Indiana de Pesquisa Espacial) fez da Índia o primeiro e único país a pousar no Polo Sul da Lua, com a missão Chandrayaan-3 — um marco em uma região que concentra o interesse das principais agências espaciais. A partir daí, a expectativa é de uma ampliação das operações na área, com novas missões voltadas tanto à exploração científica quanto ao desenvolvimento de tecnologias para sustentar a presença humana fora da Terra. Para a NASA, esse movimento deve abrir caminho para investigações mais detalhadas sobre a origem da Lua e do Sistema Solar, além de testar, na prática, os limites de uma ocupação humana contínua no ambiente lunar. Imagem do polo sul da Lua capturada por uma missão indiana durante aterrissagem. ISRO/Reuters VÍDEOS: mais assistidos do g1

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Irã diz que vai intensificar ataques contra Israel e Estados Unidos no Oriente Médio

Publicado em: 02/04/2026 21:11

Irã ataca empresas americanas no Golfo Pérsico Depois do discurso de Donald Trump, o governo do Irã negou que a capacidade militar do país tenha sido destruída e disse que vai intensificar os ataques contra Israel e os Estados Unidos no Oriente Médio. Explosões sucessivas definem a quinta semana da ofensiva americana, iniciada junto com Israel no fim de fevereiro. Imagens divulgadas pelo Comando Central dos Estados Unidos mostram ataques aéreos contra múltiplos alvos no Irã. E o presidente americano postou um vídeo que mostra a destruição da maior ponte do Irã, em Karaj. Israel também ampliou os ataques contra posições consideradas estratégicas na região. O discurso de Trump, apesar da falta de fatos novos, provocou reação. As autoridades iranianas rejeitam as declarações de que suas capacidades foram enfraquecidas e ameaçam operações ainda mais intensas. O comando militar iraniano divulgou imagens de reuniões e videoconferências. O comandante afirmou que a população sustenta o esforço de guerra. Em resposta aos ataques americanos e israelenses, o Irã lançou uma nova onda de bombardeios coordenados com os aliados na região. O Hezbollah lançou mais de 100 foguetes, e os rebeldes houthis, no Iêmen, também dispararam contra Israel. Sirenes tocaram em Tel Aviv e Jerusalém, e um míssil atingiu a cidade de Pekah Tikva, no centro de Israel. O Irã cumpriu a ameaça de bombardear empresas americanas na região. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atingido um data center da empresa de tecnologia Oracle, em Dubai. A companhia diz que as operações seguem normais. Na quarta-feira (1º), um centro de computação da Amazon no Bahrein sofreu danos em um ataque. Irã diz que vai intensificar ataques contra Israel e Estados Unidos no Oriente Médio Jornal Nacional/ Reprodução No Líbano, Israel afirma ter atingido posições do Hezbollah, incluindo depósitos de armas e locais de lançamento de foguetes. A navegação pelo Estreito de Ormuz foi tema de debates intensos nesta quinta-feira (2) ao redor do planeta. Quase 40 países, liderados pelo Reino Unido, discutiram uma ação conjunta para liberar a passagem dos petroleiros, depois que os Estados Unidos indicaram que a segurança deveria ser assumida pelas nações que usam aquela rota. “Vimos o Irã sequestrar uma rota marítima internacional para manter a economia global como refém”, afirmou a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper. Os países avaliam medidas diplomáticas e também ações de segurança para proteger navios e retomar a navegação. Apesar dos esforços, a abertura do estreito depende do fim dos combates. Em visita à Coreia do Sul, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse que uma operação para controlar militarmente o estreito seria irreal e que é preciso haver um consenso com o Irã. Teerã afirmou que negocia com Omã um acordo para fiscalizar o tráfego de navios na região, mas só depois do fim da guerra. E países do Golfo discutem a construção de novos oleodutos para reduzir a dependência do estreito. Já o governo da China defendeu que apenas um cessar-fogo pode devolver a segurança à região. LEIA TAMBÉM Sem EUA, Reino Unido reúne 40 países para discutir bloqueio do Estreito de Ormuz e diz que Irã faz 'economia global refém' Como falas de Trump mexem no preço do petróleo - e como ele reage com respostas do Irã China culpa EUA e Israel por bloqueio no Estreito de Ormuz, e Rússia diz estar 'pronta para ajudar' a resolver guerra no Irã

Palavras-chave: tecnologia

Emoresas oferecem vagas de emprego em Goiânia

Publicado em: 02/04/2026 21:06

Vagas de emprego em Goiás Reprodução/Governo de Goiás O Bom Dia Goiás divulga, nesta sexta-feira (3), 17 vagas de emprego em Goiânia. Há oportunidades para auxiliar de estoque, gerente assistente, estoquista, operador de caixa e muito mais. Confira como se candidatar! ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp Goiânia Casa dos Parafusos Total de vagas oferecidas: 5 vagas Cargos oferecidos: 04 vagas para auxiliar de estoque 01 vaga para gerente assistente Prazo para se inscrever: 25/04/2026 Salário: a combinar Como se candidatar: enviar currículo para o e-mail rh@casadosparafusos.com Contato: (62) 99957-5754 Peça Rara Brechó Total de vagas oferecidas: 2 vagas Cargos oferecidos: 01 vaga para auxiliar de loja 01 vaga para estoquista Prazo para se inscrever: 31/03/2026 Salário: R$ 2.000,00 + benefícios Como se candidatar: enviar currículo pelo whatsapp Contato: (61) 99458-9046 Drogarias Medfácil Total de vagas oferecidas: 9 vagas Cargos oferecidos: 3 vagas para balconista de drogaria 3 vagas para operador de caixa 3 vagas para estoquista Prazo para se inscrever: não informado Salário: não informado Regiões de atuação: Vila Brasília, Parque Anhanguera, Setor Aeroporto, Independência Mansões, Jardim Novo Mundo Como se candidatar: Enviar currículo para o e-mail leocouto@obramax.com.br, WhatsApp (21) 9 9597-3385 ou site carreiras.obramax.com.br Contato: (21) 9 9597-3385 Polo de Moda em Goiás tem oportunidades em mercado de trabalho transformado por tecnologia 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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Batalha virtual: Estados Unidos, Israel e Irã usam propaganda e até fake news para vencer a guerra nas redes sociais

Publicado em: 02/04/2026 20:52

EUA e Irã travam guerra nas redes sociais Estados Unidos, Israel e Irã se enfrentam também em outro campo de batalha: as redes sociais. E nessa guerra, usam como armas a propaganda e até fake news. Tudo falso. Uma artilharia de vídeos e imagens de explosões que nunca aconteceram. De lágrimas que nunca caíram. É frenética e desonesta, a batalha virtual entre Estados Unidos, Israel e aliados e o Irã. Todos disparam bombas falsas que caem nos celulares. Só em duas semanas, foram mais de 110 imagens geradas por inteligência artificial, vistas e compartilhadas milhões de vezes. Como se a realidade não bastasse. Alguns vídeos são reais. Mas os falsos circulam depressa. Muitos promovem visões pró-Irã, para demonstrar uma suposta superioridade e sofisticação militar. Criam a sensação de que a guerra é mais destrutiva e custosa para os aliados americanos do que realmente é. Um dos vídeos falsos mais disseminados fez chover mísseis em Tel Aviv. Já outros vídeos funcionam como uma nova versão de uma arma que existe desde que guerra é guerra: a propaganda. Um vídeo do regime iraniano cria uma cena falsa com IA para ilustrar o ataque americano que realmente aconteceu a uma escola. Batalha virtual: Estados Unidos, Israel e Irã usam propaganda e até fake news para vencer a guerra nas redes sociais Jornal Nacional/ Reprodução O Irã vem criando várias animações para reforçar a visão que tem sobre Estados Unidos e Israel. Mas a Casa Branca também apela - para boliche, futebol americano, baseball, filmes de Hollywood. Sempre mesclando com imagens reais da guerra. “Justiça à moda americana”, dizia um post. O ator Ben Stiller estrelou um dos filmes que aparecem na postagem e escreveu para a Casa Branca: “Nunca demos permissão para isso e não temos interesse em fazer parte dessa máquina de propaganda. Guerra não é filme”. Até personagem de desenho animado o governo americano já usou para mostrar poder. Isso em uma guerra onde milhares de civis estão morrendo. O Ministério das Relações Exteriores de Israel publicou, esses dias, uma imagem da cabeça do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, nesses jogos de martelada de parque de diversão. A conta da embaixada iraniana na África do Sul zombou da ideia de Trump de querer controlar, ao lado do Irã, o Estreito de Ormuz. Uma nova e sofisticada onda de ferramentas de inteligência artificial está tornando esse combate nas redes sociais pesado. A guerra moderna não é mais só travada no front de batalha. Especialistas ouvidos pelo Jornal Nacional na Inglaterra disseram que estamos vendo uma mudança significativa na maneira como a realidade é enquadrada e recebida emocionalmente. “É sem precedentes. E de agora em diante, acho que vamos dizer isso sobre todos os conflitos, se não houver mecanismos de proteção”, disse ao Jornal Nacional a pesquisadora iraniana Mahsa Alimardani, formada pela Universidade de Oxford. Mahsa vive em Londres e é uma das diretoras da ONG internacional de direitos humanos Witness. Ela estuda desinformação gerada por inteligência artificial. “O mais perverso é o efeito que isso produz: a dúvida. As pessoas passam a não acreditar nem no que é real, mesmo quando aquilo já foi comprovado e checado”, afirma Mahsa. A equipe do Jornal Nacional conversou também com a dinamarquesa Tine Munk, especialista em guerra de narrativas digitais. Ela é professora da Universidade Nottingham Trent, na Inglaterra: “Quando um conflito é apresentado nessa linguagem quase que de jogos, games, esportes, filmes e cultura da internet, o público não precisa aprender muito sobre a complexidade política real por trás disso. Isso até pode mobilizar apoio, mas traz riscos sérios: tira a sensibilidade do público, cria uma distância emocional em relação ao sofrimento, normaliza uma guerra. É muito preocupante”. LEIA TAMBÉM China culpa EUA e Israel por bloqueio no Estreito de Ormuz, e Rússia diz estar 'pronta para ajudar' a resolver guerra no Irã EUA usaram novo tipo de míssil em ataque a uma escola no Irã que matou 21, diz jornal

Palavras-chave: inteligência artificial