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Paes 2026: quase 80% dos aprovados da Uema são estudantes de escolas públicas

Publicado em: 03/02/2026 07:49

Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Reprodução/UEMA Dos 5.529 aprovados no Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (Paes) 2026 da Universidade Estadual do Maranhão (Uema), 78,19% são estudantes da rede pública. O resultado final foi divulgado nessa segunda-feira (2). Em cursos de alta concorrência, a presença de alunos da rede pública também cresceu, sendo 87,5% em alguns campi de Direito e mais de 53% em Medicina. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 O resultado foi divulgado de acordo com os campi para onde as vagas são destinadas. As listas foram divididas em ampla concorrência; Baixa renda, pretos, pardos e indígenas – BR-PPI; Baixa renda, quilombolas – BR-Q; Baixa renda, demais candidatos – BR-DC; Independente de renda, pretos, pardos e indígenas – IR-PPI; Independente de renda, demais candidatos IR-DC e Pessoa com deficiência – PCD. Clique aqui e acesse a lista de selecionados Com o novo sistema de cotas, a Uema abriu 20 novos cursos e ampliou em 11,5% o número de vagas em relação ao ano anterior. Ao todo, 48.065 candidatos disputaram 5.980 vagas. ➡️ Pelo novo sistema de cotas, 50% das vagas são destinadas a estudantes oriundos da rede pública de ensino. Desse total, metade é reservada a candidatos com renda familiar per capita de até dois salários mínimos. Ainda dentro das vagas para egressos da rede pública, o processo seletivo assegura 5% das vagas para pessoas com deficiência. O vestibular também reserva 20% das vagas dos cursos de Formação de Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros para candidatos negros. Novos cursos Outra novidade desta edição é a criação de 20 novos cursos presenciais, distribuídos em 12 campi. As graduações abrangem áreas como saúde, tecnologia, ciências humanas e ciências sociais, ampliando o acesso ao ensino superior em regiões antes não contempladas. Entre os cursos ofertados estão Psicologia, Enfermagem, Engenharia da Computação, Inteligência Artificial, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Nutrição, Letras em Libras e Educação Física (bacharelado).

Por que tantas indústrias estão trocando as capitais pelo interior do Brasil

Publicado em: 03/02/2026 07:43

Quando se formou engenheira de produção pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), Letícia Lemos Martins pensava que nunca voltaria a morar em Passos, sua cidade natal no Sul de Minas, com 112 mil habitantes, segundo o último Censo. "Sempre imaginei que eu ia morar em algum grande centro, que ia arrumar um emprego legal e ficar por lá. Então, voltar para Passos não estava nos meus planos, mas eu tinha vontade, porque toda minha família está aqui, todas as pessoas que eu amo", conta a mineira de 26 anos. Os planos de Letícia mudaram quando ela soube que a fabricante de bebidas Heineken abriria uma nova fábrica em sua cidade natal. Inaugurada em novembro de 2025, com um investimento de R$ 2,5 bilhões, a cervejaria gerou mais de 2,2 mil empregos na fase de obras e emprega atualmente 350 pessoas, segundo a empresa. "Queria trabalhar numa multinacional, que é o sonho do engenheiro de produção. Então, surgiu a oportunidade de voltar para casa, e eu agarrei essa oportunidade." A chance de Letícia conciliar um sonho profissional com o desejo de morar perto da família foi possível devido a uma tendência crescente na indústria brasileira: a interiorização. Em 1985, dois terços dos empregos no setor estavam nas capitais e regiões metropolitanas, e um terço, no interior do país. Passadas quase quatro décadas, em 2022, a maioria dos empregos industriais brasileiros (54,4%) já estavam no interior, segundo dados do governo federal. A inversão da prevalência, com o interior dos Estados superando as regiões metropolitanas com a maioria dos empregos industriais em nível nacional, aconteceu em 2014 e vem ganhando força ano após ano. Entre os Estados com maior número de empregos na indústria de transformação, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará e Bahia tiveram os movimentos de interiorização mais significativos nas últimas quatro décadas, com movimentos mais leves em Santa Catarina e Paraná, revela estudo recém-publicado pelo Núcleo de Economia Regional e Urbana da Universidade de São Paulo (Nereus/USP), de autoria dos economistas Paulo Morceiro e Milene Tessarin. Morceiro e Tessarin utilizaram dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para analisar o peso da indústria no emprego formal total do Brasil. Eles traçaram um retrato inédito da contribuição das diferentes esferas geográficas na desindustrialização do Brasil, com uma série de dados longa e contínua, de 1985 a 2022 — e confirmaram com números uma "neoindustrialização" do país puxada pelas cidades do interior. Os dados mostram, por exemplo, que cresceu a representatividade dos Estados do Centro-Oeste na produção industrial, puxada pelo agronegócio, enquanto três regiões metropolitanas com forte tradição no setor (São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre) foram responsáveis sozinhas por 70% da desindustrialização que o Brasil sofreu nas últimas décadas. A desindustrialização do Brasil Segundo os economistas da USP, a participação no emprego total do Brasil da indústria de transformação — aquela que transforma matérias-primas em produtos, diferentemente da indústria extrativa, focada na retirada de recursos da natureza, como mineração e petróleo, por exemplo — diminuiu de 27,7% para 15,1% entre 1986 e 2022. Esse movimento de desindustrialização aconteceu em duas fases: uma mais intensa, de 1986 (ano do auge da industrialização no Brasil, quando a parcela da indústria no emprego atingiu seu máximo) a 1998, e uma mais branda, de 2008 a 2022. A fase mais intensa foi impulsionada por diversos fatores, pontuam os economistas. Em primeiro lugar, eles citam a redução do investimento público em infraestrutura e estatais como parte de um esforço para conter a explosão da dívida externa herdada da ditadura militar, enfraquecendo o que havia sido até então um dos pilares da industrialização nacional. A hiperinflação que o país enfrentava neste período inibiu investimentos empresariais ao impactar o consumo das famílias e gerar muita incerteza entre os empresários quanto à estabilidade econômica. A súbita abertura comercial promovida pelo governo federal nos anos 1990 e a valorização da moeda brasileira com a implementação do Plano Real expôs a indústria nacional — até então, excessivamente protegida, na visão dos economistas — à competição estrangeira, sem uma fase de adaptação. A combinação desses fatores levou à eliminação de 1,67 milhão de postos de trabalho na indústria entre 1989 e 1998, resultando em uma redução de 27,2% no estoque de emprego formal do setor, mostra o estudo. Já a fase mais recente começou com a crise financeira mundial de 2008 e foi impactada ainda pelo baixo crescimento do Brasil neste século, pelo avanço da China nas exportações mundiais de manufaturados e pela recessão econômica de 2015 e 2016, fatores que ampliaram a competição com importados e inibiram investimentos no setor industrial, devido ao enfraquecimento do consumo. Nesse cenário, tanto capitais e regiões metropolitanas, como o interior dos Estados, se desindustrializaram nas últimas quatro décadas, com a indústria perdendo participação no total de empregos formais. Mas, no interior, essa desindustrialização foi mais branda, especialmente no Estado de São Paulo, o maior polo industrial do país, mostram os economistas. Por que a indústria está indo para o interior Segundo Morceiro, parte desse fenômeno é explicado por uma crescente concentração populacional e sobrecarga da infraestrutura de áreas urbanas, que eleva os custos operacionais das indústrias, criando desvantagens que superaram os benefícios de se estar em áreas densamente ocupadas. Isso levou a uma "fuga de indústrias" para regiões menos concorridas. "Terrenos e galpões industriais ficam muito caros, o custo de mão de obra cresce muito, tem que pagar aluguel mais caro, a comida fora de casa é mais cara para o trabalhador, que demora mais tempo para chegar à fábrica devido aos congestionamentos", exemplifica Morceiro, um dos principais estudiosos da indústria e da desindustrialização no Brasil. "O pessoal se organiza muito mais fácil, então os sindicatos são mais fortes. Tudo isso é custo para a empresa", diz ele. Nesse cenário, setores como o automobilístico, antes muito concentrado no ABC Paulista — polo industrial tradicional da Região Metropolitana de São Paulo —, agora floresce em outras partes do Brasil. Exemplo recente disso é a montadora chinesa GWM, que inaugurou em agosto uma nova fábrica em Iracemápolis, no interior paulista, distante cerca de 160 km da capital, após adquirir, em 2021, uma planta que pertenceu à Mercedes-Benz. Com investimentos planejados de R$ 10 bilhões no Brasil até 2032, a empresa espera gerar de 800 a mil postos de trabalho na nova fábrica, que deve produzir até 50 mil veículos por ano. A chegada da GWM a Iracemápolis permitiu à paulista Gabriele de Oliveira Pereira, de 27 anos, trocar a jornada 6x1 como estoquista em um supermercado em Piracicaba, por uma vaga de operadora de produção na indústria automotiva da cidade vizinha. "Meu salário dobrou", conta Gabriele, orgulhosa do novo emprego, que conseguiu após fazer um curso de solda na Oficina de Sonhos, um projeto de capacitação profissional de Piracicaba. "Coloquei minhas contas em dia e, agora, consigo levar minha filha de 2 anos para passear, coisa que antes não podia proporcionar e que minha mãe não pôde proporcionar para mim, quando eu era mais nova." Entre os desafios do novo emprego, Gabriele cita a barreira da língua da chefia chinesa. "Alguns falam inglês, outros falam chinês. Só sei o básico, então, nos comunicamos pelo celular. E eles são bem trabalhadores e não gostam que fique parado, não." Morceiro destaca ainda que outro fator que tem contribuído para a interiorização da indústria é a chamada "guerra fiscal", quando Estados ou municípios abrem mão de arrecadar impostos para atrair empresas a instalarem fábricas em seus territórios. No caso da planta da Heineken em Passos, por exemplo, o município isentou a cervejaria holandesa de pagar cerca de R$ 90 milhões em tributos municipais por até 15 anos, segundo informações da imprensa local à época da aprovação da chamada "Lei Heineken", criada especialmente para isso, em 2022. Já a GWM afirma que recebeu isenção de IPTU pela geração de empregos em Iracemápolis, além de estar inscrita no programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), do governo federal, que concede incentivos para montadoras que investem em produção nacional e pesquisa e desenvolvimento. 'Não é suficiente para estancar a desindustrialização' Morceiro observa, porém, que esse movimento de "neoindustrialização" puxado pelo interior é insuficiente para compensar o processo maior de desindustrialização do Brasil como um todo. Por exemplo, enquanto os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul são responsáveis juntos por 92,9% da desindustrialização do país, Estados que estão se industrializando com o impulso das commodities agrícolas, como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, dão uma contribuição pequena para atenuar esse processo, reduzindo em apenas 4,4% a desindustrialização de 1986 a 2022. "Esse movimento de interiorização permitiu com que a indústria ganhasse um fôlego para competir com os importados", diz Morceiro, já que a interiorização representa muitas vezes uma redução de custos para a indústria. "Mas não é suficiente para estancar a desindustrialização, é suficiente apenas para diminuir a intensidade [desse processo] no país." O economista destaca que a desindustrialização importa, porque a indústria é um setor que dá um forte impulso ao crescimento dos países. Isso é particularmente relevante para aqueles ainda em desenvolvimento e muito desiguais, como o Brasil. "A indústria tem engrenagens mais fortes que outros setores. Quando ela cresce, a economia cresce mais, porque ela arrasta esse crescimento devido aos seus multiplicadores, às cadeias produtivas mais longas", diz Morceiro. "Durante a industrialização de qualquer país, a taxa de crescimento costuma ser a maior da sua história." Rafael Cagnin, diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), observa que parte da desindustrialização das regiões industriais mais tradicionais do país, como São Paulo e Rio de Janeiro, também está relacionada ao avanço do setor de serviços nestes locais. "Rio e São Paulo, que são os polos industriais tradicionais, também são as regiões metropolitanas mais ricas", diz Cagnin. "Então, é possível que esse processo de desindustrialização, embora mais intenso, seja mais próximo de um processo 'normal' do enriquecimento dessas regiões e, consequentemente, da diversificação da estrutura produtiva em direção a serviços." Esse movimento também ocorre nos países ricos, de economia mais avançada, mas, no Brasil, especialistas avaliam que ocorre de forma precoce por ser registrado após poucos anos de vigor industrial e em um momento em que o país ainda era considerado de renda média, em vez de alta. Cagnin destaca ainda o papel do avanço da terceirização no processo de desindustrialização. "Parte daquilo que era emprego industrial tipicamente até os anos 1980 — segurança, reparos, limpeza, organização de estoques, pesquisa e desenvolvimento, marketing —, com o fenômeno da terceirização, acabou sendo transferido para fora da indústria", observa o diretor do Iedi. Pesa ainda para a desindustrialização (quando medida como a participação da indústria no emprego total do país, como fazem Morceiro e Tessarin) o avanço da automação, que é um processo positivo ao aumentar a produtividade da indústria, avalia Cagnin, mas que reduz a mão de obra necessária e, consequentemente, o peso do setor no mercado de trabalho. Como estimular a indústria nacional? Diante desse quadro, de desindustrialização dos polos tradicionais e avanço da indústria rumo ao interior do Brasil, o diretor do Iedi avalia que a política industrial nacional precisa atuar em duas frentes. A primeira delas é encontrar formas de incentivar a modernização dos parques industriais. "Isso implica criar condições no país de viabilização de investimentos. E o principal obstáculo que temos é custo de capital", diz o economista, destacando o papel dos juros elevados nesse alto custo. Com a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 15%, maior patamar em 20 anos, fica mais caro para as empresas pegar dinheiro emprestado para investir em novas tecnologias e processos. Já para os parques mais recentes e modernos, muitos deles agora no interior, a principal preocupação deve ser com a capacidade logística, avalia o especialista. "É uma questão de como você vai adensar estes parques, ou seja, como criar outros setores em torno desses que já existem", afirma Cagnin. "Então, onde tem biocombustível, podemos fazer etanol de segunda geração [produzido a partir de resíduos como bagaço e palha de cana-de-açúcar, em vez do caldo]. A indústria de carne pode ir além do abate, esquartejamento, congelamento e exportação, processando ainda mais essa carne em outros produtos alimentares", exemplifica. "O desafio é tornar mais complexos esses polos industriais que já foram criados por esse interior." Segundo o economista, para isso, além de reduzir o custo para investir, são necessárias melhorias em redes de transporte, energia e combustíveis para escoar a produção para os mercados compradores e também ampliar a conexão entre esses diferentes polos. Gabriele, a funcionária da fábrica de automóveis que viu sua qualidade de vida melhorar ao conseguir um emprego na indústria, também avalia que fortalecer o setor seria importante. "Muita gente queria estar aqui também, mas é difícil, né? Muita gente pergunta se [a fábrica] está contratando", conta a operária. "Uma pessoa que nem eu, que sempre trabalhou em mercado, sempre em escala 6x1, é bastante libertador se sentir confortável trabalhando de segunda a sexta, tendo um horário bom, com pessoas que amam o que fazem. Venho trabalhar agradecendo a Deus todo dia pela oportunidade." Gráficos por Laís Alegretti, da equipe de Jornalismo Visual da BBC News Brasil. 'A indústria virou pó': como agro e mineração já superam manufatura no Brasil Onde estão os bons empregos na economia brasileira? Carro elétrico: como China quer exportar 'trânsito silencioso' para o mundo a partir do Brasil

Palavras-chave: tecnologia

Com ambiente experimental para associações, Anvisa define como vai funcionar o cultivo de cannabis no Brasil

Publicado em: 03/02/2026 07:36

Anvisa: Decisão sobre cannabis medicinal é avanço para tratamento e pesquisa A Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou nesta terça-feira (3) um conjunto de resoluções que detalha como vai funcionar o cultivo de cannabis no Brasil. O pacote também cria um ambiente regulatório experimental para testar, sob supervisão da agência, modelos de fornecimento fora do padrão industrial, como os adotados por associações de pacientes. A autorização para o cultivo já havia sido anunciada pela Anvisa na semana passada. Agora, com a publicação das normas no Diário Oficial da União, a agência estabelece regras práticas para o plantio, a pesquisa científica, a produção de insumos e o funcionamento desse modelo experimental. Com isso, a agência amplia o alcance da regulação sobre a cannabis medicinal e passa a normatizar toda a cadeia —do cultivo ao uso dos produtos— sob controle sanitário federal. Maconha medicinal: até julho do ano passado, cerca de 672 mil pacientes usaram produtos à base de Cannabis no Brasil Pixabay O que muda com as novas regras Até então, a atuação da Anvisa estava concentrada principalmente na autorização sanitária de produtos à base de cannabis, em sua maioria importados, e na regulamentação da prescrição médica. O cultivo da planta em território nacional não era permitido, o que levou pacientes e associações a buscar autorizações individuais na Justiça. As novas resoluções revogam a norma de 2019 que tratava do tema e inauguram um modelo regulatório mais amplo, que passa a prever o plantio controlado da cannabis no Brasil, ainda que restrito a finalidades específicas e sujeito a exigências rigorosas de segurança e fiscalização. Quem poderá cultivar cannabis no país As regras distinguem diferentes modalidades de cultivo. No caso do cânhamo industrial, definido como a Cannabis sativa L. com teor de THC igual ou inferior a 0,3%, o plantio passa a ser permitido para fins medicinais, farmacêuticos e de pesquisa. Estabelecimentos com autorização especial poderão adquirir sementes, cultivar a planta e fornecer a matéria-prima para uso autorizado. Já o cultivo para pesquisa científica poderá ser feito por universidades, instituições de ciência e tecnologia, órgãos de segurança pública e fabricantes de medicamentos, inclusive com variedades da planta com maior teor de THC. Esse tipo de plantio ficará condicionado a medidas de segurança reforçadas, como videomonitoramento ininterrupto, controle eletrônico de acesso, registro das imagens por até dois anos e planos para prevenir o desvio da produção. Se um lote de cânhamo ultrapassar o limite de THC após análise laboratorial, ele deverá ser destruído, e o ocorrido comunicado à Anvisa em até 48 horas. Ambiente experimental abre espaço para associações Uma das principais novidades do pacote é a criação de um ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox, que permitirá à Anvisa testar, por até cinco anos, atividades relacionadas à cannabis desenvolvidas fora do modelo industrial tradicional e em pequena escala. O objetivo é gerar evidências regulatórias sobre formas alternativas de acesso que hoje operam, em grande parte, amparadas por decisões judiciais, como as associações de pacientes que produzem e distribuem derivados da planta apenas para seus associados. A participação nesse ambiente dependerá de chamamento público e seleção pela agência. As regras proíbem publicidade e a comercialização ampla dos produtos nesse modelo experimental. As entidades participantes também deverão se comprometer a se adequar às normas definitivas que venham a ser estabelecidas após o período de testes. Impacto para pacientes e profissionais de saúde As resoluções também trazem mudanças relacionadas ao uso dos produtos. A Anvisa passa a permitir concentrações de THC acima de 0,2% em medicamentos destinados exclusivamente ao tratamento de pacientes com doenças debilitantes graves, desde que atendidas exigências adicionais de rotulagem e controle. Outra novidade é a autorização formal para a prescrição de produtos à base de cannabis por médicos veterinários, desde que os itens tenham autorização sanitária e estejam regularizados junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária. Até agora, esse uso não estava explicitamente previsto nas normas da agência. Para as farmácias, a manipulação de fórmulas magistrais com canabidiol isolado foi admitida, mas dependerá de regulamentação complementar específica. O que não está liberado Apesar da ampliação das regras, a Anvisa reforça que o novo marco não autoriza o uso recreativo da cannabis nem o cultivo irrestrito da planta. Todas as etapas previstas nas resoluções —do plantio ao fornecimento dos produtos— exigem autorização prévia, rastreabilidade e fiscalização contínua. O descumprimento das normas pode levar à destruição de plantas e produtos, além da aplicação de sanções administrativas. Segundo a Anvisa, esta é a mais profunda reformulação da política regulatória da cannabis desde 2019. Ao detalhar regras para o cultivo, a pesquisa científica e a testagem de modelos associativos, a agência busca responder ao aumento da demanda de pacientes, à produção de conhecimento científico no país e à crescente judicialização do tema. A expectativa é que o novo modelo reduza a dependência de importações, dê mais previsibilidade regulatória e permita ao Estado avaliar, de forma controlada, diferentes formas de acesso à cannabis medicinal no Brasil.

Palavras-chave: tecnologia

Escritórios do X são alvos de buscas em investigação sobre pornografia infantil e deepfakes

Publicado em: 03/02/2026 07:36

Elon Musk no Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), em janeiro de 2026 AP Photo/Markus Schreiber Escritórios do X na França são alvos de busca na manhã desta terça-feira (3), segundo procuradores franceses. As buscas são parte de uma investigação preliminar sobre uma série de supostos crimes, incluindo a disseminação de pornografia infantil e deepfakes. Autoridades pediram que Elon Musk preste esclarecimentos no âmbito da investigação sobre sua plataforma de mídia social X, informou o Ministério Público de Paris. “Intimações para depoimentos voluntários em 20 de abril de 2026, em Paris, foram enviadas ao sr. Elon Musk e à sra. Linda Yaccarino, na condição de gestores de fato e de direito da plataforma X à época dos acontecimentos”, afirmou o órgão. Yaccarino deixou o cargo de CEO do X em julho do ano passado, após dois anos à frente da empresa. Veja os vídeos que estão em alta no g1 A investigação foi aberta em janeiro do ano passado pela unidade de combate a crimes cibernéticos do Ministério Público, segundo o comunicado. O inquérito apura suposta “cumplicidade” na manutenção e disseminação de imagens pornográficas de menores, deepfakes sexualmente explícitos, negação de crimes contra a humanidade e manipulação de um sistema automatizado de processamento de dados no âmbito de um grupo organizado, além de outras infrações. Além disso, os promotores solicitaram “depoimentos voluntários” de Elon Musk e de Linda Yaccarino, CEO do X de 2023 a 2025, agendados para 20 de abril. Funcionários da plataforma X também foram intimados para prestar depoimento como testemunhas na mesma semana de abril, informou o comunicado. Um porta-voz do X não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Em uma mensagem publicada no X, o Ministério Público de Paris confirmou as diligências em andamento e informou que estava deixando a plataforma, ao mesmo tempo em que convidou seguidores a acompanharem o órgão em outras redes sociais. “Nesta etapa, a condução da investigação baseia-se em uma abordagem construtiva, com o objetivo final de garantir que a plataforma X cumpra a legislação francesa, já que opera em território nacional”, disseram os promotores em nota. A investigação foi aberta inicialmente após denúncias de um parlamentar francês, que alegou que algoritmos enviesados no X poderiam ter distorcido o funcionamento de um sistema automatizado de processamento de dados. Posteriormente, o inquérito foi ampliado após novas denúncias de que o chatbot de inteligência artificial do X, Grok, teria negado o Holocausto e disseminado deepfakes sexualmente explícitos, segundo o comunicado.

Galaxy S26 Ultra: suporte a Terminal Linux pode revolucionar uso do aparelho

Publicado em: 03/02/2026 07:27 Fonte: Tudocelular

De acordo com um novo trecho de código encontrado, o Galaxy S26 Ultra poderá executar uma versão completa do Terminal Linux. Com a possível mudança, a Samsung equipara seu topo de linha mais avançado a outros aparelhos Android; a exemplo do Google que introduziu o recurso na linha Pixel ainda no ano passado. As novas informações têm como fonte os colegas do portal Android Authority. Ao investigarem o código fonte da One UI 8.5, que tem como base o Android 16 QPR2, fragmentos de código fazem referência direta ao Android Virtualization Framework (AVF) – Estrutura de Virtualização do Android, em tradução livre. Confira:Para aqueles que não estão ambientados com o termo, o AVF é uma tecnologia que fornece ambientes de execução seguros e isolados para rodar códigos com alta privacidade no Android, superando o isolamento tradicional de sandbox dos aplicativos.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Operação do Inmetro e ANP fiscaliza 180 postos de combustíveis no DF e em 8 estados

Publicado em: 03/02/2026 07:09

Posto de gasolina combustível Marcello Casal Jr/Agência Brasil Uma operação vai fiscalizar, a partir desta terça-feira (3), 180 postos de combustíveis no Distrito Federal e em oito estados. O objetivo é combater fraudes na qualidade e na quantidade de combustível. A operação acontece por três dias e é realizada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. 🔎 As fraudes acontecem com a instalação de dispositivos clandestinos, como placas, chips ou softwares adulterados, nas bombas de combustíveis, que reduzem o volume real de combustível entregue. Os estabelecimentos autuados pela ANP podem receber multas de R$ 5 mil a R$ 5 milhões, além de penas de suspensão e revogação de sua autorização. No caso dos postos autuados pelo Inmetro, a multa pode ser de R$ 100 a R$ 1,5 milhão. Se for identificada fraude, as bombas do posto devem ser substituídas. Fiscalização A lista de estados e postos que serão fiscalizados não foi divulgada. A TV Globo apurou que no Distrito Federal, em um posto na região do Noroeste, uma das bombas deu diferença de 113 ml ao abastecer 20 litros. O posto será notificado e depois fiscalizado novamente. Já em um posto na Asa Norte, foi identificado um vazamento em uma bomba de diesel, que será interditada. A operação inclui as seguintes verificações: volume efetivamente entregue ao consumidor; condições das bombas medidoras; existência de manipulações eletrônicas e da regularidade das manutenções realizadas; qualidade dos combustíveis. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Orientações para o consumidor O Inmetro e a ANP trazem as seguintes orientações para os consumidores na hora de abastecer: Verifique se a bomba possui o selo do Inmetro. Confira se os mostradores estão em bom estado, sem rachaduras, opacidade ou falhas de leitura. Observe se a iluminação permite visualizar claramente o volume e o preço a pagar, inclusive à noite. Verifique se os indicadores eletrônicos estão funcionando corretamente, sem dígitos apagados ou danificados. Cheque se mangueiras e conexões estão íntegras, sem vazamentos ou deformações. Confirme se o posto dispõe da medida-padrão de 20 litros, verificada pelo Inmetro. Em caso de suspeita de irregularidades, o consumidor pode entrar em contato: com a Ouvidoria do Inmetro pelo site gov.br/inmetro ou pelo telefone 0800 285 1818, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30; com a ANP por meio do telefone 0800 970 0267 ou do FalaBR, plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União (CGU). LEIA TAMBÉM: GASOLINA BARATA? Redução nas distribuidoras pode não chegar aos postos do DF, diz sindicato BANCO MASTER: 4 dos 8 deputados federais do DF assinaram pedido de CPI; veja lista Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Palavras-chave: tecnologia

Conserto de Porsche que bateu em poste pode custar mais de R$ 100 mil, diz mecânico

Publicado em: 03/02/2026 07:00

Vídeo mostra momento em que Porsche, de mais de R$ 700 mil, perde o controle antes de bate O acidente que deixou uma Porsche 911 Carrera destruída após bater contra um poste, em Araguaína, região norte do Tocantins, pode gerar um prejuízo que ultrapassa a marca de R$ 100 mil apenas em reparos, conforme avaliou o mecânico Ediney Gomes em entrevista ao g1. A destruição do carro atingiu componentes de alto custo e tecnologia avançada, o que encarece a mão de obra e a reposição de peças originais. O acidente aconteceu na Avenida dos Administradores, em Araguaína, quando o carro perdeu o controle e bateu contra um poste, no último domingo (1º). Imagens de câmeras de segurança registraram o veículo, avaliado em mais de R$ 700 mil, em alta velocidade, sob chuva intensa e asfalto molhado. A batida destruiu a frente do carro de luxo e deixou o motorista Otacilio Júnior Felismino, de 36 anos, e uma mulher, de 37, feridos. “Uma Porsche Carrera dessas aí, com um estrago desse, normalmente dá perda total se tiver seguro. Caso não tenha cobertura para colisões, não fica menos de R$ 100 mil para fazer um reparo desses. O carro destruiu a frente e aí não compensa nem arrumar. Um carro desse valor dificilmente se recupera quando é batido. Pode acontecer, mas é necessário comprar outro que tenha batido a traseira ou a lateral para poder recuperar", disse o mecânico Ediney Gomes Otacilio Júnior é o proprietário do carro. Ele sofreu uma lesão na perna, enquanto a passageira, de 37 anos, teve ferimentos na testa. Ambos foram socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e pelo Corpo de Bombeiros e levados a um hospital da região. O motorista informou que segue no hospital com um ferimento na perna. O estado de saúde da passageira não foi informado até a última atualização desta reportagem. Em relação ao carro, Otacilio disse que houve perda total. "Mas temos seguro do veículo, já acionamos e, apesar do acidente, vai ficar tudo bem", explicou. O modelo da Porsche é de 2020 e, segundo apuração do g1, o valor da versão 911 Carrera pode variar entre R$ 700 mil e R$ 800 mil, conforme a Tabela Fipe. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp O modelo do veículo batido tem aceleração de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos e pode chegar a 294 km/h, segundo a fabricante Reprodução/Instagram de Araguaínanofoco LEIA TAMBÉM Concursos no Tocantins: além da Saúde, polícias Civil e Penal têm previsão de seleções em 2026 Marido e filhas são presos suspeitos de matar mulher que teve corpo deixado em rio no Tocantins O que se sabe sobre adolescente morta a tiros em distribuidora de Palmas De acordo com a Polícia Militar, o condutor estava com a documentação regular e não apresentava sinais de embriaguez, resultando na liberação do veículo ainda no local. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Palavras-chave: tecnologia

Vereadores retomam trabalhos na Câmara de Teresina nesta terça (3)

Publicado em: 03/02/2026 06:16

Câmara de Teresina aprova orçamento de R$ 6 bi e discute salário de servidores Os trabalhos legislativos da Câmara Municipal de Teresina são retomados nesta terça-feira (3), com a solenidade que marca o início do segundo ano da 20ª Legislatura. A abertura oficial terá início às 8h30, no Plenário da Casa, e contará com a leitura da mensagem anual do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil). ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp A sessão solene seguirá o rito previsto no regimento interno da Câmara. A programação começará com a declaração oficial de abertura pelo presidente da Casa, Enzo Samuel (PDT). Em seguida, será feita a composição da mesa de honra, formada por autoridades convidadas. Antes do início da solenidade, o público e as autoridades serão recepcionados no saguão da Casa. No local, haverá apresentação da Banda 16 de Agosto, responsável pelo acolhimento musical dos presentes. A retomada das atividades parlamentares regulares está prevista apenas para a quarta-feira (4). Vereadores da Câmara de Teresina Eric Souza/g1 VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

Palavras-chave: câmara municipal

Xiaomi G27i (2026): monitor gamer de 200Hz e painel Fast IPS ganha lançamento global

Publicado em: 03/02/2026 06:04 Fonte: Tudocelular

A Xiaomi revelou o lançamento do monitor gamer G27i no mercado internacional. Apresentado recentemente na China, o modelo se destaca por ter algumas melhorias em comparação com o seu antecessor de 2025, além do foco maior no custo-benefício, sendo um equipamento acessível em relação à média. Performance de elite no segmento de entrada Essa é basicamente a promessa da marca com o novo dispositivo, que possui tecnologia Fast IPS em um painel de 27 polegadas e resolução 1920 x 1080. Além disso, o modelo vem com suporte a taxa de atualização de 200 Hz e ângulo de visão de 178º, bem como brilho de 400 nits.Conectividade e Recursos Adicionais Vale destacar também que o modelo tem um tempo de resposta GtG de 1 ms. Além disso, as opões de conectividade incluem suporte a DisplayPort 1.4, HDMI 2.0 e saída de áudio 3,5 mm.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

'Envelhecer': mercado de trabalho 60+ cresce e se torna estratégico com mudança no perfil populacional

Publicado em: 03/02/2026 06:01

'Envelhecer': quais os desafios do mercado de trabalho 60+ Aos 79 anos, Paulo Cizotto tem muitas experiências para contar e tempo de carreira suficiente para se aposentar. Mas, há cerca de cinco meses, decidiu voltar a trabalhar para não ficar parado e dar um reforço nas contas de casa. Depois de atuar com contabilidade, vendas e como recenseador do IBGE ao longo de décadas, aceitou uma nova oferta de emprego, desta vez como operador de caixa de uma grande rede de supermercados em Ribeirão Preto (SP). "Hoje em dia já estou mais solto, já estou conseguindo executar tarefas com mais tranquilidade", diz. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Paulo é protagonista de um crescimento de pessoas acima dos 60 anos no mercado de trabalho brasileiro. Segundo dados do IBGE, em 2024 já eram mais de 8,3 milhões de pessoas ocupadas, com uma taxa recorde de 24,4% para essa faixa etária. Em outras palavras, uma em cada quatro pessoas no país acima dos 60 anos trabalha. Para especialistas em recursos humanos, esse movimento não é uma mera tendência, mas sim uma realidade irreversível em meio ao envelhecimento da população brasileira que desafia a cultura das empresas e coloca em xeque os preconceitos associados à idade. Essa é uma transformação, eu diria, fisiológica mesmo. Uma transformação de capacidade do indivíduo de postergar a degradação do corpo. O pessoal brinca que os 50 são os novos 40. Talvez os 65 sejam os novos 50. Esta reportagem faz parte da série "Envelhecer", um especial do g1 sobre os desafios associados ao envelhecimento da população no mercado de trabalho, na sexualidade, na saúde pública e no acolhimento institucional. Aos 79 anos, Paulo Cizotto é operador de caixa em um supermercado em Ribeirão Preto (SP). Murilo Corazza/g1 Envelhecimento populacional e mercado de trabalho Somente em São Paulo, segundo dados de 2023 da Fundação Seade, mais de 2,1 milhões de pessoas acima dos 60 anos estavam ocupadas. O número é 55% maior do que o registrado em 2014. De acordo com a fundação, essa maior presença de idosos em postos de trabalho pode ser atribuída aos seguintes fatores: aumento da longevidade; prolongamento da vida economicamente ativa; necessidade de subsistência ou complementação da renda familiar. Para o consultor em RH Rodrigo Fonseca, as transformações no mercado de trabalho 60+, por um lado, têm a ver com uma maior qualidade de vida e mais acesso aos cuidados de saúde, o que tem feito com as pessoas tenham envelhecido com mais condições de prolongar sua jornada profissional. Por outro, o próprio envelhecimento populacional significa uma tendência de menor disponibilidade de mão-de-obra jovem no futuro, o que pode aumentar os espaços para os mais velhos atuarem. A Organização Mundial de Saúde (OMS) projeta que a população brasileira vai continuar a crescer até por volta de 2035 e, a partir de então, se estabilizar para depois começar a cair, depois de 2040. Em 2050, as pessoas acima dos 60 anos devem saltar de 33 milhões para mais de 63 milhões. "As últimas gerações dos anos 1970, 1980, 1990 para cá têm feito o diferencial negativo demográfico. (...) Você vai ter uma população realmente envelhecendo e daqui a pouco diminuindo. Isso faz com que o mercado de uma maneira geral envelheça." Aos 66 anos, Marly Fernandes acaba de ser promovida para o setor de atendimento após atuar com cobranças em empresa de serviços financeiros em Ribeirão Preto (SP). Divulgação/ Paschoalotto Paciência e experiência: os pontos fortes Dados do IBGE mostram que a maior parte dos brasileiros acima dos 60 anos que trabalham atuam por conta própria (43%) ou foram contratados com carteira assinada (17%). Em algumas áreas, a demanda por pessoas mais velhas começa a ficar mais evidente, principalmente pelas vantagens que costumam ter em relação aos mais novos. Entre elas estão funções associadas a atendimento ao cliente. "Essa é uma habilidade especial dos mais velhos que é ter uma paciência maior para lidar com o público. Na telefonia celular o pessoal liga sempre reclamando e a paciência de escutar e de ser empático, isso é uma coisa que o idoso faz melhor", afirma Fonseca. O consultor também destaca que a bagagem profissional dos 60+ também os torna fortes candidatos para cargos relacionados a treinamento interno e consultoria. "As empresas que vão se dar melhor nisso são aquelas que já identificaram isso e já começaram a agir. O segundo passo é a questão de você encaixar o perfil naquilo que eles fazem de melhor." Aos 66 anos e depois de passar por diferentes empresas, Marly Fernandes está há quase quatro anos como operadora de teleserviços da Paschoalloto Serviços Financeiros. Após de passar pelo setor de cobrança, ela acaba de ser promovida a uma vaga no setor de atendimento ao cliente. "Para cobrar você tem que gostar de trabalhar com o público, em primeiro lugar, porque você pega pessoas educadas, pessoas que já atendem xingando com vários palavrões e tem pessoa atritada. Você também tem que saber lidar com essa pessoa para chegar ao ponto exato que eu preciso, que é passar sobre a cobrança, o débito que consta comigo", diz. Pessoas da faixa etária da Marly hoje representam em torno de 5% do quadro de funcionários da empresa, que decidiu apostar em um programa de contratação de pessoas acima dos 50 anos para acompanhar as mudanças do mercado de trabalho e ampliar a diversidade da mão de obra. "Isso acrescenta na maturidade dentro dos ambientes, mas também é para trazer o compromisso, o comprometimento, a dedicação. Quando a gente pensa nesse público, a gente pensa em tudo isso, em compromisso, em participação, em maturidade", afirma a consultora de RH Sandra Andreia de Oliveira. Mais aprendizado e menos preconceito Desde que implementou um programa focado na contratação de pessoas acima dos 50 anos, há cerca de um ano e meio, a rede de supermercados Savegnago elevou de 10% para quase 20% a parcela de pessoas nessa faixa etária entre seus funcionários espalhados por 22 cidades do interior de São Paulo. "A gente lançou um desafio em que abrimos 500 vagas, isso contando de julho de 2024. O programa teoricamente duraria até julho de 2025, só que a gente contratou muito mais . (...) A gente contratou desde o início do programa mais de 1,5 mil pessoas", afirma Jaciani Rizziolli, diretora de recursos humanos da empresa. A maior parte dos que foram contratados, incluindo pessoas acima dos 60 anos, hoje atuam com atendimento ao público, do caixa ao açougue e padaria. A habilidade de lidar com as pessoas foi um dos pontos fortes para esse perfil profissional, mesmo quando não se tinha experiência anterior na função. "São pessoas que têm muita paciência e jogo de cintura para lidar com o cliente. A gente percebe um nível de maturidade no dia a dia, no atendimento. São pessoas que, por terem bastante experiência de vida, tem mais resiliência, mais paciência e sabem resolver problema. Não não ficam tão estressados na frente de um cliente quando a um problema se apresenta", afirma a diretora de RH. Em um tipo de negócio onde também há muitos jovens atuando, como o varejo, a contratação de pessoas acima dos 50 anos, segundo Jaciani, também representou uma interação repleta de aprendizado entre gerações. "Essa experiência deles ajuda a desenvolver os mais jovens. Eles apoiam muito, isso é bem legal. Em contrapartida, os jovens também os procuram para trocar ideia, pedir conselho, porque veem neles um pouco mais de maturidade, que é o que existe de fato." Desde que começou a trabalhar como operador de caixa, em um supermercado na zona oeste de Ribeirão Preto, Paulo garante que a convivência com os mais jovens tem sido muito produtiva e saudável. "Eu tenho duas filhas que já poderiam ser mãe dessas meninas. Eu sou avô da meninada aqui", brinca. Paulo não nega: a jornada de trabalho é cansativa, sim, mas compensa, por causa dessa convivência que tem com outras pessoas e também por causa dos benefícios pagos pela empresa. "Até quando a força estiver ajudando a gente vai." Segundo Jaciani, a experiência com profissionais mais velhos também tem ajudado a derrubar certos preconceitos, como a ideia de que as gerações anteriores não conseguem lidar com as novas tecnologias. Nos treinamentos realizados pela rede de supermercados, de acordo com a diretora de recursos humanos, os exemplos de dedicação e empenho derrubam o chamado "etarismo". "A gente tem mania de estereotipar as coisas e as pessoas e não é bem assim. Cada indivíduo é um indivíduo. Conheço pessoas que têm 60 anos que têm domínio em tecnologia mais do que pessoas de 30 anos que não têm interesse. Vai muito mais do querer das pessoas do que qualquer outra coisa." Paulo Cizotto passou a atuar como operador de caixa em supermercado após programa de contratação de pessoas acima de 50 anos em Ribeirão Preto (SP). Murilo Corazza/g1 Para a consultora de RH da Paschoaloto, as experiências com pessoas mais velhas também demonstram o quanto as pessoas podem estar erradas com relação à idade. "A gente vê muitas pessoas falando 'ah, mas a pessoa que é mais velha não vai conseguir lidar com o computador'. E nada disso é verdade. A gente tem várias pessoas aqui no nosso programaque se desenvolvem super bem", afirma Sandra. O consultor de RH Rodrigo Fonseca também reforça que essa ideia é equivocada. Segundo ele, achar que uma pessoa acima dos 60 anos tem dificuldade de lidar com o que é novo e com as novas tecnologias é um comportamento preconceituoso que precisa ser repensado. Para ele, esse é um pensamento baseado em pessoas que já não atuam no mercado de trabalho. O mesmo vale para atribuir certos clichês aos mais novos, segundo ele. "Do mesmo jeito que a gente estereotipou a geração Z e os millenials como alguém que não quer trabalhar duro, e eu conheço muitos deles que gostam e trabalham muito duro, e não sei até que ponto a questão da pessoa 60+ ser não digital também não é um estereótipo. Tudo vai da motivação que a pessoa tem para fazer aquilo", analisa. Gerente na loja em que Paulo é operador de caixa, Luiz Polaco, de 64 anos, tem mais de 40 anos na empresa. Para ele, a experiência precisa ser complementada por uma capacidade de adaptação aos novos cenários. "Sei como que é o lado de ser jovem e tenho que aprender a aceitar, porque hoje você tem que evoluir. Você não pode ter a cabeça mais antiga, você tem que acompanhar a juventude. O maior desafio hoje que a gente tem é acompanhar a juventude. Ter aquela experiência que a gente tem do fazer e associar com os mais novos. Essa é a grande sacada", diz. Aos 64 anos, Luiz Polaco acumula 40 anos dentro da mesma empresa e gerencia supermercado em Ribeirão Preto (SP). Murilo Corazza/g1 Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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Acer Nitro V15 na Shopee: notebook gamer com RTX 3050 6GB e tela IPS de 165Hz em oferta

Publicado em: 03/02/2026 05:42 Fonte: Tudocelular

O Acer Nitro V15 é uma das alternativas presentes no segmento gamer de notebooks com foco em oferecer uma experiência satisfatória sem cobrar tanto. Com isso, este dispositivo se apresenta com especificações de entrada, mas com capacidade de rodar um grande número de jogos com boa resolução e desempenho. As pessoas interessadas neste modelo podem aproveitar a oferta da Shopee por R$ 3.959. Para chegar no valor mencionado, basta resgatar o cupom no próprio aplicativo da loja e aplicá-lo antes da compra. Resgate o cupom clicando aqui. Notebook Gamer Acer Nitro V15 ANV15-52-514Z Intel Core i5-13420H 15.6" RTX3050 512GB 8GB Linux + Ubook kit 10 Livros Di Shopee R$3.959 Ver Oferta Sobre o notebookEm resumo, trata-se de um notebook gamer equilibrado para jogadores e criadores que buscam desempenho para jogar e trabalhar. Nesse sentido, o laptop vem com CPU Intel Core i5‑13420H, GPU NVIDIA GeForce RTX 3050 6GB, SSD NVMe 512GB e tela 15,6" Full HD 165 Hz.Clique aqui para ler mais

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Pressão, pouco reconhecimento e desgaste emocional: pesquisa mostra como os brasileiros se sentem no trabalho

Publicado em: 03/02/2026 05:03

Pesquisa mostra retrato do trabalho do Brasil A maioria dos trabalhadores brasileiros não mantém uma relação saudável com o trabalho, em um cenário marcado por pressão, altas demandas e sensação de pouco reconhecimento. É o que aponta a pesquisa global Work Relationship Index, da HP. Segundo o levantamento, apenas 29% dos profissionais estão na chamada "Zona Saudável". O Brasil ainda supera a média global. O dado mais preocupante, porém, está na outra ponta. A "Zona Crítica" passou a concentrar 34% dos profissionais, um aumento de 9% em comparação a 2024, indicando um avanço do desgaste emocional. O estudo também classifica os profissionais em "Zona de Atenção", que representa um estágio intermediário, marcado por sinais iniciais de alerta e desgaste. As três categorias funcionam como uma autoavaliação de como eles próprios percebem sua relação com o trabalho. Para a pesquisa, a HP ouviu 18.200 trabalhadores de escritório, entre trabalhadores do conhecimento, tomadores de decisão de TI e líderes empresariais de 14 países. No Brasil, foram entrevistadas 1,3 mil pessoas. 📊 A pressão diária aparece com clareza nos relatos: Para 71% dos brasileiros, as exigências e expectativas das empresas aumentaram no último ano. A percepção é de que o trabalho cobra mais, sem oferecer recompensas na mesma medida. Esse desequilíbrio afeta diretamente a forma como os profissionais se sentem dentro das organizações. Dos entrevistados, 39% dizem perceber que as empresas priorizam o lucro em detrimento das pessoas. A insatisfação também passa pelo modelo de trabalho. Segundo a pesquisa, 68% dos profissionais gostariam de passar menos dias presencialmente no escritório. O dado revela um descompasso entre o desejo por flexibilidade e as políticas adotadas por muitas empresas. brasileiros relatam desgaste com o trabalho Freepik Tecnologia ajuda, mas não chega a todos Em meio a esse cenário, a tecnologia surge como possível aliada para reduzir o desgaste no trabalho. Para a maioria dos profissionais, ferramentas digitais ajudam a ganhar tempo, organizar tarefas e equilibrar melhor as demandas do dia a dia. Não por acaso, 88% dos brasileiros afirmam que a tecnologia melhora o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. O uso de inteligência artificial já faz parte da rotina de trabalho. No Brasil, 90% dos profissionais dizem utilizar algum tipo de IA em suas atividades, o que reforça o papel cada vez mais central da tecnologia no ambiente corporativo. Ainda assim, a pesquisa mostra que os benefícios não são distribuídos de forma igual. O acesso à IA é mais frequente entre cargos de liderança: 49% dos tomadores de decisão de TI utilizam a tecnologia diariamente, enquanto entre os trabalhadores de escritório esse percentual cai para 25%. Outro ponto de atenção é a capacitação. Em 2025, 67% dos profissionais afirmam que suas empresas oferecem treinamento adequado para o uso de IA. Na edição anterior da pesquisa, esse índice era de 79%. Mesmo com essas limitações, o relatório aponta uma relação direta entre o uso da IA e uma experiência mais saudável no trabalho. Entre os profissionais que estão na "Zona Saudável", 44% utilizam inteligência artificial todos os dias. Já entre aqueles na "Zona Crítica", o uso é bem menor. Jovens sentem mais a pressão O desgaste é ainda mais presente entre os mais jovens. A Geração Z lidera a busca por novos modelos de trabalho e coloca flexibilidade, autonomia e acesso à tecnologia à frente do salário. Segundo o estudo, 90% desses profissionais aceitariam ganhar menos em troca desses fatores. O dado sinaliza uma mudança clara de valores em relação às gerações anteriores. Além disso, 57% dos jovens já têm uma fonte de renda extra. A estratégia ajuda a complementar os ganhos e oferece maior controle sobre o tempo. Esse movimento reflete tanto a pressão financeira quanto a tentativa de escapar de um modelo de trabalho visto como rígido e pouco recompensador. Ao mesmo tempo, o levantamento aponta que a convivência entre gerações pode ajudar a reduzir tensões. Profissionais das gerações X e Baby Boomers reconhecem o valor da troca intergeracional, especialmente no aprendizado de novas ferramentas digitais e em formas mais colaborativas de trabalhar. NR1, Saúde Mental e Burnout Divulgação

Baladeira, estilingue ou bodoque: entenda brincadeira de criança que virou competição no Tocantins

Publicado em: 03/02/2026 05:02

Moradores de Palmas fazem campeonato de baladeira Badoque, baladeira, atiradeira ou estilingue. O objeto é o mesmo, mas os nomes variam conforme a região do Brasil, carregando história, cultura e identidade local. Conhecido principalmente como brinquedo de infância, o estilingue atravessou gerações e, no Tocantins, deixou de ser apenas uma brincadeira para se transformar em competição esportiva. Tradicionalmente feito de galhos de madeira em formato de “Y”, tiras de borracha e um pequeno pedaço de couro ou borracha para apoiar a pedra, o estilingue foi, durante décadas, uma das brincadeiras mais acessíveis às crianças do interior. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Dependendo da região do país, o objeto ainda pode ser chamado de atiradeira, bodoque e funda. As diferenças de nomenclatura refletem a diversidade cultural e mostram como um mesmo objeto ganha novos significados conforme o território. Sem depender de tecnologia ou alto custo, a brincadeira estimula a criatividade, a coordenação motora e a convivência em grupo. Apesar disto, atualmente, também é possível encontrar o objeto à venda com composição diferente, com o corpo de metal, por exemplo. LEIA MAIS Baladeira vira competição e reúne adultos e crianças em Palmas Porsche de mais de R$ 700 mil fica destruído após motorista bater em poste no Tocantins Campeonato de baladeira atraiu crianças e adultos em Palmas Reprodução/TV Anhanguera No Tocantins, a tradição se manteve viva e evoluiu para competições que atraem participantes de diferentes cidades, valorizando um costume popular que faz parte da memória afetiva de muitas famílias. No fim de janeiro, o loteamento Coqueirinho, na zona rural de Palmas, recebeu o 1º Campeonato de Baladeira, mas o evento foi realizado outras duas vezes na capital. A distpua atraiu pessoas de várias regiões do estado e acumulou inscrições de 100 participantes. A ideia partiu dos amigos Evandro Abreu e Getúlio da Silva, conhecido como Jacaré. Eles decidiram resgatar, de forma saudável, a brincadeira que fez parte da infância dos dois. "A gente fez o campeonato do tiro esportivo justamente para não incentivar as pessoas a usarem o estilingue como arma de caça, para matar pássaros e pequenos animais. Então estamos utilizando nessa modalidade do tiro esportivo para resgatar e preservar a natureza", contou Evandro. Como é a competição? Para pontuar no 1º Campeonato de Baladeira 2026, os competidores precisam acertar o alvo a uma distância de dez metros. A munição é a bolinha de gude. Cada competidor recebe cinco bolinhas de gude e tem cinco alvos. Quem derrubar mais, avança para as próximas etapas. Os dois finalistas disputam a premiação de R$ 500. Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

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Marani Maru: Cantora pop criada por IA lança álbum inspirado no Carnaval

Publicado em: 03/02/2026 05:00

Marani Maru é cantora pop italiana criada por IA por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação A cantora virtual Marani Maru, criada inteiramente por inteligência artificial, lançou no dia 29 de janeiro um novo álbum dedicado ao Carnaval brasileiro. O projeto é assinado pelo criador Rodrigo Ribeiro, de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas Gerais, responsável por desenvolver a artista do zero, trabalho que ganhou destaque após reportagem do g1 sobre a repercussão internacional da cantora. Intitulado “Carnavale Brasiliano”, o álbum reúne três faixas: Carnavale Brasiliano, Febre e Carnavale Brasiliano Remix. Todas as músicas já estão disponíveis nas plataformas de streaming. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste no WhatsApp Mesmo sendo uma artista italiana, Marani Maru homenageia o Brasil ao unir funk brasileiro, percussões típicas do Carnaval e uma proposta lírica mais sociopolítica, que reflete sobre contrastes e desafios vividos pela população brasileira. Segundo Rodrigo, a ideia foi aproximar ainda mais o projeto do público brasileiro, sem perder a identidade original da artista. “Nesse novo EP, tentei trazer mais brasilidade para gerar identificação com o nosso público. O ritmo tem essa pegada de funk junto com a percussão de Carnaval para celebrar essa festa, que é uma das minhas favoritas. O Brasil tem muito o que comemorar, e a gente precisa celebrar a nossa cultura”, explicou. Novo EP de Marani Maru em homenagem ao carnaval já está disponível nas plataformas de streaming Rodrigo Ribeiro/Divulgação Apesar da forte referência ao Brasil, as músicas seguem em italiano, estratégia pensada tanto para brasileiros que estudam o idioma quanto para ouvintes estrangeiros. “A ideia é que brasileiros que estudam italiano usem as letras, algo que já acontece, e também que italianos e outros europeus conheçam o país além do estereótipo do Carnaval como uma festa promíscua. É uma tentativa de mostrar o Brasil com toda a celebração que ele merece, mas também com as dificuldades que enfrentamos”, afirmou. Carnavale Brasiliano Um dos destaques do EP é a faixa Carnavale Brasiliano, cuja letra faz uma leitura crítica da realidade brasileira. Em um trecho traduzido para o português, a canção aborda desigualdades sociais, o custo de vida e a contradição entre festa e sobrevivência cotidiana. “Dançamos para esquecer o preço do gás, Mas o corpo sabe, Sabe onde dói, sabe onde pulsa, sabe onde mente.” Para Rodrigo, a proposta não é atacar governos ou assumir posicionamento partidário, mas provocar reflexão social. “Não é um EP partidário. É uma crítica social ao que enfrentamos independentemente de governos de esquerda ou direita. Falo muito do pós-Carnaval, do depois da celebração, como o salário que derrete, o ônibus que atrasa, o preço do gás, a luta diária para viver com dignidade”, disse. Outro verso da música resume bem a proposta do EP: “Sexy, suado, lúcido, porque ser desejável também é política.” “O Carnaval também é turismo, é celebração, e isso é importante. Mas a intenção é fazer com que as pessoas passem a olhar para o brasileiro como pessoa, não como personagem fantasiado que aceita tudo numa boa. A festa existe, mas a dor também”, completou o criador. O novo álbum marca uma fase mais madura do projeto Marani Maru, que segue chamando atenção por unir tecnologia, música e reflexão social. "Sigo com pensamento de expandir o debate sobre o uso da inteligência artificial na arte contemporânea. O resultado tem sido incrível", pontuou Rodrigo. Marani Maru nasceu do zero Cantora pop criada por IA chama atenção nos streamings e fora do país O projeto nasceu do zero. Identidade visual, voz, repertório, clipes e narrativa artística foram concebidos a partir de ferramentas de IA, sempre sob a direção do artista divinopolitano. Em menos de um mês de lançamento, as músicas de Marani Maru passaram a circular em plataformas como Spotify, Apple Music, YouTube Music e TikTok, com execução em diferentes países e entrada em playlists algorítmicas das plataformas de streaming. Cantora italiana Marani Maru foi criada por IA, por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação A escolha de fazer de Marani Maru uma artista italiana não foi aleatória. Segundo Rodrigo, a origem do projeto está profundamente ligada à memória afetiva e à relação pessoal com a linguagem. “Uma das minhas lembranças favoritas da infância é assistir à novela Terra Nostra com a minha avó. Eu imitava o sotaque, achava aquilo teatral, bonito. Anos depois, morando no Rio Grande do Sul, ouvi o talian, aquele dialeto misturado com português, e aquilo voltou a me provocar”, contou. O interesse se aprofundou com o cinema italiano. Após assistir a uma mostra dedicada ao diretor Federico Fellini, no Palácio das Artes, Rodrigo decidiu estudar italiano de forma autodidata, um processo que acabou sendo incorporado diretamente ao projeto musical. Hoje, ele escreve as letras em português, traduz para o italiano, revisa gramática e fluidez e só então parte para a criação musical e visual. “A linguagem é central nesse trabalho. Eu estudo italiano todos os dias, entro em lives com italianos, divulgo o álbum em italiano. Isso acelera meu aprendizado real da língua”, explicou. Marani Maru ao lado de Rodrigo - imagem criada por Inteligência Artificial Rodrigo Ribeiro/Divulgação Música, imagem e técnica Apesar de ser um projeto feito com inteligência artificial, Rodrigo reforçou que o processo está longe de ser automático ou simples. A criação das imagens e dos clipes de Marani Maru envolve conhecimento técnico de fotografia, enquadramento, iluminação, figurino e direção de arte. “Não é digitar qualquer coisa e esperar que a IA entregue algo bom. Se você não tiver repertório, não souber pedir, a ferramenta não entrega. Eu escolho lente, câmera, luz, composição. A IA é uma ferramenta, não o cérebro do projeto”, afirmou. A provocação, segundo ele, é justamente questionar a ideia de que a arte feita com IA é fácil ou descartável. “Isso vem como resposta à desvalorização de vários tipos de arte e também ao cansaço de ouvir músicas recicladas, que parecem todas iguais”, disse. LEIA TAMBÉM: Cantora faz 'festa do divórcio' e comemora separação Artista usa cantos de pássaros em extinção como forma de manifesto Números que chamam atenção Marani Maru é cantora pop italiana criada por IA por artista de Divinópolis Rodrigo Ribeiro/Divulgação Mesmo sendo um projeto independente e recém-lançado, Marani Maru já aparece em playlists algorítmicas de plataformas musicais — um processo que costuma levar meses para novos nomes. Em menos de 30 dias, faixas do álbum passaram a ser recomendadas automaticamente pelas plataformas, segundo o criador. “Há registros de ouvintes no Brasil, Itália, Estados Unidos e Hungria, país onde uma das faixas chegou a ser executada sem que eu tivesse qualquer contato local. O algoritmo simplesmente levou”, resumiu. Entre as músicas já divulgadas estão “Motel Astrale”, faixa de abertura do álbum, e “Dare”, que tem se destacado em número de replays. O projeto também enfrenta desafios comuns a artistas independentes, como entraves com distribuidoras para liberação das músicas em redes sociais como o Instagram. IA na música O surgimento de artistas virtuais e músicas criadas com inteligência artificial não é um caso isolado. O debate ganhou força recentemente com “A Sina de Ofélia”, canção criada integralmente por IA que viralizou nas redes ao simular as vozes de Luísa Sonza e Dilsinho. A faixa chegou a circular no Spotify antes de ser removida e reacendeu discussões sobre direitos autorais, autoria e os limites do uso da tecnologia. Especialistas apontam que o setor vive um momento de transição. Ao mesmo tempo em que a IA amplia possibilidades criativas e reduz barreiras de entrada, também desafia modelos tradicionais da indústria fonográfica. Para Rodrigo, o caminho não é substituir o humano, mas expandir o que é possível. “Enquanto muitos artistas reais são pressionados a repetir fórmulas, eu prefiro arriscar o novo. A IA, para mim, é uma ferramenta de libertação criativa”, concluiu. VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas O

Sony registra patente para criar podcasts personalizados com IA no PlayStation

Publicado em: 03/02/2026 04:29 Fonte: Tudocelular

A Sony pode levar a experiência gamer a um novo nível explorando inteligência artificial. Uma patente recente descreve um sistema capaz de criar podcasts personalizados para jogadores, usando personagens famosos dos videogames como apresentadores virtuais que comentam novidades, dão dicas e interagem de forma dinâmica. Batizada de “LLM-Based Generative Podcasts for Gamers”, a proposta prevê o uso de modelos avançados de linguagem para gerar conteúdos em áudio sob demanda. Em vez de textos ou mensagens genéricas, o jogador receberia orientações narradas por personagens animados, com vozes treinadas a partir de diálogos reais dos jogos, trazendo um tom mais natural e até bem-humorado.O documento aponta que a tecnologia não ficaria restrita ao PlayStation. Consoles de outras marcas, PCs, smart TVs, celulares e até headsets de realidade virtual aparecem como plataformas compatíveis. A ideia é centralizar informações e suporte direto no ecossistema de jogos, evitando que o usuário precise recorrer a vídeos ou redes sociais externas.Clique aqui para ler mais

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