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Mudança na carreira de pesquisadores: associação irá à Justiça contra lei de Tarcísio aprovada na Alesp

Publicado em: 15/10/2025 11:04

ALESP aprova mudanças nas carreiras de pesquisadores públicos A Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) anunciou na noite desta terça-feira (14) que vai ingressar na Justiça com ação contra a lei complementar aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) que muda a carreira de pesquisador científico no estado. O texto proposto pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi aprovado com o número mínimo de 48 votos a favor, depois que dois deputados da base do governo alteraram seus votos de não para sim --Thiago Auricchio (PL) e Sebastião Santos (Republicanos). Para entrar em vigor, ainda depende de sanção do governador, que tem prazo de 15 dias. O que prevê a proposta: 👉 O texto acaba com o regime de tempo integral dos cientistas do estado, referência na produção de conhecimento nos institutos e universidades públicas 👉 O projeto cria ainda 18 níveis de progressão de carreira do grupo, que atualmente tem seis etapas até chegarem no topo da profissão. Para a entidade, essa fragmentação vai tornar a carreira menos atrativa. Atualmente, 914 cientistas atuam em 16 institutos públicos de pesquisa em São Paulo, como o Instituto Butantan, o Instituto Adolfo Lutz e o Instituto Biológico. Para a APqC, o projeto representa um “desmonte no sistema de ciência e tecnologia do Estado, desestruturando a profissão e os institutos estaduais que têm esse tipo de profissionais”. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp “Diante da aprovação, iremos entrar com uma ação na Justiça, porque as pesquisas públicas estão ameaçadas e a sociedade será duramente afetada”, afirma Helena Dutra Lutgens, presidente da APqC. "Muitos institutos de pesquisa já lutam para manter suas linhas de trabalho ativas por falta de servidores. Fragmentar ainda mais a carreira vai torná-la menos atrativa e empurrar a pesquisa pública paulista para um processo inevitável de enfraquecimento", comenta Lutgens. É uma medida extremamente arbitrária, irresponsável, que vai destruir um sistema de avaliação, que evoluiu e se aperfeiçoou ao longo de 50 anos para criar não sabemos o que no lugar, uma vez que a lei não detalha, e também não sabemos os verdadeiros motivos que estão por trás desse desmonte. Segundo a APqC, ao acabar com o Regime de Tempo Integral (RTI) e criar um Regime de Dedicação Exclusiva, a proposta “não encontra amparo na legislação voltada à pesquisa". A Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI) também foi extinta. O órgão estadual é composto por representantes eleitos de todas as áreas do conhecimento dos institutos, terá composição definida por meio de decreto. Prédio do Instituto Butantan na Zona Oeste de São Paulo. Divulgação Tramitação Durante toda a tramitação na Alesp, o projeto sofreu resistência da APqC e de mais de 30 associações e outros órgãos públicos e universitários do estado. “A retirada do RTI (regime de tempo integral), substituído por uma jornada ordinária de 40 horas semanais, em RDE-Regime de Dedicação Exclusiva, representa, além de um retrocesso, um grave comprometimento da qualidade, da continuidade e da sustentabilidade das atividades científicas”, afirma a Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp). O placar foi de 48 a 1, porque os deputados de partidos de oposição ao governo, como o PT e o PSOL, não registraram seus votos. Como as votações necessitam de um quórum mínimo para serem válidas, os parlamentares contrários ao governo adotam como estratégia só registrarem voto após o projeto ser aprovado, sob o risco de a votação cair. Já o aditivo enviado pelo próprio governo com alterações ao projeto inicial foi aprovado por 49 a 17. Cientistas a favor do projeto também estiveram nas galerias da Alesp, demonstrando apoio ao texto aprovado. Para Maria Izabel Medeiros, pesquisadora da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), o texto valoriza o pesquisador científico. "Principalmente os que estão iniciando. Os que estão no final da carreira ou aposentados não serão prejudicados. Mas eu sou nível 6, estou na ativa e o meu aumento será mais ou menos em torno de 30%, para mim é ótimo. Num período de anos ficamos sem nenhum reajuste. São muitas pessoas que vão se beneficiar e ser mais valorizadas", ponderou. Em relação à progressão de carreira, a pesquisadora reconhece que "pode até demorar mais um pouquinho mais de tempo", mas que observa que haverá um tempo menor para passar para o outro nível. Fachada Alesp Assembléia Legislativa do Estado de São paulo Reprodução/ Rede Globo Principais mudanças Para os pesquisadores, a principal mudança é o fim do Regime de Tempo Integral, que prevê: Dedicação plena — o servidor dedica-se inteiramente às atividades de investigação científica, vedando-se outras atividades remuneradas ou não, salvo algumas exceções específicas; Remuneração adicional — recebem acréscimo salarial por tempo de serviço no regime; Não define uma carga horária para a jornada de trabalho. Já o novo projeto de lei mantém a dedicação exclusiva, mas institui uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, o que para os pesquisadores engessaria o trabalho. O texto também retira da Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI) a atribuição de avaliar o desempenho dos pesquisadores, o que segundo a APqC abre espaço para interferência política. Atualmente, a Comissão Permanente do Regime de Tempo Integral (CPRTI) é composta por 12 membros escolhidos pelos próprios cientistas e um de escolha do governo. O substitutivo enviado por Tarcísio à Alesp e que foi aprovado nesta terça mantém o arranjo, mas defende a integração da comissão aos órgãos setoriais de gestão de pessoas. O novo texto também prevê ampliar para 18 etapas profissionais para chegar ao topo da carreira, atualmente são apenas seis. Segundo a APqC, essa ampliação proposta pelo texto do governo pode inviabilizar a progressão de carreira dentro da pesquisa científica em São Paulo e a atratividade para entrada de novos pesquisadores na carreira. O que disse a gestão Tarcísio Em junho, quando enviou o projeto, o governo de São Paulo disse que as críticas apresentadas pela APqC não se sustentavam "tecnicamente, e parecem motivadas apenas por oposição genérica, sem respaldo jurídico ou funcional”. “A alegação de extinção do Regime de Tempo Integral (RTI) desconsidera que ele foi tecnicamente substituído pelo Regime de Dedicação Exclusiva (DE), que preserva integralmente sua função: garantir dedicação exclusiva, ética e imparcialidade na atuação dos pesquisadores”, afirmou a gestão Tarcísio. “O novo regime, inclusive, é o mesmo adotado por carreiras de Estado como Procuradores do Estado, Delegados de Polícia, Fiscais da Receita Estadual e Pesquisadores da Embrapa, demonstrando sua adequação funcional e jurídica." "Além disso, a proposta permite controle da jornada com base em entregas, metas, planos e produtos científicos, respeitando a autonomia técnica da atividade de pesquisa”, afirmou, em nota. Dos 914 cientistas que o estado de São Paulo tem atualmente, 434 são ligados atualmente à área da Agricultura, 319 da Saúde, 121 da área do Meio Ambiente e outros 40 do Hospital das Clínicas de São Paulo. Os pesquisadores representados pela APqC atuam nos institutos: Agricultura (434 pesquisadores): APTA Regional, Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola (IEA), Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos, Instituto de Zootecnia (Integram a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento); Saúde (319 pesquisadores): Instituto Adolfo Lutz, Instituto Butantan, Instituto Dante Pazzaneze de Cardiologia, Instituto Lauro de Souza Lima, Instituto Pasteur, Instituto da Saúde, SUCEN, Laboratório de Investigação Médica-LIM HC-USP (Integram a Secretaria de Estado da Saúde); Meio Ambiente (121 pesquisadores): Instituto Florestal, Instituto de Botânica, Instituto Geológico (Integram a Secretaria de Estado do Meio Ambiente, infraestrutura e logística).

Palavras-chave: tecnologia

Por que destruição criativa é crucial para o crescimento, segundo ganhador do Nobel de Economia

Publicado em: 15/10/2025 10:59

Três pesquisadores vão dividir o Prêmio Nobel de Economia Philippe Aghion estava em casa na segunda-feira (13) quando, às 10h30 da manhã, recebeu uma ligação que o deixou sem palavras: ele havia ganhado o Prêmio Nobel de Economia 2025. "Realmente eu não esperava", disse o economista francês à BBC News Mundo — serviço em espanhol da BBC. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Aghion é pesquisador do Collège de France e do INSEAD, na França, e da London School of Economics and Political Sciense, do Reino Unido, e dividiu o prêmio com Peter Howitt e Joel Mokyr. A Academia Real das Ciências da Suécia disse que o prêmio concedido à dupla Aghion-Howitt, é um reconhecimento da "teoria do crescimento sustentado por meio da destruição criativa". Nem todo mundo está familiarizado com esse conceito cunhado pelo economista Joseph Schumpeter em 1942. 🔎 Em poucas palavras, a destruição criativa é um processo em que a inovação desmonta estruturas econômicas tradicionais, abrindo espaço para novas. A Academia explica isso, em seu texto sobre o prêmio deste ano, sob a ótica de que o mundo tem experimentado um crescimento econômico sem precedentes nos últimos 200 anos. A base desse crescimento tem sido o fluxo constante de inovação tecnológica, observa. "O crescimento econômico sustentado ocorre quando as novas tecnologias substituem as antigas, como parte do processo conhecido como destruição criativa", diz a Academia. Destruir para criar Durante a maior parte da história da humanidade, o nível econômico das pessoas não mudou consideravelmente de uma geração para outra, apesar de importantes descobertas ocasionais. O crescimento sempre acabava estagnado com o passar do tempo. Mas isso mudou fundamentalmente com a Revolução Industrial, há pouco mais de dois séculos. [A inovação também é destrutiva, explica o economista Getty Images via BBC A partir desse momento, a inovação tecnológica e científica deu lugar a um ciclo interminável de progresso, em vez de eventos isolados. Isso, explicam os responsáveis pela entrega do prêmio, levou a um crescimento sustentado e notavelmente estável. As pesquisas de Aghion e Howitt, afirma a Academia, geraram um modelo matemático que explica como algumas empresas investem em melhores processos de produção e novos produtos de melhor qualidade, enquanto outras são superadas pela concorrência. "O crescimento surge da destruição criativa. Esse processo é criativo porque se baseia na inovação, mas também é destrutivo porque os produtos antigos se tornam obsoletos e perdem seu valor comercial", explicam os membros do comitê responsável pela premiação. Em apenas dois séculos, a destruição criativa transformou fundamentalmente a sociedade. Os economistas premiados este ano conseguiram explicar por que esse desenvolvimento foi possível e o que é preciso para um crescimento sustentado. A inovação, em qualquer de suas formas, fomenta a concorrência e incentiva a criação de tecnologias disruptivas, algo em que Aghion tem trabalhado intensamente. "A entrada de novos talentos é crucial para o crescimento", explicou Aghion à BBC Mundo. "É claro que os novos talentos são um desafio", porque são concorrentes, rivais diante dos outros atores e empresas já existentes. "Se tiverem sucesso, podem substituir os demais", comenta Aghion. E esse constante desafio é um motor de crescimento. "Por isso a destruição criativa é essencial", disse o economista francês de 69 anos. "Precisamos mais disso." É claro que nesse processo há ganhadores e perdedores, afinal de contas, os inovadores fazem com que outras formas de produção se tornem obsoletas. Na prática, quando esses novos talentos avançam, pode haver perdas temporárias de empregos, embora também surjam novas oportunidades e trabalhos em indústrias emergentes. Por exemplo, a criação e expansão da internet deu lugar a indústrias completamente novas, como o comércio eletrônico. Agora, a inteligência artificial está em um processo de desenvolvimento acelerado que criará novas indústrias e empregos que nunca existiram. Colapso financeiro? A expansão da inteligência artificial e de toda a infraestrutura que ela demanda para seu desenvolvimento são parte de uma nova onda de inovação — parte desse processo de destruição criativa. Apesar das perspectivas de crescimento econômico que ela traz, também tem se espalhado, nos últimos anos, o medo de que todo investimento voltado para essas novas tecnologias esteja criando uma bolha tecnológica que pode estourar a qualquer momento, arrastando para baixo as bolsas de valores e provocando uma grande crise global. Diante da ideia de uma profunda mudança tecnológica perigosa, que poderia arrastar os mercados para um "crash" como o de 1929 ou a "Grande Crise", de 2008, Aghion pensa de forma diferente. Ele lembra que a bolha tecnológica de 25 anos atrás, também conhecida como a crise ponto com — um período de rápido crescimento e posterior colapso do mercado de ações que afetou principalmente as empresas baseadas na internet —, acabou se tornando um período de inovação. "A bolha tecnológica foi uma revolução importante", afirma. Pode haver bolhas hoje em dia, mas "acredito que as bolhas não são um grande problema se não estiverem baseadas em um excesso de endividamento", como aconteceu no passado. Fala-se em uma bolha no mercado de ações, o que não é bom, explica, "mas as bolhas não são o fim do mundo", desde que não haja um nível de endividamento excessivo. De qualquer forma, "sempre há um risco com as bolhas e não quero dizer que esse risco não existe, mas não vejo o risco de um grande colapso financeiro", observa. "Tenho mais medo da estagnação econômica do que de um grande desastre financeiro", argumenta Aghion. 'É preciso aprender a jogar de maneira inteligente' Olhando para o presente, uma das maiores ameaças ao crescimento econômico baseado na inovação é o protecionismo, diz o economista, porque ele não estimula a concorrência e nem a incorporação de novos talentos. Políticas protecionistas, como as que o governo americano impôs por meio de suas tarifas, são um alerta para a Europa. "Temos que ser mais inovadores do que fomos em décadas passadas, porque estamos competindo com a China e os EUA." "É preciso aprender a jogar de maneira inteligente", adverte, porque o mundo mudou muito e "a ameaça do protecionismo deve ser um estímulo para nos unirmos e sermos muito mais inovadores". Sob essa perspectiva, Aghion disse à BBC Mundo que vê o futuro com entusiasmo. "Sou otimista porque cada vez mais países estão entendendo a importância do crescimento baseado na inovação." E, para que esse crescimento seja sustentável ao longo do tempo, o economista argumenta que ele deve se concentrar em inovações ambientais, algo essencial neste momento. O economista Philippe Aghion foi um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia 2025 Getty Images via BBC

PF investiga suspeito de se aproximar de famílias em vulnerabilidade para abusar de crianças

Publicado em: 15/10/2025 10:53

Mandados foram cumpridos no RN, no Ceará e na Paraíba PF/Divulgação A Polícia Federal no Rio Grande do Norte investiga um homem que se aproximava de mulheres em vulnerabilidade social e com filhas pequenas para ter acesso às crianças. Pelo menos oito menores podem ter sido vítimas do suspeito. Segundo a PF, cinco já foram identificadas. A PF deflagrou nesta quarta-feira (15) a segunda fase da Operação Saman, com o objetivo de apurar crimes de armazenamento e compartilhamento de material contendo abuso sexual infantojuvenil. 📳 Clique aqui para seguir o canal do g1 RN no WhatsApp A investigação é conduzida pela Delegacia de Mossoró. De acordo com a corporação, o principal investigado também utilizava diversas contas para aliciar menores e induzi-las à produção e envio de imagens com conteúdo ilícito. Em alguns casos, as mães das vítimas facilitaram o contato com o suspeito e chegaram a enviar imagens das crianças em troca de ajuda financeira. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva nas cidades de Alhandra e Pitimbu (PB), Acaraú e Paracuru (CE) e Baraúnas, no RN. Segundo a PF, a prisão ocorreu na Paraíba. No entanto, a corporação não confirmou ao g1 se o preso é o homem apontado como principal investigado por abusos. A PF ainda fez um alerta aos pais e aos responsáveis sobre a importância de monitorar e orientar seus filhos no mundo virtual e físico, para protege-los dos riscos de abusos sexuais. "Conversar abertamente sobre os perigos do mundo virtual, explicar como utilizar redes sociais, jogos e aplicativos de forma segura e acompanhar de perto as atividades online dos jovens são medidas essenciais de proteção", informou a corporação. Ainda orientou os pais a ficarem atentos a mudanças de comportamento, como isolamento repentino ou segredo em relação ao uso do celular e do computador.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Japão e Atibaia no turismo: Conheça curiosidades

Publicado em: 15/10/2025 10:45

Você conhece as curiosidades que relacionam Japão e Atibaia, cidade do interior de São Paulo? É hora de conhecer as curiosidades. Em entrevista, Aflânio Tomikawa, Decorador, Paisagista e Consultor Cultural da Festa das Flores e Morangos de Atibaia, reuniu destaques dessa proximidade. Aflânio também é autor do projeto “Atibaia, um Pedaço do Japão no Brasil”. “Na década de 1980, Atibaia já despontava como a maior produtora de morangos da América Latina. Era como se a terra respondesse, com generosidade, ao esforço e à dedicação daqueles que acreditaram nela. Em cada fruto, há uma história. Em cada fileira de plantas, há memórias de quem trabalhou em silêncio, acreditando que o amanhã nasceria melhor. Essa cultura é o espelho da filosofia japonesa - onde o trabalho se mistura à arte, e o tempo se torna parte do processo criativo da vida”, introduziu Aflânio, sobre Atibaia ser considerada a Capital do Morango no Brasil. Festa de Flores e Morangos Divulgação Você sabia que Atibaia é responsável por 25% da produção de flores do Brasil graças às técnicas de cultivo intensivo? Isso permite grande produção em menores áreas aliadas à tecnologia e às técnicas da colônia japonesa. Casa do Japão em Atibaia A Associação Cultural e Esportiva Nipo-Brasileira de Atibaia (ACENBRA) é considerada o coração da colônia japonesa na cidade. Com sede própria, abriga campos de beisebol e softbol, áreas dedicadas ao park golf e gateball, além da escola de língua japonesa e oficinas culturais que unem gerações. Japão em Atibaia Divulgação No esporte, a ACENBRA construiu uma história de conquistas e talentos - como Henrique Tamaki, que chegou às ligas japonesas, e outros atletas que brilharam na Major League Baseball (EUA). Mas o que mais impressiona não são as vitórias, e sim o espírito com que cada treino acontece: disciplina, humildade e respeito. O tradicional Undōkai, realizado anualmente, é um retrato perfeito dessa filosofia - um dia de união, amizade e alegria coletiva. Pedaço do Japão no Brasil O projeto “Atibaia, um pedaço do Japão no Brasil” é liderado pelo Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau. O objetivo é não apenas preservar a herança cultural japonesa, mas ampliá-la, transformando Atibaia em um centro de referência em turismo cultural e integração internacional. "Projeto Atibaia, um pedaço do Japão no Brasil" Divulgação Entre as ações em andamento estão a restauração do Jardim Japonês, a criação do Centro Cultural Nipo-Brasileiro e a implantação da Academia de Taiko — a primeira da América Latina. São projetos que unem tradição e modernidade, criando espaços de aprendizado, contemplação e arte. Bon Odori e o Taiko O Bon Odori e o Taiko estão no coração de Atibaia. Ambos carregam o mesmo propósito — celebrar a vida, a memória e a união entre povos — e transformam a cidade em um palco onde tradição e espiritualidade dançam lado a lado. Realizado desde 1969, o Bon Odori de Atibaia é um dos mais antigos do Estado de São Paulo e traz a marca da Associação Fukushima Kenjin, formada por descendentes de imigrantes da província de Fukushima. O evento é uma homenagem aos antepassados e acontece tradicionalmente nas imediações da Paróquia São João Batista, reunindo centenas de pessoas em um espetáculo de fé, música e alegria. Festa de Flores e Morangos Divulgação Durante o Bon Odori, homens, mulheres, jovens e idosos dançam em círculo ao redor do yagurá(uma torre de madeira enfeitada com lanternas e fitas coloridas), acompanhando o compasso dos tambores e das canções tradicionais japonesas. Cada gesto carrega um significado: o plantio, a colheita, o agradecimento. As músicas — como Tanko Bushi e Tokyo Ondo — narram a simplicidade da vida e a força do espírito japonês. O evento se tornou parte do calendário cultural de Atibaia e é considerado patrimônio imaterial da cidade, pois não apenas preserva tradições, mas ensina sobre respeito, espiritualidade e pertencimento. Festa de Flores e Morangos Divulgação O som dos tambores japoneses ecoa também no Taiko, arte que encontrou em Atibaia solo fértil para florescer. O mestre Akimasa Aoyama, fundador do grupo Kawasuji Seiryu Daiko, é uma das figuras mais respeitadas dessa tradição no Brasil. Sob sua orientação e com apoio da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), o grupo formou dezenas de percussionistas e se apresenta em grandes eventos, como a Festa das Flores e Morangos, o Bon Odori e o Japan Fest, integrando o calendário oficial de Atibaia. + Turismo em Atibaia com as cores do Japão Quem apresenta o Turismo Atibaia e Região? A página Turismo Atibaia e Região é um oferecimento do Atibaia e Região Convention & Visitors Bureau – a ARC&VB, uma entidade representativa de toda a cadeia de empresários do setor turístico dos 12 municípios que compõem a região de Atibaia. Criado em 2004, o ARC&VB trabalha para desenvolver a atividade turística na região de forma sólida e sustentável.

Palavras-chave: tecnologia

Lei proíbe uso de IA para criação de imagens eróticas de crianças e adolescentes na Paraíba

Publicado em: 15/10/2025 10:42

Os aplicativos mais conhecidos de IA até têm alguns filtros e proíbem fake nudes, ou nudes falsos. Mas existem muitas ferramentas onde tudo é permitido. Jornal Nacional A lei nº 14.008, de autoria da deputada Francisca Motta e sancionada pelo governador João Azevêdo, determina a proibição do uso de Inteligência Artificial (IA) para gerar imagens eróticas de crianças e adolescentes na Paraíba. A legislação foi publicada na manhã desta quarta-feira (15), no Diário Oficial do Estado (DOE). A nova lei torna proibido o uso de IA na produção, reprodução, comercialização e divulgação de imagens de crianças ou adolescentes em cenas de teor sexista ou de cunho pornográfico. Aqueles que violarem a legislação ficarão sujeitos a penalidades e deverão indenizar as vítimas. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp A norma ainda determina que empresas que utilizam inteligência artificial ou meio semelhante para fins comerciais devem adotar medidas para que seus sistemas não sejam utilizados para a produção de imagens eróticas de crianças e adolescentes. O regulamento entrou em vigor assim que foi publicado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Vídeos mais assistidos do g1 da Paraíba

Palavras-chave: inteligência artificial

Apple lança novos óculos Vision Pro com inteligência artificial e chip mais potente

Publicado em: 15/10/2025 10:38

Apple Vision Pro: veja primeiras impressões sobre óculos de realidade virtual A Apple apresentou nesta quarta-feira (15) a segunda geração dos óculos de realidade virtual Vision Pro. Segundo a empresa, o novo modelo traz como novidades recursos de inteligência artificial, melhor desempenho de bateria e renderização de tela aprimorada. O g1 testou a primeira versão do dispositivo alguns dias após o lançamento, em 2024 (veja no vídeo acima). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O processador que equipa agora a segunda geração é o M5, desenvolvido pela própria Apple. De acordo com a empresa, o chip oferece desempenho mais rápido, detalhes mais nítidos na tela e maior duração de bateria. A nova versão chega aos Estados Unidos custando a partir de US$ 3.499 (cerca de R$ 20 mil, na cotação atual). A Apple não informou se os óculos serão vendidos no Brasil — a primeira geração não chegou a ser comercializada no país. Apple Vision Pro de segunda geração. Divulgação/Apple A alça que prende os óculos à cabeça, chamada de Dual Knit Band, também foi atualizada. Segundo a Apple, ela está mais macia e acolchoada para oferecer maior conforto durante o uso. "O Vision Pro com M5 funciona em conjunto com o chip R1, que processa a entrada de 12 câmeras, cinco sensores e seis microfones e transmite novas imagens para os monitores em 12 milissegundos para criar uma visão em tempo real do mundo", explicou. Na parte de autonomia, a Apple afirma que uma única carga garante até duas horas e meia de uso geral ou até três horas de reprodução de vídeo. Novo Apple Vision Pro Divulgação/Apple O sistema operacional dos óculos é o visionOS 26, que agora incorpora recursos do Apple Intelligence, plataforma de inteligência artificial da empresa para seus dispositivos. "Os widgets se integram perfeitamente ao espaço do usuário e reaparecem toda vez que ele ativa o Vision Pro, facilitando a verificação da hora ou do clima, a reprodução de música ou podcasts, a decoração do espaço com fotos ou o acesso ao ChatGPT", disse a companhia. Segundo a Apple, o Vision Pro oferece acesso a mais de um milhão de aplicativos e a centenas de filmes em 3D que podem ser assistidos diretamente pelos óculos. Além dos EUA, os novos óculos estão disponíveis na Austrália, Canadá, França, Alemanha, Hong Kong, Japão, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. Apple Vision Pro Reprodução/Apple Deu ruim: lançamento de óculos da Meta é marcado por falhas iPhone Air: primeiras impressões do celular fininho e quais são seus rivais Agente do ChatGPT reserva restaurante, faz compra, mas erra ao insistir demais

Palavras-chave: inteligência artificial

Honor apresenta conceito de celular com câmera movida por braço robótico

Publicado em: 15/10/2025 09:58 Fonte: Tudocelular

A Honor apresentou um conceito inédito de smartphone chamado Robot Phone, que traz uma câmera montada em um braço robótico com tecnologia de inteligência artificial. O dispositivo, ainda em fase conceitual, foi revelado em um vídeo promocional e representa a visão da marca para o futuro dos celulares inteligentes, unindo fotografia automatizada e comportamento autônomo.No vídeo divulgado pela Honor, o Robot Phone aparece com design mais espesso que o habitual e sem o logotipo tradicional da marca, substituído por uma letra alfa, remetendo ao símbolo do “Alpha Plan”, a nova diretriz estratégica da empresa.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Ensinar e aprender: conheça a trajetória e reflexões de um professor apaixonado pelo ofício

Publicado em: 15/10/2025 08:26

Mensagem do Prof. Nilton Hitotuzi para o Dia do Professor. Em comemoração ao Dia do Professor, celebrado neste 15 de outubro, o educador Nilton Varela Hitotuzi compartilha um pouco da sua trajetória, desafios e visões sobre o papel do professor na sociedade. Com quase três décadas dedicadas ao ensino da língua inglesa, ele fala com a serenidade e a experiência de quem vive o magistério como uma vocação em constante transformação. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Nilton atua como professor de língua inglesa há mais de 29 anos e começou a lecionar aos 25, em uma escola de idiomas. “Inicialmente, minha motivação para ensinar inglês era essencialmente econômica e autoformativa. Por um lado, eu precisava de uma fonte de sustento enquanto cursava uma Licenciatura em Letras – Inglês na UFAM; por outro, compreendia que quanto mais eu ensinava, mais me apropriava da língua-alvo”, contou. Com o tempo, a relação com a profissão ganhou novos significados. “Por duas vezes, tive a oportunidade de mudar de curso – ingressar em Direito na mesma universidade por coeficiente de rendimento acumulado – e não o fiz, pois já estava profundamente envolvido e identificado com o curso de Letras-Inglês.” Entre os maiores desafios da carreira, ele lembra o período em que precisou conciliar estudo e trabalho. “Eu estudava à tarde na UFAM, ministrava aulas à noite e aos sábados, e em muitos domingos corrigia redações de pré-vestibulandos”, relembra. Ainda assim, Nilton vê o aprendizado como algo contínuo. “Destaco um, que considero emblemático do meu processo de evolução profissional: a forma como vejo meus alunos. No início, eram apenas alunos, e meu papel era transmitir conteúdo. Hoje, os vejo como pessoas em constante processo de transformação.” Nilton Varela Hitotuzi, Educador com quase três décadas de carreira Arquivo Pessoal O professor destaca também o cuidado com a liberdade de expressão em sala de aula: “Não levo em consideração cor, etnia, orientação sexual nem visão de mundo. Trato cada um como um ser humano em desenvolvimento. Cada aluno tem o direito de se expressar livremente, sem coação, seja minha ou de outros colegas.” Sobre o que o inspira a seguir ensinando, Nilton é categórico: “O que mais me inspira é ver o engajamento genuíno dos alunos: quando se dedicam a uma tarefa, buscam aprimorar um projeto ou se empenham em melhorar a qualidade de uma pesquisa. Esse movimento investigativo é uma fonte constante de inspiração e o combustível que mantém acesa a chama do meu desejo de ensinar e aprender.” Ao refletir sobre as mudanças no ensino e o avanço das tecnologias, ele se considera um privilegiado. “Quando comecei a estudar, usava caderno pautado, lápis e borracha, copiava textos do livro Caminho Suave e o que minha professora escrevia com giz em uma lousa verde. Hoje, convivo com a inteligência artificial – que já até fala!”, comenta, com humor. Nilton também compartilha um pouco sobre o seu trabalho atual. “Atualmente, venho desenvolvendo o IMPACTA (Inglês como Meio Pragmático de Aquisição de Conhecimento em Todas as Áreas), uma variação do conceito de Inglês como Meio de Instrução. Um dos diferenciais dessa proposta é o pressuposto de que o inglês pode mediar o processo de ensino e aprendizagem em todos os níveis educacionais, superando antagonismos ideológicos.” Ele acredita que a valorização do professor precisa ir além do discurso. “A sociedade precisa ir além do reconhecimento simbólico. Esse reconhecimento deve se traduzir em ações concretas: salários dignos, condições adequadas de trabalho e políticas públicas que valorizem nossa saúde e bem-estar. A valorização do professor não é um custo, mas um investimento direto no futuro da nação.” Por fim, Nilton deixa mensagens distintas para professores e alunos neste 15 de outubro. “Aos colegas, neste 15 de outubro, digo: carpe diem! Aproveitem o dia para descansar, estar com a família e os amigos, e celebrar o que fazemos de melhor. Mas, no dia seguinte, retomem os estudos, a escrita, as pesquisas, e continuem preparando e ministrando aulas como se fossem as últimas. E aos alunos, Busquem a excelência! Almejem ser estrelas – sabendo que, para muitos, brilhar como um pirilampo já será uma grande conquista.” VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região

De Volta Para o Futuro: Casio lança relógio incrível inspirado na franquia

Publicado em: 15/10/2025 08:21 Fonte: Tudocelular

A Casio continua expandindo seu portfólio e anunciou esta semana uma edição especial do clássico relógio digital CA-500 em homenagem ao filme De Volta Para o Futuro. O modelo, batizado de CA-500WEBF, celebra o 40º aniversário da franquia dirigida por Robert Zemeckis, em uma colaboração oficial com a Universal Pictures e a Amblin Entertainment.O lançamento da Casio foi desenvolvido em parceria com a Universal Products & Experiences e combina o design retrô da Casio com elementos futuristas inspirados no icônico DeLorean. A base do novo modelo vem do CA-500, relógio com calculadora que marcou os anos 1980 como símbolo da cultura pop e da tecnologia da época.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Propaganda enganosa, censura e mais de 120 mil reclamações: entenda processo envolvendo WePink, empresa de Virginia

Publicado em: 15/10/2025 07:24

MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões Com faturamento anual de R$ 750 milhões e quase 5 milhões de seguidores no Instagram, a WePink, empresa da influenciadora Virginia Fonseca, é alvo de um processo judicial ajuizado pelo Ministério Público e pelo Procon Goiás. Entre os principais motivos estão supostas práticas abusivas contra consumidores, como propaganda enganosa, problemas na entrega resultando em centenas de reclamações no estado, além de milhares no Brasil, e até censura. A companhia já foi autuada mais de uma vez pelo Procon por atraso e falta de entrega dos produtos e, ainda, recusa de reembolso para os consumidores que cancelam as compras e pedem o dinheiro de volta. Devido às ações reiteradas, o MP pede que a empresa pague uma indenização coletiva, de R$ 5 milhões, por práticas abusivas contra os consumidores, além de uma individual, com valor a ser definido durante o processo. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp WePink: MP diz que situação é agravada pelo uso da imagem de Virginia porque milhares de seguidores confiam em sua recomendação Reprodução/Instagram da WePink LEIA TAMBÉM WePink: MP quer que empresa de Virginia pague indenização de R$ 5 milhões por práticas abusivas contra consumidores Empresa de Virginia deve oferecer atendimento humano e não apenas por robôs, determina liminar Caso WePink: Empresa de Virginia diz que terceiriza trocas e reembolsos e que envios são automatizados, diz liminar Ao se manifestar diante do pedido de liminar do MP para que a empresa fosse proibida de fazer lives, o que foi concedido pela Justiça, a WePink afirma que terceiriza as trocas e reembolsos e faz envios automatizados. O g1 entrou em contato com a defesa da empresa nesta quarta-feira (15) e na terça-feira (14), mas não obteve resposta. Na sexta (7), o advogado Felipe de Paula informou que a WePink ainda não havia sido citada legalmente e que a empresa não iria manifestar até ser citada. Veja abaixo os principais pontos envolvendo o processo contra a empresa da influenciadora. Propaganda enganosa O promotor de Justiça de Goiás, Élvio Vicente da Silva, afirma que um dos problemas da empresa é a propaganda enganosa. Ele destaca que consumidores também denunciaram a falta de entrega de produtos pagos, dificuldades na hora de solicitar o reembolso e um péssimo atendimento pós-venda. Na ação conjunta com o Procon, o MP diz que a estratégia de "flash sales" (ofertas-relâmpago) da empresa nas redes sociais criou um senso artificial de urgência, induzindo à compra impulsiva e explorando a vulnerabilidade psicológica das pessoas. O Ministério Público enfatizou, ainda, que a situação é agravada pelo uso da imagem da influenciadora, uma vez que milhares de seguidores confiam em sua recomendação. 120 mil reclamações Segundo o processo, em 2025 foram registradas 30 mil reclamações contra a empresa no site RECLAMEAQUI até a data da ação. No ano passado, foram 90 mil queixas. O texto também destaca que o número total pode chegar a 300 mil consumidores, considerando aqueles que não reclamaram oficialmente. Só no Procon Goiás, foram cerca de 340 reclamações entre 2024 e 2025. Em nota, a empresa alega, porém, que hoje não sofre mais com atrasos frequentes e que uma prova disso é a sua nota 8.1 na plataforma RECLAMEAQUI, na qual possui um índice de 93% de resolução das reclamações. Censura Outra prática recorrente da empresa, segundo o promotor, é a censura contra consumidores, por meio da exclusão de comentários negativos nas redes sociais. Soma-se a isso a dificuldade que os clientes têm para entrar em contato com a central de atendimento da empresa, em função do atendimento automatizado. Em função disso, a Justiça determinou, na liminar, que a WePink deverá oferecer atendimento humano aos clientes. Dessa forma, o sistema não poderá ser automatizado, somente com robôs respondendo aos comandos. Além disso, o sistema deverá estar disponível em múltiplos canais e obrigatoriamente por telefone. O processo O processo contra a WePink tramita na 14ª Vara Cível e Ambiental do Tribunal de Justiça de Goiás. A medida liminar (decisão provisória), adotada no caso, foi concedida pela Justiça no dia 10 de outubro, a pedido do Ministério Público, autor da ação. O MP argumentou que uma possível demora da decisão poderia causar mais prejuízos aos consumidores. Um dos argumentos do MP para embasar a urgência foi um vídeo de um dos sócios de Virgínia Fonseca na WePink, Thiago Stabile, em que ele diz que a alta demanda causou problemas de abastecimento. A liminar porém, não significa que o processo está encerrado ou não há chance de reversão da decisão. O mérito da ação, ou seja, todo o caso envolvendo a WePink, ainda será julgado pela Justiça. O g1 entrou em contato com o advogado da empresa nesta quarta-feira (15), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Escola social abre inscrições para 100 vagas de formação profissional gratuita em Salvador

Publicado em: 15/10/2025 07:17

A iniciativa, desenvolvida pelo Instituto Aliança em parceria com o Grupo Carrefour Brasil, é voltada para jovens e adultos. Sintrasuper A Escola Social do Varejo (ESV) está com inscrições abertas para uma nova turma em Salvador, oferecendo 100 vagas gratuitas para jovens e, pela primeira vez, também para pessoas com mais de 50 anos que desejam se preparar para o mercado de trabalho. A iniciativa, desenvolvida pelo Instituto Aliança em parceria com o Grupo Carrefour Brasil, é voltada para jovens de 18 a 29 anos, com ensino médio concluído e renda familiar de até três salários mínimos, e agora também para profissionais 50+ que buscam atualização e reinserção no mercado. O curso é totalmente gratuito e oferece aulas teóricas e práticas, com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais, atendimento ao cliente, comunicação, vendas e tecnologia. Os interessados devem fazer a inscrição no site do Instituto Aliança. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mais do que preparar para o emprego, a Escola Social do Varejo promove uma formação integral, fortalecendo habilidades como autoconfiança, empatia, responsabilidade e trabalho em equipe, fundamentais para o sucesso profissional. O programa tem se destacado pela alta taxa de inserção no mercado: mais de 75% dos participantes conseguem uma vaga de trabalho após a conclusão do curso. Para o público 50+, a novidade representa uma nova chance de recomeçar, valorizando a experiência e o protagonismo dessa faixa etária no varejo, setor que cada vez mais reconhece a importância da diversidade geracional nas equipes. LEIA TAMBÉM: Loja de departamento abre mais de 300 vagas de emprego temporário em lojas e centro de distribuição de Salvador Empresa de ônibus oferece 170 vagas de emprego em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

Prefeitura de Palmas extingue secretarias, fundações e agências; veja o que muda

Publicado em: 15/10/2025 07:12

Prédio da Prefeitura de Palmas Lia Mara/Prefeitura de Palmas O prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos) extinguiu 12 entidades e órgãos da Prefeitura de Palmas. A partir desta quarta-feira (15), as competências dos extintos serão incorporadas a outras secretarias. A Medida Provisória foi publicada na edição do Diário Oficial de Palmas de terça-feira (14), e determina a extinção e a incorporação das entidades e órgãos na estrutura do Poder Executivo. 📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp Entre os órgãos e fundações que deixam de existir formalmente estão a Fundação Escola de Saúde Pública de Palmas (Fesp-Palmas), a Agência de Tecnologia da Informação (Agtec), a Fundação Municipal de Esportes e Lazer (Fundesportes). LEIA MAIS Prazo para pagamento do IPVA termina nesta quarta-feira; veja como emitir boleto online Veja o que muda Entidades e órgãos extintos: Fundação Escola de Saúde Pública (FespPalmas) Agência de Tecnologia da Informação (Agtec) Fundação de Esportes e Lazer (Fundesportes) Fundação da Juventude (FJP) Agência de Turismo (Agtur) Secretaria de Habitação Secretaria da Região Metropolitana Secretaria de Administração e Modernização Secretaria de Planejamento Urbano Secretaria de Governo Secretaria de Mobilidade Urbana Secretaria da Mulher Para onde foram transferidas as funções: Saúde assume a FespPalmas. Fazenda (novo nome da Finanças) assume a Agtec. Infraestrutura e Obras Públicas vira Infraestrutura e Habitação. Agricultura e Serviços do Interior vira Agricultura e Região Metropolitana. Planejamento, Orçamento e Licitações vira Planejamento e Gestão. Desenvolvimento Urbano e Regularização Fundiária vira Mobilidade, Planejamento e Desenvolvimento Urbano. Ação Social vira Ação Social e da Mulher. Além disso, foi criada a Secretaria Municipal de Turismo, Juventude e Esportes, que vai reunir as competências da antiga Agência Municipal de Turismo (Agtur), da Fundação Municipal de Esportes e Lazer (Fundesportes) e da Fundação da Juventude (FJP). VEJA TAMBÉM: Instituições de acolhimento a idosos estão na mira do Ministério Público Instituições de acolhimento a idosos estão na mira do Ministério Público Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Palavras-chave: tecnologia

Os hologramas que revolucionaram ciência das imagens e renderam Nobel ao inventor

Publicado em: 15/10/2025 06:53

Físico brasileiro é citado em Nobel de Física e celebra reconhecimento da ciência nacional Natalie Logan Os detalhes do rosto de Martin Scorsese o encantaram. Cada poro da pele. Cada fio de cabelo minúsculo. O criador de hologramas Martin Richardson havia feito seis imagens em 3D do renomado diretor de cinema. E uma delas, com seu detalhamento aparentemente infinito, o surpreendeu. À medida que Richardson observava a profundidade dos traços de Scorsese, sua impressão era que o diretor estava de volta na sala com ele. Depois de passar horas estudando o holograma, Richardson observou que ele havia capturado até mesmo uma minúscula nuvem de poeira que flutuava no ar entre Scorsese e o observador. Era uma ilusão perfeita, composta de luz — um segundo capturado para a eternidade. "É um meio viciante", declarou Richardson. Ele produz hologramas há décadas, aperfeiçoando gradualmente diversos métodos. Periodicamente, ele retira um dos seus favoritos dos arquivos para observá-lo mais uma vez. "Eles me dão arrepios na espinha", ele conta. Os hologramas são especiais. Mas, para compreendê-los, é importante reconhecer o que eles não são. A fantástica projeção da princesa Leia em Guerra nas Estrelas (1977), na famosa cena em que ela pede ajuda, não é um holograma. Nem o truque de palco conhecido como fantasma de Pepper (Pepper's ghost, em inglês), que permite, por exemplo, que imagens translúcidas de astros do pop se apresentem ao público. Ondas em colisão Os hologramas são imagens em 3D produzidas pela gravação de algo conhecido como padrão de interferência, a confusa complexidade que surge quando duas frentes de ondas se encontram. Você mesmo pode criar interferências batendo na superfície da água em uma bandeja em dois pontos opostos e observando a colisão das minúsculas ondas. Mas os padrões de interferência gerados pela reflexão da luz de um objeto 3D são muito mais complexos. É necessário ter luz coerente para criar um padrão de interferências BBC Surpreendentemente, quando capturamos um padrão de interferência de luz em uma placa ou filme fotográfico, por exemplo, e lançamos uma nova luz sobre ele, podemos recriar a frente de onda de luz original refletida pelo objeto (ou pelo diretor cinematográfico), capturada quando gravamos seu holograma. É como uma fotografia que reflete a luz em 3D. As pessoas usam a holografia para criar obras de arte fantásticas, estudar minúsculas falhas em materiais de construção e até para produzir óculos de realidade aumentada. A história dos hologramas é de extraordinária criatividade — mas também, segundo alguns, de promessas não cumpridas. Luz coerente de lasers Nos anos 1940, o físico húngaro-britânico Dennis Gabor (1900-1979) procurava uma forma de criar imagens detalhadas de objetos muito pequenos. Ele ficou fascinado, por exemplo, pela microscopia eletrônica, uma técnica vencedora do Prêmio Nobel que usava feixes de elétrons em vez da luz. Com eles, os cientistas produziram imagens, por exemplo, de pelos microscópicos do corpo dos insetos. Gabor queria desenvolver a tecnologia e o método que ele criou é baseado no princípio essencial da holografia: é possível reconstruir uma frente de ondas (ou seja, a total complexidade das ondas de elétrons ou luz refletidas por um objeto). Gabor comprovou, na época, que isso era possível, mas o desenvolvimento foi limitado pela necessidade de fontes de ondas coerentes, que viajem com todos os seus altos e baixos alinhados. Os feixes de elétrons, nos anos 1940, eram coerentes, mas os emissores de luzes coerentes — os lasers — só surgiriam na década de 1960. Dois pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, desenvolveram o conceito de holografia de Gabor a largas passadas, utilizando lasers para produzir os primeiros hologramas que eu e você podemos reconhecer como tais, incluindo uma famosa imagem em 3D de um trem de brinquedo. Eles foram o engenheiro elétrico Emmett Leith e o físico e inventor Juris Upatnieks. Emmett Leith e Juris Upatnieks criaram este holograma 3D após a invenção do laser Museu Nacional de História Americana do Instituto Smithsoniano Outros pesquisadores também contribuíram para a holografia naquela mesma época, mas Gabor ganhou sozinho o Prêmio Nobel de Física de 1971 pelo seu trabalho neste campo. E os hologramas continuaram surpreendendo e admirando as pessoas. A artista canadense Natalie Logan relembra uma das suas primeiras aulas de holografia na universidade. O professor tinha alguns hologramas, elaborados usando diversas técnicas, todas decorrentes da ideia original de Gabor. Eles variavam em profundidade e detalhamento. Um deles apresentava um soldado de brinquedo. Era tão encantador que Logan pensou que o professor estivesse fazendo uma brincadeira, mostrando à classe um objeto 3D real para ver se eles identificariam a diferença. "Quando percebi que era uma chapa de vidro plana, fiquei realmente surpresa", relembra Logan. Ela viria a produzir seus próprios hologramas posteriormente. Sua série de trabalhos Trapped Light ("Luz capturada", em tradução livre) apresenta hologramas coloridos com formas estranhas e etéreas. "Vejo um holograma como um recipiente", explica ela. "Você está repetindo o que a luz fez naquele momento." Ordem no caos Fazer um holograma não é fácil. "Oh, meu Deus, quantas horas invisto neles", exclama Claudette Abrams, outra artista holográfica canadense. Existem diversos métodos, mas, para produzir um holograma a laser, digamos, de um dinossauro de brinquedo, o criador pode usar filme holográfico, laser, um aparelho para ampliar e outro para dividir os feixes. Com dois feixes expandidos, o criador do holograma faz um deles brilhar sobre o dinossauro, enquanto o outro ultrapassa o brinquedo e permanece puro. Mas os feixes se encontram novamente no filme de gravação, criando interferência. O padrão de interferência resultante, capturado pelo filme, é como uma gravação perfeita dos altos e baixos de luz que vêm do objeto. Mas, para o olho humano, aquilo pareceria puro caos. Se você lançar uma luz laser nova sobre uma reprodução do padrão adequadamente produzido, seus detalhes ou ondulações gerarão a difração da luz, fazendo com que ela se desvie em muitas direções. Com isso, ela irá reproduzir fielmente a frente de ondas que veio do dinossauro durante a gravação. Por quê? Porque você gravou não só a intensidade da luz, mas também a sua fase, ou como o dinossauro afetou a coerência da luz — especificamente, como essas ondas de luz permaneceram ou saíram de sincronia quando atingiram o brinquedo em diversas direções. Este é o segredo da holografia. Abrams ficou interessada em hologramas, como forma de lidar com noções de realidade e observar "como existem muitas realidades virtuais", explica ela. Ela se divertia produzindo hologramas de animais, congelando suas expressões no tempo, para uma série que explorava como os seres humanos marginalizam ou monetizam os animais. "Tínhamos aves voando por toda parte", relembra ela. "Elas faziam cocô em alguns instrumentos ópticos. Ficava bagunçado." Solução para armazenagem de dados? No século 20, engenheiros aproveitaram a tecnologia para produzir gravações holográficas de materiais. Se você quisesse descobrir se uma viga de metal em uma construção havia se deformado ou vergado ao longo do tempo, por exemplo, poderia fazer um holograma dela, esperar um pouco e fazer, em seguida, um novo holograma. Bastaria sobrepor as duas imagens para revelar a menor alteração de formato que houvesse, ou o surgimento de rachaduras ou defeitos. É possível aplicar a mesma técnica a tudo, desde facetas dentárias até as pás de turbinas de motores a jato. Mas, agora, existem muitas alternativas "mais simples", segundo o professor emérito da Universidade de Glasgow, no Reino Unido, Sean Johnston. Ele é o autor do livro Holographic Visions: A History of New Science ("Visões holográficas: uma história da nova ciência", em tradução livre). Ou seja, a chamada interferometria holográfica, em grande parte, está ultrapassada. Outra aplicação da holografia também enfrentou os seus tropeços. Como os hologramas registram muito mais informações que a fotografia, pesquisadores vêm testando a técnica há muito tempo para armazenagem avançada de dados. Mas Masud Mansuripur, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, conta a história da InPhase, uma empresa que pretendia comercializar a armazenagem de dados holográficos em discos sofisticados, mas faliu em 2010. "A tecnologia era fantástica, mas não havia forma de competir no mercado", relembra Mansuripur. Ele explica que, mais ou menos na mesma época, surgiram os grandes drives em estado sólido, que eram muito mais baratos. A armazenagem de dados holográficos talvez ainda encontre uso na substituição da armazenagem em fitas magnéticas, que ainda são empregadas para aplicações que envolvem arquivos de dados muito grandes. O físico húngaro-britânico Dennis Gabor recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1971 Getty Images/BBC Imagem perfeita As questões sobre a utilidade da holografia datam ainda da época de Gabor. "Ela foi superestimada e supervalorizada desde o início", afirma Johnston. Os primeiros e impressionantes hologramas a laser, como os produzidos por Leith e Upatnieks, foram seguidos pela transmissão de arco-íris ou hologramas estampados. Estes são o tipo de holograma que você encontra no seu cartão de crédito. Eles permanecem úteis como elementos de segurança, pois é difícil copiar um holograma e os incríveis detalhes que ele contém. Mas é claro que este não é um uso particularmente espetacular da tecnologia. Johnston escreveu que, com o passar do tempo, os hologramas foram "relegados a livros de adesivos infantis". Ainda assim, as pesquisas voltadas aos princípios da holografia continuam. Os óculos de realidade aumentada, por exemplo, usam elementos ópticos holográficos (HOEs, na sigla em inglês). Estes elementos criam imagens vívidas em 3D no campo de visão de uma pessoa, por meio da difração de luz, similar a um holograma. Esta tecnologia vem ajudando a tornar os aparelhos de realidade aumentada menores e mais surpreendentes. "Você pode sobrepor uma imagem ao mundo real", destaca Mansuripur. Pode ser questão de opinião definir se a holografia conseguiu ou não atender às expectativas. Martin Richardson, por exemplo, contesta o conceito de Johnston. Mas, de qualquer forma, sempre haverá hologramas surpreendentemente detalhados que as pessoas que tiveram a sorte de observá-los nunca irão esquecer. Johnston, por exemplo, tem um favorito: Lucy com Chapéu de Lata, um retrato holográfico de uma mulher usando grandes brincos brilhantes e um estranho chapéu pontiagudo. Hologramas como este são janelas que nos permitem observar o objeto real, segundo Johnston. E, quando são muito bons, são "o que há de mais próximo da imagem mais perfeita já produzida". Esta reportagem foi criada em coprodução entre a instituição Nobel Prize Outreach e a BBC.

Palavras-chave: tecnologia

Padilha admite insatisfação com longas filas no SUS e promete 'maior mobilização para resolver esse problema'

Publicado em: 15/10/2025 06:37

Ministério da Saúde muda regras pra mulheres fazerem mamografia no SUS O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), aposta as fichas no recém-criado programa Agora Tem Especialistas para acabar com uma das maiores queixas dos brasileiros em relação à saúde pública: a longa fila para fazer consultas, exames e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). Estatísticas oficiais e estudos independentes demonstram que o tempo de espera para realizar esses procedimentos e avaliações especializadas bateu o recorde em 2024. Em entrevista exclusiva à BBC News Brasil durante uma visita a Londres, no Reino Unido, Padilha reconheceu a dimensão do problema. "Nossas pesquisas de opinião apontam que a principal reclamação da população hoje é sobre o tempo que ela espera para uma consulta especializada, para um exame, para uma cirurgia", diz ele. "Então essa é, sem dúvida alguma, o nosso principal desafio a ser enfrentado. E esse programa, o Agora Tem Especialistas, do governo federal, do presidente Lula, que foi aprovado pelo Congresso, está aí exatamente para isso", promete o ministro. Padilha é médico infectologista de formação, quadro antigo do PT e já chefiou a Saúde no governo de Dilma Rousseff (PT). Está de novo à frente da pasta desde março, quando deixou o Ministério das Relações Institucionais para o assumir o lugar de Nísia Trindade. No governo Dilma, esteve à frente do lançamento do programa Mais Médicos, motivo alegado pelo governo de Donald Trump para revogar o visto de entrada nos Estados Unidos da sua mulher e de sua filha. Padilha não foi afetado diretamente porque seu visto americano venceu em 2024. Ele, porém, ficou impedido de obter um novo visto. À BBC News Brasil, Padilha comentou sobre as sanções contra sua família. "Se os Estados Unidos não querem que eu vá lá, eles podem até restringir a minha circulação dentro dos Estados Unidos, mas não conseguem restringir as ideias e o papel que o Brasil e o ministro da Saúde têm", aponta ele. "Fiquei indignado. Primeiro porque tem um ataque à minha família. Tenho uma filha de 10 anos de idade. Quero saber qual é o risco que minha filha gera para o governo dos Estados Unidos." Padilha projeta que ações do governo vão diminuir fila de espera no SUS José Cruz/Agência Brasil Confira os principais trechos da entrevista a seguir. BBC News Brasil – O senhor está no Reino Unido, o berço do Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês), que foi a inspiração para a criação do SUS. Existe algo que o Brasil ainda pode aprender com o sistema de saúde britânico? Alexandre Padilha – Muita coisa. Tenho dito aqui que estamos visitando nosso irmão mais velho. O SUS vindo visitar o NHS. Renovamos a parceria com o Ministério da Saúde aqui do Reino Unido, e isso é um passo muito importante para enfrentarmos desafios comuns. Algumas coisas, a gente ensina a eles. Estamos fazendo essa entrevista direto de um lugar onde o NHS está aprendendo com o SUS, por meio da implementação dos agentes comunitários de saúde e junto das equipes de atenção primária. Mas tem muita coisa que a gente tem a aprender com eles. A parte de saúde digital, por exemplo, queremos aprender a experiência dos hospitais digitais que existem no Reino Unido, onde as pessoas podem ter consultas diretamente através da telessaúde. Já estamos fazendo isso no Brasil, mas podemos ampliar e fazer normatizações, trazer o conceito e as experiências. Temos uma grande prioridade nessa visita, que são as parcerias de produção de medicamentos e acesso do povo brasileiro a esses medicamentos. Temos muita coisa para fazer juntos. O presidente Lula acabou de regulamentar um novo marco legal para a pesquisa clínica, para que os estudos de avaliação de uma medicação, de uma vacina, aconteçam mais rapidamente no Brasil. Isso vai ampliar as parcerias, e a gente tem grandes experiências de pesquisa clínica aqui na Inglaterra, da relação do sistema público de saúde com a pesquisa clínica, com o desenvolvimento de medicamentos, o surgimento de novos medicamentos. Então, temos muita coisa para aprender juntos. Essa parceria entre Brasil e Inglaterra, SUS e NHS, também tem uma força internacional de defesa da vacina, de defesa da ciência, da defesa da saúde como um direito universal. Isso acontece no momento em que essas ideias são atacadas, infelizmente, por uma extrema direita que existe no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa, que tenta desmontar esses direitos, tenta negar a ciência, o direito à vacina e desmontar os sistemas universais de saúde. BBC News Brasil – E o que o SUS pode ensinar ao Reino Unido e ao resto do mundo? Padilha – Em primeiro lugar, esse projeto [de trazer agentes comunitários de saúde para o Reino Unido] é incrível, porque ele começa a partir de um médico inglês que por algum motivo esteve no Brasil, no Nordeste, vivia lá e atuou como profissional da saúde numa cidade do interior de Pernambuco. Ali, ele teve contato com os agentes comunitários de saúde e, ao voltar para cá, conseguiu desenvolver com o Imperial College, com a nossa Fundação Oswaldo Cruz, com apoio do Ministério da Saúde, essa experiência no Reino Unido que está sendo incrível, muito interessante. Sistema Único de Saúde tem uma série de iniciativas que podem ser replicadas em outras partes do mundo, entende Padilha Fernando Frazão/Agência Brasil Nesse momento, nós temos uma proposta de já começarmos, por exemplo, a reorganizar os cuidados das pessoas com o chamado transtorno do espectro do autismo. Já começou a ser implementado um teste diagnóstico a partir dos 16 meses de vida em toda a atenção primária em saúde. Não tenho dúvidas que o mundo inteiro tem muito a aprender com isso. O Brasil tem uma característica de sua população, que é a diversidade. Somos um país de mais de 200 milhões de habitantes com muita diversidade étnica, racial, regional. Isso faz com que o Brasil combine doenças que são chamadas de doenças do mundo tropical, com as doenças aqui do Hemisfério Norte. Então, como lidar com as pessoas, com os pacientes, como tratar, nessa mistura de condições de saúde, é uma coisa muito própria do Brasil e que outros países do mundo podem aprender. Tudo aquilo que envolve as doenças tropicais, como malária, dengue, enfrentamento à tuberculose, hanseníase, temos muito a fazer pelo Brasil, mas também a ensinar ao mundo. Inclusive trazendo pesquisadores estrangeiros para o Brasil, junto com as indústrias e as empresas, para enfrentar esses problemas. O Brasil tem um papel muito importante também de liderança na saúde, que pode fortalecer experiências internacionais. Estamos organizando a COP 30, e um dos debates que pela primeira vez acontecerá em uma COP é ter um dia só da saúde, onde vai se aprovar um plano, que estamos chamando de Plano Belém, de adaptação dos sistemas de saúde para as mudanças climáticas. Então, temos uma agenda de liderança em função do tamanho do SUS, que pode influenciar muito outros sistemas de saúde do mundo. BBC News Brasil – Quando o senhor viaja para o exterior, o que costuma ouvir dos estrangeiros sobre o SUS? Padilha – As pessoas ficam muito impressionadas, o que só aumenta nosso orgulho do que é o SUS. Porque nenhum país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes assumiu esse desafio de ter um sistema universal público de saúde. Ouço muitos estrangeiros que não moram no Brasil, mas que, ao visitar, trabalhar e estudar nosso país, têm a experiência de ser atendidos no SUS por algum motivo. E eles falam isso com uma grande surpresa, porque não é a realidade de outros países, em que um estrangeiro pode ser atendido e ter seu problema resolvido no sistema nacional público. Também ouço muito sobre os programas que são simbólicos do SUS. Por exemplo, nosso programa de HIV e Aids, e a combinação que fazemos desse programa com a saúde de família. Isso fez com que o Brasil alcançasse, agora neste ano, a eliminação da transmissão vertical do HIV, da gestante para o bebê. Acabamos de entregar o relatório sobre isso para a Organização Panamericana de Saúde (Opas). A expectativa é, até o final do ano, com a análise desse relatório pela Opas, o Brasil seja reconhecido por ter eliminado a transmissão vertical do HIV. Com isso, vai ser o maior país do mundo a ter alcançado isso, enquanto sistema nacional público de saúde. Então, a gente ouve até mais elogios, mas sabemos que o SUS tem muitos defeitos ainda, muita coisa para melhorar, muitos desafios. Mas é defendendo o SUS que você dá conta dos desafios. E não falando mal do SUS, destruindo o SUS, como infelizmente outros governos fizeram. BBC News Brasil – Sobre o metanol, houve alguma falha de fiscalização ou algum ponto que o governo deveria ter agido, e não agiu, para evitar que essa crise estourasse? Padilha – O que aconteceu foi um crime, que que colocou em risco a saúde da população brasileira e está sendo desvendado pelas forças de segurança locais. Porque esse é um tema de um crime local, então, dos governos estaduais. O governo federal e a Polícia Federal entraram no caso, porque desconfiamos desde o começo que esse crime poderia ter uma expansão para mais de um Estado. E os dados estão comprovando isso. Nesse momento, nós temos uma situação de casos confirmados concentrada em dois Estados, São Paulo e Paraná. Mas, até pelo trabalho que o Ministério da Saúde fez, de chamar atenção dos profissionais da saúde, dos serviços locais de vigilância, temos outros três Estados que haviam notificado casos suspeitos, embora eles não foram confirmados. Reforçamos com os profissionais da saúde que, a qualquer mínimo sinal, isso fosse sinalizado para que o tratamento adequado pudesse acontecer. A resposta rápida do SUS permitiu identificar o surgimento dos casos de intoxicação. E a ação rápida do Ministério da Saúde, seguindo a ciência, ouvindo os especialistas, garantiu o abastecimento de antídotos, a informação correta, para os profissionais de saúde cuidarem desse problema. Estou aqui na Inglaterra, mas monitorando e garantindo a chegada do antídoto, que a gente não tinha em comercialização no mundo inteiro. Em uma semana, fomos atrás, em parceria com a Opas, dos poucos produtores internacionais que têm esse antídoto, que é o fomepizol. Ele já chegou ao Brasil e está sendo distribuído para o centro de referência. Ele se soma ao outro antídoto que já tínhamos garantido o abastecimento, que é o etanol farmacêutico. Isso também vai chamar a atenção para uma situação no Brasil. Cabe inclusive uma mobilização por parte da indústria produtora dessas bebidas alcoólicas sobre orientar os comerciantes de como eles podem desconfiar que aquela bebida que ele comprou foi adulterada de alguma forma. Isso vai reforçar, inclusive, esse papel ativo da própria indústria, de fazer campanhas e esclarecimentos sobre isso, dos comerciantes saberem identificar e também dos mecanismos de vigilância. BBC News Brasil – Mas o Brasil não deveria ter esse antídoto à disposição? Padilha – O mundo inteiro não tem. Primeiro, o Brasil tem um antídoto à disposição, que é o etanol farmacêutico, que também é efetivo. Adquirimos uma quantidade, fomos atrás de produtores internacionais, que nem produziam, mas passaram a produzir ou tinham um estoque em algum lugar, para termos uma segunda opção. Garantimos duas opções com esse antídoto. No Brasil, o guia de vigilância saúde que já existia, que tem toda a orientação, o protocolo, coloca que a primeira opção é o etanol farmacêutico. E tivemos que comprar mais, para colocar à disposição dos centros de referência, porque de fato nós estamos numa situação que é anormal. Só para você ter ideia, ao longo de todo o histórico, nós temos cerca de 20 casos de intoxicação por metanol por ano em todo o Brasil. E são casos ou de populações extremamente vulneráveis, que muitas vezes tentam utilizar esse produto ao se confundir, em locais de venda de combustível, ou de pessoas que fazem uma autoagressão, até uma tentativa de suicídio. O que vimos é que em dois meses, num Estado específico, em São Paulo, tivemos uma concentração de casos no mesmo volume que acontece o ano todo em todos os Estados do Brasil. Essa situação anormal exigiu uma resposta rápida por parte do Ministério da Saúde que, ao perceber a situação, garantiu o antídoto, o etanol farmacêutico, em toda a rede de centros especializados, orientou o cuidado dos pacientes, e também adquiriu esse outro antídoto, para ser uma alternativa para alguns pacientes, para que o manejo possa ser o melhor para o cuidado com a vida, que é o mais importante nesse momento. Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, liderou criação do programa Mais Médicos em 2013 Marcelo Camargo/Agência Brasil BBC News Brasil – E o que o governo está fazendo para que crises parecidas com essa não aconteçam daqui para a frente? Quando as pessoas vão poder voltar aos bares e restaurantes com mais tranquilidade? Padilha – Acredito que, pelo trabalho das forças de segurança, saberemos exatamente o que aconteceu, quem foram os responsáveis e puní-los, além de ter uma noção mais clara da extensão dessa realidade. Essa situação vai chamar a atenção para as forças de segurança dos Estados, que têm a responsabilidade de coibir esse crime. Não só nesse caso, que foi uma adulteração que envolveu metanol, mas você tem também outras falsificações e adulterações de bebidas que precisam ser combatidas e coibidas. Os profissionais de saúde e as equipes de vigilância também chamam a atenção para esse tema. A vigilância em saúde faz seu papel de visita aos estabelecimentos comerciais. O problema não foi no funcionamento dos estabelecimentos, mas das bebidas que foram adulteradas. Isso vai também aumentar a sensibilidade dos profissionais de saúde, para aprender melhor como seguir a recomendação de tratamento, de acordo com o Ministério da Saúde, por especialistas. Vamos garantir o estoque estratégico dos dois antídotos, para que a gente esteja ainda mais preparado para enfrentar situações como esta. BBC News Brasil - Nos últimos tempos, vários políticos brasileiros sofreram sanções e perderam visto americano ou tiveram o visto restrito, como foi o caso do senhor e de sua família. Qual o impacto que isso teve na sua vida? Padilha – Se os Estados Unidos não querem que eu vá lá, eles podem até restringir a minha circulação dentro dos Estados Unidos, mas não conseguem restringir as ideias e o papel que o Brasil e o ministro da Saúde do Brasil têm. Eles impediram que eu pudesse estar presente na Assembleia Geral da Opas. O que foi feito? Os países-membros da Opas solicitaram e abriram a participação do Brasil à distância, por vídeo. O que fez, inclusive, que nossa fala tivesse ainda mais repercussão do que se ela acontecesse ali no momento presencial. Eles impediram que eu pudesse fazer várias reuniões bilaterais com outros países durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, o que exigia que eu pudesse circular de uma embaixada para outra. Mas vamos fazer essas reuniões em outros lugares. Estou fazendo agora uma missão para Reino Unido, China e Índia. Em novembro, temos a reunião do G20 na área da Saúde na África do Sul. Entre as várias reuniões bilaterais que aconteceriam em Nova York, agora os ministros desses países estão pedindo encontros lá no G20. Estou fazendo essa visita a três grandes potências de produção de medicamentos. Então, o Brasil está aproveitando essa situação para ampliar as parcerias estratégicas de produção, aquisição de produtos, desenvolvimento de tecnologias, acesso a medicamentos, vacinas e tecnologias para nossa população. Com isso, vamos reduzir cada vez mais a dependência em relação a qualquer país. Os Estados Unidos já não são o maior país do qual a gente importa produtos de saúde, isso cada vez mais se diversifica. Hoje em dia, a indústria de saúde da qual mais importamos é a da Alemanha. Claro que tem um papel importante dos Estados Unidos, muitas empresas com sede por lá fornecem medicamentos de alto custo. Mas estamos fazendo parcerias dessas empresas com matriz nos Estados Unidos com instituições brasileiras, com empresas brasileiras, para que o acesso, a transferência de tecnologia aconteça no Brasil, gerando emprego e renda. O Brasil lidera nesse momento três plataformas de cooperação internacional. Estamos na presidência do G20, na coalizão do G20 para a área de saúde. Tratei desse tema aqui no Reino Unido, com o governo, com as empresas produtoras de medicamento e tecnologia. Agente comunitária de saúde e enfermeira caminham na Rocinha, no Rio, durante a pandemia de covid-19 Getty Images/BBC O Brasil preside a área de parcerias estratégicas dos Brics. Vamos tratar disso tanto na China, quanto na Índia e na África do Sul. E o Brasil preside o Mercosul, com um acordo com a União Europeia na área de saúde em negociação. Então, teremos na última semana de novembro no Brasil um grande encontro para avançar nesse acordo, acelerar as parcerias com a União Europeia para a produção de medicamentos. Então, vemos tudo isso como oportunidades para expandir nossa liderança, nosso compartilhamento e a cooperação com o mundo. BBC News Brasil – E qual foi a sua reação ao receber a notícia de que teria o visto restrito ou negado pelos Estados Unidos? Como o senhor vê o uso dessas ferramentas, seja restringir vistos ou a própria lei Magnistiky, contra autoridades brasileiras? Padilha – Fiquei indignado. Primeiro porque tem um ataque à minha família. Tenho uma filha de 10 anos de idade. Quero saber qual é o risco que minha filha gera para o governo dos Estados Unidos. Segundo, para mim, foi uma sensação estranha, porque meu pai foi exilado durante a ditadura do Brasil. Depois de ter sido torturado, ele saiu do Brasil e foi levado para os Estados Unidos por lideranças da Igreja Metodista, da qual ele participava, para fugir, para não correr risco de perder a vida. É muito estranho você pensar que um país que acolheu uma vítima da ditadura hoje tenha tantas restrições à liberdade. Tenho dois irmãos que nasceram nos Estados Unidos. Um deles vive no Brasil, outro vive nos Estados Unidos. Então, a primeira reação da minha filha foi: "Poxa, não vou conseguir visitar minha prima". Falei para ela: "Minha filha, eu fiquei oito anos sem poder ver o teu avô, que estava no exílio. Estava aqui no Brasil, ele não podia vir para cá, eu não podia ir para os EUA vê-lo". A prima pode vir para o Brasil, ou se encontrar no resto do mundo. Então, é uma sensação de indignação, mas também de superação, de dizer que somos maiores, que o mundo é maior do que apenas uma administração do governo dos Estados Unidos. BBC News Brasil – Vimos, durante as últimas semanas, inclusive na Assembleia Geral da ONU, alguns sinais de reaproximação. Existe alguma expectativa, da parte do senhor, de que essas sanções sejam revertidas? Padilha – Nosso maior foco nesse momento é que os Estados Unidos tirem essas tarifas abusivas. A maior preocupação está relacionada com isso. De certa forma, o próprio governo americano está compreendendo que aquilo tudo foi construído com base em uma mentira sobre a postura do Judiciário brasileiro, sobre a possibilidade de intervenção do presidente Lula em um outro poder. Temos também a postura firme do Brasil de não admitir qualquer ataque. O tempo todo foi reforçada pelo presidente Lula a postura de querer negociar. Não houve qualquer tipo de represália, só tentativas de negociações. Essa combinação de defesa da soberania e negociação abre essas portas. E também, de certa forma, o impacto negativo de tudo isso para a economia dos Estados Unidos, ao estabelecer barreiras. Se tem um país que pode ganhar, reduzir a inflação, gerar empregos e renda, são os EUA. Pelo tamanho do mercado, eles têm muito a ganhar com o livre comércio. As barreiras fazem com que, para quem exporta do Brasil, deixe de procurar os Estados Unidos e privilegie outros países. Muitas vezes, o produto que é exportado, como o café, pode ir para outros mercados, como a Europa. BBC News Brasil – A justificativa usada pelo governo americano para cancelar ou restringir os vistos do senhor e de sua família foi a sua relação com a criação do Programa Mais Médicos, ainda durante o governo Dilma Rousseff. Como o senhor vê essa justificativa e que avaliação o senhor faz do Mais Médicos, mais de dez anos depois da sua implementação? Padilha – Essa justificativa não faz nenhum sentido. Até porque foram feitas muitas parcerias similares, para trazer médicos cubanos, em dezenas de países do mundo, de várias matizes ideológicas. Inclusive países que são dirigidos por políticos de extrema direita, alinhados à administração Trump. E nenhum deles sofreu esse tipo de sanção. Então, foi um ataque específico a uma política do Brasil, uma tentativa de influenciar a política brasileira. Assim como aconteceram outros ataques dos Estados Unidos em relação à saúde, como a saída da Organização Mundial da Saúde, o ataque a Opas, uma redução do programa de vacinação nos EUA, que faz com que hoje a gente tenha um surto de sarampo na América do Norte, que se espalha pelo continente americano. Só não chegou ao Brasil com força porque felizmente recuperamos nosso programa de vacinação. Tivemos 25 casos importados, que foram bloqueados pela nossa ação do SUS, pela parceria entre União, Estados e municípios. Sou ministro da Saúde, mas também deputado federal licenciado. Fico imaginando o quanto que eles tentaram usar esse ataque a mim para tentar influenciar votações de outros deputados, de outros parlamentares. Eles quiseram dizer: podemos sancionar outros membros do Congresso. Essa foi a chantagem desde o começo. Vou continuar defendendo o Mais Médicos, porque ele foi muito importante para a população brasileira desde o começo. Hoje, felizmente, a gente não precisa mais trazer médicos de outros países. Porque, quando lançamos o Mais Médicos em 2013, além de trazer profissionais de outros países, abrimos oportunidades para que jovens brasileiros pudessem se formar. A gente conseguiu dobrar o número de participantes do Mais Médicos agora, duas vezes mais do que tínhamos no começo do governo do presidente Lula, sem precisar atrair profissionais de outros países, quase integralmente constituído por jovens brasileiros, formados no Brasil. BBC News Brasil – O senhor citou o Mais Médicos e a abertura de novas faculdades de Medicina. Esses dois pontos sempre foram alvos de críticas de instituições que representam os médicos, como o Conselho Federal de Medicina (CFM). Desde aquela época, esses órgãos adotaram uma postura crítica aos governos do PT, enquanto se aproximaram bastante do governo Bolsonaro. O senhor diria que a Medicina brasileira é mais vinculada à direita ou chega a ser bolsonarista? Padilha – De forma alguma. Temos milhares, centenas de milhares de médicos no Brasil que, durante a pandemia, majoritariamente, tiveram posturas de defesa da vida, da vacina, que cuidaram das pessoas com muito compromisso. À época, eu era deputado federal de oposição e fiz parte da Comissão de Fiscalização das Ações contra a covid-19. Mas eu continuava a ser professor universitário. Toda semana estava junto com meus alunos nos atendimentos, na linha de frente, em várias situações da pandemia, junto de outros colegas médicos, que foram heróis no enfrentamento daquela situação. Não acho que aquilo que algumas lideranças falam, ou o alinhamento político de algumas lideranças, represente a opinião de todos os médicos e médicas do Brasil. Temos um diálogo muito positivo com as associações médicas brasileiras, inclusive no enfrentamento a essa multiplicação de cursos de Medicina. Inclusive, muitos deles abriram pelo caminho da judicialização, durante os governos Temer e Bolsonaro. Quando eles retiraram o regramento sobre a abertura de novos cursos, houve um vácuo normativo que fez com que várias faculdades buscassem a Justiça para ampliar o número de vagas e concentrar ainda mais a formação. Por isso, nosso governo está tomando medidas para criar um exame nacional de avaliação dos estudantes de Medicina, que vai passar a acontecer durante o quarto e o sexto ano do curso. Ou seja, na metade e no final do curso. Acabamos também de aprovar novas diretrizes clínicas para a formação dos médicos no Brasil, porque a qualidade da formação é uma grande preocupação nossa. BBC News Brasil – Alguns indicadores têm mostrado que, no ano passado, o tempo de espera na fila do SUS bateu recordes. O que explica isso? Padilha – Primeiro, com esse programa que lançamos, o Agora Tem Especialistas, vamos conseguir ter o dado real sobre isso. Porque os dados que temos, que foram mostrados até hoje, não são dados nacionais consolidados. São apenas informações de algumas gestões, de Estados e municípios que informam ou não. Agora, é obrigatório que Estados e municípios subam essa informação para o Ministério da Saúde. Então, vamos passar a ter um dado real sobre o tempo de espera para as cirurgias e exames a partir da virada desse ano. As informações de Estados, de municípios, de estudos específicos, que temos hoje mostram que esse tempo de espera para cirurgias, consultas e exames é um grande problema de saúde pública. Por isso, inclusive, lançamos o Agora Tem Especialistas. Nossas pesquisas de opinião apontam que a principal reclamação da população hoje é sobre o tempo que ela espera para uma consulta especializada, para um exame especializado, para uma cirurgia. Isso tem a ver com um problema que é histórico, mas que se agravou muito durante a pandemia de covid-19, que durou no Brasil muito mais tempo do que precisava durar, por conta da irresponsabilidade criminosa do governo anterior. Teve um período muito mais longo em que os hospitais, os centros de diagnóstico, as consultas especializadas, tudo ficou represado, porque tudo estava ocupado por pacientes com covid-19. Equipes de atenção básica vinculadas ao SUS atendem quase 80% da população brasileira Divulgação/Ministério da Saúde Todo mundo conhece alguém que teve uma cirurgia cancelada durante a pandemia, um exame de tomografia, de ressonância, uma avaliação que precisou ser cancelada. Tudo isso virou um represamento que, mesmo com o SUS batendo o recorde de cirurgias eletivas em 2024, foram mais de 14 milhões de procedimentos do tipo, não foi suficiente para garantir um tempo adequado para a população que espera. Esse é, sem dúvida alguma, nosso principal desafio. BBC News Brasil – Mas o que o senhor tem a dizer para a pessoa que tem um familiar na fila, que precisa de uma resolução urgente para o problema dela? Como resolver esse problema na prática? Padilha – Que o Ministério da Saúde está fazendo a maior mobilização da saúde pública e privada para resolver esse problema. O Agora Tem Especialistas mobiliza tudo o que a gente tem na saúde pública. Colocando, inclusive, um terceiro turno de atendimento, trabalhos aos sábados e domingos, para fazer as cirurgias eletivas, fazer exames especializados, não apenas para os serviços de urgência. A medida provisória [que criou o programa] permitiu, por exemplo, que o Governo Federal pudesse contratar médicos e especialistas e distribuir para os municípios e Estados, para dar apoio a esses serviços. Isso permite que a gente coloque unidades móveis em funcionamento. Agora em outubro, começam a operar as unidades móveis para exames especializados na saúde da mulher. São carretas que circulam nas áreas remotas. Também vamos fazer uma nova parceria público-privada, para permitir que hospitais privados e planos de saúde que têm dívidas com a União troquem essas dívidas por mais cirurgias, mais exames, mais consultas. Isso permite que esses hospitais privados de um plano de saúde possa chamar um paciente que está esperando na fila do SUS do município ou do Estado para ser atendido lá. BBC News Brasil – O senhor tem alguma expectativa de quando essa fila deve começar a cair e a situação se normalizar? Padilha – Ela já está caindo em várias situações. Temos municípios que mostram uma redução de 50% a 80% no tempo de espera. Alguns dos hospitais federais já tiveram uma redução de 85% no tempo de espera. Mas essa é uma batalha permanente. O Agora Tem Especialistas, inclusive, estabelece a ideia de implementar no ano que vem uma situação de urgência em saúde pública para ter mais velocidade. Vamos trabalhar permanentemente para esse tempo de espera reduzir. BBC News Brasil – Em 2025, completamos cinco anos do início da pandemia de covid-19. O senhor acredita que o Brasil hoje está mais preparado para lidar com uma pandemia do que esteve em 2020? Padilha – Tenho certeza absoluta, até por conta da experiência que tivemos. Mas temos muitas feridas que ainda não se cicatrizaram. Por exemplo, a ferida do negacionismo. É uma luta permanente. Quando o presidente Lula me convidou para ser ministro de novo, disse a ele que tinha uma missão, que era implementar o Agora Tem Especialistas e reduzir o tempo de espera de quem aguarda atendimento. E uma batalha, que é derrotar o negacionismo na saúde. Então, a ferida do negacionismo está muito presente ainda. Estamos superando, voltamos a ampliar a cobertura vacinal. Esse ano já ampliamos a cobertura das vacinas infantis. BBC News Brasil – Na sua visão, qual foi o impacto do governo Bolsonaro, que lidou com a pandemia de covid-19, na saúde brasileira e em questões como a vacinação? Padilha – Foi destruidor. O ex-governo Bolsonaro tinha uma ideologia da morte, que desprezava a vida. A pandemia trouxe algo muito importante, que foi o reconhecimento da população brasileira sobre a importância do SUS e um certo orgulho do SUS. As pessoas falam e defendem o SUS hoje de uma forma que não defendiam antes da pandemia. Mas também trouxe um outro compromisso que a gente precisa fazer para se preparar para as próximas pandemias, que é criar no Brasil um novo marco legal e uma nova estrutura institucional que ultrapasse governos, que seja resiliente a aventuras da morte como foi, por exemplo, o governo Bolsonaro. Nesse momento, o Ministério da Saúde está concluindo essa proposta. Nossa expectativa é poder enviar o mais rápido possível para o Congresso, para que a gente tenha uma lei que cria essa estrutura de preparação para pandemias, de planejamento, de definição de normas técnicas, de agir sobre situações de emergências de saúde pública geradas, inclusive, pelas mudanças climáticas. BBC News Brasil – Em relação aos medicamentos, vivemos hoje um cenário em que os remédios ficam cada vez mais caros — alguns deles chegam a custar R$ 10 milhões a dose. Como lidar com isso? Padilha – Esse é um desafio comum e muito importante. Temos situações de uma medicação que uma dose custa R$ 17 milhões, sem ter eficácia comprovada. E muitas vezes, por judicialização, o SUS é obrigado a bancar esse produto. Quando tem eficácia, não tem problema nenhum em fazer essa incorporação. Vou citar um exemplo: incorporamos no SUS um medicamento que custava entre R$ 11 e 12 milhões a dose. Garantimos esse tratamento ao grupo que poderia se beneficiar, ao criar um novo mecanismo de compra, que é chamado de compartilhamento de risco, em que o Ministério da Saúde garante a medicação, compra da indústria farmacêutica, mas paga ao longo dos anos de acordo com a evolução daquele paciente. Então, você vai enfrentar através de novos mecanismos de compra, com parcerias, como essa que estamos fazendo com o sistema nacional público inglês. Porque eles também enfrentam esse problema de negociação de preço e têm mecanismos de compra que trazem ganhos para os serviços de saúde. Queremos essas parcerias no Brasil também, para produzir cada vez mais no nosso país, estimular a concorrência na produção desses medicamentos. E sempre seguindo, de forma absoluta e correta, as evidências científicas, a comprovação de eficácia para garantir à população o medicamento de forma acessível.

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Bailão da OPPO: Reno 14 ganha música-tema com DJ Mulú e MC Luanna

Publicado em: 15/10/2025 06:32 Fonte: Tudocelular

A OPPO anunciou uma colaboração inédita com o DJ Mulú e a rapper MC Luanna para transformar o jingle do smartphone Reno 14 em uma faixa completa. Intitulada “OPPO Reno no Bailão”, a música já está disponível nas principais plataformas de streaming e acaba de ganhar um videoclipe oficial divulgado nos canais da marca no Instagram e TikTok.A ação faz parte da estratégia da OPPO para se aproximar da geração Z, unindo tecnologia e cultura brasileira contemporânea. Segundo Mariana Passos, Gerente Sênior de Comunicação da OPPO no Brasil, a ideia foi “ir além do convencional”, levando o conceito de campanha para o universo musical.Clique aqui para ler mais

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