Arquivo de Notícias

Tradicional cerveja da Oktoberfest está de volta ao Brasil

Publicado em: 23/08/2025 08:00

Uma das cervejarias fundadoras da Oktoberfest de Munique, a Hacker-Pschorr está de volta ao catálogo da importadora Porto a Porto e tem distribuição para todo o Brasil. Em funcionamento desde 1417, a Hacker-Pschorr é uma das cervejarias mais tradicionais e renomadas da Alemanha. Suas cervejas são elaboradas de acordo com a Lei da Pureza Bávara (Reinheitsgebot, em alemão), estabelecida em 1516 pelo Duque Guilherme IV da Baviera. A lei define que os ingredientes permitidos na produção de cerveja na região sejam apenas água, malte de cevada e lúpulo. Formada oficialmente em 1972 pela fusão das cervejarias Hacker e Pschorr, a marca é reconhecida por sua contribuição à cultura cervejeira bávara. No Brasil, estão disponíveis três cervejas da marca na versão em lata de 500 ml (saiba mais abaixo). Hacker-Pschorr: tradição e inovação O registro de produção mais antigo da cervejaria (Hacker Brauerei) remonta a 1417 e até os dias de hoje é possível visitar a “Alte Hackerhaus”, uma antiga propriedade onde se produzia essa cerveja na cidade de Munique. Simon Hacker fundou a cervejaria Hacker em 1738 e, anos depois, o seu mestre cervejeiro Joseph Pschorr se casou com sua filha, Therese Hacker, comprou a cervejaria do sogro e a transformou na cervejaria líder de Munique. Os negócios prosperaram tanto que Joseph Pschorr adquiriu outra cervejaria e a chamou de Brauerei Zum Pschorr. Quando faleceu, seu primogênito Georg herdou esta empresa e o segundo filho, Mathias, ficou com a Hacker Brauerei. A história continua, revoluções passam, a família cresceu e um de seus descendentes é nada mais nada menos do que Richard Strauss, que compôs uma de suas peças mais celebres “Rosenkavalier” em homenagem a família de sua mãe (Josephine Pschorr). Empresários pioneiros e visionários, em 1873 usaram o gelo artificial, pela primeira vez, na linha de produção. No século XX, por causa da destruição causadas pelas duas Guerras Mundiais, as duas cervejarias começaram a trabalhar em um sistema conjunto. Porém, somente em 1972, a união foi oficializada e criada a Hacker-Pschorr Bräu AG, uma empresa que mostra ao mundo as verdadeiras tradições bávaras e seu genuíno modo de viver. Hacker-Pschorr Weissbier Divulgação Elaborada com água, trigo maltado, cevada maltada, fermento e lúpulo, esta Weissbier tradicional é uma cerveja suavemente efervescente com caráter aromático e amargor suave. Apresenta brilho sedoso e intenso tom amarelo dourado, coroado por uma espuma compacta e cremosa. Hacker-Pschorr Münchner Gold Divulgação Produzida com água, cevada maltada, fermento e lúpulo, é uma cerveja muito popular principalmente pelas notas maltadas. Apresenta cor amarela dourada intensa, com sabor encorpado e amargor suave. Hacker-Pschorr Kellerbier Divulgação Elaborada com água, cevada maltada, fermento e lúpulo, possui caráter inimitável, é autêntica, ousada, refrescante e suave. Apresenta sabor rico, aveludado e encorpado. Tem brilho sedoso e fosco com tonalidades de mel dourado. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.

Palavras-chave: hacker

Entenda como o aleitamento materno é essencial para o desenvolvimento do bebê: ‘Cada gota vale a pena’, diz mãe

Publicado em: 23/08/2025 08:00

Maielly Pereira, de Bauru (SP), é pediatra, alergista, imunologista e mãe de primeira viagem Elen Laureano/ Divulgação Hapvida A importância do aleitamento materno, reforçada durante a campanha do ‘Agosto Dourado’, vai além de apenas um alimento: ele protege, fortalece e até guarda uma “memória imunológica” das batalhas que a mãe já travou contra vírus e bactérias. A pediatra, alergista e imunologista Maielly Pereira, médica e mãe de primeira viagem, explica que amamentar não serve apenas para nutrir o bebê. “É algo que constrói microbiota, fortalece o vínculo afetivo, estimula o neurodesenvolvimento e oferece imunidade. O leite materno reflete a experiência imunológica da mãe e transfere essa proteção para a criança”, afirma. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Segundo a médica, quando a mulher entra em contato com vírus, bactérias ou vacinas, produz anticorpos que passam para o bebê pelo leite. Essa proteção é dinâmica e pode ser atualizada durante a amamentação. “Se a mãe for exposta a um novo microrganismo, o leite rapidamente incorpora anticorpos atualizados, garantindo defesa sob medida”, explica. 'Agosto Dourado' celebra mês de conscientização ao aleitamento materno Outro ponto destacado é a capacidade de o leite se transformar de acordo com a necessidade da criança. Nos primeiros dias, o colostro é rico em proteínas e anticorpos. Depois, o leite maduro ajusta nutrientes como gorduras e carboidratos para favorecer o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Até a saliva do bebê em contato com o mamilo ajuda nesse processo, enviando sinais ao corpo materno sobre suas necessidades. Desenvolvimento orofacial Segundo Victoria Mota Colombara, fonoaudióloga formada pela Universidade de São Paulo (USP) de Bauru e atuante no setor de neonatal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (SP), a amamentação também é fundamental para o desenvolvimento das estruturas orofaciais. Victoria Mota Colombara é especialista em aleitamento materno e fonoaudióloga do setor neonatal do Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) Arquivo pessoal “Mamar exige esforço muscular coordenado. A criança precisa realizar a “sucção nutritiva”, que envolve movimentos de língua, mandíbula, bochechas e lábios, tudo isso de forma rítmica”, explica a especialista em aleitamento materno ao g1. Ainda de acordo com Victoria, a amamentação promove a maturação neurológica e a integração sensório-motora, já que também exige a coordenação entre sucção, deglutição e respiração, habilidade essencial para a introdução alimentar e funções como sugar, deglutir, mastigar e falar. LEIA TAMBÉM 'FOLCLORE': Conheça a lenda do Unhudo, o major que 'voltou da morte' para proteger a fauna e a flora de suas terras no interior de SP 'INCLUSÃO': Alunos da Apae ajudam a produzir animação em stop motion sobre inclusão: 'Riqueza de valores' 'TECNOLOGIA': Estudante cria software de estudo para o Enem em apenas dois dias e vence prêmio global: 'Honra enorme' Além disso, a fonoaudióloga explica que, durante a amamentação, o bebê está em contato direto com a mãe, o que favorece a comunicação não verbal, o olhar e a escuta da voz materna, estímulos que também servem de base para o desenvolvimento da linguagem oral. Victoria Mota Colombara é especialista em aleitamento materno e fonoaudióloga do setor neonatal do Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) Arquivo pessoal Conexão mãe e filho Mesmo após um ano, a médica ressalta que o leite continua tendo valor nutricional e imunológico. “Ele não vira ‘água’. Continua sendo fonte de energia, nutrientes e anticorpos, além de trazer segurança e conforto. Estudos mostram que a amamentação prolongada reduz alergias, melhora o desenvolvimento cognitivo e diminui doenças crônicas na vida adulta”, ressalta Maielly. Além disso, a especialista, que também viveu na pele a experiência do aleitamento materno, afirma que é um momento transformador. “No começo foi difícil, até ajustar a pega, mas nunca esqueço o primeiro contato pele a pele. Hoje, entendo que amamentar vai muito além da biologia. É amor e dedicação em cada gota”, relata em entrevista ao g1. "Amamentar é resistir: à dor, ao cansaço, aos comentários desmotivadores e à falta de apoio. Mas não resistam sozinhas. Busquem ajuda. Cada gota vale a pena”, finaliza. Maielly Pereira, de Bauru (SP), é pediatra, alergista, imunologista e mãe de primeira viagem Elen Laureano/ Divulgação Hapvida Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

Palavras-chave: tecnologia

SP ganha 1ª 'faculdade de influencers' do Brasil, com cursos de até R$ 35 mil, praia artificial e banheiro 'instagramável'

Publicado em: 23/08/2025 07:10

'Centro de formação de influencers em SP tem praia artificial e banheiro 'instagramável' A cidade de São Paulo ganhou no início deste mês um centro de formação de influencers e criadores de conteúdo digitais. O local é um grande estúdio, com direito a praia artificial e banheiros instagramáveis (veja vídeo acima). Chamada pelos executivos da empresa de "primeira universidade de criação de conteúdo do Brasil", a Community Creators Academy foi instalada num enorme galpão na Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital. A área tem 14 mil m² e mais de 200 estúdios diferentes, para os alunos poderem criar seus conteúdos e jorrá-los nas redes sociais. Com cursos que variam de R$ 25 mil a R$ 35 mil, a Creators Academy promete transformar o jeito com que os atuais influencers se portam nas redes sociais, para melhorar a atração das marcas e a comunicação com o público. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp A ideia foi do empresário baiano Fabio Duarte, dono de uma agência de publicidade na capital paulista especializada em comunicação digital, a Agência California. Ele buscou uma parceria com o grupo educacional Ânima Educação – dono da Universidade Anhembi Morumbi – para formatar o espaço e o programa dos cursos, de olho em um "mercado trilionário", segundo Duarte. Fabio diz terem sido investidos cerca de R$ 40 milhões na ideia. Banheiro instagramável com estúdio e praia artificial dentro da Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de SP. Montagem/g1/Rodrigo Rodrigues, Lucas Amorim e Albert Rodrigo “A 'created economy' é um mercado gigantesco no mundo, que deve movimentar mais de US$ 1 trilhão nos próximos anos no mundo. E a criação de conteúdo está virando uma grande 'skill' [habilidade] valorizada pelo mercado. Antes se exigia datilografar, Pacote Office, inglês. Hoje a criação de conteúdo e a IA [inteligência artificial] são 'skills' importantes para aceleração de qualquer carreira”, afirmou Fabio. “Atualmente, 75% dos jovens querem ser influencers no Brasil. Então, essa é uma profissão, ou uma habilidade, que vem crescendo muito e vai gerar muitos negócios. E não existia no mundo um local focado na formação dessa habilidade que 1 bilhão de pessoas querem ser nos próximos anos. E daí veio o insight [ideia] de transformar isso num grande hub”, disse. Praia artificial dentro da Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Lucas Amorim/Divulgação Curso presencial As aulas na Creators Academy começaram na primeira semana de agosto, e a "faculdade" conta com cerca de 200 alunos matriculados. Os cursos oferecidos são segmentados por área e variam de três a seis meses, com aulas presenciais de duas a três vezes por semana. Médicos, advogados, dentistas, arquitetos e profissionais liberais, por exemplo, têm aulas focadas na atuação para conquistar novas fontes de receita e fisgar os clientes através das redes sociais. Os alunos participam e produzem videochats, podcasts, aprendem a melhor forma de fazer tutoriais de saúde, moda e qualidade de vida, entre outros. Os estúdios têm até salão de cabeleireiro e maquiagem, salas de atendimento dermatológico e academia para gravar conteúdos de atividade física. Segundo a empresa, as aulas são em formato de mentoria, dadas por nomes badalados do mercado, como Igor Coelho, fundador do podcast Flow, e Sarah Fonseca, da plataforma Skin Quer. Com disciplinas como ética, responsabilidade social, direito digital, empreendedorismo e storytelling, a empresa promete profissionalizar a relação entre marcas e influencers, segundo o CEO. “Muitos influenciadores começaram de maneira muito orgânica. No improviso, foram fazendo, por terem um sonho de trabalhar com conteúdo, e só depois perceberam que aquilo era um trabalho. E como todo trabalho, você precisa se educar e se formar. A gente quer que o aluno comece desde o início sabendo que conteúdo é um negócio”, afirma Fábio Duarte. Fábio Duarte, CEO da Community Creators Academy: R$ 40 milhões investidos em escola para formação de influencer Divulgação “A proposta é aproximar o aluno do mercado. A gente sabe que o mundo está precisando de mais conexões. Então, a ideia de criar um espaço físico veio dessa necessidade da presença física acelerar a presença digital”, comentou. O curso mais caro é voltado para executivos que desejam se desenvolver melhor para participar de apresentações, Ted Talks, entrevistas e podcasts. Banheiro ‘instagramável’ Estúdio montado dentro do banheiro da Community Creators Academy, a escola de influencers da Vila Leopoldina. Lucas Amorim e Albert Rodrigo/Divulgação Entre os mais de 200 cenários criados no espaço, o mais usado pelos alunos é o de "social commerce", onde os alunos produzem conteúdo para a venda de produtos em Instagram, TikTok ou Facebook. Mas o banheiro instagramável é, de longe, o que mais faz sucesso, por conta do ambiente de intimidade que facilita os bate-papos entre as "creators", segundo o empresário. “Outro dia eu li uma reportagem de uma universidade que estava proibindo gravação de conteúdo nos banheiros para não expor a intimidade de que não deseja aparecer. Mas no banheiro é onde as mulheres vão para se maquiar, ajeitar a roupa, se produzir e falar sobre um produto com a amiga, um encontro, uma desilusão. Então eu resolvi que ia trazer os estúdios no banheiro para facilitar esse clima. E acho que é uma das áreas mais usadas da escola”, disse Fabio. ‘Vestibular americano' Alunos participam de aulas de formação de creators na Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, em São Paulo. Divulgação Embora seja uma escola que diz que aceita qualquer tipo de influencer ou criador de conteúdo digital, o ingresso na escola tem um processo seletivo pago, inspirado no modelo de universidades internacionais. "Nele, o candidato envia uma carta de intenção e um vídeo explicando seus objetivos e motivações para participar do programa. Caso seja aprovado na primeira etapa por nossos especialistas, será convidado para uma entrevista, onde poderá ou não ser selecionado", explica Fabio. Nesse primeiro momento, a escola diz que está dando preferência para alunos que já tenham familiaridade com o ambiente digital e desejam aprimorar seus conhecimentos e se profissionalizar, diz a entidade. “A gente tem diversos produtos, mas o público principal é o que já entende que o conteúdo faz parte do seu dia a dia. Então, a gente acelera de creators que estão no início da carreira, até creators que já têm a carreira um pouco consolidada com conteúdo, mas sabem que precisam transformar aquela audiência e seguidores em negócio." Sobre o valor dos cursos, o executivo da empresa diz estar alinhado com o mercado internacional. Sala de podcasts da Community Creators Academy, em São Paulo. Lucas Amorim e Albert Rodrigo/Divulgação Num mundo em que os jovens tendem a desistir das carreiras tradicionais para tentar a vida na frente dos celulares, Fabio Duarte diz que a profissionalização dos influencers é um caminho essencial para o sucesso nas redes, mas que não pode descartar a formação tradicional de uma universidade. "Para mim, é inquestionável o poder da educação. A questão de um diploma universitário é importante e vai continuar sendo importante para a vida [do influencer do futuro]. Mas existe um novo mercado, dos cursos livres, de segmentação de ensino para carreiras que estão precisando dessa nova habilidade, que é o conteúdo. Sou um entusiasta do ‘life is learning’, que é a vida inteira você se aprimorar e aprender algo”, afirma. Praia artificial dentro da Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Rodrigo Rodrigues/g1

Palavras-chave: inteligência artificial

Trump quer mandar recado para Maduro de que é capaz de invadir Venezuela: 'Mísseis não são para combater cartéis', diz analista

Publicado em: 23/08/2025 06:00

EUA enviam navios de guerra para a costa da Venezuela Nesta semana, os Estados Unidos deslocaram navios de guerra, aviões, ao menos um submarino e cerca de 4.000 militares para o mar do Sul do Caribe, perto da costa da Venezuela, segundo as agências de notícias Reuters e Associated Press. O objetivo seria o combate aos cartéis de drogas que operam na região levando drogas da América do Sul aos EUA. O arsenal mobilizado, contudo, seria um recado de Trump para o governo de Nicolás Maduro, mostrando que ele é capaz de invadir a Venezuela, mais do que uma forma de combater o crime organizado, segundo o cientista político Carlos Gustavo Poggio. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Mísseis não são para combater cartéis de drogas", diz o professor do Berea College, nos EUA, ao g1. "Não faz sentido jogar um Tomahawk [míssil teleguiado lançado dos navios de guerra que pode viajar centenas de quilômetros] em um cartel." O governo do presidente Donald Trump tem dado mostras de que Maduro é o novo alvo dos EUA: Seis navios de guerra foram deslocados para o sul do Caribe, perto da costa da Venezuela, sob a alegação de conter ameaças de cartéis de tráfico de drogas, segundo agências de notícias. Ao responder o porquê do deslocamento de navios, a porta-voz do governo, Karoline Leavitt, disse na terça (19) que Maduro "não é um presidente legítimo", além de ser "fugitivo" e "chefe de cartel narcoterrorista" —e que, por isso, os EUA usariam "toda a força" contra o regime venezuelano. A referência a "fugitivo" se explica pelo fato de os EUA terem colocado, no início de agosto, uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 275 milhões) por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o presidente venezuelano é acusado de envolvimento em conspiração com o narcoterrorismo, tráfico de drogas, importação de cocaína e uso de armas em apoio a crimes relacionados ao tráfico. O governo americano também diz que Maduro lidera o suposto Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional. Entenda a escalada de tensões entre governo Trump e Venezuela Mobilização Em resposta ao envio americano dos navios de guerra, Maduro anunciou mobilização de 4,5 milhões de milicianos para combater o que chamou de "ameaças" dos EUA. "Destróieres, aviões espiões, mísseis Tomahawk não são úteis para combater cartéis", diz Poggio, ao g1. "Cartéis de drogas não têm navios de guerra, não têm aviões. Eles geralmente usam rotas terrestres para chegar até os EUA. Quando muito, usam embarcações pequenas e lanchas rápidas." O cientista político aponta, por sua vez, que o efetivo militar deslocado é "extremamente eficaz" para atacar ou invadir um país. Donald Trump, presidente dos EUA, e Nicolás Maduro, líder do chavismo na Venezuela Kevin Lamarque e Manaure Quintero/Reuters Além dos três destróieres da Marinha dos EUA, equipados com o poderoso sistema de combate Aegis, e três navios de desembarque anfíbio, feitos para transportar e desembarcar divisões terrestres, o governo Trump deslocou aviões espiões P-8 Poseidon e pelo menos um submarino, além de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais para a região. "Se isso acontecer, estaremos diante de um fato histórico: seria a primeira invasão direta dos Estados Unidos em um país da América do Sul, e que faz fronteira com o Brasil", afirmou o professor, na rede social X. Militarização Poggio nota que Trump aposta na militarização do combate, tendo se mostrado um grande entusiasta das soluções militares dentro das fronteiras americanas — por exemplo, nos casos de emprego da Guarda Nacional em Los Angeles e em Washington para conter protestos e combater o crime. Isso também explica a medida de Washington que equipara os cartéis de drogas a grupos terroristas. "Organizações criminosas não são organizações terroristas. Não faz sentido confundir uma com outra", diz Poggio, acrescentando que "isso, por outro lado, dá algumas prerrogativas legais a Trump". Navio anfíbio USS San Antonio, integrante do grupo de combate Iwo Jima da Marinha dos Estados Unidos. Sargento Nathan Mitchell/Marinha dos Estados Unidos Cartel de los Soles Donald Trump aponta Nicolás Maduro como o chefe de uma organização chamada Cartel de los Soles, que seria liderada pelo alto escalão do Exército da Venezuela. Segundo a imprensa latino-americana, o grupo atua como facilitador de rotas de drogas para outros grupos que vendem os produtos no mercado americano, como o mexicano Cartel de Sinaloa e o também venezuelano Tren de Aragua. Desde a semana passada, alguns países sul-americanos têm acompanhado a decisão de Trump de designar o Cartel de los Soles como organização terrorista, começando pelo Equador, governado por Daniel Noboa, de direita. Em seguida, foi a vez do presidente Santiago Peña, do Paraguai. Nesta sexta-feira (22), a Guiana também publicou uma medida semelhante. Para Poggio, a iniciativa é uma confluência de fatores: "A iniciativa vem de países que têm um antagonismo com a Venezuela e com o chavismo, e que querem chamar a atenção de Trump de alguma forma para seus interesses". Enquanto Equador e Paraguai são governados por opositores do chavismo, a Guiana se encontra em uma disputa terrirorial com Caracas pela região de Essequibo, que ela controla. Poder de fogo de Caracas Em contraposição aos EUA, a Venezuela tem problemas em seu arsenal militar. Segundo o IISS (Instituto Internacional para Estudos Estratégicos), as Forças Armadas venezuelanas operam com "capacidades restritas" e "problemas de prontidão" por conta de "sanções internacionais, isolamento regional e uma crise econômica de longa data", que nas últimas décadas limitaram a capacidade de comprar armamentos e tecnologia militar. "Sanções internacionais e a crise econômica limitaram significativamente a capacidade do país de obter novas tecnologias militares. (...) Devido à capacidade limitada de aquisição, grande esforço é direcionado a reparos e modernizações de sistemas já existentes, e a Força Aérea e a Marinha enfrentam problemas de prontidão", afirmou o IISS no relatório. Por conta dessas restrições, muita incerteza paira sobre as capacidades militares reais da Venezuela, mesmo com o país tendo alguns equipamentos considerados relativamente modernos. Poderio militar da Venezuela. Gui Sousa/Equipe de arte g1

Palavras-chave: tecnologia

De drone para contar boi a aplicativos conselheiros: tecnologia avança no campo e combate até roubos

Publicado em: 23/08/2025 05:00

Drone de pulverização resolve falta de mão de obra nos cafezais Robôs que colhem frutas ou substituem trabalhadores ainda não chegaram às lavouras brasileiras. Mas a tecnologia já começa a mudar a rotina no campo. Drones, aplicativos e sensores estão ajudando produtores a enfrentar problemas antigos, como a pulverização em áreas íngremes, a falta de técnicos para orientar o dia a dia e até os roubos de animais. Tudo isso só é possível com internet na lavoura. Contudo, apenas 35% das áreas produtivas têm conexão 4G e 5G, aponta o levantamento da Associação ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV). Para mudar este cenário, o projeto Semear Digital, encabeçado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), busca levar conectividade a algumas cidades rurais do Brasil, além de apresentar tecnologias para a população. Confira mais abaixo. ➡️ Esta reportagem faz parte do quarto episódio da série "PF: Prato do Futuro", onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil. Saiba também: Como a chegada da internet mudou a vida de agricultores em 4 anos Internet no campo cresce, mas qualidade da conexão é baixa: 'Fui educado que não me pertencia’, diz produtor Drones na lavoura Uma das tecnologias levadas pela Embrapa a Caconde foi o drone de pulverização. Ele aplica defensivos agrícolas (agrotóxicos ou biológicos) e fertilizantes. Em Caconde, o drone foi essencial por causa do relevo. A cidade tem montanhas com cerca de 45 graus de inclinação. Isso tornava o trabalho manual difícil, considerando também que os equipamentos são pesados. Além disso, o declive impede a entrada de maquinários. Somado ao drone, o Semear Digital ajudou a instalar uma fábrica de defensivos biológicos no Sindicato Rural de Caconde. Isso permitiu aos produtores de café trocar os agrotóxicos por alternativas mais sustentáveis. “A gente não tem mais a jornada exaustiva do trabalhador, não tem mais essa exposição química do trabalhador junto a esses produtos toxicológicos. Tem a questão da preservação ambiental, de não contaminar as águas”, diz Ademar Pereira, presidente do Sindicato Rural de Caconde. Porém, essa tecnologia é cara: cada kit com três baterias, uma estação de recarga e o drone custou R$ 135 mil para o sindicato. Em Caconde, os produtores se revezam no uso do equipamento. Mas, segundo Pereira, valeu a pena. Com o drone, ficou mais fácil controlar pragas no tempo certo, o que melhorou a produção e a qualidade do café. Contagem de gado com IA e drone: conheça tecnologia que minimiza perda de bois Os drones também podem ser usados de outras formas na agricultura e na pecuária. Na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas, pesquisadores desenvolvem um drone que usa câmera e inteligência artificial para contar o rebanho. O líder do estudo, Jayme Barbedo, explica que pecuaristas com propriedades grandes têm dificuldades em controlar o rebanho. “Os animais são roubados, são perdidos, morrem e eles nem ficam sabendo”, exemplifica o pesquisador. Essa contagem conseguiu ser melhorada com uma solução simples: a câmera do drone fica em um ângulo inclinado, ou seja, diferente de quando está apenas virada para baixo. Assim, o drone consegue ver uma área maior e contar mais animais de uma vez. O estudo está na segunda e última fase de desenvolvimento. A ideia é que o drone também identifique o estado de saúde dos animais e suas medidas corporais. Isso ajudaria a definir o melhor momento para o abate, diz Barbedo. Técnica na palma da mão Sem técnicos, aplicativos servem de conselheiros para produtores rurais O Semear Digital também apresenta aplicativos de precisão desenvolvidos pela Embrapa para os agricultores e criadores de animais. Eles são gratuitos e funcionam em celulares Android. Na criação de peixes, o aplicativo se chama “Aquicultura Certa”. Já para a pecuária leiteira, é o “Roda da Reprodução”. Apesar de diferentes, os dois funcionam de forma parecida: os criadores inserem informações básicas sobre os animais e o sistema oferece orientações. Por exemplo, o produtor informa quanto os animais comem, peso e dados mais específicos, como o pH da água, no caso dos peixes, e o período de lactação, para as vacas. A partir dessas informações, o sistema informa se os parâmetros são os ideais e, caso não sejam, diz como eles devem proceder. “A gente não tem um técnico aqui na piscicultura diariamente. Então, o aplicativo nos auxilia demais. [Com a internet], no meio da água, eu consigo ter informações”, afirma Tiago Oliveira, criador de tilápias. Leia também: Empresa brasileira insere DNA bovino em microrganismos para produzir leite Conectividade e segurança A internet também é fundamental para a segurança no campo. Na piscicultura do Tiago, por exemplo, aconteciam roubos constantemente. As perdas chegavam a R$ 20 mil por gaiola com tilápias perdida. Depois da chegada da internet, ele instalou um monitoramento por câmeras, acompanhadas por uma central. Quando algo suspeito é identificado, a polícia é acionada. Desde 2022, quando ele comprou o equipamento, os roubos não aconteceram mais. A conectividade também é uma arma no combate aos incêndios no campo. “É uma verdadeira catástrofe quando você não tem a conectividade: você demora para saber onde tem o fogo, você não sabe o que você vai fazer”, diz Aziz Galvão, professor na UFV. Isso porque é por meio do celular que os grupos de combate são mobilizados e coordenam a ação. Como levar internet para o campo Prato do Futuro: como o acesso à internet melhora a vida no campo Levar internet para comunidades rurais amplia a comunicação delas com o mundo, afirma Luciana Romani, coordenadora de parcerias do Semear Digital. Um exemplo disso é o aumento de vendas pela internet entre os produtores que passam a usar redes sociais. Para eles, há ainda outras novidades que, para quem é da zona urbana, são corriqueiras, como usar aplicativos de banco. “O pessoal não consegue mensurar o quanto isso faz falta. Até uma previsão do tempo: a gente não conseguia ver em que dia eu poderia fazer uma adubação”, afirma Pereira, presidente do Sindicato Rural de Caconde. Em 2024, 15% dos domicílios rurais brasileiros ainda não tinham acesso à internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo onde a internet chega, a qualidade ainda é um problema. Apenas 52% dos domicílios rurais possuem conexão 4G e 5G, segundo o ConectarAGRO. Caconde, no interior de São Paulo, foi a cidade piloto do Semear Digital. O projeto é desenvolvido pela Embrapa, em parceria o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA). Para escolher qual município vai ser beneficiado, a equipe analisa mais de 34 indicadores, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o número de propriedades, o nível de conectividade, entre outros. Cada cidade possui uma razão diferente para não ter internet, por exemplo, por ser área de floresta ou de relevo difícil. No caso de Caconde, a cidade é rodeada de montanhas, com a altitude variando entre 800 e 1.300 metros. Por isso, cada local exige uma solução diferente. Em Caconde, a internet chegou via rádio, com antenas repetidoras. Mais da metade das quase 2.500 pequenas propriedades do município já tem internet. No caso da ilha do Marajó, no Pará, foi necessário levar a conectividade usando satélites, por causa da floresta. Saiba também: Cientistas alteram a genética do milho e deixam ele mais resistente a secas e altas temperaturas Mais tecnologia A tecnologia tem se tornado cada vez mais presente no campo: em 2024, o número de startups que oferecem soluções tecnológicas inovadoras para o setor, conhecidas como agtechs, cresceram mais de 75% na comparação com 2019, aponta a pesquisa Radar Agtech Brasil 2024, elaborada pela Embrapa, Homo Ludens e SP Ventures. O estudo divide essas empresas em três grupos: Antes da fazenda: oferecem tecnologias para processos anteriores à produção, como compra de insumos e máquinas. Essa categoria responde por 18,6% das startups mapeadas. Dentro da fazenda: agtechs que trabalham com soluções dentro da propriedade, como monitoramento do uso da água e controle de insumos. O grupo é o maior entre o setor, representando 41,5% do total. Depois da fazenda: categoria mais voltada para processos como logística, distribuição e comercialização. É o segundo tópico mais visado pelas startups, sendo 39,9% das agtechs. 'Fui educado que não me pertencia', Internet no campo cresce, mas qualidade é baixa Leia também: Boi com chip na Amazônia: como funciona o rastreamento para saber se a carne está livre de desmatamento Cafezinho em risco: como sombra de árvores ajuda planta a lidar com o planeta mais quente Internet no campo melhora a produção; veja FOTOS Caconde passou a ter acesso a internet após participação no projeto Semear Digital Fábio Tito / g1

Quais são os direitos da criança dentro da escola? Entenda proteções e saiba identificar sinais de violência

Publicado em: 23/08/2025 04:30

Professora é investigada por agredir criança de 4 anos em escola particular no RS O caso de uma professora filmada agredindo um menino de 4 anos com uma pilha de livros, em uma escola infantil de Caxias do Sul, chamou atenção para a responsabilidade da escola e dos profissionais da educação na proteção da infância. (entenda o caso abaixo) Mas o que a lei prevê em situações como essa? Quais são os direitos da criança na escola? 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Para responder, o g1 conversou com a professora Ana Paula Motta Costa, da Faculdade de Direito da UFRGS, especialista em Direito da Criança e do Adolescente. Para ela, a educação é um direito fundamental e só pode acontecer em um ambiente seguro, protegido e adequado. Responsabilidade compartilhada Segundo Ana Paula, ao deixar um filho na escola, os pais partem da confiança de que a criança será cuidada por responsáveis. "No mínimo, o direito da criança é estar protegida e cuidada por algum adulto que é responsável por ela na ausência dos seus pais ou dos seus responsáveis legais", comenta. Para a especialista, a escola não é apenas um lugar de ensino, mas também um espaço de cuidado e proteção, e que essa responsabilidade começa no momento em que os pais confiam seus filhos à instituição. Assim, o dever não recai apenas sobre o professor, mas também sobre a instituição: “Além de fiscalizar e acompanhar, [a escola] deve orientar os seus professores sobre como devem conduzir o trabalho com as crianças”, completa. O que diz o ECA Conforme a professora, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê diferentes formas de responsabilização em casos de violência, desde a esfera criminal até indenizações por danos morais. Em algumas situações, a escola, inclusive, pode ser responsabilizada judicialmente e até ter suas atividades suspensas. “Existem várias possibilidades de responsabilização institucional por maus-tratos, a ponto de chegar ao fechamento de uma instituição que trabalha com criança, o desligamento, o afastamento do seu dirigente”, explica Ana Paula. O dever legal da escola e dos professores A Constituição Federal, no artigo 227, estabelece que é dever do Estado, da família e da sociedade assegurar os direitos das crianças e adolescentes, protegendo-os de qualquer forma de violência. Essa proteção abrange não apenas agressões físicas e psicológicas, por exemplo, mas também situações como o bullying, que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento dos alunos no ambiente escolar. "As crianças estão para a Constituição como um grupo social que, para atingir um patamar de igualdade de tratamento em relação aos adultos, precisa de um atendimento especial", comenta a professora. Ana Paula explica que a infância é uma fase peculiar e intensa do desenvolvimento humano, o que exige uma proteção especial por parte dos adultos. Durante esse período, a criança ainda não possui autonomia plena, e por isso depende do cuidado e da responsabilidade dos adultos para garantir seu crescimento saudável e seguro. Essa proteção deve ser assegurada até que o processo gradativo de autonomia se estabeleça, momento em que o sujeito passa a assumir mais responsabilidades por si mesmo. O papel dos pais Para a professora, a família não pode se afastar da vida escolar. A participação ativa dos pais na rotina é essencial para garantir a proteção e o bem-estar das crianças. Isso inclui atitudes básicas, como conversar regularmente com os professores, comparecer às reuniões escolares, acompanhar os registros enviados pela escola e observar atentamente o comportamento dos filhos. “A gente conhece os filhos. Então, quando os filhos vão para a escola e voltam de um jeito diferente, e voltam reclamando muito de um respectivo professor ou de um funcionário ou de alguém nesse espaço escolar, os pais devem ficar atentos", orienta Ana Paula. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado ao validar automaticamente todas as reclamações dos filhos sobre a escola, desconsiderando a autoridade dos professores. Conforme a professora, esse tipo de postura também é prejudicial, pois o docente precisa ter sua autoridade respeitada dentro do ambiente escolar. No entanto, essa autoridade, assim como a dos pais, tem limites: ela deve ser exercida com responsabilidade e sem ultrapassar os direitos da criança. "A autoridade dos pais vai até o momento da escola assumir a responsabilidade sobre os filhos, mas não quer dizer que os pais tenham que se desonerar das suas responsabilidades", diz. A quem recorrer Em casos de suspeita ou confirmação de violência, a escola, segundo Ana Paula, deve ser a primeira instância de diálogo, mas situações graves, como a agressão registrada em Caxias do Sul, exigem ação imediata dos órgãos competentes. Os pais ou qualquer pessoa podem acionar o Conselho Tutelar, a polícia e até o Ministério Público da Infância. O Disque 100 também é uma alternativa para denúncias anônimas. Responsabilidade de todos Para a professora, a proteção da criança é dever coletivo. “No espaço escolar, todos que estão ali são responsáveis. Claro, institucionalmente, a escola é responsável, a professora que agrediu [também] é, mas o profissional que trabalha do lado, em ver a situação, em levar adiante para o seu superior, tudo isso faz parte do conceito de que a sociedade é responsável pelas crianças”, conclui. Conforme Ana Paula, essa vulnerabilidade da criança está relacionada tanto à estrutura física, por serem pequenas, quanto à sua capacidade de compreensão, já que muitas vezes não entendem exatamente o que está acontecendo ao seu redor. Por isso, ela defende que todos, não apenas os pais e educadores, mas qualquer pessoa, devem estar atentos e comprometidos com a proteção da infância. Agressão em Caxias do Sul Professora que agrediu menino de 4 anos é presa preventivamente A professora Leonice Batista dos Santos, de 49 anos, foi presa preventivamente na manhã de sexta-feira (22). A criança agredida perdeu um dente e teve outros cinco comprometidos, precisando usar aparelho. De acordo com a delegada Thalita Giacomiti Andriche, foi instaurado um inquérito para investigar o caso, que é tratado como maus-tratos qualificado pela lesão grave. Ela não descarta que o crime também possa ser enquadrado como tortura. O advogado Henrique Bischoff Hartmann, responsável pela defesa de Leonice em Palmeira das Missões, informou ao g1 que ela "permanecerá em silêncio" e que será solicitado um pedido de habeas corpus. Nas imagens registradas pela câmera de segurança da escola, a professora aparece gritando com o menino e, logo depois, atingindo ele com uma pilha de livros. É possível ouvir o barulho da batida. Em seguida, a docente coloca os materiais sobre uma mesa, pega um papel para limpar a criança e, por fim, a conduz para outro local. (veja acima) Segundo os pais, a educadora foi a primeira a primeira a entrar em contato e afirmou que a criança havia sofrido uma queda no banheiro e batido a boca. No entanto, ao levarem o filho ao consultório de uma dentista, ouviram dela que os ferimentos talvez não fossem resultado de uma queda. A escola teria entrado em contato por telefone em seguida. Os pais pediram imagens de câmeras de segurança para verificar o que realmente havia acontecido. Pouco tempo depois, a escola retornou a ligação dizendo que o assunto era urgente e pedindo que eles eles fossem até a instituição. Lá, os pais viram o vídeo e ficaram sabendo o que aconteceu. A Escola Infantil Xodó Da Vovó, que atende cerca de 90 alunos, demitiu a profissional após verificar as imagens das câmeras de segurança. A direção divulgou, em nota, que "segue à disposição das famílias para quaisquer esclarecimentos e reitera seu compromisso diário com uma educação baseada no cuidado, na ética e no bem-estar das crianças". LEIA TAMBÉM Mais duas famílias registram boletim de ocorrência por agressões de professora 'Trauma para sempre', dizem pais de aluno agredido Como está o menino Conforme informado pelos pais, o menino está em recuperação, mas enfrenta restrições alimentares e emocionais. "Ele não pode fazer força nos dentes. Então, é só papinha, só iogurte, sopinha, arroz e feijão amassado. É triste falar, é ruim. Sinto ele muito com medo. Qualquer barulho para ele, ele está assustado, até conosco. E é um trauma. Fica um trauma. Trauma para sempre", desabafa o pai. Apesar do choque, os pais afirmam que não culpam a escola, mas querem justiça: "Quero que ela vá presa. A situação é difícil. O pior de tudo é ver o filho da gente ter que almoçar de canudo, jantar de canudo. Isso é o que mais dói. Isso não se faz, é um inocente", disseram. Professora é investigada por agredir criança de 4 anos em escola particular no RS Reprodução/ Câmera de segurança O que diz a escola "A Escola Xodó da Vovó lamenta profundamente o episódio ocorrido envolvendo uma professora e um de nossos alunos. A profissional foi imediatamente afastada, as autoridades policiais comunicadas e a família da criança está recebendo todo o apoio necessário. Reforçamos que a apuração dos fatos e a devida responsabilização estão sendo conduzidas pelas autoridades competentes, que contam com o total apoio e colaboração desta instituição. Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a segurança, o respeito e a integridade de todos os nossos alunos e não toleraremos situações que contrariem os valores desta Escola Infantil. Seguiremos colaborando integralmente com as autoridades e trabalhando para garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos os nossos alunos. A Escola Xodó da Vovó segue à disposição das famílias para quaisquer esclarecimentos e reitera seu compromisso diário com uma educação baseada no cuidado, na ética e no bem-estar das crianças. Estamos juntos com nossa comunidade para fortalecer ainda mais um ambiente de confiança, aprendizado e acolhimento. Departamento Jurídico Escola Xodó da Vovó" VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: vulnerabilidade

Como a floresta fabrica a própria chuva? Pesquisa desvenda segredo da Amazônia

Publicado em: 23/08/2025 04:01

COP30 - O que é o Fundo Amazônia? Quando pensamos na Amazônia, imaginamos uma floresta imensa e cheia de vida. É a maior floresta tropical do mundo, abriga a maior diversidade de espécies do planeta e concentra imensos volumes de água. Além do Rio Amazonas, o mais extenso do mundo, há também os chamados “rios voadores”, correntes invisíveis de vapor que transportam umidade na atmosfera acima da Amazônia e geram chuvas em várias regiões do Brasil. As florestas têm grande influência sobre a geração desses rios voadores e o ciclo da água. Isso porque grande parte da umidade gerada na Amazônia e que retorna para a atmosfera vem de um processo conhecido como transpiração. As árvores retiram água do solo através das raízes, transportam-na até as folhas e a liberam para a atmosfera em forma de vapor. Esse vapor vindo das copas se transforma em chuva — localmente ou a centenas de quilômetros de distância. Estudos já mostraram que, na estação seca, cerca de até 70% da chuva que cai na Amazônia tem origem na própria transpiração da floresta, que retorna a água para atmosfera. Como a seca é um período de chuvas reduzidas, surge uma pergunta essencial: de onde vem a água que as árvores usam para manter esse ciclo? A investigação na Floresta Nacional do Tapajós Um estudo realizado recentemente por pesquisadores brasileiros e internacionais, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), buscou responder a essa questão. A pesquisa foi conduzida dentro da Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, território tradicional dos Mundurukus, em duas áreas contrastantes: o platô, uma floresta mais elevada, na qual o lençol freático esta mais profundo (cerca de 40 metros), e o baixio, uma floresta que fica mais próxima ao igarapé, com um lençol freático mais raso, e abrange uma área próxima e acima do leito do rio, com aproximadamente até 30 metros do mesmo. Os resultados surpreenderam. Ao contrário do que se pensava, a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais. Em um ano de chuvas normais, sem secas ou chuvas extremas, em média, 69% da transpiração no platô e 46% no baixio vieram da água armazenada nos primeiros 50 centímetros do solo. Essa água armazenada nos primeiros centímetros do solo caiu das nuvens recentemente, no período da estação seca. Isso significa que a floresta recicla rapidamente a água da própria estação: a chuva cai, infiltra-se no solo raso, é absorvida pelas raízes e retorna quase imediatamente para a atmosfera, na forma de transpiração. Por estar na seca, este é o momento em que a floresta mais precisa da água, e é quando ela mais contribui para produzi-la. Vista do rio Xingu mostra uma propriedade usada para criação de gado (à esquerda) e uma área preservada da floresta amazônica, na Terra Indígena Koatinemo, no estado do Pará Carlos FABAL/AFP O papel da diversidade das árvores Nem todas as árvores retornam iguais quantidades de chuva da seca para a atmosfera da mesma forma. A Amazônia é extremamente diversa em árvores, e diferentes espécies possuem estratégias distintas para acessar a água armazenada no solo. O estudo mostrou que a chave para entender essas diferenças na fonte de água da transpiração está em um traço hidráulico chamado resistência ao embolismo. Esse mecanismo indica a vulnerabilidade de uma árvore à seca. Quando a árvore absorve água do solo, é como se houvesse um “cabo de guerra”, em que a corda é a própria água: de um lado, o solo retém a água; do outro, a raiz da árvore tenta puxá-la. Quanto mais seco o solo, com mais “força” o solo segura a água, e mais força é necessária para puxá-la. Espécies com maior resistência ao embolismo conseguem extrair água solos mais secos. Espécies mais resistentes retornam grandes proporções da água da chuva da estação seca para atmosfera, portanto, estão mais adaptadas a utilizar água de solos rasos, e usam mais dessa água que caiu recente. Já as espécies com menor resistência ao embolismo, e maior vulnerabilidade, são mais “fracas” nesse cabo de guerra, e precisam de outras estratégias, como por exemplo, utilizar raízes mais profundas, para potencialmente alcançar camadas do solo com reserva de água mais estável. O estudo mostra que quanto maior a resistência ao embolismo, mais água rasa as árvores utilizam na transpiração. Essa descoberta é inédita, e ajuda a explicar como diferentes árvores contribuem para a reciclagem da chuva. E ainda mais interessante, o estudo mostra que mesmo na estação seca, grande parte da água utilizada na transpiração vem das camadas mais rasas do solo abastecidas pela chuva. Muitas dessas espécies estudadas estão utilizando grandes proporções de água rasa. Por que isso importa? Sem floresta, sem chuva A mensagem é clara: sem floresta, não há chuva. E, sem chuva, não há floresta. A água rapidamente reciclada pela transpiração não só mantém a Amazônia durante a estação seca, como também é essencial para dar início às chuvas da estação chuvosa, algo já mostrado em estudos anteriores. Se a floresta perde sua capacidade de reciclar a água, o risco é de um colapso do ciclo hidrológico. Comunidades tradicionais e indígenas são as mais diretamente afetadas pelas mudanças no ciclo da água, sofrendo impactos intensos em seu cotidiano. Mas as consequências ultrapassam os limites da Amazônia. Os chamados “rios voadores” transportam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, sustentando a agricultura em algumas das principais regiões produtoras de grãos. Com menos floresta, há menos chuva. O desafio Esse alerta se torna ainda mais urgente diante da recente aprovação do chamado PL da Devastação. A mudança na legislação pode acelerar o desmatamento em áreas nacionais críticas, como a Amazônia, e outras florestas, que também são importantes para o ciclo da água, como o Cerrado e a Mata Atlântica. A equação é simples: menos árvores, menos chuva, menos floresta. E esse ciclo negativo ameaça não só a biodiversidade e o clima, mas também a segurança alimentar e o transporte de muitas comunidades locais e da região, e também a economia brasileira. O estudo mostra que o ciclo da água na Amazônia é rápido mesmo na seca: a própria chuva da estação seca alimenta a transpiração, que depois vira chuva. O estudo reforça algo que já sabemos, mas nem sempre levamos a sério: a Amazônia é uma verdadeira fábrica de chuvas. Cada árvore, ao transpirar, coloca em movimento o vapor que ajuda a manter a vida, dentro e fora da floresta. Proteger a Amazônia não é apenas uma questão ambiental. É garantir chuva, alimento e futuro econômico para o Brasil. Magali Nehemy recebe financiamento da Natural Sciences and Engineering Research Council of Canada. Ela é afiliada à Universidade de British Columbia (UBC), Okanagan.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Menopausa precoce: parar de menstruar antes dos 40 anos é normal? Veja sintomas e consequências dessa condição

Publicado em: 23/08/2025 04:01

Mulheres que param de menstruar antes dos 40 anos enfrentam a chamada menopausa precoce. Freepik Os sintomas são comuns para mulheres na faixa dos 50 anos: ondas de calor, problemas no sono, alterações de humor e falta de libido – a menopausa. Mas, para algumas, eles podem chegar antes mesmo dos 40 anos. É a chamada menopausa precoce. No caso da pedagoga Lidiana Caldas, o diagnóstico foi confirmado muito cedo, aos 32 anos. Os sinais começaram meses após a retirada de um cisto de sangue nos ovários. Hoje, com 47 anos, ela ainda convive com boa parte dos sintomas. (leia a história completa abaixo) "Faz 15 anos que tenho os sintomas da menopausa e nunca melhorei, mesmo fazendo diversos tratamentos hormonais diferentes", conta Lidiana. Ainda que cirurgias possam levar a quadros de menopausa precoce, os médicos nunca conseguiram afirmar com certeza o que motivou o início tão cedo dos sintomas no caso de Lidiana. E, segundo os ginecologistas, isso é comum quando o assunto é menopausa precoce. "Há casos, como esse, em que é muito difícil estabelecer uma relação [de causa e efeito] porque muitos fatores podem levar à menopausa precoce", afirma Flávia Fairbanks, mestre e doutora em ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). LEIA TAMBÉM: Mulheres vão viver mais tempo sob os efeitos da menopausa: entenda o que é, quais os sintomas e como lidar Menopausa: qual a relação dos hormônios com a saúde mental da mulher? Causas e sintomas da menopausa precoce Maria Celeste Osório Wender, ginecologista e presidente da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que muitos casos de menopausa precoce são idiopáticos – termo médico utilizado para definir quando uma doença ou condição tem uma causa desconhecida ou que não pode ser identificada. ➡️Mas há alguns fatores que podem fazer com que a mulher deixe de menstruar antes do período considerado normal: Fatores genéticos Grandes cirurgias na região abdominal Tratamentos como quimioterapia e radioterapia Alterações cromossômicas Ela também pondera que, apesar de ser difícil identificar a causa da menopausa precoce, sabe-se que os hábitos ao longo da vida não influenciam nesse quadro. "O único hábito que pode influenciar é o tabagismo, mas isso antecipa por volta de dois anos, o que não é uma interferência tão significativa", analisa a ginecologista. A depender da causa, as ginecologistas explicam que é possível prever se a mulher vai passar por uma menopausa precoce. Isso é válido especialmente para mulheres que já têm casos de menopausa precoce na família, que têm uma situação genética conhecida, que estão passando por algum tipo de tratamento ou cirurgia. "Tudo isso é muito importante porque a gente já fica com um olhar especial para essas pacientes para ver se elas de fato possam estar desenvolvendo esse processo de maneira precoce", afirma Flávia Fairbanks. ➡️E ainda que esse processo comece antes para algumas mulheres, os sintomas são muito semelhantes e incluem: Ondas de calor Secura vaginal Perda da qualidade do sono Diminuição da libido Falta de concentração e de memória Secura geral na pele e nos olhos Redução da capacidade cognitiva e de concentração A grande diferença, segundo as ginecologistas, é quando a menopausa precoce acontece de forma abrupta, como em casos em que a causa é uma situação cirúrgica. "O que mais diferencia em termos dos sintomas não é tanto a idade da mulher que está passando por essa situação, mas muito mais a velocidade com a qual ela entrou nesse processo. Todas as vezes que isso estiver relacionado a uma situação abrupta, a intensidade dos sintomas vai ser muito maior", comenta Fairbanks. Em mulheres em que o processo acontece de forma natural, só que mais cedo, a tendência é que os sintomas sejam até mais suaves. Ondas de calor, insônia e ansiedade: os desafios da menopausa para milhões de brasileiras 'Parei de menstruar com 32 anos' Para Lidiana Caldas, os sinais vieram todos juntos, de forma muito intensa, e começaram seis meses depois de uma cirurgia. "Em 2009, eu fiz uma cirurgia para a retirada de um cisto nos ovários. Era um cisto de sangue e na época o médico me disse que eu não teria dificuldades na recuperação, que inclusive poderia ter quantos filhos quisesse", conta a pedagoga. Meses depois, o que ela sentiu foi um calor insuportável e recorrente, enxaqueca e irritação, além de uma redução no fluxo menstrual, todos sintomas da menopausa. "Como faço acompanhamento regular com o médico por causa da cirurgia e também porque a minha família tem histórico de câncer, um dos exames mostrou que meus ovários estavam atrofiando, e comecei o tratamento", lembra. Foram meses tomando hormônios e trocando de médicos para tentar descobrir a causa do problema quando aos 32 anos recebeu o diagnóstico: menopausa precoce. Ela conta que, pela proximidade com a cirurgia, alguns médicos acreditavam que a situação poderia ser transitória e que poderia ser revertida com a reposição hormonal. Mas nunca estabeleceram uma relação direta entre o procedimento e o adiantamento da menopausa. Flávia Fairbanks explica que, quando há a confirmação da menopausa precoce, o processo não pode ser revertido. "Do ponto de vista de criar óvulos nos ovários, infelizmente, a gente ainda não tem essa tecnologia. E como a menopausa se instala justamente pelo esgotamento do número de óvulos, então isso fica realmente muito difícil", detalha. O que é recomendado nesses casos é a reposição hormonal, tanto para amenizar os sintomas como evitar complicações que podem surgir a partir dessa situação. No caso de Lidiana, as tentativas de tratamento com hormônios via oral, gel e implante no braço não surtiram efeitos definitivos e ela ainda convive com boa parte dos sintomas. "Hoje é uma grande frustração ter pagado por tantos tratamentos e não ter nenhum sucesso. Atualmente não tenho mais nada de hormônio sendo produzido pelo corpo e os sintomas continuam", lamenta a pedagoga. Consequências da menopausa precoce Além da convivência com os sintomas, que pode se estender por anos em alguns casos, a menopausa precoce também traz consequências relacionadas à qualidade do envelhecimento da mulher. Maria Celeste destaca que os dois principais problemas observados são perda óssea e comprometimento da saúde cardiovascular. A falta de reposição hormonal em casos de menopausa precoce pode levar a um aumento de placas nas artérias, aumentando o risco de doenças cardiovasculares como derrames e infartos. Além disso, há uma alta na chance de desenvolver osteopenia e osteoporose, condições associadas a fraturas graves e perda na qualidade de vida, se não tratadas. "Essas mulheres vão conviver por muito mais tempo com uma quantidade mais baixa de hormônio e por isso podem desenvolver problemas de saúde ainda mais cedo", comenta a ginecologista.

Palavras-chave: tecnologia

Orçamento de 2026: governo busca de novo alta de impostos para equilibrar as contas públicas; setor produtivo resiste

Publicado em: 23/08/2025 04:00

Apresentada inicialmente para compensar a alta do IOF, que havia sido derrubada pelo Congresso mas foi retomada após decisão judicial, a medida provisória que eleva uma série de impostos agora faz parte da estratégia do governo para equilibrar as contas públicas em 2026, ano eleitoral, e tentar evitar uma restrição maior de gastos. A proposta, que contempla o aumento da tributação sobre empresas (juros sobre capital próprio), "fintechs", apostas online, criptoativos, cooperativas e títulos incentivados — como LCI e LCA — enfrenta, porém, forte resistência do setor produtivo. Publicada em junho, a MP 1.303 está em vigor, mas tem de ser votada pelo Congresso Nacional até o início de outubro para não perder a validade. Nas contas do governo, as propostas nela contidas gerarão um incremento de arrecadação de R$ 21 bilhões em 2026. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já adiantou que os recursos arrecadados com a MP estão nos cálculos da equipe econômica para tentar fechar as contas no ano orçamento do que vem — cuja proposta será encaminhada ao Legislativo em 30 de agosto. Em busca da meta fiscal A área econômica do governo tem dito, até o momento, que vai manter a meta para as suas contas — algo considerado difícil pelo mercado — em um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 31 bilhões, para o ano de 2026 (com intervalo de tolerância). Isso tende a gerar um cenário de forte restrições de gastos em um ano eleitoral. Cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, apontam que o cumprimento da meta fiscal de 2026 demandará um esforço de R$ 80 bilhões para chegar ao piso da meta fixada (déficit zero, considerando o intervalo de tolerância). Metade desse esforço, pelos cálculos, pode vir do aumento do IOF (já confirmado) e da MP que eleva impostos (ainda passível de aprovação pelo Congresso). ▶️Se a Medida Provisória for derrubada, toda, ou em partes, a equipe econômica terá de fazer ajustes no orçamento, antes de sua aprovação pelo Legislativo, para compensar a perda de recursos e tentar atingir a meta fiscal. ▶️O aumento de arrecadação para atingir as metas fiscais não é um expediente novo do governo. Em 2024, por exemplo, a equipe econômica contou com as receitas dos seguintes aumentos: tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior); mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido em 2024 (ano inteiro); retomada do voto de confiança no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); limitação no pagamento de precatórios (decisões judiciais). Lula edita MP que aumenta impostos, mesmo com críticas Outras ações para equilibrar o orçamento ▶️Além de contar com os recursos da MP 1.303, a equipe econômica também espera a aprovação, pelo Senado Federal, da PEC 66, que trata de precatórios e que também abre uma folga de R$ 12,4 bilhões no orçamento de 2026 (no limite de gastos) por conta da diferença entre a inflação prevista no envio do orçamento e o resultado final do ano anterior. O governo argumenta que busca abrir esse espaço no teto de gastos para incorporar as despesas com o salário maternidade. ▶️Sem dar detalhes, o Tesouro Nacional avaliou, no fim de julho, que, além do aumento do IOF e da MP que eleva tributos, um "esforço adicional de arrecadação" pode ser necessário para atingir as metas das contas públicas nos próximos anos. Em 2024 e 2025, o governo lançou mão de receitas extraordinárias para buscar as metas fiscais como, por exemplo, dividendos de empresas estatais e leilões adicionais de petróleo. Posição do setor produtivo ▶️Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que, entre os principais pontos que preocupam, está o aumento do IR na fonte sobre juros sobre capital próprio (JCP), que reduzirá investimentos das empresas, e o início da tributação sobre títulos incentivados (debêntures, LCIs e LCAs), além da "falta de clareza" sobre limitações a limitação do uso de créditos tributários, algo que "traz grande insegurança e incerteza para as empresas, prejudicando seu planejamento". Por outro lado, julga que o aumento do tributo sobre as "bets" é "correto e necessário". "O correto seria ampliar o rol de medidas estruturantes de redução de despesas, buscando a contenção e racionalização do gasto público; em vez de focar no aumento da tributação, que já se encontra em patamar muito elevado. Para se ter uma ideia desse nível excessivo de tributação: a carga tributária do Brasil corresponde a 32,3% do PIB, enquanto a carga tributária média na América Latina é de 21,4%", avaliou a CNI. ▶️Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que "compreende a necessidade" de busca do equilíbrio das contas públicas para adequação ao arcabouço fiscal vigente, mas avalia que o aumento da carga tributária, com novo aumento de tributos, "não é a solução ideal, pois traz consequências ao funcionamento da economia real". "O debate em torno das alternativas deve ser aprofundado no Parlamento durante a tramitação da MP 1.303", acrescentou a Febraban, por meio de nota. ▶️Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que conta com mais de 120 empresas associadas atuantes nas áreas de energia elétrica, petróleo e gás natural, transportes, saneamento ambiental, telecomunicações e indústrias de base, diz que é contra o fim dos incentivos fiscais presentes nos rendimentos das debêntures incentivadas, debêntures de infraestrutura e das Letras de Crédito de Desenvolvimento. "As debêntures, títulos do mercado de capitais, são hoje a principal fonte de financiamento da infraestrutura. As letras de crédito de desenvolvimento (LCD) são títulos importantes para a captação de recursos pelos bancos de fomento para financiarem infraestrutura. Portanto, o fim dos incentivos, poderá reduzir os investimentos e eventual aumento de tarifas publicas, pedágio, contas de luz, água e esgoto, dentre outros. É um contrasenso", diz o presidente da Abdib, Venilton Tadini. ▶️Associação de Bets e Fantasy Sport (ABFS) avalia que a MP caminha na direção equivocada de aumentar ainda mais a carga tributária sobre "setores que já contribuem de forma significativa para a arrecadação nacional". "O novo aumento não só inviabiliza a operação de empresas no Brasil como também compromete a geração de empregos e a manutenção de investimentos no país (...) Uma elevação nesse patamar representa um desestímulo ao setor legalizado, favorecendo o mercado paralelo e reduzindo a competitividade do Brasil frente a outros países. A consequência é a fuga de investimentos, além de menor arrecadação no médio prazo, exatamente o contrário do que o governo busca com a medida", acrescenta a entidade. ▶️Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), que reúne quase 500 empresas e representa 88% do valor de mercado listado na B3, avaliou que o aumento nos juros sobre capital próprio (JCP) será um "desestímulo ao mercado de capitais e promoção do endividamento das empresas brasileiras, e que a limitação do uso de créditos "terá impacto no caixa das empresas brasileiras e resultará em aumento do endividamento das empresas e insegurança jurídica para operar no Brasil". "Há muitas utilizações de crédito dentro do mesmo grupo empresarial. Aliás, algumas empresas foram criadas justamente porque havia uma falha no mecanismo de compensação de devolução desses créditos ao consumidor. Então, o fato que um desajuste do tributário atual levou a um sentido econômico, e as empresas acabaram criando empresas subsidiárias ou em áreas correlatas, para justamente dar fim ou dar encaminhamento a esses créditos tributários. Este é um problema muito grande, essa proibição é muito grande", disse Pablo Cesário, presidente-executivo da Abrasca. ▶️Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), que tem cerca de 700 empresas associadas. Diego Perez, presidente da entidade, avaliou que as "fintechs", mesmo que de grande porte, se diferenciam de instituições financeiras por não poder fazer a chamada "intermediação financeira", ou seja, não captarem recursos usando o dinheiro dos clientes. E também não podem compensar perdas com créditos tributários. Por isso, em sua visão, mesmo com um tributação menor, atualmente, as "fintechs" já são tributadas com uma "alíquota efetiva" maior do que a dos grandes bancos. "Operação das 'fintechs' já é de margem [de lucro] apertada. As empresas oferecem, por exemplo, contas gratuitas para competir com grandes bancos, entregando um produto mais barato. Quando majora [a alíquota], acaba tirando ela do jogo. Vai ter desaceleração muito grande [da atividade], fintechs que vão ter de fechar as portas e deixar de existir e seus empreendedores voltarem para grandes bancos", declarou Diego Perez, da ABFintechs. ▶️Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que reúne 98 sindicatos e associações patronais do setor da construção em todo país. Entidade avalia que o aumento da tributação sobre debêntures incentivadas e LCIs, instrumentos de captação de recursos para infraestrutura e setor imobiliário, pode gerar perda de atratividade desses instrumentos, redução de recursos disponíveis para as obras e comprometer, a médio e longo prazos, projetos já em andamento, assim como inviabilizar novos. "A gente entende que a tributação das operações financeiras, ativos de crédito, dentro ce um grande contexto de um ajuste fiscal, deveria vir acompanhada de medidas de reforma de Estado, de contenção de gastos. Ela vir sozinha, ainda mais com todas as outras medidas que já foram tomadas e ainda estão sendo discutidas de aumento de arrecadação, tira dinamismo da economia, previsibilidade", disse Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC. Medidas da MP 1.303 e arrecadação esperada em 2026 ▶️ Aumento da alíquota sobre bets, de 12% para 18% sobre a receita líquida (GGR): ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que setor tem um lucro bruto de R$ 40 bilhões por ano e defende mais impostos. Se confirmada, medida vai incrementar os cofres públicos com R$ 1,7 bilhão em 2026. ▶️Juros sobre capital próprio: aumento da taxação dos juros sobre capital próprio (JCP) — mecanismo utilizado pelas empresas — de 15% para 20%. Se levada adiante, ação vai aumentar as receitas em R$ 5 bilhões no próximo ano. ▶️Aumento de zero para 5% na taxação dos chamados títulos incentivados, como LCI, LCA: ministro Haddad diz que o custo da isenção é alto, de R$ 41 bilhões por ano. Governo pretende arrecadar R$ 2,6 bilhões com a medida em 2026. ▶️Governo fixa IR de 17,5% em aplicações financeiras; hoje, taxa é de 15% a 22,5% dependendo do prazo: haverá unificação, se confirmada pelo parlamento, da alíquota em 17,5%. Equipe econômica diz que a medida não tem impacto fiscal, ou seja, não aumenta a arrecadação. ▶️Tributação de criptoativos: Com a mudança promovida pelo governo, os ganhos com "criptoativos" serão tributados com uma alíquota de 17,5% a partir do próximo ano. Governo não divulgou uma estimativa de quanto a medida pode arrecadar. ▶️Taxação de "fintechs" (empresas de tecnologia em serviços financeiros) e de cooperativas: aumento será de 9% para um patamar entre 15% (cooperativas) e 20%. Haddad diz que a medida visa corrigir distorções, pois há "fintechs" de grande porte sendo beneficiadas por uma taxação menor. Governo estima arrecadar R$ 1,6 bilhão em 2026. ➡️Limitação de compensações tributárias: governo diz que a MP traz medidas para coibir "compensações abusivas" de crédito tributário. Medida tem a previsão de elevar a arreadação em R$ 10 bilhões no próximo ano. ➡️Pé de meia dentro do piso de educação: medida inclui o pé de meia, cujo objetivo é manter alunos de ensino médio na escola pública, no cálculo para o piso constitucional de investimentos na educação. A medida, que abre espaço no orçamento de R$ 12 bilhões por ano, reduz os recursos disponíveis para outros programas do Ministério da Educação no mesmo valor. Agenda de cortes de gastos ▶️Enquanto avança no aumento de impostos, a agenda de cortes de gastos estruturais caminha com morosidade. Até o momento, o governo propôs conter os supersalários de servidores e uma reforma da previdência para os militares — mas ambas enfrentam dificuldades no legislativo. Enquanto isso, economistas apontam que há diversas iniciativas que poderiam ser propostas pelo governo para frear o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios, incluindo: Contenção de gastos com servidores, por meio de uma reforma administrativa; Mudanças nas regras de gastos previdenciários, por meio de uma nova reforma da Previdência ou de medidas que alterem despesas previdenciárias; Reforma de gastos sociais para fundir as políticas existentes e evitar sobreposição; Mudanças nas regras do abono salarial e do seguro-desemprego. Outros, como o consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados, Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, pedem as chamadas "desvinculações". Como, por exemplo: Desindexação de benefícios do RGPS e do BPC do salário mínimo: os benefícios previdenciários deixariam de ter aumento acima da inflação, e passariam a ser corrigidos somente pela variação dos preços do ano anterior, ou por até 0,6% ao ano. A economia potencial projetada para a medida em 10 anos (2025-2034) é de R$ 1,1 trilhão sem ganho acima da inflação, ou de R$ 890 bilhões com alta real (acima da inflação) de 0,6% ao ano. Pela regra atual, o salário mínimo, e os benefícios previdenciários, podem crescer até 2,5% ao ano acima da inflação. Revisão dos pisos da saúde, da educação e do Fundeb: os gastos com saúde e educação deixariam de ser atrelados à receita, formato atual, e passariam a ser corrigidos pela inflação, ou por 0,6% ao ano acima da inflação. O cálculo indica o "ganho" de R$ 97 bilhões a R$ 77,5 bilhões entre 2026 e 2028 – um montante de recursos que a saúde e a educação deixariam de receber neste período.

Palavras-chave: tecnologia

Rio Climate Action Week (RCAW) começa neste fim de semana

Publicado em: 23/08/2025 00:13

Museu do Amanhã Divulgação A Cidade Maravilhosa se tornará, a partir deste sábado (23) até o dia 29, cenário da primeira edição da Rio Climate Action Week (RCAW). Inspirada na London Climate Action Week – maior festival de clima do mundo –, o evento reunirá setores público e privado, além da sociedade civil, criando impulso coletivo rumo à COP30. Serão mais de 200 eventos, engajando, segundo a organização, mais de 5000 mil pessoas ao longo dos sete dias de programação temática sobre o clima. Ao todo, mais de 100 instituições e empresas estarão presentes na RCAW. As atividades incluem mesas e oficinas, trilhas ecológicas, mostra de cinema, Missa no Santuário Cristo Redentor, aula de salvamento aquático na Praia de Copacabana e um Fórum Pré-COP com parlamentares e desafios esportivos. Algumas delas serão restritas a convidados e outras abertas ao público geral. Os hubs de conteúdo abordarão temas transversais do debate climático, como financiamento, transição energética, legislação climática, resiliência urbana, proteção dos povos e territórios indígenas, papel das empresas, tecnologia, ciência e inovação, entre outros. A programação completa e informações sobre inscrições estão disponíveis no site. Conferência de abertura no Museu do Amanhã No dia 25 de agosto, o Museu do Amanhã recebe a conferência inaugural, dedicada ao tema “Revivendo o espírito do Rio: multilateralismo em um mundo multipolar”. O encontro vai relembrar os avanços desde a Rio-92, debater os próximos 25 anos e discutir desafios como financiamento climático e NDCs mais ambiciosas para a COP30. Entre os confirmados estão nomes como Ana Toni, Sonia Guajajara, Oskar Metsavaht, Paulo Protasio, Carlos Nobre e a jovem ativista Marcele Oliveira. A programação inclui uma aula de salvamento aquático em Copacabana, no sábado (23), promovida pela SOBRASA; e a mostra de cinema Filmambiente, com sessões em Botafogo, no CCBB e na Biblioteca Parque Estadual. Haverá ainda desafios esportivos e oficinas educativas.

Palavras-chave: tecnologia

Facebook remove grupo italiano que compartilhava fotos íntimas de mulheres na internet: 'Homens escreviam sem esconder nome e rosto'

Publicado em: 23/08/2025 00:00

Facebook Beata Zawrzel/NurPhoto via Getty Images O Facebook removeu um grupo italiano em que homens compartilhavam imagens íntimas de mulheres, muitas vezes sem o consentimento delas, com milhares de pessoas online. O grupo 'Mia Moglie' — que em inglês significa 'minha esposa' — tinha cerca de 32 mil membros antes de ser fechado nesta semana. A descoberta gerou indignação entre italianos, que estão preocupados com o crescimento de outros grupos semelhantes em sua ausência. A Meta, dona do Facebook, afirmou ter encerrado a página "por violar nossas políticas de Exploração Sexual de Adultos". Capturas de tela feitas antes da remoção do grupo no Facebook pareciam mostrar fotos de mulheres em diferentes estados de nudez, às vezes dormindo ou em momentos íntimos. Sob as publicações, havia inúmeros comentários sexualmente explícitos de homens. Alguns diziam que queriam "estuprar" a mulher, enquanto outros elogiavam o caráter secreto de algumas das fotografias. A página foi denunciada pela escritora Carolina Capria, que publicou online dizendo ter se sentido "enjoada" e "assustada" com o que viu. "Essa ligação entre violência e sexualidade está tão enraizada em nossa cultura que, em um grupo público, homens escrevem sem esconder seus nomes e rostos", afirmou. Fiorella Zabatta, do partido European Greens, disse nas redes sociais que aquilo "não era apenas diversão inofensiva", mas sim um "estupro virtual". "Essas plataformas precisam ser combatidas, essa ideia tóxica de masculinidade deve ser combatida, e todos nós precisamos agir: a sociedade civil e a política também." Teve um nude vazado? Prática é crime; saiba como juntar provas, denunciar e pedir remoção O revenge porn, compartilhamento de imagens ou vídeos sexualmente explícitos que deveriam permanecer privados, foi criminalizado na Itália em 2019. Segundo a imprensa italiana, mais de mil pessoas já denunciaram o grupo à unidade policial que investiga crimes cibernéticos. Em nota, a Meta acrescentou: "não permitimos conteúdos que ameacem ou promovam violência sexual, agressão sexual ou exploração sexual em nossas plataformas". A descoberta da página italiana no Facebook levou alguns a traçarem paralelos com o caso Pelicot, na França. No ano passado, Dominique Pelicot foi condenado a 20 anos de prisão por drogar, abusar e convidar estranhos a estuprar sua então esposa, Gisèle Pelicot. Apesar de virtual, Capria disse que o episódio mostrava que o caso Pelicot não foi uma anomalia, já que, em ambos, havia "um homem que acredita poder controlar sua esposa, e para quem a sexualidade está intrinsecamente ligada à opressão". O que é deepfake e como ele é usado para distorcer realidade ‘Violentada a cada clique’, vítimas contam consequências da pornografia de revanche Teve um nude vazado? Prática é crime; saiba como denunciar

Palavras-chave: cibernético

Está na hora de acabar com o buffet de café da manhã de hotel?

Publicado em: 23/08/2025 00:00

Por trás do luxo aparece dos buffets de café da manhã, há um grande problema: o desperdício de alimentos BBC/Getty Images Diversos tipos de pães, pirâmides de doces, ovos mexidos, intermináveis tipos de frutas, frios e queijos. Buffets de café da manhã de hotéis ao redor do mundo prometem abundância — e muitas vezes entregam excesso. Mas por trás desse luxo aparente está uma verdade mais sombria: o desperdício de alimentos. De acordo com o Relatório do Índice de Desperdício de Alimentos 2024, da ONU, 1,05 bilhão de toneladas de alimentos foram desperdiçadas no mundo todo em 2024, sendo que 28% vêm dos serviços de comida. Entre os principais responsáveis estão os buffets de café da manhã, que geram mais do que o dobro de desperdício em comparação com refeições servidas no prato — cerca de 300 gramas contra 130 gramas nos pedidos à la carte. "Desperdício de comida significa desperdício de recursos como terra, água, energia e trabalho. E, uma vez nos aterros, ela emite gases de efeito estufa que prejudicam o planeta e a biodiversidade", afirma Jocelyn Doyle, diretora de marketing e comunicação da The Sustainable Restaurant Association (Associação de Restaurantes Sustentáveis, na tradução livre para o português), no Reino Unido. Hotéis ao redor do mundo estão fazendo mudanças sutis para reduzir o desperdício. A Scandic Hotels, no norte da Europa, está diminuindo o tamanho dos bolos e doces, oferecendo a opção de repetir, se o hóspede quiser. Já a rede Ibis — marca francesa que está presente em 70 países, incluindo o Brasil — utiliza pratos menores para limitar excessos, enquanto o Hilton Frankfurt serve alguns itens já em porções, como iogurte e frutas. No Novotel Bangkok Sukhumvit, avisos lembram educadamente as pessoas no buffet: "Pegue apenas o que conseguir comer". Veja mais: O 'imaculado' resort da Coreia do Norte que apenas turistas russos podem visitar Como é o hotel de US$ 18 milhões construído em navio de passageiros mais antigo do mundo Buffets de café da manhã geram mais do que o dobro de desperdício em comparação com refeições servidas no prato BBC/Universal Images Group via Getty Images Pichaya Pam Soontornyanakij, premiada chef tailandesa-americana, acredita que este é um debate oportuno. "O café da manhã no estilo buffet, em que as pessoas se servem à vontade, é um símbolo de uma certa era da hotelaria, uma era que celebrava abundância como luxo", afirma. Mas o conceito de luxo evoluiu. "Não é mais sobre quantidade ou excesso. É sobre atenção, qualidade e cuidado, não apenas para os clientes, mas para o planeta." De acordo com a especialista em comportamento do consumidor, Kelly Haws, os buffets geralmente levam ao consumo exagerado devido ao chamado "efeito da variedade" — quanto mais opções, maior a tendência de comer mais. "O self-service também leva a porções exageradas, porque as pessoas avaliam mal a quantidade de comida na hora de se servir", explica, acrescentando que a abundância dos cafés da manhã no estilo buffet pode levar os consumidores a "pegar mais comida, consumir mais comida e sentir menos culpa ao desperdiçar essa comida". Veja mais: 'De repente, todo mundo começou a se pegar': como funcionam e o que rola nas pousadas liberais Os bunkers de alto luxo para bilionários se protegerem Ajustes estratégicos O desejo de "fazer valer o preço pago" em um buffet com preço fixo aumenta ainda mais a tendência de comer em excesso — e mesmo aqueles conscientes das questões climáticas podem subestimar o impacto do próprio desperdício de alimentos. "Em viagens, a gente costuma ativar uma mentalidade de férias, em que os excessos parecem justificados", explica Haws. É aí que pequenos — mas estratégicos — ajustes ajudam a reduzir o desperdício sem comprometer a satisfação do cliente. Pratos menores e pilhas limitadas de louças limpas podem incentivar os clientes a pegarem menos comida. Oferecer quantidades reduzidas, acompanhadas de avisos sobre reposição frequente, pode desencorajar o "efeito da abundância" e, ao mesmo tempo, garantir frescor. Servir porções já montadas também ajuda, embora elas exijam um equilíbrio em relação ao desperdício de embalagens. Mensagens simples, mas bem posicionadas, podem ainda estimular escolhas mais conscientes. Outras medidas incluem colocar opções mais leves, como saladas, no início da fila, deixar os alimentos mais pesados e calóricos para depois, e criar estações de pedido sob demanda. Essa mudança funciona bem para o viajante moderno, que se preocupa com a sustentabilidade. De acordo com um relatório recente do Booking.com, 84% dos viajantes no mundo consideram a sustentabilidade importante, e muitos buscam ativamente formas de reduzir seu impacto ambiental. Dhanashree Thosar concorda. Ela costuma viajar com frequência e afirma que hoje em dia prefere abrir mão do café da manhã no estilo buffet. "Os buffets sempre me fazem esquecer de controlar as porções, me confundem com opções demais e normalmente eu saio com sentimento de culpa", explica. Ela conta que, durante uma estadia recente no hotel The Park, em Bangalore, seu café da manhã foi servido em etapas: frutas frescas, ovos com ervas da horta e, para finalizar, apenas um pedaço de bolo. "Parecia algo intencional, não excessivo, consciente, e não exagerado", afirmou, acrescentando que um hotel que realmente se preocupa em reduzir o desperdício sempre será sua primeira opção por transmitir "um sentido de propósito compartilhado". Desejo de 'fazer valer o preço pago' em buffets acaba levando as pessoas a consumirem mais BBC/Universal Images Group via Getty Images Menos opções e menos excesso visual podem até aumentar a percepção de qualidade, mesmo em um ambiente de buffet livre. "Esses sinais podem reduzir o desperdício e o consumo, ao mesmo tempo que aumentas a satisfação geral dos hóspedes, criando um efeito positivo na experiência como um todo", diz Haws. Em uma transição rumo ao prazer consciente, marcas de luxo sustentável vêm abandonando os grandes buffets em favor de cardápios elaborados por chefs e experiências mais matinais personalizadas. Isso inclui cafés da manhã "market-to-table" (do mercado à mesa) na rede de hotéis Six Senses, colaborações com chefs confeiteiros convidados, torrefadores de café ou mestres do chá nos hotéis Anantara, além de rituais matinais com foco em bem-estar, como aulas de ioga ou meditação guiada antes do café. A rede de hotéis Hilton, que tem aproximadamente 6.000 propriedades em mais de 100 países, tem como objetivo reduzir em 50% a quantidade de resíduos de alimentos enviados para aterros sanitários até 2030, uma meta alinhada com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Para isso, o Hilton Tokyo Bay está combatendo o desperdício de alimentos com cozinhas equipadas com inteligência artificial. Já Conrad Centennial Singapore utiliza "vegetais feitos", que normalmente são jogados fora, enquanto o Hilton Shenzhen Shekou Nanhai faz uso de equipamentos inteligentes de tratamento de resíduos de cozinha que transformam os restos em dióxido de carbono, água e fertilizantes orgânicos. Todos os hotéis Hilton na Indonésia e nas Filipinas doam a comida extra para bancos de alimento locais e cozinhas comunitárias. Mesmo em buffets livres, menos opções e excesso visual podem aumentar a percepção de qualidade BBC/Smith Collection/Getty Images Embora muitos viajantes estejam cada vez mais conscientes em relação ao desperdício, os hotéis ainda enfrentam uma complexa tarefa de atender às diversas expectativas dos hóspedes. Encontrar o equilíbrio certo entre sustentabilidade e qualidade de serviço não é uma tarefa fácil, especialmente no café da manhã, em que a variedade esperada pelos hóspedes muitas vezes entram em conflito com os esforços para reduzir os excessos. Segundo Marjolein van Spronsen, gerente de marketing e comunicação em uma consultoria de hotelaria, hoje, muitos hotéis monitoram a quantidade de alimentos que é jogada fora para definir as necessidades básicas do buffet. "Outras tendências incluem um buffet complementado por um cardápio de café da manhã com pratos especiais (para criar uma sensação de luxo quando servido à mesa), além de estações de café da manhã para levar, que oferecem opções leves logo cedo." Doyle também sugere que os hotéis reconsiderem os itens com baixo consumo, instalem estações de preparo sob demanda, reduzam a variedade de opções oferecidas e orientem ativamente o comportamento dos hóspedes. "É preciso envolver e conscientizar os funcionários para que eles entendam as mudanças e possam interagir com os hóspedes com confiança", diz. "Compartilhe seus esforços por meio de atualizações no site e nas redes sociais, e utilize sinalizações no buffet para fazer os hóspedes se sentirem parte da solução." Apesar de todas as estratégias, Doyle recomenda que os hotéis considerem seriamente eliminar o buffet por completo e elevar a experiência do café da manhã. "Além de reduzir o desperdício, um cardápio de café da manhã pequeno, cuidadosamente planejado, preparado sob demanda pode oferecer uma experiência muito mais luxuosa e tranquila para os hóspedes." "O café da manhã é a última parte que o hóspede vivencia antes do check-out, por que não deixá-lo com a sensação de ser mimado?", questiona. Recipientes repletos de cereais, bandejas com salsichas e ovos, vários tipos de pães e frutas podem ter simbolizado luxo no passo, mas isso está mudando. À medida que o luxo se redefine em torno da atenção e da sustentabilidade, os cafés da manhã preparados sob demanda oferecem um prazer mais discreto e inteligente. Veja mais: 3 cidades do Brasil estão entre as 10 mais acolhedoras para viajantes LGBTQIA+, segundo plataforma Por que as pessoas estão trocando férias relaxantes por provas de resistência Como funciona e o que rola nas pousadas liberais

Palavras-chave: inteligência artificial

Quadrilha especializada em roubo de carga é perseguida pela PM na BR-381; um suspeito foi preso

Publicado em: 22/08/2025 20:29

Homem é preso suspeito de integrar quadrilha de roubo de cargas Uma quadrilha suspeita de furtar cargas de caminhões foi perseguida pela Polícia Militar na madrugada desta sexta-feira (22), na BR-381, em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Um homem de 25 anos foi preso, outros cinco suspeitos fugiram para uma área de mata e são procurados pela polícia. Segundo a PM, o grupo atuava em postos de combustíveis às margens da rodovia, sempre durante a madrugada, quando caminhoneiros paravam para descansar. Os criminosos cortavam as lonas dos veículos e furtavam a carga. A operação foi resultado de um trabalho conjunto de patrulhamento e inteligência, que monitorou a quadrilha por três semanas. Segundo a PM, houve troca de tiros durante a ação. Dois carros usados pelos suspeitos foram abandonados. De acordo com a polícia, os veículos eram roubados e um deles bateu o veículo no muro de uma escola. O capitão Pedro Henrique Barreiros, da Polícia Militar, afirmou que o grupo é especializado nesse tipo de crime e tenta aliciar menores para assumir a responsabilidade pelos furtos em caso de apreensão. “Já sabemos quem são os outros cinco que fugiram para a mata. Estamos em diligências e investigações”, disse. Vítimas Nos últimos 20 dias, dez caminhoneiros foram vítimas da quadrilha. Dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública apontam que, entre janeiro e julho deste ano, foram registrados 16 roubos de carga em Belo Horizonte. Para o diretor do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas, apenas investir em tecnologia não é suficiente. “É preciso apoio da segurança pública”, afirmou. O caminhoneiro Givanildo Mendes relatou insegurança nas estradas. “A gente não se sente seguro, principalmente em trechos com pouca presença de viaturas. Em todo o território você está correndo risco”, disse. Carga furtada de caminhões na Grande BH Polícia Militar/Divulgação Vídeos mais vistos no g1 Minas:

Palavras-chave: tecnologia

Justiça suspende lei que proíbe uso de banheiros por gênero em templos e escolas religiosas em BH

Publicado em: 22/08/2025 20:20

Bandeira Trans Celso Tavares/g1 O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) suspendeu a lei que permitia a igrejas e escolas mantidas por instituições religiosas a restrição do uso de banheiros com base no sexo biológico. A decisão foi tomada em caráter liminar, ou seja, de forma provisória, até o julgamento final da ação. Criada pela bancada conservadora da Câmara Municipal, lei estava em vigor desde novembro de 2023. Na votação em 2º turno, foram 26 votos favoráveis, 13 contrários e uma abstenção. Segundo o texto, o intuito é garantir a "liberdade religiosa" desses locais. O pedido para a suspensão da lei foi feito pelo Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual de Minas Gerais (CELLOS/MG). A organização argumentou que a lei é inconstitucional, já que ultrapassa o limite da legislação municipal e dá margem para diferentes tipos a discriminação contra pessoas transgênero ou não-binárias. A ação aponta que a legislação, embora redigida com o objetivo de garantir a liberdade das entidades religiosas, "parece, num primeiro momento, discriminatório e excludente". O relator do caso, o desembargador Kildare Carvalho, acatou o pedido, entendendo que a manutenção da lei poderia "potencializar práticas discriminatórias contra minorias". A Prefeitura de Belo Horizonte informou que vai acatar a decisão. CFM estabeleze diretriz mais restritiva para terapias e cirurgias de mudança de gênero Legitimidade A Justiça também rejeitou uma preliminar levantada pela Câmara Municipal de Belo Horizonte, que questionava a legitimidade do CELLOS/MG para propor a ação. No entanto, os relatores seguiu um novo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que ampliou o conceito de "entidade de classe" para incluir organizações que defendem grupos minoritários ou vulneráveis. Aprovação em 2023 O prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), sancionou em novembro de 2023 o projeto de lei (PL) que proíbe que pessoas trans e/ou não-binárias utilizem, com base no sexo que se identificam, os banheiros de templos, eventos e até escolas mantidas por instituições religiosas. A Lei entrou em vigor no dia 21 de novembro do mesmo ano, com base na publicação da medida no Diário Oficial do Município (DOM). Algumas das unidades de ensino que são mantidas por instituições religiosas em Belo Horizonte são a PUC Minas e o Colégio Batista. Na época, a oposição arguemntou que a iniciativa atentava contra o direito das pessoas trans que estudam em escolas e unidades de ensino superior que são mantidas por instituições religiosas, mas o projeto foi aprovado pela maioria dos vereadores. Confira os vídeos mais vistos no g1 Minas:

Palavras-chave: câmara municipal

Câmara instaura comissão especial para apurar possíveis irregularidades em contratos da Prefeitura de Itapeva

Publicado em: 22/08/2025 19:51

Câmara Municipal de Itapeva (SP), onde foi instaurada a Comissão Especial de Inquérito Reprodução A Câmara Municipal de Itapeva instaurou uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar possíveis irregularidades na contratação de serviços de limpeza e manutenção pela prefeitura. Nesta sexta-feira (22), o município informou que o contrato emergencial foi necessário devido ao aumento de casos de dengue. Conforme o Painel de Arboviroses do estado de São Paulo, até esta sexta-feira (22), Itapeva registrava 417 casos confirmados de dengue em 2025, sem mortes. No ano anterior, foram 3.387 casos e cinco mortes ao longo de todo o ano. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp O documento da CEI reforçou que o contrato emergencial, firmado em 18 de fevereiro deste ano e citado pela prefeitura, custou mais de R$ 1,5 milhão e tinha duração de três meses. Na época, até 26 de fevereiro, Itapeva contabilizava 34 casos confirmados de dengue e 548 notificações. O valor e o prazo do contrato chamaram a atenção do Legislativo e motivaram a abertura da investigação. A comissão é presidida pelo Dr. Marcelo Poli (PL), com vice Val Santos (PP), relator Ronaldo Coquinho (PL) e membros Áurea Rosa (PP) e Gleyce Dornelas (Novo). Vereadores de Itapeva instauram comissão para apurar possíveis irregularidades em contratos da prefeitura Reprodução/Câmara Municipal Outro ponto considerado no inquérito foi o fato de a prefeitura não ter decretado estado de emergência em saúde pública devido à dengue, mesmo sendo este o motivo alegado para a contratação emergencial do serviço de capina, roçada e manutenção de áreas verdes. “Comprovando a fragilidade da justificativa para a contratação sem licitação. Se o nível de emergência fosse tão acentuado como afirmado pela prefeita, o procedimento padrão seria a decretação de emergência em saúde pública, como ocorreu em 2024, por meio do Decreto 13.735 de 16 de abril. A administração optou pela contratação emergencial de serviços de capina e roçada, sem adotar essa medida”, informou o documento. O valor e a duração do serviço motivaram a apuração, que agora foi encaminhada aos órgãos competentes: Promotoria de Justiça de Itapeva (para apurar responsabilidades criminais ou civis); Poder Executivo de Itapeva (para medidas de controle e responsabilização, principalmente em contratos de limpeza urbana); Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (para apurar uso do dinheiro público); Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo; Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo; Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (GAECO) (para apurar responsabilidades criminais); Corregedor e Controlador Geral do Município de Itapeva. Prefeitura de Itapeva afirma que contrato emergencial visou evitar aumento de casos de dengue na cidade Fabio Rodrigues/g1 O que diz a prefeitura Em nota, a Prefeitura de Itapeva reforçou que o município enfrentava sérios problemas relacionados ao acúmulo de mato em diversos pontos, que se encontravam em condições precárias. “Embora tenham sido realizadas ações contínuas de combate ao mosquito transmissor, por meio de nossas equipes de Saúde e Vigilância Epidemiológica, com ampla mobilização e participação da comunidade, verificou-se que o mato alto permanecia como fator agravante e contribuía para o aumento dos casos registrados”, afirmou a nota. A prefeitura também destacou que, diante do cenário, a contratação emergencial se mostrou indispensável para garantir a limpeza e a manutenção das áreas públicas. “Preservando a saúde da população e assegurando a continuidade das ações de controle epidemiológico no município”. Confira outros destaques do g1 g1 em 1 minuto: conheça lendas e mitos do folclore de Itapetininga Raimundão, Cobra Grande e mais: conheça lendas e mitos do folclore de Itapetininga Conheça a lenda do Unhudo, o major que 'voltou da morte' para proteger a fauna e a flora do interior de SP Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: câmara municipal