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Em fase final de testes, biocurativo 3D pode beneficiar 5 milhões de pessoas que sofrem com feridas crônicas

Publicado em: 26/10/2025 04:01

Biocurativo 3D pode beneficiar 5 milhões de pessoas que sofrem com feridas crônicas Até 2027, o biocurativo 3D feito a partir de células-tronco, desenvolvido por duas pesquisadoras de Ribeirão Preto (SP), deve chegar a 5 milhões de pacientes refratários no Brasil. 🔎Pacientes refratários são aqueles que não respondem ao tratamento convencional de maneira adequada, mesmo com todas as opções disponíveis no mercado. O produto já passou por todos os testes em laboratório e agora entra em uma nova fase: a de reunir documentação para apresentar à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a bióloga Carolina Caliari, CEO da In Situ, empresa que desenvolveu o biocurativo. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "Ele [o biocurativo] está em uma área da Anvisa, que entra no rol das terapias avançadas. E, por estar nessa classificação, tem de cumprir vários testes antes de chegar no paciente. São testes extremamente necessários para provar, principalmente, a segurança do produto". O Mensencure, que ganhou este nome porque é feito a partir de células mesenquimais (que são células-tronco retiradas do cordão umbilical), é capaz de agir em feridas crônicas, como em pacientes com diabetes, e queimaduras graves, principalmente. "Na terapia celular, a gente usa nossas próprias células em nosso favor. É uma coisa que a célula já faz naturalmente, ela já tem essa habilidade de promover a cicatrização não só da pele, mas de outros tecidos. Então, a gente pega essa célula do cordão umbilical, traz para o laboratório, isola essa célula e utiliza na terapia". LEIA TAMBÉM Curativo feito com impressão 3D em Ribeirão Preto usa células-tronco contra feridas crônicas Entenda como biocurativo pode acelerar cicatrização de feridas Como um dos maiores centros de inovação do Brasil busca ampliar projetos de IA Ao g1, o Ministério da Saúde informou que, segundo dados do Sistema de Informação Ambulatorial (SIA/SUS), em 2024 foram registrados 175.711 atendimentos a pacientes com feridas crônicas refratárias (infecção da pele, infecção prós-traumática, infeccão decorrente de cirurgia, absesso, úlcera). O Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) contabilizou 70.738 procedimentos no mesmo período. Ainda segundo o Ministério da Saúde, o número de atendimentos não corresponde, necessariamente, ao número de pacientes, uma vez que uma mesma pessoa pode ser atendida mais de uma vez. Para chegar até o produto, as células-tronco são 'misturadas' com hidrogel, e impressas em uma máquina 3D. O biocurativo tem formato transparente, bem parecido com uma lente de contato gelatinosa, e mede 80 centímetros quadrados, o tamanho médio de um celular. Biocurativo 3D com células tronco desenvolvido em Ribeirão Preto (SP) Murilo Corazza/g1 Para imprimir o biocurativo, são necessários 30 minutos. Como é um produto desenvolvido a partir de terapia celular, ele não estará disponível para compra em farmácias e a aplicação será exclusivamente em ambiente hospitalar. "Nossa ideia é não fazer um produto personalizado, porque um produto personalizado aumenta muito o custo e a gente não conseguiria oferecer imediatamente para o paciente. Se o paciente precisa de mais de um, a gente aplica mais de um curativo. Se precisa de menos, tem a possibilidade de cortar aquele biocurativo", explica Carolina. O produto tem aplicação única, porque é absorvido pela pele. Ao g1, a bióloga Adriana Oliveira Manfiolli, CTO da In Situ, explicou que o tratamento é eficaz, por causa da ação das próprias células no organismo. "Através do biocurativo, essa membrana é absorvida, é compatível com a pele, não tem problema nenhum. A célula penetra ali e faz a função dela. A ideia é que você não tenha troca desse curativo, que seja uma única aplicação". Biocurativo 3D com células tronco é de aplicação única, porque é absorvido pela pele In Situ O biocurativo chega também como uma alternativa a uma gama de produtos já existentes no mercado, mas que acabam não atendendo uma parcela específica da população. "Tem géis, pomadas de aplicação tópicas, coberturas diversas. Quando a gente insere um pouco mais de tecnologia, tem matrizes de polímeros associadas ou não, agentes microbianos, terapias de pressão negativa, que são os curativos a vácuo, câmeras hiperbáricas. Só que, do outro lado, têm inúmeros pacientes refratários a essas terapias. Temos, só no Brasil, cinco milhões de pacientes que não são tratadas de maneira efetiva com tudo o que tem disponível no mercado. Eles já trataram com tudo e, infelizmente, estão com aquela ferida há semanas, meses e até anos. Nossa ideia é que o biocurativo resolva, de fato, o problema desses pacientes". Como funciona o biocurativo? Como a base do Mensencure é a célula-tronco, o biocurativo age de maneira inteligente, não só cobrindo a ferida, mas tratando-a efetivamente, como conta Carolina. "O biocurativo não visa só recobrir a ferida. Ele recobre, sim, com a membrana, mas a superfície da célula tem como se fossem 'anteninhas', que ficam captando sinais do local onde é colocada. Ela vai captar os sinais da ferida. Se a ferida estiver inflamada, ela libera fatores para resolver aquela inflamação. Se estiver dolorida, ela libera fatores que vão resolver a dor. Se não está mais inflamada e precisa só fechar, libera fatores que vão conversar com as células da pele 'fecha essa ferida'". Biocurativo com células tronco é impresso em impressa 3D e fica pronto em 30 minutos Murilo Corazza/g1 Outra vantagem do biocurativo é que a célula do cordão umbilical pode ser utilizada de uma pessoa para outra, sem ser rejeitada. "A gente isola essa célula e armazena congelada aqui no laboratório. A gente tem um container de nitrogênio líquido, que é bem parecido com o botijão de cozinha, que tem bilhões de células congeladas. Aí, a gente descongela essa célula, imprime o curativo em 30 minutos e ele fica pronto para uso", diz Carolina. A ideia, segundo a CEO, é ter um estoque de biocurativos na empresa para que um paciente que chegue a um hospital consiga ser atendido. "Um paciente grande queimado, por exemplo, precisa de tratamento imediato. Então, essa é a estratégia para conseguir atender imediatamente esse paciente". Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região 🔎A, que são aqueles que não são tratados de maneira efetiva com todas as opções disponíveis no mercado.

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'Bilingo': como pesquisadores e indígenas apostam na tecnologia para salvar línguas ancestrais ameaçadas em RO e MT

Publicado em: 26/10/2025 04:01

Alicativo ajuda a revitalizar línguas indígenas ameaçadas em RO e MT Um projeto que une tecnologia e transmissão de saberes pretende contribuir para a revitalização das línguas em risco dos povos indígenas Bororo, no Mato Grosso, e Makurap, em Rondônia. O aplicativo chamado 'Bilingo' foi criado para registrar vocabulários, frases e narrativas nas línguas maternas desses povos e ajudar a repassar esses ensinamentos para novas gerações. A iniciativa envolve pesquisadores no Brasil e na Alemanha, professores e jovens indígenas. Gustavo Poletti, desenvolvedor do sistema, explica que o objetivo é que professores das próprias comunidades indígenas possam acessar a tecnologia para criar e distribuir o aprendizado. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias de RO em tempo real e de graça 🔎Os Makurap, que habitam Rondônia, estão localizados nas Terras Indígenas Rio Guaporé e Rio Branco e pertencem à família linguística Tupari, do tronco Tupi. No fim da década de 1990, eles ainda falavam a língua, mas hoje ela é usada principalmente por pessoas mais velhas. 🔎Já os Bororo chamam a própria língua de Wadáru, classificada por linguísticas como parte do tronco Macro-Jê, segundo o Instituto Socioambiental (ISA). Eles estão em Mato Grosso. O Censo 2022 do IBGE, divulgado nesta sexta-feira (24), aponta que o Brasil tem 295 línguas indígenas catalogadas, presentes em cerca de um quinto dos municípios. De acordo com o Atlas das Línguas em Perigo da Unesco, são 190 idiomas em risco no Brasil. O país é o segundo com mais línguas em risco no mundo - atrás apenas dos EUA, de acordo com o documento de 2021. Para conter essa ameaça, o aplicativo foi criado para preservar essas duas línguas em risco. A ideia é frear a perda de transmissão entre gerações e aproximar crianças do idioma por meio de jogos e exercícios interativos. O nome 'Bilingo' vem de Brazilian Indigenous Languages (Línguas Indígenas Brasileiras) e a iniciativa experimental e sem fins lucrativos, apesar de não ser inédita, tem a pretensão de ser a maior em quantidade de dados armazenados. O trabalho está na fase de testes e ainda não tem prazo de conclusão. LEIA TAMBÉM: Número de povos e línguas indígenas cresce no Brasil, aponta Censo MAPA: veja quantos povos e línguas indígenas existem na sua cidade Tukano, Nheengatu... Ouça as 10 línguas indígenas mais faladas Para Heloisa Helena Siqueira Correia, docente na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ferramentas tecnológicas como essa trazem em si a resistência e a luta dos povos originários. "Demonstra que as comunidades não estão, e nunca estiveram, congeladas no tempo", disse. (leia mais abaixo) Infográfico mostra onde vivem os povos indígenas Bororo e Makurap Arte/g1 Preconceito e proibição “A gente foi perdendo a língua, deixando de falar na língua materna, e isso aconteceu porque muitos não indígenas tinham preconceito. Eles proibiam os indígenas de falar. A língua Makurap era a mais falada nas terras indígenas, e hoje em dia já não é mais”, disse Jéssica Makurap, jovem da comunidade. Segundo Carolina Aragon, linguista e integrante do projeto, o desenvolvimento do aplicativo em si já é educativo. Isso porque são os próprios jovens indígenas os responsáveis por coletar palavras e áudios da língua materna com os tios, avós e professores, e alimentar a ferramenta digital. “Quando o jovem pergunta para um tio, avô ou avó como se diz algo na língua e grava essa resposta, ele já está aprendendo, e assim o aplicativo ensina enquanto é construído. Dessa forma, a nossa intenção é fazer com que a língua volte a circular em outros espaços da comunidade, e não apenas dentro da escola”, explica. O projeto enfrenta desafios práticos, como a dependência de internet para captar e enviar os áudios para os pesquisadores. Além disso, como são os indígenas que alimentam o sistema, o desenvolvimento da ferramenta acompanha o ritmo de vida da comunidade, que envolve estudo, trabalho na roça, caça e pesca. Como funciona o app 'Bilingo' O aplicativo funciona de forma semelhante a plataformas de aprendizado de línguas como Duolingo, Busuu e Rosetta Stone. Os usuários seguem uma jornada de aprendizado temática, que inclui seções sobre alfabeto, alimentação, família e outras áreas do cotidiano. Cada seção contém exercícios variados: 🔙 Tradução de palavras do português para a língua indígena. 🔊Associação de palavras a imagens ou sons. 🗣️Montagem de frases usando palavras disponíveis no exercício. “Estamos formando o vocabulário certinho, colocando palavras e frases, e a ideia é encher o aplicativo com histórias, mitos e tudo o que faz parte da nossa tradição. Conforme a gente alimenta o aplicativo, a gente também aprende”, afirma a indígena Jéssica. Gustavo explica que eles também estão desenvolvendo um exercício para praticar a fala. Nele, o usuário pronuncia uma palavra na língua e um modelo de IA indica se a pronúncia está correta. O app ainda terá suporte offline, permitindo o uso em áreas sem internet e garantindo privacidade dos dados, já que as informações ficam sob controle das próprias aldeias. Fabrício Gerardi, linguista e participante do projeto, destaca que o aplicativo também oferece noções de gramática para adultos que querem compreender melhor o idioma, não apenas para crianças. Com o aumento do interesse de diferentes povos, a ferramenta precisou ser adaptada para realidades variadas, de comunidades que ainda falam a língua no dia a dia a aquelas em que as crianças falam português, mas têm noção do idioma tradicional. Crianças Bororo serão estimuladas a ter contato com a língua originária do povo Reprodução/TVCA Fortalecimento da cultura A professora Heloisa Helena, que é Doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp e Docente do Departamento Acadêmico de Letras da UNIR, destaca a importância da iniciativa para preservar as línguas indígenas e fortalecer as identidades e culturas dos povos originários. "A criação de um aplicativo que permite a recuperação de línguas indígenas sob risco de desaparecer completamente traz em si a resistência e a luta dos povos originários. Demonstra que as comunidades não estão, e nunca estiveram, congeladas no tempo, e que são instrumentos a favor da memória, pois dialogam com o passado ancestral, atualizam essa memória e, ao mesmo tempo, interferem no presente para que, no futuro, as etnias indígenas tenham seu protagonismo e autonomia consolidados", diz Heloísa. Veja quais são as 10 ínguas indígenas mais faladas no Brasil Povo Makurap Universidade Federal de Rondônia Expectativa Os pesquisadores destacam que o aplicativo deve servir não só como uma ferramenta de apoio à educação linguística, mas também como instrumento de fortalecimento cultural. O conteúdo será inteiramente controlado pelas comunidades, garantindo que os indígenas mantenham a propriedade sobre sua língua e tradição. “O aplicativo é uma forma de aprender e, ao mesmo tempo, de manter viva a nossa cultura”, resumiu Jéssica Makurap. Segundo Gustavo, quando o aplicativo estiver pronto, a própria comunidade será responsável por administrar a iniciativa, definir o conteúdo e decidir como ele será distribuído. Como surgiu o projeto? A ideia surgiu quando Gustavo Poletti fazia um doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e se inspirou em iniciativas que tinham como propósito revitalizar línguas indígenas. “Na época, eu estava iniciando meu doutorado e pensei que este seria um campo onde eu poderia contribuir, tanto pela minha experiência em pesquisa como também por eu ter trabalhado com jogos de celular no passado”, disse Gustavo. Em 2024, durante uma conferência, Gustavo conheceu Fabrício Gerardi, linguista da Universidade de Tübingen, na Alemanha, que já desenvolvia trabalhos com a comunidade Bororo, no Mato Grosso. Pouco depois, Caroline Aragon, professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), passou a atuar na equipe, conectando o grupo com os Makurap, em Rondônia. O aplicativo começou com o povo Bororo que já tem maior avanço no desenvolvimento do conteúdo. Em Rondônia, a fase inicial está sendo feita com os Makurap, priorizando o registro de vocabulário. montagem bilingo Reprodução

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Entre boleros, salsas e memórias, clubes tradicionais do Recife mantêm viva história cultural da cidade e resistem abraçando novas gerações

Publicado em: 26/10/2025 02:01

Bailes do Recife mantêm viva história cultural da cidade Nos salões iluminados por luzes coloridas e sons de orquestras, o Recife ainda guarda espaços onde o tempo parece desacelerar. São os bailes dos clubes tradicionais da cidade, como o Clube das Pás, o Clube Lenhadores e o Clube Bela Vista, que mantêm viva a cultura dos encontros dançantes e da convivência comunitária. Entre ritmos variados e trajes cuidadosamente escolhidos, esses espaços continuam reunindo pessoas de diferentes idades, unidas pela música e pela dança. Mesmo com as transformações no lazer urbano, os bailes permanecem como refúgios de memória e celebração. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Com dinâmicas próprias, os espaços ainda cultivam regras que podem soar peculiares para quem está acostumado às boates modernas: Nada de bebida na pista de dança; Cruzar o salão, apenas se for de tanto dançar com o par; E “carinhos intensos”, só da porta para fora. Além de serem espaços culturais, os clubes seguem como potente ferramenta de lazer e socialização, especialmente para o público feminino. Em um mundo que se transformou, hoje, dançarinos profissionais acompanham mulheres que já não precisam de parceiros fixos para se divertir e redescobrir a vida, em qualquer idade. Confira, abaixo, as histórias e dinâmicas desses locais: Clube das Pás Clube Lenhadores Clube Bela Vista O legado das Pás O Clube das Pás, na Zona Norte do Recife, é uma das mais antigas agremiações do Recife Iris Costa/g1 No bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife, o Clube das Pás se destaca como uma verdadeira joia da história carnavalesca. Fundado há 137 anos, em março de 1888, sua origem remonta a carvoeiros que, após abastecer um navio inglês, celebraram a conquista no carnaval local com o "Bloco das Pás de Carvão". A agremiação é mais antiga que o próprio frevo, que tem 118 anos, e é um dos símbolos da vida cultural recifense. Em 2023, tornou-se Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. Os bailes acontecem quase todos os fins de semana, com orquestras ao vivo e temas que variam entre o romântico e o festivo. O público veste-se conforme a ocasião: no Baile das Rosas, por exemplo, predominam as estampas florais e o traje a rigor; no Baile Cigano, brilham saias rodadas, lenços e adereços. Álvaro Melo, diretor de promoções e eventos do clube, explica que o sucesso das festas está na combinação entre tradição e acolhimento. "As Pás têm um público fiel, mas sempre chega gente nova. Muita gente vem pela curiosidade e acaba voltando", disse. Vestidos sempre de preto, com roupa social, suspensórios e sapato de bico fino, dançarinos profissionais ajudam a manter a pista movimentada. A presença sorridente dos rapazes que compõem o grupo "Pés de Valsa" representa muito mais que apenas a diversão de dançar. Simboliza empoderamento feminino para as mulheres que frequentam o espaço. "Tem muita mulher que vem só e, às vezes, o volume de homens, dos cavalheiros, é menor. Então, ela vai lá na bilheteria, compra sua senha, que é 10 reais, e tem direito a três danças. E ela escolhe o que ela quer dançar, em qualquer ritmo", explicou Álvaro Melo. Lêda Melo é uma dessas mulheres. Aos 75 anos, 30 deles dedicados à dança, mantém no clube uma rotina saudável junto aos dançarinos, todo fim de semana. Para ela, a presença dos "pés de valsa" representa liberdade. "Hoje, a mulher é quem escolhe. Antes, você precisava esperar um cavalheiro vir lhe tirar para dançar, mas agora não, a mulher também é poderosa, ela escolhe. ‘Eu quero dançar com você. Com você, não’, e vai para o salão com ele. Tem coisa melhor do que essa?", brincou. Um dos "pés de valsa" é Jefferson Silva, de 27 anos. Ele trabalha como gerente em uma loja de carnes e, aos fins de semana, como dançarino profissional. Aprendeu a dançar frequentando clubes com a mãe ao longo de 20 anos e transformou o hobby em renda extra. "Normalmente, venho direto do meu trabalho. Levo minha roupa, tomo banho, passo a roupa lá mesmo e depois sigo para cá. [...] É algo libertador, a gente se sente bem. Às vezes, a gente está com tanta coisa na mente e, quando chega aqui na pista de dança, esquece dos problemas do dia a dia. A maioria das pessoas aqui já passou por alguma dificuldade na vida e vem para aqui para espairecer naquela conversa, aquela dança", contou Jefferson. A aposentada Nice Pereira, de 81 anos, é outra que não perde um fim de semana. Sempre maquiada, com seu melhor perfume e acessórios caprichados, é no Clube das Pás onde ela celebra sua vontade de viver. "Tem uns cinco anos que venho para cá. Gosto de todos os ritmos, bolero, forró… nossa! O pessoal chega, vem cumprimentar a gente na mesa. É tão legal você chegar, ser beijada, abraçada, é muito bom", disse. A tradição dos Lenhadores Imagem de arquivo mostra pista de dança do Clube Lenhadores, na Mustardinha, Zona Oeste do Recife Reprodução/TV Globo No bairro da Mustardinha, o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores ocupa um lugar singular na cartografia dos clubes recifenses: nasceu de uma ruptura, tornou-se abrigo de uma história política e transformou uma festa em emblema de resistência negra na Zona Oeste do Recife. Hoje, o local também é Patrimônio Cultural Imaterial da cidade. A origem dos Lenhadores está ligada a uma cisão interna no Clube das Pás no fim do século XIX. “Começou na Rua da Glória, na Boa Vista, e depois foi para a Mustardinha. Os lenhadores compraram o terreno e começaram a subir o clube há 128 anos. A dissidência foi causada porque o Clube das Pás quis colocar como candidata à presidência do clube uma mulher e eles [lenhadores] não aceitavam”, explicou Maria Cleta Souza, diretora administrativa do clube. Apesar da ruptura conturbada em resistência a avanços no protagonismo feminino, o Clube Lenhadores foi vanguardista na criação de uma festa de gala voltada à população negra em uma realidade onde a abolição da escravatura tinha acontecido há menos de 30 anos: a Matinê Branca. A matinê nasceu num contexto de exclusão racial, quando negros eram sistematicamente impedidos de frequentar as festas dos brancos, e se constituiu como resposta estética e política: traje branco, ornamentação prateada, regras de vestuário rígidas e uma coreografia social que transformava a presença numa reivindicação pública. Hoje, o evento mantém elementos que remontam à sua origem: homens em ternos brancos com gravata preta, mulheres em saias abaixo do joelho ou vestidos longos, bijuterias em prata e uma decoração que privilegia o branco e o prateado. Mais do que um figurino, a codificação visual funciona como memória coletiva — um modo de mostrar que um espaço que já foi negado virou, pela persistência, lugar de orgulho. “A festa é lindíssima, o pessoal passa um ano todinho esperando. Eu não perco uma Matinê Branca, é a coisa mais linda do mundo. Eu considero uma festa política, foi um movimento político para chamar a atenção dos brancos ricos”, declarou a diretora do clube. Paralelamente ao rito da Matinê, o Lenhadores consolidou uma rotina festiva que atravessa semanas: o “Revivendo o Passado”, nas sextas; as noites de DJ, aos sábados; e o ciclo da “Boa Idade”, aos domingos, que reúne públicos distintos ao longo do dia. A programação mistura brega, boleros, e músicas contemporâneas — uma aposta na convivência entre gerações e no caráter híbrido do clube. A batida cubana do Bela Vista Sede do Clube Bela Vista no bairro de Água Fria, Zona Norte do Recife Iris Costa/g1 No bairro de Água Fria, na Zona Norte do Recife, o Clube Bela Vista se ergue como um reduto de música, afeto e tradição. O espaço, que hoje é reconhecido como ponto turístico cultural, nasceu de maneira simples, quando um grupo de amigos decidiu transformar um antigo cinema em local de dança na década de 1970. O Bela Vista nasceu como uma extensão da vizinhança e cresceu com ela. Foi no começo dos anos 1990 que surgiu a Noite Cubana, uma festa inspirada nos ritmos latinos, que se tornaria a marca registrada do clube. Em 2024, o evento virou Patrimônio Cultural Imaterial do Recife. “A Cubana surgiu pelo estilo de música latina. Um grupo de amigos que gostavam e se reuniam para fazer essa festa. Teve uma repercussão boa”, comentou o presidente da casa, João Batista. A experiência deu tão certo que o evento ganhou nome e identidade própria: Encontro da Família Cubana. A festa tornou o Bela Vista conhecido além dos limites do bairro, atraindo públicos diversos e até reconhecimento acadêmico. “Nós recebemos uma homenagem pela Universidade Federal de Pernambuco, a gente recebeu um título, o troféu de Gregório Bezerra pela divulgação da cultura cubana”. “Quando nós começamos, eram pessoas da terceira idade quem mais frequentava o Bela Vista para esse tipo de evento. [...] Com o desenvolver do tempo e a divulgação, a gente foi mostrando ao povo o que é uma dança de salão. Os jovens vieram, gostaram e estão trazendo seus amigos sempre para renovar”. O diretor resume o segredo da longevidade: “Se a gente não se renovar, acaba”. E no salão, o público ainda guarda os rituais que marcam a estética do baile. “Tem pessoas que são marcantes, não perdem o evento. [...] São pessoas mais da terceira idade, que se vestem a rigor. Eles gostam de ter um sapato de duas cores, por exemplo. Você vai ver isso numa Cubana, uma toalhinha para botar no ombro. Eles não soltam, isso aí já faz parte do vestuário deles”, descreve João Batista. Por trás do sucesso e da sonoridade da Cubana, um nome carrega o peso da identidade da festa: Valdir Português, discotecário da casa desde 1992. Aos 81 anos, ele continua comandando a festa. Sem streaming ou pen drive, o DJ escolhe cada música diretamente de seu acervo de CDs, tirando e colocando disco a disco. Somente no clube, a coletânea é de mais de 100 mil faixas. “Eu ainda me lembro, foi no dia 12 de janeiro de 1992 que fiz a primeira programação, parecia o Galo da Madrugada de tanta gente", contou. O sucesso foi imediato. “O povo gostou e pediram para fazer outra programação aqui. Naquela época, não era o público de hoje, era outra geração. A primeira geração era mais frequentada pelo povo do morro, do alagado, da classe mais pobre. Hoje em dia eu sinto muita falta deles”, comentou o DJ. Aos 81 anos, o DJ Valdir Português segue como discotecário do Clube Bela Vista desde 1992 Iris Costa/g1 O DJ também ajudou a projetar a Cubana para fora do Recife, levando o estilo do Bela Vista a outros públicos. “Eu já toquei em muito lugar. O único lugar que eu pensei que ia tocar e o povo não ia gostar foi em São Paulo e eu fiz a Virada Cultural lá. Eu fiz essa programação e todo mundo gostou”, relembrou. Além disso, ele destaca a parceria com Roger de Renor, figura essencial na cena musical pernambucana e dono do bar Soparia, um dos principais redutos do movimento manguebeat. “Eu fui na onda dele, fui comprando computador, vendo algumas coisas desconhecidas. Eu me adaptei também às tecnologias”, contou. Mais do que um espaço de festas, o Bela Vista representa um território de permanência. No meio da pista é possível sentir que dançar ainda é uma forma de existir em comunidade e extrapolar as fronteiras da América Latina. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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Protestos da geração Z: o que une jovens em diferentes países do mundo

Publicado em: 26/10/2025 00:06

Manifestações lideradas por jovens da geração Z - nascidos da metade de 1990 até o início da década de 2010 - têm se espalhado pelo mundo. No Nepal e em Madagascar, a onda de protestos derrubou os governos. No Peru, presidente recém-empossado decretou 30 dias de emergência em meio à onda de violência. Os protestos também tomaram as ruas de países como Indonésia, Filipinas e Marrocos, por diferentes motivos. Mas quais motivações unem os jovens em todos esses países? Todos estes protestos têm presença maciça de jovens descontentes com as elites políticas e econômicas, em um cenário de “pessimismo palpável” que impulsiona mobilizações. É o que explicou Oliver Stuenkel em conversa com Natuza Nery no episódio do podcast O Assunto da quinta-feira (23). OUÇA NO PLAYER ACIMA. Os protestos da geração Z Professor de Relações Internacionais da FGV, Oliver falou como a geração Z tem a percepção de que as elites políticas estão “desconectadas” dos problemas reais do dia a dia da população. Além da conectividade digital, Oliver listou razões comuns que unem jovens em diferentes países do mundo: Percepção de desconexão das elites políticas em relação aos problemas do dia a dia da população; Desconfiança nas instituições; Insatisfação com serviços públicos ruins e incapacidade do Estado de responder às demandas da nova geração; Desigualdade econômica como principal fonte de mal-estar; Falta de perspectivas de futuro e sensação de que o esforço individual não garante ascensão social como no passado; Diferença geracional: os jovens não acreditam que terão as mesmas oportunidades das gerações anteriores; Incerteza econômica crescente, somada à instabilidade geopolítica; Impacto das novas tecnologias, que trazem mudanças rápidas e podem aumentar a sensação de insegurança sobre o futuro do trabalho. O simbolismo de One Piece Segundo Oliver, o pessimismo é algo palpável em todas as manifestações, mas a interconectividade digital também explica o uso de um símbolo específico que os une: a bandeira de um mangá originário no Japão chamado One Piece. "É sobre piratas que lutam contra uma oligarquia corrupta. [Esse símbolo] acaba surgindo em manifestações em países diferentes, não apenas no Sul Global, mas também, recentemente, nas manifestações nos Estados Unidos." "One Piece", publicado desde 1997 e transformado em anime em 1999, conta a história de piratas que lutam contra uma oligarquia corrupta. "Então, isso realmente tornou-se algo global que, apesar das muitas diferenças em cada país, conecta os jovens manifestantes." A história por trás do 'One Piece' No contexto da série, o protagonista é um candidato a rei dos piratas, em um mundo que é basicamente aquático. Essa bandeira é vista como um símbolo de insurreição contra um poder autoritário. "É um símbolo de resistência e de insatisfação, mas também, talvez, de um certo otimismo — de que é possível, por meio das manifestações, por meio da pressão, fazer uma diferença positiva", avalia Oliver. Um manifestante usa uma máscara enquanto olha perto de uma bandeira de 'One Piece' durante um protesto em Madagascar, em 3 de outubro de 2025 Siphiwe Sibeko/Reuters O exemplo do Chile Na entrevista, Oliver também alertou sobre possíveis impactos negativos das manifestações. Ele advertiu que é “difícil traduzir essa energia nas ruas em avanços institucionais”. E mais: a derrubada de um governo pode criar um vácuo político, que muitas vezes é preenchido pelas Forças Armadas, como ocorreu em Madagascar. O risco de repressão aumenta quando a estabilidade política não é alcançada. Stuenkel citou o Chile como um exemplo de país que conseguiu lidar bem com a instabilidade, promovendo a participação cívica e levando uma nova geração ao poder, embora as tentativas de reescrever a Constituição tenham fracassado. “Eu diria que o Chile talvez represente o melhor cenário, porque as grandes manifestações levaram uma nova geração ao poder, representada pelo atual presidente Gabriel Boric.” “Também há candidatos mais jovens agora à direita, promovendo debates muito organizados — um reflexo de muita maturidade política sobre que tipo de país o Chile gostaria de ser”, conclui Oliver. Ouça a íntegra do episódio aqui. O Assunto é o podcast diário produzido pelo g1, disponível em todas as plataformas de áudio e no YouTube. Desde a estreia, em agosto de 2019, o podcast O Assunto soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio. No YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações. Jovens tiram selfie com o palácio do governo do Nepal em chamas ao fundo, em 9 de setembro de 2025 AP Photo/Niranjan Shrestha

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Por que os trens não têm cinto de segurança?

Publicado em: 26/10/2025 00:01

Trem em estação de Berlim, na Alemanha Daniel Abadia/Unsplash Os trens de fato não são o meio de transporte mais comum no Brasil. Mas se você já viajou pela ferrovia Vitória-Minas, a Estrada de Ferro Carajás ou mesmo em um trem europeu, deve ter notado uma característica particular: não há cintos de segurança. Os carros têm, os ônibus e os aviões também, mas nos trens eles não são obrigatórios nem comuns. No Brasil, por exemplo, o cinto de segurança é obrigatório apenas nos assentos reservados para pessoa portadora de deficiência. A razão, segundo especialistas, não é a falta de preocupação com a segurança, mas sim uma combinação de fatores técnicos, práticos e econômicos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 Para começar, os acidentes ferroviários são extremamente raros. Dados da Comissão Europeia de 2019 indicam que o risco de morte para um passageiro de trem na União Europeia é de apenas 0,09 morte por bilhão de quilômetros percorridos, cerca de 28 vezes menor do que no transporte por automóvel. Diante dessa baixa taxa de acidentes, equipar todos os trens com cintos seria um gasto difícil de justificar, segundo o IFL Science. Mas a explicação vai além dos custos. Os trens são projetados de forma muito diferente dos carros: os passageiros podem viajar em pé, caminhar entre os vagões ou trocar de assento. Essa variedade de posições impossibilita garantir o uso do cinto no momento de um acidente. Neste cenário, os passageiros que circulam livremente podem se tornar projéteis humanos, colocando os demais em risco. Um relatório de segurança ferroviária explica que a maioria das lesões em acidentes de trem ocorre devido ao impacto dos passageiros contra os assentos. No entanto, nos trens, eles são projetados para absorver o choque e limitar o movimento corporal, reduzindo a gravidade das lesões. Nesse contexto, os cintos de segurança não trariam uma melhoria significativa e, em alguns casos, poderiam até piorar os resultados. LEIA MAIS: Tradução em tempo real pode revolucionar as viagens internacionais Como é viver nas cidades com tecnologia mais avançada do mundo Trem de passageiros no Japão Siborey Sean/Unsplash Pouco prático Pesquisadores também testaram a instalação de cintos de segurança de três pontos, semelhantes aos usados em automóveis. Os resultados foram mistos: os passageiros que os usavam sofriam menos lesões e os que não os utilizavam saíam mais prejudicados ao colidir com assentos mais rígidos. Entretanto, chegou-se a detectar um aumento de lesões cervicais em mulheres de baixa estatura e adolescentes. Além disso, o cinto de segurança de três pontos não pode ser facilmente adaptado aos assentos existentes dos trens, o que exigiria a substituição de toda a infraestrutura interna dos vagões. Veja também: Voo sem bagagem de mão? Entenda como funcionam as tarifas em viagens internacionais Voos mais baratos sem opção de bagagem de mão valem a pena? Assim, instalar cintos de segurança em trens também seria pouco prático. Segundo o jornal americano The New York Times, a opção mais simples e econômica — o cinto de dois pontos usado em aviões — não protegeria adequadamente os passageiros em trens, que se movem lateralmente, além de para frente e para trás. Em teoria, se todos os passageiros permanecessem sentados e com os cintos afivelados durante toda a viagem, os cintos poderiam melhorar a segurança. Mas isso quebraria a essência da experiência de viajar de trem, em que os passageiros valorizam a liberdade de se movimentar, levantar-se ou ir até o vagão-restaurante. "Isso tem sido considerado por muitos anos", explicou em 2017 Steven R. Ditmeyer, ex-diretor de pesquisa e desenvolvimento da Administração Federal Ferroviária dos Estados Unidos, ao site Global News. "Em nenhum lugar do mundo se usam cintos de segurança em trens. As pessoas gostam de viajar de trem justamente pela liberdade de se levantar e caminhar, e os funcionários não querem ter que obrigar os passageiros a usar cintos." Portanto, ao menos por enquanto, a resposta parece clara: os cintos de segurança não são necessários nos trens, não porque não sejam importantes, mas porque o design, a segurança estrutural e a baixa taxa de acidentes fazem com que viajar sem eles continue sendo uma das formas mais seguras de locomoção.

Palavras-chave: tecnologia

Santa Quitéria, no Norte do CE, tem nova eleição neste domingo após prefeito ser cassado por apoio de facção; veja candidatos

Publicado em: 26/10/2025 00:01

Santa Quitéria: cidade cearense que vai ter novas eleições após interferência de facção Os eleitores do município de Santa Quitéria, o maior do Ceará em território, vão às urnas neste domingo (26) em uma eleição suplementar para escolher o novo prefeito, um ano após as eleições municipais de 2024. Três candidatos concorrem ao cargo. (Veja abaixo) 🔍A cidade vai votar novamente porque o prefeito reeleito em 2024, José Braga Barroso (PSB), conhecido como Braguinha, e o seu vice-prefeito, Gardel Padeiro (PSB), foram cassados pela Justiça Eleitoral por abuso de poder político e econômico, acusados de ter recebido apoio da facção Comando Vermelho (CV), que ameaçou apoiadores da oposição, ofereceu drogas em troca de votos durante a campanha e intimidou eleitores. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Pouco mais de 33 mil eleitores estão aptos a votar na eleição, que será a única realizada em todo o Brasil neste domingo (26). Cerca de 600 mesários foram convocados para atuar nos 52 locais de votação do município. O pleito acontece sob um forte esquema de segurança: mais de 200 policiais militares e 40 policiais civis vão estar na cidade, além de equipes do Exército, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Três candidatos concorrem ao cargo de prefeito de Santa Quitéria: Cândida Figueiredo (União), ex-deputada estadual e esposa do ex-prefeito Tomás Figueiredo, adversário de Braguinha Joel Barrozo (PSB), atual prefeito interino, presidente da Câmara Municipal e filho de Braguinha Lígia Protásio (PT), ex-vice-prefeita de Braguinha no primeiro mandato e prefeita interina durante o afastamento do gestor em 2024 Cândida Figueiredo (União), Joel Barroso (PSB) e Lígia Protásio (PT) disputam prefeitura de Santa Quitéria (CE) Reprodução LEIA TAMBÉM: A cidade cearense que vai ter novas eleições após interferência de facção e cassação de prefeito TRE confirma cassação de prefeito e vice-prefeito de Santa Quitéria, acusados de envolvimento com facção Comando Vermelho interferiu em eleições e comprou votos em troca de drogas no interior do Ceará, aponta MP A campanha eleitoral suplementar, de 33 dias, transcorreu sem denúncias de ameaças por parte do Comando Vermelho. O tema, aliás, foi pouco abordado pelos três candidatos, conforme uma fonte da cidade relatou à reportagem. 📍Localizada na região do Sertão de Crateús, Santa Quitéria tem um território de mais de 4.200 km², 3,5 vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro. A cidade tem pouco mais de 41 mil habitantes, dos quais 33 mil são eleitores. Cassação do prefeito José Braga Barrozo (PSB), o Braguinha, foi reeleito em 2024 para seu segundo mandato como prefeito, mas foi preso no dia 1º de janeiro, horas antes de tomar posse. Ele era acusado, entre outras coisas, de ter sido favorecido pela facção criminosa Comando Vermelho (CV), que agiu para comprar votos a favor do político e intimidar eleitores, em especial apoiadores do ex-prefeito e então candidato Tomás Figueiredo (MDB). Prefeito Braguinha (à esquerda, de paletó azul) e vice Gardel na cerimônia de diplomação. Os dois foram cassados Reprodução A interferência do crime organizado nas eleições municipais de Santa Quitéria em 2024 envolveu o fornecimento de drogas para comprar votos, com um dos traficantes ordenando publicações nas redes sociais para “conseguir o apoio dos viciados". As ações a favor de Braguinha foram ordenados direto do Rio de Janeiro por Anastácio Paiva Pereira, conhecido como Doze, descrito como líder do Comando Vermelho no sertão central do Ceará. Ele é natural de Santa Quitéria. Sob ordens de Doze, membros do Comando Vermelho ameaçavam cabos eleitorais que trabalhavam na campanha de Tomás Figueiredo, que disputou a prefeitura de Santa Quitéria contra Braguinha. As ameaças eram enviadas por mensagens de WhatsApp e por pichações nos muros das casas dos apoiadores de Figueiredo. O Ministério Público Eleitoral (MPE) havia pedido a cassação de Braguinha e do seu vice ainda no fim de 2024 após investigação sobre a interferência do crime organizado nas eleições. De acordo com a acusação, a chapa praticou ou se beneficiou do abuso de poder político e econômico, comprometendo a legitimidade do pleito. A defesa de Braguinha nega todas as acusações. Em maio de 2025, a Justiça Eleitoral cassou o mandato de Braguinha, decisão esta confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) em julho, ocasião na qual as eleições suplementares foram marcadas para o dia 26 de outubro. Infográfico - disputa em Santa Quitéria Arte/g1 Entenda o que são eleições suplementares Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

Palavras-chave: câmara municipal

Belém inaugura Museu das Amazônias às vésperas da COP 30

Publicado em: 25/10/2025 22:08

Às vésperas da COP30, Belém inaugura o Museu das Amazônias Às vésperas de receber a Conferência do Clima da ONU (COP 30), Belém inaugurou o Museu das Amazônias. As boas-vindas vêm no "abraço" de uma serpente logo na entrada. No Museu das Amazônias, a biodiversidade não só encanta, ela ensina. Colorir aves no papel e vê-las alçar voo com ajuda da tecnologia é mais que brincadeira: é mergulho no conhecimento da floresta. O museu valoriza os saberes de comunidades tradicionais e urbanas para enfrentar os desafios climáticos. Nessa viagem imersiva, onde arte e ciência se encontram, o visitante recebe um alerta essencial: o futuro da humanidade depende da nossa conexão com a natureza. "Se nós queremos a floresta em pé, nós precisamos contar com os povos que cuidam dessa floresta, com outras maneiras de ver, de enxergar e, sobretudo, de interagir", disse a curadora Helena Lima. A mostra Ajuri reúne oito instalações de onze artistas. Interativa e cheia de mensagens a começar pelo nome: "ajurí" vem do tupi e quer dizer "eu vim ajudar". "Ajurí é um mutirão, é a reunião de pessoas, coisas e elementos por algo. Acho que o público sai também preenchido com a ideia de olhar para esse lugar de uma forma mais generosa e dando a devida importância para essa região", analisou a artista visual Roberta Carvalho. Alguns espaços lembram ocas, e até as cores do museu contam histórias. "As tintas desse museu foram produzidas com as tintas que os nossos ancestrais marajoaras usavam para fazer cerâmicas. Isso tudo em parceria com o Instituto Mãos Caruanas, um instituto superimportante do Marajó", contou o arquiteto Luis Guedes. O Museu das Amazônias é uma das obras da COP 30. Mostra os impactos das mudanças climáticas e, com a voz da atriz Dira Paes, convida o público a ouvir e respeitar a natureza. Nas lentes do fotógrafo Sebastião Salgado, a Amazônia surge em preto e branco. São duzentas imagens captadas ao longo de sete anos de expedições, que aproximam o público da exuberância da floresta. "Muito emocionante estar conhecendo um pouquinho também da minha história, porque eu tenho um pouco desse sangue correndo aqui em mim", disse John Furtado, de 13 anos. LEIA TAMBÉM: Como o homem que plantou uma floresta no bairro pode inspirar você? COP30 tem menos da metade dos países confirmados a menos de um mês do início da conferência Museu das Amazônias, em Belém Reprodução/TV Globo

Palavras-chave: tecnologia

Criança Esperança transforma vidas e realiza sonhos na Casa Azul, no Distrito Federal

Publicado em: 25/10/2025 21:52

Criança Esperança: conheça a Casa Azul, projeto que transforma vida de jovens no DF Nos últimos 40 anos, o Criança Esperança criou oportunidades para 5 milhões de crianças e jovens no Brasil. Um dos projetos beneficiados é a Casa Azul, que atende adolescentes em situação de vulnerabilidade. Em Samambaia, no Distrito Federal, a casa dos sonhos tem endereço. Cada passo, cada movimento, cada ideia que surge é chance de transformar uma vida. "Quando eu danço, eu sinto como se eu esquecesse um pouco dos meus problemas. Quando eu danço, eu não consigo mais lembrar de nada", contou Gildevânia Ribeiro do Vale, de 15 anos. O refúgio dela é a Casa Azul Felipe Augusto, que atende atualmente 950 crianças e adolescentes em três unidades. Os alunos são encaminhados pelo Centro de Assistência Social do Distrito Federal e, no contraturno da escola, se tornam dançarinos de hip-hop, leitores, especialistas em robótica, entre outras tantas atividades. "Quando eu crescer, eu quero ser educadora da Casa Azul e professora de balé. Eu acredito que eu também posso ser. Além de eu ser uma aluna, eu posso ser uma professora também", disse Marina Costa Alves, de 11 anos. Reciprocidade: na Casa Azul, quem recebe, aprende a também estender a mão e ajudar o próximo. O caminho que a Marina quer trilhar vai contar com a mão e o exemplo da Josy Pacello, professora de balé. "Meus primeiros passos foram aqui na instituição quando eu tinha 8 anos de idade. O motivo pelo qual eu me tornei educadora social foi acreditar que o projeto social pode transformar sonhos em realidade. Eu sou prova disso. Hoje, eu sou educadora há 14 anos", disse Josy. Esse sonho de transformação começou em 1989. Há seis anos, a instituição é apoiada pelo Criança Esperança. "O que a gente faz aqui é desenvolver habilidades e dar oportunidades para que eles possam galgar, procurar os seus caminhos. Quando eu transformo um menino, eu transformo o menino, a família dele e a comunidade onde ele está inserido", afirmou Daise Lourenço Moisés, fundadora e presidente da Casa Azul Felipe Augusto. Há 36 anos, a Casa Azul atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar. Além de alimentar sonhos, o projeto também garante a refeição de todos os dias. Para alguns alunos, essa é a única refeição completa do dia. "Ainda brinco com eles. Sonhou, realizou? Sonha outro. Porque não pode parar de sonhar. Porque o que nos impulsiona para a gente crescer são os nossos sonhos", contou Daise. LEIA TAMBÉM: Criança Esperança, que já beneficiou cerca de 5 milhões de brasileiros, completa 40 anos Começa processo seletivo de projetos sociais que queiram receber o apoio do Criança Esperança em 2026 Casa Azul atende crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar Reprodução/TV Globo

Palavras-chave: vulnerabilidade

Lula é recebido na Malásia e mostra otimismo sobre encontro com Trump

Publicado em: 25/10/2025 20:39

Luiz Inácio Lula da Silva Reprodução/TV Globo Está previsto para domingo (26) um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Os dois líderes estão na Malásia para uma cúpula dos países do sudeste da Ásia. Logo que decolou para a Malásia, Trump foi perguntado se vai se encontrar com Lula. "Eu acredito que sim", respondeu. Questionado se pode reduzir as tarifas ao Brasil, ele disse: "Sim, sob as circunstâncias certas, claro". Lula comentou e mostrou otimismo ao ser questionado se teve alguma indicação na conversa. "Tudo depende da conversa, tudo depende da conversa. Eu trabalho com otimismo de que a gente vai encontrar uma solução", afirmou. Lula também foi questionado sobre a possibilidade de ceder a alguma exigência de Trump. "Não tem exigência dele e não tem exigência minha. Ainda vou colocar na mesa os problemas e vamos tentar encontrar [uma solução], sabe? Então, pode ficar certo de que vai ter uma solução". Pela manhã, Lula foi recebido com tapete vermelho e honrarias no Palácio do Governo da Malásia. Foi a terceira vez que ele se encontrou com o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, em menos de um ano. O líder malaio esteve no Brasil nas cúpulas do G20 e dos Brics. Neste sábado (25), eles firmaram compromissos em áreas estratégicas – ciência, tecnologia e inovação. É a primeira vez em 30 anos que um presidente brasileiro vai à Malásia. Lula quer aumentar rotas comerciais e aumentar o investimento. É uma alternativa contra o protecionismo comercial de Trump. Na saída, Anwar Ibrahim disse que o encontro foi ótimo. E que Lula é um ótimo amigo. No fim do dia, o presidente brasileiro recebeu uma homenagem na Universidade Nacional da Malásia pela defesa da justiça social e da cooperação entre os países do Sul Global. Na volta ao hotel, Lula, que faz aniversário na segunda-feira (27), voltou a falar sobre o possível encontro com Trump e brincou: "Eu acho que ele pode comer um pedacinho do bolo". LEIA TAMBÉM: Como viagem de Lula à Ásia para rebater efeito Trump pode acabar selando paz entre os dois O que é a ASEAN e por que Lula e Trump devem se encontrar na Malásia

Palavras-chave: tecnologia

Ministro da Saúde anuncia R$ 30 milhões para novas obras e serviços de saúde em Santarém e região

Publicado em: 25/10/2025 20:11

Confira o momento da assinatura do Ministro da Saúde. O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, esteve em Santarém, no oeste do Pará, neste sábado (25), e anunciou o investimentos de mais de R$ 30 milhões para região. Na reunião que contou com o prefeito Zé Maria Tapajós, foi anunciado a construção de novas policlínicas e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) na região. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp Durante o encontro, o prefeito Zé Maria destacou a importância das novas estruturas para o fortalecimento da rede de atendimento. “É uma satisfação, mais uma vez, recebermos um sábado ativo, recebendo o ministro da Saúde aqui, de uma pasta e de uma pauta que todos nós nos procuramos no dia a dia, enquanto governo e a população, pela necessidade de acesso ao serviço. Mas a coisa felizmente está engrenando, como neste sábado que a gente vem do Arapiuns agora, onde a gente inaugura o serviço que é pioneiro na zona rural, começando pelo Arapiuns, que é a UBS na Floresta, com tecnologia avançada, onde de lá vai poder acessar o médico especialista para consultar a população daquela região. Nós vamos aqui assinar o nosso contrato da construção da Policlínica aqui em Santarém.” O ministro Alexandre Padilha ressaltou que o projeto representa um avanço significativo na descentralização e modernização do atendimento em saúde. “É com muita alegria que inauguramos esse projeto, que é uma referência para toda a região amazônica. Vamos levar isso para a COP 30 — será mais um legado do governo federal. Estamos assinando contratos de obras importantes, como a policlínica, um novo centro especializado do programa ‘Agora Tem Especialista’, que busca reduzir o tempo de cirurgias e exames. As pessoas estão esperando bastante tempo na fila do SUS e vão ter uma policlínica, um centro especializado em tomografia, ultrassom e mais de 10 especialidades médicas.” Ministro da Saúde, Alexandre Padilha e Prefeito Zé Maria momentos antes da assinatura Luiz Henrique Nunes/g1 Segundo Padilha, o investimento total é de R$ 30 milhões do Governo Federal, destinados às policlínicas de Santarém e Monte Alegre, incluindo construção, equipamentos e custeio. “Nós vamos fazer também uma visita à obra do CAPS, que é muito importante no tema da saúde mental. É uma obra feita em parceria com a Prefeitura, e a expectativa é que possamos colocá-la para funcionar o mais rápido possível”, afirmou o ministro. Durante a cerimônia, Zé Maria reforçou o impacto positivo das ações para o município. “Nós ficamos extremamente agradecidos por esses investimentos. Saúde não é custo, saúde é investimento. Vindo agora do Arapiuns, nós vamos ter a região de rios com a UBS da floresta, e agora, com a Policlínica, sem dúvida nenhuma, será benéfico para Santarém. Quem ganha com isso é a população. Esse é o nosso objetivo, oferecer cada vez melhor, porque saúde é a nossa prioridade.” Após a assinatura dos contratos, Padilha explicou os principais pontos firmados. “Assinamos a nova policlínica, juntando a de Santarém com a de Monte Alegre, o que representa R$ 30 milhões em investimentos. Também assinamos o termo de qualificação do Centro Especializado de Reabilitação (CER IV), que passa a receber R$ 9 milhões de custeio para contratação de profissionais e manutenção do atendimento. É um passo importante, principalmente no cuidado às pessoas com deficiência e transtorno do espectro autista.” O ministro também anunciou a assinatura para construção de mais uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do PAC e destacou a parceria com o hospital Unimed de Santarém. “Estamos felizes com a inauguração do hospital, e mais ainda porque a Unimed já se inscreveu no sistema do Ministério da Saúde para participar do ‘Agora Tem Especialista’. Isso permitirá oferecer cirurgias, exames e consultas especializadas pelo SUS, reduzindo o tempo de espera nos postos de saúde.” VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região

Palavras-chave: tecnologia

Contaminação em hospital no ES: secretaria de saúde investiga 10 novos casos suspeitos

Publicado em: 25/10/2025 19:20

Funcionários seguem internados após contaminação no Hospital Santa Rita A Secretaria Estadual de Saúde do Espírito Santo (Sesa) investiga mais 10 novos casos suspeitos de contaminação biológica no Hospital Santa Rita, em Vitória. Os casos são de pacientes e acompanhantes, e duas pessoas estão internadas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e oito em enfermarias. A informação foi confirmada com exclusividade pela TV Gazeta em entrevista com o secretário da Sesa, Tyago Hoffmann, na tarde deste sábado (25). "Cerca de 10 pessoas apresentaram sintomas semelhantes ao dos funcionários que foram infectados e esses pacientes e acompanhantes agora estão sendo acompanhados pela Secretaria de Estado da Saúde. Esse número pode ser ainda maior e isso já começa a criar uma certa preocupação ou acender um alerta ainda maior para a secretaria", destacou o secretário. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Segundo o Hospital Santa Rita, 26 casos de contaminação de funcionários, do mesmo hospital, foram confirmados até a tarde de sábado. Dessas 19 precisaram ser internadas e oito seguem hospitalizadas, sendo três em UTI. As autoridades de saúde ainda apuram a origem da infecção, que pode ser causada por bactéria ou fungo, e busca as causas prováveis, como falhas em sistemas de água ou ar-condicionado. Internados O secretário detalhou como os novos casos estão sendo monitorados e quais exames são feitos. "Nós estamos monitorando, estão em leitos de isolamento em diversos hospitais espalhados por todo o estado e nós estamos acompanhando, primeiro coletando amostras de sangue, de urina, de exames pulmonares, para que a gente possa identificar para saber se trata do mesmo caso e também fazendo uma investigação social, para saber se esses pacientes e acompanhantes estavam na mesma ala, que foi a ala, digamos, onde aconteceu essa infecção, se esses pacientes e acompanhantes estiveram no mesmo período onde aconteceram as infecções relatadas pelos funcionários", pontuou. Hospital Santa Rita, em Vitória, Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta MAIS SOBRE O CASO: Unidades de saúde reforçam medidas de proteção 'Muita falta de ar', diz vítima de contaminação Contaminação pode ter começado em sistema de água ou ar-condicionado, diz secretário Técnica de enfermagem entubada não responde ao tratamento: ‘pulmão não reage’, diz marido Segundo a administração do hospital, 26 funcionários foram infectados e até a tarde de sábado, oito pessoas permanecem internadas. Casos confirmados com pacientes em UTI: 3 Casos confirmados com paciente na enfermaria: 5 Pacientes que foram internados: 14 Total casos confirmados: 26 Casos em investigação com pacientes em UTI: 2 Casos em investigação na enfermaria: 8 Total casos em investigação: 10 Dentre os pacientes internados, o caso mais grave é o de uma técnica de enfermagem de 49 anos que está entubada. O marido da profissional conversou com o g1 e disse que os primeiros sintomas surgiram em 15 de outubro. “Ela começou com tosse, febre e dores no corpo. A imunidade dela é muito baixa, então tudo evoluiu muito rápido. Foi da enfermaria para a UTI, e logo depois precisou ser entubada. No momento ela não reage aos medicamentos. O pulmãozinho dela está muito comprometido. A única posição em que ela consegue reagir minimamente é quando está de bruços”, disse o marido. Hoffmann destacou que a Vigilância Sanitária monitora a situação e nenhum relato de novos casos desde o dia 22 de outubro. Os principais sintomas sentidos pelos pacientes são: dor de cabeça, dor no corpo, febre muito alta, dificuldade para respirar e saturação e frequência cardíaca alteradas. Hospital Santa Rita, Vitória, Espírito Santo Reprodução/TV Gazeta Enquanto isso, equipes do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado do Espírito Santo (Lacen/ES) realizam testes com quase 300 patógenos para identificar o que causou a contaminação A expectativa é de que os resultados saiam até o fim da próxima semana. "As nossas equipes estão reunidas com as equipes do hospital, porque diversas medidas, do ponto de vista de vigilância sanitária estão sendo tomadas para que a gente possa garantir a segurança dos profissionais, dos pacientes e dos acompanhantes, tendo em vista que esse é um hospital de referência no Estado do Espírito Santo para tratamento oncológico. Então, nós temos lá muitos pacientes debilitados do ponto de vista do seu sistema imunológico. Estamos usando toda a tecnologia no nosso laboratório para identificar a causa dessa infecção O secretário também afirmou que descoberta a causa da infecção, será aberta uma investigação por auditorias da secretaria para identificar a responsabilização do caso. "Nós vamos apurar se houve sim alguma falha do hospital, se houve alguma demora que dificultou a identificação ou que gerou, por exemplo, uma piora do quadro clínico desses pacientes", disse. Medidas tomadas após a contaminação O hospital afirmou que segue com as atividades normais e nenhuma cirurgia foi cancelada. Alguns profissionais decidiram adiar procedimentos cirúrgicos eletivos por conta própria. Além disso, unidades de saúde da Grande Vitória reforçaram medidas de segurança com a confirmação da contaminação. A Unimed Vitória e o Vitória Apart relataram que entre as principais ações implementadas estão obrigatoriedade do uso de máscaras em todas as áreas assistenciais e monitoramento de profissionais que estiveram no hospital. Entenda Bebedouros do Hospital Santa Rita, no ES, foram lacrados após contaminação de funcionários. Reprodução/TV Gazeta O caso se tornou público na sexta-feira (24), mas as internações dos profissionais de saúde afetados começaram mais de uma semana antes da divulgação. Ainda não há confirmação oficial sobre a origem da contaminação. As principais suspeitas recaem sobre o sistema de água ou o ar condicionado da unidade hospitalar, além da possibilidade de contaminação por contato com superfície. Amostras de água, ar, roupas de cama e insumos hospitalares foram coletadas para análise laboratorial. "Provavelmente é alguma causa ambiental, porque contaminou esses profissionais de saúde e não contaminou outros. Aí pode ser água, pode ser alguma superfície onde esses profissionais se alimentam, pode ser algum ar-condicionado de alguma sala que esses profissionais descansam, por exemplo", disse o secretário de Saúde. VÍDEOS: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Palavras-chave: tecnologia

Conheça o novo modelo de micro-ônibus que deve substituir os 'Amarelinhos' em Manaus

Publicado em: 25/10/2025 19:19

Novo modelo de transporte público complementar é lançado em Manaus A Prefeitura de Manaus apresentou nesta semana o modelo de micro-ônibus que deve substituir os “Amarelinhos”, veículos do transporte alternativo que circulam principalmente nas zonas Norte e Leste da capital. O novo veículo foi mostrado durante um evento no estacionamento do parque Amazonino Mendes, no bairro Novo Aleixo. O modelo, chamado Attack 8 Urbano, chega na cor azul, com capacidade para 24 passageiros sentados e espaço para até 10 em pé. O micro-ônibus tem ar-condicionado, elevador de acessibilidade e motor Euro 6, tecnologia que promete reduzir o consumo de combustível e as emissões de poluentes. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp De acordo com o prefeito David Almeida, a troca dos veículos representa uma mudança importante na frota e na forma como o transporte complementar opera em Manaus. “Esses ônibus poluem 75% menos que a tecnologia ultrapassada utilizada anteriormente. Com isso, deixamos de emitir dezenas de milhares de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera e passamos a contribuir diretamente para o meio ambiente”, disse o prefeito. As rotas do sistema complementar serão definidas pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), que promete priorizar eficiência, segurança e redução do tempo de espera. A proposta é integrar o transporte alternativo ao sistema principal da cidade. O presidente do IMMU, Arnaldo Flores, afirmou que a chegada do novo modelo é resultado da licitação concluída este ano. “Este protótipo é o início da renovação da frota e da melhoria do sistema, especialmente para a zona Norte e a zona Leste”, disse. Para o presidente da Cooptran, cooperativa que reúne permissionários do transporte alternativo, a mudança encerra uma espera de mais de uma década. "Foram 15 anos de frota envelhecida, renovando contratos", afirmou Venício José de Araújo. Micro-ônibus azul comporta 34 passageiros e reduz emissão de poluentes com motor Euro 6. Secom

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Jovens estão entre os principais consumidores de remédios para saúde mental em Sorocaba, aponta pesquisa

Publicado em: 25/10/2025 19:07

Pesquisa em Sorocaba aponta aumento de casos de depressão entre jovens Jovens entre 13 e 28 anos estão entre os principais consumidores de remédios desenvolvidos para tratar depressão, ansiedade e outras questões psicológicas e psiquiátricas, de acordo com uma pesquisa de 2024 divulgada por uma empresa de planos de bem-estar, em Sorocaba (SP). Conforme reportagem exibida pela TV TEM, os jovens da geração Z, nascidos entre 1997 e 2012, apresentaram aumento de 6,6% no consumo e, considerando o número de usuários, a alta chegou a quase 8%. Já os millennials, nascidos entre 1982 e 1996, registraram crescimento de 6,8% e 5,6%, respectivamente. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp Geração millennial é o principal consumidor de remédios para tratamentos de transtornos mentais, aponta pesquisa TV TEM/Reprodução “Há estudos que mostram que a depressão tem quase 20% de incidência ao longo da vida. Também há pesquisas brasileiras que apontam que cerca de 30% da população apresenta algum grau de transtorno de ansiedade", explica o psiquiatra Thiago Fontana. "Mas existem outros problemas, como o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e a bipolaridade. Muitas pessoas que não eram diagnosticadas agora são”, continua. Ainda segundo a reportagem, os millennials lideram o ranking de uso de medicamentos para a saúde mental. É também neste grupo que cresceu a procura por consultas psiquiátricas, uma alta de 34% no Sistema Único de Saúde (SUS). “Eu comecei a buscar ajuda por causa de sentimentos de desconforto, pensamentos acelerados, picos de euforia e de rebaixamento depressivo. A falta de controle das emoções, essa ausência de constância emocional, me fez procurar ajuda para tentar equilibrar a vida amorosa, as relações de amizade e familiares. Depois, veio o uso do medicamento. Ele funciona como um estabilizador", conta Guilherme Tabet, estudante de medicina. Thiago Fontana, psiquiatra de Sorocaba (SP), fala sobre transtornos mentais em jovens TV TEM/Reprodução Tecnologia Para o professor e pesquisador Jorge Henna Neto, o uso da internet e das telas é um dos principais fatores da piora na saúde mental. Segundo ele, as redes sociais e os conteúdos digitais são ansiogênicos, ou seja, pioram a ansiedade. “Nessa necessidade constante de inclusão que a internet traz, há um bombardeio para a cabeça. Ninguém consegue se manter bem diante dessa explosão de estímulos, e o impacto no cérebro não é favorável”, pontua. Segundo o especialista, os ambulatórios e consultórios infantis estão lotados, e não há profissionais suficientes para atender nem 10% da demanda. “Eu sempre oriento amigos, pacientes e familiares a procurarem caminhos mais naturais, porque o excesso de telas e de eletrônicos está adoecendo as pessoas”, diz. Uso excessivo de Internet e telas podem piorar quadros de depressão e ansiedade, aponta especialistas TV TEM/Reprodução O psiquiatra reforça que a geração Z é a mais exposta ao uso das telas e das redes sociais, fator que não existia em gerações anteriores, e isso pode explicar o crescimento dos transtornos mentais. “A busca por tratamento é essencial para qualquer sintoma relacionado aos transtornos. Se você está se sentindo mal, percebe que seu comportamento está diferente, de repente é um motivo para procurar um psiquiatra, um psicólogo, um terapeuta que vai te acolher e te dar um direcionamento", orienta. “Costumo dizer que não é porque você vai a uma consulta com um psiquiatra que vai sair com uma prescrição de medicação, principalmente no caso dos jovens. A gente tenta muito mais uma linha terapêutica, de orientação, de entendimento e esclarecimento do que está acontecendo com o jovem”, finaliza. Pesquisador Jorge Henna Neto aponta que o uso excessivo de telas e Internet pioram os transtornos mentais TV TEM/Reprodução Guilherme Tabet, estudante de medicina, passa por tratamento para transtornos mentais TV TEM/Reprodução Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí

Palavras-chave: tecnologia

Barões da Pisadinha, Diego & Victor Hugo e Panda: Mairinque celebra aniversário da cidade com shows gratuitos

Publicado em: 25/10/2025 17:27

(À esq.) Felipe Barão e (à dir.) Rodrigo Barão, dupla dos Barões da Pisadinha Divulgação O Festeja Mairinque 2025 celebra os 135 anos da cidade com um festival gratuito que reúne grandes nomes da música brasileira, como Os Barões da Pisadinha, Diego & Victor Hugo e Panda. O evento será realizado neste sábado (25), domingo (26) e segunda (27). 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp A festa será sediada na Avenida Mitsuke, em frente à Escola Paulo Freire, a partir das 19h30. Confira abaixo a programação: Sábado: Os Barões da Pisadinha; Domingo: Diego & Victor Hugo; Segunda-feira: Panda. O público também poderá contribuir com a doação de 1 quilo de alimento não perecível, que será destinado ao Fundo Social Acolher com Amor, reforçando o caráter solidário do evento. Para quem deseja curtir a festa com mais exclusividade, estão disponíveis no site ingressos para as áreas Front Stage, Camarote Viva Mayrink e Camarote do Patrão, que oferece open bar, open de chopp e vista privilegiada dos shows. O festival é uma realização de empresa privada, com apoio da Prefeitura de Mairinque e da Câmara Municipal. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Dupla Diego e Victor Hugo Divulgação Cantor Panda Divulgação Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí

Palavras-chave: câmara municipal

Inteligência Artificial ajuda alunos do Amazonas a se preparar para Enem e vestibulares

Publicado em: 25/10/2025 17:00

Alunos do Amazonas relatam apoio da IA na preparação para Enem, PSC, SIS e Vestibular Divulgação Fim de ano se aproxima e, com ele, a preparação para as provas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), e do Processo Seletivo Contínuo (PSC) da Universidade Federal do Amazonas (PSC/Ufam) entram na reta final. Para isso, alguns alunos encontram diversos artifícios para intensificar e auxiliar na rotina de estudos. Dentre elas, o uso da Inteligência Artificial. É o que explica o estudante do 2º do Ensino Médio da Escola Estadual Josué Cláudio de Souza, Gustavo Henrique da Silva Nunes de Almeida, que se prepara para prestar os concursos do Sistema de Ingresso Seriado, da UEA, e para o PSC/Ufam. "Eu faço cursinho aos sábados e estudo cerca de 1h todo dia em casa. O meu objetivo é ingressar no curso de Engenharia Química", disse. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Gustavo relata que utiliza a IA para tirar pequenas dúvidas e criar questões em cima de determinado assunto. Além disso, conta que alguns professores recomendaram aos alunos o uso da IA. "Por exemplo, eu pedia para que a IA criasse questões de múltiplas escolhas e, a nível vestibular, resolvia as questões e depois pedia o gabarito. As que eu errava, pedia explicação. Os professores recomendaram que a gente, os alunos, pedissem a IA temas de redação que podem cair nessas provas, apenas", explicou o estudante. Já finalista do Ensino Médio, Renata Lima Pereira, e estudante do Colégio Militar da Polícia Militar 1, explica que a meta é ser Enfermeira, mas que também irá tentar os cursos de Biomedicina e Psicologia. Renata irá prestar o Enem, SIS e Vestibular. Para isso, está num ritmo de estudo bastante intenso e relata dificuldades ao estudar algumas disciplinas e como a IA foi inserida no processo de preparação para os vestibulares e explica que várias pessoas deram dicas de como usar a IA. "As disciplinas que eu tenho mais dificuldade são as que envolvem cálculos, ou seja, matemática, parte de química. E é aí que eu utilizo a IA que é justamente para ver se eu consigo aprender mais as questões matemáticas. Ah, algumas pessoas disseram: ah, estude pela IA que vai ser bem melhor, você vai compreender, só pesquisar pela IA. Tipo, esses tipos de orientações. Bom, a IA foi um bom auxílio na preparação para os estudos porque graças a IA me ajudou nas questões teóricas também". O doutor em Saúde Pública e pesquisador de estratégias em Inteligência Artificial, Eduardo Honorato, destaca que é preciso desmistificar a ideia do que é IA. “A Inteligência Artificial é uma super máquina que tem capacidades cognitivas superiores às nossas e que consegue auxiliar no processo de ensino e aprendizagem. E é claro, que ela pode prejudicar se ela não for utilizada corretamente". Reduzir a ansiedade Honorato explica que IA não é para criar, mas uma ferramenta que ajuda a pensar, a organizar as ideias. Além disso, Honorato aconselha que, neste período de reta final, é preciso uma rotina de protocolos de pré-redução de ansiedade. "Tudo o que a pessoa puder usar de artefatos para que a saúde mental esteja tranquila, para que ela deixe a parte cognitiva, a Inteligência Artificial mantém para que ela possa agir nesse processo. Eu já passei por esse período, na minha época não era como é agora, era vestibular, mas o que a gente sempre orienta, nesses períodos que antecedem as provas, muita tranquilidade, dormir bem, praticar atividade física, porque agora é a hora de você ficar tranquilo emocionalmente, para que você deixe a parte cognitiva, que foi treinada muito bem ao longo do ano, para que ela atue". Mas e a IA nessa reta final? O pesquisador pondera que muitas pessoas gostam de revisar ou fazer alguma atividade em cima da hora, os chamados 'testes de revisão' para saber como está. Para essas pessoas, a Inteligência Artificial pode funcionar como um ‘super cérebro’. "Você tem ferramentas muito potentes. Por exemplo, o notebook LM, que é uma ferramenta da Google, em que ele pode colocar lá uns PDF's, uns assuntos específicos, pedir para gerar um Podcast e o estudante pode fazer uma atividade física estudando aquela questão, aquela área que ele quer desenvolver melhor. Você também pode mandar alguns tipos de documentos, de apostilas, e pedir para que a IA gere flashcards para memorizar, ou pode fazer testes para testar. Mas claro, isso depende do tipo de aluno". Já para os estudantes que entende de engenharia de prompt, a IA pode pegar a prova no final do dia e tentar verificar matematicamente quais foram as questões que errou mais, quais eram os subtemas, ou o que tem que se preparar melhor para uma possível próxima prova. Honorato enfatiza que é preciso de letramento de Inteligência Artificial "Então, dá para você utilizar várias ferramentas, mas antes disso tudo, que eu sempre falo, é preciso ter letramento de inteligência artificial. Então, se a pessoa não teve um letramento ainda de inteligência artificial e não sabe utilizar de forma correta, segura e entendendo a função dela, aí vai atrapalhar realmente. Agora, para ir em estudo, tem muitas ferramentas legais. Mas agora não é o momento de aprender. Agora é o momento talvez de revisar de olhar, de se acalmar. Já Renata dá dicas para quem está na reta final de preparação. "Bom, a dica que eu dou para os estudantes nessa reta final é: tenha calma. Revisar tudo que você conseguiu estudar, aprender e tentar colocar em prática Seja qualquer outro tipo de prova, qualquer outro tipo de vestibular. Aí, assim vai conseguir fazer uma boa prova". O que evitar no uso da IA? O pesquisador alerta que, nesta reta final de preparação para as provas ao utilizar IA é: 'saber controlar os vieses e as alucinações'. "Se ele não souber controlar viés e alucinação, ele não pode estar utilizando inteligência artificial. E aí vai atrapalhar demais o ensino dele, porque ele pode estar estudando com material totalmente enviesado e alucinatório completamente equivocado, que é o que a gente precisa saber quando a gente utiliza essas máquinas". Eduardo relata que é preciso ter o letramento e a capacitação é realizada de forma gratuita em diversos canais. "Você pode fazer através de canais séries do YouTube. Existem cursos gratuitos na plataforma da Google, existem cursos gratuitos na plataforma da OpenAI, que chama-se Open Academy. O que a gente precisa é aprender a utilizar essa ferramenta porque está todo mundo utilizando achando que sabe. Então, existe uma facilidade de conseguir letramento online gratuito. Eu inclusive acabei de montar o primeiro curso de formação de IA para o administrativo. Porque é isso, a gente tem que treinar essas pessoas. As pessoas precisam aprender, precisam de certificação. Precisam disso também para o mercado de trabalho e as pessoas precisam entender a complexidade que é isso, o perigo, o custo ambiental que tem, qual é a potência porque é uma máquina muito potente, mas não é para ser utilizada como a gente está usando", finaliza. IA revoluciona serviços de cartório no AM com digitalização de documentos

Palavras-chave: inteligência artificial