Publicado em: 12/09/2025 16:16
Luana Piovani e Sari Corte Real
Reprodução/Instagram/TV Globo
Foi marcada a primeira audiência de instrução do processo movido por Sari Corte Real, ex-patroa da mãe do menino Miguel, que morreu ao cair do 9º andar de um prédio de luxo no Recife em junho de 2020, contra a atriz Luana Piovani. A sessão está programada para o dia 2 de outubro e será realizada de forma virtual.
Ré na Justiça por deixar a criança sozinha no elevador e depois apertar o botão para a cobertura, Sari processou Luana Piovani por danos morais em novembro de 2024, depois que a influenciadora publicou vídeos comentando sobre o caso no Instagram. Na ação, ela alegou que as declarações da artista "violaram sua honra" e pediu uma indenização de R$ 50 mil.
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O processo é analisado pela juíza Ana Claudia Brandão de Barros Correia e corre na Seção A da 29ª Vara Cível da Capital, que fica no Fórum Rodolfo Aureliano, no bairro da Ilha Joana Bezerra, na área central da cidade.
Procurado, o advogado de Sari Corte Real disse que a defesa espera que, no processo, a atriz "confesse os abusos cometidos, sobretudo diante de provas tão evidentes". O g1 entrou em contato com Luana Piovani, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta.
A ação tramita no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) desde 22 de novembro do ano passado. Na petição, a defesa de Sari Corte Real anexou três vídeos postados pela atriz nos stories do Instagram, no dia 18 de setembro de 2024. Em um deles, a atriz cobra do governo de Pernambuco ajuda para agilizar o processo penal contra Sari e chama o marido dela de "corrupto".
Em outro vídeo, a influenciadora compartilhou uma publicação da mãe de Miguel e pediu "cadeia para os criminosos Sari e Sérgio", marcando os perfis do presidente Lula (PT) e da primeira-dama, Janja da Silva.
No terceiro story, a atriz compartilhou outro vídeo de um influenciador que comenta sobre a suspensão da indenização à família de Miguel e escreveu na legenda: "Po***, façam alguma coisa!", marcando, novamente, os perfis de Lula e Janja e as páginas do governo de Pernambuco e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
O advogado Danilo Heber de Oliveira Gomes, que representa Sari no processo, disse ao g1 na época que moveu a ação para conter o que chamou de "exageros" e de "campanha contra Sari" encampada pela influenciadora, com "declarações ácidas", nas redes sociais.
Após as informações sobre o processo virem a público, a influenciadora disse, em sequência de stories no Instagram, que a ação movida por Sari representava uma "inversão de valores muito maluca" e fez críticas à demora na tramitação dos processos judiciais contra a ex-patroa da mãe de Miguel (veja vídeo abaixo).
'Inversão de valores', diz Luana Piovani sobre ação movida por Sari Corte Real
Relembre o caso
Laudo pericial sobre a morte do menino Miguel desmente versão de Sari Corte Real
Em 2 de junho de 2020, Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, caiu do 9º andar do Condomínio Pier Maurício de Nassau, no bairro de São José, no Centro da cidade;
Mirtes, mãe dele, tinha descido ao térreo para passear com a cadela dos patrões, enquanto a então patroa, Sari Corte Real, responsável por cuidar do menino naquele momento, pintava as unhas com uma manicure;
O garoto ficou no apartamento de Sari, localizado no 5º andar e, num determinado momento, correu até o elevador;
Imagens de uma câmera de segurança mostram Sari Corte Real apertando um botão do elevador e deixando a porta fechar com o menino dentro (veja vídeo acima);
Um laudo pericial concluiu que o botão que Sari apertou levava o elevador para a cobertura do edifício;
O vídeo mostra, ainda, o equipamento parando no 9º andar e o garoto saindo da cabine;
Perdido, Miguel caminhou até um vão onde fica o maquinário dos aparelhos de ar-condicionado e caiu no térreo, morrendo enquanto era socorrido;
Sari foi presa em flagrante na época e autuada por homicídio culposo, mas pagou fiança de R$ 20 mil e foi liberada;
Em 2021, Mirtes Renata começou a cursar direito, para entender melhor os trâmites processuais do caso do filho;
Com a repercussão do caso, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) criou o Instituto Menino Miguel, voltado para discussões sobre infância, família e envelhecimento;
Em 2022, em visita ao instituto, a mãe do garoto homenageou a cantora e compositora Adriana Calcanhotto, que em 2020 compôs a canção "2 de Junho" sobre a morte de Miguel;
Em maio de 2022, Sari foi condenada a oito anos de prisão e seis meses de prisão por abandono de incapaz com resultado morte, porém, em novembro do ano seguinte, a pena foi reduzida a sete anos;
Além do processo criminal, o casal Sari e Sérgio Hacker responde a uma ação trabalhista por convocar as ex-funcionárias Mirtes Renata Santana e Maria Marta, mãe e avó de Miguel, para trabalhar durante a pandemia e por pagar os salários delas com dinheiro da prefeitura de Tamandaré;
O processo, que condenou o casal a pagar uma indenização de R$ 1 milhão à família do menino, foi suspenso pelo STJ em setembro de 2024;
A família do menino também entrou com uma ação cível contra Sari por danos morais, pedindo uma indenização de R$ 1 milhão;
Em maio de 2023, um abaixo-assinado com quase 2,8 milhões de assinaturas pediu celeridade no julgamento sobre o caso;
No mês seguinte, Sari Corte Real se matriculou no curso de medicina numa faculdade particular;
A defesa de Sari recorreu em todos os processos movidos contra ela, que segue em liberdade quase cinco anos após a morte de Miguel.
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