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Carro voador da Embraer: veja 10 perguntas e respostas sobre o teste de voo e o que falta para o veículo começar a operar

Publicado em: 20/12/2025 12:37

Embraer faz primeiro teste com carro voador brasileiro Nesta sexta-feira (19), a Eve Air Mobility, empresa subsidiária da Embraer, fez o primeiro voo teste do protótipo do carro voador desenvolvido pela empresa. O voo inaugural foi realizado na maior pista de aviação do hemisfério sul, que fica na planta da fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O voo foi tido como histórico para a empresa, ganhou repercussão na imprensa internacional e valorizou as ações da Embraer no mercado. O modelo aguarda certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar. O g1 preparou um guia com dez perguntas e respostas sobre o voo teste, como é o modelo e o que falta para que o carro voador da Embraer comece a operar no Brasil e no exterior. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Nesta reportagem, você vai conferir as respostas para as seguintes perguntas: Esse será o único teste de voo? Quando o carro voador vai começar a ser vendido? Os testes apontaram diferenças entre os modelos no computador e em um voo real? Por que não tinha um piloto dentro do eVTOL que fez o teste de voo? O carro voador da Eve vai ser exatamente igual ao protótipo que voou? Onde os carros voadores serão produzidos? Qual a capacidade de transporte do carro voador? Quanto vai custar uma viagem? Por que é chamado de carro voador? Onde os voos serão operados? LEIA TAMBÉM: Protótipo do carro voador da Embraer faz 1º voo no interior de SP Primeiro voo de protótipo nacional de carro voador é considerado “suave e estável” Imprensa internacional repercute 1º voo do carro voador da Embraer Carro voador da Embraer: Esse será o único teste de voo? 1 - Esse será o único teste de voo? Não. De acordo com a Eve, serão feitos centenas de testes de voo nos próximos 12 meses, enquanto a empresa tenta obter a certificação do modelo com a Anac, para então começar a produção em série. “Esse único protótipo de engenharia vai voar nos próximos 12 meses, vamos ter centenas de voos. Ano que vem vamos ter também o primeiro protótipo de certificação. Num total de seis veículos protótipos, aí tripulados com piloto, e junto com a Anac, vamos ter esse processo de certificação”, disse Johann Bordais, CEO da Eve. Voltar ao início. Carro voador da Embraer: Quando o carro voador vai começar a ser vendido? 2 - Quando o carro voador vai começar a ser vendido? Até o momento, segundo a Eve, já foram feitas cerca de 3 mil encomendas de unidades do carro voador. Mas, a comercialização com as primeiras entregas deve começar em 2027, após a certificação do modelo na Anac. “A previsão para entrada no mercado é 2027, daqui a dois anos, com a certificação da Anac. Logo depois, a gente entrega para os primeiros clientes no Brasil e nos Estados Unidos”, informou Johann Bordais, CEO da Eve. Voltar ao início. Carro voador da Embraer: Os testes apontaram diferenças entre os modelos no computador? 3- Os testes apontaram diferenças entre os modelos no computador e em um voo real? A empresa disse que, durante o voo do protótipo, foi verificada a integração dos oito propulsores e avaliado o gerenciamento de energia, além de poderem observar o nível de ruído emitido. Ainda segundo a Eve, o protótipo se comportou conforme o esperado, sem muitas diferenças do projetado. “A gente, por exemplo, verificou que os rpms, a velocidade de giro dos propulsores em voo, bate muito bem com a previsão dos nossos modelos. A gente conseguiu ver que as temperaturas dos sistemas, então a temperatura de bateria, temperatura dos motores, a quantidade de carga que tem na bateria e quanto que foi consumida durante o voo", contou Luiz Valentini, diretor de tecnologia da Eve. "Todos esses parâmetros a gente comparou, já coletou do voo e pode comparar com os nossos modelos e a gente vê que, no geral, ou batem muito bem ou estão até um pouquinho melhores do que a expectativa, o que é muito bom pra gente no sentido de validar esse caminho de desenvolvimento”, disse. Voltar ao início. Primeiro voo de protótipo nacional de carro voador é considerado “suave e estável” Reprodução/TV Vanguarda Por que não tinha um piloto dentro do eVTOL que fez o teste de voo? 4 - Por que não tinha um piloto dentro do eVTOL que fez o teste de voo? Segundo a Eve, foi uma decisão estratégica. A equipe decidiu testar um protótipo mais simples para avaliar parâmetros técnicos e antecipar o desenvolvimento do modelo. Se fossem fazer esse teste com um piloto a bordo, o voo teria que esperar mais um tempo para ser feito, não poderia ser feito neste momento. “Não fazer um veículo pilotado nos permitiu antecipar o voo desse veículo. Então nos permitiu antecipar a vinda de conhecimento técnico que a gente usa pra alimentar áreas da tecnologia em que a gente está desenvolvendo tecnologias mais novas. Então, por exemplo, a propulsão elétrica, que a gente comentou aqui, que é composta da bateria, dos motores elétricos, essa é uma das fronteiras da tecnologia da aviação hoje", afirmou Luiz Valentini, diretor de tecnologia da Eve. "Antecipar o voo com essas tecnologias nos permite trazer conhecimento, validado por um voo, numa escala real que é esse veículo e trazer então essa maturidade e essa competência técnica para o desenvolvimento do nosso produto. Fazer isso com um veículo mais representativo, com piloto a bordo, adiaria esse processo de aprendizado, então a gente ganhou por fazer um veículo mais simples e poder antecipar a coleta e o desenvolvimento desse conhecimento técnico”, narrou. Voltar ao início. O carro voador da Eve vai ser exatamente igual ao protótipo que voou? 5 - O carro voador da Eve vai ser exatamente igual ao protótipo que voou? A Eve afirma que esteticamente sim, vai ser bem parecido com o protótipo, mas que questões da parte de infraestrutura, parte mais técnica do veículo, podem mudar. “Visualmente ele é muito parecido. Se prestar bastante atenção, por exemplo, eu mencionei que os ângulos dos motores não são iguais. Então você tem que prestar bastante atenção pra ver essas diferenças, mas, por exemplo, do ponto de vista do tamanho, de peso, número de rotores, ele é bastante similar ao veiculo que a gente pretende certificar”, afirmou Luiz Valentini, diretor de tecnologia da Eve. Voltar ao início. 6 - Onde os carros voadores serão produzidos? Popularmente chamados de carros voadores, os eVTOLs (veículos elétricos de pouso e decolagem vertical) serão produzidos em Taubaté (SP), em uma planta com capacidade para fabricar até 480 unidades por ano. Voltar ao início. Protótipo de carro voador voa por cerca de 1 minuto, em teste no interior de São Paulo Reprodução/Eve Air Mobility 7- Qual a capacidade de transporte do carro voador? O modelo tem capacidade para cinco pessoas (quatro passageiros e um piloto) e autonomia de 100 quilômetros, o que permite cobrir trajetos urbanos curtos, como conexões entre cidades e centros comerciais, por exemplo. 8 - Quanto vai custar uma viagem? A estimativa da empresa é que o preço de uma viagem fique mais próximo ao de uma viagem de carro por aplicativo do que um voo feito por helicóptero, que tem custo considerado alto. De acordo com a Eve, a proposta é justamente democratizar os voos urbanos, proporcionando acesso maior às pessoas. Um estudo de operação realizado pela empresa praticou um preço a partir de R$ 99 para uma viagem entre a Barra da Tijuca e o aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, por exemplo. 9 - Por que é chamado de carro voador? Os eVTOLs são popularmente chamado como "carros voadores" por conta da proposta de integrá-los a mobilidade urbana e, como o transporte terrestre, conectar as comunidades do ponto A ao ponto B. A empresa explica que o serviço poderá ser oferecido por meio de aplicativos de compartilhamento, como os de corrida de carro. As pessoas poderão, por exemplo, comprar um assento em um determinado trajeto que será oferecido por um operador. 10 - Onde os voos serão operados? Segundo a empresa, os operadores (clientes que adquirirem o produto) vão oferecer voos em trajetos específicos, como transporte para aeroportos e para vertipotos (um tipo de heliponto). Além disso, há previsão de voos turísticos. Até o momento, a expectativa é que São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Francisco - nos Estados Unidos - sejam os primeiros locais a receber os 'carros voadores'. Além disso, há também clientes na Noruega, Australia, Kenya, Dubai, Australia e Reino Unido. Gif mostra primeiro voo de carro voador da Embraer Reprodução A projeção da empresa é a de que a frota mundial de eVTOLs pode chegar a 30 mil unidades até 2045. A expectativa é que mais de 3 bilhões de passageiros sejam transportados nesse período. A empresa também estima que a operação e venda dos eVTOLs podem gerar receita de US$ 280 bilhões (mais de R$ 1,5 trilhão) até 2045. Carro voador da Embraer faz primeiro voo Divulgação/Eve Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: tecnologia

'Viveu numa intensidade, como se soubesse da partida', diz pai de atleta de 16 anos que morreu após queda de cavalo em corrida no RJ

Publicado em: 20/12/2025 11:20

Adolescente promessa das corridas de cavalos morre após queda no Hipódromo da Gávea Joaquim Pavoski Dapper tinha apenas 16 anos quando morreu após sofrer uma queda durante um páreo de turfe no Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, em 9 de dezembro. Desde então, estava internado, mas não resistiu aos ferimentos e a morte cerebral foi confirmada na quarta-feira (17). Natural de Faxinalzinho, na Região Norte do Rio Grande do Sul, J. Pavoski, como era conhecido nas pistas, vivia há um ano no Rio de Janeiro. Segundo Ivonei Dapper, pai do adolescente, que também é secretário de Comércio e Turismo em Faxinalzinho, o filho estava vivendo um sonho. "Era o sonho dele. Esse menino só me deu orgulho. Viveu numa intensidade, como se soubesse da partida. Esse é meu filho, um pedaço de mim que está partindo, mas que amava o que fazia", conta o pai de J. Pavoski. 'Viveu numa intensidade, como se soubesse da partida', diz pai de atleta de 16 anos que morreu em queda de cavalo durante corrida no RJ Arquivo pessoal O sonho era ser um dos principais nomes do turfe brasileiro. Ele começou a montar aos 12 anos e conquistou espaço no meio das corridas de cavalos. O adolescente estreou no Hipódromo da Gávea há três meses, e venceu logo na primeira participação. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Joaquim era filho de Dapper com Jucélia Pavoski Dapper, vereadora na cidade. Prefeitura e Câmara Municipal divulgaram notas de pesar pelo falecimento do adolescente, destacando o impacto da perda para a comunidade. "Neste momento de dor e consternação, a Administração Municipal expressa suas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com Joaquim", diz a publicação. O Jockey Club Brasileiro também lamentou a morte e ressaltou a trajetória do aprendiz: "Reiteramos nosso compromisso de apoiar os profissionais do esporte em todas as circunstâncias e agradecemos a dedicação de todos que acompanharam a trajetória de J. Pavoski." Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas, mas o corpo do atleta está previsto para chegar do RJ neste domingo (21), às 5h, em um aeroporto em Chapecó, ne oeste de Santa Catarina. Joaquim Pavoski Dapper era promessa do turfe e morreu após acidente em hipódromo no RJ Sylvio Rondinelli/Jockey Club Brasileiro O acidente No dia do acidente, Joaquim estava no grupo intermediário da prova, atrás dos líderes, quando caiu a poucos metros da linha de chegada (veja vídeo acima). O primeiro atendimento foi feito pela equipe médica do hipódromo. Depois, ele foi levado para o Hospital Miguel Couto e, no sábado (13), transferido para o Hospital Pasteur. A morte cerebral foi confirmada na quarta-feira (17), e um exame complementar no dia seguinte oficializou o óbito, segundo o Jockey Club Brasileiro. Joaquim Pavoski Dapper era promessa do turfe e morreu após acidente em hipódromo no RJ Divulgação/Câmara Municipal de Faxinalzinho VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: câmara municipal

A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)

Publicado em: 20/12/2025 10:57

Falta de sono é o que mais reduz a expectativa de vida depois do cigarro Eram cerca de 11 horas da noite de 13 de abril de 1699, em uma pequena aldeia no norte da Inglaterra. Jane Rowth, com nove anos de idade, piscava os olhos, observando as sombras da noite escura. Ela e sua mãe haviam acabado de acordar de um curto sono. A mãe de Jane levantou-se e andou até a lareira daquela casa simples, onde começou a fumar seu cachimbo. Foi quando dois homens surgiram na janela. Eles chamaram a sra. Rowth para se aprontar e ir com eles. Como Jane explicou mais tarde para um tribunal, sua mãe claramente estava esperando os visitantes. Ela foi com eles sem resistir — mas antes sussurrou para sua filha: "fique deitada e estarei de volta pela manhã". Talvez a sra. Rowth tivesse alguma tarefa noturna a cumprir. Ou talvez ela estivesse em dificuldades e sabia que encontraria perigos ao sair de casa. De qualquer forma, a mãe de Jane não conseguiu cumprir sua promessa e nunca mais voltou para casa. Dormir em conjunto significava que as pessoas normalmente tinham alguém com quem falar quando acordavam para a "vigília" Getty Images/BBC Naquela noite, a sra. Rowth foi brutalmente assassinada e seu corpo foi encontrado dias depois. O crime nunca foi esclarecido. Cerca de 300 anos depois, no início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch visitou o Escritório de Registros Públicos de Londres — um imponente edifício gótico, com belos arcos de entrada, que abrigou os Arquivos Nacionais do Reino Unido entre 1838 e 2003. Foi ali que, entre fileiras quase infinitas de documentos e manuscritos antigos, ele encontrou o depoimento de Jane Rowth. Ekirch estava originalmente pesquisando para escrever um livro sobre a história das horas noturnas e, naquela época, buscava registros do período entre o início da Idade Média e a Revolução Industrial. Ele havia descoberto que os depoimentos judiciais são muito esclarecedores. "Eles são uma fonte maravilhosa para historiadores sociais", afirma Ekirch, que é professor da Universidade Estadual da Virgínia, nos Estados Unidos. "Eles comentam sobre atividades muitas vezes não relacionadas ao crime propriamente dito." Um dos temas que Ekirch temia ter que abordar em algum capítulo de seu livro sobre os hábitos noturnos seria o sono. Ele acreditava que o sono fosse não só uma necessidade universal, mas uma constante biológica, e não esperava encontrar nada de novo sobre o tema — até que um ponto estranho do testemunho de Jane Rowth chamou sua atenção. Ao ler o depoimento, ele encontrou duas palavras que nunca havia visto antes, mas que pareciam retratar um detalhe particularmente intrigante da vida no século 17: "primeiro sono". "Posso recitar o documento original de cor quase inteiro", afirma Ekirch. Sua euforia com a descoberta ainda pode ser percebida, mesmo décadas depois. No seu testemunho, Jane descreve como, pouco antes dos homens chegarem à sua casa, ela e sua mãe haviam acordado do primeiro sono da noite. Não havia mais explicações — o sono interrompido era indicado como sendo algo comum e totalmente sem importância. "Ela se referiu ao caso como se fosse absolutamente normal", afirma Ekirch. A existência de um primeiro sono indica que havia também um segundo sono — uma noite dividida em duas metades. Era apenas um hábito familiar ou haveria algo mais, além disso? Na Idade Média, era absolutamente normal que várias pessoas dormissem juntas British Library/BBC Prática generalizada Pelos meses que se seguiram, Ekirch vasculhou os arquivos e encontrou muitas outras referências sobre esse fenômeno misterioso do duplo sono, ou "sono bifásico", como ele viria a denominá-lo. Alguns relatos eram um tanto banais, como a menção feita pelo tecelão Jon Cokburne, que simplesmente o citou de passagem em um depoimento. Mas outros eram mais sombrios, como o de Luke Atkinson, de East Riding em Yorkshire, no norte da Inglaterra. Certa vez, ele cometeu um assassinato no início de uma manhã, entre os dois sonos — e sua esposa declarou que, muitas vezes, ele usava esse intervalo para ir até as casas de outras pessoas com a intenção de realizar atos sinistros. Quando Ekirch ampliou sua pesquisa, incluindo bancos de dados online de outros registros escritos, logo ficou claro que o fenômeno era mais comum e difundido que ele havia imaginado. Para começar, o primeiro sono é mencionado em uma das obras mais famosas da literatura medieval, The Canterbury Tales (Os contos da Cantuária, em português), de Geoffrey Chaucer (escritos entre 1387 e 1400). O livro apresenta um concurso de contar histórias entre um grupo de peregrinos. Existe também uma menção no livro Beware the Cat (Cuidado com o gato, em tradução livre), escrito em 1561 pelo poeta William Baldwin — um livro satírico considerado por alguns o primeiro romance já escrito. Ele conta a história de um homem que aprende a linguagem de um grupo de gatos sobrenaturais assustadores. Um deles, chamado mouse-slayer (assassino de camundongos, em tradução livre), enfrenta julgamento por promiscuidade. Mas isso é apenas o começo. Ekirch encontrou referências casuais ao sistema de sono em duas partes em todas as formas escritas que se pode imaginar — centenas de cartas, diários, livros médicos, escritos filosóficos, artigos de jornal e peças de teatro. A prática aparece até em canções da época, como na balada Old Robin of Portingale: "... e, ao acordar do seu primeiro sono, você precisa tomar uma bebida quente; e, ao acordar do sono seguinte, suas mágoas se acalmarão..." E o sono bifásico também não era exclusivo da Inglaterra. Ele era amplamente praticado em todo o mundo pré-industrial. Na França, o sono inicial era chamado de "premier somme", enquanto, na Itália, era o "primo sonno". De fato, Roger Ekirch encontrou evidências do hábito até em locais distantes como a África, sul e sudeste asiático, Austrália, Oriente Médio — e no Brasil. Como muitos romanos, o historiador Lívio praticava o sono bifásico Alamy Um registro colonial do Rio de Janeiro, datado de 1555, descreve que o povo tupinambá costumava comer depois do seu primeiro sono. Já um registro de Mascate, em Omã, explicava no século 19 que os habitantes locais se recolhiam para seu primeiro sono antes das 22 horas. E Ekirch começou a suspeitar que esse método, longe de ser uma peculiaridade da Idade Média, poderia ter sido a principal forma de dormir por milênios — um padrão antigo herdado dos nossos ancestrais pré-históricos. O registro mais antigo encontrado por Ekirch foi do século 8 antes de Cristo, no épico grego A Odisseia, enquanto as indicações mais recentes dessa prática datam do início do século 20, quando, de alguma forma, ela caiu no esquecimento. Como isso funcionava? Por que as pessoas dormiam em dois turnos? E como algo que um dia foi tão comum acabou sendo completamente esquecido? Era um momento vago No século 17, a noite de sono era mais ou menos assim: Das 21 às 23 horas, as pessoas que tinham condições começavam a recostar-se em colchões forrados com palha ou trapos (os colchões dos ricos poderiam ter enchimento de penas), prontas para dormir por duas horas. Enquanto isso, nas camadas inferiores da sociedade, as pessoas precisavam acomodar-se sobre plantas espalhadas no solo ou, pior, no chão de terra batida — talvez até sem cobertor. Naquela época, muitas pessoas dormiam juntas, frequentemente acompanhadas de uma acolhedora variedade de percevejos, pulgas, piolhos, familiares, amigos, servos e — se estivessem viajando — também completos estranhos. Para minimizar constrangimentos, o sono envolvia uma série de convenções sociais rígidas, como evitar contato físico ou muitos movimentos durante a noite. E havia posições definidas para dormir. As meninas mais jovens, por exemplo, normalmente deitavam-se em um lado da cama, com as mais velhas mais perto da parede, seguidas pela mãe e pelo pai, depois os filhos meninos — também dispostos por idade — e os que não eram membros da família depois deles. Duas horas depois, as pessoas começavam a despertar desse sono inicial. O tempo acordado à noite normalmente começava perto de 23 horas e ia até cerca de uma hora da manhã, dependendo do horário em que as pessoas haviam ido para a cama. Esse despertar geralmente não era causado por ruídos, nem por outras perturbações à noite. Também não havia alarme para despertar — os despertadores foram inventados apenas em 1787, por um norte-americano que, ironicamente, precisava acordar no horário para vender relógios. As pessoas acordavam de forma totalmente natural, da mesma forma que faziam pela manhã. O período acordado era chamado de "vigília" e era um intervalo surpreendentemente útil para realizar tarefas. "[Os registros] descrevem que as pessoas faziam quase de tudo depois que acordavam do primeiro sono", relata Ekirch. Sob o fraco brilho da lua, das estrelas, lâmpadas a óleo ou "velas de junco" — uma espécie de vela para residências simples, feita de caules de junco encerados — as pessoas se dedicavam a tarefas comuns, como colocar lenha no fogo, tomar remédios ou urinar (muitas vezes, no próprio fogo). Para os camponeses, acordar significava voltar ao trabalho mais sério — seja sair para vistoriar os animais de criação ou realizar tarefas domésticas, como remendar roupas, pentear lã ou descascar os juncos a serem queimados. O Escritório de Registros Públicos abrigava milhares de depoimentos criminais da era medieval, que agora são guardados nos Arquivos Nacionais em Kew, a sudoeste de Londres Getty Images/BBC Ekirch encontrou o relato de um servo que certa vez chegou a preparar um lote de cerveja para seu patrão entre meia-noite e duas horas da manhã, em Westmorland, no noroeste da Inglaterra. Naturalmente, os criminosos aproveitavam a oportunidade para percorrer as redondezas e causar problemas, como o assassino de Yorkshire. Mas a vigília era também um momento religioso. Para os cristãos, havia orações elaboradas a serem rezadas, incluindo algumas especificamente recomendadas para esse período. Um padre chamou a vigília de a hora mais "proveitosa" do dia — depois de digerir o seu jantar e encerrar as tarefas mundanas, "ninguém virá procurar você, exceto Deus". Já as pessoas com disposição para a filosofia poderiam usar a vigília como um momento de reflexão para pensar sobre a vida e ponderar sobre novas ideias. No final do século 18, um comerciante londrino chegou a inventar um dispositivo especial para registrar suas percepções noturnas mais ardentes — um "lembrador noturno", que consistia de um bloco de pergaminho fechado com uma abertura horizontal que poderia ser usada como guia para escrever. Mas, principalmente, a vigília era útil para a socialização — e para o sexo. Como explica Ekirch em seu livro, At day's close: A history of nighttime (No encerramento do dia: a história das horas noturnas, em tradução livre), as pessoas muitas vezes sentavam-se na cama e apenas conversavam. E, durante essas estranhas horas de penumbra, as pessoas que dividiam a cama conseguiam compartilhar um nível de informalidade e conversas casuais dificilmente atingido durante o dia. E, para os casais que conseguissem vencer a logística de compartilhar a cama com outras pessoas, era também um intervalo conveniente para intimidade física. Depois de um longo dia de trabalho manual, o primeiro sono eliminava sua exaustão e o período seguinte era considerado um excelente momento para conceber sua enorme quantidade de filhos. Depois que as pessoas ficavam acordadas por duas horas, normalmente elas voltavam para a cama. Esse segundo período era considerado o sono "da manhã" e poderia durar até amanhecer ou mais. Da mesma forma que acontece hoje, a hora em que as pessoas finalmente acordavam para o dia dependia da hora em que elas foram para a cama à noite. Adaptação antiga Segundo Ekirch, existem referências ao sistema de sono em dois períodos espalhadas ao longo de toda a Antiguidade, o que indica que ele já era comum naquela época. O sistema é mencionado casualmente em obras de escritores ilustres, como o biógrafo grego Plutarco (século 1 depois de Cristo), o viajante grego Pausânias (século 2 depois de Cristo), o historiador romano Lívio e o poeta romano Virgílio. Posteriormente, a prática foi adotada pelos cristãos, que imediatamente perceberam o potencial da vigília como uma oportunidade para recitar salmos e fazer confissões. No século 6, São Bento ordenava aos monges que se levantassem à meia-noite para essas atividades e essa ideia acabou por espalhar-se por toda a Europa, gradualmente chegando à população em geral. Mas os seres humanos não são os únicos animais a descobrir os benefícios de dividir o sono. Essa prática é amplamente adotada no mundo natural, com muitas espécies repousando em dois ou até mais períodos de sono separados. Isso os ajuda a permanecer ativos nas horas mais benéficas do dia, quando eles têm maior possibilidade de encontrar alimento, sem que eles próprios se tornem o lanche de alguém. Um exemplo é o lêmure-de-cauda-anelada. Esses icônicos primatas de Madagascar, com seus olhos vermelhos arrepiantes e caudas verticais em preto e branco, mantêm padrões de sono surpreendentemente similares aos dos seres humanos da era pré-industrial. Eles são "catemerais", ou seja, eles ficam acordados durante a noite e o dia. "Existem muitas variações entre os primatas, em termos da distribuição da sua atividade ao longo do período de 24 horas", afirma David Samson, diretor do laboratório do sono e evolução humana da Universidade de Toronto em Mississauga, no Canadá. E, se o sono em dois períodos é natural para os lêmures, ele se pergunta: pode ser esta a forma em que nós também evoluímos para dormir? Roger Ekirch vinha alimentando o mesmo pressentimento havia muito tempo. Mas ele passara décadas sem encontrar nada de concreto que o comprovasse — nem que esclarecesse por que essa prática desapareceu. Até que, em 1995, Ekirch leu uma reportagem no The New York Times sobre um experimento do sono realizado alguns anos antes. A pesquisa foi conduzida por Thomas Wehr, cientista do sono do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, e envolveu 15 homens. Depois de uma semana inicial de observação dos seus padrões de sono normais, eles foram mantidos sem iluminação artificial à noite para reduzir suas horas de "luz do dia" — seja ela natural ou elétrica — das 16 horas habituais para apenas 10. No restante do tempo, eles foram confinados em um quarto sem luz nem janelas e totalmente imersos na escuridão envolvente. Eles não podiam ouvir música nem se exercitar — e foram induzidos ao repouso e ao sono. O historiador Roger Ekirch se pergunta se hoje as pessoas conseguem se lembrar menos de seus sonhos que os nossos ancestrais porque agora é menos comum acordar no meio da noite Alamy No início do experimento, todos os homens tinham hábitos noturnos normais — eles dormiam em um turno contínuo que durava do final da noite até a manhã. Mas algo incrível aconteceu em seguida. Depois de quatro semanas de dias com 10 horas, os padrões de sono dos participantes haviam se transformado. Eles não dormiam mais em um único período, mas em duas metades, aproximadamente com a mesma duração. As duas partes eram separadas por um período de uma a três horas que eles passavam acordados. Medições do hormônio do sono — a melatonina — demonstraram que seus ritmos circadianos também haviam se ajustado, o que demonstra que seu sono foi alterado em nível biológico. Wehr havia reinventado o sono bifásico. "Depois do meu casamento e do nascimento dos meus filhos, [ler sobre o experimento] foi provavelmente o momento mais emocionante da minha vida", relembra Ekirch. Quando ele escreveu para Wehr explicando a extraordinária coincidência entre o estudo científico e a sua pesquisa histórica, "acho que posso afirmar que ele ficou tão radiante quanto eu", afirma. Mais recentemente, uma pesquisa de David Samson, o diretor do laboratório do sono da Universidade de Toronto, confirmou essas descobertas — mas com uma fascinante reviravolta. Em 2015, Samson recrutou voluntários locais da remota comunidade de Manadena, no nordeste de Madagascar, para um estudo em conjunto com colaboradores de diversas outras universidades. O local é um grande vilarejo ao lado de um parque nacional. Não há infraestrutura elétrica, de forma que as noites locais são quase tão escuras quanto eram milênios atrás. Pediu-se aos participantes, em sua maioria, agricultores, que usassem um "actímetro" — um sofisticado dispositivo sensor de atividade que pode ser usado para rastrear ciclos de sono — por 10 dias, para verificar seus padrões de sono. "Descobrimos que nas pessoas havia um período de atividade logo após a meia-noite até cerca de 1h a 1h30 da manhã", afirma Samson, "a atividade era reduzida em seguida até dormirem e permanecerem inativos, até acordarem, às seis horas, o que normalmente coincide com o nascer do sol". Ou seja, o sono bifásico nunca desapareceu completamente — ele sobrevive até hoje nos bolsões mais distantes do mundo. Nova pressão social Coletivamente, essa pesquisa também forneceu a Ekirch a explicação que ele desejava sobre o motivo que levou a maior parte da humanidade a abandonar o sistema de dois períodos de sono a partir do início do século 19. Como ocorreu com outras mudanças recentes do nosso comportamento, como a dependência do relógio, a resposta estava na Revolução Industrial. No século 17, as elites ricas normalmente dormiam em camas de madeira com quatro pilares e cortinas, para aquecer as pessoas e afastar os olhares curiosos dos visitantes Alamy "A iluminação artificial tornou-se mais presente e sua potência aumentou — primeiro, foi [a iluminação] a gás, introduzida pela primeira vez em Londres", explica Ekirch, "e depois, claro, a iluminação elétrica, mais para o final do século. Além de alterar o ritmo circadiano das pessoas, a iluminação artificial também permitiu naturalmente que as pessoas ficassem acordadas até mais tarde." Mas, embora as pessoas não fossem mais para a cama às 21 horas, elas ainda precisavam acordar no mesmo horário pela manhã — o que prejudicava o seu repouso. Ekirch acredita que isso tornou seu sono mais profundo, porque era reduzido. Além de alterar os ritmos circadianos da população, a iluminação artificial prolongou o primeiro sono e reduziu o segundo. "E consegui rastrear [essas alterações], quase a cada década, ao longo do século 19", afirma Ekirch. Curiosamente, o estudo de Samson em Madagascar envolveu uma segunda parte — na qual a metade dos participantes recebeu luzes artificiais por uma semana, para ver se elas causavam alguma diferença. E, neste caso, os pesquisadores concluíram que não havia impacto sobre os seus padrões de sono segmentados. Mas eles indicam que uma semana pode não oferecer tempo suficiente para que as luzes artificiais causem mudanças importantes — de forma que o mistério continua. Mesmo que a iluminação artificial não seja a única causa, no final do século 20, a divisão entre dois períodos de sono havia desaparecido por completo. A Revolução Industrial não havia mudado apenas a nossa tecnologia, mas também a nossa biologia. Nova ansiedade Um efeito colateral importante da mudança dos hábitos de sono de grande parte da humanidade foi uma mudança de comportamento. Por um lado, começamos rapidamente a ridicularizar as pessoas que dormem demais e desenvolvemos preocupação com a relação entre acordar cedo e a produtividade. Mas, para Ekirch, "o aspecto mais gratificante de tudo isso são as pessoas que sofrem de insônia no meio da noite". Ele explica que nossos padrões de sono agora estão tão alterados que ficar acordado no meio da noite pode nos causar pânico. "Não quero diminuir a importância disso — eu mesmo, na verdade, sofro de distúrbios do sono e tomo medicamentos para isso." Mas, quando as pessoas aprendem que esse padrão pode ter sido totalmente normal por milênios, ele percebe que isso reduz um pouco a ansiedade. Mas, antes que a pesquisa de Ekirch gere uma derivação da dieta paleolítica e as pessoas comecem a jogar suas lâmpadas fora — ou, pior, dividam artificialmente seu sono em dois com despertadores —, ele se empenha em ressaltar que o abandono do sistema de sono em dois períodos não significa que a qualidade do nosso sono hoje em dia seja inferior. Apesar das notícias quase constantes sobre a grande incidência de distúrbios do sono, Ekirch já argumentou que, em alguns aspectos, o século 21 é a era de ouro do sono — um período em que a maioria de nós não precisa mais se preocupar em ser assassinado na cama, congelar até a morte ou remover piolhos, podendo dormir sem dores, sem a ameaça de incêndios e sem estranhos deitados ao nosso lado. Em resumo, o sono em um único período pode não ser "natural", da mesma forma que belos colchões ergonômicos e a higiene moderna também não o são. "Ou seja, não existe retorno porque as condições mudaram", afirma Ekirch. Nós podemos estar perdendo a oportunidade de ter conversas confidenciais na cama no meio da noite, sonhos psicodélicos e revelações filosóficas noturnas — mas, pelo menos, não acordamos cobertos de picadas irritantes. Esta reportagem foi publicada originalmente em 29 de janeiro de 2022. ** A imagem do Sonho dos Magos foi usada com permissão da Biblioteca Britânica. Ela faz parte do seu Catálogo de Manuscritos Iluminados.

Palavras-chave: tecnologia

Inscrições para o processo seletivo da Unifap encerram nesta terça-feira (23); veja o EDITAL

Publicado em: 20/12/2025 09:00

Inscrições no Processo Seletivo da Unifap encerram nesta terça-feira (23) Unifap/Divulgação As inscrições para o processo seletivo da Universidade Federal do Amapá (Unifap) terminam nesta terça-feira (23). O cadastro é gratuito, feito pela internet e aberto apenas para quem fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2024 ou 2025. O edital prevê 1.620 vagas em 37 cursos nos campus de Macapá e Santana. As notas do Enem serão repassadas pelo Inep à Unifap. O resultado deve ser divulgado em até cinco dias úteis. Baixe o app do g1 para ver notícias do AP em tempo real e de graça Segundo o edital, 50% das vagas são destinadas a estudantes que concluíram todo o ensino médio em escolas públicas. Os outros 50% ficam para ampla concorrência. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O edital também prevê reserva de vagas para candidatos autodeclarados pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência, em percentual proporcional à representação desses grupos na população. Inscreva-se Confira o edital LEIA TAMBÉM: MPF pede indenização de R$ 51,6 milhões por rompimento de barragem de garimpo ilegal no Amapá Samu abre 100 vagas para crianças e adolescentes participarem de atividades de saúde no Amapá Vagas disponíveis em Macapá Administração - 50 vagas Arquitetura e Urbanismo - 50 vagas Artes Visuais - 50 vagas Ciência da Computação - 50 vagas Ciências Ambientais - 50 vagas Ciências Biológicas - Licenciatura - 25 vagas Ciências Biológicas - Bacharelado - 25 vagas Ciências Sociais - 30 vagas Direito - 50 vagas Educação Física - 50 vagas Enfermagem - 50 vagas Engenharia Civil - 50 vagas Engenharia Elétrica - 50 vagas Farmácia - 50 vagas Fisioterapia - 40 vagas Física - 50 vagas Geografia - Licenciatura - 30 vagas Geografia - Bacharelado - 30 vagas História - 80 vagas Jornalismo - 50 vagas Letras - Libras - Português - 15 vagas Letras - Português - Francês - 30 vagas Letras - Português - Inglês - 30 vagas Matemática - 50 vagas Medicina - 60 vagas Pedagogia - 50 vagas Psicologia - 30 vagas Química - 50 vagas Relações Internacionais - 50 vagas Serviço Social - 40 vagas Sociologia - 30 vagas Teatro - 50 vagas Terapia Ocupacional - 25 vagas Tecnologia em Secretariado - 50 vagas Vagas disponíveis em Santana Filosofia - 50 vagas Letras - Português - 25 vagas Pedagogia - 50 vaga Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

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Decreto que proíbe nudismo nas praias de Balneário Camboriú é publicado

Publicado em: 20/12/2025 08:00

Balneário Camboriú anuncia que vai proibir prática de nudismo na Praia do Pinho O decreto que proíbe a prática de nudismo nas praias de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, foi publicado na sexta-feira (19). A Praia do Pinho, que fica no município, foi a primeira de naturismo do Brasil. De número 12.909/2025, o decreto apenas reforça a proibição. Isso porque a autorização do naturismo da Praia do Pinho já havia sido retirada do plano direto do município por meio de uma lei complementar (leia mais abaixo). A Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) manifestou “preocupação e pesar” com a medida. "Trata-se de um marco histórico do naturismo brasileiro, reconhecido nacional e internacionalmente, que por décadas representou um ambiente de convivência respeitosa, liberdade responsável e contato consciente com a natureza" (leia a nota completa no fim do texto). ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp 🏖️ Naturismo é uma filosofia que prega autorrespeito, autoconhecimento, respeito ao próximo, alimentação saudável e preservação da natureza. Dentro deste modo de viver, também está a prática de nudismo social. Praia do Pinho, em Balneário Camboriú Balneário Camboriú Convention & Visitors Bureau/Divulgação Entenda O Plano Diretor de Balneário Camboriú em vigor, de 2006, permitia a prática de naturismo na Praia do Pinho. Porém, no novo, de 2025, essa autorização foi retirada. Esse novo Plano Diretor foi sancionado na sexta (19) pela prefeitura. Porém, só passa a valer em 90 dias. Enquanto isso, o Plano Diretor de 2006 está em vigor. Por causa disso, foi feita e aprovada a lei complementar número 129/2025, que revoga do documento de 2006 a autorização do naturismo na Praia do Pinho. Portanto, o decreto publicado na sexta é apenas para reforçar a proibição. Como justificativa, o município afirmou que, ao longo dos anos, a Praia do Pinho deixou de ser usada para naturismo e passou a ser cenário de atos ilícitos e crimes sexuais. Como é a Praia do Pinho, a 1ª de naturismo do Brasil SC possui 3 praias de naturismo, o maior número do país; conheça Praia do Pinho, em Balneário Camboriú PMBC/Divulgação 🏖️Como é a Praia do Pinho? A Praia do Pinho é considerada a primeira praia de naturismo do Brasil. De fácil acesso, o espaço tem cerca de 500 metros de extensão e fica entre as praias de Laranjeiras e do Estaleirinho. O nudismo existe no local desde 1980. A prática de não usar vestimentas no local é um dos principais fundamentos do chamado naturismo. A praia é aberta a todos os públicos, incluindo crianças, idosos e casais, sejam heterossexuais ou homoafetivos. Homens solteiros também podem permanecer na faixa de areia. É proibido fotografar ou filmar sem autorização dos frequentadores, mesmo à distância. É proibida qualquer prática de cunho sexual ou comportamento obsceno na praia. O Complexo Turístico Praia do Pinho afirma, porém, que não pode intervir na faixa de areia por se tratar de área pública, cuja fiscalização é responsabilidade dos órgãos competentes. Praia do Pinho é considerada a primeira de naturismo do Brasil Praia do Pinho/Divulgação 🤔Nudismo x naturismo Segundo explica Susan Letícia Gals, integrante do movimento e tesoureira da Associação NuParaíso, responsável pela manutenção da Praia do Pinho, o naturismo pode ser classificado como uma "filosofia de vida que engloba várias atitudes e, dentre elas, o nudismo". De acordo com Susan, os espaços são reconhecidos pelos municípios e pela Federação Brasileira de Naturismo (FBrN). A entidade possui regras para os visitantes, mas afirma que não há espaço delimitado para pessoas que querem andar nuas ou idade mínima para frequentar os espaços. O que diz a Federação Brasileira de Naturismo Confira abaixo a nota completa da Federação Brasileira de Naturismo. A Federação Brasileira de Naturismo (FBrN) manifesta profunda preocupação e pesar diante do encerramento da prática do naturismo na Praia do Pinho, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, em decorrência da aprovação da PL 10/2022 e das alterações introduzidas pelo novo Plano Diretor do município. A Praia do Pinho não é apenas um espaço geográfico. Trata-se de um marco histórico do naturismo brasileiro, reconhecido nacional e internacionalmente, que por décadas representou um ambiente de convivência respeitosa, liberdade responsável e contato consciente com a natureza. É fundamental esclarecer à sociedade alguns pontos que têm sido, reiteradamente, confundidos ou utilizados de forma inadequada no debate público. Naturismo não é nudismo desordenado O naturismo é uma prática regulamentada, baseada em valores claros: respeito mútuo, convivência social, ética, preservação ambiental e responsabilidade individual. Não se confunde, em hipótese alguma, com comportamentos inadequados, atos obscenos ou crimes sexuais. Crimes são crimes — independentemente de onde ocorram — e devem ser combatidos com fiscalização, investigação e punição, não com a extinção de uma prática legítima e reconhecida mundialmente. Criminalidade e omissão do poder público Os próprios debates realizados na Câmara Municipal evidenciaram que práticas criminosas, inclusive de natureza sexual e relacionadas ao uso de drogas, ocorrem em diversos espaços públicos de Balneário Camboriú, e não exclusivamente na Praia do Pinho. Diante disso, questionamos: Por que a resposta escolhida foi abolir o naturismo, em vez de fortalecer a segurança, a fiscalização e a aplicação da lei? Punir corretamente uma minoria que age fora das normas sempre foi, e continua sendo, mais eficaz do que eliminar um direito coletivo por falhas de gestão e ausência do Estado. Ausência de associação local e responsabilidade compartilhada Reconhecemos que a ausência de uma associação naturista local, forte e atuante, contribuiu para o enfraquecimento da defesa do espaço. Uma sociedade organizada é sempre mais respeitada — porém, também sabemos que nem sempre é fácil encontrar pessoas dispostas a assumir responsabilidades, enfrentar críticas e “colocar a cara a tapa”. Ainda assim, a falta de organização civil não justifica a supressão de um direito cultural e social, especialmente quando existem instrumentos legais e administrativos para coibir abusos. Interesses imobiliários e falso moralismo A possível venda do Complexo do Pinho e a crescente especulação imobiliária na região levantam preocupações legítimas. O discurso moralista, em muitos casos, esconde interesses econômicos claros. Em diversos momentos na Câmara Municipal foi dito sobre atos sexuais praticados em diversos locais, inclusive centrais de Balneário Camboriú e que não são áreas naturistas. É importante lembrar que grande parte das pessoas que hoje pedem o fim do naturismo escolheu morar na região quando a praia já era oficialmente naturista, ou seja, tinham pleno conhecimento da vocação do local. Optar por mudar a lei, em vez de respeitar o ambiente escolhido, revela um comportamento egoísta e excludente. Democracia, diversidade e respeito Santa Catarina possui centenas de praias. Quantas se tornaram áreas restritas por empreendimentos imobiliários e não por ser área naturista? É realmente tão difícil garantir um pequeno espaço para quem escolhe viver e se expressar de forma diferente? A democracia se constrói com diversidade, não com imposição de um único modo de pensar ou viver. Defender o fim de um espaço isolado, de acesso voluntário, não é proteção da moral — é negação da liberdade alheia. Conclusão A Federação Brasileira de Naturismo entende que o fim da Praia do Pinho como área naturista representa uma perda histórica, cultural e social, fruto de omissões, desinformação, interesses paralelos e intolerância. Seguiremos defendendo o naturismo como prática legítima, ética e respeitosa, bem como o direito à diversidade, ao diálogo e à convivência democrática. O combate ao crime se faz com lei, presença do Estado e punição aos culpados, não com a eliminação de direitos de quem sempre agiu corretamente. Paula Silveira Presidente da FBrN - Federação Brasileira de Naturismo VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias

Palavras-chave: câmara municipal

Casal aposta na venda de panetone para bancar casamento na PB: 'Mil panetones e um sonho'

Publicado em: 20/12/2025 07:17

Vendas de panetones ajudam casal a realizar sonho do casamento Em meio a tantas receitas de Natal, uma especial foi escolhida para realizar o sonho de um casal da capital paraibana João Pessoa: o panetone. É através da venda do produto que os jovens Mateus e Isabel desejam conseguir bancar o casamento que vai marcar o início de uma vida a dois. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Mateus é escrevente de cartório e Isabel trabalha com tecnologia da informação. Juntos há cerca de cinco anos, eles decidiram que chegou o momento de casar e construir uma família. Mas, para ajudar a bancar o sonho, eles decidiram colocar a mão na massa e fabricar panetones artesanais, um dos produtos mais procurados no Natal. Casal vende panetones para bancar casamento na PB: 'mil panetones e um sonho' Reprodução/TV Cabo Branco A ideia surgiu quando a mãe de Matheus comprou uma máquina panificadora. A família começou a testar receitas, entre elas, a do panetone, que conquistou a todos pelo sabor. Foi quando Matheus publicou nas redes sociais uma foto do prato e perguntou aos amigos seguidores: "você compraria se fosse pra me casar?". Com a repercussão positiva, eles decidiram colocar a ideia em prática, cada um ajudando com o que faz melhor: Mateus fabricando o panetone e Isabel produzindo as artes para divulgação do projeto. Panetones artesanais são fabricados por casal para realizar sonho na Paraíba Reprodução/TV Cabo Branco O casal estima que a venda de mil panetones seja suficiente para bancar o casamento. Por isso, cada panetone vem enumerado e tem um recadinho especial para quem compra, indicando que se trata do panetone X de 1000, e que a partir da compra dele, itens como "o laço do carro dos noivos" está pago. "Mil panetones e um sonho é a nossa mensagem chave (...) É um processo mesmo, a gente tá caminhando sabendo que batendo a meta ou não a gente tá muito feliz por estar vivendo tudo isso, sabendo que faz parte da nossa história e que a gente vai lembrar disso com muita alegria" disse a noiva. A expectativa é que o casamento aconteça próximo ano, em 2026. Até lá, os dois pretendem vender muitos panetones e, durante o processo, fortalecer ainda mais o amor. "A gente pensa em bater essa meta, em estabelecer esse sonho... Do pão com esse processo de esperar não só a massa crescer, mas nesse processo fortalecer o vínculo nosso, com nossos familiares, amigos e com as pessoas que a gente tá encontrando no caminho", finalizou o noivo. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Palavras-chave: tecnologia

Relembre fatos que marcaram a política em MG em 2025

Publicado em: 20/12/2025 05:01

Montagem de fotos de Fuad Noman, Romeu Zema e Álvaro Damião Rodrigo Clemente (PBH)/ Fred D'Ávila (TV Globo)/ Reprodução TV Globo Ano movimentado na política mineira, com renovação de Câmaras de Vereadores e das gestões municipais, 2025 ficou marcado pela morte do prefeito reeleito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), após uma batalha contra o câncer. No estado e na capital, o legislativo aprovou – e rejeitou – projetos importantes, que afetam diretamente a vida das pessoas. Mas votou outros tantos, no mínimo, inusitados. Já de olho nas eleições de 2026, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) travaram embates. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Relembre o que aconteceu de mais importante neste ano na política de MG: Renovação municipal No primeiro dia do ano, Fuad Noman, reeleito prefeito de Belo Horizonte com 53,73% dos votos válidos, foi empossado virtualmente. A cerimônia foi realizada online por recomendação médica. Na Câmara Municipal, 41 vereadores tomaram posse. O PL conquistou a maior bancada, com seis parlamentares, seguido pelo PT, com quatro. O vereador Juliano Lopes (Podemos) foi eleito o novo presidente do legislativo e ficará no comando da Casa até o fim de 2026. Internação e morte de Fuad Noman No dia 3 de janeiro, o prefeito Fuad Noman foi internado no Hospital Mater Dei, na Região Centro-Sul de BH, com insuficiência respiratória aguda. No dia 4, o então vice-prefeito, Álvaro Damião (União Brasil), assumiu a capital interinamente. Após quase três meses de internação, Fuad morreu no dia 26 de março, em consequência de complicações do Linfoma não-Hodgkin, tipo de câncer que ele estava enfrentando. O corpo do político foi velado no saguão da prefeitura e enterrado no Cemitério do Bonfim, na Região Noroeste de Belo Horizonte, no dia 27. Velório do prefeito Fuad Noman é aberto ao público em Belo Horizonte Novo prefeito Álvaro Damião tomou posse como prefeito de BH no dia 3 de abril, em cerimônia realizada na Câmara Municipal. No dia seguinte, ele anunciou o novo secretariado. Foram feitas mudanças em diversas pastas, coordenadorias e também na chefia de gabinete da prefeitura. Álvaro Damião (União) é empossado como novo prefeito de BH Reprodução/TV Globo Em junho, Damião foi destaque na cobertura nacional ao precisar se abrigar em um bunker na cidade de Kfar Saba, em Israel, durante uma viagem para conhecer novidades tecnológicas na área de segurança pública. Enquanto estava no país, integrando uma comitiva com outros políticos brasileiros, forças israelenses atacaram o Irã, que prometeu retaliação. Lula em MG e embates com Zema O presidente Lula visitou Minas Gerais oito vezes neste ano. A primeira foi no dia 7 de março, quando ele esteve em um assentamento do Movimento Sem Terra (MST) em Campo do Meio, no Sul do estado. A última foi em 11 de dezembro, quando o presidente participou da inauguração do Centro de Radioterapia do Hospital Nossa Senhora das Dores, em Itabira, na Região Central, e da Caravana Federativa, em Belo Horizonte. Durante as agendas em MG, Lula trocou farpas com Romeu Zema. No dia 11 de março, em Betim, na Grande BH, o governador de Minas Gerais causou desconforto ao não poupar críticas a gestões petistas, e o presidente respondeu à provocação. Já no último dia 11, na capital, Lula disse que pode "fazer um cursinho a distância" para ensinar o mineiro a "descascar banana", em referência a um vídeo em que Zema aparece comendo a fruta com casca como sugestão para a população "economizar". Os dois políticos podem se enfrentar nas eleições de 2026. O governador de MG já anunciou sua pré-candidatura à Presidência da República pelo partido Novo. Presidente Lula ironiza vídeo gravado por governador Romeu Zema em evento em BH O ano na Assembleia Legislativa A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) discutiu e votou neste ano diversos projetos de lei do governo Zema relacionados ao pagamento da dívida do estado com a União, que chegou a cerca de R$ 180 bilhões em 2025, e à adesão de MG ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Entre as principais propostas aprovadas, estão o fim da exigência de referendo para a desestatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), além da autorização para a privatização da estatal, que atende 75% dos municípios mineiros. Os deputados deram aval também à federalização de Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig), Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge) e Minas Gerais Participações (MGI). O ano na Câmara Municipal de BH Um dos principais projetos discutidos na Câmara de BH neste ano foi a tarifa zero no transporte público. A proposta mobilizou artistas e movimentos da cidade, mas acabou rejeitada pela maioria dos vereadores, em uma vitória do prefeito Álvaro Damião – neste mês, ele anunciou gratuidade nos ônibus aos domingos e feriados. Também em dezembro, o legislativo aprovou, em 2º turno, a regulamentação do transporte de passageiros por moto de aplicativo, texto que ainda precisa ser sancionado pelo prefeito. O serviço foi lançado em Belo Horizonte em 2021 e opera sem respaldo legal há mais de quatro anos. Ao longo de 2025, os vereadores também se dedicaram a projetos relacionados à pauta de costumes. Em abril, foi aprovado, de forma definitiva, o uso da Bíblia como material de apoio em escolas públicas e privadas. Em outubro, os parlamentares aprovaram projeto que autoriza a internação involuntária de usuários de drogas; em novembro, proposta que busca enviar pessoas em situação de rua às cidades de origem, e outra que pode permitir a retirada dos pertences dessa população. Já neste mês, a Câmara aprovou multa para quem for flagrado usando drogas em vias públicas. Todos esses projetos ainda precisam ser votados em 2º turno. Além disso, neste ano, a partir de iniciativas do legislativo, Belo Horizonte ganhou novas datas comemorativas: o Dia Municipal da Fidelidade Conjugal e do Casamento Monogâmico Cristão, o Dia Municipal dos Legendários e o Dia Municipal de Combate à Cristofobia. Ainda em 2025, a partir de projetos da Câmara Municipal, BH virou a Capital do Bitcoin e a Capital Nacional da Corrida de Rua. Por outro lado, deixou de ser a Capital do Grau. Câmara de BH rejeita projeto de tarifa zero no transporte público Cassação de vereadores Em dezembro, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou o recebimento de uma denúncia contra o vereador Lucas Ganem (Podemos), acusando-o de fraude na declaração de domicílio eleitoral, e abriu um processo que pode resultar na cassação do parlamentar. Antes da conclusão do procedimento no legislativo, a Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato de Ganem, pelo mesmo motivo. Segundo a decisão, o vereador indicou um endereço onde nunca morou. A decisão foi proferida em primeira instância, e cabe recurso. A Justiça Eleitoral também cassou o mandato do vereador Leonardo Ângelo da Itatiaia (Cidadania). De acordo com a decisão, também em primeira instância, ficou comprovada a existência de uma estrutura paralela de campanha em favor do parlamentar.

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Tigres de verdade, unicórnios e carros de luxo: como Papais Noéis se viram para driblar pedidos inusitados de crianças no Natal

Publicado em: 20/12/2025 05:01

Como Papais Noéis se viram para driblar pedidos inusitados de crianças no Natal Natal é tempo de alegria, encontros e pedidos feitos com brilho nos olhos. Em Ribeirão Preto (SP), parte dessa magia ganha forma nos tronos do Papai Noel instalados em shoppings, onde crianças — e também adultos — compartilham desejos que vão muito além dos brinquedos tradicionais. Os pedidos mais comuns seguem um roteiro conhecido: bonecas, carrinhos, videogames e, cada vez mais, itens tecnológicos. Mas há também aqueles que exigem criatividade e sensibilidade de quem veste o tradicional traje vermelho. Carros de luxo, cavalos, unicórnios de chifres coloridos e até tigres de verdade já entraram na lista, colocando à prova a capacidade de cada Papai Noel em manter o encanto sem frustrar ninguém. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp No RibeirãoShopping, o Papai Noel interpretado por Eugênio Pio, de 65 anos, já perdeu as contas de quantas vezes precisou improvisar para manter a fantasia intacta. "Quando a criança pede um cavalo ou até um tigre, é preciso ter muito cuidado. Teve uma menina que me pediu um cavalo. Eu achei que fosse de pelúcia, mas ela logo explicou que queria um cavalo de verdade. Aí a gente precisa usar o jeitinho, explicar que não cabe no saco de presentes, que o animal precisa de espaço e pode até estragar os outros brinquedos. Tudo com muita delicadeza, para não quebrar o encanto", conta. Eugênio Pio interpreta o Papai Noel no RibeirãoShopping e recebe pedidos que vão de brinquedos simples a desejos improváveis neste Natal Tábata Barbosa Em outro caso, o pedido era ainda mais inusitado: um unicórnio com chifres coloridos. "Já pediram algumas vezes, mas era de pelúcia e com o chifre colorido. Já pensou colocar um unicórnio no saco de presentes do Papai Noel mesmo que existisse?" Ao g1, Eugênio contou que tão surpreendentes quanto os pedidos grandiosos são aqueles extremamente simples, como uma peteca e um bambolê, brinquedos pouco comuns hoje em dia. Para ele, esse contraste ajuda a traduzir o espírito do Natal. "Às vezes, o simples para a gente que é adulto tem um peso enorme para a criança. É aí que mora a magia. Isso mostra que a magia não está no tamanho do presente". Preparo emocional e jogo de cintura Manter o encanto exige preparo emocional e jogo de cintura. Eugênio conta que, muitas vezes, os próprios pais ajudam a conduzir a conversa quando percebem que o pedido foge da realidade. Ainda assim, cabe ao Papai Noel encontrar uma resposta que preserve a fantasia. "O importante é não dizer 'não' de forma seca. É contornar, adaptar, explicar. A criança precisa sair dali acreditando no pedido que fez. Essa é a graça de tudo", diz. Entre os pedidos feitos ao Papai Noel neste Natal estão bonecas, carrinhos, videogames e até solicitações curiosas, como animais de verdade Tábata Barbosa 🎁Pedidos que não cabem no embrulho Se as crianças pedem brinquedos, muitos adultos se aproximam do trono carregando desejos mais profundos. Eugênio conta que não é raro receber pedidos por saúde, emprego ou estabilidade financeira. Uma das histórias que mais o marcou foi a de um casal que pediu ajuda para conquistar a casa própria. Um ano depois, os dois voltaram ao shopping apenas para agradecer. "Eles fizeram questão de voltar só para agradecer depois que conseguiram comprar a casa. Eu disse que o mérito era deles, da fé e da persistência. Eu só ajudei a manter viva a esperança e a magia do Natal", conta. Outros encontros também ficam guardados na memória. Um homem que enfrentava tratamento contra um câncer voltou no ano seguinte, recuperado, para cumprir a promessa de tirar uma nova foto com o Papai Noel. Nesse dia eu precisei me segurar para não chorar. A gente sai de lá renovado, com o coração cheio. Não é cansativo, é o contrário. Dá uma energia que não dá para explicar, uma sensação de que vale a pena Com jeitinho e criatividade, Papai Noel de Ribeirão Preto (SP) adapta respostas para manter a fantasia e não frustrar as crianças Tábata Barbosa 💌Tecnologia, sonhos e esperança No Shopping SantaÚrsula, quem assume o papel do bom velhinho é Sebastião Campos, de 70 anos, que nunca havia interpretado o personagem antes. Já são três anos desde a primeira vez e ele conta que, neste tempo, passou a acompanhar de perto a mudança nos desejos das crianças. "Bonecas e carrinhos continuam, mas hoje aparecem muitas crianças pedindo PlayStation, drones e aquelas famosas bebês reborn. Agora as crianças estão mais tecnológicas, mais espertas e querem ficar por dentro de tudo". Entre tantos pedidos recebidos, um deles ficou marcado pela carga emocional. Sebastião lembra do dia em que um menino de 10 anos que se aproximou e pediu algo que não podia ser embrulhado: ele queria o pai, que tinha morrido, de volta. Diante da situação, o Papai Noel precisou transformar o desejo da criança em acolhimento. Foi um pedido que me tocou muito. Nessa hora, a gente não fala de presente. Eu disse para ele rezar, ter fé e acreditar que um dia vai reencontrar o pai. É um momento em que o Papai Noel vira só um apoio, um conforto Sebastião Campos é o Papai Noel do ShoppingSantaÚrsula e recebe crianças e adultos em busca de pedidos e histórias neste fim de ano Tábata Barbosa 🎅🏼Mais do que um personagem Para ambos os Papais Noéis, vestir o traje vermelho vai além da fantasia e da foto: é assumir um papel afetivo, de escuta e acolhimento. Para manter a magia, Papais Noéis de Ribeirão Preto (SP) usam criatividade e jeitinho ao responder pedidos que não cabem no saco de presentes Tábata Barbosa Sebastião conta que já não se imaginar longe do trono natalino, tamanha a ligação criada com as histórias e as pessoas que passam por ali. Eugênio compartilha da mesma percepção. Para ele, o gesto mais marcante da experiência não está nos pedidos, mas no contato humano. Muitas vezes, ele diz, o que chega ao Papai Noel não é um desejo material, mas a necessidade de atenção, de conversa ou de um abraço. Depois de tantos encontros e histórias compartilhadas, o desejo de Eugênio resume o sentimento dos dois personagens: Seria bom se dezembro durasse o ano inteiro, com mais empatia, respeito e bondade todos os dias *Sob a supervisão de Flávia Santucci Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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Petróleo, China, Doutrina Monroe: o que está por trás da ofensiva de Trump na Venezuela

Publicado em: 20/12/2025 05:01

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem afirmado que não descarta uma intervenção militar na Venezuela, governada por Nicolás Maduro. Nos últimos meses, Washington intensificou operações contra embarcações no Caribe e no Pacífico, reforçando o cerco ao país sul-americano. Para justificar as ações militares e a pressão econômica, o governo americano alega combater o narcotráfico e rotas de drogas associadas a grupos criminosos ligados à Venezuela. Além disso, descreve Maduro como líder de um regime corrupto e diz agir por questões de segurança regional. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Autoridades dos EUA aplicaram medidas diretamente a familiares de Maduro, ampliaram sanções e promoveram um bloqueio total a navios petroleiros ligados ao país sul-americano — escalando a pressão política e econômica sobre Caracas. Também houve apreensão de embarcações. Em resposta, o presidente venezuelano classificou as ações como tentativa de golpe e ameaça à soberania, chamando as interceptações de “roubo descarado” e “pirataria naval criminosa”. Ele ainda acusa Washington de usar o combate às drogas como pretexto para forçar sua saída do poder. Mas o que está, de fato, por trás da ofensiva dos EUA? Para especialistas ouvidos pelo g1, os interesses vão muito além do combate ao tráfico e incluem fatores econômicos e geopolíticos, como o interesse pelo petróleo e a relação da Venezuela com a China — principal rival de Trump. Veja os vídeos que estão em alta no g1 De olho no petróleo A Venezuela concentra a maior reserva comprovada de petróleo do planeta, com capacidade de aproximadamente 303 bilhões de barris — ou 17% do volume conhecido —, segundo a Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. Esse volume coloca o país à frente de gigantes como Arábia Saudita (267 bilhões) e Irã (209 bilhões), com ampla margem. Grande parte do petróleo venezuelano, porém, é extra-pesado, o que exige tecnologia sofisticada e investimentos elevados para extração. 🔎 Na prática, o potencial é enorme, mas segue subaproveitado devido à infraestrutura precária e às sanções internacionais que limitam operações e acesso a capital. Nesse contexto, há um claro interesse dos EUA. Segundo a EIA, o petróleo pesado da Venezuela "é bem adequado às refinarias norte-americanas, especialmente às localizadas ao longo da Costa do Golfo". O jornal americano "The New York Times", por exemplo, afirmou que a commodity é prioridade na ofensiva contra o governo de Nicolás Maduro. Segundo a publicação, Washington tem feito negociações secretas com Caracas, justamente com foco no petróleo. Para Marcos Sorrilha, professor de história dos EUA na Unesp Franca, o presidente norte-americano tem interesse na produção venezuelana por um motivo principal: reduzir preços internos e, assim, aliviar o custo de vida no país. "O petróleo venezuelano seria uma estratégia de barateamento do preço do combustível para os americanos. É algo que está nas expectativas de Donald Trump", diz. Nesse contexto, o republicano atinge dois objetivos simultaneamente: ao buscar favorecer a economia dos EUA, também pressiona a produção e as exportações de petróleo da Venezuela — setor central para a economia do país e para a sustentação do governo de Nicolás Maduro. Os efeitos iniciais já começaram a aparecer nesta semana. Reportagem da Bloomberg News indicou que Caracas enfrenta falta de capacidade para armazenar petróleo, em meio a medidas de Washington para impedir que embarcações atraquem ou deixem portos venezuelanos. Proximidade com a China Antes das amplas sanções econômicas impostas pelos EUA à Venezuela, em 2019, os norte-americanos eram os maiores importadores do petróleo bruto do país. O restante das exportações tinha como principais destinos a Índia, a China e a Europa. Após as sanções, grande parte das vendas externas passou a ocorrer por meio de acordos de petróleo em troca de empréstimos, usados para quitar dívidas. Nesse arranjo, a China disparou sua participação e desempenha papel central. "A Venezuela mantém uma relação cooperativa com a China em áreas muito críticas, como petróleo e mineração", destaca Carolina Moehlecke, coordenadora do mestrado profissional em Relações Internacionais da FGV. A especialista reforça que o gigante asiático, principal adversário comercial dos EUA, tem emprestado dinheiro para a Venezuela utilizando embarques de petróleo como garantia. 🔎 Com isso, grande parte das exportações venezuelanas foi destinada à China. Por meio dos acordos, o país asiático já concedeu quase US$ 50 bilhões em empréstimos ao longo da última década, em troca de petróleo bruto. Segundo o relatório mais recente da Energy Information Administration, a China recebeu 68% das exportações de petróleo bruto da Venezuela apenas em 2023. O economista-chefe da Análise Econômica, André Galhardo, destaca que Donald Trump demonstra uma intenção clara de "manter os laços muito bem atados" na América Latina, diante do avanço da presença da potência asiática na região. "A China tem exercido uma influência muito grande nos países latino-americanos, e os EUA não têm interesse nessa aproximação geopolítica chinesa. Então, existem questões estratégicas de toda ordem: geopolíticas, econômicas, geográficas", diz Galhardo, sobre a postura de Trump. Para o economista, esse movimento também explica a redução das tensões de Donald Trump com o Brasil e a aproximação do republicano com a Argentina, em um gesto de expansão da influência norte-americana na América do Sul. "De repente, Trump passou a achar Lula um homem bom, né? Isso também acontece porque o Brasil se tornou um dos maiores produtores de petróleo do mundo, está prospectando volumes na margem equatorial, além do Sul do país, e planeja investir na extração de petróleo na África", acrescenta. Embora o Brasil não esteja entre os 10 países com maiores reservas, é o sétimo maior produtor de petróleo, com cerca de 4,3 milhões de barris por dia, segundo o órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. "O mesmo acontece na Argentina: a aproximação dos EUA tem muito mais relação com as reservas de petróleo — especialmente após descobertas em Vaca Muerta — do que com um alinhamento ideológico com Javier Milei", acrescenta Galhardo. Abertura para empresas dos EUA Por trás da tentativa de Trump de derrubar o governo de Nicolás Maduro também está a intenção do governo dos EUA de expandir o mercado da América do Sul para companhias norte-americanas, explica Marcos Sorrilha, da Unesp. O professor lembra de conversas públicas de María Corina Machado, principal líder da oposição a Maduro, com Donald Trump Jr., nas quais ela defendia a abertura do mercado venezuelano a empresas dos EUA. "Então, há também interesse em expandir parcerias de empresas norte-americanas no mercado venezuelano, não apenas para a extração de commodities e produtos primários, mas também para a exploração de processos e produtos industriais dentro do país", afirma. Em seu segundo mandato, Donald Trump tem adotado políticas e firmado acordos comerciais para incentivar exportações americanas e ampliar o acesso a mercados internacionais, inclusive com iniciativas para aumentar as vendas de tecnologia a países aliados. Doutrina Monroe: a estratégia por trás da agenda de Trump Conforme mostrou o g1, o governo de Donald Trump pretende ampliar o foco na América Latina e reduzir o peso de outros compromissos globais, transferindo parte das responsabilidades a aliados, segundo a nova estratégia de política externa publicada pela Casa Branca no início deste mês. O plano prevê um ajuste da presença militar global dos EUA “para enfrentar ameaças urgentes” no Hemisfério, além de recalibrar a atuação em áreas cuja relevância diminuiu para o país nas últimas décadas. Nesse sentido, o documento menciona explicitamente a Doutrina Monroe, formulada há mais de dois séculos, e afirma que Washington deve “retomar” seus princípios na relação com a América Latina. 🔎 Criada em 1823, a Doutrina Monroe estabelecia que qualquer intervenção de potências europeias no hemisfério ocidental seria considerada uma ameaça à segurança dos EUA. Ao mesmo tempo, definia a região como uma área de interesse estratégico prioritário para Washington. Carolina Moehlecke, da FGV, ressalta que a nova estratégia de política externa dos EUA resgata a doutrina de forma mais ofensiva, "ao estabelecer a América Latina como a região prioritária para sua segurança e prosperidade". "Além disso, amarra essa prioridade a evitar que a China, principalmente, tenha acesso a recursos estratégicos na região, alguns dos quais a Venezuela consegue fornecer", diz. Marcos Sorrilha, da Unesp, avalia que a estratégia retoma uma visão voltada à consolidação da hegemonia continental, com o objetivo de afastar concorrentes da região — especialmente a China — e assegurar a expansão dos interesses econômicos dos EUA na América Latina. Segundo ele, há um paralelo com a política adotada na virada do século XIX para o XX, que buscava a expansão das empresas americanas na região por meio da Open Door Policy (Política da Porta Aberta). No contexto mais amplo da política externa dos EUA, "esse objetivo era sustentado, quando necessário, pelo uso da força”, conclui. Infográfico mostra cerco dos EUA contra a Venezuela Arte/g1 Governo Trump vai aumentar presença militar na América Latina em nova política externa O presidente Donald Trump Al Drago/Reuters

Palavras-chave: tecnologia

Entenda por que a Justiça determinou a cassação dos mandatos de dois vereadores de BH

Publicado em: 20/12/2025 05:00

Vereadores de BH têm mandatos cassados A Justiça Eleitoral decidiu, em primeira instância, pela cassação dos mandatos dos vereadores Lucas Ganem (Podemos) e Leonardo Ângelo (Cidadania), eleitos em Belo Horizonte nas eleições de 2024. As decisões apontam irregularidades distintas cometidas durante o processo eleitoral. Apesar das sentenças, nenhum dos dois perde o mandato de forma imediata. Ainda cabem recursos contra as decisões, e os efeitos só passam a valer após o trânsito em julgado, quando não houver mais possibilidade de contestação nos tribunais. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Entenda os casos a partir dos pontos abaixo: Por que foi determinada a cassação dos mandatos de dois vereadores de BH? A cassação dos vereadores já está valendo? Qual foi o motivo da decisão pela cassação de Lucas Ganem? O que a Justiça determinou no caso de Lucas Ganem? Lucas Ganem pode perder o mandato antes do fim do processo judicial? Por que foi determinada a cassação do mandato de Leonardo Ângelo? O que a sentença apontou sobre a campanha de Leonardo Ângelo? Quais penalidades foram aplicadas a Leonardo Ângelo? As decisões afetam outros políticos ou partidos? O que acontece agora com os processos? Montagem com as fotos dos vereadores Lucas Ganem (Podemos, à esquerda da foto) e Leonardo Ângelo (Cidadania, à direita). Cristina Medeiros/CMBH + Dara Ribeiro/CMBH 1. Por que foi determinada a cassação dos mandatos de dois vereadores de BH? A Justiça Eleitoral entendeu que Lucas Ganem e Leonardo Ângelo cometeram irregularidades eleitorais graves nas eleições de 2024. No primeiro caso, foi reconhecida fraude no domicílio eleitoral. No segundo, abuso de poder econômico, uso de recursos proibidos e corrupção eleitoral. As decisões são de primeira instância e podem ser questionadas por recursos. 2. A cassação do mandato dos vereadores já está valendo? Não. As decisões não têm efeito imediato porque ainda cabem recursos ao Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) e a instâncias superiores. Até o fim do processo, os vereadores seguem no exercício do mandato normalmente, desde que não haja decisão favorável às cassações na própria Câmara Municipal. 3. Qual foi o motivo da decisão pela cassação de Lucas Ganem? Lucas Ganem foi alvo de decisão pelo mandato cassado por fraude na declaração de domicílio eleitoral. A Justiça concluiu que ele informou morar em Belo Horizonte sem comprovar vínculo real com o endereço declarado, mantendo ligações com outros estados, o que o tornou inelegível de forma irregular. LEIA TAMBÉM Prefeitura de BH troca presidência da Belotur a menos de dois meses do carnaval Zema diz que vai recorrer contra decisão de paralisar programa de escolas cívico-militares em MG 4. O que a Justiça determinou no caso de Lucas Ganem? A sentença determinou a cassação do mandato, a anulação dos votos recebidos e a declaração de inelegibilidade por oito anos, contados a partir das eleições de 2024. A decisão também prevê comunicação ao TRE-MG, à Câmara Municipal e a outros órgãos para apuração de possíveis crimes eleitorais. 5. Lucas Ganem pode perder o mandato antes do fim do processo judicial? Sim. Além da ação judicial, há um processo político-administrativo em andamento na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Esse procedimento é independente do processo judicial e pode resultar na cassação do mandato antes do desfecho na Justiça Eleitoral, se houver aprovação em plenário. 6. Por que foi determinada a cassação do mandato de Leonardo Ângelo? Leonardo Ângelo foi condenado por abuso de poder econômico, uso de recursos de fonte proibida, irregularidades na prestação de contas e corrupção eleitoral. A Justiça apontou a existência de uma estrutura paralela de campanha financiada de forma irregular durante as eleições de 2024. 7. O que a sentença apontou sobre a campanha de Leonardo Ângelo? Segundo a decisão, houve uso de recursos não declarados, incluindo verba de fonte vedada e prática de caixa dois. Os valores ocultados ultrapassaram R$ 450 mil. Também foram identificadas promessas de cargos públicos em troca de apoio político, caracterizando corrupção eleitoral. 8. Quais penalidades foram aplicadas a Leonardo Ângelo? A Justiça determinou a cassação do mandato, a anulação dos votos recebidos e a inelegibilidade por oito anos. Após o trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso, os votos devem ser recontados, e a Câmara Municipal de Belo Horizonte será oficialmente comunicada. 9. As decisões afetam outros políticos ou partidos? Não. Nos dois casos, as sentenças tratam diretamente apenas dos vereadores cassados. No processo de Leonardo Ângelo, a decisão menciona a atuação de uma campanha majoritária, mas o candidato citado não é parte na ação e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. 10. O que acontece agora com os processos? Os casos seguem na Justiça. Enquanto houver possibilidade de recurso, não há afastamento automático dos vereadores. A aplicação das penalidades depende da confirmação das sentenças em instâncias superiores da Justiça Eleitoral ou de decisão da Câmara Municipal. Vídeos mais assistidos do g1 MG

Palavras-chave: câmara municipal

CEO e diretora flagrados em show do Coldplay estão juntos? Como a relação começou? Executiva quebra silêncio e dá detalhes

Publicado em: 20/12/2025 04:01

Executiva flagrada com CEO em show do Coldplay relata ameaças de morte Cinco meses depois de ser flagrada ao lado do CEO da empresa em que trabalhava durante um show do Coldplay e se alvo de polêmica mundial, a diretora de Recursos Humanos Kristin Cabot decidiu romper o silêncio. Em entrevista ao jornal “The New York Times”, a executiva de 53 anos contou, pela primeira vez, sua versão. Ela relatou ameaças de morte, perseguição, exposição de dados pessoais, perda do emprego, impactos emocionais sobre os filhos e o peso de se tornar alvo de um julgamento público que ultrapassou fronteiras. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O episódio ocorreu em 16 de julho, durante um show do Coldplay em Boston, nos Estados Unidos. Cabot apareceu abraçada com Andy Byron, então CEO da empresa de tecnologia Astronomer, durante a tradicional “Kiss Cam”, que projeta casais no telão do estádio. Ao perceberem que estavam sendo exibidos, os dois se afastaram rapidamente, em uma reação que chamou a atenção do público e até do vocalista da banda, Chris Martin. Do palco, ele comentou que o casal parecia estar “tendo um caso ou que era muito tímido”. A cena foi registrada pela fã Grace Springer e publicada no TikTok. Em poucos dias, o vídeo ultrapassou 100 milhões de visualizações e se espalhou por redes sociais, telejornais e portais de notícias em diversos países. Cabot e Byron foram rapidamente identificados, e a repercussão foi imediata. O que acontece quando uma traição no trabalho é exposta? Casal tem reação inusitada em show do Coldplay e surpreende Chris Martin Reprodução/TikTok Cabot disse ao jornal que tentou, ao mesmo tempo, conversar com os filhos, preservar a relação com o então marido, Andrew Cabot — com quem já negociava o divórcio — e lidar com as consequências profissionais. A tentativa de manter algum controle sobre a própria narrativa, porém, foi engolida pela reação nas redes. Ela se tornou alvo de xingamentos, piadas e acusações. Foi chamada de “destruidora de lares”, “interesseira” e “amante”. Em um posto de gasolina, foi reconhecida por uma desconhecida que a chamou de “nojenta” e disse que “adúlteros são a escória da humanidade”. Segundo ela, durante semanas recebeu cerca de 600 ligações por dia e paparazzi passaram a se posicionar em frente à sua casa. Carros circularam lentamente pela rua e seus dados pessoais foram divulgados na internet. A executiva relatou ter recebido entre 50 e 60 ameaças de morte. Por que falar agora? Cabot contou que só decidiu falar agora porque percebeu que o silêncio estava consolidando uma imagem sobre ela que não refletia a realidade. “O silêncio é a aceitação”, afirmou ao "The New York Times". “Eu pensei: meu Deus, é isso que vai ficar marcado para o resto da minha vida.” Com apoio da família, Cabot contratou uma consultora de comunicação para ajudá-la a contar sua versão dos fatos e tentar minimizar os danos a si mesma e às pessoas próximas. Na entrevista, ela disse que não mantinha um relacionamento sexual com Byron. Segundo Cabot, antes daquela noite, os dois nunca haviam sequer se beijado. “Tomei uma decisão errada, bebi alguns drinks, dancei e me comportei de maneira inadequada com meu chefe. Não é algo trivial. Assumi a responsabilidade e abandonei minha carreira por isso. Esse é o preço que escolhi pagar.” Ela afirmou ainda que queria que os filhos entendessem que erros podem acontecer, mas que ninguém deveria ser ameaçado de morte por causa deles. Como tudo começou Criada no estado do Maine, Cabot contou que construiu sua carreira após passar por áreas como publicidade e vendas até chegar aos recursos humanos. Ao longo da trajetória, disse sempre ter se apresentado como uma profissional rigorosa e dedicada. Em 2024, ela se reuniu com Andy Byron no contexto profissional da Astronomer. Segundo Cabot, os dois perceberam rapidamente afinidade de estilo e pensamento. Ela assumiu oficialmente o cargo de diretora de RH da empresa em novembro daquele ano. No começo de 2025, enquanto almoçavam perto do escritório da companhia em Nova York, Cabot mencionou seu casamento em tom melancólico. Byron perguntou o que havia acontecido, e ela disse que pensava em se separar. Segundo Cabot, ele respondeu que vivia uma situação semelhante. Para ela, esse reconhecimento mútuo fortaleceu a relação profissional. Eles passaram a compartilhar confidências, riam juntos e, segundo a executiva, sentimentos intensos surgiram rapidamente. Ainda assim, afirmou que sabia que não poderia continuar se reportando a Byron caso a relação evoluísse. A separação do marido ainda era recente quando Cabot aceitou ir ao show do Coldplay com amigos. Fã da banda, ela convidou Byron para acompanhá-la. Antes do evento, encontraram um pequeno grupo de amigos próximos em uma churrascaria. No caminho para o estádio, Cabot descobriu que o futuro ex-marido também estaria no show, embora em outro setor. Seus assentos ficavam em uma área VIP, descrita por ela como escura e reservada. Os dois beberam alguns drinks e, conforme o show avançava, passaram a agir como um casal. Segundo Cabot, aquela foi a primeira e única vez em que se beijaram. Executiva flagrada com CEO em show do Coldplay relata ameaças de morte e perseguição Reprodução Do telão ao colapso Ao ver sua imagem projetada no telão do estádio, Cabot relatou ter sentido como se “alguém tivesse apertado um interruptor”. O que antes parecia alegria se transformou em pânico. Ela levou as mãos ao rosto e se desvencilhou de Byron, que tentou se esconder. Naquele momento, disse ter pensado em duas coisas: Primeiro, que Andrew Cabot estava em algum lugar no estádio e ela não queria humilhá-lo. Segundo, que Byron era seu chefe. “Sou a chefe de RH e ele é o CEO. É tão clichê e tão ruim”, afirmou. Os dois correram para o bar do estádio e começaram a discutir como lidar com a exposição. Ainda antes de deixarem o local, concordaram que precisariam informar o conselho da empresa. Já de madrugada, no apartamento de Cabot na região de Boston, tentaram definir quem escreveria o e-mail, o que seria dito e quem o enviaria. Segundo ela, crises de pânico começaram a surgir. Por volta das 4h da manhã, Cabot recebeu uma mensagem com a captura de tela de um vídeo no TikTok. Às 6h, quando o e-mail foi enviado ao conselho, o vídeo já se espalhava rapidamente pelas redes. Impactos profissionais e familiares Cabot contou que dirigiu até a casa do ex-marido para conversar com os filhos antes que soubessem do episódio por terceiros. Disse que a filha de 14 anos chorou ao ouvir a explicação. Em seguida, participou de uma teleconferência com o conselho da Astronomer. Segundo ela, os conselheiros reconheceram que todos cometem erros, mas afirmaram que a empresa precisaria investigar o caso. No sábado seguinte, Andy Byron pediu demissão. A história já era notícia em veículos de vários países. Cabot alugou uma casa nas montanhas para tentar se recompor, mas afirmou que passou o fim de semana sem dormir. Seus dados pessoais foram divulgados, e o telefone não parava de tocar. A polícia reforçou a vigilância em sua casa, e ela instalou câmeras de segurança. Após a investigação, a Astronomer teria pedido que ela retornasse ao cargo, segundo Cabot. Ela disse ter recusado, afirmando não conseguir se imaginar à frente do RH sendo alvo de chacota. A demissão negociada foi anunciada em 24 de julho. O jornal “The New York Times” procurou a empresa, que se recusou a comentar o caso. Medo, isolamento e julgamento Segundo Cabot, por semanas ela quase não saiu do quarto. Mensagens que indicavam conhecimento detalhado de sua rotina a aterrorizaram. Em um episódio, reproduziu uma dessas ameaças para a mãe sem perceber que os filhos ouviam atrás da porta. A partir daí, disse que todos passaram a temer espaços públicos. Com o fim do verão, a situação começou a se estabilizar. Cabot entrou com o pedido de divórcio. Andrew Cabot divulgou um comunicado confirmando que eles já estavam separados na época do show e pedindo privacidade. Os filhos voltaram à escola com acompanhamento psicológico. Cabot retomou atividades como jogar tênis e começou a refletir sobre o retorno ao mercado de trabalho. Ela disse que manteve contato com Byron, mas que os dois decidiram se afastar definitivamente em setembro. Chris Martin se surpreende com reação de casal em show do Coldplay Por que o vídeo viralizou A professora Brooke Duffy, da Universidade Cornell, afirmou ao jornal que escândalos desse tipo frequentemente recaem de forma mais dura sobre mulheres. Segundo Duffy, situações envolvendo traição e exposição pública costumam se transformar em uma dissecação moral feminina. Embora Byron também tenha sido alvo de críticas, o peso maior teria recaído sobre Cabot. Ela negou a ideia de que tenha alcançado cargos de liderança por favores sexuais. Disse que trabalha desde os 13 anos e que, após o divórcio do primeiro marido, sustentou sozinha a família. “Passei grande parte da minha carreira afastando assédios. A ideia de que conquistei meu lugar dormindo com homens me enfurece”, afirmou. Cabot disse ainda que as críticas mais duras vieram de outras mulheres, tanto nas redes sociais quanto presencialmente. Ao pensar no futuro profissional, afirmou temer que o episódio continue a defini-la. Ainda assim, disse querer deixar uma mensagem clara para os filhos. “Você pode errar. Pode fazer besteira. Mas ninguém deveria ser ameaçado de morte por isso.”

Palavras-chave: tecnologia

'Avatar: Fogo e cinzas' e 'O caminho da água' nasceram como um filme só, diz James Cameron

Publicado em: 20/12/2025 04:00

James Cameron defende a liberdade criativa da captura de performance usada em 'Avatar' "Avatar: Fogo e cinzas" e o capítulo anterior da franquia nasceram como um só filme na cabeça de seu criador, o cineasta James Cameron. g1 já viu: 'Avatar: Fogo e cinzas' é montanha-russa estonteante na qual história é mero adendo O novo episódio, em cartaz nos cinemas brasileiros desde quinta-feira (18), se tornou algo próprio quando o diretor/corroteirista percebeu que tinha "história demais" — por mais que ambos tenham sido filmados ao mesmo tempo. "Estávamos tentando encaixar muita coisa no primeiro ato do filme 2, que acabou se tornando 'O caminho da água' (2022) — incluindo a transformação do Spider (Jack Champion), sobre a qual não queremos falar muito —, então eu dividi a história ao meio e movi isso para fora, e isso se tornou o elemento central de 'Fogo e cinzas'", afirma o cineasta, em um hotel de Los Angeles, em entrevista ao g1. Até por isso, o filme é uma continuação muito mais direta de seu antecessor do que o subtítulo sugere — e também muito mais ligado aos oceanos da lua de Pandora, onde a história acontece desde o estrondoso sucesso do primeiro "Avatar", que arrecadou quase US$ 3 bilhões desde 2009. A trama acompanha novamente o antigo soldado reencarnado como Na'Vi (Sam Worthington), agora lidando com as consequências emocionais e familiares da perda do filho mais velho (Jamie Flatters). Para proteger os mares de seu lar da ambição dos colonizadores humanos, ele busca novos e antigos aliados enquanto enfrenta uma nova dinâmica dentro da própria família — especialmente na relação com Neytiri (Zoë Saldaña). Mais do que a introdução do Povo das Cinzas, a tribo hostil de Na’Vi apresentada no filme, Cameron diz que o coração da história está na continuidade direta dos arcos iniciados em "O caminho da água". "É na continuação dos arcos dos personagens do 2 para o 3 onde eu acho que está a força: o que acontece com o Spider, o que acontece com a Kiri (Sigourney Weaver), o que acontece com o Jake e a Neytiri e o casamento deles, a história de amor deles, que agora está sendo despedaçada pela perda do filho mais velho, e pelo ódio e pela fúria dela, que se tornam bastante racistas no filme." Sam Worthington em cena de 'Avatar: Fogo e cinzas' Divulgação Uma ideia na cabeça e um Cameron na mão A captura de performance — tecnologia que transfere com precisão as atuações dos atores para os personagens digitais — de "Fogo e cinzas" e "O caminho da água" levou cerca de 18 meses, um tempo muito maior do que o de uma filmagem tradicional. As gravações de "Titanic", outro sucesso gigantesco da carreira de Cameron, levaram cerca de seis meses, por exemplo. Com os "Avatar", o processo lhe dá uma liberdade inédita. Por mais árduo que seja o processo do registro das atuações, depois disso os atores estão livres para seguirem para o próximo projeto — e o cineasta, por sua vez, tem controle quase absoluto sobre as performances. "Agora eu posso estar aqui ou posso estar filmando de um helicóptero, ou qualquer coisa entre uma coisa e outra. Posso pegar uma cena de dia e transformá-la em uma cena noturna. Posso adicionar chuva. Posso fazer todo tipo de coisa." Apesar da ambição técnica e do histórico de sucesso da franquia, o futuro de "Avatar" ainda não está garantido. Mesmo com mais de US$ 5 bilhões arrecadados pelos dois primeiros filmes, Cameron diz que a série ainda precisa se provar como modelo de negócio sustentável. "Até agora, batendo na madeira, tivemos sorte, mas dois filmes não traçam muita curva, certo? Precisamos de um terceiro — precisamos de um terceiro ponto de dados para ver o quão viável essa franquia é." Oona Chaplin em cena de 'Avatar: Fogo e cinzas' Divulgação Com orçamento estimado em cerca de US$ 400 milhões e outros US$ 150 milhões destinados a marketing, "Fogo e cinzas" precisa arrecadar quase o triplo desse valor para ser considerado rentável. "Até algumas das franquias de elite, como 'Star Wars' e Marvel, tiveram seus altos e baixos. E nós nem estamos nesse patamar ainda", afirma. As histórias de "Avatar 4" e "Avatar 5" já estão escritas, segundo o diretor, mas sua realização depende do desempenho do terceiro capítulo. "Eu sei o que faria se fizermos esses filmes. E as histórias são muito boas. Mas isso precisa funcionar como um modelo de negócio. Há muitos empregos em jogo. Há muito dinheiro em jogo." Zoe Saldaña em cena de 'Avatar: Fogo e cinzas' Divulgação

Palavras-chave: tecnologia

Carro de mãe e filho mortos em acidente em MG ficou entre dois veículos

Publicado em: 20/12/2025 04:00

Mãe e filho de 3 anos morrem em acidente na BR-153 O veículo em que estavam mãe e filho que morreram após acidente registrado na quinta-feira (18) na BR-153, em Prata, no Triângulo Mineiro, foi atingido pela frente e pela traseira. A informação foi confirmada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta sexta-feira (19). Segundo o inspetor Filipe Saad, até o momento não é possível determinar a dinâmica do acidente. As circunstâncias só serão esclarecidas após a finalização do Laudo Pericial de Sinistro de Trânsito (LPST). "A previsão é de que ele fique pronto em cinco dias, mas as equipes dependem de algumas informações, então esse prazo pode ser prorrogado", afirmou. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp As vítimas foram identificadas como Marcela de Oliveira Silva, de 42 anos, e seu filho Luis Eduardo Vieira Rodrigues de Oliveira, de 3 anos. De acordo com o Corpo de Bombeiros, uma carreta teria atingido o carro em que estavam mãe e filho. No entanto, a informação não foi confirmada pela PRF. Marcela morreu no local. A criança chegou a ser socorrida em estado grave e levada para o Pronto Socorro Municipal de Prata, mas não resistiu aos ferimentos. O pai da criança, que também estava no veículo, também foi levado ao mesmo hospital após entrar em estado de choque. Na manhã de sexta-feira (19), segundo a unidade hospitalar, ele permanecia internado em observação, sem risco. Marcela era artesã, zootecnista e mestre em Produção Animal pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Atuava com papelaria criativa e, em sua última postagem nas redes sociais, no dia 14 de dezembro, compartilhou um trabalho de encadernação personalizada com a mensagem: “Que 2026 venha leve, suave e cheio de luz”. Traslado para a Paraíba De acordo com a Funerária LIV, responsável pela preparação e transporte dos corpos, Marcela e Luis Eduardo serão levados para Alagoa Grande (PB), cidade natal da família. Na manhã de sexta-feira, os familiares ainda decidiam se o traslado seria feito por via terrestre ou aérea para agilizar o processo. O prefeito de Alagoa Grande, Neto Carneiro (PRD), lamentou a tragédia e contou ao g1 que Marcela pertencia a uma família tradicional da cidade, com histórico político. Ela é filha do ex-vereador Moacir Carlos e sobrinha do atual presidente da Câmara Municipal, Marcelo Carlos da Silva (PP). O avô de Marcela também foi vereador na cidade. A família viajava de férias para a Paraíba, quando sofreu o acidente. Nas redes sociais, o prefeito divulgou uma nota de pesar lamentando a morte de Marcela e do filho e se solidarizando com os familiares. Marcela e o filho Luis Eduardo, vítimas do acidente na BR-153 Redes sociais/Reprodução Acidente envolveu carreta e três carros O acidente envolveu três carros e uma carreta na tarde de quinta-feira (18), no km 94 da BR-153, próximo a Prata. Segundo o Corpo de Bombeiros, eles estavam em um dos veículos de passeio atingidos pela carreta. Ao g1, o comandante do Corpo de Bombeiros de Prata, tenente André Mariano, afirmou que as equipes retornavam de uma ocorrência quando se depararam com o acidente. LEIA TAMBÉM: Motorista morre em acidente com possível salto de caminhão Quem era o motorista que morreu após possível salto de caminhão Após falhas mecânicas, megacarga chega em Campo Florido Pai da criança e condutor do veículo saiu ileso Corpo de Bombeiros/Divulgação O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a concessionária Triunfo Concebra e equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) também atuaram na ocorrência. De acordo com a concessionária, o acidente ocorreu por volta das 14h20, e a rodovia permaneceu interditada nos dois sentidos por quase três horas para atendimento às vítimas, retirada dos veículos e limpeza da via. Infográfico - acidente na BR-153, em Prata, no Triângulo Mineiro Arte/g1 VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

Palavras-chave: câmara municipal

Quem era adolescente promessa das corridas de cavalos que morreu aos 16 anos em acidente na reta final de prova no RJ

Publicado em: 20/12/2025 01:00

Adolescente promessa das corridas de cavalos morre após queda no Hipódromo da Gávea Joaquim Pavoski Dapper tinha apenas 16 anos, mas já carregava um grande sonho: ser um dos principais nomes do turfe brasileiro. Ele morreu após sofrer uma queda durante um páreo no Hipódromo da Gávea, no Rio de Janeiro, no dia 9 de dezembro. Desde então, estava internado, mas não resistiu. A morte cerebral foi confirmada na quarta-feira (17). Natural de Faxinalzinho, no Norte do Rio Grande do Sul, cidade com pouco mais de 2,5 mil habitantes, ele começou a montar aos 12 anos e conquistou espaço no meio das corridas de cavalos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Conhecido nas pistas como J. Pavoski, o adolescente estreou no Hipódromo da Gávea há três meses: venceu logo na primeira participação. Joaquim era filho de Ivonei Dapper, secretário de Comércio e Turismo de Faxinalzinho, e de Jucélia Pavoski Dapper, vereadora. Prefeitura e Câmara Municipal divulgaram notas de pesar pelo falecimento do adolescente, destacando o impacto da perda para a comunidade: "Neste momento de dor e consternação, a Administração Municipal expressa suas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e a todos que tiveram o privilégio de conviver com Joaquim", diz a publicação. O Jockey Club Brasileiro também lamentou a morte e ressaltou a trajetória do aprendiz: "Reiteramos nosso compromisso de apoiar os profissionais do esporte em todas as circunstâncias e agradecemos a dedicação de todos que acompanharam a trajetória de J. Pavoski." Até a publicação desta reportagem, não havia informações sobre velório ou cerimônia de despedida. Joaquim Pavoski Dapper era promessa do turfe e morreu após acidente em hipódromo no RJ Sylvio Rondinelli/Jockey Club Brasileiro O acidente No dia do acidente, Joaquim estava no grupo intermediário da prova, atrás dos líderes, quando caiu a poucos metros da linha de chegada (veja vídeo acima). O primeiro atendimento foi feito pela equipe médica do hipódromo. Depois, ele foi levado para o Hospital Miguel Couto e, no sábado (13), transferido para o Hospital Pasteur. A morte cerebral foi confirmada na quarta-feira (17), e um exame complementar no dia seguinte oficializou o óbito, segundo o Jockey Club Brasileiro. Joaquim Pavoski Dapper era promessa do turfe e morreu após acidente em hipódromo no RJ Divulgação/Câmara Municipal de Faxinalzinho VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: câmara municipal

Empresa chinesa dona do TikTok fecha acordo para vender operação da plataforma nos EUA

Publicado em: 19/12/2025 21:40

Empresa chinesa dona do TikTok fecha acordo para vender a filial da rede social nos EUA A empresa chinesa dona da rede social TikTok fechou um acordo para vender a operação da filial plataforma nos Estados Unidos. A companhia ByteDance fechou o negócio com três empresas: Oracle, uma das primeiras criadoras de bancos de dados dos Estados Unidos; Silver Lake, uma firma de investimentos que compra partes de empresas de tecnologia - como o X e o Airbnb; MGX, um fundo dos Emirados Árabes que investe em inteligência artificial. Elas serão responsáveis por armazenar os dados dos usuários americanos em data centers da Oracle. Também vão assumir o controle do algoritmo que determina o que os americanos veem quando abrem o aplicativo, além de tomar decisões de moderação sobre o que pode ou não ser publicado. Essas três empresas vão controlar 45% do TikTok. O restante será divido entre investidores menores. As informações são de um memorando interno que o CEO do TikTok, Shou Chew, enviou aos funcionários. A imprensa americana teve acesso ao documento. O CEO deu a entender que o acordo será celebrado no dia 22 de janeiro de 2026. O negócio é para manter o TikTok funcionando nos Estados Unidos depois de uma batalha que já dura seis anos. Começou em 2019, quando autoridades apontaram que o crescimento do aplicativo poderia fazer com que o governo chinês tivesse acesso aos dados dos usuários americanos e pudesse usá-los para influenciar pessoas. Foi em meio às manifestações “Vidas Negras Importam”, amplificadas em grande parte pelas redes sociais, que Donald Trump transformou a questão em bandeira política. No verão de 2020, assinou um decreto para banir o TikTok nos Estados Unidos, caso a rede social não fosse vendida para uma empresa americana. Citou risco à segurança nacional. O TikTok virou bandeira de campanha de Trump para tentar a reeleição, disputa que ele perdeu para Joe Biden. Mas o novo presidente continuou a luta de maneira silenciosa. Os dados dos americanos no TikTok passaram a ser armazenados nos servidores da Oracle. No Congresso, os dois partidos - democrata e republicano - manifestaram preocupação com uma possível interferência da China. Os parlamentares aprovaram uma lei que também exigia a venda da operação do TikTok nos Estados Unidos para uma empresa local, sob pena de banir a plataforma. O prazo para isso vencia no começo de 2025, quando Trump assumiu, mas o presidente estendeu o prazo várias vezes até 16 de dezembro. São 170 milhões de usuários do TikTok nos Estados Unidos. A plataforma é uma das maiores para lançar movimentos - principalmente entre os mais jovens. O acordo para manter o TikTok funcionando mostra que, quando se entende o escopo cultural das redes sociais, o governo americano aplica dois pesos e duas medidas. Trump já chamou de censura e de ataque à liberdade de expressão as tentativas da Europa e do Brasil de regular as redes sociais para combater a desinformação e o discurso de ódio e antidemocrático. O acordo com o TikTok escancara a contradição: censura quando são os outros, segurança nacional quando se trata deles mesmos. LEIA TAMBÉM TikTok assina acordo para venda nos Estados Unidos, diz agência ByteDance assina acordo para transferir controle do TikTok nos EUA a nova empresa