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Da Ásia à América do Sul: como a tecnologia e a frustração com o poder público espalharam protestos da 'Geração Z' pelo mundo

Publicado em: 04/10/2025 06:01

Protestos da Geração Z se espalham pelo mundo A Geração Z ganhou destaque global em 2025 ao se levantar contra governos em diferentes partes do mundo. Em um fenômeno impulsionado pelas redes sociais, jovens transformaram as próprias frustrações em protestos que derrubaram políticos e expuseram privilégios da elite em vários países. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp ▶️ Contexto: A Geração Z é o nome dado ao grupo de pessoas nascidas entre 1995 e 2009. É a primeira geração considerada nativa digital, pois cresceu em meio à internet, e costuma ser mais crítica e engajada em debates sobre diversidade, sustentabilidade e política. Nos últimos meses, esse grupo protagonizou manifestações nos seguintes países: Quênia: A morte do blogueiro Albert Ojwang levou centenas de pessoas às ruas. Jovens da Geração Z exigiram renúncia do vice-chefe da polícia e do presidente, além do fim da brutalidade policial. Indonésia: No fim de agosto, protestos contra regalias de parlamentares ganharam força no país. O presidente suspendeu alguns benefícios a políticos para controlar a crise. Nepal: A Geração Z usou as redes para organizar atos contra o luxo de políticos e pobreza da população. O movimento derrubou o governo e provocou novas eleições parlamentares. Filipinas: Milhares foram às ruas para protestar contra a corrupção em projetos de controle de enchentes. O estopim para a revolta foi a exibição de carros de luxo por um casal de empreiteiros. Peru: Jovens protestaram contra a presidente e o Congresso devido a uma reforma da previdência. No radar também está o aumento da criminalidade, a corrupção e a economia. Madagascar: Desde a última semana de setembro, jovens protestam contra cortes de energia e falta de água. Eles exigem a renúncia do presidente. Marrocos: Jovens estão protestando contra gastos da Copa do Mundo e pedem mais investimento em saúde e educação —atos semelhantes aconteceram no Brasil em 2013 e 2014. Os movimentos foram organizados pelas redes sociais. Dos sete países mencionados, cinco tinham governos de direita no momento da eclosão dos protestos, enquanto dois eram administrados pela esquerda. 👉 Além da importância da Geração Z na mobilização das manifestações pela internet, os atos apresentam pontos em comum, como a frustração da população com o poder público, a desigualdade social e os pedidos por mudanças. Por outro lado, em todos os países, as manifestações foram recebidas com repressão policial e acabaram marcadas pela violência — o que resultou em mortes, feridos e detidos, além de episódios de vandalismo. Também chama a atenção o fato de os manifestantes usarem como símbolo uma bandeira com a caveira do mangá "One Piece". Na animação, ela representa a liberdade contra o governo. 🔍 Para o advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Ronaldo Lemos, os protestos da Geração Z representam uma mudança na forma de organização e mobilização social. Se antes sindicatos, partidos e movimentos estudantis tinham papel central, agora a convocação acontece de forma autônoma pelas redes sociais. Segundo Lemos, essa combinação permite reações rápidas, sem necessidade das estruturas hierárquicas tradicionais. Embora não tenham uma busca direta pelo poder, esses movimentos desafiam instituições e podem gerar desfechos imprevisíveis, que vão da repressão estatal à radicalização. Nesta reportagem você vai ver: Por que a Geração Z está protestando? Manifestações no Quênia após morte de blogueiro Protestos na Indonésia contra regalias de políticos Movimentos no Nepal contra a desigualdade Manifestações nas Filipinas após acusações de corrupção Peruanos protestam contra o governo e a reforma da previdência Em Madagascar, jovens se mobilizam contra o governo Manifestações no Marrocos por causa de gastos com a Copa de 2030 1. Por que a Geração Z está protestando? Manifestantes com a bandeira do mangá 'One Piece' em Madagascar REUTERS/Siphiwe Sibeko A Geração Z tem aliado a facilidade de se conectar ao contexto de frustração que enfrenta nesses países, com desemprego elevado, desigualdade e falta de oportunidades. 🔍 Para Ronaldo Lemos, advogado e diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, as redes sociais amplificam rapidamente essas percepções de injustiça e favorecem reações imediatas que culminam em protestos. “A força está justamente no fato de não buscarem o poder diretamente. Aliás, é o exercício de um novo tipo de poder”, diz Lemos. “O risco é que esses protestos não tenham interface institucional, o que abre caminho para o imprevisível.” "A consequência pode ser esvaziamento, violência, radicalização ou ciclos de protesto-repressão com resultados imprevisíveis." Além disso, segundo Lemos, a onda atual de protestos representa uma mudança na forma de comunicação e organização. Se antes as manifestações eram lideradas por sindicatos, partidos ou movimentos estudantis, agora grupos autônomos fazem a convocação pelas redes sociais. Essa transformação não é recente. Lemos lembra da Primavera Árabe e das manifestações de junho de 2013 no Brasil, quando muitos grupos se mobilizaram pelo Facebook. No caso do Brasil, os protestos foram seguidos de descontentamento generalizado com a classe política, a Operação Lava Jato, o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a projeção nacional de Jair Bolsonaro — e do bolsonarismo como movimento político —, além da polarização e o fortalecimento da extrema direita no Brasil. “Agora, o que está acontecendo é uma prevalência do TikTok, do Discord e do X. Vale notar que os vídeos curtos do TikTok são responsáveis pelo apelo emocional que desencadeou vários movimentos. O Discord virou pano de fundo para a coordenação persistente dos manifestantes”, afirma. "A consequência é que a disputa da narrativa acontece primeiro on-line, às vezes totalmente fora do olhar público por meio do Discord, e só depois transborda para a mídia tradicional." O professor destaca o papel central do Discord nesses movimentos. A rede é bastante popular entre os jovens, mas ainda pouco conhecida pelo público em geral, diferentemente de plataformas como Instagram e WhatsApp. Nos últimos protestos, segundo Lemos, o Discord funcionou como um “quartel-general” oculto para a sociedade e até mesmo para a imprensa, enquanto outras redes integraram a coordenação em tempo real. Cada plataforma tem um papel específico: o TikTok fornece o repertório visual e emocional em vídeos curtos; o Discord atua como centro de organização invisível para o público, mas essencial para os participantes; o X funciona como uma coletânea de manchetes globais, fazendo a ponte entre espaços fechados e a imprensa. Essa combinação, segundo Lemos, produz mobilizações muito mais rápidas, sem necessidade de hierarquia tradicional. 👉 O Brasil não está distante desse modelo. Embora o país não enfrente atualmente uma onda de protestos nos moldes do que ocorre na Ásia, África e América Latina, um exemplo recente mostrou a força da mobilização digital: o vídeo do influenciador Felca. “Ao fazer um vídeo de grande conteúdo emocional, ele conseguiu mobilizar o país em torno de uma causa e provocar uma resposta imediata do Congresso sobre a proteção de crianças e adolescentes on-line”, afirma. “Isso mostrou como um único conteúdo audiovisual pode cristalizar indignação e pautar instituições.” Protestos da Geração Z pelo mundo Arte/g1 Voltar ao início. 2. Quênia e morte de blogueiro No fim de junho, centenas de pessoas foram às ruas de Nairóbi, no Quênia, para protestar contra a morte de Albert Ojwang. Ele era um professor e blogueiro de 31 anos que morreu enquanto estava detido. Ojwang havia sido preso por supostamente difamar o vice-chefe de polícia, Eliud Lagat. Ele usava as redes sociais para debater questões políticas e sociais. Segundo a Deutsche Welle, a polícia chegou a alegar que o blogueiro tinha tirado a própria vida na prisão ao bater a cabeça contra a parede da cela. Dias depois, uma autópsia desmentiu a versão. O exame indicou que Ojwang morreu após ser agredido, com ferimentos na cabeça e no pescoço. O presidente William Ruto condenou o caso. Os manifestantes pediram a renúncia de Lagat, responsabilização dos envolvidos e o fim da brutalidade policial. Com o tempo, o movimento passou a criticar também a pobreza e a incapacidade do governo em lidar com problemas sociais, exigindo a saída de Ruto do poder. Os protestos, liderados por jovens da Geração Z, acabaram em confrontos com a polícia. Mais de 30 pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e mais de 500 foram presas. Também houve registros de vandalismo, com saques a comércios e veículos incendiados. Eliud Lagat chegou a renunciar temporariamente, mas retomou o cargo cerca de um mês depois. William Ruto segue como presidente do Quênia. Voltar ao início. 3. Indonésia contra regalias de políticos Estudantes protestam contra regalias de políticos na Indonésia, em 4 de setembro de 2025 REUTERS/Willy Kurniawan Os protestos na Indonésia começaram em 25 de agosto, motivados por regalias concedidas a parlamentares, como auxílios-moradia. A população também se mostrou frustrada com a desigualdade social e com cortes no orçamento regional, que levaram autoridades locais a aumentar impostos sobre propriedade. As manifestações começaram em Jacarta, em frente ao Parlamento. Alguns movimentos surgiram de forma espontânea, enquanto outros foram liderados por grupos estudantis. Em uma semana, os protestos se espalharam pelo país, sendo que muitos acabaram em violência e confronto com a polícia. A revolta aumentou depois que um mototaxista, que não participava dos atos, morreu ao ser atingido por um veículo da tropa de choque. O caso desencadeou ondas de vandalismo e incêndios em prédios públicos. Nas redes sociais, usuários passaram a divulgar dados pessoais de autoridades. Casas de oficiais foram saqueadas, inclusive a do parlamentar Ahmad Sahroni, que chamou de “estúpidas” as pessoas que defendiam a dissolução do Parlamento devido aos subsídios recebidos pelos políticos. Em resposta, o presidente Prabowo Subianto anunciou a suspensão de alguns benefícios aos parlamentares, ao mesmo tempo que prometeu reprimir atos violentos. Pelo menos oito pessoas morreram durante as manifestações e 1.200 foram detidas. Voltar ao início. 4. Nepal contra a desigualdade Jovens tiram selfie com o palácio do governo do Nepal em chamas ao fundo, em 9 de setembro de 2025 AP Photo/Niranjan Shrestha No Nepal, milhares de pessoas foram às ruas no início de setembro em uma manifestação motivada pelo contraste entre a ostentação de políticos e a pobreza da população. À época, o bloqueio de redes sociais foi visto como a gota d'água para uma revolta sem precedentes no país. A onda de protestos resultou em cenas históricas, com prédios governamentais e casas de ministros incendiadas. Autoridades do governo também foram arrastadas pela multidão e agredidas. A desigualdade social está entre os principais pontos de descontentamento dos jovens nepaleses. Segundo o Banco Mundial, os 10% mais ricos ganham mais de três vezes a renda dos 40% mais pobres do país. Além disso, 22% dos jovens entre 15 e 24 anos estão desempregados. As manifestações foram organizadas pela internet. Usuários usaram as redes sociais para criticar a elite nepalesa e publicar fotos de filhos de políticos ostentando luxo, enquanto jovens de famílias pobres estavam fora do país para tentar sustentar seus parentes. Os protestos foram recebidos com violência pela polícia. Os confrontos provocaram a morte de 74 pessoas. Por outro lado, o movimento derrubou o primeiro-ministro e resultou na convocação de eleições para março de 2026. Voltar ao início. 5. Filipinas e as acusações de corrupção Filipinos protestam contra a corrupção em Manila, em 21 de setembro de 2025 REUTERS/Lisa Marie David Os protestos nas Filipinas começaram após o início de uma investigação sobre um possível esquema de corrupção em projetos de controle de enchentes. O país depende dessas obras, já que é frequentemente atingido por tufões. Só em julho, 300 mil pessoas ficaram desalojadas e 26 morreram devido às chuvas. Segundo o presidente Ferdinand Marcos Jr., foram identificadas irregularidades em muitos dos quase 10 mil projetos em andamento, que somam US$ 9,5 bilhões (R$ 50 bilhões) em investimentos. A revolta ganhou força depois que um casal rico, dono de construtoras que venceram contratos milionários para obras de contenção de enchentes, mostrou dezenas de carros de luxo em entrevistas. Entre os veículos exibidos estava um modelo britânico de US$ 737 mil (R$ 3,9 milhões). O casal disse que comprou o carro porque “vinha com um guarda-chuva grátis”. Em depoimento, os empresários afirmaram que autoridades e congressistas exigiram altas quantias em propina para liberar contratos em obras públicas. No dia 21 de setembro, milhares de pessoas foram às ruas contra a corrupção. Cerca de 33 mil manifestantes se reuniram em um parque histórico de Manila. Outro grupo, que se posicionou na região do palácio presidencial, entrou em confronto com a polícia. Manifestantes atiraram pedras, garrafas e bombas caseiras. Também houve atos de vandalismo. Cerca de 200 pessoas foram detidas. “Me sinto mal porque nos afundamos na pobreza, perdemos nossas casas, nossas vidas e nosso futuro, enquanto eles acumulam fortunas com os impostos que pagamos, usados em carros de luxo, viagens ao exterior e grandes negócios corporativos”, disse a estudante e ativista Althea Trinidad à agência Associated Press. Voltar ao início. 6. Peruanos e a reforma da previdência Os manifestantes tentaram invadir a sede do Congresso no Peru REUTERS As manifestações no Peru começaram na segunda quinzena de setembro, com jovens indo às ruas protestar contra a presidente Dina Boluarte e a reforma na previdência. A lei aprovada recentemente obriga todos os maiores de 18 anos a se filiar a uma instituição previdenciária. A medida, porém, foi apenas o gatilho dos protestos. O governo e o Congresso já enfrentavam forte rejeição, com índices de aprovação abaixo de 5%, segundo pesquisas recentes. Entre as queixas da população estão escândalos de corrupção, insegurança econômica e aumento da criminalidade. Também pesa a falta de responsabilização pelas dezenas de mortes causadas pela repressão policial em 2022, quando o ex-presidente Pedro Castillo foi preso e destituído. "Estamos cansados ​​de normalizar isso. Desde quando normalizamos a morte, desde quando normalizamos a corrupção, a extorsão", disse o estudante Santiago Zapata à agência Reuters. “Minha geração está indo às ruas agora porque estamos cansados de ser silenciados, de viver com medo, quando o governo que elegemos é que deveria temer a nós.” As manifestações de setembro se concentram em Lima, onde houve confronto com a polícia. Várias pessoas ficaram feridas, incluindo manifestantes, jornalistas e policiais. Voltar ao início. 7. Insatisfação em Madagascar Manifestantes protestam contra frequentes cortes de energia e escassez de água em Madagascar REUTERS/Zo Andrianjafy As manifestações em Madagascar começaram na última semana de setembro, motivadas pela crise no abastecimento de água e pelos cortes de energia no país. Os protestos foram liderados pela Geração Z e inspirados pelos movimentos no Quênia e no Nepal. Os atos se tornaram a maior onda de mobilização popular em anos. Em meio à pressão, o presidente Andry Rajoelina dissolveu o governo. Mesmo assim, a medida não conteve a revolta popular. Os manifestantes passaram a exigir a renúncia do presidente, além da dissolução da comissão eleitoral, do Senado e da mais alta corte do país. Os protestos se espalharam pelo país. No sul da ilha, centenas de pessoas marcharam com cartazes pedindo a saída de Rajoelina. Já no norte, também houve marchas sob escolta policial. Segundo a imprensa internacional, os atos foram organizados principalmente pela internet. Houve confrontos com a polícia, que lançou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. O governo decretou toque de recolher. Segundo a ONU, ao menos 22 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas na primeira semana de protestos. Esses dados são rejeitados pelo governo. Analistas apontam que os atos não são apenas contra falhas de gestão, mas também contra uma elite política que, desde a independência em 1960, mantém o controle sobre o Estado e a economia, o que resultou no aprofundamento da pobreza. "Redes de elite continuam capturando instituições estatais, desviando recursos públicos e usando a pobreza como arma para manter o controle", escreveu Ketakandriana Rafitoson, vice-presidente global da Transparência Internacional. Voltar ao início. 8. Marrocos e a Copa de 2030 Manifestantes ateiam fogo em edifício durante manifestações contra o governo em Salé, na região metropolitana de Rabat, no Marrocos, em 1° de outubro de 2025. Abdel Majid Bziouat/AFP No Marrocos, as manifestações começaram no dia 27 de setembro, com jovens protestando contra gastos para a Copa do Mundo de 2030 e exigindo maiores investimentos em saúde e educação. O grupo que lidera os atos pede a renúncia do governo. Os protestos foram organizados online por um grupo juvenil anônimo chamado GenZ 212. O movimento se inspirou em manifestações lideradas por jovens na Ásia e América Latina. Para mobilizar apoio, o grupo usou redes como TikTok, Instagram e o aplicativo Discord, onde o número de membros passou de 3 mil para mais de 150 mil atualmente em poucos dias. No Marrocos, 12,8% da população juvenil está desempregada, com índices altos inclusive entre jovens graduados. Apesar de haver manifestações pacíficas, alguns atos acabaram em violência após confrontos com a polícia. Pelo menos três pessoas morreram, mais de 300 ficaram feridas e centenas foram presas, segundo o governo. O polo turístico de Marrakesh registrou confrontos violentos, incluindo o incêndio de uma delegacia de polícia. Em Salé, uma grande cidade do noroeste do país, bairros densamente povoados registraram ataques a policiais, saques a lojas e incêndios em bancos. Um porta-voz do Ministério do Interior afirmou que 70% dos participantes de atos de vandalismo e confrontos com as forças de segurança em todo o país são menores de idade. A violência nos protestos reduziu o apoio popular aos atos, segundo a agência Reuters. Voltar ao início.

Palavras-chave: tecnologia

Como é o teste de R$ 10 da Unesp que detecta metanol em bebidas alcoólicas em apenas 15 minutos

Publicado em: 04/10/2025 06:00

Unesp desenvolveu método para detectar metanol em bebidas há 3 anos Diante de um crescente número de casos de intoxicação por metanol que já atingiu, ao menos, 113 pessoas no Brasil, uma tecnologia desenvolvida há três anos no Instituto de Química da Unesp, em Araraquara (SP), ganha nova relevância. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Em 2022, pesquisadores criaram um método rápido, barato e de fácil utilização para identificar a presença da substância tóxica em bebidas e combustíveis, mas a solução patenteada nunca chegou ao mercado por falta de parceiros comerciais. Em apenas 15 minutos e com um custo de R$ 10 é possível fazer a identificação. (veja mais abaixo). LEIA TAMBÉM: Brasil tem 113 notificações de intoxicação por metanol em 5 estados e no DF Com mais casos de intoxicação por metanol, deputados querem tornar adulteração de bebidas um crime hediondo Reprodução/TV Globo A pesquisa foi liderada por Larissa Alves de Mello Modesto, à época mestranda na universidade. Hoje, como mestre em química e analista de desenvolvimento analítico, ela lamenta a demora na adoção da tecnologia. "A patente está disponível há três anos para que alguma empresa produza um kit analítico e o venda. A demora acontece porque o controle de metanol em bebidas estava sendo negligenciado, até acontecer uma catástrofe de nível nacional como a de agora", afirmou a pesquisadora. Veja mais abaixo como entrar em contato com a universidade para iniciar o processo de transferência de tecnologia. Solução rápida e barata O método desenvolvido pela equipe de Larissa resultou em um kit capaz de detectar a adulteração por metanol em bebidas como cachaça, uísque e vodca, além de combustíveis como etanol e gasolina. O grande diferencial é a simplicidade e o baixo custo. Enquanto análises laboratoriais tradicionais, como a cromatografia gasosa, custam cerca de R$ 500 por amostra, o kit da Unesp teria um preço final de venda estimado em R$ 10, segundo a pesquisadora. O resultado é rápido: a identificação do metanol leva apenas 15 minutos em bebidas e etanol, e 25 minutos na gasolina, sem exigir conhecimento técnico especializado. Veja mais notícias da região: ACIDENTE: Descarrilamento em Araraquara mobiliza força-tarefa para retirar 30 vagões e liberar trilhos SUSPEITA: Casal é encontrado morto dentro de casa em Rio Claro; polícia investiga homicídio SEGUNDA LARGADA: série especial relata o caso de superação de Luisa Baptista "Trata-se de uma sequência de reações químicas capazes de determinar o metanol nas amostras", explicou Modesto. "Se as instruções forem seguidas, uma pessoa minimamente treinada é capaz de operar o teste." Como o teste funciona O processo ocorre em duas etapas simples: Reação inicial: Adiciona-se um sal à amostra. Se houver metanol, ele é convertido em outra substância (formol). Revelação: Em seguida, a adição de um ácido provoca uma mudança de cor na solução, indicando a presença e a concentração do contaminante. Veja no vídeo abaixo como funciona o método: Veja como funciona o método da Unesp para identificar metanol em bebidas e combustível A pesquisadora destaca a clareza do resultado para bebidas. "No caso das bebidas alcoólicas, como o limite [permitido por lei] é muito baixo, podemos assumir que o surgimento de qualquer coloração ou anel roxo já indica que a bebida está imprópria para o consumo", detalhou. As cores podem variar conforme o nível de adulteração: Verde: Sem contaminação significativa. Tom verde amarronzado: Presença de 0,1% a 0,4%. Marrom: Presença de 0,5% a 0,9%. Roxo: Presença de 1% a 20%. Azul marinho: Presença de 50% a 100%. Método identifica metanol em 15 minutos Larissa Modesto/Unesp Araraquara Ainda de acordo com a pesquisadora, o método segue a norma RDC 166 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece critérios para a validação do uso, garantindo qualidade, confiabilidade e precisão dos resultados obtidos em ensaios laboratoriais aplicados a insumos farmacêuticos, medicamentos e produtos biológicos em todas as fases de produção. "Só vai dar um falso [positivo] se a bebida for açucarada. Com ele [açúcar], acaba reagindo com uma das minhas soluções e dá uma coloração marrom, não sendo possível quantificar o metanol. Mas se a bebida não for açucarada, é muito difícil ele dar um falso positivo", explicou a pesquisadora. Alerta ignorado O metanol é uma substância mais barata e livre de impostos, usada criminosamente para aumentar o volume de bebidas e combustíveis. O composto, no entanto, é altamente tóxico, podendo causar cegueira e morte se ingerido – quadro clínico observado nos casos atuais. Segundo Larissa Modesto, o foco do kit seriam os próprios estabelecimentos comerciais, para garantir a segurança de seus clientes. "A aplicação seria para donos de bares, de adegas, organizadores de eventos. A responsabilidade de garantir a qualidade do que ele está servindo é totalmente dele", pontuou. Diante da emergência sanitária de 2025, a tecnologia desenvolvida no interior de São Paulo se apresenta como uma ferramenta estratégica que poderia ter auxiliado na fiscalização e na prevenção de novas tragédias. A crise do metanol Ministério da Saúde recebeu mais de 40 notificações de intoxicação por metanol Reprodução/TV Globo A crise atual levou o governo a mobilizar uma força-tarefa. O número de notificações de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica subiu para 113 no Brasil, segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado na tarde desta sexta-feira (3). As notificações incluem casos confirmados e suspeitos, além de mortes. Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul notificaram seus primeiros casos em investigação. Em todo o país, são 11 casos confirmados e 102 em investigação. Do total de 113 notificações por esse tipo de intoxicação, 101 são em São Paulo (11 confirmados e 90 em investigação), 6 casos em investigação em Pernambuco, 2 em investigação na Bahia e no Distrito Federal, e 1 caso está sendo investigado no Paraná e Mato Grosso do Sul. Dessas notificações, 12 são de óbitos. Um óbito confirmado no estado de São Paulo e 11 estão sendo investigados (8 em SP, 1 em PE, 1 na BA e 1 no MS). O Ministério da Justiça e Segurança Pública associa as ocorrências ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas, e a Polícia Federal foi acionada devido à suspeita de envolvimento de uma organização criminosa. Transferência de Tecnologia Instituto de Química da Unesp de Araraquara desenvolveu método que identifica metanol nas bebidas Divulgação Em casos de pesquisas como essa que podem ser utilizadas para a comercialização por outras empresas, é preciso iniciar o processo de Transferência de Tecnologia. Trata-se do processo que permite que o conhecimento gerado no âmbito acadêmico seja convertido em produtos e serviços que beneficiem a sociedade. Muitas vezes, esse procedimento também é denominado transferência de conhecimento. A tecnologia pode ser compartilhada de diversas formas, porém as mais comuns são o licenciamento e os acordos de desenvolvimento em parceria. Os acordos são firmados entre a Unesp e terceiros, como empresas e instituições de pesquisa para a execução de projetos e/ou contratos de serviços tecnológicos. A Agência Unesp de Inovação negocia contratos de licença exclusiva ou não exclusiva, permitindo que empresas utilizem a tecnologia. O licenciamento pode envolver pagamento de royalties ou outras formas de compensação. Para empresas e empreendedores interessados em realizar o processo com a Unesp, o contato deve ser realizado pelos e-mails: auin@unesp.br ou auin.tt@unesp.br. Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

Palavras-chave: tecnologia

De Ary Barroso a Fernanda Abreu, filmes do Festival do Rio celebram ícones da cultura brasileira

Publicado em: 04/10/2025 05:01

Começa Festival do Rio O Festival do Rio 2025 abre suas telas para histórias que atravessam a música, o cinema e a cultura brasileira. Entre os destaques estão documentários que resgatam a trajetória de grandes nomes que marcaram a identidade nacional — de Ary Barroso a Fernanda Abreu — passando por Nelson Pereira dos Santos e Ezequiel Neves. 'Ary' 'Ary', sobre Ary Barroso, está em cartaz no Festival do Rio Divulgação "Ary" é um longa de ficção sobre a vida de Ary Barroso, mineiro de Ubá que foi estudar Direito no Rio, mas se transformou em um dos maiores compositores do país. Autor de clássicos como "Aquarela do Brasil", que se tornou um “segundo hino nacional”, Ary foi o primeiro brasileiro a disputar o Oscar e trabalhou com Walt Disney. Para o diretor e roteirista André Weller, Ary – interpretado por Lima Duarte no filme – “inventou o made in Brazil, um Brasil para exportação”. Dira Paes, Stepan Nercessian, Leo Jaime e Marcos Caruso também estão no elenco. 🎞️Sessões: 5/10, às 18h15 (Estação NET Gávea 3); 9/10, às 13h45 (Cinesytem Belas Artes 5); 11/10, às 16h (Cine Santa Teresa). 'Amuleto' Outro homenageado é Nelson Pereira dos Santos, considerado um dos pais do Cinema Novo. O documentário “Amuleto”, dirigido por Heraldo HB e Igor Barradas, revisita a obra "O Amuleto de Ogum" do cineasta, a partir do olhar de artistas periféricos como Chico Santos, reforçando a importância de Nelson para a formação de um cinema autenticamente brasileiro. 🎞️Sessões: 4/10, às 17h (Estação NET Gávea 4 e 5); 5/10, às 10h30 (Cine Odeon); 6/10, às 13h45 (Cinesytem Belas Artes 5). Mais sobre o Festival do Rio: Festival tem mais de 300 filmes em cartaz; g1 lista destaques Festival do Rio 2025: g1 dá a dica dos filmes imperdíveis da mostra 'Ninguém Pode Provar Nada - A Inacreditável História de Ezequiel Neves' O festival também traz um retrato de Ezequiel Neves, figura influente do rock nacional e mentor de artistas como Rita Lee, Lobão e Cazuza, com quem escreveu "Exagerado". O diretor de "Ninguém Pode Provar Nada - A Inacreditável História de Ezequiel Neves", Rodrigo Pinto, destaca que Ezequiel “moldou a personalidade poética de uma geração”, estimulando uma criação artística mais profunda e provocadora. Filme sobre Ezequiel Neves está em cartaz no Festival do Rio Divulgação Segundo o cineasta, documentar essas trajetórias ajuda a aproximar o público de seus ídolos. “Quando a gente humaniza pessoas que admira, conseguimos humanizar também o nosso cotidiano”, afirma. O filme mergulha em um acervo com mais de 60 horas de entrevistas inéditas e vasta documentação, arquivo falso e entrevistas recriadas por inteligência artificial. 🎞️Sessões: 5/10, às 21h30 (Estação NET Gávea 1 e 2); 6/10, às 13h45 (Cine Santa Teresa); 7/10, às 13h45 (Cinesytem Belas Artes 5). 'Da Lata 30 anos' Imagem promocional do documentário 'Da lata 30 anos', de Fernanda Abreu Reprodução / Instagram Fernanda Abreu Em “Da Lata 30 anos”, a cantora Fernanda Abreu revisita seu álbum icônico de 1995, considerado um marco da identidade carioca moderna. A artista lembra o contexto de violência e tensão da época, quando também surgia o movimento Reage, Rio e o funk ganhava força nas periferias. “Era um momento difícil, mas também de transformação”, disse. O Festival do Rio segue até o dia 11 de outubro, reunindo produções nacionais e internacionais que reforçam a cidade como palco central do audiovisual latino-americano. Veja os destaques que o g1 selecionou. 🎞️Sessões: 8/10, às 21h30 (Estação NET Gávea 1 e 2); 9/10, às 18h15 (Cine Santa Teresa); 11/10, às 21h15 (Cinesytem Belas Artes 5). Festival do Rio 2025 📅Quando? De quinta (2) a 12 de outubro 📍Onde? 25 espaços culturais no Rio de Janeiro 💰 Quanto? A partir de R$ 16 (meia) 🎬Programação completa.

Palavras-chave: inteligência artificial

CNU 2025: veja como preencher o cartão de resposta das provas objetivas

Publicado em: 04/10/2025 05:01

CNU 2025: veja como preencher o cartão de resposta das provas objetivas Mais de 760 mil candidatos estão inscritos para as provas objetivas do Concurso Nacional Unificado (CNU) no próximo domingo, dia 5 de outubro. Ao longo do dia, o g1 fará cobertura ao vivo do processo seletivo e terá os gabaritos extraoficiais. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Concursos no WhatsApp CNU 2025: veja COBERTURA AO VIVO no g1 A seleção deste ano oferece 3.652 vagas para cargos de níveis médio, técnico e superior, com salários iniciais que variam de R$ 4 mil a R$ 16,4 mil. No ano passado, os candidatos que não preencheram toda a identificação do cartão de respostas foram eliminados. Na ocasião, a Justiça Federal determinou que o governo federal suspendesse a eliminação desses candidatos, garantindo a reintegração deles ao processo seletivo. Para este ano, o Ministério da Gestão apresentou no edital os principais critérios de eliminação do CNU 2025 (veja quais são), e explicou como preencher o cartão de resposta das provas objetivas. É fundamental ter atenção a todos os detalhes durante a prova, especialmente ao preencher o cartão de resposta. Qualquer erro de marcação ou informação faltante pode resultar em perda de pontos, ou até na eliminação do candidato. Veja orientações e cuidados para o preenchimento do cartão de resposta Segundo as orientações do Ministério da Gestão, o candidato receberá um caderno de questões e um cartão de resposta. Verifique se seus dados pessoais (nome, número de inscrição e CPF) estão corretos; Confirme se o Bloco indicado no cartão-resposta e no caderno de prova corresponde ao que você se inscreveu; Assine seu nome e transcreva a frase da capa da prova; Participe da coleta biométrica — a recusa leva à eliminação; No cartão-resposta, marque apenas uma alternativa por questão. Mais de uma marcação ou rasuras podem anular a resposta; Não dobre nem amasse o cartão-resposta. Também é proibido molhar, rasgar, manchar ou danificar o cartão de qualquer forma; Use exclusivamente caneta esferográfica de tubo transparente, com tinta preta ou azul; Ao término da prova, entregue o cartão de resposta ao fiscal da sala. A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, apresenta os detalhes do edital da 2ª edição do Concurso Nacional Unificado (CNU). Valter Campanato/Agência Brasil Clique no índice abaixo para saber tudo sobre a segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU): 💼 Vagas, órgãos participantes e distribuição por cidades 💰 Salários 📝 Como serão as provas? ⏰ Horários 📵 O que pode ou não levar 📝 Folhas de respostas 📍 Locais de provas 📆 Confira o cronograma oficial CNU 2025: veja o que esperar das provas da FGV, nova banca do concurso 💼 Vagas, órgãos participantes e distribuição por cidades 🔍 Diferentemente da edição anterior, que contou com oito editais, um para cada bloco temático, o processo seletivo será regido por um único edital. O documento traz informações detalhadas sobre as vagas, salários, conteúdo programático das provas, critérios de classificação e composição das notas finais. Nesta edição, os cargos estão distribuídos em nove blocos temáticos, que agrupam as vagas por áreas de atuação semelhantes. São eles: Bloco 1: Seguridade Social (Saúde, Assistência Social e Previdência Social) Bloco 2: Cultura e Educação Bloco 3: Ciências, Dados e Tecnologia Bloco 4: Engenharias e Arquitetura Bloco 5: Administração Bloco 6: Desenvolvimento Socioeconômico Bloco 7: Justiça e Defesa Bloco 8: Intermediário – Saúde Bloco 9: Intermediário – Regulação Esse formato permite que o candidato concorra a várias vagas dentro de um mesmo bloco, com apenas uma inscrição. Embora a maior parte das vagas esteja concentrada em órgãos com sede em Brasília (DF), também há postos disponíveis em diversos estados do país. 💰 Salários Os salários iniciais no CNU 2025 variam de R$ 4 mil a R$ 16 mil, dependendo do cargo e do nível de escolaridade exigido. Consulte as remunerações iniciais previstas na tabela abaixo. 📝 Como serão as provas? Diferentemente da primeira edição, realizada em um único dia, o CNU 2025 será dividido em duas etapas: A prova objetiva será aplicada em 5 de outubro de 2025. Ela será composta por uma parte com questões comuns a todos os candidatos (como língua portuguesa, raciocínio lógico e atualidades) e outra com perguntas específicas, conforme o bloco temático escolhido. A prova discursiva será aplicada em 7 de dezembro de 2025, exclusivamente para os candidatos aprovados na primeira fase. O conteúdo e o formato da redação variarão de acordo com a área de atuação. ▶️ PROVA OBJETIVA A prova objetiva será de múltipla escolha, com cinco alternativas e apenas uma correta. A quantidade de questões varia conforme o nível do cargo: Nível Superior: 90 questões no total, sendo 30 de conhecimentos gerais e 60 de conhecimentos específicos. Nível Intermediário: 68 questões, com 20 de conhecimentos gerais e 48 de conhecimentos específicos. ▶️ PROVA DISCURSIVA Na etapa discursiva, os candidatos deverão elaborar textos conforme o nível de escolaridade exigido para o cargo: Nível Superior: 2 questões discursivas, com aplicação das 13h às 16h. Nível Intermediário: 1 redação dissertativa-argumentativa, das 13h às 15h. O tempo de prova também é diferente: Nível Superior: das 13h às 18h (5 horas de duração). Nível Intermediário: das 13h às 16h30 (3h30 de duração). ⏰ Horários Os portões de todos os locais serão fechados às 12h30 (horário de Brasília), e as provas começam às 13h. A duração da prova varia conforme o nível do cargo: Nível superior: 5 horas (13h às 18h) Nível intermediário: 3h30 (13h às 16h30) Os candidatos devem permanecer na sala por, no mínimo, duas horas. O caderno de prova só poderá ser levado caso a saída ocorra na última hora do período estabelecido para cada nível. 📵 O que pode ou não levar Confira as principais orientações para a 2ª edição do CNU g1 📲 O candidato pode apresentar o documento de identidade em versão digital, acessado pelo aplicativo no momento da identificação na entrada da sala. É importante que o app já esteja instalado e testado, pois funciona mesmo sem internet. 👕 O Ministério recomenda o uso de roupas e calçados confortáveis, já que o candidato ficará sentado por várias horas. A FGV fornecerá envelopes porta-objetos para guardar pertences, inclusive o celular, que deve permanecer desligado durante toda a prova. É necessário também desativar alarmes. Os envelopes devem ser lacrados e identificados antes do candidato ocupar a carteira, onde permanecerão guardados. Os pertences só poderão ser retirados, e o celular religado, após o término da prova e fora do local de aplicação. 📝 Folhas de respostas Todas as respostas devem ser obrigatoriamente marcadas no cartão de respostas, único documento aceito para correção. O preenchimento deve ser feito com caneta azul ou preta, de corpo transparente. É responsabilidade do candidato preencher corretamente o cartão, seguindo as instruções do edital e da capa da prova, salvo em casos de atendimento especializado previamente autorizado. A questão será anulada se mais de uma alternativa for assinalada, se nenhuma for marcada ou se o preenchimento descumprir as instruções. Ao concluir a prova, é obrigatório entregar o cartão de respostas junto com o caderno ao fiscal da sala. Após a divulgação dos resultados, a FGV disponibilizará imagens digitalizadas dos cartões de respostas por até 15 dias. Encerrado esse prazo, não serão aceitos pedidos de acesso. 📍 Locais de provas Os candidatos foram distribuídos em locais de aplicação em 228 cidades, de acordo com o CEP informado no momento da inscrição. 📆 Confira o cronograma oficial Prova objetiva: 5/10/2025, das 13h às 18h Disponibilização da imagem do cartão de respostas: 12/11/2025 Convocação para prova discursiva: 12/11/2025 Convocação para confirmação de cotas e PcD: 12/11/2025 Convocação para a avaliação de títulos: 12/11/2025 Envio de títulos: de 13 a 19/11/2025 Cartão de confirmação de inscrição para prova discursiva: 1/12/2025 Prova discursiva (para habilitados na 1ª fase): 7/12/2025 Procedimentos de confirmação de cotas: de 8 a 17/12/2025 Resultado preliminar da avaliação de títulos: 2/1/2026 Divulgação da nota preliminar da prova discursiva: 6/1/2026 Pedidos de revisão das notas da discursiva: de 7 a 8/1/2026 Divulgação da 1ª lista de classificação: 30/1/2026 Segunda edição do Concurso Nacional Unificado (CNU) Ministério da Gestão e Inovação Veja dicas de como estudar para concurso: Como estudar legislação para concurso? Veja dicas de como fazer uma boa redação para concurso

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'Dia B da Biometria': TRE de MG faz mutirão para coleta de digitais neste sábado

Publicado em: 04/10/2025 05:01

Cartórios eleitorais de portas abertas neste sábado O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) promove o "Dia B da Biometria" neste sábado (5). A ação ocorre em todos os cartórios eleitorais do estado, das 9h às 17h, com atendimento para coleta de digitais e regularização do título de eleitor. Segundo a Justiça Eleitoral, o mutirão busca ampliar o número de pessoas com biometria cadastrada (veja, abaixo, como participar da iniciativa). Atualmente, 29% do eleitorado mineiro não tem o registro. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O objetivo do tribunal é alcançar 100% de cobertura até o fechamento do cadastro eleitoral, em 6 de maio de 2026. A coleta das digitais é considerada o método mais seguro para identificar os eleitores e evitar fraudes. "A biometria é uma identificação nossa, ela é nata, cada pessoa no mundo tem uma biometria diferente da outra. A biometria traz essa segurança", explicou Wellerson Amarante, secretário de Tecnologia da Informação do TRE-MG. Além de reforçar a segurança na hora do voto, o sistema biométrico da Justiça Eleitoral também é utilizado por outros órgãos públicos, como o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para evitar golpes e facilitar serviços como prova de vida e aposentadoria. Como participar Para ser atendido, o eleitor deve levar um documento oficial com foto e um comprovante de endereço atualizado. Conforme o TRE, todos os cartórios eleitorais do estado estarão abertos neste sábado. Clique aqui para consultar os endereços. "Neste mundo tecnológico atual, a biometria confere uma camada a mais de segurança ao processo eleitoral, que já é super seguro", afirmou Cláudia Alves Lopes, chefe do Foro Eleitoral de BH. O TRE reforça que os eleitores não devem deixar para a última hora. “Queremos aproveitar o Dia B para fazer um chamamento coletivo para que o eleitor que tem qualquer pendência regularize, não espere o último dia e o fechamento do cadastro, no dia 6 de maio. Antecipe e evite também que enfrente filas”, disse Pablo Aragão, secretário de Eleições do TRE-MG. Eleitor usando biometria para votar durante as eleições de 2024. Pedro Amatuzzi/g1

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Pré-diabetes: remissão é possível mesmo sem perda de peso, aponta estudo

Publicado em: 04/10/2025 04:01

Remédio de R$ 6 para diabetes vira moda nas redes como emagrecedor Há uma crença de longa data na prevenção do diabetes de que a perda de peso é a principal forma de reduzir o risco da doença. Nosso novo estudo, no entanto, desafia essa crença. Durante décadas, pessoas diagnosticadas com pré-diabetes — uma condição que afeta até um em cada três adultos, dependendo da idade — ouviram a mesma coisa de seus médicos: comer de forma saudável e perder peso para evitar o desenvolvimento da diabetes. Mas essa abordagem não tem funcionado para todos. Apesar das recomendações médicas permanecerem inalteradas há mais de 20 anos, a prevalência da diabetes continua aumentando globalmente. A maioria das pessoas com pré-diabetes tem dificuldade em atingir as metas de perda de peso, o que as deixa desmotivadas e ainda em alto risco de diabetes. Siga o canal do g1 Bem-Estar no WhatsApp Nossa mais recente pesquisa, publicada na revista científica "Nature Medicine", revela uma abordagem totalmente diferente. Descobrimos que o pré-diabetes pode entrar em remissão — com o açúcar no sangue voltando ao normal — mesmo sem perda de peso. Diabetes tipo 5 é reconhecida como doença: entenda os diferentes tipos de diabetes Cerca de uma em cada quatro pessoas em programas de intervenção no estilo de vida traz seu açúcar no sangue de volta ao normal sem perder peso. Notavelmente, essa remissão com peso estável protege contra a diabetes futura com a mesma eficácia que a remissão alcançada por meio da perda de peso. Isso representa uma mudança significativa na forma como os médicos podem tratar pacientes com sobrepeso ou obesidade com alto risco de diabetes. Mas como é possível reduzir os níveis de glicose no sangue sem perder peso, ou mesmo ganhando peso? Idade inicial para rastrear diabetes tipo 2 muda para 35 anos Adobe Stock Como é possível reduzir os níveis de glicose? A resposta está na forma como a gordura é distribuída pelo corpo. Nem toda a gordura corporal se comporta da mesma maneira. A gordura visceral, localizada na parte profunda do abdômen, ao redor dos órgãos internos, atua como um perturbador metabólico. Essa gordura abdominal causa inflamação crônica que interfere na insulina, o hormônio responsável pelo controle dos níveis de açúcar no sangue. Quando a insulina não consegue funcionar corretamente, a glicose no sangue aumenta. Em contrapartida, a gordura subcutânea — a gordura diretamente sob a pele — pode ser benéfica. Esse tipo de tecido adiposo produz hormônios que ajudam a insulina a funcionar de forma mais eficaz. Nosso estudo mostra que pessoas que revertem o pré-diabetes sem perda de peso transferem a gordura do interior do abdômen para baixo da pele, mesmo que seu peso total permaneça o mesmo. Também descobrimos outra peça do quebra-cabeça. Hormônios naturais que são imitados por novos medicamentos para perda de peso, como Wegovy e Mounjaro, parecem desempenhar um papel crucial nesse processo. Esses hormônios, particularmente o GLP-1, ajudam as células beta pancreáticas a secretar insulina quando os níveis de açúcar no sangue aumentam. Pessoas que revertem o pré-diabetes sem perder peso parecem melhorar naturalmente esse sistema hormonal, ao mesmo tempo em que suprimem outros hormônios que normalmente elevam os níveis de glicose. Mirando na redistribuição da gordura As implicações práticas são encorajadoras. Em vez de se concentrarem apenas na balança, as pessoas com pré-diabetes podem tentar reduzir a gordura corporal com dieta e exercícios. Pesquisas mostram que os ácidos graxos polinsaturados, abundantes nas dietas mediterrâneas ricas em óleo de peixe, azeitonas e nozes, podem ajudar a reduzir a gordura visceral da barriga. Da mesma forma, o treinamento de resistência pode diminuir a gordura abdominal, mesmo sem perda de peso geral. Isso não significa que a perda de peso deva ser abandonada como objetivo — ela continua sendo benéfica para a saúde geral e a prevenção da diabetes. No entanto, nossas descobertas sugerem que atingir níveis normais de glicose no sangue, independentemente das mudanças de peso, deve se tornar o objetivo principal do tratamento do pré-diabetes. Essa abordagem poderia ajudar milhões de pessoas que têm enfrentado dificuldades com programas tradicionais de perda de peso, mas ainda assim podem obter melhorias significativas na saúde por meio de mudanças metabólicas. Para os profissionais de saúde, esta pesquisa sugere a necessidade de ampliar as abordagens de tratamento além das intervenções focadas no peso. Monitorar as melhorias na glicemia e incentivar a redistribuição de gordura por meio de nutrição e exercícios direcionados pode fornecer caminhos alternativos para a prevenção da diabetes para pacientes que têm dificuldade em perder peso. As implicações se estendem globalmente, onde a diabetes representa um dos problemas de saúde que mais crescem. Ao reconhecer que o pré-diabetes pode melhorar sem perda de peso, abrimos novas possibilidades para prevenir uma doença que afeta centenas de milhões em todo o mundo e continua se expandindo rapidamente. Esta pesquisa reformula fundamentalmente a prevenção da diabetes, sugerindo que melhorias na saúde metabólica — e não apenas a redução de peso — devem ser centrais na prática clínica. Para muitas pessoas que vivem com pré-diabetes e se sentem desanimadas por tentativas malsucedidas de perda de peso, isso oferece uma esperança renovada e estratégias alternativas práticas para reduzir o risco de diabetes. Andreas L. Birkenfeld recebe financiamento do Ministério Federal da Pesquisa, Tecnologia e Espaço através do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD e.V.). Deutsche Forschungsgemeinschaft (DFG; GRK2816). Iniciativa de Saúde Inovadora (IHI) da União Europeia: CAREPATH Reiner Jumpertz-von Schwartzenberg recebe financiamento do Ministério Federal de Pesquisa, Tecnologia e Espaço através do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes (DZD e.V.), da Associação Helmholtz e Helmholtz Munique e do Cluster de Excelência “Controle de Micróbios para Combater Infecções” (CMFI), financiado pela DFG.

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Como a escassez de pilotos provocou uma crise nas companhias aéreas

Publicado em: 04/10/2025 04:01

Avião é visto decolando no céu de Bruxelas, Bélgica, em 10 de março de 2016. Reuters Voar não é mais o que costumava ser. Longas filas para passar pela segurança, ataques cibernéticos aos sistemas de check-in dos aeroportos, drones levam a cancelamentos de voos, greves trabalhistas, bagagens perdidas e cancelamentos. Agora, além de tudo isso, há uma escassez global de pilotos, e as companhias aéreas sentem os efeitos. Durante e após a pandemia de Covid-19, o treinamento de pilotos foi suspenso em muitos países, enquanto as empresas aguardavam para ver como a pandemia afetaria o setor de viagens. Hoje, com a recuperação das viagens aéreas, há um atraso nos treinamentos, e as escolas de voo têm dificuldades para colocar novos pilotos no ar. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ao mesmo tempo, a pandemia inspirou muitos pilotos experientes a se aposentarem inesperadamente, com muitos outros aguardando para pendurar suas asas, principalmente na América do Norte. Isso deixa as companhias aéreas com o duplo desafio de compensar uma onda de aposentadorias e encontrar mais pilotos em meio a uma demanda cada vez maior por viagens aéreas, especialmente viagens de lazer. Quão grande é a escassez de pilotos? "O atual crescimento da demanda por viagens aéreas surpreendeu muitas companhias", disse Christoph Klingenberg, especialista em gestão de companhias aéreas e aeroportos da Universidade de Ciências Aplicadas de Worms, na Alemanha. "Como leva vários anos para treinar pilotos, a situação levará alguns anos para se normalizar." O número ideal de pilotos para preencher as vagas nas companhias aéreas varia muito, dependendo da fonte. Só nos Estados Unidos, serão criadas cerca de 18.200 vagas de emprego para pilotos de companhias aéreas e comerciais a cada ano na próxima década, de acordo com o Manual de Perspectivas Ocupacionais do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA. Somados, esses números representam mais de 180 mil novos empregos para pilotos. Considerando tanto o transporte de passageiros quanto o de carga, a fabricante de aeronaves Boeing estimou recentemente que serão necessários 660 mil novos pilotos comerciais em todo o mundo até 2044. Tornar-se piloto é um grande investimento "Aspirantes a pilotos que iniciam seu treinamento hoje estarão bem posicionados para aproveitar as oportunidades emergentes quando se formarem", diz o relatório da Boeing. Para atender a essa enorme demanda, os aspirantes devem ter acesso a "treinamento relevante, acessível e com preços razoáveis". Embora pilotos experientes possam ganhar muito, a jornada para se chegar até a cabine de comando é longa e cara. Nos EUA, o treinamento de voo pode custar mais de 100 mil dólares (R$ 535 mil), um valor assustador que provavelmente desencoraja muitos de sonhar com um emprego na aviação. Além de outras certificações e qualificações, a Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) exige que todos os comandantes de uma companhia aérea que oferece serviços aéreos regulares de passageiros tenham o certificado de piloto de transporte aéreo (ATP). Isso significa 1,5 mil horas adicionais de experiência de voo, um requisito que pode levar de um a dois anos para os pilotos recém-formados cumprirem. No Brasil, a formação completa de um piloto comercial pode custar mais de R$ 400 mil, incluindo cursos teórico e prático, horas de voo e custos dos exames. Aviação comercial no Brasil registra aumento de 10% no número de passageiros  Por que não pagar mais aos pilotos? Recentemente, muitas companhias aéreas, tanto as grandes quanto as regionais, aumentaram o salário dos pilotos para atrair mais inscrições e manter seus quadros de pilotos. "A melhor maneira de tornar o trabalho de piloto comercial mais atraente é aumentar o salário", disse Dan Bubb, professor da Universidade de Nevada, em Las Vegas, especializado em aviação comercial. "Por muitos anos, isso foi especialmente perceptível nas companhias aéreas regionais, onde o salário era deploravelmente baixo." "Hoje, os salários dos pilotos estão no patamar mais alto que já vi há muito tempo", disse Bubb, que também é ex-piloto de linha aérea, à DW. Além de salários-base mais altos, algumas companhias aéreas também oferecem bônus e outras vantagens para contratar e reter pilotos. Outras criam horários mais equilibrados entre vida pessoal e profissional para as tripulações. Todos esses custos, porém, aumentam o preço das passagens. Mas, nem todas as empresas são tão generosas. Nesta semana, os pilotos da Lufthansa votaram a favor de uma greve após o fracasso das negociações sobre as contribuições previdenciárias, embora, até o momento nenhuma data para a paralisação tenha sido anunciada. Esta seria a primeira greve de pilotos da Lufthansa desde 2022. Aposentadoria compulsória aos 60, 65 ou 67 anos? Há duas décadas, pilotos de companhias aéreas internacionais eram obrigados a se aposentar aos 60 anos, de acordo com as regras estabelecidas pela Organização da Aviação Civil Internacional (OIAC). A agência da ONU com sede em Montreal, no Canadá, define regulamentações para a aviação civil em mais de 190 países. Com os avanços na área da saúde, a idade de aposentadoria foi elevada em 2006 para 65 anos. Contudo, em meio à escassez de pilotos e a um rigor ainda maior sobre os padrões de saúde dos profissionais, alguns propõem aumentar a idade de aposentadoria para 67 anos. "A experiência de voo, frequentemente associada à idade, está significativamente correlacionada com a segurança da aviação", escreveu o senador americano Ted Cruz em uma carta de 19 de setembro ao presidente Donald Trump, buscando apoio para o aumento da idade obrigatória de aposentadoria dos pilotos. "Ter uma idade de aposentadoria 'arbitrária' também torna as viagens aéreas mais caras", acrescentou Cruz. "Como vocês sabem, em termos econômicos, menos oferta necessariamente leva a preços mais altos." Seja qual for a justificativa econômica por trás disso, a ideia encontrou oposição dos sindicatos de pilotos. Até o momento, tanto a Organização da Aviação Civil quanto a FAA preferem manter a idade de aposentadoria atual. O que mais fazer para atrair pilotos? "Para manter o fluxo de novos pilotos e a satisfação dos que já estão no ar, as companhias aéreas precisam aumentar seus esforços de contratação, expandir as instalações de treinamento e recrutar pilotos de outras companhias aéreas não comerciais", argumenta Christoph Klingenberg. Ele acredita que aumentar a idade de aposentadoria para 67 anos possa ser um passo na direção certa. Algumas companhias aéreas ao redor do mundo contratam pilotos com consideravelmente menos horas de serviço, oferecendo grandes bônus e dispensando certos requisitos, segundo Bubb. Ainda assim, eles também precisam passar por treinamento rigoroso e uma série de exames antes de poderem assumir o manche de uma aeronave. Mais IA e automação na cabine? A inteligência artificial (IA) ou o aumento da automação na cabine poderiam compensar a falta de pilotos? "Enquanto muitos setores aderem à ideia de usar IA para otimizar o trabalho, as companhias aéreas ainda hesitam", disse Klingenberg. Ele não espera que isso vá mudar muito nas próximas décadas. A IA desempenhará um papel significativo, mas não substituirá os pilotos, na avaliação de Bubb. "Não tenho dúvidas de que a IA tornará as viagens aéreas mais eficientes, em termos de tempo e consumo de combustível, mas não substituirá os humanos", disse. Quanto a colocar mais pilotos no ar, isso realmente depende de quantos serão necessários, à medida que aumenta a demanda por viagens aéreas. "Espero que a situação melhore depois de 2030, então pode levar cinco anos para se recuperar", concluiu Klingenberg. Bubb acredita que a situação da escassez "permanecerá moderada" e vê possibilidades para o setor. "É uma oportunidade para as companhias aéreas planejarem com antecedência, para que sejam proativas em vez de reativas sempre que houver uma iminente escassez de pilotos", acrescentou.

Alunos de escola pública do ES criam robô rapper e bailarina, e vão disputar Olimpíada Brasileira de Robótica

Publicado em: 04/10/2025 04:01

Alunos de escola pública do ES criam robô rapper e bailarina, e vão disputar Olimpíada Uma bailarina e um rapper nada convencionais têm chamado atenção em Cariacica, na Grande Vitória. Criados por estudantes de uma escola municipal do bairro Vila Palestina, os robôs se destacaram na etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) e renderam aos alunos duas premiações em categorias artísticas da competição: 2º lugar, com a robô-bailarina, e 3º lugar, com o robô MC. Com o resultado, a bailarina conquistou vaga para a fase nacional da competição, que em 2025 acontece no Espírito Santo, no Centro de Inovação do Ifes, em Vitória, entre os dias 14 e 19 de outubro. 📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Estudantes do Espírito Santo criam robô rapper e bailarina, e vão disputar Olimpíada Brasileira de Robótica Reprodução/ Redes Sociais De pinguim à bailarina A inspiração para criar a bailarina veio de uma das estudantes do grupo, que faz balé em um outro projeto da escola. Letícia Dias queria que o robô pudesse acompanhar os passos de balé que ela fazia no palco. “Juntei meu amor pelo balé e pela robótica, e tivemos a ideia de fazer uma bailarina robô. Encantamos a todos na apresentação, e foi muito especial para nós”, contou Letícia. Além de Letícia, outros três estudantes participaram da construção do robô, José Viana dos Santos da Silva, Asafe Vicente e Dayara Bonomo. Todos estão no 9º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Manoel Mello Sobrinho. Letícia Dias foi a inspiração para criar robô bailarina que reproduz passos da dança com a menina Reprodução/ Redes Sociais LEIA TAMBÉM VÍDEO: Professora usa Inteligência Artificial para projetar sonhos de carreira de alunos CURIOSO: Aluna de Instituto Federal viraliza após mostrar o que tem dentro de copo térmico NOTA MIL: Escolas usam IA e 'ChatGPT do Enem' para alunos aprenderem a fazer redação José contou que ele e os colegas começaram a desenvolver o projeto a partir de um modelo no livro didático, que ensinava a construir um robô pinguim. “A ideia inicial era um pinguim, só que a gente fez modificações nele pra virar uma bailarina. Esse também foi o nosso primeiro contato com a robótica”, disse. A conquista surpreendeu os alunos. “A gente não estava planejando ganhar, fomos para agregar experiência. Mas ter ganhado encheu nossos olhos, porque mostrou que a gente tem um grande potencial. A sensação de ganhar a medalha foi incrível. A gente conseguiu o segundo lugar com tão pouco tempo de treinamento e recurso”, completou José. Rapper do recreio O robô rapper foi criado inspirado em batalhas de rima que aconteciam no recreio. A professora de robótica responsável pelo projeto, Marília Santiago, disse que a ideia era colocar o robô para participar da brincadeira. Estudantes criaram robô rapper para disputar etapa estadual de Olimpíada de Robótica no Espírito Santo Reprodução/ Redes Sociais “Eu já conhecia o Isaac, que fazia batalha de rima no recreio. A ideia foi criar uma apresentação com ele e o robô. Como o kit não tem saída de som, gravamos as rimas e programamos os movimentos. Foi um projeto criado do zero”, contou. Os estudantes que fazem parte da equipe do robô MC têm entre 11 e 15 anos e estão espalhados no 6º, 7º e 8º ano. Robô rapper conquistou o terceiro lugar de categoria artística na etapa estadual da Olimpíada Brasileira de Robótica Reprodução/ Redes Sociais O robô ficou em 3º lugar na categoria artística, mas não avançou para a etapa nacional. Robótica no contraturno Estudantes criaram uma robô bailarina e ganharam 2º lugar em etapa estadual de Olimpíada de Robótica no Espírito Santo Reprodução/ Redes Sociais O projeto de robótica começou em maio, quando a escola recebeu kits da Prefeitura de Cariacica. Com isso, a professora Marília, que antes lecionava Ciências, passou a se dedicar à robótica, oferecida no contraturno. “Eles estudam de manhã, levam a marmita e ficam à tarde para a robótica. A nossa escola não é de tempo integral. É um conteúdo que não está no currículo ainda, mas o interesse é enorme. O trabalho em equipe que eles têm desenvolvido é surpreendente”, afirmou Marília. Preparação para a nacional Estudantes do Espírito Santo se preparam para etapa nacional de Olimpíada de Robótica com robô bailarina Reprodução/ Redes Sociais Para outubro, os alunos planejam novidades. A robô bailarina vai voltar a se apresentar, mas com reforço: um robô saxofonista e mais duas bailarinas vão se juntar ao time. “Tenho certeza que a gente vai ser uma equipe de destaque. Estamos empolgados com o desafio de fazer um novo robô, um saxofonista. Vai ser um desafio incrível”, concluiu José. Estudantes do Espírito Santo criam robô rapper e bailarina, e vão disputar Olimpíada Brasileira de Robótica Divulgação Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Palavras-chave: inteligência artificial

Bombas 'lançadas' por caça em cidade mineira nos anos 1980 geraram pânico e indenização milionária

Publicado em: 04/10/2025 04:01

Bombas 'lançadas' por caça em cidade mineira geraram pânico e indenização milionária O dia 2 de abril de 1987 entrou para a história de Formiga (MG), cidade no Centro-oeste de Minas Gerais. Em plena tarde de quinta-feira, duas bombas despencaram do céu, lançadas acidentalmente por um caça da Força Aérea Brasileira (FAB) durante um treinamento. A queda dos artefatos, mesmo sem carga explosiva, deixou os moradores em pânico. Naquele dia, acontecia um protesto na cidade, e os manifestantes acharam que as bombas eram uma represália. Meses depois, a Aeronáutica indenizou o município. A FAB não comentou o acidente (leia mais abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp ▶️ Dois caças F-5, do 1º Grupo de Aviação de Caça (Gavca), da Base Aérea de Santa Cruz (RJ), sobrevoavam a cidade em uma missão de treinamento para simular um ataque a uma ponte ferroviária no bairro Vargem Grande, segundo os registros da época. Por um erro, os dois projéteis, que pesavam cerca de 200 kg cada, foram liberados de um dos aviões. Uma das bombas atingiu um muro do Parque de Exposições Luiz Rodrigues Belo Primo, e a segunda caiu a cerca de 20 metros de um galpão que abrigava a Escola Estadual Aureliano Rodrigues Nunes, onde estavam centenas de pessoas. Ninguém se feriu. “Um dos pilotos, sem querer, apertou o comando, e caíram duas ogivas. Elas não tinham espoleta, por isso, não explodiram. Uma delas atingiu o muro do Parque de Exposições, e a outra caiu a poucos metros de um galpão cheio de crianças que estavam em aula. Se tivesse sido dentro do prédio, seria uma tragédia sem precedentes”, contou o historiador Helton da Costa Pinto. Bomba que caiu em Formiga, MG, exposta em praça da cidade Poder Aéreo/Reprodução Uma das cápsulas permanece exposta na Praça da Bomba, construída exatamente no ponto da queda, o que mantém viva a lembrança do dia em que Formiga virou notícia no Brasil e no mundo. Especialistas em aviação explicam que as cápsulas eram apenas componentes para simular o peso e aerodinâmica de bombas reais, sem espoleta nem carga explosiva. Eram preenchidas com concreto. (leia mais). Arte mostra os pontos onde bombas da FAB caíram em Formiga, em 1987: uma atingiu o muro do Parque de Exposições, hoje Praça da Bomba, e a outra caiu a 20 metros de um galpão da Escola Estadual Aureliano Rodrigues Nunes. Ninguém se feriu. Arte/g1 Pânico O impacto contra o solo foi ensurdecedor. O estrondo ecoou por toda a cidade, fez janelas tremerem, portas baterem e assustaram os moradores, que não sabiam o que estava acontecendo, segundo o historiador Helton. O então prefeito Eduardo Brás, hoje com 75 anos, disse que foi dos momentos mais marcantes de sua vida pessoal e pública. Ele estava na prefeitura quando recebeu a notícia por telefone de que bombas haviam caído. “Imediatamente larguei tudo que estava fazendo e fui para o local. Chegando lá, a população estava toda atordoada, em pânico, porque era uma região muito habitada. Naquele momento, funcionava nos galpões uma escola com mais de 250 crianças. Se uma dessas bombas tivesse caído cinco metros antes, teríamos perdido inúmeras vidas”, afirmou. Segundo ele, o primeiro sentimento foi de alívio. Afinal, as bombas haviam caído em locais isolados e não explodiram. “Agradecemos a Deus por não ter tido nenhuma vítima. Foi um trauma, um momento muito difícil. Depois do ocorrido, qualquer avião que passava no céu assustava as crianças, que diziam: ‘vai cair bomba, vai cair bomba’. Houve um medo coletivo por um bom tempo em Formiga", disse. À época, Formiga tinha cerca de 60 mil habitantes. Hoje, segundo o IBGE, são 70.897. Indenização Em junho de 1987, a Aeronáutica pagou ao município uma indenização de 1,5 milhão de cruzados — o equivalente a R$ 5 milhões atualmente —, valor usado em obras como a conclusão da rodoviária e a abertura de uma avenida. (veja mais abaixo como foi a negociação da indenização) O g1 entrou em contato com a FAB pedindo um posicionamento sobre o fato ocorrido em Formiga e também sobre as medidas adotadas atualmente para prevenir episódios semelhantes, mas não obteve retorno até a última atualização da reportagem. Protesto No mesmo dia da queda das bombas, população protestava contra o governo federal no Centro de Formiga em 1987. Um dos artefatos atingiu o muro do Parque de Exposições Reprodução/Formiga Fatos e Fotos O episódio aconteceu no mesmo dia em que cerca de 5 mil pessoas protestavam em Formiga contra a política econômica do governo de José Sarney, na Praça Getúlio Vargas. O país enfrentava os efeitos da crise econômica, após o fracasso do Plano Cruzado, lançado em 1986 para conter a inflação. Os moradores, na hora, pensaram que a cidade estava sendo bombardeada em represália à manifestação. Além da queda das bombas, os aviões começaram a sobrevoar o centro da cidade em baixa altitude, à procura do local da queda, o que aumentou ainda mais o pânico entre os habitantes. Pressão militar e negociação por indenização Caças F-5EM, versão atualizada do modelo usado quando as bombas caíram em Formiga Roberto Caiafa/Tecnologia & Defesa As bombas, pesadas, se enterraram a mais de dez metros de profundidade e foram retiradas com retroescavadeira da Prefeitura. O clima se acirrou com a chegada de militares, que exigiram a entrega imediata dos artefatos. O prefeito resistiu e chegou a enfrentar um general dentro do gabinete. “Não entreguei as bombas, afinal, mais pressão que a Aeronáutica fizesse, eu não deixei tirar daqui, porque aquilo era prova de um crime”, disse Eduardo. O historiador Helton, que estava no gabinete do prefeito, relembrou o momento de tensão. “Lembro que o general entrou sem ser convidado, e o Eduardo disse: ‘a ditadura acabou, você vai ter que esperar lá fora, porque eu atendo o povo primeiro’. Ele não liberou as bombas até negociar uma indenização para o município”, afirmou. Para o ex-prefeito, o episódio refletia o Brasil recém-saído da ditadura. “Essa turma de militares ainda se julgava donos do país e senhores da verdade. Não tinha a menor responsabilidade. Eu acho que foi um ato de muita irresponsabilidade. Se aqui é rota de acesso, rota de treinamento ou não, os aviões que tivessem cuidado", afirmou. Bombas inertes de 230 kg que caíram em Formiga, em 1987, foram retiradas do solo com retroescavadeira, transportadas e depois armazenadas pela prefeitura Reprodução/Formiga Fatos e Fotos LEIA TAMBÉM: Com 856 moradores, sem violência e sem trânsito: como é a vida na cidade menos populosa do Brasil Homem que desapareceu e bolas de luz: documentário narra mistérios da Serra do Ouro Fala, em Cláudio Túmulo de Maria Rodrigues e 'mistério' de Norminha de Lourdes atraem visitantes em Formiga no Dia de Finados Do acidente à indenização Eduardo Brás contou que, diante da repercussão nacional do caso, reforçada por um discurso de João Pimenta da Veiga na Câmara dos Deputados, a imprensa se voltou para Formiga e o governo federal teve de agir. “O ministro Otávio Moreira Lima me ligou pessoalmente. Pediu desculpas, garantiu providências e eu disse: ‘graças a Deus não houve vítimas, mas o Município quer uma indenização por danos morais’. Mandei planilhas assinadas por engenheiros e secretários da prefeitura, e logo o pagamento foi autorizado", disse. Os recursos da indenização foram aplicados na conclusão do Terminal Rodoviário Presidente Tancredo Neves e na abertura da Avenida Tabelião Gil Calmeida. “Esse dinheiro foi essencial para obras que estavam paradas. No fim, conseguimos transformar a tragédia em conquista”, resumiu o ex-prefeito. Entre memória e trauma: como Formiga lembra o episódio Notícia publicada em jornal da época: queda de bombas em Formiga tiveram ampla cobertura pela imprensa Poder Aéreo/Divulgação De acordo com o historiador, o episódio em Formiga ganhou repercussão nacional e internacional, chegando a ser noticiado pelo Fantástico e outros programas de TV. “Formiga apareceu em tudo quanto era jornal. Até hoje, em pesquisas de marketing, a história da bomba é a mais conhecida da cidade". Mas Eduardo Brás fez questão de lembrar que, apesar do humor com que o episódio por vezes é tratado, o sentimento à época foi de medo. “Alguns levam pelo lado cômico, mas eu sei o que passei naquele momento. Foi traumático para a população. Não considero um troféu. Foi uma triste memória de irresponsabilidade militar", enfatizou o ex-prefeito. Anos depois, os projéteis ficaram guardados no almoxarifado da Prefeitura e só foram expostos quando outra gestão decidiu erguer um pequeno monumento, instalado no meio de uma praça, nomeada à época “Praça da Bomba”, que fica na Avenida Geraldo Almeida, local exato onde uma das bombas caiu. O artefato que ficou na cidade está exposto lá e junto dele há uma placa que resume a história aos visitantes. O episódio também deu origem a lendas urbanas. Uma dizia que o piloto teria desviado o avião para sobrevoar a casa da namorada, em Campo Belo. Outra sugeria que as bombas teriam sido lançadas de propósito para reprimir o protesto popular em Formiga. Segundo o historiador, ambas são falsas. ASSISTA ABAIXO - Formiga tem novo espaço dedicado à preservação da história local Formiga tem novo espaço dedicado à preservação da história local VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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Eleições 2026: veja as principais datas e regras a um ano da votação

Publicado em: 04/10/2025 04:01

TSE faz cerimônia de abertura do código-fonte das urnas eletrônicas para eleições de 2026 Daqui a um ano, em 4 de outubro de 2026, os brasileiros irão às urnas escolher o próximo presidente da República, assim como governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais no primeiro turno das eleições. O possível segundo turno será em 25 de outubro. 🗓️ Uma das novidades do pleito é a mudança nas datas de posse: pela primeira vez, o presidente da República tomará posse em 5 de janeiro de 2027, os governadores no dia seguinte. Veja principais datas Regularização e novos títulos eleitorais ✍ O prazo final é 6 de maio de 2026, e o serviço pode ser feito pela internet, nas páginas dos Tribunais Regionais Eleitorais. Desincompatibilização Candidatos que ocupam cargos na Administração Pública ou atuam em empresas com contratos com o Poder Público devem passar pela desincompatibilização, temporária ou definitiva. O objetivo é evitar o abuso do poder econômico ou político nas eleições. Os prazos variam de três a seis meses e são calculados com base na data do primeiro turno das eleições. Janela partidária Deputados federais, estaduais e distritais terão um mês para trocar de partidos sem risco de perder o mandato atual por infidelidade partidária. É a janela partidária que, pelo calendário, ocorre entre o início de março e o de abril. Registro de partidos e federações Até seis meses antes das eleições, no começo de abril, partidos e federações que vão apresentar candidatos nas eleições de 2026 devem ter os estatutos registrados no Tribunal Superior Eleitoral. Domicílio de candidatos e renúncia para concorrer a outros cargos Também a seis meses das eleições, no começo de abril, pessoas que pretendem disputar cargos devem ter definido o local onde vão se candidatar. Também é o fim do prazo para que presidente, governadores e prefeitos renunciem aos mandatos para concorrer a outras vagas. Convenções partidárias No Brasil, quem quer disputar as eleições precisa se filiar a partido político e ser escolhido nas convenções das siglas. Estas convenções serão entre 20 de julho e 5 de agosto de 2026. Registro de candidatos 🗒 Uma vez definidos os candidatos, a Justiça Eleitoral vai receber os registros dos nomes escolhidos até 15 de agosto. Propaganda eleitoral A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto de 2024. Isso vale para a campanha nas ruas e na internet. No rádio e na TV, a propaganda começa 35 dias antes da antevéspera do pleito. Fachada do prédio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em Brasília. Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Veja principais regras Urnas eletrônicas Na última quinta-feira (2), o Tribunal Superior Eleitoral realizou a abertura do código-fonte das urnas eletrônicas e iniciou o processo eleitoral de 2026. A abertura faz parte do procedimento de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação previsto na legislação eleitoral. 🔎 O código-fonte é um conjunto de linhas de programação de um software, com as instruções para que o sistema funcione. A abertura permite a inspeção pela sociedade civil. Até a data das eleições, o tribunal vai realizar uma série de testes com os equipamentos. Entre eles: Teste Público da Urna, em dezembro de 2025, quando o tribunal coleta contribuições de especialistas em tecnologia da informação de fora da Justiça Eleitoral para aprimorar os sistemas eleitorais e as urnas eletrônicas. Teste de Confirmação, em maio de 2026, quando os especialistas voltam para o TSE para uma nova rodada de testes. Regras não podem ser mudadas A um ano da votação, já não é mais possível alterar as regras do processo eleitoral para garantir a segurança jurídica. Um mecanismo na Constituição chamado princípio da anterioridade eleitoral impede que leis aprovadas a menos de um ano das eleições sejam aplicadas ao pleito. 📓No entanto, o Tribunal Superior pode detalhar o que já está na legislação, aprovando resoluções para organizar a votação, sem ir além do que está nas regras aprovadas pelo Congresso. O tribunal tem até o dia 5 de março de 2026 para definir a regulamentação. Cláusula de desempenho As exigências para que os partidos tenham tempo de propaganda no rádio e na TV, além de recursos do fundo partidário vão se ampliar. Para obter os benefícios, as legendas devem: eleger, em 2026, pelo menos 13 deputados federais, distribuídos em pelo menos um terço dos estados e do Distrito Federal; ou obter, no mínimo, 2,5% dos votos válidos em pelo menos um terço das unidades da federação, com um mínimo de 1,5% dos votos válidos em cada uma delas. Candidaturas de negros e de mulheres Mudanças aprovadas pelo Congresso Nacional escreveram, na Constituição, percentuais de aplicação de recursos em candidaturas de pessoas negras e de mulheres. A alteração inseriu no texto entendimentos já adotados pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Tribunal Superior Eleitoral de que os partidos devem destinar, ao menos, 30% do fundo eleitoral e da parcela do fundo partidário relativa às campanhas eleitorais para mulheres, respeitando a proporção de candidatas. A medida também vale para propaganda em rádio e TV. Em 2024, outra modificação fixou que candidaturas negras devem ter, no mínimo, 30% dos recursos destinados às campanhas eleitorais.

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'Bolha' da IA pode estourar? Trilhões em investimentos esbarram em baixo retorno

Publicado em: 04/10/2025 03:01

Jeff Bezos, fundador da Amazon, defende os investimentos maciços em IA na Tech Week 2025, que aconteceu em Turim, na Itália MARCO BERTORELLO/AFP Os investimentos astronômicos em inteligência artificial (IA) continuam: na semana passada, a gigante Nvidia anunciou que vai investir US$ 100 bilhões (R$ 534 bilhões) para ajudar a OpenAI, dona do ChatGPT, a construir data centers. Os investimentos em IA dispararam em todo o mundo, e devem chegar a US$ 1,5 trilhão (R$ 8,01 trilhões) neste ano e passar de US$ 2 trilhões (R$ 10,68 trilhões) em 2026, quase 2% do PIB mundial, segundo a empresa americana Gartner. 🔎 Mas como são possíveis essas quantias astronômicas, se o retorno dos investimentos, pelo menos por enquanto, continua insignificante? "Os investidores normalmente não dão US$ 2 bilhões a uma equipe de seis pessoas sem produto, e, no entanto, é isso que está acontecendo agora", reconheceu Jeff Bezos, fundador da Amazon, na última sexta-feira (3), durante uma conferência de tecnologia na Itália. "Essas bolhas industriais podem ser benéficas porque, quando a poeira baixa e restam os vencedores, a sociedade se beneficia dessas invenções", disse Bezos. O bilionário investiu na startup americana Perplexity, rival do ChatGPT. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Embora o retorno desse investimento ainda seja baixo, "não há dúvida entre os investidores de que a IA é a tecnologia mais revolucionária", comparável ao uso da eletricidade, disse Denis Barrier, diretor do fundo de investimento Cathay Innovation. O Vale do Silício "está mais focado em aproveitar a oportunidade" do que em se preocupar com os riscos, acrescentou. Data centers são a bola da vez A tensão geopolítica impulsiona o frenesi envolvendo principalmente a construção de data centers, que consomem grande quantidade de energia. Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas Entre 2013 e 2024, o investimento privado em IA atingiu US$ 470 bilhões (R$ 2,51 trilhões) nos Estados Unidos (quase um quarto apenas no último ano), seguido pela rival China, com US$ 119 bilhões (R$ 635,46 bilhões), segundo relatório da Universidade de Stanford. Poucas empresas concentram a maior parte do mercado, com a OpenAI na liderança. Em março de 2025, ela levantou aproximadamente US$ 40 bilhões (R$ 213,6 bilhões), o que elevou seu valor estimado para cerca de US$ 500 bilhões (R$ 2,67 trilhões), segundo analistas. Data centers de IA no Brasil poderão consumir mesma energia de 16 milhões de casas Data centers serão construídos no espaço em até 20 anos, diz Bezos 'Financiamento circular' Dirigida por Sam Altman, a Open AI está no centro de uma explosão de investimentos em IA: ela supervisiona o projeto Stargate, que conseguiu US$ 400 bilhões (R$ 2,14 trilhões) dos US$ 500 bilhões (R$ 2,67 trilhões) previstos para 2029 para data centers no Texas. Apoiado pela Casa Branca, o consórcio inclui o banco Softbank, e as gigantes de tecnologia Oracle, Microsoft e Nvidia, esta última alvo frequente de críticas por praticar o "financiamento circular", ou seja, investir em startups que usam os fundos para comprar seus chips. Alguns analistas consideram que esse comportamento infla uma bolha que pode estourar. O acordo com a OpenAI "provavelmente alimentará essas preocupações", indicou Stacy Rasgon, da Bernstein Research. Nos primeiros seis meses de 2025, a OpenAI gerou cerca de US$ 4,3 bilhões (R$ 22,96 bilhões) em receita, publicou nesta semana o veículo especializado The Information. Diferentemente da Meta ou do Google, que possuem reservas substanciais, a OpenAI e concorrentes como Anthropic ou Mistral precisam ser criativas na busca de fundos para preencher essa lacuna. Para os defensores dessa tecnologia, a explosão de receita da OpenAI é uma questão de tempo: seu assistente ChatGPT, lançado há menos de três anos, atende 700 milhões de pessoas, quase 9% da população mundial. Data center da Meta em Indiana, nos Estados Unidos Divulgação/Meta Vai ser como a bolha da internet? Alimentar o apetite digital da IA custará até US$ 500 bilhões (R$ 2,67 trilhões) ao ano em investimentos globais em data centers até 2030, o que vai exigir US$ 2 trilhões (R$ 10,68 trilhões) de receita anual para viabilizar os gastos, segundo a consultoria Bain & Company. A empresa considera que, mesmo com estimativas otimistas, a indústria da IA enfrenta um déficit de US$ 800 bilhões (R$ 4,27 trilhões). A OpenAI planeja gastar mais de US$ 100 bilhões (R$ 534 bilhões) até 2029, o que significa que ainda está longe de ser lucrativa. No âmbito energético, a pegada digital global da IA poderia alcançar 200 gigawatts até 2030, o que equivale ao consumo anual de eletricidade no Brasil, a metade dos Estados Unidos. Mas muitos analistas permanecem otimistas. "Mesmo com a preocupação com uma possível bolha da IA, consideramos que o setor se encontra em seu momento 1996, o auge da internet. E, definitivamente, não em seu momento 1999, antes do estouro da bolha", comentou o Dan Ives, da Wedbush Securities. A longo prazo, "muito dinheiro vai desaparecer, e haverá muitos perdedores, assim como durante a bolha da internet, mas a web se manteve", acrescentou Ives. Bezos comparou o atual fluxo de investimentos em IA com outra bolha, a dos laboratórios de biotecnologia nos EUA, no ano 2000, impulsionada pelos avanços da pesquisa genética, mas cujo valor despencou em poucos meses. No caso da IA, "os benefícios serão imensos", garantiu o empresário. "Isso afetará todas as empresas do mundo, melhorando a qualidade de seu trabalho e sua produtividade", disse o magnata. "Estamos na era de ouro das viagens espaciais, da inteligência artificial, da robótica (...) Nunca houve um momento melhor para se entusiasmar com o futuro", concluiu Bezos. O lavador de pratos que criou a Nvidia, a empresa mais valiosa do mundo

Metanol em bebidas alcoólicas: veja o que se sabe até agora sobre casos de intoxicação

Publicado em: 04/10/2025 00:01

Metanol usado para higienizar garrafas é a principal linha de investigação da polícia O Brasil já registra 113 notificações por intoxicação por metanol no Brasil, segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado na tarde desta sexta-feira (3). As notificações incluem casos confirmados e suspeitos, além de mortes. Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul notificaram seus primeiros casos em investigação. Em todo o país, são 11 casos confirmados e 102 em investigação. Do total de 113 notificações por esse tipo de intoxicação, 101 são em São Paulo (11 confirmados e 90 em investigação), 6 casos em investigação em Pernambuco, 2 em investigação na Bahia e no Distrito Federal, e 1 caso está sendo investigado no Paraná e Mato Grosso do Sul. Em coletiva de imprensa na quinta-feira (2), o ministro da Saúde Alexandre Padilha disse que o governo instalou uma sala de situação em Brasília para monitorar os casos e anunciou a compra de 4.300 ampolas de antídoto. 🔍 O metanol é um álcool usado industrialmente em solventes e outros produtos químicos, é altamente perigoso quando ingerido. Inicialmente, ataca o fígado, que o transforma em substâncias tóxicas que comprometem a medula, o cérebro e o nervo óptico, podendo causar cegueira, coma e até morte. Também pode provocar insuficiência pulmonar e renal. O g1 reuniu abaixo o que já se sabe até agora sobre a crise. Como começou a crise do metanol? Qual é a principal linha de investigação? O que o governo tem feito para combater a adulteração? Como descartar garrafas de destilados para evitar falsificação? Como se proteger? É seguro beber cerveja, vinho ou chope? O que acontece no corpo após beber metanol? Existem antídoto para o metanol? Qual é o impacto para bares e outros estabelecimentos? Quem são as vítimas? Como começou a crise do metanol? Os primeiros alerta surgiram no dia 22 de setembro, quando médicos em São Paulo passaram a relatar pacientes com sintomas típicos de intoxicação por metanol. A troca de informações entre profissionais da saúde revelou que não se tratava de episódios isolados: vários hospitais recebiam casos semelhantes. Diferentemente de intoxicações comuns — geralmente associadas a pessoas em situação de vulnerabilidade que ingerem combustível —, desta vez as vítimas haviam consumido bebidas alcoólicas em bares, festas e encontros sociais. Isso acendeu a suspeita de que garrafas adulteradas estavam circulando no comércio. Qual é a principal linha de investigação? A principal linha de investigação da Polícia Civil é que fábricas clandestinas estariam usando metanol para higienizar garrafas falsificadas antes de envasá-las. A substância, que não está disponível legalmente no Brasil, teria entrado ilegalmente no país e sido aplicada em recipientes reutilizados. Mais de mil garrafas já foram apreendidas em operações conjuntas entre polícia e Vigilância Sanitária. O Instituto de Criminalística analisa os lotes suspeitos em duas etapas: primeiro a autenticidade da embalagem (selo, rótulo e lacre) e depois o líquido em laboratório. Até agora, parte das amostras já testou positivo para metanol. Bar nos Jardins com suspeita de contaminação por metanol é interditado em operação da polícia. Abraão Cruz/TV Globo O que o governo tem feito para combater a adulteração? O governo de São Paulo anunciou medidas mais duras contra bares e comércios flagrados vendendo bebidas adulteradas. A Secretaria da Fazenda vai suspender de forma cautelar o cadastro estadual desses estabelecimentos, impedindo que continuem a operar. Segundo o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), 36% das bebidas destiladas no Brasil são adulteradas. Ele defendeu que o Congresso transforme a falsificação de bebidas em crime hediondo e prometeu que o estado vai “cassar a inscrição estadual de quem comercializar produto falsificado, para proteger a saúde pública”. Nesta semana, forças integradas realizaram operações de apreensões de garrafas com suspeita de adulteração, além de interditar bares e distribuidoras. Além disso, a Polícia Civil prendeu na Zona Norte da capital um homem apontado como um dos principais fornecedores de material usado na produção de destilados falsificados. Em imóveis ligados a ele, os policiais encontraram cerca de 20 mil garrafas, além de tampas, rótulos, caixas e até selos falsificados. Segundo o Deic, o esquema abastecia destilarias clandestinas e bares de várias regiões do estado. Como descartar garrafas de destilados para evitar falsificação? A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) recomenda que consumidores adotem cuidados extras no descarte de garrafas de destilados, para dificultar a ação de falsificadores. Isso porque muitas vezes embalagens originais são reutilizadas em bebidas adulteradas, como as envolvidas nos casos de intoxicação por metanol em São Paulo. As orientações são: Nunca descartar a tampa junto com a garrafa (coloque em lixos diferentes); Rasgar ou retirar o rótulo antes de jogar fora; Encaminhar a embalagem a pontos de coleta de vidro ou locais de reciclagem autorizados; Evitar descartar no lixo comum, o que facilita o reaproveitamento. Segundo o diretor da Abrasel, Gabriel Pinheiro, há até um mercado paralelo de compra dessas garrafas. Ele defende fiscalização mais rigorosa contra falsificadores e destilarias ilegais. O tema também deve chegar ao Congresso, com um projeto de lei para tornar obrigatória a destruição das embalagens após o consumo. Como se proteger? Não é possível identificar a presença do metanol apenas olhando, cheirando ou provando a bebida. Ele não altera cor, odor ou sabor, e só pode ser detectado por testes laboratoriais. Por isso, especialistas o chamam de “substância traiçoeira”. Autoridades recomendam que consumidores fiquem atentos a embalagens suspeitas (como lacres tortos ou rótulos mal impressos), desconfiem de preços muito baixos e sempre exijam nota fiscal. A Abrasel, entidade que representa bares e restaurantes, orienta que garrafas vazias sejam inutilizadas para evitar que falsificadores as reutilizem. Autoridades orientam a população a: Desconfiar de preços muito baixos; Comprar apenas em locais conhecidos; Verificar se as garrafas têm lacre e selo fiscal. Em caso de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a origem da bebida para ajudar na investigação. Método identifica metanol em 15 minutos Larissa Modesto/Unesp Araraquara É seguro beber cerveja, vinho ou chope? Não há consumo 100% seguro. Especialistas reforçam que, neste momento, nenhuma bebida pode ser considerada totalmente segura. O risco maior, porém, está nos destilados, especialmente os incolores, como a vodca e a cachaça. De acordo com médicos ouvidos pelo g1, cerveja, vinho e chope apresentam menor vulnerabilidade à adulteração com metanol, principalmente pela forma de produção e envase. A cerveja em lata é apontada como a opção de menor risco, já que o recipiente é mais difícil de ser adulterado Mesmo assim, autoridades de saúde recomendam cautela. “Não existe bebida totalmente segura. Neste momento de crise, a orientação é evitar os destilados, sobretudo os incolores, e sempre ter certeza da procedência do produto”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A médica intensivista Patrícia Mello lembra que já houve episódios de contaminação química em cervejas no Brasil, e que qualquer sintoma suspeito após o consumo deve ser investigado. Com mais casos de intoxicação por metanol, deputados querem tornar adulteração de bebidas um crime hediondo Reprodução/TV Globo O que acontece no corpo após beber metanol? Nas primeiras horas, a intoxicação pode ser confundida com uma ressaca comum: náusea, tontura e dor de cabeça. Mas o fígado logo transforma o metanol em substâncias tóxicas, como formaldeído e ácido fórmico, que atacam principalmente olhos e sistema nervoso. Entre 12 e 24 horas, surgem sintomas mais graves, como visão borrada e respiração acelerada. Em até 48 horas, há risco de cegueira irreversível, falência de órgãos e morte. O tratamento imediato é fundamental, pois cada hora de atraso reduz as chances de recuperação. Infográfico: o impacto do metanol no corpo humano. Arte/g1 Existe antídoto para o metanol? Sim. O antídoto considerado padrão-ouro é o fomepizol, mas ele não está disponível no Brasil. O medicamento bloqueia a transformação do metanol em metabólitos tóxicos e aumenta as chances de sobrevivência sem sequelas. Diante da emergência, a Anvisa acionou agências regulatórias dos Estados Unidos, Europa, Canadá, Japão, entre outros países, para viabilizar a importação. Enquanto isso, hospitais brasileiros têm usado etanol farmacêutico como alternativa — ele compete com o metanol no fígado e retarda seus efeitos, embora não seja tão eficaz. 🔍O etanol farmacêutico age como antídoto, pois impede que o metanol seja convertido em ácido fórmico, uma substância ainda mais perigosa. Qual é o impacto para bares? Os casos já afetam diretamente bares e restaurantes em São Paulo. Estabelecimentos em regiões como Itaim Bibi, Pinheiros e Berrini relatam mesas vazias, queda no movimento e maior procura por cerveja em vez de destilados. Alguns bares suspenderam a venda de vodca, uísque e cachaça até que as investigações avancem. Gerentes relatam cancelamentos de reservas e clientes mais desconfiados da procedência das bebidas. “Caipirinha não dá mais para beber. Tem que estar sempre alerta como um escoteiro”, resumiu um frequentador ao g1. Quem são as vítimas? As autoridades não divulgaram oficialmente a identidade das vítimas, mas a TV Globo e o g1 conseguiram localizar alguns dos pacientes. A seguir, conheça as histórias de pessoas que tiveram a vida profundamente afetada após o consumo de bebidas adulteradas. Radharani Domingos, Bruna Araújo de Souza e Rafael Anjos Martins são vítimas de intoxicação por metanol. Montagem/g1/Reprodução Adega na Zona Sul No dia 30 de agosto, Rafael Anjos Martins, de 28 anos, comprou duas garrafas de gin, além de gelo de coco e energético, em uma adega localizada na região da Cidade Dutra, na Zona Sul da capital. Em seguida, ele se reuniu com quatro amigos em casa para confraternizar. Nenhum deles desconfiou da adulteração. Rafael Anjos Martins, de 28 anos, está em coma desde 1º de setembro após consumir gin em SP Arquivo Pessoal Poucas horas depois do consumo, Rafael começou a passar mal e foi levado às pressas para o hospital. Os médicos realizaram procedimentos para remover a toxina do sangue, mas o metanol já havia atingido o cérebro e o nervo óptico. Desde então, o jovem está em coma, internado na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital de Osasco, respirando com ajuda de aparelhos. Os amigos, que ingeriram a bebida adulterada em menor quantidade, também sofreram consequências. Nathalia Carozzi Gama contou à TV Globo que a visão foi afetada. "As coisas estavam com muito contraste e muita falta de ar, com mal-estar, um peso no corpo. Eu fui para o hospital, fizeram o exame e viram que estava com metanol”, relatou. Bar nos Jardins Radharani Domingos fala em entrevista ao Fantástico após intoxicação por metanol Reprodução A designer de interiores Radharani Domingos, de 43 anos, perdeu a visão após consumir três caipirinhas feitas com vodca em no bar Ministrão na Alameda Lorena, bairro nobre de São Paulo. O local foi interditado. Ela chegou a ser internada na UTI, onde sofreu convulsões e precisou ser intubada, mas recebeu alta para o quarto nesta segunda (29). “Era uma região nobre, não era nenhum boteco de esquina. Causou um estrago bem grande. Não estou enxergando nada”, disse Radharani ao Fantásrico. No local, a polícia apreendeu cerca de 100 garrafas de bebidas destiladas suspeitas de adulteração. Segundo a irmã dela, Lalita Domingos, ainda não há previsão de alta. "O oftalmologista entrou com tratamentos para reverter o quadro da visão, mas ela [visão] permanece comprometida. Estamos na expectativa de que algo mude." Show de pagode Jovem de São Bernardo é internada após consumir vodca Reprodução; e Adobe Stock No domingo (28), Bruna Araújo de Souza, de 30 anos, saiu para assistir a um show de pagode com amigos em um bar de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Durante a tarde e a noite, ela consumiu algumas doses de bebida, incluindo um “combo” de vodca com suco de pêssego. Na manhã seguinte, Bruna começou a sentir sintomas como dor intensa no corpo, falta de ar e visão embaçada. Foi levada a uma UPA da cidade, mas seu quadro se agravou rapidamente e ela precisou ser transferida entubada para o Hospital de Clínicas de São Bernardo, onde permanece em estado grave. Familiares relatam que o namorado dela também apresentou sintomas e foi internado em outra unidade de saúde. “Ela estava feliz, se divertindo, e agora a gente não sabe como vai ser daqui para frente”, contou um parente. Uísque em festa Wesley Pereira, de 31 anos, passou mal após consumir uísque em uma festa. Reprodução O caso de Wesley Pereira, de 31 anos, começou em agosto, quando ele participou de uma festa na Zona Sul da capital paulista. Em determinado momento da comemoração, Wesley consumiu uísque que havia sido levado ao local. Poucas horas depois, passou mal e entrou em coma. Desde então, ele permanece internado no Hospital do Campo Limpo. Segundo a família, Wesley sofreu uma série de complicações: teve pneumonia por broncoaspiração, um dos rins parou de funcionar e, quando os médicos reduziram a sedação para tentar acordá-lo, ele sofreu um AVC. “Ele perdeu a visão e a vida dele nunca mais vai ser a mesma”, contou a irmã, Sheilene Pereira Neves. Wesley continua em tratamento intensivo e luta para se recuperar. Vodca adulterada Marcelo Lombardi tinha 45 anos e morava na região do Sacomã, na Zona Sul de SP, divisa com o ABC Paulista. Reprodução/TV Globo O advogado e empresário Marcelo Lombardi, de 45 anos, dono de uma imobiliária familiar na região do Sacomã, Zona Sul de São Paulo, morreu após consumir uma garrafa de vodca adulterada. Segundo a família, ele comprou a bebida em uma adega para beber em casa, sem suspeitar de irregularidades. Na manhã seguinte, Marcelo acordou desorientado, já sem visão, e foi levado ao hospital. O quadro evoluiu para uma parada cardiorrespiratória e falência múltipla dos órgãos. No atestado de óbito, os médicos apontaram o metanol como causa da intoxicação. Marcelo era casado e morava com a esposa e uma cachorrinha. A irmã relatou ao g1 que ele era o pilar da família. “Perdemos a nossa base”, desabafou.

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Chef dinamarquês é eleito o melhor do mundo pela 2ª vez; conheça suas propostas inusitadas

Publicado em: 04/10/2025 00:00

Chef Rasmus Munk e algumas de suas criações Divulgação/Guia Michelin Um prato que imita um globo ocular e esconde uma 'pupila' de caviar e frutos do mar e uma réplica de língua untada em tártaro. Essas são algumas das experiências gastronômicas que podem ser encontradas no Alchemist, restaurante do chef Rasmus Munk. O dinamarquês, de 33 anos, foi eleito novamente o melhor chef do mundo pelo prêmio internacional The Best Chef Awards, anunciado na última quinta-feira (2). É o segundo ano consecutivo em que ele conquista o topo do ranking, que em 2025 também incluiu 22 brasileiros. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Ele virá ao Brasil em novembro para participar do Mesa São Paulo, encontro gastronômico que acontece de 30 de outubro a 1º de novembro, segundo a organização do evento. Quem é Rasmus Munk Chef Rasmus Munk Divulgação/The Best Chef Awards De origem humilde, Rasmus começou a se destacar ainda jovem. Aos 22 anos, assumiu a cozinha do restaurante TreeTop, em Vejle, onde iniciou suas primeiras experiências fora do padrão tradicional. Em 2015, abriu o Alchemist, hoje com duas estrelas Michelin e presença constante nos principais rankings internacionais: foi eleito o 5º melhor do mundo pelo 50 Best 2025 e o 6º melhor na categoria “únicos” pelo TripAdvisor. Além da carreira, o chef também mantém projetos sociais, segundo o seu perfil no The Best Chef Awards. Em 2020, durante a pandemia, fundou a Junk Food, que cozinha para pessoas em situação de vulnerabilidade. A experiência no Alchemist Restaurante Alchemist, na Dinamarca Divulgação/Guia Michelin O restaurante é descrito no site como uma imersão sensorial e teatral que pode durar de 4 a 8 horas. O jantar é dividido em “atos” e acontece em diferentes ambientes — um deles dentro de uma cúpula gigante com projeções que recriam cenários como o espaço ou o fundo do mar (veja na imagem acima). O menu completo, que custa 5.400 coroas dinamarquesas (cerca de R$ 4.500), traz em torno de 50 criações que unem impacto visual, técnica e mensagens provocativas. Entre os pratos já apresentados estão: uma réplica gigante do olho do próprio chef Rasmus, com caviar e frutos do mar no centro — onde seria a pupila —, segundo o Guia Michelin (veja abaixo); uma língua humana em silicone, untada com tártaro de tomate e morango e decorada com flores, segundo reportagem do The New Yorker (veja abaixo). Prato do Alchemist Divulgação/Guia Michelin Prato que imita língua do Alchemist Divulgação/Guia Michelin Veja mais: Quanto custa comer nos 8 restaurantes brasileiros entre os melhores do mundo Quanto custam as experiências oferecidas pela 'nata' do turismo?

Palavras-chave: vulnerabilidade

De discos de vinil a fotografias em papel: por que objetos analógicos têm atraído as novas gerações?

Publicado em: 03/10/2025 23:52

Globo Repórter - 03/10/2025 Em tempos de hiperconexão e telas onipresentes, há quem escolha o caminho inverso: desacelerar, tocar, sentir. O Globo Repórter desta sexta-feira (3) falou sobre uma onda de resgate da vida analógica, especialmente com discos de vinil, cartas escritas à mão, fotografias reveladas com chá e jogos de tabuleiro. Saudosismo? Curiosidade? Moda? A reportagem mostrou como esses hábitos que pareciam esquecidos estão sendo redescobertos pelas novas gerações. Vinil: o som que respira A cantora Liniker, artista da era digital, escolheu gravar seu álbum Caju com tecnologia analógica. “Queria transportar quem ouvisse para outro tempo. Um tempo de escuta, sem pular faixas”, contou. Deu certo. O álbum recebeu sete indicações ao Grammy Latino de 2025. “Se depender de mim, eu vou ser sempre uma cantora analógica. O vinil é mais que um objeto. É afeto. É o coração de quem escuta.” Disco Liniker do álbum Caju Reprodução/TV Globo O som do vinil também conquistou os jovens. Beatriz Ribeiro levou os amigos para ouvir pela primeira vez. “A gente está acostumado a clicar no celular e a música já começa. Aqui, você segura o disco, abre a capa, vê o encarte. É outra coisa.” Bernardo Coelho, um dos amigos, ficou impressionado com o som. “Parece que o artista está ali, ao vivo. É mais limpo, mais vivo. É mágico.” No Rio de Janeiro, lojas como a de Rogério Ignacio resistem ao tempo. “O jovem é 50% a 60% do nosso público, que consome discos de vinil hoje em dia", afirma Rogério. Para o professor Bernardo Conde, da UFRJ, o interesse pelo vinil reflete uma busca dos jovens por algo mais sólido e autêntico em meio ao excesso digital. "Como são jovens que às vezes, já nasceram nesse mundo tecnológico, das redes sociais e tudo, eles têm uma certa avidez a algo que saia daquilo ali". Novas gerações voltam a se interessar por discos de vinil Reprodução/TV Globo Fotografia analógica: revelações com chá O gosto pelo analógico vai muito além dos discos de vinil. Na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro, o cenário é um convite à nostalgia. Gente de todas as idades circula entre bancas e lojas que vendem câmeras antigas, discos raros e objetos que carregam memória. Victor chegou ali em 2010, procurando um presente de aniversário para si mesmo — um disco do Jimi Hendrix. Mas foi uma câmera analógica que acabou conquistando seu coração. “Foi a primeira vez que fotografei. Nunca tinha mexido com isso, nem sabia como funcionava”, conta. A diferença é que a gente não vê na hora. Trabalha a ansiedade também, é um exercício psicológico (risos). Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o projeto de extensão Paralaxe Lab tem levado essa paixão para dentro dos laboratórios. Lá, estudantes e artistas visuais experimentam formas alternativas de revelação fotográfica — com luz, química e até chá de catuaba. Joana Bastos, artista visual, descreve a experiência como única. “Não tem sentimento igual ao de revelar um filme com a foto que você mesma fez. Hoje tudo está muito entregue, muito fácil. Quando você participa de todos os processos, é outra sensação", comenta Joana Bastos, artista visual. Como a fotografia analógica tem atraídos jovens da era digital Reprodução/TV Globo Cartas: o tempo da espera Mariana Loureiro criou o Clube do Envelope de Papel, que já conecta mais de 4 mil pessoas. Para participar, tem regra: escrever à mão e esperar. “A carta exige atenção, pausa, silêncio”, diz. Gabriela, que mora onde o carteiro não chega, vai aos Correios com prazer. “O tempo é precioso. Saber que alguém o divide comigo é especial”. Jogos de tabuleiro: conexão fora da tela Em Belo Horizonte, luderias misturam café, petiscos e estratégia. Casais se conhecem jogando, famílias se reconectam, empresas usam os jogos para fortalecer equipes. “Durante a pandemia, os jogos obrigaram a gente a olhar no rosto do outro, conversar, interagir”, conta a estudante Raquel Teles. E Henrique, dono de uma luderia, resume: “Nada mais legal do que ver todo mundo se divertindo sem celular”. Jogos de tabuleiro: ferramenta ajuda a criar conexão fora da tela Reprodução/TV Globo Quadrinhos: arte que atravessa gerações Heitor Pitombo é músico e colecionador. Tem gibis raros, como uma edição de 1970 em que Batman encontra os Beatles. Ele lê pelo menos uma história por dia e garante: os gibis estão mais valorizados do que nunca. “Quadrinho é pintura com texto. É completo”, afirma. Quadrinhos: arte que atravessa gerações Reprodução/TV Globo O que tudo isso tem em comum? Segundo o professor Bernardo Conde, antropólogo da PUC Rio, não é só nostalgia. "Eu acho que é um sinal dos tempos de mudança, de um desejo de buscar alguma coisa. que rompa com esse cotidiano de muita informação, de excesso de tela, necessidade de estar online o tempo todo para não perder nada. E essa experiência, ela traz uma sensação de vazio. E é curioso, porque ao trazer essa sensação de vazio, porque eu não consigo reter nada, eu vou em busca de mais para ver se isso preenche. Quando a gente vai para a carta, quando a gente vai para a fotografia analógica, para o vinil, é uma experiência no qual eu vou estar presente. Eles são objetos que eu brinco, exigem uma certa dedicação exclusiva. E essa dedicação exclusiva faz eu mobilizar minhas sensações, meus sentimentos, porque eu tenho tempo para entrar em contato com eles". Confira as últimas reportagens do Globo Repórter:

Palavras-chave: tecnologia

Denúncia do Ministério Público identifica novas vítimas de padre afastado por crimes sexuais e pede indenizações

Publicado em: 03/10/2025 21:02

Ministério Público oferece denúncia contra o padre investigado em Cascavel A denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) contra o padre afastado Genivaldo Oliveira dos Santos, de 42 anos, identificou três novas vítimas. Genivaldo foi denunciado nesta sexta-feira (3) por 21 crimes, sendo oito crimes de estupro de vulnerável, cinco de importunação sexual, dois de violação sexual mediante fraude (um consumado e um tentado), cinco de tráfico de drogas (na modalidade ministrar/induzir e vender) e um de entrega de substância nociva à saúde destinada a fim medicinal. Os crimes vieram à tona no fim de agosto, quando o padre foi preso pela suspeita de abusar sexualmente de adolescentes religiosos e em situação de vulnerabilidade. Ele atuava como sacerdote há 12 anos em diferentes cidades da região de Cascavel, no oeste do Paraná. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Foz do Iguaçu no WhatsApp Na denúncia, o número de vítimas subiu das 10 identificadas no indiciamento, para 13 pessoas. Conforme o MP, elas têm entre 12 e 48 anos e foram vítimas em cidades diferentes, incluindo Cascavel, Rio de Janeiro, Santa Lúcia e Boa Vista da Aparecida. Segundo o MP, são 11 homens vítimas de crimes sexuais e duas mulheres que são apontadas como vítimas na parte da denúncia que aponta o crime de tráfico de drogas. Foram apreendidos durante a operação da polícia uma porção de maconha e uma substância que foi encaminhada para perícia. Segundo a promotoria, uma das vítimas relatou que o denunciado ministrava gotas dessa substância, para que a vítima ficasse inconsciente. Além da condenação do religioso afastado, o Ministério Público solicitou também o pagamento de indenização por danos materiais e morais para cada uma das vítimas. Os valores variam entre R$ 20 mil e R$ 150 mil. A denúncia foi encaminhada para a Justiça, que avalia se a aceita ou não. O caso está em sigilo. Durante interrogatório, Genivaldo optou por permanecer em silêncio. O Ministério Público informou que parte dos fatos inicialmente investigados foi arquivada porque prescreveram ou pela falta de provas suficientes para inclusão na denúncia. O g1 procurou a defesa de Genivaldo Oliveira dos Santos, mas não teve resposta até a última atualização desta reportagem. A Arquidiocese de Cascavel optou por não comentar o processo criminal, mas informou que o processo canônico – procedimento da Igreja Católica para investigar e julgar casos de infrações às leis da igreja – está em fase final e será encaminhado ao Vaticano. LEIA TAMBÉM: Saúde: Paraná investiga primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol Polícia: Stalker é preso por fazer montagens de vítimas em conteúdos sexuais e distribuí-las em igreja e universidade Trânsito: Casal sobrevive após ser prensado contra carreta em engavetamento envolvendo sete veículos Genivaldo é padre há 12 anos Arquivo pessoal Pedidos de novas investigações Na denúncia, o Ministério Público fez 25 requerimentos, entre eles que a Polícia Civil investigue supostas práticas dos crimes de charlatanismo e/ou exercício irregular da medicina e violação sexual mediante fraude por parte do padre afastado. Ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), o MP solicita a continuidade das investigações para apurar uma suposta prática de crime contra a dignidade sexual, que teria acontecido em um seminário no município, cometidos por outra pessoa. O órgão pede ainda que as cópias do processo sejam encaminhadas para o Tribunal e ao Vigário Judicial da Arquidiocese de Cascavel para embasar investigações de supostas condutas do padre afastado que indicam desvio de recursos de doações de fiéis e uso indevido de bens paroquiais para fins econômicos pessoais ou práticas criminosas. Transferência não comunicada Entre os pedidos do Ministério Público está também a abertura de procedimento junto à Vara de Corregedoria dos Presídios para apurar o motivo da transferência de Genivaldo para o Complexo Médico Penal (CMP), em Curitiba. Conforme o MP, a mudança aconteceu no dia 15 de setembro, durante as investigações, sem aviso prévio nem posterior às autoridades policial, ministerial e judicial. Por meio de nota, a Polícia Penal do Paraná afirmou que "as decisões referentes à transferência de pessoas privadas de liberdade são de competência exclusiva da instituição, sempre adotadas com a finalidade de preservar a integridade física e a segurança dos custodiados". Padre foi preso em Cascavel. Polícia Civil (PC-PR) Documento aponta que arcebispo sabia de denúncia feita há quase 15 anos O Ministério Público informou que os documentos do caso serão encaminhados à 12ª Promotoria de Justiça de Cascavel, responsável pela área de Garantias Constitucionais. O objetivo é viabilizar a reparação civil por possíveis danos sofridos pelas famílias das vítimas – além de buscar compensações por prejuízos coletivos e difusos que possam ter atingido toda a comunidade, em razão de crimes ou condutas inadequadas. Segundo o MP, as ações violaram direitos fundamentais como a liberdade de consciência e religião, e causaram prejuízos, incluindo a exploração de vulnerabilidades socioeconômica, fé e religiosidade, dependência química e de álcool, e sexual. Conforme o Ministério Público, o pedido considera o fato de autoridades eclesiásticas terem sido informadas sobre os fatos, com a possibilidade de configuração de omissão juridicamente relevante. Um documento assinado em 2011 por um seminarista que denunciou o padre Genivaldo Oliveira dos Santos aos superiores da igreja por tentativa de abuso sexual indica que o então arcebispo de Cascavel, Dom Mauro Aparecido dos Santos, tinha conhecimento do caso e não o relatou à polícia. O documento faz parte do processo policial que deu origem à denúncia. O arcebispo Dom Mauro Aparecido dos Santos atuou em Cascavel de 2008 até o seu falecimento, em 2021. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

Palavras-chave: vulnerabilidade