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Resumão diário #1630: Votação na Câmara; Zambelli na Itália; Hacker nega que ameaçou Felca; Boate Kiss e mais

Publicado em: 27/08/2025 07:56

Câmara deve votar PECs que blinda parlamentares da Justiça e do fim do foro privilegiado nesta quarta. Condenada duas vezes pelo STF, Zambelli terá nova audiência sobre extradição na Itália nesta quarta. Hacker nega que ameaçou Felca, mas admite que invadia sistemas do governo para vender dados; veja depoimento. Boate Kiss: desembargadores determinam redução de pena dos quatro condenados pelo incêndio. Starship, maior nave do mundo, faz lançamento inédito de cargas no espaço. Resumão diário do g1. Comunicação/Globo Produzido pelas equipes de vídeos e podcasts do g1, o Resumão é apresentado pela repórter Gabi Gonçalves.

Palavras-chave: hacker

Carla Zambelli volta a tribunal na Itália para audiência

Publicado em: 27/08/2025 07:51

Justiça italiana pede perícia médica de Carla Zambelli Considerada foragida da Justiça brasileira, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) compareceu nesta quarta-feira (13) a um tribunal de Roma, na Itália, para uma audiência dentro do processo em que a Justiça italiana analisa sua extradição ao Brasil. Ao chegar ao Tribubal de Apelações de Roma, no entanto, Zambelli alegou estar passando mal, e a audiência foi adiada. Uma médica chegou a ser chamada para examiná-la ainda no tribunal, mas o juiz responsável pela sessão ordenou depois uma perícia médica e remarcou a sessão para 27 de agosto. Desta forma, Zambelli seguirá presa — a audiência desta quarta definiria se ela poderia ou não aguardar em liberdade por uma decisão sobre uma extradição ao Brasil. Novo pedido de soltura A defesa da deputada alega questões de saúde para pedir sua liberdade e, em paralelo, apresentou ao juiz um outro pedido de soltura, alegando que o governo brasileiro não fez um pedido de prisão preventiva. Em entrevista na saída da sessão, em Roma, os advogados de Zambelli afirmaram esperar que ela seja solta "a qualquer momento". No entanto, a Corte Suprema da Itália já afirmou que um pedido de prisão na lista de alerta vermelho da Interpol, caso da parlamentar brasileira, é equivalente a um pedido de prisão em âmbito internacional, e o Tratado de Extradição Itália-Brasil, no artigo 13,2, introduz expressamente a equivalência entre pedido em âmbito Interpol e pedido de aplicação de medidas cautelares. Carla Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por invadir os sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Dias após a condenação, ela deixou o país e informou que estava na Itália. O ministro do STF Alexandre de Moraes expediu um mandado de prisão para a deputada, e ela foi então presa na Itália no fim de julho. Agora, a Justiça italiana analisa um pedido de extradição de Zambelli par ao Brasil. Redes sociais Na Itália, Carla Zambelli reforça críticas ao STF em perfil alternativo no Instagram Zambelli, mesmo foragida, segue nas redes sociais por meio de um perfil alternativo no Instagram. O primeiro post do perfil foi publicado em 13 de junho, cerca de 10 dias após a retirada do ar de suas redes oficiais, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, em 4 de junho. A conta foi criada em maio de 2025 e tem cerca de 4.600 seguidores e é utilizada para comentar temas da política nacional e reforçar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar da suspensão das contas principais, o novo perfil continua acessível. Ele foi atualizado pela última vez em 28 de julho. Zambelli é alvo de um mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro Alexandre de Moraes e está incluída na lista de procurados da Interpol. Ela foi condenada a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio do hacker Walter Delgatti Neto. Foto de arquivo: a deputada federal Carla Zambelli (PL- SP) participa uma coletiva de imprensa na sede do PL em São Paulo NINO CIRENZA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO Infográfico mostra fuga de Carla Zambelli até prisão na Itália. Arte/g1

Palavras-chave: hacker

Android 16 detalhará quais aplicativos têm Proteção Avançada nativa do Google

Publicado em: 27/08/2025 07:50 Fonte: Tudocelular

O Android 16 deve trazer vários recursos para proteger os usuários contra hackers. Eles devem estar agrupados na Proteção Avançada do sistema, que agora teve mais detalhes revelados em uma análise das linhas de código do Google Play Services 25.33.32 beta.Nesta versão, foi possivel habilitar manualmente uma seção no menu Configurações > Segurança e privacidade > Proteção avançada que mostra quais aplicativos do Google têm integração com a Proteção Avançada do Android 16. Esta capacidade permite que o sistema envie um sinal a estes aplicativos para que certas funções que poderiam ser utilizadas por hackers para invadir o celular ou tablet sejam desabilitadas.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hackerhackers

Microsoft expande o Xbox Cloud Gaming para planos mais básicos

Publicado em: 27/08/2025 07:50 Fonte: Tudocelular

A Microsoft anunciou a expansão do Xbox Cloud Gaming para assinantes dos planos Game Pass Core e Standard, um recurso que antes estava restrito apenas ao Game Pass Ultimate. A mudança, inicialmente em fase de testes pelo programa Xbox Insider, amplia o acesso ao streaming de jogos na nuvem para usuários de opções mais acessíveis do serviço.Além da possibilidade de jogar via nuvem, a atualização nos planos básicos do Game Pass também libera para esses assinantes o acesso a versões de títulos de PC selecionados. A Microsoft destaca que o objetivo é oferecer maior flexibilidade para quem prefere jogar em computadores ou dispositivos portáteis com Windows, sem a necessidade de migrar para a assinatura mais cara.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

Comerciantes de Mogi das Cruzes enfrentam dificuldade na contratação de funcionários

Publicado em: 27/08/2025 07:37

Comerciantes do Alto Tietê relatam dificuldade em contratar mão-de-obra para o comércio Larissa Rodrigues/g1 Salários mais altos, escalas menos desgastantes e maior equilíbrio entre vida pessoal e carreira têm pesado na balança dos profissionais na hora de escolher um emprego. Os comerciantes de Mogi das Cruzes têm percebido o peso das escolhas dos candidatos no momento da contratação. Eles relatam que as vagas permanecem abertas por meses e atribuem isso as mudanças no mercado de trabalho após a pandemia de Covid-19. De acordo com Aline Zaniboni, que é recrutadora de uma assessoria de recursos humanos, há pelo menos dois anos o setor lida com esse desafio. “A pandemia mudou tudo. Agora a prioridade para os profissionais é ter tempo de qualidade.” Ela explica que um dos principais entraves é a escala 6x1. “Tenho vaga em shopping há mais de três meses que não consigo preencher. Os candidatos dizem: não quero trabalhar de domingo, feriado, nem de segunda a sábado com apenas um dia de folga”, relata. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp Vagas em aberto Rachid Sleiman conhece de perto o efeito das mudanças no mercado de trabalho. Há 41 anos, proprietário de uma loja de veículos no Centro de Mogi das Cruzes ele está há seis meses com duas vagas abertas para vendedor. “Em cinco anos, contratei apenas uma pessoa que permaneceu. Os outros saem em 15, 20, no máximo 30 dias, sempre sem um motivo definido”, conta. A dificuldade também atinge outros setores. Uma padaria tradicional do Parque Monte Líbano deixou de abrir aos domingos por não encontrar funcionários dispostos a trabalhar nesse dia. De acordo com Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio), há em média de 30 a 50 vagas abertas no comércio do Alto Tietê. A expectativa é que em setembro deste ano, o setor abra entre 1,8 mil e 2,5 mil oportunidades temporárias. A projeção é que esse número cresça até dezembro, devido ao Dia das Crianças, Black Friday e Natal. "O comércio tem enfrentado dificuldades para preencher vagas, principalmente em funções ligadas ao atendimento, ao caixa e às vendas. Essa realidade se intensificou no pós-pandemia, quando muitos trabalhadores migraram para outros setores ou para atividades autônomas. De lá para cá, o desafio de encontrar e reter profissionais preparados para o varejo tem sido constante", explicou Martinez. Para tentar solucionar o problema, o Sincomércio criou um programa que conecta empresários e pessoas em busca de oportunidades. Além de oferecer aos candidatos, capacitação em parceria com o Sebrae e o Sesc. Mudança de mentalidade Paul Ferreira é professor de estratégia e liderança da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pesquisador sobre implicações para organizações e indivíduos. Ele observa que a pandemia acelerou a mudança na forma como as novas gerações enxergam o trabalho. “Antes, muitos acreditavam que era preciso se sacrificar no presente para ter sucesso no futuro. Hoje, a lógica é aproveitar o momento, mesmo que isso traga mais incertezas”, explica. Ferreira afirma que a construção de carreira deixou de ser prioridade. “Com a tecnologia, muitas profissões podem não existir em dez anos. Isso faz os profissionais questionarem se vale a pena se prender a uma trajetória longa.” Ele explica ainda que essa mudança também acontece entre as pessoas que não têm qualificação. "Esses trabalhos mais difíceis, que têm essas escalas [6x1], que têm essas condições difíceis, não são novos, mas as pessoas não aceitam mais”. Mais estudo, mais exigência Para a recrutadora Aline Zaniboni, o avanço da escolaridade também influencia. “Onde os pais conseguem bancar a graduação, os jovens já saem da faculdade buscando cargos na área, em vez de aceitar qualquer vaga apenas para ter renda”, observa. Ela acrescenta que a escassez de mão de obra não afeta só o comércio: “Tenho cinco vagas para mecatrônica, em escala 5x2, que não exigem experiência, apenas formação. Mesmo assim, recebo muitas negativas. Os candidatos pedem acima de R$ 3 mil.” Segundo a recrutadora, todas as áreas apresentam uma grande rotatividade de profissionais. “Hoje, quem quer estabilidade é o empresário. O mercado está com demanda, mas o que não acontecia antigamente, que era trocar de emprego por uma remuneração de R$ 100 ou R$ 150, a mais, agora acontece”. Isso vai de encontro com o que Ferreira analisa em suas pesquisas. De acordo com o professor, o trabalho CLT não é mais tão importante para os jovens profissionais. O que eles buscam é o equilíbrio entre remuneração e vida pessoal. “Prefiro fazer dois, três trabalhos diferentes, como freelance, que atendam minha necessidade do momento. Isso faz com que mesmo esses profissionais menos qualificados estejam mais exigentes. O emprego que me atende é o que me dá uma remuneração que me atende pra esse momento e que eu consiga equilibrar a minha vida. Eu coloco uma série de variáveis na equação, que faz com que eu assuma um pouco mais de risco a curto prazo”, explicou Ferreira. Mudança com resultado Na contramão, uma hamburgueria de Mogi das Cruzes conseguiu reduzir a rotatividade ao mudar a escala dos funcionários de 6x1 para 5x2. Christopher Sousa começou no restaurante como freelancer. Em um ano e meio, ele exerceu as funções de auxiliar de cozinha, chef até chegar a gerência. Hoje ele trabalha na escala 5X2. Para quem trabalhou por três anos em uma loja de produtos de limpeza na escala 6x1, em que só tinha o domingo para descansar, trabalhar cinco dias da semana e ter dois de folga foi um ganho para a saúde mental. “A gente trabalha, a gente é ser humano, o corpo precisa de descanso. Passou bastante gente [na hamburgueria] que não concordava com a escala 6x1. Os novos funcionários acabaram ficando pouco tempo. Quando a folga cai no domingo, emenda segunda e terça-feira, acaba sendo uma mini férias”, detalhou. Sousa destacou ainda que depois da mudança passou a aproveitar mais os momentos longe do trabalho. “Tenho mais tempo com o meu filho, com a minha esposa. A mudança de escala melhorou em 100% a parte mental. [Antes] chegar em casa, ia deitar e dormir. Afeta a saúde e o psicológico”. Sousa está há 1 ano e meio na empresa. Começou como freelancer, passou para auxiliar de cozinha, chef de cozinha e hoje é gerente Christopher Sousa/Arquivo Pessoal O proprietário da hamburgueria Bruno Neris mudou a escala dos funcionários há quase um ano e meio. Antes, todos trabalhavam seis dias na semana e folgavam apenas um. Hoje, eles trabalham na escala 5×2. Neris fez a mudança ao notar a rotatividade de funcionários e o quanto isso prejudicava o negócio. “Ajudou bastante. Tem os efeitos colaterais disso pro empreendedor, vou ter que trabalhar com mais pessoas, mais uniformes, mas isso se compensa na questão da rotatividade, porque isso também sai caro, ter que ficar treinando, ensinando a qualidade. A mão-de-obra não vai acabar, as empresas precisam se adaptar”. Ele afirma que a nova escala não afetou a quantidade de horas trabalhadas dos profissionais e que contratou apenas um funcionário a mais. “O custo inicial já se pagou […] eu não conseguia dar férias antes, porque a rotatividade era muito rápida. Hoje tenho 22 colaboradores diretos e indiretos. Os diretos trabalham nas escalas novas, sete horas por dia, são CLT e tiram as folgas de segunda a quinta. Sexta, sábado e domingo são o pico onde se vende no comércio”. Além da nova escala, funcionários passaram a ter um espaço chamado de 'descompreensão' no trabalho Ricardo Gallozzi/Divulgação Estratégias para manter talentos Para o professor da FGV, Paul Ferreira, o mercado de trabalho está aquecido e os profissionais têm mais opções do que as empresas. “Isso impacta na retenção. Você não precisa se sujeitar a um trabalho que não preencha os seus requisitos. Há uns cinco anos isso não era tão relevante. As empresas estão sendo desafiadas com a transformação digital, com a IA (Inteligência Artificial) e com a reconfiguração de tarefas automatizadas”. Ele aponta quatro medidas para reter talentos: Melhores pagamentos: empresas deveriam pagar melhor, principalmente os profissionais com demandas mais complicadas Flexibilidade: oferecer flexibilidade geográfica, pois muitos não precisam mais trabalhar presencialmente nos escritórios ou não precisam trabalhar todos os dias na empresa. Desenvolvimento da competência: o valor do trabalho está mudando. A tecnologia vem automatizando as tarefas e é importante para o funcionário ver que a empresa acredita nele. “As pessoas precisam ver que estão construindo pra empresa, que têm desafios que correspondem a competências delas e, se elas não tiverem competências, a empresa precisa estar disposta a desenvolver essas competências nelas”. Novas formas de trabalhar Em suas pesquisas, Ferreira estudou o engajamento dos trabalhadores e a escala 4X3. Ele destacou que esse tipo de escala traz um custo aos empregadores e isso pode inviabilizar o modelo para uma pequena ou média empresa. Por isso, deve haver eficiência nos governos e quanto maior for a tendência é de queda nos tributos empresariais o que facilitaria a implementação dessa medida. Além dos custos é preciso levar em consideração a competência dos profissionais. As empresas que se saíram melhor no projeto-piloto com a escala 4×3, foram as que tiveram um nível de capital humano mais elevado. Isso significa que o profissional precisa ter a capacidade de assimilar uma nova tarefa, mesmo que não seja a que ele realiza todos os dias. Isso gera uma rotatividade onde todos podem fazer a mesma função. “As grandes empresas estavam muito focadas em uma lógica de talento, vou encontrar altos potenciais, vou gastar dez vezes nesses profissionais. A gente precisaria mudar de paradigma, o que é importante é capacitar. Olhar menos pra aqueles que já são muito bons e sim pra aqueles que estão mais abaixo. Não é uma lógica de seleção dos dez melhores, mas de um nível médio mais acima”. As grandes empresas estavam muito focadas em uma lógica de talento, vou encontrar altos potenciais, vou gastar dez vezes nesses profissionais. A gente precisaria mudar de paradigma, o que é importante é capacitar. Olhar menos pra aqueles que já são muito bons e sim pra aqueles que estão mais abaixo. Não é uma lógica de seleção dos dez melhores, mas de um nível médio mais acima Há um ano e meio, a hamburgueria adotou a escala 5x2 Ricardo Gallozzi/Divulgação Leia também Alto Tietê perde 764 empregos formais em junho, aponta Caged Alto Tietê tem mais de 1,9 mil vagas de emprego nesta segunda-feira; confira Ferraz de Vasconcelos tem vagas de emprego disponíveis nesta segunda-feira

Prefeitura de Piracicaba espera arrecadar R$ 75 milhões por ano com loteria municipal; entenda

Publicado em: 27/08/2025 07:21

Vista área de Piracicaba Prefeitura de Piracicaba A Prefeitura de Piracicaba (SP) espera arrecadar R$ 75 milhões ao ano com a implantação de uma loteria municipal. Um projeto do governo municipal que institui essa modalidade de jogo foi enviado à Câmara Municipal na segunda-feira (25). Segundo a justificativa do documento, a iniciativa surgiu pela necessidade de ampliar o caixa da prefeitura e é amparada na legislação, que permite a exploração de loterias por todos os entes da federação. O texto destaca que, diante do recente processo licitatório do Governo do Estado de São Paulo para concessão da loteria estadual, é previsível a instalação de canais de venda estaduais em Piracicaba, o que provocaria o escoamento de recursos locais para o caixa estadual. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Piracicaba no WhatsApp "Com a instituição da loteria municipal, os valores apostados permaneceriam na cidade, beneficiando diretamente a população", justifica a prefeitura. Também conforme a administração municipal, seria uma forma de captar recursos sem criar novos impostos, por meio de uma "ferramenta legítima, historicamente comprovada e socialmente aceita". Volantes da Lotofácil, da loteria federal Eduardo Ribeiro Jr./G1 'Setor em expansão' O projeto também cita que tramita no Congresso Nacional um projeto que visa regulamentar cassinos, jogo do bicho e bingos em todo o país, sob operação da iniciativa privada. E que, se for aprovada, a iniciativa poderá reduzir os serviços lotéricos nas cidades que não tiverem estruturado previamente suas próprias operações. "Nesse cenário, Piracicaba corre o risco de perder protagonismo e espaço institucional em um setor em expansão", acrescenta. O texto ainda cita cidades do estado que já implantaram loterias municipais: São Vicente Poá Embu das Artes Agudos Botucatu Para ser implantada, a loteria municipal precisa ser aprovada em duas votações na Câmara Municipal e ser sancionada pelo prefeito Helinho Zanatta (PSD). VÍDEOS: tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

Palavras-chave: câmara municipal

Facape tem inscrições abertas para cursos gratuitos na área de tecnologia em Petrolina

Publicado em: 27/08/2025 07:18

Faculdade de Petrolina (Facape) Ascom / Facape Estão abertas as inscrições gratuitas para os cursos de Inclusão Digital e Introdução à Lógica de Programação em Petrolina, Sertão de Pernambuco. As formações, ofertadas pela Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome e a Faculdade de Petrolina (Facape), são voltadas para estudantes do Ensino Médio e jovens de 15 a 29 anos. As inscrições seguem até o dia 05 de setembro e podem ser realizadas de forma online. Para participar do curso de Introdução à Lógica de Programação, o formulário está disponível neste link (clique aqui). Já os interessados no curso de Inclusão Digital devem acessar este link (clique aqui).  📱:Baixe o app do g1 para ver notícias de Petrolina e Região em tempo real e de graça Curso de alvenaria gratuito em Petrolina está com inscrições abertas A iniciativa une teoria e prática e busca democratizar o acesso à tecnologia, mesmo àqueles que ainda têm pouco contato com o mundo digital.. As aulas acontecem nos dias 06 e 13 de setembro, das 8h às 12h, na sede da Facape. Concurso da Facape oferece 51 vagas para professores e salário de até R$ 16 mil Vídeos: mais assistidos do Sertão de PE

Palavras-chave: tecnologia

Fim do dólar? Por que moeda vem perdendo força no mundo — e isso pode ser o que Trump quer

Publicado em: 27/08/2025 07:06

Trump diz que vai acabar com o BRICS se o bloco avançar com a proposta de substituição do dólar nas negociações comerciais No primeiro semestre de 2025, o dólar americano teve seu pior desempenho em mais de cinco décadas no índice usado para medir a força da moeda dos Estados Unidos. A desvalorização acumulada até junho foi de 11% no U.S. Dollar Index, criado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano, e que compara o dólar a outras seis moedas — o euro, yen japonês, a libra esterlina, o dólar canadense, o krona sueco e o franco suíço. Quedas como essa já foram registradas em outros momentos. Mas, desta vez, a desvalorização acontece ao mesmo tempo que outros eventos que preocupam alguns economistas, o que tem feito cada vez mais investidores, analistas financeiros e outras pessoas no ramo bancário questionarem a força do dólar americano, de acordo com fontes do próprio setor. Um dos pontos de preocupação apontados é a queda pequena, mas gradual, na participação da moeda nas reservas cambiais dos bancos centrais ao redor do globo. Somam-se a isso uma fuga de capital estrangeiro no mercado de títulos do Tesouro dos Estados Unidos e críticas sobre a forma como o governo americano tem usado a dominância do dólar para aplicar sanções em temas geopolíticos, segundo especialistas. A atual política de tarifas do governo de Donald Trump — e os rumores no mercado sobre a possibilidade de um enfraquecimento deliberado da moeda por parte da Casa Branca para impulsionar a indústria americana — também tem gerado especulações. Mas enquanto alguns demonstram preocupação, outros são céticos em relação ao apetite do mercado em buscar alternativas ou à capacidade de qualquer outra moeda de alcançar o status atingido pela americana. O dólar se consolidou como a moeda internacional após a 2ª Guerra Mundial, com o acordo de Bretton Woods. Desde então, tornou-se a mais usada nas reservas globais e nas transações no sistema Swift, uma rede de pagamentos globais que conecta 11 mil instituições financeiras em mais de 200 países. Então, afinal, quão profunda é a desconfiança em torno da moeda que domina as transações comerciais em todo o mundo? E o que dizem aqueles que ainda preveem uma longa vida de dominância para o dólar? Participação nas reservas cambiais Um relatório elaborado pelo banco J.P. Morgan no início de julho apontou alguns dos fatores que ameaçam o domínio da moeda atualmente. O primeiro tem relação com a queda do dólar nas reservas internacionais — ou o conjunto de ativos externos em moeda estrangeira mantidos pelos bancos centrais ou autoridades monetárias para garantir sua estabilidade econômica e financeira. A soma das reservas mundiais em moedas estrangeiras equivalia a mais de US$ 12 trilhões em março de 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, mais de 57% estava alocado em dólar. Ou seja, a moeda americana ainda domina. No entanto, no começo dos anos 2000, essa fatia superava 70%. E enquanto o dólar viu uma diminuição em sua participação, o total em renminbis chineses dobrou na última década. Vale notar, no entanto, que as reservas na moeda chinesa ainda representam apenas 2% do total, bem atrás de outras mais tradicionais, como o euro e a libra esterlina. Segundo especialistas, no entanto, a principal tendência de "desdolarização" das reservas cambiais está relacionada à crescente demanda por ouro, que é visto como uma alternativa às moedas globais. Atualmente, o ouro corresponde a 9% das reservas de mercados emergentes, mais do que o dobro dos 4% observados há uma década. Mercado de commodities e títulos do Tesouro Outros fatores que, segundo a análise do JP Morgan, indicariam uma tendência de "desdolarização" são o uso de outras moedas no comércio internacional e a queda das participações estrangeiras nos títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano. Quando o assunto é a moeda usada nas transações internacionais, há várias formas de medir qual é a mais influente. E o dólar ainda domina em termos de volumes de câmbio, faturamento comercial, denominação de passivos transfronteiriços (dívidas ou obrigações financeiras de um país, empresa ou banco perante credores estrangeiros) e emissão de dívida em moeda estrangeira. Mas, segundo analistas, a moeda americana vem perdendo espaço como referência nos mercados de commodities, especialmente no setor de energia. Por conta das sanções internacionais aplicadas contra a Rússia, o país tem usado moedas locais para as exportações de petróleo e derivados. Com isso, nações como Índia, China, Brasil, Tailândia e Indonésia podem comprar petróleo a preços mais baixos e pagar com suas próprias moedas. Já as posições estrangeiras em títulos americanos vêm sendo reduzidas há 15 anos. Os títulos do Tesouro dos Estados Unidos — assim como os de outros países com economia forte — costumam ser vistos como investimentos de refúgio, para onde muitos direcionam seu dinheiro em momentos de crise nos mercados, como quedas nas bolsas de valores. E, embora os investidores estrangeiros continuem sendo o maior componente do mercado de títulos do Tesouro americano, sua participação vem caindo. Antes da grande crise financeira global de 2008, mais de 50% dos títulos estavam na mão de compradores de fora dos EUA. Agora, caiu para 30%, segundo o JP Morgan. "Em termos de transações internacionais, há um declínio muito modesto na porcentagem do que ocorre em dólar", diz Luis Oganes, chefe de Pesquisa Macro Global no J.P. Morgan, à BBC News Brasil. "Onde estamos observando a desdolarização, e certamente um grande afastamento do dólar, é nas reservas cambiais dos bancos centrais e na denominação monetária das transações de commodities." Desvalorização e queda das bolsas Para além do relatório, outros fatores que chamam a atenção são a desvalorização do dólar e as quedas no mercado de ações americano. Após acumular no primeiro semestre de 2024 a maior desvalorização registrada até aquele momento desde 1973, os índices que medem o valor do dólar ensaiaram uma recuperação em meados de julho, mas voltaram a cair em agosto. Segundo relatório do banco Morgan Stanley, embora a moeda tenha se fortalecido 3,2% em julho, o declínio deve continuar, possivelmente adicionando outros 10% em perdas até o final de 2026. Além disso, no início de abril deste ano, as bolsas dos Estados Unidos tiveram a sua pior semana desde a pandemia de covid-19, com o índice S&P 500 de Wall Street, que inclui as maiores empresas americanas, com uma queda de 10%. Em seguida, bolsas de todo o mundo despencaram. No Brasil, o dólar caiu mais de 12%. Tudo aconteceu diante de anúncios do presidente Donald Trump sobre a adoção de uma onda sem precedentes de tarifas de importação. Em abril, o republicano divulgou sua intenção de adotar uma tarifa básica universal de 10% sobre todas as importações para os EUA. O prazo para entrada em vigor da medida foi adiado algumas vezes depois disso, e novas alíquotas foram anunciadas para alguns países específicos. Entre eles o Brasil, que em 6 de agosto passou a enfrentar tarifa de 50% sobre alguns produtos. Desde que foi anunciado, o tarifaço de Trump preocupa investidores, que temem seu efeito sobre os lucros corporativos e a desaceleração em massa do crescimento econômico. Isso faz com que alguns tentem se proteger de novas quedas do dólar e diminui a confiança na economia americana e em sua moeda, dizem especialistas. Como resultado, investidores estrangeiros venderam US$ 63 bilhões em ações de empresas listadas em bolsas dos EUA entre março e abril de 2025, segundo o banco Goldman Sachs. O mesmo vale para o mercado de títulos, que serve como um termômetro da confiança na economia de um país. Quando há muitas compras, isso é um sinal de confiança. Mas, se os investidores começam a vender — como aconteceu nos Estados Unidos após os anúncios de Trump sobre as tarifas — é porque algo não vai tão bem. "Existe um movimento de desvalorização e de aumento da desconfiança no dólar que foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas erráticas e imprevisíveis em relação à política comercial americana", avalia Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Por que a confiança no dólar está caindo? Mas a aplicação de novas tarifas pelo governo americano não é o único fator que, segundo os especialistas, vem erodindo a segurança no dólar. A forma como o governo americano usa a moeda como um instrumento para punição de transgressões na área geopolítica, por meio de sanções econômicas, é um dos principais motivos para a queda de confiança entre investidores, diz Robert McCauley, pesquisador sênior da Universidade de Boston que passou a maior parte de sua carreira no Banco de Compensações Internacionais e no Fed de Nova York. Países, empresas, bancos ou indivíduos sancionados pelos EUA podem ser totalmente excluídos do sistema monetário financeiro internacional e do sistema de pagamentos global, a depender do nível das sanções. Foi o que aconteceu com a Rússia, por exemplo, após a invasão da Ucrânia. Ou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, enquadrado na Lei Magnitsky, de violações de direitos humanos e práticas de corrupção, em meio a uma disputa política com os Estados Unidos. "As tarifas foram um choque adicional que se se somam ao congelamento dos ativos russos e da exclusão de alguns bancos russos da parcela do dólar do sistema financeiro internacional", diz McCauley. Segundo o pesquisador da Universidade de Boston, essas práticas podem estar encorajando alguns atores a tentar contornar o dólar para evitar, eventualmente, serem colocados em uma situação semelhante. Os títulos do Tesouro americano ocupam há décadas "a base da pirâmide da estrutura das finanças internacionais" como os ativos mais seguros, afirma o especialista. Mas quando detentores importantes, como bancos ou investidores russos, passam a ter seus ativos congelados, essa ideia fica ameaçada. "A presunção é que os títulos do Tesouro dos EUA são o lugar certo para se recorrer quando as coisas ficam difíceis", diz McCauley. "Mas o fato de que o ativo de refúgio pode repentinamente se tornar ativo nenhum para um grande detentor é um choque. Faz os investidores pensarem melhor." 'Movimento de aumento da desconfiança no dólar foi agravado pelo presidente Donald Trump e as suas políticas', diz especialista à BBC Brasil Getty Images via BBC Outro ponto levantado é o aumento dos déficits fiscais dos países desenvolvidos nos últimos anos. No caso dos Estados Unidos, o país terminou 2024 com US$ 35,46 trilhões em dívida federal, uma quantia que equivale a 123% do seu PIB, de acordo com o Tesouro americano. Segundo Luis Oganes, há um temor entre investidores de que, no futuro, possa haver pressão sobre a moeda para que ela se desvalorize, a fim de reduzir ou liquidar os déficits comerciais — para alguns economistas, isso tornaria as exportações americanas mais competitivas, porque ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. "Há uma sensação de que há necessidade de diversificar as moedas, especialmente em países de mercados emergentes. No passado, vimos países encontrarem dificuldades quando sua relação dívida/PIB aumentou muito, o que poderia eventualmente levar à pressão sobre suas moedas para se depreciarem a fim de reduzir ou liquidar o ônus da dívida", diz Oganes. "Isso está se combinando com razões geopolíticas para fazer os investidores de longo prazo questionarem a sensatez de manter a alocação ao dólar ou se deve haver uma mudança estrutural ou uma maior diversificação." O pesquisador do J.P.Morgan afirma ainda que há a expectativa de que o Fed anuncie novos cortes nas taxas de juros nos próximos meses, o que pode reduzir o apelo do dólar para os investidores. Com juros menores nos EUA, os rendimentos de títulos americanos caem, e os investidores podem buscar países com juros maiores, o que aumenta a oferta de dólar no mercado e faz seu valor cair. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve dos EUA, está sob pressão para reduzir as taxas de juros Bloomberg via Getty Images/BBC O Fed normalmente reduz a taxa de juros quando a economia está em dificuldades e a aumenta se o ritmo de alta dos preços começar a acelerar demais. As autoridades do banco central americano há muito tempo indicam que esperam reduzi-las em algum momento deste ano, seguindo os passos de outros bancos centrais, incluindo o do Reino Unido. Mas eles têm adiado a redução por muito mais tempo do que o previsto, preocupados com o impacto das tarifas e outras novas políticas do governo Trump, incluindo cortes de impostos, na economia. Há ainda cada vez mais setores acusando o presidente americano de interferência no banco central americano, algo que também pode afastar investidores. O presidente americano chegou a ameaçar demitir o chefe do Fed, Jerome Powell embora tenha dito recentemente que não considerava mais tal medida necessária. Nesta semana, Trump anunciou que demitiria Lisa Cook, uma das diretoras do Fed e membro do comitê de 12 membros responsável por definir as taxas de juros nos EUA. Ele a acusa de fraude em um contrato imobiliário pessoal. Cook, que tem mandato previsto para durar até 2038, contesta a ordem de Trump, dizendo que ele não tem autoridade para isso, e se nega a pedir demissão. Seu advogado anunciou na terça-feira (26/08) um processo na Justiça contra a ordem do republicano, indicando uma longa disputa judicial sobre a questão. Trump também atacou o Fed por demorar muito para cortar as taxas de juros, afirmando que a medida ajudaria o governo a economizar dinheiro no pagamento da dívida pública e impulsionariam o mercado imobiliário. O presidente minimizou ainda nos últimos meses as preocupações de que suas tarifas pudessem elevar os preços ou prejudicar o crescimento do país. Brics e desdolarização Há ainda quem considere que a desconfiança em relação ao dólar data de antes da maior parte das sanções ou do tarifaço e suas consequências. "Começa nos anos de 2008 e 2009, quando uma crise financeira tem origem no mercado americano e leva a economia internacional a uma pequena recessão e, desde então, os países desenvolvidos a uma certa estagnação econômica", aponta Fernanda Brandão, do Mackenzie. "Essa crise é simbólica e importante porque apontou ou mostrou as vulnerabilidades em se depender do dólar como a moeda global." Segundo Brandão, depois desse momento, o mundo passou a ter mais clareza sobre o fato de que qualquer perturbação na economia americana que altere as políticas monetárias colocadas em práticas pelo Fed e pela Casa Branca pode gerar "consequências que vão afetar outras economias". E, segundo a especialista, é a partir daí que surgem os primeiros movimentos políticos encabeçados por nações em desenvolvimento em prol da desdolarização. Brics é visto hoje como uma das principais forças de apoio à desdolarização Anadolu via Getty Images/BBC Atualmente, o bloco Brics é visto como a principal força dessa corrente. O grupo era até pouco tempo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, mas se expandiu com a entrada de 10 novos membros desde 2024. Para Fernanda Brandão, o fato de muitos países emergentes terem sofrido as consequências da crise financeira de 2008, apesar da crise ter começado nos EUA, fez com que o Brics adotasse uma política de desdolarização desde sua criação. "A partir dali ficou muito claro que existe uma vulnerabilidade causada pela dependência em relação ao dólar", diz Brandão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou seus desejos de desdolarização do comércio global durante a última cúpula do Brics, em julho no Rio de Janeiro. "Acho que o mundo precisa encontrar um jeito de que a nossa relação comercial não precise passar pelo dólar. Quando for com os EUA, ela passa pelo dólar. Quando for com a Argentina ou China, não precisa. Ninguém determinou que o dólar é a moeda padrão. Em que fórum foi determinado?', disse Lula. Na ocasião, o presidente brasileiro afirmou ainda que a substituição de dólar no comércio internacional é "uma coisa que não tem volta, vai acontecer até que seja consolidada". O Brics já ampliou o uso das moedas nacionais de seus membros no comércio interno, em especial da chinesa. E a Rússia vem impulsionando o estabelecimento de uma plataforma digital própria para pagamentos, em uma tentativa de minimizar os impactos das sanções internacionais. O bloco também discute a criação de uma moeda própria. Nada oficial foi anunciado até agora, mas as tratativas já foram vistas como uma ameaça pelo governo americano. Trump já afirmou que o grupo é "um ataque ao dólar" e usou a participação da Índia no bloco como um agravante para a imposição de tarifas mais altas às exportações do país no Estados Unidos. "Eles têm o Brics, que é basicamente um grupo de países que são anti-Estados Unidos", disse o presidente americano no final de julho. "É um ataque ao dólar, e não vamos deixar ninguém atacar o dólar." Qual o plano de Trump? Dentro do governo Trump, parece haver perspectivas conflitantes e por vezes contraditórias sobre o que o domínio do dólar significa para os interesses políticos dos EUA, dizem analistas. Por um lado, com suas declarações sobre os Brics e alternativas de pagamentos globais, Trump trata o papel internacional da moeda como um símbolo do nacionalismo americano e de sua estratégia de "America first" (América em primeiro lugar, em português). Uma lei aprovada em julho nos Estados Unidos, que regulamenta as "stablecoins" com valor fixo em relação ao dólar, parece servir esse plano. Essas criptomoedas são projetadas para manter paridade com o valor do dólar e oferecer mais estabilidade dentro do ecossistema cripto. Por isso, dizem alguns economistas, elas podem ampliar ainda mais a preponderância da moeda americana no sistema financeiro mundial. Por outro lado, com sua política tarifária, Trump arrisca minar o domínio do dólar, segundo Fernanda Brandão, do Mackenzie. Especula-se na imprensa e no mercado que esse pode ser exatamente seu objetivo, seguindo uma corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana, como aponta em um artigo recente o centro de estudos de relações internacionais Atlantic Council. Essa ideia é defendida principalmente por Stephen Miran, ex-presidente do Conselho de Assessores Econômicos do governo americano que foi recentemente nomeado por Trump para o Conselho de Governadores do Fed. Em um artigo publicado em 2024, Miran afirma que por conta de sua posição como reserva mundial, o dólar "está persistentemente supervalorizado", levando a desequilíbrios comerciais e prejudicando os próprios cidadãos dos EUA. A demanda global por dólares, segundo este argumento, aumenta seu valor, encarecendo os produtos fabricados nos EUA — o que, por sua vez, gera déficits comerciais persistentes, e incentiva os fabricantes americanos a transferir a produção para o exterior, destruindo empregos locais. Outros assessores de Trump também já defenderam a ideia de que um enfraquecimento do dólar poderia tornar as exportações americanas mais competitivas no mercado internacional, uma vez que ficam mais baratas para os compradores estrangeiros. Ao mesmo tempo, os produtos importados que entram nos EUA aumentariam de preço. "Trump não quer um dólar forte porque isso aumenta as importações", afirmou Gabriela Siller, diretora de análise econômica do grupo financeiro BASE, com sede no México, em junho à BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC. Stephen Miran: corrente dentro da Casa Branca que prega que a força da moeda americana pode estar impedindo o avanço da indústria americana Getty Images via BBC Uma teoria é que Trump tem um plano com vários de seus principais conselheiros — o chamado "Acordo Mar-a-Lago", que teria sido proposto por Miran, com o objetivo final de obrigar os parceiros comerciais dos EUA a desvalorizar o dólar americano no mercado internacional, aponta Anthony Zurcher, correspondente da BBC na América do Norte. Tal medida tornaria as exportações americanas mais acessíveis aos mercados estrangeiros e diminuiria o valor das grandes reservas de moeda americana da China. Mas ideias defendidas por Miran e outros assessores de Trump não são bem aceitas por uma parcela dos economistas. "O plano de Miran, por mais astuto que pareça, se baseia em um diagnóstico equivocado", escreveu Kenneth Rogoff, professor de economia e políticas públicas da Universidade de Harvard, nos EUA, e ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Embora a função do dólar como principal moeda de reserva do mundo tenha um papel importante, o economista observa que "este é apenas um dos muitos fatores que contribuem para os persistentes déficits comerciais dos EUA". E, se o déficit comercial tem várias causas, "a ideia de que as tarifas podem ser uma panaceia é, na melhor das hipóteses, duvidosa", acrescenta. É importante ressaltar que, a rigor, o presidente não controla diretamente o valor do dólar em relação a outras moedas porque a taxa de câmbio flutua livremente. Washington não pode intervir diretamente para fazer a moeda subir ou descer, já que seu valor é determinado por um vasto mercado global de divisas, e são os grandes investidores que compram ou vendem dólares de acordo com suas expectativas. No entanto, a política econômica do governo dos EUA envia sinais ao mercado, e isso influencia a evolução do valor do dólar e outros fatores importantes, como as taxas de juros. Dólar ainda 'é rei' Mas os últimos acontecimentos não são um sinal do fim da hegemonia da moeda americana na visão de parte dos analistas. Para alguns dos especialistas consultados pela BBC News Brasil, o início do fim do dólar ainda não chegou. "A afirmação de que estamos vivendo o começo do fim do dólar é prematura", diz Robert McCauley, da Universidade de Boston. Apesar de uma retração em alguns setores, a moeda ainda impera quando falamos de transações em comércio internacional. E segundo a grande maioria dos analistas, não há no momento nenhuma outra capaz de substituí-la. "A dolarização provavelmente continuará, mas o que vai limitá-la, a velocidade com que ela pode se desenvolver, é o fato de que 'para onde ir em vez disso', certo? Não há muitas outras moedas líquidas ou países nos quais você pode investir facilmente ou com um mercado de liquidez profunda", afirma Luis Oganes. Mesmo a moeda chinesa, que tem crescido e sendo usada por muitos bancos centrais para reservas, não tem ainda força suficiente ainda para substituir o dólar, segundo os especialistas. Além disso, os depósitos bancários em dólar americano cresceram em muitos países emergentes na última década, indicando uma tendência de busca pela moeda americana em momentos de estresse econômico. Há ainda quem argumente que mesmo países como Rússia e China, que promovem a discussão sobre a desdolarização, tem dificuldade de se desvincular totalmente do dólar americano. "Me impressiona o quão lenta a desdolarização foi na Rússia, apesar da clara intenção do governo de reduzir sua exposição ao dólar americano", diz Robert McCauley. "Acredito que isso se deve ao fato de o setor privado não ser facilmente persuadido a abandonar o uso do dólar como forma de empréstimo e transação, mesmo em detrimento da moeda nacional." O especialista afirma ainda que a China não tem usado todo o potencial de seus empréstimos ou projetos de infraestrutura em países em desenvolvimento em meio à Iniciativa Cinturão e Rota para impulsionar alternativas à moeda americana. "As autoridades chinesas parecem estar satisfeitas em conceder empréstimos pelo Banco de Exportação-Importação da China [China Eximbank] e pelo Banco de Desenvolvimento da China (CDB) a países africanos e asiáticos em dólar", diz McCauley. "Há uma excelente oportunidade para desdolarizar as contas externas da China, mas que não tem sido aproveitada." Queda do dólar nas reservas internacionais é visto como sinal de perda de força da moeda americana Getty Images via BBC

Palavras-chave: vulnerabilidade

Professor universitário é morto a tiros após briga de trânsito na BR-324

Publicado em: 27/08/2025 06:41

Professor universitário é morto a tiros após briga de trânsito na BR-324 Reprodução/Redes Sociais Um homem foi morto a tiros na noite de terça-feira (26), na BR-324, na região do Porto Seco, em Salvador. Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o crime aconteceu após uma briga de trânsito e o autor dos disparos fugiu. Segundo informações da Polícia Civil, a vítima foi identificada como Fabrício Dalla Vecchia, de 44 anos. O caso é investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS). A reportagem da TV Bahia apurou que Fabrício Dalla Vecchia era professor adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Ele lecionava no Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas (Cecult) e também atuava como trombonista e pesquisador. Fabrício Dalla Vecchia fez mestrado em 2008 e doutorado em 2012 em Educação Musical pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ele cursou licenciatura em Música, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em 2004. A polícia informou que guias de perícia e necropsia foram expedidas e testemunhas serão ouvidas para esclarecer a autoria e motivação do crime. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia LEIA TAMBÉM: Triplo homicídio em Ilhéus: veja cronologia de crime contra mulheres encontradas mortas em praia Homem é preso suspeito de matar adolescente de 12 anos a tiros no Recôncavo da Bahia Operação prende cinco suspeitos de integrar organização criminosa na Bahia; Justiça bloqueou R$ 400 mil em contas bancárias Crime é investigado ppela 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS), que fica no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), no bairro de Itapuã, em Salvador. Natally Acioli/g1 BA Reportagem em atualização Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

TV 3.0: Lula assina regulamento que dá início a nova era da transmissão aberta

Publicado em: 27/08/2025 06:32 Fonte: Tudocelular

O Brasil acaba de dar um passo na modernização da TV aberta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta quarta-feira (27) o decreto que regulamenta a TV 3.0, novo padrão tecnológico que promete transformar a experiência do telespectador ao unir transmissão gratuita com recursos digitais. Com isso, o país se torna o primeiro da América Latina e também do bloco BRICS a adotar oficialmente essa tecnologia. Dessa forma, o consumidor terá a oportunidade de acessar a conteúdos que podem entregar mais interatividade e qualidade de imagem em até 8K. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Documentos do Word criados no Windows ganharão um importante recurso de segurança

Publicado em: 27/08/2025 05:39 Fonte: Tudocelular

A Microsoft iniciou a liberação de uma mudança no processo de criação de arquivos do Word no Windows. A novidade faz com que documentos sejam salvos automaticamente na nuvem por padrão, em vez de priorizar o armazenamento local, como era feito até agora. A atualização está disponível para usuários do programa Insider na versão 2509 (Build 19221.20000) ou posterior do Word para Windows.Segundo a Microsoft, o objetivo de implementar o salvamento automático em nuvem de arquivos do Word é aumentar a segurança dos arquivos, reduzir riscos de perda de progresso e facilitar a colaboração em ambientes corporativos.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

Casal que viveu 43 anos junto morre com diferença de menos de duas horas

Publicado em: 27/08/2025 05:03

Sebastião e Almezinda de Abreu morreram com menos de duas horas de diferença, após 43 anos de união Tiago Abreu/Arquivo Pessoal Uma história de amor que atravessou décadas chegou ao fim, ou talvez a um novo começo, em São João del Rei, no interior de Minas Gerais. Casados há 43 anos, Sebastião Francisco de Abreu, de 72 anos, e Almezinda Maria da Fonseca de Abreu, de 70, morreram com menos de duas horas de diferença. Para os filhos, a separação física nunca foi uma opção na vida deles. “Quando o coração do meu pai parou, parece que o da minha mãe também parou junto. Parece que ele saiu dali só para buscar ela”, contou Tiago Abreu ao g1, um dos dois filhos do casal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Sebastião enfrentava problemas de saúde há mais de um ano. Em 2024, passou por uma cirurgia após fraturar a cabeça do fêmur, um osso da coxa. A recuperação foi longa e exigiu fisioterapia constante. Nos últimos 40 dias, ele esteve internado por conta de uma infecção urinária e, posteriormente, uma pneumonia, agravadas pela insuficiência cardíaca. Almezinda esteve ao lado dele o tempo todo, como sempre fizeram ao longo da vida. “Ela ficou com ele todos esses dias no hospital. A gente tentava trocar, mas ela não aceitava. Ele também não queria que fosse outra pessoa. Ele dizia que ela era a médica dele”, lembra Tiago. O amor entre eles era do tipo que não aceita separações, nem temporárias. Na manhã da última quarta-feira (20), Sebastião piorou. “Minha mãe me mandou um áudio chorando, pedindo para eu descer para o hospital, porque ele não estava bem. Quando cheguei, ela já estava mal também. Sabia o que estava por vir. Ela conhecia os procedimentos do hospital, já tinha visto outras pessoas partirem”, conta o filho. Com muito esforço, a família convenceu Almezinda a ir até a casa de uma tia para descansar um pouco. “Ela já saiu de lá dizendo que não ia aguentar ficar sem ele. Disse com todas as letras que ia encontrá-lo. Era como se ela já soubesse que não viveria sem meu pai”. Mais tarde, naquela mesma noite, por volta das 23h, Sebastião faleceu na Santa Casa de São João del Rei. Pouco depois, a família foi surpreendida por uma ligação: Almezinda também estava na UPA, após sofrer um ataque cardiogênico fulminante, como se tivesse o coração partido e fosse acompanhar o marido na morte. Segundo Tiago, ela não tinha histórico de problemas de saúde e também não soube da morte do marido. Até o fim Casal que morreu com horas de diferença em MG Tiago Abreu/Arquivo Pessoal Na despedida no funeral, a união dos dois foi ainda mais evidente. Os filhos tentaram organizar o sepultamento em duas gavetas lado a lado, mas no cemitério havia somente uma gaveta e um túmulo no chão. “A gente não teve dúvida: os dois seriam enterrados juntos, na mesma sepultura no chão. Não tinha como separar. Nunca foram separados. Nem deveriam ser agora". O velório reuniu amigos, vizinhos, religiosos, congadeiros, evangélicos, católicos, moradores em situação de rua e crianças. Todos com histórias de carinho e gratidão por Almezinda e Sebastião. Muitos diziam que eram como pai e mãe para todos. “Ficamos com saudade, mas não com tristeza. Porque eles viveram e morreram do jeito que escolheram: juntos, em paz, com fé. E deixaram um legado que a gente carrega com orgulho”, conclui Tiago. LEIA TAMBÉM: Conheça casal que se conheceu em trilha e fez casamento no alto de serra ao nascer do sol Eternos namorados, casal de idosos que vive em abrigo reencontra o amor todos os dias Amor que nunca se separou A história de Sebastião e Almezinda começou em uma festa de bairro, ainda na juventude. Desde então, nunca mais se separaram. Tiago conta que nunca viu os pais brigando. “Tudo era conversado, dividido, feito junto. Minha mãe era mais ativa, mas nada acontecia sem antes ela ouvir meu pai. E ele sempre apoiou tudo que ela fazia", explicou. E o que Almezinda fazia era muito. Religiosa, solidária e determinada, dedicava boa parte do tempo a ações voluntárias e festas religiosas, como as celebrações de São Cosme e Damião, Congado, Festa do Divino, Nossa Senhora do Rosário e tantas outras que ajudava a organizar com o mesmo zelo com que cuidava da própria casa. Era conhecida por todos no Bairro São Dimas e além. As crianças sabiam que poderiam bater à porta dela e sair com pão, leite ou café. Adultos em situação de vulnerabilidade também recebiam acolhimento. Com jeito firme, mas acolhedor, Almezinda virou referência de solidariedade em São João del Rei. Almezinda de Abreu ajudava muita a comunidade de São João del Rei Camilla Nascimento/Arquivo pessoal Sebastião, mais reservado, também carregava fé e empatia. Músico, tocava na igreja e dizia com orgulho que era cursilhista — um cristão católico comprometido a aprofundar a fé e a transformar os ambientes onde vive. “Quando alguém lhe contava algo ruim sobre outra pessoa, ele respondia apenas: ‘Reza por ela’”, lembra Tiago. Com a morte dos pais, Tiago criou uma música para lembrar com carinho deles. Escute abaixo: Filho transforma luto em canção após morte dos pais em São João del Rei Na história desse casal, não há espaço para tragédia. Existe um sentimento raro, que resistiu ao tempo, às dificuldades e até à morte. Eles provaram que o verdadeiro amor existe e pode durar para sempre. *estagiária sob supervisão de Carol Delgado. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

Modelos 3D e planejamento: como é cirurgia que tornou Ribeirão Preto referência em separação de siameses unidos pela cabeça

Publicado em: 27/08/2025 05:02

HC de Ribeirão Preto faz primeira cirurgia para separação de gêmeas siamesas O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) se tornou nos últimos anos uma referência em cirurgias de separação de gêmeos unidos pela cabeça. Desde 2018, a unidade foi reconhecida por concluir procedimentos bem sucedidos de pacientes de diferentes partes do país e acaba de iniciar o tratamento de um terceiro caso. Meses de estudos, tecnologias como modelos tridimensionais e realidade aumentada, uma equipe de múltiplas especialidades em trabalho conjunto e um planejamento para a realização dos trabalhos em etapas são alguns dos elementos que têm garantido uma mudança de perspectiva para famílias de crianças que nascem com esse problema. No fim de semana, cerca de 50 profissionais concluíram a primeira das cinco cirurgias previstas para separar Heloísa e Helena, de São José dos Campos (SP). De acordo com os médicos, eles conseguiram realizar 25% do que estava projetado, sem intercorrências. 📱 Siga o g1 Ribeirão Preto e Franca no Instagram As meninas estão bem, respirando normalmente e com bom nível de cicatrização, mas devem permanecer em observação nas próximas semanas, para a preparação das etapas seguintes. Equipe do HC de Ribeirão Preto realiza primeira etapa de separação de gêmeas siamesas de São José dos Campos (SP). Divulgação/ Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto A seguir, entenda como funciona a cirurgia de separação das gêmeas siamesas: Meses de estudos e modelo tridimensional Gêmeas siamesas: entenda como funciona cirurgia de separação de crânios Segundo o neurocirurgião Hélio Machado, esse tipo de cirurgia impõe uma série de dificuldades, a começar pelo fato de os pacientes serem crianças. Além disso, entender como funciona o cérebro de cada uma exige um aprofundamento nos estudos. "Nascem com o cérebro muito junto um do outro, de uma forma que não existe maneira de a gente estudar esse cérebro a não ser individualizando cada uma, porque cada uma é diferente da outra. É uma anatomia que não existe nos livros", afirma. É por esse motivo que, assim que a equipe assume o caso, as crianças são levadas aos cuidados dos médicos bem no início para serem avaliadas por pelo menos um ano antes do início da cirurgia. Nesse processo, exames como de tomografia e ressonância magnética ajudam os médicos a criar modelos tridimensionais dos cérebros das crianças, que impulsionam o entendimento das condições dos pacientes. No vídeo acima, é possível ver um modelo 3D feito em plástico que representa o tamanho real das cabeças das gêmeas Helena e Heloísa. "Usamos essas imagens para fazer modelos de plástico, modelos de acrílico, silicone, de cerâmica, e mais recentemente com realidade virtual. Você pega os modelos e pode estudar detalhe por detalhe. É a maneira que a gente usa pra entender o cérebro e a dificuldade técnica que vamos ter." Hospital das Clínicas (HC-UE) de Ribeirão Preto, SP Ronaldo Gomes Quantas e quais são as etapas da separação O procedimento consolidado pelos médicos da USP nos últimos anos é composto por pelo menos cinco etapas, todas elas espaçadas por meses. Nas quatro primeiras cirurgias, os especialistas têm como foco a separação dos tecidos, vasos sanguíneos e todas as estruturas que unem os crânios e os cérebros. Na quarta etapa, além disso, os médicos também aproveitam para inserir enxertos ósseos e expansores de pele, como uma preparação para a etapa final, de cirurgia plástica, com o fechamento dos tecidos que revestem as cabeças. Segundo Helio Machado, uma das maiores dificuldades dos médicos consiste em fazer a separação e a drenagem dos vasos, sem prejudicar a capacidade de o cérebro receber sangue e sem desfavorecer nenhuma das crianças. "Se a gente deixar um pouco mais para outra criança, a outra sofre, então estudamos uma forma de deixar metade para cada uma." E logo na primeira cirurgia, de acordo com o neurocirurgião, já ocorre a definição de quem deve ficar com determinadas veias. Realidade aumentada ajuda médicos do HC de Ribeirão Preto em cirurgia de separação de gêmeas siamesas. Divulgação/ HC de Ribeirão Preto O planejamento das cirurgias, que são realizadas ao longo de um ano, além de garantir uma maior preparação das equipes, também ajuda na recuperação das crianças. "Prevê cirurgias estagiadas, quatro etapas neurológicas, pra fazer devagar, para que o cérebro da criança se acomode. Felizmente, nos outros dois casos e neste, a resposta tem sido muito boa e isso anima muito a gente." Que especialidades médicas estão envolvidas As cirurgias no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto envolvem uma equipe de aproximadamente 50 pessoas, entre elas profissionais ligados à neurocirurgia, cirurgia plástica, pediatria e anestesistas, bem como a outras áreas de suporte anterior ou posterior aos procedimentos como enfermeiros, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Modelo tridimensional de gêmeas siamesas em tratamento no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP). Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

Palavras-chave: tecnologia

Cidade de SP precisaria do dobro do nº de Conselhos Tutelares; rede de proteção a crianças está sucateada, dizem conselheiros

Publicado em: 27/08/2025 05:02

O que faz um Conselho Tutelar?  As denúncias recentes do influenciador e youtuber Felipe Bressanim, o Felca, sobre exploração e exposição de crianças e adolescentes na internet reacenderam o debate nacional sobre proteção à infância. Mas em São Paulo a rede responsável por zelar por esses direitos enfrenta falhas na articulação e falta de estrutura. A capital precisaria ter pelo menos o dobro de Conselhos Tutelares para atender à demanda de proteção de crianças e adolescentes. A recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é de uma unidade para cada 100 mil habitantes, mas São Paulo conta apenas com 52 órgãos, número insuficiente para os cerca de 12 milhões de moradores. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp O Conselho Tutelar funciona como guardião dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cobrando que as políticas públicas funcionem e que a rede de proteção atue de forma integrada em diferentes regiões da cidade. A cidade de São Paulo possui 52 conselhos, cada um formado por cinco membros eleitos pela população. Eles estão vinculados à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura, responsável por providenciar estrutura física, serviços de limpeza e segurança, entre outros apoios. O g1 conversou com sete conselheiros tutelares das zonas Leste, Oeste, Norte e Sul da capital. Eles relataram sobrecarga de responsabilidades, ausência de recursos básicos — como internet, armários e até telefone — e problemas de articulação entre saúde, assistência social, educação e Justiça. O resultado é um atendimento precário para famílias em situação de vulnerabilidade. A cidade de São Paulo possui 52 Conselhos Tutelares, como o CT Cidade Tiradantes II, na Zona Leste. Reprodução Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma mãe com seis filhos, em depressão pós-parto, agrediu um dos meninos. A escola acionou o Conselho Tutelar, mas os encaminhamentos não tiveram retorno da rede. “A mãe estava tendo atendimento da Casa Ser, mas não tinha acolhimento da UBS [Unidade Básica de Saúde] e do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que são equipamentos essenciais nessa fase. A mãe está com depressão, precisa de ajuda”, relatou a conselheira Vanuza Fonseca, que atende no Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II. Sem acompanhamento, o quadro se agravou. A mãe foi presa, e as crianças, retiradas de casa. Hoje, estão sob cuidado de uma tia, que é mãe solo e já cria dois filhos. “Se a rede não funcionar, essa mãe vai perder os seis filhos. Vai chegar uma hora que a tia não vai aguentar”, ressalta a conselheira. Casos semelhantes se repetem em outras regiões. Em Perus e Anhanguera, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Em Perus, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Reprodução Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Também na Zona Leste, um conselheiro foi alvo de uma ameaça de morte depois que um oficial cometeu um descuido e deixou seu nome aparecer em um documento entregue a um pai. Na Zona Sul de São Paulo, há relatos de conselheiros que recebem denúncias de abusos e, sem comunicar um oficial, teriam decidido resolver a situação "com as próprias mãos", segundo dois profissionais ouvidos pelo g1 que não quiseram se identificar. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de haver melhor estrutura física no local, falta material básico, como armários e pastas, que, segundo a conselheira Carlina Henrique, muitas vezes são comprados com recursos do próprio bolso. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Reprodução Uma defensora pública do estado de São Paulo da área da infância, que pediu para não ser identificada, afirmou que existe uma falta de estrutura generalizada. Segundo ela, o Conselho Tutelar da Sé, no Centro, ficou um longo período sem computadores e arquivos no início de 2023. Ao g1, ela apontou um entendimento equivocado da função do Conselho Tutelar por parte de outras instituições, como transportar crianças entre serviços. “A função do Conselho Tutelar é garantir direitos, fiscalizar políticas públicas e, em casos emergenciais, determinar o acolhimento, mas não executar serviços que cabem a outras secretarias.” De acordo com Sandra Massud, promotora de justiça da Infância e Juventude do Ministério Público de São Paulo, a atuação dos Conselhos Tutelares vai além de simplesmente remover crianças e adolescentes de situações de risco. “Os conselheiros têm que realizar um trabalho preventivo que é previsto, inclusive em lei municipal, com o objetivo de evitar o acolhimento de crianças e adolescentes. Contudo, é muito difícil da gente ver isso acontecer”, disse. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de melhor estrutura física no local, falta material básico como armários e pastas. Arquivo pessoal O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que os órgãos são tratados com negligência e até desprezo. "Conselhos são órgãos fiscalizadores que requisitam e exigem serviços, políticas públicas e medidas de proteção para as crianças e adolescentes. Isso acaba prejudicando seriamente a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes e as colocando em situações de riscos" afirmou. "São Paulo está longe de cumprir a resolução do Conanda e várias cidades da região metropolitana também." O que fazem os conselhos em SP: Aplicar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como encaminhamentos, orientações e acompanhamento das famílias; Buscar alternativas ao afastamento familiar, acionando serviços como Cras, Creas ou outras redes de proteção social para evitar a separação da criança da família; Elaborar planos de ação com a criança, o adolescente, a família e, quando necessário, com o próprio agente violador, respeitando os limites de cada situação; Atuar de forma preventiva, buscando proteger crianças e adolescentes antes que seja necessária uma medida extrema, como o acolhimento institucional; Encaminhar casos graves ao Ministério Público, ao Judiciário ou à Segurança Pública, sem deixar de aplicar as medidas protetivas cabíveis; Tomar decisões de forma colegiada, com participação de todos os conselheiros, para evitar decisões isoladas ou sem planejamento. O acolhimento institucional, realizado em unidades chamadas de Saicas (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), e popularmente conhecidas como abrigos, deveria ser a última medida, usada apenas quando não há alternativa segura de permanência com a família. Na prática, porém, faltam vagas. Segundo ação civil pública movida pelo MP-SP na semana passada, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas, irmãos acabam separados, e adolescentes chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. “Já tivemos casos de cinco crianças dormindo dentro do próprio conselho, sem nenhuma estrutura para isso. Mas vamos fazer o quê? Jogar na rua?”, indagou Carlina, conselheira em Pinheiros. Segundo ela, os casos mais comuns na região são de trabalho infantil e mendicância. Ela explica que, embora haja uma equipe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo que realiza abordagens diurnas, no período noturno não há quem faça esse serviço. Em nota, a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania informou que "tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões" (leia a íntegra mais abaixo). Sistema integrado O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), criado pelo governo federal para registrar violações e integrar políticas públicas, praticamente não funciona na capital paulista. Conselheiros afirmam que não conseguem acessar a plataforma por falta de internet, falhas técnicas e ausência de capacitação. Apesar de a cidade ter registrado 1.087 casos de estupro de vulnerável nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Sipia aponta apenas 49 casos. Em 2024, a capital contabilizou 2.231 casos do mesmo crime. Nas contas dos conselheiros, porém, foram somente 60 registros. “A gente não consegue acessar o Sipia tem vários dias. Quando perguntam por que a gente não está usando, quero saber quem vai defender os conselheiros. O programa não funciona”, disse a conselheira Juliana Cleiri, da Cidade Tiradente II, na Zona Leste. A promotora Sandra Massud, do MP-SP, aponta ainda baixa escolaridade de parte dos conselheiros, falta de interesse e até uso político do cargo como entraves para o funcionamento adequado do sistema. Como consequência, os atendimentos muitas vezes são registrados rudimentarmente em cadernos de papel, sem um banco de dados que permita o acompanhamento adequado. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu que há desafios históricos na utilização do sistema e que tem promovido uma série de melhorias para qualificar a experiência dos usuários e ampliar a adesão ao Sipia. "Em 2025, 471 conselheiros tutelares do estado de São Paulo foram capacitados para operar a atual versão do sistema. Esse número representa 49% dos Conselhos Tutelares do estado." Políticas para a infância Profissionais da rede afirmam que a desarticulação entre secretarias e a ausência de políticas contínuas agravam a situação. “Na prática, tenho visto fechamento de serviços. Fecham com a justificativa de que vão abrir em outro lugar, mas esse serviço não reabre”, disse uma defensora pública que pediu para não ser identificada. "Como que você elabora um projeto de começo, meio e fim de uma política pública? Quando você sempre começa do zero, fica muito mais difícil." Segundo ela, a falta de orçamento na assistência social na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com menos verba prevista do que a necessária, impacta salários e repasses a entidades e gera um cenário de sucateamento. Para 2025, o orçamento destinado à administração dos Conselhos Tutelares no município de São Paulo está previsto em cerca de R$ 53 milhões. No começo deste mês, após protesto de assistentes sociais, Nunes prometeu reajustar o valor de repasse para organizações. Os profissionais conveniados da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social cobraram valores não pagos e o reajuste no repasse às entidades de assistência social que têm convênio com o município. Segundo a promotora Sandra, mesmo propostas viáveis já apresentadas por técnicos e especialistas tanto da prefeitura quanto do MP-SP não foram implementadas. "Já participei de reuniões em que técnicos da própria prefeitura assumiram compromissos e, na semana seguinte, foram exonerados", afirmou. “Quando você está tratando de um problema social, ele não é definitivo. É uma situação que muda conforme a sociedade e outros problemas que influenciam. O fato é que as soluções muitas vezes não são colocadas em prática." O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões. Ao longo deste ano, esses recursos já foram atualizados para R$ 54,9 milhões, sendo 77% aplicados até agora para o funcionamento das 52 unidades. Isso inclui remuneração dos conselheiros, locação de imóveis, manutenção, limpeza, veículos, entre outros. Para assegurar melhor estrutura, acessibilidade e condições de atendimento, a atual gestão realizou a transferência de 28 conselhos para novos imóveis, ampliou a banda larga de internet em todos os conselhos, adquiriu novo mobiliário para unidades e fornece materiais de escritório periodicamente. No caso do Conselho de Guaianases, o local possui linhas móveis de telefone ativas para atendimento emergencial e casos pontuais de manutenção estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A Pasta também investe em requalificação para os 260 conselheiros tutelares e, em relação ao Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), ele já é adotado por mais da metade das unidades. Cabe ressaltar que a criação de novos Conselhos Tutelares obedece à legislação municipal e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente), que consideram não apenas a proporção populacional, mas também a vulnerabilidade dos territórios e as especificidades locais."

Palavras-chave: vulnerabilidade

Abrigos para crianças que sofrem maus-tratos não têm vagas na cidade de SP; adolescente dormiu em Conselho Tutelar

Publicado em: 27/08/2025 05:01

Em um e-mail endereçado ao conselho, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) afirmou que não atendeu a solicitação “por falta de vaga” e que entraria em contato “havendo disponibilidade.” Arquivo pessoal Os abrigos para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo não têm vagas suficientes para atender a demanda. No começo de agosto, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) abriu uma ação civil pública cobrando uma solução da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre o tema. A ação, que tramita em segredo de Justiça, é assinada pela promotora de Justiça da Infância e Juventude do MP-SP Sandra Massud. Os abrigos são oficialmente chamados de Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes (Saicas). ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp Segundo o processo, jovens chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. Quando há a vaga, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas. Sandra afirmou que, mesmo com decisões judiciais que obrigam a prefeitura a garantir vaga em até duas horas, o município não consegue cumprir a determinação. “É um problema muito sério, porque, ao mesmo tempo em que a Justiça determina que sejam criadas vagas, a prefeitura acaba contratando de forma emergencial e sem planejamento. Isso não resolve o problema, só perpetua a falta de estrutura”, disse. Maria da Cruz, conselheira tutelar em Sapopemba, na Zona Leste, relatou dificuldade para conseguir uma vaga de acolhimento para um adolescente atendido pelo órgão na última segunda-feira (25). Segundo ela, o jovem chegou ao conselho por volta das 7h, mas permaneceu até as 20h sem encaminhamento, mesmo após diversas tentativas de contato com a Central de Vagas da prefeitura. “Ligamos várias vezes e ninguém nos atendeu. O adolescente acabou pedindo ajuda ao avô, que prontamente veio buscá-lo para dormir em casa. Só no dia seguinte, às 11h, conseguimos a vaga — mas em Parelheiros, na Zona Sul, a quase duas horas de distância de Sapopemba. Isso é recorrente e representa uma falta de respeito com os conselheiros da cidade”, afirmou Maria. A conselheira disse que já perdeu as contas de quantas vezes adolescentes dormiram no banco da sede por falta de vagas. Em julho, o Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II, também na Zona Leste, registrou um caso parecido. Um adolescente em situação de rua procurou os conselheiros, pediu ajuda para ser encaminhado a um abrigo e passou o dia no local aguardando vaga. Por volta das 22h30, porém, voltou para a rua. Em um e-mail endereçado ao conselho, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (Smads) afirmou que não atendeu a solicitação “por falta de vaga” e que entraria em contato “havendo disponibilidade”. Segundo a conselheira Juliana Cleiri, que atendeu o adolescente, ele não retornou mais. No processo, o MP-SP também pede a criação de novos Saicas, com prazo de até seis meses para apresentação de um cronograma, além da ampliação da divulgação do Programa Família Acolhedora, em famílias cadastradas previamente oferecem acolhimento provisório à criança afastada do convívio familiar. Dados da Smads informam que havia, em 2021, 2.055 vagas em abrigos, distribuídas em 137 unidades. Em nota, a prefeitura informou que "tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões" (leia a íntegra abaixo). Não houve resposta, no entanto, sobre a falta de vagas em abrigos. Vontade política Para a promotora Sandra, a ausência de vontade política trava propostas já discutidas entre técnicos e gestores. “Muitas soluções já foram pensadas, mas não são colocadas em prática. Vi pessoas que apresentaram propostas, chegaram a assumir compromissos, mas foram exoneradas na semana seguinte”, relatou. Ela também cobra a ampliação do Programa Famílias Acolhedoras, que hoje considera “muito pequeno” em São Paulo. “É muito mais barato para a prefeitura e melhor para a criança, que não fica institucionalizada por mais tempo do que o necessário”, explicou. Na cidade de São Paulo, O Instituto Fazendo História, organização sem fins lucrativos, atua há mais de 20 anos com crianças e adolescentes acolhidos. A ONG tem parceria com a prefeitura e recebe famílias voluntárias que passam por uma série de entrevistas e análises até se tornarem famílias acolhedoras. Atualmente, 21 famílias estão aptas para receber crianças de até 6 anos. O Profissão Repórter acompanhou o trabalho do instituto e de famílias voluntárias que decidiram abrir suas casas para receber bebês e crianças em situação de vulnerabilidade e que, por alguma razão, a Justiça determinou o afastamento da família de origem. Além da falta de vagas, a promotora critica falhas no registro e no acompanhamento dos atendimentos feitos pelos Conselhos Tutelares. “Tem conselhos que ainda registram em cadernos de papel, com poucas informações. Isso é muito sério. Sem dados confiáveis, fica impossível planejar políticas de prevenção”, afirmou. Falta de Conselhos Tutelares Em Perus, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Reprodução A capital precisaria ter pelo menos o dobro de Conselhos Tutelares para atender à demanda de proteção de crianças e adolescentes. A recomendação do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) é de uma unidade para cada 100 mil habitantes, mas São Paulo conta apenas com 52 órgãos, número insuficiente para os cerca de 12 milhões de moradores. O Conselho Tutelar funciona como guardião dos direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), cobrando que as políticas públicas funcionem e que a rede de proteção atue de forma integrada em diferentes regiões da cidade. A cidade de São Paulo possui 52 Conselhos Tutelares, cada um formado por cinco membros eleitos pela população. Eles estão vinculados à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) da Prefeitura, responsável por providenciar estrutura física, serviços de limpeza e segurança, entre outros apoios. O g1 conversou com sete conselheiros tutelares das zonas Leste, Oeste, Norte e Sul da capital. Eles relataram sobrecarga de responsabilidades, ausência de recursos básicos — como internet, armários e até telefone — e problemas de articulação entre saúde, assistência social, educação e Justiça. O resultado é um atendimento precário para famílias em situação de vulnerabilidade. Em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo, uma mãe com seis filhos, em depressão pós-parto, agrediu um dos meninos. A escola acionou o Conselho Tutelar, mas os encaminhamentos não tiveram retorno da rede. “A mãe estava tendo atendimento da Casa Ser, mas não tinha acolhimento da UBS [Unidade Básica de Saúde] e do Creas [Centro de Referência Especializado de Assistência Social], que são equipamentos essenciais nessa fase. A mãe está com depressão, precisa de ajuda”, relatou a conselheira Vanuza Fonseca, que atende no Conselho Tutelar Cidade Tiradentes II. Sem acompanhamento, o quadro se agravou. A mãe foi presa, e as crianças, retiradas de casa. Hoje, estão sob cuidado de uma tia, que é mãe solo e já cria dois filhos. “Se a rede não funcionar, essa mãe vai perder os seis filhos. Vai chegar uma hora que a tia não vai aguentar”, ressalta a conselheira. Casos semelhantes se repetem em outras regiões. Em Perus e Anhanguera, na Zona Norte, a conselheira Noeme Silva Batista afirmou que o atendimento ainda é registrado em cadernetas de papel. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Também na Zona Leste, um conselheiro foi alvo de uma ameaça de morte depois que um oficial cometeu um descuido e deixou seu nome aparecer em um documento entregue a um pai. Na Zona Sul de São Paulo, há relatos de conselheiros que recebem denúncias de abusos e, sem comunicar um oficial, teriam decidido resolver a situação "com as próprias mãos", segundo dois profissionais ouvidos pelo g1 que não quiseram se identificar. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de haver melhor estrutura física no local, falta material básico, como armários e pastas, que, segundo a conselheira Carlina Henrique, muitas vezes são comprados com recursos do próprio bolso. Em Guaianases, na Zona Leste, a conselheira Danielle Cristine disse que estão há quatro meses sem telefone na sede. Reprodução Uma defensora pública do estado de São Paulo da área da infância, que pediu para não ser identificada, afirmou que existe uma falta de estrutura generalizada. Segundo ela, o Conselho Tutelar da Sé, no Centro, ficou um longo período sem computadores e arquivos no início de 2023. Ao g1, ela apontou um entendimento equivocado da função do Conselho Tutelar por parte de outras instituições, como transportar crianças entre serviços. “A função do Conselho Tutelar é garantir direitos, fiscalizar políticas públicas e, em casos emergenciais, determinar o acolhimento, mas não executar serviços que cabem a outras secretarias.” De acordo com Sandra Massud, a atuação dos Conselhos Tutelares vai além de simplesmente remover crianças e adolescentes de situações de risco. “Os conselheiros têm que realizar um trabalho preventivo que é previsto, inclusive em lei municipal, com o objetivo de evitar o acolhimento de crianças e adolescentes. Contudo, é muito difícil da gente ver isso acontecer”, disse. Já em Pinheiros, na Zona Oeste, apesar de melhor estrutura física no local, falta material básico como armários e pastas. Arquivo pessoal O advogado Ariel de Castro Alves, membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB, disse que os órgãos são tratados com negligência e até desprezo. "Conselhos são órgãos fiscalizadores que requisitam e exigem serviços, políticas públicas e medidas de proteção para as crianças e adolescentes. Isso acaba prejudicando seriamente a efetivação dos direitos das crianças e adolescentes e as colocando em situações de riscos" afirmou. "São Paulo está longe de cumprir a resolução do Conanda e várias cidades da região metropolitana também." O que fazem os CTs em SP: Aplicar medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como encaminhamentos, orientações e acompanhamento das famílias; Buscar alternativas ao afastamento familiar, acionando serviços como Cras, Creas ou outras redes de proteção social para evitar a separação da criança da família; Elaborar planos de ação com a criança, o adolescente, a família e, quando necessário, com o próprio agente violador, respeitando os limites de cada situação; Atuar de forma preventiva, buscando proteger crianças e adolescentes antes que seja necessária uma medida extrema, como o acolhimento institucional; Encaminhar casos graves ao Ministério Público, ao Judiciário ou à Segurança Pública, sem deixar de aplicar as medidas protetivas cabíveis; Tomar decisões de forma colegiada, com participação de todos os conselheiros, para evitar decisões isoladas ou sem planejamento. O acolhimento institucional, realizado em unidades chamadas de Saicas (Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), e popularmente conhecidas como abrigos, deveria ser a última medida, usada apenas quando não há alternativa segura de permanência com a família. Na prática, porém, faltam vagas. Segundo ação civil pública movida pelo MP-SP na semana passada, crianças e adolescentes estão sendo encaminhados para abrigos a quilômetros de distância de suas casas, irmãos acabam separados, e adolescentes chegam a passar horas dentro dos Conselhos Tutelares à espera de vagas. “Já tivemos casos de cinco crianças dormindo dentro do próprio conselho, sem nenhuma estrutura para isso. Mas vamos fazer o quê? Jogar na rua?”, indagou Carlina, conselheira em Pinheiros. Segundo ela, os casos mais comuns na região são de trabalho infantil e mendicância. Ela explica que, embora haja uma equipe da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social de São Paulo que realiza abordagens diurnas, no período noturno não há quem faça esse serviço. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania não respondeu, até a última atualização desta reportagem, sobre o que vem sendo realizado para enfrentar os problemas. Sistema integrado O Sistema de Informação para a Infância e Adolescência (Sipia), criado pelo governo federal para registrar violações e integrar políticas públicas, praticamente não funciona na capital paulista. Apesar de a cidade ter registrado 1.087 casos de estupro de vulnerável nos seis primeiros meses deste ano, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o Sipia aponta apenas 49 casos. Em 2024, a capital contabilizou 2.231 casos do mesmo crime. Nas contas dos conselheiros, porém, foram somente 60 registros. Conselheiros afirmam que não conseguem acessar a plataforma por falta de internet, falhas técnicas e ausência de capacitação. “A gente não consegue acessar o Sipia tem vários dias. Quando perguntam por que a gente não está usando, quero saber quem vai defender os conselheiros. O programa não funciona”, disse a conselheira Juliana Cleiri, da Cidade Tiradente II, na Zona Leste. A promotora Sandra aponta ainda baixa escolaridade de parte dos conselheiros, falta de interesse e até uso político do cargo como entraves para o funcionamento adequado do sistema. Como consequência, os atendimentos muitas vezes são registrados rudimentarmente em cadernos de papel, sem um banco de dados que permita o acompanhamento adequado. Em nota, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reconheceu que há desafios históricos na utilização do sistema e que tem promovido uma série de melhorias para qualificar a experiência dos usuários e ampliar a adesão ao Sipia. "Em 2025, 471 conselheiros tutelares do estado de São Paulo foram capacitados para operar a atual versão do sistema. Esse número representa 49% dos Conselhos Tutelares do estado." Políticas para a infância Profissionais da rede afirmam que a desarticulação entre secretarias e a ausência de políticas contínuas agravam a situação. “Na prática, tenho visto fechamento de serviços. Fecham com a justificativa de que vão abrir em outro lugar, mas esse serviço não reabre”, disse uma defensora pública que pediu para não ser identificada. "Como que você elabora um projeto de começo, meio e fim de uma política pública? Quando você sempre começa do zero, fica muito mais difícil." Segundo ela, a falta de orçamento na assistência social na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com menos verba prevista do que a necessária, impacta salários e repasses a entidades e gera um cenário de sucateamento. Para 2025, o orçamento destinado à administração dos Conselhos Tutelares no município de São Paulo está previsto em cerca de R$ 50,6 milhões. No começo deste mês, após protesto de assistentes sociais, Nunes prometeu reajustar o valor de repasse para organizações. Os profissionais conveniados da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social cobraram valores não pagos e o reajuste no repasse às entidades de assistência social que têm convênio com o município. Segundo a promotora Sandra, mesmo propostas viáveis já apresentadas por técnicos e especialistas tanto da prefeitura quanto do MP-SP não saíram do papel. "Já participei de reuniões em que técnicos da própria prefeitura assumiram compromissos e, na semana seguinte, foram exonerados", afirmou. “Quando você está tratando de um problema social, ele não é definitivo. É uma situação que muda conforme a sociedade e outros problemas que influenciam. O fato é que as soluções muitas vezes não são colocadas em prática." O que diz a prefeitura "A Prefeitura de São Paulo informa que tem investido no fortalecimento das políticas de proteção à infância. Prova disso é que o orçamento inicial para ações ligadas aos Conselhos Tutelares em 2025 é 23% superior ao do ano passado - R$ 53,6 milhões contra R$ 43,3 milhões. Ao longo deste ano, esses recursos já foram atualizados para R$ 54,9 milhões, sendo 77% aplicados até agora para o funcionamento das 52 unidades. Isso inclui remuneração dos conselheiros, locação de imóveis, manutenção, limpeza, veículos, entre outros. Para assegurar melhor estrutura, acessibilidade e condições de atendimento, a atual gestão realizou a transferência de 28 conselhos para novos imóveis, ampliou a banda larga de internet em todos os conselhos, adquiriu novo mobiliário para unidades e fornece materiais de escritório periodicamente. No caso do Conselho de Guaianases, o local possui linhas móveis de telefone ativas para atendimento emergencial e casos pontuais de manutenção estão sendo acompanhados pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania. A Pasta também investe em requalificação para os 260 conselheiros tutelares e, em relação ao Sistema de Informação para Infância e Adolescência (SIPIA), ele já é adotado por mais da metade das unidades. Cabe ressaltar que a criação de novos Conselhos Tutelares obedece à legislação municipal e às diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente), que consideram não apenas a proporção populacional, mas também a vulnerabilidade dos territórios e as especificidades locais."

Palavras-chave: vulnerabilidade