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Jornada da Produtividade impulsiona indústria no Paraná

Publicado em: 01/06/2026 16:18

Em um cenário de crescente pressão por competitividade, eficiência e inovação, a indústria paranaense vem acelerando a adoção de tecnologias e práticas voltadas à modernização dos processos produtivos e à redução de custos operacionais. É nesse contexto que se insere o Brasil Mais Produtivo, uma iniciativa que apoia micro, pequenas e médias empresas brasileiras por meio de metodologias de manufatura enxuta, eficiência energética, transformação digital e tecnologias inovadoras. Coordenado pelo MDIC, o programa envolve uma articulação nacional entre Senai, Sebrae, ABDI, Finep, Embrapii e BNDES, formando uma das maiores redes brasileiras de apoio ao aumento da produtividade industrial. A iniciativa atua com uma abordagem estruturada de consultoria e inovação industrial, apoiando empresas na adoção de tecnologias, na melhoria de processos produtivos e no aumento da eficiência operacional. O trabalho é organizado em três eixos estratégicos: manufatura enxuta, eficiência energética e transformação digital. No Paraná, a estratégia ganha força com a Jornada da Produtividade, iniciativa do Senai Paraná em parceria com o Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI), da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial (SEIA) e da Fundação Araucária. Lançado em dezembro de 2024, o programa foi criado para impulsionar a modernização da indústria e fortalecer a competitividade no estado. A iniciativa promove a inserção de profissionais mestres e doutores como agentes de eficiência produtiva, atuando no desenvolvimento de estudos e estratégias de mercado baseadas em dados, na implementação de soluções tecnológicas e no mapeamento da maturidade de inovação, além das principais barreiras tecnológicas enfrentadas pela indústria. Com presença em diferentes regiões do Paraná, o programa já contabiliza 1.972 atendimentos, alcance em 162 municípios e mais de 115 mil horas executadas pelo Instituto Senai de Tecnologia em Produtividade, além de mais de 13 mil visitas técnicas realizadas nas indústrias. Os resultados econômicos reforçam o impacto da iniciativa, que já gerou mais de R$ 202,2 milhões em ganhos para as empresas atendidas. O programa também registra NPS de 91,95, indicador que evidencia alto nível de satisfação e aderência às necessidades da indústria paranaense. Manufatura enxuta aumenta produtividade industrial no Paraná O eixo de manufatura enxuta é responsável pela maior parte dos atendimentos e concentra ganhos expressivos de produtividade industrial. A metodologia busca eliminar desperdícios, otimizar fluxos produtivos e aumentar a eficiência das operações. Até o momento, foram 1.012 atendimentos neste eixo, com crescimento médio de 60,72% na produtividade das empresas participantes e retorno financeiro estimado em mais de R$ 200 milhões. O programa também contribui para a implantação de práticas de melhoria contínua e gestão de processos industriais. Na INEOS Fabricação e Comercialização Ltda., empresa do setor de dispositivos médicos, os resultados foram diretos na linha de produção. O diretor da empresa, Irineu Vitor Leite, explica as mudanças. O programa foi fundamental para ampliar nossa capacidade produtiva e melhorar processos. Antes, a eletrólise era feita peça por peça. Depois do apoio, passamos a trabalhar com múltiplas peças simultaneamente. Segundo ele, a mudança também trouxe ganhos de qualidade e eficiência. “Ganhamos mais agilidade na produção e também melhoramos a biocompatibilidade dos produtos utilizados em cirurgias de reconstrução facial”. O executivo destaca ainda o papel da consultoria técnica. “O suporte do programa foi essencial para uma empresa de pequeno porte, que muitas vezes não tem estrutura para investir sozinha em inovação industrial”. Eficiência energética reduz custos e amplia sustentabilidade O eixo de eficiência energética da Jornada da Produtividade tem ajudado indústrias a reduzir consumo, cortar custos e avançar em sustentabilidade industrial. A iniciativa também contribui para metas de descarbonização e redução de emissões de CO₂. Foram registrados 176 atendimentos com resultados relevantes, incluindo redução de 53% no consumo energético, economia anual de 2,37 mil MWh e diminuição de R$ 1,6 milhão em custos com energia. O programa também evitou a emissão de 100,83 toneladas de CO₂. Na MetalKraft, os ganhos vieram acompanhados de capacitação e estruturação interna. O especialista de processos Atílio Talamini destaca o impacto. O programa trouxe um olhar mais estratégico sobre nossos processos e ajudou a aprofundar o trabalho de eficiência energética que já realizávamos internamente. Um dos principais resultados veio da otimização de equipamentos industriais. “Conseguimos um ganho de 10% de eficiência energética na operação dos compressores”. Segundo ele, o programa também deixou um legado interno. “Foram capacitados cerca de 10 colaboradores em eficiência energética, o que segue gerando novos projetos dentro da empresa”. Transformação digital moderniza a indústria e amplia competitividade A transformação digital é o terceiro eixo da Jornada da Produtividade e apoia empresas na modernização industrial, automação de processos e integração de sistemas produtivos. O objetivo é ampliar a competitividade e preparar a indústria para os desafios da indústria 4.0. Na Daiken Elevadores, o programa acompanha uma fase de forte crescimento. O diretor geral Osmar Yamawaki explica o contexto da empresa. O crescimento da empresa exigiu novos investimentos em tecnologia para sustentar a expansão e melhorar nossa estrutura produtiva. A empresa passou por um diagnóstico de maturidade tecnológica dentro do programa. “A metodologia SIRI identificou oportunidades importantes de ganho em eficiência e competitividade com a adoção de novas tecnologias”. Mesmo em fase de implementação, os resultados já são esperados. “A expectativa é alcançar um novo patamar de competitividade, ampliando nossa atuação no Brasil e no mercado internacional”. Impacto regional da produtividade industrial no Paraná A Jornada da Produtividade tem forte presença regional, com atendimentos distribuídos em diferentes polos industriais do Paraná, incluindo Oeste, Norte, Leste e Campos Gerais. A iniciativa fortalece cadeias produtivas locais e amplia o acesso à inovação industrial. O programa também tem alta adesão de micro e pequenas empresas, que representam mais de 90% dos atendimentos realizados. Os principais setores atendidos incluem metalmecânica, madeira e móveis, alimentos e bebidas e têxtil e vestuário. Ao integrar transformação digital, eficiência energética e manufatura enxuta, a Jornada da Produtividade consolida-se como um dos principais programas de inovação industrial do Paraná, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade e da competitividade da indústria paranaense.

Vigilância tecnológica fortalece produtividade da indústria paranaense

Publicado em: 01/06/2026 16:16

A busca por produtividade e competitividade tem levado a indústria a olhar cada vez mais para tendências globais, inovação e novas tecnologias. Nesse cenário, a Vigilância Tecnológica realizada pela área de Relações Internacionais da Fiep, vem se consolidando como uma importante ferramenta de inteligência estratégica para apoiar empresas paranaenses na identificação de oportunidades e no fortalecimento de sua atuação no mercado. A iniciativa é desenvolvida durante missões empresariais em feiras e eventos nacionais e internacionais e consiste em um processo estruturado e sistemático de coleta, análise e disseminação de informações sobre avanços tecnológicos, tendências de mercado, atividades de concorrentes, mudanças regulatórias e inovações sociais e tecnológicas apresentadas nos eventos. Mais do que acompanhar novidades, o trabalho busca transformar informação em ganho prático para a indústria, contribuindo diretamente para o aumento da produtividade, da eficiência operacional e da capacidade de inovação das empresas participantes. “O objetivo é fazer com que a indústria paranaense tenha acesso antecipado a tendências, tecnologias e oportunidades que possam gerar melhorias em processos, aumento de competitividade e novos negócios. A vigilância tecnológica permite que as empresas tomem decisões mais estratégicas e se preparem melhor para as transformações do mercado”, afirma Rafael Teixeira Asinelli, Coordenador de Cooperação Internacional da Fiep. O trabalho acontece em diferentes etapas. Antes dos eventos, a equipe realiza um levantamento aprofundado sobre a feira, identifica temas prioritários e entrevista industriais participantes da missão para compreender as demandas e expectativas do setor. Durante o evento, são feitos registros in loco sobre tendências, soluções tecnológicas, visitas técnicas, cases e oportunidades identificadas. Já no pós-evento, o conteúdo coletado é disseminado por meio de workshops, reuniões presenciais e virtuais, podcasts, videocasts e materiais técnicos de comunicação. Linha automatizada em operação industrial, com aplicação de tecnologias voltadas à produtividade, precisão e modernização dos processos industriais. Divulgação/Gelson Bampi. A metodologia prioriza feiras setoriais, permitindo um olhar aprofundado sobre segmentos específicos da indústria e potencializando a geração de conhecimento aplicado. Outro diferencial é a participação de especialistas do Senai Paraná nas missões, contribuindo com análises técnicas e interpretação das tendências observadas nos eventos. Entre os principais temas monitorados estão inovação, mercado, novos negócios, transformação digital, sustentabilidade e integração entre indústria e tecnologia — fatores considerados essenciais para elevar os índices de produtividade industrial. Para o presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico no Estado do Paraná, Arlei Gláucio Martins, a iniciativa contribui para aproximar as empresas paranaenses das principais transformações que impactam a indústria global. “A participação em feiras internacionais com esse suporte técnico e estratégico amplia a visão das empresas sobre o futuro do setor. A vigilância tecnológica ajuda a identificar soluções que podem aumentar produtividade, reduzir custos e melhorar a competitividade das indústrias paranaenses em um mercado cada vez mais dinâmico”, destaca. Além de promover o acesso à inovação, a Vigilância Tecnológica também fortalece a disseminação do conhecimento dentro do ecossistema industrial paranaense, permitindo que informações estratégicas cheguem a um número maior de empresas e profissionais. Com isso, a iniciativa reforça o papel da Fiep no apoio à modernização industrial e no estímulo à construção de uma indústria mais preparada para os desafios da transformação tecnológica e da economia global.

Palavras-chave: tecnologia

Investir no exterior! Saiba como investir em franquia fora do país com segurança

Publicado em: 01/06/2026 16:09

Biomagistral Biomagistral/Divulgação O mercado internacional de saúde personalizada começa a olhar com atenção para um modelo brasileiro que vem ganhando força nos últimos anos. A Biomagistral Farmacêutica, hoje considerada a maior rede de farmácias de manipulação do Brasil e, consequentemente, do mundo, está iniciando um processo de expansão internacional e apresenta um modelo de negócio que pode se tornar uma nova oportunidade para investidores interessados em investir fora do Brasil no setor farmacêutico. Após anos de participação em congressos farmacêuticos, simpósios médicos, feiras internacionais de franquias e eventos científicos, a empresa estruturou um modelo considerado robusto para levar o conceito de farmácia magistral humana e veterinária integradas a outros países. A integração das operações humana e veterinária em uma única unidade representa um ganho estratégico relevante sob o ponto de vista operacional e econômico. Ao centralizar as atividades, há uma otimização significativa da mão de obra especializada, permitindo que o farmacêutico e a equipe técnica atuem de forma mais eficiente e integrada. Além disso, essa sinergia reduz custos operacionais, melhora o aproveitamento da estrutura física e racionaliza a gestão de estoque, uma vez que diversas matérias-primas e insumos podem ser compartilhados entre as duas frentes. Como consequência, há maior controle, padronização de processos e aumento da produtividade, resultando em uma operação mais enxuta, escalável e com maior rentabilidade. O formato já é consolidado no Brasil, onde a rede ultrapassa 270 unidades distribuídas em todos os estados. Agora, o projeto de internacionalização inicia suas primeiras operações previstas em Posadas, na Argentina; Valência, na Espanha; e Bogotá, na Colômbia, além de outros países. Segundo a companhia, a proposta é levar ao mercado internacional um modelo que combina cuidado farmacêutico, tecnologia farmacêutica, personalização de tratamentos, medicina integrativa e longevidade — áreas que vêm apresentando crescimento consistente em todo o mundo. Myrcieli Marconatto, diretora da Biomagistral Farmacêutica afirma que nos últimos anos, o mundo tem assistido a uma mudança significativa no comportamento de consumo em saúde, impulsionada, entre outros fatores, pela popularização de medicamentos injetáveis para emagrecimento à base de agonistas de GLP-1, como o Mounjaro e o Ozempic. “Essas terapias promovem uma perda de peso rápida e expressiva, alterando não apenas o metabolismo, mas também a relação das pessoas com a alimentação e o autocuidado. Estimativas de mercado já projetam que até cerca de 30% da população mundial possa, direta ou indiretamente, ser impactada por essa nova classe terapêutica nos próximos anos. Como consequência, observa-se uma migração relevante desse público para o consumo de suplementos nutricionais, com foco na reposição de nutrientes, manutenção de massa magra, energia e equilíbrio metabólico.” Nesse contexto, a Biomagistral se posiciona de forma estratégica ao atuar nos pilares da suplementação, longevidade e medicina integrativa, alinhando-se diretamente a essa transformação global no padrão nutricional e no cuidado preventivo com a saúde. Outro fator diretamente relacionado ao aumento do consumo de suplementos e medicamentos é o envelhecimento progressivo da população mundial, e paralelamente, observa-se o avanço do mercado pet, impulsionado pela mudança no perfil das famílias e pela crescente humanização dos animais, com aumento significativo da demanda por cuidados veterinários personalizados — em muitos países, o número de pets já se aproxima ou supera o de crianças nos lares. Um modelo de franquia de farmácia de manipulação inédito no mundo Um dos diferenciais do projeto da Biomagistral é a operação integrada entre farmácia de manipulação humana e veterinária na mesma unidade. No segmento humano, os laboratórios desenvolvem medicamentos personalizados que incluem desde sprays de tadalafila, óvulos vaginais, gomas de creatina, chocolates funcionais, gomas terapêuticas, formulações em pirulitos voltadas à imunidade infantil, terapias hormonais, até formulações modernas como canabidiol manipulado e suplementos lipossomais nanotecnológicos de alta biodisponibilidade. Esses são apenas alguns exemplos dos diferenciais que a Biomagistral apresenta e que ainda não existem em diversos países. Já no setor veterinário, a proposta é tornar o tratamento dos animais mais fácil e eficaz. Para isso, os medicamentos são desenvolvidos em formatos palatáveis, adaptados às preferências dos pets e de outros animais. Como por exemplo, medicamentos para cães em formato de petiscos saborizados, como picanha ou frango; fórmulas para gatos em pastas com sabor salmão; medicamentos para cavalos em torrões medicinais semelhantes ao açúcar. Todos os produtos são manipulados de acordo com o peso e a necessidade específica do animal, aumentando a adesão ao tratamento e a precisão terapêutica. Validação com veterinários na Europa A manipulação veterinária é considerada uma grande novidade mundial. Na feira de franquias de Paris de 2024, onde diversos veterinários foram convidados pela franqueadora, muitos declararam que nunca haviam visto formatos palatáveis como os apresentados, destacando como é extraordinário o tutor conseguir medicar o animal na dose exata e no sabor preferido do seu pet. A Biomagistral foi pioneira no Brasil na integração entre manipulação humana e veterinária dentro de uma mesma operação. Agora, o objetivo é transformar esse modelo em um case internacional no setor magistral. Experiência internacional – produtos testados e validados No final de 2024, para validar o conceito e os formatos farmacêuticos, a Biomagistral, em parceria com a Associação Portuguesa de Medicina Integrativa, participou de um dos maiores congressos da área, realizado na cidade do Porto, em Portugal. O evento reuniu médicos de toda a Europa e de diversas partes do mundo, que destacaram os formatos apresentados pela empresa como inovadores e capazes de facilitar a adesão ao tratamento e melhorar o bem-estar dos pacientes. “Esse formato foi validado em feiras, congressos e simpósios internacionais. Tivemos a confirmação do interesse por parte de prescritores e validação científica junto à classe médica e veterinária. Isso nos deu segurança de que estamos diante de um modelo global, com forte potencial de expansão.”, afirma Myrcieli Marconatto. Expansão global em franquias no exterior A estratégia internacional prevê a implantação do modelo em mais de 20 países ao longo dos próximos cinco anos. Para viabilizar esse processo, a empresa firmou parceria com um grupo de investimentos responsável por estruturar os estudos de viabilidade financeira, regulatória e comercial das operações internacionais. Dentro desse escopo, também serão oferecidos aos futuros investidores todos os caminhos necessários, desde a abertura de uma simples conta bancária até a constituição do contrato social e a obtenção das autorizações sanitárias exigidas em cada país. Como participar do projeto de investimento internacional De acordo com a Biomagistral, o processo de seleção de investidores internacionais seguirá critérios semelhantes aos adotados no sistema de franquias da empresa. Além da capacidade financeira, será considerado fator estratégico a disponibilidade do investidor para acompanhar a operação no país escolhido. Após o sucesso das primeiras operações, a expansão internacional da Biomagistral poderá representar um novo capítulo para o setor magistral no cenário global, evidenciando o talento brasileiro no desenvolvimento de inovações farmacêuticas. Por que a Biomagistral está se tornando referência mundial no setor magistral A Biomagistral nasceu em um ambiente de alta exigência profissional, pautado tanto pelos seus diretores quanto pelas rigorosas normas da Anvisa, considerada um dos órgãos regulatórios de saúde mais exigentes do mundo. Ao implantar suas unidades, a empresa segue padrões construídos ao longo de mais de quatro décadas, muitas vezes superiores às exigências de diversos países. Segundo Myrcieli Marconatto, essa base regulatória coloca a empresa em posição privilegiada na expansão internacional: “Poucas pessoas sabem, mas a Anvisa é um dos órgãos mais criteriosos do mundo. Isso nos coloca em uma posição estratégica na implantação internacional. Nossos projetos surpreendem as autoridades sanitárias locais dos outros países por apresentarem tecnologia e estrutura muito superiores.” Caminho seguro e mais curto para quem vai investir em franquia no exterior É perceptível que muitos empresários brasileiros têm buscado diversificar seus investimentos fora do país, recorrendo a assessorias e consultorias especializadas. A Biomagistral integrou todas essas etapas em uma única operação de negócios, oferecendo um caminho mais estruturado, seguro e eficiente para quem deseja investir no exterior. Perguntas frequentes Como investir no exterior sendo brasileiro? Com a Biomagistral, o investidor tem acesso a um modelo estruturado que inclui suporte completo — desde a abertura da empresa até a operação farmacêutica no país escolhido, com acompanhamento em todas as etapas. É melhor investir no Brasil ou no exterior? Investir no exterior permite diversificação cambial, acesso a novos mercados e proteção patrimonial — especialmente quando aliado a um modelo validado e estruturado como o da Biomagistral. Vale a pena investir fora do país? Sim, principalmente quando o investimento está atrelado a um negócio estruturado, com demanda crescente e validação internacional, como o modelo desenvolvido pela Biomagistral. Quais são os melhores investimentos no exterior? Negócios ligados à saúde, personalização e longevidade estão entre os setores que mais crescem no mundo — área em que a Biomagistral atua com destaque por meio de um modelo inovador e já validado. É seguro investir no exterior? Sim, especialmente quando há suporte técnico, jurídico e operacional — como no modelo estruturado oferecido pela Biomagistral. O que é a Biomagistral? A Biomagistral é a maior rede de farmácias de manipulação do mundo, especializada em protocolos personalizados de saúde, estética e performance, com tecnologia avançada, laboratórios auditados e medicamentos laudados. Onde fica a Biomagistral? A Biomagistral possui mais de 270 unidades distribuídas em todas as regiões do Brasil e Argentina, além de operar por canais digitais e projetos de expansão por franquias, licenciamentos e unidades especializadas. Qual é a maior rede de farmácias de manipulação do Brasil? A maior rede de farmácias de manipulação do Brasil é a Biomagistral, com mais de 270 lojas distribuídas em todos os estados do país, consolidando-se como referência nacional em medicina personalizada, inovação farmacêutica e expansão magistral.

Palavras-chave: tecnologia

Nunes diz que dona de ONG investigada é 'trabalhadora e decente' e fala em perseguição política por filme sobre Bolsonaro

Publicado em: 01/06/2026 16:02

Ex-secretário de Nunes diz que 'nunca conheceu' dona de ONG investigada e defende apuração de suposto desvio para filme sobre Bolsonaro O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), saiu em defesa da empresária Karina Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), alvo de uma operação que investiga suspeitas de desvio de recursos públicos de um contrato para instalação de redes de wi-fi em comunidades da capital. Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (1º), Nunes afirmou que considera Karina uma mulher "decente" e "trabalhadora" e sugeriu "perseguição política" caso a investigação esteja relacionada à ligação dela com o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando e que conhece o Bolsonaro, né? Então está passando por isso Ao comentar a hipótese de que recursos do contrato possam ter sido desviados para a produção do filme Dark Horse, sobre Bolsonaro, Nunes afirmou que, se a motivação da investigação for a ligação da empresária com o projeto audiovisual, o caso seria "grave". "Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme... 'Então estou indo atrás de um contrato com a prefeitura de 2024 por causa do filme', aí é grave. Aí é perseguição política", disse durante entrega de 131 unidades habitacionais do Residencial General Rondon, no Centro de SP. 👉 A Polícia Civil investiga suspeitas de desvio de recursos de um contrato de wi-fi da Prefeitura de São Paulo. A apuração tem como alvo o Instituto Conhecer Brasil (ICB), comandado por Karina Gama, que também é dona da produtora Go Up e participa da produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro (PL). O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), em coletiva de imprensa ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), no Palácio dos Bandeirnates em 16/12/2025. Paulo Guereta/Gesp "Se a questão é política, se eventualmente a questão é política, eu acho que é um erro grave. Eu acho que é um desrespeito à democracia. Se a questão é política, se por acaso for uma questão política. Se estão fazendo isso por conta do filme, aí eu acho grave", completou. Nunes disse que conheceu a empresária em eventos da Expo Cristã, mas negou manter contato frequente com ela. "Acho que, se não me engano, foi a Expo Cristã que ela organizou. Mas não é uma pessoa que eu tenho contato. Já tive, mas não é uma pessoa que eu converso, que eu tenho contato, não. Mas não tenho problema nenhum de ter também", declarou. Segundo o prefeito, a contratação foi feita após um chamamento público que ficou aberto por 30 dias e não recebeu impugnações, questionamentos ou propostas de outras entidades. "Durante trinta dias não houve nenhum pedido de impugnação, nenhum questionamento, nenhuma outra entidade quis participar. Ainda bem que essa entidade se propôs a, dentro daqueles moldes, de colocar pontos dentro das favelas, das comunidades", afirmou. 👉 O contrato com a Prefeitura de São Paulo previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia até junho de 2025, mas, até a presente data, apenas 3.200 foram instalados. Ao menos três aditivos foram assinados mudando a data de entrega total do serviço. O prefeito afirmou ainda que a Prefeitura de São Paulo não encontrou irregularidades no contrato firmado com a entidade e sustentou que os 3,2 mil pontos de internet previstos estão instalados e em funcionamento. Segundo ele, eventual ilegalidade identificada pela Polícia Civil ou pelo Ministério Público será apurada pela administração municipal. Assinatura de contrato O deputado federal Bruno Lima (Podemos), que comandava a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia quando a Prefeitura de São Paulo firmou contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), afirmou nesta segunda-feira (1º) que apoia a apuração de suspeitas de desvio de recursos do projeto de instalação de internet gratuita em comunidades da capital para a produção de um filme. "Se teve algum tipo de desvio para fazer filme, tem que ser apurado mesmo", disse o parlamentar à GloboNews. Lima foi secretário municipal até 1º de agosto de 2024, quando deixou o cargo para retomar o mandato na Câmara dos Deputados. À época, era filiado ao Progressistas (PP), partido pelo qual se elegeu em 2022. Em abril deste ano, migrou para o Podemos durante a janela partidária. A ONG, da mesma dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, é investigada por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. A ONG foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda (leia mais abaixo). Deputado Federal Delegado Bruno Lima (Podemos). Divulgação Na entrevista, o deputado também afirmou que nunca teve contato com Karina da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, organização investigada sob suspeita de utilizar recursos do contrato firmado com a prefeitura para a produção do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado "Dark Horse" (Azarão, na tradução do inglês). "Não a conheço. Nunca a vi na vida. Se passar na minha frente, não sei quem é", declarou. Segundo ele, as informações reveladas após a divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, e que posteriormente passaram a ser relacionadas ao contrato para instalação de redes wi-fi em comunidades paulistanas, foram recebidas com surpresa. "Defendo o escopo do projeto, que é a instalação da rede wi-fi em favelas da cidade, onde vivem as pessoas que mais precisam deste serviço. Toda a parte contratual foi feita pelo corpo técnico da Secretaria", afirmou. O ex-secretário também negou qualquer vínculo político com o bolsonarismo. "Após o primeiro turno de 2022, tive a coragem de não apoiar Bolsonaro. E continuo não apoiando. Hoje estou em um partido ainda mais neutro [do que o Progressistas]", disse. Mais cedo, em conversa com a reportagem, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em sua defesa, que o secretário de Inovação e Tecnologia responsável pela pasta no momento da assinatura do contrato com a ONG era Bruno Lima, delegado de carreira da Polícia Civil. Suspeita de desvio de dinheiro A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), da mesma dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, é investigada por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. A ONG foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1°). O instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP, que também produz o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado Dark Horse (Azarão, na tradução do inglês). 👉 O contrato com a Prefeitura de São Paulo previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia até junho de 2025, mas, até hoje, apenas 3.200 foram instalados. Ao menos três aditivos foram assinados mudando a data de entrega total do serviço. Na representação feita à Justiça, a polícia cita as seguintes suspeitas: O Tribunal de Contas do Município apontou ao menos 20 irregularidades graves no edital de chamamento público, como o uso de "critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações" e que, até então, "atuava na promoção de eventos religiosos e literários gospel". Disparidade de custos entre o que a empresa pública municipal Prodam cobrava da Prefeitura de SP (R$ 230 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306 para a manutenção mensal) e o contrato com o ICB, que previa R$ 1.800 por ponto. Durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi antecipada, mas depois o ritmo de instalação diminuiu. Em contrapartida, diz o inquérito, a prefeitura deveria ter pagado R$ 43 milhões, mas transferiu R$ 69 milhões, resultando em R$ 26 milhões pagos por serviços não prestados. Os "recursos milionários" recebidos pela ONG "teriam sido pulverizados por meio de subcontratações suspeitas com empresas parceiras para escoamento do dinheiro público". "Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo." Contrato de wifi entre ONG de Karina Gama e Prefeitura de SP é alvo de investigação Reprodução Conforme o g1 publicou, tanto a ONG quanto a empresa do filme funcionam oficialmente no mesmo endereço da Avenida Paulista, mas as duas mudaram para a Rua Haddock Lobo, nos Jardins, sem atualização formal nos registros estaduais e federais. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. Foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na prefeitura e na ONG. Segundo a investigação da 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o valor do contrato de R$ 108 milhões subiu para R$ 157,1 milhões, com aditivos assinados pela gestão do Prefeito Ricardo Nunes (MDB) e repassados à ONG. O inquérito da Polícia Civil apura se pelo menos R$ 26 milhões desse montante foram usados pela ONG sem a devida prestação do serviço à cidade de Sâo Paulo, o que configuraria possível desvio de recursos públicos. A reportagem do g1 também apontou que a ONG usou ao menos R$ 4 milhões em notas falsas para justificar despesas da entidade. O prefeito Ricardo Nunes disse, por mensagem de WhatsApp, que a gestão municipal está à disposição para auxiliar nas investigações. “Não constatamos nada de irregular no processo, mas estamos a disposição para colaborar, como já vem sendo feito. Se por acaso tiver a identificação de alguma irregularidade obviamente tomaremos todas as providências de forma rigorosa”, afirmou ele à GloboNews. Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que colabora com investigações e que todo o material requisitado na manhã desta segunda já havia sido encaminhado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município. Acrescentou ainda que "o programa funciona normalmente na cidade". (Leia a íntegra da nota ao final.) O g1 procurou a ONG para comentar a operação, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais Valores cobrados acima do mercado Segundo o inquérito da Polícia Civil, “as investigações desenvolvidas apontaram possível cenário de grave comprometimento da lisura administrativa e financeira desde a origem da contratação da organização parceira”. “O primeiro elemento de suspeita reside no próprio direcionamento do chamamento público, o qual contou com a participação exclusiva do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que, conforme apurado, não ostentava qualquer histórico de atuação, experiência anterior ou capacidade técnica no setor de telecomunicações, limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa”, diz o delegado responsável pela investigação. A polícia também afirma que os valores de mercado cobrado pela ONG para a prestação do serviço estão acima do valor do mercado e das próprias empresas da Prefeitura de São Paulo. “Evidenciou-se flagrante discrepância de valores em comparação com os parâmetros de mercado e contratações pretéritas. Enquanto a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia de São Paulo, prestava serviços idênticos pelos custos de R$ 230,00 para implantação por ponto e R$ 306,00 para manutenção mensal por ponto, o acordo firmado com o Instituto Conhecer Brasil estipulou o pagamento fixo mensal de R$ 1.800,00 por ponto de internet instalado, gerando um custo injustificadamente superior para a municipalidade”, declarou. Os investigadores também afirmam que a Secretaria de Inovação e Tecnologia repassou à ONG valores mensais sem a devida instalação dos 5 mil pontos a que foi contratada nos primeiros meses de vigência do contrato. “Embora o cronograma original impusesse a entrega de 5.000 pontos de conectividade até o mês de junho de 2025, a entidade instalou apenas 3.200 pontos. Para ocultar a mora e legitimar o atraso reiterado, foram celebrados três termos aditivos em curtíssimos intervalos de dias”, afirma o documento. O inquérito diz ainda que ficou constatado que a prefeitura antecipação o pagamentos de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação, incluindo repasses superiores a R$ 11 milhões nos meses de julho e agosto de 2024 relativos a 3.200 pontos quando somente seis deles de fato funcionavam no período. A policia diz que o pagamento antecipado constitui irregularidade, mas a Prefeitura de São Paulo afirma que o modelo contratual é de repasse à ONG para depois prestar contas, para que haja recursos para a execução da política pública. O modelo é determinado pela Lei Federal n.º 13.019/2024, marco regulatório nacional para as parcerias com organizações sociais. Sobre o TCM ter apontado irregularidades no edital e na formulação do contrato, a gestão municipal já tinha feito ajustes à época e o próprio tribunal concordou com o prosseguimento do chamamento público normalmente. Notas fiscais canceladas As notas fiscais canceladas apresentadas pela a ONG Instituto Conhecer Brasil à Prefeitura de São Paulo na prestação de contas. Reprodução/PMSP Alem da Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. Em 20 de maio, o g1 publicou uma reportagem dizendo que ao menos R$ 4 milhões em notas canceladas ou para si própria foram apresentados à Prefeitura de SP pela ONG para justificar despesas do contrato. Levantamento feito nas prestações de contas da ONG apontou o uso de notas milionárias canceladas no site da própria prefeitura de junho de 2024 a dezembro de 2025. ➡️ Uma nota fiscal só pode ser cancelada pelo emitente (vendedor ou prestador de serviço), mas a operação deve ser regularizada com a emissão de uma nova para comprovar o devido recolhimento de impostos. A nota fiscal, que detalha o valor exato e a alíquota do imposto correspondente, é a forma que o governo tem de rastrear as operações comerciais e o seu registro é crucial para a fiscalização da Receita Federal. Deixar de emitir nota fiscal é crime de sonegação fiscal. Ao g1, Karina disse desconhecer notas canceladas por fornecedores contratados e que os problemas nas notas fiscais do próprio instituto foram apontadas por ela e "já estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. (Leia mais abaixo.) Já a prefeitura negou que exista alguma irregularidade no contrato e disse que "a execução do contrato para o programa é monitorada rigorosamente e não há nenhuma decisão definitiva ou processo administrativo que aponte a existência de irregularidades estruturais, desvios ou ilegalidades". A gestão Ricardo Nunes também afirmou que o contrato não tem qualquer relação com a produção do filme sobre o ex-presidente. Notas canceladas Um caso envolve a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pela ONG para prestação de serviços. O proprietário é o empresário André Feldman, que aparece nas redes sociais em fotografias ao lado de Karina da Gama, dona e presidente do instituto. Em novembro de 2025, a Complexsys emitiu uma nota fiscal de R$ 2 milhões no sistema da Prefeitura de São Paulo por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. No entanto, o g1 consultou os registros municipais e constatou que a mesma nota aparece como cancelada no sistema oficial da administração municipal. Segundo os dados da própria prefeitura, o documento foi cancelado no mesmo dia em que foi emitido, em 6 de novembro de 2025. Apesar disso, a nota foi incluída na prestação de contas apresentada por Karina Gama à gestão municipal em fevereiro deste ano. O que diz a Complexsys Por meio de nota, a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., do empresário André Feldman, relatou que “acompanha com serenidade a investigação atualmente conduzida pelas autoridades competentes e que é mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil”. “Importa registrar que inexistem, até o presente momento, conclusões definitivas aptas a justificar qualquer juízo de responsabilidade em desfavor da empresa a que prestamos serviços técnicos, razão pela qual se impõe a observância dos postulados constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. A empresa permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários." Emissão de notas do próprio instituto Além das notas de terceiros, a documentação da ONG tem notas emitidas pelo instituto direcionadas para ele mesmo, como se ele tivesse prestado um serviço para si próprio. No levantamento feito pelo g1 na prestação de contas da entidade, há ao menos três notas da empresa que se enquadram nesta situação e somam mais de R$ 1,4 milhão, todas justificando gastos do projeto de wi-fi. Um parecer da Secretaria de Tecnologia da prefeitura, datado de 26 de fevereiro de 2026 e assinado pelos diretores Marcia Soares de Sousa e João Paulo Santana de Jesus, aponta que o instituto não poderia emitir notas para si mesmo e tampouco devolveu os valores irregulares apontados nas prestações de contas. “Notas fiscais consideradas indevidas; pois a instituição não pode emitir nota para si própria”, diz o parecer, que aponta, ainda, que há pelo menos R$ 925 mil em pagamentos em duplicidade declarados pela ONG na comprovação das despesas. Parecer da secretaria de Inovação e Tecnologia apontando irregularidades nas prestações de conta da ONG. Reprodução/PMSP “Verifica-se que a Organização da Sociedade Civil não promoveu a restituição integral dos valores glosados dentro do exercício analisado, tampouco sanou todas as inconformidades apontadas pela área técnica SMIT/CID/DFD, em descumprimento às disposições da Lei nº 13.019/2014 e do Decreto Municipal nº 57.575/2016. A permanência de valores expressivos pendentes de devolução caracteriza irregularidade grave na execução financeira da parceria, comprometendo a regularidade da prestação de contas”, diz o parecer de fevereiro de 2026. Apesar das inconformidades apontadas pelo parecer, os diretores da pasta e o secretário de Tecnologia, Humberto de Alencar, optaram por “aprovar a prestação de contas da entidade com ressalvas, condicionada à restituição integral dos valores glosados e pendentes, no montante total de R$ 930.256,87”. Por meio de nota enviada à época, a gestão Ricardo Nunes afirmou que a empresa devolveu integralmente os R$ 930 mil e que, por isso, teve o contrato renovado para a instalação dos demais 1.800 pontos de wi-fi que ainda faltam do contrato. Nota de R$ 199,4 mil da empresa cearense JR Feijão Ltda, canceladas no site do governo de SP mas usadas na prestação de contas da ONG. Reprodução/PMSP Faturas Em 2024, a ONG contratou a empresa Make One Tecnologia Digital Ltda. para locação de equipamentos eletrônicos. Em vez de notas fiscais, apresentou quatro faturas para justificar despesas de R$ 8,5 milhões, como permite a lei. Chama atenção também elas terem números sequenciais e, pelo menos três delas, terem sido emitidas no mesmo dia, com a mesma data de vencimento, mas com valores diferentes. As faturas da Make One Tecnologia Digital Ltda, sem valor fiscal, apresentadas na prestação de contas da a ONG Instituto Conhecer Brasil. Reprodução/PMSP No sistema da prefeitura, a reportagem encontrou notas fiscais da mesma Make One para o serviço de aluguel e manutenção de equipamentos, mas justificando serviços para a Prodam, a empresa de processamento de dados da própria prefeitura. Nesse caso da Prodam, a fatura remete ao número da nota fiscal, com o código de verificação no site da prefeitura, com todas as informações fiscais sobre o recolhimento de impostos municipais. Segundo o advogado tributarista Marcelo John, do escritório Benedito Torres Advogados, de fato, não há necessidade de emissão de nota fiscal em locação de bens móveis, já que o Imposto Sobre Serviço (ISS) não incide nesse caso. A emissão de fatura ou recibo já é suficiente. De qualquer forma, a atividade deve ser tributada por outras fontes, como imposto de renda, contribuição sobre o lucro, PIS e COFINS. O especialista disse que, dependendo da atividade realizada por ONGs, não há necessidade de emissão de nota fiscal. Contudo, em algumas operações, especialmente quando não há obrigação legal de emissão de nota fiscal de serviços, a fatura, o recibo, o contrato e o comprovante de pagamento podem servir como elementos de comprovação da despesa. No caso mencionado pela reportagem, a discussão está relacionada ao enquadramento da operação como locação pura de bens móveis, hipótese em que a emissão de nota fiscal de serviços não seria exigida, ou se havia também prestação de serviços agregada, hipótese em que a emissão de nota fiscal seria necessária." Em relação à sequência de emissão das faturas, o advogado afirmou que não se trata de uma prática comum, já que o ideal é emitir notas na medida em que o serviço é prestado, sem deixar acumular. "Não é necessariamente ilegal que faturas tenham numeração sequencial, mesma data de emissão ou mesmo vencimento e valores diferentes. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando uma empresa consolida cobranças de períodos distintos, de contratos diferentes, de itens diferentes ou de medições acumuladas. No entanto, cada fatura precisa ter lastro claro: contrato, período de referência, objeto, critério de cálculo, comprovação de entrega ou disponibilização dos bens e efetivo pagamento. Apesar disso, em casos de prestação de contas com recursos públicos, esse tipo de procedimento deve ser mais cauteloso. Faturas sequenciais, emitidas no mesmo dia, com mesmo vencimento e valores distintos não provam, por si só, irregularidade, mas podem ser um indício que justifica verificação mais rigorosa: se houve acumulação artificial de cobranças, se os bens foram efetivamente locados, se os valores correspondem ao contrato, se houve pagamento regular, se o emitente estava tentando ocultar alguma informação e se a despesa está vinculada ao objeto público financiado. Vale frisar que, em contratos públicos, a regularidade não depende apenas de existir um documento de cobrança, mas de esse documento demonstrar, com segurança, que a despesa foi real, pertinente, compatível com o objeto contratado e regularmente paga", diz John. Em 2027, no entanto, a regra vai mudar. "A partir do período de transição do novo sistema tributário, com efeitos práticos em 2027, a locação passa a ser alcançada pelo novo modelo de tributação sobre consumo, embora isso não signifique dizer que ela passará a ser serviço para fins de ISS. São regimes distintos: o ISS continua não incidindo sobre locação pura de bens móveis até a extinção definitiva desse tributo, mas IBS/CBS irão incidir", diz o advogado. LEIA MAIS: Vorcaro bancou mais de 90% do orçamento de filme sobre Jair Bolsonaro MP investiga contrato de R$ 108 milhões de wi-fi público da Prefeitura de SP com ONG Deputados de PL e PT em SP destinaram mais de R$ 700 mil a entidades ligadas à produtora de filme O empresário André Feldman, dono da Complexsys Soluções Integradas Ltda, que emitiu nota e cancelou em favor do instituto de Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Karina e a campanha de Frias A empresária também mantém relações políticas com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, Karina prestou serviços de consultoria para a campanha a deputado de Mário Frias. Pelo serviço, uma das várias empresas dela, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda., ganhou R$ 54 mil da campanha do político. A empresa funciona no mesmo endereço e na mesma sala da ONG e da produtora de cinema quer pertencem à jornalista, na Avenida Paulista, Centro de São Paulo. Ao g1, Karina confirmou que participou da campanha de 2022 (leia mais abaixo). Karina da Gama aparece na diplomação do deputado Mário Frias (PL), em dezembro de 2022, e é chamada de 'equipe' pela esposa dos parlamentar nas redes sociais. Reprodução/Redes Sociais Nas redes sociais, a esposa do deputado, Juliana Frias, postou fotos da família ao lado de Karina Gama no dia da diplomação do parlamentar. Na legenda da foto, a esposa diz que tinha orgulho do marido e da "equipe" responsável pela sua eleição. O deputado do PL também destinou, via emendas parlamentares, cerca de R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama. A transação está em investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de falta de transparência, que dificultaria a rastreabilidade dos recursos. O g1 procurou a equipe de Mário Frias para comentar a relação entre ele e Karina, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. Contrato sob suspeita Além das inconsistências fiscais, o g1 identificou problemas também em um contrato de R$ 12 milhões da ONG de Karina com a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. O dono da empresa é o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, que está preso desde fevereiro acusado de feminicídio da companheira. No primeiro contrato assinado com a ONG, o nome do empresário como representante da companhia aparece apenas como Alex, sem sobrenome, CPF ou identidade. A empresa foi responsável por instalar mais de 900 pontos de internet nas favelas da cidade, segundo a prestação de contas do Instituto Conhecer Brasil, recebendo mais de R$ 2 milhões, segundo as notas apresentadas para a Prefeitura de São Paulo pela entidade até o final de dezembro de 2025. A denúncia sobre este contrato foi feita pelos portais "The Intercept Brasil" e "Metrópoles" em dezembro de 2025, quando Bispo ainda estava sob investigação pela Polícia Civil sobre o suposto feminicídio. Contrato entre a Ong Instituto Conhecer Brasil e a empresa Favelas Conectadas. Reprodução/PMSP/ICB Após a denúncia, em janeiro, a empresa Favela Conectada deixou de ter Alex Leandro como sócio único e passou para o controle de Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, segundo o registro da Junta Comercial Comercial de SP (Jucesp). Tatiane mora no mesmo endereço de Alex, na Rua Ernesto Paglia, na região do Butantã, Zona Oeste de São Paulo. O g1 não localizou a defesa do empresário. Homem é preso suspeito de jogar mulher do 10º andar de prédio em SP Em conversa com o g1, Karina afirmou que não reconhece o contrato assinado por ela e por um Alex não identificado. Ela levantou a hipótese de o contrato ter sido fraudado e entregue à reportagem por algum desafeto da empresa dela, como o ex-marido. Porém, o g1 teve acesso ao documento a partir do drive em que a própria Karina inclui comprovantes de despesas para prestar contas à prefeitura. Pelo registro do Google Drive, foi ela mesma quem incluiu o contrato para a fiscalização dos técnicos da Prefeitura de São Paulo. O que diz Karina Gama Drive onde Karina da Gama disponibilizou o contrato de R$ 12 milhões com o Favelas Conectadas, que ela disse ao g1 que foi fraudado. Reprodução/PMSP Em conversa com o g1 por telefone, ela afirmou que desconhece as notas mencionadas nesta reportagem, "mas não tem controle se um fornecedor contratado anula uma nota. As notas fiscais do próprio instituto glosadas, fui eu mesma que apontei para a prefeitura os problemas, e eles estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. Karina disse que, depois da saída de Alex Bispo da sociedade da empresa, um novo contrato aditivo foi feito com a nova dona do Favelas Conectadas, uma vez que o ex-dono não podia mais responder pela instalação dos pontos, já que está preso. Karina informou, ainda, que a ONG e as três firmas que estão no nome dela funcionam no mesmo endereço para que possa “manter o controle sobre as empresas”. O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade. A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês". Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

Palavras-chave: tecnologia

Competências humanas impulsionam produtividade industrial

Publicado em: 01/06/2026 15:57

A busca por eficiência na indústria passa cada vez mais pelo desenvolvimento das chamadas “Soft Skills Ativas”. Em um cenário marcado pela automação e pelo avanço da inteligência artificial, habilidades ligadas à comunicação, adaptabilidade, pensamento crítico e inteligência emocional ganham protagonismo nas estratégias das corporações. É o que aponta o Relatório de Tendências de Empregabilidade de 2026, elaborado pelo IEL Paraná em parceria com o Observatório Sistema Fiep. O levantamento analisou 60 documentos de 40 instituições nacionais e internacionais e identificou uma mudança no perfil profissional valorizado no mercado. Com isso, as soft skills tornam-se essenciais para o ganho de eficiência na indústria tecnológica. Em resposta a esse cenário, grandes corporações adotam maratonas de inovação e dinâmicas práticas com foco em soluções ágeis e tomadas de decisão assertivas. Habilidades socioemocionais dão suporte às equipes diante das constantes transformações e demandas do setor produtivo. Divulgação/Gelson Bampi/Sistema Fiep. Resultados práticos na indústria Na rotina industrial, as organizações já percebem reflexos diretos desse movimento em indicadores ligados ao rendimento, integração entre equipes e capacidade de inovação. Um exemplo dessa transformação ocorre na Tata Consultancy Services (TCS), empresa indiana de tecnologia com filial em Londrina. Em parceria com o IEL Paraná, a instituição promoveu um bootcamp de três meses para preparar novos talentos e estruturar seu programa de estágio. O projeto funcionou como um acelerador focado tanto em conhecimentos técnicos avançados quanto no desenvolvimento de competências comportamentais, consideradas cada vez mais estratégicas para ambientes produtivos colaborativos e dinâmicos. Para Flávia Luisa, analista de TI da TCS, o treinamento foi o diferencial para otimizar as entregas do dia a dia e consolidar sua transição de carreira. “Como já atuei em Recursos Humanos, sei o quanto o mercado valoriza o perfil comportamental. Hoje, o trabalho em equipe, a empatia e a comunicação impactam diretamente os nossos resultados. No bootcamp, desenvolvemos essas capacidades na prática, e esse suporte fez toda a diferença para o meu crescimento profissional dentro da TCS”, relata. O desafio do setor, para Alessandro de Castro, superintendente do IEL Paraná, está na capacidade de desenvolver equipes preparadas para lidar com ambientes de trabalho mais complexos e colaborativos. “A produtividade moderna exige muito mais do que domínio técnico. As indústrias precisam de profissionais preparados para tomar decisões, atuar de forma colaborativa e responder rapidamente às mudanças do mercado. O grande diferencial competitivo está na forma como as organizações potencializam essas competências dentro das equipes”, enfatiza. Diagnóstico online auxilia empresas na gestão de talentos Para apoiar o segmento nesse processo, o IEL Paraná disponibiliza gratuitamente um Diagnóstico de Gestão de Talentos online. Em cerca de cinco minutos, a ferramenta identifica o principal desafio relacionado à gestão de pessoas e indica soluções direcionadas às necessidades de cada negócio. O diagnóstico gera resultados divididos em quatro perfis estratégicos: Crescimento Acelerado, voltado a negócios em expansão que precisam atrair talentos de forma estruturada; Aceleração de Performance, direcionado ao fortalecimento de soft skills e desenvolvimento de equipes; Inovação Industrial, com foco na conexão entre indústria, pesquisa e talentos especializados; e Estratégia de Liderança, destinado à formação de líderes alinhados à cultura e aos objetivos organizacionais. O mapeamento empresarial é gratuito e pode ser acessado por gestores e empresas interessados em avaliar seus processos de gestão de pessoas no link ENQUETE INTERATIVA Quais soft skills sua empresa considera mais importantes? Trabalho em equipe Comunicação Adaptabilidade Inteligência emocional

Crédito caro? Veja onde a indústria ainda encontra boas oportunidades

Publicado em: 01/06/2026 15:50

Com juros ainda elevados e maior seletividade na concessão de financiamentos, acessar crédito deixou de ser apenas uma necessidade operacional para se tornar uma decisão estratégica dentro da indústria. No Paraná, empresas que conseguem alinhar financiamento a projetos de produtividade, inovação e modernização industrial têm encontrado caminhos mais sólidos para manter competitividade e crescer de forma sustentável. Nesse cenário, especialistas apontam que o principal desafio não é apenas conseguir recursos, mas direcionar os investimentos para iniciativas capazes de gerar retorno operacional e aumento de eficiência. Projetos ligados à automação, transformação digital, indústria 4.0, eficiência energética e inovação estão entre os mais buscados pelas empresas justamente por apresentarem impacto direto na produtividade industrial. Segundo o coordenador do Núcleo de Acesso ao Crédito da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Baptista Guimarães, o momento exige planejamento financeiro e análise criteriosa antes da contratação de qualquer linha de crédito. “A recomendação é que as empresas utilizem o crédito de forma estratégica, priorizando investimentos que tragam aumento de produtividade, redução de desperdícios, modernização de processos e crescimento sustentável. O financiamento precisa estar conectado a ganhos reais de competitividade”, afirma. Guimarães explica que muitas empresas ainda procuram crédito apenas em momentos de dificuldade financeira, quando o ideal seria buscar recursos de forma planejada, antecipando investimentos capazes de fortalecer a operação. “O crédito tem mais potencial quando é utilizado para melhorar processos, ampliar eficiência e preparar a empresa para crescer. Quanto mais estruturado estiver o projeto, maiores tendem a ser as chances de aprovação e de acesso a condições mais adequadas”, destaca. Além dos bancos tradicionais, o Paraná conta com um ecossistema financeiro diversificado, formado por cooperativas de crédito, bancos de desenvolvimento, agências de fomento e instituições financeiras privadas. Essa diversidade amplia as alternativas disponíveis para a indústria e aumenta a competitividade entre as instituições. Para o gerente de Planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Marcelo Haendchen Dutra, o estado possui um diferencial importante na oferta de crédito produtivo. “O Paraná possui um ambiente bastante favorável para o financiamento industrial, com instituições atuando em diferentes frentes e linhas específicas voltadas à produtividade, inovação e sustentabilidade. Isso amplia as possibilidades para que as empresas encontrem soluções mais adequadas ao perfil de cada investimento”, afirma. Segundo ele, linhas voltadas à transformação digital, eficiência energética e modernização industrial seguem entre as mais demandadas. “Hoje existe uma preocupação crescente das empresas em investir em tecnologias capazes de reduzir custos operacionais e aumentar eficiência. Projetos ligados à inovação e produtividade tendem a apresentar impactos mais rápidos na competitividade industrial”, completa. As cooperativas de crédito também vêm ampliando participação no financiamento ao setor produtivo, especialmente junto às pequenas e médias indústrias. Para o gerente de Negócios Pessoa Jurídica do Sicoob Central Unicoob, Rodrigo Roveda, o crédito produtivo tem papel fundamental na transformação tecnológica das empresas. “O financiamento voltado à produtividade e inovação ajuda a indústria a modernizar processos, ampliar competitividade e acelerar sua adaptação às novas demandas do mercado. Em muitos casos, investir em eficiência operacional deixou de ser um diferencial e passou a ser uma necessidade estratégica”, avalia. É fundamental que as empresas comparem propostas, avaliem taxas, prazos, carências e analisem o impacto das parcelas no fluxo de caixa Divulgação/Gelson Bampi. Segundo especialistas, antes de contratar qualquer financiamento, é fundamental que as empresas comparem propostas, avaliem taxas, prazos, carências e analisem o impacto das parcelas no fluxo de caixa. Outro ponto importante é buscar linhas específicas para inovação, transformação digital e produtividade, especialmente aquelas ligadas a programas do BNDES, Finep e iniciativas da Nova Indústria Brasil (NIB). Apesar das oportunidades disponíveis, acessar recursos voltados à inovação nem sempre é simples. Em muitos casos, os programas possuem alta demanda e exigem agilidade na apresentação dos projetos. Além disso, financiamentos ligados à produtividade e inovação normalmente exigem projetos tecnicamente estruturados, com demonstração de viabilidade econômica, impacto operacional, diferenciais tecnológicos e potencial de ganho de eficiência. Nesse processo, o apoio técnico especializado tem ganhado importância crescente. Instituições de Ciência e Tecnologia, universidades, laboratórios e o Senai podem auxiliar as empresas na estruturação técnica dos projetos e na caracterização das soluções tecnológicas. Já o Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Fiep atua apoiando as indústrias na identificação das melhores linhas de financiamento, conexão com instituições financeiras e orientação sobre programas disponíveis para investimento produtivo. A empresa que busca crédito com planejamento, organização financeira e apoio técnico especializado tende a encontrar oportunidades mais adequadas ao seu perfil e ampliar significativamente suas chances de aprovação. Mesmo em um ambiente econômico mais desafiador, produtividade, inovação e eficiência seguem entre os principais caminhos para o crescimento sustentável da indústria. E o Paraná, pela força do seu ecossistema financeiro e institucional, apresenta um ambiente favorável para apoiar essa transformação.

Palavras-chave: tecnologia

Karina Gama: produtora do 'Dark Horse' foi promotora de literatura cristã, fez campanha para Mário Frias e comanda contrato de Wi-Fi com a Prefeitura

Publicado em: 01/06/2026 15:43

A dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Karina Ferreira Gama, e o deputado federal Mario Frias (PL), no dia da diplomação dele como deputado federal Reprodução/Redes Sociais Alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (1°), a empresária Karina Ferreira da Gama já foi promotora de literatura cristã, participou da campanha do deputado federal Mário Frias (PL) e hoje produz o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), além de manter contrato milionário com a Prefeitura de São Paulo. Em um prazo de apenas dois anos, a ONG fundada por ela – o Instituto Conhecer Brasil (ICB) – passou de uma pequena entidade que realizava eventos de literatura cristã com ajuda de emendas de vereadores evangélicos de São Paulo para dona de um contrato milionário de instalação de serviço de wi-fi gratuito na cidade de São Paulo. ONG da produtora de filme de Bolsonaro apresentou R$ 4 milhões em notas canceladas ou para si própria em contrato de wi-fi com Prefeitura de SP Criado em 1990, o ICB de Karina Gama começou a assinar seus primeiros contratos com a prefeitura em 2018. Um dos primeiros eventos foi o "Encontro Literário IDE", de escritores gospel, entre 27 e 30 de setembro daquele ano, que teve um contrato de R$ 2,5 milhões assinado com a Secretaria Municipal da Cultura. A realização do encontro teve ajuda dos vereadores da época, Souza Santos (Republicanos), Milton Leite (União Brasil), Noemi Nonato (Republicanos) e Atílio Francisco (Republicanos), que destinaram, respectivamente, emendas de R$ 1,33 milhão, R$ 500 mil, R$ 270 mil e R$ 400 mil para que o evento acontecesse no Auditório Elis Regina, no Anhembi, Zona Norte de São Paulo. Nos anos seguintes, os repasses da prefeitura para a ONG foram mais esparsos e, segundo o site da Transparência da Prefeitura de São Paulo, em 2023, o valor de pagamentos para a ONG foi de apenas R$ 500 mil. Polícia Civil faz buscas em ONG e na prefeitura de São Paulo Só que em junho de 2024, pouco meses antes da eleição municipal que reelegeu o prefeito Ricardo Nunes (MDB), a entidade de Karina foi a única empresa que apareceu para atender o chamamento público da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para a instalação de 5 mil pontos de wi-fi nas periferias da cidade. Em vez de escolher uma empresa de internet especializada no assunto, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) optou por repassar o contrato de R$ 108 milhões para uma empresa que, até então, não tinha nenhuma experiência anterior nem com instalação desse tipo de tecnologia, tão pouco tinha contratos de inserção em projetos na periferia da capital paulista assinados com a gestão municipal. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse que o chamamento ficou aberto por 30 dias (leia mais abaixo). Após vencer o certame de candidato único e abocanhar o contrato anual de R$ 108 milhões, a ONG terceirizou os serviços de instalação desses equipamentos e contratou várias pequenas empresas menores que costumam fornecer sinal de internet em favelas e áreas periféricas da cidade. Segundo o site da Transparência da Prefeitura de SP, no primeiro ano de vigência do contrato, 2024, a ONG recebeu pelo menos R$ 40 milhões da gestão Nunes. O contrato foi assinado no meio daquele ano. O acordo era que a empresa instalasse os 5 mil pontos de internet no período de, no máximo, 12 meses. Só que a empresa não conseguiu cumprir a meta e o contrato passou por três aditivos contratuais de data, que esticaram o prazo de instalação até 2029. O valor anual de R$ 108 milhões passou para R$ 157 milhões, segundo a Polícia Civil de São Paulo, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Karina e sua ONG, além da Secretaria de Inovação e Tecnologia da gestão Nunes nesta segunda (1°). ONG da produtora de filme de Bolsonaro é alvo de operação da Polícia por desvio de recurso Até o momento, apenas 3.200 pontos foram instalados na cidade. A promessa é a de que a meta seja cumprida até o final deste ano. A investigação da Polícia Civil foi aberta a pedido do Ministério Público. No inquérito da operação desta segunda (1°), a promotora Marina Pedersolli diz que o contrato com a gestão Nunes tem indícios de "possível direcionamento do chamamento público, ausência de capacidade técnica da entidade contratada, suposto sobrepreço nos valores pagos pela Administração Municipal, antecipação de repasses públicos e pagamentos por serviços supostamente não executados". "A autoridade policial também menciona suspeitas de pulverização dos recursos públicos por meio de subcontratações com empresas privadas, além de possível utilização de valores oriundos do contrato público para financiamento de produção cinematográfica vinculada à investigada Karina Gama", escreveu Pedersolli. A ONG de Karina e a produtora do filme Dark Horse (Azarão, em português) - que fala da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro – funcionam no mesmo endereço na Avenida Paulista, Centro de SP. Os registros oficiais que indicam que a produtora do filme sobre Bolsonaro e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB) funcionam no mesmo endereço. Reprodução/Jucesp e Rede Sim/Receita Federal O local também é sede da empresa GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda, que também pertence à Karina Gama. Campanha para Frias Em 2022, a GO7 ganhou R$ 54 mil para fazer a campanha do deputado federal Mário Frias (PL), segundo a prestação de contas dele na Justiça Eleitoral. Frias é o roteirista e produtor-executivo do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No ano de 2023, logo após tomar posse, Frias destinou R$ 2,5 milhões em emendas parlamentares de sua autoria para que a ONG de Karina Gama aplicasse os recursos federais em projetos sociais no interior de São Paulo. Karina da Gama aparece nas redes sociais fazendo campanha para o deputado Mário Frias (PL), em outubro de 2022. Reprodução/Redes Sociais O que disse o prefeito de SP Em entrevista nesta quinta-feira (1°), o prefeito Ricardo Nunes disse que o chamamento público para a escolha da ONG “ficou aberto durante trinta dias”. “Não é comum. Não é comum um chamamento ficar aberto durante trinta dias. Durante trinta dias não houve nenhum pedido de impugnação, nenhum questionamento, nenhuma outra entidade quis participar. Foi feito toda uma pesquisa de preço, desse terceiro processo que eu te falei, ficava muito mais alto, ficava dois mil e pouco cada ponto. Esse a gente tá pagando hoje R$ 1.270, R$ 1280, se não me engano”, afirmou o prefeito da capital. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Divulgação/Secom/PMSP O prefeito disse que uma ONG foi escolhida para prestar o serviço porque precisava de mapeamento das comunidades carentes da cidade. “A questão era mais ampla do que isso [do que escolher a Prodam ou uma empresa particular de tecnologia]. Era de você mapear as comunidades, fazer esse mapeamento, verificar a questão da falta de sinais daqueles locais, a vulnerabilidade daquela comunidade e instalar esses pontos de Wi-Fi nesses locais. Não é só instalar", declarou Nunes. O que diz a Prefeitura de SP Por meio de nota, a Secretaria de Inovação e Tecnologia disse que “colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações”. “Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp”. Segundo a prefeitura, “não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade”. “A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade”, disse a nota. “Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês”, declarou. O que diz Karina Em conversa com o g1 por telefone em 20 de maio, ela afirmou que desconhece as notas mencionadas nesta reportagem, "mas não tem controle se um fornecedor contratado anula uma nota. As notas fiscais do próprio instituto glosadas, fui eu mesma que apontei para a prefeitura os problemas, e eles estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. A dona da ONG informou, ainda, que o ICB e as três firmas que estão no nome dela funcionam no mesmo endereço para que possa “manter o controle sobre as empresas”.

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Tecnologia SML com enxofre é aliado estratégico da fruticultura

Publicado em: 01/06/2026 15:23

4_Tecnologia de moagem da SMS é capaz de reduzir o enxofre a meros 2 micras, o que garante máxima absorção e eficácia Acervo/SMS No cenário da agricultura moderna, onde a busca por eficiência e alta performance é incessante, a SML se destaca como a maior produtora mundial de soluções à base de enxofre elementar. Com uma tecnologia de moagem única, capaz de reduzir o enxofre a meros 2 micras, o que garante máxima absorção e eficácia, a empresa indiana oferece um portfólio que redefine o uso do enxofre na nutrição e proteção vegetal. A SML é distribuída pela Seiva do Vale no Vale do São Francisco. Cada necessidade, um produto A SML apresenta três pilares, com diferentes funções, de sua linha baseada em enxofre.O Techno S tem 90% de enxofre elementar, este produto é um potente aliado nutricional e fisiológico. Sua alta dispersão em água e liberação gradual no solo, facilitada pelo tamanho mínimo de suas partículas, assegura um suprimento contínuo de enxofre, auxiliando a planta a lidar com estresses e otimizar processos metabólicos. Já o Techno Z conta com uma combinação que une 70% de enxofre elementar com 15% de óxido de zinco. A sinergia entre os dois elementos provoca estímulos enzimáticos importantes para a brotação, melhor pegamento floral e fortalecimento geral da planta, sendo ideal para fases de pré-florada, brotação e recuperação fisiológica. O terceiro pilar é o Cosavet, que atua no campo da proteção, combatendo ácaros e fungos com 80% de enxofre. Essencial no manejo fitossanitário preventivo, especialmente contra oídio e ácaros, ele permite doses reduzidas, com alta compatibilidade com outros defensivos, sem deixar resíduos. Sua formulação inclui um adjuvante que melhora a aderência e a eficácia na superfície da planta. Estratégias de Aplicação Na cultura da Manga, a SML recomenda aplicações preventivas e contínuas. Programas com cinco aplicações de Techno S em fases chave (pós-poda, indução floral, início e desenvolvimento de frutos e frutificação plena) têm gerado alta produtividade consistente. O enxofre também atua no controle do pH do solo, disponibilizando nutrientes retidos e otimizando o crescimento radicular. Para a Uva, por conta da sua alta sensibilidade ao oídio, o enxofre é um pilar no manejo sanitário. Aplicações preventivas e contínuas em períodos de maior umidade são cruciais. O Techno S é direcionado para o acúmulo de carboidratos e controle de estresse oxidativo em fases pontuais, enquanto o Techno Z, com zinco, é estratégico para o crescimento radicular e estímulo de brotação em fases como o repouso e pós-poda, garantindo cachos mais uniformes, sadios e com maior tempo de prateleira.

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'Se teve algum tipo de desvio, tem que ser apurado', diz ex-secretário de Nunes que assinou contrato com ONG investigada

Publicado em: 01/06/2026 15:18

Ex-secretário de Nunes diz que 'nunca conheceu' dona de ONG investigada e defende apuração de suposto desvio para filme sobre Bolsonaro O deputado federal Bruno Lima (Podemos), que comandava a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia quando a Prefeitura de São Paulo firmou contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), afirmou nesta segunda-feira (1º) que apoia a apuração de suspeitas de desvio de recursos do projeto de instalação de internet gratuita em comunidades da capital para a produção de um filme. "Se teve algum tipo de desvio para fazer filme, tem que ser apurado mesmo", disse o parlamentar à GloboNews. Lima foi secretário municipal até 1º de agosto de 2024, quando deixou o cargo para retomar o mandato na Câmara dos Deputados. À época, era filiado ao Progressistas (PP), partido pelo qual se elegeu em 2022. Em abril deste ano, migrou para o Podemos durante a janela partidária. A ONG, da mesma dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, é investigada por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. A ONG foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda (leia mais abaixo). Deputado Federal Delegado Bruno Lima (Podemos). Divulgação Na entrevista, o deputado também afirmou que nunca teve contato com Karina da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil, organização investigada sob suspeita de utilizar recursos do contrato firmado com a prefeitura para a produção do filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado "Dark Horse" (Azarão, na tradução do inglês). "Não a conheço. Nunca a vi na vida. Se passar na minha frente, não sei quem é", declarou. Segundo ele, as informações reveladas após a divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, e que posteriormente passaram a ser relacionadas ao contrato para instalação de redes wi-fi em comunidades paulistanas, foram recebidas com surpresa. "Defendo o escopo do projeto, que é a instalação da rede wi-fi em favelas da cidade, onde vivem as pessoas que mais precisam deste serviço. Toda a parte contratual foi feita pelo corpo técnico da Secretaria", afirmou. O ex-secretário também negou qualquer vínculo político com o bolsonarismo. "Após o primeiro turno de 2022, tive a coragem de não apoiar Bolsonaro. E continuo não apoiando. Hoje estou em um partido ainda mais neutro [do que o Progressistas]", disse. Mais cedo, em conversa com a reportagem, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou, em sua defesa, que o secretário de Inovação e Tecnologia responsável pela pasta no momento da assinatura do contrato com a ONG era Bruno Lima, delegado de carreira da Polícia Civil. Suspeita de desvio de dinheiro A ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), da mesma dona da produtora do filme sobre Jair Bolsonaro, é investigada por suspeita de fraude e desvio de recursos públicos em um contrato com a Prefeitura de São Paulo no valor de R$ 108 milhões por ano para instalação de wi-fi na cidade. A ONG foi alvo de uma operação da Polícia Civil de São Paulo nesta segunda-feira (1°). O instituto é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora Go UP, que também produz o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intitulado Dark Horse (Azarão, na tradução do inglês). 👉 O contrato com a Prefeitura de São Paulo previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito na periferia até junho de 2025, mas, até hoje, apenas 3.200 foram instalados. Ao menos três aditivos foram assinados mudando a data de entrega total do serviço. Na representação feita à Justiça, a polícia cita as seguintes suspeitas: O Tribunal de Contas do Município apontou ao menos 20 irregularidades graves no edital de chamamento público, como o uso de "critérios genéricos para a escolha de uma organização social sem experiência prévia no setor de telecomunicações" e que, até então, "atuava na promoção de eventos religiosos e literários gospel". Disparidade de custos entre o que a empresa pública municipal Prodam cobrava da Prefeitura de SP (R$ 230 para a implantação de cada ponto de internet e R$ 306 para a manutenção mensal) e o contrato com o ICB, que previa R$ 1.800 por ponto. Durante o período eleitoral de 2024, a instalação dos pontos foi antecipada, mas depois o ritmo de instalação diminuiu. Em contrapartida, diz o inquérito, a prefeitura deveria ter pagado R$ 43 milhões, mas transferiu R$ 69 milhões, resultando em R$ 26 milhões pagos por serviços não prestados. Os "recursos milionários" recebidos pela ONG "teriam sido pulverizados por meio de subcontratações suspeitas com empresas parceiras para escoamento do dinheiro público". "Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo." Contrato de wifi entre ONG de Karina Gama e Prefeitura de SP é alvo de investigação Reprodução Conforme o g1 publicou, tanto a ONG quanto a empresa do filme funcionam oficialmente no mesmo endereço da Avenida Paulista, mas as duas mudaram para a Rua Haddock Lobo, nos Jardins, sem atualização formal nos registros estaduais e federais. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à dona da produtora e também na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, responsável pelo contrato entre a gestão municipal e a ONG. Foram recolhidos computadores, celulares, documentos e notas fiscais na prefeitura e na ONG. Segundo a investigação da 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), o valor do contrato de R$ 108 milhões subiu para R$ 157,1 milhões, com aditivos assinados pela gestão do Prefeito Ricardo Nunes (MDB) e repassados à ONG. O inquérito da Polícia Civil apura se pelo menos R$ 26 milhões desse montante foram usados pela ONG sem a devida prestação do serviço à cidade de Sâo Paulo, o que configuraria possível desvio de recursos públicos. A reportagem do g1 também apontou que a ONG usou ao menos R$ 4 milhões em notas falsas para justificar despesas da entidade. O prefeito Ricardo Nunes disse, por mensagem de WhatsApp, que a gestão municipal está à disposição para auxiliar nas investigações. “Não constatamos nada de irregular no processo, mas estamos a disposição para colaborar, como já vem sendo feito. Se por acaso tiver a identificação de alguma irregularidade obviamente tomaremos todas as providências de forma rigorosa”, afirmou ele à GloboNews. Em nota, a Prefeitura de São Paulo disse que colabora com investigações e que todo o material requisitado na manhã desta segunda já havia sido encaminhado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município. Acrescentou ainda que "o programa funciona normalmente na cidade". (Leia a íntegra da nota ao final.) O g1 procurou a ONG para comentar a operação, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. A empresária Karina Ferreira da Gama, dona da ONG Instituto Conhecer Brasil e da empresa que produz o filme sobre Jair Bolsonaro Montagem/g1/Reprodução/Redes Sociais Valores cobrados acima do mercado Segundo o inquérito da Polícia Civil, “as investigações desenvolvidas apontaram possível cenário de grave comprometimento da lisura administrativa e financeira desde a origem da contratação da organização parceira”. “O primeiro elemento de suspeita reside no próprio direcionamento do chamamento público, o qual contou com a participação exclusiva do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade que, conforme apurado, não ostentava qualquer histórico de atuação, experiência anterior ou capacidade técnica no setor de telecomunicações, limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa”, diz o delegado responsável pela investigação. A polícia também afirma que os valores de mercado cobrado pela ONG para a prestação do serviço estão acima do valor do mercado e das próprias empresas da Prefeitura de São Paulo. “Evidenciou-se flagrante discrepância de valores em comparação com os parâmetros de mercado e contratações pretéritas. Enquanto a Prodam, empresa pública municipal de tecnologia de São Paulo, prestava serviços idênticos pelos custos de R$ 230,00 para implantação por ponto e R$ 306,00 para manutenção mensal por ponto, o acordo firmado com o Instituto Conhecer Brasil estipulou o pagamento fixo mensal de R$ 1.800,00 por ponto de internet instalado, gerando um custo injustificadamente superior para a municipalidade”, declarou. Os investigadores também afirmam que a Secretaria de Inovação e Tecnologia repassou à ONG valores mensais sem a devida instalação dos 5 mil pontos a que foi contratada nos primeiros meses de vigência do contrato. “Embora o cronograma original impusesse a entrega de 5.000 pontos de conectividade até o mês de junho de 2025, a entidade instalou apenas 3.200 pontos. Para ocultar a mora e legitimar o atraso reiterado, foram celebrados três termos aditivos em curtíssimos intervalos de dias”, afirma o documento. O inquérito diz ainda que ficou constatado que a prefeitura antecipação o pagamentos de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação, incluindo repasses superiores a R$ 11 milhões nos meses de julho e agosto de 2024 relativos a 3.200 pontos quando somente seis deles de fato funcionavam no período. A policia diz que o pagamento antecipado constitui irregularidade, mas a Prefeitura de São Paulo afirma que o modelo contratual é de repasse à ONG para depois prestar contas, para que haja recursos para a execução da política pública. O modelo é determinado pela Lei Federal n.º 13.019/2024, marco regulatório nacional para as parcerias com organizações sociais. Sobre o TCM ter apontado irregularidades no edital e na formulação do contrato, a gestão municipal já tinha feito ajustes à época e o próprio tribunal concordou com o prosseguimento do chamamento público normalmente. Notas fiscais canceladas As notas fiscais canceladas apresentadas pela a ONG Instituto Conhecer Brasil à Prefeitura de São Paulo na prestação de contas. Reprodução/PMSP Alem da Polícia Civil, o Instituto Conhecer Brasil (ICB) também é investigado pelo Ministério Público de São Paulo. Em 20 de maio, o g1 publicou uma reportagem dizendo que ao menos R$ 4 milhões em notas canceladas ou para si própria foram apresentados à Prefeitura de SP pela ONG para justificar despesas do contrato. Levantamento feito nas prestações de contas da ONG apontou o uso de notas milionárias canceladas no site da própria prefeitura de junho de 2024 a dezembro de 2025. ➡️ Uma nota fiscal só pode ser cancelada pelo emitente (vendedor ou prestador de serviço), mas a operação deve ser regularizada com a emissão de uma nova para comprovar o devido recolhimento de impostos. A nota fiscal, que detalha o valor exato e a alíquota do imposto correspondente, é a forma que o governo tem de rastrear as operações comerciais e o seu registro é crucial para a fiscalização da Receita Federal. Deixar de emitir nota fiscal é crime de sonegação fiscal. Ao g1, Karina disse desconhecer notas canceladas por fornecedores contratados e que os problemas nas notas fiscais do próprio instituto foram apontadas por ela e "já estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. (Leia mais abaixo.) Já a prefeitura negou que exista alguma irregularidade no contrato e disse que "a execução do contrato para o programa é monitorada rigorosamente e não há nenhuma decisão definitiva ou processo administrativo que aponte a existência de irregularidades estruturais, desvios ou ilegalidades". A gestão Ricardo Nunes também afirmou que o contrato não tem qualquer relação com a produção do filme sobre o ex-presidente. Notas canceladas Um caso envolve a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pela ONG para prestação de serviços. O proprietário é o empresário André Feldman, que aparece nas redes sociais em fotografias ao lado de Karina da Gama, dona e presidente do instituto. Em novembro de 2025, a Complexsys emitiu uma nota fiscal de R$ 2 milhões no sistema da Prefeitura de São Paulo por supostos serviços de verificação e reparo técnico de equipamentos. No entanto, o g1 consultou os registros municipais e constatou que a mesma nota aparece como cancelada no sistema oficial da administração municipal. Segundo os dados da própria prefeitura, o documento foi cancelado no mesmo dia em que foi emitido, em 6 de novembro de 2025. Apesar disso, a nota foi incluída na prestação de contas apresentada por Karina Gama à gestão municipal em fevereiro deste ano. O que diz a Complexsys Por meio de nota, a empresa Complexsys Soluções Integradas Ltda., do empresário André Feldman, relatou que “acompanha com serenidade a investigação atualmente conduzida pelas autoridades competentes e que é mera prestadora de serviços da OSC Instituto Conhecer Brasil”. “Importa registrar que inexistem, até o presente momento, conclusões definitivas aptas a justificar qualquer juízo de responsabilidade em desfavor da empresa a que prestamos serviços técnicos, razão pela qual se impõe a observância dos postulados constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa, do contraditório e da presunção de inocência. A empresa permanece à disposição das autoridades para os esclarecimentos necessários." Emissão de notas do próprio instituto Além das notas de terceiros, a documentação da ONG tem notas emitidas pelo instituto direcionadas para ele mesmo, como se ele tivesse prestado um serviço para si próprio. No levantamento feito pelo g1 na prestação de contas da entidade, há ao menos três notas da empresa que se enquadram nesta situação e somam mais de R$ 1,4 milhão, todas justificando gastos do projeto de wi-fi. Um parecer da Secretaria de Tecnologia da prefeitura, datado de 26 de fevereiro de 2026 e assinado pelos diretores Marcia Soares de Sousa e João Paulo Santana de Jesus, aponta que o instituto não poderia emitir notas para si mesmo e tampouco devolveu os valores irregulares apontados nas prestações de contas. “Notas fiscais consideradas indevidas; pois a instituição não pode emitir nota para si própria”, diz o parecer, que aponta, ainda, que há pelo menos R$ 925 mil em pagamentos em duplicidade declarados pela ONG na comprovação das despesas. Parecer da secretaria de Inovação e Tecnologia apontando irregularidades nas prestações de conta da ONG. Reprodução/PMSP “Verifica-se que a Organização da Sociedade Civil não promoveu a restituição integral dos valores glosados dentro do exercício analisado, tampouco sanou todas as inconformidades apontadas pela área técnica SMIT/CID/DFD, em descumprimento às disposições da Lei nº 13.019/2014 e do Decreto Municipal nº 57.575/2016. A permanência de valores expressivos pendentes de devolução caracteriza irregularidade grave na execução financeira da parceria, comprometendo a regularidade da prestação de contas”, diz o parecer de fevereiro de 2026. Apesar das inconformidades apontadas pelo parecer, os diretores da pasta e o secretário de Tecnologia, Humberto de Alencar, optaram por “aprovar a prestação de contas da entidade com ressalvas, condicionada à restituição integral dos valores glosados e pendentes, no montante total de R$ 930.256,87”. Por meio de nota enviada à época, a gestão Ricardo Nunes afirmou que a empresa devolveu integralmente os R$ 930 mil e que, por isso, teve o contrato renovado para a instalação dos demais 1.800 pontos de wi-fi que ainda faltam do contrato. Nota de R$ 199,4 mil da empresa cearense JR Feijão Ltda, canceladas no site do governo de SP mas usadas na prestação de contas da ONG. Reprodução/PMSP Faturas Em 2024, a ONG contratou a empresa Make One Tecnologia Digital Ltda. para locação de equipamentos eletrônicos. Em vez de notas fiscais, apresentou quatro faturas para justificar despesas de R$ 8,5 milhões, como permite a lei. Chama atenção também elas terem números sequenciais e, pelo menos três delas, terem sido emitidas no mesmo dia, com a mesma data de vencimento, mas com valores diferentes. As faturas da Make One Tecnologia Digital Ltda, sem valor fiscal, apresentadas na prestação de contas da a ONG Instituto Conhecer Brasil. Reprodução/PMSP No sistema da prefeitura, a reportagem encontrou notas fiscais da mesma Make One para o serviço de aluguel e manutenção de equipamentos, mas justificando serviços para a Prodam, a empresa de processamento de dados da própria prefeitura. Nesse caso da Prodam, a fatura remete ao número da nota fiscal, com o código de verificação no site da prefeitura, com todas as informações fiscais sobre o recolhimento de impostos municipais. Segundo o advogado tributarista Marcelo John, do escritório Benedito Torres Advogados, de fato, não há necessidade de emissão de nota fiscal em locação de bens móveis, já que o Imposto Sobre Serviço (ISS) não incide nesse caso. A emissão de fatura ou recibo já é suficiente. De qualquer forma, a atividade deve ser tributada por outras fontes, como imposto de renda, contribuição sobre o lucro, PIS e COFINS. O especialista disse que, dependendo da atividade realizada por ONGs, não há necessidade de emissão de nota fiscal. Contudo, em algumas operações, especialmente quando não há obrigação legal de emissão de nota fiscal de serviços, a fatura, o recibo, o contrato e o comprovante de pagamento podem servir como elementos de comprovação da despesa. No caso mencionado pela reportagem, a discussão está relacionada ao enquadramento da operação como locação pura de bens móveis, hipótese em que a emissão de nota fiscal de serviços não seria exigida, ou se havia também prestação de serviços agregada, hipótese em que a emissão de nota fiscal seria necessária." Em relação à sequência de emissão das faturas, o advogado afirmou que não se trata de uma prática comum, já que o ideal é emitir notas na medida em que o serviço é prestado, sem deixar acumular. "Não é necessariamente ilegal que faturas tenham numeração sequencial, mesma data de emissão ou mesmo vencimento e valores diferentes. Isso pode ocorrer, por exemplo, quando uma empresa consolida cobranças de períodos distintos, de contratos diferentes, de itens diferentes ou de medições acumuladas. No entanto, cada fatura precisa ter lastro claro: contrato, período de referência, objeto, critério de cálculo, comprovação de entrega ou disponibilização dos bens e efetivo pagamento. Apesar disso, em casos de prestação de contas com recursos públicos, esse tipo de procedimento deve ser mais cauteloso. Faturas sequenciais, emitidas no mesmo dia, com mesmo vencimento e valores distintos não provam, por si só, irregularidade, mas podem ser um indício que justifica verificação mais rigorosa: se houve acumulação artificial de cobranças, se os bens foram efetivamente locados, se os valores correspondem ao contrato, se houve pagamento regular, se o emitente estava tentando ocultar alguma informação e se a despesa está vinculada ao objeto público financiado. Vale frisar que, em contratos públicos, a regularidade não depende apenas de existir um documento de cobrança, mas de esse documento demonstrar, com segurança, que a despesa foi real, pertinente, compatível com o objeto contratado e regularmente paga", diz John. Em 2027, no entanto, a regra vai mudar. "A partir do período de transição do novo sistema tributário, com efeitos práticos em 2027, a locação passa a ser alcançada pelo novo modelo de tributação sobre consumo, embora isso não signifique dizer que ela passará a ser serviço para fins de ISS. São regimes distintos: o ISS continua não incidindo sobre locação pura de bens móveis até a extinção definitiva desse tributo, mas IBS/CBS irão incidir", diz o advogado. LEIA MAIS: Vorcaro bancou mais de 90% do orçamento de filme sobre Jair Bolsonaro MP investiga contrato de R$ 108 milhões de wi-fi público da Prefeitura de SP com ONG Deputados de PL e PT em SP destinaram mais de R$ 700 mil a entidades ligadas à produtora de filme O empresário André Feldman, dono da Complexsys Soluções Integradas Ltda, que emitiu nota e cancelou em favor do instituto de Karina da Gama. Reprodução/Redes Sociais Karina e a campanha de Frias A empresária também mantém relações políticas com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2022, Karina prestou serviços de consultoria para a campanha a deputado de Mário Frias. Pelo serviço, uma das várias empresas dela, a GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural Ltda., ganhou R$ 54 mil da campanha do político. A empresa funciona no mesmo endereço e na mesma sala da ONG e da produtora de cinema quer pertencem à jornalista, na Avenida Paulista, Centro de São Paulo. Ao g1, Karina confirmou que participou da campanha de 2022 (leia mais abaixo). Karina da Gama aparece na diplomação do deputado Mário Frias (PL), em dezembro de 2022, e é chamada de 'equipe' pela esposa dos parlamentar nas redes sociais. Reprodução/Redes Sociais Nas redes sociais, a esposa do deputado, Juliana Frias, postou fotos da família ao lado de Karina Gama no dia da diplomação do parlamentar. Na legenda da foto, a esposa diz que tinha orgulho do marido e da "equipe" responsável pela sua eleição. O deputado do PL também destinou, via emendas parlamentares, cerca de R$ 2 milhões para o Instituto Conhecer Brasil, de Karina Gama. A transação está em investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de falta de transparência, que dificultaria a rastreabilidade dos recursos. O g1 procurou a equipe de Mário Frias para comentar a relação entre ele e Karina, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem. Contrato sob suspeita Além das inconsistências fiscais, o g1 identificou problemas também em um contrato de R$ 12 milhões da ONG de Karina com a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. O dono da empresa é o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, que está preso desde fevereiro acusado de feminicídio da companheira. No primeiro contrato assinado com a ONG, o nome do empresário como representante da companhia aparece apenas como Alex, sem sobrenome, CPF ou identidade. A empresa foi responsável por instalar mais de 900 pontos de internet nas favelas da cidade, segundo a prestação de contas do Instituto Conhecer Brasil, recebendo mais de R$ 2 milhões, segundo as notas apresentadas para a Prefeitura de São Paulo pela entidade até o final de dezembro de 2025. A denúncia sobre este contrato foi feita pelos portais "The Intercept Brasil" e "Metrópoles" em dezembro de 2025, quando Bispo ainda estava sob investigação pela Polícia Civil sobre o suposto feminicídio. Contrato entre a Ong Instituto Conhecer Brasil e a empresa Favelas Conectadas. Reprodução/PMSP/ICB Após a denúncia, em janeiro, a empresa Favela Conectada deixou de ter Alex Leandro como sócio único e passou para o controle de Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, segundo o registro da Junta Comercial Comercial de SP (Jucesp). Tatiane mora no mesmo endereço de Alex, na Rua Ernesto Paglia, na região do Butantã, Zona Oeste de São Paulo. O g1 não localizou a defesa do empresário. Homem é preso suspeito de jogar mulher do 10º andar de prédio em SP Em conversa com o g1, Karina afirmou que não reconhece o contrato assinado por ela e por um Alex não identificado. Ela levantou a hipótese de o contrato ter sido fraudado e entregue à reportagem por algum desafeto da empresa dela, como o ex-marido. Porém, o g1 teve acesso ao documento a partir do drive em que a própria Karina inclui comprovantes de despesas para prestar contas à prefeitura. Pelo registro do Google Drive, foi ela mesma quem incluiu o contrato para a fiscalização dos técnicos da Prefeitura de São Paulo. O que diz Karina Gama Drive onde Karina da Gama disponibilizou o contrato de R$ 12 milhões com o Favelas Conectadas, que ela disse ao g1 que foi fraudado. Reprodução/PMSP Em conversa com o g1 por telefone, ela afirmou que desconhece as notas mencionadas nesta reportagem, "mas não tem controle se um fornecedor contratado anula uma nota. As notas fiscais do próprio instituto glosadas, fui eu mesma que apontei para a prefeitura os problemas, e eles estão sendo resolvidos na prestação de contas que estou preparando para entregar do bimestre”. Karina disse que, depois da saída de Alex Bispo da sociedade da empresa, um novo contrato aditivo foi feito com a nova dona do Favelas Conectadas, uma vez que o ex-dono não podia mais responder pela instalação dos pontos, já que está preso. Karina informou, ainda, que a ONG e as três firmas que estão no nome dela funcionam no mesmo endereço para que possa “manter o controle sobre as empresas”. O que diz a gestão Nunes "A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido disponibilizado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público, por meio da prestação de contas do município. A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://wifilivrecomunidades.org/sp. Por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade. A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações, está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Município (TCM). A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022, de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês". Karina da Gama é recebida pelo Prefeito Ricardo Nunes (MDB), em visita na sede da Prefeitura de SP, no Centro. Reprodução/Redes Sociais O que diz o MP O MP investiga os contratos da ONG em duas frentes: na Promotoria Patrimonial e também na Criminal. Em nota, a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital, informou que "há um inquérito civil em andamento para apurar eventuais irregularidades no Termo de Colaboração n. 01/SMIT/2024, firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia e Instituto Conhecer Brasil, cujo objeto consiste na implantação, operação e manutenção de 5.000 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, pelo prazo de 12 meses". A promotoria diz ainda que há "notícia de: A) suposto direcionamento do chamamento público anterior; B) ausência de justificativa técnica ou econômica para o ajuste com organização da sociedade civil; C) celebração de três aditamentos contratuais em sequência, com intervalos de pouquíssimos dias entre a sua solicitação e a efetiva formalização; e D) repasses financeiros originalmente previstos para fases posteriores do ajuste e referentes a serviços ainda não implantados".

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Loteamento clandestino é interditado por ameaçar captação de água e energia elétrica em Uberlândia

Publicado em: 01/06/2026 15:14

Loteamento clandestino é interditado em área de preservação em Uberlândia Um loteamento clandestino instalado em uma área de preservação ambiental de Uberlândia foi interditado na tarde de sábado (30), em uma operação integrada de órgãos públicos, desencadeada para impedir a expansão da ocupação irregular e evitar prejuízos ao abastecimento de água e à geração de energia da cidade. Segundo monitoramentos e relatórios do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) e do Consórcio Capim Branco Energia (CCBE), o avanço da ocupação já provocava impactos ambientais, sanitários e operacionais em uma área considerada estratégica para a captação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Capim Branco e do dique da usina hidrelétrica Amador Aguiar 1. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp A Prefeitura de Uberlândia informou que, com base nos resultados da intervenção, serão adotadas medidas jurídicas contra o proprietário para impedir que a área volte a receber ocupantes por meio do comércio ilegal de lotes. Prejuízos ao meio ambiente O relatório do Dmae aponta que a ausência de infraestrutura de esgotamento sanitário em áreas ocupadas irregularmente próximas ao reservatório representa um risco para a qualidade da água. Segundo o documento, o lançamento de efluentes domésticos favorece a eutrofização do manancial, estimulando a proliferação de algas, cianobactérias, macrófitas e do mexilhão-dourado, organismos que podem comprometer a eficiência do tratamento realizado na ETA. O estudo também alerta para os impactos causados pelo uso recreativo do reservatório. A presença de embarcações e banhistas pode resultar no lançamento de combustíveis, óleos, resíduos sólidos e outros contaminantes na água, aumentando os custos operacionais do tratamento e, em situações mais graves, provocando a interrupção da captação. Entre as consequências apontadas estão o maior consumo de produtos químicos, desgaste de equipamentos, aumento da geração de lodo e risco de descumprimento dos padrões de potabilidade. O documento destaca ainda que a deterioração contínua da qualidade da água poderá exigir investimentos elevados em novas tecnologias de tratamento. Local se identificava como associação de proteção ambiental Segundo o delegado da Polícia Civil, Daniel Azevedo, o grupo investigado teria adquirido a propriedade rural e, sem autorização dos órgãos ambientais e comunicação ao município, parcelado o solo e comercializado lotes de forma irregular. Ainda segundo o delegado, parte dos compradores teria sido enganada por falsas promessas, enquanto os responsáveis tentavam dissimular a natureza criminosa da ocupação com a criação de uma associação de proteção ambiental. “Temos mais crimes do que pensávamos. Encontramos uma rede de derivação elétrica gigantesca, mais de 50 pontos de terrenos clandestinos, que vão resultar em novas passos para a nossa investigação", disse o delegado. Conforme a Polícia Civil, não houve prisões durante a operação de sábado. A ação foi concentrada na realização de perícias, no levantamento da extensão dos danos já causados e na interdição da área. No entanto, o delegado também alertou que, com a interdição agora formalizada, qualquer tentativa de retorno ao local poderá configurar crime de desobediência, com possibilidade de prisão em flagrante. Área interditada Capim Branco Defesa Civil/ Divulgação Ministério Público De acordo com o Coronel Fernando Reis, Secretário de Segurança Integrada de Uberlândia, no local foram identificados além dos parcelamentos de lotes clandestinos, a abertura de vias informais, a rede elétrica e a ausência de estrutura sanitária. Com a interdição, será elaborado um auto de interdição e um laudo de vistoria. A partir disso, ficam proibidas novas edificações, abertura de vias e qualquer avanço da ocupação, sob pena de responsabilização. Também será estabelecido um prazo para que os ocupantes retirem pertences, animais e materiais de construção do local. Todos os documentos produzidos pelos órgãos envolvidos na ação serão encaminhados à Procuradoria-Geral do Município de Uberlândia e, posteriormente, ao Ministério Público. Segundo a administração municipal, haverá uma reunião na próxima semana para discutir os desdobramentos da operação e definir as estratégias necessárias para garantir a manutenção da interdição, a futura desocupação da área e, posteriormente, a demolição das edificações erguidas irregularmente. *Estagiária sob supervisão de Adreana Oliveira LEIA TAMBÉM: Parque do Sabiá em Uberlândia: horários, atrações e curiosidades do maior espaço público de lazer da cidade Parque do Mirante, de Uberaba, tem a melhor vista da cidade Área em que foi localizado o loteamento ilegal na região da ETA Capim Branco Defesa Civil/Divulgação VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

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Homem é preso em flagrante suspeito de armazenar arquivos de abuso sexual infantojuvenil em Votuporanga

Publicado em: 01/06/2026 15:11

Investigadores da Delegacia da Mulher conduzem preso homem suspeito de armazenar e compartilhar conteúdo de abuso sexual infantil: policiais encontraram material em dispositivos de propriedade do suspeito, que foram apreendidos Fotos: Arquivo pessoal Um homem foi preso em flagrante nesta segunda-feira (1º) em Votuporanga (SP) suspeito de envolvimento em crimes relacionados ao armazenamento e à circulação de imagens de abuso sexual infantojuvenil na internet. O cumprimento do mandado judicial de busca e apreensão foi realizado por equipes da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) com apoio da Unidade de Inteligência Policial do Departamento de Polícia Judiciária do Interior (Deinter-5). 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp Durante a operação, os policiais apreenderam dispositivos eletrônicos utilizados pelo investigado. Segundo a Polícia Civil, uma análise preliminar do material levou à localização de arquivos compatíveis com cenas de abuso sexual de crianças e adolescentes. Em virtude da suspeita, o homem foi autuado em flagrante. Tecnologia de compartilhamento direto De acordo com a investigação, foram identificados no conteúdo apreendido indícios de utilização do aplicativo de compartilhamento de arquivos eMule, que opera por meio da tecnologia peer-to-peer (P2P), além de um aplicativo de mensagens. 🔎 A tecnologia P2P (peer-to-peer, ou "ponto a ponto") é uma arquitetura de rede em que os computadores ou dispositivos conectados (chamados de "nós" ou peers) funcionam simultaneamente como clientes e servidores. Isso elimina a necessidade de um servidor central, permitindo que dados e serviços sejam compartilhados diretamente entre os usuários. Os arquivos encontrados estavam armazenados em pastas específicas da plataforma de compartilhamento, incluindo conteúdos já baixados e outros ainda em processo de transferência. Ainda conforme a polícia, os exames iniciais apontaram a existência de diversos arquivos previamente excluídos dos dispositivos. Initial plugin text Questionado pelos investigadores, o suspeito afirmou que a exclusão desse tipo de conteúdo seria uma prática comum entre usuários envolvidos com o compartilhamento de material ilícito, com o objetivo de dificultar a obtenção de provas pelas autoridades. Segundo a DDM, os elementos encontrados indicam, em tese, não apenas a posse dos arquivos, mas também sinais de obtenção contínua e possível compartilhamento por meio da rede P2P. A extensão da atividade será apurada por perícia especializada nos equipamentos apreendidos, informou a delegacia. As investigações prosseguem para identificar possíveis vínculos do suspeito com grupos virtuais voltados à troca de material de abuso sexual infantil. Vídeos em alta no g1 Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

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Hominíneos podem ter levado fogo para o interior de caverna há até 1,8 milhão de anos, sugere estudo

Publicado em: 01/06/2026 15:00

Fundo da caverna Wonderwerk R. Yates/Divulgação Pesquisadores encontraram novas evidências de que hominíneos podem ter levado fogo para o interior da Caverna Wonderwerk, na África do Sul, entre 1,07 milhão e 1,79 milhão de anos atrás. Se a interpretação estiver correta, o achado ampliaria em centenas de milhares de anos a cronologia de um dos mais antigos registros conhecidos de uso do fogo associado a ancestrais humanos. O estudo, publicado nesta segunda-feira (1º) na revista científica PLOS One, analisou fósseis encontrados em camadas profundas da caverna e identificou sinais repetidos de combustão em depósitos atribuídos ao início do Achelense, período marcado pelo surgimento das primeiras ferramentas de pedra mais elaboradas. Os autores argumentam que os resultados indicam episódios recorrentes de queima associados à presença de hominíneos, provavelmente representantes do Homo erectus. No entanto, especialistas que não participaram da pesquisa afirmam que ainda faltam evidências diretas para confirmar que os incêndios foram provocados ou controlados pelos ancestrais humanos. ❓Hominíneos x hominídeos - Os cientistas usam o termo hominíneos para designar os seres humanos e seus ancestrais evolutivos mais próximos. Já hominídeos é uma categoria mais ampla, que inclui também chimpanzés, gorilas e orangotangos. Agora no g1 O que muda em relação ao que já se sabia? A Caverna Wonderwerk já ocupava um lugar central nas pesquisas sobre a origem do uso do fogo. 🔥 Domínio do fogo - Apesar da importância do fogo para a evolução humana, ainda não há consenso sobre quando os ancestrais humanos começaram a utilizá-lo de forma regular. A maioria dos pesquisadores concorda que evidências robustas de uso recorrente do fogo aparecem há cerca de 1 milhão de anos, incluindo achados na própria Caverna Wonderwerk, na África do Sul. Já a capacidade de produzir fogo deliberadamente — e não apenas aproveitar chamas originadas por incêndios naturais — provavelmente surgiu muito mais tarde e continua sendo um dos temas mais debatidos da paleoantropologia. Em 2012, outro estudo encontrou no chamado Estrato 10 da Caverna Wonderwerk , datado de cerca de 1 milhão de anos, um conjunto considerado robusto de evidências de fogo: ossos queimados, ferramentas de pedra alteradas pelo calor, sedimentos queimados e cinzas preservadas no local. A nova pesquisa identificou sinais de combustão também no Estrato 11, uma camada mais antiga, datada entre 1,79 milhão e 1,07 milhão de anos. Segundo os autores, isso sugere que hominíneos já utilizavam fogo na caverna muito antes do que indicavam as evidências mais aceitas até agora. Um dos principais argumentos da equipe é a localização dos materiais queimados. Os fósseis foram encontrados em áreas que ficavam cerca de 30 metros para dentro da caverna quando foram depositados, o que reduz a probabilidade de que incêndios naturais tenham alcançado o local por acaso. Além disso, sinais de combustão aparecem em diferentes camadas arqueológicas, separadas por dezenas de milhares de anos, o que sugere episódios repetidos de fogo. Como os pesquisadores chegaram a essa conclusão Um dos desafios dos estudos sobre fogo na pré-história é distinguir materiais realmente queimados de fósseis alterados por processos naturais ao longo do tempo. Tradicionalmente, pesquisadores observam mudanças de cor em ossos e sedimentos. O problema é que depósitos minerais podem escurecer fósseis e imitar os efeitos da carbonização, enquanto alterações químicas posteriores podem produzir tons claros semelhantes aos observados em materiais submetidos a altas temperaturas. Para contornar essa limitação, a equipe desenvolveu um método baseado na luminescência dos ossos. Os pesquisadores iluminaram os fósseis com luz azul e os observaram através de filtros especiais. Ossos queimados emitiam uma luminescência avermelhada característica, enquanto os não queimados não apresentavam a mesma resposta. Os resultados foram comparados com análises por espectroscopia de infravermelho por transformada de Fourier (FTIR), uma das técnicas mais utilizadas para identificar alterações térmicas em materiais arqueológicos. Segundo os autores, houve forte concordância entre os dois métodos. A técnica também foi testada em fósseis de um sítio arqueológico na Espanha e em ossos modernos queimados experimentalmente. Especialistas veem avanço metodológico, mas pedem cautela Para Juan Manuel Jiménez Arenas, pesquisador da Universidade de Granada que não participou do estudo, a principal contribuição do trabalho é justamente a nova metodologia. Segundo ele, o protocolo baseado em luminescência representa um avanço importante para identificar ossos queimados em contextos arqueológicos muito antigos. "O impacto metodológico do artigo é inquestionável", afirmou. Por outro lado, Arenas considera que ainda existem dúvidas sobre a origem dos incêndios identificados na caverna. Na avaliação do pesquisador, os resultados mostram que houve fogo no local, mas não demonstram diretamente que os hominíneos tenham sido responsáveis por sua produção ou utilização. Ele observa que a hipótese apresentada pelos autores é que os ancestrais humanos teriam levado para dentro da caverna fogo obtido a partir de incêndios naturais ocorridos no ambiente externo. "Para uma mudança tão importante na interpretação da pré-história, seriam desejáveis evidências diretas mais contundentes", avaliou. Avaliação semelhante foi feita por Aitor Burguet-Coca, pesquisador do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (IPHES-CERCA), especializado em arqueologia do fogo. Segundo ele, o estudo oferece uma hipótese relevante para compreender os primeiros usos oportunistas do fogo, mas evidências indiretas como essas costumam gerar debate na comunidade científica. "Será necessário esperar por novos resultados que permitam identificar esse uso do fogo por abordagens mais diretas", afirmou. Fogo, mas não necessariamente cozimento Os autores destacam que o fogo desempenhou papel central na evolução humana ao fornecer calor, proteção contra predadores e ampliar o tempo disponível para atividades após o pôr do sol. Ao longo da evolução, o domínio do fogo também esteve associado ao cozimento de alimentos, ao aumento da eficiência energética da dieta e, possivelmente, ao desenvolvimento cerebral. No entanto, os pesquisadores ressaltam que a Caverna Wonderwerk não apresenta evidências de cozimento. A interpretação proposta pelo estudo é mais modesta: a de que hominíneos do início do Achelense podem ter transportado fogo obtido em incêndios naturais para dentro da caverna e o utilizado de forma recorrente. Se confirmada por futuras pesquisas, a descoberta ajudaria a aproximar a origem do uso do fogo de outro marco importante da evolução humana: o surgimento das primeiras tecnologias achelenses, associadas ao Homo erectus.

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IA chega aos cupons de desconto e ajuda brasileiros a economizar de verdade

Publicado em: 01/06/2026 14:45

Em um cenário em que cada centavo conta no orçamento do brasileiro, recorrer a cupons de desconto deixou de ser apenas uma estratégia de quem gosta de pesquisar e virou hábito de milhões de pessoas. Seja para a compra de eletrônicos, beleza, supermercado ou moda, o reflexo é o mesmo: antes de finalizar o pedido, o consumidor abre uma nova aba e procura por um código promocional que reduza um pouco o valor final. O problema é que boa parte desses códigos espalhados pela internet simplesmente não funcionam. Cupons antigos, regras escondidas, ofertas válidas apenas para novos clientes e até golpes fazem com que a busca por economia muitas vezes termine em frustração e, em alguns casos, coloque em risco os dados do consumidor. É justamente nesse ponto que entra o trabalho do AdoroCupom, um dos maiores sites de cupons do Brasil, que passou a usar inteligência artificial para mudar essa lógica. IA que encontra e valida cupons em tempo real A proposta é simples: em vez de depender apenas de cadastros manuais, a tecnologia aplicada pela equipe varre as lojas parceiras, identifica novas promoções, testa códigos e descarta automaticamente aqueles que estão expirados ou com regras pouco claras. O resultado é uma vitrine mais confiável para quem está com o carrinho aberto e quer fechar a compra. “A IA ajuda a encontrar e validar de maneira automática os cupons que realmente funcionam. Antes, esse era um trabalho 100% manual, sujeito a erros e demora. Hoje, conseguimos entregar para o usuário um desconto que tem muito mais chance de ser aplicado já no carrinho.”, comenta José Felipe, especialista em cupons e fundador do Adoro Cupom. Quando a IA também ajuda outras IAs A ascensão da inteligência artificial também está mudando a forma como consumidores encontram cupons e ofertas. Com a popularização de assistentes como ChatGPT, Gemini e Perplexity, milhões de brasileiros passaram a pedir recomendações de cupons e ofertas diretamente para essas ferramentas. E elas, por sua vez, precisam consumir de fontes confiáveis para responder bem, caso contrário, devolvem códigos vencidos ou inventados. “Estamos vendo um movimento novo: as próprias IAs também usam o nosso conteúdo para sugerir cupons aos usuários. Por sermos um dos maiores sites de cupons do Brasil e termos um processo automatizado de validação, viramos uma fonte recorrente para essas ferramentas. No fim das contas, ao melhorar a qualidade dos nossos cupons, ajudamos também a melhorar a recomendação que o brasileiro recebe em qualquer assistente que ele use”, finaliza José Felipe da Silva. Como aproveitar melhor os cupons no dia a dia Para o consumidor, a recomendação dos especialistas é simples: tornar a busca por cupons parte da rotina de compras, e não um esforço reservado apenas para datas promocionais como Black Friday ou Dia das Mães. Antes de finalizar qualquer pedido, vale conferir se existe um código ativo no AdoroCupom para a loja escolhida, seja um cupom da Shein para compras de moda ou um cupom do Mercado Livre em eletrônicos. Outra dica importante é prestar atenção às regras de cada cupom: valor mínimo de compra, categorias de produto incluídas, formas de pagamento aceitas e validade. Apesar da automação na validação, é o consumidor quem decide qual desconto faz mais sentido para o seu carrinho, e a leitura rápida das condições continua sendo o passo que separa quem economiza de quem se decepciona no checkout. Em um país onde a inflação corrói o poder de compra e o consumidor precisa equilibrar contas mês a mês, transformar a busca por descontos em um processo rápido, automático e confiável virou uma forma concreta de economizar. E com a inteligência artificial assumindo parte desse trabalho, a tendência é que esse hábito fique cada vez mais simples, e cada vez mais comum entre os brasileiros. Confira os cupons e ofertas disponíveis no AdoroCupom e descubra como tornar suas compras online mais econômicas.

UFMT cai 33 posições em ranking das melhores universidades do mundo

Publicado em: 01/06/2026 14:29

45 universidades brasileiras caem em ranking das melhores do mundo A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) caiu 33 posições no ranking das melhores universidades do mundo, divulgado pelo Centro para Rankings Universitários Mundiais (CWUR), nesta segunda-feira (1º). A instituição está entre as 15 universidades brasileiras que mais perderam posições em 2026 em comparação com o ano passado. A nível global, a UFMT passou a ocupar a 1.778ª das melhores. Já no ranking nacional, ocupa a 43ª colocação. O g1 entrou em contato com a UFMT, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp A queda da universidade mato-grossense acompanha uma tendência observada em todo o Brasil. Das 52 instituições brasileiras presentes na lista, 45 registraram recuo em relação ao ano anterior. Segundo o CWUR, 87% das universidades brasileiras avaliadas perderam posições no ranking de 2026. O ranking é elaborado a partir de indicadores relacionados à qualidade da educação, empregabilidade dos ex-alunos, excelência do corpo docente e desempenho em pesquisa científica, sendo considerado um dos principais levantamentos internacionais de avaliação do ensino superior. De acordo com a organização, o desempenho está relacionado principalmente à queda nos indicadores de pesquisa e ao aumento da competitividade internacional. Universidades de outros países, beneficiadas por maiores investimentos em ciência e tecnologia, avançaram na classificação e ampliaram a distância em relação às instituições brasileiras. As melhores Apesar da retração generalizada, a Universidade de São Paulo (USP) manteve-se como a instituição brasileira mais bem colocada no ranking, embora tenha perdido uma posição em comparação com a edição anterior. No cenário mundial, a Universidade Harvard lidera a classificação pelo 15º ano consecutivo. Em seguida aparecem o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e a Universidade Stanford, que ocupam a segunda e a terceira posições, respectivamente. Campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) Reprodução

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Dona do Claude, IA rival do ChatGPT, faz pedido confidencial para IPO nos EUA

Publicado em: 01/06/2026 14:18

Claude Logotipo Reprodução A empresa norte-americana de inteligência artificial Anthropic, criadora do chatbot Claude, informou nesta segunda-feira (1º) que protocolou de forma confidencial um pedido de abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos. A companhia não divulgou o tamanho nem os termos da oferta. No fim de maio, a Anthropic levantou US$ 65 bilhões em uma rodada de investimento, atingindo uma avaliação de mercado de US$ 965 bilhões — valor que a colocou à frente da rival OpenAI. Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo Essa avaliação mais do que dobrou em relação aos US$ 380 bilhões registrados em fevereiro, quando a empresa captou US$ 30 bilhões em outra rodada de financiamento. A rápida valorização da empresa no início de 2026 abalou os mercados e levou à venda de ações de companhias de software e tecnologia da informação. Veja os vídeos em alta no g1 Agora no g1 Investidores demonstram preocupação de que ferramentas de IA cada vez mais autônomas possam pressionar modelos de negócios tradicionais e acelerar mudanças em diversos setores. A OpenAI também se prepara para um pedido confidencial de IPO nos EUA nas próximas semanas, segundo uma fonte ouvida pela Reuters no fim de maio. Com uma sequência de grandes empresas se aproximando do mercado de capitais, companhias como a SpaceX e outras gigantes de tecnologia disputam um volume limitado de recursos de investidores. A eventual listagem da Anthropic deve se tornar uma das mais relevantes dos últimos anos, com potencial para influenciar índices de referência, fluxos de investimento e o cenário das bolsas norte-americanas. Com valuation próximo de US$ 1 trilhão, a empresa poderia passar a integrar o grupo mais alto de companhias listadas nos EUA, ao lado de nomes que dominam o mercado acionário global.