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Nobel de Química 2025: cientistas que criaram materiais capazes de capturar poluentes e armazenar gases

Publicado em: 08/10/2025 06:48

Vencedores do Nobel de Química são Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi Reprodução/Nobel Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi são os ganhadores do Prêmio Nobel 2025 em Química, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta quarta-feira (8). Os três cientistas dividirão igualmente o prêmio, que totaliza 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, conhecidas como MOFs (metal-organic frameworks) — materiais ultraporosos capazes de capturar, armazenar e separar moléculas em nível atômico (entenda mais abaixo). A descoberta Imagine uma esponja, só que feita de átomos. É assim que funcionam os metal-organic frameworks (MOFs). Cada estrutura é composta por íons metálicos (como cobre, zinco ou cobalto) ligados a longas cadeias orgânicas que formam um cristal com inúmeros poros microscópicos. Esses “buracos” são tão pequenos e organizados que permitem capturar gases, armazenar energia ou separar moléculas específicas — uma espécie de “engenharia de espaços vazios” dentro da química. Os MOFs são tão porosos que alguns gramas do material têm área interna equivalente a um campo de futebol. Isso significa que eles conseguem absorver quantidades imensas de gás ou vapor em comparação com outros materiais. “Essas estruturas têm um potencial enorme, criando possibilidades inéditas de materiais sob medida com novas funções”, explicou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química. Da teoria ao impacto prático A pesquisa começou ainda nos anos 1980, quando Richard Robson percebeu que poderia usar a atração natural entre íons metálicos e moléculas orgânicas para criar cristais com cavidades internas. Mais tarde, Susumu Kitagawa, da Universidade de Kyoto, mostrou que esses materiais podiam ser estáveis e flexíveis — capazes de absorver e liberar gases sem se desmanchar. Já Omar Yaghi, da Universidade da Califórnia em Berkeley, desenvolveu versões ultrarresistentes, como o MOF-5, que permanece intacto mesmo a 300 °C e pode ser moldado conforme a necessidade do uso. Foi Yaghi quem também demonstrou uma das aplicações mais emblemáticas: extrair água do ar do deserto. Seu grupo criou um material que, durante a noite, captura vapor d’água e, ao amanhecer, libera o líquido quando é aquecido pela luz do sol. Onde isso aparece na vida real Embora ainda sejam estudados principalmente em laboratório, os MOFs já têm aplicações reais e promissoras: Captura de CO₂ em fábricas e usinas, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa; Purificação de água, com materiais que retêm poluentes como PFAS e restos de medicamentos; Armazenamento de hidrogênio, que pode servir como combustível limpo; Controle de amadurecimento de frutas, ao absorver o gás etileno; Produção de chips e semicondutores, onde são usados para conter ou neutralizar gases tóxicos. “Salas” para a química do futuro Desde as descobertas originais, cientistas do mundo todo já criaram dezenas de milhares de variações de MOFs — cada uma com propriedades específicas para resolver desafios diferentes. Por isso, há quem veja esses materiais como “o material do século XXI”, com potencial para transformar desde o combate às mudanças climáticas até a criação de medicamentos e baterias mais eficientes. Com os “novos cômodos” criados dentro das moléculas, Kitagawa, Robson e Yaghi ajudaram a abrir espaço — literalmente — para que a química encontre novas soluções para os grandes problemas da humanidade. Os ganhadores em 2024 O Nobel de Química de 2024 reconheceu David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper por decifrarem os segredos das proteínas — moléculas essenciais à vida — com a ajuda da inteligência artificial (IA) e da computação de alto desempenho. Baker, professor na Universidade de Washington (EUA), foi premiado por desenvolver o design computacional de proteínas, processo que permite criar moléculas inéditas com funções específicas, usadas em medicamentos e vacinas. Hassabis e Jumper, por sua vez, foram reconhecidos por criarem o AlphaFold2, modelo de IA da Google DeepMind que solucionou um desafio de 50 anos: prever a forma tridimensional das proteínas a partir de suas sequências de aminoácidos. “Os químicos há muito sonham em entender e dominar completamente as ferramentas químicas da vida — as proteínas. E esse sonho agora está ao nosso alcance”, afirmou o comitê do Nobel na época. Uma revolução para a biologia e a medicina As descobertas de Baker, Hassabis e Jumper redefiniram o estudo das proteínas, abrindo novas fronteiras para a criação de remédios, vacinas, nanomateriais e sensores. Antes dessas técnicas, determinar a estrutura 3D das proteínas exigia métodos experimentais lentos e caros, como cristalografia e ressonância magnética nuclear. Agora, com o AlphaFold2, é possível prever rapidamente a forma de milhões de proteínas — ferramenta já usada em mais de 190 países por cientistas que estudam doenças e buscam novos tratamentos. O comitê destacou que o prêmio de 2024 marcou o início da era da biologia assistida por IA, em que a combinação de química, biologia e ciência da computação acelera descobertas que antes levavam décadas. Curiosidades sobre o Nobel de Química Desde 1901, o Nobel de Química já premiou mais de 190 cientistas, entre eles Marie Curie, Linus Pauling e Ahmed Zewail. O mais jovem laureado foi Frédéric Joliot, premiado em 1935 aos 35 anos, por suas pesquisas sobre radioatividade. Já o mais velho foi John B. Goodenough, que recebeu o Nobel em 2019, aos 97 anos, pelas baterias de íon-lítio — tecnologia presente em celulares, notebooks e carros elétricos. Marie Curie é a única pessoa a ganhar dois Nobéis em áreas diferentes: Física (1903) e Química (1911). Cronograma dos prêmios de 2025 Medicina: segunda-feira, 6 de outubro Física: terça-feira, 7 de outubro Química: quarta-feira, 8 de outubro Literatura: quinta-feira, 9 de outubro Paz: sexta-feira, 10 de outubro Economia: segunda-feira, 13 de outubro Três pesquisadores vencem o prêmio Nobel de Física

Nobel de Química vai para Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas

Publicado em: 08/10/2025 06:48

Trio vence Nobel de Química em 2025 O cientista japonês Susumu Kitagawa, o britânico Richard Robson e Omar M. Yaghi, da Jordânia, são os ganhadores do Prêmio Nobel 2025 em Química, anunciou a Academia Real das Ciências da Suécia nesta quarta-feira (8). Os três cientistas dividirão igualmente o prêmio, que totaliza 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões), pelo desenvolvimento das estruturas metal-orgânicas, conhecidas como MOFs (metal-organic frameworks) — materiais ultraporosos capazes de capturar, armazenar e separar moléculas em nível atômico (entenda mais abaixo). Vencedores do Nobel de Química são Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi Reprodução/Nobel Moldando o invisível: como funcionam os MOFs Imagine uma esponja, só que feita de átomos. É assim que funcionam os metal-organic frameworks (MOFs). Cada estrutura é composta por íons metálicos (como cobre, zinco ou cobalto) ligados a longas cadeias orgânicas que formam um cristal com inúmeros poros microscópicos. Esses “buracos” são tão pequenos e organizados que permitem capturar gases, armazenar energia ou separar moléculas específicas — uma espécie de “engenharia de espaços vazios” dentro da química. Os MOFs são tão porosos que alguns gramas do material têm área interna equivalente a um campo de futebol. Isso significa que eles conseguem absorver quantidades imensas de gás ou vapor em comparação com outros materiais. “Essas estruturas têm um potencial enorme, criando possibilidades inéditas de materiais sob medida com novas funções”, explicou Heiner Linke, presidente do Comitê Nobel de Química. Da teoria ao impacto prático A pesquisa começou ainda nos anos 1980, quando Richard Robson percebeu que poderia usar a atração natural entre íons metálicos e moléculas orgânicas para criar cristais com cavidades internas. Mais tarde, Susumu Kitagawa, da Universidade de Kyoto, mostrou que esses materiais podiam ser estáveis e flexíveis — capazes de absorver e liberar gases sem se desmanchar. Já Omar Yaghi, da Universidade da Califórnia em Berkeley, desenvolveu versões ultrarresistentes, como o MOF-5, que permanece intacto mesmo a 300 °C e pode ser moldado conforme a necessidade do uso. Foi Yaghi quem também demonstrou uma das aplicações mais emblemáticas: extrair água do ar do deserto. Seu grupo criou um material que, durante a noite, captura vapor d’água e, ao amanhecer, libera o líquido quando é aquecido pela luz do sol. Onde isso aparece na vida real Embora ainda sejam estudados principalmente em laboratório, os MOFs já têm aplicações reais e promissoras: Captura de CO₂ em fábricas e usinas, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa; Purificação de água, com materiais que retêm poluentes como PFAS e restos de medicamentos; Armazenamento de hidrogênio, que pode servir como combustível limpo; Controle de amadurecimento de frutas, ao absorver o gás etileno; Produção de chips e semicondutores, onde são usados para conter ou neutralizar gases tóxicos. “Salas” para a química do futuro Desde as descobertas originais, cientistas do mundo todo já criaram dezenas de milhares de variações de MOFs — cada uma com propriedades específicas para resolver desafios diferentes. Por isso, há quem veja esses materiais como “o material do século XXI”, com potencial para transformar desde o combate às mudanças climáticas até a criação de medicamentos e baterias mais eficientes. Com os “novos cômodos” criados dentro das moléculas, Kitagawa, Robson e Yaghi ajudaram a abrir espaço — literalmente — para que a química encontre novas soluções para os grandes problemas da humanidade. Quem são os ganhadores do Nobel de Química 2025 Susumu Kitagawa, nascido em 1951 em Kyoto, Japão, é doutor pela Universidade de Kyoto, onde também atua como professor. Reconhecido por seus estudos em química de coordenação e materiais porosos, foi um dos pioneiros na criação dos primeiros metal-organic frameworks (MOFs) capazes de armazenar e liberar gases de forma controlada. Richard Robson, nascido em 1937 em Glusburn, Reino Unido, é doutor pela Universidade de Oxford e professor na Universidade de Melbourne, na Austrália. Foi o primeiro a propor, ainda nos anos 1980, a ideia de usar íons metálicos e moléculas orgânicas para formar estruturas tridimensionais com cavidades internas — conceito que deu origem aos MOFs. Omar M. Yaghi, nascido em 1965 em Amã, Jordânia, doutorou-se em 1990 pela Universidade de Illinois Urbana-Champaign (EUA) e é professor na Universidade da Califórnia, em Berkeley. É considerado o principal responsável por transformar os MOFs em materiais estáveis e escaláveis, abrindo caminho para aplicações como captura de carbono e extração de água do ar. Os três dividirão igualmente o prêmio de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões) concedido pela Academia Real das Ciências da Suécia. Os ganhadores em 2024 O Nobel de Química de 2024 reconheceu David Baker, Demis Hassabis e John M. Jumper por decifrarem os segredos das proteínas — moléculas essenciais à vida — com a ajuda da inteligência artificial (IA) e da computação de alto desempenho. Baker, professor na Universidade de Washington (EUA), foi premiado por desenvolver o design computacional de proteínas, processo que permite criar moléculas inéditas com funções específicas, usadas em medicamentos e vacinas. Hassabis e Jumper, por sua vez, foram reconhecidos por criarem o AlphaFold2, modelo de IA da Google DeepMind que solucionou um desafio de 50 anos: prever a forma tridimensional das proteínas a partir de suas sequências de aminoácidos. “Os químicos há muito sonham em entender e dominar completamente as ferramentas químicas da vida — as proteínas. E esse sonho agora está ao nosso alcance”, afirmou o comitê do Nobel na época. Uma revolução para a biologia e a medicina As descobertas de Baker, Hassabis e Jumper redefiniram o estudo das proteínas, abrindo novas fronteiras para a criação de remédios, vacinas, nanomateriais e sensores. Antes dessas técnicas, determinar a estrutura 3D das proteínas exigia métodos experimentais lentos e caros, como cristalografia e ressonância magnética nuclear. Agora, com o AlphaFold2, é possível prever rapidamente a forma de milhões de proteínas — ferramenta já usada em mais de 190 países por cientistas que estudam doenças e buscam novos tratamentos. O comitê destacou que o prêmio de 2024 marcou o início da era da biologia assistida por IA, em que a combinação de química, biologia e ciência da computação acelera descobertas que antes levavam décadas. Curiosidades sobre o Nobel de Química Desde 1901, o Nobel de Química já premiou mais de 190 cientistas, entre eles Marie Curie, Linus Pauling e Ahmed Zewail. O mais jovem laureado foi Frédéric Joliot, premiado em 1935 aos 35 anos, por suas pesquisas sobre radioatividade. Já o mais velho foi John B. Goodenough, que recebeu o Nobel em 2019, aos 97 anos, pelas baterias de íon-lítio — tecnologia presente em celulares, notebooks e carros elétricos. Marie Curie é a única pessoa a ganhar dois Nobéis em áreas diferentes: Física (1903) e Química (1911). Cronograma dos prêmios de 2025 Medicina: segunda-feira, 6 de outubro Física: terça-feira, 7 de outubro Química: quarta-feira, 8 de outubro Literatura: quinta-feira, 9 de outubro Paz: sexta-feira, 10 de outubro Economia: segunda-feira, 13 de outubro Três pesquisadores vencem o prêmio Nobel de Física

Microsoft dificulta instalação do Windows 11 no modo offline para usuários

Publicado em: 08/10/2025 06:47 Fonte: Tudocelular

A instalação do Windows 11 sem conexão com a internet ou conta da Microsoft deve ficar ainda mais difícil. Conforme noticiado pelo portal Neowin, a companhia não parece gostar muito de uma modalidade de configuração do sistema que priorize o uso de uma conta local. Inclusive, as mais recentes builds de preview do software dificultaram a instalação dessa forma. Vale destacar que o comando oobe\bypassnro já foi desativado e, para quem não conhece, ele é usado para que a pessoa consiga pular algumas partes iniciais da configuração do sistema operacional.Segundo a própria Microsoft:Clique aqui para ler mais

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Boox P6 Pro: novo e-reader com tamanho de celular tem mais detalhes revelados

Publicado em: 08/10/2025 05:36 Fonte: Tudocelular

O Boox P6 Pro teve mais detalhes revelados pela companhia meses após ter sido revelado pela primeira vez durante a IFA 2025. Nese sentido, também foi divulgado que o e-reader será oficialmente lançado na China nesta quinta-feira (9) e alguns dos seus atributos incluem suporte a cartão SIM e um tamanho compacto. Como se pode notar pelas imagens, o dispositivo tem dimensões bem semelhantes às de um celular tradicional, apesar de funcionar de forma bem diferente na prática. A marca ainda deve oferecer opções com tela em preto e branco ou colorida, sendo de tecnologia da E Ink em ambos os casos.O produto ainda deve carregar outras características de smartphone, como uma câmera traseira de 16MP, 8GB de RAM e 128GB de armazenamento. No entanto, parece que o sensor fotográfico será utilizado com foco em digitalizar documentos. O armazenamento ainda permite expansão via cartão microSD de até 2TB.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

França reabre investigação contra a Apple por gravações da Siri

Publicado em: 08/10/2025 05:32 Fonte: Tudocelular

E um antigo escândalo de privacidade volta a assombrar a Apple. Promotores franceses reabriram o caso das gravações da Siri, apontando para possíveis falhas no modo como a empresa trata dados sensíveis captados pelos seus dispositivos. A medida acontece após denúncia apresentada por uma ONG em 2025, reacendendo internas tensões entre tecnologia e ética digital. Segundo o Ministério Público de Paris, o caso foi delegado ao setor de crimes cibernéticos do OFAC, que terá a tarefa de investigar como a Apple armazenou, gerenciou e permitiu acesso a gravações feitas por sua assistente virtual. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Estudante surda de 19 anos conquista medalha na Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras

Publicado em: 08/10/2025 05:14

Aluna de Praia grande conquista medalha em Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras Uma estudante surda de Praia Grande, no litoral de São Paulo, conquistou a medalha de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática em Libras (OBMLibras). Ingrid Tayná Jardim de Brito Orbelli, de 19 anos, foi a única aluna de escola regular a subir ao pódio na categoria Ensino Médio. Os demais medalhistas estudam em instituições para pessoas com deficiência auditiva. “A escola medalha de ouro são alunos e professores surdos. A nossa é uma escola comum, apesar de ser do Programa de Ensino Integral, ela estuda em uma sala regular, com a intérprete auxiliando”, explicou a professora de Matemática, Ana Claudia Pereira Salomão. Para a profissional, a premiação é fruto de uma parceria entre os profissionais da Escola Estadual Jardim Bopeva e familiares de Ingrid. “A família apoia e acredita no trabalho da escola. Esse engajamento todo traz o resultado”, afirmou. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A mãe da jovem, Lais Souza dos Santos Orbelli, contou que iniciativas como a OBMLibras são importantes para inclusão de pessoas surdas, pois possibilitam a realização de provas adaptadas para que todos participem das atividades. Além disso, ela acredita que os professores e intérpretes da escola fizeram a diferença na qualidade de ensino da filha, pois antigamente ela não tinha interesse em matemática. “Com a forma diferente que a prova foi apresentada, ela se encantou ao ver que dominava a matéria”, relatou Lais. Segundo a mulher, o sentimento é de orgulho. “Ver minha filha se destacando e conseguindo trazer à tona sua capacidade é indescritível. Só quem passa sabe a dificuldade que é ter algum diferencial e não encontrar apoio”, afirmou. Para ela, Ingrid possui capacidade para muito mais. “Com fé em Deus, esse é só o começo. Minha filha não veio a passeio, ela veio contribuir para significativas mudanças”, disse. Aluna da escola estadual Jardim Bopeva, Ingrid Tayná, de 19 anos, ganhou medalha na OBMLIbras Arquivo Pessoal A professora Ana Claudia contou que a equipe da escola organizou uma surpresa para contar o resultado da aluna aos colegas. “A recebemos com aplausos e muita festa”, afirmou a profissional, dizendo que a cerimônia de premiação será virtual na quarta-feira (8). “A medalha chegará até o final do mês na escola, e faremos a premiação dela para todos os alunos acompanharem”, disse. Secretaria de Educação Em nota, a Secretaria Estadual de Educação, por meio da Unidade Regional de Ensino de São Vicente, parabenizou a estudante pela conquista. Segundo a pasta, a inclusão dos alunos com deficiência auditiva é garantida por meio do trabalho dos professores interlocutores de Libras, dos professores de Atendimento Educacional Especializado, do uso de recursos pedagógicos inclusivos e de tecnologias assistivas em todos os espaços escolares. "A presença do professor interlocutor de Libras é assegurada a todos os estudantes surdos ou com deficiência auditiva que necessitam desse apoio, com contratações realizadas conforme a demanda das unidades de ensino", complementou a secretaria. Preparação Ao g1, a professora Ana Claudia contou que a OBMLibras começou em 2022 e, no ano seguinte, a escola fez sua primeira participação. Na época, Ingrid estava no primeiro ano do Ensino Médio. "Eu preparo esses alunos dando aulas de matemática com o apoio das intérpretes de Libras que temos na escola, que acompanham esses alunos diariamente", explicou. Segundo ela, há aulas de tutoria disponíveis na semana que atendem estudantes inscritos em diversas olimpíadas do conhecimento. “Nessa tutoria, damos aulas de assuntos específicos das olimpíadas. Resolvemos edições anteriores e ajudamos os alunos tanto na parte emocional quanto no aprendizado de fato”, afirmou a professora. Ingrid teve que explicar como desenvolveu as questões da avaliação da OBMLibras, que é totalmente adaptada. Arquivo Pessoal OBMLibras Segundo Ana Claudia, a avaliação da OBMLibras é totalmente adaptada para alunos surdos. “Disponibilizam as questões em PDF e em vídeo, o que promove a total inclusão para esses alunos, pois muitos não compreendem a Língua Portuguesa”, ressaltou a profissional. A professora explicou que conta com apoio das intérpretes para auxiliar os estudantes, pois ainda não domina totalmente Libras. “Sem elas seria impossível”, explicou, dizendo que, neste ano, a olimpíada foi dividida em duas fases. A primeira etapa foi com 10 questões de múltipla escolha. A partir do resultado dela, os melhores alunos foram classificados para a segunda fase, que teve duas questões dissertativas. “Além disso, os alunos deveriam mandar um vídeo, explicando o método de resolução escolhido por eles para cada questão”, afirmou (veja o vídeo de Ingrid no topo da reportagem).

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Spa, adega climatizada e restaurantes internacionais: Bahia abre temporada de cruzeiros com chegada de navio luxuoso

Publicado em: 08/10/2025 05:10

Navio Elegance Scenic Eclipse vai abrir a temporada de cruzeiros 2025/2026 em Salvador Reprodução/Redes Sociais A temporada de cruzeiros marítimos 2025/2026 começa oficialmente nesta quarta-feira (8) e a Bahia será o principal destino do Nordeste, com 76 escalas previstas, sendo 58 em Salvador e 18 em Ilhéus, no sul do estado. A programação se estende até 29 de abril de 2026. Segundo a Autoridade Portuária da Bahia (Codeba), a nova temporada deve superar os números do ano anterior, quando 75 navios trouxeram cerca de 253 mil passageiros, com 200 mil desembarques na capital e 53 mil no litoral sul. Para este ciclo, só em Salvador, estão previstos mais de 198 mil visitantes. Quem abre a temporada na Bahia é o navio Elegance Scenic Eclipse, que deve atracar no Porto de Salvador às 8h, trazendo 228 passageiros em uma experiência de cruzeiro de luxo. Considerado um dos cruzeiros mais sofisticados do mundo, o navio foi projetado para proporcionar viagens de expedição com o máximo de exclusividade. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia A embarcação tem suítes com varanda privativa — todas com serviço de mordomo 24 horas — e oferece seis restaurantes internacionais, adega climatizada, bar de champanhes e cozinha interativa, onde os hóspedes podem acompanhar o preparo das refeições. Além do luxo a bordo, o Elegance Scenic Eclipse também chama atenção pela tecnologia e sustentabilidade. O navio utiliza um sistema de propulsão híbrido, que reduz emissões e ruídos. Entre os destaques de lazer e bem-estar estão um spa de 1 mil m² com hidromassagem, sauna e estúdio de ioga com vista panorâmica para o mar. Navio possui suítes com varanda, serviço de mordomo, spa completo, restaurantes internacionais, heliponto duplo e até um submarino próprio para passeios subaquático Reprodução/Redes Sociais Após a passagem do Scenic Eclipse, o MSC Preziosa será o próximo a chegar a Salvador, no dia 21 de outubro, trazendo 4.345 turistas. O navio Costa Diadema, com capacidade para 4.947 passageiros, encerra o ciclo de embarques e desembarques no estado. De acordo com a Codeba, a capital baiana também será destaque como ponto de partida para viagens de expedição inéditas, como o itinerário do SH Vega, que seguirá rumo ao litoral sul da Bahia. LEIA TAMBÉM: Fardo de borracha é achado em praia turística da Bahia; material é igual a carga de navio nazista afundado há 81 anos Cidade turística do sul da Bahia recebe cruzeiro marítimo pela primeira vez Chegada de supernavio de mais de 360 metros inaugura rota direta entre Bahia e Ásia Navio possui estúdio de ioga com vista panorâmica para o mar Reprodução/Redes Sociais Temporada de Cruzeiros esta aberta na Bahia Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

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Laboratório público quer produzir canetas emagrecedoras em Goiás

Publicado em: 08/10/2025 05:03

Mulher aplica caneta emagrecedora no abdômen Reprodução/TV Globo A Indústria Química do Estado de Goiás (Iquego), laboratório público criado em 1962, quer produzir canetas emagrecedoras em Goiás. Segundo a assessoria do laboratório, o projeto para a fabricação está em fase de desenvolvimento e foi protocolado no Ministério da Saúde para a fabricação dos medicamentos. No caso da aprovação, a empresa faria a fabricação, enquanto a distribuição ficaria a cargo do SUS. O Ministério da Saúde informou que o projeto foi avaliado na etapa preliminar e não obteve aprovação, sendo considerados critérios como a capacidade produtiva e tecnológica da instituição, projeção de economia gerada para o SUS e a previsão de internalização da tecnologia, incluindo o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA). A empresa interpôs recursos administrativos que estão em avaliação, com resultado previsto até o final deste ano. Além disso, antes da distribuição, seria preciso também a inclusão dos medicamentos na lista dos oferecidos no SUS pelo Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec). Segundo o Iquego, o projeto é uma iniciativa estratégica voltada para a ampliação do acesso a terapias inovadoras no Sistema Único de Saúde (SUS). O pedido é para que o laboratório possa fabricar medicamentos injetáveis à base de Semaglutida e Liraglutida, as famosas canetas emagrecedoras. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Em nota, o laboratório destacou que a iniciativa ainda não representa a produção efetiva do medicamento, mas um projeto que está em fase de tramitação administrativa e de análise técnica junto ao Governo Federal. “A Iquego permanece empenhada em comprovar sua capacidade industrial e regulatória, bem como em firmar parcerias tecnológicas que assegurem a transferência de conhecimento, a viabilidade econômica e o atendimento às exigências sanitárias necessárias à produção nacional desses medicamentos estratégicos”, diz a nota. LEIA TAMBÉM Empresário preso por vender caneta emagrecedora anunciava produto em grupo do próprio condomínio, diz delegado Após 7 anos parada, Iquego volta a funcionar para a produção de álcool 70% A Iquego reforçou ainda o seu compromisso institucional com a inovação, autonomia tecnológica e fortalecimento do complexo industrial da saúde brasileira. Atualmente, o SUS não faz distribuição gratuita desse tipo de medicamento. Canetas emagrecedoras A semaglutida e a liraglutida são os principais ativos que compõem medicamentos agonistas GLP-1, com indicação para tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade, segundo o ministério. Esses medicamentos se tornaram populares há algum tempo no formato de canetas autoaplicáveis, que ficaram conhecidas como “canetas emagrecedoras”. O uso é indicado para quem tem diabetes tipo 2 e para adultos com índice de massa corporal (IMC) acima de 30, ou acima de 27 quando há outra doença relacionada ao peso. A aplicação deve ser feita com acompanhamento médico. VEJA TAMBÉM: Novas regras da Anvisa passam a valer a partir de hoje para compra de caneta emagrecedora Novas regras da Anvisa passam a valer a partir de hoje para compra de caneta emagrecedora 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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Aquacultura, dieta e gaiolas: como biofábrica quer produzir 190 milhões de mosquitos com bactéria para combater dengue

Publicado em: 08/10/2025 05:03

Como biofábrica quer produzir 190 milhões de mosquitos com bactéria para combater dengue Com um sistema inteligente de aquacultura, dieta específica e gaiolas adaptadas, uma biofábrica em Campinas (SP) tem capacidade para produzir, por semana, 190 milhões de mosquitos com a bactéria Wolbachia, capaz de impedir a transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A técnica, já adotada pelo Ministério da Saúde, envolve a produção controlada desses mosquitos em laboratório e a liberação de caixinhas com ovos em áreas urbanas - entenda abaixo. Inaugurada no dia 2 de outubro, a fábrica pertence à empresa Oxitec e, apesar de pronta para operar, depende de uma autorização excepcional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar a produção. O pedido foi feito em março mas ainda não há previsão de resposta, segundo a empresa. Em nota, a agência informou que "a regularização do tema encontra-se na Agenda Regulatória da Anvisa e o processo da empresa será analisado com a prioridade necessária, em conformidade com as necessidades do cenário epidemiológico brasileiro". 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça Nesta reportagem você vai saber: Como os mosquitos são produzidos? Como funcionam as caixinhas de liberação? O que é a Wolbachia? Como os mosquitos são produzidos? Em 'gaiola' especial, mosquitos adultos machos são alimentados com água e açúcar. Reprodução Oxitec O processo de criação dos mosquitos com Wolbachia é altamente controlado e envolve várias etapas: Criação das larvas: aquacultura de mosquitos Tudo começa com os ovos do Aedes aegypti, que são colocados em um sistema de aquacultura desenvolvido pela empresa. O ambiente simula as condições ideais para a eclosão dos ovos e o desenvolvimento das larvas. 🧠 O sistema de bandejas com água é automatizado e inteligente. Ele controla temperatura, umidade e alimentação com precisão para garantir eficiência máxima. Separação de larvas e pupas: peneiras e precisão Após alguns dias, as larvas crescem e se transformam em pupas, a fase intermediária antes de virarem mosquitos adultos. Elas são separadas manualmente com peneiras específicas. 🔍 Funcionários experientes conseguem identificar visualmente se o desenvolvimento está adequado — só de olhar para a bandeja, já sabem se algo está fora do esperado. Desenvolvimento dos adultos: alimentação e acasalamento As pupas são transferidas para 'gaiolas' especiais, onde se tornam mosquitos adultos. Os machos recebem água com açúcar, enquanto as fêmeas são alimentadas com sangue animal, necessário para a maturação dos ovos. 🩸 O sangue usado é aquecido para simular a temperatura corporal humana — isso atrai as fêmeas, que só colocam ovos após se alimentarem. Ovoposição: o papel ideal para os ovos Após o acasalamento, as fêmeas colocam os ovos em papéis com água, posicionados estrategicamente nas gaiolas. 📄 O papel tem porosidade e maleabilidade específicas, desenvolvidas para imitar o ambiente natural que as fêmeas procuram para depositar os ovos. Coleta e controle de qualidade Os papéis com ovos são lavados para que os ovos sejam coletados e pesados. Cada lote passa por testes rigorosos para garantir a qualidade e a taxa de eclosão. 📊 Um grama de ovos pode conter até 100 mil unidades. Montagem das caixinhas: tecnologia portátil Os ovos são colocados em potes com uma dieta especial e acondicionados em caixinhas de liberação. Basta adicionar água para que os mosquitos com Wolbachia comecem a nascer e se espalhar. Como funcionam as caixinhas de liberação? Em Campinas (SP), fábrica vai produzir caixinhas que armazenam ovos do mosquito com Wolbachia e podem ser enviadas para qualquer lugar do mundo. Bárbara Camilotti / g1 Campinas As caixinhas que serão produzidas na biofábrica de Campinas podem ser enviadas para qualquer lugar do Brasil e do mundo. Dentro da caixa, além dos ovos, há uma dieta específica para o desenvolvimento das larvas. Ao adicionar água, os ovos eclodem e passam pelas fases de larva, pupa e mosquito adulto. Os insetos saem por pequenos furos no topo da caixa e iniciam o processo de acasalamento, disseminando a bactéria na população local. Os recipientes são resistentes, têm travas de segurança e furinhos projetados para evitar a entrada de outros insetos. Elas protegem uma área de até 5 mil m² e têm autonomia de 28 dias. A empresa afirma que o método é seguro, não tóxico e já foi validado em diversos países. O que é a Wolbachia? A Wolbachia é uma bactéria intracelular, presente naturalmente em cerca de 60% dos insetos, e não é transmissível para humanos ou animais. Quando inserida no mosquito Aedes aegypti, ela impede que o vírus da dengue se replique dentro do organismo do inseto. Com isso, mesmo que o mosquito pique uma pessoa, ele não transmite a doença. A técnica é chamada de substituição populacional: os mosquitos com Wolbachia são liberados no ambiente e se reproduzem com os mosquitos selvagens. A bactéria é passada para os descendentes, e aos poucos, a população local passa a ser composta majoritariamente por mosquitos que não transmitem os vírus. Desde janeiro, o método foi incorporado ao Programa Nacional de Combate à Dengue (PNCD), do Ministério da Saúde, e já é usado em ao menos 11 cidades brasileiras. Biofábrica em Campinas (SP) quer produzir 190 milhões de mosquitos com bactéria para combater dengue. Bárbara Camilotti / g1 Campinas VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

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Mozilla Firefox se prepara para disponibilizar navegação separada por perfis

Publicado em: 08/10/2025 04:28 Fonte: Tudocelular

A Mozilla pretende entregar com o novo sistema de perfis do Firefox para os seus usuários. Esse gerenciamento vai além do já conhecido recurso que segmenta cookies, rastreamento e histórico por aba. Agora, cada perfil terá seu próprio ambiente completo: dados de navegação, temas visuais, extensões, senhas e muito mais. Tudo isso com visual diferenciado por cor, template ou avatar para você identificar o perfil em uso à primeira vista. Parte da novidade já foi vista no Firefox 138, pois a versão inclui um sistema de gerenciamento de perfis integrado como novidade. Também chegou com melhorias em outros pontos, como a nova barra de endereço mais inteligente. Com isso, há forte sinal de que a Mozilla quer tornar os perfis algo central na experiência do navegador daqui para frente.Clique aqui para ler mais

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Motorola Moto G35 com 256 GB aparece em oferta por menos de R$ 800 no Amazon Prime

Publicado em: 08/10/2025 04:21 Fonte: Tudocelular

Alternativa para quem está buscando um smartphone baratinho, o Motorola Moto G35 embarca uma ficha técnica simples, mas competente. Além de já contar com acesso às redes 5G, o telefone traz tela IPS LCD espaçosa com taxa de atualização de 120 Hz, câmera principal de 50 MP e bateria de boa capacidade. Em oferta exclusiva para assinantes Amazon Prime, o aparelho está em um preço atraente — ao utilizar o cupom 100PRIMEE, que pode ser ativado pela página de compra, é possível adquiri-lo na cor coral por R$ 708,20 à vista, ou R$ 798 em até 12 vezes sem juros no cartão. A opção em cinza também obtém bom desconto, saindo por R$ 725,43 no PIX, ou R$ 817,14 em até 12 vezes sem juros. Smartphone Motorola Moto g35 5G - 256GB 12GB (4GB RAM+8GB Ram Boost) e Camera 50MP com AI NFC Tela 6.7" com Superbrilho - Coral Amazon R$ 708 Ver Oferta Smartphone Motorola Moto g35 5G - 256GB 12GB (4GB RAM+8GB Ram Boost) e Camera 50MP com AI NFC Tela 6.7" com Superbrilho - Cinza Vegan Leather Amazon R$ 725 Ver Oferta Sobre o dispositivoO Motorola Moto G35 tem como uma das principais características a sua tela IPS LCD de 6,7 polegadas, com resolução Full HD+ e taxa de atualização de 120 Hz para maior fluidez. O display é recoberto por vidro Gorilla Glass 3, que promete proteção melhorada contra riscos.O Motorola Moto G35 está disponível na Mercadolivre por R$ 782. O custo-benefício é ótimo e esse é o melhor modelo nessa faixa de preço. Para ver as outras 42 ofertas clique aqui. (atualizado em 08 de October de 2025, às 11:24)Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

7 em cada 10 praias do Brasil estão contaminadas por microplástico; veja estados mais afetados

Publicado em: 08/10/2025 04:02

Pesquisadores alertam para presença de microplástico no litoral de Pernambuco Das 1.024 praias brasileiras analisadas em um estudo publicado na revista Environmental Research em 24 de setembro, 69,3% estavam poluídas por microplásticos. Com menos de cinco milímetros – algo como um grão de arroz –, esses fragmentos podem afetar a biodiversidade, a segurança alimentar, a saúde humana e até as atividades econômicas do ambiente marinho e costeiro. A pesquisa faz parte do projeto MicroMar, liderado pelo Instituto Federal Goiano (IF Goiano). Segundo o artigo, o estudo é o mais extenso levantamento padronizado conduzido não só no Brasil, mas em todo o Sul Global. "O MicroMar representa um marco porque, pela primeira vez, conseguimos ter uma visão abrangente e sistemática da contaminação por microplásticos ao longo das praias brasileiras. Isso gera um banco de dados inédito, que pode ser usado de maneiras muito concretas", avaliou Guilherme Malafaia, professor do Departamento de Ciências Biológicas do IF Goiano e coordenador da pesquisa. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O estudo também mostrou que a concentração de microplásticos é apenas parte do problema. "A principal mensagem do projeto não é só identificar onde há plástico, mas também onde estão os mais perigosos e quais áreas concentram os maiores riscos", explicou Thiarlen Marinho da Luz, doutorando em Biotecnologia e Biodiversidade pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e primeiro autor do artigo. O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) disse acompanhar as pesquisas sobre o tema. Em nota enviada à DW, destacou a importância da Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP), publicada no dia 1º de outubro. "É uma iniciativa inédita do governo federal que orienta e coordena ações estratégicas, sinérgicas e multissetoriais para a prevenção, redução e eliminação da poluição por plástico no oceano até 2030", informou o MMA. Microplásticos: Minúsculos no nome, gigantescos no problema Adobe Stock Presença e risco Para detectar os microplásticos e seus riscos, os pesquisadores seguiram algumas etapas. Primeiro, selecionaram 1.024 praias em 211 municípios de todos os 17 estados costeiros do Brasil, cobrindo aproximadamente 7,5 mil quilômetros de litoral. Depois, coletaram 4.134 amostras de areia entre 2022 e 2023, levando-as para o mesmo laboratório. A partir daí, os pesquisadores analisaram a quantidade de microplásticos por quilograma de areia em cada praia, encontrando a poluição em 69,3% delas. Os estados com os valores médios mais elevados foram Paraná, Sergipe, São Paulo e Pernambuco. Cérebro tem concentração de microplásticos até 30 vezes maior que outros órgãos, indica estudo Das 30 praias com maior concentração de microplásticos, oito estavam em Pontal do Paraná (PR) – entre elas Barrancos, que ficou no topo do ranking, com 3.483,4 itens por quilograma de areia. Questionada pela DW, a prefeitura informou que não conhecia o estudo. E levantou a hipótese de que esses materiais cheguem ao município, principalmente, pelas correntes marítimas. O passo seguinte foi calcular o Índice de Perigo do Polímero (PHI, na sigla em inglês), que mediu o quão tóxico eram os microplásticos encontrados. Os estados com maiores valores neste índice foram Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Maranhão e Pará. Para ter uma ideia de como o cálculo mudou o cenário, a praia de Barrancos, apesar de ter a maior densidade de microplásticos, caiu para a 107ª posição. Já a praia Paraíso, em Torres (RS), com poucos fragmentos encontrados comparados à realidade nacional, ficou no topo do ranking. Mas o estudo deu outro passo: combinou a quantidade de microplásticos com o perigo dos materiais, através do cálculo do Índice de Risco Ecológico Potencial (PERI, na sigla em inglês). Os estados com os maiores valores encontrados foram Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí e Maranhão. Novamente, a praia Paraíso teve o índice mais alto. Apesar de não ter tantos microplásticos, foram encontradas amostras de materiais considerados mais tóxicos, como o PVC. A prefeitura de Torres não respondeu aos questionamentos da DW. Risco aos banhistas? Os microplásticos funcionam como pequenos fragmentos de poluição, explicou o professor Guilherme Malafaia, do MicroMar. "Eles podem ser ingeridos por organismos marinhos – desde o plâncton até os peixes – interferindo na nutrição, crescimento e reprodução dessas espécies. Isso gera um efeito em cascata, ou seja, se a base da cadeia alimentar sofre, todo o ecossistema fica comprometido." Para os seres humanos, a principal preocupação é indireta, por meio do consumo de peixes e frutos do mar contaminados. "Para os banhistas, a presença de microplásticos na areia não representa, no momento, um risco direto de intoxicação. Entretanto, é importante destacar que esses fragmentos podem atuar como ‘esponjas ambientais', absorvendo metais pesados, pesticidas e até microrganismos patogênicos", pontuou Malafaia. De forma geral, a proximidade de galerias de águas pluviais e esgoto, fozes de rios e áreas altamente urbanizadas explica boa parte da poluição. O estudo também apontou três frentes urgentes para resolver o problema: conter o lixo antes de chegar ao mar (drenagem urbana e manejo de resíduos), reduzir a carga plástica nas bacias hidrográficas e implementar metas regionais de monitoramento. Da fonte ao mar Apesar dos inúmeros alertas dos cientistas, o combate à poluição por plásticos e microplásticos enfrenta resistências. Em agosto, um acordo histórico no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) para resolver o problema foi bloqueado pelos países produtores de petróleo. No Brasil, dois projetos de lei de 2022 seguem tramitando: o PL 2524, que propõe restringir plásticos de uso único e criar metas de reciclagem, e o PL 1874, que institui a Política Nacional de Economia Circular. O MMA acredita que o cenário pode mudar com a Estratégia Nacional Oceano sem Plástico (ENOP). "Os objetivos da ENOP se ancoram no enfrentamento à poluição por plástico em todo o ciclo de vida do material, desde a extração de matérias-primas até a destinação final, para proteger recursos naturais e a biota marinha, incluindo o cuidado com cadeias alimentares e os efeitos do microplástico", informou, em nota. Essa abordagem é chamada de "da fonte ao mar". Em 90 dias deve ser lançado um plano de ação baseado na estratégia, conforme o MMA. "A expectativa é que o trabalho realizado a partir desta estratégia seja um marco para engajar consumidores e mercado em alternativas mais sustentáveis ao plástico, ampliar o acesso a financiamento, debater a revisão e orientação de subsídios que agravam impactos ambientais e sociais negativos, promovendo por fim dignidade, saúde e inclusão social." Para Thiarlen Marinho da Luz, primeiro autor do estudo publicado na Environmental Research, a sociedade está consciente do problema, mas falta ação. "As pessoas estão conscientes de que uma tartaruga pode comer uma sacola, de que o remédio pode causar dano nos peixes. Agora, se elas são sensíveis à causa, eu acredito que não." Trigueiro: Cientistas encontram vestígio de microplástico em humanos

Palavras-chave: tecnologia

'Câmeras são os arcos e flechas da atualidade': às vésperas da COP30, produções culturais indígenas mostram que luta pelo planeta é de todos

Publicado em: 08/10/2025 04:01

'Câmeras são os arcos e flechas': produções indígenas mostram que a luta 'é de todos' "Nosso povo acreditava que as câmeras roubavam a alma, mas hoje são os nossos arcos e flechas", disse a ativista indígena de Rondônia Txai Suruí em painel organizado pelo Festival do Rio. A um mês da COP30, conferência climática global cuja edição deste ano será realizada no coração da Amazônia, a produtora executiva do documentário “Minha Terra Estrangeira”, em exibição no festival, avalia ser preciso que o encontro seja responsável pela "implementação" dos acordos já firmados. Diante da proximidade da conferência, a liderança do povo Paiter Suruí questiona qual será a real participação dos povos indígenas no debate e destaca a produção artística como ponte para o diálogo sobre a emergência do clima. Ela foi a única brasileira convidada para participar do Grupo Consultivo da Juventude da ONU, formado para aconselhar o secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres. ‘Demarcar a tela para demarcar o território’ Em meio às discussões sobre mudança climática, Txai, que já se considera “artista”, diz ser preciso entender que a luta pela preservação do planeta não pertence apenas aos povos originários, uma vez que as consequências afetam a todos. Para a ativista, em um contexto político no qual é preciso entender novas formas de diálogo com as pessoas, dentro e fora das aldeias, o audiovisual é uma ferramenta facilitadora. “O audiovisual, a arte e as câmeras em si podem ser instrumentos de luta, não só para denunciar o que vem acontecendo dentro dos territórios indígenas, mas também proteger e fortalecer a nossa cultura” O filme documental “Minha Terra Estrangeira”, dirigido pelo Coletivo Lakapoy, Louise Botkay e João Moreira Salles, acompanha a reta final da campanha eleitoral do cacique Almir Suruí, liderança do povo Paiter Suruí e pai de Txai, como candidato a deputado federal de Rondônia em 2022. A ativista também foi produtora executiva de “O Território”, documentário sobre a luta do povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau que entrou na pré-lista do Oscar 2023. Txai Suruí no documentário "Minha Terra Estrangeira" Reprodução O protagonismo indígena na frente e atrás das câmeras é a marca de ambos os trabalhos, mas a produção nesses moldes ainda esbarra em obstáculos. Um deles é o financiamento. O outro é a falta de oportunidades, segundo Txai, que destaca a dificuldade de artistas indígenas de obterem acesso a editais e inserirem-se na indústria cinematográfica. Ao g1, o fotógrafo e ativista Piratá Waurá, que dirigiu o curta-metragem “Replika”, também em exibição no Festival do Rio, afirmou que a importância de aprender a usar as tecnologias dos “não-indígenas”, como as câmeras filmadoras, é que os povos possam contar as suas próprias histórias. Além disso, pode ajudar quem está de fora a entender como é a vida nas aldeias e nas florestas. “Demarcar a tela é demarcar o território”, ele defendeu. “Toda vez que a gente grava, a gente registra nossas culturas, as danças, nossa família, e tudo isso vem da natureza. E assim a gente vai conquistando um espaço de reconhecimento da luta e do conhecimento ancestral." Piratá Waurá, professor, fotógrafo e ativista, comparece ao Festival do Rio 2025. Festival do Rio / Davi Campana O fotógrafo argumenta, no entanto, que apesar da riqueza do material-base, há dificuldade em compor equipes para trabalhar na produção do conteúdo, além da questão financeira. Tanto Piratá como Txai reconhecem o próprio privilégio em relação aos seus pares, já que poucos indígenas possuem a oportunidade de estar em um festival de cinema. COP30, participação indígena e demandas As COPs são hoje o principal espaço de negociação e decisão sobre o clima no mundo. Conhecida internacionalmente por discursar na abertura da COP26, no Reino Unido, Txai entende que a demarcação e a proteção das Terras Indígenas (TI) é um dos principais temas que precisam ser discutidos na conferência deste ano, que ocorre em novembro em Belém, no Pará. “É dentro dos territórios que a floresta ainda está de pé”, diz. Única indígena a discursar na Conferência do Clima da ONU em 2021, Txai Suruí vai representar SP em comitê da ONU sobre mudanças climáticas Reprodução Nos últimos trinta anos, as TIs perderam apenas 1% da floresta nativa, enquanto áreas privadas perderam 20% no mesmo período, segundo o Observatório do Clima. Os territórios armazenam 12 bilhões de toneladas de carbono, que ajudam a regular o clima e evitam a emissão de gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. Visando a conservação da natureza, o Brasil pretende lançar, na COP 30, o Fundo de Financiamento para Florestas Tropicais (TFFF), com a expectativa de captar mais de US$ 100 bilhões para recompensar países que conseguirem reduzir o desmatamento. O projeto é finalista do maior prêmio ambiental do planeta, o EarthShot Prize. Entre as propostas que devem ser apresentadas no evento por povos originários, há o plano inédito de enfrentamento da crise climática baseado na vivência e na ciência das comunidades elaborado por pesquisadores indígenas de Roraima. A cientista Sineia do Vale, enviada especial à COP30 e referência mundial nas discussões climáticas, vai propor que a demarcação seja reconhecida globalmente como política climática. A expectativa é que a COP deste ano tenha a maior participação de povos indígenas da história. Segundo a ministra dos Povos Indígenas do Brasil, Sonia Guajajara, três mil membros dos povos originários são esperados nos debates da conferência. Ao g1, Txai questiona qual, de fato, será a participação indígena, no sentido de não somente “estar lá dentro, mas realmente sermos ouvidos, estarmos na mesa de discussão”. Ativista indígena Txai Suruí participa do Festival do Rio de 2025 como produtora executiva do documentário "Minha Terra Estrangeira" Festival do Rio / Davi Campana As demandas dos povos originários vão além da COP30, mas Txai constata que há “uma grande dificuldade dentro do nosso próprio país”, referindo-se ao Congresso Nacional. Pautas como a tese do marco temporal, que define que indígenas só podem reivindicar a demarcação de terras que já eram ocupadas por eles na data de promulgação da Constituição de 1988, e mais recentemente, o projeto de lei que enfraquece o licenciamento ambiental, são alvos de protestos por povos indígenas e ambientalistas. Um dos pontos de crítica do texto aprovado pelos parlamentares é a desproteção das comunidades tradicionais, já que terras indígenas e territórios quilombolas não homologados deixam de ser considerados áreas protegidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retirou o trecho do projeto e o veto está sendo analisado pela Câmara. “Isso para mim mostra a necessidade de colocar mais pessoas indígenas dentro do Congresso para dialogar sobre essas pautas também. Não somente em questão de representatividade, mas porque os povos indígenas têm grande exemplo de lideranças. Para nós, os líderes têm que ser a pessoas que escutam a sua comunidade”. O fotógrafo Piratá Waurá, que vive na Terra Índigena do Xingu, esclarece que, além da necessidade da demarcação, as comunidades locais do Mato Grosso também pedem a criação de um corredor ecológico para proteger os rios. COP30 – Futuros Possíveis no Festival do Rio A programação especial COP30: Futuros Possíveis do Festival do Rio acontece de 2 a 12 de outubro com sessões gratuitas de 30 longas-metragens, mesas-redondas, painéis e encontros com ativistas brasileiros e internacionais. A um mês da conferência climática global, os temas das produções e dos debates abordam justiça climática, desenvolvimento sustentável e os direitos dos povos originários. Os ativistas indígenas Piratá Waurá e Txai Suruí posam juntos após participação em painel no Festival do Rio 2025. Festival do Rio / Davi Campana As sessões da mostra especial acontecem na Estação NET Botafogo 3, na zona sul do Rio de Janeiro, e no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), no Centro. Já as mesas-redondas e painéis com convidados acontecem no Estação Net Botafogo 1 e no Armazém da Utopia, em Santo Cristo. Também há exibição de curtas-metragens todos os dias no Museu do Amanhã, com sessões ao fim da tarde. A programação completa pode ser conferida no site do festival.

Palavras-chave: tecnologia

Ganhador do Nobel de Física diz que cortes de Trump 'paralisarão' pesquisas nos EUA

Publicado em: 08/10/2025 03:50

Nobel de Física vai para cientistas que descobriram fenômenos fundamentais para computadores e chips potentes Passava de 2h da manhã quando John Clarke recebeu um telefonema de um número misterioso que anunciaria que ele havia sido laureado com o prêmio Nobel. O cientista pensou que, "obviamente, tratava-se de um trote", que ficou ainda mais surrealista quando ouviu "uma voz vinda da Suécia". "Logo ficou claro que era real", disse Clarke aos jornalistas nesta terça-feira (7), depois de ganhar junto com outros dois colegas o Nobel de Física por seus trabalhos no campo da mecânica quântica. "Estava sentado completamente atordoado [...]. Jamais pensei em toda a minha vida que algo assim pudesse acontecer", refletiu. Este professor da Universidade de Berkeley, na Califórnia, contou que, desde então, seu telefone não parou de tocar. Muitos e-mails chegaram e as pessoas começaram a "bater na minha porta" buscando entrevistas às 3h da madrugada. "Eu disse obrigado, mas não. Não a esta hora da noite", recordou o britânico, de 83 anos, com um sorriso. Clarke compartilhou o cobiçado prêmio com o francês Michel Devoret e o americano John Martinis, dois colegas físicos que trabalhavam em seu laboratório de Berkeley durante a época da pesquisa nos anos 1980. Os três cientistas são pesquisadores em universidades dos Estados Unidos. O físico destacou os recursos significativos que teve a seu dispor no momento de seu trabalho há quatro décadas, como o espaço do laboratório, assistentes de pós-graduação e equipamentos. E classificou os esforços do presidente Donald Trump para reformar a política científica e de saúde do país como um "problema imensamente grave", incluindo as demissões em massa de cientistas governamentais e cortes nos orçamentos de pesquisa. "Isso paralisará grande parte da pesquisa científica nos Estados Unidos", disse ele à AFP, ao acrescentar que conhece pessoas que sofreram enormes cortes de financiamento. "Será desastroso se isso continuar [...]. Supondo que a administração atual vai acabar, pode levar uma década para voltar para onde estávamos, digamos, há um semestre", acrescentou. Ele também classificou essa situação como um "enorme problema" que está além de "qualquer compreensão". LEIA MAIS: Nobel de Física 2025: entenda descoberta que abriu caminho para computação quântica e criptografia avançada Ciência básica A ganhadora do Nobel Mary Brunkow, que na segunda-feira foi laureada na categoria de Medicina, disse algo similar aos jornalistas sobre a importância do financiamento público dos Estados Unidos à pesquisa científica. Os premiados com o Nobel de Física deste ano realizaram seus experimentos na década de 1980. Suas pesquisas permitiram posteriormente aplicações reais do universo quântico. A mecânica quântica estuda o comportamento da matéria e da energia em escalas extremamente pequenas. Por exemplo, quando uma bola atinge uma parede, ela rebate e volta. Mas, em escala quântica, uma partícula pode atravessar diretamente uma parede. Este fenômeno é conhecido como "efeito túnel". Clarke e seus companheiros demonstraram o efeito túnel em uma escala que o público pode compreender. Como manifestou o Comitê Nobel, seu trabalho demonstrou que "as propriedades estranhas do universo quântico podem se tornar concretas em um sistema grande o suficiente para caber na mão". Essa pesquisa tornou possíveis tecnologias como os telefones celulares e também foi fundamental na corrida para desenvolver computadores quânticos poderosos. Clarke destacou nesta terça que é "vital" continuar financiando trabalhos que possam parecer "ciência básica", mas que resultam em "aplicações cruciais" mais adiante. À época, "Michel, John e eu não tínhamos como compreender a importância" que esse trabalho teria, afirmou. "É muito importante fazer essa ciência básica porque você não sabe qual será o resultado", concluiu. John Clarke Reprodução/ Berkley

Palavras-chave: tecnologia

Noites mal dormidas podem fazer seu cérebro envelhecer mais rápido, aponta estudo

Publicado em: 08/10/2025 03:01

Você dorme bem? Por que o sono pode ser aliado (ou vilão) do coração Passamos quase um terço da vida dormindo, e isso está longe de ser “tempo perdido”. Longe de ser uma pausa passiva, o sono é um processo ativo e essencial que ajuda a restaurar o corpo e a proteger o cérebro. Quando o sono é interrompido, o cérebro sente as consequências — às vezes de forma sutil, acumulando-se ao longo dos anos. Em um novo estudo, meus colegas e eu analisamos o comportamento do sono e dados detalhados de ressonância magnética cerebral de mais de 27 mil adultos do Reino Unido, entre 40 e 70 anos. Constatamos que pessoas com sono de má qualidade tinham cérebros que pareciam significativamente mais velhos do que o esperado para sua idade real. O que significa o cérebro “parecer mais velho”? Embora todos envelheçamos cronologicamente no mesmo ritmo, o relógio biológico de algumas pessoas pode andar mais rápido ou mais devagar. Novos avanços em neuroimagem e inteligência artificial permitem estimar a idade do cérebro com base em padrões nas ressonâncias, como perda de tecido, afinamento do córtex e danos aos vasos sanguíneos. Siga o canal do g1 Enem no WhatsApp No nosso estudo, a idade cerebral foi estimada usando mais de 1.000 marcadores de imagem obtidos nas ressonâncias. Primeiro, treinamos um modelo de aprendizado de máquina com os exames dos participantes mais saudáveis — pessoas sem grandes doenças, cujos cérebros deveriam se aproximar da idade cronológica. Depois que o modelo “aprendeu” como é o envelhecimento normal, aplicamos a toda a população do estudo. Ter uma idade cerebral maior do que a idade real pode sinalizar um desvio do envelhecimento saudável. Pesquisas anteriores associaram um cérebro com aparência mais envelhecida a declínio cognitivo mais rápido, maior risco de demência e até risco aumentado de morte precoce. Uso excessivo de telas pode atrasar o adormecer e prejudicar qualidade do sono Estevão Mamédio O sono é complexo, e nenhuma medida isolada dá conta de toda a história da saúde do sono de alguém. Por isso, nosso estudo se concentrou em cinco aspectos autorrelatados: cronotipo (se a pessoa é “matutina” ou “noturna”), número de horas típicas de sono (sete a oito horas são consideradas ideais), presença de insônia, ocorrência de ronco e sensação de sonolência excessiva durante o dia. Essas características podem interagir de forma sinérgica. Por exemplo, alguém com insônia frequente pode sentir mais sonolência diurna, e ter cronotipo tardio pode levar a menor duração do sono. Ao integrar as cinco características em um “escore de sono saudável”, obtivemos um retrato mais completo da saúde do sono. Como fazer a higiene do sono? Veja quais são os maiores inimigos de uma noite restauradora Pessoas com quatro ou cinco atributos saudáveis foram classificadas com perfil de sono “saudável”; com dois ou três, perfil “intermediário”; e com zero ou um, perfil “ruim”. Ao comparar a idade cerebral entre os perfis de sono, as diferenças foram nítidas. A lacuna entre a idade do cérebro e a cronológica aumentou em cerca de seis meses a cada ponto a menos no escore de sono saudável. Em média, quem tinha perfil de sono ruim apresentava cérebros quase um ano mais velhos do que o esperado para a idade; quem tinha perfil saudável não apresentou essa diferença. Também analisamos as cinco características isoladamente: cronotipo tardio e duração anormal do sono se destacaram como os maiores contribuintes para o envelhecimento cerebral acelerado. Um ano pode não parecer muito, mas para a saúde do cérebro isso importa. Pequenas acelerações no envelhecimento cerebral podem se somar ao longo do tempo, aumentando o risco de comprometimento cognitivo, demência e outras condições neurológicas. A boa notícia é que os hábitos de sono são modificáveis. Embora nem todos os problemas de sono sejam fáceis de resolver, estratégias simples — manter horários regulares; limitar cafeína, álcool e telas antes de dormir; e criar um ambiente escuro e silencioso — podem melhorar o sono e proteger a saúde do cérebro. Como exatamente a qualidade do sono afeta a saúde do cérebro? Uma explicação é a inflamação. Evidências crescentes indicam que distúrbios do sono elevam os níveis inflamatórios no organismo. A inflamação, por sua vez, pode prejudicar o cérebro de várias maneiras: danificando vasos sanguíneos, favorecendo o acúmulo de proteínas tóxicas e acelerando a morte de células cerebrais. Pudemos investigar o papel da inflamação graças a amostras de sangue coletadas no início do estudo. Essas amostras reúnem muitas informações sobre diferentes biomarcadores inflamatórios circulantes. Ao incluí-los na análise, verificamos que os níveis de inflamação explicavam cerca de 10% da ligação entre sono e envelhecimento cerebral. Outra explicação envolve o sistema glinfático — a rede de limpeza de resíduos do cérebro, mais ativa durante o sono. Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, esse sistema pode não funcionar bem, permitindo o acúmulo de substâncias nocivas no cérebro. Mais uma possibilidade é que o sono ruim aumente o risco de outras condições que também prejudicam o cérebro, como diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. Nosso estudo é um dos maiores e mais abrangentes do gênero, com uma população muito numerosa, uma medida multidimensional da saúde do sono e uma estimativa detalhada da idade cerebral baseada em milhares de características de imagem. Embora trabalhos anteriores já relacionassem sono ruim a declínio cognitivo e demência, mostramos adicionalmente que o sono ruim está ligado a um cérebro visivelmente mais envelhecido — e que a inflamação pode explicar parte dessa conexão. O envelhecimento cerebral não pode ser evitado, mas nosso comportamento e escolhas de estilo de vida moldam como ele ocorre. A mensagem é clara: para manter o cérebro saudável por mais tempo, é importante priorizar o sono. Técnica militar para dormir: método usado por soldados que promete sono em dois minutos

Palavras-chave: inteligência artificial