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Clonagem de mudas promete lavouras mais resistentes à vassoura-de-bruxa no Amapá

Publicado em: 17/12/2025 06:01

Estudo de clonagem in vitro visa garantir plantio saudável da mandioca no Amapá Como forma de enfrentar a vassoura-de-bruxa, fungo que ataca galhos e compromete o crescimento da planta, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas (Iepa) aposta em tecnologia e parceria com agricultores. No Amapá, a doença já atinge 10 municípios desde 2023 e ameaça uma das culturas mais tradicionais do estado. O Iepa está clonando mudas de variedades já cultivadas no Amapá. A técnica permite recuperar plantas livres da praga, garantir maior produtividade, preservar a diversidade genética e a manter características conhecidas pelos agricultores. Baixe o app do g1 para ver notícias do AP em tempo real e de graça Sobre a pesquisa A pesquisa começou em maio de 2025 e tem como foco a clonagem in vitro da mandioca. Com isso, uma única planta pode gerar várias mudas com a mesma segurança e qualidade. Além disso, a iniciativa melhora a raiz da mandioca, que passa a crescer mais forte e resistente à praga. Na prática, isso significa lavouras mais saudáveis, menor perda e uma alternativa concreta para conter o avanço da doença. LEIA MAIS: Operação ‘Cobro Final’ mira grupo que movimentou R$ 60 milhões em agiotagem no Amapá e Piauí Quatro municípios do Amapá celebram aniversário nesta quarta-feira (17); veja programações Resultados no campo O município de Cutias do Araguari foi o primeiro a receber os experimentos, por concentrar grandes áreas de produção. Os resultados animaram os pesquisadores e produtores locais. Agricultores da comunidade participam cedendo áreas e acompanhando o comportamento das plantas. Segundo o Iepa, já há relatos de produtores colhendo até 60 toneladas de mandioca por hectare. Clonagem é realizada em laboratórios do Iepa Márcio Wendell/Arquivo Iepa Praga da mandioca atinge vários municípios do Amapá MPPA Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Palavras-chave: tecnologia

Microplásticos, resíduos químicos e bactérias: os riscos da água engarrafada

Publicado em: 17/12/2025 05:03

Água engarrafada pode não ser tão segura quanto muitos imaginam. Ilustração A crescente desconfiança em relação à água da torneira ajudou a transformar a água engarrafada em um item básico global, mesmo em países onde os sistemas públicos estão entre os mais rigorosamente testados. O marketing posicionou a água engarrafada como mais pura, saudável e conveniente, mas as evidências científicas contam uma história diferente. Essa percepção de pureza é central para o apelo da água engarrafada, mas estudos mostram que o produto frequentemente traz seu próprio conjunto de riscos, tanto para a saúde quanto para o meio ambiente. ➡️Um estudo de 2025 sugeriu que a água engarrafada pode não ser tão segura quanto muitos imaginam. Testes em água vendida em galões reutilizáveis e garrafas plásticas encontraram altos níveis de contaminação bacteriana. Os resultados se somam a um corpo crescente de pesquisas que indicam que, em muitos lugares, a água da torneira não só é segura como também costuma ser mais rigidamente regulada e monitorada do que as alternativas engarrafadas. VEJA TAMBÉM: Calculadora da água: descubra quanto você precisa beber por dia Na maioria dos países desenvolvidos, a água da torneira está sujeita a padrões legais e de testagem mais rigorosos do que a água engarrafada. Os sistemas públicos são monitorados diariamente para bactérias, metais pesados e pesticidas. No Reino Unido, a Drinking Water Inspectorate publica os resultados abertamente. Nos Estados Unidos, os fornecedores de água devem cumprir as National Primary Drinking Water Regulations, supervisionadas pela Agência de Proteção Ambiental (EPA). Em toda a Europa, a qualidade da água é regida pela Diretiva da Água Potável da União Europeia. A água engarrafada, por outro lado, é regulada como um produto alimentício embalado. Ela é testada com menos frequência e os fabricantes não são obrigados a divulgar informações detalhadas sobre a qualidade. Pesquisas identificaram contaminantes na água engarrafada, incluindo microplásticos, resíduos químicos e bactérias. Um estudo de 2024 detectou dezenas de milhares de partículas plásticas por litro em alguns produtos. Outras pesquisas sugerem que a água engarrafada frequentemente contém concentrações mais altas de microplásticos do que a água da torneira, com possíveis ligações à inflamação, à desregulação hormonal e ao acúmulo de partículas em órgãos humanos. Garrafas plásticas também podem liberar substâncias químicas como antimônio, ftalatos e análogos do bisfenol. O antimônio é um catalisador usado na fabricação de garrafas de PET, que é o plástico mais comum em bebidas de uso único. Ftalatos são plastificantes que mantêm os plásticos flexíveis. Análogos do bisfenol, como BPS ou BPF, são parentes próximos do BPA, um químico usado para endurecer alguns plásticos e revestir latas de alimentos e bebidas. LEIA TAMBÉM: Microplásticos chegam a nanômetros e escapam até de estações de tratamento de água Microplásticos podem desencadear Alzheimer, Parkinson e outras lesões no cérebro, diz estudo; saiba quais Essas substâncias podem migrar para a água, especialmente quando as garrafas ficam em ambientes quentes, como carros, vans de entrega ou sob luz solar direta. Os cientistas estão preocupados porque alguns desses compostos podem agir como desreguladores endócrinos, ou seja, podem interferir nos sistemas hormonais do corpo. A alta exposição a certos ftalatos e bisfenóis tem sido associada a efeitos na saúde reprodutiva, no metabolismo e no desenvolvimento, embora os níveis encontrados na água engarrafada geralmente sejam baixos e os riscos de longo prazo ainda não estejam claros. Pesquisadores agora investigam o que a exposição repetida e crônica pode significar ao longo do tempo, especialmente à medida que o consumo de água engarrafada continua a crescer no mundo todo. A água engarrafada não é estéril. Uma vez aberta, os microrganismos podem se multiplicar rapidamente. Uma garrafa pela metade deixada em um carro quente pode se tornar um ambiente ideal para o crescimento microbiano. Reutilizar garrafas de uso único também introduz bactérias da saliva e do ambiente externo. A água da torneira geralmente contém minerais benéficos, um ponto bem documentado na pesquisa em saúde pública. No Reino Unido e em outros países, o flúor é adicionado a alguns sistemas para prevenir cáries. A água engarrafada varia amplamente em teor mineral, e estudos sugerem que crianças que consomem água engarrafada com mais frequência apresentam taxas mais altas de cáries dentárias. Quão verde é a sua garrafa? Beber muita água engarrafada também pesa no planeta. O consumo global é tão alto que cerca de um milhão de garrafas plásticas são compradas a cada minuto. A empresa dinamarquesa de tecnologia hídrica Aquaporin estima que produzir um litro de água engarrafada pode exigir até duas mil vezes mais energia do que fornecer um litro de água da torneira. A pegada de carbono também é maior, com média de cerca de oitenta gramas de dióxido de carbono por litro, considerando engarrafamento, transporte e refrigeração. O debate sobre a água engarrafada não pode ser separado das pressões mais amplas que afetam os suprimentos globais de água. O acesso à água potável limpa continua sendo um desafio urgente em todo o mundo. Mudanças climáticas, rápida urbanização, poluição industrial e crescimento populacional estão pressionando os recursos de água doce. A Unesco alerta que mais de dois bilhões de pessoas já vivem em regiões que enfrentam alto estresse hídrico. Para oferecer alternativas à água engarrafada, estou trabalhando com uma equipe de pesquisadores no Solar2Water, um dispositivo portátil movido a energia solar que gera água potável limpa diretamente do ar. O sistema é descentralizado, produzindo água no ponto de uso, em vez de depender de longas tubulações ou grandes estações de tratamento. Produzir água localmente ajuda a reduzir a dependência de plásticos de uso único e diminui a pressão sobre os sistemas municipais. À medida que a pressão sobre a infraestrutura aumenta, sistemas descentralizados que produzem água potável limpa no ponto de uso podem complementar as redes existentes. Eles fortalecem a resiliência durante choques climáticos, reduzem a dependência de plásticos descartáveis e oferecem opções para comunidades onde a confiança na água da torneira foi abalada. A água engarrafada continua sendo essencial em situações de emergência ou onde a água da torneira é genuinamente insegura. Mas, na maioria dos países desenvolvidos, ela não é nem mais segura nem mais limpa do que a água da torneira. À medida que as mudanças climáticas e a poluição remodelam o acesso à água, compreender as reais diferenças entre água engarrafada e água da torneira importa mais do que nunca. *Muhammad Wakil Shahzad é professor e chefe do Departamento de Energia Avançada e Sustentabilidade, Faculdade de Engenharia Mecânica, Universidade de Northumbria, Newcastle. **Este texto foi publicado originalmente no site do The Conversation.

Palavras-chave: tecnologia

Judiciário altera normas após reportagem do g1 revelar exposição de dados de crianças e adolescentes

Publicado em: 17/12/2025 05:03

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos Após reportagem do g1 revelar que dados sigilosos de crianças e adolescentes estavam expostos em sites jurídicos, o Judiciário alterou a redação de artigos das Normas de Serviço da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo para reforçar a proteção da identidade de partes em processos que tramitam sob segredo de justiça. As mudanças foram publicadas no Diário Oficial de Justiça de São Paulo desta terça-feira (16). A apuração mostrou que nomes completos de menores apareciam em decisões judiciais e em publicações oficiais, mesmo em ações que deveriam ter sigilo absoluto, o que expôs crianças e adolescentes a constrangimentos e riscos. Com a repercussão das reportagens, a Corregedoria decidiu endurecer e detalhar as regras, deixando explícito que o nome completo das partes não pode constar nem das publicações, nem do conteúdo das decisões e sentenças. Em nota, o TJ afirmou que "trata-se de atualização das Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça para constar, de forma expressa, disposições que já estavam previstas em outros normativos vigentes. A revisão atende à necessidade permanente de atualização das Normas de Serviço e observa determinações já estabelecidas." "Ressalte-se que não houve inovação de conteúdo. A redação anterior fazia referência à sentença de forma mais genérica, enquanto o texto atualizado passou a mencionar, de maneira individualizada, cada uma de suas partes - relatório, fundamentação etc. A alteração das normas reforça a preocupação do TJSP na proteção dos dados dos processos sob segredo de Justiça", diz. Normas de Serviço da Corregedoria-Geral de Justiça – antes e depois Artigo 138 - antes e depois 🔹 Como era antes: Art. 138. Da publicação no Diário da Justiça Eletrônico a respeito de processos sujeitos ao segredo de justiça constarão as iniciais das partes. 🔹 Como ficou depois: Art. 138 – Nos processos que tramitam sob segredo de justiça, é vedada a menção ao nome completo das partes, devendo constar das decisões judiciais, das sentenças – relatório, fundamentação e/ou parte dispositiva – e das publicações no Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) apenas as respectivas iniciais. Artigo 762 – antes e depois 🔹 Como era antes: Art. 762. Para resguardar o segredo de justiça, os editais de citação limitar-se-ão aos dados essenciais à identificação dos pais ou responsáveis. Parágrafo único. Da publicação no Diário da Justiça Eletrônico a respeito de processos sujeitos ao segredo de justiça constarão as iniciais das partes. 🔹 Como ficou depois: Art. 762. Parágrafo único – Nos processos que tramitam sob segredo de justiça, é vedada a menção ao nome completo das partes, devendo constar das decisões judiciais, das sentenças – relatório, fundamentação e/ou parte dispositiva – e das publicações no Diário de Justiça Eletrônico Nacional (DJEN) apenas as respectivas iniciais. Saiba mais: Dados sigilosos de crianças e adolescentes de processos do TJ-SP vazam em sites jurídicos e expõem jovens a constrangimentos e riscos Como ocorreu o vazamento de dados de crianças e adolescentes de processos de SP; veja as principais suspeitas Após reportagem do g1, Jusbrasil identifica falha que reproduziu dados de crianças do Diário Oficial de Justiça e remove conteúdo Crianças vítimas de estupro têm dados expostos por anos em site jurídico após processo do TJ-SP vazar: 'Sempre alguém manda print' Mudança amplia proteção de dados Na prática, as normas anteriores mencionavam apenas as publicações no Diário da Justiça, sem detalhar o conteúdo das decisões e sentenças. A nova redação amplia o alcance da regra e busca impedir que nomes completos apareçam em documentos judiciais que acabam sendo replicados por plataformas privadas na internet. Falhas Depois da publicação da reportagem, o Jusbrasil, um dos sites jurídicos que divulgou informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes, identificou a falha e removeu os conteúdos. O site não sabe o número exato de dados expostos, mas afirmou que retirou centenas de processos, oriundos de fontes oficiais, só na semana passada. "A partir de investigações internas detalhadas, o Jusbrasil identificou que houve uma falha operacional em nossos mecanismos de identificação e remoção de conteúdos reproduzidos na plataforma com informações que identificam adolescentes envolvidos em atos infracionais, que foram original e indevidamente publicadas nos diários oficiais de justiça. Trata-se de um tema relevante, que demanda ação coordenada, responsabilidade compartilhada e total transparência", diz. "Diante dessa situação, revisamos imediatamente nossos fluxos internos de prevenção e monitoramento proativo, bem como conduzimos uma varredura técnica para identificar os documentos jurídicos com esse tipo de informação. Estamos removendo do site todos os conteúdos identificados até o momento com este tipo de informação em nossos sistemas. Seguimos com o monitoramento para garantir que novos casos sejam prontamente tratados. Temos um canal de atendimento que funciona 24h por dia para a solicitação de desidentificação de informações. Nos casos em que os conteúdos têm origem em diários oficiais, o pedido de desidentificação é tratado de forma imediata", completa. O Jusbrasil afirmou ainda que a exposição "contraria os princípios de proteção à infância e adolescência, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não reflete os valores da nossa plataforma". "Reconhecemos a gravidade do impacto que esse tipo de exposição pode causar a adolescentes e suas famílias", dizem. Além do Jusbrasil, o Escavador também reproduziu dados de crianças e adolescentes. O Tirbunal de Justiça segue investigando a origem do vazamento. Segundo a instituição, as apurações têm como "intuito principal esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." Os dados divulgados Como o g1 mostrou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Um desses serviços mapeou 40 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Depois da publicação da reportagem, o g1 recebeu denúncias de vazamentos também de processos de crianças vítimas de estupros e de processos de adoção (leia mais abaixo). Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz a defensora responsável pelo núcleo. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorre na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Dados de adolescente expostos em site jurídico Reprodução Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. Um desses casos é de um adolescente que cumpriu medida socioeducativa por seis meses em uma creche para crianças pequenas. O pai explica que o filho só passou a responder ao processo porque se aproximou de um adolescente que, segundo ele, era o verdadeiro responsável pelo ato infracional investigado. “O principal adolescente no processo é o 'fulano'. Meu filho acabou sendo investigado por estar perto dele, mas o juiz enxergou que ele não tinha cometido nada. Ele foi inocentado”, afirma. Sombra de adolescente, menino, garoto Navneet Kaur/Pexels O pai conta que o jovem ficava muito tempo sozinho em casa e acabou se envolvendo com um grupo que considerava perigoso, mas que o acolhia. “Ele mesmo dizia: 'Eu sabia que eles faziam coisa errada, mas eu falava que era contra. Eram as pessoas que conversavam comigo, que jogavam joguinho online comigo'.” Por isso, ele acabou recebendo uma medida socioeducativa leve, voltada para orientação. “O juiz entendeu que ele precisava aprender a selecionar amizades, a tomar cuidado com internet, com redes sociais”, diz o pai. O processo do adolescente foi arquivado após seis meses, quando a Justiça concluiu que ele não havia participado do ato infracional. Mesmo assim, passou a ser alvo de estigma na escola depois que o processo apareceu ao se digitar seu nome no Google. “Eu tenho o print do Jusbrasil. Se digitava o nome dele na internet, aparecia o processo”, disse. Ele afirma que, a partir disso, o adolescente passou a ser visto como “perigoso” e “agressivo” por colegas e funcionários. “O segurança falava no rádio: 'menino chegou, toma cuidado', como se ele fosse um ladrão”, relatou. O pai conta ainda que a coordenadora o chamou numa sala fechada e insistiu para que ele admitisse ter machucado alguém, o que ele negou repetidas vezes. A família também acredita que a escola vasculhou as redes sociais do jovem, já que um vídeo postado apenas para amigos acabou enviado ao técnico da medida. O pai diz que o conjunto dessas situações fez o filho voltar a apresentar sintomas de depressão. “Ele estava muito bem, mas voltou a ficar triste, revoltado. Parou de ir para a escola.” Hoje, o adolescente estuda em regime domiciliar. Dados sigilosos de menores em processos do TJ-SP vazam em sites 'Sempre alguém manda print' Um processo sigiloso envolvendo crimes sexuais contra crianças e adolescentes, em uma cidade da Grande São Paulo, tramitou por anos com todas as informações abertas ao público, permitindo que sites jurídicos reproduzissem o conteúdo integral, incluindo nomes completos das vítimas, endereço aproximado, escola, bairro onde moravam e detalhes suficientes para identificá-las. O material permaneceu acessível por anos no Diário Oficial da Justiça de São Paulo e no Jusbrasil, mesmo se tratando de um procedimento que deveria ter segredo absoluto, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Jusbrasil retirou o material do ar na sexta-feira (12), após o g1 acioná-lo. Um dos jovens atingidos pelo vazamento, que teve seu nome publicado tanto como vítima de abuso sexual quanto, posteriormente, como suposto aliciador, afirma que a divulgação do processo inteiro marcou sua vida. “Esse processo já me causou muita coisa ruim. Já rolou em grupos de WhatsApp, já fui exposto na minha comunidade. Eu tive que mudar de escola”, disse ao g1. O jovem explica que, embora tenha sido inicialmente tratado como se participasse dos crimes, a Justiça posteriormente reconheceu que ele era vítima, usada e manipulada pelo agressor, um militar, amigo da sua mãe, que também o havia violentado aos sete anos de idade. TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." Nova nota na quinta-feira, após publicação da reportagem: "O TJSP continua as apurações no âmbito interno nos expedientes já abertos, não tendo arquivado nenhum deles, mesmo considerando que as conclusões obtidas indicam, como já informado, que não houve vazamento de dados por parte do Tribunal. O intuito principal, como não poderia deixar de ser, é esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação. 1. Compromisso com proteção de dados e com a legislação O Escavador reafirma seu compromisso integral com: a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD); o Marco Civil da Internet (MCI); o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o chamado ECA Digital. Nosso modelo de atuação não envolve a coleta clandestina, a venda ou o vazamento de dados sigilosos. A plataforma organiza e indexa informações que já foram tornadas públicas em bases oficiais do Poder Judiciário, com o objetivo de facilitar o acesso e a compreensão de dados públicos. O Escavador não tem poder de alterar, classificar como sigiloso ou tornar público qualquer dado na origem. Toda informação exibida reflete, de forma automatizada, o status com que ela é disponibilizada pelos órgãos oficiais competentes. 2. Origem das informações exibidas A partir da análise técnica já realizada, constatamos que os processos mencionados na reportagem constavam como publicamente acessíveis em bases oficiais de consulta, incluindo a plataforma Jus.br, administrada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Nesses casos, o Escavador: apenas reproduziu e indexou informações que já estavam abertas à consulta pública; não teve participação na decisão de tornar tais dados públicos; não realizou qualquer ação de invasão, extração indevida ou quebra de sigilo. A responsabilidade pela correta classificação (público/sigiloso) dos processos e pela proteção especial de dados de crianças e adolescentes é, por lei, dos órgãos que administram esses sistemas oficiais. Ainda assim, o Escavador entende que faz parte do mesmo ecossistema de Justiça digital e, por isso, age de forma colaborativa e preventiva. 3. Medidas imediatas adotadas pelo Escavador Assim que fomos notificados sobre as alegações, adotamos, com máxima prioridade, as seguintes medidas: Remoção imediata de conteúdo Todas as páginas relacionadas aos processos citados foram prontamente removidas da plataforma, impedindo novos acessos por meio do Escavador. Reforço de rotinas de monitoramento Intensificamos nossos mecanismos de verificação e monitoramento de dados provenientes de fontes oficiais, com atenção especial a situações que possam envolver crianças, adolescentes e outros grupos vulneráveis. Colaboração técnica com o Poder Judiciário Colocamos nossa equipe técnica à disposição do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e demais órgãos competentes para: apoiar na identificação da origem das publicações indevidas em bases oficiais; colaborar em melhorias de prevenção e correção de eventuais inconsistências na classificação de processos sigilosos. As informações colhidas em nossa análise técnica estão à disposição das autoridades para quaisquer apurações que entenderem cabíveis. 4. Papel do Escavador no ecossistema de Justiça digital O Escavador é uma das mais de 20 lawtechs e legaltechs associadas à AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs) que atuam de forma legítima e transparente na organização de dados públicos, contribuindo para a democratização do acesso à Justiça. Situações em que processos que deveriam ser sigilosos aparecem como públicos em bases oficiais representam um desafio relevante para todo o sistema de Justiça digital. Por isso, o enfrentamento desse tipo de problema exige: correções na origem, nos sistemas oficiais que classificam e divulgam os dados; diálogo técnico constante entre Poder Judiciário, órgãos reguladores, especialistas em proteção de dados e empresas de tecnologia jurídica. O Escavador reitera sua postura colaborativa e responsável, colocando-se à disposição para contribuir com soluções que reforcem a proteção de dados – em especial de crianças e adolescentes – em todo o ciclo de vida da informação, desde a publicação oficial até eventuais indexadores de busca. 5. Exercício de direitos e canais de atendimento O Escavador incentiva que qualquer titular de dados exerça plenamente seus direitos de privacidade e autodeterminação informativa. Para isso, mantém canais específicos e acessíveis: Política de Privacidade https://www.escavador.com/politica-de-privacidade Formulário de Remoção de Dados Disponível na plataforma para solicitações de exclusão, ocultação ou desindexação de resultados associados a nomes de pessoas físicas ou jurídicas, analisadas com a maior brevidade possível. Canais de atendimento: contato@escavador.com dpo@escavador.com O Escavador permanece à disposição da imprensa, das autoridades e da sociedade para prestar todos os esclarecimentos necessários.

Mãe pede indenização após ter dados sigilosos de processo de adoção expostos na internet

Publicado em: 17/12/2025 05:03

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos Uma mãe que adotou uma criança em São Paulo relata ter vivido meses de medo, insegurança e sofrimento psicológico depois de descobrir que dados sigilosos do processo de adoção do filho estavam disponíveis em sites jurídicos, como JusBrasil e Escavador, apesar de o caso tramitar sob segredo de Justiça. Segundo o relato feito ao g1, informações que deveriam estar protegidas, incluindo nomes completos e detalhes do processo, ficaram acessíveis por meses e chegaram a ser removidas após pedidos, mas voltaram a aparecer repetidamente com atualizações automáticas das plataformas. O g1 também recebeu informações de que outros processos de adoção estão expostos na internet. A história faz parte de uma série de reportagens do g1 que revelou que falhas no sigilo judicial levaram à exposição indevida de dados de crianças e adolescentes, como nos casos de adolescentes infratores e vítimas de estupro de vulnerável, que relataram ter tido informações pessoais divulgadas por anos em sites jurídicos, gerando constrangimento e riscos. A mãe contou que chegou a acreditar que se tratava de um problema pontual do próprio processo, mas passou a desconfiar de um vazamento sistêmico ao perceber que os dados reapareciam mesmo após solicitações de retirada. “Eu tirava, voltava. Tirava, voltava. Teve vezes em que eu parei de receber resposta. Foi aí que percebi que o problema não era só comigo”, disse. Saiba mais: Dados sigilosos de crianças e adolescentes de processos do TJ-SP vazam em sites jurídicos e expõem jovens a constrangimentos e riscos Como ocorreu o vazamento de dados de crianças e adolescentes de processos de SP; veja as principais suspeitas Após reportagem do g1, Jusbrasil identifica falha que reproduziu dados de crianças do Diário Oficial de Justiça e remove conteúdo A exposição dos dados afetou diretamente a rotina da família. A mãe relata noites sem dormir, crises de ansiedade e medo constante de que pessoas ligadas ao passado da criança descobrissem onde ela vive. “Qualquer pessoa que eu via na rua, eu achava que podia ser alguém do passado dele. Isso mexeu com a nossa estrutura familiar”, afirmou. "Eu fiquei com medo de genitores biológicos descobrirem onde meu filho está”, completou. Segundo ela, o receio maior não é o filho descobrir os dados no futuro, mas que ele seja estigmatizado. “As pessoas podem criar rótulos, associar comportamentos à origem. O judiciário não pode permitir isso.” A mãe diz ter buscado ajuda junto ao CNJ e à Corregedoria do Tribunal de Justiça, mas relata ter recebido respostas contraditórias. Enquanto isso, afirma, os dados continuavam circulando. “Um órgão dizia que era responsabilidade do outro", diz. Ação judicial e pedido de indenização A mãe afirma que já ingressou com ação judicial pedindo indenização por danos morais, de cerca de R$ 30 mil para cada órgão envolvido. Segundo ela, o pedido tem caráter simbólico e educativo. “Não é pelo dinheiro. É para que isso não volte a acontecer com nenhuma criança”, disse. Ela também pede a responsabilização dos sites que divulgaram os dados e de buscadores que mantiveram links ativos mesmo após solicitações de remoção, com previsão de multa em caso de nova publicação. Outros casos A mãe também relatou ao g1 um outro caso que a deixou ainda mais alarmada. Segundo ela, crianças que tinham genitores criminosos tiveram dados expostos em processos judiciais, o que poderia permitir sua identificação e localização. Em alguns desses casos, as famílias adotivas vivem sob receio de retaliações ou de que pessoas ligadas ao passado dos genitores descubram onde as crianças estão. “Tem crianças que vieram fugidas de outros estados. Ninguém pode saber onde elas estão. Quando esses dados aparecem na internet, o risco é maior”, afirmou. Integrantes da Associação dos Grupos de Apoio à Adoção do Estado de São Paulo (Agaaesp) informaram ao g1 que estão reunindo dados para mapear quantos processos tiveram informações expostas em cada município. Além disso, a OAB/SP, por meio da Comissão Especial para Adoção enviou um ofício ao Tribunal de Justiça de São Paulo solicitando esclarecimentos e providências sobre o vazamento de dados. Vítimas de estupro Um processo sigiloso envolvendo crimes sexuais contra crianças e adolescentes, em uma cidade da Grande São Paulo, tramitou por anos com todas as informações abertas ao público, permitindo que sites jurídicos reproduzissem o conteúdo integral, incluindo nomes completos das vítimas, endereço aproximado, escola, bairro onde moravam e detalhes suficientes para identificá-las. O material permaneceu acessível por anos no Diário Oficial da Justiça de São Paulo e no Jusbrasil, mesmo se tratando de um procedimento que deveria ter segredo absoluto, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Jusbrasil retirou o material do ar na sexta-feira (12), após o g1 acioná-lo. Um dos jovens atingidos pelo vazamento, que teve seu nome publicado tanto como vítima de abuso sexual quanto, posteriormente, como suposto aliciador, afirma que a divulgação do processo inteiro marcou sua vida. “Esse processo já me causou muita coisa ruim. Já rolou em grupos de WhatsApp, já fui exposto na O que diz a lei O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina: segredo absoluto em processos que envolvem crimes contra crianças e adolescentes; proibição de divulgação de nomes, imagens ou informações que permitam identificar vítimas ou adolescentes em procedimentos judiciais; sanções administrativas a quem divulgar ou permitir a divulgação — incluindo agentes públicos. A Defensoria Pública de São Paulo afirma que a exposição pode gerar indenização aos jovens. Remoção de conteúdos O Jusbrasil, um dos sites jurídicos que divulgou informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes, afirmou na sexta-feira (12) que identificou a falha e removeu os conteúdos. O site não sabe o número exato de dados expostos, mas afirmou que retirou centenas de processos, oriundos de fontes oficiais, só entre quinta e esta sexta. "A partir de investigações internas detalhadas, o Jusbrasil identificou que houve uma falha operacional em nossos mecanismos de identificação e remoção de conteúdos reproduzidos na plataforma com informações que identificam adolescentes envolvidos em atos infracionais, que foram original e indevidamente publicadas nos diários oficiais de justiça. Trata-se de um tema relevante, que demanda ação coordenada, responsabilidade compartilhada e total transparência", diz. "Diante dessa situação, revisamos imediatamente nossos fluxos internos de prevenção e monitoramento proativo, bem como conduzimos uma varredura técnica para identificar os documentos jurídicos com esse tipo de informação. Estamos removendo do site todos os conteúdos identificados até o momento com este tipo de informação em nossos sistemas. Seguimos com o monitoramento para garantir que novos casos sejam prontamente tratados. Temos um canal de atendimento que funciona 24h por dia para a solicitação de desidentificação de informações. Nos casos em que os conteúdos têm origem em diários oficiais, o pedido de desidentificação é tratado de forma imediata", completa. O Jusbrasil afirmou ainda que a exposição "contraria os princípios de proteção à infância e adolescência, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não reflete os valores da nossa plataforma". "Reconhecemos a gravidade do impacto que esse tipo de exposição pode causar a adolescentes e suas famílias", dizem. Além do Jusbrasil, o Escavador também reproduziu dados de crianças e adolescentes. O Tirbunal de Justiça segue investigando a origem do vazamento. Segundo a instituição, as apurações têm como "intuito principal esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." Dados divulgados Como o g1 mostrou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Um desses serviços mapeou 40 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. "É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz Gabriele Estabile Bezerra, coordenadora Auxiliar do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave", completou. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorre na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Sombra de adolescente, menino, garoto Navneet Kaur/Pexels Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." Nova nota na quinta-feira, após publicação da reportagem: "O TJSP continua as apurações no âmbito interno nos expedientes já abertos, não tendo arquivado nenhum deles, mesmo considerando que as conclusões obtidas indicam, como já informado, que não houve vazamento de dados por parte do Tribunal. O intuito principal, como não poderia deixar de ser, é esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador "Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação."

PC com Windows 11 mais lento? Mudança da Microsoft pode ser a culpada

Publicado em: 17/12/2025 04:29 Fonte: Tudocelular

Depois de ter anunciado um aumento de desempenho para o Windows Server 2025, prometendo aumentos na velocidade de armazenamento em até 80% graças a novos recursos nativos, a Microsoft acaba de tomar uma decisão que pode cumprir o efeito oposto para computadores domésticos.Ainda na semana passada, a empresa liberou uma nova atualização para o Windows 11 25H2 e 24H2 e para o Windows Server 2025 sob o número de versão KB5072033, mas um detalhe havia passado despercebido. Nas notas de lançamento da atualização cumulativa, a empresa incluiu uma observação sobre os processos do sistema, afirmando que o Serviço de Implantação do AppX (também conhecido como Appxsvc) teve seu tipo de inicialização alterado de Manual para Automático.Clique aqui para ler mais

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AMD Ryzen AI 7 445 surge em primeiro teste vazado e deve mirar notebooks acessíveis

Publicado em: 17/12/2025 04:17 Fonte: Tudocelular

Continuando os diversos vazamentos da próxima geração de chips da AMD para notebooks, o inédito Ryzen AI 7 445 foi o modelo mais recente a ser encontrado no banco de dados do Geekbench. Sem um equivalente direto na família disponível atualmente, o componente parece mesclar especificações de CPU e GPU para oferecer um pacote simples, que deve mirar em notebooks de preço mais baixo.O processador foi visto em múltiplos resultados no Geekbench AI, benchmark dedicado a analisar a performance de um chip em Inteligência Artificial, curiosamente equipando um dispositivo da japonesa Fujitsu. A máquina possuía ainda 16 GB de RAM e sistema operacional Windows 11 Home. A parte interessante dos registros é que a família Ryzen AI 400, de codinome Gorgon Point, é esperado para chegar como uma revisão dos atuais Ryzen AI 300 Strix Point e Krackan Point, aplicando pequenas mudanças, como frequências mais altas. Com isso dito, ao observarmos a ficha técnica, o Ryzen AI 7 445 não possui um equivalente direto na geração anterior.Clique aqui para ler mais

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1º voo comercial de foguete no Brasil é adiado

Publicado em: 17/12/2025 04:02

O primeiro lançamento de um foguete comercial no Brasil, marcado para esta quarta-feira (17), foi adiado. A informação foi divulgada pela empresa Innospace, sul-coreana responsável pela produção do projétil e confirmada pela Força Aérea Brasileira (FAB). O novo lançamento está previsto para esta sexta-feira (19), na Base de Alcântara (MA). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp Em nota, a Innospace afirmou que o adiamento ocorreu para "garantir tempo para a substituição de componentes" após uma anomalia ser detectada no dispositivo de resfriamento do sistema de fornecimento de oxidante do primeiro estágio durante o procedimento de inspeção final para o lançamento. Ainda segundo a Innospace, "a medida envolve apenas a substituição de alguns componentes do sistema de refrigeração e que o foguete não apresenta defeitos estruturais". "Embora normalmente sejam necessários três dias para novas operações de lançamento, como a substituição das peças pode ser feita com o foguete já posicionado na plataforma, o lançamento poderá ocorrer dois dias depois", diz a nota. Já a FAB afirmou que "mantém suas infraestruturas, sistemas e equipes técnicas plenamente operacionais, garantindo todo o suporte necessário para a realização do lançamento, em coordenação com os demais órgãos envolvidos". O g1 solicitou um posicionamento a Agência Espacial Brasileira (AEB) sobre o adiamento, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O HANBIT-Nano Como é o foguete que fará o primeiro voo comercial partindo do Brasil? O HANBIT-Nano é capaz de atingir a atmosfera e chegar ao espaço em até três minutos, tem 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e possui 1,4 metro de diâmetro (veja mais detalhes abaixo). Em sua trajetória até a órbita da Terra, ele pode chegar a 30 mil km/h. Em números simplificados, ele equivale à altura de um prédio de sete andares, pode voar até 30 vezes mais rápido que um avião comercial e tem peso semelhante ao de quatro elefantes africanos. Batizada de Spaceward, a missão envolve um trabalho coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB). O objetivo é levar ao espaço cinco satélites e três dispositivos que auxiliarão pesquisas em mais de cinco áreas, desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia. Foguete que fará o 1º voo comercial no Brasil levará ao espaço satélites para estudos ambientais, de comunicação e análise solar 🌌🔭 O lançamento do foguete HANBIT-Nano ocorrerá em dois estágios e poderá ser visto a olho nu dos céus de Alcântara (MA) e em parte do litoral de São Luís (MA). Arte: Como é o foguete HANBIT-Nano Arte/g1 Se bem-sucedido, o lançamento pode representar um avanço do Brasil rumo ao mercado global de lançamentos espaciais. A compensação monetária paga pela Innospace ao governo brasileiro para a missão não foi informada. Ao g1, a Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a Innospace firmou um acordo de prestação de serviços pelo valor mínimo de retribuição ao Estado com o Governo Brasileiro. Essa modalidade não prevê 'lucro'. ENTENDA: Como será e por que 1º voo comercial de foguete no Brasil pode colocar país na rota do mercado espacial O foguete sul-coreano HANBIT-Nano na plataforma de lançamento em Alcântara (MA) Força Aérea Brasileira Localização 'privilegiada' Construído na década de 1980, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no litoral do Maranhão, conta com atrativos geográficos que fazem a área ser bastante atrativa e cobiçada para o lançamento de dispositivos espaciais. 📌 Dentre os motivos, está a localização próxima à linha do Equador — faz com que os foguetes gastem menos combustível e, com isso, o custo da operação seja menor. Além disso, a área fica próxima a uma ampla extensão do litoral, tem baixa densidade do tráfico aéreo e um amplo leque de inclinações orbitais para os lançamentos. 💨Quanto menor a latitude — sendo zero na Linha do Equador — , melhor é considerado o local para a realização de lançamento de foguetes. A velocidade de rotação de superfície, necessária para colocar o foguete em órbita, é maior quanto mais próximo do meridiano que divide os hemisférios Norte e Sul. Isso exige menor consumo de combustível da aeronave e menor tempo de viagem à órbita. Arte: Por que Alcântara? Arte/g1 Apesar destas qualidades, a base se tornou por décadas subutilizada. Entre os motivos, estão o grave acidente há mais de 20 anos no local e questões fundiárias. A tragédia interferiu para a consolidação do Brasil no mercado espacial, com redução da atividade em Alcântara a partir de 2003. ➡️ O acidente aconteceu há três dias do lançamento do foguete VLS-1, protótipo que colocaria em órbita dois satélites nacionais de observação terrestre. A estrutura estava montada e o dispositivo passava por ajustes finais, quando um dos motores teve uma ignição prematura e o protótipo foi acionado antes do tempo. A torre acabou explodindo e 21 civis que trabalhavam no local morreram. Já a questão fundiária levou Alcântara até à cortes internacionais. Os conflitos pela terra com as comunidades quilombolas que viviam na região antes da instalação da base viraram processos judiciais que se arrastaram por décadas. Maior desastre espacial brasileiro completa 20 anos; veja o que mudou Brasil pede desculpas e reconhece que violou direitos de quilombolas por implantação do Centro de Lançamento de Alcântara Nova fase Foguete HANBIT-Nano será lançado neste sábado (22) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) no Maranhão INNOSPACE A Operação Spaceward, que vai lançar o HANBIT-Nano, marca o início de uma nova era do Programa Espacial Brasileiro. O foguete pode inserir o Brasil no mercado global espacial, contribuir na melhora da tecnologia dos dispositivos espaciais e atrair novos investimentos estrangeiros, alavancando o Programa Espacial Brasileiro. A abertura da base ao mercado de lançamento de foguetes comerciais em Alcântara começou a se tornar possível devido a um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) assinado pelos governos brasileiro e dos EUA, em 2019. Pelo acordo, dispositivos desenvolvidos com tecnologia norte-americana e por empresas privadas autorizadas por ele, poderiam ser lançados de Alcântara, e o Brasil ficaria habilitado a receber uma compensação monetária. Isso porque são os EUA que produzem grande parte dos componentes presentes em foguetes lançados no mundo. Porém, os norte-americanos não autorizam esses dispositivos a serem lançados por países nos quais eles não possuem acordos na área espacial. Com a assinatura, em 2019, o processo foi simplificado. "Antigamente não era proibido, mas para cada lançamento que você fizesse, precisava de uma autorização especial. Agora, é muito mais fácil", explicou Marco Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Foguete da Innospace já posicionado na plataforma do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) Divulgação/Innospace

Palavras-chave: tecnologia

Custos do sistema de ônibus já subiram R$ 492 milhões neste ano em SP e pressionam Nunes a aumentar tarifa em 2026

Publicado em: 17/12/2025 04:01

Frota de ônibus da cidade de São Paulo durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Montagem/g1/Divulgação/Secom/PMSP Prestes a decidir sobre o aumento das tarifas de ônibus de São Paulo para 2026, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) tem um dilema econômico de difícil resolução: o aumento dos custos de operação dos ônibus da cidade, que subiu mais que a arrecadação da tarifa e obriga a gestão municipal a colocar mais dinheiro no sistema. De acordo com os dados públicos da SPTrans, entre janeiro e outubro deste ano o custo total do sistema já subiu R$ 492,7 milhões, na comparação com o mesmo período de 2024. No mesmo intervalo de tempo de dez meses, a arrecadação da tarifa cresceu R$ 410,3 milhões, mesmo assim obrigando a Prefeitura de São Paulo a repassar R$ 6 bilhões em subsídios às empresas até outubro, apesar do aumento de R$ 0,60 no valor do transporte no início de janeiro. Essa alta do custo acima do valor arrecadado fez aumentar em mais de R$ 81 milhões o valor do subsídio público para a operação do sistema. O custo total do sistema em 2025 já soma R$ 10,34 bilhões, enquanto a arrecadação tarifária foi de apenas R$ 4,3 bilhões. O valor de R$ 6 bilhões de subsídios é o maior da história da cidade, e nem considera os meses de novembro e dezembro. Esse repasse geral já é R$ 106 milhões maior do que o do ano passado, segundo os dados da SPTrans. O valor passou de R$ 5,9 bilhões entre janeiro e outubro de 2024 para R$ 6,030 bilhões no mesmo intervalo em 2025, conforme tabela abaixo. Em termos percentuais, o custo geral de operação do sistema de transportes da capital paulista cresceu cerca de 5% em 10 meses, valor acima da inflação de 3,92% acumulada até novembro de 2025, segundo o Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE, que mede a inflação do país. Aumento dos custos do transporte público na capital paulista em 2025, até o mês de outubro. Reprodução Se a prefeitura não tivesse aumentado o valor da tarifa em janeiro de 2025, os repasses usados para cobrir as despesas do período seriam ainda maiores. Em nota enviada ao g1, a SPTrans diz que o aumento percentual dos custos foi ainda maior: de 5,96%, quase o dobro da inflação do período, mas que não é considerada “uma disparada nos custos”. Segundo a Secretaria de Mobilidade Urbana e Transportes (SMT), “a variação de 5,96% registrada entre 2024 e 2025 está dentro do previsto no contrato de concessão e, portanto, não representa nenhum descontrole financeiro”. “Importante ressaltar que os custos da operação são influenciados diretamente por fatores alheios à administração municipal, como inflação e alterações tributárias federais. O subsídio é uma política necessária para a manutenção de benefícios como as gratuidades e a integração entre ônibus. Sem ele, a tarifa de ônibus na cidade estaria em R$ 11,78 e não em R$ 5,00”, declarou a nota. Revisão quadrienal dos contratos TCM autoriza revisão dos contratos das empresas de ônibus com a prefeitura Além dos custos anuais, o Tribunal de Contas do Município (TCM) autorizou nesta semana a revisão dos preços dos contratos com as empresas de ônibus da cidade. A revisão quadrienal, como é chamada, deveria ter sido feita em maio deste ano. E as empresas de ônibus alegam que esse atraso na revisão já gerou um prejuízo de mais de R$ 1 bilhão para as companhias que operam os 32 lotes de linhas de ônibus da SPTrans na cidade. A falta desse pagamento adicional foi o alegado pelas empresas de transporte da cidade para não pagar o 13° salários dos funcionários, que provocou a paralisação dos motoristas em 9 de dezembro. Em maio de 2024, a SMT contratou a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) para calcular o tamanho desse reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão, que está previsto no acordo firmado em 2019 com as empresas de ônibus. A Fipe, que foi contratada por cerca de R$ 1,1 milhão, concluiu haver um desequilíbrio nos contratos porque a Taxa Interna de Retorno (TIR) deveria ser de 9,88% e não de 9,1% (índice praticado atualmente pela SPTrans). O TIR é um indicador financeiro que determina a rentabilidade de uma concessão considerando os custos de execução do serviço e o retorno obtido pela empresa. É um método de reavaliação feito em várias partes do mundo que, na prática, é uma reavaliação do modelo de concessão de transportes a cada quatro anos, prevendo a deterioração e o avanço na qualidade do serviço prestado pelas concessionárias. Reunião entre prefeitura e empresas de ônibus coloca fim à paralisação de ônibus Em São Paulo, a mesma correção foi feita em 2023 para a Concessionária ViaQuatro do Metrô, da Linha 4-Amarela, que determinou que o governo de São Paulo deveria repassar R$ 682,6 milhões à empresa por perdas contratuais com a pandemia. Para a ViaMobilidade, esse valor foi de R$ 297,8 milhões, totalizando mais de R$ 980 milhões a serem pagos pelo governo paulista a essas empresas até 2040. No contexto das empresas de ônibus da capital, a revisão quadrienal significa que haverá mais custos para o sistema de transporte em 2026, que obrigarão a gestão municipal a fazer mais repasses ao sistema de transporte da cidade. O subsídio previsto para 2026 é de R$ 6,2 bilhões, segundo proposta orçamentária enviada pelo Executivo à Câmara Municipal de São Paulo. O texto deve ser votado nesta quarta-feira (17) entre os vereadores da cidade e não incluiu esses custos adicionais da revisão quadrienal. Na segunda-feira (15), o secretário de Transportes, Celso Caldeira, publicou a proposta de termo de aditamento aos contratos de concessão do serviço de transporte público de passageiros na cidade. É a autorização para celebração dos acordos para aumento no valor dos contratos das empresas. Os termos e valores desses aumentos ainda não foram divulgados pela gestão Nunes. Aumento de tarifa em 2026 Nunes diz que decisão sobre aumento da tarifa de ônibus em SP sair após 20 de dezembro A tarifa de ônibus da capital paulista ficou congelada em R$ 4,40 durante toda a pandemia e recebeu aumento apenas em janeiro de 2025, passando para os atuais R$ 5,00, alta de 13%. Em conversa com o Bom Dia SP, da TV Globo, o prefeito afirmou que a decisão sobre a tarifa de 2026 só sairia na 2ª quinzena de dezembro e dependia de estudos da SPTrans sobre os valores do custo do sistema para o próximo ano, que é eleitoral e pode ter o próprio Nunes como candidato ao governo de São Paulo. Na conversa, ele justamente afirmou que a revisão quadrianual dos contratos é que definiria o valor do transporte público da cidade no próximo ano. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite da segunda, Nunes disse que o estudo da SPTrans deve ser apresentado só depois do dia 20 de dezembro. “Não tenho como falar sobre isso [aumento de tarifa] agora. Todo final do ano, a partir do dia 20, a SPTrans traz um estudo do custo, é um estudo bem profundo. Eu não sei o que eles vão me trazer. Se eu puder, a nossa intenção é sempre diminuir impostos e tarifas, mas existe uma questão do equilíbrio”, disse o prefeito (veja vídeo acima). Se o prefeito decidir manter o valor de R$ 5, a prefeitura vai ter que colocar mais dinheiro público no sistema em 2026. E esse aumento do subsídio, segundo o especialista em transportes Ciro Biderman - professor de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV) – não incentiva a melhoria da qualidade do transporte na cidade. “O gargalo está no próprio subsídio. Porque você tem uma situação em que as empresas sabem que o que faltar dos custos será compensado ´[com recursos públicos]. Então, não tem tanto incentivo para puxar mais passageiros para o sistema e elas não se preocupam tanto [com qualidade]”, disse ao SP2. “Elas [as empresas] acabam perdendo passageiros porque os ônibus tão sempre atrasados, o passageiro fica esperando um tempão nos pontos. Eles conseguem garantir frota nova, mas não frequência. E por isso acabam perdendo passageiros e sabem que, mesmo assim, no final o subsídio vai compensá-los. Então, esse subsídio é muito perverso que acabou ficando em SP”, finalizou.

Palavras-chave: câmara municipal

SteamOS ganha funcionalidade útil relacionada aos controles Xbox

Publicado em: 17/12/2025 04:01 Fonte: Tudocelular

A Valve liberou uma atualização do cliente beta do Steam Deck que adiciona um novo aviso ao SteamOS ao detectar controles Xbox com firmware incompatível conectados via Bluetooth. A mudança busca reduzir problemas de pareamento e falhas de conexão enfrentadas por usuários do console portátil. O alerta aparece quando um controle Xbox apresenta firmware conhecido por causar incompatibilidades com o SteamOS, sistema baseado em Linux. Segundo a Valve, a medida pretende informar o usuário de forma clara sobre a origem do problema, evitando tentativas repetidas de conexão sem sucesso.De acordo com as notas oficiais da nova atualização do SteamOS, a única forma de resolver a incompatibilidade com controles Xbox segue sendo atualizar o firmware do controle em um PC com Windows, usando o aplicativo Xbox Accessories. No próprio Steam Deck, não há ferramentas para aplicar essa correção.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

Para brigar com OLED: Samsung confirma novas TVs Micro RGB mais acessíveis para 2026

Publicado em: 17/12/2025 03:28 Fonte: Tudocelular

A Samsung confirmou nesta terça-feira (16) que oferecerá em 2026 uma linha completa de TVs Micro RGB, tecnologia lançada neste ano que funciona como uma evolução do Mini LED convencional, e promete competir com o OLED ao oferecer cores intensas e brilho alto. A principal novidade da família é a expansão para tamanhos menores, que chegam às 55 polegadas, o que deve tornar esse tipo de painel um pouco mais acessível.A gigante sul-coreana apresentou sua primeiro TV Micro RGB em agosto, em tamanho único de 115 polegadas, posicionada como uma alternativa premium, apesar de ainda estar abaixo do OLED. De fato, a tecnologia Micro RGB é uma evolução do Mini LED convencional, prometendo entregar cores superiores, com 100% de cobertura da gama BT.2020, e brilho muito intenso, ultrapassando 4.000 nits. O display continua sendo LCD, precisando de uma iluminação traseira, mas tem como diferencial a adoção de novas lâmpadas Mini LED menores que, em vez de utilizarem coloração única (branco ou azul), são compostas de lâmpadas vermelhas, verdes e azuis (RGB). Já adotada por marcas como Hisense e, em breve, LG e Sony, a solução é conhecida de forma ampla como RGB Mini LED.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Google e Vivo anunciam processo para facilitar transferência de número eSIM em celulares Android

Publicado em: 17/12/2025 02:36 Fonte: Tudocelular

O Google e a Vivo anunciaram uma nova funcionalidade voltada a simplificar a transferência de linhas eSIM entre celulares Android no Brasil. A iniciativa resulta de uma parceria entre as empresas e elimina etapas tradicionais do processo, como contato com a operadora ou uso de QR Codes, ao centralizar a migração diretamente nas configurações do sistema. A novidade passa a valer para clientes Vivo com aparelhos Android e surge em um momento de transição do mercado, marcado pela substituição gradual do chip físico pelo virtual. Segundo as empresas, o objetivo envolve tornar a troca de smartphones mais rápida e totalmente digital, reduzindo atritos durante a ativação da linha.Os chips de operadora virtuais, os ditos eSIM, têm ficado cada vez mais comuns para usuários que trocam de celular constantemente ou que já possuem acesso à essa tecnologia. Para quem viaja para fora do Brasil, o recurso se mostra uma excelente opção para adquirir um número no exterior e ter acesso à internet móvel por curtos períodos. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Novo iPad mini pode vir com tela OLED e chip A20 Pro de 2 nm

Publicado em: 17/12/2025 01:50 Fonte: Tudocelular

O iPad mini pode ser um modelo avançado tanto em potência quanto em tecnologias embarcadas. De acordo com um vazamento de um kit de depuração do macOS, a Apple já estaria testando o novo modelo com o chip A20 Pro, o mesmo que deve equipar o iPhone 18 Pro. Essa pode ser a primeira vez que o tablet pequeno implementa um processador nivelado com o dos iPhones topo de linha. Algo que chama atenção é o fato de a plataforma ter a possibilidade de ser produzida com o processo de 2 nanômetros da TSMC, sendo o mais avançado da atualidade. O Apple iPhone 17 Pro Max está disponível na Mercadolivre por R$ 10.480. O custo-benefício é bom e esse é o melhor modelo nessa faixa de preço. O Apple iPhone 17 Pro está disponível na Mercadolivre por R$ 9.627. O custo-benefício é bom e esse é o melhor modelo nessa faixa de preço. O Apple iPad mini ainda não está disponível nas lojas brasileiras. Para ser notificado quando ele chegar clique aqui.O Apple iPad mini 6 ainda não está disponível nas lojas brasileiras. Para ser notificado quando ele chegar clique aqui.O Apple iPad mini 5 ainda não está disponível nas lojas brasileiras. Para ser notificado quando ele chegar clique aqui.(atualizado em 17 de December de 2025, às 06:26)Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Como será o 1º voo comercial de foguete lançado do Brasil e o que está a bordo

Publicado em: 17/12/2025 00:01

Como é o foguete que fará o primeiro voo comercial partindo do Brasil? A tarde desta quarta-feira (17) deve registrar um momento histórico para o programa espacial brasileiro. Pela primeira vez, o Brasil vai participar e coordenar ativamente o lançamento de um foguete comercial a partir do território nacional. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O lançamento do HANBIT-Nano consolida a realização de um sonho antigo, após a tragédia envolvendo o Veículo Lançador de Satélites que matou 21 pessoas, em 2003. Ao todo, cerca de 500 profissionais trabalham nos preparativos e no lançamento do foguete no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral do Maranhão, com a participação da FAB, da Agência Espacial Brasileira (AEB) e especialistas contratados pela Innospace. Foguete da Innospace já posicionado na plataforma do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) Divulgação/Innospace Veja também: Como será e por que 1º voo comercial de foguete no Brasil pode colocar país na rota do mercado espacial Segundo a Força Aérea Brasileira, os últimos detalhes já foram ajustados e o HANBIT-Nano já está posicionado para levar ao espaço cinco satélites e três dispositivos (entenda mais abaixo) que vão auxiliar em pesquisas em mais de cinco áreas desenvolvidas por entidades do Brasil e da Índia. Cronologia da contagem regressiva ... Nesta quarta-feira (17), o lançamento está programado para acontecer às 15h45. Mas antes disso, a preparação segue uma sequência rígida de etapas para garantir que tudo ocorra de forma segura. Não há garantia, inclusive, de que o lançamento irá acontecer, caso algum fator meteorológico ou técnico aponte para a insegurança da missão. Sala de operações no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) Divulgação/FAB No dia 22 de novembro, foi exatamente o risco de falha na missão que abortou o lançamento e provocou a remarcação da missão para o mês seguinte. Mas caso o foguete não seja lançado nesta quarta (17), ainda poderá acontecer durante a 'janela de lançamento', até o dia 22 de dezembro. Porém, segundo a FAB, até o momento todas as condições apontam para o sucesso na missão, que é acompanhada por equipes técnicas especializadas que atuam de forma integrada. Antes do início da contagem regressiva, serão feitos planejamentos e testes, como a verificação dos sistemas do foguete, a integração dos estágios e das cargas úteis, ensaios de comunicação e checagens de segurança. Com a ativação da cronologia, o Centro de Controle passa a comandar todas as ações do lançamento. No caso do HANBIT-Nano, estão previstas cerca de nove horas de atividades até o acionamento do motor. Durante esse período, ocorrem verificações e decisões conhecidas como “GO” ou “NO-GO”, em que cada área confirma se está tudo em condições de seguir adiante. Qualquer problema — seja no clima, nos sensores, na comunicação ou no abastecimento — pode interromper a contagem. Participam dessa fase: Todas as áreas operacionais do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), como o Centro de Controle, responsável pelas decisões da missão; A Telemetria, que acompanha os dados em tempo real; Os Radares, que monitoram a trajetória do foguete; Casamata, que coordena o disparo. Uma falha em qualquer um desses pontos pode provocar atraso, reinício da contagem ou até o cancelamento do lançamento. Nos minutos finais, a atenção se volta para os sistemas de disparo, pressão dos tanques, ignição, softwares de bordo e condições do tempo, como vento e chuva. Esses fatores estão entre as principais causas de adiamentos de lançamentos em todo o mundo. O que será lançado? O foguete levará ao espaço, para a órbita da Terra, cinco satélites e três dispositivos que vão auxiliar em pesquisas em mais de cinco áreas desenvolvidas por entidades do Brasil e da Índia. São eles: Satélite Jussara-K: Desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em parceria com startups e instituições nacionais, ele tem como missão coletar dados ambientais em regiões de difícil acesso; Satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B: Desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) serão usados para validar uma espécie de comunicação em órbita; PION-BR2 - Cientistas de Alcântara: Desenvolvido pela UFMA, em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup PION e levará ao espaço mensagens de alunos da rede pública de Alcântara; Satélite SNI-GNSS: Vai determinar com precisão a velocidade, posição e altitude do foguete e para essa tecnologia poderá ser aplicada em outros dispositivos como drones, carros e navios. Ele foi desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com as empresas Concert Space, Cron e HORUSEYE TECH; Solaras-S2: Será responsável por monitorar fenômenos solares que podem impactar comunicações, navegação e sistemas tecnológicos na Terra. Foi desenvolvido pela empresa indiana Grahaa Space; Sistema de Navegação Inercial (INS): Dispositivo vai validar um algoritmo de navegação que irá auxiliar na futura aplicação em sistemas de navegação embarcados em missões espaciais. Foi desenvolvido pela empresa Castro Leite Consultoria (CLC). Dois dos satélites que estarão a bordo do foguete HANBIT-Nano Divulgação/FAB Terá ainda, a bordo do foguete, um outro dispositivo desenvolvido pela empresa Castro Leite Consultoria (CLC), entretanto por solicitação do fabricante, a Força Aérea Brasileira (FAB) teve acesso a apenas dados de um. Como é a base de Alcântara? Infográfico: Entenda as vantagens da base de Alcântara Arte/g1 Construído na década de 1980 o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral do Maranhão foi escolhido para sediar um centro espacial que atendesse aos requisitos técnicos e logísticos do Programa Espacial Brasileiro. Um dos motivos é a extensa costa do litoral, a capacidade de abrigar lançamentos próximos a linha do Equador e de angular de órbitas. 📌A localização próxima à linha equatorial faz com que lançamentos a partir do local gastem menos combustível e tenham, consequentemente, o custo da operação reduzida. Além disso, há uma baixa densidade de tráfego aéreo na região e um amplo leque de inclinações orbitais para os lançamentos. Apesar destas qualidades, o local se tornou por décadas subutilizado. Entre os motivos para a subutilização estão o grave acidente há mais de 20 anos no local e questões fundiárias. A tragédia interferiu para na consolidação do Brasil no mercado espacial, com redução da atividade em Alcântara a partir de 2003. Como é o foguete Arte: Como é o foguete HANBIT-Nano Arte/g1 Produzido pela empresa sul-coreana Innospace, o HANBIT-Nano tem 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e tem 1,4 metro de diâmetro. Durante o seu lançamento, o foguete pode atingir uma velocidade de 30 mil km/h. A velocidade é necessária para que ele alcance a órbita e possa 'escapar' da gravidade terrestre. A viagem até atingir a atmosfera e entrar em órbita deve durar cerca de 3 minutos. 🌌🔭 O lançamento do foguete HANBIT-Nano ocorrerá em dois estágios e poderá ser visto a olho nu dos céus de Alcântara (MA) e em parte de São Luís (MA).

Palavras-chave: tecnologia

Mais rápido que um avião e capaz de chegar ao espaço em minutos: como é o foguete que fará o 1º voo comercial no Brasil

Publicado em: 17/12/2025 00:01

Como é o foguete que fará o primeiro voo comercial partindo do Brasil? Capaz de atingir a atmosfera e chegar ao espaço em até três minutos, será lançado nesta quarta-feira (17), a partir das 15h, o foguete sul-coreano HANBIT-Nano, na Base de Alcântara (MA). Este será o primeiro lançamento de um foguete comercial a partir do Brasil. O g1 fará a transmissão ao vivo do lançamento. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp 🚀 Produzido pela empresa sul-coreana Innospace, o HANBIT-Nano tem 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e possui 1,4 metro de diâmetro (veja mais detalhes abaixo). Em sua trajetória até a órbita da Terra, ele pode chegar a 30 mil km/h. Em números simplificados, ele equivale à altura de um prédio de sete andares, pode voar até 30 vezes mais rápido que um avião comercial e tem peso semelhante ao de quatro elefantes africanos. Batizada de Spaceward, a missão envolve um trabalho coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB). O objetivo é levar ao espaço cinco satélites e três dispositivos que auxiliarão pesquisas em mais de cinco áreas, desenvolvidas por instituições do Brasil e da Índia. Foguete que fará o 1º voo comercial no Brasil levará ao espaço satélites para estudos ambientais, de comunicação e análise solar 🌌🔭 O lançamento do foguete HANBIT-Nano ocorrerá em dois estágios e poderá ser visto a olho nu dos céus de Alcântara (MA) e em parte do litoral de São Luís (MA). Arte: Como é o foguete HANBIT-Nano Arte/g1 Se bem-sucedido, o lançamento pode representar um avanço do Brasil rumo ao mercado global de lançamentos espaciais. A compensação monetária paga pela Innospace ao governo brasileiro para a missão não foi informada. Ao g1, a Agência Espacial Brasileira (AEB) informou que a Innospace firmou um acordo de prestação de serviços pelo valor mínimo de retribuição ao Estado com o Governo Brasileiro. Essa modalidade não prevê 'lucro'. ENTENDA: Como será e por que 1º voo comercial de foguete no Brasil pode colocar país na rota do mercado espacial O foguete sul-coreano HANBIT-Nano na plataforma de lançamento em Alcântara (MA) Força Aérea Brasileira Localização 'privilegiada' Construído na década de 1980, o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), localizado no litoral do Maranhão, conta com atrativos geográficos que fazem a área ser bastante atrativa e cobiçada para o lançamento de dispositivos espaciais. 📌 Dentre os motivos, está a localização próxima à linha do Equador — faz com que os foguetes gastem menos combustível e, com isso, o custo da operação seja menor. Além disso, a área fica próxima a uma ampla extensão do litoral, tem baixa densidade do tráfico aéreo e um amplo leque de inclinações orbitais para os lançamentos. 💨Quanto menor a latitude — sendo zero na Linha do Equador — , melhor é considerado o local para a realização de lançamento de foguetes. A velocidade de rotação de superfície, necessária para colocar o foguete em órbita, é maior quanto mais próximo do meridiano que divide os hemisférios Norte e Sul. Isso exige menor consumo de combustível da aeronave e menor tempo de viagem à órbita. Arte: Por que Alcântara? Arte/g1 Apesar destas qualidades, a base se tornou por décadas subutilizada. Entre os motivos, estão o grave acidente há mais de 20 anos no local e questões fundiárias. A tragédia interferiu para a consolidação do Brasil no mercado espacial, com redução da atividade em Alcântara a partir de 2003. ➡️ O acidente aconteceu há três dias do lançamento do foguete VLS-1, protótipo que colocaria em órbita dois satélites nacionais de observação terrestre. A estrutura estava montada e o dispositivo passava por ajustes finais, quando um dos motores teve uma ignição prematura e o protótipo foi acionado antes do tempo. A torre acabou explodindo e 21 civis que trabalhavam no local morreram. Já a questão fundiária levou Alcântara até à cortes internacionais. Os conflitos pela terra com as comunidades quilombolas que viviam na região antes da instalação da base viraram processos judiciais que se arrastaram por décadas. Maior desastre espacial brasileiro completa 20 anos; veja o que mudou Brasil pede desculpas e reconhece que violou direitos de quilombolas por implantação do Centro de Lançamento de Alcântara Nova fase Foguete HANBIT-Nano será lançado neste sábado (22) no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) no Maranhão INNOSPACE A Operação Spaceward, que vai lançar o HANBIT-Nano, marca o início de uma nova era do Programa Espacial Brasileiro. O foguete pode inserir o Brasil no mercado global espacial, contribuir na melhora da tecnologia dos dispositivos espaciais e atrair novos investimentos estrangeiros, alavancando o Programa Espacial Brasileiro. A abertura da base ao mercado de lançamento de foguetes comerciais em Alcântara começou a se tornar possível devido a um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) assinado pelos governos brasileiro e dos EUA, em 2019. Pelo acordo, dispositivos desenvolvidos com tecnologia norte-americana e por empresas privadas autorizadas por ele, poderiam ser lançados de Alcântara, e o Brasil ficaria habilitado a receber uma compensação monetária. Isso porque são os EUA que produzem grande parte dos componentes presentes em foguetes lançados no mundo. Porém, os norte-americanos não autorizam esses dispositivos a serem lançados por países nos quais eles não possuem acordos na área espacial. Com a assinatura, em 2019, o processo foi simplificado. "Antigamente não era proibido, mas para cada lançamento que você fizesse, precisava de uma autorização especial. Agora, é muito mais fácil", explicou Marco Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Foguete da Innospace já posicionado na plataforma do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) Divulgação/Innospace

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STJ nega pedido da Novo Nordisk e mantém prazo original da patente da semaglutida no Brasil

Publicado em: 16/12/2025 22:23

O que acontece com o paladar de quem usa Ozempic, Wegovy e Mounjaro O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu negar, por unanimidade, recurso da Novo Nordisk que pedia que o Brasil estendesse a patente da semaglutida, substância usada em medicamentos como Ozempic e Rybelsus. A decisão da Quarta Turma do STJ foi tomada nesta terça-feira (16). A decisão era considerada decisiva porque poderia adiar a entrada de genéricos no país: a patente atual expira em março de 2026 e versões concorrentes já estão sob análise na Anvisa. Pela regra brasileira, as empresas têm direito há 20 anos de exclusividade com suas tecnologias a partir do pedido de patente. A empresa alega que houve atraso na avaliação no Brasil e pedia que a Justiça “devolvesse” esse período. E qual seria o impacto? Se o pedido fosse aceito, a exclusividade do Ozempic, por exemplo, que terminaria em 2026, poderia ser estendida até 2038. Enquanto a empresa tentava a Justiça, o Ministério da Saúde tem corrido para garantir novas versões brasileiras: a pasta pediu que a Anvisa acelere a aprovação de 20 novas canetas de semaglutida e liraglutida. Com isso, assim que a patente cair, o mercado nacional teria várias opções -- o que baratearia o produto. Com isso, segundo especialistas, a decisão do STJ pode influenciar diretamente o acesso ao tratamento no país: Apesar de ser uma doença multifatorial e não defenderem a caneta como única opção, especialistas apontam que esses medicamentos podem ser ativos importantes no tratamento na rede pública, que não tem, hoje, nenhum medicamento disponível. A única opção é a bariátrica, mas que também não chega a todo mundo – apenas 10% de todas as cirurgias são feitas pelo SUS. A queda das patentes deve abrir espaço para genéricos com preços mais acessíveis, o que pode permitir a inclusão na rede pública. ☑️ O que é a semaglutida? A semaglutida é um análogo (substância muito parecida) ao hormônio GLP-1. Nosso corpo produz esse hormônio e ele é secretado principalmente pelas células do intestino. Ele vai até o cérebro, no hipotálamo, e estimula algumas células, diminuindo o apetite. Com isso, vem sendo usada no tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade. Controle sobre venda de Ozempic e similares no Brasil Adobe Stock O alto custo é justamente o entrave no acesso: Segundo o Ministério da Saúde, no cenário de hoje, seriam gastos R$ 8 bilhões por ano para atender os pacientes. Com isso, a inclusão na rede pública foi rejeitada. "Esse valor representa quase o dobro do orçamento do Farmácia Popular em 2025. Com a entrada de novos medicamentos genéricos no mercado e aumento da concorrência, os preços devem cair de forma significativa - em média, estudos apontam que os genéricos induzem queda de 30% nos preços. Esse é um fator determinante para a análise de sua possível incorporação ao SUS", afirma o Ministério da Saúde. A chegada das canetas na rede pública seria o primeiro passo em um tratamento contra obesidade, segundo especialistas. Hoje, quem tem a doença recebe medicamentos apenas para a comorbidade como diabetes, hipertensão, gordura no fígado. Não há nada que ajude a tratar a raiz do problema, que é o excesso de peso. Para a saúde pública, quanto maior a concorrência menor o custo. Por outro lado, representantes da indústria afirmam que restringir as possibilidades de extensão reduz o tempo efetivo de proteção — que pode cair para poucos anos devido à demora do INPI — e desestimula investimentos e inovação no país. O que foi discutido no STJ? O medicamento vem revolucionando – segundo especialistas – o tratamento para as doenças. Recentemente, foi incluído pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na lista de medicamentos essenciais para para casos diabetes tipo 2 com comorbidades associadas. A substância está aprovada no Brasil pela Anvisa desde 2018, com a chegada do Ozempic, produzido pela Novo Nordisk. Depois, a empresa anunciou a chegada do Rybelsus, uma versão da semaglutida não em caneta, mas em comprimido. 🔴 Muito antes de ser aprovado pela Anvisa, a Novo Nordisk havia acionado o INPI, que é responsável pelas patentes no país, para registrar o medicamento e a tecnologia. Patentes são mecanismos legais que garantem exclusividade de exploração de um produto ou tecnologia por um período determinado — no caso brasileiro, 20 anos. Esse também é um prazo padrão na Europa, por exemplo. A lógica é permitir que empresas recuperem investimentos em pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, havia um adicional na lei que permitia que a patente fosse estendida se a empresa pedisse, mas isso foi mudado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na pandemia com as discussões sobre a vacina contra a Covid-19. Com a mudança, empresas deixaram de ter esse “tempo extra” e passaram a acionar a Justiça para tentar recompor o prazo. O que a Novo Nordisk alega é que o instituto demorou para dar o registro e isso fez com que ela fosse prejudicada no tempo de exploração da tecnologia que desenvolveu. No caso do Ozempic, ela alega que o atraso chegou a 12 anos. A decisão do STF colocou o Brasil no mesmo patamar regulatório que a Europa. Então, não é nenhum absurdo que seja assim. São 20 anos a partir da publicação preliminar porque isso dá à empresa o direito de processar alguém que copiar a ideia. Então, em tese a empresa poderia começar a explorar e teve o tempo que é de direito mantido. De acordo com a defesa do laboratório EMS, o STJ aplicou entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2021, segundo o qual não há previsão no ordenamento jurídico brasileiro para a prorrogação de patentes em razão de atrasos administrativos na análise pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). “A Corte Superior deixou claro que não há autorização legal para a extensão do prazo de patentes. Com isso, ganha a coletividade e o Sistema Único de Saúde poderão ter acesso à semaglutida a preços mais baixos”, afirmam os advogados Guilherme Coelho e Elias Nóbrega, sócios do escritório Bermudes Advogados. Como isso pode afetar quem trata obesidade? A decisão do STJ ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta o crescimento da obesidade. Hoje, 7 em cada 10 adultos estão acima do peso, e 31% já são obesos. A doença cresce mais rapidamente entre as populações que dependem do SUS, o que aprofunda desigualdades. Para especialistas, o país já vive um cenário crítico que exige políticas preventivas e ampliação do acesso a tratamentos eficazes. Apesar da dimensão do problema, o tratamento disponível na rede pública é limitado. O SUS não oferece nenhum medicamento específico para obesidade. O cuidado se concentra nas consequências — diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares — e não na doença em si. ➡️ A única alternativa terapêutica disponível é a cirurgia bariátrica, mas o acesso é restrito: apenas 10% de todos os procedimentos feitos no país, são feitos no sistema de saúde público. É nesse contexto que a chegada de versões genéricas das canetas de semaglutida e liraglutida é vista como estratégica pelos especialistas. Apesar de reforçarem que não pode ser vista como única medida, já que a obesidade é uma doença multifatorial e que exige tratamento multidisciplinar e melhoria no acesso à alimentação de qualidade para a população. O g1 conversou com pesquisadores e especialistas de mercado que explicam que com a queda de patente, os preços das canetas devem cair. Assim como aconteceu com a liraglutida, que a EMS passou a produzir a versão brasileira por R$ 300 cada caneta. Segundo os especialistas, a rapidez com que os preços podem cair depende da resposta do mercado. Ou seja, quantas canetas já estariam disponíveis. Nesta segunda-feira (9) o Ministério da Saúde confirmou que pediu urgência na análise de 20 canetas, algumas delas de semaglutida, na Anvisa. A agência ainda vai analisar os casos, mas há a expectativa de pelo menos duas marcas aprovadas ainda este ano. Isso pode criar um cenário em que, se mantendo a queda da patente, o mercado nacional já teria novas opções -- movimento que reduziria os preços. A pesquisadora Lia Hasenclever, que estuda o impacto de patentes no sistema público de saúde, afirma que, normalmente, quando o medicamento perde a patente, a queda de preço depende da concorrência. "Com o movimento das empresas e do Ministério da Saúde, já temos sinais de que esse valor começa a cair e essa queda pode ser drástica”, aponta Lia. 💸 Hoje, uma caneta custa cerca de R$ 1 mil, o que torna o tratamento inviável para a maioria da população, até mesmo para o SUS. 🔴 Em agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) chegou a debater a inclusão das canetas, mas deu parecer contrário por causa do alto custo. Segundo o Ministério da Saúde, no cenário de hoje, seriam gastos R$ 8 bilhões por ano para atender os pacientes. Enquanto isso, na contramão de quem espera pelo remédio na rede pública, há uma exploração estética do medicamento, que revela uma desigualdade no acesso à saúde no país. Estamos vendo pessoas fazendo o uso estético desses medicamentos. Enquanto isso, pacientes que precisam não têm acesso. Isso cria uma desigualdade no tratamento, só quem tem dinheiro tem direito de tratar a obesidade? Não pode ser assim. A médica endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora de advocacy na Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), explica que a realidade no SUS de quem tem obesidade é de não ter acesso a um tratamento efetivo. Existe um ciclo vicioso em que só se controla as doenças causadas pela obesidade, não ela em si. E aí a vida do paciente é tomar dois ou três medicamentos para a hipertensão, um medicamento para o colesterol, medicamentos para as dores. Uma vez que essas medicações ficam disponíveis no SUS, a gente vai conseguir tratar melhor dos pacientes. Seria uma revolução para o sistema. A especialista reforça que espera que se houver uma incorporação, isso deve acompanhar o rigor de outras medicações para a prescrição, que seja analisado caso a caso a necessidade e que o paciente tenha suporte de nutricionista e outras especialidades para tratar de forma ampla a doença. “Isso pode abrir portas para um tratamento mais estruturado no sistema público e revolucionar a longo prazo a saúde. Hoje, as doenças que mais custam ao país são consequências da obesidade. Reduzir esses índices é custar menos ao sistema”, explica Melo.

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