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Marina, heliponto e mansões: cidade submersa pelas águas de Furnas vira novo refúgio de milionários em MG

Publicado em: 11/04/2026 04:01

Guapé, cidade de MG submersa pelas águas de Furnas, vira novo refúgio de milionários Guapé, no Sul de Minas Gerais, tem uma história marcada pela água. Na década de 1960, grande parte do município foi inundada com a formação do Lago de Furnas. Ruas, casas e áreas agrícolas desapareceram. Mais de 60 anos depois, o lago que mudou o território voltou a ganhar protagonismo — desta vez como motor de turismo, investimentos e transformação econômica. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram 📺 Durante duas semanas, o g1 Sul de Minas e a EPTV percorreram o Lago de Furnas na expedição especial “Travessia das Águas”, que mostrou a dimensão, a importância econômica e as histórias de quem vive da água em torno do maior reservatório de água doce do Sudeste e um dos maiores do Brasil. Além das reportagens especiais no portal e de conteúdos exibidos nos telejornais da EPTV, foi possível acompanhar os bastidores da expedição em um diário de bordo em tempo real. 📹 Reveja os bastidores da viagem Guapé (MG) renasce às margens de Furnas e atrai investimentos de alto padrão Divulgação Um município moldado pela água Guapé fica em uma posição singular no Lago de Furnas. É o único município localizado entre os dois maiores rios que formam o reservatório: o Rio Grande e o Rio Sapucaí. “A qualidade da água aqui é extremamente limpa e profunda para navegação. Guapé tem cerca de 220 quilômetros de orla. É um diamante a ser lapidado”, afirma Lenilton Soares, presidente da Associação Guapeense de Turismo (Aguatur). O nome da cidade vem de uma palavra indígena associada a plantas aquáticas, numa referência simbólica aos “caminhos nas águas” — significado que só ganharia dimensão real décadas depois. À beira de Furnas, Guapé (MG) vive boom imobiliário e expansão do turismo Oswaldo Henrique/EPTV 🌊 Parte do município foi inundada nos anos 1960 com a criação do Lago de Furnas 🏠 Ruas, casas e áreas agrícolas desapareceram sob as águas 🔄 Mais de 60 anos depois, o lago deixa de ser símbolo de perda e vira motor de desenvolvimento A chegada de Furnas e o impacto social Com o fechamento das comportas da Usina Hidrelétrica de Furnas, em 1963, as águas avançaram rapidamente sobre Guapé. Em poucos meses, quase toda a área urbana original foi submersa. Ao todo, cerca de 206 km² do território municipal ficaram debaixo d’água, incluindo as terras mais férteis. “Quando foi anunciado o lago, muita gente não acreditou. Só acreditaram quando viram a água chegando. Foi um momento de desespero”, relembra o escritor e ativista cultural Felipe José Dutra. Segundo ele, o impacto foi profundo, principalmente para uma população majoritariamente pobre. “As pessoas tiveram que desmanchar as próprias casas para reaproveitar o material. A cidade foi reconstruída na resistência. Muita gente perdeu tudo e foi embora. Hoje, a gente costuma dizer que existem mais guapeenses fora de Guapé do que dentro”, explica. Leia também: Engolida pelas águas de Furnas, cidade mineira se reconstrói e busca futuro além da hidrelétrica no turismo ‘Trancosinha’ mineira: conheça o vilarejo no Lago de Furnas que aponta como novo roteiro turístico impulsionado pelas redes sociais Piscicultura, espécies exóticas e poluentes alteram ecossistema do Lago de Furnas; veja os riscos à água e à fauna Diretor Gabriel Villela transforma casa histórica às margens de Furnas em refúgio criativo do teatro brasileiro Conheça 'Gilda', a garça que criou rotina com dona de pousada e aceita peixe na mão no Lago de Furnas Pesca no Lago de Furnas sustenta famílias e impulsiona turismo, mas enfrenta desafios no Sul de Minas Do camping à lancha: 5 rotas para explorar o Lago de Furnas e aproveitar o melhor de cada região Casa no meio da água? Flutuantes viram 'point' e transformam o Lago de Furnas em novo polo de experiências turísticas Furnas: lago criado para ser ‘caixa d’água do Brasil’ tem 11 vezes o volume da Baía de Guanabara e 'cidades submersas' De cidade inundada a refúgio de alto padrão: a virada econômica de Guapé (MG) Júlia Reis/g1 Reconstrução e adaptação A nova Guapé foi construída em áreas mais altas, à beira do lago. A cidade passou a ter formato de península, cercada pela água. Mas os primeiros anos foram difíceis. As áreas planas, ideais para agricultura, ficaram submersas. Restaram terrenos de cerrado e encostas, inicialmente pouco produtivos. “Guapé ficou um tempo estagnada, em situação muito difícil. A retomada veio só depois, com a correção do solo, a agricultura moderna e a pecuária”, afirma Felipe Dutra. A partir da década de 1970, a assistência técnica e novas tecnologias permitiram a produção de café, grãos, carne e leite, dando fôlego à economia local. Guapé (MG) transforma passado submerso em ativo turístico e econômico Oswaldo Henrique/EPTV O lago como vocação turística Com o tempo, a relação de Guapé com Furnas passou a mudar. O lago deixou de ser apenas memória de perda e passou a ser visto como ativo natural e econômico. Hoje, o município reúne turismo náutico, pesca autorizada, cachoeiras, trilhas e esportes de aventura. Segundo estimativas da IGR Nascentes das Gerais e Canastra, Guapé recebe de 80 mil a 120 mil visitantes por ano. “O potencial turístico de Guapé é enorme. Além da água, temos agroturismo, pequenas propriedades e agora também o enoturismo”, destaca Lenilton Soares. 🔁 Furnas deixou de ser só memória de perda e virou oportunidade 👥 Guapé recebe entre 80 mil e 120 mil visitantes por ano 🍇 Além da água, cresce o agroturismo e o enoturismo Empreendimentos de alto padrão e novo perfil de visitante Nos últimos anos, especialmente após a pandemia, Guapé passou a atrair um novo público. Pessoas de grandes centros urbanos buscam tranquilidade, natureza e qualidade de vida — muitas delas como investidores. “Esse crescimento mais estruturado e voltado ao alto padrão ficou muito evidente nos últimos anos. Hoje temos compradores de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e até do exterior”, explica a corretora Flávia Rangel, que atua no mercado imobiliário local. Turismo, natureza e luxo: Guapé (MG) entra na rota de investidores do Sudeste Divulgação Empreendimentos com marinas privativas, aeródromos e helipontos passaram a fazer parte do cenário. “O cliente hoje consegue chegar de lancha, helicóptero ou avião”, afirma Flávia. “Isso posiciona Guapé como um destino muito mais completo dentro do Lago de Furnas.” 🏙️ Investidores de SP, BH, RJ e até do exterior descobrem Guapé ✨ Empreendimentos com marinas, helipontos e aeródromos 🚁 Visitantes chegam de lancha, helicóptero ou avião 📈 Lotes dobraram de valor em poucos anos Economia aquecida e efeitos locais A movimentação já impacta a economia. A construção civil cresce, bares, restaurantes e pousadas se fortalecem, e novas funções surgem no mercado de trabalho local. “Esse mercado de alto padrão simplesmente não existia aqui dez anos atrás. “Hoje, a procura explodiu. Lotes que custavam R$ 80 mil há três anos já foram negociados por R$ 160 mil.””, conta o corretor Éverton Rubens Teixeira. Segundo ele, além da valorização imobiliária, surgiram novas oportunidades. “Hoje tem piloto de lancha, jardineiro, camareira, aluguel por temporada, marina. O lago está em movimento o tempo todo.” Guapé (MG), cidade reconstruída após inundação, agora aposta no alto padrão e na natureza Divulgação Crescimento e planejamento O avanço também desperta preocupação com infraestrutura, custo de vida e planejamento urbano. A prefeitura afirma que acompanha o crescimento com cautela. “O desenvolvimento é bem-vindo, gera emprego, renda e divulga Guapé, mas precisa acontecer com equilíbrio. O nosso compromisso é garantir que quem já vive aqui cresça junto, com dignidade e qualidade de vida”, afirma o prefeito Pedro Luis Simões (PL). Segundo ele, antes de grandes novos projetos, a prioridade é estruturar a cidade. “Estamos organizando a casa, investindo em acessos, saúde, infraestrutura e planejamento urbano. O crescimento precisa ser seguro e sustentável.” Com marinas e helipontos, Guapé ganha destaque no turismo de luxo em Minas Gerais Divulgação 🕯️ Guapé carrega duas cidades: a submersa e a reconstruída 🌊 O lago que causou ruptura virou um dos maiores ativos do município 🔗 Desafio atual: unir desenvolvimento, preservação e história 🚀 A cidade transforma sua geografia única em oportunidade de futuro Entre memória, água e futuro Guapé hoje carrega duas cidades em sua história: a que ficou sob as águas e a que surgiu depois delas. O lago que provocou uma das maiores rupturas do município virou também um dos seus principais ativos. “Furnas foi uma ruptura completa. A cidade teve que mudar até a forma de enxergar o mundo”, resume Felipe Dutra. Entre memórias submersas e novos empreendimentos à beira d’água, a cidade segue tentando transformar sua geografia única em desenvolvimento com planejamento, preservação e identidade. Infográfico - Usina de Furnas em números Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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R$ 500 mil por ano: jovens americanos abandonam a faculdade e fazem fila por vagas na construção civil

Publicado em: 11/04/2026 04:01

Jovens americanos estão abandonando a faculdade para trabalhar na construção civil PMBV. Em vez de mochilas rumo à faculdade, barracas na calçada. Reportagem do "The New York Times" mostra que jovens dos Estados Unidos estão virando a madrugada em filas por vagas na construção civil, de olho em salários mais altos e em um tipo de trabalho que, ao menos por enquanto, a inteligência artificial não consegue executar. Segundo a reportagem, cenas como essas têm se tornado cada vez mais comuns no mercado de trabalho dos EUA, especialmente em Nova York. A disputa é tão intensa que, em alguns casos, as empresas esgotam as inscrições em poucos minutos, com cerca de uma centena de pessoas concorrendo a menos de 20 vagas. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 O perfil de quem busca esse caminho também mudou. Antes, os candidatos costumavam ter mais de 30 anos. Agora, a maioria está na casa dos 20, com um número crescente de jovens que vão direto do ensino médio para a construção civil, sem sequer passar pela faculdade. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 A mudança ocorre em um momento pouco animador para quem tenta entrar no mercado de trabalho tradicional. Dados citados pelo jornal mostram que, em Nova York, o número de vagas de nível inicial caiu 37% entre 2022 e 2024. "Os jovens estão tendo cada vez mais dificuldade para conseguir emprego", afirmou ao jornal Mark Levine, auditor financeiro da cidade. Para ele, a tendência acende um alerta sobre o rumo da economia. Muitos dos jovens ouvidos pela reportagem relataram frustração após se candidatar a diversas vagas, principalmente no varejo e em funções administrativas, sem receber retorno. Para eles, a construção civil passou a parecer uma alternativa mais concreta e previsível. Medo da inteligência artificial pesa na decisão Outro fator decisivo é o avanço da inteligência artificial. Segundo o jornal, uma pesquisa da Universidade de Harvard revelou que a maioria dos jovens americanos acredita que a tecnologia ameaça suas perspectivas profissionais. Outro relatório, agora da Universidade de Stanford, reforça essa percepção ao apontar queda significativa no emprego de jovens em áreas mais expostas à automação, como programação e atendimento ao cliente. Trabalhos manuais, como construção, manutenção e instalações, são vistos como menos vulneráveis. Entrevistados pelo jornal afirmaram que a possibilidade de exercer uma função pouco suscetível à automação pesou na decisão de mudar de carreira. Salários chamam atenção Além da sensação de segurança, o salário também pesa. Aprendizes sindicalizados recebem pagamento por hora e benefícios, como plano de saúde, desde o início do treinamento. Segundo líderes sindicais ouvidos pelo "The New York Times", em algumas especializações os salários podem chegar a cerca de US$ 100 mil (aproximadamente R$ 508 mil) por ano, após a conclusão dos programas de aprendizagem. O resultado é uma corrida por vagas. Em Nova York, o sindicato dos trabalhadores do ferro registrou aumento de 20% no número de candidatos nos últimos dois anos. Já o setor de acabamento teve crescimento de 50% entre 2023 e 2024. As redes sociais ajudaram a impulsionar esse movimento. Perfis que avisam quando as inscrições se abrem passaram a atrair jovens que antes sequer cogitavam trabalhar na construção civil. Faculdade deixa de ser o único caminho Para pesquisadores, o fenômeno revela uma mudança de mentalidade. Melissa Shetler, especialista da Universidade Cornell, disse ao jornal que a faculdade vem perdendo o status de único caminho para o sucesso profissional. “Por muito tempo, existiu a promessa de que ir para a universidade garantiria ascensão social (...) Essa geração está percebendo que isso nem sempre acontece e está encontrando orgulho e senso de pertencimento em outro tipo de trabalho.” Ainda assim, a decisão nem sempre é simples para as famílias, especialmente por se tratar de uma carreira fisicamente exigente. Muitos jovens relataram ter enfrentado resistência ou preocupação dos pais ao optar pela construção civil. Mais obras, mais vagas O aumento da procura ocorre em meio a investimentos em infraestrutura. Segundo o "The New York Times", a prefeitura de Nova York anunciou que US$ 7 bilhões (R$ 35,6 blhões) m projetos da cidade seguirão acordos trabalhistas com sindicatos. A expectativa é criar cerca de 30 mil novas vagas de aprendizagem até 2030. Programas municipais de formação profissional e organizações sem fins lucrativos também registraram alta procura. Em um curso de eletricista citado pelo jornal, mais de 250 pessoas disputaram apenas 18 vagas. "Há muito trabalho vindo pela frente", afirmou o presidente do conselho sindical de construção, Gary LaBarbera, ao jornal.

OpenAI, dona do ChatGPT, vê ameaça da IA ao emprego e defende semana de 4 dias

Publicado em: 11/04/2026 03:00

Sam Altman, CEO da OpenAI Yuichi YAMAZAKI / AFP Um relatório da OpenAI, dona do ChatGPT, propõe que o avanço da inteligência artificial não seja usado apenas para aumentar lucros, mas também para ampliar o bem-estar da população. O documento da bigtech, intitulado "Política Industrial para a Era da Inteligência", foi divulgado neste mês. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Nele, a empresa afirma que, enquanto novas formas de trabalho surgirão, "alguns empregos desaparecerão" e indústrias inteiras serão remodeladas em uma velocidade sem precedentes históricos. Entre as propostas apresentadas, a OpenAI defende a redução da jornada de trabalho sem corte de salários. A sugestão é incentivar testes com semanas de quatro dias (32 horas), mantendo os níveis de produção e serviço. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Segundo o relatório, o tempo economizado com a automação de tarefas poderia ser convertido em folgas ou em uma jornada menor. A empresa argumenta que a automação de atividades repetitivas e administrativas tende a liberar tempo, que deveria ser "devolvido" aos trabalhadores. O documento também sugere ampliar contribuições para aposentadoria e oferecer apoio para cuidados com filhos e idosos. Outro ponto destacado é a participação dos funcionários na adoção da IA nas empresas. A OpenAI diz que trabalhadores deveriam ter voz formal nesse processo, ajudando a definir como a tecnologia será usada, com foco na redução de tarefas perigosas ou exaustivas, e não apenas no aumento da produtividade ou da vigilância. O relatório também menciona a criação de um fundo para distribuir parte dos ganhos econômicos gerados pela IA à população, independentemente da renda. Por fim, a empresa afirma que a IA deve ser tratada como infraestrutura essencial, semelhante à eletricidade e à internet, e defende a oferta de versões acessíveis da tecnologia para pequenos negócios e comunidades de baixa renda. Golpistas criam páginas falsas para vender ingressos de shows do BTS no Brasil O que acontece com seus dados na internet quando você morre? ECA Digital: estão em vigor as novas regras para menores em redes sociais, jogos e sites

Anthropic no Brasil: dona do Claude prepara escritório no país e inicia contratações

Publicado em: 11/04/2026 03:00 Fonte: Tudocelular

A Anthropic, startup de inteligência artificial responsável pelo assistente Claude, está estruturando sua chegada oficial ao Brasil. Segundo informações da Bloomberg Línea, a empresa planeja inaugurar um escritório em São Paulo ainda em 2026, visando consolidar sua presença no terceiro maior mercado global da plataforma. A decisão sinaliza uma ofensiva direta contra a hegemonia da OpenAI no território nacional, focando especificamente no atendimento de grandes contas. A operação brasileira terá como prioridade absoluta o segmento enterprise, atendendo corporações que demandam segurança e escala em modelos fundacionais de IA. Fontes familiarizadas com o assunto indicam que o processo de recrutamento para a equipe comercial já foi iniciado, inclusive com a contratação de ao menos um profissional estratégico para desbravar o mercado local. A instalação em solo paulista deve encurtar a distância entre a Anthropic e os 'unicórnios' — as startups que valem mais de um bilhão de dólares — e outras empresas de tecnologia em franca expansão.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Aparelho inovador criado em universidade do RS ajuda jovem que perdeu movimentos após AVC a se recuperar: 'Surpreendente'

Publicado em: 11/04/2026 02:00

Ana Moraes/Arquivo Pessoal Um equipamento que ajuda a reabilitar pacientes em estado grave foi desenvolvido pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). A função do aparelho é ajudar pacientes acamados a mover, de forma automatizada, os membros inferiores. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O procedimento, que até então era feito manualmente, garante mais conforto e bem-estar aos pacientes. Segundo a fisioterapeuta Fernanda Trubíán, que ajudou a desenvolver o Autofisio 500, o estímulo aumenta as chances de recuperação. “Pacientes acamados tendem a apresentar uma série de complicações associadas à imobilidade, como rigidez articular, perda de força muscular, dor, edema e até piora da circulação. A mobilização passiva, nesse contexto, é fundamental para manter as articulações em movimento, preservar as propriedades musculoesqueléticas e favorecer a circulação”, explica. Oito unidades do aparelho são testadas na Clínica de Fisioterapia da UCS, em pacientes com sequelas motoras, causadas por problemas neurológicos. Um desses casos é o da Ana Moraes, de 26 anos. Em abril de 2025, a jovem sofreu um AVC e passou por cirurgia. Ficou 21 dias internada; 15 deles, em coma induzido. Quando acordou, não conseguia falar, escrever, nem mover o lado direito do corpo. “Desde então, estou em um processo intenso de reabilitação, com terapia ocupacional, acompanhamento psicológico, fisioterapia e fonoaudióloga. Hoje, minha rotina é totalmente voltada para essa recuperação”, conta. Graças ao Autofisio 500, a evolução dela é considerada surpreendente. “Os profissionais que me acompanham destacam isso com frequência. Hoje, já não preciso mais de cadeira de rodas nem de apoio para caminhar. Uso apenas uma órtese no pé em caminhadas mais longas.” Equipe que desenvolveu projeto. Bruno Zulian/UCS/Cedidas Foram cinco anos de estudos para desenvolver o equipamento. O trabalho foi realizado com aporte de mais de R$ 3 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com uma empresa do setor privado. O projeto foi coordenado pelo diretor-técnico do Hospital Geral de Caxias do Sul, Alexandre Avido. Para Fernanda, ver o projeto sair do papel é um misto de felicidade e expectativa. “Gera uma grande responsabilidade em continuar pesquisando e aprimorando a tecnologia, para que ela realmente contribua, de forma segura e eficaz, tanto para os pacientes quanto para a prática clínica dos fisioterapeutas”, completa. A Ana, como paciente, considera um privilégio participar das sessões de teste: “poder ter acesso a uma tecnologia inovadora como essa, que está contribuindo diretamente para a minha evolução e para os outros pacientes que vão utilizá-la, é algo que faz toda a diferença.” Equipamentos criado na UCS ajuda a reabilitar pacientes com sequelas motoras. Bruno Zulian/UCS/Cedidas VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: tecnologia

Astronautas da Artemis II estão felizes, saudáveis e prontos para voltar para casa, diz Nasa

Publicado em: 11/04/2026 01:46

Artemis II pousa no mar às 21h07; veja momento Os quatro astronautas da missão Artemis II estão “felizes, saudáveis e prontos para voltar para casa”, informou a Nasa neste sábado (11), após o pouso da cápsula Orion no Oceano Pacífico. A nave pousou às 21h07 (de Brasília), perto da costa de San Diego, nos Estados Unidos, encerrando a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. Após a chegada à Terra, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen foram resgatados por um helicóptero e levados até um porta-aviões dos Estados Unidos, onde passam por exames médicos. Até a última atualização desta reportagem, a Nasa não havia dado mais detalhes sobre os exames. Por outro lado, o diretor de voo da missão, Rick Henfling, afirmou que a tripulação apresentou bom estado após o resgate. “Vimos a tripulação algumas vezes depois que eles saíram da nave. Todo mundo estava feliz e com boa saúde. E tudo o que temos ouvido dos médicos é que a tripulação está bem, saudável e pronta para voltar para Houston”, disse. A expectativa é que os astronautas cheguem a Houston ainda neste sábado. Os astronautas Victor Glover e Christina Koch sentados em um helicóptero no convés do USS John P. Murtha NASA/Bill Ingalls Pouso A etapa final foi marcada por uma desaceleração extrema. Em poucos minutos, a nave reduziu sua velocidade de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h antes do impacto controlado no mar. A maior parte dessa redução aconteceu durante a reentrada na atmosfera, quando o atrito com o ar funciona como um “freio natural” e gera temperaturas superiores a 2.700 °C ao redor do escudo térmico. Após essa fase mais intensa, a cápsula iniciou a abertura dos paraquedas em etapas. Primeiro, os de estabilização ajudaram a controlar a trajetória. Em seguida, os três paraquedas principais entraram em ação, permitindo uma descida segura até o splashdown. Gif mostra pouso da cápsula oreon no mar Reprodução Com o pouso concluído, equipes de resgate da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos iniciaram a operação para retirada dos astronautas. A tripulação deixou a cápsula por volta das 22h e foi levada de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passará pelas primeiras avaliações médicas antes de seguir para o continente. A Artemis II marca o retorno de voos tripulados ao entorno da Lua desde o programa Apollo, na década de 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas —Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen— viajaram mais de 1,1 milhão de quilômetros, testando sistemas essenciais para as próximas etapas da exploração espacial. O sucesso da missão abre caminho para a Artemis III, prevista para os próximos anos, que deve levar astronautas de volta à superfície lunar e inaugurar uma nova fase de presença humana fora da Terra. Gif mostra cápsula desacoplando Reprodução ⏱️ Passo a passo do retorno da Artemis II Acompanhe os principais momentos da reentrada da cápsula Orion (horários de Brasília): ✅ 20h33 — Separação do módulo de serviço; escudo térmico fica exposto para a reentrada ✅ 20h37 — Queima de motores ajusta o ângulo de entrada na atmosfera ✅ 20h53 — Cápsula atinge 122 km de altitude; começa a reentrada e o apagão de comunicação (blackout) ✅ 21h03 — Abertura dos paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude ✅ 21h04 — Abertura dos três paraquedas principais, a cerca de 1,8 km ✅ 21h07 — Splashdown no Oceano Pacífico, a cerca de 32 km/h ➡️ Após o pouso: Equipes de resgate se aproximaram da cápsula. Tripulação foi retirada por volta das 22h Astronautas seguem de helicóptero para o navio USS John P. Murtha. Depois, retornam ao Centro Espacial Johnson, no Texas. A descida intensa Durante a descida, os astronautas enfrentaram forças de até quase quatro vezes a gravidade da Terra. Para tornar essa desaceleração suportável ao corpo humano, a cápsula entra na atmosfera em um ângulo muito específico, o que prolonga o tempo de descida e evita impactos ainda mais bruscos. Após a frenagem inicial —responsável pela maior parte da perda de velocidade— a Orion segue para a fase final. A cerca de 6,7 km de altitude, são abertos os paraquedas de estabilização, que ajudam a controlar a trajetória e reduzir ainda mais a velocidade. Pouco depois, por volta de 1,8 km, entraram em ação os três paraquedas principais, responsáveis por desacelerar a cápsula até cerca de 32 km/h. Foi nessa velocidade que a Orion tocou o Oceano Pacífico, em um procedimento conhecido como splashdown. Após o pouso, a operação de resgate começou na sequência. Equipes da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos se deslocaram até a cápsula, mas a retirada dos astronautas deve acontecer em até duas horas. Eles serão levados de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passam pelas primeiras avaliações médicas ainda no mar. Na sequência, a tripulação retorna ao continente e embarca para o Centro Espacial Johnson, no Texas, onde continuará sendo monitorada por equipes médicas nos dias seguintes. Gif mostra Artemis II Nasa/Reprodução Missão histórica e o que vem agora A Artemis II marca o retorno de missões tripuladas ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen —percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço. Diferentemente das missões Apollo, o objetivo não foi pousar na Lua, mas testar todos os sistemas necessários para futuras missões: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os protocolos de segurança para voos tripulados em espaço profundo. A missão incluiu uma órbita ao redor da Lua e o retorno à Terra em alta velocidade —uma das manobras mais complexas da engenharia espacial. O sucesso dessa etapa é considerado fundamental para os próximos passos do programa. Com os dados coletados, a NASA avança agora para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve marcar o retorno de astronautas à superfície lunar —incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua— e abrir caminho para uma presença mais contínua no satélite natural. A Lua é vista como um laboratório para futuras missões mais ambiciosas, como viagens a Marte. Por isso, a Artemis II não encerra apenas uma jornada histórica: ela inaugura uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência, tecnologia e expansão das fronteiras humanas no espaço. Leia também: 'Arrepios': astronautas da Artemis ainda sentem efeitos da passagem pela Lua Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis II O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo O que aconteceu com as bandeiras dos EUA deixadas na Lua? Saiba o que sobrou após mais de 50 anos

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Ataque a agência do Banco do Brasil em MG durou menos de 15 minutos: entenda ponto a ponto do assalto

Publicado em: 11/04/2026 00:01

Veja movimentação de criminosos antes de explodir agência bancária em MG Imagens de câmeras de monitoramento obtidas pelo g1 mostram que a ação dos criminosos que explodiram uma agência do Banco do Brasil em Guidoval na madrugada de sexta-feira (10) durou cerca de 15 minutos. Os registros mostram desde a chegada dos homens armados até a detonação do caixa eletrônico. Segundo a Polícia Militar (PM), oito pessoas são apontadas como envolvidas no assalto. Até a última atualização desta reportagem, dois homens de 21 e 35 anos foram presos e um menor, de 17, apreendido. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Para dificultar a chegada da polícia e a perseguição, o grupo bloqueou ruas da cidade com barricadas feitas de pneus e veículos incendiados. Além disso, espalharam objetos de metal pontiagudos, conhecidos como "miguelitos", pelas vias para furar os pneus das viaturas policiais. ‘Cena de guerra’: tiros e explosões marcam assalto ao Banco do Brasil em cidade de 7 mil habitantes em Minas Gerais VÍDEO mostra destruição de agência do Banco do Brasil após explosão por criminosos em MG Ponto a ponto: o que mostram as imagens 02h19: Um carro branco é visto circulando em frente à agência bancária; 02h26: Dois homens encapuzados e armados aparecem e começam a rondar o local; 02h29: Outros suspeitos surgem e o grupo passa a transitar entre a agência e o veículo. Um dos criminosos faz um sinal de "pare" para os comparsas aguardarem a preparação da carga; 02h31: A EXPLOSÃO: Uma forte fumaça toma conta da rua após a detonação dos caixas; 02h32: Integrantes do grupo entram na agência carregando sacos pretos 02h33: A FUGA: O grupo deixa o banco correndo e entra no carro para fugir. Prisões e buscas Carro usado na fuga após ataque a banco em MG é encontrado em chamas Logo após o crime, a polícia iniciou as buscas pelos criminosos. O carro branco usado no assalto foi encontrado incendiado em uma área rural de Rodeiro, cidade a cerca de 25 km do local do crime. A partir dessa localização, os suspeitos foram identificados e passaram a ser procurados. Um dos envolvidos, que já era conhecido pelas forças de segurança, foi encontrado em um imóvel. Ele estava ferido no ombro, foi preso em flagrante e confessou participação no crime. Ainda no mesmo local, o irmão dele, que estava escondido em outro imóvel próximo, se entregou e também foi preso. O terceiro suspeito preso foi apontado como líder do grupo. Os nomes dos suspeitos presos, apreendidos e procurados não foram divulgados pela polícia. As buscas continuam nos próximos dias. Um helicóptero da PM de Juiz de Fora atuou em apoio às buscas por outros suspeitos que teriam fugido por matagais na região. O caso é investigado pela Delegacia de Polícia Civil de Ubá. Impacto na cidade Pelo menos um caixa eletrônico foi totalmente destruído. O Banco do Brasil não confirmou se valores foram levados, mas informou que a agência passará por perícia e reforma. Devido aos danos estruturais, o comércio vizinho foi orientado a permanecer fechado durante a vistoria do Bope e da Polícia Civil. Nota Banco do Brasil O Banco do Brasil ressalta que o investimento em tecnologia de monitoramento e inteligência, em dispositivos para tingir e dilacerar papel-moeda em caso de ataques e ainda o uso de cofres mais modernos, resistentes à desintegração, explicam a diminuição de casos deste tipo ao longo dos últimos anos e o sucesso da instituição contra ações criminosas. No caso de Guidoval (MG), o BB explica que acionou a polícia exatamente um minuto após identificar a movimentação dos suspeitos ao redor da agência e ressalta que os criminosos não levaram qualquer cédula da unidade. O Banco indica que a agência está fechada para perícia e atua para restabelecer o atendimento no menor tempo possível. Os clientes que necessitarem de serviços presenciais podem procurar as agências nas cidades mais próximas, em Rodeiro e Guiricema. Os clientes contam ainda com atendimento via aplicativo, Internet Banking, Central de Relacionamento e pelo telefone 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 729 0001 (demais localidades). Grupo armado explode agência do Banco do Brasil em Guidoval Defesa Civil/Divulgação Infográfico - Grupo Armado explode agência em MG Arte/g1 VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campo das Vertentes

Palavras-chave: tecnologia

Artemis II: o que aprendemos com o ‘teste de fogo’ para voltar à Lua e quais são os próximos passos?

Publicado em: 11/04/2026 00:00

Após mais de 50 anos, a humanidade voltou às vizinhanças da Lua — e foi mais longe do que nunca. A missão Artemis II levou astronautas à maior distância da Terra já registrada por um ser humano. A viagem lunar revelou mais do que imagens impressionantes: ajudou a estudar o cenário para planos mais ambiciosos, como, no futuro, permanecer na Lua e chegar até Marte. A missão foi organizada pela Nasa, agência espacial americana, e levou quatro astronautas em uma jornada ao redor da Lua. Pela primeira vez em uma missão tripulada desse tipo, os olhos humanos puderam observar ao vivo regiões pouco exploradas do satélite e alcançar o ponto mais distante já percorrido em relação ao planeta natal. Nesta sexta-feira (10), eles retornaram à Terra. Enquanto a missão acontecia, a internet se dividia entre quem estava deslumbrado com as imagens compartilhadas pela agência e quem questionava: como, tantos anos depois de já ter ido à Lua e pisado nela, o homem nem pousou no satélite e ainda chamou a viagem de "um avanço para a ciência"? O lado oculto da Lua é crucial para o futuro da exploração espacial NASA via Getty Images O primeiro ponto é que, mesmo já tendo estado lá, não dá para banalizar o desafio de repetir o feito. Mas há também uma mudança de objetivo. Se antes a ida ao satélite era uma visita curta, como foi com a Apollo, agora a proposta é outra: permanecer e chegar a Marte. Esta viagem funcionou como um laboratório em movimento, reunindo dados inéditos sobre o corpo humano, novas tecnologias, a comunicação a longas distâncias e o próprio ambiente lunar. Em vez de repetir o passado, a missão foi desenhada como um “teste de fogo”. E, até aqui, o que já se sabe é que o ser humano conseguiu, com segurança, avançar nesse caminho e se aproximar de uma nova etapa na exploração espacial. “Hoje, por toda a humanidade, vocês estão ultrapassando essa fronteira”, disse Jenni Gibbons, astronauta canadense que atuava como comunicadora da cápsula, no Centro de Controle da Missão. Apollo 14: Alan Shepard ao lado do símbolo americano, em 1971 NASA/Heritage Space/picture alliance Esse retorno à Lua acontece em um cenário diferente do da Guerra Fria. A nova corrida espacial envolve não só governos, como Estados Unidos e China, mas também empresas privadas, interessadas em recursos e novas tecnologias. É um movimento com potencial científico — mas que também exige cautela, diante das disputas e dos interesses que passam a se projetar para além da Terra. Nesta reportagem, o g1 mostra o que a Artemis II ensinou, o que mudou em relação às missões do passado e por que essa nova fase da exploração espacial pode redefinir o futuro da presença humana fora da Terra. Você vai ler: Por que voltar à Lua não é simplesmente repetir o passado? De Apollo a Artemis: o que mudou? Quais são os ganhos para a ciência com a Artemis II? O que a Artemis II fez e o que já sabemos? Harrison Schmitt, da Apollo 17, ao lado da bandeira dos EUA na última missão lunar da Nasa NASA/Bildagentur-online/picture alliance Por que voltar à Lua não é simplesmente repetir o passado? Voltar à Lua mais de 50 anos depois não é como apertar o botão “repetir” de um projeto antigo. Apesar de o ser humano já ter pisado no satélite, a missão Artemis II foi construída praticamente do zero. A tecnologia usada nas missões Apollo, entre as décadas de 1960 e 1970, hoje é considerada obsoleta. “Quase nada daquela tecnologia pode ser reaproveitado hoje. É como se fosse uma missão praticamente do zero”, diz o astrofísico Filipe Monteiro, do Observatório Nacional. O astrofísico Ricardo Ogando explica que esse é um projeto que, embora se baseie no que foi feito na missão Apollo, precisa ser testado passo a passo como algo novo. Todo o aparato nunca esteve fora da Terra antes. “É como dirigir um carro novo, que você desconhece. Se você dirige um carro antigo, manual, e pega pela primeira vez um carro com uma tecnologia mais nova, elétrico e automático, você não vai querer pegar a estrada de primeira. Precisa experimentar antes”, explica. A Artemis II cumpre justamente esse papel: é o “test drive” antes de uma missão mais arriscada, como o pouso na superfície lunar. Veja o que foi testado: Sistemas digitais e suporte à vida Diferente dos controles analógicos das missões Apollo, a cápsula Orion opera com sistemas digitais que monitoram o oxigênio, removem o gás carbônico e regulam a temperatura em tempo real. "Selfie" da nave Orion feita por uma das câmeras em seus painéis solares durante a missão Artemis II NASA Comunicação por laser A missão validou o envio de dados e vídeos em alta definição por laser, mais rápido e eficiente que as tradicionais ondas de rádio. Apesar disso, durante o trajeto pelo lado oculto da Lua, a tripulação e a cápsula ficaram sem contato com a Terra por um intervalo de 40 a 50 minutos — um desafio técnico que ainda precisa ser aprimorado. Astronautas da Artemis II Jornal Nacional/ Reprodução A cápsula e o escudo térmico A cápsula é o ambiente onde o ser humano é posto à prova em condições extremas. A Orion foi projetada para suportar a reentrada na atmosfera a cerca de 40 mil km/h — uma condição que precisava ser validada com tripulação a bordo. Dentro dela, sistemas monitoram o oxigênio, removem o gás carbônico e regulam a temperatura interna — funções essenciais para manter os astronautas vivos em um ambiente hostil. Nem tudo, porém, funcionou de forma ideal. O banheiro, por exemplo, apresentou falhas, e os astronautas precisaram usar soluções improvisadas durante parte da missão. “Passar cerca de dez dias em um espaço reduzido, lidando com limitações até no sistema sanitário, mostra que até as necessidades básicas ainda são parte dos testes tecnológicos e que melhorias ainda são necessárias”, explica Ricardo Ogando. Além da tecnologia, o próprio ambiente da missão também impôs novos desafios. As missões Apollo exploraram regiões mais iluminadas e acessíveis da Lua. Agora, a proposta é diferente. A Artemis mirou o Polo Sul lunar, uma região mais hostil, com terreno acidentado, áreas permanentemente sombreadas e temperaturas que podem chegar a -200 °C — um ambiente que exige outro nível de planejamento e tecnologia. Imagem feita pela missão Artemis II mostra o lado oculto da Lua (à esquerda) e o lado visível (à direita), com destaque para a bacia de Orientale. NASA Ou seja, a ideia de que “já fizemos isso antes” não se sustenta quando se observa o tipo de missão que está sendo construída agora. A diferença entre as missões do século passado e o programa atual não está apenas na tecnologia, mas também no objetivo. Entre 1969 e 1972, durante o programa Apollo, a meta era chegar à Lua, coletar amostras e voltar em segurança. Eram missões curtas, em regiões mais acessíveis do satélite. “As missões Apollo eram como um grande acampamento: pousava em uma área, fazia as pesquisas por algumas horas ou dias e voltavam”, resume o astrônomo Filipe Monteiro. Agora, o plano é outro. A ideia é estabelecer uma presença contínua na Lua, com estruturas capazes de sustentar astronautas por mais tempo. Isso exige um salto de complexidade: novos sistemas de suporte à vida, novas formas de comunicação e a capacidade de operar em ambientes muito mais hostis. O veículo-robô Perseverance em Marte. NASA/JPL-Caltech Essa mudança de planos também levou a missão a um destino diferente. Enquanto a Apollo pousou em regiões próximas ao equador lunar — mais planas, iluminadas e conhecidas —, a Artemis mira o Polo Sul da Lua. É uma área ainda pouco explorada, com terreno irregular, crateras em sombra permanente e temperaturas que podem chegar a -200 °C. E por que essa região? Ela concentra indícios de gelo de água, um recurso considerado estratégico para o futuro da exploração espacial. Além de servir para consumo humano, essa água pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio — os dois elementos usados como combustível em foguetes. Na prática, isso abre a possibilidade de produzir combustível fora da Terra. A Lua deixaria de ser apenas um destino e passaria a funcionar como uma base logística — um ponto de apoio para missões mais longas, como a ida até Marte. Quais são os ganhos para a ciência com a Artemis II? Mesmo sem pouso, a Artemis II deu grandes passos para a ciência, segundo os especialistas. Durante o voo, os astronautas observaram regiões pouco exploradas da Lua, coletaram dados inéditos sobre o ambiente espacial e ajudaram a testar, na prática, sistemas que serão usados em voos mais longos. A missão gerou mais de 175 GB de dados, que agora serão analisados por pesquisadores para novos achados sobre o espaço lunar e até para se prepararem para os próximos passos do desafio no espaço. Entre as principais pontos para a ciência estão: Astronautas da Artemis II em entrevista à imprensa neste sábado (4). Reprodução Observação humana em tempo real Durante o sobrevoo, os tripulantes descreveram crateras, relevo e variações de cor diretamente para o controle da missão — um tipo de leitura que complementa as imagens das sondas. Isso pode ajudar a entender melhor a composição da Lua, por exemplo. Estudar como o corpo humano reage no espaço A Artemis II levou células humanas cultivadas em estruturas tridimensionais — a tecnologia conhecida como “órgão em chip”. Essas células foram expostas às condições de radiação e microgravidade e agora, na Terra, serão analisadas para entender os efeitos de exposições prolongadas. Isso ajuda a planejar futuras missões com mais segurança. “Levar um ser humano ao espaço é uma atividade de alto risco. Entender se é seguro para a tripulação antes de mandar um grupo de pessoas para uma base, como a Nasa quer, é imprescindível. E esse vai ser um ganho para a ciência em geral”, explica Ricardo Lua em eclipse em imagem feita pela Artemis II Divulgação/Nasa A Lua sob outra luz A Artemis fez um sobrevoo prolongado até o lado oculto da Lua. As imagens captadas em diferentes ângulos agora serão analisadas para estudar crateras, vales e montanhas com mais precisão — algo essencial para futuras missões. Onde estão os recursos para sustentar uma base Os dados coletados ajudam a refinar a busca por gelo de água no polo sul lunar, recurso considerado essencial para a instalação de uma base permanente. A importância da Artemis II vai além de levar o homem novamente às proximidades da Lua. A missão também funciona como um motor de inovação, com tecnologias que podem ter impacto direto na vida na Terra. Soluções desenvolvidas para enfrentar desafios extremos acabam incorporadas ao cotidiano — como aconteceu com tecnologias como o GPS e o Wi-Fi. Ao mesmo tempo, esse avanço traz novos debates. A retomada das missões tripuladas à Lua acontece em um contexto de disputa global. Imagem feita pela missão Artemis II mostra o lado oculto da Lua (à esquerda) e o lado visível (à direita), com destaque para a bacia de Orientale. NASA No centro dessa corrida está o Polo Sul lunar. A região concentra gelo de água e minerais estratégicos, como o hélio-3, e passou a ser alvo de interesse de diferentes países. A China já avançou com missões robóticas e análises no lado oculto da Lua, enquanto o programa Artemis busca consolidar a presença dos Estados Unidos e desenvolver as tecnologias necessárias para explorar esses recursos. Mais do que uma conquista científica, a Lua volta a ocupar um papel estratégico. E, desta vez, o que está em jogo não é apenas chegar — mas permanecer, explorar e definir quem lidera a próxima fase da presença humana fora da Terra.

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VÍDEO mostra astronautas da Artemis II deixando cápsula após chegada à Terra

Publicado em: 10/04/2026 22:41

Artemis II: Astronautas deixam a cápsula Orion Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen foram retirados da cápsula Orion na noite desta sexta-feira (10) após a histórica missão Artemis II. A retirada aconteceu duas horas após o pouso no Oceano Pacífico. Equipes da NASA e das forças armadas dos EUA resgataram a tripulação e a transportaram de helicóptero até o porta-aviões USS John P. Murtha. A bordo do navio, os astronautas passarão por avaliações médicas pós-missão antes de retornarem à costa, onde aeronaves os levarão ao Centro Espacial Johnson da NASA, em Houston. Astronautas da Artemis II são retirados da cápsula da Orion por equipes de resgate no Oceano Pacífico NASA/Handout via REUTERS Como foi o pouso? A cápsula Orion, da missão Artemis II, pousou no Oceano Pacífico às 21h07 (de Brasília) desta sexta-feira, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos, encerrando a primeira missão tripulada ao redor da Lua em mais de 50 anos. A etapa final foi marcada por uma desaceleração extrema. Em poucos minutos, a nave reduziu sua velocidade de mais de 40 mil km/h para cerca de 32 km/h antes do impacto controlado no mar. A maior parte dessa redução aconteceu durante a reentrada na atmosfera, quando o atrito com o ar funciona como um “freio natural” e gera temperaturas superiores a 2.700 °C ao redor do escudo térmico. Gif mostra Artemis descendo Reprodução ⏱️ Passo a passo do retorno da Artemis II Acompanhe os principais momentos da reentrada da cápsula Orion (horários de Brasília): ✅ 20h33 — Separação do módulo de serviço; escudo térmico fica exposto para a reentrada ✅ 20h37 — Queima de motores ajusta o ângulo de entrada na atmosfera ✅ 20h53 — Cápsula atinge 122 km de altitude; começa a reentrada e o apagão de comunicação (blackout) ✅ 21h03 — Abertura dos paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude ✅ 21h04 — Abertura dos três paraquedas principais, a cerca de 1,8 km ✅ 21h07 — Splashdown no Oceano Pacífico, a cerca de 32 km/h Artemis II inicia retorno para a Terra Nasa/Reprodução Missão histórica e o que vem agora A Artemis II marca o retorno de missões tripuladas ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen —percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço. Diferentemente das missões Apollo, o objetivo não foi pousar na Lua, mas testar todos os sistemas necessários para futuras missões: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os protocolos de segurança para voos tripulados em espaço profundo. A missão incluiu uma órbita ao redor da Lua e o retorno à Terra em alta velocidade —uma das manobras mais complexas da engenharia espacial. O sucesso dessa etapa é considerado fundamental para os próximos passos do programa. Com os dados coletados, a NASA avança agora para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve marcar o retorno de astronautas à superfície lunar —incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua— e abrir caminho para uma presença mais contínua no satélite natural. A Lua é vista como um laboratório para futuras missões mais ambiciosas, como viagens a Marte. Por isso, a Artemis II não encerra apenas uma jornada histórica: ela inaugura uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência, tecnologia e expansão das fronteiras humanas no espaço. Leia também: 'Arrepios': astronautas da Artemis ainda sentem efeitos da passagem pela Lua Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis II O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo O que aconteceu com as bandeiras dos EUA deixadas na Lua? Saiba o que sobrou após mais de 50 anos

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Sensor de câmera do celular e travesseiro: veja tecnologias testadas em missões da Nasa que fazem parte do nosso dia a dia

Publicado em: 10/04/2026 21:45

Tecnologia das missões espaciais é aplicada na Terra Muito além das descobertas espaciais, cada missão da Nasa é uma oportunidade de testar novas tecnologias. São inovações que depois começam a fazer parte do nosso dia a dia. Às vezes, de uma forma que a gente nem imagina. A quase 400 mil km do nosso planeta, pela janelinha pequena, os astronautas fotografaram a Terra, inclusive com telefones celulares. Mas não foi pelo celular que enviaram as fotos. Mandaram imagens, vídeos em 4K e informações com um sistema de comunicação novo, a laser, 100 vezes mais potente do que os sistemas de rádio usados até agora na comunicação espacial e que deve ser usado no futuro para conectar à Terra a lugares ainda mais distantes no espaço profundo - ou para ajudar você a ver vídeos melhores no streaming do celular. “Hoje, a gente usa a nossa tecnologia 5G do telefone, que é uma compressão de dados. O que virá depois dessa experiência que eles estão fazendo vai ser novas tecnologias de compressão e de criptografia também. Então, as nossas conversas vão ficar mais rápidas, mais precisas e mais seguras, com certeza. O como, isso a gente ainda não sabe”, diz Annibal Hetem Junior, professor de propulsão espacial. Ttravesseiro: veja tecnologias testadas em missões da Nasa que fazem parte do nosso dia a dia Jornal Nacional/ Reprodução E se isso acontecer, não vai ser a primeira vez que uma tecnologia desenvolvida para a gente viajar no espaço acaba sendo incorporada no nosso dia a dia. Em exploração espacial, muitas vezes, se o seu destino é a Lua, você acaba encontrando um caminho melhora para a gente aqui na Terra mesmo. “Quando pisaram na Lua pela primeira vez, no século passado, ninguém imaginava que aquilo teria o início da indústria de satélites - que hoje, por exemplo, é usado para comunicação, para controle climático. Hoje, todo mundo usa a internet, todo mundo usa comunicação por satélite, todo mundo usa GPS. Isso é uma consequência direta no nosso dia a dia”, afirma Fábio Rodrigues, pesquisador do Instituto de Química da USP. Se a gente ainda ficar no exemplo do aparelhinho que todo mundo tem no bolso, foi no Laboratório de Propulsão da Nasa, na Califórnia, que se criou o sensor que está na câmera do seu celular hoje; o termômetro que mede a temperatura aproximando do ouvido; uma espuma de travesseiro. Mas nada disso foi criado, originalmente, para essas funções. O sensor era para permitir fotografia no espaço. O infravermelho do termômetro, para medir temperatura de estrelas. A espuma, para dar segurança às poltronas dos foguetes. Termômetro que mede a temperatura aproximando do ouvido Jornal Nacional/ Reprodução “A gente ganha muita coisa. E são todos benefícios secundários. Por ser uma missão complexa, grande e que envolve atividades que a gente nunca fez antes, a gente tem que desenvolver novas tecnologias. E a gente ganha as novas tecnologias. Esse é o maior prêmio que a gente recebe”, explica Annibal Hetem Junior. O objetivo da Artemis II é avançar no processo que nos levará a uma base na Lua e, depois, a Marte. Todos os testes e pesquisas foram feitos para isso. Mas é quase certo que, no caminho rumo aos confins do espaço, a gente mude nossa realidade bem mais cotidiana aqui embaixo. “Talvez, as nossas roupas, a forma como a gente se comunica, os nossos relógios. Tão logo a missão comece a dar seus frutos financeiros, vão começar a aparecer produtos com essa tecnologia. Novas ligas metálicas, novos plásticos, cerâmicas diferentes. Com certeza vai acontecer”, afirma Annibal Hetem Junior. LEIA TAMBÉM Artemis II: calor extremo, velocidade altíssima e pouso no mar; veja como será o retorno da espaçonave à Terra Artemis II voltará à atmosfera a 40 mil km/h e 3 mil °C; saiba como astronautas se protegem O que astronautas da Artemis II trazem de viagem à Lua: 'A parte boa está voltando com a gente'

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Onça ou gato-do-mato? Mistério com vídeo de animal intriga moradores de bairro de BH

Publicado em: 10/04/2026 20:51

Será que tem mesmo onça solta em BH? É onça, gato-do-mato ou nenhum dos dois? Moradores da Vila São Jorge, no bairro Grajaú, na Região Oeste de Belo Horizonte, estão intrigados com o suposto aparecimento de um felino no local. A história começou na madrugada da última quarta-feira (8), quando a imagem de uma onça em um matagal viralizou (veja abaixo). Inicialmente, tudo levou a crer que a foto havia sido gerada por inteligência artificial, e os bombeiros acreditaram que se tratava de uma notícia falsa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp Imagem de onça em matagal viralizou no início desta semana em BH Reprodução No entanto, a situação mudou após o circuito de segurança de uma moradora captar um animal de grande porte passando pelo bairro. Ela encontrou um gato morto, puxou as imagens para ver o que tinha acontecido e viu o que acredita ser uma onça. "Era essa onça que tinha atacado o gatinho, e depois a câmera pegou ela subindo aqui. Eu estou com medo, trancada dentro de casa, [tenho] duas meninas pequenas. Nem aqui fora eu estou saindo", contou a moradora. Nesta sexta-feira (10), o Corpo de Bombeiros voltou à vila em busca da onça. Mas um veterinário consultado pela corporação analisou a gravação e disse que o animal pode ser, na verdade, um gato-do-mato. "A tecnologia avançou muito, a ponto de enganar qualquer um, e nesse tempo de informação desencontradas a gente também é afetado. Começamos a receber chamadas baseadas nessas imagens que são geradas por inteligência artificial. O nosso protocolo tem sido adequado, a gente utiliza ferramentas para identificar possíveis imagens ou vídeos que não são reais, e também há possibilidade de as imagens nem serem nos locais", afirmou o tenente Elias Cristóvam. Imagem de animal captada por circuito de segurança de moradora em BH Reprodução/ TV Globo Enquanto o mistério permanece, na comunidade não se fala em outra coisa. O metalúrgico Renato Gonçalves, que mora na esquina onde o bicho teria passado, não tem dúvidas de que tudo não passa de lenda urbana. "Isso é só boato, é só lenda. A única onça que tem aqui nesse bairro, na área urbana aqui, é meu pai. O apelido do meu pai é Pedro Onça", brincou. Vídeos mais vistos no g1 Minas:

Suspensão do aumento do IPTU em Piracicaba: saiba o que o contribuinte deve fazer

Publicado em: 10/04/2026 20:46

Prédio da Prefeitura de Piracicaba Prefeitura de Piracicaba A suspensão do aumento do IPTU em Piracicaba (SP) pode gerar uma dúvida na cabeça do contribuinte: é melhor pagar o boleto ou esperar a conclusão do processo na Justiça? Em entrevista à EPTV, afiliada da Rede Globo, o advogado Adriano Greve aconselha os donos de imóveis a pagarem o imposto e depois, a depender do desfecho do assunto, cobrarem judicialmente a devolução dos valores que tiverem sido pagos indevidamente. "O cidadão que já pagou o IPTU, em valor maior do que deveria ser pago, pode pedir de volta essa diferença num prazo de até cinco anos. Isso vale tanto para quem já pagou à vista, com desconto, quanto para quem ainda vai pagar de forma parcelada e, às vezes, já até pagou a primeira parcela”, diz. O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) suspendeu, nesta quinta-feira (9), o reajuste de impostos como IPTU, ITBI, ISSQN e outras taxas que foram alteradas com a aprovação do Novo Código Tributário no município. A decisão é temporária, mas tem efeito imediato. Trata-se do resultado de um recurso movido pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP), que questionou a validade da lei por meio de ação civil pública. Leia mais: MP pede suspensão de aumento de IPTU e outros impostos e aponta irregularidades Lei que aumenta IPTU pode ter efeito confiscatório à população, afirma promotoria Nos argumentos, o MP afirmou que o projeto foi aprovado em meio a vícios legislativos, falta de transparência e ausência de estudos de impacto, o que caracterizou uma série de irregularidades públicas. Em primeira instância, a Justiça de Piracicaba havia negado um pedido liminar — que solicita decisão urgente e provisória, antes do julgamento definitivo da ação — para suspender os efeitos da lei. A negativa motivou o recurso do MP, que foi acatado. Boletos já disponíveis Porém, há a possibilidade de contribuintes já terem pagado o IPTU. Isso porque, segundo a prefeitura, os boletos já estariam disponíveis em versão digital a partir de 1º de abril. As cobranças impressas, por sua vez, chegariam às residências na segunda quinzena deste mês. A primeira parcela vence no próximo dia 30. André orienta que as pessoas não deixem de pagar. Siga o g1 Piracicaba no Instagram "É menos pior que o cidadão efetue o pagamento e aguarde o desfecho da discussão na Justiça", afirma. O especialista salienta, ainda, que a decisão judicial não vale para todo o valor do IPTU, mas, sim, apenas uma parte dele. "O que eu aconselho é que a pessoa não pare de pagar o IPTU por conta disso [da decisão]. A prefeitura fez a cobrança do IPTU, mas a Justiça mandou suspender somente o reajuste que ela entendeu como abusivo.” Mudanças Auditório da Câmara de Piracicaba fica lotado durante sessão extraordinária para votar projeto que prevê mudanças nos valores do IPTU e outros impostos Wesley Justino/EPTV O novo código altera a Planta Genérica de Valores e muda regras de cobrança de impostos municipais, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), o Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), além de outras taxas. A lei foi proposta pela gestão do prefeito Helinho Zanatta (PSD) e aprovada em regime de urgência pela Câmara Municipal em dezembro de 2025. O que diz a prefeitura A Prefeitura de Piracicaba informou que recorreu da decisão e que aguarda a decisão judicial para decidir quais serão as próximas medidas adotadas. A administração ainda disse que confia nos atos praticados e que a alteração do Código Tributário foi precedida de estudo e trabalho interno, como as análises da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e da Procuradoria Geral do Município (PGM), além de técnicos da prefeitura. O g1 questionou a prefeitura sobre a situação das cobranças de tributos já em andamento, como o IPTU, além de orientações para contribuintes que já pagaram e possíveis formas de restituição. A reportagem ainda perguntou o que deve ser feito por quem não quitou os impostos. Até esta publicação, esses questionamentos não foram respondidos. O que diz a Câmara A Câmara dos Vereadores informou não foi notificada oficialmente, mas comunicou que seguiu todas as etapas do processo legislativo e que respeita a decisão judicial. VÍDEOS: Tudo sobre Piracicaba e região Veja mais notícias da região no g1 Piracicaba

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Prefeito investigado por exploração sexual de adolescentes é levado para presídio; vice assume no sábado (11)

Publicado em: 10/04/2026 20:37

Prefeito de Pio IX é preso suspeito de exploração sexual de adolescentes O prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), preso por suspeita de exploração sexual de adolescentes, foi encaminhado à Cadeia Pública de Altos após audiência de custódia nesta sexta-feira (10). A informação foi confirmada pelo delegado Tales Gomes, da Diretoria de Operações Policiais. Segundo o delegado, Silas Noronha está na ala hospitalar da unidade, após pedido da defesa, por condições de saúde do prefeito. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp O gestor foi afastado do cargo por 90 dias. Com o afastamento, o vice-prefeito de Pio IX, Etinho Bezerra (MDB), deve assumir a prefeitura da cidade a partir deste sábado (11). "Muito triste por hoje o nosso município estar sendo destaque negativo no estado do Piauí e no Brasil. De antemão, a gente esperou que os órgãos competentes mandassem, para a Câmara Municipal, fatos documentados, para a gente poder explanar para a população", disse o presidente da Câmara de Pio IX, vereador Maykon Alencar (PSD), em publicação nas redes sociais. "Hoje, no começo da tarde, a gente recebeu dos órgãos competentes a informação do afastamento do prefeito Silas Noronha, por um período de 90 dias. Por isso, a gente já convocou o vice-prefeito Etinho Bezerra para amanhã, numa sessão extraordinária, ele tomar posse e tomar de conta do poder executivo", completou. Prefeito se apresentou à polícia Silas se apresentou espontaneamente à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), em Teresina, na manhã desta sexta-feira (10), acompanhado de um advogado. Ele passou a ser investigado após um ex-integrante da campanha denunciar que, a pedido do gestor, participou de um esquema de aliciamento de adolescentes de 13 e 14 anos. De acordo com a denúncia apresentada contra Silas, uma das vítimas teria recebido cerca de R$ 1 mil para ir a um motel com o prefeito e foi ameaçada de morte ao tentar relatar o ocorrido. Ainda não há confirmação sobre o período em que os crimes foram cometidos. Segundo a Polícia Civil, novas denúncias estão sendo registradas após a prisão do prefeito. Em nota, a equipe de Silas afirmou que ele se apresentou voluntariamente para "prestar todos os esclarecimentos necessários", permanece à disposição das autoridades e confia que "a justiça será feita de maneira imparcial". O sobrinho do prefeito, Samuel Noronha, que também é citado na investigação, foi preso em Pio IX na quinta-feira (9). Alvo de CPI na Câmara O prefeito também é investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara de Pio IX após denúncias de exploração sexual de adolescentes. De acordo com o vereador Maykon Alencar, a CPI foi instalada em 31 de março. Os vereadores irão ouvir testemunhas e investigados e, ao final dos trabalhos, devem elaborar um relatório com sugestões de medidas. Confira a nota do prefeito Silas Noronha: O prefeito Silas Noronha vem a público esclarecer que, de forma voluntária, apresentou-se à Justiça com o objetivo de prestar todos os esclarecimentos necessários, prezando pelo bom andamento das investigações às quais vem sendo submetido. Reforça ainda que permanece totalmente à disposição das autoridades para colaborar com o que for preciso, confiando que a Justiça será feita de maneira imparcial. Por fim, reafirma seu compromisso com a transparência, com a verdade e com o bem- estar da sociedade. Silas Noronha, prefeito de Pio IX, à esquerda, e Etinho Bezerra, vice-prefeito de Pio IX, à direita Cidades na Net VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

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Começa o pouso da Artemis II na Terra; cápsula enfrenta reentrada crítica após viagem à Lua

Publicado em: 10/04/2026 20:34

A cápsula Orion, da missão Artemis II, iniciou na noite desta sexta-feira (horário de Brasília) a etapa final de retorno à Terra, considerada a mais delicada de toda a viagem. O pouso no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, nos Estados Unidos, está previsto para 21h07. A fase concentra alguns dos momentos mais extremos da missão. Em poucos minutos, a nave precisa reduzir sua velocidade de mais de 40 mil km/h —equivalente a cerca de 30 vezes a velocidade do som— para cerca de 32 km/h, velocidade considerada segura para o impacto controlado no mar. A reentrada começa a cerca de 122 km de altitude, ponto em que a cápsula passa a interagir com as primeiras camadas da atmosfera terrestre. A partir daí, o próprio ar funciona como um “freio natural”: o atrito desacelera a nave rapidamente, mas também gera temperaturas superiores a 2.700 °C ao redor do escudo térmico. Esse aquecimento intenso forma um plasma ao redor da cápsula, bloqueando as comunicações com a Terra por cerca de seis minutos —um período conhecido como blackout. Durante essa fase, a tripulação segue todos os procedimentos de forma autônoma, sem contato com o controle da missão. Cápsula Orion se prepara para reentrar à atmosfera. Reprodução O processo de pouso faz com que astronautas enfrentem forças de até quase quatro vezes a gravidade da Terra. Para tornar essa desaceleração suportável ao corpo humano, a nave entra na atmosfera em um ângulo muito específico, o que prolonga o tempo de descida e evita impactos ainda mais bruscos. Após a frenagem inicial —responsável pela maior parte da perda de velocidade— a Orion segue para a fase final da descida. A cerca de 6,7 km de altitude, são abertos os paraquedas de estabilização, que ajudam a controlar a trajetória e reduzir ainda mais a velocidade. Pouco depois, por volta de 1,8 km, entram em ação os três paraquedas principais, responsáveis por desacelerar a cápsula até cerca de 32 km/h. É nessa velocidade que a Orion deve tocar o Oceano Pacífico, em um procedimento conhecido como splashdown. Após o pouso, a operação de resgate começa imediatamente. Equipes da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos se deslocam até a cápsula, mas a retirada dos astronautas deve acontecer em até duas horas. Eles serão levados de helicóptero até o navio militar USS John P. Murtha, onde passam pelas primeiras avaliações médicas ainda no mar. Na sequência, a tripulação retorna ao continente e embarca para o Centro Espacial Johnson, no Texas. Lá, os astronautas continuam sendo monitorados por equipes médicas, em um protocolo padrão que avalia os efeitos da microgravidade e da reentrada no organismo. ⏱️ Passo a passo do retorno da Artemis II Acompanhe os principais momentos da reentrada da cápsula Orion (horários de Brasília): ✅ 20h33 — Separação do módulo de serviço; escudo térmico fica exposto para a reentrada ✅ 20h37 — Queima de motores ajusta o ângulo de entrada na atmosfera 20h53 — Cápsula atinge 122 km de altitude; começa a reentrada e o apagão de comunicação (blackout) 21h03 — Abertura dos paraquedas de frenagem, a cerca de 6,7 km de altitude 21h04 — Abertura dos três paraquedas principais, a cerca de 1,8 km 21h07 — Splashdown no Oceano Pacífico, a cerca de 32 km/h ➡️ Após o pouso: Equipes de resgate se aproximam da cápsula. Tripulação deve ser retirada em até 2 horas. Astronautas seguem de helicóptero para o navio USS John P. Murtha. Depois, retornam ao Centro Espacial Johnson, no Texas. Gif mostra Artemis II Nasa/Reprodução Missão histórica e o que vem agora A Artemis II marca o retorno de missões tripuladas ao entorno da Lua desde o programa Apollo, encerrado nos anos 1970. Ao longo de cerca de dez dias, quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen —percorreram mais de 1,1 milhão de quilômetros, na maior distância já viajada por humanos no espaço. Diferentemente das missões Apollo, o objetivo não foi pousar na Lua, mas testar todos os sistemas necessários para futuras missões: a cápsula Orion, o foguete Space Launch System (SLS) e os protocolos de segurança para voos tripulados em espaço profundo. A missão incluiu uma órbita ao redor da Lua e o retorno à Terra em alta velocidade —uma das manobras mais complexas da engenharia espacial. O sucesso dessa etapa é considerado fundamental para os próximos passos do programa. Com os dados coletados, a NASA avança agora para a Artemis III, prevista para os próximos anos. A missão deve marcar o retorno de astronautas à superfície lunar —incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar na Lua— e abrir caminho para uma presença mais contínua no satélite natural. A Lua é vista como um laboratório para futuras missões mais ambiciosas, como viagens a Marte. Por isso, a Artemis II não encerra apenas uma jornada histórica: ela inaugura uma nova fase da exploração espacial, com foco em permanência, tecnologia e expansão das fronteiras humanas no espaço. Leia também: 'Arrepios': astronautas da Artemis ainda sentem efeitos da passagem pela Lua Falha no WC, odor oculto: a odisseia de apuros da Artemis II O que é o lado oculto da Lua e por que é importante estudá-lo O que aconteceu com as bandeiras dos EUA deixadas na Lua? Saiba o que sobrou após mais de 50 anos

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Vídeo mostra desmoronamento durante obra em rua de Teresópolis; morador ironiza reparos: 'Vocês estão de parabéns'

Publicado em: 10/04/2026 19:51

Vídeo mostra desmoronamento durante obra em rua de Teresópolis; morador ironiza reparos Um vídeo mostra o momento em que parte da calçada e da Rua Jaguaribe, no bairro Fazendinha, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, desmorona durante uma obra de manutenção. A intervenção, que tentava reparar um buraco na via, acabou agravando os danos no local. Nas imagens, equipes aparecem preenchendo o buraco com material, possivelmente cimento ou concreto. Pouco depois, o solo cede, abrindo uma cratera maior e arrastando parte da calçada e da rua. A reação de moradores chama atenção. Em tom de crítica, uma pessoa que grava o vídeo questiona o serviço realizado. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. LEIA TAMBÉM: Iguana é resgatada no Lago do Quitandinha, em Petrópolis Projeto em Petrópolis aposta em aulas práticas e tecnologia para engajar alunos Primeiro caso de meningite é confirmado em criança de 10 anos em Areal, RJ “Parabéns. Vocês estão de parabéns. Trabalho magnífico de vocês. Conseguiram estragar o que já estava estragado, né? Vocês não conseguem fazer nada direito, não?”, diz. Outra moradora relatou que o secretário municipal de Obras e Serviços Públicos, Davi Serafim, estava no local no momento do desmoronamento. Segundo ela, ao perceber a situação, ele teria registrado imagens e deixado a área em seguida. Prefeitura e concessionária se manifestam Em nota, a Prefeitura de Teresópolis informou que a obra é realizada em parceria com a concessionária Águas da Imperatriz, com supervisão de engenheiro da empresa. O município afirmou que já havia um desmoronamento no local desde 2011, quando a área era de responsabilidade da antiga empresa Sudamtex, o que gerou disputa judicial até a transferência recente para a prefeitura. Ainda segundo a prefeitura, foi feita uma intervenção paliativa para evitar agravamento com as chuvas, mas a medida não foi suficiente. Por isso, a concessionária passou a apoiar uma obra emergencial de contenção. A administração municipal informou que a via foi interditada para veículos pesados, como caminhões e ônibus, e segue liberada apenas para carros de passeio. A previsão é que os trabalhos sejam concluídos em até 60 dias. A concessionária Águas da Imperatriz informou que o desabamento não tem relação com as obras de implantação da rede coletora de esgoto realizadas entre outubro e novembro do ano passado. Segundo a empresa, o trecho já apresentava histórico de instabilidade desde 2011, quando ocorreu um desmoronamento no local. A concessionária acrescentou que, em 2022, a Defesa Civil emitiu laudos apontando riscos na área após vistorias solicitadas por moradores. Ainda de acordo com a empresa, as condições climáticas podem aumentar a possibilidade de novos deslizamentos na encosta. Intervenção para reparar buraco agravou situação Redes Sociais 🔎 Veja outras notícias da região no g1 Região Serrana.

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