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Mapeamento acústico ajuda na identificação do mico-leão-preto

Publicado em: 25/10/2025 08:26

Observar primatas e fazer a contagem deles não é uma tarefa fácil. Os animais estão em constante movimento nas copas das árvores, o que dificulta o processo. Quando os indivíduos são de porte pequeno como é o caso do mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) contabilizar o número de animais numa área é ainda mais complicado. Mas o uso da técnica de mapeamento acústico passivo (MAP) está permitindo a um grupo de biólogos a pesquisar essa espécie que é endêmica do Estado de São Paulo. O projeto é desenvolvido em locais diversos com vegetação nativa protegidos pela empresa de produção de celulose Suzano, nas regiões de Bauru e Sorocaba. Os micos-leões-pretos medem cerca de 30 cm de corpo e 40 cm de cauda e pesam, em média, 600 gramas Suzano "Inicialmente havíamos planejado realizar o monitoramento das populações de mico-leão-preto em apenas uma das áreas da empresa, onde o acompanhamento de um grupo da espécie já vinha sendo realizado. A escolha de uma única área deve-se ao fato de utilizarmos uma metodologia experimental". A técnica de MAP, integrada à detecção automatizada de vocalizações por inteligência artificial, é recente, o que requer treinamento e validação. Nesse sentido, em 2024, testamos a metodologia em uma das áreas, onde ela mostrou-se eficaz não apenas na detecção do mico-leão-preto, mas também na detecção de outras duas espécies de primatas, o bugio-ruivo (Alouatta guariba) e o macaco-prego (Sapajus nigritus). Com a validação de sua aplicabilidade, decidimos replicá-la em uma segunda área, onde foi possível detectar o mico-leão-preto e o macaco-prego. Com os resultados positivos que obtivemos, planejamos futuramente incorporar a terceira área no monitoramento", explica Yhasmin Paiva Rody, gerente de pesquisa e desenvolvimento em sustentabilidade da Suzano. Em cada área foram instalados de dez a vinte gravadores autônomos. Os pesquisadores processaram e analisaram 12480 horas de gravações. Os equipamentos foram programados para gravarem durante 21 dias das 6h às 18h, período em que os primatas estão mais ativos. Registro de um mico-leão-preto durante monitoramentos de fauna nas áreas da Suzano Suzano Em 2018, havia o registro de apenas um grupo de mico-leão-preto em uma das áreas monitoradas. Já em 2025 foram detectados mais oito grupo de primatas. O aumento dos grupos de mico-leão-preto pode ser explicado pelo aprimoramento da capacidade de detecção da espécie, consequência do maior esforço amostral e da eficácia da nova metodologia utilizada. Os primeiros registros do mico-leão-preto nas áreas da Suzano advinham de observações casuais, durante os monitoramentos de fauna, mas também pela busca ativa da espécie, utilizando metodologias tradicionais, como a transecção linear e o playback. "No caso da transecção linear ,método em que o observador percorre uma distância definida e registra os avistamentos, por tratar-se de um primata pequeno e que se locomove rápido na copa das árvores, sua observação em campo é difícil. No caso do playback ,método que consiste na reprodução de vocalizações da espécie-alvo, amplificada por um alto falante, a espécie pouco responde às vocalizações reproduzidas, especialmente após frequentes repetições". Em cada área foram instalados de dez a vinte gravadores autônomos Suzano Em 2024, com a implementação do projeto focado na espécie e que utiliza o monitoramento acústico como metodologia, conseguimos tanto confirmar a presença da espécie nas áreas, quanto identificar novos grupos. Esse resultado mostra a importância da incorporação de novas tecnologias nos monitoramentos de fauna, em particular para espécies raras e de difícil detecção, como o mico-leão-preto", conta Yhasmin Paiva Rody. A empresa tem um acordo de parceria para pesquisa com o Laboratório de Primatologia (LaP) da Unesp de Rio Claro, sob coordenação científica da Profa. Dra. Laurence Culot. Por meio desse acordo, alunos de graduação, pós-graduação e pesquisadores de pós-doutorado do laboratório, estão desenvolvendo estudos nas áreas da empresa, contando com o apoio logístico da Suzano para acessar as áreas que são de grande relevância para a conservação do mico-leão-preto. Além disso, participa do programa Inova Talentos, em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi. A pesquisadora responsável por executar o projeto de monitoramento e conservação do mico-leão-preto nas áreas da Suzano, Dra. Anne Sophie de Almeida e Silva, integra o programa Inova Talentos e é também pós-doutoranda do LaP. De acordo com o monitoramento realizado desde 2018 na primeira área de mata preservada, o mico-leão-preto alimenta-se principalmente de frutos do jerivá (Syagrus romanzoffiana), eles representam até 60% dos frutos consumidos pelos primatas naquele local. No entanto, a espécie é faunívora-frugífera ou seja, alimenta-se também de insetos e frutas. "Sabemos que sua dieta, que é faunívora-frugívora, varia de acordo com a área e com a disponibilidade de frutos. O que pudemos testar e verificar em nosso projeto é que, em uma das áreas da Suzano, a probabilidade de ocupação do mico-leão-preto esteve positivamente relacionada com a maior densidade de palmeiras de (Syagrus romanzoffiana). Para as outras áreas da empresa, ainda não temos essa informação. Estudos futuros sobre a ecologia alimentar das populações das outras áreas poderão nos ajudar a compreender a importância dessa palmeira na dieta do mico-leão-preto", informa Yhasmin Paiva Rody, gerente de pesquisa e desenvolvimento em sustentabilidade. Só no Estado de São Paulo, em 2024, a empresa registrou 221 espécies de animais nas fazendas monitoradas, entre eles 11 espécies de mamíferos, 192 espécies de aves e 18 espécies de anfíbios e répteis. Entre os animais avistados estão anta (Tapirus terrestres), muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides), queixada (Tayassu pecari), tapiti (Sylvilagus brasiliensis), aves como o papo-branco (Biatas nigripectus), macuco (Tinamus solitarius) e o bicudinho-do-brejo-paulista (Formicivora paludicola). VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

Mulher que descobriu câncer de mama dias antes do parto alerta sobre autocuidado: 'Hoje eu sou a minha prioridade'

Publicado em: 25/10/2025 08:13

Mulher que descobriu câncer de mama dias antes do parto alerta sobre prevenção Um ano e nove meses após descobrir um nódulo na mama às vésperas de dar à luz, a representante farmacêutica Vanessa Benelli, de 40 anos, tenta retomar a rotina com a certeza de que a vida ganhou outro ritmo em Ribeirão Preto (SP). Em remissão desde junho deste ano, ela conta que o diagnóstico de câncer transformou a forma como enxerga o próprio corpo, o tempo e as prioridades. “Se eu pudesse voltar no tempo, teria olhado mais pra mim. Teria feito o exame antes, teria me cuidado mais. Hoje eu entendo que meus filhos, meu trabalho e minha vida dependem de mim saudável. Hoje eu sou a minha prioridade, me cuido para poder cuidar da minha família", diz. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A representante farmacêutica Vanessa Benelli descobriu câncer de mama dias antes do parto do filho caçula em Ribeirão Preto, SP Arquivo pessoal Nódulo durante a gestação Vanessa foi diagnosticada com câncer de mama em janeiro de 2024, nove meses após o nascimento do segundo filho, Léo. O primeiro sinal da doença surgiu ainda durante a gestação, quando ela já estava com 38 semanas. Durante uma consulta de rotina, ao comentar que sentia um pequeno caroço no seio, a médica solicitou um exame de ultrassom. O resultado apontou um nódulo de dois centímetros, com alta suspeita de malignidade. Mas, por causa da proximidade do parto, a recomendação foi aguardar. “Eles me disseram que poderia ser um abscesso de leite. Eu quis acreditar nisso. Quando meu bebê nasceu, as glândulas mamárias aumentaram, o caroço sumiu e achei que estava tudo bem”, relembra. Nos meses seguintes, a rotina com o recém-nascido e o filho mais velho, então com dois anos, afastou qualquer preocupação. Vanessa se envolveu totalmente com a maternidade. “Eu fiquei tão envolvida com meu maternar que nem pensei, eu nem lembrei disso. Quando meu seio começou a diminuir, eu comecei a sentir de novo o carocinho. Mas eu ainda achava que era leite, eu falava: 'Daqui a pouquinho isso vai sumir'. Eu cheguei a ir na minha médica para poder pedir remédio para secar o meu leite. Eu realmente me esqueci de tudo”. O retorno ao consultório só aconteceu em janeiro de 2024. O nódulo havia crescido e estava com sete centímetros. Uma nova biópsia confirmou o diagnóstico de câncer de mama. Vanessa Benelli, o marido e os filhos em Ribeirão Preto, SP Arquivo pessoal Tratamento e equilíbrio O tratamento começou logo depois da confirmação. Foram 16 sessões de quimioterapia, sendo 12 consideradas mais leves e quatro do tipo “vermelha”, mais agressivas, seguidas por cirurgia, 30 sessões de radioterapia e imunoterapia até junho deste ano. Mesmo com os efeitos físicos e emocionais, Vanessa diz que escolheu enxergar o tratamento como parte da cura. "Eu nunca olhei para ele [tratamento] como algo ruim. Cada gota de medicação era uma gota de esperança. Eu repetia para mim mesma: 'que o medicamento vá direto nas células doentes'. Acreditar nisso me deu força", diz. LEIA TAMBÉM Representante farmacêutica de Ribeirão Preto descobre nódulo no seio durante consulta para marcar parto Pesquisa da USP desenvolve inteligência artificial para diagnóstico do câncer de mama Distante do restante da família que vive em Franca (SP), Vanessa contou principalmente com o apoio do marido. Para ela, o desafio não foi apenas físico, mas também mental. Eu aprendi que a cabeça influencia muito. Se a gente se entrega ao medo, tudo fica mais pesado. Por isso, me mantive positiva o tempo todo. Cada etapa era uma vitória Representante farmacêutica de Ribeirão Preto descobre nódulo no seio durante consulta para marcar parto Arquivo Pessoal Diagnóstico que salva Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama foi responsável por 29% de todos os casos de câncer registrados no Brasil em 2024, sendo a principal causa de morte por câncer entre mulheres. A taxa de mortalidade da doença gira em torno de 30%, mas, quando o diagnóstico é feito ainda nos estágios iniciais, as chances de cura ultrapassam 90%. "O diagnóstico precoce é fundamental, por isso que existe a mamografia como método de rastreio. Ela vai impactar a sobrevida global e a sobrevida livre de recidiva, que a gente fala. Quando você diagnostica o câncer precocemente, o estagiamento dele é menor. Então, se você tem o estágio 1, a chance de cura é maior do que o estágio 2 e assim por diante. Por isso que quanto mais precocemente for diagnosticado, maior a chance de cura", explica o médico oncologista Diocésio Andrade, da Oncoclínicas de Ribeirão Preto. Embora seja mais comum em mulheres acima dos 40 anos, o câncer de mama pode surgir em qualquer idade, diz o especialista. "Isso é um mito. Ele é mais frequente depois dessa faixa etária, mas você pode ter câncer, por exemplo, com 30, 35, 25 anos, qualquer idade". Durante a gravidez, as transformações hormonais e anatômicas dificultam o diagnóstico, já que a mamografia não pode ser feita nesse período, situação que aconteceu com a Vanessa. "Na gestação é complicado, você não pode sair fazendo qualquer exame, o corpo está mudado por causa da gravidez. Você não pode fazer mamografia na gestação, então o que a gente orienta é estar fazendo um pré-natal adequado e estar vendo a saúde da mama, para se o obstetra ou ginecologista notar alguma alteração no exame físico da mama, poder investigar, biopsiar, para fazer o diagnóstico o mais precoce possível". Autoexame é importante na prevenção do câncer de mama, mas não deve substituir a mamografia Divulgação O médico acrescenta que, durante a amamentação, apesar de não ter restrições, o diagnóstico também pode ser mais difícil. "Na amamentação não tem contraindicação de radiação, porque a radiação não vai passar pelo leite, só que a mama da mulher que está amamentando também vai estar diferente. É uma mama mais difícil também de detectar algum câncer. Ela vai estar produzindo leite, vai estar inchada e isso pode esconder eventuais nódulos", explica. O médico explica ainda que o acompanhamento é importante em casos de histórico familiar da doença. "Quando tem um histórico familiar positivo, ela deve além de procurar o mastologista ou oncologista, procurar o geneticista para ele fazer uma análise genética dela e da família. Se for positivo, retirar as duas mamas. A gente tem que diferenciar que a pessoa pode ter vários parentes com câncer e não necessariamente ela tem uma predisposição hereditária", afirma. Autocuidado e mudança de olhar Hoje, Vanessa encara o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização do câncer de mama, de outro jeito. Para ela, a campanha não é apenas uma lembrança de quem passou pela doença, mas um convite à prevenção. Com os filhos crescendo e a rotina retomada, ela tenta usar a própria história como ferramenta de conscientização. Outubro Rosa não é só pra quem venceu o câncer. É pra quem ainda pode se prevenir, pra quem acha que nunca vai acontecer. Eu me sinto com a missão de falar sobre isso. Eu vivi e quero que outras mulheres não passem pelo mesmo susto. A gente não deve esperar o corpo gritar pra se cuidar Representante farmacêutica que descobriu câncer de mama dias antes do parto fala sobre a importância da prevenção: “hoje eu sou a minha prioridade” Arquivo Pessoal Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

Palavras-chave: inteligência artificial

Entre solas e histórias: os sapateiros que resistem ao tempo e mantêm viva a arte do trabalho manual no interior de SP

Publicado em: 25/10/2025 08:01

Dia do Sapateiro: casal trabalha na fabricação de sapatos em Presidente Prudente O som compassado das máquinas, o cheiro de cola e o brilho do couro são parte da rotina de quem mantém viva uma das profissões mais antigas e essenciais do mundo: a do sapateiro. Na época em que quase tudo se tornou descartável, esses profissionais seguem costurando histórias, restaurando memórias e mostrando que o valor do trabalho artesanal está no cuidado e na alma de quem o executa. Em Presidente Prudente (SP), nomes como Jorge, Claudecir e Laura simbolizam a resistência de um ofício que atravessou gerações e segue de pé — mesmo diante da modernização e da desvalorização do trabalho manual. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp DIA SAPATEIRO PRUDENTE Stephanie Fonseca/g1 Herança de uma vida inteira dedicada ao calçado “Meu pai era artesão de calçados. Aprendi com ele ainda menino. A vida toda foi dentro do mercado de calçados”, recorda Jorge Luiz de Lima Araujo, natural do Rio Grande do Norte. Ele cresceu observando o pai trabalhar, acompanhando-o em oficinas e grandes marcas locais, em Presidente Prudente. O profissional lembra que, quando começou, tudo era muito artesanal. “Não existiam as máquinas modernas que temos hoje. A gente fazia ferramentas com o que tinha. Eu lembro de usar tampa de lata de leite em pó furada para lixar o couro”, conta. Jorge Luiz conta que começou na profissão inspirado pelo pai Jorge Luiz/Arquivo pessoal Segundo Jorge, a tecnologia facilitou o trabalho, mas também tornou o produto mais descartável. “Antes, a gente trabalhava para restaurar, para dar vida ao que tinha valor. Hoje, muita coisa é produzida de forma rápida e barata. Mas ainda existe material de qualidade que merece ser restaurado, não só consertado. Isso é devolver a história para os pés da pessoa.” Entre as histórias mais marcantes, ele lembra de mulheres que precisavam de calçados sob medida. Para ele, atender clientes com necessidades especiais ou pedidos exclusivos, como fantasias de personagens, o deixa satisfeito, pois produzirá algo que atenda a uma necessidade real. Fabricações que mudam a vida das pessoas levam contentamento a Jorge Jorge Luiz/Arquivo pessoal “Uma peça que marcou um tempo atrás foi um sapato de noiva de número 32 ou 31, de salto alto. A menina morava em Dracena, chegou a Prudente, e conseguimos tirar a medida dela, corrigir, fazer a forma e alcançar essa condição para que ela pudesse realizar o sonho dela”, compartilhou. Em outro momento, uma pessoa com a perna um tanto quanto grossa não conseguia usar botas, desde criança. “Nós trabalhamos, tiramos a medida e produzimos a peça para que pudesse vir de encontro à necessidade dela. Naquele momento eu vi uma mulher madura chorar de alegria pela primeira vez na vida ter possibilidade de calçar uma bota de maneira que ficasse confortável para ela.” Para ele, a principal dificuldade da profissão hoje é a falta de valorização e de material de qualidade. “O mercado está muito descartável. Existe trabalho, mas faltam profissionais. Se houvesse uma escola de formação, haveria muito campo de trabalho. O sapateiro sempre terá serviço, mas a profissão corre o risco de desaparecer por falta de interesse, não por falta de serviço.” Produções de Jorge Luiz, sapateiro em Presidente Prudente Jorge Luiz/Arquivo pessoal Mãos que trabalham juntas Claudecir Dogna Mané começou na profissão com cerca de 12 anos, após migrar da lavoura para a cidade com a família. São 54 anos dedicados à sapataria. “Aprendi com experiência e ajuda de amigos que já trabalhavam na área. Hoje, atuo com consertos e restaurações”, contou. Laura Alonso Luque Dogna entrou na oficina após o casamento. “Eu era professora, mas quando tive meu filho, parei de lecionar. Comecei a ajudar o Claudecir e me apaixonei pela profissão. Fui aprendendo, cuidando da parte de acabamento, revitalização e pintura dos calçados”, detalhou. O casal trabalha junto há cerca de duas décadas. Claudecir cuida da parte pesada, enquanto Laura fica com o atendimento e os detalhes finais. “Enquanto ele conserta, eu restauro a beleza”, diz Laura. Claudecir e Laura atuam juntos no ramo da sapataria Stephanie Fonseca/g1 A modernização trouxe desafios. “Hoje tudo é aparência. As pessoas olham mais para a estética do que para a qualidade. Querem o sapato novo, não o restaurado”, lamenta Laura. Claudecir acrescenta: “É muito sintético, muito plástico. Às vezes o sapato nem dá condições de arrumar. A cola não segura, o material é fraco. E mesmo avisando, a pessoa quer um resultado que nem sempre é possível. Ainda assim, a gente faz com carinho.” Eles destacam a diferença entre produção industrial e artesanal. “Tudo é mecanizado na indústria. Aqui, cada peça é feita à mão, com corte, colagem e acabamento detalhados. É demorado, mas o resultado é um produto especial, feito com cuidado e dedicação. O que sai das nossas mãos é único”, afirma Claudecir. O vínculo com os clientes ultrapassa o balcão da oficina. “Tem gente que atendi quando era criança e hoje atendo os netos”, conta Claudecir. Laura completa: “A gente tem clientes que viraram amigos. É uma relação de confiança. Eles sabem que aqui o trabalho é feito com amor e respeito. O calçado é algo pessoal, faz parte da história da pessoa.” Laura se dedica a acabamentos e outros detalhes Stephanie Fonseca/g1 Uma profissão que resiste Mesmo diante da produção em massa, esses profissionais mantêm vivo o trabalho manual. Jorge resume: “O artesão é uma dádiva. Quando você pega um couro e transforma em algo novo, sente orgulho. O que aprendi com meu pai me permite viver em qualquer lugar, porque o que vem das mãos é eterno.” Claudecir e Laura reforçam a mensagem: “O sapateiro sempre vai existir. Pode diminuir a quantidade de profissionais, mas a necessidade de restaurar, ajustar e criar produtos sob medida nunca vai acabar. Para quem quer entrar na profissão, é só ter vontade, dedicação e amor pelo que faz.” No Dia do Sapateiro, esses profissionais seguem firmes — não apenas consertando sapatos, mas restaurando histórias, memórias e o respeito por quem dedica a vida ao trabalho manual. Claudecir atua há mais de 50 anos no ramo da sapataria Stephanie Fonseca/g1 Veja mais notícias em g1 Presidente Prudente e Região

Palavras-chave: tecnologia

Como os chatbots de IA estão transformando o atendimento ao cliente

Publicado em: 25/10/2025 08:01

O atendimento ao cliente no Brasil passa por uma transformação significativa impulsionada pela inteligência artificial. Cada vez mais presentes em diferentes setores, os chatbots com IA se consolidam como uma ferramenta essencial para melhorar a comunicação entre empresas e consumidores, tornando o processo mais ágil, organizado e personalizado. A evolução do atendimento digital Nos últimos anos, o uso de chatbots cresceu de forma constante entre as empresas brasileiras. A combinação de linguagem natural, aprendizado de máquina e automação de processos tem permitido diálogos mais fluidos e contextualizados, substituindo respostas padronizadas por interações mais próximas da linguagem humana. Na área da saúde, por exemplo, clínicas e hospitais têm adotado sistemas inteligentes para triagem de pacientes, agendamentos e envio de lembretes automáticos. Em Curitiba, a EvaChat tem apoiado empresas na gestão de atendimento via WhatsApp, oferecendo soluções que unem automação, inteligência artificial e análise de dados para aprimorar a experiência do cliente. Eficiência e organização no atendimento Estudos de mercado apontam que o uso de chatbots com IA pode contribuir para a redução de custos operacionais e aumento da produtividade das equipes de atendimento. Isso ocorre porque as tarefas repetitivas passam a ser automatizadas, liberando tempo para que os profissionais se concentrem em atividades estratégicas. Além da economia, as empresas relatam ganhos de agilidade, com respostas instantâneas e atendimento disponível 24 horas por dia. Outro benefício é a possibilidade de acompanhar indicadores em tempo real, como tempo médio de resposta, taxa de resolução e nível de satisfação do cliente. Impacto na experiência do consumidor O consumidor atual valoriza agilidade, conveniência e personalização — e os chatbots de IA ajudam as empresas a oferecer exatamente isso. Essas ferramentas interpretam intenções, ajustam o tom de conversa e criam interações mais humanas, melhorando a experiência do cliente em todos os canais de contato. Com a integração de relatórios e painéis de acompanhamento, as empresas conseguem identificar gargalos, antecipar demandas e aprimorar continuamente seus processos de atendimento. O futuro da interação inteligente O uso de inteligência artificial no atendimento marca o início de uma nova fase: a da automação cognitiva. O avanço dos chamados agentes de IA — sistemas capazes de compreender contexto e executar tarefas complexas — representa o próximo passo dessa jornada, em que tecnologia e atendimento caminham lado a lado. No fim das contas, a inteligência artificial não substitui pessoas: ela apoia equipes humanas, amplia a eficiência e permite que o atendimento seja mais rápido, empático e estratégico. Serviço: A EvaChat desenvolve soluções de chatbot e agentes de IA voltadas ao atendimento ao cliente e à automação de processos empresariais. Mais informações em: www.evachat.com.br

Ofertas de pisos laminados: saiba escolher entre os diferentes tipos e estilos

Publicado em: 25/10/2025 08:01

O piso é uma das partes mais importantes de uma casa e a escolha - certa ou errada - é uma das maneiras mais eficazes de transformar completamente um ambiente. E entre as opções disponíveis no mercado, o piso laminado tem se destacado como uma das escolhas mais inteligentes tanto pela aparência sofisticada, que imita a madeira natural, quanto pela facilidade de instalação, manutenção e excelente custo-benefício. Com diferentes ofertas de pisos laminados disponíveis atualmente, é possível encontrar modelos que se adaptam a todos os estilos e orçamentos, tornando esse tipo de revestimento uma tendência consolidada nas residências brasileiras. O laminado é considerado um piso sustentável, já que sua produção utiliza madeira de reflorestamento e processos industriais controlados, o que o torna uma alternativa ecologicamente responsável em relação à madeira maciça. Por que o piso laminado se tornou tão popular A estética da madeira sempre teve um papel importante na decoração de interiores. O visual acolhedor, o toque quente e o charme natural são características que remetem à sensação de conforto. O piso laminado surgiu como uma resposta moderna a essa demanda, combinando beleza, praticidade e durabilidade em um único produto. Enquanto o piso de madeira maciça exige alto investimento e cuidados constantes, o laminado oferece uma aparência muito semelhante por um preço mais acessível. O sucesso foi imediato: ele une texturas realistas, resistência a riscos e fácil limpeza, o que o tornou o queridinho de quem busca reformar sem complicação. Instalação rápida e sem sujeira Uma das maiores vantagens do piso laminado é a facilidade de instalação. Diferente do porcelanato, que exige argamassa, rejunte e tempo de cura, o laminado utiliza o sistema de encaixe “click”, em que as réguas se conectam umas às outras como um quebra-cabeça. Na prática, isso significa menos sujeira, obra rápida e economia de tempo. Em muitos casos, é possível instalar o piso em um único dia, sem precisar remover o piso antigo. Esse sistema também é reversível: se for necessário trocar alguma parte, basta substituir a régua danificada. Fale agora com a equipe da Balaroti pelo WhatsApp e descubra as melhores ofertas em pisos laminados, com orientações sobre instalação e manutenção! Limpeza simples e manutenção fácil Manter o piso laminado bonito e funcional não exige grandes esforços. Para a limpeza diária, recomenda-se o uso de vassouras de cerdas macias ou aspirador de pó, seguidos de um pano levemente umedecido com água e detergente neutro. O ideal é evitar o uso de produtos abrasivos ou o excesso de água, o que pode prejudicar o acabamento com o tempo. Com esses cuidados simples, o piso mantém sua aparência por muitos anos. Escolher entre as várias ofertas de piso laminado pode definir o estilo da sua casa com bom preço e conforto. Divulgação/FreePik Piso laminado: conforto térmico e instalação rápida Na hora de escolher o piso ideal para a casa, é comum comparar o laminado com outras opções muito conhecidas, como o porcelanato e o vinílico. Cada um tem suas vantagens, mas o laminado costuma oferecer o melhor equilíbrio entre preço, conforto e aparência. O piso laminado é valorizado pela instalação rápida, pelo conforto térmico e sonoro e pela estética que imita a madeira natural com excelente realismo. Além disso, tem custo acessível e combina bem com diferentes estilos de decoração. Seu único ponto de atenção é que não deve ser usado em áreas molhadas, como banheiros ou lavanderias. No fim das contas, o piso laminado se consolida como uma opção versátil, bonita e com excelente custo-benefício e é ideal para quem busca renovar o ambiente de forma rápida, prática e econômica. O piso laminado é ideal para salas, quartos, escritórios e corredores, oferecendo conforto sonoro, pois reduz o eco dos passos. Modelos e acabamentos: opções para todos os estilos O avanço das tecnologias de impressão e prensagem fez com que as ofertas de pisos laminados se multiplicassem. Hoje, há uma grande variedade de cores, texturas e formatos, permitindo personalizar o ambiente de acordo com o estilo desejado: Madeira clara (carvalho, amêndoa, freijó): ideal para ambientes pequenos, pois amplia a sensação de espaço e luminosidade. Madeira escura (ipê, nogueira, castanho): traz elegância e sofisticação, ótima para salas e dormitórios. Textura rústica: combina com decorações industriais e contemporâneas, destacando o aspecto natural. Acabamento acetinado: oferece brilho moderado e aparência mais refinada, perfeito para ambientes modernos. Além da estética, o piso laminado também pode receber tratamentos antialérgicos, antiderrapantes e antiestáticos, tornando-se ainda mais funcional. Tendência e conforto em um único material O piso laminado se consolidou como um dos revestimentos mais procurados no Brasil por unir design, praticidade e sustentabilidade. Ele oferece conforto térmico, acústico e visual, além de proporcionar uma sensação acolhedora que se adapta bem a qualquer estilo de decoração. Seja em apartamentos, casas ou escritórios, o piso laminado é uma escolha moderna e inteligente para quem busca beleza, rapidez na instalação e manutenção simples, sem pesar no orçamento. Fale agora com a equipe da Balaroti pelo WhatsApp e descubra o modelo ideal de piso laminado para transformar seu ambiente com estilo e economia!

Palavras-chave: tecnologia

TP-Link lança Archer GE400 como novo roteador gamer Wi-Fi 7; veja detalhes

Publicado em: 25/10/2025 08:00 Fonte: Tudocelular

A TP-Link apresentou um novo produto com foco no público gamer. Trata-se do roteador Archer GE400, modelo que vem com tecnologias atualizadas na parte de conectividade (Wi-Fi 7), além de também ter elementos de iluminação RGB. Além disso, é um modelo que pode chegar em uma faixa de preço mais em conta. Essa pegada de um roteador mais acessível começou com o modelo Archer BE3600 da própria marca. Agora, ela visa ampliar as opções com o lançamento desse dispositivo que possui compatibilidade com redes Wi-Fi 7. Nesse sentido, a ideia é que o novo modelo se posicione abaixo dos Archer GE650 e Archer GE800.Ao que tudo indica, o roteador vem com velocidades de até 6,5 Gbps, enquanto na banda de 5GHz o número fica em 5.765 Mbps e 688 Mbps na faixa de 2,4 GHz. Isso é resultado da implementação das tecnologias MLO e 4K-QAM do Wi-Fi 7. O produto possui seis antenas para máxima cobertura, com Beaforming. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

EUA e China tentam evitar escalada da guerra comercial e garantir reunião entre Trump e Xi nas negociações da Malásia

Publicado em: 25/10/2025 07:41

Por que os ímãs estão no centro da disputa comercial entre China x EUA? Autoridades econômicas dos Estados Unidos e da China encerraram seu primeiro dia de negociações em Kuala Lumpur no sábado (25), com um porta-voz do Tesouro descrevendo-as como "muito construtivas". As duas maiores economias do mundo estão tentando evitar uma escalada na guerra comercial e garantir que uma reunião aconteça na próxima semana entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As negociações à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático traçarão um caminho a seguir depois que Trump ameaçou novas tarifas de 100% sobre produtos chineses e outras restrições comerciais a partir de 1º de novembro, em retaliação aos controles de exportação amplamente expandidos da China sobre ímãs de terras raras e minerais. As ações recentes, que também incluem uma lista de exportações dos EUA expandida que abrange milhares de empresas chinesas, interromperam uma delicada trégua comercial elaborada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em quatro reuniões anteriores desde maio. O principal negociador comercial da China, Li Chenggang, também participa das negociações. Uma testemunha da Reuters viu Li chegando ao lado de He no início do dia. Sobre as negociações, um porta-voz do Tesouro disse: "Elas foram muito construtivas e esperamos que sejam retomadas pela manhã". O governo da Malásia e os lados americano e chinês forneceram poucos detalhes sobre a reunião ou quaisquer planos de informar a mídia sobre os resultados. Pontos em discussão entre Estados Unidos e China EUA x China e a ‘lei da selva’  Os três funcionários tentarão abrir caminho para que Trump e Xi se encontrem na próxima quinta-feira em uma cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico na Coreia do Sul, uma conversa de alto risco que pode girar em torno de algum alívio temporário em tarifas, controles de tecnologia e compras chinesas de soja dos EUA. Minutos antes do início das negociações, Trump deixou Washington para sua viagem pela Ásia e expôs vários pontos de discussão para o encontro com Xi. Ele disse que os agricultores, afetados pelo congelamento chinês nas compras de soja dos EUA, e a ilha democrática de Taiwan, que a China reivindica como seu território, estariam na lista de tópicos discutidos. Trump acrescentou que não tem planos de visitar Taiwan. Ele também destacou a libertação do magnata da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai, cujo caso se tornou o exemplo mais notório da repressão da China aos direitos e liberdades no centro financeiro asiático. "Temos muito o que conversar com o presidente Xi, e ele tem muito o que conversar conosco. Acho que teremos uma boa reunião", disse Trump. Trump deixou Washington na sexta-feira à noite para uma viagem de cinco dias à Malásia, Japão e Coreia do Sul, sua primeira viagem à região e a mais longa viagem ao exterior desde que assumiu o cargo em janeiro. A bordo do Força Aérea Um, ele disse aos repórteres que também gostaria que a China ajudasse Washington em suas negociações com a Rússia. Equilíbrio delicado Josh Lipsky, presidente de economia internacional do Atlantic Council em Washington, disse que Bessent, Greer e He devem primeiro encontrar uma maneira de atenuar sua disputa sobre as restrições à exportação de tecnologia dos EUA e os controles de terras raras da China, que Washington quer reverter. "Não tenho certeza se os chineses podem concordar com isso. É a principal vantagem que eles têm", disse Lipsky. Alguns desses anúncios podem recair sobre Trump, que deve chegar à capital da Malásia no domingo. "Não saberemos se Pequim conseguiu contrabalançar com sucesso os controles de exportação dos EUA com suas próprias restrições ou se induziu a continuação de uma espiral de escalada até que Trump e Xi se encontrem", disse Scott Kennedy, especialista em economia da China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington. "Se eles fizerem um acordo, a jogada terá valido a pena. Se não houver acordo, todos precisarão se preparar para que as coisas fiquem muito mais feias." Terras raras e a escalada tarifária Terras raras e mineração: qual o impacto ambiental? As duas maiores economias do mundo estão tentando evitar que a escalada tarifária retorne a níveis de três dígitos em ambos os lados. O primeiro encontro de Bessent e Greer com He em Genebra, em maio, levou a uma trégua de 90 dias, que reduziu drasticamente as tarifas para cerca de 55% do lado americano e 30% do lado chinês, e retomou o fluxo de ímãs. A trégua foi prorrogada em negociações subsequentes em Londres e Estocolmo e expiraria em 10 de novembro. Mas a delicada trégua se desgastou no final de setembro, quando o Departamento de Comércio dos EUA expandiu enormemente uma lista negra de exportações para incluir automaticamente empresas com mais de 50% de propriedade de empresas já presentes na lista, proibindo as exportações dos EUA para milhares de outras empresas chinesas. A China reagiu com novos controles globais de exportação de terras raras em 10 de outubro, com o objetivo de impedir seu uso em sistemas militares. Bessent e Greer criticaram a medida da China como uma "tomada de poder na cadeia de suprimentos global" e prometeram que os EUA e seus aliados não aceitariam as restrições. A Reuters informou que o governo Trump está considerando um plano para aumentar a pressão com restrições a uma gama estonteante de exportações de software para a China, de laptops a motores a jato. O governo Trump aumentou a tensão na sexta-feira ao anunciar uma nova investigação tarifária sobre o "aparente fracasso" da China em cumprir os termos do acordo comercial de "Fase Um" entre EUA e China de 2020, que interrompeu a guerra comercial durante o primeiro mandato de Trump. LEIA TAMBÉM: Terras raras: como a China encontrou 'ponto fraco' de Trump Preço da soja despenca nos EUA com guerra comercial com a China; produtores pedem acordo comercial As 5 vantagens da China na guerra comercial com Trump e os EUA

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Mais de 4 mil alunos devem fazer 2ª fase da Olimpíada Brasileira de Matemática; veja locais de prova

Publicado em: 25/10/2025 07:01

Alunos do AC recebem medalhas por desempenho na etapa estadual da OBMEP em 2024 Mais de 4 mil estudantes de escolas públicas estaduais, federais e privadas do Acre participam, neste sábado (25), da segunda fase da 20ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (OBMEP). Em Rio Branco, onde há 1.442 selecionados, as provas serão aplicadas em cinco escolas a partir das 12h30 (horário local). É aconselhável que os estudantes cheguem com uma hora de antecedência. (Veja os locais mais abaixo) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A competição é nacional e ocorre, simultaneamente, em todo o país. Os Centros de Aplicação podem ser consultados no site da OBMEP e os estudantes devem portar documento de identificação. Também é permitido o uso de lápis e caneta esferográfica azul ou preta. Segundo o coordenador estadual, Sandro Ricardo, a avaliação é composta por seis questões discursivas, com duração de três horas. No estado acreano, as provas seguem até às 15h30. "Nos dois anos anteriores, nós centralizamos essa aplicação em um local só. No ano passado, por exemplo, foi na Ufac. Mas observamos que estava ocorrendo alguma evasão por conta [da distância] do local. Então, espalhamos pela cidade e vamos aplicar provas em cinco centros de aplicação", disse. Os locais de aplicação são: Escola Dr. Carlos Vasconcelos - Triângulo Novo Colégio Acreano - Centro Instituto de Educação Lourenço Filho - Bosque Escola Diogo Feijó - Floresta Escola Raimundo Gomes de Oliveira - Tucumã "Estamos tentando exatamente diminuir essa evasão, porque a ideia da OBMEP é exatamente identificar essas pedras preciosas que estão, às vezes, escondidas, e que precisam ser lapidadas. Não precisa que o aluno depois vá para a área de matemática, mas a gente sabe que as disciplinas de matemática e português influenciam muito em relação às outras", complementou. Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) é uma competição nacional Obmep/Divulgação/Arquivo Brasil Em todo o país, mais de 900 mil alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, classificados na primeira fase, estão aptos a participar da prova e concorrer às premiações da maior competição científica do Brasil, realizada desde 2005 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Segundo a OBMEP, a iniciativa alcançou 5.556 municípios, o que corresponde a 99,93% das cidades brasileiras e mais de 57,2 mil escolas participantes. Oportunidades a partir da OBMEP Entre as oportunidades oferecidas pela competição científica está o Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC Jr.), que oferece aulas avançadas de matemática para medalhistas nacionais da OBMEP. Alunos de escolas públicas que integram o programa recebem uma bolsa mensal de R$ 300, concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Outra possibilidade para os estudantes premiados é o ingresso no IMPA Tech, programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada que oferece bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação. O processo seletivo leva em conta o desempenho em cinco olimpíadas científicas, como a OBMEP. Na edição de 2023, por exemplo, uma aluna de Brasiléia foi medalhista de prata a âmbito nacional e, agora, é estudante da instituição. Cerimônia premiou dezenas de estudantes com desempenho satisfatório na OBMEP 2024 em Rio Branco Sandro Ricardo/Arquivo pessoal Além disto, na última quinta-feira (23), uma cerimônia na Universidade Federal do Acre (Ufac) concedeu medalhas a estudantes que tiveram desempenho satisfatório na etapa estadual da prova. (Veja vídeo no início da reportagem) "Então são oportunidades, janelas, portas que se abrem para os alunos que são medalhistas", complementou o coordenador estadual. Nesta edição, mais de 8,4 mil medalhas nacionais serão distribuídas, sendo 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze, além de 50 mil menções honrosas e 20,5 mil medalhas estaduais. VÍDEOS: g1

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Unicamp 2026: como revisar os livros obrigatórios da 1ª fase na véspera do vestibular

Publicado em: 25/10/2025 07:01

Unicamp 2026: veja tudo o que você precisa saber sobre o vestibular A 1ª fase do vestibular da Unicamp 2026, que será aplicada neste domingo (26), pode exigir dos candidatos a resolução de questões que abordam nove livros indicados pela universidade. O g1 conversou com um professor de literatura para entender o que pode ser feito na véspera da prova para que os candidatos se familiarizem um pouco mais com essas obras. 🚨O principal é: para quem não leu ou não sabe se entendeu, a dica é não cair no desespero. Vinicius Teixeira, do Colégio Oficina do Estudante, lembra que a Unicamp privilegia o olhar crítico e interpretativo -- não precisa querer decorar a obra -- e é possível reforçar o conhecimento com materiais de apoio. “A Unicamp tem um projeto chamado Cria Unicamp, com aulas no YouTube sobre as obras literárias, e o site da Comvest reúne provas anteriores com comentários e índices de acertos. É um excelente material para entender o tipo de questão que a banca elabora”, explica o professor Vinicius Teixeira. LEIA TAMBÉM: Unicamp 2026: veja tudo o que você precisa saber sobre o vestibular Temas e conexões 1ª fase do vestibular da Unicamp 2025 Antonio Trivelin/g1 Segundo Teixeira, uma das principais habilidades avaliadas no vestibular da Unicamp é a capacidade do estudante em estabelecer relações. O docente orienta que o estudante possa usar as obras para analisar temas que estão sendo discutidos atualmente na mídia, como, por exemplo, as questões climáticas da COP 30 ou o conceito de modernização. Entenda: 📖 Meio Ambiente (COP 30): o professor destaca que o tema ambiental, central por conta da COP 30, pode ser facilmente ligado à obra ‘A vida não é útil’, de Ailton Krenak. A literatura, neste caso, serve como um motor de reflexão sobre as "relações do homem com a natureza" e a necessidade de políticas públicas que mitiguem os problemas climáticos. 📖 Tecnologia/Modernização: embora as obras não tratem diretamente de inteligência artificial ou dos avanços na tecnologia de baterias, por exemplo, o tema da modernização e seus custos sociais podem ser analisados através de autores clássicos, como Lima Barreto. Teixeira cita ‘Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá’ para refletir sobre como o desenvolvimento e a modernização podem gerar ônus, como a marginalização de pessoas. A história se passa no Rio de Janeiro do século XX, que enfrentava reformas urbanas que contribuíram para a circulação na cidade, mas acabou por provocar o início do processo de favelização. 📖 Problemas Sociais: a literatura que aborda a "escrevivência" em ‘Olhos d'Água’, de Conceição Evaristo, pode ser cobrada em conjunto com dados e matérias do cotidiano. O conceito foi criado pela escritora brasileira para unir, como sugere o termo, a escrita e vivência. Em edições anteriores, por exemplo, a Unicamp já conectou o conto ‘Maria’, de Evaristo, sobre o assassinato de uma mulher no ônibus, com casos de violência e fake news da época, exigindo uma análise da conexão entre a arte e crimes bárbaros na sociedade. Prova de interpretação sem “pegadinhas” Para Teixeira, as questões de literatura exigem dos candidatos uma extrema atenção na leitura dos enunciados e alternativas apresentadas. Característica que pode ser considerada uma vantagem, pois não é uma prova de “decoreba” e é possível encontrar pistas para as respostas no próprio texto. “A gente tem desde Machado de Assis até textos mais contemporâneos, como a ‘A vida não é útil’ do Ailton Krenak, ‘Olhos d'Água’ da Conceição Evaristo. Então confie no enunciado, olhe para os excertos que aparecem na prova porque eles direcionam, eles organizam, eles sistematizam o pensamento para esse estudante conseguir fazer uma boa prova”, fala O professor também reforça que a Unicamp não usa “pegadinhas” para elaborar as perguntas, mas incentiva que o estudante exercite interpretação e raciocínio. A universidade procura “alunos leitores” que conseguem fazer inferências e relacionar partes de um texto. “Foi-se o tempo em que o vestibular fazia perguntas para confundir o aluno. Hoje, as bancas querem selecionar estudantes preparados, que saibam ler o enunciado com atenção. O enunciado é o melhor amigo do candidato: se ele for ignorado, pode se tornar o pior inimigo”, conta. Como estudar na reta final? 📖 Provas anteriores: para o professor, o melhor método "em cima da hora" é olhar para as questões anteriores e para o material que a própria Comvest disponibiliza no seu site oficial, o que inclui, além das respostas e os comentários, os índices de acerto. 📖 ‘Cria Unicamp’: projeto com material de aulas e análises feitas por vários professores convidados sobre obras e outras disciplinas. Esse material está disponível no site da Comvest e os vídeos no canal oficial da Unicamp no YouTube. 📖 Cuidado com o ChatGPT: Teixeira não indica o uso de resumos gerados por inteligências artificiais. Ele afirma que o vestibular não busca a capacidade de memorização do estudante, mas, sim, a de fazer reflexões e a bagagem de leitura. Outra dica é a busca por materiais de suporte para enriquecer o contato com os livros, o professor sugere procurar pela obra em outros suportes de informação: Ailton Krenak: documentário ‘Vozes da Floresta’, entrevistas e palestras que abordam a base de oralidade do autor, que atua na luta pela proteção da natureza e dos povos originários ao menos desde a década de 1980. Conceição Evaristo: entrevistas com a escritora. Ela está em plena produção, então, não é difícil encontrar debates que ajudem a entrar em contato com a "voz" da autora. Para Alice no País das Maravilhas: filmes como o de Tim Burton podem ajudar na conexão, mas não substituem a leitura. Lima Barreto: ler crônicas curtas, como Queixa de Defunto, pode ajudar a entender a mistura que o autor faz entre humor e a crítica social. Adaptações em diversos formatos alternativos, como os audiolivros: podem apresentar outra perspectiva do texto e ser bastante interessantes. Primeira fase x segunda fase As questões de Literatura na Unicamp não estão restritas apenas à primeira fase, e possuem características bem específicas em cada momento. Assim, o professor falou sobre alguns pontos de atenção que precisam ser tomados: Leitura na 1ª e 2ª fase do Vestibular da Unicamp Lista de Obras Indicadas – Vestibular 2026 Prosas seguidas de odes mínimas (José Paulo Paes) Olhos d’água (Conceição Evaristo) A vida não é útil (Ailton Krenak) Casa Velha (Machado de Assis) Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá (Lima Barreto) No seu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie) Morangos mofados - Contos escolhidos (Caio Fernando Abreu) Canções escolhidas (Cartola) Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll) Como o tema foi cobrado em anos anteriores? 1ª fase 2025: O excerto a seguir, do livro Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, narra o encontro entre a protagonista e o Gato de Cheshire: O Gato apenas sorriu ao avistá-la. Alice achou que ele parecia afável. Mas como tinha garras muito compridas e dentes bem graúdos, sentiu que devia tratá-lo com respeito. – Gatinho de Cheshire – começou a dizer timidamente, sem ter certeza se ele gostaria de ser tratado assim, mas ele apenas abriu um pouco mais o sorriso. “Ótimo, parece que ele gostou”, pensou ela, e prosseguiu: – Podia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui? – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato. – Não me importa onde... – disse Alice. – Nesse caso não importa por onde você vá – disse o Gato. – ...conquanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como explicação. – É claro que isso acontecerá – disse o Gato –, desde que você ande por algum tempo. (CARROLL, L. Aventuras de Alice no país das maravilhas. Tradução de Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Editora 34, p. 68-69, 2016.) A partir da leitura do trecho e da compreensão do todo da narrativa, pode-se afirmar que o excerto é um exemplo: a) do afeto que marca o contato que Alice estabelece com os habitantes do país das maravilhas. b) do estranhamento que Alice experimenta ao conhecer seres que não existiam no mundo de onde ela veio. c) da descoberta, por parte de Alice, do domínio que ela tem sobre as situações no país das maravilhas. d) da percepção, por parte de Alice, de que as palavras não têm sempre o mesmo sentido para quem as usa. Resposta da questão: D Assim, é correta a opção [D], pois, quando Alice pede ao Gato que lhe aponte o caminho para sair dali, o gato não responde objetivamente, pois é preciso saber qual o destino desejado. Cena da adaptação de 1951 de Alice no País das Maravilhas Reprodução/Walt Disney Pictures 2ª fase 2025: Em 1843, Gonçalves Dias compôs o poema “Canção do Exílio”, que serviu de inspiração a vários poetas ao longo do tempo, de que são exemplos o poema de José Paulo Paes e a canção de Chico Buarque de Holanda e Tom Jobim, reproduzidos a seguir. Canção do exílio, José Paulo Paes Um dia segui viagem sem olhar sobre o meu ombro. Não vi terras de passagem Não vi glórias nem escombros. Guardei no fundo da mala um raminho de alecrim. Apaguei a luz da sala que ainda brilhava por mim. Fechei a porta da rua a chave joguei ao mar. Andei tanto nesta rua Que já não sei mais voltar (PAES, José Paulo. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 19, 1992.) Sabiá , Chico Buarque de Holanda – Tom Jobim Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá E é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá Vou voltar Sei que ainda vou voltar Vou deitar à sombra de uma palmeira Que já não há Colher a flor Que já não dá E algum amor Talvez possa espantar As noites que eu não queria E anunciar o dia Vou voltar Sei que ainda vou voltar Não vai ser em vão Que fiz tantos planos de me enganar Como fiz enganos de me encontrar Como fiz estradas de me perder Fiz de tudo e nada de te esquecer (CHEDIAK, Almir (Org.). Songbook Tom Jobim. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, p. 88-89, 1990.) Identifique, em cada poema, a posição do eu-lírico em relação ao exílio. Justifique sua resposta apontando elementos de ambos os textos. Os dois poemas reproduzidos acima apresentam “negações”, a exemplo das que vemos nos versos “sem olhar sobre o meu ombro”, “não vi terras de passagem”, “não vi glórias nem escombros”, “que já não sei mais voltar”, “(...) uma palmeira que já não há”, “(...) a flor que já não dá”. Interprete comparativamente, em cada um dos poemas, o sentido da recorrência das negações. Resposta comentada: a questão aproveita um livro da lista obrigatória “Prosas seguidas de odes mínimas”, de José Paulo Paes e, com isso, estabelece comparações com outros autores e tempos literários. a) No poema de Paulo Paes, “Canção do exílio”, o eu lírico associa o exílio a um percurso existencial com o objetivo de crescimento e amadurecimento. As expressões como “Um dia segui viagem /sem olhar sobre o meu ombro”, “Apaguei a luz da sala”, “Fechei a porta da rua/a chave joguei ao mar” traduzem um contexto íntimo que demonstram o desejo de viver experiências. Já no poema de Chico Buarque, “Sabiá”, o eu lírico utiliza imagens nostálgicas para indicar a vontade de voltar, “Sei que ainda vou voltar / Para o meu lugar”. b) As negações no poema “Canção do exílio” de Paulo Paes, como em “Não vi terras de passagem/Não vi glórias nem escombros” revelam a indiferença das experiências que poderão aparecer ao longo do percurso sem desejo de retorno a um passado. Já no poema de Chico Buarque, “Sabiá”, o eu lírico manifesta o desejo de retorno ao passado, “Sei que ainda vou voltar/ Para o meu lugar”, o que talvez se torne impossível pela transformação das circunstâncias políticas que ocorreram no país: “uma palmeira que já não há”, “a flor que já não dá”. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Saúde dos professores: mais de 1,7 mil profissionais da rede estadual se afastaram por adoecimento mental em 2025

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Psicólogo comenta sobre afastamento e bem-estar de professores Mais de 1.700 professores da rede estadual no Tocantins foram afastados por questões relacionadas à saúde mental, em 2025. Na rede municipal de Palmas, o número de licenças médicas concedidas a professores da rede pública chega a 769, no ano. O município não especificou quais os motivos dos afastamentos (veja os dados abaixo). "Eu fiquei sem sentir a minha perna por um dia inteiro, eu fiquei cega por um dia inteiro, crise de ansiedade. O médico jurou que eu estava tendo um derrame. Eu passei várias vezes por um fio para ter um ataque cardíaco. Então assim, a situação que nós estamos vivendo é desesperadora", contou uma professora. Sobrecarga, ameaças, violência verbal, ansiedade e falta de assistência médica estão entre os fatores relatados por professores. Veja relatos de quem vivencia o ambiente escolar no Tocantins. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) afirmou que tem adotado medidas contínuas de aperfeiçoamento da gestão escolar, apoio técnico e acolhimento aos servidores (confira abaixo o que disse o órgão sobre os assuntos levantados pelos docentes). A Secretaria Municipal de Educação (Smed) afirmou que "mantém o Programa Saúde do Educador, que está desenvolvendo protocolos institucionais voltados ao bem-estar dos servidores, incluindo ações de acolhimento, acompanhamento psicológico e orientações para lidar com situações de vulnerabilidade e violência no ambiente escolar". ➡️ Na reportagem você confere: Dados sobre professores afastados no Tocantins Relatos de professores da rede pública O que aconteceu com professor de Palmas após agressão na sala de aula Crise dos recém-concursados Saúde mental dos professores como um problema coletivo Professores afastados no Tocantins A rede estadual do Tocantins possui 4.047 professores efetivos e 3.809 contratados, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O número de afastamentos por saúde mental entre esses profissionais entre janeiro e setembro de 2025 superou o quantitativo de licenças concedidas em todo o ano de 2024. Somente em 2025, mais de 1.700 professores do Estado foram afastados por questões relacionadas à saúde mental. O número corresponde a 22,29% do total de profissionais da rede estadual. Veja no gráfico abaixo: Na rede municipal de educação de Palmas, entre janeiro e 13 de outubro de 2025, foram concedidas 769 licenças médicas para professores. No ano passado, foram autorizadas 1.039 licenças. O município não especificou quais tipos de licenças médicas foram solicitadas nesses períodos. Conforme a Secretaria Municipal de Educação (Semed), "por questões éticas e de sigilo profissional, não é possível divulgar as causas dos afastamentos". O Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet) informou que tem recebido denúncias feitas por professores sobre assédio moral e outras situações. Conforme o sindicato, é oferecida orientação jurídica gratuita aos filiados, especialmente sobre as licenças para tratamento de saúde e garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários. 'Como se não tivesse direito ao descanso' Em entrevista ao g1, professores da rede pública de ensino no Tocantins compartilharam as principais problemáticas vivenciadas no ambiente escolar. Os nomes deles e locais de atuação não serão revelados na reportagem por questões se segurança. Confira abaixo os depoimentos desses profissionais. Sala de aula em escola pública do Tocantins Elias Oliveira/Governo do Tocantins Violência verbal e falta de respeito Com 27 anos de carreira na educação, sendo 13 deles em uma única escola, uma professora da rede estadual dá aulas turmas com 40 a 45 estudantes. Ela conta que a falta de respeito com o professor e a violência verbal têm prejudicado o dia a dia dos educadores. "O aluno não tem mais respeito nenhum pelo professor. Ele não tem respeito pelo patrimônio, ele não tem respeito pelo copo que ele bebe, pela vasilha que ele come, manda tomar no [...] a hora que quer. Então, é isso que nos adoece mesmo", contou. O excesso de projetos também tem sido um dos problemas desses profissionais, conforme a professora. "Lá em cima, na cúpula, eles montam um monte de projeto e jogam para a gente. Eles não testam. Quem tem que testar e ver se dá certo somos nós, professores". Como se não tivesse direito ao descanso Trabalhando na área da educação há 10 anos, outra professora da rede estadual e recentemente realizou o sonho de tomar posse como efetiva no concurso da educação do Estado. Mas, desde que passou a atuar em uma escola no estado, tem sofrido com burocracias como o funcionamento do Sistema de Gestão Escolar (SGE). Segundo a educadora, problemas no sistema e preenchimentos de uma mesma informação repetidas vezes na plataforma tomam muito tempo, principalmente nos finais de semana. "Então nós temos que planejar uma mesma aula várias vezes. É um plano de curso, é um plano de aula, é um plano diário, é a mesma coisa, só que dividida em formas diferentes. Isso demanda muito do nosso tempo, por mais que a gente reclame, por mais que a gente fale, ainda assim eles não nos atendem". No caso dela, além do SGE, ainda é necessário fazer o preenchimento de planilhas. "É como se a gente tivesse que provar que está o tempo todo trabalhando. É como se a gente não tivesse direito ao descanso". Como foi efetivada recentemente, ela afirma que a pressão é maior devido ao período probatório. Segundo a professora, os educadores são "coagidos o tempo todo, assediados o tempo todo e perseguidos". Por conta da sobrecarga de trabalho e perseguição, a professora teve problemas de saúde relacionados ao desgaste mental e precisou fazer uso de medicamentos para ansiedade. "Cheguei aqui com uma saúde 100%. Eu nunca tive que tomar remédio para controlar a ansiedade, para controlar qualquer coisa. Aqui adquiri uma ansiedade que quase me matou. Por várias vezes eu fui para o hospital, com o meu coração acelerado de tal forma e com a pressão tão alta, a ponto de dar um infarto, a ponto de dar um derrame, crise de ansiedade", contou. Sem tempo para organizar uma boa aula Outro professor ouvido pela reportagem também trabalha na área da educação há cerca de 10 anos. Segundo ele, os problemas com a saúde mental afetam não só os educadores, mas impactam diretamente os alunos. "Se a gente não tem um projeto de vida, porque a gente está ferido psicologicamente, a gente está passando por toda essa pressão, a gente não consegue atender o nosso alunado. Então, as aulas não vão ser tão boas, ela poderia ser melhor, mas com tanta burocracia de sistema, com tudo aquilo, você acaba não tendo tempo até para organizar uma boa aula, por exemplo. Então, isso impacta diretamente a aprendizagem dos alunos, com certeza", contou. Segundo o professor, apesar de o Estado ter um programa de bem-estar para os profissionais da educação, as atividades realizadas não atendem às necessidades dos educadores. "A gente não teve um psicólogo ali para fazer uma terapia quando precisa, a gente não teve apoio de nada. Simplesmente chamam um professor de educação física, faz um alongamento, tá feito, pronto. Curou o professor. E não é assim". Além do adoecimento mental, alguns professores também sofrem com a violência física, como aconteceu neste ano em Palmas. O que diz a Seduc sobre os problemas com o SGE? A Secretaria informou que mantém contato direto e diário com a empresa responsável pela manutenção do SGE e que solicita a implementação de correções e melhorias sempre que necessário. O governo disse que foi criado um Comitê de Gestão do SGE para tornar a ferramenta mais eficiente e desburocratizada para o professor. A secretaria afirmou que os problemas relatados pelos professores são acompanhados pelas Superintendências Regionais de Educação. Também foi informado que os docentes podem solicitar suporte direto por meio de e-mail, call center e grupos de WhatsApp. O que diz a Seduc sobre o bem-estar dos professores? O governo disse que as equipes das superintendências e escolas têm realizado orientações e acompanhado a ambiência e o clima escolar. A secretaria também citou que foi decretada a Polícia Pública de Bem-Estar Profissional (Probem), que atua em três eixos: Atenção ao bem-estar profissional, voltada à percepção de emoções e satisfação no ambiente de trabalho; Valorização dos profissionais da educação, com práticas que favorecem vivências de bem-estar, saúde integral e desenvolvimento pessoal e relacional; Qualidade de vida no trabalho, integrando as condições laborais às necessidades biopsicossociais e culturais dos servidores. LEIA TAMBÉM Professora registra boletim de ocorrência após ser agredida com soco e ameaçada por estudante em sala de aula Aluno de 17 anos é suspeito de agredir professor com cadeira e socos dentro de sala de aula, diz Polícia Militar Pai de aluna dá nove socos em professor após bronca por uso de celular em sala de aula Agressão na sala de aula Colégio Estadual Criança Esperança, na região norte de Palmas Reprodução/Google Street View Em agosto de 2025, um professor do Colégio Estadual Criança Esperança, na região norte de Palmas, foi agredido com uma cadeirada e socos por um adolescente de 17 anos. A agressão aconteceu no momento em que o professor apagava o quadro para iniciar a aula. O jovem deu uma cadeirada e, em seguida, continuou o ataque com socos. "Doeu bastante, foi um susto, mas ainda assim eu estava acreditando que era um acidente, que algum aluno esbarrou em mim ou jogou a cadeira sem querer, ou que a intenção era outra e não me acertar", relembrou o professor. O professor tomou posse no último concurso público da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e pediu afastamento por causa do trauma que passou. Ao g1, o professor informou que segue afastado. Ele foi informado, na época, que receberia apoio do departamento de Política de Bem-Estar do Profissional da Educação (Probem) da Seduc, mas só foi procurado pela equipe do programa nesta sexta-feira (24). "Vieram ver como eu estava e dizer que posso procurar atendimento quando precisar lá na Superintendência Regional de Educação, na equipe multi de lá", contou. A Secretaria de Educação disse que está realizando os devidos encaminhamentos para garantir o atendimento multiprofissional, incluindo suporte psicológico e médico, conforme avaliação técnica. A Seduc informou que "trata com seriedade todas as situações de violência ou ameaças no ambiente escolar". Segundo o órgão, os casos comunicados para a ouvidoria são apurados pelos setores competentes, que promovem orientação, formação e acompanhamento dos profissionais envolvidos. A secretaria disse que também são realizadas "mentoria e suporte às equipes gestoras para a construção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores". Crise dos recém-concursados Sala de aula vazia em escola de Gurupi Prefeitura de Gurupi/Divulgação Quem passou no último concurso da educação no Tocantins, realizado em 2023, tem enfrentado a realidade dos ambientes escolares. Muitos que foram designados para trabalhar nas salas de aula estão pedindo transferência para outros setores ou estão solicitando afastamento médico. "Eu tenho 13 anos nessa escola. Os novatos que tomaram posse no ano passado e neste ano, os recém-concursados, muitos que vieram, não ficaram", contou uma professora da rede estadual. Um dos professores entrevistados contou que, por causa da ansiedade provocada pelo ambiente escolar, teve sintomas físicos semelhantes a um infarto. Como entrou no último concurso da educação do Estado, apesar de ter o direito ao afastamento, preferiu não solicitar a licença por causa do período probatório. "Há uma pressão constante. Tudo é utilizado desse probatório, então a gente tem que sofrer calado, basicamente. Então a gente acaba ficando doente. Não pode pedir uma licença porque senão a gente vai ser prejudicado no probatório". Conforme o psicólogo e doutor em psicologia social, Ladislau Ribeiro, a nova geração de professores tem vivenciado uma frustração nos ambientes escolares. Acolher esses profissionais e fazer uma boa integração entre os experientes e novatos é uma oportunidade de promover melhorias na educação. "Muitos chegam com vontade de darem o seu melhor no exercício da docência, mas rapidamente se frustram porque se deparam com ambientes que nem sempre são muito acolhedores. É muito importante nós aproveitarmos o desejo, este ânimo e a criatividade dos professores que estão chegando. Eles ainda não têm experiência, mas, se houver uma boa integração envolvendo gerações mais experientes com esta turma um pouco mais nova, as chances de haver uma melhoria na qualidade da educação, elas serão muito grandes", explicou. Saúde mental dos professores é um problema coletivo Em entrevista ao g1, o psicólogo Ladislau Ribeiro falou como o adoecimento mental dos professores acaba sendo um problema coletivo, que afeta os educadores, os alunos e familiares. Ele explica que a natureza da atividade docente mudou com os avanços tecnológicos e isso levou a uma série de problemas. "Os professores passaram a lidar com muitos sistemas. Precisam lidar com demandas administrativas, com dados que antigamente eram alimentados por técnicos de secretaria. Quando o professor não se encontra em condições mínimas para se regular na relação com os alunos e na relação com o seu trabalho, que é um trabalho complexo, obviamente o coletivo sente". Esse acúmulo de serviços é um fator que faz os professores lidarem com estresse e esgotamento físico e mental. Esses sintomas muitas vezes se apresentam por meio da Síndrome de Burnout, doença que leva ao esvaziamento e falta de sentido em atividades cotidianas. "Então, no caso dos profissionais professores, a Burnout se expressa como um esvaziamento de sentido na relação do professor com o trabalho, com os alunos, com a própria missão que nós temos, que é a missão de educar, de transformar vidas através da educação. Então, um professor com esta síndrome, em geral, não consegue mais executar as tarefas mais simples, com as quais ele estava habituado a lidar", explicou. Isso impacta a forma como esses profissionais se veem enquanto educadores, pois a docência muitas vezes é atrelada à identidade. Esses trabalhadores são lidos como professores dentro e fora da sala de aula. "A autoestima tem muito a ver com o reconhecimento que um sujeito conquista na relação com o outro. O professor começa a duvidar da sua capacidade na medida em que ele percebe uma dificuldade de manter os alunos concentrados em sua aula, quando nas reuniões de planejamento suas ideias já não têm a mesma repercussão, quando as pessoas começam a olhar esse profissional com um olhar distinto". Segundo o Ladislau, o adoecimento mental pode provocar sintomas físicos como: Quedas de cabelo Distúrbios do sono Dificuldades de concentração Aumento na irritabilidade Aperto no peito Dificuldade para respirar Mas como ajudar esses professores? Para o psicólogo, ouvi-los é o primeiro passo. "Se os professores forem ouvidos, se eles tiverem condições de se perceberem como parte desse processo de formação, a tendência é de que os resultados sejam alcançados de um modo satisfatório", afirmou. Segundo o presidente do Sintet, José Roque Santiago, é necessário um ambiente de trabalho saudável para os professores, valorização financeira e investimento nos espaços escolares. "Tem que vir uma parte para valorizar e a para outra reconhecer. Valorizar monetariamente, financeiramente. Reconhecer é outra coisa nós precisamos de democracia dentro das escolas, um ambiente de trabalho saudável, com a participação de todos e de todas no que diz respeito ao dia a dia da escola. Isso precisa ser reconhecido. E os espaços escolares. Escolas precarizadas não ajudam na educação", disse. Dia do Professor: profissionais compartilham história, amor e conhecimento Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Professor transforma bairro em sala de aula e é finalista do Prêmio Educador Nota 10 com projeto de sustentabilidade

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Rafael César Silva é um dos finalistas do Prêmio Educador Nota 10 Rafael César Silva/Arquivo pessoal Quando o professor de geografia Rafael César Silva, de 29 anos, decidiu levar seus alunos para “dentro” do bairro Matosinhos, em São João del Rei, com a produção de maquetes, ele não imaginava que essa escolha o colocaria entre os nove finalistas do Prêmio Educador Nota 10, um dos mais importantes reconhecimentos da educação brasileira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O projeto "Riscos em Perspectiva: o bairro Matosinhos em maquetes" nasceu em 2024, com alunos do 1º ano do ensino médio integral da Escola Estadual Governador Milton Campos. A ideia era usar maquetes para representar áreas de risco ambiental do bairro onde a maioria dos estudantes vivem, tornando a geografia mais tangível e conectada com a realidade dos adolescentes. “A ideia nasceu da necessidade de aproximar os conteúdos de geografia da realidade dos estudantes. As maquetes surgiram como recurso didático para transformar informações abstratas em algo concreto, estimulando a leitura crítica do espaço, a reflexão sobre problemas locais e a busca por soluções sustentáveis, dialogando com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil da ONU”, explica Rafael. Com apoio de estagiários da Universidade Federal de São João del Rei, os estudantes mapearam pontos de vulnerabilidade urbana, como enchentes, deslizamentos e ocupações irregulares e propuseram estratégias para minimizar os problemas. Tudo isso através de trabalho em grupo, pesquisa com mapas, fotografias e muita criatividade. Projeto "Riscos em Perspectiva: o Bairro Matosinhos em maquetes" Rafael César Silva/Arquivo pessoal “Foi muito mais que um projeto escolar. Os alunos se sentiram protagonistas. Eles perceberam que seu bairro é digno de estudo, de atenção e de transformação”, destaca o professor, que é natural de Oliveira, no Centro-Oeste Minas, e leciona há 4 anos, sendo 3 na atual escola. Do bairro para o Brasil Estudantes da Escola Estadual Governador Milton Campos, em São João del Rei Rafael César Silva/Arquivo pessoal A relevância do projeto foi reconhecida nacionalmente: Rafael foi um dos mais de 4 mil inscritos no Prêmio Educador Nota 10 e chegou à final na categoria Sustentabilidade, que premia práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “Decidi inscrever o projeto porque vi nele um exemplo de como a escola pode ir além da sala de aula. Foi também uma forma de dar visibilidade ao esforço coletivo dos estudantes e mostrar que eles são protagonistas do processo educativo”, afirma. A notícia foi recebida com emoção tanto por Rafael quanto pelos alunos. “Foi uma emoção enorme. Para mim, é a certeza de que estamos no caminho certo, unindo educação, ciência e cidadania. Os estudantes ficaram muito orgulhosos, disseram que nunca imaginaram que um trabalho da escola deles pudesse chegar tão longe.” O trabalho de Rafael mostra como a escola pública pode ser um espaço de transformação social concreta, mesmo em cidades do interior, e como educadores comprometidos podem fazer a diferença com poucos recursos, mas com muita escuta, criatividade e envolvimento comunitário. “Espero que o prêmio dê mais visibilidade ao projeto e incentive outras escolas a desenvolverem práticas que unam aprendizagem e realidade local. É isso que faz sentido”, conclui Rafael. Produto final do projeto com as maquetes no Bairro Matosinhos, em São João del Rei Rafael César Silva/Arquivo pessoal Divulgação do resultado O resultado será divulgado nesta segunda-feira (27), em cerimônia na Pinacoteca de São Paulo. Os finalistas serão ranqueados em 1º, 2º e 3º lugar dentro de suas categorias e receberão premiação em dinheiro que varia de R$ 25 mil a R$ 15 mil. Os vencedores também concorrão ao título de Educador do Ano, com premiação de R$ 25 mil em dinheiro e bolsas de pós-graduação. Criado em 1998, o prêmio é uma iniciativa do Instituto SOMOS, que já reconheceu 279 educadores em todo o país. O prêmio já distribuiu cerca de R$ 3,5 milhões ao longo de sua história e é referência nacional em valorização docente. *Estagiária sob supervisão da editora Juliana Netto ASSISTA TAMBÉM: Alunos de Muriaé avançam à final da Olimpíada Nacional de História Alunos de escola rural de Muriaé avançam à final da Olimpíada Nacional de História VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

Com portas abertas, Inpe terá exposições e visitas guiadas neste sábado (25)

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Semana de Ciência e Tecnologia tem programação no Cemaden O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com sede em São José dos Campos (SP), terá uma ação de portas abertas para a comunidade neste sábado (25), com exposições e visitas guiadas para o público. Na sede do Inpe, a programação começa no Centro de Exposições, espaço que concentrará estandes do Inpe e de instituições parceiras, com maquetes de satélites e foguetes, óculos de realidade virtual com imersões pelo Pantanal e pela Amazônia, oficinas, atividades para crianças e uma Feira de Troca de Livros. Além das exposições, os participantes terão as visitas guiadas em diversos prédios do Inpe, como o Laboratório de Integração e Testes (LIT), o Museu de Satélites, o Centro de Controle de Satélites (CCS), o EMBRACE (Clima Espacial), o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), o Telescópio Solar Galileo, o Miniobservatório Astronômico e a Biblioteca. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Os visitantes participarão de uma jornada científica autoguiada, pois, ao chegar, cada pessoa receberá um mapa interativo com as opções de visitas guiadas e exposições. A cada parada, o visitante ganhará um carimbo em um “passaporte científico”, tornando a experiência mais divertida. Cada grupo será acompanhado por monitores e pesquisadores do Instituto, garantindo uma experiência mais informativa aos participantes. Segundo o Inpe, o objetivo da ação é oferecer a oportunidade para o público conhecer de perto o trabalho realizado pelo Instituto e explorar o universo da ciência e da tecnologia de forma interativa. O Inpe Portas Abertas integra a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que este ano traz como tema “Planeta Água: cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território” - clique aqui e confira a programação. O Inpe de portas abertas é um evento gratuito e exclusivo para pessoas que se inscreveram antecipadamente pelo site. Na noite desta sexta-feira (24), as inscrições já estavam encerradas. Sede do Inpe fica em São José dos Campos Wilson Araújo/TV Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: tecnologia

Brasileira presa com drogas no Camboja: o que se sabe sobre o caso

Publicado em: 25/10/2025 06:01

O que se sabe sobre o caso da brasileira presa no Camboja por suspeita de posse de drogas Arquivo Pessoal A brasileira Daniela Marys de Oliveira está presa no Camboja e é acusada de posse ilegal de drogas. Ela está na penitenciária Provincial de Banteay Meanchey, e a família argumenta que ela é vítima de tráfico humano e alvo de uma armação de uma organização criminosa, que ''implantou'' droga no banheiro do local onde ela morava. O g1 separou as principais informações sobre o caso, desde o início do ano, quando Daniela saiu de João Pessoa e aceitou uma vaga de emprego no país do Sudoeste Asiático até o julgamento dela, realizado na quinta-feira (23). Inicialmente a informação era de que Daniela era acusada de tráfico de drogas pelas autoridades cambojanas, no entanto, a irmã dela informou que desde o início das investigações contra ela, a acusação é de posse ilegal de drogas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Brasileira aceitou vaga de emprego no telemarketing para ir ao Camboja Brasileira presa no Camboja é vítima de tráfico humano, adoeceu na prisão e família perdeu R$ 27 mil em golpe Arquivo Pessoal Natural de Minas Gerais, parte da família de Daniela veio para a Paraíba antes da filha. Somente em novembro de 2024 Daniela, arquiteta formada, em busca de emprego, chegou a João Pessoa, para passar um período com a mãe, Myriam Marys. Ela contou que, nesse período, a filha enviou vários currículos em vagas na internet e encontrou uma vaga para trabalhar como telemarketing no Camboja. Era uma vaga temporária para o trabalho, que poderia se estender até um ano. Daniela ficou muito interessada porque não conseguiu outras vagas desde que havia chegado à Paraíba em janeiro de 2025. Por isso, aceitou a oferta, embarcando para a Ásia no fim de janeiro. A mãe foi contra a ida desde o início e desconfiou do local em que a filha se instalou para o trabalho. “Eu achei tudo estranho desde o começo. O lugar era isolado, cheio de beliches, e disseram que esperavam mais pessoas para começar o trabalho”, relatou Myriam. De acordo com a mãe, após as desconfianças iniciais, a suspeita se confirmou e por meio do celular da filha supostos golpistas pediram dinheiro para a família, cerca de R$ 27 mil. O argumento era de que esse era o valor da multa prevista em uma rescisão contratual, que os suspeitos teriam dito que precisaria ser paga após uma demissão da brasileira. “Disseram que ela tinha sido demitida e precisava pagar uma multa de US$ 4 mil. Nós acreditamos, achando que era verdade, e acabamos transferindo o dinheiro. Foram R$ 27 mil no total”, afirmou. A prisão por posse ilegal de drogas Brasileira que morou na Paraíba está presa no Camboja Segundo a mãe, pouco depois de enviar o dinheiro para os supostos golpistas, ela recebeu uma ligação da filha, que desde a transferência do montante não havia entrado em contato mais. Ela conta que a própria Daniela relatou ter sido detida injustamente por posse de drogas no Camboja. “Ela me ligou do telefone de um policial dizendo que estava presa. Disseram que encontraram três cápsulas de droga no banheiro. Ela implorou para fazer um teste toxicológico, mas nunca deixaram”, contou. A mãe explicou que Daniela havia dito que essas cápsulas de droga foram colocadas no banheiro do local onde a mulher morava porque ela havia recusado participar de um esquema de golpes na internet. Na prisão, segundo a família, Daniela chegou a adoecer devido às más condições do local. “O médico da prisão disse que ela precisava de exames fora, mas demoraram quase 20 dias para levá-la. A embaixada não faz nada. Dizem que o governo do Camboja não permite contato”, relatou Myriam. Superlotação, registro de morte e inundações em penitenciária Como é a prisão em que brasileira está após tráfico humano denunciado pela família Reprodução A prisão Provincial de Banteay Meanchey, onde Daniela está presa, tem um histórico de superlotação, registro de morte e até inundações. De acordo com a mãe, a cela onde a brasileira está é compartilhada com outras 90 mulheres. De acordo com o noticiado pela mídia do Camboja, um levantamento feito em relação às prisões do país, entre elas a que a brasileira está presa, as penitenciárias estão operando acima da capacidade que suportam. O levantamento destaca que a operação está 200% acima do que é suportado, com o número de presos aumentando 23% nas unidades. Em março deste ano, um deteteto de 22 anos morreu na prisão Provincial de Banteay Meanchey, devido a um problema cardíaco e falta de oxigênio no cérebro, segundo a mídia do Camboja. Ele foi preso em 2023, por posse e transporte de armas sem permissão, violência intencional, roubo e uso de drogas ilegais. A província onde a prisão está situada, que leva o mesmo nome da penitenciária, fica a noroeste do Camboja e a imprensa do país registra diversas inundações na região que atingiram várias pessoas. Em 2020, por exemplo, tempestades mataram 18 pessoas e 25 mil tiveram que ser evacuadas de suas casas. Por conta dessas inundações, a prisão de Banteay Meanchey também teve que evacuar alguns detentos à época. Os julgamentos no Camboja De acordo com o documento da Human Rights Watch, no código penal cambojano existem diversas etapas de procedimento padrão para serem adotadas em investigações contra diversos crimes no país, como a seguir: Prisão pelo crime apontado; polícia faz relatório fazendo o indiciamento ou não. Em caso de indiciamento, um promotor de Justiça recebe o caso; Com o promotor, ele tem o poder de liberar a pessoa ou abrir um processo judicial; Caso ofereça denúncia, o caso vai para um juiz de instrução analisar; Na fase de instrução, o acusado é interrogado, provas são reunidas e outras medidas podem ser adotadas; Ao fim de toda a análise, o juiz de instrução tem dois caminhos: encerra o caso ou emite uma "ordem de acusação". Se essa acusação for feita, o caso passa para um tribunal julgar em primeira instância. Na segunda fase do processo, no Tribunal de Primeira Instância, não há um júri para analisar o caso e, sim, três juízes responsáveis pela sentença após deliberação da promotoria, que acusa, e os advogados que defendem. O g1 teve acesso a um documento que mostra que Daniela está na fase de julgamento, ou seja, ela passou por avaliação dos juízes sobre a acusação de posse ilegal de drogas. No entanto, o código de processo penal afirma que uma sentença sobre o caso não é necessariamente proferida no mesmo dia do julgamento. O juiz marcou a data de divulgação do resultado para o dia 12 de novembro. Caso de Daniela é realidade constante de outros brasileiros no Sudoeste Asiático, diz ONG A presidente da ONG The Exodus Road no Brasi e também integrante de uma ramificação da Interpol que combate o tráfico humano, Cintía Meirelles, disse que o caso em que Daniela aparenta estar, em situação de tráfico humano, é uma realidade constante de muitos brasileiros. Ela diz que brasileiros são cooptados por redes criminosas para trabalharem no exterior. "O que chama ainda mais atenção é que parte dessas redes é composta por brasileiros aliciando seus próprios conterrâneos, por meio das redes sociais, com falsas promessas de emprego e oportunidades no exterior", disse Cintía. O modus operandi dessas organizações de tráfico humano, conforme a ONG, exploram as vítimas cooptadas "para a prática de diversos crimes, inclusive cibernéticos, cometidos sob coerção e ameaça". A presidente da ONG também faz parte de uma ramificação da Interpol, que atua no combate ao tráfico humano internacional. De acordo com essa ramificação, estima-se que mais de 300 mil migrantes estejam sendo traficados atualmente para a região do Sudeste Asiático. O que diz o Itamaraty Palácio do Itamaraty Reprodução/ Agência Brasília Em nota, o Itamaraty disse que "tem conhecimento" do caso. No entanto, não deu detalhes do que está sendo adotado como providência para ajudar Daniela no Camboja. "A Embaixada vem realizando gestões junto ao governo cambojano e prestando a assistência consular cabível à nacional brasileira, em conformidade com o Protocolo Operativo Padrão de Atendimento às Vítimas Brasileiras do Tráfico Internacional de Pessoas", diz a nota. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, em 2024 foi prestada assistência a 63 brasileiros em situação de tráfico de pessoas, dos quais 41 no Sudeste Asiático. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Palavras-chave: cibernético

Enem 2025: Prefeitura de Salvador promove aulão preparatório

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Imagem meramente ilustrativa de uma estudante com cadernos Freepik A Prefeitura de Salvador, em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), realizará mais uma edição do programa IngreSSar, com aula preparatória gratuita para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O evento será a partir das 12h do dia 7 de novembro, no Centro de Convenções de Salvador, situado na orla da Boca do Rio. Durante o aulão, os participantes terão acesso a uma revisão completa dos principais conteúdos cobrados no exame, com aulas e dicas de professores de diversos cursinhos preparatórios de Salvador. Estarão presentes docentes das áreas de Redação, Matemática, Biologia e Geografia. A expectativa dos organizadores é reunir mais de seis mil estudantes. Os estudantes interessados devem se inscrever pelo site do evento. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Segundo Fernanda Lôrdelo, titular da SPMJ, O "Mega Aulão" marca o encerramento das atividades preparatórias antes da aplicação do Enem. "É um momento dedicado aos estudantes de escolas públicas e privadas da capital, visando proporcionar descontração e alívio da tensão pré-exame. O evento oferecerá peças teatrais, brindes e dicas de professores renomados da cidade", explicou. O professor de História e coordenador pedagógico do evento, Ricardo Carvalho, ressaltou o caráter social da iniciativa: “Ao incluir um espetáculo teatral-musical no evento, ao lado de mestres consagrados na preparação para o Enem, o Mega Aulão gera repertório sociocultural e conteúdo de excelência para os jovens estudantes. É a realização do sonho de todo educador. Tudo isso feito de forma 100% gratuita é democratizar a educação e garantir o compromisso social dos gestores do projeto”. O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro em todo o Brasil. No primeiro dia, as provas serão de Redação; Linguagens, códigos e suas tecnologias; e Ciências Humanas e suas tecnologias. No segundo fim de semana, ocorrerão as provas de Matemática; e Ciências da Natureza e suas tecnologias. LEIA TAMBÉM: Assessor parlamentar é preso suspeito de matar ex-companheira a facadas na Bahia Influenciadora 'ervoafetiva' nega participação em tráfico de drogas: 'Ninguém no mundo deveria ser preso por fumar maconha' Thais Carla revela novo peso seis meses após cirurgia bariátrica: 'progresso' Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

Segundo suspeito de ataque a tiros em escola de Sobral segue foragido um mês após o crime

Publicado em: 25/10/2025 05:01

Veja o que se sabe sobre o segundo suspeito de atirar em alunos em escola de Sobral Segue foragido, um mês após o crime, o segundo suspeito de atirar em cinco adolescentes no intervalo entre aulas na Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral. O crime ocorreu no dia 25 de setembro e deixou dois adolescentes mortos e três feridos. Até este momento, somente um dos suspeitos foi preso: Bruno Rodrigues, de 29 anos. Ele já respondia por homicídio, roubo, associação criminosa e corrupção de menor. Em nota, a Polícia Civil disse que "segue com as investigações em andamento com o objetivo de identificar e capturar o segundo suspeito de envolvimento nos homicídios." ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp "Os trabalhos investigativos estão a cargo do Núcleo de Homicídios e Proteção à Pessoa (NHPP), da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Sobral, e contam com apoio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI-Norte). A população pode contribuir com as investigações. As informações podem ser direcionadas para o número 181", reforçou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). LEIA TAMBÉM: Polícia prende criminosos que aplicam golpe do falso advogado Aluno é assassinado a tiros no estacionamento de academia no Ceará Os dois adolescentes mortos foram identificados como Victor Guilherme Sousa de Aguiar e Luis Claudio Sousa Oliveira Filho, de 17 e 16 anos, respectivamente. Eles eram estudantes da Escola Estadual Professor Luis Felipe e também participavam de times de futsal na cidade. Outros três estudantes baleados sobreviveram. Dois foram levados para o hospital com lesões leves e logo foram liberados. Já o terceiro ficou internado em estado grave na Santa Casa de Sobral, mas também teve alta hospitalar e está bem. No momento em que foram baleados, os estudantes atingidos estavam no estacionamento da escola, na rua Brasil Oiticica. Os tiros ocorreram durante o intervalo das aulas, quando os estudantes estavam fora das salas. Um vídeo gravado por testemunhas mostra alunos correndo depois dos tiros. Testemunhas relataram ter visto alunos desmaiando e vomitando após o ataque. Vídeo mostra correria na escola após ataque a tiros Retorno das aulas e segurança nas escolas Aulas são retomadas após ataque em escola em Sobral Sobral é o maior município da região norte do Ceará e conhecido nacionalmente pelos bons resultados na educação. A escola atacada concentra turmas apenas do ensino médio. São 1.159 alunos e 54 professores, de acordo com o Censo Escolar 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As aulas na Escola de Ensino Médio Professor Luís Felipe retornaram no dia 6 de outubro de maneira gradual e com homenagem aos alunos mortos. O local teve reforço de segurança por meio da atuação integrada do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) da Polícia Militar e da Guarda Municipal. A ideia é garantir presença constante das forças de segurança no entorno da escola, policiamento ostensivo e visitas periódicas à unidade. Após o ataque, outras instituições da cidade aderiram a esquemas de segurança como reconhecimento facial e instalação de um botão do pânico. É o caso da Escola Municipal José Parente Prado, que atende 907 alunos, do 3º ao 9º ano do ensino fundamental. Localizada em uma área de vulnerabilidade social, a unidade escolar já iniciou um projeto piloto com um novo sistema de segurança. As medidas de segurança funcionam da seguinte forma: 1. Biometria facial 👧 Ao chegar à escola, o aluno entra em uma fila no portão principal da instituição onde estão as câmeras. 📷 Com o rosto previamente cadastrado, o estudante posiciona sua face para reconhecimento facial. ✅ Após o reconhecimento, a criança é liberada para entrar na escola. Caso o rosto do aluno não esteja cadastrado, o processo é feito na hora. 📲 Os pais recebem uma mensagem informando se o filho está ou não na escola. 📋 A escola registra quem entrou e quem não compareceu. 🔍 Com esses dados, são feitas buscas ativas para melhorar o controle do funcionamento escolar. 2. Botão do pânico ⏺️ Localizado no setor administrativo, o botão pode ser acionado por qualquer funcionário da escola que presenciar alguma atitude que pode colocar em risco a integridade do estudante. 🚨Ao ser acionado, a ferramenta envia uma notificação para o celular de algumas autoridades e órgãos de segurança, como o próprio secretário de Segurança e para a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). 🚓 Após receber a notificação, as autoridades iniciam o processo de contenção de riscos, buscando identificar, avaliar e controlar possíveis ameaças. Crianças farão fila para reconhecimento facial antes de entrar em escola de Sobral. Reprodução/TV Verdes Mares Como foi a dinâmica do ataque? Novo vídeo de ataque em escola mostra criminosos atirando O ataque à Escola de Ensino Médio Luis Felipe, localizada no bairro Campo dos Velhos, aconteceu durante o intervalo da escola na manhã do dia 25 de setembro e completa um mês neste sábado. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que os dois atiradores chegam de moto a uma rua próximo à escola por volta de 9h30. Eles descem, vão até a lateral e atiram pela grade que separa o pátio da escola da rua (veja acima). O primeiro preso por envolvimento no ataque foi identificado como Bruno Amorim Rodrigues, de 29 anos. Ele teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia. O inquérito policial do caso, ao qual o g1 teve acesso, aponta que Bruno pertence a um grupo criminoso rival ao de Victor Guilherme Sousa de Aguiar (vulgo 'VG'), um dos estudantes mortos no ataque. Após ataque, escola ficou cercada por policiais. Mateus Ferreira/ SVM O documento ainda aponta que Bruno foi "decretado" pelo Comando Vermelho (CV) ao abandonar a facção e se aliar ao grupo rival Primeiro Comando da Capital (PCC). "Decretado", na linguagem dos criminosos, significa que ele passou a ser jurado de morte. Já VG, de 16 anos, tinha envolvimento com o CV, conforme o inquérito policial. No entanto, ainda não é possível afirmar se ele era "batizado" (reconhecido pelos chefes da facção como membro) ou se era apenas próximo de criminosos. Com o jovem, foi encontrada uma mochila com drogas e uma balança de precisão. De acordo com o inquérito, Victor era um fornecedor de drogas na escola. Em seu depoimento, Bruno Amorim negou que teria envolvimento com o ataque na escola. Ele disse que estava com sua esposa em casa na hora do crime. No entanto, ao ser procurado pelos policiais, Bruno pulou o muro de casa e se escondeu na casa de uma vizinha. Os agentes encontraram Bruno escondido sob um lençol no canto de um cômodo da residência. O secretário de Segurança do Ceará, Roberto Sá, confirmou que o ataque foi uma execução premeditada: "Foi um ataque contra esses jovens que estavam naquele local. E repudiamos, lamentamos profundamente o fato da droga, nesse contexto com arma de fogo, com impunidade, gerar toda essa espiral de violência que o Brasil vive", afirmou. Equipes de segurança farão monitoramento na escola durante entrada e saída de aluno e durante intervalo. Mateus Ferreira/ SVM O que falta saber Ainda não há confirmação ou detalhes sobre a motivação do crime, mas informações apuradas pelo g1 no inquérito policial do caso apontam que o ataque tem conflito entre facções criminosas da região como motivação. Ainda de acordo com inquérito policial, a motocicleta utilizada no crime foi roubada sete dias antes do ataque e teve os pneus modificados. Ainda não há informações sobre quem pilotava o veículo. Conforme o documento da polícia, o grupo de alunos baleados, junto com outros estudantes (que fugiram a tempo), ficava naquela localização na hora do recreio para consumir drogas. Outros detalhes Além da prisão de um dos suspeitos de envolvimento com o crime, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu em setembro o exame de microcomparação balística. O exame comprovou, pericialmente, que o projétil encontrado nos crimes partiu da mesma arma de fogo utilizada em um homicídio ocorrido em julho, cujo suspeito seria o mesmo capturado no dia após os homicídios na escola (Bruno Rodrigues). Infográfico: estudantes são baleados em escola no CE Arte g1 Violência crescente no Ceará Uma das hipóteses para o crime que matou os dois estudantes na escola em Sobral é o confronto entre facções, conforme apuração da TV Globo. Segundo o governador do estado, Elmano de Freitas, sete facções disputam o domínio de territórios onde eles podem monopolizar o tráfico de drogas e serviços como acesso à internet. Os sete grupos criminosos são responsáveis por 90% dos assassinatos no estado, ainda de acordo com Elmano. A guerra entre os bandos tornou o Ceará o estado com a maior taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes em 2024, conforme Mapa da Segurança Pública, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número absoluto de homicídios dolosos teve um aumento de 9,85% no Ceará: era 2.893 em 2023 e subiu para 3.178 em 2024. Além dos assassinatos, os criminosos tentam monopolizar serviços ofertados à população. Em uma onda de ataques coordenados, ocorridos entre fevereiro e março deste ano, criminosos depredaram e incendiaram provedores de internet e deixaram cidades sem acesso. O Comando Vermelho foi a facção responsável. Ela fez pelo menos 19 ataques, como corte de cabos de internet, incêndio de veículos e tiros contra as sedes das empresas, nas cidades Fortaleza, Caucaia, Caridade e São Gonçalo do Amarante. Em outras regiões, os bandos cobram um "pedágio" para "autorizar" que comerciantes e vendedores informais mantenham seus serviços. Em agosto de 2025, um vendedor de churrasco foi assassinado após recusar a pagar a "taxa" de R$ 1.000 à facção. O valor anterior, que a vítima pagava mensalmente, era R$ 400. Estudantes ficaram em pânico após ataque a tiros em Sobral (CE) Reprodução Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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