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Como camisinhas ajudaram a estudar cigarras na Amazônia

Publicado em: 28/10/2025 06:33

COP30 - O que são os "pontos de não retorno" do clima? Conhecidas pelo som característico que produzem, as cigarras são um grupo de insetos que abrange mais de três mil espécies diferentes espalhadas pelo mundo. Mas uma espécie típica da Amazônia, a Guyalna chlorogena, chama atenção por um comportamento curioso: ela constrói pequenas torres de argila misturada com urina ao sair do solo. Segundo Pedro Pequeno, professor e pesquisador do Instituto Serrapiheira e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia SinBiAm (INCT-SinBiAm), as cigarras passam a maior parte da vida debaixo da terra, se alimentando da seiva das raízes. Torres de argila com urina construídas por cigarras na Amazônia despertaram curiosidade de pesquisadores Divulgação/Instituto Serrapilheira Quando estão na fase final da vida, já saindo do solo para fazer a metamorfose e virarem adultos, é que esses insetos constroem as torres. "As torres vão aumentando gradualmente, noite após noite, elas [as cigarras] vão construindo aos poucos, durante alguns meses", detalha. Apesar das torres serem relativamente conhecidas na região amazônica, Pequeno diz que a função delas era desconhecida. E isso intrigou um grupo de brasileiros que fazia um curso na Amazônia. "Desde o início, nas trilhas exploratórias, as torres da cigarra chamaram muito a nossa atenção, elas pareciam uma vila de fadas que saía do chão. E o que era mais curioso é que não tinha nenhuma explicação para isso", conta a bióloga Marina Méga, doutoranda da UFRJ que fazia parte do grupo. Afinal, qual a finalidade dessas torres? Hipóteses Duas hipóteses foram elaboradas pelos pesquisadores. A primera era que essas estruturas serviam como um mecanismo de proteção e defesa das cigarras, diminuindo o risco delas serem vítimas de um predador no período de ninfa. "Porque quando chega nessa fase de metamorfose, a cigarra sai, emerge e faz essa troca de pele para assumir a forma adulta, mas esse processo é demorado, e quando ela faz isso, ela fica grudada ali na parte de fora da torre, imóvel. Se aparece algum predador ali, ela morre", explica Pequeno. O fato da torre ter em sua composição a urina também levantou a possibilidade de servir como uma espécie de repelente para inibir os predadores. A segunda hipótese é que as torres permitiam trocas gasosas para que as cigarras pudessem respirar dentro das estruturas. "O solo é um ambiente com pouco oxigênio e muito dióxido de carbono, então esses bichos pequenos que vivem no solo, eles naturalmente passam por uma adaptação para lidar com essa situação", explicou Pequeno. Pesquisadores usaram 40 preservativos para testar hipótese de trocas gasosas nas torres de cigarra Divulgação/Instituto Serrapilheira Para testar essa hipótese surgiu uma ideia inusitada: usar camisinhas para vedar as torres. "A gente olhou para as torres, achou o formato um pouco peculiar. E assim, em um tom de brincadeira, uma das minhas colegas sugeriu a gente usar os preservativos", contou Marina Méga. A ideia era simples: se a torre servisse realmente pra troca de gases, a tendência era que o preservativo inflasse com o gás carbônico que estivesse saindo dali, pelos pequenos poros da argila. E foi exatamente isso o que aconteceu. "O preservativo começou a inflar e a gente viu que havia algum tipo de troca gasosa. A gente ficou eufórica. Começou a comemorar, a cantar. Enfim, a gente teve esse momento de muita felicidade. Foi uma vitória, porque a gente estava em um ambiente inóspito, com relativamente poucos recursos", lembra a bióloga. Após o teste, a equipe de pesquisadores encomendou cerca de 40 preservativos para confirmar a hipótese das trocas gasosas e fez outros experimentos com iscas de formigas pra verificar se as torres também serviam para as cigarras se protegerem de predadores. No fim, as duas hipóteses se mostraram verdadeiras. "Na perspectiva científica, é algo que preenche lacunas do que a gente já tem, do que a gente sabia. A gente sabia pouco sobre essas estruturas, tinha uma perspectiva mais morfológica, estudos mais observacionais, mas nenhuma hipótese era realmente testada sobre essas funções. E as funções dessas estruturas podem aumentar a sobrevivência das cigarras, e isso tem toda uma importância biológica", destacou Ména. Maior torre de cigarra já vista no mundo Acredita-se que nem todas as espécies de cigarras construam essas torres. Mas, há registro de ao menos um tipo desse inseto em cada continente, segundo Pequeno. No entanto, o que chama atenção nas torres estudadas em Manaus é o tamanho. Durante os experimentos na Amazônia, os pesquisadores encontraram uma torre de 47 centímetros, a maior já vista no mundo. Pesquisadores encontraram na Amazônia torre de 47 centímetros, maior já registrada Divulgação/Instituto Serrapilheira "As torres amazônicas são muito maiores do que todas as outras que temos documentadas. Geralmente, as torres que chegam a 8, 10, no máximo 12 centímetros, eles não passam muito disso. E as que a gente observou em Manaus, isso já era descrito na literatura, podiam chegar até 40 centímetros. E aí, andando lá, a gente encontrou torre de quase 50 centímetros", afirmou Pequeno. Os resultados dessa descoberta na Amazônia, que foi feito de forma inusitada, deu origem a um artigo científico que, segundo Pequeno, deve ser publicado em breve. "Entender funções de estruturas biológicas é útil porque grande parte do que a gente faz no mundo é imitando estruturas biológicas. Frequentemente nós, pesquisadores, estamos tentando imitar o processo natural que já existe de forma extremamente eficiente. Se a gente conseguir entender como as torres de cigarra funcionam, isso pode trazer inúmeras implicações de trocas gasosas, controle térmico, por exemplo."

Palavras-chave: tecnologia

Sem Tela Azul da Morte: Windows 11 recebe verificação preventiva para evitar falhas críticas

Publicado em: 28/10/2025 06:07 Fonte: Tudocelular

Após corrigir um problema crítico com WinRE, a Microsoft está liberando um novo recurso para evitar a temida Tela Azul da Morte (embora agora ela seja preta). Disponível inicialmente para as versões 26220.6982 (KB5067109) e 26120.6982 (KB5067109) do Windows 11 Insider Preview, a novidade promete evitar danos ao sistema antes de acontecerem.A novidade foi anunciada hoje por Amanda Langowski, líder do Programa Windows Insider, dizendo: Estamos introduzindo um novo recurso que ajuda a melhorar a confiabilidade do sistema. Se o seu PC passar por uma verificação de bug (reinicialização inesperada), você poderá ver uma notificação ao entrar sugerindo uma verificação rápida da memória. Se você optar por executá-lo, o sistema agendará uma verificação de diagnóstico de memória do Windows para ser executada durante a próxima reinicialização (levando 5 minutos ou menos em média) e, em seguida, continuará no Windows. Se um problema de memória for encontrado e mitigado, você verá uma notificação após a reinicialização.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

Divinópolis Summit 2025 traz especialistas e startups em dia de inovação; saiba como participar

Publicado em: 28/10/2025 06:01

Divinópolis Summit 2025 Sebrae/Divulgação No próximo sábado (1º), será realizada a 2ª edição do Divinópolis Summit, evento voltado para empreendedorismo e inovação. As inscrições estão abertas e podem ser feitas aqui. Há desconto de 50% para estudantes, empreendedores e profissionais da região. A programação será das 8h30 às 18h, na Faculdade Anhanguera. O encontro deve reunir empreendedores, investidores, mentores e profissionais do setor tecnológico em palestras, painéis de discussão, mentorias e rodadas de negócios. A iniciativa é da Prefeitura de Divinópolis, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo, em parceria com o Sebrae. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp Entre os convidados estão nomes de destaque nacional, como o empreendedor e autor Alfredo Soares, que vai falar sobre e-commerce e educação empreendedora. Também participam: Ben Ludmer, especialista em comunicação e comportamento; Francisco Saboya, superintendente do Sebrae Pernambuco; João Paulo Zica, especialista em inovação tecnológica; Leandro Rodrigues, mentor de startups; Marcelo Silva, especialista em estratégias empresariais; Rodrigo Fernandes e Rodrigo Moreira, investidores e mentores; Thiago Silva, especialista em marketing e inovação digital. O evento marca ainda o encerramento do programa Acelera Divinópolis, que já acelerou mais de 60 startups locais. Nesta edição, 15 delas vão apresentar seus projetos a investidores durante o encontro. Além das palestras e mentorias, o público poderá participar do “pitch reverso”, formato em que investidores se apresentam às startups, e do espaço de networking “Conecta Summit”, voltado à troca de experiências e parcerias. LEIA TAMBÉM: Mineira supera depressão e alcoolismo e transforma lanchonete em pizzaria de sucesso Serviço Divinópolis Summit 2025 Data: 1º de novembro (sábado) Horário: das 8h30 às 18h Local: Faculdade Anhanguera Divinópolis — Rua Santos Dumont, 1001, Bairro Manoel Valinhas Atividades: palestras, painéis, mentorias, rodadas de negócios, pitch reverso e espaço de networking “Conecta Summit” Inscrições: loja.sebraemg.com.br/detalhes/178529 ASSISTA ABAIXO - Evento em Divinópolis destaca uso da tecnologia no serviço público Evento em Divinópolis destaca uso da tecnologia no serviço público VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

Palavras-chave: tecnologia

Caminhonete de luxo comprada por Prefeitura em MG e avaliada em R$ 350 mil é sequestrada pela Justiça

Publicado em: 28/10/2025 06:01

Caminhonete de luxo comprada por Prefeitura de Alto Rio Doce é sequestrada pela Justiça MPMG/Reprodução Uma liminar da Justiça determinou o sequestro imediato de uma caminhonete de luxo adquirida pela Prefeitura de Alto Rio Doce, no Campo das Vertentes. O veículo, uma Ford Ranger Limited 2025, avaliado em cerca de R$ 350 mil, possui itens como câmbio automático de 10 marchas, piloto automático adaptativo, câmera 360º e rodas de liga leve de 20 polegadas. A decisão atende uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o município, o prefeito Victor da Maria Alice (MDB) e a empresa fornecedora - Foco Automóveis Ltda. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O órgão pede a anulação do contrato e da licitação, alegando ilegalidade na aquisição de bem de luxo, o que é proibido pela Lei 14.133/2021 e por decreto municipal. Caso não seja possível, o prefeito deve ser condenado a ressarcir ou indenizar a Prefeitura. A Prefeitura informou que a caminhonete foi comprada para “atender às necessidades operacionais do município, que conta com mais de 1.000 km de estradas de terra, topografia desafiadora e comunidades rurais distantes” e que vai recorrer da decisão. Confira a nota completa mais abaixo. O g1 não conseguiu contato com a empresa onde a Ford Ranger foi comprada, em Ipatinga. Segundo o promotor Vinícius Chaves, a compra representa “ostentação e extravagância com dinheiro público”, especialmente diante das condições precárias dos veículos usados pela população em serviços de saúde “em veículos muito mais simples e, quando pouco, sem o menor conforto e dignidade”. Para ele, “embora existentes tantos outros modelos no mercado que pudessem atender as reais necessidades de um veículo com utilização em estradas de terra e vicinais, qual a real necessidade do prefeito adquirir, por meio da pessoa jurídica de direito público interno, dois automóveis com atributos de motor de 250 cv, seis cilindros, com diversos acessórios caríssimos?" LEIA TAMBÉM Eleições 2024: Victor da Maria Alice, do MDB, é eleito prefeito de Alto Rio Doce no 1º turno Família que morreu em acidente na BR-040 ia para Alto Rio Doce; criança é uma das 5 vítimas O MPMG também apontou que, após a entrega da caminhonete, o prefeito mandou inserir placas de sinalização ao redor da praça Doutor Miguel Batista Vieira, mencionando a privatividade do estacionamento. “Assim, a praça que é pública, da noite para o dia se tornou privativa, exclusiva, do prefeito de Alto Rio Doce. O bem, que é de uso comum do povo, tornou-se parcialmente afetado ao serviço público e sob utilização exclusiva do chefe do executivo, o qual simplesmente pode melhor estacionar o veículo como se particular ou dono dele fosse. Confira a nota completa da Prefeitura mais abaixo '" O veículo Ford Ranger adquirido é patrimônio do Município de Alto Rio Doce, comprado pela Prefeitura e para uso exclusivo da administração pública, não sendo propriedade do Prefeito. Trata-se de uma ferramenta de trabalho, não de luxo. A compra seguiu processo licitatório aberto, transparente e competitivo, amparado na Lei 14.133/2021, sem indicação de marca ou modelo. Todos os documentos estão disponíveis no Portal da Transparência, comprovando a lisura do ato. Alto Rio Doce possui mais de 1.000 km de estradas de terra, topografia desafiadora e comunidades distantes que exigem um veículo robusto, seguro e confiável. A escolha por tração 4x4, potência e tecnologia não se trata de ostentação: é necessidade real para que a Prefeitura chegue a cada cidadão, em qualquer condição de estrada e clima, fiscalizando obras e prestando apoio às famílias rurais. Vale destacar que existem na linha do fabricante veículos com valores muito superiores ao modelo adquirido, reforçando que não se trata de luxo, mas de atendimento eficiente à população. Além disso, o veículo possui itens que atendem às exigências obrigatórias para carros fabricados em 2025 no Brasil. Entre eles estão controle eletrônico de estabilidade (ESP), controle de tração, luzes diurnas (DRL), alerta de cinto de segurança afivelado, e, desde 2014, airbag duplo e freio ABS. Assim como os veículos adquiridos para a Saúde, garantindo total segurança e plena conformidade legal. Quando assumimos a gestão, em 2021, a frota da Saúde estava sucateada, com apenas 5 veículos em condições de uso, situação conhecida inclusive pelo mesmo promotor que questiona a compra. Em menos de quatro anos, adquirimos mais de 20 veículos novos para a Secretaria de Saúde, com direção hidráulica, ar-condicionado, vidro elétrico, trava elétrica e itens de segurança como airbag, garantindo transporte diário com segurança e dignidade aos pacientes. Além disso, foram adquiridos mais de 30 veículos e maquinários pesados para as demais secretarias, fortalecendo a estrutura de toda a administração e melhorando os serviços prestados à população. Nos últimos 4 anos e 6 meses, o Prefeito utilizou seu veículo pessoal para atender às demandas do município e realizar longas e desafiadoras viagens a Brasília, percorrendo estradas muitas vezes perigosas e que exigem um veículo robusto, seguro e confortável. Esse esforço constante contribuiu para dobrar o orçamento municipal, sempre com prioridade absoluta ao interesse público. Não há ostentação, há responsabilidade. Este veículo é ferramenta de governo, necessária para o serviço público, e a frota da Prefeitura hoje é referência na região. Quanto à instalação da placa na praça, esclarecemos que a vaga criada na praça é destinada aos veículos oficiais, pois a sede da Prefeitura não possui pátio ou estacionamento, garantindo segurança, organização e logística do serviço público, não configurando uso particular do Prefeito. A vaga na praça é destinada aos veículos oficiais da Prefeitura, garantindo segurança, organização e eficiência no serviço público, não sendo de uso particular do Prefeito. Enquanto alguns tentam transformar uma ferramenta de trabalho em polêmica, seguimos focados em obras, saúde, educação, estradas e qualidade de vida para a nossa gente, reafirmando que o veículo pertence à Prefeitura, ao povo, as próximas gestões, e não ao Prefeito." ASSISTA TAMBÉM: O que são emendas parlamentares O que são emendas parlamentares VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: tecnologia

Senhas do Gmail estão entre vazamento que inclui 183 milhões de contas

Publicado em: 28/10/2025 05:57 Fonte: Tudocelular

Um novo vazamento de dados expôs credenciais de acesso de 183 milhões de contas do Gmail em uma base identificada por especialistas em segurança digital. A atualização foi adicionada ao banco de dados do serviço Have I Been Pwned (HIBP), administrado pelo pesquisador Troy Hunt, e confirma a presença de endereços de e-mail e senhas vinculadas ao Gmail entre os dados comprometidos. O vazamento tem origem em registros de plataformas de infostealers, malwares voltados para roubo de credenciais.A inclusão dos dados vazados do Gmail no HIBP foi registrada em 21 de outubro e chamou a atenção pelo volume e impacto. Segundo Troy Hunt, os registros vieram do monitoramento de redes de cibercriminosos ao longo de quase um ano, envolvendo arquivos com URLs de sites, e-mails e senhas capturados de dispositivos infectados. Parte dessas credenciais é nova — cerca de 16,4 milhões de contas nunca haviam sido vistas em vazamentos anteriores, o que indica risco elevado para esses usuários.Clique aqui para ler mais

Snapdragon 8 Elite Gen 6 tem novos detalhes apontados em rumor

Publicado em: 28/10/2025 05:51 Fonte: Tudocelular

Enquanto a quinta geração chega aos poucos ao mercado global, rumores em torno do Snapdragon 8 Elite Gen 6, chipset premium da Qualcomm para 2026, já começaram a circular. Ao que parece, a plataforma deve mesmo pular uma geração de litografias da TSMC, como discutido no passado, e pode contar com suporte aprimorado de memórias, devendo proporcionar um salto considerável de desempenho e eficiência.As informações chegam por meio do leaker Digital Chat Station (em tradução via máquina), cujo histórico de vazamentos mostrou ser confiável até o momento, e indicam que o Snapdraogn 8 Elite Gen 6 pulará o processo de fabricação N2 da TSMC, primeira geração de 2 nm da companhia de Taiwan, para seguir diretamente para o N2P. Segunda geração da tecnologia, o N2P é uma versão refinada da N2. Segundo cálculos feitos a partir de números oficiais, estima-se que a mudança de uma para outra seja de 5% a 10% em termos de densidade e eficiência. Se considerarmos que o atual 8 Elite Gen 5 emprega a mais antiga N3P da classe de 3 nm, o salto será ainda maior, podendo ultrapassar os 20%.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Padre Júlio Lancellotti tem pedido de indenização contra vereadora negado pela Justiça; entenda

Publicado em: 28/10/2025 05:28

Vereadora eleita pede que moradores não alimentem pessoas em situação de rua A Justiça negou o pedido de R$ 30 mil de indenização por danos morais feito pelo padre Júlio Lancellotti contra a vereadora Janaina Ballaris (União), de Praia Grande, no litoral de São Paulo. De acordo com a sentença, obtida pelo g1 nesta terça-feira (28), o juiz considerou que a mulher não ofendeu o pároco ao associá-lo a um assistencialismo midiático em entrevista concedida a uma rádio. 🔎Assistencialismo é um termo usado para descrever ações que buscam ajudar pessoas em situação de vulnerabilidade através de benefícios imediatos. Esta prática pode causar dependência, sem promover mudanças estruturais que solucionem o problema. Janaina afirmou ao g1 que sempre respeitou o padre e chegou a ir pessoalmente à Paróquia São Miguel Arcanjo para tentar conversar. "Ele escolheu o caminho judicial. A Justiça reconheceu que não houve ofensa e que as minhas falas estavam protegidas pela liberdade de expressão. Que possamos seguir com serenidade porque a democracia se constrói com diálogo", destacou ela. Cabe recurso da decisão em primeira instância. O g1 tentou contato com o padre, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. A defesa dele também não foi localizada. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Santos no WhatsApp. Padre Júlio Lancellotti entrou com um processo contra a vereadora Janaina Ballaris (União), de Praia Grande (SP) Reprodução/Instagram As declarações da parlamentar à rádio CBN Santos foram feitas em dezembro de 2024, cerca de uma semana após o padre compartilhar um vídeo de Janaina e escrever na legenda da publicação: "Impressionante, vereadora eleita de Praia Grande". Nas imagens, ela orientou moradores a não alimentarem ou darem dinheiro a pessoas em situação de rua (assista acima). A vereadora disse na entrevista: "Eu acho que dar assistência é diferente do assistencialismo. O assistencialismo é fazer o que o padre faz, que é louvável, dar comida, mas dar assistência é você encaminhar [...] O assistencialismo é fácil, você faz bonito para todo mundo ver". O advogado do padre, Nicholas Berro, apontou no processo que a parlamentar também fez uma publicação dizendo que Lancellotti recebe dinheiro do governo e que iria se encontrar com um vereador para investigar a situação (veja abaixo). Story sobre o padre Júlio publicado por Janaina foi anexado ao processo (à dir.) Redes sociais Sentença O padre pediu R$ 30 mil de indenização por danos morais, afirmando que as declarações de Janaina foram ofensivas e difamatórias. Segundo o documento, ele teve a honra, imagem e reputação comprometidas com as alegações de que recebia dinheiro público e praticava assistencialismo. Na sentença do último dia 21, o juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 5ª Vara Cível de São Paulo, julgou improcedente a solicitação do padre e o condenou a pagar os honorários advocatícios, além das custas e despesas processuais. O magistrado explicou que a declaração de assistencialismo foi uma discordância da vereadora sobre a atuação de Lancellotti, e a afirmação de que ele recebe verba do governo não configura acusação, destacando "que existem diversas formas lícitas de repasses e utilização de recursos públicos". "A manifestação da ré insere-se em debate de interesse público (político) e a condição de pessoa pública do autor lhe impõe tolerância a críticas", afirmou o juiz. "Não [foi] caracterizado qualquer ato ilícito por parte da ré, que manifestou pensamento que deve ser tolerado numa sociedade aberta". Padre Júlio Lancellotti entrou com um processo contra a vereadora Janaina Ballaris (União), de Praia Grande (SP) Reprodução e Victor Angelo Caldini/Reprodução/Instagram Relembre o caso O vídeo de Janaina publicado pelo padre viralizou, ultrapassando 390 mil visualizações no Instagram e gerando críticas à postura da parlamentar. À época dos fatos, ela afirmou ao g1 que o conteúdo foi tirado de contexto de forma "maldosa" e que a intenção era orientar o encaminhamento das pessoas em situação de vulnerabilidade à Secretaria de Assistência Social do município. No dia 17 de dezembro do ano passado, Janaina foi questionada sobre o atrito com o padre durante a entrevista na rádio e respondeu que dar assistência é diferente de assistencialismo. Segundo ela, Lancellotti não poderia fazer política revestido de uma "manta religiosa" como autoridade. Ainda na ocasião, a parlamentar opinou que algumas pessoas alimentam quem vive nas ruas com o intuito de "ficar bem com Deus", mas não se interessam por saber os motivos de o morador estar ali. "Nem olha para a cara da pessoa [...] dá [comida] como se estivesse dando para o cachorrinho", disse. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

Palavras-chave: vulnerabilidade

De bombardeios à prisão de Maduro: o que pode acontecer numa eventual ação militar dos EUA na Venezuela?

Publicado em: 28/10/2025 05:03

Navio de guerra dos EUA atraca no Caribe, perto da Venezuela A crescente lista de ações militares dos Estados Unidos contra a Venezuela no Caribe multiplica as especulações sobre um ataque iminente ao país sul-americano. Enquanto uma intervenção terrestre não parece factível, especialistas enxergam outras possibilidades, desde ataques a alvos do narcotráfico até uma operação para retirar do território nacional o presidente Nicolás Maduro. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O chefe da Casa Branca, Donald Trump, diz estar certo de que as autoridades em Caracas sentem a pressão imposta pela ofensiva, deflagrada pelos americanos sob a justificativa de uma guerra ao narcotráfico. O desdobramento mais recente foi a chegada no domingo (26) de um navio de guerra dos EUA a Trinidad e Tobago, pequeno arquipélago próximo à Venezuela. Já haviam sido deslocados ao Caribe o navio lançador de mísseis USS Gravely e o grupo de ataque USS Gerald Ford, que inclui o maior porta-aviões nuclear do mundo. Autoridades de Trinidad e Tobago afirmaram que realizariam exercícios militares conjuntos com as forças americanas, e o sobrevoo de aviões bombardeiros perto da costa venezuelana chegou a ser reportado pela imprensa americana – mas, depois, negado pelo presidente americano. Trump ainda disse na semana passada ter autorizado operações secretas da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) na Venezuela. O Pentágono anunciou na sexta-feira (24) ter afundado a décima embarcação supostamente usada pelo narcotráfico. Para analistas, os ataques a barcos são ilegais. Testes para forças armadas Porta-aviões USS Gerald Ford, navio principal do grupo de ataque USS Gerald Ford da Marinha dos Estados Unidos. Alyssa Joy/Marinha dos Estados Unidos À DW, uma especialista sob condição de anonimato chamou as ações militares dos EUA de "completamente desproporcionais" se o objetivo é atacar lanchas que transportam drogas na região. Funcionam, na verdade, como uma demonstração de força e um sinal de alerta. Há cada vez mais sinais de um ataque iminente contra a Venezuela, ela argumenta, citando recentes incursões aéreas frente às águas venezuelanas que colocavam à prova a capacidade de resposta das Forças Armadas venezuelanas. O apoio das forças militares venezuelanas é parte central do aparato que permite a Maduro permanecer no poder. Uma operação terrestre ou o uso de bombardeiros B-1, entretanto, são descartados por especialistas, por causa do alto custo e desgaste que imporiam aos EUA. "Eles começariam com algum ataque seletivo com um míssil de um navio ou do ar", disse uma fonte militar espanhola. "A CIA busca inteligência, o que fazer e o que não fazer, para promover a rebelião interna [das forças militares], que é como essa agência funciona." O coronel aposentado do Exército dos EUA Manuel Supervielle, entretanto, ressalta que bombardeiros B-1 também podem ser usados de longas distâncias. "A vantagem dos EUA em um confronto com a Venezuela é que eles têm tecnologia militar muito superior e podem atingir alvos fora do alcance venezuelano. O que o governo americano certamente não quer são baixas entre as tropas americanas", diz. LEIA TAMBÉM Trump 'sem dúvida' quer derrubar governo da Venezuela, diz aliado de Maduro à BBC Capacidade para 5 mil pessoas e 90 aeronaves: conheça o 'letal' USS Gerald Ford, maior porta-aviões do mundo que Trump usa para pressionar Maduro VÍDEO: em Gaza, busca por corpos de reféns israelenses é feita com retroescavadeiras Narcotráfico na mira Membros do Night Stalkers fazem treinamento na Flórida em janeiro de 2024 U.S. Air Force Para Sebastiana Barráez, jornalista venezuelana especializada no tema militar, o alvo de um hipotético ataque dos EUA poderiam ser "laboratórios" ou "acampamentos guerrilheiros" vinculados ao narcotráfico. Uma ação deste tipo, segundo ela, seria mais fácil de justificar internacionalmente do que outro tipo de intervenção militar. Ela enxerga ainda a possibilidade de uma operação de extração de autoridades venezuelanas de alto nível, incluindo Maduro, sob o argumento de que elas estão à frente do narcotráfico venezuelano. Em julho, os EUA acusaram o presidente venezuelano de comandar o chamado Cartel de los Soles, então classificado por Trump como organização terrorista internacional. O governo americano já ofereceu recompensas financeiras por Maduro e outras autoridades. Por sua vez, Supervielle menciona a possibilidade de "eliminação seletiva" por meio de "ataques para assassinar determinadas pessoas e criar instabilidade na cúpula do regime que permita ou dê a oportunidade a outros grupos dentro das próprias Forças Armadas da Venezuela de tomar o poder e transferi-lo ao governo legítimo". Os EUA e o Parlamento Europeu reconhecem o líder da oposição venezuelana, Edmundo González Urrutia, como presidente legítimo e democraticamente eleito em 2024. Opositores do chavismo afirmam que os resultados das eleições foram fraudados para privilegiar Maduro, acusado de usurpar o poder. Xadrez geopolítico María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela, e presidente Nicolás Maduro. Leonardo Fernandez Viloria/Reuters Já a opositora María Corina Machado, reconhecida como líder das forças armadas da Venezuela e ganhadora do Nobel da Paz deste ano, disse nesta semana que "o regime está mais fraco do que nunca." Maduro, por sua vez, afirma que a Venezuela mantém "nervos de aço" diante da pressão americana. "Somos ameaçados com palavras diariamente pelo império estadunidense, diariamente uma guerra psicológica", disse num pronunciamento televisionado. Segundo o presidente, a Venezuela conta com mais de cinco mil mísseis antiaéreos de fabricação russa. "Graças ao presidente [Vladimir] Putin, graças à Rússia, graças à China e graças a muitos amigos no mundo, a Venezuela tem um equipamento para garantir a paz", afirmou. Para os especialistas ouvidos pela DW, a crescente influência regional da China é outro fator-chave na equação das tensões entre EUA e Venezuela. O país asiático não se manifestou vocalmente nem a favor de Maduro nem contra Trump. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontrou com Trump durante cúpula na Malásia, se ofereceu como interlocutor entre Washington e Caracas. "Nós queremos manter a América do Sul como zona de paz. Nós não queremos trazer os conflitos de outras regiões para o nosso continente", sustentou. VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: tecnologia

Moradores de Perus, na Zona Norte, temem instalação de incinerador de lixo próximo a parque e terras indígenas

Publicado em: 28/10/2025 05:03

Imagem aérea do aterro dos Bandeirantes, em São Paulo, considerado um dos maiores da América Latina. Divulgação/Loga Moradores do bairro de Perus, na Zona Noroeste de São Paulo, estão preocupados com a instalação de um incinerador de lixo no terreno do antigo Aterro Bandeirantes, desativado em 2007. O projeto, chamado de Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes, faz parte do plano da Prefeitura de São Paulo, que prevê a construção de três usinas do tipo na capital. As outras unidades devem ser construídas na Zona Sul (Santo Amaro) e na Zona Leste (São Mateus) ao longo de 20 anos, segundo a prefeitura, sob responsabilidade das concessionárias Loga e Ecourbis, com supervisão da SP Regula, autarquia que administra o sistema de limpeza urbana da cidade. De acordo com a prefeitura, as usinas vão transformar parte dos resíduos em energia elétrica por meio da queima controlada do lixo. Em uma viagem ao Japão, em abril, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) visitou uma usina do tipo e disse que o país resolve com tecnologia o problema do descarte de resíduos. Segundo ele, a técnica reduz o lixo em até 80% "sem danos ambientais". No projeto da prefeitura, cada unidade terá capacidade para processar mil toneladas de resíduos por dia e contará com sistemas modernos de controle de emissões. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em Perus, o anúncio da obra provocou mobilização popular. Moradores e coletivos locais afirmam que não foram consultados sobre o empreendimento e pedem a suspensão do licenciamento ambiental até que seja realizada uma audiência pública com a comunidade. “A implantação de uma usina desse porte exige diálogo com quem vive aqui. O bairro já conviveu por décadas com o aterro e agora volta a enfrentar o risco de poluição e degradação ambiental”, afirma a química Thaís Santos, que é doutoranda em bioenergia e moradora do bairro. O movimento “Incinerador de Lixo em Perus, Não” tem promovido reuniões e protestos para barrar a obra. O grupo defende que a prefeitura e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) priorizem políticas de reciclagem, compostagem e apoio às cooperativas de catadores, conforme previsto no Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS). Atualmente, quase todo o lixo produzido em São Paulo e na Grande São Paulo, região que mais produz resíduos no país, tem como destino os aterros sanitários. Segundo dados da Cetesb, o estado de São Paulo possuía um total de 302 aterros sanitários em 2023. Desses 302, 265 eram públicos (87,7%) e 37, privados (12,3%). Apesar de contarem com sistemas de impermeabilização e coleta de chorume, esses locais têm vida útil de cerca de 15 anos e deixam danos ambientais como mau cheiro, emissão de biogás e produção de chorume por até duas décadas após o fechamento. A reciclagem, considerada o caminho ideal por especialistas, ainda é limitada na capital paulista: menos de 3% do lixo é reciclado. A falta de separação correta dos resíduos, a contaminação por materiais orgânicos e o baixo interesse da indústria tornam o processo caro e pouco eficiente. Com os aterros próximos da saturação, a Prefeitura de São Paulo aposta em novas rotas de tratamento, como os incineradores. Em nota, a gestão municipal afirmou que audiências públicas estão previstas e ainda devem ocorrer antes da implementação dos Ecoparques e das Unidades de Recuperação Energética (URE) na cidade. Mas ainda não confirmou as datas dos encontros (leia mais abaixo). Parque e terra indígena O terreno previsto para o incinerador fica a cerca de 7 km de distância da Terra Indígena do Jaraguá, e próximo ao Refúgio de Vida Silvestre do Parque Anhanguera, a segunda maior área verde da capital e o maior parque urbano da cidade. Segundo os moradores, o local ainda apresenta resíduos de biogás e metano do antigo Aterro Bandeirantes, o que poderia causar risco de explosões e incêndios. A área do Bandeirantes, que deixou de funcionar em 2007, tem cerca de 150 hectares, o equivalente a 150 estádios de futebol. O local era considerado um dos maiores aterros sanitários da América Latina. “Construir uma usina sobre uma área que ainda emite gás inflamável é uma atividade potencialmente perigosa e exige monitoramento técnico rigoroso”, alerta Thaís. Segundo ela, a exposição contínua a emissões de incineradores está cientificamente associada a diversos riscos à saúde, tanto para os moradores do entorno quanto para os trabalhadores das instalações, especialmente para faixas etárias vulneráveis, como crianças e idosos. A engenheira Sirlei Bertolini, conselheira do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades) da Prefeitura de São Paulo e moradora de Perus, acrescenta que o estudo de impacto ambiental apresentado pela Loga, concessionária responsável pela administração do futuro incinerador, aponta impactos indiretos sobre o ecossistema do Parque Anhanguera. “Mesmo sem contato direto, as emissões e o tráfego de caminhões podem alterar a qualidade do ar e afetar a fauna e a flora da região”, afirma. Procurada, a Loga (Logística Ambiental de São Paulo) não comentou sobre os impactos ambientais sugeridos no estudo até a última atualização desta reportagem. Impacto ambiental A proposta das UREs, os incineradores de lixo, divide opiniões. O engenheiro Douglas Freitas, especialista em gestão de aterros sanitários, avalia que a incineração pode ser uma alternativa técnica ao esgotamento dos aterros, desde que bem regulada e fiscalizada. “Há tecnologia suficiente para realizar a incineração de forma controlada, com impacto mínimo. A Cetesb tem corpo técnico qualificado para analisar a viabilidade e impor condicionantes ambientais”, diz. Freitas pondera, no entanto, que empreendimentos desse tipo costumam ser instalados em regiões periféricas, o que reforça desigualdades urbanas. “Ninguém quer um aterro ou uma usina perto de casa, mas todos querem o lixo recolhido. É uma contradição social que precisa ser debatida”, afirma. Para o engenheiro ambiental, a gestão de resíduos em São Paulo ainda se equilibra entre o ideal e o viável. A reciclagem, embora sustentável, é economicamente inviável em larga escala. "A falta de separação adequada nas casas, a contaminação por resíduos orgânicos e a baixa demanda do mercado tornam o processo caro e pouco eficiente", diz. Segundo Freitas, o aterro sanitário continua sendo a opção mais barata, mas já mostra sinais de saturação. “Com 14 mil toneladas de lixo por dia, está faltando espaço para enterrar tanto resíduo”, afirma. Como alternativa, o engenheiro defende o uso de tecnologias térmicas, como a incineração moderna e o Combustível Derivado de Resíduo (CDR). A incineração, segundo ele, reduz o volume de lixo de imediato e pode gerar energia elétrica. Já o CDR, usado em indústrias cimenteiras de Guarulhos, na Grande São Paulo, e Paulínia, no interior, segundo ele, aproveita o lixo como fonte de combustível, ajudando a diminuir a dependência dos aterros. A química Thaís Santos argumenta que as UREs não são sustentáveis e podem reduzir os índices de reciclagem ao competir com cooperativas. “Essas usinas precisam de resíduos com alto poder calorífico, como plásticos e papéis, justamente os materiais mais recicláveis. É um retrocesso ambiental e social”, completa. O que dizem a prefeitura e Cetesb A SP Regula informou que as três UREs serão implantadas ao longo dos próximos 20 anos e que os contratos estão disponíveis para consulta pública no site da autarquia. Segundo o órgão, as unidades contarão com sistemas modernos de controle de emissões, “sem liberação de poluentes e com geração de energia limpa”. A Prefeitura de São Paulo afirmou que a cidade gera cerca de 12 mil toneladas de lixo por dia, das quais menos de 3% são recicladas, e que o objetivo das UREs é diversificar o tratamento de resíduos e reduzir a dependência dos aterros sanitários. "A SP Regula informa que audiências públicas estão previstas e ocorrerão para a implementação dos Ecoparques e das Unidades de Recuperação Energética (URE) na cidade. Nessas reuniões, com data ainda a definir, a população terá a oportunidade de conhecer o projeto e tirar dúvidas." A prefeitura disse ainda que "é importante esclarecer que as UREs não podem ser confundidas com os antigos incineradores dos anos 1970 e 1980, pois não representam risco à saúde da população e prova disso é que a maioria dessas unidades pelo mundo está localizada em áreas residenciais". "Na capital da Dinamarca, por exemplo, funciona há seis anos a CopenHill, uma URE que incinera 440 mil toneladas de resíduos por ano a menos de 1,5 quilômetro em linha reta da sede do Parlamento Dinamarquês", disse. Além disso, a prefeitura afirmou que as Unidades de Recuperação Energética fazem parte do complexo dos Ecoparques, cujo objetivo é "diminuir o volume de resíduos encaminhado aos aterros, gerando energia, criando empregos e melhorando os cuidados com o meio ambiente e preservando a saúde pública". Já a Cetesb informou que o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima) do Ecoparque Bandeirantes ainda está em análise técnica e que nenhuma licença foi emitida até o momento.

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Estudante indígena do AP cria projeto com drones para monitorar florestas no Tumucumaque

Publicado em: 28/10/2025 05:01

Projeto usa drones para proteger terras indígenas no Tumucumaque, no Amapá Glauber Tiriyó/Arquivo Pessoal Um projeto criado pelo estudante de direito Glauber Tiriyó, da Universidade do Estado do Amapá (Ueap), está levando o uso de drones para comunidades indígenas no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. A iniciativa busca reforçar a vigilância do território com apoio da tecnologia e já foi reconhecida em premiações nacionais. Chamado de Tarëno Enu — que significa “olho do indígena” na língua Tiriyó — o projeto une o conhecimento tradicional dos mais velhos com a habilidade dos jovens em operar equipamentos modernos. A proposta é preservar a floresta e garantir a segurança das comunidades que vivem na região. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp Glauber, que é indígena do povo Tiriyó, iniciou o projeto em 2023 com um curso de operação de drones. Quinze indígenas participaram da primeira turma. Segundo ele, a ideia é valorizar o modo como os mais antigos faziam a vigilância a pé, conectando esse saber com a tecnologia. “A gente garante a dignidade dos idosos e dos jovens. Os mais velhos conhecem os caminhos da floresta, e os jovens trazem a inovação”, explicou Glauber. LEIA TAMBÉM: Quadrinhista do Amapá relembra participação em HQ especial de Maurício de Sousa: ‘foi como ser convocado pra Copa do Mundo’ Estudo usa restos de pescado para criar ração alternativa e reduzir impactos ambientais no Amapá Governo do Amapá inicia reforma do Teatro das Bacabeiras após seis anos fechado Encontro com lideranças indígenas do Amapá debate a COP 30 Projeto usa drones para proteger terras indígenas no Tumucumaque, no Amapá Glauber Tiriyó/Arquivo Pessoal Por enquanto, a ação foi realizada apenas uma vez, devido ao alto custo dos equipamentos. O estudante também pretende criar um curso de formação de guarda-parques voltado exclusivamente para indígenas. Mesmo com recursos limitados, o projeto já foi finalista do Prêmio Chico Vive e do Bioma Amazônia. Glauber chegou a apresentar a proposta ao ator Bruno Gagliasso, um dos idealizadores do prêmio. “Fiquei muito feliz por ter sido finalista. Apresentei o projeto e convidei o Bruno para conhecer o processo de formação dos guarda-parques indígenas”, contou. O Tarëno Enu também está entre os finalistas do Prêmio Na Prática: Protagonismo Universitário, que reconhece estudantes com impacto social e resultados acadêmicos e profissionais. A premiação acontece na próxima segunda-feira (3), em São Paulo. Sobre o Parque Tumucumaque O Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é a maior unidade de conservação de proteção integral do Brasil. Criado em 2002, ele ocupa mais de 3,8 milhões de hectares nos estados do Amapá e Pará, abrangendo municípios como Almeirim, Calçoene, Laranjal do Jari, Oiapoque, Pedra Branca do Amapari e Serra do Navio. A área preserva uma das regiões mais remotas da Amazônia, com rica biodiversidade, trilhas, corredeiras e cachoeiras. O parque é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e recebe visitantes mediante autorização prévia. Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque Facebook/Reprodução Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

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Oakley Meta Vanguard chega ao Brasil com integração a recursos de saúde e até 36h de bateria

Publicado em: 28/10/2025 04:53 Fonte: Tudocelular

Pouco mais de um mês depois da estreia global, a Meta e a EssilorLuxottica anunciaram nesta segunda-feira (27) o início das vendas do Oakley Meta Vanguard no Brasil. A novidade chega para expandir a linha de óculos inteligentes das duas gigantes no país e tem como diferencial o maior foco em praticantes de esportes, embarcando integração com serviços de saúde e promessa de até 36 horas de bateria.O lançamento já começa a chamar atenção pelo visual, com ajustes pensados para a prática de esportes. O design emprega o formato Three-Point Fit da Oakley, posicionando os apoios nas orelhas e nariz, com três almofadas diferentes para garantir o melhor encaixe. As lentes empregam a tecnologia PRIZM Lens, que garantiria melhor bloqueio de sol, vento e poeira, e são oferecidas em quatro acabamentos de cores — PRIZM 24K, PRIZM Black, PRIZM Road e PRIZM Sapphire. Cada uma é vendida separadamente, mas preços ainda não foram revelados.Clique aqui para ler mais

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Celulares da Xiaomi agora conseguem rodar jogos do Steam

Publicado em: 28/10/2025 04:24 Fonte: Tudocelular

Embora a Apple tenha trabalhado intensamente para levar grandes jogos de PCs e consoles para seus dispositivos, a Xiaomi deu um passo importante no ecossistema de jogos mobile ao revelar que os modelos Redmi K90 e Redmi K90 Pro Max são capazes de executar jogos da plataforma Steam diretamente no celular. A funcionalidade foi confirmada por Sun Cun, gerente de produto da Redmi, em publicação oficial na rede social Weibo. O objetivo é transformar os smartphones da marca em dispositivos equivalentes a notebooks gamers de entrada, mas com maior portabilidade.A novidade anunciada pela Xiaomi esta semana utiliza uma tecnologia de execução local do Steam, que difere dos serviços em nuvem que dependem de conexão constante à internet. Com isso, os jogos rodam diretamente no hardware do aparelho, utilizando o chip gráfico Qualcomm Adreno e um sistema de tradução gráfica desenvolvido pela Xiaomi, permitindo acesso a títulos como Hollow Knight, Hollow Knight: Silksong e Stardew Valley com desempenho estável.Clique aqui para ler mais

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Roubo do Louvre: brasileira viu joias antes de serem levadas e estava a 2 metros de janela por onde entraram ladrões; veja relato

Publicado em: 28/10/2025 04:02

Roubo do Louvre: brasileira estava a 2 metros de janela por onde entraram ladrões A estudante brasiliense Aline Lemos foi uma das poucas testemunhas do roubo milionário no Museu do Louvre, em Paris, que ocorreu em um domingo (19). Ela estava a cerca de dois metros da janela por onde os ladrões armados entraram na galeria Apolo, um dos salões mais luxuosos e históricos do museu. Em entrevista ao Fantástico, contou que estava filmando as vitrines e admirando as joias da sala no momento em que os bandidos arrombaram a janela. “Eu tava muito perto, a um metro da janela. Ouvi o barulho de pancada e depois o som de uma motosserra. Foi muito assustador”, contou em entrevista ao Fantástico. O assalto aconteceu por volta das 9h30, meia hora depois da abertura do museu. Os criminosos estacionaram um pequeno caminhão com uma escada mecânica em uma lateral pouco movimentada, subiram até a sacada da galeria e quebraram a janela. Em apenas quatro minutos, levaram nove joias da coroa francesa, avaliadas em cerca de R$ 50 milhões. Entre elas, o broche relicário da Imperatriz Eugênia, presente de Napoleão I. Aline relatou que turistas e funcionários foram retirados às pressas. “Os seguranças começaram a direcionar todo mundo para a entrada principal, embaixo das pirâmides. Depois abriram escadas de emergência e foi por uma delas que eu consegui sair”, disse. Roubo do Louvre: Quem são suspeitos presos de levar joias de museu Após o roubo, o museu fechou a galeria e transferiu as peças remanescentes para um cofre do Banco da França. Dois suspeitos foram presos em Paris: um homem com dupla cidadania francesa e argelina, detido no aeroporto Charles de Gaulle ao tentar embarcar para a Argélia, e outro francês. Ambos já eram conhecidos por participar de roubos sofisticados. Segundo a jornalista e pesquisadora Elane Sciolino, especialista na história do Louvre, o crime escancarou vulnerabilidades antigas. “Apenas 25% das salas mais importantes têm câmeras. Além disso, o museu é uma construção centenária, o que torna qualquer reforço de segurança um processo burocrático e demorado”, explicou. Sciolino também afirmou que a ferramenta usada para quebrar as vitrines é a mesma descrita em um manual interno de emergência do museu, levantando suspeita de um possível vazamento de informações. Dois homens são presos suspeitos de terem roubado joias do Louvre valendo R$ 550 milhões

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Por que acusados de monitorar autoridades para matar pesquisaram carros SUV para cometer os crimes

Publicado em: 28/10/2025 04:02

Por que acusados de monitorar autoridades para matar pesquisaram carros SUV para cometer os crime Integrantes do PCC pesquisaram carros SUV com sete lugares para “montar o armamento” dentro do veículo sem chamar atenção nas ruas. Segundo as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo, o grupo planejava assassinar autoridades do sistema prisional e do MP, entre elas o coordenador de presídios Roberto Medina e o promotor Lincoln Gakya,, do Gaeco. A escolha dos veículos fazia parte da estratégia para garantir mobilidade, espaço e fuga rápida após os ataques. No celular de um dos suspeitos, a polícia encontrou pesquisas por modelos de SUVs e fotos de veículos com compartimentos amplos, capazes de comportar até sete pessoas. O objetivo era realizar ataques simultâneos, com equipes divididas entre vigilância, execução e cobertura de fuga. As investigações indicam que a ordem para matar Medina e Lincoln Gakya, era a mesma que resultou no assassinato do ex-delegado Rui Ferraz Fontes, morto em setembro na Praia Grande após um mês de monitoramento. O plano foi descoberto após a prisão de Victor Hugo da Silva, o Falcão, responsável por vigiar Medina e sua esposa. Em seu celular, a polícia encontrou vídeos, mapas e áudios detalhando a rotina do casal e apontando vulnerabilidades na casa, como muros baixos e ausência de câmeras. Outro criminoso, Sérgio Garcia da Silva, o Messi, fazia o mesmo com o promotor Lincoln Gakiya,, chegando a mapear trajetos e marcar no celular a sede do Ministério Público. A operação de bloqueio foi deflagrada em 24 de outubro. Com 25 mandados de busca e apreensão cumpridos em sete cidades, a polícia conseguiu impedir os crimes e desarticular a nova frente de ações do PCC fora do sistema prisional, preservando a vida das autoridades que estavam sob monitoramento. Os investigadores também identificaram sobrevoos de drones nas residências das vítimas e mensagens trocadas entre os criminosos sobre a compra de fuzis calibre 5.56. Segundo a polícia, os ataques seriam executados de forma coordenada e orquestrada, com uso de carros grandes e fortemente armados. Esta semana a polícia desvendou um plano de bandidos do PCC para matar autoridades de São Paulo.

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Por que tantos adolescentes ainda bebem, mesmo com a venda proibida no Brasil?

Publicado em: 28/10/2025 04:01

Cerveja Amanda Xavier/ Agencia RBS Você sabia que, mesmo com a venda proibida, um em cada quatro adolescentes brasileiros já experimentou bebidas alcoólicas? Os dados do III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) mostram que o álcool ainda está presente na vida de jovens entre 14 e 17 anos. Beber faz da cultura brasileira e é socialmente aceito. Mas, quando o consumo começa cedo, ele deixa de ser um hábito e vira um problema de saúde pública. O início precoce traz efeitos sobre o desenvolvimento emocional, físico e social. Quando o álcool entra cedo demais O LENAD revela que 27,6% dos adolescentes já beberam pelo menos uma vez na vida. Entre eles, 19,1% consumiram no último ano e 10,4% beberam no último mês. Pode parecer pouco, mas o consumo nessa idade é perigoso. O cérebro ainda está em formação e o álcool afeta a memória, raciocínio e controle de impulsos. Esses impactos se refletem em baixo desempenho escolar, maior evasão e vulnerabilidade social. Entre os adolescentes que bebem, o consumo médio é de 3,7 doses por ocasião, mas há jovens que relatam quantidades bem maiores também conhecido como “binge drinking”. Usando o instrumento AUDIT, que mede padrões de consumo de risco, o levantamento mostra que 15,8% dos adolescentes apresentam algum de nível de uso nocivo ou possível dependência. Mesmo considerando todos os jovens, 3% já têm consumo problemático e 5,7% se enquadram em critérios para Transtorno por Uso de Álcool. Isso representa mais de meio milhão de adolescentes brasileiros. O consumo precoce pode evoluir rapidamente e gerar consequências sérias para a saúde mental, no desempenho escolar e no convívio social. E há diferenças marcantes entre as regiões do país. O consumo maior está no Sul (36,7%) e no Centro-Oeste (32,9%), e o menor no Norte (19,5%) e Nordeste (22%). Fatores culturais, acesso fácil e falhas na fiscalização ajudam a explicar essas variações. Regiões com maior oferta e menos controle tendem a registrar maiores taxas de consumo entre jovens. LEIA MAIS: Cresce o consumo de álcool entre adolescentes no Brasil, aponta pesquisa Por que o álcool é tão perigoso para o cérebro dos jovens Por que adolescentes ainda têm acesso ao álcool? Apesar das restrições legais, muitos adolescentes conseguem comprar bebidas sem comprovar a idade. Bares, restaurantes, supermercados e lojas de conveniência raramente seguem a exigência da lei. A Organização Mundial da Saúde alerta que o consumo precoce de álcool é influenciado pela facilidade de acesso, preços baixos e pelas normas permissivas. No Brasil, todos esses fatores atuam a favor do consumo. O álcool está presente em festas, comemorações e até em programas de TV. As campanhas de marketing reforçam a ideia de que beber significa liberdade e sucesso. Bebidas doces e coloridas, como “ice”, atraem o público jovem. Festas “open bar” e “esquenta pré-balada” contribuem para o risco de intoxicação. Tudo isso cria um ambiente que normaliza o uso e reforça a ideia de que beber é parte do processo de amadurecimento. Mas o consumo precoce não é responsabilidade apenas dos jovens ou das famílias. É um problema coletivo, que inclui o Estado, a indústria e os meios de comunicação. O que pode ser feito: informação, fiscalização e mudança cultural Para mudar esse cenário, é preciso informação, fiscalização e mudança cultural. Cumprir a lei que proíbe a venda a menores é o primeiro passo. Hoje, essa fiscalização é rara. Bares, mercados e eventos precisam ter responsabilidades e punições claras. Medidas como restringir a publicidade e aumentar o preço começam a ganhar espaço no país. A recente aprovação do “imposto do pecado”, que prevê sobretaxas para produtos como bebidas alcoólicas, é um avanço. Ainda assim, a regulação da publicidade digital de bebidas alcoólicas permanece limitada. Anúncios segmentados em redes sociais e plataformas online escapam à fiscalização. As brechas legais e a influência da indústria, somadas à aceitação social do consumo, mantêm o tema praticamente estagnado. Por isso, é essencial que o aumento de impostos venha acompanhado de políticas educativas permanentes e ações de fiscalização, para que o impacto vá além do preço e alcance o comportamento. Além das medidas estruturais, é fundamental agir também no nível individual, ao identificar e apoiar jovens em risco. Ferramentas simples, como o questionário AUDIT, podem ser usadas para detectar precocemente padrões perigosos de consumo, uma iniciativa de baixo custo e alto impacto se implementada de forma contínua. Beber na adolescência não é brincadeira. É um comportamento com consequências reais e duradouras. Mais do que um ato individual, o consumo de álcool na adolescência reflete um ambiente social permissivo e falhas na regulação. Compreender esses mecanismos é essencial para orientar políticas baseadas em evidências. *Mariana Guedes de Agostini Sóssio é doutora em Saúde Pública pela Liverpool John Moores University, no Reino Unido, e pesquisadora, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP). *Elize Massard da Fonseca é doutora em Política Social e Professora, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV/EAESP).

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