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Da areia no chão da sala ao bambu nas paredes: veja casas de todo o país expostas na Bienal de Arquitetura Brasileira

Publicado em: 29/03/2026 07:00

Casas expostas na BAB Reprodução A primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB) abriu para o público na última sexta-feira (27) reunindo obras de arquitetos de todas as regiões do país. Eles tiveram 100 m² para dar vida a casas com a alma de seus respectivos estados -- e o resultado foi uma explosão aconchegante de Brasil. Ao percorrer os espaços, o público encontra desde salas com areia no chão e referências diretas ao litoral nordestino até estruturas com bambu, barro e madeira que evocam biomas e modos de vida de diferentes territórios. Distribuídos em pavilhões inspirados em biomas como Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal, os projetos apresentam leituras contemporâneas da arquitetura brasileira a partir do território, do clima e da cultura local. Veja algumas casas expostas na BAB: Acre A Casa Empate propõe uma arquitetura que vai além do abrigo ao se afirmar como gesto de memória e resistência. Inspirado nos “empates” — mobilizações de seringueiros contra o desmatamento —, o projeto destaca o protagonismo das mulheres acreanas como força política e simbólica na defesa da floresta. A casa subverte a lógica tradicional do espaço doméstico ao integrar dimensões privadas e coletivas, criando um ambiente voltado à escuta, à convivência e à articulação social. A materialidade se ancora em saberes construtivos amazônicos, com superfícies permeáveis, luz filtrada e ventilação natural que aproximam a arquitetura do ritmo da mata. A vegetação incorporada ao espaço reforça essa continuidade com a paisagem, enquanto o conjunto propõe um modo de habitar baseado no cuidado, na justiça ambiental e na valorização das culturas locais, projetando futuro a partir da memória. Bahia Galerias Relacionadas A Casa do Mastro traduz, em arquitetura, a atmosfera artística e espiritual da Bahia a partir de uma linguagem essencial, marcada por cores intensas e materiais naturais. Inspirado nas referências de uma vila litorânea, o projeto integra paisagem, clima e cotidiano em uma proposta aberta e afetiva, que valoriza o vínculo com o território e o modo de viver local. A arquitetura se constrói como expressão de identidade, articulando memória, estética e pertencimento. O conceito dialoga com a trajetória de Valquito Lima, mestre dos mastros sagrados, incorporando a dimensão simbólica e cultural de sua obra. O resultado é um espaço que combina ancestralidade e contemporaneidade, destacando a simplicidade como elemento sofisticado e revelando a força da arquitetura que nasce do encontro entre cultura, paisagem e comunidade. Ceará Galerias Relacionadas O projeto “É o Mar” propõe uma leitura sensorial da relação do Ceará com seu território, onde mar e sertão moldam modos de viver e construir. A partir da figura simbólica da Casa de Maria, representação das mulheres cearenses, a proposta traduz memória, afeto e identidade em uma morada contemporânea. O espaço valoriza o cotidiano como elemento estruturador do habitar, conectando tradição e experiência de forma fluida. A arquitetura se apoia em estratégias climáticas como ventilação cruzada, sombreamento e controle de luz, promovendo integração com a natureza e conforto ambiental. A materialidade, com tons terrosos, madeira, cerâmica e elementos artesanais, reforça o vínculo com a cultura local e o fazer manual. O resultado é um ambiente que convida à reconexão com as origens, transformando a casa em um espaço de pertencimento e experiência sensorial. Distrito Federal O projeto parte de uma provocação central: existe uma arquitetura do Distrito Federal além de Brasília? Ao observar o crescimento espontâneo das cidades satélites, sem planejamento unificado, a casa Moderno no Viver reconhece a ausência de uma identidade arquitetônica consolidada nesses territórios — o que acaba levando de volta à capital como principal referência simbólica e afetiva da região. Mais do que um ícone urbanístico, Brasília é entendida como uma presença cotidiana e sensorial, construída a partir da vivência coletiva e da força de seus edifícios públicos, especialmente os palácios. A proposta traduz essa monumentalidade para a escala doméstica, criando um ambiente que busca reproduzir não a forma, mas a sensação de estar na cidade. Elementos como carpete verde, paredes curvas, materiais e mobiliário aparecem como releituras contemporâneas da arquitetura institucional, transportando sua atmosfera para dentro de casa. Goiás Galerias Relacionadas A Casa de Amélia parte de uma narrativa afetiva para traduzir, em arquitetura, a memória de uma mulher que construiu sua vida em Goiás a partir do cuidado e do convívio. O projeto tem como eixo a cozinha, entendida como lugar de encontro e permanência, onde gestos cotidianos — como cozinhar e compartilhar — ganham significado. O fogo aparece como elemento central, não apenas funcional, mas também simbólico, articulando dimensões sensoriais e culturais do espaço. A materialidade, a luz e o percurso reforçam essa atmosfera, criando uma experiência que valoriza o tempo, a presença e as relações. Mais do que representar um lar, o ambiente propõe um espaço de acolhimento que ativa memórias e afetos, conectando tradição e contemporaneidade para expressar, de forma sensível, o modo de habitar goiano. Maranhão A Casa Pedro Neves propõe uma imersão na cultura maranhense ao criar um ambiente marcado por uma atmosfera terrosa e acolhedora, em que o barro — presente no piso e nas paredes — evoca ancestralidade, fazer artesanal e memória. A referência a uma oca reinterpretada orienta a ideia de abrigo e pertencimento, enquanto a paleta em azul e vermelho, inspirada na bandeira do estado, traduz identidade e vitalidade: o azul remete ao mar, ao céu e aos azulejos de São Luís, enquanto o vermelho traz a energia das manifestações populares. Mato Grosso Os arquitetos propõem, no "Loft da Preservação Cuiabana”, uma reflexão sobre identidade e preservação a partir do Pantanal e do território mato-grossense. Concebido como um loft de 100 m², o espaço traduz de forma sensorial e contemporânea a relação entre natureza, cultura e modo de vida local, evitando representações literais. A inspiração no bioma orienta tanto a narrativa quanto as escolhas arquitetônicas, criando um ambiente que valoriza pertencimento e memória a partir de uma leitura sofisticada da paisagem e da cultura regional. A materialidade aposta em elementos naturais como barro, madeira e cerâmica, enquanto formas orgânicas e volumetrias reinterpretam curvas da paisagem e referências vernaculares. A paleta, com tons de verde, azul, laranja e terrosos, evoca fauna, flora, águas e solo, reforçando a conexão com o território. Mato Grosso do Sul A Casa Ñandejara propõe um refúgio contemporâneo a partir da figura de um poeta e pecuarista, traduzindo em arquitetura a identidade de Mato Grosso do Sul. Em cerca de 100 m², o projeto articula tradição e vanguarda para construir uma atmosfera sensorial ligada ao território. A fluidez orienta o espaço, com paredes curvas em madeira que remetem às lagoas pantaneiras e organizam os ambientes sem rupturas, conectando living, suíte e lavabo em um percurso contínuo. A materialidade reforça essa narrativa ao incorporar referências diretas ao estado, como a pedra Vitória Régia e tons que evocam céu e águas da região. O mobiliário brasileiro inclui peças de Sérgio Rodrigues e do estúdio Lattoog, enquanto a curadoria de arte reúne nomes como Conceição dos Bugres, Alice Yura e Edson Castro. O resultado é um espaço que funciona como um “museu vivo”, onde arquitetura, arte e design constroem uma narrativa de pertencimento e valorização da cultura sul-mato-grossense. Pará O projeto “Caminho dos Rios” transforma o território amazônico em uma experiência arquitetônica fluida, inspirada no desenho dos rios que estruturam o estado. Em um loft de 100 m², curvas orgânicas conduzem o percurso como cursos d’água, conectando ambientes e criando uma narrativa sensorial que entrelaça cultura, memória e modos de vida. Rios como Xingu, Tapajós, Marajó e Guamá aparecem como referências simbólicas, entendidos não apenas como geografia, mas como elementos que sustentam identidades e deslocamentos. A materialidade reforça essa leitura ao apostar em madeira, palha e texturas naturais, além de integrar obras de artistas locais e acervos ligados a diferentes povos da região. Paraná O habitar paranaense n'A Casa que Dança é marcado pelo encontro entre natureza, história e diferentes influências culturais, que se refletem em uma arquitetura discreta, funcional e profundamente conectada ao território. Na capital, predominam moradias mais reservadas, pensadas para o clima frio, com organização racional e estética sem excessos. Já no interior, o cotidiano mais lento se traduz em casas amplas, integradas ao quintal e à paisagem, com uso de materiais que carregam memória. Em comum, está a ideia do lar como abrigo: um espaço de recolhimento que equilibra privacidade e hospitalidade. Paraíba O projeto “Do Sertão, ao Verde e Mar” propõe uma leitura sensível do território paraibano ao transformar seus diferentes biomas em uma experiência arquitetônica. Concebido como uma travessia espacial, o ambiente percorre Sertão, Agreste e Litoral, traduzindo em arquitetura as mudanças de paisagem e de modos de habitar. No Sertão, a materialidade remete à aridez da Caatinga, com soluções que evocam abrigo e resistência; no Agreste, os espaços se abrem à convivência e à vitalidade; já no Litoral, luz, ventilação e leveza ampliam a relação com o exterior. Rio de Janeiro A Casa Corcovado parte da ideia de traduzir, em arquitetura, a chamada “bossa carioca” — uma combinação de leveza, sofisticação e informalidade — aplicada a um apartamento fora do Rio. O projeto busca encurtar distâncias afetivas ao recriar, no espaço doméstico, referências do modo de viver carioca. Mais do que um ambiente contemplativo, a proposta privilegia o uso cotidiano, com espaços integrados que estimulam convivência, descanso e uma rotina mais desacelerada. O projeto se organiza em dois eixos: na área social, tons de verde e azul e materiais naturais evocam a relação entre mar e floresta, com ambientes fluidos e voltados ao encontro; já na área íntima, cores quentes criam uma atmosfera de acolhimento. Rio Grande do Norte Galerias Relacionadas A Casa de Veraneio é apresentada como uma síntese entre memória afetiva, identidade potiguar e linguagem contemporânea. Inspirado pela vivência à beira-mar, o projeto parte de referências pessoais e do território do Rio Grande do Norte para propor uma arquitetura que valoriza o pertencimento e a produção fora do eixo tradicional. Inserida no contexto do bioma da Caatinga, a casa articula clima, cultura e paisagem em uma leitura atual do morar, em que tradição e design se encontram sem abrir mão da origem. Com cerca de 100 m², a residência integra living, jantar, cozinha e área íntima em um espaço fluido, marcado por elementos naturais e soluções adaptadas ao litoral. A paleta de tons neutros e de palha, junto ao teto de bambu, cria uma atmosfera sensorial, enquanto recursos como muxarabi, paredes vazadas e pedra natural favorecem ventilação e conforto térmico. Rio Grande do Sul O projeto “Querência Amada” propõe uma leitura contemporânea da identidade gaúcha a partir da ideia de pertencimento como sentimento. Mais do que um lugar físico, a querência é tratada como um abrigo simbólico que acompanha o indivíduo, reunindo memória, afeto e identidade. Inspirado nas paisagens do sul do país e na cultura do encontro, o espaço valoriza a convivência, a permanência e a contemplação como elementos centrais do morar. A proposta reinterpreta referências do universo campeiro com linguagem atual, apostando em uma materialidade marcada por tons terrosos, madeira, tecidos e texturas naturais. Esses elementos constroem uma atmosfera acolhedora e sensorial, que equilibra rusticidade e sofisticação, tradição e contemporaneidade, traduzindo o espírito do gaúcho em um ambiente pensado para ser vivido. São Paulo O projeto "Tão Paulista quanto a Avenida" parte do encontro entre três elementos centrais do território paulista: a cultura caipira, a arquitetura brutalista e a presença da Mata Atlântica. A proposta explora como essas camadas — que vão do modo de vida no interior à força da produção arquitetônica e à paisagem natural — ajudam a construir a identidade cultural e espacial do estado. Essas referências são articuladas por meio da materialidade, das texturas e da organização do espaço, criando uma atmosfera que aproxima natureza, cultura e construção. O resultado é um ambiente que convida o visitante a perceber como esses elementos se entrelaçam e se manifestam no modo de habitar paulista. Casa feita em impressora 3D? Além das casas inspiradas nos estados, a BAB também apresenta ao público um projeto com pilares “impressos” por um robô, inspirados no formato de um galho de bananeira e montados como peças de Lego. Desenvolvido pelo escritório de arquitetura Superlimão em parceria com a startup Portal 3D e o laboratório Digital Constrution Lab da Universidade de São Paulo (USP), o projeto aposta em uma tecnologia ainda pouco difundida no país: a impressão 3D de concreto em larga escala. A proposta vai além da estética e apresenta, na prática, novas formas de construir com menos material, mais eficiência e menor dependência de mão de obra. Como funciona a impressão 3D de concreto A estrutura da casa é formada por pilares produzidos por um braço robótico usado na indústria automotiva e adaptado para a construção civil. O robô funciona como uma impressora 3D em escala ampliada. Em vez de tinta ou plástico, ele deposita um microconcreto de alta resistência, camada por camada, até formar as paredes. Cada pilar leva cerca de quatro horas para ser produzido. O processo é feito em etapas, com pausas para garantir o resfriamento do material antes da aplicação das camadas seguintes. A tecnologia combina equipamentos já conhecidos no canteiro de obras, como bomba e misturador de concreto, com softwares sofisticados e linguagem de programação. Segundo Mateus Fernandes, fundador da Portal 3D, a adaptação de tecnologias já existentes foi essencial para viabilizar o projeto. Casa feita em impressora 3D? Bienal traz projetos inovadores de todos os estados do Brasil Casa feita em impressora 3D? Evento traz projetos inovadores de todos os estados do Brasil e mostra arquitetura na prática Gustavo Honório/g1 “Isso aqui é um robô que já é utilizado na indústria automobilística. A gente o adapta para a nossa realidade e usa para depositar concreto camada por camada”, explicou. Além da precisão, a tecnologia também responde a uma demanda crescente da construção civil: a falta de mão de obra. Com o sistema, duas pessoas conseguem operar o equipamento sem esforço físico intenso. “A dor do construtor hoje é mão de obra. Está cada vez mais difícil encontrar profissionais para esse tipo de trabalho, que é muito pesado. O robô vem para auxiliar isso”, disse Fernandes. Biomimética e sustentabilidade Mais do que uma solução tecnológica, o projeto parte de uma lógica simples: observar como a natureza resolve problemas complexos. Tecnicamente, isso se chama biomimética, ou seja, mimetizar as soluções já criadas pela natureza ao longo de bilhões de anos. Os pilares foram inspirados no formato do galho da folha da bananeira, uma estrutura leve, mas resistente; Em vez de tijolos sólidos e pesados, a proposta foi criar peças ocas, com cavidades internas que lembram sistemas naturais como ossos de pássaros, que funcionam como colchões de ar; Isso tudo ajuda a manter a temperatura interna mais estável, melhorando o isolamento acústico. Se por fora a casa chama atenção pelo formato, por dentro a lógica é fde economia e eficiência. Ao trabalhar com estruturas ocas e otimizadas, o projeto consegue usar menos concreto sem perder resistência. Isso reduz custos, diminui o impacto ambiental e ainda melhora o desempenho térmico da casa. “A gente cria uma estrutura extremamente rígida e leve ao mesmo tempo. Ela é oca, então gasta muito menos material do que um pilar tradicional”, explicou Lula Gouveia, do Superlimão. “Se eu gasto menos material, é melhor para o meio ambiente e também mais econômico”, disse Mateus Fernandes. Inspirada nas palafitas do Norte e nas construções do Sul do Brasil, a casa é feita com madeira de reúso e "flutua" sobre o terreno. Essa elevação garante conforto térmico, proteção natural e permite que a estrutura seja implantada sem ferir ou impermeabilizar o solo. Além disso, o fechamento do projeto é composto por mantas de lã de PET reciclado e revestimento natural de terra. "O material age como um regulador térmico e de umidade. Em dias úmidos, a parede absorve a umidade; em dias secos, ela a devolve ao ambiente, funcionando como um verdadeiro pulmão natural", informou o escritório Superlimão. Casa impressa em 3D Lula Gouveia/Arquivo Pessoal Casa impressa em 3D Lula Gouveia/Arquivo Pessoal Casa impressa em 3D Lula Gouveia/Arquivo Pessoal Montagem como um “Lego” Depois de prontos, os pilares foram içados por guindastes e levados até o Parque Ibirapuera, onde a casa ficará montada durante a Bienal. O processo foi comparado pelos próprios criadores a um jogo de encaixe: “Uma vez pronto, a gente leva para a Bienal e monta como se fosse um Lego”, explicou Lula Gouveia. Os seis pilares-paredes funcionam ao mesmo tempo como estrutura e vedação parcial da casa. Esse modelo segue o conceito de construção off-site, explicou Matheus Fernandes. Nessa dinâmica, os elementos são fabricados fora do canteiro e apenas montados no destino final. No futuro, a ideia de negócio é dar um passo além e levar o próprio robô até a obra. Pilar é içado para caminhão Fabio Borges Digital Constrution Lab (DCLab) da Universidade de São Paulo (USP) Gustavo Honório/g1 Como é a casa A casa também foge do padrão tradicional no formato. Em vez de paredes retas formando um quadrado, o projeto aposta em uma geometria hexagonal, que pode virar pentagonal, dependendo da quantidade de pilares. Segundo Lula, a forma ajuda a distribuir melhor o espaço, melhora a acústica e cria uma sensação mais acolhedora para quem está dentro. A referência lembra construções já conhecidas, como ocas indígenas ou coretos de interior, mas reinterpretadas com tecnologia. “O hexágono é o quadrado redondo”, resumiu Gouveia. Projeto do escritório Superlimão Reprodução A casa ficará exposta por cerca de um mês no Ibirapuera. Depois disso, a estrutura não será descartada. A proposta é desmontar e reconstruir o projeto em outro local, permitindo que mais pessoas tenham contato com a tecnologia. Bienal reúne projetos de todo o Brasil A casa impressa em 3D é apenas um dos destaques da Bienal de Arquitetura Brasileira, que reúne projetos de todos os estados do país. Segundo o diretor-executivo do evento, Rafael Tristão, a proposta é mostrar que a arquitetura pode ir além do discurso técnico e acadêmico. “A gente trouxe uma Bienal que vai falar do dia a dia da arquitetura, das soluções que são viáveis, são novas, são práticas e são bonitas também”, disse. Os trabalhos foram selecionados por meio de um concurso nacional e representam diferentes realidades do país. No Pavilhão Brasil, cada projeto expressa características regionais e a diversidade dos biomas brasileiros, da Amazônia ao Pampa, do Cerrado à Mata Atlântica, da Caatinga ao Pantanal. 🏠 Clique aqui e veja mais informações sobre a BAB 🔎 Além da BAB, a capital também é casa da Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo. Organizada desde 1973 pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, o evento é um das principais instâncias de debate e atualização da cultura arquitetônica brasileira. Casa feita em impressora 3D? Bienal traz projetos inovadores de todos os estados do Brasil e mostra arquitetura na prática

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Microsoft suspende atualização muito esperada do Windows 11 após falhas na instalação

Publicado em: 29/03/2026 06:30 Fonte: Tudocelular

A Microsoft precisou retirar do ar a atualização opcional KB5079391 do Windows 11 apenas um dia após seu lançamento. O pacote de prévia, que trazia suporte a monitores de altíssima frequência, apresentou um erro crônico na hora do download, o que frustrou os usuários que buscam testar novidades antecipadamente. Por se tratar de um update entregue apenas para quem tinha a opção "Obtenha as atualizações mais recentes assim que elas estiverem disponíveis" ativada, muitos usuários podem acabar sequer notando o problema, mas aqueles que esperavam pela novidade acabaram surpreendidos com a mensagem de erro.Erro 0x80073712 e a remoção preventivaLiberada no último dia 26 de março para quem mantém ativada a opção de receber atualizações assim que disponíveis, a falha felizmente não inutilizou nenhum computador. O sistema operacional apenas esbarrava no erro 0x80073712 durante o processo de instalação do Windows Update e revertia para a versão anterior, continuando a funcionar normalmente.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

Por que grupos antivacina do Telegram ameaçam saúde pública no Brasil, segundo Unicamp

Publicado em: 29/03/2026 06:00

Grupos antivacina do Telegram ameaçam saúde pública no Brasil Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) analisaram, entre 2020 e 2025, mais de quatro milhões de mensagens publicadas no Telegram. O objetivo foi entender como conteúdos antivacina circulam no Brasil e por que representam risco à saúde pública. 🤖 O estudo, conduzido pelo Laboratório de Inteligência Artificial Recod.ai, identificou redes organizadas, uso de robôs e estratégias coordenadas que influenciam a recusa à vacinação. O banco de dados reúne 5,5 terabytes de informações, com conteúdos compartilhados por mais de 71 mil usuários em 119 grupos. Segundo os pesquisadores, o Telegram é um terreno fértil para a desinformação, já que oferece condições como menor moderação e maior anonimato. Além disso, a coleta de dados em outras plataformas é mais restrita. “Além de ser mais fácil tecnicamente a extração, o Telegram também se tornou um refúgio da desinformação, por conta dessa moderação que é mais maleável ali dentro”, afirma a pós-doutoranda Christiane Versuti, formada em ciências Sociais e comunicação e uma das pesquisadoras. A estrutura de disseminação também é organizada. De acordo com os pesquisadores, há diferentes tipos de canais e funções bem definidas dentro dessa rede. “Existem canais que somente mandam desinformação, existem canais que recebem e que mandam e existem canais que só recebem. Pelo volume, ficou claro, por exemplo, que existem robôs por trás disso”, explica a doutoranda Michelle Diniz Lopes, ntegrante da equipe de pesquisa, graduada em matemática e especialista em estatística e neurociências. Mensagens com desinformação são compartilhadas em grupo do Telegram Recod.ai/Reprodução Da venda de carteirinhas a 'protocolos alternativos' A pesquisa mostra que esses grupos vão além da desinformação. Eles também funcionam como espaços de práticas ilegais e potencialmente perigosas. “A gente vê crimes acontecendo ali de fraude, de venda de carteirinha”, afirma Versuti. Segundo os pesquisadores, há oferta de comprovantes falsos de vacinação, usados para burlar exigências sanitárias. Também circulam anúncios de “protocolos alternativos”, como supostos tratamentos ou métodos de “desintoxicação” pós-vacina, sem qualquer base científica. Além disso, há venda de cursos, suplementos e até hormônios, como testosterona, associados a promessas de melhora de saúde. Esses conteúdos incentivam a substituição de cuidados médicos por práticas não comprovadas. “Para além de somente divulgar narrativas, eles também induzem as pessoas a talvez colocarem a sua saúde em risco”, frisa a pós-doutoranda Ana Carolina Monari, jornalista e doutora em informação e comunicação em saúde. Comunicação mais acessível Para a equipe, combater a desinformação não depende apenas de remover conteúdos ou punir responsáveis. A forma como a informação científica chega ao público também precisa mudar. “Acho que uma forma de tentarmos alcançar essas pessoas é por meio da comunicação. De uma comunicação talvez mais compreensiva, mais empática”, afirma Monari. 📢 Segundo ela, muitos usuários desses grupos não se veem como desinformados, mas como excluídos do debate público. “Muitos deles dizem 'eu estou cansado de pessoas me dizerem que sou ignorante, que sou negacionista. E aqui eu me sinto acolhido para poder falar o que eu penso e as pessoas não vão me taxar por ignorante'”, detalha. Movimento antivacina é considerado ameaça à saúde pública Freepik Próximos passos 📱 Agora, a equipe trabalha na coleta e integração de dados de outras plataformas, como Instagram, YouTube e X (ex-Twitter), para entender como a desinformação circula entre diferentes redes e ganha escala. Além disso, os pesquisadores desenvolvem modelos de inteligência artificial capazes de classificar automaticamente os conteúdos. Um dos focos é identificar diferentes tipos de desinformação e entender como cada um se espalha. A equipe também quer avançar na detecção de conteúdos gerados por inteligência artificial, como imagens e vídeos sintéticos usados para reforçar narrativas antivacina. A proposta é criar um dos primeiros bancos de dados do mundo com esse tipo de classificação. “Tem um outro tipo de problema, que é quando a gente tem uma mensagem que ela não era realmente desinformativa, às vezes ela só era uma ironia, uma piada, uma charge, e às vezes em uma análise automática ela pode ser interpretada como desinformação e causar um equívoco em todo o processo de análise”, comenta Leopoldo Lusquino Filho, colaborador do Recod.ai e professor da Unesp. No médio prazo, os pesquisadores também querem aprofundar o entendimento sobre diferentes públicos. Isso inclui analisar como idosos e comunidades indígenas, por exemplo, consomem informação. “Os nossos dados que a gente está baixando, que a gente já baixou, que a gente vai baixar, eles vão ficar públicos para que a gente possa promover sempre o compartilhamento livre e transparente do conhecimento científico”, complementa Michelle Diniz Lopes. 👉 O banco de dados totalmente aberto, para uso sem finalidades comerciais, está disponível no Repositório de Dados da Unicamp. Clique aqui para acessar. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Palavras-chave: inteligência artificial

'Falar sobre a morte não poupa sofrimento, organiza o sofrimento': a entrevista da médica paliativista e escritora Ana Cláudia Quintana Arantes ao g1

Publicado em: 29/03/2026 05:01

A médica paliativista e escritora Ana Cláudia Quintana Arantes Divulgação Ela fala da morte sem baixar o tom, mas também sem endurecer a voz. Médica paliativista, escritora do livro "A morte é um dia que vale a pena viver" e embaixadora da Voa Health, Ana Claudia Quintana Arantes não vê o tema como um desvio da vida, mas como uma das suas dimensões mais negligenciadas. Ao longo de mais de duas décadas acompanhando pacientes com doenças graves, ela se acostumou a ver o que acontece quando esse assunto é evitado: decisões tomadas às pressas, sofrimento prolongado e despedidas atravessadas por dúvidas. Não por falta de tecnologia ou de recursos médicos, mas por ausência de conversa. No Brasil, essa lacuna também é estrutural. Embora o país tenha avançado na formalização da política pública, o número de equipes habilitadas em cuidados paliativos ainda é reduzido frente à demanda de uma população que envelhece rapidamente. A distância entre a norma e o acesso concreto ao cuidado segue evidente. A realidade, ela diz, é que a maioria das pessoas não morre de forma súbita. Morre doente —e, nesse percurso, precisa de cuidado. É nesse ponto que entram os cuidados paliativos, ainda frequentemente associados, de forma equivocada, à desistência ou ao fim iminente. Nesta entrevista, a médica fala sobre o que define uma “boa morte”, critica a forma como a medicina lida com a finitude e defende que reconhecer o limite da vida pode ser, paradoxalmente, uma forma de vivê-la melhor. Veja os vídeos que estão em alta no g1 g1: A senhora costuma dizer que a morte é um dia que vale a pena viver. O que está sendo vivido nesse momento que ainda não entendemos? Ana Cláudia Quintana Arantes: As pessoas não entendem que, para viver uma experiência que valha a pena, é preciso cuidado. A maioria de nós vai morrer doente e, quando isso acontece, a gente precisa saber receber cuidado e ter quem saiba oferecer. A morte vale a pena quando há esse encontro. O que mais te incomoda na forma como a sociedade evita falar sobre a morte? Quando você não fala sobre a morte, perde a chance de entender melhor o que fazer com o seu tempo. Quando alguém sabe que tem pouco tempo de vida, aprende a priorizar. E a prioridade não pode ser “estar vivo daqui a seis meses”, porque isso não é garantido. Quem tem essa consciência costuma viver melhor. Não porque a situação é fácil, mas porque passa a escolher com mais clareza o que viver. Mas e quando o sofrimento emocional fala mais alto? O sofrimento existe. É triste, dá raiva, dá medo. Mas, se você não consegue colocar isso a favor da sua história, vai perder tempo. A vida não espera você entender. Viver boas memórias é importante para quem está morrendo e para quem vai ficar. E passar dois dos três meses chorando não constrói essa memória. A medicina foi treinada para salvar vidas. Como ela lida com o limite de não conseguir evitar a morte?A gente foi treinado com uma ilusão de poder, de que salva vidas. Mas a gente só adia a morte. Não é exatamente arrogância, é uma ingenuidade. É como uma criança que acha que tem superpoder. A morte não obedece ao médico. O problema é que muitos profissionais ainda encaram a morte como fracasso. E não é. A história da vida termina. O que importa é como se cuida desse final. Por que os cuidados paliativos ainda chegam tão pouco e tão tarde aos pacientes? Porque essa informação não circula principalmente entre os médicos. Ela chega por outras vias —matérias, novelas, experiências pessoais. As pessoas reconhecem quando uma morte foi bem cuidada e quando não foi. Mesmo sem saber o nome disso. Mas mudar essa cultura leva tempo. E, quando o cuidado paliativo entra só no final, não há tempo para construir vínculo nem organizar decisões. O ensino médico já mudou nesse ponto? Desde 2022, o ensino de cuidados paliativos é obrigatório nas faculdades de medicina. Mas ainda é muito insuficiente. Você tem, às vezes, dois períodos para ensinar algo que exige experiência, sensibilidade e prática. Isso não forma um profissional preparado, no máximo, sensibiliza. A médica paliativista e escritora Ana Cláudia Quintana Arantes Divulgação O que define uma 'boa morte'? Não é uma morte bonita nem fácil. É uma experiência de cuidado que respeita o que a pessoa considera digno. Isso pode significar estar em casa, estar no hospital, ter ou não determinados procedimentos. O importante é que isso tenha sido conversado antes. Todo mundo vai viver e todo mundo vai morrer. A diferença está em quanto você consegue reconhecer o que quer e o que não quer. Por que é tão difícil falar disso dentro das famílias? Porque as pessoas dizem “não vamos pensar nisso”, “vai dar tudo certo”. Mas, no fim, tudo dá certo e você morre. Quando a família evita essa conversa, ela está escolhendo sofrer mais depois. Porque vai ter que decidir sem saber o que a pessoa queria. Falar sobre a morte não poupa sofrimento, organiza o sofrimento. A senhora já viu momentos que traduzem essa transformação no fim da vida? Sim. Um paciente com tumor cerebral me disse que parecia que tinham tirado do cérebro dele a parte que o fazia infeliz. Ele passou a demonstrar afeto, a se relacionar melhor com a família, a não querer controlar tudo. E dizia que estava adorando ser quem se tornou. Isso é muito marcante. Há algo de libertador em reconhecer que vamos morrer? Sem dúvida. Você entende que não precisa resolver tudo. Os problemas continuam, com ou sem você. Isso ajuda a dar menos peso para coisas que não merecem tanto sofrimento. Quem deve decidir até onde vai um tratamento: médico, paciente ou família? Os três, e juntos. O médico traz o conhecimento técnico, a família participa do cuidado e o paciente define o que é limite para ele. Mas é o paciente quem vive as consequências, então a decisão precisa ser centrada nele. O Brasil está preparado para discutir diretivas antecipadas de vontade? Não. E não está preparado nem para o que já está acontecendo. É um país que envelhece rápido e não tem estrutura suficiente para cuidar disso. Falar de diretivas é se preparar para algo melhor, e ainda estamos lidando mal com o básico. O que mais te incomoda na forma como o sistema de saúde lida com o fim da vida? A gente discute muito o excesso de intervenções, mas esquece que a maior parte da população vive o abandono. Muitos morrem sem diagnóstico, sem tratamento, sem cuidado. Isso é a realidade predominante. A desigualdade social interfere na forma como as pessoas morrem? Totalmente. Dependendo de onde você está, não há acesso a nada. E a experiência de morte passa a ser de abandono. Isso pode acontecer com qualquer um, dependendo das circunstâncias. O que, afinal, são cuidados paliativos —e por que ainda são confundidos com desistência? Cuidado paliativo é proteção contra o sofrimento causado por uma doença grave e pelo tratamento dela. Ele não antecipa nem prolonga a morte. Ele cuida da dor, do emocional, da família, do contexto social e espiritual. Ainda há confusão porque muitos médicos acreditam que podem evitar a morte a qualquer custo, e isso não é verdade. O que muda quando esse cuidado começa cedo? A pessoa vive melhor. Sem controle de sintomas, ela não recebe visitas, não sai, não aproveita. Quando o cuidado começa antes, ela ganha tempo com qualidade. Depois de tantos anos acompanhando o fim da vida, o que mudou na senhora? Eu entendi que não existe sentido em buscar um grande propósito. O sentido da vida é viver. E viver com coerência —entre o que você diz e o que você faz. Isso, para mim, foi um aprendizado importante.

Palavras-chave: tecnologia

BRT da Lapa ao aeroporto, metrô no Campo Grande e VLT que liga a Simões Filho: como será o futuro do transporte público em Salvador

Publicado em: 29/03/2026 05:00

Saiba como será o futuro do transporte público em Salvador Ao longo dos 477 anos completados por Salvador neste domingo (29), a cidade passou por várias restruturações no transporte público. Teve bonde puxado por burro, bonde elétrico, trem, ônibus, ônibus elétrico e com ar condicionado, e novidades estão por vir nos três dos meios mais modernos do município: metrô, BRT e VLT. Prevista para começar ainda neste ano, a expansão da linha de BRT é a que está mais próxima de se tornar realidade. O sistema, que já conta com outras cinco linhas, terá uma sexta percorrendo a orla da cidade, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) ao g1, para o especial "Salvador passado, presente e futuro". Os veículos partirão da Estação da Lapa com destino ao aeroporto, que fica no limite do município com Lauro de Freitas, na região metropolitana. Além da orla, a linha transitará também pela Avenida Dorival Caymmi, uma das mais importantes da cidade. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Conforme a pasta, também estão previstas novas linhas nos corredores das avenidas Gal Gosta e Pinto de Aguiar, além de outras conectando a antiga rodoviária, na região do Iguatemi, ao bairro da Barra. No entanto, ainda não há uma previsão de quando as linhas entrarão em operação. Projeto da Estação de metrô do Campo Grande, VLT e BRT Lucas Moura/Jefferson Peixoto/Secom PMS/João Souza/g1/Divulgação Administrada pela Prefeitura de Salvador, a frota do BRT atualmente é formada por 92 coletivos, que transportam cerca de 90 mil passageiros por dia útil. Conheça as linhas de BRT em operação em Salvador A cidade tem também 1.600 ônibus convencionais e 180 micro-ônibus do sistema STEC, conhecido como amarelinho. De todos os 1.872 veículos, incluindo os do BRT, 741 são climatizados. Conforme a pasta, ainda este ano está prevista a chegada de quase 700 coletivos novos, quase dobrando a frota de veículos climatizados na cidade. Até 2028, a meta é que todos os ônibus da frota tenham esse modelo. Para promover a renovação de frota de ônibus convencionais, a prefeitura afirma ter investido em operações de crédito com o novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio do banco BNDES. Outra operação junto à Caixa Econômica Federal busca a renovação completa da frota do STEC. A prefeitura não divulgou quando essas mudanças deverão acontecer. Veja como é o BRT de Salvador VLT até Simões Filho Apesar de já ter tido uma primeira viagem-teste em dezembro do ano passado, a operação do primeiro lote do VLT só está prevista para o ano que vem, conforme divulgou a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB). Já o funcionamento deve iniciar em 2028. O modal substitui os trens do Subúrbio de Salvador, que cuja operação foi encerrada em fevereiro de 2021, após 160 anos. Quando foi fechado, o sistema transportava 7 mil pessoas por dia, com uma tarifa que custava R$ 0,50. Os trens funcionavam entre a Calçada, na Cidade Baixa, e Paripe, no Subúrbio. Já o novo modal prevê, além da expansão dessa mesma linha, o atendimento a outros bairros da capital, como Comércio, Águas Claras, região de Cajazeiras e a orla de Piatã. Inicialmente, a construção seria de responsabilidade da concessionária chinesa Skyrail, mas o Governo da Bahia rompeu o contrato com a empresa em 2023, dois anos após a desativação dos trens. O início das obras só aconteceu em 2024, após nova licitação, que dividiu os trechos por consórcio. Em um primeiro momento, o lote 1 começava na Calçada, mas houve uma expansão para o Comércio. O lote 1 do VLT é de responsabilidade do Consórcio Expresso Mobilidade Salvador, composto pelas empresas Álya Construtora S.A., Metro Engenharia e Consultoria Ltda., e MPE Engenharia e Serviços S.A. O lote 2 ficou por conta do Consórcio CETENCO - AGIS - CONSBEM - VLT Salvador, formado pelas empresas CETENCO Engenharia S.A., AGIS Construção S.A., e CONSBEM Construções e Comércio Ltda; Já o lote 3 foi vencido pelo Consórcio MOTA ENGIL/OHLA/MEIR, composto pelas empresas Mota Engil Engenharia e Construção S.A., Obrascon Huarte Lain S.A., e MEIR Serviços e Construções Ltda. Veja quais são os lotes do VLT Veja como será o VLT de Salvador Segundo o governo, as obras civis e o sistema de energia estão orçados em cerca de R$ 3,2 bilhões. Além da construção do sistema, elas incluem: duplicação de 7,5km da rodovia estadual BA-528, conhecida como Estrada do Derba; implantação de via alimentadora DO Parque de São Bartolomeu, com 7,1 quilômetros; recuperação de edifício da antiga Fábrica São Brás, fechada em 1959, localizada no bairro de Plataforma, no subúrbio de Salvador; iluminação pública para o sistema viário e arredores da implantação do VLT. O VLT contará ainda com Wi-Fi gratuito, catracas automáticas, integração com o metrô, requalificação com construção de pista de skate, além de câmeras com inteligência artificial e painéis digitais em tempo real. No primeiro momento, o funcionamento será iniciado no lote 1, que, segundo a CTB, está com a obra 60% concluída. Os demais irão entrar em operação posteriormente. Veja como está o andamento da obra do VLT em Salvador Mapa mostra os lotes do VLT em Salvador Arte TV Bahia Metrô no Campo Grande Já as obras da estação do metrô do Campo Grande estão previstas para serem iniciadas ainda neste semestre, com as escavações da área para construção. Segundo a CTB, o prazo para conclusão é de, no mínimo, 44 meses. Ou seja, o funcionamento começa entre 2029 e 2030. O local onde será construído o terminal fica em frente à Praça do Campo Grande, importante ponto turístico de Salvador. Para isso, foram previstas as demolições de quatro imóveis. Atualmente, apenas um deles ainda permanece de pé. No local, funciona a Fundação João Fernandes da Cunha (FJFC), uma instituição cultural e educativa sem fins lucrativos, fundada em 1992. Nesta área, além da estação de metrô, que será subterrânea, o projeto aponta também a construção de um centro comercial, que terá lojas, restaurantes e um estacionamento com 190 vagas embaixo da terra, além da revitalização da região, que fica ao lado do Teatro Castro Alves (TCA). A obra está orçada no valor de R$ 2,2 bilhões, sendo R$ 1,5 bilhão para executar a parte estrutural da construção e o restante para compra de equipamentos, como a aquisição de novos trens para o sistema metroviário. Veja como será a Estação de metrô do Campo Grande O sistema metroviário de Salvador começou a ser construído em 2000 e deveria ficar pronto três anos depois, mas só foi inaugurado em 2014, onze anos após o previsto. Naquele primeiro momento, eram 7 km de extensão, apenas na Linha 1, que ligava a Estação da Lapa à Estação Retiro. Desde então, o metrô passou por uma expansão gradual, ampliando a malha, quantidade de estações e capacidade de atendimento. Atualmente, o modal tem 22 estações, distribuídas em duas linhas. Ao todo, o trajeto soma 38 km de extensão, conectando diferentes regiões da cidade. Segundo a CCR Metrô, concessionária que administra o transporte, em média, mais de 400 mil passageiros são transportados por dia útil. O sistema já ultrapassou a marca de 730 milhões de pessoas transportadas ao longo da sua história. Antes e depois do local onde será a estação de metrô Campo Grande Alan Oliveira//g1/Divulgação Mapa com as estações de metrô de Salvador CCR Metrô Bahia LEIA MAIS: Primeira viagem-teste do VLT é realizada em Salvador quatro anos após desativação dos trens Governo da Bahia define consórcio que fará expansão do metrô de Salvador até o Campo Grande Linha 2 do BRT é inaugurada em Salvador; trecho liga Parque da Cidade à Estação da Lapa Veja mais notícias do estado no g1 Bahia Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: inteligência artificial

Exposição sobre atos de 8 de janeiro estreia na UFF com acervo inédito de imagens e vídeos

Publicado em: 29/03/2026 04:01

Golpistas vandalizam prédio público em Brasília durante ataques às sedes dos três poderes neste domingo (8) Adriano Machado / Reuters Uma exposição com imagens e vídeos inéditos dos atos de 8 de janeiro de 2023 será inaugurada na próxima terça-feira (31), no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. A mostra, intitulada “Subterrâneos a céu aberto”, reúne registros produzidos pelos próprios participantes das manifestações e propõe uma reflexão sobre a circulação de conteúdos digitais e a preservação da memória recente no país. 8 de janeiro: ataques às sedes dos Três Poderes ficam registrados na memória nacional A exposição relembra o dia em que manifestantes convocados por redes sociais e vândalos que estavam acampados há meses em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, seguiram em direção à Esplanada dos Ministérios e atacaram as sedes dos Três Poderes. A exposição fica em cartaz até o dia 10 de maio, no Centro de Artes da UFF, na Rua Miguel de Frias, nº 9, em Niterói. Atentado dos bolsonaristas golpistas se deu com invasão e vandalismo no Congresso Nacional 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça 1,2 milhão de registros O material exibido faz parte do Acervo Digital 8 de Janeiro, um projeto desenvolvido pelo Condado Lab, da PUC-Rio, com apoio de instituições de pesquisa. Ao longo de mais de dois anos, pesquisadores reuniram: cerca de 1,2 milhão de metadados mais de 400 mil imagens mais de 100 mil vídeos Os conteúdos circularam nas redes sociais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023 e, em muitos casos, foram posteriormente apagados. A iniciativa busca preservar esse material como fonte para pesquisa, ensino e debate público. 8 de janeiro: ataques às sedes dos Três Poderes ficam registrados na memória nacional Reprodução/TV Globo Experiência imersiva A exposição apresenta parte desse acervo em um percurso imersivo, que combina imagens, vídeos e sons com linguagem artística. O espaço foi dividido em quatro ambientes: Labirinto mosaico acampamentos caverna Os visitantes podem percorrer livremente os espaços, que incluem reconstruções de cenários, mosaicos visuais e composições sonoras criadas por artistas convidados. Segundo o coordenador do projeto, o pesquisador Marcelo Alves, o principal desafio foi transformar o grande volume de dados em uma experiência acessível ao público. "O desafio foi transformar um volume grande de dados em uma experiência que permita ao público compreender como esses conteúdos circularam e o que eles revelam sobre aquele momento", disse Alves. O dia 8 de janeiro marcou os atos golpistas, quando vândalos invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília Jornal Nacional/ Reprodução Memória e democracia A exposição também propõe uma reflexão sobre o uso de símbolos e as disputas de significado no Brasil contemporâneo. Elementos como a bandeira nacional, amplamente presentes nos atos, aparecem ressignificados nas obras, estimulando o debate sobre as tensões políticas e sociais do país. Para o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, a iniciativa reforça o papel da universidade na preservação da memória recente. "Esta mostra traz à tona uma pesquisa atual sobre o apagamento digital e a fragilidade da memória em tempos de plataformas digitais. Ao articular dados, arte e tecnologia, nossa universidade se consolida como um espaço ativo de reflexão, onde a justiça de transição e a cidadania são debatidas para garantir que o passado não seja silenciado, mas sim compreendido para protegermos o futuro" afirmou Nobrega.

Palavras-chave: tecnologia

'Metamáquinas': robôs 'diferentões' criados com IA continuam funcionando mesmo após danos

Publicado em: 29/03/2026 03:00

'Metamáquinas': robôs criados com ajuda de IA continuam funcionando mesmo após sofrer dano Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, desenvolveram robôs modulares projetados com ajuda de inteligência artificial (IA) capazes de continuar se movendo mesmo após sofrer danos ou perder partes do corpo. O estudo foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Chamados de “metamáquinas”, os robôs são formados por módulos independentes — cada um com motor, bateria e computador próprios — que podem funcionar sozinhos ou em conjunto. Quando conectados, esses blocos permitem que as máquinas corram, saltem, se levantem após quedas e sigam operando mesmo depois de sofrer avarias. “Estamos criando robôs feitos de robôs. É por isso que os chamo de metamáquinas”, afirmou o pesquisador Sam Kriegman, professor assistente da universidade, à agência Reuters. “Se uma parte do corpo é danificada ou perdida, o restante continua funcionando.” Para chegar aos formatos mais eficientes, a equipe utilizou um algoritmo evolutivo baseado em IA, que gera diferentes “planos corporais” em simulações. Os modelos com melhor desempenho são selecionados e aprimorados ao longo do tempo, em um processo inspirado na seleção natural. LEIA TAMBÉM: Como a inteligência artificial padroniza a forma como as pessoas se expressam e pensam Como a inteligência artificial já consegue ler pensamentos Segundo os pesquisadores, o sistema produziu designs incomuns, diferentes dos robôs tradicionais inspirados em humanos ou animais, mas altamente eficientes para locomoção. O desafio, segundo Kriegman, é que o número de combinações possíveis é gigantesco. “Com apenas dois módulos, é possível criar quase 500 designs diferentes. Com cinco módulos, já existem centenas de bilhões de combinações possíveis”, explicou. “Você não sabe qual design é bom ou ruim até dar a ele a oportunidade de aprender. E é aí que a IA entra.” Nos testes em ambientes externos, versões com três, quatro e cinco “pernas” conseguiram atravessar terrenos variados, como cascalho, grama, areia, lama, folhas e superfícies irregulares. Os cientistas afirmam que a tecnologia pode permitir a criação de robôs capazes de se adaptar a ambientes imprevisíveis e até serem reconstruídos em campo, conforme a necessidade. “É muito difícil prever exatamente o que um robô precisará fazer antes de colocá-lo no mundo real. Por isso, seria extremamente útil que ele pudesse ser redesenhado e reconstruído sob demanda”, disse Kriegman. 'Metamáquinas': robôs criados com ajuda de IA continuam funcionando mesmo após sofrer danos Reprodução/Reuters Além da resistência, o objetivo dos pesquisadores foi combinar adaptabilidade com desempenho físico. “Queríamos criar robôs mais resilientes, que pudessem evoluir. A natureza nos mostra que, se você quer criar um agente inteligente, deve começar pelo movimento”, afirmou. Como exemplo, o pesquisador destaca que, ao dividir uma dessas máquinas ao meio, o resultado não são peças inutilizadas, mas dois novos robôs funcionais. “Corte qualquer outra tecnologia ao meio e você terá lixo. Aqui, você tem duas máquinas que continuam operando”, disse. Para a equipe, a abordagem abre caminho para uma nova geração de robôs mais versáteis, capazes de se adaptar, se recompor e operar em condições adversas — algo essencial para aplicações como exploração, resgate e operações em ambientes hostis. 'Metamáquinas': robôs criados com ajuda de IA continuam funcionando mesmo após sofrer danos Universidade Northwestern via Reuters

Três dias de viagem, escalas para abastecer e voo sem GPS: piloto viaja quase 4 mil km para levar monomotor dos EUA ao Brasil

Publicado em: 29/03/2026 03:00

Piloto gasta cerca de R$ 11,5 mil em combustível para trazer avião dos EUA a Boa Vista Imagine voar quase 4 mil quilômetros sem GPS ou piloto automático, em um monomotor com mais de 30 anos de fabricação e autonomia insuficiente para ir direto da origem ao destino. Esse foi o desafio do piloto brasileiro Mário Jorge Filho, de 33 anos, que decolou da Flórida e pousou em Boa Vista (RR) no começo deste mês. O vídeo em que ele divide a experiência - e mostra os custos da viagem - para os seguidores na internet tem mais de 5 milhões de visualizações e mais de 300 mil curtidas. O trajeto que ele percorreu inclui quatro escalas em ilhas do Caribe e levou três dias. Só de gasto com combustível foi R$ 11,5 mil. (veja o infográfico abaixo) ✈️O avião é um monomotor Bonanza F33A, comprado por Mário Jorge e batizado de Brasileirinho. A viagem foi no estilo 'old-school '— ou seja, sem instrumentos modernos — "só no olho", guiado por ferramentas básicas no painel e pela experiência do piloto. A autonomia do modelo é de cerca de 1.300 km. Especialistas em aeronáutica ouvidos pelo g1 analisaram a viagem de Mário e afirmaram que, nesses casos, um dos quesitos mais importantes do planejamento é a segurança. Eles destacaram ainda que o Bonanza F33A, embora seja uma aeronave de pequeno porte, é considerado um avião seguro. (leia mais abaixo) O trajeto, que se iniciou na Flórida no dia 27 de fevereiro e terminou na capital de Roraima no dia 1º de março, somou cerca de 13 horas no ar, divididas em três dias de aventura. Além do piloto, Fernando de Borthole, um amigo influenciador o acompanhou na viagem. “Comprei o avião nos Estados Unidos e precisava trazer para o Brasil. Isso faz parte da minha profissão. Eu trabalho com isso desde 2015, buscando aviões no mundo inteiro e trazendo para o Brasil”, explicou. Além dos 704 litros de combustível, a viagem também incluiu outros custos elevados, como taxas aeroportuárias e diária de hotel pelos lugares onde ele passou. Infográfico mostra trajeto de piloto da Flórida a Boa Vista Arte/g1 ☑️📄Regularização de aeronaves: segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), para que um avião comprado no exterior fique totalmente regular no Brasil, o novo dono precisa cumprir etapas como cancelar o registro no país de origem, solicitar a matrícula brasileira e obter os certificados exigidos, que comprovam a propriedade e as condições de aeronavegabilidade. O avião comprado por Mário está no processo de vistoria inicial, uma das etapas para a concessão do certificado de matrícula. 🌊 Rota com paradas pelo Caribe 'Brasileirinho' passando por ilhas no Caribe até Boa Vista Arquivo Pessoal Para chegar ao Brasil, o piloto fez uma rota com várias paradas estratégicas, em ilhas do Caribe. O percurso incluiu: Flórida (EUA) Bahamas Porto Rico Sint Maarten Granada Boa Vista (RR) A distância total percorrida foi de cerca de 3.800 km — maior que a rota direta, estimada em 3.300 km. Segundo ele, a escolha não foi aleatória. Há um critério que equilibra segurança e praticidade. “Escolho lugares onde já passei várias vezes, onde me conhecem, onde sei que tem estrutura. Minha base é segurança e eficiência. Não dá para ser só eficiente e perder segurança, nem ser só seguro e perder eficiência. Então, vou nesses lugares que conheço bem”, disse. O professor e pesquisador do curso de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), James Waterhouse, explica que, embora curioso, esse tipo de trajeto é comum para aeronaves menores justamente pela segurança e pontos de apoio no trajeto. "Em vez de seguir em linha reta, o piloto vai passando pelas ilhas, como se fosse uma ferradura. Isso aumenta a distância, mas oferece mais segurança, porque há pontos de apoio ao longo do caminho”. “Se o piloto optar por uma rota direta, pode enfrentar quase mil quilômetros sem apoio. Em caso de falha, não há onde pousar”, disse. ⚠️ Desafios de voar com monomotor O avião usado na viagem foi um Bonanza F33A, modelo clássico da aviação americana que surgiu antes da Segunda Guerra Mundial. A aeronave funciona com motor a pistão, que transforma a energia da combustão em movimento, e hélice. Segundo o professor James Waterhouse, trata-se de um avião de tecnologia tradicional, confiável e econômico mas que exige atenção, especialmente em voos longos sobre o mar. “É um avião monomotor, com motor a pistão que usa gasolina aeronáutica. Apesar de ser um modelo tradicional, é considerado um excelente avião”, explicou. “O principal [risco] é o motor. Existe um ditado: quem tem dois motores tem um; quem tem um, não tem nenhum. Se o motor parar, você vai para a água”, afirmou. Por isso, a escolha da rota com paradas, como a feita por Mario, é fundamental. James Waterhouse inclusive fez essa mesma rota - EUA a Boa Vista - em um monomotor ao menos 10 vezes. “Sempre que faço esse trajeto com monomotor, paro nas ilhas. Além da segurança, há estrutura de apoio, como hotéis e serviços”, disse. Outro desafio é o clima, especialmente na região Norte do Brasil. "Antes de chegar a Boa Vista há uma área com muitas tempestades frequentes. Por isso, é importante passar por esse trecho pela manhã", explicou o professor. Doutor em Engenharia Mecânica com ênfase em Aeronaves, o também professor da USP Jorge Henrique Bidinotto, também reforçou que, nestes casos de viagens sem uso de tecnologia como apoio, uma medida de segurança segura é voar durante o dia. “Se a aeronave não for equipada para voo por instrumentos, o piloto precisa voar sob regras visuais. Isso significa que ele só pode operar com boa visibilidade, durante o dia, evitando nuvens e condições meteorológicas adversas”, disse. Bidinotto frisou ainda que viagens de longas distâncias exigem preparação adequada, com planos de paradas pré-definidos e atenção ao consumo de combustível. "Um trajeto como esse exige muito planejamento. É preciso calcular bem o consumo, definir onde vai pousar, o tempo de cada etapa e garantir que haja estrutura de apoio. Pelo que foi apresentado, ele foi bastante organizado e seguiu as normas da aviação", destacou. 🛩️ Viagem faz parte da rotina de trabalho Mario Jorge Filho é aviador e traz aviões para o Brasil Arquivo Pessoal O avião foi adquirido por Mário com a ideia e realizar um sonho: viajar em breve pelo mundo a bordo do monomotor. Ele preferiu não dar detalhes sobre o valor da transação. Já trazer o aparelho ao Brasil não foi novidade para o piloto. Esse tipo de operação faz parte da rotina profissional dele há anos, que trabalha trazendo aeronaves do exterior ao Brasil. Essas viagens também viram conteúdo para redes sociais — algo que, segundo ele, faz parte da sua atuação. “É bem cotidiano eu fazer esses vídeos de quanto custa abastecer, quanto custou o trajeto, quanto custou a aeronave. Isso é meio cotidiano”, disse. Para Mário Jorge Filho, Boa Vista é um ponto recorrente nas rotas do piloto. A escolha vai além da localização geográfica. Ele destaca que, na capital de Roraima há agilidade nos processos aeroportuários — desde Receita Federal até outros trâmites mais burocráticos. “Desde 2015 eu já passava por Boa Vista. Eu gosto demais da cidade, das pessoas, da estrutura. Não troco essa minha entrada por outra cidade”, afirmou. O professor Waterhouse confirma que a capital roraimense é uma das principais portas de entrada para esse tipo de operação no país. Isso dá pois os pilotos preferem voar por locais com pouca floresta fechada. “Quando venho pelos Estados Unidos e passo pela Venezuela, muitas vezes entro por Boa Vista, porque assim atravesso menos área de floresta. Na região de Boa Vista há mais áreas de fazenda, agricultura e pecuária, e o mesmo ocorre em parte da Venezuela”, explicou. O Brasileirinho ainda tem novos planos. Segundo Mário Jorge, o avião passará por adaptações para um projeto ainda mais ambicioso. A ideia é dar a volta ao mundo com a aeronave ainda este ano. “Quero mostrar a cultura do mundo para o Brasil e o Brasil para o mundo. A aviação permite isso, essa troca de experiências”, disse.

Palavras-chave: tecnologia

Estudante de escola pública do CE vai representar o Brasil nos EUA com projeto de IA que mapeia feminicídios

Publicado em: 29/03/2026 00:00

Jovem do CE comenta alegria em representar o Brasil em feira científica nos EUA. A estudante Yanna Queiroz, de 16 anos, vai ser uma das representantes do Brasil em uma das maiores feiras de ciência do mundo, que acontecerá em Phoenix, nos Estados Unidos, no mês de maio. Yanna conquistou a participação após ser premiada com um projeto que usou Inteligência Artificial para analisar dados de feminicídio no Ceará. Yanna é estudante do 3º ano do ensino médio na Escola de Ensino Médio de Tempo Integral (EEMTI) Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, colégio público de Iracema, município no interior do Ceará — a cerca de 284 km de Fortaleza. Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Em 2025, quando ainda estava no 2º ano do EM, Yanna realizou a pesquisa "Rastreando a demografia do feminicídio no Ceará (2022-2025) através do aprendizado de máquina e análise cartográfica". O trabalho foi premiado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (FEBRACE) na categoria 1º lugar em Ciências Sociais Aplicadas e ISEF. LEIA TAMBÉM: Jovem que criou ONG de educação no CE aos 13 anos ganha bolsa milionária para estudar nos EUA Cearense de 16 anos é a única mulher entre brasileiros classificados para olimpíadas internacionais de Física 💡 A Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF) é considerada a maior competição internacional de ciências pré-universitária do mundo. O evento é a principal vitrine global para jovens cientistas. A feira reúne projetos com grande rigor científico e abre portas para oportunidades acadêmicas e profissionais. “Eu sempre gosto muito de fazer trabalhos voltados para o social. E a gente está tendo uma tomada muito crescente de feminicídios, não só no Ceará, mas também no Brasil. Só que eu decidi levar assim como enfoque principal na minha pesquisa o Ceará, porque é a região onde eu vivo”, comentou a estudante. “Eu buscava entender quais seriam os perfis, o que poderia ser feito para a gente poder minimizar essa quantidade de feminicídios”, reforçou Yanna. Dados das vítimas Perfil das vítimas de casos de feminicídio obtido na pesquisa da estudante cearense. Louise Anne Dutra/SVM Yanna disse que testes feitos na ferramenta apontaram uma acertabilidade de quase 99%. Foram extraídas informações sobre os perfis das vítimas, como idade, local de residência, raça e contexto das mortes. “A gente fez alguns outros processos para compreender a dinâmica, ver o perfil dessas vítimas. E para saber o perfil delas, a gente fez uma coleta, onde a gente obteve 174 registros. Então, a gente começou a trabalhar com estatística para detectar quais eram os perfis dessas vítimas”, explicou a estudante. “Mas também fizemos uma análise cartográfica, que justamente era para identificar quais são as regiões mais afetadas”, acrescentou. A pesquisa foi feita durante o ano de 2025, quando Yanna estava no 2º ano do ensino médio. Este, inclusive, não foi o primeiro trabalho científico da jovem, que já pesquisou sobre as queimadas no estado. Ligada a causas sociais, Yanna revelou que pretende cursar medicina quando terminar o ensino médio. Uso da ferramenta Helyson Braz, professor e orientador do projeto, explicou que o objetivo da pesquisa era entender os padrões demográficos dos feminicídios no Ceará. A base de dados utilizada envolveu notícias, boletins de ocorrência e outros registros sobre os crimes no estado. “Justamente para a gente entender e fazer algum cálculo ou até mesmo criar algum índice que pudesse explicar quais seriam as regiões mais violentas e quais seriam as regiões que tinham maior risco de acontecer, baseado nessas evidências demográficas”, explicou o pesquisador, que é estudante de doutorado na Universidade Federal do Ceará (UFC). “A gente identificou alguns padrões em relação também à faixa etária das vítimas, que se concentravam principalmente entre 20 até 30 anos. Vimos também que, das reportagens que apresentavam a cor de pele da vítima, eram mais mulheres pretas e pardas. E identificamos também que a principal causa era ocasionada por violência doméstica seja por ex-cônjuge ou cônjuge atual”, detalhou. Helyson orientou o projeto através de uma parceria da UFC com a EEMTI Deputado Joaquim de Figueiredo Correia, através do Laboratório de Farmacologia de Venenos e Toxinas (LAFAVET), que oferta bolsas de iniciação científica a alunos na área de pesquisas. A parceria também tem apoio do projeto de extensão Associação Brasileira de Jovens Cientistas. A equipe responsável espera, agora, que os dados possam auxiliar o poder público no combate ao feminicídio. “A ideia desse trabalho em si era justamente já pensar nas políticas públicas de aplicação, que é justamente nosso objetivo, que essa aplicação seja bem sucedida”, destacou o orientador. “Essa plataforma pode sim facilitar esse processo e fazer com que esse sistema seja bem aplicado justamente na seleção de áreas, por exemplo, que apresentem esses índices maiores de feminicídio, como o caso da construção de novas delegacias de apoio à mulher, ou até mesmo do projeto Casa da Mulher, que também serve justamente para evitar e prevenir feminicídios”, reforçou Helyson. Premiação na FEBRACE Estudante de escola pública do CE vai representar o Brasil nos EUA com projeto de IA que mapeia feminicídios. Arquivo pessoal No último dia 20, a FEBRACE anunciou os projetos vencedores do 1º lugar nas categorias científicas e os estudantes selecionados para representar o Brasil na ISEF 2026. A premiação foi realizada na Universidade de São Paulo (USP), encerrando a 24ª edição da Feira, que reuniu 297 projetos finalistas de todo o país. Conforme a organização, os trabalhos premiados refletem tendências claras da nova geração de jovens cientistas brasileiros — como o uso de inteligência artificial, soluções sustentáveis baseadas em resíduos, alternativas naturais a insumos industriais, tecnologias para saúde e análises de dados aplicadas a problemas sociais. “A FEBRACE revela uma geração de jovens que não apenas compreende os problemas do mundo atual, mas propõe soluções consistentes, com base científica e impacto real. É um retrato do potencial transformador da educação quando aliada à investigação e à criatividade”, disse a coordenadora geral da FEBRACE, professora Roseli de Deus Lopes. Os projetos vencedores passaram por avaliação de especialistas, com base em critérios como rigor científico, originalidade e potencial de impacto. Os estudantes que conquistaram o 1º lugar nas categorias gerais receberam medalhas, certificados digitais, um troféu e o convite para publicar seus trabalhos no Scientia Prima, periódico da ABRIC. Já os nove projetos selecionados para a ISEF 2026 representarão o Brasil em Phoenix entre os dias 9 e 15 de maio deste ano. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

Presidente da Ucrânia visita países do Golfo e fecha acordos de cooperação de defesa militar

Publicado em: 28/03/2026 21:14

Ucrânia fecha acordo militar com países do Oriente Médio A guerra levou o presidente da Ucrânia a visitar a região do Golfo. Em dois dias, Volodymir Zelensky fechou acordos de cooperação em defesa militar com os Emirados Árabes Unidos, Catar e Arábia Saudita, e se encontrou com militares ucranianos que estão levando tecnologia de drones aos países do Golfo. Esse acordo mostra como as duas guerras — a da Ucrânia e a no Oriente Médio — estão profundamente ligadas. Ao longo de quatro anos de bombardeios russos, a Ucrânia desenvolveu uma tecnologia para neutralizar ataques com drones. Quando o Irã ataca ou contra-ataca com um enxame de drones, os países do Golfo respondem com poderosos mísseis de defesa. Não parece, mas é o Irã que leva vantagem. Vamos fazer uma conta: os drones iranianos são baratos. Coisa de 50 mil dólares cada um. Os mísseis usados pra interceptá-los, uma fortuna. Geralmente são sistemas americanos, como os Patriots e os THAAD — mísseis que custam, cada um, milhões de dólares. Isso é insustentável. Uma hora os mísseis acabam. Os Estados Unidos produzem mais ou menos 65 mísseis Patriots por mês. E, só nos primeiros dias da guerra, ele disparou mais de oitocentos. E os drones iranianos não vão acabar. Mas é aí que uma guerra influencia a outra. Presidente da Ucrânia visita países do Golfo e fecha acordos de cooperação de defesa militar Reprodução/Jornal Nacional Orysia Lutsevych, especialista em segurança internacional da Chatham House, em Londres, disse ao JN que as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia estão conectadas de duas formas. Pelo preço do petróleo, que acaba beneficiando a Rússia, e por essa questão da tecnologia militar. Na prática, a prioridade de americanos e aliados claramente é o Oriente Médio. Mas isso tem um impacto direto na Ucrânia. Cada míssil disparado no Golfo Pérsico é um a menos disponível pra proteger a Ucrânia dos russos. Zelensky vinha recebendo esses mísseis de aliados pra usar contra a Rússia, e já alertou que os estoques tão no limite. A ironia é que a solução pro problema de desperdício de mísseis caros pra abater drones baratos pode vir da Ucrânia. É que os ucranianos inventaram esse outro enxame: drones-caçadores que rasgam o céu com esse grito inconfundível, e são muito eficientes. Eles carregam explosivos e voam a quase trezentos quilômetros por hora. Conseguem perseguir inimigos num raio de quase quarenta quilômetros. São drones caçadores projetados pra colidir no ar com drones inimigos, eficientes e baratos. Cada um custa dois mil dólares, só. Engenheiros mascarados elogiam a própria invenção. Eles trabalham numa das empresas que fabricam e vendem esses drones interceptadores bons e baratos. Eles, sim, fariam frente aos drones iranianos, poupando o uso de mísseis caros, que podem ser usados pra outras missões. Experiência é o que não falta. A Ucrânia desenvolveu essa tecnologia exatamente para derrubar os drones iranianos disparados pela Rússia. O front ucraniano foi portanto o laboratório que pode agora mudar o rumo da Defesa do Golfo. Ou seja: Por um lado, a Ucrânia vem sendo muito prejudicada pela Guerra no Oriente Médio. Por outro, inventou uma solução que atrai o interesse de potências que andavam sumidas. Focados no Oriente Médio, Estados Unidos e aliados vinham dando pouca atenção à guerra da Ucrânia. Agora precisam da ajuda de Zelensky. A Ucrânia, com toda a sua capacidade de engenharia, indústria e inovação, pode ser um ativo. O maior trunfo da Ucrânia hoje são esses engenheiros que sabem operar drones e sistemas antidrones na guerra moderna. A Ucrânia produz, segundo Zelensky, dois mil drones caçadores por dia. E já enviou 228 especialistas nessa tecnologia pra treinar exércitos de Países do Golfo. E, assim, o conflito no Oriente Médio pode dar ao presidente ucraniano o que anda meio escasso pra ele: dinheiro e poder. E influenciar o rumo de uma guerra que anda esquecida — ou andava. Guerra no Irã ameaça produção de chips e pode encarecer eletrônicos no mundo

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Portal que liga Barra Grande a cidades de outros países reúne visitantes no PI; pedido de casamento ocorreu no local

Publicado em: 28/03/2026 18:00

Portal que liga Barra Grande a cidades de outros países reúne visitantes no PI O portal que conecta o vilarejo de Barra Grande, em Cajueiro da Praia, no litoral do Piauí, à outros países, inaugurado neste sábado (28), reuniu os primeiros visitantes. Um pedido de casamento chegou a ocorrer no local horas antes da inauguração oficial. A estrutura com transmissão ao vivo permite a interação entre moradores e turistas com pessoas de diferentes cidades do mundo. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Segundo o Governo do Piauí, o portal é o primeiro na América Latina e estará conectado, inicialmente, às cidades de Vilnius, na Lituânia; Lublin, na Polônia; Dublin, na Irlanda; Filadélfia, nos Estados Unidos; e Ipswich, no Reino Unido. A estrutura, criada pelo projeto Portals – Bridge to a United Planet (Portais – Ponte para um Planeta Unido, em tradução livre), foi instalada no Parque Público Reserva do Portal, localizado na Rua Pontal da Barra, Nº 538. De acordo com a Secretaria do Turismo do Piauí (Setur), o Parque Público Reserva do Portal conta ainda com playground, área de apoio ao turista, área de monitoramento, área de preservação, praça, acesso à praia, chuveiros públicos e varandas. O valor investido na obra foi de R$ 3,7 milhões. “Estamos criando uma vitrine permanente para o turismo do Piauí, com o objetivo de aumentar a visitação de turistas e a permanência média no estado, fortalecendo o comércio, a rede hoteleira, os bares, restaurantes e serviços turísticos”, declarou o presidente da Investe Piauí, Victor Hugo Almeida. Nos primeiros dias após a instalação do portal, estão previstas atividades culturais com manifestações tradicionais do Piauí. O objetivo é promover o intercâmbio entre povos e aproximar culturas por meio da tecnologia. Portal que liga Barra Grande a cidades de outros países é inaugurado no litoral do Piauí; 1º da América Latina Governo do Piauí VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube

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Odontologia é o curso mais bem avaliado da Unicamp em ranking internacional

Publicado em: 28/03/2026 16:04

Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP/Unicamp) Divulgação/Unicamp A Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp teve a melhor colocação entre os três cursos da universidade que figuraram entre os 50 mais renomados do mundo em suas respectivas áreas, segundo o ranking internacional. 📊 O QS World University Ranking by Subject de 2026, divulgado nesta semana, engloba mais de 1,9 mil universidades em 100 países. São avaliados 18,3 mil cursos agrupados em 55 áreas específicas e cinco grandes áreas. A lista avalia disciplinas separadamente e os elenca em diferentes rankings, considerando a produtividade acadêmica e a reputação no mercado de trabalho. São considerados cursos de graduação e pós graduação (como mestrado e doutorado). Entre os mais bem avaliados da Unicamp estão: Odontologia, em Piracicaba (26º lugar) Engenharia de Petróleo, pós graduação em Campinas (38º lugar) Antropologia, em Campinas (42º) 🦷 Odontologia em outras instituições No ranking de odontologia, o Instituto Karolinska, na Suécia, aparece em primeiro lugar. A Universidade de Hong Kong ocupa a segunda posição, seguida pelo Centro Acadêmico de Odontologia de Amsterdã (ACTA), na Holanda. Entre as brasileiras, a Universidade de São Paulo (USP) ficou em 15º lugar e a Unesp está em 38º lugar. Veja as pontuações abaixo: Pontuação das universidades classificadas Classificação por área do conhecimento Entre as grandes áreas do conhecimento, a Unicamp não classificou acima da 100º colocação. Veja abaixo: Engenharia e Tecnologia em 112º Ciências da Vida e Medicina em 147º Artes e Humanidades em 154º Ciências Naturais em 156º Ciência Social e Administração em 199º De acordo com a consultoria QS Quacquarelli Symonds, responsável pelo ranking, a classificação é baseada em cinco métricas principais utilizadas para analisar os dados por área de estudo. O peso de cada uma delas varia conforme a disciplina, de modo a refletir as diferentes culturas de publicação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Piracicaba

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Vale amplia vida útil de minas de Itabira até 2053

Publicado em: 28/03/2026 15:21

Complexo da Vale em Itabira Leonardo Milagres/ g1 A Vale anunciou a ampliação da vida útil de suas minas em Itabira, na Região Central de Minas Gerais, até 2053. A estimativa anterior era 2041. A nova previsão foi divulgada nesta sexta-feira (27) em um relatório anual exigido para empresas listadas na bolsa dos Estados Unidos. Segundo a companhia, a mudança da projeção da data de exaustão mineral foi possibilitada por  avanços em pesquisas geológicas na região e pela evolução de tecnologias de beneficiamento, que passaram a permitir o aproveitamento de materiais antes classificados como estéreis. A reserva mineral declarada – recursos lavráveis – do complexo de Itabira passou de 760 milhões de toneladas, em 2024, para cerca de 1,15 bilhão de toneladas em 2025, um aumento de 52%. A expansão da operação, no entanto, ainda depende da obtenção de licenças ambientais.  ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Minas no WhatsApp De acordo com a Vale, não há previsão de aumento da produção anual de minério de ferro na cidade. Em 2025, foram 25,2 milhões de toneladas métricas. Com uma população de pouco mais de 118 mil pessoas, Itabira depende da mineração para a geração de trabalho e renda. A Vale é a principal empregadora do município, que tem buscado formas de diversificar a economia. Veja vídeo produzido pelo g1 sobre a mineração em Itabira quando a previsão de exaustão mineral era o ano de 2041: Sob risco de mineração acabar, cidade que depende do ferro convive com incertezas LEIA TAMBÉM: 'Medo de não sobreviver': por que o fim da mineração em Itabira preocupa moradores da 'cidade do ferro' Vídeos mais vistos no g1 Minas: .

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Como testar a segurança da sua internet corporativa em 7 passos

Publicado em: 28/03/2026 15:20

Muitas empresas acreditam que confiar apenas em firewalls e antivírus é o suficiente para garantir a segurança da internet corporativa, mas seguir por esse caminho é como querer proteger uma casa trancando a porta da frente e deixando as janelas abertas e o alarme desligado. Como os ciberataques mais modernos se aproveitam das falhas que as ferramentas mais básicas não detectam, um pentest, ou teste de intrusão, aparece como uma estratégia indispensável. Ele é uma simulação de ataque real e controlada para identificar e corrigir falhas antes que um cibercriminoso se aproveite delas. Os números ajudam a demonstrar a urgência desse tipo de teste: o Brasil sofreu cerca de 315 bilhões de tentativas de ciberataques em 2025. Além disso, os ataques de ransomware já representam quase metade dos incidentes globais, que cresceram 44% no último ano. Ransomware e outros termos explicados: o dicionário da rede corporativa O que mais atrapalha a segurança de uma rede corporativa? As pessoas talvez sejam as principais culpadas pela insegurança da rede, mas não são as únicas. Estudos recentes mostram que o comportamento dos usuários e o erro humano são responsáveis pela maioria esmagadora das violações de segurança, mas o que realmente define o tamanho do prejuízo é a fragilidade da infraestrutura técnica que vem a seguir: Softwares desatualizados: hackers utilizam bancos de dados de vulnerabilidades conhecidas para atacar sistemas que ainda não receberam os patches de correção Configurações de rede inadequadas: dispositivos de conectividade frequentemente operam com configurações de fábrica ou permissões de acesso muito amplas. Não segmentar a rede, manter muitas portas abertas ou ignorar a implementação da autenticação multifator cria caminhos mais simples de serem percorridos pelos criminosos Senhas fracas: o uso de senhas fracas ou previsíveis continua sendo uma das maiores ameaças à rede corporativa. Com ferramentas de ataque de força bruta e dicionários de senhas vazadas, invasores conseguem comprometer contas de nível administrativo em segundos, ganhando controle total sobre sistemas críticos e dados sensíveis O guia definitivo para criar senhas seguras na sua empresa Protocolos de segurança defasados: o uso de criptografias antigas permite que cibercriminosos realizem ataques de Man-in-the-Middle, capturando dados sigilosos em trânsito O que é um pentest e como ele protege a sua rede? O pentest, ou teste de intrusão, é uma simulação controlada em que analistas especializados usam as mesmas técnicas e ferramentas que os hackers reais utilizam para tentar invadir o ambiente digital de uma empresa. Depois de identificar as vulnerabilidades da rede, os analistas tentam explorá-las para entender como elas impactam a infraestrutura digital e os riscos que oferecem para as operações. Para garantir a máxima precisão do teste são usadas metodologias reconhecidas internacionalmente, como a PTES (Penetration Testing Execution Standard, ou Padrão de Execução de Testes de Penetração), que é dividida em 7 fases: Fase 1: Interações de pré-engajamento Aqui são definidos os limites técnicos e legais do teste, estabelecendo quais servidores podem ser testados, os horários de execução para não afetar a produção e quem serão os pontos de contato em caso de descoberta de uma falha crítica. Fase 2: Levantamento de Informações O analista coleta o máximo de informações possível sobre a rede e seus dispositivos para mapear todas as portas de entrada para as vulnerabilidades cibernéticas. Isso inclui pesquisar endereços IP e configurações de sistemas para entender quem acessa a infraestrutura e como faz isso. Fase 3: Modelagem de ameaças Aqui o teste se torna estratégico. Os especialistas analisam os processos da empresa para identificar quais ativos (como bancos de dados de clientes ou sistemas financeiros) são os alvos mais prováveis de um criminoso real, mapeando os potenciais ataques a esses alvos. Fase 4: Análise de vulnerabilidade O objetivo é fazer um cruzamento entre as falhas encontradas com bancos de dados globais de ameaças, identificando rapidamente quais pontos fracos podem ser explorados pelos hackers e onde o sistema está mais vulnerável. Fase 5: Exploração O analista tenta invadir o sistema para confirmar se a vulnerabilidade detectada é realmente explorável, provando se o invasor conseguiria, por exemplo, extrair dados sensíveis ou derrubar um serviço essencial. Fase 6: Pós-exploração Depois de obter o acesso inicial, o objetivo é medir o nível do estrago. O especialista avalia a capacidade de realizar movimentação lateral na rede e a escalada de privilégios (tentar virar um administrador do sistema). É avaliada também a capacidade de um invasor se manter camuflado por longos períodos. Fase 7: Relatório A etapa final transforma o diagnóstico em estratégia. São compilados os resultados dos testes, as tentativas de invasão realizadas e as vulnerabilidades identificadas para orientar sobre os ajustes prioritários para proteger a rede. Um relatório eficiente inclui um resumo para a diretoria, detalhes técnicos para o TI e os impactos de acordo com a LGPD. Terceirizar ou não terceirizar a TI: eis a questão O próximo passo para proteger a sua rede Após a realização de um teste de segurança, a Ligga Telecom ajuda a transformar o diagnóstico em proteção real. Para blindar a sua conexão corporativa e garantir que as vulnerabilidades identificadas e corrigidas não voltem a ser um problema, duas tecnologias são fundamentais: Proteção Anti-DDoS: Uma camada extra de filtragem em tempo real para impedir ataques de negação de serviço e manter a sua operação ativa mesmo diante de um bombardeio de tráfego malicioso Afinal, o que são ataques DDoS? SD-WAN: Ela estabelece túneis criptografados de ponta a ponta, garantindo que os dados permaneçam confidenciais ao trafegar entre sede, filiais e nuvem. Além de bloquear tráfego malicioso e aplicar políticas de segurança em tempo real, essa tecnologia evita que um dispositivo comprometido (como um computador da filial) espalhe as suas ameaças para o restante da rede, prevenindo os vazamentos de dados Fale com os nossos especialistas e saiba como implementar essas soluções na blindagem da sua rede corporativa.

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Bank of America fecha acordo de US$ 72,5 milhões com vítimas de Epstein

Publicado em: 28/03/2026 14:00

Manifestante protesta contra Jeffrey Epstein, em Nova York. Stephanie Keith / Getty Images North America /AFP O Bank of America concordou em pagar US$ 72,5 milhões (cerca de R$ 381 milhões) para encerrar um processo civil movido por mulheres que acusam a instituição de facilitar os abusos sexuais cometidos por Jeffrey Epstein, segundo registros judiciais divulgados nesta sexta-feira (27). Os advogados do banco e das autoras informaram ao juiz Jed Rakoff, em Manhattan, que haviam chegado a um “acordo em princípio” neste mês, mas os termos não haviam sido divulgados até então. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O acordo ainda precisa ser aprovado por Rakoff, que marcou uma audiência para quinta-feira para avaliar a proposta. A ação coletiva, apresentada em outubro por uma mulher identificada como Jane Doe, acusa o segundo maior banco dos Estados Unidos de ignorar transações suspeitas ligadas a Epstein, apesar de diversas informações sobre seus crimes, priorizando o lucro em detrimento da proteção das vítimas. O Bank of America afirma que a acusação se baseia apenas na prestação de serviços financeiros rotineiros a pessoas que, à época, não tinham ligação conhecida com Epstein, e classificou como “frágil e infundada” qualquer sugestão de envolvimento mais profundo. Banco teria se beneficiado conscientemente de esquema Em janeiro, Rakoff decidiu que o banco deveria responder às acusações de que teria se beneficiado conscientemente do esquema de tráfico sexual de Epstein e dificultado a aplicação de leis federais de proteção às vítimas. Entre as operações citadas estão pagamentos feitos a Epstein pelo bilionário Leon Black, cofundador da Apollo Global Management. Black deixou o cargo de presidente-executivo da Apollo em 2021, após uma investigação externa apontar que ele pagou US$ 158 milhões a Epstein por serviços de planejamento tributário e patrimonial. Ele nega irregularidades e afirma que desconhecia os crimes do financista. Os advogados de Jane Doe também processaram outros supostos facilitadores de Epstein e, em 2023, fecharam acordos de US$ 290 milhões com o JPMorgan Chase e de US$ 75 milhões com o Deutsche Bank. Eles ainda recorrem da decisão de Rakoff que rejeitou, em janeiro, uma ação semelhante contra o Bank of New York Mellon. Epstein morreu em agosto de 2019, em uma cela em Manhattan, enquanto aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. A morte foi considerada suicídio pelo médico legista de Nova York. Vítimas de Jeffrey Epstein processam governo dos EUA e a empresa de tecnologia Google

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