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Órgão de tubos: 'gigante' musical faz reestreia no litoral de SP após 33 anos mudo; VÍDEO

Publicado em: 27/09/2025 04:03

Órgão de tubos foi reformado na Igreja do Embaré, em Santos (SP) e pode até tocar 'sozinho' Após mais de três décadas de silêncio, o órgão de tubos da Basílica Menor de Santo Antônio do Embaré voltou a ecoar em Santos, no litoral sul de São Paulo. O projeto de restauro contemplou a reforma e a automação do instrumento, que tem mais de 75 anos de história. O 'gigante' de 35 m² e dois andares foi reinaugurado com o mesmo visual, mas seu imponente som estreou na era digital. Com recursos arrecadados pelos fiéis e pelas mãos do restaurador Danilo Brás, o instrumento, construído na primeira metade do século passado, ganhou ajuda da tecnologia para tocar até 'sozinho'. (veja no vídeo acima) ⛪🎵 'Rei dos instrumentos': usual em igrejas para entoar músicas sacras, o órgão de tubos é composto por tubos de diferentes comprimentos que produzem som ao deixar passar o ar, a partir de um complexo sistema de teclados e pedaleiras. Segundo especialistas, apesar de não serem considerados raros, a maioria dos órgãos de tubos existentes no Brasil estão em condições precárias ou descaracterizados. A manutenção dos exemplares é considerada um desafio pelo alto custo e falta de mão-de-obra especializada. (leia mais abaixo) O órgão de tubos do Embaré tem 1.317 tubos, dois teclados manuais e uma pedaleira. A imponente estrutura é feita de madeira e metal e o restauro levou dois anos e meio. O órgão foi reinaugurado oficialmente em junho, na missa do Dia de Santo Antônio. Na ocasião, foi anunciada pelo frei Paulo Henrique Romeiro, pároco da basílica, a retomada da operação do órgão. (veja vídeo abaixo) "Cumprimos nossa missão. Foi a primeira vez que eles [os fiéis] viram funcionando", disse. Reinauguração ocorreu durante a missa de Santo Antônio em Santos (SP) Patrimônio religioso O órgão de tubos da Igreja do Embaré foi inaugurado em 1949 e é considerado um patrimônio religioso da cidade. Construído a partir das peças de outro instrumento importado anos antes da Alemanha, o órgão estava desativado desde 1992 após apresentar problemas mecânicos. Além disso, a deterioração do instrumento foi agravada pela falta de uso. Nos anos 2000, a parte elétrica dele foi removida durante uma reforma da Igreja. Após uma conversa com o Frei Paulo Henrique, o restaurador Danilo Brás resolveu iniciar em janeiro de 2023 a reforma do orgão. Os R$ 110 mil empenhados no serviço foram custeados com recursos arrecadados durante as festas promovidas pela Basílica, como quermesses e eventos aos finais de semana. 🪚⚙️Desafio: O instrumento é produzido de maneira artesanal e a manutenção especializada deveria ser feita por um organeiro-mestre, profissional cuja formação leva pelo menos 10 anos. Por isso, o restaurador precisou mergulhar em um minucioso processo que envolveu estudo e centenas de horas de trabalho para a completa desmontagem e restauração de cada um dos componentes do órgão de tubos. Restauração e automação Toda a parte estrutural e elétrica do órgão foi restaurada. Para isso, foram produzidas cerca de 1,3 mil molas inox - ante as de ferro existentes -, fabricados artesanalmente diversos tubos de madeira e criado um sistema de automação, que possibilita a utilização do órgão mesmo sem que haja um músico para tocá-lo. Na versão manual, o instrumento é tocado por um organista com as mãos e pés simultaneamente. “Toda vez que se conversava sobre o órgão, falavam: 'Não tem quem toque'. Então eu pensei que eu tinha que automatizar. Eu não vou ficar com um instrumento que gastei uma fortuna à mercê de uma pessoa [que saiba tocar manualmente]. É um investimento que eu precisava ver funcionar”, conta. Os serviços de restauro foram realizados, sob o comando de Danilo, pelos próprios colaboradores da Basílica do Embaré. A ideia era preservar a originalidade do instrumento na parte externa. Reforma do órgão de tubos possibilitou reinauguração do instrumento após mais de 30 anos Danilo Brás Infográfico: órgão de tubos do Embaré uniu a comunidade para dar fim a anos de silêncio do instrumento Arte/g1 A revitalização contou com o apoio de eletricistas e musicistas da basílica, que auxiliaram no processo para afinar as notas do instrumento após o restauro. O órgão, então, recebeu uma controladora após a reforma. Por meio de um computador, sem um operador humano, ele pode receber o comando das notas para controlar a abertura das válvulas que liberam o ar para os tubos, por meio de um arquivo chamado Musical Instrument Digital Interface (MIDI). Órgão de tubos foi automatizado em Santos, SP Danilo Brás Danilo disse que a automação foi fundamental para os testes do equipamento, tendo em vista que ele não possuía capacidade técnica para manuseá-lo. A presença de um músico era necessária no local para afinar as notas do instrumento. Essa ajuda veio do maestro Mario Tirolli, músico profissional há 35 anos. Durante esses testes de afinação e automação, ele utilizou arquivos de obras famosas para o órgão reproduzir, tais como as trilhas sonoras de The Batman, Star Wars, Conan, o Bárbaro e até mesmo serenatas de Mozart. (confira no vídeo acima) “Eu fui fazer também aula de teclado para aprender alguma coisa caso eu precisasse, mas eu percebi que não tenho talento nenhum para isso. Preciso realmente que seja automatizado”, brinca. Órgão de tubos foi reinaugurado na Igreja do Embaré, em Santos (SP) Desafios Um dos entraves enfrentados foi a falta de materiais disponíveis, sendo que a maioria são importados. Por isso, foi necessário fabricar grande parte dos itens - como os tubos metálicos e de madeira - e adaptar outros materiais com os produtos disponíveis no Brasil. “Muita coisa era da Alemanha. E o custo era alto por causa do Euro. A gente não tinha plena certeza se aquilo era exatamente o que a gente queria. Foi feita uma adaptação e fizemos testes com vários materiais”, conta. Apesar disso, segundo Danilo, o maior desafio no trabalho foi mais pessoal do que técnico. Durante o período, a sua mãe teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e acabou morrendo em 2024. Nele o período em que ela adoeceu, precisou utilizar as horas que passava na reforma do instrumento para cuidar da mãe. Os trabalhos eram realizados nos finais de semana e no seu horário de almoço. "Eu só não larguei o órgão porque ela me autorizou. E, infelizmente, ela não viu o órgão pronto porque ela acabou falecendo”, lamenta. Órgão de tubos foi reformado na Basílica do Embaré, em Santos Basílica do Embaré e Ronaldo Tarallo Júnior Maestro Mário Tirolli e o órgão de tubos da Basílica do Embaré, em Santos Danilo Brás/arquivo pessoal 'Novos músicos' O restaurador contou, porém, que se emocionou ao ver os membros da comunidade, que já atuavam na parte musical das cerimônias, interessados em utilizar o equipamento após a reforma. Uma delas é a professora de música Cátia Radzvilaviez Grande, de 64 anos, musicista há cerca de 40 anos. Ao g1, ela contou que é tecladista e passou a integrar o quadro de músicos da Igreja há cerca de dois anos, quando soube que o equipamento estava sendo reformado. Mesmo com a extensa carreira, Cátia destacou que foi no Embaré em que ela teve o primeiro contato com um órgão de tubos. "Foi emocionante e desafiador. Nunca tinha passado na minha cabeça tocar o órgão de tubos. Foi e é muito prazeroso poder ouvir seu som majestoso e, ao mesmo tempo, tão delicado," afirmou. Com ela, são três as organistas que atuam nas missas aos domingos. As outras 'alunas' são fiéis que aprenderam com ela a manusear o equipamento. "O importante é termos mais músicos utilizando esse instrumento e para isso sempre estou aberta a ensinar", destaca. Cátia Radzvilaviez Grande é professora de música há 40 anos e teve primeiro contato com um órgão de tubos na Basílica do Embaré Arquivo pessoal Análise Um estudo científico produzido pela organista Elisa Freixo e pelo pesquisador Andrea Cavicchioli, da Universidade de São Paulo (USP), concluiu que o Brasil tinha, em 2010, poucas centenas de exemplares do órgão de tubos. Por causa da mão-de-obra escassa no país, muitos órgãos acabaram tendo suas características comprometidas pela falta de profissionais capacitados para fazer consertos e manutenção. "Portanto, em um cenário como este, a manutenção do patrimônio organológico é difícil ou mesmo quase impossível", diz trecho do estudo. A igreja da Sé, marco da cidade de São Paulo, por exemplo, abriga um órgão de tubos que é considerado o maior instrumento musical da cidade, com 11 mil flautas. Ele está inativo há mais de 20 anos devido à deterioração. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos

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Raniela e Rafaela: Saiba como vivem gêmeas que nasceram unidas pelo abdômen e passaram por cirurgia de separação em 2002

Publicado em: 27/09/2025 04:01

Raniela e Rafaela: Saiba como vivem gêmeas siamesas que passaram por cirurgia de separação Gêmeos siameses são chamados os casos em que os bebês nascem unidos fisicamente e compartilham um ou mais órgãos. Goiás é considerado uma referência nos casos de separação, com a sobrevida chegando a 50% nos casos mais complexos. Veja como estão as irmãs Raniela e Rafaela Rocha Cardoso, que nasceram unidas pelo abdome e foram separadas em 2002. Hoje, uma delas se tornou mãe. As jovens nasceram em Goianésia, no centro do estado, unidas pelo abdome. Elas compartilhavam o fígado e foram separadas sete dias após o nascimento. Hoje, com 23 anos, elas vivem saudáveis, sem problemas de saúde. A gêmea Rafaela, inclusive, se tornou mãe. Elas conversaram com o g1 e contaram que não precisam fazer nenhum tipo de acompanhamento médico. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Siamesas Raniela (centro) e Rafaela (direita) com a mãe Meire (esquerda) e o médico Zacharias Calil Arquivo pessoal/Raniela Rocha Cardoso Descoberta aconteceu após o parto Segundo Raniela, na gravidez, a mãe delas sabia que teria gêmeas, mas não que as irmãs estavam unidas, porque a ultrassom não mostrava. "Ela só descobriu no parto. Foi um susto tanto para ela quanto para o médico que estava no momento", contou. Raniela disse que, logo depois do parto, a família foi encaminhada para Goiânia. A gêmea explicou que elas demoraram a descobrir porque tinham uma cicatriz na barriga. Só quando completaram 7 anos, é que a mãe contou a história, mostrando uma gravação em vídeo. A família esperou para quando as meninas tivessem idade para entender. "Quando a gente tinha mais ou menos 7 anos, voltamos da igreja e minha mãe nos chamou para sentar no sofá. Falou que tinha um presente para nós, que era uma gravação. A primeira gravação que fizeram da gente para contar nossa história", disse. Raniela disse que foi muito emocionante para ela e a irmã saberem da história. Rafaela tem um filho que hoje está com nove meses. Ela contou que chegou a ter medo de ter gêmeos quando estava grávida, mas que depois o medo passou. Segundo ela, o filho Davi Emanuel nasceu saudável e é bastante calmo. Gêmeas nasceram unidas pelo abdômen e foram separadas em 2002, em Goiás Arquivo pessoal/Raniela Rocha Cardoso Formação de siameses O g1 conversou com o médico de Goiás que é referência no assunto e realizou a separação das meninas, Zacharias Calil. Para ajudar a entender a complexidade quando se fala em gêmeos siameses, o médico explica que a incidência de casos no mundo é de 1 a cada 150 mil nascidos vivos. "Desde 1999, já atendemos 44 gêmeos conjugados, mas apenas 24 conseguiram chegar na idade para serem separados", disse. Segundo Zacharias, não existe uma causa definida nem um fator que aumente as chances desse tipo de gestação. A ciência explica que, no 13º dia da ovulação, o óvulo não se divide completamente e os bebês passam a compartilhar determinados órgãos, podendo ser o mesmo coração ou fígado, às vezes até os intestinos. "Se são unidos pela bacia, são chamados isquiópagos e podem ter de três a quatro pernas, e dividem vários órgãos. Esses são os mais complexos da minha especialidade e o 2º em grau de dificuldade; o primeiro são os que nascem unidos pela cabeça", disse o médico. O médico explica que gestações de siameses geralmente não chegam à 35ª semana. A mãe pode evoluir para complicações como hemorragia uterina e já houve paciente que precisou retirar o útero. Pré-natal e pós-parto Zacharias explica que o pré-natal e o pós-parto de siameses incluem exames de imagem como ultrassonografia, ecocardiograma fetal e ressonância magnética após a 22ª semana de gestação. Os exames buscam analistar com maior precisão os órgãos compartilhados pelos gêmeos e o prognóstico. Características da gestação e parto de siameses: O parto tem que ser programado com antecedência; O parto é feito por cirurgia cesariana; Após o nascimento, são acompanhados por neonatologistas experientes e em UTI neonatal preparada; Após o nascimento, são feitos exames de imagem nos bebês, impressão 3D e realidade aumentada para planejar essas operações complexas que serão feita; É feita a colocação de expansores subdérmicos de silicone para criar nos bebês. Exame mostra exemplo da união do tórax e abdome. Observa os dois corações bem juntos e compartilhavam a mesma cavidade em um único pericárdio Reprodução Centro de Tecnologia e Informação/Divulgação por Zacharias Calil Risco de morte Zacharias esclarece que o risco de morte para bebês siameses é alto logo após o nascimento, por causa de más-formações, principalmente nos casos que são unidos pelo tórax e dividem o coração. Em números, cerca de 75% morrem logo após o nascimento e 15% não sobrevivem nas primeiras semanas, de acordo com o médico. "A literatura médica mundial fala em 20% (de sobrevivência). Aqui em Goiás, a sobrevida chega a 50% nos casos mais complexos e 100% nos casos que apresentam menos compartilhamento de órgãos", disse Calil. Goiás como referência O médico contabiliza que desde 1999 já foram atendidos 44 gêmeos siameses em Goiás, mas apenas 24 conseguiram chegar na idade para serem separados. Segundo ele, o Brasil é considerado o terceiro país no mundo com mais separações de siameses. Calil disse ainda que a idade ideal para a cirurgia é por volta de seis meses a 1 ano de idade. "Depende muito da união e se tem pele suficiente", afirma. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.

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Oriente Médio estaria a caminho de ter uma 'Otan islâmica'?

Publicado em: 27/09/2025 04:01

Israel ataca dirigentes do Hamas no Catar Não havia muito o que o Catar pudesse fazer em relação aos mísseis balísticos que Israel disparou em Doha no dia 9 de setembro, quando cerca de 10 caças israelenses sobrevoaram o Mar Vermelho, sem cruzarem o espaço aéreo de nenhum outro país, antes de colocarem a ação em prática. Um ataque considerado "além do horizonte". Mísseis balísticos viajam até a atmosfera ou até mesmo ao espaço sideral antes de voltarem à Terra. O alvo dos mísseis israelenses eram membros do grupo Hamas, reunidos para discutir um possível cessar-fogo em Gaza, em um bairro nobre da capital Doha. Seis pessoas foram mortas, embora, aparentemente, não fossem os alvos de Israel. Como os mísseis surgiram inesperadamente, o Catar pouco pôde fazer para se defender. A verdade é que uma das salvaguardas mais importantes do país contra Israel não tem ligação com sofisticados sistemas de defesa antiaéreos. O maior aliado israelense, os Estados Unidos, têm sua maior base regional no país e recentemente concedeu ao Catar o status de "grande aliado não membro da Otan". Mas nem isso parece ter sido suficiente para impedir Israel de realizar seu primeiro ataque conhecido a um Estado árabe do Golfo, uma ação sobre a qual os EUA provavelmente teriam que saber. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o emir do Catar, Tamim bin Hamad Al Thani, durante cerimônia de assinatura de acordos em Doha na quarta-feira (14/5). Reuters via BBC EUA são vistos como pouco confiáveis "O ataque israelense abala as premissas do Golfo sobre suas relações com os EUA, e esses países se aproximarão ainda mais. Essas monarquias petrolíferas são muito semelhantes… Um ataque tão direto à sua soberania e segurança é um anátema para todas elas", escreveu Kristin Diwan, pesquisadora do Instituto dos Estados Árabes do Golfo, em Washington, logo após o ataque. Como resultado, "os governantes dos países do Golfo buscam maior autonomia estratégica e estão cada vez mais determinados a se proteger contra os riscos de depender dos EUA", reiterou Sanam Vakil, diretora do programa do Oriente Médio e Norte da África da Chatham House, em um artigo publicado neste mês no jornal britânico The Guardian. Devido a tudo isso, nas últimas semanas, tem-se falado cada vez mais sobre a formação de uma "Otan islâmica", uma aliança de defesa entre países islâmicos e árabes que poderia funcionar de maneira semelhante à Organização do Tratado do Atlântico Norte. Em uma cúpula de emergência organizada na semana passada pela Liga Árabe e pela Organização da Cooperação Islâmica, autoridades egípcias sugeriram a criação de uma força-tarefa conjunta para as nações árabes, semelhante à Otan. Durante um discurso, o primeiro-ministro iraquiano, Mohammed Shia al-Sudani, também pediu uma abordagem coletiva para a segurança regional. E os seis membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) – Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – disseram que ativariam uma cláusula de um acordo conjunto de defesa, assinado pela primeira vez em 2000, que dizia que um ataque a um Estado-membro era um ataque a todos – uma formulação semelhante ao artigo 5.º da Otan. Após a cúpula emergencial, os ministros da Defesa dos Estados do Golfo realizaram outra reunião em Doha e concordaram em aprimorar o compartilhamento de informações e os relatórios sobre a situação aérea, bem como em acelerar a criação de um novo sistema regional de alerta de mísseis balísticos. Também foram anunciados planos para exercícios militares conjuntos. Na mesma semana, a Arábia Saudita anunciou um "acordo estratégico de defesa mútua" com o Paquistão, declarando que "qualquer agressão contra um dos dois será considerada uma agressão contra ambos". Início da 'Otan islâmica'? De acordo com especialistas entrevistados pela DW, pode parecer, em um primeiro momento, que o Golfo Pérsico está mesmo formando uma espécie de "Otan islâmica" para combater Israel, mas a realidade é um pouco diferente. "Uma aliança no estilo da Otan não é realista porque envolveria os países do Golfo em guerras que eles não consideram vitais para seus próprios interesses. Nenhum governante do Golfo quer ser arrastado para um confronto com Israel em nome do Egito, por exemplo", avalia Andreas Krieg, professor sênior da Escola de Estudos de Segurança do King's College de Londres. Os observadores acreditam, no entanto, que as coisas estão mudando após o ataque em Doha. "A segurança no Golfo tem se baseado há muito tempo em uma lógica tributária, [em que] basicamente você paga alguém para cuidar da sua proteção. Após o ataque em Doha, essa mentalidade está começando a mudar, mas apenas lentamente", argumenta Krieg. Fumaça é vista em Doha, no Catar, após ataques de Israel contra lideranças do Hamas Ibraheem Abu Mustafa/Reuters 'Formato 6+2' Em vez de uma "Otan islâmica", o que o mundo poderá ver é o chamado "formato 6+2", explica Cinzia Bianco, especialista em países do Golfo no think tank Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR). A expressão "6+2" refere-se aos seis países do CCG, mais a Turquia e o Egito. Bianco acredita que esse formato provavelmente é discutido nos bastidores da Assembleia Geral das Nações Unidas nesta semana. "No entanto, não se trata realmente de um acordo como o Artigo 5. É mais provável que se trate de coletivizar as posturas de segurança e defesa e, talvez o mais importante, enviar uma mensagem de dissuasão a Israel", diz, alegando que o compromisso dos Estados do Golfo com a defesa mútua não é tão sólido quanto o dos membros da Otan. Ajuda militar de outros lugares Conforme Krieg, o "6+2" faz mais sentido do que uma "Otan islâmica" porque a Turquia é "o parceiro não ocidental mais confiável para o Golfo, com tropas já estacionadas no Catar desde 2017 e capacidade real de agir rapidamente em caso de crise. O Egito, porém, é mais complicado. O país tem força militar, mas sua confiabilidade é questionada em algumas capitais do Golfo", argumenta. E mesmo que um formato "6+2" esteja nos planos, isso acontecerá de forma lenta e discreta, observam Krieg e Bianco. "A maioria das mudanças significativas ocorrerá nos bastidores. Veremos comunicados públicos, cúpulas e exercícios conjuntos. Mas o trabalho essencial, como o compartilhamento de dados de radar, a integração de sistemas de alerta precoce ou a concessão de direitos de base, permanecerá discreto", prevê Krieg. Também é possível que os países do Golfo, que têm dependido amplamente dos EUA, tentem expandir os laços de defesa com outros países. "Há outros atores, como Rússia e China, que estão dispostos a substituir os EUA. Mas é improvável que qualquer ator externo substitua os americanos da noite para o dia", afirma Sinem Cengiz, pesquisadora do Centro de Estudos do Golfo da Universidade do Catar. Dependência americana De qualquer forma, não há como os Estados do Golfo quererem isso, acrescenta Bianco. Eles continuam dependentes da tecnologia militar dos EUA. Por exemplo, após o ataque a Doha, o Catar buscou garantias dos EUA de que eles ainda eram seus parceiros. "Uma observação importante aqui é que os EUA nunca se opuseram abertamente a esse tipo de regionalização da defesa. Na verdade, eles sempre incentivaram uma arquitetura única de defesa antimísseis balísticos para os países do Golfo", ressalta Bianco. Na verdade, uma maior integração militar no Golfo poderia significar mais presença dos EUA, pois os sistemas americanos são a espinha dorsal da defesa na região, explica Krieg. "Mas o significado político mudou. Washington não é mais vista como a garantia máxima de segurança, mas como uma parceira cujo apoio é condicional e transacional. Os líderes do Golfo estão se adaptando à ideia de que os EUA têm interesses, em vez de aliados, e estão buscando um polo de segurança liderado pelo próprio Golfo, um meio-termo entre Irã e Israel", conclui o especialista.

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Mil currículos enviados, qualificado e desempregado: por que milhões seguem fora do mercado há anos?

Publicado em: 27/09/2025 03:00

Por que milhões seguem fora do mercado há anos? Mais de mil currículos enviados. Quase 100 entrevistas realizadas. E, ainda assim, nada de emprego. Esse é o retrato de profissionais como Felipe Bomfim e Leandro Tenório que, mesmo com formação sólida, fluência em outros idiomas e cursos de especialização, seguem fora do mercado de trabalho há quase dois anos. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Histórias como as deles se repetem pelo país. Mais de 1,2 milhão de pessoas estão há mais de dois anos fora do mercado. E 1,9 milhão estão afastados há mais de um ano. Os dados são da PNAD do segundo trimestre de 2025. Trata-se do chamado desemprego de longo prazo, caracterizado por quem segue procurando, mas não consegue se recolocar por um período prolongado. É diferente do desalento, situação em que a pessoa já perdeu a esperança e, por isso, deixou de procurar emprego. Esses números chamam a atenção justamente porque surgem em meio ao melhor momento do mercado de trabalho desde 2012. A taxa de desocupação atingiu 5,6% no trimestre encerrado em julho de 2025, renovando o menor nível da série histórica do IBGE. 💭 Ou seja, os indicadores estão no auge, mas uma parte da população segue sem conseguir voltar a trabalhar. Diante disso, é inevitável a pergunta: se os indicadores estão em alta, por que tanta gente continua sem conseguir voltar ao mercado? Segundo o economista Bruno Imaizumi, a explicação não é tão simples. Embora muitos associem o desemprego à falta de estudo, os dados mostram que os mais afetados são profissionais com ensino médio completo. Imaizumi acrescenta ainda que, quanto mais qualificados, mais seletivos tendem a ser os trabalhadores em relação às oportunidades que surgem. A especialista em carreiras Taís Targa acrescenta que o mercado de trabalho está mais exigente, cobrando múltiplas competências, domínio de idiomas, experiência com tecnologia e flexibilidade contratual. Ela lembra ainda que ainda existe preconceito contra quem está há muito tempo sem emprego. "O recrutador pode pensar: por que essa pessoa está há dois anos fora do mercado? Será que ela tem algum problema?", observa. Ela também alerta: aceitar qualquer vaga só para não carregar o rótulo de “desempregado” pode ser perigoso. "Às vezes, esse trabalho indesejado pode sugar a alma, toda a energia, e você não terá nem tempo para procurar algo melhor". No fim, o dilema é cruel: De um lado, profissionais que tentam resistir, insistindo em continuar nas suas áreas. De outro, a pressão econômica e o estigma social que empurram muitos a aceitar o que aparecer, mesmo que seja abaixo da sua qualificação. O desemprego prolongado não compromete apenas a renda. Ele abala a autoestima, reforça estigmas e alimenta a ideia equivocada de que "só não trabalha quem não quer", pontua Targa. Ao mesmo tempo, mostra ainda como idade, atualização tecnológica, excesso de exigências e critérios seletivos pesam nas chances de recolocação. Abaixo, explore o tema a partir dos seguintes tópicos: 'Ninguém dá chance' Contexto econômico Fatores que levam ao desemprego de longo prazo O que fazer ou não? 'Ninguém dá chance' Leandro Tenório é engenheiro de software, mas atua como motorista de aplicativo para garantir renda Arquivo Pessoal Mesmo em setores como tecnologia, conhecidos por boas oportunidades e salários, há profissionais que enfrentam desemprego de longo prazo. Leandro Tenório, por exemplo, construiu carreira sólida como desenvolvedor, mas acabou fora do mercado. Antes, ele trabalhava como barman e garçom, mas decidiu investir em cursos técnicos, entrou na faculdade e conquistou um estágio em consultoria. Em quase quatro anos, passou de analista júnior a desenvolvedor pleno, cuidando de sistemas em C# .NET Framework. A virada do mercado veio com novas ferramentas e demandas. A mudança reduziu o espaço para profissionais como ele. Mesmo com duas pós-graduações — em desenvolvimento full stack e engenharia de software —, ele não consegue retornar à área. "Já me candidatei para vagas de júnior, pleno e sênior. Parece que nada serve. Não adianta estudar se você não está atuando. Vai acabar caindo no esquecimento", desabafa. Hoje, ele sustenta a família como motorista de aplicativo, trabalhando de 8 a 12 horas por dia. Felipe é relações públicas e tem experiência em comunicação e eventos, mas está desempregado há quase dois anos Arquivo Pessoal Felipe enfrenta um cenário parecido. Formado em Relações Públicas, trabalhou como social media, assessor de imprensa, recepcionista bilíngue, analista de SAC e voluntário em eventos, como a Copa do Mundo. Para se qualificar ainda mais, estudou espanhol fora do país. Mesmo assim, está há um ano e cinco meses sem emprego formal. "Tenho espanhol, estudei fora, tenho graduação, inglês, alemão… e não estou utilizando todo esse conhecimento", lamenta. Para se manter, Felipe dá aulas de espanhol, é freelancer em eventos e iniciou uma segunda graduação em Gestão de Eventos. Ele acredita que sua dificuldade vem do aumento das exigências das empresas. Vagas de entrada pedem experiência que só se adquire na prática, mas as oportunidades raramente surgem. “Experiência só se adquire na prática, mas ninguém dá a chance”, diz. Os dois relatam ainda o desgaste dos processos seletivos longos, formulários extensos e quase nenhum retorno. O resultado é frustração e desânimo. Contexto econômico Mesmo com a taxa de desemprego em queda e sinais de recuperação no mercado, mais de 1,2 milhão de brasileiros seguem há dois anos ou mais sem conseguir uma vaga. Mais de 1,2 milhão de brasileiros seguem há dois anos ou mais sem conseguir uma vaga. g1 Segundo Bruno Imaizumi, esse grupo já foi maior (quase 4 milhões em 2021), mas ainda merece atenção. "O número caiu, sim, mas o risco agora é que parte dessas pessoas, que continuam tentando se recolocar sem sucesso, acabe desistindo de procurar emprego", alerta. "Você perde habilidade, deixa de ser produtivo. O medo é que essa pessoa se torne uma desalentada", explica o economista. ⚠️ Quando o desemprego se prolonga demais, cresce o risco de desalento — ou seja, a pessoa para de buscar trabalho por achar que não há mais chances. Os dados mostram que os mais vulneráveis são moradores do Nordeste, mulheres, pessoas pretas e profissionais com ensino médio completo, justamente o grupo mais numeroso entre os desocupados de longo prazo. Mesmo quem tem ensino superior enfrenta barreiras, principalmente quando não possui experiência prática com tecnologias atuais ou não aceita vagas fora da área de formação. Além disso, existe um descompasso entre o que o mercado exige e o que os trabalhadores oferecem, segundo o economista. "A qualificação de uma pessoa nem sempre é o que a empresa está buscando hoje", comenta Imaizumi. Ele também critica a ideia de que “quem quer, trabalha”, lembrando que essa visão ignora desigualdades regionais e sociais do país: "São Paulo e Rio são exceções. Em muitas regiões, falta oportunidade de verdade". População desocupada caiu para 6,118 milhões, o menor contingente desde o último trimestre de 2013 Marcelo Camargo/Agência Brasil Fatores que levam ao desemprego de longo prazo O desemprego prolongado resulta de uma combinação de fatores que dificultam a recolocação, mesmo com melhora nos indicadores econômicos. Um dos principais obstáculos é o preconceito contra quem está fora do mercado há muito tempo, segundo Taís Targa. Recrutadores desconfiam de lacunas no currículo e preferem candidatos ativos, mesmo com menos experiência. O ritmo acelerado do mercado também pesa. Em tecnologia, ferramentas e linguagens se tornam obsoletas em poucos anos. Cursos e pós-graduações ajudam, mas a falta de experiência prática ainda é um empecilho. "Hoje, é comum pedir idiomas, softwares específicos, flexibilidade de horário e disponibilidade como PJ. Para quem tenta se recolocar, as regras parecem cada vez mais difíceis", afirma Taís. A idade também conta. Profissionais mais velhos enfrentam barreiras invisíveis, mesmo qualificados e dispostos a aprender, enquanto empresas preferem candidatos mais jovens por serem considerados "mais adaptáveis". Essa situação é vivenciada por Leandro: "Na tecnologia, é comum que as empresas queiram profissionais mais jovens por estarem com cabeças mais frescas para as novas ferramentas". O que fazer ou não? O desemprego prolongado afeta não só o bolso, mas também a autoestima e a saúde mental, segundo a especialista em carreira Taís Targa. Ele pode gerar insegurança e até desencadear transtornos psicológicos, além de reforçar estigmas que dificultam a recolocação. Para enfrentar o período sem trabalho, Taís recomenda manter uma rotina equilibrada, cuidar da saúde mental e adotar estratégias que mantenham o profissional em movimento, mesmo fora do regime CLT. Abaixo, confira algumas recomendações: 🟢 Evite o rótulo de "desempregado": O profissional deve se apresentar como alguém em período de recolocação. A mudança de linguagem preserva a identidade profissional e combate o preconceito do mercado. "O recrutador pode pensar: por que essa pessoa está há dois anos fora do mercado?", alerta Taís. ⚠️ Aceitar qualquer vaga pode ser um risco: A pressão por aceitar qualquer trabalho é grande, mas nem sempre é a melhor saída. Avaliar o impacto emocional e financeiro é essencial. Em alguns casos, aceitar uma vaga fora da área ou com salário menor pode ser estratégico, se feito com planejamento. 💼 Freelas e trabalhos informais ajudam a manter o ritmo: Dar aulas, prestar consultorias, atuar como freelancer ou participar de projetos pessoais mantém habilidades ativas e evita o afastamento completo do mercado. Essas experiências devem constar no currículo e ser mencionadas em entrevistas, orienta Taís. 🤝 Networking é essencial: Participar de eventos, cursos, grupos de discussão e redes sociais profissionais aumenta a visibilidade. É importante explicar o que foi feito durante o período fora do mercado — trabalhos informais, cuidados com familiares ou projetos próprios — para mostrar proatividade e combater preconceitos. 🌱 Valorize outras áreas da vida: A recolocação pode demorar, mas o profissional não deve se definir apenas pelo desemprego. Cuidar da saúde, da família, da espiritualidade e manter uma rotina equilibrada preserva bem-estar e motivação para continuar buscando oportunidades, conclui a especialista em carreiras. Por que tantos profissionais preferem se demitir a deixar o home office? Divulgação

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Passageiros do DF vão poder consultar informações de motoristas de aplicativo usando QR Code

Publicado em: 27/09/2025 02:00

Passageiros do DF poderão consultar dados de motoristas por aplicativo usando QR Code Quem usa transporte por aplicativo no Distrito Federal vai poder conferir, com o celular, se o carro e o motorista estão devidamente autorizados a prestar o serviço. Isso, porque uma portaria da Secretaria Mobilidade (Semob) determinou que todos os veículos cadastrados passem a exibir um selo eletrônico com QR Code, fixado no para-brisa, em local visível. A medida busca aumentar a segurança e a transparência no serviço. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Carros de aplicativo Reprodução/TV Globo Ao escanear o código com qualquer smartphone, o passageiro vai poder acessar informações básicas, como: nome do condutor; número da autorização; placa e modelo do veículo; empresa de aplicativo vinculada ao veículo. Para os agentes de fiscalização, o QR Code vai permitir uma consulta mais completa, com foto do motorista e dados detalhados sobre a autorização vigente. Implementação O prazo para que motoristas e empresas se adequem à nova regra é de 90 dias. Durante esse período, a fiscalização será educativa. Depois disso, quem não estiver regularizado poderá sofrer sanções administrativas, como multa ou até apreensão do veículo em casos de transporte não autorizado. Segundo a Secretaria de Mobilidade, o objetivo é modernizar o transporte individual por aplicativo e garantir mais segurança para usuários e motoristas. O sistema foi desenvolvido com mecanismos de segurança e criptografia, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). LEIA TAMBÉM: PREVISÃO DO TEMPO: Fim de semana no DF terá tempo firme, queda na umidade e calor em elevação, diz Inmet PROCURANDO O QUE FAZER?: Roberto Carlos, Alma Djem, Grupo Bom Gosto e Festival Paredão Ocupa o Museu agitam fim de semana no DF Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

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Construção sustentável: saiba por que a madeira voltou a ser uma alternativa para construtores

Publicado em: 26/09/2025 21:16

O futuro da construção com sustentabilidade passa por novos materiais e pela madeira Na terceira e última reportagem da série sobre construção sustentável que o Jornal Nacional está exibindo esta semana, nós vamos ver como a madeira voltou a ser uma alternativa para os construtores. Pense na floresta como um lugar onde se planta árvore e se colhe madeira. Soa um pouco estranho. Mas essa é uma lógica que faz todo sentido quando discutimos o futuro da construção civil. Produzir madeira em áreas certificadas tem dupla função na redução das emissões do setor. As árvores capturam CO₂ da atmosfera e retêm o poluente mesmo depois que a madeira é cortada e processada. O material ainda pode substituir outros que têm uma pegada muito maior de gás carbônico. A tecnologia fez crescer o uso da madeira em quantidade e tamanho mesmo. A estrutura, ainda em obras, é de um shopping no interior de São Paulo. Lá, tem colunas de 3m de altura e vigas que vão de 12m a 15m – tudo em madeira, inclusive as lajes. Um projeto pensado para aguentar muito peso. Floresta em pé e construções gigantes de madeira dividindo a mesma paisagem. “Tem 1.500 m³ de madeira aqui. E a gente não está falando da madeira amazônica. A gente está falando de colheita de árvore, plantio. Como se planta arroz, feijão ou soja, se planta árvore também em larga escala no Brasil", diz Alan Dias, sócio-diretor da Timbau Estruturas de Madeira. Agora, falta ganhar escala na construção, diz o engenheiro civil. Ele enxerga no novo shopping uma vitrine de possibilidades. As lajes vão suportar restaurantes, lojas e até mesmo festas de casamento: “A madeira tem uma propriedade muito interessante. Ela é super leve. Então, a gente consegue construir uma estrutura exatamente como a de concreto, com a mesma resistência estrutural, só que ela pesa cinco vezes menos”, explica Alan Dias. Construção sustentável: saiba por que a madeira voltou a ser uma alternativa para construtores Jornal Nacional/ Reprodução Os novos tempos chegaram ao Centro antigo de São Paulo. O prédio de 1951 vai ganhar um restaurante na cobertura – em madeira, para não pesar demais nos alicerces feitos há mais de 70 anos. Obras dessas dimensões saíram do papel graças a máquinas que alongam e fortalecem o material renovável por natureza. É a madeira engenheirada, que vem de florestas de pinus ou eucalipto plantadas para abastecer a indústria. As lâminas são coladas para formar peças bem grandes – vigas, como explica o engenheiro que dirige a fábrica. “Se você pegar de uma árvore, por maior que seja, você não consegue tirar uma peça reta com 24m de comprimento. Quando você trabalha com madeira engenheirada, você tem uma liberdade formal. Você pode fazer formas que ninguém imagina que fossem possíveis em madeira, a partir dessa soma de pequenos elementos”, afirma Hélio Olga, fundador e diretor da construtora ITA Engenharia. Todas as peças são tratadas contra fogo e insetos. O Hélio Olga nunca duvidou que a madeira tinha futuro, mas diz que as mudanças climáticas aceleraram o relógio: “Eu sempre brinco que o material de construção do século 21 é madeira. Assim como o concreto foi do século 20, o aço no século 19, o futuro é a madeira. Eu nunca imaginei que eu ia estar nesse processo. Porque teve esse salto temporal. O evento que eu achava que ia acontecer daqui a 20 anos está acontecendo hoje”, diz. “Essa árvore aqui era um tronco de eucalipto, só que ele é uma coluna torta. Daí a gente não sabia o que fazer. Aí, minha mãe teve a ideia de fazer essa árvore aqui para deixar de decoração”, diz Natan Cavalcante Ramires, de 10 anos. A mãe do Natan é a Vanessa Ramires, engenheira ambiental. A casa da família, encravada na mata da Serra do Mar, é prova de que madeira cabe em qualquer projeto. “Aqui, as colunas são de eucalipto. Então, por exemplo, ali dá para ver bem. A estrutura, em vez de ser uma coluna de concreto, é uma coluna de eucalipto”, diz Vanessa Ramires. Ao longo da obra, outras ideias surgiram. As janelas da sala parecem sob medida, mas foram reaproveitadas. No escritório, modelos diferentes formam um mosaico. E para aumentar a entrada de luz, outro mosaico – só que com garrafas de vidro. “Eu falo que a casa é viva porque, na obra, vão surgindo ideias. Às vezes, aparece um problema e você encontra uma solução que vira uma ideia”, afirma Vanessa Ramires. Construção sustentável: saiba por que a madeira voltou a ser uma alternativa para construtores Jornal Nacional/ Reprodução Pensar diferente é o fio condutor das construções do futuro. Como usar fiapos de tecido para revestir paredes. “A gente pega tudo que é descartado na indústria do jeans, e a gente coloca como um produto agregado na nossa matéria-prima. Então, isso aí é feito como um revestimento e depois aplicado na parede”, conta o diretor comercial Lincoln Lepri. A própria fabricante do jeans usa o revestimento nos mostruários das lojas para chamar a atenção mesmo. “O intuito é reutilizar esses resíduos têxteis de forma mais sustentável, sem agredir o meio ambiente. Então, nosso objetivo é esse: voltado para a sustentabilidade e o cuidado com o meio ambiente”, afirma Bruna de Oliveira Barbosa, gestora da Damyller. Menos descarte: esse é o horizonte projetado pelo professor da USP José Eduardo Baravelli: “Ter canteiros muito produtivos são, geralmente, canteiros muito limpos e com pouco desperdício. E com uma mão de obra muito bem treinada, que produz em um ambiente muito seguro”. Casas e apartamentos sobem do chão em Santos, no litoral de São Paulo Jornal Nacional/ Reprodução De um dia para o outro, casas e apartamentos sobem do chão em Santos, no litoral de São Paulo. O canteiro é limpo e seco, sem água. As paredes vêm prontas de fábrica, explica o diretor responsável pela obra. “Isso aqui é exatamente a parte estrutural da parede. Depois, a gente vem com outras camadas de revestimento. E dentro da parede, a gente já manda de fábrica essas paredes prontas com elétrica embutida, com hidráulica embutida, com a camada de isolamento. Em alguns casos, a gente tem a camada de lã de rocha, lã de vidro. Isso tudo aqui dentro. Então, eu consigo ter um pouquinho mais de tecnologia embarcada na parede porque eu tenho parte da parede vazia dentro, ela não é maciça", conta Stephan Constantino, diretor de operações da Tecverde. Para lá vão se mudar famílias que hoje vivem em palafitas no manguezal. “A última camada é a chapa cimentícia. Depois disso, a gente vem com textura, pintura e o revestimento depende muito do cliente. Qualquer coisa. A gente entrega tanto casa para programas sociais quanto casa de alto padrão", diz Stephan Constantino. A técnica se chama wood frame – um método rápido e parecido com o steel frame, que, em vez de madeira, usa aço na estrutura. As enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 pediram urgência para lidar com os eventos climáticos extremos. O pessoal do Quilombo dos Machados ajudou como pôde e chamou a atenção de muita gente. “O pessoal viu toda a trajetória do quilombo, viu o que o quilombo fez, viu o que o quilombo faz. Foi onde a gente ganhou esse espaço para a gente poder prosseguir naquilo que a gente sempre faz”, diz o educador quilombola Luís Rogério Machado. Em dois meses, o novo centro de convivência ficou pronto. “A construção a seco, de uma maneira geral, possibilita que estruturas como essa façam parte cada vez mais do cenário das cidades e transformem a realidade de tantas comunidades, de tantas famílias que precisam de um apoio cada vez mais rápido, em função das mudanças climáticas”, afirma Danilo Resendes, coordenador social da operação emergencial da Teto no RS. “Eu acho que estamos caminhando por uma fase de conscientização do que não pode continuar. Mas o que é novo ainda não está claro para todo mundo. Então, tenho a impressão de que todo nosso empenho em fazer com que as discussões sobre construção ambiental deem certo é porque é um futuro que a gente precisa construir”, diz José Eduardo Baravelli. LEIA TAMBÉM Conheça investimentos e técnicas da construção com foco na sustentabilidade Construções sustentáveis: usar o que tem à mão é a essência das bioconstruções

Palavras-chave: tecnologia

Bombeiros do DF atendem emergências por vídeo e salvam vidas à distância

Publicado em: 26/09/2025 20:43

Agora bombeiros tem videochamada para auxiliar em urgências O Corpo de Bombeiros do Distrito Federal passou a utilizar chamadas de vídeo como ferramenta de apoio em atendimentos de emergência. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. A tecnologia, implantada há três meses, tem sido usada em casos de engasgos e paradas cardiorrespiratórias, permitindo que os atendentes da central de operações orientem familiares e testemunhas enquanto as viaturas se deslocam até o local. A inovação surgiu após uma ocorrência envolvendo um recém-nascido de apenas quatro dias, que se engasgou em casa. Na ocasião, os bombeiros da central decidiram realizar uma chamada de vídeo com os pais do bebê, explicando os procedimentos que poderiam ser feitos até a chegada da equipe. Graças às instruções, a criança sobreviveu. A partir desse episódio, foi criado um protocolo específico para atendimentos por vídeo. Nesta sexta-feira (26), aconteceu a formatura da primeira turma do curso de teleatendimento, com 114 bombeiros. Formatura da primeira turma do curso de teleatendimento, com 114 bombeiros TV Globo/Reprodução Segundo o tenente-coronel Efraim Miranda Lima, chefe da central de operações, são realizados em média dez atendimentos por vídeo por dia. "Quando o cidadão consegue auxiliar a vítima realizando essas manobras, ele já está oferecendo um suporte que talvez só estivesse disponível com a chegada de uma viatura ao local. É uma forma de ganhar tempo e aumentar as chances de sobrevivência”, afirma. Ocorrências de paradas cardiorrespiratórias Bombeiros do DF tem videochamada para auxiliar em urgências TV Globo/Reprodução De janeiro até o fim de agosto deste ano, foram registradas 1.063 ocorrências de paradas cardiorrespiratórias no DF — uma leve queda em relação ao mesmo período em 2023, que teve 1.257 casos. Já os engasgos somaram 558 ocorrências até agosto, com uma média superior a dois casos por dia. A atuação remota dos bombeiros representa um avanço na forma de prestar socorro. A expectativa é que o protocolo seja ampliado para outros tipos de emergência. LEIA TAMBÉM: RECANTO DAS EMAS: Fiscalização apreende 3 toneladas de produtos vencidos que seriam comercializados no DF APÓS ASSASSINATO: MP recomenda que Torcida Jovem do Flamengo seja proibida de entrar em estádios do DF Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

Palavras-chave: tecnologia

É #FAKE vídeo dizendo que 'eleições são manipuladas pelo crime organizado' no Brasil

Publicado em: 26/09/2025 20:20

TRE publicou nota desmentindo que falhas de segurança nas urnas eletrônicas mencionadas em vídeo g1 Um vídeo no YouTube alega que o crime organizado estaria interferindo nos resultados das eleições do Brasil, por meio de uma alteração das urnas eletrônicas e da compra de votos em "regiões estratégicas". É #FAKE. selo fake g1 🛑 O que diz a publicação? Com 42 minutos de duração e mais de 40 mil visualizações, o vídeo foi publicado no YouTube em 16 de setembro e tem o seguinte título: "Como as ELEIÇÕES são MANIPULADAS pelo CRIME ORGANIZADO (A FRAUDE EXPOSTA)". O vídeo mostra uma sucessão de "fotos" de pessoas trabalhando em escritórios, homens engravatados em um corredor, uma cédula de dinheiro sendo passa de uma mão para outra e supostos policiais usando coletes com grafias erradas ("Poliisia Federal" e "Pollerila TSE"). A narração do conteúdo tem uma voz masculina, que se apresenta como Carlos Eduardo Ferreira. No áudio, ele diz que teria trabalhado por 12 anos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na função de "coordenador técnico de manipulação eleitoral", até se aposentar em junho de 2020, aos 40 anos. Em nota divulgada em seu site, na qual desmentiu o conteúdo, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou: "Nos registros do TSE, não consta nenhum analista de sistemas com esse nome que tenha se aposentado nessa data e com essa idade" (veja detalhes abaixo). O "esquema" citado na fake funcionaria por meio de alteração do programa das urnas eletrônicas e de um processo de compra de votos. Alegações sobre o funcionamento e segurança das urnas eletrônicas foram desmentidas pelo Fato ou Fake ao longo de todo o período eleitoral de 2022. O narrador diz ainda que a manipulação era "sistemática e tecnologicamente sofisticada", envolvendo "vulnerabilidades intencionais nos sistemas eleitorais" e a "alteração de software das urnas para favorecer candidatos específicos", caracterizada como "hacking democrático em escala industrial". Além disso, seria possível instalar versões modificadas do software em regiões estratégicas e sistemas que apagavam os rastros da manipulação. A fake menciona que foram manipulados 5 milhões de votos em eleições nacionais, dos quais 2 milhões teriam sido em decorrência da alteração de urnas e 3 milhões seriam por atos de intimidação de eleitores, mesários e fiscais partidários. . A trama permitiria, por fim, obter detalhes sobre financiamento de campanhas e candidatos — sendo que, na realidade, esses dados estão abertos para consulta pública. ⚠️ Por que isso é mentira? O publicou uma nota em seu site desmentindo as alegações do vídeo sobre alterações de software das urnas e a lisura do processo eleitoral no Brasil. Veja ponto a ponto: ➡️ Softwares de urnas eletrônicas não podem ser mudados: O TRE-SP diz: "Não é possível alterar os softwares que funcionam dentro da urna eletrônica. Há diversas camadas de segurança altamente sofisticadas que impedem qualquer tipo de fraude. Entenda aqui em detalhes como esse sistema de segurança funciona. E, mesmo que alguém conseguisse quebrar todas essas barreiras e fizesse alguma alteração nos programas, há um hardware dentro da urna, chamado módulo de segurança embarcado, que faz uma verificação assim que o equipamento é ligado. Se houver qualquer alteração, por menor que seja, a urna não funciona" E complementa: "Além disso, é possível fazer diversas auditorias nas urnas antes, durante e depois da eleição. Uma delas é o Teste Público da Urna, em que especialistas em tecnologia da informação são convidados a tentar quebrar as barreiras da urna para identificar possíveis vulnerabilidades — até hoje, nunca foi encontrada nenhuma falha de segurança capaz de alterar o resultado da eleição. Desde 1996, quando as urnas eletrônicas foram usadas pela primeira vez, nunca foi comprovada nenhuma fraude". ➡️ Sobre falsa 'intimidação de mesários': O TRE-SP afirma: "Nem os mesários, nem os fiscais de partidos têm qualquer possibilidade de alterar os votos digitados na cabina pelas eleitoras e eleitores. O voto é sigiloso e não há como descobrir em quem cada pessoa votou". E complementa: "Para garantir ainda mais a segurança dos sistemas eleitorais, nenhum técnico do TSE tem acesso a todas as etapas do desenvolvimento dos programas. O conhecimento é compartimentalizado, impedindo que um eventual infiltrado seja capaz de tentar fraudar o sistema. As empresas que fornecem os equipamentos tampouco têm acesso aos programas que fazem a urna funcionar; elas fornecem apenas o hardware, não o software, desenvolvido pelo TSE". ➡️ Sobre o funcionário que não existe: O TRE-SP aponta para incoerências na fala desse narrador: "O vídeo fala que o susposto servidor teria coordenado a 'operação nacional que elegeu simultaneamente governadores, senadores e deputados em 12 estados' em novembro de 2020. Isso é incompatível com a data informada de aposentadoria dele, junho de 2020. E mais gravemente: as eleições de 2020 foram municipais, ou seja, foram eleitos somente prefeitos e vereadores". E complementa: "A voz do narrador também diz que em novembro de 2016 participou da operação que elegeu 15 prefeitos em cidades controladas por facções criminosa (sic), mas os dois turnos das eleições municipais de 2016 ocorreram em outubro". TRE publicou nota desmentindo que falhas de segurança nas urnas eletrônicas mencionadas em vídeo g1 Veja também Veja o que é #FATO ou #FAKE em vídeos do conflito entre Israel e Irã Conflito Israel x Irã: as imagens que são #fato e as que são #fake VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

Palavras-chave: tecnologiavulnerabilidade

BC anuncia novas ações de segurança para instituições financeiras que operam o PIX

Publicado em: 26/09/2025 19:29

O Banco Central (BC) anunciou, nesta sexta-feira (26), novas ações voltadas ao reforço da segurança do Sistema Financeiro Nacional por meio de uma resolução que altera o regulamento do PIX. Desde o início de setembro, um conjunto de medidas vem sendo apresentado em resposta aos recentes ataques do crime organizado a instituições financeiras e empresas de pagamento. No começo de setembro, Banco Central endureceu regras para dificultar uso do sistema financeiro pelo crime organizado e criou um teto para o PIX O texto apresentado hoje estabelece mudanças no ecossistema da ferramenta, como: exclusão do participante (instituição financeira) que não atenda a exigência de patrimônio líquido mínimo de R$ 5 milhões, sem o qual haverá a perda da condição de participante do serviço; aumento de 12 para 60 meses do prazo para que os participantes sancionados com a pena de exclusão do Pix possam apresentar novo pedido de adesão; permissão para que os participantes (instituições financeiras) estabeleçam limites de valor por transação com base exclusivamente no perfil de risco e comportamento do cliente, desvinculando a obrigatoriedade de ter o mesmo limite da TED; ampliação do bloqueio cautelar para pessoas jurídicas, anteriormente aplicável apenas a pessoas físicas; obrigatoriedade de que instituições que criem ou aceitem notificação para marcação de fraude transacional restrinjam a iniciação e o recebimento de transações PIX e rejeitem pedido de registro, de portabilidade e de reinvindicação de posse de chave PIX em qualquer conta transacional mantida por aquele cliente naquela instituição. Relembre medidas já anunciadas No começo de setembro, a autoridade monetária já havia anunciado medidas para fortalecer o sistema financeiro. Crescimento do PIX e falhas de segurança: por que ataques a bancos têm se repetido? Após ataques de hackers, BC anunciou limites para transferências via PIX e regras mais rígidas para autorização de novas instituições 📄Entre as medidas já divulgadas naquele momento estão: Limites de transferências O valor de transferências via TED e PIX foi limitado em R$ 15 mil para instituições de pagamento não autorizadas e as que se conectam à Rede do Sistema Financeiro Nacional via Prestadores de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs). A limitação poderá ser removida quando o participante e seu respectivo PSTI atenderem aos novos processos de controle de segurança. Transitoriamente, os participantes que atestarem a adoção de controles de segurança da informação poderão ser dispensados da limitação por até 90 dias. Prévia autorização para novas instituições de pagamentos A autoridade monetária informou que nenhuma instituição de pagamento poderá começar a operar sem prévia autorização. "Além disso, o prazo final para que instituições de pagamento não autorizadas a funcionar pelo BC solicitem autorização para funcionamento será antecipado de dezembro de 2029 para maio do ano que vem", acrescentou o BC. Medidas incluíram mudanças em limites das transações e autorização de empresas para atuarem usando o sistema de pagamentos. Getty Images via BBC Controles adicionais no PIX O Banco Central informou que haverá controles adicionais às instituições de pagamento. "Somente integrantes dos segmentos S1, S2, S3 ou S4 que não sejam cooperativas poderão atuar como responsáveis no PIX por instituições de pagamento não autorizadas. Os contratos vigentes deverão ser adequados em até 180 dias", explicou o BC é época do anúncio. 🔎 A segmentação em S1, S2, S3 e S4 é uma classificação do BC para as instituições financeiras, conforme o porte dessas entidades. O objetivo da segmentação é a aplicação de regras de regulamentação e fiscalização proporcionais ao tamanho e ao risco de cada instituição. Certificação técnica O BC também informou que poderá requerer "certificação técnica ou avaliação emitida por empresa qualificada independente que ateste o cumprimento dos requisitos autorizativos". "A instituição de pagamento que já estiver prestando serviços e tenha seu pedido de autorização indeferido deverá encerrar suas atividades em até 30 dias", disse o BC. Capital mínimo para prestadores de serviços de tecnologia Também foram elevados, de acordo com a instituição, os requisitos e controles para o credenciamento das Provedoras de Serviços de Tecnologia da Informação (PSTIs). Os requerimentos de governança e de gestão de riscos foram ampliados. Passa-se a exigir capital mínimo de R$ 15 milhões. O descumprimento, segundo o BC, estará sujeito à aplicação de medidas cautelares ou até ao descredenciamento. Os PSTIs em atividade têm até quatro meses para se adequarem.

Palavras-chave: hackerhackerstecnologia

Polícia Civil prende dois suspeitos e mira facção criminosa em Espinosa

Publicado em: 26/09/2025 18:35

Polícia Civil prende dois suspeitos e mira facção criminosa em Espinosa Polícia Civil/Divulgação A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (26), a segunda fase da operação Colina Palatina, em Espinosa. A ação teve como alvo um grupo criminoso envolvido com tráfico de drogas e homicídios, resultando no cumprimento de sete mandados de prisão e busca e apreensão. Dois homens foram presos e uma mulher foi conduzida por favorecimento pessoal. Disputa entre facções motivou crimes violentos As investigações apontam que a disputa entre facções rivais pelo controle do tráfico de drogas em Espinosa desencadeou uma série de crimes violentos, incluindo um tiroteio que matou um inocente e deixou outras três pessoas feridas. Entre os feridos estava o alvo dos criminosos, que sobreviveu. 📲Clique aqui para seguir o canal do g1 Grande Minas no WhatsApp Na primeira fase da operação, realizada na semana passada, a PCMG prendeu o autor dos disparos e apreendeu provas. Nesta segunda etapa, os mandados foram direcionados a integrantes do grupo rival, suspeitos de envolvimento com tráfico, porte ilegal de armas, lesões corporais e roubos. Segundo o delegado, dois dos presos já tinham passagens pela polícia. Um deles é apontado como líder da organização criminosa, enquanto o outro responde por homicídio, tráfico de drogas, lesão contra policial militar e é conhecido pela violência contra rivais. As investigações indicam que os dois grupos já atuaram juntos, mas romperam relações devido à disputa territorial. Ação contou com apoio aéreo e uso de tecnologia Durante a operação, dois homens foram presos e uma mulher foi detida por tentar ocultar um dos alvos. Nenhum material ilícito foi apreendido nos locais vistoriados. A PCMG utilizou recursos tecnológicos para o cumprimento dos mandados, como drones, monitoramento veicular, análise de dados e apoio aéreo. Também foram solicitadas à Justiça medidas cautelares adicionais, como sequestro de bens e quebras de sigilo bancário e fiscal. A operação foi coordenada pela Delegacia de Polícia em Espinosa, com apoio da Delegacia Regional em Janaúba e do 11º Departamento em Montes Claros. As investigações seguem sob sigilo para garantir a segurança das testemunhas e a completa elucidação dos crimes. VEJA TAMBÉM: Operação para combater fraudes contra beneficiários do INSS é realizada em Espinosa Vídeos do Norte, Centro e Noroeste de MG Veja mais notícias da região em g1 Grande Minas.

Palavras-chave: tecnologia

Governo Federal destina mais R$ 18 milhões para combater vassoura-de-bruxa nas plantações do Amapá

Publicado em: 26/09/2025 18:24

A vassoura-de-bruxa da mandioca no Amapá O Governo Federal por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) anunciou na terça-feira (23) o repasse de mais de R$ 18 milhões para ajudar o Amapá no combate à praga da vassoura-de-bruxa, que afeta lavouras em várias regiões do Estado. De acordo com o ministério, o objetivo é garantir a segurança alimentar das famílias atingidas. O dinheiro deve ser usado em ações da Defesa Civil estadual, na compra de cestas básicas, e apoiar projetos rurais, além de reforçar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). A praga já foi identificada em lavouras de pelo menos oito municípios, segundo a Agência de Defesa Agropecuária do Amapá (Diagro). Baixe o app do g1 para ver notícias do AP em tempo real e de graça   O fungo foi detectado pela primeira vez em terras indígenas de Oiapoque por técnicos da Embrapa. Depois, apareceu em Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho, Pedra Branca do Amapari e Porto Grande. Também há registros na Guiana Francesa, que faz fronteira com o Brasil. LEIA MAIS: Praga da mandioca: barreiras fitossanitárias são montadas nos municípios atingidos no AP Agentes ambientais indígenas são capacitados para combater praga da mandioca no Amapá O ministério está preocupado com as comunidades tradicionais, que dependem da mandioca para alimentação e renda. Como a cultura é a mais afetada pela praga, uma das ações é a entrega de farinha para essas famílias. Segundo Elisângela Sanches Januário, coordenadora da Sesan, muitas roças foram destruídas para evitar a propagação do fungo. “A entrega de cestas e farinha garante o mínimo de alimento durante esse período crítico, principalmente para indígenas e agricultores em situação de vulnerabilidade”, afirmou Praga da vassoura-de-bruxa A praga da vassoura-de-bruxa reduz a produção de mandioca e afeta a qualidade dos alimentos. O fungo se espalha por ferramentas contaminadas, além da movimentação de solo e água. A planta infectada fica com os ramos secos e deformados, parecendo uma vassoura de bruxa. Os caules apresentam brotos fracos e finos, e a planta sofre de nanismo. Com o avanço da doença, as folhas ficam amareladas (clorose) e a planta pode morrer, especialmente em temperaturas muito baixas. Desde que a praga foi identificada, o Amapá enfrenta uma crise na produção de alimentos derivados da mandioca. Praga da mandioca 'Vassoura de Bruxa' é discutida entre representantes do AP e PA GEA/divulgação Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Palavras-chave: vulnerabilidade

Virologista Amilcar Tanuri morre aos 67 anos no Rio

Publicado em: 26/09/2025 18:10

Amilcar Tanuri Reprodução O virologista Amilcar Tanuri morreu nesta sexta-feira (26) aos 67 anos no Hospital Barra D'Or, na Zona Sudoeste do Rio, por complicações no coração devido à diálise. A informação foi confirmada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição na qual ele era professor e pesquisador. O médico, formado pela UFRJ, tinha renome internacional e deixa um legado de pioneirismo científico na universidade. Professor titular do Departamento de Genética do Instituto de Biologia (IB) da UFRJ desde 2011, dedicou a vida à virologia, tornando-se referência em estudos sobre o HIV e arboviroses. Ele se formou em Medicina em 1982, complementando sua formação com o mestrado em Biofísica e o doutorado em Genética, na mesma instituição. Fez especialização em Genética Molecular pela Universidade de Sussex, na Inglaterra, e pós-doutorado, de 1996 a 1998, pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), em Atlanta, nos Estados Unidos. O professor chegou a ser consultor da Organização Mundial de Saúde (OMS) na rede de pesquisa sobre a resistência do HIV aos medicamentos. Ele foi o primeiro servidor da UFRJ a ser vacinado contra a covid-19, depois de liderar pesquisas em diagnóstico molecular e vigilância genômica e sendo uma das vozes mais ativas na produção e divulgação de conhecimento sobre o tema. "Para amigos, colegas e alunos, o professor era sinônimo de humildade e simplicidade, uma pessoa que dedicou sua vida à produção de conhecimento voltado à melhora da saúde pública no Brasil, dedicando-se a levar para o SUS a tecnologia de ponta criada na Universidade", afirma a UFRJ. "Mais do que um excelente professor da teoria, foi exemplo prático do porquê faz-se ciência no Brasil e reafirmou o papel da universidade frente à sociedade: produzir conhecimentos que resultem em mudanças positivas para a nossa população. Amilcar sonhou, concretizou e ensinou aqueles que conviveram com ele a sonharem juntos – o sonho de fazer melhor e de fazer mais pelo povo e pela ciência do nosso país", continua a instituição. Ele era casado com Andrea Tavares e tinha dois filhos, Luiza e João. O corpo dele será velado neste sábado (27) no Atrio do Palácio Universitário, no campus da Praia Vermelha, de 10h às 14h. O enterro será logo em seguida, no cemitério São João Batista. A Fiocruz emitiu uma nota de pesar lamentando a morte do virologista e destacando a parceria dele com a instituição de pesquisa. "A longa história de parceria e colaborações de Amílcar com Bio-Manguinhos começou na década de 1980, com os ensaios de HIV, que prosseguiram na década de 1990, e foi fortalecida a partir dos anos 2000, quando o Ministério da Saúde pediu o desenvolvimento do kit NAT-brasileiro, visando ampliar a segurança transfusional no país", destaca. "Primeiro servidor da UFRJ a ser vacinado contra a Covid-19, Amilcar tentava elucidar a resposta imune de pacientes brasileiros à infecção pelo novo coronavírus. Ele e sua equipe procuram tornar o processo de imunização mais seguro e duradouro por meio de técnicas de edição ultraprecisa do DNA, editando o código genético da Covid-19 para torná-lo menos virulento e responsivo aos antivirais", continua.

Palavras-chave: tecnologia

Justiça decide que ritos religiosos em sessões da Câmara de Bragança Paulista não podem ser obrigatórios

Publicado em: 26/09/2025 18:08

Plenário da Câmara de Bragança Paulista, SP Divulgação/Câmara Bragança Paulista O Tribunal de Justiça decidiu, nesta quarta-feira (24), que ritos religiosos previstos no regimento interno da Câmara Municipal de Bragança Paulista só poderão ser realizados de forma facultativa. Na decisão, relatada pela desembargadora Silvia Rocha, o TJ reconheceu que tais atos só são constitucionais se interpretados como faculdades do presidente da Câmara ou de quem ele designar, e não como obrigações. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp A ação foi proposta pelo Procurador-Geral de Justiça de São Paulo contra trechos da Resolução nº 3/1990, alterada em 2004, que determinavam: a invocação da proteção de Deus pelo presidente da Câmara no início das sessões; a leitura de capítulos ou versículos da Bíblia por secretários da Casa; a manutenção da Bíblia aberta sobre a mesa durante os trabalhos; e a leitura da “Oração da Paz”, atribuída a São Francisco de Assis, no encerramento. Segundo o acórdão, a recusa em realizar os ritos não poderá gerar qualquer responsabilização. A corte se alinhou a entendimentos recentes do Supremo Tribunal Federal (STF), que têm validado manifestações religiosas em ambientes institucionais apenas quando não impõem obrigações e respeitam a liberdade de crença. O TJ destacou ainda que o Estado brasileiro é laico e não pode favorecer determinadas religiões. Por isso, os atos previstos no regimento passam a ser considerados opcionais, preservando a autonomia de cada parlamentar em relação à sua fé ou ausência dela. O g1 tenta contato com a Câmara. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: câmara municipal

Saúde mental na periferia: estudo inédito mapeia entidades, ações e impactos em jovens de Campinas

Publicado em: 26/09/2025 17:49

Região do Parque Oziel, em Campinas Reprodução/EPTV Um estudo inédito divulgado nesta sexta-feira (26) mapeou 33 organizações e como elas atuam no cuidado com a saúde mental de ao menos 2,2 mil jovens na periferia de Campinas (SP). O trabalho revela que, nesses territórios, as atividades em grupo e de cultura estão entre as que mais impactam na melhora do bem-estar emocional e no senso de comunidade de moradores entre de 12 a 29 anos. A pesquisa "Mapamentes das Juventudes" foi elaborada pelo Departamento de Demografia da Unicamp em parceria com a Fundação Feac e a associação Minha Campinas. De acordo com organizadores, a expectativa é que ela ajude na tomada de decisões do poder público, evidenciando a importância do cuidado multidisciplinar nas regiões mais vulneráveis da metrópole. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graça "A saúde mental da população é profundamente influenciada pelo contexto social, econômico, político, cultural e ambiental em que vive. Trata-se de um problema que transcende a esfera individual, sendo resultado de fatores complexos que afetam a coletividade [...] é fundamental a implementação de políticas públicas eficazes, a criação de redes de proteção social robustas, a garantia de melhores condições de vida, a segurança alimentar e o fortalecimento do suporte comunitário", Elisa Muller, co-fundadora da associação Minha Campinas. Nesta reportagem o g1 detalha: quais são os territórios e que ações desenvolvem quais as atividades que mais impactam na saúde mental como a pesquisa espera contribuir para a tomada de decisões do poder público Territórios periféricos e suas ações Para a pesquisa, o Departamento de Demografia elaborou um formulário que foi respondido voluntariamente pelas 33 instituições nos seguintes territórios: Campo Grande Campo Belo Centro São Marcos Ouro Verde Oziel Elas realizam iniciativas que incluem: atividades esportivas; oficinas culturais e projetos artísticos; formações em direitos; cursos profissionalizantes; rodas de conversa; atendimento psicossocial; apoio à saúde mental. Com as informações de cada uma, os pesquisadores desenvolveram um mapa, que pode ser consultado pela internet, que mostra onde estão e que atividades realizam. Quais atividades mais impactam positivamente na saúde mental Por meio das respostas, recebidas entre outubro e novembro de 2024, a iniciativa analisou a relação entre as atividades realizadas pelas organizações e os impactos que elas provocaram nos atendidos (veja a tabela abaixo). 📝 Os 33 respondentes precisaram indicar no formulário quais os resultados obtidos com cada tipo de trabalho, podendo escolher uma ou mais opções. Entre as descobertas estão: Três categorias de atividades se destacaram por consistentemente associadas aos maiores números em praticamente todos os impactos positivos. São elas: atividades em grupo (32 iniciativas), direitos e prevenção (31 iniciativas), atividades lúdicas e culturais (30). Os principais impactos provocados por esse tripé são, segundo o levantamento, estão ligados à: melhora do bem-estar emocional, maior senso de pertencimento e comunidade, e criação de espaços seguros e acolhedores. Bem-estar emocional, senso de pertencimento, comunicação familiar e criação de espaços seguros são impactos diretamente proporcionados pelo ambiente acolhedor das atividades. A partir desses achados, o estudo recomenda, principalmente: Priorizar a destinar recursos para projetos que combinam atividades em grupo, culturais/lúdicas e de direitos/prevenção, considerando que os editais devem incentivar essa abordagem de forma integrada, não atividades isoladas. Incentivar a "Educação em Saúde Mental" como um componente integrado a outras, por exemplo, uma oficina artística que discuta a ansiedade ou uma roda de conversa após um jogo de futebol. Para olhar além do atendimento clínico O mapeamento pontua que apenas 15,2% das organizações oferecem atendimento clínico especializado como forma de cuidado com a saúde mental. Embora avalie a atenção em psicoterapia como indispensável, Viviane Junta, que faz parte da Minha Campinas e integra o Conselho Municipal da Juventude, ressalta que esse trabalho deve ser multidisciplinar, especialmente na periferia. Oferecer renda, segurança, senso de comunidade e acesso à cultura também são políticas que favorecem o bem-estar. "Não adianta investir apenas em CAPS [Centros de Atenção Psicossocial] e não pensar no todo, na geração de emprego, no lazer. É preciso cuidar antes, evitar a medicalização, cuidar da cidadania". "Quando a gente fala de investimento social, quando a gente fala de política pública, a gente também fala de olhar para esses dados, para essas informações e tomar decisões estratégicas a respeito disso. Quando a gente fala da saúde mental, a gente entende que é uma temática que ela perpassa por várias questões, culturais, políticas, sociais, e o quanto as ações integradas elas são necessárias para atuar frente a essas demandas", comenta Joyce Setubal, coordenadora de projetos da Feac. "Esses dados vão dar luz e entender e nos dar subsídios para tomar essas decisões estratégicas, até pensando no nosso papel enquanto sociedade, de cobrar essas políticas públicas mais efetivas para essas populações de vulnerabilidade. A gente tem discutido aqui muito nesse momento, a necessidade de políticas públicas integradas, não apenas para saúde mental, mas o quanto a gente precisa ainda melhorar e avançar em políticas de educação, políticas de habitação, de emprego, de saúde, e aí esse trabalho integrado é ser possível melhorar as questões de saúde mental", completa. Entenda a diferença entre racismo e injúria racial VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Conectando o campo ao futuro: a nuvem como aliada do agronegócio

Publicado em: 26/09/2025 17:45

Muito se fala sobre grandes empresas e startups que migraram seus sistemas para a nuvem para ganhar agilidade e reduzir custos. Mas há setores que, à primeira vista, não são os primeiros a serem lembrados quando o assunto é tecnologia, e que, justamente por isso, têm enorme potencial de transformação digital. Um deles é o agronegócio, que de acordo com o IBGE, é responsável por cerca de 25% do PIB brasileiro e cada vez mais dependente de inovação para sustentar sua produtividade. O agro brasileiro em revolução digital O agronegócio nacional sempre foi destaque pela escala de produção e pela capacidade de inovação no campo. Mas, nos últimos anos, o setor entrou em uma nova fase: a da agricultura 4.0. Ferramentas de monitoramento em tempo real, análise de dados, automação de processos e inteligência artificial estão deixando de ser promessas e se tornando parte essencial da rotina de fazendas e cooperativas. No centro dessa mudança está a computação em nuvem, tecnologia que permite que todo esse universo de dados seja coletado, armazenado, processado e transformado em informação de valor estratégico. Freepik Divulgação Do campo para a nuvem: uma nova era de dados Sensores de solo, estações meteorológicas digitais, drones, satélites, máquinas conectadas e sistemas de irrigação inteligente geram diariamente um volume massivo de dados. O desafio está em como organizar e analisar essas informações de forma prática. É nesse ponto que a nuvem se torna protagonista. Ela elimina a necessidade de grandes estruturas locais de TI e oferece uma infraestrutura escalável, segura e acessível de qualquer lugar. Para o produtor rural, isso significa decisões mais rápidas, assertivas e embasadas em dados confiáveis. “Com a nuvem, conseguimos centralizar informações de diferentes áreas da fazenda e tomar decisões mais rápidas e assertivas. Isso não apenas aumenta a produtividade, como também reduz desperdícios e otimiza custos”, destaca Angelo Sossela, CTO da Opus Tech, empresa especializada em soluções em nuvem e cibersegurança. Principais aplicações da nuvem no agronegócio Muitos empresários acreditam que apenas um servidor físico pode dar conta de aplicações críticas. Mas, na prática, soluções de nuvem conseguem entregar o mesmo desempenho (ou até superior) com menos recursos físicos, graças a tecnologias que otimizam a utilização do ambiente. Benefícios da nuvem para os negócios Monitoramento inteligente de lavouras: Drones e satélites enviam imagens de alta resolução para plataformas em nuvem, permitindo identificar de forma precoce pragas, doenças ou falhas na irrigação. Isso possibilita um manejo agrícola mais preciso, sustentável e econômico. Gestão de máquinas e frotas: Colheitadeiras, tratores e pulverizadores já vêm equipados com sensores conectados. Esses dispositivos enviam dados de desempenho para a nuvem, oferecendo informações sobre consumo de combustível, produtividade por área e manutenção preditiva. O resultado: menos paradas inesperadas e maior eficiência operacional. Análise preditiva de safras: Algoritmos de inteligência artificial e machine learning rodando na nuvem permitem simular cenários de produção, prever rendimentos e recomendar práticas de manejo. Essa capacidade de prever problemas antes que eles ocorram reduz riscos e aumenta a assertividade do planejamento agrícola. Integração e colaboração na cadeia produtiva: O agronegócio não acontece de forma isolada. A nuvem facilita a colaboração entre produtores, cooperativas, distribuidores, seguradoras e bancos. O compartilhamento seguro de dados em tempo real aumenta a rastreabilidade, a transparência e a eficiência logística. Freepik Divulgação Os benefícios da nuvem que fazem diferença no campo Escalabilidade: cresce junto com a produção, sem a necessidade de investir em novos servidores. Acesso remoto: dados disponíveis em tempo real, acessíveis até pelo celular no campo. Redução de custos: elimina gastos com infraestrutura física de TI e manutenção local. Decisão baseada em dados: dashboards e relatórios atualizados automaticamente dão suporte a decisões estratégicas e sustentáveis. O futuro do agro é digital e conectado Para o CEO da Opus Tech, Junior Machado, “a computação em nuvem deixou de ser uma tendência distante e já faz parte da realidade do campo brasileiro. Ela é hoje um fator decisivo para aumentar a competitividade, garantir sustentabilidade e transformar dados brutos em inteligência de negócio”. Angelo Sossela ressalta que “Com soluções inteligentes de Computação em Nuvem, como as oferecidas pela Opus Tech - www.opustech.com.br, as tecnologias de ponta que atendem ao agronegócio, podem ser potencializadas ainda mais, tanto ao assegurar alta disponibilidade, aumento de performance e redução de custos”. Produtores que abraçam essa jornada digital conseguem reduzir desperdícios, aumentar a produtividade e conquistar novos mercados. No fim das contas, para o agro brasileiro, a nuvem não é apenas uma ferramenta tecnológica: é um verdadeiro parceiro de campo, que conecta a tradição da produção agrícola com as inovações que moldam o futuro.