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Shows, montaria e novo palco: tudo o que você precisa saber sobre a Festa do Peão de Americana 2026

Publicado em: 30/05/2026 10:44

Tudo o que você precisa saber sobre a Festa do Peão de America 2026, que começa na quarta A 38ª edição da Festa do Peão de Americana (SP), um dos maiores rodeios do Brasil, começa na quarta-feira (3) com shows de grandes nomes do sertanejo. Ao todo, serão sete dias de festa e montaria no Parque de Eventos CCA, com término em 14 de junho. E para você ficar ligado nos detalhes dessa edição, o g1 preparou um guia com tudo o que vai rolar. Navegue pelo índice e tire suas dúvidas. 👇🏿 Programação: quem vai tocar? Ingressos: como comprar? Novo palco é principal novidade Telão para jogos do Brasil na Copa Como chegar? ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp LEIA MAIS Com choradeira e aglomeração em hotel, Xuxa reuniu 40 mil em Americana há 31 anos Com 26ª show, Chitãozinho e Xororó vão abrir programação da Festa do Peão Festa do Peão de Americana começou com 2 shows por edição e chega a 16 agora Copa do Mundo no rodeio? Telão gigante vai transmitir jogo do Brasil na Festa do Peão de Americana Novo palco do rodeio tem 25 metros e três andares; conheça 🎤 Programação: quem vai tocar? Festão do Peão de Americana comemora 40 anos com novo palco de 40 metros e 16 shows Reprodução/Redes Sociais A edição de 2026 terá 16 apresentações musicais distribuídas em sete dias. Confira os shows confirmados: 3 de junho (quarta-feira): Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo (Rústico) e Panda 5 de junho (sexta): Zé Neto & Cristiano e Simone Mendes 6 de junho (sábado): Sami Rico, João Bosco & Vinícius e Gusttavo Lima 7 de junho (domingo): Matogrosso & Mathias e Grupo Menos é Mais 12 de junho (sexta): Henrique & Juliano e Gustavo Mioto 13 de junho (sábado): Luan Santana, Bruno & Marrone e Natanzinho Lima 14 de junho (domingo): Ana Castela Além dos shows, a arena recebe competições de rodeio, como montaria em touros e provas tradicionais do circuito. 🎟️ Ingressos: como comprar? Os ingressos já estão à venda e podem ser comprados: pela internet presencialmente na sede do Clube dos Cavaleiros de Americana A organização recomenda compra antecipada, já que os valores mudam de acordo com lote, setor e procura. 🎫 Tipos de ingresso: Arena (pista) Camarote Americana Camarote VIP Farraial Camarote Super Premium Farraial 🏗️ Novo palco é principal novidade Festa do Peão de Americana 2026 ganha novo palco fixo com três andares e 25 metros de altura Reprodução/Redes sociais A edição de 2026 terá uma mudança inédita na estrutura: um palco fixo de alvenaria, que substitui as montagens temporárias dos anos anteriores. 📐 Características: cerca de 40 metros de comprimento 25 metros de altura três andares aproximadamente 3 mil m² de área construída O espaço terá camarins, elevador, rampas de acesso e tecnologia antichamas, além de cobertura com telhas termoacústicas. A proposta é melhorar a visibilidade do público e permitir produções mais complexas durante os shows. 📺 Telão para jogos do Brasil na Copa Em 2026, a festa coincide com a Copa do Mundo e terá transmissão das partidas da seleção brasileira. A organização prevê a exibição dos jogos em telão na arena, permitindo que o público acompanhe as partidas durante o evento. A estreia do Brasil na Copa está prevista para 13 de junho, durante o período da festa, o que deve movimentar o público no recinto. 📍 Como chegar? Recinto da Festa do Peão de Americana. Reprodução/Redes sociais A festa acontece no Parque de Eventos CCA, às margens da Rodovia Anhanguera (SP-330). 🚗 Trajeto de carro Para quem vai à festa de São Paulo, a principal rota é pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348) até a Rodovia Anhanguera (SP-330), seguindo até Americana. Outra opção é a Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304), que também dá acesso ao Parque de Eventos CCA, e fica no quilômetro 121. O tempo estimado de viagem é de 1h30. Se o trajeto for saindo de Campinas, siga pela Rodovia Anhanguera (SP-330), no sentido interior, por cerca de 30 quilômetros até Americana. O tempo de viagem é de aproximadamente 25 minutos. Para quem sai de Piracicaba, siga pela Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304), sentido Americana, por aproximadamente 30 quilômetros. O tempo de viagem é de 25 minutos. 🚌 De ônibus A cidade de Americana possui uma boa infraestrutura rodoviária com linhas de ônibus saindo de diversas cidades da região. Empresas de transporte rodoviário oferecem rotas diretas para Americana durante os dias do evento. De São Paulo a Americana, as viações Ouro Verde, Piracicabana e São Paulo São Pedro fazem a rota. A viagem dura 2h, em média, e os ônibus partem do Terminal Rodoviário do Tietê. De Campinas a Americana, são as empresas Ouro Verde e Piracicabana quem oferecem o transporte. A duração é de 1h de viagem. ✈ De avião Para quem vai de outros estados ou de distâncias mais longas em São Paulo, o aeroporto mais próximo é o de Viracopos, em Campinas, a aproximadamente 50 km de Americana. De lá, é possível pegar um táxi ou um serviço de transporte por aplicativo até o local do evento. César Menotti e Fabiano e Guilherme e Santiago na Festa do Peão de Americana Thomaz Marostegan/g1 VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Palavras-chave: tecnologia

Seminário de Economia Criativa da Amazônia abre inscrições gratuitas em Santarém

Publicado em: 30/05/2026 10:29

Santarém, no oeste do Pará Divulgação Estão abertas as inscrições para a primeira edição do Seminário de Economia Criativa da Amazônia, que será realizado nos dias 11 e 12 de junho, em Santarém, no oeste do Pará. Com o tema “Amazônia Território Criativo”, o evento pretende reunir profissionais, empreendedores, estudantes, pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir soluções sustentáveis, valorização cultural e oportunidades de desenvolvimento na região amazônica. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A participação é gratuita e os interessados podem se inscrever por meio das redes sociais do evento, no perfil @economiacriativa.amz, ou diretamente pelo formulário disponibilizado pela organização. Promovido pelo Instituto Território das Artes (ITA), o seminário acontecerá em formato híbrido. As atividades presenciais serão realizadas no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES) e no Teatro Vitória, com transmissão online para participantes de outros estados. Além de palestras e debates, a programação contará com oficinas, workshops e apresentações de artistas locais. O encontro também antecede o Festival de Cinema CineAlter, que ocorre entre os dias 12 e 14 de junho, em Santarém e Alter do Chão. De acordo com o coordenador-geral do seminário e presidente do ITA, Raphael Ribeiro, o evento foi planejado estrategicamente para fortalecer as conexões entre cultura, inovação, turismo e sustentabilidade na Amazônia. A conferência de abertura será ministrada pela secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, a socióloga Cláudia Sousa Leitão, considerada uma das pioneiras na formulação de políticas públicas para o setor no Brasil. Doutora pela Universidade Sorbonne, na França, ela foi a primeira secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura, entre 2011 e 2013, e possui atuação em organismos internacionais voltados ao desenvolvimento econômico sustentável. A programação será organizada em quatro eixos temáticos: Territórios e Espaços Criativos; Políticas Públicas para a Criatividade; Cultura, Turismo e Agenda 2050; e Inovação, Tecnologia e Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). Entre os nomes confirmados também está a ex-reitora da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Raimunda Monteiro, que apresentará a palestra “Tecnologia, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), Inovação Pública: Estruturando Ecossistema Criativo no Território Amazônico”. Segundo os organizadores, o seminário busca promover a articulação entre diferentes segmentos da economia criativa, incentivar a troca de experiências e contribuir para a construção de estratégias voltadas ao desenvolvimento socioeconômico sustentável da Amazônia. O I Seminário de Economia Criativa da Amazônia é realizado pelo Instituto Território das Artes (ITA), Ministério da Cultura (MinC), Rede Pará Criativo e comitê organizador, com correalização da Secretaria Municipal de Cultura de Santarém. O evento conta ainda com apoio da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES), além de parcerias com instituições como a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Diretoria Regional de Ensino (DRE). VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região

Palavras-chave: tecnologia

Nova lei garante acessibilidade para pessoas com deficiência em eventos de Pouso Alegre, MG

Publicado em: 30/05/2026 10:03

Nova lei garante acessibilidade para pessoas com deficiência em eventos de Pouso Alegre Foi aprovada em Pouso Alegre uma lei que obriga produtores de festas, shows e eventos a oferecer estrutura adaptada para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida. A regra já está em vigor e passa a valer para os próximos eventos realizados na cidade. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Com isso, o público com deficiência deve ter mais acesso e participação nas programações culturais e de entretenimento. A norma estabelece uma série de exigências que precisam ser cumpridas para a liberação do alvará. Entre as medidas estão espaços reservados próximos ao palco, rotas de acesso adaptadas, prioridade na entrada e na saída e a disponibilização de banheiros químicos acessíveis. Sem cumprir essas regras, os organizadores não poderão obter autorização para realizar os eventos. Câmara Municipal de Pouso Alegre Reprodução EPTV Segundo o vereador Edson Donizeti Ramos de Oliveira (Republicanos), autor do projeto, a proposta surgiu a partir das dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência em festas e shows no município. “A motivação vem do fato de Pouso Alegre hoje ser uma cidade média, com muitas pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, que muitas vezes encontram dificuldades para participar dos eventos da cidade”, afirmou. A ideia, segundo ele, é garantir não só o acesso ao espaço, mas também condições adequadas para que esse público participe das atividades. Nova lei garante acessibilidade em eventos em Pouso Alegre “A acessibilidade começa desde a bilheteria, com acesso tranquilo até o local destinado a essas pessoas, inclusive com espaço adequado para visualizar o palco e participar da festa de forma digna”, disse. A lei também prevê que os banheiros adaptados fiquem próximos às áreas reservadas, para evitar deslocamentos longos ou dificuldades em meio ao público. Com a nova regra, todos os eventos realizados em Pouso Alegre deverão seguir os critérios de acessibilidade. A expectativa é que a medida amplie a inclusão e garanta mais segurança e conforto para pessoas com deficiência nos espaços de lazer da cidade. Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

Palavras-chave: câmara municipal

Acer amplia categoria Copilot+ PC e leva ferramentas avançadas do Windows para usuários domésticos

Publicado em: 30/05/2026 09:00 Fonte: Tudocelular

A Acer anunciou a expansão da sua linha tradicional de computadores Aspire por meio do lançamento de novos notebooks e desktops All-in-One equipados com o selo Copilot+ PC (Acer Aspire X 16 AI, Aspire 18 AI e série Aspire C AI). Os modelos chegam às lojas com foco em democratizar o acesso à inteligência artificial para estudantes e consumidores do segmento de entrada. Aspire X 16 AI é o destaque da nova geração da AcerPara começar, o Acer Aspire X 16 AI (AX16-I71M) se inspira em notebooks de alto desempenho. Ele é equipado com processadores Intel Core Ultra X9 com até 180 TOPS de plataforma para oferecer performance rápida e responsiva. O laptop vem com uma tela OLED WQXGA+ de 16 polegadas com resolução 3K, cobertura de 100% do espaço de cores DCI-P3 e taxa de 120 Hz.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: windows

A guerra invisível que está confundindo sinais de GPS e colocando aviões em risco

Publicado em: 30/05/2026 08:57

O piloto Artur Rodionov diz que a falsificação de sinais de GPS se tornou uma ocorrência comum com a qual ele precisa lidar Artur Rodionov/Acervo pessoal Um avião da Força Aérea Real Britânica (RAF), que transportava o Secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, sobrevoava a Estônia perto da fronteira com a Rússia na semana passada quando algo estranho aconteceu. De acordo com dados de voo analisados ​​pelo Serviço Mundial da BBC, o transponder da aeronave repentinamente começou a indicar que ela estava em território russo, a 300 quilômetros de distância de onde estava segundos antes. Supostamente, o avião estava voando a apenas 11 quilômetros por hora sobre um lago perto de São Petersburgo. Mas nada disso era verdade. O sistema de navegação da aeronave havia sido afetado por um ataque cibernético. Isso ocorre quando uma área é inundada por sinais de rádio que imitam os de GPS. Sistema de GPS de avião de chefe da UE sofre pane no ar, e há suspeita de interferência russa Como os sinais de satélite são relativamente fracos quando chegam à Terra, um transmissor terrestre pode emitir sinais falsificados mais fortes, que podem ser captados por sistemas de navegação, incluindo os de aeronaves. A prática, conhecida como spoofing, é normalmente realizada por militares que buscam reduzir a precisão de armas inimigas que usam navegação por GPS, como mísseis de longo alcance e pequenos drones. Muitas forças armadas possuem unidades especializadas que constroem transmissores em bases fixas ou os instalam em veículos. Mas voos comerciais agora estão sendo afetados por essa guerra eletrônica. Pilotos da Força Aérea Real foram forçados a guiar a aeronave usando um sistema de navegação mais antigo e menos preciso, que opera em paralelo com o GPS. O Ministério da Defesa britânico declarou que a segurança da aeronave não foi comprometida. Na verdade, não foi a única aeronave na área afetada naquele dia. Dados compartilhados com a BBC pela consultoria de aviação SkAI Data Services mostram que mais de cem aeronaves com passageiros a bordo estavam transmitindo localizações incorretas como resultado de falsificação de sinal. Os mesmos dados indicam que a falsificação e o bloqueio de sinal — outro tipo de interferência que mascara os sinais de satélite para impedir o funcionamento do GPS — estão se tornando cada vez mais comuns em áreas próximas a zonas de guerra ou onde há muita atividade militar, como a região do Mar Báltico, o Golfo Pérsico, o Mar Vermelho, a Índia, o Paquistão e a área ao redor de Mianmar. A falsificação de identidade é geralmente realizada por militares que buscam reduzir a precisão de armas inimigas que utilizam navegação por GPS, como mísseis de longo alcance e pequenos drones Getty Images No Golfo Pérsico, por exemplo, houve um aumento repentino no número de voos que relataram falsificação de GPS após o início da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Em março, 5.381 voos relataram falsificação, um aumento em relação aos 99 de fevereiro e aos 14 de janeiro, segundo a SkAI Data Services. Os casos na região do Báltico dispararam de 17.243 em 2024 para 59.447 em 2025, ainda de acordo com a SkAI Data Services. Esse aumento coincide com o crescente uso de ataques com drones no conflito entre a Rússia e Ucrânia. Outras rotas aéreas movimentadas na Europa, no Oriente Médio e na Ásia também sofreram com falsificação ou interferência de GPS, com uma média de mais de 800 voos afetados diariamente em todo o mundo neste ano. Considerando que a tecnologia necessária para isso é facilmente encontrada na maioria dos países, especialistas temem que esse fenômeno se torne generalizado. Falsificação atrapalha mesmo pilotos experientes Este foi o problema que o piloto britânico Sam Rutherford enfrentou quando pilotava um avião de quatro lugares da Arábia Saudita para Omã no mês passado. Quando estava próximo da fronteira entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, os sistemas de navegação e o piloto automático pararam de funcionar. A princípio, ele pensou que poderia ser um problema com o avião, mas várias companhias aéreas na região relataram o mesmo problema. Descobriu-se que tanto a falsificação dos sinais do GPS quanto o bloqueio das ondas estavam afetando sua aeronave. Rutherford, que pilotou helicópteros no Exército Britânico por oito anos, usou a bússola magnética de seu avião e contatou o controle de tráfego aéreo para obter ajuda na navegação até seu destino. Embora tenha pousado em segurança, ele afirma: "Se eu tivesse encontrado mau tempo, pouco combustível e fosse noite, a situação teria sido muito diferente". Sistema de navegação da aeronave pode apresentar mau funcionamento devido à falsificação de sinal GPS Getty Images Os riscos da falsificação Um dos riscos da falsificação de sinais de navegação é que, ao serem levados a acreditar que estão em uma posição diferente da real, os pilotos podem acabar desativando ou ignorando os alertas dos sistemas de prevenção de colisão com o solo, afirma Tanja Harter, presidente da European Cockpit Association, entidade que representa cerca de 40 mil pilotos. Esse sistema alerta os pilotos quando identifica risco iminente de colisão com o solo ou com obstáculos, como montanhas. Harter afirma que há inúmeros relatos de pilotos recebendo alertas falsos para ganhar altitude, mesmo quando a aeronave voa a 37 mil pés (cerca de 11,3 mil metros). Sistemas de radar que ajudam as aeronaves a evitar condições climáticas adversas também podem apresentar mau funcionamento, acrescenta. Embora muitas companhias aéreas façam um bom trabalho ao fornecer informações aos pilotos, Harter diz que a combinação desses problemas "está comprometendo a segurança a bordo das aeronaves". O piloto Artur Rodionov conta que um "salto da Lituânia para o Mar do Norte" foi a maior discrepância entre a realidade e a localização exibida na tela que ele já presenciou. "São mais de 1.600 quilômetros", diz Rodionov, que pilota pequenos aviões de passageiros para a empresa de fretamento estoniana Diamond Sky Aviation. Em resposta a essas ocorrências, Rodionov conta que sua empresa desenvolveu protocolos para lidar com a falsificação de sinal, incluindo a desativação do GPS pelos pilotos ao sobrevoarem áreas conhecidas por interferências. Isso permite que o piloto monitore se os sinais da aeronave estão sendo falsificados, evitando que o restante do equipamento de navegação seja afetado. Rodionov afirma que a falsificação de sinal pode causar problemas especialmente para pilotos inexperientes ou quando as aeronaves apresentam outros problemas, como uma pane mecânica ou falha de equipamento. "Sem dúvida, isso representa uma carga de trabalho adicional", conclui. Interferências permitidas Não é ilegal que países interfiram no GPS. O órgão das Nações Unidas (ONU) que regula os sinais de radiodifusão, a União Internacional de Telecomunicações, autoriza a prática para fins de segurança ou defesa, embora tenha expressado a sua "profunda preocupação" com o fato de a sua utilização generalizada estar ameaçando a segurança das aeronaves. A instituição europeia de segurança da navegação aérea, Eurocontrol, afirma que as aeronaves têm "medidas de mitigação em vigor para garantir a manutenção da segurança" durante a falsificação de sinais e que a tecnologia de navegação aérea e o controle de tráfego em terra podem guiar a aeronave. Os fabricantes de aeronaves estão trabalhando com os fornecedores da aviação para encontrar soluções técnicas contra a falsificação de sinais, acrescenta a Eurocontrol. Mas a BBC apurou que há indícios de que as organizações da aviação, incluindo a Eurocontrol, estão mais preocupadas. Em uma apresentação identificada como "não destinada ao público geral", à qual a BBC teve acesso, há um alerta de que a falsificação de sinais "mina os princípios atuais de segurança da cabine de comando". Especialistas do setor sugerem que existe uma urgência maior em encontrar uma solução para o problema do que a reconhecida publicamente. "As companhias aéreas estão clamando por melhorias", diz Todd Humphreys, professor de engenharia aeroespacial da Universidade do Texas, nos Estados Unidos. "O que teremos que fazer é desenvolver novas tecnologias muito mais resilientes", acrescenta. A navegação por barcos e carros também pode ser afetada Getty Images Soluções possíveis Possíveis soluções incluem a atualização do software das aeronaves para filtrar interferências, o uso de antenas direcionais para que os equipamentos possam ignorar sinais falsificados vindos do solo e sistemas de navegação totalmente novos que funcionem em conjunto com o GPS. Mas implementar mudanças em equipamentos críticos para a segurança pode levar tempo. Humphreys alerta que não é apenas o transporte marítimo comercial que pode ser afetado por falsificação e bloqueio de GPS. Isso pode impactar até mesmo aplicativos de mapas para celulares. "Trata-se do tráfego marítimo, das pessoas dirigindo nas estradas", diz ele. "Sempre que um conflito eclodir no futuro, podemos esperar que o GPS seja uma das primeiras vítimas."

Palavras-chave: cibernéticotecnologia

Dublador de Superman e Mickey Mouse é destaque na Comic Nerd 2026 no AC; confira

Publicado em: 30/05/2026 08:01

Dublador Guilherme Briggs (foto) foi voz de vários personagens marcantes como Buzz Lightyear e Super-Homem Reprodução/Twitter Superman, Optimus Prime, Buzz Lightyear e Mickey Mouse são apenas alguns dos diversos personagens que o dublador Guilherme Briggs vai relembrar em uma conversa durante a programação da Comic Nerd 2026, que vai reunir diversas pessoas neste fim de semana em Rio Branco. O evento, organizado pela Associação de Nerds do Acre (Anac Nerd) com apoio de outras instituições, ocorre neste sábado (30) e domingo (31), e tem como tema “Gerações”. O objetivo, segundo a organização, é reunir aproximadamente 15 mil pessoas durante os dois dias de evento. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Para participar, basta doar 1 kg de alimento não perecível, com exceção de sal. Os produtos arrecadados serão destinados a instituições filantrópicas. Além de Briggs, também tem destaque a presença do streamer Willian Moreira Lemos Rodrigues, conhecido como Gordox, que é conhecido pela capacidade de narrar diferentes jogos e gêneros, como Counter-Strike, League Of Legends e Crossfire. Comic Nerd 2026: Estão abertas as inscrições para expositores e competidores LEIA TAMBÉM: Dubladores de ‘Dragon Ball Z’ e cosplayer nacional serão atrações da Comic Nerd 2025 no AC Sesc Geek Comic Nerd estima receber até 15 mil pessoas em três dias de evento em Rio Branco No AC, 1ª Comic Nerd vai homenagear Jaspion e quer reunir 2 mil pessoas O evento conta ainda, além de Briggs e Gordox, com a participação da dubladora Úrsula Bezerra, conhecida por interpretar Naruto e Goku criança, e dos cosplayers nacionais Tati Keplmair, Robson Kumode, Lipe Volpato e Vyni Takahashi. A edição deste ano busca também reunir o público através da nostalgia dos desenhos animados, videogames e animes que marcaram a década de 1980 e 1990. Ao mesmo tempo, o evento quer apresentar as novas tendências ligadas ao universo digital como jogos, tecnologia e a produção de conteúdo no cenário atual. Comic Nerd 2026 ocorrerá neste sábado (30) e domingo (31) em Rio Branco Raylanderson Frota/Secom A Comic Nerd 2026 também terá ainda concursos cosplay, campeonatos de e-sports, apresentações de K-Pop, arena gamer, videogames retrô, workshops, painéis temáticos e espaços voltados ao empreendedorismo criativo. Além disso, o espaço conhecido como Beco dos Artistas, local onde reúne ilustradores, quadrinistas, escritores independentes e criadores de conteúdo acreanos, também retorna ao evento este ano. Serviço Comic Nerd – Gerações 2026 Onde: Hotel Gran Reserva, em Rio Branco. Quando: sábado (30) e domingo (31), de 10h às 21h. Ingresso: 1 kg de alimento. Organização: Anac Nerd e Secretaria de Indústria Ciência e Tecnologia (Seict). VÍDEOS: g1

Palavras-chave: tecnologia

SpaceX assina contrato estratégico para o desenvolvimento da rede de satélites do Golden Dome

Publicado em: 30/05/2026 08:00 Fonte: Tudocelular

A SpaceX garantiu nesta semana um novo contrato estratégico para o desenvolvimento da infraestrutura de satélites do projeto Golden Dome. A parceria foi firmada com o objetivo de expandir as capacidades de operação e monitoramento orbital, com uso da tecnologia avançada de lançamentos da companhia para posicionar rapidamente uma rede tecnológica vital no espaço. SpaceX conquista contrato bilionário para o Golden Dome A Força Espacial dos Estados Unidos concedeu à SpaceX um contrato de US$ 4,16 bilhões para o programa SB-AMTI (Space-Based Advanced Moving Target Indicator). O sistema será composto por satélites equipados com sensores avançados capazes de: Detectar ameaças aéreas; Rastrear mísseis; Monitorar alvos em tempo real a partir da órbita terrestre. Sistema será usado para detectar mísseis a partir do espaço O projeto integra o ambicioso escudo antimísseis Golden Dome, iniciativa inspirada no Iron Dome israelense. A expectativa, então, é que parte das capacidades operacionais esteja disponível até 2028.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Do fole ao sustento: entenda como a sanfona movimenta empregos, tradição e renda na Paraíba

Publicado em: 30/05/2026 06:01

Sanfonas TV Clube Aos 98 anos, o compositor, músico e poeta pernambucano, Onildo Almeida, relembra e ainda canta com carinho a música Hora do Adeus, eternizada por Luiz Gonzaga e escrita por Onildo, em parceria com Luiz Queiroga. O Rei do Baião, amigo próximo de Onildo, pediu para que ele escrevesse uma música que representasse o fim da carreira. “Ele [Luiz Gonzaga] sentia que o tempo dele na música tinha chegado ao fim”, conta. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp O resto dessa história a gente já sabe. O "adeus" nunca aconteceu, de fato. A música foi gravada em 1967 e, naquela época, Gonzagão se viu perdendo espaço na indústria musical, sendo "ofuscado" pela Jovem Guarda, Bossa Nova e MPB. O artista só veio a falecer em 1989 e as músicas por ele gravadas entraram para a história e desenharam muito do que viria a ser o forró e a força desse ritmo como identidade cultural nordestina. Onildo Almeida e Luiz Gonzaga Reprodução/Instagram E junto das voz rasgada e das letras que narram o sertão, havia outro personagem impossível de ignorar: a sanfona de Gonzagão. Não se tratava apenas de um instrumento pesado "pendurado" no peito; era quase uma extensão do corpo. Quando Luiz Gonzaga entrava no palco, a sanfona parecia respirar com ele. O fole abria e fechava como quem puxava os ventos quentes do Nordeste para dentro da música. Do instrumento, saíam sons que lembravam o aboio distante do vaqueiro, o ranger da seca, a festa da feira… tudo, em notas musicais. Para seu Onildo, a sanfona, entrelaçada à personalidade sonora do Rei do Baião, fez com que Hora do Adeus nunca conseguisse cumprir a promessa do título. Pelo contrário: toda uma cadeia produtiva foi criada entorno da sanfona. A partir dela, nasceram fábricas, oficinas, afinadores, luthiers, artesãos, vendedores, e, claro, músicos. O instrumento passou a ser, além de identidade, herança e sustento. “Foi Gonzagão quem levou essa musicalidade para o sul do país. Quem transformou a sanfona nordestina em disco, mercado e identidade popular. E quando o Nordeste se ouviu tocando nas vitrolas do Brasil, algo incrível aconteceu. Outros músicos surgiram, novos sanfoneiros apareceram", disse Onildo Almeida. Agora no g1 Quem bebe dessa fonte é Francismar de Souza, o professor Caju, como é conhecido pelos alunos o sanfoneiro pessoense. Em um ateliê próprio, localizado em João Pessoa, Caju também faz manutenção de sanfonas. Um luthier, como é chamado quem se dedica a construir e restaurar instrumentos musicais. A influência familiar em Monteiro, no Cariri paraibano e o período em que viveu no Paraná, ainda na adolescência, despertaram a paixão pela sanfona Nordestina. Primeiro, pela proximidade com o forró autêntico; depois, pela distância. “Quando fui morar no Paraná com a minha família, fiquei com saudades do Nordeste e o gosto pela sanfona me reaproximou das minhas raízes”, relembra. De volta à Paraíba, aprendeu a tocar. Desenvolveu o talento e, hoje, tem o instrumento como principal fonte de renda. Atualmente, gerencia uma escola de música com cerca de 50 alunos. Na pandemia da Covid-19, superou os desafios das aulas online e, até hoje, ensina alunos de diversos lugares do Brasil. Gente que quer aprender a tocar sanfona do zero ou aperfeiçoar as habilidades que já tem. Formalizou o negócio como microempresa. Com muita luta, fez da sanfona um sustento, mas ainda sente que falta formação técnica e incentivos para a manutenção e aperfeiçoamento do instrumento no país. “A gente não tem, por exemplo, formação. Não existe um curso aqui no Brasil pra formar profissionais que fazem manutenção de sanfonas. É muito específico, é um artesão, praticamente", comentou Francismar de Souza, o “Caju”. Professor Caju afina sanfonas no ateliê próprio, em João Pessoa Mayara Medeiros/CBN Paraíba Em Campina Grande, o músico, poeta e sanfoneiro Amazan, também percebeu essa lacuna. Há mais de vinte anos, quando já estava na estrada levando forró para muita gente com uma sanfona que ele mesmo descreve como “velhinha”, precisou de ajuda para manter o instrumento funcional e afinado, mas não encontrou ninguém que fizesse o serviço. Foi aí que ele resolveu se aventurar: abriu o instrumento, mexeu para lá, desmontou para cá… e aprendeu, sozinho, a deixar o fole potente para o próximo show. “Aí meus amigos sanfoneiros passaram a pedir a minha ajuda, até que um deles disse: rapaz, tu deveria abrir uma fábrica de sanfona, é difícil demais achar quem faça o que tu faz”, conta Amazan. Depois do conselho, não teve outra: poucos dias depois, o músico, mesmo com poucos recursos, resolveu colocar a ideia para a frente. Se organizou financeiramente e foi parar na Itália, referência mundial na fabricação de sanfonas. A intenção era aprender, de perto, o processo de produção e montagem do instrumento, peça por peça para, assim, trazer o conhecimento técnico para a Paraíba. Um projeto que, por ser pioneiro, passou a conquistar a atenção da mídia, no início dos anos 2000. Época que coincidiu com a explosão comercial de um novo ‘modelo’ de forró: o eletrônico ou “forró estilizado.” “Comecei em 2003, num cantinho mais acanhado. Depois, fui fazendo uma ampliação em um galpão que eu tinha e, de repente, cresceu tanto a demanda, que implantei a fábrica", contou Amazan. Amazan: do conserto de sanfonas em um galpão à uma fábrica de instrumentos Arquivo Pessoal Com mais experiência, Amazan resolveu inovar. Ele explica que implementou uma afinação diferenciada na sanfona, mais “anasalada” e com um som mais “aveludado”, pois esse, segundo ele, é o padrão de sonoridade preferido do público nordestino. Além disso, Amazan criou um sistema de caixinha externa para a bateria da sanfona; antes, ela ficava dentro do instrumento, o que exigia do músico desparafusar e abrir a tampa (como um capô de carro) para trocá-la durante um show. Com a inovação técnica na eletrificação, a troca passou a ser feita em apenas 15 segundos, através de uma gaveta externa no lado esquerdo, facilitando a manutenção rápida durante as performances. Mas, para tocar esses novos projetos, o empreendimento busca, até hoje, profissionalizar a produção, gerar empregos e manter viva a essência artesanal do instrumento. Movimento que não aconteceu por acaso e contou, ainda nos primeiros passos, com o apoio de iniciativas voltadas ao fortalecimento do pequeno empreendedor, à capacitação em gestão e ao desenvolvimento de negócios ligados à economia criativa do Nordeste. Diretor de operações da fábrica de sanfonas, Marckezan Azevedo lembra bem que buscou consultorias do SEBRAE Paraíba para estruturar o funcionamento do negócio: planejamento financeiro, processos produtivos e, principalmente, formalização. Suporte que ajudou toda a equipe a expandir o negócio e se tornar referência no país. “Em quase 25 anos de história, impactamos diretamente na renda familiar de dezenas de famílias. Esses profissionais, em maioria, nunca tinham tido contato algum com a sanfonas, ou seja, não sabiam nada sobre técnicas ou sobre o ofício de construir o instrumento”, relata Marckezan. Sarayva Azevedo tem 54 anos e é afinador na fábrica de Amazan desde 2012. Não era experiente. Hoje, é um especialista. Ouvido apurado para identificar os mínimos desalinhamentos no som, ajustar palhetas e devolver equilíbrio ao fole de cada instrumento. Um trabalho artesanal, feito nota por nota. “É a minha fonte de renda, é assim que sustento a minha família”, conta. O professor, o afinador, o luthier, o fabricante. Atividades diferentes, mas conectadas por uma mesma lógica produtiva ligada à música e à cultura nordestina. Um setor da chamada ‘Economia Criativa”, que transforma conhecimento, tradição e identidade cultural em geração de empregos. Negócios que se desenvolvem com criatividade, inovação, tecnologia e tecnologia, para agregar valor a produtos e serviços. Segundo um mapeamento da Indústria Criativa da Firjan, que reúne dados da Relação Anual de Informações Sociais e do Ministério do Trabalho, a economia criativa brasileira movimentou mais de 393 bilhões de reais em 2023, o equivalente a 3,59% de tudo o que o país produziu naquele ano. Números que aparecem em um estudo divulgado em 2025, baseados em dados consolidados de 2023. Realidade que só tende a crescer com o passar dos anos. Mais de um milhão de empregos formais nasceram dessa cadeia movida por produção intelectual. Dentro da pesquisa, no Nordeste, a cultura popular e a música aparecem entre os segmentos mais fortes desse mercado criativo. Um cenário que, para a Gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae Paraíba, Regina Amorim, fortalece, ainda, um turismo mais autêntico, conectado com a identidade cultural do nosso estado. “Inclusive, João Pessoa é a cidade criativa da UNESCO no segmento de artesanato e arte popular, assim como Campina Grande é cidade criativa no segmento de artes midiáticas. Isso é muito bom para a Paraíba, porque é uma forma de interação com outros países”, disse. Promissor, mas ainda repleto de desafios: “Profissionais de áreas como música, moda e literatura, muitas vezes, tratam a arte como uma atividade secundária, e não como uma profissão”, analisa Regina. Realidade contraditória à força da economia criativa, que é considerada por especialistas, a da abundância. Em Campina Grande, Giulliano Santos, 56 anos, comerciante, luthier e revendedor de acordeons, faz parte de toda essa cadeia produtiva gerada a partir do conhecimento. Um trabalho que ainda não recebe dedicação exclusiva por parte dele e que representa 30% da renda mensal. Mas, antes mesmo da sanfona, veio a guitarra. A experiência como músico profissional abriu caminhos para um trabalho minucioso, que exige precisão quase cirúrgica, já que dentro de uma sanfona, cada peça interfere diretamente no som: “Eu não me dediquei como músico profissional do acordeon, me dediquei mais a mexer no instrumento e trabalhar com ele, a consertar. Aí os próprios músicos não tem interesse em consertar e nos procuram", relata. No período junino, essa procura cresce. Situação que pode refletir um faturamento sazonal para quem vive do instrumento. “Sim, não é um serviço que aparece todos os dias, né? Quando chega mais perto do São João a procura aumenta… mas eu não penso muito no comercial, é mais pelo amor ao instrumento”, explica Giulliano. Porém, nos últimos anos, Giulliano tem notado que essa busca deixou de vir apenas de músicos veteranos ou artistas que já vivem da estrada. Muita gente tem buscado transformar o instrumento em profissão ainda cedo. Antônio Marques se apaixonou pela sanfona aos dez anos de idade Reprodução/Instagram Antônio Marques, de 14 anos, que é aluno do professor Caju, já desponta em uma rotina de apresentações remuneradas em eventos públicos e privados, dando os primeiros passos na profissionalização do instrumento. Inclusive, uma das sanfonas usadas pelo jovem nos shows, foi presente do músico potiguar Dorgival Dantas. Momentos únicos, já presentes no acervo de memórias de um adolescente que já entendeu que a sanfona pode abrir caminhos: “Eu quero ser um grande sanfoneiro e procurar só crescer, além de levar a música do meu Nordeste para todos os cantos”, se entusiasma Antônio, que já soma mais de cem mil seguidores nas redes sociais. “Ele começou a tocar sanfona depois que ele voltou do programa The Voice, da Rede Globo. A gente foi passear no São João de Campina, e aí quem tocava no palco era Fabiano Guimarães, que o chamou no palco pra cantar. Quando ele desceu, já foi logo nos pedindo pra comprar uma sanfona pra ele. Ele se apaixonou e, desde então, não solta mais o instrumento”, conta emocionada e orgulhosa Kamila Soares, mãe de Antônio. Para o jovem, enquanto houver alguém disposto a abrir o fole e transformar paixões em música, a sanfona deve continuar encontrando maneiras de sobreviver ao tempo, “bem longe de desafinar, apenas se reinventando e ecoando como força cultural e econômica no Nordeste.” Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Palavras-chave: tecnologia

Figurinhas da Copa geram resíduo que pode permanecer por até 100 anos no ambiente; entenda o que fazer

Publicado em: 30/05/2026 05:01

Álbum de figurinhas da Copa gera toneladas de lixo e a maioria não é reciclada E se eu te disser que preencher um álbum da Copa do Mundo pode gerar um lixo que vai durar mais de 100 anos na Terra? O fato é que o material onde a parte colante da figurinha vem protegida é o liner, um tipo de papel siliconado. Para que ele seja reciclado, é preciso um processo longo e caro, e há poucas iniciativas no país. Ou seja, ele acaba virando lixo. Colecionar álbuns de figurinhas da Copa é uma tradição que existe há décadas. A cada Mundial, são bilhões de figurinhas vendidas pelo país. ♻️ A maioria das pessoas pode achar que, por ser papel, tudo é sustentável. Basta colocar no lixo reciclável e o material volta para o mercado, transformando-se em um novo papel. O que acontece com esse papel explica, na prática, a diferença entre uma embalagem ser reciclável e ter reciclabilidade. E isso muda tudo no jogo do impacto ambiental. Um material reciclável é aquele que pode ser transformado em um novo produto por meio da reciclagem. Por exemplo, uma garrafa PET pode ser reciclada inúmeras vezes. Isso ajuda a diminuir a produção de plástico no mundo, usando o que já está disponível. Isso é diferente da reciclabilidade. Esse termo é usado para definir o potencial que os materiais têm de passar pelo processo de reciclagem. Alguns exigem processos caros, que acabam dificultando que o material seja reaproveitado e continue circulando. Na prática, o processo é difícil, custoso e com poucas opções na cadeia. Imagine que são vendidas figurinhas em todo o país e não há, em todos os estados, um local que consiga reciclar esse material. O fim dele, infelizmente, é poluir o meio ambiente. 🔴 ATENÇÃO: ainda que haja pouca reciclabilidade, é importante que o liner seja descartado no lixo reciclável. Na triagem, alguns centros podem conseguir encaminhá-lo para empresas que fazem esse tratamento. Criança de Manaus se emociona ao tirar figurinha rara de Cristiano Ronaldo no álbum da Copa. Reprodução/Redes Sociais E de quanto de poluição estamos falando? A Panini não divulgou quantas figurinhas tem produzido por dia nem qual é a estimativa de impacto da produção. ➡️ Para entender a dimensão do problema, o g1 usou como base o número de pacotes de figurinhas vendidos nos primeiros dias de uma ação de uma plataforma de entrega com a editora do álbum e contextualizou esses dados com uma ação de coleta de liners realizada na última Copa do Mundo, em 2022. Segundo a plataforma, foram vendidos 6,7 milhões de pacotes. Eles vêm com sete figurinhas cada um. Ou seja, estamos falando de quase 47 milhões de adesivos. Em 2022, na Copa do Mundo do Catar, a Dow Brasil, que faz a parte siliconada usada pela Panini, recolheu o equivalente a 168 mil liners em uma iniciativa de reciclagem — o que representa apenas uma fração do que foi produzido. De acordo com a empresa, esse volume correspondeu a 42 quilos de papel liner encaminhados para reciclagem. Álbum da Copa do Mundo 2026 da Panini. Reprodução/Panini Com base nesses números, os quase 47 milhões de adesivos vendidos nos primeiros dias corresponderiam a aproximadamente 11,7 toneladas de papel liner. Até o fim da Copa do Mundo, esse número vai ser ainda maior. Quando o liner vai para o aterro — que é o destino mais provável —, ele não desaparece antes de muitas outras Copas. O revestimento de silicone retarda a decomposição e, segundo especialistas, ele pode levar até 100 anos para se decompor. Nesse processo, misturado a outros resíduos, contribui para a emissão de gases de efeito estufa. E quem é o responsável? O especialista em ESG explica que a cultura do álbum existe há décadas, mas ela não foi acompanhada por uma nova cultura sobre o lixo gerado. Apesar de o Brasil ter uma Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê que fabricantes sejam responsáveis pelo destino de suas embalagens, a legislação ainda deixa dúvidas sobre o que exatamente precisa ser recolhido. A Panini vende as figurinhas, que vêm nos pacotes. A figurinha acaba não virando lixo porque é colecionável. A lei não é clara sobre tudo o que compõe o produto nem sobre de quem é a responsabilidade, já que há uma empresa que fornece o liner. Hoje, há algumas iniciativas, como a da Polpel, em Guarulhos. A empresa está com uma campanha para receber liners de consumidores. No entanto, para participar, é preciso enviar o material até a fábrica. Acaba que a responsabilidade fica no consumidor final. Claro que cabe a todos nós uma conscientização sobre o lixo que produzimos, mas, nesse caso, é dever de quem produz pensar na solução e dar destino ao resíduo. O quanto a gente ainda precisa avançar para ter uma figurinha que já seja reciclável desde a origem, sem exigir um investimento tão alto na reciclabilidade? A Dow, que desenvolve a tecnologia em silicone, disse que tem ciência do problema sobre reciclabilidade e circularidade do material. Em nota, informou que tua em parceria com outros atores da cadeia para aumentar a reciclabilidade. O g1 procurou a Panini, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.

Palavras-chave: tecnologia

Após início de ano forte, agro pode sofrer com El Niño e alta dos fertilizantes

Publicado em: 30/05/2026 05:00

PIB: Agropecuária cresce 2% e impulsiona alta da economia brasileira no 1º trimestre Após começar o ano em alta, a agropecuária brasileira deve perder força nos próximos meses e entrar em trajetória de queda até 2027. O cenário é pressionado pelo risco de perdas nas colheitas por causa do El Niño e pelo aumento dos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. "Não se faz safra recorde em ano de El Niño", afirma o economista Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 "O último El Niño de grande intensidade, semelhante ao que se espera para este ano, foi o de 2014 e 2015. Para os produtores, ele deixou uma péssima lembrança, já que o país enfrentou a maior quebra de safra de sua história", destaca Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios. O fenômeno climático, que provoca secas intensas no Centro-Norte do país e chuvas fortes no Sul, tem alta probabilidade de se formar entre junho e julho. Se confirmado, deve atrasar os plantios deste ano e reduzir as colheitas de 2027. "O El Niño deve ser decretado a partir da primeira ou segunda semana de junho", destaca Cogo, explicando que o fenômeno ainda não foi oficialmente confirmado. "Praticamente não existe cultivo que não seja vulnerável ao El Niño. Como o Brasil tem dimensões continentais e a produção agrícola está espalhada por todo o país, algumas regiões sofrem com secas intensas e outras com chuvas excessivas", ressalta. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 Brasil vai ter 'Super El Niño? Por que cientistas estão em alerta? Entenda El Niño e La Niña Arte/g1 Fim da 'tempestade perfeita' Apesar da perspectiva de retração, a agropecuária cresceu 2% nos três primeiros meses do ano, na comparação com o último trimestre de 2025, segundo o IBGE. O resultado foi impulsionado pelo aumento da produção de grãos, especialmente da soja, cuja colheita se concentra no início do ano. O resultado veio após um ano em que o agro registrou crescimento de 12%, considerado "fora da curva". "Foi aquela tempestade perfeita: clima favorável, recorde de safra e grandes volumes de abate de animais, principalmente bovinos", diz Cogo. "A base de comparação para este ano é elevada e o cenário atual é bastante diferente. Há ampla oferta global de grãos e estoques elevados, o que pressiona os preços das commodities. Além disso, a valorização do real frente ao dólar tende a reduzir o faturamento dos produtores em moeda brasileira, principalmente os de soja, milho, algodão e café", acrescenta. Na pecuária, ocorre um movimento conhecido como "virada de ciclo". Após três anos de abates recordes, inclusive de fêmeas, os produtores passaram a reter vacas nas fazendas para aumentar a produção de bezerros. Trata-se de um movimento natural do setor, que se repete de tempos em tempos. Serigati, da FGV, prevê que o PIB do agronegócio deve recuar 0,9% neste ano. Além dos fatores já citados, ele destaca que os juros elevados aumentam o endividamento dos produtores e encarecem o crédito. "Isso leva o produtor a reduzir a área plantada ou a utilizar tecnologias menos eficientes, como fertilizantes menos concentrados, o que reduz o potencial de produtividade", destaca. Imagem de armazenamento de grãos. Confederação Nacional da Agricultura (CNA). El Niño e fertilizantes Se confirmado, o El Niño não deve afetar as colheitas deste ano, já que boa parte da safra de grãos já foi plantada. O impacto imediato tende a recair sobre os produtores rurais, que podem ser obrigados a adiar o plantio por causa de secas ou do excesso de chuvas. "O impacto do El Niño sobre o volume colhido e sobre o PIB será sentido principalmente em 2027. Neste ano, os efeitos recaem sobre o bolso do produtor, que enfrenta gastos maiores com replantio e atrasos", afirma Serigati. Cogo explica que o fenômeno provoca secas intensas na região do Matopiba, formada pelo Tocantins e por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia, importante polo de produção de soja, milho e algodão. A estiagem provocada pelo El Niño também afeta fortemente estados como Mato Grosso, maior produtor de soja do país e referência na pecuária bovina, e o Pará, que também tem forte atuação nesses setores. "Já o excesso de chuva no Sul é muito prejudicial para o cultivo de arroz, que está concentrado no Rio Grande do Sul", diz Cogo. Além dos riscos climáticos e do aumento do endividamento rural, os produtores brasileiros também enfrentam a alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. Serigati ressalta que os efeitos da alta dos fertilizantes sobre os preços dos alimentos devem chegar ao consumidor apenas em 2027. Isso porque as lavouras colhidas neste ano foram plantadas com adubos comprados antes do início do conflito. No campo, porém, o aumento dos custos já é uma realidade. Isso porque os produtores estão comprando agora os fertilizantes que serão usados nos próximos ciclos de plantio. "Caso o produtor não consiga arcar com o volume necessário de fertilizantes, ele pode aplicar uma quantidade inferior à ideal, o que reduz o potencial de produtividade da safra", diz Serigati. Outra alternativa é reduzir a qualidade do adubo. "Em vez de utilizar fertilizantes mais concentrados, que são mais caros, muitos produtores podem optar por versões menos concentradas, o que também aumenta outros custos da produção", diz o pesquisador da FGV. "Como os fertilizantes menos concentrados exigem a aplicação de um volume maior de produto para garantir a mesma nutrição do solo, cresce a necessidade de transporte e de operações com máquinas agrícolas, o que encarece gastos com frete e óleo diesel", conclui Serigati.

Palavras-chave: tecnologia

Paciente com leucemia morre sem receber remédio já incorporado ao SUS e garantido pela Justiça

Publicado em: 30/05/2026 04:01

Pacientes morrem esperando remédios contra o câncer que o SUS já aprovou Quando Larissa Amorim morreu, aos 33 anos, o remédio que seus médicos consideravam essencial contra a leucemia já existia, já havia passado pela avaliação técnica do governo federal e já integrava as políticas públicas de assistência oncológica. A família também tinha em mãos uma decisão judicial determinando que a União o fornecesse de imediato. Ainda assim, o medicamento nunca chegou. Entre a ordem da Justiça e a morte, passaram-se 59 dias. Larissa deixou dois filhos. O caso não é isolado. A Associação Brasileira de Câncer do Sangue (Abrale) protocolou uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a investigação do que classifica como descumprimento estrutural da política de assistência farmacêutica oncológica: terapias oficialmente incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) seguem fora do alcance de parte dos pacientes meses —e, às vezes, anos— depois de aprovadas. O g1 procurou o Ministério da Saúde. O governo afirma que há um plano de ampliação da oferta de remédios, mas não comenta diretamente o prazo legal nem a representação na Procuradoria (veja mais abaixo). Larissa Amorim morreu aos 33 anos; deixou dois filhos Arquivo Pessoal A aprovação não é o fim da fila A incorporação de um medicamento ao SUS costuma ser lida como o ponto final de um processo. É, no entanto, apenas o encerramento da avaliação científica. Antes de chegar à rede pública, uma terapia passa por análises de eficácia, segurança, custo-benefício e impacto orçamentário conduzidas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). Só então o Ministério da Saúde decide incluí-la nas políticas de saúde. A lei dá ao poder público até 180 dias, depois da decisão de incorporação, para organizar compras, definir protocolos, estruturar a distribuição e preparar a rede. Quando se trata de câncer, o prazo deveria correr em regime prioritário, conforme alteração introduzida na Lei Orgânica da Saúde em 2023. Para as entidades de pacientes, é justamente nesse intervalo que muitos tratamentos ficam parados. A gerente de Políticas Públicas e Advocacy da Abrale, Luana Ferreira Lima, diz que os atrasos se concentram na definição de quem compra, de como se financia e de como se distribui —se a aquisição é centralizada pelo Ministério da Saúde ou feita pelos estados. É nesse trecho que o prazo costuma se perder. "O paciente teria, teoricamente, que ter acesso ao medicamento dentro do prazo de 180 dias. Mas esse prazo se esgota, e ele não recebe o remédio, por questões burocráticas, de operacionalização, de coordenação e de recursos", diz. O resultado é que pacientes aguardam medicamentos cujo benefício o próprio Estado já reconheceu. "Há pacientes morrendo antes de receber medicamentos aos quais já têm direito", afirma. Os números da entidade dão a dimensão do gargalo. A Abrale acompanha hoje 185 pacientes com dificuldade para acessar tratamentos já incorporados. Em 2025, quase metade dos atendimentos de seu serviço sociojurídico —46,49%— envolveu problemas de acesso ao tratamento; desses, 85% eram usuários do SUS. Em mais de um quarto dos casos, a saída foi a Justiça. A associação monitora pelo menos 64 processos relacionados a entraves de acesso. Alguns ultrapassam de longe o prazo legal. Pacientes ainda relatam dificuldade para obter o imunoterápico brentuximabe, incorporado ao SUS em 2019. No câncer, o relógio é parte do tratamento Para quem trata doenças oncológicas de evolução rápida, a espera não é uma questão burocrática. Ela muda o curso da doença. O blinatumomabe, o medicamento que Larissa esperava, é uma imunoterapia que estimula o sistema imunológico a atacar as células leucêmicas que carregam a proteína CD19. Segundo o onco-hematologista e vice-diretor da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Breno Gusmão, ele representou um avanço no tratamento da leucemia linfoblástica aguda —sobretudo quando a doença volta depois de controlada ou não responde à quimioterapia inicial. São esses os quadros mais difíceis, em que as terapias convencionais já falharam. A hematologista Indianara Brandão, da Faculdade de Medicina do ABC, explica que medicamentos como o blinatumomabe funcionam então como uma terapia de resgate e como ponte para o transplante de medula óssea. Mais do que uma alternativa a mais, são uma estratégia desenhada para um momento exato da doença. Quando esse momento passa, a chance pode desaparecer. "Não enxergamos apenas o medicamento. Enxergamos uma oportunidade terapêutica dentro de um momento clínico que está sendo vivido", diz. O atraso, segundo a médica, abre espaço para a progressão da doença, para infecções graves, sangramentos e a perda das condições clínicas necessárias para avançar às etapas seguintes do tratamento. Nem a liminar bastou Larissa Amorim tratava leucemia desde a infância Arquivo Pessoal Larissa foi diagnosticada com leucemia mieloide crônica (LMC) ainda criança, em 2002. Natural da Bahia, passou a se tratar em São Paulo, e manteve a doença sob controle por mais de duas décadas —com um inibidor que, durante anos, chegou às mãos dela por meio de programas de apoio a pacientes. Foi nesse intervalo que se casou e teve dois filhos, Benjamin, hoje com 8 anos, e Sofia, com 7. "Ela era muito sonhadora, queria viver, tinha o sonho de se casar e ser mãe", conta o marido, Murilo Barbosa, promotor de vendas, de 38 anos. A estabilidade terminou em julho de 2025, quando a doença se agudizou e evoluiu para uma forma agressiva, a crise blástica linfoide B. As opções disponíveis no SUS —entre elas imatinibe, nilotinibe e a quimioterapia hyperCVAD associada ao dasatinibe— não contiveram a progressão. Os médicos indicaram então o blinatumomabe, uma imunoterapia já incorporada ao SUS que serviria de ponte para o transplante de medula óssea, em combinação com o ponatinibe. O medicamento, no entanto, não estava disponível. A família foi à Justiça. Teve o primeiro pedido negado e a ação julgada improcedente, mas conseguiu, em segunda instância, uma decisão de urgência determinando o fornecimento imediato. A União foi intimada em 16 de março de 2026. O remédio nunca chegou. Para não deixar Larissa sem tratamento durante a espera, os médicos decidiram repetir um protocolo de quimioterapia pesado, com risco de infecções graves —um ciclo que, segundo médicos ouvidos pelo g1, não precisaria ter sido refeito se a imunoterapia tivesse sido entregue. Ela contraiu uma infecção, precisou ser intubada e morreu em 14 de maio, 59 dias após a intimação. "A oncologia não espera. O câncer não espera", diz Murilo. "Cinquenta e nove dias, para quem tem câncer, é muito." Larissa Amorim tratava leucemia desde a infância Arquivo Pessoal Quatro ordens, nenhum remédio O caso de Larissa não é isolado. Na representação à PGR, a Abrale reúne situações em que decisões judiciais foram descumpridas mesmo diante de risco de morte reconhecido pela própria Justiça. "Mesmo com uma decisão favorável, mesmo com uma tutela antecipada, não há cumprimento por parte da União e dos estados", afirma Luana Ferreira Lima. Em Sergipe, a entidade acompanha [TM1.1]ao menos quatro processos na Justiça Federal. Em um deles, uma paciente com leucemia linfoblástica aguda obteve liminar para receber blinatumomabe em 15 dias; a ordem não foi cumprida e a União informou nos autos que a compra dependeria de uma licitação estimada em cerca de 120 dias —prazo incompatível com a urgência clínica. Em outro, um paciente com linfoma de Hodgkin refratário teve a entrega do brentuximabe determinada em março, sob pena de multa diária[TM2.1], sem comprovação de que o remédio chegou. Há ainda uma paciente com leucemia mieloide crônica e mutação resistente que, mesmo com tutela concedida em 2025 e sentença favorável em fevereiro de 2026, seguia esperando o ponatinibe. Para a Abrale, o padrão se repete em outros estados e revela uma falha que ultrapassa o caso a caso: a judicialização deixou de ser exceção e virou etapa informal do acesso ao tratamento. Um problema que o próprio governo tentou organizar Em 2025, o Ministério da Saúde criou o Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), por meio de portaria, para reorganizar o financiamento, a compra e a distribuição de medicamentos contra o câncer. A medida mirava exatamente os problemas que vinham se acumulando: fragmentação da assistência, desigualdade regional, desabastecimento e o avanço da judicialização. A reorganização concentrou na União boa parte da coordenação. Ainda assim, segundo a representação, persistem demora na entrega, falta de estoque, negativas administrativas e descontinuidade de tratamento. O remédio existe no papel das políticas públicas; falta na ponta. Mais recentemente, o Ministério da Saúde apresentou a um conselho consultivo da política nacional de prevenção e controle do câncer as diretrizes para operacionalizar essa assistência. Luana considera o passo importante, embora tardio e ainda sem prazos firmes de entrega. "Não podemos esperar até que tudo isso se resolva, uma vez que já é um direito do paciente", diz. O problema já chegou aos órgãos de fiscalização. Em auditoria recente, o Tribunal de Contas da União (TCU) avaliou o processo de incorporação de tecnologias no SUS e incluiu entre seus objetivos verificar se as terapias aprovadas estão de fato chegando à população nos prazos previstos. A demora também passou a ter um nome no ordenamento jurídico. O Estatuto dos Direitos do Paciente, sancionado em 2026, assegura o acesso a cuidados de saúde "no tempo oportuno" e estabelece que a violação dos direitos ali previstos configura situação contrária aos direitos humanos. É nesse enquadramento que a Abrale sustenta sua representação: a omissão em entregar o que já foi incorporado deixaria de ser falha administrativa para se tornar lesão a um direito fundamental. O que diz o Ministério da Saúde Procurado, o Ministério da Saúde foi questionado sobre os relatos de falta de acesso a medicamentos já incorporados, sobre o cumprimento do prazo de 180 dias e sobre as denúncias da Abrale à PGR. Em nota, a Pasta detalha um plano de ampliação da oferta de remédios, mas não comenta diretamente o prazo legal nem a representação na Procuradoria. Segundo o ministério, serão disponibilizados outros 23 medicamentos oncológicos de alto custo na rede pública —entre eles a lenalidomida, o asciminibe e o ponatinibe—, de forma gradual a partir de outubro, conforme pactuação com estados e municípios. A Pasta afirma que o investimento é de R$ 2,2 bilhões e que se trata da maior entrega já feita pelo SUS para ampliar o acesso a tratamentos contra o câncer, com aumento de 35% na oferta desses fármacos. De acordo com o órgão, a medida deve resolver pendências que, em alguns casos, chegavam a 12 anos, e beneficiar mais de 112 mil pacientes. Sobre o blinatumomabe, a imunoterapia que Larissa esperava, o ministério afirma que o medicamento já é ofertado pelo SUS por meio das Unidades de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e dos Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon), responsáveis pela compra. A Pasta não esclareceu, porém, por que o remédio não chegou a Larissa, que tinha em mãos uma decisão judicial determinando o fornecimento imediato. O Ministério citou ainda o Componente da Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), criado no ano passado, que, segundo o ministério, unifica os protocolos clínicos, torna a compra mais eficiente e busca reduzir a burocracia e a judicialização no acesso aos remédios.

Palavras-chave: tecnologia

Google DeepMind prevê Inteligência Artificial Geral até 2029 e espera choque na sociedade

Publicado em: 30/05/2026 04:01 Fonte: Tudocelular

O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, prevê que a Inteligência Artificial Geral (AGI) — próxima evolução da IA que seria capaz de igualar ou superar a cognição humana — pode ser alcançada de forma rápida, possivelmente até 2029. O executivo alerta que a velocidade desse avanço já pega governos e empresas de surpresa, e sugere que a sociedade não está preparada para o impacto iminente da mudança.Após a conferência anual de desenvolvedores da gigante das buscas, Hassabis destacou que as inovações recentes não são saltos isolados, mas a prova de que a indústria encontrou um caminho técnico viável. O primeiro grande teste de estresse para a sociedade é o que o CEO chamou de "era dos agentes", já vista em diversas áreas, como o caso do Gemini Spark do próprio Google. Esses sistemas executam tarefas com alto grau de independência em setores cruciais, como programação, produtividade e automação.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: inteligência artificial

Entre o passado nuclear e as terras raras: cidade do Sul de Minas vive novo ciclo mineral 40 anos depois

Publicado em: 30/05/2026 04:00

Cidade mineira que abriga rejeitos radioativos de mineração terá mina de terras raras A exploração de terras raras ao lado de um passivo nuclear deixa o município de Caldas, no Sul de Minas Gerais, dividido entre a promessa de um futuro de desenvolvimento e o temor de repetir os impactos do passado. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Está previsto para entrar em operação no município em 2028 um projeto da empresa australiana Meteoric Resources para explorar uma área de 425 hectares. Batizado de “Projeto Caldeira”, o empreendimento deve processar anualmente 5 milhões de toneladas e gerar 15 mil toneladas anuais de carbonato de terras raras. 🔎 Terras raras são um conjunto de 17 elementos químicos estratégicos fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. O empreendimento deve se tornar um dos mais importantes na corrida por minerais críticos, com capacidade para abastecer 8% da demanda mundial por terras raras. Porém, está nascendo em um território sensível. De um lado, fica a Área de Proteção Ambiental (APA) Pedra Branca e, do outro, a antiga mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (UDC/INB). Inaugurada na década de 1980, a INB produziu 1,5 mil toneladas de concentrado de urânio que abasteceram a usina de Angra I e ajudaram a alavancar o programa nuclear brasileiro. Mina de terras raras será montada ao lado de antiga mina de urânio, em Caldas (MG) Arte/g1 A unidade está desativada desde meados da década de 1990 e em processo de descomissionamento, mas abriga 12 mil toneladas de rejeitos radioativos que vieram da extração de terras raras de areia monazítica da antiga Usina Santo Amaro (USAM), também desativada. O material está distribuído em tambores — armazenados em galpões e no subsolo — e em uma barragem. É uma herança indigesta deixada pela mineração que permanece na memória dos moradores de Caldas e alimenta a desconfiança de que novos empreendimentos possam repetir um ciclo de desenvolvimento temporário seguido de impactos permanentes. “Eu espero só que as autoridades que tenham competência para isso vejam certinho para não prejudicar famílias que vivem da agricultura e não aconteça a mesma coisa que foi com a INB, para a gente ficar só com o lixo depois”, afirma o presidente do Sindicato Rural de Caldas, Messias Sebastião Guimarães. A agricultura é a maior atividade econômica do município, que tem mais de 900 produtores rurais, a maioria de agricultura familiar. Mais de 100 deles estão estabelecidos na região próxima à mina, com plantio de uva, rosas e hortaliças, além da produção de leite. De acordo com Guimarães, os agricultores estão na expectativa para saber como será feita a exploração e quais serão suas consequências. “Ninguém é contra o desenvolvimento. Se não contaminar a água, não prejudicar a agricultura, ninguém tem nada contra, desde que seja feito dentro das normas e deixe todo mundo trabalhar, continuar sua vida”, diz. Estudos apresentados até agora pela empresa e analisados por órgãos reguladores não apontaram risco relevante de radiação relacionado ao empreendimento. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) dispensou, em caráter preliminar, exigências adicionais de controle radiológico para a instalação da mina (leia mais abaixo). Segundo a Meteoric, o projeto foi respaldado por inúmeros estudos que embasaram medidas para minimizar os impactos ambientais. A mineração será feita em superfície, com retirada de argila rasa, sem uso de explosivos e sem barragens de rejeitos. Após a extração, as cavas abertas serão preenchidas com a própria argila tratada. (Leia mais abaixo). Área rural de Caldas (MG) irá receber uma mina de exploração de terras raras Fabiana Assis/g1 O medo de ter a tranquilidade ameaçada Os moradores de Caldas e do distrito de Pocinhos do Rio Verde têm receio dos possíveis impactos cotidianos, como o aumento do tráfego de caminhões, que podem causar riscos à segurança, contaminação das culturas agrícolas com poeira e emissão de partículas. A funcionária pública aposentada Vanda Maria de Carvalho Reis teme que o sonho de vida que começou quando, há 25 anos, comprou propriedade rural em Caldas, esteja ameaçado. A área de 7 hectares, que era sem água, luz ou construções, aos poucos foi se transformando com o cuidado da família. Hoje, além da casa principal, há um espaço alugado para hóspedes, um restaurante e uma mata nativa que quase triplicou de tamanho nas últimas décadas. Vanda Maria de Carvalho Reis teme que área rural que tem há 25 anos e montou um restaurante sofra impactos da mineração de terras raras Fabiana Assis/g1 Há 16 anos, ela se mudou definitivamente para o lugar que chama de “paraíso”, esperando sossego, respirando ar puro e cercada pela natureza após a vida corrida em Campinas (SP). Mas, nos últimos dois anos, a possibilidade da instalação da mina a apenas dois quilômetros da propriedade passou a ser uma apreensão. Quando soube dos projetos de mineração, Vanda passou a participar de reuniões e audiências públicas para entender o que poderia acontecer. No início, acreditava que o projeto poderia ser barrado, mas com o avanço dos processos, a expectativa deu lugar ao desânimo e à sensação de impotência. Ela teme impactos relacionados a trânsito de caminhões, poeira e mudanças nas nascentes, além de perdas econômicas. “Ninguém vai querer vir daqui a uns tempos se isso ficar assim mesmo. Quem vai querer enfrentar poeira e trânsito? Tudo que a gente investiu, tudo que construímos, tudo que plantamos... perde valor, vira sucata.” A percepção de perda veio antes mesmo de qualquer mudança acontecer. “Paralisa a gente. Você pensa em fazer alguma coisa na propriedade, mas se pergunta se vale a pena. A sensação que eu tenho hoje é vontade de ir embora daqui.” Igreja do distrito de Pocinhos do Rio Verde, em Caldas (MG) Fabiana Assis/g1 Preocupação com a radiação De acordo com o presidente da Aliança em Prol da APA Pedra Branca, Daniel Tygel, entre as principais preocupações está a proximidade entre as futuras áreas de escavação e as estruturas ligadas ao antigo complexo nuclear. Segundo o ambientalista, algumas áreas previstas para exploração estariam a aproximadamente dois quilômetros do armazenamento dos rejeitos radioativos, e vibrações, escavações e alterações no terreno poderiam representar riscos às estruturas da antiga mina. "Durante décadas houve uma discussão sobre o descomissionamento daquela área. Agora se fala em movimentação intensa de maquinário pesado e grandes alterações do solo nas proximidades." Outro ponto levantado é a presença natural de elementos radioativos, como urânio e tório, associados às argilas que contêm terras raras. A preocupação é entender como eles poderiam se comportar durante o beneficiamento químico em um processo fechado e repetitivo de extração. "Nosso questionamento nunca foi impedir o aproveitamento dessa riqueza. O que defendemos é racionalidade no processo, planejamento e princípio da precaução", afirma. Ele ainda argumenta que a região possui características geológicas delicadas, com sistemas subterrâneos de circulação de água, além de preocupações relacionadas à drenagem ácida — fenômeno em que a água reage com minerais presentes em rejeitos e pode transportar substâncias químicas e metais para cursos d'água. INB coloca à venda mais de 15 mil toneladas de 'Torta 2' armazenadas em unidade desativada em MG Reprodução EPTV Regras para evitar "nova INB" A própria administração municipal admite que a proposta foi recebida inicialmente com desconfiança. Segundo o prefeito Airton Pereira Goulart (MDB), o histórico da mineração de urânio levantou preocupações. "Pensei: 'mais uma empresa que chega com uma promessa de transformar tudo'. Nós somos ressentidos com a INB e estamos aqui com esse passivo ambiental há 50 anos, e a questão da radiação era a que mais me preocupava. Não é o dinheiro que vem em primeiro lugar, mas o nosso bem-estar." Segundo o prefeito, foram adotadas medidas para evitar problemas futuros e impedir que o município fique desprotegido diante do empreendimento. Mesmo com os pareceres técnicos apontando que os níveis de radiação previstos estariam dentro dos parâmetros aceitos, a prefeitura contratou assessoria especializada em mineração e direito ambiental e investiu cerca de R$ 120 mil em suporte técnico. Também foi firmado um termo de compromisso com a empresa, contendo 46 condicionantes para a implantação da atividade. Entre elas: proibição de atividades dentro da APA, limitação de até três cavas abertas simultaneamente, recuperação progressiva das áreas exploradas, monitoramento de águas superficiais e subterrâneas, controle da qualidade do ar, monitoramento de ruídos e aquisição de bens e serviços de fornecedores locais. "Nós construímos junto com a empresa uma boa relação. A segurança que a gente queria era não ser mais uma INB nas nossas vidas", afirma o prefeito. O município de Caldas (MG), de 14,2 mil habitantes tem uma rotina tranquila no Sul de MG Fabiana Assis/g1 O município de 14,2 mil habitantes espera desenvolvimento. A prefeitura estima arrecadação de aproximadamente R$ 50 milhões em ISS durante a construção da planta industrial. Após o início das operações, a expectativa é de arrecadar cerca de R$ 1,5 milhão por mês em compensações da mineração. Esse valor pode representar aproximadamente 30% do orçamento atual do município. A prefeitura pretende utilizar parte desses recursos para reavivar o turismo na região, que tem várias cachoeiras e fontes de águas termais, na melhoria das estradas rurais, na proteção das nascentes e do meio ambiente, além da própria fiscalização da mineração. Tem planos também de criar um fundo em benefício das três comunidades indígenas do município. É esperado que, quando estiver em atividade, a mina empregue 520 pessoas. Para se ter uma ideia, a prefeitura, maior empregadora do município, tem atualmente 600 servidores. O empresário Alexandre Rocha já foi beneficiado com o aumento no movimento do restaurante que mantém há 20 anos. “Já aumentou bastante com funcionários que trabalham com a empresa. Quando tiver a todo vapor, posso não ter o fornecimento para o funcionalismo, mas poderei ter participação dos familiares deles”, afirma. Ele acredita que a cidade irá se adaptar à nova realidade que promete mudar a rotina do município. “É um mineral que vai ser explorado mundialmente, Caldas vai ter que ceder a essa pressão, não tem como evitar. Vai ter o lado bom e o positivo e o lado negativo. O lado bom é que vai gerar empregos, e o negativo é que também vai ter um pouquinho da destruição ambiental", afirma Rocha. Cidade de Caldas (MG) fica entre montanhas, no Sul de Minas. Município tem 14,2 mil habitantes Prefeitura de Caldas Como vai funcionar a mineração De acordo com o Projeto Caldeira, a extração de terras raras será feita a partir de argila iônica, em uma mina a céu aberto, de mineração rasa e sem uso de explosivos, o que diminui consideravelmente os impactos ambientais e o custo do processo. O sistema de escavação utilizado é o backfill (preenchimento), que consiste em um ciclo contínuo de extração e recuperação ambiental do local minerado. Enquanto uma nova cava é aberta para a extração do minério, cavas abertas anteriormente são preenchidas com argila de onde houve a extração de terras raras. A dinâmica evita a criação de grandes crateras permanentes e elimina a necessidade de barragens de rejeitos, pois o material escavado volta para o próprio terreno. Pelo acordo feito entre a Meteoric e a prefeitura, será permitida a abertura de até três cavas simultaneamente. Já o processo de extração dos elementos terras raras será feito por meio de lixiviação, uma espécie de lavagem da argila. INFOGRÁFICO - Como será a mineração de terras raras no Sul de Minas Arte/g1 O processo técnico de extração, separação dos minerais da argila e recuperação das áreas liberadas segue seis etapas principais: ⛰️ Remoção do solo: retira-se uma camada de 30 a 40 metros de profundidade usando apenas retroescavadeiras, sem necessidade de explosivos. 🪨 Lixiviação (separação terras raras): a argila extraída é lavada com uma solução diluída de sulfato de amônia. Essa solução "libera" os íons de terras raras que estão presos à argila. ⚗️ Separação e precipitação: o líquido contendo os íons de terras raras entra em um circuito fechado para ser transformado em carbonato de terras raras, que concentra os 17 elementos de terras raras. ♻️ Lavagem e reutilização da argila: após a retirada dos minerais, a argila passa por uma nova lavagem em quatro etapas, feita com água limpa, para remover impurezas, e é armazenada temporariamente. 🌳 Recuperação ambiental: a argila limpa é devolvida às cavas pelo sistema backfill (preenchimento), e o terreno é reconstituído com vegetação semelhante à original. Segundo o diretor ambiental da Meteoric, Éder Santo, estudos feitos pela empresa definiram uma metodologia para o fechamento das cavas. “É uma operação de aterro e a gente fez uma série de testes geotécnicos para garantir que esse material fique estável para não desmoronar. Desenvolvemos um conceito de deposição em camadas finas de 30 centímetros, compactando esse material antes de vir com outra camada. Assim, esse backfill não vai gerar nenhum tipo de impacto ambiental ou para a segurança das pessoas”, explicou. De acordo com a mineradora, o sistema é sustentável, consome pouca energia, não utiliza ácidos fortes no estágio de extração e permite que, após cerca de um ano, a área minerada já não apresente "cicatrizes" visíveis no relevo. A professora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Anna Luiza Marques Ayres da Silva, explica que o backfill é uma técnica conhecida e já bastante utilizada em diferentes contextos da mineração, mas sua segurança depende de bom projeto, execução adequada, controle de qualidade e monitoramento. “Sua aplicação deve ser analisada caso a caso, considerando o tipo de minério, o método de lavra, as condições locais e as exigências do licenciamento ambiental. No caso de terras raras, essa análise deve considerar também as características do processamento mineral e do material a ser utilizado no preenchimento, para verificar sua adequação física, química, geotécnica e ambiental.” Amostras de argila e solo com terras raras retiradas em Minas Anova Mineração RCO Mineração Empresa diz que estudos mostram segurança Segundo a Meteoric, estudos técnicos e pareceres de órgãos reguladores apontam que o Projeto Caldeira não apresenta riscos relacionados à radioatividade nem interferência nas atividades da unidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB). De acordo com Santo, análises de concentrações de urânio e tório feitas com 22.450 amostras demonstraram que a radioatividade do material que será minerado está abaixo de 10 bequeréis por grama, que é o limite exigido pela norma de controles de radioproteção. O empreendimento não terá relação com a antiga mina de urânio. Para acalmar a pressão popular, a proposta original, que previa o transporte de minério por uma área pertencente à INB, foi alterada, resultando em um aumento de 30 km no trajeto. “Isso gerava muita discussão. Então decidimos retirar essa parte do projeto e utilizar estradas já existentes”, diz Santo. O gerente também descarta risco de drenagem ácida para os rios porque o processo, segundo ele, está relacionado à rocha e não ocorre na argila iônica. Equipamentos da mineradora Meteoric em posto de combustíveis do distrito de Pocinhos do Rio Verde, em Caldas (MG) Fabiana Assis/g1 Parecer de órgãos reguladores A INB garantiu que a mineração de terras raras não afetará a área da antiga mina e não causará vazamento radioativo, visto que não há previsão de uso do terreno. Informou também que o novo empreendimento não altera o planejamento atualmente previsto para o descomissionamento da UDC, que recebeu a licença ambiental do Ibama para a sua realização em janeiro de 2025. Com base nos estudos e relatórios apresentados pela empresa, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) considerou a instalação da mina isenta de requisitos adicionais de segurança e proteção radiológica, em 2024. Em 2025, a responsabilidade por este tipo de fiscalização foi transferida para a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) que declarou que não vislumbra a possibilidade de interferência do projeto Caldeira nas propriedades da UDC/INB e o isentou de controle regulatório por parte do órgão. A ANSN esclareceu que a avaliação do empreendimento foi conduzida com base no marco normativo brasileiro de proteção radiológica, bem como nas recomendações internacionais. Foram analisados os dados do Relatório de Informações Preliminares (RIP), fornecido pela empresa, relativos às concentrações de atividade total dos radionuclídeos do urânio e do tório nas matérias-primas, nos produtos e nos resíduos gerados pelo empreendimento. A partir dessa análise, concluiu-se que o projeto enquadra-se nos critérios de isenção. Todos os laudos, porém, ressaltam que a isenção tem caráter preliminar e poderá ser revista no início da operação de instalação, que deverá ser acompanhada pelo órgão que irá fazer coletas de amostras para análise. A Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), responsável pelo licenciamento ambiental da mina, disse que a proximidade do Projeto Caldeira com a UDC/INB foi considerada a partir das informações apresentadas nas manifestações ANSN, da CNEN, do Ibama e da INB e que a classificação radiológica de instalações e práticas, a definição de níveis de isenção e a eventual submissão a controle regulatório são matérias de competência da União. "Essas manifestações não indicaram interferência do projeto sobre a UDC/INB, sobre o programa de monitoramento radiológico ambiental executado naquela unidade ou sobre os trabalhos de descomissionamento em andamento", afirmou a Feam em nota. Para além da interação com a INB, a Meteoric afirma que foram investidos mais de R$ 10 milhões em estudos para avaliar o impacto do projeto no meio ambiente, que incluíram monitoramento das águas superficial e subterrânea, avaliação de ruído, levantamentos de fauna e flora, análises de qualidade do ar, estudos de tráfego e avaliação de impactos sobre as águas termais de Pocinhos do Rio Verde, distrito de Caldas. Os estudos resultaram em mais de 6 mil páginas de documentos que foram entregues aos órgãos reguladores. O Ministério Público Federal acompanha o desenrolar do projeto. Em 21 de maio, representantes do MPF estiveram em Caldas. De acordo com o órgão, a visita técnica realizada às instalações da Meteoric e da INB teve caráter apenas informativo. Na visita à Meteoric, o objetivo foi conhecer o local onde será instalada a planta industrial do empreendimento e onde se situará a cava principal de extração, além de entender os processos que a empresa pretende empregar para a obtenção de minerais de terras raras. Já na visita às instalações da INB, o objetivo foi tratar do processo de descomissionamento da unidade. Projeto Caldeira da Meteoric recebe autorização do Conselho Gestor da Área de Preservação Ambiental Santuário Ecológico da Pedra Branca (Congeapa) de Caldas Meteoric/Divulgação Mineração precisa ser fiscalizada, dizem especialistas Na opinião do geólogo Roberto Kozuki, o principal ponto de atenção do Projeto Caldeira não é a proximidade com a INB, mas a forma como a mineração será executada e fiscalizada. O profissional, que por muitos anos foi responsável pela avaliação do impacto da mineração de urânio no lençol freático em Caldas, afirma que a presença de minerais radioativos na região não significa automaticamente risco elevado nas áreas previstas para exploração das argilas iônicas. A real preocupação do geólogo é com o processo de beneficiamento mineral, que, segundo ele, utiliza substâncias químicas de potencial poluidor. Ele ressalta, no entanto, que o risco depende diretamente da condução operacional. “Beneficiamento de minério é de um grau muito alto de risco ambiental, mas, bem conduzido, não há problema. Agora, se não fizer direito, vai contaminar lençóis freáticos, rios. Vai haver prejuízo ambiental.” A professora do Instituto de Física da USP Elisabeth Yoshimura compartilha dessa opinião e alerta que a preocupação não deve se ater somente à INB, mas ao cuidado de não haver vazamento radioativo no processo que será instalado para a retirada de terras raras. "Independentemente da INB, o processamento de terras raras vai gerar um rejeito que é radioativo porque o tório está ali misturado. Onde tem terras raras, tem átomos radioativos. Devolver a terra que sobrou para a cava parece uma boa solução, porque você não cria depósitos e não vai despejar nos rios", diz. Na visão de Kozuki, a preocupação central deveria ser garantir que existam mecanismos claros de cobrança e que envolvam fiscalização, compensações ambientais e sociais e desenvolvimento regional. “Não se barra um empreendimento desse porte. É um material estratégico. O momento é agora, tem que ser explorado, mas tem que ter reversão para a comunidade e não pode deixar impacto ambiental para a região.” Além de todo o debate, a mineração de terras raras já começou a transformar Caldas, antes mesmo do início das escavações, e deixa os moradores na expectativa do que será o futuro. Quarta geração da família que mantém a mais tradicional padaria da cidade há quase 80 anos, Juliano César da Fonseca Barbosa acredita que a mineração de terras raras trará vantagens para a população. “A meu ver, tudo que traz geração de emprego, progresso e renda para a cidade, eu sou super favor. Desde que não agrida o meio ambiente e não seja como a INB que não trouxe nenhum benefício para a cidade.” O geólogo Roberto Kozuki diz que projetos minerais de terras raras têm bons projetos, mas precisam ser fiscalizados Fabiana Assis/g1 Terras raras: tipos e usos Arte/g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

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Uiramutã: como vive a população do município apontado como pior do Brasil em qualidade de vida

Publicado em: 30/05/2026 04:00

Uiramutã: como vive população do município mais ao Norte do Brasil "Deixe nada além de pegadas, tire nada além de fotos, leve nada além de saudades", diz a placa na entrada de Uiramutã, em Roraima, sobre as riquezas naturais do município. É o mesmo lugar que, segundo o Índice de Progresso Social (IPS), do instituto Imazon, tem a pior qualidade de vida do país. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp 📊 Entenda: O IPS mede a qualidade de vida nos municípios com base em 57 indicadores sociais e ambientais reunidos em três áreas: Necessidades Básicas, Bem-Estar e Oportunidades. A nota vai de 0 a 100 e mostra como a população vive, e não somente o quanto a cidade produz ou recebe em investimentos. O Uiramutã tirou 42,44 e ficou no último lugar do país pelo terceiro ano seguido. O título incomoda moradores, que destacam o patrimônio cultural e ambiental do território, marcado por um abandono estrutural histórico. 🏡 Para entender a realidade por trás dos números e o que significa qualidade de vida em Uiramutã, onde 96,6% dos habitantes se autodeclaram indígenas, o g1 foi até a sede do município — principal ponto de acesso a serviços públicos da região, onde ficam a prefeitura, a Câmara Municipal, postos de saúde, comércios, pousadas e um posto da Polícia Militar. "Na minha opinião, essa declaração está errada. Você pode andar meia-noite pela rua e ninguém mexe com você. Diferente de outros lugares", diz Valdinar dos Santos, de 62 anos, um dos moradores ouvidos pela reportagem. Há quase três décadas ele saiu do Piauí e vive na região: "É tanto que eu nem pretendo voltar". "Aqui é sossegado, tem paz, tranquilidade, só precisa de pessoas para tomar conta do município", complementa a comerciante Cristiane Lima, de 47 anos. Ela acredita que embora o Uiramutã seja pacato, é necessário melhorar a gestão pública para progredir nos indicadores. INFOGRÁFICO: raio-x de Uiramutã, município mais ao Norte do Brasil Arte/g1 🗺️ Isolamento geográfico O desafio de viver no Uiramutã começa no trajeto. O município fica na tríplice fronteira do Brasil com a Guiana e a Venezuela, distante mais de 300 km de Boa Vista. Até a sede, a viagem dura mais de seis horas - cinco delas por estradas de terra precárias. Caminhonetes e veículos altos são recomendados para o percurso. O acesso ao Uiramutã parte da BR-174, único trecho asfaltado, e segue pela BR-433. No período de chuvas em Roraima, a estrada de terra fica tomada por lama, buracos e atoleiros. O trajeto piora na RR-171, rodovia estadual que corta a região de serras, onde fica a sede do município. Esse isolamento cobra um preço alto de quem vive na sede do município. No dia da visita, em 22 de maio, o litro da gasolina custava R$ 9,40 e o do diesel, R$ 9,50. É o combustível mais caro do estado. O comerciante Eduardo Lima, de 24 anos, avalia que a estrada é o grande gargalo da economia local. "A estrada nunca mudou", afirma. “Já aconteceu de ficarmos sem mercadoria por conta de alguma ponte que caiu ou quebrou alguma coisa. Os representantes públicos podem fazer alguma coisa, mas não fazem", diz Eduardo. 🚨 A vulnerabilidade descrita por ele reflete a atual crise do município. Nesta quinta-feira (28), a prefeitura de Uiramutã decretou estado de emergência após o transbordamento de rios e igarapés deixar mais de 8,7 mil pessoas (cerca de 56% da população local) isoladas e sem qualquer acesso terrestre. Agora, pelo menos 16 comunidades indígenas do município enfrentam escassez de água potável, perdas agrícolas e paralisação de serviços essenciais. O temporal afetou 10 dos 15 municípios de Roraima e mobilizou uma força-tarefa do governo estadual. Acesso ao Uiramutã passa por duas estradas precárias de terra, a BR-433 e a RR-171, que pioram com as chuvas. João Gabriel Leitão/g1 RR 'Melhor lugar de se viver' Embora o IPS tenha avaliado serviços essenciais, como saúde, saneamento e segurança, a régua de qualidade de vida parece não fazer sentido para quem vive a tranquilidade do Uiramutã, apesar das dificuldades. Nas ruas da vila, o sentimento de pertencimento é forte. Valdinar reforça que as falhas apontadas pelo estudo não anulam o apego de quem escolheu a região como casa. "Não tem como dizer que o Uiramutã é o pior lugar de se viver. Na minha opinião, é o melhor", contesta. Valdinar dos Santos, de 62 anos, mora em Uiramutã há quase três décadas. João Gabriel Leitão/g1 RR A comerciante Cristiane destaca o abandono do poder público em certas áreas, mas exalta a segurança. "Acho que é o único lugar em Roraima em que o seu filho brinca até duas horas da manhã numa praça sem ter assalto". No entanto, ela lamenta que o difícil acesso afasta os visitantes do potencial turístico rico em cachoeiras, corredeiras e áreas preservadas da região que concentra algumas das paisagens mais exuberantes do Norte do país. "As cachoeiras são lindas, mas quem em Boa Vista quer vir passear, não consegue, porque o acesso pela estrada não permite", diz Cristiane. A sensação de tranquilidade descrita pelos moradores da sede do município, no entanto, esconde uma vulnerabilidade que reflete nos indicadores. O município lidera os registros de violência sexual contra crianças e adolescentes indígenas na Amazônia Legal. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta uma taxa de 443,5 casos por 100 mil habitantes, número muito acima da média regional, de 141,3. O levantamento foi divulgado em 2025, com dados coletados entre 2021 e 2023. O Conselho Tutelar aponta que a violência no município ocorre, em grande parte, no ambiente intrafamiliar e em comunidades de difícil acesso. As estradas precárias atrasam o resgate das vítimas e o trabalho de acompanhamento feito pelos únicos cinco conselheiros da cidade e órgãos especializados (entenda mais abaixo). 💧❌ Falta de água e torneiras secas Moradores de alguns bairros da sede do Uiramutã (RR) sofrem diariamente com má distribuição de água na vila. João Gabriel Leitão Ao caminhar pela sede do município, é possível ver obras em andamento, novas calçadas, casas e comércios em construção. A sede possui sinal de telefonia e internet móvel. No entanto, o crescimento esbarra, por exemplo, na falta de saneamento básico e água tratada. A vila possui oito bairros, com casas de alvenaria e de barro, além de ruas com e sem asfalto. No bairro Baixada, um dos mais novos, a falta de energia elétrica e a escassez de água viraram rotina. Moradores relatam passar até cinco dias sem uma gota nas torneiras e improvisam caixas d’água no chão. O vendedor Wilisson Cubilian, de 34 anos, que vive na Baixada com a esposa e dois filhos, estava sem água havia três dias durante a visita. Ao g1, ele contou que a população aguarda há oito anos pela perfuração de um novo poço artesiano. "A gente não tem mais nada a fazer, só esperar a solução deles e do governo. A gente está na serra e tem água nos arredores todinhos, mas aqui é difícil. A gente não paga água, mas precisa", pontua o pai de família. O professor Robson Nascimento, de 46 anos, precisou pagar R$ 50 a caminhões particulares, que extraem água de poços artesianos e vendem em galões de mil litros, para encher um reservatório improvisado em casa. "A gente liga para o responsável da Caer, e ele fala que a gente não paga água, então é por isso que sofre com isso. Eu, pelo menos, ainda posso comprar uma caixa d'água. Mas imagina as famílias mais humildes?", questiona. O vereador Rômulo Lima (PDT), que também mora na região da Baixada, afirma que as demandas foram repassadas ao governo do estado e à prefeitura. "É bastante complicada a situação. Principalmente no período de verão a gente tem muita dificuldade com a água nas comunidades indígenas, e mesmo no período de chuva falta água. Principalmente tratada", explica. O acesso à água foi avaliado no IPS, no quesito de Necessidades Humanas Básicas, que mede se a cidade atende às necessidades essenciais de sobrevivência da população. O Uiramutã ficou com a menor nota do país no quesito. Responsável pelo fornecimento de água, a Companhia de Águas e Esgotos de Roraima (Caer) informou que ampliou o sistema de abastecimento do município nos últimos anos com a construção de cinco poços artesianos, um reservatório e quatro mil metros de rede de distribuição. Para atender aos bairros Baixada e São Francisco, a companhia concluiu a licitação para perfurar mais dois poços e prevê a construção de um novo reservatório de 50 mil litros. 🏛️ Serviços públicos sobrecarregados Sede do Conselho Tutelar do Uiramutã (RR), que opera com apenas cinco conselheiros tutelares. João Gabriel Leitão/g1 RR O tamanho do território e o isolamento logístico sufocam os servidores, que se desdobram para atender as centenas de comunidades isoladas e para entregar serviços essenciais como saúde e proteção social. Em uma das unidades básicas de saúde, a José Júlio, a farmácia estava abastecida e visitas domiciliares eram realizadas por equipes multiprofissionais, segundo a diretora Luana de Carvalho. Contudo, atendimentos mais complexos exigem viagens exaustivas até Boa Vista. "O desafio mesmo é enfrentar a estrada", resume a diretora. Na área de assistência social e proteção às crianças, o cenário revela ainda mais sobrecarga. O município conta com cinco conselheiros tutelares para cobrir todo o território. Um deles é Fábio de Souza. Ele conta que as dificuldades logísticas para alcançar comunidades isoladas atrasam resgates e acompanhamentos. "Às vezes, na comunidade indígena, não é só uma criança dentro do grupo familiar, às vezes são várias. Tanto ela como essas outras crianças têm que ser acompanhadas", lamenta. A rede de apoio a vítimas praticamente não existe. O Centro de Referência de Assistência Social (Cras) funciona com apenas uma assistente social e não conta com psicólogo, assim como o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). A assistente social do Cras, Karlleide Pinho, de 38 anos, conta que a falta de profissionais afeta campanhas preventivas. "As maiores dificuldades que temos são por conta da parte geográfica, e também em relação a profissionais virem para cá", relata. Segundo ela, dois psicólogos e dois assistentes sociais aprovados em um processo seletivo realizado no ano passado desistiram de atuar no município. O que diz a prefeitura Serviços público tem dificuldade em acessar todas as 200 comunidades indígenas do Uiramutã (RR). João Gabriel Leitão/g1 RR Uiramutã não é um município com características comuns. Grande parte dos 13.751 habitantes vive nas 222 comunidades espalhadas pelo território, de mais de 8 mil km², inserido na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A prefeitura, no entanto, pondera que medir o progresso social de comunidades indígenas com os mesmos critérios de áreas urbanizadas pode gerar distorções. A chefe de gabinete do prefeito Tuxaua Benísio (Rede), Eliane Cavalcante, de 40 anos, reconhece os problemas de saneamento e infraestrutura, mas defende que o modo de vida tradicional das comunidades indígenas tem formas próprias de compreender bem-estar e qualidade de vida. "Se a gente for a uma comunidade indígena, não necessariamente não ter sinal de internet ou não ter água encanada significa que seja um lugar ruim de se viver. É um modo cultural”, explica. “Não é só porque não tem sinal de internet nas comunidades [que a qualidade de vida é ruim], as pessoas foram criadas assim. É um município longe, com suas diversidades, suas especificidades. Mas não é um lugar ruim de se viver. Discordo dessa ideia totalmente", defende Eliane. Segundo a chefe de gabinete, no dia da visita, o prefeito estava ausente. Ela informou que a prefeitura busca parcerias para melhorar o cenário do município, mas a gestão lida com a falta de recursos e barreiras ambientais. A prefeitura de Uiramutã também defende que a oferta de serviços às comunidades indígenas também depende das decisões tomadas pelos próprios povos em cada localidade. Segundo o município, a implementação de serviços passa por assembleias comunitárias em que os moradores decidem coletivamente quais estruturas e atendimentos desejam receber. Além disso, a logística da região dificulta a oferta dos serviços. Eliane afirmou que o abastecimento de água é responsabilidade do governo estadual, por meio da Caer, enquanto o município atua na abertura de poços artesianos e busca recursos. Sobre as estradas, destacou que obras em áreas indígenas dependem de aprovações ambientais e das comunidades. "Há uma burocracia muito grande", resume. 🛣️ A responsabilidade pelas rodovias federais, como a BR-433, é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), enquanto as estaduais, são de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura (Seinf). Em nota, o Dnit informou que realiza obras de melhoria na pista da BR-433 para facilitar o tráfego, mas ressaltou que não há contrato vigente para asfaltamento do trecho. Já a Seinf comunicou que a manutenção da RR-171 começa após o período chuvoso e que abriu processo para estudo de viabilidade de pavimentação da rodovia. Cultura não pode justificar abandono, alerta antropóloga A antropóloga Lêda Leitão Martins pondera que indicadores nacionais de qualidade de vida podem, em algum aspecto, não refletir completamente o que significa "viver bem" para povos indígenas, já que comunidades tradicionais possuem outras formas de compreender bem-estar, desenvolvimento e qualidade de vida. "Acho que agentes públicos, políticos usam um discurso cultural pra mascarar violências por parte do Estado brasileiro, ou de agentes do Estado ou de parte de políticas públicas que não são implementadas ou são implementadas de uma forma que traz mais prejuízos do que benefícios", diz. Ela alerta ainda que diferenças culturais não podem ser usadas para justificar ausência de políticas públicas e abandono estrutural dos responsáveis, como é o caso de Uiramutã. "Autonomia e respeito pela questão cultural não significam dizer: 'Os indígenas têm direito à sua cultura, então têm que ficar como sempre viveram e nada pode ser mudado'. Os povos indígenas têm uma capacidade enorme de absorver novas tecnologias, de criar uma inteligência e uma sensibilidade para lidar com conhecimentos novos sem perder quem são." Sede do Uiramutã, município mais ao Norte do Brasil, em Roraima Ronny Alcântara/Rede Amazônica Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

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CEOs do setor de IA tentam conter temor sobre desemprego em massa causado pela tecnologia

Publicado em: 30/05/2026 03:00

Jensen Huang, CEO da Nvidia, durante conferência da empresa em 17 de março de 2026 Reuters/Carlos Barria Os empresários mais influentes do setor de inteligência artificial (IA) começaram a moderar o tom de previsões alarmistas sobre um suposto desemprego em massa causado pela tecnologia, em meio ao aumento da resistência pública às transformações prometidas para o mercado de trabalho. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Os CEOs da Nvidia, Jensen Huang, e da OpenAI, Sam Altman — cujas declarações anteriores ajudaram a alimentar preocupações sobre os impactos da IA na sociedade — agora afirmam que parte dos alertas apocalípticos foi exagerada ou até oportunista. Em entrevista à Channel News Asia na segunda-feira (25), Huang criticou diretamente executivos que associam demissões recentes ao avanço da IA. “A narrativa que vincula a IA à perda de empregos, para muitos CEOs, é simplesmente conveniente demais”, afirmou. Agora no g1 “A IA acabou de chegar. Como é possível que já estejam perdendo empregos por causa dela?”, questionou Huang, que há anos defende que a tecnologia criará tantos postos de trabalho quanto eliminará. O executivo também rebateu previsões mais catastróficas do setor e disse que a recente onda de demissões em grandes empresas não foi provocada pela inteligência artificial. “Como é possível que a IA tenha se tornado realmente útil há apenas seis meses e, ainda assim, empresas digam que demitem pessoas por causa dela há dois anos? Isso não faz sentido”, declarou. “Era apenas uma forma de parecerem espertos, e eu detesto isso profundamente. Estamos assustando as pessoas de forma irresponsável”, acrescentou. Mea-culpa de Altman Na semana passada, o banco britânico Standard Chartered anunciou planos para cortar milhares de empregos até 2030, alegando que a inteligência artificial substituirá funcionários em diversas funções administrativas. Já a empresa responsável pelo Snapchat eliminou mil vagas no mês passado, afirmando que a IA aumentou a eficiência operacional enquanto a companhia busca rentabilidade. Sam Altman, CEO da OpenAI, também recuou parcialmente de previsões anteriores. Durante a conferência Accelerate AI, promovida pelo Commonwealth Bank of Australia em Sydney, ele afirmou que o avanço da IA não provocará o “apocalipse do emprego” previsto por parte da indústria — incluindo a própria OpenAI. “Eu achei que já teríamos visto um impacto maior sobre cargos executivos de nível inicial do que realmente ocorreu”, disse Altman, segundo o jornal The Australian. “Hoje entendo melhor por que isso não aconteceu — felizmente. Minhas intuições nessa área estavam erradas”, completou. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, também suavizou o discurso. Recentemente, ele afirmou que, mesmo em um cenário em que 90% dos empregos sejam automatizados, os 10% restantes continuariam nas mãos de trabalhadores humanos, que seriam muito mais produtivos com o apoio da IA. Amodei há anos é alvo de críticas de rivais do setor, que o consideram excessivamente pessimista em relação aos riscos da tecnologia, apesar do sucesso comercial da Anthropic. No ano passado, Huang chegou a afirmar que discorda “de quase tudo o que ele diz”, em referência ao executivo. As mudanças de discurso de Altman e Amodei ocorrem em um momento em que OpenAI e Anthropic se preparam para possíveis aberturas de capital na bolsa, operações que dependem de forte apoio de investidores. Enquanto isso, o tom alarmista adotado anteriormente por parte da indústria começa a gerar reação negativa. Pesquisas de opinião indicam crescente desconforto do público — especialmente nos Estados Unidos — com a possibilidade de uma transformação profunda do mercado de trabalho impulsionada pela IA. Nesta quarta-feira (27), a governadora do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Lisa Cook, alertou que os efeitos mais profundos da inteligência artificial sobre o emprego ainda podem estar por vir. “Podemos estar nos aproximando da reorganização do trabalho mais importante em gerações”, afirmou durante discurso na Universidade Stanford. Segundo Cook, as perdas de empregos relacionadas à IA podem ocorrer antes que os ganhos prometidos pela tecnologia se concretizem, embora a perspectiva de longo prazo continue sendo considerada positiva. Até o momento, porém, a maioria das instituições econômicas — entre elas o Banco Central Europeu — avalia que os impactos da inteligência artificial sobre o emprego seguem limitados. LEIA TAMBÉM: Inteligência Artificial já reduz emprego entre jovens no Brasil e ameaça formação profissional