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Dia da Consciência Negra: conheça cinco mulheres negras que fazem a diferença na cultura, na política e na ciência, em Goiás

Publicado em: 20/11/2025 04:01

Dia da Consciência Negra: conheça cinco mulheres negras que fazem a diferença em GO Em Goiás, mulheres negras fazem a diferença na cultura, na política e na ciência. A data de 20 de novembro é marcada por um processo de luta e reivindicação de direitos. No Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, o g1 preparou uma reportagem especial para contar a história de cinco mulheres que contribuem para o reconhecimento da comunidade negra no estado. O 20 de novembro não é visto como um dia de celebração pela comunidade negra, mas sim como um marco de luta contra o período de escravização e de reivindicação por direitos essenciais. Desde dezembro de 2023, o dia é considerado feriado no Brasil, após a mudança aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp A data relembra a morte do líder Zumbi dos Palmares, que esteve à frente do maior quilombo do período colonial brasileiro. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura (Minc), Zumbi nasceu em 1655 no Quilombo dos Palmares, sendo capturado ainda criança e entregue a religiosos. Na adolescência, ele fugiu e retornou ao quilombo, onde passou a lutar pela defesa de seu povo. O quilombo reunia cerca de 16 comunidades e foi destruído em 1694. No mesmo ano, Zumbi acabou morto e decapitado em 20 de novembro, na Serra da Barriga, conforme relatado pela fundação. A data se tornou anos depois um símbolo de resistência negra. Em território goiano, 54,18% da população se autodeclara parda, 36,24% branca e 9,19%, pretos, segundo dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um levantamento do IBGE mostrou que o número de pessoas que se autodeclaram pretas em Goiás aumentou mais de 65% em 12 anos, passando de 391 mil em 2010 para 648 mil em 2022. Embora seja maioria, a população negra ainda é alvo do racismo e de processos de exclusão e invisibilidade. No entanto, na linha de frente estão pessoas dispostas a transformar essa realidade. Confira a seguir algumas mulheres que atuam em Goiás: Anita Canavarro A professora, pesquisadora, poetisa e ativista Anna Maria Canavarro Benite, de 46 anos, nasceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, um bairro predominantemente negro. Atualmente, ela mora em Goiânia, é ativista do Grupo de Mulheres Negras Dandaras no Cerrado, mãe do Igor, Tomas e Sofia e uma mulher de terreiro. Anita, como é conhecida, coordena o Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão (LPEQI) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na mesma unidade, em 2009, ela implantou o Grupo de Estudos sobre Descolonização do Currículo de Ciências (Coletivo CIATA). Anita Canavarro, em Goiás Reprodução/Instagram Pós-Graduação UFG Ao g1, a educadora explicou que sua trajetória acadêmica começou assim como a de outras meninas negras, que compreendem que a escola é um caminho de transformação social. Mesmo sem ter uma referência, a educação foi uma via possível de mobilidade em um contexto de dificuldades. “A escola representava esse lugar da gente se tornar alguém”, disse. Anita estudou em escola pública, cursou licenciatura em química no período noturno porque, na época, ela precisava conciliar estudos e trabalho. Posteriormente, a jovem se tornou mestre e doutora, trabalhando a partir da modelagem de fármacos para doenças negligenciadas que atingem a população negra. A história de Anita se conecta ao projeto Investiga Menina a partir da percepção de que outras jovens deveriam ter acesso a referências que ela não teve. “Se eu tivesse conhecido outras mulheres negras e as possibilidades que elas tiveram; se soubesse que fazem pesquisa de ponta e como isso impacta… minha autoestima, minha capacidade de escolha… tudo isso teria sido influenciado”, afirmou. O Investiga foi fundado pela professora há 10 anos, em 2015, a partir do desejo de levar meninas para as carreiras em ciências exatas e tecnológicas, permitindo que façam escolhas para além das áreas de subordinação. O projeto atua em escolas públicas transformando o ensino de ciências por meio de intervenções nas aulas que colocam cientistas negras no centro do conteúdo, usando experimentos, debates e materiais adaptados, auxilia na formação de professores da rede pública e promove encontros com cientistas negras que inspiram as alunas. Atualmente, a iniciativa atende diversas cidades, como Senador Canedo, Bela Vista de Goiás, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Jataí e Goiânia. “Nós temos cerca de 100 bolsistas distribuídas pela cidade”, disse Anita. O grupo venceu um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltado a meninas e mulheres na ciência, com uma proposta que dialoga entre conhecimento científico e tradicional. Em 2024, o Investiga Menina foi finalista do prêmio Luz na Educação - LED, realizado pela Globo e pela Fundação Roberto Marinho. De acordo com Anita, o projeto já alcança cerca de 4 mil estudantes da educação básica. Apesar dos avanços, ela apontou que ainda há muito a ser feito. “Nós ainda não somos um número que gostaríamos de ser, mas somos um número melhor do que o projetado para nós dentro dos laboratórios e grupos de pesquisa”, ressaltou. Para ela, é necessário redimensionar e ampliar a presença de meninas e mulheres negras na ciência, reforçando o diálogo entre universidade e escola. Em Goiás, a construção de currículos negro-referenciados tem contribuído para transformar a formação científica. “É um investimento pesado em mais meninas negras, mais mulheres negras e homens negros”, pontuou a pesquisadora. “O salto que a ciência pode dar se tivermos mais mulheres negras produzindo ciência é um salto de inovação”, defendeu. Segundo ela, os modelos científicos produzidos a partir de perspectivas únicas são incapazes de responder aos problemas sociais. A pesquisadora lembrou que o Brasil é o 13º país em produção científica, mas ocupa a 79ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse descompasso está relacionado ao perfil de quem produz o conhecimento: “A maioria ainda são sujeitos universais, que ensinam ciências descoladas das relações sociais”. De acordo com Anita, quanto mais marcadores sociais um corpo tiver, maior será a sua interdição. No entanto, o Investiga Menina trabalha para mudar esse quadro, inserindo mulheres negras nos currículos científicos e trazendo pesquisadoras negras como referência para que as estudantes aprendam ciência a partir dessas histórias. “A ideia é formar novas gerações desde a educação básica, garantindo que esses novos quadros avancem com segurança e contem com redes de apoio efetivas”, declarou a professora. Caiene Reinier Caiene Reinier Freitas Alvarenga, 31 anos, se apresenta como “a primeira travesti negra formada em Engenharia Ambiental e Sanitária na Universidade Federal de Goiás”. A sua trajetória acadêmica começou em 2012, no curso de matemática da UFG, onde teve suas primeiras experiências como monitora e aprendeu sobre acessibilidade, cuidado e mediação pedagógica. Em 2013, Caiene foi selecionada para o Programa de Licenciaturas Internacionais e estudou na Universidade de Coimbra, em Portugal. Segundo ela, a experiência ampliou seu olhar para desigualdades sociais e ambientais. De volta ao Brasil, ela enfrentou episódios de racismo e transfobia, momento em que reconstruiu sua trajetória. Anos depois, a jovem ingressou no curso de Engenharia Ambiental e Sanitária. Caiene Reiner, em Goiás Reprodução/Instagram de Caiene Reiner As pesquisas desenvolvidas por Caiene, que abordam o racismo ambiental e saneamento básico, ganharam alcance nacional e foram premiadas pela Fundação Tide Setubal e pelo Itaú Cultural. “Minha trajetória nasce de um compromisso: transformar a dor em possibilidade, e a ciência em ferramenta de justiça social e ambiental”, resume. Atualmente, a pesquisadora atua em três frentes que tensionam e reconfiguram a ciência produzida em Goiás. No mestrado, pesquisa racismo ambiental e saneamento básico a partir de dados do Censo 2022, analisando como raça, renda e espaço moldam desigualdades invisibilizadas nas políticas urbanas. “O geoprocessamento e a estatística espacial permitem diagnósticos inéditos sobre acesso à água, esgoto, drenagem e resíduos”, afirma. Como Agente Griô, um projeto dedicado à formação de agentes territoriais de promoção da igualdade racial do Ministério da Igualdade Racial (MIR), ela produz ações educativas que incorporam saberes afro-brasileiros e indígenas ao debate científico, enfrentando o epistemicídio. No Coletivo Xica Manicongo, Caiene trabalha com dados e documentos sobre permanência estudantil, políticas afirmativas e condições de vida da população trans, tendo contribuído para a implementação das cotas trans na UFG. No projeto nacional Conversas entre Meninas e Engenheiras, ela atua para ampliar a presença de meninas, sobretudo negras e periféricas, nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. “Busco reconfigurar a ciência para que ela deixe de ser espaço de exclusão e se torne território de criação coletiva, justiça e liberdade”, disse. Para Caiene, onde há mulheres negras, há transformação. “É a nossa presença que tensiona currículos, metodologias e políticas públicas”, afirmou. A estudante destacou o salto que a ciência goiana poderia dar com financiamento, infraestrutura e mentoria para meninas e pesquisadoras negras. Segundo ela, isso permitiria uma revolução epistemológica, com novas perguntas, métodos e prioridades centradas no cuidado, na justiça e no território, além de abrir espaço para inovação tecnológica enraizada no Cerrado. Com ambientes acadêmicos menos violentos e mais diversos, Caiene acredita que meninas negras poderiam permanecer, liderar e romper ciclos de evasão. Isso resultaria em novas lideranças capazes de moldar políticas ambientais, urbanas, tecnológicas e sociais em Goiás. “A ciência goiana seria mais humana, mais inteligente e mais conectada com o mundo real”, declarou. LEIA TAMBÉM: Veja o que abre e o que fecha no feriado do Dia da Consciência Negra, em Goiânia Líder quilombola, benzedeira e parteira: Saiba quem é a goiana que já foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz Elenízia da Mata Elenízia da Mata, de 43 anos, é uma mulher negra na luta por justiça social, atual Secretária de Igualdade e Equidade Étnico-Racial da Prefeitura de Goiás e mãe. Natural de Goiânia, ela nasceu no quilombo Alto Santana. Na infância, a sua mãe trabalhava como empregada doméstica, enquanto o pai atuava como eletricista. Ao g1, Elenízia detalhou que, após retornar com a família para o interior, participou de ações coletivas como o Movimento Sem Terra, grupos religiosos e associações de bairro, espaços que moldaram sua visão de luta coletiva. Elenízia da Mata, em Goiás Reprodução/Instagram de Elenízia da Mata Ao retornar para Goiânia para cursar o ensino médio e a faculdade, ela contou ter se aproximado de coletivos de arte, cultura e religiosidade. “Eu declamava poemas, cantava, e fui criando uma rede com fazedores de cultura, me vinculando à universidade e aos coletivos, inclusive ao movimento negro”, explicou. A partir dessas vivências, Elenízia consolidou a sua compreensão sobre desigualdades sociais e sobre a importância da organização política de pessoas negras. A sua atuação é resultado de um legado familiar e da consciência de que era preciso ocupar espaços sub-representados para combater injustiças históricas, especialmente sendo uma mulher negra. “Ser mulher negra e quilombola amplia os desafios. Estar na frente da luta é o que sobra para nós”, ressaltou. Para Elenízia, a exclusão de mulheres negras na política é histórica e permanece devido à falta de recursos, redes de apoio e referências positivas. Ela argumentou que, na prática, o racismo estrutural dificulta que as ativistas tenham tempo, mobilidade e segurança para disputar cargos. “Falta tempo para pensar em revolução”, destacou. Ao imaginar um cenário em que mais mulheres negras ocupassem posições de poder, Elenízia afirmou que isso fortaleceria a democracia. “Se somos a maioria, deveríamos estar presentificadas, e não apenas representadas”, disse. “Apesar dos desafios, não haverá vitória sem luta. Que as mulheres se comprometam a votar em mulheres no próximo pleito, que apoiem lideranças com agendas que respeitem gênero e raça”, afirmou a secretária ao g1. Nyna Koxta Saturnina da Costa, mais conhecida como Nyna Coxta, de 36 anos, nasceu em Guiné-Bissau e vive no Brasil há 14 anos. Ao g1, ela relatou que chegou ao país em 2012 para estudar, onde se formou em Ecologia e Análise Ambiental pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fez especialização em educação inclusiva com ênfase em surdez e libras e cursou modelagem, corte e costura. Mãe de Ninara Bethany, de 4 anos, ela também é CEO da marca Nina Costa Moda Africana. A estilista lembrou que o primeiro empurrão veio quase por acidente, quando uma amiga pediu que ela encapasse um sapato com tecido africano. “Nunca tinha feito isso. Me deram tecido, sapato e cola. Fiz. E ali entendi que podia virar um negócio”, disse. Nyna Koxta, em Goiás Reprodução/Instagram de Nyna Koxta Depois dessa experiência, ela decidiu fabricar sapatos do zero. Dessa forma, a marca nasceu. A partir dos sapatos, vieram bolsas, carteiras e roupas. No início, uma costureira fazia as peças, até Nyna concluir a sua formação e começar a costurar sozinha. Segundo a empresária, para além da questão financeira, a marca viabiliza projetos sociais. Um deles é o Moda Inclusiva na Passarela, um desfile com mulheres em tratamento oncológico e pessoas com deficiência. Há ainda o Dia da Criança Negra, criado para aproximar crianças pretas de mulheres e homens negros que ocupam espaços de poder. “Quero que elas vejam que podem ser médicas, juízas, professoras, promotoras. A gente fala de autoestima, cabelo, cuidado. É lindo”, contou. Difundir a cultura africana no Brasil é, para ela, missão e reencontro. “Quando visto pessoas negras, sinto que conecto elas com a ancestralidade. Elas se sentem rainhas e reis.” Essa filosofia se une à sua formação ambiental: “Faço moda sustentável. Não desperdiço tecido. Aproveito até o último pedaço.” Nyna também é conhecida pela sua atuação na cozinha. Em 2025, ela participou do reality Jogo de Panelas do Programa Mais Você e terminou em segundo lugar. Para ela, a experiência foi enriquecedora. “Pude mostrar minha cultura na comida, na roupa, na música, na capoeira, na matriz africana. Aprendi sabores goianos e me diverti”, relatou. Atualmete, Nyna se define como uma estilista autodidata e segue multiplicando funções como ecóloga, ativista social, trançadeira e produtora de eventos. Além disso, ela trabalha no gabinete do vereador Fabrício Rosa (PT), como assessora de articulação política, assistência técnica e imigração, além de atuar no combate ao tráfico de pessoas e em pautas ambientais. “As pessoas não estão acostumadas a ver pessoas pretas no poder. E não gostam. Vão fazer de tudo para impedir”, ressaltou. Ela encara o ambiente político como desafio diário: “Chego para mostrar que sou uma mulher negra africana. Minha vestimenta fala antes de mim. É intencional. É marca pessoal.” Segundo a assessora, o poder público, não costuma enxergar pessoas negras nesses postos. “É difícil ocupar esse espaço, mas necessário. É casa de lei, é pública. Todo mundo deveria caber ali”, defendeu. Renata Caetano Aos 52 anos, Renata Caetano é atriz, artesã, empreendedora e mãe. Em 1993, por orientação psicológica, ela mergulhou no teatro para enfrentar a timidez e encontrou a sua vocação. Desde então, o palco se tornou a sua profissão. Ao longo dos anos Renata, navegou por várias áreas da cena: escreveu peças, criou figurinos e deu aulas entre 2003 e 2007, acumulando experiência pedagógica. A partir de 2012, entrou no universo do audiovisual e participou de uma produção Brasil–Espanha. Essa trajetória multifacetada, ancorada no teatro, abriu portas para novas frentes, como a elaboração de projetos culturais. Renata Caetano, em Goiás Yanca Cristina/g1 Goiás Para além das telas, Renata Caetano é fundadora da Coletiva Preta, uma associação e ponto de cultura que nasceu em 2021 e incentiva empreendimentos de impacto socioambiental produzido por mulheres negras. Para ela, idealizar o grupo foi uma experiência transformadora. Em 2022, a artista foi diretora pela primeira vez na peça "Contos de Cativeiro". Somente em 2024, Renata participou de sete produções no audiovisual. Ao g1, ela contou da alegria de participar de “Levanta, Regiane”, um projeto da Globoplay, que foi exibido na Tela Quente, na TV Globo, e foi assistido por 15,9 milhões de brasileiros, a maior audiência de um telefilme no ano. Ainda em 2024, Renata passou em um teste para o filme “Solina”, escrito e dirigido pela diretora Larissa Fernandes. Segundo a atriz, o filme é “potente, representativo, com um fantástico incrível” e foi gravado no Vão de Almas, dentro do território do Quilombo Kalunga, em Cavalcante. Nessa experiência, os atores moraram com os moradores durante um mês. No projeto, cerca de 90% da equipe era preta, tendo como protagonista a atriz global Duda Santos. “É a gente convivendo com a gente, falando da gente. É isso que a gente almeja: que as dramaturgias falem do povo negro e que o povo negro possa produzi-las”, ressaltou. Ao voltar das filmagens, Renata recebeu a notícia de que faria a sua primeira novela. Ela está no elenco da próxima novela das 19h da Globo. “Coração Acelerado” tem como foco a música sertaneja, em um universo marcado pelas paisagens e sons de Goiás. Estão no elenco os atores Filipe Bragança e Isabelle Drummond. Mesmo ocupando papéis de destaque ao longo dos 30 anos de carreira, Renata afirmou ter percebido avanços lentos na representação de artistas negras na área. Em Goiás, a situação é ainda mais frágil. “Se eu falar das atrizes de 50+ em Goiânia, não sei se são quatro. Para um país com 50% de população negra, a conta não fecha”, afirmou. Renata destacou que o estado precisa se unir e produzir mais profissionais negros em todas as frentes. “Precisamos seguir. E espero que essas produções reverberem mais na cena do Centro-Oeste”. Para a artista, tudo se constrói no coletivo: “Sozinha até vai, mas demora. No coletivo a gente se organiza para falar de direitos, de trabalho digno, de ocupar espaços. E isso só faz sentido quando esse espaço tem valor e reverbera”, finalizou. Sonia Cleide O nome de Sonia Cleide Ferreira da Silva está marcado na história da luta antirracista em Goiás. Aos 54 anos, ela é natural de Jataí, na região sudoeste do estado. Conhecida como Sonia Cleide, ela se apresenta como uma mulher negra, filha de Teodorico Ferreira da Silva e Erundina Ferreira da Silva. É mãe do Daniel, lésbica e casada há mais de 15 anos. Ela é uma das ativistas pioneiras na luta do movimento negro e feminista no estado. Em 1998, foi co-fundadora do Grupo de Mulheres Negras Malunga e esteve presente na fundação da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), além de ter atuado como Superintendente de Igualdade Racial de Goiás entre 2009 a 2011. Sonia Cleide, em Goiás Yanca Cristina/g1 Goiás Em 2024, Sonia se candidatou como vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Goiânia, mas não foi eleita. Ao g1, ela explicou que sua formação política começou dentro da família, desde que nasceu. “Eu venho de um pai e de uma mãe negra… Eu nasci dentro dessa família que a gente já discutia a questão racial e discutia a questão política”, disse. A sua trajetória ganhou corpo na década de 1980, quando se mudou para Goiânia e passou a refletir sobre sua identidade e a sentir o peso do racismo. Há mais de 25 anos na luta contra a descriminação, Sonia contou que o Grupo Malunga foi criado com o objetivo de ser um espaço de fortalecimento para mulheres negras. “O Malunga é meu chão. Sempre foi meu chão. É a minha escola, a minha política, a minha comunidade, o meu território de resistência”, afirmou. Ao tratar dos avanços e desafios enfrentados por mulheres negras na política, a ativista destacou que houve conquistas importantes em temas como saúde da população negra, intolerância religiosa, representatividade e violência política. Entretanto, ela considera que os retrocessos ainda são maiores do que os avanços: “O racismo e o sexismo são estruturais… a violência política é cotidiana”. Para Sonia, as mulheres negras atuam nos movimentos sociais, nas ruas, nos coletivos, nos terreiros e no serviço público, mas seguem sub-representadas nos espaços formais de poder. “A gente não tem uma vereadora preta, não tem uma deputada preta”, ressaltou. Ela explicou que o trabalho realizado por coletivos tenta fortalecer a base, estimular rodas de conversa e manter as pautas do movimento negro na agenda pública. Ela destacou ainda a importância da Marcha das Mulheres Negras, no dia 25 de novembro, em Brasília. As principais reivindicações incluem o enfrentamento ao racismo estrutural, à violência política e ao feminicídio, além da defesa das religiões de matriz africana, segurança alimentar, fortalecimento da juventude negra e garantia de direitos. “Eu estou marchando porque cada vida negra importa”, concluiu. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

Palavras-chave: tecnologia

Menos arroto de boi: conheça sistema desenvolvido na Amazônia que reduz emissão de metano

Publicado em: 20/11/2025 03:01

O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global? A pecuária ainda é a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil. Mas já existem técnicas capazes de reduzir esse impacto e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade. Criado na Amazônia, o Sistema Guaxupé reduz a produção de metano, gás liberado no arroto e no pum do gado. Entenda mais abaixo. A técnica desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi considerada uma alternativa que une sustentabilidade e rentabilidade por Ricardo Abramovay, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados e do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), no podcast O Assunto da segunda-feira (10). O protagonista desse sistema é o amendoim, mas não é aquele que a gente come: se trata do amendoim forrageiro, que funciona como capim. Ele também ajuda a diminuir o uso de agrotóxicos na lavoura. Isso porque deixa o solo mais nutritivo e dificulta o crescimento de plantas daninhas. Contudo, o cultivo não pode ser usado em qualquer área. Seu desenvolvimento precisa de solos bem úmidos. O investimento inicial também pode ser mais elevado para o produtor, já que a planta é mais rara de se encontrar e demora mais para se desenvolver, explica Daniel Lambertucci, chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa. Amendoim forrageiro Divulgação Embrapa Como funciona o Sistema Guaxupé O Sistema Guaxupé é formado por quatro pilares. Confira quais são a seguir. ➡️Diversificação inteligente das espécies forrageiras ou capim: consiste em plantar a pastagem certa para cada tipo de solo na propriedade. "Sempre você tem uma área mais baixa, que é mais úmida, uma área mais alta, que é mais seca, e quando você usa diferentes tipos de capim, você diminui a chance de erro", explica o pesquisador. Além disso, ele afirma que, quando é plantada uma variedade só, há mais riscos de uma praga ou doença dizimar a lavoura. Quando há diversidade, algumas espécies podem resistir, mantendo a produtividade. ➡️Autossuficiência em nitrogênio com o amendoim forrageiro: o nitrogênio é o principal nutriente do solo para manter a pastagem produtiva. O amendoim forrageiro fixa o nitrogênio da atmosfera, que é rico em proteína, no solo. Esse processo também ajuda no ganho de peso do gado. ➡️Tolerância zero com plantas daninhas: o pecuarista precisa manter o pasto sempre limpo, sem deixar que plantas invasoras cresçam. ➡️Pasto bem manejado e gado bem alimentado o ano inteiro: para isso, o pecuarista não pode colocar mais cabeças na fazenda do que ela suporta. "O que causa degradação de pastagens é o excesso de gado na propriedade", diz Lambertucci. Leia também: O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global? Gramínea X leguminosa Existem dois tipos de plantas que podem ser usados no pasto: as gramíneas e as leguminosas. 🌱Gramíneas: são os capins que vêm na cabeça quando pensamos em pasto, que têm folhas mais finas. Elas acumulam carbono e produzem volume de massa rapidamente, porém com menos valor nutricional. Gramínea forrageira Divulgação Embrapa 🌱Leguminosas: não se trata de cenoura e batata, mas de um tipo de planta que tem folhas mais largas. Também existem árvores que são leguminosas. Essa categoria é mais nutritiva para o animal. Novo amendoim forrageiro tem mais proteína e produtividade em três biomas Arquivo/Embrapa As leguminosas possuem nas raízes bactérias fixadoras de nitrogênio, que permitem que haja a transferência do nitrogênio na atmosfera para o solo. Esse processo é conhecido como "adubação verde", já que, ao nutrir a terra, não há necessidade do uso de fertilizantes químicos, como a ureia. Outro ponto positivo é que, por ser nutritivo também para o gado, ele vai engordar mais rápido e vai ser abatido mais cedo. Como resultado, há uma queda na emissão de gases do efeito estufa por quilo do animal. O amendoim forrageiro também tem componentes que afetam o processo de ruminação e diminuem a produção de metano. Ao gerar menos metano, o gasto de energia do animal também diminui, aumentando a sua produtividade. Outra característica do amendoim forrageiro é que ele se espalha pelo solo, não dando espaço para ervas daninhas. Sem precisar lidar com as plantas invasoras, o criador usa menos agrotóxico. "Ao longo do tempo, o produtor gasta menos com manutenção de pastagem com herbicida, tornando a pecuária mais limpa e menos agressiva ao meio ambiente", diz o pesquisador. Saiba também: Brasil sem tilápia? Entenda o que significa a inclusão do peixe em lista de espécies invasoras Para além da Amazônia O Sistema Guaxupé surgiu depois de vários produtores do Acre relatarem que seu pasto estava morrendo afogado. O problema ficou conhecido como Síndrome da Morte do Braquiarão, uma vez que a gramínea mais usada para pastagem é a braquiária. Na pesquisa, foi descoberto que as leguminosas resistem mais a solos úmidos, como o da Amazônia. O sistema funciona em qualquer ambiente similar, como o litoral brasileiro, a Mata Atlântica e algumas áreas do Cerrado. Contudo, os produtores que decidirem começar a usar o amendoim forrageiro precisam de paciência: o desenvolvimento é lento e o custo inicial é mais elevado. Isso porque existem poucos lugares que fornecem as sementes e a colheita ainda é manual. Leia mais: Pecuária que preserva, cacau que refloresta: como o dinheiro do clima chega ao campo Quanto custa conter o aquecimento global e quem banca sustentabilidade no campo O que a pecuária tem a ver com o desmatamento da Amazônia? Os guardiões do campo nativo: como pequenos pecuaristas estão regenerando o Pampa

Palavras-chave: tecnologia

Windows 11 ganha modo de agentes de IA nativos e gera reação por privacidade e segurança

Publicado em: 20/11/2025 02:10 Fonte: Tudocelular

A Microsoft apresentou em novembro de 2025, nos canais Insider do Windows 11, um conjunto de recursos experimentais que transforma o sistema em uma plataforma “nativa de IA”, com agentes automáticos que acessam arquivos em um ambiente isolado para executar tarefas em segundo plano, o que provocou críticas por possíveis impactos em segurança, privacidade e pela prioridade dada pela empresa a esse tipo de função.O Gigante de Redmond incluiu no Windows 11 Insider Preview Build 26220.7262 uma nova opção em Configurações chamada “Experimental agentic features”. Quando ativada, essa opção cria um ambiente de trabalho separado, o chamado “Agent Workspace”, pensado para abrigar agentes de inteligência artificial que atuam de forma autônoma no sistema.Segundo a documentação do programa Insider, o novo ambiente funciona como uma área de trabalho adicional e isolada, comparável ao Windows Sandbox, porém com um mecanismo que a Microsoft descreve como mais eficiente do que uma máquina virtual. Nesta fase inicial, o recurso aparece apenas como um interruptor e ainda não oferece funcionalidades práticas ao usuário.Clique aqui para ler mais

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Clínica é inaugurada com serviços inéditos para a saúde em Petrópolis

Publicado em: 20/11/2025 00:04

A Harmonia Hormonal inaugurou uma moderna clínica em Petrópolis, com ampla estrutura e tecnologia exclusiva, oferecendo serviços integrados de endocrinologia, modulação hormonal, saúde metabólica e estética avançada. Idealizado pela Dra. Cristiane Couto, endocrinologista há quase 15 anos, o novo espaço, localizado no Centro Histórico, conta com tratamentos inovadores, proporcionando experiência completa ao paciente. A Clínica Harmonia Hormonal está localizada na Rua 16 de Março, 155 – Sala 602, Galeria Gelli – Centro, Petrópolis, RJ Anderson Pires Composta por uma equipe multidisciplinar, a clínica reúne, em um único lugar, medicina de ponta, as mais recentes tecnologias do mercado voltadas para os cuidados com a saúde, além de atendimento personalizado e acolhedor, com escuta qualificada e acompanhamento contínuo, em um conceito integrado de saúde e bem-estar, pensado exclusivamente para o paciente. A Clínica Harmonia Hormonal oferece protocolos específicos para emagrecimento, modulação hormonal, medicina esportiva, endocrinologia e metabologia Anderson Pires “Produzimos protocolos personalizados de tratamento e disponibilizamos serviços voltados à endocrinologia, trabalhando com reposições e tratamentos injetáveis. Também ampliamos nossas especialidades para os procedimentos de estética facial e corporal, nutrição e fisioterapia dermato-funcional”, destacou a médica. A clínica, que iniciou as atividades com atendimentos individuais e estrutura reduzida, cresceu ao longo dos anos, mediante os resultados positivos obtidos pelos pacientes. Se tornando referência na cidade, foi necessária a ampliação estrutural e de atendimento. Segundo a Dra. Cristiane Couto, a nova sede promete surpreender os clientes, em um espaço mais completo, acolhedor e preparado para as demandas atuais. O Protocolo X Body chegou na Clínica Harmonia Hormonal para provar que você não precisa passar horas na academia para conquistar força, definição e condicionamento Anderson Pires “Os nossos pacientes vão perceber, imediatamente, um salto enorme na estrutura e na variedade de serviços. Trouxemos tecnologias exclusivas na área de estética e novos protocolos de modulação hormonal, além de equipamentos modernos para avaliação metabólica e composição corporal. A ideia é que todos se sintam em um ambiente ainda mais confortável e bonito”, pontuou. A experiência começa pela sala de avaliação, onde o paciente realizará um exame de composição corporal Anderson Pires A Harmonia Hormonal possui, como público principal, mulheres a partir dos 35 anos, que buscam por equilíbrio hormonal, emagrecimento com saúde e instruções para lidar com os sintomas do climatério. No entanto, a clínica vem se despontando com a crescente procura de homens e mulheres, de todas as faixas etárias, que optam por melhorias na performance física e na qualidade de vida. Aqui você encontra novos protocolos de modulação hormonal, reposições e tratamentos injetáveis. Além de equipamentos modernos para avaliação metabólica e exames de alta precisão Anderson Pires “Atuamos em três grandes pilares. A endocrinologia e modulação hormonal equilibram os hormônios, devolvendo energia, disposição e vida saudável. No emagrecimento, trabalhamos a saúde metabólica, com acompanhamento clínico, nutricional e exames de alta precisão. Já na estética avançada, corporais, às terapias integradas, que cuidam da autoestima”, disse. A equipe multidisciplinar é composta ainda por uma biomédica responsável pela estética facial e corporal, nutricionista, uma fisioterapeuta dermato-funcional e um profissional de educação física que afirmam o conceito integrado de saúde e bem-estar Anderson Pires Com ambiente totalmente planejado, a nova clínica consolida a Harmonia Hormonal como referência no cuidado integrado em Petrópolis. Os atendimentos podem ser agendados pelo WhatsApp (24) 98863-4615 ou pelo Instagram @harmoniahormonal. A clínica está localizada na Rua 16 de Março, 155 – Sala 602, Galeria Gelli – Centro. Apesar da expansão, o atendimento continua personalizado e humanizado. Agora a Harmonia Hormonal conta com um novo espaço, mais amplo. A ideia é que todos se sintam em um ambiente ainda mais confortável e bonito Anderson Pires “Quero que cada pessoa que vier ao consultório se sinta acolhida, escutada e compreendida. E a ampliação veio justamente para isso, oferecendo mais conforto, aumento do tempo de consulta e mais atenção aos detalhes. Aqui não tratamos apenas sintomas, cuidamos de pessoas. Nosso foco é devolver qualidade de vida, autoestima e saúde de forma completa”, concluiu a Dra. Cristiane Couto. Dra. Cristiane Couto (CRM 52928844) é médica endocrinologista, com especialização em endocrinologia e metabologia Anderson Pires Sobre a médica A Dra. Cristiane Couto (CRM 52928844) é médica endocrinologista, com especialização em endocrinologia e metabologia. Formada há mais de uma década, criou a clínica Harmonia Hormonal, por ser apaixonada por cuidar de pessoas. Desde então, ajuda pessoas a entender o próprio corpo e se sentir bem com ele.

Palavras-chave: tecnologia

Ainda há tempo para evitar os piores impactos da crise climática?

Publicado em: 20/11/2025 00:01

Ainda há tempo para evitar os piores impactos da crise climática? O mundo está passando por extremos. O planeta está aquecendo mais rápido do que os cientistas do clima esperavam. Essas são algumas notícias que você já leu no g1. A partir dos comentários nessas reportagens, decidimos ouvir quem estuda o tema há décadas para responder à pergunta que mais se repetia entre os leitores: ainda é possível reverter os cenários que podem levar o mundo a viver os piores impactos da crise climática? O resultado revela um misto de esperança e urgência. O g1 ouviu 33 pesquisadores de referência mundial, ambientalistas e personalidades com voz ativa no debate climático. A maioria acredita que ainda é possível reverter os piores impactos da crise climática, mas sob uma condição: que o mundo tome medidas imediatas. Entre os entrevistados, apenas uma pessoa disse estar otimista. Entre aqueles que alertam para a necessidade de que o mundo tome medidas imediatas, estão: Carlos Nobre (Brasil), principal nome da ciência climática no país; Alyssa Findlay (Alemanha), editora sênior da revista Nature, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo; Ed Hawkins (Inglaterra), criador das “listras do clima”, ferramenta visual que mostra o aquecimento da Terra; Daniel Jacob (EUA), especialista em química atmosférica e professor de Harvard. O que apontaram os especialistas ouvidos na pesquisa? 🟢 Entre os otimistas os motivos mais citados são: Que as soluções já existem Tecnologias para reduzir emissões, restaurar ecossistemas e promover energia limpa estão disponíveis e comprovadas. Eles apontam que isso não está em ação ainda por falta de vontade política. Que a sociedade está mais consciente Citaram o avanço de movimentos sociais, da pressão pública e do engajamento da juventude pelo meio ambiente. Nos últimos anos, há maior cobrança por parte de consumidores para que empresas adotem medidas que respeitam a natureza. Que o setor privado e a economia verde estão reagindo Empresas começam a ver valor econômico em ações sustentáveis e investir em ações de menor impacto. Para eles, o crescimento da “economia verde” é visto como uma oportunidade real de transformação. Que a cooperação e a ação coletiva ainda podem virar o jogo Citaram que há uma janela, apesar de estreita, de oportunidade se houver colaboração entre governos, empresas e sociedade. O planeta tem capacidade de resposta Alguns dos especialistas citaram mecanismos naturais de “feedback” climático — o sistema pode se recuperar se as emissões caírem rapidamente. 🔴 Entre os pessimistas (ou céticos quanto ao tempo) os motivos mais citados foram: Falta de vontade política e retrocessos globais A crise geopolítica, o aumento de governos negacionistas e o foco em eleições de curto prazo são apontados como o principal entrave. Muitos citaram diretamente os Estados Unidos. Predomínio de interesses econômicos A dependência dos combustíveis fósseis continua sendo priorizada e ainda há uma prevalência pelos interesses econômicos, mesmo com com a urgência que o tema pede. Greenwashing e lentidão nas ações Especialistas apontam muito discurso e pouca execução. Países desenvolvidos seguem não cumprindo metas nem repassando o financiamento prometido aos mais vulneráveis. O que dizem os especialistas? Ao g1, a pesquisadora Roopali Phadke, que vive nos EUA, diz que essa postura compromete o esforço global. “Moro nos EUA, e nossa retirada da ambição climática está atrasando o planeta”, afirmou. O cientista britânico Ed Hawkins, conhecido por desenvolver as “espirais do clima” — gráficos que mostram o avanço do aquecimento global —, reforça que as soluções já existem, mas esbarram “na falta de coragem política”. A sociedade civil precisa atuar ativamente, repensando atitudes e pressionando governos para buscar ações concretas. A velocidade e a escala dessas medidas ainda estão abaixo da urgência exigida pela crise climática. Me sinto menos otimista porque nos aproximamos dos limites planetários e pontos de não retorno (os exemplos mais visíveis na minha área são o derretimento do gelo marinho, o recuo das banquisas e a acidificação oceânica). Me sinto menos otimista porque vejo inação de governos diante de crises humanitárias, e me pergunto se será diferente quando lidarmos com escassez de recursos em mais países. Apesar do tom de alerta, as respostas mostram que ainda há esperança. Para Marina Hirota, pesquisadora sobre a Amazônia, ainda existe uma janela de oportunidade. Temos falhado, mas ainda há uma estreita janela de oportunidade para agir e fazer uma mudança para o futuro do planeta. Fatou Jeng, jovem ativista climática e ex-assessora do secretário geral da ONU, da Gâmbia, diz que está otimista, mas com uma visão conservadora. Estou otimista de que enfrentar a crise climática é possível, mas devo dizer que, com as atuais realidades globais, especialmente o comprometimento dos países mais desenvolvidos em mitigar o aquecimento global é de 4 em 10. Alyssa, vive na Alemanha e é editora da revista Nature, uma das mais importantes publicações de ciência do mundo, e escreve sobre meio ambiente. Acredito que há países que estão encarando os desafios com seriedade e trabalhando para implementar medidas. Para o ambientalista Carlos Nobre, a COP30, que será realizada em Belém (PA), será decisiva para definir o esforço coletivo e indicar se ainda haverá tempo. “A COP30 deve ser a mais importante de todas as COPs e chegar a um acordo sobre emissões líquidas zero até 2040.” Vista da Terra pela tripulação Apollo 17. NASA Content Administrator

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Especialistas respondem: se você pudesse apertar um botão de emergência para o planeta, em qual área ele deve agir?

Publicado em: 20/11/2025 00:01

Ainda dá tempo de mudar o rumo do clima no planeta Se o planeta tivesse um botão de emergência, qual seria a prioridade ao apertá-lo? Foi essa pergunta que o g1 fez a mais de 30 pesquisadores de referência mundial, ambientalistas e personalidades com voz ativa no debate climático. ➡️Nos últimos anos, o planeta tem dado sinais cada vez mais claros de desequilíbrio. As emissões globais de gases do efeito estufa continuam em alta, e o limite de 1,5 °C de aquecimento previsto no Acordo de Paris está prestes a ser ultrapassado. Nesse cenário, o g1 convidou 33 nomes entre pesquisadores sobre o clima, ambientalistas e pessoas com voz ativa sobre a causa há décadas para dizer: se tivessem nas mãos o poder de apertar um botão capaz de mudar o rumo do planeta, o que ele faria? (Veja abaixo suas respostas) O que significa mudar o modelo de consumo? Quando os especialistas falam em transformar o modelo global de consumo, não se referem apenas a hábitos individuais, como comprar menos. ➡️ O conceito vai além do cotidiano e envolve toda a cadeia de produção, desde a extração da matéria-prima até o transporte, a venda e o descarte. Isso inclui: Extração de matéria-prima; A forma como um produto é feito e o quanto sua produção afeta o meio ambiente; O meio de transporte; O apelo de venda; E o descarte. Precisamos mudar o sistema econômico no qual a natureza e o bem-estar são valorizados. Hoje, quase tudo o que consumimos vem de um modelo baseado em produção em massa, exploração de recursos e descarte acelerado. Esse modelo pressiona as florestas, os rios e a produção de energia. A indústria da moda, por exemplo, é responsável por cerca de 10% das emissões globais e consome bilhões de litros de água por ano. Até a tecnologia que usamos — de celulares a carros elétricos — depende de mineração e energia intensiva, que impactam diretamente o solo e os ecossistemas. O que diz quem está no mercado? Para este especial, o g1 também ouviu personalidades que estão no mercado e à frente de grandes empresas. Responderam ao questionário: a Presidente do Magazine Luiza, Luiza Trajano; o CEO da Natura, João Paulo Ferreira; o co-fundador da marca de tênis Veja, François Morillion. 🔴 Os três não citaram como o principal problema o modelo de consumo, mas em suas respostas reconhecem a questão do modelo de produção e a responsabilidade das empresas, tanto como para repensar suas formas de produzir como sendo parte atuante na pressão por políticas públicas que busquem a proteção ambiental. Veja abaixo o que eles disseram: Nos últimos anos, houve avanços importantes, como metas de neutralidade de carbono e investimentos em transição energética, mas esses compromissos ainda enfrentam desafios significativos de implementação. O meu otimismo vem do fato de que a pressão da sociedade civil, das empresas e de eventos climáticos extremos tem levado os governos a reconhecerem que o custo de não agir é cada vez maior e também tenho a percepção que a economia verde pode gerar oportunidades de crescimento e inovação. O setor privado, responsável por 80% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, não pode deixar de lado as externalidades e focar apenas no resultado financeiro. As empresas têm a capacidade e a responsabilidade de serem verdadeiros motores da transformação. Isso significa liderar pela ação, inovar e colaborar em escala. Adotar essa agenda não é apenas um dever moral, mas uma oportunidade de geração de valor para os negócios. Muitas soluções para enfrentar a crise climática já existem. Elas estão nos territórios, nas comunidades, nas cooperativas que há décadas fazem um trabalho sério e, muitas vezes, invisível. O desafio está em adaptar os modelos de negócios para funcionar com essas soluções. Isso exige paciência, flexibilidade e, acima de tudo, vontade de fazer direito. Se mais empresas aceitarem esse caminho de trabalho colaborativo, menos vertical e mais horizontal, talvez a mudança venha antes do que imaginamos. Energia e floresta Logo atrás na lista de prioridades aparecem dois pontos: a transição energética e a proteção das florestas. Os dois temas ajudariam a resolver uma questão importante para o equilíbrio do clima, com a redução das emissões de gases que causam o efeito estufa. ➡️ A energia ainda é majoritariamente produzida por combustíveis fósseis, responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de carbono. No Brasil, a maior parte vem de fontes limpas, como a hidrelétrica. No entanto, no mundo ainda há países altamente dependentes do carvão, especialmente na Europa e na Ásia. 🔴 Se fosse possível apertar um botão e mudar a matriz energética global, isso reduziria drasticamente as emissões. A transição energética é hoje um dos maiores desafios da humanidade. Apesar de acordos internacionais pela redução do uso de combustíveis fósseis, os compromissos ainda estão longe de sair do papel. Por outro lado, se houvesse um botão que pudesse frear o desmatamento e promover imediatamente a proteção de florestas, ele também reduziria as emissões. 🪚 No Brasil, por exemplo, a maioria das emissões é causada pelo desmatamento. Isso faria com que toneladas de carbono não fossem para a atmosfera e mais do que isso, aumentaria o potencial de absorção. A emergência que conecta todas as outras Embora cada entrevistado tenha escolhido um “botão” diferente, o levantamento mostra que não existe uma solução isolada. ➡️ Por exemplo, uma mudança no modelo global de consumo poderia: Reduzir a demanda por energia, diminuindo as emissões; Diminuir a pressão por matéria-prima, facilitando a proteção das florestas e da água; E, com isso, fortalecer povos indígenas e comunidades que dependem desses recursos. ➡️ Ao mesmo tempo, a transição energética: Reduziria drasticamente as emissões. Faria com que as empresas repensassem seu modelo de produção Protegeria os recursos hídricos O consenso dos especialistas é que, independente da área que seja prioritária, o planeta já está em modo de emergência, e é preciso agir de forma urgente. Os diferentes regimes climáticos do planeta são o resultado de um equilíbrio energético muito delicado entre a energia solar absorvida e a energia térmica dissipada para o espaço. A natureza delicada desse equilíbrio e seus efeitos no meio ambiente devem ser levados a sério pelos seres humanos. *Colaboraram: Julia Carvalho, Roberto Peixoto e Talyta Vespa.

Palavras-chave: tecnologia

IBM decide encerrar laboratório de pesquisa no Brasil

Publicado em: 20/11/2025 00:00

IBM Sergio Perez/Reuters A IBM comunicou na última terça-feira (18) que vai encerrar o seu laboratório de pesquisa no Brasil. A decisão afeta cerca de 100 funcionários dos escritórios da empresa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pesquisadores do IBM Research no país receberam cartas de aviso prévio em que a empresa informa que seus contratos serão encerrados em 18 de dezembro. A companhia já tinha anunciado no início de novembro que faria demissões neste trimestre e que elas impactariam "um percentual baixo" de sua força de trabalho global. Cerca de 270 mil pessoas trabalhavam para a empresa no final de 2024, segundo a Reuters. O laboratório da IBM Research no Brasil foi criado em 2010 e era a única unidade de pesquisa da empresa na América do Sul. Os escritórios eram focados na criação de tecnologias para inteligência artificial, nuvem e computação quântica. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A brecha no WhatsApp que permitiu descobrir números de todos os usuários do aplicativo Veja os vídeos que estão em alta no g1 Procurada pelo g1, a IBM não informou qual é a situação dos funcionários de seu laboratório no Brasil e disse que segue comprometida em inovar e atender seus clientes no país. "Nossos trabalhos de Pesquisa & Desenvolvimento atualmente realizados no Brasil serão consolidados em locais e laboratórios onde já temos operações", disse a empresa. As demissões e o encerramento do laboratório foram confirmadas ao g1 por dois pesquisadores, que pediram para não serem identificados. Eles afirmaram não ter recebido explicação da IBM sobre o motivo do encerramento do laboratório. E apontaram que a unidade tinha uma situação financeira estável e uma importante contribuição científica dentro da empresa. "O laboratório não foi fechado por má performance, muito pelo contrário. Ele estava no mesmo nível dos outros em relação a publicações e a contribuições científicas", disse um dos pesquisadores. A decisão afeta tanto equipes de pesquisa quanto funcionários da área operacional, que davam suporte para o funcionamento do laboratório. O encerramento também foi comentado no LinkedIn por vários funcionários da IBM que disseram ter sido afetados. Eles lamentaram a decisão e destacaram as contribuições da unidade brasileira. Entre elas, está o projeto "Yẽgatu Digital", que usou ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas para apoiar a escrita no ambiente digital do nheengatu, uma das línguas dos povos indígenas no Brasil. A IBM encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões, na cotação de 19 de novembro), revertendo o prejuízo de US$ 330 milhões (R$ 1,7 bilhão) registrado no mesmo período do ano anterior. A empresa planeja ter até 2029 uma versão prática de um computador quântico, equipamento capaz de lidar com problemas que levariam milhares de anos para serem resolvidos. A ideia é que o novo equipamento não produza tantos erros e possa ser, de fato, mais veloz que computadores clássicos. * Sob supervisão de Luciana de Oliveira e Jose Raphael Berredo. LEIA TAMBÉM: Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil 'Me sinto valorizado': como é o trabalho de quem cria agentes de IA Neo: quanto custa robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas

Presidente da Câmara de Ipojuca repassou R$ 12 milhões em emendas para a própria associação, diz delegado

Publicado em: 20/11/2025 00:00

Presidente e vice da Câmara de Vereadores de Ipojuca são presos Em três anos, o presidente da Câmara Municipal de Ipojuca, Flávio do Cartório (PSD), repassou cerca de R$ 12 milhões em emendas parlamentares para uma associação ligada a ele. O apontamento é da Polícia Civil e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que investigam um esquema de desvio que pode chegar a R$ 27 milhões na cidade. Flávio do Cartório e o primeiro vice-presidente da Câmara, Professor Eduardo (PSD), foram presos na terça-feira (18) por suspeita de lavagem de dinheiro. O presidente é alvo de um mandado de prisão na Operação Alvitre, que apura os desvios. Já o outro parlamentar, preso em flagrante, teve alvará de soltura expedido na quarta-feira (19). ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Uma das instituições beneficiadas por emendas parlamentares foi o Instituto Filhos de Ipojuca. Segundo os investigadores, essa entidade pertence a Flávio do Cartório e sua família. A organização começou recebendo repasses de aproximadamente R$ 250 mil para projetos esportivos. Entretanto, o instituto alterou sua finalidade para incluir serviços de saúde e, com isso, passou a receber valores milionários. A mudança permitiu contratos com recursos das emendas impositivas, mecanismo que garante aos vereadores indicar parte do orçamento municipal para ações específicas. "As investigações revelaram, a partir de diversas diligências, que a associação [Filhos de Ipojuca], na verdade, pertence a ele [Flávio do Cartório]. Ele, inclusive, teria declarado em uma prestação de contas que a associação seria dele. Também tinha uma conta de luz, da associação, que estava no nome dele ou do pai dele", contou o delegado Ney Luiz Rodrigues. Flávio do Cartório (PSD), presidente da Câmara Municipal de Ipojuca Câmara de Ipojuca/Divulgação Flávio do Cartório era investigado desde o início da Operação Alvitre, mas só teve mandado de prisão expedido na segunda fase da investigação. Além dele, na nova etapa da ação, duas pessoas foram detidas: o presidente do Instituto Filhos de Ipojuca e um empresário que prestava serviços ao município. A polícia e o MPPE também cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em Ipojuca, Recife e Bezerros. A primeira fase da operação ocorreu em outubro, quando foram recolhidos documentos e computadores. No momento da prisão de Flávio do Cartório, policiais encontraram uma pasta com anotações que indicam possível esquema de “rachadinha”. Os registros traziam nomes de servidores da Câmara e valores que somam R$ 345 mil, sugerindo controle mensal de repasses. A polícia também recolheu celulares e outros materiais. Operação Alvitre As investigações tiveram início em outubro de 2024, com a deflagração da primeira fase da operação, que apura o uso de empresas para desviar verbas de emendas parlamentares impositivas. As apurações indicam que os recursos públicos foram destinados a associações de fachada localizadas em outros municípios, sem estrutura ou competência técnica para executar os projetos contratados. Além disso, no dia 28 de outubro, uma mulher de 46 anos foi morta no quintal de casa pouco após ir à Delegacia de Porto de Galinhas para depor sobre o caso. Simone Marques da Silva era professora universitária e seria ligada uma das mulheres investigadas no esquema. Horas antes de ser assassinada, Simone compareceu à delegacia, mas não chegou a ser ouvida, porque outro procedimento estava sendo realizado no local. Ela remarcou o depoimento para o dia seguinte, mas foi alvejada por tiros poucas horas depois. Além do Instituto Filhos de Ipojuca, o inquérito cita outras entidades que teriam recebido recursos das emendas, como o Instituto de Gestão de Políticas Públicas do Nordeste (IGPN), beneficiado com pelo menos R$ 6,3 milhões. Ao menos quatro pessoas ligadas ao IGPN são investigadas: Advogadas Eva Lúcia Monteiro e Edjane Silva Monteiro: irmãs que teriam envolvimento com o IGPN e foram presas em outubro; Maria Netania Vieira Dias: também presa, auxiliou na elaboração da proposta e obtenção de orçamentos para empresas envolvidas; José Gibson Francisco da Silva: presidente do IGPN, que está foragido; Julio Cesar de Almeida Souza: diretor financeiro do IGPN, também foragido. O inquérito também cita o Instituto Nacional de Ensino, Sociedade e Pesquisa (Inesp), que usa o nome de Faculdade Novo Horizonte. Essa empresa também seria utilizada pelo grupo criminoso para praticar os desvios, segundo a polícia. Conforme a denúncia, a instituição recebeu repasses milionários para cursos de capacitação, com planos de trabalho considerados inconsistentes e orçamentos inflados. No dia 5 de novembro, o empresário Gilberto Claudino da Silva Júnior, então gestor da Faculdade Novo Horizonte, foi preso. Ele é apontado como "coordenador" dos desvios e foi capturado após um mês foragido. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

Palavras-chave: câmara municipal

TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 11: os nós do mapa do caminho, as marteladas da cúpula e a COP31

Publicado em: 20/11/2025 00:00

Olá, aqui quem escreve é Roberto Peixoto, repórter de Meio Ambiente no g1. Este é o Termômetro da COP30, edição #DIA 11, um boletim com o essencial que você precisa saber sobre a 30ª Conferência do Clima da ONU. Eu vou explicar para você, em 7 tópicos, como foi a quarta-feira cheia de expectativas em Belém. Entre os destaques, eu conto que a Alemanha finalmente confirmou o aporte de € 1 bilhão no TFFF. Vou falar também por que o mapa do caminho para sair da dependência dos fósseis continua travado e cheio de nós. E ainda explico o que significa a COP31 ter sido fechada num acordo de última hora e inédito entre Turquia e Austrália. 1 - Em alta X em baixa EM ALTA: 🌳 Depois de semanas de expectativa, a Alemanha oficializou nesta quarta o aporte de € 1 bilhão no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). É o maior anúncio desde a Cúpulas de Líderes, algo que dá um novo impulso ao mecanismo pensado pelo Brasil para transformar a conservação das florestas em retorno financeiro real. O movimento também coloca pressão sobre outros países ricos que ainda não se posicionaram, especialmente num momento em que o fundo virou uma das principais vitrines diplomáticas da COP30. "Tivemos a alegria de ver a Alemanha anunciar o seu aporte. Esse aporte está na ordem de 1 bilhão de euros para o TFFF, graças a todo o esforço que vem sendo feito e em demonstração de que, de fato, esse instrumento de financiamento global é muito bem desenhado, muito bem estruturado e começa a dar as respostas esperadas", disse a ministra do Meio Ambiente Marina Silva em Belém. EM BAIXA: 🧭 Mesmo com todo o barulho em torno do mapa do caminho para sair da dependência dos fósseis, a verdade é que o texto continua patinando. A ideia ganhou visibilidade, mas não ganhou corpo. A adaptação, que é um pilar tão importante quanto a mitigação, virou um dos maiores impasses: países vulneráveis querem metas claras e financiamento, enquanto parte dos países ricos insiste em manter tudo mais vago. E aí mora o problema. Sem consenso sobre adaptação, o mapa do caminho fica mais fraco e mais difícil de entrar forte no documento final. A resistência de grandes produtores de petróleo também pesa. Nem a presença do presidente Lula em Belém, numa maratona de reuniões para destravar negociações, conseguiu mudar esse clima. "A vinda de Lula tem peso, mas precisamos ver os resultados nas negociações. A reafirmação do presidente de que é hora de caminhar para longe dos fósseis é importantíssima. Que ela traga o apoio necessário para sairmos de Belém com um plano concreto rumo ao abandono dos fósseis", critica Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa. 2 - Brisa de esperança: um vulcão que pode virar energia limpa Hoje a nossa brisa vem direto dos Estados Unidos. E, ironicamente, de um dos vulcões mais perigosos do país. No estado do Oregon, engenheiros estão construindo o que pode se tornar a usina geotérmica mais quente do mundo, usando o calor extremo do Newberry Volcano para gerar eletricidade limpa. Sim, você leu certo: um vulcão. A tecnologia por trás disso usa o chamado superhot rock, uma camada de rochas tão quentes e profundas que podem produzir energia constante, dia e noite, sem depender de sol ou vento. O desafio é sobreviver ao calor: as perfurações já registraram mais de 330°C, e a meta é chegar ainda mais fundo, onde a temperatura passa dos 400°C. O plano é começar a vender eletricidade já no ano que vem para casas e comércios da região. Por que isso importa para a gente? Porque, se der certo, esse tipo de usina pode funcionar em muitos lugares do mundo, inclusive onde não há vulcões ativos. E isso muda o jogo: abre caminho para uma fonte de energia limpa, constante e com uma pegada ambiental muito menor que o petróleo, o carvão ou até a mineração tradicional de renováveis. Claro, ainda é teste. Ainda pode dar errado. As brocas podem falhar, os poços podem não aguentar. Mas é uma daquelas ideias que mostram como a corrida tecnológica pode abrir caminhos reais para sair dos combustíveis fósseis. 3 - Traduz aí, g1 Presidente da COP 21, Laurent Fabius, usa martelo em forma de folha para marcar a aprovação do Acordo de Paris. AP Photo/François Mori O QUE REPRESENTAM AS BATIDAS DE MARTELO NA COP? Se você acompanha COP, já viu esse momento: o presidente da conferência olha para a sala, faz uma pausa, pergunta se alguém se opõe e… pá. O martelo desce. Aplausos, abraços, bandeiras, choro ou protestos. A batida de martelo é o “é isso” das negociações climáticas. É ela que confirma, oficialmente, que quase 200 países chegaram a um consenso sobre um texto, seja um acordo histórico, uma decisão técnica ou até a aprovação da agenda do dia. Como as COPs não funcionam por votação, é a batida que transforma conversas em decisão formal. Por trás desse gesto simples tem um processo de dias (às vezes madrugadas inteiras) de negociações parágrafo por parágrafo. Quando o martelo bate, significa que: o texto está fechado, não cabe mais mexer; todo mundo topou, ou pelo menos ninguém fez uma objeção forte o bastante para barrar; nasce oficialmente uma decisão da COP. É também um momento cheio de simbolismo. O martelo representa a autoridade de quem preside a conferência, só ele ou ela pode decidir quando o consenso existe. Por isso, a batida pode virar cena histórica, como no Acordo de Paris, ou virar polêmica, quando alguma delegação diz que não foi ouvida a tempo. 4 - Pergunta do dia: onde vai ser a COP31? Depois de dias de impasse, o quebra-cabeça da próxima COP finalmente se resolveu nos corredores de Belém: a COP31 será na Turquia, na cidade mediterrânea de Antália, em novembro de 2026. Como funcionam as negociações na COP A decisão saiu de um acordo de última hora entre Turquia e Austrália. Os dois países disputavam a sede há meses. A Austrália, inclusive, depois de uma campanha de mais de três anos. Mas, como nenhum dos lados recuava, o risco era cair numa regra da ONU que levaria a conferência automaticamente para Bonn, sede do secretariado climático. Ninguém queria isso, nem os alemães. O arranjo que destravou tudo é inédito: a Turquia será a anfitriã oficial da COP31; e a Austrália ficará responsável por “presidir as negociações”. Na prática, a Turquia organiza o evento, enquanto a Austrália conduz a parte política das conversas. Há também um ponto importante no pano de fundo: os países do Pacífico, que apoiavam a candidatura australiana, esperavam ver a região sediar sua primeira COP. Como compensação, o acordo prevê um encontro preparatório (pré-COP) em uma ilha do Pacífico antes da conferência de 2026. O anúncio oficial deve sair nas próximas horas em Belém, mas, nos bastidores, o clima é de alívio: a COP31 tem casa e as negociações globais evitam um ano inteiro de incerteza. Quer mandar uma pergunta pro TERMÔMETRO? Envie pelo VC no g1 ou nos comentários desta reportagem 5 - Fóssil do Dia Ativistas da Climate Action Network entregam o “Fóssil do Dia” à União Europeia durante ato bem-humorado na Blue Zone da COP30, em Belém. Climate Action Network O “Fóssil do Dia” desta quarta-feira ficou com a União Europeia. Segundo a Climate Action Network, o bloco tem adotado uma postura de travamento nas negociações, especialmente quando o assunto é financiamento público para países vulneráveis. Os ativistas dizem que, enquanto países do Sul Global lidam com dívidas, secas, enchentes e custos crescentes de adaptação, a UE tem priorizado interesses financeiros e comerciais e evitado compromissos mais claros sobre dinheiro novo. Em um comunicado, a rede cita desde resistência a ampliar recursos de adaptação até manobras para manter obrigações pouco explícitas no Artigo 9.1, que trata de financiamento climático. Qual gás do efeito estufa é o maior vilão do clima? A CAN também aponta a contradição entre o discurso europeu de “transição justa” e a defesa de políticas que, segundo ativistas, afetam defensores ambientais, especialmente povos indígenas, mulheres e comunidades negras. Outro ponto citado é o corte de verbas de ajuda ao desenvolvimento em alguns países do bloco. A cerimônia ainda trouxe uma “menção desonrosa” para Arábia Saudita, acusada de tentar esvaziar referências à ciência e a direitos humanos em diferentes frentes da COP. 🦖 O "Fóssil do dia" é um "prêmio" simbólico e irônico, concedido uma vez por dia durante as conferências climáticas da ONU. 6 - Você precisa assistir Como ilhas do Pacífico já sofrem com o aumento do nível do mar No pavilhão das Ilhas do Pacífico, um dos espaços mais movimentados da COP30, a enviada especial do g1 Paula Paiva Paulo encontrou países que quase não emitem gases de efeito estufa, mas que estão entre os mais ameaçados do planeta. Representantes de Tuvalu, Fiji, Ilhas Marshall e Vanuatu contam que vivem uma contradição diária: poluem pouco, mas sentem primeiro o avanço do mar. Em algumas ilhas, a linha d’água já toca áreas onde antes havia casas, plantações e espaços comunitários. O risco de desaparecimento total nas próximas décadas aparece em todas as conversas. A PPP também ouviu relatos sobre medidas práticas que já estão em andamento. Em Tuvalu, por exemplo, um projeto financiado pelo Fundo Verde para o Clima construiu seawalls — muros de contenção que ajudam a segurar o avanço do mar. Parte da ilha também foi aterrada para ficar mais alta, levando em conta projeções até depois de 2100. Mesmo assim, os representantes lembram que “evitar o problema é mais importante do que se adaptar”. O vídeo da Paula no pavilhão mostra como essas nações-laboratório da crise climática estão tentando sobreviver enquanto cobram uma ação global mais rápida. Vale muito assistir. 7 - Além da imagem Cartas escritas por crianças são exibidas na COP30 em um corredor da Blue Zone. Fernando Llano/AP MAIS DO QUE UMA FOTO: A imagem acima mostra cartas escritas por crianças de vários países para a Presidência da COP30. Os textos falam de medo, de aulas interrompidas por enchentes e ondas de calor e de expectativas sobre decisões que possam proteger quem é mais jovem. Quem vem circulando com essas mensagens ao longo da semana é Philip McMaster, o "Sustaina Claus" (apelido que usa em referência a um “Papai Noel da sustentabilidade”), figura conhecida nas COPs por transformar alertas ambientais em pequenas performances que chamam a atenção no meio da Blue Zone. A mobilização pede que a infância seja citada de forma explícita nos textos negociados em Belém. Segundo o Instituto Alana, um terço da população mundial é menor de idade e 242 milhões de estudantes já tiveram suas aulas interrompidas por eventos extremos. A estimativa é que quase 6 milhões de crianças possam entrar na pobreza até 2030 por causa do clima. Leia um trecho de uma das cartas abaixo: “Quinta-feira, dezoito de setembro de 2025 Olá, sou Carlos, tenho 8 anos, moro em Madri e estudo na escola CEIP Ignacio Zuloaga. Quero que vocês peçam para que não haja tanta poluição e que não haja tantas guerras. Tchau! Boa viagem!” 'Sustaina Claus' leva à COP30 cartas de crianças sobre o futuro do planeta Amanhã, acompanhe mais um TERMÔMETRO DA COP30. Até lá! LEIA TAMBÉM: Preços de hospedagem caem quase 50% em Belém às vésperas da COP 30, aponta Airbnb Cúpula de Belém surpreende ao trazer de volta o petróleo para o foco das negociações da COP Tornado, ciclone, furacão: entenda as diferenças entre os fenômenos meteorológicos

Palavras-chave: tecnologia

Vereador apresenta pedido para abertura de CPI das multas de trânsito em Caruaru

Publicado em: 19/11/2025 21:27

Vereador pede CPI de multas em Caruaru O vereador Delegado Lessa (Republicanos) apresentou em Sessão Ordinária nesta terça-feira (18) um pedido de instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Municipal de Caruaru, no Agreste de Pernambuco. A proposta busca investigar o aumento das multas de trânsito aplicadas na cidade. O vereador exibiu dados que apontam crescimento na arrecadação com infrações de trânsito do município. Segundo ele, em 2023 foram pouco mais de R$ 3,5 milhões arrecadados. Em 2025, até o mês de outubro, o valor já ultrapassa R$ 13 milhões. Para o parlamentar, a CPI deve apurar se existem irregularidades na atuação da Autarquia Municipal de Mobilidade (AMC). O pedido foi apresentado durante sessão com participação ativa de condutores de veículos. Dezenas de motoristas lotaram o plenário da Casa Jornalista José Carlos Florêncio. Eles alegam que estão sendo prejudicados pelas autuações e cobram transparência no processo. Os manifestantes relataram multas emitidas com poucos minutos de diferença, registros em horários incompatíveis com sua rotina de trabalho e notificações em um mesmo ponto da cidade. A sessão chegou a ser interrompida devido às reações do público. Na sessão, o vereador Jorge Quintino citou um documento do Ministério Público que, segundo ele, não identificou irregularidades na aplicação das multas. A fala foi vaiada pelos presentes. Da base governista, o vereador Cabo Cardoso criticou a proposta de CPI. Para ele, a oposição estaria transformando a Câmara em palanque eleitoral. Radares eletrônicos Os radares eletrônicos entraram em operação em setembro de 2023. Na época, o prefeito de Caruaru, Rodrigo Pinheiro, informou que os radares teriam caráter educativo no trânsito e que 300 câmeras ajudariam na fiscalização da cidade sem multar. "Instalamos alguns radares de velocidade que vão funcionar somente a título educativo para que a gente diminua as ocorrências e tenhamos mais segurança viária, segurança no trânsito. Não vai ter multa", disse. Destinação dos recursos A AMC divulgou que Caruaru arrecadou R$ 13.152.766,49 em multas entre janeiro e outubro deste ano. Segundo o município, os recursos foram aplicados em tapa-buracos, recapeamento, manutenção semafórica, fiscalização eletrônica e no sistema de infrações. Segundo a AMC, o dinheiro foi destinado da seguinte forma: R$ 2.328.960,87 foram investidos em tapa-buracos, recapeamento e recuperação de vias. A fiscalização eletrônica, incluindo avanço de semáforo, parada sobre a faixa e controle de velocidade, recebeu R$ 1.823.896,11. A rede semafórica teve investimento de R$ 1.545.106,77. O Sistema de Infrações e Penalidades de Trânsito contou com R$ 1.247.277,80 em recursos. A prefeitura afirmou que os valores seguem regras legais de aplicação. Mesmo com divergências, vereadores da situação e da oposição concordaram sobre a necessidade de investigar eventuais erros, ouvir os motoristas e reforçar a transparência. O pedido de abertura da CPI ainda será analisado pela Câmara.

Palavras-chave: câmara municipal

Empreendedoras maranhenses ampliam alcance com produtos expostos na COP30

Publicado em: 19/11/2025 20:59

Empreendedoras maranhenses ampliam alcance com produtos expostos na COP30 Divulgação/ Sebrae A presença de empreendedoras maranhenses na Loja Colaborativa Brasil BioMarket, na Green Zone da COP30, em Belém (PA), tem se tornado um dos pontos de maior visibilidade para pequenos negócios de base sustentável do estado. No espaço, que funciona como uma vitrine nacional da bioeconomia, reunindo marcas de todas as regiões , produtos feitos a partir dos recursos da Amazônia e dos biomas maranhenses chamam a atenção de visitantes do Brasil e do exterior. Na loja, visitantes encontram desde cosméticos naturais e biojoias até doces e artesanato produzidos por pequenos negócios do Maranhão. Para as empreendedoras, a participação no evento representa visibilidade nacional e internacional. A Sintropia Cosméticos, criada pela maranhense Carol Frota, é uma das marcas expostas na COP30. Ela trabalha com dermocosméticos feitos a partir de ingredientes da Amazônia, do Cerrado e da Mata dos Cocais, como babaçu, vinagreira, copaíba e andiroba. Durante a conferência, os produtos da marca também chamaram a atenção de visitantes famosos. Carol contou que uma atriz e empresária brasileira, Luiza Brunet, ficou encantada com os itens da Sintropia. “Ela gostou, gostou do hidratante corporal, com aroma de cumaru, a baunilha amazônica. E óleo de babaçu. Gostou muito, queria até que eu fosse palestrar com ela, mas eu já estava com o tempo curto pra ir pegar o voo.” Carol afirma que levar seus produtos para a conferência é resultado de uma parceria construída ao longo dos últimos anos com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp “O sentimento é, claro, de reconhecimento. Estar apresentando os produtos da Sintropia neste espaço na COP 30 dentro do projeto do Sebrae é uma forma de mostrar esse trabalho coletivo. Recebi apoio para transformar nossas fórmulas em produtos aptos a estar na prateleira. Sem o Sebrae, isso não teria acontecido”, diz. A empresa começou em 2020 com o cultivo da própria agrofloresta. Desde 2022, passou a atuar como marca de cosméticos e ampliar a rede de fornecedores, incluindo cooperativas que fazem manejo sustentável. Segundo Carol, o babaçu está presente “em quase todas as fórmulas”. Outra marca presente na BioMarket é a Sabor e Arte Quilombola, coordenada por Rosa Gaspar. Ela produz doces de mesocarpo do babaçu, biojoias e peças feitas com sementes naturais, diretamente de um território quilombola do Maranhão. Rosa diz que ver os produtos expostos na COP30 foi uma experiência marcante para o grupo. “Se não fosse pelo Sebrae, nós não estaríamos com o produto lá na COP30. É uma felicidade muito grande ver a visibilidade do Sabor e Arte chegar tão longe. Entregamos muitos cartões, nossas redes cresceram, e cada pessoa que via nossos produtos conhecia um pouco da nossa história. É só gratidão”, afirma. Segundo ela, os produtos são feitos de forma artesanal, sem aditivos químicos, o que também atrai visitantes interessados em itens naturais e sustentáveis. A Loja Brasil BioMarket funciona das 8h às 22h, no Pavilhão 2 da Green Zone, e também tem vendas por meio de um marketplace. Empreendedores relatam que a primeira semana de funcionamento registrou movimentação acima de R$ 500 mil, reforçando o interesse do público pelos produtos da bioeconomia. Apoio para chegar ao mundo Luiza Brunet vendo os produtos sintropia Divulgação/ Sebrae Para o Sebrae Maranhão, a COP30 é mais do que uma vitrine: é uma oportunidade concreta de acesso a mercado, conexões e fortalecimento da bioeconomia maranhense. O gerente da Unidade de Inovação e Tecnologia do Sebrae Maranhão, César Guimarães, destaca que iniciativas como a da Sintropia e da Sabor e Arte representam o impacto de empreendedores que unem criatividade, sustentabilidade e saberes tradicionais. “Além de ser um evento internacional que discute clima e sustentabilidade, a COP30 é uma excelente oportunidade de acesso a mercado. Mostra para o mundo que o Maranhão produz excelentes produtos que exploram nossos biomas de maneira sustentável. O Sebrae trabalha para orientar, posicionar e conectar esses empreendedores, ajudando-os a ganhar visibilidade e inspirar outros negócios a seguir o caminho da bioeconomia”, afirma. As histórias de Carol e Rosa representam um movimento crescente no Maranhão: pequenos negócios que transformam saberes tradicionais e recursos naturais em produtos de alto valor agregado, garantindo renda e preservação ambiental. Na COP30, esses produtos apresentados por mulheres maranhenses revelam ao público internacional que o estado também é referência em inovação, sustentabilidade e valorização dos territórios de origem. TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 9

Palavras-chave: tecnologia

Câmara aprova abertura de Comissão Processante contra vereador Otto Alejandro em Campinas

Publicado em: 19/11/2025 19:56

Otto Alejandro (PL), vereador de Campinas Câmara Municipal de Campinas A Câmara Municipal de Campinas abriu, nesta quarta-feira (19), uma Comissão Processante (CP) para investigar suposta quebra de decoro parlamentar por Otto Alejandro (PL). A denúncia lida e aprovada no Plenário aponta o registro de boletim de ocorrência pela namorada do vereador pelos crimes de violência doméstica, ameaça, injúria e dano. Além disso, o pedido de abertura da Comissão Processante feito por Adriano Vieira Novo destaca que Otto Alejandro também é acusado de danificar o vidro traseiro de um ônibus - leia mais abaixo. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp O pedido foi aprovado por unanimidade entre os vereadores presentes: 29 votos favoráveis. Alvo da denúncia, Otto Alejandro não participou da sessão. Para compor a Comissão, foram sorteados os vereadores Eduardo Magoga (Podemos), Fernanda Souto (PSOL) e Guilherme Teixeira (PL). A depender do resultado da apuração, Otto Alejandro pode ter o mandato cassado. O g1 procurou o vereador Otto Alejandro para comentar a votação, e a reportagem será atualizada assim que o parlamentar se manifestar. Como vai funcionar? Segundo a Legislação, a presidente iniciará os trabalhos, notificando o denunciado para apresentar defesa prévia, por escrito, no prazo de dez dias. Depois desse prazo, a CP tem mais cinco dias para emitir parecer, opinando pelo prosseguimento ou arquivamento da denúncia. Esse parecer será submetido ao Plenário. Se a Comissão opinar por dar seguimento à denúncia, será designado o início da instrução, determinação dos atos, diligências e audiências necessários para o depoimento do denunciado e inquirição das testemunhas. A Comissão terá prazo inicial de 90 dias para apurar o caso e apresentar relatório final, podendo recomendar que o processo seja arquivado ou que o mandato de Otto Alejandro seja cassado. Votação Durante a sessão na Câmara, o documento que pedia a abertura da Comissão foi lido na íntegra. Em seguida, foi realizada votação, que teve 29 votos favoráveis e nenhum contrário. Votaram a favor Ailton da Farmácia (PSB) Arnaldo Salvetti (MDB) Benê Lima (PL) Carlinhos Camelô (PSB) Debora Palermo (PL) Dr. Yanko (PP) Edison Ribeiro (União) Eduardo Magoga (Podemos) Fernanda Souto (PSOL) Filipe Marchesi (PSB) Guida Calixto (PT) Guilherme Teixeira (PL) Gustavo Petta (PCdoB) Hebert Ganem (Podemos) Higor Diego (Republicanos) Luis Yabiku (Republicanos) Mariana Conti (PSOL) Marrom Cunha (MDB) Mineiro do Espetinho (Podemos) Nelson Hossri (PSD) Nick Schneider (PL) Paolla Miguel (PT) Paulo Haddad (PSD) Permínio Monteiro (PSB) Roberto Alves (Republicanos) Rodrigo Farmadic (União) Rubens Gás (PSB) Vini Oliveira (Cidadania) Wagner Romão (PT) Violência doméstica, abuso de autoridade... Vereador de Campinas é investigado por abuso de autoridade após ameaçar guardas Investigado por violência doméstica após denúncia da namorada, o vereador Otto Alejandro (PL), de Campinas (SP), é alvo de pelo menos outras duas investigações pela Polícia Civil por abuso de autoridade, ameaça, injúria e dano. Em um dos casos, registrado em março de 2025, Otto Alejandro foi filmado ameaçando guardas municipais em um estabelecimento de Campinas. "Vocês vão perder o emprego (...), vai pra fora", diz em trecho do vídeo - assista acima. Segundo a corporação, os guardas confirmaram em depoimento que foram desacatados. Em nota, a Prefeitura informou que aguarda as investigações em andamento no Ministério Público e na Polícia Civil para dar continuidade ao processo interno. O g1 também apurou que o vereador é investigado em outra ocorrência, registrada em 13 de julho, como ameaça e dano. Na ocasião, Otto Alejandro foi acusado de quebrar o vídeo traseiro de um ônibus e ameaçar o motorista de morte após confusão no centro de Campinas. Siga o g1 Campinas no Instagram 📱 O último caso foi registrado em novembro. Segundo o boletim de ocorrência, a mulher procurou a delegacia e relatou já ter sido “agredida fisicamente, verbalmente e ameaçada” pelo vereador diversas vezes, mas nunca registrou boletim de ocorrência. No dia 7 de novembro, porém, ele teria feito ameaças e xingamentos à vítima, dizendo que iria “acabar matando” a namorada. Além disso, ela alega que Alejandro entrou no apartamento dela, quebrou objetos e levou uma televisão. Os três casos estão em investigação na 1ª Delegacia Seccional de Campinas, e tramitam sob segredo de Justiça. O que diz o vereador O g1 procurou o vereador para comentar sobre as investigações em curso, tando sobre abuso de autoridade e ameça contra os guardas, e também de dano contra o ônibus. A assessoria informou, por e-mail, que não tem declarações sobre o caso. Em nota enviada pela assessoria após a denúncia de violência doméstica pela namorada, o vereador negou qualquer crime ou agressão. "Eu também não fui notificado judicialmente de nada. Tenho certeza que foi um equívoco e, no momento oportuno, vou demonstrar isso", disse o texto. Segundo a assessoria de imprensa, as redes sociais de Otto estão suspensas por escolha pessoal. Na ocasião, a Câmara Municipal de Campinas destacou que soube do caso pela imprensa. "Os fatos precisam ser apurados com responsabilidade pelo órgãos competentes. Qualquer denúncia devidamente comprovada e oficializada na Casa será encaminhada para a Corregedoria", disse, em nota. Casos de violência doméstica demoram, em média, dois anos para serem julgados em Campinas VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Palavras-chave: câmara municipal

É #FAKE que vídeo mostre brasileiro se arrependendo de lutar pelo Exército da Ucrânia; cena foi criada com inteligência artificial

Publicado em: 19/11/2025 19:41

É #FAKE que vídeo mostre suposto brasileiro se arrependendo de lutar pelo exército ucraniano; cena foi feita com IA Reprodução Circula nas redes socais um vídeo que supostamente mostra um brasileiro que luta pela Ucrânia se arrependendo de ter se alistado para integrar o Exército do país na guerra contra a Rússia. É #FAKE. selo fake g1 🛑 Como é o vídeo? Publicado na quinta-feira (13) no X, o post tem a seguinte legenda: "O vídeo mostra Emilios George Ades Georgiades, um brasileiro que assinou contrato de seis meses como mercenário ao lado das Forças ucranianas. Ele aparece chorando e pedindo a mamãe expressando desejo de sair". A gravação mostra um homem de óculos e capacete usando um uniforme de soldado. Ele diz, em português: "Mãe, mãe, pelo amor de Deus, eu não devia ter vindo. Eu estou aqui, mãe, está caindo bomba para tudo que é lado. Estou sozinho, mãe, me tira daqui. Sou burro demais. Achei que iria ser filme. Não consigo, mãe. Ai, meu Deus, mãe, me perdoa, me perdoa. Não quero mais". Na seção de comentários, muitos usuários pediram ajuda ao Grok, chatbot de inteligência artificial (IA) do X, para identificar se o conteúdo era real. Apesar de a ferramenta afirmar que se trata de algo autêntico, o material foi produzido sinteticamente (leia mais abaixo). ⚠️ Por que isso é falso? O Fato ou Fake submeteu o conteúdo ao HiveModeration, ferramenta que detecta o uso de IA em imagens e vídeos. Resultado: há 99,6% de chances de o material ter sido produzido com esse recurso. Procurado, o Ministério das Relações Exteriores disse que já registrou 15 brasileiros mortos e 26 desaparecidos no confronto – e "Emilios George Ades Georgiades" não consta de nenhuma das duas listas. A resposta cita ainda que o Itamaraty "o alistamento [de cidadãos do Brasil que vão para o combate] não requer autorização ou ciência prévia do governo brasileiro". Já a representação do governo ucraniano no Brasil afirmou: "A Embaixada da Ucrânia não está recrutando cidadãos brasileiros para participar da guerra. Todos os cidadãos brasileiros que participam da guerra nas fileiras do exército ucraniano chegaram ao território da Ucrânia e assinaram contratos por livre e espontânea vontade, e não sabemos nada sobre eles, e o exército não é obrigado a nos informar. A Embaixada possui apenas uma lista de cidadãos brasileiros que morreram e desapareceram durante a guerra". O texto continua: "O vídeo em questão apresenta claros indícios do uso de inteligência artificial. Além disso, é semelhante a outro vídeo de qualidade bastante baixa, também gerado por inteligência artificial, sobre um suposto ucraniano que fala russo, usa um distintivo com a bandeira da Ucrânia, chora e pede à mãe que o leve para casa. Esse vídeo foi divulgado pelos russos algumas semanas atrás". Perfis e canais de redes sociais divulgam viagens de uma espécie de "turismo de guerra", em que brasileiros embarcam com destino ao front, para atuar ao lado das Forças da Ucrânia, com a promessa de remuneração em dólar. É #FAKE que vídeo mostre suposto brasileiro se arrependendo de lutar pelo exército ucraniano; cena foi feita com IA Reprodução Veja também É #FAKE vídeo de idosos em asilo explicando fantasias de Halloween nos EUA É fake vídeo de idosos explicando fantasias cômicas para Halloween; tudo foi feito com IA VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

Palavras-chave: inteligência artificial

Nvidia tem lucro de US$ 31,9 bilhões no 3º trimestre, alta de 65%; ações disparam

Publicado em: 19/11/2025 18:55

Pessoa passa por painel com logomarca da Nvidia na Computex em Taiwan em junho de 2024 Ann Wang/Reuters A Nvidia registrou lucro líquido de US$ 31,9 bilhões no terceiro trimestre fiscal, um avanço de 65% frente ao mesmo período do ano anterior. O desempenho superou as projeções do mercado. A receita da fabricante de chips cresceu 62% em um ano, reforçando a confiança no setor e reduzindo preocupações sobre uma possível bolha nas empresas ligadas à inteligência artificial (IA). 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Com esses resultados, as ações da empresa avançam mais de 4% no after-market, período de negociações após o fechamento do pregão. No mês passado, a Nvidia se tornou a primeira empresa de capital aberto a atingir um valor de mercado de US$ 5 trilhões. Atualmente, continua sendo a companhia mais valiosa do mundo, com avaliação de US$ 4,55 trilhões. Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 As ações da companhia registram valorização de 38,9% em 2025 até o fechamento do pregão desta quarta-feira. Esse desempenho se soma aos ganhos expressivos de 171% em 2024 e 239% em 2023. A forte demanda por chips da empresa do Vale do Silício é o principal fator por trás da rápida valorização de suas ações desde o início de 2023. “As vendas do Blackwell estão fora de série, e as GPUs para nuvem estão esgotadas”, disse o CEO da Nvidia, Jensen Huang, em comunicado ao mercado. 🔎 Blackwell é a nova e mais poderosa família de chips de inteligência artificial da empresa, criada para treinar e rodar modelos gigantes de IA, como o ChatGPT e o Gemini. As GPUs são unidades de processamento gráfico projetadas para lidar com tarefas intensivas em dados — especialmente em aplicações de IA. A Nvidia ganhou vantagem ao adaptar seus chips gráficos, os chamados GPUs, originalmente usados em videogames, para treinar sistemas avançados de inteligência artificial, como os que sustentam o ChatGPT e geradores de imagens. A demanda aumentou rapidamente conforme mais pessoas começaram a usar chatbots de inteligência artificial. As empresas de tecnologia se apressaram para obter mais chips e viabilizar a criação e operação desses sistemas. Em atualização.

É #FAKE que vídeo de indígena pintando rostos de participantes de evento foi gravado na COP30; cena ocorreu em 2024

Publicado em: 19/11/2025 18:52

É #FAKE que vídeo em que indígena pinta rostos de participantes de evento tenha sido gravado durante a COP30 Reprodução Circula nas redes sociais o vídeo de um indígena pintando com urucum os rostos de pessoas que assistiam a um seminário – e as legendas alegam que as cenas foram gravadas durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém. É #FAKE. selo fake g1 🛑 Como é a publicação falsa? Os posts foram publicados nesta quarta-feira (19) em dezenas de posts no Facebook, no X e no TikTok. Eles compartilham um vídeo no qual um indígena esfrega, com a mão, uma tinta vermelha no rosto e na cabeça de participantes de um evento em uma sala de convenções. Algumas delas se limpam e se levantam. Veja dois exemplos de legendas: "Entendendo a declaração do chanceler alemão, diz aí se ele está errado"; e "O cara não queria vir para o Brasil, foi para o lugar quente do caramba, pagou caro pra dormir e comer, tomou banho pra ir num centro de convenção alagado, cheirando urina, ar condicionado quebra, senta na frente pra tentar aproveitar alguma coisa e acontece isso... *VIVA COP 30*". Mas essas descrições são mentirosas: elas tiram de contexto um registro feito, na verdade, em 2024 (leia abaixo). A fake faz referência ao chanceler da Alemanha, Friedrich Merz. Na quinta-feira (13), ele disse que a comitiva de seu país ficou contente de deixar a capital paraense: "Todos ficaram felizes por termos voltado" (entenda o contexto ao final desta reportagem). ⚠️ Por que o post é mentiroso? Embora seja real – e não algo produzido por inteligência artificial (IA), por exemplo –, a cena ocorreu ano e meio antes da COP30, que termina nesta sexta-feira (21). Em 8 de maio de 2024, o g1 publicou uma reportagem que mostrou a gravação e tinha o seguinte título: Durante protesto, indígena kumaruara passa tinta de urucum no rosto de defensores da Ferrogrão; VÍDEO (assista e veja detalhes abaixo). O episódio aconteceu no primeiro dia do Seminário Técnico sobre a Ferrogrão, em Santarém, oeste do Pará. Na ocasião, representantes do governo e de instituições que defendiam o projeto foram surpreendidos pela liderança indígena Naldinho Kumaruara, da aldeia Solimões. Ele protestou contra a construção da ferrovia, classificada como plano de extermínio por povos originários. Indígena passa tinta de urucum no rosto de defensores da Ferrogrão 📖 Qual é o contexto da fake? A publicação falsa viralizou seis dias após Merz ter criticado Belém durante um discurso no Congresso Alemão do Comércio (assista abaixo). Ele disse: "Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: 'Quem de vocês gostaria de ficar aqui?' Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha, a noite de sexta para sábado, especialmente daquele lugar onde estávamos". Conhecido por ser conservador, pragmático e milionário, ele assumiu como chanceler (posto equivalente ao de primeiro-ministro) em maio de 2025 — o cargo, na prática, é similar ao de primeiro-ministro. O político faz partido de direita União Democrática Cristã (CDU, na sigla original). Em entrevista coletiva nesta quarta-feira (19), o porta-voz do governo alemão, Stefan Kornelius, disse que Merz não se desculpará por sua controversa declaração sobre a COP30 e não vê nenhum dano às relações diplomáticas entre a Alemanha e o Brasil. O prefeito da cidade-sede da COP30, Igor Normando (MDB), chamou o comentário de Merz de "infeliz, arrogante e preconceituosa". O governador paraense, Helder Barbalho (MDB), falou em "discurso preconceituoso [que] revela mais sobre quem fala do que sobre quem é falado". O presidente Lula (PT) também rebateu o líder alemão, dizendo que "Berlim não oferece 10% da qualidade" do Pará e de Belém. Nas redes sociais, as reações se dividiram: alguns usuários fizeram comentários negativos sobre a Alemanha, mencionando estereótipos, enquanto outros acusaram o premiê de xenofobia. Chanceler alemão diz que jornalistas ficaram contentes ao sair de Belém após COP30 Lula rebate chanceler alemão e diz que Berlim não oferece 10% da qualidade de Belém É #FAKE que vídeo em que indígena pinta rostos de participantes de evento tenha sido gravado durante a COP30 Reprodução Veja também É #FAKE vídeo de idosos em asilo explicando fantasias de Halloween nos EUA É fake vídeo de idosos explicando fantasias cômicas para Halloween; tudo foi feito com IA VÍDEOS: Os mais vistos agora no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 VÍDEOS: Fato ou Fake explica VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE VEJA outras checagens feitas pela equipe do FATO ou FAKE Adicione nosso número de WhatsApp +55 (21) 97305-9827 (após adicionar o número, mande uma saudação para ser inscrito)

Palavras-chave: inteligência artificial