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Marjorie Taylor Greene: quem é a deputada conservadora que foi de 'amada' a 'traidora' de Trump

Publicado em: 20/11/2025 06:00

Marjorie Taylor Greene: quem é a deputada que rompeu com Trump Em 2024, seis meses antes de ser eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump escreveu nas redes sociais que "absolutamente amava" a deputada conservadora Marjorie Taylor Greene. No entanto, a relação entre os dois se deteriorou rapidamente: agora, o presidente a chama de "traidora" e "lunática". No centro da disputa estão divergências políticas e o caso Jeffrey Epstein. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Nos últimos anos, Marjorie se tornou um dos principais nomes do movimento "Make America Great Again" (Faça a América Grande Outra Vez, em português). Os posicionamentos fizeram com que ela fosse eleita deputada em 2020. A conservadora é conhecida nos Estados Unidos por fazer uma série de declarações controversas e até mesmo espalhar teorias da conspiração. Em 2018, por exemplo, ela disse que os ataques terroristas de 11 de setembro eram uma farsa. Durante a pandemia, comparou o uso obrigatório de máscaras ao Holocausto. Antes de ser eleita, ela também chegou a apoiar a execução de políticos democratas. Durante a gestão de Joe Biden, Marjorie se tornou um dos principais nomes da oposição, apesar de ter sido punida pelo Congresso por apoiar teorias da conspiração. Um dos episódios mais marcantes ocorreu em 2024, quando ela interrompeu o discurso anual do Estado da União do então presidente para falar sobre o assassinato de uma jovem americana por um imigrante venezuelano. A fama de Marjorie fez dela uma estrela dentro do movimento "MAGA", e logo ela se aproximou de Donald Trump. Durante a campanha presidencial do ano passado, a deputada apareceu diversas vezes ao lado do atual presidente. Trump também elogiou Marjorie em várias ocasiões nas redes sociais. O presidente chegou a divulgar o livro da deputada em 2023. Veja alguns posts a seguir: 21 de novembro de 2023 "Marjorie Taylor Greene tem sido uma das mais ferozes guerreiras no Congresso pelo movimento America First e por tudo o que ele representa. Apesar da enxurrada de ataques dos 'democratas marxistas' e da 'mídia falsa', Marjorie se recusa a recuar e nunca para de lutar. Tenho certeza de que vocês vão ADORAR o novo livro dela, 'MTG'." 9 de maio de 2024 "Eu absolutamente amo Marjorie Taylor Greene. Ela tem garra, tem espírito de luta, e acredito que continuará por muito tempo ao nosso lado. No entanto, neste momento, os republicanos precisam estar lutando contra os democratas da esquerda radical e todo o dano que eles causaram ao nosso país..." 19 de maio de 2024 "Marjorie Taylor Greene é uma representante fantástica do 14º distrito da Geórgia. Uma verdadeira lutadora pelo nosso movimento America First, Marjorie tem trabalhado incansavelmente para proteger a nossa fronteira, acabar com o crime cometido por imigrantes, conter a inflação, apoiar nossas Forças Armadas e veteranos, defender a Segunda Emenda — constantemente sob ataque —, garantir a integridade das eleições e responsabilizar Joe Biden e a esquerda radical por sua 'guerra jurídica inconstitucional' e 'interferência eleitoral'. Marjorie Taylor Greene tem meu apoio total e absoluto!" LEIA TAMBÉM Visível do espaço: montanha de lixo às margens de rio causa indignação no Reino Unido É #FAKE que vídeo mostre brasileiro se arrependendo de lutar pelo Exército da Ucrânia; cena foi criada com inteligência artificial VÍDEO: Homem é resgatado com guindaste após ataque russo que deixou 25 mortos na Ucrânia Crise A deputada Marjorie Taylor Greene com boné do 'MAGA' em 6 de janeiro de 2025 REUTERS/Annabelle Gordon A relação entre Marjorie e Trump começou a estremecer neste ano, segundo a imprensa americana. No radar estão dois embates: as ambições políticas da deputada e os documentos de investigação do caso Jeffrey Epstein. Fontes ouvidas pela NBC News afirmaram que a deputada ficou chateada por não ter sido nomeada para nenhum cargo no governo Trump. A situação piorou meses depois, quando a Casa Branca a pressionou para não se lançar como candidata ao Senado. Em maio, Marjorie anunciou que não concorreria ao Senado. Dois meses depois, também afirmou que não seria candidata ao governo da Geórgia. Recentemente, a deputada entrou de vez em uma campanha pela divulgação dos arquivos sobre a investigação do caso Epstein. À época, Trump criticava quem apoiava a medida e chamava o caso de “farsa”. Epstein foi um empresário norte-americano conhecido por sua ampla rede de contatos com políticos, celebridades e executivos. Ele e Trump já foram amigos. Epstein foi acusado de abusar de mais de 250 meninas menores de idade e de comandar uma rede de exploração sexual. O bilionário morreu na prisão em 2019. Marjorie sempre defendeu a divulgação dos arquivos da investigação. Antes, porém, adotava um discurso mais alinhado com o restante do Partido Republicano. Em setembro, ela apareceu em uma coletiva de imprensa ao lado de vítimas do bilionário, demonstrando apoio à divulgação dos documentos. Neste mês, arquivos publicados pelo Congresso sugerem que Trump tinha conhecimento da conduta de Epstein e que, em certa ocasião, o atual presidente “passou horas” na casa do bilionário com uma das vítimas. Nas últimas semanas, Marjorie deu uma série de entrevistas, passou a adotar um tom mais moderado e criticou lideranças do Partido Republicano. Críticas de Trump Marjorie Taylor Greene ao lado do presidente Donald Trump em 4 de março de 2025 AP Photo/J. Scott Applewhite No início de novembro, Greene disse à NBC News que Trump precisava se concentrar em resolver problemas internos dos Estados Unidos, em vez de focar em assuntos internacionais. O presidente respondeu dizendo que Greene havia “perdido o rumo”. Dias depois, na sexta-feira (14), Marjorie usou as redes sociais para dizer que Trump estava a atacando e mentindo sobre ela. “É realmente espantoso o quanto ele está se esforçando para impedir a divulgação dos arquivos de Epstein, a ponto de chegar a esse ponto”, publicou. No dia seguinte, Trump anunciou que havia rompido com a deputada. Ele disse que Marjorie era fraca e havia traído todo o Partido Republicano ao “virar para a esquerda”. “Tudo o que vejo a 'maluca' Marjorie fazer é RECLAMAR, RECLAMAR e RECLAMAR! Tudo parece ter começado quando enviei a ela uma pesquisa mostrando que não deveria concorrer ao Senado nem ao governo estadual”, escreveu. “Ela tem dito a muitas pessoas que está chateada porque não retorno mais suas ligações, mas com 219 deputados, 53 senadores, 24 membros de gabinete, quase 200 países e uma vida normal para tocar, não posso atender todos os dias a ligação de uma lunática aos gritos.” Marjorie respondeu às acusações. Em uma entrevista, disse que era doloroso ver o presidente a chamando de traidora e que as palavras de Trump colocavam sua vida em risco. VÍDEOS: em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1

Palavras-chave: inteligência artificial

Maqueiro 'brinca' enquanto manipula dois corpos ensacados em capela de hospital: 'presuntinho'; VÍDEO

Publicado em: 20/11/2025 06:00

Funcionário de hospital é filmado fazendo brincadeiras com corpos em Cachoeiras de Macacu Um vídeo gravado no domingo (16) mostra um maqueiro de um hospital público em Cachoeiras de Macacu, na Região Metropolitana do Rio, brincando enquanto manipulava dois corpos ensacados dentro da capela da unidade: ''esse presentinho número dois. Olha o narizinho dele aqui! Ou esse presuntinho número um''. As imagens foram postadas nas redes sociais. Após repercussão, um print que circula nas redes sociais mostra o funcionário pedindo para que a postagem fosse apagada. Na mensagem, ele admitiu o erro. "Quero que apague a postagem com o meu nome. Com todo o respeito. Teria como? Eu Errei", escreveu o maqueiro. O g1 tentou contato com o funcionário que aparece no vídeo, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. 📱 Siga o canal do g1 Região Serrana no WhatsApp. Em nota oficial, a Prefeitura disse que solicitou providências à empresa que administra o hospital e que a terceirizada disse que os envolvidos seriam afastados das funções para tomar as medidas internas e legais cabíveis. Ainda na nota, a Prefeitura esclareceu que: "A gravação e divulgação não autorizada de imagens em ambiente hospitalar ferem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), violam o direito à intimidade e afrontam a dignidade humana". Maqueiro pediu para que a postagem fosse apagada, dizendo que errou Reprodução redes sociais O município disse ainda que "tais práticas violam frontalmente as normas de conduta e as exigências estabelecidas pelo Município" e também que "não tolera atos de desrespeito a pacientes e familiares". Veja nota da Prefeitura na íntegra ao final do texto. O município afirmou que vai acompanhar a apuração administrativa feita pelo hospital. Nota da Prefeitura "A Prefeitura de Cachoeiras de Macacu informa que solicitou providências imediatas à empresa administradora do Hospital Municipal em relação ao episódio recente. A empresa comunicou que os profissionais envolvidos serão preliminarmente retirados das funções que desempenhavam e responderão aos procedimentos internos e legais cabíveis, em conformidade com a legislação trabalhista vigente (CLT). Informou também que os atos divulgados constituem infração grave aos protocolos contratuais e éticos que amparam a atuação da instituição e, como tal, serão tratados com todo o rigor. A gravação e divulgação não autorizadas de imagens em ambiente hospitalar ferem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), violam o direito à intimidade e afrontam a dignidade humana. Tais práticas violam frontalmente as normas de conduta e as exigências estabelecidas pelo Município. A Prefeitura reitera que não tolera atos de desrespeito a pacientes e familiares. Acompanharemos a apuração administrativa realizada pela gestora do hospital, que informou a comunicação às autoridades competentes para investigação de eventual ilícito penal. Reforçamos nosso compromisso inegociável com um atendimento público ético, humanizado e seguro". Maqueiro de hospital em Cachoeiras de Macacu debocha enquanto manipula dois corpos ensacados Divulgação

Palavras-chave: lgpd

Celular Jovi V50 Lite é bom? g1 testou e comparou com 4 outros smartphones

Publicado em: 20/11/2025 05:04

Celulares intermediários: g1 testa 5 modelos com bom desempenho e custo-benefício O Jovi V50 Lite faz parte da categoria de celulares intermediários lançados neste ano. Esses aparelhos lembram muito seus "primos" mais caros, com muitas funcionalidades integradas e a promessa de um preço menor (mas nem todos). 📲 Eles rodam apps com inteligência artificial – já vêm com o Gemini, do Google, pré-instalado, tiram boas fotos e, no geral, têm uma boa performance com grande duração da bateria. O Guia de Compras testou 5 modelos com sistema Android. São eles: Jovi V50 Lite (R$ 2.500) Moto G86 (R$ 2.000) Oppo Reno 13F (R$ 2.500) Samsung Galaxy A56 (R$ 2.200) Xiaomi Redmi Note 14 Pro (R$ 4.600) Os valores foram consultados nas lojas da internet no meio de novembro. Foram avaliados o design, o desempenho em tarefas cotidianas e em jogos, a duração da bateria e as câmeras dos celulares. Veja os resultados a seguir e, ao final, a conclusão. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Jovi V50 Lite Moto G86 Oppo Reno 13F Samsung Galaxy A56 Xiaomi Redmi Note 14 Pro Design Vistos de frente, os celulares intermediários testados são bastante parecidos. Todos têm telas na faixa das 6,7 polegadas, com taxa de atualização de até 120Hz. A taxa de atualização significa quantas vezes a tela “pisca” para trocar uma imagem e, quanto maior, mais rápido aparece a informação para quem está usando o aparelho. Isso é um diferencial na hora de ver vídeos e jogar. Celulares intermediários vistos de frente: Jovi, Motorola, Oppo, Samsung e Xiaomi Henrique Martin/g1 O Jovi V50 Lite, como o nome diz, é uma versão mais básica do Jovi V50 (veja o teste), com acabamento em plástico e câmeras ressaltadas na traseira. O flash acende como um “ring light” para iluminar as fotos, como no outro modelo da marca. O aparelho vem nas cores ouro ou preto. Conta com proteção IP65 contra água e poeira (saiba quais são as diferenças entre os tipos de proteção). O Moto G86 segue uma proposta mais ousada, com uma espécie de couro falso na traseira e câmeras menos evidentes. As bordas metálicas acompanham a cor do celular, disponível em grafite ou vermelho. A proteção é IP68 e IP69 (água, poeira e jatos de alta pressão). O Oppo Reno 13F lembra muito o modelo mais avançado da marca, o Reno 13 (leia o teste). A versão em preto é bastante tradicional, mas a na cor lavanda chama a atenção por ter um padrão no plástico, como se fosse uma flor rabiscada ou uma explosão. Celulares intermediários vistos por trás: Jovi, Motorola, Oppo, Samsung e Xiaomi Henrique Martin/g1 Como no Moto G86, a proteção é do tipo IP68 e IP69, com o diferencial de que a Oppo permite tirar fotos embaixo d’água, com algumas restrições (somente água doce, nada de mar ou piscina, a 2 metros de profundidade até 30 minutos). A função subaquática da câmera funciona e utiliza vibrações para expelir a água quando a sessão de fotos acaba. Com traseira em vidro e bordas em alumínio, o Samsung Galaxy A56 até parece o topo de linha Galaxy S25. Ele segue o mesmo padrão do irmão mais caro, com as câmeras alinhadas na traseira. É o celular com mais opções de cores do teste, disponível em rosa, verde, preto e cinza. A proteção é do tipo IP67. O Redmi Note 14 Pro, da Xiaomi, tem as bordas curvas, com a tela acompanhando a lateral do aparelho, que tem estrutura em alumínio. É um diferencial aos demais, que seguem o padrão mais “chapado” dos smartphones. Seu display é um pouquinho menor (6,67”) na comparação com os outros celulares do teste. Tem proteção do tipo IP68. As cores disponíveis são preto, roxo e verde. Desempenho e bateria As configurações dos cinco intermediários estão dentro do esperado para a categoria, com: Processadores da Samsung (Galaxy A56), Qualcomm (Reno 13F) e MediaTek (Jovi, Motorola e Xiaomi), fabricados no processo de 4 nanômetros, com exceção do Jovi V50 Lite, feito em 6 nm. Para comparação, os topo de linha estão em 3 nanômetros; quanto menor o número, mais "poderoso" é o chip do celular. 8 ou 12 GB de RAM. Armazenamento generoso, com 256 GB em todos os modelos. Tanto o Motorola quanto o Xiaomi vêm com uma entrada para cartões de memória padrão microSD, algo raro de encontrar nos celulares em 2025. Nos testes de desempenho (veja ao final como são feitos), os melhores resultados vieram do Moto G86, seguido por Galaxy A56 e Redmi Note 14 Pro (quase empatados) e Oppo Reno 13F. Na avaliação de performance gráfica, que indica como o smartphone lida com gráficos como vídeos e games, o Galaxy A56 ficou na frente, seguido por Redmi Note 14 Pro, Moto G86 e Reno 13F. O da Jovi ficou na última posição nos dois testes. A duração da bateria variou bastante entre os celulares do teste por conta das distintas capacidades de cada um deles. O Jovi V50 Lite teve a maior duração (17h48) por conta da maior capacidade de bateria (6.500 mAh). O aparelho foi seguido pelo Oppo Reno 13F (12h40 com 5.800 mAh de capacidade) e Galaxy A56 (12h30 com 5.000 mAh). O Redmi Note 14 Pro atingiu 11h27, com bateria de 5.100 mAh. O último lugar do teste ficou com o Moto G86, com 9h32 e 5.200 mAh. Vale ressaltar que a duração da bateria varia de acordo com o uso individual e não significa que será igual para todos. No dia a dia, caso a bateria acabe antes do previsto, os smartphones avaliados vieram com carregadores rápidos. O da Motorola é o mais “lento”, com 33W de potência. Oppo, Samsung e Xiaomi têm carregadores de 45W. O da Jovi é de 90W e promete carregar a bateria de 0 a 100% em 52 minutos. Para comparação, o carregador padrão dos iPhones é de 20W. Câmeras Tirar fotos com celular intermediário em 2025 significa ter ótimas imagens. Agradeça ao trabalho quase mágico que ocorre graças à interação entre os sensores da câmera, o processador do celular e um pouco de inteligência artificial. Jovi V50 Lite, Moto G86, Oppo Reno 13F e Galaxy A56 têm um sensor principal de 50 megapixels. O Redmi Note 14 Pro, de 200 MP. Os resultados são excelentes para todos – com pouquíssimas mudanças entre eles. Dá para notar mais mudanças no tom do céu, nas fotos a seguir. Ou nas cores da orquídea: Mas não muito nas cores dos gatos. Além disso, todos têm uma grande angular de 8 MP – o Samsung tem 12 MP. Veja abaixo: e Os aparelhos da Oppo, Samsung e Xiaomi contam ainda com uma lente macro de 2 MP (5 MP no Samsung), para tirar fotos de detalhes. Todos permitem dar um zoom, também com bons resultados. Nas fotos feitas à noite, as diferenças aparecem bastante no equilíbrio de áreas escuras e claras. Os celulares da Jovi e da Samsung foram melhores nessa tarefa que os demais. A Motorola informou que o G86 terá uas atualizações de sistema. As selfies também são de alta resolução: 32 megapixels no Jovi, Motorola e Oppo, 20 MP no Xiaomi e 12 MP no Samsung. Conclusão Todos os celulares testados têm um bom desempenho no geral e tiram ótimas fotos. A duração da bateria variou bastante na avaliação, mas não são aparelhos que vão deixar seus donos sem energia no meio do dia. Na comparação pela melhor relação custo/benefício, o Moto G86 e o Samsung Galaxy A56, ambos na faixa de preço de R$ 2.200, são a melhor escolha. Além do valor, ambos têm boas câmeras e um ótimo desempenho. Na duração de bateria, o Jovi V50 Lite liderou com folga, com quase 18h de uso, seguido por Oppo, Samsung (ambos na faixa das 12h30) e Xiaomi (11h30). O Moto G86 teve a menor duração nos testes, com 9h32. Mas o da Jovi foi mais lento que os demais no desempenho. O tempo que a fabricante promete atualizar o sistema Android dos celulares é um ponto a levar em consideração na hora da compra. Com mais tempo de atualizações, mais durável pode ser o aparelho. O sistema, desenvolvido pelo Google, está hoje na versão 15, apesar de a versão 16 já estar disponível nos modelos mais caros, como os dobráveis. A Jovi informa que o V50 Lite contará com duas atualizações de Android e três anos de atualizações de segurança. A Motorola informou que o G86 terá duas atualizações de sistema e quatro anos de updates de segurança. No Oppo Reno 13F, serão seis anos de atualizações de segurança e cinco upgrades de Android. A Samsung diz que o Galaxy A56 tem seis anos de atualizações de segurança e que o produto terá suporte para até seis gerações de upgrade do Android. Para o Redmi Note 14 Pro, serão 3 atualizações de Android e quatro anos de updates de segurança. Como foram feitos os testes Os aparelhos foram emprestados pelas fabricantes e serão devolvidos. Para os testes de desempenho, foram utilizados três aplicativos: PC Mark e 3D Mark, da UL Laboratories, e o GeekBench 6, da Primate Labs. Eles simulam tarefas cotidianas dos smartphones, como processamento de imagens, edição de textos, duração de bateria e navegação na web, entre outros. Esses testes rodam em várias plataformas – como Android, iOS, Windows e MacOS – e permitem comparar o desempenho entre elas, criando um padrão para essa comparação. Para os testes de bateria, as telas dos smartphones foram calibradas para 70% de brilho, para poder rodar o PC Mark. Isso nem sempre é possível, já que nem todos os aparelhos permitem esse ajuste fino. Os testes foram feitos com as telas com taxa de atualização padrão (60 Hz). A bateria foi carregada a 100% e o teste rodou por horas até chegar ao final da carga. Ao atingir 20% ou menos de carga, o teste é interrompido e mostra o quanto aquele smartphone pode ter de duração de bateria, em horas/minutos. Esta reportagem foi produzida com total independência editorial por nosso time de jornalistas e colaboradores especializados. Caso o leitor opte por adquirir algum produto a partir de links disponibilizados, a Globo poderá auferir receita por meio de parcerias comerciais. Esclarecemos que a Globo não possui qualquer controle ou responsabilidade acerca da eventual experiência de compra, mesmo que a partir dos links disponibilizados. Questionamentos ou reclamações em relação ao produto adquirido e/ou processo de compra, pagamento e entrega deverão ser direcionados diretamente ao lojista responsável. Quem são os novos fabricantes chineses que vendem celulares no Brasil? Celulares dobráveis em 2025: mais opções, mas bem mais caros

Níquel e cobre: Minerais estratégicos impulsionam transição energética e crescimento do setor no PA

Publicado em: 20/11/2025 05:00

Encarregado da embaixada americana diz que EUA querem acesso a minerais brasileiros estratégicos para setor tecnológico Reprodução/TV Globo Empresas do setor mineral no Pará destacam o níquel e o cobre como minerais estratégicos para a transição energética e a produção de tecnologias de baixo carbono. Especialistas entendem que o potencial mineral do estado pode ser extraído de maneira que tente equilibrar benefícios econômicos e impactos socioambientais. 🔶O Boletim da Mineração Paraense de 2025, com base no ano de 2024, mostrou que os minerais representaram em média 72% do que é exportado no estado. Em termos de rendimento, a produção mineral paraense em 2024 chegou a R$ 99,5 bilhões e representou 35,4% da produção mineral do país. 🌍Segundo a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), os empreendimentos de minerais estratégicos em operação no Pará estão licenciados, seja em fase de Licença Prévia, Licença de Instalação ou Licença de Operação. A extração de níquel no Pará, mineral importante para as baterias elétricas, ficou em 1 milhão de toneladas em 2024, em torno de 10% da produção nacional. 🚗 Além dele, o cobre também é indispensável em carros elétricos, turbinas eólicas, painéis solares e no mais conhecido uso em fiações de transmissão de energia elétrica. A produção paraense de cobre, produto compatível com práticas de economia circular e eficiência energética e que permite reciclagem, atingiu mais de 56 milhões de toneladas, cerca de 64% de toda a produção brasileira em 2024. O ex-presidente do Ibama e atual diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (Gaas), Eduardo Martins, diz que, para que esse potencial seja utilizado da melhor forma é preciso fazer um diagnóstico bem-feito da região onde o empreendimento será instalado, entender o que existe de infraestrutura, de organização social e de serviços. Imagina um levantamento para saber os principais problemas que surgem em mineração na Amazônia, estabelecer quais foram as iniciativas para equacionar, quais tiveram sucesso e quais foram os fatores para fazer esse sucesso acontecer?” Esta é a segunda reportagem da série sobre minerais estratégicos, transição energética e o papel do Pará no contexto da COP 30. Nesta matéria, você vai entender o potencial da produção paraense de cobre e níquel e como ocorre a extração desses minerais estratégicos para a transição energética. Entenda o papel do Pará na busca global por minerais essenciais à transição energética e tecnologia limpa 📲 Clique e siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Minerais estratégicos para um futuro sustentável Em São Félix do Xingu, no sudeste do estado, se encontra um dos maiores depósitos de níquel sulfetado do mundo, afirma Bruno Scarpelli, diretor executivo da Centaurus Metals. A empresa instalou na cidade paraense o Projeto Jaguar, que desde 2019 realiza pesquisa mineral, trabalhos de engenharia e licenciamento ambiental no local, com foco na exploração de níquel sulfetado. “O níquel mais comum, o laterítico, exige queima em fornos. Já o níquel sulfetado é separado dos demais minerais por meio de flotação, um processo mais simples, mais barato e com menos impacto”, explica. 🟤O diretor executivo da Centaurus afirma que o níquel sulfetado tem tudo a ver com a transição energética. Bruno afirma que a produção de níquel para veículos elétricos contribui para a redução das mudanças climáticas e do aquecimento global ao dispensar o uso de combustíveis fósseis por parte desses veículos. “O Pará sem dúvida nenhuma vai ter um papel muito relevante no desempenho que o Brasil quer ter e precisa ter para aproveitar as oportunidades que estão sendo criadas e vão ser criadas num ritmo ainda mais acelerado pela transição energética”, diz o diretor. Diretor da Centaurus, Bruno Scarpelli, fala sobre os minerais críticos e estratégicos ⛏️ Ainda no sudeste do Pará, empresas mais experientes também apostam no níquel e no cobre como potenciais investimentos em paralelo à transição energética. A Vale, por exemplo, que está há 40 anos na Amazônia, desenvolve suas principais atividades de mineração no estado, segundo o diretor do Corredor Norte da Vale, Gildiney Sales. “Produzindo minério de ferro, cobre e níquel, minerais essenciais para a descarbonização e a transição energética global. A companhia vê na região um grande potencial de expansão minerária para impulsionar a produção de cobre, contribuindo para posicionar o país na liderança global no fornecimento de minerais críticos e reforçar seu protagonismo no combate às mudanças climáticas”, detalha. Para isso, são previstos investimentos de R$ 70 bilhões até 2030 no minério de ferro na região de Carajás, mas também para expansão da produção de cobre em 32%, segundo o diretor Global de Operações da Vale Metais Básicos, Alfredo Santana. “Recentemente, a companhia anunciou o programa Novo Carajás, no Pará, com foco na retomada e manutenção dos volumes de minério de ferro e expansão da produção em cobre, minerais fundamentais para a descarbonização, o crescimento econômico global e a segurança energética”, disse Alfredo Santana. Amostras de sondagem no Projeto Jaguar de níquel sulfetado, no Pará. Centaurus Metals Desafios da extração mineral Em maio deste ano, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) lançou uma publicação chamada “Minerais críticos e estratégicos para a transição energética” que aborda, entre outros temas, os desafios socioambientais da exploração mineral no Brasil. Na publicação, a EPE afirma que a exploração mineral no país, apesar da legislação ambiental rigorosa, gera impactos significativos, o que exige uma gestão sustentável para minimizar danos. ⛏️O professor Rômulo Simões, da UFPA, explica que a sociedade precisa de minerais, mas sua extração e processamento "sempre têm consequências, como em outras atividades humanas". O pesquisador utiliza o calcário para a produção de cimento como um exemplo prático para ilustrar essa necessidade e o aparente paradoxo. O calcário possui uma origem natural ligada ao ciclo do carbono, tendo sido formado na natureza pelo sequestro de CO2 da atmosfera, que se juntou ao cálcio dissolvido na água do mar para formar CaCO3. Porém, durante o processamento para produzir cimento, a queima do calcário faz com que o CO2 volte para a atmosfera. “É um paradoxo do ser humano, porque ele precisa dos minerais e precisa extraí-los e processá-los. E toda extração e processamento têm consequências”, afirma o pesquisador. Professor Rômulo Simões, da UFPA, afirma que a sociedade precisa de minerais LEIA TAMBÉM: 'Não podemos adiar o debate', diz Haddad sobre minerais críticos Silveira anuncia instalação de Conselho Nacional de Política Mineral Minerais estratégicos são do povo brasileiro, e exploração tem que seguir a lei VÍDEOS: veja todas as notícias do Pará Confira outras notícias do estado no g1 PA

Palavras-chave: tecnologia

Galaxy S26 pode 'reciclar' tela de gerações passadas: medida de economia?

Publicado em: 20/11/2025 04:16 Fonte: Tudocelular

Um novo vazamento publicado na rede social X indica que a Samsung planeja equipar a futura linha Galaxy S26 com painéis OLED M14. A tecnologia deve preservar o pico de brilho de 2.600 nits, já presente nas séries Galaxy S24 e Galaxy S25. A decisão seria resultado de um equilíbrio interno entre a evolução de especificações, os custos de produção e o foco em lucro.Conforme informações do @UniverseIce, os três modelos previstos para a próxima geração de ponta (S26, S26+ e S26 Ultra) devem utilizar telas OLED M14 com brilho máximo de 2.600 nits. O valor é o mesmo adotado na família antecessora e também na linha de 2024, a qual recebeu esse patamar após um salto em relação aos 1.750 nits da geração S23. As a Samsung leaker, I am basically sure that it will adopt M14 material and Polless screen technology, but I can't guarantee that it will adopt 10bit technology and PWM high-frequency dimming. I advise you not to be too optimistic. https://t.co/WicBrzvunbClique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Vacina para prevenir câncer de pulmão inicia estudos em humanos; entenda como funciona e quem deve receber

Publicado em: 20/11/2025 04:02

Câncer de pulmão cresce entre pessoas não fumantes A ciência acaba de abrir um novo capítulo na oncologia: começam, em 2026, os primeiros testes em humanos da LungVax, a primeira vacina preventiva do mundo contra o câncer de pulmão. O estudo, desenvolvido pela Universidade de Oxford e pela University College London, recebeu financiamento de R$ 13 milhões (£2 milhões) e marca a estreia de uma estratégia inédita: treinar o sistema imune para caçar células pulmonares que começam a se comportar de forma suspeita — antes mesmo do tumor existir. O tumor de pulmão segue, há 30 anos, como o câncer que mais mata no mundo. A seguir, o g1 explica o que é essa vacina, como funciona, quem participará dos ensaios, o que dizem especialistas brasileiros e por que o caminho ainda é longo. Sandro Araújo/ Agência Saúde Como a vacina funciona A vacina experimental usa uma tecnologia muito próxima da plataforma da vacina de Oxford/AstraZeneca contra a Covid-19, de nome o ChAdOx2-lungvax-NYESO. Na prática, esse sistema funciona como um vetor viral não replicante —um vírus modificado que não causa infecção e serve apenas como meio de transporte para levar um conjunto específico de instruções até as células. Essas instruções são um pequeno pedaço de DNA colocado dentro do vetor. Quando esse material chega às células, ele age como um comando: faz o organismo produzir um fragmento de proteína chamado NY-ESO-1. Esse fragmento é importante porque costuma aparecer em células que começaram a sofrer alterações precoces, aquelas mudanças iniciais que precedem o câncer. Ou seja: é um marcador típico de células que saíram do comportamento normal e passaram a acumular mutações. Ao expor o sistema imunológico a esse fragmento antes que o problema apareça de verdade, a vacina ensina o corpo a reconhecer esse sinal como algo que deve ser combatido imediatamente. Isso significa que a tecnologia cria uma espécie de vigilância imunológica contínua no pulmão, preparada para identificar alterações muito iniciais antes de elas se transformarem em um tumor. “Esse vetor entrega DNA para dentro da célula, que passa a produzir elementos capazes de ativar as células T. É como colocar o pulmão em vigilância constante para atacar qualquer célula que pareça tumoral”, explica o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation. Uma vacina preventiva mas para público específico As vacinas contra câncer já estudadas até hoje são, em sua maioria, terapêuticas e baseadas em RNA mensageiro. Segundo a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai, elas são usadas em pessoas que já têm um tumor, com o objetivo de reforçar a resposta imunológica contra ele. A LungVax inaugura outra lógica: prevenir que o câncer volte. No primeiro momento, ela será testada em: pessoas que já tiveram câncer de pulmão em estágio inicial, foram operadas e apresentam alto risco de recidiva; indivíduos que participam de programas de rastreamento e têm alterações pulmonares que requerem acompanhamento. “É uma estratégia diferente. Em vez de agir depois do câncer estabelecido, busca impedir que ele retorne ou se desenvolva”, explica Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm). Ele ressalta que a definição do público-alvo, se a vacina se mostrar eficaz, será uma etapa complexa: fumantes e ex-fumantes, pessoas com forte histórico familiar, imunossuprimidos e sobreviventes de câncer poderão configurar grupos candidatos. “Será uma discussão enorme”, diz. O câncer de pulmão é um dos mais recorrentes, e o consumo de tabaco está diretamente relacionado às suas altas taxas de incidência Canva As fases do estudo A LungVax ainda está no começo do caminho. Os pesquisadores só obtiveram autorização para iniciar os testes em humanos, e isso significa que ela está no início do que chamamos de ensaios clínicos. Essas etapas existem porque nenhuma vacina ou medicamento pode ser liberado sem passar por uma sequência de testes progressivos, cada um respondendo a perguntas específicas. A lógica é: primeiro garantir que é seguro; depois entender como funciona no corpo; e só então avaliar se realmente previne a doença. A LungVax começará pelas duas primeiras fases: Fase 1: a etapa mais básica e mais cuidadosa (30 pessoas) É a primeira vez que a vacina será aplicada em seres humanos. Nessa fase, os pesquisadores querem responder a perguntas simples, mas fundamentais: É segura? Eles observam se há efeitos colaterais importantes ou sinais de toxicidade. Qual é a dose certa? Testam quantidades diferentes até identificar a dose que produz resposta imunológica sem causar reações indesejadas. O sistema imunológico reage? Eles avaliam se o corpo produz as células de defesa necessárias após a aplicação. É como o “teste de partida”: não se procura eficácia ainda, e sim segurança e sinal de que a ideia pode funcionar. Stefani relembra que, no laboratório, a vacina já mostrou que consegue ativar células T — mas reforça que isso não garante o mesmo efeito no corpo humano. “É o primeiro passo. Agora a resposta precisa aparecer em humanos”, diz o oncologista. Fase 2: entender se funciona de verdade (560 pessoas) Depois que a fase 1 confirmar que é seguro seguir adiante, vem a fase 2. Aqui, os cientistas dão a vacina para um grupo maior de pessoas com risco elevado de câncer de pulmão e comparam com outro grupo que não recebe a vacina. É o que chamamos de grupo controle. O objetivo é responder: A vacina realmente reduz a chance de o câncer voltar? Ela diminui a probabilidade de surgir um novo tumor? O efeito no sistema imunológico é consistente? Ainda não é a etapa definitiva –essa seria a fase 3–, mas é onde começam a aparecer os primeiros sinais de eficácia. “Trata-se de um estudo inicial, autorizado a começar. Com muito cuidado e zero euforia.” - Renato Kfouri, SBIm. Freepik Por que o câncer de pulmão é um alvo prioritário O câncer de pulmão é, simultaneamente, um dos mais frequentes e um dos mais difíceis de detectar cedo. Sinais iniciais costumam ser silenciosos, e muitos pacientes recebem diagnóstico já em fase avançada. Além disso, tumores pulmonares têm neoantígenos bem definidos, o que facilita o desenvolvimento de estratégias como a LungVax. “É um câncer que merece destaque. Há 30 anos ocupa o primeiro lugar entre os cânceres que mais matam no mundo. Por isso, se mostrar eficácia, ess vacina será revolucionária”, diz Stefani.

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Culinária afrodiaspórica: entenda como saberes ancestrais, tecnologia e identidade negra atravessaram oceano e se perpetuam nas mesas do Recife

Publicado em: 20/11/2025 04:01

Chefe Tayná Passos, do restaurante Ilê Dùn, fala da comida afro-diaspórica Quais os caminhos percorridos por um alimento até o nosso prato? Para além do plantio nos campos, distribuição nos mercados ou armazenamento nas dispensas, há uma trajetória simbólica. Um percurso feito por gerações, que insiste em transpor o tempo, a escravização e a tentativa de silenciamento de um povo. As diásporas africanas foram os deslocamentos forçados de milhões de pessoas para diferentes partes do mundo durante o tráfico transatlântico de escravizados. Esse movimento levou não apenas corpos, mas também saberes, memórias e sabores. O Dia da Consciência Negra, celebrado nesta quinta-feira (20), é oportunidade para ouvir as histórias daqueles que ajudaram a construir o Brasil. O g1 conversou com chefs de cozinha, pesquisadores e sacerdotisa de terreiro para entender a importância da culinária afro-brasileira. Afinal, o que nos nutre também vem de mãos negras, e a culinária afrodiaspórica é um exemplo disso (veja no vídeo acima). ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE Os saberes que atravessaram o Atlântico com a escravização precisaram, como forma de resistência, se adaptar a uma nova realidade. É o caso da culinária, cujos processos, preservados na memória dos africanos, foram repassados com ajuda da oralidade. "Não tem como você falar de uma identidade brasileira sem você falar da importância dos africanos e da cultura africana nas nossas vidas. O africano está presente, ele faz parte da construção desse país. Seja com sua força de trabalho, seja com os seus saberes, as suas epistemologias", disse o historiador Mário Ribeiro, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Acarajé servido no restaurante Ilê Dùn, no Recife Restaurante Ilê Dùn/Divulgação Os ingredientes, muitas vezes, precisaram ser substituídos por similares, pois alguns alimentos não estavam disponíveis no "novo mundo". "Não chegou um livro de receitas aqui dizendo como fazer cada prato. É uma cultura ensinada, passada através da oralidade e da vivência. E cada casa faz de um jeito. Faz como aprendeu com o seu mais velho", pontua o historiador da UFPE. No imaginário brasileiro, a culinária afro-brasileira é muito atribuída a Salvador. Mas ela também está presente em diversas cidades, em especial na região Nordeste. Na capital pernambucana, chefs de cozinha perpetuam e reverenciam essa tradição. Altar Cozinha Ancestral No bairro de Santo Amaro, no Centro do Recife, o restaurante Altar Cozinha Ancestral funciona, há mais de uma década, sob os cuidados da chef Dona Carmem Virginia. Em 2024, foi reconhecido como Patrimônio Cultural e Gastronômico da cidade. Com cardápio diverso, os pratos são divididos nas categorias terra, água, fogo e ar. Desde o Ogunhê, que é um bolinho de feijoada, até o Oyá Messan, o tradicional acarajé, trazendo para mesa a uma comida afro-brasileira autêntica. O g1 conversou com Dona Carmem e perguntou o que caracteriza, para ela, a culinária afrodiaspórica. "Antes de tudo é quem está fazendo. As mãos de quem faz. Não dá para fazer culinária diaspórica quando você não é negro e não se entende como negro. É preciso ter um pouco de dor e de prazer nessa coletividade", contou. Dona Carmem Virgínia e Rodney William falam sobre a tradição da culinária ancestral no Candomblé Para Dona Carmem Virginia, cozinhar respeitando os ensinamentos dos ancestrais é uma forma de transpor um passado de sofrimento e preservar a cultura negra. "A dor fica só nas lembranças de como que a gente chegou aqui. Mas dessas lembranças tristes, a gente também fica envaidecido e se sentindo privilegiado por sair desse núcleo de dor e, ainda assim, herdar tanta coisa linda, tantos ingredientes, tanto jeito de falar, tanta beleza que é a nossa cultura, a nossa culinária", afirmou. Desde jovem, ela escolheu o caminho de honrar os temperos, ingredientes e modos de preparos ancestrais. "De alguma forma, essa cozinha ancestral já estava dentro de mim e só precisou de um empurrão do acaso, do destino, dos orixás. (...) Eu sou uma menina de terreiro de Candomblé, desde criança, e isso me pertence muito. Eu não vendi uma história que me foi apresentada da noite por dia", conta. Ilê Dùn, a "casa doce" História semelhante é a da chef de cozinha e pesquisadora Tayná Passos, de 30 anos, que há seis anos trabalha com culinária afro e afro-indígena. Hoje ela comanda o Ilê Dùn, que fica no Barro, na Zona Oeste do Recife. O nome do restaurante significa “casa doce” em iorubá, e busca traduzir "um espaço de acolhimento, sabor, memória e potência", como contou ao g1 a cozinheira. O menu nasceu para representar suas vivências e pesquisas na área. "Minha base é uma cozinha contemporânea inspirada nas tradições africanas e afro-indígenas, dialogando com ingredientes e técnicas que fazem parte da história alimentar do Recife e de Pernambuco (...) Cada prato carrega memória, território, espiritualidade e pesquisa", disse Tayná. Chef Tayná Passos usa óleo dendê nas suas receitas Nicole Rodrigues/Divulgação No cardápio, encontramos opções como croquete de inhame-vermelho com charque, uma "Feijoada Afro Pernambucana", feita com amendoim e charque, e o "Risoto da Diaspóra", preparado com camarões, lombo suíno, frango, quiabos, pimentões e dendê. Para Tayná, continuar reverberando os ingredientes e modos de preparo utilizados por seus antepassados é uma forma de reafirmar e preservar a identidade. "Reconhecemos facilmente a contribuição europeia na culinária, mas quase nunca valorizamos os povos africanos e indígenas como fundamentais na construção alimentar e social do Brasil", relata a chef e pesquisadora. Para ela, a culinária afrodiaspórica é uma "biblioteca viva", montada por saberes, sabores, técnicas e práticas alimentares. Ingredientes como dendê, gengibre, inhame, feijão-fradinho e coentro são de origem africana e compõem a culinária afro-brasileira. O uso do pilão, das panelas de barro, das colheres de pau também são característicos dessa tradição. "Ela [culinária afrodiaspórica] está nos terreiros, nas nossas casas, nas tecnologias tradicionais, no gesto de provar a comida com a mão, que é ancestralidade pura nos restaurantes contemporâneos, nos quintais de avó, de mãe, nos sítios, mercados e feiras, nos quilombos e comunidades periféricas", conta Tayná. Para além dos restaurantes A culinária afro-brasileira encontra morada também fora dos restaurantes. Ela também está presente nas tradições domésticas, como o cuscuz de milho, tão celebrado no Nordeste. "Ninguém acredita que está comendo comida de matriz africana ali, mas o cuscuz é uma comida de matriz africana. Porque no norte da África, no Maghreb, se fazia cuscuz com semolina. E aí essa tecnologia chega [no Brasil] com essas populações. Na ausência da semolina, passa-se a usar o milho", informa o antropólogo da alimentação Bruno Albertim. Ao olhar para as tradicionais festas juninas, em celebração ao São João, a comida também reverencia as tecnologias africanas, como o leite de coco, muito utilizado em Moçambique. "Os portugueses se apropriaram de várias tecnologias alimentares dos povos subjugados. Uma delas é o leite de coco. É uma coisa que se fazia na África há muito tempo, a extração desse sumo leitoso do coco", conta Bruno Albertim. Outro local onde a comida afrodiaspórica encontra refúgio são os terreiros. Há dois séculos, quando esses espaços religiosos começaram a se organizar no Brasil, a culinária atuou como um dos pilares. "Quando os terreiros de Candomblé passam a se organizar, ainda no período colonial, no século XIX, eles vão começar a fazer os pratos para as divindades e, dessa forma, a gente também vai garantir a continuidade dessas tradições, dessas culturas", lembra o historiador Mário Ribeiro. Pontuando a importância dos terreiros na manutenção dessa tradição gastronômica, o Recife realiza, como parte da programação oficial do Ciclo Junino, a Exposição Culinária Afro-brasileira. A celebração chegou em sua 17ª edição neste ano, organizada sempre pelo povo de terreiro. Comidas de santo são servidas durante a Exposição de Culinária Afro-Brasileira, nesta quarta (20), no Sítio da Trindade, no Recife Divulgação/Andrea Rêgo Barros/PCR Mãe Elza de Yemojá, pesquisadora e sacerdotisa de Jurema e Candomblé, é uma das fundadoras do evento. Em entrevista ao g1, ela contou que, através da comida, buscam aproximar o público da cultura vivenciada nos terreiros, que sofrem com preconceito religioso e racismo. "Em 2025, todas as comidas das divindades foram expostas. Todo mundo começou a provar o acaçá, o arroz, o ebo e dizer: 'Que comida diferenciada'. Então, a gente foi criando esse diálogo. Lembrando o saudoso Frei Tito, a gente dizia que quanto mais a gente se comunicava com as pessoas não-religiosas de matriz africana, mais elas entendiam a cultura africana, mais elas entendiam a perseguição como algo que realmente era racismo", comentou. Em meio ao racismo que ronda os fazeres do povo preto, celebrar a ancestralidade dentro da cozinha ainda requer coragem. Sobre esses desafios, Dona Carmem Virginia fala de uma dualidade. "É terrivelmente saboroso. É terrível porque há pessoas que ainda não aceitaram, mas eu também não estou mais interessada nessas pessoas. Eu tenho que manter as pessoas que se interessam por mim (...) De dizer assim: 'eu queria te apresentar o meu povo pelo lado do sabor, do prazer, e não pelo lado da dor", revelou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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Banho de cheiro, cacau selvagem, açaí do pé: como a COP 30 coloca Belém no mapa do turismo sustentável

Publicado em: 20/11/2025 04:01

Rota Caratateua Viva!: COP30 coloca Belém no mapa do turismo sustentável Você desembarca em Belém para acompanhar os debates da COP 30 e, entre uma plenária e outra, descobre que a Amazônia que sempre apareceu em relatórios climáticos está bem perto: no cheiro da mata depois da chuva, na canoa que atravessa igarapés, na panela de açaí recém-batido na beira do rio. Com a COP 30, Belém vive um momento decisivo para a diplomacia climática e para o fortalecimento do turismo sustentável na Amazônia que gera renda para as comunidades locais sem destruir o meio ambiente nem desrespeitar seus modos de vida. Nas ilhas que circundam a capital, como Combu, Caratateua e Cotijuba, e nas comunidades que integram a Grande Belém, projetos de turismo de base comunitária ganham evidência e mostram, na prática, como desenvolvimento e preservação podem caminhar juntos. Para quem chega ao Pará, a imersão passa por sabores que tremem na boca, trilhas que seguem o ritmo da maré, manhãs de carimbó no quintal e oficinas conduzidas por ribeirinhos, mestres da cultura popular, artesãs, agricultores e jovens extrativistas. É banho de cheiro com ervas e folhas da Amazônia, cacau selvagem que nasce na floresta, açaí colhido do pé e preparado ali mesmo, na beira d’água. Turismo ecológico convida visitantes a conhecerem a Belém ribeirinha. Na foto, vista aérea da Ilha do Combu, a 15 minutos do centro da capital Rota Combu É uma Amazônia apresentada por quem a vive: agricultores, extrativistas, artesãs, ceramistas, mestres da cultura popular e jovens ribeirinhos que veem no turismo sustentável um caminho de renda e permanência em seus territórios. “A COP 30 acelera processos que já vinham sendo construídos, mas que agora ganham mais fluxo, visibilidade e investimento. Ela funciona como um catalisador de iniciativas que antes atuavam de forma isolada. Um movimento impulsionando bionegócios, qualificando experiências e mostrando que o turismo na Amazônia vai além do lazer. É uma ferramenta de conservação, geração de renda e valorização cultural”, avalia Tainah Fagundes, conselheira da ASSOBIO e cofundadora da Da Tribu. “Estamos aproveitando esse momento histórico para deixar um legado duradouro para o território e para as comunidades que constroem a sociobioeconomia todos os dias”, completa. Segundo o Sebrae Pará, a COP 30 acelerou formações, certificações e a organização de empreendimentos comunitários, e trouxe uma oportunidade concreta para a cidade se posicionar como referência em turismo de natureza, cultura e sociobioeconomia. “A COP intensificou nossa preparação e colocou o Combu e outras ilhas no mapa do turismo sustentável. Para os ribeirinhos, isso significa mais autonomia, renda e permanência na terra”, afirma Rubens Magno, diretor-superintendente do Sebrae. Extrativista ribeirinho do Combu exibe um enorme cacho de açaí, fruto-símbolo do Pará Rota Combu O que visitar em Belém? Veja lista de opções de destinos turísticos na cidade das mangueiras Atrações em Belém no mapa do turismo sustentável Divulgação Rota Combu: a floresta a 15 minutos do centro de Belém De dentro da cidade, o visitante vê o Guamá correndo em frente ao Ver-o-Peso. O que muita gente descobre durante a COP 30 é que, do outro lado do rio, a poucos minutos de barco, existe uma floresta inteira organizada para receber quem chega com curiosidade e respeito. Formada por casas de palafita, hortas agroflorestais, cacau nativo e igarapés, a Ilha do Combu se tornou um polo de turismo sustentável com a Rota Combu, criada em 2025 pelo Sebrae Nacional, Sebrae Pará e Raízes Desenvolvimento Sustentável. O projeto reúne 14 empreendimentos, todos em processo de certificação com a Green Destinations, organização internacional referência em turismo responsável. Dona Nena, empreendedora do chocolate que trabalha com cacau 'selvagem', originário da floresta do Combu: sabor da Amazônia Rota Combu A experiência começa na travessia. O vento úmido no rosto, o som do motor da rabetinha, o horizonte se abrindo em tons de verde. Do outro lado, o tempo muda. O visitante passa a seguir o ritmo da maré, das colheitas, das cozinhas que acendem o fogo cedo para preparar peixe. Quem participa dos roteiros pode navegar por igarapés, caminhar em trilhas agroflorestais, conhecer o manejo de cacau, acompanhar a produção de chocolate, observar a fauna e experimentar uma gastronomia amazônica feita com jambu, tucupi e frutas nativas, tudo apresentado por quem nasce e cresce nesse território. “A Rota Combu não é só turismo: é reconexão com a floresta, com a comida feita no fogo, com o tempo da maré e com o jeito ribeirinho de viver”, explica Mariana Madureira, coordenadora da iniciativa. No passeio, um dos destaques é Dona Nena, ribeirinha que transforma o cacau nativo da ilha em chocolate há quase 20 anos e hoje é referência de empreendedorismo na floresta. Desde 2006, quando começou a produzir chocolate artesanal na própria cozinha, ela desenvolve uma tecnologia ancestral em que a floresta dá o fruto, os povos ribeirinhos colhem, secam as sementes e produzem um chocolate de terroir único, literalmente “da floresta à barra”. A fábrica, erguida sobre palafitas no meio da mata, virou parada obrigatória de turismo de imersão e símbolo de bioeconomia: em 2024, recebeu o presidente da França, Emmanuel Macron, ao lado do presidente Lula, em uma visita que colocou o cacau do Combu no radar internacional. Ensaio de Lula e Macron no Pará viralizou nas redes sociais Ricardo Stuckert/PR Dona Nena faz questão de lembrar que cada barra depende da saúde do território. “Cada barra de chocolate depende da saúde do nosso território. Todo o processo acontece dentro da mata, com o cacau crescendo debaixo das árvores e se alimentando da própria floresta. Trabalhando assim, a gente aprende a ter ainda mais respeito por tudo que ela oferece.” Fortalecido, o turismo sustentável tem entusiasmado moradores e empreendedores da ilha. “Antes, a gente recebia visitantes de forma solta. Agora temos roteiro, formação, comunicação e segurança para trabalhar. Isso dá orgulho e garante renda para a comunidade”, afirma Boaventura Carneiro Jr., morador e empreendedor local. Veja os destinos da Rota Combu Sítio do Combu Gourmet – gastronomia local com ingredientes amazônicos Oficina de Artesanato Ribeirinho – técnicas com materiais da floresta Passeio Agroflorestal – manejo e cultivo sustentável Tour de Bioeconomia – empreendimentos de conservação e renda Experiência do Jambu e Tucupi – preparo e degustação Rota do Cacau e Chocolate – cacau nativo e produção artesanal Observação da Fauna e Flora – biodiversidade amazônica Circuito de Saberes Tradicionais – práticas culturais ribeirinhas Passeio de Canoas Históricas – navegação tradicional Vitrine de Empreendimentos Sustentáveis – feira de produtos da comunidade Experiência Noturna da Floresta – observação noturna guiada Trilha da Castanha e Frutas Nativas – colheita e manejo Visita ao Apiário Comunitário – produção de mel e polinização Laboratório de Educação Ambiental – oficinas sobre conservação Roteiro abre com as boas vindas do carimbó Pau & Corda na beira do rio Divulgação Caratateua Viva!: cultura viva e turismo comunitário em Outeiro Se no Combu a floresta abraça o visitante, em Caratateua, nome em tupi da Ilha de Outeiro, é a cultura popular que chama pelo corpo. O Caratateua Viva!, lançado durante a COP 30, convida quem chega a viver um dia inteiro de imersão com mestres e mestras da ilha. A jornada começa com café da manhã ribeirinho: tapioca, peixe, frutas, café passado na hora. Logo depois, a batida do carimbó toma conta do espaço. Visitantes são convidados a entrar na roda, aprender passos, ouvir histórias, entender o sentido das músicas e das festas. “O que fazemos aqui é receber as pessoas como fomos ensinados: com música, comida e história. Quando o turista participa, ele ajuda a manter nossa cultura viva”, afirma Mestre João, ceramista do bairro São João. Roteiro inclui passeio de canoa pelas águas da ilha de Outeiro Divulgação Ao longo do dia, o grupo passa por oficinas de cerâmica, colheita de açaí, passeio de canoa e vivências agroecológicas. É um turismo que atravessa fé, arte, trabalho e território. Para Mãe Sandra, anfitriã da Casa de Mariana, o turismo comunitário também é uma forma de cuidado e de continuidade. “Mostrar nossa espiritualidade, nossa cozinha, nossas festas é mostrar quem somos. E isso gera renda para a comunidade inteira, não só para quem recebe os visitantes.” O Caratateua Viva! é uma realização do Sebrae Nacional em parceria com o BID e a Prefeitura de Belém, dentro do programa Turismo Futuro do Brasil (TFB), e se apresenta como um laboratório vivo de cultura amazônica contemporânea. Roteiro leva visitantes a ceramistas tradicionais da região: artesanato feito com barro da floresta Divulgação Caratateua Viva! — 12 experiências em Outeiro Grupo Parafolclórico Tucuxi e Regional Jurupari – carimbó, xote e lundu Casa de Mariana (Mãe Sandra) – fé, ancestralidade e acolhimento Cerâmica São João (Mestre João) – ofício ancestral do barro Atelier Cerâmico (Mestra Sinéia) – argilas coloridas e técnicas tradicionais Chalé Sítio de Maré – vivência agroecológica e gastronomia ribeirinha Terreiro Inzo Mukongo (Tatetu Kalité) – tradição bantu e formação cultural Biblioteca Tralhoto – leitura, memória e cultura popular Boi Misterioso (Mestre Apollo) – oficinas e apresentações de boi-bumbá Casa Preta (Don Perna) – quilombo urbano de arte negra Monturo do Urubu (Cordão do Urubu) – festas e ensaios juninos Cordão de Pássaro Tem-Tem (Profª Inaiá Paes) – lendas amazônicas em teatro e música Associação Cultural Colibri (Mestra Laurene) – um dos grupos mais antigos da ilha A famosa cachaça de jambu é um dos produtos da rota ASSOBIO Divulgação ASSOBIO: turismo às cadeias da sociobioeconomia Para quem chega pela primeira vez à Amazônia, poucas experiências surpreendem tanto quanto provar a famosa cachaça de jambu, no Meu Garoto. A bebida, feita com a infusão da planta típica da região, já cantada por Dona Onete e presente no imaginário brasileiro, provoca uma sensação imediata de formigamento nos lábios e na língua, efeito natural do espilantol. Não é só um drinque: é um ritual de boas-vindas amazônico, que mistura botânica, cultura popular e aquele tipo de descoberta que só o turismo de imersão proporciona. Entre os empreendimentos de sabor amazônico articulados pela ASSOBIO, a cachaça de jambu divide espaço com o cacau, a castanha, os óleos, os frutos e o artesanato produzidos por comunidades que fazem da floresta em pé a base da sua economia. A Associação de Sociobioeconomia da Amazônia atua fortalecendo uma economia baseada na sociobiodiversidade: produtos e serviços que vêm da mata e geram renda para as comunidades que cuidam dela. Roteiro do Açaí Sustentável mostra manejo do açaí com conservação ambiental e renda comunitária ASSOBIO Com 132 associados, a ASSOBIO criou itinerários que apresentam ao visitante toda essa cadeia, sempre com foco em preservação e geração de renda. Não é só observar: é caminhar pelas roças, ouvir como se decide o manejo, ver a organização coletiva, entender o que significa negociar preço e manter o território. O primeiro roteiro, no Sítio da Cruz, em Ananindeua, leva o público a acompanhar todo o processo de produção do chocolate amazônico: do cacau colhido ao sol na roça até a barra final que chega à mesa. “Queremos que as pessoas vejam e sintam como a sociobioeconomia funciona. É diferente quando a pessoa pisa na terra, cheira o cacau, conversa com quem planta e percebe que cada barra de chocolate é um pedaço de floresta em pé”, diz Tainah Fagundes. A produtora quilombola Luana Machado, de Moju, reforça essa ideia. “Quando mostramos nosso trabalho, mostramos também por que é importante manter a mata viva. O turista entende que sustentabilidade não é discurso, é o que garante que nossas famílias sigam aqui.” Até a COP30 terminar, a ASSOBIO prevê 11 roteiros que vão do manejo sustentável do açaí a vivências com comunidades quilombolas, passando por trilhas ecológicas, gastronomia tradicional e práticas de bioeconomia. ASSOBIO — Roteiros de Sociobioeconomia Roteiro do Açaí Sustentável – manejo do açaí com conservação ambiental e renda comunitária Turismo de Base Comunitária no Marajó – cultura marajoara, artesanato e modos de vida tradicionais Caminhos do Jambu – gastronomia amazônica e saberes culinários ancestrais Rota do Cacau e Castanha – produção artesanal de chocolate e castanhas nativas Turismo Ecológico no Utinga – trilhas, biodiversidade e áreas de preservação Roteiro das Comunidades Quilombolas – cultura, memória e práticas sustentáveis Rota do Cupuaçu e Bacaba – cadeias produtivas da bioeconomia amazônica Turismo de Experiência no Combu – vivências ribeirinhas e manejo agroflorestal Rota do Jatobá e Andiroba – uso sustentável de produtos florestais Caminhos do Guaraná – produção sustentável, história e técnicas tradicionais Turismo Cultural no Círio de Nazaré – festa, fé e práticas culturais sustentáveis VÍDEOS com as principais notícias do Pará

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Dia da Consciência Negra: conheça cinco mulheres negras que fazem a diferença na cultura, na política e na ciência, em Goiás

Publicado em: 20/11/2025 04:01

Dia da Consciência Negra: conheça cinco mulheres negras que fazem a diferença em GO Em Goiás, mulheres negras fazem a diferença na cultura, na política e na ciência. A data de 20 de novembro é marcada por um processo de luta e reivindicação de direitos. No Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, o g1 preparou uma reportagem especial para contar a história de cinco mulheres que contribuem para o reconhecimento da comunidade negra no estado. O 20 de novembro não é visto como um dia de celebração pela comunidade negra, mas sim como um marco de luta contra o período de escravização e de reivindicação por direitos essenciais. Desde dezembro de 2023, o dia é considerado feriado no Brasil, após a mudança aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Goiás no WhatsApp A data relembra a morte do líder Zumbi dos Palmares, que esteve à frente do maior quilombo do período colonial brasileiro. Segundo a Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura (Minc), Zumbi nasceu em 1655 no Quilombo dos Palmares, sendo capturado ainda criança e entregue a religiosos. Na adolescência, ele fugiu e retornou ao quilombo, onde passou a lutar pela defesa de seu povo. O quilombo reunia cerca de 16 comunidades e foi destruído em 1694. No mesmo ano, Zumbi acabou morto e decapitado em 20 de novembro, na Serra da Barriga, conforme relatado pela fundação. A data se tornou anos depois um símbolo de resistência negra. Em território goiano, 54,18% da população se autodeclara parda, 36,24% branca e 9,19%, pretos, segundo dados do Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um levantamento do IBGE mostrou que o número de pessoas que se autodeclaram pretas em Goiás aumentou mais de 65% em 12 anos, passando de 391 mil em 2010 para 648 mil em 2022. Embora seja maioria, a população negra ainda é alvo do racismo e de processos de exclusão e invisibilidade. No entanto, na linha de frente estão pessoas dispostas a transformar essa realidade. Confira a seguir algumas mulheres que atuam em Goiás: Anita Canavarro A professora, pesquisadora, poetisa e ativista Anna Maria Canavarro Benite, de 46 anos, nasceu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro, um bairro predominantemente negro. Atualmente, ela mora em Goiânia, é ativista do Grupo de Mulheres Negras Dandaras no Cerrado, mãe do Igor, Tomas e Sofia e uma mulher de terreiro. Anita, como é conhecida, coordena o Laboratório de Pesquisas em Educação Química e Inclusão (LPEQI) da Universidade Federal de Goiás (UFG). Na mesma unidade, em 2009, ela implantou o Grupo de Estudos sobre Descolonização do Currículo de Ciências (Coletivo CIATA). Anita Canavarro, em Goiás Reprodução/Instagram Pós-Graduação UFG Ao g1, a educadora explicou que sua trajetória acadêmica começou assim como a de outras meninas negras, que compreendem que a escola é um caminho de transformação social. Mesmo sem ter uma referência, a educação foi uma via possível de mobilidade em um contexto de dificuldades. “A escola representava esse lugar da gente se tornar alguém”, disse. Anita estudou em escola pública, cursou licenciatura em química no período noturno porque, na época, ela precisava conciliar estudos e trabalho. Posteriormente, a jovem se tornou mestre e doutora, trabalhando a partir da modelagem de fármacos para doenças negligenciadas que atingem a população negra. A história de Anita se conecta ao projeto Investiga Menina a partir da percepção de que outras jovens deveriam ter acesso a referências que ela não teve. “Se eu tivesse conhecido outras mulheres negras e as possibilidades que elas tiveram; se soubesse que fazem pesquisa de ponta e como isso impacta… minha autoestima, minha capacidade de escolha… tudo isso teria sido influenciado”, afirmou. O Investiga foi fundado pela professora há 10 anos, em 2015, a partir do desejo de levar meninas para as carreiras em ciências exatas e tecnológicas, permitindo que façam escolhas para além das áreas de subordinação. O projeto atua em escolas públicas transformando o ensino de ciências por meio de intervenções nas aulas que colocam cientistas negras no centro do conteúdo, usando experimentos, debates e materiais adaptados, auxilia na formação de professores da rede pública e promove encontros com cientistas negras que inspiram as alunas. Atualmente, a iniciativa atende diversas cidades, como Senador Canedo, Bela Vista de Goiás, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Jataí e Goiânia. “Nós temos cerca de 100 bolsistas distribuídas pela cidade”, disse Anita. O grupo venceu um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) voltado a meninas e mulheres na ciência, com uma proposta que dialoga entre conhecimento científico e tradicional. Em 2024, o Investiga Menina foi finalista do prêmio Luz na Educação - LED, realizado pela Globo e pela Fundação Roberto Marinho. De acordo com Anita, o projeto já alcança cerca de 4 mil estudantes da educação básica. Apesar dos avanços, ela apontou que ainda há muito a ser feito. “Nós ainda não somos um número que gostaríamos de ser, mas somos um número melhor do que o projetado para nós dentro dos laboratórios e grupos de pesquisa”, ressaltou. Para ela, é necessário redimensionar e ampliar a presença de meninas e mulheres negras na ciência, reforçando o diálogo entre universidade e escola. Em Goiás, a construção de currículos negro-referenciados tem contribuído para transformar a formação científica. “É um investimento pesado em mais meninas negras, mais mulheres negras e homens negros”, pontuou a pesquisadora. “O salto que a ciência pode dar se tivermos mais mulheres negras produzindo ciência é um salto de inovação”, defendeu. Segundo ela, os modelos científicos produzidos a partir de perspectivas únicas são incapazes de responder aos problemas sociais. A pesquisadora lembrou que o Brasil é o 13º país em produção científica, mas ocupa a 79ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse descompasso está relacionado ao perfil de quem produz o conhecimento: “A maioria ainda são sujeitos universais, que ensinam ciências descoladas das relações sociais”. De acordo com Anita, quanto mais marcadores sociais um corpo tiver, maior será a sua interdição. No entanto, o Investiga Menina trabalha para mudar esse quadro, inserindo mulheres negras nos currículos científicos e trazendo pesquisadoras negras como referência para que as estudantes aprendam ciência a partir dessas histórias. “A ideia é formar novas gerações desde a educação básica, garantindo que esses novos quadros avancem com segurança e contem com redes de apoio efetivas”, declarou a professora. Caiene Reinier Caiene Reinier Freitas Alvarenga, 31 anos, se apresenta como “a primeira travesti negra formada em Engenharia Ambiental e Sanitária na Universidade Federal de Goiás”. A sua trajetória acadêmica começou em 2012, no curso de matemática da UFG, onde teve suas primeiras experiências como monitora e aprendeu sobre acessibilidade, cuidado e mediação pedagógica. Em 2013, Caiene foi selecionada para o Programa de Licenciaturas Internacionais e estudou na Universidade de Coimbra, em Portugal. Segundo ela, a experiência ampliou seu olhar para desigualdades sociais e ambientais. De volta ao Brasil, ela enfrentou episódios de racismo e transfobia, momento em que reconstruiu sua trajetória. Anos depois, a jovem ingressou no curso de Engenharia Ambiental e Sanitária. Caiene Reiner, em Goiás Reprodução/Instagram de Caiene Reiner As pesquisas desenvolvidas por Caiene, que abordam o racismo ambiental e saneamento básico, ganharam alcance nacional e foram premiadas pela Fundação Tide Setubal e pelo Itaú Cultural. “Minha trajetória nasce de um compromisso: transformar a dor em possibilidade, e a ciência em ferramenta de justiça social e ambiental”, resume. Atualmente, a pesquisadora atua em três frentes que tensionam e reconfiguram a ciência produzida em Goiás. No mestrado, pesquisa racismo ambiental e saneamento básico a partir de dados do Censo 2022, analisando como raça, renda e espaço moldam desigualdades invisibilizadas nas políticas urbanas. “O geoprocessamento e a estatística espacial permitem diagnósticos inéditos sobre acesso à água, esgoto, drenagem e resíduos”, afirma. Como Agente Griô, um projeto dedicado à formação de agentes territoriais de promoção da igualdade racial do Ministério da Igualdade Racial (MIR), ela produz ações educativas que incorporam saberes afro-brasileiros e indígenas ao debate científico, enfrentando o epistemicídio. No Coletivo Xica Manicongo, Caiene trabalha com dados e documentos sobre permanência estudantil, políticas afirmativas e condições de vida da população trans, tendo contribuído para a implementação das cotas trans na UFG. No projeto nacional Conversas entre Meninas e Engenheiras, ela atua para ampliar a presença de meninas, sobretudo negras e periféricas, nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. “Busco reconfigurar a ciência para que ela deixe de ser espaço de exclusão e se torne território de criação coletiva, justiça e liberdade”, disse. Para Caiene, onde há mulheres negras, há transformação. “É a nossa presença que tensiona currículos, metodologias e políticas públicas”, afirmou. A estudante destacou o salto que a ciência goiana poderia dar com financiamento, infraestrutura e mentoria para meninas e pesquisadoras negras. Segundo ela, isso permitiria uma revolução epistemológica, com novas perguntas, métodos e prioridades centradas no cuidado, na justiça e no território, além de abrir espaço para inovação tecnológica enraizada no Cerrado. Com ambientes acadêmicos menos violentos e mais diversos, Caiene acredita que meninas negras poderiam permanecer, liderar e romper ciclos de evasão. Isso resultaria em novas lideranças capazes de moldar políticas ambientais, urbanas, tecnológicas e sociais em Goiás. “A ciência goiana seria mais humana, mais inteligente e mais conectada com o mundo real”, declarou. LEIA TAMBÉM: Veja o que abre e o que fecha no feriado do Dia da Consciência Negra, em Goiânia Líder quilombola, benzedeira e parteira: Saiba quem é a goiana que já foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz Elenízia da Mata Elenízia da Mata, de 43 anos, é uma mulher negra na luta por justiça social, atual Secretária de Igualdade e Equidade Étnico-Racial da Prefeitura de Goiás e mãe. Natural de Goiânia, ela nasceu no quilombo Alto Santana. Na infância, a sua mãe trabalhava como empregada doméstica, enquanto o pai atuava como eletricista. Ao g1, Elenízia detalhou que, após retornar com a família para o interior, participou de ações coletivas como o Movimento Sem Terra, grupos religiosos e associações de bairro, espaços que moldaram sua visão de luta coletiva. Elenízia da Mata, em Goiás Reprodução/Instagram de Elenízia da Mata Ao retornar para Goiânia para cursar o ensino médio e a faculdade, ela contou ter se aproximado de coletivos de arte, cultura e religiosidade. “Eu declamava poemas, cantava, e fui criando uma rede com fazedores de cultura, me vinculando à universidade e aos coletivos, inclusive ao movimento negro”, explicou. A partir dessas vivências, Elenízia consolidou a sua compreensão sobre desigualdades sociais e sobre a importância da organização política de pessoas negras. A sua atuação é resultado de um legado familiar e da consciência de que era preciso ocupar espaços sub-representados para combater injustiças históricas, especialmente sendo uma mulher negra. “Ser mulher negra e quilombola amplia os desafios. Estar na frente da luta é o que sobra para nós”, ressaltou. Para Elenízia, a exclusão de mulheres negras na política é histórica e permanece devido à falta de recursos, redes de apoio e referências positivas. Ela argumentou que, na prática, o racismo estrutural dificulta que as ativistas tenham tempo, mobilidade e segurança para disputar cargos. “Falta tempo para pensar em revolução”, destacou. Ao imaginar um cenário em que mais mulheres negras ocupassem posições de poder, Elenízia afirmou que isso fortaleceria a democracia. “Se somos a maioria, deveríamos estar presentificadas, e não apenas representadas”, disse. “Apesar dos desafios, não haverá vitória sem luta. Que as mulheres se comprometam a votar em mulheres no próximo pleito, que apoiem lideranças com agendas que respeitem gênero e raça”, afirmou a secretária ao g1. Nyna Koxta Saturnina da Costa, mais conhecida como Nyna Coxta, de 36 anos, nasceu em Guiné-Bissau e vive no Brasil há 14 anos. Ao g1, ela relatou que chegou ao país em 2012 para estudar, onde se formou em Ecologia e Análise Ambiental pela Universidade Federal de Goiás (UFG), fez especialização em educação inclusiva com ênfase em surdez e libras e cursou modelagem, corte e costura. Mãe de Ninara Bethany, de 4 anos, ela também é CEO da marca Nina Costa Moda Africana. A estilista lembrou que o primeiro empurrão veio quase por acidente, quando uma amiga pediu que ela encapasse um sapato com tecido africano. “Nunca tinha feito isso. Me deram tecido, sapato e cola. Fiz. E ali entendi que podia virar um negócio”, disse. Nyna Koxta, em Goiás Reprodução/Instagram de Nyna Koxta Depois dessa experiência, ela decidiu fabricar sapatos do zero. Dessa forma, a marca nasceu. A partir dos sapatos, vieram bolsas, carteiras e roupas. No início, uma costureira fazia as peças, até Nyna concluir a sua formação e começar a costurar sozinha. Segundo a empresária, para além da questão financeira, a marca viabiliza projetos sociais. Um deles é o Moda Inclusiva na Passarela, um desfile com mulheres em tratamento oncológico e pessoas com deficiência. Há ainda o Dia da Criança Negra, criado para aproximar crianças pretas de mulheres e homens negros que ocupam espaços de poder. “Quero que elas vejam que podem ser médicas, juízas, professoras, promotoras. A gente fala de autoestima, cabelo, cuidado. É lindo”, contou. Difundir a cultura africana no Brasil é, para ela, missão e reencontro. “Quando visto pessoas negras, sinto que conecto elas com a ancestralidade. Elas se sentem rainhas e reis.” Essa filosofia se une à sua formação ambiental: “Faço moda sustentável. Não desperdiço tecido. Aproveito até o último pedaço.” Nyna também é conhecida pela sua atuação na cozinha. Em 2025, ela participou do reality Jogo de Panelas do Programa Mais Você e terminou em segundo lugar. Para ela, a experiência foi enriquecedora. “Pude mostrar minha cultura na comida, na roupa, na música, na capoeira, na matriz africana. Aprendi sabores goianos e me diverti”, relatou. Atualmete, Nyna se define como uma estilista autodidata e segue multiplicando funções como ecóloga, ativista social, trançadeira e produtora de eventos. Além disso, ela trabalha no gabinete do vereador Fabrício Rosa (PT), como assessora de articulação política, assistência técnica e imigração, além de atuar no combate ao tráfico de pessoas e em pautas ambientais. “As pessoas não estão acostumadas a ver pessoas pretas no poder. E não gostam. Vão fazer de tudo para impedir”, ressaltou. Ela encara o ambiente político como desafio diário: “Chego para mostrar que sou uma mulher negra africana. Minha vestimenta fala antes de mim. É intencional. É marca pessoal.” Segundo a assessora, o poder público, não costuma enxergar pessoas negras nesses postos. “É difícil ocupar esse espaço, mas necessário. É casa de lei, é pública. Todo mundo deveria caber ali”, defendeu. Renata Caetano Aos 52 anos, Renata Caetano é atriz, artesã, empreendedora e mãe. Em 1993, por orientação psicológica, ela mergulhou no teatro para enfrentar a timidez e encontrou a sua vocação. Desde então, o palco se tornou a sua profissão. Ao longo dos anos Renata, navegou por várias áreas da cena: escreveu peças, criou figurinos e deu aulas entre 2003 e 2007, acumulando experiência pedagógica. A partir de 2012, entrou no universo do audiovisual e participou de uma produção Brasil–Espanha. Essa trajetória multifacetada, ancorada no teatro, abriu portas para novas frentes, como a elaboração de projetos culturais. Renata Caetano, em Goiás Yanca Cristina/g1 Goiás Para além das telas, Renata Caetano é fundadora da Coletiva Preta, uma associação e ponto de cultura que nasceu em 2021 e incentiva empreendimentos de impacto socioambiental produzido por mulheres negras. Para ela, idealizar o grupo foi uma experiência transformadora. Em 2022, a artista foi diretora pela primeira vez na peça "Contos de Cativeiro". Somente em 2024, Renata participou de sete produções no audiovisual. Ao g1, ela contou da alegria de participar de “Levanta, Regiane”, um projeto da Globoplay, que foi exibido na Tela Quente, na TV Globo, e foi assistido por 15,9 milhões de brasileiros, a maior audiência de um telefilme no ano. Ainda em 2024, Renata passou em um teste para o filme “Solina”, escrito e dirigido pela diretora Larissa Fernandes. Segundo a atriz, o filme é “potente, representativo, com um fantástico incrível” e foi gravado no Vão de Almas, dentro do território do Quilombo Kalunga, em Cavalcante. Nessa experiência, os atores moraram com os moradores durante um mês. No projeto, cerca de 90% da equipe era preta, tendo como protagonista a atriz global Duda Santos. “É a gente convivendo com a gente, falando da gente. É isso que a gente almeja: que as dramaturgias falem do povo negro e que o povo negro possa produzi-las”, ressaltou. Ao voltar das filmagens, Renata recebeu a notícia de que faria a sua primeira novela. Ela está no elenco da próxima novela das 19h da Globo. “Coração Acelerado” tem como foco a música sertaneja, em um universo marcado pelas paisagens e sons de Goiás. Estão no elenco os atores Filipe Bragança e Isabelle Drummond. Mesmo ocupando papéis de destaque ao longo dos 30 anos de carreira, Renata afirmou ter percebido avanços lentos na representação de artistas negras na área. Em Goiás, a situação é ainda mais frágil. “Se eu falar das atrizes de 50+ em Goiânia, não sei se são quatro. Para um país com 50% de população negra, a conta não fecha”, afirmou. Renata destacou que o estado precisa se unir e produzir mais profissionais negros em todas as frentes. “Precisamos seguir. E espero que essas produções reverberem mais na cena do Centro-Oeste”. Para a artista, tudo se constrói no coletivo: “Sozinha até vai, mas demora. No coletivo a gente se organiza para falar de direitos, de trabalho digno, de ocupar espaços. E isso só faz sentido quando esse espaço tem valor e reverbera”, finalizou. Sonia Cleide O nome de Sonia Cleide Ferreira da Silva está marcado na história da luta antirracista em Goiás. Aos 54 anos, ela é natural de Jataí, na região sudoeste do estado. Conhecida como Sonia Cleide, ela se apresenta como uma mulher negra, filha de Teodorico Ferreira da Silva e Erundina Ferreira da Silva. É mãe do Daniel, lésbica e casada há mais de 15 anos. Ela é uma das ativistas pioneiras na luta do movimento negro e feminista no estado. Em 1998, foi co-fundadora do Grupo de Mulheres Negras Malunga e esteve presente na fundação da Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), além de ter atuado como Superintendente de Igualdade Racial de Goiás entre 2009 a 2011. Sonia Cleide, em Goiás Yanca Cristina/g1 Goiás Em 2024, Sonia se candidatou como vereadora pelo Partido dos Trabalhadores (PT), em Goiânia, mas não foi eleita. Ao g1, ela explicou que sua formação política começou dentro da família, desde que nasceu. “Eu venho de um pai e de uma mãe negra… Eu nasci dentro dessa família que a gente já discutia a questão racial e discutia a questão política”, disse. A sua trajetória ganhou corpo na década de 1980, quando se mudou para Goiânia e passou a refletir sobre sua identidade e a sentir o peso do racismo. Há mais de 25 anos na luta contra a descriminação, Sonia contou que o Grupo Malunga foi criado com o objetivo de ser um espaço de fortalecimento para mulheres negras. “O Malunga é meu chão. Sempre foi meu chão. É a minha escola, a minha política, a minha comunidade, o meu território de resistência”, afirmou. Ao tratar dos avanços e desafios enfrentados por mulheres negras na política, a ativista destacou que houve conquistas importantes em temas como saúde da população negra, intolerância religiosa, representatividade e violência política. Entretanto, ela considera que os retrocessos ainda são maiores do que os avanços: “O racismo e o sexismo são estruturais… a violência política é cotidiana”. Para Sonia, as mulheres negras atuam nos movimentos sociais, nas ruas, nos coletivos, nos terreiros e no serviço público, mas seguem sub-representadas nos espaços formais de poder. “A gente não tem uma vereadora preta, não tem uma deputada preta”, ressaltou. Ela explicou que o trabalho realizado por coletivos tenta fortalecer a base, estimular rodas de conversa e manter as pautas do movimento negro na agenda pública. Ela destacou ainda a importância da Marcha das Mulheres Negras, no dia 25 de novembro, em Brasília. As principais reivindicações incluem o enfrentamento ao racismo estrutural, à violência política e ao feminicídio, além da defesa das religiões de matriz africana, segurança alimentar, fortalecimento da juventude negra e garantia de direitos. “Eu estou marchando porque cada vida negra importa”, concluiu. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

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Menos arroto de boi: conheça sistema desenvolvido na Amazônia que reduz emissão de metano

Publicado em: 20/11/2025 03:01

O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global? A pecuária ainda é a principal fonte de gases de efeito estufa no Brasil. Mas já existem técnicas capazes de reduzir esse impacto e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade. Criado na Amazônia, o Sistema Guaxupé reduz a produção de metano, gás liberado no arroto e no pum do gado. Entenda mais abaixo. A técnica desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) foi considerada uma alternativa que une sustentabilidade e rentabilidade por Ricardo Abramovay, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados e do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (USP), no podcast O Assunto da segunda-feira (10). O protagonista desse sistema é o amendoim, mas não é aquele que a gente come: se trata do amendoim forrageiro, que funciona como capim. Ele também ajuda a diminuir o uso de agrotóxicos na lavoura. Isso porque deixa o solo mais nutritivo e dificulta o crescimento de plantas daninhas. Contudo, o cultivo não pode ser usado em qualquer área. Seu desenvolvimento precisa de solos bem úmidos. O investimento inicial também pode ser mais elevado para o produtor, já que a planta é mais rara de se encontrar e demora mais para se desenvolver, explica Daniel Lambertucci, chefe adjunto de transferência de tecnologia da Embrapa. Amendoim forrageiro Divulgação Embrapa Como funciona o Sistema Guaxupé O Sistema Guaxupé é formado por quatro pilares. Confira quais são a seguir. ➡️Diversificação inteligente das espécies forrageiras ou capim: consiste em plantar a pastagem certa para cada tipo de solo na propriedade. "Sempre você tem uma área mais baixa, que é mais úmida, uma área mais alta, que é mais seca, e quando você usa diferentes tipos de capim, você diminui a chance de erro", explica o pesquisador. Além disso, ele afirma que, quando é plantada uma variedade só, há mais riscos de uma praga ou doença dizimar a lavoura. Quando há diversidade, algumas espécies podem resistir, mantendo a produtividade. ➡️Autossuficiência em nitrogênio com o amendoim forrageiro: o nitrogênio é o principal nutriente do solo para manter a pastagem produtiva. O amendoim forrageiro fixa o nitrogênio da atmosfera, que é rico em proteína, no solo. Esse processo também ajuda no ganho de peso do gado. ➡️Tolerância zero com plantas daninhas: o pecuarista precisa manter o pasto sempre limpo, sem deixar que plantas invasoras cresçam. ➡️Pasto bem manejado e gado bem alimentado o ano inteiro: para isso, o pecuarista não pode colocar mais cabeças na fazenda do que ela suporta. "O que causa degradação de pastagens é o excesso de gado na propriedade", diz Lambertucci. Leia também: O que o arroto do boi tem a ver com o aquecimento global? Gramínea X leguminosa Existem dois tipos de plantas que podem ser usados no pasto: as gramíneas e as leguminosas. 🌱Gramíneas: são os capins que vêm na cabeça quando pensamos em pasto, que têm folhas mais finas. Elas acumulam carbono e produzem volume de massa rapidamente, porém com menos valor nutricional. Gramínea forrageira Divulgação Embrapa 🌱Leguminosas: não se trata de cenoura e batata, mas de um tipo de planta que tem folhas mais largas. Também existem árvores que são leguminosas. Essa categoria é mais nutritiva para o animal. Novo amendoim forrageiro tem mais proteína e produtividade em três biomas Arquivo/Embrapa As leguminosas possuem nas raízes bactérias fixadoras de nitrogênio, que permitem que haja a transferência do nitrogênio na atmosfera para o solo. Esse processo é conhecido como "adubação verde", já que, ao nutrir a terra, não há necessidade do uso de fertilizantes químicos, como a ureia. Outro ponto positivo é que, por ser nutritivo também para o gado, ele vai engordar mais rápido e vai ser abatido mais cedo. Como resultado, há uma queda na emissão de gases do efeito estufa por quilo do animal. O amendoim forrageiro também tem componentes que afetam o processo de ruminação e diminuem a produção de metano. Ao gerar menos metano, o gasto de energia do animal também diminui, aumentando a sua produtividade. Outra característica do amendoim forrageiro é que ele se espalha pelo solo, não dando espaço para ervas daninhas. Sem precisar lidar com as plantas invasoras, o criador usa menos agrotóxico. "Ao longo do tempo, o produtor gasta menos com manutenção de pastagem com herbicida, tornando a pecuária mais limpa e menos agressiva ao meio ambiente", diz o pesquisador. Saiba também: Brasil sem tilápia? Entenda o que significa a inclusão do peixe em lista de espécies invasoras Para além da Amazônia O Sistema Guaxupé surgiu depois de vários produtores do Acre relatarem que seu pasto estava morrendo afogado. O problema ficou conhecido como Síndrome da Morte do Braquiarão, uma vez que a gramínea mais usada para pastagem é a braquiária. Na pesquisa, foi descoberto que as leguminosas resistem mais a solos úmidos, como o da Amazônia. O sistema funciona em qualquer ambiente similar, como o litoral brasileiro, a Mata Atlântica e algumas áreas do Cerrado. Contudo, os produtores que decidirem começar a usar o amendoim forrageiro precisam de paciência: o desenvolvimento é lento e o custo inicial é mais elevado. Isso porque existem poucos lugares que fornecem as sementes e a colheita ainda é manual. Leia mais: Pecuária que preserva, cacau que refloresta: como o dinheiro do clima chega ao campo Quanto custa conter o aquecimento global e quem banca sustentabilidade no campo O que a pecuária tem a ver com o desmatamento da Amazônia? Os guardiões do campo nativo: como pequenos pecuaristas estão regenerando o Pampa

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Windows 11 ganha modo de agentes de IA nativos e gera reação por privacidade e segurança

Publicado em: 20/11/2025 02:10 Fonte: Tudocelular

A Microsoft apresentou em novembro de 2025, nos canais Insider do Windows 11, um conjunto de recursos experimentais que transforma o sistema em uma plataforma “nativa de IA”, com agentes automáticos que acessam arquivos em um ambiente isolado para executar tarefas em segundo plano, o que provocou críticas por possíveis impactos em segurança, privacidade e pela prioridade dada pela empresa a esse tipo de função.O Gigante de Redmond incluiu no Windows 11 Insider Preview Build 26220.7262 uma nova opção em Configurações chamada “Experimental agentic features”. Quando ativada, essa opção cria um ambiente de trabalho separado, o chamado “Agent Workspace”, pensado para abrigar agentes de inteligência artificial que atuam de forma autônoma no sistema.Segundo a documentação do programa Insider, o novo ambiente funciona como uma área de trabalho adicional e isolada, comparável ao Windows Sandbox, porém com um mecanismo que a Microsoft descreve como mais eficiente do que uma máquina virtual. Nesta fase inicial, o recurso aparece apenas como um interruptor e ainda não oferece funcionalidades práticas ao usuário.Clique aqui para ler mais

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Clínica é inaugurada com serviços inéditos para a saúde em Petrópolis

Publicado em: 20/11/2025 00:04

A Harmonia Hormonal inaugurou uma moderna clínica em Petrópolis, com ampla estrutura e tecnologia exclusiva, oferecendo serviços integrados de endocrinologia, modulação hormonal, saúde metabólica e estética avançada. Idealizado pela Dra. Cristiane Couto, endocrinologista há quase 15 anos, o novo espaço, localizado no Centro Histórico, conta com tratamentos inovadores, proporcionando experiência completa ao paciente. A Clínica Harmonia Hormonal está localizada na Rua 16 de Março, 155 – Sala 602, Galeria Gelli – Centro, Petrópolis, RJ Anderson Pires Composta por uma equipe multidisciplinar, a clínica reúne, em um único lugar, medicina de ponta, as mais recentes tecnologias do mercado voltadas para os cuidados com a saúde, além de atendimento personalizado e acolhedor, com escuta qualificada e acompanhamento contínuo, em um conceito integrado de saúde e bem-estar, pensado exclusivamente para o paciente. A Clínica Harmonia Hormonal oferece protocolos específicos para emagrecimento, modulação hormonal, medicina esportiva, endocrinologia e metabologia Anderson Pires “Produzimos protocolos personalizados de tratamento e disponibilizamos serviços voltados à endocrinologia, trabalhando com reposições e tratamentos injetáveis. Também ampliamos nossas especialidades para os procedimentos de estética facial e corporal, nutrição e fisioterapia dermato-funcional”, destacou a médica. A clínica, que iniciou as atividades com atendimentos individuais e estrutura reduzida, cresceu ao longo dos anos, mediante os resultados positivos obtidos pelos pacientes. Se tornando referência na cidade, foi necessária a ampliação estrutural e de atendimento. Segundo a Dra. Cristiane Couto, a nova sede promete surpreender os clientes, em um espaço mais completo, acolhedor e preparado para as demandas atuais. O Protocolo X Body chegou na Clínica Harmonia Hormonal para provar que você não precisa passar horas na academia para conquistar força, definição e condicionamento Anderson Pires “Os nossos pacientes vão perceber, imediatamente, um salto enorme na estrutura e na variedade de serviços. Trouxemos tecnologias exclusivas na área de estética e novos protocolos de modulação hormonal, além de equipamentos modernos para avaliação metabólica e composição corporal. A ideia é que todos se sintam em um ambiente ainda mais confortável e bonito”, pontuou. A experiência começa pela sala de avaliação, onde o paciente realizará um exame de composição corporal Anderson Pires A Harmonia Hormonal possui, como público principal, mulheres a partir dos 35 anos, que buscam por equilíbrio hormonal, emagrecimento com saúde e instruções para lidar com os sintomas do climatério. No entanto, a clínica vem se despontando com a crescente procura de homens e mulheres, de todas as faixas etárias, que optam por melhorias na performance física e na qualidade de vida. Aqui você encontra novos protocolos de modulação hormonal, reposições e tratamentos injetáveis. Além de equipamentos modernos para avaliação metabólica e exames de alta precisão Anderson Pires “Atuamos em três grandes pilares. A endocrinologia e modulação hormonal equilibram os hormônios, devolvendo energia, disposição e vida saudável. No emagrecimento, trabalhamos a saúde metabólica, com acompanhamento clínico, nutricional e exames de alta precisão. Já na estética avançada, corporais, às terapias integradas, que cuidam da autoestima”, disse. A equipe multidisciplinar é composta ainda por uma biomédica responsável pela estética facial e corporal, nutricionista, uma fisioterapeuta dermato-funcional e um profissional de educação física que afirmam o conceito integrado de saúde e bem-estar Anderson Pires Com ambiente totalmente planejado, a nova clínica consolida a Harmonia Hormonal como referência no cuidado integrado em Petrópolis. Os atendimentos podem ser agendados pelo WhatsApp (24) 98863-4615 ou pelo Instagram @harmoniahormonal. A clínica está localizada na Rua 16 de Março, 155 – Sala 602, Galeria Gelli – Centro. Apesar da expansão, o atendimento continua personalizado e humanizado. Agora a Harmonia Hormonal conta com um novo espaço, mais amplo. A ideia é que todos se sintam em um ambiente ainda mais confortável e bonito Anderson Pires “Quero que cada pessoa que vier ao consultório se sinta acolhida, escutada e compreendida. E a ampliação veio justamente para isso, oferecendo mais conforto, aumento do tempo de consulta e mais atenção aos detalhes. Aqui não tratamos apenas sintomas, cuidamos de pessoas. Nosso foco é devolver qualidade de vida, autoestima e saúde de forma completa”, concluiu a Dra. Cristiane Couto. Dra. Cristiane Couto (CRM 52928844) é médica endocrinologista, com especialização em endocrinologia e metabologia Anderson Pires Sobre a médica A Dra. Cristiane Couto (CRM 52928844) é médica endocrinologista, com especialização em endocrinologia e metabologia. Formada há mais de uma década, criou a clínica Harmonia Hormonal, por ser apaixonada por cuidar de pessoas. Desde então, ajuda pessoas a entender o próprio corpo e se sentir bem com ele.

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Ainda há tempo para evitar os piores impactos da crise climática?

Publicado em: 20/11/2025 00:01

Ainda há tempo para evitar os piores impactos da crise climática? O mundo está passando por extremos. O planeta está aquecendo mais rápido do que os cientistas do clima esperavam. Essas são algumas notícias que você já leu no g1. A partir dos comentários nessas reportagens, decidimos ouvir quem estuda o tema há décadas para responder à pergunta que mais se repetia entre os leitores: ainda é possível reverter os cenários que podem levar o mundo a viver os piores impactos da crise climática? O resultado revela um misto de esperança e urgência. O g1 ouviu 33 pesquisadores de referência mundial, ambientalistas e personalidades com voz ativa no debate climático. A maioria acredita que ainda é possível reverter os piores impactos da crise climática, mas sob uma condição: que o mundo tome medidas imediatas. Entre os entrevistados, apenas uma pessoa disse estar otimista. Entre aqueles que alertam para a necessidade de que o mundo tome medidas imediatas, estão: Carlos Nobre (Brasil), principal nome da ciência climática no país; Alyssa Findlay (Alemanha), editora sênior da revista Nature, uma das mais prestigiadas publicações científicas do mundo; Ed Hawkins (Inglaterra), criador das “listras do clima”, ferramenta visual que mostra o aquecimento da Terra; Daniel Jacob (EUA), especialista em química atmosférica e professor de Harvard. O que apontaram os especialistas ouvidos na pesquisa? 🟢 Entre os otimistas os motivos mais citados são: Que as soluções já existem Tecnologias para reduzir emissões, restaurar ecossistemas e promover energia limpa estão disponíveis e comprovadas. Eles apontam que isso não está em ação ainda por falta de vontade política. Que a sociedade está mais consciente Citaram o avanço de movimentos sociais, da pressão pública e do engajamento da juventude pelo meio ambiente. Nos últimos anos, há maior cobrança por parte de consumidores para que empresas adotem medidas que respeitam a natureza. Que o setor privado e a economia verde estão reagindo Empresas começam a ver valor econômico em ações sustentáveis e investir em ações de menor impacto. Para eles, o crescimento da “economia verde” é visto como uma oportunidade real de transformação. Que a cooperação e a ação coletiva ainda podem virar o jogo Citaram que há uma janela, apesar de estreita, de oportunidade se houver colaboração entre governos, empresas e sociedade. O planeta tem capacidade de resposta Alguns dos especialistas citaram mecanismos naturais de “feedback” climático — o sistema pode se recuperar se as emissões caírem rapidamente. 🔴 Entre os pessimistas (ou céticos quanto ao tempo) os motivos mais citados foram: Falta de vontade política e retrocessos globais A crise geopolítica, o aumento de governos negacionistas e o foco em eleições de curto prazo são apontados como o principal entrave. Muitos citaram diretamente os Estados Unidos. Predomínio de interesses econômicos A dependência dos combustíveis fósseis continua sendo priorizada e ainda há uma prevalência pelos interesses econômicos, mesmo com com a urgência que o tema pede. Greenwashing e lentidão nas ações Especialistas apontam muito discurso e pouca execução. Países desenvolvidos seguem não cumprindo metas nem repassando o financiamento prometido aos mais vulneráveis. O que dizem os especialistas? Ao g1, a pesquisadora Roopali Phadke, que vive nos EUA, diz que essa postura compromete o esforço global. “Moro nos EUA, e nossa retirada da ambição climática está atrasando o planeta”, afirmou. O cientista britânico Ed Hawkins, conhecido por desenvolver as “espirais do clima” — gráficos que mostram o avanço do aquecimento global —, reforça que as soluções já existem, mas esbarram “na falta de coragem política”. A sociedade civil precisa atuar ativamente, repensando atitudes e pressionando governos para buscar ações concretas. A velocidade e a escala dessas medidas ainda estão abaixo da urgência exigida pela crise climática. Me sinto menos otimista porque nos aproximamos dos limites planetários e pontos de não retorno (os exemplos mais visíveis na minha área são o derretimento do gelo marinho, o recuo das banquisas e a acidificação oceânica). Me sinto menos otimista porque vejo inação de governos diante de crises humanitárias, e me pergunto se será diferente quando lidarmos com escassez de recursos em mais países. Apesar do tom de alerta, as respostas mostram que ainda há esperança. Para Marina Hirota, pesquisadora sobre a Amazônia, ainda existe uma janela de oportunidade. Temos falhado, mas ainda há uma estreita janela de oportunidade para agir e fazer uma mudança para o futuro do planeta. Fatou Jeng, jovem ativista climática e ex-assessora do secretário geral da ONU, da Gâmbia, diz que está otimista, mas com uma visão conservadora. Estou otimista de que enfrentar a crise climática é possível, mas devo dizer que, com as atuais realidades globais, especialmente o comprometimento dos países mais desenvolvidos em mitigar o aquecimento global é de 4 em 10. Alyssa, vive na Alemanha e é editora da revista Nature, uma das mais importantes publicações de ciência do mundo, e escreve sobre meio ambiente. Acredito que há países que estão encarando os desafios com seriedade e trabalhando para implementar medidas. Para o ambientalista Carlos Nobre, a COP30, que será realizada em Belém (PA), será decisiva para definir o esforço coletivo e indicar se ainda haverá tempo. “A COP30 deve ser a mais importante de todas as COPs e chegar a um acordo sobre emissões líquidas zero até 2040.” Vista da Terra pela tripulação Apollo 17. NASA Content Administrator

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Especialistas respondem: se você pudesse apertar um botão de emergência para o planeta, em qual área ele deve agir?

Publicado em: 20/11/2025 00:01

Ainda dá tempo de mudar o rumo do clima no planeta Se o planeta tivesse um botão de emergência, qual seria a prioridade ao apertá-lo? Foi essa pergunta que o g1 fez a mais de 30 pesquisadores de referência mundial, ambientalistas e personalidades com voz ativa no debate climático. ➡️Nos últimos anos, o planeta tem dado sinais cada vez mais claros de desequilíbrio. As emissões globais de gases do efeito estufa continuam em alta, e o limite de 1,5 °C de aquecimento previsto no Acordo de Paris está prestes a ser ultrapassado. Nesse cenário, o g1 convidou 33 nomes entre pesquisadores sobre o clima, ambientalistas e pessoas com voz ativa sobre a causa há décadas para dizer: se tivessem nas mãos o poder de apertar um botão capaz de mudar o rumo do planeta, o que ele faria? (Veja abaixo suas respostas) O que significa mudar o modelo de consumo? Quando os especialistas falam em transformar o modelo global de consumo, não se referem apenas a hábitos individuais, como comprar menos. ➡️ O conceito vai além do cotidiano e envolve toda a cadeia de produção, desde a extração da matéria-prima até o transporte, a venda e o descarte. Isso inclui: Extração de matéria-prima; A forma como um produto é feito e o quanto sua produção afeta o meio ambiente; O meio de transporte; O apelo de venda; E o descarte. Precisamos mudar o sistema econômico no qual a natureza e o bem-estar são valorizados. Hoje, quase tudo o que consumimos vem de um modelo baseado em produção em massa, exploração de recursos e descarte acelerado. Esse modelo pressiona as florestas, os rios e a produção de energia. A indústria da moda, por exemplo, é responsável por cerca de 10% das emissões globais e consome bilhões de litros de água por ano. Até a tecnologia que usamos — de celulares a carros elétricos — depende de mineração e energia intensiva, que impactam diretamente o solo e os ecossistemas. O que diz quem está no mercado? Para este especial, o g1 também ouviu personalidades que estão no mercado e à frente de grandes empresas. Responderam ao questionário: a Presidente do Magazine Luiza, Luiza Trajano; o CEO da Natura, João Paulo Ferreira; o co-fundador da marca de tênis Veja, François Morillion. 🔴 Os três não citaram como o principal problema o modelo de consumo, mas em suas respostas reconhecem a questão do modelo de produção e a responsabilidade das empresas, tanto como para repensar suas formas de produzir como sendo parte atuante na pressão por políticas públicas que busquem a proteção ambiental. Veja abaixo o que eles disseram: Nos últimos anos, houve avanços importantes, como metas de neutralidade de carbono e investimentos em transição energética, mas esses compromissos ainda enfrentam desafios significativos de implementação. O meu otimismo vem do fato de que a pressão da sociedade civil, das empresas e de eventos climáticos extremos tem levado os governos a reconhecerem que o custo de não agir é cada vez maior e também tenho a percepção que a economia verde pode gerar oportunidades de crescimento e inovação. O setor privado, responsável por 80% das emissões de gases de efeito estufa no mundo, não pode deixar de lado as externalidades e focar apenas no resultado financeiro. As empresas têm a capacidade e a responsabilidade de serem verdadeiros motores da transformação. Isso significa liderar pela ação, inovar e colaborar em escala. Adotar essa agenda não é apenas um dever moral, mas uma oportunidade de geração de valor para os negócios. Muitas soluções para enfrentar a crise climática já existem. Elas estão nos territórios, nas comunidades, nas cooperativas que há décadas fazem um trabalho sério e, muitas vezes, invisível. O desafio está em adaptar os modelos de negócios para funcionar com essas soluções. Isso exige paciência, flexibilidade e, acima de tudo, vontade de fazer direito. Se mais empresas aceitarem esse caminho de trabalho colaborativo, menos vertical e mais horizontal, talvez a mudança venha antes do que imaginamos. Energia e floresta Logo atrás na lista de prioridades aparecem dois pontos: a transição energética e a proteção das florestas. Os dois temas ajudariam a resolver uma questão importante para o equilíbrio do clima, com a redução das emissões de gases que causam o efeito estufa. ➡️ A energia ainda é majoritariamente produzida por combustíveis fósseis, responsáveis por cerca de 75% das emissões globais de carbono. No Brasil, a maior parte vem de fontes limpas, como a hidrelétrica. No entanto, no mundo ainda há países altamente dependentes do carvão, especialmente na Europa e na Ásia. 🔴 Se fosse possível apertar um botão e mudar a matriz energética global, isso reduziria drasticamente as emissões. A transição energética é hoje um dos maiores desafios da humanidade. Apesar de acordos internacionais pela redução do uso de combustíveis fósseis, os compromissos ainda estão longe de sair do papel. Por outro lado, se houvesse um botão que pudesse frear o desmatamento e promover imediatamente a proteção de florestas, ele também reduziria as emissões. 🪚 No Brasil, por exemplo, a maioria das emissões é causada pelo desmatamento. Isso faria com que toneladas de carbono não fossem para a atmosfera e mais do que isso, aumentaria o potencial de absorção. A emergência que conecta todas as outras Embora cada entrevistado tenha escolhido um “botão” diferente, o levantamento mostra que não existe uma solução isolada. ➡️ Por exemplo, uma mudança no modelo global de consumo poderia: Reduzir a demanda por energia, diminuindo as emissões; Diminuir a pressão por matéria-prima, facilitando a proteção das florestas e da água; E, com isso, fortalecer povos indígenas e comunidades que dependem desses recursos. ➡️ Ao mesmo tempo, a transição energética: Reduziria drasticamente as emissões. Faria com que as empresas repensassem seu modelo de produção Protegeria os recursos hídricos O consenso dos especialistas é que, independente da área que seja prioritária, o planeta já está em modo de emergência, e é preciso agir de forma urgente. Os diferentes regimes climáticos do planeta são o resultado de um equilíbrio energético muito delicado entre a energia solar absorvida e a energia térmica dissipada para o espaço. A natureza delicada desse equilíbrio e seus efeitos no meio ambiente devem ser levados a sério pelos seres humanos. *Colaboraram: Julia Carvalho, Roberto Peixoto e Talyta Vespa.

Palavras-chave: tecnologia

IBM decide encerrar laboratório de pesquisa no Brasil

Publicado em: 20/11/2025 00:00

IBM Sergio Perez/Reuters A IBM comunicou na última terça-feira (18) que vai encerrar o seu laboratório de pesquisa no Brasil. A decisão afeta cerca de 100 funcionários dos escritórios da empresa em São Paulo e no Rio de Janeiro. Pesquisadores do IBM Research no país receberam cartas de aviso prévio em que a empresa informa que seus contratos serão encerrados em 18 de dezembro. A companhia já tinha anunciado no início de novembro que faria demissões neste trimestre e que elas impactariam "um percentual baixo" de sua força de trabalho global. Cerca de 270 mil pessoas trabalhavam para a empresa no final de 2024, segundo a Reuters. O laboratório da IBM Research no Brasil foi criado em 2010 e era a única unidade de pesquisa da empresa na América do Sul. Os escritórios eram focados na criação de tecnologias para inteligência artificial, nuvem e computação quântica. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A brecha no WhatsApp que permitiu descobrir números de todos os usuários do aplicativo Veja os vídeos que estão em alta no g1 Procurada pelo g1, a IBM não informou qual é a situação dos funcionários de seu laboratório no Brasil e disse que segue comprometida em inovar e atender seus clientes no país. "Nossos trabalhos de Pesquisa & Desenvolvimento atualmente realizados no Brasil serão consolidados em locais e laboratórios onde já temos operações", disse a empresa. As demissões e o encerramento do laboratório foram confirmadas ao g1 por dois pesquisadores, que pediram para não serem identificados. Eles afirmaram não ter recebido explicação da IBM sobre o motivo do encerramento do laboratório. E apontaram que a unidade tinha uma situação financeira estável e uma importante contribuição científica dentro da empresa. "O laboratório não foi fechado por má performance, muito pelo contrário. Ele estava no mesmo nível dos outros em relação a publicações e a contribuições científicas", disse um dos pesquisadores. A decisão afeta tanto equipes de pesquisa quanto funcionários da área operacional, que davam suporte para o funcionamento do laboratório. O encerramento também foi comentado no LinkedIn por vários funcionários da IBM que disseram ter sido afetados. Eles lamentaram a decisão e destacaram as contribuições da unidade brasileira. Entre elas, está o projeto "Yẽgatu Digital", que usou ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas para apoiar a escrita no ambiente digital do nheengatu, uma das línguas dos povos indígenas no Brasil. A IBM encerrou o terceiro trimestre de 2025 com lucro líquido de US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões, na cotação de 19 de novembro), revertendo o prejuízo de US$ 330 milhões (R$ 1,7 bilhão) registrado no mesmo período do ano anterior. A empresa planeja ter até 2029 uma versão prática de um computador quântico, equipamento capaz de lidar com problemas que levariam milhares de anos para serem resolvidos. A ideia é que o novo equipamento não produza tantos erros e possa ser, de fato, mais veloz que computadores clássicos. * Sob supervisão de Luciana de Oliveira e Jose Raphael Berredo. LEIA TAMBÉM: Como foi a operação que derrubou apps de streaming pirata no Brasil 'Me sinto valorizado': como é o trabalho de quem cria agentes de IA Neo: quanto custa robô que pode lavar, dobrar e passar suas roupas