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IFBA abre vagas para especialização técnica em Eficiência Energética Industrial em Salvador; saiba como se inscrever

Publicado em: 23/08/2025 12:49

Reitoria do Ifba em Salvador Divulgação O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA) está com 40 vagas gratuitas abertas para um curso de especialização em Eficiência Energética Industrial em Salvador. As vagas são distribuídas entre ampla concorrência e sistema de cotas raciais, de renda, e para pessoas com deficiência. A formação é destinada a técnicos nas áreas de mecânica, eletrotécnica, automação industrial, refrigeração e climatização, eletrônica, mecatrônica, sistemas de energia renovável e açúcar e álcool, e pessoas graduadas em áreas afins. A seleção será desenvolvida em duas etapas de análise documental: documentação obrigatória (eliminatória) e trajetória acadêmica e experiência profissional (classificatória). O curso possui carga horária de 300 horas, terá aulas presenciais, no campus Salvador do IFBA, no turno noturno (das 18h40 às 22h), e está estruturado em três módulos: básico, específico e projeto de conclusão de curso. A lista de candidatos inscritos será divulgada no dia 15 de setembro. O resultado final está previsto para o dia 24 de setembro. As aulas terão início em 29 de setembro. Detalhes sobre o processo seletivo, requisitos, documentação e sistema de cotas, podem ser acessado na página da seleção. As inscrições são feitas através do preenchimento de um formulário no site do Instituto. Mais informações podem ser obtidas através do telefone (71) 2102-9568 ou do email nrca.ssa@ifba.edu.br. Sobre o curso Os estudantes do curso vão conhecer as Medidas de Eficiência Energética (MEE) de variadas áreas de conhecimento para atendimento de demandas de uso de energia, metodologias de avaliação e aplicação de práticas racionais. "Força motriz, calor de processo, aquecimento direto e refrigeração, pelas quais perpassam os maiores potenciais de economia na indústria", exemplifica o professor Eduardo Santana, que coordena o pós-técnico. Ao longo da formação, os estudantes também vai desenvolver habilidades necessárias às realização de análises sistêmicas e estratégias de medição e verificação e serão capacitados para o uso de técnicas preditivas, como termografia e ultrassom. LEIA TAMBÉM: Universidade oferece curso de férias gratuito e aberto ao público em Salvador Cursos gratuitos de férias são oferecidos em shoppings de Salvador; veja como se candidatar Projeto oferece quase mil vagas para cursos gratuitos de qualificação profissional em Salvador; veja como se inscrever Projeto oferece quase mil vagas para cursos gratuitos de qualificação profissional Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

Pesquisa inédita sobre artistas com deficiência visual no teatro vence 2º Jabuti Acadêmico; conheça obra

Publicado em: 23/08/2025 12:10

Uma das bibliotecas da Unicamp Marcelo Gaudio Uma pesquisa inédita sobre artistas com deficiência visual no teatro, publicado pela editora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), venceu a categoria Artes da 2ª edição do Prêmio Jabuti Acadêmico. Os vencedores das 26 categorias foram divulgados neste mês. O livro vencedor, chamado “Teatros e artistas com deficiência visual: poéticas do acesso à cena”, foi escrito por Lucas de Almeida Pinheiro, mestre e doutor em Artes da Cena pela Unicamp, e concorreu com quatro obras que tratavam sobre teatro em periferias, cinema na ditadura militar, violência e a representação de corpos — confira todos os livros abaixo. "Breves apontamentos sobre o teatro das_nas_pelas periferias brasileiras", organizado por Alexandre Mate "Cinema de Arquivo: Imagens e Memória da Ditadura Militar", escrito pela Patricia Machado "O corpo gordo e o grotesco: gênero, política e transgressão na arte contemporânea", escrito pela Júlia Mello "O corpo vulnerado", escrito por Eduardo de Jesus e Maria Angélica Melendi "Teatros e artistas com deficiência visual", escrito por Lucas de Almeida Pinheiro - vencedor De acordo com a Unicamp, a obra aborda a presença de artistas com deficiência visual no teatro brasileiro. Com estudo sobre teorias, depoimentos de artistas brasileiros com deficiência visual e uma reflexão crítica, o livro propõe outras possibilidades de vida dentro e fora dos palcos. Participe do canal do g1 Campinas no Whatsapp 📲 Como é o livro vencedor Pesquisa inédita sobre artistas com deficiência visual no teatro vence 2º Jabuti Acadêmico; conheça a obra Reprodução/EPTV e Reprodução/Editora Unicamp O autor analisa os processos criativos de 13 grupos teatrais, e com essas experiências, mostra como o protagonismo de artistas cegos ou com baixa visão enriquece e amplia os limites da atuação, instigando novas linguagens e abordagens. Segundo a editora, o texto mostra que quando a cegueira é compreendida como uma base de inovação e de ruptura, ela passa a atuar como um núcleo de produção de saber e provoca as artes cênicas em todas as suas instâncias. O livro pode ser adquirido no site oficial da Editora Unicamp, pelo preço de R$ 110. LEIA TAMBÉM: Após câncer de laringe, casal sem cordas vocais encontra amor em coral da Unicamp: 'Até o último dia das nossas vidas' De 'óculos leitor' a maquete tátil: como Unicamp evoluiu para ampliar acesso de estudantes cegos a pesquisas Casa do Sol, da escritora Hilda Hilst, reabre após 5 anos com festival que vai da literatura ao baile funk Após câncer de laringe, casal sem cordas vocais encontra amor em coral da Unicamp Jabuti Acadêmico O Jabuti Acadêmico é organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) com o apoio da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A gratificação reconhece produções acadêmicas nacionais. A premiação, que chega em sua 2ª edição neste ano, é fruto do tradicional Prêmio Jabuti, maior gratificação no campo literário do Brasil, que já está em sua 67ª edição. A premiação abrange 30 categorias, distribuídas em dois eixos principais: "Ciência e Cultura" e "Prêmios Especiais". Neste ano, mais de 2 mil obras de todo o país foram inscritas nas 26 categorias (confira os vencedores do Prêmio Jabuti 2025, abaixo). Administração Pública e de Empresas, Ciências Contábeis e Turismo: Inovação e desenvolvimento sustentável: da inovação convencional à ecoinovação sustentável, de José Carlos Barbieri Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais: Uma enciclopédia nos trópicos: memórias de um socioambientalista, de Beto Ricardo e Ricardo Arnt Arquitetura, Urbanismo, Design e Planejamento Urbano e Regional: O desenho de São Paulo por seus caminhos, de Andreina Nigriello Artes: Teatros e artistas com deficiência visual, de Lucas de Almeida Pinheiro A Máquina da Natureza: uma perspectiva cronológica da ciência da computação teórica, de André L. Vignatti Ciência de Alimentos e Nutrição: Nutrição inclusiva: diversidade e inclusão em alimentação e nutrição, de Aline Alves Ferreira, Thaís Lima Dias Borges e Ursula Viana Bagni Ciências Agrárias e Ciências Ambientais: Agricultura de Precisão: Um Novo Olhar na Era digital, de Alberto Carlos de Campos Bernardi, Carlos Manoel Pedro Vaz, João Leonardo Fernandes Pires, Luciano Gebler, Lucio André de Castro Jorge, Luis Henrique Bassoi e Ricardo Yassushi Inamasu Ciências Biológicas, Biodiversidade e Biotecnologia: Espécies de aves do Rio Cubate: Terra Indígena do Alto Rio Negro, de Camila Cherem Ribas, Damiel Legario Pedro, Dario Baniwa, Dzoodzo Baniwa, Estevão Fontes Olímpio, Fernando Mendonça d’Horta, Gracilene Florentino Bittencourt e Ramiro Dário Melinski Ciências da Religião e Teologia: A salvação da pátria amada: religião e extrema-direita no Brasil, de João Décio Passos, Wagner Lopes Sanchez Comunicação e Informação: Repórter Eros: a história do jornalismo erótico brasileiro , do Valmir Costa Direito: Antropologia e estudos sociojurídicos: a construção de um campo de pesquisa interdisciplinar, de Orlando Villas Bôas Filho Economia: Iguais e diferentes: uma jornada pela economia feminista, da Regina Madalozzo Educação e Ensino: Avaliação educacional: de aprendizagem, institucional, em larga escala , da Sandra Zákia Sousa, Valéria Virgínia Lopes Educação Física, Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional: Propósito de vida da pessoa idosa: conceitos, abordagens e propostas de intervenções gerontológicas, de Cristina Cristóvão Ribeiro Enfermagem, Farmácia, Saúde Coletiva e Serviço Social: Epidemiologia no Pós-Pandemia: de ciência tímida a ciência emergente, de Naomar de Almeida Filho Engenharias: Energia do lixo: tecnologias de recuperação energética dos resíduos sólidos urbanos, de Antonio Garrido Gallego, Gilberto Martins, Giovano Candiani, Reynaldo Palacios Bereche e Silvia Azucena Nebra Filosofia: Gatos, peixes e elefantes: a gramática dos acordos profundos, de João Carlos Salles Geografia e Geociências: Água subterrânea, história da Terra e consciência ambiental: metas do Programa Aquífero Guarani, de Andrea Bartorelli "em memória", Berenice Balsalobre, Celso Dal Ré Carneiro, Didier Gastmans, Joseli Maria Piranha, Luciana Cordeiro de Souza Fernandes, Luiz Eduardo Anelli, Renatta Christina da Costa Lemos Vilela, Sueli Yoshinaga Pereira "em memória", Valter Galdiano Gonçales e Virginio Mantesso-Netto História e Arqueologia: Imagens da branquitude: a presença da ausência, de Lilia Moritz Schwarcz Letras, Linguística e Estudos Literários: Modernismo Negro, do Jorge Augusto Matemática, Probabilidade e Estatística: A teoria dos conjuntos e os fundamentos da Matemática, do Rogério Augusto dos Santos Fajardo Medicina: Medicina excessiva: suas causas e seus impactos, do Guilherme Santiago Psicologia e Psicanálise: Hélio Pellegrino: por uma Psicanálise política, da Larissa Leão de Castro Divulgação Científica: Existo, logo penso: histórias de um cérebro inquieto, de Roberto Lent Ilustração: História da ciência ilustrada Vol. 1, ilustrado por Willian Souza dos Santos Tradução: Da alma do mundo: uma hipótese da Física Superior para esclarecimento do organismo universal, da Márcia Cristina Ferreira Gonçalves VÍDEO: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas

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Família faz campanha para custear translado de corpo do dono da Banca do Joel ao Piauí

Publicado em: 23/08/2025 11:55

TBT do Bom Dia Piauí relembra importância das bancas de revistas em Teresina A família de Joel Meneses da Costa, conhecido pela tradicional "Banca do Joel", localizada no Centro de Teresina, está fazendo uma campanha para trazer ao Piauí o corpo do jornaleiro. Ele morreu na sexta-feira (22), aos 73 anos, em São Paulo, após complicações decorrentes de uma infecção pulmonar. Joel estava internado desde o dia 5 de agosto em um hospital da capital paulista, onde residia há aproximadamente cinco anos e também mantinha uma banca. O corpo, segundo a família, será velado e sepultado em Teresina. "Ele tinha insuficiência cardíaca, chegou a ser intubado, foi extubado, mas tinha muita dificuldade respiratória. Tão tal que o motivo da morte foi uma pneumonia, uma infecção pulmonar", explicou Joelma Nascimento, filha de Joel. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp O custo médio estimado com o translado é de R$ 10 mil. A família já conseguiu arrecadar cerca de R$ 5 mil. A arrecadação de doações para custear o translado está sendo feita na conta de Joelma Nascimento da Costa, filha de Joel. A chave para fazer o envio de doação via Pix é o CPF 007.172.463-02. Banca do Joel Referência em venda de revistas e jornais de todo o Brasil e do mundo, a Banca do Joel, situada na Rua David Caldas, na Praça Pedro II, funciona há cerca de 50 anos. Durante as décadas de 80 e 90, foi considerada também o principal ponto de venda de ingressos para shows e eventos da capital. Com o avanço da tecnologia, o público-alvo da banca tornou-se pessoas que apreciam caça-palavras e estudantes que buscam livros e apostilas para concursos públicos. Morre o jornaleiro Joel, da Banca do Joel, após sofrer AVC em São Paulo Reprodução VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube o

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USP em São Carlos sedia novo instituto nacional dedicado à qualidade dos alimentos

Publicado em: 23/08/2025 09:40

INCT-ALIM monitora resíduos e contaminantes em alimentos Envato O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Alimentos (INCT-ALIM) vai ser sediado no Instituto de Química de São Carlos (IQSC-USP) em 2026. O projeto reúne mais de 100 pesquisadores de todas as regiões do país. O novo centro científico será voltado à avaliação de riscos à saúde, à caracterização de alimentos funcionais e à gestão de laboratórios especializados em segurança alimentar. 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Com foco no desenvolvimento e aplicação de métodos para detectar resíduos e contaminantes em alimentos, o instituto investirá em pesquisas de ponta, na aquisição de equipamentos, na capacitação de jovens cientistas e na concessão de bolsas. Fernando Mauro Lanças, professor do IQSC que é referência nacional em química analítica e coordenador do novo INCT Divulgação/IQSC-USP Coordenado pelo professor Fernando Mauro Lanças, o projeto fortalece a articulação entre instituições públicas, centros de pesquisa e órgãos reguladores. “A proposição do INCT‑ALIM ocorre em um momento em que o Brasil enfrenta desafios complexos como aumento do consumo de ultraprocessados, insegurança alimentar e mudanças climáticas que afetam a produção”, disse o professor. Mais notícias da região: VÍDEO: discussão termina com carro danificado e ameaças de morte em frente escola de Araraquara ACIDENTE: Pedreiro de 38 anos morre eletrocutado em acidente de trabalho em Araraquara INCÊNDIO: Carreta pega fogo e interdita pista da Rodovia Anhanguera em Porto Ferreira Atuação do novo instituto Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT-ALIM) é sediado no Instituto de Química de São Carlos (IQSC‑USP) Sandra Zambon IQSC Entre as áreas de atuação da rede está o monitoramento de compostos potencialmente cancerígenos. O novo instituto foi estruturado em cinco eixos científicos, todos voltados a assegurar a qualidade dos alimentos desde a produção até o consumo. São eles: Desenvolvimento de métodos analíticos para detectar contaminantes com mais rapidez e precisão; Avaliação de riscos associados à ingestão de resíduos e toxinas; Caracterização de compostos bioativos e nutracêuticos, com foco nos benefícios à saúde; Análise de compostos voláteis e precursores, que influenciam aroma, sabor e segurança; Aplicação de processos de oxidação avançada para a mitigação de contaminantes. Os laboratórios vinculados ao instituto têm desenvolvido métodos analíticos mais sensíveis, rápidos, robustos, automatizados, de menor custo e ambientalmente sustentáveis para detectar pesticidas em alimentos de origem vegetal (como verduras, legumes, raízes, tubérculos e leguminosas), resíduos de medicamentos veterinários em produtos de origem animal (carne, leite, ovos, mel e derivados) e toxinas, como as micotoxinas, presentes em alguns alimentos e bebidas. Outro foco central do instituto é a formação de jovens pesquisadores, que participam de atividades de capacitação por meio de cursos, workshops, treinamentos práticos e programas de intercâmbio científico. VEJA MAIS: Pesquisa revela riscos de bactéria e fungos em carrinhos e cestinhas de supermercados Pesquisa revela riscos de bactérias e fungos em carrinhos e cestinhas de supermercados REVEJA VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara

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No Amapá, carros elétricos ganham espaço e ajudam a reduzir poluição

Publicado em: 23/08/2025 09:00

Mobilidade elétrica no Amapá demanda infraestrutura adequada Com o avanço da mobilidade elétrica, o Amapá dá passos importantes na troca de combustíveis fósseis por fontes mais limpas. A adoção de veículos elétricos tem crescido no estado, impulsionando a redução de poluentes e marcando uma transição para um transporte mais sustentável. Além da substituição dos carros a combustão, o movimento envolve a instalação de pontos de recarga e o reconhecimento do papel estratégico da eletrificação na transição energética global. Baixe o app do g1 para ver notícias do AP em tempo real e de graça   Empresários e profissionais do setor já sentem os impactos positivos. O empresário de tecnologia Wellison Figueiredo conta que reduziu os gastos com gasolina e manutenção. “Antigamente, eu tinha muito gasto com gasolina e peças de motor. Isso gera um custo. Com o carro elétrico, são zero problemas com manutenção e gasolina”, afirmou. Ponto de recarga de carro elétrico, em Macapá Fabiana Figueiredo/GEA Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, veículos elétricos não emitem poluentes. Eles também oferecem recursos como comando de voz e podem fornecer energia para aparelhos eletrônicos e até residências. Além de silenciosos, exigem menos manutenção, feita por quilometragem ou uma vez por ano. A gerente de concessionária Mírian Rocha explica que os carros elétricos têm menos peças sujeitas a desgaste. “Além do valor da mão de obra, um carro a combustão traz um gasto a mais no valor da troca de peças que são de desgaste. Os elétricos não têm peças a serem trocadas. O que vai ser feito é uma manutenção em cima da suspensão e dos freios. Isso é um custo-benefício. As baterias não têm vida útil e não viciam”, explicou. LEIA TAMBÉM: Ação inicia retirada de 40 toneladas de lixo no Perpétuo Socorro, em Macapá Projeto ambiental resgata 600 animais silvestres entre Amapá e Ceará Com o aumento das vendas, o Amapá ampliou a rede de recarga. Já há quatro postos em funcionamento nas cidades de Macapá, Porto Grande e Tartarugalzinho. “Um carregador rápido, por exemplo, leva cerca de 40 minutos para abastecer um veículo, dependendo do modelo”, explica Paulo Tarso Júnior, diretor de uma empresa de soluções energéticas. Há também carregadores portáteis, que levam de sete a oito horas para completar a carga, e modelos padrão, com tempo médio de quatro a cinco horas. “Os usuários de veículos para trabalho necessitam de carregamento na rua. É uma solução para suprir as necessidades”, acrescenta o diretor. Segundo Mírian Rocha, o consumidor de carros elétricos costuma ser alguém ligado à tecnologia, preocupado com o meio ambiente e atento aos gastos. Ela afirma que cerca de 300 unidades já foram vendidas, o que mostra o aumento da procura por esse tipo de veículo. A especialista em design de projetos de energia renovável, Milena Megre, afirma que a eletrificação da frota é essencial para reduzir o uso de combustíveis fósseis e a emissão de gases poluentes. Segundo ela, essa mudança contribui para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que buscam garantir energia limpa e acessível até 2030. “No Brasil, a gente tem visto uma entrada maior dos veículos elétricos que são aderidos nas metrópoles das grandes cidades, até como contrapartida ao preço dos combustíveis, seja gasolina ou etanol, pois há uma redução de custos no fim do mês. Abastecer com eletricidade para o uso urbano é vista por muitas pessoas como uma boa solução”, conclui Megre. Carro elétrico em Macapá João Pantoja/Rede Amazônica Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

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Apesar de lei municipal que garante o uso de nome social, casos de desrespeito ainda acontecem em Mogi das Cruzes

Publicado em: 23/08/2025 08:48

Em Mogi das Cruzes, nome social é direito garantido por lei nos atendimentos públicos Reprodução/Internet Mesmo com leis nas esferas federal, estadual e municipal que garantem que pessoas transexuais sejam identificadas pelos nomes sociais em unidades de saúde, Mogi das Cruzes no segundo semestre de 2025, registrou ao menos dois casos de desrespeito em menos de um mês. ✅ Clique para seguir o canal do g1 Mogi das Cruzes e Suzano no WhatsApp A lei municipal 7.728 de novembro de 2021, determina que transexuais e travestis tenham o direito de serem identificadas com o nome social nos atendimentos públicos mesmo que ele não conste nos documentos. Nome social é o nome pelo qual a travesti ou transexual prefere ser chamada. Mas não foi o que aconteceu com Ísis Leme dos Santos, de 27 anos. Ela buscou atendimento na UPA do Rodeio em 21 de julho e, apesar da lei, afirmou que uma das enfermeiras da unidade não a chamou pelo nome social. O caso mais recente aconteceu no dia 15 de agosto. Uma enfermeira da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Universo não teria chamado Ágatha dos Santos pelo nome social durante a triagem. O desentendimento resultou em uma agressão entre a paciente e a enfermeira (veja mais detalhes abaixo). O Fórum Mogiano LGBT afirma que já solicitou à Secretaria da Saúde alteração nas fichas médicas para o nome social aparecer em destaque. Segundo a entidade, a medida pode evitar constrangimento para pessoas trans, travestis e profissionais da saúde. Outra cobrança do fórum é a implantação de um protocolo de atendimento a pessoas trans, campanhas de conscientização sobre saúde da população LGBT e formação contínua dos profissionais de saúde. A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou que investe em formação continuada aos profissionais de saúde em relação ao acolhimento do público LGBTQIAP+ e que eles têm atividades relacionadas ao tema que serão desenvolvidas em agosto e setembro (leia nota completa abaixo). Confusão e agressão A cozinheira hospitalar Ágatha dos Santos, de 31 anos, foi até a UPA do Jardim Universo para tratar sintomas de sinusite. Ela contou que todas às vezes que procurou atendimento na unidade sempre foi chamada pelo nome social, e inclusive, foi a própria unidade que incluiu o nome social no cadastro dela no Sistema Integrado de Saúde (SIS). De acordo com o boletim de ocorrência, assim que chegou na sala da triagem ela pediu para ser chamada pelo nome social. Durante o atendimento, a enfermeira Bruna Volponi teria informado que não poderia colocar o nome social no sistema de triagem, apenas o de registro. No boletim consta que a paciente corrigiu a profissional algumas vezes devido à forma como a chamou. E a enfermeira teria respondido que como já trabalhou em cartório sabia que a alteração do nome nos documentos era um processo rápido. No entanto, Ághata explicou que existe uma lei que garante o direito de ser chamada pelo nome social, mesmo não trocando nos documentos. Ághata relatou à polícia que a enfermeira a chamou pelo nome masculino diversas vezes. Ela disse ainda que Bruna a provocou, usando o nome do registro para perguntar se a paciente iria lhe bater. A paciente contou em depoimento que não suportou as provocações e deu um tapa no rosto da profissional. Os profissionais da unidade separaram a briga, mas segundo Ágatha a enfermeira teria jogado um pedaço de ferro que a atingiu e cortou sua cabeça. A enfermeira Bruna Volponi explicou que não poderia chamar a paciente pelo nome social, porque não há essa possibilidade no sistema de triagem da UPA. “Existe a possibilidade sim [de chamar pelo nome social], mas não na triagem, somente na recepção, que é o atendimento seguinte. Por isso, usamos o suposta na frente dos nomes de pacientes sem comprovação de documento, isso com qualquer paciente sendo criança, mulher, homem e situação de rua.” Como a paciente estava alterada, a profissional perguntou se ela gostaria que o atendimento fosse acompanhado pela Guarda Civil Municipal (GCM), já que estava se sentindo desrespeitada. Neste momento, a mulher teria dado um soco em seu rosto. Bruna relatou que foi a primeira vez que sofreu uma agressão no trabalho. “Já sofria ameaças, xingamentos, não somente eu, mas todos os funcionários, porém, agressão física foi a primeira vez”. Ágatha destacou que não se orgulha do que aconteceu, que nunca agrediu ninguém e lamentou o ocorrido. “O sistema que Mogi peca, porque antes de a gente abrir a ficha para ser encaminhada para o médico, a gente passa na triagem e na triagem para abrir a ficha, eles colocam antes do nosso nome suposto ou suposta. Então, isso para mim era de uma humilhação também, eu sentada lá e aparece no painel, suposta Agatha do Santos, guichê três, entendeu?! Aí eu vou até o guichê, aí quando a menina do guichê abre a ficha, aí sim, vai constar o meu nome social. Então, antes disso, quando aparece lá suposta na frente de todos no posto, eu levanto, o posto inteiro na hora olha pra gente”, desabafou. Ela lembrou ainda que nunca foi tratada com transfobia na unidade e que equívocos já aconteceram, mas sempre houve um pedido de desculpa dos funcionários. O caso foi registrado como lesão corporal recíproca e preconceito na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Mogi das Cruzes. Luta por direitos Para o Fórum Mogiano LGBT as unidades de saúde de Mogi das Cruzes não cumprem a Lei Municipal 7.728 de novembro de 2021. Ela determina que transexuais e travestis tenham o direito de serem chamadas pelos seus nomes sociais mesmo que não constem nos documentos nos atendimentos públicos da cidade. A Prefeitura de Mogi das Cruzes assegura que no sistema de informação de todas as unidades de saúde, consta o campo para inserção do nome social (leia mais abaixo). O nome social não precisa constar na certidão de nascimento. Além da lei municipal, ele é assegurado também pelo Decreto do Superior Tribunal Federal (STF) de número 8.727 de 2016. Gustavo Don, co-fundador do Fórum Mogiano LGBT e ex-membro do Conselho Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes, afirmou que o sistema de triagem das unidades não disponibiliza a possibilidade de incluir o nome social. Essa alternativa só é possível a partir do preenchimento do cadastro na recepção do local. “A paciente foi chamada de suposta Ágatha, a questão de não ter no RG, não é obrigado. A pessoa trans se identifica na triagem e tem que ter no sistema a possibilidade do nome social. A gente percebe que a prefeitura ou OS está errando nisso. O nome social na ficha fica em segunda em plano”. De acordo com ele, o Fórum já solicitou à Secretaria da Saúde a alteração nas fichas médicas para o nome social aparecer em destaque, para evitar constrangimento de trans e travestis e, dos próprios profissionais. “Não tem protocolo de atendimento a pessoas trans. A gente tem cobrado isso. A gente cobra que isso precisa ser feito com urgência, assim como campanhas de conscientização sobre saúde da população LGBT e a formação dos profissionais de saúde precisa ser contínua”. Gustavo Don afirmou que desde 2021, quando a lei do nome social foi aprovada na cidade, os profissionais da saúde não passaram mais por formações sobre o tema. “A gente está todo esse período sem essa preocupação da gestão pública. O Fórum sempre participou do Conselho de Saúde e segue cobrando melhorias no atendimento, não só pra a população LGBT, mas também melhorias no trabalho dos profissionais”. Segundo Don, na última reunião do Conselho de Saúde a secretária municipal de Saúde, Rebeca Barufi, se disponibilizou a verificar a possibilidade de deixar mais explícito o nome social no sistema das unidades. No entanto, não definiu um prazo para isso acontecer. Don explicou ainda que o Fórum repudia a violência, mas orienta que a prefeitura tome ações para que casos de transfobia não ocorram novamente nas unidades de atendimento. Para ele, é necessário atualizar o sistema de triagem. “Teve um erro da Prefeitura em não respeitar a paciente conforme a lei do nome social. A gente espera que a agressora seja punida, não tem justificativa. Mas a gente espera que a Prefeitura tenha política de atendimento à população LGBTQIA+”, detalhou. Lei e Decretos O Superior Tribunal Federal (STF), por meio do decreto 4.275 de 2018, possibilitou que transexuais e travestis alterem seu nome no registro civil independente da cirurgia de redesignação de sexo. Esse decreto abriu precedente para que os municípios e estados passassem a ter autonomia para legislar suas próprias leis e decretos em relação ao tema. Mogi das Cruzes aprovou em 2021, a lei que determina o direito de transexuais e travestis serem chamados pelo nome social em serviços municipais diretos e indiretos, mesmo sem constar em seus documentos. Já o estado de São Paulo decretou em março de 2010, o usos do nome social em serviços públicos estaduais, diretos e indiretos. Thiago Quinelato é presidente da Comissão de diversidade sexual e gênero da Ordem dos Advogados (OAB) de Mogi das Cruzes. Ele apontou que é necessária uma investigação administrativa sobre o caso da transexual Ágatha na UPA do Jardim Universo. “A providência mais adequada devia ser tomada pela Prefeitura, que é a instauração de um procedimento disciplinar pra apurar essa prática vexatória acontecida em um ambiente de saúde”. O advogado explicou que o uso do nome social independente de qualquer exigência de alteração no documento. No entanto, a Lei 14.382 de 2022 alterou o artigo 56 da lei que se refere ao registro público. Essa atualização facilitou a alteração de nome e pronome. “Qualquer pessoa pode ir ao cartório alterar seu nome e registro, independente da cirurgia.” Para realizar o processo, é necessário pagar algumas taxas que variam de estado para estado. “A Constituição Federal garante que a pessoa trans ou travesti que não tem condição de arcar com essa taxa, solicite ao cartório a gratuidade processual. Aí ficam isentas das custas do processo”, informou o presidente da Comissão da Diversidade Sexual e Gênero. O advogado alertou que caso exista negativa do cartório existe a possibilidade de recorrer ao judiciário e exigir o direito à gratuidade. Em 2021, Câmara de Mogi das Cruzes aprovou lei que garante a trans e travestis serem chamados pelo nome social Diego Barbieri/Câmara Municipal de Mogi das Cruzes O que diz a prefeitura de Mogi das Cruzes O g1 solicitou uma entrevista com a secretária municipal de Saúde, Rebeca Barufi, entretanto a Prefeitura informou que ela não tinha disponibilidade. E por nota, informou que o sistema das unidades de saúde já disponibiliza o campo para inserção do nome social dos pacientes tanto na recepção como no momento da triagem. A administração explicou que existe formação continuada dos profissionais de saúde em relação ao acolhimento adequado do público LGBTQIAP+.  A administração explicou que existe formação continuada dos profissionais de saúde em relação ao acolhimento adequado do público LGBTQIAP+.  Segundo a Prefeitura, eles devem participar de atividades relacionadas ao tema no final de agosto e setembro. Em relação ao caso de transfobia ocorrido no dia 21 de julho deste ano na UPA do Rodeio, a Prefeitura informou que a Fundação ABC que administra a unidade, ainda não concluiu a sindicância que apura o caso. O que diz a Fundação do ABC Por meio de nota, a Fundação do ABC informou que: " A Fundação do ABC lamenta e repudia o episódio de violência ocorrido no dia 15/08/2025 na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Jardim Universo, em Mogi das Cruzes, que resultou em ferimentos graves a uma integrante da equipe de enfermagem. A instituição se solidariza com a colaboradora covardemente agredida, que recebeu atendimento imediato, acompanhamento médico e todo o suporte necessário, além de ter sido encaminhada e acompanhada até a delegacia, onde foi lavrado o boletim de ocorrência. É preciso salientar que não houve nenhum episódio de transfobia. O atendimento à paciente trans que promoveu as agressões transcorreu normalmente, seguindo todos os protocolos e trâmites de rotina da unidade. A paciente trans solicitou ser chamada pelo seu nome social, o que foi atendido de imediato, assim como a inclusão do nome social no registro de atendimento. Apesar disso, a colaboradora da UPA foi agredida fisicamente durante o atendimento, fato inadmissível e que fere os princípios de respeito e segurança no ambiente de saúde. A Fundação do ABC reitera que não tolera qualquer forma de violência contra seus profissionais e que todas as providências cabíveis estão sendo tomadas, incluindo o acionamento das autoridades competentes". Em julho deste ano, a UPA do Rodeio registrou caso de transfobia Guilherme Berti/ PMMC Leia também ‘Me senti constrangida, humilhada’, afirma mulher que denuncia ter sofrido transfobia durante atendimento em UPA de Mogi das Cruzes Aluna transexual é agredida em escola estadual de Mogi das Cruzes Veja tudo sobre o Alto Tietê

Palavras-chave: câmara municipal

Tradicional cerveja da Oktoberfest está de volta ao Brasil

Publicado em: 23/08/2025 08:00

Uma das cervejarias fundadoras da Oktoberfest de Munique, a Hacker-Pschorr está de volta ao catálogo da importadora Porto a Porto e tem distribuição para todo o Brasil. Em funcionamento desde 1417, a Hacker-Pschorr é uma das cervejarias mais tradicionais e renomadas da Alemanha. Suas cervejas são elaboradas de acordo com a Lei da Pureza Bávara (Reinheitsgebot, em alemão), estabelecida em 1516 pelo Duque Guilherme IV da Baviera. A lei define que os ingredientes permitidos na produção de cerveja na região sejam apenas água, malte de cevada e lúpulo. Formada oficialmente em 1972 pela fusão das cervejarias Hacker e Pschorr, a marca é reconhecida por sua contribuição à cultura cervejeira bávara. No Brasil, estão disponíveis três cervejas da marca na versão em lata de 500 ml (saiba mais abaixo). Hacker-Pschorr: tradição e inovação O registro de produção mais antigo da cervejaria (Hacker Brauerei) remonta a 1417 e até os dias de hoje é possível visitar a “Alte Hackerhaus”, uma antiga propriedade onde se produzia essa cerveja na cidade de Munique. Simon Hacker fundou a cervejaria Hacker em 1738 e, anos depois, o seu mestre cervejeiro Joseph Pschorr se casou com sua filha, Therese Hacker, comprou a cervejaria do sogro e a transformou na cervejaria líder de Munique. Os negócios prosperaram tanto que Joseph Pschorr adquiriu outra cervejaria e a chamou de Brauerei Zum Pschorr. Quando faleceu, seu primogênito Georg herdou esta empresa e o segundo filho, Mathias, ficou com a Hacker Brauerei. A história continua, revoluções passam, a família cresceu e um de seus descendentes é nada mais nada menos do que Richard Strauss, que compôs uma de suas peças mais celebres “Rosenkavalier” em homenagem a família de sua mãe (Josephine Pschorr). Empresários pioneiros e visionários, em 1873 usaram o gelo artificial, pela primeira vez, na linha de produção. No século XX, por causa da destruição causadas pelas duas Guerras Mundiais, as duas cervejarias começaram a trabalhar em um sistema conjunto. Porém, somente em 1972, a união foi oficializada e criada a Hacker-Pschorr Bräu AG, uma empresa que mostra ao mundo as verdadeiras tradições bávaras e seu genuíno modo de viver. Hacker-Pschorr Weissbier Divulgação Elaborada com água, trigo maltado, cevada maltada, fermento e lúpulo, esta Weissbier tradicional é uma cerveja suavemente efervescente com caráter aromático e amargor suave. Apresenta brilho sedoso e intenso tom amarelo dourado, coroado por uma espuma compacta e cremosa. Hacker-Pschorr Münchner Gold Divulgação Produzida com água, cevada maltada, fermento e lúpulo, é uma cerveja muito popular principalmente pelas notas maltadas. Apresenta cor amarela dourada intensa, com sabor encorpado e amargor suave. Hacker-Pschorr Kellerbier Divulgação Elaborada com água, cevada maltada, fermento e lúpulo, possui caráter inimitável, é autêntica, ousada, refrescante e suave. Apresenta sabor rico, aveludado e encorpado. Tem brilho sedoso e fosco com tonalidades de mel dourado. BEBA MENOS, BEBA MELHOR.

Palavras-chave: hacker

Entenda como o aleitamento materno é essencial para o desenvolvimento do bebê: ‘Cada gota vale a pena’, diz mãe

Publicado em: 23/08/2025 08:00

Maielly Pereira, de Bauru (SP), é pediatra, alergista, imunologista e mãe de primeira viagem Elen Laureano/ Divulgação Hapvida A importância do aleitamento materno, reforçada durante a campanha do ‘Agosto Dourado’, vai além de apenas um alimento: ele protege, fortalece e até guarda uma “memória imunológica” das batalhas que a mãe já travou contra vírus e bactérias. A pediatra, alergista e imunologista Maielly Pereira, médica e mãe de primeira viagem, explica que amamentar não serve apenas para nutrir o bebê. “É algo que constrói microbiota, fortalece o vínculo afetivo, estimula o neurodesenvolvimento e oferece imunidade. O leite materno reflete a experiência imunológica da mãe e transfere essa proteção para a criança”, afirma. 📲 Participe do canal do g1 Bauru e Marília no WhatsApp Segundo a médica, quando a mulher entra em contato com vírus, bactérias ou vacinas, produz anticorpos que passam para o bebê pelo leite. Essa proteção é dinâmica e pode ser atualizada durante a amamentação. “Se a mãe for exposta a um novo microrganismo, o leite rapidamente incorpora anticorpos atualizados, garantindo defesa sob medida”, explica. 'Agosto Dourado' celebra mês de conscientização ao aleitamento materno Outro ponto destacado é a capacidade de o leite se transformar de acordo com a necessidade da criança. Nos primeiros dias, o colostro é rico em proteínas e anticorpos. Depois, o leite maduro ajusta nutrientes como gorduras e carboidratos para favorecer o crescimento e o desenvolvimento cerebral. Até a saliva do bebê em contato com o mamilo ajuda nesse processo, enviando sinais ao corpo materno sobre suas necessidades. Desenvolvimento orofacial Segundo Victoria Mota Colombara, fonoaudióloga formada pela Universidade de São Paulo (USP) de Bauru e atuante no setor de neonatal do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (SP), a amamentação também é fundamental para o desenvolvimento das estruturas orofaciais. Victoria Mota Colombara é especialista em aleitamento materno e fonoaudióloga do setor neonatal do Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) Arquivo pessoal “Mamar exige esforço muscular coordenado. A criança precisa realizar a “sucção nutritiva”, que envolve movimentos de língua, mandíbula, bochechas e lábios, tudo isso de forma rítmica”, explica a especialista em aleitamento materno ao g1. Ainda de acordo com Victoria, a amamentação promove a maturação neurológica e a integração sensório-motora, já que também exige a coordenação entre sucção, deglutição e respiração, habilidade essencial para a introdução alimentar e funções como sugar, deglutir, mastigar e falar. LEIA TAMBÉM 'FOLCLORE': Conheça a lenda do Unhudo, o major que 'voltou da morte' para proteger a fauna e a flora de suas terras no interior de SP 'INCLUSÃO': Alunos da Apae ajudam a produzir animação em stop motion sobre inclusão: 'Riqueza de valores' 'TECNOLOGIA': Estudante cria software de estudo para o Enem em apenas dois dias e vence prêmio global: 'Honra enorme' Além disso, a fonoaudióloga explica que, durante a amamentação, o bebê está em contato direto com a mãe, o que favorece a comunicação não verbal, o olhar e a escuta da voz materna, estímulos que também servem de base para o desenvolvimento da linguagem oral. Victoria Mota Colombara é especialista em aleitamento materno e fonoaudióloga do setor neonatal do Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) Arquivo pessoal Conexão mãe e filho Mesmo após um ano, a médica ressalta que o leite continua tendo valor nutricional e imunológico. “Ele não vira ‘água’. Continua sendo fonte de energia, nutrientes e anticorpos, além de trazer segurança e conforto. Estudos mostram que a amamentação prolongada reduz alergias, melhora o desenvolvimento cognitivo e diminui doenças crônicas na vida adulta”, ressalta Maielly. Além disso, a especialista, que também viveu na pele a experiência do aleitamento materno, afirma que é um momento transformador. “No começo foi difícil, até ajustar a pega, mas nunca esqueço o primeiro contato pele a pele. Hoje, entendo que amamentar vai muito além da biologia. É amor e dedicação em cada gota”, relata em entrevista ao g1. "Amamentar é resistir: à dor, ao cansaço, aos comentários desmotivadores e à falta de apoio. Mas não resistam sozinhas. Busquem ajuda. Cada gota vale a pena”, finaliza. Maielly Pereira, de Bauru (SP), é pediatra, alergista, imunologista e mãe de primeira viagem Elen Laureano/ Divulgação Hapvida Veja mais notícias da região no g1 Bauru e Marília VÍDEOS: assista às reportagens da região

Palavras-chave: tecnologia

SP ganha 1ª 'faculdade de influencers' do Brasil, com cursos de até R$ 35 mil, praia artificial e banheiro 'instagramável'

Publicado em: 23/08/2025 07:10

'Centro de formação de influencers em SP tem praia artificial e banheiro 'instagramável' A cidade de São Paulo ganhou no início deste mês um centro de formação de influencers e criadores de conteúdo digitais. O local é um grande estúdio, com direito a praia artificial e banheiros instagramáveis (veja vídeo acima). Chamada pelos executivos da empresa de "primeira universidade de criação de conteúdo do Brasil", a Community Creators Academy foi instalada num enorme galpão na Vila Leopoldina, na Zona Oeste da capital. A área tem 14 mil m² e mais de 200 estúdios diferentes, para os alunos poderem criar seus conteúdos e jorrá-los nas redes sociais. Com cursos que variam de R$ 25 mil a R$ 35 mil, a Creators Academy promete transformar o jeito com que os atuais influencers se portam nas redes sociais, para melhorar a atração das marcas e a comunicação com o público. ✅ Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp A ideia foi do empresário baiano Fabio Duarte, dono de uma agência de publicidade na capital paulista especializada em comunicação digital, a Agência California. Ele buscou uma parceria com o grupo educacional Ânima Educação – dono da Universidade Anhembi Morumbi – para formatar o espaço e o programa dos cursos, de olho em um "mercado trilionário", segundo Duarte. Fabio diz terem sido investidos cerca de R$ 40 milhões na ideia. Banheiro instagramável com estúdio e praia artificial dentro da Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de SP. Montagem/g1/Rodrigo Rodrigues, Lucas Amorim e Albert Rodrigo “A 'created economy' é um mercado gigantesco no mundo, que deve movimentar mais de US$ 1 trilhão nos próximos anos no mundo. E a criação de conteúdo está virando uma grande 'skill' [habilidade] valorizada pelo mercado. Antes se exigia datilografar, Pacote Office, inglês. Hoje a criação de conteúdo e a IA [inteligência artificial] são 'skills' importantes para aceleração de qualquer carreira”, afirmou Fabio. “Atualmente, 75% dos jovens querem ser influencers no Brasil. Então, essa é uma profissão, ou uma habilidade, que vem crescendo muito e vai gerar muitos negócios. E não existia no mundo um local focado na formação dessa habilidade que 1 bilhão de pessoas querem ser nos próximos anos. E daí veio o insight [ideia] de transformar isso num grande hub”, disse. Praia artificial dentro da Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Lucas Amorim/Divulgação Curso presencial As aulas na Creators Academy começaram na primeira semana de agosto, e a "faculdade" conta com cerca de 200 alunos matriculados. Os cursos oferecidos são segmentados por área e variam de três a seis meses, com aulas presenciais de duas a três vezes por semana. Médicos, advogados, dentistas, arquitetos e profissionais liberais, por exemplo, têm aulas focadas na atuação para conquistar novas fontes de receita e fisgar os clientes através das redes sociais. Os alunos participam e produzem videochats, podcasts, aprendem a melhor forma de fazer tutoriais de saúde, moda e qualidade de vida, entre outros. Os estúdios têm até salão de cabeleireiro e maquiagem, salas de atendimento dermatológico e academia para gravar conteúdos de atividade física. Segundo a empresa, as aulas são em formato de mentoria, dadas por nomes badalados do mercado, como Igor Coelho, fundador do podcast Flow, e Sarah Fonseca, da plataforma Skin Quer. Com disciplinas como ética, responsabilidade social, direito digital, empreendedorismo e storytelling, a empresa promete profissionalizar a relação entre marcas e influencers, segundo o CEO. “Muitos influenciadores começaram de maneira muito orgânica. No improviso, foram fazendo, por terem um sonho de trabalhar com conteúdo, e só depois perceberam que aquilo era um trabalho. E como todo trabalho, você precisa se educar e se formar. A gente quer que o aluno comece desde o início sabendo que conteúdo é um negócio”, afirma Fábio Duarte. Fábio Duarte, CEO da Community Creators Academy: R$ 40 milhões investidos em escola para formação de influencer Divulgação “A proposta é aproximar o aluno do mercado. A gente sabe que o mundo está precisando de mais conexões. Então, a ideia de criar um espaço físico veio dessa necessidade da presença física acelerar a presença digital”, comentou. O curso mais caro é voltado para executivos que desejam se desenvolver melhor para participar de apresentações, Ted Talks, entrevistas e podcasts. Banheiro ‘instagramável’ Estúdio montado dentro do banheiro da Community Creators Academy, a escola de influencers da Vila Leopoldina. Lucas Amorim e Albert Rodrigo/Divulgação Entre os mais de 200 cenários criados no espaço, o mais usado pelos alunos é o de "social commerce", onde os alunos produzem conteúdo para a venda de produtos em Instagram, TikTok ou Facebook. Mas o banheiro instagramável é, de longe, o que mais faz sucesso, por conta do ambiente de intimidade que facilita os bate-papos entre as "creators", segundo o empresário. “Outro dia eu li uma reportagem de uma universidade que estava proibindo gravação de conteúdo nos banheiros para não expor a intimidade de que não deseja aparecer. Mas no banheiro é onde as mulheres vão para se maquiar, ajeitar a roupa, se produzir e falar sobre um produto com a amiga, um encontro, uma desilusão. Então eu resolvi que ia trazer os estúdios no banheiro para facilitar esse clima. E acho que é uma das áreas mais usadas da escola”, disse Fabio. ‘Vestibular americano' Alunos participam de aulas de formação de creators na Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, em São Paulo. Divulgação Embora seja uma escola que diz que aceita qualquer tipo de influencer ou criador de conteúdo digital, o ingresso na escola tem um processo seletivo pago, inspirado no modelo de universidades internacionais. "Nele, o candidato envia uma carta de intenção e um vídeo explicando seus objetivos e motivações para participar do programa. Caso seja aprovado na primeira etapa por nossos especialistas, será convidado para uma entrevista, onde poderá ou não ser selecionado", explica Fabio. Nesse primeiro momento, a escola diz que está dando preferência para alunos que já tenham familiaridade com o ambiente digital e desejam aprimorar seus conhecimentos e se profissionalizar, diz a entidade. “A gente tem diversos produtos, mas o público principal é o que já entende que o conteúdo faz parte do seu dia a dia. Então, a gente acelera de creators que estão no início da carreira, até creators que já têm a carreira um pouco consolidada com conteúdo, mas sabem que precisam transformar aquela audiência e seguidores em negócio." Sobre o valor dos cursos, o executivo da empresa diz estar alinhado com o mercado internacional. Sala de podcasts da Community Creators Academy, em São Paulo. Lucas Amorim e Albert Rodrigo/Divulgação Num mundo em que os jovens tendem a desistir das carreiras tradicionais para tentar a vida na frente dos celulares, Fabio Duarte diz que a profissionalização dos influencers é um caminho essencial para o sucesso nas redes, mas que não pode descartar a formação tradicional de uma universidade. "Para mim, é inquestionável o poder da educação. A questão de um diploma universitário é importante e vai continuar sendo importante para a vida [do influencer do futuro]. Mas existe um novo mercado, dos cursos livres, de segmentação de ensino para carreiras que estão precisando dessa nova habilidade, que é o conteúdo. Sou um entusiasta do ‘life is learning’, que é a vida inteira você se aprimorar e aprender algo”, afirma. Praia artificial dentro da Community Creators Academy, na Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Rodrigo Rodrigues/g1

Palavras-chave: inteligência artificial

Trump quer mandar recado para Maduro de que é capaz de invadir Venezuela: 'Mísseis não são para combater cartéis', diz analista

Publicado em: 23/08/2025 06:00

EUA enviam navios de guerra para a costa da Venezuela Nesta semana, os Estados Unidos deslocaram navios de guerra, aviões, ao menos um submarino e cerca de 4.000 militares para o mar do Sul do Caribe, perto da costa da Venezuela, segundo as agências de notícias Reuters e Associated Press. O objetivo seria o combate aos cartéis de drogas que operam na região levando drogas da América do Sul aos EUA. O arsenal mobilizado, contudo, seria um recado de Trump para o governo de Nicolás Maduro, mostrando que ele é capaz de invadir a Venezuela, mais do que uma forma de combater o crime organizado, segundo o cientista político Carlos Gustavo Poggio. ✅ Clique aqui para seguir o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp "Mísseis não são para combater cartéis de drogas", diz o professor do Berea College, nos EUA, ao g1. "Não faz sentido jogar um Tomahawk [míssil teleguiado lançado dos navios de guerra que pode viajar centenas de quilômetros] em um cartel." O governo do presidente Donald Trump tem dado mostras de que Maduro é o novo alvo dos EUA: Seis navios de guerra foram deslocados para o sul do Caribe, perto da costa da Venezuela, sob a alegação de conter ameaças de cartéis de tráfico de drogas, segundo agências de notícias. Ao responder o porquê do deslocamento de navios, a porta-voz do governo, Karoline Leavitt, disse na terça (19) que Maduro "não é um presidente legítimo", além de ser "fugitivo" e "chefe de cartel narcoterrorista" —e que, por isso, os EUA usariam "toda a força" contra o regime venezuelano. A referência a "fugitivo" se explica pelo fato de os EUA terem colocado, no início de agosto, uma recompensa de US$ 50 milhões (R$ 275 milhões) por informações que levem à prisão ou condenação de Maduro. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o presidente venezuelano é acusado de envolvimento em conspiração com o narcoterrorismo, tráfico de drogas, importação de cocaína e uso de armas em apoio a crimes relacionados ao tráfico. O governo americano também diz que Maduro lidera o suposto Cartel de los Soles, grupo classificado recentemente pelos EUA como organização terrorista internacional. Entenda a escalada de tensões entre governo Trump e Venezuela Mobilização Em resposta ao envio americano dos navios de guerra, Maduro anunciou mobilização de 4,5 milhões de milicianos para combater o que chamou de "ameaças" dos EUA. "Destróieres, aviões espiões, mísseis Tomahawk não são úteis para combater cartéis", diz Poggio, ao g1. "Cartéis de drogas não têm navios de guerra, não têm aviões. Eles geralmente usam rotas terrestres para chegar até os EUA. Quando muito, usam embarcações pequenas e lanchas rápidas." O cientista político aponta, por sua vez, que o efetivo militar deslocado é "extremamente eficaz" para atacar ou invadir um país. Donald Trump, presidente dos EUA, e Nicolás Maduro, líder do chavismo na Venezuela Kevin Lamarque e Manaure Quintero/Reuters Além dos três destróieres da Marinha dos EUA, equipados com o poderoso sistema de combate Aegis, e três navios de desembarque anfíbio, feitos para transportar e desembarcar divisões terrestres, o governo Trump deslocou aviões espiões P-8 Poseidon e pelo menos um submarino, além de 4.000 marinheiros e fuzileiros navais para a região. "Se isso acontecer, estaremos diante de um fato histórico: seria a primeira invasão direta dos Estados Unidos em um país da América do Sul, e que faz fronteira com o Brasil", afirmou o professor, na rede social X. Militarização Poggio nota que Trump aposta na militarização do combate, tendo se mostrado um grande entusiasta das soluções militares dentro das fronteiras americanas — por exemplo, nos casos de emprego da Guarda Nacional em Los Angeles e em Washington para conter protestos e combater o crime. Isso também explica a medida de Washington que equipara os cartéis de drogas a grupos terroristas. "Organizações criminosas não são organizações terroristas. Não faz sentido confundir uma com outra", diz Poggio, acrescentando que "isso, por outro lado, dá algumas prerrogativas legais a Trump". Navio anfíbio USS San Antonio, integrante do grupo de combate Iwo Jima da Marinha dos Estados Unidos. Sargento Nathan Mitchell/Marinha dos Estados Unidos Cartel de los Soles Donald Trump aponta Nicolás Maduro como o chefe de uma organização chamada Cartel de los Soles, que seria liderada pelo alto escalão do Exército da Venezuela. Segundo a imprensa latino-americana, o grupo atua como facilitador de rotas de drogas para outros grupos que vendem os produtos no mercado americano, como o mexicano Cartel de Sinaloa e o também venezuelano Tren de Aragua. Desde a semana passada, alguns países sul-americanos têm acompanhado a decisão de Trump de designar o Cartel de los Soles como organização terrorista, começando pelo Equador, governado por Daniel Noboa, de direita. Em seguida, foi a vez do presidente Santiago Peña, do Paraguai. Nesta sexta-feira (22), a Guiana também publicou uma medida semelhante. Para Poggio, a iniciativa é uma confluência de fatores: "A iniciativa vem de países que têm um antagonismo com a Venezuela e com o chavismo, e que querem chamar a atenção de Trump de alguma forma para seus interesses". Enquanto Equador e Paraguai são governados por opositores do chavismo, a Guiana se encontra em uma disputa terrirorial com Caracas pela região de Essequibo, que ela controla. Poder de fogo de Caracas Em contraposição aos EUA, a Venezuela tem problemas em seu arsenal militar. Segundo o IISS (Instituto Internacional para Estudos Estratégicos), as Forças Armadas venezuelanas operam com "capacidades restritas" e "problemas de prontidão" por conta de "sanções internacionais, isolamento regional e uma crise econômica de longa data", que nas últimas décadas limitaram a capacidade de comprar armamentos e tecnologia militar. "Sanções internacionais e a crise econômica limitaram significativamente a capacidade do país de obter novas tecnologias militares. (...) Devido à capacidade limitada de aquisição, grande esforço é direcionado a reparos e modernizações de sistemas já existentes, e a Força Aérea e a Marinha enfrentam problemas de prontidão", afirmou o IISS no relatório. Por conta dessas restrições, muita incerteza paira sobre as capacidades militares reais da Venezuela, mesmo com o país tendo alguns equipamentos considerados relativamente modernos. Poderio militar da Venezuela. Gui Sousa/Equipe de arte g1

Palavras-chave: tecnologia

De drone para contar boi a aplicativos conselheiros: tecnologia avança no campo e combate até roubos

Publicado em: 23/08/2025 05:00

Drone de pulverização resolve falta de mão de obra nos cafezais Robôs que colhem frutas ou substituem trabalhadores ainda não chegaram às lavouras brasileiras. Mas a tecnologia já começa a mudar a rotina no campo. Drones, aplicativos e sensores estão ajudando produtores a enfrentar problemas antigos, como a pulverização em áreas íngremes, a falta de técnicos para orientar o dia a dia e até os roubos de animais. Tudo isso só é possível com internet na lavoura. Contudo, apenas 35% das áreas produtivas têm conexão 4G e 5G, aponta o levantamento da Associação ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV). Para mudar este cenário, o projeto Semear Digital, encabeçado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), busca levar conectividade a algumas cidades rurais do Brasil, além de apresentar tecnologias para a população. Confira mais abaixo. ➡️ Esta reportagem faz parte do quarto episódio da série "PF: Prato do Futuro", onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil. Saiba também: Como a chegada da internet mudou a vida de agricultores em 4 anos Internet no campo cresce, mas qualidade da conexão é baixa: 'Fui educado que não me pertencia’, diz produtor Drones na lavoura Uma das tecnologias levadas pela Embrapa a Caconde foi o drone de pulverização. Ele aplica defensivos agrícolas (agrotóxicos ou biológicos) e fertilizantes. Em Caconde, o drone foi essencial por causa do relevo. A cidade tem montanhas com cerca de 45 graus de inclinação. Isso tornava o trabalho manual difícil, considerando também que os equipamentos são pesados. Além disso, o declive impede a entrada de maquinários. Somado ao drone, o Semear Digital ajudou a instalar uma fábrica de defensivos biológicos no Sindicato Rural de Caconde. Isso permitiu aos produtores de café trocar os agrotóxicos por alternativas mais sustentáveis. “A gente não tem mais a jornada exaustiva do trabalhador, não tem mais essa exposição química do trabalhador junto a esses produtos toxicológicos. Tem a questão da preservação ambiental, de não contaminar as águas”, diz Ademar Pereira, presidente do Sindicato Rural de Caconde. Porém, essa tecnologia é cara: cada kit com três baterias, uma estação de recarga e o drone custou R$ 135 mil para o sindicato. Em Caconde, os produtores se revezam no uso do equipamento. Mas, segundo Pereira, valeu a pena. Com o drone, ficou mais fácil controlar pragas no tempo certo, o que melhorou a produção e a qualidade do café. Contagem de gado com IA e drone: conheça tecnologia que minimiza perda de bois Os drones também podem ser usados de outras formas na agricultura e na pecuária. Na Embrapa Agricultura Digital, em Campinas, pesquisadores desenvolvem um drone que usa câmera e inteligência artificial para contar o rebanho. O líder do estudo, Jayme Barbedo, explica que pecuaristas com propriedades grandes têm dificuldades em controlar o rebanho. “Os animais são roubados, são perdidos, morrem e eles nem ficam sabendo”, exemplifica o pesquisador. Essa contagem conseguiu ser melhorada com uma solução simples: a câmera do drone fica em um ângulo inclinado, ou seja, diferente de quando está apenas virada para baixo. Assim, o drone consegue ver uma área maior e contar mais animais de uma vez. O estudo está na segunda e última fase de desenvolvimento. A ideia é que o drone também identifique o estado de saúde dos animais e suas medidas corporais. Isso ajudaria a definir o melhor momento para o abate, diz Barbedo. Técnica na palma da mão Sem técnicos, aplicativos servem de conselheiros para produtores rurais O Semear Digital também apresenta aplicativos de precisão desenvolvidos pela Embrapa para os agricultores e criadores de animais. Eles são gratuitos e funcionam em celulares Android. Na criação de peixes, o aplicativo se chama “Aquicultura Certa”. Já para a pecuária leiteira, é o “Roda da Reprodução”. Apesar de diferentes, os dois funcionam de forma parecida: os criadores inserem informações básicas sobre os animais e o sistema oferece orientações. Por exemplo, o produtor informa quanto os animais comem, peso e dados mais específicos, como o pH da água, no caso dos peixes, e o período de lactação, para as vacas. A partir dessas informações, o sistema informa se os parâmetros são os ideais e, caso não sejam, diz como eles devem proceder. “A gente não tem um técnico aqui na piscicultura diariamente. Então, o aplicativo nos auxilia demais. [Com a internet], no meio da água, eu consigo ter informações”, afirma Tiago Oliveira, criador de tilápias. Leia também: Empresa brasileira insere DNA bovino em microrganismos para produzir leite Conectividade e segurança A internet também é fundamental para a segurança no campo. Na piscicultura do Tiago, por exemplo, aconteciam roubos constantemente. As perdas chegavam a R$ 20 mil por gaiola com tilápias perdida. Depois da chegada da internet, ele instalou um monitoramento por câmeras, acompanhadas por uma central. Quando algo suspeito é identificado, a polícia é acionada. Desde 2022, quando ele comprou o equipamento, os roubos não aconteceram mais. A conectividade também é uma arma no combate aos incêndios no campo. “É uma verdadeira catástrofe quando você não tem a conectividade: você demora para saber onde tem o fogo, você não sabe o que você vai fazer”, diz Aziz Galvão, professor na UFV. Isso porque é por meio do celular que os grupos de combate são mobilizados e coordenam a ação. Como levar internet para o campo Prato do Futuro: como o acesso à internet melhora a vida no campo Levar internet para comunidades rurais amplia a comunicação delas com o mundo, afirma Luciana Romani, coordenadora de parcerias do Semear Digital. Um exemplo disso é o aumento de vendas pela internet entre os produtores que passam a usar redes sociais. Para eles, há ainda outras novidades que, para quem é da zona urbana, são corriqueiras, como usar aplicativos de banco. “O pessoal não consegue mensurar o quanto isso faz falta. Até uma previsão do tempo: a gente não conseguia ver em que dia eu poderia fazer uma adubação”, afirma Pereira, presidente do Sindicato Rural de Caconde. Em 2024, 15% dos domicílios rurais brasileiros ainda não tinham acesso à internet, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo onde a internet chega, a qualidade ainda é um problema. Apenas 52% dos domicílios rurais possuem conexão 4G e 5G, segundo o ConectarAGRO. Caconde, no interior de São Paulo, foi a cidade piloto do Semear Digital. O projeto é desenvolvido pela Embrapa, em parceria o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPQD), a Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), o Instituto Agronômico (IAC), o Instituto de Economia Agrícola (IEA), o Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) e a Universidade Federal de Lavras (UFLA). Para escolher qual município vai ser beneficiado, a equipe analisa mais de 34 indicadores, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o número de propriedades, o nível de conectividade, entre outros. Cada cidade possui uma razão diferente para não ter internet, por exemplo, por ser área de floresta ou de relevo difícil. No caso de Caconde, a cidade é rodeada de montanhas, com a altitude variando entre 800 e 1.300 metros. Por isso, cada local exige uma solução diferente. Em Caconde, a internet chegou via rádio, com antenas repetidoras. Mais da metade das quase 2.500 pequenas propriedades do município já tem internet. No caso da ilha do Marajó, no Pará, foi necessário levar a conectividade usando satélites, por causa da floresta. Saiba também: Cientistas alteram a genética do milho e deixam ele mais resistente a secas e altas temperaturas Mais tecnologia A tecnologia tem se tornado cada vez mais presente no campo: em 2024, o número de startups que oferecem soluções tecnológicas inovadoras para o setor, conhecidas como agtechs, cresceram mais de 75% na comparação com 2019, aponta a pesquisa Radar Agtech Brasil 2024, elaborada pela Embrapa, Homo Ludens e SP Ventures. O estudo divide essas empresas em três grupos: Antes da fazenda: oferecem tecnologias para processos anteriores à produção, como compra de insumos e máquinas. Essa categoria responde por 18,6% das startups mapeadas. Dentro da fazenda: agtechs que trabalham com soluções dentro da propriedade, como monitoramento do uso da água e controle de insumos. O grupo é o maior entre o setor, representando 41,5% do total. Depois da fazenda: categoria mais voltada para processos como logística, distribuição e comercialização. É o segundo tópico mais visado pelas startups, sendo 39,9% das agtechs. 'Fui educado que não me pertencia', Internet no campo cresce, mas qualidade é baixa Leia também: Boi com chip na Amazônia: como funciona o rastreamento para saber se a carne está livre de desmatamento Cafezinho em risco: como sombra de árvores ajuda planta a lidar com o planeta mais quente Internet no campo melhora a produção; veja FOTOS Caconde passou a ter acesso a internet após participação no projeto Semear Digital Fábio Tito / g1

Quais são os direitos da criança dentro da escola? Entenda proteções e saiba identificar sinais de violência

Publicado em: 23/08/2025 04:30

Professora é investigada por agredir criança de 4 anos em escola particular no RS O caso de uma professora filmada agredindo um menino de 4 anos com uma pilha de livros, em uma escola infantil de Caxias do Sul, chamou atenção para a responsabilidade da escola e dos profissionais da educação na proteção da infância. (entenda o caso abaixo) Mas o que a lei prevê em situações como essa? Quais são os direitos da criança na escola? 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Para responder, o g1 conversou com a professora Ana Paula Motta Costa, da Faculdade de Direito da UFRGS, especialista em Direito da Criança e do Adolescente. Para ela, a educação é um direito fundamental e só pode acontecer em um ambiente seguro, protegido e adequado. Responsabilidade compartilhada Segundo Ana Paula, ao deixar um filho na escola, os pais partem da confiança de que a criança será cuidada por responsáveis. "No mínimo, o direito da criança é estar protegida e cuidada por algum adulto que é responsável por ela na ausência dos seus pais ou dos seus responsáveis legais", comenta. Para a especialista, a escola não é apenas um lugar de ensino, mas também um espaço de cuidado e proteção, e que essa responsabilidade começa no momento em que os pais confiam seus filhos à instituição. Assim, o dever não recai apenas sobre o professor, mas também sobre a instituição: “Além de fiscalizar e acompanhar, [a escola] deve orientar os seus professores sobre como devem conduzir o trabalho com as crianças”, completa. O que diz o ECA Conforme a professora, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê diferentes formas de responsabilização em casos de violência, desde a esfera criminal até indenizações por danos morais. Em algumas situações, a escola, inclusive, pode ser responsabilizada judicialmente e até ter suas atividades suspensas. “Existem várias possibilidades de responsabilização institucional por maus-tratos, a ponto de chegar ao fechamento de uma instituição que trabalha com criança, o desligamento, o afastamento do seu dirigente”, explica Ana Paula. O dever legal da escola e dos professores A Constituição Federal, no artigo 227, estabelece que é dever do Estado, da família e da sociedade assegurar os direitos das crianças e adolescentes, protegendo-os de qualquer forma de violência. Essa proteção abrange não apenas agressões físicas e psicológicas, por exemplo, mas também situações como o bullying, que podem comprometer o bem-estar e o desenvolvimento dos alunos no ambiente escolar. "As crianças estão para a Constituição como um grupo social que, para atingir um patamar de igualdade de tratamento em relação aos adultos, precisa de um atendimento especial", comenta a professora. Ana Paula explica que a infância é uma fase peculiar e intensa do desenvolvimento humano, o que exige uma proteção especial por parte dos adultos. Durante esse período, a criança ainda não possui autonomia plena, e por isso depende do cuidado e da responsabilidade dos adultos para garantir seu crescimento saudável e seguro. Essa proteção deve ser assegurada até que o processo gradativo de autonomia se estabeleça, momento em que o sujeito passa a assumir mais responsabilidades por si mesmo. O papel dos pais Para a professora, a família não pode se afastar da vida escolar. A participação ativa dos pais na rotina é essencial para garantir a proteção e o bem-estar das crianças. Isso inclui atitudes básicas, como conversar regularmente com os professores, comparecer às reuniões escolares, acompanhar os registros enviados pela escola e observar atentamente o comportamento dos filhos. “A gente conhece os filhos. Então, quando os filhos vão para a escola e voltam de um jeito diferente, e voltam reclamando muito de um respectivo professor ou de um funcionário ou de alguém nesse espaço escolar, os pais devem ficar atentos", orienta Ana Paula. Ao mesmo tempo, é preciso ter cuidado ao validar automaticamente todas as reclamações dos filhos sobre a escola, desconsiderando a autoridade dos professores. Conforme a professora, esse tipo de postura também é prejudicial, pois o docente precisa ter sua autoridade respeitada dentro do ambiente escolar. No entanto, essa autoridade, assim como a dos pais, tem limites: ela deve ser exercida com responsabilidade e sem ultrapassar os direitos da criança. "A autoridade dos pais vai até o momento da escola assumir a responsabilidade sobre os filhos, mas não quer dizer que os pais tenham que se desonerar das suas responsabilidades", diz. A quem recorrer Em casos de suspeita ou confirmação de violência, a escola, segundo Ana Paula, deve ser a primeira instância de diálogo, mas situações graves, como a agressão registrada em Caxias do Sul, exigem ação imediata dos órgãos competentes. Os pais ou qualquer pessoa podem acionar o Conselho Tutelar, a polícia e até o Ministério Público da Infância. O Disque 100 também é uma alternativa para denúncias anônimas. Responsabilidade de todos Para a professora, a proteção da criança é dever coletivo. “No espaço escolar, todos que estão ali são responsáveis. Claro, institucionalmente, a escola é responsável, a professora que agrediu [também] é, mas o profissional que trabalha do lado, em ver a situação, em levar adiante para o seu superior, tudo isso faz parte do conceito de que a sociedade é responsável pelas crianças”, conclui. Conforme Ana Paula, essa vulnerabilidade da criança está relacionada tanto à estrutura física, por serem pequenas, quanto à sua capacidade de compreensão, já que muitas vezes não entendem exatamente o que está acontecendo ao seu redor. Por isso, ela defende que todos, não apenas os pais e educadores, mas qualquer pessoa, devem estar atentos e comprometidos com a proteção da infância. Agressão em Caxias do Sul Professora que agrediu menino de 4 anos é presa preventivamente A professora Leonice Batista dos Santos, de 49 anos, foi presa preventivamente na manhã de sexta-feira (22). A criança agredida perdeu um dente e teve outros cinco comprometidos, precisando usar aparelho. De acordo com a delegada Thalita Giacomiti Andriche, foi instaurado um inquérito para investigar o caso, que é tratado como maus-tratos qualificado pela lesão grave. Ela não descarta que o crime também possa ser enquadrado como tortura. O advogado Henrique Bischoff Hartmann, responsável pela defesa de Leonice em Palmeira das Missões, informou ao g1 que ela "permanecerá em silêncio" e que será solicitado um pedido de habeas corpus. Nas imagens registradas pela câmera de segurança da escola, a professora aparece gritando com o menino e, logo depois, atingindo ele com uma pilha de livros. É possível ouvir o barulho da batida. Em seguida, a docente coloca os materiais sobre uma mesa, pega um papel para limpar a criança e, por fim, a conduz para outro local. (veja acima) Segundo os pais, a educadora foi a primeira a primeira a entrar em contato e afirmou que a criança havia sofrido uma queda no banheiro e batido a boca. No entanto, ao levarem o filho ao consultório de uma dentista, ouviram dela que os ferimentos talvez não fossem resultado de uma queda. A escola teria entrado em contato por telefone em seguida. Os pais pediram imagens de câmeras de segurança para verificar o que realmente havia acontecido. Pouco tempo depois, a escola retornou a ligação dizendo que o assunto era urgente e pedindo que eles eles fossem até a instituição. Lá, os pais viram o vídeo e ficaram sabendo o que aconteceu. A Escola Infantil Xodó Da Vovó, que atende cerca de 90 alunos, demitiu a profissional após verificar as imagens das câmeras de segurança. A direção divulgou, em nota, que "segue à disposição das famílias para quaisquer esclarecimentos e reitera seu compromisso diário com uma educação baseada no cuidado, na ética e no bem-estar das crianças". LEIA TAMBÉM Mais duas famílias registram boletim de ocorrência por agressões de professora 'Trauma para sempre', dizem pais de aluno agredido Como está o menino Conforme informado pelos pais, o menino está em recuperação, mas enfrenta restrições alimentares e emocionais. "Ele não pode fazer força nos dentes. Então, é só papinha, só iogurte, sopinha, arroz e feijão amassado. É triste falar, é ruim. Sinto ele muito com medo. Qualquer barulho para ele, ele está assustado, até conosco. E é um trauma. Fica um trauma. Trauma para sempre", desabafa o pai. Apesar do choque, os pais afirmam que não culpam a escola, mas querem justiça: "Quero que ela vá presa. A situação é difícil. O pior de tudo é ver o filho da gente ter que almoçar de canudo, jantar de canudo. Isso é o que mais dói. Isso não se faz, é um inocente", disseram. Professora é investigada por agredir criança de 4 anos em escola particular no RS Reprodução/ Câmera de segurança O que diz a escola "A Escola Xodó da Vovó lamenta profundamente o episódio ocorrido envolvendo uma professora e um de nossos alunos. A profissional foi imediatamente afastada, as autoridades policiais comunicadas e a família da criança está recebendo todo o apoio necessário. Reforçamos que a apuração dos fatos e a devida responsabilização estão sendo conduzidas pelas autoridades competentes, que contam com o total apoio e colaboração desta instituição. Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a segurança, o respeito e a integridade de todos os nossos alunos e não toleraremos situações que contrariem os valores desta Escola Infantil. Seguiremos colaborando integralmente com as autoridades e trabalhando para garantir um ambiente seguro e respeitoso para todos os nossos alunos. A Escola Xodó da Vovó segue à disposição das famílias para quaisquer esclarecimentos e reitera seu compromisso diário com uma educação baseada no cuidado, na ética e no bem-estar das crianças. Estamos juntos com nossa comunidade para fortalecer ainda mais um ambiente de confiança, aprendizado e acolhimento. Departamento Jurídico Escola Xodó da Vovó" VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Palavras-chave: vulnerabilidade

Como a floresta fabrica a própria chuva? Pesquisa desvenda segredo da Amazônia

Publicado em: 23/08/2025 04:01

COP30 - O que é o Fundo Amazônia? Quando pensamos na Amazônia, imaginamos uma floresta imensa e cheia de vida. É a maior floresta tropical do mundo, abriga a maior diversidade de espécies do planeta e concentra imensos volumes de água. Além do Rio Amazonas, o mais extenso do mundo, há também os chamados “rios voadores”, correntes invisíveis de vapor que transportam umidade na atmosfera acima da Amazônia e geram chuvas em várias regiões do Brasil. As florestas têm grande influência sobre a geração desses rios voadores e o ciclo da água. Isso porque grande parte da umidade gerada na Amazônia e que retorna para a atmosfera vem de um processo conhecido como transpiração. As árvores retiram água do solo através das raízes, transportam-na até as folhas e a liberam para a atmosfera em forma de vapor. Esse vapor vindo das copas se transforma em chuva — localmente ou a centenas de quilômetros de distância. Estudos já mostraram que, na estação seca, cerca de até 70% da chuva que cai na Amazônia tem origem na própria transpiração da floresta, que retorna a água para atmosfera. Como a seca é um período de chuvas reduzidas, surge uma pergunta essencial: de onde vem a água que as árvores usam para manter esse ciclo? A investigação na Floresta Nacional do Tapajós Um estudo realizado recentemente por pesquisadores brasileiros e internacionais, publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), buscou responder a essa questão. A pesquisa foi conduzida dentro da Floresta Nacional do Tapajós, no Pará, território tradicional dos Mundurukus, em duas áreas contrastantes: o platô, uma floresta mais elevada, na qual o lençol freático esta mais profundo (cerca de 40 metros), e o baixio, uma floresta que fica mais próxima ao igarapé, com um lençol freático mais raso, e abrange uma área próxima e acima do leito do rio, com aproximadamente até 30 metros do mesmo. Os resultados surpreenderam. Ao contrário do que se pensava, a maior parte da água usada pelas árvores para transpirar no período da seca não vem de reservas profundas do solo, mas sim de camadas superficiais. Em um ano de chuvas normais, sem secas ou chuvas extremas, em média, 69% da transpiração no platô e 46% no baixio vieram da água armazenada nos primeiros 50 centímetros do solo. Essa água armazenada nos primeiros centímetros do solo caiu das nuvens recentemente, no período da estação seca. Isso significa que a floresta recicla rapidamente a água da própria estação: a chuva cai, infiltra-se no solo raso, é absorvida pelas raízes e retorna quase imediatamente para a atmosfera, na forma de transpiração. Por estar na seca, este é o momento em que a floresta mais precisa da água, e é quando ela mais contribui para produzi-la. Vista do rio Xingu mostra uma propriedade usada para criação de gado (à esquerda) e uma área preservada da floresta amazônica, na Terra Indígena Koatinemo, no estado do Pará Carlos FABAL/AFP O papel da diversidade das árvores Nem todas as árvores retornam iguais quantidades de chuva da seca para a atmosfera da mesma forma. A Amazônia é extremamente diversa em árvores, e diferentes espécies possuem estratégias distintas para acessar a água armazenada no solo. O estudo mostrou que a chave para entender essas diferenças na fonte de água da transpiração está em um traço hidráulico chamado resistência ao embolismo. Esse mecanismo indica a vulnerabilidade de uma árvore à seca. Quando a árvore absorve água do solo, é como se houvesse um “cabo de guerra”, em que a corda é a própria água: de um lado, o solo retém a água; do outro, a raiz da árvore tenta puxá-la. Quanto mais seco o solo, com mais “força” o solo segura a água, e mais força é necessária para puxá-la. Espécies com maior resistência ao embolismo conseguem extrair água solos mais secos. Espécies mais resistentes retornam grandes proporções da água da chuva da estação seca para atmosfera, portanto, estão mais adaptadas a utilizar água de solos rasos, e usam mais dessa água que caiu recente. Já as espécies com menor resistência ao embolismo, e maior vulnerabilidade, são mais “fracas” nesse cabo de guerra, e precisam de outras estratégias, como por exemplo, utilizar raízes mais profundas, para potencialmente alcançar camadas do solo com reserva de água mais estável. O estudo mostra que quanto maior a resistência ao embolismo, mais água rasa as árvores utilizam na transpiração. Essa descoberta é inédita, e ajuda a explicar como diferentes árvores contribuem para a reciclagem da chuva. E ainda mais interessante, o estudo mostra que mesmo na estação seca, grande parte da água utilizada na transpiração vem das camadas mais rasas do solo abastecidas pela chuva. Muitas dessas espécies estudadas estão utilizando grandes proporções de água rasa. Por que isso importa? Sem floresta, sem chuva A mensagem é clara: sem floresta, não há chuva. E, sem chuva, não há floresta. A água rapidamente reciclada pela transpiração não só mantém a Amazônia durante a estação seca, como também é essencial para dar início às chuvas da estação chuvosa, algo já mostrado em estudos anteriores. Se a floresta perde sua capacidade de reciclar a água, o risco é de um colapso do ciclo hidrológico. Comunidades tradicionais e indígenas são as mais diretamente afetadas pelas mudanças no ciclo da água, sofrendo impactos intensos em seu cotidiano. Mas as consequências ultrapassam os limites da Amazônia. Os chamados “rios voadores” transportam umidade para o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil, sustentando a agricultura em algumas das principais regiões produtoras de grãos. Com menos floresta, há menos chuva. O desafio Esse alerta se torna ainda mais urgente diante da recente aprovação do chamado PL da Devastação. A mudança na legislação pode acelerar o desmatamento em áreas nacionais críticas, como a Amazônia, e outras florestas, que também são importantes para o ciclo da água, como o Cerrado e a Mata Atlântica. A equação é simples: menos árvores, menos chuva, menos floresta. E esse ciclo negativo ameaça não só a biodiversidade e o clima, mas também a segurança alimentar e o transporte de muitas comunidades locais e da região, e também a economia brasileira. O estudo mostra que o ciclo da água na Amazônia é rápido mesmo na seca: a própria chuva da estação seca alimenta a transpiração, que depois vira chuva. O estudo reforça algo que já sabemos, mas nem sempre levamos a sério: a Amazônia é uma verdadeira fábrica de chuvas. Cada árvore, ao transpirar, coloca em movimento o vapor que ajuda a manter a vida, dentro e fora da floresta. Proteger a Amazônia não é apenas uma questão ambiental. É garantir chuva, alimento e futuro econômico para o Brasil. Magali Nehemy recebe financiamento da Natural Sciences and Engineering Research Council of Canada. Ela é afiliada à Universidade de British Columbia (UBC), Okanagan.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Menopausa precoce: parar de menstruar antes dos 40 anos é normal? Veja sintomas e consequências dessa condição

Publicado em: 23/08/2025 04:01

Mulheres que param de menstruar antes dos 40 anos enfrentam a chamada menopausa precoce. Freepik Os sintomas são comuns para mulheres na faixa dos 50 anos: ondas de calor, problemas no sono, alterações de humor e falta de libido – a menopausa. Mas, para algumas, eles podem chegar antes mesmo dos 40 anos. É a chamada menopausa precoce. No caso da pedagoga Lidiana Caldas, o diagnóstico foi confirmado muito cedo, aos 32 anos. Os sinais começaram meses após a retirada de um cisto de sangue nos ovários. Hoje, com 47 anos, ela ainda convive com boa parte dos sintomas. (leia a história completa abaixo) "Faz 15 anos que tenho os sintomas da menopausa e nunca melhorei, mesmo fazendo diversos tratamentos hormonais diferentes", conta Lidiana. Ainda que cirurgias possam levar a quadros de menopausa precoce, os médicos nunca conseguiram afirmar com certeza o que motivou o início tão cedo dos sintomas no caso de Lidiana. E, segundo os ginecologistas, isso é comum quando o assunto é menopausa precoce. "Há casos, como esse, em que é muito difícil estabelecer uma relação [de causa e efeito] porque muitos fatores podem levar à menopausa precoce", afirma Flávia Fairbanks, mestre e doutora em ginecologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). LEIA TAMBÉM: Mulheres vão viver mais tempo sob os efeitos da menopausa: entenda o que é, quais os sintomas e como lidar Menopausa: qual a relação dos hormônios com a saúde mental da mulher? Causas e sintomas da menopausa precoce Maria Celeste Osório Wender, ginecologista e presidente da Federação Brasileira das Associações em Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que muitos casos de menopausa precoce são idiopáticos – termo médico utilizado para definir quando uma doença ou condição tem uma causa desconhecida ou que não pode ser identificada. ➡️Mas há alguns fatores que podem fazer com que a mulher deixe de menstruar antes do período considerado normal: Fatores genéticos Grandes cirurgias na região abdominal Tratamentos como quimioterapia e radioterapia Alterações cromossômicas Ela também pondera que, apesar de ser difícil identificar a causa da menopausa precoce, sabe-se que os hábitos ao longo da vida não influenciam nesse quadro. "O único hábito que pode influenciar é o tabagismo, mas isso antecipa por volta de dois anos, o que não é uma interferência tão significativa", analisa a ginecologista. A depender da causa, as ginecologistas explicam que é possível prever se a mulher vai passar por uma menopausa precoce. Isso é válido especialmente para mulheres que já têm casos de menopausa precoce na família, que têm uma situação genética conhecida, que estão passando por algum tipo de tratamento ou cirurgia. "Tudo isso é muito importante porque a gente já fica com um olhar especial para essas pacientes para ver se elas de fato possam estar desenvolvendo esse processo de maneira precoce", afirma Flávia Fairbanks. ➡️E ainda que esse processo comece antes para algumas mulheres, os sintomas são muito semelhantes e incluem: Ondas de calor Secura vaginal Perda da qualidade do sono Diminuição da libido Falta de concentração e de memória Secura geral na pele e nos olhos Redução da capacidade cognitiva e de concentração A grande diferença, segundo as ginecologistas, é quando a menopausa precoce acontece de forma abrupta, como em casos em que a causa é uma situação cirúrgica. "O que mais diferencia em termos dos sintomas não é tanto a idade da mulher que está passando por essa situação, mas muito mais a velocidade com a qual ela entrou nesse processo. Todas as vezes que isso estiver relacionado a uma situação abrupta, a intensidade dos sintomas vai ser muito maior", comenta Fairbanks. Em mulheres em que o processo acontece de forma natural, só que mais cedo, a tendência é que os sintomas sejam até mais suaves. Ondas de calor, insônia e ansiedade: os desafios da menopausa para milhões de brasileiras 'Parei de menstruar com 32 anos' Para Lidiana Caldas, os sinais vieram todos juntos, de forma muito intensa, e começaram seis meses depois de uma cirurgia. "Em 2009, eu fiz uma cirurgia para a retirada de um cisto nos ovários. Era um cisto de sangue e na época o médico me disse que eu não teria dificuldades na recuperação, que inclusive poderia ter quantos filhos quisesse", conta a pedagoga. Meses depois, o que ela sentiu foi um calor insuportável e recorrente, enxaqueca e irritação, além de uma redução no fluxo menstrual, todos sintomas da menopausa. "Como faço acompanhamento regular com o médico por causa da cirurgia e também porque a minha família tem histórico de câncer, um dos exames mostrou que meus ovários estavam atrofiando, e comecei o tratamento", lembra. Foram meses tomando hormônios e trocando de médicos para tentar descobrir a causa do problema quando aos 32 anos recebeu o diagnóstico: menopausa precoce. Ela conta que, pela proximidade com a cirurgia, alguns médicos acreditavam que a situação poderia ser transitória e que poderia ser revertida com a reposição hormonal. Mas nunca estabeleceram uma relação direta entre o procedimento e o adiantamento da menopausa. Flávia Fairbanks explica que, quando há a confirmação da menopausa precoce, o processo não pode ser revertido. "Do ponto de vista de criar óvulos nos ovários, infelizmente, a gente ainda não tem essa tecnologia. E como a menopausa se instala justamente pelo esgotamento do número de óvulos, então isso fica realmente muito difícil", detalha. O que é recomendado nesses casos é a reposição hormonal, tanto para amenizar os sintomas como evitar complicações que podem surgir a partir dessa situação. No caso de Lidiana, as tentativas de tratamento com hormônios via oral, gel e implante no braço não surtiram efeitos definitivos e ela ainda convive com boa parte dos sintomas. "Hoje é uma grande frustração ter pagado por tantos tratamentos e não ter nenhum sucesso. Atualmente não tenho mais nada de hormônio sendo produzido pelo corpo e os sintomas continuam", lamenta a pedagoga. Consequências da menopausa precoce Além da convivência com os sintomas, que pode se estender por anos em alguns casos, a menopausa precoce também traz consequências relacionadas à qualidade do envelhecimento da mulher. Maria Celeste destaca que os dois principais problemas observados são perda óssea e comprometimento da saúde cardiovascular. A falta de reposição hormonal em casos de menopausa precoce pode levar a um aumento de placas nas artérias, aumentando o risco de doenças cardiovasculares como derrames e infartos. Além disso, há uma alta na chance de desenvolver osteopenia e osteoporose, condições associadas a fraturas graves e perda na qualidade de vida, se não tratadas. "Essas mulheres vão conviver por muito mais tempo com uma quantidade mais baixa de hormônio e por isso podem desenvolver problemas de saúde ainda mais cedo", comenta a ginecologista.

Palavras-chave: tecnologia

Orçamento de 2026: governo busca de novo alta de impostos para equilibrar as contas públicas; setor produtivo resiste

Publicado em: 23/08/2025 04:00

Apresentada inicialmente para compensar a alta do IOF, que havia sido derrubada pelo Congresso mas foi retomada após decisão judicial, a medida provisória que eleva uma série de impostos agora faz parte da estratégia do governo para equilibrar as contas públicas em 2026, ano eleitoral, e tentar evitar uma restrição maior de gastos. A proposta, que contempla o aumento da tributação sobre empresas (juros sobre capital próprio), "fintechs", apostas online, criptoativos, cooperativas e títulos incentivados — como LCI e LCA — enfrenta, porém, forte resistência do setor produtivo. Publicada em junho, a MP 1.303 está em vigor, mas tem de ser votada pelo Congresso Nacional até o início de outubro para não perder a validade. Nas contas do governo, as propostas nela contidas gerarão um incremento de arrecadação de R$ 21 bilhões em 2026. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já adiantou que os recursos arrecadados com a MP estão nos cálculos da equipe econômica para tentar fechar as contas no ano orçamento do que vem — cuja proposta será encaminhada ao Legislativo em 30 de agosto. Em busca da meta fiscal A área econômica do governo tem dito, até o momento, que vai manter a meta para as suas contas — algo considerado difícil pelo mercado — em um superávit de 0,25% do PIB, cerca de R$ 31 bilhões, para o ano de 2026 (com intervalo de tolerância). Isso tende a gerar um cenário de forte restrições de gastos em um ano eleitoral. Cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, apontam que o cumprimento da meta fiscal de 2026 demandará um esforço de R$ 80 bilhões para chegar ao piso da meta fixada (déficit zero, considerando o intervalo de tolerância). Metade desse esforço, pelos cálculos, pode vir do aumento do IOF (já confirmado) e da MP que eleva impostos (ainda passível de aprovação pelo Congresso). ▶️Se a Medida Provisória for derrubada, toda, ou em partes, a equipe econômica terá de fazer ajustes no orçamento, antes de sua aprovação pelo Legislativo, para compensar a perda de recursos e tentar atingir a meta fiscal. ▶️O aumento de arrecadação para atingir as metas fiscais não é um expediente novo do governo. Em 2024, por exemplo, a equipe econômica contou com as receitas dos seguintes aumentos: tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior); mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados; aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido em 2024 (ano inteiro); retomada do voto de confiança no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf); limitação no pagamento de precatórios (decisões judiciais). Lula edita MP que aumenta impostos, mesmo com críticas Outras ações para equilibrar o orçamento ▶️Além de contar com os recursos da MP 1.303, a equipe econômica também espera a aprovação, pelo Senado Federal, da PEC 66, que trata de precatórios e que também abre uma folga de R$ 12,4 bilhões no orçamento de 2026 (no limite de gastos) por conta da diferença entre a inflação prevista no envio do orçamento e o resultado final do ano anterior. O governo argumenta que busca abrir esse espaço no teto de gastos para incorporar as despesas com o salário maternidade. ▶️Sem dar detalhes, o Tesouro Nacional avaliou, no fim de julho, que, além do aumento do IOF e da MP que eleva tributos, um "esforço adicional de arrecadação" pode ser necessário para atingir as metas das contas públicas nos próximos anos. Em 2024 e 2025, o governo lançou mão de receitas extraordinárias para buscar as metas fiscais como, por exemplo, dividendos de empresas estatais e leilões adicionais de petróleo. Posição do setor produtivo ▶️Confederação Nacional da Indústria (CNI) diz que, entre os principais pontos que preocupam, está o aumento do IR na fonte sobre juros sobre capital próprio (JCP), que reduzirá investimentos das empresas, e o início da tributação sobre títulos incentivados (debêntures, LCIs e LCAs), além da "falta de clareza" sobre limitações a limitação do uso de créditos tributários, algo que "traz grande insegurança e incerteza para as empresas, prejudicando seu planejamento". Por outro lado, julga que o aumento do tributo sobre as "bets" é "correto e necessário". "O correto seria ampliar o rol de medidas estruturantes de redução de despesas, buscando a contenção e racionalização do gasto público; em vez de focar no aumento da tributação, que já se encontra em patamar muito elevado. Para se ter uma ideia desse nível excessivo de tributação: a carga tributária do Brasil corresponde a 32,3% do PIB, enquanto a carga tributária média na América Latina é de 21,4%", avaliou a CNI. ▶️Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que "compreende a necessidade" de busca do equilíbrio das contas públicas para adequação ao arcabouço fiscal vigente, mas avalia que o aumento da carga tributária, com novo aumento de tributos, "não é a solução ideal, pois traz consequências ao funcionamento da economia real". "O debate em torno das alternativas deve ser aprofundado no Parlamento durante a tramitação da MP 1.303", acrescentou a Febraban, por meio de nota. ▶️Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que conta com mais de 120 empresas associadas atuantes nas áreas de energia elétrica, petróleo e gás natural, transportes, saneamento ambiental, telecomunicações e indústrias de base, diz que é contra o fim dos incentivos fiscais presentes nos rendimentos das debêntures incentivadas, debêntures de infraestrutura e das Letras de Crédito de Desenvolvimento. "As debêntures, títulos do mercado de capitais, são hoje a principal fonte de financiamento da infraestrutura. As letras de crédito de desenvolvimento (LCD) são títulos importantes para a captação de recursos pelos bancos de fomento para financiarem infraestrutura. Portanto, o fim dos incentivos, poderá reduzir os investimentos e eventual aumento de tarifas publicas, pedágio, contas de luz, água e esgoto, dentre outros. É um contrasenso", diz o presidente da Abdib, Venilton Tadini. ▶️Associação de Bets e Fantasy Sport (ABFS) avalia que a MP caminha na direção equivocada de aumentar ainda mais a carga tributária sobre "setores que já contribuem de forma significativa para a arrecadação nacional". "O novo aumento não só inviabiliza a operação de empresas no Brasil como também compromete a geração de empregos e a manutenção de investimentos no país (...) Uma elevação nesse patamar representa um desestímulo ao setor legalizado, favorecendo o mercado paralelo e reduzindo a competitividade do Brasil frente a outros países. A consequência é a fuga de investimentos, além de menor arrecadação no médio prazo, exatamente o contrário do que o governo busca com a medida", acrescenta a entidade. ▶️Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), que reúne quase 500 empresas e representa 88% do valor de mercado listado na B3, avaliou que o aumento nos juros sobre capital próprio (JCP) será um "desestímulo ao mercado de capitais e promoção do endividamento das empresas brasileiras, e que a limitação do uso de créditos "terá impacto no caixa das empresas brasileiras e resultará em aumento do endividamento das empresas e insegurança jurídica para operar no Brasil". "Há muitas utilizações de crédito dentro do mesmo grupo empresarial. Aliás, algumas empresas foram criadas justamente porque havia uma falha no mecanismo de compensação de devolução desses créditos ao consumidor. Então, o fato que um desajuste do tributário atual levou a um sentido econômico, e as empresas acabaram criando empresas subsidiárias ou em áreas correlatas, para justamente dar fim ou dar encaminhamento a esses créditos tributários. Este é um problema muito grande, essa proibição é muito grande", disse Pablo Cesário, presidente-executivo da Abrasca. ▶️Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), que tem cerca de 700 empresas associadas. Diego Perez, presidente da entidade, avaliou que as "fintechs", mesmo que de grande porte, se diferenciam de instituições financeiras por não poder fazer a chamada "intermediação financeira", ou seja, não captarem recursos usando o dinheiro dos clientes. E também não podem compensar perdas com créditos tributários. Por isso, em sua visão, mesmo com um tributação menor, atualmente, as "fintechs" já são tributadas com uma "alíquota efetiva" maior do que a dos grandes bancos. "Operação das 'fintechs' já é de margem [de lucro] apertada. As empresas oferecem, por exemplo, contas gratuitas para competir com grandes bancos, entregando um produto mais barato. Quando majora [a alíquota], acaba tirando ela do jogo. Vai ter desaceleração muito grande [da atividade], fintechs que vão ter de fechar as portas e deixar de existir e seus empreendedores voltarem para grandes bancos", declarou Diego Perez, da ABFintechs. ▶️Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que reúne 98 sindicatos e associações patronais do setor da construção em todo país. Entidade avalia que o aumento da tributação sobre debêntures incentivadas e LCIs, instrumentos de captação de recursos para infraestrutura e setor imobiliário, pode gerar perda de atratividade desses instrumentos, redução de recursos disponíveis para as obras e comprometer, a médio e longo prazos, projetos já em andamento, assim como inviabilizar novos. "A gente entende que a tributação das operações financeiras, ativos de crédito, dentro ce um grande contexto de um ajuste fiscal, deveria vir acompanhada de medidas de reforma de Estado, de contenção de gastos. Ela vir sozinha, ainda mais com todas as outras medidas que já foram tomadas e ainda estão sendo discutidas de aumento de arrecadação, tira dinamismo da economia, previsibilidade", disse Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC. Medidas da MP 1.303 e arrecadação esperada em 2026 ▶️ Aumento da alíquota sobre bets, de 12% para 18% sobre a receita líquida (GGR): ministro da Fazenda, Fernando Haddad, diz que setor tem um lucro bruto de R$ 40 bilhões por ano e defende mais impostos. Se confirmada, medida vai incrementar os cofres públicos com R$ 1,7 bilhão em 2026. ▶️Juros sobre capital próprio: aumento da taxação dos juros sobre capital próprio (JCP) — mecanismo utilizado pelas empresas — de 15% para 20%. Se levada adiante, ação vai aumentar as receitas em R$ 5 bilhões no próximo ano. ▶️Aumento de zero para 5% na taxação dos chamados títulos incentivados, como LCI, LCA: ministro Haddad diz que o custo da isenção é alto, de R$ 41 bilhões por ano. Governo pretende arrecadar R$ 2,6 bilhões com a medida em 2026. ▶️Governo fixa IR de 17,5% em aplicações financeiras; hoje, taxa é de 15% a 22,5% dependendo do prazo: haverá unificação, se confirmada pelo parlamento, da alíquota em 17,5%. Equipe econômica diz que a medida não tem impacto fiscal, ou seja, não aumenta a arrecadação. ▶️Tributação de criptoativos: Com a mudança promovida pelo governo, os ganhos com "criptoativos" serão tributados com uma alíquota de 17,5% a partir do próximo ano. Governo não divulgou uma estimativa de quanto a medida pode arrecadar. ▶️Taxação de "fintechs" (empresas de tecnologia em serviços financeiros) e de cooperativas: aumento será de 9% para um patamar entre 15% (cooperativas) e 20%. Haddad diz que a medida visa corrigir distorções, pois há "fintechs" de grande porte sendo beneficiadas por uma taxação menor. Governo estima arrecadar R$ 1,6 bilhão em 2026. ➡️Limitação de compensações tributárias: governo diz que a MP traz medidas para coibir "compensações abusivas" de crédito tributário. Medida tem a previsão de elevar a arreadação em R$ 10 bilhões no próximo ano. ➡️Pé de meia dentro do piso de educação: medida inclui o pé de meia, cujo objetivo é manter alunos de ensino médio na escola pública, no cálculo para o piso constitucional de investimentos na educação. A medida, que abre espaço no orçamento de R$ 12 bilhões por ano, reduz os recursos disponíveis para outros programas do Ministério da Educação no mesmo valor. Agenda de cortes de gastos ▶️Enquanto avança no aumento de impostos, a agenda de cortes de gastos estruturais caminha com morosidade. Até o momento, o governo propôs conter os supersalários de servidores e uma reforma da previdência para os militares — mas ambas enfrentam dificuldades no legislativo. Enquanto isso, economistas apontam que há diversas iniciativas que poderiam ser propostas pelo governo para frear o ritmo de crescimento dos gastos obrigatórios, incluindo: Contenção de gastos com servidores, por meio de uma reforma administrativa; Mudanças nas regras de gastos previdenciários, por meio de uma nova reforma da Previdência ou de medidas que alterem despesas previdenciárias; Reforma de gastos sociais para fundir as políticas existentes e evitar sobreposição; Mudanças nas regras do abono salarial e do seguro-desemprego. Outros, como o consultor de Orçamento da Câmara dos Deputados, Paulo Bijos, ex-secretário de Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, pedem as chamadas "desvinculações". Como, por exemplo: Desindexação de benefícios do RGPS e do BPC do salário mínimo: os benefícios previdenciários deixariam de ter aumento acima da inflação, e passariam a ser corrigidos somente pela variação dos preços do ano anterior, ou por até 0,6% ao ano. A economia potencial projetada para a medida em 10 anos (2025-2034) é de R$ 1,1 trilhão sem ganho acima da inflação, ou de R$ 890 bilhões com alta real (acima da inflação) de 0,6% ao ano. Pela regra atual, o salário mínimo, e os benefícios previdenciários, podem crescer até 2,5% ao ano acima da inflação. Revisão dos pisos da saúde, da educação e do Fundeb: os gastos com saúde e educação deixariam de ser atrelados à receita, formato atual, e passariam a ser corrigidos pela inflação, ou por 0,6% ao ano acima da inflação. O cálculo indica o "ganho" de R$ 97 bilhões a R$ 77,5 bilhões entre 2026 e 2028 – um montante de recursos que a saúde e a educação deixariam de receber neste período.

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