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Pela segunda vez, prefeitura de Aparecida retira projeto que previa cobrança da taxa de turismo

Publicado em: 17/01/2026 15:11

Projeto de taxa ambiental em Aparecida é retirado A prefeitura de Aparecida decidiu retirar da Câmara Municipal o projeto de lei que previa a cobrança de uma taxa de turismo para a entrada de veículos na cidade. O motivo da decisão não foi informada pela administração municipal. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp O projeto estava tramitando pelas comissões da câmara, mas foi retirado pelo prefeito Zé Louquinho (PL) no dia 6 de janeiro. Essa é a segunda vez que o projeto é retirado do Legislativo. Inicialmente, o projeto que previa a cobrança foi protocolado na câmara em setembro. Já em outubro, quando também estava tramitando pelas comissões, o texto foi retirado pelo prefeito Zé Louquinho (PL). À época, a prefeitura também não explicou o motivo da retirada. Santuário e cidade de Aparecida. Reprodução/TV Vanguarda O projeto foi protocolado novamente em novembro e previa uma cobrança diária dos motoristas, já na entrada do veículo na cidade. O valor é calculado com base na unidade fiscal do município, a UFM. O g1 questionou o motivo da nova retirada, mas a administração municipal se limitou a dizer que se trata de uma decisão do prefeito. Prefeito apresenta novo projeto de taxa de turismo de Aparecida Não há previsão do projeto ser protocolado novamente. Dessa forma, ainda não é cobrada nenhuma taxa para entrar na cidade. O projeto O texto previa uma cobrança para a entrada na cidade e o valor variava conforme o tipo de veículo. R$ 10,02 para carros; R$ 5,01 para motos; R$ 20,03 para vans ou kombis; R$ 40,06 para micro-ônibus; e R$ 70,11 para ônibus. No projeto, estavam previstas isenções de cobrança para veículos licenciados em Aparecida, Guaratinguetá, Potim, Roseira, Lorena, Canas, Cachoeira Paulista, Cunha e Piquete. Pela proposta, também eram isentos da taxa trabalhadores e prestadores de serviço que moram em outros locais, veículos de órgãos públicos e de concessionárias de serviços públicos. No documento, o prefeito argumentou que a Taxa de Turismo Sustentável tem "a finalidade de proteger, preservar e conservar o meio ambiente e o turismo sustentável, em razão do ingresso e da circulação de veículos automotores que utilizem a infraestrutura pública municipal, visando à mitigação e compensação dos impactos socioambientais decorrentes". No projeto, o prefeito também especificava que a cobrança poderá ser feita pela própria prefeitura ou por uma empresa terceirizada, mediante licitação. Por fim, no documento ele também pedia a criação de um Fundo Municipal de Meio Ambiente para gerir os recursos e fazer a destinação correta dos valores arrecadados com a taxa. Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: câmara municipal

Instituto Federal abre vagas para cursos técnicos em 14 cidades no interior de SP; confira

Publicado em: 17/01/2026 15:03

Instituto Federal de SP abre vagas para cursos técnicos em 14 cidades da região O Instituto Federal de São Paulo (IFSP) está com vagas abertas para cursos técnicos em 14 cidades da região de Presidente Prudente, Bauru, Itapetininga, São José do Rio Preto e Sorocaba. As matrículas devem ser feitas presencialmente. As inscrições podem se estender até o dia 13 de fevereiro, dependendo da disponibilidade de vagas, destinada aos alunos que já finalizaram o ensino médio ou estão no 2º e 3º ano. A seleção é feita por ordem de chegada, segundo o IFSP de Presidente Prudente. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Ao todo, as vagas disponíveis são cursos de administração, informática, mecânica, entre outros. Confira as oportunidades remanescentes por cidade: Avaré Mecânica, concomitante/subsequente, turno noturno Bauru Informática, concomitante/subsequente, turno noturno Birigui Administração, concomitante/subsequente, turno noturno Automação Industrial, concomitante/subsequente, turno noturno Boituva Administração, concomitante/subsequente, turno noturno Automação Industrial, concomitante/subsequente, turno noturno Catanduva Fabricação Mecânica, concomitante/subsequente, turno noturno Jundiaí Comércio, concomitante/subsequente, turno noturno Presidente Epitácio Edificações, concomitante/subsequente, turno noturno Sistemas de Energia Renovável, concomitante/subsequente, turno noturno Presidente Prudente Agroindústria, concomitante/subsequente, turno noturno Salto Administração, concomitante/subsequente, EaD Informática para Internet, concomitante/subsequente, turno noturno São José do Rio Preto Automação Industrial, concomitante/subsequente, turno noturno Informática, concomitante/subsequente, turno noturno São Roque Administração, concomitante/subsequente, turno vespertino Sorocaba Administração, concomitante/subsequente, turno noturno Mecatrônica, concomitante/subsequente, turno noturno Tupã Eletrotécnica, concomitante/subsequente, turno noturno Votuporanga Mecânica, concomitante/subsequente, turno noturno O IFSP identificou as vagas remanescentes apenas em cursos das modalidades para quem está no 2º e 3º ano do ensino médio (concomitante) e para quem terminou o ensino médio e pretende fazer a formação técnica (subsequente), no qual, a procura foi inferior a um candidato por vaga. Nessas situações, os campi estão autorizados a abrir editais para preenchimento imediato das vagas. Nos demais cursos, que registraram maior demanda, a abertura será restrita ao cadastro reserva. A convocação de novos candidatos dependerá do encerramento do processo seletivo regular e da existência de vagas não ocupadas. Documentação necessária (originais e cópias): Comprovação Escolar; Certificado de conclusão e histórico escolar do Ensino Fundamental e atestado de matrícula no 2º ou 3º ano do Ensino Médio; Documento de identidade oficial com foto e número de CPF (ex: RG, CNH); Cédula de Identidade para estrangeiros (RNE/CRNM), se for o caso; Certidão de alistamento, carteira de reservista ou certificado de dispensa (obrigatório para homens entre 18 e 45 anos). Comprovante de endereço atualizado; Uma foto 3X4 recente; Certidão de quitação eleitoral ou declaração assinada pelo candidato (obrigatório para maiores de 18 anos); Menores de 18 anos: O responsável legal deve preencher e assinar o formulário de autorização e apresentar seu próprio documento com foto (RG/CNH). Em Presidente Prudente, candidatos interessados que queiram obter mais informações podem ir até o campus, na Rua José Angelo dos Santos, 211, Parque Imperial, de segunda a quinta-feira, das 15h às 19h, ou de sexta-feira, das 10h às 15h. Para as demais cidades, é possível confirmar os endereços das instituições no site do Instituto Federal de São Paulo. Campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP), em Presidente Prudente (SP) Redes sociais Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

Morre Alan Sanches, deputado estadual da Bahia, aos 58 anos

Publicado em: 17/01/2026 12:52

Morre deputado estadual Alan Sanches, aos 58 anos. Assembleia Legislativa da Bahia Morreu, neste sábado (17), o deputado estadual da Bahia, Alan Eduardo Sanches dos Santos (União Brasil), aos 58 anos. O parlamentar estava em casa, em Salvador, e sofreu uma parada cardíaca. O político foi eleito deputado estadual quatro vezes, chegou a ser líder da oposição, e recebeu o Troféu Destaque Parlamentar. Antes de ocupar uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), foi vereador de Salvador e chegou a ser presidente da Câmara Municipal da cidade. Alan Sanches era formado em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública - EBMSP, especialista em Ortopedia. Ele é pai do vereador de Salvador Duda Sanches. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento do político. *Essa reportagem está em atualização. Veja os vídeos que estão em alta no g1 LEIA TAMBÉM Morre o ex-deputado estadual e vice-presidente da Associação Comercial da Bahia, Marcos Galrão Cidreira Wanda Chase, jornalista e apresentadora, morre ao passar por cirurgia em Salvador Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: câmara municipal

Interrupções no fornecimento de água da Copasa crescem mais de 70% em 2025 em MG

Publicado em: 17/01/2026 12:26

Problemas no abastecimento de água se agravam em MG, apontam dados As interrupções no fornecimento de água pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) dispararam em 2025. De janeiro a outubro, foram 5.571 paralisações com duração superior a 12 horas em Minas Gerais, uma média de 557 por mês. O número representa um aumento de 71,9% em relação ao mesmo período de 2024. Os dados foram obtidos via da Lei de Acesso à Informação. O tipo de interrupção também mudou. Em 2021, 59% das ocorrências foram causadas por manutenções planejadas. Em 2025, 97% tiveram relação com problemas emergenciais. A doméstica Daiane de Fátima, moradora do bairro São Pedro, em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, disse que a falta de água se tornou parte da rotina. Houve períodos em que a casa dela ficou até dez dias consecutivos sem abastecimento. “De julho pra cá piorou muito. A gente fica sem água direto, sem saber quando vai voltar. A conta já passou de R$ 350, e a água não vem”, reclamou Daiane. Interrupções devem ser registradas Conforme a regulamentação da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário (Arsae), toda interrupção superior a 12 horas deve ser registrada e divulgada. Quando a paralisação é programada, a comunicação aos consumidores precisa ser feita com pelo menos três dias de antecedência. Nos casos emergenciais, o aviso deve ser imediato. A agência informou que monitora semanalmente os dados, cruza as informações com reclamações dos consumidores e envia equipes de fiscalização em situações de faltas prolongadas ou recorrentes. Caso as regras não sejam cumpridas, podem ser aplicadas penalidades, inclusive por falhas de comunicação, demora no reabastecimento e ausência de caminhões-pipa para serviços essenciais. Consumidor pode ter direito a ressarcimento Segundo o advogado especialista em direito do consumidor Felipe Moreira, consumidores têm direito a ressarcimento em casos de interrupções longas ou repetidas. “O consumidor paga por um serviço contínuo. Quando isso não acontece, ele pode buscar compensação”, explicou Felipe Moreira. Ainda de acordo com o especialista, prejuízos comprovados podem gerar pedidos de indenização por danos materiais. O que diz a Copasa A Copasa afirmou que acompanha de forma permanente as interrupções no abastecimento e que vem aprimorando a operação para aumentar a eficiência do sistema e reduzir os impactos aos clientes. A companhia informou ainda que implantou tecnologias para detecção de vazamentos não visíveis e que realizou a renovação de hidrômetros e medidores. Sobre a situação do bairro São Pedro, em Esmeraldas, a Copasa disse que o motivo do desabastecimento é o aumento de consumo durante os dias mais quentes. Barragem da Copasa no dia 16/01/2025 Copasa Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais

Palavras-chave: tecnologia

Concurso do Ministério Público do Amapá reúne mais de 24 mil candidatos neste domingo (18)

Publicado em: 17/01/2026 11:45

Concurso do MP-AP: vagas são para técnico e analista ministerial As provas do concurso do Ministério Público do Amapá (MP-AP) serão aplicadas neste domingo (18) em Macapá e Santana. Mais de 24 mil candidatos se inscreveram, segundo a Fundação Carlos Chagas (FCC), responsável pela organização. O edital prevê vagas de nível médio e superior, com salários acima de R$ 7 mil. A seleção terá validade de dois anos e pode ser prorrogada pelo mesmo período. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp De acordo com a FCC, 19.901 candidatos farão a prova em Macapá e 4.385 em Santana. Do total de inscritos, 6.321 se autodeclararam negros e 646 disputam vagas reservadas a pessoas com deficiência (PCDs), conforme a lei de cotas. Leia também: Mais de 10 mil professores terão direito aos benefícios da Carteira Nacional Docente no Amapá Prefeitura abre credenciamento para empreendedores interessados em atuar no aniversário de Macapá Distribuição por cargo O cargo de Técnico Ministerial – Apoio Administrativo concentra a maior parte dos inscritos: 20.376. Veja os demais: Técnico Ministerial – Técnico em Informática: 688 Analista Ministerial – Psicologia: 505 Analista Ministerial – Serviço Social: 475 Analista Ministerial – Administração: 773 Analista Ministerial – Arquitetura: 309 Analista Ministerial – Ciências Contábeis: 313 Analista Ministerial – Engenharia Civil: 264 Analista Ministerial – Tecnologia da Informação: 583 As provas terão horários diferentes. Para Técnico Ministerial, a aplicação será pela manhã: entrada às 8h e portões fechados às 8h30. Já para Analista Ministerial, o exame será à tarde, com acesso até 14h30. Os locais de prova foram informados pela FCC por e-mail. Os candidatos serão avaliados em questões de conhecimentos gerais, específicos e redação. Cada cargo exige requisitos como formação acadêmica e, em alguns casos, registro profissional. Concurso do MP-AP será realizado neste domingo (18) Ascom/MP-AP Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá:

Palavras-chave: tecnologia

Coletor de lixo que percorre mais de 40 km por dia no trabalho vira destaque em provas de corrida de rua: 'Resistência'

Publicado em: 17/01/2026 08:00

Corredor de Rio Preto vira exemplo de superação no esporte Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP) e encontrou na corrida de rua uma forma de mudar de vida. Em pouco mais de um ano no esporte, já venceu provas com milhares de participantes e se tornou inspiração pela dedicação e superação. Há sete anos, ele enfrenta uma rotina puxada: corre, recolhe o lixo, joga no caminhão e recomeça. De segunda a sábado, percorre mais de 40 quilômetros por dia no trabalho. 📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp "É resistência. Todo dia nessa correria. Faço dois treinos: um aqui e outro em Rio Preto. De um lado são 42 km, do outro 52 km. É como correr uma maratona por dia", conta. Atleta em Rio Preto (SP), Jeovany Pyettro, de 29 anos, trabalha como coletor de lixo em Nova Granada (SP) Reprodução/TV TEM O motorista do caminhão, Rodrigo Oliveira, admite que não teria fôlego para acompanhar o colega. "Melhor ficar na boleia. Hoje não dá mais, a idade pesa. Quem sabe se eu fosse mais novo, mas agora não tem como", disse. LEIA TAMBÉM: Estudante do interior de SP é tricampeão em maratona de tecnologia Caio é o primeiro bebê de 2026 a nascer no HCM de Rio Preto Casal apaixonado por automobilismo coloca bastão de fumaça colorida em carro para chá revelação do 1º filho Jeovany começou a competir há pouco mais de um ano. Aos 29 anos, já corre 5 km em 15 minutos, superando atletas experientes e vencendo provas com mais de 2 mil inscritos. "Começou em Granada. Um amigo me via correndo atrás do caminhão e sempre me chamava para participar das provas. Um dia aceitei, ele fez a inscrição e terminei em 16min40s. Gostei e continuei. Depois conheci a equipe APA, em Rio Preto, e o Xavier, que me levou para o grupo. Desde então, sigo competindo", contou. Potencial Jeovany Pyettro, de 29 anos, é corredor em Rio Preto (SP) Reprodução/TV TEM O responsável por preparar Jeovany para as corridas é o treinador Peter Camargo, que também mantém um projeto social. Ele passou a acompanhar o atleta logo após a decisão de competir. "Conheci o Jeovany em novembro do ano passado, em uma corrida em Bálsamo. Ele pediu uma chance para treinar com o grupo de elite e aceitei. Em menos de um ano, já se destacava não só na região, mas também em provas nacionais. Hoje sonha em chegar à seleção brasileira", disse Peter. Com resultados expressivos em pouco tempo, Jeovany já sonha com voos maiores. "Se Deus quiser, vou correr junto aos profissionais. Depende de mim e da vontade de Deus", afirma. O treinador acredita que o futuro do atleta é promissor. "Em 19 anos no atletismo, vi que atletas que alcançam 15 minutos nos 5 km em apenas um ano chegam à seleção brasileira. Jeovany tem uma grande chance de conquistar esse espaço", avaliou. Jeovany Pyettro e o treinador, Peter Camargo Reprodução/TV TEM Veja mais notícias da região no g1 Rio Preto e Araçatuba VÍDEOS: confira as reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

Musk busca indenização de até US$ 134 bilhões da OpenAI e da Microsoft

Publicado em: 17/01/2026 07:46

O bilionário Elon Musk apresentou um documento judicial na última sexta-feira (17) no qual tenta uma indenização de até US$ 134 bilhões (R$ 720,9 bilhões) da OpenAI e da Microsoft. Segundo o empresário, as companhias teriam recebido "ganhos indevidos" de seu apoio inicial à startup de inteligência artificial. A OpenAI lucrou entre US$ 65,5 bilhões (R$ 352,4 bilhões) e US$ 109,4 bilhões (R$ 588,6 bilhões) com as contribuições do bilionário empreendedor quando ele cofundou a empresa a partir de 2015, enquanto a Microsoft lucrou entre US$ 13,3 bilhões (R$ 71,6 bilhões) e US$ 25,1 bilhões (R$ 135 bilhões), afirmou Musk no documento. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça A OpenAI, a Microsoft e os advogados de Musk não responderam imediatamente aos pedidos de comentários feitos pela Reuters fora do horário comercial. Em um processo separado, as duas empresas contestaram as alegações de danos feitas pelo bilionário. A OpenAI classificou o processo como "infundado" e parte de uma campanha de "assédio" por parte de Musk. Um advogado da Microsoft afirmou que não há provas de que a empresa tenha "auxiliado e instigado" a OpenAI. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Musk, que deixou a OpenAI em 2018 e agora dirige a xAI com seu chatbot concorrente Grok, alega que a OpenAI, operadora do ChatGPT, violou sua missão fundadora em uma reestruturação de alto perfil para se tornar uma entidade com fins lucrativos. Um juiz em Oakland, na Califórnia, decidiu este mês que um júri ouvirá o julgamento, previsto para começar em abril. O documento apresentado por Musk afirma que ele contribuiu com cerca de US$ 38 milhões (R$ 204,4 milhões) — o que corresponde a 60% do financiamento inicial da OpenAI —, ajudou a recrutar funcionários, conectou os fundadores com contatos importantes e deu credibilidade ao projeto quando este foi criado. "Assim como um investidor inicial em uma startup pode obter ganhos muitas ordens de magnitude maiores do que seu investimento inicial, os ganhos ilícitos que a OpenAI e a Microsoft obtiveram – e que o Sr. Musk agora tem o direito de restituir – são muito maiores do que as contribuições iniciais do Sr. Musk", argumenta o empresário. O documento afirma que as contribuições de Musk para a OpenAI e a Microsoft foram calculadas por sua testemunha especialista, o economista financeiro C. Paul Wazzan. Musk poderá solicitar indenizações punitivas e outras penalidades, incluindo uma possível liminar, caso o júri considere qualquer uma das empresas culpada, segundo o documento, sem especificar qual forma essa liminar poderia assumir. Em sua própria petição, a OpenAI e a Microsoft pediram ao juiz que limitasse o que o especialista de Musk poderia apresentar aos jurados, argumentando que sua análise deveria ser excluída por ser "inventada", "inverificável" e "sem precedentes", além de buscar uma transferência "implausível" de bilhões de uma organização sem fins lucrativos para um ex-doador que se tornou concorrente. As empresas também contestaram os valores dos danos apresentados por Musk de forma mais ampla, alegando que a abordagem do especialista não é confiável e poderia induzir o júri ao erro. Elon Musk em imagem de maio de 2025 AP Foto/Evan Vucci

Palavras-chave: inteligência artificial

'Conheci a sensação de paz pela primeira vez': o debate sobre a prescrição de cogumelos alucinógenos no 'SUS britânico'

Publicado em: 17/01/2026 07:22

Estudos científicos vêm mostrando nos últimos anos o potencial de tratamento de diversos transtornos de saúde mental com drogas psicodélicas Getty Images/BBC Larissa Hope acredita que a psilocibina — o ingrediente ativo presente nos cogumelos mágicos — a tenha ajudado a enfrentar uma difícil condição de saúde mental. Quando começou sua carreira de atriz, aos 17 anos, ela foi escalada para a série de TV Skins: Juventude à Flor da Pele (2007-2013). Mas a fama recém-descoberta trouxe à tona um trauma até então enterrado. Os antidepressivos não fizeram efeito para ela, mas uma pequena dose de psilocibina, administrada sob supervisão clínica, trouxe uma reviravolta. "Quando experimentei, desatei a chorar", relembra ela. "Tive pela primeira vez na vida uma sensação de pertencimento e segurança no meu corpo e fiquei repetindo 'estou em casa, estou em casa'." Agora, quase 20 anos depois, Hope defende que foi a substância que, ao lado da terapia, a ajudou a enfrentar seus pensamentos suicidas. Nem todas as pessoas sentem o mesmo efeito. O pesquisador universitário Jules Evans teve uma experiência muito diferente quando experimentou LSD pela primeira vez, com fins recreativos, quando tinha 18 anos. Sua viagem o levou para o que ele descreve como estado "ilusório". "Eu achava que todos estavam falando de mim, me criticando, me julgando", ele conta. "Pensei que tivesse sofrido uma avaria permanente, perdido o juízo de vez. Foi a experiência mais apavorante da minha vida." Atualmente, Evans é diretor do Projeto de Experiências Psicodélicas Desafiadoras, que ajuda as pessoas que enfrentam dificuldades depois de tomar psicodélicos. Ele conta que se sentia socialmente ansioso e sofreu ataques de pânico anos depois da sua experiência. Ele foi diagnosticado com transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Mas estas duas experiências totalmente diferentes são centrais para um dilema enfrentado atualmente pelos médicos, políticos e pelos órgãos reguladores. Afinal, os médicos devem ou não ser autorizados a prescrever tratamentos que envolvam o uso de cogumelos mágicos e outras drogas psicodélicas potencialmente úteis? Os cogumelos mágicos e a depressão Esta questão veio à tona em meio a uma série de novos estudos que indicam que as drogas psicodélicas podem ajudar a tratar a depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, TEPT, trauma e dependência, por exemplo, de álcool e jogos. Atualmente, a medicina psicodélica é ilegal, exceto para pesquisas ou testes clínicos autorizados. Mas, desde 2022, mais de 20 estudos analisaram diferentes medicações psicodélicas para o tratamento de condições como depressão, TEPT e dependência. Os resultados de muitos desses estudos indicam que os tratamentos podem ajudar, enquanto vários outros tiveram resultados mistos ou incertos. Poucos estudos, até o momento, deixaram de encontrar claramente benefícios nas suas principais avaliações. O professor Oliver Howes, presidente do Comitê de Psicofarmacologia do Colégio Real de Psiquiatras do Reino Unido, considera os psicodélicos como um possível e promissor tratamento de transtornos psiquiátricos, incluindo para pacientes do serviço britânico de saúde pública, o NHS Getty Images A empresa britânica de biotecnologia Compass Pathways deve publicar ainda este ano os resultados de um dos maiores testes clínicos já realizados sobre o uso de psilocibina. O órgão regulador dos medicamentos do Reino Unido aguarda estes dados para analisar se deve reduzir as fortes restrições atuais e permitir o uso da medicina psicodélica fora do campo dos testes e pesquisas. O professor Oliver Howes, presidente do Comitê de Psicofarmacologia do Colégio Real de Psiquiatras do Reino Unido, está otimista. Ele considera os psicodélicos um possível e promissor tratamento para transtornos psiquiátricos, incluindo para pacientes do NHS, o sistema britânico de saúde pública. "Um dos principais alertas é que se trata de algo de que precisamos desesperadamente — mais e melhores tratamentos para transtornos de saúde mental", explica Howes. "Estes tratamentos são muito interessantes, pois demonstraram ser promissores nos estudos em pequena escala e têm potencial de funcionar com mais rapidez." Mas ele também é cauteloso e enfatiza a necessidade de observar os resultados dos testes. Para Howes, "é muito importante conseguir evidências e não supervalorizar os potenciais benefícios". O professor não é o único a aconselhar cautela. Um relatório do Colégio Real de Psiquiatras, publicado em setembro de 2025, alertou sobre os possíveis riscos dos psicodélicos e os médicos também destacam que tomar drogas psicodélicas não é apenas contra a lei, mas também pode ser prejudicial. Ação mais rápida e menos efeitos colaterais? O uso de drogas é tão antigo quanto a própria civilização humana. Cogumelos mágicos, ópio e cannabis são consumidos há muito tempo para fins recreativos e em rituais. Nos anos 1960 e 1970, o LSD foi adotado pelo movimento da contracultura. Na época, o psicólogo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e guru da contracultura, Timothy Leary (1920-1996), incentivava os jovens a "se ligar, se sintonizar e cair fora". Em outras palavras, se ligar e despertar seu potencial interno; se sintonizar no estado da sociedade à sua volta; e cair fora, abandonando as normas sociais da época. Mas essas drogas logo foram associadas a distúrbios sociais e ao declínio moral. Nos anos 1960, o psicólogo americano Timothy Leary (1920-1996) incentivava as pessoas a 'se ligar, se sintonizar e cair fora' Getty Images Quando as drogas psicodélicas foram proibidas, no final dos anos 1960 e início da década de 1970, foram também aplicadas restrições mais fortes às pesquisas científicas sobre o assunto. Mas uma série de desenvolvimentos científicos inovadores nos anos 2010, pelo professor David Nutt e sua equipe do Imperial College de Londres, deu início a um processo que pode muito bem alterar este panorama. Em testes clínicos subsequentes com pacientes com depressão, a psilocibina se mostrou, pelo menos, tão eficaz quanto os antidepressivos convencionais, com menos efeitos colaterais. E ainda houve uma outra grande vantagem, segundo Nutt: a rapidez de ação. "Achamos que, em vez de esperar oito semanas para que os antidepressivos desliguem a parte do cérebro associada à depressão, talvez a psilocibina possa fazer o desligamento em questão de poucos minutos", explica o professor. Esta visão é cientificamente promissora, mas não é universalmente aceita. Uma série de novos estudos indica que as drogas psicodélicas podem tratar a depressão, transtorno obsessivo-compulsivo e TEPT Getty Images Nutt é um cientista respeitado. Mas suas avaliações despertaram controvérsias. Em 2009, ele foi demitido do cargo de presidente do órgão consultor de drogas do governo britânico, o Comitê Consultor sobre Abuso de Drogas, pelo então secretário de Assuntos Domésticos trabalhista Alan Johnson. A demissão se seguiu a certos comentários públicos, como defender que "não havia muita diferença" entre os danos causados por montar cavalos e o ecstasy. As declarações foram consideradas incompatíveis com seu cargo como consultor do governo. Nos últimos anos, os estudos do professor Nutt despertaram muitas outras investigações em todo o mundo, sobre os possíveis benefícios terapêuticos de outras drogas psicodélicas. O serviço público de saúde deveria oferecer psicodélicos? No University College de Londres, o neurocientista Ravi Das vem tentando compreender por que alguns hábitos se consolidam criando dependência, enquanto outros desaparecem. Ele acredita que os psicodélicos podem ajudar a encontrar a resposta. O estudo liderado por ele recruta dependentes de álcool para verificar se dimetiltriptamina (DMT), um psicodélico de curta duração também usado como droga recreativa, pode ser usado para tratar os sistemas de memória e aprendizado do cérebro. Seu estudo acumula evidências que sugerem que a psilocibina pode interromper os comportamentos relacionados à dependência. "Sempre que alguém bebe, meio que como o cão de Pavlov, você aprende a associar coisas no ambiente ao efeito recompensador do álcool", afirma ele. "Nós nos concentramos em descobrir se certas drogas, como os psicodélicos, podem romper essas associações." Este é um estudo em estágio muito inicial, mas se os resultados forem positivos, ao lado de testes futuros, o objetivo é oferecer os psicodélicos como tratamento no NHS britânico, mediante aprovação do órgão regulador do país. "Se ficar comprovado que as terapias psicodélicas são seguras e mais eficazes que os tratamentos atuais, eu esperaria que elas fossem oferecidas por meio do NHS, não apenas para os poucos privilegiados que podem pagar por eles na medicina particular", explica ele. A cetamina foi objeto de um estudo anterior de Ravi Das. Ela é enquadrada em outra categoria legal e pode ser usada como parte de tratamentos médicos no Reino Unido. Já outros psicodélicos, como DMT, LSD, psilocibina e MDMA, atualmente não têm uso medicinal legítimo. Por isso, só podem ser usados para pesquisas — e, mesmo assim, com licenças médicas muito rigorosas e dificilmente obtidas. Das acredita que resultados positivos dos estudos possam alterar as opiniões, à medida que crescem as evidências científicas a respeito. Ravi Das examina se o psicodélico de curta duração dimetiltriptamina (DMT) pode ser usado para tratar os sistemas de memória e aprendizado do cérebro de dependentes do álcool Getty Images "Espero que, se houver evidências suficientes, o governo fique aberto à revisão da classificação dessas drogas", afirma ele. Mas uma análise publicada pelo British Medical Journal em novembro de 2024, pelo estudante de PhD Cédric Lemarchand e seus colegas, questionou a facilidade da determinação do efeito preciso das drogas psicodélicas. "Como os alucinógenos são frequentemente combinados com um componente psicoterápico, fica difícil separar os efeitos da droga do contexto terapêutico, o que complica avaliações abrangentes e a elaboração dos rótulos dos produtos." O estudo também sugeriu que testes de curto prazo podem não detectar o potencial de danos e efeitos prejudiciais sérios do uso de alucinógenos a longo prazo, e o potencial de abuso ou mau uso também deve ser considerado. 'Falha moral' Mesmo com os benefícios terapêuticos dos medicamentos psicodélicos sugeridos pelas pesquisas, os médicos permanecem cautelosos. Howes acredita que os tratamentos com psicodélicos não devem ser prática médica de rotina no Reino Unido fora dos ambientes de pesquisa, enquanto estudos maiores e mais rigorosos não fornecerem evidências mais robustas da sua segurança e eficácia. A exceção seria a cetamina, que já foi avaliada pelo órgão regulador. "No ambiente de um teste clínico, os psicodélicos são avaliados com muito cuidado", explica o professor. "Se as pessoas tomarem essas substâncias de forma independente ou em uma clínica irregular, não há garantias e as questões de segurança passam a ser uma preocupação importante." Seus alertas são apoiados pelos números de diversos estudos, reunidos pelo Projeto de Experiências Psicodélicas Desafiadoras. Eles indicam que 52% dos participantes que usam drogas psicodélicas regularmente afirmam terem passado por uma viagem psicodélica intensa e desafiadora, considerada por 39% deles como "uma das cinco experiências mais difíceis" das suas vidas. Além disso, 6,7% declaram terem pensado em se ferir, a si próprios ou a outras pessoas, após uma experiência desafiadora e 8,9% relataram terem ficado "debilitados" por mais de um dia, após uma viagem difícil. Algumas pessoas necessitaram de assistência médica ou psiquiátrica e continuaram se sentindo pior por semanas, meses ou, em alguns casos, anos após a sua experiência, segundo Evans. "Idealmente, eu adoraria que os médicos e órgãos reguladores soubessem mais sobre esses efeitos adversos e como as pessoas podem se recuperar deles, antes de afirmar que alguma dessas terapias é segura", defende ele. Sessão da empresa britânica Compass Pathways mostra uma paciente recebendo terapia psicodélica orientada Compass Pathways Mas David Nutt, Oliver Howes e Ravi Das acreditam que o progresso rumo ao tratamento médico é mais lento devido à dificuldade de obter permissão para conduzir testes clínicos supervisionados por médicos. "Existem muitas pessoas sofrendo desnecessariamente", declarou Nutt. "E algumas delas estão morrendo devido a barreiras injustificadas às pesquisas e tratamento que encontramos no Reino Unido. Na minha opinião, esta é uma falha moral." "Quando se comprovar que esses medicamentos são seguros e eficazes, acho fundamental que eles sejam disponibilizados pelo NHS para todos os que deles necessitem, sem limitá-los ao setor privado, como aconteceu com a cannabis medicinal." O professor Howes aconselha cautela, mas é da mesma opinião. "Existem grandes barreiras para estes estudos", explica ele. "Por isso, pedimos ao governo que analise as regulamentações dessas substâncias para pesquisas, pois elas realmente geram longos atrasos e precisamos urgentemente de novos tratamentos." A análise de Lemarchand pede maior escrutínio dos testes. "Para garantir que os alucinógenos sejam avaliados rigorosamente antes de serem aprovados como tratamentos seguros e eficazes, as publicações médicas devem avaliar as evidências de forma mais crítica, considerar todas as limitações, evitar suposições e afirmações sem fundamento e corrigir os registros quando necessário." O Conselho Consultor sobre o Mau Uso de Drogas também afirma abertamente que o Anexo 1 "contém substâncias sem valor medicinal" e, por isso, deve receber os controles mais rígidos. Os ministros também relacionam diretamente o regime de licenciamento do Escritório de Assuntos Domésticos à proteção do público. Ravi Das defende que, quando ficar comprovado que as terapias psicodélicas são seguras e eficazes, elas sejam disponibilizadas pelo serviço de saúde pública do Reino Unido Getty Images O governo britânico apoia os planos de reduzir as exigências de licenciamento para alguns testes clínicos aprovados pela Agência Regulatória de Medicamentos e Produtos de Assistência Médica e pela Autoridade de Pesquisas de Saúde. E existem trabalhos em andamento para implementar isenções para certas universidades e instalações do NHS. Um grupo de trabalho multidisciplinar do governo coordena cuidadosamente os desdobramentos, aguardando os resultados de projetos piloto. Mas alguns médicos, incluindo Howes, afirmam que as mudanças estão ocorrendo de forma terrivelmente lenta. "Existem muitos sinais vermelhos atrasando o processo", segundo ele. Os apoiadores dos medicamentos psicodélicos esperam que os chamados estudos de três fases da empresa Compass Pathways tragam maior flexibilização, pelo menos em relação às pesquisas. Paralelamente, Larissa Hope acredita que estes testes são importantes. Ela afirma que sua experiência com a psilocibina a ajudou a entender melhor suas experiências sobre traumas e pensamentos suicidas. "Eu tinha um plano concreto para pôr fim à minha vida", ela conta. "Então, de repente, a morte não era o único caminho." "Com a psilocibina, meu sistema nervoso começou, pela primeira vez, a reconhecer a sensação de paz." Caso você seja ou conheça alguém que apresente sinais de alerta relacionados ao suicídio, ou tenha perdido uma pessoa querida para o suicídio, confira alguns locais para pedir ajuda: O Centro de Valorização da Vida (CVV), por meio do telefone 188, oferece atendimento gratuito 24h por dia; há também a opção de conversa por chat, e-mail e busca por postos de atendimento em todo o Brasil; Para jovens de 13 a 24 anos, a Unicef oferece também o chat Pode Falar; Em casos de emergência, outra recomendação de especialistas é ligar para os Bombeiros (telefone 193) ou para a Polícia Militar (telefone 190); Outra opção é ligar para o SAMU, pelo telefone 192; Na rede pública local, é possível buscar ajuda também nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPA) 24h; Confira também o Mapa da Saúde Mental, que ajuda a encontrar atendimento em saúde mental gratuito em todo o Brasil. Para aqueles que perderam alguém para o suicídio, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio (Abrases) oferece assistência e grupos de apoio.

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Como o acordo UE-Mercosul deve afetar o bolso dos brasileiros?

Publicado em: 17/01/2026 07:01

Acordo UE-Mercosul vai beneficiar a economia brasileira A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que deve acontecer neste sábado (17), após mais de 25 anos de negociações, deve alterar o fluxo de mercadorias entre os dois blocos. Entenda o acordo. No Brasil, os efeitos tendem a alcançar tanto o consumo cotidiano quanto setores produtivos, como a indústria e o agronegócio. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Entre as mudanças mais perceptíveis, uma deve atingir diretamente o consumidor: a maior presença de produtos tradicionais da UE no mercado brasileiro. Além de uma possível redução nos preços de vinhos, azeites, queijos e lácteos, por exemplo, a expectativa é que marcas premium de chocolates e outros itens de supermercados também cheguem pela primeira vez em terras tupiniquins. 🔍 O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos. O texto também estabelece regras comuns para áreas como bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. No caso dos vinhos, a Europa concentra os maiores produtores globais da bebida, como Itália, França e Espanha — o que faz com que vinhos muito bons sejam encontrados na região por preços baixos. E com a redução gradual da taxa proposta pelo acordo, a estimativa é que o consumidor brasileiro passe a ter mais acesso a esse mercado, com preços mais competitivos. INFOGRÁFICO – Quem ganha e quem perde com o acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1 O mesmo deve acontecer com outros produtos vindos da Europa. Carros importados de lá, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, contribuindo para o barateamento desses produtos. Medicamentos e produtos farmacêuticos — inclusive de uso veterinário —, que são os principais itens importados da UE pelo Brasil, com mais de 8% do total, também devem sentir os efeitos do acordo. Vale destacar, no entanto, que a queda de preços tende a ser gradual, especialmente em itens complexos como automóveis, por conta da dependência de uma cadeia global de componentes — incluindo insumos vindos da China. Ganhos na produção interna e na exportação Os efeitos do acordo se estendem, ainda, para os insumos importados utilizados pela indústria e também abre portas para que mais produtos brasileiros cheguem à Europa. Por aqui, o acesso a tecnologias europeias mais baratas pode reduzir custos para empresas nacionais e estimular investimentos em modernização — incluindo para o campo, que deve gastar menos com máquinas, equipamentos, fertilizantes e implementos agrícolas, por exemplo. Já entre as exportações, o tratado permite a ampliação das vendas brasileiras de calçados, frutas e outros produtos agrícolas para a UE. Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões), com potencial de ampliar as exportações brasileiras em US$ 7 bilhões (R$ 37,7 bilhões) adicionais. Calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos. Em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor. No ano passado, essas vendas já vinham crescendo: as exportações do Brasil para o bloco alcançaram US$ 49,8 bilhões (R$ 267,9 bilhões). Apesar disso, a balança comercial segue mais favorável ao bloco europeu, que exportou US$ 50,3 bilhões (R$ 270,6 bilhões) para o Brasil. INFOGRÁFICO – Próximos passos do acordo entre União Europeia e Mercosul Arte/g1 Entenda o acordo 🤝 O objetivo do tratado é facilitar as trocas comerciais entre os 27 países da União Europeia e os quatro países do Mercosul — Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai —, reduzindo tarifas alfandegárias tanto sobre produtos europeus vendidos no Brasil quanto sobre produtos do Mercosul exportados para a Europa. 📊 O acordo abrange um mercado de 720 milhões de consumidores — 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul —, o equivalente a cerca de 25% do PIB global. 💰 Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul. Veja quais são os países envolvidos no Acordo UE-Mercosul. Arte/g1 Acordo UE-Mercosul é celebrado por presidente da Comissão Europeia e presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai Imagem: TV Globo

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Taos com visual renovado e mais tecnologia: veja as mudanças do novo SUV médio da Volkswagen

Publicado em: 17/01/2026 07:00 Fonte: Tudocelular

O Novo Volkswagen Taos foi oficialmente anunciado para o Brasil nesta sexta-feira (16). Nesse sentido, trata-se de um movimento estratégico de marketing da empresa que tem como objetivo reposicionar o seu SUV médio em um cenário mais competitivo. O modelo chega às lojas em breve. Design e tecnologia No quesito design, os pontos que se destacam neste automóvel incluem logo iluminado na traseira, Light strip conectando as lanternas e Faróis IQ.Light com novo visual em “X”. Além disso, o modelo está com interior mais sofisticado, incluindo novos revestimentos premium e ambient light com suporte a 10 cores.Vale destacar também o painel redesenhado e multimídia VW Play Connect com trela de 10,1 semiflutuante, ar digital dual zone carregador por indução. No mais, ele tem volante com botões físicos e conectividade ampliada com Meu VW 2.0, que tem mais de 15 funcionalidades pelo aplicativo.Clique aqui para ler mais

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Inspirado nos 'profetas da chuva', jovem é premiado com sistema de IA de previsão do tempo

Publicado em: 17/01/2026 05:02

Vencedor do Prêmio Jovem Cientista explica como funciona projeto que une IA a tradição Inspirado nas histórias que seu avô contava sobre os "profetas da chuva" - sertanejos que utilizam a observação da natureza para fazer previsões climáticas no Ceará - o estudante de 16 anos Raul Victor Magalhães Souza venceu o Prêmio Jovem Cientista de 2025 com um projeto que une tecnologia a saberes tradicionais. A plataforma criada por Raul combina as análises dos agricultores sobre a natureza com informações meteorológicas oficiais e ajuda o trabalhador a se planejar melhor diante das mudanças climáticas. O projeto ficou em 1° lugar na Categoria Estudante do Ensino Médio. O desafio da 31ª edição era criar projetos que ajudam no combate à mudança do clima. Os vencedores vão receber bolsas de estudo, notebooks e prêmios em dinheiro de R$ 12 mil a R$ 40 mil. LEIA TAMBÉM: Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima; conheça Agricultores leem sinais da natureza para definir o momento certo do plantio ➡️ Este não foi, no entanto, o único cearense a se destacar no prêmio: Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, ficou em 2° lugar na Categoria Estudante do Ensino Superior ao criar um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. O g1 conversou com os estudantes para entender como surgiram as ideias de seus projetos. Empolgados, eles falaram sobre a importância da ciência para o Ceará, relataram os desafios enfrentados durante o desenvolvimento das criações e explicaram como os jovens podem ajudar a combater a crise climática e a desinformação. Confira! História oral transformada em dados Prêmio Jovem Cientista reconhece iniciativas de combate à mudança do clima. Arquivo pessoal Raul Victor lembra com carinho as histórias contadas pelo seu avô, Luiz Maia, sobre os "profetas da chuva". No sertão cearense, esses agricultores desenvolveram uma relação tão próxima com a natureza que passaram a analisar o céu, a terra, as plantas, os animais e os astros para saber se a quadra chuvosa será boa ou não. Anualmente, eles se reúnem na cidade de Quixadá, a 160 quilômetros de Fortaleza, para compartilhar suas previsões. Os "profetas" ou "profetizas da chuva" já fazem parte da sabedoria popular cearense e ganharam no projeto científico de Raul um papel essencial de fortalecimento da cultura nordestina. "Em 2009 teve uma enchente que um profeta local conseguiu prever que haveria aqui em Iracema, onde eu moro, só que ninguém deu credibilidade a ele. (Algumas pessoas) não têm tanta confiança nesse conhecimento tradicional, que é passado de geração para geração. É um conhecimento muito marcante para a nossa região", conta Raul. A partir desse incômodo, Raul, que mora na cidade de Iracema, criou um sistema de IA chamado Inteligência Artificial dos Profetas das Chuvas, construído com tecnologia de aprendizado de máquina (machine learning). 📱Funciona assim: O sistema foi abastecido com informações fornecidas por seis profetas de cinco municípios do Vale do Jaguaribe e os dados foram organizados em categorias: 1) fenômenos atmosféricos (halo lunar, barra de nuvem no início do ano, alto brilho do Sete-Estrelo) 2) fatores botânicos (florescer do mandacaru, observação da embiratanha, florescer do juazeiro) 3) comportamento animal (borboleta preta, aranha-caranguejeira, rã, formigueiros) Depois, a IA foi treinada com registros coletados pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME) e pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). As variáveis incluíram as seguintes informações: pressão atmosférica; temperatura máxima, mínima e média; ponto de orvalho; umidade relativa do ar; velocidade e direção do vento; volume de chuva e data de observação. Como a plataforma é de certa maneira “colaborativa”, o usuário vai preencher no sistema o que ele estiver observando em campo, e isso ajuda a alimentar a ferramenta. Por exemplo: um agricultor observou um halo lunar onde ele mora. Ao abrir o sistema, ele vai marcar o que avistou e a IA vai combinar essa informação com os dados da Funceme e do Inmet. Em poucos segundos, o agricultor vê a previsão local e uma explicação simples de como o halo lunar (ou outra observação) pode influenciar o tempo e o clima naquele momento em sua região. Na foto, Raul apresenta o projeto na maior feira de ciência e tecnologia da América Latina, a Mostratec. Arquivo pessoal Raul explica que a plataforma facilita e amplia o acesso desses sertanejos a ferramentas pluviométricas e meteorológicas. “Ela basicamente fornece os dados meteorológicos automaticamente e você precisa somente selecionar o campo da observação que você vai fazer e, assim, você consegue gerar a sua previsão”. “O meu projeto surge justamente com a intenção de auxiliar os agricultores locais quanto à sua produtividade agrícola, basicamente prepará-los com antecedência para terem uma boa safra. Surge também com a intenção de monitorar o abastecimento hídrico, pois você tendo relatórios de como será aquele determinado período chuvoso, consegue se planejar e organizar melhor a distribuição hídrica naquela região”, explica o pesquisador. Raul começou a pesquisa em 2024 sob a orientação do professor Helyson Lucas. Ele vai começar agora o 3° ano do Ensino Médio na Escola de Tempo Integral Deputado Joaquim de Figueiredo Correia e sonha em ser médico. De férias, Raul estuda cerca de cinco horas por dia, vai para a academia, joga beach tennis, sai com os amigos e, claro, divide as tarefas de casa com sua mãe, Maria Lusinaria. Os planos para 2026 incluem ampliar o “Profetas da Chuva”, fazer novas pesquisas e participar de competições. Mesmo jovem, ele sabe da importância de pesquisas como a sua no combate à crise climática que afeta o mundo. No Ceará, por exemplo, ao longo de 63 anos (de 1961 a 2023), a temperatura aumentou em 1,8°C. O uso eficiente da água, o desenvolvimento de cultivos mais resistentes à seca e políticas públicas voltadas para a saúde e infraestrutura se tornam fundamentais, especialmente na região onde o estudante mora. Para Raul, a ciência é a sua grande aliada nesse sonho de ver o mundo transformado e o Nordeste fortalecido: Acredito que a ciência é um legado que nunca deve parar de crescer. Acredito que é possível transformar o nosso mundo em um mundo equilibrado e sustentável (...) Hoje, meu avô sabe bastante do meu projeto e realmente se orgulha por eu sempre ter escutado as histórias dele e conseguir repassar essas histórias, fortalecendo a nossa cultura nordestina que muitas vezes é invisibilizada. Nós podemos ir para qualquer lugar do mundo, mas nunca podemos esquecer de onde viemos". Projeto monitora consumo de água Isac Diógenes criou um sistema de monitoramento em tempo real do consumo de água com a Internet das Coisas. Arquivo pessoal Em outra cidade do Sertão Cearense, mas com a mesma preocupação sobre os recursos hídricos, o estudante Isac Diógenes Bezerra, de 22 anos, celebra o 2° lugar no Prêmio Jovem Cientista na Categoria Estudante do Ensino Superior. Ele criou um sistema com Internet das Coisas para monitorar o consumo de água na cidade de Jaguaribe, cidade que fica a cerca de 290 quilômetros de Fortaleza. Isac pensou no projeto após um crime ambiental que atingiu sua cidade em 2024, quando uma ação ilegal realizada no Rio Jaguaribe desviou o curso de água e deixou a cidade completamente desabastecida. "O meu projeto nada mais é do que um sensor hidráulico inteligente e digital. Nós temos as válvulas nas nossas casas que fazem a leitura do consumo de água, mas é preciso um técnico fazer a medição. Meu projeto se resume a transformar essa solução em um dispositivo inteligente, conectado ao Wi-Fi de casa", explica. Veja protótipo do projeto sobre consumo de água. Projeto tem baixo custo de aproximadamente R$ 100. Arquivo pessoal O jovem está quase terminando a graduação em Tecnologia em Redes de Computadores pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). O sistema que desenvolveu, chamado de “Water Flow”, foi testado até o momento em laboratório e apresenta custo aproximado de R$ 100. A ideia é ampliar a invenção, que poderá ser utilizada por todos os públicos. "A tese do meu projeto é praticamente eu digitalizar o que é totalmente mecânico. Eu já trabalhava com pesquisa em desenvolvimento de software e já tinha visto tecnologias em IoT. Então pensei em criar um sensor inteligente para resolver esse problema. Por exemplo: já que houve o desvio do rio, dava para um sensor inteligente identificar quando o nível do rio diminuísse abruptamente e, com isso, gerar alertas”, diz. 🚰 Veja abaixo como funciona o app “Water Flow”: Como funciona sistema de monitoramento de consumo de água Dentro de uma pequena caixa branca há um microcontrolador, um componente de hardware que funciona como um “mini computador”. Esse microcontrolador possui um módulo Wi-Fi integrado, que permite a conexão direta com a rede Wi-Fi da residência. O sistema recebe informações de um sensor acoplado ao equipamento, responsável por medir os dados, como o consumo de água. Após coletar os dados, o microcontrolador os transmite via Wi-Fi para um servidor online. O servidor recebe essas informações em tempo real, faz o processamento dos dados e os organiza por meio de um software web. Os dados processados são enviados para um aplicativo de celular, onde o usuário pode acompanhar as informações de forma prática. O equipamento é acoplado à instalação hidráulica da residência, geralmente próxima ao hidrômetro. A recomendação é que ele fique dentro de casa, por se tratar de um dispositivo sensível, evitando riscos de danos ou depredação. O sistema pode funcionar como uma “segunda via” ou segunda opinião sobre o consumo de água. “A intenção do meu projeto foi mais essa parte de gestão inteligente dos recursos, não propriamente as relações climáticas. Mas obviamente tem grande sinergia entre os dois pontos, pois para você conseguir mitigar muito os problemas das mudanças climáticas, você precisa ter um meio de gestão inteligente dos recursos naturais”, pontua o desenvolvedor. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Cinco anos depois da 1ª dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil: como a pandemia impulsionou a revolução do mRNA na ciência

Publicado em: 17/01/2026 05:01

Vacina para prevenir câncer de pulmão inicia estudos em humanos Em 17 de janeiro de 2021, uma enfermeira foi vacinada em São Paulo e entrou para a história como a primeira pessoa a receber uma dose de vacina contra a Covid-19 no Brasil --à época, um imunizante de tecnologia tradicional. Cinco anos depois, aquele gesto simbólico marcaria também o início de uma mudança profunda na forma como a ciência pensa, desenvolve e testa vacinas —impulsionada sobretudo pela consolidação das tecnologias de RNA mensageiro. Até então, as vacinas usadas em larga escala seguiam princípios clássicos: vírus inativados, microrganismos vivos atenuados ou fragmentos proteicos produzidos em laboratório. As vacinas de mRNA romperam essa lógica. Em vez de apresentar o “inimigo” pronto ao sistema imunológico, passaram a entregar apenas a instrução genética para que o próprio organismo produzisse, por um curto período, uma proteína semelhante à do vírus —suficiente para treinar as defesas do corpo. “É uma mudança de paradigma”, resume o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. “As vacinas tradicionais levam ao organismo o vírus inteiro, morto ou enfraquecido, ou partes dele. O RNA mensageiro leva apenas a mensagem. O corpo produz a proteína, reconhece aquilo como estranho e monta a resposta imunológica.” A enfermeira Monica Calazans, que foi a primeira pessoa vacinada no país, recebe recebe a vacina de reforço nesta quarta-feira (6). ALOISIO MAURICIO/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO Uma mensagem temporária (e segura) Uma das dúvidas que cercaram as vacinas de mRNA desde o início foi o temor de que esse material genético pudesse alterar o DNA humano. A ciência mostrou que isso não acontece. “O RNA não entra no núcleo da célula, onde fica o DNA”, explica Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Ele atua no citoplasma, como um recado temporário. A célula lê a instrução, executa a tarefa e o RNA é rapidamente destruído.” Essa característica, longe de ser um problema, é vista como uma vantagem de segurança. “O organismo trata o RNA como um bilhete de uso único”, compara o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation. “Se ele fosse estável demais, a célula ficaria presa a ordens antigas. O que fica não é o RNA, mas a memória imunológica.” A vacina vira plataforma A pandemia funcionou como um teste em escala inédita. Milhões de pessoas vacinadas, monitoramento contínuo e dados robustos permitiram responder, em tempo real, a questões de eficácia e segurança. Um estudo francês publicado em 2025 no JAMA Network Open, que acompanhou cerca de 28 milhões de pessoas por quatro anos, mostrou que indivíduos vacinados com imunizantes de RNA tiveram menor risco de morte por Covid-19 grave e nenhum aumento da mortalidade geral no longo prazo. Os dados reforçaram a segurança da tecnologia em nível populacional. Mais do que confirmar a eficácia contra a Covid-19, a experiência transformou o RNA mensageiro em algo maior: uma plataforma reutilizável. “Antes, cada vacina era quase um projeto artesanal”, diz Stefani. “Com o RNA, o processo é o mesmo; o que muda é o ‘texto da receita’. Isso encurtou drasticamente o caminho científico. O gargalo deixou de ser a biologia e passou a ser regulação, escala e distribuição.” Essa flexibilidade permitiu, por exemplo, que vacinas fossem ajustadas rapidamente diante do surgimento de variantes do coronavírus —um aprendizado que agora orienta o desenvolvimento de imunizantes para outros vírus. Gestantes e puérperas podem receber vacina bivalente Pfizer sem agendamento em Piracicaba (SP). Felipe Poleti Novas vacinas no horizonte Cinco anos depois, a plataforma de RNA já não se restringe à Covid-19. Há vacinas aprovadas ou em fases avançadas de estudo contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por quadros graves de bronquiolite em idosos, além de candidatas contra gripe, influenza sazonal e outros agentes infecciosos. “A grande vantagem é a velocidade”, explica Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações. “Em duas a quatro semanas, é possível adaptar a composição da vacina. Isso muda completamente a resposta a surtos e epidemias futuras.” Há também pesquisas em andamento para doenças que há décadas desafiam a ciência, como tuberculose, malária, dengue e chikungunya. “Não significa que todas essas vacinas chegarão ao mercado rapidamente”, pondera Kfouri. “Mas a plataforma abriu portas que antes simplesmente não existiam.” Vacina contra câncer de pele é desenvolvida na Inglaterra. TV Globo/Reprodução Vacina que trata Talvez a fronteira mais inovadora do RNA mensageiro esteja fora das doenças infecciosas. No câncer, ele vem sendo estudado como vacina terapêutica, não preventiva. “Nesse caso, não se trata de evitar que o câncer surja, mas de ensinar o sistema imunológico a reconhecer células tumorais que já estão no corpo”, explica Stefani. “É menos um escudo e mais um míssil guiado.” Essas vacinas são, em muitos casos, personalizadas. A partir do sequenciamento genético do tumor de um paciente, pesquisadores identificam mutações específicas —os chamados neoantígenos— e produzem uma vacina sob medida, com instruções para que o organismo ataque aquele alvo. Os estudos mais avançados estão em câncer de melanoma, pulmão e mama. Os resultados iniciais indicam redução do risco de recidiva e maior tempo livre da doença, embora os impactos em sobrevida global ainda estejam sendo avaliados em estudos de fase 3. Um legado que vai além da pandemia A consolidação das vacinas de RNA também deixou lições fora do laboratório. A integração entre universidades, indústria, agências regulatórias e sistemas de saúde nunca foi tão intensa. Ao mesmo tempo, a tecnologia passou a enfrentar desafios que não são científicos, mas sociais. “As vacinas de RNA talvez tenham sido as mais afetadas pela desinformação”, alerta Juarez Cunha. “Isso impacta a confiança da população e, indiretamente, o financiamento de pesquisas.” Ainda assim, cinco anos após a primeira dose aplicada no Brasil, o saldo científico é real: “A pandemia não inventou o RNA mensageiro”, diz Naime. “Mas mostrou que ele estava pronto. E, a partir dali, a ciência das vacinas nunca mais voltou ao ponto de partida.”

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Corpos enfileirados, tiros para matar e perseguição: como o Irã usou a violência para reprimir protestos

Publicado em: 17/01/2026 05:00

Irã: confira a linha do tempo dos protestos Após mais de 20 dias, os protestos no Irã dão sinais de perda de força depois do uso de violência pelo governo para conter os manifestantes. Até sexta-feira (16), ONGs de direitos humanos afirmavam que o número de mortos passa de 3 mil, além de milhares de civis detidos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Os atos começaram em 28 de dezembro, quando milhares de pessoas marcharam nas principais cidades iranianas contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. As manifestações tiveram início em meio à insatisfação popular com a situação econômica do país. O governo chegou a prometer a abertura de um canal de diálogo com representantes da sociedade para discutir as demandas da população. No entanto, enquanto afirmava que os protestos eram legítimos, o regime apostou na violência para reprimir os manifestantes. Com o acesso à internet bloqueado, a comunicação com iranianos se tornou extremamente limitada. As poucas imagens que chegaram ao exterior mostravam ruas cheias, prédios em chamas e relatos de perseguição. Vídeos que circularam nas redes sociais no início de janeiro mostravam corpos com marcas de balas, que aparentavam ser de manifestantes na região de Teerã. Dias depois, a agência alemã Deutsche Welle obteve imagens que mostravam dezenas de corpos enfileirados em frente a um necrotério da capital. Testemunhas ouvidas pela BBC afirmaram que integrantes da Guarda Revolucionária atacaram repentinamente manifestantes em parques e vielas de Fardis, a cerca de 40 quilômetros de Teerã, entre os dias 8 e 9 de janeiro. “Entraram nas vielas em veículos particulares e atiraram de dentro dos carros contra as pessoas. Eram dois ou três mortos em cada beco”, disse uma testemunha. Outras pessoas que presenciaram protestos em Teerã e Karaj disseram à BBC que forças de segurança disparavam contra civis a partir de pontes e terraços de prédios. “Se você corresse, não era perseguido, mas, se parasse e gritasse palavras de ordem, abriam fogo”, afirmou uma delas. Na sexta-feira (16), uma moradora de Teerã contou à Reuters que a filha foi morta há uma semana, depois de participar de uma manifestação perto da casa da família. “Ela tinha 15 anos. Não era terrorista, nem manifestante violenta. As forças Basij a seguiram quando ela tentava voltar para casa”, disse, em referência a um braço das forças de segurança frequentemente usado para reprimir os manifestantes. Em entrevista ao podcast O Assunto, o cientista político Demétrio Magnoli disse que onda de protestos é diferente de ciclos anteriores de mobilização no Irã. Segundo ele, as manifestações expõem um regime muito isolado, disposto a recorrer a uma violência sem precedentes para se manter no poder. “Quando essa história for contada até o fim, nós vamos estar diante de um dos maiores e mais cruéis massacres da história contemporânea. Isso revela que o regime sentiu claramente que lutava pela sua sobrevivência.” Atos e repressão Protesto no Irã UGC via AP Os protestos no Irã começaram após comerciantes iniciarem uma greve e fecharem lojas em reação à situação econômica. As manifestações ganharam força na capital, Teerã, e se espalharam para outras cidades no dia seguinte, com apoio principalmente de jovens e estudantes. A população enfrenta inflação elevada, acima de 40% ao ano. Somente em 2025, a moeda local perdeu cerca de metade do valor em relação ao dólar e atingiu a mínima histórica. O descontentamento também cresceu diante da desigualdade entre cidadãos comuns e a elite do país, além de denúncias de corrupção no governo. Além das questões econômicas, os manifestantes também passaram a exigir a queda do governo do aiatolá Ali Khamenei. “Todos querem ganhar dinheiro. Mas isso não é mais possível com esses preços. Dá vergonha dizer aos clientes quais são os novos valores”, escreveu um vendedor em uma rede social logo após o início das manifestações. Iranianos entrevistados pela Associated Press disseram que vários bancos e repartições públicas foram incendiados à medida que os protestos ganhavam força. Para conter a população, forças de segurança usaram armas de fogo, bombas de gás lacrimogêneo e cassetetes. Mehmet Önder estava em Teerã a trabalho quando os protestos começaram. Cidadão turco, disse que permaneceu escondido no hotel até o local ser fechado por razões de segurança. Depois, ficou na casa de um cliente até conseguir retornar à Turquia. “Eu entendo de armas, porque servi no Exército no sudeste da Turquia. As armas que estavam sendo disparadas não eram simples. Eram metralhadoras”, disse à AP. LEIA TAMBÉM Repressão brutal, 1ª execução e ameaças de Trump: entenda a escalada dos protestos no Irã Autoridade aérea dos EUA alerta sobre 'atividade militar' no espaço aéreo do México e da América Central Policiais de Lisboa são acusados de torturar imigrantes e pessoas em situação de rua: 'Bem-vindo a Portugal' Narrativa do governo Carros são incendiados durante protesto em Teerã, capital do Irã, no dia 8 de janeiro de 2026 West Asia News Agency/Reuters Manifestantes ouvidos pelo jornal The New York Times relataram que as manifestações ganharam força principalmente pelo sentimento de cansaço da população. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o Irã é uma república teocrática, em que a autoridade máxima é o líder supremo. Saeed, empresário do setor de tecnologia em Teerã, disse ao jornal que as pessoas têm a sensação de que o país está em queda livre. Segundo ele, a situação piorou após a guerra entre Irã e Israel, em junho de 2024. “Estou cansado e exausto dos tolos e idiotas que nos governam. Cansado de roubo, corrupção e injustiça”, afirmou. “Eu vi um jovem levar tiros na cabeça.” Outro manifestante ouvido pelo NYT disse que ou as pessoas morreriam ou sairiam das “condições terríveis” em que estão vivendo. Enquanto isso, o governo começou a adotar um tom agressivo nos meios de comunicação, fortemente controlados pelo regime. Civis que participavam dos protestos passaram a ser rotulados de “terroristas”. Em comunicado transmitido pela TV estatal, a Guarda Revolucionária do Irã acusou “terroristas” de atacar bases militares. O procurador de Teerã afirmou que “terroristas” envolvidos nos protestos poderiam ser condenados à morte. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã prometeu “não demonstrar qualquer leniência com sabotadores”. Ao mesmo tempo, o Irã passou a acusar Israel e os Estados Unidos de jogarem a população — sobretudo os mais jovens — contra o regime. O objetivo, segundo o governo, seria provocar uma intervenção militar estrangeira. Em discurso no rádio, Ahmad Khatami, membro do alto escalão do regime descreveu os manifestantes como “mordomos” do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e “soldados” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele disse ainda que os dois líderes deveriam aguardar uma “vingança dura”. Dias antes, o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, também adotou um tom de ameaça: “Diante daqueles que promovem destruição, a República Islâmica não recuará”. VÍDEOS: mais assistidos do g1

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Por que sistema de defesa antiaérea que Venezuela comprou da Rússia e China não adiantou contra os EUA

Publicado em: 17/01/2026 05:00

Diretor da CIA vai até a Venezuela e se reúne com a nova presidente do país "Nossa pátria é inexpugnável [inconquistável], ninguém poderá tocar nem um centímetro da pátria, que é sagrada". Com essas palavras pronunciadas em 2013, o então presidente Nicolás Maduro assegurava que seu governo havia instalado na Venezuela "o sistema antiaéreo mais poderoso do mundo" para que "jamais algum avião estrangeiro pudesse entrar e pisar no sagrado céu da pátria". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp No entanto, no último dia 3 de janeiro, quase 13 anos após o anúncio de Maduro, não um, mas mais de 150 aviões e helicópteros dos Estados Unidos atravessaram o espaço aéreo venezuelano e chegaram até Caracas em uma inédita operação militar que terminou com a captura do governante e de sua esposa, Cilia Flores. Os vídeos e as gravações dos acontecimentos que circularam nas redes sociais mostram pouca resistência por parte das custosas defesas antiaéreas venezuelanas, o que reforçou a tese de que houve algum tipo de colaboração interna, versão rejeitada pelas autoridades. "Aqui ninguém se entregou, aqui houve combate e houve combate por esta pátria e houve combate pelos libertadores", declarou a agora presidente Delcy Rodríguez durante um ato em homenagem às vítimas militares realizado cinco dias após os acontecimentos. O que aconteceu então? O que falhou? A BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, consultou especialistas militares para tentar responder a essas e outras perguntas. O melhor dos melhores, em tese Investimento milionário que Maduro e Chávez fizeram se mostrou insuficiente AFP "A ineficácia da defesa aérea venezuelana é um mistério, já que, ao menos em teoria, ela era formidável", diz Mark Cancian, coronel reformado da infantaria de marinha dos Estados Unidos e pesquisador do Centro de Estudos Estratégicos Internacionais, em Washington (CSIS, na sigla em inglês). Mas, antes de se aprofundar nas possíveis razões da ineficiência do sistema de defesa aérea do país sul-americano, vale explicar o que ele inclui. Desde 2009, Caracas passou a adquirir sistemas como o S-300 e o Buk-M2, de fabricação russa, no âmbito dos numerosos acordos firmados — ainda nos tempos do falecido Hugo Chávez — com o Kremlin. O S-300 é composto por lançadores móveis de foguetes, cujos projéteis, com 1.480 quilos e 7 metros de comprimento, podem atingir aviões, helicópteros ou mísseis de cruzeiro a uma distância de até 150 quilômetros, segundo dados do CSIS. Ele é considerado o rival do sistema americano Patriot. Já o Buk-M2 é um sistema semelhante, de médio alcance, capaz de destruir alvos aéreos que estejam a até 40 quilômetros de distância. Por fim, há os mísseis Pechora e Igla-S, ambos de curto alcance. Os Igla-S são portáteis, podem ser disparados por um único soldado e, por serem guiados por infravermelho, são capazes de derrubar aviões, helicópteros e drones em baixa altitude. "Qualquer força militar do mundo conhece o poder do Igla-S, e a Venezuela tem, nada mais, nada menos, que 5 mil", disse Maduro há algumas semanas. A tudo isso somam-se os radares de fabricação chinesa e os drones iranianos. "Para alguns adversários esse sistema é letal, mas para um oponente altamente sofisticado como os Estados Unidos não passa de sucata", afirmou à BBC Mundo Thomas Withington, especialista em guerra eletrônica e radares do Royal United Services Institute, em Londres (Rusi, na sigla em inglês). Essa avaliação foi compartilhada por Cancian. "Os sistemas russos parecem funcionar razoavelmente bem na Ucrânia, mas falharam contra adversários de primeiro nível, como Israel e agora os Estados Unidos", disse. O sistema de defesa aérea do Irã, assim como o da Venezuela, baseia-se em equipamentos russos e não conseguiu conter os bombardeios realizados primeiro pela aviação israelense e depois pela americana contra suas instalações nucleares, em meados de 2025. As hipóteses Forte Tiuna, a principal base militar de Caracas, foi atacada pelos Estados Unidos sem que as defesas aéreas venezuelanas reagissem AFP Até agora, as autoridades militares venezuelanas não explicaram por que suas defesas aéreas não reagiram. No entanto, os especialistas consultados consideram que houve uma combinação de fatores. "Nos últimos seis meses, os Estados Unidos começaram a formar uma frota no Caribe, e essa frota lhes deu a oportunidade de mapear as defesas aéreas da Venezuela e estudar seus pontos fortes e fracos", afirmou Withington, do Rusi. E, observando como os acontecimentos se desenrolaram, as forças americanas teriam identificado os pontos vulneráveis. "É provável que tenham ocorrido ataques cibernéticos aos computadores do sistema, ao mesmo tempo em que foram lançadas interferências que inutilizaram os radares e as comunicações", afirmou o especialista britânico. Essa avaliação foi confirmada por um major reformado do Exército venezuelano. "A tecnologia de guerra eletrônica dos Estados Unidos é muito avançada. Eles dispõem de equipamentos que anulam os radares e fazem com que seus aviões se tornem invisíveis", explicou o militar à BBC Mundo. "Ao neutralizar os radares, o restante foi muito fácil, porque eles tinham o fator surpresa", acrescentou o ex-comandante de uma unidade de tanques. Apenas alguns soldados venezuelanos foram capazes de tentar usar os Igla-S, mísseis capazes de derrubar aviões e helicópteres a uma curta distância AFP Já Cancian, do CSIS, afirmou que, além da superioridade tecnológica dos Estados Unidos, as forças venezuelanas cometeram erros graves durante a preparação para um eventual confronto com Washington. "Muitos sistemas estavam posicionados a céu aberto, sem camuflagem, o que facilitou sua destruição", afirmou. "Em retrospectiva, parece óbvio que essas unidades deveriam ter estado bem camufladas e deveriam ter utilizado iscas", acrescentou o coronel reformado da Infantaria de Marinha. Imagens divulgadas após os ataques mostraram uma bateria do Buk-M2 destruída ao lado da pista de pouso da base aérea de La Carlota, visível a partir da rodovia adjacente. "O treinamento e a preparação dos militares venezuelanos provavelmente foram poucos, como demonstra o mau posicionamento dos sistemas", acrescentou. Apesar de, nos últimos meses, as autoridades venezuelanas terem anunciado numerosos exercícios militares, o que ocorreu em 3 de janeiro mostra que eles não foram suficientes. "Não houve tempo para contra-atacar. Eles foram muito rápidos", declarou, ao jornal caraquenho Tal Cual, um militar que sobreviveu aos bombardeios. Algo semelhante disse à emissora Telesur o terceiro sargento Ricardo Salazar, que ficou ferido durante o bombardeio a La Carlota, a base aérea localizada no leste de Caracas. "Peguei meus dois Igla e coloquei o mecanismo de lançamento, mas quando os coloquei no ombro, caiu uma bomba ao meu lado e saí voando (…) e fiquei inconsciente", relatou. Mais que um Exército, uma polícia Algumas das baterias antiaéreas venezuelanas estavam posicionadas a céu aberto, o que facilitou às forças dos Estados Unidos localizá-las e destruí-las AFP Cancian também atribui os desdobramentos dos acontecimentos de 3 de janeiro às mudanças doutrinárias sofridas pelas Forças Armadas venezuelanas sob o chavismo. "Durante anos, o Exército concentrou-se mais na segurança interna do que nas ameaças externas", afirmou. Essa tese foi respaldada pelo general venezuelano Hebert García Plaza. "[Nos Estados Unidos] perceberam que a Força Armada Nacional Bolivariana estava preparada apenas para um esquema de guerra de resistência, e não para uma guerra convencional", declarou ao portal Infobae o ex-ministro dos Transportes e da Alimentação do governo Maduro. O oficial responsabilizou pelo ocorrido o atual ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, e o general Domingo Hernández Lárez . "Padrino e Hernández Lárez foram os responsáveis por levar adiante essa doutrina da suposta guerra de resistência, que na realidade era uma guerra para conter a oposição política na Venezuela e garantir a governabilidade da revolução bolivariana", acrescentou. Por sua vez, veículos de imprensa internacionais como The New York Times também afirmaram que parte dos equipamentos de defesa aérea não estava ativa no momento da operação ordenada por Trump. O motivo? As dificuldades econômicas enfrentadas pelo país nos últimos anos e também a má gestão administrativa. "A corrupção nunca ajuda, sobretudo quando se trata de defesa e segurança nacional", observou Withington. Há algumas semanas, Andrei Serbin Pont, analista internacional especializado em política externa e defesa e presidente da Coordenadora Regional de Pesquisas Econômicas e Sociais (CRIES), já havia colocado em dúvida a eficácia do sistema venezuelano. "Há uma grande discrepância entre o que a Venezuela tem na teoria e o material que de fato está operacional", disse Pont à BBC News Mundo. Golpeado, mas não derrotado Os aviões F-22 conseguiram entrar no espaço aéreo venezuelano depois que os radares do país foram neutralizados por recursos de guerra eletrônica Força Aérea Americana via Getty Images e BBC Embora os ataques e bombardeios dos Estados Unidos tenham atingido seriamente as defesas aéreas venezuelanas, o sistema não foi liquidado. "Os Estados Unidos quiseram destruir todo o sistema. Criaram um corredor para que os helicópteros pudessem entrar e retirar Maduro", afirmou Withington. A Venezuela ainda dispõe de vários lançadores de foguetes. Além disso, seu arsenal de drones parece permanecer intacto, assim como sua frota de caças Sukhoi Su-30MK2. Ainda assim, o especialista afirmou que o ocorrido obriga a liderança militar venezuelana a passar por uma revisão. "Não sabemos o que está acontecendo internamente, se cabeças rolaram, mas, para voltar a ter capacidade de combate, será necessária uma revisão", disse. Até o momento, apenas a destituição do general Javier Marcano Tábata veio a público. Ele era chefe da Casa Militar e do Regimento da Guarda de Honra Presidencial. Também circulam rumores sobre a demissão do major-general José Luis Tremont Jiménez, chefe do Comando de Defesa Aeroespacial Integrada (Codai). Não se sabe se haverá mudanças na estrutura militar após uma operação que expôs vulnerabilidades que, até pouco tempo atrás, pareciam impensáveis. VÍDEOS: mais assistidos do g1

Palavras-chave: cibernéticotecnologia

Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, recebe o primeiro 'sistema antiapagão' do país

Publicado em: 17/01/2026 04:00

Serra da Saudade inaugura sistema antiapagão com energia solar e baterias Dono de uma mercearia em Serra da Saudade, cidade menos populosa do Brasil, no Centro-Oeste de Minas Gerais, Aloísio Aparecido Alves recebeu a notícia de que os prejuízos causados pela perda de mercadorias devido a falhas no fornecimento de energia podem estar chegando ao fim. “Já perdi muito picolé, sorvete e muitos pães. E não foi uma vez, não. Foram muitas vezes. Teve um dia que ficou quase 24 horas sem energia aqui. Se a energia firmar, melhora né?!” ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Centro-Oeste de Minas no WhatsApp A esperança do comerciante é a instalação da microrrede da Cemig, em funcionamento no município desde quinta-feira (15). A cidade é a primeira do Brasil a receber o sistema antiapagão, que promete reduzir quase a zero as ocorrências de falta de energia para os 856 serrano-saudalenses, como são chamados os moradores da cidade. À base de energia captada por placas solares e armazenada em baterias, a microrrede de Serra da Saudade será utilizada como alternativa quando a energia convencional apresentar algum problema na distribuição. “A Cemig estudou esse projeto junto com a Universidade Federal de Minas Gerais. Não é um projeto-piloto, é um projeto definitivo que vai servir a população de Serra da Saudade com energia limpa e sustentável”, explicou o gerente de engenharia da companhia. A experiência em Serra da Saudade operou por 15 dias de forma experimental e, a partir de agora, servirá de referência para a expansão da tecnologia em Minas Gerais. A Cemig já mapeou pelo menos dez localidades que poderão receber sistemas capazes de operar de forma independente da rede principal. A prioridade são regiões que enfrentam maior vulnerabilidade no fornecimento e onde a construção de infraestrutura convencional se mostra inviável ou onerosa. Aloízio relata perdas de mercadoria devido a problemas no fornecimento de energias TV Integração/reprodução Como funciona a microrrede instalada em Serra da Saudade De acordo com a Cemig, foram instaladas 800 placas fotovoltaicas que transformam a luz do sol em eletricidade. O diferencial do sistema é que essa energia alimenta um banco de baterias que, segundo Henrique Parreiras Couto, engenheiro de gestão de ativos da Cemig, são utilizadas quando há falhas no fornecimento convencional, podendo manter o abastecimento de energia da cidade por até 48 horas. “No dia a dia, a rede que atende a Serra da Saudade continua sendo a rede convencional, com os cabos de distribuição, as redes e postes. Se houver qualquer problema na rede da Cemig, a gente consegue desconectar a Serra da Saudade da rede tradicional e utilizar as baterias para manter a cidade atendida enquanto a gente faz os reparos ou a manutenção necessária”, detalhou. As baterias são recarregadas pelas placas solares em cerca de 24 horas. O uso desse sistema é fundamental também para garantir um fornecimento mais consistente à população. “Apenas a usina solar não seria capaz de atender a cidade porque a geração solar é muito intermitente. A gente precisa das baterias para firmar essa rede e mantê-la estável”, completou Henrique. De acordo com a Cemig, o investimento para a instalação do sistema foi de R$ 7 milhões. Países como Estados Unidos e China já utilizam tecnologias semelhantes. No Brasil, existem outras soluções que usam baterias, mas que ainda operam integradas à rede convencional. 800 placas solares abastecem baterias para serem usadas em caso de necessidade Dirceu Aurélio/Imprensa MG LEIA TAMBÉM: Cidade menos populosa do país foi vítima de fake news envolvendo guerra na Ucrânia; entenda Na cidade menos populosa do país, jovens migram em busca de emprego Medidores inteligentes e redução de custos públicos Os moradores de Serra da Saudade também receberam novos aparelhos de medição de energia, conhecidos como “medidores inteligentes”. Eles permitem que o morador acompanhe, em tempo real, o consumo e a qualidade da energia fornecida por meio de um aplicativo no celular. Segundo Darlan Júnior Gonçalves, coordenador de engenharia de medição da Cemig, a tecnologia pretende agilizar a resolução de problemas enfrentados pela população. “Ele tem um alarme de falta de energia. Cada medidor que perceber que a rede está desenergizada envia, automaticamente, um aviso de que ali está faltando energia.” A Cemig também anunciou a instalação de placas solares na prefeitura, em um centro municipal de educação infantil e no único posto de saúde da cidade. A iniciativa gerou uma economia de 70% na conta de energia dessas três unidades. Para além do impacto financeiro da energia limpa, Guilherme Neves de Azevedo, médico do posto de saúde, afirma que o fornecimento ininterrupto de energia, garantido pela microrrede, trouxe reflexos ainda mais significativos. “Já teve vezes da gente perder várias vacinas e não atingir algumas metas de cobertura vacinal. Hoje mudou, a gente tem experienciado uma segurança maior. E acho que nunca mais depois que aconteceu a instalação”, contou. A microrrede usa baterias carregadas como alternativa para fornecimento de energia Dirceu Aurélio/Imprensa MG VÍDEOS: veja tudo sobre o Centro-Oeste de Minas

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