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IEL abre mais de 600 vagas de estágio em Salvador e outras 22 cidades da Bahia; bolsas chegam a R$ 1,8 mil

Publicado em: 12/03/2026 06:41

IEL abre mais de 600 vagas de estágio em Salvador e outras 22 cidades da Bahia Victor Hiroshi/IEL O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) abriu 642 vagas de estágio para 23 cidades da Bahia. As oportunidades abrangem níveis médio, técnico e superior, com bolsas que variam entre R$ 500 a R$ 1,8 mil. Entre as vagas disponíveis estão os das áreas de administração, agronomia, arquivologia, biomedicina, design gráfico, direito, economia, educação física, enfermagem, engenharia, farmácia, gastronomia, gestão pública, medicina veterinária, nutrição, pedagogia, psicologia, serviço social e tecnologia da informação. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Os interessados devem fazer o cadastro no site do IEL e manter cadastro sempre atualizado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 As oportunidades estão disponíveis nos municípios de: Andorinha; Barreiras; Brumado; Cruz das Almas; Eunápolis; Feira de Santana; Ilhéus; Irecê; Itabuna; Itamaraju; Jacobina; Jequié; Luís Eduardo Magalhães; Mata de São João; Nazaré; Paulo Afonso; Porto Seguro; Salvador; Santo Estevão; Senhor do Bonfim; Teixeira de Freitas; Valença; Vitória da Conquista. LEIA TAMBÉM: Programa 'Partiu Estágio' oferece mais de 5 mil vagas para universitários na Bahia; saiba como se inscrever Defensoria Pública da Bahia abre concurso para defensores com salário de R$ 29 mil Neoenergia Coelba abre mais de 200 vagas para Escola de Eletricistas e faz mutirões com inscrições presenciais Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

Smart TV Samsung S85F na Shopee: tela de 55" com taxa de 120Hz e Gaming Hub em oferta hoje

Publicado em: 12/03/2026 06:37 Fonte: Tudocelular

Essa smart TV S85F da Samsung pode ser o produto ideal para quem quer um modelo que não é tão pequeno e possui boa qualidade de imagem. Nesse sentido, o uso da tecnologia OLED promete oferecer melhores níveis de contraste e pretos mais profundos ao exibir conteúdos em alta resolução. Os interessados no modelo podem aproveitar a oferta da Shopee pelo valor de R$ 3.999 à vista via Pix. Entretanto, há a opção de parcelamento, que permite realizar o pagamento em até 12x, totalizando R$ 4.355. Para chegar no valor mencionado, é preciso aplicar o cupom de R$ 90 OFF em compras acima de R$ 899. Smart TV 55 Polegadas Samsung OLED 4K- S85F 2025 Shopee R$3999 Ver Oferta Sobre a TVEm resumo, a Samsung S85F é uma Smart TV OLED 4K de última geração que combina imagem premium, inteligência artificial avançada e recursos de voz integrados. O painel QD‑OLED oferece pretos perfeitos, brilho elevado e cores vibrantes, com 120 Hz nativos e até 144 Hz com VRR, ideal para filmes, esportes e jogos. O processador NQ4 AI Gen2 aprimora automaticamente imagem e som, enquanto o sistema Tizen garante navegação rápida e integração com Bixby, Alexa e outros assistentes. Entre os recursos extras, a S85F traz Dolby Atmos, Q‑Symphony, Som Adaptativo Pro, tradução simultânea por IA e o inovador Vision AI Companion, que permite conversar com a TV e obter respostas contextuais sobre o conteúdo exibido. Para gamers, oferece FreeSync Premium Pro, VRR, ALLM, Game Bar e Gaming Hub. A conectividade inclui 4 HDMI, USB, Bluetooth 5.3 e Wi‑Fi 5. O design ultrafino e compatível com VESA 300×200 completa o conjunto.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

LPDDR6: RAM de 14,4 Gbps chega em 2026, mas preço pode afastar fabricantes

Publicado em: 12/03/2026 06:04 Fonte: Tudocelular

Ainda na última terça-feira (10), vimos a SK Hynix revelar ao público global que teria concluído o desenvolvimento da nova geração de memória RAM, a LPDDR6. Agora, novos boatos indicam que o hardware deve chegar ao mercado já neste ano de 2026, mas sob um estigma relevante: o preço. Se você tem acompanhado o nosso feed com alguma regularidade, sabe que os valores de componentes como memória e armazenamento estão sendo elevados com a atual febre da inteligência artificial (IA). E, como é típico de novidades, quanto mais recente e avançada a tecnologia, mais caro ela costuma ser.Com isso, a expectativa é que os valores para os novos módulos sejam ainda mais elevados do que os vistos atualmente no mercado com o padrão LPDDR5. Inclusive, a ponto de alguns fabricantes provavelmente terem que esperar por uma estabilização dos preços para adotarem a tecnologia em seus aparelhos – o que inclui smartphones, tablets, PCs e servidores de IA.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Rio marca leilão de prédio em Botafogo antes de Justiça decidir sobre desapropriação; edital exige centro de IA

Publicado em: 12/03/2026 06:00

Desapropriação de prédio ativo em Botafogo gera reações A Prefeitura do Rio marcou para 31 de março o leilão de um prédio localizado na Rua Barão de Itambi, em Botafogo, na Zona Sul, mesmo com a desapropriação do imóvel ainda em disputa na Justiça. O terreno, que pertence ao Grupo Sendas, será oferecido com lance mínimo de R$ 36 milhões, e o edital estabelece que o comprador deverá implantar no local um centro educacional dedicado à pesquisa em inteligência artificial. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O proprietário do imóvel garante que a implantação do projeto no local é inviável, visto que a região sofre com maresia, fenômeno que pode provocar corrosão em sistemas eletrônicos. Entre os problemas apresentados, a empresa afirma que o terreno teria lençol freático elevado, o que poderia dificultar a instalação de estruturas técnicas no subsolo. Prefeitura desapropria prédio com comércio ativo em Botafogo; vereador e moradores apontam ilegalidade Reprodução Google Maps Desapropriação em andamento O edital prevê que a venda seja feita “sob condição suspensiva”, ou seja, a transferência definitiva do imóvel ao comprador só ocorrerá após a conclusão do processo de desapropriação. Na prática, o investidor pode vencer o leilão e pagar pelo imóvel, mas só se tornará proprietário depois que o município concluir a desapropriação na Justiça. O edital também estabelece que o vencedor poderá atuar como assistente no processo judicial de desapropriação, caso seja necessário. Outro ponto relevante é que o valor pago no leilão pode não ser o valor final da operação. Caso a Justiça determine uma indenização maior ao proprietário do imóvel, o comprador poderá ser obrigado a arcar com a diferença entre o valor fixado judicialmente e o valor ofertado no leilão, além de custos processuais. Além do pagamento à vista, o edital estabelece uma série de garantias financeiras e obrigações contratuais para quem quiser participar do leilão. Caso vença o leilão, o comprador terá de apresentar garantias adicionais, incluindo mecanismos financeiros destinados a cobrir: eventuais diferenças no valor da indenização da desapropriação; o cumprimento das etapas de licenciamento urbanístico; e a execução do projeto previsto para o terreno. Além das garantias financeiras, o edital impõe outra condição incomum. O imóvel só poderá ser usado para implantação de um centro educacional voltado à pesquisa em inteligência artificial, com prazos para licenciamento, obras e início das atividades. O imóvel alvo da prefeitura do Rio tem entrada pela Rua Barão de Itambi e pela Rua Jornalista Orlando Dantas. Reprodução Google Maps Na prática, o modelo exige que os interessados tenham capacidade financeira, projeto definido e disposição para assumir riscos jurídicos ligados à desapropriação, o que tende a restringir o perfil de possíveis participantes do leilão. Centro de inteligência artificial O edital determina que o imóvel não poderá receber qualquer tipo de empreendimento. O comprador será obrigado a destinar o espaço para uso educacional voltado à criação de um centro de pesquisa em inteligência artificial. A proposta foi divulgada pela própria prefeitura em comunicado oficial. Segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU), o objetivo é transformar o local em um polo tecnológico e acadêmico. De acordo com a prefeitura, o terreno foi escolhido por estar em uma região com infraestrutura consolidada e proximidade de instituições de ensino superior, como a Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontada como maior interessada na desapropriação, a Universidade Santa Úrsula e a Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha). A proposta também prevê benefícios urbanísticos para a região, como a criação de uma nova passagem para pedestres entre as ruas Barão de Itambi e Jornalista Orlando Dantas, além da implantação de uma praça. A prefeitura afirma que o projeto se inspira no modelo do Rio Maravalley, iniciativa voltada ao desenvolvimento de inovação e tecnologia na cidade. FGV apresentou projeto para o terreno Antes mesmo da publicação do edital, a Fundação Getulio Vargas divulgou um estudo para construção de um centro de pesquisa em inteligência artificial no local. O projeto prevê um prédio de seis pavimentos com: áreas técnicas para supercomputadores no subsolo laboratórios de pesquisa auditórios biblioteca galeria de arte dedicada à inteligência artificial espaços de integração acadêmica A proposta também inclui centros de pesquisa voltados à análise de dados e estudos científicos. Prefeitura desapropria prédio com comércio ativo em Botafogo; vereador e moradores apontam ilegalidade Reprodução Google Maps Viabilidade do projeto O Grupo Sendas, proprietário do imóvel, criticou a desapropriação e levantou questionamentos técnicos sobre a escolha do terreno para o projeto de inteligência artificial. Em nota, a empresa afirma que a proximidade com o mar pode representar um problema para equipamentos sensíveis. Segundo o grupo, a região sofre com maresia, fenômeno que pode provocar corrosão em sistemas eletrônicos. A empresa também afirma que o terreno teria lençol freático elevado, o que poderia dificultar a instalação de estruturas técnicas em subsolo, como sistemas de energia e infraestrutura de supercomputadores. Para o grupo, essas condições poderiam comprometer a viabilidade técnica da proposta. Imóvel em pleno funcionamento O Grupo Sendas também contesta a justificativa para a desapropriação. A empresa afirma que o imóvel não estava abandonado nem subutilizado, condição normalmente associada ao instrumento urbanístico da hasta pública. Antes da decisão municipal pela desapropriação, o prédio abrigava: um supermercado uma academia um polo de apoio de ensino superior Segundo o empresário Arthur Sendas Filho, a decisão surpreendeu os proprietários. Ele afirmou ao g1 que a troca de bandeira do supermercado — do Pão de Açúcar para o Mundial — já estava planejada antes do decreto de desapropriação. "Sempre houve grande fluxo de pessoas no local. A saída do Pão de Açúcar faz parte de uma troca de bandeira planejada pela empresa e que já estava em andamento antes do decreto de desapropriação”, afirmou o empresário Arthur Sendas Filho. Arthur Sendas Filho também disse que a medida pode gerar insegurança jurídica para investidores. Moradores sem serviços Moradores da região também demonstraram preocupação com a mudança imposta pela Prefeitura do Rio para o imóvel. A síndica de um condomínio vizinho afirmou que a vizinhança foi surpreendida pela notícia da desapropriação e reclamou da falta de comunicação por parte do poder público. Segundo ela, o supermercado e a academia que funcionavam no prédio eram serviços importantes para o bairro e geravam movimento constante na rua. “Todo mundo foi pego de surpresa”, disse. "Não vamos ter mais um mercado e uma academia que atendem os moradores. A rua vivia cheia e movimenta. Ainda tem a questão de segurança, com pouca movimentação de pessoas, cresce a insegurança", comentou Flavia Canavieira Neves, sindica do condomínio vizinho ao prédio. Vereador questiona legalidade A desapropriação também foi criticada pelo vereador Pedro Duarte (PSD), autor de uma emenda ao Plano Diretor que criou o instrumento da hasta pública. Segundo ele, o mecanismo foi pensado para imóveis abandonados ou degradados, situação que, na avaliação do parlamentar, não se aplica ao prédio de Botafogo. “O imóvel estava ocupado, com supermercado e academia funcionando. Não há justificativa de regeneração urbana para esse caso”, disse o vereador. Uso da hasta pública O caso reacendeu o debate sobre o uso do instrumento de desapropriação por hasta pública, criado no Plano Diretor do Rio para facilitar a reocupação de imóveis urbanos. Câmara de Vereadores do Rio aprova novo Plano Diretor A lógica do modelo é permitir que o município declare um imóvel de interesse público e o leve diretamente a leilão, transferindo à iniciativa privada a responsabilidade de revitalizar ou dar novo uso ao espaço. No caso de Botafogo, no entanto, a aplicação do mecanismo gerou controvérsia, tanto pela situação do imóvel quanto pela decisão de realizar o leilão antes da conclusão do processo de desapropriação na Justiça. O que diz a Prefeitura Procurada pelo g1, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) informou que o leilão do imóvel está previsto para o dia 31 de março, com oferta mínima de R$ 36 milhões, e que a disputa será aberta a interessados. Segundo a pasta, o processo de desapropriação por hasta pública segue instrumento previsto no Plano Diretor do Rio, que permite ao município promover intervenções urbanísticas consideradas de interesse público. De acordo com a secretaria, a iniciativa busca estimular a renovação urbana e o melhor aproveitamento de áreas estratégicas da cidade. Ainda segundo a SMDU, o objetivo do projeto é viabilizar a implantação de um centro de tecnologia, inovação e ensino na região, reforçando a vocação do Rio como polo de conhecimento, pesquisa e desenvolvimento econômico.

FSR Diamond: AMD revela nova geração de upscaling desenvolvida com o Xbox Project Helix

Publicado em: 12/03/2026 05:57 Fonte: Tudocelular

A AMD oficializou o FSR Diamond como sua próxima grande revolução em upscaling durante a GDC 2026. A tecnologia introduz renderização neural e inteligência artificial nativa para elevar a performance no Xbox Project Helix e em todo o ecossistema de dispositivos gráficos de alto desempenho. Jack Huynh, vice-presidente sênior da AMD, revelou que o Diamond representa uma reformulação total da atual "stack" do FSR. Diferente do antecessor Redstone, que adotava uma abordagem modular, a nova suite é construída sobre uma fundação de Machine Learning (ML) para entrega de upscaling, renderização neural de última geração e geração de múltiplos quadros (Multi-Frame Generation). Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Empresa dos EUA paga R$ 4 mil por dia para 'Agressor profissional de IA'

Publicado em: 12/03/2026 05:03

Startup busca pessoa disposta a provocar erros e testar os limites de sistemas de inteligência artificial. Freepik Você já perdeu a paciência com uma inteligência artificial que esqueceu o que você acabou de dizer? Já precisou repetir a mesma pergunta várias vezes até receber uma resposta adequada? Se a resposta for sim, você pode ser o candidato ideal para um trabalho bastante incomum — e bem pago. Uma startup de inteligência artificial está disposta a pagar cerca de R$ 4 mil por um único dia de trabalho a quem aceitar a função de provocar, criticar e apontar erros nas respostas de chatbots. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 A empresa dos EUA Memvid abriu uma vaga com um título curioso: "agressor profissional de IA". A pessoa contratada deverá testar, provocar e identificar falhas nas respostas de sistemas de inteligência artificial, especialmente problemas de memória e perda de contexto ao longo das conversas. O anúncio foi publicado no LinkedIn por Jeremy Boudinet, consultor da empresa, que ressaltou que o cargo não é uma piada. “A Memvid está contratando um bully profissional de IA. Não estou brincando. Esse é o título oficial do cargo”, escreveu. Donos de 'achadinhos' faturam até R$ 100 mil por mês com perfis anônimos  De acordo com o anúncio, a função consiste em interagir com sistemas de inteligência artificial durante oito horas seguidas e registrar todos os momentos em que eles cometem erros. O pagamento oferecido é de US$ 100 por hora, totalizando US$ 800 ao fim do dia, o equivalente a mais de R$ 4,1 mil. Entre as tarefas estão: Fazer perguntas repetidas e várias vezes à IA; Pedir que o sistema memorize informações; Verificar se a inteligência artificial consegue lembrar do que foi dito anteriormente; Registrar casos em que a IA perde o contexto da conversa; Documentar situações em que o sistema pede que o usuário repita algo ou responde de forma incoerente. No próprio anúncio, Boudinet descreve o trabalho de forma bem-humorada: a pessoa passará “oito horas gritando com inteligências artificiais” enquanto registra cada falha dos sistemas. A vaga não exige formação na área de tecnologia nem experiência prévia com inteligência artificial. Entre as qualificações mencionadas no anúncio estão: Histórico pessoal de frustração com tecnologia; Paciência para repetir a mesma pergunta diversas vezes; Irritação quando a IA continua errando. “Não é necessário ter experiência prévia em bullying com IA”, afirma o anúncio. Os candidatos também precisam ter mais de 18 anos, aceitar ser gravados durante os testes e concordar que o vídeo possa ser usado posteriormente pela empresa. Ao Business Insider, a Memvid afirmou que pretende contratar inicialmente apenas uma pessoa para a função, mas não descarta ampliar a iniciativa no futuro. A vaga, segundo a startup, foi criada para testar um desafio comum nesses sistemas: a limitação de memória em conversas longas. A iniciativa também funciona como estratégia de marketing. A Memvid quer chamar a atenção para as limitações de memória das IAs e mostrar, na prática, que muitos sistemas ainda esquecem informações importantes ao longo de uma conversa. O CEO da empresa, Mohamed Omar, afirmou ao site que a abordagem permite testar as soluções da startup em situações reais e, ao mesmo tempo, engajar o público de forma criativa. A Memvid desenvolve ferramentas que prometem oferecer memória mais estável para sistemas de inteligência artificial. Essas tecnologias podem ser aplicadas em setores como recrutamento e saúde, onde é essencial lidar com grandes volumes de informação sem perder o contexto. No fim das contas, a vaga tem dois objetivos: identificar falhas nas IAs atuais e chamar a atenção para uma solução que promete resolver esse problema.

TurisMall: Rio sedia evento internacional que reúne líderes do turismo e discute futuro do setor

Publicado em: 12/03/2026 04:30

Museu do Amanhã é uma das sedes do TurisMall Alexandre Macieira/Riotur O Rio de Janeiro recebe, entre esta quarta-feira (12) e sexta-feira (14), um evento internacional voltado ao turismo, negócios e inovação. A primeira edição do TurisMall - Plataforma Multieventos de Turismo, Negócios e Inovação ocupa diferentes pontos da cidade, como o Museu do Amanhã, o Museu de Arte do Rio, a Casa Firjan, a Associação Comercial do Rio de Janeiro e o Copacabana Palace. A inscrição é gratuita. A proposta do encontro é reunir representantes do setor público, executivos da indústria do turismo, investidores e especialistas para discutir o papel do turismo como motor de desenvolvimento econômico. A organização espera mais de cinco mil participantes ao longo da programação, com circulação diária de cerca de 1,8 mil agentes de turismo na área de exposições. O centro das atividades será o Museu do Amanhã, na Região Portuária, onde ocorre uma feira com cerca de 20 expositores, entre destinos turísticos e empresas do setor. Estados e cidades como Mato Grosso do Sul, São Paulo, Foz do Iguaçu, Niterói e Petrópolis confirmaram participação para apresentar projetos e atrair negócios. ‘Oscar do Turismo’: Rio é eleito melhor destino turístico da América do Sul Além da área de exposição, o espaço recebe painéis e debates com executivos de empresas e entidades do turismo internacional. Entre os convidados estão Terry Dale, presidente da United States Tour Operators Association, associação que reúne operadoras de turismo dos Estados Unidos; Ray Bloom, fundador da IMEX Group; e Simon Mayle, diretor global da International Luxury Travel Market, feira internacional de turismo de luxo. Tecnologia, audiovisual e diplomacia A programação do TurisMall está dividida em diferentes fóruns temáticos espalhados pela cidade. No Museu do Amanhã também ocorre o OpenTurisTech, encontro dedicado à transformação digital no turismo. Os debates abordam temas como inteligência artificial aplicada ao setor, proteção de dados de viajantes, turismo virtual e soluções tecnológicas para melhorar a experiência de visitantes. O Museu de Arte do Rio recebe o Fórum de Audiovisual e Turismo, que reúne secretários de turismo e especialistas para discutir como produções de cinema, televisão e streaming podem transformar destinos em cenários turísticos e atrair visitantes. Na Casa Firjan, o foco será a relação entre Brasil e China. O fórum bilateral discute oportunidades de investimento, comércio e ampliação do fluxo de turistas entre os dois países. Outro encontro ocorre na Associação Comercial do Rio de Janeiro, com representantes diplomáticos de nove países. O objetivo é debater cooperação internacional e a chamada “economia do mar”, ligada a atividades portuárias, marítimas e turísticas. Liderança feminina Entre as atividades paralelas está um encontro promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais, realizado no Copacabana Palace, que reúne cerca de 80 lideranças femininas do turismo, da gestão pública e do setor empresarial. Uma das palestras será conduzida por Patrícia Hespanha, diretora-executiva administrativa da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027, que falará sobre o impacto do torneio para a projeção internacional do Brasil. Festival gastronômico aberto ao público Além das atividades voltadas ao mercado, o entorno do Museu do Amanhã terá um festival gastronômico aberto ao público durante os três dias de evento. A programação também inclui capacitações para agentes de turismo e operadores no último dia do encontro, com foco em formação profissional e troca de experiências entre empresas e destinos turísticos. Segundo os organizadores, a proposta é posicionar o Rio de Janeiro como sede de encontros internacionais voltados à indústria do turismo e ampliar a atração de investimentos para o setor. Veja a programação completa e como se inscrever no site do TurisMall.

Dê um up na sua festa: caixa de som WAAW Infinite 200 entra em oferta por menos de R$ 1.100

Publicado em: 12/03/2026 04:24 Fonte: Tudocelular

Alternativa para quem está em busca de uma caixa de som para turbinar as festas, a WAAW Sound Box Infinite 200 se destaca pela ficha competente. Além do áudio encorpado com 4 speakers, o modelo tem entre os pontos fortes a boa variedade de conexões, tecnologia TWS e bateria para até 12 horas. O aparelho volta a um dos seus menores preços nesta oferta da Shopee — ao resgatar o cupom "TODAS AS LOJAS R$ 90 OFF" na página de promoções da loja, você pode levá-lo por apenas R$ 1.037 ao pagar no PIX, ou R$ 1.136 pagando no cartão de crédito em até 12 vezes sem juros. Caixa De Som Waaw Sound Box Bluetooth Infinite 200 Preta Led Shopee R$ 1.037 Ver Oferta Sobre o dispositivoCom assinatura do DJ Alok, a Waaw Sound Box Bluetooth Infinite 200 é a aposta perfeita para quem procura boa qualidade sonora, visual moderno e praticidade para levar suas músicas para qualquer lugar, sejam encontros, pequenas festas, treinos ou um simples momento de lazer.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

Casal transforma viagens pela Ásia em spa de terapias orientais que fatura R$ 1,2 milhão em Paraty

Publicado em: 12/03/2026 04:02

Depois de viver na Ásia, casal aposta em spa de terapias orientais em Paraty e fatura R$ 1,2 milhão A busca por equilíbrio entre corpo e mente inspirou um casal de empreendedores a transformar experiências de viagem em um negócio no litoral fluminense. Em Paraty, no Rio de Janeiro, o spa criado por Hans e Priscila Neus oferece terapias corporais inspiradas em práticas tradicionais da Ásia e faturou cerca de R$ 1,2 milhão em 2025. A ideia nasceu anos antes da abertura do espaço. Hans, holandês, veio ao Brasil para trabalhar no escritório de uma multinacional em São Paulo. Foi nesse período que começou a se interessar pela cultura oriental, especialmente após fazer um curso sobre a filosofia chinesa dos cinco elementos e técnicas de massagem. Priscila, bióloga marinha, acompanhou o marido em uma transferência profissional para Singapura. A mudança marcou o início de uma imersão cultural que acabaria influenciando o futuro da dupla. Nos intervalos entre o trabalho e o mestrado, o casal passou a viajar por diferentes países asiáticos, como Malásia, Indonésia e Japão. Durante essas experiências, conheceram práticas de relaxamento, rituais terapêuticos e diferentes filosofias de bem-estar. Com o tempo, surgiu o desejo de empreender. Casal transforma viagens pela Ásia em spa de terapias orientais que fatura R$ 1,2 milhão Reprodução/PEGN Do projeto de resort ao day spa De volta ao Brasil em meados dos anos 2000, os dois decidiram transformar o interesse pelas terapias orientais em um negócio. O projeto inicial previa a criação de um resort de bem-estar, mas acabou evoluindo para um day spa, com serviços voltados ao relaxamento e ao cuidado corporal. Para escolher o local, o casal buscava uma cidade pequena, com natureza e fluxo turístico internacional. A escolha acabou recaindo sobre Paraty, localizada entre os grandes centros de São Paulo e Rio de Janeiro. A lógica era simples: oferecer um refúgio de relaxamento para quem vive em rotinas estressantes nas metrópoles. O investimento inicial no negócio foi de cerca de R$ 350 mil. Casal transforma viagens pela Ásia em spa de terapias orientais que fatura R$ 1,2 milhão Reprodução/PEGN Pausa na pandemia e nova fase Durante a pandemia de Covid-19, o spa precisou fechar as portas temporariamente. No período, Hans criou uma startup voltada à conexão entre terapeutas e clientes online — experiência que trouxe aprendizados de gestão, especialmente nas áreas fiscal e jurídica. Com a retomada das atividades presenciais, o casal encontrou um novo espaço para reabrir o negócio em parceria com um hotel no centro histórico da cidade. O modelo inclui um contrato em que o proprietário do imóvel recebe uma participação no faturamento, reduzindo custos fixos do spa. Terapias de diferentes tradições O catálogo do spa reúne rituais inspirados em diversas tradições asiáticas, incluindo técnicas de Bali, da Índia, do Tibete, da ilha de Java e da Tailândia. Entre os serviços mais procurados estão massagens de corpo inteiro e terapias focadas em relaxamento profundo. O ticket médio do negócio foi de R$ 348 em 2025. Hoje, cerca de 15 terapeutas trabalham no espaço, que realiza aproximadamente 250 atendimentos por mês. O spa adota um sistema semelhante ao modelo de “salão parceiro”. Os profissionais atuam como microempreendedores individuais (MEI) e trabalham sob demanda, de acordo com os agendamentos dos clientes. Nesse formato, o spa oferece infraestrutura, atendimento e marketing, enquanto os terapeutas recebem parte do valor dos serviços realizados. Segundo os empreendedores, o modelo trouxe mais eficiência operacional e flexibilidade para os profissionais, que conseguem organizar melhor a própria agenda. Casal transforma viagens pela Ásia em spa de terapias orientais que fatura R$ 1,2 milhão Reprodução/PEGN A clientela do spa inclui tanto brasileiros quanto estrangeiros — estes representam cerca de 70% dos clientes. Por isso, avaliações online e recomendações em plataformas digitais têm grande peso na atração de novos visitantes. O casal aposta no crescimento do setor. Dados do Global Wellness Institute indicam que o Brasil ocupa o 12º lugar no ranking mundial do mercado de bem-estar, um segmento impulsionado pela busca por qualidade de vida e redução do estresse. Para Hans e Priscila, essa tendência deve continuar nos próximos anos.“Mesmo com o avanço da tecnologia, o toque humano e o cuidado com o bem-estar não são fáceis de substituir”, diz Hans. “É um mercado que tende a crescer cada vez mais.” Shambhala SPA Ltda (SPA) 📍 Endereço: Rua Comendador José Luiz, 348 – Centro Histórico – Paraty/RJ 📞 Telefone: (24) 99999‑1299 🌐 Site: www.shambhala-spa.com 📧 E‑mail: info@shambhjala-spa.com 📘 Facebook: https://www.facebook.com/shambhalaspa.paraty/ 📸 Instagram: https://www.instagram.com/shambhalaspa.paraty/

Palavras-chave: tecnologia

Android em perigo: brecha em chips MediaTek permite invasão de celulares em segundos

Publicado em: 12/03/2026 04:02 Fonte: Tudocelular

Pesquisadores de segurança descobriram uma brecha grave em smartphones Android que possuem chipset da MediaTek. Isso porque é possível invadir um aparelho no tempo recorde de apenas 45 segundos. Para piorar ainda mais as coisas, o hacker pode roubar todas as informações do celular, mesmo com ele completamente desligado. A falha grave foi comprovada em um teste com o CMF Phone 1 By Nothing, que usa o Dimensity 7300.Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: hacker

A pesquisadora que transformou décadas de laboratório na primeira vacina 100% brasileira contra a dengue

Publicado em: 12/03/2026 04:01

A missão de uma cientista para conter a dengue no Brasil Imagina você descobrir uma forma de proteger milhões de pessoas e evitar milhares de mortes? Durante anos, a pesquisadora Neuza Frazzati trabalhou em silêncio nos laboratórios do Instituto Butantan para enfrentar um velho conhecido do Brasil: a dengue. O resultado desse esforço chegou à população nas últimas semanas, com o início da aplicação da primeira vacina 100% brasileira e de dose única contra a doença. 📈 Desde os anos 2000, mais de 18 mil pessoas morreram por dengue no país e outras 25 milhões já tiveram a doença – o que pressiona o sistema de saúde. A dengue é considerada uma doença negligenciada. Como afeta países tropicais e em desenvolvimento, durante décadas houve pouca pesquisa para frear o avanço da doença. Mas, agora, o Brasil tem uma solução nacional: a Butantan-DV é a única vacina contra a dengue de dose única no mundo. À frente do desenvolvimento está Neuza, pesquisadora que entrou no Butantan na década de 1980 e construiu a carreira desenvolvendo vacinas. Para ela, o projeto da dengue é mais do que um marco científico, mas uma forma de amenizar o sofrimento e evitar mortes no país. Todo mundo vem aqui nessa vida com alguma missão que a gente precisa descobrir qual é. Acho que encontrei a minha, deixar uma vacina de dengue que pode amenizar o sofrimento das pessoas Neuza é a pesquisadora à frente da vacina Divulgação/Butantan A vacina demonstrou eficácia de cerca de 75% contra a doença e superior a 90% contra formas graves e hospitalizações — um dado relevante em um país que convive há décadas com surtos sucessivos com milhões de casos. O estudo foi conduzido com mais de 16 mil pessoas, acompanhadas por anos. Há décadas pesquisadores tentam achar uma solução para a doença no país. Agora, a vacina de Neuza pode, finalmente, criar um futuro para o país com uma redução drástica de casos e zerar as mortes. O imunizante começou a ser distribuído pelo Brasil nas últimas semanas. Por enquanto, ainda está em uma fase prioritária, mas segundo o Ministério da Saúde deve chegar às pessoas de 15 a 59 anos até o segundo semestre deste ano. Pesquisadora dedicou anos de pesquisa no desenvolvimento de imunizantes Kaique Mattos/g1 A mulher por trás da vacina da dengue Neuza é bióloga por formação e doutora em Biotecnologia pela Universidade de São Paulo. Ela conta que escolheu a biologia por amar os animais e a pesquisa em vacinas pela necessidade de ajudar pessoas. Quando chegou ao Butantan, em 1980, Neuza começou trabalhando com influenza. Ela conta que o laboratório ao lado do dela fazia pesquisas por uma vacina contra a raiva em humanos. Para isso, eram usados camundongos, quase mil animais por semana. Eu falava: ‘Meu Deus, a gente tem que mudar isso de alguma maneira'. O incômodo acabou se transformando em um projeto. Ela passou a pesquisar uma tecnologia em que não precisasse sacrificar animais. Foram dez anos de trabalho até que a vacina contra a raiva desenvolvida por ela fosse licenciada pela Anvisa, em 2008. ➡️ O que ela fez naquele ano foi inédito: em vez de utilizar tecidos de origem animal, como era feito tradicionalmente, o vírus passou a ser cultivado em células Vero — um tipo de linhagem celular estável, obtida originalmente a partir de rins de macaco-verde-africano e mantida em bancos internacionais de pesquisa. Isso rendeu a ela o prêmio Péter Murányi-Saúde, um reconhecimento internacional pelo trabalho. A experiência acumulada ali — cultivo viral, estabilidade, testes e exigências regulatórias — seria decisiva anos depois, quando ela se desafiou a desenvolver uma vacina de dose única contra a dengue. Vacina começou a ser distribuída pelo país Reprodução Como a vacina contra a dengue foi feita Entre 2006 e 2007, o país enfrentava uma alta nos casos de dengue, com mais de 800 mortes. Foi quando ela recebeu um novo desafio: desenvolver um imunizante que protegesse a população. 💉 Mas a vacina representava um desafio ainda maior: o vírus da dengue circula em quatro sorotipos diferentes e uma vacina precisa proteger contra todos eles sem provocar desequilíbrios na resposta imunológica. Eu lembro que na época as pessoas confiavam em mim para esse processo e eu falava: isso é muito complexo para mim. Cheguei a duvidar, mas eu nunca desisti. O trabalho começou no laboratório, com o cultivo dos vírus e uma sequência de ajustes até alcançar a fórmula que hoje chega aos postos. Neuza conta que via os jornais anunciando o aumento no número de mortes e casos da doença e se desafiou a não descansar até ter uma resposta. Para isso, trabalhou muitos fins de semana, feriados e passou noites em claro. A pesquisa começou com uma equipe pequena e, conforme os resultados apareciam e a dengue crescia no Brasil, a equipe aumentava. Ao todo, foram quase 50 pessoas sob seu comando. O segundo maior desafio foi a estabilidade. Na forma líquida, o vírus não se mantinha viável pelo tempo necessário dentro do imunizante. A vacina viajaria por um país de dimensões continentais e de realidades diversas. Nem sempre os postos têm o transporte refrigerado ou a geladeira necessária. 💉 Foi quando conseguiu a liofilização. Em geral, as vacinas têm a forma líquida. Mas, nesse caso, ela seria transformada em pó e só voltaria a ser líquida na hora de aplicar. Isso facilitaria o transporte. Foram quatro anos de pesquisa em laboratório com mais de 200 experimentos até chegar à Butantan-DV. Em 2011, Neuza e sua equipe tinham em mãos uma vacina eficaz contra todas as cepas e de dose única – o que era primordial para eles, já que queriam ampliar e facilitar a adesão. Neuza está à frente da vacina da dengue Kaique Mattos/g1 ➡️ E você pode se perguntar: por que já em 2011 essa vacina não estava disponível? Porque para que um medicamento ou um imunizante possa ser distribuído, ele precisa passar pela aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A vacina passou por todas as fases de estudos clínicos exigidas para qualquer imunizante: avaliação de segurança, resposta imunológica e eficácia em voluntários. Só após a conclusão dessas etapas e a análise regulatória o produto pôde começar a ser aplicado na população. De forma prática, o desenvolvimento da vacina contra a dengue levou quatro anos. Para quem vê de fora, pode parecer pouco tempo diante da complexidade do desafio. ➡️ A resposta para isso está justamente nas mãos e na mente de Neuza: tudo que ela aprendeu enquanto tentava resolver o problema da raiva e do rotavírus, vacina que ela desenvolveu depois, levou a uma resposta mais rápida para a dengue. Eu acho que a experiência é o maior valor que a gente adquire nessa vida. Porque quanto mais experiente, mais a gente tem condições de se doar, né? A gente vai aprendendo a cada passo, a cada erro, a cada vitória, a gente vai se moldando. Eu fiz mais rápido o que poderia levar anos, mas porque dediquei muitos anos antes. Nada foi feito com pressa. Neusa ainda se emociona ao lembrar de todos os que assinam junto com ela esse feito. “Não conseguiria nada sozinha”. Vacina no braço No fim de 2025, a Anvisa aprovou a vacina e em janeiro deste ano as primeiras doses foram distribuídas. Para a pesquisadora, isso mostra a força da ciência nacional e um marco na própria história – apesar de estar ligada a tantas outras vacinas. “Acho que todo mundo tem uma missão na vida e a minha foi essa. Sabe quando você chega na minha idade e pensa: acho que eu fiz alguma coisa pelas pessoas. O imunizante já está nos postos de saúde, mas, por enquanto, apenas para um grupo prioritário, que envolve profissionais da saúde. Até o segundo semestre, deve chegar às unidades pelo país para a população em geral, segundo o Ministério da Saúde. Hoje, o Brasil tem uma vacina contra a dengue no SUS, a Qdenga. Desde que iniciou a imunização, o Brasil tinha um desafio: o número de doses e o custo. Para você entender melhor: 💉 A vacina é importada e como a dengue é uma doença negligenciada, não havia volume suficiente de doses vindas do laboratório, ainda que o Brasil quisesse comprar. 💉 Para além disso, ela é aplicada em duas doses. O que aumentava ainda mais a necessidade de vacinas, não sendo possível ter uma cobertura maior da população. 💉 Outro desafio era o custo. Como é importada, comprar todas essas doses custava mais caro ao país. “É um orgulho saber que a ciência nacional construiu algo que vai ajudar tantas pessoas, evitar mortes, dor, sofrimento e custo para o nosso sistema de saúde”, comenta. Neusa explica que a vacina é a melhor chance do país contra a doença. Com a imunização de 50% da população, é possível uma queda drástica no volume de casos. Para se ter uma ideia, em 2025 foram 1,4 milhão de casos. Quando houver uma cobertura vacinal completa, é possível que o país zere o número de mortes, que em 2025 foi de 1,7 mil pessoas. Erradicar a doença é difícil porque isso depende da circulação do mosquito, o que é mais difícil de controlar com o cenário tropical, e cada vez mais quente, do Brasil. “Importante é vacina no braço para a gente não ter mais mortes”.

Palavras-chave: tecnologia

'Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta': o alerta de morador que voltou para Fukushima, 15 anos após o desastre

Publicado em: 12/03/2026 04:01

Isuke Takakura aceitou liderar um projeto simbólico — reconstruir o santuário xintoísta da comunidade, destruído pelo tsunami Ewerthon Tobace/ BBC Quando Isuke Takakura voltou para Futaba, a cidade já não existia como ele lembrava. As ruas continuavam ali. Os postes também. Algumas casas permaneciam de pé — silenciosas, vazias, com janelas fechadas havia mais de uma década. O que havia desaparecido eram as pessoas. Antes do desastre de 11 de março de 2011, Futaba tinha cerca de 7,2 mil habitantes. Hoje, quinze anos depois, apenas cerca de 190 moradores vivem oficialmente na cidade, segundo dados da prefeitura local — uma redução de mais de 97% da população. Takakura é um deles. Ele caminha devagar pelas ruas que conhece desde criança, passando por casas abandonadas e terrenos onde a vegetação cresceu sem controle. "Sinto raiva às vezes. E tristeza também", diz. A frase sai tranquila, quase sem emoção. Talvez porque tenha sido repetida muitas vezes ao longo destes anos. Mas ele continua: "Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta." Foi por isso que decidiu voltar. Quinze anos depois do terremoto, do tsunami e do acidente nuclear na famosa usina local que transformaram Fukushima em sinônimo de desastre em todo o mundo, a região vive um processo lento e incerto de reconstrução. Algumas cidades continuam quase vazias. Outras tentam reinventar sua economia com novas indústrias, tecnologia e projetos experimentais. Em Futaba e nas cidades vizinhas, moradores que decidiram retornar convivem com uma pergunta que ainda não tem resposta clara: é possível reconstruir uma comunidade depois que quase todos foram embora? A cidade que parou no tempo Futaba fica na costa da província de Fukushima, voltada para o Pacífico. Durante décadas, viveu bem perto — a cerca de 4 quilômetros — da usina nuclear de Fukushima Daiichi, operada pela companhia elétrica TEPCO. Em 2011, um terremoto de magnitude 9.0 — o mais forte já registrado no Japão — desencadeou um tsunami gigantesco que atingiu o litoral nordeste do país. Mais de 20 mil pessoas morreram ou desapareceram naquele desastre, segundo o governo japonês. O tsunami destruiu cidades inteiras ao longo da costa. E, ao inundar a usina nuclear, provocou uma sequência de explosões e falhas de resfriamento que levaram ao maior acidente nuclear no mundo desde Chernobyl. Futaba estava no centro dessa história. Durante anos, toda a população da cidade foi obrigada a evacuar. Casas ficaram abandonadas, com objetos ainda sobre as mesas e carros parados nas garagens. Em muitos bairros, o tempo parecia simplesmente ter parado. Tsunami há 15 anos deixou mais de 26 mil mortos e um rastro de destruição pelo país, como na cidade pesqueira de Morioka, na costa do Pacífico na ilha de Honshu Roslan Rahman/AFP via Getty Images O santuário Seis anos depois da evacuação total da cidade, o governo japonês começou a retirar gradualmente as ordens de evacuação em algumas áreas. Mas isso não significou que as pessoas voltariam. Na verdade, a maioria não voltou. Takakura observava aquela paisagem vazia e se fazia uma pergunta simples: "se ninguém retornar, o que resta de uma cidade?" Foi então que ele aceitou liderar um projeto simbólico — reconstruir o santuário xintoísta da comunidade, destruído pelo tsunami. Durante séculos, santuários foram o centro espiritual das aldeias japonesas. Festivais, cerimônias e encontros aconteciam ali. Era o lugar onde a comunidade se reunia. Sem o santuário, dizia ele, Futaba não teria alma. "Se não houver algo para as pessoas voltarem, elas simplesmente não voltam", reflete. O novo santuário foi concluído há quatro anos. Não trouxe a população de volta. Mas trouxe algo que talvez seja ainda mais raro em uma cidade quase vazia: a sensação de que aquele lugar ainda pode continuar existindo. Novas indústrias Mas memória e símbolos, sozinhos, não sustentam uma cidade. Reconstruir um lugar exige algo mais simples — e mais difícil: trabalho e empregos. Nos últimos anos, a região de Futaba e das cidades vizinhas começou a atrair pequenos projetos industriais e tecnológicos — iniciativas que tentam responder à pergunta que paira sobre Fukushima desde 2011: como reconstruir uma economia em um território marcado por um desastre nuclear? Quinze anos depois do acidente nuclear, a palavra radiação ainda provoca apreensão — dentro e fora do Japão. Para muitos japoneses, Fukushima continua associada a um risco invisível. Em várias cidades da região, medidores de radiação foram instalados em praças, escolas e prédios públicos, exibindo em tempo real níveis que, segundo o governo japonês e organismos internacionais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), hoje são comparáveis aos de grandes cidades ao redor do mundo. Grande parte das áreas evacuadas foi gradualmente reaberta após extensos trabalhos de descontaminação. Milhões de metros cúbicos de solo contaminado foram removidos de campos, jardins e áreas urbanas, armazenados temporariamente em instalações especiais. Mesmo assim, o medo persiste. Muitos antigos moradores hesitam em voltar — não apenas por causa da radiação em si, mas também pela perda de infraestrutura, empregos e laços comunitários que existiam antes do desastre. Do ponto de vista científico, estudos conduzidos pelo governo japonês, pela ONU e por pesquisadores independentes indicam que, para a população em geral, os níveis atuais de exposição são baixos e não devem causar impactos significativos à saúde. Mas o medo nem sempre segue o mesmo ritmo dos dados científicos. Ele aparece, por exemplo, na relação com a comida. Fukushima sempre foi uma região agrícola importante, conhecida pelo arroz, pelas frutas — como pêssegos e maçãs — e por produtos frescos que abasteciam mercados em todo o Japão. Depois do acidente, esses alimentos passaram a carregar um estigma difícil de apagar. Embora os produtos da região estejam entre os mais testados do país — com controles rigorosos de radiação realizados pelo governo e por cooperativas agrícolas — muitos agricultores dizem que ainda enfrentam desconfiança. Alguns consumidores evitam comprar alimentos produzidos ali, mesmo quando os níveis registrados estão muito abaixo dos limites de segurança. Para quem vive da terra, reconstruir a confiança talvez seja um dos desafios mais longos da reconstrução. Afinal, a radiação não tem cheiro, não tem cor, não pode ser vista — e essa invisibilidade ajuda a explicar por que, mesmo quando os números apontam segurança, o medo pode levar muito mais tempo para desaparecer. Startup japonesa produz peixes em terra firme usando água salgada artificial Ewerthon Tobace/ BBC Em Namie, outro município do entorno da usina nuclear, uma startup japonesa está tentando reinventar a aquicultura. Dentro de uma espécie de trailer discreto, tanques circulares produzem peixes em terra firme usando água salgada artificial, sensores e monitoramento digital. O sistema permite criar espécies de águas quentes em regiões frias — e em espaços muito menores do que os da aquicultura tradicional. "Estamos testando se esse tipo de cultivo pode funcionar mesmo em um lugar como este", explica Koyo Takenoshita, um dos responsáveis pelo projeto. "O ambiente aqui é severo. Mas se conseguirmos provar que funciona aqui, então pode funcionar em qualquer lugar do Japão." A lógica é transformar um território considerado frágil em laboratório para novas indústrias. Transformar o estigma Outras empresas apostam em um caminho semelhante: transformar o estigma ambiental da região em motor de inovação. Em outra parte de Namie, uma fábrica produz plástico usando arroz descartado ou que não pode ser consumido. O material mistura grãos com polímeros industriais para criar um bioplástico que não seria nocivo ao meio ambiente. "Fukushima ficou marcada como um lugar associado ao desastre nuclear", diz Shohei Iida, proprietário da empresa. "Queremos mudar essa imagem. Mostrar que daqui também podem surgir tecnologias boas para o meio ambiente." Parte do arroz usado na produção vem de estoques governamentais que seriam descartados. Outra parte vem de agricultores locais que ainda enfrentam dificuldades para vender seus produtos. "Alguns agricultores não conseguem vender arroz para consumo porque as pessoas ainda têm medo", explica. "Então compramos esse arroz para produzir o material. Assim ajudamos os agricultores e criamos um novo mercado." A região ainda tem locais com rastros da destruição deixada pelo tsunami há 15 anos, como nessa sala de aula de uma escola abandonada em Namie Ewerthon Tobace/ BBC Plantar uvas onde havia ruínas Nem todas as iniciativas, porém, vieram da indústria. Algumas nasceram de uma ideia simples: voltar a cultivar a terra. Em Tomioka, cidade vizinha a Futaba, uma pequena vinícola surgiu justamente dessa vontade de reconstruir o território. A Tomioka Winery começou em 2016, cinco anos após o desastre. A ideia nasceu de um morador local, Shubun Endo, que passou anos vivendo como deslocado e temia que sua cidade desaparecesse. "Ele começou a pensar que, se nada fosse feito, Tomioka poderia se tornar uma cidade sem vida", conta Junichiro Hosokawa, gerente do projeto. A solução encontrada foi plantar vinhas. Não era uma tradição da região. Mas havia uma razão prática. "Em muitos países do mundo sempre existe uma bebida local — cerveja ou vinho", explica Hosokawa. "Percebemos que aqui não tínhamos isso." Junichiro Hosokawa, gerente da Tomioka Winery Ewerthon Tobace/ BBC No início, dez pessoas decidiram voltar para tentar o projeto. Nenhuma delas era especialista em viticultura. Plantaram cerca de 200 mudas de uva. Nos primeiros anos, quase tudo deu errado. Pragas, doenças e o solo alterado pelo tsunami dificultavam o cultivo. Mas eles persistiram. No terceiro ano, conseguiram colher as primeiras uvas. Produziram apenas algumas dezenas de garrafas de vinho. Foi o suficiente para convencê-los de que o projeto poderia sobreviver. Este ano, a vinícola espera produzir cerca de 10 mil garrafas. As uvas hoje crescem em um terreno que, anos antes, havia sido devastado pelo tsunami. A economia da reconstrução Há também quem veja na reconstrução uma oportunidade. Uma empresa têxtil instalou uma fábrica na região para produzir fios especiais usados na fabricação de toalhas e tecidos. Masami Asano, fundador da empresa, acredita que o próprio passado da região pode se transformar em vantagem. "Quando chegamos aqui, nos disseram que reconstruir esta cidade era impossível", afirma. "Mas acreditamos que este lugar vai se tornar uma cidade extraordinária." Segundo ele, existe uma força particular em lugares que passaram por grandes tragédias. "Quando um lugar enfrenta algo tão difícil, surge também uma força de reação. É daí que nasce algo novo." Entre os funcionários dessas novas empresas está uma geração que cresceu com a memória do desastre. Masami Asano CEO da Super Zero Ewerthon Tobace/ BBC Uma geração que voltou Riona Okada tinha apenas cinco anos quando o terremoto começou. "Minha mãe pegou meu irmão e eu no colo e nos levou para fora de casa", lembra. "Esperamos ali até o tremor parar." Naquela noite, a família ainda dormiu em casa. Na manhã seguinte, porém, veio a notícia do acidente na usina nuclear. "Meus pais não sabiam exatamente o que estava acontecendo. Só sabiam que precisávamos ir embora." A família dirigiu por cerca de uma hora rumo às montanhas. Dias depois, acabaria se mudando para outra província. Durante anos viveram distantes do lar. "Ficamos em casas de parentes, depois em apartamentos alugados. Foram muitas mudanças." Riona Okada tinha apenas cinco anos quando o terremoto começou Ewerthon Tobace/ BBC Ela voltou para a região alguns anos depois. Hoje trabalha em uma das empresas que tentam reconstruir a economia local. "No começo eu tinha um pouco de medo de trabalhar aqui", admite. Mas havia também outro sentimento. "Quando penso no que aconteceu, lembro que muitas pessoas ajudaram nossa família naquele momento. Então eu queria fazer algo de volta pela minha região." Os pais ficaram preocupados quando ela decidiu trabalhar em Futaba. Mesmo assim, ela não mudou de ideia. "Se ninguém fizer nada, nada vai mudar." Riona sorri quando fala sobre o futuro. "Meu sonho é um dia me tornar presidente da empresa." O silêncio que permanece Quinze anos depois do desastre, Fukushima continua sendo um território em transição. Há novas empresas, novos projetos e algumas famílias retornando. A maioria, porém, são de novos moradores. Gente de outras regiões que quer ajudar na recuperação do local. Mas o ritmo da reconstrução é lento. E o vazio ainda domina grande parte da paisagem. Em Futaba, o silêncio continua sendo a presença mais constante. No fim da tarde, Takakura costuma caminhar pelas ruas vazias da cidade. O vento que vem do Pacífico atravessa terrenos onde antes havia casas, passa por lotes cobertos de mato e segue até o antigo centro da cidade. "Quero ver com meus próprios olhos até onde esta cidade consegue chegar", diz. Talvez Futaba nunca volte a ser a cidade que era antes. Mas Takakura continua ali — caminhando pelas ruas silenciosas, observando cada pequeno sinal de retorno. Ele olha ao redor para a cidade quase vazia e repete a frase que diz desde que decidiu voltar. "Se ninguém fizer nada… este lugar se tornará uma terra morta."

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'Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta': o alerta de morador que voltou para Fukushima, 15 anos após o desastre

Publicado em: 12/03/2026 04:01

Isuke Takakura aceitou liderar um projeto simbólico — reconstruir o santuário xintoísta da comunidade, destruído pelo tsunami Ewerthon Tobace/ BBC Quando Isuke Takakura voltou para Futaba, a cidade já não existia como ele lembrava. As ruas continuavam ali. Os postes também. Algumas casas permaneciam de pé — silenciosas, vazias, com janelas fechadas havia mais de uma década. O que havia desaparecido eram as pessoas. Antes do desastre de 11 de março de 2011, Futaba tinha cerca de 7,2 mil habitantes. Hoje, quinze anos depois, apenas cerca de 190 moradores vivem oficialmente na cidade, segundo dados da prefeitura local — uma redução de mais de 97% da população. Takakura é um deles. Ele caminha devagar pelas ruas que conhece desde criança, passando por casas abandonadas e terrenos onde a vegetação cresceu sem controle. "Sinto raiva às vezes. E tristeza também", diz. A frase sai tranquila, quase sem emoção. Talvez porque tenha sido repetida muitas vezes ao longo destes anos. Mas ele continua: "Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta." Foi por isso que decidiu voltar. Quinze anos depois do terremoto, do tsunami e do acidente nuclear na famosa usina local que transformaram Fukushima em sinônimo de desastre em todo o mundo, a região vive um processo lento e incerto de reconstrução. Algumas cidades continuam quase vazias. Outras tentam reinventar sua economia com novas indústrias, tecnologia e projetos experimentais. Em Futaba e nas cidades vizinhas, moradores que decidiram retornar convivem com uma pergunta que ainda não tem resposta clara: é possível reconstruir uma comunidade depois que quase todos foram embora? A cidade que parou no tempo Futaba fica na costa da província de Fukushima, voltada para o Pacífico. Durante décadas, viveu bem perto — a cerca de 4 quilômetros — da usina nuclear de Fukushima Daiichi, operada pela companhia elétrica TEPCO. Em 2011, um terremoto de magnitude 9.0 — o mais forte já registrado no Japão — desencadeou um tsunami gigantesco que atingiu o litoral nordeste do país. Mais de 20 mil pessoas morreram ou desapareceram naquele desastre, segundo o governo japonês. O tsunami destruiu cidades inteiras ao longo da costa. E, ao inundar a usina nuclear, provocou uma sequência de explosões e falhas de resfriamento que levaram ao maior acidente nuclear no mundo desde Chernobyl. Futaba estava no centro dessa história. Durante anos, toda a população da cidade foi obrigada a evacuar. Casas ficaram abandonadas, com objetos ainda sobre as mesas e carros parados nas garagens. Em muitos bairros, o tempo parecia simplesmente ter parado. Tsunami há 15 anos deixou mais de 26 mil mortos e um rastro de destruição pelo país, como na cidade pesqueira de Morioka, na costa do Pacífico na ilha de Honshu Roslan Rahman/AFP via Getty Images O santuário Seis anos depois da evacuação total da cidade, o governo japonês começou a retirar gradualmente as ordens de evacuação em algumas áreas. Mas isso não significou que as pessoas voltariam. Na verdade, a maioria não voltou. Takakura observava aquela paisagem vazia e se fazia uma pergunta simples: "se ninguém retornar, o que resta de uma cidade?" Foi então que ele aceitou liderar um projeto simbólico — reconstruir o santuário xintoísta da comunidade, destruído pelo tsunami. Durante séculos, santuários foram o centro espiritual das aldeias japonesas. Festivais, cerimônias e encontros aconteciam ali. Era o lugar onde a comunidade se reunia. Sem o santuário, dizia ele, Futaba não teria alma. "Se não houver algo para as pessoas voltarem, elas simplesmente não voltam", reflete. O novo santuário foi concluído há quatro anos. Não trouxe a população de volta. Mas trouxe algo que talvez seja ainda mais raro em uma cidade quase vazia: a sensação de que aquele lugar ainda pode continuar existindo. Novas indústrias Mas memória e símbolos, sozinhos, não sustentam uma cidade. Reconstruir um lugar exige algo mais simples — e mais difícil: trabalho e empregos. Nos últimos anos, a região de Futaba e das cidades vizinhas começou a atrair pequenos projetos industriais e tecnológicos — iniciativas que tentam responder à pergunta que paira sobre Fukushima desde 2011: como reconstruir uma economia em um território marcado por um desastre nuclear? Quinze anos depois do acidente nuclear, a palavra radiação ainda provoca apreensão — dentro e fora do Japão. Para muitos japoneses, Fukushima continua associada a um risco invisível. Em várias cidades da região, medidores de radiação foram instalados em praças, escolas e prédios públicos, exibindo em tempo real níveis que, segundo o governo japonês e organismos internacionais como a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), hoje são comparáveis aos de grandes cidades ao redor do mundo. Grande parte das áreas evacuadas foi gradualmente reaberta após extensos trabalhos de descontaminação. Milhões de metros cúbicos de solo contaminado foram removidos de campos, jardins e áreas urbanas, armazenados temporariamente em instalações especiais. Mesmo assim, o medo persiste. Muitos antigos moradores hesitam em voltar — não apenas por causa da radiação em si, mas também pela perda de infraestrutura, empregos e laços comunitários que existiam antes do desastre. Do ponto de vista científico, estudos conduzidos pelo governo japonês, pela ONU e por pesquisadores independentes indicam que, para a população em geral, os níveis atuais de exposição são baixos e não devem causar impactos significativos à saúde. Mas o medo nem sempre segue o mesmo ritmo dos dados científicos. Ele aparece, por exemplo, na relação com a comida. Fukushima sempre foi uma região agrícola importante, conhecida pelo arroz, pelas frutas — como pêssegos e maçãs — e por produtos frescos que abasteciam mercados em todo o Japão. Depois do acidente, esses alimentos passaram a carregar um estigma difícil de apagar. Embora os produtos da região estejam entre os mais testados do país — com controles rigorosos de radiação realizados pelo governo e por cooperativas agrícolas — muitos agricultores dizem que ainda enfrentam desconfiança. Alguns consumidores evitam comprar alimentos produzidos ali, mesmo quando os níveis registrados estão muito abaixo dos limites de segurança. Para quem vive da terra, reconstruir a confiança talvez seja um dos desafios mais longos da reconstrução. Afinal, a radiação não tem cheiro, não tem cor, não pode ser vista — e essa invisibilidade ajuda a explicar por que, mesmo quando os números apontam segurança, o medo pode levar muito mais tempo para desaparecer. Startup japonesa produz peixes em terra firme usando água salgada artificial Ewerthon Tobace/ BBC Em Namie, outro município do entorno da usina nuclear, uma startup japonesa está tentando reinventar a aquicultura. Dentro de uma espécie de trailer discreto, tanques circulares produzem peixes em terra firme usando água salgada artificial, sensores e monitoramento digital. O sistema permite criar espécies de águas quentes em regiões frias — e em espaços muito menores do que os da aquicultura tradicional. "Estamos testando se esse tipo de cultivo pode funcionar mesmo em um lugar como este", explica Koyo Takenoshita, um dos responsáveis pelo projeto. "O ambiente aqui é severo. Mas se conseguirmos provar que funciona aqui, então pode funcionar em qualquer lugar do Japão." A lógica é transformar um território considerado frágil em laboratório para novas indústrias. Transformar o estigma Outras empresas apostam em um caminho semelhante: transformar o estigma ambiental da região em motor de inovação. Em outra parte de Namie, uma fábrica produz plástico usando arroz descartado ou que não pode ser consumido. O material mistura grãos com polímeros industriais para criar um bioplástico que não seria nocivo ao meio ambiente. "Fukushima ficou marcada como um lugar associado ao desastre nuclear", diz Shohei Iida, proprietário da empresa. "Queremos mudar essa imagem. Mostrar que daqui também podem surgir tecnologias boas para o meio ambiente." Parte do arroz usado na produção vem de estoques governamentais que seriam descartados. Outra parte vem de agricultores locais que ainda enfrentam dificuldades para vender seus produtos. "Alguns agricultores não conseguem vender arroz para consumo porque as pessoas ainda têm medo", explica. "Então compramos esse arroz para produzir o material. Assim ajudamos os agricultores e criamos um novo mercado." A região ainda tem locais com rastros da destruição deixada pelo tsunami há 15 anos, como nessa sala de aula de uma escola abandonada em Namie Ewerthon Tobace/ BBC Plantar uvas onde havia ruínas Nem todas as iniciativas, porém, vieram da indústria. Algumas nasceram de uma ideia simples: voltar a cultivar a terra. Em Tomioka, cidade vizinha a Futaba, uma pequena vinícola surgiu justamente dessa vontade de reconstruir o território. A Tomioka Winery começou em 2016, cinco anos após o desastre. A ideia nasceu de um morador local, Shubun Endo, que passou anos vivendo como deslocado e temia que sua cidade desaparecesse. "Ele começou a pensar que, se nada fosse feito, Tomioka poderia se tornar uma cidade sem vida", conta Junichiro Hosokawa, gerente do projeto. A solução encontrada foi plantar vinhas. Não era uma tradição da região. Mas havia uma razão prática. "Em muitos países do mundo sempre existe uma bebida local — cerveja ou vinho", explica Hosokawa. "Percebemos que aqui não tínhamos isso." Junichiro Hosokawa, gerente da Tomioka Winery Ewerthon Tobace/ BBC No início, dez pessoas decidiram voltar para tentar o projeto. Nenhuma delas era especialista em viticultura. Plantaram cerca de 200 mudas de uva. Nos primeiros anos, quase tudo deu errado. Pragas, doenças e o solo alterado pelo tsunami dificultavam o cultivo. Mas eles persistiram. No terceiro ano, conseguiram colher as primeiras uvas. Produziram apenas algumas dezenas de garrafas de vinho. Foi o suficiente para convencê-los de que o projeto poderia sobreviver. Este ano, a vinícola espera produzir cerca de 10 mil garrafas. As uvas hoje crescem em um terreno que, anos antes, havia sido devastado pelo tsunami. A economia da reconstrução Há também quem veja na reconstrução uma oportunidade. Uma empresa têxtil instalou uma fábrica na região para produzir fios especiais usados na fabricação de toalhas e tecidos. Masami Asano, fundador da empresa, acredita que o próprio passado da região pode se transformar em vantagem. "Quando chegamos aqui, nos disseram que reconstruir esta cidade era impossível", afirma. "Mas acreditamos que este lugar vai se tornar uma cidade extraordinária." Segundo ele, existe uma força particular em lugares que passaram por grandes tragédias. "Quando um lugar enfrenta algo tão difícil, surge também uma força de reação. É daí que nasce algo novo." Entre os funcionários dessas novas empresas está uma geração que cresceu com a memória do desastre. Masami Asano CEO da Super Zero Ewerthon Tobace/ BBC Uma geração que voltou Riona Okada tinha apenas cinco anos quando o terremoto começou. "Minha mãe pegou meu irmão e eu no colo e nos levou para fora de casa", lembra. "Esperamos ali até o tremor parar." Naquela noite, a família ainda dormiu em casa. Na manhã seguinte, porém, veio a notícia do acidente na usina nuclear. "Meus pais não sabiam exatamente o que estava acontecendo. Só sabiam que precisávamos ir embora." A família dirigiu por cerca de uma hora rumo às montanhas. Dias depois, acabaria se mudando para outra província. Durante anos viveram distantes do lar. "Ficamos em casas de parentes, depois em apartamentos alugados. Foram muitas mudanças." Riona Okada tinha apenas cinco anos quando o terremoto começou Ewerthon Tobace/ BBC Ela voltou para a região alguns anos depois. Hoje trabalha em uma das empresas que tentam reconstruir a economia local. "No começo eu tinha um pouco de medo de trabalhar aqui", admite. Mas havia também outro sentimento. "Quando penso no que aconteceu, lembro que muitas pessoas ajudaram nossa família naquele momento. Então eu queria fazer algo de volta pela minha região." Os pais ficaram preocupados quando ela decidiu trabalhar em Futaba. Mesmo assim, ela não mudou de ideia. "Se ninguém fizer nada, nada vai mudar." Riona sorri quando fala sobre o futuro. "Meu sonho é um dia me tornar presidente da empresa." O silêncio que permanece Quinze anos depois do desastre, Fukushima continua sendo um território em transição. Há novas empresas, novos projetos e algumas famílias retornando. A maioria, porém, são de novos moradores. Gente de outras regiões que quer ajudar na recuperação do local. Mas o ritmo da reconstrução é lento. E o vazio ainda domina grande parte da paisagem. Em Futaba, o silêncio continua sendo a presença mais constante. No fim da tarde, Takakura costuma caminhar pelas ruas vazias da cidade. O vento que vem do Pacífico atravessa terrenos onde antes havia casas, passa por lotes cobertos de mato e segue até o antigo centro da cidade. "Quero ver com meus próprios olhos até onde esta cidade consegue chegar", diz. Talvez Futaba nunca volte a ser a cidade que era antes. Mas Takakura continua ali — caminhando pelas ruas silenciosas, observando cada pequeno sinal de retorno. Ele olha ao redor para a cidade quase vazia e repete a frase que diz desde que decidiu voltar. "Se ninguém fizer nada… este lugar se tornará uma terra morta."

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Entenda projeto de lei que autoriza internação involuntária de dependentes químicos em BH

Publicado em: 12/03/2026 04:01

Vereadores de BH aprovam projeto de lei que regulamenta internação de usuários e dependentes químicos A Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou nesta quarta-feira (11), em segundo turno, um projeto de lei que autoriza e regulamenta a internação involuntária de dependentes químicos na rede municipal de saúde. A proposta gerou debates intensos entre vereadores, especialistas e movimentos sociais. Após discussões e negociações entre os vereadores, a versão editada pela base do Executivo municipal teve 29 votos a favor e nove contrários. Agora, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil), poderá sancionar ou vetar o texto. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Veja nesta reportagem, a partir dos pontos abaixo, o que diz o texto aprovado pelos vereadores e quais são as regras previstas no projeto. O que é o projeto aprovado pela Câmara? O que é a internação involuntária? Por que o projeto gera polêmica? A proposta já está em vigor? Quem pode solicitar a internação involuntária? O tratamento precisa ser sempre por internação? Qual será o prazo máximo da internação? Como funciona a alta do paciente? Quem fiscaliza essas internações? O que mudou em relação ao texto original? 1. O que é o projeto aprovado pela Câmara de BH? O projeto institui regras para o tratamento de usuários e dependentes de drogas na rede municipal de saúde de BH. A proposta estabelece critérios para atendimento, incluindo a possibilidade de internação involuntária. A proposta original foi apresentada pelo vereador Braulio Lara (Novo). Durante a tramitação na Câmara, o texto recebeu mudanças por meio de emendas apresentadas por outros parlamentares. 2. O que é a internação involuntária? A internação involuntária é aquela realizada sem o consentimento do paciente. Pelo projeto aprovado na capital, esse tipo de internação só poderá ocorrer mediante autorização médica e seguindo protocolos clínicos. O projeto defende que ela pode ocorrer quando há risco à integridade física da própria pessoa ou de terceiros. 3. Por que o projeto gera polêmica? Durante a votação, movimentos ligados à população em situação de rua, à saúde mental e à luta antimanicomial protestaram contra a proposta na Câmara Municipal. Eles argumentam que a internação involuntária pode representar violação de direitos humanos e defendem que o tema deveria ser tratado por legislação federal. Já o autor do projeto, Braulio Lara, afirma que a medida busca facilitar o acesso ao tratamento para pessoas que já perderam a capacidade de procurar ajuda por conta própria. 4. A proposta já está em vigor? Não, o texto só poderá entrar em vigor após ser sancionado pelo prefeito, o que ainda não tem data confirmada para acontecer. LEIA TAMBÉM: Câmara aprova projeto que autoriza internação involuntária de dependentes químicos em BH Rompimento de barragem em Brumadinho: Justiça nega habeas corpus a réus e mantém ação penal 5. Quem pode solicitar a internação involuntária? A internação involuntária poderá ser solicitada por familiares ou representantes legais do paciente. Caso não haja familiares ou responsáveis, profissionais da rede pública de saúde ou da assistência social também poderão fazer a solicitação. A equipe médica deve avaliar fatores como o tipo de droga utilizada e o padrão de uso pelo paciente. Familiares podem solicitar ao médico responsável a interrupção do tratamento a qualquer momento. 6. O tratamento precisa ser sempre por internação? O texto determina que o tratamento de dependentes químicos deve ocorrer, preferencialmente, de forma ambulatorial, ou seja, sem necessidade de internação. A internação é prevista apenas quando outras alternativas terapêuticas disponíveis na rede pública de saúde não forem suficientes para o tratamento. 7. Qual será o prazo máximo da internação? Uma das emendas aprovadas estabelece que a internação involuntária poderá durar no máximo 90 dias. A medida também determina que essa alternativa só deve ser utilizada depois de esgotadas as possibilidades de tratamento ambulatorial. 8. Como funciona a alta do paciente? Nos casos de internação voluntária, a alta poderá ocorrer mediante solicitação por escrito do próprio paciente ou por decisão médica. Já nos casos de internação involuntária, a alta só poderá ser determinada pela equipe médica responsável pelo tratamento. 9. Quem fiscaliza essas internações? Todas as internações e altas deverão ser comunicadas em até 72 horas a órgãos de fiscalização, como o Ministério Público e a Defensoria Pública, por meio de um sistema informatizado único previsto na legislação federal sobre drogas. 10. O que mudou em relação ao texto original? Uma das alterações feitas durante a tramitação retirou a possibilidade de agentes de segurança pública solicitarem a internação involuntária. O substitutivo apresentado pela prefeitura manteve a decisão concentrada na área da saúde e da assistência social. Veja os vídeos mais assistidos do g1 Minas:

Palavras-chave: câmara municipal

O que são os 'cristais de memória' que desafiam leis da física e prometem solucionar o problema do armazenamento de dados

Publicado em: 12/03/2026 03:00

Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais, um dilema que vem impulsionando soluções inovadoras SPhotonix via BBC Durante uma visita ao Japão em 1999, o pesquisador Peter Kazansky encontrou um fenômeno físico misterioso. Agora, ele acredita que esta seja a chave para o futuro do armazenamento de dados. No laboratório de optoeletrônica da Universidade de Kyoto, os cientistas testavam como escrever em vidro usando lasers ultrarrápidos de femtossegundos. Eles emitem um pulso de luz a cada quadrilionésimo de segundo. Mas eles observaram algo incomum na forma em que a luz trafegava através do vidro tratado com laser. A dispersão de Rayleigh é um efeito bem conhecido. Ela descreve como pequenas partículas refletem a luz branca em todas as direções — o que explica, entre outras coisas, por que o céu parece ser azul. Mas, neste caso, a luz não se refletia conforme o esperado. "Foi difícil explicar", afirma Kazansky, professor de optoeletrônica da Universidade de Southampton, no Reino Unido. Ele trabalhava em colaboração com os pesquisadores da Universidade de Kyoto, no Japão. "Nós observamos a luz se dispersar de uma forma que parecia desafiar as leis da física." Veja os vídeos que estão em alta no g1 A desconcertante observação acabou provocando "um autêntico momento Eureka", segundo Kazansky. Os pesquisadores descobriram nanoestruturas ocultas dentro do vidro de sílica, criadas por "microexplosões" geradas pelos lasers de femtossegundos. Imagine que você sustente um grosso pedaço de cristal contra a luz e observe como a luz é refletida em muitas direções. Com a técnica do laser, os pesquisadores de Kyoto criaram acidentalmente pequenos orifícios que tinham esta mesma propriedade. Cerca de mil vezes menores que a espessura de um cabelo humano, esses "redemoinhos" de luz são tão minúsculos que acabam sendo imperceptíveis para o olho humano. Mas logo ficou claro para os cientistas que seu potencial era transformador. "Esta foi a primeira prova de que podemos usar a luz para imprimir padrões complexos dentro de materiais transparentes, em escala menor que o comprimento de onda da luz", explica Kazansky. Agora, 27 anos depois, espera-se que aquela descoberta possa ajudar a resolver um dos problemas mais graves da nossa era da informação: o armazenamento massivo de dados. O nosso problema com dados Na era da internet, da inteligência artificial, das casas inteligentes e do capitalismo de vigilância, existe algo que simplesmente não paramos de produzir: dados. A empresa de análises IDC prevê que, até 2028, geraremos coletivamente 394 trilhões de zettabytes de informações todos os anos (um zettabyte equivale a um trilhão de gigabytes). Toda vez que fazemos qualquer coisa na internet, como assistir a um vídeo no YouTube, enviar um e-mail ou fazer uma pergunta a um chatbot de IA, cadeias de pontos de dados saem em disparada rumo ao ciberespaço. A ideia de que os dados "pesam pouco" é enganosa. Nós imaginamos as informações viajando de forma etérea por cabos submarinos ou flutuando suavemente "na nuvem". Mas, na verdade, elas exigem enormes recursos físicos, cuja demanda está se tornando insaciável. Os centros de dados consomem quantidades massivas de eletricidade, água e materiais. E seu crescimento exponencial nos obriga a buscar alternativas radicais. Data centers de IA podem consumir energia equivalente à de milhões de casas Este dilema vem impulsionando soluções inovadoras. E uma delas é a proposta de Kazansky de gravar dados por meio de lasers. Outras opções, como a armazenagem de informações em DNA, também estão sendo exploradas por cientistas e empresas como a Microsoft. Os dados são processados e alojados em centros de dados — estruturas gigantescas, quase alienígenas, repletas de filas de servidores de mais de dois metros de altura, que piscam sem intervalos. Essas caixas vibrantes de hardware e cabos devoram energia, tanto para alimentar sua capacidade de computação quanto para os enormes sistemas de refrigeração necessários para evitar que elas se incendeiem. Aliás, um centro de dados não é um lugar agradável para se trabalhar. Quente e ensurdecedor, ele só é adequado para pessoas que conseguem "suportar muitas dores", segundo uma pesquisa da revista americana The New Yorker em 2025. Primeiros data centers de IA no Brasil podem consumir mesma energia de 16 milhões de casas Satélites gigantes e superchips: como serão os data centers no espaço? A Agência Internacional de Energia prevê que o consumo de eletricidade dos centros de dados duplicará até 2030 Getty Images via BBC Em escala global, os centros de dados representam cerca de 1,5% da demanda mundial de eletricidade. Projeções indicam que seu consumo irá duplicar até 2030, quando também poderão gerar 2,5 bilhões de toneladas de emissões de CO₂. Este número equivale a cerca de 40% de todas as emissões anuais dos Estados Unidos. A recente expansão da IA generativa agravou a situação. Ela aumentou drasticamente a demanda por sistemas de computação de alto rendimento, que consomem quantidades colossais de energia e emitem nuvens intensas de calor. A maior parte da energia consumida pelos centros de dados é gasta com "dados quentes": informações que devem estar disponíveis instantaneamente para acesso rápido e atualizações frequentes. Exemplos são transferências de dinheiro entre contas bancárias e documentos online editados regularmente. Mas a maioria dos dados do mundo não é deste tipo. Até cerca de 80%, na verdade, são "dados frios": informações de que ninguém necessita imediatamente e que, quando são necessárias, as pessoas estão dispostas a esperar minutos ou até dias para obtê-las. Eles incluem dados de conformidade, como registros financeiros ou processos de auditoria, que bancos e outras empresas devem conservar indefinidamente. Também entram nesta categoria as cópias de segurança dos e-mails ou fotos antigas, além de dados de arquivo. Mas a armazenagem destes dados apresenta problemas. Crise da memória RAM pode deixar celulares, notebooks e até carros mais caros no Brasil A maior parte deles é atualmente armazenada em discos rígidos, dentro de centros de dados. Eles devem permanecer ligados para que as informações possam ser recuperadas, o que exige energia e sistemas de refrigeração. Outra solução cada vez mais popular é a fita magnética. Ela é armazenada nas próprias instalações do centro de dados ou em bibliotecas de fitas especializadas. As fitas devem ser mantidas sob temperaturas de 16 a 25 °C, o que também implica consumo de energia para manter suas condições ideais. Além disso, elas precisam ser substituídas a cada 10 a 20 anos devido à sua degradação. Neste momento, a fita antiga é descartada como resíduo. O enorme aumento da produção de dados impulsionou forte demanda por fitas magnéticas nos últimos anos. 'Cristais de memória' Tudo isso faz com que a busca de soluções alternativas seja cada vez mais urgente. E Kazansky está adotando um enfoque inovador sobre este problema. Nos anos que se seguiram àquela primeira revelação na Universidade de Kyoto, ele descobriu que os redemoinhos com perfurações minúsculas gravadas no vidro podem ser lidos de forma muito similar aos dados transmitidos por fibra óptica. O professor explica que este método codifica dados em cinco dimensões, empregando a diferença de orientação e a intensidade da luz, combinadas com a localização de diferentes "voxels" (pixels tridimensionais individuais com coordenadas x, y e z). "Podemos empregar estas propriedades da luz para armazenar dados em cinco dimensões, em vez das três habituais", explica Kazansky, "o que é fundamental para atingirmos a alta densidade necessária para o armazenamento 'eterno'." As informações são lidas por meio de um microscópio óptico especializado, equipado com uma câmera capaz de detectar a intensidade e a polarização da luz. "Como as nanoestruturas modificam a forma em que a luz viaja através delas, usamos óptica especial para 'ver' essas mudanças de polarização, que são novamente decodificadas em dados digitais", segundo ele. Os "cristais de memória" de Kazansky precisam de energia apenas para o processo de escrita dos dados. Mas não é necessário ter energia adicional para sua manutenção e o processo de leitura também não apresenta consumo intensivo. Eles podem reter uma quantidade vertiginosa de dados em uma área muito pequena. Teoricamente, até 360 terabytes (TB) — equivalentes a 36 mil GB — cabem um disco de vidro de cinco polegadas (12,7 cm). Kazansky afirma ainda que eles podem durar essencialmente para sempre. Os discos são feitos de vidro de sílica fundida, conhecido pela sua durabilidade e estabilidade térmica. A única precaução é mantê-los dentro de um recipiente resistente, pois, por serem feitos de vidro, eles continuam sendo susceptíveis às tradicionais quebras. Cristal de vidro da SPhotonix, mostrando imagens digitais de uma pintura da caverna de Chauvet, na França, e uma imagem gerada por IA de uma alunissagem, foi lançado em órbita em junho de 2025 SPhotonix via BBC Em conjunto com seu filho, Kazansky fundou em 2024 uma empresa chamada SPhotonix, para comercializar sua ideia. A companhia completou recentemente uma rodada de financiamento de US$ 4,5 milhões (cerca de R$ 23,2 milhões). O professor afirma que a SPhotonix já está em contato com empresas de tecnologia para estrear alguns dos seus protótipos em centros de dados durante os próximos dois anos. Mas, por enquanto, ele destaca que o objetivo continua sendo "aperfeiçoar a tecnologia para garantir que ela seja suficientemente robusta" para estes usos. Atualmente, a empresa pode atingir velocidade de leitura de cerca de 30 MB por segundo. Mas ela espera aumentar a velocidade de leitura e escrita para 500 MB por segundo nos próximos três a cinco anos, segundo Kazansky. Em termos de comparação, as soluções mais recentes de armazenamento em fita magnética oferecem até 400 MB por segundo. "Nossa meta é fazer com que recuperar os dados... seja tão fácil quanto usar um disco rígido moderno", afirma ele. Mas nem todos acreditam que os cristais de memória representem o futuro imediato do armazenamento de dados. Para o professor de ciência da computação Srinivasan Keshav, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, um dos problemas é que a tecnologia não é "compatível com a infraestrutura existente", o que gera "enormes barreiras para sua adoção". Kazansky não é o único que estuda como enfrentar o enorme acúmulo de dados do século 21. Ele pode ter encontrado respostas em grãos de areia, mas outros recorreram ao substrato granular de toda a vida orgânica. Dados em DNA O físico soviético Mikhail Samoilovich Neiman (1905-1975) foi o primeiro a propor a ideia de usar o DNA como meio de armazenamento, em 1964. Demonstrações realizadas desde a década de 1980 confirmaram sua viabilidade. Seus defensores afirmam que o DNA oferece uma solução extraordinariamente eficiente e duradoura. Teoricamente, um único grama de DNA poderia armazenar até 215 petabytes (PB), ou 215 milhões de GB de dados, por milhares de anos. E transformar bytes em bases nitrogenadas é surpreendentemente simples. "Você pega seus dados digitais e os atribui aos componentes básicos do DNA", explica o professor de gestão de dados Thomas Heinis, do Imperial College de Londres. Primeiramente, as quatro letras das bases de DNA (A, T, C e G) são convertidas em 01, 00, 11 e 10. "Depois, você sintetiza uma molécula (a representação física real desses dados) e a armazena pelo tempo que quiser", afirma o professor. A frase favorita entre os pesquisadores do armazenamento de dados em DNA é que "você poderia guardar todos os dados do mundo em uma colherada", comenta Heinis. Mas ele acrescenta que, na prática, seria muito difícil localizar a informação desejada dentro daquela massa indiferenciada. O fundamental é que as necessidades de armazenamento não exigem uso intensivo de energia. "Ele é eficiente do ponto de vista energético, pois, se você guardar em local adequado, não necessita de refrigeração", segundo o professor. Estão começando a surgir startups especializadas em armazenamento em DNA. E, nos últimos anos, houve avanços na redução do custo de "leitura" do DNA, segundo Heinis. Mas o custo total ainda é um obstáculo. "Continua caro demais", afirma ele, especialmente em relação à síntese do DNA. "Na parte da 'escrita', ainda não observamos grandes avanços, de forma que isso realmente precisa ocorrer", segundo Heinis. "Quando for suficientemente barato, tudo o mais irá se encaixar." Heinis descreve os cristais de memória de Kazansky como um "concorrente direto do armazenamento em DNA", mas o DNA poderia ser vantajoso porque "sempre poderemos ler DNA", devido às suas amplas aplicações médicas. "Com outras tecnologias, a questão é por quanto tempo existirá o dispositivo de leitura." Heinis destaca que, atualmente, é cada vez mais difícil ler meios de gravação como os disquetes, que surgiram nos anos 1970, mas ficaram praticamente obsoletos no início do século 21. "Existem empresas que oferecem armazenamento de dados por mais de 100 anos. Mas quais delas continuarão existindo daqui a um século?", questiona ele. O DNA pode armazenar enorme quantidade de dados e suas necessidades de conservação não consomem muita energia Getty Images via BBC Entre as gigantes da tecnologia, a Microsoft é quem demonstrou mais interesse em experimentar novos tipos de armazenamento de dados. Em 2016, a empresa anunciou ter armazenado 200 MB de dados em DNA, incluindo um banco de sementes do Silo Global de Sementes de Svalbard e a Declaração Universal dos Direitos Humanos em mais de 100 idiomas. Em 2020, a Microsoft e outras empresas fundaram a Aliança de Armazenamento de Dados em DNA. "A demanda por armazenamento de dados na nuvem a longo prazo atinge níveis sem precedentes e estamos chegando ao limite do possível com as tecnologias atuais", declarou à BBC um porta-voz da Microsoft. A Microsoft também patrocinou o grupo de pesquisa de Kazansky na Universidade de Southampton, como parte do seu Projeto Sílica, entre 2017 e 2019. "Juntos, demonstramos o princípio fundamental; depois disso, eles continuaram desenvolvendo a tecnologia de forma independente", segundo Kazansky. Equipamentos de pesquisa para a criação de cristais de vidro desenvolvidos pela Microsoft Microsoft via BBC Em fevereiro de 2026, a Microsoft publicou um artigo na revista Nature, detalhando um novo avanço neste campo. A empresa conseguiu armazenar dados em vidro de borossilicato, o mesmo utilizado em utensílios de cozinha e portas de fornos, além do vidro padrão de sílica fundida. O vidro de borossilicato é muito mais barato, o que faz com que a ideia seja economicamente mais viável. E também é muito durável; a empresa afirma que estes dados poderiam ser armazenados por até 10 mil anos. A Microsoft informou à BBC que, embora seus testes conceituais tenham demonstrado resultados promissores, a empresa ainda não comercializa esta linha de pesquisa. Repensar a computação Solucionar o problema do armazenamento de dados a longo prazo é apenas uma parte do desafio representado pelos centros de dados e seu enorme consumo de energia. A sílica e o DNA são "muito atraentes do ponto de vista da sustentabilidade", reconhece a professora Tania Malik, da Faculdade de Computação e Cibersegurança da Universidade Tecnológica de Dublin, na Irlanda. "Mas é pouco provável que estas tecnologias substituam o armazenamento convencional para a informática cotidiana ou as cargas de trabalho de IA em um futuro próximo", alerta ela. Malik destaca que existem formas mais práticas de abordar, em curto prazo, o problema do consumo de energia associado aos "dados quentes". "Uma questão importante é melhorar a eficiência da infraestrutura, por exemplo, com processadores com uso mais eficiente de energia e técnicas avançadas de refrigeração, como a refrigeração líquida ou por ar externo", explica ela. Paralelamente, a professora destaca que existe um "reconhecimento cada vez maior de que a eficiência também deve ser abordada em nível de software e das cargas de trabalho, não apenas em nível de infraestrutura". Malik afirma que, "na informática de alto rendimento e na computação em nuvem, o rendimento tem sido tradicionalmente a métrica dominante, mas é preciso considerar a eficiência energética com a mesma importância". Para ela, "isso significa projetar algoritmos e aplicativos com consciência do consumo de energia". A professora destaca ainda que isso também implica o uso da potência adequada de computação para cada tarefa. Afinal, "nem todas as tarefas necessitam do maior modelo de IA possível, nem do tempo de execução mais rápido". Mas, frente ao acúmulo exponencial de dados, é possível que venha a ser necessária uma reorganização mais radical, segundo Malik. Será que realmente precisamos de todos os dados que produzimos? Cada vez mais, parte da solução consiste em "termos mais propósito em relação ao que decidimos conservar", conclui a professora. Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Technology.