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TP-Link lança Archer GE400 como novo roteador gamer Wi-Fi 7; veja detalhes

Publicado em: 25/10/2025 08:00 Fonte: Tudocelular

A TP-Link apresentou um novo produto com foco no público gamer. Trata-se do roteador Archer GE400, modelo que vem com tecnologias atualizadas na parte de conectividade (Wi-Fi 7), além de também ter elementos de iluminação RGB. Além disso, é um modelo que pode chegar em uma faixa de preço mais em conta. Essa pegada de um roteador mais acessível começou com o modelo Archer BE3600 da própria marca. Agora, ela visa ampliar as opções com o lançamento desse dispositivo que possui compatibilidade com redes Wi-Fi 7. Nesse sentido, a ideia é que o novo modelo se posicione abaixo dos Archer GE650 e Archer GE800.Ao que tudo indica, o roteador vem com velocidades de até 6,5 Gbps, enquanto na banda de 5GHz o número fica em 5.765 Mbps e 688 Mbps na faixa de 2,4 GHz. Isso é resultado da implementação das tecnologias MLO e 4K-QAM do Wi-Fi 7. O produto possui seis antenas para máxima cobertura, com Beaforming. Clique aqui para ler mais

Palavras-chave: tecnologia

EUA e China tentam evitar escalada da guerra comercial e garantir reunião entre Trump e Xi nas negociações da Malásia

Publicado em: 25/10/2025 07:41

Por que os ímãs estão no centro da disputa comercial entre China x EUA? Autoridades econômicas dos Estados Unidos e da China encerraram seu primeiro dia de negociações em Kuala Lumpur no sábado (25), com um porta-voz do Tesouro descrevendo-as como "muito construtivas". As duas maiores economias do mundo estão tentando evitar uma escalada na guerra comercial e garantir que uma reunião aconteça na próxima semana entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp As negociações à margem da cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático traçarão um caminho a seguir depois que Trump ameaçou novas tarifas de 100% sobre produtos chineses e outras restrições comerciais a partir de 1º de novembro, em retaliação aos controles de exportação amplamente expandidos da China sobre ímãs de terras raras e minerais. As ações recentes, que também incluem uma lista de exportações dos EUA expandida que abrange milhares de empresas chinesas, interromperam uma delicada trégua comercial elaborada pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e pelo vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, em quatro reuniões anteriores desde maio. O principal negociador comercial da China, Li Chenggang, também participa das negociações. Uma testemunha da Reuters viu Li chegando ao lado de He no início do dia. Sobre as negociações, um porta-voz do Tesouro disse: "Elas foram muito construtivas e esperamos que sejam retomadas pela manhã". O governo da Malásia e os lados americano e chinês forneceram poucos detalhes sobre a reunião ou quaisquer planos de informar a mídia sobre os resultados. Pontos em discussão entre Estados Unidos e China EUA x China e a ‘lei da selva’  Os três funcionários tentarão abrir caminho para que Trump e Xi se encontrem na próxima quinta-feira em uma cúpula de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico na Coreia do Sul, uma conversa de alto risco que pode girar em torno de algum alívio temporário em tarifas, controles de tecnologia e compras chinesas de soja dos EUA. Minutos antes do início das negociações, Trump deixou Washington para sua viagem pela Ásia e expôs vários pontos de discussão para o encontro com Xi. Ele disse que os agricultores, afetados pelo congelamento chinês nas compras de soja dos EUA, e a ilha democrática de Taiwan, que a China reivindica como seu território, estariam na lista de tópicos discutidos. Trump acrescentou que não tem planos de visitar Taiwan. Ele também destacou a libertação do magnata da mídia de Hong Kong, Jimmy Lai, cujo caso se tornou o exemplo mais notório da repressão da China aos direitos e liberdades no centro financeiro asiático. "Temos muito o que conversar com o presidente Xi, e ele tem muito o que conversar conosco. Acho que teremos uma boa reunião", disse Trump. Trump deixou Washington na sexta-feira à noite para uma viagem de cinco dias à Malásia, Japão e Coreia do Sul, sua primeira viagem à região e a mais longa viagem ao exterior desde que assumiu o cargo em janeiro. A bordo do Força Aérea Um, ele disse aos repórteres que também gostaria que a China ajudasse Washington em suas negociações com a Rússia. Equilíbrio delicado Josh Lipsky, presidente de economia internacional do Atlantic Council em Washington, disse que Bessent, Greer e He devem primeiro encontrar uma maneira de atenuar sua disputa sobre as restrições à exportação de tecnologia dos EUA e os controles de terras raras da China, que Washington quer reverter. "Não tenho certeza se os chineses podem concordar com isso. É a principal vantagem que eles têm", disse Lipsky. Alguns desses anúncios podem recair sobre Trump, que deve chegar à capital da Malásia no domingo. "Não saberemos se Pequim conseguiu contrabalançar com sucesso os controles de exportação dos EUA com suas próprias restrições ou se induziu a continuação de uma espiral de escalada até que Trump e Xi se encontrem", disse Scott Kennedy, especialista em economia da China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington. "Se eles fizerem um acordo, a jogada terá valido a pena. Se não houver acordo, todos precisarão se preparar para que as coisas fiquem muito mais feias." Terras raras e a escalada tarifária Terras raras e mineração: qual o impacto ambiental? As duas maiores economias do mundo estão tentando evitar que a escalada tarifária retorne a níveis de três dígitos em ambos os lados. O primeiro encontro de Bessent e Greer com He em Genebra, em maio, levou a uma trégua de 90 dias, que reduziu drasticamente as tarifas para cerca de 55% do lado americano e 30% do lado chinês, e retomou o fluxo de ímãs. A trégua foi prorrogada em negociações subsequentes em Londres e Estocolmo e expiraria em 10 de novembro. Mas a delicada trégua se desgastou no final de setembro, quando o Departamento de Comércio dos EUA expandiu enormemente uma lista negra de exportações para incluir automaticamente empresas com mais de 50% de propriedade de empresas já presentes na lista, proibindo as exportações dos EUA para milhares de outras empresas chinesas. A China reagiu com novos controles globais de exportação de terras raras em 10 de outubro, com o objetivo de impedir seu uso em sistemas militares. Bessent e Greer criticaram a medida da China como uma "tomada de poder na cadeia de suprimentos global" e prometeram que os EUA e seus aliados não aceitariam as restrições. A Reuters informou que o governo Trump está considerando um plano para aumentar a pressão com restrições a uma gama estonteante de exportações de software para a China, de laptops a motores a jato. O governo Trump aumentou a tensão na sexta-feira ao anunciar uma nova investigação tarifária sobre o "aparente fracasso" da China em cumprir os termos do acordo comercial de "Fase Um" entre EUA e China de 2020, que interrompeu a guerra comercial durante o primeiro mandato de Trump. LEIA TAMBÉM: Terras raras: como a China encontrou 'ponto fraco' de Trump Preço da soja despenca nos EUA com guerra comercial com a China; produtores pedem acordo comercial As 5 vantagens da China na guerra comercial com Trump e os EUA

Palavras-chave: tecnologia

Mais de 4 mil alunos devem fazer 2ª fase da Olimpíada Brasileira de Matemática; veja locais de prova

Publicado em: 25/10/2025 07:01

Alunos do AC recebem medalhas por desempenho na etapa estadual da OBMEP em 2024 Mais de 4 mil estudantes de escolas públicas estaduais, federais e privadas do Acre participam, neste sábado (25), da segunda fase da 20ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Privadas (OBMEP). Em Rio Branco, onde há 1.442 selecionados, as provas serão aplicadas em cinco escolas a partir das 12h30 (horário local). É aconselhável que os estudantes cheguem com uma hora de antecedência. (Veja os locais mais abaixo) 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp A competição é nacional e ocorre, simultaneamente, em todo o país. Os Centros de Aplicação podem ser consultados no site da OBMEP e os estudantes devem portar documento de identificação. Também é permitido o uso de lápis e caneta esferográfica azul ou preta. Segundo o coordenador estadual, Sandro Ricardo, a avaliação é composta por seis questões discursivas, com duração de três horas. No estado acreano, as provas seguem até às 15h30. "Nos dois anos anteriores, nós centralizamos essa aplicação em um local só. No ano passado, por exemplo, foi na Ufac. Mas observamos que estava ocorrendo alguma evasão por conta [da distância] do local. Então, espalhamos pela cidade e vamos aplicar provas em cinco centros de aplicação", disse. Os locais de aplicação são: Escola Dr. Carlos Vasconcelos - Triângulo Novo Colégio Acreano - Centro Instituto de Educação Lourenço Filho - Bosque Escola Diogo Feijó - Floresta Escola Raimundo Gomes de Oliveira - Tucumã "Estamos tentando exatamente diminuir essa evasão, porque a ideia da OBMEP é exatamente identificar essas pedras preciosas que estão, às vezes, escondidas, e que precisam ser lapidadas. Não precisa que o aluno depois vá para a área de matemática, mas a gente sabe que as disciplinas de matemática e português influenciam muito em relação às outras", complementou. Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) é uma competição nacional Obmep/Divulgação/Arquivo Brasil Em todo o país, mais de 900 mil alunos do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, classificados na primeira fase, estão aptos a participar da prova e concorrer às premiações da maior competição científica do Brasil, realizada desde 2005 pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa). Segundo a OBMEP, a iniciativa alcançou 5.556 municípios, o que corresponde a 99,93% das cidades brasileiras e mais de 57,2 mil escolas participantes. Oportunidades a partir da OBMEP Entre as oportunidades oferecidas pela competição científica está o Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC Jr.), que oferece aulas avançadas de matemática para medalhistas nacionais da OBMEP. Alunos de escolas públicas que integram o programa recebem uma bolsa mensal de R$ 300, concedida pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Outra possibilidade para os estudantes premiados é o ingresso no IMPA Tech, programa de graduação do Instituto de Matemática Pura e Aplicada que oferece bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação. O processo seletivo leva em conta o desempenho em cinco olimpíadas científicas, como a OBMEP. Na edição de 2023, por exemplo, uma aluna de Brasiléia foi medalhista de prata a âmbito nacional e, agora, é estudante da instituição. Cerimônia premiou dezenas de estudantes com desempenho satisfatório na OBMEP 2024 em Rio Branco Sandro Ricardo/Arquivo pessoal Além disto, na última quinta-feira (23), uma cerimônia na Universidade Federal do Acre (Ufac) concedeu medalhas a estudantes que tiveram desempenho satisfatório na etapa estadual da prova. (Veja vídeo no início da reportagem) "Então são oportunidades, janelas, portas que se abrem para os alunos que são medalhistas", complementou o coordenador estadual. Nesta edição, mais de 8,4 mil medalhas nacionais serão distribuídas, sendo 650 de ouro, 1.950 de prata e 5.850 de bronze, além de 50 mil menções honrosas e 20,5 mil medalhas estaduais. VÍDEOS: g1

Palavras-chave: tecnologia

Unicamp 2026: como revisar os livros obrigatórios da 1ª fase na véspera do vestibular

Publicado em: 25/10/2025 07:01

Unicamp 2026: veja tudo o que você precisa saber sobre o vestibular A 1ª fase do vestibular da Unicamp 2026, que será aplicada neste domingo (26), pode exigir dos candidatos a resolução de questões que abordam nove livros indicados pela universidade. O g1 conversou com um professor de literatura para entender o que pode ser feito na véspera da prova para que os candidatos se familiarizem um pouco mais com essas obras. 🚨O principal é: para quem não leu ou não sabe se entendeu, a dica é não cair no desespero. Vinicius Teixeira, do Colégio Oficina do Estudante, lembra que a Unicamp privilegia o olhar crítico e interpretativo -- não precisa querer decorar a obra -- e é possível reforçar o conhecimento com materiais de apoio. “A Unicamp tem um projeto chamado Cria Unicamp, com aulas no YouTube sobre as obras literárias, e o site da Comvest reúne provas anteriores com comentários e índices de acertos. É um excelente material para entender o tipo de questão que a banca elabora”, explica o professor Vinicius Teixeira. LEIA TAMBÉM: Unicamp 2026: veja tudo o que você precisa saber sobre o vestibular Temas e conexões 1ª fase do vestibular da Unicamp 2025 Antonio Trivelin/g1 Segundo Teixeira, uma das principais habilidades avaliadas no vestibular da Unicamp é a capacidade do estudante em estabelecer relações. O docente orienta que o estudante possa usar as obras para analisar temas que estão sendo discutidos atualmente na mídia, como, por exemplo, as questões climáticas da COP 30 ou o conceito de modernização. Entenda: 📖 Meio Ambiente (COP 30): o professor destaca que o tema ambiental, central por conta da COP 30, pode ser facilmente ligado à obra ‘A vida não é útil’, de Ailton Krenak. A literatura, neste caso, serve como um motor de reflexão sobre as "relações do homem com a natureza" e a necessidade de políticas públicas que mitiguem os problemas climáticos. 📖 Tecnologia/Modernização: embora as obras não tratem diretamente de inteligência artificial ou dos avanços na tecnologia de baterias, por exemplo, o tema da modernização e seus custos sociais podem ser analisados através de autores clássicos, como Lima Barreto. Teixeira cita ‘Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá’ para refletir sobre como o desenvolvimento e a modernização podem gerar ônus, como a marginalização de pessoas. A história se passa no Rio de Janeiro do século XX, que enfrentava reformas urbanas que contribuíram para a circulação na cidade, mas acabou por provocar o início do processo de favelização. 📖 Problemas Sociais: a literatura que aborda a "escrevivência" em ‘Olhos d'Água’, de Conceição Evaristo, pode ser cobrada em conjunto com dados e matérias do cotidiano. O conceito foi criado pela escritora brasileira para unir, como sugere o termo, a escrita e vivência. Em edições anteriores, por exemplo, a Unicamp já conectou o conto ‘Maria’, de Evaristo, sobre o assassinato de uma mulher no ônibus, com casos de violência e fake news da época, exigindo uma análise da conexão entre a arte e crimes bárbaros na sociedade. Prova de interpretação sem “pegadinhas” Para Teixeira, as questões de literatura exigem dos candidatos uma extrema atenção na leitura dos enunciados e alternativas apresentadas. Característica que pode ser considerada uma vantagem, pois não é uma prova de “decoreba” e é possível encontrar pistas para as respostas no próprio texto. “A gente tem desde Machado de Assis até textos mais contemporâneos, como a ‘A vida não é útil’ do Ailton Krenak, ‘Olhos d'Água’ da Conceição Evaristo. Então confie no enunciado, olhe para os excertos que aparecem na prova porque eles direcionam, eles organizam, eles sistematizam o pensamento para esse estudante conseguir fazer uma boa prova”, fala O professor também reforça que a Unicamp não usa “pegadinhas” para elaborar as perguntas, mas incentiva que o estudante exercite interpretação e raciocínio. A universidade procura “alunos leitores” que conseguem fazer inferências e relacionar partes de um texto. “Foi-se o tempo em que o vestibular fazia perguntas para confundir o aluno. Hoje, as bancas querem selecionar estudantes preparados, que saibam ler o enunciado com atenção. O enunciado é o melhor amigo do candidato: se ele for ignorado, pode se tornar o pior inimigo”, conta. Como estudar na reta final? 📖 Provas anteriores: para o professor, o melhor método "em cima da hora" é olhar para as questões anteriores e para o material que a própria Comvest disponibiliza no seu site oficial, o que inclui, além das respostas e os comentários, os índices de acerto. 📖 ‘Cria Unicamp’: projeto com material de aulas e análises feitas por vários professores convidados sobre obras e outras disciplinas. Esse material está disponível no site da Comvest e os vídeos no canal oficial da Unicamp no YouTube. 📖 Cuidado com o ChatGPT: Teixeira não indica o uso de resumos gerados por inteligências artificiais. Ele afirma que o vestibular não busca a capacidade de memorização do estudante, mas, sim, a de fazer reflexões e a bagagem de leitura. Outra dica é a busca por materiais de suporte para enriquecer o contato com os livros, o professor sugere procurar pela obra em outros suportes de informação: Ailton Krenak: documentário ‘Vozes da Floresta’, entrevistas e palestras que abordam a base de oralidade do autor, que atua na luta pela proteção da natureza e dos povos originários ao menos desde a década de 1980. Conceição Evaristo: entrevistas com a escritora. Ela está em plena produção, então, não é difícil encontrar debates que ajudem a entrar em contato com a "voz" da autora. Para Alice no País das Maravilhas: filmes como o de Tim Burton podem ajudar na conexão, mas não substituem a leitura. Lima Barreto: ler crônicas curtas, como Queixa de Defunto, pode ajudar a entender a mistura que o autor faz entre humor e a crítica social. Adaptações em diversos formatos alternativos, como os audiolivros: podem apresentar outra perspectiva do texto e ser bastante interessantes. Primeira fase x segunda fase As questões de Literatura na Unicamp não estão restritas apenas à primeira fase, e possuem características bem específicas em cada momento. Assim, o professor falou sobre alguns pontos de atenção que precisam ser tomados: Leitura na 1ª e 2ª fase do Vestibular da Unicamp Lista de Obras Indicadas – Vestibular 2026 Prosas seguidas de odes mínimas (José Paulo Paes) Olhos d’água (Conceição Evaristo) A vida não é útil (Ailton Krenak) Casa Velha (Machado de Assis) Vida e morte de M.J. Gonzaga de Sá (Lima Barreto) No seu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie) Morangos mofados - Contos escolhidos (Caio Fernando Abreu) Canções escolhidas (Cartola) Alice no país das maravilhas (Lewis Carroll) Como o tema foi cobrado em anos anteriores? 1ª fase 2025: O excerto a seguir, do livro Alice no país das maravilhas, de Lewis Carrol, narra o encontro entre a protagonista e o Gato de Cheshire: O Gato apenas sorriu ao avistá-la. Alice achou que ele parecia afável. Mas como tinha garras muito compridas e dentes bem graúdos, sentiu que devia tratá-lo com respeito. – Gatinho de Cheshire – começou a dizer timidamente, sem ter certeza se ele gostaria de ser tratado assim, mas ele apenas abriu um pouco mais o sorriso. “Ótimo, parece que ele gostou”, pensou ela, e prosseguiu: – Podia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui? – Isso depende muito do lugar para onde você quer ir – disse o Gato. – Não me importa onde... – disse Alice. – Nesse caso não importa por onde você vá – disse o Gato. – ...conquanto que eu chegue a algum lugar – acrescentou Alice como explicação. – É claro que isso acontecerá – disse o Gato –, desde que você ande por algum tempo. (CARROLL, L. Aventuras de Alice no país das maravilhas. Tradução de Sebastião Uchoa Leite. São Paulo: Editora 34, p. 68-69, 2016.) A partir da leitura do trecho e da compreensão do todo da narrativa, pode-se afirmar que o excerto é um exemplo: a) do afeto que marca o contato que Alice estabelece com os habitantes do país das maravilhas. b) do estranhamento que Alice experimenta ao conhecer seres que não existiam no mundo de onde ela veio. c) da descoberta, por parte de Alice, do domínio que ela tem sobre as situações no país das maravilhas. d) da percepção, por parte de Alice, de que as palavras não têm sempre o mesmo sentido para quem as usa. Resposta da questão: D Assim, é correta a opção [D], pois, quando Alice pede ao Gato que lhe aponte o caminho para sair dali, o gato não responde objetivamente, pois é preciso saber qual o destino desejado. Cena da adaptação de 1951 de Alice no País das Maravilhas Reprodução/Walt Disney Pictures 2ª fase 2025: Em 1843, Gonçalves Dias compôs o poema “Canção do Exílio”, que serviu de inspiração a vários poetas ao longo do tempo, de que são exemplos o poema de José Paulo Paes e a canção de Chico Buarque de Holanda e Tom Jobim, reproduzidos a seguir. Canção do exílio, José Paulo Paes Um dia segui viagem sem olhar sobre o meu ombro. Não vi terras de passagem Não vi glórias nem escombros. Guardei no fundo da mala um raminho de alecrim. Apaguei a luz da sala que ainda brilhava por mim. Fechei a porta da rua a chave joguei ao mar. Andei tanto nesta rua Que já não sei mais voltar (PAES, José Paulo. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 19, 1992.) Sabiá , Chico Buarque de Holanda – Tom Jobim Vou voltar Sei que ainda vou voltar Para o meu lugar Foi lá E é ainda lá Que eu hei de ouvir cantar Uma sabiá Vou voltar Sei que ainda vou voltar Vou deitar à sombra de uma palmeira Que já não há Colher a flor Que já não dá E algum amor Talvez possa espantar As noites que eu não queria E anunciar o dia Vou voltar Sei que ainda vou voltar Não vai ser em vão Que fiz tantos planos de me enganar Como fiz enganos de me encontrar Como fiz estradas de me perder Fiz de tudo e nada de te esquecer (CHEDIAK, Almir (Org.). Songbook Tom Jobim. Rio de Janeiro: Lumiar Editora, p. 88-89, 1990.) Identifique, em cada poema, a posição do eu-lírico em relação ao exílio. Justifique sua resposta apontando elementos de ambos os textos. Os dois poemas reproduzidos acima apresentam “negações”, a exemplo das que vemos nos versos “sem olhar sobre o meu ombro”, “não vi terras de passagem”, “não vi glórias nem escombros”, “que já não sei mais voltar”, “(...) uma palmeira que já não há”, “(...) a flor que já não dá”. Interprete comparativamente, em cada um dos poemas, o sentido da recorrência das negações. Resposta comentada: a questão aproveita um livro da lista obrigatória “Prosas seguidas de odes mínimas”, de José Paulo Paes e, com isso, estabelece comparações com outros autores e tempos literários. a) No poema de Paulo Paes, “Canção do exílio”, o eu lírico associa o exílio a um percurso existencial com o objetivo de crescimento e amadurecimento. As expressões como “Um dia segui viagem /sem olhar sobre o meu ombro”, “Apaguei a luz da sala”, “Fechei a porta da rua/a chave joguei ao mar” traduzem um contexto íntimo que demonstram o desejo de viver experiências. Já no poema de Chico Buarque, “Sabiá”, o eu lírico utiliza imagens nostálgicas para indicar a vontade de voltar, “Sei que ainda vou voltar / Para o meu lugar”. b) As negações no poema “Canção do exílio” de Paulo Paes, como em “Não vi terras de passagem/Não vi glórias nem escombros” revelam a indiferença das experiências que poderão aparecer ao longo do percurso sem desejo de retorno a um passado. Já no poema de Chico Buarque, “Sabiá”, o eu lírico manifesta o desejo de retorno ao passado, “Sei que ainda vou voltar/ Para o meu lugar”, o que talvez se torne impossível pela transformação das circunstâncias políticas que ocorreram no país: “uma palmeira que já não há”, “a flor que já não dá”. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.

Saúde dos professores: mais de 1,7 mil profissionais da rede estadual se afastaram por adoecimento mental em 2025

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Psicólogo comenta sobre afastamento e bem-estar de professores Mais de 1.700 professores da rede estadual no Tocantins foram afastados por questões relacionadas à saúde mental, em 2025. Na rede municipal de Palmas, o número de licenças médicas concedidas a professores da rede pública chega a 769, no ano. O município não especificou quais os motivos dos afastamentos (veja os dados abaixo). "Eu fiquei sem sentir a minha perna por um dia inteiro, eu fiquei cega por um dia inteiro, crise de ansiedade. O médico jurou que eu estava tendo um derrame. Eu passei várias vezes por um fio para ter um ataque cardíaco. Então assim, a situação que nós estamos vivendo é desesperadora", contou uma professora. Sobrecarga, ameaças, violência verbal, ansiedade e falta de assistência médica estão entre os fatores relatados por professores. Veja relatos de quem vivencia o ambiente escolar no Tocantins. A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) afirmou que tem adotado medidas contínuas de aperfeiçoamento da gestão escolar, apoio técnico e acolhimento aos servidores (confira abaixo o que disse o órgão sobre os assuntos levantados pelos docentes). A Secretaria Municipal de Educação (Smed) afirmou que "mantém o Programa Saúde do Educador, que está desenvolvendo protocolos institucionais voltados ao bem-estar dos servidores, incluindo ações de acolhimento, acompanhamento psicológico e orientações para lidar com situações de vulnerabilidade e violência no ambiente escolar". ➡️ Na reportagem você confere: Dados sobre professores afastados no Tocantins Relatos de professores da rede pública O que aconteceu com professor de Palmas após agressão na sala de aula Crise dos recém-concursados Saúde mental dos professores como um problema coletivo Professores afastados no Tocantins A rede estadual do Tocantins possui 4.047 professores efetivos e 3.809 contratados, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seduc). O número de afastamentos por saúde mental entre esses profissionais entre janeiro e setembro de 2025 superou o quantitativo de licenças concedidas em todo o ano de 2024. Somente em 2025, mais de 1.700 professores do Estado foram afastados por questões relacionadas à saúde mental. O número corresponde a 22,29% do total de profissionais da rede estadual. Veja no gráfico abaixo: Na rede municipal de educação de Palmas, entre janeiro e 13 de outubro de 2025, foram concedidas 769 licenças médicas para professores. No ano passado, foram autorizadas 1.039 licenças. O município não especificou quais tipos de licenças médicas foram solicitadas nesses períodos. Conforme a Secretaria Municipal de Educação (Semed), "por questões éticas e de sigilo profissional, não é possível divulgar as causas dos afastamentos". O Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado do Tocantins (Sintet) informou que tem recebido denúncias feitas por professores sobre assédio moral e outras situações. Conforme o sindicato, é oferecida orientação jurídica gratuita aos filiados, especialmente sobre as licenças para tratamento de saúde e garantia dos direitos trabalhistas e previdenciários. 'Como se não tivesse direito ao descanso' Em entrevista ao g1, professores da rede pública de ensino no Tocantins compartilharam as principais problemáticas vivenciadas no ambiente escolar. Os nomes deles e locais de atuação não serão revelados na reportagem por questões se segurança. Confira abaixo os depoimentos desses profissionais. Sala de aula em escola pública do Tocantins Elias Oliveira/Governo do Tocantins Violência verbal e falta de respeito Com 27 anos de carreira na educação, sendo 13 deles em uma única escola, uma professora da rede estadual dá aulas turmas com 40 a 45 estudantes. Ela conta que a falta de respeito com o professor e a violência verbal têm prejudicado o dia a dia dos educadores. "O aluno não tem mais respeito nenhum pelo professor. Ele não tem respeito pelo patrimônio, ele não tem respeito pelo copo que ele bebe, pela vasilha que ele come, manda tomar no [...] a hora que quer. Então, é isso que nos adoece mesmo", contou. O excesso de projetos também tem sido um dos problemas desses profissionais, conforme a professora. "Lá em cima, na cúpula, eles montam um monte de projeto e jogam para a gente. Eles não testam. Quem tem que testar e ver se dá certo somos nós, professores". Como se não tivesse direito ao descanso Trabalhando na área da educação há 10 anos, outra professora da rede estadual e recentemente realizou o sonho de tomar posse como efetiva no concurso da educação do Estado. Mas, desde que passou a atuar em uma escola no estado, tem sofrido com burocracias como o funcionamento do Sistema de Gestão Escolar (SGE). Segundo a educadora, problemas no sistema e preenchimentos de uma mesma informação repetidas vezes na plataforma tomam muito tempo, principalmente nos finais de semana. "Então nós temos que planejar uma mesma aula várias vezes. É um plano de curso, é um plano de aula, é um plano diário, é a mesma coisa, só que dividida em formas diferentes. Isso demanda muito do nosso tempo, por mais que a gente reclame, por mais que a gente fale, ainda assim eles não nos atendem". No caso dela, além do SGE, ainda é necessário fazer o preenchimento de planilhas. "É como se a gente tivesse que provar que está o tempo todo trabalhando. É como se a gente não tivesse direito ao descanso". Como foi efetivada recentemente, ela afirma que a pressão é maior devido ao período probatório. Segundo a professora, os educadores são "coagidos o tempo todo, assediados o tempo todo e perseguidos". Por conta da sobrecarga de trabalho e perseguição, a professora teve problemas de saúde relacionados ao desgaste mental e precisou fazer uso de medicamentos para ansiedade. "Cheguei aqui com uma saúde 100%. Eu nunca tive que tomar remédio para controlar a ansiedade, para controlar qualquer coisa. Aqui adquiri uma ansiedade que quase me matou. Por várias vezes eu fui para o hospital, com o meu coração acelerado de tal forma e com a pressão tão alta, a ponto de dar um infarto, a ponto de dar um derrame, crise de ansiedade", contou. Sem tempo para organizar uma boa aula Outro professor ouvido pela reportagem também trabalha na área da educação há cerca de 10 anos. Segundo ele, os problemas com a saúde mental afetam não só os educadores, mas impactam diretamente os alunos. "Se a gente não tem um projeto de vida, porque a gente está ferido psicologicamente, a gente está passando por toda essa pressão, a gente não consegue atender o nosso alunado. Então, as aulas não vão ser tão boas, ela poderia ser melhor, mas com tanta burocracia de sistema, com tudo aquilo, você acaba não tendo tempo até para organizar uma boa aula, por exemplo. Então, isso impacta diretamente a aprendizagem dos alunos, com certeza", contou. Segundo o professor, apesar de o Estado ter um programa de bem-estar para os profissionais da educação, as atividades realizadas não atendem às necessidades dos educadores. "A gente não teve um psicólogo ali para fazer uma terapia quando precisa, a gente não teve apoio de nada. Simplesmente chamam um professor de educação física, faz um alongamento, tá feito, pronto. Curou o professor. E não é assim". Além do adoecimento mental, alguns professores também sofrem com a violência física, como aconteceu neste ano em Palmas. O que diz a Seduc sobre os problemas com o SGE? A Secretaria informou que mantém contato direto e diário com a empresa responsável pela manutenção do SGE e que solicita a implementação de correções e melhorias sempre que necessário. O governo disse que foi criado um Comitê de Gestão do SGE para tornar a ferramenta mais eficiente e desburocratizada para o professor. A secretaria afirmou que os problemas relatados pelos professores são acompanhados pelas Superintendências Regionais de Educação. Também foi informado que os docentes podem solicitar suporte direto por meio de e-mail, call center e grupos de WhatsApp. O que diz a Seduc sobre o bem-estar dos professores? O governo disse que as equipes das superintendências e escolas têm realizado orientações e acompanhado a ambiência e o clima escolar. A secretaria também citou que foi decretada a Polícia Pública de Bem-Estar Profissional (Probem), que atua em três eixos: Atenção ao bem-estar profissional, voltada à percepção de emoções e satisfação no ambiente de trabalho; Valorização dos profissionais da educação, com práticas que favorecem vivências de bem-estar, saúde integral e desenvolvimento pessoal e relacional; Qualidade de vida no trabalho, integrando as condições laborais às necessidades biopsicossociais e culturais dos servidores. LEIA TAMBÉM Professora registra boletim de ocorrência após ser agredida com soco e ameaçada por estudante em sala de aula Aluno de 17 anos é suspeito de agredir professor com cadeira e socos dentro de sala de aula, diz Polícia Militar Pai de aluna dá nove socos em professor após bronca por uso de celular em sala de aula Agressão na sala de aula Colégio Estadual Criança Esperança, na região norte de Palmas Reprodução/Google Street View Em agosto de 2025, um professor do Colégio Estadual Criança Esperança, na região norte de Palmas, foi agredido com uma cadeirada e socos por um adolescente de 17 anos. A agressão aconteceu no momento em que o professor apagava o quadro para iniciar a aula. O jovem deu uma cadeirada e, em seguida, continuou o ataque com socos. "Doeu bastante, foi um susto, mas ainda assim eu estava acreditando que era um acidente, que algum aluno esbarrou em mim ou jogou a cadeira sem querer, ou que a intenção era outra e não me acertar", relembrou o professor. O professor tomou posse no último concurso público da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e pediu afastamento por causa do trauma que passou. Ao g1, o professor informou que segue afastado. Ele foi informado, na época, que receberia apoio do departamento de Política de Bem-Estar do Profissional da Educação (Probem) da Seduc, mas só foi procurado pela equipe do programa nesta sexta-feira (24). "Vieram ver como eu estava e dizer que posso procurar atendimento quando precisar lá na Superintendência Regional de Educação, na equipe multi de lá", contou. A Secretaria de Educação disse que está realizando os devidos encaminhamentos para garantir o atendimento multiprofissional, incluindo suporte psicológico e médico, conforme avaliação técnica. A Seduc informou que "trata com seriedade todas as situações de violência ou ameaças no ambiente escolar". Segundo o órgão, os casos comunicados para a ouvidoria são apurados pelos setores competentes, que promovem orientação, formação e acompanhamento dos profissionais envolvidos. A secretaria disse que também são realizadas "mentoria e suporte às equipes gestoras para a construção de ambientes escolares mais seguros e acolhedores". Crise dos recém-concursados Sala de aula vazia em escola de Gurupi Prefeitura de Gurupi/Divulgação Quem passou no último concurso da educação no Tocantins, realizado em 2023, tem enfrentado a realidade dos ambientes escolares. Muitos que foram designados para trabalhar nas salas de aula estão pedindo transferência para outros setores ou estão solicitando afastamento médico. "Eu tenho 13 anos nessa escola. Os novatos que tomaram posse no ano passado e neste ano, os recém-concursados, muitos que vieram, não ficaram", contou uma professora da rede estadual. Um dos professores entrevistados contou que, por causa da ansiedade provocada pelo ambiente escolar, teve sintomas físicos semelhantes a um infarto. Como entrou no último concurso da educação do Estado, apesar de ter o direito ao afastamento, preferiu não solicitar a licença por causa do período probatório. "Há uma pressão constante. Tudo é utilizado desse probatório, então a gente tem que sofrer calado, basicamente. Então a gente acaba ficando doente. Não pode pedir uma licença porque senão a gente vai ser prejudicado no probatório". Conforme o psicólogo e doutor em psicologia social, Ladislau Ribeiro, a nova geração de professores tem vivenciado uma frustração nos ambientes escolares. Acolher esses profissionais e fazer uma boa integração entre os experientes e novatos é uma oportunidade de promover melhorias na educação. "Muitos chegam com vontade de darem o seu melhor no exercício da docência, mas rapidamente se frustram porque se deparam com ambientes que nem sempre são muito acolhedores. É muito importante nós aproveitarmos o desejo, este ânimo e a criatividade dos professores que estão chegando. Eles ainda não têm experiência, mas, se houver uma boa integração envolvendo gerações mais experientes com esta turma um pouco mais nova, as chances de haver uma melhoria na qualidade da educação, elas serão muito grandes", explicou. Saúde mental dos professores é um problema coletivo Em entrevista ao g1, o psicólogo Ladislau Ribeiro falou como o adoecimento mental dos professores acaba sendo um problema coletivo, que afeta os educadores, os alunos e familiares. Ele explica que a natureza da atividade docente mudou com os avanços tecnológicos e isso levou a uma série de problemas. "Os professores passaram a lidar com muitos sistemas. Precisam lidar com demandas administrativas, com dados que antigamente eram alimentados por técnicos de secretaria. Quando o professor não se encontra em condições mínimas para se regular na relação com os alunos e na relação com o seu trabalho, que é um trabalho complexo, obviamente o coletivo sente". Esse acúmulo de serviços é um fator que faz os professores lidarem com estresse e esgotamento físico e mental. Esses sintomas muitas vezes se apresentam por meio da Síndrome de Burnout, doença que leva ao esvaziamento e falta de sentido em atividades cotidianas. "Então, no caso dos profissionais professores, a Burnout se expressa como um esvaziamento de sentido na relação do professor com o trabalho, com os alunos, com a própria missão que nós temos, que é a missão de educar, de transformar vidas através da educação. Então, um professor com esta síndrome, em geral, não consegue mais executar as tarefas mais simples, com as quais ele estava habituado a lidar", explicou. Isso impacta a forma como esses profissionais se veem enquanto educadores, pois a docência muitas vezes é atrelada à identidade. Esses trabalhadores são lidos como professores dentro e fora da sala de aula. "A autoestima tem muito a ver com o reconhecimento que um sujeito conquista na relação com o outro. O professor começa a duvidar da sua capacidade na medida em que ele percebe uma dificuldade de manter os alunos concentrados em sua aula, quando nas reuniões de planejamento suas ideias já não têm a mesma repercussão, quando as pessoas começam a olhar esse profissional com um olhar distinto". Segundo o Ladislau, o adoecimento mental pode provocar sintomas físicos como: Quedas de cabelo Distúrbios do sono Dificuldades de concentração Aumento na irritabilidade Aperto no peito Dificuldade para respirar Mas como ajudar esses professores? Para o psicólogo, ouvi-los é o primeiro passo. "Se os professores forem ouvidos, se eles tiverem condições de se perceberem como parte desse processo de formação, a tendência é de que os resultados sejam alcançados de um modo satisfatório", afirmou. Segundo o presidente do Sintet, José Roque Santiago, é necessário um ambiente de trabalho saudável para os professores, valorização financeira e investimento nos espaços escolares. "Tem que vir uma parte para valorizar e a para outra reconhecer. Valorizar monetariamente, financeiramente. Reconhecer é outra coisa nós precisamos de democracia dentro das escolas, um ambiente de trabalho saudável, com a participação de todos e de todas no que diz respeito ao dia a dia da escola. Isso precisa ser reconhecido. E os espaços escolares. Escolas precarizadas não ajudam na educação", disse. Dia do Professor: profissionais compartilham história, amor e conhecimento Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.

Palavras-chave: vulnerabilidade

Professor transforma bairro em sala de aula e é finalista do Prêmio Educador Nota 10 com projeto de sustentabilidade

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Rafael César Silva é um dos finalistas do Prêmio Educador Nota 10 Rafael César Silva/Arquivo pessoal Quando o professor de geografia Rafael César Silva, de 29 anos, decidiu levar seus alunos para “dentro” do bairro Matosinhos, em São João del Rei, com a produção de maquetes, ele não imaginava que essa escolha o colocaria entre os nove finalistas do Prêmio Educador Nota 10, um dos mais importantes reconhecimentos da educação brasileira. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp O projeto "Riscos em Perspectiva: o bairro Matosinhos em maquetes" nasceu em 2024, com alunos do 1º ano do ensino médio integral da Escola Estadual Governador Milton Campos. A ideia era usar maquetes para representar áreas de risco ambiental do bairro onde a maioria dos estudantes vivem, tornando a geografia mais tangível e conectada com a realidade dos adolescentes. “A ideia nasceu da necessidade de aproximar os conteúdos de geografia da realidade dos estudantes. As maquetes surgiram como recurso didático para transformar informações abstratas em algo concreto, estimulando a leitura crítica do espaço, a reflexão sobre problemas locais e a busca por soluções sustentáveis, dialogando com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil da ONU”, explica Rafael. Com apoio de estagiários da Universidade Federal de São João del Rei, os estudantes mapearam pontos de vulnerabilidade urbana, como enchentes, deslizamentos e ocupações irregulares e propuseram estratégias para minimizar os problemas. Tudo isso através de trabalho em grupo, pesquisa com mapas, fotografias e muita criatividade. Projeto "Riscos em Perspectiva: o Bairro Matosinhos em maquetes" Rafael César Silva/Arquivo pessoal “Foi muito mais que um projeto escolar. Os alunos se sentiram protagonistas. Eles perceberam que seu bairro é digno de estudo, de atenção e de transformação”, destaca o professor, que é natural de Oliveira, no Centro-Oeste Minas, e leciona há 4 anos, sendo 3 na atual escola. Do bairro para o Brasil Estudantes da Escola Estadual Governador Milton Campos, em São João del Rei Rafael César Silva/Arquivo pessoal A relevância do projeto foi reconhecida nacionalmente: Rafael foi um dos mais de 4 mil inscritos no Prêmio Educador Nota 10 e chegou à final na categoria Sustentabilidade, que premia práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. “Decidi inscrever o projeto porque vi nele um exemplo de como a escola pode ir além da sala de aula. Foi também uma forma de dar visibilidade ao esforço coletivo dos estudantes e mostrar que eles são protagonistas do processo educativo”, afirma. A notícia foi recebida com emoção tanto por Rafael quanto pelos alunos. “Foi uma emoção enorme. Para mim, é a certeza de que estamos no caminho certo, unindo educação, ciência e cidadania. Os estudantes ficaram muito orgulhosos, disseram que nunca imaginaram que um trabalho da escola deles pudesse chegar tão longe.” O trabalho de Rafael mostra como a escola pública pode ser um espaço de transformação social concreta, mesmo em cidades do interior, e como educadores comprometidos podem fazer a diferença com poucos recursos, mas com muita escuta, criatividade e envolvimento comunitário. “Espero que o prêmio dê mais visibilidade ao projeto e incentive outras escolas a desenvolverem práticas que unam aprendizagem e realidade local. É isso que faz sentido”, conclui Rafael. Produto final do projeto com as maquetes no Bairro Matosinhos, em São João del Rei Rafael César Silva/Arquivo pessoal Divulgação do resultado O resultado será divulgado nesta segunda-feira (27), em cerimônia na Pinacoteca de São Paulo. Os finalistas serão ranqueados em 1º, 2º e 3º lugar dentro de suas categorias e receberão premiação em dinheiro que varia de R$ 25 mil a R$ 15 mil. Os vencedores também concorrão ao título de Educador do Ano, com premiação de R$ 25 mil em dinheiro e bolsas de pós-graduação. Criado em 1998, o prêmio é uma iniciativa do Instituto SOMOS, que já reconheceu 279 educadores em todo o país. O prêmio já distribuiu cerca de R$ 3,5 milhões ao longo de sua história e é referência nacional em valorização docente. *Estagiária sob supervisão da editora Juliana Netto ASSISTA TAMBÉM: Alunos de Muriaé avançam à final da Olimpíada Nacional de História Alunos de escola rural de Muriaé avançam à final da Olimpíada Nacional de História VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes

Palavras-chave: vulnerabilidade

Com portas abertas, Inpe terá exposições e visitas guiadas neste sábado (25)

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Semana de Ciência e Tecnologia tem programação no Cemaden O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), com sede em São José dos Campos (SP), terá uma ação de portas abertas para a comunidade neste sábado (25), com exposições e visitas guiadas para o público. Na sede do Inpe, a programação começa no Centro de Exposições, espaço que concentrará estandes do Inpe e de instituições parceiras, com maquetes de satélites e foguetes, óculos de realidade virtual com imersões pelo Pantanal e pela Amazônia, oficinas, atividades para crianças e uma Feira de Troca de Livros. Além das exposições, os participantes terão as visitas guiadas em diversos prédios do Inpe, como o Laboratório de Integração e Testes (LIT), o Museu de Satélites, o Centro de Controle de Satélites (CCS), o EMBRACE (Clima Espacial), o Centro de Ciência do Sistema Terrestre (CCST), o Telescópio Solar Galileo, o Miniobservatório Astronômico e a Biblioteca. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp Os visitantes participarão de uma jornada científica autoguiada, pois, ao chegar, cada pessoa receberá um mapa interativo com as opções de visitas guiadas e exposições. A cada parada, o visitante ganhará um carimbo em um “passaporte científico”, tornando a experiência mais divertida. Cada grupo será acompanhado por monitores e pesquisadores do Instituto, garantindo uma experiência mais informativa aos participantes. Segundo o Inpe, o objetivo da ação é oferecer a oportunidade para o público conhecer de perto o trabalho realizado pelo Instituto e explorar o universo da ciência e da tecnologia de forma interativa. O Inpe Portas Abertas integra a 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), que este ano traz como tema “Planeta Água: cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território” - clique aqui e confira a programação. O Inpe de portas abertas é um evento gratuito e exclusivo para pessoas que se inscreveram antecipadamente pelo site. Na noite desta sexta-feira (24), as inscrições já estavam encerradas. Sede do Inpe fica em São José dos Campos Wilson Araújo/TV Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Palavras-chave: tecnologia

Brasileira presa com drogas no Camboja: o que se sabe sobre o caso

Publicado em: 25/10/2025 06:01

O que se sabe sobre o caso da brasileira presa no Camboja por suspeita de posse de drogas Arquivo Pessoal A brasileira Daniela Marys de Oliveira está presa no Camboja e é acusada de posse ilegal de drogas. Ela está na penitenciária Provincial de Banteay Meanchey, e a família argumenta que ela é vítima de tráfico humano e alvo de uma armação de uma organização criminosa, que ''implantou'' droga no banheiro do local onde ela morava. O g1 separou as principais informações sobre o caso, desde o início do ano, quando Daniela saiu de João Pessoa e aceitou uma vaga de emprego no país do Sudoeste Asiático até o julgamento dela, realizado na quinta-feira (23). Inicialmente a informação era de que Daniela era acusada de tráfico de drogas pelas autoridades cambojanas, no entanto, a irmã dela informou que desde o início das investigações contra ela, a acusação é de posse ilegal de drogas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 PB no WhatsApp Brasileira aceitou vaga de emprego no telemarketing para ir ao Camboja Brasileira presa no Camboja é vítima de tráfico humano, adoeceu na prisão e família perdeu R$ 27 mil em golpe Arquivo Pessoal Natural de Minas Gerais, parte da família de Daniela veio para a Paraíba antes da filha. Somente em novembro de 2024 Daniela, arquiteta formada, em busca de emprego, chegou a João Pessoa, para passar um período com a mãe, Myriam Marys. Ela contou que, nesse período, a filha enviou vários currículos em vagas na internet e encontrou uma vaga para trabalhar como telemarketing no Camboja. Era uma vaga temporária para o trabalho, que poderia se estender até um ano. Daniela ficou muito interessada porque não conseguiu outras vagas desde que havia chegado à Paraíba em janeiro de 2025. Por isso, aceitou a oferta, embarcando para a Ásia no fim de janeiro. A mãe foi contra a ida desde o início e desconfiou do local em que a filha se instalou para o trabalho. “Eu achei tudo estranho desde o começo. O lugar era isolado, cheio de beliches, e disseram que esperavam mais pessoas para começar o trabalho”, relatou Myriam. De acordo com a mãe, após as desconfianças iniciais, a suspeita se confirmou e por meio do celular da filha supostos golpistas pediram dinheiro para a família, cerca de R$ 27 mil. O argumento era de que esse era o valor da multa prevista em uma rescisão contratual, que os suspeitos teriam dito que precisaria ser paga após uma demissão da brasileira. “Disseram que ela tinha sido demitida e precisava pagar uma multa de US$ 4 mil. Nós acreditamos, achando que era verdade, e acabamos transferindo o dinheiro. Foram R$ 27 mil no total”, afirmou. A prisão por posse ilegal de drogas Brasileira que morou na Paraíba está presa no Camboja Segundo a mãe, pouco depois de enviar o dinheiro para os supostos golpistas, ela recebeu uma ligação da filha, que desde a transferência do montante não havia entrado em contato mais. Ela conta que a própria Daniela relatou ter sido detida injustamente por posse de drogas no Camboja. “Ela me ligou do telefone de um policial dizendo que estava presa. Disseram que encontraram três cápsulas de droga no banheiro. Ela implorou para fazer um teste toxicológico, mas nunca deixaram”, contou. A mãe explicou que Daniela havia dito que essas cápsulas de droga foram colocadas no banheiro do local onde a mulher morava porque ela havia recusado participar de um esquema de golpes na internet. Na prisão, segundo a família, Daniela chegou a adoecer devido às más condições do local. “O médico da prisão disse que ela precisava de exames fora, mas demoraram quase 20 dias para levá-la. A embaixada não faz nada. Dizem que o governo do Camboja não permite contato”, relatou Myriam. Superlotação, registro de morte e inundações em penitenciária Como é a prisão em que brasileira está após tráfico humano denunciado pela família Reprodução A prisão Provincial de Banteay Meanchey, onde Daniela está presa, tem um histórico de superlotação, registro de morte e até inundações. De acordo com a mãe, a cela onde a brasileira está é compartilhada com outras 90 mulheres. De acordo com o noticiado pela mídia do Camboja, um levantamento feito em relação às prisões do país, entre elas a que a brasileira está presa, as penitenciárias estão operando acima da capacidade que suportam. O levantamento destaca que a operação está 200% acima do que é suportado, com o número de presos aumentando 23% nas unidades. Em março deste ano, um deteteto de 22 anos morreu na prisão Provincial de Banteay Meanchey, devido a um problema cardíaco e falta de oxigênio no cérebro, segundo a mídia do Camboja. Ele foi preso em 2023, por posse e transporte de armas sem permissão, violência intencional, roubo e uso de drogas ilegais. A província onde a prisão está situada, que leva o mesmo nome da penitenciária, fica a noroeste do Camboja e a imprensa do país registra diversas inundações na região que atingiram várias pessoas. Em 2020, por exemplo, tempestades mataram 18 pessoas e 25 mil tiveram que ser evacuadas de suas casas. Por conta dessas inundações, a prisão de Banteay Meanchey também teve que evacuar alguns detentos à época. Os julgamentos no Camboja De acordo com o documento da Human Rights Watch, no código penal cambojano existem diversas etapas de procedimento padrão para serem adotadas em investigações contra diversos crimes no país, como a seguir: Prisão pelo crime apontado; polícia faz relatório fazendo o indiciamento ou não. Em caso de indiciamento, um promotor de Justiça recebe o caso; Com o promotor, ele tem o poder de liberar a pessoa ou abrir um processo judicial; Caso ofereça denúncia, o caso vai para um juiz de instrução analisar; Na fase de instrução, o acusado é interrogado, provas são reunidas e outras medidas podem ser adotadas; Ao fim de toda a análise, o juiz de instrução tem dois caminhos: encerra o caso ou emite uma "ordem de acusação". Se essa acusação for feita, o caso passa para um tribunal julgar em primeira instância. Na segunda fase do processo, no Tribunal de Primeira Instância, não há um júri para analisar o caso e, sim, três juízes responsáveis pela sentença após deliberação da promotoria, que acusa, e os advogados que defendem. O g1 teve acesso a um documento que mostra que Daniela está na fase de julgamento, ou seja, ela passou por avaliação dos juízes sobre a acusação de posse ilegal de drogas. No entanto, o código de processo penal afirma que uma sentença sobre o caso não é necessariamente proferida no mesmo dia do julgamento. O juiz marcou a data de divulgação do resultado para o dia 12 de novembro. Caso de Daniela é realidade constante de outros brasileiros no Sudoeste Asiático, diz ONG A presidente da ONG The Exodus Road no Brasi e também integrante de uma ramificação da Interpol que combate o tráfico humano, Cintía Meirelles, disse que o caso em que Daniela aparenta estar, em situação de tráfico humano, é uma realidade constante de muitos brasileiros. Ela diz que brasileiros são cooptados por redes criminosas para trabalharem no exterior. "O que chama ainda mais atenção é que parte dessas redes é composta por brasileiros aliciando seus próprios conterrâneos, por meio das redes sociais, com falsas promessas de emprego e oportunidades no exterior", disse Cintía. O modus operandi dessas organizações de tráfico humano, conforme a ONG, exploram as vítimas cooptadas "para a prática de diversos crimes, inclusive cibernéticos, cometidos sob coerção e ameaça". A presidente da ONG também faz parte de uma ramificação da Interpol, que atua no combate ao tráfico humano internacional. De acordo com essa ramificação, estima-se que mais de 300 mil migrantes estejam sendo traficados atualmente para a região do Sudeste Asiático. O que diz o Itamaraty Palácio do Itamaraty Reprodução/ Agência Brasília Em nota, o Itamaraty disse que "tem conhecimento" do caso. No entanto, não deu detalhes do que está sendo adotado como providência para ajudar Daniela no Camboja. "A Embaixada vem realizando gestões junto ao governo cambojano e prestando a assistência consular cabível à nacional brasileira, em conformidade com o Protocolo Operativo Padrão de Atendimento às Vítimas Brasileiras do Tráfico Internacional de Pessoas", diz a nota. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores, em 2024 foi prestada assistência a 63 brasileiros em situação de tráfico de pessoas, dos quais 41 no Sudeste Asiático. Vídeos mais assistidos do g1 Paraíba

Palavras-chave: cibernético

Enem 2025: Prefeitura de Salvador promove aulão preparatório

Publicado em: 25/10/2025 06:01

Imagem meramente ilustrativa de uma estudante com cadernos Freepik A Prefeitura de Salvador, em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), realizará mais uma edição do programa IngreSSar, com aula preparatória gratuita para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O evento será a partir das 12h do dia 7 de novembro, no Centro de Convenções de Salvador, situado na orla da Boca do Rio. Durante o aulão, os participantes terão acesso a uma revisão completa dos principais conteúdos cobrados no exame, com aulas e dicas de professores de diversos cursinhos preparatórios de Salvador. Estarão presentes docentes das áreas de Redação, Matemática, Biologia e Geografia. A expectativa dos organizadores é reunir mais de seis mil estudantes. Os estudantes interessados devem se inscrever pelo site do evento. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Segundo Fernanda Lôrdelo, titular da SPMJ, O "Mega Aulão" marca o encerramento das atividades preparatórias antes da aplicação do Enem. "É um momento dedicado aos estudantes de escolas públicas e privadas da capital, visando proporcionar descontração e alívio da tensão pré-exame. O evento oferecerá peças teatrais, brindes e dicas de professores renomados da cidade", explicou. O professor de História e coordenador pedagógico do evento, Ricardo Carvalho, ressaltou o caráter social da iniciativa: “Ao incluir um espetáculo teatral-musical no evento, ao lado de mestres consagrados na preparação para o Enem, o Mega Aulão gera repertório sociocultural e conteúdo de excelência para os jovens estudantes. É a realização do sonho de todo educador. Tudo isso feito de forma 100% gratuita é democratizar a educação e garantir o compromisso social dos gestores do projeto”. O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro em todo o Brasil. No primeiro dia, as provas serão de Redação; Linguagens, códigos e suas tecnologias; e Ciências Humanas e suas tecnologias. No segundo fim de semana, ocorrerão as provas de Matemática; e Ciências da Natureza e suas tecnologias. LEIA TAMBÉM: Assessor parlamentar é preso suspeito de matar ex-companheira a facadas na Bahia Influenciadora 'ervoafetiva' nega participação em tráfico de drogas: 'Ninguém no mundo deveria ser preso por fumar maconha' Thais Carla revela novo peso seis meses após cirurgia bariátrica: 'progresso' Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

Palavras-chave: tecnologia

Segundo suspeito de ataque a tiros em escola de Sobral segue foragido um mês após o crime

Publicado em: 25/10/2025 05:01

Veja o que se sabe sobre o segundo suspeito de atirar em alunos em escola de Sobral Segue foragido, um mês após o crime, o segundo suspeito de atirar em cinco adolescentes no intervalo entre aulas na Escola Estadual Luiz Felipe, em Sobral. O crime ocorreu no dia 25 de setembro e deixou dois adolescentes mortos e três feridos. Até este momento, somente um dos suspeitos foi preso: Bruno Rodrigues, de 29 anos. Ele já respondia por homicídio, roubo, associação criminosa e corrupção de menor. Em nota, a Polícia Civil disse que "segue com as investigações em andamento com o objetivo de identificar e capturar o segundo suspeito de envolvimento nos homicídios." ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp "Os trabalhos investigativos estão a cargo do Núcleo de Homicídios e Proteção à Pessoa (NHPP), da 2ª Delegacia de Polícia Civil de Sobral, e contam com apoio do Departamento de Polícia Judiciária do Interior Norte (DPJI-Norte). A população pode contribuir com as investigações. As informações podem ser direcionadas para o número 181", reforçou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS). LEIA TAMBÉM: Polícia prende criminosos que aplicam golpe do falso advogado Aluno é assassinado a tiros no estacionamento de academia no Ceará Os dois adolescentes mortos foram identificados como Victor Guilherme Sousa de Aguiar e Luis Claudio Sousa Oliveira Filho, de 17 e 16 anos, respectivamente. Eles eram estudantes da Escola Estadual Professor Luis Felipe e também participavam de times de futsal na cidade. Outros três estudantes baleados sobreviveram. Dois foram levados para o hospital com lesões leves e logo foram liberados. Já o terceiro ficou internado em estado grave na Santa Casa de Sobral, mas também teve alta hospitalar e está bem. No momento em que foram baleados, os estudantes atingidos estavam no estacionamento da escola, na rua Brasil Oiticica. Os tiros ocorreram durante o intervalo das aulas, quando os estudantes estavam fora das salas. Um vídeo gravado por testemunhas mostra alunos correndo depois dos tiros. Testemunhas relataram ter visto alunos desmaiando e vomitando após o ataque. Vídeo mostra correria na escola após ataque a tiros Retorno das aulas e segurança nas escolas Aulas são retomadas após ataque em escola em Sobral Sobral é o maior município da região norte do Ceará e conhecido nacionalmente pelos bons resultados na educação. A escola atacada concentra turmas apenas do ensino médio. São 1.159 alunos e 54 professores, de acordo com o Censo Escolar 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). As aulas na Escola de Ensino Médio Professor Luís Felipe retornaram no dia 6 de outubro de maneira gradual e com homenagem aos alunos mortos. O local teve reforço de segurança por meio da atuação integrada do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) da Polícia Militar e da Guarda Municipal. A ideia é garantir presença constante das forças de segurança no entorno da escola, policiamento ostensivo e visitas periódicas à unidade. Após o ataque, outras instituições da cidade aderiram a esquemas de segurança como reconhecimento facial e instalação de um botão do pânico. É o caso da Escola Municipal José Parente Prado, que atende 907 alunos, do 3º ao 9º ano do ensino fundamental. Localizada em uma área de vulnerabilidade social, a unidade escolar já iniciou um projeto piloto com um novo sistema de segurança. As medidas de segurança funcionam da seguinte forma: 1. Biometria facial 👧 Ao chegar à escola, o aluno entra em uma fila no portão principal da instituição onde estão as câmeras. 📷 Com o rosto previamente cadastrado, o estudante posiciona sua face para reconhecimento facial. ✅ Após o reconhecimento, a criança é liberada para entrar na escola. Caso o rosto do aluno não esteja cadastrado, o processo é feito na hora. 📲 Os pais recebem uma mensagem informando se o filho está ou não na escola. 📋 A escola registra quem entrou e quem não compareceu. 🔍 Com esses dados, são feitas buscas ativas para melhorar o controle do funcionamento escolar. 2. Botão do pânico ⏺️ Localizado no setor administrativo, o botão pode ser acionado por qualquer funcionário da escola que presenciar alguma atitude que pode colocar em risco a integridade do estudante. 🚨Ao ser acionado, a ferramenta envia uma notificação para o celular de algumas autoridades e órgãos de segurança, como o próprio secretário de Segurança e para a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). 🚓 Após receber a notificação, as autoridades iniciam o processo de contenção de riscos, buscando identificar, avaliar e controlar possíveis ameaças. Crianças farão fila para reconhecimento facial antes de entrar em escola de Sobral. Reprodução/TV Verdes Mares Como foi a dinâmica do ataque? Novo vídeo de ataque em escola mostra criminosos atirando O ataque à Escola de Ensino Médio Luis Felipe, localizada no bairro Campo dos Velhos, aconteceu durante o intervalo da escola na manhã do dia 25 de setembro e completa um mês neste sábado. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que os dois atiradores chegam de moto a uma rua próximo à escola por volta de 9h30. Eles descem, vão até a lateral e atiram pela grade que separa o pátio da escola da rua (veja acima). O primeiro preso por envolvimento no ataque foi identificado como Bruno Amorim Rodrigues, de 29 anos. Ele teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia. O inquérito policial do caso, ao qual o g1 teve acesso, aponta que Bruno pertence a um grupo criminoso rival ao de Victor Guilherme Sousa de Aguiar (vulgo 'VG'), um dos estudantes mortos no ataque. Após ataque, escola ficou cercada por policiais. Mateus Ferreira/ SVM O documento ainda aponta que Bruno foi "decretado" pelo Comando Vermelho (CV) ao abandonar a facção e se aliar ao grupo rival Primeiro Comando da Capital (PCC). "Decretado", na linguagem dos criminosos, significa que ele passou a ser jurado de morte. Já VG, de 16 anos, tinha envolvimento com o CV, conforme o inquérito policial. No entanto, ainda não é possível afirmar se ele era "batizado" (reconhecido pelos chefes da facção como membro) ou se era apenas próximo de criminosos. Com o jovem, foi encontrada uma mochila com drogas e uma balança de precisão. De acordo com o inquérito, Victor era um fornecedor de drogas na escola. Em seu depoimento, Bruno Amorim negou que teria envolvimento com o ataque na escola. Ele disse que estava com sua esposa em casa na hora do crime. No entanto, ao ser procurado pelos policiais, Bruno pulou o muro de casa e se escondeu na casa de uma vizinha. Os agentes encontraram Bruno escondido sob um lençol no canto de um cômodo da residência. O secretário de Segurança do Ceará, Roberto Sá, confirmou que o ataque foi uma execução premeditada: "Foi um ataque contra esses jovens que estavam naquele local. E repudiamos, lamentamos profundamente o fato da droga, nesse contexto com arma de fogo, com impunidade, gerar toda essa espiral de violência que o Brasil vive", afirmou. Equipes de segurança farão monitoramento na escola durante entrada e saída de aluno e durante intervalo. Mateus Ferreira/ SVM O que falta saber Ainda não há confirmação ou detalhes sobre a motivação do crime, mas informações apuradas pelo g1 no inquérito policial do caso apontam que o ataque tem conflito entre facções criminosas da região como motivação. Ainda de acordo com inquérito policial, a motocicleta utilizada no crime foi roubada sete dias antes do ataque e teve os pneus modificados. Ainda não há informações sobre quem pilotava o veículo. Conforme o documento da polícia, o grupo de alunos baleados, junto com outros estudantes (que fugiram a tempo), ficava naquela localização na hora do recreio para consumir drogas. Outros detalhes Além da prisão de um dos suspeitos de envolvimento com o crime, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) concluiu em setembro o exame de microcomparação balística. O exame comprovou, pericialmente, que o projétil encontrado nos crimes partiu da mesma arma de fogo utilizada em um homicídio ocorrido em julho, cujo suspeito seria o mesmo capturado no dia após os homicídios na escola (Bruno Rodrigues). Infográfico: estudantes são baleados em escola no CE Arte g1 Violência crescente no Ceará Uma das hipóteses para o crime que matou os dois estudantes na escola em Sobral é o confronto entre facções, conforme apuração da TV Globo. Segundo o governador do estado, Elmano de Freitas, sete facções disputam o domínio de territórios onde eles podem monopolizar o tráfico de drogas e serviços como acesso à internet. Os sete grupos criminosos são responsáveis por 90% dos assassinatos no estado, ainda de acordo com Elmano. A guerra entre os bandos tornou o Ceará o estado com a maior taxa de homicídios dolosos por 100 mil habitantes em 2024, conforme Mapa da Segurança Pública, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número absoluto de homicídios dolosos teve um aumento de 9,85% no Ceará: era 2.893 em 2023 e subiu para 3.178 em 2024. Além dos assassinatos, os criminosos tentam monopolizar serviços ofertados à população. Em uma onda de ataques coordenados, ocorridos entre fevereiro e março deste ano, criminosos depredaram e incendiaram provedores de internet e deixaram cidades sem acesso. O Comando Vermelho foi a facção responsável. Ela fez pelo menos 19 ataques, como corte de cabos de internet, incêndio de veículos e tiros contra as sedes das empresas, nas cidades Fortaleza, Caucaia, Caridade e São Gonçalo do Amarante. Em outras regiões, os bandos cobram um "pedágio" para "autorizar" que comerciantes e vendedores informais mantenham seus serviços. Em agosto de 2025, um vendedor de churrasco foi assassinado após recusar a pagar a "taxa" de R$ 1.000 à facção. O valor anterior, que a vítima pagava mensalmente, era R$ 400. Estudantes ficaram em pânico após ataque a tiros em Sobral (CE) Reprodução Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

Palavras-chave: vulnerabilidade

Por que brasileiros recorrem à Justiça para ter acesso ao Ozempic?

Publicado em: 25/10/2025 04:01

O que acontece com o paladar de quem usa Ozempic, Wegovy e Mounjaro A aposentada Solange, 58 anos, vive com diabetes tipo 2, obesidade e doença renal crônica em estágio 3. Depois de anos tentando controlar a glicemia com medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ela ouviu do médico que não podia mais usar metformina, o principal fármaco oral indicado pelo sistema público. “O remédio do SUS me fazia inchar e engordar, o que também aumentava minha pressão. Foi com o Ozempic que consegui estabilizar a diabetes e perder peso”, conta. Há um ano, Solange usa semaglutida (Ozempic), medicamento de aplicação semanal que ajuda a controlar o açúcar no sangue e, como efeito adicional, reduz o apetite e o peso corporal. Segundo ela, os resultados são nítidos: “Antes eu tomava dois comprimidos de losartana [inibidor de pressão] por dia, agora tomo apenas um. A glicemia está controlada e até a função do rim melhorou.” A aposentada Solange, 58 anos, conseguiu liminar judicial para receber Ozempic para tratar diabetes. Arquivo Pessoal O tratamento, contudo, só começou após uma ação judicial. O processo ainda aguarda sentença de, mas uma liminar garantiu o fornecimento. “Ela tem contraindicação comprovada aos medicamentos do SUS e apresentou laudos médicos e exames completos. São todos requisitos exigidos pela Justiça”, explica a advogada Luma Ponte, especialista em direito à saúde pública e suplementar. SUS é réu em dois terços das ações por Ozempic Casos como o de Solange são parte de um movimento crescente de pacientes que recorrem à Justiça para obter o medicamento. Um levantamento da Projuris, empresa de inteligência jurídica, analisou 445 ações judiciais distribuídas entre 2023 e maio de 2025 e apontou que 67,2% delas têm o SUS como réu — o que, na prática, inclui União, estados e municípios, conforme a responsabilidade pelo atendimento. Outros 29,9% envolvem planos de saúde, e o restante foi movido contra pessoas físicas ou não teve parte ré identificada. As doenças mais citadas nos processos são obesidade (28,5%), diabetes (24%) e casos combinados das duas (17,5%). “O fato de quase 70% das ações recaírem sobre o SUS mostra que o sistema público concentra a maior parte da demanda, mas também há crescimento nas ações envolvendo a rede privada”, afirma Fernando Ribeiro, diretor de produto da Projuris. Segundo o levantamento, 53% dos pedidos de liminar foram concedidos, permitindo que pacientes iniciassem o tratamento antes da sentença final. METODOLOGIA: O levantamento analisou 445 ações judiciais envolvendo pedidos de Ozempic e semaglutida registradas entre 2023 e maio de 2025. Os casos fazem parte de um conjunto de processos públicos monitorados em tempo real pela plataforma, o que, segundo a empresa, permite traçar um recorte empírico e representativo de como o tema da judicialização desses medicamentos tem se manifestado no país. Para identificar as ações, o Projuris utilizou uma solução de jurimetria baseada em mineração de dados, processamento de linguagem natural (NLP) e reconhecimento de padrões em textos jurídicos. A partir dessas técnicas, foi possível mapear automaticamente os temas predominantes, as partes envolvidas, os fundamentos jurídicos e os desfechos processuais. A empresa explica que o estudo não busca estimar o total absoluto de processos no Brasil, mas oferecer uma análise de tendências com alto grau de confiabilidade, apoiada na recorrência dos padrões observados na amostra monitorada. ‘O remédio que o SUS oferecia sobrecarregava meu fígado’ Daniela Cortinovis é diagnosticada com diabetes, obesidade e esteatose hepática. Arquivo Pessoal A empresária Daniela Cortinovis, 52 anos, também recorreu à Justiça. Diagnosticada com diabetes, obesidade grau 3 e esteatose hepática, ela não podia usar medicamentos orais, que são metabolizados pelo fígado. “Cada remédio que eu tomava aumentava a gordura no fígado. Com a semaglutida, reduzi quatro dos nove comprimidos diários, e a gordura diminuiu muito”, relata. O processo foi aberto em 2021 e teve sentença favorável dois meses depois. “Na época, ainda havia resistência em aceitar que o pedido não era para emagrecimento, mas para controle clínico da diabetes. Foi preciso um laudo detalhado da médica explicando os riscos hepáticos”, afirma Daniela. Desde então, a empresária relata melhora ampla: “Durmo melhor, tenho mais energia e o controle glicêmico melhorou muito.” Por que a semaglutida é diferente A endocrinologista Maria Clara Martins, que também é metabologista e nutróloga, explica que a semaglutida pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 (glucagon-like peptide-1), uma das terapias mais avançadas hoje para o controle da diabetes tipo 2. “Ela ajuda o pâncreas a liberar insulina de forma mais eficiente e reduz a liberação do glucagon, o hormônio que aumenta o açúcar no sangue. Além disso, atua no sistema nervoso central, promovendo saciedade. É uma combinação de efeitos que nenhuma outra medicação oral do SUS consegue reproduzir”, afirma. Segundo a médica, o medicamento tem impacto metabólico global, não apenas glicêmico. “Pacientes costumam apresentar melhora no peso corporal, na pressão arterial e até nos níveis de colesterol, com baixo risco de hipoglicemia.” Os resultados vêm sendo observados em grandes estudos clínicos internacionais, que também investigam possíveis efeitos protetores para o coração e os rins. “Há evidências de que o uso prolongado de agonistas de GLP-1 pode reduzir o risco cardiovascular e desacelerar a progressão da doença renal crônica”, acrescenta Maria Clara. ‘É uma medicação completa’, diz endocrinologista da USP Para a endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a semaglutida representa um marco no tratamento de doenças metabólicas. “A metformina é eficaz e segura, mas muitos pacientes não a toleram por efeitos gastrointestinais. A pioglitazona, por sua vez, pode causar inchaço e ganho de peso. Já a semaglutida tem o efeito oposto: reduz a glicemia, desinflama os tecidos e melhora o metabolismo de gorduras e carboidratos”, explica Barca, que também é membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). A médica acrescenta que, ao reduzir a gordura visceral e hepática, a semaglutida contribui para prevenir complicações cardiovasculares e hepáticas. “Temos visto pacientes com melhora expressiva da esteatose hepática, que é hoje uma das principais causas de cirrose e transplante de fígado no mundo.” Ela destaca, contudo, que o uso deve ser acompanhado por equipe médica. “É uma medicação potente, que precisa ser associada à reeducação alimentar e atividade física. Quando usada corretamente, traz benefícios que vão além do controle da diabetes — é uma ferramenta de prevenção de doenças crônicas.” Conitec rejeitou incorporação dos medicamentos ao SUS Em entrevista ao g1, a advogada Luma Ponte afirma que o cenário atual revela um impasse. “De um lado, há pacientes que não respondem aos medicamentos do SUS; de outro, uma política pública que ainda não se adaptou ao avanço terapêutico. A judicialização surge nesse vácuo”, afirma. “Há uma linha tênue entre o medicamento de luxo e o medicamento necessário”, diz Luma. “Para quem tem contraindicação e risco de complicações, o Ozempic não é estética, é sobrevivência.” Em agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) deu parecer contrário à inclusão da semaglutida e da liraglutida na rede pública. O grupo técnico apontou o alto custo das medicações como principal entrave: o tratamento poderia gerar impacto de até R$ 6 bilhões em cinco anos. Atualmente, as substâncias — presentes em medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda — permanecem restritas à rede privada. Os planos de saúde também não cobrem o tratamento e, assim como o SUS, mantêm como principal alternativa para obesidade a cirurgia bariátrica. A decisão, à época, foi recebida com preocupação pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). “É uma pena, porque o SUS deixa de oferecer um tratamento eficaz para doenças crônicas graves como obesidade e diabetes, que estão ligadas a complicações cardiovasculares e renais”, diz Maria Fernanda Barca. Segundo a médica, os análogos de GLP-1 já demonstraram benefícios que vão além da perda de peso. “Eles reduzem a inflamação dos tecidos e melhoram condições como gordura no fígado e até cognição em alguns pacientes. Ignorar isso pode gerar custos ainda maiores no futuro.” O Ministério da Saúde, entretanto, afirmou que as decisões da Conitec levam em conta “as melhores evidências científicas disponíveis, abrangendo eficácia, segurança e custo-efetividade”. Cenário futuro: genéricos podem reduzir preço A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, detentora da patente da semaglutida, deve perder a exclusividade da fórmula a partir de 2026 no Brasil. A queda da patente pode permitir a entrada de versões genéricas e biossimilares, com potencial de redução significativa no preço do tratamento. Especialistas avaliam que o cenário deve impactar o mercado e, futuramente, abrir novas possibilidades para o uso desses medicamentos na rede pública. O Ministério da Saúde informou que trabalha, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a farmacêutica EMS, no desenvolvimento de canetas injetáveis nacionais à base de liraglutida e semaglutida, com o objetivo de reduzir custos e ampliar o acesso no país. O g1 procurou o Ministério da Saúde, que diz, em nota: "Desde 2024, o Ministério da Saúde realizou o cumprimento de 10 demandas judiciais referentes à semaglutida, por meio da entrega do medicamento e de depósito judicial. Importante destacar que as demandas judiciais referentes ao SUS podem ser de esfera nacional, estadual ou municipal. O Ministério da Saúde é responsável pelo cumprimento de pedidos que demandam a União. Como estratégia para ampliar o acesso da população a medicamentos, o Ministério da Saúde tem priorizado medidas para ampliar a soberania e a autonomia do Brasil na produção de tecnologias em saúde, reduzir a dependência externa e fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS). No caso dos tratamentos de pacientes com obesidade e diabetes mellitus tipo 2, o Ministério da Saúde solicitou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) priorize o registro de medicamentos compostos pelos princípios ativos semaglutida e liraglutida. Com mais medicamentos disponíveis no mercado, será possível estimular a concorrência e reduzir os preços em até 40%. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já possui um acordo com a farmacêutica EMS para a transferência dessa tecnologia para a rede pública. No mês de agosto, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) deu parecer desfavorável a incorporação da liraglutida e da semaglutida na rede pública de saúde. Foi considerado, entre outras questões, o impacto financeiro do medicamento - estimado em R$ 8 bilhões anuais, quase o dobro do orçamento do programa Farmácia Popular (R$ 4,2 bilhões)." Já a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) afirma que “não tem acesso direto às ações judiciais envolvendo planos de saúde, a menos que seja parte no processo. A agência destaca que acionar a Justiça é um direito constitucional e que respeita essa prerrogativa dos cidadãos”. Veja nota: “Sobre a cobertura, a ANS esclarece que medicamentos como o Ozempic (semaglutida), de uso subcutâneo, não têm cobertura obrigatória na saúde suplementar, quando prescritos para uso domiciliar. Pelas regras da Lei nº 9.656/1998, apenas os medicamentos antineoplásicos orais (para tratamento do câncer) e os indicados para o controle de seus efeitos colaterais têm cobertura obrigatória. Caso a semaglutida seja prescrita durante internação hospitalar, a cobertura é obrigatória pelo plano, desde que o uso conste em bula aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A ANS também informou que não realiza o monitoramento da prescrição ou cobertura desses medicamentos pelas operadoras, já que a prescrição é atribuição médica e a agência não interfere na prática clínica. Além disso, não há campanhas informativas próprias da ANS sobre o uso da semaglutida; ações educativas e de vigilância sanitária cabem a outros órgãos de saúde pública.”

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'VLTzação': entenda o plano da Prefeitura do Rio para substituir o BRT por VLT ou VLP

Publicado em: 25/10/2025 04:01

Prefeitura do Rio propõe transformar corredores do BRT em VLT ou VLP; projeto pode custar R$ 12 bilhões A Prefeitura do Rio quer transformar os corredores de BRT em linhas de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ou Veículo Leve sobre Pneus (VLP). O projeto foi aprovado pela Câmara de Vereadores na quinta-feira (23) e agora segue para sanção do prefeito Eduardo Paes (PSD). A proposta, chamada de VLTzação, prevê uma Parceria Público-Privada (PPP) para substituir o sistema de ônibus articulados por trens leves nos corredores Transcarioca e Transoeste. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça O plano começou a ser debatido em 2022, quando Paes anunciou que queria “VLTzar” o transporte da cidade em 15 anos. Na época, ele prometeu aproveitar a estrutura já existente dos corredores de BRT, o que reduz custos e evita novas desapropriações. Três anos depois, o projeto ganhou força e foi aprovado com o apoio da base do governo na Câmara. Ponto final do VLT junto à Rodoviária Novo Rio, no centro Marcos Serra Lima/g1 💰 Quanto vai custar e quem paga O custo da VLTzação é estimado entre R$ 12 bilhões e R$ 16 bilhões. A prefeitura pretende firmar uma PPP — o investimento será dividido entre o setor privado e o poder público. As obras devem durar até 45 meses (cerca de quatro anos), com operação parcial na metade do prazo. Ainda não há previsão de início. 🚈 O que muda com a “VLTzação” Na prática, o projeto autoriza a conversão dos corredores Transcarioca e Transoeste — que hoje operam com ônibus BRT — em linhas de VLT ou VLP. Transcarioca: 35,6 km de extensão, 45 estações e terminais entre Alvorada e Fundão; Transoeste: 44,6 km, 41 estações e terminais entre Santa Cruz e Jardim Oceânico. A proposta é que as linhas tenham capacidade para 16 mil passageiros por hora por sentido, nível equivalente ao do sistema atual, mas com custos operacionais menores, vida útil mais longa dos veículos e redução de ruído e poluição. Exemplo de Veículo Leve sobre Pneus (VLP) exibido em audiência pública no Rio Divulgação/Prefeitura do Rio O modelo VLP — que roda sobre pneus, mas é elétrico e pode ser guiado automaticamente — também está sendo estudado como alternativa mais barata, com tecnologia importada da China. O sistema vai atender 1,7 milhão de moradores e pode transportar até 580 mil passageiros por dia, caso funcione por 18 horas diárias. 🌎 Benefícios prometidos O estudo técnico da prefeitura, elaborado com apoio do BNDES, aponta ganhos sociais, econômicos e ambientais. Entre os principais benefícios estão: Redução do tempo de viagem; Menos poluição, com queda de R$ 19,8 milhões/ano em emissões; Mais conforto acústico e térmico para passageiros; Criação de empregos e ativação econômica nos bairros ao redor dos corredores. ⚖️ Debate e críticas Apesar de aprovado, o projeto ainda levanta dúvidas entre vereadores e especialistas. O vereador Pedro Duarte (Novo), por exemplo, questionou a falta de transparência nos custos e no cronograma, lembrando que a cidade já gastou quase R$ 9 bilhões na recuperação do sistema BRT nos últimos quatro anos — com compra de ônibus, reforma de estações e construção de terminais. Estudo aponta alto potencial para ônibus elétricos no Rio Outros parlamentares, como Paulo Messina (PL), defendem a mudança, afirmando que o transporte sobre trilhos deveria ter sido adotado desde 2010, quando os corredores foram construídos. "Construir uma calha fixa e botar o transporte sobre rodas é um contrassenso. Quinze anos depois, a prefeitura me dá razão", afirmou. 🧭 Próximos passos A versão final do texto aprovada pelos vereadores permite também expandir o VLT para São Cristóvão, Ilha do Governador e Botafogo. Antes do início das obras, o município ainda precisará definir o modelo (VLT ou VLP) e abrir licitação para a concessão. Segundo a secretária municipal de Transportes, Maína Celidonio, a decisão será tomada com base em estudos técnicos e de custo-benefício. "Os investimentos são mais altos, mas a qualidade é maior e perdura por mais tempo. A vida útil de um trem é muito superior à de um ônibus", disse a secretária.

Palavras-chave: tecnologia

A cidade cearense que vai ter novas eleições após interferência de facção e cassação de prefeito

Publicado em: 25/10/2025 04:01

Santa Quitéria: cidade cearense que vai ter novas eleições após interferência de facção Os eleitores de Santa Quitéria voltam às urnas neste domingo (26) para escolher um novo prefeito. O município, o maior do Ceará em território, se viu obrigado a passar por novas eleições devido a um fator alarmante: interferência do Comando Vermelho (CV) no pleito de 2024. 🔍A Justiça Eleitoral decidiu anular o resultado das eleições, e o prefeito reeleito, José Braga Barroso, o Braguinha (PSB), e seu vice, Gardel Padeiro (PSB), foram cassados por abuso de poder político e econômico e por receberem vantagem indevida do Comando Vermelho. Por isso, a cidade vai realizar uma eleição suplementar para escolher um novo prefeito. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará no WhatsApp Segundo as investigações do Ministério Público e da Polícia Civil, as ações de interferência foram ordenadas por Anastácio Paiva Pereira, o “Doze”, natural de Santa Quitéria e atualmente foragido no Rio de Janeiro. Ele é considerado um dos principais chefes do Comando Vermelho no Ceará. Sob ordens do “Doze”, a facção ameaçou apoiadores da oposição, ofereceu drogas em troca de votos durante a campanha e intimidou eleitores. O prefeito Braguinha comandava o município desde 2021 e foi reeleito em 2024, mas não chegou a iniciar o novo mandato, que iria de 2025 a 2028. Ele foi preso no dia 1º de janeiro de 2025, horas antes da posse, por suspeita de envolvimento com o grupo criminoso. Em maio, ele se tornou o 1º prefeito do Brasil cassado por acusação de envolvimento com facção. O filho de Braguinha, Joel Barroso (PSB), então presidente da Câmara Municipal, assumiu o cargo de forma interina após a prisão do pai. Agora, Joel tenta se eleger prefeito nas eleições deste domingo (26), disputando com a ex-deputada estadual Cândida Figueiredo (União) e Lígia Protásio (PT), que foi vice-prefeita de Braguinha no primeiro mandato. A votação ocorre sob um forte aparato de segurança, com presença desde a Polícia Federal até Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Chefe do Comando Vermelho no Ceará, Anastácio Pereira Paiva, o “Doze”, nasceu em Santa Quitéria e interferiu nas eleições da cidade Reprodução Ordens partiram do Rio de Janeiro 📍A mais de 200 km de Fortaleza, Santa Quitéria tem um território de mais de 4.200 km², 3,5 vezes maior que a cidade do Rio de Janeiro. A cidade não figura entre as mais violentas do Ceará - em 2024 foram 8 homicídios ao todo. O local possui as maiores reservas de urânio já descobertas no Brasil. Há planos de exploração das jazidas, sem data confirmada. Conforme documentos aos quais o g1 teve acesso, a interferência do Comando Vermelho nas eleições de 2024 não foi a primeira ação do tipo da facção no município: em 2020, os criminosos também tentaram influenciar o resultado por meio de ameaças e mensagens nas redes sociais. De acordo com as investigações, as ordens para interferir nas eleições de Santa Quitéria em 2020 e em 2024 partiram do traficante Anastácio Paiva Pereira, o “Doze”, nascido em Santa Quitéria e atualmente foragido no Rio de Janeiro. Santa Quitéria é o maior município do Ceará em território: são mais de 4.200 km² de extensão Aprece A primeira atuação do Comando Vermelho nas eleições de Santa Quitéria aconteceu em 2020. Naquele ano, Tomás Figueiredo (MDB) era prefeito e buscava a reeleição. Ele disputou o cargo contra seu vice-prefeito, com quem havia rompido ao longo do mandato, Braguinha (PSB). A poucos dias da votação, em uma abordagem de rotina, a Polícia acabou realizando a prisão de dois homens: um responsável por fazer pichações contra Tomás, e outro vindo de Fortaleza, a mando de Anastácio, para atacar adversários políticos. O plano incluía atentar contra o então prefeito e candidato à reeleição, Tomás Figueiredo (MDB), e metralhar a casa de um aliado dele. O ataque chegou a ocorrer, sem deixar feridos. A investigação do Ministério Público mostrou que o grupo criminoso também espalhou mensagens nas redes sociais e pichações em muros com ameaças a quem apoiasse Tomás. Comando Vermelho ameaçava quem apoiava o candidato Tomás Figueiredo, rival de Braguinha nas eleições 2024 de Santa Quitéria Reprodução Apesar da violência e das ameaças, não foram encontradas provas de que o candidato Braguinha tivesse envolvimento direto ou indireto com o grupo. O resultado do pleito de 2020, no qual Braguinha foi eleito prefeito pela primeira vez, foi mantido pela Justiça. Em 2024, Braguinha concorria à reeleição e enfrentava novamente Tomás Figueiredo nas urnas. Anastácio Pereira, o Doze, enviou ao Ceará dois homens de confiança para interferir nas eleições de 2024. Mensagens obtidas pela Polícia Civil mostram que o grupo criminoso mandou ameaçar eleitores, cabos eleitorais e aliados do candidato Tomás. Eles ordenaram quebrar carros e motos com adesivos de campanha e espalhar mensagens de intimidação nas redes sociais e nos muros. Muitas vezes, eles se referiam ao grupo político como “15”, referência ao número de Tomás nas urnas. Apoiadores de Tomás Figueiredo, candidato à Prefeitura de Santa Quitéria em 2024, eram ameaçados pelo Comando Vermelho; objetivo era que o candidato apoiado pela facção, Braguinha, fosse o vencedor da disputa Reprodução Algumas ameaças eram enviadas por mensagens de WhatsApp e por pichações, com frases como: “Se apoia o Tomás, vai entrar no problema”, “Fora Tomás. Bala no 15” “Quem apoiar o Tomás vai entrar no problema com C.V. e a tropa do Paulinho Maluco" [alcunha de Anastácio Pereira] “Quem apoiar o Tomás vai entrar na bala” As intimidações chegaram à sede Justiça Eleitoral do município, a 54ª Zona Eleitoral, que teve os funcionários ameaçados de morte. A Polícia Federal e a PM precisaram reforçar a segurança no local até o dia da votação. Além das ameaças, o Comando Vermelho teria oferecido drogas em troca de votos. Segundo o Ministério Público, a estratégia era conquistar “apoio dos viciados”, como descrevem as conversas entre os criminosos. Braguinha foi reeleito em 2024 com 51% dos votos e uma diferença de mais de 3 mil votos para Tomás Figueiredo. A esta altura, a investigação contra ele pelo envolvimento do Comando Vermelho já estava ocorrendo, e no dia 1º de janeiro, no dia da posse, Braguinha foi preso. Infográfico - disputa em Santa Quitéria Arte/g1 Apoio velado Apesar de o Comando Vermelho não mencionar Braguinha nas pichações, os investigadores afirmam que as ordens internas deixavam claro o apoio ao prefeito nas eleições de 2024. Em mensagens de WhatsApp, um dos chefes da facção enviados ao Ceará por Anastácio escreveu: “Temos Kylvia Lima e Gabriel Filho pra vereador e BG pra prefeito. Vamos apoiar os nossos”. Outro orientava: “Quando for pichar, não pode botar o nome do Braga, ok”. Não há, no processo, menção a qualquer encontro, acordo direto ou troca de mensagens entre Braguinha e Anastácio Pereira, o Doze, ou com outros membros do Comando Vermelho. Apesar disso, as investigações apontam que havia ligações entre integrantes da administração municipal e o grupo criminoso. Em dezembro de 2024, uma operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro descobriu uma casa de luxo atribuída a Anastácio Pereira, o Doze, com piscina e veículos de alto valor. Um deles era um Mitsubishi Eclipse Cross, avaliado em cerca de R$ 195 mil. O carro havia sido levado do Ceará ao Rio em julho, meses antes da eleição. Mitsubishi Eclipse Cross, avaliado em cerca de R$ 195 mil, foi enviado do CE para o RJ para ser entregue a traficante Reprodução Os motoristas que fizeram o transporte eram servidores da Prefeitura de Santa Quitéria: o coordenador do gabinete do prefeito e um assessor técnico do órgão de trânsito, que já havia sido motorista de Anastácio. Ambos foram nomeados por Braguinha. O prefeito alegou que não sabia da viagem nem da entrega do veículo, mas para o Ministério Público Eleitoral, o episódio reforça que o gestor “é aliado de pessoas envolvidas com a organização criminosa”. Por que Santa Quitéria? Não há uma resposta direta para os benefícios que a facção criminosa queria ao interferir nas eleições municipais de Santa Quitéria. Embora Santa Quitéria não possua portos ou outras grandes estruturas logísticas, o amplo território do município serve de apoio para ações nas cidades vizinhas, como Hidrolândia, Varjota, Canindé, Boa Viagem, Cariré e Sobral – a quarta maior do Ceará. Ao longo das investigações, a Polícia Civil destacou que o grupo "trava uma guerra sangrenta na região norte do Estado, em razão da busca por expansão de seu território de tráfico”. Em uma conversa em agosto de 2024, um dos criminosos afirma que “nossa família” (Comando Vermelho) precisava de um representante na Câmara Municipal, e indica uma candidata, Kylvia Lima, como representante deles. A mulher não foi eleita. Para o Ministério Público, “as organizações criminosas agem visando apenas alcançar seus interesses, quais sejam, obter mais lucro e mais poder, pois no crime organizado não há espaço para preferências gratuitas a autoridades políticas”. Eleição virou símbolo de combate a facções A eleição de Santa Quitéria será a única realizada no Brasil neste domingo, e com um aparato de segurança surpreendente para uma cidade de 41 mil habitantes - até a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vai estar na cidade. A campanha eleitoral suplementar, de 33 dias, transcorreu sem denúncias de ameaças por parte do Comando Vermelho. O tema, aliás, foi pouco abordado pelos três candidatos, conforme uma fonte da cidade relatou à reportagem. Apesar disso, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE) solicitou o apoio de tropas da União. Além da Abin, da Polícia Civil e da Polícia Militar, equipes do Exército, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal vão atuar para garantir a lisura do pleito. Ao g1, o juiz auxiliar da presidência do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE), Alisson Simeão, apontou que o caso da cidade acabou se tornando um símbolo nacional do combate às facções - o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai para a cidade acompanhar a votação. "A eleição de Santa Quitéria acabou se tornando um símbolo, um símbolo do combate que a Justiça Eleitoral quer fazer desse novo problema que ela tem que enfrentar, porque durante décadas o problema da eleição era a compra de voto", afirmou o magistrado. “Uma coisa é você lidar com a compra de voto, outra coisa é você lidar com o Comando Vermelho, é diferente”, explica. “De repente, a gente está tendo que se preparar para uma situação completamente nova, uma situação que envolve ameaça, que envolve pânico, que envolve esses perfis falsos em rede social, pichações, financiamento do crime” O juiz destaca que parte da dificuldade de combater a atuação das facções está no modus operandi dos criminosos, que muitas vezes envolve mais o boato do que a ação concreta. "Alguém lança uma ideia, 'fecha o comércio', 'atenção em quem votar'... Aí fica aquela mensagem de WhatsApp circulando em grupos, amedrontando o eleitor", explica. Entenda o que são eleições suplementares Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

Palavras-chave: câmara municipal

Mouse 'espião' pode ser usado para gravar conversas, diz pesquisa; entenda como isso acontece

Publicado em: 25/10/2025 04:01

Pessoa usando mouse de computador Jeswin Thomas/Unsplash Mouses podem ser usados por hackers para gravar tudo o que você diz perto do computador sem nem mesmo precisar de um microfone, apontou uma pesquisa da Universidade da Califórnia, em Irvine. Segundo o estudo, mouses mais avançados podem captar vibrações emitidas pela fala por meio de seus sensores ópticos e transmiti-las para terceiros, que converteriam o material em áudio. Sensores ópticos de mouses são usados para movimentar o ponteiro na tela, mas, neste caso, seriam usados como um espião capaz de ouvir conversas particulares. Hacker poderiam usá-los para captar informações confidenciais de empresas ou chantagear pessoas, por exemplo. Batizada de Mic-E-Mouse (em trocadilho com o personagem Mickey Mouse), a técnica foi aplicada em laboratório. Não há referências de que ataques desse tipo tenham sido realizados na prática. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça Veja os vídeos que estão em alta no g1 Como o WhatsApp Web virou porta de entrada para ataque hacker com foco no Brasil Ligações de números parecidos: como são feitas as chamadas adulteradas que irritam usuários Torres de vigilância em prédios monitoram todos, mas levantam dúvidas sobre uso dos dados "Sinais de áudio podem induzir vibrações sutis na superfície que são detectáveis pelo sensor óptico do mouse", diz a pesquisa. "Nossos resultados demonstram uma precisão de reconhecimento de fala de aproximadamente 42% a 61%". Os pesquisadores apontaram que hackers poderiam ouvir o que foi dito se fizessem o mouse transmitir sinais coletados e, depois, realizassem a limpeza do sinal e a conversão para áudio. Mas eles destacam que os resultados são melhores nas condições ideais, o que nem sempre pode ser reproduzido na vida real. Para funcionar como um espião, o mouse precisa: ter taxa de atualização a partir de 8 kHz (ou 8.000 Hz), isto é, comunicar sua movimentação para o computador na frequência de 8 mil vezes por segundo; ter sensor de pelo menos 20.000 DPI (pontos por polegada), que mede quantos pixels o ponteiro se desloca a cada polegada física que o mouse é movimentado – quanto mais DPIs, mais sensível o mouse é a movimentos; estar em superfícies que permitam a propagação de sinais de áudio, como mesas de madeira até 3 cm de espessura; estar parado ou com movimento mínimo, para que a captura do sensor não tenha interferências; transmitir dados para programas que fazem registros da movimentação do mouse e que poderiam ser controlados por hackers. Os mouses que podem ser alvo desse ataque são voltados para games e custam a partir de R$ 200 no Brasil. Além disso, a conversa gravada pelo dispositivo deve ter um volume adequado, de 60 a 80 decibéis, o que cobre conversas típicas no escritório ou em casa. Ataque exige tratamento de áudio Ainda segundo pesquisadores, a vibração captada pelo mouse tem baixa qualidade. Para resolver isso, hackers precisariam filtrar os sinais e convertê-los de volta em ondas sonoras. "Os ruídos têm características específicas, estão em outras frequências. Há filtros que eliminam frequências mais baixas e mais altas, tiram o chiado e ficam com os picos [de ondas sonoras]", explicou Guilherme Neves, professor de cibersegurança da faculdade Ibmec. "Esse pico é colocado em um algoritmo e será interpretado como um fonema, isto é, alguma coisa que a pessoa está falando". Os pesquisadores da Universidade da Califórnia apontaram que a possibilidade de um ataque por meio do mouse é um exemplo de como a disseminação de dispositivos de alta qualidade e baixo custo é boa para usuários, mas pode trazer riscos. "Câmeras, relógios inteligentes, carros e um mundo de sensores e dispositivos mandam informações para a nuvem e podem ser subvertidos para vazar dados. Há muitos pontos de vulnerabilidade", disse Cleórbete Santos, professor de Computação da Universidade Presbiteriana Mackenzie. "Quanto mais dispositivos colocamos ao nosso redor, mais estamos aumentando a superfície de ataque e mais poderemos ser atacados", afirmou. Ligações de números parecidos: entenda como as chamadas adulteradas são feitas

TikTok e redes sociais: deletar ou não os apps nas semanas antes do Enem?

Publicado em: 25/10/2025 04:01

Monóxido de carbono: por que gás invisível é mortal? A duas semanas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o tempo gasto nas redes sociais pode prejudicar a capacidade de concentração, fundamental para um bom desempenho na prova. Especialistas ouvidos pelo g1 recomendam cautela e equilíbrio, para que o foco não seja perdido para a rolagem infinita do TikTok, Instagram e outros aplicativos. O uso intenso dessas plataformas ativa o circuito cerebral ligado à sensação de prazer e recompensa, conhecido como sistema dopaminérgico. “Cada notificação libera pequenas doses de dopamina, criando um ciclo de busca por estímulos rápidos e recompensas imediatas”, explica Robson Batista Dias, psicólogo especialista em neuropsicologia e professor da Rhema Neuroeducação. 🧠 "Com o tempo, o cérebro se acostuma a essas recompensas e reduz a tolerância à monotonia, tornando mais difícil manter a atenção em tarefas prolongadas, como ler um texto ou resolver uma prova", acrescenta. Plataformas de vídeos curtos, como TikTok ou Reels, no Instagram, são construídas para prender o usuário pelo máximo de tempo possível. É um formato que estimula o cérebro a buscar novidade constantemente – o oposto do que o estudo requer: foco prolongado, esforço e paciência cognitiva, resume Dias. O resultado é uma queda tanto do foco sustentado (capacidade de manter a atenção por longos períodos, mesmo com distrações) quanto da memória de trabalho (função cognitiva que permite guardar informações temporárias). Ambos são fundamentais para o aprendizado. Uma prova longa e cansativa como o Enem demanda resistência dos candidatos: no primeiro domingo, são 5h30 para resolver 90 questões e escrever uma redação; no segundo, mais 5h para outras 90. Tempo gasto nas redes sociais pode afetar a capacidade de concentração nas semanas antes do Enem. Freepik 😓 Outro fator a ser considerado é a ansiedade de desempenho, termo que remete ao medo de não alcançar bons resultados em uma atividade. No contexto da internet, esse sentimento é potencializado pela comparação constante. "O celular e as redes sociais funcionam como ferramentas de ampliação daquilo que o jovem está vivendo ou buscando. O digital também é um espaço de conexão social e formação de subjetividade", ressalta Eduardo Takayuki Katto, psicólogo do Curso Anglo. Em uma fase marcada por tanta pressão, tais plataformas também podem aumentar inseguranças. "É comum que os estudantes se comparem a rotinas idealizadas e sintam culpa por não alcançar o desempenho exibido por outros nas redes sociais", alerta Katto. Ele lembra que as redes são vitrines de sucesso, recortes do que o outro quer mostrar, e não a realidade completa. LEIA TAMBÉM: Como pais e professores podem ajudar na reta final do Enem sem aumentar a pressão Técnicas de memorização no Enem: o que realmente funciona e quando não usar Como um hobby pode ajudar a quebrar o hábito de ficar rolando a tela do celular 📲 Vale a pena apagar as redes sociais nas semanas pré-Enem? O ambiente virtual funciona, hoje, como extensão da vida real – e por isso é difícil imaginar um cenário de desconexão total das redes, principalmente para os jovens, que já cresceram nesse ecossistema. Como, então, regular a presença online para não prejudicar o próprio desempenho no vestibular? Para Vinícius Beltrão, gerente de ensino e inovações do SAS Educação, a palavra-chave é equilíbrio. "É essencial planejar os horários de estudo, descanso e uso das redes. Inserir o tempo de navegação como parte da agenda – e não como distração espontânea – ajuda a manter o foco", indica. A tecnologia, assim, exerce o papel de potencializadora da aprendizagem, em vez de competir com ela. Apagar os aplicativos pode parecer uma solução, mas estabelecer limites saudáveis não depende, necessariamente, do caminho mais radical. “Cortar as redes sociais pode ser pouco realista e até gerar ansiedade ou sensação de isolamento, já que elas também são um meio de contato com amigos”, pondera Idelfrânio Moreira, gerente executivo de ensino e inovações do SAS. Segundo ele, a decisão depende do perfil de cada estudante. "Quem já consegue limitar o uso das redes a horários e intervalos específicos pode aproveitar o celular como ferramenta de pesquisa e estudo. Mas, se o aluno reconhece que se distrai com facilidade, é melhor recorrer a materiais tradicionais ou baixar previamente os conteúdos de revisão”, recomenda. 📵 Para Robson Dias, diminuir o uso de redes sociais nas semanas que antecedem o Enem melhora a qualidade da atenção, reduz a ansiedade e otimiza o tempo de estudo. "Quem não consegue (ou não quer) desconectar totalmente pode ao menos desativar notificações e definir horários específicos para navegar. Isso evita que o cérebro fique em alerta o tempo todo e direciona a energia para os estudos", orienta. Além disso, é crucial reduzir o uso do celular antes de dormir. Um sono de qualidade é essencial para que o cérebro descanse e possa consolidar o que foi estudado – especialmente às vésperas do exame. ✅ Em comum, os especialistas recomendam: definir horários específicos para acessar as redes sociais, evitando que interfiram na rotina de estudo e descanso; desativar notificações e evitar conteúdos que possam gerar comparação ou ansiedade, ou ainda que prometam soluções milagrosas; fazer uma curadoria e priorizar o consumo de conteúdos educativos, que complementam a preparação para o Enem; reduzir o tempo de tela nos dias que antecedem a prova; nunca trocar uma boa noite de sono por horas de vídeos curtos. Como as redes sociais podem ajudar nos estudos Usadas com propósito, as redes podem ser aliadas do estudo. O celular já é uma ferramenta de estudos comum entre os jovens, seja para acessar materiais digitais, consumir conteúdos de professores ou participar de grupos de apoio e motivação. "Temos aplicativos para flashcards, podcasts educativos, simulados e até aplicativos que regulam o tempo de estudo", elenca Dias. "O principal é ter consciência do propósito: use a tecnologia a seu favor, não como fuga do desconforto do estudo", afirma. Para Moreira, as mídias cumprem um papel importante no acesso à informação e no relaxamento, mas ainda é mais saudável consumir "filmes, séries e documentários relevantes para estudo, revisão e construção de repertório". Beltrão acrescenta que os perfis de professores e cursinhos oferecem revisões e aulões úteis na reta final. “O segredo é fazer uma curadoria, filtrando perfis e conteúdos de qualidade e evitando conteúdos com promessas irreais.” Vale também criar uma rede de apoio entre colegas para trocar indicações e tornar o uso das redes mais produtivo e colaborativo. 📆 O Enem 2025 será aplicado nos dias 9 e 16 de novembro. No primeiro domingo de provas, os candidatos encaram Linguagens, Ciências Humanas e redação; no segundo, será a vez de Matemática e Ciências da Natureza. Local de prova do Enem é divulgado; saiba como consultar

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