Arquivo de Notícias

‘Quando a inclusão acontece, tudo fica mais fácil’: formação em Musicografia Braille do Conservatório de Tatuí é uma das poucas do Brasil

Publicado em: 13/12/2025 08:01

Conheça curso que ensina leitura e produção de partituras em Braille no interior de SP Você sabia que é possível ler e produzir partituras musicais em Braille? No Conservatório de Música e Teatro de Tatuí, no interior de São Paulo, um curso especializado ensina exatamente isso. A modalidade, chamada Musicografia Braille, atende pessoas com deficiência visual e alunos com visão plena interessados em aprender leitura e escrita musical no sistema tátil. Neste sábado (13), Dia Nacional da Pessoa com Deficiência Visual, o g1 conversou com professores e estudantes da turma. Eles explicam como o curso, criado em 2008, se tornou referência no país ao oferecer estrutura e acompanhamento técnico para o desenvolvimento musical de forma acessível. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp O que é “Musicografia Braille”? O curso de Musicografia Braille do Conservatório de Tatuí foi criado em 2008 e passou por uma reestruturação após mudanças na gestão. Hoje, a área funciona de duas formas: como disciplina que acompanha alunos com deficiência visual nos demais cursos de música e como a especialização Formação em Musicografia Braille, com duração de dois anos e aberta a pessoas com ou sem deficiência, interessadas no sistema tátil. A professora e mestra Karla Cremonez Gambarotto Vieira explica que o diferencial da formação é a grade ampliada. Além de escrita, leitura e transcrição em Braille, os estudantes têm disciplinas como Educação Especial na Perspectiva Inclusiva na Música, Deficiência Visual e Música, além de Tecnologias Assistivas e Práticas Educacionais. Segundo Karla, as transcrições podem ser feitas pela máquina Braille ou impressas por equipamentos específicos, a partir de softwares de edição. “Mostramos que o ensino da música é para todas as pessoas, com ou sem deficiência, e que todos devem ocupar os espaços das salas de aula, orquestras e recitais”, afirma. O curso aceita alunos a partir de 18 anos e não tem limite máximo de idade. A turma atual reúne estudantes de 18 a 50 anos, com e sem deficiência visual. A professora destaca que ainda há poucos locais no país que formam profissionais em Musicografia Braille, o que limita o acesso ao conteúdo. Em outros centros, a oferta costuma ser restrita a oficinas, palestras ou cursos rápidos. Para ela, a convivência entre alunos com diferentes níveis de visão torna o aprendizado mais rico. Dentro da disciplina, estudantes que cursam instrumentos se apresentam com colegas em orquestras, recitais e performances diversas. “Sempre há uma troca que emociona. Muitos alunos com deficiência, que antes não acreditavam ser possível, hoje são formados, trabalham com música profissionalmente e sustentam suas famílias”, relata. O coordenador técnico-artístico-pedagógico do Conservatório, Carlo Vinícius Rosa Arruda, acrescenta que as transcrições feitas pelos bolsistas também são utilizadas por eles nas disciplinas que exigem partituras. Além da leitura em Braille, os alunos estudam fundamentos teórico-práticos da inclusão e conhecem tecnologias assistivas que facilitam a conversão entre Braille e tinta. Experiência em sala de aula Na modalidade oferecida no Conservatório de Tatuí, os alunos desenvolvem a produção e leitura de partituras no Sistema Braille Arquivo pessoal/Conservatório de Tatuí O pianista clássico, Kelvin Matheus, de 30 anos, já sentia dificuldade para enxergar na infância, mas achava que todas as outras pessoas viam igual a ele. O tatuiense não entendia direito, não prestava atenção e até copiava errado o material na lousa da escola, isso se estendeu até a vida adulta. Quando a deficiência se acentuou, ele recebeu o diagnóstico de retinose pigmentar. Antes de começar as aulas no conservatório, Kelvin já se interessava por música, mas depois do curso essa paixão cresceu ainda mais. “Quando é permitida a inclusão, isso fica muito mais fácil. Nós temos acesso às alternativas sendo dadas pra gente, nossa, é muito bom”, contou. Ao escolher a musicografia, o músico buscava se aprofundar mais no assunto, e para ele, a experiência tem sido ótima. Kelvin citou que a modalidade é uma alternativa eficaz para pessoas com deficiência visual. “É extremamente importante para pessoas com deficiência, porque isso possibilita à pessoa com deficiência visual ter acesso aos detalhes da partitura”. Para Kelvin, as dificuldades encontradas no curso são como qualquer outra e o aluno precisa ter dedicação: buscar entender o conteúdo, estudar e aprender. E a produção de partituras têm sido gratificantes, pois o aprendizado enriquece suas habilidades. A aluna do curso, Imna de Mendonça Souza Ávila, de 33 anos, atua como professora pós-graduada em Atendimento Educacional Especializado (AEE), prestando suporte pedagógico a estudantes com deficiência e com transtorno do espectro autista. Ela ingressou na formação durante o primeiro semestre deste ano, explicou que realiza o curso pensando na sua prática musical e na atuação profissional. Imna atua de forma voluntária como organista e instrutora musical na igreja que frequenta. Como pessoa com visão plena, a professora relatou que a sua tendência é recorrer aos recursos visuais. Ao entrar em contato com a musicografia, ela percebeu o conhecimento pelos outros sentidos, através do som, tato, atenção e sensibilidade. “Isso tem enriquecido muito minha compreensão sobre os processos de aprendizagem das pessoas com deficiência visual”. No início, as produções de partituras e leituras de Imna foram um grande desafio, mas foi uma experiência enriquecedora. No começo, passou por dificuldades para compreender a lógica da musicografia braile, porque exigia uma atenção diferente da leitura convencional das partituras em tinta. “Esse aprendizado tem sido extremamente valioso e, desde as primeiras aulas, ampliou meu olhar sobre a deficiência visual. A musicografia braile abriu um novo campo de interesse, pois conecta a música com a educação inclusiva, áreas que fazem parte da minha identidade profissional”, contou à reportagem. Caso os alunos ainda não sejam alfabetizados no Sistema Braille, o conservatório disponibiliza aulas para o desenvolvimento Arquivo pessoal/Conservatório de Tatuí *Colaborou sob a supervisão de Carla Monteiro Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

Palavras-chave: tecnologia

Quatro pessoas da mesma família morrem em acidente em rodovia no Ceará

Publicado em: 13/12/2025 07:32

Quatro pessoas da mesma família morrem em acidente em rodovia em Morada Nova Quatro pessoas da mesma família morreram em um acidente de carro na CE-138, em Morada Nova, no interior do Ceará, na noite desta sexta-feira (12). Outras duas pessoas ficaram feridas e foram socorridas. Segundo testemunhas, cinco pessoas seguiam em um carro que se envolveu no acidente com outros veículos, incluindo uma carreta. A dinâmica da colisão não foi esclarecida. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ceará Colisão entre carro e outros veículos deixa quatro pessoas da mesma família mortas em rodovia de Morada Nova. Reprodução As vítimas foram identificadas como: Francisco Jerles de Lima Pereira, a companheira dele Eliete Alves, o pai dele, conhecido com Jerri e uma familiar identificada apenas como Di. Eles eram moradores da localidade de Jurema dos Vieiras, no município de Ocara. Outro parente de Jerles, identificado como Jefferson, que também estava no veículo, foi socorrido e levado a um hospital da região. O estado de saúde dele e do outro sobrevivente não foi informado. Francisco Jerles, chamado pelos amigos de Jerrinho, era funcionário da Câmara Municipal de Ocara. A entidade divulgou uma nota de pesar pela morte do funcionário. Francisco Jerles de Lima Pereira, a companheira dele Eliete Alves e o pai dele, conhecido com Jerri, estão entre as vítimas. Arquivo pessoal "Francisco Jerles foi um colega dedicado, prestativo e fundamental para o funcionamento desta Casa Legislativa. Sua partida deixa uma lacuna imensurável em nossos corações e na equipe da Câmara", diz uma trecho da nota de pesar da Câmara de Ocara. A prefeita Naiara Castro, da cidade de Morada Nova, onde o acidente aconteceu, também se manifestou. "Recebi com profunda tristeza a notícia do grave acidente ocorrido na CE-138, aqui em Morada Nova, que tirou a vida de quatro pessoas e deixou outras duas feridas. Neste momento de dor e consternação, me solidarizo com a família e amigos das vítimas, pedindo a Deus que conforte os corações de todos que sofreram com essa perda tão dolorosa", publicou a prefeita de Morada Nova. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará

Palavras-chave: câmara municipal

Viagra eletrônico: dispositivo criado por brasileiro permite recuperar ereção em homens paraplégicos

Publicado em: 13/12/2025 05:01

Viagra eletrônico: dispositivo recupera a ereção em 90% dos pacientes em estudo Uma pesquisa conduzida no Brasil conseguiu fazer com que homens que tiveram uma lesão na medula e perderam o movimento dos membros inferiores voltassem a ter ereções. O ‘viagra eletrônico’, um dispositivo que estimula as terminações nervosas, fez com que os homens com a lesão pudessem voltar a ter os impulsos de resposta ao estímulo sexual – um feito inédito. ➡️ O estudo está sendo feito com pacientes voluntários no laboratório de urologia da Faculdade de Medicina do ABC, que fica em Santo André. Foram acompanhados seis homens paraplégicos com lesão medular, todos com até 34 anos e com lesões ocorridas há mais de quatro anos. O médico urologista Sidney Glina, responsável pelo estudo, explica que, nesse tipo de lesão, as conexões nervosas responsáveis pela ereção ficam interrompidas, e o impulso que deveria chegar ao pênis não é transmitido. Alguns até chegam a ter ereções de reflexo, mas não conseguem mantê-las durante a relação. ➡️ O chamado CaverSTIM, o "viagra eletrônico", funciona como se fosse um marcapasso e é um neurotransmissor em que os eletrodos são implantados por meio de cirurgia na região pélvica. Ao ser acionado o controle remoto, o estimulador entrega estímulos nos nervos que causam a ereção. (Entenda mais abaixo) Após um ano de acompanhamento, cinco dos seis pacientes conseguiram retomar a ereção contínua e melhorar a qualidade de suas relações sexuais. “É a primeira vez que conseguimos estimular um nervo ligado à ereção e ter resultado clínico”, afirma. “Já existe tecnologia para estimular a medula e controlar funções como o intestino, mas recuperar a via nervosa da ereção é algo totalmente novo. Isso abre caminho para outros tratamentos”, explica Sidney Glina, responsável pelo estudo. ➡️ Os resultados ainda estão sob análise para revisão por pares, mas a equipe considera o achado suficiente para expandir o estudo: o próximo passo é incluir 20 pacientes paraplégicos, com diferentes tipos e níveis de lesão medular. Se os resultados se confirmarem, o dispositivo pode abrir uma nova fronteira na reabilitação sexual de pessoas com lesão medular — uma área que, até agora, tinha alternativas limitadas e pouco eficazes. Estimativa é de que haja 150 milhões de homens no mundo com disfunção erétil Vera Atchou/AltoPress/PhotoAlto/AFP O que é o ‘viagra eletrônico’ Hoje, a estimativa é de que 150 milhões de homens no mundo sejam afetados pela disfunção erétil. O tratamento mais comum para disfunção erétil envolve o uso de medicamentos como Viagra ou Cialis. O problema é que, em 30% dos casos, os homens não respondem aos comprimidos e precisam recorrer a alternativas mais invasivas, como injeções penianas ou próteses. 🍆 Na prótese, dois cilindros são implantados ao longo do pênis, junto de uma bomba posicionada no saco escrotal. Para ter ereção, é necessário acionar manualmente o dispositivo no momento da relação. O “viagra eletrônico” propõe uma abordagem diferente. Segundo o pesquisador responsável pelo desenvolvimento do equipamento, Rodrigo Araújo, que está atualmente nos Estados Unidos para uma nova etapa da pesquisa, a alternativa disponível hoje para os pacientes acaba quebrando o “clímax” na relação. O dispositivo desenvolvido por ele, chamado CaverSTIM, propõe uma abordagem diferente: totalmente interno e sem partes aparentes, o CaverSTIM é ativado por um controle remoto que pode ser acionado discretamente. Mais do que isso: ele não provoca uma ereção imediata, mas inicia o estímulo nervoso que permite que a ereção aconteça de forma fisiológica, conforme o estímulo sexual aumenta. (Veja a imagem abaixo) Entenda como funciona ‘viagra eletrônico’, dispositivo contra disfunção erétil O dispositivo pode ser usado de duas formas: Como terapia temporária, como no caso dos pacientes operados da próstata, até que a função natural seja recuperada. Como uso permanente, no caso de pacientes com lesão medular. A proposta de Rodrigo é que o equipamento possa ser mais uma possibilidade para pacientes com a doença, nos vários quadros em que ela se apresenta. No entanto, para isso, ainda são necessárias algumas etapas: 🍆 Início dos testes clínicos nos Estados Unidos, no Johns Hopkins Hospital, um dos centros médicos e científicos mais renomados do mundo. 🍆 Início do estudo pivotal (fase 3), com previsão de incluir até 150 pacientes. 🍆 Publicação do artigo com resultados do uso do dispositivo em homens paraplégicos.

Palavras-chave: tecnologia

MG registra mais de 2,5 toneladas de drogas apreendidas em uma semana

Publicado em: 13/12/2025 05:00

Mais de duas toneladas e meia de drogas são apreendidas em Minas Gerais, em uma semana Minas Gerais voltou a aparecer na rota do tráfico internacional de drogas. Em apenas uma semana, mais de duas toneladas e meia de entorpecentes foram apreendidas no estado. Desde janeiro, já são mais de 50 mil apreensões, segundo a Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). A maior apreensão da semana ocorreu na MG-050, em Itaúna, na região Centro-Oeste. A Polícia Civil interceptou um caminhão com mais de uma tonelada de maconha, transportada em rodovias mineiras. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp O veículo estava com placa adulterada e plotado com a marca de uma empresa atacadista de Minas, o que, segundo os investigadores, era uma forma de tentar burlar a fiscalização. Dois homens foram presos. De acordo com a investigação, a droga saiu da Bolívia, cruzou a fronteira com o Mato Grosso, seguiu para o estado de São Paulo, onde foi preparada e embalada, e depois passou por estradas mineiras, até ser interceptada. O destino final seria a Região Metropolitana de Belo Horizonte. O chefe do Departamento Estadual de Operações Especiais, delegado Rodrigo Bustamante, explica que grande parte da droga transportada por organizações criminosas tem origem em países vizinhos. "É muito mais fácil para os traficantes usar o transporte terrestre até os portos brasileiros. Eles estão cada vez mais ousados, e a polícia precisa manter o mesmo nível de comprometimento", afirmou o delegado. Mais de 50 mil apreensões no ano Entre janeiro e outubro, Minas Gerais registrou mais de 50 mil apreensões de drogas, segundo a Sejusp. As cidades com maiores números foram Belo Horizonte (6.768), Juiz de Fora (4.887), Contagem (4.446) e Ipatinga (3.953). As forças de segurança afirmam que maconha, cocaína e crack são as substâncias mais encontradas. Além das rodovias, outros pontos de entrada e saída também têm sido usados pelos criminosos. Prisões em aeroportos No Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, uma passageira foi presa em flagrante ao tentar embarcar para Paris. O raio-X da Receita Federal identificou irregularidades na bagagem, onde foram encontrados 3,5 kg de cocaína escondidos em um fundo falso da mala. Na semana passada, a Receita Federal e a Polícia Federal apreenderam quase 1,5 tonelada de cocaína no terminal de cargas do aeroporto, a maior apreensão desse tipo já registrada no país. Para o superintendente da Receita Federal em Minas Gerais, Mário Dehon Santiago, o cruzamento eletrônico de dados tem ampliado a eficiência das fiscalizações. "Todos os passageiros passam por cruzamento de informações, e, quando há risco, a verificação é feita imediatamente. Em Minas Gerais, esse controle tem sido constante", explicou o superintendente. Ações nas rodovias federais Nas estradas federais que cortam Minas Gerais, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 34 toneladas de maconha e 740 kg de cocaína neste ano. O porta-voz da PRF em Minas, inspetor Aristídes Júnior, afirma que a troca de informações entre as forças de segurança tem sido decisiva. "Nenhuma polícia trabalha sozinha. O compartilhamento de dados e o uso de tecnologia aumentam a assertividade das operações", disse o inspetor. Drogas apreendidas em MG. TV Globo Vídeos mais assistidos do g1 MG

Palavras-chave: tecnologia

Vítimas de estupro de vulnerável têm dados expostos por anos em site jurídico após vazamento de processo do TJ-SP: 'Sempre alguém me manda um print'

Publicado em: 13/12/2025 05:00

Dados sigilosos de crianças e adolescentes vazam em sites jurídicos Um processo sigiloso envolvendo crimes sexuais contra crianças e adolescentes, em uma cidade da Grande São Paulo, tramitou por anos com todas as informações abertas ao público, permitindo que sites jurídicos reproduzissem o conteúdo integral, incluindo nomes completos das vítimas, endereço aproximado, escola, bairro onde moravam e detalhes suficientes para identificá-las. O material permaneceu acessível por anos no Diário Oficial da Justiça de São Paulo e no Jusbrasil, mesmo se tratando de um procedimento que deveria ter segredo absoluto, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O Jusbrasil retirou o material do ar nesta sexta-feira (12), após o g1 acioná-lo. O caso é mais um do vazamento massivo de dados de crianças e adolescentes em decisões e registros públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que o g1 revelou nesta semana. Saiba mais: Dados sigilosos de crianças e adolescentes de processos do TJ-SP vazam em sites jurídicos e expõem jovens a constrangimentos e riscos Como ocorreu o vazamento de dados de crianças e adolescentes de processos de SP; veja as principais suspeitas Após reportagem do g1, Jusbrasil identifica falha que reproduziu dados de crianças do Diário Oficial de Justiça e remove conteúdo Vítima relata anos de exposição: “Sempre aparece alguém me julgando” Um dos jovens atingidos pelo vazamento, que teve seu nome publicado tanto como vítima de abuso sexual quanto, posteriormente, como suposto aliciador, afirma que a divulgação do processo inteiro marcou sua vida. “Esse processo já me causou muita coisa ruim. Já rolou em grupos de WhatsApp, já fui exposto na minha comunidade. Eu tive que mudar de escola”, disse ao g1. O jovem explica que, embora tenha sido inicialmente tratado como se participasse dos crimes, a Justiça posteriormente reconheceu que ele era vítima, usada e manipulada pelo agressor, um militar, amigo da sua mãe, que também o havia violentado aos sete anos de idade. Ele cumpriu medida socioeducativa e passou por diversas unidades da Fundação Casa, onde chegou a sofrer ameaças. Em uma das unidades, houve até tentativa de agressão durante uma rebelião. Mais tarde, um juiz determinou a extinção do processo, reconhecendo que ele era vítima, mas a decisão que o colocava como autor de ato infracional continuou publicada online. "Eu tenho áudios, tenho prints das pessoas me perguntando, me julgando, sabe? Porque ali é só uma parte do processo, né? Onde expõe o meu nome, até onde eu moro, onde eu frequento, onde eu estudava, mas não fala o processo, o que desenrolou no processo, né? Então as pessoas acabam julgando aquilo que elas veem, então elas não sabem exatamente o que aconteceu", diz. “Eu me formei, fiz faculdade, trabalho. Mas vira e mexe aparece alguém me mandando print, perguntando o que aconteceu. É uma ferida que não fecha porque o processo está lá, público, até hoje”, afirma. Atualmente, ele tem 29 anos e trabalha como motorista de aplicativo. Processo trazia nome de criança de 8 anos vítima do mesmo agressor O mesmo documento que teve as informações do adolescente expostas também revelava o nome da outra vítima, um menino de 8 anos à época dos fatos. O processo trazia: nome completo bairro onde morava escola que frequentava descrição cronológica dos fatos depoimentos detalhados Segundo especialistas consultados pelo g1, qualquer parte desses dados já configuraria violação grave de direitos. “Faz mais de dez anos que isso está aberto. Eu era criança. Nunca imaginei que algo tão grave ficaria exposto por tanto tempo”, afirma o jovem. Ao ver a reportagem do g1 sobre o vazamento no TJ-SP, ele entrou em contato com a reportagem. “Quando eu vi a matéria, foi um alívio. Eu pensei: finalmente alguém está falando disso.” Tratamento e reconstrução da vida Depois da medida socioeducativa, o jovem passou três anos em acompanhamento psicológico especializado para vítimas de abuso sexual na infância. “Não superei, porque isso não se supera. Mas aprendi a viver com isso. O que não dá é continuar sendo exposto por causa de um erro do sistema”, diz. O que diz a lei O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina: segredo absoluto em processos que envolvem crimes contra crianças e adolescentes; proibição de divulgação de nomes, imagens ou informações que permitam identificar vítimas ou adolescentes em procedimentos judiciais; sanções administrativas a quem divulgar ou permitir a divulgação — incluindo agentes públicos. A Defensoria Pública de São Paulo afirma que a exposição pode gerar indenização aos jovens. Remoção de conteúdos O Jusbrasil, um dos sites jurídicos que divulgou informações sigilosas de processos envolvendo crianças e adolescentes, afirmou na sexta-feira (12) que identificou a falha e removeu os conteúdos. O site não sabe o número exato de dados expostos, mas afirmou que retirou centenas de processos, oriundos de fontes oficiais, só entre quinta e esta sexta. "A partir de investigações internas detalhadas, o Jusbrasil identificou que houve uma falha operacional em nossos mecanismos de identificação e remoção de conteúdos reproduzidos na plataforma com informações que identificam adolescentes envolvidos em atos infracionais, que foram original e indevidamente publicadas nos diários oficiais de justiça. Trata-se de um tema relevante, que demanda ação coordenada, responsabilidade compartilhada e total transparência", diz. "Diante dessa situação, revisamos imediatamente nossos fluxos internos de prevenção e monitoramento proativo, bem como conduzimos uma varredura técnica para identificar os documentos jurídicos com esse tipo de informação. Estamos removendo do site todos os conteúdos identificados até o momento com este tipo de informação em nossos sistemas. Seguimos com o monitoramento para garantir que novos casos sejam prontamente tratados. Temos um canal de atendimento que funciona 24h por dia para a solicitação de desidentificação de informações. Nos casos em que os conteúdos têm origem em diários oficiais, o pedido de desidentificação é tratado de forma imediata", completa. O Jusbrasil afirmou ainda que a exposição "contraria os princípios de proteção à infância e adolescência, previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não reflete os valores da nossa plataforma". "Reconhecemos a gravidade do impacto que esse tipo de exposição pode causar a adolescentes e suas famílias", dizem. Além do Jusbrasil, o Escavador também reproduziu dados de crianças e adolescentes. O Tirbunal de Justiça segue investigando a origem do vazamento. Segundo a instituição, as apurações têm como "intuito principal esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." Os dados divulgados Como o g1 mostrou, o problema veio à tona após técnicos de serviços de medidas socioeducativas perceberem que adolescentes acompanhados por eles estavam sendo identificados publicamente. Um desses serviços mapeou 40 nomes vazados apenas em uma única região da capital paulista, segundo a Defensoria. A partir daí, denúncias passaram a chegar de forma contínua ao Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), que hoje contabiliza mais de 50 casos confirmados, embora a estimativa real seja muito maior. Além dos nomes e idades, também ficam expostos detalhes sobre os atos infracionais atribuídos aos adolescentes — em sua maioria, crimes contra o patrimônio, como furto. "É algo completamente inédito. Estou na Infância há quase dez anos e nunca havia visto qualquer tipo de vazamento”, diz Gabriele Estabile Bezerra, coordenadora Auxiliar do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria. “Esses processos têm camadas de sigilo e, em alguns tipos, até os próprios defensores precisam de credenciais especiais para acessá-los. Encontrar esse material exposto em sites abertos é extremamente grave", completou. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é claro: o artigo 247 proíbe qualquer divulgação, total ou parcial, de dados que identifiquem adolescentes envolvidos em atos infracionais, seja por publicação original ou republicação — argumento que contradiz a defesa apresentada por sites que afirmam apenas “republicar dados públicos”. A pena é de multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Quem exibe ou transmite imagem e dados de adolescentes incorre na mesma pena. "Entendo que o TJ pode responder com base no ECA e na Constituição Federal ao expor nomes e informações de processos de crianças e adolescentes, que deveriam tramitar em sigilo. O segredo de Justiça visa evitar a revitimização das próprias crianças e adolescentes", diz Ariel de Castro Alves, advogado e membro da Comissão Nacional da Criança e do Adolescente do Conselho Federal da OAB. Constrangimentos e violação de direitos O vazamento não é apenas uma falha administrativa: ele tem consequências diretas na vida dos jovens. Uma adolescente perdeu o emprego depois que o empregador, ao buscar seu nome na internet, encontrou o processo sigiloso e decidiu demiti-la. Em outro caso, um estudante abandonou o ano letivo após ser exposto de forma vexatória na escola. Há ainda situações envolvendo adolescentes em contextos de ameaça, nos quais a divulgação aumenta o risco real à integridade física. Um desses casos é de um adolescente que cumpriu medida socioeducativa por seis meses em uma creche para crianças pequenas. O pai explica que o filho só passou a responder ao processo porque se aproximou de um adolescente que, segundo ele, era o verdadeiro responsável pelo ato infracional investigado. “O principal adolescente no processo é o 'fulano'. Meu filho acabou sendo investigado por estar perto dele, mas o juiz enxergou que ele não tinha cometido nada. Ele foi inocentado”, afirma. O pai conta que o jovem ficava muito tempo sozinho em casa e acabou se envolvendo com um grupo que considerava perigoso, mas que o acolhia. “Ele mesmo dizia: 'Eu sabia que eles faziam coisa errada, mas eu falava que era contra. Eram as pessoas que conversavam comigo, que jogavam joguinho online comigo'.” Por isso, ele acabou recebendo uma medida socioeducativa leve, voltada para orientação. “O juiz entendeu que ele precisava aprender a selecionar amizades, a tomar cuidado com internet, com redes sociais”, diz o pai. O processo do adolescente foi arquivado após seis meses, quando a Justiça concluiu que ele não havia participado do ato infracional. Mesmo assim, passou a ser alvo de estigma na escola depois que o processo apareceu ao se digitar seu nome no Google. “Eu tenho o print do Jusbrasil. Se digitava o nome dele na internet, aparecia o processo”, disse. Ele afirma que, a partir disso, o adolescente passou a ser visto como “perigoso” e “agressivo” por colegas e funcionários. “O segurança falava no rádio: 'menino chegou, toma cuidado', como se ele fosse um ladrão”, relatou. O pai conta ainda que a coordenadora o chamou numa sala fechada e insistiu para que ele admitisse ter machucado alguém, o que ele negou repetidas vezes. A família também acredita que a escola vasculhou as redes sociais do jovem, já que um vídeo postado apenas para amigos acabou enviado ao técnico da medida. O pai diz que o conjunto dessas situações fez o filho voltar a apresentar sintomas de depressão. “Ele estava muito bem, mas voltou a ficar triste, revoltado. Parou de ir para a escola.” Hoje, o adolescente estuda em regime domiciliar. TJ e CNJ negam falhas; origem do vazamento segue desconhecida O Núcleo da Defensoria notificou o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), o Ministério Público e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Mas, até agora, nenhum órgão identificou a origem do vazamento ou apresentou medidas concretas para solucioná-lo. O Tribunal de Justiça de São Paulo afirmou, por meio de nota, que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. "As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal", diz. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados. Já o CNJ afirmou que a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao TJ. "O TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos", diz. A defensora discordou sobre o número de casos que foram apresentados pelo órgão ao TJ e CNJ. “O CNJ arquivou dizendo que eram poucos casos, mas já mapeamos dezenas, e sabemos que o universo é muito maior. É indispensável uma investigação mais profunda sobre como esses dados sigilosos estão sendo extraídos e repassados.” Sombra de adolescente, menino, garoto Navneet Kaur/Pexels Possíveis fontes do vazamento Segundo a Defensoria, três caminhos têm sido identificados como potenciais pontos de fragilidade: Publicações judiciais que não foram anonimizadas, inclusive em varas criminais, onde adolescentes são citados nominalmente. Casos com atuação de advogados, que acabam indo para o Diário de Justiça Eletrônico sem o devido cuidado com o sigilo. A publicação indevida de atos processuais que jamais poderiam ser divulgados, como os do juízo corregedor — o tipo de processo que possui o maior nível de sigilo. A defensora também aponta a possibilidade de que o problema esteja em um banco de dados nacional abastecido obrigatoriamente por todos os tribunais, como o sistema Códex do CNJ, mas reforça que não há elementos suficientes para confirmar a hipótese. Retiradas pontuais não resolvem o problema A Defensoria tem solicitado a remoção de páginas individualmente, e alguns portais atendem aos pedidos — mas de forma irregular. Mesmo nomes cuja retirada já foi confirmada continuam reaparecendo em buscas recentes. “É um universo infinito. Não há como rastrear manualmente todos os adolescentes expostos. Sem identificar a fonte do vazamento, o problema continua”, diz a defensora. Por enquanto, nenhuma ação coletiva de indenização foi movida, mas a Defensoria afirma que os jovens afetados têm direito à reparação civil pelos danos sofridos. “É uma violação grave, inédita e contínua. E ninguém está assumindo responsabilidade”, resume a defensora. O que diz o TJ "O Tribunal de Justiça de São Paulo informa que foram instaurados expedientes administrativos na Presidência, com análise conduzida pelo Setor de Tecnologia da Informação, diante da notícia de eventual exposição indevida de dados de adolescentes vinculados a processos da Infância e Juventude. A apuração teve início após comunicações enviadas por magistrados e pelo Núcleo Especializado da Infância e Juventude (NEIJ), da Defensoria Pública do Estado. As análises realizadas pela área de TI confirmaram que não houve vazamento de dados, falha no sistema informatizado ou irregularidade nas publicações. Os levantamentos indicam que as informações mencionadas estão sendo obtidas por meios externos, alheios à atuação do TJSP e de seus agentes, sem qualquer falha na guarda dos dados pelo Tribunal. As conclusões obtidas até o momento foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Justiça e à Defensoria Pública, para as providências que entenderem cabíveis. O TJSP esclarece que não pode agir de ofício para determinar a retirada de conteúdos eventualmente publicados por terceiros, sendo necessária a provocação judicial por parte dos órgãos ou interessados legitimados." Nova nota na quinta-feira, após publicação da reportagem: "O TJSP continua as apurações no âmbito interno nos expedientes já abertos, não tendo arquivado nenhum deles, mesmo considerando que as conclusões obtidas indicam, como já informado, que não houve vazamento de dados por parte do Tribunal. O intuito principal, como não poderia deixar de ser, é esgotar todas as possibilidades ao seu alcance, na busca das informações que possam levar à identificação da origem da publicação dos dados por terceiros e, principalmente, assegurar o cumprimento dos direitos das crianças e adolescentes." O que diz o CNJ "Em 20 de agosto, a Corregedoria Nacional de Justiça pediu esclarecimentos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em relação a suposto vazamento de dados de processos relativos ao cumprimento de medidas socioeducativas ou a atos infracionais em plataforma privada que reúne dados de processos judiciais. A solicitação foi feita após o CNJ receber denúncia da Defensoria Pública do Estado de São Paulo em que relatou facilidade na identificação desses processos, o que viola o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê que os dados de menores de idade constantes em processos judiciais devem ser resguardados de exposição. Em resposta, o TJSP informou que, após auditoria interna, não foram encontradas falhas, erros de procedimento ou disponibilização indevida de dados por parte do Tribunal. A corte esclareceu ainda que a própria Defensoria havia identificado apenas dois casos desses vazamentos, os quais foram verificados pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Sobre isso, o TJSP levanta a hipótese de que a coleta indevida de informações sobre esses dois casos tenha ocorrido por pessoas com acesso legítimo ao processo, que utilizaram os dados para fins ilegítimos. O presidente do TJSP sugeriu que apenas uma investigação mais aprofundada, possivelmente de caráter policial, poderá identificar a origem dos vazamentos. Diante disso, a Corregedoria Nacional de Justiça considerou que não foram apresentadas provas concretas de falha na proteção de dados que justifiquem a instauração de medidas mais severas neste momento." O que diz o Escavador "Nota de esclarecimento do Escavador sobre alegações de exposição de dados processuais sigilosos envolvendo crianças e adolescentes. O Escavador vem a público prestar esclarecimentos, com total transparência, sobre reportagens que mencionam suposta exposição, em sua plataforma, de dados processuais que deveriam tramitar sob segredo de justiça, especialmente em casos envolvendo crianças e adolescentes. Lamentamos profundamente qualquer preocupação ou constrangimento que a situação possa ter causado a familiares, responsáveis e demais envolvidos. A proteção de dados pessoais – em especial de pessoas em situação de vulnerabilidade – é prioridade absoluta na nossa atuação."

Câncer de bexiga: Unicamp descobre pistas em tumores que podem explicar por que tratamento falha em metade dos casos

Publicado em: 13/12/2025 05:00

Conheça os riscos, sintomas, diagnóstico e tratamento do câncer de bexiga Por que o tratamento tradicional contra o câncer de bexiga falha em metade dos casos? Foi buscando respostas para essa pergunta que pesquisadores da Unicamp, em Campinas (SP), identificaram quatro biomarcadores que podem explicar por que os pacientes têm respostas tão diferentes às terapias. Os resultados fazem parte de um estudo ainda em fase inicial, baseado na análise de amostras de 48 pacientes. A pesquisa funciona como uma prova de conceito, mas os achados ainda precisam ser validados em grupos maiores antes de qualquer aplicação clínica. 🔎 Biomarcadores são moléculas que mostram que um processo ou doença está acontecendo no corpo. Eles podem ser encontrados no sangue, em outros fluidos, nos tecidos ou nas células. Podem ser proteínas, hormônios, genes, mutações ou outros tipos de moléculas. Essa descoberta é importante porque abre caminho para tratamentos mais precisos e de menor impacto na qualidade de vida dos pacientes. Hoje, o principal método utilizado contra esse tipo de câncer é a imunoterapia com a vacina BCG. No entanto, os efeitos colaterais do tratamento com o imunizante, que incluem ardência e infecções constantes, fazem com que só 16% dos pacientes terminem o ciclo completo, que pode durar até três anos. Quando a vacina BCG falha ou os tumores invadem o músculo da bexiga, as opções são a quimioterapia e a retirada do órgão -- um tratamento cirúrgico que, segundo os pesquisadores, tem complicações em 90% dos casos. "Muitos desses pacientes que vieram até nós tiveram inúmeras falhas com BCG, até mesmo com quimioterapia dentro da bexiga, e isso nos chamou a atenção. E também há alguns pacientes que não respondiam a absolutamente nada. A nossa ideia era buscar entender o porquê esses pacientes falham e por que pacientes respondem bem ao tratamento", explicou o professor Wagner Fávaro, que orientou o estudo. Pesquisadores da Unicamp identificam biomarcadores relacionados ao câncer de bexiga Wagner Fávaro/Arquivo pessoal Novas possibilidades A pesquisa identificou dois grupos de biomarcadores que ajudam a entender como cada paciente reage ao tratamento. Quem não melhorava com a terapia tinha níveis altos de HER-2 e SERBP1, ligados a maior risco de a doença voltar ou piorar. Já os pacientes que respondiam bem apresentavam mais HABP4 e Interferon, marcadores associados a um controle maior do tumor. Imagine os pedais de um carro. HER-2 e SERBP1 funcionam como o acelerador, empurrando a doença em um ritmo mais agressivo. Já HABP4 e Interferon fazem o papel do freio, ajudando a conter o avanço do câncer. "O investimento em biomarcadores para dizer se esse paciente vai responder bem é fundamental porque nós ganhamos tempo no tratamento. Muitas vezes, se nós identificarmos pacientes com esse perfil, ao invés de fazermos determinados tratamentos, nós podemos utilizar um tratamento-alvo", detalhou Fávaro. O pesquisador destacou que a proteína HER-2 também é encontrada em outros tipos de câncer. Por isso, já existe no mercado uma terapia focada na inibição desse biomarcador que é amplamente utilizada no tratamento contra o câncer de mama. Esse medicamento, portanto, poderia beneficiar pacientes com câncer de bexiga que não responderam ao tratamento com BCG, segundo Fávaro. “Hoje é possível e já acontece na medicina de pacientes que têm positividade para HER-2 em estômago, em intestino, se o tratamento padrão falhar, usar um tratamento que era da mama para esse alvo terapêutico”, disse o pesquisador. Barreiras De acordo com Fávaro, apesar de a descoberta ser considerada promissora, há uma barreira financeira que impede o teste de ser utilizado no dia a dia dos hospitais. Além disso, nem todos os laboratórios de anatomia patológica têm preparo para realizar o procedimento. Apesar disso, há laboratórios no mercado que já realizam testes imunohistoquímicos para detectar a presença da proteína HER-2 em tumores. Outro ponto relevante, segundo o pesquisador, é que o estudo envolveu 48 pacientes e se configura como uma prova de conceito, uma demonstração inicial que mostra a viabilidade técnica da ideia e o potencial de funcionar em um ambiente controlado. "O que é importante? Nós validarmos esse método em mais pacientes para verificarmos a reprodutibilidade destes resultados, se estes resultados se mantêm. Feito isso, aí sim, nós podemos indicar isso como um método diagnóstico complementar, que vai assessorar o médico na sua conduta terapêutica", explicou Fávaro. Foto da reação imunohistoquimica para SERBP1 na biópsia de câncer de bexiga Wagner Fávaro/Arquivo pessoal Alternativa à BCG Há 15 anos, Fávaro se dedica também ao desenvolvimento de um tratamento contra o câncer que possa ser usado como uma alternativa à BCG. Isso porque, além dos efeitos colaterais e das taxas de retorno da doença, o imunoterápico enfrenta uma escassez mundial. Ele explica que, como a vacina é feita a partir de versões enfraquecidas do Mycobacterium bovis, a produção exige um processo delicado em que temperatura, ambiente e equipamentos precisam ser controlados de perto. Esse tipo de fabricação é difícil de manter quando se produz em grande quantidade, o que acaba gerando diferenças entre os lotes, reduz a oferta e aumenta os custos. No Brasil, o problema se agrava porque, como não há produção nacional, o país precisa comprar a vacina do exterior e muitos serviços do SUS já enfrentam falhas constantes no abastecimento. "Nós importamos 90% dos insumos farmacêuticos ativos. Está na hora de começar a mudar essa realidade, estimular as universidades onde a inovação está e criar um ecossistema que produz isso, ou seja, um projeto de governo, de nação, que estimule a produção de fármacos, de novos medicamentos e de tecnologias que são disruptivas", defende. Por isso, há quase duas décadas, a equipe do pesquisador trabalha no desenvolvimento de uma imunoterapia sintética que ative sistema imunológico de forma parecida com a BCG, mas sem depender de microrganismos vivos. Segundo Fávaro, experimentos feitos com 44 pessoas mostraram resultados animadores. “Em 72% desses pacientes, a doença não voltou. E nos outros 28%, a doença voltou pequena, menos agressiva, onde a gente só raspou a lesão e o paciente permaneceu com a sua bexiga”, relatou. A ideia é que a imunoterapia, chamada de OncoTherad, seja usada também contra outros tipos de câncer, como tumores de mama, cólon e cerebrais. Para que isso aconteça, porém, ainda é preciso regularizar a produção em larga escala junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “O OncoTherad já foi totalmente caracterizado do ponto de vista químico, físico, já passou nos testes pré-clínicos. Nós estamos em estudos em seres humanos. Hoje, nós temos uma grande dificuldade porque nós estamos criando uma norma junto à Anvisa para ser determinado como é a produção de uma molécula nova”, afirmou o pesquisador. O que diz a Anvisa A Anvisa destacou que não recebeu pedido de avaliação e nem dispõe de informações “sobre o referido projeto de desenvolvimento clínico do produto citado”, e que somente após conhecer e discutir com  o interessado, “poderá oferecer as orientações necessárias”. Veja a nota na íntegra: “A Anvisa não recebeu pedido de avaliação e nem dispõe de informações sobre o referido projeto de desenvolvimento clínico do produto citado. Deve-se se seguir a norma de Pesquisa Clínica de medicamentos para fins de registro e atos complementares: RDC nº 945, de 29 de novembro de 2024 e Lei nº 14.874, de 28 de maio de 2024, regulamentada pelo Decreto nº 12.651, de 07 de outubro de 2025. Outras orientações e referências podem ser acessadas em Capa pesquisa clínica — Agência Nacional de Vigilância Sanitária - Anvisa Sugerimos que o interessado entre em contato com a área técnica da Anvisa responsável por desenvolvimento clínico de medicamentos, para receber as orientações complementares necessárias. Ressaltamos que qualquer pesquisa clínica a ser realizada no Brasil para fins de subsidiar futuro registro sanitário de produto/medicamento, deverá ser devidamente avaliada e autorizada pela Anvisa e pela instância de ética em pesquisa com seres humanos. Os requisitos técnicos já estabelecidos para sua produção em escala piloto e industrial. A princípio deve-se seguir o disposto na RDC nº 945/2024 e o interessado deve solicitar aconselhamento regulatório à Anvisa e apresentar os dados já disponíveis e a proposta para discussão e orientações específicas. Os próximos passos que a Anvisa considera necessários para o avanço do processo regulatório. A Anvisa não dispõe de informações sobre o referido projeto, de maneira que somente após conhecer e discutir com  o interessado, poderá oferecer as orientações necessárias”. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Palavras-chave: tecnologia

Como será e por que 1º voo comercial de foguete no Brasil pode colocar país na rota do mercado espacial

Publicado em: 13/12/2025 04:00

Como é o foguete que fará o primeiro voo comercial partindo do Brasil? Quase 30 vezes mais rápido que um avião comercial, alto como um prédio de sete andares e com o peso de quatro elefantes africanos. Os números dão a dimensão do primeiro foguete que será lançado em voo comercial a partir da Base de Alcântara (MA) , previsto para o dia 17 de dezembro. Esse lançamento deve colocar à prova o potencial do cosmódromo brasileiro e, se bem sucedido, representar um avanço do Brasil rumo ao mercado global de lançamentos espaciais. 🚀 Essa vai ser a primeira vez que o Brasil vai capitanear uma missão comercial de colocação de satélites em órbita a partir do território nacional. O trabalho é coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB) e pela Agência Espacial Brasileira (AEB). 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp O foguete sul-coreano HANBIT-Nano, da start-up Innospace, é a primeira tentativa de lançamento de um voo orbital em Alcântara desde o acidente do Veículo Lançador de Satélites (VLS), que matou 21 pessoas. Antes, o Brasil só fez lançamentos de foguetes suborbitais, em voos conhecidos como 'saltos', em que o equipamento sobe e regressa. O novo foguete levará ao espaço, para a órbita da Terra, cinco satélites e três dispositivos que vão auxiliar em pesquisas em mais de cinco áreas desenvolvidas por entidades do Brasil e da Índia. (veja mais abaixo) "Trata-se do primeiro lançamento comercial partindo do Brasil, marcando a entrada do país no mercado de lançamento espaciais e abrindo novos caminhos para a geração de renda e investimentos", afirmou o Coronel Aviador da FAB, Clovis Martins de Souza, Diretor do Centro de Lançamento de Alcântara. Isso porque a base, inaugurada em 1983, tem um potencial de operação considerado subutilizado por profissionais do setor aeroespacial. Sua localização geográfica considerada privilegiada, a previsibilidade meteorológica e a segurança - longe de rotas aéreas ou marítimas - podem fazer com que Alcântara seja cobiçada por governos e empresas de tecnologia do mundo inteiro. Por isso, o Brasil já vislumbra a possibilidade de ganhar, no futuro, dinheiro com o aluguel da base e cobrança de taxas de lançamento, por exemplo. Esses recursos poderão contribuir com o desenvolvimento do setor aeroespacial brasileiro e gerar novos negócios. (leia mais abaixo) De acordo com Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), o pontapé para esse futuro foi dado no início deste ano com a criação da Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil (Alada), que será responsável por negociar os contratos comerciais aeroespaciais lançados a partir do Brasil. "O que eu posso garantir é que quando nós começarmos a operar a partir da Alada, nós seremos competitivos, [operaremos] com preços internacionais. Essa empresa é que vai fazer a intermediação dos contratos", explicou. Para Júlio Shidara, presidente da Associação Das Indústrias Aeroespaciais Do Brasil (AIAB) e coronel da reserva da FAB, apesar dos fatores naturais de Alcântara serem positivos como atrativos à exploração comercial do cosmódromo , eles sozinhos não suficientes para garantir vantagem competitiva em relação a outras bases do mundo. Ele destacou a importância do país oferecer segurança jurídica e menores prazos e custos de logística do transporte de carga à base. (leia abaixo) Como funciona o foguete❓ Foguete HANBIT-Nano será lançado no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) no Maranhão INNOSPACE O foguete HANBIT-Nano será lançado na missão batizada de Spaceward. O objetivo é levar ao espaço cinco satélites e três dispositivos que vão auxiliar em pesquisas em mais de cinco áreas desenvolvidas por entidades do Brasil e da Índia. 🚀 Produzido pela empresa sul-coreana Innospace, o HANBIT-Nano tem 21,9 metros de altura, pesa 20 toneladas e tem 1,4 metro de diâmetro. Durante o seu lançamento, o foguete pode atingir uma velocidade de 30 mil km/h. A velocidade é necessária para que ele alcance a órbita e possa 'escapar' da gravidade terrestre. A viagem até atingir a atmosfera e entrar em órbita deve durar cerca de 3 minutos. A compensação monetária paga pelo Innospace ao governo brasileiro para o lançamento no próximo dia 17 não foi informado. Segundo a AEB, a Innospace firmou um acordo de prestação de serviços pelo valor mínimo de retribuição ao Estado com o Governo Brasileiro. Essa modalidade não prevê 'lucro'. Arte: Como é o foguete HANBIT-Nano Arte/g1 🌌🔭 O lançamento do foguete HANBIT-Nano ocorrerá em dois estágios e poderá ser visto a olho nu dos céus de Alcântara (MA) e em parte de São Luís (MA). O primeiro estágio do HANBIT-Nano, conhecido popularmente como a base, é responsável pelo impulso inicial durante o lançamento do foguete. A estrutura conta com dois motores, sendo um híbrido e um módulo interestágio, que é responsável por separar os dois estágios do dispositivo. O motor HyPER híbrido é abastecido com combustível líquido e sólido. Essa tecnologia permite ajustes da potência do foguete em tempo real e reduz riscos de explosão, sendo considerado mais simples e econômico. O segundo estágio do foguete é onde estão os satélites, chamados de cargas, que serão enviados ao espaço. Essa parte é responsável por inserir os dispositivos na órbita e uma coifa, localizada na ponta do HANBIT-Nano, que protege os satélites de danos no lançamento. Ao todo, estão sendo mobilizados 500 profissionais entre civis e militares para a operação. A primeira tentativa de lançamento estava marcada para o dia 22 de novembro, mas foi remarcada para 17 de dezembro. Foguete HANBIT-Nano posicionado na plataforma de lançamento Divulgação/INNOSPACE Como é a base de Alcântara? Vista área do Aeroporto de Alcântara, localizado na área do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) Divulgação/Agência Espacial Brasileira Construída na década de 1980 o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no litoral do Maranhão foi escolhido para sediar um centro espacial que atendesse aos requisitos técnicos e logísticos do Programa Espacial Brasileiro. Um dos motivos é a extensa costa do litoral, a capacidade de abrigar lançamentos próximos a linha do Equador e de angular de órbitas. 📌A localização próxima à linha equatorial faz com que lançamentos a partir do local gastem menos combustível e tenham, consequentemente, o custo da operação reduzida. Além disso, há uma baixa densidade de tráfego aéreo na região e um amplo leque de inclinações orbitais para os lançamentos. 💨Quanto menor a latitude - sendo zero na Linha do Equador - , melhor é considerado o local para a realização de lançamento de foguetes. A velocidade de rotação de superfície, necessária para colocar o foguete em órbita, é maior quanto mais próximo do meridiano que divide os hemisférios Norte e Sul. Isso exige menor consumo de combustível da aeronave e menor tempo de viagem à órbita. Apesar destas qualidades, o local se tornou por décadas subutilizado. Entre os motivos para a subutilização estão o grave acidente há mais de 20 anos no local e questões fundiárias. A tragédia interferiu para a consolidação do Brasil no mercado espacial, com redução da atividade em Alcântara a partir de 2003. ➡️ O acidente aconteceu a três dias do lançamento do foguete VLS-1, protótipo que colocaria em órbita dois satélites nacionais de observação terrestre. A estrutura estava montada e o dispositivo passava por ajustes finais, quando um dos motores teve uma ignição prematura e o protótipo foi acionado antes do tempo. A torre acabou explodindo e 21 civis que trabalhavam no local morreram. Já questão fundiária levou Alcântara até à cortes internacionais. Os conflitos pela terra com as comunidades quilombolas que viviam na região antes da instalação da base viraram processos judiciais que se arrastaram por décadas. (leia mais abaixo) Maior desastre espacial brasileiro completa 20 anos; veja o que mudou Brasil pede desculpas e reconhece que violou direitos de quilombolas por implantação do Centro de Lançamento de Alcântara Para o presidente da Associação Das Indústrias Aeroespaciais Do Brasil (AIAB), superados esses problemas, a mudança de cenário e a possibilidade do Brasil entrar na rota dos lançamentos comerciais espaciais depende ainda de fatores que vão além das vantagens geográficas e naturais de Alcântara. Por outro lado, Julio Shidara admite que há uma expectativa que o lançamento gere inovações e novas oportunidades de negócio para a indústria aeroespacial nacional e para o Programa Espacial Brasileiro, beneficiando assim todo o ecossistema. "A competitividade global dependerá de um conjunto maior de fatores que envolvem aspectos logísticos, jurídicos e econômicos,. No cenário global, [Alcântara] será tanto maior quanto maiores forem suas capacidades em oferecer segurança jurídica, menores prazos e menores custos no confronto com outros centros de operação que existem no mundo", explicou. O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), diz também que a entrada de pequenas empresas no mercado de foguetes criou a necessidade de buscar habilitar lugares com boas condições de lançamento de novas missões. "O que mudou no grande contexto foi a entrada muito forte no mercado de foguetes pequenos de empresas privadas, isso no mundo todo. Então, a grande mudança que permite o uso comercial do centro de Alcântara é que agora existem clientes. Por isso, o lugar entra nesse nicho de oferecer um bom lugar e infraestrutura adequada", disse Antonio Chamon. Entenda A abertura da base ao mercado de lançamento de foguetes comerciais em Alcântara começou a se tornar possível devido a um Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) assinado pelos governos brasileiro e dos EUA, em 2019. Pelo acordo, dispositivos desenvolvidos com tecnologia norte-americana e por empresas privadas autorizadas por ele, poderiam ser lançados de Alcântara, e o Brasil ficaria habilitado a receber uma compensação monetária. Isso porque são os EUA que produzem grande parte dos componentes presentes em foguetes lançados no mundo. Porém, os norte-americanos não autorizam esses dispositivos serem lançados por países nos quais eles não possuem acordos na área espacial. Com a assinatura, em 2019, o processo foi simplificado. "Antigamente não era proibido, mas para cada lançamento que você fizesse, precisava de uma autorização especial. Agora, é muito mais fácil", explicou Marco Antonio Chamon, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Após a assinatura do documento, a Agência Espacial Brasileira (AEB) lançou um edital para empresas privadas na utilização do Centro de Lançamento de Alcântara. Quatro empresas foram habilitadas, dentre elas, a sul-coreana Innospace, dona do HANBIT-Nano. Ao g1, o presidente da Agência Espacial Brasileira explicou que esse acordo foi importante para abrir os caminhos necessários para o uso de Alcântara com fins comerciais. Além disso, foi necessário atualizar licenças ambientais e equipamentos de controle da Força Aérea Brasileira (FAB) para manter o centro preparado para receber essas missões. "Foi também necessário atualizar as licenças ambientais do CLA e os equipamentos de rastreio e de controle. Esses investimentos iniciais foram importantes. O centro está preparado para receber essas missões", disse. Infográfico: Entenda as vantagens da base de Alcântara Arte/g1 Passado: impasse com quilombolas Alcântara tem a maior proporção quilombola do Brasil, de acordo com dados do Censo do IBGE de 2022 e, por mais de 40 anos, essa população viveu um impasse com a Força Aérea Brasileira (FAB) sobre a implementação do Centro de Lançamento. Isso porque para criar a base no Maranhão, algumas comunidades precisaram sair do território onde viviam, o que provocou conflitos e acusações de violação de direitos. O caso chegou a ser julgado na Corte Interamericana de Direitos Humano (CIDH), no Chile, onde o Brasil foi acusado de violar direitos humanos contra comunidades quilombolas na construção e implementação dos projetos da Base de Lançamento de Foguetes. Dois anos após o julgamento, o Brasil foi condenado por violar direitos humanos de 171 comunidades quilombolas que vivem em Alcântara. Segundo a corte, a falta de resposta sobre as reinvindicações dos quilombolas gerou sentimentos de injustiça, impotência e insegurança, afetando a vida coletiva e impedindo acessos à saúde, educação e a meios de subsistência. Em 2024, o Governo Federal assinou um Termo de Conciliação, Compromissos e Reconhecimentos Recíprocos que reconheceu o Território Quilombola de Alcântara com 78,1 mil hectares e delimitou a área do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), com 12.600 hectares. O governo se comprometeu a dar o título de propriedade da área aos quilombolas e, ao mesmo tempo, validou a área pertencente ao Programa Espacial Brasileiro (PEA), para evitar conflitos sobre a posse das terras no futuro. Nova fase A Operação Spaceward, que vai lançar o HANBIT-Nano, marca o início de uma nova era do Programa Espacial Brasileiro. O foguete pode inserir o Brasil no mercado global espacial, contribuir na melhora da tecnologia dos dispositivos espaciais e atrair novos investimentos estrangeiros, alavancando o Programa Espacial Brasileiro. "O lançamento é importante porque vai abrir várias portas para o Brasil no mercado internacional. Teremos a inserção do país globalmente, vamos contribuir para desenvolver a região gerando renda, emprego e, principalmente, teremos ainda mais investimentos no segmento espacial brasileiro", explica o diretor do CLA. O que vai ser levado ao espaço? Dois dos satélites que estarão a bordo do foguete HANBIT-Nano Divulgação/FAB 🔎 O HANBIT-Nano levará ao espaço oito cargas úteis, entre elas cinco satélites e três experimentos. Os satélites farão a análise, coleta e transmissão de dados ambientais, testes de comunicação em órbita e monitoramento de dados solares. Veja, abaixo, mais detalhes dos dispositivos que serão levados ao espaço: Satélite Jussara-K: Desenvolvido pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA) em parceria com startups e instituições nacionais, ele tem como missão coletar dados ambientais em regiões de difícil acesso; Satélites FloripaSat-2A e FloripaSat-2B: Desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) serão usados para validar uma espécie de comunicação em órbita; PION-BR2 - Cientistas de Alcântara: Desenvolvido pela UFMA, em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a startup PION e levará ao espaço mensagens de alunos da rede pública de Alcântara; Satélite SNI-GNSS: Vai determinar com precisão a velocidade, posição e altitude do foguete e essa tecnologia poderá ser aplicada em outros dispositivos como drones, carros e navios. Ele foi desenvolvido pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em parceria com as empresas Concert Space, Cron e HORUSEYE TECH; Solaras-S2: Será responsável por monitorar fenômenos solares que podem impactar comunicações, navegação e sistemas tecnológicos na Terra. Foi desenvolvido pela empresa indiana Grahaa Space; Sistema de Navegação Inercial (INS): Dispositivo vai validar um algoritmo de navegação que irá auxiliar na futura aplicação em sistemas de navegação embarcados em missões espaciais. Foi desenvolvido pela empresa Castro Leite Consultoria (CLC). Terá ainda, a bordo do foguete, um outro dispositivo desenvolvido pela empresa Castro Leite Consultoria (CLC), entretanto, por solicitação do fabricante, a Força Aérea Brasileira (FAB) teve acesso a apenas dados de um.

Palavras-chave: tecnologia

A Enel pode ter o contrato rompido por causa dos recorrentes apagões em SP?

Publicado em: 13/12/2025 04:00

Prefeito Ricardo Nunes defende intervenção federal na Enel de SP O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu nesta sexta-feira (12) a intervenção federal na concessionária Enel pela demora no restabelecimento da energia elétrica na Grande São Paulo após forte ventania. A fala aconteceu no terceiro dia de apagão generalizado que chegou a afetar 2,2 milhões de famílias simultaneamente. Na tarde desta sexta, 624 mil imóveis seguiam sem luz na região. Mas alguém tem o poder de romper com a Enel, diante de apagões recorrentes, multas, reclamações de clientes e ações na Justiça? A resposta simplista é: sim. No entanto, o tema é muito complexo e demanda debate (entenda abaixo). Considerada uma medida extrema, a caducidade ou extinção do contrato pode ocorrer quando confirmado que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população. Fato é que a empresa italiana tem sido alvo de críticas, com outros três grandes casos de apagões na capital paulista. Em novembro de 2023, 2,5 milhões de pessoas ficaram sem luz após fortes chuvas na região metropolitana de São Paulo. A empresa demorou até seis dias em algumas regiões para restabelecer a energia. Em março do ano passado, foi a vez dos moradores do Centro da capital paulista, inclusive a Santa Casa, ficarem sem luz. Ainda em 2024, no início de outubro, mais um episódio: milhões ficaram sem o serviço. A distribuidora de energia também acumula reclamações em outros estados onde tem contratos, como no Ceará, onde o Ministério Público instaurou procedimento contra a empresa para apurar possível piora do serviço. 🚫 Estado e prefeitura podem 'demitir' a Enel? Nem o governo estadual nem o municipal têm poderes sobre o contrato da Enel. A Aneel foi criada para regular o setor elétrico brasileiro e tem como função: Regular geração (produção), transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica; Fiscalizar, diretamente ou mediante convênios com órgãos estaduais, as concessões, as permissões e os serviços de energia elétrica; Estabelecer tarifas; Promover atividades de outorgas de concessão, permissão e autorização de empreendimentos e serviços de energia elétrica, por delegação do governo federal. "Quando acontece um apagão, ou um problema do tipo, como está sendo o caso, fica um jogo de empurra-empurra de responsabilidade. A administração do contrato é do governo federal. Estado e município podem aproveitar a mídia para mostrar serviço, mas não existe algo que possa ser feito", afirma Vera Monteiro, professora de Direito Administrativo da FGV. "Eles não são contratantes. Eles são usuários do serviço, como nós, ou seja, podem reclamar, fazer pressão e ir ao Judiciário cobrar eventual indenização por prejuízos causados pela concessionária, mas não podem aplicar multas", completa. 🔨 Quem pode suspender o contrato de concessão? O contrato de concessão da Enel é gerido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que age como representante da União, neste caso, do Ministério de Minas e Energia; Somente o Ministério de Minas e Energia tem o poder de encerrar o processo de concessão; A Aneel pode aplicar e definir multas, mas a decisão final de encerramento do contrato segue sendo da União; Os governos estadual e municipal, neste caso, podem reclamar, fazer pressão pública e entrar na Justiça, mas o contratante continua sendo a Aneel, que toma as decisões sobre multas, punições e abre investigações que podem levar ao fim ou não do contrato. 👩🏽‍🔧 Avaliação dos especialistas O contrato de concessão da Enel com o governo federal é de 30 anos, com encerramento previsto para 2028, caso não tenha renovação; Para especialistas ouvidos pelo g1, justamente por estar no final, o governo não tem tempo hábil para enfrentar um processo de caducidade e ainda encontrar um novo fornecedor; Advogados defendem também que o contrato de concessão, feito em 1998, precisa ser atualizado para se adequar às novas necessidades da sociedade; Segundo o presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica, mesmo trocando de fornecedor, os problemas tendem a se manter, já que a Aneel continuará com as mesmas normas de concessão. A professora Vera Monteiro explica que "não é tão simples tirar o contrato de uma empresa, ainda mais se tratando de uma concessão longa, como no caso da Enel. Ele está quase no fim e, agora, os principais pontos são discutir se o governo vai ou não renovar. Ou, até mesmo, se existe um plano B, caso escolha não seguir com a Enel". Para Alexei Vivian, presidente da Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica, falhas no fornecimento, como os que ocorreram recentemente, não justificam a quebra de contrato. "Seria uma atitude extrema, que certamente seria levada ao Judiciário. No direito administrativo tem a regra da proporcionalidade da pena, ela tem que ser proporcional à infração. Você aplicar a pena mais grave para uma concessão que teve falhas, mas cujo serviço vem sendo atendido, geraria problemas ainda maiores. Teria que encontrar um outro fornecedor, de uma maneira rápida e isso também geraria custos", afirma. Danilo Tavares, professor de direito da Unifesp, avalia que seria mais proveitoso, neste caso, criar um plano de resultados. "A agência reguladora pode ajustar com a empresa um plano de resultados e, através desse plano, a empresa tem uma chance a mais de resolver seus problemas. É muito difícil, em quatro anos, aparecer um novo operador." 🅱️ Necessidade de um plano B Tanto Vera quanto Daniel são enfáticos em defender a necessidade de um plano B: "Nos próximos anos, é mais proveitoso pensar em encerrar o contrato de uma maneira menos danosa e problemática para os usuários. O importante é pensar como aperfeiçoá-lo no futuro", afirma Daniel. Vera reforça que justamente por ser um contrato antigo, a concessão da Enel tem muitas falhas que precisam ser readequadas, com parâmetros mais rígidos de monitoramento. "Chegamos em um ponto que os problemas se repetem porque não tem ninguém monitorando o serviço. [O tempo para decidir] se renova ou não passa rápido, a caducagem de uma concessão é um processo muito complexo que não vai levar menos de um ano para ser concluído. Se concluir, tem que ter uma alternativa. Precisamos de um plano B, uma solução mais rápida, porque a caducagem não é simples como parece", afirma. Se o processo de caducidade for para frente, enquanto não houver um novo operador, a Enel continua à frente dele, explica Vera. ⏳ Briga antiga O prefeito Ricardo Nunes enfrenta uma queda de braço com a concessionária há algum tempo. Segundo ele, a prefeitura já entrou com três ações na Justiça de São Paulo e uma na Justiça federal questionando o serviço da Enel. "A concessão de energia é feita pelo governo federal, a concessão, a regulação e a fiscalização. Como essa empresa está sendo de um atendimento muito ruim na cidade, obviamente, nós temos que pedir ao governo federal que tire essa empresa daqui e traga uma outra empresa boa", afirmou. Na avaliação dele, a concessionária não tem condições de atender as demandas da cidade. O que nós estamos fazendo é essa pressão por uma empresa que, infelizmente, não tem tido condições de atender as demandas da cidade. (...) A gente sabe que cada vez que tiver um vento, uma chuva, nós vamos passar por isso. Então, a gente precisa deixar claro que essa empresa não tem como mais continuar em São Paulo. Governo estadual Na quinta (11), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também havia criticado a lentidão no restabelecimento de energia na Grande São Paulo após a ventania que atingiu a região e a possibilidade de prorrogação do contrato da Enel com o governo federal. Até a última atualização desta reportagem, a Enel São Paulo não informou um prazo para normalizar o serviço. Ao comentar o impacto da ventania, Tarcísio disse que o problema principal é a baixa velocidade na recomposição da energia — e atribuiu parte das falhas à estrutura da própria distribuidora. "Você vê que plano de contingência às vezes não funciona. Ontem [terça-feira] começou a ventar de manhã, ventou até o início da noite, com rajadas de quase 100 km/h. [Houve] muito transtorno, queda de árvore, e a velocidade de restabelecimento se dá muito de acordo com automação e investimento”, afirmou. O governador afirmou que o estado "não pode ficar refém" da concessionária, criticou a quantidade de funcionários diante do número de imóveis afetados e defendeu a não manutenção do contrato. "A gente não pode ficar refém, não dá. Todo evento climático, nós vamos ter o mesmo problema. Qual é a previsibilidade? Quando que a energia vai ser restabelecida? As pessoas ficam dias sem restabelecimento. Pode ter certeza que esse restabelecimento completo vai levar alguns dias. A gente vai ver isso acontecer de novo, e a gente está falando isso sempre., disse Tarcísio. "A gente chegou a ter aí 2,2 milhões clientes sem energia. É um problema sério, nos preocupa a velocidade de restabelecimento. Por isso que a gente tem sido muito crítico à questão da prorrogação do contrato", completou. "Lá atrás, sugerimos para o Ministério de Minas e Energia e para a Agência Nacional de Energia Elétrica medidas regulatórias, o início do processo de caducidade, também a intervenção [do governo federal na Enel]", lembrou. Ao comentar o impacto da ventania, Tarcísio disse que o problema principal é a baixa velocidade na recomposição da energia — e atribuiu parte das falhas à estrutura da própria distribuidora. Reprodução Críticas à prorrogação do contrato Para Tarcísio, o modelo atual não estimula investimentos suficientes na rede. “É muito difícil para nós fazermos algo além do que já estamos alertando há muito tempo. É um contrato muito antigo, com facilidade para alcançar determinados indicadores, e que precisa de muito investimento para tornar a rede mais automatizada”, disse. Tarcísio afirmou que o estado já havia sugerido ao governo federal medidas como intervenção, abertura de processo de caducidade ou outras ações regulatórias para garantir que a concessionária invista mais em automação, tecnologia e capacidade operacional. O governador reforçou ainda que, na visão dele, a área de concessão da Enel é grande demais para uma única operadora. Segundo ele, o contrato merecia ser "quebrado em dois", para que pudesse ter mais facilidade de realização de investimentos, com mais potência em tecnologia e equipes. Ainda de acordo com Tarcísio, por isso o governo paulista critica as iniciativas de prorrogar o contrato sem antes revisar o modelo. “Todo ano agora tem grande evento climático com ventos muito fortes. Precisamos modernizar a rede porque isso será cada vez mais comum.” Árvore cai na avenida Fábio Prado, na Chácara Klabin, e atinge um carro. Arquivo pessoal

Palavras-chave: tecnologia

Pesquisadores desenvolvem inteligência artificial para detectar câncer de boca em estágio inicial no RS

Publicado em: 13/12/2025 02:00

Inteligência Artificial na luta contra o câncer 🦷 Criar um sistema baseado em inteligência artificial capaz de apontar sinais precoces do câncer de boca, aumentando as chances de tratamento e cura: esse é o objetivo de um projeto inovador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pesquisadores das áreas de Odontologia e Informática trabalham juntos para desenvolver essa tecnologia, que pode mudar a forma como a doença é identificada. O estudo tem como foco o carcinoma espinocelular, tipo de tumor que se forma na mucosa bucal e atinge cerca de 15 mil brasileiros todos os anos. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), aproximadamente 6 mil pessoas morrem em decorrência da enfermidade, e mais de 60% dos casos são descobertos em estágio avançado. Como funciona a pesquisa A proposta é permitir o rastreamento da doença em grupos com maior risco, como pessoas que fumam e consomem álcool, fatores que estão entre as principais causas do câncer de boca. O processo começa com a coleta de fluidos da boca do paciente, que são analisados ao longo de um acompanhamento prolongado. Tradicionalmente, essa análise é feita de forma manual, com especialistas observando alterações nas células por meio do microscópio. O novo sistema automatiza essa etapa: a inteligência artificial identifica mudanças no núcleo celular, como aumento de estruturas, variações de forma e cor, que podem indicar predisposição ao câncer. Essa automação torna o processo mais rápido e escalável, permitindo realizar muito mais exames em menos tempo. "O que os nossos sistemas que utilizam inteligência artificial fazem é substituir essa inspeção visual que é demorada, cansativa, por um processo automatizado extremamente mais rápido e que, portanto, permite escalar esse processo para que a gente possa realizar muito mais exames em um tempo pequeno", explica o professor do Instituto de Informática da UFRGS Manuel Menezes de Oliveira Neto. Complemento aos exames clínicos A tecnologia não substitui procedimentos como a biópsia, mas pode se tornar um exame complementar para indicar risco antes do surgimento das lesões. Segundo os pesquisadores, a ideia é estabelecer valores de referência que ajudem a identificar pacientes com maior ou menor probabilidade de desenvolver a doença. Aplicação futura O projeto faz parte de uma pesquisa acadêmica da professora e doutoranda Tatiana Wanmacher Lepper e deve levar cerca de 10 anos para ser concluído. Esse prazo é necessário para estudos longitudinais, que acompanham pacientes por um longo período e validam os padrões identificados. A expectativa é que, no futuro, o sistema possa ser incorporado à rede pública de saúde, ampliando o acesso ao diagnóstico precoce. "A gente precisa acompanhar esses pacientes por um tempo prolongado para ver se esses valores seguem o mesmo padrão que estavam seguindo ali no estudo transversal, ou se sofre alguma alteração, caso em que será necessário ajustar esses valores de referência e também os sistemas, otimizando-os para que funcionem adequadamente nos processos de análise", comenta Tatiana. Pesquisadores do RS usam tecnologia com IA para detectar câncer de boca em estágio inicial Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

Sua Piscina e deck prontos para o verão com beleza e resistência

Publicado em: 13/12/2025 00:02

Com a chegada do verão, a escolha dos revestimentos certos para piscinas e decks ganha ainda mais importância. Materiais resistentes ao calor, à umidade e ao uso intenso da temporada garantem segurança, durabilidade e um visual renovado para as áreas externas. Optar por superfícies adequadas faz toda a diferença na performance e no conforto dos espaços ao ar livre. O cenário ideal para dias de sol Acervo Vilarejo Os porcelanatos são os queridinhos das áreas de piscina, especialmente nas versões antiderrapantes e com acabamento acetinado. A tecnologia atual permite modelos que resistem ao calor, à umidade e às mudanças de temperatura sem perder a estabilidade, a beleza e a facilidade de manutenção. Tons inspirados na natureza, como areia, off-white e amadeirados, ajudam a criar uma estética leve, fresca e acolhedora. Revestimentos que valorizam a piscina e deixam a área externa mais acolhedora Acervo Vilarejo Os cimentícios também ganham destaque por sua textura contemporânea e pelo visual urbano e sofisticado. Além de resistentes e versáteis, eles se integram facilmente ao paisagismo, criando uma transição natural entre piscina, deck e jardim. Quando combinados com porcelanatos claros, o resultado é um ambiente equilibrado, elegante e visualmente amplo. A harmonia do entorno também depende da escolha inteligente do paisagismo. Plantas tropicais, folhagens de baixa manutenção e cores naturais reforçam a sensação de frescor e trazem movimento para o espaço. O verde conversa bem com os revestimentos neutros, criando uma área externa agradável tanto durante o dia quanto à noite, especialmente quando combinada a uma iluminação suave. Porcelanatos que elevam o design da área externa com naturalidade e equilíbrio Acervo Vilarejo Investir em revestimentos adequados para piscinas e decks é garantir uma temporada mais segura, bonita e durável. Com os materiais certos, sua área externa se transforma em um refúgio para aproveitar o melhor do verão, seja recebendo amigos, vivendo momentos em família ou simplesmente desacelerando ao ar livre. Visite uma das lojas em Araruama, Maricá, Cabo Frio, Búzios, Rio das Ostras, Macaé, Campos dos Goytacazes, Niterói ou no CasaShopping – RJ.

Palavras-chave: tecnologia

Brasil inaugura 1º laboratório de extração de terras raras; veja como vai operar

Publicado em: 13/12/2025 00:01

Laboratório de extração de terras raras é inaugurado em Poços de Caldas Começou a funcionar em Poços de Caldas (MG) um laboratório de extração de terras raras. Segundo a mineradora Meteoric, o empreendimento é a primeira iniciativa de refino dessas substâncias em território nacional e funciona como uma planta piloto do Projeto Caldeira, que prevê a exploração mineral de uma área de 193 km² em Caldas (MG). 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram Terras raras são minérios considerados estratégicos nos setores de transição energética e novas tecnologias. Essas substâncias são utilizadas na fabricação de produtos como telas de celulares, computadores e notebooks, equipamentos médicos e odontológicos, ímãs permanentes, motores de carros elétricos e de geradores de energia eólica. Laboratório de extração de terras raras é inaugurado em Poços de Caldas Meteoric/Divulgação A estrutura, inaugurada oficialmente nesta sexta-feira (12), teve um investimento de US$ 1,5 milhão. Para realizar a sua instalação, a empresa australiana conseguiu a primeira licença ambiental para uma planta piloto de extração de terras raras no estado de Minas Gerais. Já a exploração mineral da área em Caldas ainda está à espera da votação da licença ambiental, que já foi adiada duas vezes no Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam) (leia mais abaixo). SAIBA MAIS: Copam adia licenciamento ambiental para a exploração de terras raras no Sul de MG após pedido de vista de conselheiros Votação sobre licenciamento para exploração de terras raras em MG é adiada pela 2ª vez consecutiva após recomendação do MPF Escala menor O laboratório tem capacidade para processar 500 quilos de carbonato misto de terras raras (concentrado inicial obtido do minério, contendo os elementos de terras raras) por ano, um volume bastante reduzido em relação às 18 mil toneladas anuais previstas para serem extraídas da mina do Projeto Caldeira. O local é voltado para testes e ajustes do processo produtivo. A ideia é utilizar essa fase para calibrar a operação antes da construção da planta definitiva em Caldas e comprovar a qualidade dos minérios. Laboratório em Poços de Caldas está testando métodos para a extração de carbonato misto de terras raras Meteoric/Divulgação "A planta piloto serve para a gente ajustar o processo, para otimizar, por exemplo, a recuperação de reagente, a recuperação da água, porque a gente não joga água no meio ambiente, recupera tudo no circuito. A gente vai testar tudo isso nessa escala continuamente para que a gente possa chegar em um projeto otimizado na ponta da escala real", afirmou o diretor executivo da Meteoric, Marcelo Juliano de Carvalho. No local, serão processados 600 quilos de argila por dia, que devem resultar em 2 kg de carbonato misto, dos quais 53% de sua composição são óxidos de terras raras. O material virá de amostras já coletadas durante o processo de pesquisa da área que será minerada. LEIA MAIS: MG terá o primeiro centro de reciclagem de ímãs de terras raras do Hemisfério Sul Corrida por terras raras: descoberta de jazida em MG atrai mais de 100 pedidos de mineração Cratera de vulcão em MG pode suprir 20% da demanda global por terras raras, minerais estratégicos cobiçados pelos EUA 'Terras raras': jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil na liderança da transição energética 'Terras raras' são ponto-chave na geopolítica mundial, e Brasil tem potencial na área; entenda Segurança radioativa Os processos de extração de terras raras podem envolver radioatividade, pois estes minérios frequentemente contêm elementos radioativos como urânio e tório. Por isso, as atividades realizadas no novo laboratório serão acompanhadas pela Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). "Nós passamos para a ANSN todos os testes pilotos que nós fizemos na Austrália, em que todas as fases do processo foram analisadas, e a agência emitiu o certificado negativo de radioatividade, mas eles vão estar nos acompanhando aqui continuamente para testar os níveis de radioatividade, que são muito baixos", afirmou Carvalho. Licença ambiental está atrasada Área de extração de terras raras na região da caldeira vulcânica de Poços de Caldas Divulgação / Meteoric Resources O licenciamento ambiental para a exploração de terras raras pela Meteoric, em Caldas, e pela Viridis, em Poços de Caldas, que deveria ter sido votado inicialmente em outubro, está atrasado. Por duas vezes, o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam) adiou a apreciação das requisições. A primeira vez por pedido de vista feito por seus conselheiros, após uma pressão popular e política por mais informações. E a segunda vez por recomendação do Ministério Público Federal, que fez uma série de questionamentos sobre a segurança dos projetos mineradores para as comunidades próximas e para o meio ambiente. Para o executivo da Meteoric, estes entraves são esperados dentro do planejamento da implantação da mina em Caldas. "É um processo comum a todo empreendimento mineral no Brasil e a gente entende que é um processo justo porque são projetos grandes e pouco conhecidos pela comunidade. Entendemos que é importante respondermos aos questionamentos que os diferentes órgãos fazem para para que eles se sintam à vontade para licenciar o projeto. Os questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal já foram respondidos tecnicamente com laudos e o processo deve voltar à pauta do Copam", disse Carvalho. Região tem uma das maiores jazidas de terras raras do mundo Vulcão inativo no Sul de MG abriga jazida de terras raras A região conhecida como Planalto de Poços de Caldas ou Cratera de Poços de Caldas abriga uma das maiores jazidas de terras raras do mundo, com capacidade de suprir 20% da demanda global por estes minérios. Com cerca de 800 km², a cratera, que engloba os municípios mineiros de Poços de Caldas, Andradas, Caldas, além de Águas da Prata em São Paulo, pode gerar 300 milhões de toneladas de terras raras, segundo o geólogo Álvaro Fochi, responsável por encontrar a jazida no início dos anos 2010. Duas empresas australianas estão em adiantado processo de licenciamento para a exploração desses minérios nos municípios de Poços de Caldas e Caldas. Nos anos de 2023 e 2024, la Agência Nacional de Mineração (ANM) recebeu mais de uma centena de pedidos de pesquisa de terras raras na cratera e seu entorno, o equivalente a um terço de todas as autorizações de pesquisa para estes minérios concedidas para Minas Gerais no período. Terras Raras: jazida sobre vulcão inativo no Sul de MG pode colocar o Brasil como protagonista na corrida global por energia limpa Arte g1 Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

Palavras-chave: tecnologia

Garis dispensados no Natal e Ano Novo, alunos na Nasa e mais: veja projetos aprovados e rejeitados pelos vereadores de Rio Branco

Publicado em: 12/12/2025 21:16

Sessão entrou na madrugada desta sexta-feira (12) Câmara Municipal de Rio Branco Além da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2026 e o polêmico projeto de concessão dos mercados municipais à iniciativa privada, a Câmara Municipal de Rio Branco também aprovou e rejeitou, na madrugada desta sexta-feira (12), um extenso conjunto de leis, projetos e emendas no último dia de sessão parlamentar do ano. A votação foi marcada por debates intensos na estrutura da LOA, principalmente sobre políticas voltadas para mulheres e ações sociais que acabaram rejeitadas pela maioria dos vereadores. 📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp Entre os destaques estão a aprovação do programa 'Aluno rumo à NASA e à Disney', uma das promessas de campanha do prefeito Tião Bocalom (PL), a confirmação da dispensa de garis em datas comemorativas do final deste ano, além de novos direitos na área de saúde e acessibilidade. Com placar de 15 a 4, vereadores aprovam PL que prevê R$ 2,42 bilhões LEIA MAIS Acre tem 10 vereadores com patrimônio milionário; veja lista completa Vereadores aprovam PL que aumenta cargos comissionados em Rio Branco, mesmo com parecer contrário Câmara Municipal de Rio Branco gasta mais de R$ 20 mil em diárias para vereadores não reeleitos Aumento de quase 40% no subsídio à empresa de transporte é aprovado em Rio Branco Veja abaixo um resumo dos 34 projetos, moções e emendas aprovadas e rejeitadas: Pacote de emendas para mulheres é rejeitado pela maioria Todas as emendas que tentavam reforçar políticas públicas voltadas às mulheres na LOA de 2026 foram rejeitadas. Entre as propostas, estavam suplementações de recursos para os programas "Mulher com Dignidade", "Promoção da Saúde Integral da Mulher", ações de combate à violência, autonomia feminina e fortalecimento do Fundo da Criança e do Adolescente. Os votos favoráveis foram sempre de grupos reduzidos, geralmente André Kamai (PT), Zé Lopes (Republicanos), Fábio Araújo (MDB) e Eber Machado (Republicanos), que formam oposição na Câmara municipal, além de Elzinha Mendonça (PP) e Neném Almeida (MDB), insuficientes para aprovar as mudanças. Propostas culturais e ações sociais também não passaram Outras iniciativas barradas incluíam suplementações para a política de igualdade racial, povos tradicionais, conselhos municipais e fazedores de cultura. Inclusive, haviam duas propostas que tentavam ampliar recursos para eventos culturais e o calendário junino de 2026. Todas foram rejeitadas pela base majoritária da Câmara. Auxílio-alimentação e auxílio-saúde a servidores da saúde A única emenda aprovada por unanimidade veio do vereador Aiache (PP), e garante a criação de uma ação orçamentária de R$ 9,5 milhões para instituir auxílio-saúde e auxílio-alimentação aos servidores da área de saúde municipal. Vereadores defenderam que a medida valoriza profissionais essenciais no atendimento à população. Programa 'Aluno Rumo à NASA e à Disney’ é aprovado Um dos projetos mais comentados da sessão, o Projeto de Lei Complementar nº 44/2025, de autoria do Executivo municipal, cria o 'Programa de Intercâmbio Educativo: Aluno Rumo à NASA e à Disney', voltado para estudantes da rede municipal. O impacto estimado para 2026 é de R$ 1,2 milhão. O projeto foi aprovado com apenas um voto contrário, o do vereador Eber Machado (MDB). André Kamai (PP) e Antônio Morais (PL) não votaram. Garis dispensados do trabalho no Natal e Ano Novo Um requerimento do vereador Joabe Lira (União) foi aprovado por unanimidade e garante a dispensa de garis, roçadores, margaridas, coordenadores e demais trabalhadores da limpeza pública nos dias 25 de dezembro e 1º de janeiro, datas onde se comemoram o Natal e o Ano Novo. A medida foi vista como reconhecimento ao esforço dos profissionais. Outros projetos aprovados na sessão incluem: Uso de recursos de acessibilidade em placas comemorativas e de inauguração, do vereador Samir Bestene - PP; Gratificação para contadores, do Executivo municipal; Limite mensal de gastos com cargos em comissão, do Executivo municipal; Isenção de IPTU para pessoas com TEA ou responsáveis legais, do Executivo municipal; Regulação de alimentação saudável em escolas públicas e privadas, do vereador Felipe Tchê - PP; Garantia de Atendimento prioritário a pessoas com fibromialgia, do vereador Matheus Paiva - União; Instituição de Política Municipal de Linguagem Simples, do vereador André Kamai - PT; Criação do programa Adote um Campeão, do vereador Samir Bestene - PP. Declaração de utilidade pública e inclusão da Marcha para Jesus no calendário turístico oficial; Reconhecimento do calendário de eventos diocesanos da Diocese de Rio Branco como Patrimônio Cultural Imaterial do município. O último bloco de votações incluiu moções de aplausos, títulos honoríficos e criação de comissão especial para estudos do programa 'Minha Farmácia, Meu Posto de Saúde', de autoria de Lucilene Vale (PP). VÍDEOS: g1

Palavras-chave: câmara municipal

Desde 2019, Enel acumula 8 multas do Procon que somam R$ 77 milhões; concessionária recorreu à Justiça e, até agora, não pagou nada

Publicado em: 12/12/2025 21:03

Cerca de 700 mil imóveis seguem sem energia na Grande SP Setecentos mil moradores de São Paulo ainda não sabem quando a energia vai voltar. Toda a comida do mercadinho do prédio descongelou e foi para o lixo, e os moradores estão sem água desde quinta-feira (11) porque a bomba não funciona. “Nós não temos gerador. Eu tive que fornecer um pouco da água de reuso para pelo menos minimizar alguns desconfortos do dia a dia, como a questão do toalete. Água potável, gente não tem”, conta a síndica profissional Analícia Alyaseen. Já são três dias de escuridão e prejuízos. Ligações desesperadas que chegam viram protocolos que se multiplicam. Durante chuva fraca à tarde, o número de clientes sem luz saltou de 630 mil para 730 mil em uma hora. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, do MDB, defendeu uma intervenção na Enel: “A gente precisa convencer o governo federal que chegou no limite, aliás já extrapolamos o limite, para que tenha uma intervenção nessa empresa e que ela seja substituída por uma empresa que dê atendimento à população”. O Ministério Público e a Defensoria acionaram a Enel para que o fornecimento de energia seja restabelecido imediatamente. Em caso de não cumprimento, o MP pede uma multa de R$ 200 mil por hora. Nos últimos três anos, os registros mostram um padrão que se repete: em novembro de 2023, 2,1 milhões clientes sem energia; em outubro de 2024, 2,4 milhões; agora, cerca de 2,2 milhões. O Procon de São Paulo repetiu o que já fez em anos anteriores: notificou e pediu explicações. Desde 2019, o Procon já multou a Enel oito vezes em valores que somam mais de R$ 77 milhões. A concessionária recorreu à Justiça e até agora não pagou nada. Enel Reprodução/TV Globo Centro de operações da Enel, a multinacional italiana que em 2018 assumiu a distribuição de energia na capital e mais 23 municípios da Região Metropolitana. Lá, engenheiros e técnicos analisam a situação da rede, o trabalho das equipes na rua e autorizam ou não as religações que a população tanto espera. Quarenta equipes do Rio e do Ceará estão chegando entre hoje e amanhã para reforçar as 1,6 mil equipes que se dividem em três turnos. A prefeitura reclama que é pouco. O investimento feito pela empresa no Brasil e na Itália é bem diferente: R$ 10,4 bilhões aqui contra R$ 96 bilhões na Europa. O tempo sem energia, que na Itália é em média de 48 minutos por cliente, aqui chega a 462, segundo relatório da Enel. "Essa diferença não é comparável. Infelizmente, a Itália tem uma rede muito mais antiga, com muito mais investimento. Tem uma parte da rede que também tem enterramento e muito mais tecnologia. Essa parte toda de resiliência de investimento na rede que a gente está falando aqui agora, a Itália já passou por esse processo há muito tempo”, diz Guilherme Lencastre, presidente da Enel São Paulo. A promessa é de restabelecer a energia até o final de semana para quem sofre há mais tempo. Guilherme Lencastre: Os clientes que estão há muito tempo sem energia passam a ser a prioridade máxima. O cliente que está há mais de 24 horas, a gente vai dar prioridade máxima. Repórter: E essa prioridade significa a religação em quanto tempo, em média? Guilherme Lencastre: Depende da complexidade da situação. Ministério das Minas e Energia e a Agência Nacional de Energia Elétrica não se manifestaram sobre a declaração do prefeito de São Paulo de intervenção na Enel. LEIA TAMBÉM Vendaval histórico em SP deixa milhões de pessoas sem luz e impede estabelecimentos de funcionar às vésperas do Natal Há 10 anos, paulistanos enfrentam tempestades cada vez mais intensas; especialistas alertam para necessidade de prevenção Companhias aéreas têm obrigações legais com passageiros em caso de atraso ou cancelamento; veja direitos

Palavras-chave: tecnologia

Justiça exige que ANP fiscalize combustível de aviação para combater garimpo ilegal em RR

Publicado em: 12/12/2025 19:59

Garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami Reprodução/ Jornal Nacional A Justiça Federal determinou que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) endureça a fiscalização sobre a venda de combustível da aviação em Roraima. O objetivo da medida é impedir o desvio do produto para o abastecimento de garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), que apontou omissão da agência reguladora no controle do comércio de combustíveis no estado. O g1 procurou a ANP e não obteve retorno até a última atualização da reportagem. Pela sentença, a ANP deve apresentar um cronograma imediato para inspecionar revendedores e pontos de abastecimento. A agência também fica obrigada a suspender a licença de empresas irregulares ou que apoiem o garimpo ilegal. Entre as determinações, a Justiça exigiu ainda a criação de um sistema informatizado para rastrear a movimentação do combustível de aviação. Esse sistema deverá cruzar informações com o banco de dados de aeronaves autorizadas a voar. A Justiça condenou a ANP a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos. O valor da multa será destinado ao Fundo Nacional de Reparação dos Direitos Difusos. Fiscalização "insuficiente" No processo, a ANP alegou que já realizava fiscalizações e aplicava multas, mas enfrentava falta de verba, déficit de servidores e problemas causados por um ataque cibernético em 2022. O juiz, no entanto, considerou que a atuação da agência foi "insuficiente e reativa" para quebrar a logística que abastece o garimpo na região. Para a Justiça, o volume de autuações apresentado pela defesa não comprovou uma fiscalização eficaz. Cabe recurso da decisão. LEIA MAIS: Terra Yanomami segue sob ameaça quase 3 anos após emergência; lideranças denunciam garimpos Garimpo ameaça saúde de crianças Yanomami com contaminação por mercúrio, desnutrição e malária, aponta Unicef Operação da PF Em novembro de 2025, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação para desarticular um esquema que desviava combustível de aviação para abastecer aeronaves usadas na logística do garimpo ilegal dentro da TI Yanomami, em Roraima. Segundo a PF, o esquema funcionou entre 2022 e 2023. As investigações identificaram que o grupo utilizava empresas de fachada e postos de abastecimento falsos para dar aparência de legalidade às compras e ao transporte do combustível. Três mandados de busca foram cumpridos em Roraima e Tocantins. A Justiça também determinou o bloqueio de bens dos investigados, que pode chegar a R$ 20 milhões. Caminhonetes foram apreendidas durante a operação. 📍️ A Terra Yanomami é o maior território indígena do Brasil com quase 10 milhões de hectares entre os estados do Amazonas e Roraima. Garimpeiros atuam na região desde, ao menos, a década de 1970. ❓ Em 2023 o governo federal decretou emergência no território para combater uma crise sanitária sem precedente. Quase três anos após o decreto de emergência na Terra Yanomami, lideranças indígenas denunciam que o garimpo ilegal segue ativo, destruindo roças, contaminando rios com mercúrio e, consequentemente, provocando desnutrição e impactos na rotina dos indígenas. Veja reportagem sobre a operação: PF mira esquema que desviava combustível de aviação para garimpo ilegal na Terra Yanomami Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.

Palavras-chave: cibernético

Em horas, cidades do Paraná registram mais da metade da chuva esperada para todo o mês

Publicado em: 12/12/2025 19:55

Cidades da região Oeste registram mais de 100 mm de chuva Em algumas horas, cidades do Paraná registraram mais da metade da chuva esperada para todo o mês de dezembro, segundo dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). Em cidades do oeste do estado, o acumulado de chuva passou dos 100 mm, como Palotina, Assis Chateaubriand e Guaíra. Confira os percentuais de chuva nesta sexta-feira (12), em relação ao mês de dezembro: Palotina: 140,6 mm de 171,2 mm → 82% do mês Assis Chateaubriand: 138,8 mm de 176,2 mm → 79% do mês Guaíra: 121,6 mm de 164,5 mm → 74% do mês Cambará: 95 mm de 134,3 mm → 71% do mês O cenário é provocado por uma área de baixa pressão no Paraguai e no e norte da Argentina, combinada ao fluxo de ventos em diferentes níveis da atmosfera. As tempestades também trouxeram rajadas de vento acima de 50 km/h. Em Candói, às 17h, foram registrados ventos de 80,6km/h. LEIA TAMBÉM: Conscientização: Vídeo de prefeitura viraliza ao pedir para homens 'escolherem' 3 mulheres que amam para sofrer violência Susto: Idosa esquece que saiu com carro e registra furto, mas guarda encontra veículo e esclarece mal-entendido Vídeo: Mulher se salva por segundos após muro despencar com força de enxurrada Previsão para os próximos dias Em horas, cidades do Paraná registram mais da metade da chuva esperada para todo o mês g1 PR Segundo o Simepar, o sistema segue atravessando o Paraná até sábado (13), onde, no Oeste e Sudoeste, o tempo volta a ficar estável a partir da tarde. Com predomínio de sol, a previsão é que as duas regiões registrem as maiores temperaturas. Foz do Iguaçu, por exemplo, pode chegar aos 29°C, e Francisco Beltrão a 27°C. Conforme o órgão, na região norte do estado, há risco alto para tempestades pontualmente severas. O risco é moderado no leste e na faixa central, e baixo no sul e sudoeste. No domingo (14), o tempo permanece com nebulosidade e abafado. Pancadas de chuva podem ocorrer em vários momentos do dia de forma localizada e rápida, em todas as regiões. Uma atualização do Boletim de Gestão de Riscos, feito pela Defesa Civil em parceria com o Simepar, aponta que as áreas de fronteira com o Paraguai e as de divisa com São Paulo e Mato Grosso do Sul são as que possuem o risco mais alto para tempestades localmente intensas. O risco é baixo no sul do Paraná, e moderado no resto do estado. Na segunda-feira (15), uma nova frente fria avança pelo sul do Brasil e muda novamente o tempo, principalmente entre a tarde e a noite, nas regiões noroeste, oeste, sudoeste e centro-sul do Paraná. Veja registros Acumulados de chuva acima de 20 mm até as 19h15 desta sexta-feira (12): Cândido de Abreu: 37,8 mm Distrito de Entre Rios, em Guarapuava: 20,6 mm Guarapuava: 20,2 mm Ivaí (INMET): 29,8 mm Santa Maria do Oeste: 56,2 mm Nova Laranjeiras: 24,6 mm Pinhão: 27 mm Ponta Grossa: 29,2 mm Telêmaco Borba: 48,2 mm Ventania (INMET): 24,6 mm Apucarana: 29,4 mm Bandeirantes (IAPAR): 61,5 mm Cambará: 95 mm Campo Mourão: 87,8 mm Cianorte: 71,2 mm Cornélio Procópio, 32,8 mm Diamante do Norte (INMET): 30,8 mm Mandaguari (SANEPAR): 33,4 mm Japira (INMET): 23,8 mm Loanda: 44,6 mm Londrina: 30,6 mm Maringá: 34 mm Paranavaí: 42,6 mm Santo Antônio da Platina: 39,4 mm Umuarama: 73,2 mm Altônia: 61,6 mm Assis Chateaubriand: 138,8 mm Cascavel: 61,2 mm Guaira: 121,6 mm Marechal Cândido Rondon (INMET): 96,8 mm Palotina: 140,6 mm Ouro Verde do Oeste: 89 mm Campo Bonito: 29,8 mm Santa Helena: 78,4 mm São Miguel do Iguaçu: 56,4 mm Toledo: 72,8 mm Ubiratã: 108,6 mm São Jorge D'Oeste: 23,4 mm Capanema: 37 mm Dois Vizinhos (INMET): 32,8 mm Cruzeiro do Iguaçu: 39 mm Laranjeiras do Sul: 34,2 mm Boa Esperança do Iguaçu: 30,6 mm Planalto (INMET): 25,6 mm Quedas do Iguaçu: 36,2 mm Candói: 31,2 mm Coronel Domingos Soares: 21,8 mm Rajadas de vento acima de 50km/h até as 19h30 desta sexta-feira (12): Altônia: 55,8km/h às 12h45 Capanema: 52,9km/h às 16h45 Campo Mourão: 59,8km/h às 16h30 Foz do Iguaçu: 53,3km/h às 16h Loanda: 50,8km/h às 17h Marumbi Pico: 67,3km/h às 14h Candói: 80,6km/h às 17h Cascavel: 53,3km/h às 18h45 Maringá: 56,9km/h às 17h45 Curitiba (INMET): 50,8km/h por volta das 14h Curitiba - Boa Vista (Prefeitura): 68,4km/h às 12h Curitiba - Boqueirão (Prefeitura): 59,8 km/h às 11h50 Curitiba - Portão (Prefeitura): 54,7km/h às 11h50 Diamante do Norte (INMET): 55,8km/h por volta das 18h Japira (INMET): 53,6 km/h por volta das 9h Joaquim Távora (INMET): 50,4km/h por volta das 9h VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

Palavras-chave: tecnologia